Evento SMH em 13 de julho de 2011, auditório do IAB RJ. “Infraestrutura: Iluminação Pública” Apresentação: Júlio Morandi – RIOLUZ Roberto da Maia Silva – RIOLUZ Suelene de Assis Aguiar - SECONSERVA Ana Luna – SMH José Canosa Miguez – IAB RJ Moderador: José Canosa Miguez – IAB RJ Apresentação de Júlio Morandi - RioLuz A primeira parte da apresentação da Rioluz ficou a cargo do engenheiro Júlio Morandi, que focou a atuação da empresa, suas responsabilidades e atividades principais. A segunda parte ficou a cargo do engenheiro Roberto da Maia Silva que se deteve nas exigências para elaboração de projetos de iluminação pública segundo as normas brasileiras, código de posturas e normas municipais específicas. A Companhia Municipal de Energia e Iluminação – Rio Luz é uma empresa vinculada a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos da Prefeitura do Município e é responsável pela gestão de toda iluminação pública da cidade. As luminárias fixadas nos postes, os projetores nos túneis e a iluminação decorativa são todos considerados como pontos de iluminação. O Rio de Janeiro tem 0,067 pontos/hab e, se comparado aos índices da Europa, este índice está ligeiramente abaixo. A Suécia, por exemplo, tem 0,28 pontos/hab e Portugal 0,10 pontos/hab. Uma observação interessante é que a iluminação pública na Europa é menos intensa. No Rio de janeiro o consumo mensal é de 36.519 mWh com um custo médio mensal de R$ 8,5 milhões. Para cobrir esse custo é destinada uma parte significativa dos recursos da RioLuz. Em abril de 2010 a taxa de 1 iluminação pública foi criada por lei e, a partir de então, a cobrança é feita através das contas de energia. DADOS GERAIS DO SISTEMA DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA TIPO % do Total INCANDESCENTE 0,36 MISTA 1,39 MV M 6,78 VAPOR DE MERCURIO 24,04 VAPOR DE SÓDIO 66,95 OUTROS 0,48 TOTAL 417.407 As lâmpadas de vapor de mercúrio representam com 24,04% um índice ainda elevado uma vez que é potencialmente poluidora e pouco eficiente. As lâmpadas a vapor de mercúrio têm vida útil baixa e seu descarte nos lixões é danoso ao meio ambiente por causa do metal que é utilizado na sua fabricação. No Brasil foi criado o programa federal Reluz e que tem como objetivo reduzir esse tipo de iluminação nas cidades, incentivando sua substituição pelas de vapor de sódio. As lâmpadas de vapor de sódio representam 66,95% do parque de iluminação pública carioca. Alguns arquitetos e parte da população demonstram não gostar desse tipo de iluminação, pois, embora tenha vida útil maior que a de vapor de mercúrio, esta lâmpada na tem boa reprodução de cores. Na Europa já há iniciativas para substituição de lâmpadas de vapor de sódio por lâmpadas LED. Outros tipos de iluminação representam apenas 0,48%. 2 Os elementos integrantes do sistema Os serviços de IP exigem alto grau de especialização: São cerca de 1.100 itens diferentes, tais com lâmpadas de 70, 100, 150, 250, 400, 600, 1.000 e 2000 Watt, além de reatores, ignitores, conectores, cabos diversos, transformadores e postes de 4,5 a 45,0 metros de altura. A rede de IP própria é de cerca de 30.000 postes, e a redes restante está instalada nos postes da fornecedora de energia (Light). O palestrante apontou que os profissionais da RioLuz possuem alto grau de especialização, diferenciando-se dos profissionais de iluminação predial ou residencial, destacando o aspecto segurança do trabalho, em que as normas são mais exigentes. Sobre os postes de grande altura, revela que apenas o Rio de Janeiro e Brasília possuem postes de 45 metros de altura com seis pétalas de luminárias, como os do parque do Flamengo, porém o custo da substituição de uma eventual lâmpada queimada é tão grande que normalmente aproveita-se a infraestrutura para trocar todas as lâmpadas, diminuindo o custo final . Os 30.000 postes próprios da RioLuz estão distribuídos em importantes vias e viadutos da cidade, tais como a Av. Brasil e Av. Perimetral; os demais pontos de luz estão instalados em braços nos postes da empresa fornecedora de energia, no caso, a Light. No início do ano de 2010 foi desenvolvido um planejamento estratégico, elaborado com a participação de todos os funcionários e técnicos da empresa, e que estabeleceu seu principal objetivo: “Fazer do Rio de Janeiro uma cidade tão maravilhosa durante a noite, quanto ela é durante o dia”. A RioLuz é uma empresa pública de característica de sociedade anônima e sua estrutura organizacional está apresentada no slide abaixo. Atualmente nela trabalham cerca de 700 funcionários, 39 engenheiros e 3 arquitetos. 