Anais do V SENALIC – TEXTOS COMPLETOS
ISSN – 2175-4128
Organizadores: Gomes, Carlos; Ramalho, Christina; Ana Leal Cardoso
São Cristóvão: GELIC, Volume 05, 2014
TIRA EM QUADRINHOS E POEMA: UM DIÁLOGO PELA VIDA
Elizia de Souza Alcântara (UNEB)1
A relação intersemiótica entre a linguagem dos quadrinhos e a literatura é um
procedimento utilizado pela Literatura Comparada, quando se propõe a estabelecer
um entrelaçamento e diálogo entre diferentes formações discursivas e seus processos
sígnicos, além de reposicionar, no campo estético-político-cultural, o potencial
narrativo de outras ordens textuais que também produzem sentidos e deslocam
valores instituídos pelos cânones literários. Nesse sentido, a noção de textualidade,
como algo fechado e imutável é desmontada, abrindo espaço para novas
possibilidades de repertório, segundo Tânia Franco Carvalhal (2006, p. 74): “Assim
compreendida, a literatura comparada é uma forma específica de interrogar os textos
literários na sua interação com outros textos, literários ou não, e outras formas de
expressão cultural e artística”.
Partindo desse ponto, percebemos que o estudo engendrado pela Literatura
Comparada aliado às propostas dos Estudos Culturais traz para a discussão a
necessidade de fazer emergir novas políticas discursivas em que as representações
do mundo real-tradicionais e lineares - sejam questionadas, instaurando, dessa forma,
um entre-lugar, uma outra estratégia de romper com as abordagens existencialistas e
com o conceito de literariedade impregnado ainda na chamada “análise textual” tão
comum nos encontros com a Língua Portuguesa.Sendo assim, cabem as seguintes
perguntas: o que buscamos num texto? É o texto, seja ele literário ou não, um espaço
de poder? Como perceber entre textos distintos as relações entre o real, o imaginário
e o simbólico? Em que medida é possível “pôr em relação” a literatura e o discurso dos
quadrinhos?
Nessas perguntas, reside a perspectiva comparatista entre duas modalidades
discursivas. Cabe, aqui, analisarmos o sentido da palavra “comparação”. Quando
usado pela crítica literária, o termo perpassa pela formulação de um juízo de valor,
confrontando os elementos constituintes de cada uma, classificando-os em iguais ou
diferentes, bem como normatizando o que é de “qualidade”, “legítimo”, “puro”, “maior”
em detrimento daquele considerado “inferior”, desqualificado, “impuro”, “menor”.
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Mestranda do Programa de Pós Graduação em Crítica Cultural – UNEB/Campus II. alcâ[email protected]
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Como se percebe, o uso da palavra comparação requer cuidado quando se
remete ao campo linguístico-literário.Quando empregada pela Literatura Comparada,
não há a intenção de avaliar o texto segundo um padrão hierárquico. Comparar dois
textos distintos não significa classificá-los e separá-los como sendo melhor ou pior,
qualificado ou ilegítimo, “menor” ou “maior”, mas sim, compará-los como processo de
análise e interpretação. Assim, “a comparação é um meio, não um fim” (CARVALHAL,
2006, p.7).
Neste sentido, considerando a pluralidade de discursos, objetos e vozes que
marcam as produções pós-modernas, nos defrontamos com a abertura de fronteiras
textuais e com isso, deslocamos os territórios mediante o desejo de tensionar os
saberes instituídos arbitrariamente. Para isso, experimentamos o movimento de que
qualquer significante apresenta uma multiplicidade de sentidos e histórias, buscando
compreender como as marcas do real-imaginário-simbólico operam nas construções
do fazer cultura. Portanto, o que o homem constrói na sua dinâmica cultural são
representações, nomeadas a partir de uma posição dicotômica e metafísica,
corroborando a visão de uma sociedade controladora, impositiva e permeada de
condicionamentos. Mas como a Literatura Comparada pode romper com o
conhecimento fixo e normativo? Reinaldo Marques nos esclarece quando afirma que:
Os estudos literários, em particular os da literatura comparada, e os
estudos culturais evidenciam o caráter fluido e esgarçado das
fronteiras que delimitam os espaços disciplinares, que se apresentam
não mais como territórios onde se fixar e enrijecer, dentro da lógica
de um pensamento identitário substancialista, mas como territórios a
serem atravessados, cruzados e rasurados por novos sujeitos do
conhecimento. (MARQUES, 1999, p.67)
Sob essa perspectiva, o presente artigo pretende estabelecer um diálogo entre
uma tira da Turma do Xaxado, do quadrinista Antonio Cedraz e o poema Terra, Vida e
Esperança do poeta\compositor\músico Jurandy da Feira, musicado pelo Rei do Baião
Luiz Gonzaga, mediante o estudo da problemática da fome no Nordeste brasileiro
visibilizada nos trânsitos entre as duas formas artísticas: os quadrinhos e o texto
poético.
