Centrais apostam na unidade para
acelerar a luta por mais direitos
As comemorações do 1o de maio no Brasil reafirmaram a unidade das centrais
sindicais, iniciativa fundamental para os
trabalhadores alcançarem as reivindicações contidas na agenda sindical e política, como a redução da jornada de trabalho, sem o corte nos salários, revogação
do fator previdenciário, manutenção da
política do salário mínimo e o trabalho
decente. Nos próximos meses, manifestações unitárias serão realizadas no país
para pressionar os políticos a atender os
pleitos trabalhistas............................................................. (págs. 6 a 13)
CAMPANHA SALARIAL
Os patrões começaram o ano dispostos
a endurecer as negociações relativas à
PLR e às campanhas salariais. Por conta
disso, explodiram greves no Paraná e em
São Paulo......................................................................................................(págs. 14 e 15)
jornal
jornal
da da
força
força
sindical
sindical
— n—o 66
n o 70
— AGOSTO
— maio DE
DE 2010
2011
editorial
PRESIDENTE
Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
SECRETÁRIO-GERAL
João Carlos Gonçalves (Juruna)
TESOUREIRO
Luiz Carlos Motta
DIRETORIA EXECUTIVA
Melquíades Araújo • Miguel Eduardo Torres
Antonio de Sousa Ramalho • Eunice Cabral*
Almir Munhóz • João B. Inocentini
Paulo Ferrari • Levi Fernandes Pinto
Luiz Carlos Pedreira • Abraão Lincoln*
Wilmar Gomes Santos • Terezinho Martins
Márcio Vasconcelos • Ivandro Moreira
Maria Augusta Santos Marques • Sérgio Luis Leite
Valclécia Trindade • Edson Geraldo Garcia
Francisco Sales • Miguel Padilha
Minervino Ferreira • Nilton Souza Silva (Neco)
Herbert Passos • Antonio Vítor
Mônica O. Lourenço Veloso • Geraldino Santos Silva
Oscar Gonçalves • Carlos R. Malaquias
Luciano M. Lourenço • Nelson Silva de Souza
Antonio Farias • Cícero Firmino (Martinha)
José Pereira* • Ari Alano
João Peres Fuentes • Arnaldo Gonçalves
Cídia Fabiane C. Santos • Elvira Berwian Graebin
Paulo Zanetti • Cláudio Magrão
Maria Auxiliadora • Maria Susicléia
Jeferson Tiego • Francisca Lea
Gleides Sodré Almazan • Vilma Pardinho
Adalberto Galvão • Maria Rosângela Lopes
Ruth Coelho • Raimundo Nonato
Severino Augusto da Silva • Lourival F. Melo
José Lião • Mara Valéria Giangiullio
Evandro Vargas dos Santos • Neusa Barbosa
Reinaldo Rosa • Defendente F. Thomazoni
Antonio Silvan • Valdir Lucas Pereira
Antonio Johann • Carlos Lacerda
Ezequiel Nascimento • Leodegário da Cruz Filho
Elmo Silvério Lescio • Braz A. Albertini
Daniel Vicente • Walzenir Oliveira Falcão
Manoel Xavier • Valdir Pereira
Mauro Cava • Milton Batista (Cavalo)
Núncio Mannala • Luis Carlos Silva Barbosa
Moacyr Firmino dos Santos •
Consultoria
Luiz Fernando Emediato
Assessoria Política
Antonio Rogério Magri • Hugo Perez
João Guilherme Vargas • Marcos Perioto
Diretor responsável:
João Carlos Gonçalves (Juruna)
Jornalista responsÁVEL:
Antônio Diniz (MTb: 12967/SP)
Redação:
Dalva Ueharo • Fábio Casseb
Assistente de Marketing:
Rodrigo Telmo Lico
EDITOR DE ARTE:
Jonas de Lima
A
luta dos trabalhadores brasileiros pelas reivindicações
contidas da agenda sindical e política já entrou numa fase decisiva, ao fim das comemorações do
Dia do Trabalhador. A jornada de
lutas começará ainda em maio,
com o ato pluripartidário, organizado pelas centrais sindicais, a
ser realizado no Congresso Nacional, pela redução da jornada,
sem o corte dos salários.
O objetivo é pressionar os deputados a votar a PEC 231/95,
sobre as 40 horas, antes do final
do ano. Ao mesmo tempo, as
centrais sindicais e os sindicatos
precisam mobilizar as bases pela
revogação do fator previdenciá-
Paulo Pereira da Silva (Paulinho)
presidente da Força Sindical
rio, regulamentação da atividade
terceirizada e pela manutenção
da política do salário mínimo.
A conquista destas bandeiras,
artigo
intercâmbio sindical com os chineses
A
convite do governo chinês, uma comitiva mento econômico dos países, trabalho decente
de sindicalistas da Força Sindical visitou a e seguridade social. Apresentarmos o nosso sisChina em abril, a fim de promover intercâmbio tema de seguridade social no Fórum. Deixamos
sindical e trocar experiências. Além de visitas a claro a posição unitária das centrais sindicais a
cidades, recebemos informações sobre a reali- favor da agenda do trabalho decente no Brasil.
Para isso, os trabalhadores precisam reduzir as
dade política, econômica e social do país.
horas trabalhadas, revogar o fator
Em Shangai, estivemos na
previdenciário, regulamentar a
Federação Nacional de Sindicaterceirização e valorizar o trabalho
tos da China, além de outros. Já
e as aposentadorias, assim como
em Pequim, o grupo foi recebido
promover o desenvolvimento do
pelo vice-presidente chinês, Xi
pais de forma sustentada.
Jinping e participou do “Fórum
Foi importante a iniciativa da
Internacional sobre Globalização
CSI em promover o diálogo e o
Econômica e Sindicatos”.
intercâmbio mundial entre os
Os debates giraram em torno
sindicatos filiados, com o propóde temas de repercussão e imsito de estimular a organização e
portância mundiais, como a transNilton Souza da Silva, o Neco, secretário de
a luta dos trabalhadores.
formação do padrão do cresci- Relações Internacionais da Força Sindical
Jaélcio Santana
FUNDADOR
Luiz Antonio de Medeiros
Jornada de lutas pela
agenda sindical e política
junto com os itens da agenda
unitária da classe trabalhadora,
vai conduzir o Brasil no rumo do
trabalho decente. Não podemos
decepcionar o povo brasileiro que
está disposto a brigar pelo crescimento econômico, pela manutenção e ampliação de direitos e
pela valorização do trabalho.
