UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
LÍNGUA ESPANHOLA: EVOLUÇÃO, PROBLEMÁTICAS E
APERFEIÇOAMENTO
Por: Alessandra Medeiros David
Orientador
Prof. Celso
Rio de Janeiro
2005
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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
LÍNGUA ESPANHOLA: EVOLUÇÃO, PROBLEMÁTICA E
APERFEIÇOAMENTO
Apresentação de monografia à Universidade Candido
Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso
de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Docência do Ensino
Superior.
Por: Alessandra Medeiros David
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AGRADECIMENTOS
A meus amigos, ao corpo docente do
Projeto “A vez do mestre” e principalmente
a minha ex e eterna professora Helena Dias
pela contribuição e total apoio para a
confecção deste trabalho acadêmico.
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DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho ao meu noivo, que tanto
colaborou para o aperfeiçoamento deste
trabalho. E também aos meus pais Graça
Maria e José Carlos que foram e são meus
mestre na escola da vida.
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RESUMO
Este trabalho tem como objetivo formular uma base orientadora de informações,
valorizando o idioma espanhol, capaz de fazer caminhar passo a passo qualquer pessoa
interessada na língua, com os conhecimentos necessário como: sua evolução, a
problemática do portuñol, passando pelas dificuldades encontradas no início da caminhada
até o aperfeiçoamento de um simples aprendiz para a formação de um docente.
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METODOLOGIA
A metodologia utilizada para a elaboração deste trabalho foi a teórica
fundamentada utilizando-se de livros, artigos de revistas, publicações eletrônicas e minha
própria vivência sobre o assunto facilitando e simplificando desde a inicialização até o
aperfeiçoamento no idioma espanhol.
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8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
09
CAPÍTULO II
A LÍNGUA ESPANHOLA
17
CAPÍTULO III
A FORMAÇÃO DE DOCENTES
39
CONCLUSÃO
45
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
46
ÍNDICE
47
ANEXOS
50
FOLHA DE AVALIAÇÃO
51
9
INTRODUÇÃO
O idioma espanhol encontra-se em destaque, nos dias de hoje, estando em 3o
lugar das línguas mais faladas no mundo e com essa ascensão e a necessidade da aquisição
de uma língua estrangeira que surgiu a proposta deste trabalho.
Sabendo-se das semelhanças encontradas nas língua português e espanhol foi
feito um estudo enfatizando a problemática do “portuñol” e o da falta de professores
capacitados com relação aos possíveis negócios do mercado em ascensão da América do
Sul.
Através destes fatos surgirá o interesse e a necessidade no aperfeiçoamento do
idioma espanhol que se iniciará com a origem e a evolução da língua contendo a
colaboração de cada invasão para a formação e expansão desta para outros territórios. E
seguirá com a inicialização do aprendiz de espanhol e suas prováveis dificuldades até sua
formação por completo na faculdade de letras em um docente.
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CAPÍTULO I
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LÍNGUAS
ESTRANGEIRAS
Iniciaremos este trabalho alertando para a importância da aquisição de uma língua
estrangeira, nos dias de hoje, o aprendizado de uma segunda língua é imprescindível para o
crescimento cultural e profissional de qualquer pessoa, independente da língua aprendida.
Todos temos o direito e até mesmo o dever de nos aperfeiçoarmos em algum idioma, seja
por necessidade ou mesmo por afinidade, curiosidade e interesse na língua.
Ao adquirirmos uma língua estrangeira, com certeza, só teremos benefícios. E nos
dias de hoje esse conhecimento encontra-se super-valorizado, principalmente no âmbito
profissional. Uma língua estrangeira torna-se decisiva, muitas vezes, na hora da contratação
ou mesmo na disputa por uma promoção em uma determinada empresa. O domínio de um
idioma tornou-se como que um degrau para o avanço de uma carreira no mundo atual
onde ocorre a crescente globalização da economia.
Falaremos agora sobre o continente em que vivemos, a América, principalmente na
parte sul, teremos como meios de comunicação mais importantes para o comércio global o
português e o espanhol que se encontra em grande ascensão. Sendo o espanhol o idioma
falado por todos os países que fazem fronteira com o Brasil, com exceção apenas da
Guiana, Suriname e Guiana Francesa, e contando também com o acordo comercial de
âmbito continental, o Mercosul, que teve início em 1991, com a assinatura do Tratado de
Assunção, firmado pelos presidentes dos Estados integrantes - Brasil, Argentina, Paraguai
e Uruguai. Acordo ao qual estabelece normas e programas para atingir o desenvolvimento
tecnológico e científico de seus países, elegendo como meta a justiça social. Observamos a
importância adquirida ao idioma espanhol que além de ser falado por 3 (três) desses países
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é encontrado em 3o (terceiro) lugar das línguas mais faladas no mundo perdendo apenas
para o mandarim e o inglês.
Com essa informação concluímos que qualquer indivíduo ou companhia que queira
ter acesso ao maior mercado da América do Sul terá que aprender a esse idioma tão
importante mundialmente. A aceitação da utilização da língua nativa é obtida na compra de
produtos, mas se quisermos vender nossos produtos teremos que oferecê-lo no idioma do
comprador, ou seja, o espanhol.
Essas afirmações são como um alerta aos profissionais que pretendem ascender no
mercado internacional. E principalmente como incentivo a qualquer brasileiro que ainda
não tenha encontrado um motivo para o aprendizado do espanhol.
Além do crescimento profissional adquirimos também um enriquecimento
intelectual, acadêmico e pessoal. Pois ao aprendermos uma língua estrangeira com ela
teremos a possibilidade de associar toda sua bagagem cultural, como sua literatura,
filosofia, folclore, música, filme, etc.
Como professora de espanhol, o defenderei citando agora os 3 (três), que
considero, principais “mandamentos” para convencer a alguém a aprender o espanhol:
1o › Sua grande importância como língua mundial na atualidade, sendo uma das
línguas estrangeiras mais populares como 2a (segunda) língua.
2o › É a língua oficial de 21 (vinte e um) países, sendo a maioria deles nossos
“vizinhos”. E 3 (três) deles participantes do grande mercado em ascensão da América do
Sul juntamente com o Brasil.
3o › E pelo turismo. Sendo mais proveitoso conhecer um determinado país de
língua espanhola, sabendo comunicar-se em sua língua.
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Poderia enumerar vários motivos para um brasileiro aprender espanhol. Mas
obviamente é necessário vontade própria e determinação para o aprendizado de qualquer
língua que seja. Seguiremos agora mais especificamente para o idioma espanhol.
2 - A Língua Espanhola.
Língua, segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:
“é o conjunto de palavras e expressões, faladas ou escritas, usadas por um povo,
por uma nação e o conjunto de suas regras da gramática.”
Ou seja, a língua é um sistema de comunicação humana ao qual o homem
comunica-se como um instinto, absolutamente necessário. Este sistema evolui inconsciente
e coletivamente com o passar do tempo. Fornecendo-nos assim novos vocábulos e o
desaparecimento de outros além do fascinante estudo de suas origens. Iniciaremos
explicando porque o idioma Espanhol também é chamado de Castelhano. Estes termos
hoje são sinônimos, pois designam a língua nacional da Espanha. Veremos mais adiante
toda a história da construção desta língua, mas já posso adiantar que o termo Castelhano
provém da região de Castilha, criado na época da Reconquista recebendo somente no
século XVI o nome de espanhol, aplicando-se à língua cultural da Espanha. Além do
Espanhol ou Castelhano na Espanha ainda encontramos outras línguas como o Galego, o
Vascuense, o Catalão, entre outros dialetos. Vejamos abaixo uma breve comparação do
idioma oficial o Espanhol (Castelhano) e estas línguas:
Quadro comparativo Castelhano X Galego
CASTELLANO
Lagos, cascadas, torrentes, vegas
Floridas, valles, montañas, cielos
Azules y serenos como los de Italia,
Horizontes nublados y melancólicos,
Aunque siempre hermosos como los ya
alabados
De Suiza; riberas apacibles y serenitas,
GALLEGO
Lagos, cascadas, torrentes, veigas
Froridas, valles, montañas, ceos
Azues e serenos con´ os d´Italia
Horizontes nubrados e malencónicos,
Anque sempre hermosos con´ os ian
alabdos
da Suiza; ribeiras apacibres e sereniñas,
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Cabos tempestuosos que atierran y admiran por
su
Gigantesca y sorda cólera...
