UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
PRÓ-REITORIA DE GESTÃO DE PESSOAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO PÚBLICA
RONILDO SANTOS PRADO
PROPOSTA DE INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE BDTD E SUA
APLICAÇÃO À BDTD/UFSCar
SÃO CARLOS
2012
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS
PRÓ-REITORIA DE GESTÃO DE PESSOAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO PÚBLICA
RONILDO SANTOS PRADO
PROPOSTA DE INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE BDTD E SUA
APLICAÇÃO À BDTD/UFSCar
Monografia apresentada como parte
requisitos para obtenção do título
especialista no Curso de Especialização
Gestão Pública da Universidade Federal de
Carlos
dos
de
em
São
Orientação: Prof. Dr. Roniberto Morato do
Amaral.
SÃO CARLOS
2012
FICHA CATALOGRÁFICA
Prado, Ronildo Santos.
Proposta de instrumento para avaliação de BDTD e sua
aplicação à BDTD/UFSCar / Ronildo Santos Prado. – São Carlos:
UFSCar, 2012.
56 f.
Monografia (Especialização em Gestão Pública) –
Universidade Federal de São Carlos, 2012.
1.
Bibliotecas Digitais. 2. Avaliação. 3. Repositórios
institucionais. Título.
AGRADECIMENTOS
Agradeço à minha família pelo suporte que me proporcionou na vida.
Agradeço a todos meus colegas de curso, cuja valorização passa pelo esforço
de todos, bem como, especialmente aos colegas que disponibilizaram seu tempo no
esforço de realizarmos as tarefas e trabalhos em grupo, durante a fase de
disciplinas.
Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral pela
paciência e ajuda sem a qual não conseguiria realizar este trabalho.
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho à minha filha Paloma Rodrigues
Prado:
À Rachel pelo carinho e dedicação.
À minha família.
Aos meus amigos.
“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba”
Legião Urbana
RESUMO
Esta pesquisa busca trazer uma contribuição para as universidades e
bibliotecas visando o aperfeiçoamento das bibliotecas digitais ali implantadas,
aprimorando-as para que possa beneficiar os usuários destes sistemas, auxiliandoos a encontrarem os documentos necessários para o desenvolvimento de suas
pesquisas. Tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas digitais, mais
especificamente a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar –
BDTD/UFSCar, no sentido de entender conceitos teóricos de um modelo ideal de
biblioteca digital em comparação com o modelo implantado na UFSCar. Como
metodologia foi utilizada a investigação em documentos científicos para identificar
critérios de avaliação aliado ao entendimento das propriedades e realidade existente
naquela BDTD, pela experiência do pesquisador na atuação prática naquela seção.
As áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação aliada à Ciência da
Computação estão entre as principais que atuam neste contexto, além da área de
Gestão que possui ferramentas para planejamento e avaliação e podem auxiliar as
bibliotecas digitais e seus administradores no sentido de aprimorá-las. O Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT ligado ao Ministério de
Ciência e Tecnologia é o órgão fomentador no Brasil dos sistemas de acesso aberto
e consequentemente dentro desta filosofia incentiva e auxilia financeiramente às
instituições de ensino e pesquisa a implantar suas bibliotecas digitais. A UFSCar e a
sua Biblioteca Comunitária encamparam esta ideia no ano de 2004 e vêm mantendo
o sistema em funcionamento deste esta época. Os resultados encontrados remetem
ao entendimento de que a BDTD/UFSCar possui os requisitos mínimos para seu
funcionamento, porém, foram detectados pontos em que podem ocorrer
intervenções, criando novas possibilidades para melhorar o sistema.
Palavras-chave: Bibliotecas digitais. Avaliação. Repositórios institucionais.
ABSTRACT
This research seeks to bring a contribution to universities and libraries aimed at the
improvement of digital libraries deployed there, tweaking them so they can benefit the
users of these systems, helping them to find the documents necessary for the
development of their research. Its main objective is to evaluate digital libraries,
specifically the Digital Library of Theses and Dissertations UFSCar - BDTD / UFSCar
in order to understand the theoretical concepts of an ideal model of digital library
compared to the model implemented in UFSCar. As the research methodology was
used in scientific papers to identify assessment criteria together with the
understanding of the properties and existing reality that BDTD, a researcher at the
experience of practical work in that section. The areas of Library and Information
Science coupled with computer science are among the main act in this context,
beyond the area of management that includes tools for planning and evaluation and
can help digital libraries and their managers in order to improve them. The Brazilian
Institute of Information Science and Technology - IBICT linked to the Ministry of
Science and Technology is the organ systems developers in Brazil of open access
and therefore within this philosophy encourages and assists financial institutions for
teaching and research to implement their digital libraries. The Community Library and
its UFSCar encamparam this idea in 2004 and have kept the system running this this
season. The results refer to the understanding that BDTD / UFSCar meets the
minimum requirements for its operation, however, were detected points where
interventions can occur, creating new possibilities for improving the system.
Keywords: Digital libraries. Evaluation. Institutional repositories.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.
Informação e conhecimento: resultado da ação dos atores............... 15
Figura 2.
Modelo tradicional de comunicação científica.................................... 16
Figura 3.
Modelo em evolução da comunicação científica................................ 16
Figura 4.
Esquema de colheita de metadados. ................................................. 30
Figura 5.
Visão da configuração do Adobe para PDF/A.................................... 37
Figura 6.
Estratégia de Interoperabilidade......................................................... 44
LISTA DE QUADROS
Quadro I. Tipos de metadados quanto à sua função .............................................. 42
Quadro II. Sistemática para diagnóstico e avaliação de iniciativas de Bibliotecas
Digitais....................................................................................................................... 48
LISTA DE SIGLAS
BCo
Biblioteca Comunitária da UFSCar
BDTD
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
DSPACE
Institutional Digital Repository System
FAPESP
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
HTML
Hypertext Markup Language
IBICT
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia
ISO
International Organization for Standardization
MTD-BR
Padrão Brasileiro de Metadados para Teses e Dissertações
NDLTD
Networked Digital Library of Theses and Dissertations
OCLC
Online Computer Library Center
OPAC
Online Public Access Catalogue
OpenDOAR Directory of Open Access Repositories
PDF
Portable Document Format
PPG
Programa de Pós-Graduação
PROBE
Programa Biblioteca Eletrônica
SciELO
Scientific Electronic Library Online
TEDE
Sistema de Publicações Eletrônica de Teses e Dissertações
UFSCar
Universidade Federal de São Carlos
URL
Uniform Resource Locator
XML
Extensible Markup Language
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO................................................................................................................... 12
2. UNIVERSIDADES E BIBLIOTECAS ................................................................................. 12
2.1 Universidades e Bibliotecas tradicionais. ..................................................................... 12
2.2 Acesso Aberto e o Surgimento das Bibliotecas Digitais .............................................. 16
2.3 A Evolução das Bibliotecas Digitais ............................................................................. 21
2.4 Repositórios Institucionais ........................................................................................... 23
3. MÉTODO E DESENVOLVIMENTO...................................................................................27
3.1 Abordagem e método da pesquisa .............................................................................. 25 3.2 Desenvolvimento da pesquisa......................................................................................31
3.2.1 Conceitos teóricos..............................................................................................32
3.2.2 Critérios de avaliação.........................................................................................34 4. RESULTADOS .................................................................................................................. 45
4.1 Avaliação de Iniciativas de Bibliotecas Digitais .......................................................... 45
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... 50
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 52
12 1. INTRODUÇÃO
A evolução da internet e das ferramentas tecnológicas está permitindo
novas formas de interação entre as pessoas, sendo que podemos perceber isto no
crescimento das redes sociais, na evolução da internet com o surgimento da web 2.0
e seus conceitos de “computação em nuvem”, criação de blogs, a ferramenta wiki,
entre outros. Este novo contexto vem propor mudanças nas relações humanas, nas
relações trabalhistas, na evolução das diversas áreas do conhecimento, fazendo
com que estas tenham que se adaptar à nova realidade exposta.
Na Gestão Pública e mais especificamente nas Bibliotecas que são
objetos de estudo nesta monografia não foi diferente e o impacto destas mudanças
trouxe alterações significativas na forma de relacionamento entre os profissionais
destas áreas e seus clientes (usuários), bem como, nas universidades, empresas,
escolas, e outras instituições.
As Universidades públicas, como é o caso da Universidade Federal de
São Carlos – UFSCar, trabalham baseadas no tripé, “ensino, pesquisa e extensão”,
e desta forma colaboram com a evolução tecnológica a partir das pesquisas que são
realizadas na área, e também fazem uso de suas ferramentas para criar produtos e
serviços que atendam de forma adequada, com eficiência e eficácia, às demandas
de seus clientes.
As Bibliotecas, como é o caso da Biblioteca Comunitária da
Universidade Federal de São Carlos – BCo/UFSCar, também estão inseridas neste
“admirável mundo novo”, e passaram por mudanças significativas na oferta de seus
produtos e serviços, implementando além da oferta de livros nas estantes, um novo
formato de interação com seus usuários, com o surgimento dos ebooks, do
atendimento online, das bibliotecas digitais, dos repositórios institucionais, portais do
conhecimento, como por exemplo, o Portal de Periódicos da Capes e também do
nosso objeto de estudo, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar –
BDTD/UFSCar.
A criação da BDTD/UFSCar visa atender a preservação do
conhecimento, a divulgação científica, o acesso aberto, a recuperação da
13 informação de forma rápida e eficiente, da produção (teses e dissertações) originária
das pesquisas nos diversos cursos de pós-graduação da UFSCar, permitindo que
outros pesquisadores possam ter acesso a estes trabalhos.