Para isso, o movimento sindical tem de comandar a luta popular. Queremos a geração de
mais empregos de qualidade e,
se possível, que o total de postos de trabalho criados nos próximos quatro anos ultrapasse as
15 milhões de vagas abertas no
governo passado.
Além disso, as ações do governo federal para reduzir a inflação merecem um cuidado todo
especial dos trabalhadores e do
movimento sindical para que o
custo do ajuste não recaia sobre
os ombros dos trabalhadores.
Força Mail:
Antônio Diniz
PRESIDENTES DA FORÇA SINDICAL NOS ESTADOS
Acre
O JORNAL DA FORÇA SINDICAL é uma publicação
mensal da central de trabalhadores FORÇA SINDICAL
Luiz Anute dos Santos
Rua Rocha Pombo, 94 – Liberdade – CEP 01525-010
Telefone: (11) 3348-9000 – São Paulo – SP – Brasil
Albegemar Casimiro Costa
www.fsindical.org.br • www.twitter.com/centralsindical
Maria de Fátima Coelho
ESCRITÓRIO NACIONAL DA FORÇA SINDICAL em BRASÍLIA:
Vicente de Lima Fillizola
SCS (Setor Comercial Sul) – Quadra 02 – Ed. Jamel Cecílio
3o and. – Sala 303 – ASA Sul – 70302-905
Fax: (61) 3037-4349 – Telefone: (61) 3202-0074
Fotos da Capa:
Alessandro Shinoda/Folhapress – tiago santana
2
Alagoas
Amapá
Amazonas
Bahia
Nair Goulart
Ceará
Raimundo Nonato Gomes
Rondônia
Antonio do Amaral
DISTRITO FEDERAL
Epaminondas Lino de Jesus
Espírito Santo
Alexandro Martins Costa
Goiás
Rodrigo Alves Carvelo
Maranhão
Márfio Lima da Silva
Mato Grosso
Manoel de Souza
Mato Grosso do Sul
Idelmar da Mota Lima
Minas Gerais
Rogério Fernandes
Pará
Ivo Borges de Freitas
Paraíba
José Porcino Sobrinho
Paraná
Sérgio Butka
Pernambuco
Marcos Sérgio da Silva
Piauí
Fabrício Dourado Gonsalles
Rio de Janeiro
Francisco Dal Prá
Rio Grande do Norte
Francisco de Assis Torres
Rio Grande do Sul
Cláudio R. Guimarães Silva
RoRAIMa
Manoel Antonio dos S. Santana
Santa Catarina
Osvaldo Olavo Mafra
São Paulo
Danilo Pereira da Silva
Sergipe
Willian Roberto Cardoso
tocantins
Luso Albateno A. Guimarães
www.fsindical.org.br
renda
Ganho real de salário
perde para a produtividade
Metalúrgicos de São Paulo, Miguel Torres, que também acumula o cargo de vice-presidente da Força Sindical.
Aumento real
Jaélcio Santana
um disparate afirmar que os salários
subiram mais do
que a variação da produtividade no primeiro
bimestre de 2010, e que
este falso cenário vai
obrigar as empresas a
reajustarem os preços,
empurrando a inflação
para cima. O absurdo
está no fato de as consultorias do mercado utilizarem um espaço pequeno de tempo para fazer
tal comparação, “esquecendo-se” de levar em
conta o que ocorreu
em todo o ano passado.
De janeiro a dezem- Miguel Torres: salário menor e produtividade alta aumentam a concentração de renda
bro de 2010, a produtividade da indústria de trans- 27,35% contra redução do cus- Dieese, com base em dados
formação cresceu 6,1%, ante to do trabalho de 5,43%.
do World Bank — World Deveo ano imediatamente anterior,
Os dados refutam o argu- lopment Indicators 2004.
enquanto o custo do trabalho mento de alguns setores da
“Toda a vez que os salários
caiu 2,7% e a folha de paga- sociedade segundo o qual os perdem de goleada para a
mento média real evoluiu po- ganhos salariais são os gran- produtividade quem ganha é
sitivamente 3,3%. Segundo o des responsáveis pela recente a concentração da renda nas
técnico da subseção Dieese da elevação da inflação. Primeiro, mãos dos mais ricos”, compara
Força Sindical, Airton dos San- o ganho real de salário resulta o presidente do Sindicato dos
tos, mesmo a teoria econômi- da produtividade passada, que
ca mais conservadora garante já foi apropriada pela empresa.
que taxas de reajuste salarial A negociação se dá a cada 12
abaixo do aumento da produti- meses por ocasião da datavidade não causam inflação.
base da categoria profissional.
Não se pede nada antecipado.
Salário corre atrás
da produtividade
Concentração de renda
Os sindicatos têm conquistado aumento real de salário por
três motivos: crescimento econômico, falta de mão de obra e
mobilização dos trabalhadores.
O aumento da produção pôs à
mostra um dos gargalos do país:
a falta de trabalhadores. Com
isso, as empresas correm atrás
da mão de obra — e essa disputa eleva o custo da força de trabalho. “É a lógica da economia
capitalista”, define Santos.
Mesmo os ganhos reais
de salários obtidos de 2008 a
2010 não pressionaram a inflação, pois 74% dos percentuais
negociados no período situamse entre 0,01% e 3% acima
da inflação, conforme balanço
do Dieese, enquanto a produtividade industrial aumentou
6,1% no ano passado.