Mares inmesos... ¿qué diré más?
No hay pluma que puda enumerar tanto encanto
Reunido. La tierra cubierta en todas las
estaciones de hierbecitas y de flores; los montes
Llenos de pinos, de robles y salgueros;....
cabos tempestuosos qu´ aterran e adimiran póla
sua
xigantesca e xorda cólera...,
mares inmensos... ¿qué direi máis?
Non hay pruma que poida enumerar tanto
Encanto
Reunido. A terra cuberta en toda – las
Estacions de herbiñas e de frores; os
montes
Cheyos de pinos, de robres e salgueiros;...
(Rosalía de Castro)
Quadro Comparativo Castelhano X Vasco
CASTELLANO
Buen día, señor.
Buen día, señores.
¿Qué tal?
Bien, ¿y tú?
¿Cómo está usted?
¿Qué hora es?
Son las ocho.
Hasta la vista.
Hasta luego.
Hasta mañana.
Quadro comparativo Castelhano X Catalão
CASTELLANO
Buenos días, Sr. Gómez. ¿Cómo está usted?
Muy bien, gracias. ¿Y usted?
Perfectamente.
Permita que le presente a mi mujer.
Celebro conocer a usted, señora.
Mi padre, mi madre y mis hijos.
Encantando de conocerles.
Siéntese usted, por favor.
Muchas gracias.
Veo que se há acordado usted de nosotros.
Ya le dije que vendría a saludarles.
Se lo agradecemos infinitamente.
¡Qué niña tan hermosa!
Es mi hija Rosita.
VASCUENCE
Egun on, jauna.
Egun on, jaunaK
Zer modu?
Ongí, ta zu? (pron.: ongui)
Nola zaude?
Zer ordu da?
Zortiziak dira.
Ikusi arte.
Gero arte. (pron.: guero)
Buiar arte
CATALÁN
Bon dia, senyor Gòmez. Com está?
Molt bé, gràcies. I vostè?
Pefectament.
Permti´m que li presenti la meva muller
Celebro conèixer-la, senyora.
El meu pare, la meva mare i els meus fills.
Encantat de conèixer-los
Segui, faci´m el favor.
Moltes gràcies.
Veig que s`há recordat de nosaltres.
Já li vaig dir que els vindria a saludar.
Li ho agraim infinitament.
Quina nena tan bufona!
És la meva filla Roseta.
(Llibre del Turista – de Enrique Kucera)
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Estes quadros foram retirados do “Manual de Espanhol”, Idel Becker, 79o edición.
As diferenças são visíveis, sendo impraticável a uma pessoa falante do castelhano
ler ou até mesmo entender as outras línguas existentes no território espanhol.
O espanhol hoje encontra-se em terceiro lugar, como já dissemos anteriormente,
com um total de aproximadamente cento e quarenta milhões de pessoas que o tem como
língua materna. Veremos agora a questão dos brasileiros não quererem aprofundar-se no
idioma possuindo a “desculpa” de que falam “portuñol”.
3 - O “Portuñol” ou “Espanguês”
É inegável a importância da língua espanhola no Brasil de hoje, até mesmo
no mundo, incorporado ao Mercosul. No entanto o velho “portuñol” (mistura das línguas
portuguesa e espanhola) ainda é utilizado por algumas pessoas, diremos que, menos
atentas.
Este nome “portuñol” designa-se a duas situações lingüísticas distintas: primeiro
como uma certa preguiça dos brasileiros para aprender ao idioma espanhol e segundo
como interlíngua que ocorre no decorrer da aprendizagem do idioma e significa que o
falante ainda não tem uma boa pronúncia e vocabulário suficientes. Falaremos
primeiramente da problemática dos brasileiros para a aprendizagem do idioma.
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Dentre as línguas românicas o português e o espanhol são as que mantém maior
afinidade. E com isso obtemos vantagens e desvantagens no ensino de espanhol para
brasileiros.
Dizemos desvantagens pelo seguinte fato: as línguas são próximas e com isso os
brasileiros acabam criando uma ilusão que aprender espanhol é muito fácil. Concordemos
que as semelhanças são muitas em todos os níveis: morfológico, sintático, semântico e até
mesmo fonético-fonológico, mas o grande problema é que os brasileiros ao conseguirem
comunicar-se com base nestas proximidades passam a não querer progredir na língua,
conformando-se com o meio que possuem. Afinal agradando-nos ou não o “portuñol” é o
mais perto que os brasileiros chegam do idioma dos países que o cercam. E a grande
preocupação é que acreditam que ao colocarem “ción” ao em vez de “ção”, darem uma
certa enrolada na língua, como se ela fosse presa, já consideram-se falantes de espanhol e
mostram superioridade quando se afirma que falam um “portuñol”, achando-se espertos.
Confessemos que a um certo tempo atrás havia uma certa tolerância com relação
ao “portuñol”, porém hoje, para progredirmos é indispensável a fluência no idioma e
abandonarmos a idéia de que o espanhol é simples e fácil de se entender, pois ao primeiro
contato com empresários latino-americanos perceberemos que o velho e bom “portuñol”
não é suficiente e que pode até mesmo nos pregar grandes peças e acabar com excelentes
negócios.
O brasileiro precisa parar de brincar de “portuñol”, ter mais cuidado, um pouco
mais de humildade, interessar-se na língua, estudar as regras gramaticais com professores
especializados, ler bons livros, ter conhecimento da literatura e possuir um bom dicionário
para que realmente possa fazer negócios com os países vizinhos, aproveitando com
intensidade esse grande mercado consumidor de milhões de pessoas à nossa volta.
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A segunda situação lingüística do “portuñol” é corriqueira de todos os estudantes
da língua espanhola ou qualquer outra língua que seja. Identificaremos como língua
intermediária, pois com o parentesco entre, principalmente, as línguas português e
espanhol, devido a suas origens latinas, leva mesmo a essa situação.
A língua materna do aluno tem papel primordial na aprendizagem e aquisição da 2a
(segunda) língua ou língua meta. Normalmente é utilizado pelos professores
hispanohablantes totalmente ou parcialmente para facilitar ao ensino, utilizando-se de uma
metodologia de comparação para melhor fixação do conteúdo, pois já que o aluno tem
conhecimento da sua língua materna ele utilizará dela para perceber as diferenças existentes
entre ela e a língua aprendida. Com relação a proximidade interlingüística entre o português
e o espanhol poderemos dizer que essa metodologia é ao mesmo tempo que fácil e ágil no
processo de aprendizagem como que também perigosa e escorregadia, pelo fato de que os
aprendizes possam acertar muitas vezes ao arriscar, mas ao mesmo tempo cometeram
mais erros com isso.
Para que o aluno tenha melhor desenvoltura na língua meta, ele por si terá que
superar os erros provenientes das interferências existentes entre as duas línguas. Terá que
se conscientizar que as proximidades podem levá-lo ao erro e que é isso que ele terá que
estudar com mais determinação e é claro com auxilio dos professores e dos materiais
didáticos.
Um dos grandes problemas na aprendizagem do espanhol é a procedência dos
professores. Pois o crescimento do interesse pela língua espanhola foi tanto que a falta de
professores especializados fez com que cursos e até mesmo escolas contratassem pessoas
que possuíam outra profissão mas que eram hispanohablantes da América do Sul e até
mesmo da Espanha. Desta forma o problema estaria parcialmente solucionado, mas a
grande questão era que a estes professores, nativos da língua espanhola, não era
perceptível as dificuldades existentes aos alunos. Pois diferente de uma pessoa que
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aprendeu espanhol e sabe as dificuldades que teve é a pessoa que já utiliza-se desta língua
desde que nasceu.
