Aula
O CARÁTER DESTRUTIVO DO
CAPITALISMO AUTOMOBILÍSTICO
META
Abordar a nova essência do capitalismo de nossos dias a partir da sua principal
variável econômica: o automóvel; e seus desdobramentos que vai mais além do
que ser a principal mercadoria produzida sob o domínio do sistema do capital;
analisar os processos contraditórios gerados pelo automóvel, aqui denominado
de “capitalismo automobilístico” como a principal ferramenta de destruição da
natureza e da própria sociedade.
OBJETIVOS
Ao final desta aula, o aluno deverá:
entender os diversos processos contraditórios que atualmente o capitalismo se
sustenta e que vai além do que o mero domínio do capital financeiro. Em termos
produtivos, o capitalismo tem na produção do automóvel sua maior referência e
também da inovação tecnológica de ponta, além dos valores culturais e sociais
produzidos em torno da principal mercadoria vendida em todos os cantos do
mundo; centralizando a abordagem como ferramenta da destruição da natureza e
da própria sociedade.
PRÉ-REQUISITOS
Os conteúdos apresentados nas aulas 02 e 09 deste curso, poderá contribuir
para entender esse novo processo de reprodução do capitalismo
contemporâneo.
Mercedes Benz AMG apresentada no Salão do Automóvel 2008.
(Fonte: http://www.flickr.com)
Geografia Econômica
INTRODUÇÃO
Mais uma vez apresentamos importante conteúdo dentro do marco
da Geografia Econômica. Trata-se daquilo que estamos denominando de
capitalismo automobilístico e nele da excelente possibilidade de uso da
abordagem crítica, da qual procurará desvendar os elementos contraditórios que estão articulados com a maior das mercadorias do sistema do
capital atual, e com maior relevo, dos desdobramentos criados e vinculados com essa produção que se espalha como o maior objeto de desejo de
qualquer ser humano atualmente vivo na superfície terrestre.
Desse modo, a presente aula é uma singela contribuição de referência
para abordar o automóvel não apenas como mercadoria valorada dentro
do espectro da economia, mas também como valor social vinculado a
outros aspectos, que “transcendem” a mera atividade econômica. Agrega-se também dos elementos culturais atualmente envolvidos em torno
do automóvel, e queira ou não, o aluno perceberá como a simples análise
do automóvel gera tanta contradição em si mesmo.
Finalmente é pertinente também conferir que o capitalismo automobilístico se sustenta sob um lastro destrutivo, que navega desde a destruição da organização da sociedade propriamente dita, como o fortalecimento do individualismo, o consumismo sem freios, o stress no engarrafamento total, a violência nas estradas que mata milhares de vidas todos
os anos; e o mais importante: a destruição da natureza através da poluição provocada pelo automóvel. E aí uma pergunta: se é impossível viver
sem o automóvel, então temos que
destruir primeiro a natureza para depois conscientizarmos da necessidade de substituir a maior das mercadorias do sistema do capital? Essa é
a mensagem da aula, para que o aluno analise que estamos vivenciando
um importante momento da história
do capitalismo, senão da humanidade, onde os recursos naturais estão
sendo esgotados em detrimento de
outros valores, além da mudança de
padrões culturais e sociais
destrutivos.
Engarrafamento no bairro da Liberdade – SP. Uma cena cada vez mais
comum.
(Fonte: http://www.flickr.com)
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O caráter destrutivo do capitalismo automobilístico
O AUTOMÓVEL
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A metodologia da aula é analisar o automóvel dentro daquilo que
estamos chamando de capitalismo automobilístico, tudo dentro de uma
perspectiva crítica; indo além do mundo da aparência, focando na essência da mais importante mercadoria desejada por todos e de seus desdobramentos sociais e culturais. Denominamos capitalismo automobilístico
em função justamente de ser a principal entre às milhares de mercadorias
existentes em suas diversas espécies.
O aluno não poderá perder, como colocamos na aula anterior, a capacidade da crítica para a realidade dos nossos dias, tendo o automóvel
como seu maior símbolo.
