0
ISSN 1808-3072
Santarém – Pará
Novembro - 2015
1
IX CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA
XV SALÃO DE INCIAÇÃO CIENTÍFICA
II SALÃO DE EXTENSÃO DO CEULS/ULBRA
TEMA: SABER PENSAR PELA PESQUISA
04,05 e 06 de NOVEMBRO DE 2015
ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL LUTERANA DO BRASIL
PRESIDENTE: PAULO AUGUSTO SEIFERT
DIRETOR EXECUTIVO: ROMEU FORNECK
CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE SANTARÉM
DIRETOR GERAL: ILDO SCHLENDER
CAPELÃO: REV. MAXIMILIANO WOLFGRAMM SILVA
COORDENADOR DE ENSINO: CELSO SHIGUETOSHI
TANABE
PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E
EXTENSÃO: MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO
Correspondência
Av. Sergio Henn, 1787, Bairro Diamantino
CEP: 68025 – 000 – Santarém – PA
Fone/Fax: (0xx93) 3524-1055
E-mail: [email protected]
COMISSÃO EDITORIAL
CELSO SHIGUETOSHI TANABE
MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO
COMISSÃO DE ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE
RESUMOS
IGO TARCIO RAMOS DE MENEZES
MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO
ROSANGELA MARIA LIMA DE ANDRADE
COMISSÃO CIENTÍFICA
CELSO SHIGUETOSHI TANABE
FERNANDO AUGUSTO FERREIRA DO VALLE
IVONE DOMINGOS DA SILVA
IZABEL ALCINA SOARES EVANGELISTA
MARIA SHEYLA CRUZ GAMA
MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO
ROSANGELA MARIA LIMA DE ANDRADE
SAMAI DOS SANTOS SERIQUE
Os resumos contidos neste Caderno de Resumo são de responsabilidade de seus autores.
C749
Congresso de Ciência e Tecnologia da Amazônia (9. : 2015: Santarém, PA).
Caderno de resumos do Salão de Pesquisa e Iniciação Científica do CEULS ULBRA
Santarém: O Saber pensar pela pesquisa. (n. 15, 2015) / Centro Universitário Luterano
de Santarém. CEULS/ULBRA, 2015.
ISSN 1808-3072.
46 resumos.
247 p.
Evento realizado em Santarém, no Centro Universitário Luterano de Santarém nos dias
4 a 6 de novembro de 2015.
1. Pesquisa Científica. 2. Resumos científicos, I. Centro Universitário Luterano de
Santarém. II. Educação e Ciência. III. Título.
CDU 001.891
Biblioteca Martinho Lutero / Setor de Processamento Técnico / Santarém – PA
Bibliotecária Renata Ferreira – CRB-2/1440
2
APRESENTAÇÃO
O CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA E O XV SALÃO DE
PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA são iniciativas do Centro Universitário Luterano de
Santarém com ampla repercussão entre a comunidade acadêmica regional e, tem como objetivo
incentivar docentes, acadêmicos e/ou profissionais, interesse por novas descobertas. O incentivo à
produção científica corrobora no aumento quantitativo e qualitativo a pesquisa, fortalecendo assim o
desenvolvimento científico regional, no sentido de promover uma discussão e atualização da
comunidade acadêmica, reafirmando o pacto pela excelência, bem como promover um espaço de
articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
Neste ano de 2015 o evento trouxe a temática O SABER PENSAR PELA PESQUISA, sendo
mais uma oportunidade de discussão e publicação de resumos expandidos.
O caderno de resumos traz 46 trabalhos de diferentes áreas do conhecimento com diversidade
temática, o que propicia uma fonte de conhecimento e informações que agregam ao saber pensar pela
pesquisa.
3
SUMARIO
APRESENTAÇÃO
2
CIÊNCIAS BIOLOGICAS
6
TRIAGEM FITOQUÍMICA E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DO
EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Schnella sp. (LEGUMINOSAE)
7
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ANTIOXIDANTE E TOXICIDADE AGUDA DO
EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Licania rigida (CHRYSOBALANACEAE)
12
ESTUDO MORFOANATÔMICO DAS
(Syzygium malaccense, MYRTACEAE)
17
ATIVIDADE INSETICIDA
AMAZÔNICAS
DE
FOLHAS
EXTRATOS
DO
DE
JAMBEIRO-VERMELHO
PLANTAS
MEDICINAIS
22
CIÊNCIAS AGRÁRIAS
26
AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE Kalanchoe pinnata (LAM.) PERS.
(CRASSULACEAE) CULTIVADA SOB DIFERENTES NÍVEIS DE LUZ E NUTRIÇÃO
27
CIÊNCIA SOCIAIS APLIACADA
32
IDENTIDADE CULTURAL: A AGRICULTURA E A PESCA COMO TRADIÇÃO E
ORGANIZAÇÃO SOCIAL NA COMUNIDADE CURUMU, NO MUNICÍPIO DE
ÓBIDOS∕PA
33
GESTÃO DEMOCRÁTICA ESCOLAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO
DE SANTARÉM
38
O PERFIL SÓCIOECONÔMICO DA COMUNIDADE DE CUIPIRANGA: UM ESTUDO
DOS FATORES QUE EVIDENCIAM AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA
LOCALIDADE
42
ENGENHARIAS
48
REEMPREGO DE RESÍDUOS GERADOS POR EMPRESAS CONCRETEIRAS
SANTARÉM
DE
49
A RELAÇÃO ENTRE INTERDISCIPLINARIDADE E SUSTENTABILIDADE NA
FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO CIVIL NO CONTEXTO EDUCACIONAL
BRASILEIRO
54
ANÁLISE ESTRUTURAL E INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DE AÇÃO DOS
VENTOS: PARÂMETROS RELEVANTES NA CONCEPÇÃO DE GALPÕES
INDUSTRIAIS
60
AVALIAÇÃO DE PROCESSO DE TRATAMENTO DO LODO COLETADO POR
CAMINHÃO LIMPA FOSSA
66
DESCRIÇÃO DE MÉTODO EXPERIMENTAL PARA DETERMINAÇÃO DE
ABSORÇÃO DE ÁGUA E IMPERMEABILIDADE EM TELHAS DE FIBROCIMENTO
71
MODELO DE FOSSA SÉPTICA COM FILTRO ANAERÓBIO PARA RESIDÊNCIAS
POPULARES DA CIDADE DE SANTARÉM-PA
76
CIENCIAS EXATAS
81
DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DE SOFTWARE EDUCATIVO PARA
APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS DE FUNÇÕES MATEMÁTICAS DE 1º E 2º
GRAU
82
4
BITS E BYTES DE CULTURA DA AMAZÔNIA: A TECNOLOGIA E A INSERÇÃO
DOS TEMAS TRANSVERSAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL
86
CARACTÉRISTICAS DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE SOFTWARE
93
DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO MOBILE MULTIPLATAFORMA PARA
A CPA DO CEULS/AELBRA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DE PROFESSORES
98
GAMIFICAÇÃO NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE ESTRATÉGIAS PARA
DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO GAMIFICADO PARA AUXILIAR NA
REALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS
104
PROPOSTA DE
APRENDIZAGEM
108
ORDENAÇÃO
DE
ATIVIDADES
COM
OBJETOS
DE
LINGUISTICA, LETRA E ARTE
114
A PRÁTICA DO LETRAMENTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
115
ESTUDO
DIAGNÓSTICO
DE
ALUNOS
DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA
119
NO
SEU
PROCESSO
DE
RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICA COM A PRODUÇÃO DE RESUMOS E
RESENHAS NO ENSINO SUPERIOR
124
CIÊNCIAS DA SAÚDE
129
SÍNDROME DE BURNOUT E DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO
DE JANEIRO
130
CIÊNCIAS HUMANAS
134
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O DESENVOLVIMENTO
INFANTIL DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS
135
A PESQUISA E O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOS ALUNOS DE
GRADUAÇÃO
139
GESTÃO DEMOCRÁTICA E ELEIÇAO DE GESTORES ESCOLARES: UMA
NECESSIDADE DE ACOMPANHAMENTO DO CME DO MUNICIPIO DE SANTARÉM
143
OBESIDADE INFANTIL NO MEIO EDUCACIONAL
146
TABAGISMO NA ESCOLA E ATIVIDADE FÍSICA
154
A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA
165
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O LETRAMENTO
170
AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE BELTERRA/PA
PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA POLITICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL
177
AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE
SANTARÉM/PA PARA A IMPLENTAÇÃO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO
INTEGRAL
183
AS PRÁTICAS LÚDICO-PEDAGÓGICAS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NA PREVENÇÃO DO PERIGO AVIÁRIO
189
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA: NÍVEL DE APRENDIZAGEM DO 5º ANO DE UMA
ESCOLA MUNICIPAL
194
CURTINDO A VIDA COM A TERCEIRA IDADE
199
EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM ESCOLAS
MUNICIPAIS DE SANTARÉM/PA
202
5
EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COMO POLITICA INDUTORA DA EDUCAÇÃO
INTEGRAL EM ESCOLAS ESTADUAIS DA CIDADE DE SANTARÉM/PA
207
FORMAÇÃO CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAGÓGICOS: ESTUDO
COM EGRESSOS DA UFOPA
212
FORMAÇÃO CONTINUADA DE GESTORES ESCOLARES
217
FORMAÇÃO PROFISSIONAL: O INCENTIVO AO VINCULO FAMILIAR
222
IDENTIDADE: A FACE DAS VIVÊNCIAS PROFISSIONAIS DOS PROFESSORES EM
SOCIEDADE
227
MOTIVAÇÃO DO DOCENTE NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
230
O ENSINO DA DISCIPLINA ESTUDOS AMAZÔNICOS NAS ESCOLAS DE
SANTARÉM-PARÁ: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A TEMÁTICA DA GUERRA DA
CABANAGEM
234
O PERFIL DO PROFESSOR DOS ANOS INICIAIS E EJA
239
TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NO ENSINO FUNDAMENTAL: ANÁLISE DA
FORMAÇÃO INICIAL/CONTINUADA E PRÁTICAS DOCENTES
243
6
7
TRIAGEM FITOQUÍMICA E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE
ANTIOXIDANTE DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE
Schnella sp. (LEGUMINOSAE)
Juliana Erica Cirino do Nascimento1
Maria Elizelma da Silva Ribeiro1
Luciana Silva de Araújo1
Rodrigo Rezende Kitagawa2
Leopoldo Clemente Baratto3*
*[email protected]
RESUMO: Schnella (antigamente classificado como Bauhinia) é um gênero neotropical que possui espécies
de grande interesse terapêutico. Entre elas está a ―escada-de-jabuti‖ ou ―cipó-escada‖ (Schnella sp.), muito
utilizada na medicina tradiconal da região amazônica para diversas enfermidades. Assim, objetivou-se realizar
uma análise in vitro da capacidade antioxidante do extrato etanólico das folhas desta espécie, além de realizar
uma triagem fitoquímica a fim de verificar quais classes de metabólitos secundários esta planta produz. Para
avaliação do potencial antioxidante, utilizou-se os métodos da capacidade de sequestro do radical DPPH (1,1difenil-2-picril-hidrazila) e do ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)]. A triagem
fitoquímica de folhas foi realizada por meio de técnicas clássicas de análise farmacognóstica de drogas vegetais,
para verificar a presença de compostos fenólicos em geral, taninos, flavonoides, antraquinonas, alcaloides e
saponinas. A partir da avaliação in vitro, pode-se concluir que o extrato possui capacidade antioxidante, além do
mais, na triagem fitoquímica apresentou compostos fenólicos, entre eles flavonoides e taninos, havendo,
portanto, um forte indício de que sejam estes metabólitos secundários os responsáveis pela ação de inibir os
radicais livres.
PALAVRAS-CHAVE: Schnella sp., escada-de-jabuti, atividade antioxidante
INTRODUÇÃO
O gênero Schnella é um gênero neotropical que acomoda todas as espécies trepadeiras
(lianas) que contêm gavinhas classificadas antigamente no gênero Bauhinia (Trethowan;
Clark; Mackinder, 2015). O Brasil contém o maior número de espécies, totalizando 34
descritas. A maioria das espécies encontra-se em florestas tropicais úmidas como a Amazônia
(kew, 2015), e são comumente encontradas como escandentes sobre árvores ou arbustos de
matas primárias ou em capoeiras, sendo que algumas espécies preferem as beiradas das matas,
em geral locais mais ensolarados (Viana et al., 2011). Como a reclassificação das lianas de
Bauhinia para Schnella é recente, muitos trabalhos foram publicados com a antiga
classificação do gênero. Suas espécies são de grande interesse terapêutico, devido às várias
atividades biológicas a elas atribuídas, como por exemplo antidiabética, anti-inflamatória,
antimicobacteriana, antimalárica, antifúngica, citotóxica, anticancerígena, diurética e
antioxidante, além de serem utilizadas no tratamento de inchaços e tumores estomacais,
diarreia e úlcera (Santos, 2008; Santos et al., 2014).
1
Acadêmicos do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
Professor Doutor em Biotecnologia, Universidade Federal do Espírito Santo-UFES.
3
Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
2.
8
O potencial antioxidante de várias espécies vegetais tem sido alvo frequente de
pesquisas científicas, objetivando-se minimizar os danos causados pelos radicais livres no
organismo, já que cerca de 200 doenças diferentes estão relacionadas a sua produção e
acúmulo (Sousa et al., 2004; Alves et al., 2008; Santos, 2008). Neste sentido, o objetivo deste
trabalho foi realizar uma análise in vitro da capacidade antioxidante do extrato etanólico das
folhas de uma espécie de Schnella sp., conhecida popularmente na região amazônica como
―escada-de-jabuti‖ e ―cipó-escada‖, muito utilizada na medicina tradiconal para diversas
enfermidades, além de realizar uma triagem fitoquímica a fim de verificar quais classes de
metabólitos secundários essa planta produz.
MÉTODO
Material vegetal e preparo de extratos: Folhas de Schnella sp. foram coletadas na região de
Santarém e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal seco foi moído e
macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com agitação
ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até a secura
em rotaevaporador.
Triagem fitoquímica: A prospecção fitoquímica de folhas de Schnella sp. foi realizada por
meio de técnicas clássicas de análise farmacognóstica de drogas vegetais. Para tanto, os
extratos aquoso e etanólico das folhas foram analisados utilizando-se solução de cloreto
férrico (FeCl3) 5% para verificar a presença de compostos fenólicos e taninos; solução de
gelatina 2% e acetato de chumbo 1% para taninos; solução de cloreto de alumínio (AlCl3) 5%
para flavonoides; reativo de Bornträger para antraquinonas; reagente de Dragendorff para
alcaloides, e teste de formação de espuma para identificar saponinas.
Ensaio do DPPH: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de Schnella sp.
sobre o DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) foi determinada utilizando o método de
Yamaguchi et al. (2000) modificado, utilizando-se uma solução de DPPH a 0,004% e as
seguintes concentrações de extrato: 25; 12,5; 6,25; 3,125; 1,5625 e 0,7825 μg/ml. O ensaio foi
realizado em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 540 nm para
determinação da concentração inibitória (CI50).
Ensaio do ABTS: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de Schnella sp.
sobre ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)] foi determinada
utilizando o método de Re et al. (1999) modificado. Inicialmente uma mistura aquosa de
ABTS (7 mmol.L-1) e persulfato de potássio (2,45 mmol.L-1) foi incubada a temperatura
ambiente e ao abrigo da luz por 12 h. A solução formada de ABTS•+ diluída em etanol foi
lida em 734 nm. ABTS•+ foi incubado com o extrato nas seguintes concentrações: 6,25;
9
3,125; 1,5625; 0,7825; 0,390625 e 0,1953125 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata,
usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 750 nm para determinação da
concentração inibitória (CI50).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A prospecção fitoquímica das folhas de Schnella sp. (escada-de-jabuti) evidenciou a
presença de compostos fenólicos, como flavonoides e taninos hidrolisáveis, conforme a
Tabela 1. O extrato etanólico das folhas dessa espécie mostrou potencial antioxidante frente
aos ensaios realizados, com CI50= 6,35 µg/mL no ensaio de DPPH e CI50= 1,81 µg/mL no
ensaio do ABTS.
Tabela 1. Análise fitoquímica dos extratos aquoso e etanólico de folhas de Schnella sp.
Classe de metabólitos secundários
Compostos fenólicos/flavonoides
(extrato etanólico 70%)
Taninos (extrato aquoso)
Teste e/ou reagente
FeCl3 5%
AlCl3 5%
Gelatina 2%
Acetato de chumbo 1%
FeCl3 5%
Antraquinonas
Reação de Bornträger direta
(NH4OH diluído)
Reação de Bornträger indireta
(hidrólise ácida prévia com
H2SO4 + NH4OH)
Alcaloides
Reagente de Dragendorff
Saponinas
Teste de formação de espuma
Resultado
Positivo
(fluorescência amarelada no UV)
Positivo (coloração escura)
Positivo (turvação)
Positivo (turvação)
Positivo para taninos hidrolisáveis
(solução azul escura)
Negativo para agliconas de
antraquinonas
Negativo para antraquinonas
glicosiladas
Negativo (não formou precipitado
alaranjado)
Negativo (não formou espuma
persistente)
Diversas espécies do gênero Bauhinia, antiga classificação para as espécies trepadeiras
neotropicais de Schnella, foram submetidas a avaliações da capacidade antioxidante e
apresentaram resultados muito satisfatórios, que podem ser atribuídos à presença de
compostos fenólicos, como por exemplo, no estudo realizado por Al-Sayed (2014), com o
extrato da folha de Bauhinia hookeri que apresentou alta atividade antioxidante in vivo. O
extrato hidroalcoólico de B. holophylla foi avaliado em amostras de estômago de ratos, por
Rozza et al. (2015), e os resultados sugeriram que o extrato é capaz de prevenir os efeitos
oxidativos do etanol.
Diversos extratos de espécies de Bauhinia foram avaliados pelo método DPPH, entre
elas B. variegata, com valores do percentual de atividade antioxidante variando entre 6,48 e
98,3%, cujos principais constituintes são flavonoides (Nascimento et al., 2011). Extratos de
folhas e caules de B. microstachya mostraram alto potencial antioxidante in vitro, sendo que a
10
fração acetato de etila de folhas e caules, rica em polifenois, taninos e flavonoides,
apresentaram CI50 de 2,75 e 2,86 µg/mL, respectivamente (Bianco & Santos, 2010).
O extrato bruto das folhas de B. longifolia não apresentou atividade antioxidante
(Santos, 2008; Santos, Duarte & Ferreira, 2011). Já os extratos de folhas e galhos de B.
purpurea apresentaram resultados significativos, com valores de CI50 a partir de 17,2 µg/mL
(Santos et al., 2014). Teixeira et al. (2009) analisaram qualitativamente a atividade
antioxidante de quatro espécies de Bauhinia, sendo que destas B. ungulata apresentou a
menor capacidade antioxidande em comparação com as demais amostras e B. heterandra se
revelou a de maior potencial. Paula et al. (2014) também avaliaram a atividade de B.
ungulata. Os resultados demonstraram que as folhas desta espécie são uma potencial fonte de
antioxidantes naturais, com valores de CI50 a partir de 7,68 µg/mL. Silva et al. (2012)
avaliaram a atividade antioxidante dos extratos etanólico e aquoso de B. forficata, que
apresentaram CI50 de 2.035,64 e 580,89 μg/mL, respectivamente. Por sua vez, Alves et al.
(2008) avaliaram a atividade antioxidante do extrato acetato de etila e este apresentou potente
atividade antioxidante, provavelmente devido a presença de flavonoides.
CONCLUSÃO
O resultados mostraram que o extrato etanólico de Schnella sp. apresenta potencial
antioxidante, o que corrobora com outras espécies do seu antigo gênero Bauhinia. A triagem
fitoquímica evidenciou a presença de compostos fenólicos, entre eles flavonoides e taninos.
Muitos compostos fenólicos são conhecidamente antioxidantes naturais e há uma forte
indicação de que sejam os flavonoides presentes no extrato os metabólitos secundários
responsáveis pela ação de inibir os radicais livres.
REFERÊNCIAS
AL-SAYED, E.; MARTISKAINEN, O.; EL-DIN, S. H. S.; SABRA, A. N. A.; HAMMAM, O. A.;
EL-LAKKANY, N. M.; ABDEL-DAIM, M. M. Hepatoprotective and Antioxidant Effect of
Bauhinia hookeri Extract against Carbon Tetrachloride-Induced Hepatotoxicity in Mice and
Characterization of Its Bioactive Compounds by HPLC-PDA-ESI-MS/MS. BioMed Research
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ALVES, D. P. R.; CORRÊA, D. S.; FERREIRA, M. J. P.; SARTORELLI, P. Avaliação da atividade
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DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 31, 2008.
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microstachya (Raddi) J. F. Macbr. Brazilian Journal of Biosciences, v. 8, n. 3, p. 238-241, 2010.
KEW ROYAL BOTANIC GARDENS. Disponível em: <http://www.kew.org/scienceconservation/research-data/resources/legumes-of-the-world/genus/schnella>. Acesso em:
05 de outubro de 2015.
11
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PAULA, C. S.; CANTELI, V. C.; HIROTA, B. C. k.; CAMPOS, R.; OLIVEIRA, V. B; KALEGARI,
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v. 35, n. 2, p. 217-222, 2014.
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YAMAGUCHI, F.; ARIGA, T.; YOSHIMURA, Y.; NAKAZAWA, H. Antioxidative and
antiglycation activity of garcinol from Garcinia indica fruit rind. Journal of Agricultural and
Food Chemistry, v. 48, p. 180-185, 2000.
12
AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ANTIOXIDANTE E TOXICIDADE
AGUDA DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Licania rigida
(CHRYSOBALANACEAE)
Luciana Silva de Araújo1
Juliana Érica Cirino do Nascimento1
Maria Elizelma da Silva Ribeiro1
Rodrigo Rezende Kitagawa2
Leopoldo Clemente Baratto3*
*[email protected]
RESUMO: Licania rigida, conhecida popularmente como oiticica, é uma espécie endêmica do Nordeste
brasileiro, típica de matas ciliares da caatinga, sendo utilizada para o tratamento de doenças crônicas
degenerativas que envolvem espécies reativas de oxigênio (EROS). Devido sua importância terapêutica na
medicina popular, objetivou-se avaliar a capacidade antioxidante e toxicidade aguda do extrato etanólico de
folhas desta espécie, utilizando como metodologias dois ensaios in vitro: a capacidade de sequestro do radical
DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) e do ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)],
para avaliação do potencial antioxidante, e bioensaio com Artemia salina para avaliação da toxicidade. No
ensaio de DPPH o extrato apresentou EC50= 14,76 μg/ml, enquanto no ABTS EC50= 3,36 μg/ml, sendo que estes
resultados demostram que o extrato possui capacidade antioxidante in vitro. Além disso, o extrato não se
mostrou tóxico frente à A. salina.
PALAVRAS-CHAVE: Licania rigida, atividade antioxidante, Artemia salina
INTRODUÇÃO
Entre as várias espécies nativas brasileiras utilizadas popularmente está Licania rigida
Benth., pertencente à famílica Chrysobalanaceae, que possui propriedades antiflogística,
hipoglicemiante e anti-inflamatória, sendo utilizada também para dor de estômago, diarreia e
reumatismo (Lorenzi & Matos, 2002; Cartaxo, 2010; Ricardo, 2011). L. rigida, conhecida
popularmente como oiticica, é uma árvore xerófila, típica de matas ciliares do sertão
nordestino (Duque, 2004), sendo que, além das aplicações terapêuticas, tem importância do
ponto de vista ambiental por ser uma espécie arbórea perene sempre verde que preserva as
margens dos rios e riachos temporários na região da caatinga (Santos et al., 2010).
Quando se trata de patologias como diabetes mellitus tipo I, câncer, doenças
cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imune e disfunções cerebrais, os radicais livres
e outros oxidantes vêm sendo considerados responsáveis pela ocorrência dessas e outras
doenças (Sousa et al., 2007). Os antioxidantes, por sua vez, retardam significativamente ou
inibem a oxidação do substrato, auxiliam na eliminação de radicais livres e principalmente as
espécies reativas de oxigênio (EROS) (Cooper, 2005). Sendo assim, a procura por substâncias
que consigam atenuar ou mesmo impedir os efeitos prejudiciais dos radicais livres no
1
Acadêmicos do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
Professor Doutor em Biotecnologia, Universidade Federal do Espírito Santo-UFES.
3
Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
2
13
organismo, tem aumentado nos últimos anos (Hirata, 2004).
Levando-se em conta que L. rigida é utilizada para o tratamento de patologias como a
diabetes, reumatismo e processos inflamatórios, que são casos em que há o envolvimento de
EROS (Alves et al., 2008), o objetivo desse trabalho foi analisar a capacidade antioxidante in
vitro do extrato etanólico das folhas desta espécie e toxicidade aguda por meio de bioensaio
com Artemia salina, este último considerado um organismo alvo na detecção de compostos
bioativos em extratos vegetais (Alves et al., 2000).
MÉTODO
Material vegetal e preparo de extratos: Folhas de L. rigida foram coletadas de um espécime
na região central de Santarém e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal
seco foi moído e macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com
agitação ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até
a secura em rotaevaporador.
Ensaio do DPPH: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de L. rigida sobre
o DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) foi determinada utilizando o método de Yamaguchi et
al. (2000) modificado, utilizando-se uma solução de DPPH a 0,004% e as seguintes
concentrações de extrato: 25; 12,5; 6,25; 3,125; 1,5625 e 0,7825 μg/ml. O ensaio foi realizado
em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 540 nm para
determinação da concentração inibitória (CI50).
Ensaio do ABTS: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de L. rigida sobre
ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)] foi determinada utilizando o
método de Re et al. (1999) modificado. Inicialmente uma mistura aquosa de ABTS (7
mmol.L-1) e persulfato de potássio (2,45 mmol.L-1) foi incubada a temperatura ambiente e ao
abrigo da luz por 12 h. A solução formada de ABTS•+ diluída em etanol foi lida em 734 nm.
ABTS•+ foi incubado com o extrato nas seguintes concentrações: 6,25; 3,125; 1,5625;
0,7825; 0,390625 e 0,1953125 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata, usando placas de
96 poços, com leitura da absorvância a 750 nm para determinação da concentração inibitória
(CI50).
Ensaio de toxicidade aguda frente à Artemia salina: Para avaliação da toxicidade do
extrato etanólico, foi realizado bioensaio com A. salina, de acordo com Meyer et al. (1982)
com alterações. Em um erlenmeyer foram adicionados 200 mL de água do mar artificial e 200
mg de cistos de A. salina, que foi levado a banho-maria com temperatura para eclosão em
torno de 30 °C, em presença de uma lâmpada incandescente posicionada lateralmente para
14
iluminação e aquecimento dos náuplios. Após 24 h, os náuplios com natação ativa foram
transferidos para uma placa de Petri. O cálculo das soluções-estoque (extratos) foi feito de
modo que as concentrações finais fossem: 1, 10, 100 e 1000 µg/mL. Como controle positivo,
utilizou-se 40 µL de etanol. Para montagem do experimento foram separadas placas com 12
poços, nas quais foram adicionados 1460 µL de água do mar artificial em cada poço e 40 µL
da solução-estoque de cada amostra, em triplicata. Os náuplios foram separados em grupos de
10 e, posteriormente, transferidos juntamente com água salina, 500 µL, para as placas. Após
24 h foi realizada a contagem dos náuplios com o auxílio de uma lupa binocular e placa de luz
fria.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O extrato etanólico de L. rigida apresentou uma CI50= 14,76 μg/ml frente ao DPPH,
enquanto frente ao ABTS•+ a CI50 foi de 3,36 μg/ml.
Macêdo (2011) também avaliou a capacidade antioxidante de folhas de L. rigida através
de sequestro do DPPH, com extratos etanólico, aquoso e hidroetanólico, porém não
apresentou os resultados como CI50, mas sim porcentagem de sequestro de radicais livres
(%SRL). O extrato etanólico apresentou a melhor %SRL na concentração de 500 μg/mL
(72,6±0,78%), em relação aos extratos aquoso e hidroetanólico. Já Farias et al. (2013),
avaliaram a capacidade antioxidante de sementes de L. rigida através do ensaio de redução do
radical DPPH, obtendo o valor de CI50= 487,51 μg/mL. Além disso, analisaram o potencial
antioxidante de sementes de outra espécie do gênero Licania, a L. tomentosa, que apresentou
o valor de CI50= 216,72 μg/mL. Teixeira (2012) analisou a capacidade antioxidante dos frutos
de L. tomentosa, conhecida como ―oiti‖. De acordo com os resultados, concluiu que o fruto
pode ser interessante para alimentação sob o ponto de vista da ação antioxidante, uma vez que
apresenta compostos fenólicos e açúcares redutores em sua composição.
Estudos realizados por Zuque et al., (2004), demonstraram os resultados da avaliação
antioxidante dos extratos hexânico e etanólico de Couepia grandiflora, também pertencente a
família Chrysobalanaceae, que foram CI50= 5,65 μg/ml e 3,11 μg/ml, respectivamente,
considerados ativos frente ao radical DPPH.
Com relação à avaliação da toxicidade aguda, o extrato não se mostrou tóxico frente a
A. salina. Nas concentrações de 1000, 100, 10 e 1 μg/ml as porcentagens de sobrevivência dos
náuplios foi de 90%, 86,7%, 76,7% e 86,7%, respectivamente, considerando a taxa de
sobrevivência do controle que foi de 100%. Em um estudo realizado por Lima et al. (2008)
com L. macrophylla, a espécie também não apresentou atividade tóxica. Já no trabalho
15
realizado por Pereira et al. (2002), os extratos butanólico e hidroalcóolico de frutos de L.
octandra apresentaram discreta toxicidade.
CONCLUSÃO
Os resultados demostram que o extrato possui capacidade antioxidante in vitro,
corroborando, portanto, com o uso popular desta espécie para o tratamento de doenças
crônicas degenerativas que envolvem espécies reativas de oxigênio (EROS). Com relação à
avaliação da toxicidade aguda, o fato de o extrato não ter apresentado toxicidade frente à A.
salina, não significa que a planta não apresenta atividades biológicas para outros organismos.
Outros ensaios de atividade biológica deverão ser realizados futuramente.
REFERÊNCIAS
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17
ESTUDO MORFOANATÔMICO DAS FOLHAS DO JAMBEIROVERMELHO (Syzygium malaccense, MYRTACEAE)
Walberson da Silva Reatgui1
Leopoldo Clemente Baratto2*
*[email protected]
RESUMO: O estudo dos caracteres morfoanatômicos é importante para estabelecer critérios de identificação da
espécie, e desta forma contribuir com o controle de qualidade do material vegetal e evitar a coleta equivocada ou
detectar adulterações com outras espécies que possuem o mesmo nome ou são morfologicamente semelhantes. O
objetivo deste trabalho foi descrever os caracteres morfoanatômicos das folhas de S. malaccense (jambeirovermelho), uma planta medicinal muito utilizada na região Norte, com vistas ao estabelecimento de parâmetros
para o controle de qualidade desta espécie. A anatomia foi estudada por meio de lâminas semipermanentes,
preparadas com cortes de fragmentos da nervura central, limbo da folha, e do pecíolo. As análises macro e
microscópicas desta espécie demonstraram características universais da família Myrtaceae, como folhas
hipoestomáticas, epiderme uniestratificada, feixes vasculares bicolaterais e presença de glândulas de óleo
essencial, além de estômatos anomocíticos, drusas de oxalato de cálcio e amilíferos.
PALAVRAS-CHAVE: Syzygium malaccense, Myrtaceae, morfoanatomia
INTRODUÇÃO
A qualidade da matéria-prima vegetal é a determinante inicial da qualidade de um
fitoterápico. Muitas espécies vegetais possuem monografias em compêndios oficiais, como as
Farmacopeias. No entanto, plantas nativas ou adaptadas no Brasil geralmente foram pouco
estudadas e carecem de descrições detalhadas de parâmetros que assegurem sua qualidade,
evidenciando a importância da preconização destes parâmetros (Farias, 2004).
Em consonância com o Decreto n. 5.813, de 22 de junho de 2006 que aprova a
Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Brasil, 2006), torna-se de grande
importância o estudo de plantas medicinais, nativas ou exóticas, buscando estabelecer
parâmetros que assegurem a qualidade do material vegetal. É importante estabelecer critérios
de identificação da espécie, por meio do estudo dos caracteres morfoanatômicos, e desta
forma contribuir com o controle de qualidade do material vegetal e evitar a coleta equivocada
ou detectar adulterações com outras espécies que possuem o mesmo nome ou são
morfologicamente semelhantes.
No Brasil, particularmente, a intensa mistura de culturas (indígena, africana e europeia)
levou a introdução de espécies nativas de outros continentes (Brandão et al., 2009). Uma
dessas espécies exóticas adaptadas é conhecida como jambeiro-vermelho (Syzygium
malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry), uma árvore (12-15 m de altura) pertencente à família
Myrtaceae, de origem asiática, cujos frutos avermelhados são popularmente chamados de
1
2
Acadêmico do curso de Bacharelado em Biotecnologia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
18
jambo-vermelho, jambo-roxo ou jambo-encarnado. É uma árvore disseminada por quase todo
o território brasileiro, em virtude de sua fácil adaptação ao clima e solo, com predominância
nos estados da região Norte, Nordeste e nas regiões quentes do Sudeste (Cardoso & Srur,
1996; Costa et al., 2006).
Na medicina popular, folhas, raízes, cascas do caule e frutos são utilizados como
recurso terapêutico para várias enfermidades e indicados como antidiabético, abortivo,
antifebrífugo, diurético, anti-inflamatório, etc (Dunstan et al., 1997; Costa et al., 2006;
Zambelli et al., 2006). Do ponto de vista químico, já foi identificada nas folhas a presença de
flavonoides, taninos e óleos essenciais (Lowry, 1968; Zambelli et al., 2006), substâncias essas
que podem estar relacionadas com suas propriedades terapêuticas.
O objetivo deste trabalho foi descrever os caracteres morfoanatômicos das folhas de S.
malaccense (jambeiro-vermelho), uma planta medicinal muito utilizada na região Norte, com
vistas ao estabelecimento de parâmetros para o controle de qualidade desta espécie.
MÉTODO
Folhas de S. malaccense foram coletadas no município de Santarém-PA. A espécie foi
botanicamente identificada e uma exsicata encontra-se depositada no Herbário da
Universidade Federal do Oeste do Pará (HSTM) sob registro nº 000019. Para o estudo da
morfologia foliar externa adotou-se a classificação de Hickey (1974), analisando-se um total
de 20 folhas. Folhas adultas, entre 5 e 20 cm do ápice, foram fixadas em FAA 70 (etanol 70%,
ácido acético e formaldeído; 90:5:5; v/v/v) durante sete dias (Johansen, 1940) e
posteriormente armazenadas em etanol a 70% (Berlyn & Miksche, 1976). A anatomia foi
estudada por meio de lâminas semipermanentes, preparadas com cortes de fragmentos da
nervura central, limbo da folha, e do pecíolo. As lâminas foram confeccionadas com material
seccionado à mão livre, com auxílio de isopor como suporte e lâminas de barbear, nos
sentidos longitudinal e transversal. Os cortes foram corados com azul de Astra e fucsina
básica, montados em glicerina a 50%, empregando-se esmalte para vedação (Roeser, 1972).
As lâminas foram observadas em microscópio óptico para descrição de caracteres anatômicos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As folhas são simétricas, simples, inteiras, glabras com textura cartácea, obovadalanceolada com ápice acuminado. A base é cuneada. A face adaxial é verde escuro brilhante,
enquanto a face abaxial é verde clara. A nervura central é evidente na face abaxial de onde
partem as nervuras secundárias. O padrão de venação é pinado, camptódromo-
19
broquidódromo. A nervura central é retilínea. As nervuras secundárias são arqueadas e unemse umas as outras próximas a margem, criando uma espécie de contorno ao redor da lâmina
foliar. As nervuras secundárias partem de alturas diferentes em relação à nervura central. A
margem é levemente sinuosa. A folha é curto-peciolada e o pecíolo mede em média 1,13 cm,
enquanto a lâmina foliar em média 26,4 cm de comprimento e 9,14 cm de largura (Fig. 1a e
b).
As análises microscópicas referentes à anatomia foliar evidenciaram as seguintes
estruturas: na face adaxial as células da epiderme são justapostas de parede espessada, com
formato quadrangular e retangular, de contorno arredondado, com tamanhos diferentes entre
si. Não apresenta estrias, tricomas ou estômatos. Por outro lado, a face abaxial apresenta
numerosos estômatos, caracterizando a folha como hipoestomática. Os estômatos são
classificados como anomocíticos. As células são justapostas e apresentam contorno poligonal
irregular. Não são observadas estriações nem tricomas (Fig. 1c e d).
Em secção transversal, a nervura central é convexa na face abaxial e levemente
côncava na face adaxial. A epiderme é uniestratificada, revestida por uma fina cutícula,
formando flanges cuticulares. Há 2-3 estratos de células subepidérmicas com conteúdo
fenólico e 2-3 camadas de colênquima com espessamento anelar. O parênquima paliçádico
interrompe-se gradualmente no parênquima fundamental. No parênquima fundamental
observa-se um feixe vascular de grande porte em forma de arco aberto do tipo bicolateral,
com o floema interno e o floema externo circulando o xilema na forma de uma faixa contínua.
Uma faixa de células com conteúdo fenólico recobre o feixe vascular. Uma bainha de fibras
esclerenquimáticas envolve o feixe vascular externamente. Numerosas drusas de oxalato de
cálcio distribuem-se ao longo do parênquima fundamental e do colênquima, assim como
esparsas glândulas de óleo são encontradas próximas às epidermes. Amilíferos são observados
na região próxima ao floema interno (Fig. 2).
O mesofilo é dorsiventral, formado por parênquima paliçádico contendo de 3-4
camadas de células alongadas junto à face adaxial, e por parênquima esponjoso junto à face
abaxial. O pecíolo, em secção transversal, é circular. O sistema de revestimento e a camada
subepidérmica são semelhantes à nervura central. O feixe vascular do tipo bicolateral
apresenta-se em arco semifechado.
As análises macro e microscópicas desta espécie demonstraram características
universais da família Myrtaceae, como folhas hipoestomáticas, epiderme uniestratificada,
feixes vasculares bicolaterais e presença de glândulas de óleo essencial (Gomes et al., 2009).
20
A presença de estômatos anomocíticos, drusas de oxalato de cálcio e as estruturas descritas
para a nervura central em conjunto auxiliam na caracterização das folhas de S. malaccense.
Figura 1. Syzygium malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry, Myrtaceae. Aspecto morfológico
da folha: a) face adaxial; b) face abaxial. Análise microscópica do corte paradérmico da folha:
c) face adaxial (20 µm; d) face abaxial (50 µm).
Figura 2. Syzygium malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry, Myrtaceae. Panorama geral da
nervura central (500 µm).
CONCLUSÃO
A análise dos caracteres morfoanatômicos das folhas de S. malaccense em conjunto
forneceu critérios para a diferenciação desta espécie com outras do mesmo gênero. Por
conseguinte, as características anatômicas corroboram com outros representantes da família
Myrtaceae. Desta forma, foi possível estabelecer parâmetros macro e microscópicos que
poderão auxiliar no controle de qualidade da droga vegetal.
21
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potencial
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Florianópolis, 2006.
22
ATIVIDADE INSETICIDA DE EXTRATOS DE PLANTAS MEDICINAIS
AMAZÔNICAS
Thamiris Sousa de Alencar Silva1
Mariana Vieira Porsani2
Alex Sandro Poltronieri3
Ida Chapaval Pimentel4
Leopoldo Clemente Baratto5*
*[email protected]
RESUMO: O cultivo de couve-manteiga (Brassica oleracea) é acometido de infestações de diversas pragas,
entre elas o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae). O controle biológico é uma forma de contornar a
proliferação destas pragas. No Brasil são utilizados inseticidas de amplo espectro de ação no controle de B.
brassicae. O objetivo principal deste trabalho foi determinar o efeito inseticida dos extratos das plantas
medicinais Crescentia cujete (cueira), Himatanthus sucuuba (sucuuba), Caesalpinia ferrea (jucá), Genipa
americana (jenipapo) e Schnella sp. (escada-de-jabuti) contra o pulgão-da-couve. As folhas das plantas foram
coletadas na região Oeste do Pará e foram preparados extratos etanólicos das mesmas. Para o bioensaio
inseticida foram preparadas 48 placas de Petri contendo meio ágar/água e somente um disco foliar de couvemanteiga. Em cada disco foi inoculado cerca de 10 pulgões, sendo as placas dividas para cinco extratos vegetais
mais o controle. A pulverização foi realizada com os extratos diluídos com DMSO a 10%, sendo as placas
armazenadas em temperatura ideal (25ºC). As análises da mortalidade demonstraram resultados muito
promissores, sendo que todos os extratos apresentaram potencial inseticida superior ao Azamax®.
PALAVRAS-CHAVE: Brevicoryne brassicae, atividade inseticida, Crescentia cujete
INTRODUÇÃO
A couve-manteiga (Brassica oleracea var. acephala) é uma das principais hortaliças
cultivadas no mundo e uma importante fonte de renda para agricultores no Brasil (NOVO et
al., 2010). Um dos maiores problemas na cultura de brássicas é a alta incidência de pragas em
todas as fases da cultura. As plantas de couve são acometidas por diversas pragas, sendo a
praga-chave o pulgão-da-couve Brevicoryne brassicae (Hemiptera: Aphididae). Este afídeo é
responsável por danos diretos e indiretos, prejudicando o desenvolvimento da couve, que tem
seu valor comercial diminuído (MA et al., 2010). Primariamente, ocorre o esmaecimento e
amarelamento da planta (OPFER & MCGRATH, 2013). Há também a produção de honeydew
– uma substância açucarada – que favorece o desenvolvimento de fungos sobre as folhas,
diminuindo a taxa de fotossíntese da planta (ASI et al., 2009). Kumar e Chapman (1984)
relatam que o pulgão também causa danos secundários pela inoculação de vírus presentes em
sua saliva e há a estimativa de que haja uma perda de até 80% dos cultivos de brássicas
somente pela ação de B. brassicae (RAZAQ et al., 2011).
1
Acadêmica do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
Doutora em Microbiologia, Universidade Federal do Paraná-UFPR.
3
Doutor em Entomologia, Universidade Federal do Paraná-UFPR.
4
Professora Doutora em Processos Biotecnológicos, Universidade Federal do Paraná-UFPR.
5
Professor Doutor em Ciência Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
2
23
No Brasil o controle desta praga é feito com pulverizações sistemáticas com
inseticidas químicos. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo verificar a
atividade inseticida contra B. brassicae de extratos etanólicos de plantas medicinais
amazônicas: Crescentia cujete (cueira), Himatanthus sucuuba (sucuuba), Caesalpinia ferrea
(jucá), Genipa americana (jenipapo) e Schnella sp. (escada-de-jabuti).
MÉTODO
Folhas das espécies foram coletadas na região Oeste do Pará próximo ao município de
Santarém-PA e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal seco foi moído e
macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com agitação
ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até a secura
em rotaevaporador.
A avaliação do potencial inseticida iniciou-se empregando ninfas com 48 h de idade
de B. brassicae. Para obter as ninfas, 20 adultos foram transferidos para discos foliares de
couve-manteiga com 8 cm de diâmetro e mantidos em placas de Petri contendo uma camada
de 1 cm de ágar/água a 2%. As placas foram mantidas em condições controladas
(temperatura: 25°C e umidade relativa: 70 ± 10%) e após 48 h os adultos foram retirados e as
ninfas empregadas nos bioensaios.
A primeira etapa do bioensaio inseticida foi um ensaio-teste, onde foram preparadas
três concentrações de DMSO 10%, 5% e 2% em H2O destilada; para cada uma das três
concentrações foram utilizadas 6 placas de Petri contendo um disco de couve. Cada disco
recebeu 10 ninfas do inseto para em seguida ser pulverizado. As pulverizações foram
realizadas por um microatomizador ―Airbrush‖ elétrico, modelo ―VL‖, acoplado a um
compressor regulado a 15 libras/pol2, sendo pulverizados 500 µL de cada concentração. Em
seguida os discos foram armazenados em temperatura ideal (25ºC) e as avaliações da
mortalidade realizadas a cada 24 h durante três dias.
Após os três dias de análises foram preparadas 40 placas de Petri contendo meio
ágar/água e discos de couves. Cada disco recebeu cerca de 15 a 20 pulgões adultos. Estas
foram armazenadas em temperatura ideal (25ºC) para que houvesse a proliferação dos insetos.
Depois de 24 h foram preparadas 8 placas de Petri para cada extrato vegetal mais o controle,
totalizando 48 placas contendo meio de cultivo ágar/água mais um disco foliar de couve. Cada
placa recebeu cerca de 10 ninfas de pulgões para em seguida serem pulverizadas. A
concentração escolhida de DMSO a partir dos resultados do ensaio-teste para solubilizar os
extratos foi 10%, sendo este homogeneizado com 500 mg do extrato vegetal. As avaliações de
24
mortalidade foram realizadas em intervalos de 24 h, durante três dias. Com o auxílio de um
microscópio estereoscópico, as ninfas foram vistoriadas e os insetos mortos foram
individualizados para cálculo da mortalidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados da atividade inseticida dos extratos encontram-se na Figura 1. Todos os
extratos avaliados apresentaram potencial maior que o próprio inseticida orgânico (Azamax®),
com porcentagens de mortalidade acima de 90%. O extrato etanólico da cuieira apresentou
100% de mortalidade, seguido dos extratos da escada-de-jabuti e jucá, ambos com 96,9% de
mortalidade. O extrato de jenipapo mostrou 93,7% de mortalidade contra o pulgão-da-couve,
enquanto sucuuba apresentou 93,3%.
Figura 1. Mortalidade média do pulgão-da-couve (B. brassicae) pulverizados com inseticida
orgânico comercial (Azamax®) e extratos de plantas medicinais amazônicas na concentração
de 10%.
Conforme descrito por OLIVEIRA et al. (2007), o uso de extratos ou substâncias
extraídas de plantas com atividade inseticida é destacado pelo fato de serem renováveis,
facilmente degradáveis e por não agredirem o meio ambiente. Além do mais, o
desenvolvimento de resistência pelos insetos perante essas substâncias é um processo mais
lento que o processo com a utilização dos agrotóxicos convencionais.
25
CONCLUSÃO
Os resultados demonstraram o elevado potencial inseticida dos extratos etanólicos de
plantas medicinais da Amazônia, todos com porcentagens de mortalidade acima de 90%
contra o pulgão-da-couve (B. brassicae), inclusive mais potentes que o inseticida orgânico
convencional (Azamax®). Desta forma, conclui-se que os extratos das espécies Crescentia
cujete, Himatanthus sucuuba, Caesalpinia ferrea, Genipa americana e Schnella sp. são
promissores no combate ao pulgão-da-couve. Esses dados promovem o conhecimento de uma
aplicação direta de produtos naturais, agregando valor aos recursos naturais da Amazônia.
Estudos adicionais para caracterizar o perfil fitoquímico destas espécies se fazem necessários.
REFERÊNCIAS
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entomopathogenic fungi against cabbage aphid Brevicoryne brassicae L. Pakistan
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brassicae L. New Zeland Journal of Experimental Agriculture, v. 12, p. 55-58, 1984.
NOVO, M. C. S. S.; PRELA-PANTANO, A.; TRANI, P. E.; BLAT, S. F. Desenvolvimento e
genótipo de couve-manteiga. Horticultura Brasileira, v. 28, p. 321-325, 2010.
OLIVEIRA, M. S. S; ROEL, A. R; ARRUDA, E. J. et al. Eficiência de produtos vegetais no
controle da lagarta do cartucho-do-milho Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797)
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OPFER, P.; MCGRATH, D. Oregon vegetables, cabbage aphid and green peach aphid.
Department of Horticulture. Oregon State University, Corvallis, 2013.
RAZAQ, M.; MEHMOOD, A.; ASLAM, M.; ISMAIL, M.; AFZAL, M.; ALI SHAD, S.
Losses in yield and yield components caused by aphids to late sown brassica Napus L.,
Brassica Juncea L. and Brassica carrinata A. Braun At Multan, Punjab (Pakistan). Pakistan
Journal of Botany. v. 43, n. 1, p. 319-324, 2011.
26
27
AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE Kalanchoe pinnata (LAM.)
PERS. (CRASSULACEAE) CULTIVADA SOB DIFERENTES NÍVEIS
DE LUZ E NUTRIÇÃO
Hiago Sousa Pinheiro1
Iolanda Maria Soares Reis2
Leandro Lacerda Giacomin3
Leopoldo Clemente Baratto4*
*[email protected]
RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo analisar a influência dos fatores ambientais luz e nutrientes
no crescimento de mudas de Kalanchoe pinnata através de parâmetros como número de folhas, comprimento,
rendimento de biomassa e área foliar. As plantas foram cultivadas em oito tratamentos diferentes, sendo quatro
tipos de substratos (cama de aviário, esterco bovino, potássio e terra preta de índio) e dois tipos de iluminação
(sombra e luz). As plantas cultivadas à sombra desenvolveram-se nitidamente melhor que aquelas expostas à luz
solar. Dentre os tipos de solo, os adubos orgânicos cama de aviário e esterco bovino propiciaram maior
crescimento e contribuíram com maior rendimento de biomassa.
Palavras-chave: Kalanchoe pinnata, terra preta de índio, cultivo
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos tem se observado um aumento no consumo de plantas medicinais e
fitoterápicos em todas as classes sociais, principalmente nos países em desenvolvimento
(NOGUEIRA & WOLFF, 2001). A transformação de plantas em medicamentos esbarra na
dificuldade de obtenção de matéria-prima de qualidade e na quantidade necessária para a
fabricação (ORELLANA et al., 1994). Nesse contexto, o cultivo dessas plantas torna-se uma
alternativa cada vez mais importante na agricultura nacional (CORRÊA JÚNIOR et al.,
1994). Desta forma, o cultivo torna-se uma prática que deve ser otimizada para cada tipo de
planta medicinal, com vistas à obtenção de biomassa e metabólitos secundários de interesse.
Os principais fatores ambientais que influenciam o crescimento das plantas são a luz, os
nutrientes minerais e a temperatura (VILELA & RAVETTA, 2000).
Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers. (Crassulaceae) é popularmente utilizada para o
tratamento de doenças inflamatórias, úlceras gástricas, queimaduras, diarreia, vômito, picadas
de insetos, dores no corpo e como agente antifúngico e antibacteriano (OKWU & JOSIAH,
2006). É denominada pela população de folha-da-fortuna, coirama, courama, couramavermelha ou saião roxo. É uma planta herbácea ou sublenhosa, pouco ramificada, que atinge
de 1 a 1,5 metros de altura e suas folhas são suculentas (LORENZI & MATOS, 2008).
1
Acadêmico do Curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA.
Professora Doutora em Agronomia, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA.
3
Professor Doutor em Biologia Vegetal, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA.
4
Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA.
2
28
O presente trabalho teve como objetivo analisar a influência da luz e de nutrientes no
crescimento e desenvolvimento das plantas através de parâmetros como número de folhas,
comprimento, rendimento de biomassa e ainda área foliar.
MÉTODO
Mudas de K. pinnata foram adquiridas em residências localizadas nos bairros
Maracanã e Conquista, Santarém-PA. O material vegetal foi botanicamente identificado e
uma exsicata encontra-se depositada no Herbário da UFOPA (HSTM) sob registro nº 000602.
Esterco bovino (EB), cama de aviário (CA) e terra preta de índio (TPI) foram obtidos em
residências, enquanto potássio (K) foi adquirido comercialmente. Os experimentos foram
conduzidos durante os meses de maio a outubro de 2015.
As mudas foram submetidas a oito tratamentos, sendo quatro tipos de substratos (EB,
CA, TPI e K) e dois tipos de iluminação (Sombra, com auxílio de sombrite, e Luz, com
exposição solar direta). Cada tratamento teve quatro repetições, e por isso foram utilizadas 32
mudas ao total. As mudas permaneceram sob as condições de cada tratamento no período de
90 dias, sendo que mensalmente era verificado o comprimento de cada planta com auxílio de
fita métrica. A irrigação foi realizada diariamente durante todo o experimento, com exceção
dos dias chuvosos. Após 90 dias de cultivo, as plantas foram retiradas do campo e levadas
para análise no Laboratório de Farmacognosia e Fitoquímica da UFOPA.
O número de folhas totais foi quantificado de todas as repetições de cada tratamento e
verificado o diâmetro do caule das plantas com um paquímetro digital em uma altura de 10
cm próximo ao solo. Para a determinação da área foliar, foi utilizado um método
gravimétrico, onde é relacionada a massa de um quadrado de papel com área de 100 cm 2 com
a massa do desenho do contorno da folha no mesmo tipo de papel; as folhas foram escolhidas
aleatoriamente de cada planta, da altura mediana do caule. A área foliar foi determinada pela
equação: AF= (M*Af)/m, em que AF= área foliar, cm2; M= massa do desenho do contorno da
folha, g; Af= área do quadrado de papel, cm2; e m= massa do quadrado de papel, g. A massa
fresca e seca foi determinada através da pesagem das partes aéreas das plantas de cada
tratamento. Primeiramente as folhas e o caule foram picados com tesoura e pesados para obter
a massa fresca, separando o caule das folhas. Em seguida, o material vegetal foi
acondicionado dentro de sacos de papel devidamente identificados e levados à estufa para
secagem a uma temperatura controlada de 45ºC, durante 21 dias para obter a massa seca do
material, e a partir disso foi calculado o teor de umidade das plantas.
29
RESULTADO E DISCUSSÃO
Morfologicamente, as plantas submetidas ao tratamento em sombra desenvolveramse nitidamente melhor que as plantas em tratamento com exposição à luz solar direta. Com
relação à nutrição, as plantas cultivadas com tratamento CA, e numa escala inferior EB,
apresentaram desenvolvimento superior aos tratamentos TPI e K. As plantas cultivadas com
tratamentos TPI e K não apresentaram diferenças significativas em seu desenvolvimento entre
si, sendo que à sombra, apresentaram levemente um melhor crescimento em relação à luz
(Figuras 1 e 2).
Figuras 1 (Luz) e 2 (Sombra). Altura média das plantas (K. pinnata) conforme a iluminação durante o período
do experimento.
Experimentos prévios relatam algumas vantagens da adubação com cama de aviário,
como alta concentração de macronutrientes, aumento no carbono total e teor de matéria
orgânica do solo (SINGH et al., 2009), maior capacidade de retenção e infiltração de água do
solo, aumento do pH do solo (ZHANG, 1998), melhorias na qualidade física, química e
biológica dos solos (MCGRATH et al., 2009).
Plantas cultivadas com o tratamento com CA à sombra apresentaram maior
rendimento em biomassa, seguido de EB. Além do mais, a área das folhas dos espécimes
adubados com CA também foi maior que a dos demais cultivos, nos dois tipos de iluminação.
A quantidade de folhas totais e o diâmetro do caule tanto em EB quanto CA foram superiores
em relação a TPI e K nas mesmas condições de iluminação (Tabela 1).
Tabela 1. Análise do número de folhas totais, diâmetro do caule, área foliar e pesagem da massa fresca e seca da
parte aérea das plantas de cada tratamento.
Tratamentos
Número
de folhas
(unid.)
Diâmetro
do caule
(mm)
Área
foliar
(cm2)
Biomassa (g)
Fresca
Seca
Teor de
umidade
(%)
30
Luz
Sombra
TPI
EB
CA
K
TPI
EB
CA
K
10
28
27
8
12
22
35
9
4,37
10,39
10,55
4,21
3,45
9,46
12,43
2,68
11,14
105,12
109,51
10,51
12,59
92,80
122,02
10,01
4,91
144,18
180,77
2,21
6,07
157,83
258,29
5,91
0,91
18,60
14,83
0,37
1,07
11,09
22,80
1,01
81,41
87,10
91,79
83,06
82,42
92,97
91,17
82,82
É interessante observar que não houve diferenças significativas na área foliar dos
espécimes cultivados à luz e à sombra de um mesmo tratamento. A área foliar é um atributo
relacionado com o balanço hídrico e também à taxa de assimilação de carbono
(CORNELISSEN et al., 2003). Em condições sob intensa luz solar, áreas foliares menores são
entendidas como uma estratégia das plantas para evitar a perda de água por transpiração
(JAMES & BELL, 2001). No entanto, a ausência de diferença entre a área das folhas
cultivadas à luz e à sombra de um mesmo indivíduo neste experimento, indica que as plantas
devem possuir outros mecanismos eficientes para controlar o balanço hídrico, como por
exemplo, o fechamento de suas folhas ou estômatos (BONAL & GUEHL, 2001). Outra
possibilidade é que as plantas mantenham a área de suas folhas constantes independentemente
do ambiente (VENDRAMI, 2012).
Os resultados mostraram que K. pinnata possui um alto percentual de água em sua
biomassa, pelo fato de ser uma planta suculenta. O alto teor de água evidencia a importância
da secagem correta do material vegetal para processamento pela indústria de fitoterápicos,
uma vez que processos de secagem inadequados podem levar à contaminação por fungos e
bactérias o que, além de representar riscos devido à produção de substâncias tóxicas, pode
acarretar destruição e/ou alteração dos princípios ativos, tornando-se assim o material vegetal
impróprio ao consumo (AMARAL et al., 2003).
CONCLUSÃO
A partir destes resultados pode-se concluir que a adubação orgânica com cama de
aviário e/ou esterco bovino representa a melhor condição para o crescimento e ganho de
biomassa para K. pinnata, preferencialmente cultivada à sombra. O próximo passo é verificar
a composição química dessas plantas cultivadas sob diferentes tipos de solo e iluminação, a
fim de verificar possíveis diferenças quali e/ou quantitativas dos metabólitos secundários
dessa espécie.
31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
AMARAL, F.M.M.; COUTINHO, D.F.; RIBEIRO, M.N.S; OLIVEIRA, M.A. Avaliação da
qualidade de drogas vegetais comercializadas em São Luís/Maranhão. Revista Brasileira de
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responses to drought in seedlings of tropical rainforest species. Functional Ecology, v.15,
p.490- 496, 2001.
CORNELISSEN, J.H.C.; S. LAVOREL; E. GARNIER; S. DÍAZ,; N. BUCHMANN,; D.E.
GURVICH; P.B. REICH; H. TER STEEGE; H.D. MORGAN; M.G.A. VAN DER HEIJDEN;
J.G. PAUSAS & H. POORTER. A handbook of protocols for standardised and easy
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CORRÊA JÚNIOR, C.; MING, L.C.; SCHEFFER, M.C. Cultivo de plantas medicinais,
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LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed.
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Agricultura
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IFAS,
2001.
Disponível
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OKWU, D.E.; JOSIAH, C. Evaluation of the chemical composition of two Nigerian
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VENDRAMI, J. L. Plasticidade na espessura entre folhas de sol e de sombra em árvores
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VILELA, A. E.; RAVETTA, D.A. The effect of radiation on seedling growth and physiology
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SINGH, Y.; GUPTA, R.K.; THIND, H.S.; et al. Poultry litter as a nitrogen and phosphorus
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ZHANG, H. Animal Manure Can Raise Soil pH. Production Technology, Department of
Plant and Soil Sciences. v.10, n.7, 1998.
32
33
IDENTIDADE CULTURAL: A AGRICULTURA E A PESCA COMO
TRADIÇÃO E ORGANIZAÇÃO SOCIAL NA COMUNIDADE
CURUMU, NO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS∕PA
Camila Canário de Sousa1
Lucas Figueira Silva2
[email protected]
RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma pesquisa realizada na comunidade Curumu, localizada no
interior do município de Óbidos/PA, na qual objetivou-se analisar a contribuição das atividades da pesca e da
agricultura como tradição e organização social daquela localidade, buscando-se compreender a maneira como se
consolidaram. Procedeu-se por meio de entrevistas e observação-participante, totalizando dezessete entrevistados
(pescadores e agricultores). Os resultados demonstram que a importância da agricultura e da pesca vai além de
simples atividades econômicas, visto que se tratam de tradições integrantes do patrimônio cultural da
comunidade, essenciais não apenas para a sobrevivência física daquela população, mas também para a própria
preservação de sua identidade cultural.
PALAVRAS-CHAVE: Tradição, Identidade Cultural, Região Amazônica.
INTRODUÇÃO: As atividades de pesca e agricultura caracterizam-se pela grande relevância
social e econômica em diversas comunidades tradicionais do interior da Amazônia, sendo
essas o principal meio de subsistência de muitas famílias que ali residem. Tal importância
pode ser também evidenciada na economia de várias cidades, inclusive grandes metrópoles
como Belém e Manaus, haja vista que grande parte dos produtos comercializados nas feiras e
mercados advém da agricultura familiar e da pesca artesanal desenvolvidas pelos povos
tradicionais. Essa realidade não é diferente na Comunidade Vila Curumu, na qual essas
atividades fazem parte do patrimônio cultural da localidade.
Tendo por base Araújo (2014), a Comunidade de Curumu, situa-se às margens do lago
com o mesmo nome, distante 35 km da cidade de Óbidos. A partir de 1972, devido
crucialmente às enchentes nas margens dos rios Amazonas e Paru, a comunidade que antes
era formada por poucas famílias, passou a receber populações ribeirinhas vítimas desses
eventos. Com o apoio do poder público municipal, ainda na década de 1970, foram abertas
ruas, travessas, e construídas pequenas casas na comunidade, sob a liderança de Otávio Alho,
um dos moradores. A comunidade aos poucos foi se consolidando economicamente, em torno
das atividades da pesca, agricultura e pequena pecuária.
1
Acadêmica de Direito da Universidade Federal do Oeste do Pará e bolsista de Iniciação Científica junto ao
projeto: ―Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais: um estudo da economia de subsistência e cura por meio de
plantas medicinais na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖, da UFOPA.
2
Acadêmico de Direito da Universidade Federal do Oeste do Pará e bolsista de Iniciação Científica junto ao
projeto: ―Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais: um estudo da economia de subsistência e cura por meio de
plantas medicinais na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖, da UFOPA.
34
Dessa forma, este trabalho é fruto de uma pesquisa realizada na referida comunidade,
situada no interior da Amazônia, sob o título ―A contribuição da Agricultura e da Pesca na
construção da Identidade Cultural na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖,
vinculada à Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a qual objetivou analisar a
contribuição das atividades da pesca e da agricultura como tradição e organização social
daquela localidade, haja vista que, de acordo com Paulino (2013), aproximadamente 86% dos
moradores vivem dessas atividades.
