DIRECTOR
João Peixoto de Sousa
Nº 1253 / 13 Junho de 2008 / Semanal / Portugal Continental 2,20€
www.vidaeconomica.pt
trabalho
Trabalhadores
e empresas
devem reforçar
capacidade
de adaptação
“Queremos que as empresas,
a economia e os trabalhadores
reforcem a sua capacidade de
adaptação a uma realidade que
é cada vez mais exigente e que
está a mudar muito rapidamente”, afirma Vieira da Silva.
Recusando falar de “recuo”
e de “cedências”, o ministro
do Trabalho e da Solidariedade Social disse valorizar a
negociação com os parceiros
e recusou que a proposta do
Governo facilite os despedimentos.
Indemnizações a acidentados
forçam aumento dos prémios
As empresas vão ter de
subir o preço das apólices
para suportar o aumento
em 9% dos custos com a
indemnização de lesados
em sinistros automóvel.
Mas a concorrência
agressiva do mercado não
deixa.
As indemnizações que as seguradoras terão de pagar às vítimas de acidentes rodoviários
deverão aumentar 9%, com
a entrada em vigor do novo
modelo de indemnização. O
cálculo foi anunciado no XII
Encontro de Resseguros.
Embora seja este o aumento
médio esperado pelo sector, a
Caixa Seguros, operador com
maior quota de mercado no
ramo automóvel, tem uma
previsão de aumento de 15%
no custo médio das indemnizações.
De acordo com Maria João
Sales Luís, directora coordenadora de sinistros automóvel da Caixa Seguros, o custo
médio de indemnização por
morte subiu 300%, em menos de 10 anos, e prepara-se
para disparar nos tempos
mais próximos. Com o custo
médio das indemnizações a
vítimas de sinistros automóvel a aumentar, as seguradoras vêem-se a braços com um
aumento significativo das
despesas. Mas, face à concorrência cada vez mais agressiva, é impensável para a maioria das seguradoras aumentar
o prémio de seguro.
Pág. 5
Pág. 6
Serafim Fernandes, administrador delegado da BNP Paribas Factor, considera
SUPLEMENTO
FRANCHISING
E EMPREENDEDORISMO
Franchising
de consultoria
financeira entre
o crescimento
e a saturação
Factoring de exportação
é uma prioridade de mercado
A crise de liquidez no
mercado financeiro internacional é uma janela de oportunidade para o factoring.
Esta é a opinião de Serafim
Fernandes, administrador
delegado do BPN Paribas
Factor.
A necessidade que as instituições financeiras têm de
saber cada vez melhor que
empresas financiam e para
quê leva Serafim Fernandes a
acreditar numa forte expansão do factoring.
Com um crecimento de
dois dígitos no primeiro semestre de 2008, depois de
em 2007 não ter ultrapassado os 4%, o factoring apresenta um forte potencial de
crescimento, sobretudo nas
áreas de “confirming” e internacional.
Quebrada a rotina dos anos
70 e 80, marcada por uma
SUPLEMENTO
TECNOLOGIAS
DE INFORMAÇÃO
Microsoft
lidera aquisições
e fusões
BANCA
A nossa análise
“Caixa Net@6M”
é a melhor solução
com euribor a subir
Pág. 41
QREN AFECTA 4,6 milhões
à valorização
do território
Pág. 29
01253
9 720972 000037
AIP defende reforço
da garantia mútua
para as PME
Petróleo arrasta
subida das taxas
de juro
Pág. 39
Pág. 5
forte apetência dos bancos
pelo desconto das remessas
de exportação, as empresas
exportadoras estão hoje mais
abertas à noção de risco e à
evidência de ser mais vantajoso no negócio internacional
tratar com um só interlocutor
que, simultaneamente, faça o
“full service”.
O BNP Paribas Factor tem
em Portugal uma quota global de 7,3% no mercado de
factoring, tendo atingido os
17,5% no factoring internacional.
Pág. 40
Factoring de exportação
cresce
29%
no primeiro trimestre
de 2008
Trabalho Temporário
— Observatório
arranca em Outubro
Pag. 8
2
ACTUALIDADE
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Abertura
NESTA EDIÇÃO
CAUSAS DO DIA-A-DIA
O DIA DA “RAÇA”
ANTÓNIO VILAR
Há-de ser com raça, com vontade inabalável,
que ultrapassaremos a nossa dimensão de
país semiperiférico
ADVOGADO
antoniovilar@antoniovilarpt
É
um facto histórico que foi o ideário prosseguido pelo salazarismo, inspirado, de resto, em correntes de pensamento que, na época, estavam
muito em voga – Gustave Le Bon, leitura assídua de Salazar, escreveu,
a propósito, que “a raça é a pedra angular sobre a qual repousa o equilíbrio
das nações. Ela representa o que há de mais estável na vida dum povo” — que
deu vida à ideia de raça como algo de antropológica e politicamente relevante
no segundo quartel do século passado.
Dessa ideia decorreram políticas que passaram quer pelo revivalismo e endeusamento da História de Portugal, quer pela defesa do Império Colonial
português. Não me consta, porém, que, entre nós, alguma vez tenha sido
promovido o ódio racial como doutrina de Estado.
Ora no passado 10 de Junho, “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, o Presidente da República fez uma referência pública ao
“dia da raça”: “Hoje eu tenho de sublinhar, acima de tudo, a raça. O dia da
raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, a qual
suscitou, na sociedade do espectáculo em que vivemos, acesa indignação de
certos detentores da verdade universal, zeladores incansáveis dos conceitos e
das palavras do seu “politicamente correcto”.
Pois, por mim, estou muito tranquilo e até saúdo tal expressão no contexto
actual, republicano e democrático, entendida “raça” no sentido da vontade
constante e firme e da determinação de tornar Portugal, pelo esforço dos portugueses – vivendo cá dentro ou na diáspora – um país melhor, mais justo e
decente. Para tal é preciso raça e por falta de raça é que caímos em depressões
sucessivas.É claro que não convém esquecer, mesmo que seja para as criticar,
as teses de Samuel Huntigton sobre o choque das culturas ou a guerra das
culturas, que poderão expressar bem mais do que uma profecia, e, por isso,
não se podem tolerar quaisquer derrapagens ideológicas. Nada, porém, leva
a crer, mesmo longinquamente, que o Presidente português quisesse tomar,
então, um posição sequer sobre a temática do multiculturalismo.
Há-de ser, pois, com raça, com vontade inabalável, que ultrapassaremos a
nossa dimensão de país semiperiférico, entre o emergente e o desenvolvido,
tal como tem sido com raça que alguns portugueses são hoje, já, dos melhores
do mundo em múltiplos aspectos… ainda que, muitas vezes, ao serviço de
outras majestades, noutros mundos.
Viajando, há dias, pela Europa, pude sentir a portugalidade afirmada, a
propósito do Euro 2008, de milhares de portugueses espalhados pelo Luxemburgo, pela Suíça e pela Alemanha. E não trouxe dúvidas de que, se nos
conseguíssemos unir noutros desígnios como estamos unidos naquela expectativa futebolística, tudo seria diferente e melhor.
Como povo, não se configura no horizonte uma qualquer possibilidade de
afirmarmos um qualquer imperialismo cultural contra a diversidade humana, a democracia, o multiculturalismo e a cidadania e, por isso, não colhemos
a inveja de outros povos. Mas, sendo o que somos, com um pouco mais de
sonho, um pouco mais de sacrifício, um pouco mais de raça, talvez tenhamos
ainda muito de bom a trazer ao nosso tempo global.
O desafio passa por acreditar que podemos!
BREVE
HORÁRIO DE TRABALHO PODE IR ATÉ ÀS 65 HORAS
SEMANAIS
Os ministros do Trabalho da União Europeia aprovaram um acordo que
prevê a possibilidade de ser ultrapassado o actual limite do horário de trabalho semanal, podendo chegar às 65 horas, em casos excepcionais. Portugal não fez parte da maioria qualificada que aprovou o projecto de lei.
O número de horas poderá aumentar, desde que os trabalhadores aceitem
ou em caso de acordo colectivo. O ministro português, Vieira da Silva, considera que não haverá alterações na organização do tempo de trabalho no
nosso país e que a legislação nacional não sofrerá alterações.
EDITOR E PROPRIETÁRIO Vida Económica Editorial, SA DIRECTOR João Peixoto de Sousa COORDENADORES EDIÇÃO João Luís de Sousa e Albano Melo REDACÇÃO Virgílio Ferreira (Chefe de
Redacção), Adérito Bandeira, Alexandra Costa, Ana Santos Gomes, Aquiles Pinto, Fátima
Ferrão, Guilherme Osswald, Martim Porto, Rute Barreira, Sandra Ribeiro e Susana Marvão;
E-mail [email protected]; PAGINAÇÃO Célia César, Flávia Leitão, José Barbosa e
Mário Almeida; PUBLICIDADE PORTO Rua Gonçalo Cristóvão, 111, 6º Esq 4049-037 Porto
- Tel 223 399 400 • Fax 222 058 098 • E-mail: [email protected]; PUBLICIDADE
LISBOA Campo Pequeno, 50 - 4º Esq 1000-081 Lisboa • Tel 217 815 410 • Fax 217 815
415 E-mail [email protected]; ASSINATURAS Tel 223 399 456 E-mail [email protected]; IMPRESSÃO Naveprinter, SA - Porto DISTRIBUIÇÃO VASP, SA - Cacém
E-mail [email protected] • Tel 214 337 000 - Fax 214 326 009
EMPRESA
CERTIFICADA
MEMBRO DA EUROPEAN
BUSINESS PRESS
TIRAGEM CONTROLADA
PELA:
TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 20.700
4000 Município (Porto)
TAXA PAGA
Registo na D G C S nº 109 477 • Depósito Legal nº 33 445/89 • ISSN 0871-4320 • Registo do ICS nº 109 477
Pág. 11
INTERNACIONAL
Pág. 15
Pág. 32
MERCADO GLOBAL DE SOLUÇÕES
ECOLÓGICAS ESTÁ EM CONSTRUÇÃO
O aquecimento global é um desafio, mas não é menos verdade que abre
novas oportunidades de negócios. Há já a circular fluxos de capital na
área ambiental, ainda não está é decidido qual a energia preferida para
os investidores. Certo é que os investidores estão bastante atentos.
PME
INTERMODALIDADE RODOVIÁRIA E
MARÍTIMA REDUZ CUSTOS DE TRANSPORTES
A Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) apresentou o
seu plano estratégico. Consiste num conjunto de acções para aumentar a competitividade, por via da consolidação e da promoção da marca
“Porto de Leixões”. Os custos operacionais também serão consideravelmente reduzidos.
TURISMO
TURISMO DE VINHOS REFORÇA
NOTORIEDADE DAS MARCAS E REGIÕES
Uma grande oportunidade comercial. Esta é a grande valia do enoturismo, que está a obter uma forte visibilidade nas marcas e nos produtos
a nível internacional. A conclusão foi retirada do “Wine & Tourism
Marketing”, evento de grande fôlego que teve lugar nas Caves Calém
e na Quinta do Crasto.
HUMOR ECONÓMICO
EMPRESAS CITADAS
Sonae Distribuição .............. 04
Grupo Accor ....................... 33
Semapa ............................ .04
Sociedade da Água
Inditex ............................... 11
de Monchique ................... .36
Victoria Seguros................. .14
Grupo Jerónimo Martins ..... .36
Vinhos Messias .................. .14
Martifer ............................. 43
APDL................................. 15
BES ................................. .43
Saeco ............................... .19
C. Santos VP ..................... .46
Portugal Telecom ................ 22
Renault ............................. 47
Grupo Vila Sol ................... .22
General Motors .................. .47
Disney .............................. .27
Seat .................................. 47
BREVE
APROVADA
PRIMEIRA FASE
DA PLATAFORMA
LOGÍSTICA
DE LEIXÕES
A Administração dos Portos de
Douro e Leixões (APDL) aprovou
o lançamento do concurso para a
primeira fase da obra da plataforma logística portuária. A obra implica um investimento de cerca de
quatro milhões de euros.
MGM ................................ .27
Fox................................... .27
SUPLEMENTO FRANCHISING
BPI .................................. .27
E EMPREENDEDORISMO
EDP Renováveis ................ .27
Vivafit .................................. II
Vodafone........................... .30
Fiducial .............................. IV
Teleperformance ................. 30
Tormo & Associados ............ .VI
Optimus............................. 30
Veigas Imobiliária ............... VII
SAS.................................. .30
Onebiz .............................. .VII
Trata-se da execução do acesso rodoviário a um dos dois pólos que
constituem a plataforma logística
e que vai ser construído a partir da
Via Interna de Ligação ao Porto de
Leixões (VILPL).
A construção do acesso tem início em Outubro, altura em que a
APDL apresenta todo o projecto da
plataforma logística, bem como o
respectivo modelo de negócio e
exploração.
4
Actualidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
60 mil
271 mil
5%
milhões de euros
milhões de euros
Aumento
de passageiros
na Portela até Maio
Valor de aquisição
do ETSA por parte
da Semapa
Investimento
das petrolíferas
até meados do século
tendências
ECONÓMETRO
Nuno Jordão
O responsável da Sonae Distribuição acaba por ser o primeiro a dar o
“pontapé” de saída, pelo que é de esperar que os outros grupos sigam
esta estratégia. Os produtos de marca branca estão a dar cartas nos centros comerciais da Sonae. Sem colocar em causa a qualidade dos seus
produtos, os consumidores, em época de recessão, agradecem. Naturalmente, sem esquecer os produtos para aqueles que têm a carteira mais
recheada.
Teixeira dos Santos
O ministro das Finanças, que até não se tem saído mal na governação Sócrates, começa a dar sinais negativos. Primeiro, recusou-se a comentar as últimas
previsões económicas, nada abonatórias, para o país por parte de entidades nacionais. Parece que há algo a esconder dos portugueses, quando o seu papel é
exactamente o contrário, esclarecer, com objectividade, o que se está a passar.
Depois, apesar da defesa constante da DGCI, afinal as coisas não são o que
parecem. A Sonae tem ganho a quase totalidade dos processos que tem com o
fisco. Só que o grupo tem meios, o contribuinte comum é que não.
Défice orçamental vai continuar a descer
0
-0.4
-0.2
-1
-1.5
-2
-2.2
-2.6
-3
-4
-3.9
-5
-6
-6.1
-7
2005
Fonte
2006
2007
2008
2009
2010
2011
PEC
Défice da balança comercial com países
terceiros agrava-se (importações em milhões de euros)
1500
1400
Alberto Costa
O ministro da Justiça acabará por ter uma passagem quase inóma pelo
Governo. É verdade que houve algumas reformas, mas a realidade é apenas uma. A justiça continua pelas ruas da amargura e desgraçado daquele
que cair nas suas malhas. A morosidade é a mesma e a confiança dos
cidadãos no sistema judicial continua em baixa. Quanto a tudo o resto,
Alberto Costa limita-se a não entrar em conflito com as classes profissionais, o que quer dizer deixar tudo como está.
1300
1200
1100
1000
900
Jan./07 Fev./07 Mar./07 Abr./07 Mai./07 Jun./07 Jul./07 Ago./07 Set./07 Out./07 Nov./07 Dez./07 Jan./08 Fev./08 Mar./08 Abr./08
Fonte
INE
Conferência
Em parceria com a Câmara dos Solicitadores
Junho
REFORMA DA ACÇÃO EXECUTIVA
A DIVULGAÇÃO E O DEBATE OBRIGATÓRIOS
ORADORES
• Mestre João Tiago da Silveira - Secretário de Estado da Justiça
• António Gomes da Cunha - Presidente da Câmara dos Solicitadores
• Virgílio da Costa
ta Ribeiro - Juíízos de Execução do Porto
• Sérgio
rgio Rebel
Rebelo - Juízos
íízos de Execução do Porto
• Membro a designar do Ministério Público
DESTINATÁRIOS
Debate alargado a todos os Solicitadores, Advogados, Magistrados e Juristas
Local: Hotel Ipanema Park - Rua de Serralves 124, 4150-702 Porto
Dia/Hora: 21 Junho - 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 17h00
Pedidos de informação e pré-inscrição para:
Grupo Editorial Vida Económica (Drª Cláudia Figueiredo)
Telf. 223 399 468 - Fax: 222 058 098 • endereço electrónico: [email protected]
www.vidaeconomica.pt/livraria
Preços:
- 110 euros - Solicitadores, Advogados, Magistrados, Juristas
- 60 euros - Solicitadores Estagiários e Advogados Estagiários
APOIO:
Organização
Actualidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
5
Indemnizações a acidentados na estrada vão subir 9%
O novo modelo de indemnização de lesados em sinistros automóvel, previsto na portaria que entrou em vigor há duas
semanas, deverá aumentar em 9% o custo médio de indemnização para as seguradoras. Mas a concorrência agressiva
do mercado de seguro automóvel não deixa as companhias pensar em subir os preços das apólices. Até quando?
A
s indemnizações que as seguradoras terão de pagar
às vítimas de acidentes rodoviários deverão aumentar 9%
com a entrada em vigor do novo
modelo de indemnização previsto no Decreto-Lei 291/2007 e
agora regulamentado pela Portaria 377/2008, publicada a 26 de
Maio. O cálculo foi anunciado
no XII Encontro de Resseguros,
promovido na semana passada
pela Associação Portuguesa de Seguradores. Maria João Sales Luís,
directora coordenadora de sinistros automóvel da Caixa Seguros,
confirmou aos participantes no
congresso que este é o aumento
médio esperado pelo sector, embora a Caixa Seguros, operador
com maior quota de mercado
no ramo automóvel, tenha uma
previsão de aumento de 15% no
custo médio das indemnizações.
De acordo com Maria João Sales
Luís, o custo médio de indemnização por morte subiu 300% em
menos de 10 anos e prepara-se
para disparar nos tempos mais
próximos.
É a Portaria 377/2008, publicada há poucas semanas, que
vem fixar os critérios e valores
orientadores para a formulação
da chamada proposta razoável
que as seguradoras são obrigadas a apresentar aos lesados por
acidente automóvel, no âmbito
do Decreto-Lei 291/2007. Em
caso de morte, o pagamento de
despesas e salários e a indemnização a título de direito à vida não
sofrem alterações, mas a indemnização devida por danos morais é agora majorada, enquanto
o cálculo de danos patrimoniais
passa a diferenciar o peso do rendimento do sinistrado no orçamento familiar.
Em caso de invalidez, é introduzido o conceito de dano biológico, correspondente a um valor
de indemnização pelo direito à
integridade física do sinistrado,
que é calculado de acordo com a
Tabela Indicativa para Avaliação
do Dano Corporal em Direito
Civil, publicada no final do ano
passado, ponderando a gravidade
das sequelas e idade do lesado.
Além do dano biológico, o sinistrado inválido deverá ser indemnizado por danos morais com-
plementares, onde se incluem os
danos estéticos, a dor sofrida e
a incapacidade com repercussão
laboral, entre outros. As seguradoras são igualmente obrigadas a
suportar as despesas incorridas e
comprovadas, além de eventual
assistência vitalícia futura.
Novidade nos novos modelos
de indemnização das vítimas de
acidentes rodoviários é o facto
de os danos patrimoniais passarem a ser calculados com base
nos rendimentos provados fiscalmente.
Preços não sobem
Com o custo médio das indemnizações a vítimas de sinistros automóvel a aumentar, as
seguradoras vêem-se a braços
com um aumento significativo
das despesas, acreditando que começará de imediato a ser prática
corrente nos tribunais o aumento
gradual do valor das indemnizações sentenciadas. Ainda assim,
será difícil que as seguradoras
consigam reflectir esse aumento
de custos nos preço do prémio do
seguro automóvel, que tem continuado a baixar, de forma geral,
no mercado português. Para este
fenómeno contribui em grande
escala o aparecimento de novos
operadores de venda directa de
seguros, que baseiam o seu modelo de negócio em estruturas de
custo reduzido e comercializam
apólices a preços baixos, naquilo
a que o mercado já chama de “seguradoras low-cost”. Com a concorrência cada vez mais agressiva,
é impensável para a maioria das
seguradoras aumentar o prémio
de seguro e o que se tem verificado é mesmo o inverso, ou seja,
o prémio médio do seguro automóvel baixa generalizadamente
no mercado.
Além do aparecimento de
novos operadores, não é indiferente a este fenómeno a entrada
em vigor da Lei das Cobranças,
que dispensa o consumidor de
avisar antecipadamente a sua seguradora da intenção de anular
a apólice. Basta que não pague
a sua renovação que a apólice é
imediatamente anulada. Daí que
grande parte dos consumidores
reaja ao aparecimento do aviso
ANA SANTOS GOMES
[email protected]
de pagamento da renovação do
seguro com uma consulta ao tarifário do mercado e mude para
a seguradora que estiver com o
preço mais barato nessa altura. É
também por isso que a generalidade das seguradoras procura ter
o preço mais apetecível, sabendo
que esse é, para muitos portugueses, o principal factor de decisão
na hora de subscrever o seguro automóvel, sobretudo para
quem procura uma apólice com
o seguro mínimo obrigatório de
responsabilidade civil. E mesmo
quando os capitais mínimos deste seguro aumentaram, por força
da 5ª directiva do seguro automóvel, que entrou em vigor em
Outubro, os prémios não sofreram aumentos na generalidade
das companhias.
Em 2007, o resultado deste fenómeno foi bem visível. O ramo
automóvel registou uma quebra
de 2,9% e a taxa de volatilidade
das carteiras rondou em muitas
companhias os 30%. Com o poder de compra dos portugueses
em baixa e a massa segurável sem
grande crescimento, a disputa
pelos segurados da concorrência
acentua-se. Os capitais mínimos
já subiram e voltam a subir no
próximo ano. Os custos com indemnizações tendem a aumentar.
Resta saber até quando as seguradoras conseguirão fazer face a
estes aumentos sem aumentar
preços.
Confederação do Comércio AIP defende reforço da garantia mútua
Associação Industrial Porcontesta estudo sobre
tuguesa-Confederação
(AIP-CE) deliberalização dos horários fende oEmpresarial
reforço e a dinamização
A
É
mais um episódio na “velha” polémica da liberalização dos horários dos
estabelecimentos comerciais ao
domingo. A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição
(APED) apresentou um estudo
que concluiu que as receitas adicionais e o número de empregos
iam crescer significativamente,
caso o comércio abrisse portas aos
domingos à tarde. A Confederação do Comércio e Serviços de
Portugal (CCP) diz que o estudo
se baseia em falsos pressupostos e
projecções especulativas.
Pensando a procura comercial
“em função do rendimento das
famílias, dos seus níveis de poupança e da sua capacidade de
endividamento, não é admissível
prever, para a próxima década,
um crescimento destes indicadores que permita acomodar os aumentos nas vendas apresentados”,
alerta, em comunicado, a estrutura patronal.
A CCP não duvida que os efeitos mais graves do alargamento
de horários seriam sobre o pequeno comércio, “cuja quota de mercado, em especial no segmento
alimentar, tem descido de forma
drástica e que, em muitos casos,
não dispõe de meios para poder
abrir as suas lojas ao domingo”.
As projecções calculam as vendas “com base nos resultados do
período de Natal em que o efeito sazonal não é um exercício
credível”. Em relação aos oito
mil postos de trabalho a criar até
2017, a CCP também não acredita nas conclusões da APED:
“O alargamento dos horários por
mais algumas horas, ao domingo,
não irá traduzir-se em novas contratações de pessoal, mas apenas
numa nova gestão dos recursos
humanos.”
da garantia mútua, como uma das
principais medidas para melhorar
o financiamento das pequenas e
médias empresas (PME) num
quadro que se apresenta de crise a
nível nacional e internacional.
Esta e outras medidas fazem
surgem integradas na Carta Magna da Competitividade de 2003.
Nesse sentido, a AIP-CE propõe cinco medidas para o financiamento das PME:
- Desenvolver esforços junto da
banca no sentido da promoção de
acções conjuntas para a melhoria
das condições de acesso das PME
ao financiamento bancário, bem
como actuar no sentido da mobilização do sistema financeiro para
a garantia de objectivos quantificados a nível global de financiamento para PME.
Objectivo: garantir que o crédito a empresas atinja 50% do
crédito total, sendo que o crédito
a empresas de pequena dimensão deve atingir, em 2009, 15%
do total do crédito a empresas e
o crédito abaixo dos seis milhões
de euros deve atingir os 65% da
totalidade do crédito a empresas,
no mesmo ano.
- O Estado e as Autarquias,
para além dos objectivos que se
pretendem atingir com o Programa “Pagar a Tempo e Horas”,
deveriam assegurar a confirmação
Rocha de Matos, presidente da AIP.
imediata das suas facturas, permitindo que fossem descontadas
sem custos de capital para os bancos e com a correspondente baixa
de spreads.
Objectivo: criar as condições
necessárias para que os credores
do Estado possam realizar os seus
créditos através de mecanismos
normais de mercado, como seja,
por exemplo, através do factoring.
- Proporcionar uma maior participação das PME no mercado
de compras públicas, nomeadamente através de medidas de discriminação positiva deste tipo de
empresas.
Objectivo: atingir um volume de compras públicas a
PME nunca inferior a 25% do
total das compras públicas, até
2009.
- Melhorar e dinamizar a utilização do capital de risco, nas suas
várias vertentes.
Objectivo: aumentar a capacidade de investimento de muitas
PME e compensar “falhas de
mercado” notórias em áreas como
a “reestruturação e redimensionamento” de PME; investimento
em activos imateriais; start-ups,
transmissão de empresas…
Reforçar e dinamizar a actividade de “garantia mútua”, com o
objectivo de ultrapassar a vulnerabilidade de muitas PME relativamente à prestação de garantias
colaterais.
Palmira Simões
redacçã[email protected]
6
Actualidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Vieira da Silva participou num debate no Porto e ouviu muitas críticas dos católicos
Ministro do Trabalho incentiva a uma
“maior adaptabilidade de todos”
TERESA SILVEIRA
[email protected]
“N
ão é função da Igreja Católica fazer justiça social; esse é o
papel da política”. A frase é do
bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e foi
proferida a semana passada, durante um
debate sobre “O Novo Código do Trabalho e a Situação Sócio-Económica do Porto”, promovida pela Comissão Diocesana
Justiça e Paz e que teve como convidado
principal o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, António Vieira da Silva.
E não se revelou fácil a tarefa de Vieira
da Silva neste encontro, não vão os leitores imaginar o contrário, pois teve de ouvir não só algumas frases incómodas de D.
Manuel Clemente – falou do “importante
papel dos sindicatos”, da “ineficiência dos
sistemas de segurança social” e da necessidade de olhar para as pessoas como “o parâmetro da dignidade do trabalho” —, como
também foi forçado a escutar intervenções
inflamadas de vários católicos, como a de
uma ex-dirigente sindical do sector têxtil, a
de um “militante do Partido Socialista desde 1974” e “advogado de alguns sindicatos
da UGT” e a de um estudante universitário e dirigente estudantil.
Abordado pelos jornalistas à margem
do encontro, Vieira da Silva desvalorizou os números da recente manifestação
da CGTP e frisou a necessidade da apresentação de propostas construtivas pelos
parceiros sociais. “É bom que as propostas vindas dos diferentes quadrantes sejam
apresentadas e debatidas e que não sejam
apenas propostas de negação das propostas
dos outros, nomeadamente das propostas
do Governo”. É que “não é o facto de elas
serem apresentadas num quadro de mo-
“Queremos que as empresas, a economia e os trabalhadores reforcem a sua capacidade de adaptação a
uma realidade que é cada vez mais exigente e que está a mudar muito rapidamente”, disse o ministro
Vieira da Silva.
bilização [sindical] que as transforma em
algo de diferente”, disse o ministro aos jornalistas.
Ministro recusa ter apresentado
apenas princípios
Questionado pela “Vida Económica”
sobre a crítica do ex-autor do Código do
Trabalho, Pedro Romano Martinez, que
questionou, na edição passada da VE,
o facto de o Governo apenas apresentar
princípios aos parceiros sociais e de um
Bruxelas considera
que tributação
automóvel favorece
produção nacional
A
Comissão Europeia (CE) incitou Portugal a alterar a
tributação automóvel. Na base da decisão está o facto
de, segundo Bruxelas, haver “diferença de tratamento entre operadores registados e operadores reconhecidos
que conduz a uma discriminação em relação aos veículos
produzidos nos outros Estados‑membros”. Se a legislação
nacional não for alterada de modo a dar cumprimento ao
parecer fundamentado, a CE pode decidir instaurar uma
acção no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias.
O Código do Imposto Sobre Veículos (ISV) português
refere que um operador registado (sujeito passivo que se
dedica habitualmente à produção, admissão ou importação de veículos tributáveis) pode deter um veículo em
suspensão de imposto durante um período máximo de
três anos, ao passo que um operador reconhecido (sujeito
passivo que, não reunindo as condições para se constituir
como operador registado, se dedica habitualmente ao comércio de veículos tributáveis) pode detê-lo nesse regime
por um período de seis meses.
ACAP refere que esta é uma “não questão”
A Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que representa a fábrica nacionais, acusa da CE de estar a levantar um problema sem expressão. Em declarações à “Vida
Económica”, o secretário-geral da entidade afirmou que “a
Comissão deveria era preocupar-se com questões mais importantes, como por exemplo a dupla tributação de IVA
sobre o ISV, essa sim uma questão vital”.
Hélder Pedro não tem dúvidas de que “esta é uma não
questão”, até porque não há veículos a saírem matriculados sem estarem pagos. “Além disso, dos automóveis produzidos em Portugal, apenas cerca de 4% se destinam ao
mercado nacional, o que é um volume perfeitamente residual”, acrescenta o dirigente da ACAP.
Aquiles Pinto
[email protected]
eventual consenso nos princípios poder
não significar consenso quanto à letra da
lei, o ministro discordou. “O Governo não
apresentou apenas princípios; apresentou
linhas de orientação com propostas muito
concretas”, disse.
“Quando nós propomos que a duração
dos contratos a termo se reduza de um máximo de 6 anos para 3 anos, não estamos a
falar de princípios, estamos a falar de propostas; quando propomos que haja uma
diferente taxa contributiva quando se tem
um contrato com termo e um contrato
sem termo para as entidades empregadoras
não estamos a falar de princípios, estamos
a falar de propostas”, exemplificou.
“Nós queremos que as empresas, a economia e os trabalhadores reforcem a sua capacidade de adaptação a uma realidade que
é cada vez mais exigente e que está a mudar
muito rapidamente”, disse o ministro, salientando a vontade de “reforçar o papel da
contratação colectiva e da negociação entre
as partes na vida das relações laborais”.
Recusando falar de “recuo” e de “cedências”, Vieira da Silva disse valorizar a negociação com os parceiros, que é sempre
“uma tentativa de aproximação de posições”. E também recusou que a proposta
do Governo facilite os despedimentos.
“Não há na proposta do Governo nenhuma facilitação dos despedimentos nem nenhuma via aberta para os despedimentos”,
afirmou peremptório.
Questionado ainda pela “Vida Económica” sobre uma maior facilitação dos
despedimentos por inadaptação e o facto
de vários juristas defenderem que a proposta do Governo pode pôr em causa o
princípio constitucional da segurança no
emprego, o ministro voltou a negar. “Há
juristas que defendem todas as posições.
É por isso que este é um debate interessante”. Certo é que “o despedimento por
inadaptação já está previsto na nossa legislação desde 1991”. Agora, o que o Governo pretende é “incentivar a capacidade de
adaptação de todos”. “Precisamos de mudar no sentido de uma maior capacidade
de adaptabilidade de todos” e de “caminhar no sentido de uma maior resposta às
mudanças do mundo”.
Marcelo Rebelo de Sousa
é orador convidado da ACEGE
A Associação Cristã de Empresários
e Gestores de Empresas (ACEGE) realiza, no próximo dia 18 de Junho, às
13 horas, um almoço-debate subordinado ao tema genérico “RSE: A responsabilidade do Estado no potenciar
de uma cultura de responsabilidade”,
que terá como orador convidado
Marcelo Rebelo de Sousa, professor
catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa,
jurista, “opinion maker” e dirigente
político.
Este almoço-debate integra-se num
ciclo promovido pela ACEGE que
visa contribuir, de forma consistente,
para a análise da vital importância da
responsabilidade social das empresas
na construção de uma sociedade mais
justa e solidária. O encontro tem lugar na Rua dos Douradores, 57, em
Lisboa
COLUNA DO LEITOR
Um Vale do Ave na grande distribuição
“Senhor jornalista Virgilio Ferreira, chefe de redacção
da “Vida Económica”
Tendo lido alguns artigos seus, resolvi escrever este
mail para lhe solicitar que fizesse um artigo devidamente
investigado sobre a grande distribuição que, penso eu, a
curto prazo, iremos ter um grande Vale do Ave de dimensão nacional na grande distribuição com desemprego e
até mesmo fecho de algumas UCDR Unidades Comerciais de Dimensão Relevante. Bastará solicitar à DGE,
antiga DGCC, quantos projectos autorizados foram cancelados, quantos pedidos de ampliação com autorizações
pagas foram abandonadas – e é um licenciamento nada
barato, tem uma validade de dois anos para apresentação
de projecto e respectivo licenciamento camarário de execução e mais um ano de prorrogação.
No passado mês de Abril um hipermercado recentemente instalado no concelho de Torre Vedras consta que
terá despedido 100 funcionários. Quantos supermercados e hipermercados irão encerrar até ao final do ano de
2008 e durante o ano de 2009 das diferentes insígnias?
Compras de insígnias como as do Carrefour, Plus e
Marrachino, mais não são do que balões de oxigénio e
pura engenharia financeira das insígnias compradoras.
PS - Já agora, aproveito para lhe colocar outra questão:
por que será que hoje, 05.06.2008, e após duas ou três
descidas do barril do petróleo sem a correspondente diminuição do preço litro nos postos nomeadamente da
Galp, à semelhança do que vinha acontecendo quando o
barril subia, o litro nesses postos tambem subia, nenhuma imprensa escrita deste país falou no assunto? Será que
se trata de um silêncio pago? Veja todos os jornais diários
de hoje, incluindo os desportivos, encontrará neles uma
página inteira de publicidade da Galp ao cartão Fast Galp
com cinco cêntimos de desconto. Quanto pagou a Galp
por este silêncio?
Peço-lhe desculpa por ocupar o seu tempo, e gostaria
de ver este tema tratado no seu jornal.”
Aníbal José Lopes Rodrigues
Nota de Redacção: Agradecemos a sugestão do nosso
leitor. Iremos procurar abordar o assunto numa das próximas edições.
actualidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
7
Sustentabilidade do SNS em debate
Seguro de saúde tem
1,6 milhões de subscritores
O controlo da despesa e a optimização dos modelos de gestão estiveram na ordem do dia,
no III Seminário Nacional Financiamento Hospitalar, onde se debateu a sustentabilidade
do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Promovido pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), o
encontro apresentou o mote de mais e melhor saúde para todos como pano de fundo do
debate.
P
ara explicar o modelo de gestão público nacional, Adalberto Campos
Fernandes, do Hospital de Santa
Maria, utilizou a expressão “vida de rico
com carteira de pobre”. O gestor considerou ainda que a “concorrência na saúde é
e será sempre imperfeita”, mas que há que
ter em conta os condicionamentos de cada
um dos sistemas e há que saber “conciliar
as expectativas dos cidadãos e dos profissionais”.
No caso do modelo de gestão público,
há que “redefinir o modelo assistencial, redesenhar o modelo orgânico, alterar o modelo de gestão, integrar o relacionamento
com os Cuidados de Saúde Primários e
Cuidados Continuados Integrados, incorporar o ensino e a investigação e rever os
mecanismos de financiamento”.
E “como não há grandes diferenças nos
desafios que se colocam às administrações
públicas e privadas”, de acordo com Isabel
Vaz, administradora do Grupo Espírito
Santo Saúde, os desafios acabam por ser
igualmente semelhantes e prendem-se com
o investimento na qualidade e na inovação
tecnológica. A administradora falou ainda
sobre o aumento do número de pessoas
com seguro de saúde no nosso país, “que
atingem já cerca de 1,6 milhões”, que ac-
tuam como dupla cobertura e não como
complemento do SNS.
Contratualização em saúde
Abordando o tema da contratualização,
Eurico de Castro Alves, da Entidade Reguladora da Saúde, afirmou que é “inevitável
que esta seja alargada a todos os sectores”,
em que um “sistema de informação fiável e
credível é essencial a todo o processo”.
Já Pedro Lopes, recentemente nomeado
presidente da APAH, explicou que o processo da contratualização pode ter vantagens e desvantagens e que nos Hospitais
Universitários de Coimbra, entidade que
administra, foi realizado um contratoprograma interno, assinado por todos os
directores da unidade hospitalar. Em seu
entender, este “é um documento que assume, por escrito, a assunção de responsabilidades” e em que deve haver uma definição clara de objectivos, meios adequados
de controlo de gestão, auditoria interna e
sistemas de informação.
Por seu turno, Bruno Henriques, da Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde, recordou a legislação que
contempla o acesso de todos os cidadãos a
cuidados de saúde que deve nortear toda
Montemor acolhe aldeamento
turístico de cinco estrelas
M
ontemor-o-Novo foi o local escolhido pela Sousa Cunhal Turismo e pelo grupo Lágrimas para
criarem um aldeamento de cinco estrelas,
que terá o vinho como âncora. Sob o nome
L’And Vineyards, o projecto, constituído
por 145 moradias, deverá estar concluído
em 2010.
O empreendimento, dedicado exclusivamente ao turismo residencial, tem cerca
de 66 hectares e está organizado em sete
núcleos. As unidades dividem-se entre serviced villas (T3 a T6), com valores que vão
dos 350 aos 759 mil euros, e “serviced townhouses” (T2), cujos preços variam entre
os 135 e os 259 mil euros.
O investimento ronda os 44 milhões de
euros e a comercialização do mesmo já está a
ser feita. A divulgação do empreendimento
ocorrerá no mercado nacional, mas também
no internacional, com principal incidência
nos nórdico, inglês, irlandês e espanhol. O
início da construção das infra-estruturas deverá iniciar-se ainda este ano, e das unidades
em 2009. Como aliciante e factor diferenciador, o projecto L’And Vineyards assenta
num conceito em que cada proprietário é
também produtor de vinho, azeite, ... Experimentar o que é a vinicultura.
Este é o primeiro projecto de marca desenvolvido pela Sousa Cunhal Turismo,
holding do grupo alentejano, em parceria
com o grupo Lágrimas. Este detém 10%
do capital do projecto e ficará responsável
pela gestão do empreendimento.
O projecto foi desenvolvido por cinco
arquitectos de renome internacional, três
portugueses e dois estrangeiros: Promontório Arquitectos, de Lisboa; Sergison Bates
Architects, de Londres; João Luís Carrilho
da Graça Arquitectos, de Lisboa, Architekturbüro Peter Märkli, de Zurique; José
Paulo dos Santos Arquitecto, do Porto. O
paisagismo do empreendimento tem a assinatura da PROAP – João Ferreira Nunes,
de Lisboa.
Alexandra Costa
[email protected]
Um sistema de informação fiável e credível é essencial a todo o processo de
contratualização dos serviços de saúde.
e qualquer decisão no campo das políticas
da Saúde.
Flexibilidade
Pedro Pita Barros, perito em Economia
da Saúde, explicou os diferentes modelos
de gestão, desde a sua eficiência, acessibilidade e “clinical governance”.
O professor da Faculdade de Economia
da Universidade de Lisboa sublinhou que
“não haverá receitas gerais ‘one size fits
all’”, contudo, “dentro da flexibilidade desejável para cada hospital se ajustar da melhor forma à população que serve, existem
princípios gerais”. Assim, o especialista explicou as alterações no que toca à introdução de medicamentos “ditos inovadores”,
em que a avaliação económica favorável
surge como barreira adicional e sublinhou
que os médicos do SNS, ao optarem por
determinada terapia, têm de ter em consideração quer os benefícios para o doente
quer o custo do medicamento.
Daí que tenha falado sobre um modelo
que assenta na partilha de risco, em que o
pagamento por parte do SNS só tem lugar
em caso de sucesso do tratamento. Desta
forma, é aplicada a terapia em todos os
casos em que o tratamento faça sentido,
mesmo naqueles em que a taxa de sucesso
previsível é irrisória.
Pita Barros classifica este cenário como
uma “win-win situation”, em que ambas
as partes podem obter vantagens. Porém,
frisou que “a ideia de partilha de risco é
boa instantaneamente, mas, a longo prazo,
com revisões de preços, poderá não ser favorável, porque o SNS estará a gastar mais
com os doentes que poderiam ser tratados
recorrendo a outra alternativa”.
Ana Albernaz
[email protected]
PUB
8
actualidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Observatório
do Trabalho
Temporário arranca
em Outubro
O lançamento do futuro Observatório do Trabalho Temporário foi um dos resultados mais
interessantes do recente encontro
que reuniu responsáveis do sector e onde também foi lançado o
Manuel do Provedor do Trabalho
Temporário.
Marcelino Pena Costa, presidente da APESPE, Associação
Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego, afirmou
ao “Vida Económica” que “a nova
lei (do trabalho temporário) em
vez de vir a simplificar alguns procedimentos, complicou-os”. Este
gestor participou na semana passada na sessão de apresentação do
“Manual do Provedor do Trabalho
Temporário”, o qual aconteceu no
ISEG e contou com a presença de
Vitalino Canas, Provedor do Trabalhador Temporário, e de Luciana
Campos, da empresa Protocolo.
O encontro foi muito útil, na
óptica do presidente da APESPE,
nomeadamente com o lançamento
da ideia de criação de um Observatório do Trabalho Temporário,
por parte de Vitalino Canas e que
Têxtil receia ser
outra vez moeda
de troca
Evento compensa do ponto de vista da notoriedade
Feira do Livro do Porto
não tem interesse comercial
Está cumprida mais uma edição da Feira do Livro do Porto. O evento atingiu o
objectivo das 300 mil visitas, mas continua a não ser compensadora para as
editoras do ponto de vista financeiro.
A
Marcelino Pena Costa, presidente da
APESPE
contou, de imediato, com o apoio
do professor António Mendonça, presidente do ISEG (Instituto
Superior de Economia e Gestão).
Este docente assegurou que a escola irá dar todo o apoio necessário.
Marcelino Pena Costa afirmou à
VE ser expectável arrancar com o
Observatório do Trabalho Temporário em Outubro, uma iniciativa
que contará com o apoio técnico
do Observatório do Emprego.
O trabalho temporário representará cerca de 1,4% dos 5 milhões
de trabalhadores activos nacionais,
embora o número de trabalhadores em situação de precariedade se
situe entre os 12% e os 14% da
população activa, considerando os
contratos a termo, em part-time,
os recibos verdes que pagam segurança social e os prestadores de
serviços independentes que pagam
igualmente contribuições para a
segurança social.
O encontro serviu para lançar
o “Manual do Provedor”. Sobre a
nova lei do trabalho temporário as
críticas foram muitas e o presidente da APESPE fala no aumento da
carga burocrática e administrativa,
sem qualquer acréscimo prático ao
nível da protecção dos trabalhadores. A Associação diz ter feito ao
Executivo propostas “inovadoras”
e lamentou que o actual ordenamento laboral não seja uma lei
“para a frente”.
VN
feira da Invicta é, sobretudo, uma montra rectifica: “A homenagem foi à cidade do Porto - foi
para as editoras. “A feira não compensa do nessa condição que aceitei - eu fui apenas o autor
ponto de vista económico, nem sei se alguma em destaque.” A oportunidade serviu para alertar
vez compensou. O investimento é muito grande e o para alguns problemas que o Porto enfrenta: “Ainda
retorno financeiro não compensa. A grande vanta- há muita carência de actividade cultural na cidade.
gem é a notoriedade da presença”, revela Darlindo A iniciativa privada é significativa, mas a autarquia
Resende, elemento da organização.
está alheada da cultura. Além disso, a cidade está
O certame não contou, este ano, com a presen- cada vez mais degradada e abandonada; é urgente
ça directa do grupo Leya, detentor de 13 editoras, construir uma grande área metropolitana.”
entre as quais a Edições ASA, a Texto Editores, a
Os portugueses estão na cauda da Europa, em terCaminho e a Dom Quixote. O stand “Inovação à mos de hábitos de leitura. Apesar do Plano Nacional
Leitura” representou estas editode Leitura em curso, Germano Silva
ras na feira deste ano. “A polémica
não acredita que a realidade esteja
passou uma má imagem da Feira e
muito diferente: “É verdade que se
Os portugueses
trouxe alguma desmotivação à orgaeditam muitos livros, mas duvido que
nização, as coisas podiam ter corrido
se criem, de facto, hábitos de leitura”.
ainda estão na
melhor”, admite Darlindo Resende.
O triunfo do suporte electrónico, face
cauda da Europa,
“Apesar de as Feiras de Lisboa e do
aos livros tradicionais, não assusta
Porto terem organizações diferenGermano Silva, que acredita que “os
em termos de
tes, há decisões que dizem respeito
livros e jornais, tal como são actualàs duas, como, por exemplo, a pumente, não vão morrer”. O evento
hábitos de leitura
blicidade que só pôde arrancar após
serviu ainda para a apresentação do
o desfecho da polémica” [lembra-se
novo livro do autor, “Porto - sítios
que a Associação Portuguesa de Edicom história”, contou com uma extores e Livreiros (APEL) acusou a autarquia lisboeta posição do Museu Nacional de Imprensa intitulada
de favorecer o maior grupo editorial português, ce- “As Manchetes do Regicídio” e uma homenagem ao
dendo-lhe pavilhões diferenciados na Feira?].
alfarrabista portuense Nuno Canavez, da Livraria
A homenagem habitual a uma personalidade re- Académica.
Mariana Pinto
caiu este ano sobre Germano Silva. O jornalista
Feira 2009: saída do Pavilhão Rosa
Mota aplaudida
N
ão é a primeira vez que se anuncia, mas desta parece ser definitivo. Em 2009, a Feira
do Livro do Porto deve deixar o Pavilhão
Rosa Mota e regressar ao ar livre. O local ainda não é
certo, mas as obras previstas para o pavilhão, onde a
Feira se realizou nos últimos 14 anos, devem obrigar
mesmo à mudança. A Câmara Municipal do Porto
já disse que vai negociar com a APEL o melhor sítio
para a realização da Feira do próximo ano e que a
Avenida dos Aliados, onde a mesma se realizou durante muitos anos, seria uma boa escolha.
Darlindo Resende refere que, apesar de a Feira
num recinto fechado trazer “mais condições”, também “cria a ideia de que é um local mais fechado,
onde se paga. Estando na rua, conseguimos chegar
a mais gente”, continua. Germano Silva deixa a sugestão: “A Avenida das Tílias, no Palácio de Cristal,
seria uma óptima opção. Sem dúvida que a realização ao ar livre é mais atractiva.” O Pavilhão Rosa
Mota recebeu, este ano, 94 stands (menos 17 do que
em 2007) e teve 60 editoras inscritas (menos cinco),
com a Cidade Invicta como tema central. A 78ª edição conseguiu uma “afluência do público idêntica à
do ano passado e cumpriu o objectivo das 300 mil
visitas”, concluiu Darlindo Resende.
Grupo editorial Vida Económica
volta à Feira do Livro
O Grupo Editorial Vida Económica foi uma das
60 editoras presentes na 78ª edição da Feira do
Livro. No stand do grupo estiveram as mais recentes edições, como o “Código dos Contratos
Públicos”, a “Tributação do Património” (2ª edição) e o “Direito Tributário 2008 (6ª edição).
As edições do sector imobiliário também estiveram em destaque, com os títulos mais recentes, como o “Guia do Direito Imobiliário - Direito
de Propriedade e Tendências de Gestão Imobiliárias 2008”.
A indústria têxtil e vestuário está
preocupada com as pressões exercidas por parte de alguns países, no
âmbito da Organização Mundial
de Comércio, no sentido da liberalização do comércio, sem que que
se verifique uma política efectiva
de reciprocidade. A Federação da
Indústria Têxtil e do Vestuário de
Portugal (FITVEP) já enviou uma
missiva ao Governo nacional para
pressionar a Comissão Europeia,
tendo em conta o genuíno acesso
aos mercados.
A situação agravou-se recentemente, quando o Canadá apresentou um novo modelo, com vista
à obtenção de acordo no dossier
“acesso a mercados de produtos
não-agrícolas. Depois de analisado o
documento, a federação conclui que
a implementação das propostas representa uma parcialidade inaceitável no que respeita à consagração da
Agenda de Doha para o Desenvolvimento. Por outro lado, “a União
Europeia pouco fez para cumprir o
mandato que lhe foi concedido em
Dezembro de 2003, que consistia
na redução dos direitos aduaneiros
para o nível comum mais baixo,
com excepção dos países menos
desenvolvidos, e na eliminação das
barrreiras não tarifárias”.
Considera aquela estutura associativa que a proposta apresenta um conjunto de coeficientes e
flexibilidades que permitirá aos
países terceiros manterem fechados os seus mercados internos aos
produtos de outras origens, nomeadamente europeias. Face a este
cenário, “faz-se da indústria têxtil
e vestuário a habitual moeda de
troca, numa atitude injustificada
e que coloca em causa o legítimo
interesse nacional”.
Universidade
Aberta divulga
ensino à distância
Educação à distância e e-learning
são dois conceitos em voga no ensino em Portugal. É nesse contexto
que a Universidade Aberta (UAb)
organiza uma conferência de uma
das maiores redes mundiais de
educação à distância e e-learning, a
EDEN - European Distance and
E-Learning Network. O evento
reúne, no Centro Cultural de Lisboa, mais de meio milhar de participantes. Os trabalhos decorrem
até amanhã, sábado.
Entre os presentes estarão professores e investigadores conceituados internacionalmente, representantes da Comissão Europeia, de
organizações internacionais e não
governamentais, directores de empresas e dirigentes de universidade
de ensino à distância.
O programa inclui sessões plenárias e paralelas, com a apresentação de comunicações e sessões de
trabalho.
Depois da conferência da
EDEN, a UAb vai participar, em
parceria com a Universidade Católica Portuguesa (UCP) e o Instituto Nacional de Administração
(INA), na organização de um fórum sobre a qualidade e a inovação
no sistema de educação. A intenção é desenvolver as competências
dos formandos, tendo em conta as
novas necessidades educativas e do
mercado de trabalho.
Opinião
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Em pantanas
A
expressão é popular. Mas parece vilhas próprias que o Governo nos fez saser a que mais se ajusta ao estado ber, a nós, incultos e ignorantes cidadãos
do país. Que está em pantanas. que só discordávamos porque estávamos
Ninguém se entende. Cada qual procura a soldo dos “inimigos” do Governo, que
puxar a brasa à sua sardinha. Só que as sar- muitos de nós começaram a olhar para o
dinhas são muitas e as brasas são poucas. Primeiro-Ministro como se fosse um deus
O que quer dizer que, para alguém ter a em pessoa. Não porque o víssemos como
sua brasa, outro há-de ficar sem ela. E, o todo-poderoso. Mas porque ele se afirmaque é pior, estamos a assistir à progressiva va todo-poderoso. E porque, a partir de
redução das brasas, já de si insuficientes, determinado momento, começou a alarque temos para todas as sardinhas. Bem à dear a arrogância de quem efectivamenmaneira portuguesa, procuramos encon- te assim se julga. Muito raramente o seu
trar culpados para este estado de coisas. Governo inflectiu as suas ideias, apesar da
Em primeira mão, aparece inevitavelmen- oposição que muitas delas, especialmente
te o Governo. Mas será que é assim tão as mais caras, suscitavam.
simples? Será que o Governo é verdadeiPois bem. Quando alguém, face a nós,
ramente responsável pelo estado de sítio a se autoproclama, implicitamente que seja,
que o país chegou?
como um deus, obviamente dele esperamos
Muito da crise que vivemos tem raízes o milagre necessário. É como se lhe apreinternacionais. Têm sido apontadas basi- sentássemos a factura da divindade. Ai é? Ai
camente três. Os preços do petróleo, a cri- és assim bom? Então resolve lá o problema!
se financeira com raízes
E os resultados, já de si
nos Estados Unidos e
esperáveis maus, toros preços dos cereais.
nam-se dramaticamenIsto é, tudo razões de
te péssimos se, como
Muitos de nós
natureza internacional,
temos vindo a assistir,
começaram
face às quais o noso deus assume um ar
so Governo pouco ou
compungido e nos diz,
a olhar para o
nada pode fazer. Parece
agora humilde, que fez
que estou a desculpar o
tudo o que podia. E se
Primeiro-Ministro
Governo, eu, que tantas
de mandante intransicomo se fosse
vezes me tenho insurgigente passa a submisso
do nesta coluna contra
cedente. Anote-se, desum deus em pessoa
a sua acção. Mas não é
de já, que a cedência ao
desculpa. É explicação.
sector das pescas, tendo
Porque a culpa do Gopor causa próxima a
verno, com particular incidência no Pri- subida dos preços dos combustíveis (ainda
meiro-Ministro, reside, a meu ver, noutro por cima, uma subida de preços que uma
domínio. Com efeito, desde a campanha Autoridade para a Concorrência designada
eleitoral que nos haveria de oferecer José pelo Governo afirmou natural e justa) vai
Sócrates, ouvimo-lo a ele, primeiro, e a provocar uma catadupa de reivindicações,
muitos dos seus Ministros e Secretários de objectivamente absurdas, algumas vezes
Estado, depois, a vangloriarem-se do que irresponsáveis, mas que surgem avassalaiam fazer ou do que tinham feito. Mui- doras face à tibieza mostrada pelo Governo
tas vezes sem razão. Muitas vezes numa num primeiro caso. Anote-se, desde já que
descarada propaganda vendida aos Por- o Governo entrou numa espiral de asneiras
tugueses como se fosse banha da cobra. que não se sabe muito bem aonde irá parar.
“Pela primeira vez, um Governo consegue Anote-se, desde já, que a pressão pode vir a
fazer…”. Quantas vezes ouvimos nós esta ser tão grande que tenhamos que assistir a
frase? Sem conta. Tantas foram as mara- eleições antecipadas.
AZUIL BARROS
Especialista no Crescimento
de Negócios
Partner & Director Geral
da Quantum Portugal
www.QuantumCrescimentoNegocios.com
D
irigi-me a um estabelecimento de
cozinhas, há pouco tempo atrás.
Estava a pensar remodelar a minha cozinha e estava disposto a gastar uma
boa quantia, contudo ninguém pareceu
interessar-se por mim.
Precisava de uma cozinha completa:
móvel de cozinha, lava-loiça, chaminé,
mesa, cadeiras, etc.
Na primeira loja que entrei, perto dos
nossos escritórios, onde inclusive já fiz
compras há alguns anos atrás, havia duas
vendedoras e ambas estavam ocupadas:
uma estava ao telefone e outra estava a arrumar umas coisas. Comecei a percorrer o
estabelecimento, para baixo e para cima,
entrava em cada mostruário de cozinhas
e observava, tocava, abria as portas dos
armários para tentar avaliar a qualidade
e imaginar esses modelos na cozinha da
minha casa.
Reparei que ao fim de uns bons 15 minutos, enquanto percorria a loja, ninguém
me fez nenhuma abordagem, nenhum
9
A. magalhães pinto
Economista
[email protected]
As coisas passar-se-iam de modo dife- que quando assumiram o Poder. A única
rente se, ao chegarmos a esta imprevisível grande vitória de que o Governo se pode
crise, o Governo estivesse na alta estima verdadeiramente orgulhar é o saneamendos cidadãos. O que teria acontecido se, to das Finanças Públicas. Mas, mesmo aí,
em lugar da atitude arrogante que o Pri- mediante uma estratégia que não resiste
meiro-Ministro adoptou durante quase a uma análise mais profunda. Se acontetodo o resto do mandato, nos tivesse tra- ce termos, em nossa casa, um desequilítado como gente e não tivesse a sua in- brio das finanças, todos sabemos o que
tervenção pública sido, em muitos casos temos que fazer: cortar nas despesas. Isto
contraditória. Não é possível aceitar um porque não temos o poder de aumendiscurso (e uma polítitar os rendimentos
ca) de cinto apertado
num abrir e fechar
em conjunto com a
de olhos. O que fez o
Nem mesmo
intenção de construir
Governo? Como tem
obras faraónicas – casos
naquilo que é a
o poder de aumentar
do aeroporto de Lisboa
os seus rendimentos
sua maior bandeira
e do TGV - em mui– aumentando os imtos casos totalmente
postos – privilegiou
– o saneamento
incompreensíveis. Não
este ângulo de aproxido Orçamento – o
é possível aceitar a remação ao controlo do
dução drástica na assisdéfice público. Com
Governo vai deixar
tência dos cidadãos na
duas consequências
doença e anunciar que
pesadíssimas.
