INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE / SOEBRÁS A ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DO PROTOCOLO INFERIOR COM CARGA IMEDIATA NA ODONTOLOGIA SANDER LUÍS FRISON Cuiabá 2010 SANDER LUÍS FRISON A ANÁLISE DAS CARACTERÍSTICAS DO PROTOCOLO INFERIOR COM CARGA IMEDIATA NA ODONTOLOGIA Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Especialista em Implantodontia do Curso de Pós-Graduação do ICS – FUNORTE/SOEBRÁS Núcleo de CuiabáMT. Orientador:Profº. Fábio Giuberti Sucena Rasga e Mário Roberto Perussi Cuiabá 2010 DEDICO este trabalho ao meu filho Rhuann Pyetro pela alegria que me traz todos os dias, a minha esposa Bárbara por estar ao meu lado em todos os momentos; E aos meus pais Teresinha e Italvino, pois sem eles nada seria possível. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pelas inúmeras oportunidades que tive em minha vida. Agradeço a Bárbara Luza; Andréia Cristina; e principalmente aos orientadores Fábio Giuberti Sucena Rasga e Mário Roberto Perussi. “Se você não mudar a direção. Terminará exatamente onde partiu”. Antigo provérbio chinês RESUMO Uma das alternativas atuais para reabilitar pacientes com perda total ou parcial de dentes é o uso da carga imediata, fazendo com que os implantes recebam carga mastigatória sem a necessidade de espera pelo processo de osseointegração. Dessa forma, como problematização desta pesquisa, evidenciou-se a seguinte questão, onde a carga imediata supre ou não, o problema enfrentado pelo paciente que utiliza os implantes. A principal função do uso dessa técnica é simplificar o procedimento, reduzindo o tempo de tratamento e o período de cicatrização. Para tal, como hipótese, demonstra-se que a carga imediata na Implantodontia, pode ser definida como sendo a instalação de um elemento protético sobre um implante, sem que tenha ocorrido ainda a sua osseointegração, apresentando suas características na eficácia do mesmo, atendendo os anseios estéticos e funcionais do paciente. Apesar de saber que a colocação de carga prematura sobre os implantes durante o período de cicatrização pode levar a formação de tecido fibroso, a carga imediata não é a única responsável pela formação deste tecido, porém, este tipo de técnica não deve ser utilizada como substituta da técnica convencional, e sim, como uma alternativa de tratamento, onde seus princípios estão bem indicados. Justifica-se ainda este estudo, em analisar as características do protocolo inferior com carga imediata na odontologia, através dos seguintes pontos: redução do tempo de espera do paciente; aumento da função mastigatória no período de cicatrização; satisfação do paciente quanto a rapidez do tratamento oferecido; E também a recuperação da auto-estima por parte do paciente, entre outras vantagens que serão apresentadas no decorrer desta pesquisa. Estas vantagens fazem partem, da discussão comentada a seguir, pois se conclui que a carga imediata proporciona e se firma como tratamento viável, com tempo reduzido, com maior conforto para o paciente e com custo acessível. Palavras-chave: Carga Imediata. Paciente. Osseointegração. ABSTRACT One of the current alternatives to rehabilitate patients with total or partial loss of teeth is the use of immediate loading, causing the implant to receive the masticatory load without having to wait for the process of osseointegration. So how problematic this research, revealed the following question, where immediate loading supplies or not, the problem faced by patients using implants. The main function of this technique is to simplify the procedure, reducing the treatment time and healing period. To do so, in theory, it is shown that immediate loading on implants, can be defined as the installation of an element of a prosthetic implant, which had not happened yet their osseointegration, its features on their validity, given the aesthetic and functional desires of the patient. Despite knowing that the placement of load early on implants during the healing period can lead to formation of fibrous tissue, immediate loading is not solely responsible for the formation of this tissue, however, this type of technique should not be used as a substitute the conventional technique, but as an alternative treatment, where his principles are well indicated. It is also justified this study, to analyze the features of the protocol with less immediate loading in dentistry, based on the following: reducing the waiting time of the patient, increased chewing during the healing period, patient satisfaction in terms of speed of processing offered, and also the restoration of self-esteem for the patient, among other advantages that will be presented during the research. These benefits are part of the discussion now discussed further below, it follows that the immediate loading and offers itself both as viable treatment, with reduced time, with greater patient comfort and affordability. Keywords: Load Immediate. Patient. Osseointegration. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 8 2 PROPOSIÇÃO ....................................................................................................... 12 3 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................ 13 3.1 Histórico da osseointegração .............................................................................. 13 3.2 Conceito de osseointegração .............................................................................. 14 3.3 Obtenção e manutenção da osseointegração ..................................................... 15 3.4 Condições de carga nos implantes ..................................................................... 16 3.5 Evidências na utilização da carga imediata ......................................................... 17 4 CARGA IMEDIATA: CARACTERÍSTICAS EM SUA APLICABILIDADE.............. 19 4.1 Princípios do protocolo de carga imediata........................................................... 19 5 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 30 6 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 37 ANEXO ..................................................................................................................... 40 8 1 INTRODUÇÃO Com as elevadas taxas de crescimento demográfico acompanhado do aumento da expectativa de vida do ser humano, no futuro teremos, grande população de pessoas idosas no mundo, com isso haverá também vários problemas, principalmente no que se diz respeito à saúde bucal, onde o edentulismo se faz presente em uma grande parcela da população com idade mais avançada. A perda da dentição é uma característica da existência humana, mediante a isso, inúmeras tentativas foram realizadas visando a substituição dos dentes perdidos por próteses. Verifica-se que o século XX foi marcado por avanços tecnológicos cada vez mais rápidos e impressionantes. Descobertas continuam ocorrendo ainda hoje, nas mais variadas áreas da sociedade, sempre visando à melhoria da qualidade de vida. Na odontologia não poderia ser diferente. Os avanços servem tanto ao dentista, para atender melhor e com mais precisão, quanto aos pacientes, que podem optar por tratamentos mais rápidos e com menor incômodo. A reabilitação oral do tipo protocolo de carga imediata foi introduzida na implantodontia com a proposta de oferecer importantes vantagens, como menor número de intervenções cirúrgicas, menor tempo entre a inserção dos implantes e a restauração protética final e, consequentemente, menor custo e maior satisfação do paciente. O nível elevado de sucesso do uso da carga imediata em humanos, foi primeiramente, documentado na literatura em meados da década de 1980, tendo como fundamentação os conhecimentos de fisiologia óssea, já que é bem estabelecido que uma bioestimulação mecânica aumentada pode levar a um estímulo do crescimento ósseo. Para Barone (2003), “por outro lado, a diminuição destas cargas resulta em reabsorção do osso e da superfície periosteal”. Entretanto é indispensável que sejam feitas algumas considerações. Dos fatores envolvidos, a estabilidade primária parece ser o determinante mais importante para o sucesso da carga imediata. Se um implante é posicionado em osso esponjoso e a estabilidade inicial não for atingida, pode haver encapsulamento por tecido conjuntivo, semelhante a pseudoartrose observada em um sítio de fratura não estabilizado. Então, clinicamente, a densidade do osso hospedeiro apresenta um importante papel na previssibilidade do sucesso do tratamento, como por 9 exemplo, a inserção de implantes na região interforaminal mandibular, área de boa densidade e qualidade óssea. Cuidados durante a realização da cirúrgia também são importantes elementos para o sucesso do tratamento, independente do protocolo a ser utilizado. Trauma cirúrgico excessivo e injúria térmica podem levar à osteonecrose, e também, resultar