Aula 7 Nesta aula, continuaremos a discutir o caráter de fluido do plasma, analisando a equação de fluido que rege o movimento do plasma como fluido. 3.2 Equação de Fluido para o Plasma Vimos no capítulo 2 que a equação de movimento para uma única partícula sujeita aos r r campos E e B é r r r r dV m = q( E + V × B) dt 3.2.1 Agora considere a seguinte aproximação: que o plasma seja constituído de uma coleção de elementos de fluido e que também possamos desprezar os eventos colisionais, assim como o movimento térmico das partículas num elemento de fluido com densidade partículas carregadas n, então equação de fluido que rege a dinâmica do elemento de fluido é r r r r du = qn ( E + u × B ) mn dt 3.2.2 , onde u = velocidade média das partículas carregadas contidas num elemento de fluido, que deve ser exatamente, a velocidade mais provável do elemento de fluido. Importante! Observação: Na aproximação de fluido, cada elemento de fluido, pode ser constituído tanto por íons, elétrons ou nêutrons, logo deve existir também diferentes equações de fluido para cada espécie no plasma. Como estamos interessados em encontrar uma equação de fluido para um sistema de coordenadas fixo, devemos rearranjar a expressão 3.2.2, pois tal expressa, leva em conta um sistema de coordenadas que viaja juntamente com a partícula. r Para isso, considere uma grandeza G ( x , t ) qualquer do fluido (para facilitar, vamos considerar o problema unidimensional), então a variação r temporal de G ( x , t ) neste sistema de coordenadas fixo, deve ser r r r r r ∂G dG ( x, t ) ∂G ∂G dx ∂G = + = + ux ∂t ∂x dt ∂t ∂x dt r ∂G O primeiro termo à direita da igualdade, ∂t representa a variação temporal de G num dado ponto r ∂G fixo no espaço e os termos, ∂x e ux representam, respectivamente a variação espacial de G para tempos diferentes e a variação da posição do elemento de fluido em tempos diferentes. Podemos generalizar o caso acima, para as 3 dimensões, isto é r r r dG ∂G r = + (u ⋅ ∇ )G ∂t dt 3.2.3 A expressão 3.2.3 é chamada der derivada DG convectiva e pode ser representada por Dt . r Note também, que (u ⋅ ∇ ) e um operador r escalar que age em G . r r u G é a própria velocidade do Em nosso caso, elemento de fluido, então podemos reescrever a expressão 3.2.2 como r r r r r r r du mn + (u ⋅ ∇ )u = qn ( E + u × B ) dt 3.2.4 A expressão 3.2.4 é também conhecida como equação de transferência de momentum para r elementos de fluido que se movem com velocidade u r r quando sujeita aos campos E e B . A partir de agora iremos adicionar à equação de transferência de momentum, os termos relacionados aos eventos colisionais e ao movimento térmico que desprezamos no início. Começaremos com a adição de um novo termo de densidade de força à equação de transferência de momentum, devido ao movimento térmico. Na presença de movimento térmico, o fluido terá uma temperatura T que dará origem a forças resultantes da pressão cinética no interior do fluido. Para encontrar a taxa média de variação de momento dos elementos de fluido, vamos considerar um cilindro imaginário de comprimento l e área transversal A, que contêm o fluido a uma temperatura T, então r Nm N 2 Fmt = Vi ∑ l i =1 3.2.5 A expressão 3.2.5 indica a força média exercida pelo fluido, constituído de N partículas, sobre as paredes do cilindro imaginário que o contêm. Podemos reescrever a expressão 3.2.5, pois sabemos que num plasma a energia média das N partículas contidas num elemento de fluido é m N 2 KT Vi = ∑ 2 i =1 2 Substituindo a média acima, na expressão 3.2.5 e dividindo o resultado pela área transversal A do cilindro imaginário, encontraremos a pressão exercida pelo fluido sob as paredes do cilindro imaginário, isto é P = nKT 3.2.6 Derivando a expressão 3.2.6 com relação ao comprimento do cilindro, encontraremos a seguinte expressão para a densidade de força devido ao movimento térmico, isto é r dFmt r = ∇p dl 3.2.7 Agora podemos reescrever a equação de transferência de momentum da seguinte maneira r r r r r r r r du mn + (u ⋅ ∇ )u = qn ( E + u × B ) − ∇ p 3.2.8 dt Importante! Observação: A expressão 3.2.8 é, evidentemente aproximada no que se refere à pressão, pois em 3 dimensões p não é um escalar e sim um tensor, dado pela matriz abaixo p xx t P = p yx p zx p xy p yy p zy p xz p yz p zz 3.2.9 , onde os elementos de matriz na diagonal principal correspondem ao termos relacionados com as forças de tensão que agem no elemento de fluido e os demais termos, fora da diagonal principal, são os termos relacionados com as forças de cisalhamento (ou termos de viscosidade). Portando para o caso mais geral, onde a pressão r r t é anisotrópica, ∇ p deve ser substituído por ∇ ⋅ P (produto diádico) na expressão 3.2.8 Em particular, assuminos no início uma distribuição de velocidades que é maxwelliana, então t o tensor Strees P é p t xx P= 0 0 0 p yy 0 0 0 p zz Se o plasma estiver sujeito a um campo magnético externo, podem coexistir no plasma 2 temperaturas devido às pressões nas direções paralela e perpendicular ao campo magnético, logo o t tensor Strees P é p t // P= 0 0 0 p // 0 0 0 p⊥ Para completar a equação de transferência de momentum, vamos adicionar agora, o termo de densidade de força relacionado os eventos colisionais. Num plasma, o elemento de fluido constituído de partículas carregadas pode, eventualmente perder momentum em colisões com o elemento de fluido não carregado, isto é, neutro. r r u Se − u 0 for a velocidade relativa durante uma r u colisão, onde 0 é a velocidade do elemento de fluido neutro e sendo τ o tempo médio entre as colisões, podemos encontrar um termo para a densidade de força resultante destas colisões, isto é r r − mn (u − u 0 ) τ 3.2.9 Portanto a expressão final para a equação de transferência de momentum, consideração os eventos colisionais (expressão 3.2.9) e o movimento térmico (3.2.7) é a expressão 3.2.10 r r r r r r r t mn (u − u 0 ) r r r du mn + (u ⋅ ∇ )u = qn ( E + u × B ) − ∇ ⋅ P − τ dt A expressão 3.2.10 é um caso particular, onde a pressão é anisotrópica e para colisões entre elementos de fluido de partículas carregadas e não carregadas. Observação: Para colisões apenas entre elementos de fluido de partículas carregadas, a expressão 3.2.9 pode ser aproximada por r − mnvu 3.2.11 , onde agora v é a freqüência de colisão entre os elementos de fluido de partículas carregadas. A expressão 3.2.10 é apenas uma das equações que permite descrever completamente, a aproximação de plasma como fluido. Para simplificarmos o problema de encontrarmos um conjunto completo de equações que regem a dinâmica do plasma como fluido, vamos considerar um plasma contento apenas íons (i) e elétrons (e), então • Densidades de carga e corrente σ = ne qe + ni qi r r r J = ne qeVe + ni qVi • Equações de Maxwell do eletromagnetismo r r clássico, para determinar os campos E e B gerados pelo plasma, isto é r r ε 0 ∇ ⋅ E = ne qe + ni qi r r r& ∇ × E = −B r r ∇⋅B = 0 r r r& −1 r r µ o ∇ × B = ne qeVe + ni qVi + ε 0 E • Equação de transferência de momentum, para descrever o movimento do plasma como fluido, isto é r r r r r t du j r r r + (u j ⋅ ∇ )u = qn j ( E + u j × B ) − ∇ ⋅ P m jnj dt , onde o índice j indica i para íons e e para elétrons. • Equações de Estado da Termodinâmica, para determinar a pressão exercida pelo plasma em função da sua densidade, isto é p j = C ρ γj , C = cons tan te r r ∇n j ∇p j =γ pj nj γ = (2 + N ) / N = C p CV , onde o índice j indica i para íons e e para elétrons, N é o número de graus de liberdade de movimento, Cp e CV são os calores específicos a pressão e volume constante. • Equação de Continuidade para Fluidos, para garantir a conservação da densidade, isto é ∂n j ∂t r + ∇ ⋅ (n ju j ) = 0 , onde o índice j indica i para íons e e para elétrons. Observe equações, que neste temos conjunto 18 completo de incógnitas r r r r n n p p u u E , , , , , , ( i e i e i e e B ) e exatamente 16 equações (desconsiderando as 2 primeiras equações de Maxwell), isto permite, certamente encontrar os r r campos E e B gerados e descrever o movimento do plasmas como fluido.