Para a nossa aula, escolhemos um importante texto do sociólogo crítico alemão Robert Kurz, em seu ensaio “Sinal Verde para o Caos da Crise”,
em seu livro traduzido para o português “Os Últimos Combates”, da Editora Zero à Esquerda, de São Paulo. A partir desse texto é que desenvolvemos criticamente o tema da aula. Os interessantes sub-temas propostos por
esse autor nos deu condições de detalharmos mais criticamente.
COM O NASCIMENTO INDUSTRIAL DO
AUTOMÓVEL, NASCERIA A POSSIBILIDADE DA
DESTRUIÇÃO EM LARGA ESCALA
Primeiramente é saber o que significa automóvel. O que é o automóvel? Ao pé da letra “auto” é sozinho, e “móvel”, o que estar em
movimento. Em síntese é um objeto solitário que anda sozinho. E onde
surgiu? É claro que temos que colocar no quadro da história do capitalismo. E o automóvel é uma mercadoria bem recente. Tem pouco mais
de cem anos de existência.
Antes essa mercadoria era um objeto de brinquedo das elites urbanas
americanas e européias que exibiam o produto para ostentação e lazer,
até porque era uma mercadoria cara e poucos tinham acesso ao produto.
A coisa muda quando um cidadão industrial americano introduz em sua
fábrica um modelo de produção revolucionário e que mudaria o padrão
industrial, levando seu próprio nome: o fordismo. Esse fato ocorreria a
precisamente um século atrás.
O empresário Henry Ford, um dos pioneiros da indústria automobilística americana, e que ainda empresta seu nome a uma das mais importantes empresas automobilísticas do planeta, lançaria um processo de produção de automóveis, utilizando a esteira industrial, onde cada operário
exerceria uma atividade especializada na montagem do automóvel, ganhando tempo e principalmente custos, e como resultado aumentando os
níveis de produtividade.
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Geografia Econômica
Só para ter uma idéia da engenhosidade do processo, a redução dos
custos de produção chegaria a mais de 60%, aumentando o volume na
produção de automóveis e barateando seus preços para os compradores.
O modelo símbolo da Ford, o Modelo T, viu seu preço cair de U$ 1,000
(escreve assim! mil dólares), para aproximadamente U$ 400. Esse carro
foi construído entre 1910 e 1927 e foram vendidos mais de 15 milhões de
unidades! Até hoje nenhum modelo foi tão vendido como este, mesmo
sabendo que o modelo “Opala” (da OPEL, que na verdade é a GM européia) foi o que passou mais tempo no mercado: 24 anos (1968-1992).
Com isso estavam fundadas às condições do desenvolvimento do
capitalismo automobilístico em escala mundial. Outras “montadoras”
foram criadas e mais interessante, sob as sombras de movimentos políticos radicais de direita, a exemplo do nazismo e do fascismo.
Um exemplo foi à popularização do Fusca, tão conhecido entre nós.
Esse modelo que durante muito tempo foi o automóvel mais barato do
Brasil, foi incentivado por Hitler, o que lhe deu mais popularidade, onde
cada família alemã poderia comprar o automóvel e a “preços populares”.
Ou seja, enquanto os alemães mais pobres curtiam seus fuscas nas modernas “autobanhs” (auto-estradas) alemães, a indústria automobilística
abriria também seu braço industrial militar, dando condições para a eclosão
da Segunda Guerra Mundial, a mais sangrenta de todas as guerras, onde
seu maior símbolo era o equipamento mecânico aplicado, indo desde os
tão conhecidos e saudosos “jeeps” para transporte de oficiais, até os
destrutivos aviões de combate produzidos aos milhares pela moderna
máquina de guerra ou ainda dos temíveis tanques, onde os alemães eram
insuperáveis. O capitalismo automobilístico estaria presente em todo esse
período no desenvolvimento da mercadoria voltada para o consumo e
também para a destruição total. Na Segunda Guerra morreram 50 milhões de pessoas! O modelo industrial fordista contribuiu muito para chegar a essa cifra tenebrosa!