em encapsulamento fibroso do implante. Verifica-se que uma temperatura acima de 47ºC por mais de um minuto causa uma necrose por calor no osso. Micromovimentos na interface osso implante além de 150 µm resultam em encapsulamento ao invés de osseointegração. Por isso, características biomecânicas como o número de implantes, sua distribuição e esplintagem rígida parecem ser indispensáveis para o sucesso da carga imediata. Uma união rígida de três ou quatro implantes interforaminais com uma barra em forma de “U” pode reduzir micromovimentos. Outra observação importante é que ao ter os implantes esplintados há uma redução das forças mecânicas deletérias em implantes submetidos a cargas imediatas. Além disso, questionamento quanto aos níveis de perda óssea ao redor dos implantes com aplicação de carga imediata, foi experimentalmente comprovado como sendo os mesmos daqueles dos implantes tradicionais(duas fases), desde que a técnica cirúrgica protética seja realizada de forma adequada. O que reforça tanto a eficácia quanto a segurança da resposta biológica da carga imediata. Para tal, como problemática para esta pesquisa têm-se a seguinte questão: A carga imediata supre o problema enfrentado pelo paciente que utiliza os implantes? Segundo o protocolo proposto por Abboud (2005), acredita-se que, para alcançar a osseointegração, os implantes devem permanecer por um período de três a seis meses sem receber cargas oclusais. Porém, atualmente, com o grande apelo estético por parte dos pacientes os cirurgiões-dentistas estão submetendo os implantes osseointegrados à carga imediata. Dessa forma, como hipótese para esta pesquisa, demonstra-se que a carga imediata (no caso do protocolo inferior, a que esta pesquisa delimita-se), na implantodontia pode ser definida como sendo a instalação de elemento protético sobre implante, sem que tenha ocorrido ainda a sua osseointegração, apresentando suas características na eficácia do mesmo, atendendo os anseios estéticos e funcionais do paciente. Popularmente conhecido por implante de carga imediata ou implante do mesmo dia, este procedimento de reposição de dentes tem um histórico de sucesso 10 e uma grande durabilidade. O procedimento normal consiste na colocação do implante e numa espera de quatro a seis meses para reabilitação protéica. Já com a carga imediata, em uma única sessão, o paciente recebe o implante e o dente, reabilitando-o funcional e esteticamente. Há casos em que se associa nesta mesma sessão a extração do dente em questão, o que deve ser criteriosamente analisado e avaliado pelo profissional, se o paciente é indicado ou não para esse procedimento. São necessários exames complementares para uma indicação mais precisa: radiografia panorâmica, tomografia computadorizada e exame clínico. Dessa forma, justifica-se esta pesquisa em analisar as características do protocolo inferior com carga imediata na odontologia, onde a mesma pode proporcionar: a redução do tempo de espera do paciente; o aumento da função mastigatória no período de cicatrização; a satisfação do paciente quanto a rapidez do tratamento oferecido; e também a recuperação da auto estima por parte do paciente, entre outras vantagens que serão apresentadas no decorrer da pesquisa. A metodologia utilizada nesta pesquisa é a revisão de literatura, onde a pesquisa bibliográfica é, segundo Cervo e Bervian (1983), uma habilidade fundamental no desenvolvimento do trabalho de pesquisa, onde a partir de dados pesquisados em bibliotecas, fichários, catálogos, abstracts, bibliografias sobre o assunto, onde os mesmos forneceram dados essenciais para a elaboração deste trabalho. Selecionadas as obras que poderiam ser úteis para o desenvolvimento do assunto, procedeu-se em seguida, à localização das informações necessárias a mesma. A pesquisa está divida em capítulos e seções, se apresentando da seguinte forma: no Primeiro Capítulo elencam-se algumas considerações e características sobre o tema elencado. No Segundo Capítulo, a “Revisão da Literatura” apresenta-se com algumas seções, como: o “Histórico da Osseointegração”, o “Conceito de Osseointegração”, a “Obtenção e Manutenção da Osseointegração”, as “Condições de Carga nos Implantes”, e as “Evidências na Utilização da Carga Imediata”. No Terceiro Capítulo apresenta-se elucidações sobre o tema “Carga Imediata e as Características em sua Aplicabilidade”. O Quarto Capítulo têm-se a Discussão, onde será explicado, comparado e relacionado os dados obtidos com a teoria pesquisada. Justificando diferenças encontradas, evidenciando vantagens ou limitações da técnica de pesquisa empregada. No Quinto Capítulo encontram-se as “Considerações Finais” 11 apresentadas sobre o tema “A Análise das Características do Protocolo Inferior com Carga Imediata na Odontologia”. E por fim apresentam-se nas “Referências Bibliográficas”, as bibliografias utilizadas na elaboração do referencial teórico. 12 2 PROPOSIÇÃO O objetivo geral desta pesquisa é analisar as características do protocolo inferior com carga imediata na odontologia. Sendo que os objetivos específicos são: demonstrar que o protocolo inferior de carga imediata, é indicado para pacientes com perda total ou parcial dos dentes; esclarecer que este protocolo tem como principal função, uma simplificação do procedimento, reduzindo o tempo de tratamento e o período de cicatrização do paciente; e afirmar algumas vantagens do protocolo de carga imediata inferior, como: menor número de intervenções cirúrgicas; menor tempo entre a inserção dos implantes e a restauração protética final e, conseqüentemente, menor custo e maior satisfação do paciente. 13 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Histórico da osseointegração Bränemark (2001), médico ortopedista sueco, à frente de um grupo de pesquisadores da Universidade de Gotemburgo (Suécia), iniciou os estudos que culminaram com a descoberta da “osseointegração”. Ao descobrir, em seus estudos, que o metal titânio era aceito pelo corpo, o professor Per-Ingvar Bränemark revolucionou as características da odontologia restauradora, trazendo à luz da implantodontia a era da osseointegração. A técnica, que chega agora aos 42 anos, também é bastante utilizada na medicina reconstrutiva para reabilitação de outras partes do organismo. Nos últimos anos, a Odontologia experimentou um notável desenvolvimento científico, conceitual e tecnológico, modificando e aprimorando as abordagens no tratamento e na prevenção de doenças bucais. Sua tese de doutorado foi baseada no estudo da circulação sanguínea no osso e medula óssea, pois na época havia pouca informação sobre a produção de novas células sanguíneas. Bränemark desejava determinar o potencial de cicatrização e a interação entre osso-medula e sangue, de forma a estabelecer uma conexão entre cicatrização e fenômenos que ocorriam na medula óssea, após a ocorrência de uma lesão. Para atingir esse objetivo, desenhou uma série de experimentos que utilizavam uma pequena câmara de observação inserida, cirurgicamente, na tíbia de coelhos, para estudar o fluxo sanguíneo no osso, quando percebeu que o metal e o osso se integravam perfeitamente, sem haver rejeição (PLÁCIDO, 2007). O próximo passo em direção à descoberta da osseointegração foi um estudo para avaliar o fluxo sanguíneo em dezessete voluntários humanos, muitos deles estudantes na universidade onde Bränemark lecionava. Eles concordaram em inserir, no antebraço, a câmara de observação de titânio e permaneceram com ela de três a sete meses. Esta pesquisa com microcirculação em humanos forneceu dois importantes dados sobre o titânio: o metal se integrava ao osso vivo e era reconhecido por este como parte de sua estrutura e bem aceito pelos tecidos moles, não provocando inflamação o que poderia levar à rejeição. Com base nessa observação, desenvolveu cilindros personalizados para serem implantados em osso 14 maxilar ou mandibular, tornando-se uma base segura para receber próteses fixas de longa duração. Batizada como “osseointegração” (do latim os, osso), a técnica foi sendo aperfeiçoada durante vinte anos pelos pesquisadores, que criaram o mais avançado sistema de prótese fixa da história reabilitadora da odontologia mundial. No final daquele período, cerca de três mil desdentados da Suécia, quase todos idosos, foram reabilitados com os chamados implantes osseointegrados. Ao visitar o seu cirurgião-dentista, Gösta Larsson, que sofria de problemas dentais há muito tempo, ouviu falar da pesquisa desenvolvida na Universidade de Gotemburgo e decidiu candidatar-se como voluntário a participar dos estudos iniciais. Ele perdeu todos os dentes da mandíbula aos trinta e quatro anos, apresentava fissura palatina, mandíbula e queixos deformados, sofria dores constantemente, tinha dificuldades para se alimentar e falar e, até saber da pesquisa, estava resignado a viver com esses problemas. Embora os procedimentos recomendados por Bränemark e seus colegas não fossem aceitos por muitos cirurgiões ortopédicos na época, o tratamento de Gösta Larsson foi o primeiro realizado e com sucesso (PLÁCIDO, 2007). Foram colocados quatro implantes em sua mandíbula que serviram para fixar uma overdenture. Após o procedimento, Larsson passou a mastigar, comer, falar e teve uma vida melhor. Até o ano passado, quando faleceu, tinha os quatro implantes na boca (MCCLARENCE, 2003 citado por PLÁCIDO, 2007). 