0 ISSN 1808-3072 Santarém – Pará Novembro - 2015 1 IX CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA XV SALÃO DE INCIAÇÃO CIENTÍFICA II SALÃO DE EXTENSÃO DO CEULS/ULBRA TEMA: SABER PENSAR PELA PESQUISA 04,05 e 06 de NOVEMBRO DE 2015 ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL LUTERANA DO BRASIL PRESIDENTE: PAULO AUGUSTO SEIFERT DIRETOR EXECUTIVO: ROMEU FORNECK CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE SANTARÉM DIRETOR GERAL: ILDO SCHLENDER CAPELÃO: REV. MAXIMILIANO WOLFGRAMM SILVA COORDENADOR DE ENSINO: CELSO SHIGUETOSHI TANABE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO: MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO Correspondência Av. Sergio Henn, 1787, Bairro Diamantino CEP: 68025 – 000 – Santarém – PA Fone/Fax: (0xx93) 3524-1055 E-mail: [email protected] COMISSÃO EDITORIAL CELSO SHIGUETOSHI TANABE MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO COMISSÃO DE ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE RESUMOS IGO TARCIO RAMOS DE MENEZES MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO ROSANGELA MARIA LIMA DE ANDRADE COMISSÃO CIENTÍFICA CELSO SHIGUETOSHI TANABE FERNANDO AUGUSTO FERREIRA DO VALLE IVONE DOMINGOS DA SILVA IZABEL ALCINA SOARES EVANGELISTA MARIA SHEYLA CRUZ GAMA MARIA VIVIANI ESCHER ANTERO ROSANGELA MARIA LIMA DE ANDRADE SAMAI DOS SANTOS SERIQUE Os resumos contidos neste Caderno de Resumo são de responsabilidade de seus autores. C749 Congresso de Ciência e Tecnologia da Amazônia (9. : 2015: Santarém, PA). Caderno de resumos do Salão de Pesquisa e Iniciação Científica do CEULS ULBRA Santarém: O Saber pensar pela pesquisa. (n. 15, 2015) / Centro Universitário Luterano de Santarém. CEULS/ULBRA, 2015. ISSN 1808-3072. 46 resumos. 247 p. Evento realizado em Santarém, no Centro Universitário Luterano de Santarém nos dias 4 a 6 de novembro de 2015. 1. Pesquisa Científica. 2. Resumos científicos, I. Centro Universitário Luterano de Santarém. II. Educação e Ciência. III. Título. CDU 001.891 Biblioteca Martinho Lutero / Setor de Processamento Técnico / Santarém – PA Bibliotecária Renata Ferreira – CRB-2/1440 2 APRESENTAÇÃO O CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA E O XV SALÃO DE PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA são iniciativas do Centro Universitário Luterano de Santarém com ampla repercussão entre a comunidade acadêmica regional e, tem como objetivo incentivar docentes, acadêmicos e/ou profissionais, interesse por novas descobertas. O incentivo à produção científica corrobora no aumento quantitativo e qualitativo a pesquisa, fortalecendo assim o desenvolvimento científico regional, no sentido de promover uma discussão e atualização da comunidade acadêmica, reafirmando o pacto pela excelência, bem como promover um espaço de articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Neste ano de 2015 o evento trouxe a temática O SABER PENSAR PELA PESQUISA, sendo mais uma oportunidade de discussão e publicação de resumos expandidos. O caderno de resumos traz 46 trabalhos de diferentes áreas do conhecimento com diversidade temática, o que propicia uma fonte de conhecimento e informações que agregam ao saber pensar pela pesquisa. 3 SUMARIO APRESENTAÇÃO 2 CIÊNCIAS BIOLOGICAS 6 TRIAGEM FITOQUÍMICA E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Schnella sp. (LEGUMINOSAE) 7 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ANTIOXIDANTE E TOXICIDADE AGUDA DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Licania rigida (CHRYSOBALANACEAE) 12 ESTUDO MORFOANATÔMICO DAS (Syzygium malaccense, MYRTACEAE) 17 ATIVIDADE INSETICIDA AMAZÔNICAS DE FOLHAS EXTRATOS DO DE JAMBEIRO-VERMELHO PLANTAS MEDICINAIS 22 CIÊNCIAS AGRÁRIAS 26 AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE Kalanchoe pinnata (LAM.) PERS. (CRASSULACEAE) CULTIVADA SOB DIFERENTES NÍVEIS DE LUZ E NUTRIÇÃO 27 CIÊNCIA SOCIAIS APLIACADA 32 IDENTIDADE CULTURAL: A AGRICULTURA E A PESCA COMO TRADIÇÃO E ORGANIZAÇÃO SOCIAL NA COMUNIDADE CURUMU, NO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS∕PA 33 GESTÃO DEMOCRÁTICA ESCOLAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE SANTARÉM 38 O PERFIL SÓCIOECONÔMICO DA COMUNIDADE DE CUIPIRANGA: UM ESTUDO DOS FATORES QUE EVIDENCIAM AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA LOCALIDADE 42 ENGENHARIAS 48 REEMPREGO DE RESÍDUOS GERADOS POR EMPRESAS CONCRETEIRAS SANTARÉM DE 49 A RELAÇÃO ENTRE INTERDISCIPLINARIDADE E SUSTENTABILIDADE NA FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO CIVIL NO CONTEXTO EDUCACIONAL BRASILEIRO 54 ANÁLISE ESTRUTURAL E INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DE AÇÃO DOS VENTOS: PARÂMETROS RELEVANTES NA CONCEPÇÃO DE GALPÕES INDUSTRIAIS 60 AVALIAÇÃO DE PROCESSO DE TRATAMENTO DO LODO COLETADO POR CAMINHÃO LIMPA FOSSA 66 DESCRIÇÃO DE MÉTODO EXPERIMENTAL PARA DETERMINAÇÃO DE ABSORÇÃO DE ÁGUA E IMPERMEABILIDADE EM TELHAS DE FIBROCIMENTO 71 MODELO DE FOSSA SÉPTICA COM FILTRO ANAERÓBIO PARA RESIDÊNCIAS POPULARES DA CIDADE DE SANTARÉM-PA 76 CIENCIAS EXATAS 81 DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DE SOFTWARE EDUCATIVO PARA APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS DE FUNÇÕES MATEMÁTICAS DE 1º E 2º GRAU 82 4 BITS E BYTES DE CULTURA DA AMAZÔNIA: A TECNOLOGIA E A INSERÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL 86 CARACTÉRISTICAS DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE SOFTWARE 93 DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO MOBILE MULTIPLATAFORMA PARA A CPA DO CEULS/AELBRA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DE PROFESSORES 98 GAMIFICAÇÃO NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE ESTRATÉGIAS PARA DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO GAMIFICADO PARA AUXILIAR NA REALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 104 PROPOSTA DE APRENDIZAGEM 108 ORDENAÇÃO DE ATIVIDADES COM OBJETOS DE LINGUISTICA, LETRA E ARTE 114 A PRÁTICA DO LETRAMENTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 115 ESTUDO DIAGNÓSTICO DE ALUNOS DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA 119 NO SEU PROCESSO DE RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICA COM A PRODUÇÃO DE RESUMOS E RESENHAS NO ENSINO SUPERIOR 124 CIÊNCIAS DA SAÚDE 129 SÍNDROME DE BURNOUT E DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO 130 CIÊNCIAS HUMANAS 134 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS 135 A PESQUISA E O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOS ALUNOS DE GRADUAÇÃO 139 GESTÃO DEMOCRÁTICA E ELEIÇAO DE GESTORES ESCOLARES: UMA NECESSIDADE DE ACOMPANHAMENTO DO CME DO MUNICIPIO DE SANTARÉM 143 OBESIDADE INFANTIL NO MEIO EDUCACIONAL 146 TABAGISMO NA ESCOLA E ATIVIDADE FÍSICA 154 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA 165 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O LETRAMENTO 170 AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE BELTERRA/PA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA POLITICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL 177 AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SANTARÉM/PA PARA A IMPLENTAÇÃO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL 183 AS PRÁTICAS LÚDICO-PEDAGÓGICAS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PREVENÇÃO DO PERIGO AVIÁRIO 189 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA: NÍVEL DE APRENDIZAGEM DO 5º ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL 194 CURTINDO A VIDA COM A TERCEIRA IDADE 199 EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM ESCOLAS MUNICIPAIS DE SANTARÉM/PA 202 5 EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COMO POLITICA INDUTORA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL EM ESCOLAS ESTADUAIS DA CIDADE DE SANTARÉM/PA 207 FORMAÇÃO CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAGÓGICOS: ESTUDO COM EGRESSOS DA UFOPA 212 FORMAÇÃO CONTINUADA DE GESTORES ESCOLARES 217 FORMAÇÃO PROFISSIONAL: O INCENTIVO AO VINCULO FAMILIAR 222 IDENTIDADE: A FACE DAS VIVÊNCIAS PROFISSIONAIS DOS PROFESSORES EM SOCIEDADE 227 MOTIVAÇÃO DO DOCENTE NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM 230 O ENSINO DA DISCIPLINA ESTUDOS AMAZÔNICOS NAS ESCOLAS DE SANTARÉM-PARÁ: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A TEMÁTICA DA GUERRA DA CABANAGEM 234 O PERFIL DO PROFESSOR DOS ANOS INICIAIS E EJA 239 TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NO ENSINO FUNDAMENTAL: ANÁLISE DA FORMAÇÃO INICIAL/CONTINUADA E PRÁTICAS DOCENTES 243 6 7 TRIAGEM FITOQUÍMICA E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIOXIDANTE DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Schnella sp. (LEGUMINOSAE) Juliana Erica Cirino do Nascimento1 Maria Elizelma da Silva Ribeiro1 Luciana Silva de Araújo1 Rodrigo Rezende Kitagawa2 Leopoldo Clemente Baratto3* *[email protected] RESUMO: Schnella (antigamente classificado como Bauhinia) é um gênero neotropical que possui espécies de grande interesse terapêutico. Entre elas está a ―escada-de-jabuti‖ ou ―cipó-escada‖ (Schnella sp.), muito utilizada na medicina tradiconal da região amazônica para diversas enfermidades. Assim, objetivou-se realizar uma análise in vitro da capacidade antioxidante do extrato etanólico das folhas desta espécie, além de realizar uma triagem fitoquímica a fim de verificar quais classes de metabólitos secundários esta planta produz. Para avaliação do potencial antioxidante, utilizou-se os métodos da capacidade de sequestro do radical DPPH (1,1difenil-2-picril-hidrazila) e do ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)]. A triagem fitoquímica de folhas foi realizada por meio de técnicas clássicas de análise farmacognóstica de drogas vegetais, para verificar a presença de compostos fenólicos em geral, taninos, flavonoides, antraquinonas, alcaloides e saponinas. A partir da avaliação in vitro, pode-se concluir que o extrato possui capacidade antioxidante, além do mais, na triagem fitoquímica apresentou compostos fenólicos, entre eles flavonoides e taninos, havendo, portanto, um forte indício de que sejam estes metabólitos secundários os responsáveis pela ação de inibir os radicais livres. PALAVRAS-CHAVE: Schnella sp., escada-de-jabuti, atividade antioxidante INTRODUÇÃO O gênero Schnella é um gênero neotropical que acomoda todas as espécies trepadeiras (lianas) que contêm gavinhas classificadas antigamente no gênero Bauhinia (Trethowan; Clark; Mackinder, 2015). O Brasil contém o maior número de espécies, totalizando 34 descritas. A maioria das espécies encontra-se em florestas tropicais úmidas como a Amazônia (kew, 2015), e são comumente encontradas como escandentes sobre árvores ou arbustos de matas primárias ou em capoeiras, sendo que algumas espécies preferem as beiradas das matas, em geral locais mais ensolarados (Viana et al., 2011). Como a reclassificação das lianas de Bauhinia para Schnella é recente, muitos trabalhos foram publicados com a antiga classificação do gênero. Suas espécies são de grande interesse terapêutico, devido às várias atividades biológicas a elas atribuídas, como por exemplo antidiabética, anti-inflamatória, antimicobacteriana, antimalárica, antifúngica, citotóxica, anticancerígena, diurética e antioxidante, além de serem utilizadas no tratamento de inchaços e tumores estomacais, diarreia e úlcera (Santos, 2008; Santos et al., 2014). 1 Acadêmicos do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Professor Doutor em Biotecnologia, Universidade Federal do Espírito Santo-UFES. 3 Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. 2. 8 O potencial antioxidante de várias espécies vegetais tem sido alvo frequente de pesquisas científicas, objetivando-se minimizar os danos causados pelos radicais livres no organismo, já que cerca de 200 doenças diferentes estão relacionadas a sua produção e acúmulo (Sousa et al., 2004; Alves et al., 2008; Santos, 2008). Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi realizar uma análise in vitro da capacidade antioxidante do extrato etanólico das folhas de uma espécie de Schnella sp., conhecida popularmente na região amazônica como ―escada-de-jabuti‖ e ―cipó-escada‖, muito utilizada na medicina tradiconal para diversas enfermidades, além de realizar uma triagem fitoquímica a fim de verificar quais classes de metabólitos secundários essa planta produz. MÉTODO Material vegetal e preparo de extratos: Folhas de Schnella sp. foram coletadas na região de Santarém e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal seco foi moído e macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com agitação ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até a secura em rotaevaporador. Triagem fitoquímica: A prospecção fitoquímica de folhas de Schnella sp. foi realizada por meio de técnicas clássicas de análise farmacognóstica de drogas vegetais. Para tanto, os extratos aquoso e etanólico das folhas foram analisados utilizando-se solução de cloreto férrico (FeCl3) 5% para verificar a presença de compostos fenólicos e taninos; solução de gelatina 2% e acetato de chumbo 1% para taninos; solução de cloreto de alumínio (AlCl3) 5% para flavonoides; reativo de Bornträger para antraquinonas; reagente de Dragendorff para alcaloides, e teste de formação de espuma para identificar saponinas. Ensaio do DPPH: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de Schnella sp. sobre o DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) foi determinada utilizando o método de Yamaguchi et al. (2000) modificado, utilizando-se uma solução de DPPH a 0,004% e as seguintes concentrações de extrato: 25; 12,5; 6,25; 3,125; 1,5625 e 0,7825 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 540 nm para determinação da concentração inibitória (CI50). Ensaio do ABTS: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de Schnella sp. sobre ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)] foi determinada utilizando o método de Re et al. (1999) modificado. Inicialmente uma mistura aquosa de ABTS (7 mmol.L-1) e persulfato de potássio (2,45 mmol.L-1) foi incubada a temperatura ambiente e ao abrigo da luz por 12 h. A solução formada de ABTS•+ diluída em etanol foi lida em 734 nm. ABTS•+ foi incubado com o extrato nas seguintes concentrações: 6,25; 9 3,125; 1,5625; 0,7825; 0,390625 e 0,1953125 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 750 nm para determinação da concentração inibitória (CI50). RESULTADOS E DISCUSSÃO A prospecção fitoquímica das folhas de Schnella sp. (escada-de-jabuti) evidenciou a presença de compostos fenólicos, como flavonoides e taninos hidrolisáveis, conforme a Tabela 1. O extrato etanólico das folhas dessa espécie mostrou potencial antioxidante frente aos ensaios realizados, com CI50= 6,35 µg/mL no ensaio de DPPH e CI50= 1,81 µg/mL no ensaio do ABTS. Tabela 1. Análise fitoquímica dos extratos aquoso e etanólico de folhas de Schnella sp. Classe de metabólitos secundários Compostos fenólicos/flavonoides (extrato etanólico 70%) Taninos (extrato aquoso) Teste e/ou reagente FeCl3 5% AlCl3 5% Gelatina 2% Acetato de chumbo 1% FeCl3 5% Antraquinonas Reação de Bornträger direta (NH4OH diluído) Reação de Bornträger indireta (hidrólise ácida prévia com H2SO4 + NH4OH) Alcaloides Reagente de Dragendorff Saponinas Teste de formação de espuma Resultado Positivo (fluorescência amarelada no UV) Positivo (coloração escura) Positivo (turvação) Positivo (turvação) Positivo para taninos hidrolisáveis (solução azul escura) Negativo para agliconas de antraquinonas Negativo para antraquinonas glicosiladas Negativo (não formou precipitado alaranjado) Negativo (não formou espuma persistente) Diversas espécies do gênero Bauhinia, antiga classificação para as espécies trepadeiras neotropicais de Schnella, foram submetidas a avaliações da capacidade antioxidante e apresentaram resultados muito satisfatórios, que podem ser atribuídos à presença de compostos fenólicos, como por exemplo, no estudo realizado por Al-Sayed (2014), com o extrato da folha de Bauhinia hookeri que apresentou alta atividade antioxidante in vivo. O extrato hidroalcoólico de B. holophylla foi avaliado em amostras de estômago de ratos, por Rozza et al. (2015), e os resultados sugeriram que o extrato é capaz de prevenir os efeitos oxidativos do etanol. Diversos extratos de espécies de Bauhinia foram avaliados pelo método DPPH, entre elas B. variegata, com valores do percentual de atividade antioxidante variando entre 6,48 e 98,3%, cujos principais constituintes são flavonoides (Nascimento et al., 2011). Extratos de folhas e caules de B. microstachya mostraram alto potencial antioxidante in vitro, sendo que a 10 fração acetato de etila de folhas e caules, rica em polifenois, taninos e flavonoides, apresentaram CI50 de 2,75 e 2,86 µg/mL, respectivamente (Bianco & Santos, 2010). O extrato bruto das folhas de B. longifolia não apresentou atividade antioxidante (Santos, 2008; Santos, Duarte & Ferreira, 2011). Já os extratos de folhas e galhos de B. purpurea apresentaram resultados significativos, com valores de CI50 a partir de 17,2 µg/mL (Santos et al., 2014). Teixeira et al. (2009) analisaram qualitativamente a atividade antioxidante de quatro espécies de Bauhinia, sendo que destas B. ungulata apresentou a menor capacidade antioxidande em comparação com as demais amostras e B. heterandra se revelou a de maior potencial. Paula et al. (2014) também avaliaram a atividade de B. ungulata. Os resultados demonstraram que as folhas desta espécie são uma potencial fonte de antioxidantes naturais, com valores de CI50 a partir de 7,68 µg/mL. Silva et al. (2012) avaliaram a atividade antioxidante dos extratos etanólico e aquoso de B. forficata, que apresentaram CI50 de 2.035,64 e 580,89 μg/mL, respectivamente. Por sua vez, Alves et al. (2008) avaliaram a atividade antioxidante do extrato acetato de etila e este apresentou potente atividade antioxidante, provavelmente devido a presença de flavonoides. CONCLUSÃO O resultados mostraram que o extrato etanólico de Schnella sp. apresenta potencial antioxidante, o que corrobora com outras espécies do seu antigo gênero Bauhinia. A triagem fitoquímica evidenciou a presença de compostos fenólicos, entre eles flavonoides e taninos. Muitos compostos fenólicos são conhecidamente antioxidantes naturais e há uma forte indicação de que sejam os flavonoides presentes no extrato os metabólitos secundários responsáveis pela ação de inibir os radicais livres. REFERÊNCIAS AL-SAYED, E.; MARTISKAINEN, O.; EL-DIN, S. H. S.; SABRA, A. N. A.; HAMMAM, O. A.; EL-LAKKANY, N. M.; ABDEL-DAIM, M. M. Hepatoprotective and Antioxidant Effect of Bauhinia hookeri Extract against Carbon Tetrachloride-Induced Hepatotoxicity in Mice and Characterization of Its Bioactive Compounds by HPLC-PDA-ESI-MS/MS. BioMed Research International, 2014. ALVES, D. P. R.; CORRÊA, D. S.; FERREIRA, M. J. P.; SARTORELLI, P. Avaliação da atividade antioxidante do extrato de folhas de Bauhinia forficata (Leguminosae). In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 31, 2008. BIANCO, E. M.; SANTOS, C. A. M. Propriedades antioxidantes de folhas e caules de Bauhinia microstachya (Raddi) J. F. Macbr. Brazilian Journal of Biosciences, v. 8, n. 3, p. 238-241, 2010. KEW ROYAL BOTANIC GARDENS. Disponível em: <http://www.kew.org/scienceconservation/research-data/resources/legumes-of-the-world/genus/schnella>. Acesso em: 05 de outubro de 2015. 11 NASCIMENTO, J. C.; LAGE, L. F. O.; CAMARGOS, C. R. D. AMARAL, J. C.; COSTA, L. M.; SOUSA, A. N.; OLIVEIRA, F. Q. Determinação da atividade antioxidante pelo método DPPH e doseamento de flavonóides totais em extratos de folhas da Bauhinia variegata L. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 92, n. 4, p. 327-332, 2011. PAULA, C. S.; CANTELI, V. C.; HIROTA, B. C. k.; CAMPOS, R.; OLIVEIRA, V. B; KALEGARI, M.; SILVA, C. B.; SILVA, G. M.; MIGUEL, O. G.; MIGUEL, M. D. Potencial antioxidante in vitro das folhas da Bauhinia ungulata L. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, v. 35, n. 2, p. 217-222, 2014. RE, R.; PELLEGRINI, N.; PROTEGGENTE, A.; PANNALA, A.; YANG, M.; RICE-EVANS, C. Antioxidant activity applying an improved ABTS radical cation decolourisation assay. Free Radical Biology & Medicine, v. 26, p. 1231-1237, 1999. ROZZA, A. L.; CESAR, D. A. S.; PIERONI, L. G.; SALDANHA, L. L.; DOKKEDAL, L. A.; FARIA, F. M.; BRITO, A. R. M. S.; VILEGAS, W.; TAKAHIRA, R. K.; PELLIZZON, C. H. Antiulcerogenic Activity and Toxicity of Bauhinia holophylla Hydroalcoholic Extract. EvidenceBased Complementary and Alternative Medicine, 2015. SANTOS, A. E. Avaliação do potencial antioxidante e caracterização química das frações cromatográficas e extrato etanólico das folhas de Bauhinia longifolia (Bong.) Steudel. (Trabalho de Conclusão do Curso). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Alto São Francisco, 2008. SANTOS, A. E.; DUARTE, A.; FERREIRA, W. J. Avaliação do potencial antioxidante e caracterização química de Bauhinia longifolia (Bong.) Steudel. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 34, 2011. SANTOS, P. M.; ALMEIDA, P. D. O.; LIMA, E. S.; MORAES, M. O.; COSTA, P. M.; MEIRA, A. S.; PESSOA, C. O.; VALENTE, L. M. M.; VEIGA JUNIOR, V. F. V. Perfil de flavonoides e avaliação do potencial antioxidante e citotóxico de Bauhinia purpurea (Fabaceae) da região amazônica. Química Nova, v. 37, n. 1, p. 89-94, 2014. SILVA, C. F. G.; TONIN, L. T. D.; DÜSMAN, E.; VICENTINI, V. E. P. Avaliação da atividade antioxidante e determinação de fenóis totais de Bauhinia forficata. In: SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA DA UTFPR, 17, 2012. TEIXEIRA, M. A.; ANDRADE NETO, M.; BARBOSA, F. G.; SOUSA, A. H.; RIOS, J. B.; LIMA, L. B.; SILVA, M. G. V. Avaliação do Potencial Antioxidante de Plantas do Gênero Bauhinia. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 32, 2009. TRETHOWAN, L. A.; CLARK, R. P.; MACKINDER, B. A. A synopsis of the neotropical genus Schnella (Cercideae: Caesalpinioideae: Leguminosae) including 12 new combinations. Phytotaxa, v. 204, n. 4, 2015. VIANA, C. A. S.; PAIVA, A. O.; JARDIM, S. V.; RIOS, M. N. S.; ROCHA, N. M. S.; PINAGÉ, G. R.; ARIMORO, O. A. S.; SUGANUMA, O.; GUERRA, C. D.; ALVEZ, M. M.; PASTORE, J. F. Plantas da Amazônia: 450 espécies de uso geral. Disponível em: <http://leunb.bce.unb.br/> Acesso em: 30 de setembro de 2015. YAMAGUCHI, F.; ARIGA, T.; YOSHIMURA, Y.; NAKAZAWA, H. Antioxidative and antiglycation activity of garcinol from Garcinia indica fruit rind. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 48, p. 180-185, 2000. 12 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE ANTIOXIDANTE E TOXICIDADE AGUDA DO EXTRATO ETANÓLICO DE FOLHAS DE Licania rigida (CHRYSOBALANACEAE) Luciana Silva de Araújo1 Juliana Érica Cirino do Nascimento1 Maria Elizelma da Silva Ribeiro1 Rodrigo Rezende Kitagawa2 Leopoldo Clemente Baratto3* *[email protected] RESUMO: Licania rigida, conhecida popularmente como oiticica, é uma espécie endêmica do Nordeste brasileiro, típica de matas ciliares da caatinga, sendo utilizada para o tratamento de doenças crônicas degenerativas que envolvem espécies reativas de oxigênio (EROS). Devido sua importância terapêutica na medicina popular, objetivou-se avaliar a capacidade antioxidante e toxicidade aguda do extrato etanólico de folhas desta espécie, utilizando como metodologias dois ensaios in vitro: a capacidade de sequestro do radical DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) e do ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)], para avaliação do potencial antioxidante, e bioensaio com Artemia salina para avaliação da toxicidade. No ensaio de DPPH o extrato apresentou EC50= 14,76 μg/ml, enquanto no ABTS EC50= 3,36 μg/ml, sendo que estes resultados demostram que o extrato possui capacidade antioxidante in vitro. Além disso, o extrato não se mostrou tóxico frente à A. salina. PALAVRAS-CHAVE: Licania rigida, atividade antioxidante, Artemia salina INTRODUÇÃO Entre as várias espécies nativas brasileiras utilizadas popularmente está Licania rigida Benth., pertencente à famílica Chrysobalanaceae, que possui propriedades antiflogística, hipoglicemiante e anti-inflamatória, sendo utilizada também para dor de estômago, diarreia e reumatismo (Lorenzi & Matos, 2002; Cartaxo, 2010; Ricardo, 2011). L. rigida, conhecida popularmente como oiticica, é uma árvore xerófila, típica de matas ciliares do sertão nordestino (Duque, 2004), sendo que, além das aplicações terapêuticas, tem importância do ponto de vista ambiental por ser uma espécie arbórea perene sempre verde que preserva as margens dos rios e riachos temporários na região da caatinga (Santos et al., 2010). Quando se trata de patologias como diabetes mellitus tipo I, câncer, doenças cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imune e disfunções cerebrais, os radicais livres e outros oxidantes vêm sendo considerados responsáveis pela ocorrência dessas e outras doenças (Sousa et al., 2007). Os antioxidantes, por sua vez, retardam significativamente ou inibem a oxidação do substrato, auxiliam na eliminação de radicais livres e principalmente as espécies reativas de oxigênio (EROS) (Cooper, 2005). Sendo assim, a procura por substâncias que consigam atenuar ou mesmo impedir os efeitos prejudiciais dos radicais livres no 1 Acadêmicos do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Professor Doutor em Biotecnologia, Universidade Federal do Espírito Santo-UFES. 3 Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. 2 13 organismo, tem aumentado nos últimos anos (Hirata, 2004). Levando-se em conta que L. rigida é utilizada para o tratamento de patologias como a diabetes, reumatismo e processos inflamatórios, que são casos em que há o envolvimento de EROS (Alves et al., 2008), o objetivo desse trabalho foi analisar a capacidade antioxidante in vitro do extrato etanólico das folhas desta espécie e toxicidade aguda por meio de bioensaio com Artemia salina, este último considerado um organismo alvo na detecção de compostos bioativos em extratos vegetais (Alves et al., 2000). MÉTODO Material vegetal e preparo de extratos: Folhas de L. rigida foram coletadas de um espécime na região central de Santarém e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal seco foi moído e macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com agitação ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até a secura em rotaevaporador. Ensaio do DPPH: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de L. rigida sobre o DPPH (1,1-difenil-2-picril-hidrazila) foi determinada utilizando o método de Yamaguchi et al. (2000) modificado, utilizando-se uma solução de DPPH a 0,004% e as seguintes concentrações de extrato: 25; 12,5; 6,25; 3,125; 1,5625 e 0,7825 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 540 nm para determinação da concentração inibitória (CI50). Ensaio do ABTS: A atividade antioxidante do extrato etanólico das folhas de L. rigida sobre ABTS•+ [ácido 2,2'-azino-bis (3- etilbenzotiazolina-6-sulfônico)] foi determinada utilizando o método de Re et al. (1999) modificado. Inicialmente uma mistura aquosa de ABTS (7 mmol.L-1) e persulfato de potássio (2,45 mmol.L-1) foi incubada a temperatura ambiente e ao abrigo da luz por 12 h. A solução formada de ABTS•+ diluída em etanol foi lida em 734 nm. ABTS•+ foi incubado com o extrato nas seguintes concentrações: 6,25; 3,125; 1,5625; 0,7825; 0,390625 e 0,1953125 μg/ml. O ensaio foi realizado em triplicata, usando placas de 96 poços, com leitura da absorvância a 750 nm para determinação da concentração inibitória (CI50). Ensaio de toxicidade aguda frente à Artemia salina: Para avaliação da toxicidade do extrato etanólico, foi realizado bioensaio com A. salina, de acordo com Meyer et al. (1982) com alterações. Em um erlenmeyer foram adicionados 200 mL de água do mar artificial e 200 mg de cistos de A. salina, que foi levado a banho-maria com temperatura para eclosão em torno de 30 °C, em presença de uma lâmpada incandescente posicionada lateralmente para 14 iluminação e aquecimento dos náuplios. Após 24 h, os náuplios com natação ativa foram transferidos para uma placa de Petri. O cálculo das soluções-estoque (extratos) foi feito de modo que as concentrações finais fossem: 1, 10, 100 e 1000 µg/mL. Como controle positivo, utilizou-se 40 µL de etanol. Para montagem do experimento foram separadas placas com 12 poços, nas quais foram adicionados 1460 µL de água do mar artificial em cada poço e 40 µL da solução-estoque de cada amostra, em triplicata. Os náuplios foram separados em grupos de 10 e, posteriormente, transferidos juntamente com água salina, 500 µL, para as placas. Após 24 h foi realizada a contagem dos náuplios com o auxílio de uma lupa binocular e placa de luz fria. RESULTADOS E DISCUSSÃO O extrato etanólico de L. rigida apresentou uma CI50= 14,76 μg/ml frente ao DPPH, enquanto frente ao ABTS•+ a CI50 foi de 3,36 μg/ml. Macêdo (2011) também avaliou a capacidade antioxidante de folhas de L. rigida através de sequestro do DPPH, com extratos etanólico, aquoso e hidroetanólico, porém não apresentou os resultados como CI50, mas sim porcentagem de sequestro de radicais livres (%SRL). O extrato etanólico apresentou a melhor %SRL na concentração de 500 μg/mL (72,6±0,78%), em relação aos extratos aquoso e hidroetanólico. Já Farias et al. (2013), avaliaram a capacidade antioxidante de sementes de L. rigida através do ensaio de redução do radical DPPH, obtendo o valor de CI50= 487,51 μg/mL. Além disso, analisaram o potencial antioxidante de sementes de outra espécie do gênero Licania, a L. tomentosa, que apresentou o valor de CI50= 216,72 μg/mL. Teixeira (2012) analisou a capacidade antioxidante dos frutos de L. tomentosa, conhecida como ―oiti‖. De acordo com os resultados, concluiu que o fruto pode ser interessante para alimentação sob o ponto de vista da ação antioxidante, uma vez que apresenta compostos fenólicos e açúcares redutores em sua composição. Estudos realizados por Zuque et al., (2004), demonstraram os resultados da avaliação antioxidante dos extratos hexânico e etanólico de Couepia grandiflora, também pertencente a família Chrysobalanaceae, que foram CI50= 5,65 μg/ml e 3,11 μg/ml, respectivamente, considerados ativos frente ao radical DPPH. Com relação à avaliação da toxicidade aguda, o extrato não se mostrou tóxico frente a A. salina. Nas concentrações de 1000, 100, 10 e 1 μg/ml as porcentagens de sobrevivência dos náuplios foi de 90%, 86,7%, 76,7% e 86,7%, respectivamente, considerando a taxa de sobrevivência do controle que foi de 100%. Em um estudo realizado por Lima et al. (2008) com L. macrophylla, a espécie também não apresentou atividade tóxica. Já no trabalho 15 realizado por Pereira et al. (2002), os extratos butanólico e hidroalcóolico de frutos de L. octandra apresentaram discreta toxicidade. CONCLUSÃO Os resultados demostram que o extrato possui capacidade antioxidante in vitro, corroborando, portanto, com o uso popular desta espécie para o tratamento de doenças crônicas degenerativas que envolvem espécies reativas de oxigênio (EROS). Com relação à avaliação da toxicidade aguda, o fato de o extrato não ter apresentado toxicidade frente à A. salina, não significa que a planta não apresenta atividades biológicas para outros organismos. Outros ensaios de atividade biológica deverão ser realizados futuramente. REFERÊNCIAS ALVES, T. M. A.; SILVA, A. F.; BRANDÃO, M.; GRANDI, T. S. M.; SMÂNIA, E. F. A.; SMÂNIA JR., A.; ZANI, C. L. Biological screening of Brazilian medicinal plants. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, p. 367-373, 2000. CARTAXO, S. L.; SOUZA , M. M. A.; ALBUQUERQUE, U. P. Medicinal plants with bioprospecting potential used in semi-arid northeastern Brazil. Journal of Ethnopharmacology, p. 326–342, 2010. COGO, L. L. Caracterização molecular de genes de virulência de isolados clínicos de Helicobacter pylori e determinação da atividade antimicrobiana in vivo de diferentes fitoterápicos utilizados na medicina popular brasileira. Tese (Doutorado em Processos Biotecnológicos). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008. COOPER, K. H. Revolução Antioxidante. Tradução de Ricardo Mattos. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 2005. 249 p. DUQUE, J. G. O nordeste e as lavouras xerófilas. 4. ed. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2004. 330 p. FARIAS, D. F.; SOUZA, T. M.; PONTE, M. V.; SOARES, B. M.; Cunha, Arcelina P; VASCONCELOS, I. M. ; GROSSI-DE-SA, M. F. ; CARVALHO, A. F. U. . Antibacterial, Antioxidant, and Anticholinesterase Activities of Plant Seed Extracts from Brazilian Semiarid Region. Journal of Biomedicine and Biotechnology, v. 2013, p. 1-9, 2013. HIRATA, L. L. Avaliação da capacidade antioxidante de extratos de Bauhinia microstachya Macbride, Caesalpinaceae, em serum. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2004. LIMA, C. N.; Medeiros, F. A.; OLIVEIRA, G. R.; MEDEIROS, A. A. N. Estudo da toxicidade do extrato metanólico das cascas do caule de Licania macrophylla Benth. sobre Artemia salina. Revista Pesquisa & Iniciação Científica - Amapá, v. 1, p. 07, 2008. LORENZI H.; MATOS F. J. A. Plantas medicinais do Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum; 2002. 16 MACÊDO, J. B. M. Capacidade antioxidante in vitro e avaliação da toxicidade aguda in vivo de extratos de folhas de Licania rigida Benth., Licania tomentosa (Benth.) Fritsch e Couepia impressa Prance (Chrysobalanaceae). Dissertação (Mestrado em CiênciasFarmacêuticas). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2011. MAHERNIA, S., BAGHERZADEH, K., MOJAB, F., AMANLOU, M. Urease Inhibitory Activities of some Commonly Consumed Herbal Medicines. Iranian Journal of Pharmaceutical Research, 2015. MEYER, B.N.; FERRIGNI, N.R.; PUTNAM, J.E.; JACOBSEN, L.B.; NICHOLS, D.E.; MCLAUGHLIN, J.L. Brine shrimp: a convenient general bioassay for active plant constituents. Planta Medica, v. 45, p. 31-34, 1982. PEREIRA, C. K. S.; VIDAL, C. S.; PEREIRA, C. M. A. A.; PAULO, M. Q. Avaliação da atividade toxicológica e microbiológica do extrato hidroalcoólico, butanólico e aquoso dos frutos de Licania octandra (Hoffmans. ex Roem e Schult.) Kuntze.. In: I Congresso Brasileiro de Extensão Universitária, 2002, João Pessoa. Anais do I Congresso Brasileiro de Extensão Universitária. João Pessoa: Editora Universitária, 2002. v. Único. p. 320. RE, R.; PELLEGRINI, N.; PROTEGGENTE, A.; PANNALA, A.; YANG, M.; RICEEVANS, C. Antioxidant activity applying an improved ABTS radical cation decolourisation assay. Free Radical Biology & Medicine, v. 26, p. 1231-1237, 1999. RICARDO, L. G. P. D. S. Estudos etnobotânicos e prospecção fitoquímica de plantas medicinais utilizadas na Comunidade do Horto, Juazeiro do Norte (CE). Dissertação. Universidade Federal de Campina Grande, Campina Grande, 2011. SANTOS, R. G.; ALBUQUERQUE, C. C.; CAMACHO, R. G. V.; FERREIRA, A. D.; SILVA, K. M. B. Avaliação do vigor de sementes de Licania rigida Benth. (oiticica) em função de diferentes tratamentos pré-germinativos. In: 62ª Reunião Anual da SBPC, 2010, Natal-RN. Anais/Resumos da 62ª Reunião Anual da SBPC. São Paulo: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), 2010. SOUSA, C. M. M.; SILVA H. R.; VIEIRA G. M.; AYRES, M. C. C.; COSTA, C. S.; ARAÚJO, D. S.; Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 351-355, 2007. TEIXEIRA, L. L. Análises bromatológicas e fitoquímicas em frutos de Licania tomentosa (Benth) Fritsch. Dissertação (Mestrado em Química). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2012. YAMAGUCHI, F.; ARIGA, T.; YOSHIMURA, Y.; NAKAZAWA, H. Antioxidative and antiglycation activity of garcinol from Garcinia indica fruit rind. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 48, p. 180-185, 2000. ZUQUE, A. L. F.; WATANABE, E. S.; FERREIRA, A. M. T.; ARRUDA, A. L. A.; RESENDE, U. M.; BUENO, N. R.; CASTILHO, R. O. Avaliação das atividades antioxidante, antimicrobiana e citotóxica de Couepia grandiflora Benth. (Chrysobalanaceae). Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 14, n. 2, p. 129-136, 2004. 17 ESTUDO MORFOANATÔMICO DAS FOLHAS DO JAMBEIROVERMELHO (Syzygium malaccense, MYRTACEAE) Walberson da Silva Reatgui1 Leopoldo Clemente Baratto2* *[email protected] RESUMO: O estudo dos caracteres morfoanatômicos é importante para estabelecer critérios de identificação da espécie, e desta forma contribuir com o controle de qualidade do material vegetal e evitar a coleta equivocada ou detectar adulterações com outras espécies que possuem o mesmo nome ou são morfologicamente semelhantes. O objetivo deste trabalho foi descrever os caracteres morfoanatômicos das folhas de S. malaccense (jambeirovermelho), uma planta medicinal muito utilizada na região Norte, com vistas ao estabelecimento de parâmetros para o controle de qualidade desta espécie. A anatomia foi estudada por meio de lâminas semipermanentes, preparadas com cortes de fragmentos da nervura central, limbo da folha, e do pecíolo. As análises macro e microscópicas desta espécie demonstraram características universais da família Myrtaceae, como folhas hipoestomáticas, epiderme uniestratificada, feixes vasculares bicolaterais e presença de glândulas de óleo essencial, além de estômatos anomocíticos, drusas de oxalato de cálcio e amilíferos. PALAVRAS-CHAVE: Syzygium malaccense, Myrtaceae, morfoanatomia INTRODUÇÃO A qualidade da matéria-prima vegetal é a determinante inicial da qualidade de um fitoterápico. Muitas espécies vegetais possuem monografias em compêndios oficiais, como as Farmacopeias. No entanto, plantas nativas ou adaptadas no Brasil geralmente foram pouco estudadas e carecem de descrições detalhadas de parâmetros que assegurem sua qualidade, evidenciando a importância da preconização destes parâmetros (Farias, 2004). Em consonância com o Decreto n. 5.813, de 22 de junho de 2006 que aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Brasil, 2006), torna-se de grande importância o estudo de plantas medicinais, nativas ou exóticas, buscando estabelecer parâmetros que assegurem a qualidade do material vegetal. É importante estabelecer critérios de identificação da espécie, por meio do estudo dos caracteres morfoanatômicos, e desta forma contribuir com o controle de qualidade do material vegetal e evitar a coleta equivocada ou detectar adulterações com outras espécies que possuem o mesmo nome ou são morfologicamente semelhantes. No Brasil, particularmente, a intensa mistura de culturas (indígena, africana e europeia) levou a introdução de espécies nativas de outros continentes (Brandão et al., 2009). Uma dessas espécies exóticas adaptadas é conhecida como jambeiro-vermelho (Syzygium malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry), uma árvore (12-15 m de altura) pertencente à família Myrtaceae, de origem asiática, cujos frutos avermelhados são popularmente chamados de 1 2 Acadêmico do curso de Bacharelado em Biotecnologia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. 18 jambo-vermelho, jambo-roxo ou jambo-encarnado. É uma árvore disseminada por quase todo o território brasileiro, em virtude de sua fácil adaptação ao clima e solo, com predominância nos estados da região Norte, Nordeste e nas regiões quentes do Sudeste (Cardoso & Srur, 1996; Costa et al., 2006). Na medicina popular, folhas, raízes, cascas do caule e frutos são utilizados como recurso terapêutico para várias enfermidades e indicados como antidiabético, abortivo, antifebrífugo, diurético, anti-inflamatório, etc (Dunstan et al., 1997; Costa et al., 2006; Zambelli et al., 2006). Do ponto de vista químico, já foi identificada nas folhas a presença de flavonoides, taninos e óleos essenciais (Lowry, 1968; Zambelli et al., 2006), substâncias essas que podem estar relacionadas com suas propriedades terapêuticas. O objetivo deste trabalho foi descrever os caracteres morfoanatômicos das folhas de S. malaccense (jambeiro-vermelho), uma planta medicinal muito utilizada na região Norte, com vistas ao estabelecimento de parâmetros para o controle de qualidade desta espécie. MÉTODO Folhas de S. malaccense foram coletadas no município de Santarém-PA. A espécie foi botanicamente identificada e uma exsicata encontra-se depositada no Herbário da Universidade Federal do Oeste do Pará (HSTM) sob registro nº 000019. Para o estudo da morfologia foliar externa adotou-se a classificação de Hickey (1974), analisando-se um total de 20 folhas. Folhas adultas, entre 5 e 20 cm do ápice, foram fixadas em FAA 70 (etanol 70%, ácido acético e formaldeído; 90:5:5; v/v/v) durante sete dias (Johansen, 1940) e posteriormente armazenadas em etanol a 70% (Berlyn & Miksche, 1976). A anatomia foi estudada por meio de lâminas semipermanentes, preparadas com cortes de fragmentos da nervura central, limbo da folha, e do pecíolo. As lâminas foram confeccionadas com material seccionado à mão livre, com auxílio de isopor como suporte e lâminas de barbear, nos sentidos longitudinal e transversal. Os cortes foram corados com azul de Astra e fucsina básica, montados em glicerina a 50%, empregando-se esmalte para vedação (Roeser, 1972). As lâminas foram observadas em microscópio óptico para descrição de caracteres anatômicos. RESULTADOS E DISCUSSÃO As folhas são simétricas, simples, inteiras, glabras com textura cartácea, obovadalanceolada com ápice acuminado. A base é cuneada. A face adaxial é verde escuro brilhante, enquanto a face abaxial é verde clara. A nervura central é evidente na face abaxial de onde partem as nervuras secundárias. O padrão de venação é pinado, camptódromo- 19 broquidódromo. A nervura central é retilínea. As nervuras secundárias são arqueadas e unemse umas as outras próximas a margem, criando uma espécie de contorno ao redor da lâmina foliar. As nervuras secundárias partem de alturas diferentes em relação à nervura central. A margem é levemente sinuosa. A folha é curto-peciolada e o pecíolo mede em média 1,13 cm, enquanto a lâmina foliar em média 26,4 cm de comprimento e 9,14 cm de largura (Fig. 1a e b). As análises microscópicas referentes à anatomia foliar evidenciaram as seguintes estruturas: na face adaxial as células da epiderme são justapostas de parede espessada, com formato quadrangular e retangular, de contorno arredondado, com tamanhos diferentes entre si. Não apresenta estrias, tricomas ou estômatos. Por outro lado, a face abaxial apresenta numerosos estômatos, caracterizando a folha como hipoestomática. Os estômatos são classificados como anomocíticos. As células são justapostas e apresentam contorno poligonal irregular. Não são observadas estriações nem tricomas (Fig. 1c e d). Em secção transversal, a nervura central é convexa na face abaxial e levemente côncava na face adaxial. A epiderme é uniestratificada, revestida por uma fina cutícula, formando flanges cuticulares. Há 2-3 estratos de células subepidérmicas com conteúdo fenólico e 2-3 camadas de colênquima com espessamento anelar. O parênquima paliçádico interrompe-se gradualmente no parênquima fundamental. No parênquima fundamental observa-se um feixe vascular de grande porte em forma de arco aberto do tipo bicolateral, com o floema interno e o floema externo circulando o xilema na forma de uma faixa contínua. Uma faixa de células com conteúdo fenólico recobre o feixe vascular. Uma bainha de fibras esclerenquimáticas envolve o feixe vascular externamente. Numerosas drusas de oxalato de cálcio distribuem-se ao longo do parênquima fundamental e do colênquima, assim como esparsas glândulas de óleo são encontradas próximas às epidermes. Amilíferos são observados na região próxima ao floema interno (Fig. 2). O mesofilo é dorsiventral, formado por parênquima paliçádico contendo de 3-4 camadas de células alongadas junto à face adaxial, e por parênquima esponjoso junto à face abaxial. O pecíolo, em secção transversal, é circular. O sistema de revestimento e a camada subepidérmica são semelhantes à nervura central. O feixe vascular do tipo bicolateral apresenta-se em arco semifechado. As análises macro e microscópicas desta espécie demonstraram características universais da família Myrtaceae, como folhas hipoestomáticas, epiderme uniestratificada, feixes vasculares bicolaterais e presença de glândulas de óleo essencial (Gomes et al., 2009). 20 A presença de estômatos anomocíticos, drusas de oxalato de cálcio e as estruturas descritas para a nervura central em conjunto auxiliam na caracterização das folhas de S. malaccense. Figura 1. Syzygium malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry, Myrtaceae. Aspecto morfológico da folha: a) face adaxial; b) face abaxial. Análise microscópica do corte paradérmico da folha: c) face adaxial (20 µm; d) face abaxial (50 µm). Figura 2. Syzygium malaccense (L.) Merr. & L. M. Perry, Myrtaceae. Panorama geral da nervura central (500 µm). CONCLUSÃO A análise dos caracteres morfoanatômicos das folhas de S. malaccense em conjunto forneceu critérios para a diferenciação desta espécie com outras do mesmo gênero. Por conseguinte, as características anatômicas corroboram com outros representantes da família Myrtaceae. Desta forma, foi possível estabelecer parâmetros macro e microscópicos que poderão auxiliar no controle de qualidade da droga vegetal. 21 REFERÊNCIAS BERLYN, G. P., MIKSCHE, J. P. Cytochemistry. Ames: Iowa State University, 1976. Botanical Microtechnique and BRANDÃO, M. G. L., COSENZA, G. P., GRAEL, C. F. F., NETTO-JUNIOR, N. L., MONTE-MÓR, R. L. M. Traditional uses of American plant species from the 1st edition of Brazilian Official Pharmacopoeia. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 19, p. 478-487, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Decreto n. 5813 de 22 de junho de 2006. Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências, 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20042006/2006/Decreto/D5813.htm>. Acesso em: 25 ago 2014. CARDOSO, R. L., SRUR, A. U. O. Características sensoriais do jambo (Eugenia malaccensis, Lin.). Magistra, n. 9, p. 7-15, 1996. COSTA, R. S., OLIVEIRA, I. V. M., MÖRO, F. V., MARTINS, A. B. G. Aspectos morfológicos e influência do tamanho da semente na germinação do jambo-vermelho. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 28, n. 1, p. 117-120, 2006. DUNSTAN, C. A., NOREEN, Y., SERRANO, G., COX, P. A., PERERA, P., BOHLIN, L. Evaluation of some Samoan and Peruvian medicinal plants by prostaglandin biosynthesis and rat ear oedema assays. Journal of Ethnopharmacology, v. 57, n. 1, p. 35-56, 1997. FARIAS, M. R. Avaliação da qualidade de matérias-primas vegetais. In: Farmacognosia: da planta ao medicamento. C. M. O. Simões, E. P. Schenkel, G. Gosmann, J. C. P. Mello, L. A. Mentz, P. R. Petrovick (eds.), p. 263-288. Florianópolis/Porto Alegre: Editora da UFSC/Editora da UFRGS, 2004. GOMES, S. M.; SOMAVILLA, N. S. D. N.; GOMES-BEZERRA, K. M.; MIRANDA, S. C.; DE-CARVALHO, P. S.; GRACIANO-RIBEIRO, D. Anatomia foliar de espécies de Myrtaceae: contribuições à taxonomia e filogenia. Acta Botanica Brasilica, v. 23, n. 1, p. 223-238, 2009. HICKEY, L. J. Clasificación de la arquitectura de las hojas de dicotiledóneas. Boletín de la Sociedad Argentina de Botánica, v. 16, p. 1-26, 1974. LOWRY, J. B. The distribution and potential taxonomic value of alkylated ellagic acids. Phytochemistry, v. 7, p. 1803-1813, 1968. ROESER, K. R. Die Nadel der Schwarzkiefer-Massenprodukt und Kunstwerk der Natur. Mikrokosmos, v. 61, n. 2, p. 33-36, 1972. ZAMBELLI, A. R., AGUIAR, L. A., CUNHA, A. P., VIEIRA, M. G. S., CAVALCANTI, E. S. B., MORAIS, S. M. Avaliação do potencial antioxidante e análise do teor de taninos totais de Syzygium malaccense. In: 58ª Reunião Anual da SBPC, Florianópolis, 2006. 22 ATIVIDADE INSETICIDA DE EXTRATOS DE PLANTAS MEDICINAIS AMAZÔNICAS Thamiris Sousa de Alencar Silva1 Mariana Vieira Porsani2 Alex Sandro Poltronieri3 Ida Chapaval Pimentel4 Leopoldo Clemente Baratto5* *[email protected] RESUMO: O cultivo de couve-manteiga (Brassica oleracea) é acometido de infestações de diversas pragas, entre elas o pulgão-da-couve (Brevicoryne brassicae). O controle biológico é uma forma de contornar a proliferação destas pragas. No Brasil são utilizados inseticidas de amplo espectro de ação no controle de B. brassicae. O objetivo principal deste trabalho foi determinar o efeito inseticida dos extratos das plantas medicinais Crescentia cujete (cueira), Himatanthus sucuuba (sucuuba), Caesalpinia ferrea (jucá), Genipa americana (jenipapo) e Schnella sp. (escada-de-jabuti) contra o pulgão-da-couve. As folhas das plantas foram coletadas na região Oeste do Pará e foram preparados extratos etanólicos das mesmas. Para o bioensaio inseticida foram preparadas 48 placas de Petri contendo meio ágar/água e somente um disco foliar de couvemanteiga. Em cada disco foi inoculado cerca de 10 pulgões, sendo as placas dividas para cinco extratos vegetais mais o controle. A pulverização foi realizada com os extratos diluídos com DMSO a 10%, sendo as placas armazenadas em temperatura ideal (25ºC). As análises da mortalidade demonstraram resultados muito promissores, sendo que todos os extratos apresentaram potencial inseticida superior ao Azamax®. PALAVRAS-CHAVE: Brevicoryne brassicae, atividade inseticida, Crescentia cujete INTRODUÇÃO A couve-manteiga (Brassica oleracea var. acephala) é uma das principais hortaliças cultivadas no mundo e uma importante fonte de renda para agricultores no Brasil (NOVO et al., 2010). Um dos maiores problemas na cultura de brássicas é a alta incidência de pragas em todas as fases da cultura. As plantas de couve são acometidas por diversas pragas, sendo a praga-chave o pulgão-da-couve Brevicoryne brassicae (Hemiptera: Aphididae). Este afídeo é responsável por danos diretos e indiretos, prejudicando o desenvolvimento da couve, que tem seu valor comercial diminuído (MA et al., 2010). Primariamente, ocorre o esmaecimento e amarelamento da planta (OPFER & MCGRATH, 2013). Há também a produção de honeydew – uma substância açucarada – que favorece o desenvolvimento de fungos sobre as folhas, diminuindo a taxa de fotossíntese da planta (ASI et al., 2009). Kumar e Chapman (1984) relatam que o pulgão também causa danos secundários pela inoculação de vírus presentes em sua saliva e há a estimativa de que haja uma perda de até 80% dos cultivos de brássicas somente pela ação de B. brassicae (RAZAQ et al., 2011). 1 Acadêmica do curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Doutora em Microbiologia, Universidade Federal do Paraná-UFPR. 3 Doutor em Entomologia, Universidade Federal do Paraná-UFPR. 4 Professora Doutora em Processos Biotecnológicos, Universidade Federal do Paraná-UFPR. 5 Professor Doutor em Ciência Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. 2 23 No Brasil o controle desta praga é feito com pulverizações sistemáticas com inseticidas químicos. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo verificar a atividade inseticida contra B. brassicae de extratos etanólicos de plantas medicinais amazônicas: Crescentia cujete (cueira), Himatanthus sucuuba (sucuuba), Caesalpinia ferrea (jucá), Genipa americana (jenipapo) e Schnella sp. (escada-de-jabuti). MÉTODO Folhas das espécies foram coletadas na região Oeste do Pará próximo ao município de Santarém-PA e posteriormente secas em estufa a 40º C. O material vegetal seco foi moído e macerado com álcool etílico durante sete dias, a temperatura ambiente, com agitação ocasional, ao abrigo da luz. Os extratos foram filtrados em algodão e evaporados até a secura em rotaevaporador. A avaliação do potencial inseticida iniciou-se empregando ninfas com 48 h de idade de B. brassicae. Para obter as ninfas, 20 adultos foram transferidos para discos foliares de couve-manteiga com 8 cm de diâmetro e mantidos em placas de Petri contendo uma camada de 1 cm de ágar/água a 2%. As placas foram mantidas em condições controladas (temperatura: 25°C e umidade relativa: 70 ± 10%) e após 48 h os adultos foram retirados e as ninfas empregadas nos bioensaios. A primeira etapa do bioensaio inseticida foi um ensaio-teste, onde foram preparadas três concentrações de DMSO 10%, 5% e 2% em H2O destilada; para cada uma das três concentrações foram utilizadas 6 placas de Petri contendo um disco de couve. Cada disco recebeu 10 ninfas do inseto para em seguida ser pulverizado. As pulverizações foram realizadas por um microatomizador ―Airbrush‖ elétrico, modelo ―VL‖, acoplado a um compressor regulado a 15 libras/pol2, sendo pulverizados 500 µL de cada concentração. Em seguida os discos foram armazenados em temperatura ideal (25ºC) e as avaliações da mortalidade realizadas a cada 24 h durante três dias. Após os três dias de análises foram preparadas 40 placas de Petri contendo meio ágar/água e discos de couves. Cada disco recebeu cerca de 15 a 20 pulgões adultos. Estas foram armazenadas em temperatura ideal (25ºC) para que houvesse a proliferação dos insetos. Depois de 24 h foram preparadas 8 placas de Petri para cada extrato vegetal mais o controle, totalizando 48 placas contendo meio de cultivo ágar/água mais um disco foliar de couve. Cada placa recebeu cerca de 10 ninfas de pulgões para em seguida serem pulverizadas. A concentração escolhida de DMSO a partir dos resultados do ensaio-teste para solubilizar os extratos foi 10%, sendo este homogeneizado com 500 mg do extrato vegetal. As avaliações de 24 mortalidade foram realizadas em intervalos de 24 h, durante três dias. Com o auxílio de um microscópio estereoscópico, as ninfas foram vistoriadas e os insetos mortos foram individualizados para cálculo da mortalidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados da atividade inseticida dos extratos encontram-se na Figura 1. Todos os extratos avaliados apresentaram potencial maior que o próprio inseticida orgânico (Azamax®), com porcentagens de mortalidade acima de 90%. O extrato etanólico da cuieira apresentou 100% de mortalidade, seguido dos extratos da escada-de-jabuti e jucá, ambos com 96,9% de mortalidade. O extrato de jenipapo mostrou 93,7% de mortalidade contra o pulgão-da-couve, enquanto sucuuba apresentou 93,3%. Figura 1. Mortalidade média do pulgão-da-couve (B. brassicae) pulverizados com inseticida orgânico comercial (Azamax®) e extratos de plantas medicinais amazônicas na concentração de 10%. Conforme descrito por OLIVEIRA et al. (2007), o uso de extratos ou substâncias extraídas de plantas com atividade inseticida é destacado pelo fato de serem renováveis, facilmente degradáveis e por não agredirem o meio ambiente. Além do mais, o desenvolvimento de resistência pelos insetos perante essas substâncias é um processo mais lento que o processo com a utilização dos agrotóxicos convencionais. 25 CONCLUSÃO Os resultados demonstraram o elevado potencial inseticida dos extratos etanólicos de plantas medicinais da Amazônia, todos com porcentagens de mortalidade acima de 90% contra o pulgão-da-couve (B. brassicae), inclusive mais potentes que o inseticida orgânico convencional (Azamax®). Desta forma, conclui-se que os extratos das espécies Crescentia cujete, Himatanthus sucuuba, Caesalpinia ferrea, Genipa americana e Schnella sp. são promissores no combate ao pulgão-da-couve. Esses dados promovem o conhecimento de uma aplicação direta de produtos naturais, agregando valor aos recursos naturais da Amazônia. Estudos adicionais para caracterizar o perfil fitoquímico destas espécies se fazem necessários. REFERÊNCIAS ASI, M. R.; BASHIR, M. H.; MIRZA, J. H.; AFZAL, M.; IMRAN, S. In vitro efficacy of entomopathogenic fungi against cabbage aphid Brevicoryne brassicae L. Pakistan Entomology, v. 31, n. 1, p. 43-47, 2009. KUMAR, K.; CHAPMAN, R. B. Toxicity of insecticides to cabbage aphid, Brevicoryne brassicae L. New Zeland Journal of Experimental Agriculture, v. 12, p. 55-58, 1984. NOVO, M. C. S. S.; PRELA-PANTANO, A.; TRANI, P. E.; BLAT, S. F. Desenvolvimento e genótipo de couve-manteiga. Horticultura Brasileira, v. 28, p. 321-325, 2010. OLIVEIRA, M. S. S; ROEL, A. R; ARRUDA, E. J. et al. Eficiência de produtos vegetais no controle da lagarta do cartucho-do-milho Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae). Ciência e Agrotecnologia, v. 32, n. 2, p. 326-331, 2007. OPFER, P.; MCGRATH, D. Oregon vegetables, cabbage aphid and green peach aphid. Department of Horticulture. Oregon State University, Corvallis, 2013. RAZAQ, M.; MEHMOOD, A.; ASLAM, M.; ISMAIL, M.; AFZAL, M.; ALI SHAD, S. Losses in yield and yield components caused by aphids to late sown brassica Napus L., Brassica Juncea L. and Brassica carrinata A. Braun At Multan, Punjab (Pakistan). Pakistan Journal of Botany. v. 43, n. 1, p. 319-324, 2011. 26 27 AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE Kalanchoe pinnata (LAM.) PERS. (CRASSULACEAE) CULTIVADA SOB DIFERENTES NÍVEIS DE LUZ E NUTRIÇÃO Hiago Sousa Pinheiro1 Iolanda Maria Soares Reis2 Leandro Lacerda Giacomin3 Leopoldo Clemente Baratto4* *[email protected] RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo analisar a influência dos fatores ambientais luz e nutrientes no crescimento de mudas de Kalanchoe pinnata através de parâmetros como número de folhas, comprimento, rendimento de biomassa e área foliar. As plantas foram cultivadas em oito tratamentos diferentes, sendo quatro tipos de substratos (cama de aviário, esterco bovino, potássio e terra preta de índio) e dois tipos de iluminação (sombra e luz). As plantas cultivadas à sombra desenvolveram-se nitidamente melhor que aquelas expostas à luz solar. Dentre os tipos de solo, os adubos orgânicos cama de aviário e esterco bovino propiciaram maior crescimento e contribuíram com maior rendimento de biomassa. Palavras-chave: Kalanchoe pinnata, terra preta de índio, cultivo INTRODUÇÃO Nos últimos anos tem se observado um aumento no consumo de plantas medicinais e fitoterápicos em todas as classes sociais, principalmente nos países em desenvolvimento (NOGUEIRA & WOLFF, 2001). A transformação de plantas em medicamentos esbarra na dificuldade de obtenção de matéria-prima de qualidade e na quantidade necessária para a fabricação (ORELLANA et al., 1994). Nesse contexto, o cultivo dessas plantas torna-se uma alternativa cada vez mais importante na agricultura nacional (CORRÊA JÚNIOR et al., 1994). Desta forma, o cultivo torna-se uma prática que deve ser otimizada para cada tipo de planta medicinal, com vistas à obtenção de biomassa e metabólitos secundários de interesse. Os principais fatores ambientais que influenciam o crescimento das plantas são a luz, os nutrientes minerais e a temperatura (VILELA & RAVETTA, 2000). Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers. (Crassulaceae) é popularmente utilizada para o tratamento de doenças inflamatórias, úlceras gástricas, queimaduras, diarreia, vômito, picadas de insetos, dores no corpo e como agente antifúngico e antibacteriano (OKWU & JOSIAH, 2006). É denominada pela população de folha-da-fortuna, coirama, courama, couramavermelha ou saião roxo. É uma planta herbácea ou sublenhosa, pouco ramificada, que atinge de 1 a 1,5 metros de altura e suas folhas são suculentas (LORENZI & MATOS, 2008). 1 Acadêmico do Curso de Bacharelado em Farmácia, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA. Professora Doutora em Agronomia, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA. 3 Professor Doutor em Biologia Vegetal, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA. 4 Professor Doutor em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA. 2 28 O presente trabalho teve como objetivo analisar a influência da luz e de nutrientes no crescimento e desenvolvimento das plantas através de parâmetros como número de folhas, comprimento, rendimento de biomassa e ainda área foliar. MÉTODO Mudas de K. pinnata foram adquiridas em residências localizadas nos bairros Maracanã e Conquista, Santarém-PA. O material vegetal foi botanicamente identificado e uma exsicata encontra-se depositada no Herbário da UFOPA (HSTM) sob registro nº 000602. Esterco bovino (EB), cama de aviário (CA) e terra preta de índio (TPI) foram obtidos em residências, enquanto potássio (K) foi adquirido comercialmente. Os experimentos foram conduzidos durante os meses de maio a outubro de 2015. As mudas foram submetidas a oito tratamentos, sendo quatro tipos de substratos (EB, CA, TPI e K) e dois tipos de iluminação (Sombra, com auxílio de sombrite, e Luz, com exposição solar direta). Cada tratamento teve quatro repetições, e por isso foram utilizadas 32 mudas ao total. As mudas permaneceram sob as condições de cada tratamento no período de 90 dias, sendo que mensalmente era verificado o comprimento de cada planta com auxílio de fita métrica. A irrigação foi realizada diariamente durante todo o experimento, com exceção dos dias chuvosos. Após 90 dias de cultivo, as plantas foram retiradas do campo e levadas para análise no Laboratório de Farmacognosia e Fitoquímica da UFOPA. O número de folhas totais foi quantificado de todas as repetições de cada tratamento e verificado o diâmetro do caule das plantas com um paquímetro digital em uma altura de 10 cm próximo ao solo. Para a determinação da área foliar, foi utilizado um método gravimétrico, onde é relacionada a massa de um quadrado de papel com área de 100 cm 2 com a massa do desenho do contorno da folha no mesmo tipo de papel; as folhas foram escolhidas aleatoriamente de cada planta, da altura mediana do caule. A área foliar foi determinada pela equação: AF= (M*Af)/m, em que AF= área foliar, cm2; M= massa do desenho do contorno da folha, g; Af= área do quadrado de papel, cm2; e m= massa do quadrado de papel, g. A massa fresca e seca foi determinada através da pesagem das partes aéreas das plantas de cada tratamento. Primeiramente as folhas e o caule foram picados com tesoura e pesados para obter a massa fresca, separando o caule das folhas. Em seguida, o material vegetal foi acondicionado dentro de sacos de papel devidamente identificados e levados à estufa para secagem a uma temperatura controlada de 45ºC, durante 21 dias para obter a massa seca do material, e a partir disso foi calculado o teor de umidade das plantas. 29 RESULTADO E DISCUSSÃO Morfologicamente, as plantas submetidas ao tratamento em sombra desenvolveramse nitidamente melhor que as plantas em tratamento com exposição à luz solar direta. Com relação à nutrição, as plantas cultivadas com tratamento CA, e numa escala inferior EB, apresentaram desenvolvimento superior aos tratamentos TPI e K. As plantas cultivadas com tratamentos TPI e K não apresentaram diferenças significativas em seu desenvolvimento entre si, sendo que à sombra, apresentaram levemente um melhor crescimento em relação à luz (Figuras 1 e 2). Figuras 1 (Luz) e 2 (Sombra). Altura média das plantas (K. pinnata) conforme a iluminação durante o período do experimento. Experimentos prévios relatam algumas vantagens da adubação com cama de aviário, como alta concentração de macronutrientes, aumento no carbono total e teor de matéria orgânica do solo (SINGH et al., 2009), maior capacidade de retenção e infiltração de água do solo, aumento do pH do solo (ZHANG, 1998), melhorias na qualidade física, química e biológica dos solos (MCGRATH et al., 2009). Plantas cultivadas com o tratamento com CA à sombra apresentaram maior rendimento em biomassa, seguido de EB. Além do mais, a área das folhas dos espécimes adubados com CA também foi maior que a dos demais cultivos, nos dois tipos de iluminação. A quantidade de folhas totais e o diâmetro do caule tanto em EB quanto CA foram superiores em relação a TPI e K nas mesmas condições de iluminação (Tabela 1). Tabela 1. Análise do número de folhas totais, diâmetro do caule, área foliar e pesagem da massa fresca e seca da parte aérea das plantas de cada tratamento. Tratamentos Número de folhas (unid.) Diâmetro do caule (mm) Área foliar (cm2) Biomassa (g) Fresca Seca Teor de umidade (%) 30 Luz Sombra TPI EB CA K TPI EB CA K 10 28 27 8 12 22 35 9 4,37 10,39 10,55 4,21 3,45 9,46 12,43 2,68 11,14 105,12 109,51 10,51 12,59 92,80 122,02 10,01 4,91 144,18 180,77 2,21 6,07 157,83 258,29 5,91 0,91 18,60 14,83 0,37 1,07 11,09 22,80 1,01 81,41 87,10 91,79 83,06 82,42 92,97 91,17 82,82 É interessante observar que não houve diferenças significativas na área foliar dos espécimes cultivados à luz e à sombra de um mesmo tratamento. A área foliar é um atributo relacionado com o balanço hídrico e também à taxa de assimilação de carbono (CORNELISSEN et al., 2003). Em condições sob intensa luz solar, áreas foliares menores são entendidas como uma estratégia das plantas para evitar a perda de água por transpiração (JAMES & BELL, 2001). No entanto, a ausência de diferença entre a área das folhas cultivadas à luz e à sombra de um mesmo indivíduo neste experimento, indica que as plantas devem possuir outros mecanismos eficientes para controlar o balanço hídrico, como por exemplo, o fechamento de suas folhas ou estômatos (BONAL & GUEHL, 2001). Outra possibilidade é que as plantas mantenham a área de suas folhas constantes independentemente do ambiente (VENDRAMI, 2012). Os resultados mostraram que K. pinnata possui um alto percentual de água em sua biomassa, pelo fato de ser uma planta suculenta. O alto teor de água evidencia a importância da secagem correta do material vegetal para processamento pela indústria de fitoterápicos, uma vez que processos de secagem inadequados podem levar à contaminação por fungos e bactérias o que, além de representar riscos devido à produção de substâncias tóxicas, pode acarretar destruição e/ou alteração dos princípios ativos, tornando-se assim o material vegetal impróprio ao consumo (AMARAL et al., 2003). CONCLUSÃO A partir destes resultados pode-se concluir que a adubação orgânica com cama de aviário e/ou esterco bovino representa a melhor condição para o crescimento e ganho de biomassa para K. pinnata, preferencialmente cultivada à sombra. O próximo passo é verificar a composição química dessas plantas cultivadas sob diferentes tipos de solo e iluminação, a fim de verificar possíveis diferenças quali e/ou quantitativas dos metabólitos secundários dessa espécie. 31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS AMARAL, F.M.M.; COUTINHO, D.F.; RIBEIRO, M.N.S; OLIVEIRA, M.A. Avaliação da qualidade de drogas vegetais comercializadas em São Luís/Maranhão. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.13, p.27-30, 2003. BONAL, D. & J.M. GUEHL. Contrasting patterns of leaf water potential and gas Exchange responses to drought in seedlings of tropical rainforest species. Functional Ecology, v.15, p.490- 496, 2001. CORNELISSEN, J.H.C.; S. LAVOREL; E. GARNIER; S. DÍAZ,; N. BUCHMANN,; D.E. GURVICH; P.B. REICH; H. TER STEEGE; H.D. MORGAN; M.G.A. VAN DER HEIJDEN; J.G. PAUSAS & H. POORTER. A handbook of protocols for standardised and easy measurement of plant functional traits worldwide. Australian Journal of Botany, v.51, p.335-380, 2003. CORRÊA JÚNIOR, C.; MING, L.C.; SCHEFFER, M.C. Cultivo de plantas medicinais, condimentares e aromáticas. Jaboticabal: FUNEP, 162p. 1994. JAMES, S.A. & D.T. BELL. Leaf morphological and anatomical characteristics of heteroblastic Eucalyptus globosus ssp. globosus (Myrtaceae). Australian Journal of Botany, v.49, p.259-269, 2001. LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 544p. 2008. MCGRATH, S.; MAGUIRE, R.O.; TACY, B.F.; et al. Improving soil nutrition with poultry litter application in low input forage systems. Agronomy Journal, v.102, p.48-54, 2009. NOGUEIRA, J.C.M. & WOLFF, C.K. Na Luta pela Produção Socialmente Saudável – Que Remédio? Acúmulos, Riscos e Potenciais na Inter-relação entre Plantas Medicinais e Agricultura Familiar. IFAS, 2001. Disponível em: http://ifas.org.br/html/mais/t_artigo/dados/producao_socialmente_sust_art_revist2.htm OKWU, D.E.; JOSIAH, C. Evaluation of the chemical composition of two Nigerian medicinal plants. African Journal of Biotechnology, v.5, n.4, p.357-361, 2006. ORELLANA, A.D.; PERLA, H.; HERRERA, M. Diagnóstico de Guatemala. In: OCAMPO, R.A. Ed. Domesticación de plantas medicinales em Centroamérica. Turrialba: Centro Agronômico Tropical de Investigación y Ensenaza, p. 13-27. 1994. VENDRAMI, J. L. Plasticidade na espessura entre folhas de sol e de sombra em árvores de borda. Curso de Pós-Graduação em Ecologia, Universidade de São Paulo. 2012. VILELA, A. E.; RAVETTA, D.A. The effect of radiation on seedling growth and physiology in four species of Proposes L. (Mimosaceae). Journal of Arid Environments, v. 44, n. 4, p. 415-423, 2000. SINGH, Y.; GUPTA, R.K.; THIND, H.S.; et al. Poultry litter as a nitrogen and phosphorus source for the rice–wheat cropping system. Biology Fertilidad Soils, v.45, p.701-710, 2009. ZHANG, H. Animal Manure Can Raise Soil pH. Production Technology, Department of Plant and Soil Sciences. v.10, n.7, 1998. 32 33 IDENTIDADE CULTURAL: A AGRICULTURA E A PESCA COMO TRADIÇÃO E ORGANIZAÇÃO SOCIAL NA COMUNIDADE CURUMU, NO MUNICÍPIO DE ÓBIDOS∕PA Camila Canário de Sousa1 Lucas Figueira Silva2 [email protected] RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma pesquisa realizada na comunidade Curumu, localizada no interior do município de Óbidos/PA, na qual objetivou-se analisar a contribuição das atividades da pesca e da agricultura como tradição e organização social daquela localidade, buscando-se compreender a maneira como se consolidaram. Procedeu-se por meio de entrevistas e observação-participante, totalizando dezessete entrevistados (pescadores e agricultores). Os resultados demonstram que a importância da agricultura e da pesca vai além de simples atividades econômicas, visto que se tratam de tradições integrantes do patrimônio cultural da comunidade, essenciais não apenas para a sobrevivência física daquela população, mas também para a própria preservação de sua identidade cultural. PALAVRAS-CHAVE: Tradição, Identidade Cultural, Região Amazônica. INTRODUÇÃO: As atividades de pesca e agricultura caracterizam-se pela grande relevância social e econômica em diversas comunidades tradicionais do interior da Amazônia, sendo essas o principal meio de subsistência de muitas famílias que ali residem. Tal importância pode ser também evidenciada na economia de várias cidades, inclusive grandes metrópoles como Belém e Manaus, haja vista que grande parte dos produtos comercializados nas feiras e mercados advém da agricultura familiar e da pesca artesanal desenvolvidas pelos povos tradicionais. Essa realidade não é diferente na Comunidade Vila Curumu, na qual essas atividades fazem parte do patrimônio cultural da localidade. Tendo por base Araújo (2014), a Comunidade de Curumu, situa-se às margens do lago com o mesmo nome, distante 35 km da cidade de Óbidos. A partir de 1972, devido crucialmente às enchentes nas margens dos rios Amazonas e Paru, a comunidade que antes era formada por poucas famílias, passou a receber populações ribeirinhas vítimas desses eventos. Com o apoio do poder público municipal, ainda na década de 1970, foram abertas ruas, travessas, e construídas pequenas casas na comunidade, sob a liderança de Otávio Alho, um dos moradores. A comunidade aos poucos foi se consolidando economicamente, em torno das atividades da pesca, agricultura e pequena pecuária. 1 Acadêmica de Direito da Universidade Federal do Oeste do Pará e bolsista de Iniciação Científica junto ao projeto: ―Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais: um estudo da economia de subsistência e cura por meio de plantas medicinais na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖, da UFOPA. 2 Acadêmico de Direito da Universidade Federal do Oeste do Pará e bolsista de Iniciação Científica junto ao projeto: ―Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais: um estudo da economia de subsistência e cura por meio de plantas medicinais na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖, da UFOPA. 34 Dessa forma, este trabalho é fruto de uma pesquisa realizada na referida comunidade, situada no interior da Amazônia, sob o título ―A contribuição da Agricultura e da Pesca na construção da Identidade Cultural na Comunidade Curumu, no Município de Óbidos/PA‖, vinculada à Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), a qual objetivou analisar a contribuição das atividades da pesca e da agricultura como tradição e organização social daquela localidade, haja vista que, de acordo com Paulino (2013), aproximadamente 86% dos moradores vivem dessas atividades. MÉTODO: Tal estudo se deu em dois momentos: uma pesquisa prévia e exploratória na colônia de pescadores e sindicato do trabalhadores rurais do município de Óbidos, afim de se obter informações iniciais sobre o perfil dos pescadores e agricultores de Curumu, e posteriormente, a pesquisa propriamente dita que consistiu em entrevistas através de questionários abertos com oito pescadores e nove agricultores. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Analisar a organização espacial de Curumu é essencial para entendermos como seus moradores se constituem socialmente. Na rua principal, estão localizados setores importantes na comunidade como o posto de saúde, a escola, a padaria, açougues, pequenos comércios, o Clube de Mães (associação das mulheres), igrejas evangélicas e a igreja católica. Nessa rua também estão situadas as casas dos servidores da escola, dos comerciantes e dos pequenos pecuaristas. Comumente, essas casas são de alvenaria e alguns moradores possuem carro ou moto. Dessa rua principal, desdobram-se outras, mais estreitas, onde vivem grande parte dos agricultores e pescadores, as residências são mais humildes, de madeira. Quem mora na rua principal, não corre o risco de ser atingido pelas enchentes periódicas, ao contrário daqueles que habitam as proximidades do lago, que necessitam morar em casas adaptadas com palafitas para amenizar os transtornos de tais fenômenos. Curumu possui representações do Sindicato de Trabalhadores Rurais e da Colônia de Pescadores, ambos com sede na zona urbana de Óbidos. A maioria das famílias é composta tanto de agricultores quanto pescadores, uma atividade complementa a outra. Enquanto a pesca é predominantemente masculina, a agricultura é praticada por mulheres e até mesmo pelas crianças pequenas. O cultivo é feito em terrenos alheios, não tão próximos da Comunidade, geralmente cedidos por parentes ou amigos, que possuem melhores condições financeiras, condição justificada por serem pequenos pecuaristas, donos de comércios ou 35 aposentados. Nenhuma taxa é cobrada por esse empréstimo da terra, refletindo a relação de familiaridade que a comunidade mantém. Para Lopes e Cavalcante (2013), a agricultura se arranja sobre diversas lógicas, dependendo tanto de traços e valores culturais como de interferências externas, sendo que a demanda de mercado pode influenciar no cultivo de certos produtos. Sendo assim, em Curumu cultivo da mandioca é prioritário, seguido de pequenas culturas como maxixe, melancia, milho e feijão. A farinha é o principal produto vendido, feita na própria comunidade, em casas de farinha que normalmente pertencem aos donos dos terrenos. A pesca é tão importante quanto a agricultura. Na perspectiva de Santos; G. M. dos e Santos; A. C. M. dos (2005): A pesca é uma das atividades humanas mais importantes na Amazônia, constituindose em fonte de alimento, comércio, renda e lazer para grande parte de sua população, especialmente a que reside nas margens dos rios de grande e médio porte. Devido ao fato da comunidade está estrategicamente localizada à beira de um lago, é nesse que muitas famílias tiram seu sustento. O tucunaré, a espécie mais encontrada, dá nome a um importante festival que ocorre anualmente em Curumu, o ―Festival do Tucunaré‖, que desde 1988, liderado por um grupo de mulheres, mobiliza toda a Comunidade. Uma manifestação cultural que representa a alegria em meio às tantas dificuldades e riscos enfrentados por esses trabalhadores todos os dias. O festival atrai muitos visitantes provenientes de Óbidos e de outras regiões da Amazônia, demonstrando a grande repercussão que a pesca exerce no aspecto cultural dos comunitários, além disso o festival abre espaço para o comércio de artesanatos, bebidas e iguarias regionais, sendo o tucunaré assado o principal prato vendido na festa, dinamizando a economia local nos dias festivos. ―A transmissão de conhecimento nas comunidades tradicionais é um procedimento feito oralmente e por este método é perpetuado nas novas gerações, sendo então chamada de transmissão vertical‖ (Silva, W. M. C. da; Rocha; Silva, H do S. S. da, 2014). Essa constatação foi evidenciada durante as entrevistas com os pescadores de Curumu, haja vista que parte afirmou ter aprendido a pescar com os pais, evidenciando características próprias de populações tradicionais. Apesar disso, novas tecnologias estão sendo inseridas na atividade, visto que instrumentos antigos como arpão, linha e caniço estão dando lugar a outros, a exemplo da malhadeira e do arrastão, devido a maior eficiência desses em relação a aqueles, caracterizando o aperfeiçoamento contínuo dessa técnica ao longo do tempo. No entanto, o arrastão tem se tornado uma ameaça as várias espécies de peixe do lago, pois é uma modalidade de pesca predatória, já que captura tantos o peixes adultos quanto os mais jovens, 36 e é praticado inclusive no período do defeso, época em que é proibido por lei a pesca de determinadas espécies, e os próprios pescadores já relatam que atualmente a pesca tem se tornado mais difícil em relação ao mesmo período de anos anteriores, reflexo da diminuição da fauna aquática. As atividades de pesca e agricultura caracterizam-se pela grande relevância social e econômica em diversas comunidades tradicionais do interior da Amazônia, sendo essas o principal meio de subsistência de muitas famílias que ali residem. Tal importância pode ser também evidenciada na economia de várias cidades, inclusive grandes metrópoles como Belém e Manaus, haja vista que grande parte dos produtos comercializados nas feiras e mercados advém da agricultura familiar e da pesca artesanal desenvolvidas pelos povos tradicionais. Essa realidade não é diferente na Comunidade Vila Curumu, na qual essas atividades fazem parte do patrimônio cultural da localidade. CONCLUSÃO: Para a população de Curumu, a importância da pesca e da agricultura vai além do fato de serem atividades econômicas. A escolha do produto, que é sempre o mesmo (a mandioca), a produção da farinha vendida no centro da cidade de Óbidos, as relações que o empréstimo da terra forma entre os produtores e os proprietários da terra, e a própria pesca, sempre nos mesmos períodos, obedecendo aos ritos e aos mitos, são atividades que vêm acontecendo repetidamente há décadas, e mais do que uma maneira de manter a subsistência, representam a tradição daquela população e a forma pela qual criaram sua própria identidade. No estudo sobre como os javaneses, balineses e marroquinos, se definem como pessoas, Gertz (1997), sabiamente concluiu que ―os homens não flutuam como entidades psíquicas fechadas [...], sua identidade é um atributo que tomam emprestada do cenário que os rodeia‖. A partir disso, compreende-se que a pesca e a agricultura fazem parte da identidade coletiva da comunidade, pois contribui de forma relevante na organização econômica e social daquela localidade, sendo um importante aspecto constituinte do patrimônio cultural, refletindo-se nos festejos tradicionais, a exemplo do Festival do Tucunaré. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, L. S.; SOUSA, R. V.. Cura como herança cultural: uma análise do uso medicinal das plantas em duas comunidades, em Óbidos/PA. In: II Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura, 2014, Rio de Janeiro. II Encontro Brasileiro de Pesquisa em Cultura, 2014. GERTZ, C.. O saber local: novos ensaios em Antropologia interpretativa. Petrópolis: Vozes, 1997. 37 LOPES, R. H.; CAVALCANTE, K. V. Agricultura familiar no amazonas e diversificação produtiva. In: X Encontro da Sociedade Brasileira da Economia Ecológica, 2013, VitóriaES. X Encontro da Sociedade Brasileira da Economia Ecológica, 2013. PAULINO, I. R. Diagnóstico Socioambiental e Diagnóstico de Resgate da Memória. Santarém-PA, UFOPA: 2013. SANTOS, G. M. dos; SANTOS, A. C. M. dos. Sustentabilidade da pesca na Amazônia. Estudos Avançados, São Paulo-SP: 18 de abr. 2005. Disponível em: < http://www.revistas.usp.br/eav/article/viewFile/10076/11648>. Acesso em: 23 de maio de 2015. SILVA, W. M. C. da; ROCHA, E. S.; SILVA, H do S. S. da. EXAMÃPAKU, Boa Vista-RR: jan. abr. 2014. Disponível em:< http://revista.ufrr.br/index.php/examapaku/article/viewFile/2419/1399>. Acesso em: 11 de junho de 2015. 38 GESTÃO DEMOCRÁTICA ESCOLAR EM UMA ESCOLA PÚBLICA NO MUNICÍPIO DE SANTARÉM Ádria Jércy Lameira1 [email protected] Conceição Maria de Sousa Canté¹ [email protected] Elbe Keila Cunha de Oliveira1 [email protected] Nancy Baía da Silva2 [email protected] RESUMO: O presente projeto de pesquisa tem como tema a Gestão Democrática em uma escola pública no município de Santarém. Então o que fazer para resolver essa situação em que se busca resgata a gestão democrática participativa de todo os segmentos escolar. E teve como objetivo adquirir uma visão global da gestão, através da observação e investigação da realidade escolar. O procedimento metodológico do estágio parte de um estudo qualitativo que se deu com a diagnose da escola, e das etapas evidenciadas, observação das práticas do Gestor, e a participação dos segmentos da escola nas tomadas de decisão, foram à diretriz para se diagnosticar a efetivação da gestão democrática cidadã, através dos valores morais, éticos, religiosos, que nortearão a prática de gestão participativa. Palavras Chaves: Gestão democrática, gestor, segmentos. INTRODUÇÃO No cenário educacional a gestão democrática tem sido alvo de grandes debates, principalmente, na escola pública que muitas vezes interioriza uma gestão pautada no conservadorismo e tradicionalismo. A escola vista como uma organização social, cultural e humana requer que cada sujeito envolvido tenha o seu papel definido num processo de participação efetiva para o desenvolvimento das propostas a serem executadas. A gestão democrática faz parte da luta de educadores e movimentos sociais organizados em defesa de um projeto de educação pública de qualidade. Essa luta constante em busca da democracia resultou na aprovação do princípio da gestão democrática instituída na Constituição Federal (BRASIL, C.F. art.206, 2006). Desse modo, as escolas passaram a ter legitimidade para exercer a democratização da gestão enquanto possibilidade de melhoria do processo educacional. Neste contexto, o gestor é um dos principais responsáveis pela execução de uma política que promova o atendimento às necessidades e anseios dos que 1 2 Acadêmicas do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA. Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA. 39 fazem a comunidade escolar. Partindo desse princípio, a escola precisa rever o papel do gestor escolar no sentido de promover a gestão democrática como prática mediadora do trabalho pedagógico. MÉTODO Este estudo foi desenvolvido valorizando a pesquisa- ação. Tendo como recursos humanos: os alunos, professores, acadêmicos, e demais funcionários da escola e orientadora do estágio. - Através de reuniões pedagógicas, encontrar caminhos adequados e prazerosos para a concretização do processo ensino-aprendizagem, construindo, dessa forma, um ambiente estimulador e agradável. Uma pedagogia centrada no aluno e não nos conteúdos; - Verificou-se junto com os docentes o valor da avaliação como parâmetro diário para um planejar constante e não como medida de valor inexorável; Tendo em vista que um dos objetivos da gestão democrática é envolver toda a comunidade escolar nas decisões das ações a serem desenvolvidas na escola, iremos trabalhar coletivamente com a participação do Conselho Escolar, garantindo a todos o acesso às informações referentes aos aspectos administrativos, pedagógicos e financeiros da escola. Como a gestão democrática da escola é uma exigência de seu Projeto Político Pedagógico e já existe em nossa escola, vamos da continuidade ao mesmo, melhorando suas ações e metas através de estudos e discursões com a comunidade escolar, visando a melhoria da qualidade do ensino e o resultado da aprendizagem dos alunos. O Projeto Político Pedagógico coloca que a missão da escola é promover e consolidar a educação como processo de conhecimento humano e profissional tendo como base os princípios e valores, de modo irá desenvolver um trabalho de formação e conscientização por meio de diálogos e ações pedagógicas, com isso, pretendemos vivenciar as práticas da gestão democrática junto à comunidade escolar. Portanto, o encaminhamento metodológico do desempenho deste projeto foi através da ação-reflexão-ação, do aprender fazendo e objetivando uma gestão participativa que contribua para o processo da aprendizagem escolar. 40 RESULTADOS ESPERADOS Com a aplicação deste projeto de intervenção espera-se uma gestão democrática participativa, tendo em vista que o resultado depende da participação e desempenho de todos os agentes envolvidos. Nesse sentido, pretendemos trabalhar com a avaliação pelo coletivo ou pela direção/coordenação analisa a escola, o desempenho dos professores, quais os fatores e as situações que precisam ser mudadas, enfim, avaliou-se cada segmento escolar. Portanto, foi importante a participação dos alunos e do professor nesse processo democrático pela busca de resultados satisfatória no ensino aprendizado. Destacou a importância da relação entre gestor aluno e demais segmentos da escolar, facilitando, assim, uma visão mais integrada da escola, buscando uma educação de qualidade. Para alcançar os resultados foram necessárias convicção e determinação de uma sociedade mais justa diante da concepção educacional político-pedagógica, norteadora do desenvolvimento integral da pessoa humana, em suas aprendizagens. Com isso, desenvolveu-se uma gestão escolar eficaz, norteada por princípios que garantem o cumprimento leis e normais de diretrizes e bases da educação, fazendo uso das ferramentas gerencias do gestor, como forma de assegurar resultados positivos. O resultado deste projeto foi contemplado através de práticas, empregando- se nas ações da escola dentro de uma perspectiva construtivista, proporcionando uma gestão democrática e atuante. CONCLUSÃO O objetivo deste artigo foi analisar o modelo de gestão democrática de uma Escola Municipal no Município de Santarém verificando a participação de todos nos segmentos na construção e no direcionamento das ações educativas da escola, identificando a gestão adotada. Pensar no papel do gestor em seu campo de atuação é uma tarefa difícil, porém deixase claro que um bom gestor não se faz apenas com teorias, mas principalmente com a prática, e mais ainda, pela ação-reflexão, diálogo em busca constante de um saber teórico e saber prático. Como também, o saber e o conhecimento do gestor não são só formados pela prática, mas nutrido pelas teorias. 41 Observou-se que a presença da gestão democrática tanto na Constituição Federal de 1988, quanto na LDB é resultado de muita luta dos segmentos progressistas da sociedade, em especial dos educadores, docentes e alunos. Porém, sabemos que o fato das Leis Federais citadas assegurarem a gestão democrática nas escolas públicas, não é garantia de que o processo ocorra conforme propunham os movimentos de reivindicação por uma escola mais aberta e com uma gestão com a participação de todos nas decisões. Há uma variação entre o formal-legal e a apropriação da Lei na realidade escolar onde ainda é vivenciado o autoritarismo por parte de alguns gestores. Concluí- se que para a gestão democrática ser conquistada na sua plenitude é necessária uma reforma principalmente na formação política do cidadão, dos docentes, discentes, funcionários e a comunidade para que percebam que a participação e conhecimento de cada um são de grande importância para que se chegue a uma verdadeira e plena gestão democrática, dando oportunidades para que todos possam participar priorizando sempre o interesse coletivo. REFERENCIA BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Saraiva 2006. BRASIL. Constituição Federal. Brasília: Imprensa Oficial, 1988. _______ Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n°9394/96 -Brasília: Imprensa Oficial, 1996. 42 O PERFIL SÓCIOECONÔMICO DA COMUNIDADE DE CUIPIRANGA: UM ESTUDO DOS FATORES QUE EVIDENCIAM AS DESIGUALDADES SOCIAIS NA LOCALIDADE Amanda Laurido de Vasconcelos1 Luane Mota da Silva¹ Luane Mota da Silva2 RESUMO: O presente artigo vem apresentar uma breve análise a respeito da realidade socioeconômica vivenciada pela população da Comunidade Ribeirinha do Cuipiranga, a partir do estudo in loco dos fenômenos que possivelmente são responsáveis pelo agravamento das desigualdades sociais na localidade. Desse modo, podemos elaborar um diagnóstico social das famílias residentes na comunidade, levantando dados por meio da aplicação de questionários que possibilitem a construção de um perfil social e econômico, bem como a elaboração de tabelas e gráficos que representem a situação dos moradores com base nos elementos estruturais do âmbito comunitário, a fim de estabelecer uma reflexão e compreensão da exclusão social evidenciada na localidade. Levando em consideração a pobreza e a escassez dos serviços essenciais à dignidade humana, podemos enquadrar fatores não condizentes com o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, onde consta a regulamentação dos direitos sociais garantidos universalmente e compreendidos por toda a sociedade. Conforme os resultados da pesquisa observam-se certa fragilidade na situação dos comunitários sendo necessária a adoção de medidas que assegurem a qualidade de vida desses cidadãos, tal como a construção de um microssistema, a efetivação do programa ―Luz para Todos‖ na comunidade e a construção de mais escolas no local. INTRODUÇÃO Em meio às dificuldades de acesso aos serviços e políticas públicas, ocasionadas muitas vezes pelo distanciamento dos centros urbanos, verificamos o descaso por parte do poder público para com as comunidades ribeirinhas, que são caracterizadas pela composição de famílias com baixa renda residentes à margem de rios, sobrevivendo geralmente da pesca e/ou da agricultura. No contexto social das comunidades ribeirinhas, este trabalho buscou abranger o grupo comunitário do Cuipiranga - referente às 37 famílias que mantêm residência no local – que fica localizado às margens do Rio Arapiuns, entre Urucureá e Piauí. Sua dimensão é composta de uma extensão de praia formada de altas barreiras vermelhas (O nome indígena ―Cuipiranga‖ faz referência a essa coloração, significando ―pó vermelho‖), terminando com um amontoado de grandes pedras em ambas as extremidades, retratando uma bela paisagem natural favorável ao turismo. Em tempos remotos o Cuipiranga foi habitado por indígenas de uma tribo desconhecida que posteriormente fizeram alianças com os novos ocupantes - os cabanos. Após essa ocupação a localidade passou a ter um peso histórico no contexto nacional, em decorrência de ter sido um dos palcos dos conflitos gerados pelo movimento 1 2 Acadêmicas do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA Professora orientadora do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA 43 cabano em oposição às forças do governo, tornando-se símbolo de resistência frente ao governo central em busca de melhores condições de vida e autonomia para a região. A Cabanagem foi uma das maiores revoltas populares do Brasil ocorridas no período regencial e teve início em meados do século XIX na província do Grão Pará. Seu nome tem ligação direta com a vida dos participantes da revolta, uma vez que a maioria dos revoltosos morava em cabanas situadas nas margens dos rios em condições precárias. O estado de pobreza dos cabanos nesse período não se diferencia muito da situação vivenciada pelos moradores da comunidade de Cuipiranga - hoje existente em um dos locais onde esse movimento ocorreu. Atualmente a comunidade vem enfrentando alguns problemas sociais, dentre eles a falta de iluminação pública, uma vez que o Programa Luz para Todos não atendeu o grupo comunitário e as famílias continuam sem acesso à energia elétrica, com exceção de poucas residências que possuem motor de luz. Outra problemática vem estar na ausência de um microssistema e de um tratamento adequado de água para o consumo, oferecendo riscos à saúde dos comunitários. No geral, o complexo comunitário do Cuipiranga é formado por uma Igreja, um Barracão e uma Escola, ambos com vista privilegiada do rio Arapiuns. Vale ressaltar que a massa populacional reside aos fundos do complexo em um terreno firme, tendo passagem por um belo lago natural que seca em determinadas épocas do ano. Por meio do estudo da história da comunidade, efetivamos a valorização da cultura do grupo comunitário do Cuipiranga, visando preservar na memória do povo brasileiro a trajetória de luta dos cabanos e alertar sobre a situação de pobreza e abandono do povo presente atualmente na localidade MÉTODO O estudo foi realizado no período de março a abril de 2015, com pesquisas de cunho bibliográfico, descritivo e documental para auxiliar e facilitar a construção deste trabalho, sendo necessária a utilização da pesquisa de campo, por meio do deslocamento das pesquisadoras até a localidade para uma abordagem direta ao público alvo. O processo se remeteu ao método de observação e análise da estrutura social para identificar à problemática e a realidade apresentada na comunidade. Vale ressaltar que para realização deste trabalho, foi necessário articular com as lideranças da comunidade 44 para disponibilização do barracão comunitário, que posteriormente seria o local de encontro da equipe de pesquisa com os moradores da comunidade. Quanto aos procedimentos metodológicos adotados para coleta e análise de dados, foi utilizado o levantamento por amostragem, onde 25 famílias da comunidade foram entrevistadas (totalizando 67,5% do grupo comunitário) por meio da aplicação de questionários socioeconômicos aos representantes familiares com questões fechadas, visando obter informações a respeito da situação de cada família. Diante disso, o estudo objetivou traçar o perfil socioeconômico das famílias que residem na comunidade e construir um cenário atual que retrate a situação dos moradores. Os resultados obtidos foram apresentados mediante tabelas e gráficos, para uma melhor visualização e compreensão dos dados em análise. RESULTADOS E DISCUSSÃO A proposta deste trabalho foi consultar dentro da comunidade do Cuipiranga o máximo de famílias, a fim de analisar a condição social e financeira em que o grupo comunitário se encontra e saber quais as dificuldades que enfrentam partindo de um senso comum. Com base nos fatores que evidenciam a desigualdade social como, a dificuldade de acesso à educação, alimentação e moradia digna, a ausência de atenção básica a saúde e a falta de segurança, dentre outros direitos sociais garantidos em nossa Carta Magna, notamos a presença de um cenário de agravamento das problemáticas sociais e desvalorização do espaço comunitário. Tabela 1: População pesquisada por faixa etária Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade. Tabela 2: Porcentagem de membros familiares menores de 13 anos por domicílio 45 Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade. Considerando o número reduzido de crianças na localidade, verificamos um fator preocupante no que se refere à perpetuação do grupo comunitário, pois, as crianças do Cuipiranga representam a continuidade da preservação cultural e histórica do local, sem elas o futuro da comunidade pode se configurar apenas em uma localidade repleta de belezas naturais, porém, inabitada. Tabela 3: Porcentagem de membros familiares acima de 60 anos por domicílio. Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade. Verificando as tabelas acima, analisamos que a população do Cuipiranga, até mesmo por conta da sua baixa densidade demográfica, apresenta hoje mais da metade de seus habitantes idosos, o que implica na expectativa de estagnação ou crescimento negativo da comunidade em um futuro próximo. Como descreveu Costa (2012, apud CORRÊA, 1991), no ano de 1919 a 1920 o povoado de Cuipiranga - Viado, Amari e inclusive Membeca – foi assolado com uma terrível epidemia de paludismo ou malária pelo lado do Amazonas, o que deixou essas áreas quase desabitadas, uma vez que parte dos sobreviventes se mudou para regiões de 46 várzeas e outros lugares distantes. Por esta razão, a população de Cuipiranga pouco tem aumentado desde o período de epidemia até os dias atuais. Gráfico 01: Situação de Escolaridade Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade. No que se refere à escolaridade, observamos no gráfico uma grande dificuldade na promoção de uma educação de qualidade, tendo em vista que 52% dos representantes familiares entrevistados não concluíram o ensino fundamental. Esses dados vão de encontro com a Lei Nº 9.394/ 96 que dispõe sobre as diretrizes e bases da educação nacional, regulamentando no seu Art. 5º que ―O acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo‖ (FERREIRA, p.395, 2013). Gráfico 2: Situação Financeira e Fonte de Rendimento. Fonte: Elaboração própria, a partir de dados coletados na comunidade. Mediante os resultados verificamos que 32% da população contam com uma renda incerta inferior a um salário mínimo, retratando uma problemática que se dá no aspecto 47 financeiro, pois, grande parte dos comunitários retira seu sustento da pesca e dos plantios na roça, apresentando uma renda irrisória que dificulta a sobrevivência digna das famílias. CONCLUSÃO Tendo o propósito de avaliar as desigualdades sociais presentes na comunidade foi apresentado variações de resultados na produção de conhecimento acerca dos dados obtidos, porém, a análise evidencia que as famílias no geral enfrentam a mesma dificuldade no acesso à saúde, educação, moradia digna, saneamento e iluminação, ambos os serviços básicos conferidos como essenciais à sobrevivência humana para o mínimo de conforto e qualidade de vida. Todos esses fatores abordados acabam não favorecendo o desenvolvimento comunitário e o processo de organização social, que poderia ser um meio de enfrentamento dessa realidade, a partir da criação de uma conscientização comunitária. Portanto, a falta de estímulos para uma mobilização social em prol de objetivos definidos para o bem comum, torna a ação coletiva cada vez mais rara e o individualismo acaba prevalecendo. Com isso, a população se vê obrigada a encontrar seus próprios meios de vida que atendam diretamente às suas necessidades individuais. REFERÊNCIAS BARBOSA, Alyne Patrícia da Silva; DUTRA, Andréa Katiane Bruch; BRASIL, Eliana Amoedo de Souza. Normas técnicas para trabalhos acadêmicos. 4.ed. Canoas: ED. ULBRA, 2013. COSTA, Pedro Sérgio Amorim. Dupla História de Cuipiranga. Maio de 2012. FERREIRA, Luiz Antonio Miguel. Os direitos sociais e sua regulamentação: coletânea de leis.2.ed. São Paulo: Cortez, 2013. SOUZA, Maria Luiza de. Desenvolvimento de comunidade e participação. 10.ed. São Paulo: Cortez, 2010. 