Desempenho da produção,
emprego e horas pagas
na indústria
Brasil – 2009/2010 (em %)
“É o cenário de hoje em que
a produtividade aumenta mais
que a despesa com a folha de
pagamento. Portanto, os ganhos reais de salário não estão
alimentando a inflação”, destaca o técnico. Documento do
Dieese sobre a produtividade
industrial em 2010 revela que
o aumento da produtividade
entre 2002 e 2007 chegou a
Em segundo, se a análise
patronal estiver correta, o Brasil seria um exemplo de renda
bem distribuída. Ao contrário, o país está em segundo
lugar entre 31 nações que
têm grande concentração de
renda, a exemplo de Bolívia,
Chile, Argentina, China, Costa
Rica e Tailândia, além de outras. O estudo de 2005 é do
2009
2010
Acumulado
2009/2010
Produção - 7,4 10,5 2,32
Emprego - 5,0 3,4 -1,77
Horas Pagas - 5,3 4,1 -1,42
Produtividade -2,2 6,1 3,76
Fonte: PIM-PF e PIMES
Elaboração: Dieese/Força Sindical
3
jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
confederação
Pescadores recebem carta sindical
depois
de
90
anos
O
documento foi entregue pelo
ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, ao presidente da CNPA,
Abraão Lincoln, em solenidade
que contou com a presença de
11 deputados federais de todas
regiões do país, entre os quais
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, (PDT-SP) e presidente da
Força Sindical, senadores e 26 presidentes das federações
estaduais.
“As colônias de
pescadores terão
status de sindicato”, disse Lincoln,
ao destacar que “os
pescadores artesanais escreveram
durante 200 anos,
a história da pesca
neste País, sem a documentação legal”.
As colônias sempre
foram representantes da categoria de
fato: reivindicava,
negociava, mas não
Lupi, Lincoln (em pé), senador Acir Gurgacz (PDT-RO), deputado federal Paulinho da Força
(PDT-SP) e senador Valdir Raupp (PMDB-RO)
podiam assinar nada
por falta de representação legal. “Com a regularização esta
limitação acabou”, observou o
sindicalista.
São 1 milhão de pescadores
artesanais no Brasil associados
a 1.100 colônias instaladas em
todo o território nacional. “Temos muitas reivindicações e
muita luta pela frente”, declara Lincoln. Por exemplo, qualificação profissional, crédito
mais fácil, programa nacional
de óleo diesel, com isenção
de impostos, acesso às águas
públicas. A luta pela renovação
da seguridade (previdência) especial também é uma bandeira
importante para a categoria.
Tanto que os pescadores também estiveram com o ministro
Garibaldi Alves, da Previdência
Social, para apresentar esta
reivindicação.
qualificação
Arquivo Força Sindical
M. T. E.
s pescadores artesanais
conseguiram a carta sindical que dá respaldo jurídico à Confederação Nacional
dos Pescadores e Aquicultores
(CNPA), criada em 1920. O
Brasil precisa de um programa emergencial
de qualificação profissional
O
Brasil necessita de um
amplo projeto de educação e qualificação profissional que reúna simultaneamente ações emergenciais e
de médio e longo prazos para
atender à demanda por mão
de obra especializada. A declaração é de Sérgio Luiz Leite, o
Serginho, representante da Força Sindical no Conselho de Administração do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat).
Serginho acredita que o
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) vem em boa hora, porém
4
não pode se limitar à formação de mão de obra apenas
em algumas instituições de
ensino. “Tem de ser um programa abrangente que inclua
também as escolas técnicas
estaduais, federais, organizações não governamentais e
outros parceiros”, afirma ele.
Com o Pronatec, a presidenta Dilma Rousseff promete
oferecer, em quatro anos, 3,5
milhões de bolsas para alunos
do ensino médio, beneficiários
do Bolsa Família e reincidentes do seguro-desemprego.
Também se compromete a
permitir que oito milhões de
pessoas tenham acesso à
educação profissional no Brasil. O Ministério da Educação
garantiu que vai investir R$ 1
bilhão ainda este ano.
Emergência
Pelo fato de o Pronatec ser
um programa com cursos de
longa duração, Serginho propõe a implementação imediata
de um programa de qualificação “emergencial” para atender ao mercado.
Com investimento em qua-
Serginho: Pronatec utiliza apenas
algumas instituições de ensino
lificação e mais o estabelecimento de critérios para impedir demissões sem motivo, o
dirigente acredita em redução
da rotatividade de mão de obra
com queda nos gastos do governo com o seguro desemprego. Segundo ele, o governo
gastou R$ 20 bilhões no ano
passado com o pagamento do
seguro desemprego para 7 milhões de pessoas.
www.fsindical.org.br
debate
Incentivar os trabalhadores
a participar das conferências
sobre o trabalho decente
governo federal a investir em
políticas públicas, com o propósito de oferecer educação
para as crianças, cursos de
qualificação para a juventude
e emprego com carteira assinada para os adultos. “Assim,
com a implementação de políticas públicas, poderemos tirar as crianças da rua e impedir que o adulto se submeta
às condições degradantes de
trabalho”, avalia Ruth.
O total de delegados à conferência nacional será constituído de 30% de representantes dos trabalhadores (Força
Sindical, CTB, UGT, CUT, Nova
Central e CGTB); empresários
(30%); governo (30%); e entidades da sociedade civil (10%).
qualidade, erradicação do trabalho análogo à condição de
escravo e infantil, promover o
modelo tripartite e do diálogo
social, assegurar a negociação coletiva, combater a informalidade e tirar propostas de
geração de políticas públicas.
“Na verdade, já teríamos
introduzido o trabalho decente no Brasil se a agenda da
classe trabalhadora, aprovada na Conclat, tivesse sido
implementada no país. A declaração é da secretária Nacional de Direitos Humanos,
que defende a tese segundo
a qual não basta somente fiscalizar e punir os responsáveis pelo trabalho degradante
que afeta os adultos e pelo
trabalho infantil.
Na opinião da dirigente da
Força Sindical, o movimento
sindical precisa pressionar o
nas negociações com os patrões”, declarou. A ministra da
Igualdade Racial, Luiza Bairros, afirmou que se assusta
com este cenário que se reproduz há muitos anos.
“Trabalhei com dados das
décadas de 50 e 80 e já dava
para ver que os negros estavam afastados dos processos
mais adiantados da Bahia. Para
a ministra é necessário ter novas propostas para mudar a
situação. Ela aguarda que as
centrais sindicais participem
do debate sobre o tema para
influenciar o governo.