Segundo Linda Hutcheon (1991, p. 173),“tudo – desde os quadrinhos e os
contos de fada até os almanaques e os jornais – fornece intertextos culturalmente
importantes para a metaficção historiográfica”. Nesta proposta, o discurso dos
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quadrinhos é legitimado e reconhecido como uma prática significativa de linguagem,
em que aspectos históricos, políticos e culturais circulam no jogo combinatório das
imagens e das palavras, numa narrativa de resistência e enfrentamento.
Na Bahia, os quadrinhos têm uma força bastante expressiva por meio das
produções do quadrinista Antonio Cedraz, nascido em Miguel Calmon-Bahia. Iniciou
os seus trabalhos com desenhos e histórias em quadrinhos com 16 anos, e
atualmente, é considerado o Mestre do Quadrinho Nacional pela Associação dos
Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo.
Ao longo da sua trajetória como quadrinista, Antonio Cedraz criou diversos
personagens tipicamente brasileiros reunidos nas histórias em quadrinhos da Turma
do Xaxado. Para Claúdio Oliveira, a Turma do Xaxado.
Mergulha sobre as lendas e sobre a dura realidade do sertão, sem
descuidar da crítica social, e produz um resultado eclético que às
vezes é difícil precisar a que faixa etária se destinam as histórias.
Xaxado agrada igualmente a criança e o adulto. Diverte, ensina e
chama à reflexão. Num mercado editorial saturado de criaturas superqualquer-coisa, que só falam inglês, é um colírio encontrar uma
publicação que fale de nossas raízes e dá voz aos que passam por
inaceitável desamparo em pleno século XXI. (OLIVEIRA, 2008, p.4)
No universo gráfico de Cedraz, além das histórias em quadrinhos, existe
também a produção das tiras do Xaxado, personagem principal, neto de cangaceiro,
com um perfil alegre e justiceiro e atento ao sofrimento do povo nordestino, como
percebemos na tira abaixo:
Figura 1.
Fonte: ( Editora e Estúdio Cedraz, 2008)
Quanto à estrutura estética do gênero textual em análise, temos uma tira
constituída de três quadros, apresentando uma narrativa curta, com diálogo entre dois
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personagens Xaxado e Zé.No plano temático, verificamos a problematização da seca
e os seus efeitos sobre a vida do povo nordestino. Primeiro aspecto a ser analisado
nessa narrativa é o caráter híbrido dos quadrinhos quando Antonio Cedraz faz uso da
discussão política, ao denunciar a desigualdade social representada na fome que
assola mais de 1.400 municípios no nordeste brasileiro. É a arte e a política a serviço
de uma “estética da existência” capaz de assegurar o direito a todo cidadão de estar
livre da fome e ter uma vida digna, de qualidade e cidadã.
Nesse sentido, a linguagem dos quadrinhos é uma porta aberta para refletir
sobre como são construídas as relações sociais, quais os dispositivos de poder
entranhados nas ações humanas e de que forma o subalterno pode ganhar voz e
reposicionar o seu papel nos espaços sociais. Nessa direção, Silviano Santiago (2002,
p. 69) sinaliza que “a forma literária anfíbia requer a lucidez do criador e também a do
leitor, ambos impregnados pela condição precária de cidadãos numa nação dominada
pela injustiça”.
Tal perspectiva nos remete ao papel do leitor na contemporaneidade e a forma
como recepciona a multiplicidade de textos, dentre eles, o discurso dos quadrinhos.
Sabendo que o significado não é fixo, unilateral, como o leitor consegue decodificar os
diferentes sentidos que a sequência da narrativa proporciona? No texto Ironia
Intertextual e Níveis de Leitura, Umberto Eco apresenta dois tipos de leitor: o leitor
modelo de primeiro nível e o de segundo nível, assim descritos:
O leitor de primeiro nível, que chamaremos de semântico, quer saber
o que acontece, como a história vai acabar. Aquele de segundo nível
que chamaremos de semiótico ou estético quer saber como aquilo
que acontece foi narrado. Para saber como a história acaba
geralmente basta ler uma única vez, e certas histórias deve-se lê-las
ao infinito. (ECO, 2003, p.20)
Na fala do personagem Zé “Óia só... tá tudo verde, Xaxado, tá tudo verde...” é
possível que o leitor semântico não reconheça o “potencial de sentido” que a palavra
verde ganha na mensagem. No segundo quadro, o verde sugere a idéia de que existe
uma terra fértil e produtiva. É a esperança do sertanejo em superar as adversidades e
os problemas que afligem a população nordestina. Na lida diária, o nordestino convive
com a violência da fome, mas não apaga o seu “desejo de vontade” em vislumbrar
uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.
