0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI MESTRADO ACADÊMICO EM TURISMO E HOTELARIA OLINDA PEREIRA MARINHO IMPACTOS DO TURISMO DE NEGÓCIOS NA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE BIOJÓIAS NA CIDADE DE MANAUS (AM) SOB O ENFOQUE DO COMPORTAMENTO ESTRATÉGICO Balneário Camboriú 2012 1 OLINDA PEREIRA MARINHO IMPACTOS DO TURISMO DE NEGÓCIOS NA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE BIOJÓIAS NA CIDADE DE MANAUS (AM) SOB O ENFOQUE DO COMPORTAMENTO ESTRATÉGICO Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do título de Mestre em Turismo e Hotelaria pela Universidade do Vale de Itajaí, Centro de Educação Balneário Camboriú. Orientador: Profª. Drª. Maria José Barbosa de Souza Balneário Camboriú 2012 2 OLINDA PEREIRA MARINHO IMPACTOS DO TURISMO DE NEGÓCIOS NA PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE BIOJÓIAS NA CIDADE DE MANAUS (AM): SOB O ENFOQUE DO COMPORTAMENTO ESTRATÉGICO Esta dissertação foi julgada em 31 de outubro de 2012 para a obtenção do Título de Mestre em Turismo e Hotelaria e aprovada pelo Curso de Pós Graduação da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Educação de Balneário Camboriú. Balneário Camboriú, 31 de outubro de 2012. ____________________________________________ Profª. Drª. Orientadora Maria José Barbosa de Souza UNIVALI – Balneário Camboriú (SC) Orientadora ____________________________________________ Profª. Drª. Raquel Maria Fontes do Amaral Pereira UNIVALI – Balneário Camboriú (SC) Membro Interno ____________________________________________ Prof.Dr. Everton Luis Pellizzaro de Lorenzi Cancellier UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina (SC) Membro Externo 3 “A nossa história tornou-se lenda; as nossas lendas viraram mitos e os mitos… viraram biojóias” (Rita Prossi) 4 DEDICATÓRIA Aos meus amores, Maria e Alipio, Maria Clara e Marco Heim, e a toda família Marinho muito obrigada pela dedicação, carinho e apoio em todos os momentos. 5 AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Maria e Alípio (in memoriam), pelos ensinamentos constantes sobre a vida e o amor incondicional que vocês me dedicaram. À minha amada filha Maria Clara pela sua compreensão, companheirismo e inestimável colaboração nas pesquisas, visitas, entrevistas e digitação de grande parte de meu trabalho, e pela torcida constantes e incentivos. Às minhas irmãs e amigas Altamira e Marcelina pelo amor incondicional e pelo apoio nas questões logísticas, domésticas e constantes aconselhamentos. À minha cunhada Luciene, pela colaboração nas pesquisas, regras de formatação, e digitação que adentravam a madrugada e pelo carinho constante ao longo do caminho. Às minhas amigas e amigos do mestrado e colegas de labuta pela companhia e atenção dispensadas na jornada que vencemos juntas. À minha equipe da Empresa Junior do Uninorte Laureate pela colaboração nas pesquisas e nas traduções de textos em outros idiomas. À minha orientadora, Profª. Drª. Maria José Barbosa de Souza, por ser admirável e pelos ensinamentos, dedicação e paciência. Ao meu esposo Marco Heim, pela percepção de meu amor pela arte da docência, e colaboração, com sua forma de ser e agir, para minha evolução e determinação como educadora. MUITO OBRIGADA. 6 RESUMO O presente estudo objetivou analisar os impactos do turismo de negócios na produção e exportação de biojoia, sob o enfoque do comportamento estratégico e contextualizou o turismo de negócios na cidade de Manaus nos últimos 10 anos, caracterizando o crescimento da produção e da comercialização do produto nesse mesmo período e descrevendo as estratégias utilizadas pelas empresas de biojóias para inserir seus produtos no mercado externo por meio do turista de negócios. Verificou ainda diferenças e similaridades entre as estratégias praticadas pelas empresas de biojóias e a teoria do comportamento estratégico, tomando como base as estratégias emergentes e deliberadas. Realizou-se, para este trabalho, um estudo de caso delineado com pesquisa descritiva, abordagem qualitativa, exploratória e documental, e entrevistas com perguntas abertas e fechadas com os gestores das empresas de biojóias localizadas no município de Manaus, no estado do Amazonas. As empresas desde sua constituição trabalham com fabricação de objetos artesanais denominados como biojóias, artefatos diversos em fibras naturais, couro, peles, pêlos, sementes, prata, ouro, pedras brasileiras e restos de madeira. A produção envolve a seleção da matéria-prima, beneficiamento, capacitação dos artesãos, desenho e criação do designer, confecção do objeto, exposição em feiras e eventos nacionais e internacionais e comercialização da produção no Brasil e no exterior. A produção das empresas também está voltada para a autosustentabilidade e redução de custos logísticos, por meio da análise do produto e países de destino, abrangendo desde a identificação da origem da matéria-prima até a colocação do produto acabado nos destinos identificados. A cadeia produtiva é formada por artesãos contratados na própria região onde a matéria-prima é identificada e adquirida, de forma que o conhecimento do caboclo sobre o produto não seja desperdiçado, mas seja utilizado como valor agregado ao produto acabado, aproveitando, valorizando, estimulando e retendo o cidadão no município de sua origem, evitando o êxodo rural e estimulando o manejo dos recursos naturais feito pelas famílias em seu habitat, permitindo sua permanência em suas comunidades de origem, evitando a aglomeração nos grandes centros urbanos. Os resultados encontrados mostram que as estratégias utilizadas pelos gestores das empresas, para garantir a penetração e o acesso a mercados estrangeiros, foram inicialmente deliberadas e depois emergentes em uma firma e sempre emergentes em outra organização. As ações estratégicas foram similares e concentradas em feiras nacionais e internacionais, e exposições que permitem a visitação de turistas. Verificou-se que algumas dessas exposições e feiras são planejadas e apoiadas pelo governo brasileiro, gerando oportunidades no exterior e permitindo às empresas darem andamento a seus projetos individuais de fabricação exclusiva de biojóias amazônicas, com o intuito de dar maior visibilidade à cultura e arte cabocla amazonense/manauara, e garantir melhor conhecimento da matéria-prima amazônica, para os turistas e visitantes, e do que pode ser produzido, a partir de valor tecnológico agregado a elas, promovendo o aumento da comercialização dos produtos expostos e o aumento do receptivo turístico. Palavras-chave: turismo de negócios, biojóias, comportamento estratégico, acesso a mercados estrangeiros, Manaus. 7 ABSTRACT The present study aimed to analyze the impacts of tourism business in the production and export of biojoia , under the approach of strategic behavior and contextualized the tourism business in the city of Manaus in the last 10 years, featuring the growth of production and marketing of the product in same period and describing the strategies used by the biojóias companies to enter their products in foreign markets through the tourist business . Also noted differences and similarities between the strategies applied by the biojóias companies and the theory of strategic behavior , based on emergent and deliberate strategies . Held , for this work , a study designed case with descriptive, qualitative , exploratory and documentary approach , and interviews with open and closed with the managers of biojóias companies located in Manaus , in Amazonas state questions . Companies since its inception working with manufacturing of handmade objects termed as biojóias , many artifacts of natural fibers , leather, fur , hair , seeds , silver , gold , Brazilian stones and wood debris . The production involves the selection of raw materials, processing , training of artisans , design and creation of designer , making the object on display at fairs and national and international marketing events and production in Brazil and abroad. The production companies are also facing the self - sustainability and reduce logistics costs, by analyzing the product and destination countries , ranging from the identification of the origin of the raw material to the finished placing the destinations identified product. The supply chain is formed by craftsmen engaged in the very region where the raw material is identified and acquired , so that the knowledge of the rustic about the product is not wasted , but is used as an added value to the finished product , enjoying , appreciating , encouraging and retaining the citizen in the city of its origin , avoiding the rural exodus and stimulating natural resource management done by families in their habitat , allowing her stay in their home communities , avoiding overcrowding in urban centers. The results show that the strategies used by corporate managers to ensure penetration and access to foreign markets, were initially deliberate and then emerging in a firm and always emerging in another organization. Strategic actions were similar and concentrated in national and international fairs and exhibitions that allow the visitation of tourists. It was found that some of these exhibitions and fairs are planned and supported by the Brazilian government , creating opportunities abroad and allowing companies to give effect to their individual designs manufactured exclusively Amazonian biojóias , with the aim of raising the profile of culture and art cabocla Amazon / Manaus, and ensure better knowledge of feedstock Amazon , for tourists and visitors , and that can be produced from them technological added value, promoting increased marketing of products displayed and increasing incoming tourism. Keywords: business tourism, bio-jewels, strategic behavior, access to foreign markets, Manaus. 8 LISTA DE TABELA TABELA 1: Fluxo receptivo internacional ............................................................................ 37 TABELA 2: Panorama das redes hoteleiras internacionais em Manaus ................................. 43 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Protocolo de Pesquisa ............................................................................................. 53 Quadro 2: Construtos e Variáveis de Estratégias .................................................................... 54 Quadro 3: Fases de Internacionalização das Empresas .......................................................... 54 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Biojóia feita com fibra nativa e prata ....................................................................... 59 Figura 2: Gargantilha e anel Cunhã Poranga ........................................................................... 59 Figura 3: Prêmio Top Of Mind 2005 ...................................................................................... 60 Figura 4: Concurso Miss Amazonas 2006............................................................................... 61 Figura 5: Anel de jarina e tucumã ........................................................................................... 62 Figura 6: Biojóia com jarina e prata. Embalagem palha de arumã confeccionada pelas índias amazônicas............................................................................................................................... 63 Figura 7: Biojóia feita com fibra de juta, sementes e madeira ................................................ 63 11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 14 CAPITULO I: ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS BIOJÓIAS E SUA RELAÇÃO COM O TURISMO DE NEGÓCIOS .................................................................................................. 14 1.1 Contextualização do tema e problema da pesquisa ............................................................ 14 1.2 Objetivos............................................................................................................................. 17 1.2.1 Objetivo Geral ................................................................................................................. 17 1.2.2 Objetivos Específicos ...................................................................................................... 17 1.3 Justificativa do estudo ........................................................................................................ 17 1.4Relevância e contribuição teórico-empírica do trabalho ..................................................... 19 CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................. 22 2.1 Comportamento Estratégico ............................................................................................... 22 2.1.1 Estratégias deliberadas e estratégias emergentes............................................................. 25 2.1.2 Tipos de Estratégias ......................................................................................................... 26 2.2 Processos de Internacionalização ....................................................................................... 27 2.2.1 Internacionalização de biojóias e turismo ....................................................................... 31 CAPÍTULO III: RELAÇÃO DO TURISMO DE NEGÓCIOS NA EXPORTAÇÃO DE BIOJÓIAS ............................................................................................................................... 35 3.1 Turismo no Brasil e no Amazonas ..................................................................................... 35 3.1.1.1 Atrações turísticas de Manaus ...................................................................................... 40 3.1.1.2 Infraestrutura e equipamentos turísticos ....................................................................... 42 3.2 Turismo de negócios ........................................................................................................... 43 3.3 Turismo de negócios em Manaus ....................................................................................... 45 3.4 Biojóia ................................................................................................................................ 46 3.4.1 Evolução histórica das joias ............................................................................................ 48 3.4.2 Surgimento e evolução das biojóias ................................................................................ 50 CAPITULO IV: METODOLOGIA DA PESQUISA .......................................................... 52 4.1 Delineamentos da Pesquisa ................................................................................................ 52 4.2 Universo e amostra da pesquisa ......................................................................................... 54 4.3 Construtos e variáveis de análise ........................................................................................ 54 4.4 Instrumentos de pesquisa e técnicas de coleta e análise de dados ...................................... 55 12 CAPÍTULO V: RESULTADOS DA PESQUISA ................................................................ 56 5. 1 Caracterização das empresas analisadas ............................................................................ 56 5.2 Estratégias adotadas pelas empresas .................................................................................. 64 5.2.1 Fabricação de biojóias com motivos regionais ................................................................ 66 5.2.2 Identificação e oportunidades de Mercado ...................................................................... 66 5.2.3Planejamento estratégico .................................................................................................. 67 5.2.4Processo de formação das estratégias na organização ...................................................... 68 5.2.5Responsabilidade, participantes e acompanhamento do que foi planejado ...................... 68 5.2.6Política de respeito à biodiversidade e sustentabilidade................................................... 70 5.2.7 Oportunidades de mercado para as biojóias fabricadas ................................................... 71 5.2.8 Vendas para o mercado externo....................................................................................... 72 5.2.9Formalização dos planos .................................................................................................. 73 5.2.10 Vantagens com o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros ..................................... 75 5.3 Forma de Internacionalização e venda para turistas estrangeiros....................................... 76 5.3.1 Período de início das vendas para turistas no exterior das Empresas A e B ................... 76 5.3.2 Origem dos turistas que adquirem as biojóias ................................................................. 77 5.3.3 Tipos de turistas que compram biojóias .......................................................................... 77 5.3.4 Os turistas de negócios que também compram nas lojas das empresas pesquisadas ...... 78 5.3.5 Formas de vendas aos clientes ......................................................................................... 79 5.3.6 Estratégias elaboradas para alcançar os clientes.............................................................. 79 5.3.7 Estratégias para ação e divulgação através de Incubadora de empresas ......................... 80 5.3.8 Evolução com a estratégia de vendas para estrangeiros .................................................. 80 5.3.9 As principais características das biojóias que os turistas mais apreciam ........................ 80 5.3.10 A porcentagem das vendas para o exterior em termos de faturamento total ................. 81 5.3.11 Quantidade de biojóias vendidas ................................................................................... 81 5.3.12 Formas utilizadas para tornar o produto mais conhecido .............................................. 81 5.3.13Modificações nos produtos para atender às demandas ................................................... 82 5.3.1Alternativas na distribuição de produtos para alcançar o público das empresas .............. 83 5.3.15Vantagens em vender para clientes estrangeiros encontradas pelas empresas .............. 83 5.3.16Características dos entrevistados .................................................................................... 84 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 86 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 92 ANEXO A – Fluxo de turistas ao Amazonas .......................................................................... 97 13 ANEXO B - Eventos nacionais e internacionais em que a empresa A participou de 2006 a abril de 2011 ........................................................................................................................... 105 APÊNDICE C – Roteiro de Entrevista com a Empresa A .................................................... 108 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM EMPRESAS DE BIOJÓIAS DE MANAUS ...... 109 EMPRESA A ......................................................................................................................... 109 Bloco A - Formação da Estratégia .......................................................................................... 109 Bloco B - Internacionalização da empresa ............................................................................. 117 BLOCO C - Características da empresa e do entrevistado. ............................................. 120 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM EMPRESAS DE BIOJÓIAS DE MANAUS ...... 123 EMPRESA B ......................................................................................................................... 123 Bloco A - Formação da Estratégia .......................................................................................... 123 Bloco B - Internacionalização da empresa ............................................................................. 125 BLOCO C - Características da empresa e do entrevistado.................................................... 127 14 INTRODUÇÃO CAPITULO I: ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS BIOJÓIAS E SUA RELAÇÃO COM O TURISMO DE NEGÓCIOS 1.1 Contextualização do tema e problema da pesquisa As biojóias são entendidas como joias artesanais, produzidas com sementes, madeiras, couro de peixe e outras matérias primas colhidas na floresta amazônica, combinadas com metais nobres e pedras preciosas. Na cadeia produtiva das biojóias, participam diversos habitantes locais, como índio, colonos, seringueiros, ribeirinhos e artesãos na coleta, beneficiamento e imunização das sementes e elementos antes de sua fabricação. Esses dois fatos conferem a esse produto um interesse por parte dos estrangeiros, que buscam produtos relacionados a natureza que sejam sustentáveis. O setor de biojóias visa consumidores seletivos e, tanto esse setor, como o governo brasileiro vêm destacando esse diferencial nas exportações dos produtos nacionais. Assim, têm abordado de forma direta e inédita o comércio exterior focado nas exportações de biojóias dos estados amazônicos, e promovendo ações voltadas para a exportação de produtos diferenciados, objetivando explorar novos nichos e adentrar novos mercados para que se tenham alternativas diversificadas e ao mesmo tempo acompanhar o ritmo das mudanças. Hocayen e Teixeira (2007) salientam que num cenário caracterizado por rápidas e constantes mudanças, são essas mudanças que determinam a adoção por parte das organizações de posturas estratégicas ágeis e flexíveis, objetivando conquistar vantagens competitivas que garantam uma posição superior no mercado em relação aos concorrentes. Isso se aplica a todos os setores, inclusive no turístico. Segundo a Organização Mundial do Turismo (2001), as nações estão empenhadas no desenvolvimento do turismo que tem como uma das principais características sua complexidade, por incluir não só a grande quantidade de elementos pelos quais é composto, mas também os diferentes setores econômicos do seu desenvolvimento, crescente por meio da multiplicação do número de investimentos que o estão transformando em um fator chave para 15 o desenvolvimento socioeconômico, pela criação de empregos e empresas, recente infraestrutura e a contribuição de proporcionar receitas à localidade. (OMT, 2009). Como estratégia para inserir o turismo em um novo patamar, o Ministério do Turismo alterou sua política governamental, assumiu assim, ações com um novo foco sobre essa atividade, orientadas para que fossem capazes de inserir o turismo com representatividade na conjuntura nacional, contribuindo para a aceleração econômica e o incremento nas áreas social, cultural e ambiental. De acordo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, o comércio exterior do Brasil acompanha as oscilações na economia brasileira que passou por um doloroso processo de ajustamento industrial no período de 1980/1997, período relacionado ao pós-crise internacional, crescimento acelerado da inflação brasileira, participação crescente das importações substitutivas e finalmente a abertura irrestrita do mercado brasileiro aos produtos importados no governo Collor. Durante o período, foram necessários ajustes contextualizados ao ambiente competitivo no mercado doméstico e principalmente internacional, envolvendo inicialmente o nível corporativo e organizacional, com otimização de custos, contenção de despesas e racionalização dos métodos produtivos, objetivando custos menores, sinergia, economia de escala, maior produtividade, qualidade de produtos e menor necessidade de capitais de terceiros, principalmente adequando o fluxo de caixa. No comércio exterior procurou-se adotar durante todo esse processo de ajustamento uma política de convergência internacional para outra relacionada ao valor agregado nacional e valorização do produto brasileiro, denotando uma estrutura industrial com forte heterogeneidade entre os setores, significando num primeiro momento numa tentativa de adaptabilidade do modelo brasileiro ao padrão internacional e, posteriormente, a uma interdisciplinaridade e complementariedade produtiva. Entretanto, políticas públicas devem estar contextualizadas com propostas e ações do setor produtivo privado frente às constantes transformações e mudanças econômicas internacionais. Faltam recursos financeiros e esforços intelectuais no comércio exterior para que a convergência para uma forte heterogeneidade intersetorial aconteça de fato no Brasil e traga como consequências uma expansão econômica interna e externa. Já o turismo, enquanto ramo 16 das ciências sociais aplicadas necessita de uma visão multidisciplinar, bem como a incorporação de conhecimentos desenvolvidos em outras áreas do saber afins e transversais, como um novo olhar e uma nova forma de reflexão em torno do turismo de negócios e das exportações, respeitando as características e as singularidades brasileiras. Um fato relevante nas exportações brasileiras é que se comercializa o que se pode produzir, no nível de qualidade que as empresas podem agregar aos produtos, independentemente do cenário internacional e das estratégias adotadas pelo governo federal bem como das empresas. Desta forma, boa parte da pauta de exportações se refere a produtos básicos, onde o Brasil não é competitivo em produção, mas, partindo da base do presente estudo, e sabendo que nosso país produz insumos e recursos que possibilitam vender a um custo baixo produtos de alto valor agregado, pode-se avançar em projetos que abordem a heterogeneidade do comércio exterior brasileiro e a heterogeneidade do turismo, tirando daí bom partido e novas experiência para formulação de estratégias para exportação focadas no turismo de negócios. Vários estudiosos procuram descrever como as empresas decidem entrar em mercados internacionais. Segundo Weisfeld (2001), há cinco teorias que buscam explicar os movimentos de internacionalização, são elas: teoria da organização industrial, teoria da internacionalização da empresa multinacional, teoria eclética da produção internacional, teoria do custo de transação e escola nórdica. Datta, Herrmann e Rasheed citam, além dessas, as seguintes teorias: da vantagem monopolística, do RBV ou VBR (resource-based view), do poder de mercado e do comportamento estratégico. Nesse contexto, pretende-se analisar dados e informações que permitam relacionar o turismo de negócios às exportações de biojóias na cidade de Manaus (AM), sob o enfoque do comportamento estratégico e descrever as estratégias utilizadas pelas empresas de biojóias para inserirem seus produtos no mercado internacional. Serão verificadas as diferenças e similaridades entre as estratégias adotadas pelas empresas de biojóias e a teoria do comportamento estratégico, com base nas estratégias de Henry Mintzberg (1997). Neste contexto se insere a pergunta central desta pesquisa: Quais os impactos do turismo de negócios na produção e exportação de biojóias na cidade de Manaus sob o enfoque do comportamento estratégico? 17 1.2 Objetivos Com o intuito de resolver o problema da pesquisa citado anteriormente, o trabalho procurará alcançar os seguintes objetivos: 1.2.1 Objetivo Geral Analisar a relação entre o turismo de negócios e o crescimento das exportações de biojóias na cidade de Manaus (AM), sob o enfoque do comportamento estratégico. 1.2.2 Objetivos Específicos Os objetivos específicos detalharão o objetivo geral, isto é, descreverão o modo e as etapas sequenciais através das quais ele será alcançado, conforme abaixo: a) Contextualizar o turismo de negócios na cidade de Manaus nos últimos 10 anos; b) Caracterizar o crescimento da produção e da comercialização de biojóias no mesmo período; c) Descrever as estratégias utilizadas pelas empresas de biojóias para inserir seus produtos no mercado externo por meio do turista de negócios; d) Verificar as diferenças e similaridades entre as estratégias praticadas pelas empresas de biojóias e a teoria do comportamento estratégico, com base nas estratégias emergentes e deliberadas de Mintzberg, e os impactos econômicos do turismo. 