MÉTODO: Tal estudo se deu em dois momentos: uma pesquisa prévia e exploratória na
colônia de pescadores e sindicato do trabalhadores rurais do município de Óbidos, afim de se
obter informações iniciais sobre o perfil dos pescadores e agricultores de Curumu, e
posteriormente, a pesquisa propriamente dita que consistiu em entrevistas através de
questionários abertos com oito pescadores e nove agricultores.
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Analisar a organização espacial de Curumu é essencial
para entendermos como seus moradores se constituem socialmente. Na rua principal, estão
localizados setores importantes na comunidade como o posto de saúde, a escola, a padaria,
açougues, pequenos comércios, o Clube de Mães (associação das mulheres), igrejas
evangélicas e a igreja católica. Nessa rua também estão situadas as casas dos servidores da
escola, dos comerciantes e dos pequenos pecuaristas. Comumente, essas casas são de
alvenaria e alguns moradores possuem carro ou moto. Dessa rua principal, desdobram-se
outras, mais estreitas, onde vivem grande parte dos agricultores e pescadores, as residências
são mais humildes, de madeira. Quem mora na rua principal, não corre o risco de ser atingido
pelas enchentes periódicas, ao contrário daqueles que habitam as proximidades do lago, que
necessitam morar em casas adaptadas com palafitas para amenizar os transtornos de tais
fenômenos.
Curumu possui representações do Sindicato de Trabalhadores Rurais e da Colônia de
Pescadores, ambos com sede na zona urbana de Óbidos. A maioria das famílias é composta
tanto de agricultores quanto pescadores, uma atividade complementa a outra. Enquanto a
pesca é predominantemente masculina, a agricultura é praticada por mulheres e até mesmo
pelas crianças pequenas. O cultivo é feito em terrenos alheios, não tão próximos da
Comunidade, geralmente cedidos por parentes ou amigos, que possuem melhores condições
financeiras, condição justificada por serem pequenos pecuaristas, donos de comércios ou
35
aposentados. Nenhuma taxa é cobrada por esse empréstimo da terra, refletindo a relação de
familiaridade que a comunidade mantém.
Para Lopes e Cavalcante (2013), a agricultura se arranja sobre diversas lógicas,
dependendo tanto de traços e valores culturais como de interferências externas, sendo que a
demanda de mercado pode influenciar no cultivo de certos produtos. Sendo assim, em
Curumu cultivo da mandioca é prioritário, seguido de pequenas culturas como maxixe,
melancia, milho e feijão. A farinha é o principal produto vendido, feita na própria
comunidade, em casas de farinha que normalmente pertencem aos donos dos terrenos.
A pesca é tão importante quanto a agricultura. Na perspectiva de Santos; G. M. dos e
Santos; A. C. M. dos (2005):
A pesca é uma das atividades humanas mais importantes na Amazônia, constituindose em fonte de alimento, comércio, renda e lazer para grande parte de sua população,
especialmente a que reside nas margens dos rios de grande e médio porte.
Devido ao fato da comunidade está estrategicamente localizada à beira de um lago, é
nesse que muitas famílias tiram seu sustento. O tucunaré, a espécie mais encontrada, dá nome
a um importante festival que ocorre anualmente em Curumu, o ―Festival do Tucunaré‖, que
desde 1988, liderado por um grupo de mulheres, mobiliza toda a Comunidade. Uma
manifestação cultural que representa a alegria em meio às tantas dificuldades e riscos
enfrentados por esses trabalhadores todos os dias. O festival atrai muitos visitantes
provenientes de Óbidos e de outras regiões da Amazônia, demonstrando a grande repercussão
que a pesca exerce no aspecto cultural dos comunitários, além disso o festival abre espaço
para o comércio de artesanatos, bebidas e iguarias regionais, sendo o tucunaré assado o
principal prato vendido na festa, dinamizando a economia local nos dias festivos.
―A transmissão de conhecimento nas comunidades tradicionais é um procedimento
feito oralmente e por este método é perpetuado nas novas gerações, sendo então chamada de
transmissão vertical‖ (Silva, W. M. C. da; Rocha; Silva, H do S. S. da, 2014). Essa
constatação foi evidenciada durante as entrevistas com os pescadores de Curumu, haja vista
que parte afirmou ter aprendido a pescar com os pais, evidenciando características próprias de
populações tradicionais. Apesar disso, novas tecnologias estão sendo inseridas na atividade,
visto que instrumentos antigos como arpão, linha e caniço estão dando lugar a outros, a
exemplo da malhadeira e do arrastão, devido a maior eficiência desses em relação a aqueles,
caracterizando o aperfeiçoamento contínuo dessa técnica ao longo do tempo. No entanto, o
arrastão tem se tornado uma ameaça as várias espécies de peixe do lago, pois é uma
modalidade de pesca predatória, já que captura tantos o peixes adultos quanto os mais jovens,
36
e é praticado inclusive no período do defeso, época em que é proibido por lei a pesca de
determinadas espécies, e os próprios pescadores já relatam que atualmente a pesca tem se
tornado mais difícil em relação ao mesmo período de anos anteriores, reflexo da diminuição
da fauna aquática.
As atividades de pesca e agricultura caracterizam-se pela grande relevância social e
econômica em diversas comunidades tradicionais do interior da Amazônia, sendo essas o
principal meio de subsistência de muitas famílias que ali residem. Tal importância pode ser
também evidenciada na economia de várias cidades, inclusive grandes metrópoles como
Belém e Manaus, haja vista que grande parte dos produtos comercializados nas feiras e
mercados advém da agricultura familiar e da pesca artesanal desenvolvidas pelos povos
tradicionais. Essa realidade não é diferente na Comunidade Vila Curumu, na qual essas
atividades fazem parte do patrimônio cultural da localidade.
CONCLUSÃO: Para a população de Curumu, a importância da pesca e da agricultura vai
além do fato de serem atividades econômicas. A escolha do produto, que é sempre o mesmo
(a mandioca), a produção da farinha vendida no centro da cidade de Óbidos, as relações que o
empréstimo da terra forma entre os produtores e os proprietários da terra, e a própria pesca,
sempre nos mesmos períodos, obedecendo aos ritos e aos mitos, são atividades que vêm
acontecendo repetidamente há décadas, e mais do que uma maneira de manter a subsistência,
representam a tradição daquela população e a forma pela qual criaram sua própria identidade.
No estudo sobre como os javaneses, balineses e marroquinos, se definem como pessoas, Gertz
(1997), sabiamente concluiu que ―os homens não flutuam como entidades psíquicas fechadas
[...], sua identidade é um atributo que tomam emprestada do cenário que os rodeia‖.
A partir disso, compreende-se que a pesca e a agricultura fazem parte da identidade
coletiva da comunidade, pois contribui de forma relevante na organização econômica e social
daquela localidade, sendo um importante aspecto constituinte do patrimônio cultural,
refletindo-se nos festejos tradicionais, a exemplo do Festival do Tucunaré.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, L. S.; SOUSA, R. V.. Cura como herança cultural: uma análise do uso medicinal
das plantas em duas comunidades, em Óbidos/PA. In: II Encontro Brasileiro de Pesquisa
em Cultura, 2014, Rio de Janeiro. II Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura, 2014.
GERTZ, C.. O saber local: novos ensaios em Antropologia interpretativa. Petrópolis:
Vozes, 1997.
37
LOPES, R. H.; CAVALCANTE, K. V. Agricultura familiar no amazonas e diversificação
produtiva. In: X Encontro da Sociedade Brasileira da Economia Ecológica, 2013, VitóriaES. X Encontro da Sociedade Brasileira da Economia Ecológica, 2013.
PAULINO, I. R. Diagnóstico Socioambiental e Diagnóstico de Resgate da Memória.
Santarém-PA, UFOPA: 2013.
SANTOS, G. M. dos; SANTOS, A. C. M. dos. Sustentabilidade da pesca na Amazônia.
Estudos Avançados, São Paulo-SP: 18 de abr. 2005. Disponível em: <
http://www.revistas.usp.br/eav/article/viewFile/10076/11648>. Acesso em: 23 de maio de
2015.
SILVA, W. M. C. da; ROCHA, E. S.; SILVA, H do S. S. da. EXAMÃPAKU, Boa Vista-RR:
jan.
abr.
2014.
Disponível
em:<
http://revista.ufrr.br/index.php/examapaku/article/viewFile/2419/1399>. Acesso em: 11 de
junho de 2015.
38
GESTÃO DEMOCRÁTICA ESCOLAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA
NO MUNICÍPIO DE SANTARÉM
Ádria Jércy Lameira1
[email protected]
Conceição Maria de Sousa Canté¹
[email protected]
Elbe Keila Cunha de Oliveira1
[email protected]
Nancy Baía da Silva2
[email protected]
RESUMO: O presente projeto de pesquisa tem como tema a Gestão Democrática em uma escola
pública no município de Santarém. Então o que fazer para resolver essa situação em que se busca
resgata a gestão democrática participativa de todo os segmentos escolar. E teve como objetivo adquirir
uma visão global da gestão, através da observação e investigação da realidade escolar. O procedimento
metodológico do estágio parte de um estudo qualitativo que se deu com a diagnose da escola, e das
etapas evidenciadas, observação das práticas do Gestor, e a participação dos segmentos da escola nas
tomadas de decisão, foram à diretriz para se diagnosticar a efetivação da gestão democrática cidadã,
através dos valores morais, éticos, religiosos, que nortearão a prática de gestão participativa.
Palavras Chaves: Gestão democrática, gestor, segmentos.
INTRODUÇÃO
No cenário educacional a gestão democrática tem sido alvo de grandes debates,
principalmente, na escola pública que muitas vezes interioriza uma gestão pautada no
conservadorismo e tradicionalismo. A escola vista como uma organização social, cultural e
humana requer que cada sujeito envolvido tenha o seu papel definido num processo de
participação efetiva para o desenvolvimento das propostas a serem executadas.
A gestão democrática faz parte da luta de educadores e movimentos sociais
organizados em defesa de um projeto de educação pública de qualidade. Essa luta constante
em busca da democracia resultou na aprovação do princípio da gestão democrática instituída
na Constituição Federal (BRASIL, C.F. art.206, 2006). Desse modo, as escolas passaram a ter
legitimidade para exercer a democratização da gestão enquanto possibilidade de melhoria do
processo educacional. Neste contexto, o gestor é um dos principais responsáveis pela
execução de uma política que promova o atendimento às necessidades e anseios dos que
1
2
Acadêmicas do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA.
Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA.
39
fazem a comunidade escolar. Partindo desse princípio, a escola precisa rever o papel do gestor
escolar no sentido de promover a gestão democrática como prática mediadora do trabalho
pedagógico.
MÉTODO
Este estudo foi desenvolvido valorizando a pesquisa- ação. Tendo como recursos
humanos: os alunos, professores, acadêmicos, e demais funcionários da escola e orientadora
do estágio.
- Através de reuniões pedagógicas, encontrar caminhos adequados e prazerosos para a
concretização do processo ensino-aprendizagem, construindo, dessa forma, um ambiente
estimulador e agradável. Uma pedagogia centrada no aluno e não nos conteúdos;
- Verificou-se junto com os docentes o valor da avaliação como parâmetro diário para um
planejar constante e não como medida de valor inexorável;
Tendo em vista que um dos objetivos da gestão democrática é envolver toda a
comunidade escolar nas decisões das ações a serem desenvolvidas na escola, iremos trabalhar
coletivamente com a participação do Conselho Escolar, garantindo a todos o acesso às
informações referentes aos aspectos administrativos, pedagógicos e financeiros da escola.
Como a gestão democrática da escola é uma exigência de seu Projeto Político
Pedagógico e já existe em nossa escola, vamos da continuidade ao mesmo, melhorando suas
ações e metas através de estudos e discursões com a comunidade escolar, visando a melhoria
da qualidade do ensino e o resultado da aprendizagem dos alunos.
O Projeto Político Pedagógico coloca que a missão da escola é promover e consolidar
a educação como processo de conhecimento humano e profissional tendo como base os
princípios e valores, de modo irá desenvolver um trabalho de formação e conscientização por
meio de diálogos e ações pedagógicas, com isso, pretendemos vivenciar as práticas da gestão
democrática junto à comunidade escolar.
Portanto, o encaminhamento metodológico do desempenho deste projeto foi através da
ação-reflexão-ação, do aprender fazendo e objetivando uma gestão participativa que contribua
para o processo da aprendizagem escolar.
40
RESULTADOS ESPERADOS
Com a aplicação deste projeto de intervenção espera-se uma gestão democrática
participativa, tendo em vista que o resultado depende da participação e desempenho de todos
os agentes envolvidos.
Nesse sentido, pretendemos trabalhar com a avaliação pelo coletivo ou pela
direção/coordenação analisa a escola, o desempenho dos professores, quais os fatores e as
situações que precisam ser mudadas, enfim, avaliou-se cada segmento escolar.
Portanto, foi importante a participação dos alunos e do professor nesse processo
democrático pela busca de resultados satisfatória no ensino aprendizado. Destacou a
importância da relação entre gestor aluno e demais segmentos da escolar, facilitando, assim,
uma visão mais integrada da escola, buscando uma educação de qualidade.
Para alcançar os resultados foram necessárias convicção e determinação de uma
sociedade mais justa diante da concepção educacional político-pedagógica, norteadora do
desenvolvimento integral da pessoa humana, em suas aprendizagens.
Com isso, desenvolveu-se uma gestão escolar eficaz, norteada por princípios que garantem o
cumprimento leis e normais de diretrizes e bases da educação, fazendo uso das ferramentas
gerencias do gestor, como forma de assegurar resultados positivos.
O resultado deste projeto foi contemplado através de práticas, empregando- se nas
ações da escola dentro de uma perspectiva construtivista, proporcionando uma gestão
democrática e atuante.
CONCLUSÃO
O objetivo deste artigo foi analisar o modelo de gestão democrática de uma Escola
Municipal no Município de Santarém verificando a participação de todos nos segmentos na
construção e no direcionamento das ações educativas da escola, identificando a gestão
adotada.
Pensar no papel do gestor em seu campo de atuação é uma tarefa difícil, porém deixase claro que um bom gestor não se faz apenas com teorias, mas principalmente com a prática,
e mais ainda, pela ação-reflexão, diálogo em busca constante de um saber teórico e saber
prático. Como também, o saber e o conhecimento do gestor não são só formados pela prática,
mas nutrido pelas teorias.
41
Observou-se que a presença da gestão democrática tanto na Constituição Federal de
1988, quanto na LDB é resultado de muita luta dos segmentos progressistas da sociedade, em
especial dos educadores, docentes e alunos. Porém, sabemos que o fato das Leis Federais
citadas assegurarem a gestão democrática nas escolas públicas, não é garantia de que o
processo ocorra conforme propunham os movimentos de reivindicação por uma escola mais
aberta e com uma gestão com a participação de todos nas decisões. Há uma variação entre o
formal-legal e a apropriação da Lei na realidade escolar onde ainda é vivenciado o
autoritarismo por parte de alguns gestores.
Concluí- se que para a gestão democrática ser conquistada na sua plenitude é
necessária uma reforma principalmente na formação política do cidadão, dos docentes,
discentes, funcionários e a comunidade para que percebam que a participação e conhecimento
de cada um são de grande importância para que se chegue a uma verdadeira e plena gestão
democrática, dando oportunidades para que todos possam participar priorizando sempre o
interesse coletivo.
REFERENCIA
BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo:
Saraiva 2006.
BRASIL. Constituição Federal. Brasília: Imprensa Oficial, 1988.
_______ Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n°9394/96 -Brasília:
Imprensa Oficial, 1996.
42
O
PERFIL
SÓCIOECONÔMICO
DA
COMUNIDADE
DE
CUIPIRANGA: UM ESTUDO DOS FATORES QUE EVIDENCIAM AS
DESIGUALDADES SOCIAIS NA LOCALIDADE
Amanda Laurido de Vasconcelos1
Luane Mota da Silva¹
Luane Mota da Silva2
RESUMO: O presente artigo vem apresentar uma breve análise a respeito da realidade socioeconômica
vivenciada pela população da Comunidade Ribeirinha do Cuipiranga, a partir do estudo in loco dos fenômenos
que possivelmente são responsáveis pelo agravamento das desigualdades sociais na localidade. Desse
modo, podemos elaborar um diagnóstico social das famílias residentes na comunidade, levantando dados por
meio da aplicação de questionários que possibilitem a construção de um perfil social e econômico, bem
como a elaboração de tabelas e gráficos que representem a situação dos moradores com base nos elementos
estruturais do âmbito comunitário, a fim de estabelecer uma reflexão e compreensão da exclusão social
evidenciada na localidade. Levando em consideração a pobreza e a escassez dos serviços essenciais à
dignidade humana, podemos enquadrar fatores não condizentes com o artigo 6º da Constituição Federal
de 1988, onde consta a regulamentação dos direitos sociais garantidos universalmente e compreendidos por
toda a sociedade. Conforme os resultados da pesquisa observam-se certa fragilidade na situação dos
comunitários sendo necessária a adoção de medidas que assegurem a qualidade de vida desses cidadãos, tal
como a construção de um microssistema, a efetivação do programa ―Luz para Todos‖ na comunidade e a
construção de mais escolas no local.
INTRODUÇÃO
Em meio às dificuldades de acesso aos serviços e políticas públicas, ocasionadas
muitas vezes pelo distanciamento dos centros urbanos, verificamos o descaso por parte
do
poder
público para com as comunidades ribeirinhas, que são caracterizadas pela
composição de famílias com baixa renda residentes à margem de rios, sobrevivendo
geralmente da pesca e/ou da agricultura.
No contexto social das comunidades ribeirinhas, este trabalho buscou abranger o
grupo comunitário do Cuipiranga - referente às 37 famílias que mantêm residência no local –
que fica localizado às margens do Rio Arapiuns, entre Urucureá e Piauí. Sua dimensão é
composta de uma extensão de praia formada de altas barreiras vermelhas (O nome indígena
―Cuipiranga‖ faz referência a essa coloração, significando ―pó vermelho‖), terminando
com um amontoado de grandes pedras em ambas as extremidades, retratando uma bela
paisagem natural favorável ao turismo.
Em tempos remotos o Cuipiranga foi habitado por indígenas de uma tribo
desconhecida que posteriormente fizeram alianças com os novos ocupantes - os
cabanos. Após essa ocupação a localidade passou a ter um peso histórico no contexto
nacional, em decorrência de ter sido um dos palcos dos conflitos gerados pelo movimento
1
2
Acadêmicas do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA
Professora orientadora do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA
43
cabano em oposição às forças do governo, tornando-se símbolo de resistência frente ao
governo central em busca de melhores condições de vida e autonomia para a região.
A Cabanagem foi uma das maiores revoltas populares do Brasil ocorridas no período
regencial e teve início em meados do século XIX na província do Grão Pará. Seu nome tem
ligação direta com a vida dos participantes da revolta, uma vez que a maioria dos revoltosos
morava em cabanas situadas nas margens dos rios em condições precárias. O estado de
pobreza dos cabanos nesse período não se diferencia muito da situação vivenciada pelos
moradores da comunidade de Cuipiranga - hoje existente em um dos locais onde esse
movimento ocorreu.
Atualmente a comunidade vem enfrentando alguns problemas sociais, dentre eles
a falta de iluminação pública, uma vez que o Programa Luz para Todos não atendeu o grupo
comunitário e as famílias continuam sem acesso à energia elétrica, com exceção de
poucas residências que possuem motor de luz. Outra problemática vem estar na ausência
de um microssistema e de um tratamento adequado de água para o consumo, oferecendo
riscos à saúde dos comunitários.
No geral, o complexo comunitário do Cuipiranga é formado por uma Igreja, um
Barracão e uma Escola, ambos com vista privilegiada do rio Arapiuns. Vale ressaltar que a
massa populacional reside aos fundos do complexo em um terreno firme, tendo passagem por
um belo lago natural que seca em determinadas épocas do ano.
Por meio do estudo da história da comunidade, efetivamos a valorização da
cultura
do
grupo comunitário do Cuipiranga, visando preservar na memória do povo
brasileiro a trajetória de luta dos cabanos e alertar sobre a situação de pobreza e abandono do
povo presente atualmente na localidade
MÉTODO
O estudo foi realizado no período de março a abril de 2015, com pesquisas de cunho
bibliográfico, descritivo e documental para auxiliar e facilitar a construção deste
trabalho, sendo necessária
a
utilização
da
pesquisa
de
campo,
por
meio
do
deslocamento das pesquisadoras até a localidade para uma abordagem direta ao público
alvo.
O processo se remeteu ao método de observação e análise da estrutura social
para identificar à problemática e a realidade apresentada na comunidade. Vale ressaltar
que para realização deste trabalho, foi necessário articular com as lideranças da comunidade
44
para disponibilização do barracão comunitário, que posteriormente seria o local de encontro
da equipe de pesquisa com os moradores da comunidade.
Quanto aos procedimentos metodológicos adotados para coleta e análise de
dados, foi utilizado o levantamento por amostragem, onde 25 famílias da comunidade
foram entrevistadas (totalizando 67,5% do grupo comunitário) por meio da aplicação de
questionários socioeconômicos aos representantes familiares com questões fechadas, visando
obter informações a respeito da situação de cada família.
Diante disso, o estudo objetivou traçar o perfil socioeconômico das famílias que
residem na comunidade e construir um cenário atual que retrate a situação dos moradores. Os
resultados obtidos foram apresentados mediante tabelas e gráficos, para uma melhor
visualização e compreensão dos dados em análise.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A proposta deste trabalho foi consultar dentro da comunidade do Cuipiranga o
máximo de famílias, a fim de analisar a condição social e financeira em que o grupo
comunitário se encontra e saber quais as dificuldades que enfrentam partindo de um senso
comum.
Com base nos fatores que evidenciam a desigualdade social como, a dificuldade de
acesso à educação, alimentação e moradia digna, a ausência de atenção básica a saúde e a
falta de segurança, dentre outros direitos sociais garantidos em nossa Carta Magna, notamos a
presença de um cenário de agravamento das problemáticas sociais e desvalorização do espaço
comunitário.
Tabela 1: População pesquisada por faixa etária
Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade.
Tabela 2: Porcentagem de membros familiares menores de 13 anos por domicílio
45
Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade.
Considerando o número reduzido de crianças na localidade, verificamos um fator
preocupante no que se refere à perpetuação do grupo comunitário, pois, as crianças do
Cuipiranga representam a continuidade da preservação cultural e histórica do local, sem elas
o futuro da comunidade pode se configurar apenas em uma localidade repleta de belezas
naturais, porém, inabitada.
Tabela 3: Porcentagem de membros familiares acima de 60 anos por domicílio.
Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade.
Verificando as tabelas acima, analisamos que a população do Cuipiranga, até mesmo
por conta da sua baixa densidade demográfica, apresenta hoje mais da metade de seus
habitantes idosos, o que implica na expectativa de estagnação ou crescimento negativo da
comunidade em um futuro próximo.
Como descreveu Costa (2012, apud CORRÊA, 1991), no ano de 1919 a 1920
o povoado de Cuipiranga - Viado, Amari e inclusive Membeca – foi assolado com
uma terrível epidemia de paludismo ou malária pelo lado do Amazonas, o que deixou essas
áreas quase desabitadas, uma vez que parte dos sobreviventes se mudou para regiões de
46
várzeas e outros lugares distantes. Por esta razão, a população de Cuipiranga pouco
tem aumentado desde o período de epidemia até os dias atuais.
Gráfico 01: Situação de Escolaridade
Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade.
No que se refere à escolaridade, observamos no gráfico uma grande dificuldade na
promoção de uma educação de qualidade, tendo em vista que 52% dos representantes
familiares entrevistados não concluíram o ensino fundamental. Esses dados vão de encontro
com a Lei Nº 9.394/ 96 que dispõe sobre as diretrizes e bases da educação nacional,
regulamentando no seu Art. 5º que ―O acesso à educação básica obrigatória é direito
público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária,
organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda o
Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo‖ (FERREIRA, p.395, 2013).
Gráfico 2: Situação Financeira e Fonte de Rendimento.
Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade.
Mediante os resultados verificamos que 32% da população contam com uma renda
incerta inferior a um salário mínimo, retratando uma problemática que se dá no aspecto
47
financeiro, pois, grande parte dos comunitários retira seu sustento da pesca e dos plantios na
roça, apresentando uma renda irrisória que dificulta a sobrevivência digna das famílias.
CONCLUSÃO
Tendo o propósito de avaliar as desigualdades sociais presentes na comunidade foi
apresentado variações de resultados na produção de conhecimento acerca dos dados obtidos,
porém, a análise evidencia que as famílias no geral enfrentam a mesma dificuldade no acesso
à saúde, educação, moradia digna, saneamento e iluminação, ambos os serviços básicos
conferidos como essenciais à sobrevivência humana para o mínimo de conforto e qualidade
de vida.
Todos esses fatores abordados acabam não favorecendo o desenvolvimento
comunitário e o processo de organização social, que poderia ser um meio de enfrentamento
dessa realidade, a partir da criação de uma conscientização comunitária. Portanto, a falta de
estímulos para uma mobilização social em prol de objetivos definidos para o bem comum,
torna a ação coletiva cada vez mais rara e o individualismo acaba prevalecendo. Com
isso, a população se vê obrigada a encontrar seus próprios meios de vida que atendam
diretamente às suas necessidades individuais.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Alyne Patrícia da Silva; DUTRA, Andréa Katiane Bruch; BRASIL, Eliana
Amoedo de Souza. Normas técnicas para trabalhos acadêmicos. 4.ed. Canoas: ED.
ULBRA, 2013.
COSTA, Pedro Sérgio Amorim. Dupla História de Cuipiranga. Maio de 2012.
FERREIRA, Luiz Antonio Miguel. Os direitos sociais e sua regulamentação:
coletânea de leis.2.ed. São Paulo: Cortez, 2013.
SOUZA, Maria Luiza de. Desenvolvimento de comunidade e participação. 10.ed.
São Paulo: Cortez, 2010.
48
49
REEMPREGO DE RESÍDUOS
CONCRETEIRAS DE SANTARÉM
GERADOS
POR
EMPRESAS
Eng.CivilGunther Ernest Strymp1
Eng. Civil M.Sc. Fernando Augusto F. do Valle2
RESUMO: É cada vez maior a preocupação do homem em relação à quantidade de resíduos produzidos em suas
atividades. A construção civil sendo esta uma atividade exclusivamente humana não está isenta desta realidade.
Os resíduos gerados por esta indústria em muitos países, inclusive no Brasil, têm sendo visto como uma fonte
alternativa de matéria prima.A sua inserção dentro da cadeia produtiva na construção civil é fundamental para
obras mais sustentáveis ambientalmente. Partindo deste princípio foi realizado um estudo, para verificar a
viabilidade técnica de se reempregar, os resíduos de concreto produzidos pela lavagem interna do balão de
caminhões betoneira.Em que através da separação destes elementos, ocorrerá novamente a sua utilização como
agregado para compor um novo traço de concreto. Portanto o concreto produzido com este material foi analisado
com o objetivo de se verificar a influência desta reutilização na propriedade mecânica de compressão do
concreto endurecido. Desta forma, através de simulações de descartes de materiais, foram produzidos diferentes
traços reempregando este resíduo que teoricamente iria parar nos aterros e áreas de ―bota-fora‖. Os resultados
alcançados permitiram observar que este resíduo pode perfeitamente ser reutilizado na produção de novos traços
de concreto.
PALAVRAS-CHAVE: agregado, reemprego, concreto.
INTRODUÇÃO
Assim como em muitas cidades a realização de obras no município de Santarém, ainda
produz uma significativa quantidade de entulho, o que evidencia um constante desperdício de
materiais que poderiam ser reaproveitados, reempregando novamente a mesma matéria para
vários outros usos na própria construção civil.
Esta pesquisa teve por objetivo, através de estudos e levantamentosque foram
desenvolvidos junto a uma das empresas concreteiras da cidade de Santarém - Pará, a verificar
a viabilidade técnica de uma possível alternativa para aplicação dos resíduos gerados por esta,
almejando assim uma alternativa mais sustentável e ecologicamente correta para a
indústriaconcreteira, como uma opção de um destino diferente dos já conhecidos a este
material.
O reemprego e a reciclagem dos resíduos de construção e demolição (RCD) aparecem
hoje inseridos no contexto mundial como alternativas para a redução dos impactos que as
obras de construção causam ao meio ambiente.
Dentre os RCD‘s existentes no universo da construção civil estão inseridos os gerados pelas
empresas concreteiras, onde estes não possuem um destino adequado, devido ao fato de que
muitas empresas do setor da construção, dentro de seus processos produtivos, ainda não
1
Eng. Civil.e-mail:[email protected]
Eng. Civil M.Sc Professor de Engenharia Civil. Centro Universitário Luterano de Santarém – Ceuls.email:[email protected]
2
50
contemplam um programa para reemprego destes materiais. Diante disto, se evidenciam os
prejuízos econômicos, já que todo este material é descartado. Vale ressaltar, ainda, que,
juntamente com este prejuízo,é notório também os impactos ao meio em que vivemos.
Estimativas mostram que no Brasil o consumo anual de agregados para uso em
concretos e argamassa gira em torno de 210 milhões de toneladas (John, 2000). Pinto (1999)
em levantamento realizado em grandes cidades Brasileiras, estimou que o desperdício de
material nos canteiros de obras pode chegar a 50%, ou seja, uma parcela considerável de
matéria prima vira entulho e seu destino muitas vezes são os lixões, aterros sanitários e áreas
de ―bota fora‖.
A presente pesquisa teve como principal objetivo analisar a viabilidade do
reemprego de toda matéria prima que compõe o resíduo gerado pela lavagem interna do
balão de caminhões betoneiraque diariamente é descartado por empresas concreteiras.
MÉTODO
Para a obtenção de dados que serviram como parâmetros para nortear os estudos da
presente pesquisa, foram realizados ensaios no laboratório de materiais de construção civil
do Centro Universitário Luterano de Santarém localizado na Avenida Sérgio Henn, Nº 1787
bairro do Diamantino na cidade de Santarém – Pará.
Foram produzidos dois traços de concreto, compostos da seguinte forma:
1.
Traço I e IV: Traços de referência confeccionados apenas com materiais ―novos‖.
2.
Traço II, V e VII: Confeccionados com água de lavagem de betoneira, com
reaproveitamento de brita, areia ―nova‖ e cimento.
O concreto do traço referência deverá atingir uma resistência a compressão de 25
MPa, com um fator água/ cimento de 0,54 e Slump de 12± 2cm.
Um dos principais objetivos da pesquisa é o reemprego de sobras da lavagem do balão
de caminhões betoneira, e para se evitar que variáveis como o volume de concreto dosado,
energia de amassamento, tempo de utilização do concreto, dentre outras, é necessário que seja
feito uma simulação de um volume residual de concreto na betoneira do laboratório para que
um novo traço seja feito utilizando o agregado residual.
Desta forma foi determinado que, a partir do volume de concreto necessário para
moldagem de seis corpos de prova teria que haver uma sobra de 2/3 de todo esse material.
Assim foi dosado o primeiro traço em que a cada betonada se observou:
51
(o volume de concreto para 6 corpos de prova) + (2x este volume).Para o reemprego
dos agregados e da água provenientes da lavagem de betoneiras, se fez necessário a separação
do agregado residual da água, para a composição dos traços II, V e VII.
RESULTADOSE DISCUSSÃO
As tabelas 01, 02e 03, evidenciam os valores alcançados de resistência à compressão
nas idades de 3, 7 e 28 dias respectivamente, determinadasatravésdo rompimento dos corpos
de prova, bem como o fator água cimento utilizado para dosagem do traço I, II, V e
VII.Paraacomposição do traço II se utilizou o agregado e a água residual proveniente do
traço I.Para compor o traço V a água utilizada no processo foi decantada por 24h para
separação do material.
Tabela 01: Resistência do concreto (Traço I)
Tabela 02: Resistência do concreto (Traço II)
52
A partir dos resultados apresentados nas tabelas, foi verificado que a resistência
proposta inicialmente de 25 MPa não foi alcançada, e ainda, o fator água cimento de 0,51 para
um Slump de 12 ± 2 foi alterado para um fator a/c de 0,64 para alcançar o abatimento
proposto para o traço referência (traço I). Esta alteração de resistência é perfeitamente
justificável quando observado que o fator a/c é determinante para o desempenho do concreto
em relação a sua resistência mecânica.
Com a imediata utilização da água e agregado graúdo proveniente da lavagem da
betoneira no traço II, houve um aumento de 9,79% na resistência final deste concreto em
relação ao traço I (referência), além de uma redução significativa no fator água/cimento. Esta
alteração de a/c se justifica devido ao fato de que o agregado graúdo que compôs este traço se
apresentava em estado saturado, portanto, o mesmo já possuía uma relativa quantidade de
água incorporada a sua massa. Logo, para se ter o abatimento necessário não houve a
necessidade em se adicionar uma maior quantidade de água.
Ao final do estudo se verificou a influência da água de amassamento com a presença
do aglomerante diluído,tal situação evidenciou um acréscimo e uma certa interferência
positiva na resistência final do concreto.Isto se devea um aumento em média verificado da
ordem de 4,28 MPa em relação ao traço referência desenvolvido.
CONCLUSÃO
Em análise dos resultados de forma totalitária a pesquisa conclui que: Os resíduos
oriundos da lavagem interna do balão de caminhão betoneira apresentam um elevado
potencial de reemprego, e através de estudos mais aprofundados das propriedades do concreto
produzido a partir deste material, torna este produto econômica e ecologicamente interessante;
A utilização imediata da água e do agregado graúdo proveniente da lavagem interna
do balão de caminhões betoneira se apresenta como uma possível alternativa para a redução
na quantidade de aglomerante utilizado, já que alguns resultados da pesquisa demonstraram
que o concreto produzido com esta imediata utilização apresentou uma resistência maior que
os demais, possivelmente por conta de que na água de amassamento utilizada no traço já
existia um percentual de aglomerante diluído;
O reemprego deste tipo de material pode ser visto como uma possível alternativa para
tornar a indústria da construção civil cada vez mais sustentável, quando observado os
seguintes pontos: A redução da quantidade de agregado natural descartado, redução de custos
53
para a empresa concreteira, reduçãoda quantidade de energia consumida para a extração de
agregados naturais e na sua produção e redução na quantidade de matéria prima descartada.
Por fim, a viabilidade técnica para este tipo de reemprego é possível tendo em vista os
resultados apresentados, além de ser uma alternativa para a redução na quantidade de resíduos
produzidos pelas empresas concreteiras, já que isto representaria para Santarém uma redução
teoricamente estimada de 927m3 de resíduos que seriam depositados nos aterros e lixões da
cidade.
REFERÊNCIAS:
ABCP – Associação Brasileira de cimento Portland. Guia melhores práticas da comunidade
da construção. São Paulo: ABCP, 2009
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR12654: Controle tecnológico de
materiais componentes do concreto, Rio de Janeiro: ABNT, 1992.
ARAÚJO, R.C.L.; RODRIGUES, E.H.V.; FREITAS, E.G.A. Materiais de construção, 1.ed.
Seropédica, Rio de Janeiro. Editora Universidade Rural, 2000. v.1. 203p
JOHN, V. M. ; AGOPYAN, V. . Reciclagem de resíduos da Construção. In: Seminário de
Resíduos Sólidos e Domiciliares. São Paulo : CETESB, 2000.
54
A
RELAÇÃO
ENTRE
INTERDISCIPLINARIDADE
E
SUSTENTABILIDADE NA FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO CIVIL NO
CONTEXTO EDUCACIONAL BRASILEIRO
Gabriel Rodrigues Gomes1
David Rodrigues Gomes*
Jordan Almeida Lobato
Juliana Ribeiro
Hugo Aquino²
RESUMO: Este presente trabalho tem como objetivo discorrer acerca da relação existente entre a
Interdisciplinaridade e Sustentabilidade na formação do engenheiro civil sob uma perspectiva analítica, embora
em algumas abordagens da pesquisa tenha um caráter propedêutico. A pesquisa é de cunho bibliográfica e é
utilizado o método qualitativo. Os objetivos específicos são: discorrer os conceitos pertinentes às temáticas
interdisciplinaridade e sustentabilidade e analisar as novas exigências do novo profissional de engenharia civil.
Constatou-se que interdisciplinaridade e sustentabilidade estão em relação de interdependência e se
complementam para promover o bem-estar socioambiental. E essa mudança se idealiza com a inserção de
disciplinas nos cursos de engenharia civil, com práticas de extensão que instiguem o educando a desenvolver
ideias sustentáveis e tecnologias para aplicação prática para a resolução de problemas. E no que diz respeito ao
novo perfil do engenheiro civil, constatou-se que o mercado exige um profissional que não seja apenas bom
tecnicamente, mas que também atente às questões socioambientais.
Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Sustentabilidade, Engenharia Civil.
INTRODUÇÃO
Os temas Interdisciplinaridade e Sustentabilidade estão em grande pauta no cenário
nacional e mundial, principalmente no âmbito acadêmico, fato este inegável e palpável.
Portanto, faz-se necessária uma adequada compreensão dos conceitos e perspectivas tangentes
a essas ideologias para uma aplicabilidade prática e efetiva nas esferas educacionais e
profissionais/mercadológicas.
Outra postulação pertinente é de associar os ditos conceitos como uma relação de
interdependência ou subalternidade entre os mesmos. No entanto, quer seja essa relação de
dependência mútua ou unilateral, a parceria entre Sustentabilidade e Interdisciplinaridade na
formação superior em Engenharia Civil podem ser de grande valia na dinâmica pós-moderna,
onde as questões de polivalência no campo profissional e a preocupação com o meio ambiente
e desenvolvimento econômico são imprescindíveis e requisitais.
Uma ideia preconcebida difundida de maneira arbitrária é que a Engenharia Civil é
grande inimiga do meio ambiente. Isso é verdade até o momento em que ela se utiliza de
materiais finitos de maneira desordenada em algumas ocasiões, e edifica empreendimentos
que trazem consequências irreversíveis ao ambiente, inclusive ao próprio homem e sua
cultura. A exemplo disso, é a construção de grande quantidade de hidrelétricas na Amazônia,
que demandam enormes áreas de alagamento, as quais obrigam etnias deixarem suas terras e
1
Acadêmicos de Engenharia Civil do CEULS/ULBRA
² Professor do CEULS/ULBRA com título de Mestre e Orientador do trabalho
*Acadêmico do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental pela UFOPA
55
irem para as favelas das cidades circunvizinhas; outras consequências nefastas são sofridas
pela fauna e flora.
Todavia, a Engenharia Civil nesse e em outros casos, assim como as outras áreas do
conhecimento, apenas é um reflexo do sistema. É o que Marx declara em sua teoria da infraestrutura e
superestrutura, a qual o autor afirma que se a infraestrutura (sistema econômico) é desigual e
exploradora, a superestrutura (demais áreas da sociedade) também é da mesma forma. Logo, longe ela
está de ser rival do meio ambiente: uma área que busca dar comodidade e proporcionar o
bem-estar social, embora isso tenha um preço alto a pagar. A Engenharia está e precisa ainda
mais deixar de ser encarada como uma inimiga, mas ser vista como uma aliada do
desenvolvimento sustentável; para que os seus operadores e cientistas almejem não apenas o
lucro, mas a conciliação entre progresso econômico e preservação ambiental, visando práticas
inovadoras e desenvolvimento de tecnologias que possibilitem minimizar significativamente
os impactos ambientais danosos.
Portanto, a educação interdisciplinar é a protagonista para promover a conscientização dos
estudantes de engenharia em fase de formação, para que seja possibilitado aos tais pensar
criticamente a situação vigente e propor mudanças para um mundo mais sustentável, uma
formação além do mero tecnicismo. Acerca disso, afirma (QUELHAS, et al., 2011.p.2):
Desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento – EcoRio 92, um novo conceito surgiu e
está em evolução: a Educação para o Desenvolvimento Sustentável –
ESD. Ela somente será factível se não for restrita e ainda for
conduzida de forma inter-transdisciplinar em todos os programas e
instituições de ensino.
.
O autor revela com clareza o papel que a interdisciplinaridade incorpora junto à
sustentabilidade, explicitando a importância das instituições de ensino superior em engenharia
acrescentarem junto ao seu plano de projeto pedagógico, disciplinas e práticas pedagógicas
voltadas para a formação socioambiental, afim de que os educandos sejam capazes e aptos a
não somente refletir ou pensar acerca, mas propondo medidas significativas de intervenção
aliado aos conhecimentos da área.
Secundariamente também será exposto conceitos pertinentes acerca da sustentabilidade,
sabendo-se, porém, que o enfoque principal é propor a ideologia interdisciplinar em aliança
com o desenvolvimento sustentável.
METODOLOGIA
Esta pesquisa é de cunho bibliográfica, valendo-se do método qualitativo. Vale
ressaltar que esse resumo expandido é uma síntese de um artigo de 16 laudas que fora escrito
no começo do ano de 2015.
56
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A temática interdisciplinaridade é altamente discutida na sociedade contemporânea,
vista como uma metodologia inovadora viável na busca do conhecimento e um desafio para as
IES na formação de profissionais. Uma ideologia que busca romper com o tradicional ensino
focado apenas em parâmetros técnicos e mercadológicos, mas que propõe parcerias de
diferentes áreas do conhecimento para soluções de problemas comuns a todos, além de propor
a difusão de novas tecnologias e conhecimentos inovadores.
Segundo Japiassu (1976, p.74) ―a interdisplinaridade se caracteriza pela intensidade das
trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas, no interior de um
projeto específico de pesquisa‖. O que se nota é que não há um conceito tão universalizado do
que seja a interdisciplinaridade, mas o consenso que está presente tanto na concepção de
Japiassu como de outros autores, é que a Interdisciplinaridade é uma cooperação. E essa é a
proposta para a engenharia civil.
O meio ambiente é alvo de intensas preocupações e discussões no mundo todo, essa
apreensão com a deterioração ambiental tem suas raízes a partir da década de 70, mais
precisamente na conferência de Estocolmo, apesar dos poluentes se agravarem e
intensificarem no ambiente (de forma mais significativa) na revolução industrial (segunda
metade do século 19). Nessa época, o desenvolvimento era negativo, devido às intensas ações
antrópicas e mau uso dos recursos naturais em consequência do crescimento populacional e
econômico explosivo. Após esse momento começou a surgir conceitos e medidas ambientais
com intuito de melhorar a qualidade ambiental.
É indispensável o trabalho de educação em questões ambientais, dirigido tanto às
gerações jovens quanto aos adultos, e que preste a devida atenção ao setor da população
menos privilegiado, para ampliar as bases de uma opinião bem informada e de uma conduta
de indivíduos, de empresas e de coletividade, inspirada no sentido de sua responsabilidade em
relação à proteção e à melhoria do meio em todas as dimensões humanas. (Estocolmo, 1972)
Como exposto anteriormente, os conceitos de outrora acerca da preocupação com o
meio ambiente mudaram consideravelmente com a pauta de possível mudança da realidade
através de um novo modelo econômico, o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade,
que começou a ser discutido e pensado melhor no final do século XX.
Entendeu-se, portanto, desde a dita época até os dias atuais, que essa temática não devia
restringir-se apenas aos governos, mas que se tornasse uma problemática debatida e estudada
em todas as esferas da sociedade, pois o que está em questão não é um interesse de um grupo
57
isolado ou facção, mas sim da humanidade como um todo, sem distinção de credo, etnia,
gênero ou sistema político, o que foi acordado após tratados e convenções.
Em decorrência disso, passou a ser implantado nas universidades de várias partes do
mundo essa ideologia e o Brasil, por exemplo, foi um país que vestiu e ainda está se vestindo
paulatinamente dessa roupa chamada educação para o desenvolvimento sustentável. As
questões ambientais passaram a não ser exclusivas de cursos voltados para o meio ambiente,
como Engenharia Ambiental, Gestão Ambiental, entre outros. Porém, passaram a ser
incorporadas em muitas áreas do conhecimento, dentre elas, a Engenharia Civil.
Isto ocorreu e vem ocorrendo de forma plausivelmente reconhecida, porque a
Sustentabilidade é uma mesma verdade vista de vários ângulos e perspectivas diferentes.
Compara-se a uma casa. Se cortada longitudinalmente no projeto, a 1,20m de altura do piso
(planta baixa), dará para ver a espessura de parede, todos os ambientes do imóvel, mas não
dará de ver, nesse caso, alturas de peitoris ou pé direito. Porém, se for feito um corte
transversal, serão especificados detalhes que não são vistos na planta baixa, mas faltará alguns
detalhes da mesma. São vistas que complementam um projeto.
Da mesma forma é o desenvolvimento sustentável, visto hoje sobre várias óticas de
diferentes áreas do conhecimento, logo cada área consegue ver somente uma parte do que é
desenvolvimento sustentável. Mas como afirma o teórico Morin (2002, p.13) ―é preciso juntar
as partes ao todo e o todo às partes‖. Portanto, unindo cada ponto de vista desses, poder-se-á
chegar o mais próximo do estágio avançado do desenvolvimento sustentável: a
sustentabilidade, ou seja, a possibilidade da sustentabilidade por intermédio da
interdisciplinaridade.
Analogicamente, a própria interdisciplinaridade tem que ser interdisciplinar. Também
são pontos de vistas diferentes que a forma como um todo. Embora o pedagogo ou outro
cientista da educação seja o profissional mais apto para abordar a temática
―Interdisciplinaridade‖ de forma geral, por ter mais enfoque em seu percurso acadêmico, se o
mesmo fosse adaptar ao ramo da Engenharia Civil, poderia ter dificuldades porque sua
abordagem seria apenas endógena, enquanto que o acadêmico de engenharia poderá fazer uma
análise exógena por ter um contato mais profundo com a área, embora talvez não seja tão
familiar à temática ―Interdisciplinaridade‖. Fato este que justifica a existência de órgãos
comprometidos com a educação voltada para suas respectivas áreas, como a própria
ABENGE, que é voltada para a educação em Engenharia.
O grande paradigma a ser quebrado totalmente da sociedade brasileira é o de o
profissional de engenharia ser apenas um tecnicista indiferente e alheio aos problemas
58
socioambientais. Não somente a inserção das disciplinas de cunho ambiental é suficiente para
conscientizar e persuadir o educando para o lado do desenvolvimento sustentável, como
também a extensão universitária mostra-se uma proposta que traga mais impacto para o
estudante, a qual o discente pode ser submetido a problemas práticos cotidianos e instigado a
desenvolver pesquisas de novas tecnologias sustentáveis, por exemplo, que se repassados de
forma correta pelo educador, o fará entender implicitamente que vale a pena trilhar pelo
caminho da sustentabilidade.
Esse
novo
paradigma
interdisciplinar
que
extrapola
limites
impostos
pelo
tradicionalismo é descrito por Morin (2003, p.107):
A história da ciência não se restringe à construção e proliferação das
disciplinas, mas abrange, ao mesmo tempo, as rupturas entre as
fronteiras interdisciplinares, da invasão de um problema de uma
disciplina por outra, de circulação de conceitos, de formação de
disciplinas híbridas que acabam tornando-se autônomas
O autor revela claramente a realidade do contexto que nos encontramos e implícita o
diagnóstico para os problemas globais, como a poluição e degradação ambiental, por
exemplo, que só podem ser tratados se cada área do conhecimento não se hiperespecializar
mas contribuir mutuamente com outras ciências e assim promover maiores soluções. Morin
(2000, p.41) explica:
A hiperespecialização impede tanto a percepção do global (que ela
fragmenta em parcelas) quanto do essencial (que ela dissolve). Impede
até mesmo tratar corretamente os problemas particulares, que só
podem ser propostos e pensados em seu contexto. Entretanto, os
problemas essenciais nunca são parcelados e os problemas globais são
cada vez mais essenciais.
A possível saída para reverter o atual quadro com a contribuição significativa da
engenharia, que é uma importante área do conhecimento para pensar e contribuir
tecnologicamente para solucionar incógnitas da questão socioambiental, é através da educação
e, esta se valendo da valendo da Interdisciplinaridade. O engenheiro em sua fase de formação,
embora tenha que se especializar no conhecimento técnico e prático da área, deve conciliar
isto à perspectiva de desenvolvimento sustentável, tanto para se adequar ao novo perfil
profissional como para construir um mundo melhor.
CONCLUSÃO
Conclui-se, portanto, que a relação existente entre a Interdisciplinaridade e a
Sustentabilidade no contexto da formação do engenheiro civil é de interdependência e ambas
se complementam. Uma relação intrinsecamente coexistente que gera na realidade uma
perspectiva positiva para as presentes e futuras gerações.
59
Uma forma que pode ser viabilizada essa parceria é através do ambiente acadêmico e
por intermédio da manutenção e inserção das disciplinas voltadas para o meio ambiente, bem
como pela extensão universitária voltada para o desenvolvimento de novas tecnologias e a
instigação de se pensar através de uma visão sustentável.
E esses preceitos são de profunda relevância na definição da nova concepção do novo
profissional em engenharia civil, o qual deve expandir seus horizontes para além do
tecnicismo específico de sua área. Se há uma forma hoje viável de se promover mudanças
significativas na engenharia sustentável é aliá-la à Interdisciplinaridade.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Gustavo Henrique de Sousa, ALMEIDA, Josimar Ribeiro, GUERRA, Antonio
José Teixeira. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas. 1 ed. Rio de Janeiro. Bertrand
Brasil LTDA Editora, 2005.
CSILLAG, Diana. Análise das práticas de sustentabilidade em projetos de construção
latino americanos. São Paulo, 2007. p. 117. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Construção Civil.
FRANÇA, Sérgio Luiz Braga; QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalves; TRAVINCAS, Rafael.
O ensino da Sustentabilidade na formação do engenheiro: Proposta de diretrizes. VII
CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO: UFF, 2011.
JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976
MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma: repensar o pensamento. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
_______, Edgar. Complexidade e ética da solidariedade. In: CASTRO, Gustavo de;
CARVALHO, Edgard de Assis; ALMEIDA, Maria da Conceição de. (Orgs.). Ensaios de
complexidade. 3.ed. Porto Alegre: Sulina, 2002, p.11-20.
PEREIRA, Bráulio José. Sustentabilidade: Um desafio para Engenharia. Ietec, 2014.
Disponível em: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1693. Acesso
em 1 de maio de 2015.
TELLES, P. C. S. História da engenharia no Brasil: século XX. Rio de Janeiro: Clavero,
1994.
60
ANÁLISE ESTRUTURAL E INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DE
AÇÃO
DOS
VENTOS:
PARÂMETROS
RELEVANTES
NA
CONCEPÇÃO DE GALPÕES INDUSTRIAIS
Gabriel Rodrigues Gomes1
Alessandro Garcia
David Rodrigues Gomes*
Hugo Aquino²
RESUMO:
Este presente trabalho tem como objetivo principal apresentar, segundo a NBR 6123/1988,
quais são os parâmetros fundamentais para analisar um galpão industrial em termos da velocidade do vento
atuante. Os objetivos secundários são: verificar a influência da velocidade do vento na estrutura em questão,
relatar os esforços atuantes devido a esta carga variável e abordar de forma propedêutica a temática e seus
aspectos. A metodologia baseia-se em uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo. As justificativas se dão
pelos sinistros que ocorreram e vêm ocorrendo devido a ação dos ventos e a importância do tema para análise
estrutural. Os esforços a que estes tipos de estrutura ficam submetidos são de sobrepressão na parede de
barlavento e sucção no lado oposto (sotavento), tendendo a arrancar tanto a estrutura como a cobertura,
provocando sinistros. Concluiu-se que o fator velocidade do vento é de fundamental importância, senão o mais
importante na análise estrutural, pois quanto maior for essa, maior será a pressão dinâmica naquela superfície. E
os parâmetros essenciais dessa análise para se levar em consideração segundo a NBR 6123/1988 são: velocidade
básica do vento, fator topográfico, rugosidade do terreno e coeficiente do grau de segurança.
PALAVRAS-CHAVE: Vento, Velocidade, Galpões
INTRODUÇÃO
O projeto estrutural de uma edificação é composto por etapas que devem ser observadas
e executadas criteriosamente. Entre esses passos estão na ordem: a concepção estrutural,
análise estrutural, dimensionamento e detalhamento e, por último, a emissão das plantas
finais.
Este trabalho objetiva a abordagem da etapa de análise estrutural no que tange o efeito
provocado pelo vento em galpões industriais, regulado pela ABNT NBR 6123/1988. Todavia,
para o real entendimento dessa problemática e visando aplicabilidade prática, apenas a
observação das normas reguladoras não são suficientes, sendo necessário, portanto, o
engajamento teórico do assunto em questão na pesquisa, o que será discorrido em seguida
como suporte e enriquecimento do trabalho.
A engenharia estrutural firma-se no princípio de oferecer segurança aos que irão
usufruir de uma edificação, quer seja de forma direta ou indireta. Logo, o projetista deve levar
em consideração cargas e parâmetros de cálculo não só da estrutura em si, como o peso
próprio da estrutura e outras cargas permanentes, mas também dos fatores externos em
1
Acadêmicos de Engenharia Civil (CEULS/ULBRA).
Professor com título de Mestre e Orientador do trabalho
*Acadêmico de Engenharia Sanitária e Ambiental (UFOPA)
2
61
determinados casos, como cargas variáveis e acidentais. No caso estrito de galpões industriais,
deve-se levar em conta a ação dos ventos.
O vento vem sido cada vez estudado em decorrência da sua importância para
interpretação de fenômenos físicos e meteorológicos, e sua interação com o meio. Com isso,
emergiu uma área chamada engenharia de vento, a qual tem como fundamento estudá-lo afim
de prevenir sinistros em obras de engenharia que aconteceram e ainda acontecem devido a
esta carga variável.
Para a explicação conceitual do vento, afirma Marcelli (2007):
Os ventos são originados pelo gradiente de pressão, ou seja, as
diferenças de pressão atmosférica provocam a movimentação de
grandes massas de ar, sendo que isso ocorre pelo calor irradiado da
superfície terrestre para a atmosfera.
O autor acima explicita de forma teórica e assertiva do ponto de vista científico como se
dá essa interação. Acrescenta-se, portanto, que as pressões que o vento provoca no contorno
de uma estrutura tende a levá-la ao mesmo movimento do contorno, onde a velocidade do
vento é fator preponderante para causar danos à estrutura, porém não o único fator. Em
galpões industriais, a problemática se dá principalmente porque geralmente é constituída de
uma estrutura leve, como explica (Nogueira, 2009):
A ação do vento poderá provocar ruína total ou parcial de edificações,
principalmente, as estruturadas em aço. O vento não era problema em
construções baixas, de paredes espessas, mas passou a ser, e em
medida crescente, quando as construções foram tornando-se mais
esbeltas, e as estruturas usadas constituídas com menos quantidade de
material.
No caso dos galpões estruturadas em aço, geralmente são estruturas porticadas e suas
dimensões de comprimento sobrepujam em grande proporção a largura. As imagens abaixo
ilustram como se dá a ação do vento nos galpões.
Figura 1: Barlavento e Sotavento (Fachada do Galpão)
Fonte: Oliveira Júnior
Figura 2: Açao dos ventos: Vista aérea e frontal de um galpão
62
Fonte: Marcelli
A parede do barlavento recebe essa pressão atuante e fica com pressão positiva ou
sobrepressão. Todavia, o vento contorna a edificação pela cobertura e pelas laterais e na
extremidade do sotavento, a pressão que a contorna é maior que a pressão próxima à parede,
tendo, portanto, uma pressão negativa ou de sucção. Essa pressão tende a arrancar a estrutura
assim como também a cobertura. Se as normas correspondentes à ação do vento e ao
dimensionamento estrutural forem rigorosamente seguidas, tem-se menor probabilidade de
ocorrer acidentes devido à ação do vento (BLESSMANN, 1986).
METODOLOGIA
A pesquisa é de cunho bibliográfica, utilizando-se o método qualitativo para discorrer
acerca dos parâmetros relevantes na concepção de galpões industriais, no que diz respeito à
influência da velocidade da ação dos ventos neste tipo de estrutura. O respaldo teórico se
baseia na consulta de livros, teses de mestrado, trabalhos de conclusão de curso e da NBR
6123/1988.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste item será abordado os fatores de cálculo importantes na análise do vento em
galpões industriais, segundo a NBR 6123/1988. Esses parâmetros ajudam a determinar as
pressões estáticas e dinâmicas do vento em edificações. Um dos fatores mais relevantes é a
velocidade do vento, e pode ser velocidade básica ou característica.
A velocidade básica do vento (Vo) é a velocidade de uma rajada de 3s, excedida em
média uma vez em 50 anos, a 10m acima do terreno, em campo aberto e plano. Abaixo se
apresenta a distribuição da velocidade do vento no Brasil.
63
Figura 3: Distribuição da Velocidade Básica do Vento no Brasil
Fonte: ABNT NBR 6123/1988
A velocidade característica (Vk) leva em consideração vários parâmetros peculiares de
cada região, tais como fator topográfico (S1), fator de rugosidade do terreno e dimensões da
edificação (S2) e o fator estatístico (S3).
O fator topográfico (S1) leva em conta somente as variações do relevo do terreno. O
fator S2 é o mais complexo, pois o S3 é somente análise de tabela. O fator S2 considera o
efeito combinado da rugosidade do terreno, da variação da velocidade do vento com a altura
acima do terreno e das dimensões da edificação (ABNT NBR 6123/1988). E pode ser
calculado como:
Nessa fórmula, o ‘b’ é o comprimento da base do galpão; o ‘z’ simboliza a altura do galpão e os
parâmetros ‘b’ , ‘Fr’ e ‘P’ são normatizados de acordo com as condições e encontram-se na tabela
abaixo:
64
Tabela 1: Parâmetros Metereológicos
Fonte: ABNT NBR 6123/1988
O fator S3 te como ponto de partida de análise conceitos estatísticos como o grau de
segurança da edificação e a sua vida útil. O coeficiente pertinente para esta pesquisa é 0,95 da
descrição 3 da tabela abaixo, pois é para o uso de galpões industriais.
Tabela 2- Valores mínimos do fator estatístico S3
Fonte: ABNT NBR 6123/1988
Para encerrar os resultados, a fórmula final da velocidade característica ficou:
Vk=VoxS1xS2xS3. E a pressão dinâmica que age na estrutura é proporcional ao quadrado da
velocidade caracterítica: q=0,613VK2. Logo, esses parâmetros que foram supracitados (Vo e
Vk) são os mais relevantes contidos na norma para efeito do cálculo da velocidade do vento.
CONCLUSÃO
Conclui-se que os parâmetros mais relevantes para consideração da velocidade do vento
são: velocidade básica da região onde o galpão será construido, fator topográfico do terreno,
rugosidade do terreno e variação da velocidade do vento com a altura; e o coeficiente do grau
de segurança da edificação que no caso de galpões é 0,95. A velocidade característica é
diretamente proporcional a multiplicação desses coeficientee, e, a pressão dinâmica, por sua
vez, é igual ao quadrado da velocidade característica.
65
O fator velocidade do vento é o mais importante e determinante na concepção da
análise, pois como foi constatado é diretamente proporcional à pressão dinâmica atuante na
estrutura e essa pressão dinâmica que provoca os esforços n que podem levar a estrutura em
colapso parcial ou total.
REFERÊNCIAS
MARCELLI, Maurício. Sinistros na consturção civil: causas e soluções para danos e
prejuízos em obras. São Paulo: Pini, 2007.pp. 151-171.
NBR 6123/1988. Forças devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 1988.pp.
5-55.
NOGUEIRA, Gilcimar Saraiva. Avaliação de soluções estruturais para galpões compostos
por perfis de aço formados a frio [manuscrito] / Gilcimar Saraiva Nogueira - 2009.pp. 911.
OLIVEIRA JÚNIOR, Marcelo Alves de. Análise da influência dos ventos em galpões
industriais. Caruaru: O autor, 2013.pp. 5-20.
66
AVALIAÇÃO DE PROCESSO DE TRATAMENTO
COLETADO POR CAMINHÃO LIMPA FOSSA
DO
LODO
Francisco Demétrio de carvalho Neto1
[email protected]
Jamil Issa Coimbra Elias¹
[email protected]
Orientador: Alisson Leonardo Vieira dos Reis2
[email protected]
RESUMO: O trabalho em questão tem por objetivo apresentar quais os passos a se seguir
para o tratamento para o lodo de fossa/tanque séptico, proveniente da retirada deste resíduo
em caminhões limpa fossa, das residências que utilizam sistema de esgotamento do tipo
individual (fossas e tanques sépticos). Tem relevância porque orienta sobre os principais
aspectos do tratamento, que se caracteriza em três etapas: retirada do material em caminhões
tipo limpa fossa, pré-tratamento e tratamento. Se fundamenta por uma pesquisa bibliográfica
para se obter o melhor meio de apresentar qual as diretrizes que um sistema limpa fossa
dispõe para operar.
INTRODUÇÃO
O trabalho em questão tem uma relevância importante, visto que a grande questão é
saber qual o fim adequado deve ser dado para o resíduo coletado nos sistemas de tratamentos
de esgoto residências.
Não é comum se levantar tal questão, geralmente as pessoas não pensam no assunto
por se tratar de esgoto, dejetos, vide o problema com os lixões que poucas pessoas tinham
conhecimento, mas deveria estar se operando aterros sanitários desde outubro de 2014 (G1)
em todo o país, uma meta a se cumprir que não foi levada a serio. E os dejetos das fossas
sépticas que devem, também, tomar um rumo adequado, mas que muitas vezes é um caso
negligenciado de tal forma que há relatos de resíduos sendo depositados em terrenos baldios,
leitos d‘água, dentre outros.
O que é inviável, afeta o ser humano de várias formas possíveis, principalmente na
questão da saúde, que causa o aumento do número de vetores portadores de doenças. Apenas
39% do esgoto é tratado nos país, 48,6% da população tem a coleta de esgoto e 82,8% tem
1
2
Acadêmico do curso de Engenharia Civil – ULBRA, Santarém, PA
Orientador, Engenheiro Sanitário (UFPA) e Professor do curso de Engenharia Civil – ULBRA, Santarém, PA
67
abastecimento de agua tratada e isso e algo preocupante visto que sem o saneamento básico
aumentam as proliferações de doenças como leptospirose, dengue dentre outras doenças.
E para o estado do Pará apenas 42,19% da população e abastecida com agua tratada
3,75% da população tem a coleta de esgoto e 2,79% tem esgoto é tratado são dados
alarmantes que precisam ser analisados pela secretaria responsável pela infraestrutura do
município para mudar essa realidade precária do nosso estado.
