A NOVA ETAPA DA ECONOMIA MUNDIAL E OS DETERMINANTES DO CRESCIMENTO ECONÔMICO DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE EM PAINEL 1990 A 2008 Rodrigo da Rocha Gonçalves1 Rogério Piva da Silva 2 Marcelo de Oliveira Passos3 Samanda Silva da Rosa4 EJE TEMÁTICO: 1 -¿UNA NUEVA ETAPA DE LA ECONOMÍA MUNDIAL? - Nueva etapa de la economía mundial y sus posibles efectos en los países periféricos. RESUMO: A nova etapa da economia mundial associado às consequentes crises econômico-financeiras tem causado efeitos devastadores nos países periféricos e seus processos de desenvolvimento sustentável. Em linhas gerais, esses países enfrentam diversas restrições ao seu processo de crescimento sustentado, entre tais, limitações ao nível de investimento e poupança interna, baixa relação capital/trabalho e restrições ao balanço de pagamentos. Dessa forma, esta pesquisa tem por objetivo analisar empiricamente os determinantes do crescimento econômico dos países em desenvolvimento. Para que esse objetivo fosse alcançado, utilizou-se de uma pesquisa de caráter dedutivo, por meio da análise bibliográfica e quantitativa, com a estimação de um modelo de dados em painel. Os resultados mais robustos foram os do modelo de efeitos fixos, eles permitem afirmar que o crescimento dos países que compõem a amostra respondem: (i) positivamente a aumentos nas taxas de poupança interna e investimento e (ii) negativamente a aumentos nas taxa de juros real e ao grau de incerteza mensurado pela taxa de inflação. Ambas as afirmativas estão de acordo com a concepção dos modelos de hiatos. PALAVRAS CHAVE: Crescimento econômico. Países em desenvolvimento. Dados em painel. Concedemos a permissão para publicação do artigo em meio digital ou impresso. Necessitamos de recursos audiovisuais (projetor de imagem) para apresentação. ABSTRACT: The new stage of world economy associated with the consequent economic and financial crises have caused devastating effects in peripheral countries and their sustainable development processes. In general, these countries face several constraints on the process of sustained growth, among such, constraints on investment and domestic savings, low capital / labor ratio and the balance of payments constraints. Thus, this study aims to examine empirically the determinants of economic growth in developing countries. For this objective to be accomplished, we used a deductive research study, through literature review and quantitative analysis, with the estimation of a panel data model. The most robust results were the ones provided by the fixed effects model, they have revealed that the growth of countries in the sample answers: (i) positively to increases in rates of domestic savings and investment and 1 Professor Assistente do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande – Mestre em Economia – UFPEL. E-mail: [email protected]. 2 Professor Associado do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande – Doutor em Economia – UAM. E-mail: [email protected]. 3 Professor Adjunto do Departamento de Economia e do Mestrado em Organizações e Mercados da Universidade Federal de Pelotas. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Foi bolsista de pesquisa do IPEA. E-mail: [email protected]. 4 Acadêmica do Curso de Ciências Econômicas – Universidade Federal do Rio Grande. E-mail: [email protected]. 2 (ii) negatively to increases in interest rates real and to the degree of uncertainty measured by the rate of inflation. Both the claims are in accordance with the concept of templates gaps. KEY WORDS: Economic growth; developing countries; panel data. Classificação do JEL: O40. O50. C23. 1. INTRODUÇÃO Diante dos avanços tecnológicos e da rapidez com que as informações são transmitidas no mundo pelos meios de comunicação, o conceito de globalização pode ser resumido a um processo de integração mundial, ocorrendo em setores como o de comunicação, economia, finanças e serviços. O termo abrange a significativa expansão do comércio internacional e dos fluxos de capitais. Uma das principais características do processo de globalização econômica é o desenvolvimento sem precedentes do fluxo de capital internacional, especialmente nas últimas duas décadas, em decorrência direta da liquidez do mercado internacional, da desregulamentação das economias nacionais e das estratégias das empresas multinacionais. As crises financeiras ocorridas em alguns países do mundo, entre os quais o México, no final de 1994, ou em países da Ásia e na Rússia, colocaram em dúvida os benefícios do processo de liberalização comercial e financeira. Dessa forma, com a globalização financeira e produtiva, é primordial para os países obterem mercados eficientes que ocasionem primeiramente um controle interno para adoção de políticas econômicas, podendo sentir menos os reflexos das crises externas. A crise cambial do México no final de 1994 gerou uma contração nas transferências internacionais de capitais, afetando