3.2 Conceito de osseointegração A osseointegração é definida como uma conexão direta estrutural e funcional entre o osso vivo organizado e a superfície de um implante submetido à carga funcional. Osseointegração é também um conceito clínico, em que a ancoragem assintomática de um material aloplástico, é conseguida e mantida no organismo sob carga funcional por longos períodos de tempo. Histologicamente, este modo de ancoragem é traduzido, à microscopia de luz, como um contato direto entre o osso e o material implantado (PINTO, 2000). 15 3.3 Obtenção e manutenção da osseointegração Assim considerando diante do tema exposto nesta pesquisa, alguns fatores são reconhecidos como fundamentais para a obtenção e manutenção da osseointegração e estão relacionados ao paciente, ao sistema de implantes e à equipe de profissionais, podendo ser representado por um triângulo, o triângulo do sucesso de Massler. Estas três entidades estão intimamente relacionadas e o grau de harmonia deste relacionamento determina o resultado positivo ou negativo do tratamento odontológico. Na entidade sistema de implantes, os fatores como biocompatibilidade, desenho e superfície se interagem com aqueles relacionados ao paciente, como a saúde local e sistêmica, com os fatores da equipe multidisciplinar, como curva de aprendizagem, educação continuada, domínio da técnica cirúrgica, condições de carga, desenho da prótese etc. (BRÄNEMARK, 1987). Um dos pré-requisitos para se obter a osseointegração é a ausência de carga durante o período de cicatrização. Para que isto seja alcançado, desenvolveuse o protocolo cirúrgico de dois estágios, onde um período de cicatrização livre de carga de três a seis meses foi aconselhado, para ocorrer a osseointegração entre um implante dental de titânio e o osso. Tal período sem carga é obtido submergindose os implantes abaixo dos tecidos moles, permitindo uma completa cicatrização e remodelação óssea, antes da colocação de qualquer carga direta no implante. Para Szmukler-Moncler (2000), revisando vários outros autores, salientaram que as mais importantes recomendações que asseguravam uma osseointegração duradoura dos implantes dentais eram: • O uso de um material compatível, titânio; • O uso de um procedimento em dois estágios cirúrgicos; • Um período de cicatrização livre de carga de três a seis meses; • Uma cirurgia atraumática, com perfurações ósseas em baixa velocidade; • Uma incisão mucovestibular, evitando a incisão na crista; • Condições estéreis de cirurgia; • O uso de componentes em titânio; • Evitar tomadas radiográficas antes do final do período de cicatrização; 16 • Uso de acrílico nas superfícies oclusais em contato. 3.4 Condições de carga nos implantes Conforme Szmukler-Moncler (2000), “a carga precoce foi identificada como um fator determinante crítico para osseointegração por Bränemark, durante o curso de seus estudos clínicos”, fizeram tentativas com vários períodos de carga tardia. Em 1968, o período médio de cicatrização foram oitenta e quatro dias; em 1970 foram de quarenta e cinco dias, incluindo-se algumas próteses que receberam carga em duas a quatro semanas. Tendo notado que um período insuficiente de cicatrização estava aumentando o risco de mobilidade imediata ou tardia do implante, ele foi prolongado, atingindo cento e setenta quatro dias, em 1974, e oitenta nove dias, em 1975. Como conseqüência de suas experiências clínicas de dez anos, foi assegurado que a osseointegração requer um longo período de cicatrização de, pelo menos, três meses na mandíbula e cinco a seis meses na maxila, de acordo com Bränemark (1977), Adell (1981), Zarb e Jansson (1985) e Albrektsson (1986), citados por Szmukler-Moncler (2000). A razão para a indicação de um período de cicatrização tão longo era que a carga prematura poderia levar a uma encapsulação de tecido fibroso, em vez de uma aposição óssea direta. O segundo argumento era que o osso necrótico, no bordo do sítio do implante, não era capaz de suportar carga e deveria ser primeiro substituído por um novo osso. Outra razão encontrada na literatura é que a rápida remodelação da camada de osso necrótico compromete a resistência do tecido ósseo que suporta a interface osso-implante (SZMUKLER-MONCLER, 2000). 17 3.5 Evidências na utilização da carga imediata Recentemente, vários estudos foram realizados sugerindo protocolos que encurtam o período de cicatrização, dando carga antes do prazo médio préestabelecido de três meses para a mandíbula e de seis meses para a maxila, ou, mesmo, carregando imediatamente após a instalação dos implantes, mantendo os benefícios do protocolo de dois estágios. Isto encorajou uma mudança do protocolo tradicional de Bränemark, solicitando um questionamento quanto ao encurtamento do período sem carga e uma reavaliação da necessidade de dois estágios cirúrgicos. Este procedimento tem sido referido pela literatura como carga imediata, podendo, a aplicação direta da carga, variar de poucas horas a alguns dias (JAFFIN, 2000). A manifestação clínica da osseointegração é a ausência de mobilidade do implante; sendo assim, a obtenção e a manutenção da estabilidade do implante são pré-requisitos para a função bem sucedida, á longo prazo, das próteses ancoradas em osso. Do ponto de vista estrutural e morfológico, a estabilidade do implante é o resultado do contato entre o osso e a superfície do implante. Em princípio, porém, esta estabilidade é governada por fatores adicionais relacionados ao implante, ao receptor e ao clínico. A estabilidade primária, obtida na colocação do implante, é determinada, principalmente, pelas propriedades mecânicas do osso da arcada e o tipo de implante, especialmente em osso relativamente mole. Após a cicatrização primária, a estabilidade secundária é determinada pela resposta biológica ao trauma cirúrgico e às condições de cicatrização, como, também, ao material do implante. Por último, a formação e remodelação óssea na interface do implante levam a um maior grau de contato osso implante. Porém, após o trauma cirúrgico, pré-carga, infecção, ou o uso de um material de implante não biocompatível, o resultado poderá ser uma reabsorção óssea, menor estabilidade do implante e em, alguns casos, encapsulação fibrosa e perda total de estabilidade, isto é, falha na obtenção da osseointegração. O prognóstico e a manutenção a longo prazo da estabilidade para implantes Branemark depende, principalmente, de fatores mecânicos, tais como o grau de ancoragem e as condições de carga, embora as infecções ao redor do implante possam também afetar a estabilidade (SENNERBY, 2000). 18 Embora o conceito de carga imediata não seja novo, algumas tentativas anteriores, em muitos casos, levaram ao micro movimento e encapsulação, submeteram implantes dentais laminados a carga funcional imediata, o que resultou em encapsulação fibrosa do implante, enquanto que os implantes laminados não submetidos à carga imediata integraram normalmente. Estudos realizados por outros pesquisadores verificaram que o micro movimento na interface osso-implante, por volta de 150 µm, leva a à encapsulação fibrosa (JAFFIN, 2000). Alguns cuidados cirúrgicos podem contribuir com o sucesso da cirurgia de implante como: • Técnica suave; • Brocas descartáveis, afiadas, de tamanhos crescentes; • Pressão leve e intermitente de perfuração; • Velocidades de rotação e torque controlados; • Irrigação copiosa. 19 4 CARGA IMEDIATA: CARACTERÍSTICAS EM SUA APLICABILIDADE A introdução do sistema de implantes Bränemark tem permitido reabilitação dental total e parcial de pacientes edêntulos com sucesso. De acordo com o protocolo estabelecido por Bränemark, os pré-requisitos para osseointegração, são a utilização de um material biocompatível à corrosão, isto é, o titânio, e dois procedimentos cirúrgicos, separados por um período de cicatrização de 3 a 6 meses, com ausência de carga TARNOW citado por CARBONI( 2007). Durante o primeiro estágio cirúrgico, os implantes são posicionados no arco e submersos sob tecido mole para permitir a cicatrização do sítio cirúrgico com ausência de carga em qualquer direção sobre o implante. Segundo Carboni (2007), as razões para este posicionamento são: diminuição do risco de infecção, prevenção da migração apical do epitélio, minimizar o risco de carga precoce. E na segunda fase cirúrgica realiza-se a exposição dos implantes e instalação das conecções dos abutments, para posterior confecção da prótese definitiva. Apesar do método tradicional de dois estágios cirúrgicos apresentarem alto índice de sucesso e seus resultados serem previsíveis, pacientes edêntulos submetidos a este tipo de procedimento, precisam utilizar prótese removível durante o período de cicatrização. E em alguns casos recomenda-se a não utilização ou o mínimo possível durante a fase inicial de cicatrização. A prótese removível é uma barreira freqüente em relação à aceitação do paciente ao tratamento, e para muitos pode até ser um trauma psicológico. Para alguns pacientes esta fase pode ser bem tolerada, enquanto que para outros pode trazer desconforto e necessidade de ajustes frequentes. 