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No terceiro quadro, o personagem Zé faz uso novamente da palavra verde
“Meu fio tá tudo verde de fome”, trazendo para o leitor de primeiro plano o desafio de
reconhecer nessa construção discursiva, as marcas de um contexto social e histórico
opressor, desigual e excludente. Não há nada de “inocente” quando se afirma que a
fome é um crime cometido contra os nordestinos, crime esse que se alastra por muitos
anos. Estar “verde de fome” é uma expressão que desencadeia múltiplos sentidos nos
remetendo às crianças nordestinas que ainda não se desenvolveram devido à
desnutrição, apresentando sintomas como cansaço, tontura, perda de peso e
hipotrofia dos músculos, etc.
Ainda argumentando sobre os tipos de leitor, é necessário ressaltar que cada
leitor constrói as suas leituras. Sabemos das dificuldades quando se analisa a
formação de leitores em nosso país e mais ainda, sobre como a leitura é desenvolvida
nas escolas, mas o que almejamos é o exercício de uma leitura politizada, em que o
leitor seja capaz de se perceber co-autor do texto, a partir do momento em que ele
assume uma posição ativa frente a leitura, refletindo sobre como se deu o processo
narrativo, em quais condições sociais e culturais o texto ganhou corpo.É o ato de ler
como uma ação política que requer do leitor um olhar apurado sobre o que é escrito,
quem escreve e quais as tensões desencadeadas no plano estético-político-cultural,
pois “ existe um tipo de reconhecimento de que a leitura está localizada em algum
ponto da história” (HALL, 2003, p. 376).
A leitura da tira do quadrinista baiano Antonio Cedraz nos direciona para o
discurso dos quadrinhos como local de desmontagem da realidade “forjada” e
também, como máquina de guerra contra os valores considerados “naturais” em nossa
sociedade. Trata-se aqui de desnaturalizar a problemática da fome para o nordestino,
identificando os conflitos e as diferenças no contexto socioideológico de uma “história
oficial” que privilegiam alguns em detrimento de outros.
Na pós-modernidade, a linguagem é um local onde se questiona a
“representação” do conhecimento. Tanto as palavras quanto as imagens são locais de
discurso. Veremos agora, de que forma o poema “Terra, Vida e Esperança” do
poeta\compositor\músico Jurandy Ferreira Gomes articula a problemática da fome no
nordeste brasileiro.
Jurandy Ferreira Gomes, apelidado de Jurandy da Feira por Luiz Gonzaga,
nasceu na cidade de Tucano/Bahia. Cresceu mantendo contato direto com a cultura
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nordestina, ouvindo forró, muita cantoria e repente, gosto herdado pela influência do
pai. Durante a adolescência, morando em Feira de Santana, começou a despontar nos
festivais de música local e em 1973 foi apresentado ao mestre do forró Luiz Gonzaga,
que passou a musicar as suas composições dentre elas, Nos cafundó de Bodocó,
Capim Novo, Canto do povo, etc.
O poema Terra, Vida e Esperança foi produzido em 1984 e aborda o que é ser
sertanejo e a guerra travada contra a fome.Nos versos, os sonhos e desejos daqueles
que espera por uma vida em abundância:
Estou no cansaço da vida
Estou no descanso da fé
Estou em guerra com a fome
Na mesa, fio e mulher
Ser sertanejo, senhor
É fazer do fraco forte
Carregar azar ou sorte
Comparar vida com morte
É nascer nesse sertão
A batalha está acabando
Já vejo relampear
Abro o curral da miséria
E deixo a fome passar
O que eu sinto, meu senhor
Não me queixo de ninguém
O que falta aqui é chuva
Mas eu sei que um dia vem
Vai ter tudo de fartura
Prá quem teve hoje que não tem.
(Jurandy Ferreira Gomes, 1984)
A linguagem poética de Jurandy da Feira e o texto quadrinizado de Antonio
Cedraz trazem a marca da intertextualidade temática. Embora os dois textos tenham
sido produzidos em épocas diferentes, respectivamente, nos séculos XX e XXI, eles
mantêm em comum uma rede de conexões com a história e a sociedade. A semiologia
do signo – palavra ou imagem – preocupa-se com o direito “ético de significar.”
