UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA LUCIANA RODRIGUES CARDOSO ANÁLISE DA INFRA-ESTRUTURA VIÁRIA DA ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE UBERLÂNDIA (MG) E SUA INFLUÊNCIA NOS ACIDENTES DE TRÂNSITO UBERLÂNDIA 2009 LUCIANA RODRIGUES CARDOSO ANÁLISE DA INFRA-ESTRUTURA VIÁRIA DA ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE UBERLÂNDIA (MG) E SUA INFLUÊNCIA NOS ACIDENTES DE TRÂNSITO Trabalho Final de Graduação apresentado ao Curso de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia – UFU como requisito à obtenção do título de bacharel em Geografia. Orientador: Prof. Dr. William Rodrigues Ferreira UBERLÂNDIA 2009 2 LUCIANA RODRIGUES CARDOSO ANÁLISE DA INFRA-ESTRUTURA VIÁRIA DA ÁREA CENTRAL DA CIDADE DE UBERLÂNDIA (MG) E SUA INFLUÊNCIA NOS ACIDENTES DE TRÂNSITO Prof. Dr. William Rodrigues Ferreira (Orientador – IG UFU) Profa. Dra. Denise Labrea Ferreira (IG UFU) Profa. Mrs. Caroline Tristão de Alencar Magalhães (SETTRAN) 3 DEDICATÓRIA Aos meus pais pelo apoio constante e a amizade sincera em todos os momentos da busca à realização de meus objetivos. 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus que me proporcionou condições de estar realizando um grande objetivo como este. Aos meus pais Mórgan e Helena, meus maiores incentivadores a trilhar com muita dedicação esse caminho ao qual escolhi e do qual completo uma nova etapa. A vocês, meus maiores exemplos, muito obrigada! Aos meus irmãos Júnior, Papaula e Mari que sempre estiveram presentes e compartilhando minhas alegrias e desesperos para com todos os percalços de minha vida acadêmica. Ao meu noivo Juraci, pelo carinho e paciência que demonstrou “quase” sempre nos momentos mais complicados. Ao professor William, que mais que um orientador foi um amigo nas horas de dúvidas e reclamações, com quem pude contar sempre que preciso fosse. À professora Denise que sempre abriu portas para o campo externo à academia. Obrigada por todas as experiências por você proporcionadas. 5 Aos amigos Ana Clara, Mayara, Nilton, Neylor e todos os outros com quem pude compartilhar momentos muito felizes ao longo dessa caminhada. A todos vocês meu muito obrigado e minha eterna gratidão!!! 6 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO..............................................................................................11 INTRODUÇÃO...................................................................................................14 1. DISCUSSÃO TEÓRICO – CONCEITUAL 1.1. Planejamento Urbano................................................................................18 1.2. Sistema viário............................................................................................21 1.3. Acidentes de Trânsito................................................................................28 2. O CENTRO DA CIDADE DE UBERLÂNDIA E A INFRA – ESTRUTURA DISPONÍVEL......................................................................................................33 3. DIAGNÓSTICO DAS POTECIALIDADES E FRAGILIDADES DA ÁREA CENTRAL...........................................................................................................51 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................62 REFERÊNCIAS...................................................................................................64 7 LISTA DE SIGLAS SETTRAN – Secretaria de Trânsito e Transportes de Uberlândia CTB – Código de Trânsito Brasileiro AT – Acidente de Trânsito UPS – Unidade Padrão de Severidade CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito 8 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Acidentes de Trânsito no município de Uberlândia-MG – 2004 a 2008 Quadro 2 - Variação de população e motorização no período de 2004 a 2008 no município de Uberlândia-MG Quadro 3 - Graus de Severidade num acidente de trânsito Quadro 4 - Acidentes de trânsito por dia da semana no município de Uberlândia-MG – 2004 a 2008 Quadro 5 - Evolução da População no município de Uberlândia-MG – 2004 a 2010 Estimativa e Projeção Quadro 6 - Número de Acidentes por tipo de localidade no município de Uberlândia-MG no período de 2004 a 2008 Quadro 7 - Os dez bairros com maior número de acidentes sem vítimas fatais no município de Uberlândia-MG (2004 a 2008) Quadro 8 – Número de acidentes por tipo de pavimentação no município de Uberlândia no período de 2004 e 2008 Quadro 9 - Número de acidentes de acordo com as condições presumíveis da via no município de Uberlândia-MG (2004 a 2008) Quadro 10 - Número de acidentes por tipo de sinalização no município de Uberlândia (2004 a 2008) Quadro 11 - Número de acidentes de acordo com condição geométrica da via no município de Uberlândia (2004 a 2008) Quadro 12 - Número de Acidentes por Severidade no município de Uberlândia (2004 a 2008) Quadro 13 - Número de acidentes por tipo e natureza no município de Uberlândia (2004 a 2008) 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Localização da cidade de Uberlândia dentro do Estado de Minas Gerais Figura 2 – Calçada Rua Machado de Assis, Uberlândia-MG Figura 3 – Comércio utiliza-se de calçada na Rua Quintino Bocaiúva, Uberlândia-MG Figura 4 – Cálculo de valor de UPS Figura 5 – Vista aérea da Praça Tubal Vilela (área central de Uberlândia – MG) Figura 6 – Delimitação do centro da cidade de Uberlândia Figura 7 – Calçada Av. Afonso Pena Figura 8 – Sinalização Horizontal Av. João Pinheiro município de Uberlândia-MG Figura 9 – Sinalização Horizontal Av. Afonso Pena, Uberlândia-MG Figura 10 – Sinalização Vertical Rua Quintino Bocaiúva, Uberlândia-MG Figura 11 - Via estrutural estreita e comércio consolidado no município de Uberlândia-MG 10 APRESENTAÇÃO O crescimento acelerado e desordenado da grande maioria das cidades brasileiras uma realidade que vem acontecendo ao decorrer de alguns anos. O espaço urbano se torna cada vez mais adensado contribuindo para o aumento da ocorrência de acidentes de trânsito, fato que tem se apresentado cada vez mais freqüente nas cidades de grande e médio porte. O processo de urbanização nos países subdesenvolvidos ocorreu tardiamente e de uma forma muito acelerada. Isto implicou em uma configuração urbana que não atendia e ainda não atende as necessidades estruturais que tal processo exige. Dessa forma, as cidades, a partir de suas novas funções urbanas, têm na intensificação do processo de urbanização, um importantíssimo fator de interferência no espaço urbano e conseqüentemente no planejamento do sistema viário como um todo. O aumento da frota de veículos, principalmente particulares, colabora significantemente para a saturação desse espaço. A infra-estrutura existente não consegue suportar a nova demanda de circulação que se estabelece e acaba por esgotar todas as possibilidades de deslocamentos nessa área. Essa dinâmica é mais intensa nas áreas centrais das cidades e nos eixos onde há presença do setor de comércio e serviços, a complexidade das relações sociais e econômicas gera conturbações internas que atingem o sistema viário local, exigindo maior preocupação com o mesmo. Toda essa complexidade territorial pode ser compreendida no município de Uberlândia, que pode ser caracterizado como cidade de médio porte por todas suas características físicas, econômicas e demográficas. E também por desempenhar um papel importantíssimo de apoio a todos os outros pequenos municípios próximos. 