Ainda possuímos um número, diremos que, insuficiente de professores bilingües
(ou seja, que tenha como língua materna o português e como 2a língua o espanhol), por
outro lado também é significativo o número de pessoas que estão aperfeiçoando sua
competência comunicativa. E com o crescimento destes profissionais isso só trará
benefícios aos alunos pois se o professor tem conhecimento na língua portuguesa e na
espanhola isso facilitará a correção dos erros mais comuns e ensinará as falsas
semelhanças entre as línguas fazendo que os alunos observem as autênticas diferenças e
especificidades do espanhol.
Para iniciar-se na aprendizagem do espanhol é necessário que conheçamos a
história do surgimento desta língua, como veremos a seguir.
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CAPÍTULO II
A LÍNGUA ESPANHOLA
1 – A evolução da língua
Veremos toda a evolução não somente da língua como também do país
Espanha. Iniciaremos na época em que existia o latim. Idioma dos romanos que
transforma-se em instrumento literário. Passando a apresentar dois aspectos o clássico e o
vulgar. É preciso analisar com cuidado as expressões clássico e vulgar:
O Clássico deve ser entendido como língua literária e língua escrita em situação
formal, e o Vulgar refere-se a língua falada em situações informais, no sentido de popular
que deriva de “vulgo” (que significa povo), o latim vulgar diz respeito à língua viva. E assim
o Espanhol é descendente desse idioma que foi falado na cidade de Roma e na província
do Lácio na Itália, no século I a.C. estendendo-se a toda Itália e à parte ocidental da
Europa, desde a atual Romênia até Portugal. O espanhol faz parte da família indoeuropéia, uma ampla família lingüística que engloba a maior parte das línguas européias
antigas e atuais, sendo cerca de 450 línguas faladas atualmente por três bilhões de pessoas,
cujo o nome corresponde a região geográfica que se estende da Índia até a Europa.
As línguas indo-européias dividem-se em dois grandes grupos: o Oriental e o
Ocidental. O grupo ocidental, o que mais nos interessa, divide-se nas seguintes ramas:
Celta, Germânica, Itálica, Baltoeslava, Helênica, Albanesa, Armênia. Cada uma subdividese em outras formando as línguas. Encontraremos o espanhol na rama itálica latina que
divide-se em: Francês, Provençal, Italiano, Sardo, Espanhol, Catalão, Galego, Português,
Romeno e Romance.
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1.1 – A Península Ibérica
Para dar início a origem da língua espanhola voltarei a alguns séculos antes
mesmo de Cristo, em uma Espanha pré-romana. Nestes tempos, viviam na península
povos como os vascos, íberos, tartesios, fenícios, cartagineses, gregos, ligures, celtas entre
outros. Com isso encontraremos na Península Ibérica uma pluralidade lingüística
gigantesca.
Quadro da Pluralidade Língüística
Figura retirada do “Curso de Orientación Universitária” de Carlos del Saz-Orozco.
Legenda dos povos existentes na península:
(VVV) - Vascos
(+++) - Cartagineses
(- - -) - Íberos
(HHH) - Gregos
(XXX) – Tartésios
(? ? ?) - Ligures
(FFF) – Fenícios
(CCC) – Celtas
1.2 - A Invasão Romana na Península
No século III a.C. , no ano de 218, durante a segunda guerra Púnica
(guerra que teve como objeto a Espanha e como palco a Itália. Cujo general Amílcar
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Barca, de Cartago, conquistou a Espanha de olho nas suas riquezas naturais),
desembarcava em Ampurias, no nordeste peninsular, as tropas romanas com o intuito de
impedir novos ataques Cartagineses através dos Pirineos e dos Alpes, similares ao que
realizou Aníbal em sua famosa marcha contra Roma. Com isso, inicia-se assim, a
ocupação militar do território com uma luta contra os Cartagineses que acabam vencidos e
os Romanos conquistam no ano de 106 a.C. sua capital peninsular, Cádiz, enquanto os
lusitanos e os celtiberos prosseguem a luta contra o invasor romano.
O processo de colonização e assentamento foi lento, avançando em direção ao
oeste e noroeste durante os séculos seguintes. Só se conseguirá pacificação completa da
península através do imperador Octavio Augusto nos anos de 29 a 19 a.C. com a
conquista da costa Cantábrica (atuais Galícia, Asturias, Santander e parte do País Vasco).
Com a vitória dos romanos eles traziam ao território uma religião, uma língua, um costume,
uma organização administrativa (civil e militar), um sistema agrícola totalmente diferentes do
existente nos povos conquistados.
Os romanos não chegaram a impor
sua língua (o latim vulgar- língua
essencialmente falada) aos povos, mas começaram um processo de bilingüísmo, que durou
por várias gerações. Os povos não abandonaram repentinamente suas línguas peninsulares,
mas acabaram aprendendo também a língua trazida pelos conquistadores, o processo foi
mais rápido em algumas zonas como o leste e o sul, e mais lento no centro, oeste e norte,
não chegando a completar-se no País Vasco, havendo então um desaparecimento das
línguas anteriores, menos a da zona vasca. Conseguindo a unificação jurídica faltava a
espiritual, sendo assim, o Cristianismo veio trazer como boa nova, o ensino da existência
da vida interior, desdenhava as grandezas terrenas, consolava a alma do homem livre e do
escravo e abraçava a toda humanidade redimida. Sendo assim, acabou colaborando com
o processo de latinização das províncias. A conquista da civilização romana é longa
durando por até oito séculos. A partir do século III começam a aparecer sintomas de
decomposição do Império.
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1.3 – A Invasão Bárbara
Chegando ao século V d.C. , no ano de 409, os povos Bárbaros (formados por
gordos, ostrogordos, visigordos, germânicos, vândalos, etc.), já mantinha problemas com
o Império Romano desde os últimos anos do século IV e, depois de saquear Roma no ano
de 410, estabeleceu um reino semi-autônomono no sudeste de Galia. Se apoderam da
península, pelo norte, com as mais sérias derrotas contra exército romano. Súditos ainda,
do estado romano, expandiram seus domínios até dominar grande parte da península,
convertendo-se em um reino independente na queda da administração romana no ocidente.
Encontravam-se parcialmente romanizados antes de entrar na península e é muito provável
que mantivessem uma situação de bilingüísmo entre o latim e o germânico oriental.
O latim por tanto continuou sendo a língua da cultura e da administração durante o
período bárbaro (ou visigótico). Os bárbaros não impuseram sua língua e sim
acrescentaram vocábulos ao latim vulgar, sendo sua influência sobre o latim hispânico
pequena. Permaneceram na península por apenas três séculos.
1.4 – A Invasão Árabe
Já no século VIII d.C., no ano de 711, começa a invasão árabe na península, pela
facilidade e proximidade das terras, durando apenas sete anos para que conquistassem o
território. Devendo fixar que os árabes já mantinham em seu poder, pelos ideais de
Maomé, a Arábia, Síria, Pérsia, Egito, todo o norte da África e Sicília. Haviam, no
território dominado pelos árabes, povos que foram chamados de mozárabes que
mantinham sua fé cristã e seu patrimônio lingüístico. Expressavam-se em árabe nas ruas,
mas mantinham o latim vulgar na vida doméstica. Fazendo com que a língua evoluísse
lentamente convertendo-se em dialetos mozárabes aos quais conservamos nos primeiros
textos literários chamados “jarchas” (pequenas estrofes mozárabes que concluem canções
líricas chamadas “muwassaha” escritas em árabe ou hebreu).
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Os árabes possuíam uma vasta cultura, passando assim para o espanhol mais de
quatro mil de suas palavras, sendo considerado a língua que mais marcas deixou depois do
latim.