COM O AUTOMÓVEL A VELOCIDADE DO
TEMPO AUMENTA, MAS TEM SEU PREÇO: A
TERCEIRA GUERRA MUNDIAL NAS ESTRADAS
Como dissemos no inicio dessa aula, o progresso tecnológico teve na
indústria automobilística sua maior aplicação. Ou seja, qualquer mudança nos padrões tecnológicos, esse segmento industrial captaria com maior
facilidade, dando condições para que carros cada vez mais modernos fossem construídos com maior conforto e “segurança”.
Entretanto o item mais importante teria que ser trabalhado com maior eficiência: o aperfeiçoamento do motor e no aumento da capacidade
mecânica transmitida em “cavalos”. O motor ainda é o coração do carro.
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O caráter destrutivo do capitalismo automobilístico
Ele mede o que qualquer consumidor apaixonado deseja em seu automóvel: a velocidade. Quanto mais cavalos, melhor. Imagine, se o Modelo T
da Ford construído em 1910 tinha 12 cavalos, o que encontramos hoje?
Carros ultramodernos rodando pelas estradas em velocidades da luz, com
mais 500 cavalos! É um salto gigantesco em apenas 100 anos.
Lembrar ao aluno que o automóvel trouxe a velocidade como valor
social e para exibir essa velocidade nada melhor do que as corridas de
Fórmula 1. Essas corridas são simbolizadas pela “vitória” do automóvel
em relação aos demais meios de locomoção.
O capitalism o não perm ite perda de tem po. Não dar mais para andar
na velocidade dos cavalos vivos, mas nos cavalos mecânico. Vive-se o tempo da
velocidade e que tudo tem que se decidido logo e sob o domínio do capital uma frase tão conhecida entre nós é valorada: “tempo é dinheiro”. Com
isso, o automóvel facilita em não perder tempo criando possibilidades de
encurtar distâncias em menor tempo possível. O tempo acelerado permite vantagens de ganhar mais dinheiro em “menor tempo”.
Porém, uma questão é fundamental para a nossa análise: o domínio
do tempo da velocidade, sem dúvida nenhuma, tem seu preço. E o preço
é alto. Se por um lado temos carros cada vez mais velozes e potentes, por
outro, temos os riscos de acidentes, atropelamentos, mutilações e mortes;
das quais aumentam “violentamente”. O automóvel se transformou em nossa
tão decantada vida moderna uma verdadeira máquina de matar e triturar pessoas.
Ele mata mais gente do que as guerras declaradas.
Basta um fato que o aluno certamente concordará: os famigerados
indicadores de “acidentes de trânsito” que acontecem em feriados ou em
finais de semana. É um verdadeiro festival de matança, que sempre vêm
classificados com seus números de “mortos” e “feridos”, dados que revelam a carnificina nas estradas e que já “naturalizamos” no cotidiano. Basta acompanhar a imprensa no inicio da semana e quando mostram os
“corpos que deram entrada no IML”, parte significativa são vítimas de
acidentes de trânsito.
Respeitando as devidas proporções, o que presenciamos é uma terceira guerra mundial nas estradas, ocasionada pelo excesso de velocidade
e é claro pelo crescente volume de veículos. Como todos querem ter seu
automóvel, o resultado é a matança geral. E veja que somos tão hipócritas que sempre achamos que os acidentes só ocorrem com os “outros”.
Daí a nossa indiferença em relação ao fato.
Para piorar o quadro, se agregarmos o número de vítimas vivas e
imprestáveis para a vida produtiva, o dado é assustador. Existe hoje no
Brasil um exército de paraplégico, tetraplégico, coxos, cegos, amputados
dos membros; uma multidão de mutilados que geram milhões de reais de
prejuízos aos cofres públicos (com aposentadorias precoces, gastos de
tratamento, medicações caríssimas, etc.), tudo em função do automóvel,
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Geografia Econômica
sendo esta a principal arma de matar. Ainda assim temos do outro lado
uma multidão de apaixonados por carros, que “exigem” cada vez mais
sofisticação e maior potência nos motores.