vários países, inclusive o Brasil. No início de 1995, alguns destes começaram a utilizar o mecanismo de bandas cambiais e as taxas internas de juros mais elevadas. Medidas estas, adotadas para atrair capital. A crise financeira nos mercados do sudeste asiático, em 1997, gerou alterações no cenário mundial, pressionou o mercado de câmbio e ocasionou significativa perda das reservas internacionais. Posteriormente, os mercados emergentes foram afetados em 1998, como reflexo da crise asiática do ano anterior, além da instabilidade na Rússia. Os investidores voltaram-se aos ativos de menor risco, limitando seus recursos aos países em desenvolvimento, ocasionando a 2 3 retração da liquidez externa. Assim, houve perda excessiva de reservas internacionais por parte de alguns países, inclusive o Brasil, que acabou voltando ao sistema de livre flutuação. Nos primeiros anos do século XXI, a economia mundial entra em um ciclo de expansão, com elevação do produto interno bruto de diversos países, oriundos da maior liquidez do mercado de capitais, do aumento expressivo dos fluxos comerciais e da redução da incerteza do cenário macroeconômico internacional. Entretanto, em 2008, o cenário financeiro foi marcado pela crise americana das hipotecas chamada subprime. Porém, no ano de 2001, houve os primeiros indícios desta crise, a partir da especulação imobiliária nos EUA, associada com os baixos juros e com as boas condições de financiamento. Com isso, muitas pessoas compraram imóveis e se endividaram. Os juros subiram, a economia desacelerou e a inadimplência aumentou. “Os bancos que emprestaram dinheiro começam a mostrar o rombo. Além disso, o preço dos imóveis caiu. Pagando uma prestação mais alta e com o valor do bem menor, os norte-americanos reduziram o consumo”. (CARVALHO, 2008, Pág. 17-18). O aumento da taxa de juros de 1% para 5,25% pelo Federal Reserve, entre o segundo trimestre de 2004 e o segundo trimestre de 2007 foi determinante para que em pouco tempo, os tomadores das hipotecas subprime não conseguissem honrar seus compromissos. Segundo Júnior e Filho (2008), a crise continuou se agravando, pois, em meados de setembro de 2008, as autoridades americanas decidiram não prover apoio financeiro ao banco de investimentos Lehman Brothers, culminando na sua falência. A nova configuração da economia mundial, fruto do processo de abertura comercial e financeira do final da década de 80, pode resultar em crises econômicas globais, as quais têm consequências adversas, entre tais, volatilidade no fluxo de capitais e contração do comércio internacional, fatos danosos, principalmente aos países em desenvolvimento. Países em desenvolvimento geralmente possuem um padrão de vida médio e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) variando entre médio e elevado, segundo dados do Relatório de Desenvolvimento Humano (2010). Além disso, estudos recentes indicam que a dinâmica de crescimento econômico desses países difere dos desenvolvidos, fato que pode ser observado na tabela 1 em anexo, a qual demonstra as diferenças de renda percapita entre tais países. Com o intuito de analisar as restrições ao crescimento econômico dos países em desenvolvimento, Chenery e Bruno (1962) formalizaram o chamado modelo de dois hiatos, 3 4 seguindo a fundamentação teórica Harrod (1948) e Domar (1957). Mais adiante, Bacha (1989 e 1990) inseriu o hiato fiscal, originando o modelo de três hiatos. A nova etapa da economia mundial, associada às consequentes crises econômicofinanceiras, tem causado efeitos devastadores, principalmente aos países em desenvolvimento, os quais enfrentam diversas restrições ao seu processo de crescimento sustentado. Sendo assim, o objetivo deste artigo é analisar os fatores determinantes do crescimento econômico desses países. Para que isso fosse alcançado, utilizou-se de uma pesquisa de caráter dedutivo, por meio da análise bibliográfica e quantitativa, com a estimação de um modelo de dados em painel, através da coleta de dados em organismos internacionais. Quanto à estrutura da pesquisa, após a introdução, na seção 2, realizou-se uma revisão de literatura dos modelos de crescimento econômico e de hiatos. Na seção 3, apresentam-se os dados e os procedimentos metodológicos. Na seção 4, os resultados serão descritos e discutidos, enquanto que a seção 5 apresentará as conclusões da pesquisa. 