3 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Além da gestão de todo o parque de iluminação pública da cidade outras atribuições da RioLuz podem ser citadas: A iluminação do carnaval carioca, da passarela do samba (Sambódromo) e dos acessos ao Terreirão do Samba; Suporte técnico a centenas de bailes populares e desfiles de blocos e escolas de samba; Apoio a eventos festivos, turísticos, esportivos, religiosos e culturais da cidade como o Réveillon, festas juninas/julinas, shows artísticos, campeonatos de diversos esportes; Licenciar e fiscalizar as empresas instaladoras e conservadoras de elevadores, escadas rolantes, planos inclinados, teleféricos e sistemas de ar condicionado central e exaustão mecânica; Projetar e administrar planos inclinados como o da Igreja da Penha e do PavãoPavãozinho; Administrar e fiscalizar as escadas rolantes, elevadores e climatizadores de projetos Rio Cidade Bangu e as escadas rolantes do Rio Cidade Campo Grande; 4 Recuperar os materiais e equipamentos utilizados na iluminação: postes, luminárias, células fotoelétricas, bases e outros materiais; Júlio Morandi apresentou a organização das Gerências Regionais: SERVIÇOS REGIONALIZADOS 1ª GR 6ª GR 3ª GR 2ª GR 1ª GR 7ª GR 5ª GR ÁREA DE ATUAÇÃO 4ª GR ÁREA (Km²) N.º PONTOS 8,45 4.541 6,11 5.727 VIIª RA – BENFICA, MANGUEIRA, SÃO CRISTÓVÃO 7,46 7.187 ALTO DA BOA VISTA, TIJUCA 42,59 12.151 IXª RA – MARACANÃ, ANDARAÍ, GRAJAÚ, VILA ISABEL 13,03 11.061 42,23 12.541 1,47 121,34 867,9 54.075 Iª RA – SAÚDE, GAMBOA, SANTO CRISTO, CAJU. IIIª RA – CATUMBI, ESTÁCIO, CIDADE NOVA, RIO COMPRIDO 1ª.GR VIIIª RA – PÇA. DA BANDEIRA, XXª RA – ILHA DO GOVERNADOR XXIª RA – PAQUETÁ TOTAL 5 ÁREA DE ATUAÇÃO 2ª GR ÁREA (Km²) Nº PONTOS Xª RA – RAMOS, BONSUCESSO, MANGUINHOS, OLARIA 16,73 12.474 XIª RA – PENHA CIRCULAR, BRÁS DE PINA, PENHA 14,45 9.910 12,93 9.574 29,02 18.756 XXXª RA – COMPLEXO DA MARÉ 0,35 1,54 1,27 1.187 313 2.749 XXXIª RA – PARADA DE LUCAS, JARDIM AMÉRICA, CORDOVIL, VIGÁRIO GERAL 11,34 7.772 87,63 62.735 XIIª RA – INHAÚMA, ENGENHO DA RAINHA, MARIA DA GRAÇA, HIGIENÓPOLIS, JACARÉ, DEL CASTILHO, TOMÁS COELHO XIIIª RA – MEIER, SÃO FRANCISCO XAVIER, ENGENHO DE DENTRO, ÁGFUA SANTA, RIACHUELO, PILARES, ENGENHO NOVO, SAMPAIO, ABOLIÇÃO, LINS, ROCHA XXVIIIª RA – JACAREZINHO XXIXª RA – COMPLEXO DO ALEMÃO TOTAL O palestrante revelou que a 2ª Gerência Regional é responsável pela área que compreende Ramos, Bonsucesso, Complexo da Maré e outras. As comunidades localizadas nessas áreas são numerosas, e algumas estão localizadas em áreas onde ocorrerá o Projeto Morar Carioca. As equipes da RioLuz atuam na manutenção destas áreas e em média a cada 15 dias fazem a verificação no sistema de iluminação, principalmente substituindo lâmpadas queimadas. Caso haja maiores necessidades, faz-se a troca de luminárias. Em algumas comunidades é fácil a entrada da equipe, porém a grande dificuldade é garantir a segurança dos técnicos em campo. Em áreas não pacificadas são grandes as dificuldades de realização da manutenção devido à violência e também a acessibilidade. No Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, já pacificados, foi concluída recentemente a manutenção dos pontos de iluminação. Foram realizados substituições e implementações no total de 10 mil pontos de iluminação num trabalho que durou 6 meses. 6 ÁREA DE ATUAÇÃO 3ª. GR XIVª RA – VILA KOSMOS, IRAJÁ , VICENTE DE CARVALHO, VILA DA PENHA, COLÉGIO, VISTA ALEGRE XVª RA – CAMPINHO, ENGENHEIRO LEAL, BENTO RIBEIRO, MARECHAL HERMES, VAS LOBO, TURIAÇÚ, HONÓRIO GURGEL, ROCHA MIRANDA, OSWALDO CRUZ XXIIª RA – GUADALUPE, ANCHIETA, RICARDO DE ALBUQUERQUE, PARQUE ANCHIETA XXVª RA – COELHO NETO, COSTA BARROS, ACARI, PAVUNA, BARROS FILHO XXXIIIª RA – CAMPO DOS AFONSOS, DEODORO, REALENGO, JARDIM SULACAP, MAGALHÃES BASTOS, VILA MILITAR TOTAL ÁREA (Km²) N.º PONTOS 15,58 12.000 17,35 10.346 14,11 15.25 17,35 10.346 67,37 13.979 133,85 73.377 4ª GR ÁREA DE ATUAÇÃO IIª RA – CENTRO. IVª RA – FLAMENGO, GLÓRIA, LARANJEIRAS, CATETE, BOTAFOGO, COSME VELHO, URCA, HUMAITÁ. Vª RA – LEME E COPACABANA. VIª RA – SÃO CONRADO, LEBLON, JARDIM BOTÂNICO, LAGOA, GÁVEA, VIDIGAL, IPANEMA, ARPOADOR. XXIIIª RA – SANTA TEREZA XXVIIª RA – ROCINHA TOTAL ÁREA (Km²) N.