48 49 REEMPREGO DE RESÍDUOS CONCRETEIRAS DE SANTARÉM GERADOS POR EMPRESAS Eng.CivilGunther Ernest Strymp1 Eng. Civil M.Sc. Fernando Augusto F. do Valle2 RESUMO: É cada vez maior a preocupação do homem em relação à quantidade de resíduos produzidos em suas atividades. A construção civil sendo esta uma atividade exclusivamente humana não está isenta desta realidade. Os resíduos gerados por esta indústria em muitos países, inclusive no Brasil, têm sendo visto como uma fonte alternativa de matéria prima.A sua inserção dentro da cadeia produtiva na construção civil é fundamental para obras mais sustentáveis ambientalmente. Partindo deste princípio foi realizado um estudo, para verificar a viabilidade técnica de se reempregar, os resíduos de concreto produzidos pela lavagem interna do balão de caminhões betoneira.Em que através da separação destes elementos, ocorrerá novamente a sua utilização como agregado para compor um novo traço de concreto. Portanto o concreto produzido com este material foi analisado com o objetivo de se verificar a influência desta reutilização na propriedade mecânica de compressão do concreto endurecido. Desta forma, através de simulações de descartes de materiais, foram produzidos diferentes traços reempregando este resíduo que teoricamente iria parar nos aterros e áreas de ―bota-fora‖. Os resultados alcançados permitiram observar que este resíduo pode perfeitamente ser reutilizado na produção de novos traços de concreto. PALAVRAS-CHAVE: agregado, reemprego, concreto. INTRODUÇÃO Assim como em muitas cidades a realização de obras no município de Santarém, ainda produz uma significativa quantidade de entulho, o que evidencia um constante desperdício de materiais que poderiam ser reaproveitados, reempregando novamente a mesma matéria para vários outros usos na própria construção civil. Esta pesquisa teve por objetivo, através de estudos e levantamentosque foram desenvolvidos junto a uma das empresas concreteiras da cidade de Santarém - Pará, a verificar a viabilidade técnica de uma possível alternativa para aplicação dos resíduos gerados por esta, almejando assim uma alternativa mais sustentável e ecologicamente correta para a indústriaconcreteira, como uma opção de um destino diferente dos já conhecidos a este material. O reemprego e a reciclagem dos resíduos de construção e demolição (RCD) aparecem hoje inseridos no contexto mundial como alternativas para a redução dos impactos que as obras de construção causam ao meio ambiente. Dentre os RCD‘s existentes no universo da construção civil estão inseridos os gerados pelas empresas concreteiras, onde estes não possuem um destino adequado, devido ao fato de que muitas empresas do setor da construção, dentro de seus processos produtivos, ainda não 1 Eng. Civil.e-mail:[email protected] Eng. Civil M.Sc Professor de Engenharia Civil. Centro Universitário Luterano de Santarém – Ceuls.email:[email protected] 2 50 contemplam um programa para reemprego destes materiais. Diante disto, se evidenciam os prejuízos econômicos, já que todo este material é descartado. Vale ressaltar, ainda, que, juntamente com este prejuízo,é notório também os impactos ao meio em que vivemos. Estimativas mostram que no Brasil o consumo anual de agregados para uso em concretos e argamassa gira em torno de 210 milhões de toneladas (John, 2000). Pinto (1999) em levantamento realizado em grandes cidades Brasileiras, estimou que o desperdício de material nos canteiros de obras pode chegar a 50%, ou seja, uma parcela considerável de matéria prima vira entulho e seu destino muitas vezes são os lixões, aterros sanitários e áreas de ―bota fora‖. A presente pesquisa teve como principal objetivo analisar a viabilidade do reemprego de toda matéria prima que compõe o resíduo gerado pela lavagem interna do balão de caminhões betoneiraque diariamente é descartado por empresas concreteiras. MÉTODO Para a obtenção de dados que serviram como parâmetros para nortear os estudos da presente pesquisa, foram realizados ensaios no laboratório de materiais de construção civil do Centro Universitário Luterano de Santarém localizado na Avenida Sérgio Henn, Nº 1787 bairro do Diamantino na cidade de Santarém – Pará. Foram produzidos dois traços de concreto, compostos da seguinte forma: 1. Traço I e IV: Traços de referência confeccionados apenas com materiais ―novos‖. 2. Traço II, V e VII: Confeccionados com água de lavagem de betoneira, com reaproveitamento de brita, areia ―nova‖ e cimento. O concreto do traço referência deverá atingir uma resistência a compressão de 25 MPa, com um fator água/ cimento de 0,54 e Slump de 12± 2cm. Um dos principais objetivos da pesquisa é o reemprego de sobras da lavagem do balão de caminhões betoneira, e para se evitar que variáveis como o volume de concreto dosado, energia de amassamento, tempo de utilização do concreto, dentre outras, é necessário que seja feito uma simulação de um volume residual de concreto na betoneira do laboratório para que um novo traço seja feito utilizando o agregado residual. Desta forma foi determinado que, a partir do volume de concreto necessário para moldagem de seis corpos de prova teria que haver uma sobra de 2/3 de todo esse material. Assim foi dosado o primeiro traço em que a cada betonada se observou: 51 (o volume de concreto para 6 corpos de prova) + (2x este volume).Para o reemprego dos agregados e da água provenientes da lavagem de betoneiras, se fez necessário a separação do agregado residual da água, para a composição dos traços II, V e VII. RESULTADOSE DISCUSSÃO As tabelas 01, 02e 03, evidenciam os valores alcançados de resistência à compressão nas idades de 3, 7 e 28 dias respectivamente, determinadasatravésdo rompimento dos corpos de prova, bem como o fator água cimento utilizado para dosagem do traço I, II, V e VII.Paraacomposição do traço II se utilizou o agregado e a água residual proveniente do traço I.Para compor o traço V a água utilizada no processo foi decantada por 24h para separação do material. Tabela 01: Resistência do concreto (Traço I) Tabela 02: Resistência do concreto (Traço II) 52 A partir dos resultados apresentados nas tabelas, foi verificado que a resistência proposta inicialmente de 25 MPa não foi alcançada, e ainda, o fator água cimento de 0,51 para um Slump de 12 ± 2 foi alterado para um fator a/c de 0,64 para alcançar o abatimento proposto para o traço referência (traço I). Esta alteração de resistência é perfeitamente justificável quando observado que o fator a/c é determinante para o desempenho do concreto em relação a sua resistência mecânica. Com a imediata utilização da água e agregado graúdo proveniente da lavagem da betoneira no traço II, houve um aumento de 9,79% na resistência final deste concreto em relação ao traço I (referência), além de uma redução significativa no fator água/cimento. Esta alteração de a/c se justifica devido ao fato de que o agregado graúdo que compôs este traço se apresentava em estado saturado, portanto, o mesmo já possuía uma relativa quantidade de água incorporada a sua massa. Logo, para se ter o abatimento necessário não houve a necessidade em se adicionar uma maior quantidade de água. Ao final do estudo se verificou a influência da água de amassamento com a presença do aglomerante diluído,tal situação evidenciou um acréscimo e uma certa interferência positiva na resistência final do concreto.Isto se devea um aumento em média verificado da ordem de 4,28 MPa em relação ao traço referência desenvolvido. CONCLUSÃO Em análise dos resultados de forma totalitária a pesquisa conclui que: Os resíduos oriundos da lavagem interna do balão de caminhão betoneira apresentam um elevado potencial de reemprego, e através de estudos mais aprofundados das propriedades do concreto produzido a partir deste material, torna este produto econômica e ecologicamente interessante; A utilização imediata da água e do agregado graúdo proveniente da lavagem interna do balão de caminhões betoneira se apresenta como uma possível alternativa para a redução na quantidade de aglomerante utilizado, já que alguns resultados da pesquisa demonstraram que o concreto produzido com esta imediata utilização apresentou uma resistência maior que os demais, possivelmente por conta de que na água de amassamento utilizada no traço já existia um percentual de aglomerante diluído; O reemprego deste tipo de material pode ser visto como uma possível alternativa para tornar a indústria da construção civil cada vez mais sustentável, quando observado os seguintes pontos: A redução da quantidade de agregado natural descartado, redução de custos 53 para a empresa concreteira, reduçãoda quantidade de energia consumida para a extração de agregados naturais e na sua produção e redução na quantidade de matéria prima descartada. Por fim, a viabilidade técnica para este tipo de reemprego é possível tendo em vista os resultados apresentados, além de ser uma alternativa para a redução na quantidade de resíduos produzidos pelas empresas concreteiras, já que isto representaria para Santarém uma redução teoricamente estimada de 927m3 de resíduos que seriam depositados nos aterros e lixões da cidade. REFERÊNCIAS: ABCP – Associação Brasileira de cimento Portland. Guia melhores práticas da comunidade da construção. São Paulo: ABCP, 2009 ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR12654: Controle tecnológico de materiais componentes do concreto, Rio de Janeiro: ABNT, 1992. ARAÚJO, R.C.L.; RODRIGUES, E.H.V.; FREITAS, E.G.A. Materiais de construção, 1.ed. Seropédica, Rio de Janeiro. Editora Universidade Rural, 2000. v.1. 203p JOHN, V. M. ; AGOPYAN, V. . Reciclagem de resíduos da Construção. In: Seminário de Resíduos Sólidos e Domiciliares. São Paulo : CETESB, 2000. 54 A RELAÇÃO ENTRE INTERDISCIPLINARIDADE E SUSTENTABILIDADE NA FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO CIVIL NO CONTEXTO EDUCACIONAL BRASILEIRO Gabriel Rodrigues Gomes1 David Rodrigues Gomes* Jordan Almeida Lobato Juliana Ribeiro Hugo Aquino² RESUMO: Este presente trabalho tem como objetivo discorrer acerca da relação existente entre a Interdisciplinaridade e Sustentabilidade na formação do engenheiro civil sob uma perspectiva analítica, embora em algumas abordagens da pesquisa tenha um caráter propedêutico. A pesquisa é de cunho bibliográfica e é utilizado o método qualitativo. Os objetivos específicos são: discorrer os conceitos pertinentes às temáticas interdisciplinaridade e sustentabilidade e analisar as novas exigências do novo profissional de engenharia civil. Constatou-se que interdisciplinaridade e sustentabilidade estão em relação de interdependência e se complementam para promover o bem-estar socioambiental. E essa mudança se idealiza com a inserção de disciplinas nos cursos de engenharia civil, com práticas de extensão que instiguem o educando a desenvolver ideias sustentáveis e tecnologias para aplicação prática para a resolução de problemas. E no que diz respeito ao novo perfil do engenheiro civil, constatou-se que o mercado exige um profissional que não seja apenas bom tecnicamente, mas que também atente às questões socioambientais. Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Sustentabilidade, Engenharia Civil. INTRODUÇÃO Os temas Interdisciplinaridade e Sustentabilidade estão em grande pauta no cenário nacional e mundial, principalmente no âmbito acadêmico, fato este inegável e palpável. Portanto, faz-se necessária uma adequada compreensão dos conceitos e perspectivas tangentes a essas ideologias para uma aplicabilidade prática e efetiva nas esferas educacionais e profissionais/mercadológicas. Outra postulação pertinente é de associar os ditos conceitos como uma relação de interdependência ou subalternidade entre os mesmos. No entanto, quer seja essa relação de dependência mútua ou unilateral, a parceria entre Sustentabilidade e Interdisciplinaridade na formação superior em Engenharia Civil podem ser de grande valia na dinâmica pós-moderna, onde as questões de polivalência no campo profissional e a preocupação com o meio ambiente e desenvolvimento econômico são imprescindíveis e requisitais. Uma ideia preconcebida difundida de maneira arbitrária é que a Engenharia Civil é grande inimiga do meio ambiente. Isso é verdade até o momento em que ela se utiliza de materiais finitos de maneira desordenada em algumas ocasiões, e edifica empreendimentos que trazem consequências irreversíveis ao ambiente, inclusive ao próprio homem e sua cultura. A exemplo disso, é a construção de grande quantidade de hidrelétricas na Amazônia, que demandam enormes áreas de alagamento, as quais obrigam etnias deixarem suas terras e 1 Acadêmicos de Engenharia Civil do CEULS/ULBRA ² Professor do CEULS/ULBRA com título de Mestre e Orientador do trabalho *Acadêmico do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental pela UFOPA 55 irem para as favelas das cidades circunvizinhas; outras consequências nefastas são sofridas pela fauna e flora. Todavia, a Engenharia Civil nesse e em outros casos, assim como as outras áreas do conhecimento, apenas é um reflexo do sistema. É o que Marx declara em sua teoria da infraestrutura e superestrutura, a qual o autor afirma que se a infraestrutura (sistema econômico) é desigual e exploradora, a superestrutura (demais áreas da sociedade) também é da mesma forma. Logo, longe ela está de ser rival do meio ambiente: uma área que busca dar comodidade e proporcionar o bem-estar social, embora isso tenha um preço alto a pagar. A Engenharia está e precisa ainda mais deixar de ser encarada como uma inimiga, mas ser vista como uma aliada do desenvolvimento sustentável; para que os seus operadores e cientistas almejem não apenas o lucro, mas a conciliação entre progresso econômico e preservação ambiental, visando práticas inovadoras e desenvolvimento de tecnologias que possibilitem minimizar significativamente os impactos ambientais danosos. Portanto, a educação interdisciplinar é a protagonista para promover a conscientização dos estudantes de engenharia em fase de formação, para que seja possibilitado aos tais pensar criticamente a situação vigente e propor mudanças para um mundo mais sustentável, uma formação além do mero tecnicismo. Acerca disso, afirma (QUELHAS, et al., 2011.p.2): Desde a realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – EcoRio 92, um novo conceito surgiu e está em evolução: a Educação para o Desenvolvimento Sustentável – ESD. Ela somente será factível se não for restrita e ainda for conduzida de forma inter-transdisciplinar em todos os programas e instituições de ensino. . O autor revela com clareza o papel que a interdisciplinaridade incorpora junto à sustentabilidade, explicitando a importância das instituições de ensino superior em engenharia acrescentarem junto ao seu plano de projeto pedagógico, disciplinas e práticas pedagógicas voltadas para a formação socioambiental, afim de que os educandos sejam capazes e aptos a não somente refletir ou pensar acerca, mas propondo medidas significativas de intervenção aliado aos conhecimentos da área. Secundariamente também será exposto conceitos pertinentes acerca da sustentabilidade, sabendo-se, porém, que o enfoque principal é propor a ideologia interdisciplinar em aliança com o desenvolvimento sustentável. METODOLOGIA Esta pesquisa é de cunho bibliográfica, valendo-se do método qualitativo. Vale ressaltar que esse resumo expandido é uma síntese de um artigo de 16 laudas que fora escrito no começo do ano de 2015. 56 RESULTADOS E DISCUSSÃO A temática interdisciplinaridade é altamente discutida na sociedade contemporânea, vista como uma metodologia inovadora viável na busca do conhecimento e um desafio para as IES na formação de profissionais. Uma ideologia que busca romper com o tradicional ensino focado apenas em parâmetros técnicos e mercadológicos, mas que propõe parcerias de diferentes áreas do conhecimento para soluções de problemas comuns a todos, além de propor a difusão de novas tecnologias e conhecimentos inovadores. Segundo Japiassu (1976, p.74) ―a interdisplinaridade se caracteriza pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integração real das disciplinas, no interior de um projeto específico de pesquisa‖. O que se nota é que não há um conceito tão universalizado do que seja a interdisciplinaridade, mas o consenso que está presente tanto na concepção de Japiassu como de outros autores, é que a Interdisciplinaridade é uma cooperação. E essa é a proposta para a engenharia civil. O meio ambiente é alvo de intensas preocupações e discussões no mundo todo, essa apreensão com a deterioração ambiental tem suas raízes a partir da década de 70, mais precisamente na conferência de Estocolmo, apesar dos poluentes se agravarem e intensificarem no ambiente (de forma mais significativa) na revolução industrial (segunda metade do século 19). Nessa época, o desenvolvimento era negativo, devido às intensas ações antrópicas e mau uso dos recursos naturais em consequência do crescimento populacional e econômico explosivo. Após esse momento começou a surgir conceitos e medidas ambientais com intuito de melhorar a qualidade ambiental. É indispensável o trabalho de educação em questões ambientais, dirigido tanto às gerações jovens quanto aos adultos, e que preste a devida atenção ao setor da população menos privilegiado, para ampliar as bases de uma opinião bem informada e de uma conduta de indivíduos, de empresas e de coletividade, inspirada no sentido de sua responsabilidade em relação à proteção e à melhoria do meio em todas as dimensões humanas. (Estocolmo, 1972) Como exposto anteriormente, os conceitos de outrora acerca da preocupação com o meio ambiente mudaram consideravelmente com a pauta de possível mudança da realidade através de um novo modelo econômico, o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade, que começou a ser discutido e pensado melhor no final do século XX. Entendeu-se, portanto, desde a dita época até os dias atuais, que essa temática não devia restringir-se apenas aos governos, mas que se tornasse uma problemática debatida e estudada em todas as esferas da sociedade, pois o que está em questão não é um interesse de um grupo 57 isolado ou facção, mas sim da humanidade como um todo, sem distinção de credo, etnia, gênero ou sistema político, o que foi acordado após tratados e convenções. Em decorrência disso, passou a ser implantado nas universidades de várias partes do mundo essa ideologia e o Brasil, por exemplo, foi um país que vestiu e ainda está se vestindo paulatinamente dessa roupa chamada educação para o desenvolvimento sustentável. As questões ambientais passaram a não ser exclusivas de cursos voltados para o meio ambiente, como Engenharia Ambiental, Gestão Ambiental, entre outros. Porém, passaram a ser incorporadas em muitas áreas do conhecimento, dentre elas, a Engenharia Civil. Isto ocorreu e vem ocorrendo de forma plausivelmente reconhecida, porque a Sustentabilidade é uma mesma verdade vista de vários ângulos e perspectivas diferentes. Compara-se a uma casa. Se cortada longitudinalmente no projeto, a 1,20m de altura do piso (planta baixa), dará para ver a espessura de parede, todos os ambientes do imóvel, mas não dará de ver, nesse caso, alturas de peitoris ou pé direito. Porém, se for feito um corte transversal, serão especificados detalhes que não são vistos na planta baixa, mas faltará alguns detalhes da mesma. São vistas que complementam um projeto. Da mesma forma é o desenvolvimento sustentável, visto hoje sobre várias óticas de diferentes áreas do conhecimento, logo cada área consegue ver somente uma parte do que é desenvolvimento sustentável. Mas como afirma o teórico Morin (2002, p.13) ―é preciso juntar as partes ao todo e o todo às partes‖. Portanto, unindo cada ponto de vista desses, poder-se-á chegar o mais próximo do estágio avançado do desenvolvimento sustentável: a sustentabilidade, ou seja, a possibilidade da sustentabilidade por intermédio da interdisciplinaridade. Analogicamente, a própria interdisciplinaridade tem que ser interdisciplinar. Também são pontos de vistas diferentes que a forma como um todo. Embora o pedagogo ou outro cientista da educação seja o profissional mais apto para abordar a temática ―Interdisciplinaridade‖ de forma geral, por ter mais enfoque em seu percurso acadêmico, se o mesmo fosse adaptar ao ramo da Engenharia Civil, poderia ter dificuldades porque sua abordagem seria apenas endógena, enquanto que o acadêmico de engenharia poderá fazer uma análise exógena por ter um contato mais profundo com a área, embora talvez não seja tão familiar à temática ―Interdisciplinaridade‖. Fato este que justifica a existência de órgãos comprometidos com a educação voltada para suas respectivas áreas, como a própria ABENGE, que é voltada para a educação em Engenharia. O grande paradigma a ser quebrado totalmente da sociedade brasileira é o de o profissional de engenharia ser apenas um tecnicista indiferente e alheio aos problemas 58 socioambientais. Não somente a inserção das disciplinas de cunho ambiental é suficiente para conscientizar e persuadir o educando para o lado do desenvolvimento sustentável, como também a extensão universitária mostra-se uma proposta que traga mais impacto para o estudante, a qual o discente pode ser submetido a problemas práticos cotidianos e instigado a desenvolver pesquisas de novas tecnologias sustentáveis, por exemplo, que se repassados de forma correta pelo educador, o fará entender implicitamente que vale a pena trilhar pelo caminho da sustentabilidade. Esse novo paradigma interdisciplinar que extrapola limites impostos pelo tradicionalismo é descrito por Morin (2003, p.107): A história da ciência não se restringe à construção e proliferação das disciplinas, mas abrange, ao mesmo tempo, as rupturas entre as fronteiras interdisciplinares, da invasão de um problema de uma disciplina por outra, de circulação de conceitos, de formação de disciplinas híbridas que acabam tornando-se autônomas O autor revela claramente a realidade do contexto que nos encontramos e implícita o diagnóstico para os problemas globais, como a poluição e degradação ambiental, por exemplo, que só podem ser tratados se cada área do conhecimento não se hiperespecializar mas contribuir mutuamente com outras ciências e assim promover maiores soluções. Morin (2000, p.41) explica: A hiperespecialização impede tanto a percepção do global (que ela fragmenta em parcelas) quanto do essencial (que ela dissolve). Impede até mesmo tratar corretamente os problemas particulares, que só podem ser propostos e pensados em seu contexto. Entretanto, os problemas essenciais nunca são parcelados e os problemas globais são cada vez mais essenciais. A possível saída para reverter o atual quadro com a contribuição significativa da engenharia, que é uma importante área do conhecimento para pensar e contribuir tecnologicamente para solucionar incógnitas da questão socioambiental, é através da educação e, esta se valendo da valendo da Interdisciplinaridade. O engenheiro em sua fase de formação, embora tenha que se especializar no conhecimento técnico e prático da área, deve conciliar isto à perspectiva de desenvolvimento sustentável, tanto para se adequar ao novo perfil profissional como para construir um mundo melhor. CONCLUSÃO Conclui-se, portanto, que a relação existente entre a Interdisciplinaridade e a Sustentabilidade no contexto da formação do engenheiro civil é de interdependência e ambas se complementam. Uma relação intrinsecamente coexistente que gera na realidade uma perspectiva positiva para as presentes e futuras gerações. 59 Uma forma que pode ser viabilizada essa parceria é através do ambiente acadêmico e por intermédio da manutenção e inserção das disciplinas voltadas para o meio ambiente, bem como pela extensão universitária voltada para o desenvolvimento de novas tecnologias e a instigação de se pensar através de uma visão sustentável. E esses preceitos são de profunda relevância na definição da nova concepção do novo profissional em engenharia civil, o qual deve expandir seus horizontes para além do tecnicismo específico de sua área. Se há uma forma hoje viável de se promover mudanças significativas na engenharia sustentável é aliá-la à Interdisciplinaridade. REFERÊNCIAS ARAÚJO, Gustavo Henrique de Sousa, ALMEIDA, Josimar Ribeiro, GUERRA, Antonio José Teixeira. Gestão Ambiental de Áreas Degradadas. 1 ed. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil LTDA Editora, 2005. CSILLAG, Diana. Análise das práticas de sustentabilidade em projetos de construção latino americanos. São Paulo, 2007. p. 117. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Departamento de Engenharia de Construção Civil. FRANÇA, Sérgio Luiz Braga; QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalves; TRAVINCAS, Rafael. O ensino da Sustentabilidade na formação do engenheiro: Proposta de diretrizes. VII CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO: UFF, 2011. JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976 MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma: repensar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. _______, Edgar. Complexidade e ética da solidariedade. In: CASTRO, Gustavo de; CARVALHO, Edgard de Assis; ALMEIDA, Maria da Conceição de. (Orgs.). Ensaios de complexidade. 3.ed. Porto Alegre: Sulina, 2002, p.11-20. PEREIRA, Bráulio José. Sustentabilidade: Um desafio para Engenharia. Ietec, 2014. Disponível em: http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1693. Acesso em 1 de maio de 2015. TELLES, P. C. S. História da engenharia no Brasil: século XX. Rio de Janeiro: Clavero, 1994. 60 ANÁLISE ESTRUTURAL E INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DE AÇÃO DOS VENTOS: PARÂMETROS RELEVANTES NA CONCEPÇÃO DE GALPÕES INDUSTRIAIS Gabriel Rodrigues Gomes1 Alessandro Garcia David Rodrigues Gomes* Hugo Aquino² RESUMO: Este presente trabalho tem como objetivo principal apresentar, segundo a NBR 6123/1988, quais são os parâmetros fundamentais para analisar um galpão industrial em termos da velocidade do vento atuante. Os objetivos secundários são: verificar a influência da velocidade do vento na estrutura em questão, relatar os esforços atuantes devido a esta carga variável e abordar de forma propedêutica a temática e seus aspectos. A metodologia baseia-se em uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo. As justificativas se dão pelos sinistros que ocorreram e vêm ocorrendo devido a ação dos ventos e a importância do tema para análise estrutural. Os esforços a que estes tipos de estrutura ficam submetidos são de sobrepressão na parede de barlavento e sucção no lado oposto (sotavento), tendendo a arrancar tanto a estrutura como a cobertura, provocando sinistros. Concluiu-se que o fator velocidade do vento é de fundamental importância, senão o mais importante na análise estrutural, pois quanto maior for essa, maior será a pressão dinâmica naquela superfície. E os parâmetros essenciais dessa análise para se levar em consideração segundo a NBR 6123/1988 são: velocidade básica do vento, fator topográfico, rugosidade do terreno e coeficiente do grau de segurança. PALAVRAS-CHAVE: Vento, Velocidade, Galpões INTRODUÇÃO O projeto estrutural de uma edificação é composto por etapas que devem ser observadas e executadas criteriosamente. Entre esses passos estão na ordem: a concepção estrutural, análise estrutural, dimensionamento e detalhamento e, por último, a emissão das plantas finais. Este trabalho objetiva a abordagem da etapa de análise estrutural no que tange o efeito provocado pelo vento em galpões industriais, regulado pela ABNT NBR 6123/1988. Todavia, para o real entendimento dessa problemática e visando aplicabilidade prática, apenas a observação das normas reguladoras não são suficientes, sendo necessário, portanto, o engajamento teórico do assunto em questão na pesquisa, o que será discorrido em seguida como suporte e enriquecimento do trabalho. A engenharia estrutural firma-se no princípio de oferecer segurança aos que irão usufruir de uma edificação, quer seja de forma direta ou indireta. Logo, o projetista deve levar em consideração cargas e parâmetros de cálculo não só da estrutura em si, como o peso próprio da estrutura e outras cargas permanentes, mas também dos fatores externos em 1 Acadêmicos de Engenharia Civil (CEULS/ULBRA). Professor com título de Mestre e Orientador do trabalho *Acadêmico de Engenharia Sanitária e Ambiental (UFOPA) 2 61 determinados casos, como cargas variáveis e acidentais. No caso estrito de galpões industriais, deve-se levar em conta a ação dos ventos. O vento vem sido cada vez estudado em decorrência da sua importância para interpretação de fenômenos físicos e meteorológicos, e sua interação com o meio. Com isso, emergiu uma área chamada engenharia de vento, a qual tem como fundamento estudá-lo afim de prevenir sinistros em obras de engenharia que aconteceram e ainda acontecem devido a esta carga variável. Para a explicação conceitual do vento, afirma Marcelli (2007): Os ventos são originados pelo gradiente de pressão, ou seja, as diferenças de pressão atmosférica provocam a movimentação de grandes massas de ar, sendo que isso ocorre pelo calor irradiado da superfície terrestre para a atmosfera. O autor acima explicita de forma teórica e assertiva do ponto de vista científico como se dá essa interação. Acrescenta-se, portanto, que as pressões que o vento provoca no contorno de uma estrutura tende a levá-la ao mesmo movimento do contorno, onde a velocidade do vento é fator preponderante para causar danos à estrutura, porém não o único fator. Em galpões industriais, a problemática se dá principalmente porque geralmente é constituída de uma estrutura leve, como explica (Nogueira, 2009): A ação do vento poderá provocar ruína total ou parcial de edificações, principalmente, as estruturadas em aço. O vento não era problema em construções baixas, de paredes espessas, mas passou a ser, e em medida crescente, quando as construções foram tornando-se mais esbeltas, e as estruturas usadas constituídas com menos quantidade de material. No caso dos galpões estruturadas em aço, geralmente são estruturas porticadas e suas dimensões de comprimento sobrepujam em grande proporção a largura. As imagens abaixo ilustram como se dá a ação do vento nos galpões. Figura 1: Barlavento e Sotavento (Fachada do Galpão) Fonte: Oliveira Júnior Figura 2: Açao dos ventos: Vista aérea e frontal de um galpão 62 Fonte: Marcelli A parede do barlavento recebe essa pressão atuante e fica com pressão positiva ou sobrepressão. Todavia, o vento contorna a edificação pela cobertura e pelas laterais e na extremidade do sotavento, a pressão que a contorna é maior que a pressão próxima à parede, tendo, portanto, uma pressão negativa ou de sucção. Essa pressão tende a arrancar a estrutura assim como também a cobertura. Se as normas correspondentes à ação do vento e ao dimensionamento estrutural forem rigorosamente seguidas, tem-se menor probabilidade de ocorrer acidentes devido à ação do vento (BLESSMANN, 1986). METODOLOGIA A pesquisa é de cunho bibliográfica, utilizando-se o método qualitativo para discorrer acerca dos parâmetros relevantes na concepção de galpões industriais, no que diz respeito à influência da velocidade da ação dos ventos neste tipo de estrutura. O respaldo teórico se baseia na consulta de livros, teses de mestrado, trabalhos de conclusão de curso e da NBR 6123/1988. RESULTADOS E DISCUSSÃO Neste item será abordado os fatores de cálculo importantes na análise do vento em galpões industriais, segundo a NBR 6123/1988. Esses parâmetros ajudam a determinar as pressões estáticas e dinâmicas do vento em edificações. Um dos fatores mais relevantes é a velocidade do vento, e pode ser velocidade básica ou característica. A velocidade básica do vento (Vo) é a velocidade de uma rajada de 3s, excedida em média uma vez em 50 anos, a 10m acima do terreno, em campo aberto e plano. Abaixo se apresenta a distribuição da velocidade do vento no Brasil. 63 Figura 3: Distribuição da Velocidade Básica do Vento no Brasil Fonte: ABNT NBR 6123/1988 A velocidade característica (Vk) leva em consideração vários parâmetros peculiares de cada região, tais como fator topográfico (S1), fator de rugosidade do terreno e dimensões da edificação (S2) e o fator estatístico (S3). O fator topográfico (S1) leva em conta somente as variações do relevo do terreno. O fator S2 é o mais complexo, pois o S3 é somente análise de tabela. O fator S2 considera o efeito combinado da rugosidade do terreno, da variação da velocidade do vento com a altura acima do terreno e das dimensões da edificação (ABNT NBR 6123/1988). E pode ser calculado como: Nessa fórmula, o ‘b’ é o comprimento da base do galpão; o ‘z’ simboliza a altura do galpão e os parâmetros ‘b’ , ‘Fr’ e ‘P’ são normatizados de acordo com as condições e encontram-se na tabela abaixo: 64 Tabela 1: Parâmetros Metereológicos Fonte: ABNT NBR 6123/1988 O fator S3 te como ponto de partida de análise conceitos estatísticos como o grau de segurança da edificação e a sua vida útil. O coeficiente pertinente para esta pesquisa é 0,95 da descrição 3 da tabela abaixo, pois é para o uso de galpões industriais. Tabela 2- Valores mínimos do fator estatístico S3 Fonte: ABNT NBR 6123/1988 Para encerrar os resultados, a fórmula final da velocidade característica ficou: Vk=VoxS1xS2xS3. E a pressão dinâmica que age na estrutura é proporcional ao quadrado da velocidade caracterítica: q=0,613VK2. Logo, esses parâmetros que foram supracitados (Vo e Vk) são os mais relevantes contidos na norma para efeito do cálculo da velocidade do vento. CONCLUSÃO Conclui-se que os parâmetros mais relevantes para consideração da velocidade do vento são: velocidade básica da região onde o galpão será construido, fator topográfico do terreno, rugosidade do terreno e variação da velocidade do vento com a altura; e o coeficiente do grau de segurança da edificação que no caso de galpões é 0,95. A velocidade característica é diretamente proporcional a multiplicação desses coeficientee, e, a pressão dinâmica, por sua vez, é igual ao quadrado da velocidade característica. 65 O fator velocidade do vento é o mais importante e determinante na concepção da análise, pois como foi constatado é diretamente proporcional à pressão dinâmica atuante na estrutura e essa pressão dinâmica que provoca os esforços n que podem levar a estrutura em colapso parcial ou total. REFERÊNCIAS MARCELLI, Maurício. Sinistros na consturção civil: causas e soluções para danos e prejuízos em obras. São Paulo: Pini, 2007.pp. 151-171. NBR 6123/1988. Forças devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 1988.pp. 5-55. NOGUEIRA, Gilcimar Saraiva. Avaliação de soluções estruturais para galpões compostos por perfis de aço formados a frio [manuscrito] / Gilcimar Saraiva Nogueira - 2009.pp. 911. OLIVEIRA JÚNIOR, Marcelo Alves de. Análise da influência dos ventos em galpões industriais. Caruaru: O autor, 2013.pp. 5-20. 