1.3 Justificativa do estudo Dentre os vários artigos que abordam a temática de estratégias de internacionalização de produtos nacionais, destacam- se os trabalhos realizados no Brasil que tratam da adaptação das estratégias de marketing internacional, como o caso dos vinhos finos da vinícola Casa Valduga, de Roth e Albereci (2004), o qual apresenta as decisões estratégicas utilizadas para exportação dos vinhos brasileiros atendendo as regras e exigências do mercado britânico. Outro estudo que serviu de fonte para construção da análise desse estudo é o que trata do processo de internacionalização de empresas brasileiras do setor de componentes para couro, 18 calçados e artefatos, de autoria de Dal-Soto (2003), quando apresenta as ações graduais da cadeia coureiro calçadista, que dentre os setores brasileiros internacionalizados apresenta importante papel no quadro geral das exportações do país. Situações como a apresentada por Oliveira e Kuyven (2004), no estudo de caso sobre a formação de estratégias em pequenas empresas, utilizaram os estudos desenvolvidos por Mintzberg (1997), sobre os modos de se fazer estratégias no setor metal mecânico o que permite verificar que o processo de formação da estratégia costuma ser intuitivo e baseado na experiência do líder. Um quarto estudo utilizado foi o que aborda a importância da cultura nas adaptações dos produtos em empresas exportadoras de móveis em processo de internacionalização na visão de Pasqualotto, Sampaio e Perin (2007). Nestes exemplos são abordados aspectos culturais apresentados nas literaturas de marketing como um forte determinante de entendimento do comportamento de compra e consumo. É interessante que estes estudos apontam uma questão curiosa, de que o conhecimento dos aspectos culturais potencializa a adaptação dos produtos das empresas exportadoras, mas também identifica que são as solicitações explícitas dos clientes ou do importador que exercem o papel mais significativo, juntamente com as exigências legais e técnicas, e alerta que as empresas brasileiras adaptam seus produtos mais pelas imposições a que se sujeita pelas pressões dos mercados externos do que por entenderem o papel que a cultura do destino de suas exportações exerce. Os aspectos culturais foram levantados em diversos segmentos e para diversos mercados, e identificadas às barreiras que deveriam ser atendidas e seus aspectos. As experiências brasileiras de internacionalização de pequenas e médias empresas, e as opções estratégicas para diversos segmentos, aborda e identifica dificuldades de internacionalização e os mecanismos de apoio as exportações, além das formas de cooperação e associativos empresariais adotadas por alguns setores. No exterior, foram encontrados alguns artigos acadêmicos com estudos de caso na Turquia, nas ilhas Mauricio, e na União Europeia de diversos autores. Não se identificou discussões que relacionem as temáticas abordadas ou grandes esforços na literatura em torno da temática do turismo de negócios e exportação, não foi localizada nenhuma pesquisa em torno do assunto até o momento. Dessa forma, nesta 19 dissertação, é abordado como objeto de estudo, os impactos do turismo nas exportações de biojóias de Manaus, e toda análise é pautada sob as temáticas da possível relação e das oportunidades para o segmento do turismo de negócios e exportações. Esse trabalho está concebido pela necessidade, curiosidade e de uma iniciativa para mostrar como se poderia analisar a relação do turismo de negócios com as exportações de biojóias fabricadas por empresas localizadas em Manaus (AM), e no decorrer das pesqusias não foram identifados estudos que tratam do assunto. Para isso foi necessário utilizar pesquisa de diferentes disciplinas e áreas de estudo, segmentos e paises, e com isso, pretendese criar uma nova referência brasileira para análise das estratégias para exportação utilizando como um dos catalisadores o turismo de negócios. Isto poderá contribuir para a criação de uma melhor gestão das empresas interessadas nas exportações de seus produtos e para acessar novos mercados ou mercados já tradiconais, quando poderá ser utilizaado o turismo de negócios como estratégia. O trabalho proposto justifica-se ainda pelo interesse de estudos sobre o turismo de negócios e sua natural associação com as exportações, e as diversas formas de internacionalização, incentivos, e barreiras governamentais. 1.4 Relevância e contribuição teórico-empírica do trabalho A relevância deste estudo está diretamente relacionada à temática do turismo, importância das exportações para o país e da internacionalização das pequenas empresas nacionais. Vale ressaltar, o caráter interdisciplinar do estudo que pode desencadear pesquisas e abordagens teóricas inéditas, no que tange as temáticas biojóias, turismo de negócios, comercio exterior, internacionalização de produtos, gestão de empresas com foco no planejamento estratégico, internacionalização e programas do governo para exportação e a utilização de tais recursos como ferramenta para alavancar as exportações. O trabalho visará contribuir com nos estudos que relacionam turismo e comércio exterior e para as tomadas de decisões do governo federal, estadual, municipal e do setor privado com relação ao setor exportador; contribuir com estudos voltados para as áreas de turismo e comércio exterior do Brasil e do MERCOSUL; contribuir para o processo decisório e tomadas de decisão estratégica dos estados e municípios com potencial exportador; 20 colaborar como base para projetos e para as tomadas de decisões relativas ao Plano Plurianual do governo federal, cuja politica e estratégia estão também voltadas para as empresas exportadoras de pequeno e médio porte; contribuir para a melhoria da gestão das empresas no sentido de assegurar sua inserção em mercados externos, além de contribuir também com sugestões para o Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, que compõe o Plano Plurianual e com outros planos do governos que abordem comercio exterior,turismo e exportação. Vale ressaltar que o Plano Plurianual de Desenvolvimento Brasileiro – PPA propõe uma estratégia agressiva de promoção da inserção competitiva do Brasil na economia mundial, com produtos tradicionais e não tradicionais. Esta estratégia inclui componentes importantes de diversificação das exportações brasileiras, visando reduzir a sua forte concentração em poucas empresas, poucos produtos e poucos mercados, promovendo a exploração de novos e mais dinâmicos nichos e o aumento do valor agregado dos produtos a serem exportados, usando o turismo de negócios como estratégia. Segundo o disposto no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústra e Comércio Exterior - MDIC, as Pequenas e Médias Empresas – PME´s são uma peça chave desta estratégia, já que as suas características lhes permitem uma mais fácil adaptação ao elevado ritmo de inovação tecnológica que caracteriza os mercados mais dinâmicos, bem como uma maior capacidade de atuação em mercados cuja demanda não atinja níveis quantitativos para interessar as grandes empresas. Esse trabalho poderá contribuir na elaboração dos projetos de inserção de mercados que estão sendo conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC, com o apoio de entidades estrangeiras e os principais ministérios brasileiros, incluindo o Ministério do Turismo. O projeto integra-se diretamente no objetivo fundamental da cooperação comunitária de “reduzir e erradicar a pobreza mediante a promoção do desenvolvimento sustentável e da integração dos países em desenvolvimento na economia mundial” (2011). Dessa forma, o turismo e o comércio exterior podem converter-se em aparato completo para apoiar a inserção internacional das pequenas e médias empresas, criando ambiente favorável, reforçando a capacidade de suporte de instituições setoriais e desenvolvendo, diretamente, as pequenas e médias empresas localizadas no Pólo Industrial de Manaus – PIM. Este trabalho poderá contribuir também para atrair financiamentos ao setor exportador através dos 21 programas de governo brasileiro e estrangeiro e para a Agência de Promoção às Exportações – APEX, junto com programas de governo voltados para o turismo e comércio exterior. Para reforçar ainda mais a justificativa, o turismo vem ganhando importância crescente em todo o mundo, em virtude do seu papel relevante no desenvolvimento econômico e social, gerando renda e empregos diretos e indiretos. É uma atividade de demanda, associada ao consumo, sendo seu desempenho fortemente influenciado pelo crescimento no nível de renda dos consumidores efetivos e dos demandantes potenciais. Segundo dados da Organização Mundial de Turismo (OMT), entre 2000 e 2008, as viagens internacionais cresceram 4,2% ao ano, alcançando o total de 922 milhões de turistas em 2008, gerando uma renda de aproximadamente US$ 5 trilhões. Desse total de turistas, o Brasil recebeu cerca de 5 milhões apenas, o que equivale a menos de 0,6% do mercado turístico mundial. Além desta introdução, esta dissertação encontra-se estruturada da seguinte forma: no capítulo dois serão abordadas as teorias sobre o comportamento estratégico e as fases de internacionalização utilizadas pelas organizações. O terceiro capítulo abordará a relação do turismo de negócios na exportação de biojóias. O quarto capítulo tratará da metodologia aplicada ao trabalho. No quinto capítulo discorre-se sobre os resultados da pesquisa e finaliza-se com algumas considerações finais, limitações do estudo e sugestões para futuras pesquisas. 22 CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este estudo está fundamentado nas abordagens teóricas do comportamento estratégico, e nas fases de internacionalização que as empresas utilizam para comercializarem seus produtos no mercado estrangeiro. Focaliza também a relação entre formação de estratégias com o turismo de negócios, e a internacionalização de pequenas empresas fabricantes de biojóias. 2.1 Comportamento Estratégico Segundo Khemani e Shapiro (1993), comportamento estratégico é o termo geral para designar as ações tomadas por empresas que têm a intenção de influenciar o ambiente de mercado em que competem, e inclui ações para influenciar os rivais a agir cooperativamente, de modo a aumentar os lucros conjuntos, bem como, ações não cooperativas para aumentar os lucros da empresa à custa dos rivais. A concorrência no mercado global obriga as empresas a definir estratégias para aumentar os lucros e, até mesmo garantir a sua sobrevivência. Na economia, o termo comportamento estratégico geralmente se refere à tomada de decisão que leva em conta as ações e reações de outros agentes econômicos. Sua característica essencial é o reconhecimento da interdependência direta entre seu comportamento e o dos outros. A primeira discussão formal do conceito de comportamento estratégico surgiu no livro de Augustin Cournot (1838), em um capítulo sobre a concorrência entre os produtores. Cournot considerava como cada produtor, na tomada de decisões de saída, levava em conta o impacto que a sua própria produção e a dos outros produtores tem sobre o preço de mercado e, assim, sobre os lucros. O conceito de comportamento estratégico é agora reconhecido em diversas áreas acadêmicas, que vão desde economia e negócios à política e relações internacionais. Nos dias atuais, uma contrapartida de exemplo dessa abordagem de Cournot, acima citada, com um impacto no nosso dia-a-dia é a concorrência entre produtores de petróleo. Há apenas um punhado de grandes países produtores de petróleo do mundo, e na decisão de aumentar ou reduzir a produção, cada um leva em conta o impacto da sua decisão sobre o preço do petróleo no mercado global e, consequentemente, sobre suas próprias receitas. O voto secreto e a formulação de plataformas eleitorais são dois exemplos de comportamento estratégico na 23 política, enquanto que nas relações internacionais, comportamento estratégico é encontrado em corridas armamentistas, comércio e nas negociações entre nações. Apresentam-se em seguida, para mostrar uma perspectiva geral deste conceito, algumas definições de estratégia de vários autores ao longo dos tempos. Para Ansoff (1965), a estratégia é um conjunto de regras e tomada de decisão em condições de desconhecimento parcial. As decisões estratégicas dizem respeito à relação entre a empresa e o seu ecossistema. Na opinião de Jauch e Glueck (1980), estratégia é um plano unificado, englobante e integrado relacionando as vantagens estratégicas com os desafios do meio envolvente. É elaborada para assegurar que os objetivos básicos da empresa sejam atingidos. A visão de Porter (1980) é mais abrangente e enfatiza que, estratégia competitiva são ações ofensivas ou defensivas para criar uma posição defensável numa indústria, para enfrentar com sucesso as forças competitivas e assim obter um retorno maior sobre o investimento. De acordo com Martinet (1984), estratégia designa o conjunto de critérios de decisão escolhido pelo núcleo estratégico para orientar de forma determinante e durável as atividades e a configuração da empresa. Mas é Mintzberg (2001) quem traz o foco das estratégias para os resultados. Para o autor a estratégia é defendida como a forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados. Em face destas definições, pode-se afirmar que o pensamento estratégico tem evoluído em sintonia com as tendências do microambiente e com a própria natureza das organizações. Ao longo dos tempos, o acompanhamento dessas tendências permitiu o aparecimento de novos negócios, novas oportunidades comerciais e novas formas de competição. Porém, a estratégia pode ir bem além destas perspectivas em virtude da necessidade de superar a concorrência e a necessidade de chegar a resultados com o menor esforço possível. Aspectos como "collective mind", ou o construtivismo e o incrementalismo, estão presentes em alguns dos cinco P da definição estratégica de Mintzberg (1987): Estratégia como Plan (plano), relacionada à forma de ganhar um jogo com regras préestabelecidas, através de um processo formal, com forte caráter analítico e de certa maneira determinístico. Nesta vertente da estratégia podem enquadrar-se a Escola do Planejamento e a Escola de Design, entre outras; Estratégia como Pattern (padrão), que diz respeito à consistência de comportamentos, jogo entre atores internos e externos, processo de aprendizagem, incrementalismo e 24 construtivismo, modelo de adaptação evolutiva. Nesta vertente da estratégia enquadram-se a Escola de Recursos e a Escola do Poder, entre outras; Estratégia como Position (posição), que se relaciona ao ajustamento entre o exterior e o interior da empresa, definindo o que se deve fazer e o que não se deve fazer. Aqui, enquadram-se a Escola do Posicionamento e Escola do Planejamento. Estratégia como Perspective (perspectiva), referente ao modo próprio da empresa ver o mundo, agindo de acordo com essa visão, imbuída de um espírito coletivo. Incluemse, nesta vertente, a Escola Empreendedora e a Escola do Conhecimento. Estratégia como Ploy (artimanha), que diz respeito à manobra intencional ou não intencional, e ao modo de ação pré-determinado ou emergente. Nesta vertente podem incluir-se os graus de liberdade de que a empresa pode usufruir e as armas que detém para poder jogar o jogo da sobrevivência e sustentação, incluindo então a Escola Ambiental. Assim, seja a estratégia mais ou menos formal, mais ou menos emergente, mais ou menos desenhada, mais ou menos planejada, mais ou menos posicionada, mais ou menos de natureza empreendedora, mais ou menos cogitada e cognitiva, mais ou menos questionada ou determinada pelo poder, mais ou menos assente nos recursos, mais ou menos determinada pelas restrições ambientais exteriores, a verdade é que o seu objetivo é único, porquanto se trata de criar valor para poder distribuí-lo: seja sob o ponto de vista de mercado, seja sob o ponto de vista de organização, seja ainda sob o ponto de vista dos acionistas. O conceito de estratégia é amplo e ainda não consensual. Conforme a visão de cada autor ou linha teórica possui um sentido próprio e algumas vezes contraditório com outros sentidos assumidos por outras teorias ou escolas. Em um sentido geral, estratégia é a definição dos grandes objetivos e linhas de ação estabelecidas nos planos empresariais ou governamentais. Entretanto, segundo Mintzberg (1987), estratégia pode ser entendida como plano, curso pretendido, ou ideia de futuro; como padrão de comportamento ao longo do tempo. Essa visão incorpora o oposto da ideia anterior, já que a anterior assume um olhar voltado para o passado, já esse autor foca no futuro. Estratégia também pode ser entendida como uma posição de uma empresa no mercado, uma perspectiva e forma específica de fazer as coisas. Os objetivos das estratégias são: fixar a direção das ações planejadas, focalizar o esforço do grupo que assume o papel de agente de 25 mudanças, serve também como uma marca que define a organização e é um elemento que provê consistência e aumenta a coerência das ações e intervenções. Caldas e Wood Jr. (1999) salientam que, uma vez que as organizações atuam em ambientes altamente turbulentos e com elevado nível de incerteza, deve-se compreender a influência que as dificuldades enfrentadas por elas têm sobre o processo de formulação e implantação estratégica, podendo reduzir a eficiência dos resultados obtidos. Para tentar reduzir ineficiências por meio das estratégias deliberadas, observa-se que as organizações, antecipando-se às mudanças e pressões ambientais, adotam ações preventivas com o intuito de minimizar os impactos e maximizar os efeitos. Por sua vez, Mintzberg, Ahlstrand, Lampel (2000) contrapõem que as estratégias emergentes surgem, alheias a determinados padrões de ação, e em resposta ao ambiente competitivo. É essa visão que será abordada neste trabalho para analisar o comportamento estratégico das três empresas de biojóias de Manaus para internacionalizar seus produtos por intermédio de turistas estrangeiros que visitam a cidade. 2.1.1 Estratégias deliberadas e estratégias emergentes Dentro dessa perspectiva teórica, este estudo adota o modelo de comportamento estratégico proposto por Henry Mintzberg e James Walters (1985) focado nas estratégias deliberadas e estratégias emergentes. De acordo com os autores, as estratégias foram concebidas como dois extremos ao longo de um processo de entrada e saída. Dependendo do segmento empresarial em que será aplicada, e da escolha dos dirigentes, a estratégia poderá ser considerada Deliberada, quando depende de um planejamento prévio criado para atingir um determinado objetivo, e tendo como suporte um plano de ação para aplicá-la. A estratégia também pode ser considerada Emergente, quando não depende de planejamento e nem existe plano algum para concebê-la. De acordo com a teoria de Mintzberg e Walters (1985), os modelos de comportamento estratégico focadas em estratégias deliberadas e estratégias emergentes são as mais apropriadas para o segmento em estudo. 26 Segundo Mintzberg e Walters (1985), como a estratégia é inevitável para os líderes organizarem seus planos para o futuro, podem ser tratadas como um processo analítico e estabelecer metas em longo prazo e plano de ações a serem executados para a organização. Esse processo de formular estratégia precisa ser visto como uma perspectiva mais ampla de modo que haja diversas maneiras para que possa ser considerada. No decorrer dos anos, foram desenvolvidas várias pesquisas sobre o processo de formação de estratégia e com isso, destacaram-se as emergentes e as deliberadas, essas últimas são realizadas através de planejamento, mas uma estratégia deliberada pode surgir a partir de estratégias emergentes. De acordo com esses dois autores, estes dois conceitos tornaram-se temas centrais de grandes decisões incluindo rede varejista de alimentos, fabricante de roupas intima femininas, revistas, jornais, companhias aéreas, empresas de automóveis, empresas de mineração, universidades, agencias públicas ou o governo lutando por uma guerra externa. Por tratar-se de um processo contínuo e que precisa ser revisado, propõe-se explorar as complexidades e variedades do processo de formação da estratégia. As estratégias deliberadas, assim como as estratégias emergentes, começam a ser precisamente específicas e necessárias no contexto organizacional. Os autores descrevem-nas, mostrando as condições em que podem ser exemplificadas. Com isso, para que uma estratégia seja deliberada, isto é, para que a estratégia seja realizada seguindo os padrões estabelecidos para as ações, precisa seguir exatamente conforme o planejamento. Mintzberg e Walters, (1985) citam três exemplos: primeiro: a ação deve ser abordada claramente para que não haja dúvida sobre as decisões a serem tomadas; segundo: como a organização envolve a coletividade recomenda-se dissipar todas as dúvidas sobre o que deve ou não ser praticado pelos colaboradores da organização, como também por parte dos líderes e terceiros. E terceiro, deve-se levar em consideração a força externa do mercado, da tecnologia, da política, entre outros fatores que interferem nas ações tomadas pelos líderes. 2.1.2 Tipos de Estratégias O ambiente externo deve ser controlado pelos líderes da organização. E para que uma estratégia seja emergente deve haver coerência da ação em longo prazo, não significa que não há consistência estratégica, ou seja, as intenções não foram cumpridas. De acordo com 27 Mintzberg e Walters (1985), uma variedade de estratégias pode ser abordada de acordo com a situação: Estratégias planejadas: são aquelas baseadas em articulações claras e apoiadas por controles formais, onde os líderes estão no centro da autoridade, formulam suas decisões e depois lutam pela sua implementação. A Estratégia empresarial se origina na visão central, é adaptável a novas oportunidades, a organização é controlada pelo líder e localizada no nicho protegido do ambiente, é uma estratégia relativamente deliberada, mas podem surgir situações emergenciais. Nas Estratégias ideológicas, a visão é central, pois apresentam padrões em seus comportamentos, de modo que as estratégias sejam realizadas de forma clara. Já a Estratégia guarda-chuva se origina em restrições, quando o controle parcial das ações das organizações, de forma inspiradora e relativamente mutável, é controlada normalmente por doutrinação e/ ou socialização. Na Estratégia de processo, os aspectos da liderança estão sob controle do processo de estratégia e estrutura de contratação. Para Mintzberg e Walters (1985), esse tipo de estratégia é mista, em parte deliberada, e em parte emergente. Ainda citam a Estratégia alheia, que são originados enclaves, são flexíveis e ligadas às intenções centrais ou comuns. As estratégias organizacionalmente emergente ou não deliberada são estratégias de consenso e se originam através de ajuste mútuo, convergem em padrões que se tornam dominantes na ausência de intenções centrais ou comuns, é considerada pelos autores como estratégia bastante emergente. Já na estrategia de imposição, é o ambiente quem dita padrão de ações seja através da imposição direta ou implicitamente da escolha da organização antecipar-se, esta é também chamada de delimitadora. Portanto, todas as estratégias citadas são utilizadas de acordo com a decisão de seus lideres. As organizações tem influência no ambiente externo e é preciso tatear o ambiente para poder tomar decisões corretas. 2.2 Processos de Internacionalização O conceito de internacionalização deve ser entendido como a prática contínua de qualquer operação internacional por uma empresa, além da utilização de conhecimentos e operações sobre mercados estrangeiros seja pela via da exportação, seja por formas mais sofisticadas de inserção externa, pois a atenção está concentrada cada vez mais no país estrangeiro e, com o estabelecimento de alianças estratégicas com parceiros no exterior, várias 28 formas de associação entre empresas, à aquisição de empresas em outros países ou a instalação de subsidiárias para produção local. Em função das mudanças macroambientais, a internacionalização necessita interligar as técnicas do marketing internacional advindos com a globalização para identificar fatores culturais, demográficos, econômicos, além de outros aspectos de cada região, e, adequar os seus produtos e serviços às características dos diversos mercados. Atualmente, as implicações políticas, econômicas e sociais sobre o resultado das ações comerciais no âmbito internacional são extremamente importantes no contexto da globalização. As empresas que desejam inserirse nesse contexto deverão também utilizar estratégias para entradas em mercados diversificados, tendo em vista que, esta além de conhecer seu produto nacional, seu serviço e seu mercado interno, precisaram conhecer também as barreiras e vantagens dos mercados externos, observar e acompanhar estrategicamente os pontos fortes e fracos. Para penetrar no mercado internacional será necessário o aprendizado das diferenças culturais, econômicas, sociais, geográficas em ambientes muitas vezes turbulentos. Segundo Caldas e Wood Jr: [...] uma vez que as organizações atuam em ambientes altamente turbulentos e com elevado nível de incerteza, deve-se compreender a influência que as dificuldades enfrentadas por elas têm sobre o processo de formulação e implementação estratégica, podendo reduzir a eficiência dos resultados obtidos. Estar inserida no contexto internacional quer dizer que a empresa interessada deverá possuir conhecimentos globais, ser multidisciplinar e flexível e estar constantemente atento às tendências e transformações mundiais. (1999) A tendência para a crescente globalização da concorrência e dos mercados, o número cada vez mais vasto de setores e de atividades e a explosão da Internet fazem da internacionalização parte integrante das preocupações estratégicas das empresas que se veem obrigadas a enfrentar novos desafios, porque a internacionalização já não é essencialmente uma questão de conquista de novos mercados, mas um desafio para a globalização das funções das organizações. Para que todo o mecanismo funcione eficazmente, é necessário preparar a internacionalização com foco no comércio exterior voltado a exportação do produto, do processo e para a marca do produto da empresa, e que precisa definir com clareza uma estratégia sustentável. 