A NOVA ETAPA DA ECONOMIA MUNDIAL E OS DETERMINANTES DO
CRESCIMENTO ECONÔMICO DOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO: UMA
ANÁLISE EM PAINEL 1990 A 2008
Rodrigo da Rocha Gonçalves1
Rogério Piva da Silva 2
Marcelo de Oliveira Passos3
Samanda Silva da Rosa4
EJE TEMÁTICO: 1 -¿UNA NUEVA ETAPA DE LA ECONOMÍA MUNDIAL?
- Nueva etapa de la economía mundial y sus posibles efectos en los países periféricos.
RESUMO:
A nova etapa da economia mundial associado às consequentes crises econômico-financeiras tem causado efeitos
devastadores nos países periféricos e seus processos de desenvolvimento sustentável. Em linhas gerais, esses países
enfrentam diversas restrições ao seu processo de crescimento sustentado, entre tais, limitações ao nível de
investimento e poupança interna, baixa relação capital/trabalho e restrições ao balanço de pagamentos. Dessa forma,
esta pesquisa tem por objetivo analisar empiricamente os determinantes do crescimento econômico dos países em
desenvolvimento. Para que esse objetivo fosse alcançado, utilizou-se de uma pesquisa de caráter dedutivo, por meio
da análise bibliográfica e quantitativa, com a estimação de um modelo de dados em painel. Os resultados mais
robustos foram os do modelo de efeitos fixos, eles permitem afirmar que o crescimento dos países que compõem a
amostra respondem: (i) positivamente a aumentos nas taxas de poupança interna e investimento e (ii) negativamente
a aumentos nas taxa de juros real e ao grau de incerteza mensurado pela taxa de inflação. Ambas as afirmativas estão
de acordo com a concepção dos modelos de hiatos.
PALAVRAS CHAVE: Crescimento econômico. Países em desenvolvimento. Dados em painel.
Concedemos a permissão para publicação do artigo em meio digital ou impresso.
Necessitamos de recursos audiovisuais (projetor de imagem) para apresentação.
ABSTRACT: The new stage of world economy associated with the consequent economic and financial crises have
caused devastating effects in peripheral countries and their sustainable development processes. In general, these
countries face several constraints on the process of sustained growth, among such, constraints on investment and
domestic savings, low capital / labor ratio and the balance of payments constraints. Thus, this study aims to examine
empirically the determinants of economic growth in developing countries. For this objective to be accomplished, we
used a deductive research study, through literature review and quantitative analysis, with the estimation of a panel
data model. The most robust results were the ones provided by the fixed effects model, they have revealed that the
growth of countries in the sample answers: (i) positively to increases in rates of domestic savings and investment and
1
Professor Assistente do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal do
Rio Grande – Mestre em Economia – UFPEL. E-mail: [email protected].
2
Professor Associado do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal do
Rio Grande – Doutor em Economia – UAM. E-mail: [email protected].
3
Professor Adjunto do Departamento de Economia e do Mestrado em Organizações e Mercados da Universidade
Federal de Pelotas. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR. Foi bolsista de pesquisa do IPEA. E-mail:
[email protected].
4
Acadêmica do Curso de Ciências Econômicas – Universidade Federal do Rio Grande. E-mail:
[email protected].
2
(ii) negatively to increases in interest rates real and to the degree of uncertainty measured by the rate of inflation.
Both the claims are in accordance with the concept of templates gaps.
KEY WORDS: Economic growth; developing countries; panel data.
Classificação do JEL: O40. O50. C23.
1.
INTRODUÇÃO
Diante dos avanços tecnológicos e da rapidez com que as informações são transmitidas no
mundo pelos meios de comunicação, o conceito de globalização pode ser resumido a um processo
de integração mundial, ocorrendo em setores como o de comunicação, economia, finanças e
serviços. O termo abrange a significativa expansão do comércio internacional e dos fluxos de
capitais.
Uma das principais características do processo de globalização econômica é o
desenvolvimento sem precedentes do fluxo de capital internacional, especialmente nas últimas
duas décadas, em decorrência direta da liquidez do mercado internacional, da desregulamentação
das economias nacionais e das estratégias das empresas multinacionais.
As crises financeiras ocorridas em alguns países do mundo, entre os quais o México, no
final de 1994, ou em países da Ásia e na Rússia, colocaram em dúvida os benefícios do processo
de liberalização comercial e financeira. Dessa forma, com a globalização financeira e produtiva, é
primordial para os países obterem mercados eficientes que ocasionem primeiramente um controle
interno para adoção de políticas econômicas, podendo sentir menos os reflexos das crises
externas.
A crise cambial do México no final de 1994 gerou uma contração nas transferências
internacionais de capitais, afetando vários países, inclusive o Brasil. No início de 1995, alguns
destes começaram a utilizar o mecanismo de bandas cambiais e as taxas internas de juros mais
elevadas. Medidas estas, adotadas para atrair capital.
A crise financeira nos mercados do sudeste asiático, em 1997, gerou alterações no cenário
mundial, pressionou o mercado de câmbio e ocasionou significativa perda das reservas
internacionais. Posteriormente, os mercados emergentes foram afetados em 1998, como reflexo
da crise asiática do ano anterior, além da instabilidade na Rússia. Os investidores voltaram-se aos
ativos de menor risco, limitando seus recursos aos países em desenvolvimento, ocasionando a
2
3
retração da liquidez externa. Assim, houve perda excessiva de reservas internacionais por parte
de alguns países, inclusive o Brasil, que acabou voltando ao sistema de livre flutuação.
Nos primeiros anos do século XXI, a economia mundial entra em um ciclo de expansão,
com elevação do produto interno bruto de diversos países, oriundos da maior liquidez do mercado
de capitais, do aumento expressivo dos fluxos comerciais e da redução da incerteza do cenário
macroeconômico internacional.