Adalberto Galvão, secretário nacional de Assuntos
Raciais da Força Sindical,
ressaltou que construir a
igualdade é responsabilidade de todos – negros e
brancos. “Os dados apresentados são reveladores
da condição de exclusão.
A partir deles pode-se estabelecer políticas para o Luiza Bairros,
quadro que estamos vi- ministra da Igualdade Racial,
venciando”, disse.
Para ele, falta ao movimen- agenda aquilo que perdemos
to sindical enfrentar a diferen- na votação do Estatuto da
ça salarial na negociação. “E Igualdade Racial, que é o Fundevemos voltar a colocar na do Nacional”, observou.
Arquivo Força Sindical
O
s dirigentes das instâncias estaduais da Força
Sindical devem incentivar os trabalhadores a participar ativamente na formação
das comissões estaduais tripartites com vistas a reforçar
a ação da Central na I Conferência Nacional de Emprego e
Trabalho Decente (CNETD), a
ser realizada de 2 a 4 de maio
de 2012, em Brasília, sob a
coordenação do Ministério do
Trabalho e Emprego.
A sugestão é da secretária Nacional de Cidadania e
Direitos Humanos da Força
e membro titular da comissão organizadora do I CNETD, Ruth Coelho Monteiro,
ao lembrar que o evento será
precedido de conferências
distritais e estaduais, que vão
eleger os delegados e formular propostas com base nos
temas estabelecidos no Plano
Nacional de Emprego e Trabalho Decente de 2010.
Entre outros temas, Ruth
destacou a formulação de propostas relacionadas à geração
de mais empregos formais de
Ruth: agenda tirada na Conclat
estabelece as condições
do trabalho decente
A
diferença salarial entre
trabalhadores negros e
brancos é de R$ 7,61 a
hora. Os brancos recebem R$
20 a hora e os negros R$ 12,4,
mostrou Patrícia Costa, técnica
do Dieese, no debate “Igualdade Racial e a Participação do
Negro no Mercado de Trabalho”, no Ciclo de Debates organizado pela Força Sindical para
comemorar os seus 20 anos.
Indicadores como emprego e saúde demonstram que
os negros estão em pior situação. “Cabe ao movimento
sindical discutir esta situação
Jaélcio Santana
20 anos
5
Mais de 10 milhões de trabalhadores
participaram ativamente
do 1º de Maio das centrais sindicais,
organizado em cerca de 200 cidades
do Brasil. Aprovaram a agenda
sindical e política, cujas principais
bandeiras são a redução da
jornada de trabalho, sem o corte
nos salários, trabalho decente,
revogação do fator previdenciário,
regulamentação da terceirização,
manutenção da política de
recuperação do salário mínimo
e a valorização das aposentadorias.
Dirigentes da Força Sindical,
CTB, UGT, CGTB, Nova Central
e representantes de movimentos
sociais mandaram o recado para
o governo e políticos: “Ouçam o
grito das ruas porque o povo está
disposto a brigar pela manutenção
e ampliação dos direitos trabalhistas”.
Os dirigentes sindicais destacaram
as principais conquistas trabalhistas
ao longo do governo Lula, como
a política de ganho real para o salário
mínimo. Alertaram, porém, ser
necessário combater o aumento da
inflação sem jogar o custo do ajuste
sobre os ombros dos trabalhadores.
Para evitar surpresas, os
trabalhadores aprovaram para
julho o início da jornada de lutas,
que tem o objetivo de garantir
a aprovação das reivindicações
do povo brasileiro.
6
Daniel Teixeira/Agência Estado/AE
1o de maio UNIFICADO – São PAULO/capital
jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
www.fsindical.org.br
“Vamos brigar pela
agenda trabalhista“
7
jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
1o de maio UNIFICADO – São PAULO/capital
Fotos Paulo Segura
Prioridade para o trabalho,
renda e desenvolvimento
Wagner Gomes, presidente
da CTB, observou que o Brasil
precisa de crescimento com
mais distribuição de renda para
reduzir a pobreza. “Precisamos
implementar o trabalho decente
no país para que não haja fome”,
aponta José Calixto Ramos,
presidente da Nova Central.
Protagonismo
Junto com Neto, Alckmin e Wagner, Paulinho exibe a “Agenda da classe trabalhadora” aprovada pelas centrais sindicais
O
s presidentes das centrais sindicais (Força
Sindical, CTB, UGT,
CGTB e Nova Central) querem que o governo Dilma
Roussef assuma um compromisso com o movimento
sindical de privilegiar investimentos no desenvolvimento do país, com crescimento
econômico, valorização do
trabalho, distribuição de renda e reforma agrária.
No ato unitário das centrais
realizado na Barra Funda, na
capital paulista, o presidente
da Força Sindical, Paulo Pereira
da Silva, o Paulinho, explicou a
cerca de 1,5 milhão de pessoas que Dilma Roussef precisa
intensificar a política de crescimento econômico e a geração
de emprego da gestão Luiz Inácio Lula da Silva. “A criação de
aproximadamente 15 milhões
de novas vagas no país foi recorde, frisa o dirigente.
8
Reivindicações
Depois de conquistar a política de recuperação do salário
mínimo, o movimento sindical tem de se debruçar agora
sobre a agenda trabalhista,
que inclui bandeiras como a
redução da jornada de trabalho sem redução dos salários,
revogação do fator previdenciário, novas regras para a terceirização, trabalho decente,
valorização das aposentadorias e a ratificação pelo país
da Convenção 158 da OIT,
que estabelece critérios para
demissões.
“Precisamos manter os direitos já conquistados e lutar para que a inflação não
corrompa o poder aquisitivo
do trabalhador”, frisa o presidente da Força. “E tem gente
por aí querendo o fim da contribuição sindical para acabar
com os sindicatos”, denuncia
Paulinho.
Para julho próximo, as centrais sindicais vão deflagrar a
jornada de lutas com o objetivo de emplacar as reivindicações dos trabalhadores. A
ideia é realizar manifestações
de massa, passeatas e até
greves para pressionar governo, políticos e patrões.
O presidente da UGT, Ricardo Patah, destacou que a unidade programática e de ação
do movimento sindical poderá
definir o caminho para tornar
os trabalhadores protagonistas na luta pela afirmação do
projeto nacional de desenvolvimento com valorização do
trabalho e da produção.