29 As pequenas empresas fabricantes de biojóias precisam utilizar as estratégias focadas no acesso a mercados para maior atração do turismo de negócios, tendo em vista que a maioria das empresas observadas na região tem como principal foco a fabricação de seus produtos para venda no mercado interno para o turista estrangeiro e, desde o final da década de 90 esse foco vem mudando também para a comercialização externa gerando a necessidade de conhecimento das estratégias adequadas e necessárias. Apesar de todas as dificuldades existentes para a internacionalização das pequenas e médias empresas, ainda assim se mostra uma alternativa atraente e necessária, no que tange à competição no mercado mundial para as pequenas empresas brasileiras. Segundo o SEBRAE, até a poucos anos, internacionalizar representava uma aventura solitária para a empresa e que obrigava, inevitavelmente, à passagem dos seguintes estágios: a) Exportação ocasional b) Exportação por intermédio de um agente c) Exportação por intermédio de uma filial comercial d) Implantação produtiva que substitui total ou parcialmente ao fluxo de exportação. Atualmente, este conceito é cada vez mais abrangente e complexo, pois se integra numa rede de acordos interempresariais edificados por cima das fronteiras políticas. Por esta razão, as seleções de parceiros e de modelos contratuais passaram a ser um aspecto chave na estratégia internacional da empresa onde a supressão das fronteiras econômicas nacionais abre outras potencialidades à cooperação que passa a substituir a lógica tradicional da prevalência dos movimentos de internacionalização. Nesta visão do que é a internacionalização e de quais as estratégias a adotar está incluída a nova vertente da digitalização da economia, que proporciona enormes economias de rede e em que a rede se configura muito bem com uma lógica de alianças. A questão da internacionalização de uma indústria ou de uma empresa moderna deixou de ser uma opção para se tornar numa questão de sobrevivência. No Brasil, não existem políticas de apoio à internacionalização, não há uma agência para promover a atração de investimentos e muito menos de uma entidade de apoio a investimentos brasileiros no exterior. De acordo com Johanson e Vahlne (1997), “o processo de internacionalização de empresas deve ter como base um modelo de desenvolvimento do conhecimento crescente dos compromissos com o mercado externo”, já que o processo de 30 internacionalização carrega consigo um aumento dos compromissos empresarias com o mercado externo. Segundo os autores, o processo de internacionalização das empresas concentra-se na utilização de conhecimentos e operações sobre mercados, pois a atenção das empresas estará concentrada cada vez mais no país estrangeiro. A internacionalização é um processo em que as empresas aumentam gradativamente sua participação em mercados estrangeiros. Pela utilização de fatores econômicos e de negócios, suas características podem influenciar o padrão e o ritmo de internacionalização das empresas. A falta de conhecimento pode ser um obstáculo para desenvolver essas operações internacionais. Segundo o SEBRAE, normalmente, as empresas começam a exportar para um país através de um agente, depois estabelece uma filial de vendas e, posteriormente inicia a produção. O modelo empírico é baseado em observações empíricas, onde as empresas desenvolvem suas próprias operações internacionais pequenas, ao invés de fazer grandes investimentos produtivos estrangeiros. A relação entre comércio exterior e investimentos externos torna a internacionalização uma necessidade para que as empresas possam aumentar sua competitividade e enfrentar a concorrência internacional. Os investimentos estrangeiros tem sido importantes para o suprimento de bens e serviços a mercados externos, mas quais razões determinam a internacionalização das empresas? A falta de demanda interna que causaria procura de demandas externas poderia ser uma das causas. A inclusão de empresas sem investimento direto no exterior que são consideradas internacionalizadas que envolvem a movimentação internacional de fatores de produção, pois só a exportação não basta, seria necessário abrir uma filial no exterior, estabelecimento de parcerias, investimentos cruzados entre empresas. As empresas brasileiras, por sua vez enfrentam barreiras cujo principal objetivo é a proteção da indústria nacional, ou seja, aumentar a competitividade do mercado interno brasileiro buscando produzir internamente até serem exportados. As empresas entrevistadas, e algumas empresas brasileiras, desenvolvem operações internacionais, e a globalização influenciou em muito para isso, já que esse fenômeno é capaz de aumentar a conexão entre os países, facilitando as negociações e o fluxo do comércio internacional. Além disso, deve-se mostrar claramente que é preciso haver planejamento, 31 estratégia e eficiência na execução de uma operação internacional e considerar quais os riscos e oportunidades podem impactar nos negócios, e como essa atitude reflete na expansão da empresa. É difícil para uma empresa localizada em Manaus (AM), e iniciando sua carreira no mundo globalizado não sofrer pressões de todos os lados. Conforme observam Crubellate, Pascucci e Grave (2005), visando sustentar sua posição no mercado, as organizações mantêmse atentas às mudanças emanadas do ambiente competitivo em que estão inseridas, pois esse ambiente pode afetar tanto o processo de tomada de decisões como os resultados da empresa obtidos a partir dessas decisões. Tendo como objetivo a busca de tecnologia e parcerias comerciais, o governo e as empresas promovem seminários e eventos com palestras focadas nos temas de Comércio Exterior e Turismo, visando aumentar a competitividade das empresas do Amazonas e apontar caminhos para a realização de negócios em nível internacional. 2.2.1 Internacionalização de biojóias e turismo A internacionalização da empresa consiste em sua participação ativa nos mercados externos, ou seja, é um processo em que as empresas aumentam gradativamente sua participação internacional. Se as empresas brasileiras se dedicarem exclusivamente a produzir para o mercado interno, sofrerão a concorrência das empresas estrangeiras dentro do próprio país e obviamente também no exterior e a falta de demanda causaria procura de demandas externas. Segundo Bighetti (2005: p. 22), “as empresas brasileiras exportam pouco e são poucas a fazê-lo, mas isso está muito mais ligado à falta de cultura exportadora do que propriamente às dificuldades existentes”. Segundo Donald A. Ball e Vendell H. McClloch: [...] Nenhuma empresa nacional está, de todo, livre da influência de forças envolventes estrangeiras ou internacionais, porque existe sempre a possibilidade da concorrência de importações ou de concorrentes estrangeiros que estabelecem operações no seu próprio mercado. (1996, p. 16) Com a crescente liberalização internacional das atividades comerciais e industriais e com o acentuar da concorrência por cima das fronteiras políticas, a internacionalização da atividade empresarial preocupa hoje grandes e pequenas empresas, não se restringindo a um 32 pequeno número das mais ousadas ou especialmente voltadas para as atividades externas. Deve-se mostrar claramente que é preciso haver planejamento, estratégia, eficiência na execução e considerar quais riscos e oportunidades e como essa atitude reflete na expansão da empresa. Por outro lado, as formas de internacionalização deixaram de ser apenas a tradicional exportação para um cliente distante e mais ou menos desconhecido ou a abertura de uma filial no exterior para aproveitamento das vantagens comparativas do país hóspede, para se repartir por formas tão diversas como o comércio intra-empresa, característica das empresas multinacionais, os investimentos cruzados entre empresas de diversos países, mas sobretudo variados tipos de acordos de cooperação industrial ou comercial em que participam empresas de diversas dimensões, empresas financeiras, governos, instituições supra-nacionais, entre outras. Pode acontecer, inclusive, que a internacionalização, por parte de certa empresa, deva iniciar-se não pela exportação de bens ou serviços, mas logo pela aquisição ou criação de uma unidade produtiva no país de destino. Alonso (1994) identifica três importantes mudanças recentes com repercussão na internacionalização empresarial: 1. O protagonismo adquirido pelas empresas de pequena e média dimensão que, através de métodos muito diversos, estendem a sua atividade através das fronteiras, mostrando que a atividade externa não é um exclusivo das grandes multinacionais; 2. A proliferação de novas fórmulas institucionais de acesso aos mercados internacionais, que deixa para trás o predomínio da relação empresa-mãe/filial, característico da década de 60, para se estender por fórmulas mistas e contratuais que permitem um melhor aproveitamento das vantagens competitivas e são mais flexíveis em contextos de mudança; 3. Por fim, e como resultado dos anteriores, o processo de internacionalização deixou de apresentar-se como uma aventura solitária para a empresa. Internacionalizar-se é, cada vez mais, integrar-se-á numa rede de acordos inter-empresariais erigidos por cima das fronteiras políticas. Por esta razão, a seleção de sócios, e de fórmulas contratuais passou a ser um aspecto chave na estratégia internacional da empresa. Num contexto 33 de crescente abertura das economias nacionais, a internacionalização de uma indústria ou de uma empresa moderna deixou, inclusive, de ser uma questão de opção para se tornar numa questão de sobrevivência. Pode dizer-se, pois, que a internacionalização das economias e das empresas em particular apresenta-se como um tema cada vez mais atual e continuamente renovado, suscitado por profundas alterações no posicionamento dos países e das condições em que as empresas, grandes e pequenas, têm de exercer a sua atividade. A internacionalização, no caso dos mercados e das empresas que neles pretendem atuar, significa a atuação em diferentes nações conduzindo movimentos de fatores de produção como transferências de capital, desenvolvendo projetos em cooperação com parceiros estrangeiros ou simplesmente comercializando os seus produtos noutros países. A internacionalização, no sentido macroeconômico, tem a ver com o conjunto dos fluxos de trocas de matérias-primas, produtos acabados e semiacabados e serviços, dinheiro, ideias e pessoas, efetuadas entre dois Estados – Nação. Para Hymer (1979), citado por Hagedoorn e Schakenraad, a internacionalização das empresas está ligada a uma vontade de tirar proveito de uma concentração industrial crescente e de um poder reforçado sobre o mercado que as conduzem, na sua procura de uma melhor rentabilidade, de um mercado nacional aos mercados internacionais. As modalidades de internacionalização podem agrupar-se em três categorias distintas, segundo Freire (1997): 1. Transações, nessa modalidade podem ocorrer comercialização de mercadorias, de serviços, de patentes e /ou marcas; 2. Investimento direto, nesse modelo a empresa instala suas operações nos mercados externos, inclusive através de joint-ventures e subsidiárias; 3. Projetos, nessa modalidade a empresa se envolve em projetos específicos nos quais a participa ou colabora com outra. Nessa modalidade existe um limite de tempo para realizar o trabalho, nomeadamente esses projetos são chamados chave-na-mão, 34 De acordo com as pesquisas realizadas, não existe ainda uma teoria satisfatória sobre a internacionalização das pequenas e médias empresas. Em relação a obstáculos externos, podese destacar a insuficiência de recursos financeiros á produção, preços não competitivos, desconhecimento do mercado externo e insuficiência do marketing internacional para pequenas empresas. Assim como as pequenas empresas, as companhias de médio porte indicaram a insuficiência de recursos financeiros á produção e preços não competitivos. As teorias tradicionais da internacionalização supõem mesmo que as pequenas empresas raramente se internacionalizam ou, pelo menos, no dizer de Grandinetti e Rullani (1994), fazem-no num grau inferior ao das grandes empresas. Nessa linha de pensamento, restaria às pequenas empresas apenas o mercado local, deixando os mercados externos para a “elite” das empresas maiores e mais poderosas. Vários estudiosos procuram descrever como as empresas decidem entrar em mercados internacionais. Segundo Weisfeld (2001) há cinco teorias que buscam explicar os movimentos de internacionalização, são elas: teoria da organização industrial, teoria da internacionalização da empresa multinacional, teoria eclética da produção internacional, teoria do custo de transação e escola nórdica. Datta, Herrmann e Rasheed citam, além dessas, as seguintes teorias: da vantagem monopolística, do RBV ou VBR (resource-based view), do poder de mercado e do comportamento estratégico. Dentro do contexto da internacionalização, este estudo adotará como perspectiva teórica o modelo de internacionalização proposto por Johanson e Vahlne (1993), do Instituto de Negócios Internacionais da Universidade Uppsala e da Faculdade de Economia de Estocolmo, segundo o qual muitas empresas consideram a internacionalização uma estratégia promissora. No entanto, pelos numerosos exemplos de empresas que iniciaram operações internacionais sem sucesso a importância do fator experiência é muitas vezes esquecido. O modelo indica como a experiência pode ser relacionada com outras variáveis de internacionalização, dando assim uma melhor base para planejar e executar o processo de internacionalização e o processo de tomada de decisão. 35 CAPÍTULO III: RELAÇÃO DO TURISMO DE NEGÓCIOS NA EXPORTAÇÃO DE BIOJÓIAS A importância do turismo no processo de desenvolvimento de um setor não depende somente da existência de recursos naturais e culturais transformados em produtos turísticos. No Amazonas, as características e singularidades do ecossistema amazônico e da cultura local colaboram para a atração de turistas de diversos lugares do Brasil e do mundo. Para identificar a relação entre turismo e exportação de biojóias, inicialmente será caracterizado o turismo de Manaus e o turismo de negócios, pois, segundo Cerro (1993), um recurso não se define apenas pela sua própria existência, mas sim pela sua capacidade para satisfazer as necessidades humanas. Assim, a atividade turística poderá ser desencadeada se existirem certas ‘atrações’ que provoquem a motivação turística nas pessoas, fazendo-as abandonar o seu domicílio habitual, viajar e permanecer certo tempo em contato e no desfrute das mesmas. Tendo como objetivo a busca do conhecimento, a inovação tecnológica e as parcerias comerciais, o governo do Amazonas e as empresas promovem seminários e eventos com palestras focadas nos temas de Comércio Exterior e Turismo, visando aumentar a competitividade das organizações do Amazonas e apontar caminhos para a realização de negócios em nível internacional. Como não foram localizados, até o momento, trabalhos que relacionem o tema biojóias e Turismo de Negócios, apresentamos um breve panorama do turismo no Brasil, no Amazonas, e em Manaus, seguido de algumas considerações sobre do turismo de negócios e o que o diferencia do turismo de lazer. Na sequência, apresentamos breve relato do turismo de negócios em Manaus e conclui-se com o tema biojóias, o que elas são, suas definições e sua evolução histórica. 3.1 Turismo no Brasil e no Amazonas Para se entender o turismo em Manaus, é necessário fazer uma rápida menção ao turismo brasileiro e do estado do Amazonas. 36 O turismo é reconhecido agora para dar impulso para o progresso econômico das nações em desenvolvimento e sua importância está ganhando o reconhecimento generalizado. Na verdade, a relação entre as exportações e o crescimento de vendas para o turista estrangeitro é tema do debate informal no Ministério do Turismo – MT (2011), e no ministério do desenvolvimento, indústria e comércio exterior – MDIC, mas tanto o turismo quanto as exportações ainda tem recebido pouca atenção. Apesar dos contínuos esforços dos países em desenvolvimento para aumentar suas exportações, esta estratégia, muitas vezes pouco acrescenta em divisas para sua balança de pagamentos. Por muitas razões, as exportações não tradicionais, e de países em desenvolvimento não se revelam eficazes no desenvolvimento econômico e por isso o turismo é cada vez mais visto como uma espécie de salvador. Atualmente para compor o anuário de turismo, o Ministério do Turismo cruza informações de dez entidades nacionais e internacionais, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Banco Central do Brasil (BC), Departamento de Polícia Federal (PF), a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e a Organização Mundial de Turismo (OMT). Os dados da EMBRATUR consideram apenas os registros de entradas e saídas feitos nos aeroportos do país no turismo interno. Pelos dados da EMBRATUR, baseados nas informações da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) e do Boletim de Ocupação Hoteleira (BOH), em 2009, o Estado do Amazonas recebeu 229.619 turistas estrangeiros e, em 2010, o número foi para 241.326, o que representa um crescimento de 5,10%. O volume de turistas registrado no Estado do Amazonas, considerando a quantidade de hóspedes da hotelaria urbana e da hotelaria de selva, o fluxo de turistas dos cruzeiros marítimos, e o número total de turistas registrados nas temporadas de pesca esportiva, no período de 2003 a 2008, foi de 2.245.896. A Tabela 1 apresenta o fluxo do turismo receptivo internacional do Brasil, Amazonas e Manaus, e as variações anuais percentuais. 37 TABELA 1: Fluxo receptivo internacional (dados parciais) Chegadas de turistas internacionais: Brasil, Amazonas e Manaus- 1999-2009. Turistas (milhões de chegadas) Brasil Amazonas Manaus Ano Total Variação Total Variação Total Variação anual (%) anual (%) anual (%) 1999 5,1 2000 5,3 4,03 198.035 2001 4,8 (10,16) 188.837 9,2 2002 3,8 (20,70) 170.385 18,45 2003 4,1 9,19 283.018 67,6 2004 4,8 15,99 307.996 69,9 20.478 2005 5,4 11,76 349.719 40,7 23.427 2,9 2006 5,0 (6,36) 377.202 28,4 32.744 9,3 2007 5,0 0,18 432.877 55,6 30.584 2,16 2008 5,1 0,48 495.084 62,2 34.574 4,0 2009 4,8 (4,91) 561.571 66,7 37.135 2,5 Fonte Brasil: Organização Mundial do Turismo – OMT. Indicadores de Turismo no Amazonas Fonte Amazonas: Amazonatur - Departamento de Estatística Fonte Manaus: Dpf/EMBRATUR - Séries Estatísticas De acordo com a Associação das Agencias de Viagens do Amazonas - ABAV/AM, o baixo desempenho do turismo internacional no Amazonas e Manaus, frente aos resultados nacionais, está relacionado à má administração pública e aos problemas conceituais no programa de incentivos à captação de turistas. Ainda de acordo com a ABAV/AM, existe um número bem menor de voos internacionais diretos para Manaus. A Delta e a Varig não realizam mais voos para Manaus, o que reduz as opções. Mas para os viajantes não é só isso, o Centro de Manaus está deteriorado, o porto é desestruturado, as praias poluídas, beiras de rio abandonadas, problemas de iluminação pública, e de comunicação. Muitos turistas que faziam cruzeiro que passavam por Manaus e ficavam alguns dias, já não fazem mais. Conforme declarado pela Amazonastur, há alguns anos o Porto de Manaus recebia, em média, 45 cruzeiros por temporada, hoje, este número não passa de 19. De acordo com a última pesquisa sobre o perfil turístico divulgado pela Amazonastur em meados de 2010, a maioria dos turistas estrangeiros que visita o Estado são homens (66% dos visitantes) e possuem idade média entre 51 e 65 anos. Estes turistas permanecem em média três dias no Estado e gastam cerca de R$ 250 por dia, enquanto que turistas nacionais gastam, em média, R$ 160 diariamente. Os dados atuais disponibilizados pela Amazonastur mostram que há um crescimento do fluxo de turistas ao Estado do Amazonas, que parece contradizer informações da EMBRATUR e da ABAV/AM. 38 3.1.1 Turismo Manauara Nessa pesquisa será abordada a realidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. De acordo com informações obtidas no site da prefeitura de Manaus e na Manaustur, no início do século XX, Manaus era o centro da produção de borracha e imensamente rica, chegando a ocupar a 4ª posição no ranking de cidades mundiais. A abundância de recursos fez da cidade um centro arquitetônico importante, que hoje preserva o maior patrimônio de arquitetura Bélle Époque do país. Depois que a semente da seringueira foi ilegalmente levada para a Malásia, à economia regional entrou em declínio. Com a implementação da Zona Franca de Manaus, em 1967, por decreto de lei federal, a cidade voltou a ter sua economia fortalecida. Hoje, Manaus corresponde a 3,5% do PIB nacional e é a 4ª cidade mais rica do país apesar de suas grandes desigualdades sociais. Manaus é considerada a principal cidade do norte do Brasil, sendo chamada de "Metrópole do Norte". Manaus também é conhecida como a "cidade sorriso", pois é terra de uma gente alegre e hospitaleira. A cidade possui muitas atrações turísticas, englobando prédios históricos, museus, parques e centros de pesquisa abertos à visitação pública, além de atrações naturais como o Encontro das Águas e o Parque Janauary. Segundo a Amazonastur, há inúmeros hotéis de selva nas proximidades da cidade. Está em total processo de desenvolvimento urbano: o mercado da construção civil está em plena ascensão e novos serviços já presentes em outros locais do país chegam à cidade aos montes, trazendo um novo ciclo de modernização. De acordo com a Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, o Distrito Industrial mudou de nome para Pólo industrial e mantém-se ativo e crescendo, especializando-se cada vez mais em novas tecnologias para garantir a sustentabilidade do programa da Zona Franca de Manaus e consequentemente a preservação e uso sustentável da região. A sinalização de Manaus é precária e sem um bom mapa fica difícil localizar-se fora do perímetro central e na Ponta Negra, regiões mais turísticas da cidade. A Secretaria de Turismo possui diversos pontos de informação pela cidade, onde é possível conseguir material e orientação sobre passeios, hotéis, etc. A temperatura média gira em torno de 34º C, quente e úmido (85% média de umidade). 39 Manaus tem três aeroportos, o principal deles é o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que recebe voos internacionais e regionais, os outros dois aeroportos são o de Ponta Pelada (Aeroporto Militar) e o Aeroclube de Manaus (também é usado como ponto para saltos de paraquedas). Manaus é ligada por via terrestre apenas ao Estado de Roraima e à Venezuela. A rodoviária tem rotas para o interior do estado do Amazonas, Roraima, e Caracas. De acordo com o Ministério de Turismo, o turismo de negócio possui uma abrangência que envolve duas temáticas – eventos e negócios – com a seguinte definição: - Turismo de Negócios e Eventos compreende o conjunto de atividades turísticas decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo, institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico e social. São de grande importância alguns tipos e formatos de encontros do Turismo de Negócios e Eventos: missões empresariais, visitas técnicas, viagens corporativas, rodadas de negócios, feiras, convenções, congressos, fóruns, seminários, palestras, workshops e outros. Vários aspectos são de grande relevância para este segmento. As oportunidades de equacionamento de períodos sazonais, proporcionando equilíbrio na relação entre oferta e demanda durante o ano, independe de condições climáticas e períodos de férias escolares. Institui-se como alta rentabilidade, uma vez que o turista de negócios, em relação ao turista de lazer, apresenta maior gasto médio, normalmente retorna mais vezes e com tempo de permanência no destino. Os eventos e atividades de negócio funcionam como ferramenta de marketing para o destino, expondo-o significativamente na mídia e estimulando que o turista volte para fins de lazer e divulgue-o a outras pessoas. As atividades de outros segmentos turísticos são incrementadas com as visitas realizadas por esses turistas em seus horários livres, em períodos pré ou pró-eventos, e em retornos futuros com familiares e amigos. As possibilidades de interiorização das atividades turísticas podem ser realizados em cidades menores, desde que apresentem as condições e estruturas necessárias para realização do evento, reuniões e visitas de negócios. Utilização de infraestrutura e serviços de elevado padrão de qualidade. A demanda não reduz significativamente em momentos de crise econômica. Aumento de arrecadação de impostos – normalmente, o turista de negócios e eventos necessita de emissão de notas fiscais para comprovação de despesas à empresa a qual pertence. Contribuições para o crescimento dos negócios locais por conta do intercâmbio comercial e empresarial realizado durante as feiras, onde se estabelecem contatos diretos entre 40 fabricantes e consumidores. A Redução dos impactos da sazonalidade. Dinamismo e praticidade – os serviços utilizados pelo turista devem ser ágeis e eficazes. Com relação ao profissionalismo este requer capacitação específica e não aceita improvisações. A diversidade ocorre pela variedade de eventos oferecidos no mercado e a Motivação que é ocasionada pelo interesse no evento, e não pela atividade do destino. Legalidade: a legislação pertinente ao segmento diz respeito aos prestadores de serviços e a outras questões que, embora não sejam específicos, incidem na sua área de atuação. 3.1.1.1 Atrações turísticas de Manaus Existem linhas de transporte fluvial em todas as cidades entre Tabatinga à Belém e a cidade possui diversos atrativos naturais e construídos, tais como: - Encontro das Águas - A cidade localiza-se na margem esquerda do Rio Negro (água preta e ácida), e este rio encontra-se com o Rio Solimões (água barrenta e rica em nutrientes). O encontro das águas é a junção dos dois rios, que tem velocidades e temperaturas diferentes, e, portanto correm nove quilómetros lado a lado, sem se misturarem, criando um espetáculo único da natureza. - Teatro Amazonas - Manaus possui um dos teatros mais exuberantes do país e do mundo, o conhecido Teatro Amazonas, que possui quase todos seus objetos e estruturas trazidos e montados de países da Europa, principalmente da França. Até hoje ele é palco de grandes espetáculos. - Parque da Ponta Negra – no parque encontramos a praia da Ponta Negra, é a maior praia fluvial de Manaus e, nos tempos de "seca", sua extensa faixa de areia cria uma enorme e longa praia na orla do rio. Ao longo da orla há restaurantes, bares e sorveterias e também um anfiteatro onde são realizados shows e eventos culturais. Nos fins de semana há uma feirinha de artesanato na orla da praia. - Zoológico do CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva, que tem espécies da fauna amazônica resgatados do tráfico e animais ou deslocados de seu habitat natural. Mamíferos, aves, répteis e quelônios fazem parte das espécies do zoológico. Animais raros, que só 41 existem em cativeiro, como iraçu-falso e mutum-do-nordeste também podem ser apreciados. Há ainda animais em risco de extinção como o macaco aranha do peito amarelo. Além de conhecer espécies da fauna amazônica, os visitantes podem visitar lojas de artesanato. As crianças também podem brincar no playground do zoológico. Um passeio pela trilha do CIGS é uma boa opção para quem gosta de caminhar. O trajeto tem três itinerários distintos com cerca de 850 metros cada um. - Centro Histórico de Manaus – onde se encontram vários monumentos e prédios históricos, como o Palácio da Justiça, Palácio Rio Negro (antiga sede do Governo), Teatro Amazonas, Igreja da Matriz, Catedral de Manaus, e inúmeras construções da Bélle Époque ainda preservadas e espalhadas pela região. O centro de Manaus concentra um grande número de museus, como o Museu do Homem do Norte, Museu de Numismática e Museu do Índio. Mais afastados do centro estão diversos parques que preservam a flora natural como o Parque do Mindú, onde o visitante pode fazer caminhadas em trilhas e até ver o Sauim-decoleira, primata em risco de extinção, mas com população significativa dentro do parque. É possível admirar o peixe-boi e tartarugas da Amazônia no Bosque da Ciência, dentro do INPA, ou admirar orquídeas raras no Horto Municipal. Mais distante está a Reserva Florestal Adolpho Ducke, a maior floresta virgem urbana do mundo. Viajar para Manaus significa dar um pulo na Amazônia. Existem inúmeros hotéis de selva que oferecem uma diversidade enorme de passeios, desde mais aventureiros até mais relaxantes como: caminhada na selva pesca visita às comunidades ribeirinhas, focagem de Jacaré, arvorismo, rapel, boto-terapia, etc. A maioria dos hotéis de selva estão localizados no Rio Negro, onde os mosquitos não se proliferam pela acidez das águas escuras, diferente do rio Solimões onde as águas claras, sem acidez, porém com muitos nutrientes, atraem muitos mosquitos e consequentemente muito mais pássaros, cobras, e sapos, que formam a cadeia alimentar de animais de pequeno porte. Manaus tem um número enorme de lojas de artesanato regional e ateliês de artistas locais, principalmente na região central da cidade. São trabalhos que variam de bijuterias rústicas até entalhamentos de madeira e biojóias, sempre com a temática e matéria-prima local. A cidade possui diversos shopping centers que atendem tanto a população local como os turistas dentre eles podemos destacar: 42 Amazonas Shopping Center - Inaugurado em 1991, é o mais tradicional shopping de Manaus. Conta com muitas opções na praça de alimentação e diversas lojas âncoras, além de salas de cinema da rede Severiano Ribeiro. Millennium Center Mal - Considerado o shopping mais luxuoso do norte do Brasil, possui uma praça de alimentação "gourmet" e é frequentado pelas classe mais altas. Recentemente inaugurou oito salas de cinema da rede Cinemas. O shopping é anexo de um hotel. Shopping Studio 5 Festival Mall - Ideal para quem procura divertimento e entretenimento, possui pistas de boliche e um complexo de cinemas da rede Cinemark, além de academia de ginástica e cervejaria, o shopping é anexo de um centro de eventos e hotel, possui salas de cinema da rede Cinemark. Tvlândia Mall - Pequeno, porém eficiente, o Tvlândia é um centro de serviços. Possui hipermercado, cabeleireiro, chaveiro, restaurantes e oito salas de cinemas da rede Cinemas. Manauara Shopping- Inaugurado em 2009, foi construído com ambiente regional amazônico, além de ser o maior shopping da cidade até o presente momento. Existem outros shoppings menores, que atendem à população, os principais são "Uai Shopping São José", "Grande Circular Shopping" e "Shopping Cecomiz". Manaus possui um Mercado público próximo do porto de Manaus, lá se encontra de tudo, de lembranças a comidas e ervas exótica. 