Entretanto, em 2008, o cenário financeiro foi marcado pela crise americana das hipotecas
chamada subprime. Porém, no ano de 2001, houve os primeiros indícios desta crise, a partir da
especulação imobiliária nos EUA, associada com os baixos juros e com as boas condições de
financiamento. Com isso, muitas pessoas compraram imóveis e se endividaram. Os juros
subiram, a economia desacelerou e a inadimplência aumentou. “Os bancos que emprestaram
dinheiro começam a mostrar o rombo. Além disso, o preço dos imóveis caiu. Pagando uma
prestação mais alta e com o valor do bem menor, os norte-americanos reduziram o consumo”.
(CARVALHO, 2008, Pág. 17-18).
O aumento da taxa de juros de 1% para 5,25% pelo Federal Reserve, entre o segundo
trimestre de 2004 e o segundo trimestre de 2007 foi determinante para que em pouco tempo, os
tomadores das hipotecas subprime não conseguissem honrar seus compromissos. Segundo Júnior
e Filho (2008), a crise continuou se agravando, pois, em meados de setembro de 2008, as
autoridades americanas decidiram não prover apoio financeiro ao banco de investimentos
Lehman Brothers, culminando na sua falência.
A nova configuração da economia mundial, fruto do processo de abertura comercial e
financeira do final da década de 80, pode resultar em crises econômicas globais, as quais têm
consequências adversas, entre tais, volatilidade no fluxo de capitais e contração do comércio
internacional, fatos danosos, principalmente aos países em desenvolvimento.
Países em desenvolvimento geralmente possuem um padrão de vida médio e um Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) variando entre médio e elevado, segundo dados do Relatório de
Desenvolvimento Humano (2010). Além disso, estudos recentes indicam que a dinâmica de
crescimento econômico desses países difere dos desenvolvidos, fato que pode ser observado na
tabela 1 em anexo, a qual demonstra as diferenças de renda percapita entre tais países.
Com o intuito de analisar as restrições ao crescimento econômico dos países em
desenvolvimento, Chenery e Bruno (1962) formalizaram o chamado modelo de dois hiatos,
3
4
seguindo a fundamentação teórica Harrod (1948) e Domar (1957). Mais adiante, Bacha (1989 e
1990) inseriu o hiato fiscal, originando o modelo de três hiatos.
A nova etapa da economia mundial, associada às consequentes crises econômicofinanceiras, tem causado efeitos devastadores, principalmente aos países em desenvolvimento, os
quais enfrentam diversas restrições ao seu processo de crescimento sustentado. Sendo assim, o
objetivo deste artigo é analisar os fatores determinantes do crescimento econômico desses
países. Para que isso fosse alcançado, utilizou-se de uma pesquisa de caráter dedutivo, por meio
da análise bibliográfica e quantitativa, com a estimação de um modelo de dados em painel,
através da coleta de dados em organismos internacionais.
Quanto à estrutura da pesquisa, após a introdução, na seção 2, realizou-se uma revisão de
literatura dos modelos de crescimento econômico e de hiatos. Na seção 3, apresentam-se os
dados e os procedimentos metodológicos. Na seção 4, os resultados serão descritos e discutidos,
enquanto que a seção 5 apresentará as conclusões da pesquisa.
2. TEORIAS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO
2.1 Modelos Neoclássicos de crescimento econômico
Nesta seção, realiza-se uma análise da teoria Neoclássica do crescimento, baseando-se em
trabalhos como Solow (1956), Swan (1956), Lucas (1988), Romer (1986, 1990), Simonsen
(1991). Os quais teorizam sobre as principais variáveis que afetam a dinâmica de crescimento dos
países.
Os modelos neoclássicos exógenos explicitam que a acumulação de capital é propulsora do
crescimento econômico. Entre tais modelos, os de Solow e Swan, utilizam uma função de
produção que busca satisfazer a condição de proporções flexíveis no uso dos fatores. A
concepção dos autores é que a produtividade marginal do capital é decrescente, sendo assim, os
países pobres crescem mais rapidamente que os países ricos, à medida que os primeiros possuem
baixas taxas de acumulação de capital.
O modelo de Solow (1956) conclui que a propensão marginal a poupar determina somente
a relação capital-trabalho e a velocidade do ajustamento da economia ao estado estacionário, a
qual é determinada exogenamente pelas taxas de progresso tecnológico e de crescimento
4
5
populacional. Adicionalmente, aumentos na taxa de poupança proporcionam apenas a passagem
da economia de um estado estacionário para o outro.
As principais diferenças entre os modelos exógenos e endógenos são sumarizadas por
Arraes e Teles (2000), seguem abaixo:
i. Os modelos tradicionais enfatizam o capital físico como força motriz do crescimento
econômico, enquanto os modelos endógenos atribuem a mudança tecnológica e ao
estoque de capital humano – ambos sendo encarados como mensurações do nível de
conhecimento agregado do modelo de ROMER (1986) – o papel de força motriz do
crescimento;
ii. Os modelos de crescimento exógeno, ao contrário dos modelos endógenos, não
levam em consideração a possibilidade de ocorrer alteração no preço do processo de
difusão do conhecimento diante de alterações nos parâmetros tecnológicos da
economia;
iii. Os modelos de crescimento endógeno permitem um melhor entendimento da
dinâmica dos efeitos da política econômica em geral sobre diferentes patamares de
crescimento, na medida em que políticas de comércio exterior, fiscal, educacional, de
distribuição de renda, de formação de infraestrutura e de incentivos ao progresso
tecnológico constituem-se em externalidades ao processo produtivo (spillovers).
iv. Os modelos de crescimento endógeno abrem a possibilidade teórica de existir
divergência entre os níveis de renda de economias distintas. Arraes e Teles (2000, Pág.
