XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. GESTÃO DE ESTOQUES EM UMA EMPRESA ALIMENTÍCIA DO VAREJO EM FORTALEZA-CE: UM ESTUDO DE CASO Klemmuel Wagnus Linhares de Aguiar (UFC) [email protected] Heraclito Lopes Jaguaribe Pontes (UFC) [email protected] PALOMA LUCENA COSTA (UFC) [email protected] Thais de Castro Moraes (UFC) [email protected] Renata Rodrigues Lima (UFC) [email protected] O trabalho propõe o gerenciamento de estoque numa empresa de varejo do setor alimentício. Foram utilizadas ferramentas de gestão de estoques para o controle de um grupo especial de produtos, os quais representavam os itens de venda direta de maior faturamento de acordo com a classificação ABC. Baseados em um nível de serviço fixo para todos os itens da família, calculouse os parâmetros ideais de controle para o desenvolvimento da política de estoque, de maneira a atingir-se uma tomada de decisão sobre quanto, quando e com que frequência as suas reposições devem ser realizadas. Os resultados obtidos mostram que este trabalho é útil para apoiar decisões de compra e controle de estoques em empresas do varejo alimentício, pois, além de melhorar o nível de atendimento ao cliente real, apresentou uma redução do custo total dos lotes em 6,25% em relação aos lotes de compra utilizados anteriormente ao trabalho. Palavras-chave: Gestão de Estoques. Classificação ABC. Política de Estoque XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 1. Introdução Os estoques são elementos reguladores do fluxo de produção e do fluxo de vendas, o que torna a administração destes uma importante atividade da gestão da produção. Quanto menores os estoques, mais recursos financeiros podem ser investidos no mercado e em novos projetos. Entretanto, menores custos de oportunidade através de menores custos de estoque reduzem o nível de satisfação ao cliente, já que aumentam as chances de falta do produto. Paralelamente a isso, as empresas disponibilizam uma maior variedade de produtos visando a satisfação dos clientes. Esta maior variedade exige uma política de gestão de estoques eficiente, para que o produto não falte ou estrague nos armazéns ou centros de distribuição. O balanceamento ideal de estoques é um grande problema enfrentado pelas empresas do ramo alimentício. É neste cenário que se enquadra a empresa em estudo. Para reduzir os custos e evitar a ausência de produtos na loja por meio de uma política de estoques eficiente se faz necessário o uso de ferramentas de gestão de estoques, como por exemplo, classificação ABC, lote econômico e controle dos níveis de estoques. A empresa estudada possui uma grande variedade de itens estocados, porém a demanda é maior que a oferta, fazendo com que, frequentemente, produtos percam venda por falta de estoques. Outro problema a se destacar é a grande quantidade de produtos de baixa demanda ocupando espaço no armazém e geladeira, ou ainda se degradando por conservação inadequada e vencimento da sua validade, sendo necessário reduzir os preços para que ocorra uma rotatividade dos itens. Dessa maneira, analisar a aplicação do lote econômico de compra com os fornecedores a partir de uma política de estoques priorizando o nível de serviço ao cliente na empresa é o objetivo geral do trabalho. 2. Referencial Teórico 2.1 Estoque “Entende-se por estoque quaisquer quantidades de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo” (MOREIRA, 2011, p.447). 2 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Slack et al. (2008, p.298) também afirma que “estoque é o acúmulo de recursos transformados como materiais, informação, dinheiro e, às vezes clientes”. 