º PONTOS 6,40 8.416 15,58 5,47 12.578 5.112 21,59 5,7 1,44 56,18 10.173 1.401 1.600 39.280 Nesta 4ª GR se encontra o público formador de opinião - jornalistas, políticos, empresários entre outros, razão pela qual esta gerência exige vistorias sistemáticas no sistema. 7 5ª GR ÁREA DE ATUAÇÃO XVIª RA – JACAREPAGUA, CAMPINHO XXIVª RA – BARRA DA TIJUCA, RECREIO DOS BANDEIRANTES, VARGEM GRANDE, VARGEM PEQUENA XXXIVª RA – CIDADE DE DEUS TOTAL ÁREA (Km²) N.º PONTOS 100,05 20.106 175,67 28.393 27,8 11.891 303,52 60.390 A 5ª GR é área extremamente ampla e com grandes dificuldades em termos de manutenção da iluminação pública, pois são poucos os pontos de iluminação e grande é a distância entre eles dificultando a logística para atender a área. O tempo para realizar a manutenção é maior devido às distâncias entre os pontos. 6ª GR ÁREA DE ATUAÇÃO XVIIª RA – BANGU, PADRE MIGUEL, SENADOR CAMARÁ XVIIIª RA – COSMOS, INHOAÍBA, CAMPO GRANDE, SENADOR AUGUSTO VASCONCELOS, SANTÍSSIMO TOTAL ÁREA (Km²) N.º PONTOS 55,0 35.750 171,67 46.200 226,67 81.950 8 7ª GR ÁREA DE ATUAÇÃO ÁREA (Km²) N.º PONTOS XIXª RA – SANTA CRUZ, SEPETIBA, PACIÊNCIA XXVIª RA – GUARATIBA, BARRA DE GUARATIBA, PEDRA GUARATIBA 163,73 25.749 151,73 9.944 TOTAL 315,46 35.693 A 6ª GR é considerada uma área extensa e com um grande número de pontos de iluminação. No entanto, a 7ª GR é muito maior com uma pequena concentração populacional e com um número reduzido de pontos de luz e, o que dificulta a manutenção. Através do telefone 1746, implementado recentemente pela Prefeitura, verificou-se que o maior número de reclamações de lâmpadas apagadas à noite ou acesas durante o dia se origina nessa região. Há dificuldades de manutenção nesta Gerência, mas esta situação está em vias de ser normalizada. Júlio Morandi finalizou sua palestra demonstrando algumas obras realizadas recentemente, como a nova iluminação do monumento do Cristo Redentor no Corcovado utilizando lâmpadas LED e também da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Apresentação de Roberto da Maia Silva – RIOLUZ 9 O engenheiro Roberto da Maia atua na elaboração e fiscalização de projetos de iluminação pública (IP) de terceiros e também da própria RioLuz, e procurou orientar os escritórios para os projetos dessa natureza. A empresa que se habilitar ao projeto de iluminação pública deverá ser especializada na área de Engenharia Elétrica com comprovada atuação na prestação de serviços técnicos na elaboração de projetos, tanto na reformulação quanto implantação em ruas, vias, praças, alamedas, conjuntos habitacionais, obras de arte, túneis, monumentos, fachadas e outros. Os escritórios que propuserem estes projetos deverão reunir-se com a equipe da RioLuz para analisar as propostas e apresentar as habilitações para tal. A RioLuz tem seus próprios procedimentos e há normas que deverão ser seguidas em primeira instância, tais como: - NBR 5101(Iluminação Pública); - NBR 5410 (Instalações elétricas de baixa tensão); - NBR 8837(Iluminação esportiva); - NBR 5181(Túneis); - NR-10 – M.T.E (Segurança do trabalho); - Resolução 456/00 ANEEL/M.M.E (Alimentação elétrica e distribuição) - SCO – Sistema de Custos para Obras e Serviços de Engenharia (art.1° do decreto n°15.307 de 29/11/96 e decreto n°15.550 de 28/02/97; - Portaria “N” Rioluz n° 0180 de 09/03/07; - Portaria “N” Rioluz n° 0211 de 25/03/09. O engenheiro apontou as Etapas de um Projeto que deverão ser seguidas; são elas: – Programa de necessidades; – Estudo preliminar; – Projeto básico; – Projeto executivo; – “As Built”. Programa de necessidades O Programa de necessidades é o conjunto de características e condições necessárias ao desenvolvimento do projeto de iluminação que pretende ter a aprovação da RioLuz. Estudo preliminar 10 A partir do programa de necessidades se fará um estudo para se definir os materiais que serão utilizados, assim como o tipo de instalações; todas as indicações mais adequadas deverão ser levantadas neste estudo preliminar. A partir desta fase, será possível fazer uma estimativa de custo. O Estudo Preliminar visa a análise e escolha das soluções que melhor correspondam ao Programa de Necessidades, focando a solução luminotécnica e estética