Esta pesquisa tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas
digitais, mais especificamente a BDTD/UFSCar, através de sua comparação com um
modelo de BD ideal construído a partir do referencial teórico, no sentido de entender
conceitos teóricos de um modelo ideal de biblioteca digital em comparação com o
modelo implantado na UFSCar. O conhecimento gerado nesta pesquisa pode
permitir aos gestores da unidade estudada identificar possíveis correções na
manutenção e melhoria dessa biblioteca digital, otimizando seu bom funcionamento,
consistência, clareza nas buscas e interação com o usuário e com outras bases de
dados (interoperabilidade), utilizando uma metodologia de avaliação que permite
identificar o estágio em que se encontra este sistema para posteriormente propor
seu aprimoramento.
12 2. UNIVERSIDADES E BIBLIOTECAS
A atualização sobre novos conhecimentos é condição obrigatória para a
comunidade científica desenvolver pesquisas. Nesse sentido, as
universidades têm sido as pioneiras, e as maiores beneficiárias no uso da
tecnologia de redes eletrônicas, detendo 91,3% da produção científica do
País. Com a internet, bibliografias, bases de dados e periódicos com seus
textos completos tornaram-se mais acessíveis, permitindo à comunidade
acadêmico-científica uma atualização nunca antes pensada em termos de
rapidez e eficiência no acesso e na obtenção de informação. (CUENCA E
TANAKA, 2005).
2.1 Universidades e Bibliotecas tradicionais.
As universidades públicas servem à sociedade como instrumentos para
formação de profissionais de nível superior, que nela irão atuar, e como fonte de
geração de estudos que permitam questionar, pesquisar, entender e proporcionar
novas possibilidades para o seu crescimento, além de permitir a melhoria na
qualidade de vida das pessoas, pela proliferação do conhecimento gerado nas
instituições de ensino e sua aplicação prática.
Nas universidades o uso da internet como recurso para recuperação de
documentos para pesquisa, também passam pelo início dos anos 90, quando,
Com a internet, bibliografias, bases de dados e periódicos com seus textos
completos tornaram-se mais acessíveis, permitindo à comunidade
acadêmico-científica uma atualização nunca antes pensada em termos de
rapidez e eficiência no acesso e na obtenção de informação. (CUENCA e
TANAKA, 2005, p.841).
Ferreira, apud Cuenca e Tanaka (2005, p.841), destaca que as redes
trouxeram maior facilidade de comunicação entre os pesquisadores, afirmando que o
correio eletrônico surge naquele momento, como o recurso mais utilizado por eles,
13 facilitando a comunicação entre os pares, o que aumenta a agilidade e rapidez na
troca de informações, o que promove mudança temporal na realização de pesquisas,
idealizando um novo modelo de comportamento e de aumento no número de
pesquisas defendidas nas universidades.
A produção científica das universidades tem como base principal os
cursos de pós-graduação, onde são realizadas as pesquisas científicas, que irão
gerar o conhecimento anteriormente citado, e em que o ciclo do conhecimento se
mantém constante. Dentro deste ambiente, vários atores interagem de formas
diferenciadas e com interesses diversos como observamos na figura 1.
Figura 1 – Informação e conhecimento: resultado da ação dos atores.
Fonte: (PACHECO E KERN, 2003).
A interação entre os diversos atores citados na Figura 1 é o que
permitirá a produção científica e a geração de documentos relacionados ao
resultado destas pesquisas.
A ciência produz diversos tipos de documentos que servem como meio
de comunicação científica e que se retroalimentam em um círculo virtuoso, em que
um destes documentos comunica uma descoberta e já serve como base para outra
pesquisa, e assim sucessivamente, permitindo a sua evolução e disseminação do
conteúdo gerado, formando redes de conhecimento.
14 Observando os dois modelos das Figuras 2 e Figura 3, percebemos o
momento em que se dá a mudança no processo de comunicação científica, em que
a publicação que anteriormente existia somente no papel impresso, passa a ser
também publicado no formato eletrônico, trazendo uma alteração fundamental no
processo de produção científica e no suporte para sua divulgação.
Figura 2 – Modelo tradicional de comunicação científica (adaptado por Mueller, 2004). Fonte: (MORENO e MÁRDERO ARELLANO, 2005) 15 Figura 3 ‐ Modelo em evolução da comunicação científica de Garvey e Griffith (adaptado por Mueller, 2004). Fonte: (MORENO e MÁRDERO ARELLANO, 2005).
Diante disto o papel das bibliotecas é ampliado para que passe a
atender também a esta nova demanda, tendo que se adaptar a esta nova realidade,
buscando instrumentos e ferramentas para lidar com este novo formato.
As bibliotecas são instrumentos para o armazenamento, preservação,
divulgação e apoio à comunidade acadêmica, criando condições para facilitar o
acesso e a recuperação da informação pelos diversos membros da comunidade,
atuando na gestão da informação, facilitando o acesso e a recuperação pelo usuário,
sendo então um órgão de apoio à pesquisa nas instituições de ensino superior.
É visível então, a interdependência e a proximidade das relações entre
os departamentos de pós-graduação e as bibliotecas dentro das universidades
públicas, tornando-se órgãos que interagem constantemente para fornecer as
condições necessárias para a viabilização de todo o processo de produção
científica.
Neste processo está inserida a biblioteca tradicional que trabalha com
o suporte físico de materiais impressos (livros, periódicos científicos, teses,
dissertações, obras de referência, etc.), como atesta Cunha (1999) é a biblioteca
constituída na maioria de seu acervo por documentos em papel, tendo ainda como
16 característica o registro das informações de seu catálogo no papel, e cuja primeira
grande revolução ocorreu no final do século XIX com o surgimento do catálogo em
fichas, que substituiu o anterior em forma de livro.
Em um segundo momento, no final do século XX, a biblioteca passou
por outra transformação profunda, a partir da automação de seus produtos e
serviços, com o surgimento dos catálogos automatizados, que possuem estrutura
para localização dos documentos, empréstimo de materiais (no balcão e
autoempréstimo), consultas online, sugestão de aquisições de novos materiais,
catálogo interativo com acesso remoto pelo usuário, entre outras funções.
2.2 Acesso Aberto e o Surgimento das Bibliotecas Digitais
O advento da internet no Brasil no início dos anos 90 do século
passado foi o passo inicial para que mudanças estruturais ocorressem na sociedade
e nas universidades, provocando alterações nas formas de divulgação, recuperação
e disseminação da informação, levando a criação de novas formas de comunicação
científica.
A internet torna-se um meio de comunicação rápida e eficaz, o que
permite agilidade na interação entre seus usuários, provocando transformações nas
relações entre os indivíduos e principalmente facilitando o acesso à informação,
espalhando-se rapidamente no meio universitário como ferramenta de auxílio nas
diversas atividades de educação, pesquisa e extensão.
Mecanismos de busca surgem como meios de acesso à informação,
dos quais podemos citar como exemplo, o Altavista e o Yahoo, entre tantos outros
que apareceram em meados dos anos 90.
Altavista, desenvolvido em 1995, no Laboratório de Pesquisa Digital, Palo
Alto, Califórnia, por uma equipe de técnicos e colocado em uso a partir de
15 de dezembro do mesmo ano. Permite acessar mais de 30 milhões de
páginas Web em mais de 275 mil servidores e três milhões de artigos de 14
mil Usenet news groups. Yahoo! criado em abril de 1994, por David Filo e
17 Jerry Yang, na época, estudantes de engenharia elétrica da Universidade
de Stanford. Inicialmente começaram a catalogar servidores Web, com o
objetivo de ajudar as pessoas a navegarem no imenso volume de
informações existentes. Esta ferramenta tornou-se rapidamente popular, por
oferecer mecanismo de busca associado a uma lista de sites agrupados por
assunto. Em fevereiro de 1995, a Netscape Communications criou um link
8de dentro do seu paginador para o Yahoo!, mediante o emprego do botão
''Net Directory '', colocando à disposição computadores e linhas telefônicas.
Incluem como recursos a Web Launch - serve para anunciar ao mundo seu
novo endereço Web. Os seus serviços são gratuitos aos usuários.
(TEIXEIRA E SCHIEL, 1997, p. 7).
Neste mesmo período, conforme consulta ao site do Programa Probe,
surgem no Brasil os portais do conhecimento, como o próprio PROBE
(www.probe.br), lançado em 1999, com o objetivo de oferecer, para a comunidade
científica, acadêmica e administrativa das instituições consorciadas, a consulta ágil e
atualizada, por meio eletrônico, a textos completos de revistas científicas
internacionais, tendo sido uma iniciativa da BIREME (www.bireme.br) em consórcio
com a FAPESP (www.fapesp.br), sendo que até 2001 envolveu outras 32
instituições em sua parceria, tendo sido incorporado posteriormente, conforme
consulta ao site da CAPES (www.capes.gov.br), que assumiu o PROBE e o
transformou no Portal de Periódicos CAPES (www.periodicos.capes.gov.br), um dos
maiores do mundo na atualidade.
Por iniciativa da FAPESP em meados dos anos 90 surge, conforme
consulta ao site do SCIELO (www.scielo.br), a iniciativa de criação de um portal de
revistas eletrônicas brasileiras e que se expandiu para a América latina e países
ibéricos, tornando-se um portal interativo de conhecimento científico para a
publicação da produção científica produzida na língua portuguesa e espanhola.
