UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS PRÓ-REITORIA DE GESTÃO DE PESSOAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO PÚBLICA RONILDO SANTOS PRADO PROPOSTA DE INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE BDTD E SUA APLICAÇÃO À BDTD/UFSCar SÃO CARLOS 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS PRÓ-REITORIA DE GESTÃO DE PESSOAS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO PÚBLICA RONILDO SANTOS PRADO PROPOSTA DE INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE BDTD E SUA APLICAÇÃO À BDTD/UFSCar Monografia apresentada como parte requisitos para obtenção do título especialista no Curso de Especialização Gestão Pública da Universidade Federal de Carlos dos de em São Orientação: Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral. SÃO CARLOS 2012 FICHA CATALOGRÁFICA Prado, Ronildo Santos. Proposta de instrumento para avaliação de BDTD e sua aplicação à BDTD/UFSCar / Ronildo Santos Prado. – São Carlos: UFSCar, 2012. 56 f. Monografia (Especialização em Gestão Pública) – Universidade Federal de São Carlos, 2012. 1. Bibliotecas Digitais. 2. Avaliação. 3. Repositórios institucionais. Título. AGRADECIMENTOS Agradeço à minha família pelo suporte que me proporcionou na vida. Agradeço a todos meus colegas de curso, cuja valorização passa pelo esforço de todos, bem como, especialmente aos colegas que disponibilizaram seu tempo no esforço de realizarmos as tarefas e trabalhos em grupo, durante a fase de disciplinas. Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Roniberto Morato do Amaral pela paciência e ajuda sem a qual não conseguiria realizar este trabalho. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha filha Paloma Rodrigues Prado: À Rachel pelo carinho e dedicação. À minha família. Aos meus amigos. “Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar Que tudo era pra sempre Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba” Legião Urbana RESUMO Esta pesquisa busca trazer uma contribuição para as universidades e bibliotecas visando o aperfeiçoamento das bibliotecas digitais ali implantadas, aprimorando-as para que possa beneficiar os usuários destes sistemas, auxiliandoos a encontrarem os documentos necessários para o desenvolvimento de suas pesquisas. Tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas digitais, mais especificamente a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar – BDTD/UFSCar, no sentido de entender conceitos teóricos de um modelo ideal de biblioteca digital em comparação com o modelo implantado na UFSCar. Como metodologia foi utilizada a investigação em documentos científicos para identificar critérios de avaliação aliado ao entendimento das propriedades e realidade existente naquela BDTD, pela experiência do pesquisador na atuação prática naquela seção. As áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação aliada à Ciência da Computação estão entre as principais que atuam neste contexto, além da área de Gestão que possui ferramentas para planejamento e avaliação e podem auxiliar as bibliotecas digitais e seus administradores no sentido de aprimorá-las. O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia é o órgão fomentador no Brasil dos sistemas de acesso aberto e consequentemente dentro desta filosofia incentiva e auxilia financeiramente às instituições de ensino e pesquisa a implantar suas bibliotecas digitais. A UFSCar e a sua Biblioteca Comunitária encamparam esta ideia no ano de 2004 e vêm mantendo o sistema em funcionamento deste esta época. Os resultados encontrados remetem ao entendimento de que a BDTD/UFSCar possui os requisitos mínimos para seu funcionamento, porém, foram detectados pontos em que podem ocorrer intervenções, criando novas possibilidades para melhorar o sistema. Palavras-chave: Bibliotecas digitais. Avaliação. Repositórios institucionais. ABSTRACT This research seeks to bring a contribution to universities and libraries aimed at the improvement of digital libraries deployed there, tweaking them so they can benefit the users of these systems, helping them to find the documents necessary for the development of their research. Its main objective is to evaluate digital libraries, specifically the Digital Library of Theses and Dissertations UFSCar - BDTD / UFSCar in order to understand the theoretical concepts of an ideal model of digital library compared to the model implemented in UFSCar. As the research methodology was used in scientific papers to identify assessment criteria together with the understanding of the properties and existing reality that BDTD, a researcher at the experience of practical work in that section. The areas of Library and Information Science coupled with computer science are among the main act in this context, beyond the area of management that includes tools for planning and evaluation and can help digital libraries and their managers in order to improve them. The Brazilian Institute of Information Science and Technology - IBICT linked to the Ministry of Science and Technology is the organ systems developers in Brazil of open access and therefore within this philosophy encourages and assists financial institutions for teaching and research to implement their digital libraries. The Community Library and its UFSCar encamparam this idea in 2004 and have kept the system running this this season. The results refer to the understanding that BDTD / UFSCar meets the minimum requirements for its operation, however, were detected points where interventions can occur, creating new possibilities for improving the system. Keywords: Digital libraries. Evaluation. Institutional repositories. LISTA DE FIGURAS Figura 1. Informação e conhecimento: resultado da ação dos atores............... 15 Figura 2. Modelo tradicional de comunicação científica.................................... 16 Figura 3. Modelo em evolução da comunicação científica................................ 16 Figura 4. Esquema de colheita de metadados. ................................................. 30 Figura 5. Visão da configuração do Adobe para PDF/A.................................... 37 Figura 6. Estratégia de Interoperabilidade......................................................... 44 LISTA DE QUADROS Quadro I. Tipos de metadados quanto à sua função .............................................. 42 Quadro II. Sistemática para diagnóstico e avaliação de iniciativas de Bibliotecas Digitais....................................................................................................................... 48 LISTA DE SIGLAS BCo Biblioteca Comunitária da UFSCar BDTD Biblioteca Digital de Teses e Dissertações CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior DSPACE Institutional Digital Repository System FAPESP Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo HTML Hypertext Markup Language IBICT Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia ISO International Organization for Standardization MTD-BR Padrão Brasileiro de Metadados para Teses e Dissertações NDLTD Networked Digital Library of Theses and Dissertations OCLC Online Computer Library Center OPAC Online Public Access Catalogue OpenDOAR Directory of Open Access Repositories PDF Portable Document Format PPG Programa de Pós-Graduação PROBE Programa Biblioteca Eletrônica SciELO Scientific Electronic Library Online TEDE Sistema de Publicações Eletrônica de Teses e Dissertações UFSCar Universidade Federal de São Carlos URL Uniform Resource Locator XML Extensible Markup Language SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................................... 12 2. UNIVERSIDADES E BIBLIOTECAS ................................................................................. 12 2.1 Universidades e Bibliotecas tradicionais. ..................................................................... 12 2.2 Acesso Aberto e o Surgimento das Bibliotecas Digitais .............................................. 16 2.3 A Evolução das Bibliotecas Digitais ............................................................................. 21 2.4 Repositórios Institucionais ........................................................................................... 23 3. MÉTODO E DESENVOLVIMENTO...................................................................................27 3.1 Abordagem e método da pesquisa .............................................................................. 25 3.2 Desenvolvimento da pesquisa......................................................................................31 3.2.1 Conceitos teóricos..............................................................................................32 3.2.2 Critérios de avaliação.........................................................................................34 4. RESULTADOS .................................................................................................................. 45 4.1 Avaliação de Iniciativas de Bibliotecas Digitais .......................................................... 45 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................... 50 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 52 12 1. INTRODUÇÃO A evolução da internet e das ferramentas tecnológicas está permitindo novas formas de interação entre as pessoas, sendo que podemos perceber isto no crescimento das redes sociais, na evolução da internet com o surgimento da web 2.0 e seus conceitos de “computação em nuvem”, criação de blogs, a ferramenta wiki, entre outros. Este novo contexto vem propor mudanças nas relações humanas, nas relações trabalhistas, na evolução das diversas áreas do conhecimento, fazendo com que estas tenham que se adaptar à nova realidade exposta. Na Gestão Pública e mais especificamente nas Bibliotecas que são objetos de estudo nesta monografia não foi diferente e o impacto destas mudanças trouxe alterações significativas na forma de relacionamento entre os profissionais destas áreas e seus clientes (usuários), bem como, nas universidades, empresas, escolas, e outras instituições. As Universidades públicas, como é o caso da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, trabalham baseadas no tripé, “ensino, pesquisa e extensão”, e desta forma colaboram com a evolução tecnológica a partir das pesquisas que são realizadas na área, e também fazem uso de suas ferramentas para criar produtos e serviços que atendam de forma adequada, com eficiência e eficácia, às demandas de seus clientes. As Bibliotecas, como é o caso da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos – BCo/UFSCar, também estão inseridas neste “admirável mundo novo”, e passaram por mudanças significativas na oferta de seus produtos e serviços, implementando além da oferta de livros nas estantes, um novo formato de interação com seus usuários, com o surgimento dos ebooks, do atendimento online, das bibliotecas digitais, dos repositórios institucionais, portais do conhecimento, como por exemplo, o Portal de Periódicos da Capes e também do nosso objeto de estudo, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar – BDTD/UFSCar. A criação da BDTD/UFSCar visa atender a preservação do conhecimento, a divulgação científica, o acesso aberto, a recuperação da 13 informação de forma rápida e eficiente, da produção (teses e dissertações) originária das pesquisas nos diversos cursos de pós-graduação da UFSCar, permitindo que outros pesquisadores possam ter acesso a estes trabalhos. Esta pesquisa tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas digitais, mais especificamente a BDTD/UFSCar, através de sua comparação com um modelo de BD ideal construído a partir do referencial teórico, no sentido de entender conceitos teóricos de um modelo ideal de biblioteca digital em comparação com o modelo implantado na UFSCar. O conhecimento gerado nesta pesquisa pode permitir aos gestores da unidade estudada identificar possíveis correções na manutenção e melhoria dessa biblioteca digital, otimizando seu bom funcionamento, consistência, clareza nas buscas e interação com o usuário e com outras bases de dados (interoperabilidade), utilizando uma metodologia de avaliação que permite identificar o estágio em que se encontra este sistema para posteriormente propor seu aprimoramento. 