575).
Simonsen (1991) realizou um estudo importante dos principais modelos de crescimento
econômico, pertencentes à controvérsia Cambridge-Cambridge5, o autor teve como objetivo
explicar como as taxas de poupança afetam o crescimento econômico dos países no longo prazo.
Segundo Simonsen (1991), o modelo de Solow (1956) omitiu essa relação.
Na concepção de Simonsen (1991), a controvérsia Cambridge-Cambridge, com os modelos
de Solow (1956), Kaldor-Pasinetti (1974) e a síntese de Samuelson e Modigliani (1966), também
pouco adicionou de prático a teoria do crescimento econômico. O fulcro da discussão era saber se
a relação capital/produto se adaptava à taxa de poupança, como no modelo de Solow (1956), ou
se a taxa de poupança se ajustava à relação capital/produto, como no de Kaldor-Pasinetti.
SIMONSEN (1991).
Segundo Simonsen (1991) o mérito dos modelos Solow, Kaldor-Pasinetti e a síntese de
Samuelson e Modigliani era revelar que, na ausência de progresso tecnológico, o produto per
capita não poderia crescer geometricamente. O problema é que, nesses modelos, o progresso
5
As evidências do modelo de Solow (1956) geraram algumas controvérsias na teoria de crescimento econômico por
cerca de 20 anos. A fundamental dessas é que o crescimento de longo prazo e a poupança não mantinham relação de
dependência. Essas prerrogativas do modelo de Solow (1956) foram conhecidas como a controvérsia CambridgeCambridge, com isso, as contribuições subsequentes de Kaldor (1956); Samuelson e Modigliani (1966) e Pasinetti
(1974), pouco acrescentaram para o restabelecimento das ideias iniciais do modelo de Harrod-Domar, o qual inferia
que o crescimento era afetado pela taxa de poupança.
5
6
tecnológico caía do céu. Além disso, a taxa de crescimento a longo prazo da economia dependia,
essencialmente, da taxa de progresso tecnológico, sendo pouco ou nenhum papel reservado a taxa
de poupança.
Lucas (1988) teve relevância na teoria do crescimento econômico, introduzindo o capital
humano na função de produção. Para ele, quanto menores forem as taxas de desconto das
utilidades do consumo futuro, maiores serão as taxas de poupança. Os investimentos em capital
humano e as taxas de crescimento a longo prazo são o resultado conjunto de menores taxas de
desconto das utilidades do consumo futuro.
Visando remodelar a teoria do crescimento econômico, Romer (1986, 1990) e Lucas (1988)
como outros, endogenizaram o progresso tecnológico, considerando tecnologia e capital humano
como essenciais para afetar o rendimento dos fatores produtivos. Os autores desses modelos
consideram o estoque de capital físico como um índice de conhecimento acumulado e de
experiências do tipo learning by doing, de forma a gerar externalidades que promovem
rendimentos crescentes no uso dos fatores ou spillovers ARRAES e TELES (2000).
2. 2. Crescimento econômico em países em desenvolvimento: Modelo de hiatos
2. 2. 1. Modelo de Hiatos6
As primeiras discussões sobre a necessidade de ajuda externa para o crescimento
econômico ocorreram nos anos 40 e 50, após a Segunda Guerra Mundial e a reconstrução da
Europa. Ao final dos anos 40, a percepção da existência de restrição ao crescimento econômico
de uma nação tornou-se bastante difundida entre os economistas norte-americanos, europeus e
latino-americanos. O norte-americano Hollis Chenery argumentou que essas restrições eram
oriundas da escassez de dólares.
Por outro lado, os economistas latino-americanos, cuja maior parte pertência a Comissão
Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), órgão da Organização das Nações Unidas
(ONU), acreditavam que tal restrição ocorria em decorrência do chamado estrangulamento
externo dos países em processo de desenvolvimento. O principal teórico que defendeu esta
análise foi o argentino Raul Prebisch.
6
As considerações sobre modelo de hiatos foram realizadas com base na dissertação de mestrado do autor.
6
7
O modelo de dois hiatos, desenvolvido inicialmente por Chenery (1950) e formalizado por
Chenery e Bruno (1962), foi concebido para analisar as restrições ao crescimento econômico dos
países em desenvolvimento, especialmente o caso de Israel. Ele se fundamenta no modelo
Harrod-Domar7, incluindo a análise de uma economia aberta. A análise defende que os países em
desenvolvimento enfrentam duas limitações ao investimento: a insuficiência de reservas em
moeda estrangeira (hiato de divisas) e a escassez de poupanças pública, privada e externa.
O modelo de dois hiatos na visão de Damico (1984. p. 86) é essencialmente de um modelo
de crescimento:
“Trata-se de um modelo dinâmico de crescimento baseado na noção de acelerador de
Harrod-Domar que permite prever uma taxa de crescimento equilibrado do tipo "fio da
navalha". Partindo da visão clássica do financiamento externo como mera edição à
poupança interna tomada como necessariamente insuficiente, As conseqüências
normativas advindas da concepção clássica de estrangulamento do crescimento por
insuficiência de poupança interna são claras: i) aumento da propensão a poupar, via
concentração de renda ou pela potencializarão de um mercado de capitais; ii) elevação
da relação produto-capital”. (DAMICO, 1984. p. 860).
Bacha (1982) enfatiza que o modelo de dois hiatos, com o progresso da liberalização
comercial e financeira entre os países industriais, o florescimento das exportações mundiais e o
aumento da complexidade das relações econômicas (fluxo de capitais e mercadorias), gerou
descrédito entre os economistas com relação aos seus resultados, especialmente os ortodoxos.