11 Segundo CLEPS (2006), O crescimento populacional apresentado por Uberlândia marca um limiar no processo de urbanização da cidade, aferindo-lhe um caráter dominante de núcleo urbano regional como espaço de circulação e de reprodução da força de trabalho. Esta centralização regional estabeleceu um novo papel na dinâmica intra-regional, em que Uberlândia começou a adquirir características de cidade média. A partir de então, a cidade assumiu funções mais complexas, transformou-se num centro de dispersão de uma diversidade muito grande de atividades, especialmente as ligadas ao setor terciário. (CLEPS, 2006) Ainda segundo CLEPS (2006), o fato de tamanha dependência deve-se à facilidade de acessibilidade, à distância física, aos equipamentos urbanos que ela oferece principalmente os relacionados à estrutura de transporte e comunicações, pelos serviços médico-hospitalares, pelo sistema educacional, além da atividade comercial visto que é a única cidade da região que possui um hipermercado e um shopping center. Ao desempenhar tais funções a cidade a partir das ultimas décadas do século XX passou a receber um grande fluxo migratório, tanto rural quanto urbano e tal processo resultou num crescimento populacional significativo e como conseqüência o planejamento urbano não conseguiu mais atender à nova dinâmica que se estabelecia e daí o surgimento e o incremento de problemas urbanos na cidade. Assim, a pesquisa tem como principal objetivo conhecer e analisar a nova dinâmica do espaço central da cidade de Uberlândia, bem como os equipamentos de infra-estrutura disponibilizados nesse espaço e no que isso interfere quanto à ocorrência dos acidentes de trânsito. Analisando o sistema viário da área de estudo podem-se propor sugestões e mudanças para melhoria desse sistema. O trabalho de pesquisa nessa área justifica-se, pois, trará informações que poderão auxiliar na hora da elaboração de um Planejamento Viário do município e melhoria na estrutura física disponibilizada para realização de deslocamentos da população. A falta de infra-estrutura e a conseqüente ocorrência de acidentes são fatos que merecem estudos 12 principalmente para auxiliar na qualidade de vida e de fluxos da população que reside ou estabelece seus deslocamentos nesse local. É preciso pensar o sistema viário urbano dessa área por se tratar de uma importante parte da cidade, pois apesar do processo de descentralização dos serviços e do comércio ocorrer, essa ainda é uma região onde se concentram grande parte dos deslocamentos e é um eixo de ligação entre alguns bairros da cidade de Uberlândia. A metodologia utilizada foi um levantamento teórico conceitual a respeito do tema e da área em questão. E através de pesquisas a campo, pode-se comparar o que é proposto pela legislação municipal e analisar a realidade da infra-estrutura que está disponível atualmente para atender a todos os tipos de deslocamentos da área central. O trabalho foi dividido em três capítulos dos quais no primeiro faz-se um levantamento teórico conceitual acerca da temática proposta, no segundo tem-se uma visão mais específica da área central e da infra-estrutura disponível nesse espaço e no terceiro, há o diagnóstico das potencialidades e fragilidades que o espaço proporciona. 13 INTRODUÇÃO Toda atividade se realiza em um espaço e tempo distinto. A necessidade dos deslocamentos gera um uso em excesso dos meios de transportes, obrigando o poder público a oferecer uma infra-estrutura que garanta que os fluxos sejam então estabelecidos. Com o crescimento urbano, o aumento da frota de veículos, a nova reconfiguração do sistema viário à “cultura do automóvel” e a ausência de planejamento por parte das administrações públicas no sistema viário e no espaço urbano como um todo, a realidade do trânsito no Brasil passou a ter uma configuração desordenada o aumenta a probabilidade do acontecimento de acidentes. Segundo VASCONCELLOS (2005), para que as pessoas desloquem e as cargas sejam transportadas, é preciso haver uma infra-estrutura física na cidade que permita a circulação a pé ou por meio de veículos e essa infra-estrutura seria formada pelas calçadas, pelo leito carroçável e outros instrumentos que propiciam a efetivação dos fluxos. Toda a circulação é regulamentada e orientada por uma sinalização de trânsito e desse modo os projetos de sinalização viária são fundamentais para a orientação correta dos fluxos de veículos e pedestres, auxiliando na fluidez do tráfego e proporcionando maior segurança para os usuários das vias. Nos deslocamentos urbanos, principalmente nas grandes e médias cidades, as áreas centrais são as mais congestionadas e são onde os deslocamentos se estabelecem de uma maneira mais complicada. Na maioria das vezes são locais que sofreram intervenções ligadas ao planejamento urbano ocorrente em algum momento histórico, mas que, não possuem a capacidade de atender à nova dinâmica espacial configurada nas cidades nos dias atuais. Por esse motivo, estas hoje passam por problemas por não encontrarem uma estrutura física que suporta a quantidade de veículos, pedestres e todos os outros tipos de usuários ao mesmo tempo. De acordo com FERREIRA (1997), a mobilidade e acessibilidade da população são influenciadas pela função das vias existentes, por estas condicionarem a movimentação de 14 todos os participantes do trânsito e usuários dos diversos modais de transporte. E que por meio do sistema viário é que fluem todas as relações de troca e de serviços que mantêm a constante dinâmica da vida urbana. Com uma área de 4.116 km², o município de Uberlândia encontra-se na região nordeste do Triângulo Mineiro, no Estado de Minas Gerais como verifica-se na Figura 01 e abriga um contingente populacional de aproximadamente 608 mil habitantes (IBGE, 2007). 15 Figura 01: Localização da cidade de Uberlândia dentro do Estado de Minas Gerais Fonte: CLEPS, G.D.G. (2006) 16 Na área de estudo - o centro da cidade - a situação não se difere das outras cidades médias do país, é o lugar onde ainda se concentra grande parte do setor de serviços e comércio da cidade, mas que, devido à nova e complexa configuração que o trânsito vem estabelecendo, os problemas como a falta de infra-estrutura viária e a ocorrência dos acidentes de trânsito são aspectos cotidianamente verificados dentro desse sistema de circulação. Como a oferta de espaço viário urbano cresce em ritmo muito inferior àquele do incremento das frotas de veículos rodoviários de todos os tipos, nosso quadro metropolitano passou a ser dominado pela tendência à saturação de um grande número de vias urbanas, suburbanas e intermunicipais durante períodos cada vez mais prolongados do dia, reduzindo sistematicamente a mobilidade das populações ativa e escolar em suas movimentações pendulares. (BARAT, 1979) O esgotamento da capacidade das vias ou a falta de infra-estrutura adequada ao tipo de deslocamento que acontece no local podem ser os grandes causadores dos problemas de ineficiência do sistema viário. De frente a todas essas características podemos afirmar que o aumento dos acidentes de trânsito gerados por problemas ligados a infra-estrutura viária ou quaisquer outras causas tornam-se um legítimo problema social, tanto com seus custos financeiros, quanto de recursos materiais e humanos, além de significar um empecilho a mais para o setor administrativo das cidades. Partindo do principio de todos os problemas apresentados, percebe-se a enorme importância de estudos que possam no futuro subsidiar projetos de intervenções nesse espaço, auxiliando diretamente na fluidez do sistema viário e conseqüentemente na redução dos acidentes de trânsito. 17 1. DISCUSSÃO TEÓRICO CONCEITUAL 1.1. Planejamento Urbano Desde o período das cidades medievais, os sistemas viário e de transportes assumem papéis importantes e decisivos na organização das cidades em todo o mundo, onde o sistema de transporte era necessário para atender os deslocamentos de pessoas e mercadorias e chega até as cidades atuais cuja influência pelo processo de globalização as torna dependentes de uma rede de transportes rápida e eficiente. O processo de industrialização acentuou ainda mais a importância de sistemas viário e de transportes coerentes com as necessidades econômicas que vigoram a partir de então, dando origem assim a uma enormidade de novas características que interferiram no desenho urbano dessas cidades. Aliado ao processo de industrialização está o aumento da urbanização, o crescimento acelerado das cidades, o qual se manifestou e se consolidou de diferentes intensidades, apresentando conseqüentemente seus benefícios e problemas. Assim, ambos os sistemas, que eram responsáveis pela principal forma de mobilidade intra urbana, via sua importância crescer consideravelmente à medida que as cidades começavam a expandir seus territórios. As taxas muito elevadas de migração para os centros urbanos fizeram com que se ampliasse a necessidade por mobilidade e que essa acompanhasse a complexidade das relações sociais que se estabeleciam. Cria-se então um novo desafio, pois, à medida que a população urbana aumentava juntamente com suas necessidades de deslocamentos, o espaço urbano se tornava cada vez mais adensado e com menores disponibilidades e opções de deslocamento surgindo a partir de então novas funções de articulação e controle e ordenamento. As cidades então, principalmente aquelas localizadas em países em desenvolvimento passam a adotar o planejamento enquanto processo contínuo e alicerçado por uma visão sistêmica, que considere todas as partes do sistema urbano. 