2. TEORIAS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO 2.1 Modelos Neoclássicos de crescimento econômico Nesta seção, realiza-se uma análise da teoria Neoclássica do crescimento, baseando-se em trabalhos como Solow (1956), Swan (1956), Lucas (1988), Romer (1986, 1990), Simonsen (1991). Os quais teorizam sobre as principais variáveis que afetam a dinâmica de crescimento dos países. Os modelos neoclássicos exógenos explicitam que a acumulação de capital é propulsora do crescimento econômico. Entre tais modelos, os de Solow e Swan, utilizam uma função de produção que busca satisfazer a condição de proporções flexíveis no uso dos fatores. A concepção dos autores é que a produtividade marginal do capital é decrescente, sendo assim, os países pobres crescem mais rapidamente que os países ricos, à medida que os primeiros possuem baixas taxas de acumulação de capital. O modelo de Solow (1956) conclui que a propensão marginal a poupar determina somente a relação capital-trabalho e a velocidade do ajustamento da economia ao estado estacionário, a qual é determinada exogenamente pelas taxas de progresso tecnológico e de crescimento 4 5 populacional. Adicionalmente, aumentos na taxa de poupança proporcionam apenas a passagem da economia de um estado estacionário para o outro. As principais diferenças entre os modelos exógenos e endógenos são sumarizadas por Arraes e Teles (2000), seguem abaixo: i. Os modelos tradicionais enfatizam o capital físico como força motriz do crescimento econômico, enquanto os modelos endógenos atribuem a mudança tecnológica e ao estoque de capital humano – ambos sendo encarados como mensurações do nível de conhecimento agregado do modelo de ROMER (1986) – o papel de força motriz do crescimento; ii. Os modelos de crescimento exógeno, ao contrário dos modelos endógenos, não levam em consideração a possibilidade de ocorrer alteração no preço do processo de difusão do conhecimento diante de alterações nos parâmetros tecnológicos da economia; iii. Os modelos de crescimento endógeno permitem um melhor entendimento da dinâmica dos efeitos da política econômica em geral sobre diferentes patamares de crescimento, na medida em que políticas de comércio exterior, fiscal, educacional, de distribuição de renda, de formação de infraestrutura e de incentivos ao progresso tecnológico constituem-se em externalidades ao processo produtivo (spillovers). iv. Os modelos de crescimento endógeno abrem a possibilidade teórica de existir divergência entre os níveis de renda de economias distintas. Arraes e Teles (2000, Pág. 575). Simonsen (1991) realizou um estudo importante dos principais modelos de crescimento econômico, pertencentes à controvérsia Cambridge-Cambridge5, o autor teve como objetivo explicar como as taxas de poupança afetam o crescimento econômico dos países no longo prazo. Segundo Simonsen (1991), o modelo de Solow (1956) omitiu essa relação. Na concepção de Simonsen (1991), a controvérsia Cambridge-Cambridge, com os modelos de Solow (1956), Kaldor-Pasinetti (1974) e a síntese de Samuelson e Modigliani (1966), também pouco adicionou de prático a teoria do crescimento econômico. O fulcro da discussão era saber se a relação capital/produto se adaptava à taxa de poupança, como no modelo de Solow (1956), ou se a taxa de poupança se ajustava à relação capital/produto, como no de Kaldor-Pasinetti. SIMONSEN (1991). Segundo Simonsen (1991) o mérito dos modelos Solow, Kaldor-Pasinetti e a síntese de Samuelson e Modigliani era revelar que, na ausência de progresso tecnológico, o produto per capita não poderia crescer geometricamente. O problema é que, nesses modelos, o progresso 5 As evidências do modelo de Solow (1956) geraram algumas controvérsias na teoria de crescimento econômico por cerca de 20 anos. A fundamental dessas é que o crescimento de longo prazo e a poupança não mantinham relação de dependência. Essas prerrogativas do modelo de Solow (1956) foram conhecidas como a controvérsia CambridgeCambridge, com isso, as contribuições subsequentes de Kaldor (1956); Samuelson e Modigliani (1966) e Pasinetti (1974), pouco acrescentaram para o restabelecimento das ideias iniciais do modelo de Harrod-Domar, o qual inferia que o crescimento era afetado pela taxa de poupança. 5 6 tecnológico caía do céu. Além disso, a taxa de crescimento a longo prazo da economia dependia, essencialmente, da taxa de progresso tecnológico, sendo pouco ou nenhum papel reservado a taxa de poupança. Lucas (1988) teve relevância na teoria do crescimento econômico, introduzindo o capital humano na função de produção. Para ele, quanto menores forem as taxas de desconto das utilidades do consumo futuro, maiores serão as taxas de poupança. Os investimentos em capital humano e as taxas de crescimento a longo prazo são o resultado conjunto de menores taxas de desconto das utilidades do consumo futuro. Visando remodelar a teoria do crescimento econômico, Romer (1986, 1990) e Lucas (1988) como outros, endogenizaram o progresso tecnológico, considerando tecnologia e capital humano como essenciais para afetar o rendimento dos fatores produtivos. Os autores desses modelos consideram o estoque de capital físico como um índice de conhecimento acumulado e de experiências do tipo learning by doing, de forma a gerar externalidades que promovem rendimentos crescentes no uso dos fatores ou spillovers ARRAES e TELES (2000). 2. 2. Crescimento econômico em países em desenvolvimento: Modelo de hiatos 2. 2. 