Ao mesmo tempo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia – IBICT começa a promover no Brasil o movimento visando implantar o
acesso aberto à informação sobre o qual explica Kuramoto (2006), que o open
archives surge no Laboratório Nacional de Los Alamos nos EUA, que desenvolve
experimentalmente um repositório digital chamado arXiv que atende às áreas de
ciência da computação, física e matemática, devido aos altos custos para a compra
dos periódicos científicos vendidos pelas editoras tradicionais, inviabilizando e
dificultando o acesso dos pesquisadores a essas publicações.
18 Ainda para Kuramoto (2006), o surgimento do movimento de acesso
livre ou acesso aberto (open access) trouxe a alternativa para os pesquisadores
publicarem seus trabalhos gratuitamente, sejam artigos científicos revistos por pares,
trabalhos apresentados em conferências, relatórios técnicos, teses e outros
documentos.
Com o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação,
novas alternativas de comunicação científica surgiram, provocando
alterações nos seus paradigmas. Uma dessas iniciativas foi o Open
Archives Initiative [OAI], a partir do qual foram estabelecidos alguns padrões
tecnológicos e ideais que se integraram em um processo, visando a facilitar
o acesso à informação científica por parte da comunidade científica. Como
conseqüência dessa iniciativa, surgiu o movimento denominado Open
Access to Knowledge and Information in Sciences and Humanities. Várias
instituições de pesquisa e países aderiram a esse movimento por meio do
estabelecimento de declarações, como a Declaration of Berlin, a Declaration
of Bethesda, na Europa, e o Manifesto Brasileiro de Apoio ao acesso livre à
Informação Científica no Brasil, lançado em setembro de 2005 pelo Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia [Ibict]. Esse movimento
surgiu em função das dificuldades encontradas para se ter acesso à
informação produzida pela própria comunidade científica. Em outras
palavras, o trabalho publicado pelos pesquisadores nem sempre é acessível
à comunidade, apesar de o mesmo ter sido financiado com recursos
públicos. Kuramoto (2008, p. 865).
Desta forma o Brasil se integra a iniciativa de participar e criar seus
arquivos abertos, inserindo-se no movimento mundial que busca alternativas em
relação às revistas científicas mundiais que dominam este mercado e cobram para
expor os artigos científicos em suas publicações. O IBICT lidera o movimento no
país fornecendo suporte para que as instituições de pesquisa interessadas possam
implantar este sistema.
Kuramoto (2006) informa ainda que outra dificuldade que deu origem
aos repositórios de acesso aberto era a necessidade de rapidez na publicação dos
artigos científicos, devido a demora na resposta das editoras à demanda de
publicações enviadas, o que não ocorria no novo formato, porém, surgiu uma
questão importante relacionada a avaliação destas publicações, que nas editoras
eram feitas por pares, enquanto nos novos repositórios, foi criado um filtro no próprio
software que analisava e diagnosticava a confiabilidade da informação depositada,
19 bem como ficou disponível a possibilidade de que os pares ao acessar o documento,
tinham a oportunidade de fazer comentários sobre o seu conteúdo.
O movimento de acesso aberto se expandiu pelo mundo, chegando ao
Brasil liderado pelo IBICT proporcionando uma nova visão para o mundo científico
em relação às publicações, divulgação, recuperação e gestão do conhecimento
produzido nas instituições de pesquisa.
Oriundo das ideias geridas pelo movimento de acesso aberto o IBICT
planeja e coloca em prática a implantação das bibliotecas digitais, que tem início em
1995, conforme Cunha e McCarthy (2009), com um número inicial englobando 17
universidades brasileiras aderindo a este novo sistema, que teve em seu início a
criação de bases de dados de referências bibliográficas de teses e dissertações, ou
seja, não disponibilizava o texto completo, que vem a aparecer em 2002 quando o
IBICT instala a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) [URL
http://bdtd.ibict.br/bdtd], alavancando de vez um novo modelo de disponibilização de
documentos e de pesquisa de informação no Brasil.
As bibliotecas digitais de teses e dissertações surgem como
instrumento para recuperação da informação e para a divulgação científica,
permitindo que o conhecimento seja disseminado de forma ampla e irrestrita e
facilite aos pesquisadores o acesso à informação científica produzida na pósgraduação das universidades.
A partir de 2002 ocorre uma expansão gradual das bibliotecas digitais,
gerando uma estrutura reconhecida dentro da comunidade científica e auxiliando na
livre comunicação da informação científica, mostrando um novo tipo de suporte que
precisa ser incorporado às bibliotecas tradicionais.
Diante disto, novas necessidades organizacionais vem à tona, exigindo
mudanças internas nas bibliotecas relacionadas com a gestão da informação, com
as competências dos profissionais envolvidos no processo de construção das
bibliotecas digitais, com o suporte físico (software e hardware), no relacionamento
com os usuários, no planejamento de marketing e principalmente na busca por
novos conhecimentos, no entendimento dos novos conceitos relacionados a esta
nova tecnologia e aos novos produtos e serviços.
20 Bottari e Silva (2011) afirmam que para a criação de uma biblioteca
digital é necessário planejamento e também entender as questões complexas
relacionadas com o processo e principalmente respeitar a cultura local, adequando o
novo produto às necessidades locais, devendo-se seguir os seguintes passos para a
consumação do projeto, como criar infraestrutura de espaço, material e de fluxo de
trabalho, definir quais cursos de pós-graduação serão incluídos, treinar toda a
equipe, criar políticas locais e de procedimentos gerais para o depósito, sensibilizar
a comunidade acadêmica e divulgar o novo produto (marketing), avaliar as
demandas, implantar.
Desde então, a evolução deste sistema é constante, e para implantálas surgiram conforme SAYÃO (2007) a necessidade de criar projetos, implementar,
desenvolver e avaliar, em um círculo virtuoso que promove após a implantação do
projeto, a necessidade constante de avaliação, para que não ocorra o sucateamento
e o atraso tecnológico destas BDTDs.
A partir da implantação das BDTDs novos conceitos e um novo
linguajar dominam o ambiente das bibliotecas, que experimentam no novo recurso a
evolução desta área do conhecimento enquanto ciência, e a partir daí termos como
interoperabilidade, padrões, metadados, protocolos, enfim, conceitos advindos da
computação se integram com termos da área de biblioteconomia para se incorporar
ao cotidiano das bibliotecas, com os profissionais das duas áreas interagindo e
conversando para buscar soluções para as novas demandas.
Em relação as mudanças ocorridas neste período, segundo Rizzo
(2007) é possível afirmar que a estrutura do trabalho é modificada a partir das
inovações tecnológicas que se inserem no ambiente prorpocionando tranformações
nas relações do indivíduo com as mesmas, o que leva a alterações profundas na
sociedade, desde o cotidiano no trabalho, bem como, fora dele também.
21 2.3 A Evolução das Bibliotecas Digitais
As publicações eletrônicas são entendidas como “qualquer tecnologia de
distribuição de informação em uma forma que possa ser acessada e
visualizada pelo computador e que utiliza recursos digitais para adquirir,
armazenar e transmitir informação de um computador para outro e, à
medida que a diversidade desses suportes foram sendo utilizados, nos
últimos anos, para a disseminação da informação, mais complexa se tornou
também a organização do controle bibliográfico, requerendo o
desenvolvimento de novos padrões para o tratamento, armazenagem e
acesso por parte das bibliotecas e outros tipos de unidades de informação
para a gestão dos recursos informacionais em meio digital. (SABATINI apud
BARRETO, 2008, p.102).
Após o surgimento das publicações eletrônicas como afirmamos
anteriormente a produção passa por mudanças profundas, e dentre estas no campo
da Biblioteconomia e no ambiente interno das bibliotecas, surgem novos termos e
possibilidades de tratamento da informação, e dentre os novos conceitos,
destacamos a questão da interoperabilidade, que se destaca neste novo momento
como ferramenta fundamental para o compartilhamento dos metadados, outro termo
que aparece com força neste novo momento tecnológico.
Apesar de destacado em vários artigos na atualidade, como conceito
fundamental para a criação de bibliotecas digitais, interoperabilidade é um assunto
antigo, conforme afirma Sayão e Marcondes (2008), quando dizem que cooperação
é um conceito que é usado desde meados do século XX, quando as Bibliotecas já
trocavam documentos, experiências, compartilhando seus acervos e informações.
Enfim, ao longo dos anos, este processo foi se aperfeiçoando e com a nova
experiência tecnológica estas possibilidades de compartilhamento e cooperação
atingem novas perspectivas, que se dão além do físico, correndo pelos fios (redes),
e atualmente pelo ar (redes sem fio).
Para Marcondes e Sayão (2008) com a implementação e consolidação
das bibliotecas digitais que se dá por meio das áreas de biblioteconomia, ciência da
computação e tecnologias de rede, a interoperabilidade ganha destaque em todos
estes segmentos, por ser baseada em uma tecnologia de distribuição de dados,
torna-se importante que este sistema interaja com outros, em vários níveis,
22 permitindo que conversem entre si e possam trocar dados, informações,
documentos, como no caso da indústria de conteúdo e o seu sistema pay-per-view
que oferece e vende seus produtos via acesso remoto e no caso das bibliotecas
digitais que tem seu modelo baseado no acesso e uso.
Os autores destacam ainda a importância da interoperabilidade para
uso do governo, principalmente na área de educação que investe particularmente na
educação à distância e que utiliza estes recursos para educar e treinar via internet,
bem como além do poder executivo, o poder legislativo e o poder judiciário também
possuem diversos programas que podem ser acessados via web como bibliotecas
digitais de leis, projetos, pareceres, programas para o cidadão, entrega da
declaração do imposto de renda pela internet, entre outros.