2.2 Gerenciamento dos estoques Para Slack et al. (2008, p.298) “o gerenciamento de estoques é a atividade que planeja e controla o acúmulo dos recursos que fluem pelas redes de suprimentos e processos”. De acordo com Bowersox e Closs (2007, p.254), “o gerenciamento de estoques é o processo integrado pelo qual são obedecidas as políticas da empresa e da cadeia de valor com relação aos estoques”. 2.2.1 Política de estoques Para enfrentar o dilema da disponibilidade de estoques e sua relação com as vendas, as empresas devem estabelecer políticas estratégicas de estoques (BOWERSOX; CLOSS, 2007). Segundo Ballou (2006), atualmente, muitas empresas ainda têm a política de elevados estoques devido aos descontos de preços e transporte na compra, prevenção à sazonalidade ou contra acontecimentos não planejados como greves, desastres naturais ou atrasos. Martins e Alt (2006) afirmam que nível de serviço é o indicador de quão eficaz foi o estoque. (1) 2.2.2 Custos de estoques Segundo Martins e Alt (2006), “estoque custa dinheiro”. A necessidade de manter estoques acarreta uma série de custos às empresas. Pozo (2007) afirma que há três tipos de custos (custo de pedido, custo de manutenção e custo de falta de estoque) e que a soma deles resulta no custo total de armazenagem, o qual deve ser minimizado. 2.2.3 Classificação ABC A curva ABC ou de Pareto, é um método de diferenciação dos estoques que consiste em separar os itens por classes de acordo com sua importância relativa (TUBINO, 2000). 3 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Os itens da classe A são os mais importantes e devem receber mais atenção. Os itens da classe B deverão ser tratados logo após os da classe A, sendo de segunda importância. Os itens da classe C são os com menor importância, embora volumosos em quantidades, mas com valor monetário reduzido (POZO, 2007). 2.2.4 Giro de estoques A rotatividade ou giro mede quantas vezes, por unidade de tempo, o estoque se renovou (DIAS, 1993). (2) 2.2.5 Estoque de Segurança Para Pozo (2007), estoque de segurança é a quantidade mínima de itens que tem que existir no estoque. Pode ser calculado pela fórmula: (3) Em que (d) é a demanda média, (σd) o desvio padrão dessa demanda, (t) o lead time médio e (σt) o desvio padrão do lead time e (z) o valor tabelado que indica quantos desvios padrão ao redor da média deve-se tomar para cobrir a proporção da área sob a curva normal que queremos. 2.2.6 Estoque Máximo Segundo Pozo (2007), o estoque máximo é o maior valor que o estoque atinge, logo assim que recebe um novo lote de compra ou produção. 4 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. (4) 2.2.7 Estoque Médio O estoque médio é o nível de estoque no qual as operações de compra e estoque se realizam (DIAS, 1993). A expressão do estoque médio é: (5) 2.3 Lote Econômico de Compra Para Gonçalves (2010), o lote econômico tem por finalidade determinar a quantidade ideal de material a ser adquirido em cada operação de reposição de estoques com a minimização dos custos totais que atingem os estoques. Cauduro e Zucatto (2011) mencionam que esse conceito aplica-se tanto à reposição de estoques pela manufatura, como à reposição por compras no mercado, conhecida por lote econômico de compra (LEC). (6) Onde (Cp) é o custo de posse e (Cr) é o custo de ressuprimento. Dias (1993) caracteriza o custo de todos os pedidos de compra (CT) referente à mão-de-obra, material, custos indiretos como sendo o número de pedidos no determinado período (N) multiplicado pelo custo unitário de pedido (B): (7) Para Gonçalves (2010), como a necessidade no número de pedidos no período depende