12 2. UNIVERSIDADES E BIBLIOTECAS A atualização sobre novos conhecimentos é condição obrigatória para a comunidade científica desenvolver pesquisas. Nesse sentido, as universidades têm sido as pioneiras, e as maiores beneficiárias no uso da tecnologia de redes eletrônicas, detendo 91,3% da produção científica do País. Com a internet, bibliografias, bases de dados e periódicos com seus textos completos tornaram-se mais acessíveis, permitindo à comunidade acadêmico-científica uma atualização nunca antes pensada em termos de rapidez e eficiência no acesso e na obtenção de informação. (CUENCA E TANAKA, 2005). 2.1 Universidades e Bibliotecas tradicionais. As universidades públicas servem à sociedade como instrumentos para formação de profissionais de nível superior, que nela irão atuar, e como fonte de geração de estudos que permitam questionar, pesquisar, entender e proporcionar novas possibilidades para o seu crescimento, além de permitir a melhoria na qualidade de vida das pessoas, pela proliferação do conhecimento gerado nas instituições de ensino e sua aplicação prática. Nas universidades o uso da internet como recurso para recuperação de documentos para pesquisa, também passam pelo início dos anos 90, quando, Com a internet, bibliografias, bases de dados e periódicos com seus textos completos tornaram-se mais acessíveis, permitindo à comunidade acadêmico-científica uma atualização nunca antes pensada em termos de rapidez e eficiência no acesso e na obtenção de informação. (CUENCA e TANAKA, 2005, p.841). Ferreira, apud Cuenca e Tanaka (2005, p.841), destaca que as redes trouxeram maior facilidade de comunicação entre os pesquisadores, afirmando que o correio eletrônico surge naquele momento, como o recurso mais utilizado por eles, 13 facilitando a comunicação entre os pares, o que aumenta a agilidade e rapidez na troca de informações, o que promove mudança temporal na realização de pesquisas, idealizando um novo modelo de comportamento e de aumento no número de pesquisas defendidas nas universidades. A produção científica das universidades tem como base principal os cursos de pós-graduação, onde são realizadas as pesquisas científicas, que irão gerar o conhecimento anteriormente citado, e em que o ciclo do conhecimento se mantém constante. Dentro deste ambiente, vários atores interagem de formas diferenciadas e com interesses diversos como observamos na figura 1. Figura 1 – Informação e conhecimento: resultado da ação dos atores. Fonte: (PACHECO E KERN, 2003). A interação entre os diversos atores citados na Figura 1 é o que permitirá a produção científica e a geração de documentos relacionados ao resultado destas pesquisas. A ciência produz diversos tipos de documentos que servem como meio de comunicação científica e que se retroalimentam em um círculo virtuoso, em que um destes documentos comunica uma descoberta e já serve como base para outra pesquisa, e assim sucessivamente, permitindo a sua evolução e disseminação do conteúdo gerado, formando redes de conhecimento. 14 Observando os dois modelos das Figuras 2 e Figura 3, percebemos o momento em que se dá a mudança no processo de comunicação científica, em que a publicação que anteriormente existia somente no papel impresso, passa a ser também publicado no formato eletrônico, trazendo uma alteração fundamental no processo de produção científica e no suporte para sua divulgação. Figura 2 – Modelo tradicional de comunicação científica (adaptado por Mueller, 2004). Fonte: (MORENO e MÁRDERO ARELLANO, 2005) 15 Figura 3 ‐ Modelo em evolução da comunicação científica de Garvey e Griffith (adaptado por Mueller, 2004). Fonte: (MORENO e MÁRDERO ARELLANO, 2005). Diante disto o papel das bibliotecas é ampliado para que passe a atender também a esta nova demanda, tendo que se adaptar a esta nova realidade, buscando instrumentos e ferramentas para lidar com este novo formato. As bibliotecas são instrumentos para o armazenamento, preservação, divulgação e apoio à comunidade acadêmica, criando condições para facilitar o acesso e a recuperação da informação pelos diversos membros da comunidade, atuando na gestão da informação, facilitando o acesso e a recuperação pelo usuário, sendo então um órgão de apoio à pesquisa nas instituições de ensino superior. É visível então, a interdependência e a proximidade das relações entre os departamentos de pós-graduação e as bibliotecas dentro das universidades públicas, tornando-se órgãos que interagem constantemente para fornecer as condições necessárias para a viabilização de todo o processo de produção científica. Neste processo está inserida a biblioteca tradicional que trabalha com o suporte físico de materiais impressos (livros, periódicos científicos, teses, dissertações, obras de referência, etc.), como atesta Cunha (1999) é a biblioteca constituída na maioria de seu acervo por documentos em papel, tendo ainda como 16 característica o registro das informações de seu catálogo no papel, e cuja primeira grande revolução ocorreu no final do século XIX com o surgimento do catálogo em fichas, que substituiu o anterior em forma de livro. Em um segundo momento, no final do século XX, a biblioteca passou por outra transformação profunda, a partir da automação de seus produtos e serviços, com o surgimento dos catálogos automatizados, que possuem estrutura para localização dos documentos, empréstimo de materiais (no balcão e autoempréstimo), consultas online, sugestão de aquisições de novos materiais, catálogo interativo com acesso remoto pelo usuário, entre outras funções. 2.2 Acesso Aberto e o Surgimento das Bibliotecas Digitais O advento da internet no Brasil no início dos anos 90 do século passado foi o passo inicial para que mudanças estruturais ocorressem na sociedade e nas universidades, provocando alterações nas formas de divulgação, recuperação e disseminação da informação, levando a criação de novas formas de comunicação científica. A internet torna-se um meio de comunicação rápida e eficaz, o que permite agilidade na interação entre seus usuários, provocando transformações nas relações entre os indivíduos e principalmente facilitando o acesso à informação, espalhando-se rapidamente no meio universitário como ferramenta de auxílio nas diversas atividades de educação, pesquisa e extensão. Mecanismos de busca surgem como meios de acesso à informação, dos quais podemos citar como exemplo, o Altavista e o Yahoo, entre tantos outros que apareceram em meados dos anos 90. Altavista, desenvolvido em 1995, no Laboratório de Pesquisa Digital, Palo Alto, Califórnia, por uma equipe de técnicos e colocado em uso a partir de 15 de dezembro do mesmo ano. Permite acessar mais de 30 milhões de páginas Web em mais de 275 mil servidores e três milhões de artigos de 14 mil Usenet news groups. Yahoo! criado em abril de 1994, por David Filo e 17 Jerry Yang, na época, estudantes de engenharia elétrica da Universidade de Stanford. Inicialmente começaram a catalogar servidores Web, com o objetivo de ajudar as pessoas a navegarem no imenso volume de informações existentes. Esta ferramenta tornou-se rapidamente popular, por oferecer mecanismo de busca associado a uma lista de sites agrupados por assunto. Em fevereiro de 1995, a Netscape Communications criou um link 8de dentro do seu paginador para o Yahoo!, mediante o emprego do botão ''Net Directory '', colocando à disposição computadores e linhas telefônicas. Incluem como recursos a Web Launch - serve para anunciar ao mundo seu novo endereço Web. Os seus serviços são gratuitos aos usuários. (TEIXEIRA E SCHIEL, 1997, p. 7). Neste mesmo período, conforme consulta ao site do Programa Probe, surgem no Brasil os portais do conhecimento, como o próprio PROBE (www.probe.br), lançado em 1999, com o objetivo de oferecer, para a comunidade científica, acadêmica e administrativa das instituições consorciadas, a consulta ágil e atualizada, por meio eletrônico, a textos completos de revistas científicas internacionais, tendo sido uma iniciativa da BIREME (www.bireme.br) em consórcio com a FAPESP (www.fapesp.br), sendo que até 2001 envolveu outras 32 instituições em sua parceria, tendo sido incorporado posteriormente, conforme consulta ao site da CAPES (www.capes.gov.br), que assumiu o PROBE e o transformou no Portal de Periódicos CAPES (www.periodicos.capes.gov.br), um dos maiores do mundo na atualidade. Por iniciativa da FAPESP em meados dos anos 90 surge, conforme consulta ao site do SCIELO (www.scielo.br), a iniciativa de criação de um portal de revistas eletrônicas brasileiras e que se expandiu para a América latina e países ibéricos, tornando-se um portal interativo de conhecimento científico para a publicação da produção científica produzida na língua portuguesa e espanhola. Ao mesmo tempo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT começa a promover no Brasil o movimento visando implantar o acesso aberto à informação sobre o qual explica Kuramoto (2006), que o open archives surge no Laboratório Nacional de Los Alamos nos EUA, que desenvolve experimentalmente um repositório digital chamado arXiv que atende às áreas de ciência da computação, física e matemática, devido aos altos custos para a compra dos periódicos científicos vendidos pelas editoras tradicionais, inviabilizando e dificultando o acesso dos pesquisadores a essas publicações. 