O trabalho, então, tem objetivo de apresentar, para conhecimento geral, o fim
adequado para os dejetos de fossas e tanques sépticos, para possível aplicação em um caso
real.
MÉTODO
O tema apresentado é produzido com base em pesquisas bibliográficas de trabalhos
acadêmicos relacionados, pesquisas na internet sobre as principais características de um
processo de tratamento de resíduos de limpa fossa.
GENERALIDADES
Normalmente, encontram-se dois tipos de esgotamento sanitário: o coletivo e o
individual (Silva 2014), o primeiro, em suma, ocorre quando há o atendimento de mais de
uma residência, como redes publicas de tratamento de esgoto, onde a residência tem uma
ligação direta com redes coletoras localizadas sob as vias. O individual, mais comum, atende
uma única unidade, e geralmente é composto por fossas e tanques sépticos, quem devem ter
manutenção periódica, com limpeza que varia de um a cinco anos (NBR 7229/1993).
O tanque séptico cumpre, primordialmente, três funções (Silva 2014): (i) separação da
escuma e sólidos, em relação aos líquidos, sendo que os sólidos constituem-se em lodos; (ii)
digestão anaeróbia e liquefação parcial do lodo; (iii) armazenamento do lodo.
O material encontrado em uma fossa séptica, em geral, é composto por três
componentes: sólido, liquido e escuma. O sólido vem a ser o lodo, o liquido como o próprio
nome da entender a parte liquida do resíduo, a escuma é a matéria graxa misturada com
sólidos e gases, que fica em suspensão no liquido em tratamento.
68
O lodo vem a ser (NBR 7229/1993) o material acumulado na zona de digestão do
tanque séptico, por sedimentação de partículas sólidas suspensas no esgoto. Entretanto,
quando se faz a limpeza de uma fossa não se drena apenas a parte sólida (lodo), mas também
um percentual de liquido acaba por ser absorvido no processo, que é comum, se cita isto
apenas para esclarecer que não é unicamente o lodo que é absorvido, mas também liquido,
logo, o tratamento abrange este aspecto e o nome do resíduo que é coletado pode se chamar
―lodo de fossas e tanques sépticos‖.
PROCESSO DE TRATAMENTO
A primeira parte do tratamento inicia com a remoção do resíduo que se encontra no
tanque séptico, que é transportado por caminhões limpa fossa até a estação de tratamento de
esgoto (ETE). É possível encontrar duas formas de se fazer a retirada do lodo de fossas e
tanques sépticos. O primeiro é por pressão hidrostática. O mais comum, se faz por
bombeamento, onde é inserida uma mangueira no interior do tanque e o material é succionada
até o caminhão limpa fossa. Como já mencionado anteriormente, essa limpeza, deve ser feita
de acordo com o projeto, que varia de um a cinco anos e a retirada não deve exceder 90%
(noventa por cento) do volume total do tanque (NBR 7229/1993).
Já na ETE, é necessário fazer, antes do pré-tratamento, o gradeamento para a retirada
dos sólidos grosseiros (SABESP) que são materiais com dimensões maiores que o
gradeamento, que varia de um a dez centímetros como (papel, plástico, madeira, etc.),
justamente para o material ficar retido e proteger as próximas etapas.
Após a retirada dos sólidos grosseiros, é hora da retirada dos sólidos sedimentares, que
são feitos por caixas de areia ou desarenadores, os materiais retidos nesse momento são areia
e detritos minerais inertes presentes na água (Silva 2014). Há a limpeza dessas caixas de areia,
que podem ser feitas por via manual ou mecânica. Quando por via manual o sistema para, o
que gera transtornos, por isso faz-se uso de duas caixas de areia, para quando uma está
inutilizada, em função da limpeza, seu par funciona normalmente.
Em consequência se faz a remoção de óleos flutuantes, que são os óleos e graxas que
acabam adentrando o processo, este processo se faz por flotação, que é a retirada destes
materiais que se encontram suspensos no liquido. Agora o resíduo é despejado em um tanque
69
onde ocorre a presença de microbolhas ascendentes, por pressurização do ar, que faz o
acumulo dos óleos e graxas na superfície do liquido.
Por fim se faz o tratamento do lodo, que pode ser realizado de duas formas, por
tratamento isolado ou combinado.
O tratamento isolado se fragmenta e três, com ênfase: na fase líquida, sólida ou com
disposição no solo.
o Fase liquida: este se faz com o uso de lagoas de estabilização, é uma opção de
menor custo, não exige alta capacitação do operador, porém libera odores
desagradáveis e necessidade de grandes áreas;
o Fase sólida: é feita por estabilização alcalina, é adicionado uma quantidade de cal
ao lodo, o que eleva seu ph acima de 12. Isso possibilita anulação de odores, e
diminuição da atração de patógenos e subsequentemente o numero de doenças;
o Disposição no solo: nesta opção pode ser feita por trincheira, aqui é escavada
trincheira no solo, preenchida com lodo e por fim enterrado, o tratamento ocorre
desta forma.
Tratamento composto: o lodo de fossa e tanque séptico é tratado em conjunto com o
esgoto sanitário em uma estação de tratamento, é o mais comumente utilizado nos grandes
centros hoje, visto que é uma mescla do sistema individual com o coletivo. Há que se
destacar que se preveja isto nos projetos das estações de tratamento, a descarga adicional
que ocorre naquele momento do despejo do limpa fossa na ETE.
CONCLUSÃO
O conhecimento sobre como se deve operar um limpa fossa é importante, desde a
coleta do material na residência até o seu depósito para tratamento em sistema isolado ou
composto, os passos que se seguem: coleta, pretratamento e tratamento do lodo de
fossa/tanque séptico devem ser adequados de acordo com a situação de cada localidade, as
vezes utilizar de um sistema que não seja necessário muita técnica, como uma lagoa de
estabilização é melhor que uma ETE, que exige conhecimento de operação e
dimensionamento, isto deve estar de acordo com cada realidade.
70
REFERÊNCIAS:
CARVALHO, Eduardo. Lei exige fim de lixões até este sábado; 60% das cidades não se adequaram.
Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/08/lei-exige-fim-de-lixoes-ate-estesabado-60-das-cidades-nao-se-adequaram.html> Acesso em 07 de outubro de 2015.
Sabesp.
O
que
fazemos/tratamento
de
esgoto
http://www.sabesp.com.br/CalandraWeb/CalandraRedirect/?temp=2&proj=sabesp&pub=T&n
ome=TratamentoDeEsgoto&db=> Acesso em 09 de outubro de 2015.
SILVA, Adriane Dias da. Avaliação do Comportamento de uma Estação Piloto para Recepção
e Pré-tratamento de Resíduos de Caminhões Limpa-fossas. 146p. 2014.
Trata
Brasil.
Saneamento
no
Brasil.
Disponível
<http://www.tratabrasil.org.br/saneamento-no-brasil> Acesso em 09 de outubro de 2015.
em
71
DESCRIÇÃO
DE
MÉTODO
EXPERIMENTAL
PARA
DETERMINAÇÃO
DE
ABSORÇÃO
DE
ÁGUA
E
IMPERMEABILIDADE EM TELHAS DE FIBROCIMENTO
Gabriel Rodrigues Gomes1
Alessandro Garcia
David Rodrigues Gomes*
Débora Qúezia Escócio
Jordan Almeida Lobato
Juliana Ribeiro
Hugo Aquino²
RESUMO: Este presente trabalho tem como objetivo discorrer acerca dos métodos existentes regulados
por normas da NBR, que determinam as características das telhas de fibrocimento (absorção de água e variação
de temperatura), bem como propor um método experimental simples e pouco sofisticado tecnologicamente, mas
que busca atender essa necessidade e procura apresentar um valor científico satisfatório, embora dependa de
alguns meios empíricos e, em um deles, sem quantificação. O fomento e relevância desse trabalho apoia-se no
pressuposto de não haver sido difundido ainda meios tão viáveis e com baixo custo de se fazer esses ensaios,
pois normalmente são feitos por empreendimentos de grande porte e que possuem um aparato tecnológico vasto
(empresas de construção, fábricas, laboratórios equipados e entre outros), os quais propiciam a realização dos
tais por intermédio de equipamentos com preço relativamente alto e que, por muitas vezes, podem inviabilizar o
processo. O fato de as telhas de fibrocimento serem as mais utilizadas no mercado brasileiro também contribui
para a idealização de um modelo de controle tecnológico eficiente e prático, que será de fundamental
importância para determinar se o material poderá ser utilizado e se atenderá as exigências de conforto térmico e
impermeabilidade.
Palavras-chave: Telhas de fibrocimento. Método prático.
INTRODUÇÃO
A cobertura, quer seja em telhamento ou lajes de concreto, é uma das principais etapas
na execução de uma residência e, no caso das coberturas de telhamento, a forma de execução
e o material das telhas que serão empregadas, têm influência significativa e direta no que
tange as questões de conforto térmico, estanqueidade às águas pluviais e proteção a agentes
indesejáveis.
As telhas de fibrocimento são as mais usadas no Brasil e segundo o doutor John (2014),
―cerca de 250 milhões de m² de telhas de fibrocimento são utilizadas no mercado brasileiro
anualmente, o que corresponde metade da área de telhados construídos no Brasil‖. Isso se dá
principalmente pelo baixo custo e por demandar uma estrutura leve, todavia apresenta
algumas desvantagens, por existir em sua antiga composição produto danoso à saúde: o
amianto.
1
Acadêmicos do curso de Engenharia Civil do CEULS/ULBRA
² Professor do CEULS/ULBRA com título de Mestre e Orientador do trabalho
* Acadêmico do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental pela UFOPA
72
Embora essa substância esteja sendo trocada aos poucos por materiais alternativos,
como outras fibras. Nota-se que as fibras de amianto estão presentes em 80% das residências
brasileiras, através das caixas d‘água, e em 50%, como telhado (BELLIARDO, 2012). Fato
este que testifica que muitas pessoas têm sua integridade comprometida, o que comprova uma
desvantagem relativa dessa telha ainda.
A definição de telhas de fibrocimento que foi fornecido de forma não atualizada pela
NBR 5640/1995 é a seguinte:
As telhas de fibrocimento a que se refere esta norma são fabricadas
com uma mistura íntima e homogênea, em presença de água,
composta essencialmente por cimento Portland e fibras de amianto,
podendo ser complementada com a adição de outros componentes.
Como foi discorrido anteriormente, essa norma supracitada está desatualizada, pois o
amianto foi ―trocado‖, ao menos em efeito de norma, por outras fibras que não apresentam o
mesmo desempenho de estanqueidade do amianto, fator este que contribui ainda mais para
averiguação do índice de impermeabilidade e absorção de água das telhas em fibrocimento, o
que será exposto no decorrer deste presente trabalho.
O ensaio realizado se baseia na NBR 6470 (ensaio de absorção de água) e na NBR 5642
(impermeabilidade). Na etapa da metodologia abordar-se-á acerca destes ensaios realizados
com telhas onduladas de fibrocimento, os quais, como ditos outrora, são regrados pelas
NBR‘s, como o ensaio de absorção de água e impermeabilidade.
E, como o enfoque da pesquisa é propor um novo método experimental que atenda às
necessidades dos ensaios de absorção de água e impermeabilidade, será exposto após os
modelos padrões, a alternativa que fora citada acima.
METODOLOGIA
A pesquisa é de cunho experimental e bibliográfica. A montagem do experimento
ocorreu em novembro de 2014 no CEULS/ULBRA, que fora baseado nas NBR‘S 6470 e
5642. A forma de execução será exposta logo após o resumo das NBR‘S.
NBR 6470: Esse método, como subentende-se, determina o teor de absorção de água
através de meios científicos e precisos e, após ser executado esse ensaio, a telha de
fibrocimento não pode apresentar um teor de absorção maior que 37%, pois a norma fixa esse
coeficiente e, se for excedido, será reprovada A aparelhagem necessária é: uma estufa ou
secador que mantenha a temperatura dos corpos de prova por 24h entre 100°C e 110°C; uma
balança com capacidade mínima de 1 kg, com resolução de 0,1g e um recipiente de qualquer
tipo para conter água potável.
73
O ensaio inicia-se retirando de cada telha do ensaio, um corpo de prova de
100mmx200mm, sendo permitida a variação de 5% para mais ou para menos nas medidas dos
corpos de prova. Seca-se os corpos de prova em estufa ou secador por 24h em temperatura de
100°C a 110°C e após imerge-se os C.P.s por 24h em água potável a uma temperatura de
15°C a 20°C. Dado o período devido, retira-os da água e enxuga-se superficialmente e os
pesa. E, procedendo isso, imerge-se novamente os C.P.s por períodos de 24h até que duas
pesagens consecutivas não apresentem diferenças de 0,5%.
E, concluindo-se o ensaio, determina o teor de absorção com simples equação, a qual o
teor de absorção de água é igual à diferença da massa úmida e massa seca sobre a massa seca,
e, por questões percentuais, multiplica-se por 100 e obtém-se o coeficiente de absorção de
cada C.P.
NBR 5642: Esse método apenas verifica de forma ―observada‖ a impermeabilidade da
telha, ou seja, não é quantificado o coeficiente como no ensaio de absorção de água, mas tem
valor científico determinante.
A aparelhagem requerida para idealização deste ensaio é basicamente de um tubo com
seção circular reto, de cor transparente ou translúcido, com abertura nas extremidades e com
diâmetro de 35mm e capaz de formar uma coluna líquida de 250mm.
O corpo de prova é o próprio pedaço da telha de fibrocimento. O primeiro passo é
colocar o C.P em posição horizontal e apoia-se um extremo do tubo na vertical e após veda-se
com selante a interseção entre o tubo e a telha. Depois, enche-se com água até formar a coluna
hidrostática de 250mm e, passada as 24h em repouso, verifica-se a face interior do C.P. Os
resultados do ensaio devem afirmar se houve ou não manchas de umidade e formação de
gotas, que será averiguado através de observação do agente ou pesquisador.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O método ou modelo que será discorrido é o cerne desse presente trabalho, o qual
propõe um novo processo pelo qual se determina o coeficiente de teor de absorção de água e,
empiricamente, mas com validade científica, a impermeabilidade. A imagem a seguir mostra o
protótipo que foi criado:
74
Figura1- Modelo construído
Fonte: Vinícius Ribeiro,2014.
O ensaio baseou-se em arquitetar um modelo que fosse capaz de determinar o teor de
absorção de água e a impermeabilidade de uma só vez, ou seja, em um mesmo ensaio.
Conforme a imagem, os materiais utilizados no modelo foram: pedaços de madeira com
angulação reta (90°), vidro comum, telha de fibrocimento de 5mm de espessura e uma garrafa
PET, onde será utilizado um volume conhecido.
Os procedimentos são simples: monta-se ou prega-se as paredes da miniatura, deixandose uma abertura em um dos 4 lados para inserir um material posteriormente, que é uma
pequena chapa de ferro, para questão de variação da temperatura interna. Colocou-se a telha
de fibrocimento, a qual tem sua vedação entre a telha e as ―paredes‖ supostas e depois
colocou-se a garrafa PET de 2L com 500mL de água (medidos em proveta) sobre a telha e
fez-se também uma vedação e, no caso, utilizou-se o material epóxi.
Após a secagem das vedações, toda a montagem foi tirada da temperatura ambiente, em
torno de 28° e foi colocada exposta ao sol desde as 10h da manhã até 16h, ou seja, 6h na
exposição da radiação solar. Quando se retirou o produto, aferiu-se os seguintes dados: Já
havia apenas 450mL de água, ou seja, foram absorvidos 50mL de água em 6h. Constata-se,
portanto, que a absorção de água dessa telha foi de 11,11%, utilizando-se da mesma prova de
cálculo da NBR 6470. Concluiu-se, portanto, que a telha está dentro dos padrões, pois um
coeficiente de absorção para ser reprovado tem que ser maior que 37% e, nesse caso, esteve
bem abaixo.
Outra aferição foi a empírica ou observativa, a qual a telha teve apenas algumas
manchas de umidade, mas não houve nenhum tipo de gotejamento para a parte interna do
protótipo. Vale ressaltar que houve também uma variação de temperatura da telha nesse
período de 6h, a telha saiu de sua temperatura e atingiu 38° e a barrinha de ferro saiu de sua
75
temperatura normal e foi de 29° até o momento da aferição. Na segunda aferição, realizada
em 24h a céu aberto, verificou-se um aumento significativo na temperatura da telha, que foi
de 49°C e a da mesma barra foi de 33,5°C e, a temperatura interna foi de 37,5°C.
CONCLUSÃO
O método experimental proposto apresentou um satisfatório resultado no ensaio de
absorção de água e de impermeabilidade, pois embora não ter havido muitos critérios de
quantificação, o ensaio de absorção de água é satisfatório porque teve um teor muito inferior
ao que é proibido por norma e, para efeitos de aprovação e reprovação de material, ele pode
ser utilizado. Todavia, ainda precisa ser mais aperfeiçoado para ser usado como método
laboratorial.
O ensaio de impermeabilidade apresenta os mesmos parâmetros empíricos do regido por
norma, portanto, ele pode ser utilizado para fins de observação. Mas, como a proposta do
método era apresentar um ensaio alternativo, sem tanta sofisticação, mas com valor científico,
em geral, houve êxito, embora haja necessidades de revisões dos processos. O mais
interessante é que o método faz os dois ensaios de forma concorrente, fator este que diminui
os custeios e não demanda por muito tempo de execução.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 5460: Especificações
gerais das telhas de fibrocimento. 1995.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 6470: Ensaio de absorção
de água em telhas de fibrocimento.1993
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 5642: Ensaio de
Impermeabilidade em telhas de fibrocimento.1993
BELLIARDO, Rafael. Ministros divergem sobre banimento do amianto no Brasil. Conjur,
31 de outubro de 2012. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2012-out- 31/marcoaurelio-ayres-britto-divergem-necessidade-banir-amianto. Acesso em 15 de maio de 2015.
SAVASTANO JÚNIOR, Holmer; JOHN, Vanderley M. Perspectivas do fibrocimento sem
amianto no Brasil. Folha de São Paulo, Tendências/Debates, 08 de fevereiro de 2014.
76
MODELO DE FOSSA SÉPTICA COM FILTRO ANAERÓBIO PARA
RESIDÊNCIAS POPULARES DA CIDADE DE SANTARÉM-PA
Diovana Silva Sena de Sousa1
Saulo de Almada Gomes2
[email protected]
RESUMO: As deficiências dos serviços de saneamento básico nas áreas urbanas, principalmente em áreas
periféricas, precisam de implantação de um sistema alternativo para disposição dos resíduos locais, com o
objetivo de evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. Tendo isso em vista este trabalho vem trazer
uma proposta de modelo de fossa séptica com filtro anaeróbio, que diminua a contaminação por parte de
residências populares, e ao mesmo tempo seja viável a este padrão de edificação. Para a prototipação desta fossa,
foi utilizado um modelo matemático disposto na NBR 7229/93, que estabelece projetos, construção e operações
de sistemas sépticos, além da análise dos dados acerca das variáreis do modelo matemático proposto pela norma.
A elaboração do modelo de fossa séptica deste trabalho possui suas dimensões proporcionais a uma edificação
residencial com uma contribuição de cinco habitantes. Observou-se que o modelo pode atender as necessidades
das residências, e que se torna viável a partir da sua compactação e da possibilidade do uso de materiais
alternativos.
PALAVRAS CHAVES: Fossa séptica; Filtro Anaeróbio; Residências Populares.
INTRODUÇÃO
Na cidade de Santarém-PA não há redes coletoras de esgoto sanitário, obrigando a
população a criar seus próprios meios de disposição dos resíduos sanitários domésticos.
Grande parte desses resíduos é lançada de forma inadequada ao meio ambiente, que acabam
provocando doenças transmitidas principalmente por coliformes fecais e contaminação do
solo, lençóis freáticos e mananciais aquáticos. Esses problemas podem ser minimizados com a
utilização de sistemas simplificados para o tratamento de esgoto sanitário, os quais devem ter
como característica facilidade construtiva e acessibilidade à população (BRASIL, 2014).
Segundo Monteiro (2011) uma proposta adequada para as regiões que não possuem
rede coletora de esgoto e que diminua a contaminação por parte dos resíduos sanitários, é a
fossa séptica com filtro anaeróbio.
A utilização de tecnologia convencional em esgotamento sanitário tem custo elevado,
dificultando ou mesmo impedindo o atendimento às áreas de população de baixa renda.
Grande parte da população urbana não dispõe de sistema de esgotamento sanitário, tendo
como consequência o agravamento da situação sanitária. Desta forma, há necessidade de se
conceber sistemas de esgotamento sanitário com tecnologias apropriadas, ou seja, que se
adaptem às características locais, reduzindo custos sem prejuízo de sua eficácia
(KLIGERMAN, 1995 apud MONTEIRO, 2011).
1
2
Aluna de Capacitação Profissional em Auxiliar de Construção Civil – SENAI CEP Santarém
Instrutor Técnico de Construção Civil - SENAI CEP Santarém
77
As localidades que possuem esse quadro de inadequação dos resíduos de escoto são
marcadas por elevados índices de doenças relacionadas à inexistência ou ineficiência de
serviços de saneamento básico (FUNASA, 2009 apud MONTEIRO, 2011).
O sistema Fossa Séptica com Filtro Anaeróbio tem a finalidade de realizar um
tratamento primário do efluente e reduzir a carga orgânica, a fim de minimizar o impacto
ambiental causado pelo mesmo. Este sistema impede que o material orgânico sólido entre em
contato direto com o solo, além de realizar um processo de decomposição de bactérias,
reduzindo drasticamente as taxas de oxigênio, favorecendo a redução da contaminação do
solo e dos lenções freáticos (MONTEIRO, 2011).
Diante desse quadro, este trabalho propõe um modelo de fossa séptica com filtro
anaeróbio para a cidade de Santarém-PA, que possa diminuir a contaminação de lençóis
freáticos a partir de tratamento dos dejetos sanitários, bem como seja de viável utilização em
casas populares.
MÉTODO
Para a obtenção de dados neste trabalho, foram realizadas pesquisas bibliográficas.
As pesquisas bibliográficas buscaram informações que contribuíram para a construção do
trabalho. Tais pesquisas foram feitas através de livros, revistas e com acesso a internet.
Já existem na atualidade vários modelos de fossa séptica com filtro anaeróbio, o
processo realizado foi de adaptação e redução para que tal projeto possa ser utilizado em
residências populares.
Para tal adaptação foram realizados cálculos segundo o trabalho do autor Fernandes
(2005), o qual realiza um roteiro de dimensionamento de fossa séptica, além da norma ABNT
7229/93 que estabelece projetos, construção e operações de sistemas sépticos, além da análise
dos dados acerca das variáreis do modelo matemático proposto pela norma. A elaboração do
modelo de fossa séptica deste trabalho possui suas dimensões proporcionais a uma edificação
residencial com uma contribuição de cinco habitantes.
No trabalho foi exposto o modelo de Fossa Séptica com Filtro anaeróbio a partir de
imagens. Estas foram elaboradas no programa Revit 2014.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a norma NBR 7229/1993 que estabelece Projeto, Construção e
Operações de Sistemas de Tanques Sépticos, se realizou nesse trabalho um modelo de
fossa séptica com filtro anaeróbio, adaptado e adequado para casas populares com
78
habitação de uma média de cinco pessoas. O modelo foi desenvolvido no programa
Revit 2014 e está expresso nas figuras 01 e 02, em planta e corte transversal
respectivamente.
Figura 01: Representação da fossa séptica com filtro anaeróbio em planta baixa.
Fonte: Autor.
Figura 02: Representação da fossa séptica com filtro anaeróbio em corte transversal.
Fonte: Autor.
As dimensões da fossa séptica foram obtidas a partir do modelo matemático trago
pela NBR 7229/93 para fossas sépticas, a seguir:
V = 1000 + N (CT + K Lf)
79
Onde:
V = volume útil, em litros
N = número de pessoas ou unidades de contribuição
C = contribuição de despejos, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia.
T = período de detenção, em dias.
K = taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de acumulação de
lodo fresco.
Lf = contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia.
Para o volume útil foi adotado no modelo proposto, o numero de cinco pessoas
contribuindo no sistema sanitário. A partir desse numero de contribuintes, é encontrado o
valor das demais vareáveis descritas na fórmula, a partir de tabelas descritas na NBR 7229.
Neste modelo, o sistema Fossa Séptica/Filtro anaeróbio possui fundo de concreto, o
que evita o contato da matéria orgânica não filtrada com o solo, bem como fundo falso, o qual
realiza a filtragem da matéria orgânica dissolvida pela fossa séptica, aumentando assim a
eficiência de descontaminação do efluente. O líquido resultante do tratamento do filtro é
liberado no solo através das valas de infiltração, o qual chega aos lençóis freáticos com cerca
de 70% com menos contaminação do que quando entrou na fossa séptica (MONTEIRO, 2011).
Tendo em vista o modelo proposto, podemos citar as seguintes vantagens: pequena
área de instalação; custo com material e mão de obra relativamente baixo, devido a sua
pequena dimensão; não consomem energia; possibilidade de remoção da matéria orgânica
sólida; dispersão final de efluentes clarificados e com baixa concentração de matéria orgânica;
a água tratada presta-se para disposição no solo. Entre as possíveis desvantagens, podemos
citar o risco de entupimento (haja vista que ainda não foi testado, e não se tem certeza
absoluta de sua eficiência, principalmente no que diz respeito à absorção do solo) e a
produção de um efluente rico em sais minerais (em que se houver uma alta taxa pode
―queimar‖ o solo).
CONCLUSÕES
A partir de cálculos realizados segundo normas técnicas da ABNT, concluiu-se que a
fossa séptica e o filtro anaeróbio se tornam viáveis a partir da redução do uso de materiais,
além da prototipação com dimensão proporcional a uma edificação residencial popular. Além
disso, é um sistema pertinente que pode ser adotado, visando à diminuição de contaminação
do solo, dos lençóis freáticos e de mananciais da cidade de Santarém, por parte dos efluentes
domésticos.
80
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS (ABNT). Comissão de Estudo de
Instalação Predial de Fossas Sépticas. Projeto, construção e operação de sistemas de
tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993.
BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. 3. ed. rev. – Brasília. 2004,
408 p.
FERNANDES, R. de O. Roteiro de Dimensionamento de fossa Séptica seguido de
Sumidouro. Universidade Regional do Cariri-URCA. Pró- Reitoria de Ensino de Graduação e
Coordenação da Construção Civil, 2005.
MONTEIRO, A. P.; RENDEIRO, H. F. Sistema Individual de Tratamento de Esgoto,
Fossa Séptica, Filtro Anaeróbio e Sumidouro uma alternativa para o tratamento
sanitário em comunidades de baixa renda do município de Belém PA, Universidade da
Amazônia – UNAMA, 2011.
81
82
DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DE SOFTWARE
EDUCATIVO PARA APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS DE
FUNÇÕES MATEMÁTICAS DE 1º E 2º GRAU.
1
Sávio Oliveira da Silva
2
Marialina Corrêa Sobrinho
[email protected]
[email protected]
RESUMO – Este trabalho tem como objetivo desvendar, resolver e vislumbrar de forma dinâmica os conceitos
presentes no estudo das funções de 1º e 2º grau da matemática de Ensino Médio do 1º ao 3º ano, fazendo o uso
de Objetos de Aprendizagem (OAs). A partir dos levantamentos sobre a carência e atraso de materiais
tecnológicos nas metódicas de ensino, e da complexidade de interpretação e compreensão dos conceitos
relacionados aos conteúdos deste tema, desmistificando a imagem ruim das exatas, optou-se por materiais
multimídia, atraindo o interesse de alunos do Ensino Médio. Apostando na abordagem de uma metodologia
integrada ao Objeto de Aprendizagem, permitindo ao aluno visualizar e compreender o uso dos conceitos das
funções de 1º e 2º grau de forma lúdica, criativa e dinâmica. Será desenvolvido um OA com a ferramenta autoral
(eXelearning) voltado aos conteúdos de função 1º e 2º grau, agregando-o ao mesmo outros objetos que possam
somar no objetivo final do ensino-aprendizagem do material educacional. Acredita-se que esta proposta poderá
contribuir para a melhoria da qualidade do ensino da matemática e mais especificamente para o ensino de
funções 1º e 2º grau.
PALAVRAS-CHAVE: objeto de aprendizagem (oa), educação, ensino da matemática.
INTRODUÇÃO
A aplicação da Tecnologia na educação latino-americana iniciou-se com o programa
pioneiro intitulado ―projeto Piloto‖ idealizado pela ―UNESCO e colaboração de diversas
instituições‖, desenvolvendo novos modelos de ensino na Física por intermédio da tecnologia,
em São Paulo, de 1963-64. Esta pesquisa teve continuidade por parte dos pesquisadores do
mesmo ―Projeto Piloto‖, motivados pelo novo e desconhecido estudo da ―aprendizagem
humana, sob um ponto de vista tecnológico, na área da física‖ procurando sanar a diferença
do atraso dos países subdesenvolvidos em relação aos desenvolvidos, embasado no enfoque
Comportamentalista da teoria de Skinner, pelo uso ―estimulo-reposta-reforço‖, que viria no
futuro não muito distante ser alvo de estudos no desenvolvimento de OAs (Objetos de
Aprendizagem).
Com o passar dos anos, a realidade atual da aplicação da tecnologia na educação tem
sido mediado com o auxilio do OA, com a pretensão de servir como material de apoio ao
professor, tornando as aulas mais dinâmicas e participativas. Segundo Tarouco (2003):
Um Objeto de Aprendizagem é qualquer recurso, suplementar ao processo de
aprendizagem, que pode ser reutilizado para apoiar a aprendizagem, termo
geralmente aplicado a materiais educacionais projetados e construídos em pequenos
conjuntos visando a potencializar o processo de aprendizagem onde o recurso pode
ser utilizado. (TAROUCO et al.,2003)
1
Acadêmico de Engenharia Civil - Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS/ULBRA
Profa. Me. do curso de Bacharelado em Sistema de Informação do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA: Licenciatura em Informática do IFPA
2
83
Recursos de apoio como estes, despertaram o interesse de pesquisadores de
diferentes áreas de atuação, assim como os das Exatas, que em prol da constatação das
dificuldades nas ciências Exatas expresso pela maioria dos alunos, buscaram apoiar seus
métodos nesse ambiente de aprendizagem, por admitir ferramentas que permitem a criação de
exercícios interativos, com questões e/ou problemas com um feedback imediato e variado, ou
mesmo, apostar em um OA mais lúdico, que excite o interesse nos estudante, com apoio de
recursos de imagens, sons, vídeos, animações, entre outros, ou até mesmo, mesclar variados
recursos dos objetos por meio de ferramentas autorais, que permite a participação do
professor como produtor, o chamado ―prosumer‖ – ―producer+consumer‖, ou seja, a conexão
de produtor e consumidor, conforme (TOFFLER. 2001).
Diante disto, a frequência em que professores e alunos encontram-se cada vez
mais inseridos no meio tecnológico, permitiu uma maior troca de ideais entre mediador e o
aluno, facilitado pelo OA. Segundo Freire (2002) não existe uma verdadeira educação, si não
houver diálogo. Baseado nisto, o desenvolvimento deste Objeto de aprendizagem, terá alunos
do Ensino Médio como publico alvo, para o ensino de funções matemáticas de 1º e 2º grau.
De acordo com o nível de aprendizagem de cada aluno, será desenvolvido OAs mais lúdicos,
a fim de gerar maior interesse pelo assunto nos alunos, classificado por Martinez como
―ALUNOS RESISTÊNTES –, ALUNOS CONFORMADOS‖ e em parte ―ALUNOS
ATUANTES‖ caso as Ciências Exatas não sejam do interesse do mesmo, ou propor OAs mais
objetivos, a favor do desenvolvimento Cognitivo do estudante, os classificados ―ALUNOS
TRANSFORMADORES‖ (MARTINEZ 2002, p.16).
MÉTODO
Conforme Torrão (2009) Conceituar um OA não é fácil e tão pouco consensual.
Defini-lo, segundo Vigneron e Pozzatti (2014):
Sua definição surge de acordo com uma concepção própria dos autores acerca da
utilidade e importância do Objeto para o ensino e a aprendizagem e varia de acordo
com a abordagem proposta e os aspectos que estão associados ao seu uso
educacional. (VIGNERON. POZZATTI. 2014)
Segundo a definição de Willey (2000): ―[...] é qualquer recurso digital que pode ser
reusado para apoiar a aprendizagem‖ uma das definições mais aceitas de OAs.
84
A aplicação de OAs em classe permite que o aluno explore e aplique o seu
conhecimento em diversas situações que um Objeto pode criar na garantia da participação e o
desenvolvimento intelectual já existente do estudante, em relação a assuntos já trabalhados em
sala de aula e de experiências próprias. Assim, o uso de Objetos de Aprendizagem pode ser
relacionado à teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, segundo Pelizzari (2001):
[...] a aprendizagem significativa tem vantagens notáveis, tanto do ponto de vista do
enriquecimento da estrutura cognitiva do aluno como do ponto de vista da
lembrança posterior e da utilização para experimentar novas aprendizagens [...] de
acordo com Ausubel, pode-se conseguir a aprendizagem significativa tanto por meio
da descoberta como por meio da repetição. (PELIZZARI et al. 2001, p.39)
Segundo Moreira (2006) a teoria de Ausubel:
A aprendizagem significativa caracteriza-se por uma interação entre aspectos
específicos e relevantes da estrutura cognitiva e as novas informações, pelas quais
estas adquirem significado e são integradas à estrutura cognitiva de maneira não
arbitrária e não literal, contribuindo para a diferenciação, elaboração e estabilidade
dos subsunçores preexistentes e, consequentemente, da própria estrutura cognitiva.
(MOREIRA. 2006, p.14)
Então aplica-los depende de todo um planejamento, e alguns professores erram na
escolha, pelo grande potencial de reciclagem dos Objetos. Mas si bem planejado, influenciará
positivamente na aprendizagem, ―A concepção adequada desses objetos tem implicações
diretas na construção do conhecimento pelos estudantes‖ (MENEZES et al. 2006, p.2).
RESULTADOS E DISCURÇÃO
À medida que os alunos foram ficando mais conectados a tecnologia, segundo a ultima
pesquisa do centro de estudos sobre as tecnologias da informação e da comunicação
(CETIC.br) apresentou que 67% dos estudantes têm computador no domicilio, mas 92%
utilizaram a internet nos últimos três meses, sendo que 46% tiveram acesso a internet pelo
aparelho celular, afirmando que 69% dos alunos envolvidos (9º ano do Ensino Fundamental
ou 2º ano do Ensino Médio) usaram computador e internet todos os dias. Assim, a tendência
dos professores foi aproximar-se a métodos mais dinâmicos de exploração e apresentação de
seus conteúdos relacionados a ambientes tecnológicos que o aluno já estava inserido. Para
Hill (1966, p.56) ―[...] a aprendizagem é o estudo das distintas formas em que as cognições
são modificadas pela experiência‖.
85
REFERÊNCIAS
CETIC. Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação
(CETIC.br):
TIC
–
Educação
2012.
Disponível
em:
<http://www.cetic.br/educacao/2012/professores/index.html>. Acesso em: fev. de 2015.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz
e Terra, 2003.
HILL, B. In: DIB, Cláudio Zaki. Tecnologia da educação e sua aplicação à aprendizagem
de Física. 1º ed. São Paulo: Biblioteca Ceuls/Ulbra (2015)
MARTINEZ, M.
Designing learning objects to mass customize and personalize learning.
In: WILEY, D. A. The instructional use of learning objects: online version. 2002. Disponível
em: <http://reusability.org/read/chapters/martinez.doc>. Acesso em: fev. de 2015.
MENEZES, C. S.; FERRETTI, C.; LINDNER, E. L.; LIRA. A. F. Aplicando arquiteturas
pedagógicas em objetos digitais interativos. In: RENOTE – Revista Novas Tecnologias para
a Educação. Porto Alegre: Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação
(CINTED
UFRGS),
v.
4.
nº
2,
2006.
Disponível
em:
<http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/14138>. Acesso em: fev. de 2015.
MOREIRA, M. A. A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala
de aula. Brasília:, 2015.
PELIZZARI, Adriana. KRIEGL, Maria. PIRIH, Márcia. Teoria da aprendizagem
significativa
segundo
Ausubel.
Disponível
em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000012381.pdf>. Acesso em: fev. de
2015.
TAROUCO, L. M. R.; FABRE, M. J. M.; TAMUSIUNAS, F. R. Reusabilidade de objetos
educacionais. In: RENOTE – Revista Novas Tecnologias para a Educação. Porto Alegre:
Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED - UFRGS), v. 1. nº 1,
2003. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183//12975>. Acesso em: fev. de
2015.
TOFFLER, A. A terceira onda. São Paulo: Record, 2001.
TORRÃO, S. Produção de objetos de aprendizagem para e-learning. 2009. Disponível
em:
<http://www.scribd.com/doc/10691731/produAodeObjectosdeAprendizagemParaeLearning>.
Acesso em: fev. de 2015.
VIGNERON, Eliane. POZZATTI, Maria. Objetos de aprendizagem: Conceitos básicos. 1º
ed. Porto Alegre: Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/102993>. Acesso em: fev. de
2015
WILLEY, D. A. Learning object design and sequencing theory. Un published doctoral
dissertation,
Brigham
Young
University.
2000.
Disponível
em:
<http://www.reusability.org/read/chapters/wiley.doc>. Acesso em: fev. de 2015.
86
BITS E BYTES DE CULTURA DA AMAZÔNIA: A TECNOLOGIA E A
INSERÇÃO
DOS
TEMAS
TRANSVERSAIS
NO
ENSINO
FUNDAMENTAL.
Alleff Cristhian Sousa1
Deivid Eive Santos1
Igor Mayco P. Oliveira1
Kássia Souza1
Vanessa Oliveira1
Marialina Corrêa Sobrinho2
Marla Teresinha B. Geller2
[email protected]
RESUMO: Os temas transversais definidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) propõem a
inserção de experiências vividas pelas crianças ou jovens nos conteúdos das diversas disciplinas. Dentre os
temas transversais propostos está a pluralidade cultural, que pode ser abordada no sentido de valorizar a
identidade cultural de uma dada região. Utilizar as tecnologias que estão presentes no dia a dia dos estudantes,
como celulares, smartphones, tablets, laptops, para divulgar a cultura regional pode auxiliar o professor na
abordagem destes temas transversais. Neste contexto, o objetivo do trabalho é desenvolver um material didático
composto por um e-book e um jogo educativo abordando a cultura da Região Norte. O e-book com o título ―Bits
e Bytes de Cultura da Amazônia‖ apresenta as danças, as lendas, a culinária e o vocabulário da Região Norte. O
jogo tem como proposta a integração do tema com as diversas disciplinas. O material está sendo desenvolvido
seguindo os princípios e práticas do desenvolvimento de software educativo através do processo P@PSEduc e
das ferramentas livres Sigil 0.7.4 e 001 Game Creator.
PALAVRAS-CHAVE: livro digital, jogo educacional, cultura regional.
INTRODUÇÃO
As questões sociais são uma crescente dentro da educação nas escolas, estimulando a
reflexão dos alunos a respeito de temas que favorecem a compreensão da realidade e a
participação social dos mesmos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) elegeram a
inclusão de temas transversais como Ética, Pluralidade Cultural, Meio Ambiente, Saúde e
Orientação Sexual, com a justificativa de que o currículo escolar ganha flexibilidade, pois os
temas podem ser contextualizados de acordo com as diferentes regiões, atendendo as
necessidades educacionais locais [BRASIL, 1997].
Tendo em vista a importância de exaltar a educação para a cidadania dentro das escolas, que a
compreensão dos temas transversais torna-se essencial. Para tanto, a busca por métodos que auxiliem
neste processo de ensino e aprendizagem tem destacado tecnologias como livros digitais e jogos
educativos.
Ambos funcionam como mecanismos pedagógicos e didáticos que auxiliam no
aprendizado de diversos temas do currículo escolar.
O livro digital ou e-book surge como uma forma de dinamizar a leitura de um livro em
formato impresso; pode-se ler a versão digital do mesmo livro em um e-reader, tablet,
1
Alunos do Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA, participantes do PROICT 2015.
2 Professoras do Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA, coordenadoras e orientadoras do
projeto.
87
smartphone ou computador; pode-se ainda ouvir a mesma obra em formato de áudio. O
conteúdo será o mesmo, ainda que um ou outro detalhe escape em cada uma das leituras.
Outro recurso que tem estado presente nas salas de aula como um instrumento de
auxílio à aprendizagem dos discentes são os jogos educacionais. Os mesmos colaboram com a
fixação do conteúdo através do dinamismo, resgatando a ludicidade e transformando o
processo do aprender, podendo atingir um melhor rendimento dos alunos. Um dos fatores
importantes em utilizar um material de apoio às práticas pedagógicas é a capacidade de ajudar
o professor a reter a atenção dos alunos e torná-lo facilitador da aprendizagem, estimulando
visualmente os alunos através das animações, cores e movimentos [SCOLARI, BERNARDI e
CORDESONI, 2007].
Neste processo, o desenvolvimento de um software educativo que atenda às
necessidades escolares exige cuidados adicionais aqueles de um sistema comercial ou de um
site web. É necessária atenção aos mecanismos pedagógicos e didáticos, que constituem a
base de todo o instrumento de ensino e de aprendizagem. É preciso, também, o envolvimento
interdisciplinar de profissionais como: psicólogos, pedagogos, professores especialistas na
área do conhecimento, técnicos da área computacional, entre outros.
Desta forma, as teorias de aprendizagem discutidas no ambiente educacional devem
repensar como estabelecer o elo entre o meio (tecnologia) e o fim (aprendizado), para que o
aluno não seja apenas um receptor de informações, mas interaja de modo a construir seu
conhecimento utilizando os recursos tecnológicos.
Neste contexto, a proposta deste trabalho foi desenvolver um material educativo,
composto por um e-book e um jogo, chamado ―Bits e Bytes de Cultura da Amazônia‖, que
aborda de maneira didática aspectos culturais da região Norte, como as danças, lendas,
culinária e vocabulário, tendo a produção gerenciada por um Processo Ágil para Software
Educativo (P@PSEduc).
Este resumo expandido está organizado em seções, onde após
esta introdução encontra-se a segunda seção que apresenta o método utilizado para o
desenvolvimento do material educativo. A seção seguinte aborda os resultados e discussões a
respeito do desenvolvimento do material, e finaliza com a conclusão.
MÉTODO
Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam os objetivos que o ensino
fundamental deve atingir. Um deles é fazer conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio
sociocultural brasileiro. Outro ponto pertinente, neste contexto, abre caminhos para se
88
trabalhar com recursos tecnológicos dentro do espaço escolar, pois possibilita ao aluno lidar
com diferentes fontes de informação para adquirir e construir conhecimentos.
Portanto, a produção de material que satisfaça esses requisitos se faz necessária, de
modo que o professor tenha ferramentas que o auxilie em suas propostas pedagógicas.
O material educativo visa atingir os fatores estabelecidos pelo PCNs,
mencionados anteriormente. O mesmo é composto por um e-book e um jogo e ambos estão
sendo desenvolvidos seguindo os princípios de um Processo Ágil para Software Educativo P@PSEduc, que gerencia o desenvolvimento do produto desde o planejamento até a entrega,
incluindo as fases de planejamento, modelagem, desenvolvimento e encerramento [GELLER,
CORRÊA SOBRINHO e ARAÚJO, 2009]. O e-book foi desenvolvido com auxílio da
ferramenta livre Sigil 0.7.4, no formato e-Pub, que possibilita a utilização em diferentes
plataformas e dispositivos. Para o desenvolvimento do jogo utilizou-se o software 001 Game
Creator.
Em se tratando de material educacional, a definição, a adequação e a facilidade de
utilização dos materiais, tornam-se fatores fundamentais. Neste sentido, o desenvolvimento do
presente material busca obedecer aos critérios de avaliação criados, levando em consideração
tanto os aspectos pedagógicos quanto os técnicos. Dentre as tarefas necessárias para uma
avaliação está a identificação da abordagem epistemológica, aspecto pedagógico. Uma das
principais perspectivas epistemológicas é o construtivismo onde o desenvolvimento mental
aparecerá em sua organização progressiva como uma adaptação mais precisa da realidade
[PIAGET 1964, p.16]. A teoria construtivista considera que um erro corrigido com o próprio
aprendiz pode ser mais produtivo do que um acerto imediato, pois comparando hipóteses e
refletindo sobre a ação é que se têm novas ideias e novos conhecimentos [CASTORINA,
1988].
Os aspectos técnicos, por sua vez, envolvidos no processo de avaliação, indicam
qualidades relativas à sua robustez (consegue se recuperar a erros), portabilidade (capacidade
de funcionar em múltiplos sistemas operacionais), sua interface (intuitiva e agradável) bem
como sua documentação (registro de todos os passos, desde o planejamento até a entrega)
[REATEGUI e FINCO, 2010].
A utilização de critérios é relevante quando se trata de seleção bem como a produção
de software educativo de modo a avaliar a qualidade do produto.
89
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O livro digital aborda de forma lúdica assuntos tratados especificamente na disciplina
de Estudos Amazônicos. O material está sendo produzido no formato ePUB, como
mencionado anteriormente, possibilitando, deste modo, a disponibilidade do material em
diferentes dispositivos independente da plataforma de acesso utilizada pelos alunos.
O assunto está dividido em quatro capítulos: danças, comidas típicas, lendas e
vocabulário, destacando informações importantes para o conhecimento dos leitores,
acompanhados de imagens que caracterizam cada capítulo. O primeiro capítulo destaca quatro
danças específicas da Região Norte, o Carimbó, o Siriá, o Xote Bragantino e a Marujada. O
segundo capítulo aborda a culinária, enfatizando algumas comidas típicas: mandioca, goma de
tapioca, tucupí, farinha, peixe, açaí e cupuaçú. O terceiro capítulo conta as estórias de
algumas lendas como a Lenda do Boto, Cobra Grande, Vitória-Régia, Iara e Mandioca. O
quarto capítulo apresenta o vocabulário nortista e seus significados.
Dentre os recursos identificados para tornar este produto real, a ferramenta livre Sigil
0.7.4 destacou-se por sua capacidade de produzir e-books no formato ePUB, que suporta
recursos midiáticos, o que torna o produto mais interativo. O software Sigil foi desenvolvido
com a finalidade de ser simples e de fácil usabilidade, e está em constante aprimoramento de
recursos. Como todo software, ele também apresenta limitações, porém, por ter aceitação nos
principais sistemas operacionais do mercado, ele torna-se uma boa alternativa para o
desenvolvimento de livros digitais com qualidade [BUSE, 2013].
O e-book ―Bits e Bytes de Cultura da Amazônia‖ foi desenvolvido com o
intuito de despertar a curiosidade e o interesse dos leitores, fazendo referência aos temas
abordados, focado na Região Norte. A figura 1 destaca a arte criada para a capa do e-book.
Figura 1. Interface da capa do e-book
90
O jogo educacional possui um papel complementar na aprendizagem, diante do
contexto em que vai ser inserido. Este jogo vai instigar a mente dos usuários a assimilar os
conteúdos lidos no e-Book. Diante das novas tecnologias, a educação pode seguir os
princípios do construtivismo, na qual o aluno é o próprio construtor do seu conhecimento.
Segundo Tarouco (2004) os jogos educacionais se baseiam numa abordagem auto-dirigida,
isto é, aquela em que o sujeito aprende por si só, através da descoberta de relações e da
interação com o software. Neste cenário, o professor tem o papel de moderador, mediador do
processo, dando orientações e selecionando softwares adequados e condizentes com sua
prática pedagógica.
O objetivo do jogo, neste contexto, é motivar os alunos a fixar os conteúdos
aprendidos com a leitura do e-Book. O jogo é interativo, contendo um cenário animado e um
personagem controlado pelo aluno, além de apresentar uma história sobre o ―Sitio Bits e
Bytes‖ que serve para envolver os alunos e contextualizar os conteúdos regionais abordados
no livro. No início do jogo, os alunos são motivados a conhecerem o Sítio e os escoteiros que
cuidam do mesmo, desta forma interagindo ajudando-os em missões e testando seus
conhecimentos a respeito da Região Norte.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento do mesmo foi a ferramenta 001
Game Creator (versão gratuita), recomendado para jogos de ação em RPG e jogos de
plataforma. Esta ferramenta não necessita de conhecimento de linguagens de programação, e
utiliza comandos gráficos, de forma a incentivar o desenvolvimento de jogos, o que trouxe
mais produtividade para o trabalho de desenvolvimento.
A capa de apresentação do jogo foi construída de acordo com a temática, fazendo
alusão ao que foi estudado no e-Book para dar início à uma nova jornada através do jogo
acerca da cultura amazônica, compondo dessa forma o material educativo (Figura 2).
Figura 2. Interface da Capa do Jogo
O jogo dentro da proposta apresentada, proporciona diversos ambientes como o Lago
das Lendas, Criadouro de Peixes, Plantação e a Cozinha da Dona Xica. Em cada ambiente o
91
aluno encontra um personagem escoteiro, do qual recebe orientações sobre sua missão através
de áudios, que explicam quais passos ele deve seguir (Figura 3).
Figura 3. Interfaces de Ambientes do Jogo
CONCLUSÃO
A inserção de recursos digitais no ambiente educacional se explica pelo fato de a atual
geração já nascer sob grande influência das tecnologias [SILVA, SILVA e CORRÊA
SOBRINHO, 2014]. Para Mendelsonh (1997) as crianças nascem em uma cultura que se clica
e o dever dos professores é inseri-la no universo de seus alunos.
Neste sentido, faz-se necessário a produção de material dessa natureza com intuito de
servir como uma alternativa a mais a favor do professor e de apoio para o aluno, visto que a
gama de dispositivos está cada vez mais presente nas atividades desempenhadas pelo ser
humano, então por que não na educação?
O material educativo proposto, neste processo, foi desenvolvido por alunos do curso
de Sistemas de Informação com acompanhamento de uma Pedagoga em cada uma das fases:
planejamento, modelagem, desenvolvimento e encerramento. Os ajustes necessários tanto no
e-book quanto no jogo estão sendo feitos pelo professor que ministra a disciplina de Estudos
Amazônicos de modo a contribuir diretamente na proposta pedagógica do mesmo. Cabe dizer
que apesar do material ser produzido e posteriormente validado na disciplina mencionada, o
mesmo terá finalidade multidisciplinar, pois aborda conteúdo transversal, podendo ser
utilizado nas diversas outras disciplinas como geografia, história, português e matemática.
Como trabalho futuro, pretende-se disponibilizar o material para o professor utilizar
em sua disciplina e avaliar os benefícios proporcionados pelos recursos do e-book e do jogo
educacional.
Tendo resultado positivo na experiência com o tema transversal ―cultura regional‖, outros
temas transversais podem ser elaborados com a mesma metodologia. Como trabalhos futuros
pretende-se dar continuidade no projeto com intuito de que os docentes não somente usem, mas
92
consigam produzir o seu próprio material, sem muita experiência técnica, pois, tomando conhecimento
dos resultados positivos dos mesmos dentro do contexto escolar, a equipe acredita que o professor
sentir-se-á motivado a desenvolver.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:
Apresentação dos Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF. 1997. Disponível em
:<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso: em 18 de Maio de 2015.
BUSE, Jarret W. Epub from the Ground Up:A Hands-onGuide to EPUB 2. New York:
McGraw-Hill. 2013.
CASTORINA, J. Psicologia Genética: Aspectos Metodológicos e Implicações Pedagógicas
Porto Alegre: Artes Médicas. 1988.
GELLER, M. T. B.; CORREA SOBRINHO, M.; ARAUJO, C. A. P. Proposta de
Customização de um Processo para Desenvolvimento de Software Educativo. In 20º
Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. Florianópolis, 2009.
MENDELSOHN, Patrick. (Suplemento de Informática de L’Hebdo, dezembro de 1997, p.12),
Extraído do livro, Novas Competências para Ensinar, Philippe Perrenoud.
PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. Forense: Rio de Janeiro. 1964.
REATEGUI, E; FINCO, D. M. Proposta de Diretrizes para a Avaliação de Objetos de
Aprendizagem. RENOTE: Revista de Novas Tecnologias Educacionais. Porto Alegre:
UFRGS. 2010. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18066>. Acesso em:
18 Mai. 2015.
SCOLARI, A. T.; BERNARDI, G.; CORDENOSI, Andre Zanki. O Desenvolvimento do
Raciocínio Lógico através de objetos de Aprendizagem. 2007. Disponível em:
<https://www.cinted.ufrgs.br/ciclo10/artigos/4eGiliane.pdf>. Acesso em: 24 Mai. 2015.
SILVA, D. E; SILVA, V.O; CORREA SOBRINHO, M. Where am I? Desenvolvimento de
um Objeto de Aprendizagem para o Auxílio de Alunos Iniciantes na Língua Inglesa. In
Anais do Encontro Anual de Tecnologias Educacioanais. 2014. Disponível em:
<http://www.eati.info/eati/2014/assets/anais/artigo28.pdf>. Acesso em: 11 Mai. 2015.
TAROUCO et. al. Jogos Educacionais. CITED: UFRGS. 2004. Disponível em:
<http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo3/af/30-jogoseducacionais.pdf>. Acesso em: 24 Mai. 2015.
93
CARACTÉRISTICAS DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE SOFTWARE
Maria Eliane Lima da Silva1
Carlos Eduardo Miléo Antunes2
[email protected]
RESUMO: A aquisição de software é um processo cheio de incertezas e riscos, principalmente quando
executado sem a adoção de metodologias que fornecem as empresas ferramentais e diretrizes para executar o
processo de forma gerenciado. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho é explorar as caraterísticas principais de
um processo de aquisição gerenciado, ou seja, executado com base em diretrizes de Governança de TI. Percebese então, que o uso desses ferramentais contribui com a mitigação de riscos e corroboram com a garantia de
qualidade do produto, ao disponibilizar diretrizes e métricas para selecionar órgãos licitantes, avaliar, mensurar e
validar a conformidade do produto. Como produto final pretende-se desenvolver um modelo de aquisição que
possa dá suporte as empresas adquirentes de software. A metodologia conta com uma pesquisa bibliográfica,
com foco no estudo das ferramentas de Governança PMBOK, MPS.BR e COBIT. O trabalho se encontra na fase
inicial, na qual, está sendo feito o levantamento bibliográfico e a concepção do modelo proposto.
PALAVRAS-CHAVE: aquisição, governança, metodologia.
INTRODUÇÃO
Ao longo dos anos os recursos tecnológicos passaram a desempenhar um papel essencial nas
organizações, e a simbolizar fator diferencial entre concorrentes. Pois, a infraestrutura de TI,
proporciona maior acompanhamento dos controles internos, bem como a otimização dos processos,
redução de custo e melhoria nos resultados organizacionais.
Nesse contexto, trabalhar com software ou produto correlato adequado pode representar
vantagem competitiva, como também, a utilização de sistemas inapropriados podem ocasionar grandes
perdas à organização. Por conseguinte, a decisão envolvida na escolha de produtos de software, traz
muita preocupação e dúvidas aos gestores. Sendo, que as alternativas disponíveis no mercado vão
desde desenvolvimento próprio até a aquisição de software.
Desta forma, a falta de planejamento da aquisição impacta em custos elevados de treinamento,
tempo e aculturamento de mão-de-obra. Além disso, realizar a compra de um produto inadequado
pode ter o efeito contrário do esperado pelos gestores, pois os custos da operação e retrabalhos
aumentam consideravelmente, e a troca de software é um processo bem traumático e requer a
mitigação de erros.
Segundo Pressman (PRESSMAN, 2001), há três opções disponíveis para aquisição: a)
software de prateleira (COTS - comercial-off-the-shelf): pode ser comprado ou licenciado, mas não
modificado; b) software de prateleira ―aberto‖(MOTS – modified-off-the-shelf): o software de
prateleira pode ser comprado, entretanto, pode ser modificado para atender requisitos específicos; c)
software feito sob encomenda por terceiros: software desenvolvido por terceiros, específico para
satisfazer um único cliente, ou seja, personalizável de acordo com os requisitos do contratante.
Sendo assim, adquirir software é uma das estratégias que as empresas adotam para ganhar
qualidade através da melhoria dos processos, atendimento a demanda e redução dos custos com a
1
2
Acadêmica VIII Semestre do curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA
Orientador prof. Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA
94
manutenção de uma equipe própria de desenvolvimento. Desta forma, um processo de aquisição de
software contribui para minimização dos riscos que podem comprometer o andamento do projeto e os
resultados, como não cumprimento do cronograma, orçamento maior que o acordado, falta de
qualidade do produto e problemas de integração e suporte.
Este resumo está organizado em seções, onde após esta introdução encontra-se a segunda
seção que apresenta os conceitos e características de aquisição, uma breve descrição acerca de
stakeholders. Por fim apresenta propostas para trabalhos futuros, juntamente com uma conclusão.
MÉTODO
Para o desenvolvimento deste trabalho será realizada uma pesquisa bibliográfica, através da
análise das ferramentas de Governança e outros materiais complementares. Como resultado pretendese elaborar um modelo simplificado para aquisição de software. É importante ressaltar que a intenção
deste projeto não é a aplicação do modelo, e sim apenas desenvolve-lo para ser utilizado em outra
pesquisa dentro do contexto proposto.
O processo de aquisição tem como propósito maior fornecer produtos que satisfaçam uma
necessidade do contratante. Desse modo, a partir da identificação desta necessidade o órgão licitante
inicia o processo de compra, que abrange os processos de gerenciamento de contratos e controle de
mudanças, que são fundamentais para desenvolver e gerenciar contratos ou pedidos de compra
emitidos pelos colaboradores (PMBOK, 2013).
Uma implementação bem-sucedida desse processo resulta em metas e estratégias
organizacionais alinhadas, contratos claros quanto às obrigações e responsabilidades de contratante e
fornecedor, prazos e cronogramas respeitados e produto em conformidade. Sendo assim, a elaboração
do contrato de aquisição é uma etapa fundamental desse processo, pois, simbolizam acordos,
condições e premissas firmadas entre as partes envolvidas (cliente e fornecedor), especificando os
requisitos que devem ser atendidos no bem produzido, e a compensação monetária referente ao serviço
prestado.
Além disso, outros autores acreditam que um processo de aquisição deve acompanhar e
integrar a fase de desenvolvimento do sistema, assim como ocorre com as metodologias de processos
ágeis ou prescritivos, pois desse modo o cliente poderá ter uma melhor comunicação com a equipe de
desenvolvedores, testar as funcionalidades para fornecer feedback e solicitar modificações no projeto,
como afirma Nunes (2011):
A coleta inadequada das necessidades dos clientes, não incorporada nos contratos
adequadamente, resulta em um desenvolvimento desprovido de requisitos das reais necessidades e
objetivos de negócio que a empresa persegue. Além disto, uma vez que estes requisitos foram
definidos não são verificados e validados, resultando na entrega de bens e serviços, normalmente
longe das necessidades que levaram à aquisição.
95
Desta forma, a seleção do fornecedor é outro processo essencial para aquisição, pois o órgão
ou profissional contrato será o responsável por desenvolver o bem. Por isso, a proposta entregue pelos
candidatos deve ser estudada minuciosamente pela equipe de projeto.
Para que o licitante mais adequado seja escolhido, critérios de seleção devem ser aplicados,
levando-se em considerações fatores como: habilidade técnica, capacidade produtiva, confiabilidade,
preço, prazo e recursos envolvidos. Consequentemente, todo esse processo possibilita a definição da
instituição responsável pelo desenvolvimento e entrega do produto, que deve atender e está em
conformidade com os requisitos estabelecidos.
A escolha dos fornecedores precisa ser a mais correta, caso contrário à necessidade
tecnológica que motivou a empresa a realizar a compra, não será completamente atendida, afetando
diretamente o desempenho e capacidade do produto em satisfazer os requisitos dos stakeholders.
Stakeholders
Em uma organização existe um grupo de indivíduos que se relacionam entre si e que direta ou
indiretamente influenciam na tomada de decisão, denominados Stakeholders (em Português, parte
interessada ou interveniente). Esse termo é empregado em diversas áreas como Administração,
Relações públicas, e é frequentemente visto na Engenharia de Software, para se referir as partes
interessadas que são afetadas pelos acordos corporativos executados pela empresa. Conforme
Coradini, Sabino e Costa (2010) esse termo foi utilizado primeiramente em 1963, em um memorando
interno da Stanford Research Institute, referenciando os grupos de suporte da organização, que na sua
ausência levaria à instituição a falência.
De forma mais ampla esse termo foi empregado por Freeman e Reed (1983), que defendiam
que os stakeholders são elementos fundamentais para a realização do planejamento estratégico da
organização, afirmando que os mesmos são ―qualquer grupo ou indivíduo, identificável, que possa
afetar a consecução dos objetivos de uma organização ou que é afetado pela consecução dos objetivos
de uma organização‖.
Contudo, outros autores defendiam ainda que os stakeholders também têm interesses, poderes
e urgência sobre suas reivindicações, ou seja, influenciando diretamente no processo de tomada de
decisão e definição de objetivos em âmbito estratégico, tático e operacional, pois esses grupos de
indivíduos ou organizações internos ou externos realizam investimentos financeiros, tecnológicos ou
em mão de obra capacitada, com o propósito de alavancar os resultados corporativos e se manter
competitivamente no mercado, conforme se refere Bethem (2004, p. 147):
O stakeholder é alguém que arrisca parte ou todo um valor ou bem de sua propriedade,
apostando no resultado da atuação de uma empresa, e que ao fazer esta aposta vai provocar reflexos
nos resultados da empresa. São os acionistas, fornecedores, clientes, governos, grupos de interesses
especiais, sindicatos de trabalhadores e patronais, instituições financeiras, competidores e a mídia.
Sendo assim, em um projeto de aquisição de software é necessário definir o grau de
prioridade, papel e influência de cada ator (stakeholder). Da mesma forma, também é fundamental
96
definir as potenciais ameaças, oportunidades e vantagens competitivas, que, advêm de um
mapeamento da estrutura organizacional validados pelas diretrizes de governança, desta forma haverá
parâmetros para que as estratégias possam ser estabelecidas e a decisão tomada. Da mesma forma, os
órgãos contratados terão base para no levantamento de requisitos elencarem as necessidades que
deverão ser atendidas, bem como saber quais indivíduos serão atendidos e afetados com a adoção da
tecnologia.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esse trabalho ainda não está concluído, mas motivação que levou o desenvolvimento dessa
pesquisa foi buscar a implementação de manual para aquisição de software, que elencasse as
principais diretrizes presentes nas metodologias de Governança: PMBOK, COBIT e MPS.BR. Já que
um dos fatores que prejudica a adoção deste tipo de metodologia por parte das empresas, envolve
justamente sua complexidade e burocracia.