3.1.1.2 Infraestrutura e equipamentos turísticos Para atender a demanda turística a cidade oferece rede hoteleira composta por hotéis diversificados na área urbana, periférica e na floresta, com centros de convenções e espaços para lazer. Manaus apresenta inúmeros atrativos históricos, naturais, tangíveis e intangíveis, o que atrai turistas em busca de aventura, lazer e outros. Para esse trabalho específico será dada maior ênfase ao turista de negócio. Os principais acessos à cidade de, são por via aérea, por meio do Aeroporto Eduardo Gomes situado a 14 km da cidade da Manaus; transporte rodoviário e hidroviário: atravessam 43 o Estado do Amazonas os três eixos de integração da região Norte: o Norte (sob influência da BR-174), o Noroeste (sob influência da BR-319 e a Hidrovia do Madeira, em direção ao Acre e Rondônia e ligação com o resto do país). O Rio Amazonas é um corredor natural, de natureza bioceânica que promove uma integração inter e intra-regional, além de abrir acessos aos mercados internacionais. TABELA 2: Panorama das redes hoteleiras internacionais em Manaus Panorama da hotelaria internacional em Manaus Rede País de Marca/Bandeira Origem Novotel Manaus Accor Hotels França Ibis Manaus Ibis Manaus Park Suítes Manaus Atlantica Hotels Estados Comfort Manaus International Unidos Sleep Inn Manaus Go Inn Manaus Quality Manaus InterContinental Estados Holiday Inn Manaus Hotels Group Unidos Posadas México Categoria Médio Econômico Médio Superior Midclass Midclass Econômico Superior Midclass Caesar Business Superior Manaus Total de oferta em UH’s Ano de Instalação 1978 2001 2004 2004 2007 2007 2010 2011 UH’s 2010 240 240 2010 229 229 Total de UH’s 66 120 108 250 120 148 215 194 394 939 1.802 Fonte: www.accorhotels.com; www.accorhotels.com; www.atlanticahotels.com e www.posadas.com 3.2 Turismo de negócios Inicialmente é inevitável considerar que o turismo de negócios se diferencia do turismo de lazer, mas não necessariamente são tipos ou segmentos que se opõem. Entretanto observa-se que existem diversas óticas de análise e conceituação do turismo de negócios. Por exemplo, Moraes (1999) explica o turismo de negócios como um segmento determinado pela motivação da viagem - negócios - que, por isso, tem características específicas. Ansarah (1999) aborda que se trata de um segmento do turismo que ocorre em metrópoles ligadas à indústria e aos serviços, e também relaciona esta modalidade de turismo a eventos que impulsionam a realização de contatos profissionais ou a obtenção de conhecimentos que favoreçam negócios. Buscando apoio para definir o turismo de negócios verificou-se que Beni (2002) explica este tipo de turismo relacionando características do público, locais onde ocorre e atividades desenvolvidas no destino. 44 De maneira geral o exame da literatura revelou que nem sempre há consenso entre os autores, principalmente quanto às subdivisões ou modalidades do Turismo de Negócios. Todos concordam, porém, que o termo é aplicado ao turista que faz negócios, aqui entendidos como transação comercial de compra e venda, além de prestação de serviços, visitas técnicas e outras atividades profissionais como reuniões e treinamentos. Diante da polêmica conceitual, optou-se em adotar as ideias de Cunha (2001), que concilia negócios e exercício profissional e destaca a importância dos centros urbanos, industriais e localidades que possuam centros de congressos e exposições, como os principais destinos do Turismo de Negócios, assim, a definição adotada nesse artigo foi construída com base neste autor: Turismo de Negócios é o conjunto de atividades de visitação praticado em lugar diferente daquele de residência habitual de pessoas que viajam com as finalidades de realizar negócios, cumprir tarefas profissionais, participar de eventos de caráter comercial, ou simplesmente, estabelecer contatos que possam gerar futuros negócios, nos mais diversos ramos da economia. Para compor a definição de turista de negócio vários autores foram considerados, entre eles Lickorish e Jenkins (1997) que apontam que os turistas de negócio demandam os mesmos serviços que os turistas de lazer (transporte, alojamento, alimentação e serviços locais), entretanto, a diferença está na categoria dos serviços que, muitas vezes, são de luxo e na opção por alojamento em localizações estratégicas para a realização do negócio, sem muita preocupação com o preço, pois as despesas são pagas pelas empresas. Entretanto, observações empíricas mostram que existem pequenos negociantes que se hospedam em hotéis simples localizados junto às ruas comerciais dos grandes centros urbanos, que pouco utilizam serviços complementares como táxis ou guias bilíngües e, muito menos, serviços de luxo, contradizendo Lickorish e Jenkins (1997). Por exemplo, Canovas (2004) pesquisando o caso de Salvador, verificou que o turista de negócios arca com parte de seus gastos de viagem e indicando que estes não buscam serviços de luxo. Outra característica dos turistas de negócios citada por Swarbrooke (2000) é a maior frequência das viagens, em comparação ao turista de lazer, o que os tornam mais exigentes porque têm experiência acumulada. No entanto, não se deve confundir luxo com qualidade. O turista de negócios precisa de serviços eficientes, que atendam às suas necessidades que, 45 usualmente, são individualizadas e próprias, pois elas não se enquadram no perfil de produtos estruturados para o turismo de lazer, como pacotes turísticos ou serviços padronizados e inflexíveis. Acrescenta-se à discussão sobre as características do turista de negócios a relação deste público com o tempo livre e as atividades de lazer que podem ser realizadas nos lugares visitados. Lickorish e Jenkins (1997) destacam que os órgãos de turismo de muitos países ainda não consideram a potencialidade do turista de negócios como turista de lazer perdendo oportunidades em função da pouca divulgação de opções de entretenimento. Nesta linha de raciocínio, Holloway (1992) aponta a necessidade de planejamento voltado para o turista de negócios, que consome as mesmas facilidades que o turista de lazer, inclusive entretenimento e recreação, mas ressalta as diferenças que precisam ser consideradas por profissionais do turismo, uma vez que o turista de negócios viaja para locais que, nem sempre, fazem parte de roteiros turísticos. 3.3 Turismo de negócios em Manaus Manaus está situada na área central da Amazônia brasileira, na foz do Rio Negro, afluente do Rio Amazonas. Segundo IBGE (2010), o Amazonas possui 15.484.929 de habitantes sendo 1.712.584 destes residentes em Manaus; considerada hoje a oitava metrópole brasileira. A sócio diversidade é uma das grandes riquezas de Manaus que hoje se constitui como a capital da grande fronteira amazônica, situada entre o corredor de circulação noroeste e as extensões florestais (tanto da Amazônia brasileira como as Sul americana). Embora a base fundamental da população seja indígena, a diversificação é grande devido à implantação das empresas do sul e à imigração de mão de obra para a Zona Franca de Manaus. Manaus encanta pela combinação de modernidade e conservação da natureza, pois dispõe de uma variedade de espaços culturais, shopping centers, conceituada rede hoteleira, restaurantes premiados de comidas regionais e de categoria internacional, parques ecológicos além de diversos outros atrativos que encantam os turistas e proporciona qualidade de vida a população. 46 No turismo, Manaus conta com o órgão municipal do turismo, a Empresa Estadual de Turismo - Amazonastur, tendo como missão implantar e Política de Desenvolvimento Sustentável do Turismo. Para tanto, vários ações foram tomadas para democratizar tal política. Conforme a Amazonastur, a união entre as políticas públicas e a população local assim como, a instituição do Fórum Estadual de Turismo, da qual fazem parte aproximadamente 80 entidades dos diversos segmentos da atividade ajudam a dar suporte para que, o turismo seja trabalhado na região de forma organizada e consciente, dando destaque aos segmentos do ecoturismo, turismo de natureza, pesca esportiva, turismo de selva, turismo contemplativo e turismo cultural. Apesar de diversos desafios e as empresas em Manaus são unânimes em afirmar as potencialidades de Manaus. A região tem como grande trunfo sua marca “Amazônia” e a capacidade intelectual do seu povo. 3.4 Biojóia As biojóias são joias produzias artesanalmente com sementes colhidas na floresta, beneficiadas e imunizadas pelos índios, seringueiros, colonos e ribeirinhos da região. Repassadas para os artesões locais, tornam-se, através de fino acabamento, em verdadeiras joias naturais. As peças são produzidas também com outras matérias primas adquiridas na natureza; tais como palhas, madeiras, couro e escamas de peixe. Produzir uma biojóias é a arte de unir elementos vegetais com metais nobres e pedras preciosas e gemas tingidas, para transformar sementes, pedaços de madeiras, palhas, couros, e outros materiais em verdadeiras joias naturais. As sementes são lapidadas manualmente uma a uma e quando necessário, tingidas. As biojóias produzidas em Manaus trazem as cores, formas e texturas da riquíssima flora e fauna amazônica. Às matérias-primas beneficiadas são incrustadas em materiais nobres como o ouro e a prata ou outros elementos retirados da floresta e rios. Convém observar que as biojóias são confundidas pelos leigos com o eco joias, porém essas últimas são produzidas apenas com as matérias primas naturais sem a inclusão de materiais nobres como ouro e prata. 47 Um destaque que se deve dar na confecção das biojóias são as diversas técnicas utilizadas, sendo uma delas a marchetaria, a arte de ornamentar as superfícies planas de móveis, painéis, pisos, tetos, através da aplicação de materiais diversos, tais como: madeira, metais, pedras, plásticos, madrepérola, marfim e chifres de animais, tendo como principal suporte a madeira. De acordo com a técnica utilizada pode-se construir objetos tridimensionais, esculturas, utilitários, joias e outros. Atualmente existem na Europa, América do Norte e Austrália muitos ateliês de marchetaria e associações de marcheteiros dispostos a não somente manter as antigas tradições da Arte em Madeira com refinadas criações artísticas de caráter contemporâneo, mas também a restauração de obras antigas, ao longo do ano são realizadas várias exposições e há um mercado já consolidado neste campo. As biojóias são fabricadas com matéria prima coletada de toda essa fauna e da flora. Chamamos a atenção para a beleza das joias produzidas com minérios e gemas da região amazônica, mostrando a marca da criatividade da cadeia produtiva joalheira regional. Designers e artesãos participaram de workshops, interagindo-se com as tendências do mercado joalheiro e com a inspiração dos temas e produtos regionais. As coleções da Amazônia trazem à baila não apenas o valor material e artístico das joias, mas, sobretudo, o poder que este tipo de artefato exerce sobre a civilização, sabendo-se que ele nasceu junto com a vaidade humana, conforme registro histórico datado há mais de cinco mil anos antes de Cristo, quando as peças eram produzidas com pedras, dentes, conchas e ossos. Depois vieram as primeiras joias de ouro e prata, em lâminas finas, ornamentadas com pedras e figuras decorativas. De todos os metais, apenas o ouro reúne beleza, brilho, e maleabilidade, podendo ser transformado em adornos preciosos e ter aplicações diversas, como na indústria eletrônica e aeroespacial, na medicina e na odontologia. O ouro é nobre em todos os sentidos, mas é mole e necessita de outros componentes para poder ser transformado em joia. A liga é responsável pela coloração do ouro, podendo variar (amarelo, vermelho e branco) dependendo da quantidade de cada um dos elementos que a compõem. O ouro amarelo é formado pela mistura de ouro puro, prata e cobre; o branco é conseguido com a mistura de ouro puro, zinco e cobre, ou ainda por ouro puro, níquel ou paládio; enquanto o vermelho se forma pela mistura de ouro puro, cobre, prata e zinco. 48 3.4.1 Evolução histórica das joias Foi na Mesopotâmia, há três mil anos antes de Cristo, que o metal nobre ganhou maior importância e novos componentes que foram incorporados à arte joalheira e que evoluiu ainda mais na Idade do Ferro (1.500 a.C.), período em que teria nascido a metalurgia e, consequentemente, a fundição. A manufatura dos objetos foi transmitida a todas as civilizações do Mediterrâneo Ocidental, com realce para a egípcia, cuja arte utilizou-se magistralmente do ouro, da prata e das pedras preciosas. As joias ali produzidas eram utilizadas pela corte e possuíam a função de talismãs. Os templos e túmulos também eram decorados com pedras preciosas e objetos de ouro. Os gregos, na civilização helenística (séculos III, II e I a.C.), foram hábeis em modelar figuras em metais preciosos, compondo brincos, colares e braceletes. Os romanos utilizavam esmeraldas, safiras e pérolas para decorar joias de ouro ou de outros metais. As civilizações dos Astecas e Maias conheciam, trabalhavam e valorizavam o ouro do continente americano. Na Idade Média, este metal tinha um papel muito importante na política e na cultura como mostra a frenética procura dos alquimistas pela “Pedra Filosofal” que transformaria qualquer metal em ouro, e que muito contribuiu para o desenvolvimento da Química, Medicina e da Metalurgia. Nesse período, a profissão de joalheiro se desenvolveu nos grandes centros europeus, como em Paris, Colônia e Veneza, onde o esmalte era a principal técnica de decoração e as gemas ganharam garras engastadas em metais preciosos. A escola neoclássica buscou inspiração nos estilos grego e romano, dando simplicidade à forma das joias, bem em consonância ao período que atravessava a humanidade com o iluminismo e com a eclosão da Revolução Francesa. Os joalheiros encontraram temas da Antiguidade clássica e da Idade Média para sua criação. A arte joalheira do século XIX inicia-se com as grandiosas joias criadas para a corte do Imperador Napoleão I, que serviram de padrão para toda a Europa e Américas, até 1815. As joias chamados parures, compostas de tiaras, brincos, gargantilhas ou colares, e braceletes fantasticamente adornados com gemas (diamante, esmeralda, safira, rubi e pérola), cujo esplendor sobressaía mais do que o próprio design das peças, foram marcas históricas desse período que chegou ao Brasil com a Corte portuguesa (1808), trazendo a reboque vários artistas, incluindo renomados ourives. A cidade do Rio de Janeiro, há tempos sede da Colônia, logo absorveu os costumes da Corte e os serviços dos ourives, que adaptaram o design francês 49 que continuava em moda, ao design mais rebuscado do estilo Barroco português, posteriormente modificado pelo movimento de emancipação do País, adquirindo características do Romantismo e ressaltando temas nacionais como a flora, a fauna e indígena, esta distinta de todas as outras. A coroa de D.Pedro I foi confeccionada pelo ourives fluminense Manuel Inácio de Loiola e as joias da moda eram decoradas com gemas que lembram as cores escolhidas para a nova bandeira brasileira. Com a descoberta das minas de diamantes na África do Sul (1860), as joalherias se dedicaram ao brilho desta gema preciosa, em detrimento do seu design, tendência quebrada, décadas depois, pelas grifes Cartier e Boucheron, que passaram a produzir joias delicadas, em contraponto às cobertas de diamantes. A Belle Époque (1900) trouxe a Art Nouveau e designs inspirados na natureza para a joalheria, executados em marfins e chifres de animais, além das primeiras incursões em sementes vegetais. A arquiteta Julieta Pedrosa afirma que a paz de 1918 impôs à joalheria o estilo Art Decó, associado ao design cubista, abstracionista e à arquitetura da Bauhaus, minimizado na década de 30 pelos temas figurativos e florais reintroduzidos por Cartier. A partir da 2ª Guerra Mundial, a arte joalheira assumiu uma clientela que não comprava as joias apenas para o uso, mas para investimento, com ênfase maior na qualidade das gemas, facetadas e montadas com design de acordo com a moda. A partir da segunda metade do século XX, novas ideias, conceitos e materiais passaram a ser utilizados pelos designers, como titânio, nióbio e diferentes tipos de plásticos e papéis. Segundo Julieta, a joalheria, hoje, está atualmente voltada para o design, criativa e identificada com o mercado consumidor. A premiada designer Virginia Moraes é de opinião que as joias contemporâneas surgiram no final dos anos 60 com a proposta de rompimento com a joalheria moderna que vigorava desde a década de 20. A nova proposta ia de encontro à joia industrialmente projetada, que priorizava a beleza das gemas e o brilho dos metais preciosos. Outros materiais também foram incorporados à joia, como o aço, o alumínio, o plástico, a borracha e outras matéria primas nacionais. Brasil dos anos 70 teve poucos e bons artistas joalheiros que aderiram à nova tendência e ousaram em suas criações, fazendo com que suas joias fossem usadas por artistas e pessoas formadores de opinião. Por outro lado, o pós-guerra e a guerra-fria também trouxeram novos materiais e conceitos que foram incorporados aos designs das joias. 50 O Brasil, que há muito sofria influência hollywoodiana, mesclada pela babel cultural arabesca-oriental e europeia, buscou matérias-primas e inspiração nos produtos e na cultura nacional a fim de criar sua própria joalheria, com características tipicamente brasileiras. Em 1945, Hans Stern, aos 25 anos, fundou uma empresa que hoje leva seu nome e inovou o ramo da joalheria no Brasil, como o primeiro a explorar pedras de cor originárias do País, como água-marinha, topázio, ametista e turmalina, riquezas minerais pouco conhecidas até então, quando ganharam status de pedra preciosa. 3.4.2 Surgimento e evolução das biojóias Atualmente, a tendência são as biojóias feitas de sementes e fibras vegetais que deixaram a floresta para compor colares, brincos, pulseiras, anéis, entre outras peças, que são vendidas em todo o país e no exterior. A beleza dessas peças justifica o crescimento da demanda, a ponto de gerar preocupação com a extinção de espécies da floresta amazônica. Não se sabe ao certo, por exemplo, quantas toneladas por ano de sementes são coletadas. A semente de jarina, por exemplo, conhecida como o marfim-vegetal, é a preferida do mercado e demora quatro anos para germinar e só existe no Estado do Amazonas. Integrantes do grupo de trabalho composto pelo SEBRAE (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins), da Embrapa, do Museu Goeldi, do Museu São José Liberto, da Secretaria Executiva de Trabalho e Promoção Social do Pará (Setes), IBGE e do Centro de Educação Tecnológico e de Negócios de Rondônia (Cetene), procura elaborar a implementação de políticas públicas e certificação de sementes e produtos florestais não madeireiros em todo o País. O Museu Goeldi, a propósito, estuda 486 qualidades de sementes na região amazônica, onde deve ter cerca de 170 mil variedades de plantas. Nos últimos 10 anos, a produção joalheira no Brasil deu um salto significativo, movimentando no ano 2000 até o momento algo em torno de US$ 15 bilhões em venda de joias para o exterior, principalmente para a Índia, Estados Unidos, China, Turquia e Arábia Saudita. Nessa produção estão incluídas as biojóias. O grande desafio do país é exportar menos gemas e metais preciosos in natura e passar a exportar mais joias, que incluam tecnologia, a inovação e o design brasileiro. Os mercados atuais estão mudando rapidamente e 51 além da globalização, e das necessidade de inovações em função das mudanças tecnológicas, vivencia-se uma mudança de poder de fabricantes para varejistas gigantes, um rápido crescimento e aceitação de novas marcas, novas formas de varejo, aumento da sensibilidade a preço e valor por parte do consumidor. A propósito, o consumidor de hoje é mais seletivo, sabe o que quer e sabe onde encontrar e a que preço. O artesão designer de biojóias visa justamente esse consumidor seletivo e, tanto o setor de biojóias como o governo brasileiro vem destacando esse diferencial, e tem abordado de forma direta e inédita o comércio exterior focado nas exportações de biojóias dos estados amazônicos objetivando maior acesso aos consumidores e mercados internacionais. No Amazonas uma das técnicas inovadoras para driblar a concorrência são as técnicas de marchetaria e dentre elas as mais utilizadas na fabricação das biojóias são a geometria e a simetria e em função dessas novas técnicas e inovações o segmento está sendo mais valorizado, tanto é que o SEBRAE criou um prêmio para as empresas que mais se destacam nesse segmento. 52 CAPITULO IV: METODOLOGIA DA PESQUISA Para que os objetivos do estudo fossem atingidos, aplicou-se a metodologia constante deste capítulo, que inclui o tipo, a abordagem e a estratégia de pesquisas utilizadas. Também constam os construtos e variáveis de análise para compor os instrumentos de pesquisa, bem como as técnicas e forma de análise de dados. 4.1 Delineamentos da Pesquisa A pesquisa realizada configura-se como descritiva, de abordagem qualitativa exploratória e a estratégia adotada foi o estudo de caso múltiplo, com três empresas fabricantes de biojóias da cidade de Manaus/AM. A pesquisa é exploratória em virtude de ser realizada sobre a comercialização de biojóias para turistas estrangeiros, com pouco conhecimento acumulado e sistematizado, como indica Vergara (2003). Também é do tipo descritiva porque se propôs a retratar como se dá a formação da estratégia das pequenas empresas de negócios e o processo de internacionalização de seus produtos. Em função de sua proposta, esta pesquisa pode ser classifica-se ainda como de caráter qualitativo, pois foram adotadas técnicas de coleta de dados que tem como meta gerar resultados, a partir dos significados dos elementos caracterizadores do fenômeno estudado. De acordo com Yin (2001), a pesquisa classifica-se como estudo de caso múltiplo, uma vez que foram estudadas três empresas de pequeno porte para representar o setor. Com o objetivo de validar as ações do pesquisador, bem como testar e, consequentemente, adequar os instrumentos de coleta de dados (questionário, entrevistas, pesquisas de campo e in loco) aos objetivos da pesquisa, foi desenvolvido um estudo de caso piloto no setor de biojóias localizada no município de Manaus (AM). Outro instrumento, que visa dar maior credibilidade à pesquisa, é o protocolo de estudo de caso (YIN, 2001), que contém os componentes necessários para o estudo, tais como: as questões que serão estudadas, as proposições do estudo, as linhas que serão 53 analisadas, a relação das empresas que serão analisadas, a formatação da coleta de dados de acordo com critérios científicos, a forma de análise das evidências e a elaboração do relatório, por não existir um modelo padrão. O protocolo do estudo de caso contém os procedimentos, os instrumentos e as regras gerais que devem ser seguidas na aplicação e no uso dos instrumentos e se constitui numa tática para aumentar a fidedignidade da pesquisa, conforme o modelo de quadro adaptado de Yin. Quadro 1: Protocolo de Pesquisa Tarefas Identificação dos objetivos do estudo de caso Planejamento do estudo de caso Protocolo do Estudo Condução do Estudo Relatório Conclusões Descrição Verificação do modelo prévio com possibilidades de alterações, adequação ou revisão do modelo. Seleção dos casos a partir de levantamentos preliminares. Identificação dos respondentes. Pessoas envolvidas com os processos de fabricação, exportação e internacionalização e a análise dos dados. Coleta de dados: levantamento de dados primários e secundários com entrevistas, documentos, sites da internet, revistas, jornais, outros... Estabelecimento das regras e procedimentos do instrumento de coleta de dados, acrescentando confiabilidade ao estudo. Registro dos dados obtidos de forma clara e organizada. Narrativa com especificação das fontes e informações Análise, interpretação e síntese dos dados obtidos pela pesquisadora. Fonte: Adaptado de Yin (2001, p. 73). Com esse documento buscou-se, criteriosamente, fornecer maior confiabilidade ao estudo, bem como sistematizar os procedimentos que foram adotados, facilitando futuramente replicação da pesquisa por outros pesquisadores interessados no tema abordado. Desse modo, as estratégias a serem apresentadas pelo protocolo do estudo de caso serviram de base para: elaboração do instrumento de coleta; escolha da empresa para estudo do caso piloto; realização do estudo de caso piloto; descrição e análise das informações do estudo de caso piloto; adequação do roteiro para realização das entrevistas; definição da empresa a ser estudada; envio de correspondência à empresa, solicitando a realização das entrevistas; busca e análise de dados secundários; Agendamento das entrevistas com os proprietários e dirigentes; realização das entrevistas; descrição dos casos analisados; análise das informações provenientes das entrevistas e dos documentos; elaboração do relatório final do estudo. No estudo pretende garantir a validade do construto na fase de coleta de dados, com a utilização de múltiplas fontes de evidências: entrevista com roteiro semiestruturado com 54 diferentes atores sociais; análise de materiais disponíveis na mídia; descrição e composição do relatório do estudo de caso, relatório completo e revisão do relatório final, onde possam ser identificadas convergências e divergências em relação às evidências apontadas. 4.2 Universo e amostra da pesquisa Existem 48 empresas fabricantes de biojóias na cidade de Manaus, que constituem o universo da pesquisa. Desta população foram selecionadas como amostra não probabilística, do tipo intencional, três empresas desse setor, que serviram como objeto do estudo de caso. A escolha dos elementos dentro do universo foi feita pelo critério de tipicidade da organização, e foi considerado também o critério de acessibilidade, pois somente foram entrevistados os gestores que permitiram acesso ao pesquisador. 4.3 Construtos e variáveis de análise Os construtos e variáveis de análise relativas a estratégia usadas na pesquisa, encontram-se no quadro 2. Quadro 2: Construtos e Variáveis de Estratégias Construto Variáveis Deliberada Deliberada Deliberada Emergente Emergente Planejamento prévio focado em plano de ação e acompanhamento do plano de ação. Planejamento informal. Falta de acompanhamento. Planejamento no curto prazo. Falta de plano de ação. Decisões sem um planejamento prévio. Baseada nas observações e experiência dos dirigentes. Decisões baseadas nas oportunidades que surgem no mercado. Mercado interno ou externo.. Fonte: Própria pesquisadora Os construtos e estratégias usados para identificar as fases de internacionalização na pesquisa encontram-se no quadro 3. Quadro 3: Fases de Internacionalização das Empresas Construtos Exportação Direta Exportação Indireta Fonte: Própria pesquisadora Variáveis Através de um intermediário localizado fora do país de origem. Através de intermediário localizado no próprio país de origem. 