4.1 Princípios do protocolo de carga imediata Até recentemente, a prótese transitória era o único método disponível para restaurar a função durante o período de cicatrização. Sendo assim, vários estudos vêm sendo realizados para minimizar este período de cicatrização, o qual culminou na introdução de um novo protocolo, utilizando carga logo após a 20 colocação dos implantes. No princípio, alguns autores consideravam que carga imediata comprometeria o período de cicatrização e a remodelação óssea devido ao trauma cirúrgico, podendo provocar um encapsulamento fibroso, e esta técnica não era muito aceita pela comunidade dental, pois estava muitas vezes associada a altos índices de falhas e complicações (SALAMA, 1995). No entanto, vários estudos têm demonstrado que também se pode obter integração óssea com implantes não submersos (ERICSSON, 1997), e que a carga imediata não é a única responsável pela formação do tecido fibroso. Esta mudança de concepção em relação à terapia de implantes foi baseada na obtenção e manutenção da osseointegração, ou contato direto da superfície do implante com o osso sem interposição de fibras. Segundo Cooper (2002), a carga imediata deve ocorrer imediatamente, ou seja, horas e não dias, após a colocação do implante para eliminar a possibilidade de desnutrição do colágeno durante a importante fase de cicatrização primária. E um dos desafios da carga imediata é a realização de uma prótese em um curto espaço de tempo. Vários são os benefícios da carga imediata: significativa redução da duração do tratamento para o paciente com eliminação de uma etapa cirúrgica, utilização de prótese fixa imediata após a fixação do implante, redução do risco de trauma dos implantes pela prótese provisória, e até mesmo segurança, pois o paciente não precisa se preocupar, pois a prótese esta fixa (CALVO, 2000). Schnitman citado por Carboni (2007), descreveram primeiramente a técnica com utilização de prótese fixa provisória implanto suportada instalada no mesmo dia da colocação dos implantes, que permitia evitar o uso de prótese transitória removível. O protocolo de reabilitação através de prótese fixas implanto suportadas, a princípio associava implantes na técnica convencional a implantes de carga imediata. No estudo utilizou-se no mínimo dez implantes em cada arco, e por razões legais, o mínimo de cinco implantes ficavam submersos e permitiam a cicatrização com ausência de carga. Este protocolo era seguido como segurança para evitar cirurgia adicional caso os implantes submetidos à carga imediata falhassem. Neste caso, todos os implantes eram testados em relação à mobilidade (periotest), e aqueles com maior valor e mais favoráveis em relação à distribuição no arco, eram selecionados para receber carga imediata. Após o final da fase de cicatrização dos implantes submersos, todos os implantes eram incorporados à prótese definitiva. 21 Para se utilizar implantes com carga imediata, estes precisam integrar-se intimamente com o osso e exibir boa estabilidade primária. Além disso, outros fatores estão associados à sobrevivência dos implantes de carga imediata como: assentamento inicial, porcentagem de implantes em contato com o córtex ósseo, densidade da cortical óssea e eliminação de micromovimentos durante o período de remodelação óssea. A remodelação global do osso é o principal mecanismo de aumento da resistência e massa óssea. A formação e reabsorção óssea utilizam osteoblastos para mover superfícies ósseas nos espaços teciduais e determina a forma óssea, tamanho, resistência e corte transversal. Reparos através da remodelação multicelular podem suportar cargas abaixo de 2.000 micronstrain sem ocorrer danos. Os implantes precisam proporcionar contato suficiente no osso para que o total de cargas transferidas do implante para o osso mantenha unidades de carga abaixo do limiar de microdanos. O nível tecidual de macromodelação é melhor durante o crescimento, e é um processo lento. A macromodelação determina que tipo de osso seja formado em determinado local. Piatelli citado por Carboni (2007), contextualizam sobre um estudo histológico de dois implantes TPS perdidos por fratura do componente e por razões psicológicas após 8-9 meses de função. A análise microscópica mostrou que o osso cortical compacto estava presente ao redor de ambos os implantes, havendo uma osseointegração de 60 a 70%. Dessa forma, concluíram que implantes sobre carga imediata podem ser utilizados em casos seletos em que se observa boa qualidade óssea, com implantes que apresentam como características a forma de parafuso e a superfície pulverizada com plasma. Na literatura, é possível encontrar trabalhos que estabelecem uma série de parâmetros a serem seguidos quando se utiliza carga imediata. Neste ambiente se pode dizer que os implantes que receberão carga imediata, deverão estar em posições de modo a apresentarem tripoidismo entre si; a extensão dos cantilevers deve ser dimininuida para a confecção da prótese provisória e o uso da broca countersink deve ser reduzido ou eliminado. Todos estes princípios devem ser observados quando os implantes imediatos são utilizados. Assim Carboni (2007), ressalta que a falta de estabilidade inicial pós-operatória de um implante é, reconhecidamente, um fator determinante para a falha no processo de osseointegração desse implante. Implantes que 22 recebem carga imediata estão sujeitos a sofrer micromovimentos. O controle adequado desses micromovimentos é mais arriscado em implantes unitários, uma vez que não é possível a sua esplintagem por meio de dispositivos metálicos rígidos. Um limiar de micro movimentação de 100 µm para os implantes de superfície lisa deve ser respeitado. Para os implantes com superfície tratada; a micro movimentação tolerável varia entre 50 e 150 µm. Diante destes parâmetros os autores discutidos nesta abordagem afirmam que a carga imediata em implantodontia é um conceito bem definido na literatura, com elevados índices de sucesso, desde que se estabeleça um protocolo cirúrgico e uma distribuição espacial dos implantes que favoreça a biomecânica. Verifica-se que a carga imediata em lâminas endósseas, como os implantes que antecederam a introdução dos princípios de osseointegração, resulta em uma alta incidência de complicações e falhas. A estabilidade primária entre implante e osso também constituiria um requisito fundamental. Sellers citado por Carboni (2007), foi mais longe e publicou uma técnica alternativa para a obtenção de passividade no assentamento de infra-estrutura protética sobre implante, onde usava cimento resinoso para fazer a união entre os componentes conectados aos implantes e a prótese. Isto permitia uma ótima adaptação da estrutura protética fundida aos componentes pré-fabricados. O autor ainda relata que nas próteses cimentadas existe uma vantagem considerada por parte das possíveis alterações dimensionais dos materiais, permitindo, assim, um assentamento mais preciso da infra-estrutura protética. Carboni (2007), afirmou que a retentividade do implante com formato genérico de parafuso proporcionaria resistência a micromovimentação mesmo o implante sendo submetido à carga logo após a sua instalação. Este conceituado autor enfatiza ainda que a estabilização primária seja um requisito fundamental para implantes com carga imediata e pode ser obtida por meio da cobertura total do implante pelo osso, com torque de inserção acima de 40 Ncm e uso de implantes de pelo menos 10 mm de comprimento. O processo de osseointegração decorrente do uso de implantes na região anterior da mandíbula não é prejudicado pela carga imediata, quando o implante for instalado de forma adequada. Ressaltaram que a cicatrização óssea, no protocolo de carga imediata com instalação de prótese sobre uma estrutura fixa e rígida, parece ocorrer de forma mais intensa do que com o uso de sobre dentadura (CARBONI, 2007). 