Dessa forma, Bacha (1982) propõe uma reavaliação do modelo de dois hiatos, considerando a sua
importância na interpretação das condições econômicas dos países em desenvolvimento nos anos
80 maior do que a dos modelos alternativos da escola neoclássica.
No entendimento de Zini Jr. (1995, pág. 90), “o modelo de dois hiatos vem da literatura
sobre desenvolvimento econômico e aborda os fatores que limitam o crescimento de um país”.
Portanto, pode ser considerado um modelo de crescimento e não um modelo de estabilização. Ele
se orienta para questões de política econômica e integra ideias e preocupações existentes entre
teóricos de desenvolvimento, dentre os quais se podem destacar Chenery e Bruno (1962),
Chenery e Strout (1966) e Mckinnon (1964).
A idéia básica do modelo de dois hiatos, segundo Junior (1995) é:
“Nos países em desenvolvimento o crescimento é constrangido pela falta de recursos e
não pela falta de oportunidades de investir. O crescimento pode ser constrangido pela
7
Segundo Simonsen (1995. p.490), o chamado modelo de Harrod-Domar é uma adaptação das contribuições Harrod
(1948) e Domar (1957) à teoria do crescimento econômico e cuja formalização se dá em uma economia fechada.
Embora se constituam em estudos separados, o modelo recebeu essa denominação devido à similaridade entre os
resultados obtidos na abordagem das determinantes das taxas de crescimento.
7
8
poupança doméstica insuficiente para derivar investimento necessário, bem como pela
falta de moeda estrangeira necessária para importar as máquinas e equipamentos
requeridos pela indústria.”(JUNIOR.1995. p. 90).
Adicionalmente ao modelo de dois hiatos, Bacha (1989) expõe um terceiro hiato,
chamado de hiato fiscal, que ocorre devido às dificuldades de investimentos públicos em
infraestrutura e em indústria de base por parte dos países em desenvolvimento. Tais dificuldades
se explicam pelas restrições orçamentárias governamentais, motivadas pelas altas taxas de
inflação e por outros desequilíbrios macroeconômicos. Dessa forma, o investimento privado é
condicionado pela incapacidade de geração de poupança pública.
O modelo de três hiatos proposto por Bacha (1989) é considerado uma extensão do modelo
de dois hiatos de Chenery e Bruno (1962). A derivação completa do modelo de três hiatos pode
ser visualizada em Bacha (1989).
Resumidamente, segundo Bacha (1989), o modelo de três hiatos é um exercício de
maximização do investimento, considerado como:
“Um modelo de crescimento de um período com preços fixos, sujeito a algumas
restrições representadas por: i) equações, entre tais, em igualdade: renda e absorção;
identidade do balanço de pagamento e a igualdade entre os fluxos de oferta e demanda, e
por restrições em desigualdade: a renda observada não pode ser maior que a potencial as
exportações realizadas não podem superar a por exportações; e o investimento privado
não pode ser maior do que K*, além disso, são consideradas predeterminadas as
seguintes variáveis: consumo privado; as importações de não sejam em bens de capital;
superávit na conta corrente do orçamento do governo; taxa de inflação; e as
transferências externas; e ii) inequações.” (BACHA. 1989. p. 219).
Um resultado inicial do modelo de três hiatos é que o conceito de transferências externas é
mais relevante do que o de poupança externa para analisar as interações financeiras entre o país
em desenvolvimento e o resto do mundo. Isso ocorre porque o cálculo da poupança externa não
leva em conta as saídas a título de serviços de fatores, as quais são internamente predeterminadas
pela dinâmica interna da política econômica.
Outro resultado do modelo é o de que a restrição fiscal pode ser definida
independentemente da restrição global de poupança. Para isso, são necessárias as seguintes
condições, as quais correspondem à realidade de muitos países em desenvolvimento: 1) a de que
nos países de industrialização tardia o investimento público seja complementar ao privado; e 2) a
de que o mercado doméstico de capitais seja restrito, o que leva à necessidade da existência da
senhoriagem ou do imposto inflacionário, como únicas alternativas para o financiamento dos
déficits públicos dos governos desses países.
8
9
Bender e Lowenstein (2005) realizaram uma aplicação empírica do modelo de dois hiatos
com uma reformulação baseada nos modelos de crescimento neoclássicos. Para um conjunto de
países, constataram que o coeficiente de poupança doméstica tem uma correlação positiva com o
nível de investimento e com as taxas de crescimento do produto.
3. BASE DE DADOS, PAÍSES DA AMOSTRA E METODOLOGIA
3.1. Base de dados
Com o objetivo de analisar os determinantes do crescimento dos países em
desenvolvimento 1990-2008, será utilizada a metodologia bibliográfica e quantitativa com a
utilização de um modelo de dados em painel8, com variáveis oriundas dos modelos de
crescimento, as quais são explicitadas abaixo:
Crescimento econômico (CRESC): Considerou-se a taxa de variação do PIB percapita real de
cada pais, a série foi extraída Development Research Institute9, com ano base 1990.
Taxa de investimento (INV): Taxa de investimento de cada país em percentual do PIB. A série
foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990;
Poupança interna (PINT): A soma das poupanças pública e privada em percentual do PIB. A série
foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990;
Taxa de juros real (JUROS): A variação da taxa de juros real em cada país. A série foi extraída
do Development Research Institute, com ano base 1990;
Inflação (INF): A variação da taxa inflação, serve como referência da incerteza em cada país,
série foi extraída do Development Research Institute, com ano base 1990;
Exportação (X): Taxa de exportação de cada país em percentual do PIB. A série foi extraída do
Development Research Institute, com ano base 1990.
Cabe ressaltar, que o conjunto de dados coletados das variáveis anteriores está expresso em
termos reais.
8
Para mais informações sobre dados em painel, ver em Greene (2002), Gujarati (2003), Johnston e Dinardo (1997),
Wooldridge (2002).