A matança é ignorada por esses apaixonados. E por que é ignorada?
Simples responder. O carro é a maior fantasia do homem moderno (homem
no sentido masculino mesmo!). Ter um veículo do ano é sinônimo de status
social, marcando a diferença em relação aos demais mortais, lhe dando poder. Poder sobre os demais, inclusive poder sexual. Para muitos desses apaixonados, o carro é um objeto sexual completo. Basta observar determinados homens quando estão lavando seus carros. Parecem que estão fazendo
amor com outra pessoa! Esse é o verdadeiro sentido do automóvel para
esses sonhadores. Se alguém morre de acidente de veículo, essa questão é
mínima, afinal, “a vida é assim mesmo”. E tome velocidade!
COMO TODO MUNDO TEM CARRO,
A CONSEQÜÊNCIA É O
ENGARRAFAMENTO TOTAL!
A redução em 2008 da alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sob a produção de automóveis, por decisão do Governo
Federal, trouxe mudanças significativas no volume de vendas de veículos. Antes as vendas estavam desabando. Com a redução do IPI, aliado ao
aumento do mercado de crédito (ou seja, dos financiamentos), o resultado foi à explosão das vendas. Com financiamentos de 60 ou até 80 meses
para a compra do carro, a classe média foi às compras, ou seja, todos
foram às concessionárias. Isso apenas é um dado.
É claro que o resultado seria aumentar ainda mais o número de carros
nas ruas. Elas estão entupidas. Como ruas e avenidas não aumentaram
em número e tamanho, elas são as mesmas há muitos anos, o engarrafamento é seu maior resultado. E ao que tudo indica em um futuro bem
próximo, chegaremos ao engarrafamento total! Na cidade de São Paulo, o
número de quilômetros de engarrafamento é cada vez maior. Os recordes
são batidos de um ano para outro. Em 2009, apenas como exemplo, o
trânsito em São Paulo chegou a produzir astronômicos 380 km de engarrafamento. Imagine em 2020, chegaremos facilmente a 2.000 quilômetros de engarrafamento. É como estivéssemos em um engarrafamento,
em uma só fila, de Aracaju até a cidade do Rio de Janeiro! Tenha santa
paciência, e esta fundamentalmente precisaremos!
Com o engarrafamento, o trânsito estará parado, milhares de pessoas dentro
de suas caixas de lata, perdendo tempo, paciência e principalmente queimando milhões de litros de combustível fóssil sem andar. Sem contar das conseqüências psíquicas geradas em função de estarem perdendo horas e dias por ano
dentro do carro. Será uma mina de dinheiro para psicólogos e psiquiatras.
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O caráter destrutivo do capitalismo automobilístico
Dizem até que o engarrafamento já está gerando impotência sexual temporária em função do stress. O que torna contraditório. Agora temos um
homem montado em uma máquina com alta potência mecânica e ao mesmo
tempo sexualmente impotente! Essa é a tal modernidade de nossos dias.
Mais uma vez batemos na mesma tecla. Todos esses problemas são
ignorados pelos apaixonados do automóvel. Até porque o carro é o símbolo maior do individualismo e do egoísmo contemporâneo e para estes
cidadãos o automóvel seria uma mera extensão de suas residências. Basta
observar o pavio curto de muitos motoristas quando batem sua amante móvel, se transformam em bárbaros urbanos e são capazes de matar por
amor ao automóvel. Um exemplo da impaciência é a guerra realizada nos
estacionamentos dos shoppings, onde, para conseguirem uma vaga, pode
haver até mesmo troca de tiros.
Vamos continuar em nossa leitura sobre a civilização do automóvel.
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QUEM É O POLUIDOR NÚMERO UM DO
PLANETA? A EMINENTE CRISE DO PETRÓLEO
É UMA QUESTÃO JÁ PARA ALGUNS ANOS
Para completar nossa aula sobre o que chamamos de capitalismo automobilístico, adicionamos talvez a grande questão e que, de certa forma
afeta a vida no planeta, ao lado também do esgotamento do principal
recurso energético que há pouco mais de cem anos começou a ser explorado: o petróleo.
