1443 X Salão de Iniciação Científica PUCRS Condições das escolas especiais e regulares para o trabalho com alunos surdos Lucian Poeta da Silva 1 , Deise Maria Szulczewski 2 , Pedro Henrique Witchs 3 , Maura Corcini Lopes 4 (orientadora) Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS Introdução Este trabalho de pesquisa integra uma investigação maior intitulada a “Educação dos Surdos no Rio Grande do Sul”. Do universo de dados levantados junto às Secretarias Estadual e Municipais de Educação, bem como às Coordenadorias Regionais de Educação, apresentamos análises referentes às escolas inclusivas e especiais para surdos, localizadas nas regiões do Vale do Rio dos Sinos e Serra Gaúcha. Tendo como objetivo conhecer e analisar como as escolas que possuem alunos surdos matriculados estão preparadas para o trabalho que realizam e como estas descrevem os alunos. Metodologia Como material de pesquisa foram utilizados documentos escolares (Projetos-PolíticoPedagógicos (PPPs) e Planos de Estudo (PES)), questionários aplicados aos gestores de escolas e as anotações do diário de campo feitas pelos pesquisadores durante o tempo em que estavam nas escolas. Ao total, foram analisados cinco documentos, entre eles três PPPs e dois 1 Bolsista de Iniciação Científica (CNPq). Graduando do curso de Licenciatura em Educação Física – UNISINOS. 2 Bolsista de Iniciação Científica (FAPERGS). Graduanda do curso de Licenciatura em Pedagogia: Magistério da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Habilitação em Educação Especial – UNISINOS. 3 Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq). Graduando do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas – UNISINOS. 4 Doutora e Mestre em Educação (UFRGS). Especialista e graduada em Educação Especial (UFSM). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e do curso de Pedagogia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS. X Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 2009 1444 PES e sete questionários. As anotações do diário de campo nos possibilitaram entender alguns movimentos escolares, bem como nos possibilitaram registrar acontecimentos vividos pelos pesquisadores enquanto estavam nas escolas. Resultados e Discussão Nas análises dos questionários aplicados aos gestores, tanto de escolas inclusivas como aquelas especiais para surdos, ficou claro que discursos sobre o reconhecimento da diversidade cultural passam a ter espaço nos documentos escolares, no entanto não parece estar claro nos documentos analisados o que as escolas estão entendendo por diversidade. Apenas em um documento foi mencionada a necessidade de adaptações curriculares para que os alunos surdos, assim como os demais pudessem ser educados garantindo a formação da cidadania. Fica resguardado nesta escola de ouvintes com alunos surdos incluídos, além de adaptações curriculares, o uso da língua de sinais e o ensino da Língua Brasileira de Sinais para alunos surdos e eventualmente para professores e familiares de surdos. Essa mesma documentação mostra sobre a caracterização da classe dos alunos surdos, metodologia dos trabalhos desenvolvidos, e planos de estudos de todas as disciplinas para serem desenvolvidas com alunos surdos. Dois outros documentos referentes às escolas inclusivas com classes especiais para surdos apresentam uma passagem rápida sobre a educação de surdos e um deles sobre o bilinguismo, porém não fica clara a compreensão do que seja uma educação bilíngue para surdos e nem mesmo como a escola distribui os profissionais e os prepara para que tal projeto de educação bilíngue se estabeleça. Os outros três documentos analisados são de escolas que possuem alunos surdos em salas de aula com alunos ouvintes. Nesses não há referência alguma a inclusão ou a educação de surdos. Em uma análise mais geral dos documentos é possível afirmar que, embora uma das escolas onde os surdos estão incluídos, faça menção a diferença surda e o reconhecimento da língua e cultura surda, em nenhuma das escolas quando da ocasião de nossas visitas para a aplicação dos questionários foi possível observar uma compreensão maior, por parte da gestão escolar, do que significa ser uma educação bilíngue para surdos ou do que significa adaptação curricular para a educação dos alunos surdos. A realidade de cinco das escolas inclusivas que visitamos e que selecionamos como amostra de pesquisa é de falta de professores capacitados que dêem conta da inclusão de alunos, de alunos que não dominam nem o português e nem a língua de sinais para se comunicarem e de uma equipe de professores que buscam solitariamente trabalhar com alunos X Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 2009 1445 surdos que estão em suas turmas. Tais informações mostram a fragilidade do processo de inclusão desses alunos na escola comum. Já na escola especial para surdos, ficou claro que apesar de ocorrerem algumas faltas, o aluno surdo consegue ser visto pela sua diferença cultural e tem sua comunidade aceita e participativa. A presença de intérprete dentro da escola especial para surdos é uma constante, além desses a presença de professores surdos que são apontados como referentes aos surdos. Em apenas uma das escolas regulares com alunos surdos incluídos há a presença de uma intérprete que eventualmente age como intérprete junto com os alunos. Na escola especial a realidade dos profissionais é um pouco diferente, sendo que os professores, embora não todos, tenham o domínio da LIBRAS e possuem compreensão mínima do que significa a diferença surda. Conclusão Tais constatações nos remetem a pensar e a questionar sobre as condições linguísticas e pedagógicas precárias em que se encontram os alunos surdos nas escolas, bem como questionar como as políticas de inclusão vêm sendo materializadas. É preciso que seja feito mais movimentações que exponham de maneira clara como o surdo está se sentindo diante dessa realidade em que vivem, fazendo com que a escola juntamente com a família desses alunos estejam dispostos a aprender sobre a especificidade dos surdos de maneira que estes sejam aceitos pela sua diferença cultural. Referências DAL’IGNA , Maria Cláudia – Currícu lo, conhecimento e processos de in/exclusão na escola. In : Lopes, Maura Corcini e Dal’Igna, Maria Cláudia (Orgs.) In/ Exclusão nas tramas da escola. Canoas, Ed. ULBRA, 2007 LOPES, Maura Co rcin i – Surdez & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 23. PERLIN, Gládis. Prefácio. In : QUADROS, Ronice & PERLIN, Glad is. Estudos surdos II. 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