CONCLUSÃO
Com este estudo foi possível observar a importância de se utilizar modelos claros, para
gerenciar projetos de aquisição, pois, os mesmos fornecem diretrizes que corroboram para que os
objetivos e metas definidos sejam alcançados. Por meio de uma execução padronizada e gerenciada ao
longo do ciclo de vida do projeto.
Segundo FERREIRA et al (2008), a aplicação de qualquer metodologia de Governança que
forneça normas e práticas são válidas para minimizar problemas e riscos ao longo do projeto, obtendo
qualidade e segurança ao processo de aquisição de software. Vale ressaltar, que o processo de
aquisição em consonância com metodologias de qualidade possibilita que os processos sejam
executados de forma sistemática, redução de falhas, garantia qualidade, entre outros. Além de
propiciar que os transtornos envolvendo projetos de aquisição sejam evitados.
REFERÊNCIAS:
BETHLEM, A. de S. Estratégia empresarial: conceitos, processos e administração
estratégica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004.
CORADINI, Cristiane; SABINO, Michelle de Stefano; COSTA, Benny Kramer. Teoria dos
Stakeholders–Estado da Arte produzido no Brasil. XIII SEMEAD-Seminários em
Administração FEA/USP. São Paulo: SEMEAD, 2010.
COSTA, A.C. V; SILVA, M.E.; GÓMEZ, C.R.P. A influência dos stakeholders no
processo decisório: Um estudo em uma organização do terceiro setor. In: Anais... XIII
Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais. São Paulo:
FGV-EAESP. 2010.
97
FERREIRA, J. A; et al. Gerenciando a aquisição de software e serviços de TI na área
pública. SEGeT–Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia ia, p. 32, 2008.
FREEMAN, R. E.; REED, D. L. Stockholders e stakeholders: a new perspective on
Corporate Governance. California Management Review, p. 91, USA, 1983.
NUNES, Elaine Duarte. Definição de Processos de Aquisição de Software para Reutilização. 2011.
128 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação). Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro. 2011.
PMBOK, PMI. A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide) FIFTH Edition, (Project Management Institute). 2013.
PRESMANN, Roger. Engenharia de Software: uma abordagem profissional. 7. ed. Rio de
Janeiro: Mc Graw Hill, 2011.
98
DESENVOLVIMENTO
DE
UM
APLICATIVO
MOBILE
MULTIPLATAFORMA PARA A CPA DO CEULS/AELBRA DE
AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DE PROFESSORES
Marcílio Ferreira Sarmento1
Márcio Darlen Cavalcante2
[email protected]
RESUMO: Realiza uma análise do sistema de avaliação institucional de professores da Comissão Própria de
Avaliação (CPA) do Centro Universitário Luterano de Santarém, e propor a criação de um projeto de
desenvolvimento de um aplicativo híbrido multiplataforma para a atual avaliação. Tem como objetivo
informatizar o questionário aplicado no âmbito da tecnologia de dispositivos móveis e agilizar a coleta dos dados
gerados através de um questionário informatizado disponibilizado pelo próprio aplicativo, trazendo uma base de
dados para o armazenamento dessas informações que serão coletadas, tornando mais ágil e preciso o
processamento dos dados.
PALAVRAS-CHAVE: comissão própria de avaliação, aplicativo híbrido, multiplataforma.
INTRODUÇÃO
É de competência da Comissão Própria de Avaliação (CPA) realizar uma análise
concisa no desempenho dos docentes sob a visão discente, por meio de informações coletadas
através de questionários pertinentes aplicados pela própria universidade, sendo criada e
adotada pelo próprio coordenador da CPA do Centro Universitário Luterano de Santarém –
ULBRA. A proposta de criar o projeto para desenvolver um aplicativo multiplataforma para
avaliação institucional do copo docente do CEULS surgiu a partir das necessidades
encontrada e presenciada no próprio setor da CPA da universidade.
A avaliação institucional de professores atualmente é aplicada no primeiro e segundo
semestre sempre antecedendo as provas de grau um (G1) e grau dois (G2), os acadêmicos
realizam esse processo por meio de um questionário impresso como um total de dezoito
perguntas relacionadas ao desempenho do professor, e um cartão óptico com quadrículas para
que possam marcar a alternativa desejada de acordo com o grau de satisfação com o professor
e um espaço para sugestões, como mostra a figura 1 e 2.
1
2
Acadêmico do curso de Sistemas de Informação – CEULS/ULBRA
Professor Especialista do Curso de Sistemas de Informação – CEULS/ULBRA
99
Figura 4: Formulário de perguntas Figura 2: cartão de respostas
O processo de coleta dos dados de respostas do acadêmico é feito por meio de uma
leitora óptica, conforme mostra a figura 3. Onde os cartões são inseridos um a um, só então o
software da leitora gera um arquivo com extensão .DAT para que posteriormente possa ser
analisado pelo próprio coordenador do setor da CPA.
Figura 3: Coleta dos dados de respostas utilizando a leitora óptica.
Os arquivos com os dados gerados são inseridos em uma planilha no Excel com os
valores A, B, C, D e E, que correspondem respectivamente as alternativas ―totalmente
satisfeito‖, ―satisfeito‖, ―regular‖, ―insatisfeito‖ e ―totalmente insatisfeito‖, como mostram as
figuras 4 e 5.
100
Figura 4: Importação de Dados
Figura 5: Respostas na Planilha do Excel
Ficou claro também que após verificar os dados coletados na avaliação, eles traziam
informações incoerentes e fora da margem de aceitação das respostas esperadas, percebendose então que muitos dos acadêmicos não liam com clareza as perguntas do questionário ou
simplesmente marcavam suas respostas aleatoriamente, faltando assim dados válidos para o
estudo de análises de estatísticas sistematizado pelo coordenador da CPA, trazendo incertezas
sobre o desempenho do corpo docente da universidade.
Diante desse contexto ficou evidente a necessidade de criar uma solução com um
ambiente informatizado utilizando meios que tornassem a avaliação institucional mais ágil e
eficiente, que pudesse diminuir os resultados incoerentes e sem veracidade, garantindo assim
a maior integridade e disponibilidade dos dados. E com o alto uso da tecnologia dos
dispositivos móveis entre os acadêmicos
pretende-se desenvolver um aplicativo
multiplataforma mobile prático e intuitivo.
MÉTODO
Para o desenvolvimento ficou garantido que o aplicativo deveria ser multiplataforma,
pois assim poderia se adequar à uma variedades de plataformas existentes hoje em
dispositivos mobile, sendo as principais: Android, iOS e Windows Phone. Sendo assim, a
implementação está fazendo o uso das linguagens de programação web como: HTML5,
JavaScript, PHP e CSS que são compatíveis com o IDE Adobe Dreamweaver CS6,
plataforma de desenvolvimento utilizada para o projeto. E como o aplicativo é direcionado
exclusivamente para dispositivos móbile, o framework JQuery Mobile mostrou-se bastante
adequado por possuir um carregamento rápido e compatibilidade com as principais
plataformas mobile independentemente de qual seja o dispositivo (―JQuery: Entendendo
alguns conceitos bem simples‖, [s.d.]). O PhoneGap por sua vez também é uma framework,
101
porém possui um conjunto de APIs que por meio de códigos javascript permite que o
desenvolvedor tenha acesso a funções nativas do dispositivo mobile (―Desenvolvimento
Mobile Multiplataforma com Phonegap‖, [s.d.]).
A compilação do aplicativo se deu utilizando o PhoneGap Build uma ferramenta em
nuvem que encapsula e compila o código nas principais plataformas mobile: Android, iOS e
Windows Phone. Faz-se necessário enfatizar que diante de todo o ambiente de
desenvolvimento exposto será possível criar aplicativos para todas as principais plataformas
do mercado, através de uma única base de código sem a necessidade de usar uma linguagem
de programação específica para dispositivos móveis.
Seguindo o processo de desenvolvimento de metodologias ágeis, a Extreme
Programming (XP), que é a forma mais simples de desenvolver quando mudanças de
requisitos acontecem com frequência e à medida que a cada implementação é feita, será
mostrada ao cliente como a aplicação irá funcionar, utilizando as práticas características
principais do desenvolvimento ágil sempre buscando um planejamento interativo até a etapa
de construção do aplicativo (SOMMERVILLE et al., 2008).
RESULTADOS E DESCRIÇÕES
O desenvolvimento do aplicativo para a CPA de avaliação institucional de professores
será um importante meio de mudança principalmente na forma que é aplicado o questionário e
como é feita a coleta dos dados de respostas da avaliação, onde todos os acadêmicos terão
suas avaliações disponíveis no aplicativo por meio do seu CGU e senha, onde perceberá as
disciplinas que estão cursando no semestre e suas respectivas avaliações da CPA de cada
professor. Para ter acesso e realizar a avaliação institucional de professores, o acadêmico
deverá realizar o login no aplicativo, como mostra a sequência de telas na figura 6.
102
Figura 6: Sequência de telas selecionando disciplina
Cada pergunta do questionário ficará em uma única tela com as alternativas de grau de
satisfação de acordo com a sistemática adotada pelo coordenador da CPA, como mostra a
figura 7.
Figura 7: Telas do Questionário com Alternativas de Respostas
O acadêmico terá ao final do questionário um espaço direcionado a sugestões ou
observações referidas ao desempenho do professor caso ache necessário, onde esses dados
coletados serão enviados para o coordenador do setor da CPA – CEULS/ULBRA por meio da
plataforma de Autoatendimento padrão da própria instituição, sempre mantendo o sigilo das
informações do acadêmico. Depois de finalizada a avaliação, o aplicativo desabilitará a
disciplina que se refere ao professor que já foi respondida, evitando assim que o acadêmico
repita responder o mesmo questionário.
103
CONCLUSÃO
O desenvolvimento do projeto encontra-se na fase de prototipagem e implementação,
mas já se pode perceber por meio de entrevistas e opiniões expostas sobre a funcionalidade do
aplicativo junto aos interessados, o quanto essa ferramenta é essencial para a universidade.
Porém o projeto de desenvolvimento de um aplicativo para a CPA do CEULS deve passar
primeiramente por uma homologação feita pela TI ULBRA seguindo os mesmos padrões de
desenvolvimento usados pela equipe interna da mesma.
REFERÊNCIAS
Desenvolvimento Mobile Multiplataforma com Phonegap. Disponível em:
<http://www.mobiltec.com.br/blog/index.php/desenvolvimento-mobile-multiplataforma-comphonegap/>. Acesso em: 8 out. 2015.
JQuery: Entendendo alguns conceitos bem simples. Disponível em:
<http://www.devmedia.com.br/jquery-entendendo-alguns-conceitos-bem-simples/22935>.
Acesso em: 8 out. 2015.
SOMMERVILLE, I. et al. Engenharia de software. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008.
104
GAMIFICAÇÃO
NA
EDUCAÇÃO:
UM
ESTUDO
SOBRE
ESTRATÉGIAS PARA DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO
GAMIFICADO PARA AUXILIAR NA REALIZAÇÃO DE TRABALHOS
ACADÊMICOS
Kauana Rabelo Farias Guimarães1
Márcio Darlen Lopes Cavalcante2
[email protected]
RESUMO: Existe um clima desmotivador dentro do ambiente educacional e talvez esse é um dos motivos pelos
quais muitos alunos reprovam em matérias ou desistem da carreira acadêmica. É nesse contexto que surge um
novo conceito que pretende trazer uma nova proposta motivacional para essa atmosfera, a gamificação. A partir
desse cenário, o objetivo desse trabalho é compreender esse novo conceito denominado gamificação que utiliza
elementos encontrados em jogos para a resolução de problemas do mundo real com a finalidade de obter o
mesmo engajamento e envolvimento que se consegue através dos jogos. Como produto final pretende-se
desenvolver um modelo gamificado que possa auxiliar na realização de trabalhos de conclusão de curso. A
metodologia conta com uma pesquisa bibliográfica, através da seleção de materiais de destaque na área da
gamificação aplicada na educação e princípios de game design. O trabalho se encontra na fase inicial, na qual,
está sendo feito o levantamento bibliográfico e a concepção do modelo proposto.
PALAVRAS-CHAVE: educação, gamificação, lúdico.
INTRODUÇÃO
Os jogos digitais fascinam pessoas de todas as idades, não há dúvidas de que eles
exercem uma grande influência na vida de muitas pessoas. Dados indicam que cerca de 60%
dos chefes de família jogam vídeo games, 97% dos jovens jogam no computador e também
vídeo games (ALVES, 2014).
As pessoas realmente gastam um tempo inacreditável em jogos. Durante uma palestra,
Jane McGonigal, famosa game designer americana, afirmou que se fossem somadas todas as
horas jogadas em World of Warcraft (game online lançado em 2001), teriam sido gastos 5,93
bilhões de anos na resolução de problemas existentes somente no mundo virtual (VIANNA et
al., 2013), isto é, se o mesmo esforço fosse aplicado na busca de soluções para o mundo real,
o resultado poderia ser surpreendente.
Outro fato que se deve considerar é que os jogos incrementam o processo de
aprendizagem (FARDO, 2013) e existem diversos estudos a respeito do poder que eles
aplicam para engajar e envolver pessoas, de modo que todos trabalhem para alcançar uma
meta ou superar um obstáculo. É a partir desse contexto que se insere o conceito de
gamificação.
1
2
Acadêmica VIII Semestre do curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA
Orientador prof. Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA
105
A gamificação pode ser entendida como a utilização de mecanismos encontrados nos
jogos, como narrativa, sistema de feedback, sistemas de recompensas, conflito, cooperação,
competição, objetivos e regras claras, níveis, tentativa e erro, diversão, interação,
interatividade, entre outros aspectos, em contextos fora do universo dos jogos com o objetivo
de promover a mesma dinâmica e envolvimento que se gera com os jogos. É importante
deixar claro que a gamificação não pretende recriar o problema que se deseja resolver em um
ambiente digital na forma de game e sim aplicar os métodos, pensamentos e estratégias do
jogo na situação real. O conceito de gamificação já existe há bastante tempo, mas passou a
ganhar mais atenção à medida que os games se tornaram mais popular (FARDO, 2013).
Em contraste com essa nova tendência existe o ambiente educacional, que há muito
tempo continua com as mesmas práticas de aprendizagem, na qual a aula se concentra na
oratória do professor e em tarefas que, muitas vezes, não contextualizam o ensino com a
realidade do aluno e não provocam nele o desejo de construir seu próprio conhecimento. Por
essa razão se faz necessário buscar novas estratégias para satisfazer a nova geração de
estudantes.
MÉTODO
Para o desenvolvimento deste trabalho será realizada uma pesquisa bibliográfica,
através da seleção de materiais atualizados e de importância na área de gamificação e game
design, com o objetivo de compreender o assunto abordado de maneira mais profunda e
conhecer os conceitos. Como resultado pretende-se elaborar um modelo gamificado que será
utilizado no contexto de trabalhos de conclusão de curso. É importante ressaltar que a
intenção deste projeto não é aplicar o modelo, e sim apenas desenvolve-lo e em outra pesquisa
implementa-lo dentro do contexto proposto.
Um fator importante para construir uma boa experiência gamificada é fazer analogias
com jogos que já existem, buscando fazer com que os participantes compreendam o objetivo
da atividade a partir de elementos que já conhecem, além disso, utilizar analogias também
permite gerar boas ideias (VIANNA et al, 2014). A partir disso, o modelo gamificado
proposto está sendo produzido tendo como base o jogo Super Mario Bros.
106
Figura 1 – Mapa do jogo
Fonte: elaborado pelo autor
Figura 2 – Modelo de Ranking
Fonte: elaborado pelo autor
A sequência de passos para a aplicação do modelo se daria da seguinte maneira: o
mapa de cada etapa (fase) do jogo ficaria exposto em algum lugar visível para os alunos
107
participantes do trabalho de conclusão de curso, cada um poderia fixar no mapa um avatar,
isto é, algum personagem que os representaria, ao lado do mapa haveria um ranking
apresentando a pontuação de cada um. A cada etapa vencida o avatar se moveria para outra
localidade do mapa até alcançar o fim.
Para complementar a experiência, haveriam artefatos que poderiam dar acesso a
conteúdos especiais que ajudariam quem os possuísse, isto é, fazendo uma comparação com
os elementos bônus do jogo Super Mario Bros.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O tema gamificação é relativamente novo para a comunidade acadêmica e, por essa
razão, produzir novos materiais nessa área é um desafio, já que existem poucos trabalhos
abordando o assunto. Apesar disso, é possível encontrar alguns experimentos e relatos
interessantes a respeito da gamificação direcionada a educação.
O trabalho ainda se encontra em fase de desenvolvimento, a metodologia descrita
acima está passando por uma fase de análise e pode sofrer mudanças até a conclusão de
desenvolvimento do modelo gamificado.
REFERÊNCIAS
ALVES, Flora. Gamification: Como criar experiências de aprendizagem engajadoras. Um
guia completo: do conceito à pratica. DVS Editora, 2014. 176 p.
FARDO, L. Marcelo. A Gamificação Aplicada Em Ambientes De Aprendizagem. Novas
Tecnologias na Educação, Caxias do Sul, p. 1-3, 2013.
VIANNA, Ysmar. et al. Gamification, Inc: como reinventar empresas a partir de jogos, 1 ed.
Rio de Janeiro: MJV Press, 2013. 116 p.
108
PROPOSTA DE ORDENAÇÃO DE ATIVIDADES COM OBJETOS DE
APRENDIZAGEM
Deivid Eive dos S. Silva1
Vanessa Oliveira da Silva1
Marialina Correa Sobrinho2
[email protected]
RESUMO: Esse trabalho tem o objetivo de apresentar a organização de um material pedagógico para o ensino
da Língua Inglesa, utilizando Objetos de Aprendizagem (OAs), pois acredita-se que os mesmos podem
contribuir para um melhor aproveitamento dos alunos nos conteúdos estudados. A metodologia utilizada foi a
busca e a seleção dos objetos disponíveis na WEB e a maneira que os OAs podem ser organizados para uso em
qualquer atividade educacional. Com a pesquisa realizada identificou-se que o professor tem buscado elementos
de apoio em seus planos pedagógicos, e os OAs podem em muito contribuir nesse processo.
PALAVRAS-CHAVE: língua inglesa, objetos de aprendizagem, material pedagógico.
INTRODUÇÃO
A tecnologia tem provocado impactos significativos nos ambientes educacionais,
ampliando o campo da educação sem alterar os procedimentos tradicionais. A criação de
material didático, cada vez mais interativo, torna-se viável, evidenciando o conceito de
Objetos de Aprendizagem que surge como proposta para beneficiar estudantes e educadores,
principalmente na educação à distância. Uma das grandes vantagens de seu uso é a facilidade
que eles têm para serem reorganizados, formando novos objetos que podem ser reutilizados
para diferentes turmas e níveis de ensino.
O professor, nesse contexto, ganha uma ferramenta que pode auxiliá-lo em seus planos
pedagógicos e que atua para um melhor aproveitamento do aluno no conteúdo estudado.
A proposta deste trabalho é apresentar a organização de um material pedagógico que
permita ao professor ordenar suas atividades, agregando os Objetos de Aprendizagem.
Elementos esses que são desenvolvidos e disponibilizados nos chamados repositórios sendo
compostos em sua maioria de áudio, vídeo, texto ou imagem, facilitando a busca dos mesmos,
de modo a contribuir com a educação.
De acordo com Motter (2013), com o uso das tecnologias digitais na escola, a leitura e
a escrita ganham suportes de toda ordem e enriquecem as perspectivas de aprendizagem. A
audição, a fala e a visão se beneficiam das facilidades avivadas pelas mídias digitais,
1
Acadêmicos do V Semestre e participantes do Trabalho Interdisciplinar do Curso de Sistemas de Informação –
TISI - CEULS.
2
Professora Mestre e Orientadora do Trabalho Interdisciplinar do Curso de Sistemas de Informação – TISI CEULS.
109
exercendo uma função motivadora no estudo de um idioma diferente, como no caso a Língua
Inglesa.
A metodologia utilizada é maneira que os OAs podem ser organizados, de modo a
tornar-se parte integrante de uma atividade mais agradável para o apoio e a melhoria do
aprendizado.
O artigo está organizado em seções. A próxima seção trata sobre o método. Na seção
três serão mostrados os resultados e discussões e como última seção a conclusão.
MÉTODO
Na escolha dos Objetos educacionais, a definição, a adequação e a facilidade de
utilização dos mesmos, tornam-se fatores fundamentais. Dentre as tarefas necessárias para
uma avaliação está à identificação da abordagem. Uma das principais perspectivas
epistemológicas é o construtivismo onde o desenvolvimento mental aparecerá em sua
organização progressiva como uma adaptação mais precisa da realidade (PIAGET, 1964).
Os aspectos técnicos, por sua vez, envolvidos no processo de avaliação, indicam
qualidades relativas à sua robustez (consegue se recuperar a erros), portabilidade (capacidade
de funcionar em múltiplos sistemas operacionais), sua interface (intuitiva e agradável) bem
como sua documentação (registro de todos os passos, desde o planejamento até a entrega)
(REATEGUI e FINCO, 2010).
A utilização de critérios é relevante quando se trata de seleção ou produção de
software educativo de modo a avaliar a qualidade do produto.
Para organizar o material proposto faz-se necessário o acesso aos metadados (todos os
dados que podem ser visualizados sobre o objeto em questão) que estão disponíveis nos
repositórios. Esses dados trazem detalhes sobre os autores e colaboradores do objeto,
palavras-chave, assunto, a versão, a localização, as regras de uso e propriedade intelectual, os
requisitos técnicos para sua utilização, o tamanho e mídia utilizada, o grau de dependência
desse objeto com outros objetos, o nível de interatividade, o público-alvo, o tempo estimado
de uso, o tipo de apresentação utilizado [...] (NUNES, 2004). Quanto mais informações forem
repassadas ao usuário sobre os OA, maiores serão as chances e possibilidades de reutilização.
Para que o professor mantenha o controle de quantos recursos já experimentou dentro
da sala de aula e para que venha reutilizá-lo novamente em outra proposta com uma nova
turma, por exemplo, é que se propõe a utilização de uma sucinta documentação de atividades
para auxiliar durante a seleção dos objetos disponíveis na web quanto para facilitar encontrálos mais rapidamente.
110
A figura 1 representa o modelo de documentação da atividade que será direcionado a
uma disciplina. O documento requer o preenchimento do nome do objeto e a sua descrição,
como: público alvo, nível de ensino, finalidade e conteúdo. Este também precisa do endereço
eletrônico e da captura de tela do objeto para ser, assim, facilmente identificado.
Figura 1. Documentação da atividade
O formulário foi elaborado com a finalidade do professor guardar e integrar em seu
plano de aula os dados das aplicações obtidas dos metadados dispostos nos repositórios para
que os Objetos de Aprendizagem, como dito anteriormente, sejam reutilizados e
recombinados em uma futura proposta educativa.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para orientar na organização do produto final proposto, foi confeccionado no formato
de um molde (uma tela de interface intuitiva com todos os OAs devidamente linkados,
prontos para uso) com a finalidade de apresentar uma maneira simples de montá-lo para toda
comunidade docente, sem que necessitem ter prática com ferramentas computacionais mais
complexas.
O molde pode ser criado através de um editor de texto, seguindo os passos: Passo 1:
criar um fundo para atividade; Passo 2: colocar o nome da disciplina; Passo 3: criar uma
tabela para colocar as imagens dos objetos; Passo 4: copiar as imagens capturadas do
documento de atividades e colar dentro dos espaços da tabela criada anteriormente; Passo 5:
clicar com o botão direito do mouse sobre as imagens, selecionar a opção hiperlink, que abrirá
uma janela exibindo a caixa de endereço, na qual será colocado o endereço eletrônico do
objeto antes armazenado no documento de atividades; Passo 6: Salvar o arquivo no formato
HTML; Passo 7: testar cada uma das aplicações linkadas.
111
A figura 2 representa o modelo para montar o material pedagógico que poderá ser
utilizado em qualquer disciplina. Cabe dizer que o experimento foi realizado por alunos da
disciplina de Tópicos Especiais em Informática na Educação, com ênfase na elaboração de
um material pedagógico para a disciplina de Língua Inglesa.
Figura 2. Molde do material pedagógico
O modelo construído foi aplicado dentro da disciplina de Tópicos Especiais em
Informática na Educação do Curso de Sistemas de Informação de uma Instituição de Ensino
Superior, sob a orientação da docente responsável pela disciplina. Para tal experimento,
dividiu-se a turma em seis grupos de cinco alunos que ficaram dispostos em bancadas, onde
os mesmos poderiam discutir ideias, planejar e organizar o seu material pedagógico.
Essa atividade deu-se em três momentos, composto de três horas com intervalo de
quinze minutos. A primeira etapa explanou-se sobre a existência dos repositórios e de
metadados, como complemento apresentou-se também os critérios de avaliação técnicos e
pedagógicos para auxiliar na seleção dos Objetos de Aprendizagem. Na segunda etapa
explicou-se sobre o significado e a importância do documento da atividade e do molde do
material pedagógico, bem como a disponibilização dos mesmos para realização da ação. Na
terceira etapa, os grupos trabalharam na confecção de seus produtos com base nos
conhecimentos adquiridos e com a ajuda da professora quando solicitada para tirar as dúvidas.
No final desta atividade, um grupo de alunos foi selecionado para aplicar seu material
dentro da disciplina da Língua Inglesa. Devido aos diversos assuntos abordados neste material
foram selecionados aqueles que tinham afinidade dentro do mesmo conteúdo, tudo isso foi
feito com ajuda de uma pedagoga. Conforme a seleção e organização dos conteúdos, os
mesmos poderiam ser utilizados por alunos do 6º ano do ensino fundamental, por esse motivo,
eles foram escolhidos para a aplicação do experimento. O intuito do experimento era observar
na integra como o material produzido na aula, poderia funcionar dentro do laboratório de
informática. Por conseguinte, o produto final, se mostrou um fator contribuinte para auxiliar o
112
educador na organização de suas atividades utilizando Objetos de Aprendizagem, reduzindo
tempo (evitando abrir muitas páginas web, pastas, etc), principalmente por alunos menores
que ainda tem o domínio parcial do computador.
O produto final é caracterizado pelo modelo classificado por Willey de combinadoaberto (Combined-open) que visa reunir um grande número de recursos digitais combinados,
onde suas partes constituintes são acessíveis individualmente para serem reutilizadas
(WILLEY, 2000).
A figura 3 mostra o produto final, selecionado para amostra, desenvolvido para o
ensino da Língua Inglesa com imagens capturadas de objetos de aprendizagem selecionados.
Figura 3. Material pedagógico na forma final.
Desta forma, o material pedagógico poderá ser organizado em atividades propostas
pelo professor como o ensino da Língua Inglesa ou qualquer outra disciplina, utilizando
recursos midiáticos, para o apoio e melhoria do aprendizado, de modo a proporcionar também
aulas mais agradáveis e motivadoras.
CONCLUSÃO
Diante de todo o processo de pesquisa desenvolvido é possível dizer que a educação
baseada em multimídia aprimora em muito a educação tradicional, criando uma atmosfera de
diversão e entusiasmo que permeia todos os aspectos da aprendizagem (STARFALL, 2002).
O computador, neste contexto, foi reconhecido como um meio de ampliação do professor
(MORAES, 1997).
Com a pesquisa realizada identificou-se que o professor de inglês busca meios a fim
de beneficiar o seu aluno, como: áudio, texto, vídeo, imagem, etc. O material pedagógico,
então, é feito com o objetivo de organizar a gama de Objetos de Aprendizagem que estão
sendo dispostos nas bases de dados de forma gratuita, de modo a tornar-se mais uma
113
alternativa a favor do docente em suas propostas pedagógicas. Cabe dizer que fazendo uso do
mesmo é possível preparar atividades das mais variadas disciplinas.
O produto final foi produzido, testado e avaliado na disciplina de Tópicos Especiais
em Informática na Educação do Curso de Sistemas de Informação e pretende-se dar
continuidade, aplicando em três Escolas da rede pública de ensino da cidade de Santarém em
parceria com os professores que lecionam Língua Inglesa, bem como realizar um treinamento
para que os mesmos possam dar continuidade aos trabalhos com Objetos de Aprendizagem.
Por conseguinte, entende-se que os objetos de aprendizagem por conterem áudio,
vídeo, animações etc, são recursos tecnológicos que contribuem para uma melhor
compreensão de conteúdos abordados em razão de que o aparato tecnológico pode influenciar
diretamente no aprendizado do mesmo, fazendo-o mais participativo e interessado.
REFERÊNCIAS
MORAES, M. C. Informática educativa no Brasil: Uma história vivida, algumas lições
aprendidas (1997). Disponível em:
<http://www.lbd.dcc.ufmg.br/bdbcomp/servlet/Trabalho?id=10136>. Acesso em: 20 set.
2015.
MOTTER, R. M. B. My Way: um método para o ensino aprendizagem para língua
inglesa. Tese de Doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Programa de Pósgraduação de Engenharia e Gestão do Conhecimento – Mídia do Conhecimento, Universidade
Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013.
NUNES, C. A. A. Objetos de Aprendizagem em ação. Cadernos de pesquisa reflexões,
NEA/FEA/USP, v. 1, n. 6, 2004.
PIAGET, J. Seis Estudos de psicologia (1964). Forense: Rio de Janeiro.
REATEGUI, E; FINCO, D. M. Proposta de diretrizes para a avaliação de Objetos de
Aprendizagem (2010). Revista de Novas Tecnologias educacionais. Porto Alegre: UFRGS.
Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18066>. Acesso em: 18 mai. 2015.
STARFALL. Objetos Educacionais (2002). Disponível em: <www.starfall.com.br>. Acesso
em: 12 jun. 2015. Acesso em: 17 abr. 2015.
WILLEY, David A. Connecting Learning Objects to instructional design theory: a
definition, a metaphor, and a taxonomy (2000). Utah State University. Disponível em:
<http://reusability.org/read/chapters/wiley.doc>. Acesso em: 10 mar. 2015.
114
115
A PRÁTICA DO LETRAMENTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO
FUNDAMENTAL
Ana Karla de Melo Silva1
[email protected]
Lindon Johnson Pontes Portela¹
Naiara Da Silva Alves¹
Naide Pedroso de Sousa2
RESUMO: O presente estudo compõe uma das etapas do Trabalho Interdisciplinar de Iniciação científica- TIIC,
no Centro Universitário de Santarém- CEULS/ULBRA. Com este, objetiva-se conhecer a importância da prática
do letramento no processo de ensino aprendizagem nos anos iniciais do ensino fundamental, apresentar propostas
de ensino que promovam uma aprendizagem significativa a partir da prática do letramento e identificar as
diferenças entre a alfabetização e o letramento. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica, a partir dos
autores: Magda Soares (1998), Roxane Rojo (2002), Eliana Borges Correia de Albuquerque, Telma Ferraz Leal,
Katia Leal Reis de Melo e Alexsandro Silva (2007). As leituras preliminares defendem práticas de ensino em
que, possibilitem ao aluno a fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano apropriando-se da função social dessas
duas práticas. Porém, ressalta-se que apenas o uso intenso dos diversos textos que circulam na sociedade não
garante que os alunos se apropriem da escrita alfabética, pois o aluno precisa refletir e entender as características
do nosso sistema de escrita, assim como o domínio do sistema alfabético de escrita não garante os alunos sejam
capazes de ler e produzir todos os gêneros de texto. Portanto, o ideal é alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler
e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o aluno se torne, ao mesmo
tempo, alfabetizado e letrado.
PALAVRAS-CHAVE: Letramento. Práticas de ensino.
INTRODUÇÃO
A alfabetização é um processo que leva a aprendizagem inicial da leitura e escrita,
porém, nos últimos anos, o conceito de alfabetização vem passando por transformação, onde
não está mais ligado apenas a um caráter de decodificação de palavras, mas em atividades que
envolvem a leitura de mundo, compreensão e interpretação. Este conceito, a partir da década
de 90 passou a ser vinculado a outro termo: o letramento, que se caracteriza como um
conjunto de práticas que desenvolvem a capacidade de uso de diferentes tipos de materiais
escritos, não apenas no espaço da escola, mas em diferentes ambientes da sociedade. Portanto,
nos dias de hoje o professor precisa adotar práticas de ensino, em que além de alfabetizar e
decodificar palavras, possibilitem ao aluno a fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano
apropriando-se da função social dessas duas práticas.
1
Acadêmicas do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS e Bolsistas de
Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS.
2
Profa. nos Cursos de Letras e de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de SantarémCEULS e Bolsista Coord. de Área do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS.
116
Desse modo, a partir de uma pesquisa bibliográfica, o presente estudo busca conhecer
a importância da prática do letramento no processo de ensino aprendizagem nos anos iniciais
do ensino fundamental, apresentar propostas de ensino que promovam uma aprendizagem
significativa a partir da prática do letramento e identificar as diferenças entre a alfabetização e
o letramento, e refletir sobre a importância da prática do letramento no processo de ensino
aprendizagem, sua utilização e propostas de ensino que promovam uma aprendizagem
significativa aos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental.
METODOLOGIA
Para caracterização desta pesquisa optou-se pela pesquisa bibliográfica. O objetivo
desta pesquisa é conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre
determinado tema: letramento e suas implicações no ensino fundamental dos anos iniciais. De
acordo com Gil, (2002) ―Esta dá suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, uma
vez que contribui para a definição do problema, para a determinação dos objetivos, para a
construção de hipóteses, para a fundamentação da justificação da escolha do tema e
naturalmente para a revisão da literatura sobre o tema em estudo.‖
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O movimento atual da educação propõem práticas de ensino que aproximem as
atividades escolares dos usos e funções da linguagem nos ambientes extraescolares, atividades
que sejam elaboradas para que se desenvolva no aluno capacidades de pensar, compreender,
trocar informações com os demais e interagir com o que foi lido, resultando em que os alunos
tenham não só as habilidades denominadas de ―codificação‖ e ―decodificação‖, mas que
possam ler e escrever funcionalmente textos variados em diferentes situações.
―Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal; se
sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é
alfabetizado, mas não é letrado‖ (SOARES. 2011. p. 05)
O letramento se caracteriza como um conjunto de práticas que desenvolvem a
capacidade de uso de diferentes tipos de materiais escritos, não apenas no espaço da escola,
mas em diferentes ambientes da sociedade. Pois de acordo com Antunes (2011. p. 67) ―O ato
de ler é uma atividade de interação entre sujeitos e supõe muito mais que as simples
decodificação dos sinais gráficos‖. Diferente da alfabetização, pois
117
―...alfabetizar-se, conhecer o alfabeto, envolvia discriminação perceptual (visão) e
memória dos grafemas (letras, símbolos, sinais), que devia ser associada, também na
memória, a outras percepções (auditivas) dos sons da fala (fonemas). Uma vez alfabetizado, uma vez construídas estas associações, o indivíduo poderia chegar da letra,
à sílaba e à palavra, e delas, à frase, ao período, ao parágrafo e ao texto...‖ (ROJO.
2002. p.02).
Porém, ressalta-se que apenas o uso intenso dos diversos textos que circulam na
sociedade não garante que os alunos se apropriem da escrita alfabética, pois o aluno precisa
refletir e entender as características do nosso sistema de escrita. Assim como o domínio do
sistema alfabético de escrita não garante os alunos sejam capazes de ler e produzir todos os
gêneros de texto. Portanto,
"...alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o
ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das
práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao
mesmo tempo, alfabetizado e letrado. (SOARES. 1998. p. 47).
Para que ocorra uma aprendizagem significativa a partir da prática do letramento, o
professor precisa incluir os textos do cotidiano em suas aulas, como: listas, revistas, bilhetes,
receitas, bulas, avisos, letreiros, outdoors, placas de rua, crachás, entre outros, e não apenas os
textos literários, que eram trabalhados na alfabetização sem o ―letramento‖.
Essa ampliação se estende também às instituições em que os textos circulam.
Embora os textos das instituições públicas de prestígio forneçam, de direito, grande
parte do acervo a ser incluído, também os textos que circulam em outras esferas,
como a da intimidade doméstica (bilhetes, recados e cartas pessoais; contas, extratos
e cheques; exames, laudos e carteiras de vacinação,boletim escolar e diplomas)
podem vir a ser incluídos: o aluno pode escrever sua história familiar fazendo
legendas e notas para as fotos de um álbum de família e consultando certidões; pode
ler e recortar anúncios; pode fazer os registros de saúde, de educação, entre outros,
dos membros da família; pode agendar, rotular.( KLEIMAN.2007. p. 07)
Contudo, para trabalhar com os alunos e ensinar a ler ou escrever uma receita, ou um
rótulo, um jornal, é preciso, antes, construir um contexto que justifique sua leitura ou escrita,
em diversas atividades que podem serem feitas com outros textos, mas que o aluno
compreenda a utilização e função do tipo de texto a ser trabalhado.
118
CONCLUSÃO
O letramento no contexto escolar sugere adotar na alfabetização uma concepção social
da escrita, que precisa resistir a concepção tradicional que considera a aprendizagem de
leitura e produção textual como a aprendizagem de habilidades individuais. Com a prática do
letramento, o professor de formação tradicional poderá aos poucos refletir sobre como
propiciar atividades que, de fato, contribuam para o letramento de seus alunos.
Visto que na prática social, o aluno se depara com textos não simplificados, o aluno
deve também se deparar com os textos que circulam na vida social na escola. Assim saberá
como agir discursivamente numa situação, ou seja, saber qual gênero do discurso ou textual
usar.
Dessa forma, a escola, os professores em geral devem de fato trabalhar em conjunto a
prática do letramento com o ato de alfabetizar proporcionando uma boa aprendizagem e
capacidade de conhecimento ampla, formando assim leitores críticos e que saibam utilizar os
textos e linguagens em diferentes contextos no cotidiano.
REFERÊNCIAS
Antunes, I. (2011). Aulas de Português: encontros de interação. São Paulo: Parábola.
GIL, A. C. (2002). Como Elaborar Projetos de Pesquisa (4ª Ed.). São Paulo: Atlas.
KLEIMAN, Angela. O conceito de letramento e suas implicações para a alfabetização.
(UNICAMP) , 2007.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
119
ESTUDO DIAGNÓSTICO DE ALUNOS NO SEU PROCESSO DE
DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA
Luciene dos Santos Pereira1
[email protected]
Elaíde Maria Godinho¹
Aline Esquerdo da Siva¹
Paula Cristina Galdino Oliveira2
RESUMO - Este trabalho relata o diagnóstico realizado com alunos do 4º ano do ensino fundamental da Escola
Rosineide Fonseca Vieira, no Município de Santarém-PA, através do Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência – PIBID/CEULS/ULBRA no curso de Pedagogia. A pesquisa objetivou identificar, através
de atividades diagnósticas, os conhecimentos, habilidades e competências dos alunos nos eixos da leitura e
escrita e, a partir disso, apontar as estratégias de ensino. A metodologia consistiu em pesquisa de campo, utilizou
como instrumentos a atividade diagnóstica e o diário de campo para registro da observação. Os resultados
mostraram, por exemplo, em relação ao nível de aquisição da escrita: apenas 8% dos alunos escreviam utilizando
escrita silábica, ou seja, uma letra para cada sílaba da palavra, enquanto a maioria, 51% escrita silábicaalfabética ele escreve representando as unidades sonoras menores ou fonemas, e 41% alfabética os alunos já
compreendem o conhecimento da escrita alfabética não garante ao aluno a possibilidade de compreender e
produzir textos em linguagem escrita. Assim, verificou-se a necessidade de fomentar o desenvolvimento de
estratégias de leitura, de criar contextos significativos de produção de gêneros textuais, além de abordar aspectos
linguísticos, como ortografia, coesão textual, e aspectos linguísticos.
PALAVRAS-CHAVE: estudo diagnóstico; leitura e escrita; Subprojeto de Pedagogia Pibid-Ceuls.
INTRODUÇÃO
Segundo a Lei 9.394, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, toda
criança tem o direito de ter acesso à educação básica de qualidade, que contribua na sua
formação para exercício da cidadania. Tendo em vista que a leitura é uma dos instrumentos e
requisitos ao desfrute da cidadania, cabe à escola a responsabilidade de inserir a criança no
mundo da leitura e da escrita nas suas diversas funções sociais, pois a mesma é responsável
pela formação do indivíduo enquanto cidadão.
Infelizmente essa inserção na cultura escrita tem sido um grande desafio, haja vista
que as escolas públicas apresentam maior índice de dificuldades em relação ao
desenvolvimento da leitura. Vale ressaltar que isso acontece em todas as instituições de
ensino independente do segmento (público ou particular). Isso implica aos professores buscar
diversos conhecimentos, como entender o que é aprendizagem e quais os fatores que nela
1
Acadêmicas do VI Semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário de Santarém – CEULS/ULBRA e
Bolsistas de Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS.
2
Professora no Curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA e Bolsista Coordenadora de Área no Subprojeto de
Pedagogia do PIBID/CEULS.
120
interferem; bem como formas significativas de promover os direitos de aprendizagem,
explicitados nos PCNs.
A instituição deve buscar priorizar o incentivo à leitura e à escrita, a fim de
proporcionar às crianças em alfabetização que desenvolvam as habilidades e competências
relacionadas ao letramento, o qual vai além do alfabetizar, possibilitando ao individuo a
aprendizagem e aquisição da leitura e da escrita de forma que o mesmo faça uso desses
conhecimentos durante seu dia a dia, ou seja, nas suas práticas sociais.
Partindo dessa problemática, levantou-se a questão: quais os conteúdos e estratégias de
ensino que podem ser usados nas dificuldades dos alunos no seu processo de desenvolvimento
da leitura e escrita?
O estudo constituiu-se importante na medida em que investiga as dificuldades de
leitura e escrita no processo de ensino aprendizagem de crianças de 4º ano do ensino
fundamental da escola pública para elaborar intervenções. Os motivos que levaram a pesquisa
devem-se ao fato do desenvolvimento das atividades no Programa Institucional de Bolsas de
Iniciação à Docência PIBID/CEULS/ULBRA.
Este estudo objetivou, através de atividades diagnósticas, conhecer as aprendizagens,
competências e habilidades adquiridas em leitura e escrita pelos alunos, e apontar
conhecimentos e estratégias de ensino a serem proporcionados no decorrer do ano letivo.
MÉTODOS
Esta pesquisa se caracterizou por estudo de campo, a escola Rosineide Fonseca está
situada no bairro do Diamantino no município de Santarém. O estudo realizado abrangeu o
público alvo dos alunos do 4º ano da turma 401 devidamente matriculados.
Utilizou-se o método descritivo a fim de identificar as principais dificuldades
encontradas pelos alunos no processo de desenvolvimento da leitura e escrita no ensino
aprendizagem, para ter conhecimento do problema. Para se identificar as dificuldades, aplicou
questões para os alunos do 4ª ano, numa abordagem quanti-qualitativa para as análises dos
resultados.
Este projeto utilizou, como os instrumentos, a atividade diagnóstica e o diário de
campo para a observação, além de estudo bibliográfico sobre diretrizes para o ensino da
leitura e escrita em documentos oficiais.
121
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dentre os diversos aspectos explorados, ressalta-se inicialmente o nível de
aquisição da escrita, em que os dados mostram: pré-sílabica, silábica 8% - 2 alunos, silábicaalfabética 51% - 15 alunos e alfabética 41% - 12 alunos.
FICHA DE ANÁLISE DIAGNÓSTICA A PARTIR DE ATIVIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA
EIXOS
QUESTÕES E OBJETIVOS
Leitura
1
Leitura
2
Leitura
Leitura
3
4a
Leitura
4b e d
Leitura
4c
Leitura
4e
Leitura
5
Escrita
6
Escrita e produção
de texto
7
Análise linguística
8
Análise linguística
9
Análise linguística
10
Escrita
11
SIM
NÃO
OUTRAS
PARCIAL OBSERVAÇÕES
3/ 11%
2/ 7%
Reconhece globalmente as palavras?
Estabelece a relação letra-som, percebendo unidades
menores que a silaba?
Ler pequenas frases?
Reconhece finalidade de textos cotidianos, como o anúncio?
Localiza informações explícitas em textos lidos com
autonomia?
Atribui sentido relacionando texto e contexto?
Interpreta ações do autor do texto relacionando informações
do texto e seu contexto?
Demonstra capacidade de reconto escrito da situação
observada?
Apresenta segmentação do texto em palavras?
Divide o texto em frases, usando recursos do sistema de
escrita (letra inicial maiúscula) e de pontuação (uso de
vírgulas, ponto, travessão...)?
26/ 89%
27/ 93%
-
26/ 89%
24/ 82%
25/ 86%
4/ 14%
-
3/ 11%
1/ 4%
3/ 14%
16/ 55%
23/ 78%
11/ 37%
3/ 11%
3/ 8%
3/ 11%
19/ 65%
7/ 24%
3/ 11%
20/ 68%
11/ 38%
5/ 11%
9/ 31%
4/ 9%
9/ 31%
Usa palavras ou expressões que estabelecem a coesão como:
progressão do tempo, marcação do espaço...?
Usa palavras ou expressões que retomam coesivamente o que
já foi escrito (pronomes pessoais, sinônimos e equivalentes)?
Usa adequadamente a concordância nominal e verbal?
Escreve utilizando escrita
20/ 68%
8/ 27%
1/ 5%
11/ 38%
12/ 34%
5/ 28%
16/ 55% 7/ 24%
...pré...silábica
silábica
2/ 8%
6/ 23%
...silábica
alfabética
15/ 51%
alfabética.
12/ 41%
Observações
Verificou-se que 8% dos alunos apresentam escrita silábica, ou seja, uma letra para
cada sílaba da palavra. Isso tem impactos profundos para a vida do aluno, em que salienta
KLEIMAN (2005, p.44), ―A aquisição e o domínio dessa modalidade de se comunicar é que
permitirão que os alunos participem, cada vez com mais capacidade de ação, das práticas de
letramento de sua família como ler a bíblia, consultar o dicionário [...]‖.
Contudo, 51% dos alunos se encontravam na fase referente à aquisição da escrita
silábica-alfabética. Este nível marca a transição do aluno da hipótese silábica para a
alfabética, ele escreve representando as unidades sonoras menores ou fonemas. O ensino da
Língua Portuguesa tem sido marcado por uma sequência de conteúdos quase, poderia chamar
de adicional: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras, a juntar palavras para
formar frases e a juntar frases para formar textos. Passando por dois estágios: o primeiro seria
122
o que já se chamou de ―primeiras letras‖, hoje alfabetização, e o segundo, aí sim, o estudo da
língua propriamente dita. De acordo com PCNs da Língua Portuguesa:
Durante o primeiro estágio, previsto para durar em geral um ano, o professor
deveria ensinar o sistema alfabético de escrita (a correspondência
fonográfica) e algumas convenções ortográficas do português -- o que
garantiria ao aluno a possibilidade de ler e escrever por si mesmo, condição
para poder disparar o segundo estágio. Esse segundo estágio se
desenvolveria em duas linhas básicas: os exercícios de redação e os treinos
ortográficos e gramaticais. PCNs da Língua Portuguesa (1997, p.27).
E os 41% dos alunos corresponderam o sistema de escrita alfabética, a evolução da
escrita silábico-alfabética para a alfabética é repleta de especificidades.
Os alunos pesquisados já compreendem, em geral, o sistema de escrita, entendendo
que cada um dos caracteres da palavra corresponde a um valor sonoro menor do que a sílaba e
também domina as convenções ortográficas. No entanto, apenas o conhecimento da escrita
alfabética não garante ao aluno a possibilidade de compreender e produzir textos em
linguagem escrita. Essa aprendizagem exige um trabalho pedagógico sistemático que envolve
conhecimentos não apenas linguísticos, mas extralinguísticos, sociointeracionais. Promover
tais saberes é fundamental para o desenvolvimento dos alunos e melhor ajudá-los a avançar.
A atribuição de sentido, interpretação e capacidade de reconto, mostra que esses
aspectos são considerados muito importantes para conduzir as atividades. Verificou-se a
necessidade de fomentar o desenvolvimento de estratégias de leitura, de criar contextos
significativos de produção de gêneros textuais, além de abordar aspectos linguísticos, como
ortografia, coesão textual, uso dos verbos adequados ao contexto temporal e outros aspectos
linguísticos. O professor deve oferecer condições que ajudem a criança avançar no processo
de aquisição da leitura e escrita, possibilitando-lhes adquirir capacidades relacionadas às
habilidades linguísticas básicas.
CONCLUSÃO
A partir da atividade diagnóstica, do diário de campo para a observação, além de
estudo bibliográfico sobre diretrizes para o ensino da leitura e escrita em documentos oficiais
realizada na Escola Rosineide Fonseca, pôde-se constatar que os alunos apresentam
dificuldades na escrita e leitura e interpretação de texto. Desta forma, fazem-se necessárias
123
ações, projetos e metodologias diversificadas de incentivo á leitura, os quais contribuem no
processo de desenvolvimento de aquisição da leitura.
O letramento busca levar o indivíduo à compreensão e ao uso da leitura e escrita
durante seu cotidiano. Por isso, a importância de se trabalhar com os alunos a sua habilidade
de leitura, a fim de mostrar diferentes textos presentes no dia a dia, desenvolvermos
competências através das atividades realizadas. Dessa forma, despertar nos discentes o
interesse nos diversos tipos de leitura contribuirá com o progresso da aprendizagem.
Portanto, tendo em vista os resultados do diagnóstico da turma a primeira etapa do
projeto de intervenção, definiu-se o plano de trabalho com as metas gerais a serem
desenvolvidas durante as próximas etapas. Foram definidas também ações e atividades tendo
por base as competências necessárias e que deveriam ser garantidas no processo inicial de
alfabetização e letramento.
Ao trabalhar a construção dessas competências, acredita-se que cada aluno será
capaz, ao longo do desenvolvimento do trabalho, de identificar os diferentes textos bem como
seus usos sociais. O projeto intervenção beneficiará o aluno, evitando principalmente que ele
perca o estímulo na sala de aula. Dessa forma, conduzindo melhora substancial nas produções
de textos e consequentemente, melhor resultados nos estudos, de modo geral.
REFERÊNCIA
BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: Primeiro e Segundo Ciclos do ensino
Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília, MEC/ SEF, 1997.
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social, 5 ed. São Paulo: Atlas, 2006
HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral/Regina Célia Cazaux. Ática, São
Paulo, 2006.
http://www,planalto.gov.br/ccivil03/leis/l9394.htm
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Cientifica – 3ª Edição
Revista e Ampliada.
ROSA, E. C. S.A literatura e o relato autobiográfico na formação de professores leitores.
Práticas de leitura no ensino fundamental/organizado por Maria Lúcia F. de Figueiredo
Barbosa e Ivane Pedrosa de Souza. — Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p.125-126.
124
RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICA COM A PRODUÇÃO
DE RESUMOS E RESENHAS NO ENSINO SUPERIOR
Maria Sheyla Gama1
[email protected]
Charliany Rolim Freitas2
[email protected]
RESUMO: O presente trabalho em processo de finalização visa apresentar o trajeto didático metodológico,
necessário e básico para a produção dos gêneros resumo e resenha na universidade. Objetiva-se, por meio deste,
apontar estratégias de ensino que proporcionem aos acadêmicos, principalmente, os matriculados na disciplina
de Comunicação e Expressão, o domínio de habilidades leitoras que o conduzam ou estimulem à produção de
resumos e, posteriormente a elaboração de resenhas. A partir do levantamento de alguns resumos analisados por
produção dos próprios alunos, detectou-se a dificuldade enfrentada por maioria deles em referir-se ao autor no
decorrer do texto, apresentar a ideia do autor com suas próprias palavras, dentre outros. Deste modo, discutiu-se
a necessidade de busca por meios que pudessem propor a estes técnicas que possibilitassem o aprimoramento da
escrita. Por isso, utilizou-se da estratégia de reescrita, ou seja, o acadêmico matriculado na disciplina de
Comunicação e Expressão após a leitura de um determinado texto era desafiado a produzir um resumo e
apresentar para professora, a qual propunha estratégias de melhoramento da primeira versão do texto,
posteriormente, devolvia ao aluno para uma possível reprodução. Diante disso, verificaram-se melhoras
relevantes nos próximos resumos.
PALAVRAS-CHAVE: gêneros resumo e resenha. produção textual. reescrita.
INTRODUÇÃO
A partir da análise de resumos apresentados por alunos universitários matriculados na
disciplina de Comunicação e Expressão, detectou-se uma grande dificuldade, por parte destes,
em produzir um adequado texto, de acordo com as normas gramaticais e estruturais de textos
que circulam na sociedade. Por isso, apontou-se para a importância de proporcionar, a estes,
meios que facilitassem o aprendizado do gênero resumo para posteriormente construir um
posicionamento crítico através da produção textual – resenha. No entanto, observou-se a
irrelevância que muitos acadêmicos apresentavam para com a necessidade de se saber fazer
um texto que atendam os princípios da coerência e da coesão textuais. Por isso, faz-se
indispensável o uso de novas estratégias, metodologias que instigam o aluno a escrever, sendo
necessário reconhecer que boa parte dos ingressantes no Centro Universitário Luterano de
Santarém não reconhece, na maioria das vezes, a verdadeira estrutura do resumo e/ou até
mesmo qual a principal diferença entre o resumo e a resenha. Dessa forma, é inestimável que
o educador apresente formas que ajudem o acadêmico a desenvolver habilidades leitoras,
além de incentivá-lo a escrever. Reconhecendo a importância de reescrita como muitos
autores citam a exemplo de Machado et.al (2004) no livro Resenha, analisou-se a importância
de propor aos acadêmicos da disciplina de Comunicação e Expressão a orientação de como se
fazer um resumo; depois, ao discutir sobre um tema definido eles eram desafiados a sintetizar
1
2
Mestre em Linguística, docente do CEULS/ULBRA e pesquisadora PROICT
Acadêmica do curso de Pedagogia, bolsista do PROICT/ ULBRA
125
um documento, texto, e em seguida entregava à professora, a qual, revisava e depois devolvia
o texto, mostrando o que faltou para que em seguida o acadêmico pudesse reescrevê-lo. Dessa
forma, discutiu-se a necessidade que há em o aluno ter uma visão ampla do tema o qual
resumirá, ou, quanto ao documento que levantará uma visão crítica – resenha seja ela positiva
ou não. Por isso, o hábito da leitura se torna indispensável, pois auxilia o aluno a ampliar seu
conhecimento, além de, promover sua criticidade. Para Machado et.al é fundamental que
aquele que resumirá um artigo, livro, documento, entre outros, obtenha compreensão da
leitura do texto estudado, pois para a produção de um resumo é primordial, segundo elas, que
o autor do texto resumido perceba qual a intenção do autor em escrever um artigo, livro, entre
outros (MACHADO et.al, 2004). Sendo assim, objetivou-se contribuir para o aprimoramento
da escrita, e principalmente, que os alunos apresentassem conhecimento sobre o que é um
gênero resumo, o que é uma resenha e quais as principais diferenças entre esses dois gêneros.
MÉTODOS
Os métodos utilizados fundamentam-se na pesquisa bibliográfica com levantamento
de dados em relação aos gêneros resumo e resenha e tem por objetivo discutir ideias de
diversos autores acerca do ensino de tais gêneros na universidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O presente projeto encontra-se em fase de finalização, por isso, ainda não apresenta
resultados finais a respeito da pesquisa discutida. Porém, devido alguns levantamentos
bibliográficos, pode-se apontar para algumas características observadas em referências a
ideias de alguns autores. Segundo MENDES (2010), o estudo dos gêneros textuais é uma
fonte importante de conhecimento que auxilia na produção de trabalhos acadêmicos,
contribuindo assim, para um aprimoramento na formação profissional. Afirma ela, que é
necessário que o autor do gênero resumo seja convincente, usando argumentos consistentes,
para tornar comum a ideia proposta. Por isso, Mendes propõe que o texto obtenha três
qualidades: unidade, coerência e coesão. Ao tratar do gênero resumo a autora remete-se à
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 6028,2003) que declara a
importância do gênero resumo que é mostrar sinteticamente pontos indispensáveis do
documento analisado, por isso, o resumo pode se expressar através de três estilos: crítico,
indicativo e informativo. Quanto ao gênero resenha, ela baseia-se em Souza et.al (2007), para
os quais a resenha é uma análise a ser feita de obras ou documentos prontos, podendo assim,
classificá-la em descritiva ou crítica.
126
Já no artigo de Silva (2009) foi possível observar o relato que esta autora apresenta
sobre os resultados obtidos através de um questionário aplicado com acadêmicos do segundo
semestre dos cursos de Engenharia Mecânica e Elétrica. O questionário continha duas
indagações: a primeira diz respeito ao que é um resumo e a segunda perguntava sobre quais os
passos a serem seguidos para a elaboração de tal gênero que, segundo ela, são
importantíssimos para averiguar o conceito que universitários possuem em relação a esse
gênero textual. Para Silva, o gênero resumo vai muito além de uma simples seleção de ideias
principais copiadas para uma nova folha. No entanto, as respostas apresentadas pelos
acadêmicos acusam uma deficiência visível vivenciada por alunos universitários em não
perceber a importância da prática de escrever e, principalmente, criar um texto próprio a partir
de um texto base. Ao analisar as respostas da primeira pergunta, a autora identifica que pelo
menos 28,58% dos universitários entrevistados alega que o resumo é uma forma de identificar
ligeiramente as principais ideias do autor e 3,57% afirmam que ele é uma ilustração básica,
breve e objetiva. Já sobre a segunda pergunta mais de 50% certificam que os passos a serem
seguidos são leitura, seleção e escrita e menos de 5% declaram que é a leitura, seleção e
apagamento. Entretanto a pesquisadora informa que para a produção de um resumo é
necessário ler, compreender, sintetizar e produzir um novo texto a partir do documento
original, seja de um capítulo de um livro, revista ou artigo. A autora remete- se a Therezzo
(2001, p. 21) a qual afirma que para a produção de um resumo o escritor deve apresentar
habilidades como identificar as principais ideias do autor de forma precisa e direta;
estabelecer uma estrutura de ideias principais englobando-as em um contexto próprio e
coerente; manter-se leal às opiniões/ideias do autor e produzir um novo texto mediante a
observância da linguagem padrão. Silva diz, também, que é possível encontrar três teorias
relacionadas à leitura, nas quais tal atividade pode ser apontada como leitura de
decodificação; processamento cognitivo e interação: autor – texto – leitor. Diante das
respostas de alunos adquiridas pela autora através de questionários, observou-se que a maioria
dos acadêmicos conhece o gênero resumo como uma síntese de informações relevantes
enfatizadas no texto original, porém não expõe o conhecimento de que o resumo em sua
essência, na verdade, é contar concisamente o texto original com palavras próprias, além de,
reconhecê-lo como produção de um novo texto. A autora identifica ainda, a dificuldade que
maioria dos acadêmicos apresenta em reconhecer um gênero resumo, confundindo-o, muita
das vezes, com outros gêneros a exemplo do fichamento. No entanto, ela apresenta a
importância do esclarecimento que o professor precisa dar ao aluno antes de cobrar alguma
127
atividade, além de destacar a relevância que há na prática da produção de resumos podendo
proporcionar ao aluno habilidades em leitura e escrita.
Para Pereira (2013), o título e o resumo são dois artifícios eminentemente úteis a um
artigo científico. Afirma ele que, se estes forem atraentes, consequentemente o público se
interessará pela pesquisa completa, porém se o resumo apresentar deficiência provocará um
desinteresse nos leitores para aprofundar-se na leitura do artigo. O autor declara ainda que o
gênero resumo objetiva ampliar a visão da pesquisa podendo ser dividido em dois tipos de
resumo: o informativo e o indicativo, os quais Pereira caracteriza em suas devidas diferenças.
O primeiro, focalizado em seu cunho informativo, dispensa a leitura do documento original
por apresentar concisamente componentes fundamentais de um artigo. Já o segundo, o autor o
caracteriza de maneira mais simples, pois possibilita expor opiniões e debates sem apresentar
resultados e outros subsídios em sua estrutura. É inegável assim, a dificuldade que muitos
possuem de expressar sucintamente o que compreendem com uma produção textual que esteja
de acordo com as exigências gramaticais e estruturais do gênero resumo, pois para
desenvolver um texto adequado às normas são necessárias várias versões, alega o autor. Deste
modo, analisa-se a relevância que há no exercício prático, na reescrita, métodos estes que
contribuem para o desenvolvimento das habilidades leitoras e de escrita.
CONCLUSÃO
Diante dos estudos e das análises bibliográficas que estão sendo feitas, observa-se a
relevância que os autores citados acima dão à compreensão global do tema analisado para que
qualquer texto seja resumido. Ressaltam também que a prática da escrita é essencial para
desenvolver as habilidades necessárias para a produção de um bom resumo. Habilidades essas
como: a identificação da ideia principal que o autor do texto quer repassar; a compreensão da
leitura; o reconhecimento dos principais objetivos do texto, além de, perceber qual a intenção
do autor em escrever algum livro, artigo, dentre outros. Estes são alguns conceitos que
possibilitam ao aluno o aprimoramento da escrita, contribuindo, assim, para a elaboração de
um resumo adequado às normas estruturais e gramaticais. Torna-se importante lembrar que o
exercício prático torna-se indispensável, afinal logo após o aprendizado sobre a estrutura de
um resumo se faz necessária a execução, para assim, exercitar o conhecimento adquirido.
128
REFERÊNCIAS
MENDES, Renata. A importância da adequada estruturação de resumo e resenha. Revista
Espaço Acadêmico – nº 114 – Novembro de 2010. Págs. 135 a 140.
SILVA, Adriana. O gênero resumo na perspectiva de universitários. In Anais do V Simpósio
Internacional de Estudos de Gêneros Textuais. Caxias do Sul: Universidade Federal de Caxias
do Sul, 2009.
PEREIRA, Mauricio Gomes. O resumo de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde,
Brasília, 22(4): 707 – 708, out – dez 2013.
MACHADO, Anna Raquel; LOUSADA, Eliane Gouvêa; ABREU-Tardelli, Lília Santos.
Resumo. – São Paulo: Parábola, 2004.
MACHADO, Anna Raquel; LOUSADA, Eliane Gouvêa; ABREU-Tardelli, Lília Santos.
Resenha. – São Paulo: Parábola, 2004.