Sem dúvida nenhuma, o carro é o poluidor numero um do planeta.
Por incrível que pareça, bate agora em volume para os segmentos industriais até então os maiores vilões da poluição do ar. Com uma frota planetária de quase 800.000.000 (isso mesmo, oitocentos milhões de automóveis! somando todos os tipos de veículos que conhecemos) rodando no
mundo inteiro, jamais poderemos pensar que o ar estará algum dia limpo.
São bilhões de toneladas de monóxido de carbono emitidos anualmente
pelos automóveis, emporcalhando o ar, criando conseqüências que já
estamos sentindo no dia a dia.
Não estamos falando do efeito estufa ou do alarme do aquecimento
global, sabemos que isso é uma realidade, mas também dos efeitos sobre
os seres humanos. Alguns estudos já comprovam que as crianças nascidas
em cidades altamente poluídas sofrem constantemente de problemas respiratórios, como se fossem problemas genéticos. Porém o grande problema terá um efeito devastador, principalmente para a população masculina. Os machões podem ir se preparando, estudos e pesquisas em ambientes urbanos fortemente afetados por agentes poluidores, já provam a diminuição no volume de espermatozóides, o que poderá afetar a capacidade da reprodução desses seres que rotulam como sexo forte.
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Geografia Econômica
Ou seja, o futuro do sexo masculino na era do capitalismo automobilístico não é nada bom. Além do engarrafamento total provocar a impotência sexual, a poluição do ar poderá dar o tiro de misericórdia, agora
também esses pobres seres humanos estarão fracos para fecundar ou até
mesmo estéreis. É o fim do homem macho!
Como a frota mundial de automóveis não pára de crescer e agora a
China foi agregada a esse moinho satânico dominado pelo capital e todo
chinês agora quer carro, esquecendo de vez de utilizar o transporte ecológico da bicicleta; a tendência é confirmar em poucos anos tudo aquilo
que colocamos acima: poluição total, ar emporcalhado, seres humanos
deformados na mente e no corpo. Tudo isso, simplesmente, porque não
podemos viver sem o “cão policial lustroso”: o automóvel.
Finalmente oferecemos o apocalipse da sociedade movida pelo automóvel: o esgotamento dos recursos fósseis e com ele a constituição de
uma crise petrolífera permanente.
E não venham com esse papo que a “ciência e tecnologia” já estão
pesquisando visando substituir o petróleo. Isso é conversa para boi dormir.
Essa história repete como ladainha há décadas e até agora não vimos, concretamente, nenhum resultado em escala econômica. Pelo contrário, essas
“fontes alternativas” são caras demais ou fracas em termos de fornecimento de energia potencial aos motores vorazes por velocidade.
Aplicar energia nuclear nos automóveis? Não dar nem para pensar
colocar um reator nuclear debaixo do capô do carro? É suicídio. Ou ainda: a energia solar poderá mover esses carros? Ridículo demais, além de
ser caro, sinceramente, os carros movidos a energia solar que conhecemos são feios demais e fracos em potência de motor! Será que o nosso
amante do automóvel vai deixar de dirigir um carro com design
ultramoderno, tipo Fusion, Megane ou os lustrosos carros japoneses, para
utilizar um carro pequeno, cheio de espelhos para captar energia solar,
horríveis, simplesmente por que são ecologicamente corretos? Duvidamos que exista mudança.
É diante desse quadro da tese do capitalismo automobilístico que
finalizamos nossa aula, bem como o curso de Geografia Econômica.
CONCLUSÃO
A destruição da sociedade se daria pela seqüencia dos temas que
apresentamos acima. Porém advertimos que os temas apresentados não
esgotam o debate dos desdobramentos que o automóvel provoca em nossas vidas. Um tema interessante e ainda não abordado em pesquisas
empíricas é o poder cada vez maior dos Departamentos Estaduais de
Trânsito (Detran). Como a tendência é aumentar o número de automóveis nas ruas e estradas, essas “autarquias estaduais” estão se transfor114
O caráter destrutivo do capitalismo automobilístico
mando não apenas em uma máquina de arrecadar dinheiro, como também
do aumento de poder sobre as pessoas. O Detran se transformou no maior exemplo da tecnoburocracia estatal, dividida em uma infinidade de
setores “operacionais”, onde o cidadão é número, totalmente perdido em
uma máquina poderosa que larga seus tentáculos em várias frentes.