18 Pois, apenas dessa forma poderiam alcançar um ordenamento territorial comprometido com a qualidade de vida de seus cidadãos. O planejamento adequado do desenvolvimento urbano parte então do principio de reduzir os possíveis impactos nesse espaço e ele será feito para promover uma ocupação urbana compatível com a infra-estrutura disponível de trânsito e transporte como de outros atores estruturais urbanos. A ferramenta que o poder público dispõe para disciplinar essa ocupação urbana é o planejamento urbano por meio do plano diretor e das leis de uso e ocupação do solo. No Estatuto da Cidade, se estabelece um conjunto de princípios no qual está expressa uma concepção de cidade, de planejamento e de gestão urbanos. A ele também se incorpora uma série de instrumentos que, como a própria denominação define, são os meios para atingir as finalidades desejadas. O plano diretor é um desses instrumentos de gestão urbana. Ele é um documento cuja finalidade é conferir aos municípios a obrigatoriedade de aferir ao espaço urbano sua respectiva função social, assegurando aos cidadãos o atendimento de suas necessidades. Segundo FERREIRA (1979) a atividade de planejamento acompanha o homem desde a antigüidade, quando fazia planos para conseguir o que desejava. Mesmo pessoalmente planejamos nossas vidas, pois planejar é imprescindível quando queremos alcançar algum êxito. Assim, a crise urbana gerada pelo crescimento não planejado das cidades gera problemas para a população, sendo que estes problemas são sentidos com maior intensidade no setor de baixa renda da população, enquanto a classe dominante luta para manter seus privilégios através de sua influência. O planejamento então, surge como um instrumento para combater essa crise urbana, no entanto esse nem sempre é o principio norteador de tal ação. Muita das vezes esse planejamento não é eficaz para resolver os problemas urbanos da atualidade, devido aos interesses dos grupos que assumem o poder. Esse planejamento deveria possibilitar a inserção de uma ampla camada da população a melhores condições de vida, isso inclui os deslocamentos realizados por elas. 19 Segundo VASCONCELLOS (2000) é o planejamento de transportes que define toda a infra-estrutura viária: vias, calçadas, os terminais, os veículos de transporte público, a estrutura das vias e a freqüência das viagens. E é o planejamento da circulação define a forma de uso de toda estrutura viária, tanto pelas pessoas quanto pelos veículos, tendo como atividades essenciais à legislação, a engenharia de tráfego, a educação e a fiscalização. O mesmo autor ainda enfatiza que as políticas de circulação devam analisar além da fluidez e segurança, a acessibilidade, o nível de serviço dos transportes, o custo do transporte e a qualidade ambiental, pois são essenciais para o controle da circulação. Ele também lembra que os diversos usuários possuem necessidades diferentes de deslocamento (precisam ir à escola, ao trabalho, aos comércios, etc.) e acabam gerando demandas conflitantes. Assim, a reestruturação da cidade de Uberlândia sempre foi orientada por meio do eixo do transporte urbano. Orientação esta, buscada por meio da racionalização do planejamento urbano, do sistema viário, sistema de circulação e de transporte. Esta racionalização é orientada de acordo com a dinâmica do ordenamento de uso e ocupação do solo, principalmente por meio das vias estruturais, como propõe o Plano Diretor municipal. A partir dos objetivos macros do planejamento urbano, foram elaborados os planos de orientação do crescimento urbano, do trânsito e transporte da cidade de Uberlândia. 20 1.2. Sistema Viário De acordo com Freitas (2007), a infra-estrutura do trânsito e do transporte é construída e organizada com o objetivo de permitir uma mobilidade condizente com as necessidades de todos os agentes do trânsito. Circular pela cidade com facilidade e segurança é direito de todos, sendo assim, a infra-estrutura viária e o sistema de transporte urbano tem por obrigação atender aos anseios da população de acordo com a forma e os meios de mobilidade necessários. Segundo Vasconcellos (2005), a infra-estrutura física construída para permitir o deslocamento de pessoas e mercadorias é formada pelas calçadas, pelas pistas e pelos equipamentos de integração do transporte público. Analisando então esses componentes, percebe-se que, a infra-estrutura viária das cidades é palco pra uma grande quantidade de conflitos, desde a sua regulamentação e fiscalização, até seu ordenamento e funcionamento. Não existe uma homogeneidade no que se refere à construção e manutenção dos diversos componentes viários, fato que quase sempre gera transtornos aos agentes do trânsito, culminando em sérios problemas como os acidentes de trânsito. As calçadas do centro das cidades são o exemplo mais característico de um sistema viário incapaz de atender todas as necessidades da população. Tendo como princípio de que todos nós somos, ou seremos pedestres em algum momento, percebemos o descaso com essas calçadas. A construção da calçada é responsabilidade do dono do terreno e as prefeituras pela fiscalização do estado em que se encontram. Hoje, porém, essa calçada é vista como um elemento pertencente à casa e/ou ao comércio por esse motivo o dono do terreno pode fazer o que bem entender desse espaço. Devido à falta de fiscalização das prefeituras municipais, a maior parte delas se encontra em péssimo estado de conservação e quase sempre não atendem seu principal objetivo: o deslocamento de pedestres. Declividade acentuada, piso escorregadio, objetos no caminho, tudo isso são fatores que prejudicam a mobilidade nesse local. 21 Na Figura 02 pode-se avaliar a condição da maioria das calçadas no centro urbano do município de Uberlândia. São condições precárias, que diminuem qualquer tipo de mobilidade satisfatória nesse espaço. Figura 02: Calçada Rua Machado de Assis, Uberlândia-MG Fonte: CARDOSO, L.R. (2009) Segundo Vasconcellos (2005), a largura mínima para a circulação confortável nos dois sentidos é de 2 metros. Se o trânsito de pedestres for elevado – como nas áreas centrais das cidades – esta largura precisa ser bem maior, chegando a 6 metros nas grandes cidades. Pode-se perceber então que, assim como ocorre também na cidade de Uberlândia, a largura da calçada é muitas vezes inferior a dois metros. Esse fato das calçadas serem diminuídas ocorreu e ocorre para ampliar a largura das vias disponíveis para o trânsito de veículos. 22 Além da então presente falta de espaço tem-se constantemente a presença de postes, orelhões, mesas e cadeiras de bares (como se observa na Figura 03), dentre outros elementos incorporados nessa área sem o devido planejamento ou a autorização de uso, o que gera maior dificuldade de deslocamento nesse espaço. Figura 03: Comércio utiliza-se de calçada na Rua Quintino Bocaiúva, Uberlândia-MG. Fonte: CARDOSO, L.R. (2009) Um aspecto importante a considerar também é a ocupação irregular da calçada por vendedores ambulantes pertencentes ao comércio informal que, assim como alguns comércios formais, se utilizam do espaço para expor seus produtos, gerando um desconforto para quem utiliza a calçada apenas como espaço de passagem. Outro componente do sistema viário são as vias de circulação, estas são formadas pela calçada e pelo leito carroçável, que é onde circulam principalmente os 23 veículos motorizados. As vias são hierarquizadas de acordo com sua funcionalidade pelo Código de Trânsito Brasileiro, estas podem ser: Via de trânsito rápido – é longa, com duas ou mais pistas sem interrupção de semáforos, permite velocidade mais alta, compreende um trafego volumoso e percorre áreas urbanas com diferentes usos do solo. Via arterial – é longa, trafego volumoso, no entanto são semaforizadas. Via coletora – é aquela que coleta o trafego de áreas residenciais e o levam até a via arterial. Via local – serve basicamente áreas residenciais, são em geral mais estreitas e atendem tráfego menos intenso. Além dos automóveis, as vias são os locais por onde transitam também veículos de cargas e de transporte público, por esse motivo, de todo o sistema viário, as vias são os elementos que mais recebem investimentos do governo. É preciso combinar o uso e ocupação do solo ao tipo de via que se pretende estabelecer, para que se possam hierarquizar as mesmas, evitando conflitos na utilização do sistema viário. De acordo com o Art. 5º da Lei Complementar nº 374 de 27 de agosto de 2004 que estabelece o Sistema Viário de Uberlândia, A hierarquia viária é estabelecida em função da capacidade de tráfego e grau de fluidez de cada via, compatibilizando-as com os usos estabelecidos pela Lei de Parcelamento e Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo do Município de Uberlândia. Disciplinar os deslocamentos dentro da malha urbana do município é o principal objetivo da lei nº 374. A partir daí, percebe-se a preocupação com o ordenamento do sistema viário simultaneamente com o adensamento populacional desse espaço, sendo que todo esse processo se apresenta intimamente ligado à priorização do transporte coletivo no município. 