1. Modelo de Hiatos6 As primeiras discussões sobre a necessidade de ajuda externa para o crescimento econômico ocorreram nos anos 40 e 50, após a Segunda Guerra Mundial e a reconstrução da Europa. Ao final dos anos 40, a percepção da existência de restrição ao crescimento econômico de uma nação tornou-se bastante difundida entre os economistas norte-americanos, europeus e latino-americanos. O norte-americano Hollis Chenery argumentou que essas restrições eram oriundas da escassez de dólares. Por outro lado, os economistas latino-americanos, cuja maior parte pertência a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), acreditavam que tal restrição ocorria em decorrência do chamado estrangulamento externo dos países em processo de desenvolvimento. O principal teórico que defendeu esta análise foi o argentino Raul Prebisch. 6 As considerações sobre modelo de hiatos foram realizadas com base na dissertação de mestrado do autor. 6 7 O modelo de dois hiatos, desenvolvido inicialmente por Chenery (1950) e formalizado por Chenery e Bruno (1962), foi concebido para analisar as restrições ao crescimento econômico dos países em desenvolvimento, especialmente o caso de Israel. Ele se fundamenta no modelo Harrod-Domar7, incluindo a análise de uma economia aberta. A análise defende que os países em desenvolvimento enfrentam duas limitações ao investimento: a insuficiência de reservas em moeda estrangeira (hiato de divisas) e a escassez de poupanças pública, privada e externa. O modelo de dois hiatos na visão de Damico (1984. p. 86) é essencialmente de um modelo de crescimento: “Trata-se de um modelo dinâmico de crescimento baseado na noção de acelerador de Harrod-Domar que permite prever uma taxa de crescimento equilibrado do tipo "fio da navalha". Partindo da visão clássica do financiamento externo como mera edição à poupança interna tomada como necessariamente insuficiente, As conseqüências normativas advindas da concepção clássica de estrangulamento do crescimento por insuficiência de poupança interna são claras: i) aumento da propensão a poupar, via concentração de renda ou pela potencializarão de um mercado de capitais; ii) elevação da relação produto-capital”. (DAMICO, 1984. p. 860). Bacha (1982) enfatiza que o modelo de dois hiatos, com o progresso da liberalização comercial e financeira entre os países industriais, o florescimento das exportações mundiais e o aumento da complexidade das relações econômicas (fluxo de capitais e mercadorias), gerou descrédito entre os economistas com relação aos seus resultados, especialmente os ortodoxos. Dessa forma, Bacha (1982) propõe uma reavaliação do modelo de dois hiatos, considerando a sua importância na interpretação das condições econômicas dos países em desenvolvimento nos anos 80 maior do que a dos modelos alternativos da escola neoclássica. No entendimento de Zini Jr. (1995, pág. 90), “o modelo de dois hiatos vem da literatura sobre desenvolvimento econômico e aborda os fatores que limitam o crescimento de um país”. Portanto, pode ser considerado um modelo de crescimento e não um modelo de estabilização. Ele se orienta para questões de política econômica e integra ideias e preocupações existentes entre teóricos de desenvolvimento, dentre os quais se podem destacar Chenery e Bruno (1962), Chenery e Strout (1966) e Mckinnon (1964). A idéia básica do modelo de dois hiatos, segundo Junior (1995) é: “Nos países em desenvolvimento o crescimento é constrangido pela falta de recursos e não pela falta de oportunidades de investir. O crescimento pode ser constrangido pela 7 Segundo Simonsen (1995. p.490), o chamado modelo de Harrod-Domar é uma adaptação das contribuições Harrod (1948) e Domar (1957) à teoria do crescimento econômico e cuja formalização se dá em uma economia fechada. Embora se constituam em estudos separados, o modelo recebeu essa denominação devido à similaridade entre os resultados obtidos na abordagem das determinantes das taxas de crescimento. 7 8 poupança doméstica insuficiente para derivar investimento necessário, bem como pela falta de moeda estrangeira necessária para importar as máquinas e equipamentos requeridos pela indústria.”(JUNIOR.1995. p. 90). Adicionalmente ao modelo de dois hiatos, Bacha (1989) expõe um terceiro hiato, chamado de hiato fiscal, que ocorre devido às dificuldades de investimentos públicos em infraestrutura e em indústria de base por parte dos países em desenvolvimento. Tais dificuldades se explicam pelas restrições orçamentárias governamentais, motivadas pelas altas taxas de inflação e por outros desequilíbrios macroeconômicos. Dessa forma, o investimento privado é condicionado pela incapacidade de geração de poupança pública. O modelo de três hiatos proposto por Bacha (1989) é considerado uma extensão do modelo de dois hiatos de Chenery e Bruno (1962). A derivação completa do modelo de três hiatos pode ser visualizada em Bacha (1989). Resumidamente, segundo Bacha (1989), o modelo de três hiatos é um exercício de maximização do investimento, considerado como: “Um modelo de crescimento de um período com preços fixos, sujeito a algumas restrições representadas por: i) equações, entre tais, em igualdade: renda e absorção; identidade do balanço de pagamento e a igualdade entre os fluxos de oferta e demanda, e por restrições em desigualdade: a renda observada não pode ser maior que a potencial as exportações realizadas não podem superar a por exportações; e o investimento privado não pode ser maior do que K*, além disso, são consideradas predeterminadas as seguintes variáveis: consumo privado; as importações de não sejam em bens de capital; superávit na conta corrente do orçamento do governo; taxa de inflação; e as transferências externas; e ii) inequações.” (BACHA. 