55 4.4 Instrumentos de pesquisa e técnicas de coleta e análise de dados O instrumento de pesquisa utilizado para as coletas de dados foram os roteiros das entrevistas realizadas com os dirigentes, além disso, foi utilizado também um roteiro para análise de dados em documentos oficiais, sites governamentais e de pesquisa. Para a coleta dos dados foram utilizadas as entrevistas com aplicação de questões abertas e fechadas que foram gravadas e posteriormente transcritas para o formato eletrônico. Os dados documentais foram coletados por meio de uma listagem baseados em informações de internacionalização, exportação, turismo de negócios, biojóias. Também se utilizou de registro fotográfico para captar o comportamento de compra dos clientes nas lojas pesquisadas, do tratamento das matérias primas e da elaboração do processo produtivo das biojóias. A etapa de tratamento e análise de dados consistiu no processo de dar sentido ao que foi coletado. “Esse é um processo complexo, que envolve tarefas de dedução e interpretação dos dados, á procura de significados, entendimentos ou insights que constituem os achados do estudo” (MERRIAM, 1998, p. 78). A análise das entrevistas foi feita através da análise do discurso dos pesquisados e interpretação dos mesmos à luz da teoria do comportamento estratégico de Mintzberg (1997), e internacionalização de empresa de acordo com Johanson e Vahlne (1997). 56 CAPÍTULO V: RESULTADOS DA PESQUISA A intenção deste capítulo é apresentar os resultados obtidos nas pesquisas e nas observações in loco na estrutura de uma das empresas dos respondentes, e nos clientes que visitaram o local durante nossa permanência. Através desse estudo se observa que o empresário de biojóias acumula diversas funções, está envolvido com todas as áreas da empresa e, não dispõe de tempo e conhecimentos específicos e necessários para pensar no futuro da organização. As informações foram obtidas por meio de três proprietários de empresas de biojóias em Manaus, e analisadas a partir de alicerces teóricos, estabelecendo relação com os objetivos propostos por este estudo a partir do procedimento mencionado na Metodologia. Dessa forma, apresenta-se no item 5.1 a caracterização das empresas analisadas. Nesse item são apresentadas as características e singularidades de cada empresa com destaque para o tipo de produto. No item 5.2 são apresentadas as estratégias adotadas pelas empresas, com destaque para os tipos de estratégias utilizadas se deliberadas ou emergentes. O item 5.3 aborda as formas que as empresas utilizaram para internacionalização de seu produto e em que estágio se encontra. 5. 1 Caracterização das empresas analisadas Nesse item são apresentadas as características e singularidades de cada empresa com destaque para o tipo de produto. A empresa A foi fundada em 1994 pelas mãos de sua proprietária, que concebeu a organização, o nome de sua marca e também seu nome artístico como designer de biojóias, trazendo essa identidade para todos os seus produtos. A empresa nasceu com vocação para a confecção de biojóias e acessórios de moda. O cargo que ela ocupa na empresa é de diretora e designer. A empresária tem 46 anos, estudou designe geral, designe de interface digital, este até o quinto período, e fez curso técnico em designe de joias. 57 Através de pesquisas inspiradas pelas lendas da região a empresa contribui promovendo a riqueza auto sustentável da Amazônia e o respeito ao meio ambiente. Propõe um design inovador de qualidade em seus produtos e trabalha com mão-de-obra local (Manaus-AM), através de uma vasta cadeia produtiva, fazendo a junção com a tecnologia, utilizando elementos da cultura e do conhecimento local. A empresa participa dos eventos mais importantes do setor tanto no Brasil quanto no exterior. Em entrevistas e diversas visitas realizadas na empresa verificamos que a também chamada artesã, havia acabado de chegar de uma apresentação na Itália. A mesma nos informou que no momento a empresa estava produzindo a coleção de biojóias que foi lançada na FIAM - Feira Internacional da Amazônia, que aconteceu entre os dias 26 a 29 de outubro de 2011. A coleção principal foi focada na campanha do câncer de mama tendo como matéria-prima das peças o tucumã e a prata. Outro evento que a empresa participou representando o Brasil foi na exposição em Berlim entre os dias 20/09 a 21/10/2011, nesse evento de Berlim quem está fazendo a demonstração dos produtos e o contato com os potenciais clientes é o trader da empresa. A contratação de mão de obra para a empresa ocorre de forma sazonal. O número de funcionários varia de acordo com o período, mas ela mantém sempre em seu quadro interno um mínimo de 4 funcionários. Segundo a proprietária, “a contratação da mão de obra varia de acordo com o período, e normalmente no mês de outubro ocorre um aquecimento nas vendas, é necessário contratar mão de obra terceirizada. Nesse período os clientes solicitam muitas encomendas”. As datas de maior demanda das biojóias são as datas comemorativas e também os dias das mães e natal. A gerente de vendas da empresa há cinco anos e uma espécie de “faz-tudo”, é responsável pela loja da Central de Artesanato Rio Branco, em Manaus, faz o intercâmbio com as fábricas, com os fornecedores, com os compradores e é também vendedora. Ela diz que “para trabalhar nesse mercado a pessoa tem que ser versátil, criativa, conhecer a matériaprima, as formas de produção, o perfil do cliente e ainda conhecer a história do local de onde foram colhidas as sementes e outra matéria-prima". Segundo ela: “conhecer a história da região é valor agregado para convencer o cliente a comprar o produto, ele fica encantado”. Além da fábrica e da loja na Central de Artesanato Branco & Silva, a empresa possui outra 58 loja alugada no Novotel Manaus, também gerenciada pela gerente de vendas, que recebe o apoio de uma vendedora. Os produtos também são expostos em diversas outras lojas e em diversos hotéis de Manaus como o Hotel Tropical, Hotel Blue Tree, e outras empresas no Brasil e no exterior que expõem os produtos funcionam como distribuidores informais dos produtos da empresa. A empresa produz peças únicas e coleções por conta própria ou por encomenda, já recebeu diversas premiações como o Top 100 do SEBRAE – Serviço Apoio ao Micro e Pequeno Empresário - em diversas edições, e é uma das 100 melhores unidades produtivas do Brasil. É também constantemente convidada pela Suframa- Superintendência da Zona Franca de Manaus, que representa o MDIC- Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a APEX- Agencia de Promoção às Exportações, a representar o Amazonas com suas produções de biojóias, no resto do Brasil e principalmente no exterior. No momento da visita, a empresária estava ultimando a gravação de um filme de seis minutos contando a história de sua empresa, focando no trabalho que a mesma desenvolve com as tribos indígenas e comunidades caboclas que funcionam como seus colaboradores e coletores das matérias primas. No filme também são apresentadas entrevistas de personalidades que usam seu produto e dizem por que optaram em usar. O filme foi exposto na FIAM - Feira Internacional da Amazônia, em outubro de 2011. Em seguida alguns exemplos de biojóias confeccionadas em Manaus/Amazonas pela artesã e design da empresa A, assim como as matérias primas usadas na confecção das peças. A biojóia, representada em formato de pulseira, possui como matéria prima principal a palha de arumã, fibra nativa de palmeira amazônica, prata 950 e banho de ródio. A técnica utilizada para sua fabricação foi a do tear manual, o tingimento natural com plantas da região. As tramas da palha de arumã são tecidas pelos índios da aldeia Waimiri-atroari. A produção é parte industrial e parte artesanal. A cruz 500 anos em palha de arumã é feita com ouro branco e representou o Amazonas no ano 2000. A inspiração para criação da peça foi a primeira missa rezada no Brasil após o descobrimento, quando o Brasil completou 500 anos. 59 Figura 1: Biojóia feita com fibra nativa e prata Outro exemplo de produção da designer e artesão da Empresa A exposta e apresentada no ano de 2003 em Londres. As matérias primas utilizadas na confecção das biojóias gargantilha e anel foram madeiras, sementes de tucumã e semente de jarina e a técnica marchetaria. O nome da peça “Cunhã Poranga”, foi inspirado no folclore do Amazonas. A exposição foi no museu da embaixada de Londres em 2003. Foram selecionadas 10 designers brasileiros e a empresária representou o Amazonas. Figura 2: Gargantilha e anel Cunhã Poranga 60 A empresa recebeu o prêmio Top of mind Brazil, categoria Joias em 2005, o maior prêmio de reconhecimento concedido pelo governo a empresários que trabalham com inovação tecnológica e criação. Figura 3: Prêmio Top Of Mind 2005 A empresa produz peças únicas e coleções por conta própria ou por encomenda, já recebeu diversas premiações como o Top 100 do SEBRAE – Serviço Apoio ao Micro e Pequeno Empresário - em diversas edições, e é uma das 100 melhores unidades produtivas do Brasil. É também constantemente convidada pela Suframa - Superintendência da Zona Franca de Manaus, que representa o MDIC- Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e a APEX- Agencia de Promoção às Exportações, a representar o Amazonas com suas produções de biojóias, no resto do Brasil e principalmente no exterior. 61 Em 2006, a design foi convidada para confeccionar as biojóias do Concurso Miss Amazonas. A vencedora, na figura 4, está usando a biojóia da coleção “Cocar Caminhos para o Infinito e colar”, confeccionados com palha e ouro e prata. Figura 4: Concurso Miss Amazonas 2006 Atualmente a empresa trabalha com um número mínimo de quatro funcionários, e conta um com número ilimitado de colaboradores que formam grande volume de apoiadores encontrados nas várias tribos e etnias indígenas amazônicas e os ribeirinhos da região amazônica que são responsáveis pela coleta e tratamentos iniciais dados a matéria prima, que posteriormente são repassadas para Rita , que é precursora na fabricação, venda e exportação de biojóias. Tendo em vista o seu cliente principal ser europeu, e devido à crise da Europa no decorrer de 2012, o volume de peças fabricadas sofreu uma queda e atualmente o número de 62 peças fabricadas mensalmente gira em torno de 300 peças mensais e 1.500 anuais. O número de peças vendidas mensalmente tem girado em torno de 150 a 200 peças. A empresa B foi criada no ano 2000 pela proprietária e dirigente. A empresária tem 41 anos e possui curso superior, incompleto, de arquitetura e especialização em artes plásticas e design. Focada no ramo de atividade voltada para a arte e o artesanato amazônico, a empresa fabrica biojóias e esculturas em matérias da natureza. Em função de oportunidade surgida a convite do governo municipal de Maringá, a empresária e sua família mudaram-se para aquela região. A empresa continua produzindo, expondo e divulgando a marca Amazônia, e suas peças são expostas nas diversos eventos realizados naquela cidade e nos diversos eventos surgidos a partir de parcerias firmadas no Brasil e exterior. Atualmente possui um número mínimo de 15 empregados, máximo de 20, os quais atendem suas necessidades de produção. As peças fabricadas mensalmente giram em torno de 500 e são todas vendidas, ou seja, sua produção depende de encomendas. Figura5: Anel de jarina e tucumã 63 Figura 6: Biojóia com Jarina e Prata. Embalagem palha de arumã confeccionada pelas índias amazônicas Técnica da Marchetaria Figura 7: Biojóia feita com fibra de juta, sementes e madeira 64 Já a empresa C produz artesanato em formas de biojóias e embalagens com uso de produtos regionais, como madeiras e sementes, a outros materiais, como minerais, ouro, pratas e gemas. Segundo o proprietário, “o trabalho é feito com respeito à natureza, sem agressão ao meio ambiente”. Uma característica de destaque no trabalho de fabricação das biojóias pela empresa C, é a aplicação de marchetaria em formas diversas através das técnicas de simetria e geometria, quando são feitas cravações para os gráficos e plastificação. A técnica da plastificação permite que as biojóias sejam lavadas, ou molhadas, sem que a peça se estrague, pois não entra água. Exemplos de produtos utilizados para fazer uma peça de marchetaria é a itaúba, marfim da Amazônia, granito vegetal, tucumã, murapiranga. Na marchetaria são usados mais de 20 tipos de madeiras diferentes. As ferramentas são diversas sendo partes delas desenvolvidas pelo proprietário e parte absorvida do mercado interno. Segundo o proprietário nenhum maquinário ou ferramenta utilizado pela empresa é importado. Ele também chama a atenção para a diferença entre ecos joias, que são aquelas produzidas sem a agregação de mineral, e biojóias, que são aquelas produzidas com agregação de minerais. As Características dos consumidores de biojóias da empresa se encontram na faixa dos 30 anos, independente da origem. No momento da visita, a empresa estava desenvolvendo a coleção para exposição na VI Feira Internacional da Amazônia – FIAM. A empresa consta do catálogo do SEBRAE TOP 100- 2ª. edição. A empresa não disponibilizou exemplos de biojóias e não respondeu ao questionário de entrevistas. 5.2 Estratégias adotadas pelas empresas Objetivando mostrar os tipos de estratégias adotadas pelas empresas objeto do estudo, seguem algumas observações a respeito do tipo de estratégia utilizadas de acordo com o roteiro criado especificamente para as empresas de biojóias da cidade de Manaus. 65 As biojóias da empresa A se diferem das demais concorrentes em função da própria história da proprietária que morou com índios e cresceu ouvindo histórias da região. Para criar as biojóias ela faz uma pesquisa previa para escolher os temas da coleção. A empresa tem um planejamento e cria um design próprio em um contexto pessoal baseado em sua origem. A empresária nasceu em um município chamado Paraná da Eva, próximo a Manaus, pesquisou e observou as plantas mais populares entre os cidadãos do Amazonas e, baseando-se, nisso criou uma coleção que representasse essas plantas e que permitisse uma identificação da região com seu trabalho e que a tornasse mais facilmente conhecida. Um exemplo disso é a coleção de plantas medicinais que inclui a Andiroba, Copaíba e Crajirú, plantas bem conhecidas e usadas na região para fins medicinais. Suas biojóias são diferentes das concorrentes não somente pelo apelo cultural e regional, mas, também, pela originalidade que vem das suas criações e pelo refinamento das peças, embalagens padronizadas com o nome do cliente e as biojóias serem acompanhadas de certificado de garantia. Todo o trabalho de criação é baseado em ideias próprias e todas as joias são feitas com produtos naturais. Com isso a proprietária acredita demonstrar uma identidade e originalidade própria. A empresa amazonense, é precursora no uso da natureza amazônica em joias. Pela forma como a empresa elabora suas estratégias, percebe-se que foi inicialmente de forma deliberada por existir um planejamento, mesmo que informal, por meio do diferencial cultural e da matéria prima, apelos voltados para o tripé da sustentabilidade e pela inovação tecnológica, o que pode ser constatado pela fala da proprietária quando diz que “através de pesquisas, inspiradas pelas lendas de nossa região, promovemos a riqueza auto sustentável da Amazônia com extremo respeito ao meio ambiente. Trabalhamos com mão-deobra local, através de uma cadeia produtiva, fazendo a junção com a tecnologia, utilizando elementos da cultura e do conhecimento local”. As principais características das biojóias da Empresa B que as difere das demais concorrentes e que são usadas como estratégias segundo a entrevista são “o design e o tipo de material como o casco de tartaruga” 66 5.2.1 Fabricação de biojóias com motivos regionais Na empresa A, a estratégia de fabricar as biojóias regionais amazônicas foi embasada em ideia trazida desde a infância, e amadurecida com o passar dos anos. Segundo a proprietária, “Minha avó reunia eu, outras crianças e os empregados da fazenda onde morávamos para nos contar estórias”. As estórias eram principalmente sobre lendas amazônicas, e algumas até envolviam castelos, princesas, tudo misturado com as lendas. A designer se emociona e diz, “nós vivíamos em outro mundo com essas estórias” e confirmada quando ela relata “eu ficava chateada quando falava da Amazônia e todos ficavam Achando que onças andavam pelas ruas e que não havia lugar para pessoas morarem. E eu ficava com isso na cabeça, querendo mostrar que estavam errados. Eu quis mostrar que a Amazônia era mais que isso”. Na empresa B, a ideia de fabricar biojóias com motivos regionais surgiu pela percepção das mudanças globais que estão ocorrendo. Esta afirmação pode ser verificada na fala da entrevista quando diz que, “O mundo todo está com o conceito de sustentabilidade, e nós por termos já a cultura indígena que trabalha nesta área e com materiais como madeira, sementes, fibras naturais, que é milenar e uma grande motivação para trabalharmos com este tipo de matéria-prima”. 5.2.2 Identificação e oportunidades de Mercado Identifica-se que na empresa A as oportunidades surgem observando o mercado e o que é bom para o crescimento da organização e participa de exposições dentro e fora do país. A estratégia para participação em eventos é mista e varia de deliberada para emergente, por não depender somente da organização, mas também de oportunidades oferecidas pelo governo. São feitas exposições dentro e fora do país e de acordo com a dona da empresa são feitas divulgações “que marca o nome lá fora”. Nesse caso não existe um planejamento específico. Na empresa B, as oportunidades de mercado para a empresa são identificadas em sua participação nas feiras e exposições de diversos países, a entrevistada diz que “cada mercado 67 é uma oportunidade, e cada um tem um estilo particular que deve ser atendido, e depois fazemos uma verificação do aceite do produto dentro de cada mercado” 5.2.3 Planejamento estratégico Na empresa A, trabalhava-se embasado em planejamento estratégico formal, mas que está sendo revisto e reformulado, em função de outros caminhos que a empresa tomou com a saída de um sócio. A entrevistada evita falar no assunto e informa que “antigamente era feito um planejamento estratégico com plano de negócios”. Essa forma durou dois anos. Um dos dirigentes que não pode ser identificado traçava e definia o que era para ser feito focado nas tendências do mercado e conversávamos definirmos o que seria feito. A entrevistada informa o período e sua insatisfação em não estar participando das decisões estratégicas como gostaria. Sua fala a esse respeito é clara quando diz, “durante esse período, que durou dois anos, era somente ele quem definia qual a estratégia que seria usada”. Mesmo nessa situação nota-se a que a proprietária percebeu que a visão do sócio estava descaracterizando seus negócios quando diz que “sua visão era focada exclusivamente no lucro, no crescimento da empresa e no aumento da produção”. E ainda, “ele tinha umas etapas de crescimento focado para o lucro”. O dirigente dizia em qual etapa se encontrava e que o valor X não era suficiente para ele, queria produzir em escalas maiores a cada etapa. A entrevistada começou a observar que sua produção corria o risco de deixar de ser artesanal. Não existem maquinários apropriados para produzir biojóias em alta escala e nem recursos humanos suficientemente capacitados para produzir com a mesma qualidade. A preocupação da empresa com as questões de design, apelo amazônico, foco no meio ambiente e no desenvolvimento regional não estavam sendo atendidos e chegou à conclusão de que do jeito que o dirigente planejava conseguiriam muito dinheiro, mas descaracterizaria o seu produto e o motivo e apelos de criação. Do artesanal, viraria industrial. “Eu acabei não querendo aquilo”. Apesar de não ter nada definido em projetos para o futuro, ou planos de ação, e, numa atitude emergencial a empresa mudou sua estratégia e recuou, terminou a sociedade, mesmo observado que por um determinado período teve um crescimento muito rápido. Seu nome e marca ficou reconhecido, mas a preocupação com a perda da identidade, da qualidade e da 68 descaracterização das ideias do design da proprietária a fez recuar. A artista desenvolve um design próprio e exclusivo para clientes individuais, empresas e governo, presta consultoria para empresas do setor de moda e joalheiro e, também, promove cursos de design, joalheira e de biojóias. Com isso ela desfez a sociedade, recuou um pouco durante um período, fechou um galpão, se desfez de um ateliê, e adquiriu outro local com grande visitação de turistas, e adaptou a produção e exposição das biojóias para esse mesmo local. “Hoje trabalho com planejamento menos elaborado, mas sempre voltado para manter o padrão inicial das criações artesanais e não tenho interesse em industrializar a produção”. Na empresa B, utiliza-se a natureza e seus conceitos para formação do seu planejamento estratégico, principalmente conceitos ambientais e sustentáveis como atrativos para seu produto final. De acordo com a proprietária “existe sim um planejamento estratégico. Principalmente focado num conceito acima de tudo sócio-econômico e ambiental”. 5.2.4 Processo de formação das estratégias na organização Para identificar a estratégia e aplicar nos passos futuros, a empresa A estuda o que está acontecendo e o que poderá acontecer observando quais as tendências que podem surgir. Nesse quesito, a formação da estratégia na organização inicialmente ocorre de forma deliberada e no decorrer do tempo passa a ser emergente, portanto, é mista pela afirmação da dirigente quando expõe que, “analisamos o mercado, verificamos as tendências atuais e o passado, para ver o que não deu certo ou errado e não repetirmos os mesmos erros”. Já na empresa B, o processo de formação da estratégia na organização ocorre nos eventos e no acompanhamento das tendências no mundo segundo conforme fala a empresária entrevistada, “observamos determinados momentos como a moda atual”. 5.2.5 Responsabilidade, participantes e acompanhamento do que foi planejado Na empresa A, a responsabilidade na formatação da estratégia fica por conta da proprietária e do gerente da empresa, mas todos os envolvidos participam com alguma opinião. Cabe a proprietária as questões de observação do mercado e criação das peças. As 69 opiniões com relação a comércio exterior, contato com potenciais compradores estrangeiros, alguns aspectos logísticos da produção e negociação, são do gerente que a acompanha em todos os processos, nas exposições e nas viagens. Segundo a entrevistada eles estão sempre em comunicação, “eu o consulto sempre, ele entende de comércio exterior e atua como um trader”. A estratégia nessa situação é delibera por ser planejada e traçada em um plano de negócios, mesmo que informal, como é o caso da empresa. Posteriormente, o que foi planejado e posto em prática é verificado através do acompanhamento das ações traçadas no que foi estabelecido no plano de negócios. Segundo a dona da empresa, “nós chamamos o plano de “plano de ação”, pois são pequenas ações que fazemos”. Esse plano é flexível, pois acompanha o que está acontecendo no mercado, principalmente o mercado europeu, que é o maior consumidor de biojóias. Por exemplo, a proprietária e o gerente observaram a recessão que está acontecendo na Europa em função da crise na Grécia e em outros países europeus, o que conduziu o mercado a uma queda visível por conta da crise no comércio. Esse e outros motivos fizeram com que os dirigentes buscassem alternativas para escoamento de sua produção. Na contra partida das quedas nas vendas para a Europa, no Brasil aconteceu o contrário, as vendas aumentaram. Por conta dessa situação de contingência no mercado europeu, a empresa emergencialmente mudou seu foco para o mercado interno. Ao mesmo tempo a proprietária recebeu um convite para representar o setor de biojóias e introduzir seus conhecimentos e suas técnicas na criação da arte e fabricação das biojóias brasileiras na Universidade de Firenze, em um acordo bilateral firmado para troca de conhecimentos entre o Brasil e a Itália. Segundo a proprietária, no acompanhamento do planejamento “muitas coisas aconteceram que nos impossibilitaram de ter sucesso nos últimos meses. A Europa, nossa maior compradora, teve o mercado em queda, na mesma época aconteceu a reforma do novo local escolhido para a fabricação, exposição e comercialização das biojóias no Brasil, em Manaus, na Central de Artesanato Branco & Silva, em março de 2012, e ficamos sem vendas, além disso, outros fatores de ordem pessoal, e um acidente de automóvel, atrapalharam nossas ações”. Foi nesse período de crise que surgiu a ideia do gerente de colocar o maquinário em um depósito alugado e permanecer em outro espaço produzindo biojóias com os dois funcionários, fechando o ateliê e só o reabrir quando tiverem novos recursos. 70 Na empresa B, a responsabilidade pelo planejamento de tudo o que ocorre na empresa é feito pela proprietária e pelo presidente, mas todos colaboram com suas opiniões e sugestões que podem ser posteriormente aproveitadas. Essa informação pode ser comprovada quando a entrevistada diz que, “através do aceite de cada produto em determinado local verificarmos se o que foi planejado realmente funciona”. 5.2.6 Política de respeito à biodiversidade e sustentabilidade A empresa A colabora para a promoção da sustentabilidade e ações para preservação da Amazônia. Existe uma política escrita de respeito à biodiversidade e à sustentabilidade, inclusive publicada no site da empresa. Nessa questão a design declara “nós utilizamos materiais ecologicamente corretos, não usamos penas de aves, só utilizamos sementes não germináveis, que não tem como serem replantadas. Temos parcerias com tribos indígenas de diversas etnias e comunidades, como as dos índios Waimiris e Atroaris, que ficam próxima a cidade de Balbina (AM), e os índios Saterê-mauê, que ficam do outro lado do Rio Negro (AM). Para melhor qualidade do produto final, pegamos sementes de palmeiras amazônicas, pois elas são mais duráveis.” Maiores detalhes dessa política estão expostas no site da empresa, que, resumidamente, ocorre na prática por meio de uma pesquisa dos materiais a serem utilizados que é feita antes de programar na produção, para saber se o material a ser utilizado não apresentará problemas futuros, tanto no meio ambiente, como também em sua utilização. Segundo a design , “ nossa produção faz parte de uma vasta cadeia onde o índio tece a palha e colhe a semente, o artesão limpa, lixa e corta a semente, o design cria o modelo, o ourives que faz a produção, os pedristas que fornecem as pedras, os cravadores que cravam as mesmas na montagem, as índias do alto Rio Negro que fazem as embalagens de palha ou outro material feito à mão”. Ainda segundo a proprietária e a política exposta e divulgada no site da empresa, “a nossa empresa trabalha beneficiando os projetos de oficinas para organização de trabalhos indígena e artesanal, para que possa ser transformado em um sistema sustentável e promissor para a região”. A introdução dessa política passa por um processo que vem antes da abertura oficial da empresa, e respeita o seguinte cronograma: Em 1994, foi a fase de pesquisa das matérias primas e produtos, experimentos e aprimoramento da empresa. De 1995 até o ano de 1998, foi 71 o período de testes e de tecnologia local aos produtos. Em 1999, 2000, 2001 e 2002 a empresa começa a comercializar em massa os produtos, juntamente com a campanha de marketing da marca ecologicamente correta. Todas as sementes utilizadas pela empresa são não germináveis, elas caem das árvores e não servem mais para serem plantadas, como exemplo a semente da fruta do tucumã, que é muito consumida pelos moradores locais da Amazônia. As biojóias são produzidas de forma ecologicamente corretas, contribuindo para divulgação da região em forma de um design inovador e respeitando o ambiente. O processo de cadeia produtiva gera renda para as comunidades e aldeias indígenas, fazendo com que os seus habitantes possam permanecer em suas aldeias ou cidades do interior, evitando não só o desaparecimento da cultura das comunidades e tribos da região. A dona da empresa explica que “nossa empresa também colabora para evitar o “inchaço” na capital. Contribuirmos para a diminuição da marginalização e da violência, mantendo nossos colaboradores no seu local junto com suas famílias”. Na empresa B, existe uma política escrita de respeito à biodiversidade amazônica e à sustentabilidade que é feita na prática através do mapeamento da origem da matéria prima. A proprietária informa que é “através de um mapa do local de onde tiramos a matéria prima, da não exploração de mão de obra, sendo pago o que realmente é justo para os coletores, para que o trabalho tenha o que afirmamos no início, o conceito da sustentabilidade”. 