da demanda constante do período (D) e das quantidades fixas de abastecimento (Q), o custo de reposição é igual a: (8) Para o cálculo do custo de armazenamento ou custo total de posse (GONÇALVES, 2010): (9) (10) 5 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Onde (cc) é o custo de capital e (ca) custo de armazenagem 3. Estudo de caso 3.1 A Empresa O estudo de caso foi realizado em uma empresa do ramo alimentício, localizada em FortalezaCE. Atualmente é considerada uma das melhores cozinhas industriais da cidade com atendimento ao público do varejo. Possuí 174 funcionários trabalhando em três turnos e sete dias por semana. Oferece os mais variados cardápios em diferentes ambientes. 3.2 Descrição do Processo em Estudo O processo inicia no setor de compras, onde os pedidos e as negociações com os fornecedores são realizados. Para essa atividade, é disponibilizado um caixa mensal de R$ 150.000,00 para a compra de mais de 8.000 itens. Quando há a necessidade de adquirir algum item, o estoquista informa para o conferente na loja. Contudo, a gerente da loja, o chefe de produção, o preparador de misturas e a nutricionista também podem solicitar compras ao setor da empresa. Esse processo ocorre, muitas vezes, sem verificar os estoques ou a demanda. Para o recebimento das mercadorias entregues diariamente, é necessário do conferente para verificar as condições dos produtos. Outros dois funcionários armazenam os produtos em seus respectivos lugares. A produção requisita, diariamente, alguns itens ao almoxarifado e toda manhã o estoquista os entrega à produção. A informação do consumo dessas e de outras requisições é feita no software gerencial. Qualquer pessoa que necessite de algum item tem acesso livre ao almoxarifado, fato que gera desorganização, demora e dificuldades para fazer o controle e a contagem de estoques para fins fiscais. Além disso, diversos estoques pulmões são espalhados pela empresa para suprir eventuais faltas de ingredientes da produção. Parte destes estoques não consegue ser controlados por serem manipulados por várias pessoas e não haver um maior controle. 6 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 3.3 Política da Empresa e Demanda Uma das metas da empresa é proporcionar um bom atendimento ao cliente, buscando o melhor serviço e com a maior variedade de produtos refinados. Para esse atendimento diferenciado, se faz necessário uma melhor gestão de suprimentos e estoque. Em reuniões com a diretoria, foi apresentada a tendência de gastos com estoque nas proximidades do atendimento total e a curva de crescimento exponencial com gastos em estoques para o nível de atendimento de 100% como antes era feito, a tabela 1 mostra o crescimento e a diferença entre o aumento do fator de serviço. Tabela 1 - Fator ou Nível de Serviço adequado para a política empresarial Nível de Serviço Fator de Serviço (z) Diferença (zn - zn-1) Crescimento (zn/zn-1) 50% 0,000 - - 60% 0,254 0,254 - 70% 0,525 0,271 106,7% 80% 0,842 0,317 60,4% 90% 1,282 0,245 23,6% 95% 1,645 0,363 28,3% 96% 1,751 0,106 6,4% 97% 1,880 0,129 7,4% 98% 2,055 0,175 9,3% 99% 2,325 0,270 13,1% 99,99% 3,620 0,520 Fonte: Elaborado pelo autor 16,8% Observa-se que 96% de nível de serviço satisfaz um bom nível de atendimento com um custo de estoques razoável, pois apresenta menor crescimento exponencial ponto a ponto (6,4%) com um aumento de 0,106 em relação ao nível de atendimento anterior. 