24 Hierarquização das vias também é um dos elementos da lei do sistema viário. Para tal ação é necessário bastante cuidado. Segundo Vasconcellos (2005), há de se tomar maior cuidado com algumas características das vias, para diminuir a insegurança no trânsito e obter conforto e fluidez para pedestres e veículos. Estas características são: tipo de pavimentação, que influenciará na velocidade adquirida pelos veículos; a declividade; os raios de giro e a largura da via. Todo o processo de caracterização de vias deve ser realizado com o emprego de uma sinalização viária adequada, uma vez que ela é um relevante componente na segurança dos deslocamentos. Ela é a responsável por ordenar o trafego de acordo com a função urbana do espaço em questão. Segundo a ANTP (1997), A sinalização de trânsito tem o objetivo de informar sobre a forma adequada de utilização das vias. Ela constitui elemento obrigatório para o desempenho adequado do trânsito e está diretamente ligada às decisões sobre o padrão de circulação. A sinalização pode adquirir caráter compulsório ou então servir de advertência e orientação. ANTP (1997) A sinalização é um componente de infra estrutura viária indispensável ao ordenamento principalmente das áreas de maior fluxo agindo como um fator de racionalização e agilidade do sistema de circulação. Por meio da sinalização torna-se possível impor regras que irão disciplinar desde o tempo máximo de permanência de veículos no estacionamento até a limitação de trafego em determinada área. Assim, se garante uma quantidade de veículos adequada às características da via e através dela também o direito de uso de qualquer tipo de modal pode ser melhor estabelecido. Faz parte da sinalização viária equipamentos de segurança especiais, empregados de acordo com a particularidade de cada local, no entanto todos eles são dispositivos que visam diminuir a incidência de acidentes em determinada localidade. A sinalização viária possui uma padronização estabelecida pelo Código de Trânsito Brasileiro, Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e manuais técnicos e esta é definida de acordo com conceitos, usos e uniformidade. Essa padronização 25 contribui para a melhor compreensão por parte de pedestres e motoristas, visto que, o mesmo que se vê em sua região pode ser encontrada em qualquer outra região do país. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (2005), as sinalizações viárias se classificam em: • Regulamentação: tem por finalidade informar aos usuários as condições, proibições, obrigações ou restrições no uso das vias. Suas mensagens são imperativas e o desrespeito a elas constitui infração. A forma padrão desses sinais é circular e suas cores vermelho, preto e branco. • Advertência: tem por finalidade alertar os usuários da via de qualquer condição potencialmente perigosa, indicando sua natureza. Sua forma padrão é quadrada e suas cores amarelo e preto. • Indicação: tem por finalidade identificar vias e locais de interesse, bem como orientar condutores quanto a percursos, distâncias e serviços auxiliares. Sua mensagem tem caráter informativo ou educativo. Podem ser encontradas de diversas formas E de acordo com que estas se dispõem fisicamente no espaço podem ser: • Vertical: esse meio de comunicação se encontra em posição vertical, normalmente em placas fixadas ao lado ou suspenso sobre a pista transmitindo a mensagem desejada. • Horizontal: é um subsistema que se utiliza de linhas, marcações, símbolos e legendas pintados ou apostos sobre o pavimento das vias. Tem a função de organizar o fluxo e controlar e orientar os deslocamentos. Vale lembrar que o emprego da sinalização se mostra de grande importância nas áreas onde a probabilidade de ocorrência de acidentes de trânsito é maior como nas 26 interseções de vias. Os sinais mais utilizados nessas áreas são o de parada obrigatória e os semáforos. 27 1.3. Acidentes de Trânsito O trânsito brasileiro é regulamentado pela lei 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro – CTB, e pelas Resoluções complementares. Além do CTB e das Resoluções, os Estados complementam a legislação por meio de Portarias e Decretos. Cada órgão municipal tem autonomia para normatizar o trânsito, por esse motivo é imprescindível a atenção redobrada dos motoristas e pedestres quando se encontram em municípios desconhecidos. O Código de Trânsito tem como finalidade: definir atribuições das diversas autoridades e órgãos ligados ao trânsito, fornecer diretrizes para a Engenharia de Tráfego e estabelecer normas de conduta, infrações e penalidades para diversos usuários deste complexo sistema. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (2005), considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. A crescente urbanização das cidades, o aumento da frota de veículos e a necessidade da evolução dos transportes pela economia mundial, fizeram com que alguns problemas surgissem dessas alterações. Os acidentes de trânsito são um grande problema que se inseriu no meio urbano a partir dessa nova dinâmica imposta. Nos países em desenvolvimento, o crescimento acelerado não é acompanhado pelo desenvolvimento de diversos setores, gerando então uma incompatibilidade entre as formas de circulação e a demanda de deslocamentos que passa a existir. Em Uberlândia, os números de acidentes de trânsito vêm crescendo aceleradamente como se vê no Quadro 01. 28 Quadro 01: Acidentes de Trânsito no município de Uberlândia-MG – 2004 a 2008 Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Nº de acidentes 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 % de crescimento -2,9841 17,2975 2,0595 9,345 7,7963 Fonte: Settran – CTA, 2009 Adaptado por: Luciana Rodrigues Cardoso, 2009. No quadro 02 percebe-se também a evolução do número de acidentes de trânsito juntamente com uma ascensão gradativa e contínua do aumento da frota de veículos. Como o incentivo ao uso do transporte individual é uma realidade não só no município de Uberlândia como na maioria de outros grandes centros urbanos é importante ressaltar que, com o aumento de população nas cidades, maior será a quantidade de deslocamentos efetuados e conseqüentemente maior o número de pessoas adquirindo um meio de transporte. O que se verifica então é que a quantidade de veículos particulares circulado nas cidades brasileiras é enorme o que interfere além de outros fatores no aumento à tendência de ocorrência de acidentes de trânsito. Quadro 02: Variação de população e motorização no período de 2004 a 2008 no município de Uberlândia-MG. Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Frota Veicular 157.682 170.794 181.307 195.653 217.020 População 570.042 585.262 600.368 608.369 628.688 Fonte: Settran – CTA, 2009 Adaptado por: Luciana Rodrigues Cardoso, 2009. A cidade apresenta um aumento de população e frota e o crescimento dos acidentes também é um número representativo. Como podemos ver no Quadro 02, no ano de 2004 tínhamos um veículo para cada 3,6 pessoas, já no ano de 2008 esse número passa a um veículo pra cada 2,8 pessoas. Isso vem para confirmar a saturação que o sistema viário do município vem apresentando. 29 Observa-se então que não só na cidade de Uberlândia como na maioria das cidades existentes, os sistemas viário e de circulação se apresentam pouco eficientes para permitir à sociedade deslocamentos eficientes e seguros. A medida que a cidade vai se expandindo, cada vez mais há a ampliação de suas atividades econômicas e a configuração territorial se torna mais complexa. Essa complexidade sócio-espacial causa um desequilíbrio principalmente nas áreas centrais das cidades por ser uma região foco de grande número de deslocamentos visto que, é um local onde se concentra a maior geração de serviços e consumo. Segundo GEIPOT (1987), pode-se dizer que há dois tipos de causas de acidentes: causas imediatas e causas subjacentes ou indiretas. Nas causas imediatas incluem-se motorista, veículo e via. Tradicionalmente, o fenômeno do acidente de tráfego tem sido visto como um acontecimento isolado. A causa seria algum erro do motorista ou defeito na pista ou no veículo, nas imediações do local do acidente. (GEIPOT, 1987) Hoje, sabe-se que esta explicação é inadequada, porque, na realidade, os acidentes fazem parte de um “sistema”, ou seja, um ambiente físico, social e institucional, cujas partes possuem inter-relações. Os erros do motorista, bem como os defeitos em vias e veículos, existem de fato, e aparecem as causas imediatas dos acidentes. Entretanto, são fenômenos que se realizam dentro de um contexto mais amplo que precisa ser compreendido