O domínio árabe se estendeu em três quartos do território hispânico, com exceção
de reduzidas regiões do norte, noroeste (refúgio dos cristãos) e núcleos que mais tarde
começariam a reconquista. Estas zonas resistiram de uma maneira especial as influências
do período romano e bárbaro, encontrando-se um distanciamento da língua utilizada por
eles com a da até então “norma” romance hispânico do século VIII. As línguas ficariam
divididas na península da seguinte maneira: no território árabe dialetos mozárabes, nos
territórios norte os dialetos galego, leonês, castelhano, navarro-aragonês e catalão, no
território de ocupação muçulmana o árabe e o vascuense falados nas montanhas do norte.
1.5 – A Reconquista
Quadro dos territórios na época da Reconquista
Figura retirada do “Curso de Orientación Universitária” de Carlos del Saz-Orozco.
Entre os século VIII e IX os cristão começavam a estender seus territórios
surgindo os primeiros núcleos de unidade, Leão, Castilha, Navarra, Aragão e Catalão.
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Teremos como documentos do romance primitivo as Glosas, que são anotações feitas por
monges com tradução de textos latinos. As conseqüências lingüísticas da Reconquista
foram muito importantes. As modalidades do romance hispânico de fala que eram até
então marginalizadas, por conseqüência da lingüística e da geografia, se estenderam. Entre
essas variedades do romance hispânico, uma das mais irregulares, o castelhano, vai se
converter mais tarde em língua territorial.
Pessoas de outras procedências lingüísticas acabaram adotando traços
castelhanos, devido a seu estabelecimento nos territórios reconquistados. A criação do
reino de Castilha, em 1035, avivou a consciência da identidade individual da fala
castelhana.
A meados do século XIII Castilha já se havia estendido de tal forma que já
dominava metade do território peninsular. A medida que ia avançando o castelhano
acabava debatendo-se com algumas modalidades do mozárabe (variedade do romance
hispânico) que por conseqüência causava efeitos a língua.
Entre meados do século XIII e finais do XV a Espanha islâmica ficou reduzida
apenas às zonas montanhosas do sudoeste de Andaluzia. Quando em 1492 do Reis
Católicos, Isabel e Fernando, conquistaram estas terras.
As razões desta expansão e da imitação dos traços lingüísticos do castelhano
foram o prestígio político de Castilha, resultante de seu papel predominante na
Reconquista.
A “castelhanização” dos reinos vizinhos não foi rápida. Sendo até hoje incompleta
nas áreas rurais de Astúrias, ocidente de Leão, norte de Huesca e naturalmente nos
domínios lingüísticos do Catalão, do Galego e do Vasco.
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1.6 – A padronização da língua
A atuação de Afonso X o sábio, rei de Castilha e Leão durante os anos de 1252 a
1284 é importantíssima para a história da língua e da cultura. Ao herdar o trono Afonso
necessitava de uma língua escrita que servisse de veículo para as ordens, jurídica, literária,
histórica de seu governo. Pois até a chegada de Afonso X encontramos escritos que
possuem dialetalismos próprios de cada região. Como por exemplo o “Auto dos Reis
Magos”, do século XII, que revela características de Toledo. O “Poema de mio Cid” que
mostra um certo número de feitos lingüísticos que permitem situar sua modalidade no
nordeste de Castilha. Entre outros texto. E em 1276 consegue o rei e seus colaboradores
uma língua que rejeita o gosto estrangeiro e atende a todos chamado de Castelhano
Drecho, ou seja, castelhano perfeito e oficializado. O novo padrão literário baseou-se na
maneira de falar das classes altas de Toledo. Essa nova língua tinha vantagem por ser
neutral para os crentes das três religiões encontradas, o cristão, o muçulmano e o hebreu.
O uso do castelhano nos textos científicos, legais e administrativos faziam com que esta
língua se desenvolvesse mais e mais. E assim o castelhano alcança o nível de língua
nacional ao completar-se a unidade política e unificar-se a língua literária.
1.7 - A 1a Gramática tradicional
A gramática de Antônio de Nebrija, do ano de 1492, foi a primeira tentativa séria
de um estudo completo sobre o castelhano. Nebrija era um excelente humanista, gramático
e escritor latino. Tratou de fixar normas que regulassem a língua para sua consistência. Era
necessário estabelecer normas gramaticais constantes e com caráter preceptivo, de modo
que a gramática ditasse leis sobre o uso da língua.
1.8 – O desenvolvimento da língua fora da península
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Durante os séculos XV e XVI, soldados, colonos, sacerdotes, funcionários, entre
outros levaram o espanhol a diferentes lugares fora da península. As áreas principais foram:
Canárias, América, Filipinas, Mediterrâneo e os Balcas.
Em Canárias a conquista se realizou, no século XV, no reino dos Reis Católicos.
Tornando-se as Canárias em ponte para a chegada na América.
Já na conquista da América, no ano de 1492, encontraremos grande semelhança
com a própria conquista da Espanha pelos Romanos. Pois dentro da enorme quantidade
de línguas indígenas existentes no território americano, como o caribe, o náhuatl, o
quêchua, o aimára e o próprio guaraní, a língua espanhola se transformou em vínculo de
união para essa grande quantidade de povos existentes. As rotas de descoberta de
Colombo foram avançando aos poucos fazendo com que suas conquistas fossem fazendo
comunicação entre a Espanha e o “Novo Mundo”. A cidade do México e Lima foram
transformadas em principais centros administrativos e culturais. É claro que como haviam
muitas línguas existentes no território americano, estas línguas influenciaram no espanhol
trazido pelos conquistadores e assim encontraremos algumas poucas diferenças no
espanhol da Espanha e no Espanhol da Hispano-américa.
No mesmo ano da ocupação da América, em 1492, houve na Espanha a expulsão
dos judeus pelos Reis Católicos. Fazendo com que a língua espanhola alcançasse nova
projeção cultural e geográfica. A fala judeu-espanhola manteve-se nas circunstancias mais
diferentes e nos mais diversos territórios como nos Balcas, por parte do Oriente e o norte
da África. Tendendo a desaparecer com a última guerra mundial.
O arquipélago das Filipinas pertenceu também a Espanha desde 1571 até 1898.
Sendo que passou a poder dos Estados Unidos da América até sua independência em
1946. Várias foram as causas pelas quais a língua dos colonizadores não alcançou mais
que a minoria da população nativa. O espanhol nas ilhas Filipinas cedeu terreno ao inglês e
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outras línguas nativas, possuindo o número atual de falantes somente de 300.000 (trezentos
mil) e o meio milhão.
Esta foi a história do idioma espanhol, as invasões de terras, as colaborações de
cada invasão para a língua e a expansão desta a outros territórios. Veremos a seguir as
principais dificuldades encontradas pelos estudantes do idioma espanhol.
2 – As principais dificuldades encontradas por brasileiros no
espanhol
Tratarei de alguns aspectos somente, os que considero principais no ensino de
espanhol. Falarei primeiramente do nível léxico. Acredita-se que mais de 85% do
vocabulário português possui cognatos no Espanhol. Como vimos anteriormente isso
possui duas vertentes: uma maior facilidade e rapidez na aprendizagem do espanhol para
falantes do português e também muitas armadilhas. As falsas semelhanças podem provocar
desde pequenas interferências na comunicação como até mesmo uma mudança total no
significado do que se diz para o que se queria dizer.
As principais dificuldades léxicas encontradas são: os heterotônicos, os
heterogenéricos e principalmente os heterosemânticos.
Os Heterotônicos, são vocábulos que costumam compartilhar nas duas línguas a
forma gráfica, fônica e o significado. A diferença é existente na tonicidade , já que
apresentam diferenças no acento tônico. Para exemplificar darei uma lista comparativa da
tonicidade das palavras no português e no espanhol.