do projeto, documentos gráficos e também apresentando uma estimativa de custos Projeto Básico É o conjunto de informações técnicas necessárias e suficientes para a elaboração do projeto, baseado no Estudo Preliminar e que apresente o detalhamento necessário para a perfeita definição e quantificação dos materiais a serem utilizados, bem como forneça informações suficientes para que a obra possa ser licitada com base no SCO. Projeto Executivo É o conjunto de informações técnicas necessárias e suficientes para a realização da obra, contendo de forma clara, precisa e completa todas as indicações e detalhes construtivos (escolha de matérias e orçamento, por exemplo). O projeto neste ponto já foi aprovado e recebeu um número de ordem. “As Built” Como o projeto vai sofrer alterações ao longo do processo de implementação, se faz necessário o “As Built”; como o orçamento será modificado e para que todas as modificações sejam documentadas é necessário que o projeto seja refeito. Segundo o engenheiro deverá haver uma interação da iluminação com o projeto urbanístico, com o paisagismo, mobiliário urbano, entre outros. Aponta a seguir algumas considerações a serem levadas em consideração: Fatores a considerar no projeto de iluminação pública a) Aspecto Urbanístico Os projetos de Iluminação Pública devem ser elaborados em estrita consonância com os de urbanização, paisagismo, mobiliário urbano e sinalização semafórica. b) Alimentação Elétrica: 11 O projeto de Iluminação Pública deve considerar os aspectos referentes à alimentação e distribuição de energia elétrica necessária - Resolução 456 ANEEL - observando as características da urbanização do logradouro. c) Luminotécnica A Iluminação Pública deve considerar todos os aspectos dos cálculos luminotécnicos, tipos e características dos equipamentos, impactos sobre o meio ambiente e sobre o homem, devendo enfatizar a eficientização de energia na adequada especificação das luminárias, lâmpadas e demais equipamentos. É preciso considerar a dinâmica e as necessidades do local, a intensidade do trânsito, se a área é de lazer ou de pedestres, não esquecendo a questão econômica, um dos fatores importantes do projeto. d) Iluminância e uniformidade Critério exigido pelo manual da RioLuz e em conformidade com a urbanização. Não se deve nem exagerar e nem deixar estes parâmetros aquém das necessidades reais da população e do bairro. O projetista deve estar em contato com as concessionárias para que tudo seja feito em consonância e com afinamento também com o paisagismo, sinalização, etc. Cada modelo de luminária tem um desempenho luminotécnico diferente, e é necessário produzir gráficos que demonstrem essas características, conforme as normas e procedimentos da RioLuz. Materiais empregados no projeto: Todo material mencionado no projeto de Iluminação Pública deve ser padronizado e homologado conforme a Portaria RioLuz “N” 211 de 25/3/09. Todo material ganha um número, desenho e especificação na RioLuz, e será homologado para ser comercializado. Apenas depois dessas etapas o projetista poderá usá-los na obra. É necessária esta homologação para garantir qualidade de iluminação, segurança e possibilidade de estoque em almoxarifados. Não adianta especificar material que não esteja homologado; caso seja necessário ou o escritório queira indicar um novo material poderá abrir um processo para homologação. Apresentação de projetos 12 Aprovação preliminar O projeto é levado para RioLuz por intermédio do órgão que está contratando o projeto, com a finalidade de obter uma aprovação preliminar; nesta oportunidade um técnico da RioLuz irá até o local para analisar o pedido. O projeto deve ser apresentado no seguinte formato: . Desenho em AutoCad (02 cópias em sulfite); . Memorial descritivo do projeto apresentado; . Relação de materiais a instalar e a retirar (tudo baseado no SCO), juntamente com o estudo luminotécnico que serviu de base para a escolha dos equipamentos; .Os projetos antes da aprovação na Rioluz, deverão passar por consulta prévia, em especial, na Cet-Rio, Fundação Parques e Jardins e Light (empresas que também estão envolvidas no conjunto elétrico e paisagístico) Aprovação final Etapas: - Aprovação preliminar aceita; - Entrega do original em papel vegetal acompanhado de 05 cópias heliográficas (já assinadas na DTP) + 02 