23 Estudo com outros autores destacaram que os implantes adequadamente esplintados e imediatamente carregados, quando inseridos em osso de boa qualidade, são capazes de osseointegração, de forma clinicamente similar aos implantes que são colocados e recebem cargas tardias. Piattelli (1997), já demonstra em sua obra que a carga imediata não prejudica a osseointegração, ao contrário, acelera a cicatrização dos implantes. Entretanto, para que isto ocorra, é fundamental observarem-se os critérios e as indicações desta modalidade de tratamento. Eles destacaram que a carga imediata deve ser usada em casos bem selecionados e nos quais haja boa qualidade óssea. Relataram ainda, que implantes com macro e microporosidade nas superfícies das estruturas rosqueadas ou superfícies com jato de plasma de titânio poderiam facilitar a osseointegração. A ajuda do paciente é a chave do êxito na carga imediata. Aqueles que se submetem a uma dieta leve e evitam forças mastigatórias excessivas, podem conseguir melhores resultados. Os hábitos parafuncionais tais como, bruxismo ou apertamento dental são destrutivos e como tal, devem ser considerados como uma contra indicação destas técnicas. Buser (1997), em um estudo prospectivo, observaram 2.359 implantes de um único estágio cirúrgico, aplicados as overdentures, prótese unitárias e parciais, alcançando um índice de 95% de sucesso em mandíbulas e 87% em maxilas. Verifica-se que a estabilidade primária é determinada no momento da fixação do implante e a estabilidade secundária e determinada pela forma remodelação óssea circundante, tendo como referência a estabilidade primária. A estabilidade primária configura-se como um fator primordial para o sucesso do procedimento, devendo considerar ainda a qualidade e a quantidade de tecido ósseo encontrado na região, as características geométricas do implante, comprimento, diâmetro e forma; sendo a técnica cirúrgica também muito importante. Para tal, a carga imediata pode ser definida como sendo a colocação de um elemento protético sobre um implante cirurgicamente instalado, sem que tenha ocorrido a sua osseointegração. A carga imediata dispensa o período tradicional de espera para que ocorra a osseointegração. Os implantes rosqueados parecem ser mais favoráveis para carga imediata, porque permitem maior engajamento mecânico imediato do osso, se comparados com os implantes antigos. De acordo com Misch (2000), o implante 24 rosqueado com secções transversais circulares facilita a inserção cirúrgica permite uma otimização maior da área de superfície, a fim de transmitir as cargas de compressão para a interface osso implante. A fixação rígida inicial do implante rosqueado é facilitada para limitar os micromovimentos durante a cicatrização. Simmons citado por Carboni (2007), afirma que a implantação clínica da geometria da superfície do implante é dupla: em primeiro lugar, certos desenhos de implante podem ser preferíveis a outros no que diz respeito à capacidade de se osseointegrarem mais rapidamente, levando a períodos de reabilitação mais curtos e, em segundo lugar, certos desenhos podem tolerar níveis de micromovimentação ou de cargas aplicadas mais altas, e por isso seriam menos vulneráveis a cargas adversas, durante o período de cicatrização. De acordo com Lenharo (2002), tem-se como inconvenientes nos implantes de carga imediata, que é incerta a previsibilidade da altura gengival disponível frente ao “colarinho”, onde ocorre cicatrização gengival. Situações onde há um volume delgado de tecido gengival presente associado a retrações espontâneas resultam em situações de difícil resolução estética, já que em virtude de sua anatomia coronal ser divergente, estes implantes dificultam um correto assentamento da margem gengival em posição mais coronária, onde o índice de vascularização associado a pouca espessura gengival pode gerar problemas estéticos. Os autores relatam que as indicações mais previsíveis dos implantes de um tempo cirúrgico situam-se em áreas posteriores onde a exigência estética não existe ou em situações de reabilitações como sobre dentaduras ou protocolos fixos. De acordo com Jalboutn (2002), controlar micromovimento é a chave para obter a osseointegração de implantes imediatamente carregados. A redução de micromovimentos é alcançada por uma vasta distribuição antero-posterior de implantes imediatamente carregados e da estabilização pelo cruzamento do arco com uma prótese rígida. A estabilidade do implante individual é também importante. Para aumentar esta estabilidade, seu comprimento mínimo deverá ser de 10 mm. Segundo Minsk (2003), “a chave para o sucesso em implantes de carga imediata é evitar micromovimento do implante durante o período de osseointegração”. Seguir rigidamente o protocolo clínico, a carga imediata de implantes dentários pode ser um sucesso e uma opção compensadora de tratamento para pacientes com madíbulas adêntulas. 25 No estudo de Wolfinger (2003), descobriu-se um aumento na taxa de falha que ocorreu durante o primeiro ano seguinte a carga protética. Assim o presente estudo apóia essa descoberta e sugere que a diabete poderia ser um fator de risco para implantes carregados imediatamente. O resultado dessa investigação sugeriu que a diabete e o bruxismo podem ser um risco elevado de falha no implante em situação de carga imediata. Acredita se que os critérios da utilização dos implantes com carga imediata sejam: • Qualidade do tecido ósseo; • Macrorretenções (design da rosca); • Microrretenções (superfície do implante); • Estabilização bicortical; • Distribuição adequada dos implantes; • Uso cuidadoso de cantilevers; • Ajuste oclusal adequado enfatizando cargas axiais e minimizando forças horizontais; • Utilização de placas noturnas para minimizar o efeito de hábitos parafuncionais; • Próteses provisórias devem ter infra-estrutura rígida para prevenir deflexões. Uma relação risco/benefício deve ser avaliada, para que através de cada condição do paciente verifique, se a técnica é uma alternativa de valor, pois a técnica é viável, mas com indicação precisa. Para tal, apresenta-se as seguintes características da aplicabilidade da carga imediata a seguir: • Indicações: o uso da técnica de implantes com carga imediata está indicado nos casos onde o paciente apresenta boa condição geral de saúde, ausência de hábitos parafuncionais (bruxismo), higiene bucal satisfatória, oclusão favorável, quantidade e qualidade de osso suficiente para obter melhor fixação do implante, boa estabilidade primária do implante, distribuição ideal dos implantes nos arcos e quando se tem controle de movimentos e da força (RIBAS; VAZ, 2000). Kammeyer (2000) relataram que a técnica de carga imediata foi 26 descrita para ser usada principalmente na mandíbula, em pacientes completamente edêntulos, com a colocação de prótese fixa implantosuportada no mesmo dia da colocação do implante, mas este método não deve ser aplicado rotineiramente ou sem avaliação cuidadosa. Segundo Vasconcelos et al., (2001), a carga imediata deve ser colocada em regiões com boa estabilidade imediata, pois se a carga for colocada em implantes com pouca estabilidade haverá micromovimentações levando a formação de tecido fibroso entre o osso e o implante ocasionando na perda do mesmo. Caffesse e Chaves (2001), disseram que não há relatos que indiquem que pode se encurtar o tempo da carga protética em ossos de qualidade insuficiente (tipo IV); • Contra-indicações: Lekholm (2001) relatou que em pacientes comprometidos com fatores de risco sistêmico pode-se contra-indicar qualquer tipo de tratamento com implantes, inclusive os carregados imediatamente. Tais fatores são: defeito da homeostase, doenças descontroladas, problemas psicológicos e ou álcool ou de abuso da nicotina e pacientes que sofreram diferentes tipos de enxertos ósseos. Outros fatores que segundo ele pode contra-indicar o uso de carga são: a idade, pois em idades mais avançadas a cicatrização é lenta, diabete não controlada, dependência de vitamina D, osteoporose e pacientes fumantes. Casos onde o paciente apresenta hábitos como bruxismo e quando se tem má qualidade de tecido ósseo, o que não permite a ancoragem primária do implante e também quando o volume ósseo é insuficiente fazendo com que haja uma limitação na quantidade e no comprimento do implante também contra-indica o uso de carga imediata (MARTINEZ et al). Souza, (2003) relataram que quando o osso cortical faz cobertura total do implante prejudicando a estabilidade, deve-se optar pelo implante em duas etapas. Eles ainda relatam que deve-se colocar implantes em locais cicatrizados, pois se forem instalados em áreas de recém extração poderão ocorrer insucessos. Vantagens: a principal função do uso da técnica de carga imediata é simplificar o procedimento, reduzindo o tempo de tratamento e o período de cicatrização. O procedimento protético é realizado em até vinte e quatro horas após 27 a cirurgia (VASCONCELOS, 2001). Mas Nikellis, (2004), relatou que até setenta e duas horas após a colocação do implante, o procedimento