SELECÇÃO DE MOTORES ELÉCTRICOS FACTORES QUE INFLUEM NA SELECÇÃO DO MOTOR ELÉCTRICO CARGA ACCIONADA E CARACTERÍSTICAS DE SERVIÇO Diagramas de carga: potência e/ ou binário requeridos e sua variação. Classe de serviço Velocidade e controlo (variação de velocidade) Curva binário-velocidade da carga Características de arranque (duração, frequência…) Capacidade de sobrecarga necessária Inércia da Carga (massas arrastadas) Forma de montagem (horiz. / vertical) MEIO E CONDIÇÕES DE TRABALHO Temperatura do meio refrigerante Altitude de instalação Condições ambientais (água, corpos sólidos extranhos, pó, contactos com partes móveis do motor…) Ambientes e condições especiais (ambientes explosivos, centrais nucleares…) REDE DE ALIMENTAÇÃO Tensão Frequência Condições da rede 2 1 SELECÇÃO DE UM MOTOR Selecção do tipo de carcaça e nível de protecção (IP). Selecção da potência nominal do motor em função da potência ou binário necessário para arrastar a carga, da altitude da instalação e da temperatura do meio refrigerante. Selecção da velocidade (número de pólos) em função da velocidade da carga arrastada. Selecção da forma e posição de montagem normalizada en função da sua colocação. Selecção da tensão e frequência nominais do motor em função da rede ou fonte de alimentação. Selecção da classe de isolamento em função da temperatura esperada. Selecção da característica mecânica em função do binário de arranque e do binário resistente da carga. 3 SELECÇÃO DA POTÊNCIA DO MOTOR Geralmente o cálculo da potência de um motor eléctrico realiza-se em função do aquecimento e comprova-se de seguida a sua capacidade de sobrecarga e as condições de arranque. INCONVENIENTES DE UTILIZAR MOTORES DE POTÊNCIA DEMASIADO ELEVADA: Maior tamanho e custo do motor. Maior intensidade de arranque. Maior custo e tamanho dos elementos da instalação (contactores, relés térmicos, secção dos cabos …). Menor rendimento devido ao menor factor de potência a carga reduzida. Menor rendimento com cargas parciais. INCONVENIENTES DE UTILIZAR MOTORES DE POTÊNCIA INSUFICIENTE: Possibilidade de funcionamento incorrecto e avarias da máquina accionada. Menor capacidade de sobrecarga do motor. Aquecimento excessivo do motor e redução da sua vida útil. 4 2 SELECÇÃO DA POTÊNCIA DE UM MOTOR EM SERVIÇO CONTÍNUO (CARGA INVARIÁVEL) Se a potência P requerida pela máquina for constante: Se se conhecer o binário M requerido pela máquina, sendo constante: Pnominal ≥ P Mnominal ≥ M • Se a altitude de instalação ou a temperatura do meio refrigerante o indicarem deverá desclassificar-se a potência do motor para evitar um aquecimento excessivo do mesmo. • Para mecanismos bem conhecidos (bombas, ventiladores, aparelhos de elevação, algumas máquinas ferramentas, etc.) determina-se a potência ou o binário requeridos através de cálculos teóricos ou por meio de fórmulas empíricas, aplicando coeficientes obtidos no decurso de numerosas experiências. • Para mecanismos pouco conhecidos pode determinar-se a potência ou o binário necessários obtendo os diagramas de carga por meio de aparelhos registadores sobre instalações análogas em serviço. 5 SELECÇÃO DA POTÊNCIA DE UM MOTOR EM SERVIÇO PERMANENTE COM CARGA VARIÁVEL Com carga variável, a temperatura do motor varía de forma contínua e a eleicção da potência do motor, em função do aquecimento, resulta mais complexa. A selecção da potência nominal do motor baseando-se no valor da carga máxima conduz a um valor demasiado grande de potência, enquanto que se tomar o valor médio da carga (potência média) não se tem em conta a relação quadrática entre as perdas variáveis e a corrente do motor. Quando um motor trabalha seguindo ciclos iguais e repetidos de carga, mas a carga varía ao longo do ciclo, podem utilizar-se os seguintes métodos, indicados da maior precisão para a menor: Método das perdas médias Método da corrente equivalente Método do binário equivalente Método da potência equivalente. 