CD’s contendo cópias do arquivo digital em AutoCad 2000, 2002 ou 2004; - Entrega do orçamento completo com base no SCO; - O original deverá ser assinado pelo autor do projeto, com indicação do CREA, endereço e nome da firma, se for o caso; - Apresentar comprovante de anuidade do CREA e ART; - Estar cadastrado comercialmente na SMA (Secretaria Municipal de Administração), no caso de firma. A RioLuz está buscando e desenvolvendo o procedimento para aceitar projetos que se utilizem de lâmpadas LED que já representa o futuro no campo da iluminação. Por enquanto há apenas a lista de matérias que já se encontra no caderno de escopo, mas a RioLuz está procurando se modernizar. 13 José Canosa Miguez - IAB O arquiteto José Canosa Miguez apresentou um panorama acerca da poluição luminosa, e fez algumas observações acerca da boa iluminação pública. Destacou que desde os primórdios o homem possui muito interesse nos estudos relacionados ao céu; mitos e crenças foram criados a partir destas percepções. Egípcios, astecas, maias, entre outros desenvolveram muito conhecimento a partir das observações do céu. Embora a atual tecnologia permita a navegação por satélite é importante conhecer a navegação a partir do posicionamento dos astros. Nos dias de hoje a poluição luminosa começa a comprometer toda a percepção e conhecimento do céu noturno. A Poluição Luminosa A poluição luminosa é mais uma forma de degradação do meio ambiente, afeta nosso entorno de maneira significativa e empobrece nossa qualidade de vida. Provém da emissão inadequada de luz em a) intensidades, b) direções c) e faixas espectrais absolutamente desnecessárias para o tipo de atividades que se desenrolam nas áreas iluminadas. As fontes da poluição luminosa são as luminárias inadequadas utilizadas em: vias públicas, parques, praças e jardins, instalações recreativas e esportivas, anúncios luminosos e vitrines, iluminação de segurança, iluminação exterior de habitações particulares. 14 15 16 Consequências da poluição luminosa Para a astronomia Faz diminuir o contraste necessário para as observações astronômicas e impede a visão dos astros com brilho inferior ao do fundo, acarretando problemas para a investigação astrofísica. Observatórios já construídos estão prejudicados pelo aumento da poluição luminosa em áreas próximas. Há dificuldade em encontrar áreas livres da luminosidade que emana das grandes cidades. Com isso a investigação astronômica realizada da superfície da Terra pode se tornar praticamente impossível. Única opção: as custosas observações espaciais realizadas de fora da atmosfera terrestre. Prejuízo para o desenvolvimento dos países que não podem custear estes caros programas de pesquisas. Para a economia Alto custo da fatura energética pública e privada. Entidades internacionais especializadas estimam que 1/3 da energia utilizada em iluminação é lançada para o espaço. No Brasil 17% da energia elétrica gerada é consumida em iluminação. Logo quase 6% da energia elétrica produzida em nosso país é desperdiçada. Para o meio ambiente a) Alto consumo de energia com emissão de resíduos O uso de recursos naturais para a geração de energia provoca a emissão de elementos contaminadores da atmosfera (CO2, SO2, resíduos nucleares, etc.) b) Geração de resíduos altamente tóxicos e de difícil reciclagem Os vapores de mercúrio e de outros metais pesados no interior de lâmpadas de descarga fluorescentes, vapor de mercúrio, vapor de sódio, 17 vapor metálico, mistas - são liberados quando estas lâmpadas são inutilizadas sem maiores cuidados. Lâmpadas de descarga Vantagem: geram 6 vezes mais luz que as incandescentes, com o mesmo consumo energético. Principal desvantagem: os elementos tóxicos usados, principalmente o mercúrio. Não se obtém informações detalhadas sobre todas estas substâncias e os potenciais riscos que representam no estado em que se encontram nas lâmpadas, mas pelo menos metade delas são metais pesados, o que só por si é já um indicador da sua periculosidade. Desde 1980 os principais fabricantes já não utilizam cádmio nas lâmpadas de descarga; também já há novas lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão que não utilizam mercúrio ou bário. c) Alteração nos habitats naturais e nos ciclos vitais da fauna e flora A luz artificial provoca modificações do ecossistema noturno e nas