Por
a casa arrumada
se vão gastar muitos
um lado, o equilíbrio
milhões na ligação do
das Finanças PúbliTGV ao Porto. Os cidadãos não compre- cas é transitório. É conjuntural e não
endem isso. E perdem o respeito a quem, estrutural. Basta a mais pequena crise
de tal modo, incorre em contradições fla- para voltarmos ao mesmo e às mesmas
grantes. Como não é possível aceitar que necessidades. Depois, agindo assim, saa prossecução de uma política louvável cando recursos financeiros que estavam
– a recuperação de impostos não pagos presentes na actividade económica pro– seja realizada espezinhando os direitos dutiva directa, dinamizando-a, para os
de defesa dos contribuintes. Como não é introduzir na actividade directamente
possível aceitar que a vitória nas eleições não produtiva, o Governo enfraqueceu
tenha sido obtida mediante argumentos a actividade económica. Ganham, neste
que logo foram esquecidos mal a vitória ponto, maior valia os muitos avisos que
foi assegurada.
uma personalidade sabedora e de mente
Isto é, o Governo chega à crise precisa- arrojada, Miguel Cadilhe, diversas vezes
mente no ponto mais baixo da sua popu- fez ao longo destes últimos três anos. Isto
laridade. Não apenas resultante dos fenó- é, nem mesmo naquilo que é a sua maior
menos sociais já referidos, mas também bandeira – o saneamento do Orçamento
no plano mais degradado da situação – o Governo vai deixar a casa arrumada.
económica. Desemprego em crescendo. Atirou apenas com o lixo para debaixo
Produto Interno a aproximar-se da estag- do tapete.
nação. Exportações em queda. ImportaEu gostava de ser optimista. Mas não
ções a aumentar. Investimento estrangei- consigo ver nenhuma razão para o ser. Varo quase desaparecido. Inflação crescente. mos esperar. Mas é melhor, pelo sim pelo
Tal como aconteceu com Guterres, os so- não, estarmos preparados para tempos
cialistas vão provavelmente abandonar o mais difíceis. A casa está em pantanas e vai
Governo com o país em situação pior do dar um trabalho dos diabos arrumá-la.
Não confunda baixa pressão na venda
com falta de habilidade!
vendedor me dirigiu sequer uma palavra. voltei a dar uma volta no seu interior, obPensei que talvez não tivessem “percebi- servei alguns modelos de cozinhas, mas
do” que estava ali, por isso, passei inten- ninguém parecia interessar-se por mim,
cionalmente em frente às duas vendedo- novamente. Os dois vendedores deste esras. Uma já estava a falar com um cliente tabelecimento estavam muito empenhae a outra continuava a
dos na conversa que
falar ao telefone; mas
mantinham um com
nenhuma estabeleceu
o outro e, por conseComo vendedor,
contacto visual comiguinte, nenhum deles
go, apesar de eu ter
decidiu abordar-me.
a sua função
olhado directamente
Quando ia a sair, um
mais importante
para ambas.
dos vendedores veio
Fui a outro estabelerapidamente até mim
é descobrir que
cimento na expectativa
e perguntou-me: “Preintenção está
de encontrar alguém
cisa de alguma ajuda?”
amigável e prestável,
Respondi-lhe que não,
subjacente no seu
alguém que se interesagradeci-lhe e saí!
sasse em mim. Entrei
Ainda decidi ir a oupotencial cliente
com a convicção de
tro estabelecimento. O
que se alguém me pervendedor abordou-me
guntasse se queria comprar alguma coisa e perguntou-me “Deseja alguma informaque gostasse que responderia, de imedia- ção?”. E, eu respondi-lhe: “Não. Estou só
to, que sim.
a dar uma vista de olhos”. Então o vendeEntrei no segundo estabelecimento, dor afastou-se e ao fim de cinco minutos,
quando me viu a observar uma cozinha
em particular, abordou-me novamente e
disse-me “Essa cozinha é das mais caras…
contudo, posso fazer-lhe um desconto”.
Eu respondi-lhe que apenas gostaria de
saber o preço.
Fiquei espantado pela forma inábil como
o vendedor, sem ter havido qualquer manifestação de discordância, começou logo
a desvalorizar o seu produto, oferecendome um desconto.
Em suma, o que me parece é que se
confunde “pressionar pouco a venda” com
falta de habilidade!
Quando alguém entra numa loja, normalmente, é de forma intencional. Como
vendedor, a sua função mais importante é
descobrir que intenção está subjacente no
seu potencial cliente e criar uma atmosfera onde ele se sinta bem, compre os seus
produtos ou serviços e volte para comprar
novamente.
Comece já e faça com que o ano de 2008
seja o MELHOR de sempre para Si.
10
opinião
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Última da hora! ... Última da hora!
S
empre muito bem informada, a nhecidas excepções, vai tudo para a rua
“Vida Económica” sabe que o País – o que, naturalmente, não seja médico.
está à beira de uma crise instituEsta onda parece que começou com
cional sem precedentes, com demissões um episódio sem significado relacionaespontâneas e provocadas em todos os do com um polícia. De facto, indepenmais diversos sectores da actividade polí- dentemente de poderem ter ou não um
tica, económica e social.
canudo, um polícia é um polícia – o tal
Aliás, este surto de demissões parece que, na falta do magala, também catraque começa no próprio Governo. Assim, piscava as sopeiras do meu tempo. Ora,
os muitos doutorados membros do Go- na verdade e por definição, um polícia
verno reuniram-se secretamente e decidi- deve mandar pouco e, muito menos, em
ram demitir-se em bloco – não admitem altíssimos cartolas da nossa praça, sob
serem liderados por um mero licenciado, risco e pena de poderem puxar do chanainda por cima nas condições públicas falho e não da lei e ordem. Os outros é
conhecidas.
que podem e devem
E o processo já conmandar em polícias
O Estado, pura
taminou a Mota &
– para eles, já basta a
Companhia – todos os
função de prenderem
e simplesmente,
engenheiros da conheos malfeitores.
acobarda-se, faz
cida construtora estão
Já viram o que é a
a preparar a sua saída
estupidez de ter polícerimónia, retrai-se
porque não aceitam ser
cias a mandar em poliderados pelo Dr. Jorlícias? Não se vê isso
no exercício do poder
ge Coelho, licenciado
em parte e actividade
indeclinável que lhe é
em não-sei-o-quê.
nenhumas! E sabem
Quem também está
porquê? Porque os
inerente
em posição muito dipolícias estão habifícil é o nosso querido
tuados, como a troMarquitos, o senhor
pa, a receber ordens,
Oliveira e os administradores da RTP cumprir com missões, preservar as hie– os jornalistas, em pé de guerra, consi- rarquias e fazê-lo sempre em prejuízo das
deram que ou eles requerem a cédula res- mordomias e honras. Ora, para chefiar
pectiva ou não são admitidos na função – na perspectiva dos defensores da teoria
de liderança e gestão.
– é preciso “entorno”, prestígio, cagança,
A Ministra da Saúde, entretanto, está título, falar de alto, enfim espírito corpoaflitíssima e não sabe o que há-de fazer rativo que nos leve a defender, nem que
à vida dela se os médicos desatarem a se- seja “a outrance”, os amigalhaços dos coguir os exemplos recentemente vividos legas de função. E como os polícias são,
nas outras actividades. Com algumas co- por natureza, uns brutos, não podem ser
M. J. Carvalho
Economista (OE 1613)
[email protected]
chefes destes tipos requintados. Percebi- uma arrogância insuportável, se julgam
no direito de definir, eles próprios, como
do?
No dia em que o Conselho Máximo ele deve gerir as suas próprias responsados Conselhos Superiores Nacionais, ago- bilidades. Isto é intolerável e a verdade é
ra, neste preciso momento, inventado por que, do Presidente da República ao Premim, puser na cadeia, sem apelo, remis- sidente da Junta de Freguesia, ninguém
são ou caução, todos os corporativistas parece incomodado com isto. O que
imbecis publicamente assumidos deste também é lamentável.
No fundo, o exerPaís, estaremos, deficício democrático da
nitivamente, no bom
diferença de opinião
caminho.
Já viram o que é
é, hoje, uma “blague”,
De facto, Salazar
por não executável a
deve estar a rebolar-se
a estupidez de ter
todos os níveis e por
a rir, a toda a hora. Ele
toda a gente – ele está
que inventou o Estado
polícias a mandar
cada vez mais restrito
Corporativo, que criou
em polícias? Não se
ao contraditório dos
uma câmara especialiinteresses divergentes
zada para albergar os
vê isso em parte e
das corporações que
corporativistas, nunca,
em tempo algum, lhes
actividade nenhumas! se encontram no momento por ele envolconcedeu ou lhes aceividas.
tou tal poder como o
A impunidade com
de hoje, efectivo, real,
que se contesta, reclama, exige ou propõe
palpável, asfixiante.
Se um dia ainda for a tempo de dar um causas ou soluções deriva, tão-somente, do
conselho à minha filha e ela o entender e pelo facto de sabermos, à partida, que “anaceitar, teria de lhe dizer uma única coisa: dam todos ao mesmo” e, por isso, não nos
“- Se não quiseres ir daqui para fora, ins- incomodarmos nem valorizarmos demasiado
creve-te e envolve-te rapidamente numa os episódios. De facto, os corporativistas conqualquer corporação política, económica tam sempre, à partida, com o nosso desinteou profissional “.
resse, o nosso alheamento, o nosso encolher
Isto não tem nada que ver com globa- de ombros para fazer passar as suas mensalização, desregulamentação, mercados ou gens de exigência de controlo e poder.
sistemas.
Este poder exacerbado dos diferentes
O Estado, pura e simplesmente, aco- corporativismos em Portugal está a mibarda-se, faz cerimónia, retrai-se no nar o poder, a decisão, as hierarquias e
exercício do poder indeclinável que lhe as estruturas – cada vez mais, o medo ao
é inerente perante estes polvos que vi- corporativista substitui o respeito pelo
vem à sua custa e, ainda por cima, com direito e o Estado.
Amor primeiro
D
esde que comecei a
redigir crónicas semanais de economia realizaram-se dois Campeonatos
da Europa de Futebol e outros
tantos Campeonatos Mundiais,
razão pela qual já bastas vezes
pude discorrer sobre as interconexões entre o desempenho
das selecções nestas competições e o impacto na actividade
económica nos seus países de
origem. No caso do Euro-2004,
até com outra abrangência por
via de Portugal se ter assumido
como País organizador do Campeonato.
Em todas essas ocasiões, fi-lo
com uma base verdadeiramente
científica e invocando estudos
internacionais das mais reputadas consultoras, em que se
analisava o valor económico das
“marcas” nacionais, as expectativas de impacto no produto interno por via da expansão directa do consumo e/ou do aumento
da confiança dos consumidores
e investidores e dos níveis de
motivação e produtividade dos
trabalhadores, até ao impacto
nos movimentos internacionais
de capitais ou do efeito catalisador que o desempenho de certas selecções poderia ter sobre a
economia global.
Em qualquer dessas circunstâncias, jamais procurei socorrer-me do espírito diletante
daqueles que achavam que esses
meses deviam ser dedicados a
essa causa maior – o Europeu/
Campeonato do Mundo – e que
os resultados da nossa Selecção
deviam servir de paliativo e/ou
de analgésico para as agruras do
dia-a-dia e para a incerteza que
possa pairar no futuro dos Portugueses.
Não me revejo, porém, naqueles que se lamentam do excesso de informação sobre todos
os factores que envolvem a competição, considerando equívocos
os critérios editoriais e excessiva
a relevância dada a cada aspecto
acessório dos atletas e do ambiente que rodeia estes eventos.
Ora, tratando-se estas competições (também) de um claro
produto comercial, e sabendo-se
que qualquer meio de comunicação social se submete aos interesses económicos que derivam
do nível de adesão das suas audiências, alguém poderia esperar
uma atitude diversa daquela que
hoje é novamente seguida por
todas as televisões, rádios ou
jornais?
Feitas estas ressalvas, permitam-me, porém, que confesse
que, sendo esta, talvez, a circunstância em que parto para uma
competição desta natureza com
um menor apetite por toda essa
catadupa informativa – em linha
com as minhas baixas expectativas sobre o desempenho positivo
(friso expectativas, não desejos)
Ricardo Rio
[email protected]
http://econominho.blogspot.com
Os resultados da nossa
Selecção deviam servir
de paliativo e/ou de
analgésico para as
agruras do dia-a-dia e
para a incerteza que
possa pairar no futuro
dos portugueses.
– é talvez esta a circunstância em
que acho que a Selecção pode
ter um papel socialmente fundamental neste estio que tarda em
chegar aos lares nacionais.
É sabido, como muitos escrevem e dizem, que não vão ser os
golos do Cristiano, os sprints
do Bosingwa ou os passes milimétricos do Moutinho que vão
fazer crescer as notas nas nossas
carteiras, reduzir os preços dos
bens essenciais, combater o desemprego ou estimular o investimento e a nossa competitividade
externa.
Não sei, sequer, se, em linha
com os tais estudos que referi, a
nossa economia poderá registar
algum crescimento com as trivelas do Quaresma, os cortes seguros do Ricardo Carvalho ou os
passos de magia do velho-Deco
que todos gostávamos de reencontrar.
Podem acusar-me de estar a
fazer a apologia pública do velho lema do “pão e circo” que já
sustentou a afirmação de muitos
regimes de má memória, mas, se
por mais não for, que as vitórias
da Selecção tragam o ínfimo raio
de luz e alegria por que anseiam
tantas e tantas famílias de Norte
a Sul do País.
Em bom rigor, também não
será por não se falar da Selecção
ou por esta se “portar pior” do
ponto de vista desportivo que
deixaremos de ter criminalidade nas ruas, que teremos mais
segurança sobre a capacidade do
Estado para nos facultar o acesso à Saúde, Justiça, Educação ou
Ensino Superior de qualidade,
que nos sentiremos menos coagidos no exercício da nossa cidadania, que procederemos a uma
melhor avaliação dos inócuos
esforços de revitalização económica e consolidação das contas
públicas pela via da despesa ou
que teremos outra percepção sobre a total ausência de políticas
verdadeiramente sociais, orientadas para aqueles que mais necessitam.
E, se perceberem o impacto,
breve mas importante, que este
fenómeno pode ter para os lares
do Continente e Ilhas, compreenderão ainda mais o que isto
pode representar para a giesta
lusitana espalhada pelos quatro
cantos do mundo e, muito especialmente, para aqueles que vão
receber a Selecção no seu País de
acolhimento.
A recepção do passado Domingo em Neuchatel não me
surpreendeu. Vi-a já, tantas e
tantas vezes, nos olhos turvos de
muitos Portugueses de Toronto,
de Nova Iorque, de São Paulo,
do Rio de Janeiro, de Paris, de
Sidney e de tantos outros pontos
do globo.
Dos que partiram há muito.
Dos que ainda agora chegaram.
Dos que queriam ficar. Dos que
queriam voltar. Dos que venceram. Dos que esperavam mais.
Dos que sofrem. Dos que triunfaram.
De todos aqueles que, por
mais estereótipos que se criem,
vivem e sentem e sabem que não
há amor como o primeiro.
sexta-feira, 13 Junho de 2008
breves
Mundo necessita de uma revolução energética
O mundo terá que gastar cerca de 1,1%
do rendimento económico global anual,
nos próximos 40 anos, para reduzir para
metade as emissões de CO2, em 2050, de
acordo com a Agência Internacional de
Energia (AIE). O que significa que é precisa uma revolução energética.
Cerca de 60% do investimento – sobretudo de novas tecnologias – terá que ser
realizado nos países emergentes. O desacordo sobre quem vai pagar a factura tem
feito com que alguns dos países em rápido
desenvolvimento não assinem o protocolo
de redução das emissões de carbono. Certo
é que, se as coisas continuarem assim, em
meados do século as temperaturas globais
terão aumentado cerca de dois graus.
Entre os países do G8, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, a Itália
e o Canadá já assumiram o compromisso
de reduzirem as emissões para metade. De
fora estão os Estados Unidos e a Rússia.
A agência avisou que atingir tal objectivo
implicará a construção de 32 novas centrais nucleares e 17 500 turbinas eólicas
por ano. Não será nada fácil alcançar valores tão ambiciosos, mas não menos necessários.
Europa beneficia com abertura
do comércio mundial
Cada vez se juntam mais vozes a exigirem que a Europa chegue a um acordo
antes do final do ano no que respeita à
política agrícola comum (PAC). Afinal, a
União Europeia parece ter mais a ganhar
do que a perder com as negociações no
âmbito da Organização Mundial de Comércio.
Os empresários acham que a liberalização das exportações agrícolas e industriais, bem como a maior abertura do
mercado dos serviços permitirá às empre-
sas europeias reduzirem em 3% os custos
de exportação. O que é muito se se tiver
em conta a desvalorização do dólar. É
verdade que a Comissão deu alguns passos para desarticular a PAC, mas, na realidade, foram muito tímidos. De notar
que a abertura e a liberalização também
possibilitariam o aliviar das pressões inflacionistas, uma das maiores preocupações
neste momento. Muitas empresas acham
que a liberalização já nem sequer é uma
opção, mas uma necessidade efectiva.
Efeitos da crise chegam às contas da Inditex
Os efeitos da crise sobre o consumo
chegam às contas da Inditex, detentora da
marca Zara. Os analistas estão de acordo
que o aumento das vendas, no primeiro
trimestre, será o mais baixo em cinco anos.
Mesmo assim, deverá ser superior a 10%,
em termos de vendas, o que faz com que o
grupo espanhol fique em melhor posição
do que os concorrentes mais directos para
fazer face ao ciclo recessivo.
Os lucros da Inditex deverão registar
um crescimento de oito pontos, sendo que
alguns dos principais rivais já anunciaram
descidas nas vendas, em especial devido às
alterações do clima. A Inditex tem a seu
favor um bom arranque em Fevereiro e
Março. No entanto, a sua exposição ao
mercado espanhol, onde o consumo está a
baixar mais rapidamente, vai acabar por se
reflectir nas respectivas contas. A empresa
deverá ser forçada a rever a sua estratégia,
ainda que tenha diversificado bastante os
seus mercados. Por outro lado, também
terá que rever os preços praticados, ainda
que não sejam esperadas saldos generalizados.
Investimento estrangeiro
cria mais emprego nos serviços
O investimento estrangeiro na Europa Ocidental criou mais empregos no
sector dos serviços do que na inústria.
tal aconteceu pela primeira vez no ano
passado, uma evidência de que a região está a evoluir no sentido de uma
economia com base no conhecimento.
Cerca de 60% dos empregos criados
estiveram relacionados, pelo menos em
parte, com a actividade industrial.
Isto significa que esta transição também acarreta riscos e desafios poten-
ciais. Pode mesmo ser uma ameaça ao
dinamismo da região. Não apenas porque os serviços tendem a criar menos
postos de trabalho como os serviços
existem para alguma coisa e essa coisa
é a indústria. Muitos trabalhadores da
indústria estão a ser desviados para a
investigação, a consultoria de tecnologias da informação e serviços administrativos. Importa agora garantir que a
indústria não se torne num deserto na
Europa Ocidental.
G8 apela à cooperação global no petróleo
Os ministros da energia dos países mais
desenvolvidos estão muito preocupados
com o aumento continuado dos preços
do petróleo. Querem que os produtores
reforçem a produção e garantam maior
transparência nos dados sobre os fornecimentos.
O G8 considera que os preços elevados
não têm precedentes e são contra os interesses dos consumidores e dos próprios
países produtores. A OPEP é motivo de
fortes críticas por parte da organização,
cujos países produtores de petróleo garan-
tiram mais investimentos para aumentarem a respectiva produção. De notar que
estas nações, excluindo a Alemanha, estão
a desenvolver uma campanha no sentido de se realizarem novos investimentos
nucleares. Tudo isto a par de um maior
enfoque na eficiência dos consumidores,
quanto às questões energéticas. Já a China
e a Índia não devem ser demonizados, o
seu processo é normal, o mesmo sudeceu
com outros países em desenvolvimento.
O G8 continua a apelar à cooperação em
termos globais.
internacional
11
Mercado global
de soluções ecológicas
está em construção
As questões ambientais representam um conscientes desta situação e sabem que ir
dos principais desafios a nível global, mas contra o ambiente poderá representar cusnão é menos verdade que o aquecimento tos muito elevados.
mundial também significa novas oportuDe salientar que, neste cenário, alguns
nidades de negócios. De facto, começa a sectores ficarão mais expostos, quer tendo
ser construído um mercado global de solu- em conta a sua actividade, quer as circunsções para fazer face às alterações climáticas. tâncias. As empresas que gozam da sua
Os empresários estão mais conscientes dos imagem de marca terão que ter cuidados
problemas que se colocam, o mesmo suce- acrescidos, de forma a aplicarem políticas
dendo com a população, em geral.
ambientais. Por sua vez, as empresas pesaNo próximo acordo entre os Estados das ou com base na extracção de minerais
Unidos e a União Europeia
poderão ver-se obrigadas a
deverá registar-se uma recrescerem menos. Aquelas
Portugal e
dução efectiva das respecque se dedicam à venda de
tivas emissões de dióxido
alimentos e produtos floespanha estão
de carbono. Por sua vez,
restais serão afectada, caso
posicionados
a China e a Índia também
se mantenha a escassez
deverão abrandar as suas
crescente a determinados
para se tornarem
emissões de CO2, o que
recursos naturais.
referências
significa que a tendência
Os problemas para o
é para o desenvolvimento
mundo empresarial não
nas renergias
de um mercado global de
se ficam por aqui. Alguns
renováveis
soluções ecológicas, para
sectores, como é o caso da
redução das emissões, o
indústria automóvel, têm
seu armazenamento, a eficiência energética perante si novos desafios. É o que se pasa
das renováveis.
com as regulamentações, que fazem com
É verdade que se está perante um mer- que o impacto ambiental seja incorporado
cado emergente e que os fluxos de capitais nos produtos, face à sua utilização por parestão a ir para várias direcções. Ainda não te dos consumidoes. Além disso, as PME
é sabido qual a energia que será preferida. também poderão ver-se confrontadas com
Certo é que existem várias oportunidades e novas preocupações. É possível que os seus
caberá agora aos agentes de mercado sabe- clientes exijam um respeito crescente ao nírem tirar benefício das mesmas. Importan- vel ambiental. Os investimentos não serão
te é que os empresários estão cada vez mais poucos.
Espaço dedicado às Pequenas e Médias Empresas de Portugal
13 de Junho de 2008 | Suplemento Nº138
BARÓMETRO PME*
Todas as semanas, exprima a sua opinião no Portal das PME
Resultados da semana de 03 de Junho de 2008:
O PIB Nacional vai melhorar, piorar, ou estabilizar?
Melhorar: 08%
Piorar: 79%
Estabilizar: 12%
Tema em auscultação até 16 de Junho de 2008:
O Governo deve ceder às reivindicações dos camionistas?
Participe. Dê o seu contributo em:
www.pmeportugal.pt
*Através deste barómetro pretende-se auscultar e conhecer a opinião e hábitos dos utilizadores
on-line do Portal das PME, relativamente a temas da actualidade económica.
14
pme
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Victoria Seguros promove “Dia da Segurança”
Em Portugal, os atropelamentos e
os acidentes com crianças em bicicleta
causam cerca de cinco vítimas por dia.
Só este ano já foram atropeladas mais
de 26 crianças e quatro sofreram acidentes com bicicletas na estrada.
A falta de civismo, de cuidado e atenção na condução são três problemas
graves que afectam o nosso quotidiano. Os acidentes são cada vez mais uma
presença constante que pinta de negro
o cenário que percorre as estradas nacionais.
Tendo estes aspectos em mente, a
Victoria Seguros está a promover, entre
6 e 30 de Junho, o “Dia da Segurança”, iniciativa que pretende sensibilizar
pais, professores e crianças para a problemática da segurança infantil.
Durante esse período, cada delegação
da Victoria Seguros vai receber, durante um dia, um técnico da Associação
para a Promoção de Segurança Infantil
(APSI), que responderá a questões sobre segurança das crianças, ao mesmo
tempo que explica como se podem modificar comportamentos para evitar acidentes com crianças.
“Esta acção é dirigida não só às crian-
Vinhos Messias
conquistam
Grande Medalha
de Ouro
ças, mas especificamente às pessoas responsáveis pela sua segurança – pais,
avós e professores. No total, são esperados cerca de 20 mil visitantes durante
a campanha”, explicou a Victoria Seguros ao Vida Económica.
Assim, o “Dia da Segurança” vai percorrer Portugal de norte a sul, passando
por cidades como Aveiro, a 9 de Junho;
Viseu, a 13 de Junho; Santarém, a 18
de Junho; Beja, a 23 de Junho e Guarda a 26 de Junho, entre outras. Como
oferta às crianças que participarem no
certame, a Victoria vai oferecer um colete reflector.
A iniciativa resulta da parceria “A Vitória das Crianças”, estabelecida entre a
Victoria Seguros e a APSI, que entenderam ser importante “reunir esforços e
estabelecer um acordo para promover a
segurança da população infantil e juvenil”, revelou a mesma fonte.
Ainda no âmbito da parceria estão
também inseridas outras acções, entre as
quais, a realização de dois “workshops”
temáticos, até ao final do ano, para clientes e parceiros da Victoria Seguros.
A Confraria dos Enófilos da
Bairrada levou a cabo mais uma
edição do Concurso “Os Melhores Vinhos da Bairrada”. Foi a 28ª
edição, destinada a avaliar os vinhos na produção da colheita de
2007.
A cerimónia da entrega de prémios realizou-se recentemente,
no Museu do Vinho da Bairrada,
em Anadia.
VIRGÍLIO FERREIRA
[email protected]
Sónia de Almeida
[email protected]
PUB
VINHOS BRANCOS
Adegas Cooperativas:
Medalha de Prata: - Adega
Cooperativa de Cantanhede
Medalha de Prata: - Adega
Cooperativa de Vilarinho do
Bairro
Empresas com vinificação
própria:
Medalha de Ouro: - Quinta do
Encontro, S.A.
Medalha de Prata: - Quinta
da Aveleda, S.A.
Medalha de Prata: - Caves do
Solar de S. Domingos, S.A.
Medalha de Prata: - Caves
Primavera, S.A.
Vitivinicultores – Engarrafadores:
Medalha de Ouro: - Quinta
dos Abibes, Lda.
Medalha de Ouro: - Quinta da
Mata Fidalga, Lda.
Medalha de Prata: - Graça
Miranda, Casa de Saima
Medalha de Prata: - Soc.
Agrícola Colinas de São Lourenço, Lda.
Medalha de Prata: - Artwine,
Lda.
VINHOS ROSADOS
Empresas com vinificação
própria:
Medalha de Prata: - Aliança
– Vinhos de Portugal, S.A.
Medalha de Prata: - Sogrape
Vinhos, S.A.
Vitivinicultores – Engarrafadores:
Medalha de Prata: - Soc.
Agrícola Colinas de São Lourenço, Lda.
VINHOS TINTOS
Adegas Cooperativas:
Medalha de Prata: - Adega
Cooperativa de Vilarinho do
Bairro
Medalha de Prata: - Adega
Cooperativa de Cantanhede
Empresas com vinificação
própria:
Medalha de Ouro: - Soc.
Agríc. E Comercial dos Vinhos
Messias, S.A.
Medalha de Ouro: - Caves
Primavera, S.A.
Medalha de Prata: - Caves S.
João
Medalha de Prata: - Aliança
– Vinhos de Portugal, S.A.
Medalha de Prata: - Caves do
Solar de São Domingos, S.A.
Vitivinicultores – Engarrafadores:
Medalha de Ouro: - Casa Sarmento
Medalha de Prata: - Quinta
da Mata Fidalga, Lda.
Medalha de Prata: - Quinta
dos Abibes. Lda.
Medalha de Prata: -António
Gilberto M. Costa
GRANDE MEDALHA
DE OURO:
Vinho Tinto Syrah, da Soc.
Agríc. Comercial Vinhos Messias, S.A.
pme
sexta-feira, 13 Junho de 2008
TransporLog 2008 debateu projectos para o Norte
Intermodalidade rodoviária e marítima
reduz custos de transportes
Depois das duas primeiras
edições em Lisboa, a TransporLog aportou, pela primeira vez,
em Leixões. Tendo como palco
o auditório Infante D. Henrique
da Administração dos Portos do
Douro e Leixões (APDL), este
terceiro ciclo de conferências foi
dedicado ao tema “Transportes
e Logística na região GalaicoDuriense: realidades e perspectivas”.
Tendo por assumida missão
de “fazer do Porto de Leixões
uma referência para as cadeias
logísticas da fachada atlântica da
Península Ibérica”, a APDL, representada por Amadeu Rocha,
apresentou o Plano Estratégico
de Desenvolvimento do Porto
de Leixões. Este plano agrupa um conjunto de acções que
têm como propósito aumentar a
competitividade do porto através da consolidação e promoção
da marca “Porto de Leixões”, da
disponibilização de uma oferta
de serviços de qualidade e ajustada às necessidades do mercado
e do reforço das condições materiais, imateriais e de acessibilidade externa de apoio à sua
actividade.
Marca “Porto de Leixões” visa aumentar a competitividade.
A tarde iniciou-se com o painel intitulado “Operação Logística: Constrangimentos e Oportunidades no Transporte de
Mercadorias”, sessão que contou com a participação de Luís
Rubido, da empresa Plisan, proprietária da Plataforma Logística de Salvaterra / As Neves, um
investimento de 186 milhões de
euros que futuramente disponibilizará, já em 2010 e mesmo
junto à fronteira nacional, cerca
de 420 hectares de área de armazenagem.
Neste painel, foi ainda apresentado o mais recente projecto da Acciona, uma aposta na
resolução dos cada vez maiores
constrangimentos existentes à
circulação rodoviária de veículos pesados, sobretudo ao nível
social, meio-ambiental e económico, que aposta na intermodalidade entre transportes rodoviários e marítimos de curta
distância. Deste modo, mantendo sensivelmente o mesmo tempo de percurso entre a Galiza e
Paris, este sistema permite uma
economia de custos ao nível dos
combustíveis, libertando os veículos e os seus condutores para
percursos de curta distância entre os portos e as origens e destinos finais.
Finalmente, no “Desenvolvimento e Competitividade Nacional: Desafios para o Norte”,
tema do painel de encerramento, Paulo Gomes, vice-presidente da Comissão de Coordenação
e Desenvolvimento Regional
do Norte (CCDRN), apontou
para um “padrão de mobilidade
pouco evoluído”, uma política
municipal e intermunicipal de
transportes urbanos insuficiente
e, sobretudo, pela inexistência
de estratégia regional em matéria de transportes.
Fernanda Silva Teixeira
15
Export Home
conhece mais uma
edição
Promover o mobiliário
continua a ser o objectivo
Divulgar e promover a indústria
portuguesa de mobiliário, iluminação,
estofos e artigos para casa. É com este
objectivo que se vai realizar, no próximo ano, de 3 a 7 de Março, mais uma
edição, a 21ª, da Export Home.
“O momento é de unir esforços, tendo
em conta as linhas prioritárias do sector:
o impulso das exportações, o apoio no
reforço da promoção internacional do
mobiliário e a organização de actividades de massa crítica para os profissionais
que expõem e visitam a feira”, podemos
ler em comunicado. E como?
Aqui, os promotores da Export
Home, a Exponor, claro está, falam
da presença da organização nos “principais certames internacionais”, do
reforço do programa ‘hosted buyers’
– este visa acolher, de forma especial,
os compradores estrangeiros – e ainda
da criação de um espaço dedicado ao
canal ‘contract’. Este visa criar pontes
entre os expositores e os clientes institucionais e corporativos.
Falando um pouco do historial desta
feira, damos conta que, no ano passado,
a Export Home foi visitada por, aproximadamente, 30 mil pessoas, mais de
duas mil estrangeiras, estas últimas originárias de 20 países, com a Espanha à
cabeça e a uma grande distância de outros Estados. Afinal, este país sozinho
foi responsável por 1729 visitas.
PUB
16
PME
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Responsável do projecto IFRA (GECAD) do ISEP fala do projecto apresentado ao
Presidente da República
Avaliar o risco de falência
das empresas é importante
para os bancos
“O que fizemos foi desenvolver um modelo inovador para treinar redes
neuronais que faz com que elas errem muito menos. Conseguimos taxas
de acerto para previsão de falência da ordem dos 90%”, refere Armando
Vieira.
Vida Económica – Como é que o vosso trabalho surge inserido no 4º Roteiro para a Ciência do Presidente
da República?
O Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) desenvolveu, pela mão do
investigador Armando Vieira, um novo método, inovador em Portugal, que visa
desenvolver ferramentas de análise de risco financeiro através de técnicas de “machine
learning” (aprendizagem automática). O projecto, que também envolve o ISEG e as
universidades do Minho e de Coimbra, foi apresentado ao Presidente da República
durante o 4º Roteiro para a Ciência e deverá ser explorado pelo Banco de Portugal. Em
entrevista à “Vida Económica”, o professor universitário diz acreditar numa boa aceitação
por parte da banca portuguesa. “Esperamos que [a visita do Presidente da República] nos
abra algumas portas no futuro”.
AV – Os algoritmos de ‘ranking’, usados pelos bancos
para aferir o risco de crédito, são essencialmente lineares.
Consistem em multiplicar um conjunto de coeficientes
por meia dúzia de rácios. O número que aparece no final
será, supostamente, uma medida do risco de incumprimento ou falência dessa empresa.
Esta abordagem, embora simples, é grosseira, porque
é incapaz de explorar relações mais delicadas entre as várias variáveis e, por isso, tem resultados fracos. No nosso
universo de empresas, eles falham a detecção da falência
de uma em cada quatro empresas. Mas as redes neuronais
“tradicionais” também não fazem muito melhor. Daí poucos os bancos que as usam.
Armando Vieira – O senhor Presidente contactou o
presidente do Instituto Politécnico do Porto que, por sua
vez, foi procurar unidades desta escola com destaque na
investigação, em particular na investigação aplicada. O
GECAD (Grupo de Engenharia e Ciência do Conhecimento e Apoio à Decisão) foi, então, contactado. O Politécnico do Porto destaca-se nesta área, pois é dos poucos
que possui bons grupos de investigação. O presidente do
GECAD, professor Carlos Ramos, decidiu, então, convidar o meu grupo para apresentar o projecto em que trabalho, uma vez que esta é também uma área de interesse do
VE – E em que é que o vosso método se diferencia
Presidente da República.
O projecto visa desenvolver ferramentas de análise de do já utilizado pelos bancos?
AV – O que fizemos foi desenvolver um modelo inovarisco financeiro usando técnicas de “machine learning”
dor para treinar redes neuronais que faz
(aprendizagem automática). O trabalho
com que elas errem muito menos. Coniniciou-se há cerca de 4 anos e foi finanA quantificação
seguimos taxas de acerto para previsão
ciado recentemente pela Fundação para
de falência da ordem dos 90%, ou seja,
a Ciência e Tecnologia, que o classificou
que damos a cada
o modelo erra apenas uma em cada 10.
como excelente.
empresa é essencial É injusto dizer que fomos pioneiros na
aplicação das redes neuronais ou MáquiVE – E como é que surgiu o projecto
para o decisor
nas de Vector Suporte (SVM) à previsão
IFRA, dentro do GECAD?
de falências. Mas muitos desses trabalhos
AV – Há 10 anos atrás trabalhei no
financeiro avaliar
usam bases de dados muito menores que
Instituto Tecnológico e Nuclear, em Sao risco de crédito a a nossa e apresentam melhorias menos
cavém, num projecto de caracterização
significativas.
de filmes finos usando técnicas de diagempresas.
nóstico que envolviam redes neuronais.
VE – Projectos portugueses?
Durante esse projecto, desenvolvi um méAV – Ao que sei, não há nenhum trabalho de fundo de
todo para classificar espectros complexos de RBS (Rutherford Back Scattering). Como obtive bons resultados, de- portugueses sobre este tema.
cidi testá-lo noutro tipo de problemas difíceis. Um colega
VE – Então a banca nacional está a trabalhar com os
espanhol, da Universidade de Granada, forneceu-me uns
dados sobre falência de empresas. Foi simples curiosidade métodos lineares?
AV – Como já disse, a literatura existente não apresenta
científica, pois achei o problema interessante. Quantificar
o estado financeiro de uma empresa é um problema difícil, grandes vantagens das redes neuronais. Os resultados são
pois envolve muitas variáveis e informação incompleta ou apenas marginalmente melhores. Mas os resultados que
reportamos num artigo publicado na “European Accounincorrecta.
ting Review”, “Improving Bankruptcy Prediction with
Hidden Layer Leaning Vector Quantization”, mostram o
VE – Os resultados foram interessantes?
AV – Sim, muito. Procurei, em Portugal, quem traba- contrário. Contudo, as redes neuronais têm uma grande
lhasse nesta área. O professor João Carvalho das Neves,
do ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), ficou
“Não faz sentido ter ensino
interessado com os resultados, mas disse-me que a base de
dados que estava a usar era de qualidade duvidosa. Como
O projecto IFRA do GECAD não envolve apenas o ISEP
dava aulas no HEC, em Paris, daí a uns meses ligou-me
do Instituto Politécnico do Porto, mas também a Univera dizer que tinha um CD para mim. Eram dados muito
sidade de Coimbra e a professora Bernardete Ribeiro, a
mais completos do mercado francês. Antes estava a usar
Universidade do Minho e o professor Gaspar Cunha e o
dados de centenas de empresas, ele trouxe-me milhares.
professor João Carvalho das Neves, do Instituto Superior
de Economia e Gestão (ISEG), realça Armando Vieira, que
Esses dados consistem em registos de cerca de 30 rácios
critica severamente a escassa aposta dos institutos polifinanceiros que as empresas divulgam no final do ano para
técnicos na investigação científica.
fins contabilísticos e estatísticos, desde o número de em“Nesta escola e nas outras ainda não se faz muita difepregados, a liquidez, a dívida, o fundo de maneio, etc. Mal
rença entre quem investiga e quem não investiga. Consipude esperar por analisar aqueles milhares de números que,
deram que a pessoa está lá para dar aulas e a investigação
inicialmente, para mim pouco significado tinham. Mas era
é um algo lateral”, alerta o professor, sublinhando que
o desafio, daquilo que parecia um problema simples, que
“não faz sentido ter ensino superior sem investigação”. É
me fascinava e que era criar um algoritmo que separasse as
que “não pode ensinar a construir uma casa quem não as
empresas falidas das não falidas. Poderá ser traçada uma
faz”. “Temos investigadores de qualidade e que deviam falinha que separe com antecedência uma empresa em risco
zer a investigação aqui, e o GECAD é um bom exemplo de
de falência de outra normal?
VE – E a que conclusões é que chegou?
investigação dentro do politécnico, mas deviam ser mais e
mais acarinhados”, pois “não é possível imaginarmos uma
desvantagem: não são facilmente compreensíveis. É uma
espécie de caixa negra e os bancos têm horror a caixas negras. Contudo, com alguma relutância, alguns já o estão a
fazer. Sem querer estar com falsas modéstias, acho que o
nosso trabalho poderá ser um ponto de viragem.
VE – A possibilidade de prever quando uma empresa
pode falir é importante para os bancos.
AV – Claro. Os bancos usam essencialmente “ratings”
para determinar a qualidade de um empréstimo, fornecidos por agências especializadas e calibrados para cada
mercado. O ‘spread’ aplicado depende essencialmente do
risco associado ao empréstimo, que, por sua vez, é função
da categoria atribuída por esses “ratings”. Porque, para os
bancos, é vital saber a realidade financeira da empresa e,
acima de tudo, quantificá-la.
Nós não fazemos “ratings”, mas a quantificação que damos a cada empresa pode ser um ingrediente essencial para
o decisor financeiro avaliar o risco de crédito a empresas.
Temos já disponível um site, em versão beta [www.gecad.
isep.ipp.pt/aires], onde as empresas podem testar os nossos
modelos com os seus dados.
VE – Sei que tem já contactos com o Banco de Portugal. Estão interessados no vosso trabalho?
AV – O projecto tem um objectivo puramente científico. Embora seja aliciante criar um produto comercializável, mas não é simples. Sim, temos alguns contactos no
Banco de Portugal. Mas em Portugal há uma desconfiança
muito grande entre instituições e empresas em relação ao
que se faz no mundo académico. Não há o hábito de fazer
investigação partilhada. Em Dezembro passado, o Banco
de Portugal deu-nos a garantia de ter acesso aos dados.
Estamos à espera. Gostaríamos de aplicar o nosso método
à realidade portuguesa. Contamos que no final do ano tenhamos os primeiros resultados.
VE – A visita do senhor Presidente da República ao
ISEP não ajudou?
AV – Para já, deu maior visibilidade. Esperamos que no
futuro abra algumas portas.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
superior sem investigação”
escola superior sem uma dinâmica de investigação forte
associada aos departamentos”. E as empresas deveriam
financiar esses projectos, como nos Estados Unidos, onde
“a Microsoft e outras têm linhas de apoio à investigação”.
Em Portugal “o problema é estrutural e reincidente” e “a
ciência ainda é vista como um ‘fait-divers’”.
Em entrevista à “Vida Económica”, Armando Vieira cita
o exemplo chinês para lembrar como Portugal deveria privilegiar a ciência. “Hoje a China não é só um país de manufactura, é um país de ciência”. A China, diz o professor
do ISEP, “ou já ultrapassou ou está em vias de ultrapassar
o Japão em termos de orçamento em I&D, porque eles
têm consciência de que a ciência é a alavanca do desenvolvimento do país”. É que só a ciência “permite criar
sinergias de inovação para desenvolver novos produtos”.
“A ciência não é para curiosos queimarem neurónios. É a
alavanca do progresso”.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
PME
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Fisco aperta cerco
à não entrega de
retenção na fonte
e IVA de clientes
Bilhetes
para WTCC
já a venda
Os bilhetes para a etapa portuguesa do Campeonato do
Mundo de Carros de Turismo
(WTCC na sigla em inglês),
que este ano se vai disputar
no Estoril no fim-de-semana
de 12 e 13 de Julho, já foram
colocados à venda pela organização, a cargo da Talento. São
várias as propostas, desde os bilhetes VIP à venda na Talento
e Unibanco, aos de “paddock”
(para acompanhar o trabalho
de “box”) que estão disponíveis
na Unibanco ou através da Ticketline.
Além disso, como já foi
anunciado, os bilhetes de bancada são gratuitos (máximo
de seis por pessoa), estando
os respectivos “vouchers” em
distribuição no Autódromo do
Estoril (lojas 11 e 13 da ACDME), no Auto Museu da Maia
(Porto), e entre 1 e 13 de Julho, na exposição do evento no
CascaiShopping.
A administração fiscal continua a
apertar o cerco aos incumpridores.
Está em funcionamento um novo
sistema informático que sistematiza a instauração de inquérito criminal, em caso da não entrega reiterada ao Estado de importâncias
retidas na fonte e de IVA recebido
de clientes. Consiste num “interface” electrónico entre o Sistema
de Contra-ordenações (SCO) e o
Sistema de Inquéritos Criminais
Fiscais (SINQUER).
O sistema assinala as situações
de prática reiterada das referidas
infracções e cada serviço avalia a
eventualidade de instauração de
inquérito criminal. Segue-se a comunicação ao Ministério Público e
a prática dos actos de inquérito por
parte da DGCI. Antes da entrada
em produção do sistema, cerca de
50 devedores foram notificados,
numa última oportunidade para
entregarem ao fisco as importâncias devidas. Estas ascendem a perto de 1,3 mil milhões de euros.
Comportamento
de pagamento
das empresas
degrada-se
Há uma degradação efectiva no
comportamento de pagamento das
empresas. Os incumprimentos aumentaram cerca de 45% nos quatro primeiros meses do ano, face ao
exercício anterior. Para a Coface,
trata-se de um claro sinal do início
de uma crise de crédito.
A crise financeira transmitiu-se
à economia actual através de dois
canais, o da redução da procura
americana, que afecta principalmente a América do Norte e os países e sectores virados para os Estados Unidos, e o de um acesso mais
difícil ao crédito bancário. “Acrescentam-se a estes factores a subida
dos preços das matérias-primas e
da energia, a valorização das divisas fora da zona dólar e uma forte
concorrência.
Fitness representa
facturação de 330
milhões de euros
anuais
Realizou-se, no passado dia 4
de Junho, em Lisboa, o Primeiro
Encontro Nacional de empresários
e gestores do sector de Health &
Fitness. Este evento, promovido
pela Associação de Empresas de
Ginásios e Academias de Portugal (AGAP), pretendeu discutir
o futuro de uma indústria que, a
nível europeu, factura 21 mil milhões de euros anuais, face aos 12
mil milhões de euros registados no
mercado futebolístico.
De acordo com dados avançados pela IHRSA (International
Health, Racquet and Sportsclub
Association), a indústria europeia
de fitness, em franco crescimento,
é constituída por cerca de 36.900
clubes, que empregam mais de
370.000 colaboradores, servindo
um universo de 40.000.000 de
praticantes, cerca de 7,9% da população.
17
“A Universidade pode e deve mostrar que é cada vez mais um parceiro do mundo empresarial”, disse Miguel Trigo à “Vida
Económica”.
Encontro de Educação
Corporativa Brasil/Europa
reúne dirigentes dos dois países
A
Universidade Fernando Pessoa (UFP), em
parceria com o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior do Brasil, a Associação Brasileira de Educação Corporativa
e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, realizou esta semana, no Porto, o 1º Encontro
de Educação Corporativa Brasil/Europa.
A iniciativa, pioneira em Portugal, reuniu representantes de empresas da América Latina, de diversos organismos públicos e instituições de ensino
superior do Brasil e empresários e gestores portugueses para debater estratégias para a internacionalização, a formação e o desenvolvimento de competências, a cooperação empresarial e os recursos
humanos.
Empresas como a Petrobrás, a Vale do Rio Doce, a
Datasul, a Embraer, a ISVOR/FIAT, a TAM Linhas
Aéreas ou a ACCOR Latin-America, marcaram presença no evento através de representantes ao mais
alto nível, revelou a Universidade Fernando Pessoa.
Portugueses estiveram representados, através dos
seus dirigentes, a EFACEC, a FERPINTA, o Grupo
Salvador Caetano, a AICEP e a Lexus Portugal.
Em declarações à “Vida Económica”, Miguel Tri-
go, fundador e director do Gabinete de Projectos
Estratégicos e Qualidade Organizacional da UFP
afirma peremptório: “Nós acreditamos na educação
corporativa. As universidades corporativas nasceram
nos Estados Unidos, a General Electrics foi a primeira, nos anos 50 do século XX, a ter este conceito, que nasceu porque a empresa achou que devia
apostar na formação dos seus recursos humanos”.
Estima-se, aliás, que naquele país existam “mais de
duas mil”.
Mas foi no Brasil, onde a educação corporativa
tem “mais de 20 anos”, que surgiu esta parceria
com a UFP. “O Brasil é um parceiro de excelência
de qualquer organização portuguesa e esta relação
potenciou que nós também fôssemos aprender com
os melhores casos”, porque estes projectos são “uma
mais-valia para as empresas”.
A UFP está, aliás, “apostada em fazer parcerias
com as associações empresariais para o ajudar a criar
este tipo de iniciativas, porque a universidade pode
e deve mostrar que é cada vez mais um parceiro do
mundo empresarial”.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
UFP organiza universidade XL
C
iente do “fenómeno da globalização e da
concorrência acérrima” entre instituições de
ensino superior um pouco por todo o mundo, a Universidade Fernando Pessoa (UFP) decidiu
tentar minimizar o fenómeno. E, através do Gabinete de Projectos Estratégicos e Qualidade Organizacional, criado há cerca de três anos por Miguel
Trigo, desenvolveu várias iniciativas, entre elas a
universidade XL, no sentido de “tentar chamar até
à universidade os alunos do ensino secundário, para
que nos possam conhecer”. Tudo, claro, com o assumido objectivo de poder contar com a escolha desses alunos na hora de ingresso no ensino superior.
Em declarações à “Vida Económica”, o responsável do gabinete faz notar que “o número de alunos
que chega às universidades está a decrescer em Portugal”, fruto do “menor número de nascimentos”,
mas, também, do reflexo do fenómeno do “aban-
dono escolar e da desmotivação em relação à escola”
por parte dos alunos do ensino secundário que tem
vindo a verificar-se.
Daí partiu a ideia da universidade XL, cuja primeira edição decorreu pela primeira vez em 2007,
durante uma semana do mês de Julho, “aproveitando aquele período em que os alunos têm mais tempo para vir até cá”.
“Durante a XL os alunos escolhem as áreas com as
quais pretendem tomar um contacto mais próximo
e tentamos mostrar-lhes o que é ser, por exemplo,
médico dentista, enfermeiro, o que é que poderá ser
um curso de relações internacionais se eles optarem
por ele”. No fundo, diz Miguel Trigo, “damos aos
alunos a possibilidade de ter um contacto directo
com uma profissão”.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
Vigo recebe
duas centenas
de expositores
do sector
da construção
Vigo será, entre 26 e 29 de
Junho, uma referência para o
sector da construção. A SICO,
Feira de Construção da Galiza,
vai reunir mais de 400 empresas
e 200 expositores de oito países, as quais representam mais
de mil empresas espanholas e
internacionais. Toda a fileira do
sector da construção e do imobiliário está presente neste grande
evento.
Durante os quatro dias do
certame estão previstos mais de
cinco mil visitantes profissionais e 25 pessoas. A presença
internacional vai sair reforçada.
Entretanto, as jornadas técnicas
vão abordar sobretudo temas
relacionados com a subcontratação, o trabalho transfronteiriço e as novas regras em matéria
urbanística. A feira tem lugar
no recinto empresarial IFEVI,
em Vigo.
Mds cria área de
responsabilidade
civil e linhas
financeiras
Ana Cristina Borges é a
nova contratação da mds,
corretora de seguros do universo Sonae, para criação da
área de responsabilidade civil
e linhas financeiras. Também
desempenhará funções ligadas às áreas do resseguro e
“compliance”. A profissional
transita do grupo Caixa Seguros, onde era responsável
pelo gabinete de “compliance”. É licenciada em Direito
pela Universidade Clássica de
Lisboa. O objectivo é desenvolver centros de competências técnicas para optimizar
os serviços e a consultoria
prestada ao cliente.
18
pme
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Carlos Fortunato, responsável da MSF SGPS,
moderadamente optimista
Diversificação
e internacionalização
impulsionam
resultados da MSF
O maior peso nos resultados da MSF ainda resultam
do sector da construção. No
entanto, a empresa tem diversificado a sua actividade
e reforçado o processo de
internacionalização. Carlos Fortunato, presidente
da comissão executiva da
MSF, SGPS, em declarações
à “Vida Económica”, revelou-se moderadamente optimista quanto à evolução na
fileira da construção.
Por via de uma gestão
cuidadosa, o volume de ne-
gócios tem crescido a uma
taxa média anual na ordem
dos 20%, nos últimos cinco
anos. No entanto, o exercício
transacto foi surpreendente
quanto aos lucros, os quais
cresceram de oito para 20
milhões de euros. A realidade é que a MSF detém uma
carteira de encomendas que
totaliza mais de 900 milhões
de euros, sendo que foram
dados passos importantes na
promoção imobiliária, através de sinergias com as outras actividades do grupo.
Ambiente “revoluciona”
sector imobiliário
Carlos Fortunato é um defensor da concentração no sector
da construção.
“A aposta assenta, essencialmente, em duas vertentes. Por um lado, há a
necessidade de diversificar
a actividade. Os segmentos
das concessões rodoviárias e
do turismo assumem especial importância, no âmbito desta estratégia. A outra
vertente tem a ver com a internacionalização. Estamos
presentes em sete mercados
e o objectivo, neste momento, é a consolidação da
actividade internacional. Só
depois é que estaremos em
System Alliance Europe
com facturação de quase
dez mil milhões
A rede de empresas transportadoras
System Alliance Europe (SAE) aumentou em 6% o número total de
consignações de todos os membros,
tendo passado de 10,2 para 10,8
milhões. Um registo que correspondeu a cerca de 10,6 milhões de toneladas transportadas. O volume de
negócios total aumentou de 8,6 para
9,5 mil milhões de euros.
A rede de transportes e logística está
a revelar um forte dinamismo, até
porque é integrada por alguns dos
maiores agentes europeus do sector.
De acordo com os seus promotores,
“o sistema oferece serviço local, flexibilidade, inovação e capacidade de
adaptação, criando soluções pan-europeias para os clientes”. Ao integrar
novos membros e estender os seus
ramos em países como Dinamarca,
Alemanha, Reino Unido, tem permitido à System Alliance consolidar a
sua rede. Actualmente, conta com
46 parceiros, em 22 países, com um
total de 154 ramificações. Através do
sistema, há também ganhos ao nível
dos custos, já que se juntam sinergias por parte dos diversos operadores de mercado.
Securitas continua trajectória
de crescimento
A Securitas – Serviços e Tecnologia
de Segurança facturou, no ano passado, 104,2 milhões de euros, o que
se traduziu num acréscimo de 5%,
face ao exercício anterior. A empresa espera crescer entre 6% e 7% no
presente ano.
“O crescimento alcançado foi orgânico, através da conquista de novos
clientes. A Securitas detém uma
quota de 23% num mercado avaliado em cerca de 450 milhões de
euros. A estratégia de segmentação
foi determinante para os bons resultados. O grupo está organizado por
segmentos de actividade e conta
com profissionais e soluções específicas para cada área de negócio”,
segundo Jorge Couto, administradordelegado da empresa.
Relativamente ao ano em curso, estão previstos investimentos em soluções combinadas de segurança e
novas ferramentas tecnológicas de
apoio à actividade dos vigilantes. “A
empresa está atenta ao mercado e
futuras aquisições são uma possibilidade. Existem também oportunidades de negócio no curto prazo, como
a vigilância em estabelecimentos
prisionais e escolas ou serviços de
protecção à floresta.”
condições de avançar para
outros mercados”, adiantou
Carlos Fortunato.
O empresário, entretanto, não coloca de parte a
possibilidade de uma eventual fusão. “Sou apologista
da concentração no sector
da construção. Desde que
existam condições para criar
valor, estamos disponíveis
para um fusão ou aquisição,
sendo que a segunda hipótese é a preferida. Importante
é que se verifiquem parcerias
estáveis.”
O mercado imobiliário nacional vai passar, muito
em breve, por grandes alterações, em resultado da
aplicação de directivas
comunitárias. Estas vão
revolucionar a forma de
construir e os preços das
habitações, foram as principais conclusões retiradas
durante
uma
sessão de trabalho, organizada
pela Escola Superior de Actividades Imobiliárias (ESAI) e a
Associação de
Industriais de Construção
de Edifícios (AICE), sobre
imobiliário e sustentabilidade.
A partir do próximo ano,
tudo o que for construído
em Portugal terá que contemplar aspectos como o
baixo consumo energético
dos edifícios, a escolha de
materiais reutilizáveis em
novas construções, a qualidade do ar, a orientação solar, entre outras exigências
de carácter ambiental. Naturalmente, os novos requisitos de sustentabilidade
no imobiliário colocam desafios de formação e adaptação de muitos milhares
de quadros do sector a uma
nova forma de projectar,
construir e promover.
As associações e as esco-
las têm responsabilidades
acrescidas nesta área. A
ESAI está a lançar um novo
curso em eco-construção e
urbanismo sustentável, enquanto a AICE está a desenvolver esforços no sentido de esclarecer as cerca
de seis dezenas de construtoras que representa, tendo
em conta a melhor forma
de integrar nas respectivas
actividades a vertente sustentável.
Nova marca chega ao mercado vinícola
Vinho Quinta do Cume
quer marcar a diferença
O consumo de vinhos de
qualidade não corre riscos. É
neste cenário que o Douro deu
uma nova marca ao mercado vitivinícola. A Quinta do Cume é
um projecto com características
diferentes das habituais, como
explicou à “Vida Económica” o
seu criador, Jorge Tenreiro, cirurgião de profissão, mas apaixonado pela terra duriense.