18 Ainda para Kuramoto (2006), o surgimento do movimento de acesso livre ou acesso aberto (open access) trouxe a alternativa para os pesquisadores publicarem seus trabalhos gratuitamente, sejam artigos científicos revistos por pares, trabalhos apresentados em conferências, relatórios técnicos, teses e outros documentos. Com o surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, novas alternativas de comunicação científica surgiram, provocando alterações nos seus paradigmas. Uma dessas iniciativas foi o Open Archives Initiative [OAI], a partir do qual foram estabelecidos alguns padrões tecnológicos e ideais que se integraram em um processo, visando a facilitar o acesso à informação científica por parte da comunidade científica. Como conseqüência dessa iniciativa, surgiu o movimento denominado Open Access to Knowledge and Information in Sciences and Humanities. Várias instituições de pesquisa e países aderiram a esse movimento por meio do estabelecimento de declarações, como a Declaration of Berlin, a Declaration of Bethesda, na Europa, e o Manifesto Brasileiro de Apoio ao acesso livre à Informação Científica no Brasil, lançado em setembro de 2005 pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia [Ibict]. Esse movimento surgiu em função das dificuldades encontradas para se ter acesso à informação produzida pela própria comunidade científica. Em outras palavras, o trabalho publicado pelos pesquisadores nem sempre é acessível à comunidade, apesar de o mesmo ter sido financiado com recursos públicos. Kuramoto (2008, p. 865). Desta forma o Brasil se integra a iniciativa de participar e criar seus arquivos abertos, inserindo-se no movimento mundial que busca alternativas em relação às revistas científicas mundiais que dominam este mercado e cobram para expor os artigos científicos em suas publicações. O IBICT lidera o movimento no país fornecendo suporte para que as instituições de pesquisa interessadas possam implantar este sistema. Kuramoto (2006) informa ainda que outra dificuldade que deu origem aos repositórios de acesso aberto era a necessidade de rapidez na publicação dos artigos científicos, devido a demora na resposta das editoras à demanda de publicações enviadas, o que não ocorria no novo formato, porém, surgiu uma questão importante relacionada a avaliação destas publicações, que nas editoras eram feitas por pares, enquanto nos novos repositórios, foi criado um filtro no próprio software que analisava e diagnosticava a confiabilidade da informação depositada, 19 bem como ficou disponível a possibilidade de que os pares ao acessar o documento, tinham a oportunidade de fazer comentários sobre o seu conteúdo. O movimento de acesso aberto se expandiu pelo mundo, chegando ao Brasil liderado pelo IBICT proporcionando uma nova visão para o mundo científico em relação às publicações, divulgação, recuperação e gestão do conhecimento produzido nas instituições de pesquisa. Oriundo das ideias geridas pelo movimento de acesso aberto o IBICT planeja e coloca em prática a implantação das bibliotecas digitais, que tem início em 1995, conforme Cunha e McCarthy (2009), com um número inicial englobando 17 universidades brasileiras aderindo a este novo sistema, que teve em seu início a criação de bases de dados de referências bibliográficas de teses e dissertações, ou seja, não disponibilizava o texto completo, que vem a aparecer em 2002 quando o IBICT instala a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) [URL http://bdtd.ibict.br/bdtd], alavancando de vez um novo modelo de disponibilização de documentos e de pesquisa de informação no Brasil. As bibliotecas digitais de teses e dissertações surgem como instrumento para recuperação da informação e para a divulgação científica, permitindo que o conhecimento seja disseminado de forma ampla e irrestrita e facilite aos pesquisadores o acesso à informação científica produzida na pósgraduação das universidades. A partir de 2002 ocorre uma expansão gradual das bibliotecas digitais, gerando uma estrutura reconhecida dentro da comunidade científica e auxiliando na livre comunicação da informação científica, mostrando um novo tipo de suporte que precisa ser incorporado às bibliotecas tradicionais. Diante disto, novas necessidades organizacionais vem à tona, exigindo mudanças internas nas bibliotecas relacionadas com a gestão da informação, com as competências dos profissionais envolvidos no processo de construção das bibliotecas digitais, com o suporte físico (software e hardware), no relacionamento com os usuários, no planejamento de marketing e principalmente na busca por novos conhecimentos, no entendimento dos novos conceitos relacionados a esta nova tecnologia e aos novos produtos e serviços. 20 Bottari e Silva (2011) afirmam que para a criação de uma biblioteca digital é necessário planejamento e também entender as questões complexas relacionadas com o processo e principalmente respeitar a cultura local, adequando o novo produto às necessidades locais, devendo-se seguir os seguintes passos para a consumação do projeto, como criar infraestrutura de espaço, material e de fluxo de trabalho, definir quais cursos de pós-graduação serão incluídos, treinar toda a equipe, criar políticas locais e de procedimentos gerais para o depósito, sensibilizar a comunidade acadêmica e divulgar o novo produto (marketing), avaliar as demandas, implantar. Desde então, a evolução deste sistema é constante, e para implantálas surgiram conforme SAYÃO (2007) a necessidade de criar projetos, implementar, desenvolver e avaliar, em um círculo virtuoso que promove após a implantação do projeto, a necessidade constante de avaliação, para que não ocorra o sucateamento e o atraso tecnológico destas BDTDs. A partir da implantação das BDTDs novos conceitos e um novo linguajar dominam o ambiente das bibliotecas, que experimentam no novo recurso a evolução desta área do conhecimento enquanto ciência, e a partir daí termos como interoperabilidade, padrões, metadados, protocolos, enfim, conceitos advindos da computação se integram com termos da área de biblioteconomia para se incorporar ao cotidiano das bibliotecas, com os profissionais das duas áreas interagindo e conversando para buscar soluções para as novas demandas. Em relação as mudanças ocorridas neste período, segundo Rizzo (2007) é possível afirmar que a estrutura do trabalho é modificada a partir das inovações tecnológicas que se inserem no ambiente prorpocionando tranformações nas relações do indivíduo com as mesmas, o que leva a alterações profundas na sociedade, desde o cotidiano no trabalho, bem como, fora dele também. 21 2.3 A Evolução das Bibliotecas Digitais As publicações eletrônicas são entendidas como “qualquer tecnologia de distribuição de informação em uma forma que possa ser acessada e visualizada pelo computador e que utiliza recursos digitais para adquirir, armazenar e transmitir informação de um computador para outro e, à medida que a diversidade desses suportes foram sendo utilizados, nos últimos anos, para a disseminação da informação, mais complexa se tornou também a organização do controle bibliográfico, requerendo o desenvolvimento de novos padrões para o tratamento, armazenagem e acesso por parte das bibliotecas e outros tipos de unidades de informação para a gestão dos recursos informacionais em meio digital. (SABATINI apud BARRETO, 2008, p.102). Após o surgimento das publicações eletrônicas como afirmamos anteriormente a produção passa por mudanças profundas, e dentre estas no campo da Biblioteconomia e no ambiente interno das bibliotecas, surgem novos termos e possibilidades de tratamento da informação, e dentre os novos conceitos, destacamos a questão da interoperabilidade, que se destaca neste novo momento como ferramenta fundamental para o compartilhamento dos metadados, outro termo que aparece com força neste novo momento tecnológico. Apesar de destacado em vários artigos na atualidade, como conceito fundamental para a criação de bibliotecas digitais, interoperabilidade é um assunto antigo, conforme afirma Sayão e Marcondes (2008), quando dizem que cooperação é um conceito que é usado desde meados do século XX, quando as Bibliotecas já trocavam documentos, experiências, compartilhando seus acervos e informações. Enfim, ao longo dos anos, este processo foi se aperfeiçoando e com a nova experiência tecnológica estas possibilidades de compartilhamento e cooperação atingem novas perspectivas, que se dão além do físico, correndo pelos fios (redes), e atualmente pelo ar (redes sem fio). Para Marcondes e Sayão (2008) com a implementação e consolidação das bibliotecas digitais que se dá por meio das áreas de biblioteconomia, ciência da computação e tecnologias de rede, a interoperabilidade ganha destaque em todos estes segmentos, por ser baseada em uma tecnologia de distribuição de dados, torna-se importante que este sistema interaja com outros, em vários níveis, 22 permitindo que conversem entre si e possam trocar dados, informações, documentos, como no caso da indústria de conteúdo e o seu sistema pay-per-view que oferece e vende seus produtos via acesso remoto e no caso das bibliotecas digitais que tem seu modelo baseado no acesso e uso. Os autores destacam ainda a importância da interoperabilidade para uso do governo, principalmente na área de educação que investe particularmente na educação à distância e que utiliza estes recursos para educar e treinar via internet, bem como além do poder executivo, o poder legislativo e o poder judiciário também possuem diversos programas que podem ser acessados via web como bibliotecas digitais de leis, projetos, pareceres, programas para o cidadão, entrega da declaração do imposto de renda pela internet, entre outros. Marcondes e Sayão (2008) afirmam também que as bibliotecas, os arquivos e museus tem utilizado este modelo para divulgar seus produtos, pois, perceberam neste, as possibilidades e o potencial existente para romper com as barreiras físicas, o que permite novas formas de acesso e disseminação da informação, necessitando para implementá-los, de recursos financeiros, humanos e metodológicos, além dos recursos de software. O desafio da interoperabilidade passa pela necessidade de se criar uma estrutura básica para resolver todos os problemas relacionados com este conceito, permitindo acesso e integração de informação entre estes domínios específicos. Um objetivo comum desses esforços é permitir que diferentes comunidades, com diferentes tipos de informação e usando diferentes tecnologias, consigam um nível geral de compartilhamento de informação e, por meio de processos de agregação apoiados por tecnologia da informação, criem novos e mais poderosos tipos de serviços de informação (PAYETTE et al., 1999) apud (MARCONDES E SAYÃO, 2008). A interoperabilidade interage entre diversos sistemas criando uma rede de informações e de possibilidades que crescem geometricamente na mesma proporção que diminuí o retrabalho, visto que dentro dos diversos sistemas é possível recuperar metadados e recuperá-los para o próprio sistema, ou seja, ao invés de criar metadados já existentes quando da necessidade de inserção de um 23 novo item apenas se extraí os dados já existentes em outro sistema. Daí se dá um exemplo de compartilhamento e cooperação. O serviço de compartilhamento EBSCO Discovery Service (EDS) (http://www.ebscohost.com/discovery) é um exemplo deste tipo de sistema, tendo sido desenvolvido pela editora EBSCO para compartilhar diversos tipos de informação, desde a recuperação do texto completo disponíveis nas bibliotecas cooperantes, bem como importar dados de catalogação de milhares de revistas e livros e outros tipos de documentos, além de conseguir integrar dentro de uma única biblioteca todos os recursos digitais como o catálogo local (OPAC, Online Public Access Catalogue), biblioteca digital, e outros recursos que estiverem em rede, tornando único o acesso para o usuário a todos os sistemas de busca de uma biblioteca. Tudo isto permite melhor gerenciamento dos recursos humanos e de finanças, permitindo otimizar serviços, remanejar pessoal para outras áreas, menor necessidade de treinamento do usuário, enfim, agrega novos valores aos produtos e serviços da instituição permitindo elevar o nível de gestão da informação. 