Esquecendo esse “Big Brother” da modernidade, vamos fechar nossa
aula, advertindo-se da importância do tema da aula, quando a vida atual
tem no automóvel seu principal símbolo de consumo que representa uma
das mais poderosas indústrias do mundo. Os temas apresentados foram
colocados dentro de uma perspectiva para que o aluno reflita e aprofunde
esse apaixonante tema infelizmente esquecido dentro da Geografia, pois
teremos no futuro problemas maiores com essa caixa de lata onde todos
se apaixonam com facilidade.
Aula
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RESUMO
Estudar a cultura do automóvel é enfocar uma abordagem consolidada e que as ciências sociais como todo ainda não tiveram maior debate
em nível teórico e empírico. E o nascimento do automóvel é de data
recente, tem quase cem anos de existência, mas depois de sua produção
em escala fordista, a possibilidade de destruição aumentou, na medida em
que a ascensão civil do automóvel foi precedida também pela “mobilização
total” com o crescimento da indústria bélica, sendo a Segunda Guerra
Mundial o palco da maior aplicação do maquinário movido a diesel,
protagonizando verdadeiras “tempestades de aço”. A indústria automobilística veio para dar conforto e comodidade para todos (quem pode
pagar), mas também destruição total. E a marca maior dessa criação capitalista foi o endeusamento a velocidade. A potência mecânica dos automóveis se tornou cada vez maior, agora definido por centenas de cavalos.
Como na era da velocidade tempo é dinheiro, o automóvel aniquila o
tempo e dar sentido para que o tempo disponível esteja voltado apenas
para um fim: ganhar dinheiro. Ele encurta distâncias e a perda de tempo
do deslocamento. Só que tem um preço: a velocidade mata gente. E não
mata pouco não. Em finais de semana e feriados é um verdadeiro festival
de matança. O automóvel mata mais gente do que as guerras declaradas.
Ainda assim poucos ligam para isso, cada um fica na sua curtindo seu cão
policial lustroso, afinal quem morre são os “outros”. Por outro lado existe
uma forte e contínua tendência de crescimento da frota de veículos nas
ruas e estradas e com um volume cada vez maior, o resultado será o
engarrafamento total, onde milhares de pessoas estarão paradas no trânsito por horas, dias por ano, perdendo paciência, tempo e energia, inclusive criando problemas psíquicos, ou seja, o automóvel além de contribuir
na matança generalizada, levar milhares de pessoas ao manicômio judici115
Geografia Econômica
ário, além da impotência sexual. Finalmente o tiro de misericórdia do
automóvel: o fim dos recursos fósseis. O consumo em franco crescimento e agregando a China como maior consumidora de petróleo do planeta,
a expectativa é de uma crise petrolífera sem precedentes na história. E
mais grave é que, a curto e médio prazo não temos saída para substituir o
petróleo. É preocupante.
ATIVIDADES
Com o eminente esgotamento das reservas mundiais de petróleo, ao
que tudo indica se dará em poucas décadas, é possível substituir essa
importante fonte energética em sua totalidade?
COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES
Sabemos que o petróleo tem uma infinitade de usos industriais que
não seria apenas no uso como combustível, será que teremos fontes
substituidoras?
PRÓXIMA AULA
Com essa aula, terminamos o nosso curso de Geografia Econômica.
Espero que tenham gostado e apenas um recado: a Geografia Econômica
é dinâmica e dos conteúdos devem ser trabalhados acompanhando as
mudanças em função da ordem econômica dominante e naturalmente que
tragam rebatimento na organização do espaço.
REFERÊNCIAS
KURZ, Robert. Os últimos combates. São Paulo:Editora Zero à Esquerda, 2000.
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