O objectivo primordial foi
a produção de vinhos de qualidade, numa área de apenas
três hectares, e construção de
uma adega própria, sendo que
permite utilizar as técnicas
mais recentes. Naturalmente, a
marca Quinta do Cume teve a
escolha de um enólogo francês,
que escolheu o Douro para desenvolver a sua actividade profissional. “Foi desenvolvido um
vinho novo, que pretende ser
diferente (o branco), e o rosé,
este cada vez mais procurado,
de acordo com os hábitos alimentares dos consumidores”,
explicou o agora empresário
do sector dos vinhos. Numa
primeira fase, a produção será
limitada. Para este ano, cerca de
duas mil garrafas de branco e
apenas 1800 de rosé. “A Quinta
do Cume também vai integrar
o tinto no seu portefólio, mas
ainda se encontra em estágio.”
As perspectivas são bastante
optimistas, tendo em conta que
o vinho foi colocado nalguns
restaurantes de referência da
cidade do Porto e a adesão até
acabou por surpreender, pela
positiva, Jorge Tenreiro. A realidade é evidente: trata-se de um
mercado que está em constante
procura da inovação, sem descurar a qualidade.
O vinho branco é monocasto, produzido a partir da casta
nobre malvasia fina. Já o rosé
é um vinho proveniente das
castas tinta barroga e touriga
franca.
PUB
/2­!-%.4/3
'2¬4)3
6ISITENOSEM
777")/$/52/#/-
229 404 025
%MPRESA#ERTIlCADAE!COMPANHADAPOR
)4%,n)NSTITUTO4£CNICO%SPANHOLDE,IMPEZAS
Porto • Lisboa
NEGÓCIOS E EMPRESAS
sexta-feira, 13 Junho de 2008
19
Nuno Almeida, responsável de Marketing da Saeco, afirma
“População portuguesa está mais
caseira e exigente no consumo de café”
“Temos conseguido alcançar todas as metas a que
sempre nos propusemos”, garante Nuno Almeida,
responsável de marketing da Saeco Portugal, que
completou, no passado mês de Abril, 12 anos de
existência. De origem italiana, a marca é, actualmente,
líder de mercado nas máquinas automáticas de café
expresso para uso doméstico, não temendo a crescente
competitividade gerada pela entrada de novos “players”
no mercado português. Até porque - confessa - “a
concorrência é sempre salutar”.
Vida Económica – Doze anos
decorridos desde a vinda da
Saeco para Portugal, como descreve o crescimento protagonizado pela filial portuguesa da
empresa? Todas as metas foram
alcançadas?
Nuno Almeida – A filial portuguesa da Saeco foi fundada numa
altura em que apenas um número
reduzido de portugueses possuía
máquinas automáticas de café.
Desde então, o mercado onde opera sofreu bastantes alterações positivas e gostamos de pensar que a
Saeco foi um importante contributo para tal evolução. Os objectivos da empresa, esses, sempre foram, e continuam a ser, a satisfação
dos clientes. Assim sendo, creio
que, com a gama de produtos que
temos e com a fiabilidade que as
máquinas Saeco garantem, temos
conseguido alcançar todas as metas a que sempre nos propusemos
e continuamos a propor.
distintas: Vending, Horeca, OCS
e Doméstica. Qual destas áreas
de negócio se revela a mais forte?
NA – O canal Vending e a área
de uso doméstico têm sido, claramente, o “core business” da Saeco,
contribuindo em igual dose para o
sucesso e a notoriedade que a Saeco atingiu no mercado português.
VE – As máquinas automáticas de café expresso de uso doméstico da Saeco detêm, neste
momento, a liderança de mercado português, apresentando
uma quota de mercado de 50%.
Como consegue a Saeco manter
este posicionamento?
NA – Obviamente que a entrada de novos “players” aumentou a
competitividade neste segmento,
contudo, a concorrência é sempre
salutar, uma vez que obriga a uma
constante melhoria de processos
– algo que a Saeco desde sempre
preconizou. Maioritariamente devido a essa constante melhoria de
processos, que implica um enormíssimo trabalho por parte de todos os colaboradores e que resulta
na fidelização dos clientes, a Saeco consegue manter esta quota de
Mercado no segmento de máquinas automáticas.
“Concorrência obriga a uma constante melhoria de processos” - afirma Nuno Almeida.
VE – Qual é a estratégia competitiva da Saeco para 2008?
NA – A estratégia competitiva
para este ano passa por continuar
na vanguarda do design e inovação das máquinas de café, mantendo toda a tecnologia inerente
a uma máquina Saeco. Só assim
conseguiremos manter a Saeco
como um dos principais actores
deste mercado.
VE – O que sugere tal crescimento sobre os hábitos culturais
e de consumo?
NA – O consumo de café há
muito que está enraizado nos portugueses, quer seja pelo gosto, pelo
vício da cafeína, ou pelo acto social
em si.
Ele surge associado à conversa,
à confraternização, ao convívio…
Talvez esteja a ocorrer, no entanto,
uma mudança, que se prende com
o facto da população portuguesa
estar mais caseira e exigente, preferindo degustar um café no conforto do lar, em detrimento de se
deslocar a uma cafetaria, onde sem
sempre existe a variedade de cafés
a que se tem, nos últimos tempos,
habituado.
PUB
VE – Actualmente, a Saeco é
a única marca da categoria a actuar em quatro áreas de negócio
SAECO APOSTA
EM I&D
Cerca de 6% do total facturado pela Saeco Internacional
é investido em Investigação &
Desenvolvimento (I&D). Este
critério será, segundo Nuno
Almeida, fundamental para a
liderança internacional em inovação da Saeco, que já conta
com mais de 50 patentes.
“Efectivamente. A Saeco,
desde a sua fundação, tem-se
caracterizado por estar sempre
à frente do seu tempo, sendo
a aposta no departamento de
I&D algo que sucede desde o
início e que pretendemos manter. Nesse âmbito, tem cerca de
100 engenheiros no respectivo
departamento”, afirma.
A Saeco Internacional não só
mantém parcerias com a BMW
Group Design – que desenhou a
nova gama de máquinas de uso
doméstico –, como também as
mantém com a Brita, líder mundial de filtros de água. Estamos
perante uma empresa adepta
da partilha e da colaboração.
“A Saeco tem como preocupação encontrar sempre os
melhores parceiros para as
diferentes fases do desenvolvimento das máquinas e, evidentemente, isso revela-se um
elemento diferenciador. A parceria com a BMW Group Design
visou, claramente, a criação de
uma linha de máquina com um
design completamente diferente do que existe, habitualmente, no mercado. Já a parceria
com a Brita foi mais um passo
para que os cafés de uma máquina Saeco sejam os melhores
do mercado”, conclui.
eGovernment & eHealtH
24 e 25 de Junho de 2008
Centro Cultural de Belém, lisboa
Keynote SpeaKerS
Carlos Zorrinho, Coordenador nacional da estratégia de lisboa e do plano tecnológico
Carlos azevedo, Director de marketing na Unidade de negócios Corporate, optimus
Jan Duffy, emea research manager for “Government Insights” & “Health Industry Insights”, IDC Companies
patroCInaDoreS
PARTICIPAÇÃo eSPeCIAL
PLATINUM KeyNoTe
GoLD+
PLATINUM
GoLD
MeDIA PARTNeR
SILVeR
InSCreva-Se JÁ!
Para informações favor entrar em contacto com IDC Portugal Av. António Serpa, 36 6º 1050-027 Lisboa Tel.: 21 796 5487 Fax.: 21 796 5476 [email protected]
www.idc.com/portugal
20
negócios e empresas
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Revelação feita durante a apresentação dos novos vinhos do produtor
duriense
Quinta do Portal quer crescer
15% em cinco anos
A Quinta do Portal tem em curso uma estratégia
de crescimento médio de 15% a cinco anos o que,
segundo Castro Ribeiro, director financeiro da empresa, deverá ser conseguido através da “conquista
de novos mercados externos” e, a nível interno, na
aposta crescente no sector da grande distribuição.
Em 2007, as exportações representaram 47% da facturação, perspectivando-se “um crescimento sólido”
em 2008. O volume de negócios desta empresa duriense foi de 3,65 milhões de euros, devendo atingir
os 4,4 milhões este ano.
A sua actuação nos mercados externos passa pela diversificação de mercados, tendo em conta os segmentos em que pretende penetrar. “O vinho do Porto está
concentrado em mercados tradicionais mas tem um grande potencial
de abertura de novos mercados
para os vinhos DOC Douro”, resume Castro Ribeiro. Leste da Europa, Ásia, países nórdicos, Brasil,
Canadá e EUA afiguram-se como
países onde esta estratégia pode ser
aprofundada. Porém, nota aquele
responsável, “o Douro começa a ter
uma projecção internacional própria com os seus DOC que não deveremos ignorar”.
No mercado interno, a grande aposta passa pelo
crescimento da presença na grande distribuição. “Actualmente é onde se joga tudo neste sector”, revela, pois,
ao nível das “garrafeiras especializadas, restauração e
canal Horeca já não temos muito por onde crescer”.
As superfícies comerciais de grande dimensão, mais do
que “preço de venda”, exigem sobretudo “grande nível
de profissionalismo”, nomeadamente no que toca “ao
cumprimento dos prazos de entrega, da dilatação dos
prazos de pagamento ou da disponibilidade para estarmos presentes em feiras do vinho”, esclarece Castro
Ribeiro.
Actualmente, as vendas da Quinta do Portal distribuem-se pelo vinho do Porto (55%) na sua maioria
de “gamas mais baixas e com grande potencial de crescimento nas categorias superiores”. Os vinhos DOC
Douro representam 35% das vendas e o moscatel do
Douro cerca de 10%.
Novos vinhos para mercados mais exigentes
Estas foram revelações feitas no decurso da apresentação dos novos vinhos da Quinta do Portal, que teve
lugar nas suas instalações em Sabrosa. Enquanto não
fica concluído o projecto da nova adega, gizado por
Siza Vieira, foram dados a provar os seus novos vinhos,
entre os quais um inédito e inovador Colheita Tardia,
do qual foram produzidas apenas 1500 garrafas.
Para além deste, foram dados a
conhecer o Quinta do Portal Branco 2007, elaborado com base nas
castas Gouveio (40%), Viosinho
(35%), Moscatel (15%) e Malvasia
Fina (10%). O enólogo Paulo Coutinho explicou que foram produzidas 60 mil garrafas deste vinho que,
à semelhança de todos os restantes
inscritos na prova, pode ser incluído em dietas vegetarianas. O Portal
Rosé 2007, foi elaborado com recurso a maceração a
frio, resulta das castas Touriga Nacional (50%), Tinta
Roriz (30%), Tinta Barroca (10%) e Touriga Franca
(10%).
O tinto Quinta do Portal Colheita 2006 foi obtido a
partir das castas Tinta Roriz (65%), Touriga Nacional
(20%) e Touriga Franca (15%). Finalmente, do Quinta do Portal Tinto Reserva 2005 ressalta a elegância e
os aromas florais oriundos da Touriga Nacional, que
compõe o lote em 70%, sem deixar de lado as notas
de fruto e os taninos, presentes mas sem serem agressivos, da Tinta Roriz (20%), com presença de 10% de
Touriga Franca.
Marc Barros
[email protected]
PUB
Padouro comprada
por investidor da construção
vê pastelaria fechada
pela asae
A Padouro, empresa portuense de panificação que
emprega mais de 130 trabalhadores, foi comprada esta
semana por um investidor
ligado à construção civil, Manuel José Madureira Mateus,
administrador da empresa
Mateus & Cerqueira, Sociedade de Construções, soube
a “Vida Económica” de fonte
ligada ao processo.
A única proposta de compra, apresentada em carta
fechada, ofereceu 1 602 500
euros pela Padouro no seu
todo, um valor abaixo da base
de licitação — 1,752 milhões
de euros - fixada pelo Tribunal
do Comércio de Gaia. Ainda
assim, a comissão de credores
da empresa, constituída pela
Segurança Social, Fazenda
Nacional, o Millennium BCP
e dois trabalhadores, decidiuse pela venda ao referido investidor, com a condição de
este assegurar todos os postos
de trabalho.
Depois de várias assembleias de credores, na última
das quais foram rejeitadas
duas propostas apresentadas
pela administração da empresa, o Tribunal do Comércio
de Gaia delegou no administrador Adélio Ramalho a gestão da empresa, assim como
poderes para vender a Padouro pela melhor proposta.
Coincidentemente, na data
limite para apresentação de
propostas para a viabilização
da Padouro (quarta-feira desta semana), uma brigada de
fiscalização da Agência para
a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) visitou um
dos estabelecimentos de fabrico da empresa, na Praça 9
de Abril, no Porto, decidindo
encerrar o estabelecimento e
proibir a continuação do fabrico de pastelaria.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
Mercure selecciona
nova carta de vinhos
A cadeia de hotéis Mercure, do
grupo Accor, levou a cabo a nona
edição da “Selecção de Grandes
Vinhos Mercure”. Através de
provas de vinhos cegas, cerca
de 30 provadores, entre enólogos, escanções, distribuidores
e responsáveis de cada unidade
hoteleira, escolheram 16 vinhos
portugueses de um lote inicial de
148 vinhos submetidos a concurso.
Foram vinhos de todas as regiões vitivinícolas nacionais
que
estiveram
em concurso, os
quais serão integrados na carta
dos restaurantes
desta cadeia através de um conceito inovador.
Sem perderem a
sua identidade regional, os vinhos
são distribuídos
segundo as categorias “Frescos
e Gourmet”, tratando-se de “vinhos com carácter, que transmitem uma ligeira sensação de
frescura”, “Equilibrados e Elegantes”, cuja “harmonia é o culminar de um interessante conjunto de aromas e sabores que
garantem o prazer dos que apreciam paladares delicados”, “Leves e Frutados” e “Encorpados e
Distintos”. Recorde-se que esta é
a segunda edição do concurso de
acordo com este novo conceito.
Em 2007 foram submetidos a
prova 317 vinhos.
A carta de “Grandes Vinhos
Mercure” possibilita, segundo
João Araújo, director da marca,
uma mais-valia nos seus restaurantes, pois, “através do aconselhamento dos escanções que
cada unidade tem disponíveis,
podem ser feitas as melhores ligações gastronómicas”, sendo o
vinho a “estrela” da refeição.
O grande objectivo deste concurso é “oferecer aos produtores
com menor visibilidade mas que
produzem grandes vinhos” um
canal de distribuição para vinhos
“a preços razoáveis”. Concordando que a restauração “exagera
nas margens praticadas”, os restaurantes Mercure escolhem os
seus vinhos “em função de deter-
minados parâmetros de preços”
que possam ser considerados
razoáveis para os consumidores e
que não excedem os 16,5 ou 17
euros, preços “estes para os vinhos de gama alta”, aponta João
Araújo.
Para além disso, como já se
verificou em anos anteriores, “a
presença destes produtores na
cadeia Mercure pode ser uma
forma de colocar os seus vinhos
nas unidades” desta marca em
outros países, referiu.
A Mercure tem em Portugal
cinco unidades (Porto, Gaia, Lisboa, Figueira da Foz e Aveiro).
João Araújo estima que as próximas unidades deverão ser criadas
em regime da franchising.
Marc Barros
[email protected]
negócios e empresas
sexta-feira, 13 Junho de 2008
21
Cotec distingue PME exportadoras de inovação
Há já empresas a derrubar algumas barreiras em termos de inovação. Que o diga Rui Guimarães, director-geral da Associação
Empresarial para a Inovação (Cotec), que, em entrevista à VE, dá o exemplo de duas PME portuguesas que deram o salto da
inovação e não estão nada arrependidas. Afinal, os seus produtos, aliás, reconhecidos em mais um encontro da Cotec, com a
atribuição de menções honrosas, já se encontram um pouco por todo o mundo.
Vida Económica – Mais um
encontro da Cotec dedicado à
inovação. Apesar dos esforços
que foram realizados, ainda
temos muito para avançar?
Rui Guimarães – Claro que
sim. Mas, falando do encontro,
devo dizer-lhe que a nossa intenção foi a de realizar um evento
capaz de estimular as empresas
nacionais, em particular, aquelas
que estão mais próximas da Cotec – estou a falar das associadas
e da rede das PME inovadoras da
Cotec –, no sentido da inovação.
E tanto assim é que o tema escolhido para o encontro foi o do reforço da inovação empresarial.
É, contudo, nossa convicção, e,
foi esse um pouco o objecto do
primeiro painel da manhã, que
isto não poderá ser feito de forma
eficaz e eficiente se não for devidamente pensado e organizado.
Assim sendo, coloca-se, desde
logo, uma questão: o que é a inovação? De uma forma sumária,
podemos dizer que é a conversão
de conhecimento em valor seja
ele económico ou social. Mas
não ficamos por aqui. Há outras
questões a ter em consideração e,
aqui, falo, por exemplo, da forma como é conduzida a inovação
empresarial.
VE – A inovação tem de partir, sobretudo, dos novos projectos, das novas empresas,
outra das ideias focadas neste encontro. Está de acordo?
RG – Pode partir, mas não
tem necessariamente de partir.
Conforme referi no encontro, há
diferentes tipos de inovação, os
quais se aplicam, por sua vez, aos
diferentes estádios de evolução
das empresas.
É evidente que, para começar,
é preciso inovação disruptiva,
depois inovação de produto, de
linha de produtos. Mas, como
já disse, há outros tipos de inovação, sobretudo quando as empresas atingem um determinado
estádio de maturidade. E de que
é que estamos a falar? Bom, estamos a falar da inovação ao ní-
“O capital de risco é algo que a banca comercial não faz nem tem de fazer e não é, normalmente,
realizado em lado nenhum”, lembra Rui Guimarães, director-geral da Cotec.
vel do marketing, dos processos.
Depois, há uma outra forma de
introduzir inovação numa dada
empresa e que passa, algo que foi
citado pelo Prof. António Borges,
pela aquisição de outras mais pequenas.
Mas, como já referi atrás, há
outras questões que não podemos
descurar. Desde logo, o modo
como a inovação é feita, os mode-
“Aquilo que mais falta
não é o dinheiro, mas
sim outras questões
mais relacionadas
com a preparação,
as competências, as
atitudes”
los que regem a sua implementação. E, aqui, devo acrescentar que
este tipo de processos não obedecem, normalmente, a uma estrutura linear. Ou seja, não se parte,
habitualmente, da investigação
para o desenvolvimento e deste
para a comercialização. Pelo contrário, em primeiro lugar, começa-se pelo mercado, prestando-se
atenção ao mercado, aos clientes,
aos concorrentes. A partir daqui,
das ideias que conseguimos obter,
então, partimos para o desenvolvimento de novos produtos,
processos, novas formas organizacionais. E se, porventura, nos
faltar o conhecimento, teremos,
claro está, que dar o passo seguinte, ou seja, recorrer àquele que se
encontra disponível. Em último
caso e se, por acaso, este também
não existir, aí, sim, é que se gera
novo conhecimento. O que acabo
de afirmar não invalida, contudo,
que se possa fazer o caminho inverso, este também é possível.
Mas o trabalho ainda não está
concluído. Há ainda outras questões que têm de ser colocadas em
cima da mesa: agora que a inovação está a ser implementada,
é preciso discutir a intensidade
e a qualidade da mesma. Razão
pela qual, existe, aliás, o sistema
de “innovation scoring”. Sem isto
não será fácil progredir. Se, por
último, as empresas chegarem à
conclusão que poderão fazer mais
e melhor inovação, passa-se a uma
outra fase, a fase da gestão, da
certificação da mesma. Algo que
nos levou, aliás, a aproximarmonos das questões da certificação
da gestão da Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I).
VE – Um outro assunto muito discutido neste encontro
foi o do financiamento, tendo
sido dito que a banca tradicional não está adaptada a este
figurino. Como comenta?
RG – O capital de risco é algo
que a banca comercial não faz nem
tem de fazer e não é, normalmente, realizado em lado nenhum.
Aqui, na Cotec, o procuramos é
valorizar as ideias oriundas das
universidades ou de outras instituições do sistema científico e
tecnológico e, de seguida, convertê-las em valor. Como? Através da
criação de “start-ups” que sejam
de base tecnológica e se dirigem
aos mercados globais.
A nossa experiência diz-nos,
aliás, que aquilo que mais falta
não é o dinheiro, mas sim outras
questões mais relacionadas com
a preparação, as competências,
as atitudes. E, aqui, estou a falar dos promotores originais das
ideias, dos co-financiadores, dos
co-gestores do projecto. Aquilo
que acabei de referir acaba por ser
de âmbito mais restritivo do que
o próprio dinheiro. E, por isso, é
que nós, Cotec, estamos a intervir nesse domínio.
VE – Neste encontro da Cotec, por aquilo que verifiquei,
não estiveram presentes empresas de menor dimensão?
RG – Em relação a esse assunto, devo dizer que, no nosso
encontro, pudemos contar com
a presença de duas empresas de
menor dimensão. Estas foram,
inclusive, distinguidas com duas
menções honrosas no âmbito daquele que foi o Prémio Produto
Inovação Cotec-Unicer. Uma delas, um “spin-off ” da Universidade de Coimbra, é, aliás, líder e,
em termos europeus, na área da
telemetria do Gás de Petróleo Líquido (GPL). E tanto assim éque
esta empresa se encontra já no
momento a estender esse conceito a outras formas de energia.
A outra empresa distinguida por
nós dá pelo nome de WeDo Consulting e o seu produto “Gestão da
Garantia da Receita”. Uma inovação que surgiu, porque o sistema de
facturação, o sistema de recolha de
mutação
do qren cria
dificuldades
iniciais
Relativamente aos programas
de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT), do
QREN, há empresas interessadas nestes programas ligados à inovação.
“Há empresas que já se estão, de facto, a candidatarse. Devo, contudo, lembrar
que ainda não chegámos ao
fim, ainda vão surgir outras
oportunidades. Há, no entanto, que ter em conta algo de
muito importante: a mutação
de que o QREN foi alvo em relação a programas anteriores.
Não nos podemos esquecer,
como referiu o Prof. António
Borges no nosso encontro,
que o QREN não surgiu para
financiar
infra-estruturas,
mas, sim, novas formas de
conhecimento, de difusão e
de aplicação desse mesmo
conhecimento.
Uma mutação que leva, naturalmente, a que existam
algumas dificuldades, a que
não saia tudo bem à primeira.
É isso que tem acontecido,
sendo que está a ser realizado
um esforço para obviar estas
questões. Por último, gostaria
de acrescentar que a Cotec
acompanha o QREN, interferindo no bom sentido, ou seja,
no sentido de aconselhar a
introdução deste ou daquele
instrumento, deste ou daquele mecanismo”, afirma Rui
Guimarães.
dinheiro são complexos, surgindo,
assim, a necessidade de criar algo
capaz de resolver estas questões.
O resultado? Estamos perante
um sistema que já se encontra um
pouco por todo o mundo. Uma,
relembro, é líder a nível europeu, a
outra já está em todo o mundo. E
quando digo todo o mundo, falo
de Singapura, da América do Sul,
do Brasil, da Europa.
SANDRA RIBEIRO
[email protected]
AIMinho quer melhorar a gestão ambiental
dos parques empresariais
Olhar para os parques empresariais como um todo e não,
apenas, como um depósito de empresas. Uma ideia que levou
a AIMinho a apresentar, recentemente, em Braga, um manual
que visa melhorar a gestão ambiental dos parques ambientes. É
essencial gerar uma “consciência de eficiência colectiva”, referiu a
respeito deste assunto Nuno Martins, director-geral da AIMinho.
O
que se pode fazer para melhorar
a qualidade, inclusive, ambiental
dos nossos parques empresariais?
Para a Associação Industrial do Minho
(AIMinho), a resposta surge com a criação do Manual de Boas Práticas de Gestão
Ambiental em Parques Empresariais. Um
documento que foi apresentado, há pouco
tempo, em Braga, e, como diz a AIMinho,
em comunicado, se apresenta como “um
instrumento catalisador para o desenvolvimento económico e ambiental dos parques empresariais e população envolvente,
potenciando a competitividade do tecido
empresarial e a melhoria da qualidade de
vida”.
E a AIMinho continua a sua explicação
ao referir que, neste manual, é possível
“encontrar as melhores práticas ao nível
do planeamento e execução de novos parques empresariais, de gestão do parque
e de desactivação global do mesmo”. Os
públicos-alvo deste manual, esses, já estão
identificados. Afinal, a associação minhota fala de um documento que deverá ser
um “contributo para que o Estado e a
sociedade civil se envolvam nas questões
ambientais” relacionadas, claro está, com
a implantação deste tipo de infra-estruturas. “Temos que deixar de olhar para os
parques empresariais como um depósito de empresas”, destaca Nuno Martins,
director-geral da AIMinho. No entender
deste responsável, a lógica do condomínio
empresarial ainda não constitui uma realidade para a maioria dos parques e isto,
acrescenta, prejudica, de forma grave, o
seu desempenho em inúmeras áreas, nomeadamente, a ambiental.
Para Nuno Martins, ainda “há poucas
empresas a procurarem soluções energéticas colectivas”. Algo que, segundo o director-geral da AIMinho, acontece, porque
estas não têm consciência dos ganhos que
daí podem advir. É essencial, disse ainda,
gerar nos parques uma “consciência de
eficiência colectiva” e, isto porque não se
trata, somente, de uma questão de responsabilidade social, mas também de competitividade e desempenho.
22
negócios e empresas
Santarém recebe
de novo Feira
Nacional
de Agricultura
U
ma vez mais, o sector
agrícola vai ter a oportunidade de mostrar o que
vale. É que, ao longo deste fim-desemana – um acontecimento que
teve o seu início no dia 7 deste
mês –, realiza-se, em Santarém, no
Centro Nacional de Exposições,
um dos mais importantes eventos
nacionais ligados ao sector: nada
mais nada menos do que a 45ª
Feira Nacional de Agricultura/ 55ª
Feira do Ribatejo.
A edição deste ano, intitulada
“Alimentação Saudável”, conta
com uma série de eventos, para
além da exposição propriamente
dita, donde destacamos o primeiro Salão Nacional de Alimentação,
o 2º Salão Nacional de Azeite e
ainda a Feira Nacional do Vinho.
Tudo isto não surge por acaso e
visa, como dizem os seus promo-
tores, dar a conhecer os produtos
da terra, as tradições nacionais,
mas também estimular o crescimento do sector em Portugal.
“Palco privilegiado para o debate
das questões emergentes e decorrentes dos desafios que o sector enfrenta, a Feira Nacional de Agricultura representa uma oportunidade
para as empresas partilharem com
os seus actuais e potenciais clientes
os produtos e serviços inovadores
de que dispõem”, podemos ler no
referido comunicado. Mas não ficamos por aqui. É que os agricultores que participarem nesta feira
vão ter ainda a oportunidade de
assistir a encontros, congressos e
seminários, estes dedicados a temas
como a crise alimentar mundial
e os impactos na agricultura e na
economia portuguesa, mundo rural – um mundo de oportunidades
ou ainda as rotas do vinho.
A isto soma-se algo curioso: um
recinto com vários campos de cultivo de cariz pedagógico, tais como
cardo, colsa, girassol ou trigo e ainda, numa vertente mais tradicional,
o “mercado de produtos tradicionais”. E, porque estamos no Ribatejo, esta feira não estaria completa
sem a presença dos campinos com
os seus desfiles, as provas e largadas
de touros. A que se juntam ainda,
num ambiente de festa e lazer, as
exibições de folclore, música popular, bem como as tasquinhas e restaurantes com o melhor do país em
termos de sabores e paladares.
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Renovado hotel Caminhos
de Santiago abre ao público
O hotel Caminhos de Santiago reabriu ao público, depois
de um arrojado projecto de restauro da antiga Pousada de
Santiago do Cacém, com um novo edifício de arquitectura
contemporânea.
Situado em Santiago de Cacém, no coração do litoral alentejano, o Hotel Caminhos de Santiago reabriu ao público.
Situado no cimo de um monte, numa
área densamente arborizada, cuja cobertura vegetal foi preservada e reforçada, os
pormenores decorativos no seu interior
acentuam a cultura e o artesanato local,
através de uma fusão com o mobiliário e
a iluminação de design moderno e actual.
As cerâmicas, as mantas alentejanas e os
objectos de cortiça são alguns dos apontamentos presentes nas várias áreas do
hotel.
O edifício original, de grande rigor arquitectónico, está agora classificado como
imóvel de interesse público. Construída
no início dos anos quarenta, é a segunda
mais antiga pousada de Portugal.
O projecto arquitectónico é de Francisco Aires Mateus, enquanto a conhecida
dupla de arquitectas Cristina Santos Silva
e Ana Menezes Cardoso foi responsável
pela concepção do projecto de arquitectura de interiores e decoração. Com 33
quartos e duas suites, o hotel oferece, ainda, ao viajante a possibilidade de provar
um magnífico menu e carta de vinhos
com os sabores da gastronomia tradicional alentejana, da autoria do chefe Vítor
Sobral, no restaurante “O Peregrino”.
O hotel oferece ainda um conjunto de
actividades no exterior, como passeio de
jipe, desportos náuticos, campo de tiro,
passeios de balão, mergulho, caça, tiro ao
arco e besta, passeios a cavalo, passeios de
bicicleta, passeios temáticos e “paintball”,
entre outros.
Vila Sol Spa & Golf
com superfície comercial
O
resort Vila Sol Vilamoura Spa de oferta de serviços deste pólo comer& Golf Resort contará, a partir cial. A construção do Vila Sol Shopping
de 6 de Julho, com uma nova constituiu uma aposta do grupo, com o
superfície comercial, num investimento objectivo de aumentar a oferta turística
de 10 milhões de euros.
para o empreendimento,
Trata-se do Vila Sol Shoatravés do reforço inerenpping, que conta com 30
te à maior diversidade de
Investimento
lojas distribuídas por uma
serviços de que irá disde 10 milhões
área bruta de construção
por. Em complemento à
de seis mil metros quadraoferta de restauração do
visa aumentar
dos em dois pisos, um dos
empreendimento, estão
quais subterrâneo, destiprevistos três espaços que
capacidade
nado a estacionamento, e
apresentam características
turística do
outro térreo, no qual ficadiferentes: um restaurante
rão instalados o comércio
italiano, um restaurante
projecto
e os serviços.
de cozinha tradicional
Projectado pelo arquiportuguesa e um restautecto Regino Cruz, este pólo comercial rante de cozinha de fusão.
permite a fusão dos espaços, conferindo
Por sua vez, o Vila Sol Vilamoura Spa
uma mais-valia de adaptação para os lo- & Golf Resort engloba uma propriedade
jistas. O grupo Vila Sol, que promoveu e de 150 hectares e conta com um hotel de
assume a gestão directa do Vila Sol Sho- cinco estrelas, sob a gestão da marca Repping, colocou as unidades comerciais naissance – Marriot.
no mercado de arrendamento, garanMarc Barros
[email protected]
tindo, desta forma, o controlo do “mix”
Breves
Eurocer-Bulding
tem novo presidente
Francisco Barroca foi eleito
presidente da Eurocer-Bulding, associação europeia
que agrupa os organismos
de certificação europeus
na área da construção, de
que era, aliás, vice-presidente. Composta por 19
membros oriundos de 11
países, a associação tem
como objectivos estabelecer acordos de reconhecimento mútuo entre os seus
membros e contribuir para
a melhoria da qualidade da
indústria da construção na
Europa.
Francisco Barroca é o director-geral da CERTIF – Associação para a Certificação
de Produtos, organismo líder de certificação de pro-
dutos e serviços. É, igualmente, vice-presidente da
Associação Portuguesa para
Francisco Barroca.
a Qualidade e administrador
do Centro Protocolar de Formação para a Qualidade. Foi
vice-Presidente do Instituto
Português da Qualidade e
presidente da APCER.
Internacionalização
do Sapo em Cabo Verde
A internacionalização do
Sapo, o portal da Portugal
Telecom, arrancou em Cabo
Verde. Segundo a empresa,
este lançamento visa “potenciar a visibilidade” deste
país no mundo e, ao mesmo tempo, “permitir que
todos os cabo-verdianos
partilhem informação, comunicação e conhecimento”. A PT detém em Cabo
Verde 40% da CV Telecom,
que por sua vez controla a
CV Móvel e a CV Multimé-
dia, as quais exploram o negócio móvel, banca larga e
“pay tv”, respectivamente.
Zeinal Bava, presidente da
Comissão Executiva da Portugal Telecom (PT), afirmou
que o próximo passo de internacionalização do portal
Sapo será Angola. O rosto
da campanha de publicidade paralela de divulgação
da nova oferta é a tenista
luso-americana
Michelle
Brito.
Fernanda Silva Teixeira
ISGB lança pós-graduação
de marketing
de comunicação
nos bancos
“Marketing e Banking Social Media”: é a nova pósgraduação
desenvolvida
pelo Instituto Superior de
Gestão Bancária (ISGB),
que procura implementar
formas de trabalho mais
adaptadas ao actual contexto. A crescente utilização da web torna os clien-
tes de qualquer instituição
mais conhecedores e, consequentemente, mais exigentes. É neste contexto
que se torna essencial aplicar as novas tecnologias ao
marketing e comunicação
dos bancos. A pós-graduação tem início marcado
para 14 de Outubro.
PUB
Rua do Bolhão 221
[email protected]
www.hoteldomhenrique.pt
aR E l S éT AmU R mA Na T rE
T 22 340 1616
empresas familiares
sexta-feira, 13 Junho de 2008
23
O crescimento da família vs. o crescimento da empresa
Jesus e Francisco Negreira del Rio.
Professores da Escuela de Negocios Caixanova
“Tenho 35 anos, há dez que trabalho na empresa familiar e tenho pela frente os meus 15 melhores anos a
nível profissional. Acontece que não me deixam tomar iniciativas para além da gestão base do que já fazemos, e
sinto que ou multiplicamos a empresa ou no futuro teremos muitos problemas. Pensando que o meu pai tem um
quinto da empresa, e um dia eu terei uma terça parte… ou
crescemos ou haverá tensões relacionadas com os dividendos, o ritmo de vida a que estamos habituados enquanto
família,…”
Esta conversa decorria com um membro de terceira geração de uma conhecida empresa. O nosso amigo manifestava um problema que afecta muitas empresas deste tipo:
um desfasamento entre o crescimento da empresa e o crescimento da família.
Neste caso em concreto, os motivos pelos quais não o
deixavam tomar decisões que significassem outra “velocidade de cruzeiro” à empresa não eram senão a boa saúde
e muita vontade de trabalhar por parte da segunda geração. Com idades compreendidas entre os sessenta e setenta anos, mas com um estado físico e mental invejável e
habituados a passar muitas horas diariamente na empresa,
o pai e um dos tios do nosso protagonista eram – ainda
que não intencionalmente – um ponto de estrangulamento
no crescimento da empresa. Gerem e lideram, mas já não
assumem riscos.
As pessoas com idade evoluem; para cada coisa há um
momento vital, e é evidente como ao entrar na fase final
de amadurecimento diminui a vontade de “complicar” a
vida abordando novos projectos de investimento que impliquem assumir riscos. Não vêem ou não querem ver que
esses riscos serão assumidos noutra altura e que é necessário continuar a apostar neles caso pretendamos garantir
o futuro da empresa. A preocupação passa mais por deixar
uma empresa forte e financeiramente sã, mas a sua saúde
pode fazer com que esta situação se estenda demasiado no
tempo (claro que ficamos felizes, tal como o nosso amigo,
pela excelente saúde do seu pai e do seu tio).
Hoje em dia, a terceira idade começa cada vez mais tarde, estamos sem dúvida perante uma das autênticas revoluções sociais do mundo actual: o aumento da esperança
de vida em condições físicas que aos olhos dos nossos antepassados pareceriam ficçãocientífica. Todavia, isto pode
originar diversos problemas entre a direcção estratégica de
uma empresa e aquela pela qual deveria apostar.
Devemos analisar o nosso caso em concreto e ver em que
medida o crescimento da família e o crescimento da empresa podem ser duas variáveis cuja evolução nos pode criar
problemas no futuro.
Devemos aproveitar a energia da geração seguinte apoiando-nos na sabedoria actual, e devemos abrir o debate estratégico sobre o rumo e a velocidade mais adequadas à empresa familiar. Isto vai originar um choque intergeracional,
todavia o único que não nos deve paralisar; as diferenças
são naturais e o melhor é trabalhar juntos na construção do
futuro. O Protocolo Familiar reúne os princípios e os mecanismos para abordar estas questões com mais garantias.
Como evolui a sua empresa?, e a sua família? Vale a pena
reflectir sobre isto.
“Outplacement
potencia a
responsabilidade
social das empresas”
“Uma equipa motivada trabalha muito mais do que uma desmotivada” - afirma
Pierre Ferbus.
Vida Económica - Quantas empresas utilizam o “outplacement”?
Pierre Ferbus - Em Portugal acreditamos que são já 400 empresas as que
utilizam o “outplacement”, o que corresponde a cerca de 1500 pessoas (“entreoutplacement” colectivo e individual).
A Transitar (em Portugal desde 2001) é
parceira da Lee Hecht Harrison em Portugal, e a procura dos serviços é cada vez
maior.
VE - Como prevê que seja a evolução do mercado português?
PF - A tendência em Portugal é crescer
como no resto da Europa. Hoje em dia,
assistimos a compras e fusões de empresas quase diariamente e isso torna o “outplacement” cada vez mais solicitado. O
“outplacement” potencia a responsabilização social das empresas e isso faz com
que estas procurem, cada vez mais, este
serviço. Na Bélgica, por exemplo, é obrigatório por lei que as empresas, em caso
de despedimento por uma razão que
não seja a competência do trabalhador,
paguem um serviço de “outplacement”.
Uma empresa que fornece serviços de
“outplacement” consegue, desde logo,
uma boa publicidade, uma boa imagem
perante o exterior, mas ainda é preciso
divulgar mais o conceito.
O “outplacement” está a entrar na
O “outplacement” é uma ferramenta de
gestão que facilita o reposicionamento dos
quadros das empresas.
O “equilíbrio no trabalho” e a
“responsabilidade social” das empresas são
as principais vantagens inerentes a este
mecanismo, afirma Pierre Ferbus, “key
account manager” da Realizar.
cultura de performance das empresas,
está a tornar-se uma verdadeira ferramenta de gestão. Antigamente as pessoas mudavam de emprego uma ou duas
vezes na vida, enquanto hoje em dia os
estudos mostram que as pessoas mudam
de emprego entre 8 e 18 vezes. Daqui
a 20 anos, ninguém sabe quais são os
trabalhos que terão sido criados. Assinar
um contrato é já “uma crónica de uma
morte anunciada”, é assumir que aquela pessoa vai sair da empresa - ou por
reforma, ou por reorganização da empresa, ou por promoção do trabalhador.
Se mudamos de emprego tantas vezes,
é importante saber em que momento o
nosso contrato vai ter um termo.
VE - Qual é a receptividade das empresas portuguesas a este programa?
PF - Nós temos boa receptividade de
algumas empresas e muito má de outras.
Existem empresas que acham que estão
em crescimento e que, por isso, não precisam deste tipo de serviços. Na minha
opinião, isto é completamente errado,
porque o mercado é, actualmente, muito
incerto. O “outplacement” faz da pessoa
despedida um ajudante para o crescimento, para a imagem da empresa.
VE - Consegue traçar um perfil das
empresas que procuram este tipo de
Especialistas na Consultoria a Empresas Familiares
e elaboração de Protocolos Familiares
serviços?
PF - Vai desde as pequenas empresas familiares até às multinacionais, ou
grandes empresas nacionais. Mas pode
ser simplesmente uma empesa que quer
ter uma maior responsabilidade social.
Hoje em dia, o “jogo da economia”
impossibilita a previsão do futuro. Basta observarmos casos de empresas que
achamos que estão muito bem, e no
outro dia vemos que estão a ser vendidas. Quem conhece a realidade sabe que
despedir uma pessoa pode ser muito
complicado, por isso é sempre preferivel
tentar chegar a um acordo.
VE - A vossa estratégia adapta-se
ao perfil de cada empresa ou é independente disso?
PF - A primeira coisa é fazer um contrato de confidencialidade e pensar uma
metodologia. Esta é adaptada, apesar de
obedecer a passos predefinidos. É orientado pelo candidato, não pela empresa,
porque queremos corresponder às necessidades, desejos e desafios do candidato.
Um erro que as empresas de “outplacement” cometem muito é não ter consultores com o perfil adequado às pessoas que representam.
Consultório da empresa familiar
Cedi já parte da propriedade da empresa aos
meus três filhos. Fiquei com 30% e o restante
reparti entre eles. Dois trabalham na empresa,
e o terceiro já o fez, mas actualmente arrancou
com um negócio seu. Antes, os salários eram
baixos e eu todos os anos complementava os seus
rendimentos com a distribuição de dividendos da
empresa.
Desde que são proprietários, e assumiram
totalmente a liderança da gestão, são eles que
tomam as decisões da empresa. Uma das coisas
que fizeram foi aumentar significativamente os
salários. No global, os rendimentos não são
muito superiores ao que eram anteriormente,
mas agora recebem-nos sob a forma de salário.
Todavia, isto afecta os resultados da empresa
(não deixamos de ser uma pequena empresa
familiar): Não queria ter de intervir nas decisões
da empresa, mas julgo que devo fazê-lo. O que me
aconselham?
Infelizmente, cedeu simultaneamente a gestão
da empresa e a sua propriedade (pelo que
referiu apenas possuir 30% do capital). Isto
impede-o, salvo se agir de forma concertada
com algum dos seus filhos, de ter poder para
impor o seu critério nas decisões da gestão da
empresa. Creio que os seus filhos agiram de
forma egoísta se as suas decisões afectaram o
retorno que o seu progenitor obtém da empresa
sem contar com a sua prévia autorização ou,
mais ainda, sem a sua indicação expressa e de
“motu próprio” neste sentido.
Infelizmente, esta situação não é invulgar,
muitas vezes as pessoas comportam-se de
uma forma que aos olhos dos afectados
pode parecer pouco previsível, e que eu não
me atreveria a classificar de outra forma.
Frequentemente, quando se antecipa a
transmissão da propriedade de forma a facilitar
a transição da gestão, o que se verifica é uma
actitude na qual os sucessores “descontam”
antecipadamente os seus méritos e direitos
do novo estatuto e fazem-no em prejuízo dos
seus progenitores, que são afastados tanto dos
seus interesses emocionais com dos negócios
ou mesmo, em alguns casos, em termos
económicos. Neste sentido, recomendo que
a sucessão seja feita de forma estruturada,
primeiro a transmissão da gestão e depois
da propriedade, e este último passo deve
sempre ser dado de forma a garantir a posição
económica do fundador (e do seu cônjuge).
Mariana Pinto
[email protected]
www.efconsulting.es
Santiago Compostela – Valencia – Porto
[email protected]
Envie-nos as suas questões para
[email protected]
24
Kaizen
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Melhoria contínua inicia nova escalada
Kaizen avança para o Departamente
de Apoio ao Cliente da Vida Económica
Segundo a filosofia de Masaaki Imai,
fundador do Kaizen Institute, guru
mundial da melhoria contínua, “os problemas são uma montanha de oportunidades”. Quer isto dizer que os problemas
na Redacção da Vida Económica acabaram? Não, apenas que se simplificaram
as soluções.
De facto, o processo implementado a
partir de Março de 2007 – e que consistiu em aplicar a metodologia Total
Service Management – modificou radicalmente, para melhor, a gestão do trabalho. O envolvimento de toda a equipa
da redacção permite encontrar, a toda a
hora, as melhores soluções no sentido
de eliminar o desperdício e, através da
normalização e simplificação de tarefas,
os erros e omissões, melhorando a eficiência global do serviço.
O Planeamento da Agenda da Redacção, a Definição do Plano Individual de
Trabalho, a Requisição de Trabalhos Fotográficos, a Gestão Visual dos Modelos
de Página, o Processamento Gráfico da
Página e a Gestão de Stocks de Material
Administrativo são hoje “ferramentas”
imprescindíveis de trabalho. Quer isto
dizer que as soluções encontradas foram
boas e úteis.
O processo avançou, no passado dia
11 de Abril, para secção de Apoio ao
Cliente. O espírito é o mesmo: partir de
conceitos simples e aplicáveis em qualquer sector de actividade, pensar a toda
a hora na forma de fazer, e não porque
não pode ser feito. Em vez de dar desculpas, há que questionar os métodos
actuais.
À semelhança do que aconteceu na
Redacção, as primeiras actividades foram centradas na organização básica do
posto e trabalho (Nível 1). Conseguida a
melhoria da da área de trabalho, avançase para o Nível 2 - Melhoria de Tarefas.
Libertação de espaço administrativo
via triagem de pastas de arquivo, mobiliário e equipamento
Melhoria da organização básica do posto de trabalho
VIRGÍLIO FERREIRA
Chefe de Redacção
Melhoria contínua
Kaizen, Total Service Management
O interesse pela implementação de sistemas de melhoria contínua (verdadeiro significado de Kaizen) tem crescido ao longo
do tempo pelo mundo fora e na sequência
dos resultados obtidos em diversas organizações, nomeadamente na Toyota Motor
Corporation. De facto, cada vez mais, e no
sentido de se aumentar o lucro das organizações, é imperativo reduzir aos custos
operacionais. O Kaizen apoia as empresas
neste processo de redução de custos actuando na eliminação de desperdício e estando orientado para a criação de valor.
O Kaizen teve a sua origem na Toyota,
sendo portanto associado tradicionalmente à indústria automóvel. Na realidade, actualmente, a sua aplicação é muito mais
vasta. O Kaizen aplica-se em todas as actividades onde existem operações, sejam
elas logísticas, de transformação ou administrativas.
A metodologia orientada para os serviços
designa-se por Total Service Management
e tem como objectivo final obter melhor
qualidade, ao mais baixo custo e no menor tempo possível. Paralelamente, e de
preocupação permanente, está enraizada
a motivação e flexibilização dos colaboradores. Em termos mais práticos visa-se:
- Tempos de resposta mais curtos e resposta rápida aos clientes;
- Mais valor acrescentado e produtividade pessoal;
- Maior rotação de stocks e melhor serviço ao cliente;
- Menos stress (menos procuras, mais
eficácia, mais sossego).
Esta metodologia está estruturada em
patamares evolutivos a caminho da Excelência: Best In Class, sistema livre de
desperdício.
A primeira etapa deste processo consiste na reorganização física da área de
trabalho, sendo aplicada a técnica dos 5
S. Como ponto de partida procede-se à
segregação de objectos/itens inúteis. Finalizada a triagem, iniciam-se as actividades de organização dos itens necessários
no lugar correcto para que seja criado um
ambiente óptimo e eficaz e tendo em atenção a máxima “Um lugar para cada coisa,
Cada coisa no seu lugar”. Após terem sido
desencadeadas as acções necessárias para
que todos os materiais, máquinas e ambiente estejam limpos e disponíveis definem-se as normas no sentido de assegurar
que a organização definida vai ser mantida
no futuro... Por último, e decisivo para a
manutenção das melhorias, é necessário
divulgar/sensibilizar para que o cumprimento das normas seja uma máxima de
vida!
Minimização do movimento de pessoas
através da disponibilização dos materiais/equipamentos
próximo do local de uso
Testemunhos
Carla Costa
Departamento
Publicações Periódicas
Virgínia Sousa
Responsável Compras
e Stocks
Sónia Moço
Centro de Atendimento
Todos devem ser ouvidos
Não ficar preso a paradigmas
É preciso acreditar na mudança
Confesso que sou uma pessoa com muitos paradigmas,
mas que também os quero vencer.
Apesar de já ter algumas noções e ideias do que seria o
Kaizen, custou-me imenso aceitar a minha mudança de
sítio, levando a que não me sentisse bem quer a nível
pessoal, quer profissional.
Passados que foram estes maus momentos, com a
normalidade a regressar à sala, entendo que todos deverão
ser ouvidos nas suas opiniões.
Espero que num futuro muito próximo tudo melhore ainda
mais, contando com a minha contribuição. Não será por
minha causa que o processo Kaizen não funcionará no meu
departamento.
Apesar da mudança de lugares ter sido o mais difícil,
há aspectos positivos a realçar, como a organização da
sala, que ficou com mais espaço devido à eliminação de
material não utilizado.
O arquivo ficou identificado e de fácil manuseamento,
o grupo ficou mais funcional, pois ficamos mais perto
do material de que necessitamos para trabalhar, logo
evitamos desperdícios.
O pensamento Kaizen é não ficar mos presos a
paradigmas, velhos conceitos e hábitos, logo terá que
ser uma evolução contínua.
No entanto, estamos preparados para as fases seguintes
deste processo de melhoria.
A “Vida Economica” é uma empresa razoavelmente bem
sucedida, apesar de sentirmos que muito há ainda a
melhorar.
Em parceria com o Kaizen, temos conseguido com
a implementação de soluções simples e económicas
melhorar significativamente o nosso espaço de
trabalho.
O maior desafio foi interiorizar o paradigma da mudança
e acreditar nisso.
Estamos ainda no início e é justo realçar que as nossas
expectativas são grandes. Acredito, no entanto, que os
nossos objectivos, reais, serão a seu tempo atingidos e
ultrapassados.
25
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Obras públicas
alavancam
desenvolvimento
imobiliário de Lisboa
Imobiliário
Autarquia vai colocar
dois lotes com potencial
de construção
de 110 mil m²
Alcântara, Baixa, Campolide e Parque Mayer são das zonas mais afectadas
CML quer dinamizar investimento
na reabilitação urbana
A Câmara Municipal de Lisboa quer dinamizar o investimento na reabilitação
urbana. Durante um almoço de trabalho promovido pela Associação Portuguesa
de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), na passada semana, do qual
foi convidado de honra, o presidente da autarquia, António Costa, afirmou
que “a CML deve deixar de ser um entrave ao investimento imobiliário na
cidade”, explicando algumas das medidas já tomadas com vista à agilização
do licenciamento de processos paralisados há anos, em zonas como Alcântara,
baixa, Campolide, Parque Mayer e na zona oriental.
Segundo o edil, “importa agora
relançar o investimento imobiliário na cidade”, tendo anunciado
que a autarquia vai colocar no
mercado um vasto conjunto patrimonial, que inclui dois lotes
com um potencial de construção
de 110.000 m² (um de 70.000
m² e outro de 40.000 m²) para a
construção de edifícios de escritórios para instalação de empresas.
Vão também ser comercializados
seis palácios, actualmente em
posse da Câmara, com vista à sua
reabilitação e posterior transformação em hotéis de charme. An-
tónio Costa informou também
que em breve o Estado irá também alienar três edifícios antigos,
nos quais pretende que venham a
ser instaladas unidades hoteleiras
de luxo (5 e 6 estrelas). A reabilitação de prédios devolutos e a
sua transformação em residências
universitárias é outra das metas
da autarquia neste âmbito.
“Vive-se um momento de
rara importância para o
sector imobiliário”
Segundo António Costa, actu-
almente, vive-se um “momento
de rara importância para o sector
imobiliário, potenciado pela decisão do Governo de avançar com
obras fundamentais para a expansão internacional de Lisboa,
como o Aeroporto, a expansão do
porto de Lisboa e o TGV”.
Na sua perspectiva, “o novo
quadro legislativo tornará mais
atractivos os investimentos na
reabilitação urbana”. E, acerca da
intervenção da autarquia, António Costa sublinhou que “a CML
deve deixar de ser um entrave ao
investimento imobiliário na ci-
dade”, enumerando algumas das
medidas com vista à agilização
dos processos pendentes em algumas das zonas mais críticas da
cidade.
Por seu turno, o vereador do
Urbanismo fez uma síntese do
levantamento feito aos edifícios
degradados e apresentou a estratégia de intervenção. Manuel
Salgado disse que “para resolvermos um quadro que apresenta
mais de seis mil edifícios em mau
estado, temos de licenciar mais
rápido, definir áreas críticas de
reabilitação, aprovar realojamentos temporários, resolver a questão do estacionamento e requerer
um empréstimo de 70 milhões
de euros para recuperar o parque
escolar, os espaços públicos e a
habitação”.
Na sua intervenção, o presidente da APPII, Henrique Polignac
de Barros, destacou a necessidade
de se “construir uma plataforma
de comunicação entre os promo-
tores e investidores imobiliários
que operam na cidade de Lisboa
e os serviços da CML”. Revelou
também o interesse dos associados da APPII na reabilitação dos
edifícios degradados do centro de
Lisboa, desde que se torne “uma
área de investimento verdadeiramente atractiva”, propondo “a
constituição de fundos de investimento imobiliário exclusivos e
específicos para operações de reabilitação urbana”.
Lisbon Prime index
Abril regista absorção de 15 mil m2 de escritórios
O Lisbon Prime Index registou no mês de Abril 15 mil m2
colocados em todo o mercado de escritórios de Lisboa. Com
este valor mensal a absorção acumulada de 2008 totaliza 50
mil m2, um valor que prova que este mercado continua muito activo não demonstrando assim sinais de abrandamento
face ao ano transacto.
Em termos de número de negócios fechados, este período
supera mesmo o volume que tinha sido atingido nos quatro
primeiros meses do ano anterior, já que este ano foram fechados 118 negócios contra os 96 celebrados em 2007.
O corredor Miraflores – Porto Salvo colocou cerca de me-
tade da área mensal, salienta-se a instalação de cinco novos
inquilinos no Parque Suécia e a colocação de um edifício
completo apenas a um inquilino. Este negócio consiste no
arrendamento do My Office, um edifício novo situado no
Pateo da Colina recentemente colocado no mercado.
Dentro de Lisboa, o destaque vai para o eixo ribeirinho da
Av. 24 de Julho, Restauradores e Almirante Reis, com seis negócios a totalizar mais de 5 mil m2. Este nível atingido apenas
durante um mês representa um movimento importante, especialmente, ao considerar a baixa oferta de metros disponível
nesta zona para arrendamento.
Proibida
a reprodução
do
LISBON
PRIME INDEX
Tel.: (+351) 218 912 416
www.chamartinimobiliaria.com
Residencial · Escritórios ·
SHOPPING
26
imobiliário
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Mercado residencial
português regista
nova aceleração
O Índice Confidencial Imobiliário (ICI) divulgou recentemente os resultados do mês de
Abril, revelando que a habita-
ção em Portugal Continental
registou uma taxa de valorização média anual – que traduz a
variação média dos últimos 12
meses face aos 12 meses anteriores – de 1,8%, a mais elevada
desde Janeiro de 2007. O grau
de subida deste indicador tem
vindo a aumentar progressivamente, revelando uma acelera-
ção no ritmo de valorização.
Em Abril e Março, a taxa de
valorização média anual subiu
0,2 pp, cerca do dobro relativamente ao verificado nos
meses anteriores. Em Abril, o
ICI atingiu ainda uma taxa de
variação homóloga de 3,9%, a
mais elevada dos últimos dois
anos, o que poderá ser encarado como um sinal que permitirá antecipar a continuação do
aumento do ritmo de valorização médio dos próximos meses.
Os últimos resultados vêm,
assim, confirmar a tendência
de que o mercado residencial
português aparenta alguma resistência à pressão gerada pela
instabilidade dos últimos meses
nos mercados financeiros internacionais.
Segundo o ICI, o ritmo de
valorização da habitação tem
vindo a aumentar desde Junho
de 2007, depois de o mercado
ter passado por uma fase de arrefecimento. Nesse mês, a taxa
de valorização média anual foi
de 1,0%, reflectindo uma oscilação entre meses de subida e
meses de correcção em baixa.
Segunda fase de comercialização do Convento
dos Inglesinhos já arrancou
A Chamartín Imobiliária acaba de lançar no mercado a segunda fase de comercialização
do Convento dos Inglesinhos,
um dos seus projectos habitacionais em Portugal mais emblemáticos.
O projecto resulta da reconversão de um edifício histórico
localizado no Bairro Alto, em
Lisboa, e está inserido na marca
“Para quem ama Lisboa”, lança-
da pela promotora para os seus
projectos de reabilitação urbana.
Esta segunda fase de vendas é
constituída por nove apartamentos de tipologias T1 a T4, com
áreas entre os 125 m² e os 222
m², distribuídos por 3 pisos, e
uma moradia do século XVII,
tipologia T3 Dúplex, com 190
m², que se encontra numa fase
final de reabilitação, mantendo a
sua traça original. A conclusão da
obra está prevista para 2008, dando-se início à entrega dos apartamentos ainda durante o segundo
semestre do corrente ano.
Recorde-se que na primeira
fase de comercialização foram
vendidos 18 apartamentos, com
tipologias entre o T0 a T6 e áreas compreendidas entre os 85
m² e os 380 m², inseridos no
edifício principal do Convento.