cadeias de nutrição, alterando os hábitos dos animais: animais diurnos ficam privados de condições adequadas para o sono e animais noturnos ficam sem condições de alimentação Consequência: alguns animais migram para as periferias ou para locais que permitam o livre ciclo da natureza. A luz atrai as aves durante a noite por razões ainda desconhecidas. Desorientados, milhões de pássaros morrem por ano em choques contra edifícios nas cidades. Exemplo: Iluminação “amiga das aves” desenvolvida pela Philips para as plataformas na costa holandesa. As aves migratórias perturbam-se mais com a parte vermelha do espectro luminoso e menos com o azul ou o verde. Também a emissão de luz na faixa ultravioleta (invisível para o olho humano) altera de forma significativa os ciclos vitais de animais, insetos e plantas sensíveis a esta faixa do espectro luminoso 18 O comportamento dos animais é regulado nas 24 horas do dia principalmente pelo ciclo claroescuro (ou noite-dia). Esse ritmo circadiano envolve uma grande variação na produção de proteínas pelos genes ao longo do dia, em vários pontos do organismo: os genes são ligados ou desligados de acordo com a luz do ambiente. Para a segurança pública 1) Ofuscamento dos motoristas A iluminação inadequada ou excessiva pode provocar acidentes de tráfego. A passagem de zonas pouco iluminadas para outras com excesso de luz pode provocar a perda momentânea do controle do veículo 2) Perda de qualidade da luz A capacidade de reprodução das cores (IRC) das lâmpadas é fundamental para a percepção dos pedestres, dos objetos, dos movimentos e manobras de outros veículos e do ambiente circundante. 3) Ofuscamento dos pedestres A iluminação excessiva e inadequada provoca cortinas de luz que reduzem a nossa capacidade de percepção do entorno. 4) Dificuldades para o tráfego aéreo e marítimo O tráfego naval e aéreo depende da adequada sinalização noturna para a realização de diferentes manobras. A iluminação excessiva coloca em risco estas operações. Consequências Sociais 1) Modificação ou a perda da paisagem noturna natural. A visão do céu representa uma paisagem de riqueza natural. Sua perda afeta a todos na medida em que contamina o meio ambiente. Que é de todos. 2) A luz invasora É a intromissão luminosa em nossas casas decorrente de luminárias inadequadas e artefatos publicitários. 19 A iluminação pública não deve invadir a área de terceiros. Iluminar demais não é sinônimo de iluminar bem. O bom sistema de iluminação é aquele onde não se vê a fonte luminosa, mas apenas o objeto iluminado. 20 As boas luminárias Alguns fatores devem ser levados em consideração ao escolher as luminárias. O facho de luz não ultrapassa a horizontal, concentrando a luz no chão até a base do próximo poste. Dessa forma, preserva-se o céu e economiza-se energia, sem prejudicar a qualidade da iluminação. Luminárias cut off 21 22 Correção: mudança do formato das luminárias de forma que a luz seja direcionada especificamente para o local que se deseja iluminar, evitando que a luz escape para o alto. Objetivos: - preservar o céu, - economizar energia e - aumentar a segurança ALGUNS MITOS SOBRE ILUMINAÇÃO 1. “Quanto mais luz, melhor!” Só para os fabricantes de lâmpadas. A luz deve ser dimensionada para cada uso específico. Sem desperdícios. 2. “A poluição luminosa só afeta os astrônomos!” Afeta a todos na medida em que contamina o meio ambiente. Que é de todos. 3. “Saia da cidade para ver as estrelas!” Se não nos incomodamos com a perda da visão das estrelas também não nos importa a visão das flores, das florestas, dos animais. Poderíamos acabar com os parques e jardins. 4. “É tarde demais. Já existe muita poluição!” Mas também há muita tecnologia para resolver o problema. E quanto mais tarde, pior. 5. “A iluminação reduz a criminalidade” Ninguém sabe. Pareceres do Departamento de Justiça norte-americano: 1977 - ‘Não há nenhuma evidência estatística significativa, especialmente se se considera o deslocamento da atividade criminosa.’ 1997 – ‘Em resumo, a influência da iluminação sobre a criminalidade ainda é desconhecida.’ 2002 – No Reino Unido uma meta-análise da relação iluminação-criminalidade concluiu que não houve nenhuma evidência convincente de que o aumento nos níveis de iluminação reduza a criminalidade. Em diversos casos até aumentou. 