para obter saltos quantitativos no controle dos acidentes. (GEIPOT, 1987) Com exceção das doenças associadas à má nutrição, o acidente de tráfego possivelmente constitui o pior problema de saúde pública no Brasil. As estatísticas oficiais atribuem a esta causa cerca de 25 mil mortes por ano (CONTRAN, 1986), classificando-a como a primeira causa de morte entre jovens do sexo masculino. No entanto há indícios que o número real pode ser muito superior, havendo estimativas que chegam a faixa de 40 a 50 mil. (GEIPOT, 1987) 30 Nos acidentes de trânsito o padrão utilizado tanto pelo DENATRAN quanto pela CET-SP na classificação da severidade do acidente foi a mensuração através de UPS (Unidade Padrão de Severidade), onde seus respectivos valores estão demonstrados no Quadro 03: Quadro 03: Graus de Severidade num acidente de trânsito. Fonte: Settran, 2009 Para se chegar a esse valor de UPS, é realizado o seguinte cálculo: Figura 04: Cálculo de valor de UPS Fonte: Settran, 2009 Para a redução do número de acidentes de trânsito ou o grau de severidade desses, é indispensável à humanização do trânsito por meio de práticas educativas, no entanto, outro fator de extrema contribuição ao sistema é o investimento em infraestrutura viária, priorizando o transporte público e os modos não motorizados de transporte. 31 De acordo com Freitas (2005), a melhora nas condições de pavimentação e sinalização em algumas cidades brasileiras, com o apoio de políticas de conscientização e a atuação de uma fiscalização mais atuante, tem contribuído de maneira representativa para o aumento da segurança no trânsito e, conseqüentemente dos acidentes a ele relacionados. Quadro 04: Acidentes de trânsito por dia da semana no município de UberlândiaMG – 2004 a 2008 Ano/Dia Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb 2004 854 1.164 1.063 1.131 1.101 1.249 1.179 2005 974 1.361 1.294 1.297 1.287 1.504 1.363 2006 983 1.396 1.364 1.391 1.328 1.444 1.361 2007 1.087 1.591 1.380 1.490 1.506 1.541 1.538 2008 1.168 1.662 1.601 1.585 1.583 1.767 1.557 Total 5.066 7.174 6.702 6.894 6.805 7.505 6.998 Fonte: Settran – CTA, 2009 Adaptado por: Luciana Rodrigues Cardoso, 2009. No município de Uberlândia, de acordo com dados da Secretaria de Trânsito e Transportes do município (Quadro 04), dos anos de 2004 a 2008, o que se observa é a maioria dos acidentes acontecendo na Sexta-Feira. Dia em que os deslocamentos são mais freqüentes visto que se soma além dos deslocamentos por compromissos de trabalho, àqueles deslocamentos por motivos de lazer e diversão. Com um sistema altamente carregado, muitas vezes ocorrem os acidentes, devido a dificuldade de mobilidade nesses espaços. 32 2. O CENTRO DA CIDADE DE UBERLÂNDIA E A INFRA- ESTRUTURA DISPONÍVEL A eficiência do sistema de circulação em uma cidade está relacionada em parte com o desenho e tipo de planejamento em que o município se enquadrou. A partir do momento em que se faz a escolha, do modelo de traçado de vias, largura das calçadas, tipo de pavimentação, dentre outros, o que se pretende é a maior fluidez no tráfego. Muitas vezes o modelo escolhido se torna ultrapassado e incapaz de absorver toda a nova demanda que se estabelece nesse espaço, isso devido ao acelerado crescimento urbano que acontece em todo o nosso país. A cidade de Uberlândia não se difere desses espaços citados, é um município que possui taxas muito elevadas de crescimento populacional (Quadro 05) e cujo sistema viário muitas vezes não suporta toda uma dinâmica de circulação. A cidade é considerada a principal cidade da região do Triângulo Mineiro por proporcionar aos municípios vizinhos alguns tipos de serviços especializados não encontrados nessas outras localidades, como por exemplo serviços de saúde, transporte aéreo, dentre outros. Quadro 05: Evolução da População no município de Uberlândia-MG – 2004 a 2010 Estimativa e Projeção Tipo Estimativa e Projeção / Ano Área 2004¹ 2005¹ 2006¹ 2007¹ 2008¹ 2009² 2010² Urbana 556.133 570.982 585.695 593.500 613.323 633.807 654.976 Rural 13.909 14.280 14.673 14.869 15.365 15.878 16.408 Total 570.042 585.262 600.368 608.369 628.688 649.685 671.384 Fonte: IBGE Adaptado por: CARDOSO, L. R. (2009) ¹ Estimativa Populacional 2004 – 2008 ² Projeção Populacional 2009 – 2010 33 Figura 05: Vista aérea do município de Uberlândia – MG. Fonte: Settran, 2009 Com relação à área de estudo, o centro da cidade de Uberlândia se localiza entre quatro principais vias de ligação da cidade sendo elas: Avenida Getúlio Vargas, Avenida Rio Branco, Rua Goiás e Rua dos Pereiras (Figura 06). 34 Figura 06: Delimitação do centro da cidade de Uberlândia Fonte: Google Maps Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso, 2009. Ressalta-se que, cada município possui uma lei que normatiza o sistema viário municipal. No município de Uberlândia, a Lei Complementar Nº374 de 27 de agosto de 2004 estabelece o sistema viário básico da cidade. De acordo com o Art. 1º da lei do sistema viário municipal, este foi estabelecido de forma integrada e compatibilizado com a Legislação de Parcelamento e Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo e com o Sistema Integrado de Transporte Coletivo Urbano, conforme disposto no Plano Diretor do Município. 35 A Lei nº 374 do Sistema Viário da cidade de Uberlândia tem como objetivos: estabelecer a hierarquização do sistema viário a partir da estruturação urbana definida no Plano Diretor do Município; estabelecer funções diferenciadas para todo o conjunto de vias urbanas, priorizando o transporte coletivo; estabelecer a capacidade física de cada via constante do sistema viário básico; caracterizar a circulação viária segundo graus de fluidez e velocidade sendo assim, disciplinar todos os deslocamentos na malha urbana. A lei adota os seguintes conceitos: • Via Estrutural é aquela que dá suporte ao transporte coletivo urbano ao longo dos eixos estruturais, e as vias estruturais constituem a ossatura principal do Sistema Viário; • Via Rápida é constituída por vias de elevada capacidade de tráfego e fluidez, e tem a função de permitir deslocamentos rápidos e sem passar pelo centro da cidade; • Via Arterial de Ligação é aquela que permite a ligação entre áreas da cidade extra-centro, conectando vias de diferentes hierarquias, formando anéis concêntricos; • Via Arterial de Penetração é a via que permite uma conexão radial, com origem no centro e destino na periferia, ou vice-versa; • Via Coletora é a via que coleta e distribui o tráfego oriundo de vias locais, permitindo-se também os itinerários de transporte coletivo dentro de cada bairro; • Via de Transposição é a via que permite a ligação entre as vias rápidas na área central, e que operam, geralmente, em binários; 36 • Via Local é a via com lotes de uso predominantemente residencial, que dá suporte ao tráfego local; • Via Marginal é a via implantada às margens das rodovias, anel viário, ferrovias e cursos d'água e vias rápidas permitindo-se a circulação e acesso às edificações estabelecidas ao longo das mesmas, sem prejudicar a fluidez e segurança das vias que margeiam; • Via para Pedestres que se destina a circulação de pedestres, constituindo-se nos calçadões, permitindo a circulação de veículos com acesso controlado quando necessário. Conforme sua classificação, as vias devem obedecer as seguintes faixas de domínio mínimo: Vias Rápidas 1. Av. Rondon Pacheco: 50,00 m (cinqüenta metros); 2. Av Getúlio Vargas: 37,00 m (trinta e sete metros) entre a BR 497 e Rua Tobias Junqueira (marginal do Rio Uberabinha); 3. Vias marginais ao Rio Uberabinha: 14,00m a 16,00m (quatorze a dezesseis metros) no trecho entre a Av. Rondon Pacheco e BR 365; 4. Av. Antônio Thomaz Ferreira de Rezende: 50,00 m (cinqüenta metros); Vias Estruturais Mínimo de 37,00 m (trinta e sete metros): pista dupla para tráfego de veículos, com largura mínima de 9,50 m (nove metros e cinqüenta centímetros) cada, canteiro central com largura mínima de 12,00 m (doze metros) e passeios laterais variáveis, sendo a largura mínima de 3,00 m (três metros) cada. Vias Arteriais – de penetração e ligação 30,00 m (trinta metros): pista dupla para tráfego de veículos, com largura mínima de 9,50 m (nove metros e cinqüenta centímetros) cada, canteiro central com largura mínima de 5,00 m (cinco metros) e passeios laterais com largura mínima de 3,00 m (três metros) cada. 37 Vias Coletoras: 25,00 m (vinte e cinco metros): pista dupla para tráfego de veículos, com largura mínima de 8,50 m (oito metros e cinqüenta centímetros) cada, canteiro central com largura mínima de 3,00 m (três metros) e passeios laterais com largura mínima de 2,50 m (dois metros e cinqüenta centímetros) cada. Vias Locais: 