Habitação no Grande Porto
atinge taxa de oferta de 10,3%
A taxa de oferta habitacional
na Área Metropolitana do Porto
(AMP) ascendeu a 10,3% em
2007, de acordo com as estatísticas “Imométrica/LardoceLar.
com”. Segundo estes dados, o
stock final de oferta residencial
na AMP ascendeu a 62.100 alojamentos, um volume que, quando
comparado com o parque habitacional da região (605 mil alojamentos, de acordo com os mais
recentes dados do INE), traduz
uma taxa de oferta de 10,3%.
O concelho de Vila Nova de
Gaia é aquele que apresenta o
maior volume de alojamentos em
oferta na base dados, concentrando cerca de 24,4% do total do
stock em oferta na AMP. Em conjunto, este concelho e o do Porto
concentram cerca de metade da
oferta residencial na AMP, com
mais de 30.000 alojamentos em
venda. Ainda assim, a Imométrica conclui que “os dois concelhos
têm vindo a perder representatividade no total da oferta metropolitana, com uma queda conjunta
de 3,1 pontos percentuais em termos do seu peso no stock final de
habitação em venda, entre 2006
e 2007”.
Alta de Lisboa procura
investidores para hotéis
e centro comercial
A Sociedade Gestora da Alta
de Lisboa (SGAL) revelou a sua
intenção de instalar um centro
comercial e duas unidades hoteleiras no projecto urbanístico
que promove na cidade de Lisboa. Segundo informações reveladas pelo presidente da SGAL,
Amílcar Martins, actualmente,
decorrem as negociações com
três grupos, para apurar, até ao
final deste ano, quem irá promover o centro comercial com
60.000 m² que ali será desenvolvido.
Paralelamente, a SGAL já foi
contactada por cinco empresas
interessadas na construção e exploração dos dois hotéis previstos, que terão cerca de 150 e 250
quartos, respectivamente. “O
nosso objectivo é que durante
este ano sejam fechadas as parcerias”, afirmou Amílcar Martins,
por ocasião da apresentação da
nova estratégia da Alta de Lisboa
para o triénio de 2008 a 2010.
Apesar de ainda não haver
nada concreto, Amílcar Martins
sublinha que “temos as áreas
definidas e as condições criadas
para, caso se mostre necessário,
lançar de imediato investimentos
para construir escritórios, hotéis
e um centro comercial. Julgamos
que este conjunto de definições,
dificilmente existirá em qualquer
outra zona da cidade”. De acordo com o responsável, cerca de
70 a 80% das infra-estruturas já
estão concluídas ou em fase de
construção.
Legal & Imobiliário
Novo Regime do Arrrendamento Urbano
Carta para actualização de rendas habitacionais
“Sou proprietário de uma vivenda arrendada em 1986 e como a
renda era baixa e os inquilinos são ricos pedi a avaliação fiscal e
a fixação do nível de conservação da casa, para poder actualizar
a renda.
Já me foi comunicado o novo valor do imóvel e o nível de conservação que foi classificado como bom.
Como devo comunicar a actualização da renda?”
De acordo com o disposto no
Novo Regime do Arrendamento
Urbano (NRAU), no que concerne aos arrendamentos habitacionais mais antigos, ou seja,
aqueles cujos contratos tenham
sido celebrados antes de em 1990
ter entrado em vigor o Regime do
Arrendamento Urbano que foi
vulgarmente designado por RAU,
a actualização de renda poderá ser
feita até ao limite máximo do valor anual correspondente a 4%
do valor do locado.
O valor do locado é o produto do valor da avaliação realizada
pelas finanças, que agora foi comunicada ao leitor, multiplicado
pelo coeficiente de conservação
indicado pela Comissão Arbitral
Municipal no mesmo documento
onde consta o estado de conservação que o leitor menciona.
Depois de obtido o valor do
locado, como a actualização da
renda depende da iniciativa do
senhorio, o leitor, deverá enviar
ao inquilino uma carta registada
com aviso de recepção que, salvo
indicação em contrário, deverá
ser enviada para o locado.
Caso se trate de casa de morada
de família, como provavelmente é
o caso, a comunicação deverá ser
dirigida a cada um dos cônjuges.
Em tal carta, onde o senhorio
deverá enviar cópia do resultado
da avaliação do locado nos termos do Código do Imposto Municipal sobre Imóveis e da determinação do nível de conservação,
deverá ser comunicado, ao arren-
MARIA DOS ANJOS
GUERRA
Advogada
[email protected]
“A actualização da
renda depende da
iniciativa do senhorio.
A nova renda só é
devida no terceiro
mês a seguir á
comunicação”
datário, o montante da renda futura, o qual não poderá exceder,
como renda anual, 4% do valor
do locado.
Com a referida comunicação
mais deverá indicar, o leitor enquanto senhorio, o valor da renda
devida após a primeira actualização, calculada nos termos correspondentes a um faseamento, conforme as circunstâncias, ao longo
de dois, cinco ou dez anos conforme as circunstâncias, atendendo,
designadamente ao rendimento
do agregado familiar, à idade ou
deficiência do arrendatário.
A comunicação deverá ainda, invocar o valor em euros do
RABC (rendimento anual bruto
corrigido) que, no ano da comunicação, determina a aplicação
dos diversos escalões.
O senhorio deverá, ainda, informar o inquilino que, no prazo de
40 dias, poderá responder invocando que o RABC do agregado
familiar é inferior a cinco RMNA
(retribuições mínimas nacionais
anuais), que tem idade igual ou
superior a 65 anos ou deficiência
com grau comprovado de incapacidade superior a 60%, o que determinará o faseamento da actualização ao longo de 10 anos, mais
indicando, desde logo, que a falta
de resposta do arrendatário valerá
como declaração de inexistência
de tais circunstâncias.
Se for o caso dos inquilinos do
leitor, a comunicação deverá, ainda, juntando documento comprovativo de tal facto, invocar
que o agregado familiar do arrendatário dispõe de RABC superior
a 15 RMNA, o que determinará
a actualização da renda em dois
anos.
De referir que a nova renda só é
devida no terceiro mês a seguir à
comunicação do senhorio.
&
27
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Ócio
Negócios
O Fisco está a convocar os
contribuintes que pagam
pensões de alimentos
Desconfia que declarem
pagamentos não suportados por
decisão judicial
Pensão de alimentos
Os contribuintes que pagam pensões de
alimentos a ex-mulheres estão sob suspeita do Fisco. Compreende-se. A tentação para simular divórcios ou empolar os
valores pagos era grandes, num país em
que o Estado considera que só os filhos de
pais separados é que gastam dinheiro em
alimentação, vestuário e lazer.
Em boa verdade, os casais não separados estão há muito a subsidiar em sede
de IRS os que optaram pelo divórcio. Só
este ano, por exemplo, é que o Fisco se
lembrou de impor um tecto máximo para
os valores das pensões de alimentos. Nos
anos anteriores, um contribuinte poderia
declarar um qualquer valor da pensão por
cada filho ou para a ex-esposa. A lógica
da pensão de alimentos é péssima para o
Fisco, mas quem a impôs foi o próprio
Fisco.
Quem paga deduz o valor na receita
tributável, quem recebe não paga pelo
rendimento. (Outro efeito perverso, por
exemplo, é na atribuição do Abono de
Família). Neste quadro, não admira que
alguns casais mais afoitos possam ter sido
tentados a simular acordos. O dinheiro saía por um lado e entrava por outro,
sem o leão do Fisco o abocanhar. Agora,
as Finanças desconfiam que pode haver
marosca. Querem ver a sentença judicial
e os valores negociados em frente ao Juiz,
no caso dos contribuintes que aliviavam o
IRS com a rubrica Pensão de Alimentos.
Abate
Fitas no Barreiro
Parece que em Portugal há dois milhões de automóveis fantasmas. Estão matriculados, recenseados
pelo Fisco e pela ex-Direcção geral de Viação, mas
já não existem. Acabaram na sucata, na altura em
que nada era exigido ao dono de um carro abatido.
O filho espatifou a viatura? Um reboque levava
para um sucateiro e ponto final. Como não circulava, não se pagava o selo do carro e dava-se baixa do
seguro. Mas, oficialmente, continuava a existir.
O dono deveria ter dado baixa do carro, mas a
generalidade não o fazia. É útil e virtuoso proceder
à limpeza dos ficheiros. Mas o problema só se colocou porque a filosofia do imposto de circulação
mudou. Basta um carro estar registado, circule ou
não, para se ter de pagar o imposto. Ora, este procedimento fiscal promete ser uma dor de cabeça
para os portugueses que surgem nos ficheiros do
Fisco com carros inexistentes em seu nome. É que,
no país do Simplex, para dar conta que o carro foi
para sucata não é nada simples.
O Estado parte sempre do princípio que o cidadão é mentiroso e está ali para aldrabar.. Não
há documento da sucata (alguém terá?), não tem
documentos do carro? Bem, terá de aguentar uma
penosa tramitação de impressos e declarações. Por
exemplo, terá uma segunda via dos documentos no
guichet onde os deve entregar para abater o carro.
É verdade que há o negócio dos documentos falsos, mas os procedimentos estabelecidos são kafkianos.
Um advogado aconselhou um cliente a indicar
num dos impressos que o carro ardeu e os documentos também. É que preciso fazer prova do extravio dos documentos. Enfim, os portugueses nasceram para sofrer e… mentir.
O projecto da Cidade do Cinema, falado para área devoluta
da Quimiparque, no Barreiro, é
uma “never ending story”.
Acertada a localização, identificados os investidores, o filme
corre lento e sem fim à vista, à
la Manuel de Oliveira, apesar de
beneficiar do envolvimento de
gestores experientes como Eduardo Martins, ex-administrador
da PT. Ainda nem sequer é um
PIN-Projecto de Interesse Nacional, mas sempre se falou do
interesse de “majors” americanas como a Disney, MGM ou
Fox em se tornarem parceiras do
projecto.
A operação Cidade do Cinema
incluiria, é claro, uma componente imobiliária. A promotora
seria a CDMI Productions, com
sede em Los Angeles e ligado
ao empresário luso-americano
Carlos de Mattos. Os números da operação são grandiosos.
Uma área de 30 hectares, 140
milhões de euros e criação de
quatro mil postos de trabalho.
Inicialmente, as obras de arranque do projecto, que passa pela
criação de 17 estúdios (um deles
subaquático), chegaram a estar
previstas para o início de 2007.
O QUE SE DIZ
Machismo
Estava escrito que Ana Maria Fernandes, uma gestora que pulou da
Universidade do Porto e do BPI para
o estrelato nacional, se tornasse na
primeira mulher a surgir como presidente executiva de uma empresa do
PSI-20 da bolsa portuguesa. No caso,
da EDP Renováveis. Mas eis que uma
intervenção “machista” da CMVM
de Carlos Tavares retirou-lhe o título.
Forçada a esclarecer o assunto, a EDP
explicou que, afinal, António Mexia é
que, é o presidente da Comissão Executiva.
Ana Maria fora sempre apresentada
no “road show” como CEO da empresa, mas afinal, a tradução de tal
significa líder da equipa de gestão.
Enfim, detalhes de uma empresa
registada em Espanha. Mas a designação dos cargos não altera nem a chefia
na EDP Renováveis nem o salário de
Ana Maria – 384 mil euros por ano,
segundo o prospecto. A ironia desta
“despromoção” é que a carreira de
Ana Fernandes tem estado indexada
a Mexia.
Quando está em alta, ela ganha
visibilidade, verificando-se a mesma
correlação quando a estrela de Mexia
empalidece. E, pergunta de algibeira,
será que alguma vez uma mulher se
poderá tornar “chairman”?
Plato
O Fisco anda desconfiado das receitas do
impostos sobre a cerveja. A receita, na ordem dos cem milhões de euros anuais, caiu,
aparentemente, mais do que o consumo de
cerveja.
O ponto é que o imposto depende do teor
alcoólico, sendo que este é medido através do
chamado extracto primitivo, que os especialistas chamam plato. O Plato traduz a quantidade de ingredientes utilizados na preparação
da cerveja. Através de uma tabela, a intervalos definidos de graus plato corresponde uma
taxa de imposto proporcional ao teor alcoólico. Tal como na gasolina, em Espanha, este
imposto especial é quase metade do pago em
Portugal. O que pode acontecer é que, redu-
zindo o tal extracto primitivo, os fabricantes
baixem ligeiramente o imposto que, em geral, se situa nos 18 cêntimos por litro. É esta
questão que o fisco estará a investigar.
Patinha
Na noite das eleições do PSD, um grupo
de amigos pregou uma partida ao candidato
Patinha Antão. Um deles, falando correctamente espanhol, fez-se passar por uma radialista espanhol, interessado em conhecer as
opiniões e comentários do professsor. Patinha
caiu que nem um pato. Esteve ali a falar uns
minutinhos mas afinal tudo se resumia a uma
brincadeira de amigos. Sempre foi uma forma de ter uns minutos de antena, dado que
em Portugal as rádios e televisões ignoraram
o candidato.
28
ócio e negócios
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Lançamento do livro “Gestão e Liderança na Saúde”, de Mário Jorge de Carvalho
“Refundar a gestão da saúde em Portugal
passa por uma mudança de mentalidades”
A
saúde em Portugal enfrenta vários problemas, desde
logo um “centralismo asfixiante”, em que as decisões são
“padronizadas” e “ditadas de cima
para baixo”, acusou o economista
Mário Jorge Carvalho, durante a
apresentação do seu livro “Gestão
e Liderança na Saúde”, editado
pela “Vida Económica”, cujo
lançamento decorreu a semana
passada no Instituto de Oncolo-
gia do Porto. O autor sintetizou
várias notícias sobre o sector da
saúde e a gestão hospitalar publicadas nas últimas semanas. Confessou-se, aliás, um “coleccionador de recortes de jornais”. E no
citar de cada uma perpassava o
tom irónico, reiteradamente crítico, sobre o seu teor.
“A sensação que se tira da gestão da saúde em Portugal é que
as agendas [dos gestores] são cada
vez mais curtas, com a necessidade que têm de mostrar serviço”,
disse Mário Jorge Carvalho, alertando que, apesar da escassez de
tempo e da pressão dos objectivos, “continuamos a precisar de
fazer as coisas bem e a ter de ser
eficazes”.
Ainda que isso seja “o mais difícil”, o que a dá “mais trabalho
e demora mais tempo”. Ciente
de que “o problema estruturan-
Mário Jorge de Carvalho, economista, autor do livro “Gestão e Liderança na Saúde”.
João Luís de Sousa, director-adjunto da “Vida Económica”, e João Machado Lopes, director clínico do Instituto Português
de Oncologia do Porto (à esquerda na foto) marcaram presença no lançamento do livro.
te é a avaliação da excelência”, o
também colunista da “Vida Económica” concluiu: para “refundar
a gestão da saúde em Portugal é
preciso uma mudança de mentalidades”. O livro, disse João Luís de
Sousa, director-adjunto da “Vida
Económica”, durante a apresen-
tação, é “bastante oportuno”. É
que, “se o objectivo da saúde não
é o lucro, os recursos devem ser
bem geridos e aproveitados”. E a
obra ajuda na prossecução desse
objectivo.
TERESA SILVEIRA
[email protected]
Livro “O Movimento da Qualidade em Portugal”
Visão única sobre a Teoria e Prática da Qualidade
“
O exemplo tem de vir de
cima. Aos líderes políticos
compete serem os motores de consciência, tanto para as
empresas como para as pessoas.
Apostar na qualidade é apostar
na credibilidade, estando assim
mais próximo dos munícipes” afirmou Manuel Pinto Teixeira,
chefe do Gabinete da Presidência
da Câmara Municipal do Porto,
durante a apresentação do livro
“O Movimento da Qualidade em
Portugal”, da autoria de Rui Fazenda Branco, editado pela “Vida
Económica”.
A sessão de apresentação, que
decorreu no passado dia 4 de
Junho, na Adega Alemã, nas instalações da Unicer, contou ainda
com a presença, a convite do autor, de algumas das personalidade
e instituições que contribuíram
com o seu exemplo prático e o
partilham nesta edição.
Presente esteve também António Almeida Júnior, consultor
na área da qualidade há mais de
meio século, que viu com agrado
o facto de ser, “finalmente, relatado em livro o ponto fulcral da
qualidade. É um problema de
gestão de topo da empresa. O
grande desafio da gestão é a certificação”, advogou.
Já o autor, Fazenda Branco, referiu que o livro tem contributos
reais de consultores de topo, entidades, instituições e outros, que
nos ajudam a “ter uma visão única”. Em suma “é um puzzle, com
várias peças, que num conjunto
formam um fim comum”, frisou.
Ana Barbosa, Pinto Teixeira, Fazenda Branco, João Luís Sousa e Almeida Júnior.
Convívio dos presentes.
Adega Alemã - Unicer.
António Almeida Júnior e o autor Rui Fazenda Branco.
Esta apresentação contou ainda com a presença de Ana Barbosa, representante da Unicer, e
Miguel Peixoto de Sousa e João
Luís Peixoto de Sousa, directores
do Grupo Editorial Vida Económica.
Fernanda Silva Teixeira
Qren
sexta-feira, 13 Junho de 2008
POVT gere 4,6 mil milhões
de fundos comunitários
O Programa Operacional Temático Valorização do dos modelos que caracterizaram os anteriores QuaTerritório (POVT), que foi recentemente apresen- dros Comunitários de Apoio, prosseguindo um contentado pelo Governo, faz parte do Quadro de Re- junto selectivo e coerente de prioridades, concenferência Estratégico Nacional (QREN) 2007-2013, trado em grandes desígnios estratégicos nacionais,
o qual visa superar um conjunto de constrangimen- alicerçados nos Planos de Desenvolvimento definitos estruturais que condicionam o desenvolvimento dos para o período 2007-2013, sendo de salientar o
Programa Nacional de Acção para o Crescimento e
económico e social do nosso país.
Com um apoio comunitário global de 21,5 mil o Emprego (PNACE), a Estratégia Nacional para o
milhões de euros, as novas oportunidades de finan- Desenvolvimento Sustentável (ENDS) e o Programa
ciamento que se abrem, com os Programas Operacio- Nacional da Política de Ordenamento do Território
(PNPOT).
nais do QREN, propiciam uma dinâCabe ao POVT assegurar a gestão de
mica de investimento muito relevante
Investimento
4,6 mil milhões de euros de fundos cono nosso país nos próximos anos.
Tendo em conta isto, Mário Lino,
total na ordem munitários, mobilizando um volume
global de Investimento Elegível de 6,6
Ministro das Obras Públicas, Transdos 18 mil
mil milhões de euros, que potenciará
portes e Comunicações, e Francisco
um Investimento Total na ordem dos
Nunes Correia, ministro do Ambienmilhões de
18 mil milhões de euros, a realizar até
te, do Ordenamento do Território e do
euros
ao final de 2015.
Desenvolvimento Regional, apelam “a
O POVT terá a responsabilidade de
todos os que têm a responsabilidade na
gerir a parcela do co-financiamento cogestão, na monitorização e na execução
dos projectos abrangidos pelas áreas de intervenção munitário previsto para alguns dos mais importandos Programas Operacionais do QREN para que se tes projectos à escala nacional e até comunitária que
mobilizem em torno dos seus objectivos, com gran- irão ser realizados nos próximos anos no nosso país
de dinâmica e empenho, para que ‘agarrem’ as opor- e que já foram referidos. “Em nome da eficiência
tunidades que estes fundos comunitários nos dão, dos recursos e da maximização dos resultados, o país
promovendo bons projectos, tendo em vista o de- exige e o Governo pretende os melhores projectos
para a realização dos objectivos estratégicos que se
senvolvimento do nosso país e da União Europeia”.
Saliente-se que a aposta central do QREN diverge encontram previstos”, conclui Mário Lino.
POVT financia primeiros
contratos
O Governo procedeu recentemente à assinatura dos primeiros contratos de financiamento no âmbito do POVT. Estes contratos, no domínio da prevenção, gestão e monitorização de riscos naturais e tecnológicos, atingem cerca de 20 milhões de euros, prevendo-se que, até
ao final do corrente mês de Junho, sejam assinados novos contratos de
financiamento, no valor de cerca de 100 milhões de euros, desta vez no
domínio da construção e requalificação de escolas do ensino secundário.
Inov Mundus apoia inserção
de jovens licenciados
Atendendo aos resultados positivos obtidos com a implementação dos Programas Inov Jovem
e Inov Contacto, nomeadamente
no que concerne à realização de
estágios e criação de emprego, foi
criado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 63/2008,
de 7 de Abril, o Programa Inov
- Jovens Quadros para a Inova-
ção, a Internacionalização e para
as Artes, alargando o âmbito de
intervenção dos dois programas
iniciais e criando duas novas medidas: o Inov-Art e o Inov Vasco
da Gama, destinados respectivamente à realização de estágios
internacionais no domínio das
artes e cultura e à qualificação de
jovens empresários.
“Revela-se apropriado alargar a
política global de apoio aos jovens
resultante da Resolução do Con-
selho de Ministros n.º 63/2008,
de 7 de Abril, com a criação de
uma medida específica para a área
da cooperação para o desenvolvimento: o Inov Mundus” - defende o Governo na Resolução
do Conselho de Ministros n.º
93/2008.
Conforme também se pode ler,
o Inov Mundus dirige-se à qua-
lificação profissional e inserção
de jovens licenciados em entidades e organizações nacionais e
internacionais que desenvolvam
a sua actividade na área da cooperação para o desenvolvimento.
“Tendo em vista critérios de racionalização e simplificação destes instrumentos de política e a
necessidade de uma execução e
acompanhamento interministerial, entende-se adequado que o
Inov Mundus seja desenvolvido
em estreita articulação com as
restantes medidas”.
Assim, esta nova fase do Inov
Jovem e do Inov Contacto prevê
um “reforço substancial dos beneficiários abrangidos”, bem como
a criação do Inov-ART, como
medida específica no domínio
das artes e cultura, do Inov Vasco
Gama, como medida específica
para apoiar a qualificação internacional de jovens empresários e
quadros de empresas nacionais, e
do Inov Mundus, como medida
específica no domínio da cooperação para o desenvolvimento,
nos termos dos números seguintes.
O Inov Mundus, destinado à
qualificação e inserção profissional de jovens licenciados junto de
entidades e organizações nacionais e internacionais, públicas e
privadas, vocacionadas para o desenvolvimento de acções na área
do desenvolvimento, visa abranger 250 jovens, nos próximos três
anos.
As presentes medidas são financiadas por verbas dos Ministérios
dos Negócios Estrangeiros, do
Trabalho e da Solidariedade Social, da Economia e da Inovação e
da Cultura, com o apoio, nomeadamente, do Programa Operacional Potencial Humano.
29
Consultório de Fundos Comunitários
PROGRAMA FINICIA
Possuímos há um ano uma empresa comercial que vende, para o mercado
interno, produtos tradicionais portugueses (azeite, vinho, queijo, alheiras,
frutos secos, etc.).
Pretendemos efectuar a internacionalização, começando numa 1ª fase
com a exportação para Angola, Moçambique e Brasil e a seguir pretendemos
abrir delegações nesses países.
Falaram-nos no programa Finicia. De que programa se trata?
RESPOSTA
1. Noção
O Programa FINICIA facilita o acesso ao financiamento à criação de
empresas e às empresas de menor dimensão, que tradicionalmente apresentam maiores dificuldades na sua ligação ao mercado financeiro.
O acesso a estes instrumentos está disponível em regime contínuo,
não havendo, portanto, fases de candidatura.
Os beneficiários são empreendedores e PME em fase de arranque.
No âmbito deste Programa, aplica-se a classificação de PME segundo
a Recomendação da Comissão Europeia nº 2003/361/CE, de 6 Maio de
2003, relativa à definição de micro, pequenas e médias empresas.
Os sectores de actividade abrangidos são a indústria, comércio,
turismo, serviços, construção e energia.
2.Tipologia de projectos
O Programa FINICIA encontra-se estruturado em três eixos de intervenção:
Eixo I – Projectos de forte conteúdo de inovação
Destinado à criação de empresas ou a PME existentes que apresentem projectos com uma elevada componente inovadora e potencial de
crescimento.
O programa permite o acesso a capital de risco, ou combinado de capital
de risco e de crédito suportado em garantia mútua, para investimentos
com necessidades de financiamento até 2,5 milhões de euros.
Eixo II – Negócios emergentes de pequena escala
Financiamento para a criação de empresas ou para PME criadas há
menos de 3 anos.
Neste eixo são disponibilizados produtos de capital de risco, de crédito suportado em garantia mútua, ou combinado destas duas soluções
de financiamento.
Existem instrumentos diferenciados para projectos com necessidades
de financiamento até 250 mil euros.
Eixo III – Iniciativas empresariais de interesse regional
Destinado a PME existentes ou em fase de criação, com actividade
ou projecto empresarial de relevância local em municípios aderentes
aos Fundos FINICIA. Esta intervenção visa proporcionar mecanismos
de financiamento que respondam às necessidades de investimento de
empresas de dimensão reduzida (micro e pequenas empresas) e com
actividade essencialmente local.
Os financiamentos a efectuar pela instituição de crédito aderente,
utilizando o fundo municipal, têm um valor de referência limite de 45
000J.
As soluções disponíveis são específicas de cada município.
3. Instrumentos de financiamento
No âmbito do Programa FINICIA, as empresas poderão ter acesso
aos seguintes instrumentos de financiamento:
- Capital de Risco;
- Micro Capital de Risco;
- Combinação de instrumentos de financiamento;
- Linha de Crédito Early Stage;
- Microcrédito;
- Fundos Municipais.
4. Finicia Jovem
O FINICIA JOVEM resulta de um protocolo assinado entre o IAPMEI e
o IPJ e facilita o acesso ao financiamento de novas empresas (não é um
incentivo ou subsídio), utilizando os apoios disponibilizados no âmbito
do programa FINICIA.
Destina-se a promotores com idade inferior a 35 anos e foca-se, para
além do financiamento de projectos, na disponibilização de informação,
aconselhamento e formação.
À semelhança do programa FINICIA, estrutura-se em três eixos:
ICIJOVEM – Eixos de Intervenção:
- Eixo1 - Serviço especializado de informação aos jovens;
- Eixo2 - Apoio especializado a iniciativas empresariais;
- Eixo3 - Apoio a projectos educativos e iniciativas da sociedade
civil.
Colaboração:
www.sibec.pt
[email protected]
Tel.: 228348500
Concurso para parcerias
de regeneração urbana em aberto
Encontram-se em aberto os
segundos concursos no domínio de intervenção Política de
Cidades - Parcerias para a Regeneração Urbana, integrados
no Eixo Prioritário II – Desenvolvimento das Cidades e dos
Sistemas Urbanos do Programa Operacional Regional do
Centro (POR) e do Alentejo.
Relativamente ao POR Centro,
o correspondente aviso de abertura de concurso, que decorre
até 31 de Outubro de 2008, contempla operações no domínio
da regeneração urbana relativa a
pequenos centros com potencial
estruturante do território regional, listando os centros urbanos
elegíveis a concurso.
As operações objecto de candidatura devem respeitar o instrumento de política Parcerias para
a Regeneração Urbana, integrado
na Política de Cidades Polis XXI,
e concretizar a prossecução dos
objectivos específicos do instrumento de política Parcerias para a
Regeneração Urbana.
Quanto ao POR Alentejo, Programa Operacional Regional do
Alentejo, o prazo para apresentação de candidaturas decorre até
ao dia 19 de Setembro de 2008.
30
telecomunicações
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Vodafone associa-se
ao Europeu de Futebol
Operador móvel facilita as comunicações de roaming e
disponibiliza serviço de informações sobre o evento
TMN introduz novidades nos tarifários
dirigidos aos mais jovens
SANDRA RIBEIRO
[email protected]
Numa altura em que o futebol é ‘rei é senhor’, geral, poderão ficar a par dos resultados de todos os
é natural que todos queiram associar-se, de algum jogos da primeira fase do evento, bem como dos
modo, à festa. Ora, é o que se passa com os opera- resultados dos quartos de final, meias-finais e final.
dores móveis, com a Vodafone. E como?
Como seria de esperar, aos resultados juntam-se as
De diversas formas, desde logo, através do seu classificações. Estamos a falar de coisas como a poserviço de roaming. A oferta é simples: entre 6 e sição das equipas no grupo, os pontos, os jogos, os
30 de Junho, os clientes Vodafone vão poder falar, golos marcados e golos sofridos.
a partir da Suíça ou da Áustria, como se estivessem
E para que não perca nada do que se passa, para
a falar, a partir daqui, de Portugal.
além dos Pirinéus, a Vodafone, através deste portal,
A adesão ao Vodafone Travel,
disponibiliza ainda o calendário dos
assim se designa este serviço, vai
jogos. Algo que inclui o dia e hora
ainda dar aos seus aderentes a oporde um determinado jogo, o nome da
Chamadas a
tunidade de “realizar chamadas ao
cidade, bem como estádio em que o
preço do tarifário nacional de clienmesmo tem lugar. E porque nem
partir da Suíça
te”. Há, no entanto, um pormesempre é possível seguir tudo o que
nor a ter em atenção: a este custo
se passa com o Europeu, a Vodafoou da Áustria
associa-se uma taxa de 80 cêntimos
ne a tudo isto junta um serviço de
a preço de
por chamada. Já por cada chamada
alertas. Como o leitor já adivinhou,
recebida, o cliente pagará, apenas,
aqui, estamos a falar dos golos em
Portugal
80 cêntimos por cada 10 minutos
directo – uma mensagem escrita vai,
de duração da mesma. Mas não fipor exemplo, dar às pessoas a oporcamos por aqui. É que, para além
tunidade de saber quando é que a
de facilitar as comunicações àqueles que precisam nossa selecção marcou golo –, do resumo dos jogos
de falar com os seus, a Vodafone disponibiliza ou das notícias mais relevantes ligadas a este evento.
também um serviço de informações sobre o que Se, no primeiro caso e para os jogos de Portugal,
de mais importante se vai passando nos relvados os clientes Vodafone vão ter direito a uma mensada Áustria e da Suíça. Este pode ser consultado no gem multimédia com o resumo do encontro, já no
portal “Vodafone live”, num micro-“site” denomi- segundo caso, estes utilizadores vão ser informados
nado, claro está, de “Europeu de Futebol”. Aqui os a respeito das últimas novidades da selecção, bem
fãs da selecção nacional e do futebol, de uma forma como da restante actualidade desportiva.
Teleperformance investe
na Covilhã com criação
de um novo “contact center”
O segmento mais jovem da população volta a ser alvo de uma
atenção particular. Desta feita, por
parte da TMN que acaba de relançar dois tarifários: o Vip’s SMS e
+Perto SMS. As vantagens?
Aqui, a TMN destaca os preços mais baixos, o aumento do
número de elementos do grupo vip’s e ainda a possibilidade
– algo que se aplica aos dois planos de preços – de enviar, em
vez de 250, 1500 SMS grátis
por dia. No primeiro caso, ou
seja, em relação ao Vip’s SMS,
estamos a falar na possibilidade de enviar mensagens escritas
para outras redes por, apenas,
5,9 cêntimos. Mas não só. A
isto junta-se o facto de o grupo
vip passar a incluir 15 elementos em vez dos actuais 10.
Em relação ao outro tarifário
citado, o +Perto SMS, voltamos
a falar de custos mais baixos:
em de 12 cêntimos, as comunicações por via esta via passam a
custar 10,9 cêntimos.
Samsung reforça patrocínio
à selecção nacional de futebol
Quem também tem uma
‘paixão’ pelo futebol é a Samsung. Afinal, este fabricante
é patrocinador, pela segunda
vez, da selecção nacional de
futebol. “Dando continuidade à estratégia de patrocínios
desportivos da empresa, em
Portugal, que incluem também o apoio ao comité olímpico português, o patrocínio
à selecção nacional demonstra o compromisso da Samsung em apoiar a dedicação,
esforço e glória dos atletas
que representam Portugal no
campeonato europeu a decor-
rer na Suíça”, podemos ler em
comunicado.
Estamos a falar de algo que
se vai prolongar até 2010, e
que permitirá, segundo a Samsung, “elevar o reconhecimento e empatia da marca junto de
consumidores, parceiros e público em geral”. O fabricante
de origem sul-coreana explica
ainda que este apoio faz parte de uma “filosofia praticada
em todos os países em que a
marca está presente, sendo por
isso uma importante directriz
na estratégia de marketing e
comunicação da empresa”.
Os “contact centers”, em Portugal, começam a ser uma realidade cada vez mais presente. E dizemos isto porque vai arrancar,
no próximo mês de Outubro, na Covilhã, um “contact center”
da Teleperformance. Esta uma empresa que se dedica a este sector, bem como ao outsourcing na área do CRM.
Estamos a falar de um investimento inicial de 1,8 milhões de
euros, que surge para prestar serviços de atendimento telefónico
aos clientes da Vodafone, bem como de outras empresas. “Dotada das mais modernas tecnologias de comunicação, as instalações do CONT C, onde será implementado o contact center,
colocam a Covilhã na vanguarda deste tipo de infra-estruturas”,
podemos ler em comunicado de imprensa. Um optimismo que
se estende aos recursos humanos da região.
Uma região com recursos humanos qualificados
Afinal, João Cardoso, director-geral e presidente da Teleperformance Portugal, diz que a Covilhã e regiões circundantes “têm
abundância de recursos humanos qualificados, orientados para
os resultados, com uma forte cultura de empresa e orientação
para o cliente”. Lembramos que este projecto vai ser responsável pela criação de 300 postos de trabalho. Isto numa primeira
fase, já que se prevê que este número possa chegar, até 2010, aos
500.
Falta-nos descrever um pouco melhor o grupo Teleperformance. Actualmente, este dispõe de cerca de 75 mil estações de trabalho informatizadas, com mais de 83 mil colaboradores. Estes
trabalham, em 281 “contact centers” de 45 países, uma presença
que leva esta empresa a gerir programas em mais de 66 línguas e
dialectos. Em Portugal, a empresa conta com mais de 10 anos de
actividade e possui 800 posições de operação activas. Os clientes,
esses, estendem-se aos sectores das telecomunicações, publicações, utilities e administração pública.
Optimus
lança
tarifários
com taxação
ao segundo
Depois da Vodafone,
chegou a vez de a Optimus
apresentar a sua oferta relacionada com os tarifários
de taxação ao segundo. Estes, como explicam em comunicado, já estão activos
e aplicam-se às chamadas
após um período inicial de
10 ou 30 segundo conforme os casos.
Uma iniciativa da Optimus que surge na sequência de uma determinação
da Autoridade Nacional
de Comunicações (Anacom), e, como destacam,
visa contribuir para o enriquecimento da oferta
da Optimus. A proposta
é a seguinte: oferecer ao
cliente a possibilidade de
seleccionar o tarifário que
lhe parece mais adequado
ao seu perfil de comunicações.
Empresas de telecomunicações envolvem clientes nos processos de inovação
Como ser competitivo no sector das telecomunicações? A resposta não será fácil, com um estudo recente – este da autoria da
SAS e da Economist Intelligence
Unit – a dar conta que isto se faz
através da denominada “inovação
aberta”. Ou seja, daquela inovação que inclui fornecedores, parceiros, meio académico e, mais
importante do que tudo isto,
clientes.
Segundo este mesmo estudo,
“74% dos executivos mudaram
de forma significativa os processos de inovação nos últimos
cinco a dez anos e 78% afirmam
que os clientes têm cada vez mais
impacto neste processo”. E tanto
assim é que, no que diz respeito
às fontes de inovação, os clientes merecem, de novo, destaque,
com 63% das respostas. Logo a
seguir, surge a colaboração de
terceiros como importante no
desenvolvimento de novos produtos e serviços, bem como na
identificação de uma nova tecnologia ou processo de inovação
para posterior aquisição e licenciamento. Ainda sobre a importância dos clientes em todos estes processos de inovação, temos
as palavras de James Watson,
editor do relatório do Economist
Intelligence Unit, que diz que a
“colaboração de mais parceiros
externos, especialmente, clientes, no processo de I&D, é cada
vez mais considerado como um
meio de responder a esta realidade”.
E é caso para dizer que toda a
ajuda é precisa. Afinal, 80% dos
inquiridos deste estudo consideram que a complexidade, custo
e ritmo da investigação e desenvolvimento vai aumentar, nos
próximos dois anos. Algo que
também não causa surpresa é ficarmos a saber que os ciclos dos
produtos vão continuar a diminuir, fruto da crescente pressão
para a inovação. Pelo menos, é
a opinião de 50% das pessoas
questionadas.
Lançamento de novos
produtos vai acelerar
Não admira, pois, que, oito em
cada 10 executivos considerem
que “a complexidade e o ritmo
de investigação e desenvolvimento nas suas próprias empresas
aumente de forma moderada ou
significativa até 2010”. De acordo com este estudo, um em cada
três decisores pretende, mesmo,
lançar, nos próximos dois anos,
entre sete e vinte novos produtos.
E fica o conselho de quem percebe
do assunto, Ian Manocha, director
do SAS do Reino Unido: “Este estudo revela que, de forma a serem
inovadoras, e, como tal, competitivas, as empresas de telecomunicações têm de conhecer muito bem
todos os aspectos do seu negócio”.
A visão acerca do cliente, acrescenta, “é, particularmente, essencial e
estas organizações necessitam de
compreender os seus clientes para
prever que produtos vão ter sucesso e que produtos vão falhar”.
COMÉRCIO EXTERNO
sexta-feira, 13 Junho de 2008
31
OPORTUNIDADE DE VENDA DE EMPRESAS
NORTE
sul
Grande porto
Empresa de Transportes Nacionais e Internacionais de Mercadorias sediada no
Norte de País. Especialização na área
dos perecíveis. Clientes fidelizados.
Vol. Vendas 2006: J 5.700.000. Ref.
PT 003 HB 031 0506
Hotel 4 Estrelas – Charme e Requinte
no Norte de Portugal. Unidade com 58
quartos e suites, piscina, dois restaurantes, campo de ténis, auditório, entre
outras facilidades. Hotel de charme e
requinte. Preço pedido: J 10.000.000.
Ref. PT 0004 MC 025 0505
Parafarmácia – Norte Litoral Empresa localizada em Braga, financeiramente saudável, com vasta carteira de clientes. Com
bom potencial de crescimento e diversificação. Preço pedido: J 550.000. Ref.
PT 004 MC 034 03 06
Empresa têxtil localizada na região Norte
do país, especializada na confecção de
artigos em malha. Facturação aproximada de J 2.500.000. Grande capacidade em desenvolver colecções e excelente reputação no mercado. Actividade
fortemente orientada para o mercado
externo. Private Label e Marca Própria.
Preço pedido: J 1.300.000. Ref. PT
004 MC 017 03 04
Quinta com 170 ha na Região Demarcada do Douro Superior. Letra B e marcas próprias. Produto de excelente
qualidade. Venda total ou parcial.
Preço sob Pedido. Ref. PT 0005 AES
0003 0108
Empresa de Injecção de plásticos, líder
de mercado. Ref. PT 0011 RMI 0005
05 07
Empresa de Construção Civil e Obras
Públicas – Grande Porto. Alvará
Classe 5. Experiência comprovada no mercado quer em Obras
Públicas, quer em Obras Privadas
desde os anos 70. Preço pedido:
J 250.000. Ref. PT 004 MC 015
02 04
Empresa Vinícola Região Demarcada Vinhos Verdes: Várias marcas de
vinho conceituadas e premiadas;
Exportação para diversos países;
Boa carteira de clientes no mercado interno e externo; Elevado
Know-how; Imagem de marca e
qualidade. Valor sob Pedido. Ref.
PT 005 PR 004 05 03
Restaurante com ambiente acolhedor e sofisticado. Elevada rentabi-
centro
lidade. Potencial de crescimento.
Vendas: 900.000J. Equipamento
na ordem dos J 800.000. Ref. PT
005 PR 013 0606
Fabricação e Comercialização de
Produtos de Colchoaria. Potencial
de crescimento. Possui parceiros
internacionais. Várias lojas. Isolada no mercado no que se refere ao
seu produto de maior valor. Vendas: J 2.250.000. Ref. PT 005
PR 015 09 06
Loja Gourmet muito bem localizada no
Grande Porto; Vendas: J 160.000;
Venda de vinhos, produtos Gourmet
e serviços complementares. Stock:
J 120.800; Carteira de clientes
fiel. Preço pedido: J 150.000. Ref.
PT 0005 AES 0016 0608
Comercialização e fretagem de iates. Representante oficial de um
fabricante europeu de
veleiros. Presente em
Portugal, Caraíbas e
Brasil. Ref. PT 003 GK
023 07 04
Rede de 8 lojas imobiliárias estrategicamente
localizadas no Algarve.
Actua para o segmento
médio-alto, essencialmente para não-residentes. Empresa em
expansão e com forte
reputação. Vol. Vendas: J 1.000.000 - J
1.500.000. Venda total ou parcial. Ref. PT
0004 MCA 0048 1007
LISBOA E VALE DO TEJO
Transformação de Mármores, Granitos e Calcários
(Nacionais e Estrangeiros). Especialmente vocacionada para o fornecimento de materiais para a
indústria da construção civil. Ref. PT 003 HBE
0045 0107
Empresa de Construção Civil Alvará Classe 5 – Aveiro. Agrega diversas sociedades ligadas à construção civil e urbanismo, desenvolvendo a sua
actividade maioritariamente nos concelhos de
Aveiro, Ílhavo, Oliveira do Bairro, Anadia, Águeda
e Figueira da Foz, mas também no Brasil e em
Cabo Verde. Ref. PT 005 PR 003 0303
Industria de Moldes para plásticos. Preço pedido: J
820.000. Ref. PT 0014 VFE 0020 1207
Comércio de equipamento industrial para hotelaria
e restauração. Preço pedido: J 10.000.000. Ref.
PT 0014 VFE 0019 1107
Loja em centro de Cidade. Serviços de comércio a
retalho de vestuário. Ref. PT 0014 VFE 0004 04
07
Restaurante no Centro de Cidade. Preço pedido: J
500.000. Ref. PT 0014 VFE 0022 0108
Restaurante com espaço potencial para projecto
hoteleiro em Parque Natural situado em região de
grande potencial turístico. Ref. PT 014 VFE 0001
0307
Industria de Ferragens. Fabricação de fechaduras,
Dobradiças e Outras Ferragens. Preço sob pedido.
Ref. PT 0016 FMV 0003 0108
Fundição manual de metais – peças destinadas a
aplicações em louças e outros, ferragens para a
construção civil. Fundição manual de metais não
ferrosos. Ferragens para a construção civil. Preço
sob Pedido. Ref. PT 0016 FMV 0004 0208
Centro de Imagiologia / Radiologia. Localização privilegiada em Lisboa. Convenções
com várias entidades públicas e privadas. Experiência e reputação no mercado. Facturação superior a J 2.000.000.
Ref. PT 004 MC 042 0107
Indústria de Transformação de Acrílicos. Muito rentável. Volume de vendas
J 670.000. Ref. PT 0009 JCL 0005
0907
Grossista de vinhos e bebidas alcoólicas,
com marca própria, vocacionada para a
importação e distribuição de grandes
marcas nacionais e estrangeiras, com
contrato com as principais grandes superfícies (Distribuição moderna). Ref. PT
0009 JCL 0030 1207
Restaurante em Zona Privilegiada de Cascais. Ref. PT 0009 JCL 0034 0608
Empresa de Reparação de Computadores
com lojas situadas em locais de fácil acessibilidade e conveniência. Ref. PT 0009
JCL 0035 0608
Internacional
Importação, Distribuição e Comércio de
Pedra (Ornamental). Empresa sedeada em
Londres. Altamente rentável e com óptimas perspectivas, com base no desenvolvimento do mercado imobiliário londrino.
Preço pedido: J 8.500.000. Ref. PT 004
JP 032 02 06
serviços e produtos para empresas
PUB
Importadores, Exportadores,
Agentes de Fabrica.
Chapas e Bobines Laminadas a quente
e a frio, Chapa Naval, Chapa Industrial,
Aços dedicados á produção de torres
eólicas, Aços revestidos, barras e chapas
de aço inoxidável.
R. Amália de Luazes, nº 23 - 1º
Sala 3 • 4200-052 Porto - Portugal
Tlf: 225 573 000 • Fx: 225 573 001
[email protected]
www.metalimport.net
Manuel SebaStião & RaMoS, lda
Comercialização de Máquinas e
Equipamentos para a Indústria de
Padaria, Pastelaria e Hotelaria
CERTIF
IC
A
Rua Henrique Galvão, 61/65
4445-125 ALFENA
Tel. 229683297 • Fax. 229689694
Email: [email protected] • www.panihotel.com
SA
RE
AD
EM
P
assistência 24horas/dia
- 365 dias/ano
GARCIA & BARREIROS, LDA
ARMAZENISTA
DE PRODUTOS ALIMENTARES
IMPORT – EXPORT
QUEIJOS – CARNES FUMADAS – FRUTAS SECAS
CONSERVAS – ETC.
Representantes exclusivos:
Chinaceros, Todoaceros,
Tecno Aranda e Corus Laminacion
y Derivados.
Expediene Geral, Escritório e Armazém: R. José Duarte Lexim, Lote 8
ODIVELAS (Zona Industrial)
Representamos a Acciaierie di Valbruna
para os aços do sector de cutelaria.
Telfs. 219373397 / 219373597 Fax. 219370168
[email protected]
32
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Internet é o principal canal
de escolha de destinos
turísticos
Turismo
Ibis implementa programa
para alargar competências
e promover mobilidade dos
colaboradores
Turismo de vinhos
reforça notoriedade
das marcas e regiões
Uma grande oportunidade comercial. Esta é a grande valia do enoturismo, que
obtém uma forte visibilidade nas marcas e produtos a nível internacional. Esta foi
a grande conclusão do «Wine & Tourism Marketing», evento de grande fôlego que
teve lugar nas Caves Calém e na Quinta do Crasto.
O enoturismo é uma realidade que “por vezes a indústria possibilidade que o enoturismo tem de “criar uma relação
parece não ter ainda assimilado”, referiu Tony Spawton, pessoal entre o turista e os vinhos de determinada região e,
director do Wine Marketing Group – Ehrenberg Bass. O sobretudo, das suas marcas”, dada a “experiência pessoal de
turismo relacionado com vinhos é, na sua perspectiva, uma contacto directo com os produtores, as adegas e as vinhas”,
mistura de “três forças comerciais”: “um modelo de negó- rematou.
cio alternativo para pequenos produtores”, o resultado da
“inclusão dos vinhos no crescente mercado gastronómico Enoturismo deve segmentar mensagem
e cultural” e um mecanismo de “reversão de exportações”,
Para que o enoturismo em Portugal
em que, ao invés de exportar vinhos, atrai
possa sedimentar-se enquanto elementuristas que, através de uma relação emoto produtor de riqueza, os operadores
cional e comercial já estabelecida pela ‘inEnoturismo deve
devem ter em conta que o segmento
ternet’ e ‘e-commerce’, compram os provive “numa concorrência global, com
dutos na origem.
criar massa crítica
um ambiente de negócios em constanNão obstante, aquele académico referiu
te mudança”. Assim, tal como no sector
que o enoturismo padece de um problede relevância,
da produção vinícola, em que Portugal
ma de atractividade depois de um conjunenvolvendo vários
surge como 11º produtor mundial em
to limitado de visitas a vários produtores
quantidade, também no enoturismo o
de uma região. Ou seja, o enoturismo é
operadores
país pode ser um ‘player’ de relevo, mas
mais “uma actividade complementar do
apenas se cumprir um conjunto de deque propriamente um segmento do tusafios lançados por Ricardo Swinkle Gorismo em si”. Por esse motivo, advoga a
criação de “massa crítica de relevância”, envolvendo vários mes, da ViniPortugal.
Aquele responsável referiu que, entre estes, contam-se
operadores turísticos, capaz de proporcionar “actividades
complementares aos visitantes”, relacionadas com a pró- os “canais de escolha de destinos por parte dos turistas”,
pria região, dando como exemplo, no caso português, a dos quais se destacam a ‘internet’, com 48%, as recomendações de amigos (20%), pacotes especiais (10%) e, finalriqueza natural, a história e cultura do vale do Douro.
Mas a oportunidade comercial surge, sobretudo, pela mente, as agências de viagens (9%).
Por outro lado, torna-se necessário que “os produtores
apostem numa nova cultura empresarial: se um produtor
tem as portas da sua adega abertas ao público, então está no
negócio do enoturismo. Se os produtores são concorrentes
no sector dos vinhos, devem ser parceiros no turismo”.
Este tipo de turismo, assegurou, ”é uma indústria de serviços que oferece experiências associados ao vinho”. Nesse
sentido, o ‘benchmarking’ é essencial. O responsável da
ViniPortugal recordou que, em 2000, nos EUA, 63% do
consumo era feminino. “O enoturismo tem aqui uma forte oportunidade, na ligação que os vinhos oferecem com
experiências únicas, ‘lifestyle’ e luxo”, sendo que “a mensagem deve ser direccionada de forma diferente” consoante o
mercado que se pretende atingir – “ousada e arrojada para
os homens, sugestões de sensações e momentos de partilha
para as mulheres”.
Marc Barros
[email protected]
Barómetro do IPDT confirma que Galiza é o grande concorrente da região
Nortenhos
preferem
Algarve
Ainda segundo o IPDT, o Algarve é o destino de férias
preferido dos portugueses,
entre os quais os nortenhos.
No estudo «Intenções de
Férias dos Portugueses Residentes no Porto e Norte de
Portugal para o Próximo Verão», Algarve (34,7%), Norte
(18,8%) e Centro (9,7%) do
país são os locais escolhidos.
Já Espanha foi escolhida por
10,3% dos inquiridos, sendo o destino no exterior mais
procurado pelos nortenhos.
O Brasil surge em segundo
lugar, com 2,4% das escolhas. Os habitantes do Norte
pensam despender em média 1350 euros no período
de férias, entre nove e 10
dias fora de casa em hotéis
de quatro a três estrelas,
sendo que, para a esmagadora maioria dos inquiridos,
o mês de Agosto será o escolhido para o gozo de férias.
Enoturismo e gastronomia
são âncoras do Porto e Norte
A gastronomia e os vinhos constituem as mais-valias turísticas do Porto
e Norte de Portugal, enquanto o vinho do Porto é o produto ou conceito
que mais se destaca no destino, revela
a 22ª edição do Barómetro Academia
Aberta do Turismo (BAAT), promovido pelo IPDT. Numa lista de 12
opções do inquérito, o item «gastronomia e vinhos» destacou-se, com
40,3% dos inquiridos a optarem por
este produto, seguindo-se o turismo
de negócios, com 29%, e os “City/
Short Breaks” com 21,6%.
O barómetro deu assim relevo ao
património gastronómico e enológico
do destino enquanto grandes âncoras
de atracção turística. Associado à primeira escolha do painel do barómetro
está o facto de o vinho do Porto ser a
primeira palavra, ou conceito, a surgir
quando se pensa no Porto e Norte de
Portugal. Para 30,6% dos inquiridos,
é o produto mais importante da re-
gião, ao passo que o rio Douro surgiu
na segunda posição.
Por outro lado, uma grande maioria dos inquiridos afirmou que a qualidade é a característica distintiva do
Porto e Norte que deveria ser comunicada por cada um de sete produtos
turísticos, nomeadamente turismo de
negócios, turismo de saúde e bem-estar e golfe, seguindo-se a diversidade
da oferta.
A Galiza surge, para este painel,
como o grande concorrente do destino Porto e Norte, em seis dos sete
itens sugeridos. A cidade de Barcelona recolheu a maioria das preferências
quando o tema foi ‘city/short breaks’,
tendo-se aproximado no turismo de
negócios. O Algarve surge em destaque quando o tema é golfe e Bilbao
ganha realce no “touring” cultural e
paisagístico.
Marc Barros
[email protected]
turismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
33
Hotéis Ibis apostam na mobilidade de colaboradores
Programa assegura continuidade dos serviços prestados pelos colaboradores e promove progressão na carreira
A cadeia internacional de hotéis Ibis, do grupo Accor, tem vindo a desenvolver, desde 2003, o
Programa Actores, que visa alargar
as competências dos seus colaboradores, no sentido de promover
a sua mobilidade e alargar o leque
de disponibilidade interna. Segundo Nicolau Pinheiro da Veiga,
director delegado da Ibis Norte,
este programa tem como grande
vantagem “garantir a continuidade dos serviços”, pois assegura que
um funcionário esteja qualificado
para o desempenho de diferentes
funções. Ao mesmo tempo, promove “a mobilidade nacional e
internacional dos colaboradores
do grupo” ao padronizar o seu desempenho, o que, por outro lado,
proporciona ferramentas de “progressão na carreira”.
Refira-se que o programa Actores é de adesão voluntária, sendo a
formação ministrada com recurso
a material didáctico de suporte informático em regime de autoformação. Desta forma, “cada etapa
cumprida” confere um acréscimo
de 10% do vencimento, o que tem
motivado uma “crescente adesão”,
afirma Nicolau Pinheiro da Veiga.
“Low cost” promovem
crescimento de estadias
O hotel Ibis de Vila Nova de
mais favoráveis que os praticados
no balcão”, ou ainda as animações
de restaurante no Verão, ligadas ao
Euro 2008, Jogos Olímpicos ou as
vindimas.
Accor lança programa
de descontos para empresas
Gaia tem conseguido um “crescimento sustentado desde 2006”,
fenómeno que o director Norte
do grupo Ibis atribui ao aumento
“quase mensal” do número de rotas das companhias de baixo custo
para o aeroporto do Porto, o que
potenciou o desenvolvimento do
sector turístico não só no Porto
mas também no Norte, como revelam as taxas de crescimento dos
hotéis da marca. Com 19 unidades
a nível nacional, representando
1700 quartos, Nicolau Pinheiro
da Veiga destacou ainda a primeira
abertura por franchising da unidade de Braga, com 110 quartos.
Um outro factor que poderá
explicar o crescimento registado
envolve “uma nova forma de chegar ao cliente, através das sensações
e experiências” vivenciadas e menos através “dos aspectos físicos”
do hotel.
Desta forma, pequenas melhorias introduzidas a nível nacional
deverão, espera este responsável,
aprofundar essa relação: desde logo,
o lançamento de uma nova linha
de uniformes, desenhada pelo estilista Nuno Baltazar, o programa «3
Noites Ibis», pelo qual os clientes
“podem reservar pela Internet com
30 dias de antecedência a preços
Homelidays cresce 600%
em Portugal
Página francesa de arrendamento de casas para férias ganha
popularidades junto dos portugueses
Marcar as suas férias em casa de um
desconhecido parece uma solução um
pouco radical, mas é o que o sítio Homelidays.com oferece aos seus clientes, tendo
registado, desde a sua entrada em Portugal, em 2005, um crescimento que ronda
os 600%, segundo dados disponibilizados
pela empresa de origem francesa.
A “operação no mercado nacional passou de 355 anúncios em 2005 para os actuais 1700 contados até ao mês de Maio de
2008, fazendo antever que este ano irão ser
ultrapassados os 2000, representando um
crescimento no volume de negócios a rondar os 600%”, afirma a empresa.
Os portugueses que têm confiado nesta
solução de arrendamento “suportam a sua
escolha na percepção de que é a mais vantajosa, sem intermediários nem comissões
de arrendamento, a que se alia uma capacidade de actuação global que amplifica de
um modo até agora inexistente a informação veiculada dos seus anúncios”.
A Homelidays.com tem a sua actividade direccionada em dois sentidos: “Para
quem pretende arrendar casas, mas também para quem procura casas para alugar
nas suas férias”, juntando no mesmo plano
“as necessidades de cada um dos dois tipos
de utilizadores da sua plataforma”.
O mercado nacional é já o quarto
mais importante em termos de alojamentos disponibilizados pelos arrendatários,
destacando-se nos três primeiros lugares a
França (20 mil), a Itália (8500), e a Espanha (6500). Portugal é também o quarto
destino mais procurado pelos utilizadores
registados do portal.
O facto de existirem dezenas de milhar
de casas para alugar nas zonas de maior
potencial turístico fazem do país “um
mercado muito interessante”, onde a Ho-
melidays.com acredita “existir ainda uma
grande potencial de crescimento”. Por outro lado, os alugueres de casas realizados
Portal serve quem pretende arrendar casas e quem
procura casas para alugar nas suas férias
pelos “25 mil clientes nacionais já inscritos
no portal aumentaram cinco vezes desde o
ano de 2005”, o que confirma a adesão a
esta solução de alojamento numa época em
que cada vez mais a internet é usada para a
programação das férias de quem viaja.