1989. p. 219). Um resultado inicial do modelo de três hiatos é que o conceito de transferências externas é mais relevante do que o de poupança externa para analisar as interações financeiras entre o país em desenvolvimento e o resto do mundo. Isso ocorre porque o cálculo da poupança externa não leva em conta as saídas a título de serviços de fatores, as quais são internamente predeterminadas pela dinâmica interna da política econômica. Outro resultado do modelo é o de que a restrição fiscal pode ser definida independentemente da restrição global de poupança. Para isso, são necessárias as seguintes condições, as quais correspondem à realidade de muitos países em desenvolvimento: 1) a de que nos países de industrialização tardia o investimento público seja complementar ao privado; e 2) a de que o mercado doméstico de capitais seja restrito, o que leva à necessidade da existência da senhoriagem ou do imposto inflacionário, como únicas alternativas para o financiamento dos déficits públicos dos governos desses países. 8 9 Bender e Lowenstein (2005) realizaram uma aplicação empírica do modelo de dois hiatos com uma reformulação baseada nos modelos de crescimento neoclássicos. Para um conjunto de países, constataram que o coeficiente de poupança doméstica tem uma correlação positiva com o nível de investimento e com as taxas de crescimento do produto. 3. BASE DE DADOS, PAÍSES DA AMOSTRA E METODOLOGIA 3.1. Base de dados Com o objetivo de analisar os determinantes do crescimento dos países em desenvolvimento 1990-2008, será utilizada a metodologia bibliográfica e quantitativa com a utilização de um modelo de dados em painel8, com variáveis oriundas dos modelos de crescimento, as quais são explicitadas abaixo: Crescimento econômico (CRESC): Considerou-se a taxa de variação do PIB percapita real de cada pais, a série foi extraída Development Research Institute9, com ano base 1990. Taxa de investimento (INV): Taxa de investimento de cada país em percentual do PIB. A série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990; Poupança interna (PINT): A soma das poupanças pública e privada em percentual do PIB. A série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990; Taxa de juros real (JUROS): A variação da taxa de juros real em cada país. A série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990; Inflação (INF): A variação da taxa inflação, serve como referência da incerteza em cada país, série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990; Exportação (X): Taxa de exportação de cada país em percentual do PIB. A série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990. Cabe ressaltar, que o conjunto de dados coletados das variáveis anteriores está expresso em termos reais. 8 Para mais informações sobre dados em painel, ver em Greene (2002), Gujarati (2003), Johnston e Dinardo (1997), Wooldridge (2002). 9 Todas as séries extraídas do Development Research Institute tem fonte primária. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial e estão disponíveis em: http://nyudri.org/resources/global-development-network-growthdatabase/ 9 10 Os países em desenvolvimento que compõem a amostra10 foram selecionados com base na definição do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) das nações Unidas. Considerou-se também a disponibilidade de séries históricas de cada país. 3.2. Dados de painel11 Para analisar empiricamente os determinantes do crescimento econômico dos países em desenvolvimento de 1990-2008, utilizou-se a metodologia de dados em painel. O uso de dados em painel deve-se a disponibilidade de dados de corte para todos os países que compõem a amostra, mas poucos com série de tempo; além de apresentar a vantagem de contar com mais graus de liberdade do que análise cross-section. Dessa forma, o resultado obtido na regressão de dados de painel possui maior confiabilidade e robustez. Considere a seguinte especificação, segundo Wooldridge (2002), a respeito da estimação em dados de painel: Onde as unidades de cross-section possuem n>1 e períodos T > 1: Yit X itj it (1) it it it (2) Onde: Yit = o valor da variável dependente para a unidade i no instante t, sendo i = 1,..., n e t = 1,... T; X itj = o valor da j-ésima variável explicativa para a unidade i no instante t (onde há j = 1,..., K); it = termo de erro para i-ésima unidade em t. Cabe ressaltar que os modelos de dados de painel são diferenciados pelos seus it , que são constituídos por um elemento que varia com i, mas que permanece constante ao longo do tempo, podendo ser correlacionado com as variáveis explicativas, representadas por it e um componente que varia não sistematicamente com i e t, representado por it . 