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PRESBÍTERO
(TEÓLOGO APOLOGISTA)
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S m rito Pedro da Silva
Todos os Direitos Reservados. Copyright © 1988 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
236
Silva, Severino Pedro da
SILe
Escatologia, doutrina das últim as coisas.
Rio de Janeiro, CPAD, 1988.
1 v.
1. Escatologia. 2. O Anticristo.
I. Título.
Casa Publicadora das Assem bléias de Deus
Caixa Postal 331
20001, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
11' Edição 1998
Índice
Apresentação............................................................................................
6
Prefácio..................................................................................................... 7
Introdução................................................................................................. 9
1. O que Significa Escatologia........................................................... 11
2. Que Geração é E sta?....................................................................... 29
3. A Entrega dos G alardões............................................................... 35
4. A Celebração das B odas................................................................ 45
5. A Invasão R ussa«............................................................................. 51
6. O Período de D o r............................................................................ 63
7. A Construção do Tem plo».............................................................. 75
8. A M anifestação do A nticristo....................................................... 83
9. A B atalha do Arm agedom ............................................................. 93
10. A Grande D estruição,.......................................................................105
11. A Grande Carnificina.......,..............................................................111
12. O Julgam ento das N ações............................................................. 115
13. Tudo Sobre D ispensações................................................................ 121
14. As Alianças E xistentes....................................................................127
15. Os Mil Anos........................................................................................ 133
16. A Morte e a Ressurreição................................................................ 147
17. Lugar de Suplício.............................................................................161
18. O Significado da Palavra C éu........................................................ 171
19. O Juízo Final...................................................................................... 177
20. A Vida E te rn a .................................................................................... 183
Bibliografia................................................................................................ 187
Apresentação
O Pastor Severino Pedro da Silva brinda-nos com este
livro, Escatologia, doutrina das últimas coisâs, um excelente tratado que descreve os acontecimentos futuros, a
partir do Arrebatamento da Igreja. Com muita propriedade, numa linguagem simples, de fácil compreensão, narra
a entrega dos galardões aos que se empenharam pela salvação do mundo, a celebração das Bodas do Cordeiro, a
Grande Tribulação, a manifestação do Anticristo, a construção do novo Templo em Jerusalém, a invasão russa, a
batalha do Armagedom, a destruição dos exércitos aliados,
0 julgamento das nações, 0 Milênio, a batalha final, a derrota de Satanás e de todos os anjos maus, a última ressurreição e 0 julgamento final, 0 fogo do Inferno, 0 novo Céu e
a nova Terra, a vida eterna.
Tenho a certeza de que todos os que lerem este livro,
gostarão de seu conteúdo. Por isso, 0 apresento e recomendo.
Horácio da Silva Júnior, pr
Diretor Executivo da CPAD
6
Prefácio
As profecias sempre me fascinaram. E este livro foi escrito para satisfazer uma exigência generalizada entre os
estudantes de Escatologia Bíblica.
Já havia muito que se esperava um tratado dinâmico,
enriquecido e aprofundado sobre este assunto.
Seu autor, pastor Severino Pedro da Silva, é conhecido de todos nós e vem sendo usado grandiosamente por
Deus para uma tarefa de suma importância que é, sem dúl ida, escrever para 0 deleite espiritual do povo de Deus e
até fora dele.
Este livro - a Doutrina das Ültimas Coisas - revela notável unidade de estilo e de linguagem. Isto se deve, em
grande parte, à experiência e conhecimento do autor.
A mensagem nele contida tem uma consistência vital
que se encaixa com 0 equilíbrio estrutural de seu argumento. O ponto central de seu conteúdo é nosso Senhor Jesus
Cristo e suas manifestações com dissertações sobre as profecias futurísticas.
São Paulo, 1987
J®sé Wellington Bezerra da Costa
7
Introdução
A Escatologia = do grego “ Eschaton” é a doutrina que
diz respeito ao fim do mundo presente e ao mundo vindouro. Dela se depreendem vaticínios cujos temas são de alcance muito vasto.
Alguns deles ainda surgirão (em seu cumprimento)
ao cenário de nossa história.
O cumprimento destas profecias, à luz de cada contexto, não depende da vontade ou da imaginação humana,
mas exclusivamente de Deus (*Jr 1.12).
Estas predições. em seu contexto geral, são denominadas à guisa futurística de “A Palavra dos Profetas”, “ ...à
qual (afirma o apóstolo Pedro) bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o
dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” (2 Pd 1.19).
Há, hoje em dia, grande interesse pelas profecias. Tal
interesse deve-se aos grandes acontecimentos políticos e
religiosos na vida de Israel e na das demais nações do mun-
4m (Lc 21.29).
0 povo tem obsessão de conhecer o que vai acontecer
no futuro. E assim tem sido desde o princípio do mundo.
Os profetas de ambos os Testamentos predisseram com
antecedência de séculos, no primeiro caso, e até de alguns
meses, no segundo, todos os episódios futuros e, até com
minúcias, em vários de seus elementos doutrinários e profé ticos.
O próprio Jesus, desde que irrompeu e com Ele o
“ Reino de Deus” , pregava uma escatologia natural, presente e atual na vida do mundo e da Igreja.
São Paulo, 1987
Severino Pedro da Silva
10
O que Significa Escatologia
1. Definição ־do termo
O termo “ escatologia” e seus cognatos correspondem à
“ doutrina das últimas coisas” .
Escaton (que vem por último) designa a doutrina que
diz respeito ao fim do mundo presente e ao mundo vindõuro.
Desde que Cristo irrompeu e com Ele o Reino de
Deus, o domínio da escatologia já está presente misteriosamente entre nós, com o seu peso de promessas e, simultaneamente, seu atual julgamento.(1)
2. Definição do argumento
Existem em o Novo Testamento alguns termos técnicos que designam o domínio presente, atual e futuro, ao
mesmo tempo, da escatologia na vida da Igreja e na vida
do mundo.
Estes termos, segundo se diz, focalizam com exclusividade este tempo futuro. Vejamos:
a.
“ E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do
meu Espírito derramarei sobre toda a carne...” (J1 2.28 e
ss; At 2.17 e ss).
b. “ Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos
dias apostatarão alguns da fé...” (1 Tm 4.1a).
c. “ Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão
tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1).
d. “ Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e
de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falounos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1).
e. “ Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão
escarnecedores...” (2 Pd 3.3a), etc.
Portanto, a expressão “ os últimos dias” e seu equivalente apontam para: a descida do Espírito Santo em sua
plenitude (J1 2.28; At 2.17 e ss); para a época do Evangelho
de Cristo (Hb 1.1) e, concomitantemente, para os últimos
dias maus (1 Tm 4.1; 2 Tm 3.1; 2 Pd 3.3).
3. A vinda de Jesus
A vinda do Senhor Jesus tem uma tríplice relação: à
Igreja (para o arrebatamento), a Israel (para seu preparo
em receber o Messias sete anos depois) e, às Nações (para o
Milênio). A tríplice divisão natural é depreendida de 1
Tessalonicenses 4.16 que expressa o significado do argumento quando diz:
“ ...o alarido” (à Igreja);
“ ...a voz do arcanjo” (a Israel);
“ ...a trombeta de Deus” (às Nações).
a. Em relação à Igreja. Para com a Igreja, a descida do
Senhor aos ares para ressuscitar os que dormem e transformar os crentes vivos é apresentada como constante expectação e esperança (1 Co 15.51,52; F1 3.20; 1 Ts 4.14-17; 1
Tm 6.14; Tt 2,13; Ap 22.20).
b. Para Israel. Para o povo escolhido, a vinda do Senhor é predicada para cumprir as profecias que dizem respeito ao seu ressurgimento nacional, a sua conversão, e estabelecimento em paz e( )־poder sob o Pacto Davídico (Am
9.11,12; At 15.14-17).
c. Para as Nações. No caso das Nações, a Volta do Senhor é predicada para consumar a destruição do presente
sistema político universal (Dn 2.44,45; Ap 19.11 e ss). Sendo, porém, que os dois últimos acontecimentos relaciona12
dos com Israel e as Nações só terão lugar sete anos depois
do arrebatamento da Igreja por Jesus Cristo.
4. O desenvolvim ento do argumento
A volta do Senhor, no que diz respeito à sua primeira
vinda (ou fase), se destinará apenas à sua Igreja, e é chamada de “ encontro” em 1 Tessalonicenses 4.17. A palavra
“ arrebatamento” não se encontra, graficamente falando,
nas passagens que descrevem o momento do arrebatamento da Igreja, mas a idéia do termo está na frase inserida.
Isto é, no contexto que diz: “ ...seremos arrebatados” (1 Ts
4.17).
A presente expressão obedece à seguinte sentença:
“ tirar” , “ arrancar” , “ levar” , “ afastar” , “ tirar por força ou
por violência” , “ impelir” , “ suprimir” , “ elidir” , etc.( ) Todas estas expressões designam, fundamentalmente, 0
traslado de uma coisa de um lado para outro ou de uma dimensão inferior para uma outra superior.
Encontramos em o Novo Testamento cinco termos
técnicos na língua grega que descrevem a manifestação de
Cristo em suas duas fases futuras: Arrebatamento e Parousia e cada uma delas exemplificadas com passagens bíblicas:
a. Optomai (aparecer). “ Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hb 9.28).
b. Ercomai (vir). “ E, se eu for, e vos preparar lugar,
virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que
onde eu estiver estejai vós também” (Jo 14.3).
c. Epphanos (aparição). “ Que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até a aparição de nosso
Senhor Jesus Cristo” (1 Tm 6.14).
d. Apokalypsis (revelação, desvendamento). “ De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7).
e. Parousia (presença ou vinda). “ E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua
boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Ts 2.8).
13
Aqui estudamos a ocasião da parousia de Cristo.(4)
Será no fim da Grande Tribulação, e, efetivamente, terminará esse período de aflição.
O aparecimento do Rei será acompanhado de certos
sinais que não deixarão ninguém em dúvida sobre o que
vai acontecer (Mt 24.29). Isto significa que a volta do Senhor, portanto, terá efeitos opostos e resultados positivos
(para os santos) e negativos (para os incrédulos). Os efeitos
serão sentidos sobre: amigos (M t 24.31) e inimigos (Mt
24.30); tristeza e alegria, gemidos e adoração, medo e delicias.
Ele não virá como veio da primeira vez, em fraqueza
(a fraqueza de Deus) e humildade, mas na glória e poder
(Ap 1.7; 19.11-21).
5 .0 encontro
“ Em 1 Tessalonicenses 4.17, a palavra “ arrebatamento” tem o mesmo sentido no grego que “ nosso encontro” ,
em Atos 28.15 onde lemos: “ ...ouvindo os irmãos novas de
nós, nos saíram ao encontro à praça de Ápio e às três Vendas. E Paulo vendo-os deu graças a Deus, e tomou âniΛי י
mo .
A palavra “ encontro” , neste sentido, significa portanto literalmente “ sair” a fim de voltar com “ alguém” . Somente duas passagens focalizam essas palavras com tal
sentido, a saber: no trecho de Gênesis 24.63-67 e Mateus
25.1,6.
Na passagem de Gênesis descreve-se o encontro de
Rebeca com Isaque e na passagem de Mateus ilustra o encontro da Igreja com Cristo.
a.
Para Israel. A volta do Senhor no que diz respeito à
sua segunda fase (Parousia) se destinará especificamente
a Israel, mas as Nações, de um certo modo, estão envolvidas no acontecimento.
Prenunciando a volta do Senhor nos ares, Israel é representado na figueira que brota. “ Aprendei pois esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão” (M t
24.32). As parábolas foram métodos de ensino muito usados por Jesus. As parábolas são estórias que transmitem
14
instrução, comunicando geralmente um ponto importante.( )
O ponto enfatizado na parábola da figueira contada
por Jesus tem como objetivo ensinar-nos a identificar um
"período de tempo geral” .
Quando as folhas da figueira começam a brotar, sabemos que o verão se aproxima. Ainda hoje em Israel a natureza da figueira continua a mesma. Tão-somente quando
as árvores ali brotam, anunciam a vinda da primavera, assim estes sinais (disse Jesus) anunciarão a Volta do Rei em
glória.
b.
A figueira nesta passagem e em outras do mesmo
gênero é Israel (Lc 13.6-9). “ A nação judaica é comparada
a três árvores nas Escrituras Sagradas:
À vinha (Is 5.1-7), este foi o conceito de Isaías e de outros profetas do Antigo Testamento.
A oliveira (Rm 11.17 e ss), este foi o conceito de Paulo
por amor de seu argumento.
E à figueira (Mc 13.28), este foi o conceito de Jesus em
relação a Israel. Antigamente a nação era como uma “ vinha frutífera” , depois uma “ figueira estéril” , e mais tarde
na Vinda do grande Rei uma “ oliveira florescente” .
O Senhor Jesus já no entardecer de seu ministério terreno exorta-nos a observar os acontecimentos por virem
na vida de Israel e depois acrescenta: “ Olhai para a figueira, e para todas as árvores” (Lc 21.29).(6) Ora, a partir do
ano 70 d.C., a figueira secou-se de acordo com as palavras
proféticas de Jesus (Lc 13.8,9), e durante quase dois mil
anos que se seguiram, a nação israelita se transformou profeticamente falando num “ montão de ossos secos” (cf. Ez
37.1,2,11). Esses “ ossos” como diz o profeta do Senhor, seriam espalhados na face de um grande vale (o mundo), e
ali seriam absorvidos pelas sepulturas (as nações). (Cf
37.12).
Mas apesar de tudo, a promessa de Deus é de restauração e. em 14 de maio de 1948, a figueira começa então a
“ brotar” , e as sepulturas (as nações) devolvem a Israel não
só seus filhos, mas também sua Terra e, de lá para cá, o
grande progresso na vida deste povo são os brotos, preditos
por nosso Senhor quando falou sobre o futuro (Mt 24.33).
15
(c) Mas segundo os ensinos de Jesus, não só a figueira
(Israel) seria alvo das profecias, mas todas as árvores haviam também de “ brotar” Lc 21.29). As Escrituras são
proféticas e se combinam entre si em cada detalhe! Todas
as nações que margeiam Israel vêm, de uma maneira ou de
outra, sentindo um certo progresso. Isto prenuncia a Vinda
do Senhor, que continua dizendo: “ Não passará esta geração...”
6. A posição de Cristo
No plano mais amplo de Seu ministério mediatorial,
Cristo está agora assentado no Céu “ aguardando” . O grego
êkõêxouai transmite o significado de alguém esperando o
recebimento de alguma coisa vinda de outro. Isto mostra
Cristo agora na atitude de alguém que está esperando; encontra-se revelado em Hb 10.12,13. Ele está entronizado e
pacientemente aguarda: o tempo certo e a ordem do Pai.
Mas enquanto isso não acontece, Ele está exercendo sua
tríplice função:
Primeiro, como concessor de dons (Ef 4.7-16), e o diretor do seu exercício (1 Co 12.4-11), e conforme tipificado
pelos sacerdotes do Antigo Testamento que consagravam
os filhos de Levi (Êx 29.1-9), Cristo está incessantemente
ativo no Céu. Em relação a isto, todo o campo de serviço
fica adequadamente apresentado e a que deve ser notada
está entre a atividade universal tríplice do crente como sacerdote e o seu exercício diário.
Segundo, como intercessor, Cristo continua o seu ministério no Céu, o qual começou aqui na terra (Jo 17.1-26;
Rm 8.34). Este empreendimento estende-se ao seu cuidado
pastoral daqueles que Ele salvou. Ele vive para sempre
para fazer intercessão por eles, e por causa disto Ele pode
salvá-los quando se aproximam de Deus através dele (Hb
7.25).
Ele não ora pelo mundo, ora, porém, por aqueles que o
Pai lhe deu (Jo 17.9). A intercessão de Cristo relaciona-se
com a fraqueza, imaturidade e limitações daqueles por
quem Ele ora. Sua intercessão garante nossa segurança
para sempre (Lc 22.31,32).
Terceiro, como advogado, e como aquele que nos representa agora no Céu (Hb 9.24), Cristo lida com o pecado
16
atual do cristão. Ele é a propiciação pelos nossos pecados
(1 Jo 2.2). Quando acontece um pecado na sua vida, o cristão tem um advogado junto ao Pai.
Um advogado é aquele que defende a causa de outra
pessoa nos tribunais, e há motivos abundantes para Cristo
advogar em benefício daqueles que tão constantemente necessitam de sua ajuda.(7)
7. O retorno de Cristo exemplificado
Encontramos no Antigo Testamento, especialmente
no livro de Levítico 23, o ritual de cada festa estabelecida
por Deus e observada pelo povo de Israel na Terra Santa.
Cada festa destas, de acordo com sua significação especial,
aponta para um tempo futuro.(8)
a. A Páscoa (Lv 23.4). A primeira delas era a Páscoa
do Senhor. Era celebrada “ no mês primeiro, aos 14 dias do
mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor” . Esta festa é comemorável, e recorda a Redenção, feita por um grande Redentor. Em figura ela significa “ ...Cristo, nossa páscoa...,
sacrificado por nós” (1 Co 5.7).
b. Os Asmos do Senhor (Lv 23.6). Esta era a segunda
festa deste calendário. Esta simboliza comunhão com
Cristo, e pão sem fermento, na plena bem-aventurança de
sua redenção, e ensina um andar santo. A ordem divina
aqui é linda: primeiro, redenção, depois um viver santo (1
Co 5.6-8 etc).
c. As Primícias (Lv 23.10). A festa das primícias era
uma figura da ressurreição, primeiro. Cristo, depois os que
são de Cristo na sua vinda (1 Co 15.23; 1 Ts 4.14-16 etc).
d. O Pentecoste (Lv 23.15-22). Esta festa, que é a
quarta do calendário, era chamada de “ pentecoste” . Segundo a interpretação dada pelo doutor C.I. Scofield, ela
simbolizava a descida do Espírito para a Igreja, conforme
aconteceu no Cenáculo em que os discípulos oravam no dia
de Pentecoste (At 2.1 e ss). “ Desde seu início até o fim,
esta festa é o antítipo da descida do Espírito Santo para
formar a Igreja do Senhor. Por isso o fermento está presente (Lv 23.17), porque infelizmente, mesmo em contrário à
vontade divina, o mal existe na Igreja (Mt 13.33; At 5.1 e
ss; Ap 2.1 e ss).
17
Notemos que agora fala-se de pães, e não de um “ molho” (feixe) de espigas soltas. Importa numa verdadeira
união de partículas, formando um “ corpo homogêneo” . A
descida do Espírito Santo no Pentecoste uniu os discípulos
em um só organismo (1 Co 10.16,17; 12.13,20).
Os pães movidos eram oferecidos “ cinqüenta dias depois que se tinha oferecido o molho da oferta movida” (Lv
23.15). Isto é precisamente o período entre a ressurreição
de Cristo e a formação da Igreja no Pentecoste, pelo batismo no Espírito Santo (At 2.1-4), com o “ molho” não havia
fermento, porque em Cristo não existe mal.
e. A das Trombetas (Lv 23.23-25). A quinta festa era
chamada a “ ...das trombetas” . Chegamos aqui, ao tempo
do fim, porque esta festa tem um valor completamente
profético e se refere à futura restauração no sentido total
da nação israelita Note que existe um longo período entre
o Pentecoste e a festa das Trombetas. correspondendo ao
período entre o Pentecoste e a introdução do Milênio. Este
período, segundo se depreende, corresponde ao longo
período do trabalho pentecostal do Espírito Santo sobre a
Igreja aqui na terra, na atual dispensação (cf. Is 18.3;
27.13; 58.1 e ss; J1 2.1 e ss; 3.21 etc).
Devemos observar que, em relação à festa das Trombetas, algo especial a acompanha, que é um testemunho
referente ao ajuntamento e arrependimento de Israel depois de terminar o período pentecostal, que é o da Igreja.
Esta festa é seguida imediatamente pelo dia da Expiação.
Simbolicamente falando, a festa das Trombetas fala do
ajuntamento de Israel; profeticamente, porém, fala do arrebatamento da Igreja (“ ···A Grande Colheita” ), e logo a
seguir, vem a penúltima festa.
f. A festa da Expiação (Lv 23.26-32). Segundo os rabinos, o dia da Expiação é o mesmo descrito em Levítico
16.29-34, mas aqui a ênfase está sobre a tristeza e arrependimento de Israel. Em outras palavras, seu valor profético
é saliente, e isto antecipa o arrependimento de Israel, depois do seu julgamento, quando de Sião vier o Libertador,
e expiar a iniqüidade de seu povo (Is 9.14; Rm 11.26).
g. A festa dos Tabernáculos (Lv 23.34 e ss). A festa dos
Tabernáculos simboliza o estabelecimento do reino mile18
nial de Cristo com poder e grande glória. “ A festa era tanto
memorial como profética, memorial porque lembrava o
tempo de peregrinação no Egito (Lv 23.43); e profética
pelo descanso milenar de Israel depois da restauração,
quando a festa dos Tabernáculos virá a ser outra vez um
memorial; e, desta vez, não será só para Israel mas para todas as nações durante o Reino Milenar de Cristo (Ez cap.
40 a 48; Zc 14.16-21). Esta festa era memorial para Israel
como a Santa Ceia do Senhor é para sua Igreja: “ Fazei isto
em memória de mim” .(9)
8 . Para os primeiros cristãos
Para os cristãos da Igreja Primitiva a maior e mais
sublime expectação era o retorno de Cristo para seus Santos. Eles não se conformavam ausentes da “ presença do
Senhor” e ardentemente almejavam por ela. Paulo, por
exemplo, conserva em si uma expectação imediata da presença de Cristo em sua vida. Ouça o que Paulo diz: “ Mas,
se o viver na carne (no corpo) me der fruto da minha ôbra,
não sei então o que deva escolher. - Mas de ambos os lados
estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo,
porque isto é ainda muito melhor” (F1 1.22,23).
Nesta sua expectativa, Paulo deseja estar com Cristo
de qualquer maneira: tanto “ partir” como esperar na “ carne” o retorno de Cristo. Esse deve ser, portanto, o sentido
de “ viver na carne” para Paulo (F1 1.22). E, evidentemente, ele é inspirado a fazer esta oração aramaiquizada, que
é: “ M A RA N ATA !” (1 Co 16.22). Tal locução proverbial,
como produto da cristologia do Filho de Deus na comunidade primitiva, encontra seu correspondente em Apocalipse 22.20: “Amém. VemTSenhor Jesus!” No mais, a expectativa imediata do retorno de Cristo para os seus santos está ancorada numa palavra falada por Jesus e escrita por
Paulo, em 1 Tessalonicenses 4.15: “ Dizemo-vos, pois, isto,
pela palavra do Senhor: que nós (ele atualiza), os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os
que dormem". E na seção seguinte ele exclama: “ Porque o
mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus...”
19
Na passagem de Romanos 16.20, encontramos a ardente expectação de Paulo pelo retorno de Cristo, quando
diz: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo
dos vossos pés...” Esta ansiedade de Paulo e dos demais
cristãos no primeiro século vem à tona em vários elementos doutrinários, tais como:
a. Em 1 Coríntios 7.29, lemos: “ Isto, porém, vos digo,
irmãos, que o tempo se abrevia-, o que resta é que também
os que têm mulheres sejam como se as não tivessem” .
b. Em 1 Coríntios 10.11, Paulo diz: “ Ora tudo isto lhes
sobreveio como figuras, e estas estão escritas para aviso
nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” . Em
outras formulações referentes à expectativa imediata dos
escritores do Novo Testamento quanto ao retorno de Cristo, são os verbos e advérbios que deixam bem claro a urgência para tal acontecimento! Veja:
1) “ E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de
despertarmos do sono; porque a nossa salvação (plena redenção do corpo) está agora mais perto de nós do que
quando aceitamos a fé” (Rm 13.11).
2) “ Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens.
Perto está o Senhor!” (F1 4.5).
3) “ Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos
corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tg
5.8).
4) “ O Senhor não retarda a sua promessa (da sua vinda), ainda que alguns a têm por tardia...” (2 Pd 3.9a, etc).
9. O conceito errôneo
Para muitos a segunda vinda de Cristo a este mundo é
apenas um processo de acontecimentos. Para outros, porém, isso significa um estado de morte. Mas, segundo se
depreende, não é uma coisa nem outra. Razão porque a
morte é a penalidade imposta pelo pecado, mas o retorno
de Cristo livra do pecado e da penalidade (Rm 6.23). “ Os
pensamentos e as experiências relativas à morte são dolorosos; os pensamentos relativos à vinda de Cristo nos são
muito caros (Jo 11.31; Tt 2.13).
No primeiro caso, olhamos para baixo e choramos; no
segundo, para cima e nos regozijamos (Jo 11.35; F1 2.16).
20
No primeiro caso (a morte), o corpo é semeado em corrupção e desonra; no segundo caso será ressuscitado em incorrupção e glória (1 Co 15.42,43; 1 Ts 4.16,17). No primeiro
caso, somos despidos; no outro, revestidos (2 Co 5.4). No
primeiro caso, há triste separação entre amigos; no outro,
alegre reunião (Ez 24.16; 1 Ts 4.16 e ss). Na morte entramos no descanso, mas na vinda de Cristo seremos coroados
(1 Ts 4.13; Ap 14.13).
A morte vem como nosso grande inimigo; Cristo, como
nosso grande amigo (Pv 14.27; 1 Co 15.26). A morte é 0 rei
dos terrores (Jó 18.14); Cristo é o Rei da glória (SI 24.7).
Satanás tem o poder da morte; Cristo é o príncipe da vida
(At 3.15; Hb 2.14). Por ocasião da morte partimos para estar com Cristo; por ocasião da sua vinda Ele virá até nós
(Jo 14.3; F11.23). Jesus faz distinção entre a sua vinda e a
morte do crente. Cristo e os apóstolos nunca ordenaram
aos santos que aguardassem a morte, mas, repetidamente,
exortaram-nos a esperar a vinda do Senhor (1 Co 15.51,52).
a.
A “ Nova Teologia” ensina que Jesus Cristo nunca
voltará a este mundo em forma literal para os seus santos:
que Cristo está retornando tão rapidamente quanto lhe é
possível entrar neste mundo; que Ele veio no Pentecoste,
na presença do Espírito Santo; que Ele veio por ocasião da
destruição de Jerusalém, no julgamento contra aquela cidade, e que Ele vem por ocasião da morte das pessoas,
como já falamos acima.
Com efeito, a vinda de Cristo não deve ser identificada com a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., conforme a
interpretação de alguns. O julgamento de Deus contra Jerusalém não é o acontecimento referido na maioria das
passagens em que a segunda vinda de Cristo é mencionada. Isto. por vários motivos:
Primeiro, por ocasião da destruição de Jerusalém,
aqueles que dormiam em Jesus não foram ressuscitados.
Segundo, os crentes vivos não foram arrebatados ao
encontro do Senhor nos ares, nem seus corpos foram trans-
formados.
Terceiro, anos depois dessa ocorrência, encontramos
João ainda aguardando a vinda do Senhor (Ap 22.20).
21
Q uarto, segundo os e n sin am en to s dos profetas, dos
apóstolos e do próprio Senhor, u m reino de ju s tiç a e paz
deve seguir-se im e d ia ta m e n te à volta de Cristo. Isso. todavia. não ocorreu, nem por ocasião nem depois da destruição de Jeru sa lé m . P o rtan to , ela a in d a está por vir!
b.
O utro ponto de vista da “ Nova Teologia” é que
Cristo veio na pessoa do Espírito Santo. E m sentido m uito
real e im p o rta n te , de fato, a v inda do Espírito S a n to foi
u m a v inda de Cristo p a ra os seus (Jo 14.15-18,21-23). Essa,
porém, não foi a vinda de Cristo referida nas passagens que
a firm am que Ele voltará.
E v id e n te m e n te , sua vinda é cla ram en te estabelecida
e d is tin ta pelo te ste m u n h o conjunto dos profetas, de João
B atista, dos anjos, dos apóstolos, e do próprio Cristo! Dele.
disseram os anjos: "Esse Jesus, que dentre vós foi recebido
em cim a no céu. há de vir assim como p a ra 0 céu o vistes
ir” (At 1.11b).
10. O tempo de Deus
As E sc ritu ras d eixam b em claro que, do ponto de vista
divino. Deus ja m a is se a tra sa . Se parece h a ver dem o ra no
retorno de Cristo, é porque devem existir boas e convenientes razões p a ra isso. É verdade que são já decorridos m ais
de 1900 anos da época em que a prom essa do a rre b a ta m e n to foi feita pela própria boca do Senhor (Jo 14.3).
E n tre ta n to , os m em bros da Igreja P rim itiv a em Tessalônica creram que Cristo viria e n q u a n to estivessem vivos
e foram consolados pela e x pectativ a de se re un irem aos
seus entes queridos já falecidos. Isso porém, não contradiz,
ne m enfraquece a prom essa de Cristo p a ra seus santos,
pois, todos aqueles santos sab iam que Cristo, como Deus,
te m a ete rn id a d e na sua m ão e pode ligar o hoje do tem po,
como se fosse o a m a n h ã da e te rn id a d e (2 P d 3.8,9).
O m u n d o te m passado de u m a crise a outra, m esm o
qu an d o parecia oportuno p a ra 0 regresso de Cristo. M as o
significativo a co ntecim en to não ocorreu.
a .A razão divina. Por que Cristo ain d a n ão c u m p riu
sua prom essa de vir e receber seu povo p a ra levá-lo consigo? Do ponto de vista da profecia bíblica, tal d e m o ra não é
inesp erada. H á, p o rta n to , razão p a ra tal. Q u a n d o Cristo
22
veio pela primeira vez, era um episódio que havia sido previsto há milhares de anos. Séculos de história haviam preparado o cenário para a primeira vinda de Cristo à Terra.
A língua grega se desenvolvera e era de uso comum em
todo o mundo ocidental. Isso preparou o caminho para que
o Novo Testamento fosse escrito em um idioma preciso e
amplamente utilizado.
Paulo afirma que, quando tudo, porém, estava pronto:
“ ...Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob
a lei” (G1 4.4b).
O Império Romano conseguira estabelecer relativa
paz no Oriente Médio. A vida e culto judaicos na Palestina
estavam prontos para a vinda do Messias. Apareceu João
Batista para anunciar a vinda do Rei e conclamar a nação
ao arrependimento (Mt 3). A Paz Romana havia franqueado o comércio internacional e as comunicações, possibilitando que os cristãos do Século I propagassem a mensagem do Evangelho pelo Império Romano inteiro e finalmente por todo o mundo. As profecias sobre a primeira
vinda de Cristo foram cumpridas num dia cuidadosamente preparado por um Deus soberano. Ele estava “ velando”
sobre este tempo (Jr 1.12). Assim também, as profecias
concernentes ao retorno de Cristo para buscar os crentes e
a sua segunda vinda (Parousia) à terra serão cumpridas
dessa forma, num perfeito sincronismo de Deus.
b.
A demora. Do ponto de vista humano pode parecer
que Cristo esteja retardando sua vinda. Mas em épocas
passadas, o cumprimento das profecias bíblicas foi sempre
precedido por séculos de história que transformaram os
acontecimentos com suprema precisão, a fim de permitir
que os fatos preditos ocorressem conforme a promessa, perfeitos até os últimos detalhes. Todavia, há também uma
razão pessoal e afetuosa para justificar por que Cristo ainda não voltou.
Veja o que escreve o apóstolo Pedro em sua segunda
Carta (3.8,9): “ Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que
um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um
dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco,
23
não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.”
Eis aí, portanto, a demora do retorno de Cristo para
encontrar-se com os seus santos provém de um coração
amoroso. Um Deus compassivo ainda está esperando que
muitos ouçam o Evangelho e atendam à mensagem crendo!
11. Sua Parousia também será necessária
Não só a vinda de Cristo (para seus santos) será necessária, mas também seu retorno com poder e grande glória
(sete anos depois), também já era esperado pelos primitivos cristãos. Pois, segundo o conceito dos profetas e dos
apóstolos, isso significaria a implantação de seu governo
na terra por mil anos, conforme era esperado. “ Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (1 Co 15.25).
E não somente isto, mas também pelo fato de que a
segunda vinda de Cristo traria aos judeus a solução de todos os seus problemas e o estabelecimento de seu futuro
governo sob o Pacto Davídico. Seu aparecimento trará fim
também à grande guerra do Armagedom e à onda de destruição que estará a ponto de aniquilar a terra.
Seu retorno em glória será necessário para o encerramento dos “ tempos dos gentios” (Lc 21.24). Esta expressão, “ tempos dos gentios” ou seu equivalente, tem na
Bíblia duas aplicações:
a.
Na primeira, refere-se “ à oportunidade” que Deus
concedeu a eles para salvação. Paulo comenta isso em Romanos 11 e Efésios 2. Paulo fala deles no seguinte tema:
“ ...naquele tempo estáveis sem Cristo” (E f 2.12). Refere-se
ao tempo passado, antes de Cristo ter vindo ao mundo.
Conforme este conceito, os gentios estavam sem a
“ promessa messiânica” , isto é, sem as vantagens do Pacto
com Israel, o que é mencionado e comentado em Romanos
9.4,5.
“ Chamados incircuncisão” (Ef 2.11); sim, os judeus
chamavam os gentios de “ incircuncisão” , por desprezo.
Em sentido geral, os gentios estavam sem a redenção que
nos vem por intermédio de Cristo inteiramente à parte de
24
qualquer idéia de redenção mediada pelas promessas judaicas
“ ...Mas agora” (Ef 2.13a). Diz Paulo: “ ...em Cristo
Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto” .
Portanto, “ os tempos dos gentios” nesta primeira seção, referem-se a “ um tempo para salvação” (Jo 1.12).
b.
Na segunda, o termo refere-se “ ao domínio gentílico” que, como sabemos, começou com Nabucodonosor e se
estenderá até o Armagedom (Dn 2.44,45; Ap 19.19-21).
Durante este período as nações gentílicas têm ditado o destino de Jerusalém e oprimido o povo de Israel. Nosso Senhor predisse isso, em Lucas 21.24: “ ...E Jerusalém será
pisada pelos gentios, até (esse “ até” vai até o Armagedom)
que os tempos dos gentios se completem” .
Temos aqui uma elaboração editorial, preparada por
Lucas, conforme Cristo predisse sobre os eventos que
sobreviriam à cidade de Jerusalém e ao povo judeu, quando de sua destruição. A passagem, de maneira geral, reflete tanto um conhecimento histórico como profético daqueles acontecimentos; e isto mostra que do ano 70 d.C.,
até a presente era, de fato, Jerusalém tem sido pisada por
esta gente.
“ Tempos dos gentios” , como já tivemos ocasião de
ver, é primeiramente usado para indicar o tempo durante o
qual os gentios terão a oportunidade de se arrependerem e
de acharem a salvação. “ ...Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome” (At 15.14b). Este
tempo começou com a morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo e terminará em plenitude com o arrebatamento da Igreja.
Porém, como já falamos, no sentido de domínio, refere-se ao tempo que Deus estabeleceu para castigar Israel
como nação, o que terá características daqueles tempos
(Dn 8.13,14; .12.7,11.12 etc).
Nas palavras de Jesus em Lucas 23.28,29, podemos
deduzir o que isto significa. Isto é, o que queria dizer “ Jerusalém” ser pisada pelos gentios. Ouça: “ Porém Jesus,
voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas, e por vossos fi
25
lhos. Porque eis que hão de vir dias em que dirão: Bemaventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os
peitos que não amamentaram!” Esta passagem trata-se de
uma declaração profética a respeito da destruição da cidade de Jerusalém, pelo poderio gentílico, o que teve cumprimento no ano 70 d.C.
A descrição foi tão horrorosa porque a maternidade,
naqueles dias, tomou-se uma verdadeira maldição, e não
uma bênção, segundo usualmente considerada.
As mães foram forçadas a ver os seus filhos inocentes
serem brutalmente assassinados, ou mortos por inanição.
(Ver notas expositivas sobre isso, “ A fuga predita” .) Lemos nos escritos de Josefo que certas mulheres, por causa
da fome causada pela muralha com que Flávio Tito Vespasiano cercou a cidade, chegaram a comer os seus próprios
filhos, e até mesmo soldados tão endurecidos como os militares romanos sentiam asco de ver a cena de corpos infantis meio comidos ou meio cozinhados. Acrescenta-se a isso
o fato de que a mãe com seus filhos seria impedida de fugir
da cidade. Portanto, isso significa, domínio cruel dos gentios, até que seu tempo termine. O que só acontecerá com o
retorno de Cristo. As profecias, tanto do Antigo como do
Novo Testamento, indicam que no retorno de Cristo à Terra com poder e grande glória, Jesus será visto fisicamente
na Palestina (Ap 1.7).
O mesmo Jesus Cristo que nasceu de uma virgem, que
morreu na cruz, que ressuscitou e subiu ao Céu, brevemente voltará: primeiro para os seus santos (o arrebatamento)
e segundo, com os seus santos (sua Parousia). Ele voltará
em pessoa à esfera terrestre para exercer seu governo sobre
o mundo. Está perfeitamente claro que este regresso de
nosso Senhor será literal e não somente sua oresença espiritual como tem sido afirmado por alguns estudiosos da
Bíblia.
12. Seu retorno em glória
Esta descrição aqui do arrebatamento e Parousia de
Cristo faz-se necessária para que o estudioso das profecias tenha maior clareza na cronologia profética.
Os acontecimentos que se seguirão em sua vinda pessoai a este mundo são mais ou menos estes:
26
a . 0 regresso de Cristo será u m regresso visível e glorioso. De acordo com as Escrituras, todos verão Jesus (M t
24.30; 26.64; Ap 1.7). Seu prim eiro toque a este m u n d o será no m o n te das Oliveiras como e stá descrito pelo profeta
Zacarias 14.4: “ E naquele dia estarão os seus pés sobre o
m onte das Oliveiras, que está defronte de Jeru sa lé m , p a ra
0 o rie n te ...” D u ra n te esse período, a m a rc h a do cortejo e a
rotação con tínu a da te rra p erm itirão que o m u n d o inteiro
presencie 0 acontecim ento. O destino final do cortejo será
o centro do Oriente Médio, ao en ca m in h a r-se p a ra 0 aniqu ila m e n to dos exércitos reunidos p a ra a b a ta lh a do Arm agedom e p a ra a chegada definitiva de Cristo ao M onte
Sião (SI 2).
b. Segu nd o as Escrituras. Cristo será aco m p an h a d o ,
em sua segu nda vinda, por u m imenso corpo de hostes celestiais, descrito como os exércitos do céu (J d v 14; Ap
19.14). Os crentes que foram a rre b a ta d o s a n tes d a Tribulação, bem como aqueles que estiverem no Céu com o Senhor
conforme a promessa dele em João 14.1-4, reto rn arão à
T erra como p a rte desse vasto a c o m p a n h a m e n to . T a m b é m
os anjos se ju n ta rã o a Cristo nesse grande cortejo do Céu à
T erra (M t 25.31, etc).
c. Ü S a lm o 2 descreve o retorno de Cristo do Céu à
T erra e seguindo em direção do m o nte Sião. “ S iã o ” é mencionada por 110 vezes na Bíblia. 90 delas são em term os do
grande am or e afeição do Senhor por ela, de modo que o lugar tem grande significação. P a ra m o s tra r a m ajestosa soberania de Deus na história d a h u m a n id a d e , o Salm o 2, já
citado n e sta seção, fornece u m a descrição da situação
m u n d ia l n a época da segunda v inda de Cristo: “ Porque se
a m o tin a m as gentes, e os povos im a g in a m coisas vãs? Os
reis da terra se le v a n tam , e os príncipes ju n to s se mancom u n a m contra 0 Senhor (Deus) e contra 0 seu Ungido
(C risto)...” , (vv 1.2). M as, esta rebelião das nações provocará no Senhor u m riso de desprezo. “ Aquele que h a b ita
nos céus se rirá; o Senhor z om bará deles” (v 4).
P ortanto , Deus pro m e te u enviar seu Filho no tem po
d e te rm in a d o p a ra destru ir as forças do m al e depois reinar
sobre a terra. Seu governo, como terem os ocasião de ver no
27
capítulo que trata do Milênio, será um governo absoluto de
paz e justiça jamais visto neste mundo!
(') J . J . V. Allmen. Voc. Bibl. 1972
( )־Scofield, Dr. C. I. (Scofield Reference Bible)
( ) יPeq. Die. da Ling. Port. p. 113, 11♦ Ed. 1979
(') A. E. B. Ant. da Ült. B at. Armag. 1981
( ) Cont. Regres. P / O Juízo Fin. 1981
(s) Scofield, D r. C. I. (Scofield Reference Bible)
(:) Teol. Sist. L. S. C. Vol. I. 1986
(8) Scofield, Dr. C. I. (Scofield Reference Bible)
{ ) Op. Cit. C. I. Scofield
28
2
Que Geração é Esta?
I. Não passará esta geração
“ E m verd ad e vos digo que não p a ss a rá esta geração
sem que to das estas coisas a c o n te ç a m ” .
Sendo a d u ra ç ão d a vida h u m a n a , “ geração” serve
p a ra expressar o te m p o como segue: os te m p o s passados
(At 14.16; 15.21); o te m p o do castigo de Deus, que atinge
a té a q u a rta geração (Êx 20.5; D t 5.9); o te m p o d a s u a misericórdia, in fin ita m e n te m aio r que sua cólera (Êx 20.6; D t
5.10; 1 Cr 16.15; SI 105.8). “ De geração em geração” , que
ta m b é m se tra d u z conforme 0 sentido do p e nsam en to ;
“ de idade em id a d e ” - significa p a ra sem pre, em p erpetuidade, e se relaciona com a fidelidade de Deus a seu reino,
a seu am o r e ss (Êx 3.15; SI 33.11; 90.1; Is 60.15; D n 4.3; Lc
1.50).
a.