Marcondes e Sayão (2008) afirmam também que as bibliotecas, os
arquivos e museus tem utilizado este modelo para divulgar seus produtos, pois,
perceberam neste, as possibilidades e o potencial existente para romper com as
barreiras físicas, o que permite novas formas de acesso e disseminação da
informação, necessitando para implementá-los, de recursos financeiros, humanos e
metodológicos, além dos recursos de software.
O desafio da interoperabilidade passa pela necessidade de se criar
uma estrutura básica para resolver todos os problemas relacionados com este
conceito, permitindo acesso e integração de informação entre estes domínios
específicos.
Um objetivo comum desses esforços é permitir que diferentes comunidades,
com diferentes tipos de informação e usando diferentes tecnologias,
consigam um nível geral de compartilhamento de informação e, por meio de
processos de agregação apoiados por tecnologia da informação, criem
novos e mais poderosos tipos de serviços de informação (PAYETTE et al.,
1999) apud (MARCONDES E SAYÃO, 2008).
A interoperabilidade interage entre diversos sistemas criando uma rede
de informações e de possibilidades que crescem geometricamente na mesma
proporção que diminuí o retrabalho, visto que dentro dos diversos sistemas é
possível recuperar metadados e recuperá-los para o próprio sistema, ou seja, ao
invés de criar metadados já existentes quando da necessidade de inserção de um
23 novo item apenas se extraí os dados já existentes em outro sistema. Daí se dá um
exemplo de compartilhamento e cooperação.
O serviço de compartilhamento EBSCO Discovery Service (EDS)
(http://www.ebscohost.com/discovery) é um exemplo deste tipo de sistema, tendo
sido desenvolvido pela editora EBSCO para compartilhar diversos tipos de
informação, desde a recuperação do texto completo disponíveis nas bibliotecas
cooperantes, bem como importar dados de catalogação de milhares de revistas e
livros e outros tipos de documentos, além de conseguir integrar dentro de uma única
biblioteca todos os recursos digitais como o catálogo local (OPAC, Online Public
Access Catalogue), biblioteca digital, e outros recursos que estiverem em rede,
tornando único o acesso para o usuário a todos os sistemas de busca de uma
biblioteca. Tudo isto permite melhor gerenciamento dos recursos humanos e de
finanças, permitindo otimizar serviços, remanejar pessoal para outras áreas, menor
necessidade de treinamento do usuário, enfim, agrega novos valores aos produtos e
serviços da instituição permitindo elevar o nível de gestão da informação.
2.4 Repositórios Institucionais
A implantação de Repositórios Institucionais tem sido uma tendência
que surge como alternativa para organização do conhecimento produzido nas
instituições bem como, para preservar sua memória e combater os altos custos
impostos pelas editoras na venda e assinatura de revistas científicas.
O IBICT é um órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem
como missão promover ações em todo o Brasil para ampliar as possibilidades de
implementação de políticas de informação, promovendo competências, dando
suporte técnico com a oferta de equipamentos eletrônicos e softwares para que os
recursos em informação possam se desenvolver no país.
O IBICT promove e incentiva no Brasil o movimento de acesso livre
com a promoção de diversas iniciativas visando a implantação de programas que
24 contemplem estas ideias, e Kuramoto (2008) apresenta duas alternativas
estratégicas para que este movimento obtenha seus objetivos, que são a via verde
que propõe o auto-arquivamento, quando os próprios autores depositam sua
produção em um repositório institucional ou temático e a via dourada que refere-se a
publicação de artigos em revistas científicas de livre acesso.
Dentro deste contexto, sempre com o apoio do IBICT é que surgem os
repositórios institucionais, que segundo Linch, apud Carvalho (2008, p. 03) “[...] é um
conjunto de serviços que a universidade oferece aos membros de sua comunidade
para a gestão e disseminação de materiais digitais, criados pela instituição e por
membros de sua comunidade.” (tradução da autora).
Além disto, o repositório é um importante instrumento para preservação
da memória institucional, principalmente do conhecimento científico produzido,
conforme afirmam Ribeiro e Vidotti (2009, p. 106) “Os repositórios digitais trazem a
idéia de preservação dos objetos digitais, além de promover o acesso livre a
conteúdos como produtos de pesquisa, entre outros”.
Os repositórios ampliam o leque de documentos possíveis de ser
depositados, avançando além da biblioteca digital de teses e dissertações, que limita
o depósito a estes dois tipos de documentos, enquanto que o repositório permite
incorporar todo tipo de documento produzido em uma determinada instituição, como
artigos científicos, apresentações em congressos, livros ou capítulos de livros,
fotografias, filmes, áudios, etc.
Porém os repositórios não deixam de ser um tipo de biblioteca digital,
já que desde sua origem até a sua concepção trazem em si o ideal e a estrutura das
bibliotecas digitais com seus conceitos embutidos, como o uso de padrões de
metadados, interoperabilidade, questões de direito, entre outros.
Compreender isto é fundamental para visualizarmos adequadamente a
evolução dos novos produtos e serviços que surgem na nova era da informação no
Brasil.
25 3. MÉTODO E DESENVOLVIMENTO
3.1 Abordagem e método da pesquisa
Esta pesquisa utiliza a metodologia de estudo de caso descritivo
possuindo como objeto de estudo a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da
UFSCar – BDTD/UFSCar na qual serão aplicados elementos da teoria para sua
avaliação a partir de critérios oriundos de fontes de informação científica, visando
sua melhoria e adequação com o modelo teórico proposto, pois, como afirma Yin
(2005) utiliza-se o estudo de caso como estratégia de pesquisa contribuindo para o
conhecimento acerca de fenômenos individuais, organizacionais, sociais, políticos e
de grupos, sendo que o foco desta pesquisa está em um estudo organizacional.
Conferimos abaixo uma definição para estudo de caso.
... a essência de um estudo de caso, a principal tendência em todos os tipos
de estudo de caso, é que ela tenta esclarecer uma decisão ou um conjunto
de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas
e com quais resultados. (Schramm, 1971 apud Yin 2005).
A partir desta definição podemos explorar esta pesquisa como sendo
um estudo de caso, já que este pretende analisar e identificar como foi implantada a
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar – BDTD/UFSCar e quais os
resultados alcançados por ela, buscando entender como se poderá aprimorá-la a
partir das soluções propostas em comparação com as decisões tomadas na sua
criação e com os resultados alcançados até este momento, ou seja, existe um ponto
comum entre os elementos principais propostos na definição de Schramm e as
intenções desta pesquisa.
Para Chizzoti (2008), um estudo de caso envolve a compreensão de
um conjunto de relações ou processo social, sendo que para este estudo busca-se o
entendimento do processo de construção daquela biblioteca digital, “para melhor
26 conhecer como são ou como operam em um contexto real visando auxiliar na
tomada de decisão, justificar intervenções, ou esclarecer por que foram tomadas ou
implementadas e como foram os resultados”.
O autor afirma também que um estudo de caso,
Constitui-se, pois, em uma busca intensiva de dados de uma situação
particular, e um evento específico ou de processos contemporâneos,
tomados como “caso”, compreendê-lo o mais amplamente possível,
descrevê-lo pormenorizadamente, avaliar resultados de ações, transmitir
essa compreensão a outros e instruir decisões. (Chizzoti, 2008)
A pesquisa caracteriza-se também por ser teórico-aplicada já que se
pretende a partir de critérios e conceitos identificar um modelo teórico ideal para
compará-lo com o modelo implantado atual e a partir desta comparação encontrar
soluções práticas para o aprimoramento daquela biblioteca digital.
Pelas características percebemos também que deve ser entendida
como uma pesquisa qualitativa, já que trabalha identificando relações entre o
modelo teórico e o prático, não se preocupando com a quantificação de dados ou de
questionamentos, mas, fazendo comparações para identificar as propriedades e
dimensões dos questionamentos que forem levantados.
Refletindo sobre este tema é importante entendermos que,
... usamos comparações teóricas na análise para os mesmos fins que
usamos na vida diária. Quando ficamos confusos ou atrapalhados com o
significado de um incidente ou evento em nossos dados, ou quando
queremos pensar sobre um fato ou objeto de formas diferentes (leque de
possíveis significados), voltamo-nos para as comparações teóricas. O uso
de comparações dá origem a propriedades, que, por sua vez, podem ser
usadas para examinar o incidente ou objeto nos dados. Os incidentes, os
objetos ou as ações específicos que usamos ao fazer nossas comparações
teóricas podem ser derivados da literatura ou da experiência. Não significa
que usamos experiência ou literatura como dados, mas sim, que usamos as
propriedades e as dimensões derivadas dos incidentes comparativos para
examinar os dados à nossa frente. Assim como não reinventamos o mundo
à nossa volta a cada dia, em análise nos baseamos naquilo que sabemos
para nos ajudar a entender aquilo que não sabemos. (STRAUSS e
CORBIN, 2008).
27 Foram utilizadas nesta pesquisa como referências principais para a
escolha de critérios para avaliação da BDTD/UFSCar o artigo de Sayão (2007), bem
como, a monografia de Prestes (2010), que utilizou para levantamento de categorias
para análise dos instrumentos do OpenDOAR na criação de políticas para
repositórios institucionais, os trabalhos de Leite (2009), Tomáel e Silva (2007) e
Viana e Márdero Arellano (2006).