5.2.7 Oportunidades de mercado para as biojóias fabricadas A empresa A, começou a perceber que os visitantes estrangeiros representavam uma grande oportunidade. Essa percepção foi confirmada quando o Instituto Brasileiro de GemasIBGM criou e levou um catálogo contendo o trabalho de cinquenta designers brasileiros para duas exposições internacionais com mestres designers. Eles concluíram que o design brasileiro estava pronto para exportação. A dona da loja vibra com a declaração: “me disseram que minhas peças, uma coleira e um bracelete, foram cobiçados principalmente pelo mercado árabe”. Isso aconteceu logo no início da abertura da empresa. Segundo declaração da designer manauara “aconteceu primeiro 72 em 1999, em Hong Kong, e no mesmo ano em Sidney, quando foi montada uma banca julgadora para avaliar a qualidade do design brasileiro por mestres designers”. A proprietária e o presidente da empresa B, começaram a perceber que os visitantes estrangeiros representavam uma oportunidade de mercado para as joias fabricadas pela empresa através de exposições onde os clientes podem apreciar e valorizar o produto de origem natural. A empresa começou em 2000, mas a dona da empresa, que é também artesã diz “o trabalho antes desse ano já era feito por mim, e eu já tinha uma bagagem de experiência com a matéria-prima e com exposições pessoais, de dez anos antes”. 5.2.8 Vendas para o mercado externo As vendas para o mercado externo realizadas pela empresa A, começaram a acontecer sem que houvesse um projeto ou plano estabelecido, foi embasada por estratégia emergente no mercado interno que pudessem atingir o público estrangeiro. A empresa não tinha um plano pronto para vender para mercados estrangeiros, o foco era o mercado nacional. A empresária diz que “nós não tínhamos recursos para feiras internacionais, então apresentamos as biojóias em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, e acabamos ganhando popularidade por lá”. As vendas começaram a acontecer segundo ela quando “o público internacional visitava as feiras nacionais e compravam as biojóias, o que fez com que atingíssemos os mercados estrangeiros”. A empresa teve que criar uma forma que mostrasse para o público que se tratava de um produto diferenciado e que refletisse um novo conceito. A designer afirma que “na época nem mesmo existia a nomenclatura para a palavra biojóias”. E explica que “costumavam chamar de joia alternativa, e eu fiquei pensando em como poderia chamá-la, então pensei e pensei, até que percebi que minha joia era vida, mostrava a vida na floresta, a biodiversidade”. A designer complementa “cheguei a conclusão de que aquela era uma joia da biodiversidade , e então, resolvi chamá-la de biojóias, que é a mistura de biodiversidade com metal ou mineral nobre como ouro e prata ou pedras preciosas” . Assim, a empresa começou a usar a nova nomenclatura de suas peças de biojóias em entrevistas, feiras, palestras, e o nome acabou pegando. 73 Foram feitas divulgações em diversos países, através de feiras e exposições dos trabalhos de designers brasileiros. Com isso o design brasileiro de biojóias foi valorizado e a exposição em feiras nacionais e internacionais passou a fazer parte do plano de venda para o mercado externo. A participação nas feiras aumentou e a empresaria levou seus produtos para a Suíça, Itália, França, Alemanha e outros países. Dentro desse plano fazia também parte a pesquisa para identificar e conhecer os locais onde as biojóias fariam sucesso. A empresa passou a utilizar tudo o que publicavam na mídia sobre as biojóias, inclusive um livro, que tinha uma página com fotos das biojóias criadas pela designer, intitulado “A história da joalheria do Brasil até o século XXI”, e que conta a história do ouro do Brasil e da vinda de empresários estrangeiros do ramo de joalheria para o nosso país, como exemplo o empresário Hans Stern, da empresa joalheira H. Stern, além da introdução das joalherias no Brasil. A empresa B, já tinha um plano de vender para mercados estrangeiros e para isso investiu no aprendizado de outros idiomas, seu presidente é poliglota e defende a necessidade do conhecimento da língua estrangeira como valor agregado para vender melhor os produtos. De acordo com a entrevistada “a empresa tem um plano sim, por isso a importância de se falar os idiomas, e poder explicar pessoalmente sobre a sua cadeia produtiva e o processo criativo. Em diversos idiomas”. 5.2.9 Formalização dos planos A Empresa A não formaliza seus planos por escrito, segundo a entrevistada, “foram ideias que iam surgindo a partir das oportunidades e iam se desenvolvendo em ações”. Ainda de acordo com a dona da empresa “era uma ideia a ser desenvolvida no futuro, a partir do ano 2000”, e começou a ser desenhada com a construção de um plano de negócios em São Paulo. A ideia surgiu quando descobrimos uma feira anual em Belo Horizonte (MG), duas em São Paulo e duas feiras no Rio de Janeiro. A estratégia foi mudar-se para perto das feiras, para não ter que pagar tão caro nas viagens de Manaus para lá. A proprietária mudou-se para São Paulo onde estavam os grandes cursos que ela realizou, e sua base ficou sendo São José dos Campos (SP). 74 Em São Paulo a designer e a empresa ganharam prêmios, inclusive de poesias sobre a Amazônia. A dona da empresa teve reportagens publicadas em três jornais estrangeiros, pois encontrou jornalistas internacionais lá que divulgaram suas biojóias nas revistas Vogue italiana, Jewerly americana, e Dreams francesa. Ao mesmo tempo ela continuava com os contatos em Manaus, marcou seu retorno para a cidade, e confirmou seu interesse em colocar a Empresa para funcionar dentro do CID – Centro de Incubadora e Desenvolvimento Empresarial, uma espécie de empresa incubadora bancada pelo governo, localizado próximo ao PIM - Pólo Industrial de Manaus, e que permitira a instalação da empresa para produzir, expor e participar de projetos federais, estaduais e municipais, ligados a produção , treinamento, capacitação, comercialização e exportação de biojóias. Adaptou seu plano ao modelo do plano de negócios da incubadora e teve seu modelo aprovado pelos gestores do CID (Suframa, SEBRAE e Fucapi). Por influência de uma cliente que possuía loja em um shopping de Manaus começou em 2003 a expor seus produtos no Amazonas Shopping com o nome “Joia Nativa”. O jornal O Globo percebeu a novidade e fez uma matéria sobre o produto, que teve uma boa repercussão levando curiosos e alguns clientes interessados, mas que ficavam barganhando preços. A empresária percebeu que suas biojóias não eram para serem vendidas em shoppings e nem por atravessadores, além disso, não era a sua marca e de sua empresa que apareciam e sim a marca da amiga dona da loja, que aparecia nas embalagens que carregavam os produtos criados pela designer. Percebeu que para encontrar turistas, que passou a ser se foco, deveria ficar em pontos turísticos que atraíssem estrangeiros que valorizavam sua biojóias mais que os brasileiros. Pesquisou os pontos turísticos com acesso para venda de seus produtos, e começou a expor na Central de Artesanato Branco & Silva, na época única referência de artesanato de qualidade em Manaus. Outra estratégia da empresa foi expor na rede hoteleira em parceria com os lojistas no Hotel Tropical de Manaus, e alugou um espaço no hotel Novotel. Segundo ela essa alternativa foi pensada porque percebeu que “os turistas vêm procurando lembranças diferenciadas do Amazonas para levarem para o exterior, lá fora eles tem muitos shoppings, por isso não visitariam shoppings aqui, visitariam outros locais em que pudessem encontrar lembranças culturais”. 75 Já na empresa B, o plano existe e é formalizado por escrito pelo presidente, mas a empresa também trabalha sem plano quando é necessário. De acordo com a entrevistada “existem essas duas formas, trabalhamos com o plano montado ou aguardamos para desenvolver e aplicar no futuro”. 5.2.10 Vantagens com o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros As vantagens da empresa A, com o aumento do fluxo de visitantes tanto para a empresa quanto para Manaus é fazer as biojóias brasileiras e amazônicas ficarem mais conhecidas no exterior, aumento da produção e aumento nas vendas. Os turistas vêm procurando lembranças do Amazonas para levarem para o exterior. A dona da empresa enfatiza sua percepção no seguinte comentário, “quando percebi que minhas biojóias não eram para serem vendidas em shoppings, analisei que os turistas queriam mais que uma jóia, queriam algo que trouxesse uma memória cultural e com valor agregado”. Essa percepção fez com que a empresa adotasse novas estratégias que servem tanto para a venda de seus produtos, quanto para atrair turistas para Manaus “criei o conceito e o certificado de garantia, a matéria prima que compunha a biojóias e a forma de conservá-la”. A empresária passou a assinar suas joias e todas elas passaram a ser cunhadas com as inicias da empresa e da designer de forma estilizada. A procura e aquisição das biojóias pelo aumento de turistas interessados, fez com que fosse consolidada uma identidade visual para as biojóias da empresaria. Com isso foram publicadas diversas matérias no Brasil e no exterior que divulgavam a empresa, a designer, o seu trabalho e respeito ao meio ambiente, e o destino Manaus. Com a participação constante em feiras internacionais do segmento, a procura pelas biojóias passou a aumentar. Os turistas já vinham direcionados, e as vendas subindo em 100%. Comparadas às vendas na loja do shopping que variavam de 25 a 30 mil, com as novas ações subiram para 60 mil. Além disso, em função do reconhecimento a designer e empresaria passou a confeccionar biojóias para diversos eventos e celebridades. O ex-presidente Lula, do Brasil, foi à primeira celebridade a ganhar de presente uma biojóias cunhada com as inicias da designer. A imagem do ex-presidente brasileiro passou a atrair mais clientes interessados 76 como a princesa Sofia, da Suécia, a duquesa de York Camila Parker, esposa do príncipe Charles, da Inglaterra, entre outras, são exemplos de clientes que usam essa marca. A percepção pela empresa B, das vantagens que o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros trará para Manaus, e para a própria empresa, é exposta da seguinte forma pela entrevistada, “bem, vimos que o Brasil está em alta no mercado internacional, e nossa moeda está em alta também, o aumento do fluxo de turistas trará muitos benefícios para os parceiros, para toda a cadeia produtiva e, principalmente, para a imagem de nosso país, pois através de nossos produtos podemos vender um conceito, a cara de um pais, a cara do Brasil, e isso trará benefícios para todas as empresas”. 5.3 Forma de Internacionalização e venda para turistas estrangeiros Com relação à forma como a empresa A iniciou as vendas de biojóias para turistas estrangeiros, observou-se que foi por meio de contato com clientes e amigos no exterior. Essa forma demonstra que a internacionalização se fez de forma planejada, utilizando o tipo de estratégia deliberada através de exposição de produtos no exterior como mostra o discurso da entrevista quando fala que, “ Sim, começou pela Flórida, nos Estados Unidos, em seguida Londres, na Inglaterra”. Já a empresa B, vende suas biojóias para turistas estrangeiros de diversos países. De acordo com a proprietária, “temos clientes em todo o mundo”. 5.3.1 Período de início das vendas para turistas no exterior das Empresas A e B A empresa A passou a vender para os turistas no exterior a partir de 2003, e de acordo com a entrevistada “começou pelos EUA e Inglaterra, onde uma cliente e amiga brasileira tinha uma loja chamada To be Tupi. Essa amiga morava havia 20 anos em San Diego, depois, um amigo, que morava em Las Vegas e conhecia bem o mercado, comprou diversas peças para uma exposição em uma feira que iria acontecer nos EUA”. O amigo já conhecia o mercado e direcionou o produto para o público alvo desejado e adequado. 77 A estratégia foi planejada. A dona da loja procurou parcerias com pessoas que já conheciam o mercado, e que poderiam fazer uma boa divulgação. Devido a essa exposição, em 2004 a empresa foi convidada a confeccionar peças para participar da 1ª. FIAM – Feira Internacional da Amazônia, onde apoiada pelo SEBRAE/AM participou de Rodadas de Negócios com empresas estrangeiras interessadas em adquirir as biojóias. A empresa B, começou a vender para turistas estrangeiros a partir do ano 2000. O motivo de ser nesse período é que “nessa época surgiram diversas oportunidades para o segmento e nós somos uma das empresas que participa das reuniões com o governo e somos convidados para representar o Brasil em feiras e exposições promovidas pela Suframa, do Sebrae e, também recebemos convites do exterior para participar como representantes brasileiros em diversos países”. 5.3.2 Origem dos turistas que adquirem as biojóias De acordo com a proprietária da empresa A, os europeus e os americanos, são os maiores consumidores. “Eles dão valor as artes, se interessam e escutam as estórias por trás de cada peça”. Os turistas europeus são os principais por valorizarem o produto. Eles gostam das estórias, gostam de saber a respeito da matéria prima, de que forma é colhida, quem colhe, como é o processo produtivo e o processo de criação da arte. Pela experiência com esse perfil de clientes a entrevista esclarece que os americanos compram pela beleza e qualidade dos produtos. “Eles retornam e compram a biojoia pela beleza e qualidade. Gostam de produtos bonitos, que chamem a atenção e que sejam bem acabados”. Na empresa B, não existe distinção de origem de turistas que compram os produtos da empresa. De acordo com a entrevistada ,“a origem do turista que compra o nosso produto são todos não há distinção ”. 5.3.3 Tipos de turistas que compram biojóias Na empresa A, a maioria que compra nas lojas é turista que vem pra lazer, que gostam e respeitam a natureza e peças ligadas a floresta que lhes agregam valor. Essa afirmação se 78 confirma quando a entrevistada diz que “esse tipo de turista paga qualquer preço pela biojóias”. Já na empresa B, não existe um tipo específico de turistas que compram os produtos da empresa. Segundo a proprietária, “o tipo de turista que compra o nosso produto são todos os que vem a lazer, de negócios e outros”. 5.3.4 Os turistas de negócios que também compram nas lojas das empresas pesquisadas No que se refere a turismo de negócios, a empresa A reclama que são sempre os mesmos compradores. Por exemplo, nas rodadas de negócios, observamos que são sempre as mesmas pessoas e essas pessoas não são preparadas, vem sem preparo e muitas vezes não sabem reconhecer o valor de uma peça, ou olham como se fosse uma joia comum e não uma biojóias. A entrevistada faz uma crítica que deve ser levada em consideração quando relata que “falta preparo para o turista de negócios que vem ao Brasil para rodadas. Normalmente o governo traz esses empresários dentro de programas criados especificamente para isso, como exemplo temos o programa da APEX – Agência de Promoção às Exportações, no projeto chamado Projeto Comprador”. Nesse programa o governo paga todos os custos de viagem e hospedagem, e muita gente vem porque ganhou a passagem e vem para passear ao invés de efetivar negócios. Isso acaba com a divulgação do produto. A entrevista informa que “pessoas sem preparo são enviadas do exterior para fazer o negócio, e aqui no Brasil às pessoas não são preparadas para receber turista de negócios”. Percebe-se que a falha ocorre dos dois lados. Com suas experiências de reuniões e encontros para rodadas de negócios ela afirma que, “as pessoas que vêm comprar não sabem nada sobre os objetos, e nós não sabemos nada sobre os compradores”. Não temos ideia se eles querem comprar um produto de R$ 50 ou de R$ 500 reais, e assim não nos preparamos suficientemente para recebê-los. E tem aqueles turistas que não vem para comprar nada, mas que vê a biojóias, se encanta e acaba levando. 79 Conforme a entrevistada da empresa B, “a venda para esse tipo de turista é maior em épocas de feiras e exposições”. 5.3.5 Formas de vendas aos clientes A venda aos clientes brasileiros e estrangeiros, realizada pela empresa A, ocorre de duas maneiras, segundo a entrevistada, “pela loja, diretamente e, indiretamente, vendendo para turistas que tem interesse em revender as biojóias” Já na empresa B, a forma de vendas para os clientes da empresa normalmente ocorrem “através de feiras e exposições, diretamente na loja, ou com alguma estratégia pensada para alcançá-los. 5.3.6 Estratégias elaboradas para alcançar os clientes De acordo com a empresa A, os turistas de lazer acham a loja através da internet, criamos um site exclusivo para isso e com informações em diversos idiomas, eles colocam algo sobre joias culturais da Amazônia no google, nos encontram e vem até nós. Eles já tem uma referência sobre o produto que buscaram pela internet. Por exemplo, em 2011 turistas de lazer e de negócios procuraram diretamente a loja. Os turistas eram originários da Noruega, Alemanha e Holanda. Nessa situação a estratégia não foi muito elaborada. Trazemos as principais peças para onde os turistas iam mais. Colocamos as peças em pontos de referências para atacado como no CID – Central de Artesanato Branco & Silva. A estratégia da empresa B, na opinião da entrevistada é “sempre ter produtos diferenciados para oferecer a cada tipo de cliente, de lugares diferentes, de climas frio ou quente”. 80 5.3.7 Estratégias para ação e divulgação através de Incubadora de empresas De acordo com a dona da empresa A, “colocar no CID – Centro de Incubadora e Central de Artesanato Branco & Silva, foi ótimo, pois nos ajudou a divulgar melhor nosso produto e reduzir custos para exposições”. Os gestores da empresa B, também utilizaram da estratégia de utilização de incubadora, mas não comentaram na entrevista. 5.3.8 Evolução com a estratégia de vendas para estrangeiros A proprietária da empresa A, percebe que seu produto está sendo visto e lembrando quando diz que “conforme participávamos de viagens internacionais em feiras e rodadas de negócios, e também no boca-a boca, víamos que o produto estava ficando conhecido”. A venda para estrangeiros na empresa B, evoluiu de acordo com a entrevistada, “através das feiras nacionais e internacionais”. Com a constante presença em eventos e feiras internacionais o produto da empresa ficou mais conhecido e, de acordo com proprietária, “os clientes passaram a adquirir os produtos través de loja também”. 5.3.9 As principais características das biojóias que os turistas mais apreciam Com a procura das biojóias fabricadas pela empresa A, com produtos naturais e exóticos, a empresaria percebeu o que mais chamava a atenção do turista, que é a matéria prima utilizada, e a maneira artesanal de fabricação dos produtos, e informa que é o “apelo indígena que mais atrai os turistas”, e apresenta como exemplo a palha de arumã. Essa matéria-prima têm todo um trabalho por trás dela. O couro de peixe também”, e ainda a valorização do trabalho artesanal pelo turista estrangeiro quando diz: “acho que é o trabalho que é feito em cima. A transformação do que está in-natura em biojóias. Eles, os turistas, se surpreendem em como uma semente pode se transformar em um lindo anel, por exemplo”. A principal característica das biojóias da Empresa B, que os turistas mais apreciam é originalidade. De acordo com a proprietária “todos eles falam que é diferente e original”. 81 5.3.10 A porcentagem das vendas para o exterior em termos de faturamento total Atualmente a porcentagem das vendas para o exterior no total do faturamento da empresa A esta caindo em função da falta de estudo do mercado. A falta de estratégia nesse quesito é notada quando a proprietária diz que “a exportação caiu em função da crise na Europa e do desaquecimento do mercado europeu, mas o turista que vem aqui, leva o produto”. A dona da empresa A continua em seu discurso “eu acredito que esteja em 50%, mas em tempos de crise mudamos a estratégia quando as vendas ficam mais aquecidas nas épocas em que os navios chegam a Manaus, no período de maio a junho”. Nota-se que a empresa tem controle e planeja sua nova estratégia baseada em planejamento informal. A empresa B, não respondeu sobre o faturamento, mas falou que, “as vendas para o mercado interno estão maiores que as vendas para o exterior nesse momento”. 5.3.11 Quantidade de biojóias vendidas Em média, a quantidade de biojóias vendidas para o exterior pela empresa A estão no mesmo patamar que as vendidas no mercado nacional. As biojóias vendidas para o exterior representam 50% do total das vendas da empresa. Segundo a proprietária, se for anual, na faixa de 6.000 peças para turistas, e 6.000 para a população daqui, a produção está girando em torno de 1.000 peças mensais”. De acordo com a proprietária da empresa B, “em média, a quantidade mensal de biojóias vendidas para o exterior está em torno de 400 a 500 peças já com as embalagens identificadas e personalizadas”. 5.3.12 Formas utilizadas para tornar o produto mais conhecido A partir de 1999, a empresa A iniciou sua participação em feiras internacionais e no Brasil, facilitando a divulgação das biojóias para os visitantes estrangeiros e para os demais públicos do exterior. “em 2000 passamos a participar de diversas feiras no mercado interno e 82 no exterior, principalmente em feiras de artesanato, mais voltada para o tipo de produto”. Esse participação passou a aumentar desde que a empresa passou a divulgar seus produtos e marca em catálogos preparados pelo governo do produto em outros idiomas no ano anterior, em 1999. Nesses dois anos a empresa investiu nas alternativas de divulgação. A estratégia de divulgação teve um planejamento fundamentado em um plano informal. A divulgação das biojóias na empresa B, é feita para os visitantes estrangeiros e para os demais públicos do exterior e no Brasil, de acordo com a entrevistada, “para divulgação temos diversas alternativas, como a participação em feiras internacionais no Brasil, participação em feiras específicas no exterior, distribuição de catálogos do produto na língua do país, divulgação na home page da empresa e o boca-a-boca”. 5.3.13 Modificações nos produtos para atender às demandas Na empresa A, foi feita alguma modificação no design, embalagem, materiais, no processo de fabricação das biojóias para atender a preferência do cliente estrangeiro Para atender a preferência do cliente estrangeiro não foi feita nenhuma modificação no design das joias, mas, de acordo com a proprietária e design “tivemos que adequar as embalagens ao tipo de produto, as etiquetas na língua estrangeira e de acordo com as regras e exigências dos outros países, informações e material apresentados nas feiras internacionais em outros idiomas”. Além do gosto do cliente tivemos que adequar os produtos, embalagens e materiais de acordo com as regras e exigências internacionais. Essa exigência teve um impacto no faturamento da empresa e não havia apoio do governo para cobrir esse custo. A proprietária relata que, “por exemplo, precisamos contratar um gemólogo para aprovar as gemas que agregam valor às biojóias, e de certificados de origem para garantir as origens das peças, ou seja, provar que elas são brasileiras da região amazônica”. Para atender a preferência dos turistas que compram da empresa B, e as exigência do país de destino, são feitas modificação e adaptações nas embalagens que acondicionam o produto, na identificação do idioma, e no acabamento dos produtos. A entrevistada informa 83 que isso é bom, pois, além de atender as exigências específicas do mercado também “foi agregado mais valor ao produto”. 5.3.14 Alternativas na distribuição de produtos para alcançar o público das empresas De acordo com a entrevistada da empresa A, “as alternativas foram diversas, e abrir nova loja no ano de 2003, próxima a locais frequentados por visitantes estrangeiros foi a primeira”. Em 2004 a proprietária e o gerente da empresa passaram a aproveitar as feiras e fazer visitas aos possíveis revendedores no exterior, mas planejou não contratar nenhuma representante para intermediar as vendas. Nesse mesmo ano os revendedores estrangeiros passaram a contara diretamente a empresa interessados em distribuir as biojóias em seus países de origem. Essa foi uma boa estratégia por não ter custos adicionais, e segundo a dona da empresa entrevistada “com isso não gastamos com custos de abertura de empresa ou escritórios fora do Brasil”. A empresa B, criou alternativas para facilitar a distribuição do produto e para alcançar o público desejado. Dentre as alternativas destaca, “no ano 2000 passamos a fazer visitas aos revendedores no exterior e passamos a expor em grandes redes internacionais na França principalmente”. 5.3.15 Vantagens em vender para clientes estrangeiros encontradas pelas empresas De acordo com a empresa A, o interesse do cliente estrangeiro por produtos da natureza valoriza o produto artesanal. Essa afirmação se confirma nas falas da entrevistada quando ela confirma que “o valor que eles, os estrangeiros, dão para as biojóias sustentáveis e o pagamentos a vista, com certeza são vantagens para a empresa”. A entrevista completa que “a valorização na qualidade do produto valoriza o design brasileiro”. As maiores dificuldades que a empresa enfrenta para vender para o mercado externo não estão ligadas a preços. Conforme explicado pela dona da empresa, os maiores obstáculos encontrados foram “as leis e regras de cada país e os impostos que esses clientes pagam em seus países e a falta de um selo amazônico. 84 As vantagens que a empresa B encontra em vender para clientes estrangeiros é o melhor valor para suas peças em todos os sentidos. Segundo a entrevistada, “a valorização não é só em termos monetários, mas também na qualidade e originalidade do nosso produto”. Como dificuldades a entrevistada destaca que, “a maior dificuldade enfrentada pela empresa para vender ao mercado externo, é a falta do apoio dos órgãos competentes no Brasil, e as barreiras impostas para entrada do nosso produto no exterior, como por exemplo, as barreiras sanitárias impostas pelos países importadores”. 5.3.16 Características dos entrevistados A empresa A, foi fundada em 1994, pelas mãos de sua proprietária, que concebeu a organização o nome de sua marca, e que também é seu nome artístico como designe de biojóias, trazendo essa identidade para todos os seus produtos. O cargo que ela ocupa na empresa é de diretora e designer. A empresária tem 46 anos, estudou design geral, design de interface digital, este até o quinto período, e fez curso técnico em designe de joias. A empresa nasceu com vocação para a confecção de biojóias e acessórios de moda e em função de disso é convidada para participar como representante do Brasil em diversos eventos internacionais. A empresa B, foi criada no ano 2000 pela proprietária e artesã. A empresária tem 41 anos e possui curso superior, incompleto, de arquitetura e especialização em artes plásticas e design. Focada no ramo de atividade voltada para a arte e o artesanato amazônico, a empresa fabrica biojóias e esculturas em materiais reaproveitados da natureza. Em função de oportunidade surgida a convite do governo municipal de Maringá, a empresária e sua família mudaram-se para aquela região. A empresa continua produzindo, expondo e divulgando a marca Amazônia, e suas peças são expostas nos diversos eventos realizados naquela cidade e nos eventos surgidos a partir de parcerias firmadas no Brasil e exterior. 85 Atualmente possui um número mínimo de 15 empregados, os quais atendem suas necessidades de produção. As peças fabricadas mensalmente giram em torno de 500 e são todas vendidas, ou seja, sua produção depende de encomendas. 