10 Os países da amostra são: Argentina (ARG), Bolívia (BOL), Brasil (BRA), Chile (CHL), Colômbia (COL), Costa Rica (CRI), Equador (EQUA), Egito (EGT). Guatemala (GTM), Índia (IND), Indonésia (IDN), México (MEX), Paquistão (PAK), Paraguai (PAR), Peru (PER), África do Sul (ZAF), Tailândia (THA), Uruguai (URY) e Venezuela (VEN). 11 Mais detalhes ver Greene 2000 e Johnston e Dinardo 1997. 10 11 Se it , não for correlacionado com X itj , origina o chamado modelo de efeitos aleatórios (MEA). Já se it , for correlacionado com X itj , temos o modelo de efeitos fixos (MEF). O modelo de dados de painel admite o uso de dois estimadores com distintas propriedades: se os efeitos não estão correlacionados com as variáveis explicativas, o estimador de MEA é consistente eficiente, e neste caso o estimador de MEF originará estimativa consistente, no entanto não eficiente. Contudo, se os efeitos estão correlacionados com as variáveis explicativas, o estimador de MEF é consistente e eficiente, enquanto o de MEA é não consistente. Através da verificação do teste de Hausman (1978), pode escolher por uma ou outra especificação. A estatística deste teste terá sob a hipótese nula que o estimador de MEA é o mais adequado, distribuição assintótica de um 2 com k graus de liberdade. Para atender o objetivo do trabalho, vamos usar um modelo de painel desequilibrado, ou seja, com diferente número de observações para cada unidade seccional, onde as unidades de cross-section possuem n>1 e períodos T > 1. O modelo a ser estimado segue abaixo: Modelo (1) cresc a i B1 P int it B 2 Inv it B 3 Juros it B 4 Inf it B 5 X it u it (1) Onde: Crescit é a variação do PIB Percapita de cada país i do período t ; P int it poupança interna de cada país i no período t ; INVit taxa de investimento de cada país i no período t ; JUROSit taxa de juros real de cada pais i no período t ; INFit taxa de inflação de cada país i no período t , X it são as exportações de cada país i no período t , e u it é o termo de erro aleatório (ruído branco). Considerando t (1,2,3...............T ) onde 1 1990 e T 2008 . 4. RESULTADOS Abaixo, faz-se a exposição dos resultados obtidos com suas respectivas análises. A variável dependente é a variação do PIB percapita real (CRESC). A tabela 2 apresenta os resultados das regressões. A definição entre os modelos MEF e MEA ocorreu levando em consideração: i) O teste de Hausman; ii) Equilíbrio dos dados no painel. Os critérios anteriores indicaram o modelo de efeito fixo. 11 12 TABELA 2 – Estimação dos determinantes do crescimento econômico dos países em desenvolvimento Modelo I Modelo II MEF MEA -7.758159*** -2.094476* (-4.276892) (-1.982309) 0.282615*** 0.190274*** (4.351330) (3.881671) 0.265302*** 0.095912** (4.131376) (2.595152) -0.054695** -0.038713** (-2.946505) (-2.755436) -0.001612*** -0.001510*** (-3.411160) (-3.340825) -0.007472 -0.027521 X (-0.217191) (-1.489348) R² 0.319476 0.175864 Estatística F 6.021285 13.35832 319 319 Variáveis independentes Constante INV PINT JUROS INF Nº. Obs. 35.171765 Teste Hausman (0.0000) FONTE: cálculos efetuados no software Eviews 7. Obs. 1: *** significativo a 1%, ** significativo a 5% e * significativo a 10% Obs. 2: Os números entre parênteses representam os valores dos testes t. Os resultados explicitados na tabela 2 do MEF demonstram que apenas a variável exportação (X) não se mostrou estatisticamente significante com a variável dependente. Por outro lado, as variáveis: investimento (INV); Poupança interna (PINT); taxa de juros real (JUROS) e taxa de inflação foram estatisticamente significantes com a variável dependente. Analisando o coeficiente de determinação R 2 , ajustado do modelo de efeito fixo, percebe-se que cerca de 31% das variações no crescimento econômico dos países em desenvolvimento selecionados foram explicados por alterações (INV), (PINT), (JUROS) e (INF). O resultado do MEF representado na tabela 2 indicou que as taxas de investimento tiveram maior impacto no crescimento econômico dos países em desenvolvimento do que as outras variáveis. Um aumento de 1% no investimento promove um incremento 0,28% do crescimento desses países. Os modelos de crescimento, especialmente o modelo de hiatos, explicitam a 12 13 importância da acumulação de capital físico para o incremento na capacidade produtiva de uma região ou país. Além disso, uma elevação da poupança interna em 1% aumenta o crescimento econômico dos países em desenvolvimento em 0.26%, segundo os resultados do MEF. Isso ocorre porque a maior poupança interna significa menor dependência de