O presidente da CGTB, Antônio Neto, criticou a política
de aumento de juros para combater a inflação, por ser uma
política equivocada, acredita.
“O Brasil pode ser uma país
melhor com a unidade dos trabalhadores do campo com os
da cidade”, diz o integrante da
coordenação nacional do MST,
João Paulo Rodrigues.
MENSAGEM DA
Brasília, 1° de maio de 2011
Gilberto Carvalho lê a carta de Dilma Rousseff
“Nesta data que se transformou em símbolo da luta
pela dignidade do trabalho em
todo o mundo, quero reiterar o
compromisso de meu governo
com a contínua melhoria de
vida dos trabalhadores.
Com respaldo do Congresso, estabeleci uma política
de reajuste que institui re-
www.fsindical.org.br
Políticos se comprometem com
crescimento e trabalho decente
O
Alckmin se compromete com a redução
da carga tributária no Estado
Tiago Santana
Kassab ressalta a unidade das centrais sindicais
Maia entrega a Paulinho ata de criação de
comissão para debater terceirização
1º de Maio unificado das
centrais sindicais foi especialmente rico ao reunir políticos com pensamentos
contrários a respeito da condução política e econômica do
país. Foi um evento suprapartidário. Participaram políticos do
PDT, PT, PCdoB, PV e PSDB.
Eles se comprometeram
com crescimento econômico,
aumento da renda e trabalho
decente. A presidenta Dilma
Roussef reiterou seu compromisso de melhorar a vida dos
trabalhadores, aumentar o nível de emprego, investir na
qualificação e manter o diálogo
do governo com os trabalhadores, conforme mensagem dela
lida pelo secretário-geral da
Presidência, ministro Gilberto
Carvalho.
profissional, aumento da renda e do emprego, redução da
jornada de trabalho, fim do fator previdenciário e melhorar
a legislação sobre o trabalho
terceirizado.
Em relação à terceirização,
Maia entregou ao presidente
da Força Sindical e deputado
federal (PDT-SP), Paulo Pereira
da Silva, o Paulinho, ato que
cria a comissão especial na Câmara para debater mudanças
a respeito da mão de obra terceirizada.
“Vivemos num Brasil diferente no qual o trabalhador luta
e se organiza, mas precisamos
ainda reduzir os índices de
acidente do trabalho e melhorar a qualificação profissional”,
declara o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi.
Apoio às bandeiras
Redução tributária
Depois de ressaltar que o
país vem crescendo com geração de emprego e renda, o
presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia (PT-RS),
prometeu que os parlamentares têm de apoiar reivindicações como a qualificação
Liderança do PSDB no Estado
de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin disse que o seu
compromisso é com a redução
da carga tributária no Estado e
com a qualificação dos trabalhadores. Já o senador Aécio
Neves (PSDB-MG) se mostrou
Lupi: “Precisamos reduzir os índices de acidentes e
melhorar a qualificação”
preocupado com o que chamou
de processo de desindustrialização da economia do país. O
prefeito de São Paulo Gilberto
Kassab enfatizou a unidade das
centrais sindicais ao observar
que os trabalhadores fizeram
do Brasil uma grande nação.
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, destacou a luta
pelas 40 horas e o fim do fator
previdenciário, ressaltando que
a unidade das centrais sindicais
“é o caminho para a vitória do
Brasil”. Para o presidente do
PPS, Roberto Freire, a “irresponsabilidade fiscal e os gastos
supérfluos têm provocado arrocho salarial e a volta da inflação”.
PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, ÀS CENTRAIS
gras estáveis, de longo prazo, de
valorização do salário mínimo.
Não permitirei, sob nenhuma
hipótese, que a inflação volte a
corroer o poder aquisitivo dos
trabalhadores.
Nos últimos oito anos, o governo do presidente Lula promoveu a
maior política de empregos já vista neste país. Foram criados quinze milhões de postos de trabalho
com carteira assinada, férias e
décimo-terceiro salário. Em
meu governo, continuamos a
ampliar as oportunidades de
trabalho e a reduzir ainda mais
as taxas de desemprego.
O Brasil necessita cada vez
mais de trabalhadores qualificados. Foi por isso que lancei,
na última quinta-feira, o Programa Nacional de Acesso ao
Ensino Técnico e Emprego, o
Pronatec. Este programa vai
permitir que o Brasil transforme completamente a escala e
a qualidade da formação profissional. Até 2014, o Pronatec
vai gerar oito milhões de novas oportunidades de formação profissional, tanto para
jovens quanto para trabalhadores já ativos.w
Valorizo o diálogo entre o
governo e os trabalhadores.
Esse diálogo permite a discus-
são conjunta do futuro que
queremos para o Brasil. Vamos continuar a construir,
juntos, um país verdadeiramente democrático, em que
os movimentos e lideranças sociais influem sobre a
condução das políticas públicas. Um país realmente
desenvolvido, sem miséria,
com oportunidades iguais
para todos.”
9
jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
1o de maio UNIFICADO – São PAULO/interior
Os atos unitários do Dia do Trabalho
realizados em 27 cidades do Estado
São Paulo reuniram cerca de 400
mil trabalhadores e serviram para
engrossar a luta pela redução da
jornada de trabalho, sem redução
salarial, pelo trabalho decente
e pela ampliação dos direitos
dos trabalhadores. Em todos os
eventos houve shows, sorteios de
carros e motos. “ Vale ressaltar que
a grandiosidade do 1º de Maio,
realizado na cidade de São Paulo,
tem servido de modelo para que nós
possamos levar a festa para diversos
municípios espalhados pelo interior
do Estado”, afirma o presidente da
Força Sindical-SP, Danilo Pereira da
Silva. “Assim fortalecemos a nossa
Central e atraímos, a cada ano,
mais gente para o Dia do Trabalho,
completa o presidente da entidade.
As comemorações começaram em
Sertãozinho, no dia 29 de abril.