Entendeu-se para o uso deste último trabalho que seu desenvolvimento
se deu voltado para a análise de repositórios institucionais e que estes, a partir da
avaliação do referencial teórico ali exposto, possui as mesmas características,
necessidades, ideais, problemas e conceitos do mesmo porte e com as mesmas
propriedades dos que foram trabalhados nesta pesquisa.
Desta forma, os critérios aqui adotados se respaldam em uma base
científica fundamentada e legitimamente validada, dentro dos preceitos básicos da
ciência, que exigem confiabilidade nas fontes de informação que balizam a pesquisa
científica.
Vale ressaltar que o trabalho se baseia também no conhecimento
adquirido por este pesquisador na execução das tarefas diárias na BDTD/UFSCar,
enquanto bibliotecário diretamente responsável pelas rotinas de serviço daquela
Seção, bem como, na observação direta de atuação dos ouros profissionais
envolvidos naquele sistema.
O objeto de estudo desta pesquisa é a BDTD/UFSCar criada no ano de
2004 e que tem como objetivo receber o depósito das teses e dissertações
publicadas na UFSCar e disponibilizá-las no formato digital, estando situada e sendo
gerenciada pelo Departamento de Processamento Técnico da BCo/UFSCar.
Esta última foi inaugurada no ano de 1995 quando também muda seu
conceito, passando de biblioteca universitária para biblioteca comunitária, bem
como, neste momento de transição passa a ser automatizada, saindo do modelo
antigo de fichas impressas para a oferta de produtos e serviços informatizados.
Segundo Rizzo (2007), A informatização da BCo/UFSCar passou por
vários momentos difíceis, sendo que em meados de 1994 tem início o processo com
mudanças no empréstimo e devolução de materiais e na recuperação da
28 informação, e o ápice desta mudança se dá com a inauguração em 1995 do novo
prédio já com todo o sistema informatizado.
Diante da nova realidade com seus produtos e serviços informatizados,
surge a proposta do IBICT para a criação de bibliotecas digitais locais, que seriam
agregadas em um único sistema nacional denominado Biblioteca Digital Brasileira de
Teses e Dissertações do IBICT, que seria associado também a Networked Digital
Library of Theses and Dissertations – NDLTD, que é uma iniciativa do mesmo porte
e que agrega bibliotecas digitais de vários países diferentes.
Podemos observar na Figura 4 o esquema de funcionamento da
colheita de metadados feita pelo harvesting, permitindo entender como funciona a
integração entre estes três níveis do sistema de bibliotecas digitais.
Repositório Internacional A Repositório Nacional A Harvester Internacional Repositório Internacional B Repositório Internacional X Harvester Nacional Diretório Internacional Diretório Internacional Figura 4 ‐ Esquema de colheita de metadados. Fonte: Kuramoto (2006).
Repositório Nacional B Repositório Nacional X 29 O sistema de harvesting permite a interoperabilidade entre os sistemas
que são alimentados desde os repositórios locais que fornece as informações para o
repositório nacional do qual são retiradas as informações para o repositório
internacional, sendo repassado os metadados, pois, o texto completo é sempre
acessado na biblioteca digital local.
A BDTD da UFSCar foi inaugurada em 2004 dentro da iniciativa
proposta pelo IBICT agregando os serviços de disponibilização de teses e
dissertações digitais oriundos dos programas de pós-graduação da UFSCar,
proporcionando a inserção da Biblioteca Comunitária e da UFSCar no modelo
proposto pelo IBICT diante das iniciativas de acesso livre à informação, o open
Access, e a partir daí passa a ter um sistema local integrado ao nacional e mundial,
adequando-se à nova realidade da sociedade da informação.
Seu crescimento se deu ao longo dos anos alinhado com o
crescimento e surgimento de novos programas de pós-graduação na UFSCar de tal
forma que de acordo com o ranking que avalia o número de trabalhos depositados
na BDTD nacional, ocupa atualmente o nono lugar com um total de 4213
teses/dissertações depositadas.
3.2 Desenvolvimento da pesquisa
Esta pesquisa tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas
digitais, mais especificamente a BDTD/UFSCar, através de sua comparação com um
modelo de BD ideal construído a partir do referencial teórico, no sentido de entender
conceitos teóricos de um modelo ideal de biblioteca digital em comparação com o
modelo implantado na UFSCar. São objetivos específicos:

Identificar critérios de avaliação a partir de um modelo teórico
baseado nos conceitos do artigo de Sayão (2007);

Aplicar estes critérios na BDTD/UFSCAR;
30 
Propor soluções e mudanças para a melhoria daquela biblioteca
digital a partir dos resultados encontrados.
Segundo Sayão (2007) as bibliotecas digitais, desde seu surgimento na
década de 1990, experimentaram um rápido crescimento e atingiram todas as
etapas
de
desenvolvimento
que
passam
pelo
projeto,
implementação,
desenvolvimento e avaliação.
Diante dos novos desafios tecnológicos torna-se necessário que a
avaliação seja constante e que seja uma ferramenta que deve ser utilizada
continuamente e que por isso justifica a realização desta pesquisa, dado que não há
melhoria sem avaliação.
A melhoria contínua do sistema permite novas adequações e o
aprimoramento da biblioteca digital, caracterizando novas possibilidades, o que traz
em seu bojo um aumento da visibilidade da produção científica da UFSCar, trazendo
ganhos, visto que existindo maior visibilidade aumentará o consumo e a divulgação
dos resultados de pesquisas da UFSCar.
3.2.1 Conceitos teóricos
Uma biblioteca digital – no seu sentido pleno - não é meramente um
repositório ou uma coleção de informações em formato digital; também não
é somente uma tecnologia ou um conjunto de tecnologias que se pode
avaliar isoladamente. Antes disso, é um sistema aberto, de múltiplas
interligações e múltiplos subsistemas, envolvendo um ambiente
organizacional, profissionais especializados provenientes de diversas áreas,
recursos informacionais, usuários claramente definidos, tecnologia de
informação, procedimentos, padrões e protocolos e, não menos importante,
compromissos de longo prazo. (SAYÃO, 2007, p.19).
O conceito de biblioteca digital envolve comunicação em todos os
sentidos, devendo existir a comunicação com o usuário da forma mais adequada
possível e em vários sentidos, como por exemplo:
31 - Na recuperação da informação, quando o acesso e a forma de acesso
à informação devem ser simplificados, criando interfaces de buscas amigáveis;
- No marketing, que é a forma de criar circunstâncias que permitam ao
usuário “saber que existe” a biblioteca digital e chegar até ela, de forma que se
encontrem em um determinado momento e que aja percepção de sua importância;
- Nos metadados, que definem a forma como a informação chegará ao
usuário e como permitirá o acesso à informação ali contida;
- No formato dos arquivos, que exigirão do usuário tecnologias
adequadas para acessá-los; entre outros.
Na conceituação do autor percebemos a importância de entendermos
que as bibliotecas digitais são mais do que uma simples base de dados, ou uma
tecnologia nova ou até mesmo um simples repositório em que se deposita um
documento deixando-o sem nenhum tratamento.
O autor demonstra que as bibliotecas digitais trazem em si a
característica de ser um sistema aberto, que permite o livre acesso ao seu conteúdo,
existindo ali interligações de formas diversas, seja em direção ao usuário ou dentro
do sistema e seus diversos subsistemas, e que no bom funcionamento e
estruturação destes está a base para a sua qualificação, existindo por trás disto uma
estrutura que envolve dentro de uma organização, pessoas (usuários e profissionais
de áreas diversas), técnicas e formas de agir, recursos humanos e financeiros,
tecnologias e regras.
Neste contexto, as normas, padrões, formatos e protocolos cumprem um
papel de fundamental importância, já que estabelecem as regras pelas
quais os objetos são descritos, identificados e preservados, seus dados são
armazenados, e os sistemas aos quais estão inseridos se comunicam.
(SAYÃO, 2007, p.19).
Em uma análise mais detalhada Sayão (2007) esclarece que padrão é
definido pela ISO - International Organization for Standardization - como sendo
“"documento aprovado por um organismo reconhecido que provê, pelo uso comum e
32 repetitivo, regras, diretrizes ou características de produtos, processos ou serviços
cuja obediência não é obrigatória" (ISO, 2006)”.
Enquanto que as normas são regras mais específicas, definidas por
alguém que tenha direito de decidir, não existindo abertura para discussão, estando
em forma de documentos técnicos, reguladores e que visam garantir a qualidade dos
produtos, a racionalização da produção, o transporte e o consumo de bens, a
segurança das pessoas e a uniformidade dos meios de expressão e comunicação.
Protocolos são conjuntos de padrões que definem a forma de
comunicação em um ambiente de rede, estando associado ao formato da
mensagem e na maneira como são trocadas.
Formatos são as formas como a informação será disponibilizada.
Existem padrões proprietários que são de posse de alguma empresa
que desenvolveu o produto e os padrões abertos que estão disponíveis para uso
ilimitado.
3.2.2 Critérios de avaliação
a) Objetos digitais adequados
A NISO (2004) apud Sayão (2007) afirma que existem dois tipos de
objetos digitais adequados que são os objetos produzidos como representação de
outro objeto físico, como no caso dos digitalizados, tendo como exemplo, livros
impressos, manuscritos e outros e objetos originalmente “nascidos digitais”, como
por exemplo as fotografias digitais, os ebooks, base de dados científicas, etc.