3.4 Classificação ABC e Itens de Venda Direta Na divisão dos itens nos últimos seis meses, conforme detalhado na tabela 2, foi adotado que os produtos responsáveis por 65% do faturamento fossem classificados como classe A, 25% são da classe B e os 10% restantes das vendas foram classificados como produtos classe C. 7 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Tabela 2 - Classificação ABC por vendas Mês 1 itens totais Mês 2 vendas % faturam. itens totais Mês 3 vendas % faturam. itens totais vendas % faturam. Classe A 83 4% 65% 92 4% 65% 90 4% 65% Classe B 512 23% 25% 498 24% 25% 512 24% 25% Classe C 1592 73% 10% 1496 72% 10% 1524 72% 10% total 2187 100% 100% 2086 100% 100% 2126 100% 100% Mês 4 Mês 5 Mês 6 itens totais vendas % faturam. itens totais vendas % faturam. itens totais vendas % faturam. Classe A 95 4% 65% 96 4% 65% 97 4% 65% Classe B 516 24% 25% 525 24% 25% 487 22% 25% Classe C 1519 71% 10% 1552 71% 10% 1582 73% 10% total 2130 100% 100% 2173 100% 100% Fonte: Elaborado pelo autor 2166 100% 100% Analisando a classe A, observa-se que 4% dos itens representados em média por 92 produtos diferentes são responsáveis por 65% do faturamento total da empresa. Itens de venda direta são os itens que não passam por nenhum processo produtivo e não necessitam da análise. A tabela 3 apresenta os vinte itens de venda direta encontrados na classe A. Tabela 3 - Itens de venda direta da classe A Nº Item Demanda Média/ mês Desvio padrão Preço médio Quantidade lote 1 bebida A 1875 235 R$ 2,50 1.200 2 bebida B 1235 102 R$ 3,80 200 3 bebida C 874 584 R$ 2,75 200 4 doce 1079 75 R$ 3,50 40 5 frio A 140 26 R$ 21,74 160 6 cigarro A 453 51 R$ 4,75 500 7 frio B 36 10 R$ 33,75 50 8 frio C 98 49 R$ 18,18 120 8 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 9 frio D 88 9 R$ 17,63 120 10 cigarro B 196 73 R$ 4,50 300 11 bebida D 369 24 R$ 4,30 500 12 bebida E 353 28 R$ 4,04 350 13 bebida F 543 80 R$ 1,80 100 14 bebida G 370 118 R$ 2,89 400 15 bebida H 595 41 R$ 1,90 100 16 bebida I 119 14 R$ 7,95 20 17 bebida J 497 131 R$ 2,29 200 18 bebida K 360 199 R$ 2,50 120 19 bebida L 375 44 R$ 2,34 120 20 bebida M 312 36 R$ 3,45 80 Fonte: Elaborado pelo autor 3.5 Custos de Estocagem dos Produtos da Empresa Para o cálculo do custo de ressuprimento (Cr), foi levantado o gasto almejado com compra de estoques mensal. Foram obtidas as despesas do setor com mão-de-obra, encargos sociais e trabalhistas, materiais, impressões, ponto de internet, telefone e energia, obtendo-se um valor de R$ 4.307,76 ao mês. Em seguida este valor foi dividido pela quantidade média de pedidos mensal, obtendo-se o valor de R$ 35,90 (Cr) por cada pedido realizado. Para o cálculo do custo de posse (Cp) foram levantadas todas as despesas relacionadas ao gerenciamento, armazenamento e movimentação de estoques dentro da empresa. Com isso, obteve-se um valor de R$ 7.960,40 ao mês. Este valor foi dividido pelo investimento na compra de estoques mensal, obtendo-se o valor de 10,61% constituindo assim a taxa do custo de armazenagem. A informação da taxa do custo de capital foi adquirida com os diretores da empresa obtendo-se o valor de 3,99% ao mês. Somando-as, tem-se a taxa de custo de posse igual a 14,60%. O custo de pose deve ser obtido multiplicando a sua taxa pelo preço do produto. 