No dia 30, foram as cidades de
Cosmópolis, Marília, Mirassol,
Araçatuba e Tatuí. No dia 1° de maio
foi a vez das cidades de Barretos,
Guaíra, Guarulhos (químicos),
Guarulhos (metalúrgicos), Luis
Antônio, Piracicaba, Poá, Registro,
Sorocaba, Taubaté, Votuporanga, Jaú,
Guarujá, Tupã, Ribeirão Preto, Suzano,
Mairinque, Dobrada e Mococa.
No dia 7 de maio, a festa foi em
Salto, no Centro de lazer do Sindicato
dos Químicos da cidade e no
encerramento das comemorações, em
8 de maio, o evento em Piracicaba.
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Fotos: Arquivo Força Sindical-SP
Interior reafirma a unidade
Amauri (no destaque) conclamou os comerciários de Tupã a engrossar a luta pela redução da jornada, sem redução salarial
Silvam (Químicos Guarulhos) quer o crescimento
sustentado, sem agredir o meio ambiente
Em Barretos, Paçoca comandou o ato do 1º de maio, defendendo as
principais bandeiras de luta dos trabalhadores
Barrichello e Sargento comandaram o ato político
e fizeram o sorteio em Registro
Diante dos metalúrgicos, Pereira (Guarulhos)
explicou o porquê da luta pela semana menor
Célio Pimenta, do Sindicato do Álcool de
Guaíra, quer a intensificação da luta
Venício, Servidores de Dobrada,
faz a entrega do televisor para o sortudo
Diante de 15 mil pessoas em Araçatuba,
Peninha tornou pública a pauta trabalhista
www.fsindical.org.br
das centrais sindicais
Chiquinho (Metalúrgico de Mococa) defende a
implementação da agenda do trabalho decente
Carlão (Força Sindical) e Fânio (Alimentação Piracicaba)
comandaram o ato político e a festa
Milhares de pessoas compareceram ao ato de comemoração do 1º de maio em Marília
Vítor, da Alimentação de Sertãozinho,
quer ampliação de direitos
Danilo Pereira da Silva entrega a moto
sorteada para o trabalhador em Sorocaba
Em Suzano, Pedro (Metalúrgico) e Vanderlei (Força)
falaram sobre as reivindicações contidas da agenda trabalhista
Sindicalistas de Tatuí afirmaram que a região vai entrar
na luta pela agenda trabalhista
Adão (Força) e Carlinhos (Comerciários Taubaté) sortearam motos para as pessoas presentes no evento
Passos (Químicos da Baixada)
comandou o 1º de maio no Guarujá
Santa Regina (Força da região de Ribeirão Preto)
destacou a luta contra a discriminação
Geraldinho discursou para cerca de 20 mil pessoas
que compareceram ao ato em Poá
Mirassol: Fernando (Metalúrgico) e José Antônio
(Força) querem a valorização do trabalho
José Luiz (Piracicaba) defendeu a jornada menor
e o fim do fator previdenciário
O principal momento do ato em Cosmópolis foi a
defesa das bandeiras de luta dos trabalhadores
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jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
1o de maio UNIFICADO – outros estados
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Arquivo Força Sindical-CE
Bahia: Nair defendeu a unidade para os trabalhadores conquistarem
suas reivindicações, como o fim do fator previdenciário
Força Sindical-PA
Raimundo Nonato, do Ceará, comandou o Dia do Trabalho em
Fortaleza, destacando a importância da redução da jornada
Arquivo Força Sindical-RJ
Ivo de Freitas (Pará) ressaltou a participação
das centrais sindicais no ato unitário
Daiana Rodrigues
A unidade do movimento sindical foi
a marca do 1º de maio comemorado
em 22 estados do país e reuniu milhões
de pessoas. Além dos discursos
políticos, os eventos reuniram
cantores populares e muitos prêmios.
Em muitas regiões foi o primeiro Dia
do Trabalhador unificado organizado
pelas centrais sindicais (Força
Sindical, CTB, UGT, Nova Central e
CGTB). Os dirigentes reafirmaram
que a unidade dos trabalhadores é
resultado do amadurecimento de
suas lideranças sindicais. Hoje, elas
têm consciência de que o avanço
da luta está ligado à unificação
das lutas sindicais. Assim será
possível conquistar a semana menor
de trabalho, revogação do fator
previdenciário e implementar o
trabalho decente, entre outros itens.
Foram realizados atos no Rio de
Janeiro (Complexo do Alemão-RJ),
Minas Gerais (Belo Horizonte, Ipatinga,
Uberlândia, Pouso Alegre, Santa
Rita do Sapucaí e Ouro Branco),
Paraná (Curitiba e Matinhos), Bahia
(Salvador, Ilhéus), Rio Grande do
Sul (Porto Alegre), Santa Catarina
(Itajaí), Ceará (Fortaleza), Acre (Rio
Branco), Alagoas (Maceió), Amazonas
(Manaus), Amapá (Macapá), Distrito
Federal, Espírito Santo (Serra), Goiás
(Anápolis), Maranhão (São Luís),
Mato Grosso (Cuiabá), Mato Grosso
do Sul (Campo Grande), Pará (Belém),
Pernambuco (Olinda), Piauí (Teresina),
Rio Grande do Norte (Natal)
e Rondônia (Porto Velho).