A “variedade de tipologias de casas disponibilizadas no portal, desde vivendas
para grupos numerosos até apartamentos
ajustados para um casal”, concorrem para
este sucesso. Actualmente encontram-se
disponíveis 40 mil casas e 3000 quartos
para hóspedes em 95 países espalhados pelos cinco continentes, que são procuradas
por 1,4 milhões de utilizadores registados,
correspondendo estes sensivelmente a 40%
das 3,6 milhões de visitas totais do portal
todos os meses.
Numa outra linha, a Accor,
detentora das marcas Ibis, Novotel
e Mercure, entre outras, lançou o
programa “Away on Business”, que
oferece descontos do sector hoteleiro acessíveis exclusivamente ‘online’, com condições especiais para
quem viaja em negócios. O “Away
on Business”, programa pioneiro
no sector hoteleiro global, possibilita descontos de 5% sobre a melhor tarifa disponível do hotel, sem
restrições.
As empresas aderentes poderão
beneficiar de uma tarifa preferencial nos hotéis das marcas Sofitel,
Pullman, Mercure, Novotel e All
Seasons, representando mais de
1300 unidades em todo o mundo.
A subscrição é gratuita e unicamente acessível na página ‘www.
accorawayonbusiness.com’. Esta
oferta destina-se a empresas que
efectuam um mínimo de 50 noites
por ano, sendo a solução ideal para
tornar mais económicas as deslocações profissionais.
Marc Barros
[email protected]
Três novos
Ibis até 2010
A Ibis deverá criar, até
2010, três estabelecimentos em Lisboa, com mais
de 200 quartos, e um na
baixa do Porto, com cerca
de 100 quartos, referiu Nicolau Veiga, que adiantou
ainda a existência de projectos em desenvolvimento
para a criação, em Lisboa e
em Gaia, de duas unidades
do Etap Hotel. Esta marca,
que segue a mesma linha do
Ibis, não oferece restaurante,
não tem pequeno-almoço e
os quartos apresentam uma
estrutura mais simples.
34
sexta-feira, 13 Junho de 2008
CTOC pretende realizar
conferências nos principais
distritos sobre o novo
Sistema Nacional de
Contabilidade
Fiscalidade
Portugal não transpõe
directivas sobre fusões
de sociedades
e branqueamento
de capitais
A Comissão Europeia decidiu balhadores aplicam-se a fusões
dar continuidade aos processos transfronteiriças, quando, pelo
de infracção contra Portugal, menos, uma das sociedades obtendo em conta a não trans- jecto da fusão já aplica um reposição para o direito interno gime deste tipo. De notar que
das directivas relativas às fusões este sistema evita a liquidação
transfronteiriças e à luta contra da sociedade adquirida.
o branqueamento de capitais.
Também não foi transposta
Caso não seja dada resposta em a terceira directiva relativa à
dois meses, os assuntos seguem não só luta contra o branquepara o Tribunal de Justiça das amento de capitais. Aplicável
Comunidades Europeias.
ao sector financeiro, abrange
A directiva relativa às fusões também advogados, notários,
transfronteiricontabilistas,
ças destina-se
agentes imobiDirectiva
a facilitar as
liário, casinos,
fusões
transfundos fiduciáintroduz medidas
fronteiriças das
rios e prestadode salvaguarda
sociedades de
res de serviços
re s p o ns a b i l ia sociedades.
para situações
dade limitada.
O seu âmbito
Trata-se de uma
também respeide risco
directiva que
ta os fornecedomais elevado
preenche uma
res de bens, caso
grande
lacuos pagamentos
na do direito das sociedades e efectuados excedam os 15 mil
constitui uma medida impor- euros. As pessoas e instituitante no contexto da política ções a que se aplica a directiva
definida pela Comissão sobre o devem identificar e verificar a
direito das sociedades e o gover- identidade do seu cliente e beno das mesmas na União Euro- neficiário efectivo, comunicar
peia. Cobre todas as sociedades suspeitas de branqueamento de
de responsabilidade limitada, capitais e adoptar medidas de
à excepção dos organismos de apoio. Além disso, a directiva
investimento colectivo em va- introduz requisitos suplemenlores mobiliários. Nos termos tares e medidas de salvaguarda
da directiva adoptada, os re- para situações de risco mais
gimes de participação dos tra- elevado.
Governo
prorroga
discussão
do Sistema
Nacional
de Contabilidade
A Câmara dos Técnicos Oficiais
de Contas (CTOC) requereu ao
Secretário de Estado dos Assuntos
Fiscais (SEAF) a ampliação do prazo de discussão pública do Sistema
Nacional de Contabilidade (SNC)
de 14 deste mês para 31 de Julho.
O Governo deu razão à câmara e
optou por prorrogar o prazo até à
data indicada.
Por um lado, refere a CTOC,
trata-se de alterar, profunda e radicalmente, um conjunto de conceitos e valores tradicionais da cultura
contabilística nacional. Por outro,
o prazo era curto para a elaboração
de propostas que sejam alternativa
ou enriqueçam a proposta apresentada. Ora, adianta a missiva, “a
câmara, como entidade reguladora
e representativa dos profissionais
de contabilidade é parte interessada
numa discussão o mais aprofundada possível sobre a matéria”.
Aliás, a instituição criou um grupo de trabalho específico para analisar a referida proposta e propor
eventuais alterações. Ora, acham
os seus responsáveis que o Governo tinha que atender à necessidade
de uma intervenção por parte das
mais diversas instituições e entidades, com destaque para o universo
académico da contabilidade e as
associações empresariais. A CTOC
pretende realizar conferências nos
principais distritos, o que vai agora acontecer durante as próximas
semanas.
Comissão Europeia decidiu
dar continuidade aos
processos de infracção
contra Portugal
PRÁTICA FISCAL
IVA – Prazo p/ dedução
Um contribuinte destinatário
alega que não recebeu uma
factura do seu fornecedor decorridos dois anos após o serviço prestado.
Pergunta: Pode ser emitida
uma 2ª via da factura original?
Neste caso e como já decorreram dois anos após a emissão
da mesma, pode deduzir o Iva
respectivo?
Resposta do Assessor
Fiscal
Pode ser emitida uma 2.ª via
da factura.
O direito à dedução só poderá ser exercido até ao decurso
de quatro anos após o nascimento do direito à dedução
(número 2 do artigo 91.º do
CIVA).
IVA – Gasóleo
Solicito esclarecimentos sobre o direito à dedução do
IVA suportado no gasóleo de
uma empresa transportadora
com o seguinte objecto social “Transportes rodoviários
de mercadorias por conta de
outrém nacional e internacional; prestação de serviços de
pronto socorro; manutenção
de veículos e mudanças de
mobiliário e outros conteúdos
habitacionais”.
O artigo 21/1/b refere que o
IVA do gasóleo das viaturas
ligeiras inferiores a 3500kg
apenas é dedutível em 50%,
no entanto esta não será uma
regra muito justa para estas
empresas, uma vez que o
gasóleo é a base da actividade, ou seja, é praticamente a
única matéria-prima utilizada
para a realização dos serviços
prestados – estes são custos
essenciais à realização dos
proveitos da empresa, uma
vez que sem estes custos não
existe actividade. Será que
esta actividade se poderá
enquadrar no art.º 21/1/b/ii
(veículos licenciados para
transportes públicos, exceptuando-se os rent-a-car) e
deduzir a totalidade do IVA
suportado no gasóleo?
Resposta do Assessor
Fiscal
Se o veículo de transporte de
mercadorias tem peso inferior
a 3 500 kg, apenas tem direito à dedução do IVA compreendido nas despesas do gasóleo, na proporção de 50 %
(alínea b) do n.º 1 do artigo
21.º do CIVA), já que não se
compreende em nenhuma das
situações previstas nos itens
I a V da alínea b) do n.º 1
do artigo 21, designadamente no item II, por não estar
licenciado para transportes
públicos.
Informação elaborada pela APOTEC Associação Portuguesa de Técnicos de Contabilidade
[email protected]
AGENDA FISCAL
JUNHO
Até ao dia 10
• IVA - Imposto sobre o valor acrescentado
- Periodicidade Mensal – Envio obrigatório
via Internet da declaração periódica relativa às operações realizadas no mês de Abril.
O pagamento pode ser efectuado através
das caixas automáticas Multibanco, nas
Tesourarias de Finanças informatizadas e
nos balcões dos CTT. O pagamento pode
ainda ser efectuado via Internet. Conjuntamente com a declaração periódica deve ser
enviado o Anexo Recapitulativo, referente
às transmissões intracomunitárias isentas,
efectuadas no mês de Abrilo
• IRS - Imposto sobre o rendimento das
pessoas singulares
Os notários, conservadores, secretários judiciais e secretários técnicos de justiça devem entregar à Direcção-Geral dos Impostos
a relação dos actos praticados no mês anterior, susceptíveis de produzir rendimentos
sujeitos a IRS (artº 123º do CIRS).
Até ao dia 20
• IRC - Imposto sobre o rendimento das
pessoas colectivas
- Entrega das importâncias retidas no mês
de Maio sobre os rendimentos sujeitos a retenção na fonte de IRC (artº 75º do CIRC).
• IRS - Imposto sobre o rendimento das
pessoas singulares
- Entrega, pelas entidades obrigadas a
efectuar retenção, do imposto deduzido em
Maio pela aplicação das taxas liberatórias
previstas no artº 71º do CIRS (artº 98º, nº
3, do CIRS).
- Entrega, pelas entidades que disponham
ou devam dispor de contabilidade organizada, das importâncias deduzidas em Maio
sobre rendimentos de capitais e prediais e
rendimentos de propriedade intelectual ou
industrial e prestações de serviços (Categoria B), (artsº 98º, nº 3, e 101 do CIRS).
- Entrega do imposto deduzido em Maio
sobre os rendimentos do trabalho dependente e de pensões, com excepção das de
alimentos (artsº 98º, nº 3, e 99º do CIRS).
• Imposto de Selo
− Entrega, por meio de guia, nas tesourarias da Fazenda Pública, do imposto cobrado em Maio, pelas entidades a quem
incumbe essa obrigação.
Até ao dia 30
• IRS - Imposto sobre o rendimento das
pessoas singulares
- Entrega da declaração Modelo 13 via Internet pelas instituições de crédito e Sociedades financeiras que intervenham nas
operações com valores mobiliários, warrants autónomos e instrumentos financeiros derivados.
- Entrega da declaração Modelo 15 via
Internet pelas instituições depositárias de
contas poupança-habitação.
- Entrega da declaração Modelo 19 via Internet pelas Entidades patronais que atribuam benefícios a favor dos trabalhadores,
em resultado de planos de opções ou outros de efeito equivalente (subscrição, atribuição, etc.).
Imposto Único de Circulação
Liquidação, por transmissão electrónica de
dados, e pagamento do Imposto Único de
Circulação - IUC, relativo aos veículos cujo
aniversário da matrícula ocorra no presente
mês (substitui os anteriores Imposto Municipal sobre Veículos e os Impostos de
Circulação e Camionagem). As pessoas
singulares poderão solicitar a liquidação
em qualquer Serviço de Finanças.
• IRS – IRC – IVA
- Entrega via Internet, pelos sujeitos passivos de IRS, IRC, da Informção Empresarial
Simplificada (IES) e IVA, com os correspondentes anexos.
Branqueamento de capitais
Comissão Europeia lança aviso
A Comissão Europeia preveniu 15 Estados-membros sobre a possibilidade de instauração de acção no Tribunal de Justiça das Comunidades pela não transposição da
terceira directiva relativa ao branqueamento de capitais.
Portugal é um dos países que ainda não transpôs na sua totalidade a referida directiva
e que está desta forma obrigado a fazê-lo, uma vez que se não informar a Comissão
Europeia até ao próximo mês de Agosto poderá ser alvo de processo por infracção.
A terceira directiva relativa à luta contra o branqueamento de capitais foi adoptada
em 2005 e engloba os sectores financeiros, os advogados, os revisores de contas, os
técnicos de contas, os notários, os prestadores de serviços a sociedades, bem como
todos os fornecedores de bens que efecuem pagamentos em numerário de valor superior a 15.000 euros.
fiscalidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
35
Contas & Impostos
Obrigatoriedade do documento de transporte
não está condicionada à efectiva transmissão dos bens
À medida que sejam efectuadas vendas, deve ser processado,
em duplicado, documento no qual é feita referência ao documento global.
Um comerciante de joalharia não dispõe
de estabelecimento estável, transportando toda a sua mercadoria, diariamente, na
sua viatura de trabalho. Efectua um inventário com frequência, mas tal não acontece de forma diária, pelo que se levanta
a dúvida: que tipo de documento deverá
acompanhá-lo e que deverá apresentar se
for interceptado pelas autoridades? Tem
que fazer diariamente uma guia de transporte (é quase impossível dada a quantidade de bens que transporta)? Pode fazer
acompanhar-se de uma listagem, mesmo
que não seja rigorosa ou poderá ser dis-
pensado de tal formalidade?
O Regime de Bens em Circulação (DL n.º
147/2003, de 11 de Julho, estabelece as normas sobre os documentos de transporte que
devem acompanhar os bens em circulação.
Nos termos do artigo 1.º do citado regime,
“Todos os bens em circulação, em território
nacional, seja qual for a sua natureza ou espécie, que sejam objecto de operações realizadas
por sujeitos passivos de imposto sobre o valor
acrescentado deverão ser acompanhados de
documentos de transporte”, entendendo-se
como tal a factura, guia de remessa, nota de
venda a dinheiro, nota de devolução, guia de
transporte ou documentos equivalentes. Os
documentos de transporte devem ser processados de harmonia e com os elementos elencados nos artigos 4.º, 5.º, 6.º e 8.º do citado
diploma.
A obrigatoriedade do processamento do
documento de transporte não está condicionada à efectiva transmissão dos bens, bastando
apenas que esses bens se encontrem fora dos
locais de produção, fabrico, transformação,
exposição, … etc., … por motivo de transmissão onerosa, incluindo a troca, de transmissão gratuita, de devolução, de afectação a
uso próprio, de entrega à experiência ou para
fins de demonstração, ou de incorporação em
prestações de serviços, de remessa à consignação ou de simples transferência (alínea a) n.º
2 do artigo 2.º).
Abono pré-natal
No final de 2007 foi implementado o abono pré-natal, que consiste na atribuição de
um montante mensal à mulher grávida que
atinja a 13ª semana de gestação. O montante
varia consoante o escalão de rendimentos do
agregado familiar.
Esta prestação social é devida a partir do
mês em que se atinge a 13ª semana de gestação, sendo concedido até ao mês do nascimento, inclusive.
O abono pré-natal pode ser pedido durante o período de gravidez ou no prazo de seis
meses contados a partir do mês seguinte ao
nascimento.
Para solicitar esta prestação, o(a) requerente
deve dirigir-se aos serviços da Segurança Social da sua área de residência ou à Caixa de
Actividade e de Empresa de que é beneficiário.
Após o nascimento de um filho, a mãe
tem direito a requerer 120 dias ou 150 dias
seguidos de licença de maternidade, que serão
pagos pela Segurança Social, respectivamente,
a 100% ou a 80% face ao ordenado de referência.
Estes períodos são acrescidos de 30 dias,
por cada gémeo, além do primeiro, em caso
de nascimentos múltiplos, que são cada vez
mais frequentes, dado que muitos casais re-
correm às diversas técnicas de fertilização
– uns porque optam por ter filhos mais tarde e a condição humana não é a mesma que
quando se tem 20 anos e outros por dificuldades várias.
Para requerer o subsídio de maternidade,
a mãe terá que se deslocar aos serviços de
atendimento dos Centros Distritais da Segurança Social, no prazo de seis meses a contar
da data em que tiver início o impedimento
para o trabalho, para entregar o formulário
próprio. Este documento deve ser obtido
previamente, já que comporta partes cujo
preenchimento cabe, por exemplo, à entidade patronal.
A nova política de incentivos visa também
aproximar a relação pai/filho, pois também é
atribuído ao progenitor um período de licença de paternidade de cinco dias úteis, seguidos
ou intercalados, pagos a 100%. Além desses,
o pai pode ainda requerer 15 dias de licença
parental que, se for desfrutada imediatamente
a seguir à licença de maternidade ou paternidade, tem associado um subsídio (Subsídio
por Licença Parental) no montante de 100%
da remuneração de referência (corresponde
à média de todas as remunerações registadas
nos primeiros seis meses dos últimos oito meses anteriores à data do início da maternidade,
paternidade ou adopção, considerando os valores dos subsídios de férias, de natal e outros
de natureza análoga).
De salientar que o direito às prestações
mencionadas depende do preenchimento do
prazo de garantia, ou seja, para beneficiar destes subsídios, a mãe ou o pai em questão têm
de ter seis meses, seguidos ou intercalados, de
descontos para a Segurança Social à data do
nascimento do descendente.
O abono de família é outro incentivo à natalidade atribuído mensalmente, com vista a
compensar as famílias face aos encargos relativos ao sustento e à educação das crianças e
jovens. É atribuído até aos 16 anos de idade,
mas pode ser concedido igualmente dos 16
aos 24 anos se os jovens em questão estudarem.
Pode ser requerida a majoração do abono
de família que é atribuído a crianças compreendidas entre os 12 e os 36 meses: em duplicado, a partir do nascimento ou integração no
respectivo agregado familiar, de uma segunda
criança ou em triplicado, a partir do nascimento ou integração, no respectivo agregado
familiar de uma terceira criança e seguintes.
O montante varia consoante o escalão de rendimentos.
(Informação elaborada pela Câmara dos
Técnicos Oficiais de Contas)
Célia França
Resende
Incentivos à natalidade
O Estado Português tem vindo a implementar diversos incentivos à natalidade, com vista
a que a população aumente, pois existe uma
previsão de que nos próximos 25 anos o número de idosos ultrapasse o dobro do número
de jovens, com consequências claras na vida
económica, se a situação não for invertida.
O conjunto de medidas que foram adoptadas pelo Estado passa pela atribuição de abonos pré-natal, da extensão do tempo relativamente à licença de maternidade, subsídios de
maternidade e paternidade, abono de família,
protecção da maternidade e considerar que o
nascimento de uma criança permite que no
cálculo do IRS do ano de nascimento se efectue uma dedução à colecta no valor de 40%.
O grande incentivo à natalidade é a diminuição do trabalho precário, porque, na sociedade portuguesa de hoje em dia, a maioria
dos pais em idade reprodutiva é licenciado e
quer um nível de vida melhor para os seus filhos, daí que cada vez mais tarde se opte pela
maternidade dado que primeiro se busca a
estabilidade económica, que, tem-se verificado, acontece muito mais tarde do que há 30
anos.
Assim, no caso em apreço, porque os destinatários dos bens não são ainda conhecidos,
poderá o sujeito passivo emitir documento
conforme o n.º 6 do artigo 4.º do Regime de
Bens em Circulação.
À medida em que sejam efectuadas vendas,
deve ser processado, em duplicado, documento (p. ex., talão de venda, venda a dinheiro,
etc.) no qual é feita referência ao documento
global, utilizando o duplicado para justificar
a saída dos bens, de modo que os bens em
circulação sejam os elencados no documento
global, menos os referidos nos documentos
processados relativamente a essas vendas (alínea a) do n.º 6 do artigo 4.º).
Jurista da CTOC
A discriminação da mulher no
trabalho
Existe uma política de protecção à maternidade, que comporta alguns direitos relativamente ao trabalho, tanto para a mãe como
para o pai, que nem sempre são respeitados
pela entidade patronal e verifica-se com alguma regularidade que nos dias de hoje ainda
existe discriminação no trabalho em relação à
mulher grávida que muitas vezes é despedida
por esse facto ou sofre outras discriminações
como a não renovação do contrato de trabalho ou mesmo não é aumentada a sua remuneração assim que a entidade patronal toma
conhecimento da gravidez. Situações a que
o Estado tem que estar muito atento se pretende incentivar a natalidade porque todos os
futuros pais pensam duas vezes em ter filhos
se a sua situação for precária ou esteja na iminência de ficar sem emprego.
Uma das medidas de protecção à maternidade é que toda a mulher grávida tem direito a efectuar gratuitamente as consultas e
os exames necessários à correcta preparação e
vigilância da gravidez, assim como durante os
60 dias após o parto.
O internamento hospitalar é gratuito durante toda a gravidez, parto e nos 60 dias após
o parto.
Na preparação e no decurso da gravidez, e
em função desta, são igualmente assegurados ao
outro progenitor os exames considerados indispensáveis pelo médico assistente da mulher.
As trabalhadoras grávidas têm direito a dispensa de trabalho para se deslocarem a consultas de vigilância da gravidez, pelo tempo e
número de vezes necessários e justificados.
Durante a gravidez e até 3 meses depois
do parto a mulher tem direito a não executar
tarefas que sejam desaconselhadas, tais como:
tarefas violentas, manipulação de produtos
perigosos ou tóxicos, exposição a condições
ambientais que prejudiquem a sua saúde.
Implicações no cálculo do IRS
Nas situações de risco para a trabalhadora
ou para o nascituro, impedidas do exercício
de funções, independentemente do motivo
que determine esse impedimento, caso não
lhe seja garantido o exercício de funções e/ou
local compatíveis com o seu estado, a trabalhadora goza do direito de licença, anterior
ao parto, pelo período necessário a prevenir o
risco, fixado por prescrição médica, sem prejuízo da licença por maternidade prevista.
A mãe que amamenta o filho tem direito
a ser dispensada em cada dia de trabalho por
dois períodos distintos de duração máxima de
uma hora, durante todo o tempo que durar a
amamentação. Este direito não implica a perda de salário ou de qualquer outra regalia.
No caso de não haver lugar a amamentação, a mãe ou o pai trabalhador têm direito,
por decisão conjunta, à dispensa referida no
número anterior para aleitação até o filho perfazer um ano.
Durante o período em que amamenta, a trabalhadora tem direito a não executar tarefas que
a exponham à absorção de substâncias perigosas
que sejam eliminadas pelo leite materno.
Sobre qualquer situação que não esteja conforme a lei deve ser pedido parecer à Comissão
para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.
Em termos de impostos, o nascimento de
uma criança permite que no cálculo do IRS
do ano do nascimento se efectue uma dedução à colecta no valor de 40% do Salário Mínimo Nacional. Se a criança em questão tiver
um grau de invalidez permanente superior a
60%, a dedução é elevada em 50%.
Para que esta dedução possa começar a ser
reflectida no mês do nascimento, os pais trabalhadores por conta de outrem têm de comunicar esse facto à sua entidade patronal, de
modo a que seja aplicada a taxa que consta
das tabelas de retenção relativas ao número
de dependentes em causa no cálculo do IRS
mensal.
No ano do nascimento também se podem
incluir na declaração anual do IRS as despesas
de saúde que eventualmente tenham ocorrido
desde o dia do nascimento e último dia do
ano. O valor considerado pela Administração
Fiscal no cálculo do IRS desse ano será de
30% das despesas que se encontrem isentas
de IVA, ou sujeitas à taxa de 5%, ou de um
limite determinado anualmente para as despesas de saúde sujeitas à taxa normal de IVA,
desde que justificadas por receita médica.
Em suma, estes são alguns dos incentivos actuais à natalidade, mas ainda falta
muito por fazer, pois a realidade de hoje
é muito agressiva a que os jovens casais
tenham filhos, e a maioria dos apoios que
são dados só duram praticamente no primeiro ano. Posteriormente, verifica-se um
desinvestimento que leva muitos pais a não
terem filhos sem a estabilidade financeira
que permita ter um nível de vida razoável.
Cabe assim ao Estado criar medidas que fomentem a natalidade, criando estabilidade
económica aos jovens casais e fiscalizando
junto das entidades patronais da aplicação
efectiva da lei que protege à maternidade.
36
marcas, marketing e publicidade
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Porque o “glamour” é eterno
Primeira água portuguesa para o segmento
das águas “premium” vem do Algarve
É um facto indesmentível que as Monchique para entrar no mercado
águas “premium” estão a conquis- das águas “premium”. Para singrar
tar consumidores e a ditar tendên- numa área tão exigente, a empresa
cias. Num mercado onde o consu- apostou no desenvolvimento de
mo de água engarrafada é cada vez uma garrafa com um design origimaior – só nos Estados Unidos, nal, exclusivo – inerente ao conceito
este mercado movimenta 11 mil do segmento – e no baixo preço.
milhões de dólares todos os anos
Da concepção da ideia aos pri–, as empresas das
meiros ensaios de
águas começaram a
engarrafamento, o
apostar na segmentaprojecto da Monchi“A Chic
ção da oferta e prinque levou um ano a
é a “low
cipalmente do target.
desenvolver. O reAs águas de luxo, que
sultado final, a água
cost” das
contam com um deChic, surge em dois
águas
sign distintivo, distipos de garrafas de
tribuição selectiva e
litro, em PET: cristal
premium”
com o imediatismo
e azul. “A nossa ideia
que deriva do facto
passava por apenas
das figuras públicas as elegerem comercializar uma das versões, pocomo o produto “in”, ainda que rém, depois de as testarmos com
de forma lenta, já começam a en- público, chegámos à conclusão que
trar no mercado português. A ma- seria possível mantermos as duas,
terialização desta realidade está no pois ambas tiveram uma boa aceilançamento da água Chic. Acerca tação”, confessa António Pinheiro.
do produto, António Pinheiro, O design do logótipo é assinado
director da Fundação Oriente, por Pedro Novo, um designer pordetentora da Águas Monchique, tuguês a viver em solo britânico e o
afirma, em entrevista à “Vida Eco- projecto gráfico e o design da garnómica”, “a Chic é a “low cost” rafa ficou a cargo da também pordas águas premium”.
tuguesa Upstairs – Design Studio.
Vocacionada em especial para “Quisemos ter uma equipa, na sua
o canal Horeca, a Chic é a nova totalidade, portuguesa a desenvolaposta da Sociedade da Água de ver o nosso produto, pois sempre
Diversificar a oferta
das águas Monchique
acreditámos que os designers portugueses têm valor. E o resultado
está à vista”, adiantou Luís Miranda, director-geral da Sociedade da
Água de Monchique.
Embora esteja especialmente vocacionada para o canal Horeca, a
empresa não descarta, no entanto,
a possibilidade de ter o produto
à venda numa grande superfície
comercial, em lojas “gourmet”,
desde que “esses estabelecimentos
compreendam o valor acrescido da
água”.
Para os responsáveis, o lançamento da Chic constitui o início
de uma trajectória de diversificação da sua gama de produtos e que
irá estender-se a três anos. Depois
da Chic, a empresa pretende apostar em novas soluções direccionadas para um público mais jovem,
para o universo feminino e para
um público que “pretende tirar
mais benefícios do consumo de
água”, adianta Luís Miranda. Para
esta última, a empresa espera tirar
partido das parcerias que conta
na Ásia para melhor conhecer e
depois associar os benefícios que
se encontram nos chás daquela
região à água Monchique. Para
já, a Monchique pretende tirar
partido do facto de a Chic se diferenciar da concorrência na medida que esta foi concebida não
pelo benefício que aporta ao consumidor, mas pelo prazer que estes
têm no momento do consumo. “A
nossa ideia parte da constatação
de que o consumidor, consoante a
ocasião, privilegiará a imagem do
produto mais adequada. Para além
dos benefícios intrínsecos ao consumo da água mineral e natural, os
tiago rocha
[email protected]
consumidores procuram um estilo
de vida ou uma imagem com que
se identifiquem e transmitam aos
outros algo mais de si. Neste sentido, a Chic é um primeiro passo
nessa estratégia”, garante António
Pinheiro.
Os responsáveis não adiantaram o valor do investimento
envolvido no desenvolvimento
deste novo produto, porém, asseguram que o projecto contou
com um orçamento módico. “O
investimento no projecto Chic
contou com menos de 10 por
cento daquele feito pela Luso no
lançamento da Formas [a Luso
investiu seis milhões de euros, a
preços de tabela, só na campanha
de promoção]”, assegurou António Pinheiro. O preço de venda
da água Chic ainda não está definido, mas será fixado entre 1,20 e
1,30 euros.
Em termos de estratégia, a
grande aposta da Sociedade
Águas Monchique é o mercado
fora de portas, ao exportar 35 a
40% do total da sua produção,
nomeadamente para o mercado
asiático. “Esperamos que este valor venha a representar mais de
50% em breve”, concluiu Luís
Miranda.
futuro da publicidade está na internet
126*194
Que a Internet está a revolucionar o
mundo em que vivemos já o sabemos,
mas não está só a mudar os nossos
hábitos de leitura ou entretenimento,
como também o modo de vermos o
mundo e ele a nós.
Especialistas da área de Marketing
e Gestão estiveram reunidos em Lisboa, no âmbito do fórum Verge, num
seminário subjugado ao tema “Marketing e Negócios na Era Digital”,
com o objectivo de discutir as grandes tendências da Internet e explicar
a influência das novas ferramentas
de trabalho no marketing e nos negócios.
Michael Kleindl, figura de renome do
sector de Internet advertising e presidente da European Interactive Advertising Association e da Wunderloop,
adiantou algumas tendências que já
são uma realidade nos dias de hoje e
que, na sua opinião, estão a revolucionar o modelo publicitário actual. Para
Kleindl, em 2010, a internet concentrará 50% do marketshare de toda a
publicidade face à TV e outros media,
como a rádio. Para tal, vão contribuir
dois factos: as pessoas passarem cada
vez mais tempo a navegar na Internet,
relegando a televisão para segundo
plano, e os publicitários começarem
a apostar mais em publicidade direccionada ao indivíduo e não às massas,
como tem acontecido até agora. O carácter multiplataforma e uniforme da
tecnologia, que possibilita o acesso à
Internet em vários dispositivos – do
computador ao telemóvel –, é outro
dos trunfos que, na opinião de Kleindl, vai estabelecer a internet como o
meio difusor de eleição.
Em defesa do meio ambiente
A pensar no Dia Mundial do Ambiente,
celebrado na semana passada, inúmeras empresas levaram a cabo iniciativas “environment friendly”. O Continente associou-se à Quercus e lançou
o programa Rolhinhas, que consiste
na disponibilização de um receptáculo
para rolhas de cortiça usadas.
Com esta iniciativa as entidades envolvidas pretendem atingir uma taxa de
30% de reciclagem de rolhas de cortiça no prazo de quatro anos.
Já o Pingo Doce, numa acção conjunta com o Ministério do Ambiente, do
Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional,apelou à redução
do consumo de sacos de plástico.
Na acção estiveram presentes o ministro Francisco Nunes Correia, o
secretário de estado do Ambiente,
Humberto Rosa, o director-geral da
Agência Portuguesa do Ambiente, António Gonçalves Henriques, e o CEO
do grupo Jerónimo Martins, Luís Palha da Silva.
37
sexta-feira, 13 Junho de 2008
martifer:
-11%
desde
o início do ano
mota engil:
1%
desde
o início do ano
Mercados
Bes celebra parcerias
com municípios
para apoio a pequenas
empresas
Responsável da Eurizon Capital acredita que a transparência vai aumentar na indústria de fundos
“A crise do ‘subprime’
tornou-se numa lição”
Só as empresas sólidas e transparentes poderão vencer
nesta indústria de fundos, que ganhou obrigatoriamente
uma nova abordagem dos operadores na sequência da
crise dos mercados financeiros, alega Ugo Sansone.
O responsável pelo desenvolvimento de negócios
internacionais da Eurizon Capital, que em Portugal está
a operar através do Banco Best, acredita que o pior da
crise já passou, mas que o seu impacto ainda continuará
a sentir-se por mais algum tempo. Em Portugal
procuram essencialmente investidores que prefiram
aplicações seguras em empresas sólidas e transparentes.
Vida Económica – Que lugar
ocupa Portugal na vossa estratégia de internacionalização?
VE – A que se deve este foco
na América Latina? Esta é uma
boa altura para investir nesse
mercado? Que sectores estão
mais representados neste fundo?
Ugo Sansone – Portugal é um
dos países onde nós queremos desenvolver a nossa distribuição inUS – A América Latina é apeternacional. Nós já trabalhamos
com o Banco Best há um ano e nas um dos componentes da nosmeio e agora queremos estreitar a sa oferta em Portugal. Tem tido
nossa relação de parceria para ob- uma boa aceitação em outros
ter mais rentabilidade neste mer- mercados onde também o colocácado. Encaramos o
mos, como aconmercado português
teceu, por exemplo, na Eslovénia.
como um mercado
“A regulação
E acreditamos que
de grandes oportutem funcionado é uma boa altura
nidades para nós,
para investir nele,
até porque querecom força
tendo em conta
mos explorar bem
a sua performanos mercados latinos
suficiente
e Portugal e Espace no início deste
na Europa”
nha são cruciais
ano. Temos aqui
nessa estratégia. Na
envolvidas empreEspanha entrámos
sas de sectores de
mais recentemente. Em Portugal actividade ligados essencialmente
escolhemos o Banco Best porque às matérias-primas.
queremos juntar-nos aos líderes e
VE – Qual é o perfil do inveso Best tem uma grande quota de
mercado na distribuição de acti- tidor que procuram?
US – Nós queremos encontrar
vos internacionais em Portugal.
Este fundo latino-americano é pessoas que queiram sentir-se seuma parte de um fundo luxem- guras com os investimentos que
burguês, o Eurizon Easy Fund, fazem. Recentemente, começámos
que em Portugal é distribuído a sentir problemas com a crise do
pelo Banco Best. Este fundo lu- “subprime”, grandes nomes da inxemburgês é composto por 45 dústria de fundos foram afectados
sub-fundos, um dos quais é este com a crise dos mercados finanlatino-americano.
ceiros, por isso a mensagem que
tuguês com o Direito Comunitário”, promovida pela Miranda
Correia Amendoeira & Associados. Com efeito, o Decreto-Lei
n.º 29/2008 estabelece deveres
de comunicação, informação e
esclarecimento à administração
tributária para prevenir e combater o planeamento fiscal abusivo,
alegando o legislador a permanente criação de esquemas de
planeamento fiscal sofisticados,
psi20
10,500
10,250
10,000
5-06
queremos transmitir para os portugueses é a de que estão a lidar
com um gestor de activos seguro,
integralmente detido por um grupo bancário europeu sólido, que é
actualmente o quarto em capitalização bolsista e primeiro na Itália,
que é o Intesa Sanpaolo. Também
quero dizer aos nossos clientes que
neste fundo nunca encontrarão
uma performance extraordinariamente alta, mas também nunca
encontrarão uma performance
extraordinariamente baixa. Reflectirá o mercado em que investe.
Por isso se chama “Easy Fund”.
Há total transparência.
VE – Quais são as vossas expectativas para a evolução deste fundo?
US – Estamos muito optimistas
e por isso também estamos optimistas em relação à distribuição
deste fundo ao nível internacional. Em Itália somos líderes há
dez anos e queremos desenvolver
a nossa experiência internacional
com a mesma força.
VE – Considera que a indústria de fundos tem sido muito
abalado com a crise dos mercados financeiros?
US – Sim, foi. Grandes nomes
sofreram e as pessoas foram apanhadas desprevenidas com esta
crise. Ao nível europeu, a regulação tem funcionado com força
suficiente e acredito que a partir
de agora todos terão de ser mais
transparentes na composição dos
seus fundos. Todos desconfiávamos de alguns fundos que davam
ganhos extraordinários sem que
se percebesse a razão e agora essas
suspeitas foram alargadas a todos
os investidores. A Eurizon Capital
nunca acreditou nessas sobrevalorizações. E esses produtos não
serão certamente investimentos
seguros. Nós defendemos investimentos seguros.
VE – Esta crise trouxe uma
boa oportunidade de mercado
para os operadores mais transparentes?
US – Sem dúvida. Nós nunca
prometemos aos clientes supervalorizações. Esta crise do “subprime” tornou-se numa lição. Mudou a abordagem do mercado.
VE – E a crise já faz parte do
passado?
US – A crise já fez o maior estrago. Mas sou céptico que já tenhamos chegado ao fundo do poço.
É óbvio que o maior impacto da
crise já passou, mas ainda existirão mais impactos futuros.
ANA SANTOS GOMES
[email protected]
com práticas que podem ser consideradas agressivas ou abusivas.
Em causa estão esquemas fiscais
sobre IRS, IRC, IVA, IMI, IMT
e Imposto de Selo.
Além de considerar escassa a
aplicação prática desta medida,
no sentido em que os consultores fiscais tenderão a comunicar à
Direcção-Geral de Contribuições
e Impostos (DGCI) as práticas legítimas, Paulo Brilhante dos San-
6-06
9-06
10-06
11-06
PSI 20 (Fecho) (11/06) 10088,33
Var. Semana
-2,91%
Var. 2008
-22,51%
Dow Jones (Fecho) (11/06)12162,83
Var. Semana
-2,47%
Var. 2008
-5,67%
Nasdaq (Fecho) (11/06)
1946,88
Var. Semana
-3,69%
Var. 2008
-6,62%
Ibex (Fecho) (11/06)
12584,3
Var. Semana
-5,67%
Var. 2008
-17,11%
Dax (Fecho) (11/06)
6650,26
Var. Semana
-4,52%
Var. 2008
-17,57%
CAC 40 (Fecho) (11/06)
4660,91
Var. Semana
-5,17%
Var. 2008
-17,17%
cAmbial
“Queremos encontrar pessoas que queiram sentir-se seguras com os investimentos que fazem”, anunciou Ugo Sansone
eurodólar
1.6000
1.5700
1.5400
5-06
6-06
Eurodólar
9-06
10-06
11-06
1,555
(Fecho) (11/06)
Var. Semana
Var. 2008
-0,22%
5,63%
Euro Libra
(Fecho) (11/06)
Var. Semana
Var. 2008
Euro Iene
0,7920
-0,50%
8,00%
(Fecho) (11/06)
166,25
Var. Semana
Var. 2008
-0,68%
0,80%
monetário
euribor 6m
5.20
5.05
4.90
5-06
6-06
9-06
10-06
11-06
Euribor 6m
(Fecho) (11/06) 5,1200
Var. Abs. Semana
0,1860%
Var. Abs. 2008
0,4110%
Euribor 3m
(Fecho) (11/06) 4,9590
Var. Abs. Semana
0,0950%
Var. Abs. 2008
0,2690%
Euribor 1Y
(Fecho) (11/06)
Var. Abs. Semana
Var. Abs. 2008
5,4170
0,3100%
0,6630%
mercadorias
petróleo
“Lei do Planeamento Fiscal terá aplicação prática escassa”
Advogados, auditores e todos
os consultores fiscais passaram
a estar obrigados a comunicar à
Administração Fiscal eventuais
estruturas de planeamento fiscal
que estejam a oferecer aos seus
clientes, mas a aplicação prática
da medida será escassa, adiantou
o advogado Paulo Brilhante dos
Santos à “Vida Económica”, à
margem da conferência “Conformidade do Sistema Fiscal Por-
Índices
140.00
tos alega que “esta medida surge
em Portugal para colmatar as deficiências da DGCI na verificação
deste tipo de situações”.
O fiscalista Saldanha Sanches
foi o convidado da sociedade de
advogados para esta conferência,
mas sobre a lei do planeamento fiscal apenas considerou que
“provavelmente foi longe de mais,
mas no que vai longe de mais não
tem aplicação prática”.
130.00
120.00
5-06
6-06
9-06
Petróleo
10-06
11-06
(Brent) (11/06)
Var. Semana
Var.2008
134,49
Ouro
879,30
(Fecho) (11/06)
Var. Semana
Var. 2008
Prata
(Fecho) (11/06)
Var. Semana
Var. 2008
10,82%
42,57%
-2,45%
5,53%
16,84
-1,64%
14,01%
38
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Especulação
Ricardo Arroja
Na ponta final
Os mercados accionistas acordaram esta semana com
mais uma notícia desagradável: a Lehman Brothers, um dos
maiores bancos de investimento norte-americanos, reportou uma perda de 5 mil milhões de dólares face ao período
homólogo. Nos últimos doze meses, o banco vendeu activos
avaliados em 130 mil milhões de dólares – valor equivalente
a três quartos do PIB português – e reduziu a sua exposição
a créditos hipotecários em 20%, mas nem isso chegou. Às
amortizações segue-se agora um aumento de capital de cerca
de 6 mil milhões de dólares, cujos principais subscritores
deverão ser fundos soberanos na Ásia e no Médio Oriente.
Contudo, se a operação falhar, existe o risco de uma nova
falência no sistema bancário norte-americano – a exemplo
do que já sucedeu este ano com a Bear Stearns.
Ao mesmo tempo que a situação do sistema financeiro se
deteriora, alguns importantes responsáveis da Reserva Federal norte-americana começam a produzir afirmações no sentido de que é necessário combater a inflação. Ben Bernanke
– o presidente –, Richard Fischer e Timothy Geithner deram, os três, indicações de que a inflação se situa acima do
que seria desejável. A tendência de alta no preço das maté-
[email protected]
Pedro Arroja Gestão de
Patrimónios S.A
rias-primas permanece, e a excessiva emissão monetária do
FED – recorrente nos últimos anos – também não ajuda.
Contudo, dada a preocupação da Reserva Federal com o
crescimento económico interno, conjugada com a sua relativa indiferença face ao nível geral do dólar, não antecipo
no curto prazo qualquer subida do nível das taxas de juro
nos Estados Unidos. Na Europa, apesar das posições mais
assertivas de Jean Claude Trichet, também não acredito na
subida da taxa de juro para já.
A conjuntura macroeconómica é má. A conjuntura financeira também. Porém, no que aos mercados diz respeito, a
deterioração já se arrasta desde o início do ano. Em geral,
considera-se que os mercados financeiros antecipam os ciclos económicos em seis meses. Por outras palavras, a realidade agora reflectida pelas variações negativas dos principais
índices bolsistas só se fará sentir no dia-a-dia das pessoas lá
para o final do ano. No momento em que escrevo este artigo, os principais índices de acções mundiais – o S&P500,
o Eurostoxx e o Nikkei – apresentam uma desvalorização
média de cerca de 10%, desde o início do ano. E no caso
do nosso PSI20, a perda acumulada em 2008 já ultrapassou
NOVIDADE
)6!
NA
#ONSTRU¥ÎO#IVIL
ENO )MOBILIÉRIO
MOBILIÉRIO
Inclui:
- Aspectos genéricos do IVA
- Localização das operações
- O IVA no Comércio
Internacional e RITI
- Novo regime do IVA na
Construção Civil
e no Imobiliário (Decreto-Lei
21/2007, de 29 de Janeiro)
- Esquemas-síntese por assuntos
- Casos práticos
- Actualizado com Orçamento
de Estado/2008
Autor: Duarte Travanca
Formato: 17 x 23.5 cm
Págs.: 272
P.V.P.: A 22
Nesta obra procede-se à análise dos aspectos fundamentais do Imposto sobre o Valor
Acrescentado, com especial incidência para as novas regras do IVA nos sectores da
construção civil e do imobiliário, introduzidas pelas alterações decorrentes do DecretoLei nº 21/2007, de 29 de Janeiro.
Procede-se ainda à análise sistematizada do IVA no comércio internacional, da
localização das operações, bem como dos principais aspectos caracterizadores do
imposto, e cuja aplicabilidade abrange todos os sectores da actividade económica
desde a produção, a indústria, os serviços até ao comércio.

Pedidos para: Vida Económica - R. Gonçalo Cristóvão, 111, 6º esq. • 4049-037 PORTO
Tel. 223 399 400 • Fax 222 058 098 • E-mail encomendas: [email protected]
Nome
Morada
C. Postal
Nº Contribuinte
E-mail
 SIM. Solicito o envio de
Imobiliário”.
exemplar(es) do livro “IVA na Construção Civil e no
 Para o efeito envio cheque/vale nº
 Debitem A
Seg.
válido até
, no meu cartão
emitido em nome de
/
.
, s/ o
, no valor de A
com o nº
 Solicito o envio à cobrança. (Acrescem A 4 para despesas de envio e cobrança).
ASSINATURA
, Cód.
e
a barreira dos 20%. Posto isto, não estou ainda preparado
para afirmar que os mínimos já foram atingidos. Mas acredito que a parte mais substancial da correcção já teve lugar.
E que estaremos, por isso, na ponta final da correcção no
mercado accionista.
De resto, qualquer paralelismo entre a Lehman Brothers e
a Bear Stearns é um equívoco. De acordo com dados citados
pela Bloomberg, a Lehman possui duas vezes mais liquidez
do que aquela que a Bear Stearns possuía na altura em que
foi socorrida pela Reserva Federal. A Lehman possui capitais
próprios três vezes superiores face aos que a Bear Stearns exibia. E, em termos de alavancagem financeira, ou seja, ao nível
dos rácios de capital, a Lehman estará agora – após a venda de
activos, a amortização de créditos e o aumento de capital – ao
nível da Goldman Sachs, a mais reputada casa em Wall Street.
Com isto não pretendo sugerir que os investidores comprem
acções da Lehman Brothers. Nem pensar – existem no mercado outros segmentos menos arriscados. Pretendo, apenas,
evidenciar a fronteira entre o razoável e o improvável.
Por outro lado, apesar do receio que possa existir associado a uma eventual subida das taxas de juro, nenhum banco
central se arriscará fazê-lo no auge de uma crise económica
e financeira. Mesmo que as taxas de juro subissem, seriam
acompanhadas, na sombra, por forte emissão monetária
– o que na prática constituiria um conjunto de medidas
de soma nula. Nos últimos anos, a política monetária dos
bancos centrais – em particular a do FED – tem sido caracterizada por um profundo cinismo e não será agora que
as coisas vão mudar. Portanto, a possibilidade de adopção
generalizada de políticas monetárias, efectivamente, mais
restritivas, sobretudo nos Estados Unidos, é um bluff. Só
depois da melhoria da conjuntura económica e financeira.
E, mesmo assim, duvido.
net.investidor
www.poupardinheiro.info
Os sites de ajuda ao utilizador para gerir as suas finanças vão começando a pulular na Internet com cada vez
mais qualidade. Há duas semanas atrás falou-se aqui
do site “Mais Gasolina”, orientado para ajuda o con-
sumidor na escolher os postos onde a gasolina/gasóleo
é vendida a preços mais baratos. Desta feita, merece
destaque o site mais abrangente “Poupar Dinheiro”,
que não se fica por um único tópico.
O “Poupar Dinheiro” pergunta-nos se “Será que o
dinheiro para a reforma é suficiente?”, auxiliando na
elaboração no planeamento da reforma correcto. Mas
avança para outras acções menos prováveis, mas que
igualmente se focalizam no tópico de poupança dinheiro.
Por exemplo, “como fazer artesanato”. O “Poupar Dinheiro” informa-o se, quer aprender como fazer artesanato,
dizendo-lhe que o YouTube será o seu grande amigo,
através de vídeos onde conseguirá descobrir e aprender
várias peças que pode fazer em casa.
Deste modo, através do “Poupar Dinheiro” tanto pode
ficar a saber como fazer iogurte em casa, como aprender
a investir em Bolsa, passando pela demonstração de
várias formas de como viajar barato. Este capítulo merece mesmo uma secção autónoma, onde surgem várias
dicas de como viajar de forma mais barata, através de
hipóteses de reservar antecipadamente, esperar pelas
promoções de última hora, voar em “low-cost” e voar
em horários económicos. Outra secção independente
do site é igualmente convidativa, denomina-se “Promoções”. Aqui pode encontrar as melhores promoções
que são feitas e publicitadas na Internet, com o site a
encontrar as empresas que criam promoções especiais
para lançarem produtos e serviços “online”.
Finalmente, destaque para as dicas sobre a forma de
obter “software” grátis, que nos garantem é tão bom
ou melhor que muito software comercial, ainda que
normalmente seja mais limitado no número de funções
que permite realizar, mas quando é criado a partir do
esforço de uma comunidade de arquitectos de software,
os resultados costumam ser incríveis. Garantem que se
trata de “software” sem nenhum “adware”, “spyware”,
mas apenas bom “freeware”.
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
39
Petróleo arrasta inflação
e subida das taxas de juro
Nos mercados financeiros destaca-se a continuada
subida do preço do petróleo, que na semana passada
voltou a cotar acima dos 135 dólares o barril em
Nova Iorque. Esta tendência tem sido despoletada
fundamentalmente por comportamentos
especulativos e, caso não seja invertida, pode
reforçar o dilema dos principais bancos centrais que
enfrentam economias em arrefecimento e tendem a
monitorar atentamente as expectativas de inflação
que se têm deteriorado neste contexto.
O preço do barril de petróleo
tem batido sucessivos recordes
nos mercados internacionais,
com países produtores a defenderem a existência de um equilíbrio entre a oferta e a procura,
pelo que a subida dos preços do
petróleo deve à especulação existente no mercado e à depreciação
do dólar.
De facto, o preço do petróleo
tem acompanhado o movimento
de depreciação da moeda norteamericana, na medida em que os
principais produtores, não querendo ver diminuir o valor arrecadado, estão a alimentar a subida
exponencial do seu preço.
Acrescem a tudo isto muitos outros factores. A produção
mundial de petróleo atingiu o seu
ponto alto em 2006, muito antes
do que se esperava, podendo iniciar-se uma quebra de produção
PRIVATIZAÇÕES E OPV
futura se não forem tomadas medidas urgentes. Por outro lado,
no actual momento de produção
e refinação máxima, têm acontecido um conjunto de factores
adversos de ordem climatérica
em várias áreas sensíveis, como o
Golfo do México e Mar do Norte. Também as questões geopolíticas, primeiro em relação ao Irão,
e mais recentemente as tensões
entre a Turquia e o Curdistão,
criaram receios de diminuição
da oferta. Do lado da procura, o
consumo mantém-se forte e assiste-se à reposição de reservas por
parte de vários países, sobretudo
os Estados Unidos, para fazerem
face ao Inverno que se aproxima.
Concluindo, a oferta mantém-se
apertada face ao aumento constante da procura.
Assim, depois dos valores máximos alcançados, pode desenharse um movimento de correcção.
É essa a indicação dada pela ac-
(valores em euros)
Privatizações
Data da Privatização Capital Disperso Preço da OPV Corrigido (J) Preço Actual (J) Variação face OPV
Portugal Telecom 1ª fase
6/1/95
14.21%
2.79
7.58
171.12%
Portugal Telecom 2ª fase
6/11/96
6.66%
3.61
7.58
109.72%
Portugal Telecom 3ª fase
10/9/97
26.00%
7.45
7.58
1.65%
Portugal Telecom 4ª fase
7/12/99
3.84%
7.50
7.58
1.00%
Portugal Telecom 5ª fase
12/4/00
20.00%
9.40
7.58
-19.41%
Cimpor - 1ª Fase
7/4/94
20.00%
1.51
5.32
252.76%
Cimpor - 2ª Fase
10/15/96
45.00%
1.98
5.32
168.94%
Cimpor - 3ª Fase
5/18/98
25.00%
4.05
5.32
31.15%
EDP - 1ª Fase
6/16/97
29.90%
2.16
3.72
71.99%
EDP - 2ª Fase
6/29/98
17.45%
4.29
3.72
-13.40%
EDP - 4ª Fase
7/3/00
25.00%
3.10
3.72
19.84%
Brisa - 1ª Fase
11/24/97
35.00%
2.42
8.98
271.23%
Brisa - 2ª Fase
11/9/98
31.00%
4.17
8.98
115.61%
Brisa - 3ª Fase
5/24/99
20.00%
4.35
8.98
106.44%
Brisa - 4ª Fase
7/16/01
4.00%
4.95
8.98
81.41%
Galp Energia
10/23/06
23.00%
5.81
16.06
176.42%
Portucel 3ª Fase
11/13/06
25.72%
2.15
2.19
1.86%
Privatizações
Data da OPV
Capital Disperso Preço da OPV Corrigido (J) Preço Actual (J) Variação face OPV
Lisgráfica
6/2/98
26.18%
20.95
0.13
-99.38%
Finibanco
6/22/98
21.13%
2.40
3.73
55.42%
SAG
7/13/98
25.00%
2.59
2.41
-7.09%
Orey Antunes
7/29/98
2.31
2.75
19.18%
ParaRede
6/28/99
31.50%
1.63
0.17
-89.58%
ZON Multimedia
11/16/99
23.55%
13.50
6.24
-53.78%
SonaeCom
6/2/00
20.99%
10.00
2.17
-78.30%
Impresa
6/6/00
30.00%
10.25
1.53
-85.07%
Novabase
4/7/00
33.00%
8.50
4.67
-45.06%
Ibersol
9/21/97
49.90%
2.00
7.75
287.50%
REN
9/7/07
2.75
3.19
16.00%
Grupo Media Capital
3/31/04
4.35
5.77
32.64%
SL Benfica
5/22/07
5.00
2.15
-57.00%
Martifer
6/26/07
33,33%
8.00
7.28
-9.00%
EDP Renováveis
6/4/08
25.00%
8.00
7.65
-4.38%
Nota: * Preços corrigidos pelos “stock-splits” e aumentos de capital entretanto realizados
** As cotações das acções da Brisa foram ajustadas, no âmbito do aumento de capital por incorporação de reservas efectuado pela empresa.
Evolução do preço do petróleo em dólares
, euros e ouro
Fonte: Bloomberg
tual situação de exaustão, mostrada pelos vários instrumentos
de análise técnica seguidos. No
entanto, é forte a possibilidade
de voltarem a registar-se novos
níveis máximos, aumentando os
riscos inflacionistas.
Quanto a este último aspecto, a
UEM está mais protegida com o
euro forte. Todavia, as revisões em
baixa do crescimento mundial,
dos Estados Unidos e da Europa
em particular, fazem prever uma
procura mais contida. Por outro
lado, os actuais preços levarão,
com maior ou menor rapidez, a
uma utilização mais eficiente dos
produtos petrolíferos.
Alemanha resiste
Os principais indicadores
económicos divulgados ontem
desapontaram o mercado, principalmente nos Estados Unidos
em que o índice de confiança do
consumidor do “Conference Board” caiu para 57,2 em Maio, face
a 62,8 em Abril. Destaca-se neste
contexto as suas componentes ligadas às expectativas de inflação
que atingiram um máximo de
7,7% e para a componente de expectativas que caiu para 45,7. Por
outro lado, o índice S&P Case
Shiller de 20 cidades reflectiu um
sector em grandes dificuldades,
tendo os preços das casas, segundo esta medida, caído 14,4% em
Março em termos homólogos.
Numa altura em que a continuação da escalada do preço do
petróleo fez aumentar consideravelmente as expectativas de inflação nas principais economias,
a publicação dos dados preliminares para a evolução dos preços
na Alemanha veio, em certa medida, confirmar estes receios. De
facto, a estimativa da evolução
do índice harmonizado de preços no consumidor na principal
economia da zona euro, que tinha mantido em Abril um nível
significativamente abaixo da média europeia, aponta, em termos
homólogos, para uma subida de
3%, significativamente acima dos
2.6% verificados em Abril.
Ainda assim, na Alemanha,
a evolução do PIB no primeiro
trimestre, que cresceu em termos
mensais 1,5%, ficou a dever-se ao
crescimento da procura interna,
que contribuiu com 1.8 pp, enquanto, na componente externa,
as importações tiveram um comportamento mais dinâmico do
que as exportações, originando
uma contribuição negativa, de
0.2 pp para o PIB. Por trás deste rápido crescimento da procura
interna esteve, principalmente, o
investimento, contribuindo com
0,7%, assim como a evolução positiva dos stocks, o que pode pôr
em questão a sustentabilidade
desta evolução.
Em França, o índice de confiança dos consumidores de Maio
apresentou uma aceleração da
tendência de queda dos últimos
meses, situando-se em -41 pontos, face a -38 no mês de Abril.
Este facto vem pôr em causa a
manutenção da taxa de crescimento conseguida no primeiro
trimestre nos próximos meses.
Na zona Euro como um todo,
os indicadores de sentimento
económico relativos a Maiomantiveram-se ao nível de Abril,
reflectindo um aumento do sentimento no sector dos serviços,
da construção e nos retalhistas,
mas uma queda no sentimento
dos consumidores. Em Portugal,
o indicador de clima económico
publicado pelo INE caiu para 0,9
no mês passado, face a 1 no mês
anterior, enquanto a confiança
do consumidor atingiu os -43,4,
também em Maio.
Martim Porto
PUB
40
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Serafim Fernandes, administrador delegado da BNP Paribas Factor, considera
Factoring de exportação
é uma prioridade do mercado
“O mercado global do factoring em Portugal tem todas as condições para se
expandir”, afirma Serafim Fernandes, administrador-delegado da BNP Paribas
Factor. A aposta estratégica centra-se no factoring de exportação, aliás em
consonância com as perspectivas de crescimento deste segmento especifico de
negócio. Este responsável que acredita no cada vez mais importante papel do
crédito especializado no apoio às empresas. E admite também que a actual crise
financeira internacional possa constituir uma janela de oportunidade para o
desenvolvimento da actividade.