129
130
SÍNDROME DE BURNOUT E DOCENTES DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Rosimar Souza dos Santos Borges1
RESUMO: Burnout é considerado uma síndrome ocupacional de conceito tridimensional compreendendo as
seguintes dimensões: exaustão emocional (EE), despersonalização (DE) e baixa realização profissional (BRP). O
objetivo deste artigo foi estudar a Síndrome de Burnout (SB) em docentes da UFRJ, no ano de 2014, e investigar
a correlação entre ela e características demográficas, laborais e condições de saúde e lazer. Foram entrevistados
155 docentes das áreas da saúde, exatas e humanas. Utilizou-se um instrumento autoaplicado composto por
variáveis demográficas, laborais e pela escala MaslachBurnoutInventory (MBI). Os resultados apontaram que a
dimensão da exaustão emocional foi a que mais apresentou fatores associados e que as mulheres mais jovens
foram as mais vulneráveis nesta dimensão, evidenciando a sobrecarga de trabalho como fator de risco.Conclui-se
que em função da dimensão da exaustão emocional ter apresentado as médias mais elevadas no estudo, necessita
de investimentos em políticas que visem a melhoria da qualidade de vida no ambiente laboral.
PALAVRAS CHAVES: professores,Síndrome de Burnout,condições de trabalho.
INTRODUÇÃO
A Organização Internacional do Trabalho (OIT), consideraa atividade de professor
como de alto risco, sendo a segunda categoria profissional, em nível mundial, a portar
doenças de caráter ocupacional, evidenciando a gravidade do processo de adoecimento desses
profissionais (Vasconcelos, 1997). Dentre as doenças ocupacionais, pode-se identificar a
Síndrome de Burnout (SB), considerada como um fenômeno complexo, multidimensional,
resultante da interação entre aspectos individuais e laborais (Kelchtermans, 1999).
A síndrome é formada por três dimensões: exaustão emocional (o trabalhador sente-se
emocionalmente esgotado pelo contato direto e intenso com as demandas laborais),
despersonalização (atitudes negativas em relação ao trabalho e as pessoas, o indivíduo age de
forma distante e impessoal como se elas fossem objetos) e baixa realização profissional (o
indivíduo faz uma auto avaliação negativa de si mesmo, pois não se sente realizado com que
faz)(Maslache Jackson, 1984a).
Maslach (2001) e Barría (2002) nos informam que alguns estressores de Burnout são
associados com sexo, idade, estado civil, filhos; com característica da personalidade e
autoeficácia (Cano-Garcia, 2005); com a experiência profissional, nível de ensino,
desenvolvimento de carreira, relacionamento interpessoal, suporte social, conflitos e
ambiguidade de papel, controle, sobrecarga de trabalho, pressão no trabalho, motivação no
trabalho e satisfação no trabalho (Barría, 2002) e com clima organizacional, contexto
sociocultural e político (Grau, 2005).
1
Mestre em Saúde Coletiva e Assistente Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro
131
No Brasil, a SB é conhecida como a síndrome de esgotamento profissional, porém
ainda não é amplamente conhecida pela área médica, dificultando seu diagnóstico (Brasil,
2001). Em função dessa realidade, o presente estudo teve como objetivo estudar a Síndrome
de Burnout e fatores relacionados em docentes da UFRJ das áreas da saúde, humanas e exatas.
MÉTODOS
Utilizamos o delineamento transversal. Os dados foram coletados entre docentes dos
cursos das áreas da saúde, humanas e exatas daUFRJ. Foram buscados 252 docentes, porém,
em função das perdas produzidas pelas recusas dos docentes em participarem do estudo, a
amostra final foi composta por 155 sujeitos.
A coleta foi realizada no período de outubro a novembro de 2013 e de fevereiro a
março de 2014 e a população deste estudo foi composta por docentes da UFRJ dos cursos de
medicina, enfermagem, educação física, letras, pedagogia, engenharia e matemática. Utilizouse a amostragem probabilística estratificada para selecionar os docentes dos referidos cursos.
Para a coleta de dados, foi utilizado instrumento autoaplicado composto por variáveis
referentes às características demográficas, laborais e pela escala de MaslachBurnoutInventory
– MBI que investiga Burnout (Maslach e Jackson, 1986).
Foram investigados os fatores demográficos, laborais e de condições de saúde e lazer,
cujos dados foram analisados no software StatisticalPackage for the Social Sciences® (SPSS),
versão 18.0. As análises estatísticas foram de natureza descritiva e multivariada (análise de
regressão múltipla, pelo método stepwise).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na população estudada, a média de idade foi de 47 anos e predominou o sexo
feminino e a presença de companheiro/a. A média de filhos foi de um filho. A maioria da
classe econômica B+C, com formação em doutorado e pós-doutorado.
Em relação às condições de saúde e lazer, os docentes relataram ter poucas horas de
sono e muito cansaço, disponibilizando pouco tempo para o lazer. Nas variáveis laborais, os
entrevistados informaram que sua atuação como docente variou entre 0 a 48 anos e o tempo
de trabalho na instituição entre 0 a 44 anos, a maioria não possui função de coordenação ou
outra função remunerada. O estudo demonstrou ainda, bom relacionamento com colegas e
alunos.
Quando questionados sobre a compatibilidade do salário com as atividades exercidas,
a maioria informou que não estava compatível. Mas, apesar disso, responderam que não
132
mudariam de profissão, nem de instituição, nem tampouco de serviço ou função na
instituição.
Neste estudo, encontraram-se professores do sexo feminino apresentando mais
exaustão emocional (EE), o que na concepção de Carlotto (2010) pode ser interpretado como
questão de emocionalidade vinculada ao papel feminino e às demandas das tarefas
desenvolvidas.
No tocante à idade dos docentes, encontrou-se maior pontuação de EE entre os mais
jovens. Professores com menos de 40 anos apresentam maior risco de Burnout por conta das
expectativas irrealistas em relação à profissão (Carlotto, 2002b).
Em relação às variáveis laborais, os docentes que exerciam função de coordenação
apresentaram índices mais baixos de Despersonalização (DE). Entende-se que quanto maior
for o envolvimento e a autonomia do indivíduo com o trabalho, menor serão os índices de DE
e maior a possibilidade de realização profissional (Correia, 2010).
Segundo Carloto (2010) a sobrecarga de trabalho tem sido uma das variáveis mais
predisponentes da SB, pois quando a quantidade e a qualidade dos trabalhos ultrapassam a
capacidade das pessoas, elas tendem ao adoecimento.
O professor que tem uma boa relação com a chefia imediata, geralmente, desenvolve
uma percepção de liberdade profissional, apresenta motivação em suas atividades laborais,
entusiasmo, se sente respeitado e manifesta sentimentos de carisma e apoio, reduzindo os
possíveis níveis de EE e DE.
No decorrer da pesquisa, encontrou-se muitos docentes que optaram por não
participar, o que pode ser um indicativo de alto índice de Burnout, já que o docente se
encontra em estado de desgaste tão elevado que acaba considerando a pesquisa mais uma
tarefa a cumprir. Sugere-se, com isso, a realização de novos estudos, com uma maior
participação dos docentes, incluindo novas variáveis que possam ampliar o poder explicativo
deste fenômeno psicossocial.
REFERÊNCIAS
BRASIL, MS. Doenças relacionadas ao trabalho. Manual de procedimentos para os
serviços de saúde. Brasília: MS, 2001.
BARRÍA, JM. Síndrome de Burnout em assistentes socialesdelservicio Nacional de
Menores de La Región Metropolitana de Chile, v.6, n.4, 2002. Disponível em http:
www.psiquiatria.com/ artículos/estrés/11867. Acesso em 14 de mar 2013.
CANO-GARCÍA, FJ et al. Personality and contextual variables in teacher burnout.
Personalityand individual diferences, v.38, n. 4, 2005. P.929-940.
133
CARLOTTO, MS. Síndrome de burnout: o estresse ocupacional do professor. Canoas: ed.
ULBRA, 2010.
_ _________________. A Síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia em
Estudo, v.7, n. 1, 2002b. P.21-29.
CORREIA, T et al. Stress ocupacional em professores do ensino básico: um estudo sobre as
diferenças pessoais e profissionais. In: Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em
Psicologia. Associação Portuguesa de Psicologia, Lisboa, Portugal, 2010. P.1477-1493.
GRAU, A et al. Desgaste professional enelpersonal sanitário y surelación com
losfactorespersonales y ambientales. Gacetasanitária, v.19, n. 6, 2005. P. 463-470.
KELCHTERMANS, G. Teaching career: Between burnout and fading away? Reflections
from a narrative and biographical perspective. In: VANDERBERGUE, R. HUBERMAN,
MA. (eds.). Understanding and preventing teacher burnout: A source book of
international practice and research. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. P.176191.
MASLACH, C. JACKSON, SE. Patterns of burnout among a national sample of public
contact workers. Journal of Health Resources Administration; n.7, 1984a. P. 189-212.
________________________. MBI: Maslach Burnout Inventory, Manual Research Edition.
Pato Alto, CA: Univesity of California, Consulting Psychologists Press, 1986.
MASLACH, C et al. Job burnout.Annual Review Psychology, n. 52, 2001.P.397-422.
VASCONCELOS, CS. Construção do conhecimento em sala de aula. São Paulo: Libertad,
1997.
134
135
A
IMPORTÂNCIA
DA
EDUCAÇÃO
FÍSICA
PARA
O
DESENVOLVIMENTO INFANTIL DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS.
Bruna Maria Ribeiro Braga1
Valéria da Silva Araújo2
Manuel Elbio Aquino Sequeira33
RESUMO: Este presente artigo tem como objetivo mostrar a importância da educação física para o
desenvolvimento motor infantil das crianças de 4 a 6 anos. O mesmo foi estruturado e desenvolvido por meio de
uma pesquisa bibliográfica e experiências obtidas pelas aulas aplicadas nas turmas do Pré I e Pré II da Escola
Municipal de ensino fundamental João batista Mileo, localizada no bairro do Urumari no município de Santarém
– PA. Este trabalho é resultado de experiências feitas a partir de observações e intervenções, através do projeto
da equipe PIBID na escola. A partir das observações foi detectando a carência e a necessidade de se ter
atividades para essa faixa etária, para que no futuro possa se visualizar mudanças, promovendo um
desenvolvimento integral de maneira organizada com quantidade e qualidade; estimulando assim a habilidade
perceptiva para a melhoria do controle motor.
PALAVRAS- CHAVE: educação física, desenvolvimento motor, crianças.
INTRODUÇÃO
A educação física na educação infantil une a educação ao cuidado, pois é a primeira
etapa da educação, onde deve se encontrar presente o desenvolvimento através do brincar em
diversas maneiras, sendo esse um método de desenvolvimento e não apenas um preparo para
seres do ensino fundamental.
Segundo a Constituição, é obrigação do estado oferecer uma educação na fase da
infância. Conforme as Leis de Diretrizes e Bases (1998) artigo 29, a educação infantil que tem
como objetivo principal o desenvolvimento integral das crianças até os seis anos de idade, em
seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e até sociais completando ação da família e da
comunidade.
Na educação infantil o professor não pode se prender apenas a trabalhar a alfabetização,
mas proporcionar as crianças por meio de estímulos diferentes atividades com manifestações
expressivas dando importância ao movimento, as brincadeiras, gestos, desenhos, danças
incentivar sempre a imaginação delas, devendo primeiro conhecer melhor a criança e sua
história de vida para assim entender seu comportamento e saber atuar, pois é nessa etapa de
desenvolvimento em que tudo ao seu redor serve de brinquedo e toda atividade é uma
experiência nova, começando a expressar suas vontades, seus interesses, permitindo assim,
que seu querer seja único e particular
1
Acadêmica do 6º semestre de Educação Física do CEULS/ULBRA. Bolsista do PIBID na escola João Batista
Mileo
2
Acadêmica do 5º semestre de educação física do CEULS/ULBRA. Bolsista do PIBID na escola João Batista
Mileo.
3
Mestre em Educação Física Coordenador PIBID Subprojeto Educação Física CEULS/ULBRA.
136
As brincadeiras nessa etapa contribuem no aprimoramento de exercícios naturais como:
saltar, correr, pular, arremessar, subir, excitando a imaginação, aprendendo a respeitar as
regras, porém deve-se sempre levar em consideração a individualidade de cada um, pois toda
criança é diferente da outra.
Dentre os grandes desafios enfrentados nas escolas públicas destaca-se a falta de
políticas públicas na região que levam a falta de investimento na educação, vista que muitas
escolas recebem o mínimo de recurso financeiros. Nas aulas de educação física o espaço
físico é uma grande dificuldade a ser enfrentada tanto pela escola, quanto alunos e
professores, pois não existe estrutura adequada, para as aulas, ficando muitos alunos a mercê
somente da sala de aula para executar tais atividades e ficando o professor a exercer sua
criatividade. A precariedade da educação não é uma realidade só das escolas municipais de
Santarém, mas também pode ser vista na região do Pará.
Segundo o Instituto nacional de Estudos e pesquisas educacional Anísio Teixeira
(INEP) realizado no ano entre 2009 a 2014, que avalia as escolas tanto das redes de ensino
quanto estaduais e municipais, em uma escala de 0 a 10 mostrou que o Pará ficou com 3,5,
sendo o último lugar no ranking.
MÉTODO
Esta pesquisa foi realizada com crianças de 4 a 6 anos da escola municipal e
fundamental João Batista Mileo, localizada no bairro do Urumari no município de Santarém –
PA. buscou-se conhecer e informar quanto a importância da educação física nas series iniciais
do Pré I e Pré II, compreendendo 20 alunos do Pré I e 22 do Pré II dessa escola. Foram
implantadas oficinas com período já de 5 meses, de junho a outubro, tendo continuidade até o
mês de dezembro de 2015, sendo realizadas nos dias de terça e sexta-feira das semanas, com
duração de 45 minutos cada aula.
Tendo como ponto de partida o projeto da equipe PIBID, tal trabalho foi realizado
inicialmente por meio do método de observação sistemática verificando o dia a dia das
crianças na escola, no qual percebemos que as mesmas não tinham nenhum tipo de atividade
que envolvesse a ludicidade e coordenação motora delas, passando depois a intervir por meio
de oficinas recreativas.
137
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Antes do PIBID entrar na escola, as crianças do Pré I e Pré II, não tinha nenhum tipo de
atividades como brincadeiras tanto em sala de aula, quanto extra classe. Todas as aulas eram
voltadas para a alfabetização.
No início das oficinas percebemos o receio das crianças pelas brincadeiras, sendo
relatado por muitas o desconhecimento e o medo de realizar tal atividade. O contato físico
entre eles foi um outro ponto a ser tratado, visto que antes em sala de aula não tinham
atividades que levassem a socialização das crianças. A partir desse ponto, percebemos a
necessidade de realizar atividades que permitissem a elas movimentos e expressões corporais
por meio de brincadeiras que envolvessem a coordenação motora delas, tanto a coordenação
motora fina e global, percepção espacial e orientação. Nas aulas foram e continuam sendo
aplicadas oficinas, tais como: brincadeiras livres, jogos, dança, cantigas de roda, cinema,
teatro com fantoches, etc. com isso buscamos desenvolver as habilidades básicas das crianças
como: correr, pular, saltar, rolar, etc.
138
CONCLUSÃO
Deste modo, torna-se indispensável as aulas de Educação Física na Educação Infantil,
visto que são durante as brincadeiras e jogos que as crianças podem criar, inventar, explorar,
experimentar, descobrir os seus limites e conhecer o outro e a si mesmo, aprimorando assim
as suas capacidades físicas básicas. Por isso, a importância de dar prosseguimento no processo
educacional de Educação Física nas séries iniciais, para que no futuro possa se visualizar
mudanças, promovendo um desenvolvimento integral de maneira organizada com quantidade
e qualidade; estimulando assim a habilidade perceptiva para a melhoria do controle motor,
permitindo a liberdade de ações, desde que estas tragam conhecimentos, respeitando as
diferenças cronológicas de interesses e competências que cada criança possa apresentar.
Contudo podemos afirmar que a educação física não educa somente para o âmbito
escolar, mais também para sociedade podendo se utilizar de temas transversais através de
lutas, jogos danças entre outros elementos da cultura corporal de movimento, ensinando na
diversidade a serem iguais, respeitando os limites não somente do corpo, mas envolve todo
ambiente onde convive e aprende de maneira criativa, exercendo autonomia do certo e do
errado.
REFERÊNCIAS
CUNHA, N. H. S. Brinquedo, desafio e descoberta para utilização e confecção de
brinquedos. Rio de Janeiro: Fae, 1988.
FAVERO, Andrea. A importância do lúdico para o desenvolvimento da criança. São Paulo:
abril, 2008.
FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. São
Paulo: Scipione,2009.
FERREIRA, C. P. L; FREITAS, R. A. M. M. O lugar da Educação Física na Educação
Infantil. IV EDIPE – Encontro Estadual de Didática e Pratica de Ensino. 2011. 18 p.
LDB. Lei de. Diretrizes e Bases n 9.394, 20 de dezembro de 1996.
LIMA, J. S.A importância do brincar e do brinquedo para as crianças de três a quatro
anos na Educação Infantil. Rio de Janeiro: 2006. 23 p.
PICCOLO, V. N; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na Educação Infantil. São
Paulo: Cortez, 2012. 192 p.
www.10emtudo.com.br/artigo/os-desafios-da-educação-no-Brasil/. 17:00. 18 de outubro de
2015.
ROLIM, l. R. Professor de Educação Física na Educação Infantil: uma revisão
bibliográfica. UNINOVE. 13 p.
139
A PESQUISA E O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOS
ALUNOS DE GRADUAÇÃO
Maria Viviani Escher Antero1
RESUMO: Este trabalho tem como ponto de partida pesquisas feito anteriormente pela a autora sobre a prática
da pesquisa no ensino superior em que consistiu na busca de conceitos e métodos da pesquisa cientifica com
foco no ensino superior. Teve como objetivo verificar conceitos e ferramentas para o desenvolvimento do
trabalho de conclusão de curso.O presente artigo faz uma abordagem sucinta a respeito da pesquisa a partir das
leituras bibliográficas de metodologia científica, bem como da prática docente em que se pode desenvolver um
pequeno roteiro de proposições a respeito da estruturação de um relatório de pesquisa na graduação.
PALAVRAS – CHAVE: Pesquisa. Trabalho de Conclusão de Curso
INTRODUÇÃO
É na universidade que se cumpre o papel da pesquisa, pois não deve – se pensar nela
como instituição formadora de profissionais apenas pelo ensino, ou seja, sala de aula. De
acordo co Nascimento (2012, p. 14) ―A universidade tem que estar inserida na prática da
pesquisa o tempo todo. Produzir conhecimento é o fruto da pesquisa que representa a vida
acadêmica e que se insere profundamente no comportamento do aluno e do professor‖.
Assim entende – se pesquisa que ‖embora possa haver concepções diferentes,
entendemos a pesquisa como atividade racional e sistemática que visa dar respostas a
denominados problemas próprios de qualquer área do conhecimento‖. (2012, p. 41).
Por este olhar percebe – se que uma série de elementos que devem ser considerados na
construção do trabalho científico, uma vez que a busca pelo estudo no ensino superior
necessariamente leva o individuo a ter contato com o ensino sistematizado que perpassa pela
pesquisa significando melhor compreensão dos fenômenos sociais, culturais, econômicos
assegurados a uma profissionalização.
A legislação do ensino Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (n.
9.394 de 20/12/96) quando apregoa que as instituições de ensino superior no Brasil devem
estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento
reflexivo; incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao
desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo,
desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; promover a divulgação de
conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e
comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação.
1
Professora e coordenadora do projeto de pesquisa O POTENCIAL DA PESQUISA NO ENSINO SUPERIOR
2015 do CEULS/ULBRA
140
A exemplo desta questão as instituições de ensino superior organizam a
obrigatoriedade da elaboração, quase sempre no último semestre do curso a elaboração do
TCC e este permite o envolvimento do acadêmico no campo da pesquisa científica, bem como
a exigência de defesa pública para alguns deles.
Podemos conceituar a monografia como um texto não obrigatoriamente original,
resultante na maioria das vezes, de uma pesquisa bibliográfica e, frequentemente,
apresentado como uma exigência para obtenção do titulo de licenciado, bacharel ou
especialista em nível de pós-graduação. (LUDWIG, 2012 p. 81)
Vale lembrar que um trabalho científico é aquele que é resultado de uma pesquisa
conduzida com critério, método e referencial teórico, e que requer aprofundamento na
bibliografia, tempo para o desenvolvimento da pesquisa e a redação de um texto final. Ao
longo da vida acadêmica, o estudante precisa desenvolver diversas atividades de pesquisa,
redação, estudos dirigidos e revisões bibliográficas.
Nesta linha de pensamento insere - se a monografia como uma ferramenta obrigatória
para conclusão do ensino superior caracteriza - se por um trabalho desenvolvido pelo aluno
com orientação de um professor preferencialmente escolhido pelo aluno de acordo com a
coordenação do curso, sendo este estudo o relatório de pesquisa.
Alguns livros de metodologia da pesquisa apontam sobre o trabalho de conclusão de
curso da graduação deve ser investigado a partir de uma revisão bibliográfica, como afirma
Nascimento (2012, p. 12) para pesquisa de graduação ―os relatórios apresentam um único
assunto e, dos alunos, não se exige originalidade, já que são trabalhos cuja finalidade é
revisar, recapitular e resumir sinteticamente outros já realizados‖.
MATERIAL E METODO
Para o desenvolvimento do estudo partiu – se de uma pesquisa exploratória que
segundo Gil este tipo de pesquisa ―têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e
modificar conceitos e ideias‖ (2014, p. 27 ).
Como delineamento do estudo utilizou – se a pesquisa bibliográfica que o mesmo
autor define como aquela que é ―desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído
principalmente de livros e artigos científicos‖. (p. 50)
141
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se dizer que as ferramentas para a realização de uma pesquisa científica se
constrói no decorrer da graduação e ao final dela quase todos os cursos firmam no seu projeto
pedagógico a obrigatoriedade do aluno em desenvolver uma pesquisa com apresentação dos
resultados perante uma banca de professores.
Nesta perspectiva propõe - se alguns elementos necessários na elaboração do relatório
da pesquisa do TCC tendo como ponto de partida experiência em ministrar aulas sobre o
assunto em a orientação de trabalhos, bem como em livros de Metodologia Científica.
Assim cabe ao professor em conjunto com o aluno observar a viabilidade do projeto de
pesquisa, orientar que a partir das perguntas define - se os objetivos e para melhor
compreensão daquilo que se pretende alcançar, lembrando que todo objetivo deve iniciar com
verbo indefinido para o objetivo geral indica –se apenas um (Conhecer, desenvolver, analisar,
pesquisar, descobrir, estudar....). Propõe – se três objetivos específicos (no máximo cinco)
(Identificar, verificar, detectar, (apresentar caso tenha um produto final), perceber.......).
Quanto ao tipo de estudo, se a pesquisa for só bibliográfica, ou seja, revisão de literatura
organiza-se em três no máximo quatro capítulos. Se a pesquisa for de campo organiza - se
dois capítulos para base teórica, um capítulo para metodologia, um capitulo para resultados e
discussão, totalizando quatro capítulos. Recomenda – se inserir nos elementos pré – textuais a
lista de gráfico, imagem, siglas e outras quando for acima de dez mencionadas no trabalho.
Entende – se que o trabalho de conclusão deve ser em forma de pesquisa, isto é,
descobrir algo ( não de ação) Podemos transformar a ação em uma curiosidade.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Alyne Patrícia da Silva...[et al.]. Normas técnicas para trabalhos acadêmicos.
Canoas: Ed. ULBRA, 2012
ESCHER ANTERO, Maria Viviani. Percepção dos Alunos de Graduação sobre o
Trabalho de Conclusão de Curso. IN CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA
AMAZÔNIA 8. : 2013: Santarém, PA). Caderno de resumos do Salão de Pesquisa e Iniciação
Científica do CEULS ULBRA Santarém: Pesquisa, educação e inovação. (n. 13, 2013) Anais
Eletrônicos...
CEULS/ULBRA,
2013.
Disponível
em:
http://www.ulbra.br/santarem/pesquisa/congresso-de-ciencia-e-tecnologia-da-amazonia-esalao-de-iniciacao-cientifica. Acesso em: 14 out. 2015.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6, ed. – 6 reimpressa. São
Paulo: Atlas, 2014.
142
_________________. Metodologia do Ensino Superior. 4 ed. - 3 reimpr. São Paulo: Atlas,
2007.
LUDWIG, Antonio Carlos Will. Fundamentos e Prática da Metodologia Científica. 2 Ed.
Petrópolis, RJ:Vozes, 2012.
NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Elaboração de Projetos de Pesquisa: Monografia,
Dissertação, Tese e Estudo de Caso, com base em Metodologia Científica. São Paulo:
Cengage Learning, 2012
SALÃO DE PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CEULS/ULBRA, Caderno de
resumos do XIV Salão de Iniciação Científica do CEULS/ULBRA, I Seminário Institucional
de Iniciação à Docência PIBID/CEULS, Santarém/PA, 06 a 07 de novembro de 2014 /
organização Coordenação de Pós-Graduação Pesquisa e Extensão do CEULS/ULBRA. Anais
Eletrônicos...
Santarém:
CEULS/ULBRA.
Disponível
em:
http://www.ulbra.br/santarem/pesquisa/congresso-de-ciencia-e-tecnologia-da-amazonia-esalao-de-iniciacao-cientifica. Acesso em: 14 out. 2015.
143
GESTÃO DEMOCRÁTICA E ELEIÇAO DE GESTORES ESCOLARES:
UMA NECESSIDADE DE ACOMPANHAMENTO DO CME DO
MUNICIPIO DE SANTARÉM.
Maria Irene Escher Boger1
Naide Pedroso De Sousa2
Paulo Sérgio Marinho De Souza3
RESUMO: Compreender de que forma o Conselho Municipal de Educação pode acompanhar o processo de
eleição e a gestão após a conclusão do processo dos eleitos gestores da rede municipal de ensino, é o objetivo
principal do projeto. Conhecer as influências sócio-histórica que interferem no desempenho dos gestores
escolares e analisar aspectos relevantes quanto a sua formação que possam contribuir para a transformação das
escolas municipais Sant arenas, são os objetivos do estudo. Além disso, é necessário verificar o papel da Gestão
Democrática, que teve inicio na década de 90, quando da implantação dos conselhos e colegiados escolares.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão Democrática, Conselho Municipal de Educação, Eleição de gestores.
INTRODUÇÃO
A gestão do processo educacional no âmbito municipal aponta o grande desafio para
além de pontuar aspectos significativos que favorecem o clima institucional, alicerçados pela
LDB lei nº 9394/96, que estabelece como principio de gestão escolar na forma da lei e
legislação do sistema da Educação básica.
Esta perspectiva de gestão está amplamente amparada pela legislação brasileira. A
Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como um dos princípios para a
educação brasileira e ela é regulamentada por leis complementares como a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22. As
questões fundamentais que proporcionam uma investigação e intervenção sobre o tema: Como
ocorre a gestão democrática no processo de eleição dos gestores das escolas da rede pública
municipal de Santarém? De que forma o Conselho Municipal de Educação do Município de
Santarém pode ter uma sistemática de acompanhamento dos gestores eleitos? Quais as
deficiências na formação de gestores que implicam no desenvolvimento de uma gestão
democrática eficaz nas escolas da Rede Municipal de ensino?
Como Objetivos principais do estudo, elencamos: Acompanhar a gestão democrática
na eleição de gestores escolares da rede pública municipal, através do monitoramento do
Conselho Municipal de Educação. Avaliar a gestão democrática no processo de eleição de
gestores da rede publica Municipal de ensino do município de Santarém. Verificar durante a
gestão do gestor eleito o cumprimento dos princípios de gestão democrática nas instituições
educacionais estabelecidos pelo Sistema Municipal de Ensino em consonância com o
1
Pedagoga. Doutora em Psicologia.
Pedagoga. Especialista em Psicopedagogia, Gestão Escolar. Conselheira no CME de Santarém
3
Pedagogo. Doutor em Ciências da Educação. Mestre em Ciência da Educação. Professor da rede municipal de
ensino.
2
144
Conselho Municipal de educação de Santarém. Criar mecanismos de acompanhamento pelo
Conselho Municipal de Educação para avaliação de desempenho dos Gestores eleitos na Rede
Municipal de Ensino.
A relevância desta temática reside em refletir quais os direcionamentos que a
sociedade Santarena, através do Conselho Municipal de Educação realmente deseja, ou seja,
uma escola boa de qualidade, com ações democráticas, onde afetividade e eficiência sejam
critérios de desempenho mensurados pela capacidade de encontrar soluções desejadas de
atendimento a comunidade escolar e local.
MÉTODO
Procedimentos do delineamento bibliográfico e documental. Para embasamentos
teóricos forma utilizados procedimentos do delineamento bibliográfico. Para avaliação dos
procedimentos de escolha dos gestores foram realizados técnicas de avaliação e análise da
pesquisa documental, com uso de documentos de primeira mão (editais de eleição,
composição de chapas, propostas de ação das chapas concorrentes).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A universalização e democratização da educação passam pela seleção e formação dos
gestores através da eleição, pois são os primeiros responsáveis pela absorção e retenção da
comunidade escolar quando bem formados e qualificados, que através de suas lideranças,
permitem que o sistema não perca seu ponto de equilíbrio.
Em Santarém este processo é contínuo, os gestores são eleitos em pleitos que
envolvem comunidade escolar e sociedade em geral. Tanto o processo de escolha de gestores
como o as ações das gestões tem diretrizes democráticas e são acompanhadas pelo Conselho
Municipal de Educação.
A equipe de gestores é constituída de indivíduos representantes do corpo técnico
administrativo, da comunidade em que a escola esta inserida, dos docentes e dos discentes
além de representante dos pais de alunos.
O CME, os representares da gestão municipal e sociedade civil elaboraram o Plano
Municipal de Educação que é o documento orientador das ações dos gestores escolares.
Até o momento, os resultados do estudo apontam que a gestão municipal em conjunto
com o CME planejam e dialogam para a melhoria dos processo e dos resultados da educação
no município.
Neste contexto, percebem-se ainda algumas distorções administrativas e pedagógicas
ocorridas no interior das unidades públicas municipais em relação à formação e atuação de
145
gestores, e por fazer parte de uma instituição colegiada, como é o caso do Conselho Municipal
de Educação, tem-se a preocupação balizada para acompanhamento e assessoramento desta
temática complexa.
CONCLUSÃO
Escolas e educação de qualidades serão possíveis quando o gerenciamento for
realizado por um gestor com competência técnica, administrativa e interpessoal. E, como
apontam diversos estudiosos sobre o assunto, educação constitui-se num fazer coletivo
permanentemente em processo.
Apesar de observarem-se algumas distorções administrativas e pedagógicas ocorridas
no interior das unidades públicas municipais em relação à formação e atuação de gestores, e
por fazer parte de uma instituição colegiada, como é o caso do Conselho Municipal de
Educação, tem-se a preocupação balizada para acompanhamento e assessoramento desta
temática complexa. Algumas situações são constatadas foram: os gestores das escolas as rede
municipal de ensino de Santarém são eleitos em processos democráticos e envolvem tanto a
comunidade escolar como e sociedade em geral. A escolha de gestores eas ações das gestões
tem diretrizes democráticas e são acompanhadas pelo Conselho Municipal de Educação.
O processo é continuo e a mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da
nova sociedade do conhecimento, os quais, por sua vez, fundamentam a concepção de
qualidade na educação e definem, também, a finalidade da escola.
REFERÊNCIAS
BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In:
FERREIRA, N. S. C.; AGUIAR, M. A. da S. Gestão da Educação: impasses, perspectivas
e compromissos. São Paulo: Cortez, 2004, p.147.
BORDENAVE, J. D. O que é participação. 7. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1992.
SAVIANI, D. Escola e democracia: Teorias da educação, curvatura da vara, onze
teses sobre educação e política. São Paulo, Cortez Autores Associados, 1983.
VIEIRA, Sofia Lerche. Educação e gestão: extraindo significados da base legal. In. CEARÁ.
SEDUC. Novos Paradigmas de gestão escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005, p. 7 – 20.
146
OBESIDADE INFANTIL NO MEIO EDUCACIONAL
Daniela Marques e Silva1
Jamile Fonseca da Silva¹
Alesandra Cabreira Dias2
Gilmar Lopes Dias3
RESUMO: O Presente artigo teve como objetivo proporcionar conhecimento acerca da obesidade infantil,
visando um estilo de vida saudável no âmbito educacional, aos alunos da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Rosineide Fonseca situada na cidade de Santarém/Pa. Os dados foram obtidos a partir de
questionário aplicados a quarenta e oito alunos da escola mencionada. Nossa investigação, predominantemente
de cunho qualitativo, consistiu-se numa pesquisa de campo com aplicação de um questionário com 13 perguntas
direcionadas a levantar dados da realidade dos hábitos alimentares dos alunos pertencentes a escola como parte
de uma avaliação de contexto, a partir da qual poderá se refletir e compreender o ambiente educacional da
escola, do ponto de vista das necessidades de adquirir uma alimentação saudável evitando, assim a obesidade
infantil.
PALAVRAS CHAVES: Obesidade Infantil, Alimentação, Ambiente Educacional
INTRODUÇÃO
O presente artigo sobre Obesidade Infantil, enfoca um problema hereditário ou uma
compulsão alimentar. Na atual conjuntura que vivemos dados apontam que a obesidade vem
aumentando a cada dia, e uma das principais causas a ingestão de energia demasiada, que
pode acontecer em fases cruciais da vida, levando ao acúmulo de gordura.
A escola é um local privilegiado de intervenção, onde pequenas mudanças, ao nível
da alimentação e atividade física, podem contribuir para travar a escalada da
obesidade e conduzir a estilos de vida mais saudáveis: ―… é preciso regulamentar e
implementar legislação sobre o funcionamento das cantinas escolares. Algumas já
começam a adoptar práticas mais saudáveis de fornecimento alimentar aos alunos‖
(Martins, s/p 2005).
A escola deve proporcionar a prática da atividade física apostando na formação dos seus
alunos, induzindo estilos de vida saudável, os quais devem fazer parte do currículo, numa
perspectiva transversal. ―Paralelamente, a aprendizagem da alimentação saudável também
deve ser visível no currículo escolar, através dos projetos desenvolvidos pela comunidade
educativa‖ (idem, 2005). Conforme a citação colocada anteriormente um dos principais
fatores que levam à obesidade é o sedentarismo: a inatividade aumenta e a possibilidade de as
crianças virem a ganhar peso também, a maioria das atividades de lazer das crianças não
envolve exercício físico, pois passam muito pelo computador, a televisão e os jogos de
consolas.
1
Graduandas do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil
Doutoranda em Ciências da Reabilitação – UNINOVE/ UEPA; Docente do Curso de Educação Física –
ULBRA – Universidade Luterana do Brasil
3
Mestre em Desenvolvimento Humano- UNITAU – Universidade de Taubaté
2
147
A prática de atividade física é fundamental para crescimento e a saúde da criança, tendo
em vista que uma criança obesa, com frequência, tornar-se-á um adulto obeso. Para que uma
criança seja considerada obesa ela necessita ter ultrapassado 15% do peso médio da sua idade,
este excesso de peso deve corresponder a acúmulo de lipídios no seu organismo. Filhos de
pais obesos tendem a também serem obesos. A obesidade pode ter aspectos familiares, pois
além do aspecto genético, a família repassa também as crianças o estilo de vida.
Fatores genéticos estão associados a fatores ambientais, entre eles estão o sedentarismo e
maus hábitos alimentares, associados a fatores ambientais, entre eles estão o sedentarismo e
maus hábitos alimentares.
O excesso de peso pode levar a diversas consequências como problemas cardíacos e
alterações do sistema digestório. A obesidade infantil pode ter uma influência materna durante
a gestação e a vida pós-natal, o que envolve alimentação em excesso, desnutrição e a
amamentação. A criança vem consumindo cada dia mais os alimentos chamados Junk Food,
que são alimentos com baixo valor nutricional, nutricionistas apontam que um dos motivos
para o aumento do consumo diário está na praticidade que esses alimentos proporcionam no
seu preparo, e também porque eles são alimentos coloridos e com um sabor agradável. Uma
alimentação saudável junto com a prática periódica de exercícios ajuda as crianças a gastar as
calorias sobressalentes, fazendo assim com que haja a diminuição do peso corporal.
Uma alimentação saudável é aquela que os alimentos consumidos apresentam
nutrientes, proteínas, carboidratos e lipídeos, as dietas alimentares geralmente são baseadas
pala pirâmide alimentar, que mostra as porções recomendadas para o consumo diário de
proteínas, carboidratos, lipídeos, nutrientes e vitaminas. Além de favorecer os aparecimentos
de doenças como diabetes e cardiovasculares, a criança pode ter muitas consequências
psicossociais.
Crianças e adolescentes obesos são alvo de preconceito e discriminação que se iniciam
na infância. Dados do IBGE afirmam que cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros
possui sobrepeso e 7,3% sofre de obesidade.
Ao analisar o aumento na prevalência da obesidade nas últimas décadas, nota-se que um
grande número de casos passa a ser um grave problema de saúde pública, sobrecarregando o
sistema de saúde em função do maior atendimento às doenças crônicas decorrentes da
obesidade (FERREIRA et al., 2006). A grande preocupação é o impacto econômico global,
que esses futuros adultos obesos poderão causar (SILVA et al., 2007).
O resultado do número de crianças obesas é diretamente proporcional aos alarmantes
gastos públicos, sendo estes diretamente, relacionados com os cuidados de saúde, como os
148
custos indiretos, referentes à perda de produtividade (baixas médicas, pensões antecipadas por
incapacidade ou invalidez) (SILVA et al., 2007, p. 42). Tais resultados estão ligados, em sua
grande maioria, ao fenômeno do mundo globalizado, o qual ocasionou transformações
socioeconômicas nos costumes do homem, implicando na diminuição de atividade física e
uma alimentação inadequada e com o avanço tecnológico de aparelhos modernos e práticos
tais como: celulares, computadores, automóveis, entre outros; o qual contribuiu para o
sedentarismo acarretando riscos à saúde e principalmente a obesidade (UEHARA e
MARIOSA, 2005).
METODOLOGIA
A pesquisa ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Rosineide Fonseca
situada no bairro Diamantino s/n, Município de Santarém, Estado do Pará. O questionário
contou com 13 questões, das quais 4 tinham um caráter aberto e dissertativo, e 9 eram
fechadas. Após aplicação do questionário, os dados obtidos foram analisados por meio de
uma planilha, o mesmo foi aplicado individualmente a cada aluno, sendo acompanhado por
dois (2) acadêmicos, no dia 05/05/15 as 8h 30min até as 11h.
Nas primeiras perguntas denominadas de identificação, foram organizadas as questões
relativas ao gênero. Na questão social, foram agrupadas as questões de interação entre os
alunos da escola, locomoção para escola, e o histórico familiar.
O conjunto de questões que relacionam com a obesidade infantil foi apresentado
perguntas que envolvem a alimentação escolar, familiar e o que eles costumam comer.
Nas questões que abordam a condição de tempo livre, buscou-se verificar a quantidade
de horas semanais que os alunos fazem educação física, se praticam atividade física no seu
tempo de lazer. Levantamos também o perfil cultural e as atividades praticadas em família.
A análise das respostas procura delinear o retrato dos alunos em sua alimentação, desde
a escola e durante seu tempo em casa, situando-o em seu contexto da realidade de vida dos
alunos. Para atingir este objetivo os alunos foram questionados sobre seus hábitos de
alimentação.
Para um melhor aproveitamento dos dados obtidos, os resultados aqui apresentados
pautam-se em três momentos distintos: primeiramente formulamos os questionários, no qual
se procedeu a tabulação das respostas obtidas nos questionários e a partir dos gráficos gerados
para cada questão, os resultados foram analisados separadamente.
149
Consideramos, nesta pesquisa, a população acessível de alunos que lecionam na rede
municipal de ensino da escola Rosineide Fonseca que se dispuseram a responder o
questionário.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Fonte: autores
Ao analisar as características dos alunos que responderam ao questionário, os dados
foram obtidos a partir das respostas de quarenta e oito, observa-se que dos quarenta e oito (48)
alunos, dezoito (18), o que equivale a trinta e sete por cento (37%), são do sexo feminino, e
consequentemente, sessenta e três por cento (63%), são do sexo masculino.
Fonte: autores
150
Na questão sobre o lanche que dos alunos questionados, vinte e oito por cento (28%),
traz seu próprio lanche de casa, setenta e dois por cento (72%), dos alunos merenda do lanche
da escola.
Fonte: autores
Em relação a questão sobre o que eles costumam comer setenta e oito por cento (78%),
responderam que costumam comer frutas e verduras, vinte e dois por cento (22%),
responderam que costumam comer bolo, bolacha, biscoito e sanduiche.
Fonte: autores
Em relação a questão sobre o que eles costumam fazer no seu tempo livre dos 48
alunos questionados, oitenta e seis por cento (86%), costumam assistir TV, oito por cento
(8%), ficam no computador/internet durante seu tempo livre, seis por cento (6%), costumam
jogar vídeo game.
151
Fonte: autores
Na questão você se considera acima do Peso, dos 48 alunos questionados, noventa e
dois por cento (92%), não se considera acima do peso, oito por cento (8%), dos alunos
responderam que sim.
Fonte: autores
Na questão você considera sua família acima do Peso, dos 48 alunos questionados,
oitenta e oito por cento (88%), responderam que não considera acima do peso, doze por cento
(12%), dos alunos responderam que sim.
152
Fonte: autores
Em relação a questão se eles fazem alguma Atividade Física fora da aula de Ed.Física,
dos 48 alunos questionados, cinquenta e seis por cento (56%), jogam bola, trinta e nove por
cento (39%), brincam na rua, cinco por cento (5%), fazem outros.
CONCLUSÃO
Concluímos que não é a obesidade a causa dos óbitos, mas sim as suas consequências.
A obesidade é uma resposta à má alimentação e a fatores genéticos, que devem estar
associados a fatores ambientais, além da ingestão elevada de alimentos ricos em gorduras e
carboidratos, entretanto pobre em proteínas e vitaminas, a falta da prática de exercícios físicos
e o uso excessivo da televisão e vídeo games, proporcionando sedentarismo e inatividade
física.
"A escola é a porta de entrada para encorajar o aumento da atividade física na vida
diária e estimular o exercício físico regular na vida de uma criança e, por isso, o
professor de educação física tem a responsabilidade de além de apresentar os
fundamentos esportivos a uma criança ou adolescente, mostrar a importância do
exercício físico em sua vida como uma forma de prevenção da obesidade e outras
doenças (HALLAL, 2010)".
É importante a implantação de programas educacionais nas escolas e nas famílias, a
obesidade é um problema social e a prevenção é o melhor caminho, pois o tratamento da
obesidade deve incluir alterações gerais na postura familiar e da criança, em relação a hábitos
alimentares, tipo de vida, atividade física e correção alimentar.
153
REFERÊNCIAS
Bouchard C. Atividade Física e Obesidade. São Paulo: Manole; 2003.
BORGES-SILVA, Cristina das N. Sobrepeso e obesidade infantil: implicações de um
programa de lazer físico-esportivo. São Paulo: Instituição Educacional São Miguel Paulista,
2011.
FLIER, Jeffrey S.; FLIER, Eleftheria Maratos. O que provoca a obesidade. Scientific
American Brasil, v.6, n.65, p.46-55, Outubro, 2007.
MARTINS,
G.
IBGE
divulga
dados
sobre
obesidade
infantil.
Disponívelem:<http://www.itu.com.br/conteudo/detalhe.asp?cod_conteudo=16496>.
MELO, V; SERRA, P; CUNHA, C (2010). Obesidade infantil – impactos
psicossociais.
Minas
gerais.
Disponível
http://www.medicina.ufmg.br/rmmg/index.php/rmmg/article/viewFile/277/261.
em:
SILVA, António José et. al. Obesidade Infantil. Montes Claros: CGB Artes Gráficas, 2007.
http://www.efdeportes.com/efd157/a-obesidade-infantil-na-escola.htm/ acessado dia 22 maio
de 2015.
154
TABAGISMO NA ESCOLA E ATIVIDADE FÍSICA
Nara Conceição Silva de Sousa1
Patrícia Alves da Rocha¹
Alessandra Cabreira Dias2
Gilmar Lopes Dias3
RESUMO: O presente trabalho buscou sensibilizar os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Barão
do Tapajós da cidade de Santarém/ PA, aos riscos do tabaco e os benefícios da atividade física. Os dados foram
obtidos a partir das respostas de 38 alunos da turma de oitavo ano da escola mencionada. Nossa investigação,
predominantemente de cunho qualitativo, consistiu-se numa pesquisa de campo com aplicação de um
questionário com 10 perguntas direcionadas a levantar dados diretamente ligados ao tabagismo como uma forma
de prevenção dos adolescentes da escola, e como a atividade física traz benefícios para a saúde, está e uma
avaliação de contexto, a partir da qual poderá se refletir e entender os riscos que o uso do tabaco pode causar em
um jovem.
PALAVRAS-CHAVE: Tabagismo, Atividade física e Adolescência
INTRODUÇÃO
O presente trabalho teve como proposta orientar os alunos da Escola Estadual de
Ensino Fundamental Barão do Tapajós do município de Santarém/Pa no ano de dois mil e
quinze (2015). Para tanto foi aplicado um questionário junto com os alunos da oitava serie da
manha idade de 14 a 18 anos. Nessa análise, serão discutidos os riscos do tabagismo, nos
permitindo a reflexão por meio das diferentes experiências, assim como a atividade física
pode ajudar o adolescente à para de fumar.
Sabe-se que este assunto é de senso comum, e que não é possível fechar as portas para
esse tema, que tem alto potencial de causar doenças e incapacitações precocemente. Logo a
escola precisa desenvolver quatro níveis principais de intervenção com os alunos como:
individual, escolar, familiar e comunidade. A principal finalidade da intervenção no nível
escolar é promover, através de uma política pedagógica, um projeto de uma escola sem
tabaco, e conseguir levar essa proposta adiante para que se estenda em todo convívio do
aluno.
A escola deve motivar a criança e adolescentes a torná-lo capaz de tomar suas próprias
decisões, tendo o conhecimento cientifico agregado ao cotidiano, dessa forma seu
comportamento tende a ser mais criterioso.
1
Graduandas do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil
Doutoranda em Ciências da Reabilitação – UNINOVE/ UEPA; Docente do Curso de Educação Física –
ULBRA – Universidade Luterana do Brasil
3
Mestre em Desenvolvimento Humano- UNITAU – Universidade de Taubaté
2
155
REFERENCIAL TEÓRICO
Há um tempo, o cigarro era objeto de desejo, glamorizado no cinema, nas
propagandas, símbolo de independência e sedução, um estímulo e tanto para os jovens. O
curioso é que atrás da atitude de autoafirmação e aparente liberdade de escolha estava um
minucioso jogo de manipulação, onde o objetivo era justamente ampliar o mercado de venda
de cigarros através da conquista dos jovens, usuários fiéis e em longo prazo, de um produto
que vicia e na verdade nada tem de glamoroso. O tabagismo é, hoje, uma das principais
causas de enfermidades que são evitáveis e prematuras que chegará a ser a primeira causa de
morte evitável neste século. ―A cada ano morrem cerca de três milhões de pessoas em todo o
mundo devido ao tabaco‖ (BRASIL, 2004).
O estímulo à realização de pesquisas que enfoquem esta área temática a prevenção da
iniciação ao consumo de drogas — é fundamental para a adoção de políticas públicas que
promovam ações inclusivas, educativas e de orientação preventiva quanto
aos
comportamentos de risco, aos quais são suscetíveis os adolescentes, especialmente aqueles no
segmento de baixa renda. Atualmente há mais de um bilhão de tabagistas no mundo, dos
quais 90% começaram a fumar ainda na adolescência.
Para Crus 2006, ―tabagismo é uma toxicomania caracterizada pela dependência física
e psicológica do consumo de nicotina, substancia presente no tabaco‖.
Devido a isso o câncer de pulmão continua a ser o tipo de câncer que mais mata
homens no Brasil, e a segunda causa de morte de câncer entre as mulheres. As taxas de
mortalidade por câncer de pulmão vêm crescendo entre as mulheres.
O tabagismo na adolescência pode ser compreendido se considerarmos o espírito de
experimentação do novo e de contestação, a identificação com seu grupo, o fácil acesso à
droga e o estabelecimento da dependência à nicotina num curto espaço de tempo. Observamos
que o risco do adolescente tornar-se fumante é crescente com a idade, e as pesquisas apontam
para a igualdade desse vício em ambos os sexos. Fato importante apontado pela literatura é o
maior risco para um adolescente tornar-se fumante tendo irmãos mais velhos fumantes. O
mesmo acontece em relação ao grupo a que o adolescente pertence, ou seja, ter amigos
fumantes favorece o tabagismo.
O mesmo é considerado um problema de saúde pública globalizada, a disseminação do
fumo entre jovens a cada dia só aumenta. A idade de iniciação está cada vez mais precoce. Os
adolescentes fumantes possuem alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes,
156
aumentando assim o risco de morbidade e mortalidade por doenças crônicas e de causas
evitáveis da população.
Alguns estudos no mundo e no Brasil mostram que a faixa etária é cada vez mais
precoce o início do vício de fumar e o aumento da prevalência de tabagismo em adolescentes.
Estima-se que essa tendência resultará em 250 milhões de mortes em anos futuros. A adição à
nicotina ocorre com o uso regular de tabaco e adolescentes fumantes têm alta probabilidade
de tornarem-se adultos fumantes
Sabe-se que o tabagismo está relacionado a, no mínimo, 30% de todas as mortes por
câncer. É fator de risco para o aparecimento dos carcinomas de pulmão, boca, faringe, laringe,
esôfago, estômago, pâncreas, cérvix uterina, rim e bexiga.
Também a morbidade por doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença péptica e outras afecções é mais elevada entre
os tabagistas. Alguns distúrbios estão posteriores relacionados a tabagismo, entre eles a
depressão, distúrbio do sono, irritabilidade/ agitação/impaciência, prisão de ventre, sudorese,
tontura, dor de cabeça, dificuldade de concentração, ansiedade, aumento do apetite e ganho de
peso, fissura pelo tabaco.
Os fatores de risco para tabagismo na adolescência citados na literatura são: sexo e
idade, nível socioeconômico, fumo dos pais ou irmãos e dos amigos, rendimento escolar,
trabalho remunerado e separação dos pais. Tudo são fatores que podem levar ao uso do
cigarro.
Para quem deseja evitar o risco de querer ou sentir vontade de fumar: Ficar sem
cigarro, beber muita água ou suco, fazer atividades físicas, respirar profundamente, Escovar
os dentes imediatamente após as refeições, recusar cigarros ofertados por amigos, renovar
seus propósitos em não fumar, evitar tomar café, vontade de fumar não dura mais que 5
minutos, Ficar longe da presença da droga, evitar lugares e pessoas que fumam.
E como a atividade física pode melhorar o organismo. Sabe-se que a prática regular
de atividade física, é uma grande auxiliar na manutenção e recuperação da saúde, porém se
associada ao consumo frequente de cigarro e similares pode trazer riscos à saúde. Antes ou
depois das práticas esportivas, o fumo traz prejuízos, especialmente à capacidade de
aproveitamento da respiração, condição que é necessária para um bom rendimento esportivo.
O indivíduo terá uma respiração mais difícil por causa da irritação dos brônquios, ocasionada
pelo cigarro, e isso provoca um maior trabalho das vias aéreas e dos músculos respiratórios
durante o exercício. Como uma das consequências do tabagismo é a produção de monóxido
de carbono, a quantidade de oxigênio carregado pela hemoglobina irá diminuir.
157
Para a prática de atividade física trazer benefícios significativos à saúde é necessário
que ela não esteja associada ao hábito de fumar. O ideal é praticar exercícios pelo menos
durante 30 minutos, todos os dias, ou 1 hora e meia, três vezes por semana. Não se pode
esquecer que, além das conseqüências já citadas, o cigarro pode favorecer o aparecimento de
várias
outras
doenças,
como
o
câncer,
doenças
cardíacas
e
respiratórias.
Nos últimos anos, as pesquisas médicas demonstram que boa parte da falta de saúde é causada
pela falta de atividade física. Através da consciência e de mais informações à respeito de
cuidados para com a saúde que inclui maior movimentação corporal, as pessoas estão
mudando seus hábitos de vida.
Sabemos que o único meio de prevenir os males da inatividade é ter algum grau de
atividade física e mental, não durante um mês, mas durante toda a vida. Descobrimos que a
saúde é, na maioria das vezes, um fator que podemos controlar e que podemos prevenir o
surgimento de algumas doenças. Quando nascemos recebemos um corpo saudável e temos o
dever de cuidar e zelar por este que é nosso abrigo.
Algumas vantagens que a atividade física proporciona: As pessoas ativas têm vida
mais intensa, apresentam mais vigor, resistem mais as doenças e permanecem em forma. São
mais autoconfiantes, menos deprimidas e estressadas. Uma pessoa ativa tem tendência a ter o
seu peso dentro da faixa normal e mantê-lo com mais facilidade e por mais tempo do que a
sedentária. O ativo apresenta pressão arterial e freqüência cardíaca mais baixa do que o
sedentário tanto em repouso quanto em atividade, desta forma, o ativo suporta por mais tempo
o exercício enquanto o sedentário tem certas limitações cardiovasculares.
A pessoa ativa tem maior VO2 (volume de oxigênio pulmonar) e suporta atividades de
longa duração com mais facilidade. A atividade física melhora a postura e ajuda a combater
maus hábitos como o fumo entre outros.
Na ausência de exercícios físicos diários, nossos corpos tornam-se depósitos de
tensões acumuladas e, sem canais naturais de saída para essas tensões, nossos músculos
tornam-se fracos e tensos. O ideal é praticar atividade física durante toda vida mas,
independentemente disto, podemos recuperar uma existência mais saudável e gratificante em
qualquer idade.
Para quem deseja começar a se movimentar, é de primordial importância que façam
antes um "check-up" das condições cardíacas entre outros testes que comprovarão o seu nível
de condicionamento físico disponíveis nas boas academias. A partir daí, procure orientação
médica juntamente com um profissional da área de Educação Física para assim, iniciar as
atividades.
158
Antes de ser um fumante, o individuo beneficia-se e muito com a pratica esportiva.
Após a pratica de exercícios ocorre a liberação das endorfinas, hormônios analgésicos que
representam papel significativo entre tônus vital e a depressão. Além de aliviarem a dor, elas
colocam o organismo inteiro em um estado de relaxamento no qual a energia pode atuar
livremente e inclusive curar doenças.
Sendo um fumante, a combinação de cigarro com atividade física expõe o individuo a
sérios riscos. O cigarro tira as energias. Portanto é opinião extremamente enganosa pensar que
o fumante reduz os malefícios causados pelo cigarro se pratica exercícios Antes ou depois das
praticas esportivas, o fumo traz prejuízos, especialmente a capacidade de aproveitamento da
respiração, condição necessária para o bom rendimento das atividades. Quando você fuma e
logo em seguida faz exercício físico, isso e desastroso, pois a sua pressão arterial aumenta.
Para quem tem problema de hipertensão pode levar a complicações.
O cigarro é também um fator de riscos para doenças coronarianas. Por isto, quem fuma
há anos e resolve praticar atividades físicas está exposto ao risco de infarto. Antes de começar
a fazer atividade física, (o fumante) precisa fazer um check-up cardiovascular e pulmonar
completo. Ao parar de fumar é necessário mudar o comportamento, os hábitos e, muitas
vezes, no início, até as companhias. Deixar o cigarro é tarefa dura, que exige concentração,
determinação,
Ao fumante são liberados os neurotransmissores da serotonina, que causam a sensação
de bem estar. Mas é apenas a sensação, pois fisicamente perdemos, a cada tragada, a
capacidade pulmonar, a elasticidade da pele, os brilhos dos olhos, o clareamento dos dentes, a
originalidade do paladar e do olfato, muitas das vezes privamo-nos de companhias e
momentos agradáveis quando nos ausentamos numa roda de amigos, para fumar em outro
ambiente.
Ao nos exercitarmos são liberados os neurotransmissores da endorfina, que causam a
sensação de bem estar. E não e apenas a sensação, pois fisicamente ganhamos, a cada dia,
maior capacidade respiratória, menois risco de doenças, fortalecimento ósseo e muscular,
melhora da saúde mental e do humor, firmeza da pele, apetite equilibrado, sono tranquilo,
maior disposição, prazer de viver. Sem contar que a vontade de fumar diminui
consideravelmente ao abortarmos aos exercícios como parte do nosso dia a dia.
Uma sábia decisão e trocar a serotonina liberada pelo habito de fumar pela endorfina
liberada pelo abito de se exercitar. Façam isto e ficarão surpresos com os benefícios dessa
troca.
159
METODOLOGIA
A pesquisa ocorreu na Escola Estadual de Ensino Fundamental Barão do Tapajós s/n,
localizado entre Avenida Rui Barbosa com dois de junho Município de Santarém, Estado do
Pará.
Foi aplicado um questionário composto por 10 questões, das quais três (3) tinham um
caráter aberto e dissertativo, e sete (7) de caráter fechado. Após aplicação do questionário, os
dados obtidos foram analisados por meio de uma planilha, o mesmo foi aplicado
individualmente a cada aluno, sendo supervisionado por acadêmicos.
Nas primeiras perguntas denominadas as identificações foram organizada as questões
relativas, sexo e estado civil. Nas questões seguintes relacionada a pratica do fumo, indução
ao fumo, familiares fumantes, pratica de atividade física.
Nas questões buscou-se verificar a pratica do fumo nas escolas. Se há algum incentivo,
se conhecem as conseqüências dessa droga licita. Questionamos também se o fumante pratica
alguma atividade física.
A análise das respostas procura delinear o retrato dos alunos desde o início dessa prática
ate onde ocasiona doenças pra o fumante. Para um melhor aproveitamento dos dados obtidos,
os resultados aqui apresentados pautam-se em três momentos distintos: primeiramente
formulamos os questionários, no qual procedeu a tabulação das respostas obtidas nos
questionários e a partir dos gráficos gerado para cada questão, no programa Excel, os
resultados foram analisados separadamente. Posteriormente a intervenção feita na escola,
como forma de sensibilizar os educandos a não fazerem uso do fumo, e terceiro exposição dos
resultados e da intervenção na sala de aula diante dos acadêmicos da disciplina Atividade
física e saúde.
Consideramos, nesta pesquisa, a população acessível de alunos que estudam na rede
estadual de ensino de ensino fundamental Barão do Tapajós da oitava série que se dispusera a
responder o questionário.
ANALISE DOS RESULTADOS
Ao analisar as características dos alunos que responderam ao questionário, os dados
foram obtidos a partir das respostas de trinta e oito (38) alunos.
Conforme o gráfico a abaixo:
160
Fontes: Autores
Questão referente ao gênero cerca de trinta e nove por cento (39%), são do sexo
feminino, e conseqüentemente, sessenta e um por cento (61%), são do sexo masculino.
Fontes: Autores
Na questão sobre o estado civil dos alunos questionados, oitenta e quatro por cento
(84%), são solteiros, casados (0%), divorciado (0%), em união estável dezesseis por cento
(16%).
161
Fontes: Autores
Em relação a questão sobre fumo dos 38 alunos, responderam que quarenta e quatro
por cento (44%), não fumam, e cinqüenta e seis por cento (56%), responderam que fumam
sim.
Fontes: Autores
Na questão dos adolescentes terem sido em algum momento induzidos a pratica do
fumo, cerca de vinte e oito por cento (28%) responderam que não, e setenta e dois por cento
(72%) responderam que sim.
162
Fontes: Autores
Nesta questão está direcionada sem os adolescentes que tem familiares fumantes, cerca
de quarenta e cinco por cento (45%) responderam que não, e cinqüenta e cinco por cento
(55%) responderam que sim.
Fontes: Autores
Está questão e direcionada aos ricos que o tabagismo pode provocar em adolescentes
fumantes, cerca e dois por cento (2%) responderam que não, e noventa e oito por cento (92%)
responderam que sim.
163
Fontes: Autores
Está questão e direcionada a pratica de atividade física de que forma ela pode ajudar o
fumante, e zero por cento (0%) responderam que não, e cem por cento (100%) responderam
que sim.
CONCLUSÃO
Com base na pesquisa realizada com os alunos da escola, constatou que os
adolescentes entrevistados em alguns momentos são incentivados a fumar, um pouco pelos
amigos ou por presenciar a pratica em sua casa. Onde muitos não são orientados aos riscos
que pode ocasionar com o decorrer do tempo. O estudo realizado sobre tabagismo na
adolescência tende a sensibilizar os jovens e não fazerem uso do cigarro.
Evidenciando os riscos como câncer de boca, pulmão e demais órgãos do corpo.
Assim como os riscos que o fumante passivo sofre ao inalar a fumaça do cigarro, relacionado
a pratica de atividade física, responderam que acham importante porem não sabem ao certo os
benefícios que ela possui, e que atividades podem fazer para um melhor bem estar.
De este modo o trabalho mostrou os ricos que o cigarro causa, onde não se pode ver
nenhum beneficio para o corpo, como não se pode deixar sem influenciado por modismo.
Alertar os benefícios da atividade física para o fumante e pesquisa comprova o quanto os
jovens precisam ser orientados para não fazerem uso do tabaco.
164
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Allsen, P. E.; Harrison, J. M. e Vance, B. (2001). Exercício e Qualidade de Vida. São Paulo:
Manole.
Bordin, S. L., Figlie, N. B. & Laranjeira, R. (2004) Aconselhamento em dependência
química. São Paulo: Editora Rocca.
J Bras Pneumol. 2010;36(6):671-673: Tabagismo na adolescência: Por que os jovens ainda
fumam?
Lemos,T. e Gigliotti A de P. : Tabagismo e comorbidades psiquiátricas. ABP saúde .
Malcon M, Menezes AMB. Tabagismo na adolescência e Pediatria (São Paulo)
2002;24(3/4):81-2
Ministério Da Saúde. (2003) Estimativas da incidência e mortalidade por câncer. Rio de
Janeiro: INCA – Instituto Nacional contra o Câncer.
O TABAGISMO COMO TEMA TRANSVERSAL DENTRO DA ESPECIFICIDADE
DA EDUCAÇÃO FÍSICA :Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol. 13, n. 1, 2014 ISSN: 1981-4313.
PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2000, 1 (1), 45-51: a prevenção do tabagismo nas
escolas.
Prevalência e fatores de risco para tabagismo em adolescentes: Rev Saúde Pública
2003;37(1):1-7 1 www.fsp.usp.br/rsp
165
A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA
Ivonete Ferreira Rebelo1
Francisca CB dos Santos2
[email protected]
RESUMO: A identidade não é somente o RG. Ela vai sendo construída no cotidiano. Assim, a criança começa
se conhecer no mundo que a rodeia. Os objetivos foi analisar interpretar, observar o inicio da construção da
identidade da criança em sala de aula, a partir da ação metodológica do professor (a), ao inserir no trabalho
educativo conhecimentos que permitam ao aluno ir se conhecendo, se identificando na realidade em que vive.
Neste aspecto foi necessário leitura de textos, interpretação e analise observação direta em sala de aula. As
discussões dos resultados demonstraram que as crianças são sujeitos ativos no processo de construção da
identidade. A liberdade de expressão das crianças teve como consequência a construção da autonomia de
pensamento, ocupação de papéis diferenciados no dia a dia da sala de aula, na família e na metodologia do
professor dentre outras aquisições. O que se observa é o papel fundamental da família nesta construção. A
escola contribui, dando condições ao pequeno discente de ir construindo sua identidade como pessoa, estudante e
pertencente a um determinado grupo social (a família, escola, igreja, etc.). Todo esse processo vai se
confirmando com o desenvolvimento cognitivo e físico da criança de acordo com a faixa etária.
PALAVRAS CHAVE: Identidade, Criança, Sala de Aula.
INTRODUÇÃO
É inegável que os seres humanos são desde o nascimento, condicionados e
influenciados por modelos e exemplos de outros seres humanos que os rodeiam. Também é
indiscutível que a formação do adulto íntegro, decente e humano nasce juntamente com o feto
no ventre da mãe. Saber identificar suas preferências, reconhecer seus limites, conhecer-se,
são ações que se iniciam desde quando se nasce são influenciados pela sociedade do qual se
participa.
A escola tem um papel de fundamental importância, na construção da identidade
autônoma de cada criança, que passa pelos bancos escolares, principalmente na creche, onde
temos crianças com a faixa etária de até 3 anos de idade, onde os indivíduos estão mais
disponíveis à aprendizagem, ao se identificar com o modelo de ser humano que lhe é
apresentado. A formação inicial, no atual contexto, é indispensável para a prática pedagógica
em todas as áreas educacionais e não poderia ser diferente para o professor da Educação
Infantil, visto que o mesmo deve estar preparado para as mais diversas situações que
envolvem o processo de ensino e aprendizagem.
Se tratando da problematização, a identidade é um processo que o ser humano
constrói em sua vida. Quais as construções da família e da escola neste processo? O projeto
1
2
Acadêmica do VII Semestre do Curso de Licenciatura Plena de Pedagogia
Profª. Dra. em Psicologia e Orientadora do Projeto
166
―A construção da Identidade da criança‖ tem o objetivo de ampliar o conhecimento da criança
a respeito de si mesma e dos outros, visando responder as seguintes problematização: Qual
importância do seu nome?; Quem faz parte da sua família?; Quais são as pessoas que
convivem com você na escola?; Qual a metodologia do professor condizente a formação da
identidade dos alunos? e A criança se aceita como menino ou menina?
Analisar o inicio da construção da identidade da criança na família e em sala de aula
e a metodologia do professor tendo em vista sua contribuição para formação da identificação
que vai além do RG. A escola é o meio social diferente da família, assim ampliando seus
conhecimentos a respeito de si e dos outros. Dessa forma, elaborou-se o projeto com a
justificativa de observar através das atividades que possibilitem aos alunos o conhecimento de
si mesmo, levando a se descobrir, e perceber que possuem um nome, uma identidade e que faz
parte de um conjunto de pessoas em casa, na escola e na comunidade.
MÉTODOS
A Unidade Municipal de Educação Infantil esta situada na Rua Olavo Bilac, bairro
São Cristóvão na grande área do Santarenzinho. A pesquisa foi realizada na sala do pré-I ―A‖,
matutino, com a realização de atividades com o nome, autorretrato, desenhos e colagem.
Além de outras, observação direta em sala de aula no que envolve e a metodologia do
professor.
Esta pesquisa se caracterizou por estudo de campo, a pesquisa será de cunho
qualitativo e quantitativo para as analises dos resultados dos dados. O estudo foi realizado na
escola urbana do município de Santarém, sendo o publico alvo dessa pesquisa 20 alunos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O resultado da pesquisa satisfez os objetivos propostos de acordo com as entrevistas
com as crianças. Esses resultados foram relevantes e significativos decorrentes do que se
pensava saber a acerca da formação da identidade das crianças através de suas faixas etárias.
1- Em relação ao nome da criança 95% dessas crianças gostam do seu nome. Isto justifica a
identidade da criança com o nome que a família deu pra elas. Apenas 5% não gostam do seu
nome, por algum motivo não identificado pela pesquisa. 95% reconhece seu nome no Diário
de classe, por aceitar o seu nome como fundamental para si e para seus pais. 5% das crianças
não reconhecem o seu nome na lista de frequência, possivelmente por gostar do apelido que
muitas vezes vem de casa. Os apelidos na escola representam 25% de uma parcela entre 10 a
167
5 crianças. Há possibilidade de uma pequena identidade da criança pelo apelido que ela gosta
e não pelo nome que não gosta.
Gostam do seu nome
%
Nome na chamada diário
%
Sim
95%
Sim
95%
Não
5%
Não
5%
Talvez
__
Talvez
__
Quase todos gostam do seu nome, 5% não reconhecem o seu nome na chamada no
diário pelo fato de serem chamadas por apelidos, algumas gostam de ser chamadas por
apelidos e se comunicam pelo mesmo na sala de aula, no entanto a construção da identidade
se dá por meio da interação da criança com o meio social. A escola é o meio social diferente
da família, assim ampliando seus conhecimentos a respeito de si e dos outros.
2- Reconhecimento do nome pelos materiais didáticos, 100% desses atores sociais
reconhecem seus matérias didáticos pela cor e pelas gravuras. A identidade do ser humano se
define com o desenvolvimento cognitivo, físico e etário. Descobre que em vários momentos
da vida vai ocupando várias identidades de acordo com suas escolhas.
Matérias didáticos
%
Sim
100%
Não
__
Algumas vezes
__
As crianças reconhecem os seus materiais didáticos exemplos: cadernos, mochilas
etc, através da cor e da gravura. A identidade do ser humano se define com o
desenvolvimento cognitivo, físico e etário das pessoas.
3- Em relação a gênero.
Apenas 25% das crianças sabem identifica-las através dos brinquedos, meninos
brincam de bola, carros e meninas de bonecas, casa etc. Através do corte e recorte de
gravuras, sim ele identifica-se com o seu sexo. Nesta etapa da vida, os pequenos estão
descobrindo o mundo e fazendo algumas escolhas relacionadas ao jeito de ser e estar com o
outro.
4- Questões sobre autorretrato.
168
Apenas 25% das crianças conseguem desenhar seu próprio rosto, pois para
(SANTIN 1994, p. 30), ―são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras,
compreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, pela imaginação e pelos sonhos que se
articulam como teias urdidas com materiais simbólicos‖. 75% não conseguem pelo exposto
acima (SANTIN) desenhar o seu próprio rosto.
5- Nas questões desenho.
A criança identifica o colega através de sua característica que lhe chama atenção. E
se tratando da família desenha dentro de suas limitações. Destaca-se a ludicidade não se
restringindo apenas a brincadeiras e jogos, mais incluem atividades que possibilitam
momentos de prazer, entrega e interação dos envolvidos. Segundo LUKESI (2000, p. 57) ―é
aquelas que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro,
estando flexíveis e saudáveis‖. Demostrando o que a criança gosta de fazer e que lhe dá prazer
e que pode seguir para o futuro da vida.
6- Nas questões de colagem.
Fazer colagem
%
Identifica como
%
Menino
50%
Menino
50%
Menina
50%
Menina
50%
Homem
__
Homem
__
Mulher
__
Mulher
__
50% fazem colagem de meninos e 50% faz de meninas, nas medidas que estão se
definindo como masculino e feminino, numa consciência voltada para o imediatismo.
Ela gosta de fazer a colagem, não de homem ou mulher. Ela vai se identificar, no
caso se ela for menina ou menina, mesmo se sua opção seja homem e mulher. A construção
da identidade da criança se da partir três a cinco anos é permeado por muitos desafios e
conquistas que fazem parte do processo do desenvolvimento e constituição desses sujeitos
CONCLUSÃO
A partir do estudo ―A construção da identidade da criança‖, foi interpretado alisado
demonstrando que as crianças são sujeitos ativos no processo de construção do conhecimento,
a liberdade de expressão das crianças teve como consequência a construção da autonomia de
pensamento, ocupação de papéis diferenciados no dia a dia, da sala de aula, na família e
dentre outras aquisições, que permitiram concluir que identidade se constrói pela faixa etária
169
da vida. Podemos afirmar que o papel do professor na construção da identidade da criança é
fundamental, pois ele tem em mãos elementos do universo infantil, capaz de trazer à tona
certas vivências que contribuirão para a formação do sujeito de forma prazerosa e divertida,
como ser humano que preserve: os princípios éticos, morais e viva a cidadania.
Enfim, destacamos, ainda, que o profissional atento pode promover intervenções
valiosas no cotidiano da sala de aula, contribuindo, assim, para o desenvolvimento integral
das crianças. É de responsabilidade, como profissionais da educação infantil, refletir sobre
nossa prática, observar atentamente as crianças e discutir as atividades desenvolvidas com
elas, pois acredita-se que só através desse exercício diário na escola é que poderemos
contribuir para um crescimento saudável e pleno de nossos alunos. Ao mesmo tempo pode se
abrir perspectivas para a construção da identidade da criança, do futuro adolescente para
chegar à idade adulta.
REFERENCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros nacionais de
qualidade para a educação infantil/Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica
– Brasília. DF, 2006.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação ludicidade e prevenção das neuroses futuras: uma
proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI, Cipriano Carlos (org)
Ludopedagogia - Ensaios 1: Educação e Ludicidade. Salvador: Gepel, 2000.
SANTIN, Silvino. Educação física: da opressão do rendimento à alegria do lúdico. Porto
Alegre: Edições EST/ESEF – UFRGS, 1994.
MOLL, Luis C. Vygostky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sóciohistorica/ Luis C. Moll; trad. Fani A. Telleser. – Porto Alegre, Artes Medicas, 1996.
LIMA, Lauro de Oliveira, Piaget: sugestões aos educadores/ Lauro de Oliveira Lima;
apresentação de Barbar Freitag. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
170
A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O LETRAMENTO
Ediana Neres Ferreira1
Fabrycia Shayla Silva de Oliveira2
Nayara Lima Costa3
Isabel Evangelista4
[email protected]
[email protected]
[email protected]
RESUMO - O presente trabalho bibliográfico é parte do relatório do Estágio Supervisionado de formação dos
Professores e Educação Profissional do Curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA visando delinear a influencia do
tema Letramento na formação do professor. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. É de extrema importância
para o professor (a) domine o conceito de Letramento, resignificando sua aprendizagem promovendo maior
desempenho e qualidade em sua prática de formador. Dando condições ao sujeito de ser capaz de ler,
(decodificar) e escrever (codificar) além de fazer uso adequado da língua escrita, significa orientar a criança para
o domínio da tecnologia da escrita no exercício das praticas sociais de leitura e de escrita, proporcionando
possibilidades avançadas de educação. Durante trajetória universitária somos expostos a várias metodologias que
objetivam uma melhor qualificação ao profissional formado. O objetivo central do presente artigo é refletir sobre
o Letramento, seu conceito e especificidade na formação do professor, analisando-o qualitativa na relação teórica
e prática. Tomando por base Garcia (1999), Nóvoa (1997), Freire (1998), Magda Soares (1998-2004) e Angela
Kleiman, (1995).
PALAVRAS-CHAVE: Formação de Professores, Letramento e Alfabetização.
INTRODUÇÃO
O professor analisa sua trajetória profissional seus valores e crenças e sua metodologia
pedagógica para poder ensinar os alunos e podendo reduzir este ato a uma perspectiva de
descontextualização. A aprendizagem individual inicia na leitura e escrita tentando evitar os
eventuais fracassos nos métodos de aprendizagem, trazendo um conjunto de pré-requisitos
para alfabetização, está vinculada a um conhecimento alfabetizado segundo a aprendizagem
inicial da leitura, da escrita e da fala oral. Podendo trabalhar o processo do conhecimento
relativo a linguagem escrita em uma sociedade letrada, tanto do uso da fala e da capacidade de
compreender o que se ouve, procurando demonstrar a complexidade do processo de
alfabetização podendo abordar os diferentes aspectos no processo de alfabetização e
letramento. O papel do professor é de mediado cultural tramitando informações de
aprendizagem na necessidade de conhecer do sujeito quanto o objeto de sua ação. Os
professores formam leitores e produtores de texto, podendo no decorrer de sua vida realizá-la
1
Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS.
Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS
3
Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS
4
Profª nos Cursos de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS.
2
171
com prazer, dando condições ao professor demonstrar o desempenho do uso desses
conhecimentos na interação do mundo e da sociedade em que vive.
Neste contexto educacional alfabetizador, o presente artigo propõe uma reflexão sobre
a compreensão de Letramento, seu conceito e especificidade na formação do professor,
analisando-o qualitativa na relação teórica e prática. Para isso iniciaremos procurando discutir
o conceito de formação no campo educacional, tomando por base Garcia (1999), Nóvoa
(1997) e Freire (1998). Em seguida aborda-se um panorama a respeito do Letramento
tomando por base Magda Soares (1998-2004) e Angela Kleiman, (1995). Por fim tece-se uma
articulação entre os dois temas numa perspectiva reflexiva.
DESENVOLVIMENTO
Muito se tem discutido a respeito da formação de professores, isto pode pressupor
caminhar em duas direções diferenciadas e complementares, os processos formativos iniciais
ou os da formação continuada. Entende-se que a formação inicial é o primeiro momento da
formação continuada e que esta, portanto, não é apenas uma etapa de atualização daquela; ou
seja, todos nós temos um percurso de formação profissional que começa na formação inicial e
se prolonga por toda a vida. Consoante a isto, a experiência como aluno, não apenas nos
cursos de formação de professores, mas ao longo de toda a sua trajetória escolar, é
constitutiva da identidade profissional do professor.
Esta é um dos campos do conhecimento educacional mais discutido em congressos e
nas práticas institucionais pelo Brasil, demonstrando a relevância que essa questão tomou nos
últimos anos assumindo um papel que transcende o ensino que pretende apenas uma
atualização científica, pedagógica e didática e se transforma na possibilidade de criar espaços
de participação, reflexão e formação para que as pessoas aprendam e se adaptem para poder
conviver com a mudança e a incerteza. Enfatiza-se mais a aprendizagem das pessoas e a
forma de torná-la possível do que o ensino e o fato de alguém esclarecer e servir de formador.
Mas o que entendemos por formação?
De acordo com o dicionário Aurélio Eletrônico século XXI o vocábulo ―formação‖
deriva do latim formatione e tem o ato, efeito ou modo num sentido de constituição, caráter,
maneira por que se constituiu uma mentalidade, um caráter, ou um conhecimento profissional.
O educador Freire (1998) já se referiu à formação como um fazer permanente que se refaz
constantemente na ação. Com certeza a formação não se dá por mera acumulação de
172
conhecimentos, mas numa conquista tecida com muitas ajudas: dos livros, mestres, das aulas,
das conversas entre professores, da internet, dentre outros. Dependendo sempre de um
trabalho de teor pessoal. Parodiando Freire, ninguém forma ninguém, cada um forma-se a si
mesmo.
Garcia (1999) contribui para essa reflexão ao enfocar que a formação pode adotar
diferentes aspectos, de acordo com o sentido que se atribui ao objeto da formação, ou a
concepção que se tem do sujeito. Para esse autor a formação pode ser compreendida a partir
de três aspectos: como função social de transmissão de saberes, de saber-fazer ou de saberser, que se referem, respectivamente, aos conceitos, aos procedimentos e às atitudes. Ao passo
que a formação como processo de desenvolvimento e de estruturação da pessoa se realiza em
decorrência de um processo de maturação interna e das possíveis experiências dos sujeitos.
Por último, a formação como instituição, quando nos referimos à organização da entidade que
planeja e desenvolve as atividades de formação. Assim, Garcia afirma:
A formação apresenta-se nos como um fenômeno complexo e diverso sobre o
qual existem apenas escassas conceptualizações e ainda menos acordo em
relação às dimensões e teorias mais relevantes para a sua análise. [...] Em
primeiro lugar a formação como realidade conceptual, não se identifica nem se
dilui dentro de outros conceitos que também se usam, tais como educação,
ensino treino, etc. Em segundo lugar, o conceito formação inclui uma dimensão
pessoal de desenvolvimento humano global que é preciso ter em conta face a
outras concepções eminentemente técnicas. Em terceiro lugar, o conceito
formação tem a ver com a capacidade de formação, assim como com a vontade
de formação (GARCIA, 1999, p. 21-22).
O português Nóvoa (1997) aponta novas abordagens a respeito da formação de
professores, saindo de uma perspectiva centrada na dimensão acadêmica para uma perspectiva
no terreno profissional, pessoal e de organização, a partir do contexto escolar. Ele alerta,
inclusive, que a formação de professores tem ignorado o desenvolvimento pessoal,
confundindo ―formar e formar-se‖.
A LDB 9.394/96, ao introduzir novos indicadores para a formação de profissionais
para a Educação Básica, Especificamente no capítulo 6 – Dos profissionais da Educação – os
artigos 61 a 65 vão explicitar como se dará a formação continuada dos profissionais da
educação, a saber:
Artigo 61. A formação de profissionais da educação, de modo a atender
aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características
de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos: I – a
associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço;
II – aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de
ensino e outras atividades.
173
Artigo 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-seà em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em
universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação
mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro
primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na
modalidade Normal.
Artigo 63. Os Institutos Superiores de Educação manterão: I – cursos
formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal
superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as
primeiras séries do ensino fundamental; II – programas de formação pedagógica
para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à
educação básica; III – programas de educação continuada para os profissionais
de educação dos diversos níveis.
Artigo 64. A formação de profissionais de educação para administração,
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação
básica será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pósgraduação, a critério da instituição de ensino, garantida nesta formação a base
comum nacional.
Artigo 65. A formação docente, exceto para a educação superior,
incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
Ressalte-se que as proposições estabelecidas pela LDB, para a formação de
profissionais da educação, implicaram uma série de regulamentações que se seguiram, a
saber:
- a Resolução CP/CNE nº 1/99, que dispõe sobre os Institutos Superiores de
Educação;
- o Decreto nº 3.276/99, que orienta sobre a formação de professores em nível
superior para atuar na Educação Básica, alterado pelo Decreto nº 3.554/2000;
- o Parecer CES nº 970/99, que trata da formação de professores nos Cursos
Normais Superiores;
- o Parecer CNE/CP nº 9/01, que aborda as Diretrizes Curriculares para a
Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, dentre outras.
Estas regulamentações definiram novas concepções, organização e estruturação dos
cursos de formação de professores, tendo exigido reformulações significativas nos projetos
pedagógicos dos cursos, em especial, nas licenciaturas, mas os resultados desse processo
ainda merecem aprofundamento e uma maior reflexão para que se possam fazer ajustes
visando a uma melhora nesse aspecto.
Ao olharmos historicamente para as últimas décadas, poderemos observar que o termo
alfabetização, sempre entendido de uma forma restrita como aprendizagem do sistema da
escrita, foi ampliado. Já não basta aprender a ler e escrever, é necessário mais que isso para ir
além da alfabetização funcional (denominação dada às pessoas que foram alfabetizadas, mas
não sabem fazer uso da leitura e da escrita). Assim o termo ―letramento‖ surgiu, ampliando o
sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização (Soares, 2003). Segundo a
autora (1998), o termo letramento é a versão para o Português da palavra de língua inglesa
literacy, que significa o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever.
174
Esse mesmo termo é definido no Dicionário Houaiss (2001) ―como um conjunto de práticas
que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito‖. O termo
―letramento‖ foi usado pela 1ª vez no Brasil por Mary Kato, em 1986, na obra ―No mundo da
escrita: uma perspectiva psicolingüística‖ (São Paulo, Ática). Dois anos depois, passa a
representar um referencial no discurso da educação, ao ser definido por Tfouni em ―Adultos
não alfabetizados: o avesso do avesso‖ (São Paulo, Pontes). Enquanto a alfabetização se
ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza
os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade (Tfouni, 1995, p. 20).
Num sentido ampliado da alfabetização, o letramento, de acordo com Magda, designa
práticas de leitura e escrita. Para a adaptação adequada ao ato de ler e escrever, ―é preciso
compreender, inserir-se, avaliar, apreciar a escrita e a leitura‖. O letramento compreende tanto
a apropriação das técnicas para a alfabetização quanto esse aspecto de convívio e hábito de
utilização da leitura e da escrita. Assim, letramento pode ser ―entendido como o
desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita
em práticas sociais: distinguem-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em
relação aos processos cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de
ensino desses diferentes objetos‖. (Soares, 2004). Kleiman conceitua letramento como:
... um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema
simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas
específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo a
qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram classificados ao
longo da dicotomia alfabetizado ou não-alfabetizado, passam a ser, em função
dessa definição, apenas um tipo de prática – de fato, dominante – que desenvolve
alguns tipos de habilidades mas não outros, e que determina uma forma de
utilizar o conhecimento sobre a escrita. (Kleiman, 1995, p. 19)
Porém é preciso, atentar para o fato de que o conceito de letramento, como prática
social de uso da escrita, não é algo criado pelos meios científicos sem relação com o mundo
que nos rodeia. Menos ainda se trata de um método de alfabetização, como equivocadamente
alguns professores passaram a compreendê-lo. As práticas de letramento são um fenômeno
sempre existente nas sociedades letradas, que passou a ser estudado recentemente, sendo
nomeado e definido.
Sem a pretensão de esgotar o tema, a breve explanação da concepção e estudos sobre
letramento contribuiu para redimensionar a compreensão que hoje temos sobre o desafio de
ensinar a ler e a escrever e o significado do aprender a ler e a escrever, apontando para a
necessidade de aproximar, no campo da educação, a teoria e a prática do Letramento nos
175
espaços de formação de professores para a compreensão dos processos de ensinoaprendizagem e intervenção dos professores em sala de aula.
Em uma sociedade como a nossa, o mais comum é que a alfabetização seja
desencadeada por práticas de letramento, tais como ouvir histórias, observar cartazes,
conviver com práticas de troca de correspondência, etc. No entanto, é possível que indivíduos
com baixo nível de letramento (não raro membros de comunidades analfabetas ou
provenientes de meios com reduzidas práticas de leitura e escrita) só tenham a oportunidade
de vivenciar tais eventos na ocasião de ingresso na escola, com o início do processo formal de
alfabetização.
CONCLUSÃO
A relevância do papel do professor na pesquisa, situando-o como sujeito-real, concreto
de um fazer docente, no que este guarda de complexidade, importância social e
especificidade, inclui dar-lhe a voz que precisa ter na produção de conhecimento sobre sua
prática. Amplia-se, nessa perspectiva, das possibilidades de rompimento do tradicional
modelo dos cursos de formação de professores rumo a inserção na realidade escolar.
A influência da formação inicial pretende-se assumir relevante papel nos contextos e práticas
culturalmente definidas e defendidas, as vezes sob a aparência libertadora e democratizante,
por discursos supostamente renovadores, que se esquecem dos principais protagonistas das
mudanças, os professores, e sobre tudo, de sua imprescindível autonomia (Guache, 2001).
Conforme destacado por Paiva (2003), a questão da formação para o exercício de uma
prática docente reflexiva torna-se um tema recorrente nas duas ultimas décadas, quando das
discussões sobre formação de professores. A compreensão que hoje temos do fenômeno do
letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino
instrumental, como para se repensar na especificidade da alfabetização encontrando-se o
desafio dos educadores em face do ensino da língua escrita: o alfabetizar letrando.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional. Brasília: 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 9. ed. São
Paulo: Paz e Terra, 1998.
176
GARCIA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Trad. Isabel
Narciso. Porto: Editora. 1999.
GAUCHE, R. Contribuição para uma análise psicológica do processo de constituição da
autonomia do professor. Tese (Doutorado em Pedagogia) Instituto de Psicologia, UNB.
Brasília, 2001.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo:Objetiva, 2001.
KLEIMAN, A. B. (org.) Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática
social da escrita. Campinas, Mercado das Letras, 1995.
NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, A. (Coord.). Os
professores e sua formação. 3. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1997. p. 9-33.
PAIVA, E.V.A. A formação do professor crítico-reflexivo. Pesquisando a formação de
professores. Rio de Janeiro. DP&A, 2003.
SANTOS, C. F. Alfabetização e letramento: conceitos e relações / organizado
por Carmi Ferraz Santos e Márcia Mendonça. 1ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
__________. O que é letramento. Diário na Escola Santo André. Diário do Grande ABC. São
Paulo: 2003.
__________. Alfabetização e letramento: caminhos e descaminhos. Revista Pátio, n. 29,
fevereiro de 2004.
TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização. São Paulo, Cortez,1995.
177
AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE
BELTERRA/PA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA POLITICA DE
EDUCAÇÃO INTEGRAL.
Edivânia Maria Sousa1
Anselmo Alencar Colares²
[email protected]
RESUMO: O presente trabalho teve por objetivo verificar ações relacionadas à politica de educação integral
desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Belterra/PA. Pesquisa vinculada ao
PIBIC/FAPESPA/UFOPA. Teve como aporte teórico Saviani (1998; 2000); Arroyo (1988); Paro (1998); Coelho
(2004; 2009; 2014), dentre outros e as legislações vigentes sobre o referido tema. Trata-se de uma pesquisa de
campo, de cunho qualitativo, período de realização da pesquisa 2014 e 2015, tendo como lócus a Secretaria de
Educação do Município de Belterra/PA. Desenvolvida em três etapas: com visitas à secretaria de educação –
SEMED com a finalidade de coletar dados e reunir documentos pertinentes aos objetivos de nossa pesquisa;
levantamento, seleção e digitalização de informações (fontes documentais e outras) que permitiram construir o
histórico da política de educação integral ao longo do período que foi delimitado para o estudo; análise das
informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração de relatórios. Concluiu-se que há ausência de
atos normativos sobre a educação integral para a Rede Municipal de Ensino. Existência de adesão ao Programa
Mais Educação (PME) por parte da SEMED às escolas da sua rede, permitindo identificar a ação governamental
(Governo Federal/MEC) em promover experiências voltadas para a Educação Integral em âmbito municipal.
PALAVRAS-CHAVE: Educação. Politicas Educacionais. Educação Integral.
1. INTRODUÇÃO
As políticas públicas para a Educação Integral começam a ter consistência nos
dispositivos legais que regem a educação brasileira, com a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, corroborada com as metas de ampliação progressiva
do tempo escolar no Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2011. O Plano aprovado em
maio de 2014, no Congresso Nacional, através do Projeto Lei nº 103/2012, no qual propõe
que 50% das instituições públicas de Educação Básica amplie sua jornada até 2020.
O presente trabalho teve como objetivo registrar e analisar as ações desenvolvidas pela
Secretaria Municipal de Educação de Belterra/PA, voltadas para a implementação da
educação integral no município e com isso foi possível construir series estatísticas
concernentes aos programas e projetos relacionados à politica de educação integral.
2. MÉTODO
O estudo foi desenvolvido a partir da abordagem qualitativa na qual se utilizou como
recurso metodológico a pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas e aplicação de
1
Graduanda do Curso em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA.
Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR. Bolsista
PIBIC/FAPESPA. Projeto de origem: Politicas de Educação Integral nos Municípios de Santarém e Belterra/PA.
² Doutor e Pós-Doutor em Educação Pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice-reitor da UFOPA. Líder
do grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil- HISTEDBR-UFOPA.
178
questionários. Pesquisa de campo tendo como lócus a Secretaria Municipal de Educação do
Município de Belterra, desenvolvida em três etapas: visitas a Secretaria Municipal de
Educação – SEMED com a finalidade de coletar dados e reunir documentos necessários para
a consecução dos objetivos propostos na pesquisa; levantamento, seleção e digitalização de
informações (fontes documentais e outras) que permitiram reconstruir o histórico da politica
de educação integral ao longo do período delimitado para o estudo; analise das informações
obtidas, produção de banco de dados e elaboração do relatório.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Há iniciativas de se instituir educação integral no Brasil desde a primeira metade do
século vinte, com os ―Manisfestos dos Pioneiros da Educação‖, onde foi discutida a
reconstrução educacional. ‖Mais especificamente, o movimento integralista defendia a
Educação Integral, tanto a partir dos escritos de Plinio salgado, seu chefe nacional como
naqueles elaborados por militantes representativos do integralismo‖. (COELHO, 2009, pág.
88). Nos anos de 1950, Anísio Teixeira, implanta em Salvador/BA, o Centro Educacional
Carneiro Ribeiro. Trinta anos depois, em 1980, Darcy Ribeiro, cria os Centros Integrados de
Educação Popular – CIEPs (COELHO, 2004), no Rio de Janeiro. Anisio Teixeira destaca a
Preocupação e importância do aluno permanecer maior tempo em sala de aula, pois, entende
que provavelmente absorverá um maior quantitativo de informações relevantes para sua
formação social e escolar.
Desse modo, constatamos que o ensino contexto da educação pública brasileira passou por
alterações significativas ao longo de nossa história, em especial após aprovação da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996).
Segundo os documentos oficiais do MEC (2009), a educação integral constitui
[...] ação estratégica para garantir proteção e desenvolvimento integral às crianças e
aos adolescentes que vivem na contemporaneidade marcada por intensas
transformações: no acesso e na produção de conhecimentos, nas relações sociais
entre diferentes gerações e culturas, nas formas de comunicação, na maior exposição
aos efeitos das mudanças em nível local, regional e internacional. (BRASIL, 2009,
p.18).
A educação integral prevê práticas não dicotomizadas que reconhecem a importância
dos saberes formais e não formais, a construção de relações democráticas entre pessoas e
grupos, imprescindíveis à formação humana e que valorizem os saberes prévios. De acordo
com Miguel Arroyo (1988), a educação integral por si só não acontece, tem que haver uma
179
interligação entre família, escola e comunidade com o intuito de se formar um cidadão
preparado tanto para a vida acadêmica como para a vida social, em uma perspectiva de que o
aluno tenha um bom desempenho em suas atividades coletivas. A consolidação da educação
integral enquanto política pública apresenta-se como tendência confirmada pelas iniciativas
presentes em todas as esferas governamentais – municipal estadual e federal, nas diferentes
regiões do país.
3.1 Contexto Educacional
No Campo da Pesquisa
De acordo com a tabela 01, o Município apresenta os seguintes dados relacionados ao
quantitativo de nível de ensino, número de docente e discente:
Tabela 01: Dados do Censo Escolar do Município de 2013 a 2015
Níveis de Ensino
Número de Escolas
Número de Matriculas
Número de
Docentes
Ensino Infantil
23 escolas
567 alunos
matriculados
28 docentes
Ensino Fundamental
59 escolas
3.898 alunos
matriculados
200 docentes
Ensino Médio
2 escolas
883 alunos
matriculados
27 docentes
Fonte: Censo Escolar/INEP/IBGE (2013/2015)
A SEMED conta dentre outros setores em seu organograma de uma Diretoria de Ensino,
com equipe de coordenação pedagógica para acompanhamento educacional às escolas da rede
e aos programas implementados pela Secretaria, em suma maioria advindos de
convênios/adesões com o Governo Federal.
Em relação aos dados da rede pública de ensino municipal, conforme dados do Relatório da
SEMED/Belterra (2014), conta em sua organização administrativa da rede de ensino com 62
dependências escolares, sendo 09 escolas na área urbana, 34 escolas na área rural localizadas
na Região do Planalto BR-163 (Rodovia Santarém-Cuiabá) e 19 escolas na área rural
localizadas na Região do Tapajós.
a) Implementação de Politica de Educação Integral em Belterra:
Destaca-se inicialmente, que se observou através de relatórios da SEMED que não
consta registro de legislação ou atos normativos que especifiquem uma política de educação
integral, porém identificou-se que a SEMED, em 2012, aderiu ao Programa Mais Educação
do Ministério da Educação (MEC), criado desde 2008, para a implementação nas escolas
180
municipais, como proposta de desenvolver ações e experiências educacionais com princípios
da educação e tempo integral.
Com isso, a experiência de Educação Integral no Município de Belterra esta sendo
corroborada por meio do PME. O documento identificado durante a pesquisa foi o Relatório
de Atividades do Programa Mais Educação, ano de 2013, desenvolvimento pela Coordenação
Pedagógica da Diretoria de Ensino da SEMED, sob a responsabilidade de duas servidoras da
equipe técnica, no intuito de acompanhar e assessorar as atividades do programa junto às
escolas e monitores.
b) O Programa Mais Educação no Municipio
Em relação às escolas:
De acordo com Relatório da SEMED/Belterra (2013) ao final do ano de 2012 ocorreu a
adesão das escolas ao PME. Em relação, às escolas participantes do ano de 2013 observa-se,
um total de 15 escolas, sendo o maior número de escolas pertencentes à área rural do
Município, total de 10 escolas e 40 monitores. Registra-se que maior quantidade de escolas
concentra-se na área rural de Belterra.
No ano de 2013, percebe-se que se registra adesão de 18 escolas, porém apenas 15
estiveram aptas a desenvolver e receber recursos quanto à realização das atividades do PME.
Foram restritas 3 escolas, por situações de pendências na prestação de contas do Conselho
Escolar, requisito exigido pelo MEC. (RELATÓRIO SEMED, 2013). Em 2014, houve a
participação de 19 escolas, sendo apenas 01 escola impossibilitada de participação no
programa.
c) Em relação ao espaço e atividades desenvolvidas pelas escolas
Foi aplicado um questionário semiestruturado, objetivando coletar dados sobre as
escolas atendidas pelo Programa Mais Educação, respondido por 8 (oito) coordenadores do
PME, das 15 escolas que são atendidas pelo Programa, o qual foi aplicado em durante uma
das atividades da Secretaria de Educação do Município, período de dezembro de 2014.
Observou-se que as atividades do programa nas escolas são desenvolvidas de acordo
com a realidade em que as mesmas estão inseridas, pois, em algumas escolas os espaços
disponíveis são adaptados. Registra-se que algumas dependências escolares na área rural
(Região BR-163- Planalto e Região Tapajós) contam com espaços adaptados para oferta de
educação aos alunos, como sede de Associações Comunitárias (barracões de madeira), igrejas
181
ou espaços alugados. Podemos observar também que há uma atenção em relação ao
acompanhamento pedagógico e a prática de esporte. Os dados coletados do Relatório da
SEMED, permitem inferir a necessidade de uma organização pedagógica do Programa,
considerando as particularidades das escolas. Registra-se que as escolas a serem inseridas
neste Programa, conforme normativas do MEC devem possuir uma clientela pertencente às
camadas populares, expostas a situações de vulnerabilidade e risco social.
Para que haja a realização das atividades a SEMED disponibiliza estratégias de acordo
com a necessidade de cada escola-polo. Elas são planejadas pela coordenação pedagógica da
SEMED junto aos coordenadores do PME, como reuniões pedagógicas, visitas de
assessoramento pedagógico, de periodização mensal. São planejadas também, capacitação e
orientações pedagógicas ofertadas pela SEMED para os monitores do PME das escolas.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se a partir dos resultados da pesquisa, ausência de atos normativos sobre a educação
integral para a Rede Municipal de Ensino. Existência de adesão ao Programa Mais Educação
(PME) por parte da SEMED às escolas da sua rede, permitindo identificar a ação
governamental (Governo Federal/MEC) em promover experiências voltadas para a Educação
Integral em âmbito municipal. Quanto ao desenvolvimento das atividades do Programa Mais
Educação do Governo Federal, infere-se dizer que os projetos e planos de ação concebidos
pelas escolas se fundamentam em propostas de ampliação dos espaços educacionais
utilizados, na expansão da coletividade e parceria entre escola, pais e a comunidade, nas
atividades educativas que ampliam as áreas de conhecimento previstas na LDB (1996), porém
ainda não podemos correlacionar o PME com a melhoria do ensino e educação escolar, numa
concepção consistente de educação integral.
5. REFERÊNCIAS
AROYO, M. G. O direito ao tempo de escola. Cadernos de Pesquisa, s.l., n. 65, p. 3-10,
1988.
BRASIL, MEC. Programa Mais Educação: gestão Inter setorial no território – Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
2009.
BRASIL, MEC. Lei nº 9.394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Disponível em: < htpp://portal. mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. >>>>. Acesso em
11/09/14.
182
BELTERRA, SEMED. Relatório Anual 2013. Coordenação Pedagógica do Programa Mais
Educação da Diretoria de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto.
Belterra, 2013.
BELTERRA, SEMED. Relatório Anual 2014. Coordenação Pedagógica do Programa Mais
Educação da Diretoria de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto.
Belterra, 2014.
COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. Em Aberto. Brasília, v. 22, n. 80,
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COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. 27ª. Reunião Anual da ANPEd
(Caxambu, Minas Gerais, 2004). Disponível em:< http://emaberto. Inep. gov.br/index.
php/emaberto/article/view/1472/1221.> Acessado em 03/05/2014.
IBGE. Instituto de geografia e Estatística. Censo escolar. Fonte Censo Escolar/INEP 2013.
Disponível em:<http://www.qedu.org.br/ajuda/artigo/356152.> Acesso em: 19/092014.
PARO, V. H.; FERRETTI, C. J.; VIANNA, C. P.; SOUZA, D. T.R. de. Escola de
Associados, 1988.
183
AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE
EDUCAÇÃO DE SANTARÉM/PA PARA A IMPLENTAÇÃO DA
POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL
Wanessa Santiago Pontes1
Anselmo Alencar Colares2
[email protected]
[email protected]
RESUMO: A pesquisa teve como objetivo verificar como são implantadasas ações relacionadas à politica
nacional de educação integral no município de Santarém/ PA através da Secretaria Municipal de Educação
(SEMED). Trata-se de uma pesquisa de campo, que teve como locus A Secretaria Municipal de Educação e as
escolas da rede publica municipal que trabalham com educação integral para o levantamento de dados a fim de
reconstituiro histórico da política de educação integral no município. No decorrer da pesquisa, verificou-se que o
órgão público responsável pela a educação em Santarém possui 409 unidades escolares e atende 59.954
alunosdistribuídos dentro da zona urbana e nas regiões de Rios e Planalto e realiza cinco ações relacionadas à
educação integral, que são: Escola da Floresta (2008), Programa Federal Mais Educação (2009), Escola do
Parque (2010), Escola Municipal de Ensino Fundamental localizada na zona urbana (2011) e a Escola Municipal
de Ensino Fundamental em Tempo Integral do Campo (2012). Percebemos que na última década, houve uma
preocupação maior por parte da secretaria de educação em desenvolver ações em prol da educação integral da
criança.
PALAVRAS-CHAVE: políticas educacionais. educação integral. ensino.
INTRODUÇÃO
As primeiras iniciativas para se estabelecer a educação integral no Brasil, deram-se
através de Anísio Teixeira, com o Centro Educacional Carneiro Ribeiro instituído na Bahia
em 1953, e anos mais tarde, no Rio de Janeiro, foi a vez de Darcy Ribeiro com os Centros
Integrados de Educação Pública na década de 1980. Com isso, apenas em 1996 as politicas
públicas de educação integral passaram a ter consistência através dos dispositivos legais
como, por exemplo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), na qual propõe que seja
― progressivamente o período da permanência na escola‖ (LEI N. 9.394, ART. 34). Em 2001,
é instituído o Plano Nacional de Educação (PNE), onde apresenta a educação integral como
objetivo. Desta forma, dentro do PNE são criadas metas e umas delas visaà ampliação da
jornada escolar, para um período, de pelo menos, 7 horas diárias.
No ano de 2007, foi criado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com o
propósito de unir os meios constitucionais com o PNE. Dentre as ações elaboradas pelo PDE,
destacam-se duas, as quais fazem referencia a educação integral, que são o FUNDEB, este
auxilia no crescimento e desenvolvimento de estratégias para educação integral,
proporcionando o financiamento da educação básica, na qual prevê um percentual maior
1
Graduanda do Curso de Letras/Inglês. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR/UFOPA.
Bolsista do Programa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq.
2
Pós Doutor em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice Reitor da UFOPA. Líder do
Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR/UFOPA.
184
baseado na educação integral. A outra ação do PDE é o Programa Mais Educação, o programa
tem por objetivo estimular a educação integral através de atividades socioeducativas no contra
turno escolar, desse modo, possibilitando formação integral ao individuo.
Em 25 de junho de 2014, foi aprovado um novo PNE, com vigência de 10 anos, com
outras providencias e mais metas para serem efetuadas ao longo desses anos. Entre essas
metas propostas pelo PNE, existe uma, na qual, fala especificamente sobre educação integral,
no caso, a meta 6.
Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento)
das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos
(as) alunos (as) da educação básica. (PNE lei nº 13.005; 2014-2024 p. 11).
Embora o governo tenha avançado no sentido de legislações que abordam o tema
tempo integral escolar, ainda não se tornam suficiente comparado a perda que o ensino publico
sofreu durante o tempo que o governo ficou parado (MAURÍCIO, 2009).
Nesse cenário, a formulação de uma proposta de ampliação da jornada escolar associada
à perspectiva de educação integral, ganha forças, sob o pressuposto da criação,
ampliação e efetivação de direitos sociais, com consequência para a administração
pública, em vista da correção de iniquidades sociais históricas. (LECLERC; MOLL;
2009 p.26).
Desse modo, através desta pesquisa procuramos compreender e expor as politicas públicas
de ampliação da jornada escolar na perspectiva da educação integral através das ações
realizadas pela SEMED de Santarém.
É uma pesquisa vinculadaao Plano de Bolsa de Iniciação Cientifica (PIBIC) e do Conselho
Nacional de Pesquisa (CNPq), acoplada aoGrupo de pesquisa e História Sociedade e
Educação no Brasil (HISTEDBR) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).
METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido a partir de uma abordagem qualitativa na qual se utilizou
como recurso metodológico a pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas. Tratou-se de
uma pesquisa de campo, tendo como locus primeiramente a Secretaria Municipal de Educação
(SEMED) e as escolas da rede publica municipal. Seguimos as seguintes etapas:
Visitas à SEMED e nas escolas da rede municipal de educação para o levantamento
de dados, seleção e digitalização de informações (fontes documentais e outras) para a
construção do histórico da política de educação integral no município e por fim, a produção
de banco de dados e elaboração do relatório.Para um subsidio teórico, foi utilizado como
referencial os autores Ana Maria Monteiro (2009), Jaqueline Moll (2012), Isa Maria F.R
185
Guará (2009), Lígia Martha Coimbra da Costa Coelho (2009), Gesuína de Fátima Elias
Leclerc (2012)e legislações que abordam o tema trabalhado.
RESULTADO E DISCUSSÃO:
1. Educação Integral em Santarém
As primeiras iniciativas de ampliação do tempo escolar instituídas pela SEMED
foram a partir de 2008.Focalizaremos agora, nestas ações desenvolvidas pela SEMED de
Santarém que estão relacionadas à politica de educação integral:
2.Escola da Floresta (2008)
A escola é uma iniciativa pioneira da Prefeitura de Santarém através da SEMED,
com o objetivo de realizar e compartilhar experiências e atividades junto à comunidade
escolar municipal e sociedade civil organizada orientando as mudanças de comportamentos e
valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente, através de um espaço de
compartilhamento de experiências e ações em educação ambiental. A escola funciona entre as
8h até às 12h.
2.2. Programa Mais Educação (PME) (2009)
O Programa Mais Educação foi instituído pela portaria interministerial n°17/2007 e
pelo Decreto n°7.083, de 27 de janeiro de 2010, onde integra as ações do Plano de
Desenvolvimentoda Educação (PDE).
Implantado em Santarém no ano de 2009. Dados do PME em Santarém mostram que
inicialmente, o programa apenas atendia as escolas da zona urbana, mas no decorrer dos anos
o PME foi crescendo dentro do município e em 2012 ele foi implantado nas escolas do campo
(Região de Rios e Planalto). Desta forma, o programa em 2014, contou com 731 turmas
atendidas e 19.596 alunos, em que o horário do funcionamento do programa era no contra
turno ou no intermediário (das 11h às 14h).
2.3. Escola do Parque (2010)
Criada em 2010, a instituição atende os alunos da rede municipal e a sociedade civil
organizada. E uma escola que trabalha com o intuito de promover a educação ambiental,
focando no desenvolvimento sustentável, na importância de preservar e conservar o meio
186
ambiente, para usufruir de uma boa qualidade de vida. As atividades propostas pela Escola do
Parque começam a ser desenvolvidas as 07:30 até as 16:00.
2.4. Escola Municipal de Ensino Fundamental localizada na zona urbana. (2011)
Fundada em 04 de fevereiro de 2011, as atividades na escola começam a funcionar a
partir das 07h30min às 16h30min, atendem alunos do 1°ano ao 5°ano do ensino fundamental.
Dentre os objetivos da escola, um deles é desenvolver a prática pedagógica de forma
contextualizada, buscando o desenvolvimento integral de eu educando, enquanto sujeito do
processo ensino aprendizagem, visando formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade. A
escola definiu seu currículo em dois: o currículo pleno: formado pelas disciplinas e seus
programas estabelecidos pelo MEC, e o currículo eletivo que é caracterizado por todas as
atividades extraclasses e em horário complementar ao de participação ao currículo pleno.
Além de trabalharem com as atividades extras curriculares a instituição no final de 2013 foi
contemplada com o Programa Mais Educação.
2.5. Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral do Campo (2012).
A escola foi criada através do decreto n° 046/2012 – SEMAD de 19 de março de
2012, com isto, a escola foi autorizada a funcionar na formação de alunos do 6° ano ao 9°ano
do ensino fundamental. Tendo em vista ser referencia em educação de campo no Município
de Santarém, a escola faz com que o aluno obtenha um avanço no universo do conhecimento,
apostando na cultura com uma educação diferenciada. A escola prioriza o desenvolvimento
integral tendo como linha de educação o aspecto sócio ambiental e cultural, proporcionando
um aperfeiçoamento profissional na área ambiental. A escola também trabalha com dois
currículos: o pleno e eletivo.
Segundo Nogueira (2004), citado por Cavaliere (2009, p.57) ―A cultura da escola de
longa duração está em processo de construção na sociedadebrasileira e é ainda pequeno o
acúmulo de experiências das sucessivas gerações. Por isso, uma parcela muito grande das
famílias não possui os saberes que permitembem conduzir a trajetória escolar de seus filhos‖.
Deste modo, passamos a atender o porquê das iniciativas do governo municipal serem
recentes, a falta de conhecimento e cobrança de seus direitos por parte da sociedade afeta
aqueles que ainda estão pequenos e aos que estão por vim. Por outro lado, nesta última
década, o município tem vivenciado experiências metodológicas e estratégias para ampliação
da educação integral no sentido de abrir caminhos para a inclusão social como
desenvolvimento humano, obtendo-se através de atividades da vida cotidiana, onde a escola
187
tem a possibilidade de trabalhar em espaços formais e não-formais de educação, tornando-se
assim, uma forma eficaz de efetivar a educação integral. ―Além disso, a educação integral
deve basear-se nas vivências e nas experiências cotidiana‖ (TAVARES, 2009, p.142).
Em Santarém, podemos notar essa aproximação da escola com a comunidade, a troca
de saberes, a cultura local muito presente nas escolas que trabalham com a formação integral
da criança. São escolas com o intuito de formar cidadãos para a vida, profissional, intelectual,
social, escolas que abordam a geografia local, o meio ambiente, exploram bastante este tema
que está ligado diretamente ao meio em vivemos, já que fazemos parte desta bela região
amazônica.
CONCLUSÃO
A pesquisa identificou cinco ações desenvolvidas pela SEMED em prol da Educação
Integral. Uma delas é o PME, onde a Secretaria de Educação do município aderiu em 2009 e
já atende mais de 50% das escolas de Santarém, tanto escolas da zona urbana quanto da região
de campo. Outra ação proposta pela prefeitura foi a criação da Escola do campo, cujos alunos
são filhos de comunitários agricultores da região, a escola proporciona aulas diversificadas,
visando a construção de vida e cidadania por meio do fortalecimento da agricultura familiar
aliado ao aspecto social e ambiental. Existe também a única escola de tempo integral
funcionando na zona urbana de Santarém, onde esta também possui o PME na sua grade
curricular, visando formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade. Pertence ainda ao
município, duas Escolas que trabalham em parceria com escolas de tempo regular, que são:
Escola da Floresta e a Escola do Parque, estas não trabalham com alunos fixos, mas fornecem
aulas interativas voltadas para o meio ambiente. São atendidos alunos da rede municipal de
ensino e sociedade civil organizada. Elas têm por objetivo estimular e proporcionar mudanças
de práticas e valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente.
Notamos com a pesquisa que a SEMED vem trabalhando para ampliar
progressivamente o tempo escolar por meio de dispositivos legais, Fazendo com que jovens,
crianças possam passar mais tempo na escola, e também favorecendo acolhimento para
crianças com vulnerabilidade social.
188
REFERÊNCIAS:
BRASIL, Ministério da Educação. Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação
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Instituto
de
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e
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p.141-150.
189
AS PRÁTICAS LÚDICO-PEDAGÓGICAS COMO INSTRUMENTO DE
EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PREVENÇÃO DO PERIGO AVIÁRIO
Nayara Stefani Soares Rodrigues1
Allef Jordy Garcia Rodrigues2
Izabel Alcina Soares Evangelista3
[email protected]
RESUMO: O presente trabalho é a exposição da experiência de estágio não obrigatório realizado na Secretaria
Municipal de Meio Ambiente de Belém – SEMMA, cujo objetivo foi à promoção da Educação ambiental, com
uso de práticas lúdico-pedagógicas, com o fito de combater o perigo aviário. A relevância deste estudo revela-se
pela existência da constância de problemáticas ambientais e pelo fato de que Administração pública tem o dever
de garantir o equilíbrio socioambiental. A metodologia é baseada em pesquisa bibliográfica, com observação
assistemática e abordagem dialética, possibilitou o desenvolvimento de um plano de ação voltado a solucionar
problemáticas ambientais tangentes ao perigo aviário, com a utilização de meios adequados para tanto, dentre os
quais se destacou as práticas lúdico-pedagógicas voltadas à educação ambiental, como a utilização de
brinquedotecas, atividades socioambientais, palestras, execução de atividades ambientais em ações sociais.
Conclui-se que o combate efetivo ao Perigo aviário, pode ser alcançado, desde as práticas realizadas sejam
compatíveis à problemática imposta, além da necessidade de que sejam realizadas de forma contínua, uma vez
que a educação ambiental trata-se de um processo.
Palavras-chave: perigo aviário. educação ambiental. práticas lúdico-pedagógicas
INTRODUÇÃO
Atualmente,
diversos
problemas
ambientais
como
poluições
atmosféricas,
contaminação hídrica, mudanças climáticas, e diversos outros, são motivos de constante
preocupação social, e do Poder Público, que por meio de profissionais competentes como
engenheiros das mais variadas graduações, analistas ambientais, jurisconsultos, entre outros
com a finalidade de lavrar soluções adequadas a estas problemáticas, sendo nesta discussão as
de cunho ambiental.
A priori, a competência do pedagogo pode ser questionada para esta seara. Todavia,
a formação do pedagogo alcança a Educação Ambiental, conforme Resolução CNE/CP 1/06,
que no art. 2, §2, inc. II, estabelece que o curso de Pedagogia, por meio de estudos teóricopráticos, investigação e reflexão crítica, propicia a aplicação ao campo da educação, de
contribuições, entre outras, de conhecimentos como o ambiental-ecológico.
Pois bem, no que se refere à Educação ambiental, Dias (2004, p. 100), a define como
―um processo por meio do qual as pessoas aprendem como funciona o ambiente (meio
1
Acadêmica do curso de Licenciatura em Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA
2
Acadêmico do curso de Bacharelado em Direito do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA
3
Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Professora do Centro
Universitário Luterano de Santarém - CEULS/ULBRA
190
ambiente), como dependemos dele, como o afetamos e como promovemos a sua
sustentabilidade‖.
Quanto ao Risco Aviário, a Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC (2011, p.
2), expõe que o ―perigo aviário é o risco potencial de colisão com ave ou bando de aves, no
solo ou no espaço aéreo‖, sendo que o grande número de aves, principalmente urubus na
capital paraense, é reflexo de crescimento desordenado, que implica em saneamento básico
precário e políticas ambientais fragilizadas.
A ANAC ainda expõe que
As administrações aeroportuárias e as Prefeituras devem promover um trabalho de
educação ambiental junto às comunidades próximas a aeroportos, esclarecendo
sobre os perigos advindos da incorreta armazenagem ou destino do lixo gerado.
(2011, p. 4).
Nesta via, a EA em face do perigo aviário pode fazer usos de diversas práticas,
dentre as quais podem ser utilizadas as práticas lúdico-pedagógicas.
Nesta linha, Morais e Sato identificam que:
A arte-educação e a educação ambiental por serem muito semelhantes trabalham
juntas na transformação do homem, por isso, estão sempre ligadas numa estreita
relação, sendo a linguagem artística natural ao desenvolvimento do ser humano.
(2008, p. 2050)
Diante destas breves considerações, acredita-se que o presente trabalho, contem fonte
prática plausível para proporcionar reflexões aos gestores públicos no que tange as práticas
lúdico-pedagógicas de educação ambiental, pois serão apontadas propostas de ações
educacionais de baixo custo, mas que impulsionam a sociedade a desenvolver visão crítica
razoável com vistas a conscientização ambiental.
MÉTODO
O estudo partiu da pesquisa bibliográfica, que serviu de elemento norteador para a
execução de ações práticas. A observação foi assistemática e desenvolvida por uma
abordagem dialética com o fito de compreender a realidade observada e desenvolver soluções
adequadas.
Este estudo, portanto, realizado no primeiro semestre de 2015 em estágio não
obrigatório, o qual teve a finalidade de colaborar, do ponto de vista pedagógico, no
desenvolvimento de atividades lúdico-pedagógico cujo conteúdo axiológico alcance a
Educação ambiental, como instrumento de combate ao perigo aviário.
191
Inicialmente, deve-se destacar que a solução a problemática em tela precisa de
diversos instrumentos, dentre os quais foi apontado judicialmente em dezembro de 2014, a
necessidade de promoção da educação ambiental como ferramenta de prevenção ao perigo
aviário. Diante disto, no mês de janeiro/2015, a Coordenação de Educação Ambiental e
Desenvolvimento Comunitário (CEADC) da SEMMA elaborou plano de ação que
contemplasse o combate da problemática em questão.
Assim, foi realizado estudo bibliográfico de ferramentas de educação ambiental, na
qual se identificou que a prática lúdico-pedagógica seria o instrumento a ser utilizado no
plano de ação. O desenvolvimento de práticas lúdico-pedagógicas voltadas a educação
ambiental, identificadas foram: brinquedotecas; palestras em escolas, igrejas, centros
comunitários; atividades ecológicas, como plantio de mudas e trilhas ecológicas; e ações
sociais.
Verificou-se, por exemplo, que a brinquedoteca, como lembra Cunha (1992, p.38) ―é
um esforço de salvaguarda a infância, nutrindo-a com elementos indispensáveis ao
crescimento saudável da alma e da inteligência da criança‖. Para tanto, foi necessário adquirir
brinquedos, jogos e outros recursos voltados a educação ambiental, para adequar as duas
brinquedotecas que a SEMMA já possuía.
Quanto às palestras, por seu turno, no mês citado, foi necessário a elaboração de
apresentações relacionadas a Reciclagem, Água, Fauna e Flora, uma vez que são temáticas
transversais à questão aviária. Os recursos utilizados foram imagens e vídeos sobre os temas
propostos.
Para as atividades socioambientais, foram consultados profissionais do Bosque
Municipal Rodrigues Alves, que colaboraram na identificação de locais adequados para o
plantio de mudas na cidade e ainda para elaboração de uma trilha ecológica que guardasse
relação com o perigo aviário.
Superada a identificação e aquisição dos recursos necessários as práticas lúdicopedagógicas foi traçado um cronograma entre os meses de fevereiro e maio de 2015 para
aplicação do plano de ação, com base no plano anual de ações da SEMMA e da Prefeitura
Municipal de Belém (PMB), na seguinte forma: As brinquedotecas deveriam estar
funcionando diariamente; As palestras e atividades socioambientais ocorreriam de acordo
com o plano da SEMMA; nas ações sociais da PMB seriam deslocados parte dos
equipamentos da Brinquedoteca.
192
Por fim, no mês de junho de 2015, a avaliação das atividades de educação ambiental
foi realizada de forma conjunta aos demais meios utilizados pela SEMMA em face da
complexidade do problema do risco aviário.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Das atividades desenvolvidas pela SEMMA, para solução da problemática em
analise, deve-se relembrar que não se resumiram a educação ambiental, uma vez que foram
desenvolvidas
atividades
de
fiscalização
de
empresas
potencialmente
poluidoras,
monitoramento de áreas degradadas e/ou revitalizadas, estudos técnicos, criação de aterros
sanitários.
Portanto, diante do cumprimento do que foi proposto nas diversas áreas de atuação
da SEMMA, pode-se constatar a problemática foi disseminada na cidade, considerando todos
os bairros da capital paraense foram atingidos pelas ações da Secretaria.
Especificamente quanto a Educação ambiental, as Brinquedotecas entre os meses de
fevereiro e maio, houve um aumento significativo de usuários (25% em relação ao mesmo
período do ano anterior); As palestras e atividades socioambientais foram realizadas nas datas
planejadas e com o público máximo, dotado diversos questionamentos acerca da temática; em
todas as Ações da PMB foram disponibilizados equipamentos da brinquedoteca e de outros
órgãos municipais que possibilitaram a disseminação espacial das propostas de educação
ambiental.
No entanto, deve-se lembrar de que para solução da problemática do risco aviário é
necessário que a Gestão municipal planeje novas ações nesta via, uma vez que a educação
ambiental trata-se de um processo, o qual, conforme indica Fiorillo (2013, p. 73), visa-se
―reduzir os custos ambientais, à medida que a população atuará como guardiã do meio
ambiente‖.
CONCLUSÃO
Não se deve olvidar de que as ações realizadas pela SEMMA no primeiro semestre
de 2015 foi resultado de obrigação judicialmente imposta, que objetivou o combate o risco
aviário, e dentre os itens foi apontada a necessidade de ser proporcionada a educação
ambiental da população da capital paraense, considerando que os debates sobre o tema
ocorriam desde 2008, sem a devida preocupação municipal.
193
Não obstante esse fato, a experiência obtida neste estágio, que teve como finalidade a
colaboração pedagógica em ações voltadas a educação ambiental com uso de práticas lúdicopedagógicas, como um dos instrumentos da SEMMA no combate ao perigo aviário, foi de
fato essencial na aprendizagem prática da pedagogia em ambiente não-escolar.
Ressalta-se que se tornou nítido que profissionais da pedagogia são essenciais para o
planejamento de ações de educação ambiental, dada à formação profissional voltada a este
fim. Logo, a ludicidade e a pedagogia aliadas à educação ambiental, podem ser instrumentos
efetivos para um desenvolvimento sustentável, baseado na conscientização ambiental da
população.
Deve-se ratificar acerca da necessidade da continuidade destas ações, considerando
que além da questão judicial que envolve a temática, é necessário ter ciência de que condições
sanitárias e ambientais incipientes podem ocasionar graves acidentes aéreos, que terão
reflexos em toda sociedade.
REFERÊNCIAS
ANAC. Org. Senra Hilton Notini. Carta de Segurança Operacional. 3. Edição, Disponível
em http://www2.anac.gov.br/arquivos/carta/carta_seguranca_3_edicao_ok.pdf. Acesso em:
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DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 9. ed. São Paulo:
Gaia, 2004.
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afetivas. Revista do Professor. Porto Alegre, RS. V.11, nº 44, p. 3- 50, outubro/dezembro,
1995
FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 14 ed. São
Paulo: Saraiva, 2013
MAKARENKO, Anton. Poema Pedagógico. Lisboa: Livros Horizonte, 1989.
MORAIS, Luciano Ferreira de Morais; SATO, Michèle. O Teatro do Oprimido e da
Crueldade como Expressões de Criação Sociopoética e da Educação Ambiental. João
Pessoa: Conferência da Terra, 2008.
194
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA: NÍVEL DE APRENDIZAGEM DO 5º
ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL
Nayara Lima Costa1
Aline Magalhães1
Ana Marília Gonçalves Santos¹
Clara Aline Maciel da Silva¹
Érica Mylenna Nogueira Lima¹
Nayane Xavier da Silva¹
Maria do Perpetuo Socorro2
Paula Cristina Galdino Oliveira3
[email protected]
RESUMO - O presente trabalho é um relato de experiência dos bolsistas do Programa de Bolsas de Iniciação à
Docência – PIBID no Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA. No inicio deste ano 2015,
obteve-se a oportunidade de contribuir com a comunidade escolar na condição de fazer avaliação diagnóstica,
analisando em que medida os alunos do 5º ano, de uma escola municipal de Santarém, estão alcançando seus
objetivos, tomando por base os Direitos de Aprendizagem no ciclo de alfabetização - língua Portuguesa, que
priorizam o ensino da leitura e escrita. Objetivou-se verificar com quais conhecimentos, habilidades e
competências relativos à língua portuguesa os alunos demonstravam no início do ano letivo; e apontar os
conhecimentos, habilidades e competências a serem revisados e aprofundados no início do ano letivo com os
alunos do 5º ano, bem como possíveis estratégias metodológicas. Os resultados obtidos estão organizados
contando com os dados tabulados da Avaliação Diagnóstica, dispostos em suas respectivas fases: I. Pesquisa
Bibliográfica para elaboração de atividade e questionário avaliativo; II. Aplicação da atividade na turma e
entrevista com professora; e III. Análise e Interpretação de dados. A pesquisa apresentou resultado positivo no
eixo da Leitura (60%), porém resultados negativos nos eixos da Produção de texto escrito (75%) e Analise
Linguística (47%).