2.4 Repositórios Institucionais A implantação de Repositórios Institucionais tem sido uma tendência que surge como alternativa para organização do conhecimento produzido nas instituições bem como, para preservar sua memória e combater os altos custos impostos pelas editoras na venda e assinatura de revistas científicas. O IBICT é um órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia e tem como missão promover ações em todo o Brasil para ampliar as possibilidades de implementação de políticas de informação, promovendo competências, dando suporte técnico com a oferta de equipamentos eletrônicos e softwares para que os recursos em informação possam se desenvolver no país. O IBICT promove e incentiva no Brasil o movimento de acesso livre com a promoção de diversas iniciativas visando a implantação de programas que 24 contemplem estas ideias, e Kuramoto (2008) apresenta duas alternativas estratégicas para que este movimento obtenha seus objetivos, que são a via verde que propõe o auto-arquivamento, quando os próprios autores depositam sua produção em um repositório institucional ou temático e a via dourada que refere-se a publicação de artigos em revistas científicas de livre acesso. Dentro deste contexto, sempre com o apoio do IBICT é que surgem os repositórios institucionais, que segundo Linch, apud Carvalho (2008, p. 03) “[...] é um conjunto de serviços que a universidade oferece aos membros de sua comunidade para a gestão e disseminação de materiais digitais, criados pela instituição e por membros de sua comunidade.” (tradução da autora). Além disto, o repositório é um importante instrumento para preservação da memória institucional, principalmente do conhecimento científico produzido, conforme afirmam Ribeiro e Vidotti (2009, p. 106) “Os repositórios digitais trazem a idéia de preservação dos objetos digitais, além de promover o acesso livre a conteúdos como produtos de pesquisa, entre outros”. Os repositórios ampliam o leque de documentos possíveis de ser depositados, avançando além da biblioteca digital de teses e dissertações, que limita o depósito a estes dois tipos de documentos, enquanto que o repositório permite incorporar todo tipo de documento produzido em uma determinada instituição, como artigos científicos, apresentações em congressos, livros ou capítulos de livros, fotografias, filmes, áudios, etc. Porém os repositórios não deixam de ser um tipo de biblioteca digital, já que desde sua origem até a sua concepção trazem em si o ideal e a estrutura das bibliotecas digitais com seus conceitos embutidos, como o uso de padrões de metadados, interoperabilidade, questões de direito, entre outros. Compreender isto é fundamental para visualizarmos adequadamente a evolução dos novos produtos e serviços que surgem na nova era da informação no Brasil. 25 3. MÉTODO E DESENVOLVIMENTO 3.1 Abordagem e método da pesquisa Esta pesquisa utiliza a metodologia de estudo de caso descritivo possuindo como objeto de estudo a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar – BDTD/UFSCar na qual serão aplicados elementos da teoria para sua avaliação a partir de critérios oriundos de fontes de informação científica, visando sua melhoria e adequação com o modelo teórico proposto, pois, como afirma Yin (2005) utiliza-se o estudo de caso como estratégia de pesquisa contribuindo para o conhecimento acerca de fenômenos individuais, organizacionais, sociais, políticos e de grupos, sendo que o foco desta pesquisa está em um estudo organizacional. Conferimos abaixo uma definição para estudo de caso. ... a essência de um estudo de caso, a principal tendência em todos os tipos de estudo de caso, é que ela tenta esclarecer uma decisão ou um conjunto de decisões: o motivo pelo qual foram tomadas, como foram implementadas e com quais resultados. (Schramm, 1971 apud Yin 2005). A partir desta definição podemos explorar esta pesquisa como sendo um estudo de caso, já que este pretende analisar e identificar como foi implantada a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar – BDTD/UFSCar e quais os resultados alcançados por ela, buscando entender como se poderá aprimorá-la a partir das soluções propostas em comparação com as decisões tomadas na sua criação e com os resultados alcançados até este momento, ou seja, existe um ponto comum entre os elementos principais propostos na definição de Schramm e as intenções desta pesquisa. Para Chizzoti (2008), um estudo de caso envolve a compreensão de um conjunto de relações ou processo social, sendo que para este estudo busca-se o entendimento do processo de construção daquela biblioteca digital, “para melhor 26 conhecer como são ou como operam em um contexto real visando auxiliar na tomada de decisão, justificar intervenções, ou esclarecer por que foram tomadas ou implementadas e como foram os resultados”. O autor afirma também que um estudo de caso, Constitui-se, pois, em uma busca intensiva de dados de uma situação particular, e um evento específico ou de processos contemporâneos, tomados como “caso”, compreendê-lo o mais amplamente possível, descrevê-lo pormenorizadamente, avaliar resultados de ações, transmitir essa compreensão a outros e instruir decisões. (Chizzoti, 2008) A pesquisa caracteriza-se também por ser teórico-aplicada já que se pretende a partir de critérios e conceitos identificar um modelo teórico ideal para compará-lo com o modelo implantado atual e a partir desta comparação encontrar soluções práticas para o aprimoramento daquela biblioteca digital. Pelas características percebemos também que deve ser entendida como uma pesquisa qualitativa, já que trabalha identificando relações entre o modelo teórico e o prático, não se preocupando com a quantificação de dados ou de questionamentos, mas, fazendo comparações para identificar as propriedades e dimensões dos questionamentos que forem levantados. Refletindo sobre este tema é importante entendermos que, ... usamos comparações teóricas na análise para os mesmos fins que usamos na vida diária. Quando ficamos confusos ou atrapalhados com o significado de um incidente ou evento em nossos dados, ou quando queremos pensar sobre um fato ou objeto de formas diferentes (leque de possíveis significados), voltamo-nos para as comparações teóricas. O uso de comparações dá origem a propriedades, que, por sua vez, podem ser usadas para examinar o incidente ou objeto nos dados. Os incidentes, os objetos ou as ações específicos que usamos ao fazer nossas comparações teóricas podem ser derivados da literatura ou da experiência. Não significa que usamos experiência ou literatura como dados, mas sim, que usamos as propriedades e as dimensões derivadas dos incidentes comparativos para examinar os dados à nossa frente. Assim como não reinventamos o mundo à nossa volta a cada dia, em análise nos baseamos naquilo que sabemos para nos ajudar a entender aquilo que não sabemos. (STRAUSS e CORBIN, 2008). 27 Foram utilizadas nesta pesquisa como referências principais para a escolha de critérios para avaliação da BDTD/UFSCar o artigo de Sayão (2007), bem como, a monografia de Prestes (2010), que utilizou para levantamento de categorias para análise dos instrumentos do OpenDOAR na criação de políticas para repositórios institucionais, os trabalhos de Leite (2009), Tomáel e Silva (2007) e Viana e Márdero Arellano (2006). Entendeu-se para o uso deste último trabalho que seu desenvolvimento se deu voltado para a análise de repositórios institucionais e que estes, a partir da avaliação do referencial teórico ali exposto, possui as mesmas características, necessidades, ideais, problemas e conceitos do mesmo porte e com as mesmas propriedades dos que foram trabalhados nesta pesquisa. Desta forma, os critérios aqui adotados se respaldam em uma base científica fundamentada e legitimamente validada, dentro dos preceitos básicos da ciência, que exigem confiabilidade nas fontes de informação que balizam a pesquisa científica. Vale ressaltar que o trabalho se baseia também no conhecimento adquirido por este pesquisador na execução das tarefas diárias na BDTD/UFSCar, enquanto bibliotecário diretamente responsável pelas rotinas de serviço daquela Seção, bem como, na observação direta de atuação dos ouros profissionais envolvidos naquele sistema. O objeto de estudo desta pesquisa é a BDTD/UFSCar criada no ano de 2004 e que tem como objetivo receber o depósito das teses e dissertações publicadas na UFSCar e disponibilizá-las no formato digital, estando situada e sendo gerenciada pelo Departamento de Processamento Técnico da BCo/UFSCar. Esta última foi inaugurada no ano de 1995 quando também muda seu conceito, passando de biblioteca universitária para biblioteca comunitária, bem como, neste momento de transição passa a ser automatizada, saindo do modelo antigo de fichas impressas para a oferta de produtos e serviços informatizados. Segundo Rizzo (2007), A informatização da BCo/UFSCar passou por vários momentos difíceis, sendo que em meados de 1994 tem início o processo com mudanças no empréstimo e devolução de materiais e na recuperação da 28 informação, e o ápice desta mudança se dá com a inauguração em 1995 do novo prédio já com todo o sistema informatizado. Diante da nova realidade com seus produtos e serviços informatizados, surge a proposta do IBICT para a criação de bibliotecas digitais locais, que seriam agregadas em um único sistema nacional denominado Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT, que seria associado também a Networked Digital Library of Theses and Dissertations – NDLTD, que é uma iniciativa do mesmo porte e que agrega bibliotecas digitais de vários países diferentes. Podemos observar na Figura 4 o esquema de funcionamento da colheita de metadados feita pelo harvesting, permitindo entender como funciona a integração entre estes três níveis do sistema de bibliotecas digitais. Repositório Internacional A Repositório Nacional A Harvester Internacional Repositório Internacional B Repositório Internacional X Harvester Nacional Diretório Internacional Diretório Internacional Figura 4 ‐ Esquema de colheita de metadados. Fonte: Kuramoto (2006). Repositório Nacional B Repositório Nacional X 29 O sistema de harvesting permite a interoperabilidade entre os sistemas que são alimentados desde os repositórios locais que fornece as informações para o repositório nacional do qual são retiradas as informações para o repositório internacional, sendo repassado os metadados, pois, o texto completo é sempre acessado na biblioteca digital local. A BDTD da UFSCar foi inaugurada em 2004 dentro da iniciativa proposta pelo IBICT agregando os serviços de disponibilização de teses e dissertações digitais oriundos dos programas de pós-graduação da UFSCar, proporcionando a inserção da Biblioteca Comunitária e da UFSCar no modelo proposto pelo IBICT diante das iniciativas de acesso livre à informação, o open Access, e a partir daí passa a ter um sistema local integrado ao nacional e mundial, adequando-se à nova realidade da sociedade da informação. Seu crescimento se deu ao longo dos anos alinhado com o crescimento e surgimento de novos programas de pós-graduação na UFSCar de tal forma que de acordo com o ranking que avalia o número de trabalhos depositados na BDTD nacional, ocupa atualmente o nono lugar com um total de 4213 teses/dissertações depositadas. 