No caso da BDTD/UFSCar ocorre que os objetos depositados estão
inseridos no segundo caso, sendo produzidos em documentos do tipo DOC ou
DOCX que são criados originalmente pelo autor no formato digital e que podem ser
entregues no formato PDF, que é o padrão para inserção na BDTD/UFSCar, sendo
33 que a conversão pode ser feita no momento do depósito, pelo bibliotecário
responsável ou pelo próprio autor.
A decisão de autorizar o autor a fazer a conversão foi tomada devido a
grande ocorrência de desconfiguração do arquivo no momento da conversão devido
a leitura que o programa faz no arquivo em Word ao convertê-lo para PDF ou por
“descuido” do autor na configuração do trabalho.
Desta forma a solução encontrada foi solicitar que preferencialmente o
arquivo seja entregue em PDF, o que permite ao autor conferir se ocorreu algum
problema na conversão e corrigi-lo antes mesmo do momento em que comparece
para depositá-lo, o que promove um ganho real de tempo no atendimento ao
usuário, no momento do depósito.
As dissertações/teses foram depositadas a partir da criação da
BDTD/UFSCar em 2004, existindo documentos anteriores a este momento que não
estão inseridos no formato digital, estando depositados na Biblioteca Comunitária da
UFSCar somente no formato impresso.
“Um objeto pode estar completo em um único arquivo - por exemplo, um
relatório em PDF -; ou pode consistir de múltiplos arquivos vinculados por
hiperlinks, por exemplo, uma página HTML e as imagens vinculadas a ela;
ou ainda consistir de múltiplos arquivos unificados por metadados
estruturais, por exemplo, um livro digitalizado na forma de imagens de
páginas separadas”. Sayão (2007)
No caso da BDTD/UFSCar o documento consiste em um arquivo único
em PDF, não existindo ligações feitas por hiperlinks ou uma integração baseada
nesta ferramenta de navegação, não permitindo que o usuário navegue ou caminho
pelo texto se movimentando de forma integrada, ao invés de realizar uma leitura
linear.
34 b) Padrões de Formatos para Objetos Digitais
A NISO (2004) apud Sayão (2007) afirma que existe uma correlação
direta entre a qualidade de produção de um objeto digitalizado e a presteza e
flexibilidade que lhe permite migrar em plataformas computacionais. Deve-se buscar
um equilíbrio entre as necessidades de digitalização de um objeto, relacionando sua
qualidade e valor em relação direta com a persistência e o nível de
interoperabilidade desejado, o que irá permitir a sua disponibilização e garantir a
possibilidade de acesso ao documento pelo usuário.
No caso da BDTD/UFSCar não existe arquivamento de produtos de
áudio e vídeo, constituindo seu acervo na totalidade de textos digitais, que são
produzidos diretamente com softwares editáveis, possíveis de ler em um computador
e entregues pelo usuário. Este acervo é constituído em sua grande maioria a partir
do ano de 2004, quando foi inaugurada aquela biblioteca digital, portanto não
abrange a totalidade do acervo considerando o que foi produzido nos anos
anteriores, quando os exemplares eram entregues em papel.
Para realizar esta cobertura deste período em que o acervo não se
encontra disponível no acervo digital, existem duas exigências que devem ser
cumpridas, uma legal, relacionada com a autorização para disponibilização pelos
autores daquelas dissertações/teses e a outra seria de ordem organizacional e
operacional, com a montagem de um projeto para digitalização daquele acervo
impresso, exigindo custos financeiros, profissionais especializados em digitalização,
equipamentos adequados, etc.
Ainda segundo Sayão (2007) o PDF - Portable Document Interface, da
empresa Adobe (www.adobe.com), mesmo sendo um software proprietário, possui
um nível básico de licença para seu uso e se notabilizou como formato padrão para
depósito em bibliotecas digitais, porém, ele não possui as características
necessárias para uma preservação do documento a longo prazo, o que resultou em
uma união de empresas no ano de 2002 em busca de um formato padrão, baseado
no PDF que suprisse esta necessidade, o que resultou em uma norma ISO 1905-1 –
Documento management - Electronic file format for long-term preservation – Part 1:
35 use of PDF 1.4 (PDF/A-1) que originou o formato de arquivo PDF/A que preserva a
aparência visual dos arquivos neste formato por longos anos.
Figura 5 ‐ Visão da configuração do Adobe para PDF/A c) Identificadores Permanentes
A internet oferece grandes possibilidades de recursos que permitem a
interligação entre diferentes fontes de informação, seja esta um artigo de periódico,
um documento da internet, uma página web, entre outras, com a utilização de links
que permitem navegar dentro de um único documento ou até mesmo entre estes,
como por exemplo, quando é colocado um link de acesso a um determinado
documento citado em uma referência.
O sucesso de um sistema de informações distribuídas – tal como é
caracterizada a própria Web – depende fortemente da vinculação
consistente entre os recursos que estão disponibilizados on-line. Isto se
36 concretiza por intermédio da estabilidade dos links que estão presentes nos
catálogos, nos índices e nas listas que constituem os diversos serviços de
descoberta de recursos. Contudo, para que isso se efetive é necessário que
para cada recurso seja atribuído um nome que o identifique
permanentemente, sem ambigüidades e independente de localização.
Sayão (2007)
A busca por mecanismos permanentes de identificação nas bibliotecas
digitais é um objetivo que vem sendo buscado por parte dos vários atores
envolvidos, que incluem principalmente as organizações responsáveis pelo
ordenamento da Internet, as organizações internacionais de normalização e as
organizações voltadas para o desenvolvimento de arquivos e bibliotecas digitais.
Nomes são blocos de estrutura vitais para as bibliotecas digitais. Eles são
necessários para identificar objetos digitais, para registrar propriedade
intelectual vinculada a esses objetos e para registrar mudanças na
propriedade dos objetos digitais. Eles são necessários para citação, para
recuperação de informação, e são usados como links entre objetos. (ARMS,
1995 apud SAYÃO, 2007).
A unicidade e a persistência são requisitos essenciais para os nomes
representarem este papel, sendo compreendido, nas bibliotecas digitais, como um
identificador único que perdurará por um longo tempo, devendo existir ainda mesmo
que a organização que o gerou não exista mais, devendo ser criado sistemas
automáticos para geração destes nomes.
Atualmente o mecanismo mais comum é o URL - Uniform Resource
Locator, que pode ser constantemente alterado, não possuindo formas que
garantam a sua persistência, como ocorre no caso de um livro catalogado em uma
biblioteca que raramente muda sua classificação.
Os URLs possuem nomes baseados na estrutura do número da
máquina em que se encontram e o caminho onde se encontram, o que significa que
são colocados a sua localização e o nome que foi dado a ele.
Como exemplo de uma URL retirada da BDTD/UFSCar, podemos citar,
o seguinte link cujos itens que aparecem sublinhados e em negrito, indicam o
número de IP da máquina em que se encontra o documento (primeiro ítem) e o
37 número (segundo ítem) que representa o nome do arquivo a que se refere o link:
http://200.136.241.56/htdocs/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3
414
Existe uma fragilidade neste tipo de link, apesar dele ser apresentado
constantemente como um identificador formal de um objeto digital, o que denota
instabilidade e aparece como causa frequente para encontrarmos os links quebrados
na internet cuja mensagem é frustrante para quem busca um objeto necessário para
sua pesquisa científica (Erro HTTP - 404 Arquivo não encontrado).
Numa medida ao longo do tempo, tendo como objeto de estudo uma
amostra aleatoriamente selecionada de URL´s, foi demonstrado que
somente cerca de 34% dos URL´s permaneciam ativos depois de um
período de quatro anos (KOEHLER, 2002 apud SAYÃO, 2007)
Como solução para este problema surgiram três diferentes soluções
técnicas que são o URN – Uniform Resource Name, o PURL – Persistent URL e o
Handle System cada um com suas características próprias.
O URI – Uniform Resource Identifiers está relacionado como o
esquema de identificadores usados na internet, sendo descrito pelo documento
publicado em 1988 intitulado “RFC 2396 – Uniform Resouce Identifiers (URI):
Generic Syntax” (Berners-Lee et al, 1988 apud SAYÃO, 2007), que o divide em duas
grandes categorias, URL (Uniform Resource Locator) e o URN (Uniform Resource
Name). O URL é o mecanismo que identifica o recurso de uma forma primária,
enquanto que o URN permite que o objeto digital adquira características de
persistência devido ao seu objetivo que é criar mecanismos de permanência do
documento, mesmo quando o recurso deixa de existir ou fica indisponível.
Para Sayão (2007) o URN possui requisitos básicos para sua
validação, que são ter um nome único em escala global, atender com um
determinado nome a um único recurso, ter a propriedade de ser persistente, deve
ser assinalada para qualquer recurso mesmo que este dure por centenas de anos,
deve permitir a incorporação de sistemas de identificação já existentes, deve permitir
38 extensões futuras para o esquema, ser independente, devem poder ser traduzidos
em URL.
O PURL foi desenvolvido pela OCLC – Online Computer Library Center
(http://www.oclc.org/) como um esquema que permite a quem navega acessar um
recurso a partir de uma URL que busca em um servidor intermediário a localização
atual do link procurado.
Conforme Sayão (2007) o "O Handle System foi desenvolvido pelo
CNRI - Corporate for National Research Initiatives (http://www.cnri.reston.va.us/) - e
teve sua origem no projeto NCSTRL - Networked Computer Science Technical
Report Library (http://www.ncstrl.org/)."
Este se configura como um sistema de apoio para apoiar o
desenvolvimento de bibliotecas digitais abertas e interoperáveis, tendo como
referência principal no Brasil o software Dspace.
