Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação
e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
19 a 21 de outubro de 2011
USO DE PLANTAS MEDICINAIS ENTRE ESTUDANTES DA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
Eva Aparecida Prado do Couto (UEG)1
[email protected]
Flávia Melo Rodrigues ²
[email protected]
Introdução
Segundo Queiroz (1986) o uso das espécies vegetais como medicamento é tão antigo
quanto a evolução humana e até os dias atuais é amplamente utilizada por grande parte da
população mundial.
Através do conhecimento empírico de certas comunidades tem aumentado o interesse
acadêmico a respeito desse costume, provavelmente pelo fato de em muitos casos existirem a
comprovação cientifica da eficácia dessas plantas para fins medicinais (FARNSWORTH,
1988).
O começo da história da utilização das plantas medicinais no Brasil tem as suas
origens nas culturas africana, européia e indígena (MARTINS et al. 2000).
Para Eldin & Dunford (2001) o uso de plantas medicinais pode ser encontrado na
história das mais antigas civilizações e cita como exemplo disso, o primeiro registro
encontrado no mundo sobre o uso de plantas como medicamento, que data de 2.800 anos a.C.,
chamada “A Grande Fitoterapia”, de autoria de Shen Nung.
De acordo com Lorenzi & Matos (2002), até o século XX, se fazia grande uso das
plantas medicinais como medicamento no Brasil, no entanto, juntamente com o processo de
urbanização, industrialização e com o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente
na área da farmácia, a população foi aos poucos rejeitando o uso de plantas medicinais que se
tornaram sinônimo de atraso, para depositarem suas esperanças de cura de suas enfermidades
nos fármacos sintéticos.
O Brasil é considerado o país com a maior cobertura vegetal, possuindo 200 mil
espécies de plantas das 500 mil que são encontradas no mundo (FRANCO, 2003). Neto &
Morais (2003) ressaltam que no Brasil, o bioma Cerrado se destaca por ter a sua flora
altamente utilizada para fins econômicos, principalmente as espécies de interesse medicinal.
Para Tomazzoni et al. (2006), foi somente através do uso empírico das plantas
medicinais feito pelo homem desde o inicio de sua existência, que se tornou possível a
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PBIC. Agência de fomento: UEG
² Orientadora
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descoberta das propriedades úteis e nocivas das plantas medicinais, tendo hoje, a aplicação
dessas propriedades na indústria farmacêutica. Alvim et al. (2006), afirmam que a partir dos
anos 80 houve um crescente interesse do meio cientifico sobre o uso terapêutico das plantas
medicinais. Segundo os autores, a procura desse tema pelo meio científico teve como impulso
o crescente uso dessas plantas por parte da população. População que se tornava cada vez
mais desencantada com a prática médica tradicional e com o alto custo dos medicamentos
industrializados, além do surgimento de pesquisas que comprovavam a eficácia de algumas
plantas já utilizadas, e a crescente preocupação, por parte dessas comunidades, de valorizar
seus costumes culturais.
Objetivos
Identificar se a área do conhecimento ou as características socioeconômicas entre
estudantes da Universidade Estadual de Goiás influem no hábito de usar as plantas
medicinais.
Metodologia
O estudo de comparação sobre o uso de plantas medicinais como medicamento entre
estudantes da Universidade Estadual de Goiás foi realizado através da aplicação de
questionário para os cursos da Universidade no mês de outubro e novembro de 2010.
Entre os dados socioeconômicos, foram levantados as seguintes informações: curso,
período, sexo, idade, renda média familiar e tipo de instituição que concluiu o ensino médio.
Enquanto que, entre os dados sobre o uso ou não de plantas medicinais, levantou-se
questionamentos como: hábito de usar e cultivar planta medicinal, local onde consegue a
planta, motivo que o leva a usar a planta, principal patologia para a qual faz o uso de planta
medicinal, etc.
Os dados obtidos foram analisados estatisticamente, usando o pacote estatístico
BIOESTAT versão 5.0 (AYRES et al. 2007). Realizou-se feitas análises de freqüência simples
e relativas das variáveis. Para verificar as diferenças significativas de opinião entre as duas
áreas, foi utilizado o teste do Qui quadrado (para duas categorias) e o teste de G (para as
questões com mais de duas categorias). A hipótese de diferença estatisticamente significativa
será aceita quando se encontror p (probabilidade de erro tipo 1), igual ou menor que 0,05.
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Resultados e discussões
No transcorrer do trabalho observou que o local de aquisição de plantas medicinais
pelos estudantes se dá principalmente em casa de conhecidos por 53% dos estudantes da área
não biológica e para 50,4% da área biológica. Para 40,9% da área biológica e 36% da área não
biológica o local de aquisição é na própria residência. Nenhum estudante na área de não
biológica e 0,9% da área de biológicas disseram conseguir as plantas com raizeiros. Apenas
5,1% da área não biológica seguida de 3,5 % da área biológica disserem conseguir as plantas
medicinais em farmácias. No trabalho de Ribeiro (2009) observou-se resultados semelhantes,
onde, 49% dos estudantes de biológica e 44% de não biológica disseram adquirir em casa de
conhecidos e nenhum estudante na área de biológica e 5% da área de não biológicas disseram
conseguir as plantas com raizeiros. Resultados semelhante tiveram Tomazzoni et al. (2006)
onde encontraram que no município de Cascavel-PR, 42% dos entrevistados adquirem as
plantas através de conhecidos e 6% compram em farmácias. Resultado contrário do defendido
por Tresvenzol et al. (2006) em sua pesquisa sobre o comércio informal em Goiânia, onde
afirma
que a maior parte da população procuram o raizeiro para obtenção as plantas
medicinais.