3.2 Desenvolvimento da pesquisa Esta pesquisa tem como objetivo principal avaliar as bibliotecas digitais, mais especificamente a BDTD/UFSCar, através de sua comparação com um modelo de BD ideal construído a partir do referencial teórico, no sentido de entender conceitos teóricos de um modelo ideal de biblioteca digital em comparação com o modelo implantado na UFSCar. São objetivos específicos: Identificar critérios de avaliação a partir de um modelo teórico baseado nos conceitos do artigo de Sayão (2007); Aplicar estes critérios na BDTD/UFSCAR; 30 Propor soluções e mudanças para a melhoria daquela biblioteca digital a partir dos resultados encontrados. Segundo Sayão (2007) as bibliotecas digitais, desde seu surgimento na década de 1990, experimentaram um rápido crescimento e atingiram todas as etapas de desenvolvimento que passam pelo projeto, implementação, desenvolvimento e avaliação. Diante dos novos desafios tecnológicos torna-se necessário que a avaliação seja constante e que seja uma ferramenta que deve ser utilizada continuamente e que por isso justifica a realização desta pesquisa, dado que não há melhoria sem avaliação. A melhoria contínua do sistema permite novas adequações e o aprimoramento da biblioteca digital, caracterizando novas possibilidades, o que traz em seu bojo um aumento da visibilidade da produção científica da UFSCar, trazendo ganhos, visto que existindo maior visibilidade aumentará o consumo e a divulgação dos resultados de pesquisas da UFSCar. 3.2.1 Conceitos teóricos Uma biblioteca digital – no seu sentido pleno - não é meramente um repositório ou uma coleção de informações em formato digital; também não é somente uma tecnologia ou um conjunto de tecnologias que se pode avaliar isoladamente. Antes disso, é um sistema aberto, de múltiplas interligações e múltiplos subsistemas, envolvendo um ambiente organizacional, profissionais especializados provenientes de diversas áreas, recursos informacionais, usuários claramente definidos, tecnologia de informação, procedimentos, padrões e protocolos e, não menos importante, compromissos de longo prazo. (SAYÃO, 2007, p.19). O conceito de biblioteca digital envolve comunicação em todos os sentidos, devendo existir a comunicação com o usuário da forma mais adequada possível e em vários sentidos, como por exemplo: 31 - Na recuperação da informação, quando o acesso e a forma de acesso à informação devem ser simplificados, criando interfaces de buscas amigáveis; - No marketing, que é a forma de criar circunstâncias que permitam ao usuário “saber que existe” a biblioteca digital e chegar até ela, de forma que se encontrem em um determinado momento e que aja percepção de sua importância; - Nos metadados, que definem a forma como a informação chegará ao usuário e como permitirá o acesso à informação ali contida; - No formato dos arquivos, que exigirão do usuário tecnologias adequadas para acessá-los; entre outros. Na conceituação do autor percebemos a importância de entendermos que as bibliotecas digitais são mais do que uma simples base de dados, ou uma tecnologia nova ou até mesmo um simples repositório em que se deposita um documento deixando-o sem nenhum tratamento. O autor demonstra que as bibliotecas digitais trazem em si a característica de ser um sistema aberto, que permite o livre acesso ao seu conteúdo, existindo ali interligações de formas diversas, seja em direção ao usuário ou dentro do sistema e seus diversos subsistemas, e que no bom funcionamento e estruturação destes está a base para a sua qualificação, existindo por trás disto uma estrutura que envolve dentro de uma organização, pessoas (usuários e profissionais de áreas diversas), técnicas e formas de agir, recursos humanos e financeiros, tecnologias e regras. Neste contexto, as normas, padrões, formatos e protocolos cumprem um papel de fundamental importância, já que estabelecem as regras pelas quais os objetos são descritos, identificados e preservados, seus dados são armazenados, e os sistemas aos quais estão inseridos se comunicam. (SAYÃO, 2007, p.19). Em uma análise mais detalhada Sayão (2007) esclarece que padrão é definido pela ISO - International Organization for Standardization - como sendo “"documento aprovado por um organismo reconhecido que provê, pelo uso comum e 32 repetitivo, regras, diretrizes ou características de produtos, processos ou serviços cuja obediência não é obrigatória" (ISO, 2006)”. Enquanto que as normas são regras mais específicas, definidas por alguém que tenha direito de decidir, não existindo abertura para discussão, estando em forma de documentos técnicos, reguladores e que visam garantir a qualidade dos produtos, a racionalização da produção, o transporte e o consumo de bens, a segurança das pessoas e a uniformidade dos meios de expressão e comunicação. Protocolos são conjuntos de padrões que definem a forma de comunicação em um ambiente de rede, estando associado ao formato da mensagem e na maneira como são trocadas. Formatos são as formas como a informação será disponibilizada. Existem padrões proprietários que são de posse de alguma empresa que desenvolveu o produto e os padrões abertos que estão disponíveis para uso ilimitado. 3.2.2 Critérios de avaliação a) Objetos digitais adequados A NISO (2004) apud Sayão (2007) afirma que existem dois tipos de objetos digitais adequados que são os objetos produzidos como representação de outro objeto físico, como no caso dos digitalizados, tendo como exemplo, livros impressos, manuscritos e outros e objetos originalmente “nascidos digitais”, como por exemplo as fotografias digitais, os ebooks, base de dados científicas, etc. No caso da BDTD/UFSCar ocorre que os objetos depositados estão inseridos no segundo caso, sendo produzidos em documentos do tipo DOC ou DOCX que são criados originalmente pelo autor no formato digital e que podem ser entregues no formato PDF, que é o padrão para inserção na BDTD/UFSCar, sendo 33 que a conversão pode ser feita no momento do depósito, pelo bibliotecário responsável ou pelo próprio autor. A decisão de autorizar o autor a fazer a conversão foi tomada devido a grande ocorrência de desconfiguração do arquivo no momento da conversão devido a leitura que o programa faz no arquivo em Word ao convertê-lo para PDF ou por “descuido” do autor na configuração do trabalho. Desta forma a solução encontrada foi solicitar que preferencialmente o arquivo seja entregue em PDF, o que permite ao autor conferir se ocorreu algum problema na conversão e corrigi-lo antes mesmo do momento em que comparece para depositá-lo, o que promove um ganho real de tempo no atendimento ao usuário, no momento do depósito. As dissertações/teses foram depositadas a partir da criação da BDTD/UFSCar em 2004, existindo documentos anteriores a este momento que não estão inseridos no formato digital, estando depositados na Biblioteca Comunitária da UFSCar somente no formato impresso. “Um objeto pode estar completo em um único arquivo - por exemplo, um relatório em PDF -; ou pode consistir de múltiplos arquivos vinculados por hiperlinks, por exemplo, uma página HTML e as imagens vinculadas a ela; ou ainda consistir de múltiplos arquivos unificados por metadados estruturais, por exemplo, um livro digitalizado na forma de imagens de páginas separadas”. Sayão (2007) No caso da BDTD/UFSCar o documento consiste em um arquivo único em PDF, não existindo ligações feitas por hiperlinks ou uma integração baseada nesta ferramenta de navegação, não permitindo que o usuário navegue ou caminho pelo texto se movimentando de forma integrada, ao invés de realizar uma leitura linear. 34 b) Padrões de Formatos para Objetos Digitais A NISO (2004) apud Sayão (2007) afirma que existe uma correlação direta entre a qualidade de produção de um objeto digitalizado e a presteza e flexibilidade que lhe permite migrar em plataformas computacionais. Deve-se buscar um equilíbrio entre as necessidades de digitalização de um objeto, relacionando sua qualidade e valor em relação direta com a persistência e o nível de interoperabilidade desejado, o que irá permitir a sua disponibilização e garantir a possibilidade de acesso ao documento pelo usuário. No caso da BDTD/UFSCar não existe arquivamento de produtos de áudio e vídeo, constituindo seu acervo na totalidade de textos digitais, que são produzidos diretamente com softwares editáveis, possíveis de ler em um computador e entregues pelo usuário. Este acervo é constituído em sua grande maioria a partir do ano de 2004, quando foi inaugurada aquela biblioteca digital, portanto não abrange a totalidade do acervo considerando o que foi produzido nos anos anteriores, quando os exemplares eram entregues em papel. Para realizar esta cobertura deste período em que o acervo não se encontra disponível no acervo digital, existem duas exigências que devem ser cumpridas, uma legal, relacionada com a autorização para disponibilização pelos autores daquelas dissertações/teses e a outra seria de ordem organizacional e operacional, com a montagem de um projeto para digitalização daquele acervo impresso, exigindo custos financeiros, profissionais especializados em digitalização, equipamentos adequados, etc. Ainda segundo Sayão (2007) o PDF - Portable Document Interface, da empresa Adobe (www.adobe.com), mesmo sendo um software proprietário, possui um nível básico de licença para seu uso e se notabilizou como formato padrão para depósito em bibliotecas digitais, porém, ele não possui as características necessárias para uma preservação do documento a longo prazo, o que resultou em uma união de empresas no ano de 2002 em busca de um formato padrão, baseado no PDF que suprisse esta necessidade, o