ID: 36798126 02-08-2011 Tiragem: 19667 Pág: 10 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 26,63 x 31,17 cm² Âmbito: Economia, Negócios e. Corte: 1 de 3 Saúde é responsável por mais de metade das dívidas a fornecedores Assim que o Governo de coligação PSD-CDS tomou posse, Paulo Macedo, responsável pelo Ministério da Saúde, herdou uma dívida de 1,9 mil milhões de euros que estava por pagar aos fornecedores. As administrações públicas devem pelo menos 3,3 mil milhões de euros. As 615 entidades que não prestaram informação têm de o fazer até ao final do mês. Paula Cravina de Sousa e Margarida Peixoto [email protected] Mais de metade das dívidas do sector público a fornecedores são da responsabilidade do Ministério da Saúde. A pasta de Paulo Macedo devia pelo menos 1,9 mil milhões de euros aos seus fornecedores a 30 de Junho. Este valor representava 58% do total, mostra a lista de encargos por pagar publicada pela Inspecção Geral de Finanças (IGF) que, ainda assim, não inclui todas as entidades do sector público. No total, as Administrações Públicas devem pelo menos 3,3 mil milhões de euros - um valor que se refere a dívidas com mais de 90 dias, em 30 de Junho. Este valor deverá ser superior já que 615 entidades não prestaram informação. A publicação dos montantes em falta feita agora pelo IGF faz parte das condições impostas pelo Orçamento do Estado de 2011. Contudo, não há qualquer sanção prevista para as entidades públicas que não disponibilizaram dados. Já se voltarem a falhar o mesmo objectivo no final de Agosto, as consequências serão mais graves. É que esta é uma das condições a que o memorando de entendimento assinado com a ‘troika’ obriga. Se o Governo falhar, o financiamento externo de uma nova tranche dos 78 mil milhões de euros aprovados poderá ficar em causa. Isto porque a ‘troika’ proibiu o Executivo de deixar derrapar o montante total da dívida a fornecedores que for encontrada a 30 de Junho. A preocupação das três instituições internacionais - Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu - tem que ver com o cumprimento da meta estabelecida para o défice orçamental (5,9% do PIB). Ao atrasar os pagamentos, a despesa não se reflecte na contabilidade pública, contudo, como os compromissos são assumidos, entra para o cálculo do défice que interessa à ‘troika’. Além disso, importa recordar que já foi introduzido na Lei a Paula Teixeira da Cruz Ministra da Justiça O ministério de Teixeira da Cruz deve 124,9 milhões de euros. O Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça é o maior devedor: 72 milhões em falta. Miguel Macedo Ministro da Administração Interna No total o MAI deve 93,3 milhões de euros e é o terceiro maior devedor. Sob a sua tutela, tem a PSP e a GNR, com dívidas de 47,6 e 43,3 milhões de euros. QUEM DEVE MAIS Dívida dos ministérios a 30 de Junho, em milhares de euros. Ministério Saúde Justiça Administração Interna Economia e Emprego Defesa Agricultura, Mar e Ambiente Dívida 1.936.279 124.854 93.257 85.684 34.932 30.556 Conselho de Ministros 4.860 Finanças e Administração Pública 4.048 Educação e Ciência 3.679 Negócios Estrangeiros 1.235 Solidariedade Social 988 Fonte: IGF obrigação de pagar juros de mora sempre que as entidades públicas se atrasam. No entanto, esta norma ainda não deverá estar a ser aplicada na prática já que o exministro das Finanças, Teixeira dos Santos, deu instruções para que todas as entidades renegociassem os contratos de forma a evitar o pagamento dos juros de mora. Também não é conhecido o acréscimo de despesa com juros. Os piores pagadores na Administração Pública A Saúde será um dos ministérios que terá de fazer maior esforço para não acumular mais dívidas. A entidade pública com maior valor em atraso é o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, que inclui o Santa Maria, e que deve mais de 251 milhões de euros. Esta é também a empresa com a maior dívida do sector empresarial do Estado. Deste montante, 45% está em falta há mais de um ano. Recorde-se que Paulo Macedo admitiu na semana passada que a dívida do seu ministério deverá chegar aos três mil milhões de euros no final deste ano, mas que prevê aplicar um plano de pagamentos, a definir com as Finanças, tal como impõe a ‘troika’. No segundo lugar dos maiores devedores vem o Ministério da Justiça, com uma dívida de quase 125 milhões de euros. O Instituto de Gestão Financeira e de InfraEstruturas da Justiça é o maior devedor sob a tutela do ministério de Paula Teixeira da Cruz: deve mais de 72 milhões de euros. Sob a tutela da Defesa e da Administração Interna, destacam-se a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Marinha. Os polícias devem 47,6 milhões de euros aos fornecedores e a