9 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. O custo geral é a soma dos custos de posse, dos custos independentes, e dos custos de encomenda. Utilizando as equações 7, 8 e 9, tem-se o custo geral mensal para os 20 itens de venda direta. Tabela 4 - Custo Geral atual dos itens de venda direta Custo total de posse (R$) Quantidade lote 4.880 Custo total de encomenda (R$) Custo independente (R$) Custo Geral (R$) 37.322,07 41.829,36 1.767,74 2.739,55 Fonte: Elaborado pelo autor 3.6 Cálculo dos Níveis de Estoque Os níveis de estoque são calculados utilizando as equações 2, 3, 4 e 5. Também foi utilizada a equação do Ponto de Pedido: PP = D∗t + ES, onde D é a demanda, t é o tempo de entrega (lead time) e ES é o estoque de segurança. O número de pedidos é igual a demanda dividido pela quantidade do lote. Tabela 5 - Níveis de estoque Nível de serviço (z) = 1,75 Para 96% de atendimento Nº item Lead time Qtd Lote ES Ponto de pedido Estoque Máximo Estoque Médio Giro atual Número de pedidos 1 7/30 1200 199 636 1.399 799 2,3 1,6 2 1/10 200 56 180 256 156 7,9 6,2 3 7/30 200 494 698 694 594 1,5 4,4 4 1/30 40 24 60 64 44 24,5 27,0 5 1 160 45 185 205 125 1,1 0,9 6 1/2 500 63 289 563 313 1,4 0,9 7 1 50 17 53 67 42 0,9 0,7 8 1 120 85 184 205 145 0,7 0,8 9 1/2 120 12 56 132 72 1,2 0,7 10 1/2 600 91 189 691 391 0,5 0,3 11 1/2 500 29 214 529 279 1,3 0,7 12 1/10 1000 15 51 1.015 515 0,7 0,4 13 1/6 100 57 147 157 107 5,1 5,4 14 10/15 1000 168 415 1.168 668 0,6 0,4 15 1/6 100 30 129 130 80 7,5 5,9 16 1/10 20 8 20 28 18 6,6 6,0 17 1/10 200 72 122 272 172 2,9 2,5 18 1/10 120 110 146 230 170 2,1 3,0 10 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 19 1/10 20 1/10 TOTAL 120 80 6.430 24 62 144 84 4,4 3,1 20 51 100 60 5,2 3,9 78 75 1.620 3.886 8.050 4.835 Fonte: Elaborado pelo autor 3.7 Cálculo do Lote Econômico de Compra O cálculo do lote econômico é dado pela equação 7. Este cálculo deve ser revisado trimestralmente, para se adequar as mudanças de demanda em longo prazo. Utilizando as equações 7, 8 e 9 os custos para o LEC foram calculados. Tabela 6 - Custos com o LEC LEC aproximado Custo total de posse (R$) Custo total de encomenda (R$) Custo independente (R$) Custo Geral (R$) bebida A 610 111,39 110,36 4.688,33 4.910,08 bebida B 400 111,02 110,86 4.694,27 4.916,15 bebida C 400 80,35 78,45 2.403,96 2.562,76 doce 390 99,70 99,35 3.777,67 3.976,72 frio A 60 95,28 83,59 3.037,27 3.216,14 cigarro A 220 76,33 73,89 2.150,96 2.301,18 frio B 23 56,70 56,13 1.213,74 1.326,57 frio C 50 66,39 70,72 1.790,70 1.927,81 frio D 50 64,39 63,34 1.555,44 1.683,17 cigarro B 150 49,30 46,99 883,50 979,79 bebida D 210 65,96 63,13 1.588,13 1.717,22 bebida E 210 61,97 60,26 1.424,10 1.546,33 bebida F 390 51,28 50,00 977,70 1.078,97 bebida G 250 52,77 53,06 1.067,86 1.173,68 bebida H 400 54,12 54,75 1.130,18 1.239,06 bebida I 90 49,36 50,33 947,38 1.047,06 bebida J 330 55,20 54,10 1.138,89 1.248,19 bebida K 270 49,30 47,89 900,42 997,61 bebida L 280 47,86 48,01 876,33 972,20 bebida M TOTAL 52,92 53,28 4.993 Nº Item 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 210 1.351,57 1.328,49 Fonte: Elaborado pelo autor 1.075,25 1.181,45 37.322,07 40.002,13 Após o cálculo do LEC, reuniões foram realizadas com os fornecedores buscando novos descontos para quantidades mais próximas da demanda da empresa. Seis itens obtiveram descontos a partir de uma quantidade mínima de compra. 11 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Para saber qual a melhor proposta deve-se analisar seus custos, verificando qual lote apresenta o menor Custo Geral (CG). Os custos para as proposta dos seis itens podem ser vistos na tabela 7. Observa-se que a quantidade ideal para os itens 10 e 12 são os LECs previamente calculados. Já para os demais itens os descontos se mostraram mais vantajosos, fazendo com que os novos LECs sejam: item 14 = 250; item 17 = 500; item 19 = 600; item 20 = 600. Tabela 7 - Custos por quantidades com descontos Item LEC Desconto I Desconto II Desconto III Preço 5,50 5,36 5,23 4,95 Q 132 300 500 1.000 CG 1.184,33 1.192,01 1.228,99 1.338,79 Preço 4,04 3,99 3,95 - Q 207 500 1.000 - CG 1.548,42 1.581,36 1.698,46 - Preço 2,89 2,84 2,81 2,71 Q 251 250 500 1.000 CG 1.175,20 1.155,79 1.168,89 1.213,93 Preço 2,29 2,19 2,05 1,99 Q 327 200 300 500 CG 1.247,39 1.209,63 1.123,24 1.097,39 Preço 2,34 2,28 2,19 2,11 Q 281 200 400 600 CG 973,44 956,20 918,04 904,48 Preço 3,45 3,03 2,80 2,45 Q 211 200 400 600 983,41 890,44 10 12 14 17 19 20 CG 1.182,65 1.045,63 Fonte: Elaborado pelo autor 12 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. 