Por outro lado, “ geração” significa os h om ens de
u m a época (Êx 1.6; N m 32.13; Ec 1.4); os hom ens do passado (Jó 8.8); os ho m ens do fu turo (D t 29.22; Jó 18.20; SI
22.21; 48.14; 78.4,6; Lc 1.48); os co ntem porâneos (Is 53.8;
Lc 16.8).
N este sentido “ g eração” é o objeto dos ju lg am en to s
severos que os profetas tra z em sobre seus contem porâneos
29
e sobre todo 0 povo de Israel: “ ...geração p e rv e rsa ” (Dt
32.5); “ ...geração p e c a d o ra ” (Is 1.4); “ ...sem ente adulterin a ” (Is 57.3); “ ...sem ente d a fa lsid a d e ” (Is 57.4. etc). O
Senhor Jesu s re to m a estes ju lg am en to s proféticos e os aplic a a seus con tem porâneos em vários de seus elem entos
doutrinários:
“ ...geração m á e a d ú lte r a ” (M t 12.39); “ ...geração
a d ú lte ra e p e c a d o ra ” (Mc 8.38); “ ...geração in c ré d u la !”
(Mc 9.19); “ ...geração incrédula e p e rv e rsa ” (M t 17.17).
etc.
b.
“ ...esta geração” . A p alavra “ geração” na presente
passagem tem u m sentido escatológico. É a p alavra grega
“ g e n e a ” , e segundo o doutor C. I. Scofield ela traz em si a
idéia de “ raça, fam ília, espécie, e tc ” .(10) É certo que a palavra se e m p re g ad a a p en as como u m a geração fam iliar
(um filho sucedendo a u m pai), não se co ad u n a com a
tese principal, porque n e n h u m a d estas “ coisas” , a saber: a
pregação do E vangelho do Reino em todo o m undo; a volta
de Jesu s em glória; o a ju n ta m e n to dos escolhidos pelos anjos, não aconteceu antes d a destruição de Jeru salém , que
todos sab em , deu-se no ano 70 d.C. A prom essa é, portan to, que a Geração - a N ação de Israel ou fam ília israelita será conservada a té o fim como nação: nin gu ém a destrui2. Jesus como uma “ geração”
N a passagem de Apocalipse 22.16, Jesu s se identifica
como sendo “ ...a geração de D a v i” . Esse fato, portanto,
nos leva a e n te n d e r porque M a te u s inicia seu Evangelho
dizendo: “ Livro d a geração de Jesu s Cristo, filho de Davi,
filho de A b ra ão ” (M t 1.1).
As d uas genealogias (M a teu s e Lucas) que diferem entre si em alguns detalhes, podem ser u m a só (pelo m enos é
de u m a só pessoa): e não se originam de duas linhagens;
u m a sendo de José e a o u tra de M a r ia .( 11) E ssa idéia foi
un iv e rsalm en te aceita na Igreja P rim itiv a e continuou até
0 século XV, q u a n d o A nnius de Viterbo, que m orreu em
1502 (d.C.), achou u m a diferença.
30
Segundo ele entre a linhagem de José (em Mateus) e a
linhagem de Maria (em Lucas) havia "pontos difíceis” de
serem conciliados entre si por várias razões:
Primeiro: Mateus, apresenta Jacó como “ pai” de José
(1.16), e segue em direção a Jesus.
Segundo: Lucas, apresenta Heli como “ pai” de José
(3.23), e segue em direção a Adão. Para o doutor R.N.
Champlin, Ph. D., diversas interpretações procuram explicar a diferença:
a. Para os que pensam que a genealogia de Lucas dá a
linhagem de Maria, e a de Mateus dá a de José. Jacó seria
o pai de José, e Heli seria o sogro (compare-se 1 Sm
24.11,16). O uso da palavra “ pai” no hebraico e no grego,
permitia que a palavra “ pai” fosse usada livremente no lugar de sogro, apesar de sogro não ser 0 parentesco verdadeiro e sim, por afinidade.
b. Para os que pensam que ambas as genealogias dão a
linhagem só de José, Jacó seria irmão de Heli; segundo o
costume hebreu, quando Heli morreu, Jacó teria tomado
sua viúva como esposa (compare-se Gn 38.1 e ss; Dt 25.5 e
ss; Rt 4.5), e José seria filho de Jacó no sentido literal e de
Heli, no sentido legal.
c. É possível que José tenha sido filho de Jacó por nascimento, e filho de Heli por adoção, ou 0 inverso.(12) Esta
questão não é bastante solúvel, mas qualquer destas três
interpretações é possível.
Nos versículos 3 a 6 da genealogia de Mateus, aparecem quatro nomes de mulheres estrangeiras, a saber: Tamar (Gn 38.1 e ss); Raabe (Js 2.1 e ss; Hb 11.31), Rute (ver
livro de Rute para sua história); e aquela que foi mulher de
Urias, isto é, Bate-Seba, que o Espírito Santo omitiu o seu
nome (2 Sm 12.10,24).
1)
A genealogia do Salvador abrange 42 gerações,
num período de dois mil anos. Está dividida em três partes
de catorze gerações cada.
O primeiro grupo, de Abraão ao rei Davi (Mateus),
abrange mil anos aproximadamente.
Na de Lucas abrange três mil anos (pois continua até
Adão). Ela tem caráter descendente.
31
0 segundo grupo, do rei Davi ao exílio babilônico,
abrange um período de quatrocentos anos.
O terceiro grupo, do exílio a Cristo, tem treze gerações, sendo que a 14? geração, obviamente inclui Maria ou
Jesus, abrange um período de seiscentos anos. Examinando com cuidado, observamos que existem certas “ lacunas”
de nomes·nas duas tábuas genealógicas de Mateus e Lucas. Podemos encontrar algo similar, em Esdras 6, onde se
vê uma genealogia com o mesmo número de “ lacunas” ,
nada menos de seis gerações de sacerdotes são omitidas,
como transparece pela comparação em 1 Crônicas 6.3-15.
2)
“ Ao examinar a genealogia de Mateus, para ver
quando se rompeu a linhagem real de Judá (visto que as
duas genealogias seguem de Abraão a Davi numa só árvore
genealógica e a partir daí, há uma “ bifurcação” - Não segue com Salomão e sim, com Natã), fica claro que foi em
Jeconias.
Note-se, também, como o Senhor usou a Jeremias dizendo: “ Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem (Jeconias) está privado de seus filhos, e ...nem prosperará algum da sua geração, para se assentar no trono de Davi, e
reinar mais em Judá” (Jr 22.30). Os dois nomes que seguem
o de Jeconias, Salatiel e Zorobabel estão realmente transferidos da outra genealogia (de Lucas), na qual consta que
o pai de Salatiel foi Neri, da família de Natã.
Torna-se certo, portanto, que Salatiel, da família de
Natã, irmão de Salomão, se tornou herdeiro ao trono de
Davi, quando falhou a linhagem de Salomão na pessoa de
Jeconias. Assim Salatiel e seus descendentes foram transferidos, como “ filhos de Jeconias” para a tábua genealógica segundo o costume da lei judaica” .(1 )
Em Mateus 1.6, “ ...Jessé gerou ao rei Davi; e o rei
Davi gerou a Salomão da que foi mulher de Urias; e Saiomão gerou a Roboão...” etc.
Em Lucas 3.31, “ ...Matatá de Natã, e Natã de Davi, e
Davi de Jessé...” etc. Tanto Salomão como Natã eram filhos de Bate-Seba (2 Sm 12.24; 1 Cr 3.5). Então aparecem
seis nomes em Mateus, que não aparecem em Lucas.(14)
Seja como for, há somente duas genealogias no Novo Tes32
lamento - e as duas são de uma só pessoa: O Senhor Jesus
Cristo que, através das quais, se identifica como sendo
“ ...a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”
(Ap 22.16b).
Evidentemente, quando uma “ geração” traz em si o
sentido genealógico, refere-se à sucessão de um pai por seu
filho primogênito (primogenitura aqui é por direito nato ou
adquirido). De Abraão a Cristo as gerações sobem (Mt 1.17); de Cristo até Adão, as gerações descem (Lc 3.23-38). De
Adão até Abraão uma “ geração” é calculada pelo decorrer
de 100 anos; enquanto que, de Abraão até Cristo é de 40
anos aproximadamente (cf. Mt 24.34 etc).
3. Uma geração escatológica
O sentido aqui invocado, deve ser o mesmo de “ raça” ,
“ espécie” , “ família” . Tal expressão de Jesus assegura a
continuidade de Israel, como nação, até a volta de Cristo
com poder e grande glória, mas sua identidade como raça e
como nação continuará até aquele acontecimento. Paulo
declara exatamente isso em Romanos 11.25 e ss. Outros,
porém, tem em mente que Jesus ao se referir a “ esta geração” (hê genea hautê), queria dizer “ esta geração de homens” , e assim, segundo este critério de interpretação,
aquela “ geração” , durou exatamente 40 anos, pois no ano
de 70 d.C. todos que ouviram isto, com exceção dos discípulos, pereceram.
Porém, é evidente que, na passagem de Apocalipse
1.7, esta forma de interpretação não se harmoniza com a
tese e argumento principal e, sim, diz respeito claramente
a Israel na presente era, pois os que crucificaram Jesus no
sentido literal^.estão mortos há quase dois mil anos.
No início deste capítulo, falamos que em certo sentido
“ geração” se aplica também aos “ homens de uma época”
ou a um grupo específico em qualquer tempo ou época, tais
como:
a.
Os gentios. “ Depois disse o Senhor a Noé: Entra tu
e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante
de mim nesta geração” (Gn 7.1). Os gentios, quanto à sua
wigem, vieram de Adão e a sua liderança natural está ne33
le. Quanto ao seu estado no período de Adão a Cristo, ficaram sob a multiforme acusação: “ ...estáveis sem Cristo,
separados da comunidade de Israel, e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no
mundo” (Ef 2.12b). Portanto, os gentios eram uma “ geração” sem Deus e sem esperança.(15)
b. Os judeus. “ Em verdade vos digo que não passará
esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” (Mt
24.34). Com a chamada de Abraão e tudo o que o Senhor
operou nele, deu-se início a uma nova raça ou nova geração, a qual sob alianças e promessas divinas inalteráveis,
continuará para sempre. Portanto, Israel é uma geração a
parte dos demais povos ou nações. Isto é, trata-se de um
povo escolhido como alvo das promessas e conceitos de
Deus até a consumação.
c. Os cristãos. “ Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa...” (1 Pd 2.9a). Um grande conjunto das Escrituras declaram direta ou indiretamente que
a atual disposição foi predita e intercalada, e nela uma
nova humanidade aparece sobre a terra como a cerca de
2000 anos a.C. aparece na nova ordem do tempo a nação de
Israel, tendo como ponto de partida o patriarca Abraão
(Gn 12.1 e ss).
Os gentios partindo de Adão, formavam uma nova geração, pois Deus havia também criado outros seres racionais (os anjos) no Universo.
Os judeus, partindo de Abraão, davam agora início a
uma nova geração que, foi denominada por Deus como
sendo “ santa” (Êx 19.6).
Os cristãos partindo de Cristo, formam agora a “ nação
santa” (1 Pd 2.9 etc).
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34
Scofield, D r. C.I. (Scofield Reference Bible)
O NT. Int. v. p. v. R. N. Champlin, P h. D., 1982.
O NT. In t. v. p. v. R. N. Champlin, Ph. D., 1982.
L. Hervey.op. cit. p. M at. o Evang. do Rei.
O NT. Int. v. p. v. R. N. Champlin, Ph. D ., 1982.
Teol. Sist. L. S. C. Vol. I. 1986.
A Entrega dos Galardões
1. O tribunal de Cristo
Após o arrebatamento da Igreja por Cristo, haverá
uma “ reunião com Ele” num lugar chamado “ tribunal” .
Paulo fala disso em vários de seus ensinos mas, especificamente, em três referências exclusivas:
Primeira: ‘‘ Mas tu. por que julgas teu irmão? Ou tu,
também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos
de comparecer ante o tribunal de Cristo” (Rm 14.10).
Segunda: “ Porque todos devemos comparecer ante o
tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo 0 que
tiver feito por meio do corpo, ou bem. ou mal” (2 Co 5.10).
Terceira: “ A obra de cada um se manifestará: na verdade 0 dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e
o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que
alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas 0 tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1 Co
3.13-15). Existem outras possíveis passagens sobre o Tribunal de Cristo em 0 Novo Testamento, mas essas são tomadas para exemplificar 0 sentido do argumento.
a.
0 que é tribunal? Nos antigos estádios gregos, a assembléia se reunia defronte de uma “ plataforma” chamada BÊMA de onde as questões oficiais eram conduzidas.(16)
Esse vocábulo “ bêma” originalmente significava apenas um “ degrau” ; desta idéia passou a indicar uma “ piataforma elevada” , como aquela usada pelos oradores, pelos juizes das competições esportivas, ou mesmo pelos magistrados romanos em seus julgamentos formais. Porém,
já o apóstolo Paulo toma o vocábulo “ bêma” para denotar
0 “ Tribunal de Cristo” . Essa expressão “ tribunal’ é empregada por onze vezes no Novo Testamento, e nas passagens
onde ela figura está sempre ligada a julgamento especiai.(17)
1) O tribunal de Pilatos ( l 9). “ E, estando ele (Pilatos)
assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não
entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele” (Mt 27.19).
2) O tribunal de Herodes. “ E num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal, e lhes fez uma prática” (At 12.21).
3) O tribunal de Pilatos (2?). “ Ouvindo pois Pilatos
este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal,
no lugar chamado Litostrotos, e em hebraico Gabatá” (Jo
19.13).
4) O tribunal de Gálio. (I9). “ Mas, sendo Gálio procônsul da Acaia, levantaram-se os judeus concordemente
contra Paulo, e o levaram ao tribunal, dizendo: Este persuade os homens a servir a Deus contra a lei” (At
18.12.13).
5) O tribunal de César ( l 9). “ E, não se demorando entre eles mais de dez dias, desceu a Cesaréia; e no dia seguinte assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem a Paulo” (At 25.6).
6) O tribunal de Gálio (29). “ E expulsou-os do tribunal. Então todos agarrando Sóstenes, principal da Sinagoga, o feriram...” (At 18.16,17a).
7) O tribunal de César (29). “ Mas Paulo disse: Estou
perante o tribunal He César, onde convém que seja julga
36
do: não fiz agravo algum aos judeus,.como tu bem sabes”
(At 25.10).
8) O tribunal de Gálio (39). “ Então todos agarraram
Sóstenes, principal da Sinagoga, e o feriram diante do triburial; e a Gálio nada destas coisas o incomodava” (At
18.17).
9) O tribunal de César (39). “ De sorte que, chegando
eles aqui juntos, no dia seguinte, sem fazer dilação alguma, assentado no tribunal, mandei que trouxessem o homem” (At 25.17)'.
10) O tribunal de Cristo “ Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba
segundo 0 que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou
mal” (2 Co 5.10).
11) O tribunal de Deus (Edição Revista e Atualizada).
“ Tu, porém, por que julgas a teu irmão? e tu, por que desprezas o teu irmão? pois todos compareceremos perante o
tribunal de Deus” (Rm 14.10).
Para uma melhor compreensão do pensamento, o leitor deve observar que as duas referências nos evangelhos
indicam o “ tribunal de Pilatos” (Mt 27.19; Jo 19.13); otrecho de Atos 12.21, fala do “ tribunal de Herodes” ; as referências do décimo oitavo capítulo de Atos indicam por três
vezes o “ tribunal de Gálio” ; em Atos 25.6,10,17, por três
vezes, refere-se ao “ tribunal de César” . Enquanto que Romanos 14.10 e 2 Coríntios 5.10, indicam o “ tribunal de
Cristo e de Deus” .
b.
Nas últimas citações (Rm 14.10 e 2 Co 5.10), Paulo
alude ao que acontecerá quando o Redentor congregar os
remidos em torno de si, diante do seu tribunal. Haverá ali
uma avaliação do que fizemos e não fizemos; mas isso não
indica que será um momento de temor, mas de confiança;
mais ninguém estará ali presente, a não ser os salvos: ali
todos amarão 0 Redentor e confiarão nele.
Os textos e contextos afirmam que, diante do tribunal
do Senhor, cada “ um” receberá 0 louvor ou a censura que
merecer. As referências mais explícitas sobre isso são:(18)
Primeiro: Em 2 Coríntios 5.10, onde o que temos “ feito por meio do corpo” será manifestado perante os olhos de
todos diante do Tribunal (cf. Hb 4.13, etc).
37
Segundo: Em Romanos 14.10, onde nossas relações
com nossos irmãos serão examinadas perante o nosso Salvador (cf. Mt 18.10, etc).
Terceiro: Em 1 Coríntios 3.10-15, onde nosso serviço a
Deus é provado como pelo fogo (cf. Ap 22.12, etc).
2. Onde será o Tribunal?
Existem muitas divergências entre os comentaristas
quanto ao local exato do Tribunal de Cristo. Alguns têm
sugerido que será aqui mesmo na terra. O homem pecou
aqui (dizem eles); aqui foi salvo; aqui trabalhou - então
aqui deve ser avaliado o seu trabalho (cf. M t 25.19 e ss).
Outros, porém, asseguram que esse julgamento deve ter lugar no Céu e confrontam o Tribunal de Cristo com o julgamento do grande Trono Branco; apenas o dividem por etapas: 1? o Tribunal; 29 o Juízo das Nações e 3? o Grande Trono Branco (cf. Mt 25.32 e ss; 2 Co 5.10; Ap 20.11 e ss). Porém, é evidente que essa forma de interpretação deve ser
rejeitada de todo. Visto que esses três julgamentos obedecem a uma ordem cronológica bem clara: o Tribunal de
Cristo se dará por ocasião do arrebatamento; o juízo das
nações vivas, por ocasião do retorno de Cristo na sua Parousia (sete anos depois do arrebatamento); e o juízo final,
mil anos depois. Um outro grupo diz que terá lugar nos
ares, mas não especifica o lugar (cf. 1 Ts 4.17; Ap 22.12).
As passagens de Mateus 9.15 e Apocalipse 22.12 nos
levam a entender que o Tribunal não será “ dentro do
Céu” . Razão por que, na primeira citação Jesus declara
que os filhos das bodas (que se dará no Céu: Ap 19.7) não
podem andar tristes e, em 1 Coríntios 3.15, lemos que
diante do Tribunal isso pode acontecer; na segunda, Jesus
declara: “ E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo (no original virá comigo), para dar a cada um - no
tribunal - segundo a sua obra” .
Ora, se essa recompensa fosse feita no Céu, não seria
necessário Jesus trazer consigo este galardão. Na antiguidade, os juizes e anciãos de uma nação costumavam julgar
seus súditos e suas causas na “ porta da cidade” (Gn
19.1,9; 1 Sm 4.13,18; 2 Sm 15.2). Boaz, chamando o remidor, e mais dez testemunhas da cidade de Belém, julgaram
38
a causa de Rute a moabita na “ porta da cidade” de Belém
(Rt 4,1,2). E ali, diante desse tribunal, ela recebeu “ . . . 0 galardão do Senhor Deus de Israel” (Rt 2.12).
Muitas coisas nas Escrituras foram escritas “ ...para
nosso ensino” (Rm 15.4), pois algumas delas são
“ ...sombras das coisas celestiais” (Hb 8.5), e outras são
“ ...figuras das coisas que estão no céu” (Hb 9.23). Se o nosso pensamento é acertado nesta interpretação, é evidente,
embora pouco provável que o Tribunal de Cristo terá lugar ainda nos ares, especialmente na “ porta formosa do
Céu” (cf. Ct 2.4; 1 Ts 4.17 etc).
a.
Diante do Tribunal de Cristo, serão reprovadas as
obras e não o obreiro (1 Co 3.13 e ss), pois todo o seu trabalho que tiver feito “ por meio do corpo” será ali avaliado perante a justiça divina.
Porém,' se fará necessário que a caridade de Deus esteja ali! A justiça exige que o “ bem ” seja recompensado e o
"m al" punido.(19) Ora, isto não pode realizar-se senão pela
sanção (sanção aqui não é condenação) da vida futura; somente esta pode ser rigorosamente justa, uma vez que depende de Deus, que “ sonda os rins e os corações” . Realmente eficaz, porque ninguém pode escapar-lhe. Nenhum
subterfúgio daquele que é culpado (culpado aqui é descuidado).
É necessário uma recompensa baseada na justiça e caridade de Deus. Esta prova se baseia na justiça de Deus,
que exige que a virtude e 0 vício (aqui já neste mundo) recebam as sanções que lhes são devidas: recompensa ou punição. Aqui no mundo, as sanções da virtude e do vício são
evidentenjente insuficientes; muitas vezes mesmo, é 0
vício que triunfa, e a virtude que fica humilhada. Portanto, é necessária uma recompensa futura através da justiça
divina que quer. que cada um seja tratado segundo suas
obras, e isso não pode ser feito a não ser com a vida futura.
Mas, se fará necessário, diante do tribunal de Cristo
que a caridade triunfe! E triunfará mesmo! A justiça deve
ser tempçrada pela caridade. É preciso distinguir cuidadosamente a legalidade e a eqüidade (diante do Tribunal de
Cristo isso n,ão é necessário; mas apenas aqui para ser entendido pela mente natural).
39
b. A prova pelo “ fogo” . No que tange a este fogo, muitas interpretações têm surgido! Mas uma coisa é certa: a
onisciência de Deus ali deve estar presente. Todo nosso
trabalho passará “ diante dos olhos” da Trindade Divina
(cf. Êx 13.21; At 2.3; Hb 12.29; Ap 1.14; 2.18; 3.2, etc). A
passagem de Apocalipse 4.8 descreve seres viventes como
tendo a inteireza da inteligência; são cheios de “ olhos por
diante e por detrás” (4.6). Podem tanto ver para a frente
como para trás.(20)
O passado e 0 futuro estão abertos a eles como um livro. Visão interna (olhos por dentro), visão externa (olhos
por diante) também lhes pertence. A absoluta visão circundante corresponde a uma infinita visão interior, que
expressa a concentração contemplativa, a unidade da onisciência divina. Vigilância! Ora, se estes seres viventes possuem tal visão, que diremos nós diante daquele perante
quem “ ...todas as coisas estão nuas e patentes aos
olhos...?” (Hb 4.13).
Ali, pois, diante da perscrutação desses olhos infinitos
que tudo contemplam (Pv 15.3), surgirão duas palavras soIenes: “ Aprovados e Reprovados” . “ Este ‘fogo’ diz Speaker,( )'־dura apenas ‘um dia’ ; é futuro, não presente; é destrutivo, não purificador; destrói apenas obras, não pessoas; causa perda e não lucro; destrói apenas o que for falso
e não o que for verdadeiro; causa apenas reprovação da
obra e não do obreiro” (1 Co 3.13-23).
c. A interpretação errônea. Alguns eruditos ensinam
que mesmo os mais fiéis precisam dum processo de purificação antes de se tornarem aptos para entrar na imediata
presença de Deus. Também alguns (não são todos) teólogos protestantes que crêem na doutrina de “ uma vez salvo, salvo para sempre” , embora reconhecendo a palavra
divina que diz: “ Segui a paz com todos, e a santificação,
sem a qual ninguém verá o Senhor” , concluem que o Tribunal de Cristo seja uma espécie de “ purgatório” onde os
crentes carnais imperfeitos se purifiquem da escória. Esse
processo, segundo essa maneira de interpretar 0 Tribunal,
dar-se-á ali. Todavia, não existem nas Escrituras evidências para tal doutrina, e existem muitas evidências contrárias a ela.(22)
40
3. A recompensa
“ ...cada um recebe... ou bem, ou mal” (2 Co 5.10).
Muitos comentadores renomados têm tido dificuldades
nesta passagem, quando se defrontam com a palavra
“ mal” . Porém, é evidente que, a palavra MAL no presente
texto não significa “ pecado” . Diante deste Tribunal não
haverá nem pecado nem pecador (cf. Lc 20.35,36).
Quando se invoca o sentido profundo da palavra “ pecado” no original hebraico é “ hattã’th” que traduzida para
o grego clássico é “ Hamartia” . Porém, na passagem citada, a palavra “ mal” # deve ser depreendida do uso que dela
faz o profeta Isaías. O uso de “ RA” em Isaías 45.7, onde se
diz que Deus cria o “ mal” , fica esclarecido o seu uso no
tempo e no espaço quando vemos que em mais de 450 vezes
que esta palavra se encontra no Antigo Testamento, muito
poucas vezes ela se refere a Deus como a causa da coisa
realizada, e também veremos que em cada um desses casos
o “ mal” mencionado não indica pecado, e, sim, consiste no
castigo justo que Deus impõe sobre aqueles que pecaram.
Não se diz que Deus criou o pecado deles, más se diz
que Ele trouxe a calamidade e o castigo sobre eles. Esta
correção divinamente imposta foi a palavra “ RA” distintamente declarada como uma experiência do mal vinda de
Deus como penalidade, em contraste com o bem que ele
concederia em outra situação.() ־
a. O apóstolo Paulo retoma isso em seus elementos
doutrinários, quando diz: “ Agora folgo, não porque fostes
contristados, mas porque fostes contristados para 0 arrependim ento; pois fostes contristados segundo Deus... Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a
salvação, da qual ninguém se arrepende...” (2 Co 7.9,10;
Hb 12.11). Acreditamos, pois, que o “ mal” (rá) em referência seja apenas uma repreensão da parte do Senhor para
aqueles que usaram material ou doutrina “ espúria” na sua
obra (1 Co 3.13 e ss; 9.17 e ss). Jó entendeu isso muito bem
quando disse para sua esposa: “ ...receberemos o bem de
Deus, e não receberíamos 0 mal? (rá)” (Jó 2.10).
b. O galardão. A palavra “ galardão” tem nas Escrituia s diversos sentidos e métodos de aplicação: Para Abraão,
41
o próprio Deus era o “ ...seu grandíssimo galardão” (Gn
15.1). Rute, a moabita, recebeu “ . . . 0 galardão do Senhor
Deus de Israel” (Rt 2.12). No estudo em foco, devemos traduzir a palavra “ galardão” (misthapodosia) por “ recompensa” (misthos). Este termo nasceu da vida comercial, e
originalmente denotava o pagamento feito a um trabalhador, mas desde os tempos helenísticos também se usava
em contextos religiosos.(4 )־Havia, por outro lado, um outro verbo que expressava 0 significado do pensamento:
“ opsõnion” , que era tirado dos círculos militares, e significava as rações do soldado e, depois, 0 pagamento pelo serviço militar e, finalmente, o salário de um oficial do governo. Porém, como o grego é bastante rico nesse sentido, usava-se também outra palavra com sentido mais lato: “ kerdos” ; “ kerdos” trazia a idéia de “ lucro” , “ vantagem” ,
“ ganho” , etc.
Para alguns esse “ galardão” ou “ recompensa” , tratase de “ coroas” que receberemos da parte do Senhor. Os
atletas do passado recebiam após as competições, suas
“ coroas de louro” ou “ coroas da vitória” . Como sinal de
haverem alcançado o “ prêmio” . Paulo fala disso em 1
Coríntios 9.24 e, depois, faz uma exortação: “ ...Correi de
tal maneira que o alcanceis” .
c.
0 argumento de Paulo parte do menor para o maior.
Se os homens dão tão elevado valor às honrarias e coroas,
que por si mesmas se revestem de tão pouca importância e
valor, quanto mais devem os cristãos se esforçar e prezar
aquelas coroas espirituais que nunca haverão de perecer,
dotadas de valor infinito, que transcedem a tudo quanto é
terreno e físico!
Se um homem é capaz de treinar tão diligentemente,
de sofrer tantas privações, de agonizar física e mentalmente para um acontecimento que ocupará um único dia, sabendo que a competição será intensa e que as chances de
ele sair vencedor não são grandes, quanto mais (diz Paulo)
os cristãos devem dispor-se, deixando de lado todos os prazeres e ocupações inúteis, a fim de alcançarem a “ incorruptível coroa de glória” .
Na posição de corredor, ele corria com um alvo definido. Na qualidade de lutador, tinha um oponente. Em ou42
tras palavras, ele tinha um alvo, uma vitória a conquistar.
Então ele passa agora seu exemplo para seus leitores: “ Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” .
1) A coroa de glória. “ E, quando aparecer (na sua vinda) 0 Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de
glória” (1 Pd 5.4).
2) A coroa incorruptível. “ E todo aquele que luta de
tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível” (1 Co 9.25).
3) A coroa de alegria. “ Portanto, meus amados e mui
queridos irmãos, minha alegria e coroa...” (F1 4.1; 1 Ts
2.19,20).
4) A coroa da justiça: “ Desde agora, a coroa da justiça
me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia (diante do tribunal); e não somente a mim, mas
também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8).
5) A coroa da vida. “ Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o
amam” (Tg 1.12; Ap 2.10). Cumpre-se aqui, portanto, o
que diz o profeta Isaías acerca de Jesus: “ ...o castigo que
nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras foram sarados” (Is 53.5b). Isto, aponta claramente para o
Calvário, onde Jesus suportou por nós “ uma coroa de espinhos” (Jo 19.2) para nos dar o direito de sermos participantes de “ uma coroa de glória” . Isso é supremo sacrifício!
Jesus, nosso Senhor, morreu com apenas 33 anos de
idade! Depois de ter sofrido “ uma eternidade de dores!”
Seus inimigos aqui na terra o julgaram digno de “ uma coroa de espinhos” . No Céu, porém, o quadro se inverte. E
Ele está presentemente “ coroado de glória!” (Hb 2.9), etc.
( ) ״Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
( ) ״O NT. Int. v. p. v. R. N. Champlin, Ph. D. 1982
( ) ״op. cit. Apoc. v. p. v. 1987
( )ייR J. Cuts, de Fil. 1984
(") Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
( )ייop. cit, p. S. E. Mc N air. 1956
(") M. P. Conta. As Dout. da Bíbl. 1977
(” ) Teol. Sist. L. P. C. Vol. I. 1986
( ) ״O NT. Int. v. p. v. R. N. Champlin, Ph, D. 1982
43
4
A Celebração das Bodas
1. As Bodas do Cordeiro
Após a avaliação de Cristo das obras de seus servos
diante do Tribunal, Ele, então, conduzirá sua Noiva para o
Palácio Real, onde se encontra “ a sala do Banquete” (Ct
2.4), quando então terão início as Bodas do Cordeiro.
As Bodas do Cordeiro são uma preciosa revelação para
os corações de todos os filhos de Deus. Os anjos, e os santos
do Antigo Pacto ali estarão a cantar: “ Regozijemo-nos, e
alegremo-nos e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (Ap 19.7).
a.
As Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, utilizam-se do casamento, ou mesmo de outra
ocasião festiva para simbolizar a glória espiritual finai e a
alegria dos fiéis servos de Deus. Vejamos como as Escrituras são proféticas e se combinam entre si em cada detalhe!
Somente depois que 0 Senhor julgar a grande prostituta,
Babilônia, que vem descrita mística e literalmente nos
capítulos 17 e 18 do Apocalipse, é que o Senhor apresenta
sua esposa, uma virgem pura (2 Co 11.2). No Novo Testa45
mento, isso simboliza, especialmente no Apocalipse, que a
Noiva do Cordeiro não deve ser confundida, por uma mulher poliandra.
A interpretação alegórica de Cantares de Salomão retrata Deus como sendo o Noivo e Marido da nação israelita; e isso tem sido usado pelos intérpretes cristãos para
contemplar a Igreja como a “ Noiva de Cristo” na sua glória futura. O livro de Cantares lembra-nos, sobretudo, do
verdadeiro retomo aos primeiros tempos, à juventude da
humanidade.(25) Ali aparecem dois nomes que, segundo se
diz não expressam a idéia comum apenas de um homem,
“ Ish” e aquela que leva seu nome (Isha - Gn 2.23) e sim por
Salomão (Shelomo) e Sulamita (Shulamith). O nome que
eles trazem prova a necessidade da paz (Shalom) e do perdão divino, para que não haja “ dureza de coração” .
b. As religiões helenistas como as romanas também
empregavam esse simbolismo (o simbolismo das Escrituras), considerando a união entre seus adeptos e o salvadordeus como uma espécie de matrimônio sagrado.
“ Os cultos de fertilidade também empregam tal simbolismo” .(26) A parábola das virgens loucas e prudentes
pinta o reino dos céus como uma espécie de festa de casamento (Mt 25.1-13). Enquanto que em Marcos 2.19,20, Jesus alude a si mesmo como sendo o “ noivo” , e seus discípulos seriam os convidados. Em João 3.29, João Batista refere-se a Jesus como o noivo. Paulo fez uma aplicação mística e escatológica sobre esse simbolismo, dizendo que ele
apresenta os crentes de Coríntios, como uma “ noiva” , a
Cristo (2 Co 11.2). Por ocasião do arrebatamento da Igreja
por Cristo, essa “ noiva” será pura e preparada para o Noivo (Ap 19.7). Assim na presente era, a Igreja é retratada
como “ noiva” de Cristo; no período das bodas, porém,
como “ a esposa, a mulher do Cordeiro” .
c. Entre os judeus, as bodas eram celebradas durante
sete dias com grande alegria (Jz 14.12,15,17,18). As bodas
de Jacó duraram sete dias (Gn 29.27,28). Na simbologia
profética das Escrituras Sagradas, isso aponta para as bodas do Cordeiro durante “ sete anos” : Jesus também é ju46
deu e em termos proféticos um dia é que vale um ano (Nm
14.34; Ez 4.6; Jo 4.9).
0 Apocalipse descreve o tempo em que a “ noiva se
aprontou” . Seu vestido é todo bordado e branqueado no
sangue do Cordeiro (SI 45.14; Ap 22.14), pois ninguém
pode entrar naquela festa com “ vestidura estranha” (Sf
1.8; Mt 22.11).
Tem sido alegado, diz 0 doutor Geo Goodman,(27) que
não existia 0 costume de dar vestes nupciais nos banquetes
orientais, como bodas, aniversários, etc. Mas alguns textos
escriturísticos apoiam que sim; às vezes, se fazia isso constantemente. José apresentou mudas de roupa a seus irmãos (Gn 45.22 e ss); Sansão, no seu casamento, deu trinta
mudas de vestidos aos seus companheiros (Jz 14.12), e
Geazi pediu a Naamã mudas de roupas para os jovens que
vieram da montanha de Efraim, alegando que tinham vindo visitar seu senhor (2 Rs 5.22).
Devemos ter em mente que apenas um homem que
entrou no banquete do rei sem as vestes nupciais foi expulso sem misericórdia (Mt 22.11-13). O profeta Sofonias adverte que ninguém deve comparecer naquele dia (por inferência) sem as vestes reais: “ E acontecerá que no dia do
sacrifício do Senhor, hei de castigar os príncipes, e os filhos
do rei, e todos os que se vestem de vestidura estranha” (Sf
1.8). Evidentemente, essa passagem aponta para o grande
dia do Senhor, mas, de certo modo, deve ser aplicada aqui
também.
Portanto, prezado leitor, somente as vestes da justiça
de Cristo prevalecerão naquele dia; o mais tudo será rejeitado (Ap 3.18).
2. A Ceia das Bodas
A ceia das bodas do Cordeiro, serão para cumprimento das palavras de nosso Senhor quando se encontrava no
“ cenáculo mobiliado e preparado” . Numa expressão e gestc
de quem estava dando um “A té breve” a seus discípulos,
Ele disse: “ ...até aquele (nas bodas) dia em que o beba de
novo convosco no reino de meu Pai” (Mt 26.29).
47
Esta celebração da ceia terá lugar somente no final
das bodas (sete anos depois do arrebatamento). Esta ceia
será para lembrar a morte de Cristo! Ela deve ser lembrada aqui e na eternidade. Ela (a ceia) teve lugar “ num cenáculo mobilado e preparado” . Seu início marcou a última
noite do ministério terreno do Filho de Deus (Mt 26.28,29).
Foi a única coisa que o Senhor Jesus “ desejou” fazer
nesta vida (Lc 22.15). A páscoa no antigo Pacto e a Ceia no
Novo, apontam para uma mesma coisa: a morte de Cristo!
A primeira, estava distante da outra cerca de 1500 anos, e
tinha um caráter prospectivo - apontava para a cruz de
nosso Senhor; a segunda, a Santa Ceia, tem um caráter retrospectivo - apontando também para a morte do Salvador.
a. A Páscoa judaica encontra seu cumprimento e seu
fim na vida, morte e ressurreição de Cristo. O Cordeiro de
Deus substituiu o Cordeiro pascal, o livramento do jugo
egípcio corresponde à libertação da escravidão do pecado.
Doravante o corpo de Cristo nos será dado por nutrição e
seu sangue nos guardará contra o malho destruidor do anjo
da morte.
Assim Cristo retorna ao passado e o vivifica através de
sua morte a memória da Páscoa. O Passado da morte é dedicado à vida, e a memória é arrebatada pela esperança,
nas palavras solenes: “ ...Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Co 5.7).
b. A Ceia do Senhor inicia uma nova era e aponta para
uma obra já consumada. Podemos observar que “ duas festas uniram-se na celebração do Senhor” .(28) E, nossa
lembrança nos levará agora para a tarde sombria que antecipava o “dia da m orte” de Cristo; nesse cenáculo deu-se
um acontecimento notável; a festa pascoal foi solenemente
encerrada (Lc 22.16-18), e a Santa Ceia instituída com
igual solenidade (Compare-se Lucas 22.19-21).
Sobre essa mesa terminou um período e começou outro; Cristo era o cumprimento de uma ordenança e a consumação da outra. A Páscoa agora tinha servido a seu propósito, porque o Cordeiro que o sacrifício simbolizava ia
ser morto no dia seguinte. Por isso foi substituída por uma
48
nova instituição, apresentando a verdadeira realidade do
Cristianismo, como a páscoa tinha apresentado a do judaísmo. Mas nosso Senhor falou também de “ uma ceia futura” , e agora, seu cumprimento está em foco!
c. O livro do Apocalipse encerra “ sete bemaventuranças” , e cada uma delas, com significação especiai:
1) “ Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as
palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão
escritas; porque o tempo está próximo” (Ap 1.3).
2) “ Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito para que descansem
dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Ap 14.13).
3) “ Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda os
seus vestidos, para que não ande nu, e não se vejam as suas
vergonhas” (Ap 16.15).
4) “ Bem-aventurados aqueles que são chamados à
ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (Ap 19.9).
5) “ Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na
primeira ressurreição: sobre estes não tem poder a segunda
morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão
com ele mil anos” (Ap 20.6).
6) “ Bem-aventurado aquele que guarda as palavras
da profecia deste livro” (Ap 22.7).
7) “ Bem-aventurados aqueles que lavam suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas” (Ap
22.14). Todas estas “ bem-aventuranças” recairão sobre
aqueles que foram arrebatados por Jesus e a quarta, é específica: para aqueles - os chamados à ceia das bodas do
Cordeiro.
d. Ao encerrar a Santa Ceia naquele cenáculo, nosso
Senhor falou de uma outra com caráter escatológico, quando disse: “ digo-vos que, desde agora, não bebereis deste
fruto da vide até aquele dia (nas bodas) em que o beba de
novo convosco no reino de meu Pai” (M t 26.29).
A ceia do cenáculo marcou o término da missão terrena de Jesus (terrena aqui significa na esfera terrena) e deu
49
início à sua missão celestial (Jo 17.4,11,13). Após a celebração daquela ceia, Jesus “ desceu” para 0 sombrio vale
da batalha; de igual modo, também, após a celebração da
ceia das Bodas, ele “ descerá” para o sombrio vale do Armagedom (Ap 19.11 e ss), a fim de terminar com aquela
grande guerra e a seguir, estabelecer seu reino milenar. Por
isso se faz necessário que esta 4? “ bem-aventurança” recaia sobre aqueles que levaram o vitupêrio de Cristo em
qualquer tempo ou lugar.(29)
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50
O Horn, Corp, Aim, e Esp. S. P. S. 1988
Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
Dr. G. Goodman. Not. D iárias
op. cit. G. Goodman. Idem
Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
5
A Invasão Russa
1. A invasão de Gogue
As Escrituras predizem que no tempo do fim, a exempio do passado, quatro grandes poderes se levantarão sobre
a terra. Os quatro poderes que Daniel presenciou (7.1 e ss)
levantando-se do mar (Babilônia, Medo-Persa, GrecoMacedônio e Roma Imperial), serão revividos novamente
no fim do tempo. Estas potências, poréifí, trarão outros nomes, tais como:
O poder do Norte (Ezequiel capítulos 38,39); O poder
do Sul (Daniel capítuloll.40); O poder do Oriente (Daniel
capítulo 11.44 e Apocalipse 16.12); E o poder do Ocidente 0 Império Romano (Apocalipse 13.1 e ss). Um destes poderes, porém, que estudaremos à luz do contexto, é Gogue - o
poder do Norte.
a.
“ A próxima guerra não será com os árabes, mas
com os russos” declarou em 1968 o General Moshe
Dayan.( °)
Gogue tem sido identificado, de variados modos, por
historiadores tanto do passado como do presente. Alguns
já tentaram identificá-lo com Giges, rei da Lídia, que é
51
chamado Gúgu nos registros do Monarca Assurbanipal, e
com o nome geográfico, Gagais, referido nas cartas de Tellel-Amanna como país de bárbaros. Nos escritos de Ras
Shamra achou-se um deus, Gaga, identificação esta que
também tem sido sugerida como identificação para o comandante do N orte.(11)
Em Ezequiel capítulos 38,39 fala-se de Gogue, Magogue, Mezeque e Tubal. Mezeque e Tubal são nomes associados e eram tribos da Ásia Menor, conhecidas pelas suas
inscrições cuneiformes (forma de cunha) e pela História de
Heródoto, onde aparecem juntas como Moscoi e Tibarenói.
O doutor C. I. Scofield diz que “ Gogue é o príncipe e Magogue a sua terra” .( 12) É a panela a ferver, cuja face está
para a banda do Norte - norte de Israel (Jr 1.13).