Marinha deve 20,8 milhões de euros. As autarquias também se destacam pela negativa, com uma dívida superior a 914 milhões de euros. Da contabilização feita, o município de Portimão é o que mais deve: 62,6 milhões de euros. Contudo é necessário ter em conta que 104 autarquias de um total de 308 não deram informações sobre os montantes em falta no primeiro semestre deste ano. ■ Educação desaparece da lista A Inspecção Geral das Finanças mudou a lista das dívidas a fornecedores ontem, ao final do dia, excluindo os dados do Ministério da Educação. Embora a data de publicação da lista seja de 29 de Julho e não tenha sido alterada, a informação que lá consta mudou ao longo do dia de ontem. Os atrasos das entidades sob a tutela do ministério de Nuno Crato chegaram a estar incluídos no documento durante a tarde. A dívida era de 3,7 milhões de euros, estando em falta a informação de sete entidades. Mais tarde, pelas 20 horas, o documento tinha sido alterado e a Educação desapareceu. Em alternativa foi incluído o Ministério da Solidariedade Social, que apresenta uma dívida de 988 mil euros. Contactado, o Ministério das Finanças não conseguiu esclarecer em tempo útil a questão. A informação publicada hoje pelo Diário Económico teve por base a versão disponível durante a tarde. ATÉ 30 JUNHO 1,9 mil milhões De acordo com a informação prestada à Inspecção Geral das Finanças, o Ministério da Saúde era responsável por 1,9 mil milhões de euros de pagamentos em atraso há mais de três meses. ID: 36798126 02-08-2011 Tiragem: 19667 Pág: 11 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 27,23 x 31,63 cm² Âmbito: Economia, Negócios e. Corte: 2 de 3 Paula Nunes RADIOGRAFIA DAS DÍVIDAS Impostos Mais de três milhões A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI), liderada por Azevedo Pereira (na foto) deve 3,2 milhões de euros aos seus fornecedores, de acordo com os dados divulgados pela Inspecção-Geral de Finanças. As dívidas referem-se à aquisição de outros bens e serviços. Por sua vez, a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo não divulgou dados sobre as dívidas até 30 de Junho. Frente Tejo Gerap Dívida de 1,12 milhões A empresa de Gestão Partilhada de Recursos da Administração Pública - Gerap tem mil euros de dívida a fornecedores em atraso. O valor explica-se por uma dívida de 866 euros por serviços de comunicações, ou seja, telefone e internet. O valor está em falta há mais de 90 dias, mas há menos de quatro meses. O resto da dívida deve-se a atrasos no pagamento de outros bens e serviços. A Frente Tejo tinha uma dívida de 1,12 milhões de euros aos seus fornecedores a 30 de Junho, o que representa um aumento de 48%, face aos 755 mil euros que devia no final do ano passado. O Governo já anunciou que pretende encerrar esta empresa pública, criada em 2008 para reabilitar a frente ribeirinha de Lisboa. Mil euros em dívida PPP sem dados ‘Troika’ quer estudo As parcerias público-privadas (PPP) no sector da saúde não divulgaram as suas dívidas até 30 de Junho. Estão nestas condições o Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul, o Hospital de Braga e o Hospital de Cascais Dr. José de Almeida. As PPP são uma das principais preocupações da ‘troika’, segundo a qual terá de ser feita uma avaliação inicial das 20 PPP mais significativas e contratos de concessão. No entanto, as PPP na saúde poderão não fazer parte deste estudo. Dados em falta 615 entidades não prestaram informação ATÉ FINAL DO ANO 3 mil milhões Na semana passada, o ministro da Saúde admitiu que, de acordo com a informação que recolheu de pagamentos em atraso, as dívidas a fornecedores vão chegar a três mil milhões no final do ano. Das 1.348 entidades contactadas, apenas 733 apresentaram os dados pedidos. O que significa que quase metade (45,6%) não cumpriu a obrigação prevista no Orçamento do Estado para 2011. O Ministério das Finanças destaca-se pela pouca informação prestada: das 35 entidades que estão sob a sua tutela, 24 não deram informação sobre os valores em atraso. Outro exemplo são as associações de municípios. De um total de 40, apenas três deram dados. Estas entidades terão de apresentar os pagamentos em atraso até ao final do mês, já que a ‘troika’ exige saber todos os compromissos em falta. ID: 36798126 02-08-2011 Tiragem: 19667 Pág: 1 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 26,85 x 5,24 cm² Âmbito: Economia, Negócios e. Corte: 3 de 3 Saúde representa mais de metade da dívida do Estado a fornecedores A dívida do Estado a fornecedores já ultrapassava os três mil milhões de euros no final de Junho. Deste montante, mais de metade é dívida da Saúde, mas também há entidades como a DGCI ou a GNR com dívidas por pagar há mais de 90 dias. ➥ P10