3.9 Custos para um mesmo Fornecedor Dez dos vinte itens em estudo apresentavam fornecedores em comum. Com isso, para redução dos custos de ressuprimento, sempre que um produto necessitar de pedido os produtos oriundos do mesmo fornecedor devem ser requisitados. O custo de ressuprimento total para os produtos de mesmo fornecedor será o custo de maior valor entre eles. O custo total de posse e o custo total independente dos produtos de mesmo fornecedor serão a soma de seus custos individuais. Para que os pedidos sejam feitos, os lotes devem ser ajustados com o propósito dos produtos apresentarem semelhante número de entregas por mês. Por conseqüência, o LEC do item 16 foi ajustado para 40, e o do item 7 para 18. Os custos gerais dos 10 itens que apresentam um mesmo fornecedor podem ser vistos na tabela 8. Tabela 8- Redução dos gastos por fornecedor Fornecedor lote Item Q T LEC Q X LEC Q Y LEC Q Z Lote CG (R$) 2 200 16 20 2 400 16 40 7 50 8 120 9 120 7 18 8 50 9 50 11 500 12 1000 14 1000 11 210 12 200 14 250 19 120 20 80 19 600 20 500 LEC GANHO (R$) 5.927,86 43,72 5.884,14 5.026,47 219,72 4.806,75 4.653,74 349,92 4.303,82 2.165,77 385,60 1.780,17 13 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. TOTAL 998,96 Fonte: Elaborado pelo autor 3.10 Análise dos Resultados Para analisar os resultados obtidos a partir das melhorias implantadas, foram comparados os custos gerais obtidos pelo uso do LEC com os custos pelo uso do lote antigo. Como visto na tabela 8, obteve-se um ganho de R$ 998,96 nos itens renegociados por um mesmo fornecedor. Os ganhos dos produtos que obtiveram descontos podem ser vistos na tabela 9, como os ganhos dos itens 12, 14, 19 e 20 já foram contabilizados pelos custos sobre fornecedores em comum, utilizou-se somente os itens 10 e 17. Tabela 9 - Redução dos gastos dos lotes com descontos Item 10 LEC Q Preço 5,50 5,23 Pedido 132 600 CG 1.184,33 1.264,81 Redução Item Q Preço 1,99 2,19 Pedido 500 200 CG 1.097,39 1.209,63 17 80,48 LEC Redução 112,24 Redução Total: R$ 192,72 Fonte: Elaborado pelo autor Nos demais itens, o LEC utilizado foi o obtido pela fórmula tradicional na tabela 10. Tabela 10 - Redução dos gastos dos lotes LEC Item 1 Item 3 Item 5 Item 6 Item 13 Item 15 Lote Anterior Ganho (R$) Pedido 600 1.200 CG (R$) 4.909,25 4.962,72 Pedido 400 200 CG (R$) 2.562,29 2.600,56 Pedido 60 160 CG (R$) 3.222,64 3.329,08 Pedido 220 500 CG (R$) 2.302,00 2.357,75 Pedido 400 100 CG (R$) 1.078,72 1.185,48 Pedido 400 100 CG (R$) 1.239,41 1.357,98 53,47 38,27 106,44 55,75 106,76 118,57 14 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. Item 18 Pedido 270 120 CG (R$) 997,17 1.029,61 Ganho Geral: Fonte: Elaborado pelo autor 32,44 R$ 511,70 O item 4 teve uma atenção especial pelo seu curto prazo de validade. A empresa fazia encomendas de 40 unidades diárias, tendo um alto custo de ressuprimento. Reuniões foram realizadas com o fornecedor, onde ficou decidido que seriam feitos pagamentos mensais em troca de um único pedido de compra por mês, e entregas e reajustes semanais. Como seriam feitas apenas uma única compra por mês, o custo de ressuprimento desse produto ficou R$ 35,90. As entregas semanais seriam de 270 unidades, fazendo com que o