2002 – Pesquisa da California Energy Comission a sensação de segurança é menor quando se utilizam luminárias tipo non-cutoff, com alto nível de ofuscamento. 23 Ana Luna – SMH A engenheira Ana Luna iniciou sua apresentação discorrendo sobre o papel da Secretaria Municipal de Habitação (SMH) do Rio de Janeiro que é responsável pela coordenação dos projetos habitacionais próprios e daqueles que envolvam outras secretarias municipais, o governo estadual e também as concessionárias. Em seguida discorreu acerca do Programa Morar Carioca, que está dividido em duas fases. A fase 1 corresponde às obras que estão hoje em andamento, e que possuem verbas de diversas fontes, como por exemplo, do Ministério das Cidades e da Prefeitura do Rio. A fase 2 ocorre nesse momento, com o início da contratação dos escritórios, apresentação e entrega do escopo de trabalho a estes escritórios. Este material foi produzido em conjunto com as secretarias municipais e as possíveis modificações serão realizadas em parceria com as secretarias e também com a contribuição dos escritórios. Por isso, é importante a atenção às diversas transformações contextuais como a modificação das especificações das obras e dos materiais (por exemplo: tipos de luminárias). É importante destacar que as execuções dos projetos necessitam da coordenação de todas as disciplinas, sempre com as diretrizes formuladas pelo urbanismo. Um exemplo dado por Ana Luna para ilustrar o trabalho realizado foi a Favela de Tijuaçu – Alto da Boa Vista (Projeto desenvolvido dentro da Secretaria de Habitação). 24 SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO COORDENADORIA DE OBRAS Tijuaçu/ Mata Machado Localização: Est. do Tijuaçu/ Est. de Furnas Alto da Boa Vista R.A. VIII AP 2 População: 1.012/ 2.664 hab. Nº domicílios: 308/ 666 SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO COORDENADORIA DE OBRAS Tijuaçu Urbanização A engenheira comentou que na primeira fase do diagnóstico algumas ações serão realizadas, tais como visitar as concessionárias para consultar cadastros, realizar ementas, realizar pesquisas e outras atividades, pontuar o que ocorre na favela e o que ocorre no bairro onde a favela está. 25 Em relação aos distritos, consultas terão que ser feitas, pois haverá favelas que estarão na divisa entre distritos e, consequentemente, na divisa entre diversas instituições do serviço público. Ana Luna considera esta fase relevante para a realização do segundo passo: o plano de intervenção. Segundo ela, o plano de intervenção é o mais importante e deverá ser elaborado sobre a topografia para ser aprovado. As possíveis preocupações deverão estar dentro do plano de intervenção para o melhor desenvolvimento do projeto básico. Além disso, a construção do detalhamento da execução e o orçamento estimativo irão viabilizar ou não a obra que será executada. Cada empresa ou secretaria responsável pela manutenção dos serviços públicos será convidada a acompanhar a obra no sistema chamado de co-fiscalização, como por exemplo, no caso de abastecimento de água em que a instituição responsável será a CEDAE. Por esta razão todas as diretrizes e parâmetros deverão ser tratados com a CEDAE. Sobre a questão do esgotamento sanitário, na região da AP5 a manutenção é realizada pela RioÁguas. Já na AP1, AP2, AP3 e AP4 a operação e manutenção está em fase de negociação para a escolha da instituição responsável; por enquanto quem está a frente é a Secretaria de Habitação. Em relação à drenagem pluvial a responsável pela operação e manutenção é a SECONSERVA assim como pela conservação de pisos. Outro ponto relevante é sobre a escolha dos materiais que serão utilizados na obra que deverá ser criteriosa. Um exemplo dado foi o dos paralelepípedos, que são interessantes para a SMH por causa da infiltração, porém há problemas durante as obras devido à escolha/seleção das peças que, ao serem inapropriadas, geram descarte muito grande. A coleta de lixo é de responsabilidade da COMLURB, e cada comunidade será estudada para que o serviço seja feito da melhor forma. Em relação à iluminação pública, a responsável é a RIOLUZ, no âmbito da SECONSERVA. Quanto aos planos inclinados e teleféricos, recomendou atenção para a sustentabilidade e a operacionalidade do serviço. Sobre contenção de encostas, sua operacionalidade e manutenção é incumbência da GEORIO. Em