6 3 MÉTODO DAS PERDAS MÉDIAS O procedimento consiste em encontrar o valor médio das perdas térmicas do motor Qmed para o diagrama de carga em análise e compará-lo com o valor de perdas nominais Qn do motor (valor calculado para o motor em em regime de carga constante). P Q med = P1 P2 P3 P4 Q Q1 t1 Q2 t2 Q3 t3 t 1 + t 2 + t 3 + ... + t p 1. Escolhe-se inicialmente um motor. t Q4 t4 Q 1t 1 + Q 2 t 2 + Q 3 t 3 + ... + Q p t p t Diagramas de potência e de perdas 2. Determinam-se as perdas médias desse motor durante um ciclo de trabalho. 3. Se Qmed ≤ Qn considera-se que o motor trabalha a temperatura admissível. 7 MÉTODO DA CORRENTE EQUIVALENTE Baseia-se em substituir, em termos de cálculo, a corrente real que o motor absorve e cujo valor é variável, por uma corrente equivalente Ieq que produziría no motor as mesmas perdas que a corrente real e, portanto, o mesmo aquecimento. A corrente equivalente Ieq compara-se com a corrente nominal do motor In. P P1 P2 Ieq = P3 I12 t 1 + I22 t 2 + I23 t 3 + ... + Ip2 t p t 1 + t 2 + t 3 + ... + t p P4 I I1 t1 I2 t2 I3 t3 t I4 t4 t Diagramas de Potência e Intensidade 1. Escolhe-se inicialmente um motor. 2. Determina-se o valor de Ieq durante um ciclo de trabalho. 3. Se Ieq ≤ In considera-se que o aquecimento do motor é admissivel. 8 4 MÉTODO DO BINÁRIO EQUIVALENTE Baseia-se em substituir, em termos de cálculo, o binário variável da carga durante um ciclo, por um binário equivalente Meq que produza no motor as mesmas perdas que o binário real, ou seja, o mesmo aquecimento. O binário equivalente Meq compara-se com o binário nominal do motor Mn. P P1 P2 Meq = P3 M12 t 1 + M22 t 2 + M23 t 3 + ... + Mp2 t p t 1 + t 2 + t 3 + ... + t p P4 M M1 t1 M2 M3 t3 t2 t M4 t4 t Diagramas de Potência e Binário 1. Determina-se o valor de Meq durante um ciclo de trabalho. 2. Escolhe-se um motor tal que Mn≥ Meq . Então pode considerar-se que o aquecimento do motor é admissível. 9 MÉTODO DA POTÊNCIA EQUIVALENTE Baseia-se em substiuir, em termos de cálculo, a potência pedida ao motor durante um ciclo, por uma potência equivalente Peq que produza as mesmas perdas que a potência real, ou seja, o mesmo aquecimento. A potência equivalente Peq compara-se com a potência nominal do motor Pn. P P1 P2 Peq = P3 P4 t1 t2 t3 t4 Diagrama de potencia P12 t 1 + P22 t 2 + P32 t 3 + ... + Pp2 t p t 1 + t 2 + t 3 + ... + t p 1. Determina-se o valor da Peq durante um ciclo de trabalho. t 2. Escolhe-se um motor tal que Pn≥ Peq . Pode então considerar-se que o aquecimento do motor é admissivel. 10 5 POTÊNCIA DE UM MOTOR PARA O ACCIONAMENTO DE UM VENTILADOR A potência útil do motor necessária ao accionamento vem expressa pela equação: P= Q p −3 10 ηv η t (kW) Q : Qaudal de ar evacuado, en m3/s p : pressão total do ventilador (estática+dinámica) em N/m2 (Pa) Na práctica, a pressão mede-se em mm de coluna de água (1 mm cda = 9,81 Pa) ηv : rendimento do ventilador ηt : rendimento da transmissão entre motor e ventilador 11 POTÊNCIA DE UM MOTOR PARA O ACCIONAMENTO DE UMA BOMBA A potência útil do motor necessária ao accionamento pode determinar-se através das expressões: P= Q p −3 10 ηb ηt (kW) Q : caudal de líquido, em m3/s p : pressão total na boca da bomba em N/m2 (Pa). Na práctica, a pressão mede-se em m de coluna de água (1 m cda = 9810 Pa) ηb : rendimento da bomba ηt : rendimento da transmisssão entre o motor e a bomba P= Q γ H −3 10 ηb ηt (kW) Q : caudal de líquido, em m3/s γ : peso específico do líquido em N/m3. Para a água γ=9810 N/m3 H : altura teórica de impulsão em metros (altura de aspiração + altura de impulsão + perdas de altura + pressão livre) ηb : rendimento da bomba ηt : rend. da transmissão entre motor e bomba 12 6 POTÊNCIA DO MOTOR PARA MECANISMOS DE ELEVAÇÃO E DE TRASLAÇÃO ELEVAÇÃO P= (m + mc ) g v −3 10 η TRASLAÇÃO (kW) m : massa da carga em kg mc : massa da caixa em kg g : 9.81 m/s2 v : velocidade de elevação em m/s η : rendimento mecânico _________ Se existe um contrapeso para compensar a massa da caixa e metade da de carga: P= 1 m g v −3 10 2 η P= µ G v −3 10 η (kW) µ : coeficiente de resistencia à traslação ou à rotação G : peso total (peso próprio + peso da carga) em N v : velocidade de traslação em m/s η : rendimento mecânico (kW) 13 7