custo de posse fosse R$ 69,02. Somando com o custo independente, obtemos um custo geral de R$ 3.881,42 e um ganho de R$ 873,71 em relação ao lote antigo. A tabela 11 mostra os Custos Totais de Posse (CTP), de Ressuprimento (CTR), Custos Independentes (CI) e Custos Gerais dos Lotes (CG), os quais os conceitos foram abordados no referencial teórico, levando em conta os descontos com o LEC e com a quantidade de lote utilizada antes. Observa-se que todos os custos obtiveram ganhos com a devida utilização da ferramenta LEC, com o Custo Geral dos Lotes tendo um ganho de R$ 2.616,12 mensais, ou seja, uma redução de 6,25% no Custo Geral dos Lotes. Tabela 11 - Comparação dos custos antes e depois da ferramenta LEC Ambiente Lote Geral CTP (R$) CTR (R$) CI (R$) CT (R$) CG (R$) LEC 4.828 1.282,82 941,66 36.952,93 2.224,48 39.177,40 Q antes 6.430 2.195,62 2.280,48 37.317,42 4.476,09 41.793,52 Diferença 1.602 912,80 1.338,82 364,50 Fonte: Elaborado pelo autor 2.251,62 2.616,12 4. Conclusão Para controlar o estoque de forma plena, foram necessários investimentos em estoques de segurança, pois a empresa trabalhava com nível de atendimento ao cliente acima de 99%, mas 15 XXXV ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO Perspectivas Globais para a Engenharia de Produção Fortaleza, CE, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2015. não possuía um. A empresa também não tinha modelos de controle como ponto de pedido e estoque máximo, funcionando tudo pelo estoque médio e o bom senso. A diretoria da empresa ponderou quanto à necessidade de um estoque de segurança e da redução do nível de atendimento ao cliente para 96%. Entretanto, após rodar o controle dos níveis de estoque em alguns itens, este se mostrou mais eficiente e econômico do que guardar elevados estoques. O trabalho teve como foco os produtos pertencentes à classe A devido sua importância. Para tanto, usou-se a fórmula do LEC, buscando-se as variáveis e calculando os custos envolvidos em cada situação. Com o cálculo deste, confirmou-se que o menor custo total possível ocorre quando o custo total de posse se iguala ao custo total de ressuprimento. Foi observado que a busca por estoques baixos, devido à facilidade de aquisição e à validade dos produtos, descompensava o custo total por aumentar excessivamente o custo de ressuprimento. Em contrapartida, ao se analisar produtos que eram comprados em grandes lotes, foi observado o aumento excessivo do custo de posse destes, não trazendo resultados vantajosos em relação ao desconto adquirido na aquisição. O trabalho foi limitado ao modelo básico do LEC híbrido com estoques de segurança, com limitações de lead time e demanda relativamente constante sem variações sazonais significativas, necessitando de verificações trimestrais no LEC. Referências BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos / Logística Empresarial. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BOWERSOX, D. J; CLOSS, D. J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2007. CAUDURO, V. D; ZUCATTO, L. C. Proposição de lote econômico como estratégia de compra de compra para farmácia hospitalar municipal. Revista ConTexto, v.11, n.20, p73-84, Porto Alegre, 2011. DIAS, M. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. São Paulo: Atlas, 1993. GONÇALVES, P. S. Administração de materiais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. MARTINS, P. G; ALT, P. R. C. Administração de materiais e recursos patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2006. MOREIRA, D. A. Administração da produção e operações. 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