9
Todas as séries extraídas do Development Research Institute tem fonte primária. O Fundo Monetário Internacional
e o Banco Mundial e estão disponíveis em: http://nyudri.org/resources/global-development-network-growthdatabase/
9
10
Os países em desenvolvimento que compõem a amostra10 foram selecionados com base na
definição do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) das nações Unidas. Considerou-se
também a disponibilidade de séries históricas de cada país.
3.2. Dados de painel11
Para analisar empiricamente os determinantes do crescimento econômico dos países em
desenvolvimento de 1990-2008, utilizou-se a metodologia de dados em painel. O uso de dados
em painel deve-se a disponibilidade de dados de corte para todos os países que compõem a
amostra, mas poucos com série de tempo; além de apresentar a vantagem de contar com mais
graus de liberdade do que análise cross-section. Dessa forma, o resultado obtido na regressão de
dados de painel possui maior confiabilidade e robustez.
Considere a seguinte especificação, segundo Wooldridge (2002), a respeito da estimação
em dados de painel:
Onde as unidades de cross-section possuem n>1 e períodos T > 1:
Yit  X itj    it
(1)
 it   it  it
(2)
Onde:
Yit = o valor da variável dependente para a unidade i no instante t, sendo i = 1,..., n e t = 1,... T;
X itj = o valor da j-ésima variável explicativa para a unidade i no instante t (onde há j = 1,..., K);
 it = termo de erro para i-ésima unidade em t.
Cabe ressaltar que os modelos de dados de painel são diferenciados pelos seus  it , que são
constituídos por um elemento que varia com i, mas que permanece constante ao longo do tempo,
podendo ser correlacionado com as variáveis explicativas, representadas por  it e um
componente que varia não sistematicamente com i e t, representado por  it .
10
Os países da amostra são: Argentina (ARG), Bolívia (BOL), Brasil (BRA), Chile (CHL), Colômbia (COL), Costa
Rica (CRI), Equador (EQUA), Egito (EGT). Guatemala (GTM), Índia (IND), Indonésia (IDN), México (MEX),
Paquistão (PAK), Paraguai (PAR), Peru (PER), África do Sul (ZAF), Tailândia (THA), Uruguai (URY) e Venezuela
(VEN).
11
Mais detalhes ver Greene 2000 e Johnston e Dinardo 1997.
10
11
Se  it , não for correlacionado com X itj , origina o chamado modelo de efeitos aleatórios
(MEA). Já se  it , for correlacionado com X itj , temos o modelo de efeitos fixos (MEF).
O modelo de dados de painel admite o uso de dois estimadores com distintas propriedades:
se os efeitos não estão correlacionados com as variáveis explicativas, o estimador de MEA é
consistente eficiente, e neste caso o estimador de MEF originará estimativa consistente, no
entanto não eficiente. Contudo, se os efeitos estão correlacionados com as variáveis explicativas,
o estimador de MEF é consistente e eficiente, enquanto o de MEA é não consistente. Através da
verificação do teste de Hausman (1978), pode escolher por uma ou outra especificação. A
estatística deste teste terá sob a hipótese nula que o estimador de MEA é o mais adequado,
distribuição assintótica de um  2 com k graus de liberdade.
Para atender o objetivo do trabalho, vamos usar um modelo de painel desequilibrado, ou
seja, com diferente número de observações para cada unidade seccional, onde as unidades de
cross-section possuem n>1 e períodos T > 1. O modelo a ser estimado segue abaixo:
Modelo (1)
cresc a i  B1 P int it  B 2 Inv it  B 3 Juros it  B 4 Inf it B 5 X it u it
(1)
Onde: Crescit é a variação do PIB Percapita de cada país i do período t ; P int it poupança
interna de cada país i no período t ; INVit taxa de investimento de cada país i no período t ;
JUROSit taxa de juros real de cada pais i no período t ; INFit taxa de inflação de cada país i no
período t , X it são as exportações de cada país i no período t , e u it é o termo de erro aleatório
(ruído branco). Considerando t  (1,2,3...............T ) onde 1  1990 e T  2008 .
4. RESULTADOS
Abaixo, faz-se a exposição dos resultados obtidos com suas respectivas análises. A variável
dependente é a variação do PIB percapita real (CRESC). A tabela 2 apresenta os resultados das
regressões. A definição entre os modelos MEF e MEA ocorreu levando em consideração: i) O
teste de Hausman; ii) Equilíbrio dos dados no painel. Os critérios anteriores indicaram o modelo
de efeito fixo.
11
12
TABELA 2 – Estimação dos determinantes do crescimento econômico dos países em desenvolvimento
Modelo I
Modelo II
MEF
MEA
-7.758159***
-2.094476*
(-4.276892)
(-1.982309)
0.282615***
0.190274***
(4.351330)
(3.881671)
0.265302***
0.095912**
(4.131376)
(2.595152)
-0.054695**
-0.038713**
(-2.946505)
(-2.755436)
-0.001612***
-0.001510***
(-3.411160)
(-3.340825)
-0.007472
-0.027521
X
(-0.217191)
(-1.489348)
R²
0.319476
0.175864
Estatística F
6.021285
13.35832
319
319
Variáveis independentes
Constante
INV
PINT
JUROS
INF
Nº. Obs.
35.171765
Teste Hausman
(0.0000)
FONTE: cálculos efetuados no software Eviews 7.
Obs. 1: *** significativo a 1%, ** significativo a 5% e * significativo a 10%
Obs. 2: Os números entre parênteses representam os valores dos testes t.