O Handle System, ainda segundo Sayão (2007) é "um sistema
distribuído de computadores concebido para assinalar, armazenar, administrar e
resolver identificadores ou nomes persistentes de objetos digitais conhecidos como
handles". Seu exemplo mais conhecido em escala global é o DOI system.
O Digital Object Identifier (http://www.doi.org) é uma aplicação
específica do Handle System voltada para a identificação
persistente de recursos digitais sobre os quais possam ser
atribuídos direitos de propriedade intelectual, bem como para
o intercâmbio de informações sobre essas propriedades em
um ambiente de rede. (Sayão, 2007)
Além de ser um identificador o DOI system, traz em seu escopo a
facilitação do comércio eletrônico, fazendo interagir clientes e gerentes de editoras,
permitindo um melhor gerenciamento de direitos para objetos digitais, o controle de
transações e a comunicação entre editores e clientes.
Por ser um número único permite criar uma identidade única para o
objeto e facilita desta forma a sua identificação, sem a necessidade de colocação de
diversos campos para pesquisa e recuperação do documento na internet.
39 d) Metadados
... podemos considerar que os metadados são conjuntos de
atributos, mais especificamente dados referenciais, que
representam o conteúdo informacional de um recurso que
pode estar em meio eletrônico ou não. Já os formatos de
metadados, também chamados de padrões de metadados,
são estruturas padronizadas para a representação do
conteúdo informacional que será representado pelo conjunto
de dados-atributos (metadados). Em outras palavras, os
formatos ou padrões de metadados podem ser
considerados como formas de representação6 de um item
documentário. (Alves, 2005)
Os metadados são importantes representações para as bibliotecas em
geral e também para as bibliotecas digitais, pois a consistência do sistema relacionase com a correta representação das informações e dos documentos ali inseridos,
bem como, as políticas de uso, direitos autorais, entre outras, também são inseridas
no sistema a partir dos metadados, ou seja, estão diretamente associados com o
gerenciamento das informações.
Castro e Santos (2007), afirmam que os bibliotecários trabalham
metadados há muitos séculos, desde a época em que teve início as primeiras
tentativas de organização da informação a partir da descrição de documentos, e nos
dias atuais profissionais de várias áreas tentam descrever documentos, porém, por
não levar em conta as técnicas criadas na biblioteconomia, não tem obtido respostas
adequadas.
Alves (2005, p. 111) afirma que “apesar das tecnologias de informação
e comunicação modificarem a concepção de organização, tratamento e acesso às
informações, a essência do tratamento da informação vem de métodos tradicionais
já estabelecidos na área da Biblioteconomia”.
Para elevar o nível de recuperação da informação, torna-se necessário
fazer o tratamento da informação, utilizando-se de técnicas da biblioteconomia como
a catalogação e a indexação e principalmente deve-se trabalhar com a
padronização, sendo que todas estas técnicas servirão como fonte para garantir a
confiabilidade e a consistência da biblioteca digital.
40 Para Alves (2005) a catalogação vem evoluindo ao longo dos anos e
com o surgimento do recurso eletrônico passou a se preocupar em conseguir formas
de representação melhor adequadas a esta realidade e encontrou nos metadados a
ferramenta ideal para fazer este trabalho, encontrando neste a forma de
proporcionar um meio de localização do item digital pelo usuário.
Os metadados se dividem em vários tipos conforme sua função,
abaixo, no quadro 1, observamos alguns tipos de metadados e podemos perceber
então, que as funções variam dependendo do tipo de metadado utilizado, permitindo
visualizarmos como são importantes para a organização da informação, pois
participam desde o controle administrativo, passando pela descrição, pela
preservação, até chegar ao uso da informação.
Quadro I: Tipos de metadados quanto à sua função
Fonte: Gilliland-Swetland (2002, p.5) retirado de Lourenço (2007)
Os padrões de metadados mais conhecidos são o Dublin Core e o
Marc 21, e Alves e Souza (2007, p. 24), definem o dublin core como “um padrão de
metadados, composto por 15 elementos, planejado para facilitar a descrição de
recursos eletrônicos”. O dublin core é simples e pode ser inserido em uma página
HTML (Hypertext Markup Language) e utiliza a linguagem XML (eXtensible Markup
Language). Possui um conjunto de 15 elementos básicos (DUBLIN CORE
METADATA INITIATIVE, 2004), que podem ser implementados livremente para
41 atender as necessidades de cada usuário, e, ainda é um formato padrão adotado
para efetuar a interoperabilidade entre outros formatos.
Alves e Souza (2007), definem o Marc 21 como um acrônimo de
MAchine-Readable Cataloging sendo um conjunto de padrões que servem para
identificar, armazenar e comunicar informações bibliográficas em formato legível por
máquina, permitindo o reconhecimento por outros computadores e programas e
permitindo estabelecer pontos de acesso dos elementos da descrição bibliográfica.
Utiliza uma estrutura que possui campos fixos e variáveis, subcampos
e indicadores, trabalhando essencialmente com campos, possuindo um campo para
título, outro para assunto e assim sucessivamente.
Estes são elementos básicos que definem e demonstram o que são
metadados e como influenciaram e ainda influenciam na descrição e recuperação da
informação, sendo elementos importantes para a evolução das bibliotecas digitais.
e) Interoperabilidade
Interoperabilidade é:
A capacidade de um sistema de hardware ou de software de se comunicar e
trabalhar efetivamente no intercâmbio de dados com um outro sistema,
geralmente de tipo diferente, projetado e produzido por um fornecedor
diferente. (ONLINE..., 2004 apud MARCONDES e SAYÃO, 2008).
Para Marcondes e Sayão (2008), interoperabilidade pode ser definida
como citado acima pela ciência da computação, uma definição exata que exprime
fisicamente este conceito, porém, na área de biblioteconomia este termo torna-se
mais complexo exprimindo não somente a simples troca de dados, mas, envolvendo
também, além do sistema físico, toda a cultura, a gestão, a forma de pensar, o
envolvimento de cada biblioteca com sua comunidade, permitindo entender não
somente os dados, mas, também o pensamento e o modo de ser da instituição,
42 integrando culturas e modos diferentes de organização, que devem se adequar para
permitir a integração para o uso e reuso da informação.
Para uma padronização consistente é necessário que existam
condições de adequação como as descritas por (Arms, 2000; Arms et al., 2002)
apud Marcondes e Sayão (2008), afirmando que vencer o desafio de integrar formas
diferentes de pensar, de usuários diferenciados, de organizações diferentes e que
devem interagir em um nível elevado, passam por três instâncias, que são:
a) acordos técnicos - cobrem formatos, protocolos, sistemas de segurança
de forma que mensagens possam ser trocadas; b) acordos sobre
conteúdos – cobrem dados e metadados e incluem acordos semânticos
sobre interpretação das mensagens; c) acordos organizacionais – cobrem
as regras básicas para acesso, para mudanças nas coleções e serviços,
pagamento, autenticação, etc. (Arms, 2000; Arms et al., 2002) apud
Marcondes e Sayão (2008)
Esses acordos definem regras que permitem padronizar o sistema de
forma que todos possam utilizar a mesma linguagem, o que dá consistência,
credibilidade e interoperabilidade permitindo o seu melhor funcionamento, desta
forma a colheita dos dados, o acesso à informação pelo usuário, são facilitados,
pois, a leitura é a mesma, seja em um acesso local, nacional ou internacional.
Para
Sayão
e
Marcondes
(2008),
existem
três
níveis
de
interoperabilidade, que em seu nível mais alto é definido como federação, cuja
principal característica é ser bem robusto, porém, com maior nível de exigência para
os seus participantes, pois, é necessário um alto grau de envolvimento para se
conseguir implementar os acordos e manter o sistema atualizado, o nível
heterogêneo ou federado como também é chamado, permite acesso conjunto a
diversos sites ou sistemas diferenciados e utiliza o protocolo z39.50 para
compartilhamento.
Este protocolo tem como características principais permitir trabalhar
sobre qualquer plataforma, tendo sido feito para recuperação da informação,
facilitando a pesquisa, pois, esta pode ser feita sobre uma única interface que
recuperará a informação em várias fontes diferentes.
43 Na Figura 6 temos um exemplo de estratégia de interoperabilidade em
uma busca distribuída.
Figura 6 – Estratégia de Interoperabilidade.
Fonte: (MARCONDES e SAYÃO, 2001). No exemplo acima podemos observar uma pesquisa sobre um
determinado item, feita no portal da Biblioteca Digital Brasileira, criada e gerenciada
pelo IBICT a vários servidores que utilizam o mesmo protocolo (z39.50), passando a
interação entre eles pelo servidor do IBICT.
Um nível menos sofisticado de interoperabilidade esta relacionado com
o uso do protocolo OAI-PMH (Open Archive Intiative Protocol of Metadata
Harvesting), que exige um número menor de acordos entre as instituições e permite
o compartilhamento em um nível básico, sendo que, este protocolo permite a
utilização do harvesting como ferramenta para a chamada “colheita de metadados”,
que os recolherá em um sistema e transferirá para o outro, permitindo-se assim a
interação e a troca de dados entre eles e por ser tratado em nível menor e mais
simples de ser gerenciado, a aceitação deste pela academia tem sido favorável.
Quando não existe nenhum acordo, com um nível mais baixo de
cooperação, ainda é possível trabalhar com um grau mínimo de interoperabilidade,
44 utilizando-se metabuscadores, robôs, máquinas de busca e protocolos que suportam
web service, sendo que este nível é chamado de agregação.