Vida Económica - Qual a evolução recente da actividade de
factoring em Portugal?
Serafim Fernandes - O factoring
é um produto financeiro eminentemente europeu, já que cerca de
70% do negócio mundial se faz
ticulares desta desaceleração?
SF - Antes de mais, devo referir
que pode ter sido uma situação
pontual já que os números do 1º
trimestre de 2008 apontam para
ritmos de crescimento de novo da
VE – E quais as causas par-
VE - E em termos da tipologia
dos serviços prestados, quais
as situações mais frequentes
no mercado?
SF – Tanto na actividade doméstica como na internacional o
factoring está associado a três componentes base: compra de créditos
para gestão de cobranças, seguro de
crédito e financiamento propriamente dito.
A grande maioria das empresas
recorrem ao factoring motivadas
pelos vectores da gestão das cobranças e do financiamento. O outro vector componente – o seguro
de crédito – tem sido assumido por
muitas seguradoras que operam
especializadamente no nosso mercado. Aliás, deve ser salientado que
grande parte do factoring praticado
é “sem recurso”, prova evidente da
cobertura do risco pelas seguradoras .
ordem dos dois dígitos. Contudo,
há razões objectivas para a estagnação em 2007, nomeadamente:
quebra da actividade da construção
e obras publicas e alguma recuperação de atrasos no pagamento a
fornecedores por parte do sector da
saúde, o que levou alguns deles a
abandonarem – prematuramente,
a meu ver – a utilização do factoring.
VE – No âmbito da BNP Factor, quais os segmentos alvo da
clientela? Há alguma especialização?
SF – Devo salientar que somos a
mais antiga sociedade de factoring
no âmbito do grupo BNP Paribas,
que completou em 2007 vinte anos
a operar no mercado português e
quadruplicou os seus fundos próprios.
Naturalmente, crescemos com
o desenvolvimento global do mercado português. Daí não nos termos direccionado para qualquer
especialização, ou seja: estamos em
todos os sectores económicos (em
obediência ao critério de dispersão
do risco) e servimos empresas de
várias dimensões desde as multinacionais até às PME da indústria e
dos serviços. É compreensível que
para estas exijamos um mínimo
critico de facturação, mas elas representam mais de 75% do numero dos nossos clientes.
VE – E como se tem posicionado a BNP Paribas Factor?
SF – O crescimento da nossa
empresa tem também sido muito
forte. A nossa quota global de mercado é de 7,3%, sendo de 9% na
actividade doméstica e de 15% no
factoring internacional. Não estamos – mas com o actual estatuto
de instituição financeira de crédito
vamos estar – na actividade do confirming. Acrescento que em termos
do conjunto do sector em Portugal
a actividade doméstica representa
VE – Como perspectiva a evolução da actividade de factoring em geral, e em particular
do factoring internacional?
SF – O que mais me faz antecipar
a expansão do sector é que acredito
firmemente na crescente importância do papel do crédito especializado no apoio financeiro às empresas.
As instituições financeiras têm que
saber cada vez melhor que empresas
vão financiar e para quê, no âmbito
do respectivo ciclo de exploração.
E os operadores de factoring – um
“À excepção de 2007, o sector tem apresentado crescimentos na ordem dos dois dígitos”, afirma
Serafim Marques.
neste espaço geográfico.
Em Portugal, o factoring
dá os seus primeiros passos
consistentes na sequência da
entrada em actividade da nossa
empresa BNP Factor em 1987 e,
alguns meses depois, da empresa de
factoring do BCP. Estas duas empresas foram a base do crescimento
desta actividade em Portugal na década de noventa, por força das soluções inovadoras e eficientes que
trouxeram.
Quanto à relevância do sector, é
de salientar que Portugal está no 2º
lugar em termos de penetração no
PIB, a seguir ao Reino Unido mas
à frente da Itália.
Tem pois o sector apresentado
fortes ritmos de crescimento na
ordem dos dois dígitos, série esta
interrompida por uma notória desaceleração em 2007, ano em que o
crescimento foi de apenas 3,9%.
mais de 70% do negócio, o confirming cerca de 20% e o factoring
internacional apenas 7,5%.
produto especializado, relembre-se
– têm condições para dar estas respostas.
Dentro das áreas do factoring
com potencial de crescimento destaco o confirming (trata-de dum
produto ibérico que em Espanha
representa 50% da actividade versus os 20% em Portugal) e sobretudo o factoring internacional, pela
óbvia razão de a economia ser cada
vez mais aberta e integrada.
VE – Mas a economia portuguesa já está aberta há muitos
anos e a actividade do factoring
internacional não acompanhou
o grau de abertura?
SF - Neste negócio há que assumir que também as empresas têm
rotinas difíceis de quebrar. E tal
prende-se com o facto de nos anos
70 e 80 os bancos sentirem uma
forte apetência pelo desconto das
remessas de exportação, porque geravam lucros cambiais e significativas comissões de cobrança e porque
não contavam para os limites de
crédito então fixados administrativamente.
E assim a Banca criou rotinas
com as empresas exportadoras suas
clientes. Mas, entretanto, há que
também ter em conta que os próprios bancos não podiam deixar de
se acautelar face a situações em que
os seus clientes exportadores concentravam as vendas numa pequena fracção de clientes, obrigando as
empresas a dispersar as remessas de
exportação por vários bancos.
Ora, hoje em dia, as empresas
estão muito mais abertas à noção
de risco e à evidência de ser mais
vantajoso no negócio internacional
tratar com um só interlocutor que
simultaneamente faça o “full service”. E assim o papel das sociedades
de factoring no apoio às crescentes
relações comerciais externas tem
condições para ser incrementado.
VE – Quais as perspectivas
da BNP Paribas Factor neste
domínio?
SF - A nossa quota de mercado
no factoring internacional atingiu,
no 1º trimestre de 2008, o valor de
17,5%. Em termos da qualidade
de serviço, fomos considerada pela
FCI – Factors Chain International
como a sétima melhor a nível mundial.
O nosso objectivo é claramente
o de vir a liderar neste domínio o
mercado nacional. E vamos naturalmente aproveitar o próprio processo de internacionalização crescente das empresas portuguesas, já
que o mercado doméstico está algo
“preguiçoso”. Como indicador relevante posso adiantar que o factoring de exportação cresceu 29%
no 1º trimestre de 2008, acima da
média do sector.
VE – Quais as efectivas características diferenciadoras e
mais-valias da actividade da
BNP Factor?
SF - Sinteticamente, direi: agilidade na decisão; transparência na
ligação aos clientes, em particular no
pricing; e assunpção clara do princípio de que fazemos soluções articuladas de factoring “por medida” e não
vendemos apenas factoring.
Acresce que integramos um grande grupo internacional que institucionalizou uma “network” para as
suas empresas de factoring, o que
se traduz em vantagens de cooperação, de aprendizagem, em suma, de
competitividade.
A.M.
Crise internacional é janela
de oportunidade para o factoring
VE – É da opinião que a actual crise financeira internacional
constitui uma oportunidade para o negócio do factoring?
SF - Creio que sim. As oportunidades surgem na sequência da
crise de liquidez do
sistema, que tem
obrigado os bancos
a serem mais restritivos na concessão do
crédito e também na
necessidade que os
bancos têm de cada
vez melhor saberem
quem financiam e o
que estão a financiar.
Com efeito, se tal
parece verificar-se no
segmento dos particulares se na área das A quota global de mercado do BNP Parisbas Factor
empresas, a meu ver, é de 7,3%, sendo de 15% na actiuvidade internareleva a necessida- cional.
de de se aprofundar
duma forma integrada a avaliação da natureza e risco do ciclo de exploração corrente, ou seja, das necessidades de fundo de maneio.
Destas constatações decorre a possibilidade de as empresas olharem
para o factoring como uma opção de serviço completo, procurando
operadores que lhes dêem garantias de estabilidade e apoio. Ora o
facto de a BNP Factor estar integrada num grupo internacional dimensionado e com efectiva capacidade de funding é um trunfo que
temos que valorizar.
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
41
A nossa análise
Subida actual da Euribor 6M destaca
“Caixa Net@6M” das “Soluções Caixa Aforro”
liquidez é um elemento de flexibilidade a não
descurar, na medida em que as mobilizações
não são penalizadas se ocorrerem em data de
pagamento de juros.
Associada à imagem do seleccionador
nacional de futebol a CGD está a
promover as suas soluções de aforro,
onde pretende captar e reforçar as
poupanças dos seus clientes através de
três novos produtos: “Caixa Aforro”,
“Caixa Prémio” e “Caixa Net@6M”.
Todos eles são depósitos indexados à
Euribor a seis meses. Mas enquanto que
os dois primeiros têm uma maturidade
de cinco anos, o último dura seis meses,
onde se pode aproveitar a subida do
indexante acima dos 5%.
Aproveitar a Euribor 6M acima dos 5%
Prémio em aniversário do depósito
O “Caixa Aforro” consiste num depósito
a prazo a cinco anos, para maiores de 26
anos, com remuneração indexada à Euribor
a seis meses (6M), com possibilidade de
capitalização ou crédito em depósito à ordem,
que remunera da seguinte forma: no primeiro
ano a 80% da Euribor 6M, 85% no segundo
ano, 90% no terceiro, 95% no quarto ano e
105% da Euribor 6M no quinto e último ano.
Note-se ainda que existirá uma segunda série
deste depósito “Caixa Aforro”, mas disponível
apenas para titulares de crédito à habitação
na CGD, que têm um prémio de permanência
adicional de 5% da Euribor 6M.
Martim Porto
[email protected]
Outra enorme vantagem do “Caixa Aforro”
é a liquidez dos depósitos, que podem
ser mobilizados antecipadamente, sem
penalização, se ocorrer nas datas de
pagamento de juros.
O “Caixa Prémio”, por sua vez, é um depósito
a prazo a cinco anos com remuneração
indexada à Euribor a um mês (1M), com juros
pagos mensalmente na conta de depósito à
ordem. A sua remuneração entre o primeiro
e o quarto ano resulta de 80% do indexante
Euribor 1M e 90% desse mesmo indexante
no quinto e último ano. Mas existe um bónus
muito interessante: no mês de aniversário da
constituição do depósito, para todos os anos,
a remuneração do depósito será de 200% da
Euribor 1M.
Também no depósito “Caixa Prémio” a
O “Caixa Net@6M” é o mais reduzido em
termos de prazo das soluções de aforro
promovidas pela CGD, na medida em que
se trata de um depósito a prazo a 181
dias, mas exclusivo para aderentes ao
serviço “Caixadirecta on-line” e com crédito
habitação na CGD ou um cartão de crédito/
cartão de débito diferido da Caixa.
O montante a investir no “Caixa Net@6M”
deverá estar entre os 500 euros e os
cinco mil euros, estando a remuneração
associada a 90% da Euribor 6M e os
juros serão pagos na conta de depósito
à ordem. Se, comparativamente com os
restantes depósitos, não fica a ganhar em
termos de forma de cálculo dos juros, se se
atender à actual conjuntura de subida das
taxas de mercado (com a Euribor a 6M a
passar a fasquia dos 5%), então o “Caixa
Net@6M” surge como a melhor proposta de
momento de entre as “Soluções de Aforro”
apresentadas pela Caixa.
No entanto, neste caso, a mobilização parcial
ou total antecipada implica a penalização
total dos juros, para quem tenha necessidade
de “levantar” o depósito antes de finalizar o
seu termo.
conselho
conselho
Se, comparativamente com os restantes depósitos, não fica a ganhar em
termos de forma de cálculo dos juros, se se atender à actual conjuntura de
subida das taxas de mercado (com a Euribor a 6M a passar a fasquia dos 5%),
então o “Caixa Net@6M” surge como a melhor proposta de momento de entre
as “Soluções de Aforro” apresentadas pela Caixa.
Uma enorme vantagem dos depósitos com prazo mais alargado das “Soluções
Caixa Aforro” é a liquidez desses depósitos, que podem ser mobilizados
antecipadamente, sem penalização, se ocorrer nas datas de pagamento
de juros. O “Caixa Net@6M”, por sua vez, penaliza com perda dos juros a
mobilização parcial ou total dos fundos depositados.
Europ Assistance
em programa
internacional
de seguros
de viagem
O
grupo Europ Assistance, o Clube
Med e a corretora Marsh juntaram-se para criar o primeiro programa internacional de seguros de viagem.
O acordo já foi assinado entre as três entidades e prevê que a Europ Assistance passe
a assegurar aos clientes do Club Med, em
21 países, um conjunto de soluções de seguros, que será adaptado às características
de cada país. Entre as coberturas disponíveis para os clientes do Club Med estão
o reembolso do valor da viagem em caso
de cancelamento do voo ou da estadia por
motivos relacionados com as condições atmosféricas. Está igualmente prevista uma
cobertura de equipamento de desporto e
lazer.
A Europ Assistance e o Club Med já
eram parceiros para os mercados da Bélgica, França, Itália e Reino Unido. Agora
reforçam sua relação empresarial com um
produto considerado inovador no mercado
turístico internacional.
Nova tábua de mortalidade
para rendas em 2009
A
Associação Portuguesa de Segurado- também extrapolações a partir de dados pores (APS) deu início ao projecto de pulacionais de outros países para o mesmo
elaboração de uma nova tábua de período”, explicou Philippe Maeder no Esmortalidade para rendas e Pedro Seixas Vale, toril. “Concluímos que a geração jovem é
presidente da associação, já confirmou à cada vez mais reduzida e a mortalidade tem
diminuído em todas as fai“Vida Económica” que é sua
xas etárias, mas sobretudo
intenção ter a tábua concluída em 2009. Depois de ter
Philippe Maeder tem reduzido na faixa etária mais jovem”, anunciou
consultado várias empresas
explica o
o actuário da Swiss Re.
no mercado nacional, a APS
Philippe Maeder explideparou-se com a incapaciprojecto que a
cou também que “a prodade de ver a tábua produposta da Swiss Re para a
zida com operadores portuSwiss Re está a
APS baseia-se num modegueses e conta agora com o
desenvolver para lo simplificado, com recurapoio da Swiss Re, que está
so a poucos parâmetros, e
a elaborar o projecto para a
a APS
que poderá ser melhorado
APS como sua consultora.
à medida que as estatísticas
Philippe Maeder, actuário
da Swiss Re, esteve em Portugal na semana anuais forem ficando disponíveis”. O actupassada para apresentar os detalhes do pro- ário alertou, no entanto, a APS para o facto
jecto no XII Encontro de Resseguros, que de ser desejável a validação da tábua com um
decorreu no Estoril. “No início deparámo- portefólio de estatísticas anuais. Tendo em
nos com algumas dificuldades. A qualidade conta a dimensão do país, Philippe Maeder
dos dados estatísticos existentes em Portugal considerou que o ideal seria um portefólio
sobre fundos de pensões não era muito cre- de estatísticas referentes a 50.000 pessoas.
dível, por isso recorremos aos dados populaANA SANTOS GOMES
anagomes@vida económica.pt
cionais dos anos entre 1980 e 2005. Fizemos
Seguros convertem-se
em árvores
A
Seguro Directo vai plantar uma árvore por cada nova apólice de seguro
automóvel subscrita. É na Tapada Militar de Mafra que deverá nascer a “Floresta
Seguro Directo”, à medida que aumentarem
as vendas daquele a que a Seguro Directo
chamou “o primeiro seguro verde automóvel em Portugal”.
Além de plantar uma árvore por cada seguro vendido, a Seguro Directo disponibiliza
aos seus clientes toda a documentação referente ao seguro na página da companhia na
internet, evitando o envio de documentação
em papel. O novo seguro verde vai estar disponível a partir de 16 de Junho e de acordo
com a Seguro Directo cada árvore plantada
irá possibilitar a absorção de 10 Kgs de dióxido de carbono por ano durante 30 anos.
A iniciativa insere-se no projecto social do
Rock in Rio - Lisboa 2008, do qual a Seguro
Directo foi patrocinadora oficial, e que este
ano esteve subordinado ao tema do ambiente e das alterações climáticas. A “Floresta Seguro Directo” integra o portofólio de áreas
florestais Carbono Zero e ocupará uma área
contígua à da “Floresta Rock in Rio”, também na Tapada Militar de Mafra, onde serão
instaladas espécies folhosas autóctones, com
predominância do carvalho cerquinho.
mercados
42
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Mercado Monetário Interbancário
Bancos decidem atacar a inflação
Como já se esperava, o BCE
deixou as taxas de
juro inalteradas nos
4,0%. O que não
se contava é que
Trichet desse fortes indicações que
em Julho poderá
subir 0,25%, deFilipe garcia
vido à actual [email protected]
são da inflação. O
mercado optou por
não esperar até Julho e reagiu de imediato.
As Euribor a 3 e 6 meses subiram respec-
tivamente para 4,95% e 5,12%, mas mais
impressionante foi a subida da referência a
1 ano, que se situa nesta altura acima dos
5,40%! Olhando para as taxas forward, verifica-se que nesta altura os operadores estão
não só a dar como certa a subida de Julho,
como mais outra até ao final do ano, havendo inclusivamente incorporada em 25% a
hipótese de uma terceira subida. Dado que
a grande parte destas expectativas têm como
base a inflação, os dados revelados no início
desta semana são tudo menos reconfortantes. Em Espanha a inflação de Maio subiu de
4,2% para 4,6%, em França de 3,4% para
3,7% e na Alemanha de 2,4% para 3,0%.
Yield curve euro e dólar
5.50
euribor - 3 m, 6 m e 1 ano
EUR
5.00
4.50
4.00
3.50
Talvez preocupado com a reacção do mercado monetário, Juergen Stark veio hoje a
público reiterar a ideia de Trichet sobre a necessidade de um aumento ligeiro, mas afirmou não se tratar de um ciclo de uma série
de subidas.
O Ministro das Finanças espanhol está
bastante preocupado com a evolução da situação, dado que a economia, que já está em
clara queda, pode piorar ainda mais, estrangulada pelo aumento dos juros. Com o desemprego a passar de 8% para 10%, a subida
das Euribor irá colocar as famílias e o sector financeiro ainda em maiores dificuldades. Nos próximos tempos será importante
USD
3.00
2.50
1W
Taxas MMI
T/N
1 W
2 W
1 M
2 M
3 M
6 M
9 M
1 Y
1M
2M
3M
6M
9M
1Y
1Y
2Y
5Y
10 Y
condições dos bancos centraisData
3,95
4,06
4,13
4,35
4,66
4,88
5,08
5,10
5,29
BCE
Euro Refinancing Rate 4,00% 13/06/07
Euro Marginal Lending 5,00% 13/06/07
Euro Deposit FacilityEuro3,00%13/06/07
EUA FED Funds
R.UnidoGB Prime Rate
Suíça Target Libor 3M
Japão Repo BoJ
2,00%
5,00%
2,75%
0,50%
30/04/08
10/04/08
13/09/07
21/02/07
30 Y
Análise produzida a 11 de Junho de 2008
Yield 10 anos euro benchmark
5.450
4.6
5.350
4.5
5.250
4.4
5.150
4.3
5.050
4.2
4.950
4.1
4.850
4.0
4.750
3.9
4.650
3.8
4.550
3.7
3.6
4.450
2.00
acompanhar a evolução dos dados económicos na UE. Uma queda acima do esperado
poderá temperar a actuação do BCE. Também nos EUA o discurso mudou, tendo
Bernanke afirmado que irá dar mais atenção
à inflação, levando a que o mercado considere uma subida de 0,75% até final do ano. As
obrigações caíram para os valores mais baixos do milénio e os “spreads” de crédito voltaram a alargar. Continuamos a pensar que,
para quem não está coberto, fará sentido a
compra de um “cap”. Tendo em conta a subida da semana passada, os 5,75% parecemnos ser o nível razoável a defender.
07-Mar
06-Apr
Euro fra’s
Forward Rate Agreements
Tipo*
Bid
Ask
1X4 5,014
5,034
3X6 5,143
5,163
1X7 5,150
5,180
3X9 5,278
5,298
6X12 5,340
5,360
12x24 5,227
5,247
*1x4 - Período termina a 4 meses, com início a 1M
06-May
Euro irs
Interest Swaps vs Euribor 6M
Prazo
Bid
2Y 5,320
3Y 5,219
5Y 5,320
8Y 4,935
10Y 4,945
20Y 5,011
30Y 4,930
Nov
05-Jun
Ask
5,350
5,259
5,061
4,965
4,975
5,051
4,960
Dec
Jan
Feb
Mar
Apr
Evolução euribor (em basis points)
11.Jun.08
03.Jun.08
1M
4.471%
3M
4.955%
1Y
5.417%
leilões bce Last Tender
Minium Bid
Marginal Rate
4.465%
4.863%
5.099%
10.Jun.08
4,00%
4,03%
May
Jun
13.Mai.08
0.006
0.092
0.318
4.383%
4.852%
4.951%
0.088
0.103
0.466
Mercado Cambial
Euro/Dólar confirma correcção
EUR/USD
Nos últimos dias o Euro/Dólar
tem registado enorme volatilidade. No final da semana passada
arrancou de 1,5370 para 1,5770
em apenas dois dias (5ª e 6ª-feira),
mas, da mesma forma que subiu
também recuou novamente para
valores abaixo de 1,55 dólares.
Associamos esta volatilidade a um
cenário mais amplo de uma tentativa de estabilização do dólar no
mercado cambial. Na verdade, o
câmbio transacciona entre 1,5270
e 1,6010 desde o início de Março
(3 meses já!) e sem se notar nenhuma tendência clara. Deste modo
pode falar-se numa trajectória lateral para o dólar no médio prazo,
que permanece válida.
EUR/dólar
FIXING
11.Junho.08
EUR/JPY
O Eur/Jpy está agora a transaccionar em zona de máximos do
ano. É também uma área de resistência relevante no médio prazo.
A zona entre 165 e 167,70 ienes
tem oferecido muita resistência ao
“cross”, tendo recuado por várias
vezes desde esses níveis.
Estamos por isso num ponto
importante para a evolução de
médio prazo.
O mas provável é que o Eur/
Jpy volte a ser vendido abaixo de
168 ienes e volte para níveis mais
baixos. Esse cenário seria “confirmado” na quebra em baixa de
165 ienes. Resistências a 167,10 e
167,70 ienes.
EUR/GBP
Tal como no Eur/Usd, o Eur/
Gbp parece estar num processo de
estabilização. Desde finais de Março que o “cross” se encontra entre
0,7740 e 0,8100, estando agora
Variação
Semanal (%)
Variação
Variação
no mês (%) desde 1 Jan. (%)
EUR/USD
1.5515
0.32%
0.05%
5.39%
EUR/JPY
166.37
2.81%
1.61%
0.87%
EUR/GBP
0.7915
0.16%
0.69%
7.92%
EUR/CHF
1.6117
0.50%
-0.98%
-2.60%
EUR/NOK
7.9900
0.18%
1.04%
0.40%
EUR/SEK
9.3571
0.13%
0.31%
-0.89%
EUR/DKK
7.4591
0.01%
0.00%
0.01%
EUR/PLN
3.3740
-0.07%
-0.03%
-6.11%
EUR/AUD
1.6376
1.71%
1.01%
-2.27%
EUR/NZD
2.0518
3.94%
3.56%
7.85%
EUR/CAD
1.5777
1.07%
2.57%
9.19%
EUR/ZAR
12.3864
2.87%
4.78%
23.50%
EUR/BRL
2.5435
0.65%
0.17%
-2.03%
sem tendência definida. O cenário de um Eur/Gbp a andar “de
lado” poderá manter-se durante
mais algum tempo. Devem ser observados os suportes e resistências
relevantes para detectar alguma
alteração do panorama técnico.
Suportes a 0,7820 e 0,7770 libras.
Resistências a 0,8020 e 0.81 libras
por euro.
análise técnica - psi-20 - xetra dax
psi-20
PSI-20 - O PSI continua a deslizar, dia após
dia, de uma forma particularmente ordeira, abaixo de uma linha de tendência descendente.
Há já algumas semanas que defendemos que o
índice poderá encontrar suporte entre os 10 000
e os 10 300 pontos. Ora parece ser isso mesmo
que está a suceder nesta fase. Mais do que números “redondos”, estes dois pontos forneceram
suporte ao PSI 20 no passado, pelo que devem
ser tidos em conta (consultar o gráfico). Ao mesmo tempo há uma linha de tendência ascendente de médio/longo prazo que passa por níveis um
pouco acima de 10 000 pontos. Não é, contudo,
certo que a zona de suporte permaneça válida
por muito mais tempo, já que a pressão vendedora parece intensa.
XETRA DAX - O panorama técnico no
DAX continua a deteriorar-se, embora o
índice alemão pareça mais suportado do
que o PSI20. O índice já caiu até aos
6700 pontos, onde encontrou algum suporte. A área entre 6650 e 6700 pontos
é, por agora, a zona de suporte a considerar. Apesar de uma quebra pontual, o
índice ainda parece estar a evoluir dentro de um canal descendente.
Os 6850 pontos são a primeira resistência de curto prazo, sendo necessário um arranque para valores acima de
7060 pontos (o que não é esperado nesta altura) para neutralizar a tendência de
queda do DAX.
DAX 30
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
De acordo com a Personal
Value
consultório financeiro
Martifer em queda
após resultados trimestrais
As acções da Martifer fecharam em forte queda
(superior a 5%) no dia em que a empresa anunciou uma queda nos lucros do primeiro trimestre
que decepcionou a generalidade dos analistas.
Os resultados líquidos da Martifer atingiram os
1,4 milhões de euros, um valor muito abaixo das
Qual a razão para os analistas considerarem tão decepcionantes os resultados trimestrais da Martifer?
Da leitura feita de vários “researchs” conclui-se que os analistas estão conscientes
da elevada taxa de crescimento registada
pelos lucros trimestrais da Martifer e da
sazonalidade de alguns dos seus negócios,
o que torna difícil de prever os resultados
trimestrais contudo, são unânimes a considerar que estavam à espera de um crescimento superior, dados os objectivos da
empresa para o fim do ano.
Deste modo, estes números trimestrais puseram o mercado confuso, nomeadamente
quanto à forma como se irão encaixar nas
previsões da empresa para 2008, apresentadas há dois meses. Como corolário deste
facto, os analistas não ficariam surpresos
se a Martifer apresentasse novas previsões
nos tempos mais próximos.
Como se fixaram, então, os resultados trimestrais da Martifer?
Nos primeiros três meses do ano, a Martifer
registou um lucro de 1,4 milhões de euros,
o que compara com os 4,5 milhões previstos pelo banco de investimento. Os resultados líquidos atribuíveis ao Grupo foram
de 500 mil euros, enquanto as receitas aumentaram 72%, face ao trimestre homólogo, para 159 milhões de euros e o EBITDA
(cash-flow operacional) subiu 147%, para
12,6 milhões de euros.
Na análise por segmento, as construções
metálicas tiveram um desempenho considerado pobre, apesar de as margens serem
melhores que o esperado; os sistemas de
energia também ficaram abaixo das previsões, no entanto, esta unidade deve ganhar algum “momentum” quando a nova
capacidade instalada começar a produzir;
finalmente, o sector de agricultura e bio-
43
estimativas que apontavam quase para o dobro.
As casas de investimento continuam claramente
a acreditar no projecto da empresa, no entanto,
manifestam algumas preocupações, nomeadamente no que se refere a alguns negócios, como
é o caso dos biocombustíveis.
Acção Martifer continua abaixo do preço do IPO
9
8.8
8.6
8.4
8.2
8
7.8
7.6
7.4
7.2
10/3/2008
combustíveis apresentou resultados muito
fracos, apesar de as margens operacionais
terem ficado acima das expectativas dos
bancos de investimento.
As consequências já começaram a fazer-se
sentir sobre o título da Martifer?
O primeiro passou desde logo com a forte queda das acções em Bolsa, estando-se
agora a seguir uma série de revisões do preço-alvo do título para os próximos tempos.
Por exemplo, o Caixa BI reduziu o preçoalvo para as acções da Martifer em 8,5%,
para 9,60 euros, ainda que tenha mantido
a recomendação de “comprar” para os títulos. A casa de investimento do grupo CGD
justifica a descida da avaliação com o negócio dos biocombustíveis que enfrenta a
subida dos preços dos bens alimentares.
Ou seja, o negócio dos biocombustíveis é
altamente dependente de subsídios para
assegurar a rentabilidade, pelo que aque-
Martifer está presente em 18 países e nos cinco continentes
11/6/2008
la casa de investimento chama à atenção
para o facto de os produtores terem que
lidar com a falta de decisões legislativas
mais favoráveis, enquanto lutam com os
preços dos bens alimentares em alta.
A UBS, que iniciou recentemente a cobertura da Martifer, começou por atribuir um
preço-alvo de 9,50 euros à companhia liderada por Carlos Martins. O BPI, por sua
vez, reviu em baixa o preço-alvo e a recomendação para as acções da Martifer, com
um novo “target” de 10,35 euros, o que
representa um corte superior a 9%. A recomendação foi reduzida para “acumular”.
Os analistas estão a desistir da acção Martifer?
Não se diria tanto, estarão antes a refrear
as suas expectativas face às “promessas”
que se formaram desde que há cerca de
um ano atrás a Martifer entrou em Bolsa.
Ou seja, as casas de investimento continuam claramente a acreditar no projecto da
empresa que tem uma história escrita em
crescimento, com a ambição a ser a cor
dominante. No entanto, manifestam algumas preocupações, nomeadamente no que
se refere a alguns negócios, como é o caso
dos biocombustíveis.
O BPI esclarece mesmo na sua revisão em
baixa que há potencial para as acções subirem, dado que a avaliação da casa de investimento é quase de zero, actualmente,
para a divisão de biocombustíveis e devido
à taxa de execução baixa de 33% assumida nos projectos eólicos de dois giga watts. Deste modo, assumindo uma taxa de
execução de 100%, “o nosso preço-alvo
subiria 4,1 euros por acção”, concluem os
analistas do BPI.
Finalmente, nota para o facto de a UBS
apontar quatro catalisadores para o título,
de curtoprazo: entre eles, o “Investor Day”
de 20 de Junho próximo, a melhoria da
visibilidade dos resultados, além dos progressos na construção da unidade de produção de estruturas metálicas na Índia, e
também a possibilidade de a Martifer vir a
ganhar contratos em Portugal.
Martim Porto
Trichet
está a esmagar
o mercado
accionista
europeu
O BCE só deverá baixar as taxas directoras no último trimestre do ano e “a política
de Trichet está a esmagar o mercado accionista nacional, o qual já regista perdas de
20% desde Janeiro, face a igual período do
ano passado”, defende a Personal Value, sociedade gestora de patrimónios. Acontece
que a Europa acaba por estar numa situação bem pior que os Estados Unidos.
Aquela sociedade acha que o alvo de
Trichet é o poder político europeu. “O
presidente do BCE tem receio dos efeitos
da inflação sobre as negociações salariais,
numa Europa onde os salários ainda são
negociados com base numa indexação à
taxa de inflação e não com base em ganhos
de produtividade”. Num ano de fortíssima
crise, os EUA são capazes de crescer a uma
taxa quase idêntica ao crescimento esperado para a zona euro. E tudo indica que, no
ano que vem, os Estados Unidos voltem a
superar a economia europeia.
Para a Personal Value, não é normal que
os norte-americanos rapidamente tornem
a posicionar-se na liderança, em termos de
economia internacional. O BCE tem focalizado a sua actuação na “estabilidade dos
preços”. Face a este cenário, a estratégia da
gestora tem passado por apostar mais no
mercado norte-americano, em detrimento
do europeu, tal como nos mercados japonês e emergentes, os quais apresentam
bons potenciais de valorização.
BES celebra
mais quatro
parcerias
com municípios
O Banco Espírito Santo assinou mais
quatro protocolos, no âmbito do Eixo III
do programa Finicia. Desta vez, as parcerias
são com as câmaras municipais dos concelhos de Alcácer do Sal, Serpa, Vidigueira
e Vizela. Intervêm também o IAPMEI, as
agências de desenvolvimento regional e as
sociedades de garantia mútua.
Actualmente, o banco já conta com 52
protocolos deste tipo a nível nacional, o
que representa cerca de 78% de quota, refere a instituição em comunicado. O Eixo
III do programa Finicia foi lançado pelo
IAPMEI e surgiu para apoiar o financiamento das micro e pequenas empresas,
através da dinamização da oferta de instrumentos de inovação financeira. Inclui as
inciativas empresariais de interesse regional. São financiamentos que podem ir até
aos 45 mil euros, em que o banco financia
80% e, deste valor, cerca de 75% são cobertos por uma garantia mútua.
44
mercados
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Juros, petróleo e guerra
assusta investidores
A
forte probabilidade de a taxa de juro
de referência subir em Julho e, novamente, no último trimestre do ano,
a par dos picos no preço do petróleo, e ainda as confusões geopolíticas (declarações
de Israel sobre eventual ataque ao Irão) e,
não menos importante, a espiral inflacionista na zona euro provocada pelos custos
energéticos e alimentares fazem desistir o
mais resistente dos investidores.
As declarações de Trichet, o presidente
do BCE, foram de aviso e de sinalização
para um maior aperto da política monetária, sacrificando o poder de compra dos europeus e o crescimento económico. Trichet
faz as declarações logo após Sarkozy, o presidente francês, ter sugerido uma medida
que muitos analistas consideram populista:
harmonizar (entenda-se baixar) o IVA nos
combustíveis. A resposta do presidente do
BCE foi exactamente no sentido de con-
trariar o incentivo ao consumo e, logo, à
potencial espiral inflacionista que daí pudesse derivar. Mas também Zapatero veio
sugerir a Jean-Claude Trichet que medisse
as palavras, numa clara alusão à reacção em
alta do euro e, consequentemente, do preço do crude.
No mercado de capitais, as reacções não
poderiam ser piores, com a generalidade
das bolsas em perda, tanto mais que o sector financeiro voltou a estar na ribalta. Receios de novos “write-offs” devido a novos
incumprimentos hipotecários e de empresas voltam a “abanar” o sistema financeiro.
A banca volta a ter problemas de liquidez
e as taxas Euribor acima dos três meses,
que servem de indexante para o crédito
hipotecário, mas também para o crédito
interbancário, ou seja, entre as instituições
financeiras, está acima dos 5%, e muito
acima da taxa de referência do BCE. Este
TÍTULOS EURONEXT LISBOA
Título
Última Cotação ALTRI SGPS
3.90
B. COM. PORT.
1.62
B.ESP. SANTO
10.72
BANIF-SGPS
2.03
B. POP. ESP.
9.37
BANCO BPI
3.19
BRISA
8.98
COFINA,SGPS
1.55
CORT. AMORIM
1.56
CIMPOR,SGPS
5.32
EDP
3.72
MOTA ENGIL
5.05
FINIBANCO
3.73
GALP ENERGIA
16.06
IMPRESA,SGPS
1.53
J. MARTINS
4.66
MARTIFER
7.28
NOVABASE
4.67
PARAREDE
0.17
P. TELECOM
7.58
PORTUCEL
2.19
REDES E. NAC.
3.19
S. COSTA
1.54
SEMAPA
8.65
SONAECOM
2.17
SONAE,SGPS
0.90
SONAE IND.
3.31
SAG GEST
2.41
TEIX. DUARTE
1.31
Z. MULTIMEDIA
6.24
Variação Semanal Máximo 52 Sem
-8.13%
7.34
2.54%
3.87
-5.09%
17.98
-8.15%
5.13
-5.92%
14.40
4.08%
6.69
-3.34%
10.46
-1.90%
1.91
1.30%
2.18
-4.92%
7.72
-4.74%
5.00
-9.50%
8.35
-6.05%
5.05
-0.37%
19.50
-2.55%
3.23
-4.51%
5.73
-5.82%
12.00
2.64%
5.10
0.00%
0.24
-2.26%
9.67
-1.35%
3.18
3.91%
4.08
-7.23%
2.89
-1.93%
13.70
-1.81%
5.00
-13.11%
1.96
-11.02%
11.04
-1.23%
3.10
-17.09%
4.17
-6.45%
11.83
Última Cotação 9.26
30.51
25.98
17.39
18.02
70.47
53.48
61.14
10.24
173.18
22.15
Variação Semanal
-7.12%
-5.63%
-2.22%
-3.34%
-6.29%
-5.45%
-4.69%
-7.99%
-4.30%
0.35%
-7.98%
é o sinal de que ninguém acredita que o
banco central mantenha, juros nos 4%.
Perante tudo isto, como se comportam
os títulos da bolsa portuguesa? A EDP Renováveis teve uma prestação decepcionante
no arranque, embora a casa-mãe, a EDP
– Energias de Portugal, tenha beneficiado
do comentário do banco JP Morgan. Este
considerou que a eléctrica nacional foi a
“estrela” na época de apresentação de resultados entre as congéneres europeias. E
acredita que a companhia de António Mexia continuará a apresentar uma boa performance na restante parte do ano. Para
sustentar esta visão “overwight”, os analistas salientam a aposta na geração não convencional, o negócio de distribuição e os
preços de geração da Península Ibérica.
A Galp Energia, por seu lado, continua
a ser o título preferido da ESN, a rede de
banco de investimento europeu e onde a
Caixa BI faz parte. Esta entidade mantém
a recomendação de compra e fixou o preço-alvo nos 21,50 euros, acreditando ainda que a empresa beneficiará de “notícias
excelentes” nos próximos meses, com os
resultados de perfuração em dois poços de
exploração de elevado potencial.
A Jerónimo Martins e a Martifer são as
eleitas do BPI, destacando-se a primeira
pelo potencial de crescimento na Polónia
com a integração da rede Plus. A JM é
avaliada por um preço-alvo de 6,50 euros,
mais 34% que a cotação actual, enquanto
a Martifer mantém um potencial de valorização de 27% face ao objectivo de 9,30
euros. Aqueles analistas afirmam que a
companhia pode ser vista como uma pura
“growth”. A ESR, no entanto, baixou o
“target” para os 10 euros devido às alterações nas condições de mercado e com os
preços elevados das matérias-primas.
PAINEL BANCO POPULAR
TÍTULOS MERCADOS EUROPEUS
Título
B.POPULAR
INDITEX
REPSOL YPF
TELEFONICA
FRA. TELECOM
LVMH
BAYER AG O.N.
DEUTSCHE BK
DT. TELEKOM
VOLKSWAGEN
ING GROEP
VÍTOR NORINHA
[email protected]
Mínimo 52 Sem
3.45
1.51
10.62
2.02
6.72
2.88
8.87
1.20
1.28
4.75
3.54
3.53
2.74
9.10
1.29
3.71
5.40
2.01
0.10
6.90
1.63
2.75
1.20
7.31
2.07
0.89
3.31
1.73
1.10
6.17
EPS Est Act
0.22
0.16
1.21
0.30
1.11
0.43
0.33
0.10
0.17
0.46
0.26
0.25
--
0.63
0.14
0.22
0.29
0.26
--
0.66
0.20
0.21
0.17
1.10
0.04
0.08
0.37
0.15
0.32
0.27
EPS Est Fut
0.34
0.18
1.34
0.33
1.17
0.50
0.36
0.11
0.19
0.50
0.28
0.16
--
0.68
0.18
0.28
0.36
0.29
--
0.72
0.17
0.20
0.20
1.17
0.08
0.10
0.17
0.20
0.36
0.34
PER Est Act
18.14
10.03
8.87
6.88
8.42
7.40
27.55
15.82
9.18
11.46
14.13
20.61
--
25.66
10.85
21.48
24.85
17.96
--
11.57
11.23
15.56
9.06
7.88
49.32
11.62
9.07
16.07
4.09
22.94
PER Est Fut
11.47
9.18
7.99
6.15
8.03
6.38
24.88
14.35
8.21
10.61
13.08
31.56
--
23.72
8.36
16.64
20.22
16.27
--
10.58
12.73
16.03
7.70
7.43
27.13
9.13
19.47
12.36
3.69
18.19
Div. Yield Ind
1.28%
4.74%
4.48%
5.92%
5.29%
5.63%
3.45%
0.00%
3.87%
4.33%
3.36%
2.18%
2.28%
1.05%
0.00%
2.06%
0.00%
0.00%
0.00%
7.59%
1.60%
0.00%
0.00%
2.95%
0.00%
3.35%
0.00%
6.84%
1.37%
3.21%
Div. Yield Est
1.54%
4.43%
5.05%
6.16%
5.79%
5.79%
3.43%
2.42%
3.87%
4.37%
3.52%
2.31%
--
2.11%
0.39%
2.23%
0.00%
0.00%
--
7.59%
4.54%
4.29%
--
2.89%
0.56%
4.07%
3.75%
4.15%
2.62%
3.59%
Data Act
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
Hora Act
16:35:00
16:35:11
16:35:01
16:35:01
14:07:40
16:35:01
16:35:00
16:35:01
14:38:00
16:35:00
16:35:00
16:35:00
16:35:01
16:35:01
16:35:00
16:35:00
16:35:01
16:35:00
16:35:00
16:35:00
16:35:00
16:35:17
16:35:01
16:35:01
16:35:01
16:35:01
16:35:00
16:35:01
16:35:01
16:35:00
PAINEL BANCO POPULAR
Máximo 52 Sem
14.46
53.90
30.59
23.48
27.33
89.36
66.45
114.91
15.87
199.70
33.90
Mínimo 52 Sem
8.51
29.89
18.27
16.04
17.68
61.95
45.60
60.82
9.92
106.36
18.77
EPS Est Act
1.11
2.23
2.56
1.61
2.01
4.62
3.96
6.57
0.76
12.19
3.35
EPS Est Fut
1.17
2.56
2.55
1.86
2.13
5.18
4.40
9.61
0.85
13.75
3.60
PER Est Act
8.32
13.66
10.13
10.78
8.96
15.25
13.50
9.30
13.47
14.21
6.61
PER Est Fut Div. Yield Ind
7.94
5.31%
11.94
3.44%
10.18
3.85%
9.36
4.31%
8.45
7.21%
13.60
2.27%
12.15
2.52%
6.36
7.34%
12.02
7.60%
12.59
1.04%
6.16
6.68%
Div. Yield Est
5.81%
3.84%
4.16%
5.75%
7.67%
2.51%
2.68%
7.07%
7.76%
1.19%
7.00%
Data Act
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
11-06-2008
Hora Act
16:38:35
16:38:35
16:38:35
16:38:36
16:35:21
16:35:13
16:35:15
16:35:21
16:35:02
16:35:18
16:35:00
Este relatório foi elaborado pelo Centro de Corretagem do Banco Popular, telf 210071800, email: [email protected], com base em informação disponível ao público e considerada fidedigna, no entanto, a sua exactidão não é totalmente garantida.
Este relatório é apenas para informação, não constituindo qualquer proposta de compra ou venda em qualquer dos títulos mencionados.
PUB
A nossa selecção
Nos negócios como na alta competição
é necessário estar bem preparado.
Novidades Editoriais Vida Económica. A nossa selecção
Um bom grupo
Uma boa selecção
Vida Económica - R. Gonçalo Cristóvão, 111, 6º esq. • 4049-037 PORTO | Tel. 223 399 400 | Fax 222 058 098 | E-mail: [email protected]
Mais informações em www.vidaeconomica.pt/livraria
46
Automóvel
Porto de Abrigo
C. Santos VP faz balanço
positivo da presença
na Invicta
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Automóvel
Competitividade
Renault Laguna recebe
motor 1.5 dCi
Facturação na Invicta deverá crescer de 6,5 para 8,5 milhões de euros
C. Santos VP prevê
crescer 30% no Porto
“Temos tido um crescimento sustentado, estamos com uma taxa interessante de retenção dos clientes e a recomendação dos clientes aos nossos
serviços também é muito boa”, defende José Cunha.
Vida Económica- Marcam presença no Porto desde
Março de 2006. Que balanço fazem?
José Cunha- Fazemos um balanço positivo. Temos tido
um crescimento sustentado, estamos com uma taxa interessante de retenção dos clientes e a recomendação dos clientes
aos nossos serviços também é muito boa. Portanto, de uma
forma geral, estamos satisfeitos. Em termos de resultados,
ainda estamos aquém do que esperávamos, contudo, em
termos de actividade oficinal e reconhecimento, estamos
bem. Recentemente, tivemos uma prenda muito boa, que
foi o reconhecimento pela Mercedes-Benz Portugal como o
melhor serviço após-venda da rede em 2007. Para quem se
instalou na região há dois anos, melhor prenda não poderia
ter do que conseguir o melhor prémio da rede tão cedo.
Aliás, de três prémios importantes em matéria oficinal, a
C. Santos VP Douro conseguiu dois: o que já referi e o de
melhor oficina da rede. Ora, isto demonstra o empenho que
colocamos no nosso trabalho e a força com que estamos a
entrar no mercado do Porto. De resto, dinamismo não está
a acontecer apenas no Porto, mas também em Lisboa. De
facto, a empresa tem apostado fortemente na desenvolvimento humano e técnico, além de que estamos a monitorizar sistematicamente os índices de satisfação. Aliás, a prova
disso é que dos 23 prémios que a Mercedes-Benz Portugal
atribuiu, sete foram entregues à C. Santos VP. Isto é o reconhecimento do trabalho que a empresa tem feito e vai
continuar a fazer.
VE- De então para cá, fizeram novos investimentos
no Porto, com o espaço de Rio Tinto e o Delfim Ferreira
Táxis.
JC- Não tivemos muita transferência de clientes – e a que
houve foi porque os táxis que tínhamos na Douro [rua D.
Pedro V] passaram para esta unidade [a entrevista teve lugar
na Delfim Ferreira Táxis]. Em paralelo, há o facto importante de haver outros operadores no Porto. Mesmo assim, no
cômputo geral, aumentámos a nossa actividade. Em suma,
continuamos a crescer e a desenvolver a nossa actividade que
é, claro, o que pretendemos.
VE- No que se refere ao volume de negócios, qual
tem sido o desenvolvimento?
JC- Em 2006, o nosso primeiro ano de actividade, que
não foi completo porque arrancámos em Março, atingimos
cerca de dois milhões de euros. No ano passado, atingimos
6,5 milhões de euros e para 2008 prevemos conseguir um
volume de vendas na ordem dos 8,5 milhões. Recordo que
as unidades da C. Santos VP no Porto só têm após-venda e
viaturas usadas.
VE- O comércio de automóveis usados tende a ganhar
importância?
JC- Tende e este ano estamos a olhar “melhor” para o negócio de automóveis usados. A nossa preocupação no ar-
O reparador autorizado da Mercedes C. Santos VP prevê facturar este ano, no
Grande Porto, onde conta com três instalações, 8,5 milhões de euros, mais 30,7%
do que os 6,5 milhões registados em 2007. Recorde-se que este volume de negócios
se refere apenas ao após-venda e à venda de automóveis usados e não ao comércio
de novos, já que a empresa não é concessionária da Mercedes na Invicta, apenas
em Lisboa. “A nossa preocupação actual passa por consolidar a actividade de apósvenda e o negócio de usados. Os veículos novos, claro que gostaríamos de ter e não
descuidaremos essa parte, mas não são uma das nossas preocupações no curto prazo”,
defende, em entrevista à “Vida Económica”, o administrador da C. Santos VP
Douro, José Cunha.
ranque da nossa actividade aqui no Porto foi focar-nos no
após-venda, área em que quisemos desenvolver-nos e consolidar-nos numa primeira fase, e estarmos atentos a novas
oportunidades, foi o que fizemos com a abertura das duas
unidades novas. Este ano, estamos a olhar para os usados e
queremos consolidar também esta actividade. Estávamos no
negócio com interesse, mas não a 100%. Isto é, tínhamos
o stand com viaturas expostas, mas não existia a dinâmica
pretendida. Este ano, já arrancámos com uma estrutura profissional também nos usados, de forma a conseguirmos uma
dinâmica muito grande também nesta área.
Veículo e Peças e não outra empresa e, aos poucos, estamos
a conquistar o nosso espaço e a conseguir fidelizar os nossos
clientes. A prova disso é o reconhecimento pelo prémio que
obtivemos da Mercedes-Benz Portugal, até porque um dos
factores para a escolha de melhor oficina é, justamente, o
índice de satisfação dos clientes.
VE- O cliente Mercedes já liga C. Santos VP à marca?
JC- Não é a nossa preocupação. A nossa preocupação actual passa por consolidar a nossa actividade de após-venda,
e temos duas unidades que arrancaram este ano, e o negócio
de usados. Os veículos novos, claro que gostaríamos de ter e
não descuidaremos essa parte, mas não são uma das nossas
preocupações no curto prazo.
JC- A C. Santos sempre foi, em todo o país, associada à
Mercedes, devido ao facto de esse ter sido o importador da
marca. Aqui no Porto, ainda vai existindo alguma confusão
no nome C. Santos, porque há três empresas com essa designação [a Sociedade Comercial C. Santos e a ex-C. Santos
Algarve, agora Star Sul, do grupo Hipogest, além da C. Santos VP]. Contudo, convém sublinhar que nós temos vindo,
claramente, a ganhar o nosso espaço.
VE- A meta da C. Santos VP passa por vir a ter uma
imagem semelhante no Grande Porto à que tem na
Grande Lisboa?
JC- Não é um objectivo prioritário. Com o que estamos,
isso sim, preocupados é que os clientes nos identifiquem
e prefiram as nossas unidades pelo serviço que prestamos,
independentemente da designação que temos. Claro que
queremos que o cliente nos identifique bem, isso é lógico,
mas não é nossa prioridade essa distinção. Agora, naturalmente, o cliente vai-se apercebendo que somos a C. Santos
VE- As actuais normas comunitárias são flexíveis no
que se refere às áreas geográficas dos retalhistas, mas
ainda existe a figura do reparador autorizado e do concessionário. Virem, também, a ser concessionário da
Mercedes no Porto está nos vossos objectivos?
VE- Sobre o mercado automóvel duma forma geral,
este ano está a registar um ligeiro crescimento. O que
pode vir a acontecer até ao fim de 2008, tendo em
conta as alterações de conjuntura recentes e previstas,
como por a descida do IVA em Julho?
JC- Penso que não vai haver grandes alterações. O IVA
não vai significar mudanças, poderá, quanto muito, representar, em Junho, algum adiamento das decisões de compra.
Portanto, não deverá haver grandes alterações no mercado
face ao ano passado. Não vai ser um excelente ano, de forma
alguma, mas acredito que as vendas vão fechar 2008 com
um nível semelhante ao de anos anteriores.
Aquiles Pinto
[email protected]
Exclusividade a táxis é projecto único na Europa
As novas instalações da C. Santos VP no Porto têm posicionamentos diferentes. Direccionada, unicamente, para
táxis e viaturas de aluguer e turismo, a oficina de Delfim
Ferreira, é a continuação do empenho no sector dos industriais de táxi. Seguindo o conceito da instalação de
Lisboa (Estrela), este espaço possui horários de abertura
alargados e insere-se no plano de actuação da empresa
em apostar num projecto único na Europa, exclusivo para
viaturas táxi e de letra A e T da Mercedes. Em Rio Tinto, as instalações estão, como as da C. Santos VP Douro
(Porto), direccionadas para automóveis de passageiros e
veículos comerciais.
Em paralelo, o espaço do Porto, que fica na rua D. Pedro
V, recebeu dois dos três prémios mais relevantes da rede
de oficinas autorizadas Mercedes-Benz. Foi considerada
a melhor oficina autorizada, em 2007, nas categorias de
após-venda e de serviço, vendo, segundo a empresa, “reconhecido o seu compromisso face ao cliente”, dois anos
passados da abertura de portas, em Março de 2006. “Há
dois anos chegámos ao mercado do Porto, apostando num
serviço diferenciador e orientado pelo rigor, qualidade e
transparência. No mesmo mês em que vemos confirmada
a nossa dedicação, inauguramos, oficialmente, mais duas
instalações na cidade”, referiu, então, José Cunha. “Em
Rio Tinto e em Delfim Ferreira, com um investimento de
mais de um milhão de euros, cada um dos nossos clientes
aperceber-se-á que as nossas equipas esforçam-se por atingir níveis de excelência máxima de serviço, sem esquecer
que a integridade e a ética profissional são valores absolutos a sustentar”, acrescentou o administrador da empresa.
Com um volume de facturação, em 2007, de cerca de 70
milhões de euros e 240 colaboradores, a C. Santos VP é
concessionária das gamas de viaturas ligeiras de passageiros e comerciais ligeiros, peças e serviços de manutenção e reparação da marca alemã. As nove instalações da
empresa situam-se em Lisboa (Alfragide, Campo Pequeno, Rato, Oriente, António José de Almeida e Estrela) e no
Porto (Douro, Rio Tinto e Delfim Ferreira).
automóvel
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Renault Laguna ganha
competitividade com motor 1.5 diesel
A Renault colocou no mercado português o Laguna com motor 1.5 dCi com 110. Devido à fiscalidade nacional, este motor vai, tudo o indica, ter
um forte impacto nas vendas do modelo, que está
no nosso mercado desde Outubro passado. De
facto, com este propulsor, o Laguna é mais barato
cerca de 5000 euros do que a mesma versão de
equipamento com motor diesel acima, o 2.0 dCi
com 150 cv.
Mas já vamos aos preços. No capítulo da performance, o Renault Laguna com motor diesel com
1500 cc, que tem acoplada uma caixa manual de
seis velocidades, atinge os 100 km/h em 12,1 segundos, com uma velocidade máxima de 192 km/
h. No que se refere ao consumo misto anunciado
pela marca, este é de 4,9 litros aos 100 km e as
emissões de CO2 são de 130 g/km.
Aliás, este valor permite ao modelo receber o
“carimbo” ambiental da marca francesa. Aliás, designa-se de Renault Laguna eco2 110 cv. A assinatura Renault eco2, testemunho da política de
preservação ambiental seguida pelo construtor, assinala os veículos que respondem simultaneamente a imperativos ecológicos e económicos, ou seja:
produção em fábrica com certificação ISO 14001,
emissões de CO2 inferiores a 140 g/km (ou funcionamento a bioetanol E85 ou biodiesel B30), e
utilização na sua composição de pelo menos 5%
de materiais plásticos reciclados.
A versão diesel de 110 cv do Novo Laguna preenche todas as condições da Renault eco2. Foi
concebida para respeitar as quotas de 85% de reciclagem e de 95% de valorização previstas para
2015, com mais de 35 kg de materiais plásticos reciclados e mais de 15 kg de materiais renováveis.
Preços desde 29 900 euros
Agora o mais importante: os preços. Estes começam nos 29 900 euros do Confort, passam pelos
31 400 euros do nível Dynamique S e culminam
nos 32 200 euros do mais equipado Luxe. De notar que a carrinha custa mais 1400 euros e que a
garantia oferecida pela Renault é de três anos ou
150 000 km.
Em matéria de equipamento, o nível mais básico
oferece de série elementos como seis airbags, controlo de estabilidade, chave por cartão, computador de bordo, rádio com CD, ar condicionado
automático de duas zonas, regulador da velocidade
cruzeiro e jantes de liga leve. A estes itens, o nível
Dynamique S junta outros, com destaque para o
travão de estacionamento automático ou as jantes
especiais de maiores dimensões. Já o mais equipado Luxe – o patamar mais exclusivista Initiale
não está disponível com o bloco 1.5 – junta ainda
outros “mimos”. Destaque para os sensores traseiros de estacionamento, os retrovisores exteriores
rebatíveis electricamente, os estofos parcialmente
forrados a couro ou o sistema de controlo da pressão dos pneus.
Aquiles Pinto
[email protected]
47
GM pondera vender Hummer
A General Motors (GM) admite
a venda ou o encerramento da
Hummer, dado que estes modelos de todo-o-terreno apresentam
consumos elevados, numa altura
em que mesmo os consumidores
norte-americanos começam a
procurar automóveis mais poupados. A eventual alienação da
Hummer surge como uma das
medidas anunciadas pelo construtor para reduzir custos e a
precaver a saúde financeira do
grupo no futuro. A decisão mais
visível que já foi tomada é o encerramento de quatro fábricas
de camiões nos Estados Unidos,
devido à redução na procura
destes veículos, fruto do aumento dos preços dos combustíveis.
O presidente-executivo da
GM, Rick Wagoner, reconhece
que “a economia e condições
de mercado nos Estados Unidos
tornaram-se, significativamente,
mais difíceis”.