Os resultados explicitados na tabela 2 do MEF demonstram que apenas a variável
exportação (X) não se mostrou estatisticamente significante com a variável dependente. Por outro
lado, as variáveis: investimento (INV); Poupança interna (PINT); taxa de juros real (JUROS) e
taxa de inflação foram estatisticamente significantes com a variável dependente. Analisando o
coeficiente de determinação R 2 , ajustado do modelo de efeito fixo, percebe-se que cerca de 31%
das variações no crescimento econômico dos países em desenvolvimento selecionados foram
explicados por alterações (INV), (PINT), (JUROS) e (INF).
O resultado do MEF representado na tabela 2 indicou que as taxas de investimento tiveram
maior impacto no crescimento econômico dos países em desenvolvimento do que as outras
variáveis. Um aumento de 1% no investimento promove um incremento 0,28% do crescimento
desses países. Os modelos de crescimento, especialmente o modelo de hiatos, explicitam a
12
13
importância da acumulação de capital físico para o incremento na capacidade produtiva de uma
região ou país.
Além disso, uma elevação da poupança interna em 1% aumenta o crescimento econômico
dos países em desenvolvimento em 0.26%, segundo os resultados do MEF. Isso ocorre porque a
maior poupança interna significa menor dependência de geração de déficits em transações
correntes (poupança externa) e mais recursos disponíveis para o governo financiar o investimento
público e privado. Cabe ressaltar, que o resultado anterior foi defendido por Simonen (1991).
Com relação aos impactos positivos do investimento e da poupança interna sobre o
crescimento econômico, os dados internacionais indicam que países que obtém maior
crescimento do PIB são os que possuem maiores taxa de investimento e poupança. Isso é válido
principalmente para países em desenvolvimento, como por exemplo, Índia e Chile (ver tabelas 3,
4 e 5 em anexo).
Outro resultado importante do MEF, explicitado na tabela 2, foi que a taxa de juros real
apresentou relação inversa com a taxa de crescimento econômico dos países selecionados, e uma
redução da taxa de juros real de 1% promove um crescimento do produto percapita de 0,05%.
Sendo assim, quanto maiores forem essas taxas de juros, menores serão as possibilidades de
concessão de crédito e acumulação de capital. Salienta-se ainda, que alguns dos países analisados
possuíam altas taxas de juros real no período 1990 a 2008, entre tais, Brasil, Bolívia, Uruguai e
Equador.
A inflação, variável explicativa que mensurou o grau de incerteza de cada país, apresentou
uma relação negativa com o crescimento econômico desses países, conforme demonstra o
resultado do MEF da tabela 1. Essa relação inversa é amplamente teorizada na literatura
econômica12. O modelo de três hiatos proposto por Bacha (1989) enfatiza que países em
desenvolvimento apresentam um histórico de inflação alta, e por isso, incapacidade de realizar os
investimentos públicos, dessa forma, o crescimento econômico desses é restringido pelo chamado
hiato fiscal.
12
Pode-se destacar a opinião de Stockman (1981) quando ele enfatiza que, em uma economia com restrição de
liquidez, uma alta taxa de inflação esperada reduziria a atividade econômica, pois esta tem um efeito similar a uma
taxação sobre o capital produtivo. Na concepção de Friedman (1977), a variabilidade da taxa de inflação distorce a
informação contida em preços de mercado, o que contribui para a redução do crescimento do produto. Fischer (1993)
encontra uma relação negativa e estaticamente significativa entre inflação e crescimento.
13
14
A partir da tabela 2.A, em anexo, relaciona-se a constante comum do MEF com o
coeficiente específico de cada país, percebe-se que os coeficientes de países como Bolívia, Brasil,
Costa Rica, Guatemala, Egito, Paquistão, Peru e Uruguai foram positivos, diferentemente do
resultado negativo da constante do MDEF. Com isso, infere-se que a dinâmica do crescimento
econômico desses países pode ser distinta dos demais que compõem a amostra.
Em linhas gerais, as análises anteriores realizadas com relação ao MEF corroboram com a
concepção teórica dos modelos de hiatos, ou seja, países em desenvolvimento são dependentes de
poupança interna e investimento, historicamente possuem taxa de juros real alta e a presença de
um elevado grau de incerteza em suas economias.
5. CONCLUSÕES
Os dados internacionais demonstram que países em desenvolvimento nas duas últimas
décadas apresentaram um produto interno percapita médio inferior a US$ 13.000 (ver tabela 1 em
anexo). Esse período foi marcado pela mudança do paradigma na economia mundial,
prevalecendo a maior liberdade comercial e financeira, o que aumentou os efeitos das crises
econômicas globais, principalmente em países da periferia. Dessa forma, buscou-se verificar os
fatores que explicam o crescimento econômico desses países no período 1990-2008, partindo dos
pressupostos dos modelos de crescimento, principalmente associados aos países em
desenvolvimento.
Após as regressões efetuadas, os resultados mais robustos foram os do modelo MEF, Esses
permitem afirmar que o crescimento dos países em desenvolvimento que compõem a amostra
respondem: (i) positivamente a aumentos nas taxas de poupança interna e investimento e (ii)
negativamente a aumentos nas taxa de juros real e ao grau de incerteza mensurado pela taxa de
inflação. Ambas as afirmativas estão de acordo com a concepção dos modelos de crescimento
econômico aplicados a países em desenvolvimento, conhecidos como modelo de hiatos.
Em suma, os resultados da pesquisa indicaram a importância de políticas econômicas que
estimulem as taxas de poupança interna e de investimento em capital fixo, assim como, a redução
gradativa das taxas de juros real. Essas medidas conjuntas visam estimular o produto interno
percapita dos países em desenvolvimento ao longo do tempo, e reduzir a dependência externa,
14
15
fator marcante na nova configuração da economia mundial. Dessa forma, os impactos das crises
econômicas não trariam efeitos perversos a tais países.
