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REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE USUÁRIOS DE SERVIÇOS BÁSICOS DE
SAÚDE SOBRE A HIPERTENÇÃO ARTERIAL E O CUIDADO
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Elisabete Pimenta Araújo Paz
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Geovana Brandão Santana Almeida
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Girlene Alves da Silva
Este trabalho resulta de inquietações afloradas como enfermeira-docente, na
assistência a adultos portadores de doenças crônicas não transmissíveis, como a
hipertensão arterial. A assistência a este grupo, oportunizou perceber a
importância de um cuidado específico ao controle e a prevenção dos agravos
decorrentes desta patologia e a buscar estratégias capazes de fornecer uma
melhora na qualidade de vida dessas pessoas. A hipertensão arterial é
considerada um grande problema de saúde pública mundial, e no Brasil, o
Ministério da Saúde estima que na atualidade cerca de 20% da população
brasileira adulta seja portadora da doença. Por ser uma patologia considerada
silenciosa, em muitos casos o diagnóstico ocorre tardiamente trazendo
consideráveis danos tanto ao portador quanto à família e a sociedade em geral,
além de onerar os cofres públicos. Considerando o contexto histórico da
hipertensão arterial, percebe-se que a assistência às pessoas portadoras da
doença hipertensiva não ocorre sem problemas. Os profissionais têm dificuldades
no estabelecimento de vínculo com os usuários e estes também não estabelecem
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Os dados apresentados no presente trabalho faz parte da Tese de Doutorado em desenvolvimento na Escola
de Enfermagem Anna Nery/Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob o título: Representações sociais de
usuários de serviços básicos de saúde e profissionais sobre a hipertensão arterial e o cuidado: o discurso do
sujeito coletivo.
2
Docente da Escola de Enfermagem Anna Nery/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Doutora em
Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Ney e orientadora da Tese de Doutorado em
desenvolvimento.
3
Docente da Faculdade de Enfermagem/Universidade Federal de Juiz de Fora, Mestre em Enfermagem pela
Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais e Doutoranda em Enfermagem pela Escola
de Enfermagem Anna Nery. Autora da Tese em desenvolvimento.
4
Docente da Faculdade de Enfermagem/Universidade Federal de Juiz de Fora, Doutora em Enfermagem pela
USP e co-orientadora da Tese em desenvolvimento.
laços permanentes com o serviço de saúde, o que reforça a situação do portador
de hipertensão arterial procurar atendimento somente quando os sintomas da
doença se manifestam. A relação dos usuários dos serviços de saúde com os
membros da equipe é um importante fator para a adesão ao tratamento/controle
da doença. A preocupação com os portadores de hipertensão arterial, grupo
majoritário nos serviços assistenciais, tem me levado como enfermeira e docente
no curso de enfermagem, a buscar e desenvolver com os estudantes, maneiras de
cuidar das pessoas que trazem para os serviços de saúde, muitas dúvidas sobre
como fazer para vencerem os problemas que a hipertensão acarreta na dinâmica
de suas vidas. Frente a esta situação, este estudo tem por objetivos: - Conhecer
as representações sociais dos usuários dos serviços, portadores de hipertensão
arterial, sobre a doença hipertensiva e o cuidado à saúde; - Analisar as relações
existentes entre as representações das pessoas portadoras de hipertensão arterial
e as ações de redução da vulnerabilidade às complicações da doença. O estudo
de natureza qualitativa ancorado na teoria das representações sociais, busca
avançar na compreensão do saber do senso comum, com vistas à tentativa de
construção e interpretação do real, além da significativa contribuição à área da
saúde, a qual permite-nos tratar fenômenos observáveis sob diversos prismas:
cognitivos, informativos, de opinião, de valores, ideológicos, crenças, atitudes e
outros. Assim, conhecer a representação que o portador de hipertensão arterial
tem sobre a doença e as estratégias utilizadas para o controle da patologia são
significantes para as reflexões que possam orientar e organizar as condutas
pessoais e sociais com a finalidade de gerar mudanças no contexto assistencial.
Foram realizadas vinte e cinco entrevistas semi-estruturadas, com portadores de
hipertensão arterial que aguardavam por atendimento. Cinco unidades básicas de
saúde do município de Juiz de Fora/MG, foram previamente selecionadas para
este estudo. Participaram do estudo 07 homens e 18 mulheres com idade entre 21
e 78 anos, independente do tempo de diagnóstico da doença. A coleta dos dados
ocorreu no período de outubro a dezembro de 2007. A análise das falas dos
participantes permitiu a construção de duas categorias de análise: 1) A gravidade
da doença hipertensiva; 2) O usuário e as estratégias de cuidado. Ao depreender
os significados aflorados dos depoimentos, foi possível perceber que as
representações acerca da hipertensão arterial, elaboradas pelos usuários, revelam
que há um distanciamento entre o que é significativo para essas pessoas e o que
enquanto profissionais acreditamos ser. Os depoimentos nos mostram que as
pessoas reconhecem a doença hipertensiva como uma patologia grave e que traz
inúmeras conseqüências quando não tratada/controlada. Por outro lado, mesmo
reconhecendo a gravidade da doença, elas têm uma grande dificuldade para
cuidar da saúde. Muitas vezes essas dificuldades são expressas através da falta
de comparecimento às atividades propostas pelo serviço. Mesmo reconhecendo
que precisam cuidar da saúde, os usuários evidenciam que usar a medicação
antihipertensiva conforme prescrita é a ação que pode ser suficiente para sentir-se
como sujeito ativo no processo de cuidado. Também avaliaram positivamente o
atendimento recebido pelos profissionais, mas enfatizaram o recebimento da
medicação como sendo a mais importante ação realizada pelos profissionais e
pelo serviço em geral. Outro fato importante é que os usuários parecem não se
preocuparem com o estabelecimento de vínculo com o serviço/profissionais. Tais
considerações nos provocam a refletir sobre como estamos cuidando da saúde
deste grupo
nos serviços de saúde, no sentido de que precisamos pensar a
dimensão de nossas ações e de como o portador da doença hipertensiva pode ser
envolvido com a redução do adoecimento e a melhoria da sua qualidade de vida.
Palavras-chave: Representação social; Doença crônica não transmissível;
Hipertensão arterial; Cuidado à saúde.
Área Temática: Regulação do trabalho, políticas e práticas em saúde e
enfermagem.
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