Heródoto, historiador grego do Século V a.C., mencionou Mezeque e Tubal, identificando-os com os povos chamados muschovitas, que viviam naquela época na antiga
província do Ponto, no Norte da Ásia Menor (cf. 2 Rs
17.24). Segundo seus escritos, Mezeque e Tubal ficavam,
provavelmente, a leste da Ásia Menor, usualmente identificados como sendo Frigia e Capadócia.
b. Já Flávio Josefo, historiador judaico do Século I
d.C., afirma que estas regiões ocupadas por essas tribos,
correspondem aos antigos citas e tártaros, que são os russos. Mezeque converteu-se em Moskva (Moscou), como
diz em russo, e Tubal é o moderno nome de Tobolsk.( ) O
profeta Ezequiel parece ter bastante conhecimento e intimidade com esse povo e descreve Gogue como sendo o
“ ...príncipe e chefe de Mezeque e de Tubal” (Ez. 38.3).
A palavra “ chefe”. É o vocábulo hebraico “ rõ’s” =: que
se traduz por “ pico” ou “ cabeça” de alguma coisa.
O doutor Wilhelm Gesenius, erudito hebreu do Século
X IX , discute este vocábulo no seu Léxico Hebraico. Mezeque, diz o grande sábio, foi fundador dos mosquis, povo
bárbaro, que habitava nas montanhas mosquianas” . Mais
adiante, em outro trecho de seu Léxico ele diz “ o nome grego (‘mosquis1), derivado do termo hebraico Mezeque, é de
onde procede o nome da cidade de Moscou. E Tubal, diz o
doutor Gesenius, é filho de Rafete, fundador dos Tibare52
nói, povo que habitava no mar Negro a oeste dos Mosquis” . ( 14)
c. Durante séculos, muito antes que os atuais acontecimentos pudessem influir nas idéias dos intérpretes, reconheceu-se que a profecia de Ezequiel a respeito do poder
do Norte se referia à Rússia. O doutor John Cumming, escrevendo há mais de um século (1864), disse: “ Esse comandante do Norte imagino à luz da Palavra divina que
seja o autocrata da Rússia. A Rússia ocupa um lugar, e de
muita importância na palavra profética, isto tem sido admitido por quase todos os expositores da Bíblia” .( 5)
Podemos, portanto, deduzir que o nome Gogue é o
nome que simboliza o chefe desta nação, e como diz Scofield: “ Gogue é o príncipe e Magogue é a sua terra” . O profeta Ezequiel dá bastante ênfase ao significado do pensamento, dizendo por três vezes que essa potência inimiga de
Israel viria do “ Extremo Norte” (38.6,15; 39.2). Se o leitor
tomar um globo e percorrer com o dedo em direção ao norte
a partir de Israel, verá que ele atinge diretamente o meio
da Rússia.
d. A Versão Inglesa do Rei Tiago (King James) aproxima o sentido do pensamento. A Revised Standard e Amplifield Version dão porém o sentido mais acurado. Isto é,
traduzindo o vocábulo hebraico “ Norte” qualificativo de
“ Norte” como “ Extremo Norte” . Todos nós sabemos a
quem esta profecia se refere. É à Rússia.
O escritor do Pulpit Commentary considera que o termo “ rõ’s” bastante discutido, ocorre 456 vezes no Novo
Testamento, e nunca é traduzido como nome próprio e,
sim, por “ pico” ou “ cabeça” de alguma coisa.
O nome “ Rússia” provém do finlandês, e significa “ remadores” , enquanto que “ rõ’s” é um termo hebraico, e
quer dizer “ chefe” .( 16)
2. Uma invasão sem motivo
Alguns eruditos acham que a profética invasão à Terra de Israel por forças do Norte deve preceder “ o arrebatamento da Igreja” . Já outros, porém, acham que não.
Alguns intérpretes são de opinião que ela se dará logo
após o retorno de Cristo à terra para o arrebatamento da
53
Igreja. Razão porque isso apressaria sua Vinda (Parousia)
à Terra, com poder e grande glória.
Pensando nisso, no dia 28 de novembro (1983), 25 judeus ortodoxos foram a Hebrom, para interceder diante de
Deus junto ao túmulo de Abraão para que “ a chegada de
Gogue e Magogue” à Terra Santa ainda seja adiada, pois
alguns deles tiveram um sonho: “ Gogue e Magogue estariam prestes a vir” .
Já o rabino Chaim Valoshiner (século dezenove) declara: “ Quando virdes o exército russo começar a mover-se
para o Sul e entrar na Turquia, vesti as vossas roupas de
sábado e preparai-vos para receber 0 Messias” . O rabinochefe das cerimônias judaicas diante do Muro das Lamentações considera que não se deve orar pedindo o adiamento
de Gogue e, sim, a sua chegada à Terra de Israel. E pensando nisso, exortou que “ verdadeiros cabalistas não deveriam orar pelo adiamento da vinda das hordas do Norte
(Gogue e Magogue), mas pelo seu rápido aparecimento,
pois, assim, seria apressada a vinda do Messias” . ( 17)
As passagens bíblicas que tratam da vinda de Gogue à
Terra Santa apontam para o tempo do fim.
“ Depois de muitos dias serás visitado: no fim dos
anos...” (Ez 38.8a). Que anos são estes? Certamente aqueles que marcarão o tempo da Dispensação da Graça. Já no
versículo 16 do mesmo capítulo, diz que Gogue chegará à
Terra de Israel no fim dos dias. Um dos grandes problemas
que surgem no que diz respeito à invasão de Gogue é
quanto a sua posição na ordem cronológica dos acontecimentos.
Alguns comentaristas são de opinião que ela se dará
“ um pouco antes” do arrebatamento da Igreja; já outros,
porém, opinam que não, e, sim, se dará “ depois” . Os rabinos judaicos na sua maioria são de opinião que a invasão
de Gogue à Terra Prometida terá lugar na parte final da
Grande Tribulação e invocam (além de outras citações) a
passagem de Daniel 11.44, quando “ forças do Norte” seguirão em direção a Israel procurando se alojar sobre o
“ monte Sião” (Dn 11.45).
54
b.
Dois pontos importantes devem ser aqui observados
para uma melhor compreensão do significado do pensamen to:
1) Várias vezes na profecia em foco ela é atribuída ao
“ fim dos anos” (Ez 38.8) e aos “ fins dos dias” (Ez 38.16).
São expressões definidas que denotam a época que precede
os acontecimentos que marcarão o retorno de Cristo à Terra com poder e grande glória (sua Parousia) para estabelecer seu Reino Milenar.
2) Esta predição encontra-se num contexto que dá
uma seqüência cronológica definida dos acontecimentos.
Os capítulos 36 e 37, que antecipam os capítulos 38 e
39, falam da restauração final dos judeus à terra da Palestina, restaurados para não mais serem dispersos. Os capítulos 40 e 48, que sucedem aos capítulos 38 e 39, falam da
introdução e do decorrer da Era Milenar. Ora, a força do
argumento mostra-nos que esta possível invasão terá lugar
um pouco antes da introdução do Milênio sobre a terra. A
dispersão babilônica não foi muito prolongada nem pelo
mundo inteiro e, a promessa divina é uma restauração definitiva (Ez 37.23), e um repatriamento total da nação inteira (Ez 37.21). Mas devemos aguardar estes “ ...tempos
ou...estações que o Pai estabeleceu (para si) pelo seu próprio poder” . Pois Deus está velando sobre a sua Palavra
para cumpri-la! (Jr 1.12).
3. As suas congregações
O profeta Ezequiel apresenta uma lista parcial dos
antigos nomes de alguns povos e nações que ajudarão a Gogue nesta investida mortal contra a herança do Senhor (Ez
38.5,6). E numa outra lista, mostra-nos outros povos que
auxiliarão Israel no combate contra Gogue e seus aliados
(Ez 38.13).
a.
Persas - (Ez 38.5). Todas as autoridades hoje concordam, sobre qual país que atualmente é a Pérsia de outrora. É o Irã.
Sua posição geográfica: Sudeste da Ásia, com fronteiras ao norte com a União Soviética e com o mar Cáspio, a
leste com o Afeganistão e Paquistão,ao sul com o golfo Pérsico, e a oeste com o Iraque e a Turquia. ( ‘8) Na sua frontei55
ra com a União Soviética, já podemos ver nisso um “ território-ponte” para o tal assalto.
b. Etíopes - (Ez 38.5). A palavra “ Cuze” em Gênesis
2.13 e ss se traduz por Etiópia em outras versões. Verdade
é que alguns escritores renomados vêem aí uma outra Etiópia que se encravava entre o Tigre e o Eufrates, e não a
descrita em Atos 8.27.
Mas de acordo com o seu original de Ezequiel (38.5), a
palavra “ etíopes” quer dizer “ rosto tostado” (cf. Jr 13.23).
Ora, com esse sentido ela ocorre 21 vezes na Versão do Rei
Tiago (King James) e, isso reforça todo 0 argumento apontando para a Etiópia moderna que nós conhecemos. Os
etíopes (antigos abissínios) se orgulham de que seus imperadores sejam da linhagem de Salomão e da rainha de Sabá que, se segundo se afirma, foi a rainha Makeda de Aksum.( 9)
Sua posição geográfica: África Oriental. A Etiópia é limitada ao norte pelo mar Vermelho, a leste pelo Djibuti e
pela República da Somália, ao sul pelo Quênia, e a oeste
pelo Sudão.(40)
c. Pute - (Ez 38.5). No original hebraico a palavra
“ pute” se traduz por Líbia. Pute foi 0 terceiro filho de Cão,
e na distribuição geográfica das terras, coube-lhe a África
Negra como seu território (Gn 10.6). Os descendentes de
Pute migraram para a terra ao oeste do Egito, e se tornaram a origem das nações árabes do Norte da África, como a
Líbia (já citada), Argélia, Tunísia e Marrocos. A primeira
colônia de Pute foi chamada Líbia pelos historiadores antigos, Josefo e Plínio (Antiguidade Judaica e História Natural). A tradução grega do Antigo Testamento hebraico,
chamada Septuaginta (L X X ), traduz Pute por Líbia, em
250 a 280 a.C.
Sua posição geográfica: Norte da África. A Líbia limita-se ao norte com o mar Mediterrâneo e tem fronteiras a
leste com o Egito, a sudeste com o Sudão, ao sul com o
Chade e o Niger, a oeste com a Argélia e a noroeste com a
Tunísia.
d. Gômer - (Ez 38.6). Gômer foi o primeiro filho de Jafé e pai de Asquenaz, Rifate e Togarma (Gn 10.3) e na dis56
tribuição geográfica das terras, coube-lhe em herança uma
parte da Europa. 0 doutor Young diz que Gômer e seus
descendentes se estabeleceram no norte do mar Negro, e
daí para 0 sul e a oeste, até as extremidades da Europa. E
Josefo chamou os filhos de Asquenaz “ Reginianos” . Um
mapa antigo que pertenceu ao Império Romano localizava
Gômer e todas as suas tropas na área ocupada pela Europa
Oriental que está inteiramente atrás da Cortina de Ferro
(Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, etc).
Sua posição geográfica: Europa-Centro-Norte. A Alemanha Oriental é limitada ao norte pelo mar Báltico, a
leste pela Polônia, a sudeste pela Tchecoslováquia e a sudeste e oeste pela República Federal da Alemanha.(41)
e.
Togarma - Ez 38.6. Togarma vem citado em Gênesis 10.3 como sendo o terceiro filho de Gômer. Pelo direito
da bênção tribal, Togarma podia como neto de Jafé e bisneto de Noé morar em sua própria terra (A Europa), e habitar “ ...nas tendas de Sem” (Na Ásia), (Gn 9.27). Atualmente, Togarma compreende a nação turca da Ásia Menor, e sudeste da Europa.
Os gálatas da Ásia Menor foram chamados de gomeritos pelo historiador Josefo. Gômer foi, portanto o originador de muitas nações que estarão representadas no império
mundial desta invasão. Por isso Ezequiel diz: “ Gômer e todas as suas tropas” (38.6a).
Ora, Togarmo como filho de Gômer, tem a mesma linha genealógica. O comentarista do Whedon’s Commentary diz que, segundo afirmação de historiadores armênios,
sua nação foi fundada por Torgão, daí se denominarem
“ casa de Torgão” . Originalmente, os da “ casa de Togarma” habitavam na Armênia e na Ásia Menor, mas emigraram para a Europa pelo Helesponto, em eras muito remotas, e, de acordo com 0 historiador Salústio, espalharam-se
pelas penínsulas do Mediterrâneo, chegando até mesmo à
Espanha.
Sua posição geográfica: Atualmente (Togarma) a Turquia encrava-se na fronteira dos dois Continentes. A Turquia asiática (Anatólia) ocupa 97% da área total. A Turquia limita-se ao norte com o mar Negro, e nordeste com a
57
União Soviética, a leste com o Irã, ao sul com o Iraque,
Síria e o Mediterrâneo, a oeste com o mar Egeu e a noroeste com a Grécia e a Bulgária. Já a Turquia européia (Trácia Oriental) é separada da parte asiática pelo estreito de
Dardanelos, pelo mar de Marmara e pelo Bósforo.(4)־
Além destas nações mencionadas, as predições divinas pintam um novo quadro de outras nações inimigas que
auxiliarão a Gogue e suas hordas nesta investida mortal:
“ os que habitam seguros nas ilhas” (39.6).
1) A palavra “ ilha” ou “ ilhas” encontra-se cerca de 38
vezes nas Escrituras e, em alguns dos lugares onde aparece
o vocábulo “ ilha” pode ser traduzida para seu original
hebraico “ AI” .(4) Os antigos usavam esta palavra “ ilha”
(AI) como “ terra costeira” ou no sentido hodierno de continentes. Era termo designativo das grandes civilizações
gentílicas do outro lado do mar.
2) Estes habitantes das ilhas são vistos antecipados no
capítulo 38.6 como sendo “ ...muitos povos” , que podem referir-se a povos de todas as partes do mundo. Todos eles,
segundo se afirma, virão “ ...como uma tempestade... para
cobrir a terra” (a Terra de Israel) - (Ez 38.9).
4. A proteção divina
Ezequiel 38.17-23 mostra Deus se levantando com furor. Ele se indignará diante da invasão não-provocada, pelas hordas do norte, e lhes trará todos os tipos de desastres
naturais.
As armas de Deus usadas nesta batalha são: terremoto (Ez 38.20), a espada (Ez 38.21), peste e sangue (Ez
38.22). Como se isso não bastasse, mais quatro elementos
da natureza serão empregados por Deus: chuva torrencial,
saraiva, fogo e enxofre (Ez 38.22). Porém, é evidente que
Deus livra através de meios naturais e sobrenaturais. Assim a proteção divina será assegurada tanto por operações
divinas, como por operações humanas e, para auxiliar Israel Deus levantará outras nações que não concordarão
com Gogue e suas tropas.
a.
Seba - (Ez 38.13). Seba foi um neto de Cuse, o primogênito de Cão (Gn 10.6,7). De acordo com historiadores
58
antigos, 0 povo que descende deste nome emigrou para o
Sul da Arábia. “ O nome (Seba) associa-se com Sabá, país
do extremo sul (SI 72.10). Josefo chegou a identificar Seba
com a Ilha Meros, situada entre o Nilo e o Afluente Atbara... os hebreus conheciam-na com o nome de Cuse” .(44)
Hoje, na área que outrora fora ocupada por Seba, localizam-se o Iêmen e Iêmen do Sul.
Sua posição geográfica: Sudoeste da Península Arábica. O Iêmen é limitado ao norte e a leste pela Arábia Saudita, ao sul pelo Iêmen do Sul e a oeste pelo mar Vermelho.
Enquanto que o Iêmen do sul, sua posição geográfica
é: Parte sul da Península Arábica. O Iêmen do Sul é limitado ao norte pela Arábia Saudita, a leste por Omã, ao sul
pelo Golfo de Aden e a oeste pelo Iêmen.
Nos tempos clássicos era conhecida essa região como
Arábia Felix. Foi a sede de numerosos e opulentos reinos
mercantis. Um deles era Sheba ou Seba, que floresceu desde mais ou menos 750 até 115 a.C.(45) Os sabaneses ajudarão a Israel na intuição da memória de laços judaizantes
(cf. 1 Rs 10).
b. Dedã - (Ez 38.13). Os dedanitas são citados tanto
por Isaías (21.13) como por Jeremias (25.23). Esta nação
associa-se muito com os temanitas descendentes de Ismael
(Jr 49.7,8). Um dos amigos de Jó (Elifaz) pertencia à tribo
dos temanitas (Jó 2.11). “ Em tempos remotos, era composta, de duas tribos: uma de origem semítica, que habitava perto de Edom, e outra de origem cusita, que habitava
perto de Ramá. Essa tribo dedanita se estabeleceu na costa do Golfo Pérsico” .(46) Hoje, os dedanitas têm se fundido
em tribos árabes.
c. Társis - (Ez 38.13). Társis de acordo com Gênesis
10.4. era descendente de Jafé. “ Heródoto, historiador do
quinto século a.C., diz que a tribo que descende de Társis
se estabeleceu no sul da Espanha” . Alguns historiadores
modernos opinam que “ Társis” seja Gibraltar. Era o mais
distante porto conhecido de então. Foi para ali que Jonas
tentou fugir (1.3).
Gibraltar é uma minúscula península voltada para o
oeste do Mediterrâneo, na Espanha. Eleva-se de uma
59
planície arenosa até o famoso rochedo, de 425 metros de altura. Atualmente Gibraltar é uma colônia britânica. Outros historiadores, porém, acham que Társis corresponde à
índia, ao sul da Ásia Central. Seja como for, quando Deus
determinar, essa nação se levantará em favor de Israel.
Além das possíveis nações mencionadas, Deus levantará também outros povos que virão em socorro de Israel.
Essas potências são designadas pelo apelativo de “Leõezinhos” . Do ponto de vista divino de observação, o comandante do Norte (Gogue), enfrentará uma certa dificuldade
geográfica para alcançar a Terra de Israel. Então, como já
tivemos ocasião de ver, será necessário para seu auxílio “ uma terceira célula” que, a Palavra divina denominou de
“ ilhas” . Mas do ponto de vista moral, Deus não se deixa
vencer e, semelhantemente, acionará seus “ leõezinhos”
como represália. Dois pontos de vista devem ser aqui observados:
Primeiro: Geograficamente falando, esses “ leõezinhos” podem e devem simbolizar as “ pequenas tribos”
que margeiam as nações já mencionadas na seção anterior;
Segundo: Escatologicamente falando, eles apontam
diretamente para algumas das potências atuais, tais como:
Estados Unidos da América do Norte, Grã-Bretanha e outros países do mesmo porte.
5. O reflexo do argumento
Na descrição geral da potência ao ato, mostra que Gogue ainda que poderoso, não poderá destruir a herança do
Senhor, pois a exemplo de Faraó que numa outra profecia,
descreve-se como sendo um “ grande dragão” (Ez 29.3), ele
entrará na Terra Santa já “ arpuado por Deus” e como um
grande peixe voraz, começa a “ voltear-se” , (Cf. Ez 39.2 e
ss). Em Ezequiel 38.7, diz que Gogue é um “ guarda” . A
palavra “ guarda” nesta seção significa “ ditador” . Veja
como as Escrituras são proféticas e se combinam entre si
em cada detalhe! Gogue é “ um príncipe” (Ez 38.2), mas
ainda não é rei. Talvez o seu intento, seja após esta conquista da Terra do Senhor, proclamar-se rei.
Finalmente tudo terminará com uma intervenção divina. Deus ordenará às forças selvagens da natureza e es60
tas sepultarão Gogue e suas tropas ali mesmo - num vale,
a leste do mar Morto (Ez 38.20; 39.11). Porém, como admoestação para o futuro, alguns corpos tombados jazerão
ao relento e, serão devorados pelas aves de rapina (Ez
39.17). Enquanto que seus restos mortais “ ...a casa de Israel os enterrará por sete meses, para purificar a terra” (Ez
39.12). Mas na destruição de suas armas gastarão um tempo mais logo que durará “ sete anos” (Ez 39.9).
a. Gogue metaforicamente. Na passagem de Apocalipse 20.7,8 lemos aquilo que segue: “ É, acabando-se os mil
anos, Satanás será solto da sua prisão. E sairá a enganar as
nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e
Magogue, cujo número é como a areia do mar, para ajuntar
em batalha” . O novo aparecimento de Gogue e Magogue
na passagem em foco não deve ser entendido como sendo o
mesmo por ocasião da invasão da Terra de Israel. Um está
distante do outro, pelo menos, mil anos.
b. Os nomes “ Gogue e Magogue” em Ezequiel capítulos 38 a 39, referem-se como já comentamos, aos poderes
do Norte chefiados pela Rússia. E, portanto, deve ser antes
do Milênio. A de Apocalipse 20.8, porém os nomes “ Gogue
e Magogue” são empregados metaforicamente para representar “ ...as nações que estão sobre os quatro cantos da
terra” .(47) E, portanto, só ocorrerá depois do Milênio.
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op. cit. Hal, L. 1981
Enuma Elish, III, linha 2.
Scofield, D r. C. I. (Scofield Reference Bible)
W. Gesenius. D. D., Heb, and Eng, Léxico, Séc, 19.
F. Josefo. Ant. Ind. Vol, I. 61, 1’ séc.
J. C. M. D., The Destiny of Nations. Londres, 1864
Ant, da Ult, B at, A. E. B. 1984
Apoc. Já . W. R. Goetz. 1982
Aim. Ab. 1986
op. cit. 1986
W. Gesenius. D. D., Heb, and Eng, Léxico, séc. 19.
Al Ab. 1986
op. cit. 1986
A. G. do P lant. Ter. 1981
F. Josefo. Ant. Jud. 2. 10. 2, séc. I.
Aim. Ab. 1986
op. cit. 1986
Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
61
6
O Período de Dor
1. A Grande Tribulação
“ Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual
nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou,
até agora, nem jamais haverá” (Mc 13.19).
Logo após o arrebatamento da Igreja se desencadeará
um período sombrio de sofrimento sobre a humanidade
que os escritores tanto do Antigo Testamento como do
Novo Testamento, denominam de “ Grande Tribulação” .
O vocábulo “ tribulação” ocorre por dezenas de vezes, em
ambos os Testamentos. Mas é no Novo Testamento que
encontramos maior luz projetada sobre o problema do sofrimento e da tristeza do homem. O termo grego, que traz
em si a idéia de pressão, como se houvesse uma grande carga posta sobre o espírito, é “ thilipsis” , que noutras passagens do Novo Testamento, também é traduzida como Aflição, Angústia, etc. O termo português se deriva do latim
“ tribulum” , ou instrumento de destorroar o restolho, mediante o qual o lavrador separava o “ trigo de sua palha” .(48)
63
a. A “ Angústia de Jacó” . Este sombrio tempo de angústia é ocasionado concomitantemente com referências
escatológicas, como são vistas em Isaías 16.5; 26.20; Jeremias 30.7; Daniel 12.1; Mateus 24.21 e ss; Marcos 13.19; 2
Tessalonicenses 2.6 e ss; Apocalipse 3.10; 7.14, etc. Os
acontecimentos que se relacionarão durante esta angústia
sem precedentes na história humana, estão narrados nos
capítulos 6 a 19 do livro do Apocalipse.
Sua duração de “ sete anos” é calculada pelo estudo da
passagem de Daniel 9.24-27 e de outras passagens similares. Todos esses acontecimentos (que agora estão ocultos e
ali revelados), terão lugar, logo “ após” o arrebatamento da
Igreja por nosso Senhor Jesus Cristo (1 Co 15.51,52; 1 Ts
4.14-17).
b. As condições da Grande Tribulação são:
Primeiro: O reinado cruel da Besta que “ subiu do
mar” (Ap 13.1 e ss).
Segundo: A atividade de Satanás, tendo grande ira, e
agindo numa escala suprema de destruição (Ap 12.12 e ss).
Terceiro: A grande atividade de demônios emergidos
do “ poço do abismo” (Ap 9.1 e ss). A introdução desta angústia sobre a terra será de repente, inesperada, sobre todos os moradores da terra, numa ocasião quando disserem
“ Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e
de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5.3b). Aquele dia virá
como uma destruição do Senhor. Isso está predito em toda
a extensão da Bíblia, tanto nos ensinos dos profetas, como
nos ensinos dos apóstolos. E, de um modo particular, nos
ensinos de Jesus. Ela virá como um fogo abrasador. Será
um dia de angústia e de aflição sem igual: será o dia (por
extensão) da “ ...vingança do nosso Deus” , conforme está
escrito!
c. Este tempo começará sobre a terra com o rompimento dos selos. Eles serão a introdução dos grandes acontecimentos que terão lugar durante os sete anos de tribulação. Porém a Noiva do Cordeiro não passará por tais acontecimentos (Ap 3.10); ela subirá ao Céu, antes que as
“ sombras caiam” (Ct 2.17).
64
A Igreja desaparecerá da terra 3 capítulos antes da
Grande Tribulação e, só reaparecerá 3 capítulos depois (cf.
Ap 3.22 e 22.16). Portanto, fica evidenciado que ela não
passará pela Grande Tribulação.(49)
2. Será um tempo de ira
“ E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas. E diziam
aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos
do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira
do Cordeiro. Porque é vindo 0 grande dia da sua ira.
(Ap
6.15-17b).
Outros textos bíblicos similares mostram-nos que a
ira de Deus pode manifestar-se cada dia. Virá, porém, um
dia particular reservado à manifestação da ira divina, o
dia do Senhor, conforme está predito, será o dia da ira e da
indignação divina (Ez 7.19; Sf 1.15,18; Mt 3.7; Lc 21.23;
Rm 2.5; 1 Ts 1.10; Ap 6.17; 11.18 e ss). Devemos, porém,
ter em mente cada detalhe do irrompimento da ira divina
durante o sombrio tempo da Grande Tribulação: seu sentido natural, divino e escatológico ao mesmo tempo.
a.
O papel da ira divina no Antigo Testamento é de
muito maior significância. Repetidas vezes diz que Deus é
um Deus zeloso e irado em aversão ao pecado. Sua ira pode
ser apresentada em termos bem drásticos (SI 2.5; Is 13.13;
30.27,28; Jr 30.23,24). O encontro do homem com o que é
santo poderia ser perigoso (Gn 32.25; Êx 4.24; 19.9; Is 6.5),
mas esse perigo seria afastado se houvesse arrependimento; isto porque a ira de Deus deve ser vista como expressão
da sua santidade e retidão.(50)
Ela. às vezes, indicava a natureza pessoal e viva do
zelo de Deus, cujos caminhos são além do homem. Alguns
textos exemplificam a força deste argumento (Gn 32.23 e
ss; Êx 4.24 e ss; 1 Sm 26.19; 2 Sm 16.10 e ss; 24.1). Esta ira,
porém é cercada pela experiência da vontade de Deus na
aliança, em justiça e am or.(’1)
Em termos técnicos: “ O dia do Senhor” é tomado (por
extensão) para expressar o significado do pensamento du
65
rante o sombrio tempo da Grande Tribulação (Is 2.12-19;
13.9-13; 26.20,21; 34.1,2,8; Ez 30.2,3; J1 1.15; 2.1-3; 30-32;
3.12-16,18; Am 5.18-20; Ob vv. 15 a 17; Sf 1.14,15.17; Zc
12.2,9,10; 14.1-5,8,9,20; Ml 4.1-3; 1 Ts 5.2,3; 2 Ts 2.2 etc).
b. Na Bíblia esta era escatológica e designada por várias expessões, tais como: “ dia” , “ hora” , “ tempo” , etc.
Em Malaquias 4.1: “ Aquele dia” ; em Daniel 12.1; “ Naquele tempo” ; e em Apocalipse 3.10: “ Hora da tentação” .
A expressão “ no fim dos dias” (BEAHARIT HAYAMIM = Dn 10.14) é usada nas obras proféticas do Antigo
Testamento como fórmula escatológica (Is 2.2; Jr 23.20;
48.47; 49.39; Ez 38.16; Os 3.5; Mq 4.1) que caracteriza 0 final do tempo presente e engloba os eventos imediatamente
anteriores (Ez 38.16). E posteriormente a esse final (Is 2.1
e ss e outros). Em Jeremias 31.1 ela se apresenta sob a forma conhecida de Daniel 12.1: “ naquele tempo” (Β Α Έ Τ
HAHI), em Ezequiel 38.18 sob a forma “ naquele dia”
(BAYON HAHU).
O termo “ dia do Senhor” , ou YOM YAHVÉM, aparece no Antigo Testamento apenas em passagens restritamente relacionadas com o tempo da angústia de Jacó (Jr
30.7). A noção associada a esse tempo provém da tradição
da guerra santa e permite reconhecer os seguintes elementos básicos que expressam o sentido de cada argumento:
em futuro próximo Deus haverá de intervir na história de
Israel com armas destruidoras: armas mortais ((Is 13.6; Ez
7.7,10,12; J11.15; 2.1; Ob v 15; Sf 1.7-14) mas esta ira será
extensiva a outros povos (Is 13.6 e ss; 34.1 e ss; Jr 46.10; Ob
v 8 e ss; Zc 14.1 e ss).
c. Vingança e devastação na ordem do dia (Is 22.5;
34.8 e ss estão; Ez 7.12 e ss; Sf 1.8 e ss; 2.4 e ss; 2.4 e ss), até
mesmo a ordem do mundo é abalada pela influência dos
tais acontecimentos (Is 13.10; 34.9 e ss; Ez 30.18; J1 2.1;
3.4; Zc 14.6 e ss). Conclama-se à luta para que Deus tome
vingança (Is 13.2; Jr 46.3 e ss; J1 3.9 e ss; Ob v l e ss); medo
e extremo terror (Is 13.7; J1 2.6), dores e convulsões (Is
13.8) acometerão as pessoas, aflições virão sobre elas (Sf
1.15) e suas mãos desfalecerão (Is 13.7; Ez 7.17).
66
A impressão de que essa fórmula terminológica descreve o dia do Senhor ainda é confirmada pelo fato de, nos
textos em que ela aparece expressamente com YOM HAHVÉH. Indica “ naquele dia” - isto é: futuro (Is 2.12,17,20;
Ez 30.3,9; Sf 1.7,8,9,10).
Passagens também tais como Isaías 22.5,8,12 e Zc
14.1,4,6,8,13,20,21, expressam também o mesmo sentido.
Em algumas veisões comentes os ־verbos e aàvéibios deixam entrever entre linhas as seguintes expressões:
“ Dia da consternação” (Ez 7.7); “ dia da ira do Senhor” (Ez 7.19: Sf 1.15: 2.3): "dia do sacrifício do Senhor”
(Sf 1.8): “ dia da vingança" (Is 34.8; 63.4); “ dia de nuvens
tenebrosas" (Ez 30.29 - A "hora dos pagãos” ); “ dia da aflição" (Ob w 12.14; Sf 1.14,15); “ o ano da represália” (Jr
46.10). Da mesm forma pode ser aludido a esse dia através
do plural "naquele dia” , para “ naqueles dias” (J1 3.1); e finalmente através de uma expressão que já em Jeremias
4.11 estivera em paralelo a “ naquele tempo” e que é conhecida em Daniel quinze vezes: “ o tempo do fim” = “ naquele
tempo” (Β Α Έ Τ HAHI = J1 3.1; Sf 1.12; 3.19,20).
A reprodução de YON YAHVÉH por “ tempo” (Έ Τ )
segundo Zimmerli, está documentada principalmente por
Ezequiel no capítulo 7.(52) Sinônimo de “ está próximo”
respectivamente: “ É chegado o dia” e a formulação “ é
chegado o tempo” (BA Η Α Έ Τ = 7.7,12 = Ezequiel). Esse
tempo é para os profetas o' “ tempo do castigo” (BET
AVON QES = 21.30,34; 35.5 = Ezequiel - “ tempo da extrema iniqüidade).
Todos esses termos e seus correlates apontam por referências ou inferências para o período sombrio da Grande
Tribulação. Nosso Senhor, em seu imortal ensino, sempre
usou, a expressão dia no plural: “ ...logo, depois da aflição
daqueles dias...” (Mt 24.29; M c 13.19,24, etc).
d.
Em algumas seções da Bíblia (especialmente no
Antigo Testamento), a ira divina é retratada como “ ira natural” . Ira descarregada apenas entre filho e pai; Deus se
ira contra Moisés por sua relutância em não o atender (Êx
4.14, etc); porém, é evidente que a ira divina propriamente
dita é (e vai) além disso, por três razões importantes:
67
Primeiro: sua ira natural vista no contexto paterno, se
ira, castiga, mas não destrói.
Segundo manifestada sua ira visando a uma punição é
sempre contra as nações (Is 10.25; 13.3; Jr 50.13; Ez 30.15;
Mq 5.14). Vem sobre todos aqueles que o abandonam (Ed
8.22) ou aqueles que são literalmente ímpios (=sem Deus).
Não cai sobre os homens sem advertência prévia (Êx
22.23,24; 32.10; Dt 6.13 e ss). Jeremias adverte que Deus
derrama sua ira sobre os desobedientes (Jr 7.20)
Pronuncia-se julgamento sobre os ímpios e sobre nações inteiras, enviando a espada, a fome e pestilência (Ez
6.11 e ss), a destruição (Is 63.6 = esta porém é técnica para
o futuro; Hc 3.12), aniquilação - devastação (Dt 29.22; Jr
25.37,38); despovoamento (Jr 50.13), dispersão (Lm 4.16, e
queima da terra (Is 9.18,19). Na concepção do profeta
Oséias (13.11) classifica-se esta ira divina até sobre monarquia.(51)׳
Porém, dada a fraqueza hum ana e a supremacia de
Deus, esta ira não precisa durar para sempre. Repetidas
vezes ela é declarada como durando só um “momento!” .
(Cf SI 30.6; Is 26.20; 54.7; etc.)
Terceiro: Agora chegamos no verdadeiro estado de ira
divina. Ela é então, declarada no Novo Testamento com
predições escatológicas = Ira Futura (1 Ts 1.10). No Apocalipse, thym os significa quase que exclusivamente a ira
divina. O quadro da ira de Deus (oinos tou thim ou) é uma
expressão m arcante do julgamento divino (Ap 14.10;
16.19; 19.15) que o homem precisa beber; somente o ímpio
o sorverá, por assim dizer. A expressão vem do Antigo Testam ento (cf Jr 25.15-28). As expressões “lugar da cólera de
Deus” (Ap 14.19) e “taças da ira de Deus” (Ap 15.7; 16.1)
tam bém são termos semelhantes. Observemos:
1)
T H IM O S. A palavra grega “thimos”, que significa
“um irrom pim ento de ira” emprega-se para a ira de Deus
em nove das dezenove vezes que aparece no Novo Testamento, todas as nove vezes estão no livro do Apocalipse,
onde a ira divina é retratada ferindo somente os ímpios
(ver 11.18; 14.8, vem sobre Babilônia; em 14.19; 15.1, vem
68
sobre os exércitos em Armagedom; em 15.1,7; 16.1,19, vem
sobre os habitantes da terra).
2)
ORGÉ. Esta segunda palavra, conforme declara o
termo, significa “um estado firme de ira” .(54)
Emprega-se também a respeito da ira de Deus cerca
de vinte e sete vezes no Novo Testamento. No texto do
Apocalipse 6.17, ela aparece como sendo a “ira ” de Deus e
a “ira” do Cordeiro. Esta ira de Deus e do Cordeiro (nunca
ocorre para o Espírito Santo), não indica alguma emoção
violenta; antes, sugere um termo técnico para julgamento
de forma versátil sobre seus inimigos. Paulo, chama esta
ira de “ira futura"’ (1 Ts 1.1) - E acrescenta: “Jesus... nos
livra da ira futura” . No Armagedom, Deus está em foco
como um guerreiro vingador: suas palavras ali são solenes:
“ ...os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor...” (Is
63.3). Prezado leitor, prepara-te para a eternidade! Se não
o fizeres - recairá sobre ti como assegura o vaticínio: “ ...indignação e ira aos que são contenciosos, e desobedientes à
verdade...” (Rm 2.8, etc).
3. A Igreja passará pela Grande Tribulação?
“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir
sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”
(Ap 3.10). A passagem em foco e outras similares tanto do
Antigo como do Novo Testamento, indicam que a Igreja do
Senhor jamais passará pela Grande Tribulação. É evidente que, para aqueles que advogam que a Igreja deve passar
por este período crítico de angústia, fazem sua defesa no
significado da preposição “E K ”.
Esta preposição “ek” leva os intérpretes a uma interpretação literal de “sair de dentro” . Refutando, assim, a
interpretação pré-tribulacionista do presente versículo.
Para a Igreja “emergir de dentro” da hora da tentação,
deve (segundo este conceito) ter estado presente durante
aquela hora. Mas essa forma de interpretação, não combina com a tese e argumento principal da natureza do pensamento da natureza do pensamento das Escrituras, por vários motivos:
69
a. Ora, usando-se a preposição gramatical de: “ek e
apo” (fora de) reforça 0 conceito geral das demais Escrituras. A referência direta deste versículo qualquer estudioso
sabe que se refere à “ hora” da Grande Tribulação, que de
um certo modo envolverá todo 0 mundo, e, na sua fase final, terá como alvo a cidade de Jerusalém e a Terra Santa.(׳
w)
Assim as palavras: “ ...eu te guardarei da hora da tentação” indicam que a Igreja não passará por aquela aflição
sem precedentes na história humana que, cronologicamente falando, terá a duração de sete anos.
A Igreja desaparecerá silenciosamente antes, mediante o arrebatamento (1 Ts 4.14-17).
Depois, virá a Grande Tribulação, para “ tentar” os
que habitam sobre a terra. Nas palavras de Jesus à igreja
de Filadélfia e nas de Paulo à igreja de Tessalônica, fica
evidenciado o livramento para a Igreja, da Grande Tribulação.
b. A palavra “ da” significa “ para fora de” e em si traz
a idéia de ser guardado da tribulação (não meramente conservado através dela, como alguns asseveravam). Ora, se a
Igreja estivesse destinada a passar pela Grande Tribulação, uma coisa seria certa; em lugar de ler-se: “ ...eu te
guardarei da hora da tentação” , ler-se-ia: “ ...eu te guardarei na hora da tentação” . E, além do mais, Paulo teria dito: “ ...Jesus, que nos livra na ira futura” , e não da ira futura” (1 Ts 1.10). Nossa solene convicção, portanto, é: A
Igreja não passará pela Grande Tribulação (cf. Ct 2.17; Is
26.20 - por inferência; Ap 3.10 - referência).
A entrada de Noé na Arca do dilúvio (Gn 7.1,4,7,10 e
ss), a saída de Ló de Sodoma (Gn 19.12 e ss), e o paralelismo de Êxodo 14.15 e ss; Josué 4.18; Salmo 136.14,15 ilustram a confirmação do argumento apresentado nesta seção.
4. Haverá salvação durante a Grande Tribulação?
Esta pergunta freqüentemente é feita pelo povo de
Deus. Então haverá possibilidade de salvação durante o
período da Grande Tribulação? Respondemos qye sim: haverá!
70
É claro, portanto, que haverá santos de Deus durante
o período crítico desse sofrimento, porém, não serão
“ membros do Corpo de Cristo” (a Igreja da Graça), pois
este é constituído por aquele grupo que pertenceu à Dispensação da Graça. Serão crentes individuais, como nos
tempos do Antigo Testamento e, mediante dois dispositivos (o sangue e a fé), serão capazes de testemunhar acerca
de Cristo e de sua Redenção.
Participarão do reino e gozarão das bênçãos do Senhor, de maneira maravilhosa, mas não serão incluídos no
Corpo de Cristo, o qual ocupa um lugar bem distinto através de toda a eternidade.(56)
a. Todas as referências ao Cordeiro de Deus no Apocalipse implicam em expiação de sua morte. O arrebatamento da Igreja não limitou todos os métodos da Redenção do
Deus Todo-poderoso. Ele sempre teve (e sempre terá)
“ ...seu caminho na tormenta” (Na 1.3).
Na passagem do Apocalipse 7.9 e ss está pintada uma
vasta multidão que se diz ter “ vindo da Grande Tribulação” . “ Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão,
a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos,
e povos, e línguas...” (57) Devemos ter em mente que esta
vasta multidão que se declara aqui ser “ ...de todas as nações” , não deve ser confundida com Israel e a Igreja. Este é
o poderoso ajuntamento de almas que predissera o profeta
Joel ao dizer que no “ dia do Senhor” todo o que invocasse o
seu nome seria salvo (J1 2.30-32; At 2.16-21).
b. Esta grande multidão vista nesta seção, clama agora “ salvação a Deus e ao Cordeiro!” Na antevisão (Ap 6.911), a cena se desenrola na terra: visto que, aquelas almas,
mesmo debaixo do altar divino, clamavam por vingança!
Aqui, porém, a cena tem lugar no Céu. Na terra, durante a
Grande Tribulação, sofreram toda a tirania do Anticristo.
Agora, porém, tudo é inverso! Evidentemente, sem
sombra de dúvida, são os convertidos da Grande Tribulação que são vistos aqui e em outras seções que se seguem.(58)
71
c. Ora, durante o tempo da Dispensação da Graça (antes do arrebatamento da Igreja), a salvação era analisada a
posteriori.
Este argumento consiste em partir dos “ efeitos para as
causas” ; das conseqüências ou princípios particulares
para os gerais ou causas primeiras. É, portanto, um processo indutivo. Mediante esta fórmula, o pecador arrependido partia de uma premissa menor (o arrependimento)
para uma premissa maior (o aperfeiçoamento) chegado até
sua glorificação. Porém, segundo se depreende, com o arrebatamento da Igreja, essa fórmula inverte seu padrão, isto
é, ao invés de “ a posteriori” (do efeito para a causa), agora é
visto a priori.