12,00 m (doze metros): pista simples para tráfego de veículos, com largura mínima de 8,00 m (oito metros), passeios laterais com largura mínima de 2,00 m (dois metros) cada, sendo 0,50m (cinqüenta centímetros) de área gramada ao longo do meio fio e 1,50m (um metro e cinqüenta centímetros) de passeio. Vias Marginais os fundos do vale e Rio Uberabinha: 20,00m (vinte metros): pista dupla para tráfego de veículos, com largura mínima de 12,00m (doze metros), separador físico de 1,00m (um metro); ciclovia de 3,00m (três metros) e passeios laterais com largura mínima de 2,00m (dois metros) cada; Ciclovias: 3,00 m (três metros); Vias de Pedestre: 6,00 m (seis metros). Uma importante observação que se encontra na lei é que, as vias arteriais de penetração e ou ligação, quando inseridas em regiões da cidade já consolidadas, poderão ter faixas de domínio reduzidas, a critério do Órgão Municipal responsável pelo planejamento urbano. Em pesquisa à área de estudo analisou-se a infra-estrutura viária disponível em cinco (5) principais vias desse espaço. Dentre elas, são três (3) vias estruturais e duas (2) vias arteriais (de penetração). Comparando a realidade ao que estabelece a lei do sistema viário do município observou-se que a infra-estrutura atual não condiz com o que é proposto na legislação. 38 As vias estruturais analisadas foram, Av. João Pinheiro, Av. Afonso Pena e Av. Floriano Peixoto. Tomando por base que a pesquisa se realizou em apenas um ponto em cada uma dessas vias, foi necessário estabelecer um local como referência e então, escolheu-se entre as Rua Tenente Virmondes e Rua Quintino Bocaiúva por ser um espaço mais central da área de estudo e onde as relações sócio-espaciais são mais intensas. O que se encontrou foi uma realidade muito aquém do disposto na legislação. Nos anexos podem-se observar melhor os esquemas da predisposição das vias nos três pontos analisados das vias estruturais. Estas vias recebem essa classificação por apresentar como característica a sua funcionalidade de suporte ao transporte coletivo urbano ao longo dos eixos estruturais. No entanto vias que deveriam possuir mínimo de 37,00 m se encontram na seguinte situação: Av. João Pinheiro - 17,00 m; Av: Afonso Pena – 17,7 m; Av. Floriano Peixoto – 16,8 m. Das três vias estruturais analisadas todas apresentam medidas de calçadas e leito carroçável inferiores às propostas na legislação. A pista de rolamento que deveria ter uma largura mínima de 9,50 m possui 5,80 m, 7,60 m e 6,40 m respectivamente. A calçada com largura mínima de 3,00 m também não está compatível, sempre abaixo do estabelecido em legislação municipal. 39 Rua Quintino Bocaiuva PARE Rua Tenente Virmondes PARE Residências e Comércios ESTACIONAMENTO Avenida João Pinheiro Residências e Comércios Avenida João Pinheiro entre: Rua Tenente Virmondes e Rua Quintino Bocaiuva 40 Rua Tenente Virmondes Rua Quintino Bocaiuva PARE Residências e Comércios Avenida Afonso Pena Residências e Comércios Avenida Afonso Pena entre: Rua Quintino Bocaiuva e Rua Tenente Virmondes 41 Rua Quintino Bocaiuva Rua Tenente Virmondes PARE Avenida Floriano Peixoto Residências e Comércios Residências e Comércios Avenida Floriano Peixoto entre: Rua Tenente Virmondes e Rua Quintino Bocaiuva 42 Quanto às vias arteriais foram analisadas duas (2), Rua Machado de Assis e Rua Quintino Bocaiúva. Ambas são vias arteriais de penetração cuja principal finalidade é permitir uma conexão radial, com origem no centro e destino na periferia, ou viceversa. Esse tipo de via de acordo com a Lei do Sistema Viário Municipal deveria apresentar as seguintes características: via de 30,00 m de largura (mínimo), faixa de rolamento com largura mínima de 9,50 m e calçadas com largura mínima de 3,00 m. Na pesquisa a campo outras medidas bem inferiores foram encontradas. O que se estabelece na realidade são vias e calçadas muito estreitas e um espaço mais amplo que as calçadas destinado ao estacionamento de veículos. Um agravante nessa infraestrutura é a liberação do estacionamento nos dois lados da via a partir de determinada hora nos finais de semana, prejudicando ainda mais a fluidez do tráfego na via, principalmente nos sábados. 43 Avenida Afonso Pena Avenida Floriano Peixoto Residências e Comércios Rua Quintino Bocaiuva Residências e Comércios Rua Quintino Bocaiuva entre: Avenida Floriano Peixoto eAvenida Afonso Pena 44 Avenida João Pinheiro Avenida Afonso Pena PARE P A R E Residências e Comércios Rua Machado de Assis Residências e Comércios Rua Rua Machado de Assis entre: Avenida João Pinheiro e Avenida Afonso Pena 45 Nas vias analisadas, exceto na Av. João Pinheiro um espaço já modificado mais recentemente, todas as calçadas encontram-se com estruturas físicas inapropriadas à demanda de pedestres que ali se estabelece. Conforme mostrado na Figura 07, esta é uma calçada considerada estreita pela nova dinâmica urbana que a cidade estabelece e não bastasse isso, equipamentos fixos de infra-estrutura ainda são colocados nesse mesmo espaço. Há uma disputa então por espaço entre os pedestres e equipamentos do sistema viário. Figura 07: Calçada Av. Afonso Pena Fonte: CARDOSO, L.R (2009) Levando em conta a brecha que há na lei a qual diz que em vias arteriais de penetração e ou ligação, quando inseridas em regiões da cidade já consolidadas, poderão ter faixas de domínio reduzidas, a critério do Órgão Municipal responsável pelo planejamento urbano, pode-se até ser aceitável o que se encontra no local. No entanto, esse tipo de infra-estrutura pode muitas vezes ser responsável por acidentes de trânsito ocorridos no local. 46 Percebe-se então que o centro da cidade de Uberlândia atualmente possui sua infra-estrutura viária completamente saturada. A funcionalidade de calçadas e leito carroçável não corresponde mais ao real objetivo de criação dessa estrutura. Na área central, bem como em maioria de outros espaços na cidade, não existe espaço para os transportes não motorizados, como exemplo as bicicletas. Esses meios de transportes estão constantemente em conflito com carros, ônibus e pedestres, na busca incessante por um espaço para deslocamento. As Ciclofaixas que são as faixas que se destinam ao tráfego de bicicletas ao longo de uma via seriam, se implantadas, um importante auxiliador na questão da minimização de veículos motorizados particulares na área, além de diminuir poluição sonora e atmosférica do local. Quanto à infra-estrutura de sinalização, o poder público municipal se encarrega de cuidar e preservar esse equipamento de infra-estrutura constantemente. Na área central, como se observa nas Figuras 08 e 09, faixas de separação de pista de rolamento, estacionamento, pista exclusiva para ônibus e faixa de pedestres estão em conformidade com a funcionalidade das vias. 47 Figura 08:Sinalização Horizontal Av. João Pinheiro município de Uberlândia-MG. Fonte: CARDOSO, L.R (2009) Figura 09: Sinalização Horizontal Av. Afonso Pena, Uberlândia-MG. Fonte: CARDOSO, L.R (2009) 48 Figura 10: Sinalização Vertical Rua Quintino Bocaiúva, Uberlândia-MG Fonte: CARDOSO, L.R (2009) As sinalizações feitas por placas estão em boas condições, sendo que, todas elas se encontram compatíveis com a funcionalidade de cada via. Todos os cruzamentos estão sempre muito bem sinalizados, há placas de regulamentação que são as mais utilizadas, no entanto também existe muito na área central as placas indicativas, que atuam como facilitador dos deslocamentos e conseqüente agilidade no escoamento dessa área central. Assim, percebe-se que sem dúvida, a infra-estrutura viária é responsável pelo bom funcionamento de todo o sistema de trânsito e transporte e que é necessário conhecer e analisar todos ou grande parte dos equipamentos de infra-estrutura disponíveis para a circulação, pois só assim pode-se relacionar estes elementos ao fato da variação crescente do número de acidentes de trânsito ocorridos nesse espaço e a partir daí, propor algumas interferências na área e nesses equipamentos de apoio à segurança viária. 49 Para uma análise mais detalhada da disponibilidade desses equipamentos de infra-estrutura é de suma importância a elaboração de um diagnóstico das potencialidades e fragilidades que o espaço apresenta. A partir desse diagnóstico podese entender melhor a condição de mobilidade urbana que essa área central proporciona aos usuários do sistema de circulação. 