Seat Ibiza chega de camião
à MCoutinho
O grupo MCoutinho está a
assinalar o lançamento do novo
Seat Ibiza com um “roadshow”
de um camião, que vai passar
pelas localizações em que este
tem concessão da marca catalã:
Amarante, Gondomar, Paredes e
Porto. “Reforçado recentemente
pela obtenção do prémio de excelência da rede de concessionários, o Seat Go, pelo terceiro ano
consecutivo, o grupo MCoutinho
prossegue, também através da
implementação de ambiciosas
acções de marketing, a política
de forte investimento e dinamização da marca”, segundo o
grupo sediado em Marco de Canaveses. Com cerca de 17 metros de comprimento, o camião
vai estar em digressão, animada
com a oferta de bilhetes para o
WTCC (Campeonato do Mundo
de Carros de Turismo) e o Red
Bul Air Race, por mais de três
meses, prometendo, de acordo
com a MCoutinho, “visitar as
principais zonas de afluência de
público e demonstrando os argumentos do novo Seat Ibiza”.
PUB
Nº 1253 / 13 Junho 2008 Semanal J 2,20 Portugal Continental
Produção na construção torna
a entrar em terreno negativo
A produção no sector da construção tornou a entrar em terreno negativo.
Em Abril, a quebra foi de 0,4%, face a igual mês do ano passado, enquanto o
emprego também desceu em quase um ponto percentual. Já as remunerações
registaram um crescimento de 7,7%, no período em análise.
Ainda assim, a evolução da produção foi superior em 2,3% ao registado
durante o trimestre terminado em Março. O desempenho da actividade foi
influenciado negativamente pela
construção de edifícios, sendo
que as obras de engenharia tiveram um contributo positivo, de
acordo com o Instituto Nacional
de Estatística. A contrução de
edifícios apresentou uma variação
negativa de 2,8 pontos percentuais. O aumento nas remunerações ficou a dever-se, sobretudo,
à concentração do pagamento de
prémios.
Têxtil faz acordo
na área ambiental
O Ministério do Ambiente, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal
(ATP) e a Associação Nacional das
Indústrias de Têxteis-Lar (ANIT-Lar)
assinaram um acordo sobre o tarifário
a aplicar aos industriais, no âmbito
do Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e Saneamento do
Vale do Ave.
As empresas ligadas ao sistema há
mais tempo passam a beneficiar de
uma redução de tarifa. Houve atrasos
na construção das infra-estruturas,
tendo sido criadas situações de distorção de concorrência, dados os custos
que algumas unidades fabris suportaram com o tratamento de efluentes.
A despoluição do Vale do Ave está a
ser realizada em regime de concessão
à empresa Tratave.
Inspecções de trabalho
garantem coimas de 4,9 milhões
EDP e Sonatrach
juntas na América Latina
A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) aumentou consideravelmente o número de multas aplicadas
nos três primeiros meses do ano. O mesmo sucedeu relativamente às suspensões de actividade e às advertências escritas, tendo em conta o não cumprimento das leis laborais.
Foram aplicadas coimas no valor de cerca de 4,9 milhões
de euros, correspondentes a perto de 3900 infracções. O
valor das multas subiu 28%, face a igual período do ano
passado.
A EDP e a argelina Sonatrach assinaram um acordo de
princípios no sentido de alargarem a sua parceria estratégica
à América Latina. As duas empresas estão interessadas nos
negócios locais da produção eléctrica e do gás natural.
A empresa argelina posiciona-se como uma das maiores
do mundo enquanto produtora de gás natural. A EDP e
a Sonatrach têm interesses conjuntos sobretudo na Península Ibérica, sendo que a sua parceria é de carácter não
exclusivo.
PUB
Ainda não se inscreveu
no evento do ano?
25 e 26 Junho
Garanta já a sua presença
www.cong-madeiramobiliarioeafins.org
confirmados
Eng.º José Sócrates
Primeiro-Ministro
Dr. Manuel Pinho
Min. Economia e Inovação
Dr. Vítor Ramalho
Deputado Assembleia República
Dr. Pedro Katendi
Director-Geral da Agro-Indústria do
Ministério da Indústria de Angola
Eng.º Mira Amaral
Concelho de Administração do BIC
Prof. Dr. Daniel Bessa
Prof. Dr. Borges Gouveia
Rua Álvares Cabral, 281
4050-041 Porto
Telf. 22 33 94 200
www.cong-madeiramobiliarioeafins.org
organização
Definidos
mecanismos
de estabilidade
financeira
O Ministério das Finanças e as entidades nacionais
de supervisão financeira
assinaram um memorando
de entendimento (MoU)
sobre mecanismos de estabilidade financeira com os
parceiros da União Europeia. É assumido o compromisso de aprofundar
a cooperação, não apenas
em situações de normal
funcionamento do sistema
financeiro mas também na
gestão e resolução de eventuais crises financeiras,
Consiste em adoptar
mecanismos que facilitem
soluções oriundas do sector privado, que permitam
minimizar os custos económicos e sociais de uma
crise, tal como promover a
disciplina nos mercados e
limitar o risco moral. “Os
procedimentos e mecanismos de cooperação definidos neste memorando
aplicar-se-ão a todos os
grupos financeiros e estruturas de mercado com
relevância sistémica no
que respeita a actividades
transfronteiriças, tendo
em conta a sua importância para a estabilidade financeira e a possibilidade
de os seus problemas terem consequências económicas mais amplas”, refere
o Ministério das Finanças
em comunicado.
NOTA DE FECHO
As ilusões, os parasitas
e voz do povo,
voz de Deus?
Portugal desde Abril de 74 perdeu (em termos de PIB per
capita) cerca de 5% face à Espanha, 16% face à Grécia (!) e
60% face à Irlanda (!!).
Mas desde 1985 que Portugal
está no espaço económico mais
rico do mundo (em termos absolutos e 2º em termos “per capita”)
e recebe + 2% em termos líquidos
do seu PIB de Bruxelas.
Como explicar aquilo face a
isto? Como explicar o desastre
económico português (sem referir que desde 2000 que Portugal
empobreceu face à média europeia 2% e que um crescimento
Jorge A.
abaixo de 2% é na verdade uma
Vasconcellos e Sá
recessão, já que provavelmente se
Mestre Drucker School
deve à transferência da economia
PhD Columbia University
subterrânea para a formal). Qual
Professor Catedrático
a culpa?
De início (74-80) disseram aos portugueses que a culpa
era do capitalismo. Nacionalizou-se e a economia foi de mal
a pior.
Entre 1980 e 1985, a culpa era da instabilidade governativa e
dos sacrifícios necessários devido à intervenção do FMI.
A partir de 1985, a solução estaria na Europa e nos fundos
comunitários.
Seguiu-se a solução euro: após a convergência nominal (inflação, deficit e dívida pública) a economia recuperaria.
Veio o euro e a economia passou de mal a pior. Para uns,
o euro de solução passou a problema (agora já não se pode
desvalorizar a moeda, etc.)
Para outros, o problema está no “ajustamento” que a entrada
do euro exigiu após o endividamento generalizado (famílias,
empresas) incentivado pela baixa das taxas de juro.
Para outros ainda, a causa é o deficit público, leia-se a culpa
é do Sr. engº Guterres (políticas pós-cíclicas) e o crescente peso
do Estado na economia (que vem desde de Abril de 74).
Já vamos em quantas explicações/soluções? Conte leitor:
1, 2, 3…, um total de sete. E após sete, como está a economia
portuguesa? Em 2009, segundo Bruxelas, com um rendimento per capita inferior à Eslováquia, Estónia, República Checa,
Eslovénia, Chipre e Malta. Em breve Portugal será ultrapassado pela Lituânia, Letónia e Hungria. Cada vez mais longe da
média europeia. E a empobrecer em termos relativos. Com um
desemprego acima da média europeia. Com 2% da população
activa a emigrar anualmente.
Voz do povo, voz de Deus? Bem, o ditado é: à primeira todos caem; à segunda só cai quem quer.
Nos EUA há um provérbio semelhante: enganas-me uma
vez?; vergonha para ti; enganas-me duas vezes?; vergonha para
mim.
O que é que isto significa? Que os portugueses têm sido
sistematicamente enganados. Por quem? Por aqueles 1) que
escondem a realidade e 2) procuram manter as ilusões.
Porquê? Porque beneficiam da presente situação. Porque
vivem dela, à custa dos outros.
Isto é, são parasitas. Encontramo-los um pouco por todo
o lado. Alguns funcionários públicos não cumprem o horário
(e portanto necessitam de um choque de horário). Algumas
empresas do Estado acumulam prejuízos (porque estão mal
geridas por comissários políticos). Alguns professores universitários não fazem nada de útil (e vivem à custa do orçamento).
Alguns empresários vivem de mão estendida aoEstado (e são
verdadeiros pedintes). Alguns empregados não querem trabalhar (e como já dizia o filósofo marxista, Marcuse, “é tão explorador um mau patrão como um empregado preguiçoso”).
Proliferam transversalmente à sociedade os traficantes de influências que vivem de negociatas, corrupção e clientelismo.
Moral da história? Os portugueses só viverão como europeus quando não houver cá mais parasitas que na Europa.
Como é que se acaba com os parasitas? Acabando com os
encostos: não se pode despedir; estou cá pelo partido; o orçamento paga-me; e os amigos no Estado subsidiam-me.
Com que é que se acaba com os encostos? Tomem nota: 1)
reduzindo o Estado; 2) privatizando as empresas; 3) liberalizando os mercados; e 4) pondo na prisão os corruptos.
Não? Então está bem. Continuarão as ilusões.
Em Abril de 74 (contrariamente a alguns ex-Presidentes da
República que confessam que não saíram de casa) eu estava
no Largo do Carmo. Nunca mais me esqueço de um cidadão
pendurado numa árvore (para que conste, na diagonal da porta
principal sobre o lado direito) que só repetia “Acabaram-se os
tachos, acabaram-se os tachos”. Gostaria de o encontrar agora.
tecnologias
de informação
ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA VIDA ECONÓMICA Nº 1253, DE 13 JUNHO DE 2008,
E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE
II
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Envolvimento da empresa
na implementação
de um ERP é vital
Quais os erros mais comuns na implementação de um ERP? Como garantir que o
processo de implementação de um ERP corra bem? As empresas estão preparadas para
acolher um sistema de gestão empresarial? As respostas que obtivemos do mercado foram
diversificadas. Mas todas têm um ponto em comum. Os “players” acreditam que todas
as tipologias de empresas, desde que com uma dimensão mínima, estão habilitadas a
acolher um sistema de gestão empresarial. E, aqui, as PME aparecem, definitivamente,
como uma excelente oportunidade de negócio.
O
s erros mais comuns na implementação de um ERP estão, para
a Primavera BSS, relacionados
com um mau dimensionamento do projecto de implementação, com a inexistência ou falta de eficácia na aplicação de uma
metodologia de implementação ou ainda
com a tendência de partir para um volume elevado de desenvolvimento específico
sem sustentação. Para isso, Idalina Sousa,
directora de marketing desta empresa bracarense “impõe” como um dos critérios
fundamentais ter uma percepção clara de
como funciona a estrutura e a realidade da
empresa cliente. Por outro lado, admite, há
a necessidade de assentar a implementação
numa metodologia comprovada. “Foi neste sentido que a equipa da PRIMAVERA
Consulting concebeu a Metodologia de
Implementação Primavera (MIP), uma
metodologia de gestão de implementação
exclusiva que visa fornecer as melhores
práticas para a configuração de processos
de negócio e aspectos técnicos, assim como
os mecanismos a adoptar para os testes e
formação a realizar”.
Administração tem de estar
envolvida
O não envolvimento da empresa ao mais
alto nível da sua organização, ou seja, da
própria administração, é considerado por
Pedro Dias, director-geral da divisão de
grandes empresas da Sage Portugal, como
um dos graves erros a evitar cometer. Mas
não só: um incorrecto desenho do sistema
de informações que se pretende suportar
através do ERP e a negligência na validação dos protótipos do modelo de gestão
informatizado podem comprometer, da
mesma forma, todo o processo de implementação.
Para garantir que tudo corra bem, o responsável aconselha o envolvimento da gestão de topo em todas as fases do projecto,
desde o processo de decisão sobre quais as
empresas a consultar até à conclusão do
projecto. Falou ainda em garantir que se
implementa de acordo com as boas práticas e metodologias impostas pelo mercado
e em enquadrar diferentes níveis de formação aos diferentes tipos de interlocutor. Ou
seja, a formação para o utilizador final ser
diferente do que a facultada aos decisores.
Escolha do software é fundamental
A escolha de mau software ou software
que não tenha apoio suficiente é uma dos
erros mais comuns quando se entra num
projecto deste tipo. Eduarda Azevedo, directora de marketing da PHC, aponta que
um sistema de ERP necessita sempre de
formação conveniente e de consultadoria
à medida da empresa, pois trata-se de um
projecto que requer ainda algum investi-
mento e em que é necessário prevenir certas
situações. “As empresas por vezes também
fazem uma má avaliação das suas necessidades, o que leva a implementações maiores e mais demoradas do que deveriam, o
que encarece o projecto” .
Daí que para garantir o sucesso nesta
implementação aconselha à “obrigatoriedade” de um bom software, com provas
dadas no mercado. “É necessário estudar
muito bem tanto as empresas que vão fazer
a implementação como a fornecedora do
software. É necessário ver casos em estudo
desse software e tentar-se identificar com
esses casos, o que torna mais fácil ter uma
ideia de como o software será benéfico para
a empresa”.
Também a PHC admite que as empresas
estão cada vez mais bem preparadas para
acolher soluções como um ERP. “Os gestores estão mais informados sobre as potencialidades das aplicações de gestão e existe cada
vez mais concorrência ao nível de fornecedores de aplicações, pelo que os fabricantes têm de estar em constante evolução do
produto”. A responsável é da opinião que as
empresas dão cada vez mais importância a
este tipo de soluções, sobretudo devido ao
controlo que estas lhes oferecem face aos trabalhadores e à própria empresa, bem como
a agilidade que oferece face à concorrência.
“Embora a economia nacional não tivesse
passado os melhores anos recentemente, o
mercado tem evoluído a nível das grandes
empresas. Mesmo assim, ainda existe espaço
para o mercado crescer mais”.
Há que gerir expectativas
João Minhota, developer para ERP e
CRM da GFI Solutions, avança com a
sempre pertinente questão do timing nas
implementações. “Os ERP são considerados ‘commodities’, requerendo-se implementações rápidas e com a utilização de
processos já estipulados no ERP. Todavia,
por norma, a realidade da empresa e a melhor ou pior gestão das expectativas e interesses das partes envolvidas é a causa mais
frequente para existirem problemas na implementação. Adicionalmente, quando os
aspectos indicados na questão abaixo são
descurados, os problemas começam a surgir, especialmente quando se verifica pouco envolvimento por parte de utilizadores
chave”, explicou o responsável à “Vida
Económica”.
Para uma verdadeira integração deve ser
dada especial atenção à comunicação e gestão da mudança, com especial foco, segundo a GFI em alguns aspectos, nomeadamente no envolvimento do utilizador; no
apoio da direcção; numa definição clara de
necessidades; num planeamento adequado;
mantendo expectativas realistas; definindo
marcos intermédios que permitam alinhar
os objectivos com a organização; conside-
rando uma equipa competente; existindo
comprometimento; tendo uma visão e objectivos claros; e considerando uma equipa
dedicada.
Recursos humanos ditam sucesso
da implementação
É verdade que a implementação de um
ERP poderá ter alguns erros em todo o
processo ou até em fases posteriores. “Normalmente, é nesta fase posterior que surgem algumas dificuldades, nomeadamente
a nível de recursos humanos”, avança Adelaide Leitão, marketing Manager Portugal,
Spain & Italy da IBS. E explicou: “ Poderão
aparecer receios em alguns departamentos
da empresa, visto que muita intervenção
humana desaparece e obrigatoriamente
tem que existir por parte da direcção uma
informação muito esclarecedora a todos
os trabalhadores”. A responsável afiança
ainda que existe também o caso de algumas empresas não conseguirem mudar os
seus métodos caseiros e tradicionais de
trabalho, “pois implementar este software
numa empresa significa geralmente mudar
metodologias de trabalho já instituídas há
muito tempo”.
Comprar uma solução
e não um software
O erro mais comum para Rui Beirão,
director-geral da Logiciel, tem a ver com
o facto de as empresas muitas vezes comprarem software em vez de soluções para
o seu negócio. Isto porque com alguma
frequência as empresas tentam poupar na
parcela da consultoria. “A consultoria pode
representar financeiramente uma fatia importante de um projecto, mas é um factor
de grande importância, uma vez que daí
pode depender a boa utilização do software
e assim o sucesso da solução”. Ao nível das
diversas áreas do ERP, os erros comuns, diz
este responsável, têm a ver com a codificação e respectiva falta de visão que vai no
futuro dificultar a obtenção da informação. O sucesso da implementação depende
grandemente da empresa que vai fazer a
implementação, do conhecimento que tem
da organização do seu cliente, mas também do próprio cliente, que deve conhecer
e saber transmitir quais os seus processos e
operações de gestão, diz Rui Beirão.
“É muito importante as empresas ouvir
emas queixas dos gestores, mas muitas vezes as próprias organizações não estão abertas a actualização, resistindo a mudança
dos processos e das operações”.
As empresas estão preparadas,
mas…
Quais os erros mais comuns na implementação de um ERP? Para Carlos Seguro
de Carvalho, director-geral da Mind Source, são vários. Começa pelo estudo de viabilidade pouco aprofundado, pela análise
de requisitos pouco aprofundada, pela análise de impacto pouco objectiva, pela disponibilidade dos utilizadores finais e, para
finalizar, pelo excesso de customizações.
Curiosamente, este responsável, e apesar
de acreditar que a maioria das empresas,
reconhecendo a importância e as vantagens de um sistema de gestão empresarial,
tendem a assumir-se como preparadas não
deixa de alertar para a necessidade de na
implementação de um ERP se terem sempre em conta os impactos pré e durante
o período do projecto. “Existem muitas
empresas que crêem que a implementação
de um ERP é um mero processo de instalação de software, sem quaisquer outras
implicações na organização”. Nesse contexto, explica, muitas são as empresas que
não têm maturidade para encarar a implementação de um sistema ERP como um
projecto, nem capacidade de lidar com a
conturbação que um processo desta natureza gera numa organização. “Há que rever
processos, modernizá-los e adaptá-los para
garantir o sucesso. É nesta matéria que as
empresas, principalmente as de menores
dimensões e de recursos mais parcos, podem não estar preparadas”.
Trabalhar em parceria é vital
O Grupo Generix está alinhado com as
anteriores opiniões. Relativamente aos erros mais comuns na implementação de um
ERP, este grupo advoga um mau levantamento dos processos e das necessidades da
organização; a inexistência, má clarificação
ou não cumprimento de um “Documento de Definição de Âmbito do Projecto”,
isto é, após a fase de levantamento de processos, o documento (memória descritiva)
que específica, pormenorizadamente e por
áreas de negócio, os fluxos a implementar
e o respectivo cronograma de implementação; e uma má gestão das expectativas
e não existir um efectivo empenhamento,
por parte da alta direcção da empresa, e das
equipas dos utilizadores chave.
Para garantir que o processo de implementação de um ERP corra bem, dizem os
responsáveis, é fundamental que exista um
total empenho por parte da administração/
alta direcção da empresa ou organização e
que a equipa dos utilizadores chave, nomeados pelas diferentes áreas de negócio (Financeira, Comercial, Logística, Produção,
etc.), para além de empenhados, estejam
preparados e disponíveis para trabalharem
no projecto, conjuntamente e em parceria,
com a equipa de consultores de gestão funcionais da empresa seleccionada para implementar o ERP.
SUSANA MARVÃO
[email protected]
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
III
Cinco passos para implementar
um ERP com sucesso
Quais os cinco primeiros passos que devemos considerar
quando falamos em implementar um ERP? Resolvemos
pedir a ajuda a alguns “players” que actuam no mercado
português para nos elucidarem quais as peças que nunca nos
devemos esquecer neste por vezes tão complexo “puzzle”. E
de uma coisa parece estarem em acordo. É fundamental que a
empresa no seu todo e muito particularmente a direcção e os
utilizadores chave, estejam empenhados neste objectivo.
4 Analisar bem as necessidades da empresa.
4 Estudar bem o mercado e escolher o
melhor fornecedor.
4 Definir um “timing” para o projecto estar concluído, de forma a não encarecer
muito a implementação.
4 Ter boas acções de formação, de modo
a tirar total partido do ERP e preparar
bem as equipas que vão ter contacto director com a aplicação.
4 Fazer uma entrada de produção atempada e preparada.
4 Definir as suas necessidades de negócio.
4 Atribuir prioridades nas áreas e processos a implementar.
4 Dimensionar o âmbito, “budget” e “timing”.
4 Procurar o envolvimento da organização definindo objectivos mensuráveis.
4 Escolha de um comité de gestão do projecto.
4 Desenho do sistema de informações.
4 Implementação de uma prototipagem. 4 Formação aos “utilizadores-chave”.
4 Apoio ao arranque.
4 Procurar e seleccionar um ERP robusto,
testado e com provas dadas e, sobretudo, que seja adequado ao seu sector de
negócio.
4 Estabelecer uma parceria de negócio
e entregar a implementação do ERP a
uma empresa de consultoria experiente,
profissional e, muito importante, que
conheça bem a problemática do seu sector de actividade e possa “falar a mesma
linguagem”.
4 Antes da implementação do ERP, a organização deve assegurar, consensualmente e com o patrocínio da alta direcção, um clima favorável à mudança.
4 A empresa no seu todo e, particularmente, a direcção e os utilizadores chave, devem estar claramente empenhada neste
objectivo de implementar um ERP e
estarem preparados para trabalharem,
participando activamente, no projecto.
4 Serem, à partida, definidos objectivos
muito claros, com a atribuição de responsabilidades concretas aos diferentes
intervenientes no projecto e com o estabelecimento de prazos de realização realistas. Por fim, tudo isto deve ser passado
a escrito e cumprido escrupulosamente.
4 Reconhecimento de quais os departamentos e processos onde se pretende
que a solução deverá produzir melhorias
significativas.
4 Garantir a manutenção e actualização
da solução instalada.
4 Garantir o compromisso e disponibilidade de todos os intervenientes.
4 Clarificar os objectivos que pretende atingir e alinhar face à missão da empresa.
4 Atribuir claras responsabilidades antes,
durante e depois do projecto de implementação.
4 Alocar os recursos necessários criando
alternativas de suporte à continuidade
do negócio. Poderá até desafiar algumas
pessoas para assumirem funções de colegas em regime rotativo, por exemplo.
4 Escolher um parceiro de confiança.
4 Definir objectivos e âmbitos geríveis de
acordo com os recursos alocados. Poderá mesmo estabelecer um “road map” de
implementação caso não seja possível
implementar tudo o que está no âmbito
ao mesmo tempo.
4 Os principais passos que uma empresa
deve ter em conta num processo de implementação de ERP é, conjuntamente
com a empresa que vai instalar a solução, identificar e avaliar o valor potencial a obter com a mesma.
4 Na IBS temos uma metodologia que combina um conjunto de actividades com ferramentas específicas, permitindo avaliar, validar e demonstrar os potenciais resultados
de todo o processo. Este método permite
compreender e sumarizar as necessidades e
objectivos de negócio do cliente, e posteriormente desenvolver soluções específicas
que respondam aos mesmos.
4 Selecção do fornecedor do ERP. Devese ter em conta que nem sempre a solução com maior impacto comercial
no mercado é a melhor solução para a
actividade da empresa. Existe uma oferta bastante diversificada em função das
actividades.
4 Selecção do implementador do ERP.
É muito importante conhecer alguns
casos de sucesso com a intervenção do
implementador.
4 Conhecer bem os actuais processos da
organização. A empresa deve investir
algum tempo a conhecer-se antes de
avançar para a implementação.
4 Elaboração de um cronograma realista, subdividindo o projecto em partes,
com clara identificação dos objectivos,
deliverables, intervenientes, cronograma, recursos envolvidos, custos e riscos
associados. Para a componente do risco
deverão ainda ser elaborados planos de
contingência.
4 Completo e exaustivo estudo de viabilidade do projecto.
4 Definição detalhada do âmbito do projecto.
4 Avaliar os requisitos, necessidades e objectivos a atingir.
Susana Marvão
[email protected]
IV
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Banca online continua a destacar-se
no grau de satisfação dos clientes
Os portugueses andam mais satisfeitos com
o comércio online. E continuam a privilegiar
serviços de homebanking onde cada vez
depositam mais confiança. No “Estudo sobre o
Comércio Electrónico em Portugal”, realizado
pela Associação do Comércio Electrónico em
Portugal em parceria com a Netsonda, revela
ainda que meio de pagamento mais utilizado é o
cartão de crédito.
Os portugueses estão a com- cio Electrónico, as principais
prar cada vez mais através da conclusões deste estudo refeinternet. No “Estudo sobre o rem que 83,5% dos inquiridos
Comércio Electrónico em Por- já realizaram compras através
tugal”, realizado pela Associa- da Internet, o que representa
ção do Comércio Electrónico um crescimento de 5,5% face
em Portugal em parceria com a aos mesmos dados recolhidos
Netsonda, ficou registado que no ano anterior. A maioria dos
98% dos inindagados requiridos acede
velou preferir
diariamente
98% dos inquiridos comprar em
à Internet e
sites
nacioacede diariamente
83,5% já efecnais.
tuarem comBem revelaà Internet, sendo
pras
online
dor da imporessa percentagem
preferindo sitância crescentes nacionais
te da Internet
de 97%
O inquérinos hábitos de
to que serviu
consumo dos
em 2007
de base a este
portugueses é
estudo revela
o facto menque 98% dos
cionado neste
inquiridos acede diariamente à estudo que refere que 79% dos
Internet, sendo essa percenta- inquiridos baseia a sua decisão
gem de 97% em 2007. Entre os de compra na Internet. Tamserviços mais utilizados desta- bém a frequência das compras
cam-se o e-mail, a consulta de online regista um índice posisites, os motores de busca e o tivo com 70% dos inquiridos a
envio de mensagens instantâ- realizarem-nas em períodos inneas.
feriores a um mês.
No que se refere ao ComérRelativamente aos meios de
pagamento, os participantes
neste estudo revelam uma preferência pelo cartão de crédito
(35,2%), seguindo-se o pagamento à cobrança (18,7) e o
Sistema de Pagamento Online
(MBNet; Paypal; BidPay) com
18,4% das respostas. No entanto, apesar destes valores, 38,6%
dos inquiridos continua a mostrar receios em utilizar o cartão
de crédito para pagamentos na
Internet.
Este estudo revela que 73%
dos inquiridos têm gastos mensais em compras pela Internet
no valor de 50 euros e que entre
os produtos/serviços mais com-
prados online figuram os bilhetes para espectáculos, desportos
e outros com 44,5% (36,1%
em 2007); CD/música com
34,9% das respostas, e a área
da electrónica e dos telemóveis
com 34,6%.
Os participantes neste estudo, quando inquiridos sobre as
vantagens das compras pela Internet, referiram em 67,7% dos
casos o facto de não terem que
sair de casa/ir às lojas (em 2007
esta resposta era mencionada
por 63,9% dos inquiridos). Segue-se com 61,1% (54,1% em
2007) a capacidade de poder
comprar a qualquer momento e
Os balcões e novos canais
de contacto
A
s entidades financeiras têm à disposição dos seus Clientes diversos
canais de contacto novos como
a banca móvel e banca online, e canais
tradicionais como os balcões. Quando o
sector bancário apostou no investimento
em canais alternativos a existência dos
balcões foi questionada, levando muitas
entidades a acreditar que esta forma de
contacto com o Cliente ia tornar-se institucional e que os novos canais seriam
a solução para uma interacção com o
Cliente mais eficaz.
Para percebermos esta questão temos
inicialmente que reflectir acerca da relação entre eficiência e investimento: é preciso primeiro instalar-se uma plataforma
para, ao fim de algum tempo, retirar algum partido dela. Como conclusão, verificamos que o investimento permaneceu,
o que aumentou foi a eficiência.
Esta realidade acontece sempre neste
tipo de ciclos, porque é aumentando o
número de interacções entre o utilizador e a entidade financeira, sendo que
a instituição recolhe essa informação e
disponibiliza-a outra vez ao Cliente. Isto
só é possível com a implementação da pagamento também contribuíram basarquitectura SOA que permite, de for- tante para esta situação, que permite
ma rápida e eficaz, a troca de informação hoje gerar milhões de transacções. Comtanto no interior da organização, como parando os anos 80 e 90 com o presente,
no exterior entre esta e outras entidades. verificamos um número de transacções
Nesta perspectiva, a infra-estrutura con- diárias absolutamente fenomenal, tanto
tribui para normalizar
através dos novos cae simplificar o acesso
nais como pelos cae processamento de
nais tradicionais.
Os meios electrónicos
informação.
Desta forma, os
No entanto, o aubancos
passaram de
e os meios
mento actual de inlocais transacionais
de pagamento também para locais de negóvestimento nos balcões reflecte outra
cio. Esta realidade
contribuíram bastante
realidade: apesar de
leva a crer que o núos utilizadores terem
mero de balcões não
para esta situação,
ao seu dispor a banca
tenda a diminuir,
que permite hoje gerar
móvel e a banca onmas que estes espaços
line não prescindem
milhões de transacções. continuem a transforda relação humana
mar-se cada vez mais,
decorrente dos balno sentido de serem
cões. Se somarmos as
áreas agradáveis onde
transacções realizadas na Internet com a os Clientes podem encontrar diversos
dos balcões, verificamos a existência de produtos e serviços diferenciados, à seum elevado retorno para o investimento melhança do que acontece com os postos
realizado.
de Correio. Desta forma, os balcões pasOs meios electrónicos e os meios de sam a ser locais de negócio e atendimen-
com 60,5% (56,9% em 2007) a
possibilidade comparar preços.
No que se refere ao grau de
satisfação com os sites, este é
elevado, uma vez que 98% dos
inquiridos se revelou satisfeito
ou muito satisfeito. O Homebanking surge como o serviço
mais procurado pelos portugueses a nível das compras online,
uma vez que 70% dos inquiridos afirmam recorrer aos serviços dos bancários pela internet.
Refira-se ainda que 18,4% dos
inquiridos utilizam o comércio
electrónico para realizar compras de bens/serviços no âmbito
da sua actividade profissional.
Samuel Pereira,
director INFODESA Portugal
to personalizado, que os Clientes visitam
não só para efectuar transacções bancárias como para aceder a outro tipo de serviços, tudo num só local funcional.
Hoje em dia, instalar um requer um
elevado investimento de retaguarda e
um maior estudo sobre os Clientes e os
produtos a vender. A banca acumulou já
know-how e capacidade de fazer e vender
os seus serviços, tornando-os “commodities”, sendo capaz de vender produtos
cada vez mais diversificados.
A banca realizou um excelente trabalho no sentido de afastar as pessoas dos
balcões para canais muito mais eficientes
e baratos, estando agora a adoptar o processo contrário para aproximar os Clientes dos balcões de negócio.
O balcão apresenta-se assim actualmente como um canal de vendas pró-activo e não reactivo. Isso deve-se ao conhecimento dos seus Clientes, produtos
e da sua própria realidade. Na verdade,
a banca fundada em conhecimento tem
cada vez mais informação sobre os seus
Clientes, as suas necessidades e a concorrência.
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
V
O que mais esperar das fusões e aquisições do mercado de Tecnologias de Informação
2007 bateu recorde no volume
de fusões e aquisições em TI
A IT Web, um portal internacional de negócios e tecnologia, fez as contas e publicou um trabalho sobre o que esperar das fusões e aquisições do
mercado de Tecnologias de Informação.
A proposta da Microsoft para de mil milhões. No ano anterior,
compra do Yahoo! pelo valor ini- foram investidos 455 mil micial de cerca de 44,6 bilhões de lhões em 4015 negociações – em
dólares levantou a eterna ques- 73 dos casos, o montante supetão sobre as consequências das rou 1 bilião. “O grande impulgrandes fusões e aquisições para sionador dos acordos no último
os clientes corporativos. E o cer- ano foi a consolidação”, afirma
to é que o ano de 2008 ainda relatório do The 451 Group.
vai a meio e já contabiliza uma
Para o portal, dois factores
extensa de lista negócios. A IT influenciaram este movimenWeb, um portal internacional to: o fluxo de dinheiro livre que
de negócios e tecnologia, fez as empresas maduras têm e a decontas e publicou um trabalho manda dos clientes de lidar com
sobre o que esperar das fusões e menos fornecedores. Além disto,
aquisições do mercado de Tec- nos contratos globais, a emprenologias de Informação.
sa que contrata quer o mesmo
Mas vamos a números. A nível de serviço em todo lugar.
compra da BEA pela Oracle por Em 2008, mesmo que as previ8,4 mil milhões de dólares; três sões mais pessimistas sobre a crise
aquisições da IBM (XIV, Apt- da economia se tornem realidasoft e NIT)
de, o cenário
sem
valores
aponta para
Já a Microsoft deverá mais consolidivulgados; e
mil milhões
dações, prinprocurar empresas
de dólares que
cipalmente
a Sun pagou
no mercado
com tecnologias
pela MySQL,
de
softwarelevantes ou
isto só para
re, que tem
citar algumas,
sido o mais
produtos pontuais
garante a poractivo neste
tal. Entender
processo nos
e evitar grandes
as movimenúltimos anos.
aquisições
tações
do
De
acordo
mercado é o
com a Forresprimeiro passo
ter Research,
para o CIO saber trabalhar para quatro gigantes – IBM, Microamenizar os efeitos da consoli- soft, Oracle e SAP – respondem
dação. Apesar de não ser exacta- por 35% das vendas de softwamente uma novidade, o número re para empresas e governos
e o volume dos acordos fechados em todo o mundo. Em 2008, a
nos últimos quatro anos são sur- participação deve chegar a 39%.
preendentes. Um levantamento Coincidência (ou não), elas são
realizado em 2007 pelo The 451 as empresas com o maior históriGroup, e agora apresentado no co de aquisições nos últimos três
IT Web, revela que as empresas anos – acompanhadas de perto
de tecnologia gastaram 476 bi- por Cisco e HP, do sector de harlhões de dólares em 3559 opera- dware que têm caminhado cada
ções de fusões e aquisições, sen- vez mais rápido para a venda de
do 80 delas com valores acima software e serviços.
O movimento é cíclico, diz a
IT Web: quanto maior a área de
actuação, mais mercados. Mais
mercados, maiores receitas e,
consequentemente, accionistas
satisfeitos, com potencial para
injectar mais dinheiro na companhia. Para que o ciclo não seja interrompido, novos mercados precisam ser explorados. Até porque,
com o grande número de empresas que procuram o mercado de
capitais e uma integração cada
vez maior entre regiões, é muito
fácil procurar novos portos para a
aplicação de recursos.
Foi o caso da SAP, que entrou
no mercado de BI com a compra da Business Objects (BO).
No balanço do último trimestre, a empresa projectou um
crescimento entre 12% e 14%
para sua área de software e serviços. Somando-se as vendas da
companhia incorporada, menos
as despesas de 180 milhões de
euros (cerca de 266 milhões de
dólares) com o processo de aquisição, as receitas devem crescer
entre 24% e 27%.
O portal cita Andrew Bartels e R “Ray” Wang, da Forrester, que assumem que a era
das grandes aquisições (SAPBO, Oracle-BEA), com valores
acima de cinco mil milhões de
dólares de empresas com mais
de mil milhões de facturação
acabou por três motivos: com
a perspectiva de crescimento do
mercado mundial de software de
10%, em 2007, e 12% em 2008
– superior ao resto da economia
–, o crescimento por aquisições não é tão necessário como
no período de 2002 a 2005; a
crise do mercado de “subprime” elevou o custo do crédito;
e o número de alvos potenciais
Maiores compradores
nos últimos 5 anos
Comprador
Total de
2007
Total de
2006
Total de
2005
IBM
11
17
16
Microsoft
15
19
13
Oracie
11
13
13
Yahoo
7
8
10
EMC
10
12
4
Hewlet-Packard
11
8
8
Cisco Systems
13
10
13
Nuance Communications 7
2
-
Googie
11
6
15
Fonte: 451 M&A KnowiedgeBase
para este tipo de transacção caiu
para cerca de 18 companhias.
Especialistas citados pelo portal
não excluem a possibilidade de
compra de uma grande empresa
de software por uma empresa de
hardware como Cisco, HP ou
Sun, o que representaria a entrada de um novo concorrente no
mercado e não um movimento
de consolidação. Na avaliação da
Forrester, a IBM deve mover-se
no caminho de pacotes de software, uma vez que Oracle e SAP
estão a entrar no seu mercado de
middleware. A consultoria cita
a compra da Cognos como um
forte indicador desta tendência.
A Oracle, diz ainda a IT Web,
deve focar-se em tecnologias
integradas que suportem as necessidades de mercados verticais, tanto com pacotes, quanto
com aplicativos personalizados.
A empresa deve fazer aquisições
de médio porte nos sectores de
utilidades, serviços públicos e
financeiros, além de telecom.
Enquanto isso, a SAP deve continuar com o seu programa de
parceria com desenvolvedores
para aumentar as capacidades do
Netweaver, mas também deve
fazer pequenas aquisições neste
sentido. Os potenciais alvos estão
na área de interfaces com usuários (UI), business process management (BPM), master data management (MDM) entre outros.
Já a Microsoft deverá, na avaliação da Forrester, procurar
empresas com tecnologias relevantes ou produtos pontuais e
evitar grandes aquisições, principalmente por conta de problemas regulatórios (o estudo
foi feito antes da proposta pelo
Yahoo!). Provedores de soluções
de middleware, gerenciamento
de informações pessoais (PIM)
e especializadas em Web 2.0 são
alvos potenciais
Empresa na área da segurança
Aladdin abre delegação em Portugal
A Aladdin Knowledge Systems, uma
empresa especializada em autenticação,
gestão de direitos digitais de software
e protecção de conteúdos, anunciou
a abertura de uma nova delegação em
Portugal, como parte da Aladdin Europe. Localizada perto de Lisboa em Miraflores, a delegação portuguesa (a Aladdin Europe Lda.) tem como objectivo
manter e fortalecer o mercado HASP,
produto de gestão de direitos digitais
de software em Portugal, através da
aquisição do seu distribuidor e parceiro de longa data, Futurmática. Devido
à sua parceria de mais de dezoito anos
com a Futurmática, a Aladdin manteve
todos os bens do seu antigo distribuidor e está completamente operacional.
A aquisição expande a presença da
Aladdin pela Europa e permite à em-
presa fornecer mais recursos e suporte aos seus clientes Aladdin HASP
em Portugal, para além de aumentar
a presença dos seus produtos Aladdin
eToken e Aladdin eSafe, através dos
seus parceiros de canal. “O compromisso da Aladdin em criar
uma presença em Portugal confirma
a importância do mercado português
na comunidade europeia”, disse em
comunicado Ludger Wilmer, gerente
da Aladdin Europe. “Através da nossa
nova delegação, podemos atribuir novos recursos, formação e pessoal adicional de uma entidade maior, a Aladdin
europeia, para melhor servir os nossos
clientes em Portugal. Estamos orgulhosos em adicionar Portugal como
membro da crescente família Aladdin
na Europa.”
VI
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
O presente
e o futuro
do WiMAX
no mercado
português
Raymond Forado
director executivo
da Alvarion para Espanha
e Portugal
De acordo com estudos
recentes, a banda larga continua em forte crescimento e
os países mais desenvolvidos
da UE são já líderes a nível
mundial no que diz respeito
à penetração da banda larga.
No entanto, estamos ainda
longe de uma taxa de penetração adequada à procura e
às necessidades dos dias de
hoje. Este crescimento tem
sido sem dúvida liderado por
tecnologias como a WiMAX,
que permitem aos operadores e às corporações privadas e municipais efectuar
implantes sem fios rápidos e
eficazes, com preços competitivos e escasso impacto no
meio ambiente, para dotar de
infra-estruturas de rede para
múltiplas aplicações como a
O ano 2008
será marcado
pela evolução
nos serviços pessoais
de banda larga
transmissão de voz, dados,
vídeo, telemetria e telecontrolo, reduzindo desta forma
a lacuna digital em ambientes locais e regionais.
2008 será sem dúvida um
ano em que se verificará um
aumento exponencial nos
implantes de soluções com
serviços WiMAX, soluções
que permitem implantar redes seguras, com qualidade
de serviço e alta disponibilidade para voz, vídeo e dados
no mercado português.
Além disso, com a introdução de soluções com mobilidade, iniciadas em 2007,
os utilizadores poderão contar agora com redes que proporcionam conteúdos em
qualquer momento, em qualquer lugar, para Internet, email, vídeos, jogos e com um
grande leque de possibilidades que a tecnologia WiMAX
põe ao alcance do utilizador.
2007 foi um ano de consolidação na implantação de
serviços WiMAX de banda
larga no âmbito corporativo e municipal em todos os
mercados europeus onde estamos presentes.
O ano 2008 será marcado
pela evolução nos serviços
pessoais de banda larga, que
vão permitir-nos melhorar a
produtividade, rendimento e
qualidade de vida.
Estudo Global CEO 2008 da IBM revela
Executivos procuram acompanhar
ritmos de mudança
O
Estudo Global CEO 2008 da IBM
revelou um aumento significativo no
número de organizações que prevêem “alterações substanciais” nas suas empresas
para o futuro. Dos administradores inquiridos,
83% afirmou acreditar que estas mudanças se
processariam ao longo dos próximos três anos.
Esta percentagem representa um aumento de
28% em relação a 2006, altura em que foi revelada a anterior edição deste estudo.
Os mesmos executivos reconhecem, no entanto, que a sua capacidade de gerir com sucesso
estas alterações se manteve praticamente constante, registando-se apenas quatro pontos de
melhoria relativamente ao inquérito de 2006.
A relação entre os dois factores – as mudanças
esperadas no futuro em oposição à capacidade
demonstrada no passado de os gerir com sucesso –, é referida no estudo como “fosso de
mudança.” Este índice é três vezes superior ao
registado em 2006, indicando que a capacidade para gerir a mudança tem crescido menos
do que a expectativa de futuras alterações.
Por outro lado, os directores executivos referem-se ao novo perfil dos clientes (mais exigentes, mais informados e mais interessados), à
globalização e à tecnologia como as principais
tendências que os levarão a fazer alterações no
futuro. De acordo com os gestores, estas tendências terão um impacto positivo nas suas
empresas e representam uma oportunidade
para criar diferenciação competitiva, o que aumentará os seus investimentos.
“A empresa do futuro é aquela que aceita a
mudança como um estado permanente numa
organização. Os executivos que demonstram a
capacidade de gerir grandes alterações sabem
que podem obter vantagem competitiva chegando a novas classes de clientes e ousando
novas concepções de negócio em torno dos
princípios da integração global”, afirmou Rui
Rosado Gonçalves, consultor de Gestão da
IBM Global Business Services. “O executivo
dos novos tempos tem de compreender que a
chave do sucesso reside, em grande parte, no
entendimento do novo perfil do consumidor,
mais interessado e interessante, enquanto uma
oportunidade de diferenciação”, acrescentou.
Empresas líderes são mais hábeis
a gerir a mudança
O relatório expõe as diferenças entre as empresas líderes de mercado – aquelas na amostra
que tiveram um maior crescimento das suas
receitas e das margens de lucro nos últimos
3 anos – e as restantes. A principal conclusão é que, a nível global, 66% das principais
empresas tiveram êxito a gerir a mudança, enquanto que essa percentagem cai para 54%
nas restantes organizações.
Um novo consumidor, mais exigente
e informado, representa uma
oportunidade e não uma ameaça
O estudo conclui que os executivos consideram o novo perfil do consumidor do século
XXI – mais exigente, participativo e informado – como uma possibilidade de se diferenciarem dos seus concorrentes, e não como uma
ameaça: 76% dos inquiridos considerou que
a existência deste novo tipo de consumidor
terá um impacto positivo nos seus negócios.
Para se adaptarem e até mesmo se anteciparem às exigências dos consumidores, os dirigentes prevêem aumentar os seus investimentos em 22% durante os próximos três anos.
As empresas portuguesas acompanham esta
tendência.
Empresas estão a adaptar-se
de forma a tirarem melhor partido
da globalização
As empresas participantes no estudo vêem
a globalização como um fenómeno imparável. 60% das organizações inquiridas está a
empreender uma estratégia global, e a maioria
das suas prioridades são orientadas para criar as
competências necessárias a uma concorrência
globalizada.
Além disso, o relatório classifica as empresas
participantes como “muito globalizadas”, “glo-
balizadas”, “intermédias” ou “locais”, em função do grau de globalização e da sua orientação
estratégica. As empresas líderes no inquérito
são as que apostam mais decisivamente na globalização, sendo que 71% das empresas líderes
classificaram-se como “muito globalizadas” ou
“globalizadas”.
Perante a dificuldade de diferenciação por
produtos e serviços, as organizações prevêem
inovar nos seus modelos de negócio. O estudo
revela que 98% dos CEO planeiam alterar os
seus modelos de negócio, sendo que para dois
terços essas mudanças serão “significativas”.
Destes, 39% actuarão sobre o seu modelo organizacional, modificando a configuração da
empresa e estabelecendo que actividades serão
realizadas internamente e quais se realizarão
em colaboração com terceiros.
Cresce a importância
da Responsabilidade Social
Corporativa
Os directores executivos e líderes empresariais entrevistados acreditam que é cada vez
mais importante para os consumidores que as
empresas tenham políticas de Responsabilidade Social. O inquérito revela que a tendência se
repercute de forma positiva nas organizações,
que vêem em tais práticas uma oportunidade
de adquirir vantagem competitiva. Nesse sentido, os executivos inquiridos planeiam incrementar os seus investimentos em 25% para se
adaptarem a esta tendência.
Este estudo foi feito com base em 1130 entrevistas pessoais a líderes de empresas e de entidades governamentais de 40 países e de 32
sectores de negócio, incluindo oito executivos
portugueses.
Depois de Índia e Filipinas, portugueses alargam presença directa
na região da Ásia-Pacífico
Altitude Software abre escritório em Singapura
e investe no mercado do Sudeste Asiático
A
Altitude Software, empresa nacional de
soluções independentes para centros
de contacto, abriu em Singapura um
novo escritório para a região Ásia-Pacífico.
Este investimento vem reforçar a aposta da
empresa na região e é um passo decisivo para
a sua estratégia de crescimento nos mercados
emergentes dos centros de contacto, com destaque para a China e o Sudeste Asiático.
A Altitude Software, que neste momento
tem uma forte presença internacional através
de 18 escritórios e de clientes em 60 países, tem
já escritórios regionais em Nova Deli, Índia, e
Manila, Filipinas. “Com o novo escritório de
Singapura, a Altitude vai continuar a expan-
dir rapidamente a base de clientes, fortalecendo a rede de parcerias a nível regional e fornecendo serviços de valor acrescentado, com
especial ênfase nos outsourcers de centros de
contacto dos mercados emergentes da região”,
revelam em comunicado cedido à imprensa.
“Com o escritório de Singapura vamos endereçar de forma mais eficiente as oportunidades
de negócio oferecidas por países como a China, Indonésia, Tailândia, Malásia e Vietname,
que são cada vez mais destinatários preferenciais de investimentos em outsourcing de
centros de contacto”, afirmou Gastão Taveira,
CEO da Altitude Software. “Consideramos
que estes mercados vão desempenhar um pa-
pel preponderante no futuro do outsourcing
de centros de contacto e estamos a antecipar,
com o investimento no Sudeste Asiático, a
construção de uma base sólida de prestação
de serviços que responda de forma excelente
às suas necessidades”.
O novo escritório vai impulsionar o desenvolvimento de novas parcerias e acrescentou
já parceiros chave à rede Altitude, como a
Teledata e a FDS, bem como clientes líderes
nas suas áreas de negócio como é o caso da
Kingsford Business Services, um prestador
de serviços de última geração a operar em
Hong-Kong e China, para o sector serviços
e banca.
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Sage 2008 para PME
privilegia inovação
e eficiência
Capgemini e Oracle
implementam solução
de CRM na Unicre
Sage renovou todo o seu portefólio
de produtos da divisão de pequenas e médias empresas. Jorge Santos Carneiro, CEO da Sage em Portugal,
explica que “a Sage pauta a sua actuação,
também no mercado português, pela adequação das suas soluções às necessidades
das pequenas e médias empresas nacionais,
pelo que todos os anos procedemos a uma
actualização da nossa oferta, de modo a
permitirmos aos nossos clientes estarem
melhor preparados para operarem num
mercado cada vez mais competitivo”.
“As soluções Sage 2008 apresentam pela
primeira vez uma identidade Sage comum
em todos os produtos. Queremos que os
nossos utilizadores, para além das vanta-
A
A
gens inerentes a cada marca reconheçam o
universo Sage por características próprias
de usabilidade e ergonomia. Reforçamos
os mecanismos disponibilizados no que se
refere ao controlo de qualidade dos processos e da informação, e, mais uma vez, apostámos numa adequação das nossas soluções
às regras fiscais mais recentes, sem descurar
a inovação que caracteriza os nossos produtos”, acrescenta o mesmo responsável.
Todos os produtos foram alvo de melhoramentos significativos em áreas consideradas vitais pela SAGE e seus utilizadores, e
entre as quais se destacam com particular
ênfase: os serviços web, a auditoria, integração informática, agilidade, a instalação
simplificada e a comunicação.
Information Builders
disponibiliza gestor de métricas
de desempenho
A
Information Builders anunciou a
disponibilidade do WebFOCUS
Performance Metrics Manager
(PMM), que assegura um acesso fácil, flexível e económico à gestão de desempenho.
Para muitas organizações, principalmente
para pequenas e médias empresas (PME)
ou empresas que começam a compreender
os seus pontos de controlo, o maior desafio
em relação à gestão de desempenho relaciona-se com a definição, controlo e organização das suas métricas. Para estas empresas,
a abordagem ascendente do PMM não só
permite uma via rápida para os resultados,
como representa uma abordagem fácil de
gerir para se criar uma cultura de desempenho.
A solução PMM da Information Builders disponibiliza um sistema dashboard
de métricas integrado, análise, colaboração
e alertas, reunidos num pacote muito rápido de iniciar e de baixo custo. “Com este
pacote, o negócio pode começar a recolher
e consolidar métricas em qualquer parte da
empresa e publicá-las, através de dashboards, ao fim de semanas. Esta solução traz
um kit de arranque dirigido para os mercados verticais e horizontais, incluindo a cadeia de distribuição, saúde, banca, recursos
humanos, TI e call center”.
McAfee desenvolve tecnologia
de ponta para aplicações críticas
A
McAfee anunciou o alargamento da
sua oferta de produtos VirusScan
Enterprisepara protecção de aplicações ‘mission-critical’ das empresas.
“Temos assistido a uma evolução na propagação de vírus de ‘mass-mailing’ desde
ataques mais direccionados e ameaças destinadas às vulnerabilidades dos sistemas
operativos até a ataques dirigidos a aplicações”, referiu em comunicado Rees Johnson, vice-presidente de Product Management da McAfee. “A McAfee está a criar
novas tecnologias que ajudam a garantir
que as aplicações ‘mission-critical’ das empresas estão protegidas, quer estejam em
ambientes virtuais, baseados em soluções
SAP, quer estejam em sistemas de armazenamento.
Constatámos um aumento nos ataques
dirigidos a sistemas que contêm informação valiosa e vamos continuar a trabalhar
arduamente para garantirmos que oferecemos protecção para estas áreas”.
A virtualização está a ganhar terreno nos
ambientes empresariais enquanto as soluções de segurança para ambientes virtuais
continuam a não dar resposta ao mercado.
A McAfee apresentou uma solução de segurança desenvolvida para ambientes virtuais. Vários estudos indicam que por cada
imagem online existem cinco imagens
offline. O McAfee VirusScan Enterprise
para imagens virtuais offline foi desenvol-
vido para garantir a segurança das imagens
offline que se tornaram vulneráveis e perderam adequação ao longo do tempo em
que estiveram inactivas. Este novo produto
faz uma actualização automática e, periodicamente, estabelece uma nova ligação
às imagens virtuais para que estas não representem qualquer risco para o ambiente
virtual quando forem activadas.
“A consolidação de data centers que
permitem a virtualização oferece enormes
poupanças mas requer uma análise cuidada das soluções de segurança existentes, à
medida que os servidores vão sendo virtualizados”, referiu no mesmo comunicado
Peter Christy, analista do Internet Research
Group.
A McAfee vai oferecer uma solução de
segurança empresarial para utilização com
soluções SAP. Muitas funções ‘mission-critical’ dentro da organização, tais como os
Recursos Humanos, dependem das aplicações SAP para reunir e armazenar informação externa. “Por exemplo, os currículos de
candidatos são muitas vezes submetidos e
introduzidos através do site directamente
para a base de dados SAP. Estes currículos podem ser maliciosos e comprometer
o ambiente assim como dados sensíveis. O
McAfee VirusScan Enterprise para utilização com SAP NetWeaver ajuda a garantir a
continuidade do negócio ao prevenir uploads maliciosos às aplicações SAP”.
Capgemini Portugal e a Oracle Portugal vão implementar
a solução CRM Oracle Siebel
na Unicre, empresa portuguesa especializada na gestão e emissão de
cartões de crédito. Este projecto tem
como objectivo
dotar a Unicre
de uma infra-estrutura de CRM
que lhe permita
potenciar a sua
gestão comercial e a interacção com os
clientes. Uma
das principais
vantagens que
esta implementação vai trazer para a Unicre
prende-se com a automatização do seu
processo de gestão de campanhas, uma vez
que a empresa passa a dispor de ferramentas
e de procedimentos mais adequados ao planeamento, à concepção, à segmentação e à
operacionalização de campanhas através de
vários canais.
A Unicre passa também a possuir uma
importante ferramenta dinamizadora da sua
força de vendas, uma vez que a solução de
CRM Oracle Siebel disponibiliza ferramentas e procedimentos que potenciam uma
VII
maior agilidade e assertividade das
forças comerciais. Por outro lado, a
empresa espera optimizar os processos de interacção com os clientes,
uma vez que a solução de CRM de
que irá dispor permite
o registo das várias interacções efectuadas
com os clientes,
independentemente do
canal utilizado para
o efeito.
A
nova
componente
de CRM será completamente integrada na
arquitectura de sistemas de informação da
empresa, o que permitirá à Unicre tirar o
máximo partido das potencialidades mencionadas. João Almeida, vice-presidente
de optimization consulting da Capgemini
Portugal, afirmou que “o projecto Unicre
vem reforçar a presença da Capgemini em
projectos de grande complexidade, em
áreas cada vez mais críticas, em mercados
onde a intensidade concorrencial é crescente e onde a eficácia comercial, a redução
do time-to-market de lançamento de novos
produtos, é necessária”.
PUB
VIII
tecnologias de informação
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Para além de 400 novos postos de trabalho qualificados e 306 milhões de euros adicionais para a economia nacional
Redução de 10% da pirataria
gerava 34 milhões de euros
em impostos
A Business Software Alliance (BSA), representada em Portugal pela Associação
Portuguesa de Software (ASSOFT), garante que em Portugal a contribuição do
sector das TI para a economia nacional pode ter um efeito multiplicador e ser
ainda maior, caso se consiga uma redução de 10% da actual taxa de pirataria de
software de computadores pessoais nos próximos quatro anos. Feitas as contas, assumem que resultaria em 400 novos postos de trabalho qualificados, 306 milhões
de euros de crescimento da economia nacional e 34 milhões de euros adicionais
em impostos.
A redução em 10% da pirataria de software em Portugal
nos próximos quatro anos poderá criar um sector de Tecnologias de Informação mais forte, gerar 400 novos postos
de trabalho qualificados e contribuir com 306 milhões de
euros adicionais para a economia nacional, para além de
34 milhões de euros adicionais em impostos, indicou um
estudo lançado no primeiro trimestre deste ano da Business Software Alliance (BSA), representada em Portugal
pela Associação Portuguesa de Software (ASSOFT).
O estudo, conduzido pela International Data Corporation (IDC), mostra que o sector de TI é já um dos
principais motores da criação de empregos, impostos e
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007,
Portugal investiu mais de 2,4 mil milhões de euros em
sistemas de informação – incluindo computadores, equipamentos de rede, software e serviços - o que representa
aproximadamente 1,8% do PIB. Este volume é suportado
por mais de 8 mil empresas do sector de IT com cerca
de 18 mil colaboradores, que contribuíram com 1,2 mil
milhões de Euros em impostos cobrados. No entanto, a
associação explica que a contribuição do sector para a economia nacional pode ter um efeito multiplicador e ser ainda maior, caso se consiga uma redução de 10% da actual
taxa de pirataria de software de computadores pessoais nos
próximos quatro anos, resultando em 400 novos postos de
trabalho qualificados, 306 milhões de euros de crescimento da economia nacional e 34 milhões de euros adicionais
em impostos. Uma redução da pirataria noutras categorias
de software pode muito bem duplicar estes efeitos, garantem os especialistas.