Segundo Marcondes e Sayão (2008), a padronização é um nível de
interoperabilidade que está acima do nível de federação, tendo todos os aspectos de
interoperabilidade formalmente definidos e com um nível de exigência maior,
fazendo com que as instituições tenham que seguir rigidamente os padrões e
procedimentos convencionados.
A
interoperabilidade
é
um
mecanismo
fundamental
para
o
planejamento e implantação das bibliotecas digitais, bem como, para o uso comum
da internet, pois, este “diálogo” entre os diversos sistemas, sites, redes sociais, entre
outros, é o que está na essência da criação e do desenvolvimento de todos estes
itens citados.
45 4. RESULTADOS
4.1 Avaliação de Iniciativas de Bibliotecas Digitais
No Quadro II, podemos observar os resultados da avaliação dos
aspectos de qualificação de uma biblioteca digital em relação direta com a
BDTD/UFSCar, de acordo com os estudos teóricos e a prática observada por este
pesquisador que trabalha como Bibliotecário naquela Seção:
46 Quadro
II:
Critérios
utilizados
para
diagnóstico e avaliação da BDTD/UFSCar
Descrição
de acordo com os conceitos teóricos
abordados por Sayão (2007) visando a
manutenção e aprimoramento de uma biblioteca digital aberta e interoperável
CRITÉRIO
SIM NÃO
Existe uma definição de que serão depositados documentos do tipo teses e
Política de conteúdo
dissertações no formato PDF, mas, não existe uma política escrita, nem uma
X*
definição quanto a outros formatos. Por exemplo, as instruções de como incluir um
vídeo como anexo ou um campo para inserir links para anexos disponíveis na web.
Existe um campo nos metadados que define se o conteúdo fica disponível para
acesso ou se o texto fica retido pelo tempo determinado pelo usuário. Sugere-se que
seja feito um estudo visando uma mudança, em relação aos direitos autorais, para o
Direito Autoral
X*
tipo de licença do Creative Commons (http://www.creativecommons.org.br/), melhor
adaptada aos sistemas abertos e com um número maior de alternativas para a
escolha do autor. Para maiores informações sobre o Creative Commons fica a
sugestão de consulta aos títulos publicados pelo autor Mizukami (2009, 2011).
Auto-arquivamento
Não existe o auto-arquivamento existindo um processo de depósito baseado na
X
confecção da ficha catalográfica sem a qual não ocorre a homologação do diploma,
o que faz com que o autor necessariamente passe pela BDTD para fazer o depósito
47 do arquivo digital, exigindo o controle deste processo no momento da entrega da
versão final da pós-graduação.
Existe a interoperabilidade com a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações do IBICT, e consequentemente com a NDLTD - Networked Digital
Library of Theses and Dissertations, porém, não existe interoperabilidade com o
catálogo interno. Sugere-se que as teses/dissertações contidas na BDTD/UFSCar
fiquem disponíveis no catálogo PHL, para que o usuário em uma única busca,
Interoperabilidade
encontre o documento procurado no formato papel e digital. Sugere-se também a
X*
criação de um formato de disponibilização que contemple a interação entre links,
para que o usuário navegue dentro do sistema, utilizando os hiperlinks, bem como,
para outros sites que contenham referências citadas, por exemplo. Fica como
sugestão o modelo HTML utilizado pelo Scielo da Fapesp. É importante também,
que sejam seguidas as recomendações encontradas em Sayão (2007), em relação
aos cuidados com a persistência do documento na web.
Diante do que foi citado por Sayão (2007) a BDTD/UFSCar segue o padrão de links
Persistência e identificadores
baseado no URL que são mais frágeis e passíveis de erros do tipo HTTP 404 –
únicos
X
arquivo não encontrado, necessitando um estudo aprofundado visando entender os
novos modelos propostos, como por exemplo o URN e implantá-los, como uma
política específica de quem será responsável por criá-los.
Autenticidade, integridade,
proveniência e contexto
Estes itens são contemplados pela garantia de conter documentos produzidos na
X
instituição Universidade Federal de São Carlos, que possuí um conceito elevado em
pesquisa no país, os documentos são revisados e aprovados por banca de
48 avaliação, bem como, no ato da entrega existe um documento que é assinado pelo
orientador autenticando a versão entregue como sendo a matriz final do trabalho.
Sugere‐se que se crie um sistema de certificação que garante todos as propriedades citadas neste critério, validando e dando integridade e garantia de proveniência do documento depositado. Estão de acordo com o padrão estabelecido pelo IBICT. Atualmente a
Metadados
BDTD/UFSCar possui os seguintes requisitos: Versão do protolcolo atualizada para
X
ted_oai/oai3.php. Versão do TeDe Simplificado. Que é a versão mais recente
disponibilizada pelo IBICT.
Não existe uma política de marketing e nenhum projeto visando sua implantação.
Sugere-se a criação de um projeto deste tipo, pois, a política de marketing é
Política de Marketing
X
importante para o sistema, pois, garante a divulgação da BDTD/UFSCar, o seu
entendimento pelo usuário, e garante a visibilidade da produção científica da
UFSCar, bem como seu uso, o que serve como garantia de continuidade e
manutenção do sistema, justificando sua existência.
A BDTD/UFSCar possui em sua estrutura atual três bibliotecários, sendo um a
Chefe do Departamento de Processamento Técnico que coordena a BDTD/UFSCar
Gerenciamento
X*
enquanto Seção dentro do Departamento, um bibliotecário que trabalha diretamente
na Seção e mais uma bibliotecária que atua substituindo quando necessário. Um
analista de sistema que dá suporte na área de informática, quando necessário.
Possui ainda mais três estagiários que ficam no máximo por 2 anos na Seção.
49 Em relação ao uso do padrão, citado por Sayão (2007) e indicado
anteriormente na página 36 deste documento, em relação ao uso do formato
Padrões de formatos para a
preservação de objetos digitais
X
de arquivo PDF/A, que foi criado visando a preservação de documentos
eletrônicos, podemos afirmar que, esta solução ainda não é utilizada na
BDTD/UFSCar e seria um importante recurso a ser implantado para garantir
a preservação dos documentos ali disponibilizados.
*Sim, porém com restrições.
Quadro II – Sistemática para diagnóstico e avaliação de iniciativas de Bibliotecas Digitais.
Fonte: Adaptado de Conway (1994), Sant´Anna (2001), Arellano (2004, 2005), Sayão (2007), Ferreira (2007), BDTD (2009), Saramago (2004), Tammaro e
Salarelli (2008), IBICT (2009), Moreno e Arellano (2005), Gracio e Fadel (2008), apud Lança (2010).
50 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As iniciativas para a criação de bibliotecas digitais e repositórios
institucionais são constantes e vem crescendo, sejam baseadas em instituições
públicas, instituições particulares, bem como, na internet em geral.
Este trabalho trouxe como contribuição avaliar e identificar possíveis
aprimoramentos nestes sistemas, com a percepção de possíveis mudanças que
visam oferecer melhores condições nos usos das bibliotecas digitais.
A constância na atualização destes sistemas deve ser balizada pela
velocidade de aprimoramento dos sistemas de informática, da melhoria nos sistemas
de computação, nos lançamentos constantes de produtos tecnológicos, então, tornase necessário observamos que os profissionais que atuam nesta área, sejam eles
bibliotecários, analistas de sistema, gestores, devem ser pró-ativos, buscando
sempre identificar novas possibilidades, e também se aperfeiçoar em cursos que
envolvam possíveis conhecimentos e tecnologias para implantação nas BDTDs,
devendo neste sentido existir incentivo motivacional e financeiro por parte dos
dirigentes da Biblioteca Comunitária.
As sugestões colocadas no Quadro II traz a percepção daquilo que
pode ser modificado na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar, entre
os quais estão a busca pela melhor interoperabilidade do sistema, implantação de
hiperlinks que contenham caminhos de navegação dentro dos documentos, dentro
da BDTD e para fora em direção a outros sistemas que possuam interoperabilidade.
O aperfeiçoamento da relação entre os produtos e serviços da
Biblioteca Comunitária é algo que pode melhorar o acesso para o usuário e garantir
novas possibilidades de serviço para os profissionais ali envolvidos, como por
exemplo, implantando no catálogo local PHL o acesso às teses e dissertações
disponíveis na BDTD/UFSCar.
Uma política de marketing também é importante para divulgar o
sistema e permitir que as possibilidades de encontro e conhecimento da
BDTD/UFSCar seja ampliado e permita um número maior de usuários acessando o
51 sistema, valorizando esta biblioteca digital, podendo assim conquistar espaço e um
reconhecimento maior por parte dos seus usuários, da instituição, do IBICT.
O desenvolvimento de novas pesquisas é algo totalmente viável e
necessário para que as questões que envolvem bibliotecas digitais e sua avaliação e
aperfeiçoamento sejam atendidas, visando um aprofundamento nestas questões,
auxiliando gestores, bibliotecários, técnicos, analistas enfim, todos os atores
envolvidos a melhorar estes sistemas e aperfeiçoar seu serviço, trazendo novas
motivações em seu trabalho.
Novas pesquisas podem ser desenvolvidas direcionando a questão
biblioteca digital para as linhas de gestão e planejamento, prospecção de
informações, desenvolvimento tecnológico e computação voltados para BDTDs,
direitos do usuário e do autor, novos rumos para o movimento de acesso aberto,
enfim, é amplo o campo de estudos para esta área do conhecimento, que em
poucos anos alcançou conquistas de grande porte.
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