Lista de Tonicidade
PORTUGUÊS
Academia
ESPANHOL
Academia
27
Álcool
Alergia
Alguém
Anestesia
Aristocrata
Asfixia
Atmosfera
Atrofia
Bigamia
Burocracia
Burocrata
Canibal
Cardíaco
Cateter
Cérebro
Crisântemo
Democracia
Elétron
Elogio
Epidemia
Estereótipo
Fisioterapia
Fobia
Futebol
Hemorragia
Herói
Hidrogênio
Ímã
Imbecil
Ímpar
Leucemia
Limite
Magia
Medíocre
Microfone
Míssil
Nitrogênio
Nível
Nostalgia
Oceano
Ortopedia
Oxigênio
Alcohol
Alergia
Alguien
Anestesia
Aristócrata
Asfixia
Atmósfera
Atrofia
Bigamia
Burocracia
Burócrata
Caníbal
Cardiaco
Catéter
Cerebro
Crisantemo
Democracia
Electrón
Elogio
Epidemia
Estereotipo
Fisioterapia
Fobia
Fútbol
Hemorragia
Héroe
Hidrógeno
Imán
Imbécil
Impar
Leucemia
Límite
Magia
Mediocre
Micrófono
Misil
Nitrógeno
Nivel
Nostalgia
Océano
Ortopedia
Oxígeno
28
Polícia
Psicopata
Regime
Rubrica
Sintoma
Taquicardia
Telefone
Terapia
Têxtil
Traquéia
Policía
(p)sicópata
Régimen
Rúbrica
Síntoma
Taquicardia
Teléfono
Terapia
Textil
tráquea
Pode-se observar assim que a mudança da posição da sílaba tônica influi também
nas regras de acentuação das línguas. Não que os heterotônicos influenciem na
comunicação é possível compreender qualquer uma dessas palavras mesmo que com uma
certa diferença na tonicidade mas se o que se busca é o aperfeiçoamento da língua é
necessário dedicar-se um pouco mais nos estudo deles.
Vejamos agora os Heterogenéricos, que são também iguais com relação a forma
gráfica e ao significado, mas mudam de gênero na comparação entre uma língua e outra.
Ou seja, uma palavra que no português seja feminina no espanhol será masculina e viceversa. Vejamos abaixo:
Lista da diferença de Gêneros
PORTUGUÊS
A Abordagem
A Análise
A Aprendizagem
A Árvore
A Aterrissagem
A Bagagem
A Cor
A Coragem
O Costume
A Dor
A Embalagem
O Ênfase
A Estante
ESPANHOL
El Abordaje
El Analisis
El Aprendizaje
El Árbol
El Aterrizaje
El Bagaje
El Color
El Coraje
La Costume
El Dolor
El Embalaje
La Énfasis
El Estante
29
A Garagem
O Hambúrguer
A Homenagem
A Hospedagem
O Legume
O Leite
A Maquiagem
A Massagem
O Mel
O Nariz
A Origem
A Paisagem
A Pétala
A Ponte
A Porcentagem
O Riso
O Sal
O Samba
O Sangue
O Sinal
O Silicone
O Sorriso
AViagem
A Yoga
El Garaje
La Hemburguesa
El Homenaje
El Hospedaje
La Legumbre
La Leche
El Maquillaje
El Masaje
La Miel
La Nariz
El Origen
El Paisaje
El Pétalo
El Puente
El Porcentaje
La Risa
La Sal
La Samba
La Sangre
La Señal
La Silicona
La Sonrisa
El Viaje
El Yoga
Desta forma os heterogenéricos, igualmente como os heterotônicos, não
interferiram na comunicação, mas ao querer avançar serão necessários para que se chegue
ao aperfeiçoamento.
Por último, nas dificuldades do nível léxico, teremos os famosos heterosemânticos
ou mais conhecidos como “falsos amigos ou cognatos”. Esse, sem sombra de dúvidas, é o
que mais faz brasileiros falantes do “portuñol” convencerem-se a estudar o espanhol. Pois
se nós brasileiros nos debatermos com a seguinte frase: “El maestro, que es un hombre
pelado, no tiene ropa y necesita un saco nuevo para ir a la fiesta.” Com certeza acharemos
de uma baita indelicadeza a maneira que se tratou o mestre, correto? E na verdade a
tradução desta frase não passaria de: “O mestre, que é um homem careca, não tem roupa
e necessita de um paletó novo para ir à festa.”
30
Os falsos amigos, são vocábulos idênticos ou semelhantes tanto na sua forma
gráfica ou fônica, que possuem significados completamente ou parcialmente diferentes na
comparação das línguas (português e espanhol). Vejamos agora alguns desses falsos
amigos:
Lista de Falsos Cognatos
POTUGUÊS
ESPANHOL
Sobrenome
Apellido
Agrião
Berro
Sacola
Bolsa
Bolsa
Bolso
Saltar
Brincar
Carruagem
Carroza
Janta
Cena
Criação
Crianza
Responder
Contestar
Pescoço
Cuello
Diferente
Distinto
Vassoura
Escoba
Pratileira
Estante
Saboroso
Exquisito
Magro
Flaco
Galo
Gallo
Camarão
Gamba
Gordura
Grasa
Violão
Guitarra
Comprido
Largo
Conseguir
Lograr
Escritório
Oficina
Urso
Oso
Pó
Polvo
Preconceito
Prejuicio
Momento
Rato
Vermelho
Rojo
Loiro
Rubio
Molho
Salsa
Lugar
Sitio
Oficina
Taller
PORTUGUÊS
Apelido
Berro
Bolsa
Bolso
Brincar
Carroça
Cena
Criança
Contestar
Coelho
Distinto
Escova
Estante
Esquisito
Fraco
Galho
Gambá
Graça
Guitarra
Largo
Lograr
Oficina
Osso
Polvo
Prejuízo
Rato
Roxo
Ruivo
Salsa
Sítio
Talher
ESPANHOL
Apodo
Grito
Bolso
Bolsillo
Jugar
Carreta
Escena
Niño
Contrariar
Conejo
Distinguido
Cepillo
Estantería
Extraño
Débil
Rama
Zarigüeya
Gracia
Guitarra eléctrica
Ancho
Engañar
Taller
Hueso
Pulpo
Perjúicio
Ratón
Violeta
Pelirrojo
Perejil
Finca
Cubierto
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Pano de mesa
Xícara
Atirar
Copo
Canhoto
Filhote
Tapete
Taza
Tirar
Vaso
Zurdo
Cachorro
Tapete
Taça
Tirar
Vaso
Surdo
Cachorro
Alfombra
Copa
Quitar
Jarrón
Sordo
perro
Como podemos observar estes sim fazem grandes modificações em um diálogo. E
é a maneira mais chamativa para o ensino da língua espanhola, pois os alunos ao se
debaterem com essas palavras ou frases além de ficarem curiosos, comprovam que
realmente não é possível continuar com o velho “portuñol”. Vejamos agora principais
diferenças no nível morfossintático.
No nível morfossintático veremos algumas das principais dificuldades dos
brasileiros com relação à algumas categorias gramaticais.
1o O Artigo: o grande problema, para os alunos brasileiros, é quando deparam-se
com o artigo neutro “LO”, que não existe no português. Além de que sua tradução será
como o artigo definido “O” e com isso os aprendizes da língua espanhola nunca sentem-se
seguros para saber como utilizá-lo. Apenas esclarecendo este artigo neutro é invariável e
se utiliza para substantivar adjetivos, advérbios e orações com o pronome relativo “QUE”.
Transfere ao adjetivo um caráter abstrato que em português eqüivaleria a “AQUILO
QUE”.
Ex. em Espanhol: “Encontré lo que quería.”
Ex. em Português: “Encontrei aquilo que queria.”
Um erro comum, também de iniciantes da língua espanhola, é com relação aos
artigos definidos que costumamos pôr na frente de nomes próprios, coisa que é
inadmissível no espanhol.
32
Ex. errado da construção no Espanhol: “El Brasil es muy bonito.” (O Brasil é muito
bonito)
Este “EL” não é permitido ficando a frase correta da seguinte maneira: “Brasil es
muy bonito.”
Outro erro comum é pôr o artigo diante de pronomes possessivos coisa habitual no
português como por exemplo: “A minha casa é branca”. Mas também inadmissível no
espanhol que será correto: “Mi casa es blanca” e nada mais.
No espanhol encontramos obrigatoriedade no caso do artigo diante das horas.
Sendo correto dizer da seguinte maneira: “Son las diez horas” e não como no português
diríamos “São dez horas”.