Este argumento consiste em partir das causas para os
efeitos; dos princípios gerais para os particulares ou para
as conseqüências. Este princípio também é chamado de
“ dedução” ou “ inferência” . Ora, durante a Grande Tribulação, os homens (que olharem para Cristo) serão salvos,
não pela ação direta da graça, e, sim, pelo seu efeito!(59)
d. “ ...estes são os que vieram da grande tribulação”
(Edição Revista e Atualizada). Esta grande seção, e outras
similares contêm a resposta à pergunta de João feita no
princípio ao Ser superior: o ancião (Ap 7.13). Este ancião
pode ser igual a João, mas na esfera celestial tornou-se
maior! (cf. 1 Jo 3.2). Ele então lhe responde sem hesitação:
“ ...são os que vieram da grande tribulação” .(60)
Assim, a Grande Tribulação, segundo Scofield interpreta na Bíblia, “ será, também, um período de salvação.
A eleição de Israel é selada para Deus (Ap 7.4-8), e,
com uma multidão de gentios (Ap 7.9 e ss), é declarada ter
vindo “ da grande tribulação” (Ap 7.14).
“ Esta seção revela que, mesmo fora da Dispensação da
Graça, pode haver salvação, mas sempre baseada na morte
expiatória de Cristo. A Justiça de Deus se exerceu sobre o
Cordeiro, e só através da cruz pode o homem, em qualquer
circunstância, alcançar o perdão” .(61)
A idéia apresentada no que diz respeito à salvação do
homem, agora e depois, combina diversos elementos encontrados na pessoa de Cristo, e o que Ele significa em to72
das as épocas, tenciona transmitir a idéia de que Cristo é
tudo em todos agora e na eternidade! Mas ninguém deve
valer-se de sua misericórdia para permanecer indiferente.
Pois em qualquer época ou lugar, existiram salvos e perdidos (cf. Mc 16.16; Rm 11.18-21).
('*) O Nov. Die. da Bibl. II Vol. 1983
( ) ״Apoc. v. p. v. S. P. S.
1987
( '·) Apoc. v. p. v. S, P. S.
1987
(") W. Eichrodt, RGG-3, IV, 1930
( ’) Z. Ezequiel. p. 165
( )נApoc. v. p. v. S. P. S. 1987
( ‘) Scofield, D r. C. I. (Scofield Reference Bible)
('') Apoc. v. p. v. S. P. S.
1987
(■'■*) Scofield, Dr. C. I. (Scofield Reference Bible)
( )זApoc. v. p. v. S. P. S.
1987
( ■*) Apoc. v. p. v. S. P. S.
1987
( '*) Apoc. v. p. v. S. P. S.
1987
(“) op. cit. 1987
(“ ) op. cit. Scofield
73
7
A Construção do Templo
1. A Construção do Templo Pré-tribulacionista
Realmente tem havido muitas especulações e debates
sobre a hipótese do Templo que será erguido e por quem
será erguido (o Anticristo ou os judeus?) no local onde se
encontram as Mesquitas de Omar e a de El-Eksa. Todos
oabem que o monte Moriá (o local do Templo) é venerado
pelas três grandes religiões monoteístas.
Para os judeus, é o lugar onde foi construído o Grande
Templo pelo monarca Salomão (1 Rs 6.1 e ss).
Para os cristãos, está associado a muitos acontecimentos da vida de Jesus e seus discípulos.
Para os muçulmanos é o terceiro lugar mais sagrado
depois de Meca e Medina.{62)
a.
O local onde foi construído o Grande Templo por
Salomão começou sua história com Abraão. A tradição o
tem identificado com o local onde Abraão teria preparado
o sacrifício de seu filho Isaque, o que não se concretizou por
meio de uma intervenção divina (Gn 22.1-22).
Em fins de seu reinado, o rei Davi comprou o topo desnudo do monte, que Araúna (Omã), o jebuseu, havia usa75
do como eira (2 Sm 24.18-25) e levantou nele um altar a
Deus, prometendo construir um Templo. Mas esta promessa só foi cumprida por seu filho Salomão.
b. A construção original do Templo começou no quarto ano do reinado de Salomão e foi completada sete anos
mais tarde. A cronologia bíblica aponta esse “ quarto ano
do reinado de Salomão” como sendo “ o ano quatrocentos e
oitenta, depois de saírem os filhos de Israel do Egito” (1 Rs
6 :1 ).
Este magnífico Templo, como veremos mais a frente,
foi despojado por Sisaque, rei do Egito, no reinado do filho
de Salomão, Roboão, (1 Rs 14.26) e posteriormente, destruído pelo exército babilônico.
A terminologia do termo para expressar a palavra
“ templo” : 1? no Antigo Testamento - L X X (tradução dos
setenta), é “ naos” e é empregada 55 vezes (de um total de
61 ocorrências) para traduzir o hebraico “ kêkãl” que significa “ Palácio” ou “ Templo” , que, por sua vez, corresponde
ao babilônico “ egallu” - isto é: “ casa grande” . Os escritores sagrados registraram 5 ocorrências em que é usado o
termo:
“ ülãm” que significa “ pórtico do Templo” (1 Cr 28.11;
2 Cr 8.12; 15.8; 29.7,17).
c. No Novo Testamento (“ naos” ) é achado mais freqüentemente no Apocalipse de João (16 vezes) e nos escritos de Paulo (7 vezes).
Josefo tinha muito respeito para com o Templo. Para
ele o Templo incorporava a adoração do único Deus verdadeiro pelo povo de Deus.(6 ) Era a habitação de Deus, para
a qual Deus enviava uma porção do seu Espírito.(64) Para
os judeus o Templo era, além do “ centro de adoração” , objeto de orgulho (Mt 24.1; M c 13.1). Josefo registra que “ estas estruturas pareciam incríveis para aqueles que ainda
não as viram, e eram olhadas com espanto por aqueles que
nelas colocavam os olhos” .
Para os muçulmanos não há na terra um lugar tão sagrado além de Meca e Medina: “ Digno de elogios é aquele
que levou seu servo de noite, desde a Mesquita Sagrada (A
Cúpula da Rocha) até a Mesquita Distante (El-Aksa), cujos recintos temos abençoado” (Ale. Sura 17.1).
76
2 . O Templo e sua construção
1*?. No Antigo Testamento o esplêndido Templo erguido por Salomão foi destruído no ano 599 a.C. por Nabucodonosor, que levou os judeus para o cativeiro babilônico,
50 ou 70 anos mais tarde, os exilados que voltaram, trouxeram consigo os vasos que Nabucodonosor levara como despojo, e autorização de Ciro, rei da Pérsia, para reedificação
daquele que seria o segundo Templo (Ed 1.1 e ss).
Segundo Josefo, este Templo reconstruído por Zorobabel, era reduzido em suas proporções. Alcançou novamente grande esplendor durante o reinado de Herodes, o
Grande, que sendo idumeu e querendo expiar seus crimes e
fazer-se popular entre os judeus, o reconstruiu.(65)
Dez mil operários trabalharam nesta grandiosa obra e
o Templo foi reconstruído com uma dupla esplanada e voltou a ter sua antiga beleza e fulgor (M t 24.1; Mc 13.1). A
construção começou no ano 20 a.C. e não terminou antes
de 24. d.C. (Jo 2.20). Este, portanto, foi o Templo que Jesus conheceu.
29. No Novo Testamento, em dois grupos de passagensf Jesus fala da destruição do Templo. No primeiro grupo, refere-se ao Templo do seu Corpo (Mt 26.61; 27.40; Mc
14.57,58; 15.29,30; Jo 2.18-22; At 6.14).
Aqui, agora, portanto, já sua própria Pessoa está substituindo o Templo material como habitação de Deus, onde
Deus se encontra com os homens. No segundo grupo, Jesus
profetiza a destruição do Templo de Jerusalém (Mt 24.1;
Mc 13.2,3; Lc 21.5,6). As predições de Jesus a este respeito,
cumpriram-se literalmente! No ano 70 d.C. o Templo foi
totalmente arrasado pelas tropas de Ti to.
Este tentou conservar intacto o Templo, já que era
uma das maravilhas do mundo, mas seus soldados o incendiaram. atirando em seu interior uma tocha acesa.
a.
A Menorah, 0 Candelabro de 7 braços, foi salvo e levado por Tito, triunfalmente, para Roma. Em 135 d.C.,
depois de aplacar a segunda rebelião judaica, Adriano profanou o lugar, erigindo ali um Templo dedicado a Júpiter.
Os primeiros cristãos, consideravam o local que butrora era sagrado como um lugar amaldiçoado por Deus e 0
77
Monte Moriá converteu-se num amontoado de escombros.(66)
Quando, no ano de 636, os muçulmanos conquistaram
Jerusalém, os escombros foram retirados e o Califa Omar
construiu, ali, uma Mesquita, identificando-o como 0 lugar de onde o Profeta Maomé teria ascendido aos Céus em
seu cavalo alado.
No ano de 691 d.C., Abel el Malik Ibn Merwan, ocalifa dos Omais, transformou aquela pequena Mesquita de
Omar nessa que atualmente existe: O Domo da Rocha
(Mesquita de Omar), cuja importância religiosa no islamismo vem depois da Kaada, em Meca, e do Túmulo do
Profeta, em Medina; foi construída no local onde se erigiram o primeiro e o segundo Templos, a Cúpula da Rocha,
tal como a vemos agora, data do ano de 691 d.C. Foi restaurada no Século XVI e novamente na década de 1960-70.
b.
Quando os cruzados conquistaram Jerusalém em
1099, a Mesquita foi convertida na igreja do Templum Domini. Depois da expulsão dos cruzados nos Cornos de Hittin, no ano de 1187, a cruz que brilhou durante 88 anos
sobre o Domo foi retirada e a lua crescente voltou a seu lugar. Desde então, o Domo da Rocha tem sido um santuário
muçulmano.
Seu estilo é bizantino, já que foi construído por artistas bizantinos, mas sua decoração é oriental. O exterior é
um octógono regular, cujos lados medem 20 metros cada
um e com um diâmetro de 60 metros. A cúpula se eleva a
uma altura de 30 metros do solo, com um diâmetro de 25
metros.
A estrutura octogonal é recoberta por dentro com lages de mármore até a altura de 6 metros e, acima delas, até
seu extremo superior as paredes estão decoradas com brilhantes azulejos persas. O Domo é feito de folhas de alumínio banhadas em ouro, que cintilam sob o brilhante sol de
Jerusalém.(67)
3. Os Templos Escatológicos
Biblicamente falando, temos informações de que
“ dois templos” hão de ser edificados: O primeiro deles, será o Templo da Grande Tribulação, em cujas dependên78
cias 0 Anticristo implantará seu culto através de seu falso
profeta; o segundo, aquele que será erguido para ser utilizado na era milenar. Analisemos pois, cada um destes santuários, apenas invertendo as posições cronológicas e, começando com o Templo da era milenar.
a. Em Ezequiel 41.13-15 aparecem as dimensões do
Templo milenar, que será utilizado durante os 1000 anos
do reinado de Cristo.
Suas medidas podem ser computadas como segue: O
Templo propriamente dito tinha 100 côvados de comprimento. Depois vem seus pilares (“ ombreiros” =RSV): 5 côvados (40.48) + vestíbulo 12 (40.49) + pilares 6 (41.1) +
templo (“ nave propriamente dita” ) 40 (41.2) + pilares 2
(41.3) + Santo dos Santos 20 (41.4) + parede 6 (41.5) + câmara lateral 4 (41.5) + parede externa 5 (41.9) = 100.
A área aberta e o edifício ao oeste do Templo estendiam-se por mais 100 côvados, - a área aberta 20 (41.10) +
o edifício 70 (41.12) + duas paredes do edifício 10 (41.12) =
100 .
A frente original do Templo e da sua área aberta também era de 100 côvados, medida esta que era igualada pela
largura global do edifício ao lado ocidenjtal (90 + duas paredes de 5 côvados cada = 100 côvados). Mas, é evidente
que, este santuário refere-se ao “ Templo do Reino Milenar” e, não ao Templo da Grande Tribulação.(®)
b. O Templo que será erguido e que certamente será
profanado pelo Anticristo tem sido bástante discutido pelos judeus de todo 0 mundo. Quando Israel conquistou a
parte velha da cidade de Jerusalém com as ruínas do Tempio, em 1967, o velho historiador judeu Israel Eldad, segundo citação da “ Revista Tim e” , teria dito: “ Agora estamos no mesmo ponto em que Davi estava, quando libertou
Jerusalém 4as mãos dos jebuseus” . E acrescentou: “ Daquele dia até o momento em que Salomão construiu o
Templo passou-se apenas uma geração. Assim também
acontecerá conosco” .('9)
Recentemente declarou um rabino judeu: “ Estamos
prestes a ver o grande Temfclo reconstruído” , isto é, o
Templo da Grande Tribulação. E, sendo indagado por um
Jornal bastante badalado: “ Quem o reconstruirá: os ju
79
deus ou o Anticristo?” Ele respondeu: O Templo é chamado de “ ...o Templo de Deus” (Dn 8.11,14; Mt 24.15; 2 Ts
2.4; Ap 11.1) e, evidêntemente so os judeus ou através deles) serão autorizados por Deus para sua èonstrução”
c. Entre os rabinos judeus já se ponderou a questão, se
é chegada *a época de reconstruir o Templo em Jerusalém.
Uma autoridade israelense declarou há pouco: “ Quando o
Templo judaicd, o centro do judaísmo mundial, èstiver ali.
Israel será bem mais forte” .
Daniel fala deste Templo, no qual o Anticristo irá assentar-se, e da características da sua autenticidade. Ele
fala do “ sacrifício” que cessará (pois o serviço do sacrifício
será novamente restabelecido), e da “ oferta de manjares” ,
que terminará (Dn 9.27).
“ No Ministério dos Assuntos Religiosos foi aberto um
processo a esse respeito, no qual são coletadas propostas de
todo o mundo. Ativistas religiosos, como o rabino superior
para assuntos militares, Schlomo Goren, estão inclinados
a construir o Templo tão logo seja possível.
Ainda há vozes contrárias. Mas tudo urge em direção
à construção do Templo” .
d. É sabido hoje que já há projeto em Israel para a
construção do Novo Templo. Os judeus políticos dizem: A
construção do Templo será um ato político de primeira categoria, pois somente assim a anexação de Jerusalém se
tornará uma realidade política. Além disso, também motivos religiosos forçam à construção do Templo.
Cremos assim, que a posse judaica do monte do Tempio, onde hoje se encontram as Mesquitas de Omar e ElAksa, para ser construído 0 Novo Templo, pode dar-se a
qualquer momento. Este local sempre foi adquirido por
meio tie manifestações divinas (Gn 22.14; 2 Sm 14.16-25; 1
Cr 21.20-30). Estes textos dizem que, este local do Monte
Moriá, sempre foi adquirido por operações sobrenaturais.
Então, o que aconteceu no passado, não poderá também
acontecer agora? Claro que sim! ,(Ec 3.15). Aguardemos,
portanto!(70)
4. Uma descoberta recente!
O portal do Templo construído pelo rei Salomão, em
959 a.C., e destruído por tropas assírias, em 599 (ou, se80
gundo outros, 587) a.C. foi apresentado ontem (dia 8 de
outubro - 5? feira de 1987, conforme informações de “ O
Jornal - A Folha de São Paulo” ) pela arqueóloga israelense
Eilat Mazar, em Jerusalém.
A descoberta permite confirmar as passagens bíblicas
em que o Templo foi descrito. Também foram apresentados uma lamparina a óleo e vários jarros de cerâmica, que
teriam escapado às várias destruições porque passou Jerusalém nos 3.000 anos de sua história que nos separam de
Salomão.
As descobertas foram feitas em escavações no setor sudeste do Monte Moriá - atualmente chamado de Monte do
Templo - antigo centro administrativo do reino de Israel
nos tempos do rei Salomão.
O portal dava acesso a uma série de habitações contígüas, e a uma torre e ao Templo de Salomão, no qual foi
guardada á Arca contendo as tábuas da lei, dadas por DçuS
a Moisés, segundo conta a Bíblia.
De tipo clássico, adornado com cerâmica, o portal se
assemelha a outras construções do período do reino judaico, descobertas em toda a região do Oriente Médio, e particularmente em Israel, no deserto de Neguev, em Lakhis
(centro do país), e em Megido (Galiléia).
Vestígios da época do Templo (segundo este informe)
já foram descobertos, mas não se tinha conseguido escavar
todo o conjunto arquitetônico, em perfeito estado de conservação, tão próximo da área do santuário, explicou a arqueóloga israelense.
a.
As organizações protestam. Já tivemos ocasião de
ver no início deste capítulo que, os esforços para a conquista do Monte do Templo e suà construção, têm sido bastante combatidos. Atualmente, com maior ou menor intensidade, e por diversos motivos, vários problemas se colocam
para a continuação das escavações arqueológicas.
Organizações tão diversas como o Wagf - Guardiões
dos Bens Muçulmanos -, 0 ministro israelense das Questões Religiosas, preocupado com a dessacralização de tumbas no Templo dos Profetas
a Unesco e outras, são contra os trabalhos no Monte Moriá. Para encontrar os restos
do primeiro Templo seria necessário escavar milhões de
81
metros cúbicos de terra e rochas, com o risco de provocar
perigosos desabamentos, e cataclismo político, afirmou Filat Mazar.
b.
Um porta-voz discute. Uri Minzer, porta-voz do
Ministério das relações Religiosas de Israel, disse que o
trabalho em um dos túneis próximo ao lado ocidental da
muralha teve que ser interrompido, há quatro anos, quando o Wagf fez um protesto afirmando qi/ç as escavações estavam provocando tremores no Templo acima.
Os líderes muçulmanos dizem que os judeus estão tentando cavar seu caminho em direção à área sagrada, num
esforço para destruir sua estrutura. Algumas correntes judaicas defendem que as mesquitas muçulmanas deveriam
ser destruídas e um Templo construído no lugar.
No entanto, os vestígios encontrados pelo grupo de
dez arqueólogos que desenvolvem o trabalho permitem esperar por novas descobertas, datando do período dos reis
de Judá, quando floresceu a civilização dos hebreus, em
Jerusalém.
Foram descobertas, nas escavações, uma lamparina a
óleo e doze jarros de cerâmica. Com 1,3 metros de altura e
80 centímetros de diâmetro, estes jarros estão quase intactos, e estavam imersos nas cinzas do grande incêndio, concluiu a arqueóloga.
(t )־A Ter. Sant. em Cores. S. Awwad. 1986
(") Josefo. Cont. Ap. 2, 193
(“ ) Josefo. Ant. Jud. 8, 114, 131, Cf. 8, 102, 106, 117. 3, 100.202 e 290.
(*■■·) op. cit. 1» séc.
(“ ) A Ter. Sant. em Cores. S. Awwad. 1986
(<;) op. cit. S. Awwad. 1986
(M) J . B. T. Ez, Int, e Coment. 1984
(") op. cit. Apoc. v. p. v. 1987
(:1) Apoc. v. p. S. P. S. 1987
82
8
A Manifestação
do Anticristo
1. O Anticristo
As palavras “ anticristo” e “ pseudocristo” se acham
pela primeira vez na segunda metade do Século I d.C. 0
prefixo anti, originalmente significa “ no lugar de” , e depois, “ contra” .
Já a literatura greco-helenista falava desta figura
sombria no passado. Porém, usando a primeira significação, pois tanto contemporaneamente com o Novo Testamento como posteriormente, achamos a expressão antitheós, anti-Deus (originalmente “ como os deuses” na
Díada de Homero). A palavra composta com pseude (falso), porém, que se acha por 70 vezes na língua grega, só tomou maior sentido de um que é “ contra Cristo” no Novo
Testamento.(71)
a. Do ponto de vista divino de observação, o vocábulo,
“ anticristo” aparece pela primeira vez na 1 Epístola de
João “ ...ouviste que vem o anticristo” . E, a partir daí, o
termo está presente, mas exclusivamente em seus escritos
(1 Jo 2.18,22; 4.3 e 2 Jo v.7)
83
Sua pessoa foi retratada por Jesus como sendo o último conquistador militar que invadiria Jerusalém e a Terra
Santa, procurando aniquilar o povo judeu.
b. A pessoa aqui citada compreende também seu reino
ou governo.(72) E o apóstolo Joâo contempla agora esta
grande visão, cerca de 651 anos depois da visão de Daniel
7. Porém, há aqui e ali uma ordem invertida na posição do
tempo e da visão. Em Daniel 7 a ordem é inversa.
Daniel olha para o futuro dos séculos e vê o que está no
porvir: Leão, Urso, Leopardo e Fera Terrível. João, olha
para o passado dos séculos e vê: Besta, Leopardo, Urso e
Leão. Esta figura sombria da iniqüidade procurará substituir a Cristo, estabelecendo-se como se fora o Filho de
Deus. Também fará oposição a Cristo, e fará do mal, e não
do bem, o seu princípio normativo.
Na passagem de 1 João 2.18, depreende-se do expressivo: “ ...ouviste que vem o anticristo” . levando-nos a entender, evidentemente, que já existia a tradição, na Igreja
Cristã Primitiva, do “ Anticristo” a qual, mui provávelmente, estava alicerçada sobre as próprias palavras de
nosso Senhor Jesus Cristo em Mateus 24.23-36; João 5.43.
Partes do Novo Testamento também eram conhecidas dos
leitores originais das epístolas, as quais falavam sobre 0
Anticristo, como, por exemplo, 2 Tessalonicenses 2.3 e
ss.(71).
c. No conceito geral, conforme era visto no tempo e no
espaço pelos primitivos cristãos, a formação plural aa passagem de 1 João 2.18 atacava diretamente os chefes gnósticos. Os gnósticos negavam a humanidade de Jesus Cristo.
Negavam que o Verbo de Deus pudesse encarnar-se (Jo
1.14). Em lugar de uma encarnação, segundo eles, na Pessoa de Jesus, com a fusão da identidade do Logos e do Jesus humano, os gnósticos postulavam um “aeon”, uma
emanação angelical de Deus - um entre muitos mediadores, salvadores ou deuses inferiores, é que teria, então, assumido esta posição.
O Cristo Real, na opinião deles, nunca se tornara humano, mas tão somente desempenhara um papel, manipulando o corpo físico de Jesus. Os gnósticos, através dessas
idéias, negavam que o Senhor os “ comprara” . Aqui, está,
portanto, uma das razões fundamentais porque o apóstolo
84
atacava diretamente tais chefes. Historicamente falando,
as palavras do apóstolo já encontravam alvo naqueles dias.
Pois elas foram dirigidas contra a heresia de Cerinto, um
homem de ascendência judaica, educado em Alexandria.
Ele negava a concepção virginal de Jesus, ensinando que,
após o batismo, o Cristo descera sobre Ele na forma de
uma pomba, passando Ele então a anunciar o Pai desconhecido e a operar milagres, mas diziam que, já no fim de
seu ministério, o Cristo se afastara de Jesus; e que sofrerá e
fora ressuscitado dentre os mortos, ao passo que o Cristo
teria permanecido impassível: incapaz de sofrimento por
ser um ser espiritual.(74)
d.
De acordo com as passagens de Apocalipse 13.12 e
ss; 19.20, este cristo-impostor estará cercado de magos e
encantadores que, procurarão de todas as formas perverter
os corações, naqueles dias sombrios de tanto engano. No
passado os monarcas babilônicos como os imperadores romanos, estavam cercados sempre por esta gente e, 0 que
aconteceu na antigüidade, será revivido agora aqui. O profeta Daniel diz que, “ ...os magos e os astrólogos, e os encantadores, e os caldeus” sempre estavam presentes nas
decisões daqueles monarcas do passado (Dn 2.2 e ss).
Os “ magos” , significa os escribas sagrados - uma ordem de sábios que tinha a seu cargo os escritos sacros, que
vieram passando de mão em mão desde o tempo da “ Torre
de Babel” . Algumas literaturas das mais primitivas que se
conhecem na terra eram constituídas desses livros de magia, astrologia, feitiçaria, etc. (cf At 19.19).
Os “ encantadores” , significa “ murmurador de palavras” - de onde vem “ esconjurar, exorcismar” . Eram encantadores que usavam fórmulas mágicas, atuados por
espíritos médiuns. Simão, o mágico, de Samaria e Elimas,
o “ encantador” , da Ilha de Pafos, pertenciam a essa classe
(At 8.9 e 13.8).
Os “ feiticeiros” eram dados à magia negra. A mesma
palavra empregada a respeito dos encantadores egípcios
Janes e Jambres - que resistiram a Moisés na corte de Faraó (Êx 7.11 e 2 Tm 3.8).
Os “ caldeus” , denominava a casta sacerdotal deles todos; onde se lê a palavra “ caldeus” (menos nascidos na
85
Caldéia) pode-se traduzir igualmente por “ a s tr ó lo g o ” .(7")
e.
O Anticristo, a pessoa (1 Jo 2.18), deve ser discriminada dos “ muitos anticristos” e do “ espírito do anticristo”
(1 Jo 4.3); o que caracteriza todos eles é a negação do Verbo, a Palavra, o Filho Eterno, Jesus, como o Cristo (Mt
1.16; Jo 1.1); os “ muitos anticristos” , preparam o caminho
para o “ Anticristo” , que é a Besta que “ subiu do mar” , e 0
precedem (Ap 13.1 e ss); ela será 0 último chefe político,
como o seu falso profeta, a segunda Besta de Apocalipse
13.11 e ss; 16.13; 19.20, será 0 último chefe religioso.
2. Três coisas notáveis
O Anticristo, o antagonista de Cristo, possuirá (além
de outras) três coisas que lhe ajudarão na sua vida marcada pelo engano: sinal - o nome e o número.
a.
O sinal (Ap 13.16): “ E faz que a todos, pequenos e
grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um
sinal...” O Apocalipse em sua magnitude é um livro de selo
e assinalação. Em muitas de suas passagens (13.16,17;
14.9; 16.2; 19.20; 22.4), vemos todo o exército da Besta assinalado em suas testas.
Mas segundo se depreende também de outras passagens, não somente seu exército estava assinalado com seu
número, sinal e nome, mas “ ...todos pequenos e grandes,
ricos e pobres, livres e servos...”
O sinal sempre teve, e tem, conotação com o mundo
religioso. O profeta Ezequiel, profeta do cativeiro, 606
a.C., no capítulo 9 de seu livro, descreve também uma
companhia de homens assinalados (v 4 e ss). - O sinal,
(“ Oth - marca distintiva” ) posto pelo homem vestido de
linho sobre eles, protegia dos juízos de Deus sobre a rebelde cidade (v 6). Para o leitor hebreu, isto significava um sinal usado como assinatura. Garantia e autenticidade (cf.
Jó 31.35).
O trecho de Isaías 44.5, menciona a “ inscrição” do
nome de Deus sobre as mãos dos fiéis, para identificá-los
como pertencentes a Ele.
O Anticristo sabe que para Israel o aceitar como seu
falso Messias, exige primeiro um sinal, assim sendo, ele
procurará imitar a Cristo até na religião.(76)
86
b.
0 nome (Ap 13.17): “ Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome
da Besta...” Em toda a extensão da Bíblia o nome exprime
a realidade profunda do ser que o carrega.
Por isso a criação só está completa no momento em
que a coisa trazida à existência recebe nome.(77)
Assim, o Anticristo, o homem do pecado, sem dúvida
alguma terá um nome político que lhe servirá como ponto
de observação (cf. Gn 11.4). Pois também o nome, expressa fama e reputação (Gn 6.4; 11.4; Nm 16.2; Dt 32.3, etc).
Em tudo, esse cristo-impostor deseja imitar a pessoa
de Cristo, 0 Ungido do Senhor. Jesus é o Justo, ele será o
Iníquo; Jesus, ao entrar no mundo disse: “ eis aqui venho,
para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb 10.9); do Anticristo
está escrito que ele fará conforme a sua vontade (Dn
11.36).
O Senhor Jesus é o Filho de Deus; ele será “ ...o filho
da perdição” (2 Ts 2.3). Certamenteé de grande importância que, em tudo, ele contraste como o Filho de Deus.
O número do nome Jesus tem em grego o valor numérico 888 e semelhantemente, cada um dos seus “ oito nomes” , como são utilizados no Novo Testamento tem significado especial.
1) - (“ Jesus” - “ Senhor” - “ Cristo” - “ Senhor Jesus”
- “ Jesus Cristo” - “ Cristo Jesus” - “ Cristo, o Senhor” “ Senhor Jesus Cristo” ). Além disso, Jesus tem consigo outros nomes e títulos:
2) - “ Advogado (1 Jo 2.1); Bispo das vossas almas (1
Pd 2.25); Cristo (Lc 2.11); Deus Forte (Is 9.6); Emanuel Deus conosco (Mt 1.23); Filho de Deus (Jo 1.34); Governador (Is 55.4); Homem (1 Tm 2.5); Imagem de Deus (Cl
1.15); Jesus (Mt 1.21); Leão da Tribo de Judá (Ap 5.5);
Maravilhoso (Jz 13.18; Is 9.6); Nazareno (Mt 2.23); Omega
(Ap 1.8); Príncipe da Paz (Is 9.6); Querido do Pai (SI 4.3);
Rei (Mt 2.2; Jo 18.37); Salvador (Lc 2.11); Tudo: no sentido de bondade (Cl 3.11); Ungido (SI 2.2); Verbo de Deus
(Jo 1.1); Zelador da casa de Deus (Jo 2.17). - Em ordem alfabética: ο X é substituído pelo Amém (Ap 3.14).
O Anticristo, como a antítese do verdadeiro Cristo,
também se apresentará com seus nomes e títulos:
87
Ad. I. “ 0 homem violento (Is 16.4); 0 homem do pecado (2 Ts 2.3); o príncipe que há de vir (Dn 9.26); o rei do
Norte (Dn 11.40); o angustiador (Is 51.13); 0 filho da perdição (2 Ts 2.3); o iníquo (2 Ts 2.8); o mentiroso (1 Jo 2.22); 0
enganador (2 Jo v 7); o Anticristo (1 Jo 2.18,22; 4.3); a Besta (Ap 11.7; 13.1 e ss); um rei feroz de cara (Dn 8.23); a
ponta pequena (Dn 7.8).”
Além destes nomes e títulos já mencionados ele terá
judicialmente seu próprio nome (Jo 5.43).(78)
c.
O número (Ap 13.17): “ Para que ninguém possa
comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o
nome da besta, ou o número do seu nome” . Os fundadores
da Roma Imperial foram dois gêmeos: Rômulo e Remo
(Segundo a lenda do Capitólio) e o Império Romano foi assim chamado em homenagem ao nome do primeiro. Seu
nome, nome de um homem e também do reino, e cada cidadão do reino é um romano, outra palavra-nome associada ao fundador.
Nas línguas orientais da Bíblia (hebraico e grego), o
nome Rômulo totaliza exatamente 666.
Em hebraico, Rômulo é “ Rumith” que soma 666
(R=200, U=6, M=50, 1=10, TH=400).
Em grego, Rômulo é “ Lateinos” que também soma
666 (L=30, A = l, T=300, E = 5 ,1=10, N=50, 0=70 e S=200).
“ Lateinos” significa “ Homem Latino” ou “ Homem do Lácio” , cidade da qual os romanos receberam sua origem e
língua.
É mais do que coincidência que tanto o nome grego
quanto o hebraico desse fundador do Império Romano, Rômulo, seja exatamente 666. Mas a palavra divina diz que,
“ ...muitos anticristos ” e o “ espírito do anticristo” precederiam e preparariam o caminho para 0 Anticristo (1 Jo
2.18,22). Assim, não apenas Rômulo, mas muitos outros
reis e governantes romanos estão também estigmatizados
pelo número 666.
1)
Exemplificando. Benedito Mussolini, o sexto chefe
de Roma, foi chamado “ Viva il Duce ou “ W i Fuce” que
significa “ Longa vida ao Chefe” .
88
Contando este nome, chega-se a 666. Assim, o número
666 está impresso, estigmatizado e estampado sobre Roma, sobre seus reis e seu povo.(79)
3. 666 Sempre Ligado ao Mal
O número “ 666” ocorre graficamente por três vezes na
Bíblia.
A primeira passagem está em 2 Crônicas 9.13: “ E era
o peso do ouro, que vinha em um ano a Salomão, seiscentos e sessenta e seis talentos...”
A segunda ocorrência está em Esdras 2.13: “ Os filhos
de Adonição seiscentos e sessenta e seis”.
E a terceira, a que está em foco, isto é, Apocalipse
13.18: “ ...e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.”
a. Quando Moisés escolheu os doze espias para uma
missão de reconhecimento da Terra de Canaã, surgiu ali
um nome estranho que sublevou 0 povo à revolta e incredulidade. “ Setur” era o nome dele (Nm 13.13).
Setur (o que oculta) tem valor numérico de 666. Os conhecidos capítulos da maldição, de Deuteronômio 27 e 28,
contém 18 vezes a palavra “ maldição” , cujo termo deriva
da raiz hebraica “ arur” (maldição em grau supremo), de
valor numérico 407, ou seja: 18 vezes 407 = 7326 ou 11 vezes 666. (80) O número denota uma pessoa específica, e sua
identificação deve ser descoberta em alguma espécie de
cálculo numérico, mediante o qual número é transformado
em um “ nome” .
b. De acordo com a numerologia pitagoriana (480-411
a.C.), o número “ 666” é o chamado número triangular,
sendo a soma dos números de “ 1” a “ 36” , inclusive; além
disso, o “ 36” é, em si mesmo, a soma dos números de “ 1” a
“ 8” . Portanto, “ 666” se reduz ao “ 8” ; e esse é o número
significativo em Apocalipse 17.11: “ ...È ela (a Besta) também o oitavo”.(81)
4. Uma advertência histórica
Devemos observar um fato importante e também curioso, é que devemos procurar a Histórica raiz da pretensão e do irreconciliável antagonismo de Roma com Jerusalém.
89
A Roma pagã era, durante os primeiros séculos após e
também antes de Cristo, um inimigo de Jerusalém, porque
Israel, como propriedade peculiar de Deus, adorava o Deus
único e não os deuses de Roma e seus derivados. Antisemitismo era, portanto, naquele tempo, antideus.
Quando, entretanto, no ano 313 d.C., o César Romano
Constantino elevou o cristianismo à categoria de religião
estatal romana, o anti-semitismo não era mais antideus, e
sim anticristo. Com isso, porém, o cristianismo foi confundido com política e estatizado, sendo que por isso, muitos
cristãos verdadeiros daquela época, concebiam 0 cristianismo como já tendo sido enganado por falsos cristos (Mt
24.24, etc).
a.
Uma advertência. Após a Segunda Guerra Mundial, ou seja, em 1948, três cidades surgem no campo visuai do mundo como pretendentes do domínio mundial:
Primeiramente Roma! Com a fundação do Conselho
Mundial das Igrejas, e com isso surge o Movimento Ecumênico, que é um enorme passo para a definitiva unificaçào com o sistema político mundial de Roma.
Em segundo lugar, Moscou (outro inimigo mortal de
Israel), que também cobiça o domínio mundial. Os moscovitas e seus satélites solidificaram e ampliaram neste ano,
com um enorme golpe, sua corrida em direção ao domínio
mundial. Naquela época Mao Tsé-tung conquista o Norte
da China. Na Techoslováquia ocorreu o golpe de estado comunista. Na Alemanha Oriental foi concluída a reforma
agrária e um ano depois foi fundada a República Democráti ca Alemã.
Em terceiro lugar, quase como descreve o profeta
Isaías em uma seção de seu livro: (53.2), levanta-se Israel
no cenáculo mundial “ ...como raiz duma terra seca; não tinha parecer nem formosura...” Porém, é evidente que,
mais uma cidade (Jerusalém) apareceu no campo visual do
mundo! Por quê? Porque naquele tempo, ao lado da ascenção de Moscou por meio da China, simultaneamente com o
Movimento Ecumênico, foi fundado o Estado de Israel.
Moscou rangeu os dentes com ira mortal, pois havia concentrado um enorme poderio na Transjordânia, e queria
aproveitar a confusão reinante na Palestina para invadi-la.
90
Mas segundo dados históricos bem vividos, Harry S.
Truman, o então presidente dos Estados Unidos da América do Norte (EUA), antecipou, porque exatamente onze
minutos após a proclamação dos Estados de Israel mandou
divulgar por todo o mundo reconhecimento por parte dos
EUA. Assim, imediatamente uma potência mundial estava com sua proteção diante de Israel.
b.
E os romanos? Estes, portanto, também se sentiram diminuídos e, movidos, talvez, por um sentimento de
anti-semitismo, escrevem na véspera da fundação do Estado de Israel, no dia 14 de maio de 1948, o seguinte: “ O Israel moderno não é herdeiro do Israel bíblico. A Terra Santa e seus lugares sagrados pertencem unicamente ao cristianismo, o verdadeiro Israel” .
Não podemos deter o cumprimento da palavra profética. E sim, estarmos atentos! E, necessariamente, é isto
que adverte o apóstolo Pedro em sua Segunda Carta: “ E
temos mui firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis,
em estar atentos...” (2 Pd 1.19a). Nossa época está indo ao
encontro do fim. Quão importante é, portanto, em vista
desses fatos, que nós cristãos nos renovemos em tudo!
Pois, como sabemos, “ o mistério da injustiça já opera!” .
Mas pela infinita bondade de Deus, ainda há “ um que resiste!” (O Espírito Santo - usando a Igreja).
71) Die. In t. de Teol. do NT. Vol. I. 1986
■') Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
71) Scofield, D r. C.I. (Scofield Reference Bible)
7 )׳O NT In t v.p.v. R.N. Champlin, Ph, D. 1982
7) Dn v.p.v. S.P.S. 1987
:t) Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
77) J.J.V . Allmen. Voc. Bibl. 1972
") op. cit. Apoc. v.p.v. 1987
7,) D r. C. Kai Lok. A Besta Ident. e Rev. p. 94 e ss.
") A. Springer O Apoc. de JC . p. 54
)ייApoc. v.p.v. S.P.S. 1987
91
9
A Batalha do Armagedom
1. A Guerra do Armagedom
Armagedom, no sentido geográfico, significa “ montanha de Megido” . Designa o local onde se ferirá a batalha
“ ...naquele grande dia do Deus Todo-poderoso” (Ap
16.16).
Esta planície tem um formato triangular isosceles e
por três são delineados.
a.
JEZREEL. ,^‘־imitando-se pelos montes da Galiléia
ao norte e as colinas da Samaria ao sul, o Vale de Jezreel é
o mais amplo vale de Israel. E, como já ficou registrado
acima, tem o formato de um triângulo isosceles, cuja base
é de aproximadamente 30 quilômetros e seus lados têm
cerca de 22 quilômetros. Desde tempos antigos até hoje, é
famoso por sua fertilidade e conhecido como Ό Celeiro de
Israel’ .
Devido à sua fertilidade e posição estratégica, este
vale foi cenário de inúmeras lutas e combates da antiguidade, hebreus, filisteus, cananeus, sírios, egípcios, assírios,
babilônios, gregos, midianitas, romanos, árabes, cruzados,
93
turcos e, finalmente os ingleses comandados por Allendy,
durante a 1? Guerra Mundial, lutaram em seu solo. (")’־
b.
MEGIDO. “ Megido está localizado no local Sul do
Vale de Jezreel, onde o ‘Caminho do Mar’ (Vila Maris)
deixa a planície e passa através de um longo e estreito desfiladeiro, continuando na direção da planície Sharon, pelo
litoral.
A cidade está estrategicamente s itu a d a n a a b e rtu ra
deste desfiladeiro, que era a p rincipal via de com unicação
que ligava ò Egito e o Sul, com a Síria e 0 Norte.
Sendo o desfiladeiro passagem obrigatória em Megido
um ponto estratégico, tanto para o* povos que se estendiam na fértil costa do M e d ite r r â n e o como p a ra os conquistadores ocidentais que invadiam o N orte e 0 Leste, os
portões da cidade foram testemunhas de m u ita s b a ta lh as.
A posição estratégica de Megido foi percebida de imediato por Allendy que, em 1917. converteu-a n a base de
sua campanha contra os turcos. As numerosas batalhas ali
travadas fizeram de Megido um símbolo de guerra” .( " )
1) Megido foi mencionada, pela primeira vez, em antigos textos egípcios. Em 1478 a.C. o Faraó Tutamés travou
uma guerra sobre Megido; nos muros de seu templo, no
Alto Egito, estavam escritos os planos da batalha. No Século XV a.C., Megido é mencionada por Israel. Josué capturou a cidade e matou o seu rei (Js 12.21). No Século X
a.C., Salomão reconstruiu e fortificou a cidade, financiando sua edificação com impostos especiais. Megido se
converteu em baluarte da defesa de seu reino.
2) Entre 1925 a 1939 d.C., Megido foi escavada pelo
Instituto Oriental da Universidade de Chicago. As escavações, cobrindo uma área de 13 acres, revelaram os restos de
20 cidades superpostas, cada uma delas representada por
uma camada de ruínas distintas. Entre os muitos importantes achados estão as estrebarias do Rei Salomão, capazes de abrigar 450 carruagens; e ainda selos, vestígios de
muralhas, casas, alicerces de portões de diferentes períodos e uma belíssima coleção de marfins, única no mundo.
Um engenhoso sistema hidráulico supria a cidade de
água fresca, vinda de uma fonte localizada fora das mura94
lhas. Uma perfuração vertical de 35 metros de profundidade dava acesso a um túnel de 62 metros de comprimento
que desembocava na fonte e, para esconder o manancial
dos invasores, sua abertura era coberta com terra e de outras substâncias disfarçadas.(84)
c.
ARMAGEDOM. (Sentido profético). Armagedom,
ou Megido, como a palavra descreve, era também o nome
de cidade, hoje Allejjun, e é o vale que os judeus chamam
atualmente de Planície de Jezreel, que vai do Monte Tabor até junto do Monte Carmelo. O Vale Megido ou Asdraelom é também interpretado como “ lugar de tropas”
ou “ lugar de multidões” .