50 3. DIAGNÓSTICO DAS POTENCIALIDADES E FRAGILIDADES DA ÁREA CENTRAL Diante de toda a situação em que se apresenta a área central da cidade de Uberlândia, podem ser verificadas algumas potencialidades e algumas fragilidades que esse espaço apresenta. A calçada é o item principal de fragilidade desse espaço. No Projeto de Requalificação da Área Central de Uberlândia as principais modificações se fundamentam nessa infra-estrutura, visto que a quantidade de pedestres que circulam no local é representativamente maior que a de veículos, isso devido suas características de área comercial e de serviços, no entanto o espaço destinado a esse tipo de deslocamento é menor que o disponível ao transporte motorizado. Como se sabe, o incentivo ao uso de veículos particulares em um momento histórico de nossa sociedade foi intenso. Isso deixou marcas em toda a esfera social, pois, com se vê, até hoje o centro da cidade de Uberlândia é reflexo dessa condição. Por esse motivo o que se pretende é disponibilizar um espaço maior para essas pessoas que circulam a pé e diminuir a área destinada ao transporte individual. O objetivo de tal transformação é desestimular as viagens de quem não deseja ou não tem como destino a área central da cidade. Conectado a essa ação de dificultar o uso do transporte individual nessa área, está o incentivo ao uso de transporte coletivo. No entanto para mudar essa realidade e cultura automobilística da população, é necessário sem dúvida oferecer um transporte público mais seguro, confortável, eficiente e ágil. É primordial que as pessoas confiem no transporte coletivo para que então essa transformação se estabeleça. A descentralização das atividades econômicas é uma forma muito eficiente de evitar os deslocamentos para a área central e é uma potencialidade apresentada pela cidade. A partir do momento em que se estabelecem zonas de comércio em outras áreas que não no centro, alguns deslocamentos passam a ser desnecessários e a população com o tempo passam a ver essa não necessidade e então, começam a realizar suas 51 relações comerciais no próprio bairro, ou mais próximo de sua residência. É uma forma de auxiliar na descentralização também dos fluxos. Além do comércio formal, o comércio informal é uma realidade já bem estabelecida nas relações comerciais dos grandes centros urbanos como a cidade de Uberlândia. Por esse motivo torna-se praticamente impossível transferir essas pessoas para outros locais ou mesmo acabar com a situação, desse tipo de comércio. Já foram feitos alguns estudos com o intuito de transferir esses comerciantes para outros locais, no entanto são locais de difícil acesso e onde a compra e venda dessas mercadorias se tornará provavelmente muito difícil de realizar. O espaço saturado em que se encontra a área central da cidade de Uberlândia possui vias estreitas, conforme se observa na Figura 11 e apenas mudando a funcionalidade dessas vias é que estas se tornarão mais eficientes e seguras. A ampliação das vias são ações difíceis de concretizarem, pois seu custo financeiro e social é alto pois se apresenta um espaço totalmente configurado e saturado. No entanto o que pode e o que já esta sendo estudado é a retirada dos estacionamentos públicos nas avenidas de maior fluxo como Av. Afonso Pena e Av. Floriano Peixoto para ampliação das calçadas. 52 Figura 11: Via estrutural estreita e comércio consolidado no município de Uberlândia-MG. Fonte: CARDOSO, L.R. (2009) No espaço em questão existe um local de alta densidade de deslocamentos, a Praça Tubal Vilela. Nesse local há a possibilidade (devido as suas características) da construção de uma estação para o transporte coletivo. Ainda com relação ao transporte público, como na área central se configura algumas das principais vias estruturais do município, seria necessário priorizar algumas dessas vias para essa funcionalidade de atender ao transporte público em detrimento dos veículos particulares. O raio de giro, por exemplo, em algumas esquinas é complicado, pois o veículo é grande e a geometria da esquina não é planejada para que seja feita esse tipo de conversão. É uma fragilidade também apresentada pelo espaço pois modificar algo tão solidificado seria uma luta constante com diversos grupos de interesse. A ocorrência de acidentes de trânsito nessa região central da cidade é a maior do que em todo o restante dos bairros. É uma área onde o comércio já consolidado atrai 53 ainda a maioria dos deslocamentos realizados. Do ano de 2004 a 2008, como se vê nos Quadros 06 e 07, essa realidade da região central foi demonstrada: Quadro 06: Número de Acidentes por tipo de localidade no município de Uberlândia-MG no período de 2004 a 2008 Tipo de Localidade Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Comercial 2.743 3.128 2.977 3.288 3.215 Escolar 141 156 158 177 242 Industrial 176 202 200 192 206 Residencial 1.792 2.040 1.634 1.380 1.639 895 1.171 698 675 1.412 Rural 77 88 72 66 74 Não Apurado 1.895 2.269 3.505 4.336 4.108 Outros 22 26 23 19 27 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Residencial Comercial Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) 54 Quadro 07: Os dez bairros com maior número de acidentes sem vítimas fatais no município de Uberlândia-MG (2004 a 2008) Bairro Ano Bairro Ano 2004 Bairro 2005 Ano Bairro 2006 Ano Bairro 2007 Ano 2008 Centro 1.204 Centro 275 Centro 1.156 Centro 1.203 Centro 1.220 Martins 585 Aparecida 222 Aparecida 693 Aparecida 723 Sta Mônica 726 Sta Mônica 494 Sta Mônica 198 Sta Mônica 566 Sta Mônica 700 Aparecida 712 Aparecida 479 Tibery 160 Martins 457 Martins 479 Martins 527 Tibery 435 Osvaldo 148 Tibery 425 Tibery 433 Tibery 481 Brasil 356 Martins 124 Saraiva 398 Saraiva 414 Saraiva 441 Saraiva 245 Brasil 115 Brasil 348 Brasil 395 Osvaldo 426 Cazeca 222 Roosevelt 105 Osvaldo 339 Osvaldo 350 Brasil 368 Osvaldo 186 Saraiva 98 Roosevelt 252 Tabajaras 290 Roosevelt 293 Roosevelt 179 Planalto 66 Umuarama 228 Roosevelt 275 Tabajaras 267 Total 4.385 1.511 4.862 5.262 5.461 Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) 55 O tipo de pavimentação da via é um fator que influi consideravelmente na ocorrência de acidentes de trânsito. A área em questão possui pavimentação asfáltica, o que possibilita que o condutor atinja velocidades mais altas, o que torna cada vez mais provável a colisão veicular. Quadro 08: Número de acidentes por tipo de pavimentação no município de Uberlândia no período de 2004 e 2008 Tipo de Pavimentação Número de Acidentes 2004 2005 2006 2007 2008 Asfalto 6.895 8.002 8.815 9.778 10.466 Terra 41 62 43 56 68 Outros 805 1.016 409 299 389 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) Como se percebe no Quadro 08, o n° de acidentes cuja área possui pavimentação asfáltica é superiormente maior que em vias com outro tipo de pavimentação. O fato é de grande importância pois, as vias asfálticas são mais regulares e propiciam ao motorista maiores velocidades. Além disso temos também na cidade de Uberlândia mais de 90% de vias pavimentadas o que faz com que esse número de acidentes seja tão alto. Conforme Quadro 09, pode-se ver que as vias com melhores condições de pavimentação ou naquelas sem intervenções viárias que limitem a velocidade tornam maior a freqüência de acidentes relacionados à infra-estrutura viária. 56 Quadro 09: Número de acidentes de acordo com as condições presumíveis da via no município de Uberlândia-MG (2004 a 2008) Condições da Via Número de Acidentes 2004 2005 2006 2007 2008 Boas Condições 5.537 4.661 4.260 4.210 4.319 Em Obras 3 7 11 10 28 Esburacada 58 65 57 43 68 Molhada 253 611 720 623 715 Não Apurado 1.766 3.651 4.177 5.172 5.722 Outros 124 85 42 75 71 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) A sinalização da área central de Uberlândia é sem dúvida uma referência para outros locais. Muito bem estruturada seja ela horizontal ou vertical, todas as vias, todos os cruzamentos são muito bem sinalizados. Centro urbano totalmente semaforizado sendo estes monitorados pelo Controle de Tráfego em Área (CTA) gerenciados pelo órgão municipal. Para tanto, percebe-se que a maioria dos acidentes ocorrem quando há o descumprimento das normas de regulamentação (Quadro 10). 57 Quadro 10: Número de acidentes por tipo de sinalização no município de Uberlândia (2004 a 2008) Tipo de Sinalização Número de Acidentes 2004 2005 2006 2007 2008 Desconhecido 1.995 2.101 2.164 2.527 2.148 Nenhuma sinalização 495 522 599 522 614 Sinal Luminoso 1.546 1.645 1.632 1.904 1.909 Sinalização de Advertência 41 37 6 5 4 Sinalização de Regulamentação 3.659 4.770 4.861 5.170 6.226 Outros 5 5 5 5 22 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) Baseado nessa realidade analisada em campo e nos dados referentes a acidentes por tipo de sinalização, percebe-se que, essa característica dos AT’s sejam ocasionados principalmente pela falta de respeito às normas ou o desconhecimento das mesmas. Na maioria dos casos, o acidente acontece nos pontos de maior conflito dos sistemas de trânsito e transporte: os cruzamentos (Quadro 11). São pontos de maior fluidez de tráfego e por esse motivo o mais vulnerável ao acontecimento. 