que resultou em uma norma ISO 1905-1 – Documento management - Electronic file format for long-term preservation – Part 1: 35 use of PDF 1.4 (PDF/A-1) que originou o formato de arquivo PDF/A que preserva a aparência visual dos arquivos neste formato por longos anos. Figura 5 ‐ Visão da configuração do Adobe para PDF/A c) Identificadores Permanentes A internet oferece grandes possibilidades de recursos que permitem a interligação entre diferentes fontes de informação, seja esta um artigo de periódico, um documento da internet, uma página web, entre outras, com a utilização de links que permitem navegar dentro de um único documento ou até mesmo entre estes, como por exemplo, quando é colocado um link de acesso a um determinado documento citado em uma referência. O sucesso de um sistema de informações distribuídas – tal como é caracterizada a própria Web – depende fortemente da vinculação consistente entre os recursos que estão disponibilizados on-line. Isto se 36 concretiza por intermédio da estabilidade dos links que estão presentes nos catálogos, nos índices e nas listas que constituem os diversos serviços de descoberta de recursos. Contudo, para que isso se efetive é necessário que para cada recurso seja atribuído um nome que o identifique permanentemente, sem ambigüidades e independente de localização. Sayão (2007) A busca por mecanismos permanentes de identificação nas bibliotecas digitais é um objetivo que vem sendo buscado por parte dos vários atores envolvidos, que incluem principalmente as organizações responsáveis pelo ordenamento da Internet, as organizações internacionais de normalização e as organizações voltadas para o desenvolvimento de arquivos e bibliotecas digitais. Nomes são blocos de estrutura vitais para as bibliotecas digitais. Eles são necessários para identificar objetos digitais, para registrar propriedade intelectual vinculada a esses objetos e para registrar mudanças na propriedade dos objetos digitais. Eles são necessários para citação, para recuperação de informação, e são usados como links entre objetos. (ARMS, 1995 apud SAYÃO, 2007). A unicidade e a persistência são requisitos essenciais para os nomes representarem este papel, sendo compreendido, nas bibliotecas digitais, como um identificador único que perdurará por um longo tempo, devendo existir ainda mesmo que a organização que o gerou não exista mais, devendo ser criado sistemas automáticos para geração destes nomes. Atualmente o mecanismo mais comum é o URL - Uniform Resource Locator, que pode ser constantemente alterado, não possuindo formas que garantam a sua persistência, como ocorre no caso de um livro catalogado em uma biblioteca que raramente muda sua classificação. Os URLs possuem nomes baseados na estrutura do número da máquina em que se encontram e o caminho onde se encontram, o que significa que são colocados a sua localização e o nome que foi dado a ele. Como exemplo de uma URL retirada da BDTD/UFSCar, podemos citar, o seguinte link cujos itens que aparecem sublinhados e em negrito, indicam o número de IP da máquina em que se encontra o documento (primeiro ítem) e o 37 número (segundo ítem) que representa o nome do arquivo a que se refere o link: http://200.136.241.56/htdocs/tedeSimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3 414 Existe uma fragilidade neste tipo de link, apesar dele ser apresentado constantemente como um identificador formal de um objeto digital, o que denota instabilidade e aparece como causa frequente para encontrarmos os links quebrados na internet cuja mensagem é frustrante para quem busca um objeto necessário para sua pesquisa científica (Erro HTTP - 404 Arquivo não encontrado). Numa medida ao longo do tempo, tendo como objeto de estudo uma amostra aleatoriamente selecionada de URL´s, foi demonstrado que somente cerca de 34% dos URL´s permaneciam ativos depois de um período de quatro anos (KOEHLER, 2002 apud SAYÃO, 2007) Como solução para este problema surgiram três diferentes soluções técnicas que são o URN – Uniform Resource Name, o PURL – Persistent URL e o Handle System cada um com suas características próprias. O URI – Uniform Resource Identifiers está relacionado como o esquema de identificadores usados na internet, sendo descrito pelo documento publicado em 1988 intitulado “RFC 2396 – Uniform Resouce Identifiers (URI): Generic Syntax” (Berners-Lee et al, 1988 apud SAYÃO, 2007), que o divide em duas grandes categorias, URL (Uniform Resource Locator) e o URN (Uniform Resource Name). O URL é o mecanismo que identifica o recurso de uma forma primária, enquanto que o URN permite que o objeto digital adquira características de persistência devido ao seu objetivo que é criar mecanismos de permanência do documento, mesmo quando o recurso deixa de existir ou fica indisponível. Para Sayão (2007) o URN possui requisitos básicos para sua validação, que são ter um nome único em escala global, atender com um determinado nome a um único recurso, ter a propriedade de ser persistente, deve ser assinalada para qualquer recurso mesmo que este dure por centenas de anos, deve permitir a incorporação de sistemas de identificação já existentes, deve permitir 38 extensões futuras para o esquema, ser independente, devem poder ser traduzidos em URL. O PURL foi desenvolvido pela OCLC – Online Computer Library Center (http://www.oclc.org/) como um esquema que permite a quem navega acessar um recurso a partir de uma URL que busca em um servidor intermediário a localização atual do link procurado. Conforme Sayão (2007) o "O Handle System foi desenvolvido pelo CNRI - Corporate for National Research Initiatives (http://www.cnri.reston.va.us/) - e teve sua origem no projeto NCSTRL - Networked Computer Science Technical Report Library (http://www.ncstrl.org/)." Este se configura como um sistema de apoio para apoiar o desenvolvimento de bibliotecas digitais abertas e interoperáveis, tendo como referência principal no Brasil o software Dspace. O Handle System, ainda segundo Sayão (2007) é "um sistema distribuído de computadores concebido para assinalar, armazenar, administrar e resolver identificadores ou nomes persistentes de objetos digitais conhecidos como handles". Seu exemplo mais conhecido em escala global é o DOI system. O Digital Object Identifier (http://www.doi.org) é uma aplicação específica do Handle System voltada para a identificação persistente de recursos digitais sobre os quais possam ser atribuídos direitos de propriedade intelectual, bem como para o intercâmbio de informações sobre essas propriedades em um ambiente de rede. (Sayão, 2007) Além de ser um identificador o DOI system, traz em seu escopo a facilitação do comércio eletrônico, fazendo interagir clientes e gerentes de editoras, permitindo um melhor gerenciamento de direitos para objetos digitais, o controle de transações e a comunicação entre editores e clientes. Por ser um número único permite criar uma identidade única para o objeto e facilita desta forma a sua identificação, sem a necessidade de colocação de diversos campos para pesquisa e recuperação do documento na internet. 39 d) Metadados ... podemos considerar que os metadados são conjuntos de atributos, mais especificamente dados referenciais, que representam o conteúdo informacional de um recurso que pode estar em meio eletrônico ou não. Já os formatos de metadados, também chamados de padrões de metadados, são estruturas padronizadas para a representação do conteúdo informacional que será representado pelo conjunto de dados-atributos (metadados). Em outras palavras, os formatos ou padrões de metadados podem ser considerados como formas de representação6 de um item documentário. (Alves, 2005) Os metadados são importantes representações para as bibliotecas em geral e também para as bibliotecas digitais, pois a consistência do sistema relacionase com a correta representação das informações e dos documentos ali inseridos, bem como, as políticas de uso, direitos autorais, entre outras, também são inseridas no sistema a partir dos metadados, ou seja, estão diretamente associados com o gerenciamento das informações. Castro e Santos (2007), afirmam que os bibliotecários trabalham metadados há muitos séculos, desde a época em que teve início as primeiras tentativas de organização da informação a partir da descrição de documentos, e nos dias atuais profissionais de várias áreas tentam descrever documentos, porém, por não levar em conta as técnicas criadas na biblioteconomia, não tem obtido respostas adequadas. Alves (2005, p. 111) afirma que “apesar das tecnologias de informação e comunicação modificarem a concepção de organização, tratamento e acesso às informações, a essência do tratamento da informação vem de métodos tradicionais já estabelecidos na área da Biblioteconomia”. Para elevar o nível de recuperação da informação, torna-se necessário fazer o tratamento da informação, utilizando-se de técnicas da biblioteconomia como a catalogação e a indexação e principalmente deve-se trabalhar com a padronização, sendo que todas estas técnicas servirão como fonte para garantir a confiabilidade e a consistência da biblioteca digital. 40 Para Alves (2005) a catalogação vem evoluindo ao longo dos anos e com o surgimento do recurso eletrônico passou a se preocupar em conseguir formas de representação melhor adequadas a esta realidade e encontrou nos metadados a ferramenta ideal para fazer este trabalho, encontrando neste a forma de proporcionar um meio de localização do item digital pelo usuário. Os metadados se dividem em vários tipos conforme sua função, abaixo, no quadro 1, observamos alguns tipos de metadados e podemos perceber então, que as funções variam dependendo do tipo de metadado utilizado, permitindo visualizarmos como são importantes para a organização da informação, pois participam desde o controle administrativo, passando pela descrição, pela preservação, até chegar ao uso da informação. Quadro I: Tipos de metadados quanto à sua função Fonte: Gilliland-Swetland (2002, p.5) retirado de Lourenço (2007) Os padrões de metadados mais conhecidos são o Dublin Core e o Marc 21, e Alves e Souza (2007, p. 24), definem o dublin core como “um padrão de metadados, composto por 15 elementos, planejado para facilitar a descrição de recursos eletrônicos”. O dublin core é simples e pode ser inserido em uma página HTML (Hypertext Markup Language) e utiliza a linguagem XML (eXtensible Markup Language). Possui um conjunto de 15 elementos básicos (DUBLIN CORE METADATA INITIATIVE, 2004), que podem ser implementados livremente para 41 atender as necessidades de cada usuário, e, ainda é um formato padrão adotado para efetuar a interoperabilidade entre outros formatos. Alves e Souza (2007), definem o Marc 21 como um acrônimo de MAchine-Readable Cataloging sendo um conjunto de padrões que servem para identificar, armazenar e comunicar informações bibliográficas em formato legível por máquina, permitindo o reconhecimento por outros computadores e programas