As Regras de Eufonia são um outro problema encontrado pelos falantes de
português. Pois no espanhol evitaremos a cacofonia, encontro ou repetição de sons do
final de um vocábulo e início de outro que desagrada ao ouvido, da seguinte maneira, se a
palavra começa com “A” ou “HÁ” tônicas deve-se trocar o artigo feminino “LA/UNA”
pelo masculino “EL/UN” da seguinte maneira:
Ex.: “El agua está helada” (A água está gelada) ao contrário de “La agua está
helada”.
Encontraremos no estudo do espanhol as chamadas contrações que são somente
duas o “AL” e o “DEL” que significam a união das preposições “A” e “DE” com o artigo
definido “EL” enquanto que no português teremos várias. E ao traduzirmos erroneamente
uma frase ao pé da letra cometeremos erros ao aplicarmos mais contrações ou mesmo
combinações que sejam necessárias. Como por exemplo nos dias da semana e estações
do ano que no português é comum a utilização de artigos e preposições.
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Ex. no português: “No domingo saimos”
E no espanhol só podemos colocar ou um artigo ou uma preposição e jamais a
união deles.
Ex.: “El domingo salímos” ou “En domingo saliremos”
Compreendo que as variações entre as línguas são muitas e de início parece até
mesmo “assustadoras”, mas ao dedicarmo-nos ao estudo da língua vamos adquirindo
prática e os erros diminuíram consequentemente.
Passaremos para os gêneros e números dos nomes. Nessa categoria as
dificuldades serão encontradas nas novas regras que aprenderemos no espanhol.
Com relação ao gênero encontraremos dificuldades no feminino dos substantivos
heterogenéricos que vimos anteriormente. E em algumas profissões que no português
variam e no espanhol não como por exemplo:
Ex. no português: “Maria é médica ou juíza?”
Ex.: no espanhol: “ ¿Maria es médico o juez?
Agora vejamos as variações do plural das palavras. Primeiramente com as palavras
terminadas com “N” no espanhol, por extinto confundimos com as palavras que terminam
com “M” no português e que na hora de por no plural apenas acrescentamos o “S” e no
espanhol devemos acrescentar “ES” .
Ex. no espanhol: corazón = corazones (coração = corações)
34
Outra dificuldade é com relação a letra “Y” que não existe no nosso alfabeto
português e que é muito comum no espanhol. Equivocadamente também só acrescentamos
“S” ao invés de “ES” que será o correto.
Ex.: rey = reyes (rei = reis)
Após estes deparamo-nos com as palavras terminadas em “L” que no português
substituiríamos por “IS” e no espanhol teremos que acrescentar novamente “ES”.
Ex.: fatal = fatales (fatal = fatais)
E por último nas palavras que terminam com “Z” e que no espanhol teremos que
substituí-lo por “CES”.
Ex.: pez = peces (peixe = peixes)
Passaremos agora para uma terceira dificuldade encontrada agora nos adjetivos.
Com relação a essa classe gramatical destacaremos o chamado “apócope” que é a
diminuição da última letra ou sílaba, dependendo da palavra, que se apocopará se estiver
diante de um substantivo masculino ou advérbios, ou seja ao invés de: “Era um bueno
hombre” (Era um bom homem) o correto será: “Era un buen hombre”. Um pouco
complicado de se aprender por não termos apocopes no português.
Destacaremos também os graus de comparação, pois no espanhol só teremos as
seguintes formas: “tan/tanto ... que”, “menos/más ... que” enquanto que no português
também teremos além destas as seguintes formas: “tão/tanto ... quanto”, “mais/menos do
que”, que não deveram ser aplicadas no espanhol. Ou mesmo com relação as palavras
“maior e menor” do português que no espanhol vão eqüivaler a idade da pessoa pois se ela
é “mayor” será mais velha e se for “menor” é mais nova diferentemente do português.
35
Como quarta dificuldade partiremos para os pronomes. Começando pelos
pessoais. Ao compararmo-nos os pronomes pessoais das duas línguas (português e
espanhol) nos depararemos com as variações de gênero nos pronomes de primeira e
segunda pessoas do plural da língua espanhola que é novidade para nós brasileiros. Pois o
que eqüivaleria ao nosso “nós” e “vós”, no espanhol encontraremos o “nosotros (as)” e o
“vosotros (as)”.
Passaremos para outro pronome o de tratamento. Nós brasileiros fazemos grande
confusão ao aplicarmos a forma de tratamento, do espanhol, “usted”., pois o traduzimos
erroneamente para o nosso “você” que diferentemente do “usted” é uma maneira informal
de tratarmos as pessoas.
Para não cometermos esse tipo de erro devemos obter conhecimento que a
maneira informal e correta, do espanhol, equivalente ao nosso “você” será o “tú” e o tão
falado “usted” deverá ter relação com a maneira formal com uma melhor tradução para “o
senhor” ou “a senhora”. Sabendo essas diferenças não cometeremos mais erros.
Vejamos um terceiro pronome, que também nos trará certa dificuldade, que é o
pronome complemento.
A primeira diferença que encontraremos é na posição dos verbos com seus
complementos que no espanhol só encontraremos duas possibilidades de colocação, as
posições proclítica e a enclítica, já no português encontraremos uma terceira possibilidade
que será a mesoclítica.
A segunda diferença será a retirada do hífen, pois se os verbos estiverem no
infinitivo, no gerúndio e no imperativo afirmativo o complemento se agregará como uma
última sílaba, influindo também nas regras de acentuação espanholas.
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Ex. do espanhol: dígame = “decir” (dizer) no imperativo afirmativo + complemento
“me”
A terceira diferença será a concorrência dos pronomes de objeto direto e indireto.
Pois no espanhol haverá a regra de aplicação: primeiro o indireto e depois o direto, ainda
ocorrendo a modificação do complemento indireto “le, les” (lhe, lhes) para “se” caso
coincida com “lo, los, la, las” (o, os, a, as).
Ex. no espanhol: ¿Me dejas um bolígrafo? = Sí, te lo dejo.
Ex. no português: Você me empresta uma caneta? = Sim, lhe empresto / Sim, a
empresto.
Conheceremos a quinta diferença, a das preposições. As dificuldades apareceram
no uso das preposições “a”, “de” e “en”.
Começaremos pela preposição “a” que no espanhol acompanhará ao objeto direto
de pessoas ou animais como por exemplo: “Vi al hombre que salió del coche” (Vi ao
homem que saiu do carro). Que nada mais é além da soma entre a preposição “a” e o
artigo “el” (o).
Seguirá também ao objeto direto diante dos possessivos e dos demonstrativos com
função de determinação. Coisa desnecessária no português.
Ex.: “Invitaré a su madre.” (Convidarei (a) sua mãe)
Esta preposição, ao contrário do português, sempre estará também presente na
perífrase do infinitivo com o verbo “ir”. Fazendo com que os falantes do português
cometam erros como a omissão da preposição. O correto seria: “Vi al niño” (Vi ao
37
menino) e os brasileiros costumam dizer: “Vi el niño” (Vi o menino) por influência da língua
materna.
Seguiremos agora para a preposição “de”. Aqui a questão é que no português o
correto é aplicá-la junto com o verbo gostar e no espanhol não.
Ex. no espanhol: Me gusta chocolate.
Ex. no português: Gosto de chocolate.
Finalizaremos com a preposição “en”. O erro nesta preposição é o fato de que no
português para nos referirmos a um meio de transporte utilizamos a preposição “de” e no
espanhol o correto será a preposição “en”.
Ex. no espanhol: Siempre viajo en avión.
Ex. no português: Sempre viajo de avião.
Finalizando as preposições passaremos para a sexta dificuldade a dos Possessivos
que trará dificuldades no uso das formas apocopadas que não existem no português como
vimos anteriormente.
No português utilizaremos a construção com os possessivos da seguinte maneira:
“Me doem meus pés e minha cabeça”, onde no espanhol a construção preferida será: “Me
duelen los pies y la cabeza.”