86 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo geral desse trabalho foi analisar a relação entre o turismo de negócios e o crescimento das exportações de biojóias na cidade de Manaus (AM), sob o enfoque do comportamento estratégico. Assim, com relação ao primeiro objetivo específico de “contextualizar o turismo de negócios na cidade de Manaus nos últimos 10 anos”, conclui-se que o fluxo receptivo na cidade de Manaus está em crescente expansão. A Tabela 1, mostra que a variação anual do volume de entrada de turistas oscila em torno dos percentuais de 2,9 a 2,5 milhões de turistas internacionais. A variação demonstrada representa o total de 20.470, no ano de 2005, contra 37.135 milhões de turistas estrangeiros em 2009. Os dados foram obtidos na Organização Mundial do Turismo – OMT, EMBRATUR, que consideram apenas os registros de entradas e saídas feitos nos aeroportos e portos. O que tem contribuído para esse fluxo contínuo é a grande divulgação do Amazonas nos últimos 10 anos. No início do século XX, Manaus era o centro da produção de borracha e imensamente rica, chegando a ocupar a 4ª posição no ranking de cidades mundiais mais visitadas. A abundância de recursos naturais, principalmente a borracha, fez da cidade um centro arquitetônico importante, que hoje preserva o maior patrimônio de arquitetura Belle Époque do país. Depois que a semente da seringueira foi ilegalmente levada para a Malásia, à economia regional entrou em declínio. Com a implantação da Zona Franca de Manaus, em 1967, por decreto de lei federal, a cidade voltou a ter sua economia fortalecida. Hoje, Manaus corresponde a 3,5% do PIB nacional e é a 4ª cidade mais rica do país apesar de suas grandes desigualdades social. Manaus é considerada a principal cidade do norte do Brasil, sendo chamada de "Metrópole do Norte". Para atender a demanda turística, Manaus possui três aeroportos, o principal deles é o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que recebe vôos internacionais e regionais, os outros dois aeroportos são o de Ponta Pelada (Aeroporto Militar) e o Aeroclube de Manaus (também é usado como ponto para saltos de paraquedas). Manaus é ligada por via terrestre apenas ao Estado de Roraima e à Venezuela. A rodoviária tem rotas para o interior do estado do Amazonas, Roraima, e Caracas. De acordo com o Ministério de Turismo, o turismo de negócio possui uma abrangência que envolve duas temáticas, eventos e negócios. 87 As oportunidades de equacionamento de períodos sazonais, proporcionando equilíbrio na relação entre oferta e demanda durante o ano, independe de condições climáticas e períodos de férias escolares. Institui-se como alta rentabilidade, uma vez que o turista de negócios, em relação ao turista de lazer, apresenta maior gasto médio, normalmente retorna mais vezes e com tempo de permanência no destino. Os eventos e atividades de negócio funcionam como ferramenta de marketing para o destino, expondo-o significativamente na mídia e estimulando que o turista volte para fins de lazer e divulgue-o a outras pessoas. O Amazonas possui uma forte vocação para o turismo, decorrente de singularidades naturais e humanas, que constituem atrativos para os turistas. Aliada a essa realidade, deve-se destacar ainda as possibilidades do fluxo turístico decorrente do fato de que Manaus está recebendo investimentos no setor turístico em função de sediar a Copa do mundo de futebol a ser realizada no Brasil em 2014. O desenvolvimento da atividade turística na capital poderá trazer um envolvimento de toda a cadeia produtiva do turismo e a outras atividades interligadas a ele e, maior crédito por parte do empresariado local, que reclama pela falta de maior apoio, entre outros. Quanto ao segundo objetivo de “caracterizar o crescimento da produção e da comercialização de biojóias no mesmo período”, o estudo revelou que a produção de biojóias está na contramão do aumento da demanda turística. O período de 1999 a 2009 mostram, de acordo com as pesquisas realizadas com as empresas de biojóias, que houve aumento e queda de produção, e o mesmo ocorreu com as vendas. Atualmente a produção diminuiu em função das crises estrangeiras na Europa, o que fez com as empresas voltassem seu foco para o mercado interno, ao mesmo tempo, buscam parcerias com lojas, hotéis, joalherias no Brasil e representantes no exterior para exporem seus produtos em vitrines, ou outras formas de exposição. A maior parte da produção do setor de biojóias é feita sob encomenda, o que já é um bom negócio em função da contra partida de pagamento garantido. As encomendas, na maioria das vezes, são solicitadas por empresas do exterior que fazem o pedido do produto via site da empresa ou por contatos pela internet. A forma de pagamento é adiantada, ou paga posteriormente após o envio do produto por exportação. A outra forma de venda é diretamente nas lojas ou ainda, durante as feiras e exposições no Brasil e no exterior, quando a empresa é autorizada a comercializar o produto. 88 Atualmente, no Brasil, as vendas chegaram ao mesmo patamar que as vendas para o exterior, e mostra que, numa produção de doze mil peças anuais 50% são vendidas para o exterior e as 50% restantes são vendidas para o Brasil. Isso tem ocorrido pela forte participação das empresas em eventos, feiras e exposições nacionais, o que feito com que o brasileiro conheça e dê mais valor ao produto biojoia e, ao mesmo tempo mostra que o brasileiro tem dado maior valor a conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental, valorizando produtos que contenham essas características, como é o caso das biojóias. Por outro lado, as empresas produtoras de biojóias ao sentirem esse reconhecimento interno e externo pela originalidade de suas criações se sentem mais estimuladas a produzir. O setor tem recebido incentivos através de participações em eventos, feiras e exposições promovidos por entidades como SUFRAMA- Superintendência da Zona Franca de Manaus, MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e SEBRAE – Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas, que instituiu para o setor um prêmio pela inovação em seus produtos, o Top Of Mind Brazil, o maior prêmio de reconhecimento concedido pelo governo a empresários que trabalham com inovação tecnológica e criação. Além de outros prêmios oferecidos por entidades do exterior que convidam as empresas brasileiras produtoras de biojóias objeto desse estudo para representarem o Brasil em diversos países. O setor de biojóias tem sido negligenciado pelo pouco apoio que vem recebendo do governo federal, estadual e municipal, que poderia criar ações conjuntas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e do Ministério do Turismo, focadas na atração de turismo de negócios como estratégia de facilitação para o aumento das exportações brasileiras, e ainda, verificar a possibilidade de criar uma nomenclatura específica para exportação de biojóias, que hoje são exportadas como joias ou artesanato. No que se refere ao terceiro objetivo de “descrever as estratégias utilizadas pelas empresas de biojóias em inserir seus produtos no mercado externo por meio do turista de negócios”, nota-se que as empresas utilizam as mesmas estratégias, deliberadas e emergentes, com poucas diferenças de aplicação. As estratégias deliberadas pelas empresas são feitas pelos proprietários que foram entrevistados, e algumas delas possuem um plano de ação que é acompanhado pelos dirigentes. Em algumas situações observa-se, quanto ao acompanhamento do plano, que ao se impor uma rigidez para o alcance do objetivo, e se esse objetivo não 89 estiver bem explícito ocorre um desestímulo por parte dos participantes, prejudicando o resultado programado. Outra estratégia utilizada pelas empresas é a emergente em função das mesmas dependerem de terceiros para participarem de determinados eventos, feiras e exposições no Brasil e no exterior, e pelo fato de muitas vezes não existir planejamento e a organização ser feita em cima da hora, e não terem recursos e nem apoio administrativo, financeiro e logístico. As empresas também aproveitam as oportunidades que vão surgindo com os turistas de negócios que chegam à loja, advindos dos eventos e das delegações que estiverem em Manaus, e que em seus roteiros constem alguma programação de visita aos locais onde as lojas das empresas produtoras de biojóias estão instaladas. Existem aqueles turistas que vem a negócios e visitam diretamente a loja apresentando uma nova oportunidade. Além desses, os turistas esporádicos e de lazer, e outros tipos, também procuram a loja. As empresas dizem que ficam de olho nas oportunidades surgidas no mercado, mas percebe-se a falta de visão macro ambiental e a necessidade de planejamento adequado, para que as oportunidades sejam melhores aproveitadas e os níveis de resultados aumentem. As estratégias utilizadas, mesmo que de forma superficial, com ou sem plano de ação, e ainda com ou sem acompanhamento, são as formas utilizadas para atrair clientes estrangeiros, sendo, os eventos, feiras e exposições os veículos utilizados para o alcance do resultado. Atendendo ainda ao terceiro objetivo, mostramos as formas que as empresas utilizam para atrair turistas de negócios quando discorremos sobre as estratégias utilizadas. Verificamos que as estratégias utilizadas pelas empresas são similares, sendo seu comportamento estratégico falho na gestão por falta de visão macro ambiental, ao utilizarem as estratégias programadas para o alcance dos objetivos sem o devido planejamento e sem o devido acompanhamento de um plano de ação para atração de turistas e para comercializarem seus produtos no mercado estrangeiro. Com referência ao quarto objetivo “verificar as diferenças e similaridades entre as estratégias praticas pelas empresas de biojóias e a teoria do comportamento estratégico, com base nas estratégias emergentes e deliberadas de Mintzberg, e os impactos no turismo”, 90 verificamos que a formação de estratégia relacionada a turismo de negócios não existe e a internacionalização fica prejudicada pela falta de ações nesse sentindo. Ao mesmo tempo, as empresas influenciam o ambiente de mercado em que competem, de forma positiva, porém, a tomada de decisão por parte delas leva em conta as ações e reações de outros agentes e do governo, existindo para o alcance de resultados uma interdependência direta entre seu comportamento e dos outros. Segundo Mintzberg (2001) a estratégia é defendida como a forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados. Dessa forma, o modelo adotado neste estudo aborda o modelo de comportamento estratégico proposto por Henry Mintzberg e James Walters (1985) focado nas estratégias deliberadas e estratégias emergentes. De acordo com os autores, “as estratégias foram concebida como dois extremos ao longo de um processo de entrada e saída”, o que se integra perfeitamente ao fluxo de entrada de turistas e saída de produtos, ou seja, utilizar o turismo de negócios para exportações de biojóias. Dependendo do segmento empresarial em que será aplicada, e da escolha dos dirigentes, a estratégia poderá ser considerada Deliberada, quando depende de um planejamento prévio criado para atingir um determinado objetivo, e tendo como suporte um plano de ação para aplicá-la. A estratégia também pode ser considerada Emergente, quando não depende de planejamento e nem existe plano algum para concebê-la. De acordo com a teoria de Mintzberg e Walters (1985), os modelos de comportamento estratégico focadas em estratégias deliberadas e estratégias emergentes são as mais apropriadas para o segmento em estudo e são as utilizadas pelas empresas em foco. Embora a pesquisa tenha mostrado resultados relevantes para o avanço do conhecimento sobre o assunto, revelou também algumas limitações com relação a: não existir trabalhos sobre o tema no Brasil e no exterior que relacionem turismo de negócios, biojóias e exportação; falta de dados do governo com relação a registros específicos de produção e exportação de biojóias; escasso material de pesquisa sobre produção de biojóias; 91 a impossibilidade de comparação de análise do volume de turistas de negócios e volume de exportação das biojóias; contradição de dados relacionados a turismo receptivo no Brasil apresentados pela Embratur, Amazonastur e Manaustur. Em função das limitações apresentadas e das escolhas teóricas feitas pela pesquisadora recomenda-se que sejam feitas novas pesquisas sobre os temas propostos no trabalho, buscando reforçar as afirmações e conclusões aqui obtidas, bem como sejam aprofundados os conhecimentos específicos a respeito do assunto. O presente estudo servirá como contribuição teórica e empírica para futuros trabalhos. Diante do exposto, conclui-se pelo estudo apresentado, que não há uma relação do turismo de negócios com a produção e exportação de biojóias, e nem visão das empresas e do governo para esse novo olhar, dentro do recorte temporal determinado no trabalho. O que existe é uma política do governo federal voltada para exportação de artesanatos, onde as biojóias são inseridas de forma errônea em algumas ocasiões, da mesma forma, em outras ocasiões são enquadradas como joias no momento da exportação, ao invés de biojóias, o que prova não ser reconhecida a nomenclatura “biojóia” apesar da popularidade do nome. 92 REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. F. Análise das estratégias competitivas de quatro bancos, utilizando um conjunto de abordagens teóricas. Revista Organizações & Sociedade, publicação da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia - EAUFBA Salvador, v. 7, n. 17, p. 4359,jan./abr. 2000. ALONSO, J. 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São Paulo: MAKRON Books, 1996. 97 ANEXO A – Fluxo de turistas ao Amazonas 98 Quantidade Anual de Turistas que Visitaram o Amazonas de 2003 a 2010 607.688 561.751 495.084 432.877 283.018 2003 377.202 349.719 307.996 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas Crescimento 2009/2010: 8,18% Quantidade Anual de Turistas, Distribuídos por Segmentos, de 2003 a 2010 3.775 18.969 16.452 3.990 12.830 17.872 4.389 18.363 25.648 4.828 16.098 28.533 5.311 16.286 27.637 5.842 17.655 32.482 6.027 15.955 35.780 6.630 14.648 39.344 243.822 273.304 301.319 327.743 383.643 439.105 503.989 547.066 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Hotelaria Urbana Cruzeiros Marítimos Hotéis na Floresta Pesca Esportiva Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas 99 Quantidade de Turistas Distribuídos por Segmentos em 2010 547.066 6.630 39.344 14.648 Hotelaria Urbana Cruzeiros Marítimos Hotéis na Floresta Pesca Esportiva Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas Taxa de Crescimento Anual do Volume de Turistas do Amazonas (%) 8% 14% 15% 9% 8% 2003-2004 2007-2008 14% 13% 2004-2005 2008-2009 2005-2006 2009-2010 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas Crescimento 2003/2010: 12% 2006-2007 100 Quantidade Anual de Turistas Residentes no Brasil que Visitaram o Amazonas de 2003 a 2010 292.819 264.711 202.602 181.367 147.492 91.275 97.974 2003 2004 108.368 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO 2009/2010: 11% Quantidade Mensal de Turistas Residentes no Brasil Período de 2007 a 2010 27.990 26.068 25.074 23.013 27.513 27.351 26.673 22.901 21.749 23.824 21.885 18.778 Jan Fev Mar 2007 Abr Mai Jun 2008 Jul Ago Set Out 2009 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas Nov Dez 2010 101 Ranking dos Principais Estados Emissores de Turistas para o Amazonas em 2010 8.512 9.400 98.104 9.744 10.157 13.484 29.411 17.411 19.992 23.047 São Paulo Pará Ceará Rio Grande do Sul Rio de Janeiro Roraima Paraná Distrito Federal Minas Gerais Rondônia Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO DO FLUXO PAULISTA 2009/2010: 12,08% Fluxo de Turistas Brasileiros Emitidos ao Amazonas por Região em 2010 142.962; 49% 23.084; 8% 31.562; 11% 32.447; 11% 62.764; 21% Sudeste Norte Nordeste Centro Oeste Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO DO FLUXO DA REGIÃO SUDESTE 2009/2010: 12% Sul 102 Quantidade Anual de Turistas Residentes no Exterior que Visitaram o Amazonas de 2003 a 2010 229.619 241.326 161.778 146.064 130.100 103.111 71.894 2003 68.422 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO 2009/2010: 5,10% Quantidade Mensal de Turistas Residentes no Exterior Período de 2007 a 2010 21.357 19.861 23.083 22.462 21.909 23.098 21.722 18.814 19.776 17.197 14.988 17.059 Jan Fev Mar 2007 Abr Mai Jun 2008 Jul Ago Set Out 2009 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas Nov Dez 2010 103 Ranking dos Principais Países Emissores de Turistas para o Amazonas em 2010 4.007 5.600 71.813 8.476 8.751 10.280 17.133 10.711 12.447 13.701 Estados Unidos China Canadá França Japão Portugal Alemanha Inglaterra Itália Espanha Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO MERCADO AMERICANO 2009/2010: 24,12% Fluxo de Turistas Estrangeiros Emitidos ao Amazonas por Região em 2010 2.220; 0,96% 103.613; 42% 2.521; 1,04% 3.774; 2% 16.627; 7% 26.815; 11% Europa América do Sul América Central 85.756; 36% América do Norte Oceania Ásia África Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO MERCADO EUROPEU 2009/2010: 2% 104 Movimentação Total de Passageiros no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes de 2003 a 2010 2.688.623 2.307.408 2.063.872 2.021.668 1.689.817 1.508.022 1.368.968 1.241.462 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Fonte: Indicadores de Turismo do Amazonas CRESCIMENTO 2009/2010: 17% 2010 105 ANEXO B - Eventos nacionais e internacionais em que a empresa A participou de 2006 a abril de 2011 106 20/04/2011 - ART - Mostra Mercato Internazionale dell’Artigianato nr.75 - Itália 31/01/2011 - 52ª Feninjer - 2011 31/01/2011 - EXPOCOMER - PANAMÁ - 2011 21/01/2011 - 16ª FIART – Feira Internacional de Artesanato Natal - RN 10/02/2010 - Expocomer 2010 - Panamá 10/01/2010 - Feira de Artesanato de Natal - RN 25/11/2009 - Exposição no Studio 5 - FIAM - Manaus - AM 28/10/2009 - 29 a 30 de Outubro - Feira em Paris (Salon Du Brezil a Paris) 28/10/2009 - Conexão Solidária - São Paulo - SP 09/10/2009 - Primeiro Salão de Artesanato - Belo Horizonte - MG 10/09/2009 - V Feira Internacional da Amazônia - FIAM 2009 10/07/2009 - Natural Tech 2009 - São Paulo - SP 09/07/2009 - Exposição pela Finep - Manaus - AM 01/07/2009 - Exposição na 4º Salão do Turismo 06/06/2009 - Desfile de Modas Ambiental no Amazonas Shopping - Manaus - AM 01/06/2009 - Evento na Refinaria da Petrobrás - Manaus - AM 20/05/2009 - Fábrica em novo módulo do CIDE 17/05/2009 - PREMIAÇÃO TOP 100 2º EDIÇÃO 2009 25/11/2008 - AMAZONTECH 2008 - São Luís - MA 23/10/2008 - ExpoSustentat 2008 - São Paulo - SP 10/09/2008 - Exposição na Feira Internacional da Amazônia - FIAM 2008 09/07/2008 - Feira do Empreendedor - Belém - PA 18/06/2008 - 3º Salão do Turismo - SP 01/05/2008 - Natural Tech 2008 - SP 05/03/2008 - Expocomer - Panamá 28/01/2008 - Semana do Artesanato - AM 18/01/2008 - Fiart - Natal - RN 11/01/2008 - Feira Artnor - Maceió - AL 25/12/2007 - I Encontro de Empreendedorismo da Amazônia - Manaus - AM 29/11/2007 - Exposição Pedras Vivas - Manaus - AM 20/11/2007 - Feira de artesanato - Belo Horizonte - MG 25/10/2007 - II Mostra Educação - Manaus - AM 24/10/2007 - Feira da ABAV - Rio de Janeiro - RJ 107 11/10/2007 - Evento Faculdade Nilton Lins 06/10/2007 - ExpoSustentat - São Paulo - SP 05/10/2007 - Amazônia Fly In - Manaus - AM 02/10/2007 - Exposição e Desfile em Cuiabá - MT 07/09/2007 - Exposição na Art Mundi 2007 22/08/2007 - I Exposição Ambiental da Amazônia 17/08/2007 - Exposição na House & Gift Fair - SP 09/08/2007 - Exposição na Feira de Gastronomia de Manaus 2007 09/07/2007 - 59º Encontro SBPC - Belém - PA 29/06/2007 - Exposição no Festival Folclórico de Parintins 2007 27/06/2007 - Exposição Pan-Amazônico - AM 18/05/2007 - Feiarte Curitiba - PR 14/05/2007 - I Encontro Internacional de Negócios 04/05/2007 - Feiarte Porto Alegre - RS 03/05/2007 - Natural Tech - São Paulo - SP 19/01/2007 - Exposição Na Fiart em Natal-RN 21/11/2006 - Exposição na Feira Nacional de Artesanato - MG 02/11/2006 - Exposição na Expoxênti em Brasília 25/10/2006 - Exposição na Feira das Américas - RJ 16/10/2006 - Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato 30/08/2006 - Estaremos na Feira Internacional do Amazonas 30/08/2006 - Brinco no caderno de tendências 2007 do IBGM 28/08/2006 - Rita Prossi retrata a natureza da região em joias 11/08/2006 - Exposição na feira Art Mundi em São Paulo 07/07/2006 - Exposição na VII FENNEART 20/06/2006 - Exposição no Festival de Parintins 05/06/2006 - ONG IPÊ - Dia Internacional do Meio Ambiente 02/06/2006 - Exposição - 2º Feira do Turismo - Roteiros do Brasil 17/05/2006 - Lançamento da coleção Copa do Mundo Brasil 08/05/2006 - Exposição em Manaus - AM 27/04/2006 - Exposição de biojóias feita pela Tainá Joias em Porto Velho - RO 06/04/2006 - Exposição no Tropical Hotel em Manaus - AM 05/03/2006 - Concurso Miss Amazonas 2006 02/12/2005 - Quiosque na academia Companhia Atlética em Manaus - AM 108 APÊNDICE C – Roteiro de Entrevista com a Empresa A 109 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM EMPRESAS DE BIOJÓIAS DE MANAUS EMPRESA A Esta é uma pesquisa acadêmica desenvolvida pela aluna do Mestrado Interinstitucional em Turismo e Hotelaria, Olinda Marinho, com o objetivo de analisar a relação entre o turismo de negócios e o crescimento das exportações de biojóias na cidade de Manaus (AM), sob o enfoque do comportamento estratégico. Sua participação é muito importante para o conhecimento dessa realidade e para subsidiar políticas públicas de estímulo à fabricação e exportação desse produto. Bloco A - Formação da Estratégia 1. Quais são as principais características das biojóias da empresa que as difere das demais concorrentes? As biojóias da Rita Prossi se diferem das demais concorrentes em função da própria história da proprietária que morou com índios e cresceu ouvindo histórias da região. Para criar as biojóias ela faz uma pesquisa para escolher os temas da coleção. Ela tem um planejamento, e cria um design próprio com um contexto pessoal baseado em sua origem. Ela nasceu em um município chamado Paraná da Eva, próximo a Manaus. Ela pesquisou e observou as plantas mais populares entre os cidadãos do Amazonas e baseando-se nisso criou uma coleção que representasse essas plantas e que permitisse uma identificação da região com seu trabalho e que a tornasse mais facilmente conhecida. Um exemplo disso é a coleção de plantas medicinais onde ela selecionou as plantas andiroba, copaíba e crajirú, plantas bem conhecidas e usadas na região para fins medicinais. Suas biojóias diferenciam-se das concorrentes não somente pelo apelo cultural e regional, mas, também, pela originalidade que vem das suas criações e pelo refinamento das peças, embalagens padronizadas com o nome do cliente e as biojóias serem acompanhadas de certificado de garantia. Todo o trabalho de criação é baseado em ideias próprias e todas as joias são feitas com produtos não-industrializados. Com isso a proprietária acredita demonstrar uma identidade e originalidade própria. A empresa amazonense, é precursora no uso da natureza amazônica em joias. “Através de pesquisas, inspiradas pelas lendas de nossa região, promovemos a riqueza auto-sustentável da Amazônia com extremo respeito ao meio ambiente. Propomos um design que encanta com belezas e emoções. Trabalhamos com mão-de-obra local, através de uma cadeia produtiva, fazendo a junção com a tecnologia, utilizando elementos da cultura e do conhecimento local”. 110 2. Como surgiu a idéia de fabricar joias com motivos regionais? A ideia vem desde a infância. “Minha avó reunia eu, outras crianças e os empregados da fazenda onde morávamos para nos contar estórias. Elas eram principalmente sobre lenda amazônicas, e algumas até envolviam castelos, princesas, tudo misturado com as lendas. Nós vivíamos em outro mundo com essas estórias”. Rita viajou para São José dos Campos, em São Paulo, e para o Rio de Janeiro. “Eu ficava chateada quando eu falava da Amazônia e todos ficavam, achando que onças andavam pelas ruas e que não havia lugar para pessoas morarem. E eu ficava com isso na cabeça, querendo mostrar para eles que estavam errados. “ Ela quis mostrar que a Amazônia era mais que isso”. As estórias influenciaram todos os irmãos na família. E essas mesmas estórias também influenciaram a qualidade de suas peças de biojóias. Em 2002 a filha de uma amiga que havia viajado para a Flórida, para estudar, estava com saudades da Amazônia e queria algo que a fizesse lembrar do local, e Rita fez algumas joias para ela que rapidamente ficaram populares entre as amigas. Essa mesma amiga montou um loja no Amazonas Shopping, em Manaus, em janeiro de 2003, divulgando produtos de Rita. O nome da loja da amiga era Joia Nativa. Para melhorar a qualidade das biojóias ela teve uma grande ajuda de Paulo Prossi, ex marido e engenheiro que serviu como um tipo de orientador. “Ele era minucioso, observava as peças e selecionava as melhores, via a qualidade do produto”. O engenheiro que colaborou na melhoria da qualidade das biojóias fez engenharia da produção e trabalhou nas empresas Honda e Avibras e seu know-how na área da produção ajudou na melhoria da qualidade das peças. 3. Como é feita a identificação de oportunidades de mercado para a empresa? Observando o mercado e o que é bom para o crescimento da empresa. São feitas exposições dentro e fora do país. São feitas divulgações que “ marca o nome lá fora”. 4. A empresa tem um planejamento estratégico formal? Tinha, mas está sendo refeito, em função de outros caminhos que a empresa tomou com a saída de um sócio que entrou em 2008. Antigamente era feito um planejamento estratégico com plano de negócios. “Essa forma durou dois anos”. Um dos dirigentes que não pode ser identificado traçava e definia o que era para ser feito focado nas tendências do mercado e conversava com Rita para definirem juntos o que seria feito, e durante esse período, que durou dois anos, era somente ele quem definia qual a estratégia que seria usada. Sua visão era focada exclusivamente no lucro, no crescimento da empresa e no aumento da 111 produção. “Ele tinha umas etapas de crescimento focado para o lucro”. O dirigente dizia em qual etapa estávamos e que o valor X não era suficiente para ele, queria produzir em escalas maiores a cada etapa. Rita começou a observar que sua produção corria o risco de deixar de ser artesanal para industrial. Não existem maquinários apropriados para produzir biojóias em alta escala e nem recursos humanos suficientemente capacitados para produzir com a mesma qualidade. A preocupação de Rita com as questões de design, apelo amazônico, foco no meio ambiente e no desenvolvimento regional não estavam sendo atendidos e chegou a conclusão de que do jeito que o dirigente planejava conseguiriam muito dinheiro, mas não seria mais a Rita Prossi e descaracterizaria o seu produto e o motivo e apelos de criação. Do artesanal, viraria industrial. “Eu acabei não querendo aquilo”. A empresa mudou sua estratégia e recuou, pois por um determinado período teve um crescimento muito rápido, seu nome ficou conhecido e reconhecido, mas a preocupação com a perda da identidade, da qualidade e da descaracterização das ideias do design da proprietária a fez recuar. Rita Prossi desenvolve um design próprio e exclusivo para clientes individuais, empresas e governo, presta consultoria para empresas do setor de moda e joalheiro e, também, promove cursos de design, joalheira e de biojóias. Com isso ela desfez a sociedade, recuou um pouco durante um período, fechou um galpão, se desfez de um ateliê, e adquiriu outro local com grande visitação de turistas e adaptou para a produção e exposição das biojóias para esse mesmo local. Hoje, ela trabalha com planejamento menos elaborado, mas sempre voltado para manter o padrão inicial de suas criações artesanais e não tendo interesse em industrializar sua produção. Rita passou a contar com a colaboração de seu gerente, noivo e trader, Eliseu, para reduzir custos e manter a produção. Sua ideia para reduzir custos e manter a produção foi colocar maquinário em um depósito alugado e ficar em uma sala produzindo as biojóias com apenas mais dois funcionários, fechar o ateliê e só o reabrir quando tiverem algo maior que possam eles mesmos sustentarem. 5. Como ocorre o processo de formação da estratégia na organização? “Analisamos o mercado presente, passado e futuro”. Estudamos o que está acontecendo agora e o que poderá acontecer no futuro, observado as tendências atuais e o passado, para ver o que não deu certo e não repetirmos os mesmos erros. 