geração de déficits em transações correntes (poupança externa) e mais recursos disponíveis para o governo financiar o investimento público e privado. Cabe ressaltar, que o resultado anterior foi defendido por Simonen (1991). Com relação aos impactos positivos do investimento e da poupança interna sobre o crescimento econômico, os dados internacionais indicam que países que obtém maior crescimento do PIB são os que possuem maiores taxa de investimento e poupança. Isso é válido principalmente para países em desenvolvimento, como por exemplo, Índia e Chile (ver tabelas 3, 4 e 5 em anexo). Outro resultado importante do MEF, explicitado na tabela 2, foi que a taxa de juros real apresentou relação inversa com a taxa de crescimento econômico dos países selecionados, e uma redução da taxa de juros real de 1% promove um crescimento do produto percapita de 0,05%. Sendo assim, quanto maiores forem essas taxas de juros, menores serão as possibilidades de concessão de crédito e acumulação de capital. Salienta-se ainda, que alguns dos países analisados possuíam altas taxas de juros real no período 1990 a 2008, entre tais, Brasil, Bolívia, Uruguai e Equador. A inflação, variável explicativa que mensurou o grau de incerteza de cada país, apresentou uma relação negativa com o crescimento econômico desses países, conforme demonstra o resultado do MEF da tabela 1. Essa relação inversa é amplamente teorizada na literatura econômica12. O modelo de três hiatos proposto por Bacha (1989) enfatiza que países em desenvolvimento apresentam um histórico de inflação alta, e por isso, incapacidade de realizar os investimentos públicos, dessa forma, o crescimento econômico desses é restringido pelo chamado hiato fiscal. 12 Pode-se destacar a opinião de Stockman (1981) quando ele enfatiza que, em uma economia com restrição de liquidez, uma alta taxa de inflação esperada reduziria a atividade econômica, pois esta tem um efeito similar a uma taxação sobre o capital produtivo. Na concepção de Friedman (1977), a variabilidade da taxa de inflação distorce a informação contida em preços de mercado, o que contribui para a redução do crescimento do produto. Fischer (1993) encontra uma relação negativa e estaticamente significativa entre inflação e crescimento. 13 14 A partir da tabela 2.A, em anexo, relaciona-se a constante comum do MEF com o coeficiente específico de cada país, percebe-se que os coeficientes de países como Bolívia, Brasil, Costa Rica, Guatemala, Egito, Paquistão, Peru e Uruguai foram positivos, diferentemente do resultado negativo da constante do MDEF. Com isso, infere-se que a dinâmica do crescimento econômico desses países pode ser distinta dos demais que compõem a amostra. Em linhas gerais, as análises anteriores realizadas com relação ao MEF corroboram com a concepção teórica dos modelos de hiatos, ou seja, países em desenvolvimento são dependentes de poupança interna e investimento, historicamente possuem taxa de juros real alta e a presença de um elevado grau de incerteza em suas economias. 5. CONCLUSÕES Os dados internacionais demonstram que países em desenvolvimento nas duas últimas décadas apresentaram um produto interno percapita médio inferior a US$ 13.000 (ver tabela 1 em anexo). Esse período foi marcado pela mudança do paradigma na economia mundial, prevalecendo a maior liberdade comercial e financeira, o que aumentou os efeitos das crises econômicas globais, principalmente em países da periferia. Dessa forma, buscou-se verificar os fatores que explicam o crescimento econômico desses países no período 1990-2008, partindo dos pressupostos dos modelos de crescimento, principalmente associados aos países em desenvolvimento. Após as regressões efetuadas, os resultados mais robustos foram os do modelo MEF, Esses permitem afirmar que o crescimento dos países em desenvolvimento que compõem a amostra respondem: (i) positivamente a aumentos nas taxas de poupança interna e investimento e (ii) negativamente a aumentos nas taxa de juros real e ao grau de incerteza mensurado pela taxa de inflação. Ambas as afirmativas estão de acordo com a concepção dos modelos de crescimento econômico aplicados a países em desenvolvimento, conhecidos como modelo de hiatos. Em suma, os resultados da pesquisa indicaram a importância de políticas econômicas que estimulem as taxas de poupança interna e de investimento em capital fixo, assim como, a redução gradativa das taxas de juros real. Essas medidas conjuntas visam estimular o produto interno percapita dos países em desenvolvimento ao longo do tempo, e reduzir a dependência externa, 14 15 fator marcante na nova configuração da economia mundial. Dessa forma, os impactos das crises econômicas não trariam efeitos perversos a tais países. Por fim, como sugestão para trabalhos posteriores, faz-se três recomendações: I) Analisar os coeficientes específicos expostos na tabela 2.A a partir da história econômica de cada país; II) Criar variáveis dummies que mensurem a produtividade de cada país, tendo como base o nível de educação, III) Criar variáveis dummies que avaliem o impacto de crises econômicas globais sobre os países em desenvolvimento. REFERÊNCIAS ARRAES, R. A. e TELES, V. K. Endogeneidade versus Exogeneidade do Crescimento Econômico: Uma Análise Comparativa entre Nordeste, Brasil e Países Selecionados. Revista Econômica do Nordeste, Vol. 31, Edição especial, p. 754-776. Fortaleza, 2000. BACHA, E. L. Crescimento Com Oferta Limitada de Divisas: Uma Reavaliação do Modelo de Dois Hiatos. Pesquisa e Planejamento Econômico. Rio de Janeiro, 1982. ______________ Um Modelo de Três Hiatos. 