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Iniciação Científica
PUCRS
Condições das escolas especiais e regulares para o trabalho com
alunos surdos
Lucian Poeta da Silva 1 , Deise Maria Szulczewski 2 , Pedro Henrique Witchs 3 , Maura Corcini Lopes 4
(orientadora)
Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS
Introdução
Este trabalho de pesquisa integra uma investigação maior intitulada a “Educação dos
Surdos no Rio Grande do Sul”. Do universo de dados levantados junto às Secretarias Estadual
e Municipais de Educação, bem como às Coordenadorias Regionais de Educação,
apresentamos análises referentes às escolas inclusivas e especiais para surdos, localizadas nas
regiões do Vale do Rio dos Sinos e Serra Gaúcha. Tendo como objetivo conhecer e analisar
como as escolas que possuem alunos surdos matriculados estão preparadas para o trabalho
que realizam e como estas descrevem os alunos.
Metodologia
Como material de pesquisa foram utilizados documentos escolares (Projetos-PolíticoPedagógicos (PPPs) e Planos de Estudo (PES)), questionários aplicados aos gestores de
escolas e as anotações do diário de campo feitas pelos pesquisadores durante o tempo em que
estavam nas escolas. Ao total, foram analisados cinco documentos, entre eles três PPPs e dois
1
Bolsista de Iniciação Científica (CNPq). Graduando do curso de Licenciatura em Educação Física –
UNISINOS.
2
Bolsista de Iniciação Científica (FAPERGS). Graduanda do curso de Licenciatura em Pedagogia:
Magistério da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Habilitação em
Educação Especial – UNISINOS.
3
Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq). Graduando do curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas – UNISINOS.
4
Doutora e Mestre em Educação (UFRGS). Especialista e graduada em Educação Especial (UFSM).
Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e do curso de Pedagogia da Universidade do
Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS.
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PES e sete questionários. As anotações do diário de campo nos possibilitaram entender alguns
movimentos escolares, bem como nos possibilitaram registrar acontecimentos vividos pelos
pesquisadores enquanto estavam nas escolas.
Resultados e Discussão
Nas análises dos questionários aplicados aos gestores, tanto de escolas inclusivas
como aquelas especiais para surdos, ficou claro que discursos sobre o reconhecimento da
diversidade cultural passam a ter espaço nos documentos escolares, no entanto não parece
estar claro nos documentos analisados o que as escolas estão entendendo por diversidade.
Apenas em um documento foi mencionada a necessidade de adaptações curriculares para que
os alunos surdos, assim como os demais pudessem ser educados garantindo a formação da
cidadania. Fica resguardado nesta escola de ouvintes com alunos surdos incluídos, além de
adaptações curriculares, o uso da língua de sinais e o ensino da Língua Brasileira de Sinais
para alunos surdos e eventualmente para professores e familiares de surdos. Essa mesma
documentação mostra sobre a caracterização da classe dos alunos surdos, metodologia dos
trabalhos desenvolvidos, e planos de estudos de todas as disciplinas para serem desenvolvidas
com alunos surdos. Dois outros documentos referentes às escolas inclusivas com classes
especiais para surdos apresentam uma passagem rápida sobre a educação de surdos e um deles
sobre o bilinguismo, porém não fica clara a compreensão do que seja uma educação bilíngue
para surdos e nem mesmo como a escola distribui os profissionais e os prepara para que tal
projeto de educação bilíngue se estabeleça. Os outros três documentos analisados são de
escolas que possuem alunos surdos em salas de aula com alunos ouvintes. Nesses não há
referência alguma a inclusão ou a educação de surdos. Em uma análise mais geral dos
documentos é possível afirmar que, embora uma das escolas onde os surdos estão incluídos,
faça menção a diferença surda e o reconhecimento da língua e cultura surda, em nenhuma das
escolas quando da ocasião de nossas visitas para a aplicação dos questionários foi possível
observar uma compreensão maior, por parte da gestão escolar, do que significa ser uma
educação bilíngue para surdos ou do que significa adaptação curricular para a educação dos
alunos surdos. A realidade de cinco das escolas inclusivas que visitamos e que selecionamos
como amostra de pesquisa é de falta de professores capacitados que dêem conta da inclusão
de alunos, de alunos que não dominam nem o português e nem a língua de sinais para se
comunicarem e de uma equipe de professores que buscam solitariamente trabalhar com alunos
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surdos que estão em suas turmas. Tais informações mostram a fragilidade do processo de
inclusão desses alunos na escola comum. Já na escola especial para surdos, ficou claro que
apesar de ocorrerem algumas faltas, o aluno surdo consegue ser visto pela sua diferença
cultural e tem sua comunidade aceita e participativa. A presença de intérprete dentro da escola
especial para surdos é uma constante, além desses a presença de professores surdos que são
apontados como referentes aos surdos. Em apenas uma das escolas regulares com alunos
surdos incluídos há a presença de uma intérprete que eventualmente age como intérprete junto
com os alunos. Na escola especial a realidade dos profissionais é um pouco diferente, sendo
que os professores, embora não todos, tenham o domínio da LIBRAS e possuem compreensão
mínima do que significa a diferença surda.
Conclusão
Tais constatações nos remetem a pensar e a questionar sobre as condições linguísticas
e pedagógicas precárias em que se encontram os alunos surdos nas escolas, bem como
questionar como as políticas de inclusão vêm sendo materializadas. É preciso que seja feito
mais movimentações que exponham de maneira clara como o surdo está se sentindo diante
dessa realidade em que vivem, fazendo com que a escola juntamente com a família desses
alunos estejam dispostos a aprender sobre a especificidade dos surdos de maneira que estes
sejam aceitos pela sua diferença cultural.
Referências
DAL’IGNA , Maria Cláudia – Currícu lo, conhecimento e processos de in/exclusão na escola. In : Lopes, Maura
Corcini e Dal’Igna, Maria Cláudia (Orgs.) In/ Exclusão nas tramas da escola. Canoas, Ed. ULBRA, 2007
LOPES, Maura Co rcin i – Surdez & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007, p. 23.
PERLIN, Gládis. Prefácio. In : QUADROS, Ronice & PERLIN, Glad is. Estudos surdos II. Rio de Janeiro:
Arara Azu l, 2007.
STUMPF, Mariane Rossi. Mudanças estruturais para uma inclusão ética. In: QUA DROS, Ronice. Estudos
Surdos III. Petrópolis, RJ: Arara A zul, 2008. p.14-29
SKLIAR, Carlos. A Surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre/RS: Mediações, 1998.
STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: Ed. Da UFSC, 2008.
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