66 AVALIAÇÃO DE PROCESSO DE TRATAMENTO COLETADO POR CAMINHÃO LIMPA FOSSA DO LODO Francisco Demétrio de carvalho Neto1 [email protected] Jamil Issa Coimbra Elias¹ [email protected] Orientador: Alisson Leonardo Vieira dos Reis2 [email protected] RESUMO: O trabalho em questão tem por objetivo apresentar quais os passos a se seguir para o tratamento para o lodo de fossa/tanque séptico, proveniente da retirada deste resíduo em caminhões limpa fossa, das residências que utilizam sistema de esgotamento do tipo individual (fossas e tanques sépticos). Tem relevância porque orienta sobre os principais aspectos do tratamento, que se caracteriza em três etapas: retirada do material em caminhões tipo limpa fossa, pré-tratamento e tratamento. Se fundamenta por uma pesquisa bibliográfica para se obter o melhor meio de apresentar qual as diretrizes que um sistema limpa fossa dispõe para operar. INTRODUÇÃO O trabalho em questão tem uma relevância importante, visto que a grande questão é saber qual o fim adequado deve ser dado para o resíduo coletado nos sistemas de tratamentos de esgoto residências. Não é comum se levantar tal questão, geralmente as pessoas não pensam no assunto por se tratar de esgoto, dejetos, vide o problema com os lixões que poucas pessoas tinham conhecimento, mas deveria estar se operando aterros sanitários desde outubro de 2014 (G1) em todo o país, uma meta a se cumprir que não foi levada a serio. E os dejetos das fossas sépticas que devem, também, tomar um rumo adequado, mas que muitas vezes é um caso negligenciado de tal forma que há relatos de resíduos sendo depositados em terrenos baldios, leitos d‘água, dentre outros. O que é inviável, afeta o ser humano de várias formas possíveis, principalmente na questão da saúde, que causa o aumento do número de vetores portadores de doenças. Apenas 39% do esgoto é tratado nos país, 48,6% da população tem a coleta de esgoto e 82,8% tem 1 2 Acadêmico do curso de Engenharia Civil – ULBRA, Santarém, PA Orientador, Engenheiro Sanitário (UFPA) e Professor do curso de Engenharia Civil – ULBRA, Santarém, PA 67 abastecimento de agua tratada e isso e algo preocupante visto que sem o saneamento básico aumentam as proliferações de doenças como leptospirose, dengue dentre outras doenças. E para o estado do Pará apenas 42,19% da população e abastecida com agua tratada 3,75% da população tem a coleta de esgoto e 2,79% tem esgoto é tratado são dados alarmantes que precisam ser analisados pela secretaria responsável pela infraestrutura do município para mudar essa realidade precária do nosso estado. O trabalho, então, tem objetivo de apresentar, para conhecimento geral, o fim adequado para os dejetos de fossas e tanques sépticos, para possível aplicação em um caso real. MÉTODO O tema apresentado é produzido com base em pesquisas bibliográficas de trabalhos acadêmicos relacionados, pesquisas na internet sobre as principais características de um processo de tratamento de resíduos de limpa fossa. GENERALIDADES Normalmente, encontram-se dois tipos de esgotamento sanitário: o coletivo e o individual (Silva 2014), o primeiro, em suma, ocorre quando há o atendimento de mais de uma residência, como redes publicas de tratamento de esgoto, onde a residência tem uma ligação direta com redes coletoras localizadas sob as vias. O individual, mais comum, atende uma única unidade, e geralmente é composto por fossas e tanques sépticos, quem devem ter manutenção periódica, com limpeza que varia de um a cinco anos (NBR 7229/1993). O tanque séptico cumpre, primordialmente, três funções (Silva 2014): (i) separação da escuma e sólidos, em relação aos líquidos, sendo que os sólidos constituem-se em lodos; (ii) digestão anaeróbia e liquefação parcial do lodo; (iii) armazenamento do lodo. O material encontrado em uma fossa séptica, em geral, é composto por três componentes: sólido, liquido e escuma. O sólido vem a ser o lodo, o liquido como o próprio nome da entender a parte liquida do resíduo, a escuma é a matéria graxa misturada com sólidos e gases, que fica em suspensão no liquido em tratamento. 68 O lodo vem a ser (NBR 7229/1993) o material acumulado na zona de digestão do tanque séptico, por sedimentação de partículas sólidas suspensas no esgoto. Entretanto, quando se faz a limpeza de uma fossa não se drena apenas a parte sólida (lodo), mas também um percentual de liquido acaba por ser absorvido no processo, que é comum, se cita isto apenas para esclarecer que não é unicamente o lodo que é absorvido, mas também liquido, logo, o tratamento abrange este aspecto e o nome do resíduo que é coletado pode se chamar ―lodo de fossas e tanques sépticos‖. PROCESSO DE TRATAMENTO A primeira parte do tratamento inicia com a remoção do resíduo que se encontra no tanque séptico, que é transportado por caminhões limpa fossa até a estação de tratamento de esgoto (ETE). É possível encontrar duas formas de se fazer a retirada do lodo de fossas e tanques sépticos. O primeiro é por pressão hidrostática. O mais comum, se faz por bombeamento, onde é inserida uma mangueira no interior do tanque e o material é succionada até o caminhão limpa fossa. Como já mencionado anteriormente, essa limpeza, deve ser feita de acordo com o projeto, que varia de um a cinco anos e a retirada não deve exceder 90% (noventa por cento) do volume total do tanque (NBR 7229/1993). Já na ETE, é necessário fazer, antes do pré-tratamento, o gradeamento para a retirada dos sólidos grosseiros (SABESP) que são materiais com dimensões maiores que o gradeamento, que varia de um a dez centímetros como (papel, plástico, madeira, etc.), justamente para o material ficar retido e proteger as próximas etapas. Após a retirada dos sólidos grosseiros, é hora da retirada dos sólidos sedimentares, que são feitos por caixas de areia ou desarenadores, os materiais retidos nesse momento são areia e detritos minerais inertes presentes na água (Silva 2014). Há a limpeza dessas caixas de areia, que podem ser feitas por via manual ou mecânica. Quando por via manual o sistema para, o que gera transtornos, por isso faz-se uso de duas caixas de areia, para quando uma está inutilizada, em função da limpeza, seu par funciona normalmente. Em consequência se faz a remoção de óleos flutuantes, que são os óleos e graxas que acabam adentrando o processo, este processo se faz por flotação, que é a retirada destes materiais que se encontram suspensos no liquido. Agora o resíduo é despejado em um tanque 69 onde ocorre a presença de microbolhas ascendentes, por pressurização do ar, que faz o acumulo dos óleos e graxas na superfície do liquido. Por fim se faz o tratamento do lodo, que pode ser realizado de duas formas, por tratamento isolado ou combinado. O tratamento isolado se fragmenta e três, com ênfase: na fase líquida, sólida ou com disposição no solo. o Fase liquida: este se faz com o uso de lagoas de estabilização, é uma opção de menor custo, não exige alta capacitação do operador, porém libera odores desagradáveis e necessidade de grandes áreas; o Fase sólida: é feita por estabilização alcalina, é adicionado uma quantidade de cal ao lodo, o que eleva seu ph acima de 12. Isso possibilita anulação de odores, e diminuição da atração de patógenos e subsequentemente o numero de doenças; o Disposição no solo: nesta opção pode ser feita por trincheira, aqui é escavada trincheira no solo, preenchida com lodo e por fim enterrado, o tratamento ocorre desta forma. Tratamento composto: o lodo de fossa e tanque séptico é tratado em conjunto com o esgoto sanitário em uma estação de tratamento, é o mais comumente utilizado nos grandes centros hoje, visto que é uma mescla do sistema individual com o coletivo. Há que se destacar que se preveja isto nos projetos das estações de tratamento, a descarga adicional que ocorre naquele momento do despejo do limpa fossa na ETE. CONCLUSÃO O conhecimento sobre como se deve operar um limpa fossa é importante, desde a coleta do material na residência até o seu depósito para tratamento em sistema isolado ou composto, os passos que se seguem: coleta, pretratamento e tratamento do lodo de fossa/tanque séptico devem ser adequados de acordo com a situação de cada localidade, as vezes utilizar de um sistema que não seja necessário muita técnica, como uma lagoa de estabilização é melhor que uma ETE, que exige conhecimento de operação e dimensionamento, isto deve estar de acordo com cada realidade. 70 REFERÊNCIAS: CARVALHO, Eduardo. Lei exige fim de lixões até este sábado; 60% das cidades não se adequaram. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/08/lei-exige-fim-de-lixoes-ate-estesabado-60-das-cidades-nao-se-adequaram.html> Acesso em 07 de outubro de 2015. Sabesp. O que fazemos/tratamento de esgoto http://www.sabesp.com.br/CalandraWeb/CalandraRedirect/?temp=2&proj=sabesp&pub=T&n ome=TratamentoDeEsgoto&db=> Acesso em 09 de outubro de 2015. SILVA, Adriane Dias da. Avaliação do Comportamento de uma Estação Piloto para Recepção e Pré-tratamento de Resíduos de Caminhões Limpa-fossas. 146p. 2014. Trata Brasil. Saneamento no Brasil. Disponível <http://www.tratabrasil.org.br/saneamento-no-brasil> Acesso em 09 de outubro de 2015. em 71 DESCRIÇÃO DE MÉTODO EXPERIMENTAL PARA DETERMINAÇÃO DE ABSORÇÃO DE ÁGUA E IMPERMEABILIDADE EM TELHAS DE FIBROCIMENTO Gabriel Rodrigues Gomes1 Alessandro Garcia David Rodrigues Gomes* Débora Qúezia Escócio Jordan Almeida Lobato Juliana Ribeiro Hugo Aquino² RESUMO: Este presente trabalho tem como objetivo discorrer acerca dos métodos existentes regulados por normas da NBR, que determinam as características das telhas de fibrocimento (absorção de água e variação de temperatura), bem como propor um método experimental simples e pouco sofisticado tecnologicamente, mas que busca atender essa necessidade e procura apresentar um valor científico satisfatório, embora dependa de alguns meios empíricos e, em um deles, sem quantificação. O fomento e relevância desse trabalho apoia-se no pressuposto de não haver sido difundido ainda meios tão viáveis e com baixo custo de se fazer esses ensaios, pois normalmente são feitos por empreendimentos de grande porte e que possuem um aparato tecnológico vasto (empresas de construção, fábricas, laboratórios equipados e entre outros), os quais propiciam a realização dos tais por intermédio de equipamentos com preço relativamente alto e que, por muitas vezes, podem inviabilizar o processo. O fato de as telhas de fibrocimento serem as mais utilizadas no mercado brasileiro também contribui para a idealização de um modelo de controle tecnológico eficiente e prático, que será de fundamental importância para determinar se o material poderá ser utilizado e se atenderá as exigências de conforto térmico e impermeabilidade. Palavras-chave: Telhas de fibrocimento. Método prático. INTRODUÇÃO A cobertura, quer seja em telhamento ou lajes de concreto, é uma das principais etapas na execução de uma residência e, no caso das coberturas de telhamento, a forma de execução e o material das telhas que serão empregadas, têm influência significativa e direta no que tange as questões de conforto térmico, estanqueidade às águas pluviais e proteção a agentes indesejáveis. As telhas de fibrocimento são as mais usadas no Brasil e segundo o doutor John (2014), ―cerca de 250 milhões de m² de telhas de fibrocimento são utilizadas no mercado brasileiro anualmente, o que corresponde metade da área de telhados construídos no Brasil‖. Isso se dá principalmente pelo baixo custo e por demandar uma estrutura leve, todavia apresenta algumas desvantagens, por existir em sua antiga composição produto danoso à saúde: o amianto. 1 Acadêmicos do curso de Engenharia Civil do CEULS/ULBRA ² Professor do CEULS/ULBRA com título de Mestre e Orientador do trabalho * Acadêmico do Curso de Engenharia Sanitária e Ambiental pela UFOPA 72 Embora essa substância esteja sendo trocada aos poucos por materiais alternativos, como outras fibras. Nota-se que as fibras de amianto estão presentes em 80% das residências brasileiras, através das caixas d‘água, e em 50%, como telhado (BELLIARDO, 2012). Fato este que testifica que muitas pessoas têm sua integridade comprometida, o que comprova uma desvantagem relativa dessa telha ainda. A definição de telhas de fibrocimento que foi fornecido de forma não atualizada pela NBR 5640/1995 é a seguinte: As telhas de fibrocimento a que se refere esta norma são fabricadas com uma mistura íntima e homogênea, em presença de água, composta essencialmente por cimento Portland e fibras de amianto, podendo ser complementada com a adição de outros componentes. Como foi discorrido anteriormente, essa norma supracitada está desatualizada, pois o amianto foi ―trocado‖, ao menos em efeito de norma, por outras fibras que não apresentam o mesmo desempenho de estanqueidade do amianto, fator este que contribui ainda mais para averiguação do índice de impermeabilidade e absorção de água das telhas em fibrocimento, o que será exposto no decorrer deste presente trabalho. O ensaio realizado se baseia na NBR 6470 (ensaio de absorção de água) e na NBR 5642 (impermeabilidade). Na etapa da metodologia abordar-se-á acerca destes ensaios realizados com telhas onduladas de fibrocimento, os quais, como ditos outrora, são regrados pelas NBR‘s, como o ensaio de absorção de água e impermeabilidade. E, como o enfoque da pesquisa é propor um novo método experimental que atenda às necessidades dos ensaios de absorção de água e impermeabilidade, será exposto após os modelos padrões, a alternativa que fora citada acima. METODOLOGIA A pesquisa é de cunho experimental e bibliográfica. A montagem do experimento ocorreu em novembro de 2014 no CEULS/ULBRA, que fora baseado nas NBR‘S 6470 e 5642. A forma de execução será exposta logo após o resumo das NBR‘S. NBR 6470: Esse método, como subentende-se, determina o teor de absorção de água através de meios científicos e precisos e, após ser executado esse ensaio, a telha de fibrocimento não pode apresentar um teor de absorção maior que 37%, pois a norma fixa esse coeficiente e, se for excedido, será reprovada A aparelhagem necessária é: uma estufa ou secador que mantenha a temperatura dos corpos de prova por 24h entre 100°C e 110°C; uma balança com capacidade mínima de 1 kg, com resolução de 0,1g e um recipiente de qualquer tipo para conter água potável. 73 O ensaio inicia-se retirando de cada telha do ensaio, um corpo de prova de 100mmx200mm, sendo permitida a variação de 5% para mais ou para menos nas medidas dos corpos de prova. Seca-se os corpos de prova em estufa ou secador por 24h em temperatura de 100°C a 110°C e após imerge-se os C.P.s por 24h em água potável a uma temperatura de 15°C a 20°C. Dado o período devido, retira-os da água e enxuga-se superficialmente e os pesa. E, procedendo isso, imerge-se novamente os C.P.s por períodos de 24h até que duas pesagens consecutivas não apresentem diferenças de 0,5%. E, concluindo-se o ensaio, determina o teor de absorção com simples equação, a qual o teor de absorção de água é igual à diferença da massa úmida e massa seca sobre a massa seca, e, por questões percentuais, multiplica-se por 100 e obtém-se o coeficiente de absorção de cada C.P. NBR 5642: Esse método apenas verifica de forma ―observada‖ a impermeabilidade da telha, ou seja, não é quantificado o coeficiente como no ensaio de absorção de água, mas tem valor científico determinante. A aparelhagem requerida para idealização deste ensaio é basicamente de um tubo com seção circular reto, de cor transparente ou translúcido, com abertura nas extremidades e com diâmetro de 35mm e capaz de formar uma coluna líquida de 250mm. O corpo de prova é o próprio pedaço da telha de fibrocimento. O primeiro passo é colocar o C.P em posição horizontal e apoia-se um extremo do tubo na vertical e após veda-se com selante a interseção entre o tubo e a telha. Depois, enche-se com água até formar a coluna hidrostática de 250mm e, passada as 24h em repouso, verifica-se a face interior do C.P. Os resultados do ensaio devem afirmar se houve ou não manchas de umidade e formação de gotas, que será averiguado através de observação do agente ou pesquisador. RESULTADOS E DISCUSSÃO O método ou modelo que será discorrido é o cerne desse presente trabalho, o qual propõe um novo processo pelo qual se determina o coeficiente de teor de absorção de água e, empiricamente, mas com validade científica, a impermeabilidade. A imagem a seguir mostra o protótipo que foi criado: 74 Figura1- Modelo construído Fonte: Vinícius Ribeiro,2014. O ensaio baseou-se em arquitetar um modelo que fosse capaz de determinar o teor de absorção de água e a impermeabilidade de uma só vez, ou seja, em um mesmo ensaio. Conforme a imagem, os materiais utilizados no modelo foram: pedaços de madeira com angulação reta (90°), vidro comum, telha de fibrocimento de 5mm de espessura e uma garrafa PET, onde será utilizado um volume conhecido. Os procedimentos são simples: monta-se ou prega-se as paredes da miniatura, deixandose uma abertura em um dos 4 lados para inserir um material posteriormente, que é uma pequena chapa de ferro, para questão de variação da temperatura interna. Colocou-se a telha de fibrocimento, a qual tem sua vedação entre a telha e as ―paredes‖ supostas e depois colocou-se a garrafa PET de 2L com 500mL de água (medidos em proveta) sobre a telha e fez-se também uma vedação e, no caso, utilizou-se o material epóxi. Após a secagem das vedações, toda a montagem foi tirada da temperatura ambiente, em torno de 28° e foi colocada exposta ao sol desde as 10h da manhã até 16h, ou seja, 6h na exposição da radiação solar. Quando se retirou o produto, aferiu-se os seguintes dados: Já havia apenas 450mL de água, ou seja, foram absorvidos 50mL de água em 6h. Constata-se, portanto, que a absorção de água dessa telha foi de 11,11%, utilizando-se da mesma prova de cálculo da NBR 6470. Concluiu-se, portanto, que a telha está dentro dos padrões, pois um coeficiente de absorção para ser reprovado tem que ser maior que 37% e, nesse caso, esteve bem abaixo. Outra aferição foi a empírica ou observativa, a qual a telha teve apenas algumas manchas de umidade, mas não houve nenhum tipo de gotejamento para a parte interna do protótipo. Vale ressaltar que houve também uma variação de temperatura da telha nesse período de 6h, a telha saiu de sua temperatura e atingiu 38° e a barrinha de ferro saiu de sua 75 temperatura normal e foi de 29° até o momento da aferição. Na segunda aferição, realizada em 24h a céu aberto, verificou-se um aumento significativo na temperatura da telha, que foi de 49°C e a da mesma barra foi de 33,5°C e, a temperatura interna foi de 37,5°C. CONCLUSÃO O método experimental proposto apresentou um satisfatório resultado no ensaio de absorção de água e de impermeabilidade, pois embora não ter havido muitos critérios de quantificação, o ensaio de absorção de água é satisfatório porque teve um teor muito inferior ao que é proibido por norma e, para efeitos de aprovação e reprovação de material, ele pode ser utilizado. Todavia, ainda precisa ser mais aperfeiçoado para ser usado como método laboratorial. O ensaio de impermeabilidade apresenta os mesmos parâmetros empíricos do regido por norma, portanto, ele pode ser utilizado para fins de observação. Mas, como a proposta do método era apresentar um ensaio alternativo, sem tanta sofisticação, mas com valor científico, em geral, houve êxito, embora haja necessidades de revisões dos processos. O mais interessante é que o método faz os dois ensaios de forma concorrente, fator este que diminui os custeios e não demanda por muito tempo de execução. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 5460: Especificações gerais das telhas de fibrocimento. 1995. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 6470: Ensaio de absorção de água em telhas de fibrocimento.1993 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.NBR 5642: Ensaio de Impermeabilidade em telhas de fibrocimento.1993 BELLIARDO, Rafael. Ministros divergem sobre banimento do amianto no Brasil. Conjur, 31 de outubro de 2012. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2012-out- 31/marcoaurelio-ayres-britto-divergem-necessidade-banir-amianto. Acesso em 15 de maio de 2015. SAVASTANO JÚNIOR, Holmer; JOHN, Vanderley M. Perspectivas do fibrocimento sem amianto no Brasil. Folha de São Paulo, Tendências/Debates, 08 de fevereiro de 2014. 76 MODELO DE FOSSA SÉPTICA COM FILTRO ANAERÓBIO PARA RESIDÊNCIAS POPULARES DA CIDADE DE SANTARÉM-PA Diovana Silva Sena de Sousa1 Saulo de Almada Gomes2 [email protected] RESUMO: As deficiências dos serviços de saneamento básico nas áreas urbanas, principalmente em áreas periféricas, precisam de implantação de um sistema alternativo para disposição dos resíduos locais, com o objetivo de evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. Tendo isso em vista este trabalho vem trazer uma proposta de modelo de fossa séptica com filtro anaeróbio, que diminua a contaminação por parte de residências populares, e ao mesmo tempo seja viável a este padrão de edificação. Para a prototipação desta fossa, foi utilizado um modelo matemático disposto na NBR 7229/93, que estabelece projetos, construção e operações de sistemas sépticos, além da análise dos dados acerca das variáreis do modelo matemático proposto pela norma. A elaboração do modelo de fossa séptica deste trabalho possui suas dimensões proporcionais a uma edificação residencial com uma contribuição de cinco habitantes. Observou-se que o modelo pode atender as necessidades das residências, e que se torna viável a partir da sua compactação e da possibilidade do uso de materiais alternativos. PALAVRAS CHAVES: Fossa séptica; Filtro Anaeróbio; Residências Populares. INTRODUÇÃO Na cidade de Santarém-PA não há redes coletoras de esgoto sanitário, obrigando a população a criar seus próprios meios de disposição dos resíduos sanitários domésticos. Grande parte desses resíduos é lançada de forma inadequada ao meio ambiente, que acabam provocando doenças transmitidas principalmente por coliformes fecais e contaminação do solo, lençóis freáticos e mananciais aquáticos. Esses problemas podem ser minimizados com a utilização de sistemas simplificados para o tratamento de esgoto sanitário, os quais devem ter como característica facilidade construtiva e acessibilidade à população (BRASIL, 2014). Segundo Monteiro (2011) uma proposta adequada para as regiões que não possuem rede coletora de esgoto e que diminua a contaminação por parte dos resíduos sanitários, é a fossa séptica com filtro anaeróbio. A utilização de tecnologia convencional em esgotamento sanitário tem custo elevado, dificultando ou mesmo impedindo o atendimento às áreas de população de baixa renda. Grande parte da população urbana não dispõe de sistema de esgotamento sanitário, tendo como consequência o agravamento da situação sanitária. Desta forma, há necessidade de se conceber sistemas de esgotamento sanitário com tecnologias apropriadas, ou seja, que se adaptem às características locais, reduzindo custos sem prejuízo de sua eficácia (KLIGERMAN, 1995 apud MONTEIRO, 2011). 1 2 Aluna de Capacitação Profissional em Auxiliar de Construção Civil – SENAI CEP Santarém Instrutor Técnico de Construção Civil - SENAI CEP Santarém 77 As localidades que possuem esse quadro de inadequação dos resíduos de escoto são marcadas por elevados índices de doenças relacionadas à inexistência ou ineficiência de serviços de saneamento básico (FUNASA, 2009 apud MONTEIRO, 2011). O sistema Fossa Séptica com Filtro Anaeróbio tem a finalidade de realizar um tratamento primário do efluente e reduzir a carga orgânica, a fim de minimizar o impacto ambiental causado pelo mesmo. Este sistema impede que o material orgânico sólido entre em contato direto com o solo, além de realizar um processo de decomposição de bactérias, reduzindo drasticamente as taxas de oxigênio, favorecendo a redução da contaminação do solo e dos lenções freáticos (MONTEIRO, 2011). Diante desse quadro, este trabalho propõe um modelo de fossa séptica com filtro anaeróbio para a cidade de Santarém-PA, que possa diminuir a contaminação de lençóis freáticos a partir de tratamento dos dejetos sanitários, bem como seja de viável utilização em casas populares. MÉTODO Para a obtenção de dados neste trabalho, foram realizadas pesquisas bibliográficas. As pesquisas bibliográficas buscaram informações que contribuíram para a construção do trabalho. Tais pesquisas foram feitas através de livros, revistas e com acesso a internet. Já existem na atualidade vários modelos de fossa séptica com filtro anaeróbio, o processo realizado foi de adaptação e redução para que tal projeto possa ser utilizado em residências populares. Para tal adaptação foram realizados cálculos segundo o trabalho do autor Fernandes (2005), o qual realiza um roteiro de dimensionamento de fossa séptica, além da norma ABNT 7229/93 que estabelece projetos, construção e operações de sistemas sépticos, além da análise dos dados acerca das variáreis do modelo matemático proposto pela norma. A elaboração do modelo de fossa séptica deste trabalho possui suas dimensões proporcionais a uma edificação residencial com uma contribuição de cinco habitantes. No trabalho foi exposto o modelo de Fossa Séptica com Filtro anaeróbio a partir de imagens. Estas foram elaboradas no programa Revit 2014. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a norma NBR 7229/1993 que estabelece Projeto, Construção e Operações de Sistemas de Tanques Sépticos, se realizou nesse trabalho um modelo de fossa séptica com filtro anaeróbio, adaptado e adequado para casas populares com 78 habitação de uma média de cinco pessoas. O modelo foi desenvolvido no programa Revit 2014 e está expresso nas figuras 01 e 02, em planta e corte transversal respectivamente. Figura 01: Representação da fossa séptica com filtro anaeróbio em planta baixa. Fonte: Autor. Figura 02: Representação da fossa séptica com filtro anaeróbio em corte transversal. Fonte: Autor. As dimensões da fossa séptica foram obtidas a partir do modelo matemático trago pela NBR 7229/93 para fossas sépticas, a seguir: V = 1000 + N (CT + K Lf) 79 Onde: V = volume útil, em litros N = número de pessoas ou unidades de contribuição C = contribuição de despejos, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia. T = período de detenção, em dias. K = taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco. Lf = contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia. Para o volume útil foi adotado no modelo proposto, o numero de cinco pessoas contribuindo no sistema sanitário. A partir desse numero de contribuintes, é encontrado o valor das demais vareáveis descritas na fórmula, a partir de tabelas descritas na NBR 7229. Neste modelo, o sistema Fossa Séptica/Filtro anaeróbio possui fundo de concreto, o que evita o contato da matéria orgânica não filtrada com o solo, bem como fundo falso, o qual realiza a filtragem da matéria orgânica dissolvida pela fossa séptica, aumentando assim a eficiência de descontaminação do efluente. O líquido resultante do tratamento do filtro é liberado no solo através das valas de infiltração, o qual chega aos lençóis freáticos com cerca de 70% com menos contaminação do que quando entrou na fossa séptica (MONTEIRO, 2011). Tendo em vista o modelo proposto, podemos citar as seguintes vantagens: pequena área de instalação; custo com material e mão de obra relativamente baixo, devido a sua pequena dimensão; não consomem energia; possibilidade de remoção da matéria orgânica sólida; dispersão final de efluentes clarificados e com baixa concentração de matéria orgânica; a água tratada presta-se para disposição no solo. Entre as possíveis desvantagens, podemos citar o risco de entupimento (haja vista que ainda não foi testado, e não se tem certeza absoluta de sua eficiência, principalmente no que diz respeito à absorção do solo) e a produção de um efluente rico em sais minerais (em que se houver uma alta taxa pode ―queimar‖ o solo). CONCLUSÕES A partir de cálculos realizados segundo normas técnicas da ABNT, concluiu-se que a fossa séptica e o filtro anaeróbio se tornam viáveis a partir da redução do uso de materiais, além da prototipação com dimensão proporcional a uma edificação residencial popular. Além disso, é um sistema pertinente que pode ser adotado, visando à diminuição de contaminação do solo, dos lençóis freáticos e de mananciais da cidade de Santarém, por parte dos efluentes domésticos. 80 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS (ABNT). Comissão de Estudo de Instalação Predial de Fossas Sépticas. Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos. Rio de Janeiro, 1993. BRASIL. Fundação Nacional de Saúde. Manual de Saneamento. 3. ed. rev. – Brasília. 2004, 408 p. FERNANDES, R. de O. Roteiro de Dimensionamento de fossa Séptica seguido de Sumidouro. Universidade Regional do Cariri-URCA. Pró- Reitoria de Ensino de Graduação e Coordenação da Construção Civil, 2005. MONTEIRO, A. P.; RENDEIRO, H. F. Sistema Individual de Tratamento de Esgoto, Fossa Séptica, Filtro Anaeróbio e Sumidouro uma alternativa para o tratamento sanitário em comunidades de baixa renda do município de Belém PA, Universidade da Amazônia – UNAMA, 2011. 81 82 DESENVOLVIMENTO DE UM PROTÓTIPO DE SOFTWARE EDUCATIVO PARA APRENDIZAGEM DOS CONTEÚDOS DE FUNÇÕES MATEMÁTICAS DE 1º E 2º GRAU. 1 Sávio Oliveira da Silva 2 Marialina Corrêa Sobrinho [email protected] [email protected] RESUMO – Este trabalho tem como objetivo desvendar, resolver e vislumbrar de forma dinâmica os conceitos presentes no estudo das funções de 1º e 2º grau da matemática de Ensino Médio do 1º ao 3º ano, fazendo o uso de Objetos de Aprendizagem (OAs). A partir dos levantamentos sobre a carência e atraso de materiais tecnológicos nas metódicas de ensino, e da complexidade de interpretação e compreensão dos conceitos relacionados aos conteúdos deste tema, desmistificando a imagem ruim das exatas, optou-se por materiais multimídia, atraindo o interesse de alunos do Ensino Médio. Apostando na abordagem de uma metodologia integrada ao Objeto de Aprendizagem, permitindo ao aluno visualizar e compreender o uso dos conceitos das funções de 1º e 2º grau de forma lúdica, criativa e dinâmica. Será desenvolvido um OA com a ferramenta autoral (eXelearning) voltado aos conteúdos de função 1º e 2º grau, agregando-o ao mesmo outros objetos que possam somar no objetivo final do ensino-aprendizagem do material educacional. Acredita-se que esta proposta poderá contribuir para a melhoria da qualidade do ensino da matemática e mais especificamente para o ensino de funções 1º e 2º grau. PALAVRAS-CHAVE: objeto de aprendizagem (oa), educação, ensino da matemática. INTRODUÇÃO A aplicação da Tecnologia na educação latino-americana iniciou-se com o programa pioneiro intitulado ―projeto Piloto‖ idealizado pela ―UNESCO e colaboração de diversas instituições‖, desenvolvendo novos modelos de ensino na Física por intermédio da tecnologia, em São Paulo, de 1963-64. Esta pesquisa teve continuidade por parte dos pesquisadores do mesmo ―Projeto Piloto‖, motivados pelo novo e desconhecido estudo da ―aprendizagem humana, sob um ponto de vista tecnológico, na área da física‖ procurando sanar a diferença do atraso dos países subdesenvolvidos em relação aos desenvolvidos, embasado no enfoque Comportamentalista da teoria de Skinner, pelo uso ―estimulo-reposta-reforço‖, que viria no futuro não muito distante ser alvo de estudos no desenvolvimento de OAs (Objetos de Aprendizagem). Com o passar dos anos, a realidade atual da aplicação da tecnologia na educação tem sido mediado com o auxilio do OA, com a pretensão de servir como material de apoio ao professor, tornando as aulas mais dinâmicas e participativas. Segundo Tarouco (2003): Um Objeto de Aprendizagem é qualquer recurso, suplementar ao processo de aprendizagem, que pode ser reutilizado para apoiar a aprendizagem, termo geralmente aplicado a materiais educacionais projetados e construídos em pequenos conjuntos visando a potencializar o processo de aprendizagem onde o recurso pode ser utilizado. (TAROUCO et al.,2003) 1 Acadêmico de Engenharia Civil - Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS/ULBRA Profa. Me. do curso de Bacharelado em Sistema de Informação do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA: Licenciatura em Informática do IFPA 2 83 Recursos de apoio como estes, despertaram o interesse de pesquisadores de diferentes áreas de atuação, assim como os das Exatas, que em prol da constatação das dificuldades nas ciências Exatas expresso pela maioria dos alunos, buscaram apoiar seus métodos nesse ambiente de aprendizagem, por admitir ferramentas que permitem a criação de exercícios interativos, com questões e/ou problemas com um feedback imediato e variado, ou mesmo, apostar em um OA mais lúdico, que excite o interesse nos estudante, com apoio de recursos de imagens, sons, vídeos, animações, entre outros, ou até mesmo, mesclar variados recursos dos objetos por meio de ferramentas autorais, que permite a participação do professor como produtor, o chamado ―prosumer‖ – ―producer+consumer‖, ou seja, a conexão de produtor e consumidor, conforme (TOFFLER. 