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ANEXOS Tabela 1: Comparativo internacional das taxas de crescimento econômico PIB Percapita médio em US$ Período/País 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2000-2007 Países desenvolvidos ALEMANHA 25646,27 27278,62 29155,87 29640,80 CANADA FRANÇA FINLÂNDIA ITALIA JAPÃO PORTUGAL POLÔNIA 24997,60 23566,21 20292,91 23440,50 27151,98 15444,12 7317,19 27832,18 24929,65 22719,51 25304,85 28089,68 17543,15 9407,78 32290,73 27781,22 27447,11 27555,77 28486,07 19695,40 11347,00 33442,83 28319,45 28815,45 27850,00 29165,93 19728,94 12171,94 ESPANHA NORUEGA 19319,66 31529,58 21659,46 38742,45 26529,66 42594,20 27941,37 44223,22 ARGENTINA BRASIL COSTA RICA 10785,73 7790,66 7757,73 12524,97 8229,40 8692,55 12082,84 8531,35 9780,74 12973,25 8822,66 10353,15 ÍNDIA INDONÉSIA MÉXICO NIGÉRIA 2005,47 3632,64 8923,05 1285,12 2376,02 4251,44 9128,50 3874,45 2860,45 4409,21 10236,69 1593,85 3133,97 4643,95 10485,73 1810,49 PAQUISTÃO ÁFRICA DO SUL 2512,99 7651,75 2677,98 7919,37 2847,61 8786,78 3060,63 9250,72 Países em desenvolvimento TAILÂNDIA 6280,42 7300,16 7644,32 8170,59 Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial. 17 18 Tabela 2. A- Coeficientes do MDEF de cada País País Coeficiente específico ARG -0.095499 BOL BRA CHL COL CRI EQUA EGT 3.667026 3.284627 -0.897003 -0.250915 1.667306 -0.454127 1.713212 GTM IND IDN MEX PAK PAR 3.239798 -1.063734 -3.496492 -1.369146 3.219394 -0.507635 PER ZAF THA URY VEM Fonte: cálculos dos autores no Eviews 7. 1.857382 -0.534387 -5.947899 3.907932 -4.424264 Tabela 3: Comparativo internacional taxa de crescimento do produto Taxa de crescimento do produto Período/País 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2005-2008 Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica 6,79 4,10 1,35 7,33 4,31 5,55 2,25 3,89 2,05 5,43 1,41 5,40 0,35 2,71 3,03 4,00 3,37 3,29 8,32 5,04 4,47 4,50 5,68 6,35 Equador Egito Guatemala Índia Indonésia México 2,88 3,62 3,91 4,70 7,99 3,87 0,80 5,05 4,22 6,55 1,68 2,90 4,79 3,71 3,10 5,93 4,57 2,53 4,72 6,37 4,73 8,79 5,88 3,25 Paquistão Paraguai Peru 4,54 3,32 2,84 3,41 1,59 3,65 4,34 1,33 3,44 6,45 4,93 8,32 Países em desenvolvimento 18 19 Período/País 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2005-2008 0,20 2,59 3,71 4,61 Países em desenvolvimento África do Sul Tailândia 9,01 1,54 5,14 4,33 Uruguai 4,34 2,17 -0,37 6,94 Venezuela 4,04 0,89 1,75 8,47 Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial. Tabela 4: Comparativo internacional das taxas de investimento Taxa de investimento em percentual do PIB Período/País 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2005-2008 Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica 19,09 14,97 19,44 23,55 17,76 19,54 18,67 18,59 17,04 25,12 19,28 18,52 15,33 14,36 16,32 20,64 * 18,54 23,34 14,22 17,22 21,75 * 21,18 Equador Egito Guatemala Índia Indonésia México Paquistão 18,86 21,44 14,22 22,21 26,99 18,80 18,13 18,33 19,31 15,49 23,35 26,38 19,09 15,95 21,62 17,44 18,15 24,70 20,18 19,85 15,38 21,60 20,31 19,77 33,03 25,09 20,91 19,81 Países em desenvolvimento Paraguai 22,88 21,22 17,99 18,59 Peru 17,74 23,11 18,40 21,30 África do Sul 16,36 16,25 15,46 19,53 Tailândia 40,16 31,82 23,56 28,95 Uruguai 13,82 15,03 13,44 17,65 Venezuela 18,28 22,00 20,16 22,03 Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial. * Número de observações insuficiente para cálculo da média. 19 20 Tabela 5: Comparativo internacional das taxas de poupança interna Taxa de poupança interna em percentual do PIB Período/País 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2005-2008 Argentina Bolívia Brasil Chile Colômbia Costa Rica 16,93 9,05 21,62 26,57 20,97 14,26 17,14 10,53 15,40 25,30 15,63 16,57 22,01 11,32 18,12 25,17 13,68 18,62 28,34 23,07 19,46 33,56 20,43 19,19 Equador Egito Guatemala Índia Indonésia México 21,27 15,41 9,36 22,44 32,72 18,97 20,42 12,91 8,63 22,82 27,62 23,59 21,30 14,03 6,87 25,21 30,59 20,74 22,39 16,57 4,369 33,34 29,49 23,79 Paquistão Paraguai Peru África do Sul Tailândia Uruguai 15,42 14,42 16,52 20,35 35,45 16,45 14,83 12,73 18,78 18,52 35,08 14,17 16,68 12,81 18,51 18,91 31,19 15,12 14,16 17,03 27,83 17,72 34,15 19,29 Países em desenvolvimento Venezuela 23,14 29,86 34,26 38,11 Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial. 20