Há nele lembranças de sangrentas guerras, com vários
personagens do passado que foram derrotados ali: Sísera
(Jz 5.8,30); Acazias (2 Rs 9.27); Josias (2 Rs 23.29,30). Ao
nome de Jezreel. a cidade, está ligada a morte violenta da
rainha Jezabel, cujo nome se tornou proverbial e simbólicamente profético.
Saul e seus filhos (Jônatas, Abinadabe e Melquisua)
também tombaram em Armagedom, ao lado da montanha
de Gilboa (1 Sm 29.1 e 31.1-13).
Profeticamente, “ ...naquele grande dia do Deus Todopoderoso” os exércitos do Leste (Oriente) coligados com as
forças militares do Anticristo, seguirão em direção a este
Vale. Porém, antes de alcançar Jerusalém, “ ...passando
por cidades do Norte como Aiate, Migrom, Micmás, Geba,
Gebeá de Saul, Galim, Anatote, Madmena, Nobe etc., dizimarão a terça parte dos homens. (Ap 9.15).(85).
1)
Em Apocalipse 14.19,20, fala que “ ...lagar” é também um nome profético de Armagedom. A palavra originou-se de uma raiz hebraica, (“ Har = Magedon” ), que significa “ derrubar” , “ matar” , “ cortar” , “ decepar” , e, lugar
de mortandade, e é o que Megido sempre foi.(86)
O doutor J. A. Seiss diz que a palavra “ Megido” significa também “ abater o alto” . Este duplo significado corresponde exatamente ao caráter dos acontecimentos que
ali terão lugar, pois 0 alto não somente será abatido mas,
tal coisa acontece desde o alto.(87) Seja como for, ali haverá
ama grande conflagração e mortandade, cujo desenlace se-
95
rá, provavelmente, naquele Monte e no extremo vale ao ocidente do Jordão. Mas a batalha se estenderá pelo meio da
Terra Santa, do Mediterrâneo ao Jordão.
2. Os Reis do Oriente
“ E o sexto anjo derramou a sua taça sobre 0 grande rio
Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse 0
caminho dos reis do Oriente” (Ap 16.12). Na Bíblia Vida
Nova (Edição Revista e Atualizada) lê-se: “ ...reis que vém
do lado do nascimento do sol” (4? Ed. de 1980).
H.
Lindsey diz: “ Cremos que a China é 0 princípio da
formação dessa grande profecia chamada (‘reis do Leste’)
pelo apóstolo João” .
Como o emblema nacional do Japão é o “ sol nascente” , pode ser que também essa nação partilhe no avanço
das hordas asiáticas. Isso pode depreender-se da formação
plural “ reis do Oriente” .
Nos termos de qualquer constituição, os símbolos nacionais são: “ a bandeira nacional, o hino nacional, as armas nacionais e o selo nacional” . Portanto, devemos também, aqui, tomar como símbolo a bandeira e o hino nacionais destas nações que representam “ os reis do Oriente” .
Hoje, todos nós sabemos quais as nações que ocupam
essa parte do extremo Oriente: China, Japão, Coréia do
Norte e Coréia do Sul. Estas nações de fato, situam-se no
“ Extremo Oriente” do hemisfério.
a. A CHINA. Situação geográfica: leste da Ásia.
Bandeira: campo vermelho no canto superior esquerdo, uma estrela de ouro tendo à sua direita um arco de
quatro estrelas menores. Estas “ quatro estrelas menores” ,
profeticamente falando, podem apontar para: Japão, Coréia do Norte e Coréia do Sul e Formosa. Estas nações estão dentro das profecias e o simbolismo pode ser perfeito.
Hino nacional: “ Marcha do Povo” .(88) Observe bem a
frase contida no hino: “ marcha do povo” (Para o Ocidente? Sim!).
b.O JAPÃO. Situação geográfica: leste da Ásia.
Bandeira: sol vermelho em um campo branco. O Japão é citado na poesia como sendo “ O País do sol nascente” .(89)
96
Hino nacional: “ O Reino do Nosso Imperador” . Observe bem 0 leitor como as Escrituras são proféticas e se
combinam entre si em cada detalhe!
c. A CORÉIA DO NORTE. Situação geográfica: nordeste da Ásia.
Bandeira: uma larga faixa vermelha ao centro, separada de faixas azuis nas extremidades por duas faixas
brancas finais; à esquerda do centro está um disco branco
contendo uma estrela vermelha de cinco pontas.(90)
Hino nacional: “ Canção do General Kim II Sung” . A
Coréia do Norte dado os seus litnites com a China ao norte
e com a União Soviética ao extremo nordeste, é um país
bastante apático às coisas divinas.
d. A CORÉIA DO SUL. Situação geográfica: nordeste
da Ásia.
Bandeira: um círculo em vermelho e azul centrado em
um campo branco, há um desenho em barras negras nos
quatro cantos da bandeira.(91)
Hino nacional: “ Até que o Mar do Leste se Esgote” .
Qual é o Mar do Leste citado aqui? Certamente é o “ Mar
do Japão” . Isso pode apontar para “ uma unificação militar” dos dois países nesta investida final “ ...contra o Senhor e contra o seu Ungido” (SI 2.2).
e. A ILHA DE FORMOSA (TAIUAN). Situação geográfica: aproximadamente 144 Km da costa sudeste da
China. Portanto, extremo Oriente.
Bandeira: um campo vermelho com um retângulo
azul no canto superior esquerdo contendo um sol branco de
12 pontas.(")־
Hino nacional: “ Nosso Objetivo Deve Ser Terra Livre” . Observe bem a curiosidade nos símbolos de cada país
já mencionado e, vejamos que, em todos eles, o “ vermelho” está em foco! Assim, portanto, que no fim do tempo
(da era presente), estas nações orientais e alguns de seus
satélites, seguirão em direção à Terra Santa procurando
aniquilar o povo judeu! (cf. Dn 11.44; Zc 12.3,4; Ap 9.14 e
9b ; 16.12).
97
3. As Hordas Demoníacas
“ E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do
falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a
rãs” (Ap 16.13). No contexto seguinte, diz que, estes espíritos imundos semelhantes a rãs, que fazem prodígios, seguirão “ ...ao encontro dos reis (do Oriente) de todo o mundo, para os congregar para a batalha naquele... dia do
Deus Todo-poderoso” .
Para uma melhor compreensão do significado do pensarnento, daremos aqui três definições das rãs e do que elas
representam:
a.
Definição natural. Para os especialistas, a rã é um
animal “ gnathostomata” , da família “ ranidae” .(9) Cada
um desses nomes arrevezados explica uma coisa. Por
exemplo:
“ gnathostomata” quer dizer que a rã tem mandíbula
unida ao tórax; “ tetrapoda’ , refere-se a que tem quatro patas; “ anphibia” , que leva duas vidas, uma aquática e outra
terrestre; “ batrachia” , que possui brânquias no primeiro
estágio da respiração aquática; “a nura ”, que é sem rabo
(rabo mesmo); “ fanerogloso” , que tem língua visível; “ ranidae” , que é a da família das rãs em geral.
1)
A touro-gigante (o nome vem do coaxar, que lembra
o berro de um touro), a mais conhecida dos brasileiros e a
única bem estudada nos Estados Unidos da América do
Norte, é um animal de comportamento bastante estranho, como explica o ranicultor Alcir D. Longo:(94) ela tem
sangue frio, quer dizer, não é como a gente; a temperatura
do nosso corpo é constante em (36 graus).
A da rã (como dos outros animais de sangue frio) segue a do ambiente, estando sempre um grau positivo acima.
Assim, um dia frio, de 10 graus, o corpo da rã estará
com 11; num dia quente de 35 graus, ela estará com 36.
Quanto mais quente, melhor.
A rã se dá muito bem com o calor. Quase tudo na rã
(ou com a rã) é estranho! a rã depende vitalmente d& água
mas não bebe água.
98
2)
Absorve a água e o oxigênio pela pele, de tal maneira que, se ficar exposta cinco horas seguidas ao sol, ela
morre.()״
b. Definição específica. No frio intenso ela “ hiberna”
(entorpecimento ou sono letárgico de certos animais e vegetais, durante 0 inverno), reduz 0 metabolismo a quase
(“ zero” ), só ficando aceso 0 coração.
Nesse tempo ela não dá as caras, não come, não cresce. Igual às cobras, a rã troca de pele. Come seu próprio
couro e como este é rico, em ação antibiótica, garantiu-lhe
muita resistência a doenças.
1) Existe mais um detalhe curioso na rã. Quando o girino (forma larva, pisciforme, dos anfíbios anuros), a rã
não tem boca, só um biquinho sugador. Estranho! Ao ficar
adulta, sua boca “ vai de tímpano a tímpano” e lhe permite
abocanhar de um golpe presas desproporcionais, como pinto de um dia, camundongo, peixe, pequenas cobras e lagartos, e até outra rã, às vezes quase do seu tamanho.
2) Ela não mastiga o alimento, engole-o direto. E sua
dentição rudimentar do maxilar superior somente serve
para segurar mais firme a presa. A língua (nem se fala!) é
um azougue, rapidíssimo, principalmente para apanhar
insetos em vôo.
Normalmente, a rã só se interessa por alimento vivo
ou em movimento. A rã-touro, não tem instinto materno;
ela devora tanto girinos como rãs formadas, bastando apenas que não veja resistência.
3) Há ainda duas curiosidade na rã: parece que ela define cores e teria, então, mais preferência pelo azul (cor da
bandeira nacional de Israel) do que pelo vermelho (cor da
bandeira nacional das hordas asiáticas).
c. Definição escatológica. “ ...três espíritos imundos,
semelhantes a rãs” . Esse elemento, envolve uma certa
aparência daquilo que foi visto no Egito, em sua segunda
praga: a das rãs (Êx 8.1 e ss).
Vemos apenas no texto em foco, três espíritos, mas demoníacos; eles explicam as grandes hordas de “ rãs” naturais, como equivalente.
A rã é um animal imundo segundo a lei cerimonial; é
sinal de maldade.
99
1)
De acordo com o doutor W. Malgo, rãs são estranhos seres anfíbios. Elas vivem tanto nas escuras e enlameadas profundezas, como em solo firme sob o sol. Elas
podem ocupar a fantasia dos homens. Elas têm membros
semelhantes a eles. O que chama a atenção são seus olhos
extremamente grandes e o volume de voz desproporcional.
Apenas os machos possuem instrumento vocal, e
usam-no unicamente no famoso coaxar. A diferença entre
o macho e a fêmea, para quem olha, está no tamanho do
ouvido: no macho, é equivalente ao dobro do tamanho do
olho; na fêmea, ouvido e olho são do mesmo tamanho.
Muitas vezes elas surgem repentinamente das profundezas. Uma rã tem algo de misterioso e sinistro!
A simbologia profética aqui depreendida é, certamente que, a rã vive tanto na terra firme como na água. Os
espíritos imundos, de igual modo. Assim, eles podem tanto
convocar combatentes(96) da terra (os continentes) como
da água (as ilhas). O zoroastrismo dividia os animais em
duas categorias, bons e maus, mais ou menos como faziam
os judeus, em limpos e imundos. A rã era um animal imundo.
4. A Guerra e as Armas
Entre o povo de Deus tanto era conhecida a guerra
como suas armas. Mas havia, mesmo com armas humanas
uma participação de Deus na batalha: “ ...as guerras do
Senhor” (Nm 21.14; 1 Sm 25.28). As armas também eram
indispensáveis fosse qual fosse a batalha (Jz 18.1 e ss; ·Jr
21.4). Elas variavam tanto na forma como na material em
que eram feitas: sílex bronze e ferro. Pode-se classificá-las
em armas defensivas e ofensivas. Entre as mais conhecidas.
a.
Defensivas: - O pequeno escudo, mãghãn, para o
designar do escudo maior, çinnâ, também traduzido “ pavês” . Provavelmente, esta espécie de escudo menor era redondo, enquanto que o maior era ablongo, certamente de
madeira coberto de couro (Jr 46.3) igual aos escudos de ouro, de que fala 0 livro dos Reis (10.16); eram de ostentação.
O elmo, kôbha = capacete, pouco definido no reinado
de Saul (1 Sm 17.38), mas que foi muito usado a partir da
época de Uzias (2 Cr 26.14).
100
A armadura (Maddím = armadura defensiva (1 Sm
17.38); nêshep = armadura ofensiva, armas (2 Rs 10.2). Finalmente, essa espécie de armadura era sempre rara e apanágio dos chefes (1 Sm 17.5,38; 1 Rs 22.34).
As caneleiras, miehâ = grevas. Parte da armadura que
protegia as pernas entre cs joelhos e os tornozelos, sendo
mencionada apenas uma vez nas Escrituras: grevas (1 Sm
17.6).
Couraça, shiryôn = cota de malhas. Havia duas espécies: couro para os soldados e bronze para os líderes. A de
Golias era de bronze, visto ser o “ campeão” (1 Sm 17.5).
b. Ofensivas: - A funda, “gela” = 0 estilingue (1 Sm
17.40). Era usada principalmente pelos pastores palestinos. Mas segundo se depreende de outras passagens: era
arma de guerra. Exemplo (Jz 20.16; 1 Cr 12.2; 2 Cr 26.14);
em Jeremias 10.18, usa-se o gráfico metafórico da funda
como arma fatal.(97)
A lança, h^níth = a longa (1 Sm 17.7). Havia dois tipos
mais manejáveis (1 Sm 10.10 = a menor), e a grande mais
pesada, capaz de transpassar dois homens com um só golpe (Nm 25.7 e ss).
O dardo (Kidhôn = o punhal do ocidente, 2 Sm 18.14).
Havia também uma outra palavra, a rõmah, mas aparentemente usada apenas como lança (Jz 3.21).
A espada, herebh, é a arma ofensiva mais freqüentemente mencionada a Bíblia. A lâmina reta era de ferro (1
Sm 13.19) e algumas vezes tinha dois fios (SI 149.6; Hb
4.12). Era pendurada no cinto (h^ghôrâ).
O arco e a flecha, gesheth = arco - hês = flecha, mortalmente feria 0 coração (2 Rs 2.24). Algumas vezes as fiechas eram adaptadas para levar materiais incandescentes
= “ setas inflamadas” (SI 7.13 e 91.5).
A tocha, reluzente, que podia prestar na proximidade
os serviços que a flecha incandescente prestava à distância. Finalmente, embora bem menos freqüente que as anteriores, a massa, martelo (Pv 25.18; Jr 51.20).
Os carros de guerra, heb. “ aghãlâ” , devido o rolar das
rodas. Estes eram puxados por cavalos e ocupados por três
homens. Originalmente, usados no Egito e na Babilônia,
só apareceram em Israel na época de Salomão (2 Cr 9.25).
101
As máquinas de assaltos, do gênero “ catapulta” , de
que fala o livro de 2 Crônicas (26.15), também são mais
ofensivas que defensivas.(98)
O erite, mêphiç = cacetete. Essa arma freqüentemente usada entre os heteus, assírios, babilônios e elamitas. A
única menção bíblica fica em Jeremias 51.20, mas 0
hebraico “ mêphiç” , diz literalmente: “ ...espalhador” . Heródoto (VII. 63) descreve tal arma, que era levada pelas
tropas assírias do exército de Xerxes.(99)
c.
Além, do uso que se fará destas possíveis armas
(nem todas) ali naquele grande dia; outras armas e exércitos de caráter espiritual estarão também em foco!
O apóstolo João em seu Apocalipse (9.16-20) fala de
uma cavalariça infernal. Veja o que descreve o apóstolo:
“ E assim vi os cavalos nesta visão; e os que sobre eles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre...” (v 17). A visão vista por João sobre estes cavalos
compreende também os cavaleiros.
Os cavaleiros parecem ser de pouca monta em relação
aos cavalos, que causam maior terror; eles apavoram e destroem. A atribuição de caudas, como serpentes, àqueles
cavalos que sopravam fogo, os torna tremendamente grotescos.
Podemos observar que nos versículos anteriores, “ ...os
cavaleiros têm couraça de vermelho fogoso, azul fumegante e amarelo sulfúrico...” .(100) São verdadeiras couraças
que inspiram cisma e extremo terror. João vê aqui todos os
horrores daquela guerra, quando os adversários virão velozes como cavaleiros, fortes como leões, venenosos como
serpentes, a soprarem elementos que cegam e queimam
com poder mortal. Temos aqui, portanto, forças mortais,
letais, poderosas, maliciosas e incansáveis, enviadas contra a humanidade, por causa de seu pecado e de seu mundanismo.
5. A Luta Mortal
Segundo as Escrituras, ironicamente, o Anticristo iniciará seu governo mundial através de uma proclamação.
Utilizando-se de seu poder sólido que herdou do dragão
(Ap 13.2).
102
Por seu domínio absoluto sobre 0 mundo, no sentido
político, econômico e religioso, ele conseguirá arregimentar
o maior exército já visto do mundo: 200.000.000 de cavaleiros (Ap 9.16; 16.16).
Seu brilhantismo como líder será sobre-humano, pois
que estará sob o domínio e a direção do próprio Satanás.
Conforme já tivemos ocasião de explicar; durante seu governo de trevas ele aniquilará, cruelmente toda oposição.
Seu verdadeiro caráter é revelado pelos títulos que lhe são
apresentados nas Escrituras.
De acordo com a passagem do Apocalipse 16.13,14, os
exércitos do mundo vão reunir-se por influência demoníaca. De certa forma, isso acontecerá para consolidar a
cronologia bíblica na seqüência dos acontecimentos. Pois o
governante mundial, que se estabeleceu e conseguiu o
domínio do mundo inteiro pela ajuda de Satanás, passará
agora a ser atacado por exércitos que hão de entrar em
combate sob a inspiração de demônios enviados por Satanás.
a.
O ataque. O profeta Daniel descreveu um grande
exército vindouro da África, que incluirá não só o Egito
(pois esse já tinha sido destruído pelo anticristo: Dn 11.42)
mas também outros países desse continente (Dn 11.43-45).
Esse exército, provavelmente composto por milhões de soldados, atacará 0 Oriente Médio pelo sul. Ao mesmo tempo, conforme está predito (Dn 11.44), as forças do Norte e
outros exércitos mobilizarão outra poderosa força militar
para invadir a terra Santa e desafiar o ditador mundial.
Todavia, mesmo parecendo que o ditador mundial esteja obtendo 0 controle da situação, há de chegar um informe sobre 0 avanço de um exército oriental (Dn 11.44; Ap
16.12).
Nesse ponto, estará se desenrolando a maior batalha
de toda a história, na qual participarão centenas de milhões de homens e vai transformar a planície do Armage-
dom no maior campo de batalha. Na verdade os exércitos
mundiais serão congregadas numa antecipação à Segunda
Vinda de Cristo.
103
Todas as forças armadas do mundo estarão concentradas no Oriente Médio, prontas para lutar contra o poder de
Cristo quando Ele retornar do Céu (Ap 19.11 e ss).
b.
A intervenção de Deus. Conforme deixam claro os
acontecimentos subseqüentes, a operação militar será
completamente inútil e sem esperança naquele grande dia
do Deus todo-poderoso. Os exércitos do mundo não dispõem, de modo algum, dos equipamentos adequados para
a luta contra os exércitos do céu. Apesar disso, numa falsa
esperança, Satanás vai reunir as nações para essa hora final e, de fato, as nações decidirão ficar do lado dele e oporse à segunda vinda do Rei em glória (Salmo 2).
Chegará, porém, 0 momento decisivo! Deus na pessoa
de seu Filho descerá ali! Em vez de se humilharem, os lideres do mundo estarão dispostos a desprezarem tanto a
Deus como a seu Ungido. A demonstração decisiva de força entre Deus e as nações estará a ponto de ocorrer. Só falta a hora marcada para isso! Os profetas revelaram que todos esses episódios serão os preparativos para o grande
clímax da história sombria por ocasião do retorno de Cristo, do estabelecimento de seu reino na terra que se dará
por mil anos (Ap 11.15; 20.1 e ss). Portanto, tudo está predito e tudo deve acontecer! Oremos, portanto, para que sejamos havidos “ ...por dignos de evitar todas estas coisas
que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do
homem” (cf. Lc 21.36b).
* )’־A Ter. Sant, em Cores. S. Awwad. 1986
M) H arm ag. E. D. Ed. F. Israel, 1981
“) op. cit. E. D. 1981
*■' )׳Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
“ ) Dr. J . A. Seiss. O Apoc. 1865
*!) Dr. J . A. Seiss. O Apoc. 1865
) ״Aim. Ab. 1984
” ) op. cit. 1984
)״יIdem. 1984
) ״Geog. dos Cont. 1982
” ) op. cit. 1982
” ) Os Anjos; sua N at. e Ofic. 1987
) ״C. d a Rev. O Glob. Rur. Ano 1 n * 8 - 1986
' ) op. cit. A. D. L. 1986
“ ) W. M. Apoc. III. Vol. 1985
)!יJ . J . V. Allmen. Voc. Bibl. 1982
“ ) O Nov. Die. da Bibl. II Vol. 1983
” ) M. Hyslop. Iraq. XI (pt. I). 1949
'“ ) Apoc. v. p. c. S. P. S. 1987
104
1 0
A Grande Destruição
1. Á Fuga Predita
“ E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno
nem no sábado” (Mt 24.20).
O doutor Graham Scroggie diz que “ dois julgamentos” são referidos por Cristo aqui, um mais próximo e outro
remoto. Um ( 0 primeiro) refere-se à destruição de Jerusalém uns quarenta anos mais tarde, em 70 d.C. e o outro durante a parte final do sombrio tempo da Grande Tribulação (cf. Ec 3.15).
Estes dois julgamentos são claramente distintos e depois cada um se combina entre si em cada detalhe.
Em Lucas 2.12-24, observamos as palavras “ ...antes
de todas estas coisas” (v 12) e “ ...até” (v 24). A distinção
entre estes julgamentos é muito importante para o estudante da Bíblia: o primeiro refere-se ao cerco de Jerusalém
(a profecia teve seu primeiro estádio); o segundo, ao período sombrio da Grande Tribulação - especialmente seguido
pelo Armagedom (a profecia, então, terá sua consolida-
Ção).
105
a. O significado do pensamento aqui, segue mais ou
menos assim:
O Senhor Jesus primeiro lança um longo olhar até o
fim da presente era (Mt 24.6-14). Isto se dará, segundo se
diz, devido à sua natureza de não só ser “ ...Deus de perto,
diz o Senhor, e sim também Deus de longe?” (Jr 23.23b).
Então começa outra vez com mais particularidade (w
15.28) e prediz 0 destino da nação. As guerras e distúrbios
que haviam de seguir imediatamente não era o fim. As palavras de Mateus 24.1,2 foram literalmente cumpridas,
pois o general Tito Flávio Vespasiano mandou seus homens escavar alicerces da cidade toda, como também do
Templo, e mais tarde Terência Rufo lavrou o lugar. Assim
cumpriu-se literalmente Miquéias 3.12: “ Portanto, por
causa de vós, Sião será lavrada como um campo, e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa
(o Templo) em lugares altos dum bosque” . Cumpriu-se à
risca!
b. “ Quando pois virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo;
quem lê, atenda” (Mt 24.15). No contexto de Marcos:
“ ...quem lê, entenda” .
No grego hodierno (“ to bodelygma tês arêmõse’õs” ) expressão derivada do livro do profeta Daniel (9.27; 11.31;
12.11), que significa “ A abominação de Assolamento” .(101)
Estas palavras no que diz respeito à sua fase passada
foram aplicadas a Antíoco Epifânio, monarca selêucida,
que erigiu um altar a Zeus, no altar do Santuário do Senhor. Essa história encontra-se registrada em 1 Macabeus
1.54-64 e também no livro de F. Josefo, Antiguidades Judaicas, XII. 5.4. Mas no que diz respeito ao seu sentido escatológico, refere-se à profanação praticada pelo Anticristo
durante a Grande Tribulação, como é declarado em 2 Tessalonicenses 2.4: “ ...de sorte que se assentará, como Deus,
no templo de Deus, querendo parecer Deus” .
Porém, é evidente que, alguns acreditam que houve
uma participação intermediária por personagens de menor
envergadura, e que serviram de material para esta seção,
tais como Caligula (e outros menos importantes) que pia106
nejou a destruição do tem plo de Jeru sa lé m . Isso podia tornar-se figura daquilo que jaz a in d a no futuro (Ec 3.15).
c.
“ Então, os que estiverem n a J u d é ia fujam p a ra os
m o n te s ” (M t 24.16).
Se os apóstolos, por falta de fé, tivessem p erg untado
ao Senhor: “ Como poderem os fugir de u m a cidade cercada. assim, de exércitos?” então c e rta m e n te o Senhor lhes
teria respondido “ Aos hom ens é isso impossível, m a s a
Deus tudo é possível” . Deixem 0 p ro b le m a p a ra D eus resolver. E isso Ele fez! Josefo nos inform a que Céstio Galo
avançou com seu exército contra Jeru sa lé m , com grande
ira. e. sem q u a lq u e r razão a p aren te, retirou este exército.
Os cristãos fiéis em Jeru salém , reconhecendo nisso o
sinal m encionado por Jesus, em resposta às suas orações
(Mt 24.20). fugiram escap an d o p a ra as m o n ta n h a s de Pela. na Peréia.
E n tã o os exércitos rom anos ren o v aram seu cordão em
redor da cidade sen te n c ia d a e começou a grande vingança.
Eusébio revela-nos que os cristãos, lem b rando-se das
advertências do M estre, a n te a apro x im ação d as tro p as rom anas, fugiram p a ra a região já m e n c io n ad a (Pela), entre
as m o n tanhas, cerca de 27 quilôm etros ao sul da Galiléia,
m as essa profecia do Senhor ag u ard a u m c u m p rim e n to
ainda maior, no futuro (cf. Eusébio, Hist. Ecles. III, 5; Ap
12.6.14. etc).
2. A Harmonia dos Detalhes
“ E quem estiver sobre o telh ad o não desça a tir a r algum a coisa de sua c a s a ” (M t 24.17).
N outras versões m odern as ao invés de “ te lh a d o ” , temos “ e ira d o ” n e sta seção, ( )־'״Vários historiadores d a antiguidade informa-nos que, naqueles tem p o s podia-se fugir
de “ telhado em te lh a d o ” , sem descer ao solo, p o rq u a n to as
casas eram erigidas próxim as u m a s das outras, e seus telhados eram planos.
Os rabinos falavam sobre as e strad a s dos telhados.
Q uando se descia p a ra 0 que parecia u m lugar seguro, chegava-se a um átrio, de onde se a b ria m diversas po rtas da
casa. m as até mesm o nessa posição v antajosa, segundo Jesus. ninguém deveria aproveitar-se d a p ro xim idade das
portas.
107
Tudo isso, e mais ainda, aponta na sua fase final, para
o tempo sombrio da Grande Tribulação, mas é evidente
que, teve seu primeiro estádio no ano 70 de nossa era.
a. “ E quem estiver no campo não volte atrás a buscar
os seus vestidos” (Mt 24.18).
Como na seção anterior, “ vestido” aqui se traduz por
“ capa” em outras versões.(101) Ordinariamente, segundo
testemunho contemporâneo, ninguém pensaria em aparecer em lugares públicos apenas com sua veste interior, isto
é, sem a sua “ capa” , “ túnica” ou “ veste exterior” .
Porém, devido à grande prontidão, todos deveriam fugir do ponto onde se encontravam. 13e fato, tudo isso aconteceu como estava vaticinado, ninguém pereceu ali, a não
ser, os que se deram por inadvertidos.
b. “ Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias” (Mt 24.19).
Necessariamente, dois pontos importantes devem ser
aqui analisados: Primeiro, nosso Senhor fala das “ mulheres grávidas” ; e segundo, daquelas que “ amamentavam” .
1) Essas expressões dão à narrativa uma nota de lamento lúgubre, pois até mesmo funções naturais da vida,
que visam garantir a continuação da espécie humana, servirão de obstáculos e serão motivos de perigo. Isto é motivado, segundo se diz, pelo processo da inanição. A fuga seria tão repentina que traria conseqüências àquelas que estavam próximas de dar a luz.
2) Já no contexto imediato, diz nosso Senhor que também “ aquelas que amamentarem” serão atingidas. As jovens mães, cujos filhinhos são pequenos, ainda terão maior
dificuldade nessa fuga, portanto não será fácil fugir e cuidar dos bebês ao mesmo tempo.
Josefo e Eusébio afirmam que, no tempo da invasão romana, tais mulheres sofreram mais do que todas as outras,
e no futuro, que aponta para a Grande Tribulação, esses e
outros sofrimentos, serão vividos numa escala superior (cf.
Os 13.16).
c. “ E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado” (Mt 24.20).
108
Como n a seção anterior, esta, que segue, contém dois
elem entos im p o rtan tes. O prim eiro, diz respeito à fuga no
“ inverno” e 0 segundo, em dia de “ s á b a d o ” .
1) “ ...no in v ern o ” (v 20a). O historiador F. Josefo inform a-nos que a ad v ertên cia de Jesu s foi correspondida
pela oração dos discípulos.
O inverno n a P alestin a, g eralm en te inicia em l 9 de outubro e os cristãos d eix aram a cidade em 10 de setem bro,
p o rta n to , vin te dias antes.
T a m b é m no que diz respeito às condições atmosféricas, e sta v a m p e rfe ita m e n te favoráveis. U m a fuga em pleno inverno seria e x tre m a m e n te perigosa, p o rq u a n to as
condições do tem p o e sta riam péssim as, as e strad a s estariam escorregadias e até m esm o in tran sitá v e is, e os dias
seriam “ b rev es” e as noites “ longas” .(104)
2) “ ...no s á b a d o ” (v 20b). O sáb ad o p a ra os ju d e u s rep re sen ta v a te m o r e ao m esm o te m p o obstáculo. N inguém
nesse dia podia c a m in h a r m ais de 1000 m etros (cf. A t 1.12)
e com certa restrição. E m dia de sábado, os ju d e u s só podiam afastar-se de suas m o rad ias a d istâ n cia m en cio n ad a,
sem q u e b ra r o m a n d a m e n to sabático.
Outrossim, em dia de sábado os portões das cidades
eram fechados.("15) Porém, segundo nos informa os historiadores, os cristãos fiéis escaparam de tudo isso.
Eles saíram d a cidade no dia 10 do m ês (qu in tafeira), e 0 exército rom ano d e stru iu a cidade no dia 12 (sábado). P ortanto , as E sc ritu ras são infalíveis! T u d o que ali
aconteceu, em escala lim ita d a , foi a p e n a s u m estádio daquilo que sucederá d u ra n te a fuga dos fiéis no te m p o da
G rande T ribulação; pois, n a p rim eira fuga, os cristãos não
foram perseguidos d u ra n te a fuga; mas, d u ra n te a G ran d e
Tribulação. sim! (Cf. Ap 12.6,13,14 etc).
3. O I s r a e l F iel
“ E a m ulh er fugiu p a ra o deserto, onde já tin h a lugar
pre p a ra d o por D e u s..." (Ap 12.6a). E ste “ d e se rto ” conform e designa 0 term o, é 0 ' , ...lugar p re p a ra d o por D e u s ” dura n te a G rande T ribulação. Como já tivem os ocasião de
ver, no ano 70 d.C. Deus p rep aro u a cidade de Pela, u m a
das cidades de Decápolis. como “ refúgio” p a ra os crentes.
109
S e m e lh a n te m e n te , D eus u s a rá n o v a m e n te este método de proteção; só que d e sta vez, será P e tra , no m o n te
Seir, na te rra de M o ab e (Sela ou P e tra , a cidade d a Rocha
é u m a das m a ra v ilh a s do m un d o , localizada no su deste do
m a r M orto), como u m possível esconderijo. Pode acomod a r 250 mil pessoas. E p a ra lá, Deus e n v ia rá o Israel Fiel (a
m ulher) p a ra que seja p re serv a d a da “ vista d a s e rp e n te ”
(Ec 3.15; Ap 12.14).
< )"״DN v. p. v. S. P. S. 1987
('” )'־A Bibl. Sag. Ediç. Rev. e Atual. 4* Edic. 1980
("") O NT Int. v. p. v. R. N. Champlin, Ph. D. 1982
("") op. cit. R. N. Champlin, Ph. D. 1982
( )·' ״Idem. 1982
110
11
A Grande Carnificina
1. Os Corpos e as Aves
“ Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias” (Mt 24.28). No contexto de Lucas 17.37 lê-se: “ E,
respondendo (os discípulos), disseram-lhe: Onde, Senhor?
E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias” .
Alguns comentaristas acham que essas passagens de
Mateus e Lucas, respectivamente, tratam da destruição de
Jerusalém no ano 70 d.C. e que Jesus se referia à insígnia
militar dos soldados romanos, às águias. Outros, porém,
fazem aqui duas interpretações: Uma metafórica e a outra
profética.
a.
A primeira: A cidade de Jerusalém que também
compreende a Judéia; a capital desta, seria então “ o lugar
santo” , conforme era depreendido nas seguintes passagens
(Mt 24.15; 27.53; At 6.13). A nação judaica seria nesse caso, “ o cadáver” ou “ o corpo” . E que obedecendo a esta regra de interpretação, a frase “ deixado” , significaria, então,
os judeus deixados mortos espiritualmente e, por esse motivo, atrairiam as águias, os soldados romanos, ao seu País.
111
Enquanto que, no contexto: “ ...um será levado, e deixado o outro” (Mt 24.40), queria dizer: “ um deixado morto” , a presa das aves, e o outro, 0 crente fiel, “ levado por
meio de Cristo” para o deserto de Pela, na Peréia.
b.
A segunda: O “ lugar santo” de que falou Jesus seria
o Templo (1 Rs 8.29; SI 5.7; 2 Ts 2.4). Nesta interpretação,
que parece ser bastante lógica, a “ abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel...” seria, então, a introdução da Besta no Santuário de Deus (Dn 12.11; 2 Ts 2.4).
Enquanto que o “ cadáver” em Mateus e “ corpo” em
Lucas, formando assim, a locução plural, significaria, então, os soldados mortos no vale do Armagedom. E que, as
palavras de Jesus: “ levados e deixados” , têm então, a seguinte formulação:
Primeiro: “ ...será levado um” (24.40). Em Mateus
24.39, a palavra grega usada para levou que também se
traduz por levar, é “ airo” .
Segundo os rabinos, “ airo” tem o sentido de “ levado
para a destruição” como no Dilúvio. “ Até que veio o dilúvio, e os levou (para a destruição) a todos” . Já na seção seguinte (v 40), levou é “ paralambano” , trazendo em si, o
sentido de “ levado para receber uma recompensa ao lado
de alguém” .(106)
Segundo: “ ...e deixado 0 outro” (24.40). O vacábulo
“ paralambano” é empregado em Mateus e Marcos
(1.20,24; 26.37; 4.26; 5.40): traduzindo o sentido de “ receber” .
No conceito de B.W. Newtin: “ Uma consulta dos
versículos 39-41 de Mateus 24, mostra a relação das palavras “ um será levado” com 0 levar os santos por Cristo.
Nesta forma de interpretação, é invocada a passagem de
Mateus 26.37 para expressar o significado do pensamento.
Isto denota que, “ levado” aqui, quer dizer, levado por
Cristo no momento da grande batalha no vale do Armagedom, isto é, referindo-se aos judeus e aos gentios convertidos do período sombrio da Grande Tribulação. Já a segunda locução proverbial: “ deixado” , quer dizer, deixado
morto (os infiéis) à destruição das aves.
Em realidade, nesse caso, as “ águias” mencionadas
por Jesus em Mateus (24.28) e Lucas (17.37) são abutres
112
que os antigos aceitavam como uma raça de águia especial
(Jó 39.30; Os 8.1). Plínio enfatiza isso em sua História Natural.(107)
1) Trata-se do abutre, que ultrapassa a águia em tamanho e poder. A Versão Brasileira traduz também águia
por abutre, com sentido geral de todas as aves de rapina
(cf. Ez 39.17-20; Ap 19.17-21). Sua natureza é sempre vasada num corpo tombado: pois “ ...onde há mortos, ela aí
está” (Jó 39.30; Mt 24.28; Lc 17.37; Ap 19.17-21).
2) Aristóteles observa em seus escritos que esses pássaros têm a capacidade de farejar a sua vítima a grande
distância, e que, com freqüência, acompanhavam os exércitos.
Lemos também que durante a guerra russa, grande
número desses pássaros se ajuntou na península da Criméia, e ali estacionou até o fim da campanha, nas cercanias do campo, embora antes, dificilmente fossem vistos
naquela parte do País.
Também lemos que esses pássaros seguidores dos
exércitos mortais, seguiram a Napoleão Bonaparte nos
campos gelados da Rússia.
2. O Alcance do Argumento
A palavra “ cadáver” nesta colocação deriva-se do
verbo grego, que no original significa “ cair” , e fala de um
corpo caído.
Já o nosso termo português “ cadáver” vem do vocábu10 latino “ cado” , - “ cair” . Tudo isso aponta para a grande
carnificina do vale do Armagedom “ ...naquele grande dia
do Deus todo-poderoso” . Estas aves serão convidadas a
participarem da “ ceia do grande Deus” (Ap 19.17 e ss),
provida por aqueles que rejeitaram “ a ceia das bodas do
Cordeiro” (Ap 19.9).
A passagem de Apocalipse 19.18 mostra vários grupos
que proverão comida para as aves, de todas as camadas da
sociedade e de várias ocupações, mas, especialmente,
aqueles que estiverem envolvidos naquela sombria luta.
Na antigüidade, os “ reis” não somente enviavam seus
súditos à guerra, mas também, às vezes, os acompanhavam (2 Sm 11.1: 1 Rs 22.4 e ss). Seus soldados, treinados
113
para lutar e matar, usavam toda a espécie de armas mortíferas.
Alguns deles são livres, e outros escravos. Alguns irão
voluntariamente, e outros por serem forçados. Alguns serão pequenos, conforme os homens aquilatam as coisas, e
outros serão grandes.
Desse modo, pois, João retratava a universalidade da
matança. Os homens do Anticristo escolheram andar pela
carne e não pelo espírito, e, então, a sua própria carne será
comida, literalmente.(108)
a. Como já tivemos ocasião de expor na seção anterior,
as passagens de Mateus 24.28 e Lucas 17.37, citadas por
Jesus, apontam diretamente para esse tempo do fim. É
verdade que, no ano 70 d.C., houve alguns fatos parecidos;
porém, em menor escala. Ali, porém, tudo será consolidado em escala plena.
Naquele dia sombrio (literalmente falando, será mesmo sombrio o dia daquela batalha - Is 13.10; Zc 14.6,7; Ap
19.17), estará ali presente o grande exército da Besta (200
000 000) congregados em Armagedom para a peleja (Ap
16.16).
Estas seções mostram-nos a grande diferença entre as
Bodas do Cordeiro e a ceia do grande Deus. As Bodas serão
de prazer, mas, a grande ceia de Deus será de destruição.
Nesta ceia as aves comerão a carne dos “ reis” e seus “ aliados” , ao passo que nas Bodas do Cordeiro os santos festejarão com Cristo como Rei dos reis e Senhor dos senhores.
b. O doutor Moffatt diz em seu “ EXPOSIÇÃO DO
NOVO TESTAM EN TO GREGO - SEÇÃO DO APOCALIPSE” - “ No mundo antigo, o pior opróbrio possível contra os mortos era jazerem eles insepultos, presas dos pássaros” . A mitologia grega, desde Homero, explicava que os
mortos humilhados não podem, em espírito cruzar para a
outra vida, e portanto, ficarão num lugar de isolamento
sem misericórdia.(109)
('«) A Bibl. Exp. S. E. Mc N air. 1956
(' ) ״H ist. N at. IX - 3
('“ ) Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
(IOT) O NT Int. v. p. v. R. N. Champlin, Ph. D. 1982
114
12
O Julgamento das Nações
1. O Juízo das Nações Vivas
(O Vale de Josafá)
“ Movam-se as nações, e subam ao vale de Josafá; porque ali me assentarei, para julgar todas as nações em redor” (J1 3.12).
Após os sete anos de angústia, Cristo descerá para terminar com a guerra do Armagedom e, após aprisionar o
Anticristo e seu falso profeta (Ap 19.20), jogando-os no ardente Lago de Fogo, nosso Senhor seguirá direto para o
“ vale de Josafá” , onde segundo nos é dito, terá início o julgamento daquelas nações que sobreviveram àquelas catástrofes já mencionadas.
Há entre os estudiosos da Bíblia grande discrepância
quanto ao juízo discriminado aqui, em Joel 3 e Mateus 25.
Para alguns comentaristas Joel 3.12 focaliza o “ Juízo Final” que, terá início aqui e se consolidará em Apocalipse
20.11-15.
Para outros, porém (o que nós aceitamos), trata-se do
“Juízo das Nações” logo após a Grande Tribulação e imediatamente, seqüenciado pelo Milênio.
115
Este julg am en to , como já ficou esclarecido, não é 0
ju lg a m e n to do “ G ran d e Trono B ra n c o ” (ver no tas expositivas sobre isso em “ O Juízo F in a l” - cap. 19) e, sim. daqueles “ ...que re s ta ra m de to d a s as nações que vieram contra J e r u s a lé m ...” (Cf Zc 14.16); m a s que, sem dúvida, incluirá ta m b é m aquelas nações que d u ra n te séculos recon h eceram Israel como nação do Senhor (SI 122.6; M t
25.40).
a.
Onde será? E s te ju lg a m e n to das nações vivas se dará no “ Vale de J o s a fá ” (J1 3.2 e ss), que p ro feticam en te é
ta m b é m c h a m a d o de “ O Vale da Decisão - decisão do Sen h o r” (J1 3.14).
“ O Vale de J o s a fá ” encontra-se hoje lite ra lm e n te
guarnecido de tú m u lo s de ju d e u s e m ao m etan o s. E stá
tran sfo rm ad o assim, no m ais antigo e m aior cem itério judeu do m un d o .
M u ito s ju d e u s chegam a J eru sa lé m p a ra n ela m orrer e
serem sepultad o s p erto do Vale de Jo safá onde, acreditase, terão lugar a Ressurreição e 0 Juízo F in a l (cf. J1 3.1,2).