2001). Diante disto, a frequência em que professores e alunos encontram-se cada vez mais inseridos no meio tecnológico, permitiu uma maior troca de ideais entre mediador e o aluno, facilitado pelo OA. Segundo Freire (2002) não existe uma verdadeira educação, si não houver diálogo. Baseado nisto, o desenvolvimento deste Objeto de aprendizagem, terá alunos do Ensino Médio como publico alvo, para o ensino de funções matemáticas de 1º e 2º grau. De acordo com o nível de aprendizagem de cada aluno, será desenvolvido OAs mais lúdicos, a fim de gerar maior interesse pelo assunto nos alunos, classificado por Martinez como ―ALUNOS RESISTÊNTES –, ALUNOS CONFORMADOS‖ e em parte ―ALUNOS ATUANTES‖ caso as Ciências Exatas não sejam do interesse do mesmo, ou propor OAs mais objetivos, a favor do desenvolvimento Cognitivo do estudante, os classificados ―ALUNOS TRANSFORMADORES‖ (MARTINEZ 2002, p.16). MÉTODO Conforme Torrão (2009) Conceituar um OA não é fácil e tão pouco consensual. Defini-lo, segundo Vigneron e Pozzatti (2014): Sua definição surge de acordo com uma concepção própria dos autores acerca da utilidade e importância do Objeto para o ensino e a aprendizagem e varia de acordo com a abordagem proposta e os aspectos que estão associados ao seu uso educacional. (VIGNERON. POZZATTI. 2014) Segundo a definição de Willey (2000): ―[...] é qualquer recurso digital que pode ser reusado para apoiar a aprendizagem‖ uma das definições mais aceitas de OAs. 84 A aplicação de OAs em classe permite que o aluno explore e aplique o seu conhecimento em diversas situações que um Objeto pode criar na garantia da participação e o desenvolvimento intelectual já existente do estudante, em relação a assuntos já trabalhados em sala de aula e de experiências próprias. Assim, o uso de Objetos de Aprendizagem pode ser relacionado à teoria da aprendizagem significativa de Ausubel, segundo Pelizzari (2001): [...] a aprendizagem significativa tem vantagens notáveis, tanto do ponto de vista do enriquecimento da estrutura cognitiva do aluno como do ponto de vista da lembrança posterior e da utilização para experimentar novas aprendizagens [...] de acordo com Ausubel, pode-se conseguir a aprendizagem significativa tanto por meio da descoberta como por meio da repetição. (PELIZZARI et al. 2001, p.39) Segundo Moreira (2006) a teoria de Ausubel: A aprendizagem significativa caracteriza-se por uma interação entre aspectos específicos e relevantes da estrutura cognitiva e as novas informações, pelas quais estas adquirem significado e são integradas à estrutura cognitiva de maneira não arbitrária e não literal, contribuindo para a diferenciação, elaboração e estabilidade dos subsunçores preexistentes e, consequentemente, da própria estrutura cognitiva. (MOREIRA. 2006, p.14) Então aplica-los depende de todo um planejamento, e alguns professores erram na escolha, pelo grande potencial de reciclagem dos Objetos. Mas si bem planejado, influenciará positivamente na aprendizagem, ―A concepção adequada desses objetos tem implicações diretas na construção do conhecimento pelos estudantes‖ (MENEZES et al. 2006, p.2). RESULTADOS E DISCURÇÃO À medida que os alunos foram ficando mais conectados a tecnologia, segundo a ultima pesquisa do centro de estudos sobre as tecnologias da informação e da comunicação (CETIC.br) apresentou que 67% dos estudantes têm computador no domicilio, mas 92% utilizaram a internet nos últimos três meses, sendo que 46% tiveram acesso a internet pelo aparelho celular, afirmando que 69% dos alunos envolvidos (9º ano do Ensino Fundamental ou 2º ano do Ensino Médio) usaram computador e internet todos os dias. Assim, a tendência dos professores foi aproximar-se a métodos mais dinâmicos de exploração e apresentação de seus conteúdos relacionados a ambientes tecnológicos que o aluno já estava inserido. Para Hill (1966, p.56) ―[...] a aprendizagem é o estudo das distintas formas em que as cognições são modificadas pela experiência‖. 85 REFERÊNCIAS CETIC. Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br): TIC – Educação 2012. Disponível em: <http://www.cetic.br/educacao/2012/professores/index.html>. Acesso em: fev. de 2015. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003. HILL, B. In: DIB, Cláudio Zaki. Tecnologia da educação e sua aplicação à aprendizagem de Física. 1º ed. São Paulo: Biblioteca Ceuls/Ulbra (2015) MARTINEZ, M. Designing learning objects to mass customize and personalize learning. In: WILEY, D. A. The instructional use of learning objects: online version. 2002. Disponível em: <http://reusability.org/read/chapters/martinez.doc>. Acesso em: fev. de 2015. MENEZES, C. S.; FERRETTI, C.; LINDNER, E. L.; LIRA. A. F. Aplicando arquiteturas pedagógicas em objetos digitais interativos. In: RENOTE – Revista Novas Tecnologias para a Educação. Porto Alegre: Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED UFRGS), v. 4. nº 2, 2006. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/14138>. Acesso em: fev. de 2015. MOREIRA, M. A. A teoria da aprendizagem significativa e sua implementação em sala de aula. Brasília:, 2015. PELIZZARI, Adriana. KRIEGL, Maria. PIRIH, Márcia. Teoria da aprendizagem significativa segundo Ausubel. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000012381.pdf>. Acesso em: fev. de 2015. TAROUCO, L. M. R.; FABRE, M. J. M.; TAMUSIUNAS, F. R. Reusabilidade de objetos educacionais. In: RENOTE – Revista Novas Tecnologias para a Educação. Porto Alegre: Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação (CINTED - UFRGS), v. 1. nº 1, 2003. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183//12975>. Acesso em: fev. de 2015. TOFFLER, A. A terceira onda. São Paulo: Record, 2001. TORRÃO, S. Produção de objetos de aprendizagem para e-learning. 2009. Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/10691731/produAodeObjectosdeAprendizagemParaeLearning>. Acesso em: fev. de 2015. VIGNERON, Eliane. POZZATTI, Maria. Objetos de aprendizagem: Conceitos básicos. 1º ed. Porto Alegre: Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/102993>. Acesso em: fev. de 2015 WILLEY, D. A. Learning object design and sequencing theory. Un published doctoral dissertation, Brigham Young University. 2000. Disponível em: <http://www.reusability.org/read/chapters/wiley.doc>. Acesso em: fev. de 2015. 86 BITS E BYTES DE CULTURA DA AMAZÔNIA: A TECNOLOGIA E A INSERÇÃO DOS TEMAS TRANSVERSAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL. Alleff Cristhian Sousa1 Deivid Eive Santos1 Igor Mayco P. Oliveira1 Kássia Souza1 Vanessa Oliveira1 Marialina Corrêa Sobrinho2 Marla Teresinha B. Geller2 [email protected] RESUMO: Os temas transversais definidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) propõem a inserção de experiências vividas pelas crianças ou jovens nos conteúdos das diversas disciplinas. Dentre os temas transversais propostos está a pluralidade cultural, que pode ser abordada no sentido de valorizar a identidade cultural de uma dada região. Utilizar as tecnologias que estão presentes no dia a dia dos estudantes, como celulares, smartphones, tablets, laptops, para divulgar a cultura regional pode auxiliar o professor na abordagem destes temas transversais. Neste contexto, o objetivo do trabalho é desenvolver um material didático composto por um e-book e um jogo educativo abordando a cultura da Região Norte. O e-book com o título ―Bits e Bytes de Cultura da Amazônia‖ apresenta as danças, as lendas, a culinária e o vocabulário da Região Norte. O jogo tem como proposta a integração do tema com as diversas disciplinas. O material está sendo desenvolvido seguindo os princípios e práticas do desenvolvimento de software educativo através do processo P@PSEduc e das ferramentas livres Sigil 0.7.4 e 001 Game Creator. PALAVRAS-CHAVE: livro digital, jogo educacional, cultura regional. INTRODUÇÃO As questões sociais são uma crescente dentro da educação nas escolas, estimulando a reflexão dos alunos a respeito de temas que favorecem a compreensão da realidade e a participação social dos mesmos. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) elegeram a inclusão de temas transversais como Ética, Pluralidade Cultural, Meio Ambiente, Saúde e Orientação Sexual, com a justificativa de que o currículo escolar ganha flexibilidade, pois os temas podem ser contextualizados de acordo com as diferentes regiões, atendendo as necessidades educacionais locais [BRASIL, 1997]. Tendo em vista a importância de exaltar a educação para a cidadania dentro das escolas, que a compreensão dos temas transversais torna-se essencial. Para tanto, a busca por métodos que auxiliem neste processo de ensino e aprendizagem tem destacado tecnologias como livros digitais e jogos educativos. Ambos funcionam como mecanismos pedagógicos e didáticos que auxiliam no aprendizado de diversos temas do currículo escolar. O livro digital ou e-book surge como uma forma de dinamizar a leitura de um livro em formato impresso; pode-se ler a versão digital do mesmo livro em um e-reader, tablet, 1 Alunos do Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA, participantes do PROICT 2015. 2 Professoras do Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA, coordenadoras e orientadoras do projeto. 87 smartphone ou computador; pode-se ainda ouvir a mesma obra em formato de áudio. O conteúdo será o mesmo, ainda que um ou outro detalhe escape em cada uma das leituras. Outro recurso que tem estado presente nas salas de aula como um instrumento de auxílio à aprendizagem dos discentes são os jogos educacionais. Os mesmos colaboram com a fixação do conteúdo através do dinamismo, resgatando a ludicidade e transformando o processo do aprender, podendo atingir um melhor rendimento dos alunos. Um dos fatores importantes em utilizar um material de apoio às práticas pedagógicas é a capacidade de ajudar o professor a reter a atenção dos alunos e torná-lo facilitador da aprendizagem, estimulando visualmente os alunos através das animações, cores e movimentos [SCOLARI, BERNARDI e CORDESONI, 2007]. Neste processo, o desenvolvimento de um software educativo que atenda às necessidades escolares exige cuidados adicionais aqueles de um sistema comercial ou de um site web. É necessária atenção aos mecanismos pedagógicos e didáticos, que constituem a base de todo o instrumento de ensino e de aprendizagem. É preciso, também, o envolvimento interdisciplinar de profissionais como: psicólogos, pedagogos, professores especialistas na área do conhecimento, técnicos da área computacional, entre outros. Desta forma, as teorias de aprendizagem discutidas no ambiente educacional devem repensar como estabelecer o elo entre o meio (tecnologia) e o fim (aprendizado), para que o aluno não seja apenas um receptor de informações, mas interaja de modo a construir seu conhecimento utilizando os recursos tecnológicos. Neste contexto, a proposta deste trabalho foi desenvolver um material educativo, composto por um e-book e um jogo, chamado ―Bits e Bytes de Cultura da Amazônia‖, que aborda de maneira didática aspectos culturais da região Norte, como as danças, lendas, culinária e vocabulário, tendo a produção gerenciada por um Processo Ágil para Software Educativo (P@PSEduc). Este resumo expandido está organizado em seções, onde após esta introdução encontra-se a segunda seção que apresenta o método utilizado para o desenvolvimento do material educativo. A seção seguinte aborda os resultados e discussões a respeito do desenvolvimento do material, e finaliza com a conclusão. MÉTODO Os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam os objetivos que o ensino fundamental deve atingir. Um deles é fazer conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. Outro ponto pertinente, neste contexto, abre caminhos para se 88 trabalhar com recursos tecnológicos dentro do espaço escolar, pois possibilita ao aluno lidar com diferentes fontes de informação para adquirir e construir conhecimentos. Portanto, a produção de material que satisfaça esses requisitos se faz necessária, de modo que o professor tenha ferramentas que o auxilie em suas propostas pedagógicas. O material educativo visa atingir os fatores estabelecidos pelo PCNs, mencionados anteriormente. O mesmo é composto por um e-book e um jogo e ambos estão sendo desenvolvidos seguindo os princípios de um Processo Ágil para Software Educativo P@PSEduc, que gerencia o desenvolvimento do produto desde o planejamento até a entrega, incluindo as fases de planejamento, modelagem, desenvolvimento e encerramento [GELLER, CORRÊA SOBRINHO e ARAÚJO, 2009]. O e-book foi desenvolvido com auxílio da ferramenta livre Sigil 0.7.4, no formato e-Pub, que possibilita a utilização em diferentes plataformas e dispositivos. Para o desenvolvimento do jogo utilizou-se o software 001 Game Creator. Em se tratando de material educacional, a definição, a adequação e a facilidade de utilização dos materiais, tornam-se fatores fundamentais. Neste sentido, o desenvolvimento do presente material busca obedecer aos critérios de avaliação criados, levando em consideração tanto os aspectos pedagógicos quanto os técnicos. Dentre as tarefas necessárias para uma avaliação está a identificação da abordagem epistemológica, aspecto pedagógico. Uma das principais perspectivas epistemológicas é o construtivismo onde o desenvolvimento mental aparecerá em sua organização progressiva como uma adaptação mais precisa da realidade [PIAGET 1964, p.16]. A teoria construtivista considera que um erro corrigido com o próprio aprendiz pode ser mais produtivo do que um acerto imediato, pois comparando hipóteses e refletindo sobre a ação é que se têm novas ideias e novos conhecimentos [CASTORINA, 1988]. Os aspectos técnicos, por sua vez, envolvidos no processo de avaliação, indicam qualidades relativas à sua robustez (consegue se recuperar a erros), portabilidade (capacidade de funcionar em múltiplos sistemas operacionais), sua interface (intuitiva e agradável) bem como sua documentação (registro de todos os passos, desde o planejamento até a entrega) [REATEGUI e FINCO, 2010]. A utilização de critérios é relevante quando se trata de seleção bem como a produção de software educativo de modo a avaliar a qualidade do produto. 89 RESULTADOS E DISCUSSÃO O livro digital aborda de forma lúdica assuntos tratados especificamente na disciplina de Estudos Amazônicos. O material está sendo produzido no formato ePUB, como mencionado anteriormente, possibilitando, deste modo, a disponibilidade do material em diferentes dispositivos independente da plataforma de acesso utilizada pelos alunos. O assunto está dividido em quatro capítulos: danças, comidas típicas, lendas e vocabulário, destacando informações importantes para o conhecimento dos leitores, acompanhados de imagens que caracterizam cada capítulo. O primeiro capítulo destaca quatro danças específicas da Região Norte, o Carimbó, o Siriá, o Xote Bragantino e a Marujada. O segundo capítulo aborda a culinária, enfatizando algumas comidas típicas: mandioca, goma de tapioca, tucupí, farinha, peixe, açaí e cupuaçú. O terceiro capítulo conta as estórias de algumas lendas como a Lenda do Boto, Cobra Grande, Vitória-Régia, Iara e Mandioca. O quarto capítulo apresenta o vocabulário nortista e seus significados. Dentre os recursos identificados para tornar este produto real, a ferramenta livre Sigil 0.7.4 destacou-se por sua capacidade de produzir e-books no formato ePUB, que suporta recursos midiáticos, o que torna o produto mais interativo. O software Sigil foi desenvolvido com a finalidade de ser simples e de fácil usabilidade, e está em constante aprimoramento de recursos. Como todo software, ele também apresenta limitações, porém, por ter aceitação nos principais sistemas operacionais do mercado, ele torna-se uma boa alternativa para o desenvolvimento de livros digitais com qualidade [BUSE, 2013]. O e-book ―Bits e Bytes de Cultura da Amazônia‖ foi desenvolvido com o intuito de despertar a curiosidade e o interesse dos leitores, fazendo referência aos temas abordados, focado na Região Norte. A figura 1 destaca a arte criada para a capa do e-book. Figura 1. Interface da capa do e-book 90 O jogo educacional possui um papel complementar na aprendizagem, diante do contexto em que vai ser inserido. Este jogo vai instigar a mente dos usuários a assimilar os conteúdos lidos no e-Book. Diante das novas tecnologias, a educação pode seguir os princípios do construtivismo, na qual o aluno é o próprio construtor do seu conhecimento. Segundo Tarouco (2004) os jogos educacionais se baseiam numa abordagem auto-dirigida, isto é, aquela em que o sujeito aprende por si só, através da descoberta de relações e da interação com o software. Neste cenário, o professor tem o papel de moderador, mediador do processo, dando orientações e selecionando softwares adequados e condizentes com sua prática pedagógica. O objetivo do jogo, neste contexto, é motivar os alunos a fixar os conteúdos aprendidos com a leitura do e-Book. O jogo é interativo, contendo um cenário animado e um personagem controlado pelo aluno, além de apresentar uma história sobre o ―Sitio Bits e Bytes‖ que serve para envolver os alunos e contextualizar os conteúdos regionais abordados no livro. No início do jogo, os alunos são motivados a conhecerem o Sítio e os escoteiros que cuidam do mesmo, desta forma interagindo ajudando-os em missões e testando seus conhecimentos a respeito da Região Norte. A metodologia utilizada para o desenvolvimento do mesmo foi a ferramenta 001 Game Creator (versão gratuita), recomendado para jogos de ação em RPG e jogos de plataforma. Esta ferramenta não necessita de conhecimento de linguagens de programação, e utiliza comandos gráficos, de forma a incentivar o desenvolvimento de jogos, o que trouxe mais produtividade para o trabalho de desenvolvimento. A capa de apresentação do jogo foi construída de acordo com a temática, fazendo alusão ao que foi estudado no e-Book para dar início à uma nova jornada através do jogo acerca da cultura amazônica, compondo dessa forma o material educativo (Figura 2). Figura 2. Interface da Capa do Jogo O jogo dentro da proposta apresentada, proporciona diversos ambientes como o Lago das Lendas, Criadouro de Peixes, Plantação e a Cozinha da Dona Xica. Em cada ambiente o 91 aluno encontra um personagem escoteiro, do qual recebe orientações sobre sua missão através de áudios, que explicam quais passos ele deve seguir (Figura 3). Figura 3. Interfaces de Ambientes do Jogo CONCLUSÃO A inserção de recursos digitais no ambiente educacional se explica pelo fato de a atual geração já nascer sob grande influência das tecnologias [SILVA, SILVA e CORRÊA SOBRINHO, 2014]. Para Mendelsonh (1997) as crianças nascem em uma cultura que se clica e o dever dos professores é inseri-la no universo de seus alunos. Neste sentido, faz-se necessário a produção de material dessa natureza com intuito de servir como uma alternativa a mais a favor do professor e de apoio para o aluno, visto que a gama de dispositivos está cada vez mais presente nas atividades desempenhadas pelo ser humano, então por que não na educação? O material educativo proposto, neste processo, foi desenvolvido por alunos do curso de Sistemas de Informação com acompanhamento de uma Pedagoga em cada uma das fases: planejamento, modelagem, desenvolvimento e encerramento. Os ajustes necessários tanto no e-book quanto no jogo estão sendo feitos pelo professor que ministra a disciplina de Estudos Amazônicos de modo a contribuir diretamente na proposta pedagógica do mesmo. Cabe dizer que apesar do material ser produzido e posteriormente validado na disciplina mencionada, o mesmo terá finalidade multidisciplinar, pois aborda conteúdo transversal, podendo ser utilizado nas diversas outras disciplinas como geografia, história, português e matemática. Como trabalho futuro, pretende-se disponibilizar o material para o professor utilizar em sua disciplina e avaliar os benefícios proporcionados pelos recursos do e-book e do jogo educacional. Tendo resultado positivo na experiência com o tema transversal ―cultura regional‖, outros temas transversais podem ser elaborados com a mesma metodologia. Como trabalhos futuros pretende-se dar continuidade no projeto com intuito de que os docentes não somente usem, mas 92 consigam produzir o seu próprio material, sem muita experiência técnica, pois, tomando conhecimento dos resultados positivos dos mesmos dentro do contexto escolar, a equipe acredita que o professor sentir-se-á motivado a desenvolver. REFERÊNCIAS: BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF. 1997. Disponível em :<http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso: em 18 de Maio de 2015. BUSE, Jarret W. Epub from the Ground Up:A Hands-onGuide to EPUB 2. New York: McGraw-Hill. 2013. CASTORINA, J. Psicologia Genética: Aspectos Metodológicos e Implicações Pedagógicas Porto Alegre: Artes Médicas. 1988. GELLER, M. T. B.; CORREA SOBRINHO, M.; ARAUJO, C. A. P. Proposta de Customização de um Processo para Desenvolvimento de Software Educativo. In 20º Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. Florianópolis, 2009. MENDELSOHN, Patrick. (Suplemento de Informática de L’Hebdo, dezembro de 1997, p.12), Extraído do livro, Novas Competências para Ensinar, Philippe Perrenoud. PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. Forense: Rio de Janeiro. 1964. REATEGUI, E; FINCO, D. M. Proposta de Diretrizes para a Avaliação de Objetos de Aprendizagem. RENOTE: Revista de Novas Tecnologias Educacionais. Porto Alegre: UFRGS. 2010. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18066>. Acesso em: 18 Mai. 2015. SCOLARI, A. T.; BERNARDI, G.; CORDENOSI, Andre Zanki. O Desenvolvimento do Raciocínio Lógico através de objetos de Aprendizagem. 2007. Disponível em: <https://www.cinted.ufrgs.br/ciclo10/artigos/4eGiliane.pdf>. Acesso em: 24 Mai. 2015. SILVA, D. E; SILVA, V.O; CORREA SOBRINHO, M. Where am I? Desenvolvimento de um Objeto de Aprendizagem para o Auxílio de Alunos Iniciantes na Língua Inglesa. In Anais do Encontro Anual de Tecnologias Educacioanais. 2014. Disponível em: <http://www.eati.info/eati/2014/assets/anais/artigo28.pdf>. Acesso em: 11 Mai. 2015. TAROUCO et. al. Jogos Educacionais. CITED: UFRGS. 2004. Disponível em: <http://www.cinted.ufrgs.br/ciclo3/af/30-jogoseducacionais.pdf>. Acesso em: 24 Mai. 2015. 93 CARACTÉRISTICAS DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE SOFTWARE Maria Eliane Lima da Silva1 Carlos Eduardo Miléo Antunes2 [email protected] RESUMO: A aquisição de software é um processo cheio de incertezas e riscos, principalmente quando executado sem a adoção de metodologias que fornecem as empresas ferramentais e diretrizes para executar o processo de forma gerenciado. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho é explorar as caraterísticas principais de um processo de aquisição gerenciado, ou seja, executado com base em diretrizes de Governança de TI. Percebese então, que o uso desses ferramentais contribui com a mitigação de riscos e corroboram com a garantia de qualidade do produto, ao disponibilizar diretrizes e métricas para selecionar órgãos licitantes, avaliar, mensurar e validar a conformidade do produto. Como produto final pretende-se desenvolver um modelo de aquisição que possa dá suporte as empresas adquirentes de software. A metodologia conta com uma pesquisa bibliográfica, com foco no estudo das ferramentas de Governança PMBOK, MPS.BR e COBIT. O trabalho se encontra na fase inicial, na qual, está sendo feito o levantamento bibliográfico e a concepção do modelo proposto. PALAVRAS-CHAVE: aquisição, governança, metodologia. INTRODUÇÃO Ao longo dos anos os recursos tecnológicos passaram a desempenhar um papel essencial nas organizações, e a simbolizar fator diferencial entre concorrentes. Pois, a infraestrutura de TI, proporciona maior acompanhamento dos controles internos, bem como a otimização dos processos, redução de custo e melhoria nos resultados organizacionais. Nesse contexto, trabalhar com software ou produto correlato adequado pode representar vantagem competitiva, como também, a utilização de sistemas inapropriados podem ocasionar grandes perdas à organização. Por conseguinte, a decisão envolvida na escolha de produtos de software, traz muita preocupação e dúvidas aos gestores. Sendo, que as alternativas disponíveis no mercado vão desde desenvolvimento próprio até a aquisição de software. Desta forma, a falta de planejamento da aquisição impacta em custos elevados de treinamento, tempo e aculturamento de mão-de-obra. Além disso, realizar a compra de um produto inadequado pode ter o efeito contrário do esperado pelos gestores, pois os custos da operação e retrabalhos aumentam consideravelmente, e a troca de software é um processo bem traumático e requer a mitigação de erros. Segundo Pressman (PRESSMAN, 2001), há três opções disponíveis para aquisição: a) software de prateleira (COTS - comercial-off-the-shelf): pode ser comprado ou licenciado, mas não modificado; b) software de prateleira ―aberto‖(MOTS – modified-off-the-shelf): o software de prateleira pode ser comprado, entretanto, pode ser modificado para atender requisitos específicos; c) software feito sob encomenda por terceiros: software desenvolvido por terceiros, específico para satisfazer um único cliente, ou seja, personalizável de acordo com os requisitos do contratante. Sendo assim, adquirir software é uma das estratégias que as empresas adotam para ganhar qualidade através da melhoria dos processos, atendimento a demanda e redução dos custos com a 1 2 Acadêmica VIII Semestre do curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA Orientador prof. Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA 94 manutenção de uma equipe própria de desenvolvimento. Desta forma, um processo de aquisição de software contribui para minimização dos riscos que podem comprometer o andamento do projeto e os resultados, como não cumprimento do cronograma, orçamento maior que o acordado, falta de qualidade do produto e problemas de integração e suporte. Este resumo está organizado em seções, onde após esta introdução encontra-se a segunda seção que apresenta os conceitos e características de aquisição, uma breve descrição acerca de stakeholders. Por fim apresenta propostas para trabalhos futuros, juntamente com uma conclusão. MÉTODO Para o desenvolvimento deste trabalho será realizada uma pesquisa bibliográfica, através da análise das ferramentas de Governança e outros materiais complementares. Como resultado pretendese elaborar um modelo simplificado para aquisição de software. É importante ressaltar que a intenção deste projeto não é a aplicação do modelo, e sim apenas desenvolve-lo para ser utilizado em outra pesquisa dentro do contexto proposto. O processo de aquisição tem como propósito maior fornecer produtos que satisfaçam uma necessidade do contratante. Desse modo, a partir da identificação desta necessidade o órgão licitante inicia o processo de compra, que abrange os processos de gerenciamento de contratos e controle de mudanças, que são fundamentais para desenvolver e gerenciar contratos ou pedidos de compra emitidos pelos colaboradores (PMBOK, 2013). Uma implementação bem-sucedida desse processo resulta em metas e estratégias organizacionais alinhadas, contratos claros quanto às obrigações e responsabilidades de contratante e fornecedor, prazos e cronogramas respeitados e produto em conformidade. Sendo assim, a elaboração do contrato de aquisição é uma etapa fundamental desse processo, pois, simbolizam acordos, condições e premissas firmadas entre as partes envolvidas (cliente e fornecedor), especificando os requisitos que devem ser atendidos no bem produzido, e a compensação monetária referente ao serviço prestado. Além disso, outros autores acreditam que um processo de aquisição deve acompanhar e integrar a fase de desenvolvimento do sistema, assim como ocorre com as metodologias de processos ágeis ou prescritivos, pois desse modo o cliente poderá ter uma melhor comunicação com a equipe de desenvolvedores, testar as funcionalidades para fornecer feedback e solicitar modificações no projeto, como afirma Nunes (2011): A coleta inadequada das necessidades dos clientes, não incorporada nos contratos adequadamente, resulta em um desenvolvimento desprovido de requisitos das reais necessidades e objetivos de negócio que a empresa persegue. Além disto, uma vez que estes requisitos foram definidos não são verificados e validados, resultando na entrega de bens e serviços, normalmente longe das necessidades que levaram à aquisição. 95 Desta forma, a seleção do fornecedor é outro processo essencial para aquisição, pois o órgão ou profissional contrato será o responsável por desenvolver o bem. Por isso, a proposta entregue pelos candidatos deve ser estudada minuciosamente pela equipe de projeto. Para que o licitante mais adequado seja escolhido, critérios de seleção devem ser aplicados, levando-se em considerações fatores como: habilidade técnica, capacidade produtiva, confiabilidade, preço, prazo e recursos envolvidos. Consequentemente, todo esse processo possibilita a definição da instituição responsável pelo desenvolvimento e entrega do produto, que deve atender e está em conformidade com os requisitos estabelecidos. A escolha dos fornecedores precisa ser a mais correta, caso contrário à necessidade tecnológica que motivou a empresa a realizar a compra, não será completamente atendida, afetando diretamente o desempenho e capacidade do produto em satisfazer os requisitos dos stakeholders. Stakeholders Em uma organização existe um grupo de indivíduos que se relacionam entre si e que direta ou indiretamente influenciam na tomada de decisão, denominados Stakeholders (em Português, parte interessada ou interveniente). Esse termo é empregado em diversas áreas como Administração, Relações públicas, e é frequentemente visto na Engenharia de Software, para se referir as partes interessadas que são afetadas pelos acordos corporativos executados pela empresa. Conforme Coradini, Sabino e Costa (2010) esse termo foi utilizado primeiramente em 1963, em um memorando interno da Stanford Research Institute, referenciando os grupos de suporte da organização, que na sua ausência levaria à instituição a falência. De forma mais ampla esse termo foi empregado por Freeman e Reed (1983), que defendiam que os stakeholders são elementos fundamentais para a realização do planejamento estratégico da organização, afirmando que os mesmos são ―qualquer grupo ou indivíduo, identificável, que possa afetar a consecução dos objetivos de uma organização ou que é afetado pela consecução dos objetivos de uma organização‖. Contudo, outros autores defendiam ainda que os stakeholders também têm interesses, poderes e urgência sobre suas reivindicações, ou seja, influenciando diretamente no processo de tomada de decisão e definição de objetivos em âmbito estratégico, tático e operacional, pois esses grupos de indivíduos ou organizações internos ou externos realizam investimentos financeiros, tecnológicos ou em mão de obra capacitada, com o propósito de alavancar os resultados corporativos e se manter competitivamente no mercado, conforme se refere Bethem (2004, p. 147): O stakeholder é alguém que arrisca parte ou todo um valor ou bem de sua propriedade, apostando no resultado da atuação de uma empresa, e que ao fazer esta aposta vai provocar reflexos nos resultados da empresa. São os acionistas, fornecedores, clientes, governos, grupos de interesses especiais, sindicatos de trabalhadores e patronais, instituições financeiras, competidores e a mídia. Sendo assim, em um projeto de aquisição de software é necessário definir o grau de prioridade, papel e influência de cada ator (stakeholder). Da mesma forma, também é fundamental 96 definir as potenciais ameaças, oportunidades e vantagens competitivas, que, advêm de um mapeamento da estrutura organizacional validados pelas diretrizes de governança, desta forma haverá parâmetros para que as estratégias possam ser estabelecidas e a decisão tomada. Da mesma forma, os órgãos contratados terão base para no levantamento de requisitos elencarem as necessidades que deverão ser atendidas, bem como saber quais indivíduos serão atendidos e afetados com a adoção da tecnologia. RESULTADOS E DISCUSSÃO Esse trabalho ainda não está concluído, mas motivação que levou o desenvolvimento dessa pesquisa foi buscar a implementação de manual para aquisição de software, que elencasse as principais diretrizes presentes nas metodologias de Governança: PMBOK, COBIT e MPS.BR. Já que um dos fatores que prejudica a adoção deste tipo de metodologia por parte das empresas, envolve justamente sua complexidade e burocracia. CONCLUSÃO Com este estudo foi possível observar a importância de se utilizar modelos claros, para gerenciar projetos de aquisição, pois, os mesmos fornecem diretrizes que corroboram para que os objetivos e metas definidos sejam alcançados. Por meio de uma execução padronizada e gerenciada ao longo do ciclo de vida do projeto. Segundo FERREIRA et al (2008), a aplicação de qualquer metodologia de Governança que forneça normas e práticas são válidas para minimizar problemas e riscos ao longo do projeto, obtendo qualidade e segurança ao processo de aquisição de software. Vale ressaltar, que o processo de aquisição em consonância com metodologias de qualidade possibilita que os processos sejam executados de forma sistemática, redução de falhas, garantia qualidade, entre outros. Além de propiciar que os transtornos envolvendo projetos de aquisição sejam evitados. REFERÊNCIAS: BETHLEM, A. de S. Estratégia empresarial: conceitos, processos e administração estratégica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. CORADINI, Cristiane; SABINO, Michelle de Stefano; COSTA, Benny Kramer. Teoria dos Stakeholders–Estado da Arte produzido no Brasil. XIII SEMEAD-Seminários em Administração FEA/USP. São Paulo: SEMEAD, 2010. COSTA, A.C. V; SILVA, M.E.; GÓMEZ, C.R.P. A influência dos stakeholders no processo decisório: Um estudo em uma organização do terceiro setor. In: Anais... XIII Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais. São Paulo: FGV-EAESP. 