relação às áreas esportivas e de lazer a operação e manutenção será realizada em parceria com a COMLURB, Parques e Jardins e SECONSERVA. Uma observação: quando a quadra é coberta a iluminação não será pública, mas sim da quadra. Em caso de quadras cobertas caberá uma discussão com a SMH. Segundo Ana Luna o material que será utilizado 26 para construção das quadras merece importância também, pois é melhor usar material de maior qualidade e durabilidade e que apesar de custo inicial mais alto exigirá menos manutenção. Um ponto citado pela engenheira é quanto a conservação de quadras esportivas e praças de recreação terem ou não cobertura. Quando coberta a iluminação deixa de ser pública para ser da quadra; além disso, se a comunidade não for pacificada e estiver coberta, poderá ser foco de bailes proibidões do tráfico. A preocupação da SMH é que, realizando-se as obras, para quem será feita a entrega da chave, quem ficará responsável pelo lugar, inclusive pelo pagamento da luz, água e esgoto? Outro ponto é o tipo de uso do material a ser utilizado em quadras esportivas; a pintura das quadras, por exemplo, não é uma boa solução, pois não dura muito. Assim como a escolha por teleférico e plano inclinado, a palestrante chama atenção para os escritórios que devem estudar a real necessidade de cada localidade, pois o custo é alto, inclusive para manutenção, e como será a composição do valor das passagens, por exemplo. A GeoRio é responsável pelas contenções e manutenções das encostas; no caso do mobiliário urbano e sinalização as responsáveis serão SECONSERVA e CET-Rio. A palestrante chama atenção para as orientações da CET-Rio referentes a sinalização com placas, sinalização semafórica, etc. Devem ser observadas todas as orientações da CET-Rio para que esta possa se responsabilizar pela conservação e manutenção da sinalização. Nas edificações o responsável será o próprio morador. No caso dos prédios serão instituídos condomínios com os moradores que se responsabilizarão pela manutenção e conservação. 27 SECRETARIA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO COORDENADORIA DE OBRAS Tijuaçu Urbanização Havendo interações ambientais o marco limítrofe, sua operação e manutenção serão realizados pela SMAC. A padronização será discutida juntamente com o SMH. Algumas observações adicionais foram feitas pela engenheira: as estruturas de madeira são difíceis de serem compradas, o concreto ainda é a melhor opção; o guarda corpo é uma excelente opção de segurança para os pedestres, porém suas diversas variações dificultam a manutenção dessas estruturas pelo SMH; deve-se atentar para estruturas de maior durabilidade. Suelene de Assis Aguiar - SECONSERVA A engenheira Suelene de Assis comentou que anos atrás a SECONSERVA não era consultada em nenhum projeto urbanístico, o que dificultava a conservação pela carência de orientações acerca das escolhas dos materiais. Lembrou ser necessário haver um estoque de materiais para que se possa garantir a conservação posterior. O uso de materiais de difícil aquisição e acesso é uma das questões que os escritórios devem atentar; a conservação é fundamental para que o trabalho não seja em vão. 28 Uma constante apontada pela representante da SECONSERVA é a destruição do calçamento feita pelos moradores para fazer by pass de esgotamento diretamente na rede; para evitar o mau cheiro, roedores e insetos os moradores costumam concretar ralos. O uso do piso de concreto também é indicado pela vantagem de manutenção, tendo maior durabilidade. Outro ponto levantado pela engenheira é que a realidade local deve ser considerada: muitos moradores possuem carros e há casos que a quadra esportiva acaba se tornando um estacionamento. Segundo Suelene é necessário haver uma compreensão das especificidades locais. Qualquer área livre em comunidades acaba sendo ocupada, e é necessário saber dos moradores quais são as áreas de lazer utilizadas e como fazer para melhorá-las. Para o guarda-corpo e corrimão a melhor opção é o concreto e o tubo galvanizado; também se devem evitar valas e espaços que poderão ser transformados em lixeiras, como os vãos livres embaixo de escadarias, por exemplo. As grelhas finas de bateria de ralo são fáceis de serem carregadas e acabam sendo roubadas para servirem de churrasqueiras; além disso, estão fora do padrão. 29