protético ainda é bem sucedido. Durante o período de cicatrização ocorre um aumento da função mastigatória. Outra vantagem é a estética, pois se coloca a prótese logo após o ato cirúrgico, levando ao aumento dos benefícios psicológicos e sociais do paciente em relação a entrega das próteses em função e da estética facial. O período de cicatrização vai depender da qualidade óssea, sendo que em ossos tipo I e II este período é mais curto. Uma prótese fixa provisória melhora a mastigação, estética e o conforto, além de promover a auto-estima durante a fase de cicatrização, no que diz respeito à rapidez do tratamento. Desvantagens: segundo Santos, (2003), as principais desvantagens desta técnica são: necessidade da confecção de prótese provisória com possível fratura da mesma devido às ações oclusais levando a falhas no processo de cicatrização. Forças e micromovimentos: a preocupação mais importante quanto ao uso da carga imediata, é que ainda se faz necessário proteger a interface osso implante de forças excessivas durante a fase de cicatrização. É necessário, portanto, que os implantes fiquem o mais estável possível para que ocorra a remodelação da interface, que é o principal fator de sucesso da técnica. Acreditavase que o uso de carga prematura durante o período de cicatrização, causava movimento do implante, podendo levar a uma encapsulação fibrosa desse implante. Apesar de saber que a colocação de carga prematura sobre os implantes durante o período de cicatrização pode levar a formação de tecido fibroso na interface implante e tecido ósseo, a carga imediata não é a única responsável pela formação deste tecido. Existem evidências de que micromovimentações dos implantes em relação ao osso seja a principal razão para a formação de tecido fibroso, interferindo no processo de cicatrização. Baseado nestas evidências o princípio básico para a colocação de implantes com carga imediata é a minimização de cargas excessivas durante a osseointegração (GRISI; MARCANTONIO, 2002). Os tipos de implantes com superfícies rugosas podem receber carga mais cedo se comparado aos de superfície lisa, pois apresentam mais aderência e melhor fixação durante a cicatrização. O uso de implantes rosqueáveis é mais favorável, pois apresentam maior área de superfície. Quanto ao número, sempre que possível utilizar um maior número de implantes com o intuito de obter mais estabilidade e diminuição das micromovimentações (MARTINEZ et al., 2003). 28 Algumas condições devem ser observadas para evitar que micromovimentações ocorram: uso de técnica cirúrgica atraumática, uso de implantes feitos de um biomaterial aceitável e uma adequada estabilização do implante. Sucesso em carga imediata: todas as cargas oclusais devem ser direcionadas no sentido axial e não deve haver nenhum tipo de movimento do implante durante a cicatrização. A colocação de implantes em osso com boa qualidade, de preferência região anterior de mandíbula onde o osso é mais denso é um fator para obtenção de sucesso da técnica (DAL MORO, 2003). Deve-se fazer a utilização de prótese parcial fixa ao invés de prótese removível. Segundo Levine citado por Pereira e Júnior (2003), diversos relatos clínicos e histológicos, mostraram índices de sucesso na osseointegração, com o uso da técnica de carga imediata, desde que fosse usada uma carga não excessiva nos implantes. Outro fator de sucesso é a dieta do paciente que durante o tratamento com carga imediata deve limitar-se a alimentos macios, para reduzir o risco de fratura. Dal Moro (2003), relatam que todo idoso capaz de receber uma cirurgia bucal de pequeno porte, esta apto a receber implantes dentários. Com isso a técnica de carga imediata em idosos é uma alternativa viável para a reabilitação bucal, com taxas de sucesso semelhante a técnica convencional em dois tempos cirúrgicos. Santos (2003), diz que implantes com carga imediata apresentam taxa de sucesso de aproximadamente 95%. Já Souza, (2003), afirma que em mandíbula edêntulas, a reabilitação com carga imediata pode ter um índice de sucesso de aproximadamente 93% após dez anos. Mas Bergkvist, (2005), relata que em osso tipo III e IV a taxa de sucesso é menor, 72%. Insucesso: formação de tecido fibroso ao redor do implante devido aos micromovimentos que podem ocorrer durante a fase de cicatrização. A formação do tecido ocorre devido à micromovimentos e não devido à presença de carga. Por isso uma adequada distribuição dos implantes num esquema oclusal pode fazer com que haja resistência a movimentos na interface osso implante. Os fracassos também ocorrem devido à aplicação de implantes em osso de qualidade e quantidade insuficiente, ausência de estabilidade e não cooperação do paciente quanto à higiene bucal. O excesso de carga oclusal pode causar uma sobrecarga no implante. Na maxila existe um maior número de falhas devido a baixa densidade óssea ou menor altura nesta região, não sendo suficiente para suportar as cargas oclusais. Na 29 região posterior o uso de implantes amplos ou duplos pode diminuir o risco de falhas de modo a suportar mais a carga oclusal. O uso de carga imediata em maxila deve ser feito com cautela, já que nesta região não existe um osso de boa qualidade, dificultando o processo de osseointegração (SOUZA, 2003). Manutenção: a manutenção do caso deve ser feita regularmente, sendo uma vez a cada três meses no primeiro ano e uma a duas vezes por ano a partir do segundo ano. Nesta consulta deve-se observar: a satisfação do paciente com relação à função e estética, ausência de mobilidade dos implantes, se houve afrouxamento dos parafusos de fixação, fratura das próteses ou dos parafusos e reabsorção óssea. 30 5 DISCUSSÃO Diante da discussão, nesta etapa da pesquisa apresentada, é importante ressaltar nesta revisão de literatura, mais especificamente sobre o protocolo inferior de carga imediata, onde foram demonstradas algumas elucidações sobre as características, conceitos, aplicabilidade, pontos positivos e negativos em relação à carga imediata. A instalação de implantes com carga imediata é apresentada como uma alteração do protocolo original dos implantes osseointegrados, que recomenda um período de reparo tecidual de três a seis meses, como comentados por Bränemark (2001). Podemos dizer que a definição para a técnica da Carga Imediata é a instalação de implantes dentários osseointegrados com a finalidade de diminuir o período de espera para a realização da instalação da prótese dentária sobre o implante. É importante considerar, nas palavras do autor Bränemark, (1987), que diante da discussão desta pesquisa, a osseointegração é definida como uma conexão direta estrutural e funcional entre o osso vivo organizado e a superfície de um implante submetido à carga funcional. Verifica-se ainda, que a osseointegração é um conceito clínico, em que a ancoragem assintomática de um material aloplástico é conseguida e mantida no organismo sob carga funcional por longos períodos de tempo e que os fatores reconhecidos como fundamentais para a obtenção e manutenção da osseointegração estão relacionados ao paciente, ao sistema de implantes e à equipe de profissionais. No princípio, alguns autores consideravam que carga imediata comprometeria o período de cicatrização e a remodelação óssea devido ao trauma cirúrgico, podendo provocar um encapsulamento fibroso, e esta técnica não era muito aceita pela comunidade dental, pois estava muitas vezes associada a altos índices de falhas e complicações (SALAMA, 1995). No entanto, vários estudos têm demonstrado que também se pode obter integração óssea com implantes não submersos (ERICSSON,1997), e que a carga imediata não é a única responsável pela formação do tecido fibroso. Piattelli (1997), já demonstra em sua obra que a carga imediata não prejudica a osseointegração, ao contrário, acelera a cicatrização dos implantes. Eles 31 destacaram que a carga imediata deve ser usada em casos bem selecionados e nos quais haja boa qualidade óssea. De acordo com Balshi (1997), a ajuda do paciente é a chave do êxito na carga imediata. Aqueles que se submetem a uma dieta leve e evitam forças mastigatórias excessivas, podem conseguir melhores resultados. Os hábitos parafuncionais tais como, bruxismos ou apertamento dental são destrutivos e como tal, devem ser considerados como uma contra indicação destas técnicas. Buser (1997) diz que a estabilidade primária configura-se como um fator primordial para o sucesso do procedimento, devendo considerar ainda a qualidade e a quantidade de tecido ósseo encontrado na região, as características geométricas do implante, comprimento, diâmetro e forma; sendo a técnica cirúrgica também muito importante. Conforme Szmukler-Moncler (2000), salientam que as mais importantes recomendações que asseguram uma osseointegração duradoura dos implantes dentais eram: • O uso de um material compatível, titânio; • O uso de um procedimento em dois estágios cirúrgicos; • Um período de cicatrização livre de carga de três a seis meses; • Uma cirurgia atraumática, com perfurações ósseas em baixa velocidade; • Uma incisão mucovestibular, evitando a incisão na crista; • Condições estéreis de cirurgia. Já para o relato do autor Pinto, (2000), a osseointegração é histologicamente, um modo de ancoragem traduzido, como um contato direto entre o osso e o material implantado. Dessa forma, se pode justificar que os estudos de Bränemark, revolucionaram a técnica de implantes dentários. O prognóstico e a manutenção a longo prazo da estabilidade para implantes Branemark depende, principalmente, de fatores mecânicos, tais como o grau de ancoragem e as condições de carga, embora as infecções ao redor do implante possam também afetar a estabilidade (SENNERBY, 2000). 