2010. 97 FERREIRA, J. A; et al. Gerenciando a aquisição de software e serviços de TI na área pública. SEGeT–Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia ia, p. 32, 2008. FREEMAN, R. E.; REED, D. L. Stockholders e stakeholders: a new perspective on Corporate Governance. California Management Review, p. 91, USA, 1983. NUNES, Elaine Duarte. Definição de Processos de Aquisição de Software para Reutilização. 2011. 128 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2011. PMBOK, PMI. A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide) FIFTH Edition, (Project Management Institute). 2013. PRESMANN, Roger. Engenharia de Software: uma abordagem profissional. 7. ed. Rio de Janeiro: Mc Graw Hill, 2011. 98 DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO MOBILE MULTIPLATAFORMA PARA A CPA DO CEULS/AELBRA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DE PROFESSORES Marcílio Ferreira Sarmento1 Márcio Darlen Cavalcante2 [email protected] RESUMO: Realiza uma análise do sistema de avaliação institucional de professores da Comissão Própria de Avaliação (CPA) do Centro Universitário Luterano de Santarém, e propor a criação de um projeto de desenvolvimento de um aplicativo híbrido multiplataforma para a atual avaliação. Tem como objetivo informatizar o questionário aplicado no âmbito da tecnologia de dispositivos móveis e agilizar a coleta dos dados gerados através de um questionário informatizado disponibilizado pelo próprio aplicativo, trazendo uma base de dados para o armazenamento dessas informações que serão coletadas, tornando mais ágil e preciso o processamento dos dados. PALAVRAS-CHAVE: comissão própria de avaliação, aplicativo híbrido, multiplataforma. INTRODUÇÃO É de competência da Comissão Própria de Avaliação (CPA) realizar uma análise concisa no desempenho dos docentes sob a visão discente, por meio de informações coletadas através de questionários pertinentes aplicados pela própria universidade, sendo criada e adotada pelo próprio coordenador da CPA do Centro Universitário Luterano de Santarém – ULBRA. A proposta de criar o projeto para desenvolver um aplicativo multiplataforma para avaliação institucional do copo docente do CEULS surgiu a partir das necessidades encontrada e presenciada no próprio setor da CPA da universidade. A avaliação institucional de professores atualmente é aplicada no primeiro e segundo semestre sempre antecedendo as provas de grau um (G1) e grau dois (G2), os acadêmicos realizam esse processo por meio de um questionário impresso como um total de dezoito perguntas relacionadas ao desempenho do professor, e um cartão óptico com quadrículas para que possam marcar a alternativa desejada de acordo com o grau de satisfação com o professor e um espaço para sugestões, como mostra a figura 1 e 2. 1 2 Acadêmico do curso de Sistemas de Informação – CEULS/ULBRA Professor Especialista do Curso de Sistemas de Informação – CEULS/ULBRA 99 Figura 4: Formulário de perguntas Figura 2: cartão de respostas O processo de coleta dos dados de respostas do acadêmico é feito por meio de uma leitora óptica, conforme mostra a figura 3. Onde os cartões são inseridos um a um, só então o software da leitora gera um arquivo com extensão .DAT para que posteriormente possa ser analisado pelo próprio coordenador do setor da CPA. Figura 3: Coleta dos dados de respostas utilizando a leitora óptica. Os arquivos com os dados gerados são inseridos em uma planilha no Excel com os valores A, B, C, D e E, que correspondem respectivamente as alternativas ―totalmente satisfeito‖, ―satisfeito‖, ―regular‖, ―insatisfeito‖ e ―totalmente insatisfeito‖, como mostram as figuras 4 e 5. 100 Figura 4: Importação de Dados Figura 5: Respostas na Planilha do Excel Ficou claro também que após verificar os dados coletados na avaliação, eles traziam informações incoerentes e fora da margem de aceitação das respostas esperadas, percebendose então que muitos dos acadêmicos não liam com clareza as perguntas do questionário ou simplesmente marcavam suas respostas aleatoriamente, faltando assim dados válidos para o estudo de análises de estatísticas sistematizado pelo coordenador da CPA, trazendo incertezas sobre o desempenho do corpo docente da universidade. Diante desse contexto ficou evidente a necessidade de criar uma solução com um ambiente informatizado utilizando meios que tornassem a avaliação institucional mais ágil e eficiente, que pudesse diminuir os resultados incoerentes e sem veracidade, garantindo assim a maior integridade e disponibilidade dos dados. E com o alto uso da tecnologia dos dispositivos móveis entre os acadêmicos pretende-se desenvolver um aplicativo multiplataforma mobile prático e intuitivo. MÉTODO Para o desenvolvimento ficou garantido que o aplicativo deveria ser multiplataforma, pois assim poderia se adequar à uma variedades de plataformas existentes hoje em dispositivos mobile, sendo as principais: Android, iOS e Windows Phone. Sendo assim, a implementação está fazendo o uso das linguagens de programação web como: HTML5, JavaScript, PHP e CSS que são compatíveis com o IDE Adobe Dreamweaver CS6, plataforma de desenvolvimento utilizada para o projeto. E como o aplicativo é direcionado exclusivamente para dispositivos móbile, o framework JQuery Mobile mostrou-se bastante adequado por possuir um carregamento rápido e compatibilidade com as principais plataformas mobile independentemente de qual seja o dispositivo (―JQuery: Entendendo alguns conceitos bem simples‖, [s.d.]). O PhoneGap por sua vez também é uma framework, 101 porém possui um conjunto de APIs que por meio de códigos javascript permite que o desenvolvedor tenha acesso a funções nativas do dispositivo mobile (―Desenvolvimento Mobile Multiplataforma com Phonegap‖, [s.d.]). A compilação do aplicativo se deu utilizando o PhoneGap Build uma ferramenta em nuvem que encapsula e compila o código nas principais plataformas mobile: Android, iOS e Windows Phone. Faz-se necessário enfatizar que diante de todo o ambiente de desenvolvimento exposto será possível criar aplicativos para todas as principais plataformas do mercado, através de uma única base de código sem a necessidade de usar uma linguagem de programação específica para dispositivos móveis. Seguindo o processo de desenvolvimento de metodologias ágeis, a Extreme Programming (XP), que é a forma mais simples de desenvolver quando mudanças de requisitos acontecem com frequência e à medida que a cada implementação é feita, será mostrada ao cliente como a aplicação irá funcionar, utilizando as práticas características principais do desenvolvimento ágil sempre buscando um planejamento interativo até a etapa de construção do aplicativo (SOMMERVILLE et al., 2008). RESULTADOS E DESCRIÇÕES O desenvolvimento do aplicativo para a CPA de avaliação institucional de professores será um importante meio de mudança principalmente na forma que é aplicado o questionário e como é feita a coleta dos dados de respostas da avaliação, onde todos os acadêmicos terão suas avaliações disponíveis no aplicativo por meio do seu CGU e senha, onde perceberá as disciplinas que estão cursando no semestre e suas respectivas avaliações da CPA de cada professor. Para ter acesso e realizar a avaliação institucional de professores, o acadêmico deverá realizar o login no aplicativo, como mostra a sequência de telas na figura 6. 102 Figura 6: Sequência de telas selecionando disciplina Cada pergunta do questionário ficará em uma única tela com as alternativas de grau de satisfação de acordo com a sistemática adotada pelo coordenador da CPA, como mostra a figura 7. Figura 7: Telas do Questionário com Alternativas de Respostas O acadêmico terá ao final do questionário um espaço direcionado a sugestões ou observações referidas ao desempenho do professor caso ache necessário, onde esses dados coletados serão enviados para o coordenador do setor da CPA – CEULS/ULBRA por meio da plataforma de Autoatendimento padrão da própria instituição, sempre mantendo o sigilo das informações do acadêmico. Depois de finalizada a avaliação, o aplicativo desabilitará a disciplina que se refere ao professor que já foi respondida, evitando assim que o acadêmico repita responder o mesmo questionário. 103 CONCLUSÃO O desenvolvimento do projeto encontra-se na fase de prototipagem e implementação, mas já se pode perceber por meio de entrevistas e opiniões expostas sobre a funcionalidade do aplicativo junto aos interessados, o quanto essa ferramenta é essencial para a universidade. Porém o projeto de desenvolvimento de um aplicativo para a CPA do CEULS deve passar primeiramente por uma homologação feita pela TI ULBRA seguindo os mesmos padrões de desenvolvimento usados pela equipe interna da mesma. REFERÊNCIAS Desenvolvimento Mobile Multiplataforma com Phonegap. Disponível em: <http://www.mobiltec.com.br/blog/index.php/desenvolvimento-mobile-multiplataforma-comphonegap/>. Acesso em: 8 out. 2015. JQuery: Entendendo alguns conceitos bem simples. Disponível em: <http://www.devmedia.com.br/jquery-entendendo-alguns-conceitos-bem-simples/22935>. Acesso em: 8 out. 2015. SOMMERVILLE, I. et al. Engenharia de software. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. 104 GAMIFICAÇÃO NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE ESTRATÉGIAS PARA DESENVOLVIMENTO DE UM MODELO GAMIFICADO PARA AUXILIAR NA REALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS Kauana Rabelo Farias Guimarães1 Márcio Darlen Lopes Cavalcante2 [email protected] RESUMO: Existe um clima desmotivador dentro do ambiente educacional e talvez esse é um dos motivos pelos quais muitos alunos reprovam em matérias ou desistem da carreira acadêmica. É nesse contexto que surge um novo conceito que pretende trazer uma nova proposta motivacional para essa atmosfera, a gamificação. A partir desse cenário, o objetivo desse trabalho é compreender esse novo conceito denominado gamificação que utiliza elementos encontrados em jogos para a resolução de problemas do mundo real com a finalidade de obter o mesmo engajamento e envolvimento que se consegue através dos jogos. Como produto final pretende-se desenvolver um modelo gamificado que possa auxiliar na realização de trabalhos de conclusão de curso. A metodologia conta com uma pesquisa bibliográfica, através da seleção de materiais de destaque na área da gamificação aplicada na educação e princípios de game design. O trabalho se encontra na fase inicial, na qual, está sendo feito o levantamento bibliográfico e a concepção do modelo proposto. PALAVRAS-CHAVE: educação, gamificação, lúdico. INTRODUÇÃO Os jogos digitais fascinam pessoas de todas as idades, não há dúvidas de que eles exercem uma grande influência na vida de muitas pessoas. Dados indicam que cerca de 60% dos chefes de família jogam vídeo games, 97% dos jovens jogam no computador e também vídeo games (ALVES, 2014). As pessoas realmente gastam um tempo inacreditável em jogos. Durante uma palestra, Jane McGonigal, famosa game designer americana, afirmou que se fossem somadas todas as horas jogadas em World of Warcraft (game online lançado em 2001), teriam sido gastos 5,93 bilhões de anos na resolução de problemas existentes somente no mundo virtual (VIANNA et al., 2013), isto é, se o mesmo esforço fosse aplicado na busca de soluções para o mundo real, o resultado poderia ser surpreendente. Outro fato que se deve considerar é que os jogos incrementam o processo de aprendizagem (FARDO, 2013) e existem diversos estudos a respeito do poder que eles aplicam para engajar e envolver pessoas, de modo que todos trabalhem para alcançar uma meta ou superar um obstáculo. É a partir desse contexto que se insere o conceito de gamificação. 1 2 Acadêmica VIII Semestre do curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA Orientador prof. Curso de Sistemas de Informação do CEULS/ULBRA 105 A gamificação pode ser entendida como a utilização de mecanismos encontrados nos jogos, como narrativa, sistema de feedback, sistemas de recompensas, conflito, cooperação, competição, objetivos e regras claras, níveis, tentativa e erro, diversão, interação, interatividade, entre outros aspectos, em contextos fora do universo dos jogos com o objetivo de promover a mesma dinâmica e envolvimento que se gera com os jogos. É importante deixar claro que a gamificação não pretende recriar o problema que se deseja resolver em um ambiente digital na forma de game e sim aplicar os métodos, pensamentos e estratégias do jogo na situação real. O conceito de gamificação já existe há bastante tempo, mas passou a ganhar mais atenção à medida que os games se tornaram mais popular (FARDO, 2013). Em contraste com essa nova tendência existe o ambiente educacional, que há muito tempo continua com as mesmas práticas de aprendizagem, na qual a aula se concentra na oratória do professor e em tarefas que, muitas vezes, não contextualizam o ensino com a realidade do aluno e não provocam nele o desejo de construir seu próprio conhecimento. Por essa razão se faz necessário buscar novas estratégias para satisfazer a nova geração de estudantes. MÉTODO Para o desenvolvimento deste trabalho será realizada uma pesquisa bibliográfica, através da seleção de materiais atualizados e de importância na área de gamificação e game design, com o objetivo de compreender o assunto abordado de maneira mais profunda e conhecer os conceitos. Como resultado pretende-se elaborar um modelo gamificado que será utilizado no contexto de trabalhos de conclusão de curso. É importante ressaltar que a intenção deste projeto não é aplicar o modelo, e sim apenas desenvolve-lo e em outra pesquisa implementa-lo dentro do contexto proposto. Um fator importante para construir uma boa experiência gamificada é fazer analogias com jogos que já existem, buscando fazer com que os participantes compreendam o objetivo da atividade a partir de elementos que já conhecem, além disso, utilizar analogias também permite gerar boas ideias (VIANNA et al, 2014). A partir disso, o modelo gamificado proposto está sendo produzido tendo como base o jogo Super Mario Bros. 106 Figura 1 – Mapa do jogo Fonte: elaborado pelo autor Figura 2 – Modelo de Ranking Fonte: elaborado pelo autor A sequência de passos para a aplicação do modelo se daria da seguinte maneira: o mapa de cada etapa (fase) do jogo ficaria exposto em algum lugar visível para os alunos 107 participantes do trabalho de conclusão de curso, cada um poderia fixar no mapa um avatar, isto é, algum personagem que os representaria, ao lado do mapa haveria um ranking apresentando a pontuação de cada um. A cada etapa vencida o avatar se moveria para outra localidade do mapa até alcançar o fim. Para complementar a experiência, haveriam artefatos que poderiam dar acesso a conteúdos especiais que ajudariam quem os possuísse, isto é, fazendo uma comparação com os elementos bônus do jogo Super Mario Bros. RESULTADOS E DISCUSSÃO O tema gamificação é relativamente novo para a comunidade acadêmica e, por essa razão, produzir novos materiais nessa área é um desafio, já que existem poucos trabalhos abordando o assunto. Apesar disso, é possível encontrar alguns experimentos e relatos interessantes a respeito da gamificação direcionada a educação. O trabalho ainda se encontra em fase de desenvolvimento, a metodologia descrita acima está passando por uma fase de análise e pode sofrer mudanças até a conclusão de desenvolvimento do modelo gamificado. REFERÊNCIAS ALVES, Flora. Gamification: Como criar experiências de aprendizagem engajadoras. Um guia completo: do conceito à pratica. DVS Editora, 2014. 176 p. FARDO, L. Marcelo. A Gamificação Aplicada Em Ambientes De Aprendizagem. Novas Tecnologias na Educação, Caxias do Sul, p. 1-3, 2013. VIANNA, Ysmar. et al. Gamification, Inc: como reinventar empresas a partir de jogos, 1 ed. Rio de Janeiro: MJV Press, 2013. 116 p. 108 PROPOSTA DE ORDENAÇÃO DE ATIVIDADES COM OBJETOS DE APRENDIZAGEM Deivid Eive dos S. Silva1 Vanessa Oliveira da Silva1 Marialina Correa Sobrinho2 [email protected] RESUMO: Esse trabalho tem o objetivo de apresentar a organização de um material pedagógico para o ensino da Língua Inglesa, utilizando Objetos de Aprendizagem (OAs), pois acredita-se que os mesmos podem contribuir para um melhor aproveitamento dos alunos nos conteúdos estudados. A metodologia utilizada foi a busca e a seleção dos objetos disponíveis na WEB e a maneira que os OAs podem ser organizados para uso em qualquer atividade educacional. Com a pesquisa realizada identificou-se que o professor tem buscado elementos de apoio em seus planos pedagógicos, e os OAs podem em muito contribuir nesse processo. PALAVRAS-CHAVE: língua inglesa, objetos de aprendizagem, material pedagógico. INTRODUÇÃO A tecnologia tem provocado impactos significativos nos ambientes educacionais, ampliando o campo da educação sem alterar os procedimentos tradicionais. A criação de material didático, cada vez mais interativo, torna-se viável, evidenciando o conceito de Objetos de Aprendizagem que surge como proposta para beneficiar estudantes e educadores, principalmente na educação à distância. Uma das grandes vantagens de seu uso é a facilidade que eles têm para serem reorganizados, formando novos objetos que podem ser reutilizados para diferentes turmas e níveis de ensino. O professor, nesse contexto, ganha uma ferramenta que pode auxiliá-lo em seus planos pedagógicos e que atua para um melhor aproveitamento do aluno no conteúdo estudado. A proposta deste trabalho é apresentar a organização de um material pedagógico que permita ao professor ordenar suas atividades, agregando os Objetos de Aprendizagem. Elementos esses que são desenvolvidos e disponibilizados nos chamados repositórios sendo compostos em sua maioria de áudio, vídeo, texto ou imagem, facilitando a busca dos mesmos, de modo a contribuir com a educação. De acordo com Motter (2013), com o uso das tecnologias digitais na escola, a leitura e a escrita ganham suportes de toda ordem e enriquecem as perspectivas de aprendizagem. A audição, a fala e a visão se beneficiam das facilidades avivadas pelas mídias digitais, 1 Acadêmicos do V Semestre e participantes do Trabalho Interdisciplinar do Curso de Sistemas de Informação – TISI - CEULS. 2 Professora Mestre e Orientadora do Trabalho Interdisciplinar do Curso de Sistemas de Informação – TISI CEULS. 109 exercendo uma função motivadora no estudo de um idioma diferente, como no caso a Língua Inglesa. A metodologia utilizada é maneira que os OAs podem ser organizados, de modo a tornar-se parte integrante de uma atividade mais agradável para o apoio e a melhoria do aprendizado. O artigo está organizado em seções. A próxima seção trata sobre o método. Na seção três serão mostrados os resultados e discussões e como última seção a conclusão. MÉTODO Na escolha dos Objetos educacionais, a definição, a adequação e a facilidade de utilização dos mesmos, tornam-se fatores fundamentais. Dentre as tarefas necessárias para uma avaliação está à identificação da abordagem. Uma das principais perspectivas epistemológicas é o construtivismo onde o desenvolvimento mental aparecerá em sua organização progressiva como uma adaptação mais precisa da realidade (PIAGET, 1964). Os aspectos técnicos, por sua vez, envolvidos no processo de avaliação, indicam qualidades relativas à sua robustez (consegue se recuperar a erros), portabilidade (capacidade de funcionar em múltiplos sistemas operacionais), sua interface (intuitiva e agradável) bem como sua documentação (registro de todos os passos, desde o planejamento até a entrega) (REATEGUI e FINCO, 2010). A utilização de critérios é relevante quando se trata de seleção ou produção de software educativo de modo a avaliar a qualidade do produto. Para organizar o material proposto faz-se necessário o acesso aos metadados (todos os dados que podem ser visualizados sobre o objeto em questão) que estão disponíveis nos repositórios. Esses dados trazem detalhes sobre os autores e colaboradores do objeto, palavras-chave, assunto, a versão, a localização, as regras de uso e propriedade intelectual, os requisitos técnicos para sua utilização, o tamanho e mídia utilizada, o grau de dependência desse objeto com outros objetos, o nível de interatividade, o público-alvo, o tempo estimado de uso, o tipo de apresentação utilizado [...] (NUNES, 2004). Quanto mais informações forem repassadas ao usuário sobre os OA, maiores serão as chances e possibilidades de reutilização. Para que o professor mantenha o controle de quantos recursos já experimentou dentro da sala de aula e para que venha reutilizá-lo novamente em outra proposta com uma nova turma, por exemplo, é que se propõe a utilização de uma sucinta documentação de atividades para auxiliar durante a seleção dos objetos disponíveis na web quanto para facilitar encontrálos mais rapidamente. 110 A figura 1 representa o modelo de documentação da atividade que será direcionado a uma disciplina. O documento requer o preenchimento do nome do objeto e a sua descrição, como: público alvo, nível de ensino, finalidade e conteúdo. Este também precisa do endereço eletrônico e da captura de tela do objeto para ser, assim, facilmente identificado. Figura 1. Documentação da atividade O formulário foi elaborado com a finalidade do professor guardar e integrar em seu plano de aula os dados das aplicações obtidas dos metadados dispostos nos repositórios para que os Objetos de Aprendizagem, como dito anteriormente, sejam reutilizados e recombinados em uma futura proposta educativa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para orientar na organização do produto final proposto, foi confeccionado no formato de um molde (uma tela de interface intuitiva com todos os OAs devidamente linkados, prontos para uso) com a finalidade de apresentar uma maneira simples de montá-lo para toda comunidade docente, sem que necessitem ter prática com ferramentas computacionais mais complexas. O molde pode ser criado através de um editor de texto, seguindo os passos: Passo 1: criar um fundo para atividade; Passo 2: colocar o nome da disciplina; Passo 3: criar uma tabela para colocar as imagens dos objetos; Passo 4: copiar as imagens capturadas do documento de atividades e colar dentro dos espaços da tabela criada anteriormente; Passo 5: clicar com o botão direito do mouse sobre as imagens, selecionar a opção hiperlink, que abrirá uma janela exibindo a caixa de endereço, na qual será colocado o endereço eletrônico do objeto antes armazenado no documento de atividades; Passo 6: Salvar o arquivo no formato HTML; Passo 7: testar cada uma das aplicações linkadas. 111 A figura 2 representa o modelo para montar o material pedagógico que poderá ser utilizado em qualquer disciplina. Cabe dizer que o experimento foi realizado por alunos da disciplina de Tópicos Especiais em Informática na Educação, com ênfase na elaboração de um material pedagógico para a disciplina de Língua Inglesa. Figura 2. Molde do material pedagógico O modelo construído foi aplicado dentro da disciplina de Tópicos Especiais em Informática na Educação do Curso de Sistemas de Informação de uma Instituição de Ensino Superior, sob a orientação da docente responsável pela disciplina. Para tal experimento, dividiu-se a turma em seis grupos de cinco alunos que ficaram dispostos em bancadas, onde os mesmos poderiam discutir ideias, planejar e organizar o seu material pedagógico. Essa atividade deu-se em três momentos, composto de três horas com intervalo de quinze minutos. A primeira etapa explanou-se sobre a existência dos repositórios e de metadados, como complemento apresentou-se também os critérios de avaliação técnicos e pedagógicos para auxiliar na seleção dos Objetos de Aprendizagem. Na segunda etapa explicou-se sobre o significado e a importância do documento da atividade e do molde do material pedagógico, bem como a disponibilização dos mesmos para realização da ação. Na terceira etapa, os grupos trabalharam na confecção de seus produtos com base nos conhecimentos adquiridos e com a ajuda da professora quando solicitada para tirar as dúvidas. No final desta atividade, um grupo de alunos foi selecionado para aplicar seu material dentro da disciplina da Língua Inglesa. Devido aos diversos assuntos abordados neste material foram selecionados aqueles que tinham afinidade dentro do mesmo conteúdo, tudo isso foi feito com ajuda de uma pedagoga. Conforme a seleção e organização dos conteúdos, os mesmos poderiam ser utilizados por alunos do 6º ano do ensino fundamental, por esse motivo, eles foram escolhidos para a aplicação do experimento. O intuito do experimento era observar na integra como o material produzido na aula, poderia funcionar dentro do laboratório de informática. Por conseguinte, o produto final, se mostrou um fator contribuinte para auxiliar o 112 educador na organização de suas atividades utilizando Objetos de Aprendizagem, reduzindo tempo (evitando abrir muitas páginas web, pastas, etc), principalmente por alunos menores que ainda tem o domínio parcial do computador. O produto final é caracterizado pelo modelo classificado por Willey de combinadoaberto (Combined-open) que visa reunir um grande número de recursos digitais combinados, onde suas partes constituintes são acessíveis individualmente para serem reutilizadas (WILLEY, 2000). A figura 3 mostra o produto final, selecionado para amostra, desenvolvido para o ensino da Língua Inglesa com imagens capturadas de objetos de aprendizagem selecionados. Figura 3. Material pedagógico na forma final. Desta forma, o material pedagógico poderá ser organizado em atividades propostas pelo professor como o ensino da Língua Inglesa ou qualquer outra disciplina, utilizando recursos midiáticos, para o apoio e melhoria do aprendizado, de modo a proporcionar também aulas mais agradáveis e motivadoras. CONCLUSÃO Diante de todo o processo de pesquisa desenvolvido é possível dizer que a educação baseada em multimídia aprimora em muito a educação tradicional, criando uma atmosfera de diversão e entusiasmo que permeia todos os aspectos da aprendizagem (STARFALL, 2002). O computador, neste contexto, foi reconhecido como um meio de ampliação do professor (MORAES, 1997). Com a pesquisa realizada identificou-se que o professor de inglês busca meios a fim de beneficiar o seu aluno, como: áudio, texto, vídeo, imagem, etc. O material pedagógico, então, é feito com o objetivo de organizar a gama de Objetos de Aprendizagem que estão sendo dispostos nas bases de dados de forma gratuita, de modo a tornar-se mais uma 113 alternativa a favor do docente em suas propostas pedagógicas. Cabe dizer que fazendo uso do mesmo é possível preparar atividades das mais variadas disciplinas. O produto final foi produzido, testado e avaliado na disciplina de Tópicos Especiais em Informática na Educação do Curso de Sistemas de Informação e pretende-se dar continuidade, aplicando em três Escolas da rede pública de ensino da cidade de Santarém em parceria com os professores que lecionam Língua Inglesa, bem como realizar um treinamento para que os mesmos possam dar continuidade aos trabalhos com Objetos de Aprendizagem. Por conseguinte, entende-se que os objetos de aprendizagem por conterem áudio, vídeo, animações etc, são recursos tecnológicos que contribuem para uma melhor compreensão de conteúdos abordados em razão de que o aparato tecnológico pode influenciar diretamente no aprendizado do mesmo, fazendo-o mais participativo e interessado. REFERÊNCIAS MORAES, M. C. Informática educativa no Brasil: Uma história vivida, algumas lições aprendidas (1997). Disponível em: <http://www.lbd.dcc.ufmg.br/bdbcomp/servlet/Trabalho?id=10136>. Acesso em: 20 set. 2015. MOTTER, R. M. B. My Way: um método para o ensino aprendizagem para língua inglesa. Tese de Doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Programa de Pósgraduação de Engenharia e Gestão do Conhecimento – Mídia do Conhecimento, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013. NUNES, C. A. A. Objetos de Aprendizagem em ação. Cadernos de pesquisa reflexões, NEA/FEA/USP, v. 1, n. 6, 2004. PIAGET, J. Seis Estudos de psicologia (1964). Forense: Rio de Janeiro. REATEGUI, E; FINCO, D. M. Proposta de diretrizes para a avaliação de Objetos de Aprendizagem (2010). Revista de Novas Tecnologias educacionais. Porto Alegre: UFRGS. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/renote/article/view/18066>. Acesso em: 18 mai. 2015. STARFALL. Objetos Educacionais (2002). Disponível em: <www.starfall.com.br>. Acesso em: 12 jun. 2015. Acesso em: 17 abr. 2015. WILLEY, David A. Connecting Learning Objects to instructional design theory: a definition, a metaphor, and a taxonomy (2000). Utah State University. Disponível em: <http://reusability.org/read/chapters/wiley.doc>. Acesso em: 10 mar. 2015. 114 115 A PRÁTICA DO LETRAMENTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Ana Karla de Melo Silva1 [email protected] Lindon Johnson Pontes Portela¹ Naiara Da Silva Alves¹ Naide Pedroso de Sousa2 RESUMO: O presente estudo compõe uma das etapas do Trabalho Interdisciplinar de Iniciação científica- TIIC, no Centro Universitário de Santarém- CEULS/ULBRA. Com este, objetiva-se conhecer a importância da prática do letramento no processo de ensino aprendizagem nos anos iniciais do ensino fundamental, apresentar propostas de ensino que promovam uma aprendizagem significativa a partir da prática do letramento e identificar as diferenças entre a alfabetização e o letramento. A metodologia consiste em pesquisa bibliográfica, a partir dos autores: Magda Soares (1998), Roxane Rojo (2002), Eliana Borges Correia de Albuquerque, Telma Ferraz Leal, Katia Leal Reis de Melo e Alexsandro Silva (2007). As leituras preliminares defendem práticas de ensino em que, possibilitem ao aluno a fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano apropriando-se da função social dessas duas práticas. Porém, ressalta-se que apenas o uso intenso dos diversos textos que circulam na sociedade não garante que os alunos se apropriem da escrita alfabética, pois o aluno precisa refletir e entender as características do nosso sistema de escrita, assim como o domínio do sistema alfabético de escrita não garante os alunos sejam capazes de ler e produzir todos os gêneros de texto. Portanto, o ideal é alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o aluno se torne, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. PALAVRAS-CHAVE: Letramento. Práticas de ensino. INTRODUÇÃO A alfabetização é um processo que leva a aprendizagem inicial da leitura e escrita, porém, nos últimos anos, o conceito de alfabetização vem passando por transformação, onde não está mais ligado apenas a um caráter de decodificação de palavras, mas em atividades que envolvem a leitura de mundo, compreensão e interpretação. Este conceito, a partir da década de 90 passou a ser vinculado a outro termo: o letramento, que se caracteriza como um conjunto de práticas que desenvolvem a capacidade de uso de diferentes tipos de materiais escritos, não apenas no espaço da escola, mas em diferentes ambientes da sociedade. Portanto, nos dias de hoje o professor precisa adotar práticas de ensino, em que além de alfabetizar e decodificar palavras, possibilitem ao aluno a fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano apropriando-se da função social dessas duas práticas. 1 Acadêmicas do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS e Bolsistas de Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 2 Profa. nos Cursos de Letras e de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de SantarémCEULS e Bolsista Coord. de Área do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 116 Desse modo, a partir de uma pesquisa bibliográfica, o presente estudo busca conhecer a importância da prática do letramento no processo de ensino aprendizagem nos anos iniciais do ensino fundamental, apresentar propostas de ensino que promovam uma aprendizagem significativa a partir da prática do letramento e identificar as diferenças entre a alfabetização e o letramento, e refletir sobre a importância da prática do letramento no processo de ensino aprendizagem, sua utilização e propostas de ensino que promovam uma aprendizagem significativa aos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental. METODOLOGIA Para caracterização desta pesquisa optou-se pela pesquisa bibliográfica. O objetivo desta pesquisa é conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema: letramento e suas implicações no ensino fundamental dos anos iniciais. De acordo com Gil, (2002) ―Esta dá suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, uma vez que contribui para a definição do problema, para a determinação dos objetivos, para a construção de hipóteses, para a fundamentação da justificação da escolha do tema e naturalmente para a revisão da literatura sobre o tema em estudo.