Por fim, como sugestão para trabalhos posteriores, faz-se três recomendações: I) Analisar
os coeficientes específicos expostos na tabela 2.A a partir da história econômica de cada país; II)
Criar variáveis dummies que mensurem a produtividade de cada país, tendo como base o nível de
educação, III) Criar variáveis dummies que avaliem o impacto de crises econômicas globais
sobre os países em desenvolvimento.
REFERÊNCIAS
ARRAES, R. A. e TELES, V. K. Endogeneidade versus Exogeneidade do Crescimento
Econômico: Uma Análise Comparativa entre Nordeste, Brasil e Países Selecionados. Revista
Econômica do Nordeste, Vol. 31, Edição especial, p. 754-776. Fortaleza, 2000.
BACHA, E. L. Crescimento Com Oferta Limitada de Divisas: Uma Reavaliação do Modelo de
Dois Hiatos. Pesquisa e Planejamento Econômico. Rio de Janeiro, 1982.
______________ Um Modelo de Três Hiatos. Pesquisa e Planejamento Econômico, Rio de
Janeiro, vol. 19, n.2, p. 213-232, ago/1989.
________________A three-Gap Model of Foreign Transfers and the GDP Growth Rate in
Developing Countries. Journal of Development economics, vol. 32, 1990.
BENDER, D. e L0WENSTEIN, W. Two- Gap models: Pos-Keynesian Death and Neoclassical
Rebirth. Institute of development Research and development Policy. Working paper, Volume
180, 2005.
CARVALHO, F. C. de [etal]. Entendendo a crise global. Dossiê da crise, pág. 16-22, Nov. 2008.
Disponível em http://www.ppge.ufrgs.br/akb, acessado 26/08/2012.
CHENERY, H. e BRUNO, M. Development alternatives in an open economy. Economic
Journal. [S.l.: s.n.]: 1962, v. 72.
DAMICO, F. S. O modelo de dois hiatos e o caso brasileiro recente. Revista de análise
econômica UFRGS, ano II, nº 3. p. 85-104, 1984.
DOMAR, E. D. Essays in the theory of economic growth. Oxford University Press, 1957.
EASTERLY.W. Dados macroeconômicos. Development Research Institute. Disponível em <
http://dri.as.nyu.edu/object/dri.resources.growthdatabase >. Acessado em 08/03/2012.
FISCHER, S.; “The Role of Macroeconomic Factors in Growth”. Journal of Monetary
Economics, 32, 485-512, 1993.
15
16
FRIEDMAN, B.; “Empirical Issues in Monetary Policy: A Review of Monetary Aggregates and
Monetary Policy”. Journal of Monetary Economics, 3, 87–101, 1977.
GREENE, W. H. Econometric analysis. 5. ed. Prentice-Hall; 2002.
GUJARATI N. D. Basic Econometrics, 4th Edition. New York: McGraw-Hill, 2003
HARROD, R. F. Towards a dynamic economics. McMillan, 1948.
JOHNSTON, J.; DINARDO, J. Econometric Methods, 4ª edição. MC Graw Hill, New York,
1997.
JONES, C. “R&D-Based Models of Economic Growth”. Journal of Political Economy, v.103,
n.4, p.759-784, August 1995 (1995a).
JUNIOR, Á. A. Z. Taxa de câmbio e política cambial no Brasil. 2ª edição. Editora da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995.
JÚNIOR, G. R. B. e FILHO, E. T. T. Analisando a crise do subprime. Revista BNDES, pág. 129159, Dez. 2008.
LUCAS, R. “On the Mechanics of Economic Development”. Journal of Monetary Economics,
v.22, n.1, p.3-42. 1988.
_________. “Why Doesn´t Capital Flow from Rich to Poor Countries?”. American Economic
Review, v.80, n.2, p.92-96, may 1990.
MCKINNON, R. I. Foreign exchange constraints in economic development and efficient aid
allocation. The Economic Journal, Vol.74, n.294, p.388-409, Jun. 1964.
PASINETTI, L. L. Growth and income distribution. Cambridge University Press,1974.
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. Relatório de
Desenvolvimento Humano 2010. Disponível em: http://www.pnud.org.br/. Acessado em
15/04/2012.
ROMER, P. “Endogenous Technological Change”. Journal of Political Economy, v.98, n.5,
p.S71-S102. October 1990.
__________. “Increasing Returns and Long-Run Growth”. Journal of Political Economy, v.94,
n.5, p.1002-37. 1986.
SAMUELSON, P. A. & MODOGLIANI, F. The Pasinetti paradox in neoclassical and more
general models. The Review of Economic Studies, p. 269-301, 1966.
SIMONSEN, M. H. Poupança e Crescimento econômico. Revista brasileira de economia. nº.45
(1), 1991.
16
17
SOLOW. R. M. A contribution to the theory of economic growth. The quarterly journal of
economics, p. 65-94, 1956.
STOCKMAN, A.; “Anticipated Inflation and the Capital Stock in a Cash-in-Advance Economy”
Journal of Monetary Economics, 8, 387 – 393, 1981.
SWAN, T. W. “Economic Growth and Capital Accumulation”. The Economic Record, v.32, p.
334-61. November 1956.
TAYLOR, L. Gap models. Journal of Development Economics, Vol.45, n.1, p.17-34, 1994.
WOOLDRIDGE J.M. Introductory Econometrics, 2ª Edição, New York: Thomson, 2002.