32 Estudos realizados por outros pesquisadores verificaram que o micro movimento na interface osso-implante, por volta de 150 µm, leva à encapsulação fibrosa (JAFFIN, 2000). Como benefícios da carga imediata temos a significativa redução da duração do tratamento para o paciente com eliminação de uma etapa cirúrgica, utilização de prótese fixa imediata após a fixação do implante, redução do risco de trauma dos implantes pela prótese provisória, e até mesmo segurança, pois o paciente não precisa se preocupar, pois a prótese esta fixa (CALVO, 2000). De acordo com Misch (2000), o implante rosqueado com secções transversais circulares facilita a inserção cirúrgica permite uma otimização maior da área de superfície, a fim de transmitir as cargas de compressão para a interface osso implante. Kammeyer (2000) relata que a técnica de carga imediata deve ser usada principalmente na mandíbula, em pacientes completamente edêntulos, com a colocação de prótese fixa implanto-suportada no mesmo dia da colocação do implante, mas este método não deve ser aplicado rotineiramente ou sem avaliação cuidadosa. (RIBAS; VAZ, 2000 Segundo Vasconcelos et al., (2001), a carga imediata deve ser colocada em regiões com boa estabilidade imediata, pois se a carga for colocada em implantes com pouca estabilidade haverá micromovimentações levando a formação de tecido fibroso entre o osso e o implante. A prótese deve ser realizada em até vinte e quatro horas após a cirurgia. Caffesse e Chaves (2001), salientam que não há relatos que indiquem que pode se encurtar o tempo da carga protética em ossos de qualidade insuficiente (tipo IV). Lekholm (2001) relatou que em pacientes comprometidos com fatores de risco sistêmico pode-se contra-indicar qualquer tipo de tratamento com implantes, inclusive os carregados imediatamente. Segundo Cooper (2002), a carga imediata deve ocorrer imediatamente, ou seja, horas e não dias, após a colocação do implante para eliminar a possibilidade de desnutrição do colágeno durante a importante fase de cicatrização primária. De acordo com Jalboutn (2002) controlar micromovimento é a chave para obter a osseointegração de implantes imediatamente carregados. 33 O princípio básico para a colocação de implantes com carga imediata é a minimização de cargas excessivas durante a osseointegração (GRISI; MARCANTONIO, 2002). Casos onde o paciente apresenta hábitos como bruxismo e quando se tem má qualidade de tecido ósseo, o que não permite a ancoragem primária do implante, e também quando o volume ósseo é insuficiente fazendo com que haja uma limitação na quantidade e no comprimento do implante também contra-indica o uso de carga imediata (MARTINEZ et al., 2003). Os tipos de implantes com superfícies rugosas podem receber carga mais cedo se comparado aos de superfície lisa, pois apresentam mais aderência e melhor fixação durante a cicatrização. O uso de implantes rosqueáveis é mais favorável, pois apresentam maior área de superfície. Quanto ao número, sempre que possível utilizar um maior número de implantes com o intuito de obter mais estabilidade e diminuição das micromovimentações (MARTINEZ et al., 2003). Todas as cargas oclusais devem ser direcionadas no sentido axial e não deve haver nenhum tipo de movimento do implante durante a cicatrização. A colocação de implantes em osso com qualidade, de preferência região anterior de mandíbula, onde o osso é mais denso, é um fator para obtenção de sucesso da técnica, e, que todo idoso capaz de receber uma cirurgia bucal de pequeno porte, está apto a receber implantes dentários. (DAL MORO, 2003). Segundo Levine citado por Pereira e Júnior (2003), diversos relatos clínicos e histológicos, mostraram índices de sucesso na osseointegração, com o uso da técnica de carga imediata, desde que fosse usada uma carga não excessiva nos implantes. Outro fator de sucesso é a dieta do paciente que durante o tratamento com carga imediata deve limitar-se a alimentos macios, para reduzir o risco de fratura. Santos (2003), diz que implantes com carga imediata apresentam taxa de sucesso de aproximadamente 95%. Já Souza, (2003), afirma que em mandíbula edêntulas, a reabilitação com carga imediata pode ter um índice de sucesso de aproximadamente 93% após dez anos. Bergkvist, (2005), relata que em osso tipo III e IV a taxa de sucesso é menor, 72%. Na maxila existe um maior número de falhas devido a baixa densidade ou altura óssea nesta região, não sendo suficiente para suportar as cargas oclusais. O uso de carga imediata nesta região deve ser feito com cautela. (SOUZA, 2003). 34 Segundo Minsk (2003), “a chave para o sucesso em implantes de carga imediata é evitar micromovimentos do implante durante o período de osseointegração. No estudo de Wolfinger (2003) diabete e o bruxismo podem ser um risco elevado de falha no implante em situação de carga imediata. Souza, (2003) relata que quando o osso cortical faz cobertura total do implante prejudicando a estabilidade, deve-se optar pelo implante em duas etapas. Eles ainda relatam que deve-se colocar implantes em locais cicatrizados, pois se forem instalados em áreas de recém extração poderão ocorrer insucessos. Mas Nikellis, (2004), diz que até setenta e duas horas após a colocação do implante, o procedimento protético ainda é bem sucedido. Simmons citado por Carboni (2007), afirmaram que a implantação clínica da geometria da superfície do implante é dupla: em primeiro lugar, certos desenhos de implante podem ser preferíveis a outros no que diz respeito à capacidade de se osseointegrarem mais rapidamente, levando a períodos de reabilitação mais curtos e, em segundo lugar, certos desenhos podem tolerar níveis de micromovimentação ou de cargas aplicadas mais altas, e por isso seriam menos vulneráveis a cargas adversas, durante o período de cicatrização. Schnitman citado por Carboni (2007), descreveram primeiramente a técnica com utilização de prótese fixa provisória implanto suportada instalada no mesmo dia da colocação dos implantes, que permitia evitar o uso de prótese transitória removível. Piatelli citado por Carboni (2007) concluiu que implantes sobre carga imediata podem ser utilizados em casos seletos em que se observa boa qualidade óssea, com implantes que apresentam como características a forma de parafuso e a superfície pulverizada com plasma. Assim Carboni (2007), ressalta que a falta de estabilidade inicial pósoperatória de um implante é, reconhecidamente, um fator determinante para a falha no processo de osseointegração desse implante. O controle adequado desses micromovimentos é mais arriscado em implantes unitários, uma vez que não é possível a sua esplintagem por meio de dispositivos metálicos rígidos, afirma ainda que a retentividade do implante com formato genérico de parafuso proporcionaria resistência a micromovimentação, mesmo com o implante sendo submetido à carga logo após a sua instalação. 35 O processo de osseointegração decorrente do uso de implantes na região anterior da mandíbula não é prejudicado pela carga imediata, quando o implante for instalado de forma adequada. Ressaltaram que a cicatrização óssea, no protocolo de carga imediata com instalação de prótese sobre uma estrutura fixa e rígida, parece ocorrer de forma mais intensa do que com o uso de sobre dentadura (CARBONI, 2007). Conforme Youssef (2009), o osso é uma base muito importante para a colocação do implante, porém no caso de não haver quantidade suficiente disponível, enxertam-se ossos com uma técnica moderna chamada Bio Engenharia Humana, as quais geram excelentes resultados. Após a colocação do implante é fundamental continuar observando cuidados com a higiene e manutenção, pois os tecidos que os protegem estão sujeitos a infecções se placas bacterianas se acumularem. Em processos adiantados pode ocorrer até a perda do implante. A escovação é indispensável devendo-se inclusive utilizar fios ou fitas dentais e também produtos para enxaguar a boca, ajudando na prevenção das cáries e combatendo o mau hálito. 