“Quando o país toma medidas para reduzir a pirataria, todos são beneficiados”, declarou Manuel Cerqueira,
presidente da Assoft em Portugal. “Com mais e melhores
oportunidades de emprego, um ambiente de negócios seguro e contribuições económicas importantes, a diminuição do índice de pirataria traz benefícios para as empresas
nacionais, economia local, governo, para todo o país”,
completou o executivo.
A pesquisa indica que por cada euro investido em software original outros 1,25 euros são direccionados para
serviços como a instalação, formação e manutenção do
mesmo. A maior parte desta receita é realizada por empresas locais de software, serviços e canal de revenda, o
que significa que os benefícios económicos da redução da
pirataria permanecem no país.
O estudo BSA-IDC de pirataria de software apresentado
em Maio de 2007 estimava que 43% do software de PC
instalado em computadores pessoais de marca institucional não estava licenciado. A Assoft e a BSA investem parte
significativa do seu esforço a esclarecer as PME sobre os
riscos e consequências legais sobre o uso de software não
licenciado.
Segundo as palavras de John Gantz, Chief Research Officer da IDC, durante a apresentação mundial deste mesmo
estudo, “A redução da pirataria informática é importante
para os responsáveis das PME com o fim de reduzir os
riscos legais e de negócio pela utilização de software ilegal.
“Mas o software é único na sua capacidade de criar valor
por todos os outros sectores. Por esta razão, os decisores
políticos têm fortes fundamentos para tomar medidas no
sentido de reduzir a pirataria de software e colher os benefícios económicos de sectores de software e IT mais fortes.
É claro que a redução de software ilegal tem resultados
reais que ajudam pessoas reais com desafios reais”.
Assim, a BSA encoraja os governos que queiram tirar
partido dos benefícios económicos pela redução da pirataria de software a seguir vários passos. Nomeadamente, a
actualizar a legislação nacional para implementar as recomendações da World Intellectual Property Organization
(WIPO). Depois, desenvolver fortes mecanismos de fiscalização para as leis de antipirataria existentes, tal como
exigido pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
A terceira medida seria dedicar recursos públicos significativos para o combate ao problema, incluindo as unidades
nacionais competentes para protecção de Propriedade Intelectual e Direitos de Autor, a cooperação transfronteiriça, sendo essencial mais formação para os agentes locais.
Outra acção seria melhorar a educação e consciencialização pública. E, por último, dar o exemplo, exigindo que o
sector público utilize somente software legítimo, devidamente licenciado.
“Blues” pelo retorno do investimento
1931. O homem da Paramount Records pergunta “Cash or percentage?”. Skip
James fica baralhado. Tinha feito duas
sessões de gravação de “Blues”. Expele
uma baforada enquanto pensa se mete já
o dinheiro ao bolso ou se acredita no futuro da sua música.
No fim, Skip James saiu do estúdio
com 40 dólares no bolso, e por ter escolhido “cash”, não chegou a ver um cêntimo de percentagens da venda dos discos
daquelas duas sessões que entraram para
a história dos “blues”. A grande depressão
afundou a Paramount e as poucas edições
originais dos discos de Skip James são
hoje raridades de colecção.
O velho Skip James lá morreu pobre,
mas a cantar. No fim, as dúvidas daquela noite na Paramount não o assolaram e
calculo que ele não deve ter ficado triste
por não saber como projectar resultados
futuros e calcular o seu valor actual líquido.
E estas dúvidas têm assolado muitos
que investem em sistemas de informação.
Eu, que enquanto consultor estou do lado
dos que recebem parte do dinheiro desses
investimentos, não tenho uma visão im- (tecnologias de informação) tornou-se
parcial, mas posso partilhar ideias sobre muito mais selectivo.
as iniciativas em sistemas de informação
E agora, que futuro? A resposta está
que vi resultarem melhor.
sempre do lado do negócio. As TI devem
Desde meados de 90 que a vasta maio- satisfazer o que o negócio pede, a um cusria das 250 maiores empresas portuguesas to razoável. Dito assim, até parece simtrocou os seus sistemas
ples.
de informação, sobreÉ verdade que as tentudo os ERP. Troca por
dências apontam para
Desde meados de 90
troca, deitaram fora
que a próxima grande
sistemas caros porque
que a vasta maioria das vaga nos ERP repreeram feitos à medida,
sente a abertura da
250 maiores empresas
porque corriam em
empresa a duas frenplataformas proprietátes: aos seus clientes,
portuguesas trocou
rias, ou ainda porque,
fornecedores, e parceino dia-a-dia do negóros de negócio por um
os seus sistemas de
cio, os sistemas não
lado, e aos processos
informação, sobretudo e sistemas da empresa
ligavam a “bota com
a perdigota”. O “busique ficaram excluídos
os ERP.
ness case” era fácil de
na primeira vaga de
estabelecer.
implementação.
Entretanto, veio o
Mas como investir
“e-business” e muitos não quiseram ficar bem? Primeiro, a organização e os prode fora. Malfadada escolha, pois os que cessos de negócio devem ser pensados e
ficaram de fora acabaram por rir melhor, preparados, e só depois vem a tecnologia.
o “e-business” passou de moda e, depois Colocar a tecnologia como “driver” puro
destas agruras, o investimento em TI conduziu a expectativas falhadas, elefantes
Pedro Janeiro
Sénior Manager
Novabase
tecnológicos caros de alimentar, e divórcio
entre o negócio da empresa e os seus sistemas. Trocar tecnologia por tecnologia, só é
interessante se reduzir custos e problemas.
Então como inovar na tecnologia? Dentro de uma empresa, cabe às TI partilhar
as novidades com o negócio – nem sempre o potencial da tecnologia é explorado
porque o negócio desconhece a inovação
embebida nas novas tecnologias.
Depois de o Google ter redefinido a
porta de entrada na Internet e de a Wikipedia ter redefinido o conceito de partilha de informação, como traduzirão as
empresas tudo isto em vantagens competitivas? E com isto serão os ERP do futuro mais wiki? Mais “googlizados”? Mais
Web 2.0? Com inteligência e alguma
criatividade, serão apenas aquilo que o
negócio precisar que sejam.
E, no fim do dia, tal como acontece
com quaisquer outros investimentos,
espera-se que os projectos de TI corram
bem, ainda que alguns possam correr
mal. Faz parte do risco da inovação, assumido pela maioria das empresas que estão
no “top 250”.
ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DA VIDA ECONÓMICA Nº 1253, DE 13 junhO DE 2008,
E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE
Franchising de consultoria
financeira entre o crescimento
e a saturação
Vivafit
quer criar rede ibérica
com 250 unidades até 2010
Empresas portuguesas
participam no Easy Investment
Forum
Colégio Atlântico
inicia processo de franchising
em Portugal
Tormo & Asociados
leva marcas nacionais
para Espanha
Euro-região pode ser ponto de partida para a América Latina
Galiza afirma-se como plataforma
de internacionalização
A Galiza poderá ser uma importante plataforma de
internacionalização das empresas portuguesas. Apesar
de não ser ainda “o primeiro destino quando o empresário português pensa internacionalizar”, a Galiza
ganha relevo no âmbito do conceito de euro-região,
podendo ser considerada parte do mercado interno.
Num ‘workshop’ promovido pelo BIC-Minho - Oficina da Inovação, deram-se a conhecer os vários fundos de investimentos disponíveis em Portugal e na
Galiza para os processos de internacionalização. Pelo
que não será “por falta de dinheiro que os empresários
não podem iniciar os seus processos de internacionalização”. A Galiza apresenta-se fundamental não só
pela proximidade, mas pelo facto de abranger uma
população de seis milhões. Por outro lado, aquela
região espanhola poderá ainda afirmar-se como um
ponto de partida para outros destinos, como América
Latina.
Accive Insurance
cresce 60% em Portugal
A rede Accive Insurance, especializada
em soluções de seguros, chegou a Castelo de Paiva pela mão dos novos parceiros
Humberto e Nuno Beleza. A rede reforça a sua presença em todo o país, pretendendo incrementar a competitividade
da sua oferta no mercado da mediação
de seguros. Nos dois primeiros meses de
2008, de acordo com os resultados apresentados durante a convenção anual da
empresa, que decorreu em Fevereiro, a
Accive contabilizou um volume de negócios de mais de 400 mil euros.
O volume de negócios da Accive em
2007 atingiu os 2,9 milhões de euros
em Portugal, um aumento de 60% em
relação ao ano anterior. A loja de mediação de seguros de Castelo de Paiva abriu
portas no início do mês de Maio e “demonstra já uma grande dinâmica e um
enorme sucesso na abordagem ao mercado local”.
Colaborações:
II
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Vivafit abre 30 novos centros em Portugal
A Vivafit, empresa que intro- paços na ordem dos 150/200m2,
duziu no mercado nacional, em e estão dimensionados para uma
2003, o conceito de treino de média de 500 sócias por centro.
30 minutos dedicado ao público Envolvem um investimento de
feminino, pretende criar 30 no- cerca de 125 mil euros com uma
vos centros em Portugal até final expectativa de retorno num perído ano. A marca virou o ano de odo de 12 a 24 meses.
2007 com 68 centros em funcio“A implantação da marca em
namento e mais de 25 mil sócias. Portugal está em velocidade de
Com a abertura
cruzeiro,
com
da primeira uniuma média de
dade em Madrid,
30 novas aberem Janeiro deste
turas por ano.
A rede Vivafit
ano, a Vivafit iniA nossa aposta
gerou em 2007
ciou o processo
é na manutende
internacioção deste ritmo,
um volume de
nalização.
Até
em Portugal, até
2010, a marca
2010, e na exnegócios de 11
quer ter mais de
pansão da marmilhões de euros
250 centros actica em Espanha
vos no mercado
onde queremos
ibérico.
ter 85 centros
Desta forma,
activos até 2010,
a Vivafit quer ter em funciona- sublinha Pedro Ruiz, responsável
mento, no país, um total de 98 da marca.
centros de treino, tendo para tal
projectado a abertura, ao longo Rede ibérica com 250
de 2008, de 30 novas unidades unidades
em regime de franchising, num
Até 2010, a meta dos detentoinvestimento total de quatro mires da marca é ter uma rede ibérilhões de euros.
A expansão da rede em regime ca com mais de 250 unidades. A
de franchising deste conceito de internacionalização do projecto
treino de 30 minutos para mulhe- iniciou-se este ano, com a aberres foi iniciada em finais de 2004. tura do primeiro centro Vivafit
Actualmente, a marca possui já 78 em Madrid. A marca vai investir
unidades em funcionamento. Os cerca de um milhão de euros na
centros Vivafit funcionam em es- expansão da rede no país vizinho,
onde tem já assinado um segundo contrato para abertura na
capital espanhola. A meta para
2008, no mercado espanhol, é de
cinco aberturas e 10 contratos de
franchising assinados.
Outros mercados internacionais como o Brasil, o México, os
EUA, a Turquia, Grécia, Marrocos e Arábia Saudita estão a ser
considerados para expansão nos
próximos dois anos. “Estamos à
procura de ‘master franchisers’
para estes mercados que estejam
dispostos a trabalhar connosco
na construção da Vivafit enquanto marca global”, referiu.
A Vivafit assenta num conceito
de treino rápido de 30 minutos
“mais completo”, exclusivamente
para mulheres. A “flexibilidade
de horários e a liberdade de utilização, a proximidade geográfica
aos locais de residência ou trabalho e a sua eficácia na perda de
peso (objectivo de mais de 80%
das mulheres que procuram os
centros Vivafit) são aspectos de
diferenciação do conceito”, afirmam os responsáveis da marca.
Em 2007, a rede gerou um volume de negócios de 11 milhões
de euros (mais 62,5% que no ano
anterior). Este ano a marca prevê
um crescimento na ordem dos
63%, colocando a fasquia nos 18
milhões de euros de volume de
negócios.
PUB
consultório
ELEMENTOS ESSENCIAIS DO SISTEMA
DE FRANCHISING
Alguns pormenores da documentação, planos operacionais e financiamento variam de sector para sector, mas os seguintes passos são universais para todos os Franchisadores.
1. Planeamento prévio
Reúna todo o conhecimento que adquiriu
até agora com a construção do sucesso
do seu negócio. Ordene-o de uma forma
lógica, de forma sequencial. Lembre-se
que irá formar potenciais Franchisados
numa área que eles podem ter pouco conhecimento, ou nenhum.
2. Loja piloto
José Vieira Lopes
Managing Director da Team Vision
Os Franchisados irão esperar que demonstre que tem gerido uma operação
piloto de sucesso, que prove o que diz
sobre o negócio. Investigue como pode dar ao seu negócio uma marca
ou patente não apenas no seu país mas também naqueles para onde
pretende expandir.
3. Loja piloto em funcionamento
É essencial que continue a par das mudanças de mercado e reconheça
que mudanças deve efectuar e quando. Desta forma, deve continuar a
gerir uma ou mais lojas próprias.
4. Plano Operacional
Irá precisar dum plano operacional que cubra com detalhe as acções necessárias para gerir um negócio Franchisado: vendas, serviço ao cliente,
formação, pesquisa de local, formação inicial e contínua. Também deverá nomear a pessoa responsável por cada área.
5. Plano Financeiro
Desenvolva um plano financeiro “conservador” que preveja cash-flows,
lucros e custos, e ainda fontes extras de financiamento que possa disponibilizar. Prepare um plano semelhante para ajudar os Franchisados.
6. Perfil dos Franchisados
Decida se os seus Franchisados devem ser particulares ou empresas. Defina o perfil que procura, tal como experiência de negócio, habilitações
e capacidade financeira.
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Franchising de consultoria financeira
entre o crescimento e a saturação
Crescimento sustentado ou saturação de mercado? O sector da consultoria financeira, que opera maioritariamente em Portugal através da expansão em franchising, atravessa uma fase de forte crescimento
que poderá em breve atingir a saturação. A “Vida Económica” dá voz à opinião de duas empresas do
sector.
Face ao actual número de
25 empresas de consultoria
financeira a actuarem em
Portugal, não será difícil
prever uma saturação do
mercado da área, sustenta
Carlos Teixeira Pinto, responsável máximo da Centre Finance em Portugal.
“Quanto tal acontecer, o
mercado apenas conseguirá
absorver as empresas que
actuarão de uma forma
estruturada e coordenada.
A Centre Finance tem tentado focar-se nesse ponto
e marcar pelo serviço diferenciado”.
Por sua vez, a AXT Capital considera que “o actual momento que vivem
as consultoras financeiras
de crédito é de pleno crescimento, a avaliar pela
Feira do Franchising que
decorreu recentemente
em Lisboa, onde este sector se destaca claramente
dos outros pelo numero de presenças dos seus
‘Masters’”. Segundo Jorge
Pires, ‘Master Franchise’ da AXT Capital, “ao
contrário do que aconteceu nos países da Europa
Central, este sector apenas tomou expressão há
cerca de um a dois anos”.
A principal razão deste
atraso deve-se ao facto
de “a banca portuguesa
encontrar-se concentrada
nos grupos portugueses,
fechando este circuito de
comércio de crédito, quer
a nível vertical quer a nível horizontal,” adverte
aquele responsável.
Porém, continua, “a
concorrência foi aumentando e a entrada
de bancos estrangeiros
foi decisiva para o nascimento deste sector”. Por
outro lado, a AXT Capital considera que “o crescente endividamento dos
portugueses,
associado
à incapacidade de solver
os seus compromissos,
fez com que estes bancos
explorassem este sector.
Como não tinham redes
de balcões pelo país, a
disponibilização dos produtos através de empresas
de consultoria financeira
foi a melhor solução”.
Desta forma, “o sector
começa a nascer e está
neste momento, como é
óbvio, em crescimento
exponencial”. Por outro
lado, “empresas espanholas decidiram entrar no
mercado, criando também alguma dinâmica de
crescimento, concorrência e até notoriedade. Em
Espanha, o mercado não
é tão desenvolvido como
nos outros países, mas
está agora a entrar numa
fase de consolidação”.
Franchising pode
denunciar falta de
confiança
Por sua vez, Carlos Teixeira Pinto, da Centre Finance, empresa espanhola
que avançou recentemente para Portugal, refere
que “o facto de fazermos
este negócio confere-nos
um nível de conhecimento do mercado que uma
rede de venda de franchising nunca poderá ter. A
sua actividade reduz-se a
criar uma imagem, protocolos com bancos e vender
o negócio a terceiros”.
Na sua perspectiva, este
factor denuncia “falta de
confiança”. E questiona:
“Se é tão interessante,
porque é que não o fazem? Porque se limitam a
vendê-lo a terceiros? E se
nunca fizeram consultoria financeira, donde vem
o ‘know how’?”
A maior parte das empresas respondem a esta
questão “dizendo que
têm experiência bancária.
Porém, é um erro grave
achar que só porque tra-
Actividade própria e formação constituem factor de diferenciação
Numa conjuntura de saturação, as empresas de consultoria financeira que sobreviverão “terão o seu factor diferenciador baseado em dois pilares, a actividade própria e rede de franchising”, diz Teixeira Pinto.
A actividade própria “confere um conhecimento profundo do mercado e uma
capacidade de resposta muito mais rápida às exigências do mesmo. Da actividade própria resulta a existência de um centro de análise que consiste num
veículo de credibilidade junto dos parceiros de negócio. Este centro de análise
efectua uma pré-análise e triagem dos processos”.
A formação é o segundo factor diferenciador. “Na Centre Finance, o período
de formação vai até aos seis meses, repartidos entre teórica e prática, o que
contribui para que os seus franchisados tenham uma formação e acompanhamento constantes especialmente durante o arranque do negócio”.
balhámos num banco,
temos
conhecimentos
para trabalhar de forma
transversal com todos
eles”, adverte Carlos Teixeira Pinto. A constitui-
III
ção, no caso da Centre
Finance, de um centro de
análise permite, segundo
Teixeira Pinto, “o acompanhamento constante ao
franchisado, o reconhecimento por parte da banca que a Centre Finance
apenas envia processos
viáveis para os bancos e a
certeza que o cliente final
usufrui sempre do mesmo
serviço no atendimento e
nunca é prejudicado pela
eventual inexperiência do
franchisado”.
Este responsável aponta
o facto de, num conceito
de franchising “com território exclusivo atribuído
a cada agência, quando
um franchisado que já
pagou direito de entrada
desiste do negócio, esse
território exclusivo fica
vago para que o master
possa voltar a vender. Por
isso, para uma empresa
que vive unicamente da
venda de franchising, este
factor não é necessariamente negativo”. Aquele
responsável acredita que
“estamos no ramo mais
lucrativo em serviços de
todo o mercado. Mas não
é um ramo do qual se viva
sentado no escritório à
espera que os clientes entrem pela porta”.
Marc Barros
[email protected]
PUB
IV
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Empresas portuguesas
procuram investidores europeus
Cerca de 20 empresas nacionais dos sectores das tecnologias de informação e comunicação,
“media”, tecnologia médica e tecnologias energéticas sustentáveis terão oportunidade de
apresentar os seus projectos a cerca de 200 investidores europeus. O Easy Investment Forum,
que terá lugar em Londres, é uma montra para projectos que se enquadram nas fases “seed” e
“start-up”.
Um grupo alargado de empresas nacionais
participarão no Easy Investment Forum de
Londres, que terá lugar nos dias 26 e 27 de
Junho. Trata-se de um conjunto de projectos seleccionados pela Gesventure, enquanto
parceiro português do Easy Project, que se
enquadram nas fases “seed” e “start-up” e
que estejam interessados em angariar capital
em outros países europeus.
O evento configura uma valiosa oportunidade para que os 20 projectos de investimento seleccionados das áreas de tecnologias
O CAIE presta o apoio
tradicional na criação
da empresa, mas tenta
captar potenciais
investidores
de informação e comunicação, “media”, tecnologia médica e tecnologias energéticas sustentáveis possam apresentar as suas mais-valias a uma plateia de cerca de 200 potenciais
investidores especializados nas fases iniciais
de investimento, bem como na captação de
instrumentos de avaliação e de apresentação
úteis para empresas que procuram capital.
A selecção abrange um conjunto alargado de critérios, que envolvem o elevado
potencial de valorização dos projectos, o
Fiducial inaugura
novo escritório
na grande Lisboa
A Fiducial inaugurou um novo escritório na
área da Grande Lisboa, desta feita em Mafra.
O escritório abre portas pela mão de Hugo
Moreira Luís e Filipa Novais. De acordo com
os novos partners franchisados, “os gestores,
preocupados com a evolução dos seus negócios, deparam-se com necessidades de informação de gestão para a tomada de decisões.
A Fiducial, organização com know-how internacional e com experiência de mercado a
nível nacional, apresenta-se como uma consultora de gestão”.
E deixam, assim, uma mensagem ao mercado empresarial de Mafra: “Existindo oportunidades de negócio, devem os gestores
focar-se na evolução do seu negócio, pois os
mercados são cada vez mais competitivos.
Assim, apelamos aos empresários e gestores
que procurem profissionais especializados no
apoio ao seu negócio, de forma a poderem pôr
em prática uma gestão mais rigorosa, identificando novas oportunidades ou problemas
na sua actividade, numa melhoria contínua
dos seus resultados”. E, de acordo com esta
percepção da realidade que os circunda e com
o posicionamento que tomaram, pretendem,
acrescentam, contribuir para o sucesso dos
seus clientes “prestando um serviço de apoio
à gestão, acompanhando de perto os clientes,
ajudando-os no aumento dos seus lucros,
eficiência e organização, para nos tornarmos
numa organização de referência na prestação
de serviços de consultoria de gestão”.
seu enfoque internacional, o interesse dos
empresários e empreendedores em angariar
capital junto de “business angels” ou fundos
de capital de risco especializados em “seed
capital”. Para além disso, é condição essencial que cada projecto possua já um investidor interessado, o que demonstra o nível de
confiança que a ideia de cada empreendedor
acarreta.
O evento. que terá lugar em Londres, será
semelhante ao que decorreu no Estoril, nos
passados dias 11 e 12 de Outubro, e que
trouxe ao nosso país investidores europeus.
Para além de Portugal, que recebeu em Outubro passado 150 investidores e empreendedores de toda a Europa, o Easy Investment Forum passou também já por Paris,
Helsínquia, Milão e Barcelona. Ao longo
de todo o programa foram já apresentadas
76 empresas, tendo quatro destes projectos
angariado investidores internacionais (5 milhões de euros) e nove investidores nacionais
(10,5 milhões de euros).
O Easy Project é um projecto da iniciativa Pro-INNO que visa incentivar os investimentos transnacionais nas fases iniciais
de financiamento de negócios inovadores,
procurando assim harmonizar a oferta e a
procura de capital no espaço europeu.
Empreendedores europeus
participam no Pitch
Por sua vez, Portugal recebeu, em Cascais,
cerca de 25 empreendedores europeus com
ideias de negócio já definidas terão a oportunidade de trabalhar a apresentação do seu
negócio tendo em vista a angariação de financiamento, dinamizar redes de contacto
eficazmente, aprender sobre novos mercados
e novas culturas e desenvolver a capacidade
de negociação.
O The Pitch! 2008 é uma iniciativa inédita
no país. Tratou-se de um evento organizado
pela GesEntrepreneur, DNA Cascais e Câmara Municipal de Cascais, em parceria com
a Stockholm School of Entrepreneurship, a
Helsinki School of Creative Entrepreneurship, a Simfonec e a Cass Business School.
Cascais recebeu empreendedores do Reino
Portugal: marca
de franchising?
A
Marc Barros
[email protected]
Unido, Finlândia, Portugal e Suécia, tendo
recebido formação por parte de especialistas
da Simfonec e da City University of London
que lidam diariamente com empreendedores
que se encontram à procura de capital. Os
participantes tiveram ainda oportunidade de
conhecer “ business angels” portugueses.
Foram seleccionados para a final europeia
do The Pitch! 2008 os projectos Cook in
Box (disponibilização de todos os ingredientes para uma determinada receita num único
pack), Artesanato Urbano (revista de artesanato urbano com plataforma digital), Doggy
Gourmet (refeições para cães) e Cacifos para
praia (cacifos para guardar bens de surfistas
e banhistas).
Pedro Santos
Administrador Grupo
Onebiz
[email protected]
marca PORTUGAL é um elemenRecentemente, por ocasião da feira de
to fundamental no sucesso das em- franchising de Lisboa, foi atribuído um
presas franchisadoras nacionais. Há prémio para as melhores empresas em
quinze anos atrás, a marca Portugal não aju- Franchising em vários sectores, sendo um
dava a vender, pois não éramos vistos como dos prémios o de melhor projecção interum país de modernidade, inovação, moda nacional. Foi com uma mistura de grande
e tecnologia. Embora muito trabalho exista satisfação e também de alguma desilusão
ainda pela frente, hoje a realidade mudou que acompanhei este evento. A satisfação e
e a marca Portugal é já
reconhecimento resultou
vista como sinónimo de
do facto de a NBB, emAs empresas
modernidade e de futuro.
presa do grupo Onebiz
Aqui os nossos “Ronaldos
dedicada à intermediação
franchisadoras
e Mourinhos”, são muito
na compra e venda de
bem-vindos pois alimenempresas, ter vencido este
devem considerar
tam a nossa auto-estima,
prémio. No entanto, das
o mercado ibérico
mas também ajudam os
50 empresas franchisadoempresários portugueses
ras em Portugal candidatas
como mercado
a terem maior visibilidade
a prémios de franchising,
externa. Já que estamos
apenas 4 se candidataram
interno natural
em ambiente futebolísa este prémio de projectico, faço votos para que
ção internacional. Isto
a nossa selecção seja bem sucedida, pois significa a pouca expressão que as empresas
uma melhor marca Portugal implica maior portuguesas franchisadoras têm a nível innotoriedade e mais apetência pelos nossos ternacional ou a ausência de uma estratégia
produtos e serviços. Portugal tem empresas focada na internacionalização.
e empresários de elevadíssimo potencial, e
Gostaria de referir o papel fundamental
a nossa equipa, dirigida por um selecciona- que o AICEP desempenha no apoio às emdor líder, é um bom exemplo de empresa presas que queiram internacionalizar-se.
com uma ambição legítima para vencer.
Por vezes, ouvimos os empresários a refe-
rir que não têm apoio na internacionalização. Esta não é, no entanto a realidade,
pois existem vários programas de apoio à
internacionalização, podendo ainda as empresas portuguesas recorrer às delegações e
embaixadas no AICEP, nos vários países,
para obter um apoio local.
As empresas franchisadoras devem ainda
considerar o mercado ibérico como o seu
mercado interno natural. Ao sermos um
pequeno país, apenas conseguimos visibilidade, notoriedade e experiência se a marca
de franchising se tornar rapidamente internacional. Para este efeito, após a rede ter
um mínimo de dimensão nacional, deverá
de seguida expandir em Espanha enquanto
mercado natural. Para este efeito, a estratégia poderá passar por abrir uma central
de franchising em Espanha ou por celebrar
acordos de franchising directos, dependendo da tipologia do negócio em franchising.
Espanha, apesar de estar num período de
crise ou pré-recessão, incorpora um grande
potencial pela dimensão e maturidade do
mercado.
Atitude ganhadora, ambição, muita persistência e visão internacional devem ser
alguns dos ingredientes que os nossos empresários devem ter nesse desafio.
franchising e empreendEDorismo
Feira do Trabalho
e das Oportunidades
na Azambuja
A Azambuja recebeu a primeira edição
da Feira do Trabalho e das Oportunidades. Promovido pela autarquia local, em
conjunto com a Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Município
de Azambuja (ACISMA), o certame
visa promover o contacto entre as empresas locais e os candidatos a emprego,
fomentando, também, o conhecimento
sobre a oferta existente a nível da formação profissional no âmbito regional
mais alargado.
A feira funcionou como meio privilegiado de acesso a informação sobre alternativas escolares, formativas e profissionais, proporcionando novas janelas de
oportunidade aos jovens e aos adultos.
O primeiro dia do certame foi dedicado
às escolas e aos centros de formação e
profissões, com a realização de dois pai-
néis, o primeiro dos quais contou com
a participação da Escola Digital, a Escola Profissional Almirante Reis, a Escola
Profissional Gustave Eiffel, a Câmara do
Comércio e Indústria de Lisboa, a Escola Profissional Bento Jesus Caraça e a
Escola Profissional Profitecla. Contará,
também, com a participação de finalistas dos cursos de Mecatrónica,Turismo
e Organização de Eventos.
O segundo painel recebeu a Escola Profissional de Artes, Tecnologia e
Desporto, a Escola Comércio de Lisboa, o Instituto Politécnico de Santarém, a Escola Técnica Profissional
do Ribatejo e a Escola Profissional do
Vale do Tejo. Estiveram ainda presentes os finalistas dos cursos de Técnico
de Higiene e Segurança no Trabalho e
de Vitrinista.
Pedrógão Grande promove
Feira do Emprendedor Júnior
O município de Pedrógão Grande recebeu a Feira do Empreendedor Júnior, integrado no projecto de Empreendedorismo
nas Escolas promovido pelo município.
Promovido pelos alunos e professores das
escolas do 1º Ciclo que participaram durante este ano lectivo no programa «Max,
Empreende Contigo!» da Max Portugal,
este evento reforçou e reconheceu o potencial empreendedor das crianças participan-
tes e também o contributo dos seus professores que se envolveram e empenharam de
forma muito empreendedora.
As 80 crianças e cinco professores das Escolas Básicas (EB1) de Vila Facaia e EB1 da
Graça EB1 de Pedrógão Grande envolveram-se de forma entusiástica nas actividades, com um resultado surpreendente para
quem visitou esta Feira do Empreendedor
Júnior em Pedrógão Grande.
Internacionalização
das empresas passa pela Galiza
Actualmente considerada como um nalização”, concluiu aquele responsável.
mercado interno, mercê do conceito
Com efeito, para além dos sistemas de
de euro-região, a “Galiza ainda não é incentivos proporcionados pelo QREN
o primeiro destino quando o empresá- e que foram apresentados por Rita Carrio português pensa internacionalizar”. valho, da Oficina da Inovação, também
«Olhar a Galiza como uma porta para a INOVCapital, através da administraa internacionalização» foi o desafio lan- dora Maria Clara Braga da Costa, apreçado por Leonardo Silva, presidente sentou um conjunto de fundos de capital
do BIC-Minho - Oficina da Inovação, de risco destinados a apoiar a internanum ‘workshop’ recentemente promo- cionalização dos empresários do Norte
vido em Braga, que serviu para apre- de Portugal na Galiza. Estes fundos de
sentar os vários fundos
investimento destinamde investimentos dispose aos projectos empreníveis em Portugal e na
sariais em fase de desenGaliza para os processos Galiza é um ponto
volvimento e expansão,
de internacionalização. de partida para
à criação de empresas de
A aposta na Galiza aprebase tecnológica e à criasenta-se, como constatou outros destinos,
ção de pequenas empreLeonardo Silva, “o passo
sas que preencham negómais imediato para a in- como América
cios emergentes.
ternacionalização, não só Latina
O director da Área de
pela proximidade, mas
Promoção e Inovação
pelo facto de abranger
do IGAPE, Casto Varela
uma população de seis
Gesto, deu a conhecer o
milhões e de apresentar oportunidades mercado galego, em termos sócio-ecode investimento muito interessantes”.
nómicos, laborais e de infra-estruturas.
Na sessão, que reuniu sete dezenas Investir na Galiza foi, de resto, o mote
de empresários, foram apresentados os da intervenção daquele responsável que
fundos e programas disponíveis, quer apresentou os quatro programas de
nacionais quer da Galiza, para dinami- apoio que se encontram sob a alçada
zar as relações económicas entre as duas do organismo galego: ajuda à formação,
regiões, sinal de que “ não é por falta de apoio à contratação de recursos humadinheiro que os empresários não podem nos, capital de risco e apoio ao invesiniciar os seus processos de internacio- timento.
sexta-feira, 13 Junho de 2008
V
Taxa de insucesso
de empresas apoiadas
pelos BIC é de 9%
As taxas de insucesso de empresas apoiadas pelos centros de incubação (BIC) é
de apenas 9%, uma percentagem “bastante inferior” à taxa europeia congénere
entre empresas que não são apoiadas por
BIC, que é superior a 50%. Esta foi uma
das principais conclusões retiradas do encontro que reuniu cerca de duas dezenas
de empreendedores apoiados e incubados
pelo BIC-Minho - Oficina da
Inovação SA. Estes reuniramse em Braga, num encontro
empresarial, onde tiveram a
oportunidade de apresentar
produtos, analisar sinergias e
detectar potenciais parcerias
de complementaridade. Segundo Victor Sá Carneiro, director-geral do BIC-Minho, “este encontro inscreve-se na nossa estratégia de
promover anualmente um encontro entre
os novos empreendedores e as empresas já
existentes permitindo-lhes a realização de
contactos bilaterais e a divulgação das suas
actividades”.
O evento tem-se mostrado, de resto,
“uma boa fonte de desenvolvimento e cooperação entre as empresas, permitindo-lhes
assim criar abordagens conjuntas e estrutu-
radas ao mercado, o que, individualmente,
não seria possível, e contribuindo para o
desenvolvimento do tecido económico daquela região, vital para o desenvolvimento
do país”, sublinhou aquele responsável.
ProProcess (triagem no sector automóvel), SELM (sistemas de microelectrónica), Edit Value (consultoria), Cerqueira
& Quintas (arquitectura e construção) e
Níveis de Confiança (Higiene e Segurança no Trabalho) foram apenas algumas das
empresas que marcaram presença naquele
encontro anual do BIC-Minho, no qual os
empreendedores partilharam experiências,
estratégias, problemáticas de mercado e
perspectivas para o futuro com as restantes
empresas incubadas ou criadas pela Oficina da Inovação.
PUB
VI
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Cristina Leandro, da Tormo & Asociados, considera
Dimensão do mercado nacional
obriga à internacionalização
das marcas
A consultora de franchising Tormo & Asociados pretende incentivar a
internacionalização das marcas nacionais. Segundo Cristina Leandro, directora executiva
em Portugal, trata-se de um sector com grande protagonismo e maturidade. No entanto,
dada a reduzida dimensão do mercado nacional, é imperativo que as marcas portuguesas
pensem em conquistar novos mercados, começando pelo espanhol. Sendo que o sector
dos serviços se encontra num estádio mais desenvolvido, esta responsável alerta para a
necessidade de adaptar as marcas e conceitos aos hábitos de consumo, legislação e demais
aspectos estratégicos de cada mercado.
Vida Económica- Quais os objectivos da Tormo &
Asociados na sua entrada no mercado português?
Cristina Leandro - O mercado português nos últimos
tempos deu um salto quantitativo e qualitativo, tendo
surgido novas marcas e novas unidades. É um sector que,
apesar das “poucas horas de voo” que tem, cada vez mais
conquista espaço e protagonismo, onde se movimentam
mais de 500 marcas. A tudo isto deve-se a aposta da Tormo & Asociados, acrescido da experiência e ‘know-how’
que tem neste sector.
A Tormo & Asociados conta com uma estrutura ibérica
que vai certamente trazer uma nova visão às empresas de
franchising portuguesas. Funcionará de forma integrada a
todos os níveis. As empresas portuguesas que pretendam
expandir-separa Espanha, como para todos os países onde
a Tormo está presente, passam a contar com todo o apoio
a partir de Portugal o mesmo acontecendo em sentido
contrário. Estamos aqui a falar de serviços de consultoria,
desenvolvimento, expansão, internacionalização, investimentos, sistemas de informação, e-business, marketing
e comunicação. Consideramos que desta forma será mais
fácil às nossas marcas chegar além fronteiras.
VE - Considera que as marcas nacionais de franchising possuem potencial para penetrarem no mercado
espanhol?
CL - Sim, sem dúvida. Temos hoje um conjunto de
marcas de nível internacional, com capacidade de entrarem no mercado espanhol, assim como em muitos outros
mercados. Espanha é um país que, quer pela sua dimensão quer pela sua proximidade geográfica, acaba por ser na
maioria dos casos, o primeiro porto além-fronteiras para
as nossas marcas.
Portugal competitivo em serviços
VE - Quais os sectores que considera mais adequados para Espanha ou, numa outra perspectiva, o que
é que o mercado espanhol necessita?
CL - O mercado espanhol representa mais de 40 milhões de habitantes, existindo oportunidades em todos os
sectores. Não podemos, no entanto, esquecer que é um
mercado muito competitivo, pelo que exige uma abordagem bem preparada, por forma a garantir o sucesso
na entrada de cada uma das marcas. Sendo que, hoje,
Portugal apresenta uma forte competitividade no sector
dos serviços.
VE – Quais os sectores em que a Tormo & Asociados
opera preferencialmente?
CL – Já desenvolvemos mais de 800 projectos empresariais em 60 diferentes sectores – alimentação, beleza, calçado e malas, ensino, fotografia, imobiliárias, informática,
VE - Pelo que conhecem do mercado nacional de
mobiliário, restauração, serviços automatizados, serviços
financeiros ou transportes são alguns dos sectores de activi- franchising, quais consideram ser os seus pontos fordade em que opera esta consultora. Temos uma organização tes e pontos mais fracos?
CL - O mercado nacional de franchising tem crescido
internacional, através de presença directa ou parcerias, estruturada para o desenvolvimento de empresas no exterior, ao longo dos últimos anos, em tempos de crise. Desta forma, adquiriu um conjunto de anticorpos
oferecendo uma plataforma de serviços
que lhe conferem hoje uma grande maisdirigida quer a novos franchisadores, quer
valia, principalmente quando se fala da
aos que já operam no mercado.
Portugal
crise mundial que neste momento afecPara os novos franchisadores, contamta muitos outros países. A dimensão do
se o desenvolvimento de projectos em
apresenta hoje
nosso mercado é uma das principais disistema de franchising, análises de viabiuma forte
ficuldades para muitos projectos, tornanlidade, expansão de redes, investimentos
do-se limitado para muitas das estratégias
e formação de venda de franquia. Para os
competitividade
inerentes ao franchising, como sejam o
franchisadores já em operação, contam-se
dimensionamento das centrais de coma organização de redes de franquia, a auno sector dos
pras e sinergias de marketing. Daí que
ditoria estratégia e comercial, revisão do
serviços
a internacionalização, mais do que uma
plano estratégico de expansão, expansão
estratégia, seja uma necessidade.
de redes, internacionalização, comités de
direcção, actualização da documentação
VE - Quais as expectativas para as empresas portude franquia e consultoria continuada. A Tormo & Asociados desenvolve ainda serviços relacionados com consul- guesas no Franchise Forum?
CL - A Tormo & Asociados organizou, pela terceira vez
toria de crescimento, nomeadamente análise de fórmulas
alternativas de crescimento, criação e modificação do mo- consecutiva, um evento onde reúne profissionais do secdelo de negócio a desenvolver, planeamento estratégico de tor com o objectivo de aproximar todos os que fazem ou
pretendem no futuro fazer da franquia o seu negócio. As
crescimento e plano de expansão.
expectativas são inúmeras, uma vez que, por um lado, preAdaptação é essencial
tende antecipar necessidades do sector e debater tendências, por outro, permite um intercâmbio de experiências e
VE - Têm já experiência no desenvolvimento de ex- ainda abre portas a todos aqueles que pretendem integrar
pansões internacionais de franchising? As marcas e o mundo do franchising. Este fórum conta sempre com
“master franchisers” portugueses terão que se adaptar um número muito forte de empresas, onde se destacam
a novas realidades se quiserem entrar noutros países? as seguintes presenças portuguesas: Loja do Condomínio,
De que forma?
VivaFit e Intertrust.
CL - Esta adaptação é inquestionável. Efectivamente,
Marc Barros
as empresas não poderão simplesmente “traduzir” o seu
[email protected]
Da gestão de redes para a direcção executiva
Aos 35 anos, Cristina Leandro assume a direcção
executiva da consultoria de
franchising Tormo & Asociados no nosso país. Licenciada em Gestão de Empresas
pela Universidade Moderna
de Lisboa, Cristina Leandro
presta consultoria de formatação, lançamento e comercialização de projectos
desde 2002. Na Franquiger
é também, desde esse mesmo ano, responsável de desenvolvimento e gestão de
redes do projecto Loja do
Condomínio, no âmbito do
negócio, ou, pura e simplesmente, adoptar uma postura
“autista”. A adaptação a cada um dos mercados em que
pretendem actuar é uma realidade incontornável que se
apresenta como um desafio, havendo que ter em atenção
os hábitos de consumo, a legislação de cada mercado e demais aspectos estratégicos que se possam colocar a cada
conceito. Tudo isto requer uma preparação prévia e cautelosa com vista ao sucesso da operação.
qual tem também ministrado
formação. Antes de abraçar
o projecto Loja do Condomínio, desempenhou funções
de apoio, acompanhamento,
gestão de lojas e formação
de equipas na Promod, durante quatro anos.
Cristina Leandro torna-se
directora executiva da Tormo & Asociados em Maio de
2008, assegurando o lançamento nacional de uma
estrutura ibérica com 150
colaboradores.
Desta forma, dá-se a expansão para Portugal da empre-
sa criada em 1991. A Tormo
& Asociados participou na
criação de uma rede europeia de consultoras especializadas - IFP e IFPN —, em
1999, com presença nos paí­
ses do Mediterrâneo e América Latina. Em 2002, criou
o Tormo Capital, fundo de
capital de risco. Contando
com 124 colaboradores, que
ascenderão aos 150 com a
entrada no mercado nacional, a Tormo & asociados registou em 2007 um volume
de negócios de 8,6 milhões
de euros.
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Veigas Imobiliária realiza IV Convenção
A Veigas Imobiliária reuniu a sua rede
de franchisados, os responsáveis da marca
e parceiros de negócio para a IV Convenção. Subordinada ao tema “Equipas Superstar”, a IV Convenção da Veigas Imobiliária 2008 juntou cerca de 200 pessoas
que representam a rede a nível nacional.
No decurso da convenção, que decorreu no Hotel Golf Mar, em Torres Vedras, foram atribuídos prémios às melhores agências e aos melhores consultores de
acordo com o desempenho demonstrado
em 2007. Os critérios utilizados para seleccionar os melhores nestas categorias
foram o volume de negócios efectuado ao
longo do ano transacto.
O evento terminou com a “Gala dos
Óscares Veigas”, que consistiu na entrega
de prémios relativos à produção imobiliária de 2007 atribuído aos melhores comerciais e respectivas equipas. Nas duas
categorias, foram distinguidas a agência de
Vialonga (Agência do Ano), bem como a
consultora Helena Romão, da agência de
Vialonga (Consultora do Ano). Os vencedores receberam um troféu que celebra
o seu desempenho. A primeira agência
deste ranking, realizou 280 transacções e
obteve um volume de negócio de 28 milhões de euros. Esta agência é composta
por uma equipa de cinco colaboradores.
As melhores agências de 2007 foram Vialonga, Póvoa de Santa Iria, Odivelas-2,
Carcavelos e Oeiras.
Segundo Paulo Veigas, director-geral da
Veigas Imobiliária, a convenção “demonstra a união da nossa rede, consequência
do crescimento e desenvolvimento sustentado ao longo destes quatro anos”.
Estes momentos permitem igualmente o
que designou ”a partilha dos valores Veigas Imobiliária”. A atribuição de prémios
aos melhores desempenhos comerciais
anuais “é um factor de motivação”.
Nova loja em Gaia
A Veigas Imobiliária abriu a sua 65ª loja
no país, desta feita em Vila Nova de Gaia.
Com um investimento global de 75 mil
euros, a nova loja desta rede de franchising
espera vir a recuperar este valor no seu primeiro ano de actividade, contando para tal
Concurso PoliEmpreende
promove empreendedorismo
nos politécnicos
A quinta edição Concurso Poliempreende – Projectos de Vocação Empresarial – lançada pelo Instituto Politécnico
de Castelo Branco, tem como principais
objectivos mudar as atitudes dos actores
académicos no seio dos Institutos Politécnicos, estimulando a criação de
empresas de base tecnológica
e fixar regionalmente quadros
qualificados.
O concurso PoliEmpreende
é uma iniciativa de ideias e de
planos de negócio, cuja edição
foi alargada, pela primeira vez, a
todos os Institutos Politécnicos,
numa acção que envolve 16 institutos, 75 escolas, 453 cursos,
91335 alunos e 7240 docentes.
Uma das empresas que se associou ao evento foi a agência
Web Elemento Digital, através
do apoio ao “Concurso Regional de Setúbal – Concurso de
Ideias e Planos de Negócio”.
Organizado pelo Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), com
o apoio do Gabinete OTIC
(Oficina de Transferência de
Tecnologia e Conhecimento)
– IPS, esta iniciativa destina-se
a estudantes de graduação ou
pós-graduação das escolas do
IPS com inscrição actualizada
ou diplomados de qualquer
grau há menos de três anos e a
docentes ou outros indivíduos.
Ricardo Pereira, ‘business
manager’ da Elemento Digital, referiu que
“o empreendedorismo pode e deve ser potenciado como um dos principais vectores
do desenvolvimento e inovação de Portugal, para além do papel que o Instituto
Politécnico de Setúbal desempenha como
principal fornecedor de recursos humanos
da própria Elemento Digital.
A importância deste evento é destacada
por Ricardo Pereira, pois “tendo em conta
que os currículos dos cursos não contem-
plam conteúdos relativos a empreendedorismo, são necessárias iniciativas como o
PoliEmpreende para veicular, estimular e
eventualmente disciplinar os valores associados ao empreendedorismo.”
com uma facturação global estimada pela
agência de, aproximadamente, 830 mil euros. Esta nova loja junta-se, assim, à rede
de lojas já existentes na região do Norte de
Portugal. De salientar que até ao final de
2008, a Veigas Imobiliária pretende abrir
cerca de duas dezenas de novas lojas, totalizando 86 agências em todo o país.
A marca representa actualmente a terceira maior rede de mediação imobiliária
e a maior rede nacional, em dimensão. A
Veigas Imobiliária conta com uma rede
de 70 agências a operar no mercado ibérico. Para 2008, a marca tem como objectivo atingir as 86 agências em Portugal e
10 em Espanha.
VII
Onebiz investe
no mercado espanhol
A Onebiz iniciou a sua expansão para Espanha com a abertura de um escritório central em
Madrid. Esta decisão, que representa um investimento de cerca de um milhão de euros, marca a entrada directa num mercado “com grande potencial de expansão onde o grupo prevê
atingir um volume de negócios na ordem dos
20 milhões de euros em cinco anos”, refere em
comunicado.
A entrada no mercado espanhol vai ao encontro da intenção já anunciada pela administração
da Onebiz em reforçar a sua presença internacional. Assim, desde o passado dia 21 de Maio,
que a Onebiz Hispania aparece pela primeira
vez no mercado através da sua participação na
Feira de Madrid onde apresentou os conceitos e
marcas de franchising do grupo.
Para Pedro Santos, administrador da Onebiz,
“o investimento no mercado espanhol é algo natural, tendo em conta a continuação do crescimento das marcas detidas pela Onebiz. A Onebiz terá dois ‘partners’ accionistas em Espanha,
José Moreno e Francisco Bautista, gestores de
topo e que iniciaram a sua relação com o grupo
há um ano enquanto master-franchise da marca NBB. Em função dos excelentes resultados
obtidos, existiu o mútuo interesse em se tornarem accionistas e gestores do grupo em Madrid”
concluiu Pedro Santos.
O objectivo passa por abrir 250 franchisados
naquele país nos próximos cinco anos, tendo
como proveitos a venda de franquias e ‘royalities’ das redes.
Em 2007, este grupo português manteve a
tendência de crescimento, tendo facturado cerca de 12 milhões de euros, um aumento de 54%
face aos 6,5 milhões de euros em 2006.
PUB
VIII
franchising e empreendEDorismo
sexta-feira, 13 Junho de 2008
Colégio Atlântico inicia
processo de franchising
em Portugal
O Colégio Atlântico decidiu
avançar para a expansão em regime de franchising depois do
sucesso verificado na criação da
unidade do Seixal, em mais uma
demonstração da variedade de
sectores de actividade em que
este sistema pode desempenhar
um papel de relevo. Para tanto,
o Colégio Atlântico conta com
o apoio de uma consultora especializada, tendo como principal
objectivo a abertura de várias
unidades espalhadas por todo o
país.
Desta forma, o Colégio
Atlântico encontra-se à procura
de parceiros de negócio para fazerem parte da sua rede e “contribuir para a criação de uma
nova marca”, que os seus promotores desejam de “referência
e prestígio no sector de ensino”,
como referem em comunicado.
Esta oportunidade de negócio “é
Oportunidade
de negócio dirigida
a pessoas com gosto
pela área de ensino
dirigida a pessoas com gosto pela
área de ensino e que desejem fazer parte de uma rede com elevado potencial de crescimento”.
O franchisado pode optar por
diferentes modelos, consoante
a área disponível e a localização
do colégio. Ao fazerem parte da
rede, os franchisados têm acesso
a “um sistema de ensino testado
e desenvolvido para o sistema de
franchising”, uma imagem “cuidada e estudada para o públicoalvo”, uma “elevada rentabilidade” esperada do negócio, “apoio
na abertura da unidade”, “acções
de marketing e publicidade centralizadas”, apoio técnico “na
contratação de funcionários” e
“formação e assistência periódicas”.
São propósitos de cada unidade do Colégio Atlântico que
todos os alunos possam “encontrar um ensino de qualidade,
capaz de potenciar o seu desenvolvimento humano e social”. O
leque de serviços disponíveis irá
depender da dimensão da unidade, podendo abranger creche
e jardim de infância, 1º, 2º e 3º
Ciclos do Ensino Básico, serviço de transporte, biblioteca, refeitório, gabinete de psicologia,
terapia da fala, explicações individuais, salas de estudo e actividades de ocupação extracurricular, entre outros.
Sector do mobiliário desperta empreendedorismo no Porto
O Porto é o distrito do pais
com mais empresários em nome
individual na área do mobiliário,
com cerca de 1800 registos. Segundo o estudo «O Observador
Cetelem», apesar de a tendência
geral ser a de condução própria
do negócio, a distância que sepa-
ra o Porto dos restantes distritos
do país é bastante notória. Lisboa
é o segundo distrito com mais
empresários em nome individual,
registando apenas cerca de 1200
unidades.
No que respeita à relação entre empresários em nome indivi-
dual e sociedades, Viseu e Braga
são os distritos que revelam uma
maior discrepância entre ambos
os registos. Em Braga, a diferença
entre empresas em nome individual (818) e as sociedades (288)
ascende quase ao triplo. Por sua
vez, em Viseu, o número de em-
presas em nome individual (325)
é quase o quádruplo dos registos
efectuados por sociedades (92).
O Observador Cetelem analisa os mercados para melhor os
compreender e poder antecipar
as expectativas dos consumidores europeus. Apresenta ainda as
intenções de consumo e de poupança de diversos países, bem
como os hábitos de compra. Para
a elaboração do Observador Cetelem 2008 foram entrevistadas
mais de 12 500 pessoas, em 13
países europeus, em colaboração
com a consultora BIPE.
consultório legal
Internacionalizar a marca para Espanha
Pretendemos internacionalizar o nosso conceito de negócio para Espanha através do sistema de franchising. Com que
aspectos legais devemos preocupar-nos?
Em Espanha o exercício de qualquer
actividade comercial em regime de franchising está regulamentado pelo Real Decreto
2.485/1998, de 13 de Novembro, com as
alterações introduzidas pelo Real Decreto 419/2006, de 7 de Abril, diploma este
que por sua vez regulamenta o artigo 62º
da Lei 7/1996, de 15 de Janeiro (comércio
a retalho) e o Registo de Franchisadores.
Estes dispositivos legais apenas regulam as
informações pré-contratuais do contrato
de franchising e instituem e regulamentam
o Registo de Franchisadores.
Importa realçar que por força do disposto no actual artigo 2º, nº 1, do Real
Decreto 2.485/1998, de 13 de Novembro,
em Espanha, são pressupostos legais cumulativos para o exercício de uma actividade
comercial em regime de franchising, que o
franchisador transmita ao franchisado um
saber-fazer próprio, substancial e identificável, bem como lhe preste de forma contínua assistência comercial e/ou técnica
durante a vigência do contrato.
Do quadro normativo espanhol com
relevância para o franchising, importa reter, entre outros, a Lei 16/1989 de 17 de
Julho (Defesa da Concorrência); o Real
Decreto 378/2003, de 28 de Março (isenções por categorias e registo de Defesa da
Concorrência); Lei 11/2001, de 15 de Junho (regulamenta a actividade comercial
nas ilhas Baleares); Ordem de 6 de Julho
de 1999 (da Consejaria de Industria, Co-
mercio e Turismo
realizado ou em que
que cria o Registo
proporção e os dados
de Franchisadores de
de inscrição no RegisCastilla y León); Deto Comercial, quando
creto 287/1999, de 26
aplicável.
de Outubro (Registo
b) Identificação do
de Franchisadores da
documento que ateste
Catalunha); Decrepoder ser utilizado em
to 203/2000, de 26
Espanha, e estar em
de Setembro (registo
vigor, o título de prode Franchisadores da
priedade ou licença de
Extremadura);
Lei
utilização da marca e
16/1999, de 29 de
signos distintivos da
Abril (Comercio Inteentidade franchisarior da Comunidade
dora e dos eventuais
de Madrid); Decreto
recursos contra aqueCavaleiro Machado
335/1999 (Registos
les, se os houver, com
Advogado
V V A Advogados
comerciais da Comuindicação, em todo o
Assessor Jurídico da APF
nidade de Madrid);
caso, da duração da
[email protected]
Ordem de 14 de Oulicença.
tubro de 1999 (Inscric) Descrição geral
ção de franchisadores
do sector de actividade
no registo geral de comerciantes da Comu- objecto do negócio de franchising, que abarnidade Valenciana).
cará os dados mais importantes daquele.
Deste quadro normativo salientamos a
d) Experiência da empresa franchisadoobrigação para o franchisador, previamen- ra, que incluirá, entre outros dados, a data
te ao início da sua actividade em Espanha, de criação da empresa, as principais etapas
ainda que a partir de Portugal, de proceder da sua evolução e desenvolvimento da rede
à sua inscrição no Registo de Franchisado- de franchising.
res (central ou da respectiva comunidade
e) Conteúdo e características do franautónoma), bem como à elaboração de um chising e da sua exploração, que compreenderá uma explicação geral do sistema do
documento de informação onde constem:
a) O respectivo nome ou razão social, negócio objecto do franchising, as caracdomicílio e dados de inscrição no Registo terísticas do “Saber-fazer” e da assistência
de Franchisadores, assim como, quando se comercial ou técnica permanente que o
trate de uma sociedade comercial, qual o franchisador dará aos seus franchisados, ascapital social resultante do último balanço, sim como uma estimativa dos investimencom indicação que se encontra totalmente tos e despesas necessários para o arranque
do negócio tipo. No caso de o franchisador
entregar ao potencial franchisado individual previsões de vendas ou resultados de
exploração do negócio, estas deverão estar
baseadas em experiências ou estudos que
estejam suficientemente fundamentados.
f)Estrutura e extensão da rede em Espanha, que incluirá a forma de organização da
rede de franchising e o número de estabelecimentos existentes em Espanha, distinguindo
os explorados directamente pelo franchisador
dos que operem sob o regime de cedência de
franchising, com indicação do número de
habitantes onde se encontrem situados e o
número de franchisados tenham deixado de
pertencer à rede em Espanha nos últimos
dois anos, com indicação se a cessão se produziu por força do termo do contrato ou se
por outras causas de extinção.
g)Elementos essenciais do Contrato
de Franchising, que acolherá os direitos e
obrigações das respectivas partes, duração
do contrato, condições de resolução e,
quando aplicável, de renovação do mesmo,
contrapartidas económicas, clausulas de
exclusividade, e limitações à livre disponibilidade do franchisado sobre o negocio
objecto de franchising.
Este documento deverá, imperativamente, ser entregue ao franchisado com
uma antecedência mínima de 20 dias em
relação à celebração de qualquer contrato ou ao pagamento de qualquer quantia
por parte do franchisado. Ainda quanto
ao Registo de Franchisadores, é bom não
esquecer a obrigação de actualizar anualmente os respectivos dados durante o mês
de Janeiro.
Download

Franchising e empreendedorismo