Significar perpassa por uma atuação política em que o nordestino tenha condição de
se mostra como sujeito, capaz de fazer eclodir a força da sua identidade, da sua
cultura, da sua história, via um processo de reconstituição pautada no respeito á
diferença cultural. Mas como pode o nordestino reafirmar seu lugar convivendo
diariamente com a fome? Como dar visibilidade as suas narrativas de vida sem que a
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cultura seja compreendida como diferença? Em Hibridismo e Tradução Cultural em
Bhabha (2004, p.132), Lynn Mario T. Menezes de Souza nos sugere um caminho no
qual “a autoridade e as certezas aparentes do discurso hegemônico são subvertidas,
questionadas e desestabilizadas para produzir um novo discurso híbrido e libertário”.
Nas duas modalidades discursivas, percebemos a postura contemporânea dos
autores no que diz respeito à dimensão histórica e social que caracteriza a linguagem,
mostrando os vários problemas sociais e conflitos questionados, como a voz
silenciada dos nordestinos, a miséria, a fome, a luta contra a “morte em vida”, etc.
Nota-se, assim, que Antonio Cedraz e Jurandy Ferreira Gomes são intempestivos
porque rompem com o determinismo histórico, não aderindo a idéia de que os
nordestinos devam viver condiconados a um estado de paralisia e estagnação eterno.
Contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo,
para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos
são, para quem deles experimenta contemporaneidade, obscuros.
Contemporâneo é, justamente, aquele que sabe ver essa
obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas
trevas do presente. ( AGAMBEN, 2009, p.38-39)
Ser contemporâneo pressupõe fraturar os acontecimentos históricos, ou seja,
desmascarar os dispositivos de poder que estão presentes em todos os lugares, em
todas as relações sociais. Nesse sentido, é imprescindível buscar um “terceiro
espaço”, um entre - lugar capaz de rasurar os discursos institucionalizados, se
apropriar das estratégias de manipulação da maquinaria burguesa e criar ferramentas
para operar novos conhecimentos em prol de uma estética da existência. Enfim é
“reinscrever o passado, reativá-lo, realocá-lo, ressignificá-lo” (BHABHA, 2011, p.94)
para (re) construir novas bases de resistência, de solidariedade e de cidadania.
Teremos sim o desafio de promover deslocamentos de sentidos, a fim de que
as identidades periféricas conquistem a liberdade e a segurança cerceadas por um
modo de produção capitalista segregatório, violento e excludente. Para isso, se faz
necessário repensar o conceito de cultura como o lugar da diferença. Nesse lugar, os
segmentos minoritários reivindicam o sentido de viver as histórias das lutas por
liberdade, silenciadas por uma desigualdade política, de um governo que propaga uma
pseudo-democracia e com isso, os despejos lingüísticos, culturais e territoriais se
instalam acentuando assim, os aparatos de exclusão.
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Por isso, pode-se empreender ações para uma política da subjetividade,
quando Bhabha afirma:
O discurso das minorias produz um sujeito híbrido, formado pela
diferenciação entre comunidades ou grupos. Essa cultura entendida
como diferença é o que permite perceber a articulação da fronteira,
do espaço sem raízes e do tempo das culturas. (BHABHA, 2011,
p.86)
Retomando as posições de Antonio Cedraz e Jurandy Ferreira Gomes
percebemos que ambos trazem nas suas produções artísticas um olhar político sobre
as mazelas da seca no nordeste brasileiro e como os nordestinos carregam o desejo
de transformação social. Mas o leitor também é convidado a desejar mudanças
coletivas, assumindo uma posição de “leitor ucrônico que pensa a obra como
novidade, re-atualizando sistematicamente sua memória a partir de leituras atuais,
fazendo dela um acontecimento”. (SAMOYAULT, 2008, p.95).
Portanto, o diálogo estabelecido entre as duas formações discursivas – tira e
poema – abre novas possibilidades para refletir sobre o jogo sígnico na perspectiva de
uma leitura intertextual.
Com isso, a proposta de um estudo comparatista assinala a preocupação de
interrogar a relação entre as múltiplas formas de expressão cultural e artística,
visando, com isso, desconstruir a noção de obra\texto como algo acabado,
desvinculado de um contexto estético-político-cultural. Pretende-se, sim, mostrar como
um projeto aberto é capaz de tensionar as marcas sociais e simbólicas das práticas
culturais como locais de poder e representações.
Como dizem os versos do poema de Jurandy da Feira “Mas eu sei que um dia
vem/Vai ter tudo de fartura”, queremos fartura na vida, na arte e na cultura. Que não
estejamos verdes de fome, mas sim “verdes de esperança”!
REFERÊNCIAS:
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Honesko.Chapecó/SC:Argos, 2009.
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Paulo:
Boitempo
Editorial,
2004
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UM DIÁLOGO PELA VIDA Elizia de Souza Alcântara (UNEB)1 A