PALAVRAS-CHAVE: avaliação diagnóstica, direitos de aprendizagem, Pibid/Ceuls-Ulbra.
INTRODUÇÃO
A avaliação é uma importante aliada na formação do processo ensino-aprendizagem
como uma verificação dos níveis de desenvolvimento da aprendizagem, presente nos
múltiplos âmbitos da educação, apresentando as funções de diagnóstico, controle e
classificação. Dependendo da concepção pedagógica e postura filosófica adotada, esta pode
não se restringir a medir ou quantificar informações, atribuir notas e menos ainda assumir um
caráter seletivo e competitivo, mas servir como um verificador da medida do alcance dos
objetivos propostos no processo ensino-aprendizagem, assumindo um caráter orientador e
cooperativo. De acordo com Melchior (2001), ―Avaliar é verificar como o aprendiz está se
movimentando frente às novas aprendizagens, o que já é de seu domínio, os objetivos que ele
ainda não alcançou e quais são as suas dificuldades.‖
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, sob a coordenação
do CEULS ULBRA, visa fomentar a carreira docente, através da inserção de acadêmicos na
1
Acadêmicas do Curso de Pedagogia e Bolsistas de Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do
PIBID/CEULS.
2
Profª Bolsista Supervisora do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS.
3
Profª no Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS e Bolsista Coord. de
Área do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS.
195
vida escolar, de forma contínua e devidamente supervisionada por agentes universitários e da
escola pública da cidade de Santarém-PA. O Subprojeto do Curso de Pedagogia tem como
foco o letramento em língua portuguesa e em matemática, isto é, proporcionar o uso social
desses saberes. No início deste ano, tivemos a oportunidade de contribuir com a comunidade
escolar na condição de diagnosticar em que medida os alunos do 5º ano de uma Escola
Municipal de Santarém estão alcançando os objetivos propostos nos PCNs-Língua
Portuguesa, 1º e 2º ciclos (1997), bem como os Direitos de Aprendizagem no Ciclo de
Alfabetização - Língua Portuguesa, descritos na Lei 9.394, artigo 32, que priorizam o ensino
da leitura e escrita.
Para isto, realizamos uma avaliação diagnóstica, que sempre se dá no inicio, seja de um
período letivo como de um conteúdo de ensino, na qual o educador busca constatar os
conhecimentos e habilidades prévias do educando, reconhecendo seu domínio ou não dos prérequisitos necessários para a aprendizagem de novos conhecimentos, identificando suas
dificuldades de aprendizagem com suas possíveis causas.
Assim, objetivou-se verificar com quais conhecimentos, habilidades e competências,
relativos à língua portuguesa, os alunos do 4º ano ingressam no 5º ano de uma escola pública,
e identificar os conhecimentos, habilidades e competências a serem revisados e aprofundados
no início do ano letivo com esses alunos, bem como possíveis estratégias metodológicas.
MÉTODOLOGIA CIENTÍFICA
Realizou-se pesquisa de campo, com observação dos sujeitos e registro em diário de
campo, seguida de elaboração de atividades diagnósticas - desenvolvidas nos encontros
semanais do Subprojeto de Pedagogia PIBID/CEULS, num grupo de seis acadêmicas
juntamente com a professora da respectiva turma - finalizando na análise e interpretação de
dados. A ação ficou distribuída em quatro etapas: I – pesquisa bibliográfica sobre os direitos
de aprendizagem em língua portuguesa nos anos iniciais do ensino fundamental, realizada no
CEULS/ULBRA, para elaboração de atividade e questionário avaliativo; II – observação dos
sujeitos e acompanhamento das primeiras atividades realizadas pela professora; III - aplicação
da atividade na turma e entrevista com professora; e IV – análise e interpretação de dados.
Neste período, também foram realizadas palestras formativas voltadas ao conceito de
avaliação diagnóstica; quais as contribuições dessa avaliação para o processo de ensinoaprendizagem (PCNs- Língua Portuguesa, 2002; PNAIC - Currículo na alfabetização, 2012);
quais conhecimentos, habilidades e competências voltadas à língua portuguesa os alunos de 5º
ano já devem ter adquirido (Estrutura Curricular Semed - Santarém-Pa, 2015; PCNs- Língua
196
Portuguesa, 2002; PNAIC - Currículo na alfabetização, 2012). Finalizamos esta fase
construindo atividade e questionário avaliativo. A aplicação da atividade ocorreu no início do
período letivo, numa turma de doze alunos. E por fim, a análise dos questionários e tabulação
dos dados.
A atividade continha quatro questões que possibilitaram a análise de três eixos do
ensino de Língua Portuguesa – Leitura, Produção de Textos Escritos e Análise Linguística.
Estes eixos formaram a base do questionário avaliativo, organizado da seguinte maneira:
Leitura - nove questões específicas; Produção de Textos Escritos - quatro questões; e Análise
Linguística - onze questões; formando um total de 24 questões específicas. As respostas
foram divididas em três: Sim, Não e Parcial com observação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A atividade de avaliação diagnóstica dividida em eixos baseados nos ―Direitos de
Aprendizagem no Ciclo de Alfabetização - Língua Portuguesa‖, descritos na Lei 9.394, artigo
32. Descobriu-se que 60% dominam a Leitura, 75% tem grande dificuldade na Produção de
Textos Escritos e 47% tem dificuldade na Analise Linguística.
Figura 01 – Dados percentuais sobre leitura, produção textual e análise linguística.
Fonte: Microsoft, 2015
Os resultados obtidos demonstraram que o eixo da Leitura, em relação aos outros eixos,
foi o mais positivo, revelando que a maioria dos alunos apreende assuntos/temas tratados em
textos, como, poemas, canções, tirinhas, textos de tradição oral, dentro outros. Já a
interpretação de frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas e o
reconhecer a finalidade de textos revelaram necessidade de melhora. Isso aponta necessidade
de chamar atenção para, além dos aspectos linguísticos, o contexto que envolve o texto (autor,
espaço de produção e circulação, destinário...).
O eixo da Produção de Texto Escrito, em relação aos outros eixos, foi o mais negativo.
Todas as questões analisadas demonstraram dificuldades. Revelando que somente dois alunos
197
conseguiram planejar a escrita de textos considerando o contexto de produção, e utilizaram
vocabulário diversificado e adequado ao gênero e as finalidades propostas.
Figura 02 – Eixo Produção de texto escrito
Fonte: Microsoft, 2015
Por fim, o eixo da Análise Linguística, em relação aos outros eixos foi o que mais se
apresentou preocupante, revelando que: todos escrevem o próprio nome, porém onze não
pontua adequadamente o texto; dez não conhece e usa palavras ou expressões que
estabelecem a coesão: progressão de tempo, marcação do espaço e relações de causalidade;
nove não conhece e usa palavras ou expressões que retomam coesivamente ao que já foi
escrito (pronomes pessoais, sinônimos e equivalentes; e sete não conhece e faz uso das grafias
de palavras com correspondências regulares contextuais entre letras ou grupo de letras e seu
valor sonoro.
CONCLUSÃO
Os resultados obtidos revelaram que muitos dos direitos de aprendizagem proclamados
no ciclo de alfabetização não haviam sido alcançados, como, perceber a finalidade do texto, a
importância das palavras nele empregadas, da estrutura, entre outros aspectos.
A identificação dessas lacunas aponta a necessidade de trabalhar diversos gêneros
textuais tanto literários quanto do cotidiano, vivenciando e explorando as características
linguísticas, textuais e interacionais. Além disso, a leitura deve se realizar tendo em vista as
mais variadas finalidades com que se busca determinado texto, as quais nortearão tanto a
didática quanto o modo com que se lerá o texto, ativando estratégias de leitura específicas,
consoante às motivações. Aliás, as finalidades de leitura devem ultrapassar as de ler para
aprender a ler ou ler para compreender, devendo contemplar os objetivos com que
procuramos um texto no dia a dia, informar-se, entreter-se, refletir... O mesmo vale para o
198
eixo da produção textual, o objetivo não deve ser apenas para aprender a escrever, mas para
interagir através da escrita em diversos contextos sociais. E o eixo da análise linguística deve
ser explorado nessas situações de leitura e produção textual, proporcionando as crianças
refletirem sobre o efeito de determinadas palavras, de sinais de pontuação, da estrutura do
texto no alcance dos objetivos sociais estabelecidos. Em suma, os resultados apontam para
uma abordagem de diversos gêneros de textos e em todos os seus aspectos.
REFERÊNCIAS
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Telma.
Avaliação
diagnóstica.
Disponível
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http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/telma-weisz-avaliacao.shtml. Acesso em
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currículo na alfabetização : concepções e princípios : ano 1 : unidade 1. -- Brasília : MEC,
SEB, 2012.
_______ Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação
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DEMO, Pedro. A educação do futuro e o futuro da educação. Autores Associados: São Paulo,
2005.
SILVA, L. H.; AZEVEDO, C. J. Paixão de aprender 2. Clice Capelossi Haddad. Vozes:
Petrópolis, 1995.
199
CURTINDO A VIDA COM A TERCEIRA IDADE
Adria Jércy Lameira1
Adriano Sousa1
[email protected]
Auristéfane Malta Matos1
[email protected]
Elbe Keila Cunha de Oliveira1
[email protected]
Ekton Lucas de Sena Cardoso1
Fabiana Vasconcelos Silva1
[email protected]
Fernanda Guimarães Araújo1
[email protected]
Rony Rego Martins1
[email protected]
Saturnino Eduardo Peixoto1
[email protected]
Weliton Ferreira de Carvalho1
Loreni Bruch Dutra2
RESUMO: O presente estudo é resultado do Trabalho Interdisciplinar, que tem como tema ―Orgulho de ser
Cidadão brasileiro‖, desenvolvido semestralmente pelo Centro Universitário Luterano de Santarém. O projeto foi
realizado no dia 14 de outubro de 2015, na Unidade de Saúde Nova Republica no município de Santarém-PA.
Tendo como objetivo promover um momento de bem-estar, e interação lúdica aos idosos da Estratégia Saúde da
Família I, propiciando-os compartilhar de seus saberes, e demonstrando-lhes sua importância na sociedade em
que vivem, através de uma manhã alegre constituída de palestra, dinâmicas, café da manhã e muita diversão. A
metodologia consiste em uma pesquisa-ação cuja característica é conhecer a realidade do ambiente pesquisado e
intervir significativamente por meio de ação social. Através do projeto foi possível contribuir com a instituição
em diversos aspectos educativos e sociais, além de extrair dos idosos lições de vida, alegria e muita satisfação.
Conclui-se que através da ação os idosos e a administração da Unidade de Saúde sentiram-se motivados a
programar mais momentos como este, entendendo que a partir do convívio social e da interação é possível
despertar no idoso o amor pela vida que muita vezes se perde nos problemas cotidianos, e precisa ser resgatado a
cada dia.
PALAVRAS-CHAVE: Saúde, Interação, Vida.
INTRODUÇÃO
A vida é constituída de fases, onde a cada etapa novos desafios precisam ser superados. Na
velhice não é diferente, apesar de toda experiência de vida ainda há muito que se aprender nessa fase.
A terceira idade, conhecida como fase das complicações é a mais temida de todas, pois nela a maioria
dos idosos não consegue continuar desempenhando uma vida ativa, mesmo estando com uma saúde
considerada boa. Sendo pouco valorizados pela sociedade, muitas vezes alguns idosos não usufruem
de uma qualidade de vida adequada, o que acarreta sérios problemas em sua saúde, tais como:
Hipertensão, Diabetes, Depressão e entre outros.
Diante disto e com base no tema ―Orgulho de ser Cidadão Brasileiro‖, optou-se por
desenvolver um projeto capaz de demonstrar o quanto essa geração é importante, quantos
conhecimentos podem ser compartilhados através de uma simples conversa ou brincadeira, no intuito
1
2
Acadêmicos do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA.
Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA.
200
de despertar neles o desejo pela vida, e fomentar na futura geração a ideia de que o idoso precisa ser
reconhecido, precisa de atenção, de carinho, de amor e certamente gozará de uma vida mais saudável,
e terá sempre boas histórias para compartilhar com os mais novos.
Neste sentido o projeto aplicou-se como forma de despertar nos idosos a autoestima e o
desejo de obter uma vida saudável mediante a prática de exercícios, boa alimentação associados ao
desejo constante de viver e ser feliz cada dia mais.
O projeto se concretizou no dia 14 de outubro de 2015 na Unidade de Saúde da Nova
República onde foram atendidos 29 integrantes do grupo de HIPERDIA da Estratégia de Saúde I do
bairro, além destes participaram também enfermeiros, e agentes de saúde da Unidade que contribuíram
com seu trabalho e total desempenho na realização do projeto.
MÉTODO
Para execução do projeto desenvolveu-se uma pesquisa, que possibilitou o diagnóstico inicial,
através da coleta de dados, e de observação no local, detectando a necessidade de uma intervenção.
Neste sentido o procedimento metodológico utilizado para a pesquisa do Trabalho Interdisciplinar
realizada durante o semestre 2/2015 foi a pesquisa ação.
Tendo como objetivo promover um momento de bem-estar, e interação lúdica aos idosos da
Estratégia Saúde da Família I, optou-se por uma manhã de atividades atrativas e envolventes no intuito
de cativar o publico, e assim proporcioná-los alegria, sensação de liberdade e bem-estar, ferramentas
primordiais na busca por uma vida saudável. Desta forma o evento iniciou com a acolhida do publico
com a dinâmica ―O garotinho chamado amor‖, como forma demostrar o quanto é importante amar a
vida, o outro e enfim ser feliz. Os idosos foram privilegiados ainda com a ilustre presença da
professora Coordenadora deste projeto Loreni Bruch, que dedicou a eles palavras de carinho e
motivação. Por fim se divertiram com muitas brincadeiras, dinâmicas de grupo e sorteio de brindes.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Projeto ―Curtindo a vida com a terceira idade‖ reside em duas áreas especificas, sendo elas
Educação e Saúde, especificamente saúde do idoso, pois visou estimular o prazer pela vida diante das
dificuldades que se encontram. E neste sentido proporcionou aos Idosos da Estratégia de Saúde da
Família do Bairro Nova Republica um momento de interação entre jovens e idosos, que pode gerar
novos aprendizados.
Branden (2011) afirma que, ―o quanto nos amamos, nos valorizamos, nos aceitamos com
nossas limitações, erros e acertos, qualidades e defeitos...‖ logo entende-se que auto estima é o
sentimento de amor-próprio, de se importar consigo mesmo mais do que com o que os outros
pensam.
201
E esse momento foi realmente vivido pelos idosos, que se alegraram e compartilharam de
algo único e especial feito para eles como reconhecimento as suas ações ao longo de sua vida
incentivando a seguir sempre em frente.
Observa-se que ―o envelhecimento saudável consiste na busca pela qualidade de vida por
meio de uma dieta adequada, pratica de exercícios físicos, e convivência social estimulante.‖
(www.einstein.br; 06 de fevereiro de 2012), sendo a convivência o principal de todos.
Os resultados obtidos demostraram ser satisfatórios uma vez que os integrantes participaram
das dinâmicas de grupo, tendo tocado emocionalmente alguns, a ponto de ser visível a emoção
destes.
Deste modo a pesquisa-ação realizada obteve resultados importantes para a prática
pedagógica dos acadêmicos envolvidos, pois foi uma oportunidade inovadora que resultou em
experiência como a organização de todo o evento, e a forma de atendimento prestado nesse
ambiente, todos esses novos conhecimentos foram enriquecedores e uteis para a formação
acadêmica.
CONCLUSÕES
As conclusões obtidas com a ação demonstram que não importa o ambiente que você esteja,
ou o que você faça, sempre haverá algo em que possa contribuir para que o mundo seja melhor, e para
que todos sejam mais felizes. O Trabalho interdisciplinar é importante projeto, pois permite ao
acadêmico uma intervenção significativa no meio onde vive, ações desse tipo são importantes serem
realizadas, visto que através delas se desenvolve habilidades, conhecimentos e são despertadas novas
culturas.
Conclui-se então que o projeto como um todo foi muito enriquecedor para a formação
acadêmica dos alunos devido à nova experiência vivida e as lições de vida extraídas através da ação,
que também contribuiu de forma significante na vida dos idosos atendidos que tiveram oportunidade
de se conhecer melhor, interagir com o outro, esquecer dos problemas, e ainda compartilhar de um
momento novo, que lhes mostrou o quanto são importantes na construção deste mundo, tendo orgulho
de ser a pessoa que é, tendo orgulho de ser ―Cidadão Brasileiro‖.
REFERÊNCIAS:
BRANDEN, N. Autoestima, como aprender a gostar de si mesmo. 39ed. São Paulo: Saraiva 2001.
LORDA, C.R; SANCHEZ, C.D. Recreação na 3ª idade. 3ed. Rio de janeiro: Sprint, 2001.
Vida saudável na terceira idade e o aumento da expectativa de vida. Disponível em: www.einstein.br,
acesso em 08 de setembro de 2015 às 21h e 32min.
202
EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM
ESCOLAS MUNICIPAIS DE SANTARÉM/PA
Taiana Pereira de Aquino HISTEDBR-UFOPA1
Maria Lilia Imbiriba Sousa Colares HISTEDBR-UFOPA2
[email protected]
[email protected]
RESUMO: A presente pesquisa objetivou identificar como a politica de educação integral esta sendo inserida
por meio das experiências pedagógicas em escolas públicas municipais da cidade de Santarém/PA. A pesquisa se
desenvolveu mediante visitas de campo na Secretaria Municipal de Educação - SEMED e em escolas que
desenvolveram ações voltadas para a implementação de politica de educação de tempo integral. Identificamos no
decorrer do trabalho que a politica de educação integral, na rede municipal de ensino, se deu por meio da
implementação de programas federais como, por exemplo, o Mais Educação com ampliação do tempo escolar.
PALAVRAS-CHAVE: Politicas Educacionais; Educação Integral; Escola de tempo Integral.
INTRODUÇÃO
As origens históricas vinculadas à educação integral no Brasil iniciaram-se por volta do século
XX, o educador Anísio Teixeira foi um dos pioneiros na proposta de educação de tempo integral,
ampliando a ideia e propondo uma articulação da escola com outros setores da sociedade. O projeto de
Anísio Teixeira foi inaugurado em 1950, e ficou conhecido como Escola Parque da Bahia. Nos anos
de 1980 Darcy Ribeiro criou os Centros Integrados de Educação Pública- CIEPS, com o objetivo de
aumentar a jornada escolar e oferecer atividades relacionadas a lazer, a promoção da saúde e da cultura
para toda a comunidade. As ideias de ampliação do tempo escolar eram relacionadas com atividades
educativas diversificadas, a principio a ideia era tirar as crianças e adolescentes em situação de risco
das ruas. (COELHO, 2004).
As ideias de ampliação escolar relacionadas com atividades educativas diversificadas
ganharam força legal em 1990 com a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LEI Nº 9.394/96). O Plano Nacional de Educação (PNE) com vigência de 2014 a 2024
propõe que 50% das instituições públicas de educação Básica ampliem a jornada de tempo integral até
2024. O Fundeb - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação foi criado pela Ementa Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei
nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, que trouxe para os estados e municípios a
obrigatoriedade de implementação da política de tempo integral em suas instituições de ensino.
Nesse sentido, a pesquisa objetivou mapear as experiências pedagógicas voltadas para
implantação da política de educação integral em Santarém/PA.
1
Graduanda do Curso de Pedagogia 2011. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR/UFOPA.
Bolsista do Programa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq.
2
Pós-doutora em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE da Universidade Federal do Oeste do Pará. Líder
adjunta do Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA.
Orientadora da pesquisa.
203
MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa de campo, de cunho qualitativo. As literaturas utilizadas que
subsidiaram a pesquisa foram as consideradas mais representativas sobre a educação integral, e
permitiram fazer análise concernente as experiências pedagógicas desenvolvidas nas escolas, como
Anísio Teixeira (1928; 1958); Lígia Martha Coelho (2009); Jaqueline Moll (2002); Ana Maria Villela
Cavaliere (2002); Darcy Ribeiro (1995); Paro (1988) e as legislações vigentes referentes ao tema.
O trabalho foi desenvolvido com visitas a SEMED para fazer o mapeamento das escolas que
desenvolveram ações voltadas para a área da política de educação integral em Santarém, pesquisas
realizadas in loco em escolas que realizaram ações voltadas para o desenvolvimento da política de
educação em tempo integral na rede municipal, são 214 escolas atendidas pelo PME/Programa Mais
Educação, no entanto 4 foram eleitas por se destacarem e terem seu foco na perspectiva de proteção
ambiental, consistiu no levantamento, seleção e digitalização de informações que permitiram
reconstituir o histórico da política de educação integral, quanto a essa etapa buscamos fazer esse
registro por meio do Projeto Politico Pedagógico das escolas contempladas pelo PME- que dá suporte
a implementação da politica indutora da educação em tempo integral. E, por último a análise das
informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração do relatório.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Por meio dos dados analisados identificamos que não há um único conceito que defina a
educação integral, no entanto podemos pensar na perspectiva de uma educação que protege e educa
como compromisso de todos, no entanto somente será exercida na sua completude em conjunto com a
sociedade.
Os mecanismos legais para implementação da Educação Integral começaram a ter
uniformidade mediante os dispositivos que deram suporte a educação brasileira, apartir da LDB, nº
9.394/96, art.34, determina que seja progressivamente ampliado o período de permanência da criança
na escola.
Em Santarém a experiência de educação Integral está sendo fortalecida por meio do Programa
Mais /PME, instituído pela portaria interministerial nº 17/2007 e pelo Decreto nº 7.083, de 27 de
Janeiro de 2010, integra as ações de Plano de desenvolvimento da Educação (PDE). O objetivo do
PME tem sido promover a formação integral de crianças e adolescentes com atividades voltadas para a
aquisição de valores éticos, morais e sociais, proporcionando o exercício pleno da cidadania por meio
das oficinas ofertadas. Suas propostas de atividades ofertadas pelo PME no Município de Santarém
são: Cultura e artes, Campo do conhecimento e orientação de estudos, educomunicação, inclusão
digital, historias das comunidades tradicionais, direitos humanos e cidadania, agroecologia, esporte e
lazer. (SANTARÉM, 2014).
204
Na área Urbana o número de escolas atendidas pelo PME corresponde a 58, na Região de Rios
esse número equivale a 111 escolas e na Região de Planalto temos 45 escolas sendo atendidas
totalizando 214 escolas, 731 turmas e 19.596 alunos. Sendo que as atividades á serem aplicadas são
escolhidas em conjunto com a equipe gestora, conselho escolar e representantes da comunidade.
As escolas da área urbana podem optar dos sete macrocampos, três e entre estes optar por
quatro ou cinco atividades sendo a quinta de Esporte na Escola. As escolas do Campo (Rios e
Planalto)1 podem escolher quatro macrocampos e quatro atividades, no entanto o macrocampo
―Acompanhamento Pedagógico‖ é obrigatório para todas as escolas devendo haver ao menos uma
atividade deste macrocampo (Orientação de estudos/ Campos do conhecimento). (SANTARÉM,
2014).
As experiências pedagógicas mais requisitadas pela comunidade escolar para serem aplicadas
pelo programa são: teatro, xadrez, ciclismo, canto coral, arte circense, jornal escolar, Karatê, capoeira,
Banda Fanfarra, percussão, dança arte corporal e som, brinquedoteca, recreação e jogos, horta escolar
canteiro sustentável, música instrumento e corda flauta doce, orientação de estudos e campo do
conhecimento. (SANTARÉM, 2014).
Em 2009 foram 18 escolas atendidas, possibilitando aprendizado a 2.412 alunos da rede
pública municipal. Em 2010/2011 mais 17 escolas foram contempladas com o programa mais
educação, totalizando 35 escolas, atendendo a 5.760 alunos. Em 2012 foram implantado mais 09
escolas na cidade, iniciando as atividades no mesmo ano. Ainda em 2012, o PME foi implantado em
120 escolas do Campo (Região de Rios e Planalto), porém as atividades foram iniciadas em algumas
escolas no mês de março, em outras no mês de agosto de 2013, devido a questões relacionadas ao
calendário escolar especifico de cada região e outras em novembro devido à liberação dos recursos.
Totalizando um número de 164 escolas contempladas pelo programa, atendendo 16.783 alunos. As
distribuições das escolas no Município de Santarém ficaram da seguinte forma na Região de Rios 78
escolas, sendo 24 do Lago Grande, 17 do Arapiuns, 14 do Tapajós, 18 da Várzea e 05 do Arapixuna.
Na Região de Planalto 42, sendo 26 de Santarém e 16 de Mojuí dos Campos, que ainda está sob a
coordenação do Município de Santarém. Em setembro de 2013 mais 50 Escolas foram contempladas,
com o programa sendo: 04 escolas da cidade, 28 de Rios, 19 do Planalto, aumentando o total para 215
escolas. Por esta razão passamos a ter 48 escolas na área urbana, 106 na região de Rios, 41 na região
de Planalto e 20 em Mojuí dos campos, desmembradas da coordenação do município de Santarém,
ficando na responsabilidade da equipe do referido Município, recebendo o apoio da coordenação de
Santarém. (SANTARÉM, 2014).
1 A secretaria municipal de educação-Semed instituiu um organograma divididos em departamentos e assessórias divididos por regionais. Assim para prestar, assistência
administrativa e pedagógica dos espaços escolares de sua rede a secretária possui a assessoria de Rios, que realiza o atendimento das unidades escolares localizadas nas
comunidades ribeirinhas; a Assessoria de Planalto responsável, responsável por administrar as unidades escolares das comunidades de terra firme, e Divisão de Ensino que
atende as escolas localizadas na área urbana (VIDAL; COLARES 2014).
205
Em 2014 também foram implantadas no município mais 23 escolas, assim distribuídas, 10 na
área urbana, 05 na região de rios, e 08 na região de planalto, porém, se fez necessário que fosse
realizado o diagnostico de cada escola no PDDE INTERATIVO para posteriormente ser feita a adesão
do PME pela gestão da Escola em consonância com o Conselho Escolar e Comunidade. Desta forma,
em 2015, a SEMED conta com o total de 58 escolas na cidade e 156 no campo, fazendo um total de
214 escolas, 731 turmas, atendendo 19.596 alunos. (SANTARÉM, 2014)
CONCLUSÃO
Diante do estudo realizado referente às experiências pedagógicas identificamos que 214
escolas foram contempladas pelas iniciativas da implementação da educação em tempo integral na
rede municipal de Santarém. A LDB, Nº 9394/96 deu ênfase para o aumento progressivo da jornada
escolar nas escolas municipais dando legalidade a educação integral. O PME foi uma das iniciativas
para se programar ações de Educação Integral, desenvolvidas pelo Governo Federal junto SEMED. No
entanto, não podemos associar a implementação do PME com a melhoria no ensino e educação escolar
das escolas participantes do programa, pois entendemos que fazer com que o turno integral seja de fato
integrado as disciplinas de currículo formal não é tarefa fácil, no entanto podemos ressaltar que a
contribuição que a educação integral pode trazer para o processo de ensino aprendizagem é de extrema
importância levando em consideração os arranjos educativos de cada localidade ou região de maneira
que o processo de ensino aprendizagem se torne pleno.
REFERÊNCIAS
ARROYO, M. O direito a tempos-espaços de um justo e digno viver. In.: MOLL, Jackeline (org.).
Caminhos da educação integral no Brasil: direito a outros tempos e espaços educativos. Porto
Alegre: Penso, 2012. p. 33-45. Disponível em: <http://books.google.com. Acesso em: 23 out. 2014.
__________. O direito ao tempo de escola. Cadernos de Pesquisa, s.l., n. 65, p. 3-10, 1988.
AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública. Campinas, SP: Autores
Associados, 1997.
BLASIS; et all. Tendências para a educação integral. FUNDAÇÃO ITAÚ – CENPEC. São Paulo:
2011. Disponível em http://ww2.itau.com.br/itausocial2/pdf/ed_integral.pdf. Acessado em 06 mai.
2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Educação: gestão Intersetorial no território –
Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
2009.
________. Ministério da Educação. Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acesso em 09/03/2014.
CAVALIERE, Ana Maria. Anísio Teixeira e a educação integral. Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Vol. 20, No. 46, 249-259. Rio de Janeiro-RJ, Brasil 2010. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/paideia/v20n46/11.pdf>. Acessado em: 12 fev. 2015.
206
COELHO, Lígia Martha Coimbra da Costa. História(s) da educação integral. In: Em Aberto,
Brasília, v. 22, n. 80, p. 83-96, abr. 2009. Disponível em: <http://emaberto.inep.
gov.br/index.php/emaberto/ article/view/1472/1221>. Acessado em: 03 mai. 2014.
TEIXEIRA, Anísio. Centro Educacional Carneiro Ribeiro. Revista Brasileira de Estudos
Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 31, n. 73, p. 78-84, jan./mar. 1959. Disponível em:
<http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/artigos/cecr.htm>. Acessado em: 22 fev. 2015.
VIDAL, Ferreira Gerusa; COLARES, Maria Lília Imbiriba Sousa. Políticas de Formação de
Professor no Âmbito da Educação em Tempo Integral em Santarém. Buenos Aires, Argentina p.
3-10, 1988.
DOCUMENTOS
SANTARÉM. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação.
___________. Censo escolar 2013. Santarém, Pará, 2015.
___________. Relatório Consolidado 2005-2012. Santarém, Pará, 2012a.
___________. Relatório Consolidado 2013. Santarém, Pará, 2014a.
___________. Relatório Consolidado 2014. Santarém, Pará, 2014b.
___________. Programa Mais Educação. Santarém, 2009.
207
EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COMO POLITICA INDUTORA DA
EDUCAÇÃO INTEGRAL EM ESCOLAS ESTADUAIS DA CIDADE DE
SANTARÉM/PA
Heloíza Mônica de Almeida Pimentel1
Anselmo Alencar Colares2
[email protected]
[email protected]
RESUMO: A pesquisa teve como objetivo verificar as experiências pedagógicas de educação integral nas
escolas da rede estadual de Santarém/PA. O aporte teórico foi embasado em: Saviani (1998; 2000); Arroyo
(1988); Paro; Ferretti; Vianna; Souza (1998); Coelho (2004; 2009; 2014) e as legislações vigentes sobre o tema.
Estudo de abordagem qualitativa. Os resultados demonstram que a educação integral reconhece oportunidades
educativas que perpassam conteúdo do currículo tradicional. Compreendemos que é necessário formar um
cidadão completo, não sendo de forma fragmentada. Detectamos ainda que na rede estadual de Santarém, as
políticas de educação integral estão sendo implementadas por meio dos programas Mais Educação e ProEMI,
contudo, são muitos os desafios a serem vencidos.
PALAVRAS-CHAVE: educação integral; experiências pedagógicas, ensino.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho aborda resultados do trabalho de pesquisa intitulado ―Experiências
pedagógicas como política indutora da Educação Integral em escolas estaduais da cidade de
Santarém/PA‖. Este estudo está em sintonia ao projeto maior intitulado ―Políticas de
Educação Integral nos municípios de Santarém e Belterra/PA‖. Desenvolvido no âmbito do
Programa de Educação. PIBIC/CNP na Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA.
A pesquisa possui como campo de investigação as escolas da rede pública estadual da
cidade de Santarém, estado do Pará, com o objetivo de registrar e analisar como a política
nacional de educação integral vem sendo implementada na referida cidade no sentido de
verificar as experiências pedagógicas de educação integral em escolas públicas estaduais.
Adotamos a pesquisa de campo de caráter qualitativo.
Na primeira metade do século vinte (1920) iniciaram as tentativas de implantação da
educação integral no Brasil. Em 1950 Anísio Teixeira inaugura em Salvador na Bahia o
Centro Educacional Carneiro Ribeiro e, trinta anos depois (1980 e 1990), Darcy Ribeiro, no
Rio de Janeiro, cria os Centros Integrados de Educação Popular/Cieps. (COELHO, 2004).
Contudo, apenas recentemente as políticas públicas para educação integral começam ter
consistência, estando previstas nos dispositivos legais que regem a educação Brasileira, como
a partir de 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no art. 34, a qual se determina
1
Graduanda em Licenciatura Plena em letras pela Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Membro do
Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR. Bolsista do Programa
Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-PIBIC. Projeto de origem: Experiências pedagógicas como
politica indutora da Educação integral nos municípios de Santarém e Belterra. Financiamento: CNPq.
2
Pós Doutor em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice Reitor da UFOPA. Líder do
Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR/UFOPA. Orientador da
pesquisa.
208
que seja "progressivamente ampliado o período de permanência na escola". (BRASIL, 1996).
Desta forma, sendo corroborada com metas de ampliação progressiva do tempo escolar no
Plano Nacional de Educação, lei nº 13.005/14, Plano aprovado em 25 de junho de 2014
propõe que 50% das instituições públicas de Educação Básica ampliem sua jornada até 2024.
Essas iniciativas de ampliação da jornada escolar dos governos federais surgem como
possibilidade ampliação das possibilidades de aprendizado, mas, também de proteção social
de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidades sociais, garantindo a assistência e
o desenvolvimento intelectual e físico desse público (COELHO, 2004).
Neste sentido, o desafio da educação integral exige compromissos, como formulação de
projetos pedagógicos, capacitação de seus agentes, participação da comunidade que,
contribuem para uma perspectiva de ampliação de processos de permanência e aprendizagem
de crianças, adolescentes e jovens no âmbito da educação pública.
METÓDO
A pesquisa de campo teve como locus as escolas estaduais do município de Santarém.
Foi dividida nas seguintes etapas: Visitas a 5ª Unidade Regional de Ensino (U.R.E.) da
Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) para fazer o mapeamento das escolas que
desenvolvem ações voltadas para da política de educação integral em Santarém; Visitas às
escolas que realizaram e/ou realizam ações voltadas para o desenvolvimento da política de
educação integral em Santarém; Levantamento, seleção e digitalização de informações (fonte
documentais e outras) que permitam reconstitui o histórico da política de educação integral ao
longo do período delimitado para estudo; Análise das informações obtidas, produção de banco
de dados e elaboração do relatório. Para que entendêssemos o termo educação integral e sua
trajetória histórica foi necessário um aprofundamento teórico, desta forma utilizou-se como
referencial os autores Paro (1988a; 1988b; 1988c), Coelho (2009), Saviani (1998; 2000)
dentre outros, que descrevem em suas obras as concepções de educação integral no contexto
brasileiro bem como o desafio que é essa concepção e prática de educação.
RESULTADO E DISCUSSÃO
O município de Santarém encontra-se na mesorregião do Baixo Amazonas-Pará. A
administração da educação pública estadual, de responsabilidade da 5ª Unidade Regional da
Secretaria Estadual de Educação –SEDUC, atende 28.345 alunos em seus diferentes níveis e
modalidades, distribuídos em 35 unidades escolares, das quais 26 aderiram ao Programa Mais
Educação do Governo Federal, (SEDUC/PA; 2013).
209
Foram matriculados no ano de 2014 na rede estadual de ensino 636 estudantes nos anos
iniciais, e 6.959 no anos finais, 17.967 estudantes matriculados no ensino médio no total de
33 escolas com Ideb de 4,9.
A partir da pesquisa de campo, iniciada com visitas à 5ª URE, no período de agosto de
2014 à julho de 2015 buscou-se identificar as experiências pedagógicas como politica
indutora de educação integral, e foi possível o levantamento de dados de fontes documentais
sobre ações desenvolvidas pelas escolas estaduais do Município de Santarém, como o
Programa Mais Educação (PME) e o Programa Ensino Médio Inovador (ProEmi).
-Programa Mais Educação
Do número total de escolas da rede estadual de ensino, 26 aderiram ao Programa Mais
Educação do Governo Federal (SEDUC/PA, 2013). Esses números mostram que 74% das
escolas estaduais aderiram ao programa federal de ampliação da jornada escolar. Adesões
significativas que podem indicar um interesse pelo programa, por parte do poder público e das
próprias unidades escolar. Adesões significativas que podem indicar um interesse pelo
programa, por parte do poder público e das próprias unidades escolar.
Os resultados mostram a ampliação do tempo escolar com a implantação de Programas
Federais, como por exemplo, o Programa Mais Educação, que tem como função impulsionar a
educação integral partindo de atividades socioeducativas no período oposto ao turno escolar
do aluno. Desde sua implantação este programa vem se expandindo em Santarém.
Observamos que 26 escolas participantes do PME, 07 escolas atendem somente o ensino
fundamental, as demais (19) atendem o ensino médio e fundamental.
De acordo com o Relatório (2014-2015), identificou-se que no ano de 2014 foi
desativada uma Escola Estadual por ter uma estrutura precária, o prédio não apresentava
segurança em sua estrutura, e por conta disso, boa parte dos alunos tiveram de procurar outra
escola, o que resultou no fechamento da escola por falta de alunos.
Deste modo, as ações do PME no ano de 2014 foram desenvolvidas em 25 escolas com
oficinas que englobam os macrocampos do PME, assim denominados e organizados pelo
Ministério da Educação (MEC).
A grande maioria das escolas encara o programa Mais Educação de forma positiva. De acordo
com as respostas dos questionários, o principal entrave do desenvolvimento das atividades nas
escolas é a falta de espaço e estrutura o que gera desconforto para os alunos, pois é inviável
continuar no período oposto se não há refeitório, banheiros. As atividades do PME trouxeram
bons frutos para a educação, pois, despertaram nos alunos mais interesses pelas matérias o
que refletiu em um melhor desempenho.
210
-Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI)
Outro dado observado, durante a pesquisa realizada na 5ª URE, foi à participação das
escolas no Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI). O Programa Ensino Médio
Inovador (PROEMI) foi instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, integra as
ações do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, como estratégia do Governo Federal
para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. No Estado do Pará, a SEDUC,
em parceira com o Ministério da Educação e Instituto Unibanco, implementou a partir de
2011, com ações integradas com o Jovem de Futuro (ProEMI-JF).
Destaca-se que a participação do Estado do Pará, dentre os outros Estados, tem como
público-alvo todas as escolas da rede pública. Tem como meta para elevação da educação do
Pará em 30% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
No ano de 2014, a rede pública estadual do Município de Santarém teve matrícula de
18.196 alunos de ensino médio (INEP, 2014). A 5ª Unidade Regional de Ensino dispõe de
equipe técnica para o acompanhamento das atividade do ProEMI, junto à rede de ensino
estadual. No caso do município de Santarém, todas as escolas estaduais que atendem ao
ensino médio são participantes, e para fins de pesquisa foram investigadas 30%, destas.
CONCLUSÃO
Na cidade de Santarém as políticas de educação integral estão sendo implementados
através dos programas Mais Educação e proEMI. Contudo, são muitos os desafios a serem
vencidos. Os entraves dos programas que tem como objetivo induzir à políticas de educação
integral nas escolas do munícipio de Santarém encontram-se em vários motivos. Observamos,
no decorrer da pesquisa, que a falta de espaço nas escolas causa grande desconforto para os
alunos que participam das atividades dos programas, pois é difícil continuar no contra turno
sem se alimentar. A maioria das escolas não tem o espaço do refeitório. As escolas
pesquisadas não possuem banheiros adequados para que o aluno tome banho para continuar
nas atividades do contra turno. Tais problemas levam a não participação do aluno, pois o
mesmo, na maioria das vezes, não tem condições financeiras para voltar para a escola no
horário que são realizadas as atividades.
No ano de 2015 nenhuma escola realizou as atividades dos programas pois não houve o
repasse de verbas para a realização das atividades. A greve que ocorreu na rede estadual
também foi um dos motivos para a paralisação das atividades. Observou-se que é necessário
que a implantação dos programas seja estudada de forma minuciosa para que atenda as
necessidade e realidade das escolas.
211
REFERÊNCIAS:
BRASIL.MEC. Programa Mais Educação: gestão intersetorial no território – Brasília:
Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
2009.
BRASIL,MEC. Disponivel em: http://portal.mec.gov.br/index.php?catid=195:seb-educacaobasica&id=13439:ensino-medio-inovador&option=com_content&view=article Acessado em
03/08/2015
COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. 27ª. Reunião Anual da ANPEd
(Caxambu, Minas Gerais, 2004). Disponível em:< http://emaberto. Inep. gov.br/index.
php/emaberto/article/view/1472/1221.> Acessado em 03/05/2014.
IBGE. Instituto de Geografia e Estatística. Censo Populacional 2012. Disponível em:<
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/população.>. Acesso em: 11/09/2014
IBGE. Instituto de Geografia e Estatísticas.
http://cod.ibge.gov.br/BIF.>Acesso em 11/09/2014.
Cidades.
Disponível
em:
<
PARÁ, SEDUC. Relatório de Matrícula. Disponível em http://www.seduc.pa.gov.br/portal/
escola/onsulta_matricula/RelatorioMatriculas.php?codigo_ure=5&codigo_municipio=44997.
Acessado em 22/09/2014.
PARO, V. Escola de tempo integral: desafio para o ensino público. São
Paulo:1988,Cortez.
QEDU. Disponível em http://www.qedu.org.br/cidade/3406-santarem/ideb acessado em
14/08/2015.
212
FORMAÇÃO CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAGÓGICOS:
ESTUDO COM EGRESSOS DA UFOPA
Anniê da Silva Farias 1
Maria Lília Imbiriba Sousa Colares2
[email protected]
[email protected]
RESUMO: O texto aborda o curso de especialização em coordenação pedagógica/UFOPA, como política
pública de formação continuada. Objetivamos: Identificar os propósitos do curso; Realizar um perfil dos
cursistas; Conhecer as concepções de coordenação pedagógica dos egressos. A pesquisa se desenvolveu com
coordenadores egressos da turma 2012, utilizando os seguintes instrumentos: pesquisa bibliográfica, análise
documental e entrevistas. O curso ocorreu de abril de 2012 a abril de 2013 com carga horária de 405h na
modalidade EAD. Identificamos que 93% dos coordenadores egressos possuem graduação em Pedagogia; 92%
vinculam-se a rede municipal de ensino; 82% são do sexo feminino; 47% estão na faixa etária de 31 e 40 anos.
Constatou-se na pesquisa que o egresso tem uma concepção formada acerca do seu trabalho. Considerando-se
um articulador, um mediador entre todos os atores da comunidade escolar. Para tanto, se identificou que a ideia
de coordenação pedagógica assimilada pelos egressos é uma gestão participativa, na qual o coordenador
pedagógico deve ser o fio condutor dos processos didáticos-pedagógicos na comunidade escolar.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão escolar. Formação continuada. Coordenação pedagógica.
INTRODUÇÃO
A coordenação pedagógica é parte integrante da escola e deve atuar em conjunto com a
direção e demais integrantes a fim de promover uma educação com qualidade. O diretor
escolar não tem como gerir todo o processo ensino-aprendizagem sozinho, portanto, o
coordenador pedagógico vem com a perspectiva de organizar o trabalho pedagógico da escola
(SOARES, 2012, p. 57). Assim, a direção escolar e a coordenação pedagógica devem atuar
em conjunto para o bom andamento do processo educativo. Atualmente, o perfil do
coordenador para atuar nas instituições escolares tem sido cada vez mais exigente, tendo em
vista as cobranças que se têm recebido da sociedade globalizada. A gestão é tida como um dos
mecanismos de alcance da aprendizagem e deve estar ―atenta aos processos educacionais de
maneira a oferecer meios que viabilizem a concretização das expectativas da sociedade e,
particularmente dos sujeitos envolvidos no ato de ensinar e aprender‖ (COLARES, 2012.
p.53).
Perante esta realidade são implantadas medidas que visam qualificar os profissionais
que compõe a gestão das escolas. Exemplo disso é o Programa Nacional Escola de Gestores
da Educação Básica Pública, vinculado à Secretaria de Educação Básica, do Ministério da
Educação (SEB/MEC) e teve seu marco inicial no Brasil em 2005. Por meio do Curso de Pósgraduação Lato Sensu em Coordenação Pedagógica, objetiva promover a formação
continuada de profissionais que atuam em equipes de gestão pedagógica em escolas públicas
1
2
Acadêmica do curso de Licenciatura em Pedagogia, Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA.
Professora Doutora do PPGE, Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA.
213
de educação básica. Essa formação acontece por meio de parcerias com instituições de ensino
superior e do ensino a distância. (BRASIL, 2007).
Conhecer as concepções e práticas dos que atuam na gestão das escolas é relevante para
se compreender como essa relação se efetiva na realidade escolar, quais são as contradições e
semelhanças e como isso se materializa no cotidiano da escola. Por isso, esta pesquisa teve
como objetivo conhecer as concepções de coordenação pedagógica dos coordenadores
pedagógicos; traçar o perfil dos cursistas; e como o curso se efetivou.
MÉTODO
Para a coleta de dados, utilizamos a análise documental e o grupo focal, tendo como
sujeitos os coordenadores pedagógicos egressos do Curso de Especialização em Coordenação
Pedagógica, oferecido no período de 2012 a 2013 pela Universidade Federal do Oeste do
Pará– UFOPA.
A pesquisa desenvolveu-se de acordo com as seguintes fases: Estudo teórico a respeito
da temática a ser investigada; Elaboração do banco de informações onde analisamos 468
formulários de matrículas; Análise documental (Projeto Pedagógico e o Relatório Final do
curso). Grupo focal, na qual selecionamos a turma polo Santarém. Tivemos como critério para
o grupo focal os egressos que atuavam na coordenação pedagógica, dentre estes 10 estavam
atuando como coordenadores na rede pública municipal de Santarém. A entrevista foi
realizada com quatro egressos na qual nomeamos como E1, E2, E3 e E4, para manter sigilo da
identidade dos mesmos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Curso de Especialização Lato Sensu Coordenação pedagógica
1. Caracterização do curso:
A realização do curso ocorreu de abril de 2012 a abril de 2013 com uma carga horária
de 405h. Foram ofertadas dez turmas distribuídas em 10 polos, na qual integraram os
seguintes municípios: Santarém, com duas turmas e, Belterra, Óbidos, Alenquer, Juruti,
Oriximiná, Rurópolis, Novo Progresso e Itaituba, com uma turma cada. O curso foi
desenvolvido na modalidade EAD, com encontros presenciais. Teve como clientela os
coordenadores pedagógicos (supervisores e orientadores) que integram a equipe gestora da
escola da Educação Básica do Oeste do Pará. O projeto foi vinculado ao grupo de Estudos e
214
Pesquisas História Sociedade e Educação no Brasil-HISTEDBR/UFOPA e Instituto de
Ciências de educação/ICED UFOPA.
2. Objetivos do Curso
Formar, em nível de pós-graduação lato sensu, coordenadores pedagógicos que atuam
em instituições públicas de educação básica, visando à ampliação de suas capacidades de
analises e resolução de problemas, elaboração e desenvolvimento de projetos e atividades no
âmbito da organização do trabalho pedagógico no processo de ensino-aprendizagem.
3. Estrutura e funcionamento do curso
Para o processo seletivo, foi requerido ficha de inscrição, cópia do diploma de
graduação, comprovante que atua como coordenador pedagógico em efetivo exercício de
escola pública municipal ou estadual e currículo documentado. A seleção se deu através da
análise do currículo.
Perfil dos cursistas
Dos participantes do curso de especialização em coordenação pedagógica, 82% são do
sexo feminino e 8% do sexo masculino. Quanto a idade, foi identificado que 47% estão na
faixa etária de 31 e 40 anos, 31% na faixa de 41 a 50 anos, 8% de 20 a 30 anos, 6% de 51 a 60
anos, 1% acima de anos e ainda 7% não forneceram a informação.
Referente a formação dos coordenadores cursistas, foi verificado no Relatório Final do
Curso, que 93% possuem Licenciatura em Pedagogia e que há a presença de cursistas com
formação em outras licenciaturas como Letras, Matemática, História, Geografia, Ciências,
Ciências Biológicas, Filosofia, Educação Física e o Curso Normal Superior, todos esses com
percentuais iguais ou menores que 1% do universo. Quanto a rede de ensino a qual participam
os coordenadores pedagógicos, foi visto que 92% estão vinculados a rede municipal de ensino
e apenas 8% a rede estadual. Este dado aparece por termos apenas uma Unidade Regional de
Educação em Santarém.
A taxa de conclusão/aprovação do curso foi 70%. Problemas de acesso a plataforma
do curso devido à baixa qualidade da rede internet ofertada na região foi apontada como um
forte fator que prejudicou o desempenho dos alunos, dificultando a interação necessária com a
plataforma virtual na qual eram depositados todos os trabalhos.
Concepções de coordenação pedagógica
Para Libâneo (2004), as atribuições do coordenador pedagógico são de: responder por
todas as atividades pedagógico-didáticas e curriculares da escola; pôr em discussão aos
docentes, técnicos e comunidade o projeto pedagógico; coordenar reuniões; elaborar e gerir de
diagnósticos; acompanhar processo de avaliação da aprendizagem e mais uma série de
215
atividades voltadas para o processo pedagógico que envolve o ambiente escolar. Esse papel
do coordenador pedagógico como o articulador, facilitador, integrador do processo educativo
é visto nas falas da E2 e E3:
(...) bem lá nos primórdios o pedagogo em si ele tinha, ainda tem mas assim é com
menas evidencia, ele era visto como o fiscal, dedo duro, a gente não era quisto. Mas hoje
essa função ta realmente ali parceiro, de fazer a evolução gradativamente aonde eu tenho
amor pelo meu ofício, aonde eu possa contribuir, somar, né (...) (E2)
Eu lembro as antigas supervisoras, ainda tem gente que confunde, né, eu acho que,
bom pelo menos a gente procura trabalhar muito nessa questão da evolução do processo
ensino-aprendizagem (E3)
A identidade assumida pela E2 e E3 como coordenador(a) pedagógico(a) é a de
mediador, integrador do processo ensino-aprendizagem. É a de realizar o trabalho em
conjunto com o professor na sala de aula para que o processo educativo se torne dinâmico e
significativo tanto para o professor quanto para o aluno. Assim,
O coordenador pode ser um dos agentes de mudança das práticas dos professores
mediante as articulações que realiza entre estes, num movimento de interações
permeadas por valores, convicções, atitudes; e por meio de suas articulações. O
coordenador pedagógico e sua identidade profissional internas, que sua ação
desencadeia nos professores, ao mobilizar suas dimensões políticas, humano interacionais e técnicas, reveladas em sua prática. (ORSOLON, 2006, p. 20).
Mesmo compreendendo seu papel, como integrante da equipe gestora e também um
articulador nas questões pedagógicas da escola, cotidianamente esse profissional encontra
uma gama de dificuldades em sua função, como identificamos nas falas de E4:
As vezes a gente é muito atarefado, [...] os alunos, os pais pensam que a gente é a diretora
[..], porque a gente tem muita coisa pra resolver, as vezes deixa porque é o psicólogo, é a
polícia, é mediadeiro de confusões, é aquele que vai ouvir os pais, os alunos, a gente acaba
[com] [...] a parte pedagógica [prejudicada], a gente fica muito axecerbado com as funções
(E4)
A tarefa de mediar relações, pelo que entendemos nas falas de E4, é a que mais requer
esforço por parte desse profissional. Convencer os pais de que eles têm um papel fundamental
no processo educacional dos filhos também implica na ação de coordenador pedagógico. As
questões burocráticas da gestão também são pontos elencados, como diz a E1:
As vezes, por exemplo, ‘ah, a servente falou tal coisa, [ ]’ e a diretora ‘Odília, vamo lá que a
servente tá reclamando disso [ ], falaram isso [ ], vamo lá’. Aí eu comecei a dizer ‘mas isso
não é pedagógico, isso é administrativo’ (E1)
216
Questões como estas relatadas pela E1 são situações que acabam desvirtuando o
coordenador da sua real função deixando, muitas vezes, de realizar atividades fundamentais
que são suas atribuições.
CONCLUSÃO
O objetivo principal proposto foi conhecer as concepções de coordenação pedagógica
dos egressos do curso de especialização. Sabemos que o termo concepção também pode ser
entendido como ideia, noção, compreensão de algo. Constatou-se na pesquisa que o público
entrevistado tem uma concepção formada acerca do seu trabalho. Considerando-se um
articulador, um mediador entre todos os atores da comunidade escolar e um parceiro do
trabalho do professor.
Para tanto, se identificou que a ideia de coordenação pedagógica assimilada pelos
egressos é a concepção que Saviani (2005), Libâneo (2001), Pinto (2011), dentre outros
defendem, uma gestão participativa, ativa e acessível, na qual o coordenador pedagógico,
antes de tudo, deve ser o fio condutor dos processos pedagógicos e didáticos na comunidade
escolar.
REFERÊNCIAS
COLARES, Anselmo Alencar. Educação na Amazônia: o papel do gestor na melhoria dos
processos educacionais. In: SOUSA COLARES, Maria Lília Imbiriba; XIMENES-ROCHA,
Solange Helena, COLARES, Anselmo Alencar (Orgs). Gestão democrática: A escola pública
e a formação continuada como objeto de análise. Belém: GTR, 2012.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. Ed Goiânia:
Alternativa, 2004.
LIBANEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, Para Quê? 4. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
ORSOLON, Luzia A. M. O coordenador/ formador como um dos agentes de transformação
da/na escola. In: ALMEIDA, Laurinda Ramalho de; PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza
(Org.). O Coordenador Pedagógico e o espaço de mudança. 5. ed. São Paulo: Loyola,
2006.
PINTO, Umberto de Andrade. Pedagogia escolar: coordenação pedagógica e gestão
educacional. São Paulo: Cortez, 2011.
Resolução CES/CNE n.º 1, de 8 de junho de 2007, estabelece normas para o funcionamento
de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização.
SAVIANI, Dermeval, Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações, 9ª ed. revista e
ampliada. Campinas, Autores Associados, 2005.
SOARES, Andrey Felipe Cé Soares. Coordenação Pedagógica: Ações, Legislação, gestão e
a necessidade de uma educação estética. Curitiba: CRV, 2012.
217
FORMAÇÃO CONTINUADA DE GESTORES ESCOLARES
Diana Albuquerque dos Santos1
[email protected]
Maria Lília Imbiriba Sousa Colares2
[email protected]
RESUMO: A presente pesquisa aborda a política pública de formação continuada tendo como recorte o curso de
especialização em gestão escolar da Universidade Federal do Oeste do Pará, tendo como objetivos: verificar o
perfil dos egressos; identificar os propósitos do curso e como efetivou-se; e conhecer as concepções dos gestores.
Com uma abordagem qualitativa, a pesquisa desenvolveu-se com os egressos da turma do ano de 2013. Os
instrumentos utilizados para a obtenção de resultados foram: pesquisa bibliográfica, análise documental e
aplicação de questionário. De acordo com os dados obtidos, verificou-se que 62,3% dos cursistas graduaram-se
em Pedagogia, 78% eram vinculados a rede municipal, 60% estavam na faixa etária no intervalo de 20 a 40 anos
e 74% do sexo feminino. Depreende-se por meio dos dados analisados que os sujeitos da pesquisa compreendem
a importância do curso de formação continuada para o desenvolvimento do seu trabalho na perspectiva da gestão
democrática, uma vez que, constataram que os conhecimentos que foram adquiridos no curso proporcionaram
melhorias em seu trabalho escolar. Destacando a importância da participação da comunidade no âmbito escolar
para que a gestão democrática aconteça.
PALAVRAS-CHAVE: gestão escolar. concepções. formação continuada.
INTRODUÇÃO
Com o advento da globalização a qualificação em vários setores, sobretudo na área da
educação, tem sido cada vez mais exigida, em especial para aqueles que exercem a atividade
administrativa. Pois, de acordo com Paro (2012, p. 25) ―[...] A atividade administrativa é,
então, não apenas exclusiva, mas também necessária à vida do homem [...]‖.
Perante esta realidade são implantadas medidas que visam qualificar os profissionais
que estão: à frente da gestão da escola. Tem-se como exemplo o Programa Nacional Escola de
Gestores da Educação Básica Pública, vinculado à Secretaria de Educação Básica, do
Ministério da Educação (SEB/MEC). O programa por meio do curso de Pós-Graduação Lato
Sensu em Gestão Escolar forma em nível de especialização gestores das escolas públicas da
Educação básica.
Sabe-se que a formação continuada é um dos princípios da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, Lei Nº 9.394/1996, segundo seu artigo 80 o ―poder público incentivará
o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e
modalidades de ensino [...]‖. Tal prerrogativa mostra como a formação continuada é, também,
discutida na LBD, tornando-se base fundamental para as reformas políticas do país desde a
década de 1980.
1
Estudante de graduação da Universidade Federal do Oeste do Pará. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas
História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA. Bolsista PIBIC/CNPq.
2
Pós-doutora em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE da Universidade Federal do Oeste do Pará. Líder
adjunta do Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA.
Orientadora da pesquisa.
218
Esta pesquisa teve como objetivo conhecer as concepções de gestão dos egressos,
identificar o perfil dos cursistas e como efetivou-se o curso de especialização turma de 2013,
pois, entendemos que conhecer as concepções e práticas dos que atuam na gestão das escolas
é relevante para se compreender as relações que se efetivam na realidade escolar, e quais suas
contradições e semelhanças.
O trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica e análise de dados,
pautada na averiguação dos documentos do curso de especialização em gestão escolar
oferecido pela Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA, e aplicação de questionários,
aos cursistas concluintes que compareceram ao encerramento do curso, dos quais retirou-se
uma amostra de 47 cursistas dos seguintes polos: Santarém SEMED, Juruti, Monte Alegre,
Belterra, Alenquer, Santarém SEDUC, Itaituba e Oriximiná. Os sujeitos da pesquisa foram
denominados de CURSISTA 1, CURSISTA 2, assim sucessivamente.
MÉTODO
Esta investigação firma-se em pressupostos teóricos metodológicos da pesquisa
qualitativa tendo em vista que nessa abordagem ―a preocupação com o processo é muito
maior do que o produto‖ (BOGDAN; BIKLEN, 1994 apud CAMPOS, 2004, p.3).
Desta forma, com uma abordagem qualitativa, a pesquisa foi desenvolvida com os
gestores matriculados, em outubro de 2013, no curso de especialização em gestão escolar da
Universidade Federal do Oeste do Pará.
Para o desenvolvimento da pesquisa, fizemos uso de um conjunto de instrumentos e
procedimentos pertinentes a esta pesquisa, a saber: análise documental, onde foram objetos de
análise Legislação e projetos que normatizaram o curso de especialização em gestão escolar;
questionário, instrumento importante, para identificar as concepções dos egressos; estudo
bibliográfico, onde utilizados autores pertinentes ao tema, formação continuada, gestão
escolar e gestão democrática.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao analisar as diretrizes do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação
Básica Pública, elaborado pelo MEC, verificou-se que no Brasil, do total de dirigentes
escolares, 29,42% possui apenas formação em nível médio, sobretudo nos estados das regiões
norte, nordeste e centro-oeste; 69,79% têm formação em nível superior e apenas 22, 96%
possuem curso de pós-graduação lato sensu. (BRASIL, 2009, p.6). Esses dados demonstram a
necessidade de medidas que visem à formação continuada dos gestores buscando contribuir
para a elevação da qualidade do ensino ofertado na educação básica. Assim, ―o Programa
Nacional Escola de Gestores da Educação Básica objetiva a institucionalização de uma
219
política de formação nacional de gestores escolares, baseada nos princípios da gestão
democrática [...]‖ (BRASIL, 2009, p.8). Na Universidade Federal do Oeste do Pará a
implementação do programa foi em 2010, com a assinatura do termo de adesão com o MEC e
posteriormente com as parcerias entre: secretaria de educação no município de Santarém e
Belterra e secretaria estadual de educação, SEDUC, por intermédio da 5ª Unidade Regional de
Ensino, tendo seu primeiro curso iniciado em 2011.
O curso oferecido pela segunda vez pela Universidade Federal do Oeste do Pará,
iniciou em outubro de 2013 e teve seu encerramento em maio de 2015. Neste foram
matriculados 408 cursistas, destes 260 concluíram o curso. Os polos que integraram o curso
foram: Santarém com 2 duas turmas, Belterra, Alenquer, Juruti, Oriximiná, Novo Progresso e
Itaituba, com 1 uma turma cada.
O curso teve uma carga horária de 400h, distribuídas da seguinte forma: Introdução
ao ambiente Moodle 40h; Fundamentos do Direito à Educação 60h; Políticas e Gestão na
Educação 60h; Planejamento e Práticas da Gestão Escolar 60h; Tópicos Especiais: Conselhos
escolares e gestão democrática-TECE 30h; Oficinas Tecnológicas 30h; Projeto Vivencial 80h
e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 40h. O trabalho de conclusão do curso foi realizado
através de um projeto de intervenção e seus resultados estruturados em formato de artigo.
Ao analisar o perfil dos cursistas verificamos que dos egressos participantes do curso
74% são do sexo feminino e 26% são do sexo masculino. Quanto à idade foi identificado nos
dados que dos sujeitos 15% estão na faixa etária de 20 a 30 anos, 45% na faixa de 31 a 40
anos, 28% na faixa de 41 a 50 anos, 8% na faixa de 51 a 60 anos, 1% acima de 60 anos e 7%
sem informações. Verifica-se que a maioria dos cursistas possui uma faixa etária no intervalo
de 20 a 40 anos. Esses dados revelam que cada vez mais jovens estão em busca de uma
formação continuada. Pois, sabe-se que ―a formação continuada vem sendo absorvida como
uma necessidade nos diversos setores da sociedade, como forma de atender as mudanças
constantes que a dinamicidade que o mundo apresenta e nos impõe [...]‖ (COLARES;
BRYAN, 2014, p.178). Quanto à vinculação institucional, 78% estão na rede municipal de
ensino, 12% na rede estadual, 6% corresponde à demanda social e 4% não têm informações.
Percebe-se nesses dados a maior participação da rede municipal, questiona-se a pequena
presença da rede estadual. Quanto à formação verificou-se que 62,3% possuem o curso de
Pedagogia, 10,8% o curso de Letras, 4,4% o curso de Licenciatura em anos iniciais do ensino
fundamental, 4,2% em História e 2,7% em Matemática, 3,2% sem informações e com 12,4%
outros cursos que aparecem no levantamento da formação dos gestores. Percebe-se que o
220
curso de Pedagogia é a formação majoritária dos cursistas e isso se aproxima do que
preconiza a legislação.
Chama-nos atenção apesar de em número reduzido, a presença de áreas que não são
licenciaturas. Esse fato pode ser explicado pelas seguintes possibilidades: os bacharelados
presentes compõem o grupo de cursistas oriundos da demanda social ou, o curso apesar de ser
oferecido para gestores escolares, também atendem outros profissionais que compõem a
equipe gestora, mas não necessariamente os dirigentes.