C ristãos e m u ç u lm a n o s c o m p a rtilh a m d a m esm a
crença e seus tú m u lo s estão situados no lado ocidental do
Vale.
Seu nom e a tu a l é W ady S iti M iria m . É form ado pelo
Ribeiro de Cedrom (Jo 18.1) do lado o rien tal d a cidade de
Jeru sa lé m . O1")
1) Jesus deve tê-lo cruzado in ú m e ra s vezes, ou q u an d o
se dirigia ao T em p lo atrav és do P o rtão de Ouro, ou ao subir o M onte d as Oliveiras onde c o stu m av a p e rn o ita r no
G etsêm ani ou em B etân ia. n a casa de seu amigo Lázaro.
Com to d a certeza, passou por este Vale n a m em orável
quinta-feira, quan d o , do Cenáculo, foi com seus discípulos
pa ra o G etsêm an i e, m ais tard e, em sentido contrário,
qu an d o tra íd o e depois conduzido p a ra a casa do sum o sacerdote Caifás.
2) No Vale de Cedrom e n co n tram -se q u a tro antiquíssim as sepultu ras, tid a s como sendo as d e Absalão, Josafá,
Tiago e Z acarias.(111) O estilo arq u itetô n ico destes tú m u lo s
d e m o n stra que eles são de u m período m ais antigo que o
helenístico e que, provavelm ente, te ria m sido construídos
por fam ílias de Jeru salém .
116
Dada a tradição judaica de que ali se dará o Juízo Final, o Vale de Josafá tem se transformado numa grande
necrópole onde tantos judeus como muçulmanos e cristãos
aspiram ser enterrados.(112)
3)
Embora o Vale de Cedrom tenha sido identificado
como o Vale de Josafá desde 0 quarto século da nossa era;
contudo, não se sabe perfeitamente porque teve esta origem, a não ser aquilo que se depreende dos textos e contextos que trazem o seu nome.
Alguns opinam que, talvez em razão de o rei Josafá ter
conseguido uma grande vitória sobre Amom e Moabe no
deserto ao sul da Judéia, essa vitória se tenha tornado figurativa do juízo que Deus aplicará por meio de Jesus Cristo
contra os adversários de Israel.
Outros porém opinam que isso se deu por motivo de
sua sepultura ter sido ali.
b.
Quando será? O juízo das nações vivas descrito em
Mateus 25.31-46, dar-se-á no fim da Grande Tribulação,
que terminará com a vinda gloriosa de Cristo em glória
(Parousia). O profeta Daniel descreve a cronologia destes
acontecimentos.
“ E desde o tempo em que o contínuo sacrifício foi tirado, e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos
e noventa dias. Bem-aventurado o que espera e chega até
mil trezentos e trinta e cinco dias” (Dn 12.11,12).
A Grande Tribulação, que sé prolongará por sete anos,
terá sua parte mais cruel na sua segunda metade (três anos
e meio), compreendendo a parte final da semana profética
de Daniel (Dn 9.24-27; Mt 24.15,21). Seu ponto marcante
dar-se-á com a vitória do arcanjo Miguel sobre os exércitos
sombrios de Satanás (Dn 12.1; Ap 12.7 e ss), e terminará
com a ressurreição corporal dos santos mártires da Grande
Tribulação (Ap 20.4).
Embora o período final deste tempo de angústia tenha
a duração de apenas 1260 dias (três anos e meio), menciona-se um período adicional de mais 35 dias para a purificação e restauração do Templo (Dn 12.11). E ainda outro
117
período de 45 dias antes que seja experimentada a plena
bênção do Reino Milenar (Dn 12.12).
c.
Ora, numa divisão geral dos números que temos
nesta seção, 0 resultado é o seguinte:
Primeiro: Um período de 1260 dias (três anos e meio)
até a destruição e prisão da Besta e seu consorte (Dn
12.7,11; Ap 19.19,20).
Segundo: Um período de 1290 dias (Dn 12.12), acrescentando-se 30 dias.
Terceiro: Um período de 1335 dias. Está escrito em
Mateus 24.22, que, “ ...se aqueles dias (1335) não fossem
abreviados (para 1260 dias), nenhuma carne se salvaria;
mas, por causa dos escolhidos (os judeus), serão abreviados aqueles dias” . Devemos ter em mente 0 significado da
frase: “ abreviados” e deduzir o sentido do argumento.(11 )
Tomando-se 0 início da metade da semana profética
de Daniel 9, a Grande Tribulação terminará no final dos
1260 dias (parte final dos sete anos).
Durante os 30 dias que se seguem, se dará exatamente
Juízo das Nações vivas, conforme temos aqui nesta seção.
0
No período dos 45 dias restantes, a terra passará por
uma purificação, para que tenha lugar, o início do Reino
Milenar.(1")
2. Quem Será Julgado Ali?
Diante deste tribunal, três classes estarão presentes:
As ovelhas (v 33); os bodes (v 33b); e os irmãos (v 40).
a. “ ...As ovelhas” (os iustos) ficarão ao “ lado direito
do Rei” .
b. “ ...Os bodes” (os ímpios) ficarão ao “ lado esquerdo
do Rei” .
c. “ ...Os irmãos (os judeus); ficarão “ diante do Rei” .
Este julgamento, como já tivemos ocasião de ver, diz respeito aos vivos e não aos mortos. Será feito tendo em vista
como as nações trataram Israel na presente era. Isto é sem
dúvida, uma “ espécie de seleção” para o Milênio, a fim de
118
que não se inicie essa nova jun ção dos séculos com pessoas
de m a u caráter.
Este ju lg a m e n to é como u m a espécie de “ trib u n a l inte rm e d iá rio ” pois. sem dúvida, m u ito s destes passarão
a in d a pelo ju lg a m e n to do G ran d e Trono Branco. Isso se
dará. conforme se vê em Apocalipse 20.8 e ss, com os que,
convertidos do Milênio, aderirão à revolta de S a ta n á s.
Observemos a diferença que existe en tre esse juízo das
nações e 0 Juízo do G rand e Trono Branco:
(A) M A T E U S 25.31-46
(tí) A P O C A L IP S E 20.11-10
-
-
O das nações
Na terra
Antes do Milênio
Não é precedido por ressurreição: com exceção
de Ap 20.4.
- ’I'rata-se dos vivos
- '!'rés classes serão julgadas: ovelhas, bodes e irmãos
- Um ju lg a m e n to nacional:
meus irmãos
Ausência de livros
O final
No espaço
Depois do M ilênio
Precedido pela segunda
ressurreição
- T rata-se dos mortos
- U m a só classe: os perdidos
- Um ju lg a m e n to individual: cada “ u m ”
- Livros abertos
Portanto, leva-nos a e n te n d er e v id e n te m e n te que não
se tra ta do m esm o julg am en to . Um está d is ta n te do outro,
pelo menos mil anos! E um é dos vivos e o outro é dos mortos.( )
A T e r. S a n t. em Cores. S. A w w a d. 1986
( " ) o p . cit. S. A w w a d . 198(1
( ) id e m . 1986
("') DN. v. p. v. S. P. S. 11)87
("') DN. F-H. 1964
(" ) Apoc. v. p. v. S. P. S. 19x7
119
1 3
Tudo Sobre Dispensações
1. As Sete Dispensações
Pela ordem dos acontecimentos, este capítulo deveria
ser ocupado pelo Milênio. Porém, para uma melhor compreensão do significado do pensamento, estudaremos antes: As Dispensações e As Alianças.
Uma “ dispensação” é um período de tempo em que o
homem é experimentado em relação à sua obediência a alguma revelação especial da vontade tanto permissiva
como diretiva de Deus. Na Bíblia podem discriminar-se
“ sete” dispensações:
1? - Da Inocência. 2? - Da Consciência. 3? - Do Governo Humano. 4? - Da Promessa. 5? - Da Lei. 6? - Da Graça.
7? - Do Reino.(1"5)
a. Sua definição. A palavra “ dispensação” tem na
Bíblia vários métodos de aplicação. O termo, porém, vem
do latim (“ dispensatio” ), que quer dizer “ dispensar” ,
“ distribuir” .
É esta palavra que a “ Vulgata” usa para traduzir a
palavra grega (“ oikonomia” ), que significa “ a direção ou
manejo dos afazeres dos empreendimentos da vida” .
121
Quando este termo é analisado do ponto de vista local, refere-se, em alguns casos, não em todos, a “ um dispenseiro”
ou na acepção da palavra “ um mordomo” (Lc 16.2).
Com tal sentido 0 termo é visto nas seguintes passagens: Lucas 12.42; 16.1,3: Romanos 16.23; 1 Coríntios
4.1,2; Gálatas 4.2; Tito 1.7; 1 Pedro 4.10: 10 vezes.
Em Romanos 16.23 é traduzido “ procurador” : em 1
Coríntios 4.1; Tito 1.7; 1 Pedro 4.10 é traduzido “ despenseiro” ; em Gálatas 4.2 é traduzido “ curador” , e nas passagens de Lucas 16.1,3 é traduzido “ mordomo” .
b.
Já o outro substantivo “ oikonomia” encontra-se
nove vezes na Bíblia. Em Lucas 16.2,3,4, é traduzido
“ mordomia” ; em 1 Coríntios 9.17; Efésios 1.10; 3.2,9; Colossenses 1.25 é traduzido “ dispensação” , sendo que, segundo se depreende, tem o sentido probatório de Deus em
relação ao homem. Mas restritamente falando, existe “ uma dispensação” para cada ser humano (cf. 1 Co 9.17).
2. 1? Dispensação: A da Inocência
A primeira dispensação é a da inocência. Ela teve início na criação e se estendeu até a queda de Adão. O tempo
não nos foi revelado.
Gênesis 1.28, mostra-nos as condições desta dispensação. O homem foi colocado num ambiente perfeito, sujeito
a uma lei simples, e advertido das conseqüências da desobediência. Nesta dispensação, como pode ser visto em outras que se seguem, não podemos fixar uma data precisa
na escala do tempo.
Adão e sua esposa eram como crianças no que diz respeito à “ malícia e à maldade” , antes de despertarem para
a concepção do “ EU” . Ela terminou com o julgamento e
expulsão do casal do Jardim do Éden (Gn 3.24). Evidentemente, esta dispensação terminou sua ação em Gênesis
3.7, mas seu efeito, continuou até Gênesis 3.24.(117)
3. 2? Dispensação: A da Consciência
Esta dispensação começou em Gênesis. E, durou cerca
de 1.656 anos: de “ O ” (zero) a 1656 a.C., abrangendo o
período desde a queda do homem até o Dilúvio (Gn
7.21,22).
122
Pela sua desobediência, o homem agora chegou a ter
um conhecimento pessoal e experimental do bem e do mal
- do bem como a obediência e do mal como a conhecida
vontade de Deus, pois, fora dela, seria então, o terreno do
mal. Mediante esse conhecimento, a sua consciência acorda. Expelido do Éden, e posto sob a segunda Aliança, a
Adâmica, 0 homem era responsável para fazer todo o bem
que conhecia, e de abster-se de todo o mal que lhe cercava,
e de aproximar-se de Deus mediante o sacrifício.
O resultado desta segunda prova do homem é declarada em Gênesis 6.5, e a dispensação da Consciência terminou com o julgamento do Dilúvio sobre o mundo dos
ímpios.
4. 3? Dispensaçào: A do Governo Humano
Esta dispensação começou em Gênesis 8.20 e perdurou cerca de 427 anos. Desde o tempo do Dilúvio até a Dispersão dos homens sobre a superfície da terra, sendo consolidada com a chamada de Abraão (Gn 10.25; 11.10-19;
12.1 e ss).
Sob a Inocência, como sob a Consciência, o homem
fracassou inteiramente, e o julgamento do Dilúvio marca o
fim da segunda dispensação e o começo da terceira. A declaração da Aliança com Noé sujeita a humanidade a uma
prova. Ele, Noé, o sobrevivente do Dilúvio, era o pai do Século Pós-diluviano e do mundo presente. Embora sendo da
décima geração depois de Adão, ele nasceu apenas 14 anos
depois da morte de Sete.
Durante essas 8 gerações e por mais de 350 anos ele viveu entre os homens daquela nova geração depois do Dilúvio. O novo mundo, portanto, teve um pai piedoso.
5. 4? Dispensação: A da Prom essa
Esta dispensação teve início com a Aliança de Deus
com Abraão, cerca de 1963 a.C., ou seja 427 anos depois do
Dilúvio. Sua duração foi de 430 anos (G1 3.17; Hb 11.9,13).
Esta dispensação é também chamada por alguns eruditos, como “ A Dispensação Patriarcal” . Por meio dela,
Abraão e seus descendentes vieram a ser herdeiros da pro123
m e ss a .(lls) Nela. podem os observar dois pontos im p o rtan tes:
a. A Aliança é da graça e sem condições. Os descend entes de Abraão h av iam a p en a s de ficar n a T erra Prom etida, C anaã, p a ra h e rd a r a bênção. No Egito p e rd e ra m as
bênçãos, m as não a Aliança. A dispensação d a prom essa
term inou qua n d o Israel tão facilm ente aceitou a Lei ÍÊx
19.8).
A graça tin h a fornecido u m libertador. Moisés, fornecido um sacrifício p a ra o culpado, e por divino poder libertado Israel da escravidão egípcia (Êx 19.4). m as em Sinai
tro c a ra m graça por lei.
b. A dispensação d a prom essa se estende de Gênesis
12.1 a Êx 19.8, e era exclu siv am en te israelita. N este ponto.
Scofield diz: “ Im p o rta d istin g u ir dispensação de aliança.
A prim eira é u m modo de e x p e rim e n ta r 0 estado espiritual
do povo; a segunda, porém, é etern a, porque é incondicional. A lei não an u lo u a alian ça a b ra â m ic a (G1 3.10-18),
m as era u m a m e d id a disciplinar “ a té que viesse a posteridade a quem fora d a d a a p ro m e ssa ” (G1 3.19-29; 4.1-7). A
dispensação som ente, como meio de provar a Israel, term inou com o esta b e le cim en to e aceitação d a L e i” .(11)
6 . 5? Dispensação: A da Lei
“ E s ta dispensação perd u ro u cerca de 1430 anos: do Êxodo do Egito até a crucificação d e Cristo. E la teve início
em Êxodo 19.8: c o n te x tu a d a em João 1.17 que diz: “ ...a lei
foi d a d a por M oisés” . Aqui com eça a q u in ta dispensação, a
da Lei. E s ta se esten d e do Sinai ao Calvário; do Êxodo à
Cruz.
“ A história de Israel no deserto e n a te rra d a promissão é u m a longa história d a violação d a Lei. A prova d a nação te rm in o u no ju lg a m e n to dos Cativeiros, m a s a dispensação p ro p ria m e n te d ita term in o u n a cru z” .
E m G á latas 3.24,25, P a u lo diz que a dispensação d a
lei teve u m c a rá te r prospectivo e a p o n ta v a p a ra Cristo.
“ De m a n e ira que a lei nos serviu de aio, p a ra nos conduzir
a Cristo, p a ra que pela fé fôssemos justificados. M as, depois que a fé veio, já não estam os debaixo de a io ”.
124
7. 6■ Dispensaçào: A da Graça
E s ta dispensaçào começou com a m orte e ressurreição
de nosso Senhor Jesu s Cristo e te rm in a rá em p le n itu d e
com o a rre b a ta m e n to da Igreja; porém, oficialm ente falando. seus efeitos co n tin u a rã o até Apocalipse 8.1-4.
N e sta dispensaçào contam os ta m b é m com a nova
aliança no sangue de Cristo. T a l q u al M oisés foi m ed ia d o r
da aliança mosaica, assim Cristo é M ed ia d o r d a nova
aliança (H b 8.6; 9.15; 12.24). Com a v in d a de Cristo, a velha aliança, a mosaica, term inou, como P a u lo afirm a em
R om anos 10.4; G á latas 3.19. N e sta d isp en saçào e aliança,
há u m peso de prom essas e glórias.
Existe, p o rtan to , con traste en tre a dispensaçào d a lei
e da graça: A graça de Deus em Jesu s Cristo en co n tra os
pecadores e os ju stifica - perdão dos pecados - justificação,
redenção (Cl 2.13). P a ra este alvo J e su s Cristo deu sua
vida (2 Co 8.9; 1 T m 1.14). A graça, neste sentido, é m ais
fre q ü e n te m e n te m en c io n ad a em oposição a outro meio de
salvação: a circuncisão e a observação da pró p ria lei ( At
15.11 e ss). as obras da lei (Rm 11.6).
N este sentido, porém, a graça não an u lo u a Lei, m as
antes, cum priu -a.
Os m a n d a m e n to s, com exceção do q u arto, 0 sábado,
foram repetidos n a nova alian ça do E vangelho, d a seguinte
m aneira: l 1( ־M t 4.10); 2( >׳Jo 5.21); 3? (M t 5.34-37).
O sáb ad o é m ecencionado nos atos so m en te com referência aos judeus, e no resto do Novo T e s ta m e n to só d u as
vezes como citações e não como observação. (Cl 2.16; H b
4.4): p o rta n to , o q u a rto não co nsta (Rm 14.5); 5■ (E f 6.1);
6" (G1 5.21): 7( ״G1 5.19); 8‘·( ׳E f 4.28); 9" (Ef 4.25); 10? (Ef
5.3).
8. 7* Dispensaçào: A do Reino
E s ta dispensaçào terá. de acordo com a p rópria Escritura. a d u racào de 1000 anos (Ef 1.9,10; Ap 10.7; 11.15;
20.1-60.
É a dispensaçào d a p le n itu d e dos tem pos. P a r a ela
convergem todos os tem pos, alianças e profecias d a Bíblia
que, no decorrer dos séculos, foram v a tic in a d as pelos pro125
fetas, pelos apóstolos e pelo próprio Senhor.( ) ־E s ta dispensação é ta m b é m c h a m a d a de “ a dispensação do governo d iv in o ” , isto é. segundo se diz, pelo fato de que. d u ra n te
sua existência. D eus estabelecerá seu governo teocrático
n a terra.
E s ta ú ltim a dispensação, que é a “j u n t u r a " do presente século e do vindouro, fornece p a ra os e stu d a n te s da
Bíblia um nítido exem plo de sobreposição das dispensações, isto é, que às vezes há u m “ período” tran sitó rio en tre
u m a e outra.
“ As suas fronteiras não são b em d e m a rc a d a s. Assim
vemos que certos prenúncios do Milênio a p re se n ta m -se
pelo m enos sete anos antes, servindo de in tro d u ção a este
período” .(1-1)
("‘) Scofield, C. I. (Scofield Reference Bible;
(" )זop. cit. Scofield
(" )״O Plan. Div. A trav. dos See. N. L. O. 1981
(' ) ״Scofield, D. C. I. (Scofield Reference Bible)
(' )"־op. cit. Scofield
(' )''־Um Est. do Mil. M. J. E. 1982
126
1 4
As Alianças Existentes
1. As Oito Alianças
Além das dispensações outorgadas ao homem, Deus
estabeleceu também oito alianças, concertos ou pactos.
Verdade é que alguns teólogos opinam por 12 alianças
e não por oito apenas e citam estas: a aliança da redenção
(Tt 1.2; Hb 13.20); a aliança das obras (Ap 20.13); a aliança da graça universal (Rm 4.5-8); a aliança para Israel (Jr
31.31-34; Hb 8.7-12). Porém, é evidente que, necessariamente, estudaremos aqui oito.
2. 1? Aliança: A Edênica
Esta aliança, que condicionou a vida do homem no estado da inocência, é denominada de - aliança edênica (Gn
1.28). Por esta aliança Deus concedeu ao homem plena inteligência. intuição e capacidade administrativa, pelas
quais regeria toda a criação na qualidade de responsável
perante Deus.( )־־
Esta aliança tem “ sete elementos” . O homem e a mulher no Éden haviam de:
127
a. - Encher a terra de uma nova ordem - a humana.
b. - Subjugar a terra a proveito humano.
c. - Ter domínio sobre a criação animal.
d. - Comer dos frutos sem restrições, conforme Deus
ordenou.
e. ־Zelar pelo Jardim: “ ...lavrar e o guardar” .
f. - Abster-se de comer da árvore da ciência do bem e
do mal.
g. - A penalidade pela desobediência: a morte. Adão e
sua mulher estavam divinamente advertidos. Mas infelizmente falharam e, necessariamente, foi preciso Deus estabelecer com eles, já dentro dos limites da dispensaçào da
consciência, uma segunda aliança: a adâmica.
3. 2? Aliança: A Adâmica
Esta aliança determina a vida do homem decaído,
marcando condições que prevalecerão até a época do Reino, quando “ ...a mesma criatura será libertada da servidão
da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de
Deus” (Rm 8.21b). São os seguintes elementos:
a. - A serpente, instrumento de Satanás, amaldiçoada.
b. - A primeira promessa de um Redentor.
c. - A condição da mulher, mudada em três sentidos:
Primeiro: Conceição multiplicada (Gn 3.16a).
Segundo: Maternidade ligada com sofrimento (Gn
3.16b).
Terceiro: Sujeição ao homem (Gn 3.16c). Esta sujeição foi ocasionada pela ordem do pecado, então torna necessário 0 governo, que compete ao homem (Ef 5.22-25; 1
Tm 2.11-14).
d. - A terra amaldiçoada por causa do homem. Mas 0
Criador acrescenta para Adão: é melhor para o homem caído lutar com uma terra difícil, do que viver sem trabalhar
(alterado).
e. - O inevitável cansaço da vida.
f. - O leve trabalho do Éden (Gn 2.15), mudado para
serviço laborioso (Gn 3.18,19).
128
g.
- A morte física (Gn 3.19; Rm 5.12,21); para a morte
espiritual também já havia sentença: a morte estava dentro dele (Gn 2.17; Lm 1.20) se viesse a desobedecer.
4.
Aliança: A Noélica
A aliança noélica (Gn 9.1-17); segundo o doutor C.I.
Scofield, suas bases são:
a. - Confirmação de que o homem seria relacionado à
terra, conforme a aliança adâmica (Gn 8.21).
b. - Confirmação da ordem da natureza (Gn 8.22).
c. - Estabelecimento do governo humano (Gn 9.1-6).
d. - Garantia de que a terra não sofreria outro dilúvio
universal (Gn 8.21; 9.11).
e. - Declaração de que Cão procederia uma posteridade inferior e servil (Gn 9.24,25).
f. - Declaração profética de que haveria uma relação
espiritual entre Deus e Sem (Gn 9.26,27).
g. - Declaração profética de que de Jafé procederiam
as raças: “ dilatadas” , em que governos, ciências, artes,
etc., deveriam ser, geralmente, deste filho de Noé (Gn
9.27). Assim, a história tem confirmado o exato cumprimento dessas declarações.
5. 4? Aliança: A Abraâmica
Esta aliança começa em Gênesis 12.1-3 e ss e é confirmada em Gênesis 13.14-17; 15.4,5,17,18. A aliança abraâmica, segue também, paralelamente a ordem das anteriores, isto é, contém também sete partes distintas, que são:
a. - “ ...far-te-ei uma grande nação” : em sentido natural e espiritual.
b. - “ ...abençoar-te-ei” : em dois sentidos - materialmente (Gn 13.14,15,17 e ss) e espiritualmente (Gn 15.6; Jo
8.56).
c. - “ ...engrandecerei o teu nome” . Abrão: posteriormente Abraão é um dos nomes universais.(121)
d. - “ ...tu serás uma bênção” (Gn 12.2). Convém notar que 0 termo “ aliança” aparece por 300 vezes na Bíblia.
Porém no Novo Testamento ocorre somente 33 vezes. Quase metade destas ocorrências se acham em citações que
vêm do Antigo Testamento, e outras 5 claramente se alude
129
a declarações do Antigo Testamento, mas sempre com ο
sentido de uma “ aliança maior” ou "aliança superior” .
Mas, é evidente que. em todas essas conexões, alude-se direta ou indiretamente ao nome de Abraão.
e. - “ ...abençoarei os que te abençoarem” .
f. - “ ...amaldiçoarei os que te almadiçoarem. Até hoje
costuma ir mal a nação ou povo que persegue os judeus.
g. - “ ...em ti serão benditas todas as famílias da terra” . Esta é a grande promessa evangélica, cumprida na
descendência de Abraão, personificada em Cristo (G1
3.16).
6.
5? Aliança: A da Lei
A aliança mosaica foi dada a Israel com três divisões,
cada uma essencial às outras, e conjuntamente formado a
aliança mosaica. São:
a. - Os Mandamentos; expressões da vontade de Deus
para seu povo (Êx 20.1-26).
b. - Os Juízos; governos da vida social de Israel (Êx
21.1 a 24.11).
c. - As Ordenanças; governando a vida religiosa de Israel (Êx 24.12 a 31.18). Estes três elementos formaram um
só sistema religioso.
Semelhantemente, a Lei foi dada de três maneiras, a
saber:
1) Verbalmente (Êx 20.1-17). Isto era Lei pura, sem
nenhuma provisão de sacerdócio ou sacrifício, e foi acompanhada das “ ordenanças” (Êx 21.1 a 23.13), relativas às
relações de hebreus com hebreus, a isto foi acrescentado
Êx 23.14-19, direções referentes às três festas anuais (Êx
23.30-23), e instruções sobre a conquista de Canaã.
Estas palavras Moisés comunicou ao povo (Êx 24.3-8).
Imediatamente, na pessoa dos seus anciãos; foram admitidos à presença de Deus (Êx 24.9-11).
2) Moisés foi então chamado por Deus ao monte para
receber as Tábuas de Pedra (Êx 24.12-18). A história então
se divide. Moisés no monte recebe instruções referentes ao
Tabernáculo, Sacerdócio e Sacrifício (Êx 25.1 a 31.1 e ss).
No entanto 0 povo (Êx 32.1 e ss) chefiado por Arão,
transgride o primeiro mandamento, Moisés, voltando do
130
monte, quebra as Tábuas, escritas pelo dedo de Deus (Êx
31.18; 32.16-19).
3)
As segundas Tábuas são feitas, e a Lei escrita novamente por Moisés na presença de Deus (Êx 34.28,29).
7. 6? Aliança: A Palestina
Esta aliança, segundo alguns eruditos, está registrada
em Deuteronômio 28.1 a 30.10. Clara e detalhadamente
Deus revela a felicidade que acompanharia uma vida de
obediência através das alianças. Notemos as condições impostas por Deus sobre ela:
a. - De ouvir atentamente a voz de Deus (28.1).
b. - De observar e fazer, andando nos caminhos do Senhor (28.9)
c. - De não se desviar de nenhuma das suas palavras
(28.14).
d. - Uma vida tranqüila e abençoada em qualquer
parte, na cidade ou no campo (28.3).
e. - Família abundante (28.4).
f. - Bom êxito nos trabalhos manuais (28.8).
g. - Honra entre as nações vizinhas (28.1).
h. - Vitória nas guerras (28.7). Como confirmação desta aliança Deus estabelece uma nova forma de circuncisão:
a do coração (30.6).
8. 7? Aliança: Com Davi
Após os primeiros 450 anos de fidelidade da parte de
Deus e de infidelidade da parte do homem, Israel acrescentou mais um pecado à longa lista de transgressões contra a
lei de Deus.
Israel se enfadou de sua relação de sacerdote em favor
das demais nações e queria ser igual às outras. A nação pediu a Deus um rei e Deus respondeu, mas versaticamente:
“ ...dei-te um rei na minha ira, e to tirei no meu furor” (Os
13.11). O mal que Saul praticou e 0 desapontamento que
causou a Israel serviam para preparar o caminho para a escolha de Davi, filho de Jessé.(124)
Com este jovem Deus fez aliança, dizendo: “ Fiz um
concerto com o meu escolhido; jurei ao meu servo Davi: A
tua descendência estabelecerei para sem pre...” (SI
131
89.3,4,28). Desta aliança surgiu o Messias: “ ...que nasceu
da descendência de Davi segundo a carne” (Rm 1.3b).
Portanto, esta aliança com Davi teve um caráter eterno (2 Sm 7.16).
9. 8* Aliança: A Eterna
Esta aliança que é também denominada “ de A NOVA
ALIANÇA” . A nova aliança, portanto, é um “ legado” da
graça divina e ela entrou em vigor com a morte de Cristo (1
Pd 1.4).
Essa aliança que foi prometida em Jeremias 31.31-34,
alcança a Israel e a Igreja. As demais alianças, mesmo que
em si eram eternas, mas em seus cumpridores tinham caráter transitório; esta porém, é eterna: ela inclui o Milênio
e entra na Eternidade!
('”) E st. das Disp. R.M.R. c. de 1981
( )■ ״Scofield, D r. C.I. (Scofield Reverence Bible)
("*) O Plan. Div. A trav. dos Séc. N.L.O. 1981
132
15
Os Mil Anos
1. @ Milênio
“ ...e reinarão com Cristo durante mil anos” (Ap
20.4b). O Milênio será a sétima e última dispensação; será
a dispensação da “ plenitude dos tempos” (Is 2.2; Mt 19.28;
Ef 1.9,10; Ap 10.7; 11.15).
Em Apocalipse 20, encontramos por seis vezes a expressão “ mil anos” com a significação especial (vv
2,3.4,5,6,7). O termo derivado do grego “ CHILLIAD” e do
latim “ MILLENIUM” , aponta para o futuro governo
sobre a terra, exercido pelo “ Príncipe da Paz” durante mil
anos. Nessa época Jerusalém será o centro de adoração
para todos os povos e a Capital religiosa do mundo (Jr
3.17; Zc 14.14-21). Assim o Reino do Messias será universal.
a. Θ Milênio será. de acordo com as Escrituras, um
tempo de restauração para todas as coisas. Isto também
declara J. H. Mc Conkey: “ Ao invés do pecado, a justiça
encherá a terra; Satanás terá sido amarrado (Ap 20.1-3), o
Anticristo e 0 falso profeta terão sido lançados no ardente
lago de fogo (Ap 19.20). Por conseguinte, a injustiça cederá
133
lugar à justiça que esteve de luto durante o tempo sombrio
da Grande Tribulação; a violência à quietude, 0 ódio e a
inimizade ao amor e à doce amizade e o mundo ficará em
descanso, sob o domínio daquele cujo poder se estenderá de
mar a m ar e cujo reino trará alegria e tranqüilidade aos corações de todas as pessoas, que haverão de aclamá-lo como
Senhor e Rei...” (1" )
Durante aquele período, 0 próprio Jesus dirá às nações: “não se fará mal nem dano algum em todo 0 monte
da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o m ar” (Is 11.9).
Será verdadeiramente a “Idade Áurea da T erra” ,
acerca da qual os poetas têm entoado, e pela qual este
mundo triste e sofrido tem esperado através de todos os séculos, desde que o seu Rei foi crucificado e assim o Senhor
da glória foi rejeitado pelos que lhe pertenciam e por cuja
razão, o reino foi adiado.(126)
b. O Milênio será a últim a prova e não o descanso do
homem (Hb 4.3); é prova nas melhores circunstâncias
possíveis: a justiça reinando, o curso do mundo transfermado, o céu aberto; Cristo na terra, e a terra por sua vez
cheia de plenitude de Deus, a recordação de juízos passados para admoestar sobre o futuro. É, portanto, um tempo
maravilhoso!
A manifestação de Cristo, de volta para receber seu
reino milenar e reinar com grande poder é retratada na
Bíblia nas seguintes conexões: Salmos 2; 25; 46; 47; 50; 68;
110; Isaías, capítulos 11; 24; 25; 26; 63; 65; Daniel, capítulos 2; 7; 12; Joel, capítulo 3; Zacarias, capítulo 14.
Em o Novo Testamento o mesmo pensamento está em
foco de Mateus a Apocalipse (Mt 19.28; At 3.21; Rm 8.19 e
ss; Ap 10.7; 11.15 etc).
Em algumas outras passagens das Escrituras (especialmente no Novo Testamento), o “Reino de Cristo é denominado como “Reino dos Céus” , isto é, o Reino cujo governo de Deus estará implantado com sua esfera de ação
na terra. Vejamos:
134
2. O Reino de Deus e o Reino dos Céus
O Reino de Deus refere-se de acordo com as Escrituras
à soberania de Deus sobre toda a criação. Este termo é usado apenas quatro vezes em Mateus (12.28; 24.21,31,43).
Parece que, devido à relutância dos judeus em pronunciarem o nome sagrado de Deus, Mateus preferiu preocupar-se mais com 0 “Reino dos Céus” . Este título é encontrado 32 vezes em Mateus e é mencionado sempre nas
passagens que tinham conotação escatológica com o Reino
Milenar de Cristo.
A palavra “reino”, é usada cerca de 60 vezes em Mateus, para intensificar a importância do conceito de realeza. O reino é igualmente presente e futuro.
É presente no sentido de que Deus é Rei agora.
É futuro para os que rejeitam a soberania de Deus; o
reino vem, então com juízo (Mt 18.23). Aos que reconhecem Jesus Cristo como Rei, é dado 0 direito de entrar no
reino (Mt 5.3,10). O reino é recebido como um dom ou
como uma herança; não pode ser adquirido (Mt 25.34).
Contudo, o reino tam bém impõe condições, ele exige tudo
o que uma pessoa tem (Mt 13.44,45), completa dedicação a
seus interesses (Mt 6.33), obediência à vontade do Rei (Mt
7.21) e a produção do fruto na vida (Mt 21.43).
a. O Senhor Jesus Cristo veio, a fim de estabelecer o
reino prometido aos judeus crentes, porquanto nasceu “como Rei dos judeus” (Mt 2.2). Declarou que o reino estava
entre eles = 0 reino de Deus está dentro de vós, como lemos
na Edição Atualizada (Lc 17.21).
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”
(Jo 1.11). Caso os judeus o tivessem recebido, Ele teria estabelecido esse reino (Mt 23.37-39), porém, rejeitaram-no
e crucificaram-no. Não obstante, Deus o ressuscitou dentre os mortos e fê-lo assentar-se à sua mão direita nas alturas (Hb 10.12).
O Espírito Santo foi enviado ao mundo, e, sob seu poder e orientação, os apóstolos lançaram-se a pregar as
“boas-novas” do Reino (At 2.14 e ss), “primeiro” aos judeus (At 3.26; Rm 1.16,17), mas estes o rejeitaram, e os
discípulos se voltaram para os gentios (At 13.46; 18.6;
28.28).
135
Desta maneira o “Reino” se aproximou dos judeus,
mas foi desprezado, e aguarda a sua aceitação; Deus está
visitando os gentios, para “tirar” dentre eles um povo para
o seu nome (At 15.14).
Desta maneira, portanto, o “Reino foi adiado” .(17)־
Tanto João Batista como Jesus pregavam o “Reino de
Deus” .
Jesus pregava dizendo: “ ...o reino de Deus está próxim o..." (Mc 1.15).
João pregava dizendo: “ ...é chegado o reino dos céus”
(Mt 3.2). Observemos que, no conceito de Jesus, 0 “reino”
ainda não tinha chegado e, sim. estava “próximo” . Enquanto que João, aceitava que o “reino” já tinha “chegado” . Este Reino foi oferecido aos judeus, o povo escolhido
de Deus, segundo a aliança, e eles 0 rejeitaram. O doutor
C. I. Scofield, sugere três ocasiões em que este Reino foi rejeitado:
1) A primeira em Mateus 11.20-24, que diz: “Então
começou ele a lançar em rosto as cidades onde se operou a
maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: A i de ti, Corazim! ai de ti Betsaida! porque,
se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em
vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com
saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós.
“E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, será
abatida até os infernos; porque, se em Sodoma tivessem
sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.
“Porém eu vos digo que haverá menos rigor para os de
Sodoma, no dia do juízo, do que para ti” .
2) A segunda em João 19.14,15, que diz: “ E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui 0 vosso Rei.
“Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes
Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os
principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão a César” .
3) A terceira em Atos 28.28, que diz: “ Seja-vos pois
notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e
eles a ouvirão”. Depois de Israel ter rejeitado 0 reino, Deus
136
ofereceu à Igreja que é composta de judeus e gentios.
Quer dizer, “ ...todo aquele que crê” - seja grego, ou judeu,
servo ou livre (Cl 3.11). Ora, por assim dizer, a Igreja substitui religiosamente falando, Israel como nação. Então,
para Israel o reino foi simplesmente “adiantado” . Sendo
oferecido ao povo de Deus; Israel, porém, não está fora do
plano da salvação de Deus. Depois de ter completado o
“tempo dos gentios” (no que diz respeito à salvação), Deus
se voltará para seu povo (Rm 11.1 e ss).
0
3. Qual a Diferença?
Nas páginas dos evangelhos encontramos comumente
duas expressões similares!
“ O Reino de Deus” e o “Reino dos Céus” .(128) Na passagem do Apocalipse 11.15, estes “ dois reinos” são retratados como sendo um “grande mistério” (cf. Ef 1.9,10; Ap
10.7). Evidentemente, este mistério refere-se ao estabelecimento do Reino de Deus sobre a terra, que começará com o
“reino milenar de Cristo (Ap 20.1-6), o qual, após o julgamento final, passará para o Reino Eterno de Deus.
O reino de Deus e de Cristo é um só. Em Efésios 5.5
encontramos menção ao “reino de Cristo e de Deus” .
a.
O doutor Scofield, já citado neste argumento, afirma que 0 Reino dos Céus pode ser o Reino de Deus. Mas o
Reino de Deus não é necessariamente a mesma coisa que o
Reino dos Céus. Em Mateus 16.28 e em outras passagens
similares, o “Reino dos Céus” é completamente apresentado no início da pregação de João Batista e segue até a rejeição de Jesus como Rei: suspenso aqui e reiniciado no
“início do Milênio” .
Já 0 Reino de Deus, porém, tem em si mesmo um caráter mais abrangente e desde que foi “implantado nos corações” (Rm 14.17) seguirá seu curso até a eternidade.
I.
O Reino de Deus é universal, incluindo todas as
criaturas voluntariamente sujeitas à sua vontade, sejam os
anjos, a Igreja, ou os santos do passado, do presente e do
futuro (Lc 13.28,29; Hb 12.22,23; Ap 11.15), todas as dispensações da história hum ana podem ser apropriadamente chamadas dispensações do Reino de Deus. E o mais incluso dos dois termos. Enquanto que o Reino dos Céus é
137
messiânico, mediatorial e davídico. e tem por alvo 0 estabelecimento do Reino de Deus sobre a terra (Mt 3.2: 1 Co
15.24,25).
II. Visto que 0 Reino dos Céus é a esfera terrestre do
Reino universal de Deus, os dois têm quase tudo em comum. Por este motivo muitas parábolas e outros ensinos
são referidos ao Reino dos Céus em Mateus e ao Reino de
Deus em Marcos e Lucas. Mas tanto as omissões como os
acréscimos são significativos.
III. O Reino de Deus não vem com a aparência exterior
(Lc 17.20), mas é mais interior e espiritual (Rm 14.17), enquanto que 0 Reino dos Céus é orgânico, e será, manifestado com glória na terra e durará para sempre (Zc 12.8: Mt
17.2; Lc 1.31,33; 1 Co 15.24).
IV. Entra-se no Reino de Deus somente pelo novo nascimento (Jo 3.5-7), mas o Reino dos Céus é a esfera da profissão que pode ser verdadeira ou falsa (Mt 13.3;
25.1,11,12).
V. O Reino dos Céus se tornará o Reino de Deus quando Cristo entregar o Reino a Deus, o Pai (1 Co 15.24,25).
Por isso convém que Ele reine! Assim no toque da sétima
trombeta, o Reino dos Céus, representado pelo Milênio,
entrará na terra com poder e grande glória e depois do Juízo Final converter-se-á no Reino Eterno de Deus para todo
o sempre.
4. O Alcance Milenar
Houve um período na História Eclesiástica que muitos julgaram ser a época áurea do Milênio de Cristo.
Essa época foi especialmente a dos Séculos II a XV
d.C. começando com a conversão aparente de Constantino, quando parecia que a Igreja estava com todos os poderes sobre os governantes e reis da terra.
Mas foi, antes, a Época do Obscurantismo. Portanto,
o Milênio ainda é futuro.
Antes de Cristo estabelecer o seu Reino, haverá um
período de preparação. Isto significa que o Milênio só será
estabelecido “depois” da Grande Tribulação, logo após 0
julgamento das nações vivas (Dn 12.11-13; Mt 25.31 e ss).
138
Durante o Milênio haverá modificações profundas em
todo 0 mundo.
a. N a terra. Das palavras do Criador em Gênesis 3.17,
fica avidenciado que 0 pecado trouxe sobre a terra uma
maldição: “ ...maldita é a terra”. Essa maldição é já a segunda causada pelo pecado, pois em 3.14 já havia sido pronunciada a primeira que recaiu sobre a serpente: “ ...malditas serás mais que toda a besta, e mais que todos os animais do campo” .
A primeira maldição trata da modificação no caráter e
estrutura da serpente:
A segunda, porém, trata da mudança operada na própria terra. Durante a Era Milenar esta e outras maldições
impostas por Deus serão removidas (Is 55.13). Assim tanto o reino vegetal como a própria estrutura terrestre serão
modificados por ocasião do retorno de Cristo à Terra com
poder e grande glória.
“Os cientistas contemporâneos esperam uma modificação na estrutura terrestre e dos polos dentro dos próximos anos. Eles asseveram que se houvesse estudo suficiente, poder-se-ia predizer quando a terra terá seus polos modificados. Alguns mais corajosos, chegaram até fixar uma
data, isto é: o ano 2000 - na virada do século. Nós, que cremos na Palavra profética e nas determinações de Deus, sabemos ser isso possível a qualquer momento” .(129)
Mas sem dúvida alguma, isso se dará na introdução
do Milênio. Cremos que na antiguidade já tenha havido fatos semelhantes. Cidades antigas completas tem sido encontradas sob o nível do mar. Supomos que o Dilúvio foi
numa dessas ocasiões, quando massas terrestres inteiras
deslizaram e os polos sofreram um a modificação profunda
em suas posições.
b. Nos rios. O profeta Isaías descreve que isso acontecerá. Os rios e os mananciais surgirão até nos “cumes das
m ontanhas5’ (Is 35.7; 41.18). Deus tam bém modificará a
forma hidrográfica dos rios, e, sua “profundidade” será removida para que não haja morte por afogamento (Is
11.15). Exemplificando (Ap 16.12). Um rio de grandes proporções, atingirá uma profundidade de apenas (“5” ) centí139
metros em uma extensão de 500 metros de largura (cf. Ez
47.3).