36 6 CONCLUSÃO Uma das alternativas atuais para reabilitar pacientes com perda total ou parcial de dentes é o uso da carga imediata, fazendo com que os implantes recebam carga mastigatória sem a necessidade de espera pelo processo de osseointegração. A possibilidade de ter a prótese em função de apenas um dia é muito atraente para os pacientes, deixando-os otimistas e satisfeitos com o tratamento. Concluindo do que deve ser considerado sobre esta pesquisa, os pontos positivos dessa técnica são: significativa redução do tratamento para o paciente com eliminação de uma etapa cirúrgica; utilização de prótese fixa imediata após a fixação do implante, redução do risco de trauma dos implantes submersos pela prótese provisória e um efeito psicológico e social melhorado. Reabilitar pacientes em poucos dias é considerado um grande avanço na implantodontia. O uso da carga imediata em implantes tem a finalidade então de reduzir o tempo de tratamento, possibilitando que o procedimento protético seja realizado logo após a colocação do implante, porém, o cirurgião dentista deve saber indicar adequadamente a sua aplicação, seguindo todos os critérios necessários para evitar que ocorram insucessos do tratamento, e, este tipo de técnica não deve ser utilizado como substituto da técnica convencional, e sim, como uma alternativa de tratamento, onde seus princípios estão bem indicados, hoje é possível então, em casos selecionados, entrar no consultório sem dentes e sair no final do dia com todos os dentes fixos sobre os implantes dentários. 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABBOUD, M. et al. O carregamento imediato de um único dente implantes na região inferior. Journal Oral Maxillofac Implants, ano 20, n. 1, p. 61-68, Jan-Feb. 2005. BARONE, C. et al. Radiografia da densidade óssea em torno de implantes orais carregadas imediatamente. A case séries. 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Figura 1 – Radiografia panorâmica da paciente com visão, que apresentava infiltração em um elemento e também demonstrava clinicamente a margem metálica, a qual foi proposto o tratamento com implantes do tipo protocolo de carga imediata na arcada inferior sob o argumento que seria um tratamento fixo na arcada inferior e com tempo menor de tratamento, o procedimento demoraria em torno de 72 horas. Fonte: Dados da pesquisa Figura 2 – Visão clínica do caso com a paciente já preparada para cirurgia de carga imediata. Fonte: Dados da pesquisa 41 Figura 3 – Avaliação da oclusão da paciente com sua prótese superior que serve de guia cirúrgico neste caso (direcionamento das perfurações dos devidos implantes). Fonte: Dados da pesquisa Figura 4 – Após anestesia foi feito a incisão intrasulcular expandindo a mesma mais para distal dos dentes posteriores da fixa, com a devida localização dos forames mentonianos durante a divulsão para permitir que se inicie as perfurações sem risco de tocar no nervo mentoniano com margem de segurança de 5 mm. Fonte: Dados da pesquisa Figura 5 – Regularização da tábua óssea com alveolótomo inicialmente. Fonte: Dados da pesquisa 42 Figura 6 – Regularização do rebordo alveolar com brocas e peça reta para não tenhamos um degrau na região dos implantes, e também para evitar fenestrações na perfuração. Fonte: Dados da pesquisa Figura 7 – Rebordo alveolar já regularizado e pronto para o início das perfurações. Fonte: Dados da pesquisa Figura 8 – Após a determinação do comprimento dos implantes e de seu diâmetro dá-se o início as perfurações com brocas lança, neste caso os implantes que foram selecionados são de 3.75 mm por 13 mm de comprimento. Fonte: Dados da pesquisa 43 Figura 9 – Seqüência de brocas aumentando gradativamente o diâmetro das perfurações para que não ocorra o superaquecimento da tábua óssea. Fonte: Dados da pesquisa Figura 10 – Avaliação do posicionamento das perfurações (futura posição dos implantes). Fonte: Dados da pesquisa Figura 11 – Utilização de broca Calterssink para assentamento da cabeça dos implantes. Fonte: Dados da pesquisa 44 Figura 12 – Inserção dos implantes nas devidas perfurações com auxílio de catraca. Fonte: Dados da pesquisa Figura 13 – Avaliação do torque, que neste caso é em torno de 50 Newtons de força, torque este suficiente para garantir a ausência de micromovimentos pós operatórios. Fonte: Dados da pesquisa Figura 14 – Após a inserção de todos os implantes e conferidos seus devidos torques instalação dos minipilares, que servirão de rompe força entre os elementos protéticos e os implantes. Fonte: Dados da pesquisa 45 Figura 15 – Após a instalação dos transfers procede-se a sutura, que de preferência deve ser feita com fios reabsorvíveis, depois se realiza a ferrulização (emenda dos transfers com acrílico, e quando estiverem mais distantes, deve-se usar bastonetes de acrílicos para diminuir a contração no momento da fundição, cuidando para não deixar o acrílico atingir o fio de sutura). Fonte: Dados da pesquisa Figura 16 – Após todos os mini pilares instalados são posicionados os transfers para mini pilar, componente que serve para moldagem, estes já com acrílico pré-instalados para que facilite a sua esplintagem e diminua a contração do acrílico, e garanta o posicionamento exato dos implantes, impedindo falhas na confecção da barra metálica a ser confeccionada pelo protético. Nota-se o bom posicionamento dos implantes, sendo que os dois extremos devem estar posicionados levemente para distal, e os outros dividindo o restante do espaço existente, ressaltando que os mesmos devem se posicionar em direção a palatina dos dentes superiores, e os dois extremos na oclusal dos présuperiores. Fonte: Dados da pesquisa 46 Figura 17 – Posteriormente à sutura procede-se à moldagem, que deverá ser realizada com material a base de Poliéster. Na imagem acima já têm-se o molde com os análogos instalados e prontos para vasar o gesso, sem esquecer de aplicar a gengiva artificiais ao redor dos análogos. Sempre instalar os tapas mini pilar, depois remeter a moldagem ao laboratório. Fonte: Dados da pesquisa Figura 18 – Modelo já vazado em gesso especial e com gengiva artificial. Fonte: Dados da pesquisa Figura 19 – Dentes montados em cera para prova sobre a barra metálica já fundida, para posterior prova para que se tenha certeza de que não teve distorção, ou qualquer tipo de alteração que prejudique a devida adaptação sobre os implantes na boca instalados. Fonte: Dados da pesquisa 47 Figura 20 – Uma vista de cima (oclusal) da montagem em cera. Fonte: Dados da pesquisa Figura 21 – Avaliação da cirurgia um dia após a realização dos implantes, no momento da prova da montagem e da armação metálica; nota-se a presença dos tapas mini pilar que servem para a proteção e afastamento da gengiva que recobriria os implantes se ali não estivessem – neste caso não foi necessário anestesia para prova, porém quando necessário não pode-se descartá-la. Fonte: Dados da pesquisa Figura 22 – Após as correções serem feitas se necessárias, procede-se a acrilização e avaliação da relação de mordida no articulador, neste caso oclusor em vista frontal. Fonte: Dados da pesquisa 48 Figura 23 – Vista lateral esquerda da relação oclusal. Fonte: Dados da pesquisa Figura 24 – Vista lateral direita. Fonte: Dados da pesquisa Figura 25 – Vista de cima (oclusal) do Protocolo no devido modelo. Fonte: Dados da pesquisa 49 Figura 26 – Instalação do Protocolo imediato na cavidade bucal da paciente dois dias após a realização da cirurgia, com torque de acordo com o parafuso utilizado, neste caso 10 Newtons de força, e 20 newtons para os mini pilares. Fonte: Dados da pesquisa Figura 27 – Torque final em todos os parafusos, tomando cuidado para não ultrapassar os níveis de força para que se possa remover posteriormente, e também para que se evite a fratura dos parafusos. Fonte: Dados da pesquisa Figura 28 - Fita de mordida para avaliação e correção dos contatos oclusais. Fonte: Dados da pesquisa 50 Figura 29 – Vista final do Protocolo de carga imediata instalado e em oclusão com os dentes antagonistas, neste caso prótese total superior que foi aproveitada para diminuir custos e também porque tinha sido confeccionada a mais ou menos um ano. Fonte: Dados da pesquisa Figura 30 – Fechamento provisório com material provisório tomando cuidado de proteger a cabeça dos parafusos para que se possa remover o Protocolo 90 dias após, quando é na mandíbula e 120 dias quando for na maxila, para avaliarmos e também remover algum ponto que não se tenha conseguido remover, e também para fazermos um novo polimento. Fonte: Dados da pesquisa Figura 31 – Paciente na cadeira esboçando sorriso e demonstrando a ausência total de edema. Fonte: Dados da pesquisa 51 Figura 32 - Satisfação logo após o final do tratamento de protocolo inferior. Satisfação da paciente e do profissional. Fonte: Dados da pesquisa