ANEXOS
Tabela 1: Comparativo internacional das taxas de crescimento econômico
PIB Percapita médio em US$
Período/País
1990-1994
1995-1999
2000-2004
2000-2007
Países desenvolvidos
ALEMANHA
25646,27
27278,62
29155,87
29640,80
CANADA
FRANÇA
FINLÂNDIA
ITALIA
JAPÃO
PORTUGAL
POLÔNIA
24997,60
23566,21
20292,91
23440,50
27151,98
15444,12
7317,19
27832,18
24929,65
22719,51
25304,85
28089,68
17543,15
9407,78
32290,73
27781,22
27447,11
27555,77
28486,07
19695,40
11347,00
33442,83
28319,45
28815,45
27850,00
29165,93
19728,94
12171,94
ESPANHA
NORUEGA
19319,66
31529,58
21659,46
38742,45
26529,66
42594,20
27941,37
44223,22
ARGENTINA
BRASIL
COSTA RICA
10785,73
7790,66
7757,73
12524,97
8229,40
8692,55
12082,84
8531,35
9780,74
12973,25
8822,66
10353,15
ÍNDIA
INDONÉSIA
MÉXICO
NIGÉRIA
2005,47
3632,64
8923,05
1285,12
2376,02
4251,44
9128,50
3874,45
2860,45
4409,21
10236,69
1593,85
3133,97
4643,95
10485,73
1810,49
PAQUISTÃO
ÁFRICA DO SUL
2512,99
7651,75
2677,98
7919,37
2847,61
8786,78
3060,63
9250,72
Países em desenvolvimento
TAILÂNDIA
6280,42
7300,16
7644,32
8170,59
Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial.
17
18
Tabela 2. A- Coeficientes do MDEF de cada País
País
Coeficiente específico
ARG
-0.095499
BOL
BRA
CHL
COL
CRI
EQUA
EGT
3.667026
3.284627
-0.897003
-0.250915
1.667306
-0.454127
1.713212
GTM
IND
IDN
MEX
PAK
PAR
3.239798
-1.063734
-3.496492
-1.369146
3.219394
-0.507635
PER
ZAF
THA
URY
VEM
Fonte: cálculos dos autores no Eviews 7.
1.857382
-0.534387
-5.947899
3.907932
-4.424264
Tabela 3: Comparativo internacional taxa de crescimento do produto
Taxa de crescimento do produto
Período/País
1990-1994
1995-1999
2000-2004
2005-2008
Argentina
Bolívia
Brasil
Chile
Colômbia
Costa Rica
6,79
4,10
1,35
7,33
4,31
5,55
2,25
3,89
2,05
5,43
1,41
5,40
0,35
2,71
3,03
4,00
3,37
3,29
8,32
5,04
4,47
4,50
5,68
6,35
Equador
Egito
Guatemala
Índia
Indonésia
México
2,88
3,62
3,91
4,70
7,99
3,87
0,80
5,05
4,22
6,55
1,68
2,90
4,79
3,71
3,10
5,93
4,57
2,53
4,72
6,37
4,73
8,79
5,88
3,25
Paquistão
Paraguai
Peru
4,54
3,32
2,84
3,41
1,59
3,65
4,34
1,33
3,44
6,45
4,93
8,32
Países em desenvolvimento
18
19
Período/País
1990-1994
1995-1999
2000-2004
2005-2008
0,20
2,59
3,71
4,61
Países em desenvolvimento
África do Sul
Tailândia
9,01
1,54
5,14
4,33
Uruguai
4,34
2,17
-0,37
6,94
Venezuela
4,04
0,89
1,75
8,47
Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial.
Tabela 4: Comparativo internacional das taxas de investimento
Taxa de investimento em percentual do PIB
Período/País
1990-1994
1995-1999
2000-2004
2005-2008
Argentina
Bolívia
Brasil
Chile
Colômbia
Costa Rica
19,09
14,97
19,44
23,55
17,76
19,54
18,67
18,59
17,04
25,12
19,28
18,52
15,33
14,36
16,32
20,64
*
18,54
23,34
14,22
17,22
21,75
*
21,18
Equador
Egito
Guatemala
Índia
Indonésia
México
Paquistão
18,86
21,44
14,22
22,21
26,99
18,80
18,13
18,33
19,31
15,49
23,35
26,38
19,09
15,95
21,62
17,44
18,15
24,70
20,18
19,85
15,38
21,60
20,31
19,77
33,03
25,09
20,91
19,81
Países em desenvolvimento
Paraguai
22,88
21,22
17,99
18,59
Peru
17,74
23,11
18,40
21,30
África do Sul
16,36
16,25
15,46
19,53
Tailândia
40,16
31,82
23,56
28,95
Uruguai
13,82
15,03
13,44
17,65
Venezuela
18,28
22,00
20,16
22,03
Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial.
* Número de observações insuficiente para cálculo da média.
19
20
Tabela 5: Comparativo internacional das taxas de poupança interna
Taxa de poupança interna em percentual do PIB
Período/País
1990-1994
1995-1999
2000-2004
2005-2008
Argentina
Bolívia
Brasil
Chile
Colômbia
Costa Rica
16,93
9,05
21,62
26,57
20,97
14,26
17,14
10,53
15,40
25,30
15,63
16,57
22,01
11,32
18,12
25,17
13,68
18,62
28,34
23,07
19,46
33,56
20,43
19,19
Equador
Egito
Guatemala
Índia
Indonésia
México
21,27
15,41
9,36
22,44
32,72
18,97
20,42
12,91
8,63
22,82
27,62
23,59
21,30
14,03
6,87
25,21
30,59
20,74
22,39
16,57
4,369
33,34
29,49
23,79
Paquistão
Paraguai
Peru
África do Sul
Tailândia
Uruguai
15,42
14,42
16,52
20,35
35,45
16,45
14,83
12,73
18,78
18,52
35,08
14,17
16,68
12,81
18,51
18,91
31,19
15,12
14,16
17,03
27,83
17,72
34,15
19,29
Países em desenvolvimento
Venezuela
23,14
29,86
34,26
38,11
Fonte: elaboração dos autores a partir de dados do Development Research Institute e do Banco Mundial.
20
Download

Por outro lado, os dados em painel providenciam uma maior