Será bastante raso: ninguém morrerá ali! Certamente
Deus também irrigará a terra com muitos rios e lagos. E.
como coroa desta modificação. Ele criará o “Rio milenar"
(Ez 47.1-12; Zc 14.8). O leito deste rio será criado no mom ento em que Jesus tocar com seus pés sobre o monte das
Oliveiras (Zc 14.4 e ss). Sua “foz”, porém, será debaixo da
casa do Senhor (o Templo Milenar), especialmente, do
lado direito do Santuário (Ez 47.1; Zc 14.8). Esse rio. ainda que um pouco diferente, se assemelha em alguma coisa
ao rio que manava do Jardim do Éden (Gn 2.10).
Aquele se dividia em “quatro braços” : este porém,
apenas em “dois” que seguirão direções diferentes (Zc
14.8).
O primeiro: em direção ao m ar Morto - mar Oriental;
O segundo: em direção ao mar Mediterrâneo - mar
Ocidental. Formando um “vale” nas montanhas de Judá
(Zc 14.5,8), e ampliando-se nas “fontes de Engedi” (fonte
do cabrito), e em “En-Glaim” (fonte dos Bezerros), que se
localizam entre Hebrom e o mar Morto (Cf. Jr 15.63; Ez
47.10) - avançando, assim, até “ Asei” na parte oriental do
território de Judá (Zc 14.5 etc).
O primeiro canal que seguirá na direção do mar Morto
será destinado a sarar suas águas amargas (Ez 47.8).
Enquanto o segundo, que seguirá na direção do mar
Mediterrâneo, será destinado a fertilizar as regiões desérticas de Israel. Todos os rios da Terra Santa se tornarão tributários do Rio Milenar durante mil anos, e a Terra de Israel passará a ser a melhor do mundo (Is 35.1,7; Jr 3.19: Ez
20.6,15; Dn 8.9).
Os judeus criam que as coisas terrenas tivessem seu
paralelo nas coisas celestiais (Hb 8.5 e 9-23). Assim, há
atualmente em Israel um projeto “precursor” para formação do “Rio Milenar” que, segundo eles, servirá como prenúncio na abreviação da Vinda do Messias com poder e
glória (cf. Ec 3.15). Observemos:
J E R U S A L É M : Um projeto já apoiado na mudança
do século por Theodor Herze, o fundador espiritual de Israel, recebeu agora aprovação do governo em Jerusalém:
140
Os israelitas querem retirar água do m ar Mediterrâneo,
conduzindo-o ao mar Morto, ameaçado de secar devido à
evaporação, gerando energia elétrica, fazendo açudes para
criação de peixes, atraindo turistas a um lago salgado artificial - e possivelmente resfriando assim a primeira usina
nuclear do País.()" ׳
Os crescentes preços do petróleo elevaram de tal maneira os custos de energia do Estado Judeu, que 0 investimento calculado para a ligação de água do Mediterrâneo
para 0 Mar Morto e para a usina hidrelétrica parece pela
primeira vez economicamente compensador. Os israelitas,
entretanto, esperam ofertas do exterior para conseguirem o
valor total de 50 milhões de dólares.
Dificuldades políticas, possivelmente protestos da
Jordânia, cuja fronteira com Israel localiza-se na direção
norte-sul no meio do mar Morto poderão ainda ser acrescent ados aos problemas financeiros.
Xesse projeto, que poderá estar concluído, 0 mais cedo
possível em 1999 (na virada do século), portanto, deverá
ser utilizada a água do mar Mediterrâneo, diante da costa
da Faixa de Gaza ocupada por Israel. De lá ela seria conduzida num trecho de 80 km, na maior parte subterraneamente, através do Deserto de Negev até a cadeia de montanha na margem ocidental do m ar Morto. Essas montanhas serão perfuradas e no outro lado as massas de água
poderão então “ cair’’ para 0 ponto mais baixo da terra
(cerca de 400 rnt abaixo do nível do mar), movimentando
as turbinas da usina elétrica.
A instalação está projetada para uma produção de 600
megawatt (um quinto do consumo atual).
Ao mesmo tempo evita-se que o mar Morto seque.
Esse lago salgado de características únicas no mundo teve
seu nível reduzido de 393 mt originais para 401 m t abaixo
do nível do mar, porque seu mais importante afluente, o
Jordão, tem que fornecer água para fins industriais e agrícuias.( [)
Da sua água. que antigamente fluía num volume de
1.2 bilhões de mt cúbicos anuais para o mar Morto, hoje
são desviados aproximadamente 1 bilhão de mt cúbicos.
141
Por isso a superfície do mar Morto, onde há forte evaporação, desceu tanto que se formou uma faixa de terra em
direção leste-oeste e a parte mais rasa ao sul ameaça secar
dentro de poucos anos. Através da água do mar Mediterrâneo o mar Morto atingirá novamente seu nível original o
mais tardar dentro de 20 anos. conclui 0 Dr. ·J. Xeeman,
Físico da Universidade de Telavive. Israel").
Israel é uma nação profética. Será que ainda concluirá
a construção deste Cariai Precursor antes da Vinda do Senhor? Talvez que não! Mas de qualquer forma, essa intensão é figuradamente um adiantam ento profético daquilo
que acontecerá indubitavelmente em breve.(1 )־
Observe 0 (“ GRÁFICO DEMONSTRATIVO’ )־no
centro e depois, tire uma conclusão daquilo que está vaticinado (Ez 47.1 e ss; Zc 14.8).
c.
N a vida animal. Com o pecado do homem, o reino
animal sofreu alterações nítidas. Seu comportamento foi
completamente modificado.
142
A ferocidade das feras foi acentuada. As feras passaram a perseguir os homens e de igual modo, os homens as
feras (cf. Gn 9.13; -Jz 14.õ; 2 Rs 2.24; Ez 14.21). Porém, é
evidente que Deus também trará um a modificação benévola sobre isso. E assim, 0 reino animal voltará à sua condição primitiva (Is 11.6 e ss). Deus então, fará um concerto
do homem com as feras (Jó 5.22,23; Is 11.8,9). E tudo ali,
será somente paz e harmonia: “Não se fará mal nem dano
algum” durante o glorioso reinado de Cristo por 1000 anos.
d.
Na vida humana. Várias passagensdas Escrituras que
aludem ao período milenar dizem que durante aqueles mil
anos de paz e prosperidade haverá grande fertilidade sobre
o gênero humano. Os profetas do Senhor descrevem isso da
seguinte maneira:
“ Assim diz o Senhor Jeová: Ainda por isso me pedirá
a casa de Israel, que lho faça: multiplicar-lhe-ei os homens, como a um rebanho.
“Como 0 rebanho santificado, como o rebanho de Jerusalém nas suas solenidades, assim as cidades desertas se
encherão de famílias; e saberão que eu sou o Senhor” (Ez
36.37,38).
“ Assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda nas praças
de Jerusalém habitarão velhos e velhas, levando cada um
na mão o seu bordão, por causa da sua m uita idade.
“ E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zc 8.4,5).
No que tange à saúde humana, haverá tam bém bastante saúde! “ Morador nenhum dirá: Enfermo estou” (Is
33.24a). Alguns dos defeitos físicos serão corrigidos. “ ...Os
olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se
abrirão. Então os coxos saltarão como servos, e a língua
dos mudos cantará...” (Is 35.5,6; Zc 13.1). Também as
doenças de caráter psíquico e as perturbações mentais serào banidas (Is 65.23).
Isso se dará, além da bênção do Senhor, a alguma mudança climática e ambiental e mesmo à remoção da influência maléfica do inimigo das almas (Jó 1.1.19; Is
65.20). Nesta mudança a vida hum ana voltará seu curso
normal como antes e serão os dias do homem “ ...como os
dias da árvore" (Is 65.22).
143
A adolescência no Milênio irá até 100 anos (Is 65.20).
apenas o pecador será amaldiçoado e morrerá mais cedo
(Is 65.20).
e. N o Cosmo. Haverá também mudanças profundas
no sistema planetário e, mesmo na região atmosférica a intervenção divina estará também presente. O Senhor Jesus
será contra os terríveis vendavais e furacões que tanto têm
devastado a humanidade (Is 32.2).
O céu estará mais claro de dia. e as noites serão menos
escuras. “E será a luz da lua como a luz do sol. e a luz do
sol sete vezes maior, como a luz de sete dias. no dia em que
o Senhor ligar a quebradura do seu povo. e curar a chaga
da sua ferida” (Is 30.26). Eis uma das razões por que devemos orar: “Venha o teu reino!” (Mt 6.10).
f. N o m undo tenebroso. Um fato notável que acontecerá no início do Milênio será a prisão e desterro de Satanás. O grande inimigo de Deus e dos homens será agrilhoado pelo arcanjo Miguel e lançado no abismo (Ap 20.1,2).
Muitos têm dificuldades em aceitar a prisão de Satanás no sentido literal. Mas nós temos na Bíblia outras passagens falando de “ ...espíritos em prisão” (1 Pd 3.19; 2 Pd
2.4; Jd v 6; Ap 9.1 e ss).
As algemas que o agrilhoarão são de fabricação divina.
Não há pois, razão para recusar 0 sentido literal da “cadeia” e “prisão” desta figura sombria, pois a palavra grega
usada para “cadeia” (hálusis), é a mesma usada nas passagens de Atos 12.7; 28.20; 2 Tm 1.16 e seu equivalente.(1 )
No terceiro versículo do Apocalipse 20, diz que, além
da chave e corrente usada pelo ser angelical, haverá também alguma “espécie de selo ” posto sobre Satanás, impedindo-lhe qualquer movimento ou ação maléfica.
Este selo, portanto, o colocará na condição de uma
“m úm ia” , o qual apenas “como uma som bra” em seu sentimento perverso se revolverá ao redor da prisão.(14)
g. N o campo religioso. As condições espirituais durante o Milênio serão bastante favoráveis. Haverá, então, uma
realização plena na profecia de Joel 2.28,29, quando o
Espírito Santo será derramado em plenitude sobre Israel e
sobre as demais nações (Ez 36.25-27; Zc 12.10).
144
0 apóstolo Pedro distinguia isso muito bem, quando
disse: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel” . E logo
no contexto seguinte: “E nos últimos dias acontecerá, diz
Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne...” (At 2.16,17). A promessa plena, portanto, é “derramar ‘O ’ Espírito” e não “derramar ( D O ’) Espírito” . Evidentemente, esta profecia de Joel alcança tam bém a Era
milenar. O conhecimento do Senhor e suas leis será universal. “ ...Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o m ar” (Is 11.9b; 34; Zc
8.22.23). Se 0 leitor deste livro ainda não é um crente fervoroso em Jesus, então ore dizendo: “ Senhor, lembra-te de
mim. quando entrares no teu reino!” (Lc 23.42b).
(m) Um E st. do Mil. M .J.E . 1982
(' ) ״op. cit. M .J.E . 1982
(' ) Scofield, D r. C.I. (Scofield Reference Bible)
( )״״op. cit. Scofield
('”) O NT Int. v.p.v. R.N. Champlin, Ph, D. 1982
('“ ) J . Neeman. Fis. da Univers. de Telavive
(l ) ״op. cit. J. Neeman.
V s' ) Idem. J . Neeman
(.«) N r. T NeSt1e
(l ) ״Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
145
16
A Morte e a
Ressurreição
1. A Morte
(versus ressurreição)
“ Ora o último inimigo que há de ser aniquilado é a
morte” (1 Co 15.26).
Pela primeira vez encontramos em Gênesis 2.17, a origem de uma palavra que vai percorrer toda história humana até o Juízo Final: A Morte! Ali, ela estava oculta (certamente morrerás) e na seção seguinte, já “revelada” . A morte é apresentada na Bíblia de várias maneiras. Em algumas passagens refere-se apenas a um estado, em outras,
porém, ela aparèce como sendo “um ser personificado” (Jó
28.22: 1 Co 15.26; Ap 6.8; 20.14). Na passagem de Apocalipse 6.8. a Morte e o Inferno são vistos personificados
como os guardiães respectivamente dos corpos e das almas
dos homens sem Deus. entre a morte e a ressurreição (Ap
20.13).
a.
O patriarca Jó nos dá um quadro vivido sobre a
Morte: “ A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama" (Jó 28.22). No Novo Testamento,
147
como na literatura clássica, há uma variedade de palavras
que descrevem a Morte e o morrer; mas sempre há termos
mais relacionados com 0 sentido do argumento, tais como:
Primeiro: Thanatos (“m orte” )
Segundo: Teleutão (“chegar ao fim ”). Todas estas palavras e outras similares trazem em si o sentido do cessar a
existência terrena; outras, porém, de morte espiritual, e
nunca, pelo menos em sentido geral, trazem a idéia de que
seja a morte um inimigo real; porém, na passagem de 1
Coríntios 15.26, diz que sim .(15)
b.
As Escrituras nos apresentam vários graus de morte
ou aspectos em que é descrita. Estes aspectos negativos foram ocasionados pela influência do pecado. A Bíblia diz:
“ ...pelo pecado a m orte” (Rm 5.12); mas devemos destacar
pelo menos quatro aspectos ou formas de morte na existência:
1) A morte física. Morte, no sentido amplo, ou melhor,
no mais universal possível, significa “cessação do processo
vital em um organismo vivo” .
Na linguagem biológica molecular a morte é definida
como “a dissolução da estruturação molecular necessária
para o fenômeno da vida” .
Do ponto de vista filosófico, e principalmente na linguagem ordinária da Bíblia, uma definição muito comum
da morte é a que diz que “a morte é a separação da alma e
do corpo” . Neste sentido costuma-se distinguir dois tipos
principais de morte: a morte clínica e a absoluta.
Primeiro: A morte clínica é o “morrer” graças ao qual
se verifica no homem a cessação das funções essenciais do
corpo, mas não necessariamente “a separação da alma e do
corpo” .
Segunçlo: Ao contrário, a morte absoluta é a separação
definitiva da alma e do corpo. Este gênero de morte foi
contraído por meio do pecado de Adão; e Abel, seu segundo filho torna-se a primeira vítima (Gn 4.8; M t 23.35);
mas, se faz necessário lembrar que, antes da morte de um
ser humano houve uma outra vítima (Gn 3.21).
2) A morte moral. Este gênero de morte está restritamente ligado ao mundo moral. E dela temos notícia de
vítimas em ambos os Testamentos.
148
Exemplificando temos Deus repreendendo o rei Abimeleque em sonhos: “ ...Eis que morto és por causa da mulher que tomaste; porque ela está casada com marido” (Gn
20.3).
Em 0 Novo Testamento, Paulo fala tam bém deste gênero de morte, quando advertia as mulheres viúvas da
Igreja, dizendo: “ Ora a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia
em rogos e orações. Mas a que vive em deleites, vivendo está morta" (1 Tm 5.5,6). O “anjo da igreja de Sardo” era
vítima também deste gênero de morte; ele se encontrava
moralmente morto diante de Deus e, ouviu o Senhor lhe
dizer: “Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives, e
estás morto" (Ap 3.1). Nossos primeiros pais (Adão e Eva)
também foram vítimas da morte moral. Quando ouviram a
voz de Deus, correram espavoridos com medo da santidade
divina (Gn 3.9,10).
3) A morte espiritual. “E vos vivificou, estando vós
mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Existem outras
passagens similares que descrevem este estado de morte
tais como:
“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas...” (Ef
2.5a): “ ...passou da morte para a vida” (Jo 5.24b), etc.
Ora. este estado de morte apesar de ser detestável, não é,
todavia, “um estado de morte definitivo” . Há ainda esperança mediante o arrependimento para salvação (1 Jo
3.14). Jesus disse para tais pessoas (por inferência): “Eu
sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que
esteja morto, viverá...” (Jo 11.25). E acrescenta: “E não
quereis vir a mim para terdes vida?”
4) A morte eterna. Este gênero de morte é teologicamente conhecido como “a segunda m orte” (Ap 2.11; 20.6).
Esta morte é aquela que primariamente costumamos dizer: “É uma eterna separação de Deus” .
Isto sucederá, porque, todo e qualquer esforço por parte de Deus em favor do homem terá sido feito. Mas em vida, alguém pode contrair essa fórmula de morte. Os fariseus que zombaram de Jesus (Mc 3.29); 0 Anticristo, o homem do pecado, pois blasfemará dos “poderes do mundo
superior”, ridicularizando sua própria existência. Qual
149
quer pecado desta natureza, ultrapassará todos os limites
da redenção, e. portanto, tornará a criatura “ré” de um “ eterno pecado” . Assim sendo, conforme se depreende, fica
subentendido que o perdão é impossibilitado nesta existência terrena, e não poderá ocorrer na vida além-túmulo.
Mas a advertência de Cristo não se prende somente a isto.
Ele adverte: “ ...se vos não arrependerdes, todos de igual
modo perecereis” (Lc 13.3b).
2. A Ressurreição
Na Bíblia, especialmente no Novo Testamento, empregam-se dois grupos de palavras para descrever três gêneros de ressurreição:
O primeiro: ligado com “ anhistèmi":
O segundo: com “egeiró” . Estes dois substantivos contém os seguintes sentidos:
“levantar”, “levantar-se", "voltar à vida” , “ficar de
pé”, “revoltar”, “começar”, “aparecer” , “prontidão” , “erguer-se” . No Novo Testamento o verbo mais freqüente (egeirõ) apresenta as ressurreições de Jesus e dos mortos,
principalmente como ato do poder de Deus; enquanto que
0 outro verbo (anhistêmi), literalmente significa: “levantar-se” , “erguer-se” e se apresenta mais como vitória da
vida sobre a m orte.(1')
A idéia da ressurreição no mundo filosófico era esboçada na crença da imortalidade da alma. Platão (430-347),
no seu Phaedo, defendia a idéia da imortalidade da alma
no decurso de um diálogo entre Sócrates (470-399) e seus
amigos antes da execução daquele por sua própria mão ao
beber veneno. Sócrates não teme a morte (ainda que de
forma errada), por causa da imortalidade da alma, que defende por vários motivos ligados com a doutrina platônica
das formas, que são as realidades eternas por detrás do
nosso mundo físico. A alma possui certa semelhança com
as formas, de modo que, quando morre o corpo, a alma
continua. As doutrinas defendidas por Sócrates, Platão e,
até por Aristóteles (382-322), defendiam apenas uma espécie de ressurgimento para a alma no mundo da imortalidade; enquanto que negavam uma ressurreição corporal para
a pessoa hum ana como um todo.
150
Ora, isso nos leva a aceitar que, nesse sentido, a maior
autoridade é de fato a Bíblia.
a. A Doutrina da Ressurreição dos mortos ou do corpo
é expressa na revelação bíblica. Significa, de modo geral, e
em linguagem popular, a união da alma e espírito ao seu
corpo, após a morte física.
Esta união é vista em dois ângulos, de acordo com os
ensinamentos da Bíblia:
Primeiro: Para os santos, esta união dar-se-á por ocasião do arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51,52; 1 Ts
4.13,17).
Segundo: Para os ímpios, esta união dar-se-á por ocasião da ressurreição final diante do Trono Branco (Dn 12.2;
Ap 20.5,12). Era generalizada, desde os dias mais antigos
da humanidade, a crença da sobrevivência da alma, a sua
imortalidade ou seja sua vida ou existência futura, após a
morte física.(17) Mas, quanto à ressurreição corporal que
passaria também à imortalidade do pós-túmulo, unindo de
novo à alma e em situação adequada à nova existência, no
além, os antigos pagãos ignoravam completamente.
A ressurreição, biblicamente entendida, é do corpo
humano, e não da alma, que não pode morrer nem ser aniquilada. Esta crença na ressurreição de tal modo foi vislumbrada desde muito cedo pelo povo de Deus, o povo
hebreu, a princípio como matéria de grande esperança. Õ
fato de ser Deus 0 Deus dos seus pais ou patriarcas (Êx 3.6;
Mt 22.31,32), reforçou categoricamente a esperança do
povo da aliança.
b. E m 0 Novo Testamento, já nos dias de Cristo'e dos
apóstolos, a doutrina da ressurreição geral era comum, embora negada pelos chefes gnósticos e os materialistas saduceus (Mt 22.20-23,31; Lc 20.33; Jo 11.23,24; At 23.6-8;
24.14.15.21; 26.4-6). Mas, a doutrina do fato da ressurreição dos mortos, ou seja da pessoa humana, corpo, alma e
espírito sendo incorporados no arrebatamento da Igreja
para 0 Juízo Universal, só teve 0 seu ponto mais alto com o
ensino de Cristo e de seus apóstolos inspirados.
Foi Jesus, com a sua ressurreição e a glorificação do
seu corpo (Rm 4.24,25; 5.12.17): “ ...o qual aboliu a morte,
e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” (2
151
Tm 1.10b), quem elucidou, esclareceu, evidenciou e certificou definitivamente 0 fato da vida eterna e da imortalidade da pessoa humana.
Por isso, em outro argumento, Ele é retratado como
sendo “ ...a ressurreição e a vida” (Jo 11.25).
c. N a Harpa de Israel (Os Salmos) a ressurreição era
retratada em grande gama de esperança. Fora deles porém, 0 Cântico de Moisés em Deuteronômio 32.1 e ss e 0 de
Ana (1 Sm 2.1 e ss) proclamam que Deus m ata e faz viver.
Estes dois cânticos celebram o poder divino, e culminam
com a asseveração: “Vede agora que eu, eu o sou, e mais
nenhum Deus comigo; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu
saro...” (Dt 32.39a). O Cântico de Moisés reflete sobre os
tratos de Deus com a Nação; o Cântico de Ana, que segue 0
nascimento de Samuel, celebra o poder de Deus para assistir os necessitados, inclusive as estéreis (1 Sm 2.5).
No meio da canção há a reflexão: “ O Senhor é o que
tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir
dela” (1 Sm 2.6).
d. Só Jesus e 0 Pai têm a imortalidade (Jo 5.26; Rm
1.23; 1 Ts 1.6; 1 Tm 6.15,16). Assim como a ressurreição é
um ato de Deus, assim também a imortalidade é uma dádiva de Deus. Geralmente se diz que o Pai é o agente da
ressurreição (Jo 5.21; At 26.8; Rm 4.17; 8.11; 1 Co 6.14; 2
Co 1.9; 4.14; Hb 11.19), mas ocasionalmente é o Filho (Jo
6.39,40,44,54). Quando Jesus ressuscitou, Deus estava operando através do Espírito Santo (Rm 1.4).
Portanto, a negação da ressurreição tem sua origem,
não na ignorância da constituição do homem, mas, sim, na
ignorância acerca de Deus, da sua Palavra e do seu Poder
(Mt 22.29 e ss; 1 Co 15.12,34 e ss).
O Novo Testamento não faz referência direta a expressões como: “A ressurreição do corpo” ou “A ressurreição da carne” , mas, o sentido geral de ressurreição está
nele inserido. Somente com a morte e ressurreição de Cristo é que as idéias da ressurreição e da imortalidade emergiram das sombras do Antigo Testamento para a plena luz
no Novo (2 Tm 1.10) e como tal continuará até o grande
dia da ressurreição no arrebatamento e no Juízo Final.
152
3. A Classificação dos Termos
No início deste argumento procuramos definir cada
significado do pensamento, no que diz respeito à Morte e à
Ressurreição. Por exemplo, os termos “anhistêm i” e “egeirõ” eram usados no grego antigo como “anástasis” e “ égersis” que, em si traziam a idéia de “levantar”, “erguer” ,
“surgir”, “sair de um local ou de uma situação para outra ” .
Já o termo latino “ressurectio” indica o ato de ressurgir, voltar à vida. reanimar-se. Biblicamente, entende-se o
termo como o mesmo que ressurgir dos mortos (Mt
22.28.30).
A expressão - ressurreição do corpo ou da carne não se
encontra graficamente nas Escrituras que usam pelo menos três fórmulas de expressões para denotar o sentido do
argumento.
a. A ressurreição “D E ” mortos. Esta ressurreição
compreende a seguinte ordem:
Primeiro: Antigo Testamento: O filho da viúva de Sarepta de Sidom (1 Rs 17.21,22).
Segundo: O filho da Sunam ita (2 Rs 4.34,35).
Terceiro: O homem que tocou os ossos do profeta Eliseu (2 Rs 13.43,44).
Quarto: Novo Testamento: O filho da viúva de Naim
(Lc 7.11-17).
Quinto: A filha de Jairo (Lc 8.54,55).
Sexto: Lázaro de Betânia (Jo 11.43,44).
Sétimo: A jovem Tabita (At 9.40,41).
Oitavo: Um jovem por nome Êutico (At 20.9-12). Este
gênero de ressurreição é denominado: ressurreição natural.( ')
b. .4 ressurreição “D E N T R E ” os mortos. Esta ressurreição segundo se depreende compreende a seguinte ordem: como diz Paulo: “ ...cada um por sua ordem” (1 Co
15.23):
Primeiro: Cristo, as primícias (1 Co 15.20,23).
Segundo: Os que ressuscitaram por ocasião da ressurreição de Jesus (Mt 27.52,53), isto é, o grupo de santos visto por Mateus, foram incluídos na palavra “primícias” ,
153
dita a respeito da ressurreição de Cristo: “Cristo, as primicias”, isto não pode ser “um só” (singular) e sim, “um feixe” (plural), conforme passagens de Levítico 23.10; 1 Samuel 25.29 e alhures. A passagem de Mateus 27.51,52 diz
claramente que aqueles santos só “saíram ” de suas sepulturas “depois” da ressurreição de Jesus, e, portanto, têm
de seguir a ordem da ressurreição de Jesus, pois na ordem
de colheita, Ele foi o primeiro exemplar.(1,9)
Terceiro: Os que são de Cristo, na sua vinda (1 Co
15.23,24).
Quarto: As duas testemunhas escatológicas (Ap
1 1 . 1 1 , 1 2 ).
Quinto: Os mártires da Grande Tribulação (Ap 20.4).
Podemos denominar as duas últimas como: ressurreição
em regime especial.
c.
A ressurreição “D O S " mortos. Esta ressurreição
compreende todos os seres humanos que morreram em
seus delitos e pecados. Ela é geral e abrangente (Dn 12.2;
Jo 5.28,29; Ap 20.5). Dar-se-á por ocasião do Juízo Final.
O expressivo: Todos ali “postos em pé” na passagem
do Apocalipse 20.12. Fica assim subentendida “ a segunda
ressurreição” .(14")
4. O Alcance do Argumento
No Antigo Testamento pouco é dito sobre a ressurreição. Isso não significa que a ressurreição não está ali presente! Está, mas não aparece de modo proeminente como
no Novo.
Já o Novo Testamento 0 assunto da ressurreição é visto e analisado com sentido amplo, definido e categórico.
Não somente Jesus ressuscitou dentre os mortos, mas
igualmente um dia todos os homens também ressuscitarão.
Jesus refutou o ceticismo dos saduceus quanto a esse
particular, empregando um interessante argumento baseado nas Escrituras (Mt 22.31,32). A posição geral do Novo
Testamento é que a ressurreição de Cristo será seguida
pela ressurreição dos crentes.
Mas esta ressurreição baseada na ressurreição de Cristo, aniquila toda força do pecado que, segundo Paulo, trou
154
xe a morte para o homem. ‘1Forque, assim como a morte
veio por um homem, também a ressurreição dos mortos
veio por um homem” (1 Co 15.21). Semelhantemente, 0
apóstolo Pedro escreve: “ ...nos gerou de novo para uma
viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os
mortos” (1 Pd 1.3b).
Dessa forma, portanto, a ressurreição do crente é decorrência imediata da ressurreição do Salvador. E, certamente é isto que Paulo afirma: “ ...se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé” (1 Co 15.17).
Tão característico do crente é a ressurreição que Jesus
pode referir-se aos tais como “ ...filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição” (Lc 20.36).
5. A Ressurreição de Cristo
Neste capítulo, é indispensável o assunto da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Visto ser Ele, a “ base”
fundamental de toda a ressurreição (1 Co 15.20). Paulo diz
que Jesus “ ...ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras...” (1 Co 15.3). O testemunho vivo da ressurreição de
Cristo era necessário para que o Senhor confirmasse sua
promessa feita sobre ela. Também era necessária para que
se pudesse confiar nele como Salvador. Quando Jesus morreu sobre a Cruz. a fé dos seus discípulos aparentemente
também expirou. José de Arimatéia, senador honrado e
Nicodemos um dos príncipes dos judeus o sepultaram no
sepulcro novo. não apenas 0 corpo de Jesus de Nazaré, mas
aparentemente também a fé de seus seguidores.
Foi necessária assim sua ressurreição ao “terceiro
dia", como demonstração do supremo poder pessoal de
Deus. chamando do “seio da terra” aquele que trouxe a vida. a luz e a incorrupção pelo Evangelho (compare-se 2 Tm
1 . 10 ).
Vários elementos comprobatórios foram usados nesta
ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo:
a.
O testemunho da natureza. “E eis que houvera um
grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do
céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela”
(Mt 28.2).
155
Fazendo tremer a terra, partindo as pedras e abrindo
os túmulos (Mt 27.51 e ss), Deus, saudou 0 Salvador triunfante. Assim a morte de Cristo foi saudada pela natureza.
Outro terremoto, porém, saudou sua ressurreição. Agora
estava declarado 0 grande acontecimento da sua realidade
imortal.
A “ Sismologia” é a cência que estuda as ondas de choques geradas por terremotos. Ela diz que o “terremoto” é
um dos fenômenos da natureza; quando os elementos em
combustão entram em contato com a massa fria debaixo
da terra, então, há violenta perturbação da natureza e se
processa gigantesca detonação no hemisfério. Na ressurreição de Cristo, porém, 0 fenômeno foi produzido por algo
sobrenatural, foi a intervenção direta e poderosa do Deus
vivo e poderoso chamando do “seio da terra” 0 seu Filho
como 0 primeiro exemplar da imortalidade.
b.
O “dia e a hora” . O trecho de Marcos 16.9 e ss diznos que “o primeiro dia da sem ana” foi 0 dia da ressurreição de Cristo, embora ali não seja indicado se Ele ressuscitou (ou tenha voltado à vida) pouco antes do romper do dia
ou justam ente nesta ocasião. As evidências nos dizem que
é possível que Jesus tenha ressuscitado bem pouco antes
disso, pouco depois das 6,00 horas da manhã, ou exatamente às 6,00 horas em ponto!
O Evangelista Mateus, contudo, parece ligar a ressurreição com o aparecimento do anjo e o terror dos guardas,
os quais, até então, evidentemente estavam irresistíveis.
Quanto ao dia de sua ressurreição, Ele mesmo declarou em
vários de seus elementos doutrinários que seria “ao terceiro dia” :
Muitas pessoas questionam a veracidade da afirmação de Jesus:
“Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e
três noites no seio da terra” . Então surge a pergunta: “Como pôde Jesus permanecer no túmulo três dias e três noites se Ele foi crucificado na Sexta e levantado no Domingc
pela m anhã?” .
A expressão usa-se em várias conexões como sendo
idêntica a “depois de três dias” (Mt 27.63). Conforme o
156
costume dos judeus e outros povos da antiguidade, parte
de um dia, no começo e no fim de um período, era contado
em casos especiais, como um dia (Et 4.16; 5.1). “Três dias
e três noites” (Mt 12.40), na simbologia profética (no modo
extenso de dizer “três dias” - significava: três dias e três
noites - 1 Sm 30.12,13); “Depois de três dias’'( ׳Mc 8.31;
10.34; ·Jo 2.19), e “no terceiro dia” (Mt 16.21; 17.23; 20.19;
Lc 9.22; 24.7,21,46), são frases que se usam um á pela outra
para significar o período de tempo que Jesus passou no
“seio da terra” , desde a tarde da Sexta-Feira à manhã de
Domingo.
c.
“ ...Três dias e três noites” . O registro da morte de
Cristo e sua ressurreição, como está nos Evangelhos de
Mateus, Marcos, Lucas e João, indica que Jesus foi crucificado e sepultado na Sexta-Feira, antes do pôr-do-sol, que é
o começo do dia seguinte para os judeus, e ressuscitou no
primeiro dia da semana, que é o nosso domingo, antes do
nascer do sol, ou por ocasião deste.
Isto coloca Jesus na sepultura por parte da Sexta, o
Sábado inteiro, e parte do Domingo. Jesus, também, falou
de sua ressurreição em João, afirmando que seria levantado em três dias e não no quarto dia.
O Evangelista Mateus esclarece esse uso idiomático.
Depois que os fariseus contaram a Pilatos a predição de Jesus; no sentido que “Depois de três dias ressuscitarei” (Mt
27.63), eles lhe pediram uma guarda para o túmulo A T É o
terceiro dia. O doutor Josh McDowell nos lembra aqui o
seguinte: “ Se a frase - ...após três dias - não tivesse substituído a expressão terceiro dia, os fariseus teriam pedido
uma guarda para o quarto dia. M uitas vezes a expressão
“um dia e uma noite” era a expressão idiomática usada
pelos judeus para indicar um dia, mesmo quando somente
parte de um dia era indicada, para expressar tal significado do pensamento” .
Por exemplo, em 1 Samuel 30.12, registra: “ ...havia
três dias e três noites que não tinha comido pão nem bebido água” . E no versículo seguinte nós lemos: “ ...meu senhor me deixou, porque adoeci há três dias” . Em Gênesis
42.17.18, lemos: “ E pô-los juntos em guarda três dias” . E
no contexto: “E ao terceiro dia...” Em outra forma de ver
157
“três dias e três noites” é ter em consideração 0 método judaico de calcular o tempo. Os escritores judaicos registraram em seus comentários sobre as Escrituras 0 princípio
que governava 0 registro do tempo. Qualquer parte do
período de um dia era registrado como um dia completo. O
Talmude Babilônico relata que “uma parte de um dia é 0
total dele” (Mishnah, T ractate J. S habbath’, Chapter IX,
Par. 3.). O Talmude de Jerusalém, assim chamado porque
foi escrito em Jerusalém, diz, conforme descreve 0 doutor
Arthur C. Custance, em seu livro: “A Ressurreição de Jesus Cristo” , 1971: “Temos um ensino - Um dia e uma noite
são um O n a h ’ e a parte de um O n a h ’ é como o total dele” .
E fecha: “Um Onah é, simplesmente, um período de tempo” .
d.
O modo de calcular. Os “três dias e as três noites”
referentes ao período em que Cristo ficou no túmulo podem
ser calculados como se segue: Cristo foi crucificado na Sexta. Qualquer tempo antes das 18 horas de Sexta seria considerado num a ação retroativa “um dia e uma noite” .
Qualquer tempo depois das 18 horas de Sexta seria considerado prospectivamente “ um dia e uma noite” . Semelhantemente, qualquer tempo após às 18 horas de Sábado
até o momento em que Cristo ressuscitou, na m anhã de
Domingo, também seria “um dia e uma noite” .
O efeito da morte de Cristo foi universal e não apenas
para a Palestina (verdade é, que literalmente falarfdo, foi
na Palestina), mas no sentido geral foi universal. Assim
sendo, quando Jesus morreu, às três horas da tarde da Sexta, era já noite no “Extremo Oriente” . Já havia uma noite
no hemisfério. Ele foi sepultado antes do Pôr-do-sol e,
quando ressuscitou era dia no “Extremo Oriente e três noites no “Extremo Ocidente”
Se nosso pensamento é acertado nesta possível interpretação, os “três dias e as três noites”, podem ser computadas literalmente (cf. Ec 7.27).
Fora disso, conforme nosso costume ocidental, muitas
vezes usamos o mesmo sentido, com referência ao tempo.
Por exemplo, muitos casais esperam que seus filhos nasçam antes de meia noite de 31 de dezembro. Se nascido às
23,59 horas a criança será tratada, para os efeitos do im158
posto de renda, como tendo nascido a 365 dias e 365 noites
daquela data. Isto é verdade mesmo que 99,9rf do ano já
tenha passado! E no período da criação 0 primeiro dia começou com a escuridão. E daí em diante sucessivamente,
cada período de 24 horas foi indicado como “ a tarde e a
m anhã” (Gn 1.5, etc). Na ressurreição de Cristo, portanto,
devem estar presentes todos estes argumentos!
6 . Sua Importância, Resultado e Efeito
Três pontos fundamentais marcaram a ressurreição
de Cristo, nosso Senhor:
primeiro, sua importância;
segundo, resultado; e
terceiro, seu efeito.
a. Sua importância. Tanto em síntese , como detalhadamente, é doutrina fundamental, continuamente reiterada, enriquecida e aprofundada nas Escrituras. Encontrase em toda a Bíblia, nos ensinos dos profetas, especialmente, também, os ensinos dos apóstolos e, de um modo particular, nos ensinos de Jesus que, predissera com antecedência de séculos no primeiro caso, e de alguns meses no segundo. Também na “veracidade dos séculos” (cf. Jó 22.15)
este grande testemunho tem sido preservado até nós.
b. Seu efeito. Foi o cumprimento à risca das palavras
dos profetas, e do próprio Jesus, que, como já ficou afirmado, a ressurreição estava predita com antecedência de séculos. O episódio, e até com minúcias, em vários de seus
elementos importantes, a veracidade das Escrituras foi
justificada, esclarecida e evidenciada, pois dependiam do
fato desta ressurreição; foi também a evidência central da
divindade de Cristo, da sua exaltação e glorificação, do seu
supremo poder pessoal; o emblema expressivo da ressurreição da imortalidade, tanto no presente, se for necessário. como no futuro. Ela deu a certeza, e assegurou o testemunho apostólico, a certeza do juízo final, o fundamento
dos santos, agora no presente, no futuro e por toda a eternidade (At 17.31).
c. Seu resultado. São amplos, grandes e maravilhosos
e excedem os desejos dos mais sinceros corações os resultados da ressurreição de Cristo; ela tornou o cristianismo
159
idôneo, adequado, verdadeiro e eficaz, dando assim a certeza real, literal e objetiva. Foi e é o fortalecimento de toda
a pregação evangélica, em qualquer tempo ou lugar. A ressurreição de Cristo foi e é a suprema e majestosa história
dos evangelhos e da humanidade!
')
“)
);ג
")
M)
')״
160
Die. de Teol. do NT (4 Vol). 1982 e ss
op. cit. (4 Vol). 1982 e ss
Idem. (4 Vol). 1982 e ss
Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
op. cit. 1987
Idem. 1987
17
Lugar de Suplício
1. O Hades
No presente estudo iremos focalizar algumas das similaridades da palavra “ hades” e seus equivalentes, tais como:
“ Inferno” , “ Sheol” , “ Geena” , “ Abismo” , “ Queber” ,
“ Abadom” , “ Tártaro” , “ Poço do Abismo” , “ Lago de Fogo” , etc. Alguns destes termos são apenas sinônimos, mas
é evidente que trazem em si uma significação especial.
2. Definição Geral
A palavra “ hades” se deriva de “ idein” que significa
“ ver” , com o prefixo do negativo “ a = ” , e, assim, significa
o “ invisível” . Seu sentido primário, segundo os lexilingüísticas semíticos leva o sentido de o “ além” , ou o “ reino dos
mortos” .(141) Nos escritos de Homero (poeta cego da mitologia grega), Hades, ocorre (na forma de Aidês) como nome
próprio do deus do outro mundo. No conceito bíblico porém, especialmente no Antigo Testamento (L X X ), Hades
ocorre mais de 100 vezes, na maioria das vezes para tradu161
zir 0 hebraico “ Sheol'-. o mundo subterrâneo que recebe os
mortos.
É uma terra de trevas, onde não há lembrança de
Deus (Jó 10.21.22; 26.5; SI 6.5; 30.9: Pv 1.12: 27.20; Is
5.14).
Em 0 Novo Testamento, Hades ocorre 10 vezes, e isto
somente em Mateus, Lucas, Atos dos Apóstolos e Apocalipse. Nos demais escritos, ocorrem outros termos tais
como Abismo, Inferno, Geena, Lago de Fogo. etc.
No conceito bíblico da compreensão cristã, Hades jaz
“ dentro da terra”, de tal forma que há uma descida para
chegar a ele (Mt 11.23; Lc 10.15; 1 Pd 3.19): = “Kardia tês
gês” ( 0 coração da terra).
Quando se aplica restritamente esta palavra “Hades”, nunca se refere a “sepultura” como outros termos fazem em algum sentido especial; Hades é tomado sempre
para descrever 0 lugar “sombrio” da habitação dos mortos
(sem Cristo) entre a morte e a ressurreição.(14)־
a. Com o sentido de o “escondido” . A palavra encontra-se em Mateus 11.23; 16.18; Lucas 16.23; Atos 2.27,31;
Apocalipse 1.18; 6.8 e ss; é o equivalente de Sheol do Antigo Testamento.
Antes da ascensão de Cristo, as Escrituras dão a entender que Hades consistia de duas partes, 0 lugar dos salvos e o dos perdidos.(14) A primeira parte chamada “Paraíso” e o “ Seio de Abraão” , ambas as expressões vêm do
Talm ud dos judeus, mas foram empregadas por Cristo e
Paulo, em Lucas 16.22; 23.43; 2 Co 12.1-4, respectivamente.
Os mortos benditos estavam com Abraão, eram conscientes e eram “consolados” (Lc 16.25). O ladrão crente
havia de estar nesse mesmo dia com Cristo no “Paraíso” .
Os perdidos eram separados dos salvos por “um grande abismo” intransponível (Lc 16.26). Um homem que representa os perdidos do Hades é o rico de Lucas (16.26).