Como sétima dificuldade encontraremos os Demonstrativos. Neles só teremos
“problemas” com relação ao plural, pois no singular são muito próximos do português.
Ex.: “este, ese, aquel” (este, esse, aquele)
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E no plural ficaram um pouco diferentes das formas que estamos habituados.
Ex.: “estos, esos, aquellos” (estes, esses, aqueles)
Continuando as diferenças das línguas, passaremos agora para a oitava que será os
Verbos.
Para falantes do português será longo o processo de aprendizagem dos verbos em
espanhóis. Primeiramente pelo fato das irregularidades existentes em todos os tempos e
modos diferentes do português.
Logo passaremos para o problema das duas formas do pretérito perfeito existentes
no espanhol como “simple y compuesto” que eqüivaleram sempre ao único pretérito
perfeito existente no português.
Ex. no espanhol: Aceptó al nuevo trabajo. / Ha aceptado al nuevo trabajo.
Ex. no português: Aceitou ao novo trabalho.
Até encontramos o composto no português mas terá valor totalmente diferente do
espanhol. Pois enquanto o espanhol indicará algo recente mas já concluído o do português
indicará repetição de um fato que ocorre até o presente.
Vejamos outras diferenças dos verbos:
Diferença no uso das formas não pessoais que flexionam no infinitivo do português
e no espanhol será invariável.
Nos verbos pronominais e reflexivos que existiram em maior quantidade no
espanhol.
39
Com relação ao futuro do subjuntivo utilizado no português e em desuso no
espanhol.
Dentre outras diferenças. Podemos afirmar que essa parte gramatical será a que o
aprendiz deverá dedicar-se mais até que obtenha o domínio das regras e poderá identificar
melhor as diferenças.
Para finalizarmos as diferenças no nível morfossintático veremos por último a
utilização de alguns advérbios. De início o advérbio “luego” (logo) que no português
significará “imediatamente” e no espanhol significará “depois”.
Outro erro comum é a utilização da tradução ao pé da letra de “también no” ao
invés do correto “tampoco”.
E a expressão “pues no” (pois não) que conhecemos com o significado afirmativo e
no espanhol terá significado negativo, fazendo-se perigoso para nós brasileiros.
Finalizamos as diferenças básicas encontradas no nível morfossintático e
iniciaremos o nível gráfico e ortográfico, que terá poucas diferenças.
Primeiro o fato das vogais “e” e “o” terem sempre o som fechado no espanhol
como se levassem o acento circunflexo (^). Segundo com relação ao til (~) que somente
será utilizado na letra “ñ” e jamais no “ão”. Terceiro com relação aos dígrafos do
português “ss, lh, nh” que não existiram no espanhol e também o fato do dígrafo “rr” que
não será separado no espanhol na divisão silábica.
Ex.: pe-rro (cachorro)
40
Quarto e último o aparecimento de 6 (seis) novas letras no alfabeto espanhol: “ch,
k, ll, ñ, w, y”.
Vejamos agora o último nível o fonético-fonológico que diferenciará um falante
nativo de um estrangeiro. Pois é nesse nível que demonstramos nossos “sotaques” e
referências do nível ao qual estamos na aprendizagem do idioma espanhol como segunda
língua.
Vimos aqui algumas das principais dificuldades que um falante da língua
portuguesa obterá na aprendizagem do idioma espanhol, é claro que não poderemos
encarar com regra para todo aprendiz do espanhol as dificuldades apresentadas aqui. Pois
cada um apresentará suas dificuldades e facilidades, a intenção aqui era apresentar as mais
eventuais.
Seguiremos agora para o capítulo ao qual veremos como se dá a formação dos
atuais professores desta língua.
CAPÍTULO III
A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE ESPANHOL
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Seguiremos agora o passo a passo de um futuro professor de espanhol.
Iniciaremos mostrando na legislação brasileira a obrigatoriedade da língua estrangeira nos
currículos escolares.
Encontraremos na LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, número 9.394
do dia 20 de dezembro de 1996, artigos que demonstram a obrigatoriedade do ensino de
uma língua estrangeira. O primeiro será atribuído à Educação Básica, direcionada ao
ensino fundamental, onde faz-se a citação sobre os currículos escolares no artigo 26, que
terá no §5 a seguinte citação:
“Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir da
quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja a
escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da
instituição.”
Já no segundo artigo será encontrado na parte da LDB referente ao ensino médio
que ao falar sobre o seu currículo no artigo 36 obterá na II citação o seguinte:
“Será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória,
escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro
das disponibilidades da instituição.”
Comprovada a obrigatoriedade de uma língua estrangeira, que normalmente ainda
é o inglês, mais uma vez falaremos sobre o crescimento do idioma espanhol, a procura dos
discentes sobre esse “novo” idioma.
Já podemos dizer que é “raro” o colégio que não possui a disciplina da língua
espanhola. Com essa procura voltamos a falar sobre a necessidade de profissionais
capacitados para o ensino do idioma. Já vimos anteriormente sobre a problemática dos
42
“professores” que lecionam o espanhol, sem serem formados no idioma. Neste capítulo
seguiremos falando sobre como deve proceder uma pessoa que esteja interessada na
aquisição de um diploma do ensino de espanhol.
Primeiramente o que aconselhamos é antes de entrar numa faculdade, deve-se
fazer um cursinho, pela seguinte razão: O espanhol ensinado nas faculdades é, vamos dizer
que, um pouco corrido, pois o conteúdo gramatical é muito grande para que professores
tenham tempo de ensinar os vocabulários necessários, coisa que nos cursinhos de língua é
o que mais enfatizam. Após um conhecimento básico dos vocabulários deve-se saber que
ainda não há uma faculdade só de língua espanhola. Para se formar em professor de
espanhol, hoje, é necessário o ingresso em uma faculdade de LETRAS que divide-se em
Licenciatura de Português, de espanhol (ou qualquer outro idioma) e suas literaturas.
Vejamos a seguir somente as disciplinas que cabem ao enfoque deste trabalho que
serão necessárias para a formação do espanhol.
Para tornar-se um docente teremos algumas matérias como: Língua Espanhola que
será dividida em Morfologia, Sintaxe, Filologia, Fonética e Fonologia. E Literatura que se
dividira em Literaturas Espanhola e Hispano-Americana.
Seguiremos agora com uma a uma das disciplinas e o que se estuda em cada uma
delas.
Iniciaremos com a Língua Espanhola. O estudante do espanhol e futuro professor
inicia sua graduação estudando um espanhol básico, ou seja, o aluno evoluíra aos poucos
na arte de falar e de escrever, no estudo da estrutura e da formação de palavras e nas
disposições das palavras na frase e das frases no discurso.
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O estudo da gramática e das partes morfossintáticas são indispensáveis ao
aprendiz que mais tarde ensinará a seus futuros alunos e que irá aos poucos durante toda
sua graduação aperfeiçoando e aprofundando seus conhecimentos até que se forme. Segue
abaixo uma síntese da gramática espanhola:
Ementa da Gramática Espanhola
I - EL ALFABETO ESPAÑOL
1. EL ALFABETO GRÁFICO
2. EL ALFABETO FONÉTICO
II - LOS ARTÍCULOS
1. LOS ARTÍCULOS DETERMINADOS
2. LOS ARTÍCULOS INDETERMINADOS
3. LAS CONTRACCIONES
III – EL SUSTANTIVO
1. GÉNERO
2. NÚMERO DEL SUSTANTIVO
IV – EL ADJETIVO
1. GRADO DEL ADJETIVO
2. POSICIÓN DEL ADJETIVO
V – LOS NUMERALES
1. NUMERALES CARDINALES
2. NUMERALES ORDINALES
3. NUMERALES FRACCIONARIOS
4. NUMERALES MULTIPLICATIVOS
5. NUMERALES COLECTIVOS
6. ASÍ LEEMOS LOS NÚMEROS DE TELÉFONOS, FECHAS, HORAS
VI – LOS PRONOMBRES PERSONALES
VII – LOS DEMOSTRATIVOS
VIII – LOS POSESIVOS
IX – LOS INDEFINIDOS
X – LOS PRONOMBRES RELATIVOS
XI – LOS PRONOMBRES INTERROGATIVOS
XII – LOS ADVERBIOS
XIII – LAS PREPOSICIONES
XIV – LAS CONJUNCIONES
1. CUADRO DE LAS CONJUNCIONES COORDINANTES
2. CUADRO DE LAS CONJUNCIONES SUBORDINANTES
XV – LAS INTERJECCIONES
XVI – EL VERBO
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1. LAS CONJUGACIONES
2. LOS MODOS Y LOS TIEMPOS
3. VERBOS REGULARES
4. VERBOS IRREGULARES
5. USO DE LOS MODOS Y TIEMPO
XVI – ORTOGRAFÍA
1. EL ACENTO GRÁFICO
2. SIGNOS DE PUNTUACIÓN
3. DIVISIÓN SILÁBICA
XVII – LEXICOLOGÍA
1. LOS HETEROSEMÁTICOS
2. LOS BILÉXICOS
3. LOS MODISMOS
4. LOS REFRANES
Sumário retirado da “Síntesis gramatical de la lengua española”.