58 Quadro 11: Número de acidentes de acordo com condição geométrica da via no município de Uberlândia (2004 a 2008) Geometria da Via Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Cruzamento 3.374 3.978 4.506 5.286 5.730 Curva Plana 132 79 51 50 56 8 12 4 9 18 Reta 2.107 2.239 2.000 1.918 _ Rotatória 136 200 234 264 363 Não Apurado 711 1.009 1.424 1.582 1.353 Outros 1.273 1.563 1.048 1.024 3.403 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Redutor de Velocidade Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) Nos anos de 2004 a 2008 foram analisados os número de acidentes por severidade no município, e o que se verificou conforme Quadro 12 é a predominância de acidentes apenas com perdas materiais, sendo assim, predomínio dos acidentes cujas características são de abalroamento e colisão de veículos (Quadro 13). 59 Quadro 12: Número de Acidentes por Severidade no município de Uberlândia (2004 a 2008) Tipo de Severidade Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Danos Materiais 6.639 10.835 14.742 16.180 17.892 Feridos Graves 219 259 318 373 566 Feridos Leves 1.944 2.334 3.361 3.940 4.234 Mortos 38 33 29 33 25 Não Apurado 1.317 1.303 1.284 1.508 1.493 Sem Danos 680 995 1.135 1.195 1.140 Total 10.837 15.759 20.869 23.229 25.350 Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) Quadro 13: Número de acidentes por tipo e natureza no município de Uberlândia (2004 a 2008) Tipo de Acidente Ano 2004 2005 2006 2007 2008 Abalroamento 2.187 1.330 1.831 2.038 2.442 Atropelamento de pedestre 275 349 350 359 407 79 59 47 41 45 Choque Mecânico 2.143 2.978 2.563 2.594 2.685 Colisão de Veículo 2.702 3.852 3.879 4.439 4.680 Outros 355 512 597 662 664 Total 7.741 9.080 9.267 10.133 10.923 Capotamento Tombamento Fonte: Settran – CTA, 2009 Modificado por: Luciana Rodrigues Cardoso (2009) 60 No projeto de Requalificação da Área Central o pedestre se torna prioridade nos deslocamentos, atualmente (e na realidade) ele é o ultimo nas fases do planejamento urbano de circulação. Ao contrário dos carros particulares que ainda têm grande prioridade no sistema viário de uma cidade. O projeto está focado no bem estar dos pedestres e na criação de ciclovias. A proposta sugere intervenções profundas em uma área de aproximadamente 1,5 Km² e entre as mudanças mais significativas previstas no projeto está a criação de três calçadões denominados “ruas verdes”, nos locais de maior tráfego de pedestres: Rua Machado de Assis, Rua Santos Dumont (ambos entre Avenidas Afonso Pena e Floriano Peixoto) e outro na Rua Coronel Antônio Alves. A acessibilidade é outra questão prioritária no projeto, no qual a infra-estrutura a ser construída deverá proporcionar mais conforto e segurança para todos os possíveis meios de deslocamento na área central do município de Uberlândia. Assim, com toda essa perspectiva de novas estruturações desse espaço, o que se espera é que, os fluxos que ali se estabelecem à partir de então, sejam concretizados de maneira eficiente e segura. Para isso é necessário estabelecer o que o espaço possui como potencialidade e também quais são suas fragilidades para então planejar o sistema de circulação bem como toda a estrutura funcional dessa cidade em constante crescimento. 61 CONSIDERAÇÕES FINAIS Hoje é imprescindível planejar as cidades para oferecermos melhores condições de vida à população. Juntamente com o planejamento urbano, o planejamento dos transportes e do trânsito é extremamente necessário à regulação do meio urbano. As atividades do homem no meio urbano requerem constantes deslocamentos para a realização de tarefas relativas ao trabalho, ao estudo, ao lazer, ao consumo etc., criando demandas no sistema a fim de satisfazer os deslocamentos necessários e acessar os locais desejados. Os conflitos criados no meio urbano possuem um caráter concorrencial, onde pedestres concorrem com ciclistas que concorrem com veículos motorizados por mais espaço, moradores que reclamam do trânsito de veículos, dentre outras relações. Devido aos problemas urbanos o planejamento de trânsito e transportes, além do planejamento urbano tornam-se importantes como meio de organização das cidades. A redução dos índices de acidentes de trânsito deve ser incorporada aos anseios de todos os setores da sociedade, visto que os prejuízos causados pelo problema, para o qual são canalizados recursos (com a recuperação dos veículos, das vias e das vítimas envolvidas e de serviços públicos) poderiam ser direcionados para áreas prioritárias no país, como educação, saúde da população, habitação, transporte público entre outros, afetam, diretamente ou indiretamente, a todos. Rumo a este objetivo, o aprimoramento dos procedimentos de coleta de dados e análise das informações acerca do problema é primordial. Somente compreendendo a sua dimensão, características e os fatores contribuintes, será possível o estabelecimento de ações, sejam estas ligadas ao Planejamento do Sistema de Circulação concomitantemente do Trânsito e Transportes, a Educação, ou ao estabelecimento de leis e punições mais rigorosas, que melhorem a qualidade da segurança viária e reduzam os acidentes de trânsito. 62 O plano de trabalho instituído pelas administrações públicas e órgãos gestores a fim de aumentar a segurança viária nos deslocamentos de sua população não pode sofrer abandono devido às modificações políticas e troca de governos municipais. E esses devem ser constantemente reavaliados de acordo com a realidade de cada espaço urbano e respectivas administrações públicas. Cabe ressaltar que o acidente de trânsito é o ápice dos conflitos que ocorrem na circulação urbana, tendo assim, os órgãos públicos responsáveis, de se aterem para o fato de que a Educação para o Trânsito é fator primordial para minimizar essa situação. Sendo assim, esta deve ser aplicada em todas as “fases” de formação do cidadão enquanto usuário do sistema viário (pedestre, ciclista, motorista e etc) e não somente quando o problema se torna grave ou crítico, ou seja, quando as relações de respeito e solidariedade já não ocorrem de maneira adequada, contribuindo sobremaneira para a ocorrência de acidentes. 63 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS. Transporte Humano. ANTP, 1997. BARAT, Josef. Política de desenvolvimento urbano: aspectos metropolitanos e locais. 2. Ed. IPEA/INPES: Rio de Janeiro, 1979. BRASIL. Código de Trânsito Brasileiro e Legislação Complementar. Brasília: Departamento Nacional de Trânsito, 2005. CLEPS, Geisa Daise Gumiero. A Influência de Uberlândia no desenvolvimento da rede urbana do Triângulo Mineiro. Universidade Federal de Uberlândia, 2006. FERREIRA, William Rodrigues. Áreas Centrais congestionadas: questão do pedestre - um estudo de caso. 1997. 148 f. Dissertação (Mestrado em Transportes Urbanos)- Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Brasília, 1997. FERREIRA, Francisco Witaker. Planejamento Sim e Não: um modo de agir num mundo em permanente mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. FREITAS, Matteus de Paula. 2007. 117 p. Av. João Naves de Ávila: análise, caracterização e espacialização dos acidentes de trânsito ocorridos nos anos de 2004,2005 e 2006. Relatório de Estágio Supervisionado em Planejamento de Trânsito. GEIPOT. O Acidente de tráfego: flagelo nacional evitável. Brasília, 1987. 71 p. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, acessado em 02 de dezembro de 2008. Disponível em www.ibge.gov.br/cidades. 64 Legislação de Trânsito. Acessado em 07 de Julho de 2009. Disponível em http://www.portaldotransito.com.br/legislacao. Lei do Sistema Viário do Município de Uberlândia. Disponível em http://www.uberlandia.mg.gov.br/home_legislacao.php?id=1295 Mapa base de Uberlândia. Acessado em 07 de Julho de 2009. Disponível em http://www3.uberlandia.mg.gov.br/midia/documentos/planejamento_urbano/mapa_base _udia.pdf SILVA, Rejane Maria. FERREIRA, Denise Labrea. Planejamento na Secretaria de Trânsito e Transporte de Uberlândia (MG), Brasil. Acessado em 24 de Outubro de 2009. Disponível em http://www.ig.ufu.br/revista/volume11/artigo10_vol11.pdf VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara de. Circular é preciso, viver não é preciso: a história do trânsito na cidade de São Paulo. São Paulo: Annablume: FAPESP, 1999. VASCONCELLOS, Eduardo A. A cidade, o transporte e o trânsito. São Paulo: Prolivros, 2005. VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Transporte urbano nos países em desenvolvimento: reflexões e propostas. São Paulo: Annablume, 2000. 65