Ele era consciente, senhor de todas suas faculdades, memória, etc. e em “tormentos” .
b. No que tange à sua mudança, o doutor C. I. Scofield declara o que segue: “Hades, depois da ascensão de
Cristo; no que diz respeito aos não-salvos, a Escritura não
162
revela nenhuma mudança no seu lugar ou estado” . No julgamento do Grande Trono Branco, Hades comparecerá
ali; sua missão será, entregar os “mortos que nele havia” .
Estes serão julgados, e passarão ao “Lago de Fogo e de Enxofre” (Ap 20.13,15).
3. O Inferno
A palavra em foco como termo designativo aparece 30
vezes na Bíblia (10 vezes no Antigo Testamento e 20 vezes
no Novo).
Entretanto, temos de dizer que a palavra “Inferno” na
Bíblia é uma tradução no mínimo de três diferentes palavras. Sempre que a palavra aparece no Antigo Testamento, trata-se sem exceção de “ Sheol”, descrevendo o lugar
onde os mortos permaneceriam até a ressurreição final.
Em o Novo Testamento a palavra “Inferno” aparece
20 vezes, mas no mínimo 7 delas tratam da tradução da
palavra Hades. Lá não somente será escuro, mas dominarão as trevas mais profundas.
Não haverá lugar que esteja tão distante de Deus, que
nem mesmo o menor raio de luz chega a ele. Será um tatear em trevas palpáveis, sem uma centelha de esperança,
em eterna separação de Deus, no lugar do qual o Salvador
diz: “ ...ali haverá pranto e ranger de dentes” . Este lugar é
uma “plylakê” = “prisão tenebrosa” (1 Pd 3.19). Como
uma cidade, tem portões e ferrolhos (Mt 16.18; Ap 1.18).
Tanto o Antigo como o Novo Testamentos, nunca tomam
estas palavras: Inferno, Sheol e seus equivalentes, como
detenção final dos perdidos. Porém, quando o N T o faz,
para 0 segundo sentido, usa sempre, seu expressivo “ Geen a ” e “Lago de Fogo” .(144)
Como termo teológico, este vocábulo descreve o estado
de uma existência longe de Deus e da bem-aventurança
eterna:
Primeiro: Fogo eterno (Mt 25.41).
Segundo: Trevas exteriores (Mt 8.12).
Terceiro: Tormento (Ap 14.10,11).
Quarto: Castigo eterno (Mt 25.46).
Quinto: Ira de Deus (Rm 2.5).
Sexto: Segunda morte (Ap 21.8).
163
Sétimo: Eterna destruição, banido da face do Senhor
(2 Ts 1.9).
Oitavo: Pecado eterno (Mc 3.29).
Nono: Inferno, etc. (Lc 16.23). Falando sobre ele disse
alguém: “ O Inferno é uma necessidade moral em uma estrutura moral universal. Sem ele os ímpios não se corrigiam; e os justos não se arrependiam ” .(14’)
4. O Sheol·
As EscrituTas u s a m ta m b é m a p resen te expressão
p a ra d e n o ta r a p a rte do H a d es onde ficavam ou p a ra onde
iam as alm as dos falecidos.
Antes da ressurreição de Cristo, todos os justos, após a
morte, desciam ao “Paraíso”, que naquele tempo constituía um “ compartimento” do Sheol. Entende-se que Efésios 4.8-10, indica a ocasião da mudança: “ Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro” . Acrescenta-se imediatamente
que Ele (Cristo) tinha primeiro “descido às partes mais
baixas da terra?” ; isto é, à parte do Sheol que era o Paraíso.
Algumas versões equiparam “ Sheol” (mundo invisível) com “ Queber” (sepultura), mas devemos ter em mente que, não é a mesma coisa; Sheol vem sempre citado no
singular; ao passo que Queber vem sempre no plural (ver
notas expositivas sobre isso no artigo “ Queber” ). De acordo com os rabinos, no Antigo Testamento, “ Sheol” era 0
lugar para onde iam os mortos.
a. Por isso muitas vezes vem a ser 0 equivalente apenas de túmulo (ou sepultura), onde toda a atividade cessa;
o termo para onde toda a vida hum ana caminha (Gn 42.38;
Jó 14.13; SI 88.3). Para 0 homem natural que, necessariamente, julga pela aparência, Sheol não parece ser mais
que o túmulo - o fim e cessação total, não somente das atividades da vida, mas da própria existência (cf. Ec 9.5,10).
b. As Escrituras, porém, vão mais além e revelam ser
Sheol não apenas um lugar, mas sobretudo, um lugar de
pena (2 Sm 22,6; SI 18.5; 116.3), onde os iníquos são lançados (SI 9.17) e onde estão conscientes (Is 14.9-17; Ez
32.21), e especialmente Jonas 2.2, onde o “interior” do
grande peixe era para Jonas o que 0 Sheol é para os que es164
tão nele. Assim Sheol do Antigo Testamento e o Hades do
Novo são necessariamente idênticos.
5. O Queber
A palavra “ Queber” (hebraica) que comumente é usada no Antigo Testamento é correntemente traduzida por
“sepultura”, “cova” , e “túm ulo” . Assim podemos deduzir
que. a palavra “ Sheol” aparece sempre no singular.
A Bíblia não se ocupa de “Sheoles” = mas de “ Sheol” .
Por outro lado, a palavra hebraica para designar sepultura
ou sepulcro é mesmo “Queber” . Não há um único exemplo
de que uma alma descesse ao “Queber” ou de que um cadáver fosse ao “ Sheol” .
O Queber é o lugar do sepultam ento do corpo sem vida; 0 Sheol é (agora para os maus) o receptáculo do espírito que tem deixado o corpo. Queber abriga ou recebe cadáveres 37 vezes (1 Rs 13.30), enquanto que o “ Sheol” jamais recebe corpos (com exceções de: Coré e o seu grupo e
a besta e seu consorte).
As Escrituras deixam-nos entrever entre linhas o seguinte: Há um Queber (sepultura) para cada indivíduo, 44
vezes (2 Sm 3.32; 2 Cr 16.14). O Sheol é sempre 0 lugar
onde há m uita gente. O homem coloca corpo no “Queber”,
33 vezes (2 Sm 21.14), mas somente Deus envia o homem
ao Sheol (Lc 16.22,23).
O homem escava o “ Queber” (sepultura), 6 vezes,
mas jamais escava o Sheol.
O homem apalpa o “ Queber” (sepultura), 5 vezes,
mas jamais apalpa o Sheol (Gn 50.5).
Concluímos, portanto, que o uso da palavra “ Queber”
prova que ela significa sepultura, que acolhe o cadáver, enquanto que Sheol acolhe o espírito e a alma do homem sem
Deus, após sua morte.(14H)
6 . O Abismo
Assim como na terra e no mar, existe tam bém no
mundo invisível a “região abissal” . Este “ Abyssos” é realmente um adjetivo, com o significado de “sem fundo” =
“insondável” . Empregado isoladamente com o substantivo “ gê” (“terra” ) subentendendo, significa “lugar sem
165
fundo”, e, portanto, um “Abismo” .(147) No grego da Septuaginta (LXX), a palavra representava as “profundezas
primevas”, “oceanos primevos” , ou “o reino dos mortos” ,
ou ainda “o mundo inferior” . Ocorre 25 vezes na LXX,
mormente para traduzir o hebraico “tehôm ”, isto é, “o
oceano primevo” (Gn 1.2), “águas profundas”, (SI 42.7), o
“reino dos mortos” (SI 71.20).
O judaísmo e até escritores helenistas conservaram o
significado de “dilúvio primevo” para tehôm. Esta palavra, no entanto, também representa o “interior da terra” .
a. Em o Novo Testamento, esta expressão é equivalente a “Hades” , “ Sheol” e outros termos que são traduzidos dentro do mesmo conceito.
São palavras usadas tanto pelos escritores do Antigo
como do Novo Testamentos.
b. Não só há alusão ao “Abismo” . Mas, de um modo
singular e específico, há também alusão ao “Poço do Abismo” (Ap 9.2). Alguns estudiosos traduzem a presente expressão por “fenda do abismo”, isto é, porque o termo grego (“phear”) tem esse sentido.
Já entre os gregos o “Abismo” ou “Abyssus” (grego)
ou poço do Abismo, ou Tártaro é a “escuridão” onde está
localizada a prisão dos espíritos maus (Jd v 6). A passagem
de Apocalipse 9.2, não se refere apenas ao “Abismo” , mas
ao “Poço do Abismo”, isto é, “o mais interior da cova” (cf.
Ez 32.23); ali, pois, por expressa ordem de Deus, estão
aprisionados os poderosos que zombaram de Deus na “terra dos viventes” .
Ezequiel diz que sete nações desceram ali e que
“ ...seus sepulcros foram postos no mais interior da cova”
(Ez 32.18,21 e ss).
Nas Epístolas de Pedro e Judas, encontramos anjos ali
aprisionados (2 Pd 2.4 e Jd v 6). No conceito teológico,
bíblico, esse é o lugar chamado de “região tenebrosa e melancólica, onde se passa um a existência consciente, porém
triste e inativa” . (14!í)
7. Abadom
Abadom (hebraico) e Apoliom (grego) - em ambas as
línguas quer dizer (“destruidor”) = (“pôr fim a ” ) = (“per166
der” ). No Antigo Testamento (L X X ) apollymi é um verbo
composto de “ ollymi” que por sua vez quer dizer mesmo
“ destruir” . Apollymi representa 38 palavras hebraicas diferentes. Mas freqüentemente, representa “ ãbad” , está
perdido, perecer, ou destruir.
No Novo Testamento, porém, a forma simples “ ollymi” não se acha, mas as formas verbais de “ apollyõ” ocorrem 90 vezes, e “ apoleia” 18. Num conceito geral, Abadom, é um termo hebraico que significa “ destruidor” ,
“ destruição” ou “ ruína” , conforme se vê em, Jó 31.12. Algumas vezes é usado como equivalente de “ morte” .
A palavra é também usada para o lugar da destruição,
sinônimo de Sheol ou mundo invisível dos mortos em (Jó
26.6; 28.22; Pv 15.11 e 27.20), e é usada para o próprio
mundo dos mortos em Jó 31.12; SI 88.11).
João no seu Apocalipse (9.11) traduz a palavra para o
grego ligado não muito com apoleia, “ destruição” , mas por
um particípio, apollyon, que significa, de fato, o “ destruidor” .
Apoliom (Ap 9.11), em passagem como a que está em
foco, é cognato de Apollumi, verbo que significa “ destruição” e sua tradução portuguesa acompanhou o sentido original de “ destruição” .
Nesta seção que temos no Apocalipse, Abadom e Apoliom, é o mesmo nome do “ anjo do Abismo” , isto é, o próprio Satanás; mas em Apocalipse 9.2, deve ser o princípio
da formação desta palavra “ destruição” , e é essa a missão
sombria tanto daquele lugar como do seu príncipe: “ Matar
e Destruir” .(149)
8. O Tártaro
O Tartarus dos romanos e o Tartaros dos gregos (2 Pd
2.4) são vistos como a Casa Intermediária, a caminho do
Juízo Final (Jd v 6).
Nos escritos paralelos ao Apocalipse (especialmente
no livro de Enoque), “ Tártaro” é a designação usada para
o lugar de punição dos anjos caídos. Algumas das referências a esse lugar, na literatura grega, parecem indicar que
se imaginava ser esse lugar inferior ao “ Hades” , bem como
um lugar especial de ira divina.
167
Somente em 2 Pedro 2.4 é que encontramos o vocábulo “tartaroã” , traduzido em nossa versão como "precipitando no inferno”, e na versão pesita “lançados nas regiões
mais baixas” .(1 ) Os textos gregos e contextos aqui representados, levam-nos a depreender que o “ Sheol" representa para os perdidos até a ressurreição final e o “Paraíso"
para os santos até ao arrebatamento; o que, o “Tártaro",
representa para os “anjos caídos”, isto é, um lugar de espera intermediária até uma solução final. É esta a nossa solene convicção.
9. Geena
A palavra “geena” é composta por duas palavras
hebraicas: “gê”, que significa “um abismo” e “hinnom ” .
Ambas as expressões juntas significam “ O Abismo ou Vale
do Filho de Hinom” . Literalmente falando, refere-se a
uma depressão profunda situada ao sul de Jerusalém (Rs
18.16). O expressivo “geena” é originado de uma raiz aramaica obsoleta que significa “lamentação” (cf. 2 Rs 23.10).
Era 0 lugar do culto a Moloque, a quem os reis Acaz e
Manassés sacrificaram seus filhos (2 Cr 28.3; 33.6). Josias,
o rei reformador, declarou ser este lugar imundo (2 Rs
23.10), onde era queimado lixo e lançados os cadáveres (Is
66.24; Jr 31.40). Por isso, “geena” é o nome grego para o
Vale do Filho de Hinom. Esse era lugar de fogo, morte e
aflição.
10. O lago de Fogo
O Lago de Fogo (Ap 20.14) e seu equivalente da “ Segunda Morte” devem ser tomados como sinônimos de “Geen a ” . É este o lugar onde 0 bicho não morre e o fogo nunca
se apaga (Mc 9.46).
“ A palavra hebraica primitiva que descreve este lugar, como no Antigo Testamento é “Tofete” (Is 30.33; Jr
7.31,32). Mas a palavra grega é “ Geena” (Mt 5.22,29,30;
10.26; 23.14,15,33). Como “ Geena” este lugar tenebroso
tem diversos sinônimos ou equivalentes:
O fogo eterno (Mt 18.8 e ss; 25.41);
O fogo inextinguível (Mt 3.12; Mc 9.44-48);
O fogo e o verme (Mc 9.48);
168
À fornalha ardente (Mt 13.42);
O lago de fogo (Ap 20.14);
Fogo e enxofre (Ap 14.10; 19.20; 20.10). De acordo com
Gênesis 19.14; Salmos 11.6; Ezequiel 38.22, este foi o castigo de Sodoma e Gomorra.
Nos elementos doutrinários: as trevas exteriores (Mt
8.12; 22.13; 25.30); 0 castigo eterno (Mt 25.46 etc).
Jesus empregou o termo “ Geena” 11 vezes, sempre no
sentido literal.(151) Ali sempre havia fogo aceso, servindo
desta maneira para figurar o Lago de Fogo que arde eternamente. A palavra encontra-se em Mateus 5.22,29,30;
10.28,29; 23.15,33; Marcos 9.43,45,47; Lucas 12.5; Tiago
3.6.
Em cada caso, com exceção do último, a palavra sai
dos lábios do Senhor Jesus em solene aviso das conseqüências do pecado. Ali era o lugar onde era jogado o lixo. Isso
corresponde a um lugar com mau cheiro, fumaça e odores
de putrefação que se encontra fora das cidades. O significado do pensamento combina com as palavras de Jesus,
quando descreve esse lugar (“onde o seu bicho não morre, e
0 fogo nunca se apaga” ).
'") Die. de Teol. Do NT (4 Vol). 1982 e ss
"’) op. cit. (4 Vol). 1982 e ss
'") Scofield, Dr. C. I. (Scofield Reference Bible)
' “) Apoc. v. p. v. S. P. S. 1987
"') Die. de Teol. do NT (4 Vol). 1982 e ss
'“) Ο P lan. Div. Atrav. dos Séc. N. L. O. 1981
)' ״op. cit. (4 Vol). 1982 e ss
"") Idem. 1982 e ss
'") O Lag. de Fog. M. R. DE H aan. 1985
ר ׳op. cit. M. R. de H. 1985
1 ') Ο Plan. Div. Atrav. dos Séc. N. L. O. 1981
169
18
O Significado da
Palavra Céu
1. O Céu
Diversos vocábulos são traduzidos por “céu” pelos
eruditos, no que diz respeito ao “ céu” (singular), e aos
“céus” (plural), porém, os únicos que realmente são mais
importantes são o hebraico “sh ã m a y im ” e o grego “ouranos” .
Estes vocábulos eram e são freqüentemente usados
para representar o Universo (Gn 1.1; 14.19; 24.3; Jr 23.24;
Mt 5.18). Além do firmamento visível existia a região primeval das águas que, em certo sentido, foi também denominada “céus” (Gn 1.7,8; SI 148.4) de que, após o Dilúvio,
não mais se fala na história da Criação (Gn 7.11 e ss; 2 Pd
3.5-7).
Os hebreus empregavam a frase céu dos céus (Dt
10.14; 1 Rs 8.27; SI 115.16), para representar os céus na sua
vastíssima extensão.
O termo “ouranos” que freqüentemente é mais usado
no singular, teve sua origem no grego de Homero, com o
significado de (“ abóboda Celestial”), ou “firmamento” .
Para os escritores sagrados, especialmente aqueles relacio171
nados com a poesia, o céu era retratado da seguinte maneira:
Primeiro: Com janelas (Gn 7.11; 2 Rs 7.2):
Segundo: Descansando sobre pilares (Jó 26.11);
Terceiro: Repousando sobre alicerces (2 Sm 22.8):
Quarto: É como uma tenda arm ada (SI 104.2: Is 40.22:
44.24);
Quinto: É como um rolo desenrolado (Is 34.4) e pode ser
rasgado (Is 64.1 etc).
a. O sentido geral. No Antigo Testamento (LXX), 0
termo “ouranos” ocorre por 667 vezes sempre como tradução de “shã, ayim ” forma plural que ocorre por 51 vezes.(1M)
Já em o Novo Testamento, “ouranos” ocorre 272 vezes; com maior freqüência em Mateus (82 vezes), especialmente na frase “basileia tõn ouranos” ( 0 reino dos céus).
Nos escritos de Lucas “ouranos” ocorre 34 vezes (das
quais 26 estão em Atos); 18 vezes em Marcos e 18 vezes em
João; 21 vezes nos escritos de Paulo e 52 vezes no Apocalipse. Todos esses vocábulos eram usados pelo povo da aliança (e até fora dele), para designar o nome do lugar onde se
manifesta a presença de Deus (Gn 28.17; SI 80.14; Is 66.1;
M t 5.12,16,45,48; 23.9), onde estão os anjos (Mt 24.36;
28.2; Mc 13.32; Lc 22.43), e onde os remidos irão morar
(Mt 5.12; 6.20; 10.10; Ef 3.15; 1 Pd 1.4; Ap 19.1,4), etc. Em
m uitas outras passagens, a palavra “céu” é empregada perifericamente em lugar de Deus. Assim é que o filho pródigo disse: “ ...pequei contra o céu (Deus) e perante ti...” Lc
15.21). (1S1)
Semelhantemente é a passagem de João 3.27: “ ...o homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do
céu (Deus)” . Os judeus dos últimos tempos costumavam
dividir os céus em sete regiões diferentes. Mas isso trouxe
intensa discussão em torno dessa questão.
Principalmente porque, no cristianismo primitivo,
essè conceito não foi aceito pelos principais Pais da Igreja.
Num consenso geral, tanto cristãos como judeus ortodoxos aceitam a existência de três céus.
b. S ua criação. No princípio, portanto, esses céus foram criados por Deus (Gn 1.1). No contexto original
172
hebraico a palavra céus (plural) é “sham ayim ” . A terminação “i n ” indica o plural. Isso pretende mostrar que há
mais do que somente um céu. Na Bíblia distingue-se pelo
menos três céus:
Primeiro: O Céu inferior (ouranos):
Segundo: O Céu intermediário (Mesoranios);
Terceiro: O Céu superior (eporanios).
1) Céu inferior: Por céu inferior entendemos o céu atmosférico. Isto é 0 “alto” : onde sobrevoam as aves e os
aviões (atual), passam as nuvens, desce a chuva, e se processam os trovões e relâmpagos.
Deus o chamou de “ ...a face da expansão dos céus”
(Gn 1.20) e Jesus, de “ ...extremidade inferior do céu” (Lc
17.24).
2) Céu intermediário: Por céu intermediário entendemos o céu estelar ou planetário, chamado tam bém o céu
astronômico. A Bíblia o chamou de a “ altura” .
3) Céu superior: Esse é chamado de as “alturas” em
várias conexões das Escrituras Sagradas (SI 93.4; At 1.9;
Hb 1.3). É declarado em 2 Coríntios 12.2, como sendo “ ...o
terceiro céu”, = “o Paraíso” .
Podemos chamá-lo de “o espiritual” , e de “céu dos
céus” por estar acima de todos (Ne 9.6; Jo 3.13).
c.
A origem dos céus. Foram criados por Deus. Deus
criou os céus pelo supremo poder da Palavra (1 Cr 16.26;
Jó 26.13; SI 8.3; 33.6; 96.5; 136.5; Pv 8.27).
Os céus incluindo a terra (Gn 1.1 e ss; 2.1; Êx 20.11;
31.17; Ne 9.6; SI 89.11,12; 102.25; 115.15; 121.2; 124.8;
134.3; 146.6; Pv 3.9; Is 37.16; 42.5; 44.18; 51.13,16; Jr
10.12; 32.17; 51.15; Zc 12.1; At 4.24; 14.15; Ef 3.9; 2 Pd 3.5;
Ap 4.11; 10.6; 13.7).
Foram criados em seis dias (Êx 20.11; 31.17). São sustentados pelo poder da sua Palavra (SI 33.9; 148.5; Hb 1.3;
2 Pd 3.5). Eles passarão com grande e estrepitoso estrondo
no dia do juízo (Is 51.6; M t 24.33; Mc 13.31; Lc 21.33; Hb
1.10,11; 2 Pd 3.7,10; Ap 6.16 (1? estádio); 20.11 (2? estádio): 21.1 (a consumação) = dando assim lugar a “ ...um
novo céu...” .(154)
173
2. Os Céus... Que Agora Existem
0 presente argumento tem seu pano de fundo na passagem de 2 Pedro 3.7: “Mas os céus e a terra que agora
existem pela mesma palavra se reservam como tesouro...”
E no contexto de (3.5b), lemos: “ ...pela palavra de
Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra,
que foi tirada da água e no meio da água subsiste” . Devemos, portanto, ter em mente no presente argumento, as
duas frases significativas:
(1?) = “existem” (presente); e
(2?) = “existiram” (passado). Os judeus em alguns dos
seus escritos tinham a concepção de três universos:
a. O universo antediluviano (do mundo de então), que
terminou com o Dilúvio (cf. 1 Pd 3.20; 2 Pd 2.5; 3.5,6).
b. O universo renovado, que é o nosso, mas que eventualm ente tam bém perecerá (cf. 2 Pd 3.7,10,12; Ap 21.1).
c. O novo universo, no qual reinará a justiça, quando
será restaurado a harmonia original. Esse é o “mundo eterno” que não terá fim (2 Pd 3.13; Ap 21.1 e ss).
A tradição de que o mundo, antes destruído pela água,
seria novamente destruído pelo fogo, era antiga tradição
judaica, e segundo Josefo,(155) essa tradição era extraída de
um livro de profecias, atribuídas a Adão, que continha tal
declaração.
O cataclismo. Muitos expositores renomados têm procurado encaixar em Gn 1.2: (“um = Katakleitheis” ) - designação grega para nosso vocábulo moderno “cataclismo”, em lugar das palavras hebraicas (“tõhubõnhü” ), traduzidas em português como (“sem forma e vazia”).
Verdade é que, em outros lugares das Escrituras tais
palavras são traduzidas no sentido de: deserto ou desolação total, em termos físicos (Dt 32.10; Jó 6.18), vazio (Jó
26.7), caos (Is 24.10; 34.11; 45.18); e metaforicamente, coisas vãs ou sem valor (1 Sm 12.21; Is 29.21).
Assim, os expositores que defendem esta posição
acham que, no dizer de Pedro (3.5), “ ...os céus e a terra”
que “existiram na antiguidade”, existiram antes deste cataclismo mencionado em Gênesis 1.2, e que, a seguir, o
bondoso Criador, deu início a “uma nova forma” em cada
elemento mencionado.
174
I. Ora, nas versões correntes da Bíblia nunca se lê “ ...e
a terra tornou-se” (com exceção de Rode) e, sim, “ ...e a
terra era” (Gn 1.2 etc).
Sem procurar polemizar, mas esclarecer, lendo Gênesis 1.8,31 e 2.1-3; Is 45.18; Mc 10.6, cai por terra uma “recriação da terra” e uma “queda no mundo espiritual” em
Gênesis 1.2. A Bíblia defende uma criação contínua sem
interrupção (Êx 20.11; 31.17) e, sem sombra de dúvida, Pedro se refere ao tempo do Dilúvio, quando cita 3.5; pois sabemos que, por ocasião deste, grandes massas de água
compactas que estavam “sobre a expansão” (Gn 1.6-8) desabaram sobre a humanidade.
M uitas vezes, os “elementos” da natureza são tomados em figuras para representar os dois primeiros céus: céu
atmosférico e o céu estelar. O termo grego “stoicheia”, em
casos específicos, geralmente, expressa este pensamento.
Assim sendo, o contexto demonstrativo da mesma seção de
Pedro (3.5) reforça o sentido do argumento.(156)
II. Ora, segundo se depréende do expressivo: “os céus”
que hão de passar no dia do juízo não inclui o céu “eporanios” (céu superior), uma vez que 0 mesmo é eterno, não é,
pois, sujeito a nenhuma mudança. E sim, os “céus” atmosférico e astronômico.
Pedro diz que isso se dará no dia do juízo e que será
ocasionado com grande estrondo. Isto é, ele usa aqui a terminologia grega literária: “rhoizêdon” . O substantivo
“rhoizos” usava-se no grego antigo a propósito do zunido
da flecha ou para aludir ao rugido de um incêndio ou provavelmente ao enrolamento dos céus como pergaminho.
Seja como for, tudo está predito e tudo acontecerá!(157)
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V )״
Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
Scofield, D r. C.I. (Scofield Reference Bible)
Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
Ant. Ju d . (1. 2. 3)
Ο Lag. de Fog. M. R. de H aan. 1985
Apoc. v.p.v. S.P.S. 1987
175
19
O Juízo Final
1. O Grande Trono Branco
“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se
achou lugar para eles” (Ap 20.11).
Pela ordem cronológica dos acontecimentos, este capítulo deveria vir logo após o do Milênio, mas é evidente que
era necessário que tivéssemos uma noção clara sobre outros assuntos importantes, para uma melhor compreensão
do significado do pensamento.
Nesta seção, segundo foi presenciado por João, aparece um trono isolado! Nessa cena celestial não aparece
qualquer hoste de anjos ou quaisquer outros seres ceiestiais.
Todos os olhos se fixarão diretamente sobre o trono.
Vasto, intenso e rebrilhante. Os próprios céus (atmosférico
e estelar) e a terra não mais podem ser vistos, deixaram de
existir, em antecipação a nova criação. Não chegam, portanto, ao campo de nossa visão. A fuga do céu e da terra,
deve ser entendida literalmente como o fim da antiga criação. conforme se vê em 2 Pedro 3.7 e ss; Apocalipse 21.1 e
177
ss. Na passagem em foco, diz que “ ...não se achou lugar
para eles” .
Em outras palavras, nenhum espaço será achado para
a antiga criação, nem mesmo os antigos lugares ceiestiais.(1™)
a. O Trono. A palavra “trono” ou “tronos” . Ela, no
grego é (“thronos”). É usada no Novo Testamento com 0
sentido de “trono real” (Lc 1.32,52), ou com o sentido de
“tribunal judicial” (Mt 19.28; Lc 22.30). Também há alusão aos “ tronos” de elevados poderes angelicais, ou governantes humanos (Cl 1.16).
O trono do presente texto, é grande! É de vastíssimas
dimensões! Enchendo o campo inteiro de nossa visão; expulsa da vista todos os outros elementos. Ameaça; deixa a
mente atônita.
Trata-se de um infinito julgamento, diante do qual está o que é finito: o pobre humano morto.(1’9)
O trono é branco! Resplandeceu de pureza e santidade, o que exige justiça! Castigo! Julgamento! Purificação!
Retribuição! Tudo isso descreve um a cena fora da história
humana! É o Juízo Final!
b. Entre os muitos julgamentos ou juízos especiais, a
Bíblia menciona sete, que têm significado especial:
1) O julgamento dos pecados do crente na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 13.31). Ele foi aí justificado porque Cristo, havendo levado os seus pecados sobre a cruz,
foi feito por Deus justiça (1 Co 1.30).
2) O crente julgando-se a si mesmo, para não ser julgado com o mundo (1 Co 11.31).
3) O julgamento das obras dos crentes diante do Tribunal de Cristo,־logo após o traslado da Igreja (Rm 14.10; 1
Co 3.12; 2 Co 5.10).
4) O julgamento das nações vivas por ocasião da “Parousia” de Cristo (Mt 25.32 e ss).
5) O julgamento de Israel, na Volta de Cristo, como
“amadurecimento da nação” , para ingressar no Reino Milenar (Ez 20.33 e ss; M t 19.28).
6) O julgamento descrito por Paulo em 2 Timóteo 4.1,
que se dará na “sua vinda (de Cristo) e no seu reino” .
178
7)
O julgamento do “ Grande Trono Branco” aqui
mencionado nesta seção (Ap 20.11-15).
2.
O Direito
No sentido lato da mesma forma que se chama direito,
na ordem física, o caminho que conduz, sem desvio, de um
ponto a outro, do mesmo modo, na ordem moral, o direito
é, etimologicamente, o que conduz o homem, sem desvio, a
seu fim último.
Diante da majestosa presença do Criador, tudo será
aquilatado diante do seu poder moral, isto é, um poder que
se baseia na razão e na lei moral.
Opoê-se, assim, ao poder físico, que se baseia na força.
A força certamente pode ser justa, mas não é o direito. O
direito, porém, tem seus limites, porque se apóia num a lei
que, por sua vez, visa a um fim determinado.
Do ponto de vista divino de observação, esse direito
será regido pela Justiça de Deus. Nesse julgamento infinito além dos demais atributos divinos, prevalecerão a justiça e a retidão de Deus.
a. A Bíblia, em seu conceito geral, afirma ser Deus “O
Justo Juiz” (Gn 18.25; 2 Tm 4.8; Ap 16.7). Ele não pode ultrajar o direito de ninguém, pois se assim procedesse, contrariava toda sua natureza. As Escrituras afirma que “justiça e juízo são a base do seu trono” (SI 97.2b).
A justiça divina é a execução da retidão; essa pode ser
chamada de santidade judicial.
“Justiça” é uma palavra que aparece por 476 vezes na
Bíblia. No Antigo Testamento, aparece como tradução do
termo hebraico “ çedheq” . E em 0 Novo, no substantivo
grego “dikaiosume” cerca de 90 vezes. Seu sentido lato,
quer dizer “equidade legal” .(160)
b. Outra palavra que descreve um dos atributos morais de Deus ligado ao juízo é a retidão.
A retidão de Deus é a imposição de leis e exigências retas; podemos chamá-la de santidade legislativa. Deus é
“reto em todos os seus caminhos” (SI 92.15). Ele se move
por uma vereda de equidade e absoluta perfeição. Todos
esses atributos (e mais ainda) estarão presentes diante do
Trono Branco.
179
3. O Juiz
Ο Filho se assentará juntam ente com 0 Pai, em seu
trono, para julgar. Mas 0 Pai é quem figura majestaticamente em as seguintes referências: At 17.31; Hb 1.3; Ap
4.2,9; 5.1,7,13; 7.10; 19.4; 21.5, e por meio de Jesus todos
ali serão julgados (Jo 5.22). Duas classes de seres ali estarão presentes e serão julgados perante aquele grande trono!
Primeiro: “ ...Os grandes” (os anjos caídos) (2 Pd 2.4;
Jd v 6).
Segundo: “ ...Os pequenos” (os homens sem Deus) (SI
8.5; Hb 9.27).(161) Em Apocalipse 20.15, demonstra um julgamento individual, confirmando o v 13: “ ...e foram julgados “cada um ” segundo as suas obras” .
Deus julgará cada um segundo as suas obras, porque
no Inferno há tam bém diversos graus de sofrimento (Ez
32.21-23; Hb 10.29).
a. É evidente que os salvos que comparecerem diante
do Trono de Deus, cujos “nomes se encontram no livro da
vida”, não fazem parte da Igreja (isso não quer dizer que
ela não esteja ali) e, sim, aqueles que foram fiéis a Deus
durante 0 Reino Milenar. Diante do Trono Branco estão
multidões incalculáveis que, durante o Milênio, creram
em Jesus e foram fiéis, e permaneceram até 0 fim. Quando
Satanás, pela últim a vez, rebelou-se contra Deus, esses
não o acompanharam e, agora, estão diante do Trono
Branco, sabendo que seus nomes estão escritos no livro da
vida para receberem a vida últim a.(162)
Diante deste julgamento estarão também o monarca
de Nínive, isto é, o rei Adade-Merare, sucessor de Salmanazar II e a rainha de Sabá que, segundo se afirma, foi a
rainha Makeda de Aksum. Eles estão ali, não para serem
condenados, mas para receberem de Deus a confirmação
últim a de sua promessa (Mt 12.40-42; Lc 11.30-32).
b. Em Apocalipse 21.27 diz que, só terão permissão de
entrar na Jerusalém Celestial “ ...os que estão inscritos no
livro da vida do Cordeiro” .
Entre os livros escritos com tinta e outros, encontramos os seguintes:
180
Primeiro: “ O livro da consciência” (Rm 2.15).
Segundo: “O livro da natureza” (SI 19.1-14).
Terceiro: “O livro da lei” (Rm 2.12).
Quarto: “ O livro do Evangelho” (Rm 2.16).
Quinto: “ 0 livro das memórias” (Lc 16.25).
Sexto: “ O livro das obras” (Ap 20.12).
Sétimo: “ O livro da vida” (Ap 20.15). O livro da vida
do Cordeiro é o livro que dá admissão ao mundo eterno. A
missão plena de Jesus Cristo, derramando o seu sangue, foi
para conduzir-nos a Deus, em sua real presença. Seu títu10, “0 Cordeiro” , faz subentender tudo isso. 0 livro da
vida é o livro de um a infinita compaixão, porque contém,
exclusivamente nomes de ex-pecadores.(16 )
Está aberto para todos; e, no entanto, muitos desprezam as suas promessas. Prezado leitor: tens teu nome escrito lá?
Se ainda não - faze - 0 o mais depressa possível.
“ ...Ainda há lugar!” (Mt 11.28; Ap 22.17). Porquanto chegará o dia: “o dia do juízo final” quando “ ...aquele que não
foi achado escrito no livro da vida foi lançado no Lago de
Fogo” (Ap 20.15). Teme! Pois!
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Apoc. v.p.v.
op. cit. 1987
JR . Cur. de
Apoc. v.p.v.
A Dout. das
Apoc. v.p.v.
S.P.S. 1987
Fil. 1984
S.P.S. 1987
Últ. Coisas E.B. 1980
S.P.S. 1987
181
20
A Vida Etema
1. A Eternidade
A eternidade é um atributo que decorre da imutabilidade. O termo é, com efeito, aquilo que não muda e não
pode m udar de maneira alguma, por conseguinte, aquilo
que não começa nem termina e que possui na atualidade
pura, exclusiva de qualquer sucessão ou modificação, a
plenitude de seu ser.
Daí a definição de Boecio(164) - De Consolatione Philosophix, V, prosa 6, retomada por Tomás de Aquino: “A
eternidade é a posse, ao mesmo tempo, total e perfeita, de
uma vida sem limites. Portanto, a eternidade é um presente imutável que existe em todos os tempos” .
a. Definição. O tempo veio a existir dentro de “uma
fenda” da eternidade. Deus criou o tempo por causa do homem; porém, este tempo terminará um dia! O tempo se
define como o número ou a medida do movimento. Com
efeito, não se pode conceber o tempo sem o movimento. O
tempo sem o movimento não pode existir. O tempo é, pois,
uma espécie de número. Mas não de um número descontínuo; é um número contínuo e fluente.
183
Costuma-se dividir 0 tempo em três partes:
1) O tempo concreto. (Ou vivido). É aquele que resulta do movimento vivido por cada ser. Na vida humana, por
exemplo, esse tempo algumas vezes é suprimido pelas
muitas ocupações. Sempre ouvimos alguém dizer: “Não
tenho tem po” .
Assim o tempo pode ser mais ou menos rápido, conforme a rapidez ou a lentidão do movimento vivido por nós,
durante o sono, o tempo quase desaparece, em conseqüência do relacionamento da atividade psíquica (ou movimento psíquico). Na vida espiritual abundante, isso pode ser
elevado à terceira potência: “ ...pois passa rapidamente, e
nós voamos” (SI 90.10b). De outras vezes, desde que a atividade é intensa, o tempo parece, ao contrário, precipitarse.(165)
2) O tem po abstrato. É o tempo uniforme e vazio que
nós representamos como um a linha, ao longo da qual se situam os acontecimentos do Universo. Este é o tempo abstrato de que fala o profeta Isaías 57.4: “ ...de quem fazeis o
vosso passatempo?” Mas, evidentemente, isso faz também
parte do tempo abstrato “ ...tudo tem o seu tempo determinado...” (Ec 3.1a).
3) O tempo objetivo. É o tempo resultante do movimento sobre si mesmo, e que foi tomado como unidade
(um dia de vinte e quatro horas).
Este tempo uniforme depende de nós, se bem que,
sem um espírito que numere (ou meça) o movimento da
terra, o tempo não existiria em ato, mas apenas em potência, no movimento da terra.
Para Deus este tempo passa sem ser medido ou observado. Moisés declara: “Porque mil anos são aos teus olhos
como o dia de ontem que passou” (SI 90.4a).
Em outras palavras o tempo poderia não ter começo
nem fim. Deus, com efeito, teria e pode fazer criar um tal
tempo. O tempo, assim concebido, não mudaria de natureza não se confundiria de forma alguma com a eternidade,
um a vez que não deixaria de ser sucessão permanente.
2. Os Elementos do Tempo
Tanto os filósofos como os escritores cristãos dividiram o tempo em três partes, a saber:
184
Primeiro: o tempo passado.
Segundo: o tempo presente.
Terceiro: o tempo futuro. Segundo este conceito de
aquilatar o tempo, só o presente existe: 0 passado já não é e
o futuro ainda não existe. O tempo, portanto, corresponde
ao que muda, ao que comporta a sucessão e o vir-a-ser. A
eternidade é uma duração, quer dizer, uma permanência
de ser, sem nenhuma sucessão e, daí, sem começo nem
fim .(1(i6) Pode-se dizer, em outras palavras, que é um eterno presente, uma posse perfeita e total do ser.
Nossa vida na eternidade está incluída naquilo que
Deus quer que seja! Ele mesmo diz: “ ...Eis que faço novas
todas as coisas” (Ap 21.5), e além disso, a palavra traduzida “novo” em Apocalipse 21.1 significa “novo em espécie
ou ordem” , distinto de meramente novo no que concerne
ao tempo. Pedro descreve o processo que o Senhor vai usar
na renovação do céu e da terra para que neles “ ...habite a
justiça” .
“Mas o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão e a terra e as obras que nela
há, se queimarão... aguardando, e apressando-vos para a
vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão,
e os elementos, ardendo, se fundirão” (2 Pd 3.10,12 etc).
a.
A palavra traduzida por “elemento” é soicheiov,
que significa o mais básico elemento da natureza. Hoje sabemos que 0 átomo é a ínfima parcela constituinte da matéria. Pedro diz então que esses elementos serão “desfeitos” .
O sentido literal do termo “desfeito” é “desatar alguma coisa” . Emprega-se com freqüência no caso de desatarse uma corda, um a atadura, como João 11.44. Noutras palavras, Cristo vai “desatar” os átomos do universo em que
vivemos.(167)
Não admira, portanto, que haja um bramido, calor intenso e fogo. Então aparecerá “novo céu e nova terra” preparados para a eternidade! Nessa ocasião surgirá como
Capital dessa nova ordem a cidade celestial chamada a
“Nova Jerusalém ” .
185
Devemos observar que em Apocalipse 21.2, esta linda
cidade dos remidos é chamada de “nova” ; enquanto que
na seção seguinte (v 10) é chamada de “santa” .
b.
Uma cidade modelo. Tudo sugere uma cidade literal: ouro, ruas, dimensões, pedras etc. Ela desce do céu,
pois é impossível construir uma cidade santa aqui na terra.
Segundo as dimensões apresentadas pelo anjo intérprete
do apóstolo João, 12 000 estádios (Ap 21.16), se fossem divididos em ruas, haveria lugar para 8 milhões de ruas
com avenidas de 2 200 quilômetros cada uma. Cremos que
realmente a nova Jerusalém, o lar dos remidos terá, sem
dúvida, essas dimensões em foco!
Mas alguns comentaristas, dado a largura e altura da
cidade dão outras dimensões mais elevadas. “Doze mil estádios multiplicados por cento e oitenta e cinco metros, e 0
resultado elevado à terceira potência dará a medida cúbica
da cidade” . =Dez bilhões, novecentos e quarenta e um miIhões e quarenta e oito mil quilômetros =. A grandeza da
cidade assegura lugar para todos!(168)
Paulo fala deste lindo lar divino onde iremos morar,
quando diz: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde
também esperamos o Salvador; o Senhor Jesus Cristo...”
(F1 3.20). Amém!
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186
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1963.
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As profecias sempre me
fascinaram. E este livro foi escrito
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espiritua do povo de Deu> ייaté f^ra
de :e. Este livro revela iictável
unidaae de estilo e de linguagem.
O ponto central de seu conteúdo é
nosso Senhor Jesus Cristo e
׳־״nifestaçr^s com dissertações sobre
as profecias futurísticas.
pa s10, j 0Sg Wellington
Severino P ed ro d a Silva
Ministro do Evangelho, bacharel
em Filosofia e Teologia, autor dos
livros: D a n i e l , V e r s í c u l o p o r
V e r s ' ' ׳u l t , ■ A p o c a l i p s e , V e r s í c u l o p o r
v. r s í c u h ; e O s A n j o s , s u a N a t u r e z a e
O fíc io .