Ao decorrer dos períodos o aluno de letras ira aperfeiçoar sua pronúncia a partir
do estudo dos sons da fala, especialmente no que diz respeito à sua produção, transmissão
e recepção e o estudo dos sistemas sonoros das línguas que será toda uma abordagem dos
movimentos físicos feitos pelas pessoas para a aquisição dos sons facilitando assim sua
compreensão e produção dos sons da “nova” língua. O nível fonético-fonológico será
dividido para o aprendiz da seguinte maneira:
Ementa Fonética-fonológica
I – LA FONETICA Y FONOLOGIA
II – SONIDO Y FONEMA
III - OPOSICIÓN FONOLOGICA
IV- DOBLE ARTICULACIÓN
V – CLASIFICACIÓN DE LOS FONEMAS ESPAÑOLES
VI - LUGAR DE ARTICULACIÓN
VII – LA OPOSICIÓN Y LA NEUTRALIZACIÓN DENTRO DELSISTEMA
VIII – AGRUPACIÓN DE FONEMAS
IX – POSICIÓN DEL ACENTO EN LAS PALABRAS ESPAÑOLAS
X – PALABRAS CON SILABAS TÓNICAS
XI – LA ENTONACIÓN
XII – GRUPO FONICO Y PAUSA
XIII – ENTONACION EN LAS FRASES DEL ESPAÑOL
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Sumário baseado no “Curso de Orientación Universitária” de Carlos del Saz –
Orozco.
E por último na parte da língua o aluno aprenderá sobre a língua em toda sua
amplitude, através dos documentos escritos que servem para documentá-la, essa disciplina
é chamada de Filologia que é exatamente o que vimos no capítulo anterior deste trabalho
que relata toda a história da língua espanhola, seu surgimento através do latim, os idiomas e
dialetos que a modificaram e aonde ela é encontrada, hoje, como língua oficial.
A segunda parte da graduação de letras é voltada para a literatura que no caso do
espanhol como já citamos anteriormente dividi-se em Espanhola e Hipano-Americana.
Afinal para se tornar um “verdadeiro” professor de espanhol não basta conhecer a língua,
deve-se aprender também sobre sua cultura e literatura.
Vejamos agora a Literatura Espanhola que é, normalmente, vista no início da
faculdade que abordará:
Ementa Literatura Espanhola
IDADE MÉDIA
- Continuação da história
- Introdução a Literatura
- Obra (El Cantar de Mío Cid)
RENASCIMENTO
- História do Renascimento
- Literatura
- Obra (La Celestina)
BARROCO
- Literatura Picaresca
- Obra (Lazarillo de Tormes)
ROMANTICISMO
- até a geração de 1927 (Modernismo)
- Continuação da história da literatura
- Obra (Don Juan Tenorio)
REALISMO E
- La Costa Blanca
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NATURALISMO
- Maese Perez – el organista
MODERNISMO
- Introdução
- Geração de 1898
- Geração de 1914
- Geração de 1927 – todos os Poetas
Após toda essa literatura o estudante, já quase professor, conhecerá a literatura
Hispano-Americana que terá como seguimento:
Ementa Literatura Hispano-Americana
LITERATURA DE
CONQUISTA
- Leitura dos Diários de Colombo
- Cartas
- Crônicas
LITERATURA DE
COLÔNIA
- Cartas
- Crônicas
LITERATURA DE
INDEPENDENCIA
- História da Independência
NOVELAS
REGIONALISATAS
- Indianismo
- Indigenismo – El zorro de arriba y el zorro de abajo
- Literatura Gautchesca
- Literatura da Revolução Mexicana
- Novela da Terra – Doña Bárbara
LITERATURA
FANTÁSTICA
- Los Funerales de Mamá Grande
Com todo esse material sobre a língua e a literatura o estudante estará preparado
para lecionar, porém sempre tendo a consciência de que é necessário sempre se atualizar e
que somente a experiência o fará um bom profissional.
47
CONCLUSÃO
É fato que o idioma espanhol encontra-se valorizadíssimo no mundo e
principalmente na América do Sul e é por isso que tornou-se inadmissível a permanência
do “portuñol”. É preciso aperfeiçoar-se para que se possa ascender profissionalmente.
Além desta questão de mercado existem outras razões para o aprendizado do
espanhol como: a globalização e a importância adquirida a esta idioma mundialmente.
O aprofundamento na língua tornou-se indispensável para o nosso sucesso. Por
isso, devemos ser mais responsáveis, pensar no futuro e nos dedicarmos cada vez mais
para nosso benefício próprio.
48
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
OROZCO, Saz. Curso de Orientación Universitaria.
PENNY, Ralph. Gramática Histórica del Español. Ariel Lingüística, 1993.
LAPESA, Rafael. Historia de la lengua. Escelicer.
NETA, Nair Floresta Andrade. Cuaderno Cervantes. No 29, Año VI, p. 46-55, 2000.
Manual de Espanhol. Idel Becker, 79a edición.
FREIRE, M. Teodora Rodríguez Monzú. Síntesis gramatical de la lengua española.
Enterprise idiomas, 5a edición, 1999.
ROMANOS, Henrique; CARVALHO, Jacira Paes de. Expansión: español en Brasil. São
Paulo: FTD, 2002.
Congresso Nacional. Lei nº 9.394 de 1996, Lei Darcy Ribeiro. Brasília-DF: 1996
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI. 3a edição. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
49
HISPANISTA- Revista electrónica de los Hispanistas de Brasil - Fundada en abril de
2000. Vol I - no 2 - julio-agosto-septiembre - 2000
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTO
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
2 – A Língua Espanhola Atual
9
11
3 – O “Portuñol ou Espanguês”
13
CAPÍTULO II
A LÍNGUA ESPANHOLA
17
1 – A evolução da língua
17
1.1 – A Península Ibérica
18
1.2 – A Invasão Romana na Península
– A Invasão Bárbara
18
19
1.4
1.3
–
A
50
Invasão Árabe
20
1.5 – A Reconquista
21
1.6
padronização da língua
22
1.7
Gramática tradicional
23
1.8
desenvolvimento da língua fora da Península
–
–
A
1a
A
–
O
23
2 – As dificuldades do brasileiro para a aprendizagem do espanhol
24
CAPÍTULO III
A FORMAÇÃO DE DOCENTES
39
CONCLUSÃO
45
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
46
ÍNDICE
47
ANEXOS
49
51
ANEXOS
52
FOLHA DE AVALIAÇÃO
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PROJETO A VEZ DO MESTRE
Pós-Graduação “ Lato Sensu”
Título da Monografia:
LÍNGUA
ESPANHOLA:
EVOLUÇÃO,
PROBLEMÁTICAS
E
APERFEIÇOAMENTO
Data da entrega: _______________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Avaliado por: ______________________________________ Grau: ___________
53
Rio de Janeiro, _____ de _______________ 2005.
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