Luciana Marques
Unificação da pauta
Rio de Janeiro: Dal Prá foi um dos destaques
do 1º de maio realizado no Complexo do Alemão
Janta, em Porto Alegre, lembrou a luta dos trabalhadores gaúchos
por melhroes condições de trabalho
www.fsindical.org.br
Felipe Rosa
Froes Digital
marca atos nos Estados
Força Sindical-MT
Rogério (Minas Gerais) com o governador mineiro
Antônio Anastasia no ato em Belo Horizonte
Manoel de Souza (MT) conclamou os trabalhadores
a aderir à luta sindical
Força Sindical-MG
Força Sindical-MG
Força Sindical-GO
Paraná: Butka, Clementino e diretores da Força receberam o governador paranaense Beto Richa no ato em Curitiba
Xepa e Rodrigo (Goiás) comandaram o ato político
e a festa na cidade de Anápolis
José Albecio Santos
Força Sindical-AL
O 1º de maio em Uberlância-MG reuniu ato político
e sorteio de motos, bicletas e televisores
Idelmar Lima e diretores da Central de MS defenderam
as bandeiras de luta do movimento sindical
Gima e Pedrinho (metalúrgicos de São Paulo)
representaram a Força Sindical em Alagoas
Força Sindical-SC
Ipatinga: Luiz Carlos, presidente do sindicato dos metalúrgicos, destacou a agenda da classe trabalhador
Força Sindical-AM
Valdemir Amorim
O diretor da Força
Sindical Geraldino
dos Santos e
Marcos Sérgio (PE)
comandaram o
1º de maio em Olinda
No Amazonas, Filizolla e Lacerda defenderam as
ações dos trabalhadores para melhorar de vida
Em Santa Catarina, o 1º de maio foi em Itajaí, onde Mafra
reafirmou ser preciso intensificar a luta
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jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
campanha salarial
André Nojima
Trabalhadores recorrem à greve
por PLR e aumento real de salário
Butka comanda assembléia na Volvo, cujos trabalhadores cruzaram os braços por três dias
O
movimento sindical acredita que as negociações
salariais com os empresários estão bastante difíceis
no início de 2011 e já tem a
percepção de que aumentou
o número de greves em comparação ao mesmo período do
ano passado. Os patrões culpam inflação alta e os ganhos
salariais obtidos nos últimos
meses pela posição intransigente. Alegam, ainda, que os
salários superaram a produtividade este ano.
Algumas categorias ainda
não conseguiram conquistar
a PLR, enquanto outras buscam repor a inflação, conquistar aumento real de salário e
manter e ampliar benefícios.
Em São José dos Pinhais, na
Grande Curitiba, a greve dos
3,6 mil metalúrgicos por R$
12 mil de PLR já dura quase
15 dias, informou o presidente do sindicato dos metalúrgicos, Sérgio Butka.
Os 4 mil funcionários da
Volvo também cruzaram os
braços, enquanto os 6 mil empregados da Renault conquistaram a a PLR sem paralisação.
A luta pelo benefício vai durar o
ano inteiro na base dos metalúrgicos de São Paulo, afirmou
o presidente da entidade, Miguel Torres.
Em Mogi Guaçu (SP), os
servidores municipais estão
em greve há mais de 20 dias
para fechar a convenção coletiva. Depois de 36 dias de
greve, os servidores municipais de Americana conquistaram 7,5% de reajuste salarial. Também em campanha
salarial, os trabalhadores do
setor de carnes do Estado de
São Paulo decidiram cruzar os
braços, depois de rechaçarem
aumento real de 0,5% oferecido pelos patrões.
A queda de braço entre os
trabalhadores da unidade da
Volkswagen, de São José dos
Pinhais, mostra um radicalismo
patronal só comparável ao que
ocorria no regime militar, quando os empresários, diante das
reivindicações trabalhistas, reagiam chamando a polícia.
Sérgio Butka acusa a Volkswagen de não querer negociar
os R$ 12 mil de PLR pleiteados
pelos empregados da unidade
paranaense por uma questão
meramente política. Segundo
ele, a empresa usa incentivos
fiscais para investir em outros
unidades fabris, como os R$
6 bilhões direcionados para
Fique informado sobre o mundo do trabalho:
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A greve dos metalúrgicos da Volkswagen deve-se à intransigência patronal, que se recusa a negociar
Bahia
Algumas categorias conseguiram aumentos reais significativos. Segundo Adalberto
Galvão, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada
da Bahia, e secretário-geral
da Confederação Nacional da
categoria, os 32 mil funcionários do setor em seu estado
conquistaram 6% de aumento
real. Os que trabalham na área
de montagem tiveram 12% de
reajuste salarial e os que atuam em obras de portos e aeroportos, 11,3%.
Na construção civil de São
Paulo, os 370 mil trabalhadores
obtiveram reajuste de 9,75%
(aumento real de 3,4%), o
maior obtido até agora, segundo o presidente do sindicato
da categoria, Antonio de Sousa Ramalho. O reajuste salarial
dos 100 mil frentistas do Estado de São Paulo alcançou 9%
(aumento real de 2,71%), segundo Antonio Porcino Sobrinho, presidente da Federação
Nacional dos Frentistas (Fenepospetro).
O sindicalista afirmou que
foram fechadas negociações
em vários estados, como: Goiás (reajuste de 17%); Mato
Grosso (9,6%); Rio de Janeiro (12%) e Brasília (9,6%). No
Sergipe, o piso salarial subiu
para R$ 741, tíquete refeição
R$ 7,50 e abono alimentação
de R$ 50; no Paraná, piso de
R$ 853 e Mato Grosso do Sul,
R$ 950; e no Maranhão (9,4%
de aumento).
Os 15 mil farmacêuticos do
Estado de São Paulo, conquistaram 7,7% de reajuste nos salários, correspondendo a 1,3%
de aumento real, até o teto de
R$ 4.950,00, acima desse valor, a parcela fixa de R$ 381,15.
Na área da alimentação, o reajuste dos trabalhadores do
setor de bebidas do Estado de
São Paulo foi de 7, 4% (1% de
Servidores Municipais
No Estado de São Paulo, o
reajuste salarial dos servidores
municipais de Guarulhos será
de 6,3% para quem ganha até
R$ 2.100,00. Em Nova Odessa, reajuste foi de 6, 39%; em
Itu, 6,36%; em Boituva, 8%;
Guaíra, 7%; Santa Gertrudes,
6,34%; Suzano, 6%; Espírito Santo do Pinhal, 7%; Tietê,
6,31% e Amparo, 5,41%. Em
Palmas (TO), os servidores terão reajuste de 6,5%.
Igualdade
As conquistas não se resumiram a reajustes salariais. A
Fetiasp e os sindicatos filiados
conseguiram a Igualdade Sala-
Araújo fez acordo para acabar
com as diferenças salariais
entre homens e mulheres
rial e de Oportunidade - antiga
reivindicação das mulheres do
movimento sindical para acabar com as diferenças salariais
entre trabalhadoras e trabalhadores que chegam a 30%. “O
segmento de bebidas emprega
cerca de 11 mil trabalhadores
no Estado, quase a metade é
mulher”, declara Melquíades
Araújo, presidente da entidade.