e permitindo estabelecer pontos de acesso dos elementos da descrição bibliográfica. Utiliza uma estrutura que possui campos fixos e variáveis, subcampos e indicadores, trabalhando essencialmente com campos, possuindo um campo para título, outro para assunto e assim sucessivamente. Estes são elementos básicos que definem e demonstram o que são metadados e como influenciaram e ainda influenciam na descrição e recuperação da informação, sendo elementos importantes para a evolução das bibliotecas digitais. e) Interoperabilidade Interoperabilidade é: A capacidade de um sistema de hardware ou de software de se comunicar e trabalhar efetivamente no intercâmbio de dados com um outro sistema, geralmente de tipo diferente, projetado e produzido por um fornecedor diferente. (ONLINE..., 2004 apud MARCONDES e SAYÃO, 2008). Para Marcondes e Sayão (2008), interoperabilidade pode ser definida como citado acima pela ciência da computação, uma definição exata que exprime fisicamente este conceito, porém, na área de biblioteconomia este termo torna-se mais complexo exprimindo não somente a simples troca de dados, mas, envolvendo também, além do sistema físico, toda a cultura, a gestão, a forma de pensar, o envolvimento de cada biblioteca com sua comunidade, permitindo entender não somente os dados, mas, também o pensamento e o modo de ser da instituição, 42 integrando culturas e modos diferentes de organização, que devem se adequar para permitir a integração para o uso e reuso da informação. Para uma padronização consistente é necessário que existam condições de adequação como as descritas por (Arms, 2000; Arms et al., 2002) apud Marcondes e Sayão (2008), afirmando que vencer o desafio de integrar formas diferentes de pensar, de usuários diferenciados, de organizações diferentes e que devem interagir em um nível elevado, passam por três instâncias, que são: a) acordos técnicos - cobrem formatos, protocolos, sistemas de segurança de forma que mensagens possam ser trocadas; b) acordos sobre conteúdos – cobrem dados e metadados e incluem acordos semânticos sobre interpretação das mensagens; c) acordos organizacionais – cobrem as regras básicas para acesso, para mudanças nas coleções e serviços, pagamento, autenticação, etc. (Arms, 2000; Arms et al., 2002) apud Marcondes e Sayão (2008) Esses acordos definem regras que permitem padronizar o sistema de forma que todos possam utilizar a mesma linguagem, o que dá consistência, credibilidade e interoperabilidade permitindo o seu melhor funcionamento, desta forma a colheita dos dados, o acesso à informação pelo usuário, são facilitados, pois, a leitura é a mesma, seja em um acesso local, nacional ou internacional. Para Sayão e Marcondes (2008), existem três níveis de interoperabilidade, que em seu nível mais alto é definido como federação, cuja principal característica é ser bem robusto, porém, com maior nível de exigência para os seus participantes, pois, é necessário um alto grau de envolvimento para se conseguir implementar os acordos e manter o sistema atualizado, o nível heterogêneo ou federado como também é chamado, permite acesso conjunto a diversos sites ou sistemas diferenciados e utiliza o protocolo z39.50 para compartilhamento. Este protocolo tem como características principais permitir trabalhar sobre qualquer plataforma, tendo sido feito para recuperação da informação, facilitando a pesquisa, pois, esta pode ser feita sobre uma única interface que recuperará a informação em várias fontes diferentes. 43 Na Figura 6 temos um exemplo de estratégia de interoperabilidade em uma busca distribuída. Figura 6 – Estratégia de Interoperabilidade. Fonte: (MARCONDES e SAYÃO, 2001). No exemplo acima podemos observar uma pesquisa sobre um determinado item, feita no portal da Biblioteca Digital Brasileira, criada e gerenciada pelo IBICT a vários servidores que utilizam o mesmo protocolo (z39.50), passando a interação entre eles pelo servidor do IBICT. Um nível menos sofisticado de interoperabilidade esta relacionado com o uso do protocolo OAI-PMH (Open Archive Intiative Protocol of Metadata Harvesting), que exige um número menor de acordos entre as instituições e permite o compartilhamento em um nível básico, sendo que, este protocolo permite a utilização do harvesting como ferramenta para a chamada “colheita de metadados”, que os recolherá em um sistema e transferirá para o outro, permitindo-se assim a interação e a troca de dados entre eles e por ser tratado em nível menor e mais simples de ser gerenciado, a aceitação deste pela academia tem sido favorável. Quando não existe nenhum acordo, com um nível mais baixo de cooperação, ainda é possível trabalhar com um grau mínimo de interoperabilidade, 44 utilizando-se metabuscadores, robôs, máquinas de busca e protocolos que suportam web service, sendo que este nível é chamado de agregação. Segundo Marcondes e Sayão (2008), a padronização é um nível de interoperabilidade que está acima do nível de federação, tendo todos os aspectos de interoperabilidade formalmente definidos e com um nível de exigência maior, fazendo com que as instituições tenham que seguir rigidamente os padrões e procedimentos convencionados. A interoperabilidade é um mecanismo fundamental para o planejamento e implantação das bibliotecas digitais, bem como, para o uso comum da internet, pois, este “diálogo” entre os diversos sistemas, sites, redes sociais, entre outros, é o que está na essência da criação e do desenvolvimento de todos estes itens citados. 45 4. RESULTADOS 4.1 Avaliação de Iniciativas de Bibliotecas Digitais No Quadro II, podemos observar os resultados da avaliação dos aspectos de qualificação de uma biblioteca digital em relação direta com a BDTD/UFSCar, de acordo com os estudos teóricos e a prática observada por este pesquisador que trabalha como Bibliotecário naquela Seção: 46 Quadro II: Critérios utilizados para diagnóstico e avaliação da BDTD/UFSCar Descrição de acordo com os conceitos teóricos abordados por Sayão (2007) visando a manutenção e aprimoramento de uma biblioteca digital aberta e interoperável CRITÉRIO SIM NÃO Existe uma definição de que serão depositados documentos do tipo teses e Política de conteúdo dissertações no formato PDF, mas, não existe uma política escrita, nem uma X* definição quanto a outros formatos. Por exemplo, as instruções de como incluir um vídeo como anexo ou um campo para inserir links para anexos disponíveis na web. Existe um campo nos metadados que define se o conteúdo fica disponível para acesso ou se o texto fica retido pelo tempo determinado pelo usuário. Sugere-se que seja feito um estudo visando uma mudança, em relação aos direitos autorais, para o Direito Autoral X* tipo de licença do Creative Commons (http://www.creativecommons.org.br/), melhor adaptada aos sistemas abertos e com um número maior de alternativas para a escolha do autor. Para maiores informações sobre o Creative Commons fica a sugestão de consulta aos títulos publicados pelo autor Mizukami (2009, 2011). Auto-arquivamento Não existe o auto-arquivamento existindo um processo de depósito baseado na X confecção da ficha catalográfica sem a qual não ocorre a homologação do diploma, o que faz com que o autor necessariamente passe pela BDTD para fazer o depósito 47 do arquivo digital, exigindo o controle deste processo no momento da entrega da versão final da pós-graduação. Existe a interoperabilidade com a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações do IBICT, e consequentemente com a NDLTD - Networked Digital Library of Theses and Dissertations, porém, não existe interoperabilidade com o catálogo interno. Sugere-se que as teses/dissertações contidas na BDTD/UFSCar fiquem disponíveis no catálogo PHL, para que o usuário em uma única busca, Interoperabilidade encontre o documento procurado no formato papel e digital. Sugere-se também a X* criação de um formato de disponibilização que contemple a interação entre links, para que o usuário navegue dentro do sistema, utilizando os hiperlinks, bem como, para outros sites que contenham referências citadas, por exemplo. Fica como sugestão o modelo HTML utilizado pelo Scielo da Fapesp. É importante também, que sejam seguidas as recomendações encontradas em Sayão (2007), em relação aos cuidados com a persistência do documento na web. Diante do que foi citado por Sayão (2007) a BDTD/UFSCar segue o padrão de links Persistência e identificadores baseado no URL que são mais frágeis e passíveis de erros do tipo HTTP 404 – únicos X arquivo não encontrado, necessitando um estudo aprofundado visando entender os novos modelos propostos, como por exemplo o URN e implantá-los, como uma política específica de quem será responsável por criá-los. Autenticidade, integridade, proveniência e contexto Estes itens são contemplados pela garantia de conter documentos produzidos na X instituição Universidade Federal de São Carlos, que possuí um conceito elevado em pesquisa no país, os documentos são revisados e aprovados por banca de 48 avaliação, bem como, no ato da entrega existe um documento que é assinado pelo orientador autenticando a versão entregue como sendo a matriz final do trabalho. Sugere‐se que se crie um sistema de certificação que garante todos as propriedades citadas neste critério, validando e dando integridade e garantia de proveniência do documento depositado. Estão de acordo com o padrão estabelecido pelo IBICT. Atualmente a Metadados BDTD/UFSCar possui os seguintes requisitos: Versão do protolcolo atualizada para X ted_oai/oai3.php. Versão do TeDe Simplificado. Que é a versão mais recente disponibilizada pelo IBICT. Não existe uma política de marketing e nenhum projeto visando sua implantação. Sugere-se a criação de um projeto deste tipo, pois, a política de marketing é Política de Marketing X importante para o sistema, pois, garante a divulgação da BDTD/UFSCar, o seu entendimento pelo usuário, e garante a visibilidade da produção científica da UFSCar, bem como seu uso, o que serve como garantia de continuidade e manutenção do sistema, justificando sua existência. A BDTD/UFSCar possui em sua estrutura atual três bibliotecários, sendo um a Chefe do Departamento de Processamento Técnico que coordena a BDTD/UFSCar Gerenciamento X* enquanto Seção dentro do Departamento, um bibliotecário que trabalha diretamente na Seção e mais uma bibliotecária que atua substituindo quando necessário. Um analista de sistema que dá suporte na área de informática, quando necessário. Possui ainda mais três estagiários que ficam no máximo por 2 anos na Seção. 49 Em relação ao uso do padrão, citado por Sayão (2007) e indicado anteriormente na página 36 deste documento, em relação ao uso do formato Padrões de formatos para a preservação de objetos digitais X de arquivo PDF/A, que foi criado visando a preservação de documentos eletrônicos, podemos afirmar que, esta solução ainda não é utilizada na BDTD/UFSCar e seria um importante recurso a ser implantado para garantir a preservação dos documentos ali disponibilizados. *Sim, porém com restrições. Quadro II – Sistemática para diagnóstico e avaliação de iniciativas de Bibliotecas Digitais. Fonte: Adaptado de Conway (1994), Sant´Anna (2001), Arellano (2004, 2005), Sayão (2007), Ferreira (2007), BDTD (2009), Saramago (2004), Tammaro e Salarelli (2008), IBICT (2009), Moreno e Arellano (2005), Gracio e Fadel (2008), apud Lança (2010). 