Dentre os motivos que levam os estudantes a utilizarem as plantas medicinais, 42%
dos estudantes da área biológica e 25,9% da área não biológica afirmaram que o principal
motivo é o acesso fácil. E, 42% dos estudantes da área não biológica e 32,1% da área
biológica utilizam plantas medicinais por acreditarem ser mais saudável. Ribeiro (2009)
afirma que a maioria dos estudantes utilizam as plantas medicinais por acreditarem ser mais
saudável, já Junior et al. (2005) mostram em seu trabalho sobre a eficácia e segurança das
plantas medicinais utilizadas como medicamento, que a maior parte dos consumidores fazem
uso das plantas medicinais por acreditarem que essa forma de tratamento é segura, sem risco a
saúde. O que não está de acordo com o presente trabalho, onde apenas 13,4% dos estudantes
da área não biológica e 7,1% da área biológica acreditam nesta afirmação. Arnous et al.
(2005) em seu estudo no estado de Minas Gerais encontrou que 61,2% dos entrevistados
disseram não acreditar que as plantas medicinais possam ter algum efeito tóxico.
Segundo Ribeiro (2009) “63% dos estudantes da área de biológica e 30% da não
biológica disseram usar plantas medicinais somente em conjunto com outros medicamentos
industrializados”, representando a maioria dos estudantes. Resultado contrário ao presente
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trabalho onde a maioria dos estudantes afirmam utilizarem as plantas medicinais para doenças
que consideram de menor gravidade, 55,3% e 46,9% respectivamente para os estudantes da
área biológica e estudantes da área não biológica. O uso concomitante com medicamentos
industrializados ficou em segundo lugar no pesquisa para as duas áreas. O trabalho de
Tomazzoni et al. (2006) no estado do Paraná descobriu resultado semelhante onde nenhum de
seus entrevistados disseram usar sob de orientação médica.
Em relação à indicação do uso de plantas medicinais, 82,6% dos estudantes da
área biológica e 82.3% da área não biológica, disseram usar por indicação principalmente de
amigos e/ou família. Tomazzoni et al. (2006) afirma que a maioria, 92%, disse usar por
indicação de familiares e amigos. Os que utilizam por indicação médica é de apenas 6,2% e
3,5% para os estudantes da área não biológica e da área biológica respectivamente, no
presente trabalho. Ribeiro (2009) encontrou em seu trabalho respostas semelhantes, onde,
nenhum entrevistado disse usar por indicação médica.
Para a maioria dos estudantes dos cursos biológicos, 50,4%, acreditam que os efeitos
colaterais das plantas medicinais são iguais à de outro medicamento. Já a maioria dos
estudantes dos cursos não biológicos afirmam que os efeitos colaterais das plantas medicinais
são menores que de outros medicamentos, isso para 38,1%. Ribeiro (2009) teve resultado
diferente onde, a maioria dos estudantes da área biológica e não biológica 66% e 40%
respectivamente, disseram acreditar que as plantas medicinais possuem um menor efeito
tóxico em relação aos medicamentos industrializados. Enquanto que, 22% dos estudantes da
área de biológica e 33% da área de não biológica afirmaram que as plantas medicinais não
apresentam efeito colateral. Brandão et al. (2001) tiveram resultados diferentes onde, 8% dos
estudantes de biologia e farmácia pesquisados acreditam que as plantas medicinais possuem
um menor efeito colateral em relação aos medicamentos industrializados. Arnous et al. (2005)
relataram que 61,2% dos entrevistados afirmam que as plantas medicinais não causam efeito
colateral algum.
Considerações finais
Diante dos dados obtidos com a realização desse trabalho sobre a comparação entre
estudantes da área de biológica e da área de não biológica da Universidade Estadual de Goiás,
foi possível reforçar o conceito do uso difundido das plantas medicinais como medicamento.
A figura do raizeiro parece não ser a forma principal de aquisição das plantas medicinais pela
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comunidade pesquisada, no entanto, o uso das plantas medicinais não mostrou estar
restringida a população de menor renda. Não foi observada uma diferença significativa entre
as duas áreas do conhecimento, o contrário do esperado, uma vez que pela área de atuação, a
opinião dos alunos de biológica deveria sobressair as dos alunos de não biológica.
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QUEIROZ, M. S. O paradigma mecanicista da medicina tradicional ocidental moderna: uma
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TRESVENZOL, L. M., J. R. PAULA, A. F. RICARDO, H. D. FERREIRA & D. T. ZATTA.
Estudo sobre o comércio informal de plantas medicinais em Goiânia e cidades vizinhas.
Revista Eletrônica de Farmácia, v.3, n.1, p.23-28, 2006.
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