Por meio da aplicação de questionários foi possível identificar que o curso subsidiou
os cursistas sobre conceitos relacionado a gestão democrática, conselhos escolares e a respeito
de Projeto Político. Sendo essencial para o aprimoramento pessoal do cursista quanto para o
desenvolvimento das suas atividades no âmbito escolar pautadas na perspectiva da gestão
democrática. Como podemos observar nas transcrições abaixo:
CURSISTA 5: Um respaldo melhor para falar de gestão o que ela proporciona pois
os textos que esta universidade nos colocou nos conduziu para que expusemos
melhor o que de fato é um PPP e como fazê-lo.
CURSISTA 31: [...] à participação democrática da gestão educacional, quando esta
possibilita na administração escolar, não só a participação do gestor em si, mas com
representantes de todos os setores que compõem a comunidade escolar, dentro de
uma perspectiva sócio democrática.
CURSISTA 45: Gestão democrática, participativa e compartilhada; escola
autônoma; qualidade da educação (efetivamente) e Legislação com base legal e
comprometida com a escolar.
Quando perguntado aos cursistas a respeito de quais conhecimentos foram adquiridos
no curso sobre a temática de gestão, levando em consideração os conhecimentos do curso de
graduação, tivemos respostas variadas, a saber: conhecimento nas áreas de educação, sobre
conselho escolar, construção de projetos pedagógicos, como aplicar a gestão democrática e
participativa na realidade escolar e aprimoramento das práticas metodológicas, como
podemos verificar abaixo:
CURSISTA 31: [...] à participação democrática da gestão educacional, quando esta
possibilita na administração escolar, não só a participação do gestor em si, mas com
representantes de todos os setores que compõem a comunidade escolar, dentro de
uma perspectiva sócio democrática.
CURSISTA 45: Gestão democrática, participativa e compartilhada; escola
autônoma; qualidade da educação (efetivamente) e Legislação com base legal e
comprometida com a escolar.
Por meio das falas identificadas, nesta pesquisa, verificamos que o curso
proporcionou suporte teórico no desenvolvimento do trabalho dos profissionais,
particularmente aqueles que já atuam na área de gestão. Visto também, que o curso respaldou,
em particular, a gestão democrática, sendo este um tema bastante indagado atualmente por
221
vários autores, da área da educação, como: COLARES (2012); PARO (2012) e CASTRO
(2012).
CONCLUSÃO
A pesquisa proporcionou reflexões sobre a gestão escolar pautada na democracia,
visando a garantia da participação da comunidade, resultando, assim, em melhoria na
qualidade do trabalho dos cursistas gestores. Por meio do questionário aplicado percebemos
que os egressos reconheceram a importância do curso de formação continuada. Verificamos,
também, que os conhecimentos adquiridos foram essenciais para o desenvolvimento da
aprendizagem dos cursistas que atuam como gestores.
Ademais, entende-se que conhecer os panoramas do curso, o perfil dos alunos e as
concepções e práticas por eles apontadas contribuirão para a identificação e análise das
mudanças que estão sendo processadas pelos que ingressaram no referido curso, apontando
aspectos que podem servir futuramente como subsídios de avaliação e de implantação deste
programa como política de formação.
REFERÊNCIAS
BRASIL. LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996.
BRASIL. MEC. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Diretrizes Nacionais do
Programa Escola de Gestores da Educação Básica Pública. Programa Nacional de Escola
de Gestores da Educação Básica, Brasília, 2009.
CASTRO, A. M. D. A. Programa Nacional de Gestores da Educação Básica e a Política
de formação de Gestores Escolares. GT01. Política e Gestão da Educação e Sistema
Nacional
de
Educação.
[s.i.],
2012.
Disponível
em:
<www.anpae.org.br/seminario/ANPAE2012/1comunicacao/Eixo01_19/Alda%20Maria%20D
uarte%20Araujo%20Castro_int_GT1.pdf>. Acesso em: 03 de jan. 2015.
CAMPOS, C. J. G. Metodologia qualitativa e método clínico qualitativo: um panorama geral
de seus conceitos fundamentais. A pesquisa qualitativa em debate...Anais/ II Seminário
Internacional de Pesquisa e Estudos Qualitativos. São Paulo: Sociedade de Estudos e Pesquisa
Qualitativa; Bauru: Universidade do Sagrado Coração, 2004.
COLARES, M. L. I. S.; BRYAN, N. A. P. Formação continuada e gestão democrática:
desafios para gestores no interior da Amazônia. ETD-Educ. temát. Digit, Campinas, SP, v.
16, n. 1, p. 174-, Jan. /abr. 2014. ISSN 1676-2592. Disponível em: <http:
www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/article/view/5550>. Acesso em: 10 de Janeiro de
2015.
PARO H. V. Administração Escolar: introdução a crítica. 1. Ed. rev.e ampl. - São Paulo:
Cortez, 2012.
222
FORMAÇÃO
FAMILIAR.
PROFISSIONAL:
O
INCENTIVO
AO
VINCULO
Fabiana Vasconcelos Silva1
[email protected]
Jessica Maria Silva Miranda¹
[email protected]
Weliton Ferreira de Carvalho¹
[email protected]
Izabel Alcina Soares Evangelista.2
[email protected]
RESUMO: O presente trabalho resultou de um projeto de pesquisa-ação realizado durante o período de estágio
em formação de professores e educação profissional do curso de pedagogia do Centro Universitário Luterano de
Santarém CEULS/ULBRA, o qual teve como objetivo contribuir na ampliação do universo informacional e
cultural das crianças e dos adolescentes, estimulando-os para o desenvolvimento de potencialidades e
habilidades, no intuito de propiciar sua formação cidadã. Para a realização deste fez-se primeiramente a
observação das crianças e adolescentes atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos
(SCFV) no Centro de Referência e Assistência Social do bairro Nova Republica (CRAS) e depois organizou-se e
realizou-se uma palestra no auditório do CRAS. Neste sentido, o procedimento metodológico valeu-se da
pesquisa-ação sendo que primeiro identificou-se o problema encontrado no campo de estágio e depois realizouse uma ação de intervenção. Os resultados obtidos demonstraram serem satisfatórios uma vez que o público alvo
participou de forma atenciosa, e interativa durante a ação demostrando grande interesse pelo assunto e satisfação
pela oportunidade de participar da ação, conclui-se que ação foi de bom proveito tanto para a formação dos
jovens atendidos como também para a dos acadêmicos que a realizaram.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Profissional, Formação e Intervenção.
INTRODUÇÃO
A necessidade de incentivar os estudos mostrando as possibilidades de formação profissional
que os indivíduos têm através deles e o incentivo ao vinculo familiar, foi o que motivou a realização
da ação desenvolvida no Centro de Referência a Assistência Social – CRAS da Nova Republica. Neste
sentido foi realizada uma pesquisa no CRAS onde foi possível observa e conversar com as crianças e
adolescentes que são atendidos naquele local, onde durante a observação notou-se a necessidade de
incentivar a o interesse deles pela escola uma vez que a pedagoga da instituição informou que eles
estavam desinteressados pelos estudos, visto que ela é responsável pelo acompanhamento do
desempenho escolar de todos os jovens atendidos na instituição.
Desta forma através da pesquisa detectou-se como problema o desinteresse escolar, para o
qual teve como estratégia de combate a apresentação das possibilidades profissionais que os estudos
abrem para aqueles que o procuram e da importância da família nesse processo de busca pelo
conhecimento e formação profissional. Sendo assim planejou-se como ação uma palestra, com
apresentação de vídeos e dinâmicas na qual participariam não só os jovens atendidos, mas também
seus familiares (pai ou mãe) e nesta seria apresentadas as possibilidades de formação profissional que
esses jovens têm no município de Santarém e como o estudo e a família é importante para alcança-las.
1
2
Acadêmicos do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA.
Docente do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA.
223
No dia 27 de maio de 2015 ocorreu no auditório do CRAS Nova República nos turnos
matutino e vespertino palestras para as crianças e adolescentes atendidos no centro na qual
participaram também alguns responsáveis desses jovens, os orientadores sociais e a pedagoga da
instituição, a ação começou com um vídeo e uma dinâmica que antecederam a palestra iniciada em
tom de conversa com os jovens e tratou da importância de frequentar a escola e estudar, falou-se sobre
a importância de valorizar a família e de como essa é fundamental para ajudar na escolha e formação
profissional, os responsáveis presentes na palestra foram orientados a incentivarem, investirem e
direcionarem os seus filhos nos estudos e na busca pela formação profissional.
A atividade foi realizada estrategicamente nos dois turnos de atendimento dos jovens que são
atendidos três dias na semana, sendo uma turma de crianças 07 a 12 anos e outra de adolescentes de 13
a 17 anos em cada turno apresentou-se com conteúdo variado, chamando a atenção do público
presente e trazendo informações importantes sobre os cursos profissionalizantes, modo de ingresso,
oportunidades que os cursos abrem no mercado de trabalho e os cursos oferecidos no município. No
momento da ação foi possível nota que tanto as crianças quanto os adolescentes prestaram atenção na
palestra e até interagiram com os palestrantes no momento em que foram questionados, os pais
também se mostraram interessados nas informações que foram prestadas, mostrando assim que os
objetivos propostos para a atividade foram alcançados.
MÉTODO
Para execução do projeto-intervenção desenvolveu-se uma pesquisa ação no CRAS, que
possibilitou o diagnóstico inicial, através da coleta de dados, pesquisa documental e da observação
participante. Neste sentido o procedimento metodológico utilizado para a pesquisa do Trabalho
Interdisciplinar de Iniciação Científica realizada durante o Estágio em Formação de Professores e
Educação Profissional foi à pesquisa ação, sobre a qual Knechtel comenta:
Essa pesquisa acontece quando os procedimentos investigativos são desenvolvidos
envolvendo a participação e a ação de pesquisadores e participantes, tendo em vista
um problema coletivo para o qual se buscam soluções. (Knechtel 2014, p. 150)
Deste modo em primeiro momento procurou-se saber qual é o papel da pedagoga dentro da
instituição, quais serviços à instituição oferece, e como se poderia intervir de forma positiva naquele
meio, sendo assim realizada a observação e participação nas atividades dos jovens atendidos pelo
Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos na instituição. Identificou-se assim uma
problemática sobre qual foi realizada uma ação de intervenção, que teve como foco os desafios
enfrentados por esse publico, e a importância da família nas decisões e escolhas do jovem e da criança.
224
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As crianças e jovens hoje enfrentam as crescentes crises sociais do país, onde se predomina a
desigualdade social, e mesmo diante desse momento, vivem suas diversidades de estilos e identidades,
o que para uns parece algo negativo, para outros uma forma de mudar o mundo.
Pois na passagem da adolescência para a vida adulta observa-se também a mudança da
condição de dependência para a de autonomia em relação à família, a própria subsistência, alcance de
objetivos e metas, porém o que muitos desses jovens não encontram é apoio e incentivo para realizar
seus sonhos.
Sobre isso Rubens Alves diz que ―os educadores antes de serem especialistas no saber,
deveriam ser especialistas no amor: interpretes de sonhos.‖ Pois não basta apenas ensinar o caminho a
ser seguido pelo aluno, mas deve-se incentiva-lo na busca por seus objetivos, fazendo-o acreditar em
si mesmo, na sua capacidade de ir além.
A terapeuta Suely Lima em seu artigo ―Pais e Filhos adolescentes‖ diz que ― a fase da
adolescência é muito importante na vida do indivíduo... É a fase que o ser humano quer vivenciar o
novo.‖ O jovem acredita que pode se tornar um grande líder, uma pessoa de sucesso, e nem mesmo
diante das desigualdades sociais deixa de sonhar com um mundo melhor para si e para sua família.
É a partir desta analise que se propôs trabalhar o tema formação profissional e incentivo ao
vinculo familiar, pois se observou a necessidade que os jovens e adolescentes atendidos pelo CRAS
tem de informações que possam lhes auxiliar na sua formação, como também o apoio diante dos
desafios que lhe são propostos e a importância da família e dos vínculos escolares na busca de sua
identidade cidadã.
Lima discorre sobre as atitudes dos pais que em alguns casos, exigem dos filhos mais do este
pode lhe oferecer no momento, sendo inflexíveis e autoritários. Enquanto outros buscam melhores
resultados, sendo pais mediadores e sempre dispostos a encarar junto qualquer desafio.
―Pais atuantes, criativos, bem humorados, líderes em sua família,
acertam mais, pois tendem a parar para refletir sobre suas
próprias atitudes. Eles procuram mudar quando se deparam com
suas falhas e passam a sentir seus filhos como seres humanos
que tem identidade própria. Educar para eles é uma atitude de
vida.‖ (Suely Sousa Lima, O Jovem diante de seus desafios).
Neste sentido buscou-se contribuir na relação pais-filhos, professor-aluno, desenvolvendo
conceitos sobre a importância deste vinculo, e despertando nos jovens desejos por novos
225
conhecimentos, por capacitações, cursos profissionalizantes no intuito não só de lhe demonstrar as
oportunidades, mas também de lhes mostrar o quanto são capazes de sonhar e realizar seus sonhos.
Os resultados obtidos demostraram ser satisfatórios uma vez que os jovens participaram das
atividades e mostraram-se interessados em saber como os cursos da educação profissional são
ofertados no município e também a importância do vinculo familiar que foi apresentado de forma a
valorizar a família e tendo tocado emocionalmente alguns adolescentes a ponto de ser visível a
emoção destes que demostraram interesse pelo tema, observando com atenção a informações
apresentadas.
Deste modo a pesquisa-ação realizada no CRAS obteve resultados importantes para a prática
pedagógica dos acadêmicos envolvidos no estágio, foi uma oportunidade inovadora que utilizou
como metodologia a pesquisa-ação e resultou em experiência como a organização de palestra, a
observação do trabalho do pedagogo na área da assistência social, o conhecimento das atividades
realizadas no CRAS, o público atendido e a forma de atendimento prestado nesse ambiente, todos
esses novos conhecimentos foram enriquecedores e uteis para a formação acadêmica dos estagiários
envolvidos.
CONCLUSÕES
As conclusões obtidas com a ação dão conta que o trabalho do pedagogo em conduzir o mais
jovem ao conhecimento não é realizado apenas nos ambientes escolar mais também em outros
ambientes como no CRAS e que ações desse tipo são importantes serem realizadas nessas instituições,
visto que nestas são atendidos jovens carentes e que muitas vezes desconhecem as oportunidades que
lhe são ofertadas no município o que acaba sendo uma forma de exclusão pela falta de informação ou
até mesmo de incentivo a buscar esse conhecimento.
Além da informação como forma de inclusão, um ponto fundamental desenvolvido na ação foi
à importância de valorizar o vinculo familiar que é à base de formação social de um individuo e que
nos dias atuais se encontra desvalorizada devido a diversos fatores os quais provocam os principais
problemas vistos na sociedade atual. Desta forma a mensagem transmitida sobre valorizar a família e
consequentemente os estudos na palestra foi muito importante para a formação das crianças e
adolescentes atendidos no CRAS Nova República que tiveram um momento de reflexão acerca de
valorizarem as suas famílias.
Conclui-se então que a ação como um todo foi muito enriquecedora para a formação
acadêmica dos estagiários devido à nova experiência vivida a qual também contribuiu de forma
construtiva para a formação social dos jovens atendidos no centro que tiveram diversas oportunidades
de formação profissional apresentadas para eles tomarem conhecimento do que eles podem ser através
da busca pelo conhecimento.
226
REFERÊNCIAS
Knechtel, Maria do Rosário. Metodologia da pesquisa em educação: uma abordagem teóricoprática dialogada. Curitiba: Inter Saberes; 2014. 192 p.
Internet Pagina:
ALVES, Rubens. Disponível em http//: www.projetospedagogicosdinamicos.com acesso em: 24 de
maio de 2015
LIMA, Suely Souza. Disponível em http//: www.athusassessoria.com acesso em 15 de maio de 2015.
227
IDENTIDADE: A FACE DAS VIVÊNCIAS PROFISSIONAIS DOS
PROFESSORES EM SOCIEDADE
Profa. Dra. Francisca Canindé Bezerra dos Santos 1
[email protected] ²
RESUMO: Os humanos são seres carentes, necessitam dos demais para sobreviver e construir sua identidade.
Nessa construção passam por vários momentos na história da sua existência no mundo. Os objetivos que
permeiam este trabalho, interpretam, analisam os marcos de injustiça que implicam na formação de identidade
coletiva fortalecendo a luta das pessoas pelos seus direitos e da própria natureza. A metodologia se concentra nas
análises de textos de vários autores que tratam da temática. As técnicas multivariantes foram significativas
possibilitando as análises de regressão e determinantes que explicam os comportamentos relacionados ao
sofrimento dos atores sociais em estudo. Os resultados foram satisfatórios demonstrando nas análises que o ser
humano constrói várias identidades, dentre elas, a coletiva que reúne as pessoas diante das angústias, que mexem
com seu emocional e partem em defesa dos seus direitos e dos alunos. A identidade é a face que marca o homem
como homem e a sua liberdade de viver outras identidades.
PALAVRAS-CHAVE: Homem, Identidade Coletiva, Injustiça.
INTRODUÇÃO
O ser humano constrói a sua identidade de homem e se torna humanizado na sociedade tribal.
Na temporalidade da sua existência, novas necessidades emergem deixando mais complexa as relações
com a natureza e com os elementos da comunidade, que atingiram outro modo de vida em sociedade
urbana.
O avanço socioeconômico e cultural exige a formação de outras identidades, permitindo a
sobrevivência mais estruturada diante de um mundo mais complexo e exigente. As relações sociais
assumem maior complexidade, estimulando o ser humano formar um coletivo mais denso e forte para
se autodefender, exigindo e cobrando seus direitos diante das lideranças do grupo e do Estado.
Esses novos comportamentos ocorreram em virtude dos homens tomarem consciência da
opressão e subordinação em que estavam vivendo, daí a construção da identidade coletiva e da
descoberta dos canais possíveis para trilhar dias melhores na caminhada na sociedade de consumo e
tecnológica. Os objetivos que pautaram esta investigação se inseriram em:
a) Interpretar as estratégias das injustiças e suas consequências na sociedade, principalmente as
minorias, que sofrem com os salários inferiores para manterem suas famílias.
b) Analisar o comportamento dos professores diante da política salarial do governo.
c) Discutir a formação da identidade coletiva diante das angústias e descontentamentos com os
problemas que atingem os profissionais da rede estadual.
1
Professora Dra., pesquisadora, ministra aulas nos Cursos de Pedagogia e Serviço Social do Centro Universitário
Luterano de Santarém. Historiadora, geógrafa e doutorada em Psicologia Social pela Universidade de Santiago
de Compostela – Espanha.
228
MÉTODO
Trata-se de uma pesquisa exploratória por envolver ―levantamento bibliográfico, fazer
entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de
exemplos que estimulem compreensão‖ (GONÇALVES, 2006; p.98). Para melhor explicar o
comportamento de formação de identidade coletiva, utilizou-se as análises de regressão e
determinantes, que fazem parte das técnicas multivariantes.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Desde a formação dos professores(as) que eles devem ter se angustiados, por não receberem
uma educação adequada para ministrar aulas aos seus futuros alunos. Como afirmou Werebe (1997,
p.30):
A criação do ensino normal não modificou muito a
qualificação dos professores primários. É verdade que as
vicissitudes por que passaram as escolas normais mostram
bem o desinteresse das autoridades pela formação desses
professores e consequentemente, pelo próprio ensino
elementar.
Neste contexto, os professores não tinham culpa de terem recebido uma formação medíocre,
sem a presença das disciplinas pedagógicas para lhes fornecerem conhecimentos adequados para
ministrarem ensinamentos que pudessem garantir uma aprendizagem digna para a criança e o
adolescente, como se reporta Aranha (2012, p. 227): ―O descaso pelo preparo do mestre fazia sentido
em uma sociedade não comprometida em priorizar a educação elementar no século XIX‖. Diante de
uma situação caótica, o Brasil Imperial, transmitiu os resquícios de uma educação que não permitia
reflexão crítica diante da realidade, a fim de tomar consciência e priorizar formações educacionais que
pudessem e possam atualmente não só rever o passado, mas formar identidades coletivas
contundentes, que sejam capazes de reverter à situação da educação escolar no Brasil, afirma Gohn
(1922, p. 16): ―O cidadão coletivo reivindica baseado nos interesses da coletividade de diversas
naturezas, anima e entusiasma os demais componentes a participar com crença de alcançar os
objetivos...‖. Os resultados demonstraram que a maioria dos profissionais entrevistados considera a
situação deles e das escolas bastante negativa, tanto na dimensão econômica, na satisfação com o
salário e nas verbas nos investimentos para melhoria das escolas, por isso 92% dos atores
apresentaram descontentamento com a política educacional Federal e Estadual. A função
descriminante é significante e os coeficientes das variáveis diferentes mostram um cenário de ligeira
diferença e bastante semelhante na análise de regressão. Novamente a relevância das dimensões
econômicas reforça o descontentamento com o salário e a situação de descaso com o ambiente escolar
de seus discentes. Neste caso, 95% dos mestres formaram identidade coletiva diante da situação em
que estavam vivendo. Desse modo, numa reunião geral, 90% dos agentes sociais implicados decidiram
por uma greve, exigindo melhorias das escolas, para melhor atender os alunos, pagamento do que o
229
governo está devendo. Sendo assim, discussões em reuniões, protestos por este Brasil afora e em
Santarém, paradas, concentrações na tentativa de chamar atenção do governo central e estadual, a fim
de tomarem medidas sérias e atender os professores. 65% desses professores estão incluídos no Ensino
Fundamental e 35% no Ensino Médio e Ensino Superior.
CONCLUSÃO
O amadurecimento pessoal e profissional dos professores está permitindo uma visão crítica da
realidade em que vivem, e de comprometimento mais responsável com sua formação, a fim de se
comprometerem com mais eficácia na formação educativa dos seus alunos.
Sendo assim, a variável identidade apresentou resultados satisfatórios com o comportamento
dos profissionais da educação, o que possibilitou descobrir e comprovar a satisfação dos mestres em
lutar pelos seus direitos e de seus alunos, para terem ambientes mais agradáveis e capazes de
aprenderem a ser cidadãos conscientes e criativos.
A participação é relevante na tomada de decisões na coletividade. Por essa razão, foram
relevantes e úteis os resultados obtidos, a fim de se conhecer o comportamento dos professores
implicados nos diferentes marcos de ação política e coletiva, permitindo mudanças na forma de pensar
e agir tanto das autoridades como dos próprios docentes em relação aos seus direitos e de seus alunos,
acreditando que a formação da identidade coletiva e uma ação qualitativa e educada que pode
transformar a sociedade com educação dos componentes sociopolíticos e culturais, como verdadeiros
cidadãos.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Mª Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia Geral e do Brasil, 3 ed., São
Paulo: Moderna, 2012.
GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de Metodologia da Pesquisa Científica, São Paulo:
Avercamp, 2005.
GOHN, M. G. Movimentos Sociais e Educação, São Paulo: Cortez, 1992.
KLANDERMAS, B.; WERED M. Psicologia de Protesto. Departamento de Psicologia Social,
Holanda, Amsterdã: Free Universidade, 1997.
MIRANDA. C. L. S. Identidade: Síntese das múltiplas identificações, Cabral Editora Universitária,
Taubaté: 1998.
SABUCEDO, J. M.; SEONE, G. et al. Lá acción política en el contexto supranacional y los marcos
de acción colectiva, Santiago de Compostela: Universidade, 2003.
WEREBE. Mª José Garcia. 30 Anos Depois Grandezas e Misérias do Ensino no Brasil, 2 ed., São
Paulo: Editora Ática, 1997.
230
MOTIVAÇÃO DO DOCENTE NO PROCESSO DE ENSINO E
APRENDIZAGEM
Conceição Maria de Sousa Canté1
[email protected]
Elbe Keila Cunha de Oliveira1
[email protected]
Maria Sueli Costa Figueira¹
[email protected]
Izabel Alcina Soares Evangelista2
[email protected]
RESUMO: O presente projeto de pesquisa tem como tema a motivação do docente no processo de ensino e
aprendizagem, onde será abordada a relevância da motivação para a aprendizagem do Curso de Pedagogia do
Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA. Ao interessar-se pelo problema identificado,
optou-se pela pesquisa-ação que tem como objetivo desenvolver atividades motivacionais como condição
facilitadora do processo de ensino aprendizagem. O procedimento metodológico foi realizado através de palestra
e diálogo com os professores da Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI). O resultado da ação
desenvolvida foi analisado após a aplicação do mesma.
PALAVRAS- CHAVE: motivação, professores, ensino aprendizagem.
INTRODUÇÃO
Atualmente, e um dos problemas mais debatido e porque não dizeres questionáveis
presentes na maioria dos encontros entre professores são a falta de interesse ou de motivação
do educador em ensinar. Então o que fazer para resolver sua situação em que se busca resgata
a motivação para aprendizagem.
Nesse sentido desenvolveu-se uma palestra sobre motivação para o público docente. É
necessária que se tenha clareza, que a motivação não ocorre sozinha ela necessita de
elementos internos e externos, ou seja, de todo o segmento da comunidade escolar, e o
objetivo geral desse projeto foi apresentar a importância da motivação como condição
facilitadora do processo de ensino aprendizagem, como específico: analisar o papel da
motivação no processo de ensino aprendizagem; Compreender as relações professor/ aluno,
no ambiente escolar; demonstrar a importância da motivação através de palestra.
MÉTODO
Este estudo foi desenvolvido valorizando a pesquisa-ação, por meio de palestra e
vídeos que o educando reconheça a necessidade de motivação e se alto avaliando perguntando
para si mesmo onde posso melhorar e em que sou melhor e para que deva melhorar?
1
Acadêmicas do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA.
2
Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA
231
Segundo Antunes (2012) o ser humano é muitas vezes um ser individualista, competitivo, mas
é preciso aprender a viver junto, respeitar, ajudar e compreender o próximo. As oficinas
pedagógicas servem para a formação continuada do educador, para sua motivação intrínseca e
o crescimento na relação com o outro, como também promover nos professores o
autoconhecimento por meio das reflexões, pensar com o outro. Uma aprendizagem em grupo
partilhando vivências e trocando experiências.
O desenvolvimento humano e a construção do conhecimento através do
método de oficinas representam possibilidade de desenvolvimento, de
amadurecimento com os outros seres humanos. Ao propor vivências em
grupo, a partir das realidades, intencionalidades e motivações intrínsecas, o
ambiente das oficinas revela desejos de mudanças no ambiente escolar.
Sempre no sentido de que o espaço educativo promova a Educação integral,
evidencie os motivos extrínsecos da Educação como um todo, mas revele os
desejos intrínsecos de aprender, e por que não dizer, aprender ao longo da
vida (ANTUNES, 2012, p. 36).
O tema motivação ligado à aprendizagem está sempre em evidência nos ambientes
escolares, impedindo professores de executar suas tarefas em sala de aula ou fazendo-os
recuar, chegando à desistência nos casos mais complexos.
RESULTADOS ESPERADOS
Com a aplicação deste projeto de ação espera-se: Professores motivados para atuarem
em sala de aula no processo de ensino e aprendizado.
A motivação é, então, aquilo que é susceptível, move o individuo, de leva-lo a agir
para atingir algo e de lhe produzir um comportamento orientado, sendo assim, motivação é o
impulso que leva a algo. O conceito de motivação encontra-se associado à vontade e ao
interesse de fazer um esforço e alcançar os objetivos esperados.
A motivação têm buscado elucidar o comportamento do indivíduo no trabalho de
forma que o conceito de motivação já era tratado na filosofia grega. No início do século XX a
temática principal da teoria da motivação passou de uma abordagem filosófica para uma
abordagem psicológica-gerencial. Desde então as teorias têm tentado explicar o
comportamento das pessoas através do estudo de variáveis que focalizam não só o indivíduo,
mas também a situação contingencial com a qual ele interage (Szilagyi & Wallace, 1990).
Por outro lado, as teorias centradas no processo tratam não apenas do estímulo, mas
dos fatores que dão direção para o comportamento motivado, ou seja, elaboram os construtos
do processo que possibilita direcionar e manter de uma conduta ou padrão de comportamento.
232
Por exemplo, a motivação devido à percepção do indivíduo quanto ao esforço que deve ser
empregado no trabalho, quanto aos requisitos de desempenho e quanto às recompensas
possíveis de serem obtidas (Szilagyi & Wallace, 1990).
A teoria das necessidades no modelo de Maslow tem recebido muitas críticas. Dentre
elas cabe assinalar as críticas que enfatizam que os modelos das necessidades têm que ser
complementados com outras explicações teóricas e as críticas que afirmam que as
necessidades informam somente qual aspecto devem ser atendidos, contudo, não explicam
como se produz a motivação. Assim, as necessidades por si só são insuficientes para explicar
as ações humanas. Informam-nos sobre o porquê uma pessoa realiza uma ação, mas nada
dizem sobre a ação particularmente escolhida. As teorias do processo motivacional surgem
precisamente como resposta a esta problemática (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996).
Quantas vezes o professor prepara uma atividade que ele achou que prenderia a
atenção de seus alunos, que os levaria adiante, que os faria buscarem as informações que eram
necessárias, porém, ao executá-la, não conseguiu êxito.
A abordagem cognitiva das teorias da motivação sugere que indivíduos que acreditam
na obtenção de recompensas como consequência do engajamento no programa da qualidade
tenham maior interesse em fazê-lo que quaisquer outros (Kanfer, 1990).
A motivação é algo essencial na vida do ser humano, um sentimento, ou se tem ou
não se tem. Isso não quer dizer que não se possa fazer nada para que as pessoas consigam
vivenciá-la.
Neste aspecto, as recompensas intrínsecas têm um papel fundamental para a motivação
das pessoas, e de forma especial para os trabalhadores de empresas públicas. Estas, além
possuírem diferenças quanto à missão, são diferentes também quanto aos mecanismos de
controle orçamentário para fins de recompensas extrínsecas para seus funcionários (Crewson,
1997).
CONCLUSÃO
A falta de motivação dos profissionais de educação é m assunto que vem ganhando
grande ênfase nas discussões entre pedagogos. Foi com base nesse foco que desenvolvemos o
projeto motivação tema central dessa pesquisa-ação que foi muito proveitosa, pois fez os
professores refletirem como estão atuando e sala de aula e também serviu como processo de
233
incentivo que se destinou a oferecer estímulos e meios apropriados para tornar a
aprendizagem mais eficaz.
Assim como sua relação com o processo de aprendizagem talvez se possa imaginar
que a motivação tem seu sentido limitado a expressão geralmente utilizada para fazer
referência a vontade que se tem para realizar algo. De fato, é possível partir desse ponto para
defini-la, mas vários elementos a constituem, por isso, o estudo estendeu-se para o processo
motivacional.
Através de leituras e relações estabelecidas entre estas e a prática pedagógica até
então presenciada, percebe-se que um trabalho que considere o saber como um todo que se
edifica através das relações sociais, deve priorizar, antes de tudo, a efetiva compreensão e
significação do conhecimento pelo professor.
REFERÊNCIAS
ANTUNES, D. D. Oficinas pedagógicas de trabalho cooperativo: uma proposta de
motivação docente. 2012. 168 f. Tese (Doutorado em Educação) Faculdade de Educação,
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em:
<http://www.bdtd.ibict.br/>. Acesso em: 17 mai. 2015.
CREWSON, Philip E. ―Public-service motivation: building empirical evidence of incidence
and effect.‖ Journal of Public Administration Research and Theory. Lawrence, Oct., 1997, V.
7, 499-518.
KANFER, Ruth. Motivation theory and. Industrial/organizational psycholgy. In:
MARVIN D. Dunnette & LEAETTA M. Hough. Handbook of industrial and organization
psychology. Consulting Psychologists Press, Inc., Palo Alto, CA, 2nd ed., 1990, vol. 1.
SALANOVA, Marisa; HONTANGAS, Pedro M. e PEIRÓ, José Mª. ―Motivación
Laboral‖. In PEIRÓ, José Maria e PRIETO, Fernando. Tratado de Psicología del Trabajo.
Vol. I: La actividad laboral en su contexto. Editorial Síntesis, Madrid, 1996.
SZILAGYI Jr., Andrew & WALLACE Jr., Marc. Organizational Behavior and
Performance.Harper Collins Publishers, USA. 5 Th Ed,1990.
234
O ENSINO DA DISCIPLINA ESTUDOS AMAZÔNICOS NAS ESCOLAS
DE SANTARÉM-PARÁ: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A TEMÁTICA
DA GUERRA DA CABANAGEM
Wilverson Rodrigo Silva de Melo1
[email protected]
RESUMO – Este presente trabalho tem como objetivos analisar no contexto do ensino de História e de Estudos
Amazônicos, como é abordado o tema da Guerra da Cabanagem nas salas de aula das Escolas Básica de
Santarém, bem como as dificuldades docentes em ministrar com clareza e domínio de conteúdo um tema de
principal relevância na formação da sociedade amazônida moderna e na construção da identidade do Nortista,
em especial do paraense e amazonense. Apesar de sua significância histórica e cultural, notou-se quão diminuído
e lacônico é o tema da Guerra da Cabanagem no ensino de História e de Estudos Amazônicos em Santarém seja
devido a ignorância dos professores por não terem domínio de conteúdo e não conseguirem relacionar com a
formação sócia histórica do amazônida; seja pela falta de clareza das ideias dos professores ao não se fazer
serem compreendidos pelos alunos; bem como a forma simplória e resumida em que está presente nos livros
didáticos.
PALAVRAS-CHAVE: cabanagem, estudos amazônicos, escolas de santarém.
INTRODUÇÃO
A Guerra da Cabanagem foi o maior movimento de revolta popular na Amazônia
brasileira – quiçá do Brasil como afirma Caio Prado Jr (1933). Devido sua cristalização
popular, dimensão territorial pela qual se expandiu nas Províncias do Grão-Pará e Rio Negro e
seu teor armamentista, a guerra da cabanagem ainda se faz presente nas memórias e correlatos
dos amazônidas.
É neste ínterim, que a discussão do ensino desta temática nas aulas de História e
Estudos Amazônicos em Santarém ganha legitimidade, por assim entender que o ensino deste
tema está voltado especificamente para a formação da sociedade amazônica bem como a
identidade do nortista, em especial o paraense e amazonense. Tal ponto é fulcral para a
concepção de memória e história, onde um povo que não tem memória e a não conserva acaba
ficando sem sua própria história ou pelo menos alimentando uma prolixidade em relação a sua
etnogênese.
Dito isto, convém entendermos que ―o fazer história e o ensinar história‖ não são
campos distintos do saber histórico, ambos encontram-se imbricados e não devem se
dissociar, antes devem ser semelhantes ―a historiadores e poetas que têm como ofício alguma
1
Prof.º Mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Especialista em Direitos
Humanos pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Pós-Graduando em História do Brasil pela
Universidade Cândido Mendes (UCAM); Pós-Graduando em Planejamento, Implementação e Gestão da Ead
pela Universidade Federal Fluminense (UFF); Graduado em História pelo Centro Universitário Luterano de
Santarém (CEULS/ULBRA). Professor-Tutor do Curso de História da Universidade Norte do Paraná
(UNOPAR) em Santarém.
235
coisa que é parte da vida de todos: destrinchar o entrelaçamento de verdadeiro, falso e fictício
que é a trama do nosso estar no mundo‖ (GINZBURG, 2007, p.14), e por se tratar de ―res
gesta‖ presentes nas ―Historie‖
1
(fatos presentes nas narrativas de acontecimentos)
apresentam sentidos históricos ligados a uma construção de identidade que outrora fora
alimentada pelas memórias e apropriações sócio-políticas de memórias.
MÉTODOS
O Trato metodológico empregado no trabalho foi: a) a pesquisa de campo (onde se
definiu um universo de quatro escolas da rede privada, pública municipal, pública estadual e
pública conveniada); a pesquisa bibliográfica (que procurou observar e interpretar a
abordagem histórica sobre o tema em algumas coleções de livros didáticos e apostilas
utilizadas pelos professores) e História oral (relatos de alunos e de professores).
Posteriormente a esta reunião de informações, ocorreu à análise e sistematização dos dados
tendo como suporte o método histórico e como embasamento teórico a ―história do tempo
presente‖ - para as discussões de relacionar as lutas cabanas do século XIX com as lutas
atuais no amazônida - de Koselleck (2006).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nos quatro tipos de escolas de regimes diferenciados foi observada uma relação de
equivalência quanto aos métodos e aportes teóricos utilizados pelos professores de História e
Estudos Amazônicos.
No que tange a temática da Guerra da Cabanagem no decorrer de todo seu processo
revolucionário, na maioria dos casos, os professores se furtam de explanar o processo da
cabanagem na perspectiva de uma evolução revolucionária. Quando iniciam o tema da
cabanagem o fazem relacionando ao processo de Adesão do Pará a Independência em 1823.
De igual modo, posterior a isso, alguns professores trabalham a eclosão do movimento
armado nas ruas de Belém no ano de 1835, sua repressão por Soares D‘Andréa e a formação
do corpo de trabalhadores no Pós-Cabanagem (para evitar a ociosidade e um novo levante
insurreto). Acabam deixando de lado assim, as discussões ímpares sobre os bastidores da
revolução como a revolta de Cametá em 1824; o racha político entre Bernardo Lobo de Sousa
e Batista Campos a partir de 1831 (e que consequências isto irá gerar no Baixo Amazonas
1
Discussão de termos históricos que explicam formas de ―História‖, a Geschichte na um für sich [a História em
si e para si]. In: KOSELLECK, Reinhart [et al.]. O Conceito de História. Tradução René E. Gertz. Belo
Horizonte: Autêntica Editora, 2013, 228 p. (Coleção História e Historiografia, 10).
236
com as viagens políticas de Batista Campos) e o deslocamento das tropas cabanas da capital
para o Baixo Amazonas a partir de 1836 até sua derrocada em 1840 já em Maués.
Mas a que se deve essa abstenção em trabalhar um movimento social da Amazônia nas
cidades amazônicas na contemporaneidade? Por se tratar de uma parte da História Regional
do Brasil, não deveria ser trabalhado com maior ênfase nas cidades que compõe a região
protagonista? Se na própria região onde eclodiu a cabanagem o déficit e o laconismo é
perceptível, o que dirá do ensino desta revolta/revolução nas demais regiões do Brasil?
Quanto a essas inquietações, devemos refletir e depurar a priori sobre a formação dos
professores. É cada vez mais cedo que jovens tem adentrando as universidades e, na maioria
dos casos ainda estão num processo de maturação sobre sua escolha profissional e, quando
decidem por uma determinada área do conhecimento acabam iniciando sua trilha de formação
profissional muito aquém do esperado pelo nível educacional superior.
Este processo de maturação do pensamento profissional na mentalidade deste recente
calouro acaba por contribuir para um déficit na primeira parte de sua formação profissional –
claro que neste universo estudantil como em qualquer situação, existem algumas exceções.
Não obstante, ao sair das universidades, engana-se o jovem formado ao pensar que saiu
pronto e acabado da academia, sendo ―detentor de todo conhecimento‖ possível para exercer
sua prática docente. De igual modo não devemos alimentar o discurso de que as universidades
têm preparado mal os profissionais que atuarão na prática docente, em especial aqui os
licenciados em História, pois não é função da universidade reunir todo o conteúdo de história
e impregnar na mente dos acadêmicos, isto além de ser impossível seria algo arbitrário e
desumano por não levar em conta a construção do conhecimento entre alunos e professores.
É papel sim das universidades, ensinar os jovens alunos-professores a aprenderem como
apreender o conhecimento histórico, respeitando suas teorias e metodologias inerentes à
prática docente, no processo de historiografar os fatos vindouros da História do Tempo
Presente. Mediante isto, ao se depararem com situações contingenciais em seu cotidiano
escolar, os novos professores saberão como operar mecanismos analíticos e epistêmicos para
a produção de saberes historiográfico e a construção constante de sua formação intelectual.
Tardif, Lessard e Lahaye (1991, p. 227) afirmam que ―para os professores, os saberes
adquiridos através da experiência profissional constituem os fundamentos de sua
competência, (pois) é através deles que os professores julgam sua formação anterior ou sua
formação ao longo da carreira‖, ou seja, estes profissionais construirão seus aportes teóricos
237
através da sua prática docente, pois é no cotidiano que eles darão conta das temáticas
educacionais que lhe são cobradas.
Entretanto existe uma lacuna entre o querer e o fazer história, entre adentrar os
meandros dos temas amazônicos - em especial a Cabanagem - e encontrar subsídios didáticos
para tal feito. Infelizmente os livros didáticos que são utilizados em sala de aula, em sua
maioria são provenientes de autores e escritores de regiões alheias a região Norte. Desse
modo acabam por contemplar uma ―História Geral do Brasil‖, pois ainda que os livros sejam
temáticos e divididos por séries, acabam por generalizar e arregimentar um discurso lacônico
sobre os principais temas de história regionais.
O caso da Amazônia enquanto História Regional não foge a regra, pois em geral o
máximo que se encontra sobre a cabanagem nos livros didáticos de Santarém são duas laudas
– com exceção de alguns professores que no invólucro desta carência bibliográfica produzem
materiais didáticos que contemplam uma discussão substancial dos temas históricos
amazônicos.
CONCLUSÃO
As dificuldades em se trabalhar os temas de História da Amazônia nas escolas básicas
de Santarém advém muito da questão dos livros didáticos que ainda hoje são elaborados de
uma forma generalizada para o país, não levando em consideração as especificidades e/ou
regionalismos. Sobretudo, marginalizam alguns temas em detrimento de outros, devido seu
caráter popular-revolucionário, estabelecendo uma discussão generosa para alguns temas e
preconizando o laconismo literário sobre outros - neste caso em especial destacamos a Guerra
da Cabanagem o maior movimento popular revolucionário do Brasil.
De igual modo é alarmante a ignorância de profissionais da educação em não discutir
de forma minuciosa o tema da Cabanagem, que foi um dos grandes responsáveis pelo
alvorecer da História Moderna Amazônica e, contribuiu na formação da dinâmica
sociocultural da região no processo de construção de identidade do amazônida.
O professor não deve ser dependente do livro didático, sua formação acadêmica lhe
preparou para todas as inconstâncias que iriam surgir em sua prática docente, na medida em
que ele foi formado para ―aprender a apreender‖ sobre os arcabouços presentes no processo
histórico e historiográfico. Assim o professor pode passar a ser um construtor de
conhecimento e produtor de seu material didático referente aquilo que os livros didáticos
produzidos generalizados no Brasil demonstram seu caráter lacônico e simpliciter.
238
Partindo de tais pressupostos, importa saber que os saberes necessários ao ensino são
reelaborados e construídos pelos professores ―em confronto com suas experiências práticas,
cotidianamente vivenciadas nos contextos escolares‖ (PIMENTA, 1999, p. 29). E nesse
confronto, há um processo coletivo de troca de experiências entre seus pares, o que permite
que os professores a partir de uma reflexão na prática e sobre a prática, possam constituir seus
saberes necessários ao ensino, ou seja, ninguém nasce professor ou sai da universidade
professor – é no cotidiano escolar, na prática docente, que nos fazemos professor e assim
mediante nossa autonomia, conseguimos produzir materiais didáticos que facilitem o ensino
de temas de Estudos Amazônicos (tal como a Cabanagem) em sala de aula.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, Aline Patrícia da Silva. et. al. Manual para normalização de trabalhos
acadêmicos. Canoas: Ulbra, 2006. 98 p.
GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. [tradução de Rosa Freire
d‘Aguiar e Eduardo Brandão]. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, 454 p.
KOSELLECK, Reinhart [et al.]. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos
históricos. Tradução Wilma Patrícia Maas, Carlos Almeida Pereira; revisão da tradução Cesar
Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-Rio, 2006, 368 p.
KOSELLECK, Reinhart [et al.]. O Conceito de História. Tradução René E. Gertz; revisão
da tradução Sérgio da Mata. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013, 228 p. (Coleção
História e Historiografia, 10).
PIMENTA, Selma Garrido. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In:
_____ . (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, 1999.
PRADO JR., Caio. Evolução Política do Brasil: Ensaio de Interpretação Materialista da
História Brasileira. São Paulo: Empresa Gráfica ‗Revista dos Tribunais‘, 1933.
TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude; LAHAYE, Louise. Os professores face ao saber –
esboço de uma problemática do saber docente. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 4, 1991.
239
O PERFIL DO PROFESSOR DOS ANOS INICIAIS E EJA
Delma dos Anjos Oliveira¹
[email protected]
Jaqueline da Silva Alves¹
[email protected]
Naide Pedroso de Sousa²
[email protected]
RESUMO: A escola deve promover uma educação voltada ao desenvolvimento da criança, do jovem e adulto,
já que esta é um direito concedido pela Legislação considerando a estrutura física, a metodologia utilizada em
sala de aula pelos docentes, para facilitar a aprendizagem do alunado. Segundo (Freire, 2011) ensinar não é
transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Deste modo faz-se
necessário conhecer as metodologias adotadas pelos professores em sala de aula. Onde o perfil do professor dos
anos iniciais tem que estar voltado para formação básica do cidadão, desenvolvendo a escrita, a leitura e o
cálculo, promovendo também o desenvolvimento de aprendizagens, valores morais e éticos. Diferentemente na
Educação de jovens e adultos deve-se levar em conta também, a sua realidade promovendo o ensino de acordo
com suas necessidades, e contextos sociais visando o aperfeiçoamento na aprendizagem. A metodologia que o
professor utiliza para apresentar seus conteúdos deve basear-se no cotidiano dos alunos da EJA fazendo-se uma
ligação entre a teoria e o meio social em que estão inseridos. Tendo por objetivo observar o cotidiano docente
nos anos iniciais e EJA. Os procedimentos metodológicos esta sendo pautado por meio do estudo bibliográfico,
aliado à pesquisa de campo. Os resultados e conclusão serão expostos no segundo semestre, 2015/2, através de
artigos e questionários fechados.
PALAVRAS-CHAVE: Anos Iniciais, EJA, Perfil do professor.
INTRODUÇÃO
Nos Anos Iniciais e EJA a importância de metodologias diversificadas é importante,
pois chamar a atenção do aluno é o primeiro passo para fazer com que ele se apaixone pelo
que faz ou pelo quer realizar. Mostrar a importância da leitura na sala de aula torna-se um
desafio grande ao educador porque muitos alunos não possuem essa pratica em casa, no caso
da EJA muitos não tem tempo para ler. E a leitura traz uma abrangência de conhecimentos
imensurável, possibilitando aos educando uma visão critica de mundo, uma abertura de mente
aos temas apresentados na sociedade, uma relação melhor com o outro, pois a leitura desperta
a sensibilidade de se por no lugar do outros. Trazer temas voltados para a realidade deles,
inserir conteúdos de matemática, Português e outras disciplinas mediante as experiências de
vida que eles possuem desenvolve melhor essa Educação que muitas vezes é desvalorizada
por muitos.
Portanto moldar crianças, jovens e adultos é um desafio muito grande onde o professor
participa em grande escala. O exercício da docência proporciona essa experiência, pois a
Educação é promovida em conjunto com a família, comunidade e escola, sendo a escola o
reflexo da educação repassada pela família e pela comunidade. Assim se a família não esta
preocupada em educar, a criança estará com uma quebra na corrente da Educação, e se a
comunidade for violenta? A criança desenvolverá atitudes violenta, de desrespeito com os
240
demais e isso refletirá na escola, na presença do professor, estando este muitas vezes sozinho
tentando influenciar o aluno às práticas de um bom comportamento. E essa visão é promovida
através do Estágio Supervisionado.
O objetivo geral deste projeto é oportunizar aos estagiários do curso de pedagogia a
vivência da docência e práticas pedagógicas diversificadas nos Anos iniciais e EJA do Ensino
Fundamental para construção do referencial teórico. Tendo como referencial o art.32 e o
art.37 da Lei de Diretrizes e Base Nacional de 20 de Dezembro de 1996, nº 9394/96. Para
alcançar o objetivo geral foram pautados os seguintes objetivos específicos: a) Observar o
cotidiano docente nos anos iniciais e EJA; b) Discutir o referencial teórico desse nível e
modalidade de ensino; c) Praticar a docência nos anos iniciais e EJA; d) Organizar Práticas
Pedagógicas, em relatório de estágio.
METODOLOGIA
A metodologia da pesquisa consistiu na atuação do acadêmico na unidade educacional
de ensino promovendo o conhecimento especifico sobre a prática docente. Com a atuação na
unidade de ensino em forma de diagnose, para assim avaliar o espaço físico, as questões
pedagógicas e, sobretudo, inserir-se no nível de Anos Iniciais e EJA, com compromisso e
maturidade.
O Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais e EJA são de suma importância, pois
oportunizará ao acadêmico a vivência da docência e as Práticas Pedagógicas diversificadas
nos Anos iniciais e EJA do Ensino Fundamental para construção do referencial teórico.
Inicialmente com a elaboração do projeto, organização e atuação na unidade educacional em
forma de diagnose, observando o espaço físico, as questões pedagógicas e, sobretudo,
entender sobre as diversas questões que permeiam a educação de jovens e adultos,
compreendendo o seu contexto na sociedade e entender sua historicidade.
O projeto de Estagio também estará inserido ao trabalho Interdisciplinar de Iniciação
Cientifica (TIIC), tendo este varias etapas: orientações em sala de aula, planejamentos e
palestras, elaboração do projeto de estágio, Encontro de Pedagogos e Congresso. O estágio de
campo será desenvolvido em três etapas: observação da escola nos anos iniciais, participação
e regência. O Estágio consta 119 horas de carga horária, sendo distribuída 47h/a de orientação
e planejamento para as atividades práticas do Estágio e de campo para a docência. 48h/a para
séries iniciais do 1º ao 5º ano sendo assim dividida, 20h para observação, 20h para regência e
08h para planejamento. 24h/a para 1ª e 2ª etapa da EJA – intervenção pedagógica, distribuídas
assim 10h para observação/participação e 14h para intervenção. É um grande desafio ao
241
acadêmico enfrentar a realidade tendo que uni-la a teoria, uma vez que ambas devem estar
interligada para que haja completa inserção de ensino-aprendizagem.
RESULTADOS E DISCURSÃO
A escola desenvolve uma concepção pedagógica de ser um referencial de boa
qualidade e excelência na formação humana. Onde possam envolver os pais, professores,
educando e a comunidade no desenvolvimento educacional, moral e ético dos educando. A
fim de promover uma visão de mundo, consciência crítica no alunado e interação com a
comunidade. Segundo Cury 2007:
Os professores (incluindo os pedagogos e os psicólogos da educação)
são sacerdotes da inteligência e, portanto, os profissionais mais
importantes da sociedade, e a escola é o seu lugar mais sagrado.
(CURY, 2007, p.14).
A escola é o palco onde esses profissionais fazem o espetáculo, cultivando bons modos,
ensinando e educando crianças e jovens todos os dias para agirem de modo ético e moral na
sociedade em que estão inseridos. No Estágio Supervisionado tem-se a oportunidade de
definir o perfil do profissional que se deseja ser. Pondo em pratica as teorias aprendidas em
sala de aula.
A EJA para muitos Jovens e Adultos é a realização de um sonho que não puderam
concluir na idade certa, pois as condições de vida impuseram o trabalho para manterem-se
vivos, e muitos deles tiveram que optar por abandonar os estudos. Porem pela necessidade de
informação, e as exigências do mundo do trabalho, juntamente com o avanço da tecnologia,
esses jovens e adultos se viram no dever de retornarem as salas de aulas para buscar mais
conhecimentos, e eles já voltam com experiências que obtiveram na vida. Dessa forma os
professores trabalham mediante a realidade dos educando buscando apresentar conteúdos de
modo a chamar atenção dos alunos da EJA garantindo a permanência dos mesmos na
instituição. A Educação para Jovens e Adultos deve estar voltada ao interesse da realidade
deles, buscando inserir problemas que são vivenciados por eles no dia-dia. Para que as aulas
não sejam monótonas e considerada desinteressante faz-se necessário o professor da EJA
conhecer a vivencia dos seus educando trazendo diferentes contextos sociais dos quais em
algum momento esses alunos já vivenciaram para que se tenha uma interação entre os
estudantes e o docente.
CONCLUSÃO
Conclui-se que o estágio é um ótimo caminho para o acadêmico se descobrir-se como
profissional da educação. Sugere-se que o tempo ou as atividades planejadas estejam de
acordo para que não sobrecarregue o acadêmico na hora de escrevê-las. A experiência
adquirida durante esse período é indescritível ajuda a descobrir capacidades adormecidas,
242
prepara para as futuras atuações em escolas quando se obtiver a formação. A interação
promovida entre os professores da Escola e o estagiário ajuda para que o desempenho desse
acadêmico seja bem visível. Acredita-se que a aprendizagem não se fecha aqui, para cada
etapa a um novo conhecimento a ser adquirido, então que todos busquem sempre apropriar-se
do conhecimento que é a arma que muda o mundo.
REFERENCIAS:
CURY, Augusto. Filhos brilhantes, alunos fascinantes/Augusto Cury. – São Paulo: Editora
Planeta do Brasil, 2007.
www.portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf
243
TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NO ENSINO FUNDAMENTAL:
ANÁLISE DA FORMAÇÃO INICIAL/CONTINUADA E PRÁTICAS
DOCENTES
Luiz Carlos Rabelo Vieira1
Doriedson Alves de Almeida2
[email protected]
RESUMO: As tecnologias educativas nos espaços educacionais são consideradas recursos de importância
indiscutível, embora na prática sejam subutilizadas. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar o
contexto das tecnologias educativas na formação inicial/continuada e nas práticas docentes de professores que
atuam no ensino fundamental. Na pesquisa de campo os dados foram coletados em uma escola da rede pública
municipal da zona urbana de Santarém-Pa. Participaram 10 professores de diferentes disciplinas, entre 29 e 46
anos de idade, de ambos os sexos. Foi utilizado um questionário composto por questões fechadas com respostas
na escala tipo Likert, cujas opções de resposta eram: discordo totalmente, discordo parcialmente, não concordo
nem discordo, concordo parcialmente e concordo totalmente. Dentre os resultados, percebeu-se que a formação
inicial dos professores foi deficitária quanto às vivências sobre tecnologias educativas, possibilitada com maior
ênfase na formação continuada. A maioria dos docentes considerou como importante/necessário e faz o uso
desses recursos nos processos de ensino e aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: formação, docência no ensino básico, tecnologia educacional.
INTRODUÇÃO
Nos ambientes educacionais, as tecnologias educativas são consideradas recursos de
importância indiscutível, embora na prática sejam subutilizadas (VIEIRA, 2011). Elas devem
ser compreendidas enquanto elementos estruturantes de processos educacionais (PRETTO,
1996) e podem ser: computador, DVD, slides, CD player, TV educativa, TV comercial e
internet (TEZANI, 2011). O uso dessas tecnologias na escola, por meio das práticas
educativas dos docentes, tem importância relevante frente ao atual contexto social, pois o
processo de aprendizado possibilitado por estes elementos torna-se significativo e consoante
com a realidade do educando (AZEVEDO et al., 2014). Logo, o uso desses recursos no
processo de ensino e aprendizagem é algo complexo e necessita que o docente apresente uma
série de habilidades técnico-pedagógicas (ALMEIDA, 2010; BARROS, 2009). A
compreensão desse fenômeno é importante em vista de que a educação no Brasil vem
sofrendo forte influência pedagógica baseada na utilização das tecnologias educativas
(ALMEIDA, 2010), pois evidências comprovam que contribuem no alcance do potencial
individual do educando (NASCIMENTO; TROMPIERI FILHO, 2002) e possibilitam a
participação ativa desse sujeito no mundo da cultura por meio da produção audiovisual
(SILVA, 2008). Em especial, o computador vem sendo apontado como importante recurso.
Investigações apontam que seu uso requer adequações ergonômicas e ambientes confortáveis,
1
Mestrando em Educação, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Universidade Federal do
Oeste do Pará-UFOPA.
2
Doutorado em Educação, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Universidade Federal da
Bahia-UFBA. Centro de Formação Interdisciplinar-UFOPA.
244
situações as quais, em vários casos, não são garantidas em instituições de ensino básico
(ROCHA; CASAROTTO; SZNELWAR, 2003). Diante deste contexto, a relevância desta
pesquisa se apoia no fato de ser necessária a promoção de estudos que apontem os desafios, as
possibilidades e as repercussões educacionais de práticas docentes inovadoras e eficazes.
Conforme o exposto, o objetivo desta pesquisa foi analisar o contexto das tecnologias
educativas na formação inicial/continuada e nas práticas docentes de professores que atuam
no ensino fundamental.
MÉTODO
Trata-se de um estudo de campo, quantitativo, transversal e descritivo, cujos dados
foram coletados, em setembro de 2015, em uma escola da rede pública municipal da zona
urbana de Santarém-Pa, sob o consentimento da gestão escolar. Participaram da pesquisa 10
professores de diferentes disciplinas, entre 29 e 46 anos de idade. Todos assinaram um Termo
de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme as diretrizes e normas
regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos (RESOLUÇÃO CNS nº
466/2012). A técnica utiliza para a coleta de dados foi um questionário baseado no estudo de
Vieira et al. (2015), composto por questões fechadas com respostas na escala tipo Likert,
cujas opções de resposta eram: discordo totalmente, discordo parcialmente, não concordo nem
discordo, concordo parcialmente e concordo totalmente. Além disso, foram obtidas
informações de caracterização dos participantes. Os dados foram analisados por meio da
estatística descritiva, com a determinação da frequência absoluta.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quanto à caracterização dos participantes da pesquisa, observou-se a predominância
mulheres (70%). Todos com pós-graduação lato sensu e média de nove anos de tempo de
atuação docente no ensino básico. Em se tratando do desfecho de interesse do estudo, os
resultados são apresentados na tabela abaixo sobre o nível de concordância sobre os itens
relacionados ao contexto das tecnologias educativas na amostra pesquisada. Assim, verificouse como prevalente a discordância quanto ao uso das tecnologias educativas por docentes na
formação inicial da amostra pesquisada. Para a maioria, existiam tecnologias como recursos
pedagógicos e ambientes na IES onde fez a formação inicial, apesar desses elementos,
também para a maioria, não terem sido abordadas enquanto conteúdo da grade curricular. Por
outro lado, em se tratando da formação continuada, observou-se que houve maior número de
concordância na amostra quanto ao uso por docentes, existência de ambientes na IES e
245
abordagem das tecnologias. Sobre a importância e necessidade do uso das tecnologias
educativas no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos da disciplina, a maioria dos
professores apresentaram concordância. Este resultado também foi encontrado sobre o uso,
por eles, desses recursos no processo de ensino e aprendizagem, apesar de três docentes terem
discordado totalmente sobre essa situação. Por fim, percebeu-se que, na visão da amostra, a
escola onde é docente possui tecnologias educativas e ambientes para seu uso.
Tabela. Nível de concordância na amostra de professores (N=10) sobre os desfechos relacionados às
tecnologias educativas. Santarém-Pa, 2015.
Nível de concordância
n
Itens de investigação
DT
DP
NCD
CP
CT
Houve o uso das tecnologias educativas por
6
1
0
2
1
docentes na formação inicial
Existiam tecnologias educativas como
recursos pedagógicos e ambientes na IES onde
0
3
0
4
3
fez a formação inicial
Foram abordadas as tecnologias educativas na
formação inicial enquanto conteúdo da grade
8
0
0
1
1
curricular
Houve o uso das tecnologias educativas por
0
1
0
6
3
docentes na formação continuada
Existiam tecnologias educativas como
recursos pedagógicos e ambientes na IES onde
0
0
0
1
9
fez a formação continuada
Foram abordadas as tecnologias educativas na
formação continuada enquanto conteúdo da
0
2
0
2
6
grade curricular
É importante e necessário o uso das
tecnologias educativas no processo de ensino e
0
0
2
2
6
aprendizagem dos conteúdos da disciplina
Faz o uso das tecnologias educativas no
processo de ensino e aprendizagem dos
3
0
1
4
2
conteúdos da disciplina
A escola onde é docente possui tecnologias
0
0
0
0
10
educativas e ambientes para seu uso
DT = discordo totalmente; DP = discordo parcialmente; NCD = não concordo nem discordo; CP =
concordo parcialmente; CT = concordo totalmente; IES = Instituição de Ensino Superior.
Os resultados encontrados na presente pesquisa mostram que na formação inicial, para
a maioria dos professores investigados, notoriamente houve poucas vivências quanto às
tecnologias educativas, diferentemente da continuada, reforçando, assim, a importância desta
no tocante para a atuação docente. Além disso, a maioria considerou como
importante/necessário e faz o uso desses recursos na educação. Mediante esses achados,
acredita-se que é importante a sistematização de reflexões sobre o uso de tecnologias
educativas na formação inicial de professores, bem como sua utilização no ensino básico em
246
todos os componentes curriculares. Esse contexto de discussão é premente, visto que o novo
paradigma representa grandes implicações na vida moderna, no trabalho, no lazer e,
consequentemente, na educação (MARTINS, 2011). Quanto à educação, cultura e mídia no
cenário do ensino público no Brasil, Souza, Costa e Fiscarelli (2012) citam que as tecnologias
vêm galgando um espaço relevante, pois representam interesses dos alunos. Acredita-se que o
uso de tecnologias educativas nos processos educativos pelos professores relacionasse com as
experiências nessa temática na formação inicial/continuada. Santos (2008) cita que os
educadores não vivenciam o potencial das tecnologias na formação, o que dificulta a
transposição deste conhecimento para as situações reais de ensino e aprendizagem. Apesar da
importância de se fomentar a discussão sobre o tema investigado, acredita-se, assim reportam
Moran, Masetto e Behrens (2006), que as tecnologias não podem ser consideradas como a
solução dos dilemas da educação, uma vez que são vários os fatores relacionados a uma
educação de qualidade, que precisa avançar.
CONCLUSÃO
Para a maioria dos professores investigados a formação inicial foi deficitária no que
tange às vivências quanto às tecnologias educativas, vindo a ser possibilitada com maior
ênfase na continuada, por meio de cursos de especialização. Isto reforça a importância desta
no tocante para a atuação docente. Dado o valor a essa situação, a maioria considerou como
importante/necessário, assim como faz o uso desses recursos nos processos de ensino e
aprendizagem nas disciplinas sob suas responsabilidades. Sugere-se a realização de mais
estudos sobre esse objeto de estudo de modo a contribuir ao corpus teórico sobre o tema.
REFERÊNCIAS
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apropriação. Pró-Discente (UFES), v. 15, p. 08-16, 2010.
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Santarém – Pará Novembro - 2015 ISSN 1808-3072