50 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS As iniciativas para a criação de bibliotecas digitais e repositórios institucionais são constantes e vem crescendo, sejam baseadas em instituições públicas, instituições particulares, bem como, na internet em geral. Este trabalho trouxe como contribuição avaliar e identificar possíveis aprimoramentos nestes sistemas, com a percepção de possíveis mudanças que visam oferecer melhores condições nos usos das bibliotecas digitais. A constância na atualização destes sistemas deve ser balizada pela velocidade de aprimoramento dos sistemas de informática, da melhoria nos sistemas de computação, nos lançamentos constantes de produtos tecnológicos, então, tornase necessário observamos que os profissionais que atuam nesta área, sejam eles bibliotecários, analistas de sistema, gestores, devem ser pró-ativos, buscando sempre identificar novas possibilidades, e também se aperfeiçoar em cursos que envolvam possíveis conhecimentos e tecnologias para implantação nas BDTDs, devendo neste sentido existir incentivo motivacional e financeiro por parte dos dirigentes da Biblioteca Comunitária. As sugestões colocadas no Quadro II traz a percepção daquilo que pode ser modificado na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFSCar, entre os quais estão a busca pela melhor interoperabilidade do sistema, implantação de hiperlinks que contenham caminhos de navegação dentro dos documentos, dentro da BDTD e para fora em direção a outros sistemas que possuam interoperabilidade. O aperfeiçoamento da relação entre os produtos e serviços da Biblioteca Comunitária é algo que pode melhorar o acesso para o usuário e garantir novas possibilidades de serviço para os profissionais ali envolvidos, como por exemplo, implantando no catálogo local PHL o acesso às teses e dissertações disponíveis na BDTD/UFSCar. Uma política de marketing também é importante para divulgar o sistema e permitir que as possibilidades de encontro e conhecimento da BDTD/UFSCar seja ampliado e permita um número maior de usuários acessando o 51 sistema, valorizando esta biblioteca digital, podendo assim conquistar espaço e um reconhecimento maior por parte dos seus usuários, da instituição, do IBICT. O desenvolvimento de novas pesquisas é algo totalmente viável e necessário para que as questões que envolvem bibliotecas digitais e sua avaliação e aperfeiçoamento sejam atendidas, visando um aprofundamento nestas questões, auxiliando gestores, bibliotecários, técnicos, analistas enfim, todos os atores envolvidos a melhorar estes sistemas e aperfeiçoar seu serviço, trazendo novas motivações em seu trabalho. Novas pesquisas podem ser desenvolvidas direcionando a questão biblioteca digital para as linhas de gestão e planejamento, prospecção de informações, desenvolvimento tecnológico e computação voltados para BDTDs, direitos do usuário e do autor, novos rumos para o movimento de acesso aberto, enfim, é amplo o campo de estudos para esta área do conhecimento, que em poucos anos alcançou conquistas de grande porte. 52 REFERÊNCIAS ALVES, Rachel Cristina Vesús. Web Semântica: uma análise focada no uso de metadados. 180p. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação), Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista - UNESP, Campus de Marília, 2005. ALVES, Maria das Dores Rosa; SOUZA, Marcia Izabel Fugisawa. Estudo de correspondência de elementos metadados: DUBLIN CORE e MARC 21. Revista Digital de Biblioteconomia & Ciência da Informação, Campinas, v. 4, n. 2, p. 2038, jan./jun. 2007. BOTTARI, Christina Thereza Rachel; SILVA, Neusa Cardim. Biblioteca digital de teses e dissertações da UERJ: desafios e oportunidades. Informação & Informação, Londrina, v. 16, n. 1, p. 88-101, 2011. CARVALHO, Maria Carmen Romcy de. Bibliotecas universitárias brasileiras e a implantação de repositórios institucionais. RevIU. Disponível em: < http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/2009/06/artigomcarmen1-200911pdf/>. Acesso em: 20 abril 2012. CASTRO, Fabiano Ferreira de; SANTOS, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa. Os metadados como instrumentos tecnológicos na padronização e potencialização dos recursos informacionais no âmbito das bibliotecas digitais na era da web semântica. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n. 2, p. 13-19, maio/ago. 2007. 53 CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Petropólis: Vozes, 2008. 2ª ed. 144 p. CUENCA, Angela Maria Belloni; TANAKA, Ana Cristina d’Andretta. Influência da internet na comunidade acadêmico-científica da área de saúde pública. Revista de Saúde Pública, v.39, n.5, 2005. Disponível em: < http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v39n5/26307.pdf>. Acesso em: 10 abril 2012. CUNHA, M. B.; MCCARTHY, C. Estado Atual das Bibliotecas Digitais no Brasil. In: MARCONDES, C. H. et al. (Ed.). Bibliotecas Digitais: Saberes e Práticas. 2. ed. Salvador/Brasília: UFBA/IBICT, 2006. cap. 2, p. 25–54. KURAMOTO, Hélio. Acesso livre: caminho para maximizar a visibilidade da pesquisa. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 12, n. 3, set. 2008 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141565552008000300013&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 25 abr. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552008000300013. KURAMOTO, Hélio. Informação científica: proposta de um novo modelo para o Brasil. Ciência da Informação, Brasília, v. 35, n. 2, p. 91-102, maio/ago. 2006. LANÇA, Tamie Aline. Modelo de referência para diagnóstico da obsolescência tecnológica e desenvolvimento de uma solução computacional visando a preservação digital do conhecimento científico: caso BDTD/UFSCar.. 67p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Departamento de Ciência da Informação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2010. LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. Brasília, DF: IBICT, 2009. Disponível em: < http://eprints.rclis.org/handle/10760/13776>. Acesso em: <05 abril 2012>. 54 LOURENÇO, Cintia de Azevedo. Metadados: o grande desafio na organização da WEB. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v. 17, n. 1, p. 65-72, jan./abr. 2007. LYNCH, C. A. Institutional Repositories: essential infrastructure for scholarship in the digital age. ARL Bimonthly Report, n. 226, Feb. 2003. MARCONDES, Carlos Henrique; SAYÃO, Luís Fernando. Integração e interoperabilidade no acesso a recursos informacionais eletrônicos em C&T: a proposta da Biblioteca Digital Brasileira. Ciência da Informação, Brasília, v. 30, n. 3, p. 24-33, set./dez. 2001. MÁRDERO ARELLANO, Miguel Ángel. Preservação de documentos digitais. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, p. 15-27, maio/ago. 2004. MORENO, F. P.; ARELLANO, M. A. M. Publicação científica em arquivos de acesso aberto. Arquivística.net, Rio de Janeiro, v.1, n.1, 2005. Disponível em: <http://www.periodicos.ufrgs.br/admin/sobrelinks/arquivos/Publicacao_acesso_abert o.pdf>. Acesso em: 12 abril 2012. MUELLER, S.P.M. Aula expositiva. Módulo 4: Comunicação do conhecimento científico. Departamento de Ciência da Informação e Documentação - CID. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação.Tópicos Especiais I: Ciclo da Comunicação 2/2004, Brasília: UnB, 2004. PORTAL PERIÓDICO CAPES. Histórico. Disponível em: <http://periodicos.capes.gov.br/index.php?option=com_pcontent&view=pcontent&alia s=historico&mn=69&smn=87>. Acesso em: 12 abril 2012. PRESTES, Catarina de Quevedo. Construção de políticas para Repositórios Institucionais: análise da ferramenta do OpenDOAR. 87p. Monografia (Bacharel em Biblioteconomia), Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. 55 PROBE-PROGRAMA BIBLIOTECA ELETRÔNICA. Histórico. Disponível em: <http://probe.bvs.br/transf.php?xml=xml/pt/history.xml&xsl=xsl/pt/text.xsl>. Acesso em: 12 abril 2012. RIBEIRO, Odília Barbosa; VIDOTTI, Silvana Aparecida Borsetti Gregório. Otimização do acesso à informação científica: discussão sobre a aplicação de elementos da arquitetura da informação em repositórios digitais. BIBLOS - Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação, Rio Grande, v. 23, n. 2, p. 105-106, 2009. RIZZO, S. R. A informatização da Biblioteca Comunitária da UFSCar e o impacto causado nos trabalhadores devido a mudanças na rotina de trabalho: um estudo de caso. 2007. 164p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Centro de Cências Exatas e de Tecnologia, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2007. ROSSETO, Márcia. Bibliotecas digitais – cenário e perspectivas. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação. São Paulo, v.4, n.1, p. 101-130, jan./jun.. 2008. Disponível em : < rbbd.febab.org.br/rbbd/article/download/101/92>. Acesso em: 18 abril 2012. SABATINI, M. Publicações científicas eletrônicas na Internet: modelos, padrões e tendências. São Bernardo do Campo, 1999. 256p. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social)- Universidade Metodista de São Paulo, 1999. SAYÃO, Luís Fernando; MARCONDES, Carlos Henrique. O desafio da interoperabilidade e as novas perspectivas para as bibliotecas digitais. Transinformação, Campinas, v. 20, n. 2, p. 133-148, maio/ago. 2008. SAYÃO, L. F. Padrões para bibliotecas digitais abertas e interoperáveis. Pesq. Bras. em Ci. Info. e Biblio, v.2, n.2, 2007. Disponível em: <http://revista.ibict.br/pbcib/index.php/pbcib/article/view/794>. Acesso em: 22 out. 2009. 56 SCIELO BRASIL. Home page. Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_home&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 12 abril 2012. STRAUSS, Anselm; CORBIN, Juliet. Pesquisa qualitativa: técnicas e procedimentos pra o desenvolvimento de teoria fundamentada. Porto Alegre: Artmed, 2008. 2ª ed. 288 p. TEIXEIRA, Cenidalva Miranda de Sousa; SCHIEL, Ulrich. A internet e seu impacto nos processos de recuperação da informação. Ci. Inf., Brasilia, v. 26, n. 1, Jan. 1997 Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010019651997000100009&lng=en&nrm=iso>. access on 25 Apr. 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-19651997000100009. TOMAÉL, Maria Inês; SILVA, Terezinha Elisabeth da. Repositórios institucionais: diretrizes para políticas de informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 8, 2007, Salvador. Anais....Salvador: [s.n.], 2007. Disponível em: < http://www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT5--142.pdf>. Acesso em: <15 abril 2012>. YIN, Robert K. Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. Porto Alegre: Bookman, 2005. 3ª ed. 212 p.