112 Quem é o responsável? A parte mental e intelectual da criação das peças e também a observação do mercado fica por conta de Rita. As opiniões com relação a comércio exterior, contato com potenciais compradores estrangeiros, alguns aspectos logísticos da produção e negociação são do gerente que a acompanha em todos os processos, nas exposições e nas viagens. “Eu o consulto sempre, ele entende de comércio exterior e atua como trader” Quem participa? Todos da empresa participam de certa forma, mas a parte da criação e outros aspectos relacionados a embalagens e participação em eventos, é com a proprietária. O gerente participa analisando, dando opiniões e dicas e atuando como um consultor. Como é feito o acompanhamento do que foi planejado? Através do acompanhamento das ações traçadas no que foi estabelecido em um plano de negócios. “Nós chamamos o plano de “plano de ação”, pois são pequenas ações que fazemos”. Esse plano é flexível pois acompanha o que está acontecendo no mercado, principalmente o mercado europeu, que é o maior consumidor de biojóias. Por exemplo, a proprietária e o gerente observaram a recessão que está acontecendo na Europa em função da crise na Grécia e em outros países europeus, o que conduziu o mercado a uma queda visível, crise no comércio, e quando estavam lá souberam que quatro empresários se suicidam por dia por estarem falidos. Isso fez com que Rita e o gerente buscassem outras alternativas para escoamento de sua produção. Na contra partida das vendas para a Europa diminuírem, no Brasil aconteceu o contrário, as vendas aumentaram! Ao mesmo tempo a proprietária recebeu um convite para representar o setor de biojóias e introduzir seus conhecimentos e suas técnicas na criação da arte e fabricação das biojóias brasileiras na Universidade de Firenze, em um acordo bilateral firmado para troca de conhecimentos entre o Brasil e a Itália. Segundo a proprietária, no acompanhamento do planejamento “muitas coisas aconteceram que nos impossibilitaram de ter sucesso nos últimos meses. A Europa, nossa maior compradora, teve o mercado em queda, na mesma época aconteceu a reforma do novo local escolhido para a fabricação, exposição e comercialização das biojóias no Brasil, em Manaus, na Central de Artesanato Branco & Silva, em março de 2012, e ficamos sem vendas, além disso, outros fatores de ordem pessoal, e um acidente de automóvel, atrapalharam nossas ações”. Foi nesse período de crise que surgiu a ideia do gerente de colocar o maquinário em 113 um depósito alugado e ficar em uma sala produzindo biojóias com os dois funcionários, fechando o ateliê e só o reabrir quando tiverem novos recursos. 6. Existe uma política escrita de respeito à biodiversidade e à sustentabilidade? Sim, existe. “Nós utilizamos materiais ecologicamente corretos, não usamos penas de aves, só utilizamos sementes não germináveis, que não tem como serem replantadas. Temos parcerias com tribos indígenas de diversas etnias e comunidades, como as dos índios Waimiris e Atroaris, que ficam próxima a cidade de Balbina (AM), e os índios Saterê-mauê, que ficam do outro lado do Rio Negro (AM). Para melhor qualidade do produto final, pegamos sementes de palmeiras amazônicas, pois elas são mais duráveis.” De que forma esta política ocorre na prática? Uma profunda pesquisa dos materiais a serem utilizados é feita antes de implementarmos em nossa produção, para sabermos se o material a ser utilizado não apresentará problemas futuros, tanto no meio ambiente, como também em sua utilização. “A nossa produção faz parte de uma vasta cadeia onde o índio tece a palha e colhe a semente, o artesão que limpa, lixa e corta a semente, o design que cria o modelo, o ourives que faz a produção, os pedristas que fornecem as pedras, os cravadores que cravam as mesmas na montagem, as índias do alto Rio Negro fazem as embalagens de palha ou outro material feito a mão, e depois, a distribuição é feita para as lojas. “A nossa empresa trabalha beneficiando os projetos de oficinas para organização de trabalhos indígena e artesanal, para que possa ser transformado em um sistema sustentável e promissor para a região”. A introdução do processo, antes da abertura da empresa, foi em1994, fase de pesquisa, experimentos e aprimoramento da empresa, de1995 até o ano de 1998, foi o período de testes e implementação de tecnologia local em nossos produtos. Em 1999, 2000, 2001 e 2002 começamos a comercializar em massa os produtos, juntamente com nossa campanha de marketing da nossa marca ecologicamente correta. Todas as sementes são não germináveis, elas caem das árvores, como exemplo a semente da fruta do tucumã, que é muito consumida pelos moradores locais da Amazônia. As nossas biojóias são produzidas de forma ecologicamente corretas, contribuindo para divulgação da região em forma de um design inovador e respeitando sempre em primeiro lugar o nosso meio ambiente. O nosso processo de cadeia produtiva gera renda para as comunidades e aldeias indígenas, fazendo com que os seus habitantes possam permanecer em suas aldeias ou cidades do interior, evitando não só o desaparecimento da cultura das comunidades e tribos da região, e também colabora para 114 evitar o “inchaço” de pessoas na capital, contribuindo para a diminuição da marginalização e violência nas grandes cidades. 7. Como começou a perceber que os visitantes estrangeiros representavam uma oportunidade de mercado para as joias fabricadas pela empresa? Começou quando o Instituto Brasileiro de Gemas- IBGM, criou e levou um catálogo contendo o trabalho de cinquenta designers brasileiros para duas exposições internacionais com mestres designers. Eles concluíram que o design brasileiro estava pronto para exportação. “Me disseram que minhas peças (uma coleira e um bracelete), foram cobiçados principalmente pelo mercado árabe” Em que ano isso aconteceu? “Aconteceu primeiro em 1999 em Hong Kong e depois em Sidney quando foi montada uma banca julgadora para avaliar a qualidade do design brasileiro por mestres designers”. 8. A empresa tinha um plano para vender para mercados estrangeiros? Não tinha, o foco era o mercado nacional. Nós não tínhamos recursos para feiras internacionais, então apresentamos as biojóias em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, e acabamos ganhando popularidade por lá. O público internacional visitava as feiras nacionais, e acabavam comprando as biojóias, o que fez com que atingíssemos os mercados estrangeiros. Na época nem mesmo existia a nomenclatura para a palavra biojoia, costumavam chamar de “joia alternativa”. Eu fiquei pensando em como poderia chamá-la, então pensei e pensei, até que percebi que minha joia era vida, mostrava a vida na floresta, a biodiversidade. Cheguei a conclusão que ela era uma joia da biodiversidade , e então, resolvi chamá-la de biojoia, que é a mistura de biodiversidade com metal ou mineral nobre como ouro e prata ou pedras preciosas. Assim, comecei a utilizar o nome das minhas peças de biojóias Rita Prossi em entrevistas, feiras, palestras, e o nome acabou pegando. Foram feitas divulgações em diversos países, através de feiras e exposições dos trabalhos de designers brasileiros. Com isso o design brasileiro foi valorizado e a exposição em feiras nacionais e internacionais passou a fazer parte do nosso plano de venda para o mercado externo e participamos de feiras na Suiça, Itália, França, Alemanha e outros países. Dentro desse plano fazia também parte a pesquisa para identificar e conhecer os locais onde as biojóias fariam sucesso. Passamos a utilizar tudo o que publicavam na mídia sobre as biojóias, e um livro que 115 tinha uma página com fotos das biojóias Rita Prossi intitulado “A história da joalheria do Brasil até o século XXI”, e que conta a história do ouro do Brasil e da vinda de empresários estrangeiros do ramo de joalheria para o nosso país, como exemplo o empresário Hans Stern, da empresa joalheira H. Stern, além da introdução das joalherias no Brasil. 9. Esse plano era formalizado por escrito? Não, o plano não era formalizado por escrito, eram ideias que iam surgindo a partir das oportunidades e iam se desenvolvendo em ações. Ou era uma ideia a ser desenvolvida no futuro? “Era uma ideia a ser desenvolvida no futuro, a partir do ano 2000”, e começou a ser desenhada com a construção de um plano de negócios em São Paulo. A ideia surgiu quando descobrimos uma feira anual em Belo Horizonte (MG), duas em São Paulo e duas feiras no Rio de Janeiro. A estratégia foi mudar-se para perto das feiras, para não ter que pagar tão caro nas viagens de Manaus para lá. Na época muito “caro”. Rita mudou-se para São Paulo pois lá estavam os grandes cursos que ela faria , e sua base, onde ela ganhou prêmios, inclusive de poesias sobre a Amazônia, era em São José dos Campos (SP). Ela teve reportagens publicadas em três jornais estrangeiros, pois encontrou jornalistas internacionais lá que divulgaram suas biojóias nas revistas Vogue italiana, Jewerly americana, e Dreams francesa. Ao mesmo tempo ela continuava com os contatos em Manaus, marcou seu retorno para a cidade, e confirmou seu interesse em colocar a Empresa para funcionar dentro do CID – Centro de Incubadora e Desenvolvimento Empresarial, uma espécie de empresa incubadora bancada pelo governo, localizado próximo ao PIM - Pólo Industrial de Manaus, e que permitira a instalação da empresa para produzir, expor e participar de projetos federais, estaduais e municipais, ligados a produção , treinamento, capacitação, comercialização e exportação de biojóias. Adaptou seu plano ao modelo do plano de negócios da inclubadora e teve seu modelo aprovado pelos gestores do CID (Suframa, Sebrae e Fucapi). Por influência de uma cliente que possuía loja em um shopping de Manaus começou em 2003 a expor seus produtos no Amazonas Shopping com o nome “Joia Nativa”. O jornal O Globo percebeu a novidade e fez uma matéria sobre o produto, que teve uma boa repercussão levando curiosos e alguns clientes interessados, mas que ficavam barganhando preços. Rita percebeu que suas biojóias não eram para serem vendidas em shoppings e nem por atravessadores, além disso, não era a marca Rita Prossi que aparecia e sim a marca da amiga dona da loja, que aparecia nas embalagens que carregavam os produtos. Percebeu que para encontrar turistas, que eram seu foco, deveria 116 ficar em pontos turísticos que atraíssem estrangeiros que valorizavam sua joias mais que os brasileiros. A amiga tentou colocar a “Joia Nativa” no aeroporto, concorreu a uma vaga no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, mas perdeu para outro concorrente de Belém. Com isso, Rita pesquisou os pontos turísticos com acesso para venda de seus produtos, e começou a expor na Central de Artesanato Branco & Silva, única referência de artesanato de qualidade em Manaus. Passou também a expor na rede hoteleira em parceria com os logistas no Hotel Tropical de Manaus e alugou um espaço próprio no Novotel. Os turistas vêm procurando lembranças diferenciadas do Amazonas para levarem para o exterior. Lá fora eles tem muitos shoppings, por isso não visitariam shoppings aqui, visitariam outros locais em que pudessem encontrar lembranças culturais. 10. Quais as vantagens que o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros para Manaus traria para e empresa? Primeiro fazer as biojóias brasileiras e amazônicas ficarem mais conhecidas no exterior, aumento da produção e aumento nas vendas. Os turistas vêm procurando lembranças do Amazonas para levarem para o exterior. “Quando percebi que minhas biojóias não eram para serem vendidas em shoppings, analisei que os turistas queriam mais que uma joia, queriam algo que trouxesse uma memória cultural e com valor agregado”. “Criei o conceito e o certificado de garantia, a matéria prima que compunha a biojoia e a forma de conservá-la”. Comecei a colocar minha assinatura nas joias e todas passaram a ser cunhadas com um RP estilizado”. A procura e aquisição das biojóias pelo aumento de turistas interessados, fez com que fosse consolidada uma identidade visual para as biojóias Rita Prossi. Com isso foram publicadas diversas matérias no Brasil e no exterior. Com a participação constante em feiras internacionais do segmento, a procura pelas biojóias passou a aumentar. Os turistas já vinham direcionados, e as vendas subindo em 100%, tinha futuro, ao contrário do Amazonas Shopping, que era sem futuro. As vendas no Amazonas Shopping variavam de 25 a 30 mil, já com as novas ações subiram para 60 mil. Além disso, Rita passou a confeccionar biojóias para diversos eventos e celebridades. O ex presidente Lula foi a primeira celebridade a ganhar de presente uma biojoia Rita Prossi. A imagem do presidente passou a atrair mais clientes interessados. A princesa Sofia, a duquesa Camila Parker, esposa do príncipe Charles, da Inglaterra, entre outras, são exemplos de clientes que usam Rita Prossi. 117 Bloco B - Internacionalização da empresa 1. A empresa vende suas joias para turistas estrangeiros? Sim, começou pela Flórida, nos Estados Unidos, em seguida Londres, na Inglaterra. A partir de que ano a empresa passou a vender para turistas? A partir de 2003. Começou pelos EUA e Inglaterra, onde uma cliente e amiga brasileira tinha uma loja chamada To be Tupi. Essa amiga morava havia 20 anos em San Diego, depois, um outro amigo, chamado Carlos Berê, que morava em Las Vegas e conhecia bem o mercado, comprou diversas peças para uma exposição em uma feira que iria acontecer nos EUA, e como ele já conhecia o mercado direcionou o produto para o público alvo desejado e adequado. Tudo isso ainda na época Joia Nativa. Ela procurou parcerias com pessoas que já conheciam o mercado, e que poderiam fazer uma boa divulgação. Em 2004 a empresa foi convidada a confeccionar peças para participar da 1ª. FIAM – Feira Internacional da Amazônia, onde apoiada pelo Sebrae/AM participou de Rodadas de Negócios com empresas estrangeiras interessadas em adquirir as biojóias. Que tipo de turista procura as joias da empresa? “Os europeus e os americanos, mas principalmente os europeus. Eles dão valor as artes, se interessam e escutam as estórias por trás de cada peça”. Os turistas europeus são os principais por valorizarem o produto. Eles gostam das estórias, gostam de saber a respeito da matéria prima, de que forma é colhida, quem colhe, como é o processo produtivo e o processo de criação da arte. “Os americanos compram pela beleza e qualidade dos produtos. Eles vem em segundo lugar e compram a biojoia pela beleza e qualidade. Gostam de produtos bonitos, que chamem a atenção e que sejam bem acabados”. Turistas de Lazer? A maioria que compra nas lojas são turistas que vem pra lazer, que gostam e respeitam a natureza e peças ligadas a floresta que lhes agregam valor. Esse tipo de turista paga qualquer preço pela biojoia. Turista de Negócio? No turismo de negócios são sempre os mesmos compradores. Por exemplo, nas rodadas de negócios, observamos que são sempre as mesmas pessoas e essas pessoas não são preparadas, vem sem preparo e muitas vezes não sabem reconhecer o valor de uma peça, ou olham como se fosse uma joia comum e não uma biojoia. Falta preparo para o turista de negócios que vem ao Brasil para rodadas. Normalmente o governo trás esses empresários 118 dentro de programas criados especificamente para isso, como exemplo temos o programa da APEX –Agencia de Promoção as Exportações , no projeto chamado “projeto comprador”. Nesse programa o governo paga todos os custos de viagem e hospedagem, e muita gente vem porque ganhou a passagem e vem para passear ao invés de efetivar negócios. Isso acaba com a divulgação do produto. Pessoas sem preparo são enviadas do exterior para fazer o negócio, e aqui no Brasil as pessoas não são preparadas para receber turista de negócios. A falha ocorre dos dois lados. “ As pessoas que vêm comprar não sabem nada sobre os objetos, e nós não sabemos nada sobre os compradores. Não temos ideia se eles querem comprar um produto de R$ 50 ou de R$ 500 reais, e assim não nos preparamos suficientemente para recebê-los. Outro? Tem aqueles turistas que não vem para comprar nada, mas que vê a biojóias, se encanta e acaba levando. 2. Como era feita essa venda? “De duas maneiras: pela loja, diretamente e, indiretamente, vendendo para que as biojóias sejam revendidas” Os turistas procuravam a loja ou a empresa elaborou alguma estratégia para alcançálos? “Os turistas de lazer acham a loja através da internet, criamos um site exclusivo para isso e com informações em diversos idiomas, eles colocam algo sobre joias culturais da Amazônia no google, nos encontram e vem até nós. Eles já tem uma referência sobre o produto que buscaram pela internet.” Por exemplo, em 2011 turistas de lazer e de negócios procuraram diretamente a loja. Os turistas eram originários da Noruega, Alemanha e Holanda. Nessa situação a estratégia não foi muito elaborada. Trazemos as principais peças para onde os turistas iam mais. Colocamos as peças em pontos de referências para atacado como no CID – Central de Artesanato Branco & Silva. 3.Qual foi essa estratégia? “Colocar no CID – Centro de Incubadoras e Central de Artesanato Branco & Silva. 4. Como a venda para estrangeiros evoluiu? “Conforme participávamos de viagens internacionais, participação em feiras e rodadas de negócios, e também o boca-a boca.” 119 5. Quais são as principais características das biojóias que os turistas mais apreciam? “Apelo indígena. Por exemplo, a palha de arumã.Têm todo um trabalho por trás dela. O couro de peixe também”. “Acho que é o trabalho que é feito em cima. A transformação do que está in-natura em biojoia. Eles se surpreendem em como uma semente pode se transformar em um lindo anel, por exemplo”. 6.Qual é a porcentagem das vendas para o exterior no total do faturamento, atualmente? “ A exportação caiu em função da crise na Europa e do desaquecimento do mercado europeu, mas o turista que vem aqui, leva. Eu acredito que esteja em 50%, mas em tempos de crise mudamos a estratégia quando as vendas ficam mais aquecidas nas épocas em que os navios chegam a Manaus, no período de maio a junho”. 7. Em média, quantas peças (unidades) de joias são vendidas para o exterior mensalmente? Se for anual, na faixa de 6.000 peças para turistas, e 6.000 para a população daqui”. A produção está girando em torno de 1.000 peças mensais. 8. Como é feita a divulgação das biojóias para os visitantes estrangeiros e para os demais públicos do exterior? Alternativas 1 Participação em férias internacionais no Brasil ? 2 Feiras específicas no exterior? 3 Distribuição de catálogos do produto na língua do país visado 4 Divulgação no site da empresa? 5. Outros tipos de divulgação? Quais? Via internet Sim x x Não x x x Ano 1999 2000 1999 1999 1999 9. Foi feita alguma modificação no design, embalagem, materiais, processo de fabricação das biojóias para atender a preferência do cliente estrangeiro? Não foi feita nenhuma modificação no design das joias, mas tivemos que adequar as embalagens ao tipo de produto, as etiquetas na língua estrangeira e de acordo com as regras e exigências dos outros países, informações e material apresentados nas feiras internacionais em outros idiomas. Além do gosto do cliente tivemos que adequar os produtos, embalagens e materiais de acordo com as regras e exigências internacionais. Por exemplo, precisamos 120 contratar um gemólogo para aprovar as gemas que agregam valor às biojóias, e de certificados de origem para garantir as origens das peças, ou seja, provar que elas são brasileiras da região amazônica. 10. O que mudou na distribuição para alcançar esse público? Alternativas Sim 1 Abriu nova loja próxima a locais frequentados por visitantes x estrangeiros? 2 Uma pessoa da empresa passou a fazer visitas a revendedores no X exterior? 3 Contratou outra empresa para fazer a intermediação das vendas em outros países? 4. Revendedores estrangeiros passaram a contatar a empresa para X distribuir as joias em seus países de origem e são nossos representantes atualmente 5. A empresa abriu um escritório no exterior para cuidar das vendas Não Ano 2003 2004 x 2004 2004 x 2004 11. Quais as vantagens que a empresa encontra em vender para clientes estrangeiros? Valor que eles dão para as biojóias sustentáveis e pagamentos a vista. 12. Quais as maiores dificuldades que a empresa enfrenta para vender para o mercado externo? As leis e regras de cada país. Os impostos que esses clientes pagam em seus países e a falta de um selo amazônico. BLOCO C - Características da empresa e do entrevistado. Empresa: R. de C. Brasil Mendonça – Rita Prossi Ramo de atividade: biojóias e acessórios de moda Ano de criação: 1994 Número de empregados: Mínimo: 4 Máximo: vários indígenas e ribeirinhos Número de peças fabricadas mensalmente: atualmente 300 ao mês e 1.500 ao ano. Número de peças vendidas mensalmente: atualmente 150 a 200 peças Entrevistado: Rita de Cássia Brasil Mendonça Cargo: proprietária da empresa Rita Prossi 121 Idade: 46 anos completos Instrução: ( ) Até 1º grau completo ( ) 2º Grau completo ( x) Curso Superior completo. Qual? Design; Design de interface digital (até o 5º. Período) ( x ) Especialização. Qual? Design de joias. ( ) Mestrado. Qual? Não ( ) Doutorado. Qual ? Não Entrevistador: Olinda Pereira Marinho Data da entrevista: 06/05/2012 122 APÊNDICE D – Roteiro de Entrevista com a Empresa B 123 ROTEIRO DE ENTREVISTA COM EMPRESAS DE BIOJÓIAS DE MANAUS EMPRESA B Esta é uma pesquisa acadêmica desenvolvida pela aluna do Mestrado Interinstitucional em Turismo e Hotelaria, Olinda Marinho, com o objetivo de analisar a relação entre o turismo de negócios e o crescimento das exportações de biojóias na cidade de Manaus (AM), sob o enfoque do comportamento estratégico. Sua participação é muito importante para o conhecimento dessa realidade e para subsidiar políticas públicas de estímulo à fabricação e exportação desse produto. Bloco A - Formação da Estratégia 1. Quais são as principais características das biojóias da empresa que as difere das demais concorrentes? O design e o tipo de material como o casco de tartaruga. 2. Como surgiu a idéia de fabricar joias com motivos regionais? O mundo todo estar com o conceito de sustentabilidade, e nós por termos já a cultura indígena que trabalha nesta área e com materiais como madeira, sementes, fibras naturais, que é milenar e uma grande motivação para trabalharmos com este tipo de matéria-prima. 3. Como é feita a identificação de oportunidades de mercado para a empresa? Através de feiras e exposições, e verificação do aceite do produto dentro de cada mercado, cada um mercado tem um estilo particular. 4. A empresa tem um planejamento estratégico formal? Sim. Principalmente um conceito acima de tudo sócio-econômico ambiental. 5. Como ocorre o processo de formação da estratégia na organização? Através de eventos e determinado momentos como a moda atual . Quem é o responsável? A dona da empresa e o presidente. 124 Quem participa? Todos. Como é feito o acompanhamento do que foi planejado? Através do aceite de cada produto em determinado local se verificarmos o que foi planejado realmente funciona. 6. Existe uma política escrita de respeito à biodiversidade e à sustentabilidade? Sim. De que forma esta política ocorre na prática? Fazendo mapeamento da origem da matéria prima, da não exploração de mão de obra, sendo pago o que realmente é justo, para que o trabalho tenha o que afirmamos no inicio, o conceito da sustentabilidade. 7. Como começou a perceber que os visitantes estrangeiros representavam uma oportunidade de mercado para as joias fabricadas pela empresa? Através de exposições onde eles podem apreciar e valorizar o produto de origem natural. Em que ano isso aconteceu? A empresa começou em 2000, mas o trabalho antes desse ano já era feito pela dona da empresa, que é artista, e já tinha uma bagagem de experiência com a matéria-prima e com exposições pessoais, de dez anos antes. 8. A empresa tinha um plano para vender para mercados estrangeiros? Sim, por isso a importância de se falar os idiomas, e poder explicar pessoalmente sobre a sua cadeia produtiva e o processo criativo. Em diversos idiomas. 9. Esse plano era formalizado por escrito? Sim pelo diretor presidente da empresa Marlon Prado. Ou era uma ideia a ser desenvolvida no futuro? Existiam as duas formas. 10. Quais as vantagens que o aumento do fluxo de visitantes estrangeiros para Manaus traria para e empresa? 125 Bem, vimos que o Brasil está em alta no mercado internacional, e nossa moeda está em alta também, o aumento do fluxo de turistas traria muitos benefícios para os parceiros, para toda a cadeia produtiva e, principalmente, para a imagem de nosso país, pois através de nossos produtos podemos vender um conceito, a cara de um pais, a cara do Brasil, e isso trará benefícios para todas as empresas. Bloco B - Internacionalização da empresa 1. A empresa vende suas joias para turistas estrangeiros? Sim. A partir de que ano a empresa passou a vender para turistas? Desde o ano 2000. Que tipo de turista procura as joias da empresa? Todos, de lazer, de negócios e outros. 2. Como era feita essa venda? Através de feiras e exposições Os turistas procuravam a loja ou a empresa elaborou alguma estratégia para alcançálos? Através de loja também. 3. Qual foi essa estratégia? Sempre ter produtos diferenciados para cada tipo de cliente de lugares diferentes de climas frio ou quente. 4. Como a venda para estrangeiros evoluiu? Através das feiras nacionais e internacionais. 5. Quais são as principais características das biojóias que os turistas mais apreciam? A originalidade. 6. Qual é a porcentagem das vendas para o exterior no total do faturamento, atualmente? 126 O entrevistado não respondeu a esse questionamento, mas falou que as vendas para o mercado interno estão maiores que as vendas para o exterior nesse momento. 7. Em média, quantas peças (unidades) de joias são vendidas para o exterior mensalmente? De 400 a 500 peças já com as embalagens identificadas e personalizadas. 8. Como é feita a divulgação das biojóias para os visitantes estrangeiros e para os demais públicos do exterior? Alternativas 1 Participação em férias internacionais no Brasil ? 2 Feiras específicas no exterior? 3 Distribuição de catálogos do produto na língua do país visado 4 Divulgação no site da empresa? 5. Outros tipos de divulgação? Quais? Via internet Sim x x x x x Não Ano 2000 2000 2004 2001 2000 9. Foi feita alguma modificação no design, embalagem, materiais, processo de fabricação das biojóias para atender a preferência do cliente estrangeiro? Sim, nas embalagens, na identificação do idioma, e no acabamento dos produtos. Foi agregado mais valor ao produto. 10. O que mudou na distribuição para alcançar esse público? Alternativas Sim 1 Abriu nova loja próxima a locais frequentados por visitantes estrangeiros? 2 Uma pessoa da empresa passou a fazer visitas a revendedores no x exterior? 3 Contratou outra empresa para fazer a intermediação das vendas em outros países? 4. Revendedores estrangeiros passaram a contatar a empresa para distribuir as joias em seus países de origem e são nossos representantes atualmente 5. A empresa abriu um escritório no exterior para cuidar das vendas Não x Ano 2000 x x X 11. Quais as vantagens que a empresa encontra em vender para clientes estrangeiros? Melhor valor para suas peças em todos os sentidos. 127 12. Quais as maiores dificuldades que a empresa enfrenta para vender para o mercado externo? Falta do poio dos órgãos competentes no Brasil e as barreiras, como por exemplo, as barreiras sanitárias, impostas pelos países importadores. BLOCO C - Características da empresa e do entrevistado Empresa: Etnia Amazônia Ramo de atividade: Arte e artesanato Ano de criação: 2000 Número de empregados: Mínimo: 15 Máximo:20 Número de peças fabricadas mensalmente: 500 Número de peças vendidas mensalmente: 500 (todas) Entrevistado: Rosimeire da Conceição Anjos (Nome Artístico: Rosa dos Anjos). Cargo: proprietária da Etnia Amazônia Idade: 41 anos completos Instrução: ( ) Até 1º grau completo ( ) 2º Grau completo ( x) Curso Superior completo. Qual? Arquitetura (incompleto). ( x) Especialização. Qual? Artes plásticas e Design. ( ) Mestrado. Qual? Não ( ) Doutorado. Qual? Não Entrevistador: Olinda Pereira Marinho Data da entrevista: 12/04/2012