Há muitos anos o movimento sindical tenta negociar
esta cláusula com os patrões
e conseguiu negociá-la pela
primeira vez. A cláusula estabelece que “não haverá desigualdade de remuneração,
promoção, ou condições de
trabalho por motivo de sexo,
raça, religião ou convicções
político-partidária”.
Playpress-Assessoria de Imprensa
a fábrica de São Bernardo do
Campo, no ABC paulista, classificada como “deficitária”. O
sindicato fechou acordos de
PLR com a Volvo (R$ 15 mil) e
Renault (R$ 12 mil).
aumento real). A PLR chegou
a R$ 1.020, que será paga em
duas parcelas em julho e dezembro. O piso de admissão
passou para R$ 900,00 com
correção de 9%.
Os metalúrgicos da GM de
Gravataí (RS), com data-base
em abril conseguiram aumento de 10,5% (3,95% de aumento real), PLR de R$ 6.200
e abono de R$ 2 mil. “ Foi um
dos maiores acordos da nossa
base”, declara Edson Dorneles,
coordenador do Sindicato dos
Metalúrgicos da cidade.
Jaélcio Santana
Fotos Nilton de Oliveira
www.fsindical.org.br
Metalúrgicos da GM aprovam proposta de acordo coletivo e de PLR negociada pelo sindicato e apresentada por Dorneles e desistem da greve
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O 1º de maio e a luta pela redução da jornada
memória sindicaL
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jornal da força sindical — n o 70 — maio DE 2011
m 1º de maio de 2011 cometrabalhador experimentava naquele
por: Carolina Maria Ruy*
moramos o 125º dia internacontexto. Com uma linguagem simcional do trabalhador. No Braples e acessível, o Manifesto, bussil este foi um dia especial, brindado com uma
cou conscientizar o operariado de seu papel histórico.
atividade unitária, como há muito tempo não
Nesta linha reivindicatória, foi realizado em Londres, em
se via. Força Sindical, CTB, UGT, CGTB e NCST
28 de setembro de 1864, o encontro inaugurado pelo
defenderam as bandeiras pelo fim do fator previdenpróprio Karl Marx, que terminou com a fundação da Asciário, pela regulamentação da terceirização, pela resociação Internacional dos Trabalhadores (AIT), conheciforma agrária, pela valorização do salário mínimo, pelo
da posteriormente como a Primeira Internacional.
trabalho decente, pela valorização do servidor público
Do outro lado do Atlântico a relação “patrão X empree a histórica bandeira pela redução da jornada de tragado” também fervia. Chicago (EUA), que já em meabalho para 40 horas semanais.
dos do século XIX era uma cidade industrial, centraliEsta última, em especial é uma luta que está na raiz
zava os conflitos entre os “Defensores da Ordem”, na
na afirmação do 1º de maio como dia do trabalhador.
repressão do movimento operário a
A data remonta a um processo de indignaserviço dos patrões, e os Cavaleiros
ção e lutas que se inicia com o
do Trabalho (Knight of Labor), criado
advento da Revolução
em 1869, que a partir de 1881, conIndustrial na Inglaterra,
tou com apoio da American Federano século XVIII. Tal protion of Labor (AFL – que a partir da
cesso sacrificou o trafusão com a CIO se transformou
balhador braçal, acostuna atual AFL-CIO).
mado à vida rural, ditada
jornada de
pelas leis da natureza.
8 horas diárias
A miséria leva
A principal causa que movia
à organização
os trabalhadores americanos
A artificialidade proporera, também, a jornada de tracionada pela estrutura inbalho de 8 horas diárias. Para
dustrial, que não diferenciaisso, em 1884 a AFL promoveu
va a noite e o dia, significou
um congresso em Chicago, no
mais horas de produção. E
qual traçou um plano estratéeste aumento da jornada de
gico para pressionar governo
trabalho e maior exigência
e patrões.
Àquela altura o 1º de maio
nos resultados (neste período
já figurava no imaginário do
passa a haver produção em
trabalhador como uma data
massa, no primeiro momento
emblemática. Por isso este
de tecidos e produtos básicos)
foi o dia, do ano de 1886,
acentuou a situação dura e miestipulado para o cumpriserável do trabalhador. No poumento da meta. Caso não
co tempo em que não estavam
fosse atingida, a Federaservindo à produção capitalista,
ção propunha uma greve
homens, mulheres e crianças
geral nacional. Encampado pela AFL e
subsistiam em condições horrípelos Cavaleiros do Trabalho, o plano gerou grandes moveis e com salários medíocres.
bilizações e até boas negociações. Em 1º de maio de 1886
A partir desta miséria, o operao movimento explodiu. Mesmo sem a adesão da maior
riado buscou se organizar e a reagir às injustiças soparte dos trabalhadores, seu simbolismo foi imenso.
ciais. Com o tempo, por volta de 1820, começaram a
A greve permaneceu alguns dias, debaixo de muita
aparecer as primeiras associações sindicais, as Trade
violência por parte da polícia, levando a mortes de trabaUnions, na Inglaterra. Tais associações, entre outras
lhadores e dos seus principais líderes: Spies, Parsons,
importantes conquistas, conseguiram que, a partir de
Engel e Fisher (condenados e executados em 11 de no1º de maio de 1848, a jornada de trabalho fosse regulavembro de 1886), além da destruição de lares e sedes
mentada em 10 horas diárias.
de sindicatos. O dia ficou marcado na historia e na mefundamentaçã0 teórica
mória de cada trabalhador. O 1º de maio nunca mais
Naquele mesmo ano os célebres teóricos Karl Marx
seria um dia qualquer. Em 1891, na Segunda Internacioe Friedrich Engels lançaram o Manifesto Comunista,
nal, em Bruxelas, o 1º de maio foi estabelecido, enfim,
marcando um importante período de organização e recomo o dia internacional dos trabalhadores.
sistência. A contundência de suas palavras de ordem
nos dá a dimensão do sentimento de injustiça que o
*Carolina Maria Ruy é jornalista, coordenadora de projetos do Centro de Cultura e Memória Sindical
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Centrais apostam na unidade para acelerar a luta por mais direitos