‖ RESULTADOS E DISCUSSÃO O movimento atual da educação propõem práticas de ensino que aproximem as atividades escolares dos usos e funções da linguagem nos ambientes extraescolares, atividades que sejam elaboradas para que se desenvolva no aluno capacidades de pensar, compreender, trocar informações com os demais e interagir com o que foi lido, resultando em que os alunos tenham não só as habilidades denominadas de ―codificação‖ e ―decodificação‖, mas que possam ler e escrever funcionalmente textos variados em diferentes situações. ―Se uma criança sabe ler, mas não é capaz de ler um livro, uma revista, um jornal; se sabe escrever palavras e frases, mas não é capaz de escrever uma carta, é alfabetizado, mas não é letrado‖ (SOARES. 2011. p. 05) O letramento se caracteriza como um conjunto de práticas que desenvolvem a capacidade de uso de diferentes tipos de materiais escritos, não apenas no espaço da escola, mas em diferentes ambientes da sociedade. Pois de acordo com Antunes (2011. p. 67) ―O ato de ler é uma atividade de interação entre sujeitos e supõe muito mais que as simples decodificação dos sinais gráficos‖. Diferente da alfabetização, pois 117 ―...alfabetizar-se, conhecer o alfabeto, envolvia discriminação perceptual (visão) e memória dos grafemas (letras, símbolos, sinais), que devia ser associada, também na memória, a outras percepções (auditivas) dos sons da fala (fonemas). Uma vez alfabetizado, uma vez construídas estas associações, o indivíduo poderia chegar da letra, à sílaba e à palavra, e delas, à frase, ao período, ao parágrafo e ao texto...‖ (ROJO. 2002. p.02). Porém, ressalta-se que apenas o uso intenso dos diversos textos que circulam na sociedade não garante que os alunos se apropriem da escrita alfabética, pois o aluno precisa refletir e entender as características do nosso sistema de escrita. Assim como o domínio do sistema alfabético de escrita não garante os alunos sejam capazes de ler e produzir todos os gêneros de texto. Portanto, "...alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. (SOARES. 1998. p. 47). Para que ocorra uma aprendizagem significativa a partir da prática do letramento, o professor precisa incluir os textos do cotidiano em suas aulas, como: listas, revistas, bilhetes, receitas, bulas, avisos, letreiros, outdoors, placas de rua, crachás, entre outros, e não apenas os textos literários, que eram trabalhados na alfabetização sem o ―letramento‖. Essa ampliação se estende também às instituições em que os textos circulam. Embora os textos das instituições públicas de prestígio forneçam, de direito, grande parte do acervo a ser incluído, também os textos que circulam em outras esferas, como a da intimidade doméstica (bilhetes, recados e cartas pessoais; contas, extratos e cheques; exames, laudos e carteiras de vacinação,boletim escolar e diplomas) podem vir a ser incluídos: o aluno pode escrever sua história familiar fazendo legendas e notas para as fotos de um álbum de família e consultando certidões; pode ler e recortar anúncios; pode fazer os registros de saúde, de educação, entre outros, dos membros da família; pode agendar, rotular.( KLEIMAN.2007. p. 07) Contudo, para trabalhar com os alunos e ensinar a ler ou escrever uma receita, ou um rótulo, um jornal, é preciso, antes, construir um contexto que justifique sua leitura ou escrita, em diversas atividades que podem serem feitas com outros textos, mas que o aluno compreenda a utilização e função do tipo de texto a ser trabalhado. 118 CONCLUSÃO O letramento no contexto escolar sugere adotar na alfabetização uma concepção social da escrita, que precisa resistir a concepção tradicional que considera a aprendizagem de leitura e produção textual como a aprendizagem de habilidades individuais. Com a prática do letramento, o professor de formação tradicional poderá aos poucos refletir sobre como propiciar atividades que, de fato, contribuam para o letramento de seus alunos. Visto que na prática social, o aluno se depara com textos não simplificados, o aluno deve também se deparar com os textos que circulam na vida social na escola. Assim saberá como agir discursivamente numa situação, ou seja, saber qual gênero do discurso ou textual usar. Dessa forma, a escola, os professores em geral devem de fato trabalhar em conjunto a prática do letramento com o ato de alfabetizar proporcionando uma boa aprendizagem e capacidade de conhecimento ampla, formando assim leitores críticos e que saibam utilizar os textos e linguagens em diferentes contextos no cotidiano. REFERÊNCIAS Antunes, I. (2011). Aulas de Português: encontros de interação. São Paulo: Parábola. GIL, A. C. (2002). Como Elaborar Projetos de Pesquisa (4ª Ed.). São Paulo: Atlas. KLEIMAN, Angela. O conceito de letramento e suas implicações para a alfabetização. (UNICAMP) , 2007. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. 119 ESTUDO DIAGNÓSTICO DE ALUNOS NO SEU PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA Luciene dos Santos Pereira1 [email protected] Elaíde Maria Godinho¹ Aline Esquerdo da Siva¹ Paula Cristina Galdino Oliveira2 RESUMO - Este trabalho relata o diagnóstico realizado com alunos do 4º ano do ensino fundamental da Escola Rosineide Fonseca Vieira, no Município de Santarém-PA, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID/CEULS/ULBRA no curso de Pedagogia. A pesquisa objetivou identificar, através de atividades diagnósticas, os conhecimentos, habilidades e competências dos alunos nos eixos da leitura e escrita e, a partir disso, apontar as estratégias de ensino. A metodologia consistiu em pesquisa de campo, utilizou como instrumentos a atividade diagnóstica e o diário de campo para registro da observação. Os resultados mostraram, por exemplo, em relação ao nível de aquisição da escrita: apenas 8% dos alunos escreviam utilizando escrita silábica, ou seja, uma letra para cada sílaba da palavra, enquanto a maioria, 51% escrita silábicaalfabética ele escreve representando as unidades sonoras menores ou fonemas, e 41% alfabética os alunos já compreendem o conhecimento da escrita alfabética não garante ao aluno a possibilidade de compreender e produzir textos em linguagem escrita. Assim, verificou-se a necessidade de fomentar o desenvolvimento de estratégias de leitura, de criar contextos significativos de produção de gêneros textuais, além de abordar aspectos linguísticos, como ortografia, coesão textual, e aspectos linguísticos. PALAVRAS-CHAVE: estudo diagnóstico; leitura e escrita; Subprojeto de Pedagogia Pibid-Ceuls. INTRODUÇÃO Segundo a Lei 9.394, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, toda criança tem o direito de ter acesso à educação básica de qualidade, que contribua na sua formação para exercício da cidadania. Tendo em vista que a leitura é uma dos instrumentos e requisitos ao desfrute da cidadania, cabe à escola a responsabilidade de inserir a criança no mundo da leitura e da escrita nas suas diversas funções sociais, pois a mesma é responsável pela formação do indivíduo enquanto cidadão. Infelizmente essa inserção na cultura escrita tem sido um grande desafio, haja vista que as escolas públicas apresentam maior índice de dificuldades em relação ao desenvolvimento da leitura. Vale ressaltar que isso acontece em todas as instituições de ensino independente do segmento (público ou particular). Isso implica aos professores buscar diversos conhecimentos, como entender o que é aprendizagem e quais os fatores que nela 1 Acadêmicas do VI Semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário de Santarém – CEULS/ULBRA e Bolsistas de Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 2 Professora no Curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA e Bolsista Coordenadora de Área no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 120 interferem; bem como formas significativas de promover os direitos de aprendizagem, explicitados nos PCNs. A instituição deve buscar priorizar o incentivo à leitura e à escrita, a fim de proporcionar às crianças em alfabetização que desenvolvam as habilidades e competências relacionadas ao letramento, o qual vai além do alfabetizar, possibilitando ao individuo a aprendizagem e aquisição da leitura e da escrita de forma que o mesmo faça uso desses conhecimentos durante seu dia a dia, ou seja, nas suas práticas sociais. Partindo dessa problemática, levantou-se a questão: quais os conteúdos e estratégias de ensino que podem ser usados nas dificuldades dos alunos no seu processo de desenvolvimento da leitura e escrita? O estudo constituiu-se importante na medida em que investiga as dificuldades de leitura e escrita no processo de ensino aprendizagem de crianças de 4º ano do ensino fundamental da escola pública para elaborar intervenções. Os motivos que levaram a pesquisa devem-se ao fato do desenvolvimento das atividades no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/CEULS/ULBRA. Este estudo objetivou, através de atividades diagnósticas, conhecer as aprendizagens, competências e habilidades adquiridas em leitura e escrita pelos alunos, e apontar conhecimentos e estratégias de ensino a serem proporcionados no decorrer do ano letivo. MÉTODOS Esta pesquisa se caracterizou por estudo de campo, a escola Rosineide Fonseca está situada no bairro do Diamantino no município de Santarém. O estudo realizado abrangeu o público alvo dos alunos do 4º ano da turma 401 devidamente matriculados. Utilizou-se o método descritivo a fim de identificar as principais dificuldades encontradas pelos alunos no processo de desenvolvimento da leitura e escrita no ensino aprendizagem, para ter conhecimento do problema. Para se identificar as dificuldades, aplicou questões para os alunos do 4ª ano, numa abordagem quanti-qualitativa para as análises dos resultados. Este projeto utilizou, como os instrumentos, a atividade diagnóstica e o diário de campo para a observação, além de estudo bibliográfico sobre diretrizes para o ensino da leitura e escrita em documentos oficiais. 121 RESULTADOS E DISCUSSÃO Dentre os diversos aspectos explorados, ressalta-se inicialmente o nível de aquisição da escrita, em que os dados mostram: pré-sílabica, silábica 8% - 2 alunos, silábicaalfabética 51% - 15 alunos e alfabética 41% - 12 alunos. FICHA DE ANÁLISE DIAGNÓSTICA A PARTIR DE ATIVIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA EIXOS QUESTÕES E OBJETIVOS Leitura 1 Leitura 2 Leitura Leitura 3 4a Leitura 4b e d Leitura 4c Leitura 4e Leitura 5 Escrita 6 Escrita e produção de texto 7 Análise linguística 8 Análise linguística 9 Análise linguística 10 Escrita 11 SIM NÃO OUTRAS PARCIAL OBSERVAÇÕES 3/ 11% 2/ 7% Reconhece globalmente as palavras? Estabelece a relação letra-som, percebendo unidades menores que a silaba? Ler pequenas frases? Reconhece finalidade de textos cotidianos, como o anúncio? Localiza informações explícitas em textos lidos com autonomia? Atribui sentido relacionando texto e contexto? Interpreta ações do autor do texto relacionando informações do texto e seu contexto? Demonstra capacidade de reconto escrito da situação observada? Apresenta segmentação do texto em palavras? Divide o texto em frases, usando recursos do sistema de escrita (letra inicial maiúscula) e de pontuação (uso de vírgulas, ponto, travessão...)? 26/ 89% 27/ 93% - 26/ 89% 24/ 82% 25/ 86% 4/ 14% - 3/ 11% 1/ 4% 3/ 14% 16/ 55% 23/ 78% 11/ 37% 3/ 11% 3/ 8% 3/ 11% 19/ 65% 7/ 24% 3/ 11% 20/ 68% 11/ 38% 5/ 11% 9/ 31% 4/ 9% 9/ 31% Usa palavras ou expressões que estabelecem a coesão como: progressão do tempo, marcação do espaço...? Usa palavras ou expressões que retomam coesivamente o que já foi escrito (pronomes pessoais, sinônimos e equivalentes)? Usa adequadamente a concordância nominal e verbal? Escreve utilizando escrita 20/ 68% 8/ 27% 1/ 5% 11/ 38% 12/ 34% 5/ 28% 16/ 55% 7/ 24% ...pré...silábica silábica 2/ 8% 6/ 23% ...silábica alfabética 15/ 51% alfabética. 12/ 41% Observações Verificou-se que 8% dos alunos apresentam escrita silábica, ou seja, uma letra para cada sílaba da palavra. Isso tem impactos profundos para a vida do aluno, em que salienta KLEIMAN (2005, p.44), ―A aquisição e o domínio dessa modalidade de se comunicar é que permitirão que os alunos participem, cada vez com mais capacidade de ação, das práticas de letramento de sua família como ler a bíblia, consultar o dicionário [...]‖. Contudo, 51% dos alunos se encontravam na fase referente à aquisição da escrita silábica-alfabética. Este nível marca a transição do aluno da hipótese silábica para a alfabética, ele escreve representando as unidades sonoras menores ou fonemas. O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado por uma sequência de conteúdos quase, poderia chamar de adicional: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras, a juntar palavras para formar frases e a juntar frases para formar textos. Passando por dois estágios: o primeiro seria 122 o que já se chamou de ―primeiras letras‖, hoje alfabetização, e o segundo, aí sim, o estudo da língua propriamente dita. De acordo com PCNs da Língua Portuguesa: Durante o primeiro estágio, previsto para durar em geral um ano, o professor deveria ensinar o sistema alfabético de escrita (a correspondência fonográfica) e algumas convenções ortográficas do português -- o que garantiria ao aluno a possibilidade de ler e escrever por si mesmo, condição para poder disparar o segundo estágio. Esse segundo estágio se desenvolveria em duas linhas básicas: os exercícios de redação e os treinos ortográficos e gramaticais. PCNs da Língua Portuguesa (1997, p.27). E os 41% dos alunos corresponderam o sistema de escrita alfabética, a evolução da escrita silábico-alfabética para a alfabética é repleta de especificidades. Os alunos pesquisados já compreendem, em geral, o sistema de escrita, entendendo que cada um dos caracteres da palavra corresponde a um valor sonoro menor do que a sílaba e também domina as convenções ortográficas. No entanto, apenas o conhecimento da escrita alfabética não garante ao aluno a possibilidade de compreender e produzir textos em linguagem escrita. Essa aprendizagem exige um trabalho pedagógico sistemático que envolve conhecimentos não apenas linguísticos, mas extralinguísticos, sociointeracionais. Promover tais saberes é fundamental para o desenvolvimento dos alunos e melhor ajudá-los a avançar. A atribuição de sentido, interpretação e capacidade de reconto, mostra que esses aspectos são considerados muito importantes para conduzir as atividades. Verificou-se a necessidade de fomentar o desenvolvimento de estratégias de leitura, de criar contextos significativos de produção de gêneros textuais, além de abordar aspectos linguísticos, como ortografia, coesão textual, uso dos verbos adequados ao contexto temporal e outros aspectos linguísticos. O professor deve oferecer condições que ajudem a criança avançar no processo de aquisição da leitura e escrita, possibilitando-lhes adquirir capacidades relacionadas às habilidades linguísticas básicas. CONCLUSÃO A partir da atividade diagnóstica, do diário de campo para a observação, além de estudo bibliográfico sobre diretrizes para o ensino da leitura e escrita em documentos oficiais realizada na Escola Rosineide Fonseca, pôde-se constatar que os alunos apresentam dificuldades na escrita e leitura e interpretação de texto. Desta forma, fazem-se necessárias 123 ações, projetos e metodologias diversificadas de incentivo á leitura, os quais contribuem no processo de desenvolvimento de aquisição da leitura. O letramento busca levar o indivíduo à compreensão e ao uso da leitura e escrita durante seu cotidiano. Por isso, a importância de se trabalhar com os alunos a sua habilidade de leitura, a fim de mostrar diferentes textos presentes no dia a dia, desenvolvermos competências através das atividades realizadas. Dessa forma, despertar nos discentes o interesse nos diversos tipos de leitura contribuirá com o progresso da aprendizagem. Portanto, tendo em vista os resultados do diagnóstico da turma a primeira etapa do projeto de intervenção, definiu-se o plano de trabalho com as metas gerais a serem desenvolvidas durante as próximas etapas. Foram definidas também ações e atividades tendo por base as competências necessárias e que deveriam ser garantidas no processo inicial de alfabetização e letramento. Ao trabalhar a construção dessas competências, acredita-se que cada aluno será capaz, ao longo do desenvolvimento do trabalho, de identificar os diferentes textos bem como seus usos sociais. O projeto intervenção beneficiará o aluno, evitando principalmente que ele perca o estímulo na sala de aula. Dessa forma, conduzindo melhora substancial nas produções de textos e consequentemente, melhor resultados nos estudos, de modo geral. REFERÊNCIA BRASIL, Parâmetros Curriculares Nacionais: Primeiro e Segundo Ciclos do ensino Fundamental: Língua Portuguesa. Brasília, MEC/ SEF, 1997. GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social, 5 ed. São Paulo: Atlas, 2006 HAYDT, Regina Célia Cazaux. Curso de didática geral/Regina Célia Cazaux. Ática, São Paulo, 2006. http://www,planalto.gov.br/ccivil03/leis/l9394.htm LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Cientifica – 3ª Edição Revista e Ampliada. ROSA, E. C. S.A literatura e o relato autobiográfico na formação de professores leitores. Práticas de leitura no ensino fundamental/organizado por Maria Lúcia F. de Figueiredo Barbosa e Ivane Pedrosa de Souza. — Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p.125-126. 124 RELATOS DE UMA EXPERIÊNCIA DIDÁTICA COM A PRODUÇÃO DE RESUMOS E RESENHAS NO ENSINO SUPERIOR Maria Sheyla Gama1 [email protected] Charliany Rolim Freitas2 [email protected] RESUMO: O presente trabalho em processo de finalização visa apresentar o trajeto didático metodológico, necessário e básico para a produção dos gêneros resumo e resenha na universidade. Objetiva-se, por meio deste, apontar estratégias de ensino que proporcionem aos acadêmicos, principalmente, os matriculados na disciplina de Comunicação e Expressão, o domínio de habilidades leitoras que o conduzam ou estimulem à produção de resumos e, posteriormente a elaboração de resenhas. A partir do levantamento de alguns resumos analisados por produção dos próprios alunos, detectou-se a dificuldade enfrentada por maioria deles em referir-se ao autor no decorrer do texto, apresentar a ideia do autor com suas próprias palavras, dentre outros. Deste modo, discutiu-se a necessidade de busca por meios que pudessem propor a estes técnicas que possibilitassem o aprimoramento da escrita. Por isso, utilizou-se da estratégia de reescrita, ou seja, o acadêmico matriculado na disciplina de Comunicação e Expressão após a leitura de um determinado texto era desafiado a produzir um resumo e apresentar para professora, a qual propunha estratégias de melhoramento da primeira versão do texto, posteriormente, devolvia ao aluno para uma possível reprodução. Diante disso, verificaram-se melhoras relevantes nos próximos resumos. PALAVRAS-CHAVE: gêneros resumo e resenha. produção textual. reescrita. INTRODUÇÃO A partir da análise de resumos apresentados por alunos universitários matriculados na disciplina de Comunicação e Expressão, detectou-se uma grande dificuldade, por parte destes, em produzir um adequado texto, de acordo com as normas gramaticais e estruturais de textos que circulam na sociedade. Por isso, apontou-se para a importância de proporcionar, a estes, meios que facilitassem o aprendizado do gênero resumo para posteriormente construir um posicionamento crítico através da produção textual – resenha. No entanto, observou-se a irrelevância que muitos acadêmicos apresentavam para com a necessidade de se saber fazer um texto que atendam os princípios da coerência e da coesão textuais. Por isso, faz-se indispensável o uso de novas estratégias, metodologias que instigam o aluno a escrever, sendo necessário reconhecer que boa parte dos ingressantes no Centro Universitário Luterano de Santarém não reconhece, na maioria das vezes, a verdadeira estrutura do resumo e/ou até mesmo qual a principal diferença entre o resumo e a resenha. Dessa forma, é inestimável que o educador apresente formas que ajudem o acadêmico a desenvolver habilidades leitoras, além de incentivá-lo a escrever. Reconhecendo a importância de reescrita como muitos autores citam a exemplo de Machado et.al (2004) no livro Resenha, analisou-se a importância de propor aos acadêmicos da disciplina de Comunicação e Expressão a orientação de como se fazer um resumo; depois, ao discutir sobre um tema definido eles eram desafiados a sintetizar 1 2 Mestre em Linguística, docente do CEULS/ULBRA e pesquisadora PROICT Acadêmica do curso de Pedagogia, bolsista do PROICT/ ULBRA 125 um documento, texto, e em seguida entregava à professora, a qual, revisava e depois devolvia o texto, mostrando o que faltou para que em seguida o acadêmico pudesse reescrevê-lo. Dessa forma, discutiu-se a necessidade que há em o aluno ter uma visão ampla do tema o qual resumirá, ou, quanto ao documento que levantará uma visão crítica – resenha seja ela positiva ou não. Por isso, o hábito da leitura se torna indispensável, pois auxilia o aluno a ampliar seu conhecimento, além de, promover sua criticidade. Para Machado et.al é fundamental que aquele que resumirá um artigo, livro, documento, entre outros, obtenha compreensão da leitura do texto estudado, pois para a produção de um resumo é primordial, segundo elas, que o autor do texto resumido perceba qual a intenção do autor em escrever um artigo, livro, entre outros (MACHADO et.al, 2004). Sendo assim, objetivou-se contribuir para o aprimoramento da escrita, e principalmente, que os alunos apresentassem conhecimento sobre o que é um gênero resumo, o que é uma resenha e quais as principais diferenças entre esses dois gêneros. MÉTODOS Os métodos utilizados fundamentam-se na pesquisa bibliográfica com levantamento de dados em relação aos gêneros resumo e resenha e tem por objetivo discutir ideias de diversos autores acerca do ensino de tais gêneros na universidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO O presente projeto encontra-se em fase de finalização, por isso, ainda não apresenta resultados finais a respeito da pesquisa discutida. Porém, devido alguns levantamentos bibliográficos, pode-se apontar para algumas características observadas em referências a ideias de alguns autores. Segundo MENDES (2010), o estudo dos gêneros textuais é uma fonte importante de conhecimento que auxilia na produção de trabalhos acadêmicos, contribuindo assim, para um aprimoramento na formação profissional. Afirma ela, que é necessário que o autor do gênero resumo seja convincente, usando argumentos consistentes, para tornar comum a ideia proposta. Por isso, Mendes propõe que o texto obtenha três qualidades: unidade, coerência e coesão. Ao tratar do gênero resumo a autora remete-se à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR 6028,2003) que declara a importância do gênero resumo que é mostrar sinteticamente pontos indispensáveis do documento analisado, por isso, o resumo pode se expressar através de três estilos: crítico, indicativo e informativo. Quanto ao gênero resenha, ela baseia-se em Souza et.al (2007), para os quais a resenha é uma análise a ser feita de obras ou documentos prontos, podendo assim, classificá-la em descritiva ou crítica. 126 Já no artigo de Silva (2009) foi possível observar o relato que esta autora apresenta sobre os resultados obtidos através de um questionário aplicado com acadêmicos do segundo semestre dos cursos de Engenharia Mecânica e Elétrica. O questionário continha duas indagações: a primeira diz respeito ao que é um resumo e a segunda perguntava sobre quais os passos a serem seguidos para a elaboração de tal gênero que, segundo ela, são importantíssimos para averiguar o conceito que universitários possuem em relação a esse gênero textual. Para Silva, o gênero resumo vai muito além de uma simples seleção de ideias principais copiadas para uma nova folha. No entanto, as respostas apresentadas pelos acadêmicos acusam uma deficiência visível vivenciada por alunos universitários em não perceber a importância da prática de escrever e, principalmente, criar um texto próprio a partir de um texto base. Ao analisar as respostas da primeira pergunta, a autora identifica que pelo menos 28,58% dos universitários entrevistados alega que o resumo é uma forma de identificar ligeiramente as principais ideias do autor e 3,57% afirmam que ele é uma ilustração básica, breve e objetiva. Já sobre a segunda pergunta mais de 50% certificam que os passos a serem seguidos são leitura, seleção e escrita e menos de 5% declaram que é a leitura, seleção e apagamento. Entretanto a pesquisadora informa que para a produção de um resumo é necessário ler, compreender, sintetizar e produzir um novo texto a partir do documento original, seja de um capítulo de um livro, revista ou artigo. A autora remete- se a Therezzo (2001, p. 21) a qual afirma que para a produção de um resumo o escritor deve apresentar habilidades como identificar as principais ideias do autor de forma precisa e direta; estabelecer uma estrutura de ideias principais englobando-as em um contexto próprio e coerente; manter-se leal às opiniões/ideias do autor e produzir um novo texto mediante a observância da linguagem padrão. Silva diz, também, que é possível encontrar três teorias relacionadas à leitura, nas quais tal atividade pode ser apontada como leitura de decodificação; processamento cognitivo e interação: autor – texto – leitor. Diante das respostas de alunos adquiridas pela autora através de questionários, observou-se que a maioria dos acadêmicos conhece o gênero resumo como uma síntese de informações relevantes enfatizadas no texto original, porém não expõe o conhecimento de que o resumo em sua essência, na verdade, é contar concisamente o texto original com palavras próprias, além de, reconhecê-lo como produção de um novo texto. A autora identifica ainda, a dificuldade que maioria dos acadêmicos apresenta em reconhecer um gênero resumo, confundindo-o, muita das vezes, com outros gêneros a exemplo do fichamento. No entanto, ela apresenta a importância do esclarecimento que o professor precisa dar ao aluno antes de cobrar alguma 127 atividade, além de destacar a relevância que há na prática da produção de resumos podendo proporcionar ao aluno habilidades em leitura e escrita. Para Pereira (2013), o título e o resumo são dois artifícios eminentemente úteis a um artigo científico. Afirma ele que, se estes forem atraentes, consequentemente o público se interessará pela pesquisa completa, porém se o resumo apresentar deficiência provocará um desinteresse nos leitores para aprofundar-se na leitura do artigo. O autor declara ainda que o gênero resumo objetiva ampliar a visão da pesquisa podendo ser dividido em dois tipos de resumo: o informativo e o indicativo, os quais Pereira caracteriza em suas devidas diferenças. O primeiro, focalizado em seu cunho informativo, dispensa a leitura do documento original por apresentar concisamente componentes fundamentais de um artigo. Já o segundo, o autor o caracteriza de maneira mais simples, pois possibilita expor opiniões e debates sem apresentar resultados e outros subsídios em sua estrutura. É inegável assim, a dificuldade que muitos possuem de expressar sucintamente o que compreendem com uma produção textual que esteja de acordo com as exigências gramaticais e estruturais do gênero resumo, pois para desenvolver um texto adequado às normas são necessárias várias versões, alega o autor. Deste modo, analisa-se a relevância que há no exercício prático, na reescrita, métodos estes que contribuem para o desenvolvimento das habilidades leitoras e de escrita. CONCLUSÃO Diante dos estudos e das análises bibliográficas que estão sendo feitas, observa-se a relevância que os autores citados acima dão à compreensão global do tema analisado para que qualquer texto seja resumido. Ressaltam também que a prática da escrita é essencial para desenvolver as habilidades necessárias para a produção de um bom resumo. Habilidades essas como: a identificação da ideia principal que o autor do texto quer repassar; a compreensão da leitura; o reconhecimento dos principais objetivos do texto, além de, perceber qual a intenção do autor em escrever algum livro, artigo, dentre outros. Estes são alguns conceitos que possibilitam ao aluno o aprimoramento da escrita, contribuindo, assim, para a elaboração de um resumo adequado às normas estruturais e gramaticais. Torna-se importante lembrar que o exercício prático torna-se indispensável, afinal logo após o aprendizado sobre a estrutura de um resumo se faz necessária a execução, para assim, exercitar o conhecimento adquirido. 128 REFERÊNCIAS MENDES, Renata. A importância da adequada estruturação de resumo e resenha. Revista Espaço Acadêmico – nº 114 – Novembro de 2010. Págs. 135 a 140. SILVA, Adriana. O gênero resumo na perspectiva de universitários. In Anais do V Simpósio Internacional de Estudos de Gêneros Textuais. Caxias do Sul: Universidade Federal de Caxias do Sul, 2009. PEREIRA, Mauricio Gomes. O resumo de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 22(4): 707 – 708, out – dez 2013. MACHADO, Anna Raquel; LOUSADA, Eliane Gouvêa; ABREU-Tardelli, Lília Santos. Resumo. – São Paulo: Parábola, 2004. MACHADO, Anna Raquel; LOUSADA, Eliane Gouvêa; ABREU-Tardelli, Lília Santos. Resenha. – São Paulo: Parábola, 2004. 129 130 SÍNDROME DE BURNOUT E DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Rosimar Souza dos Santos Borges1 RESUMO: Burnout é considerado uma síndrome ocupacional de conceito tridimensional compreendendo as seguintes dimensões: exaustão emocional (EE), despersonalização (DE) e baixa realização profissional (BRP). O objetivo deste artigo foi estudar a Síndrome de Burnout (SB) em docentes da UFRJ, no ano de 2014, e investigar a correlação entre ela e características demográficas, laborais e condições de saúde e lazer. Foram entrevistados 155 docentes das áreas da saúde, exatas e humanas. Utilizou-se um instrumento autoaplicado composto por variáveis demográficas, laborais e pela escala MaslachBurnoutInventory (MBI). Os resultados apontaram que a dimensão da exaustão emocional foi a que mais apresentou fatores associados e que as mulheres mais jovens foram as mais vulneráveis nesta dimensão, evidenciando a sobrecarga de trabalho como fator de risco.Conclui-se que em função da dimensão da exaustão emocional ter apresentado as médias mais elevadas no estudo, necessita de investimentos em políticas que visem a melhoria da qualidade de vida no ambiente laboral. PALAVRAS CHAVES: professores,Síndrome de Burnout,condições de trabalho. INTRODUÇÃO A Organização Internacional do Trabalho (OIT), consideraa atividade de professor como de alto risco, sendo a segunda categoria profissional, em nível mundial, a portar doenças de caráter ocupacional, evidenciando a gravidade do processo de adoecimento desses profissionais (Vasconcelos, 1997). Dentre as doenças ocupacionais, pode-se identificar a Síndrome de Burnout (SB), considerada como um fenômeno complexo, multidimensional, resultante da interação entre aspectos individuais e laborais (Kelchtermans, 1999). A síndrome é formada por três dimensões: exaustão emocional (o trabalhador sente-se emocionalmente esgotado pelo contato direto e intenso com as demandas laborais), despersonalização (atitudes negativas em relação ao trabalho e as pessoas, o indivíduo age de forma distante e impessoal como se elas fossem objetos) e baixa realização profissional (o indivíduo faz uma auto avaliação negativa de si mesmo, pois não se sente realizado com que faz)(Maslache Jackson, 1984a). Maslach (2001) e Barría (2002) nos informam que alguns estressores de Burnout são associados com sexo, idade, estado civil, filhos; com característica da personalidade e autoeficácia (Cano-Garcia, 2005); com a experiência profissional, nível de ensino, desenvolvimento de carreira, relacionamento interpessoal, suporte social, conflitos e ambiguidade de papel, controle, sobrecarga de trabalho, pressão no trabalho, motivação no trabalho e satisfação no trabalho (Barría, 2002) e com clima organizacional, contexto sociocultural e político (Grau, 2005). 1 Mestre em Saúde Coletiva e Assistente Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro 131 No Brasil, a SB é conhecida como a síndrome de esgotamento profissional, porém ainda não é amplamente conhecida pela área médica, dificultando seu diagnóstico (Brasil, 2001). Em função dessa realidade, o presente estudo teve como objetivo estudar a Síndrome de Burnout e fatores relacionados em docentes da UFRJ das áreas da saúde, humanas e exatas. MÉTODOS Utilizamos o delineamento transversal. Os dados foram coletados entre docentes dos cursos das áreas da saúde, humanas e exatas daUFRJ. Foram buscados 252 docentes, porém, em função das perdas produzidas pelas recusas dos docentes em participarem do estudo, a amostra final foi composta por 155 sujeitos. A coleta foi realizada no período de outubro a novembro de 2013 e de fevereiro a março de 2014 e a população deste estudo foi composta por docentes da UFRJ dos cursos de medicina, enfermagem, educação física, letras, pedagogia, engenharia e matemática. Utilizouse a amostragem probabilística estratificada para selecionar os docentes dos referidos cursos. Para a coleta de dados, foi utilizado instrumento autoaplicado composto por variáveis referentes às características demográficas, laborais e pela escala de MaslachBurnoutInventory – MBI que investiga Burnout (Maslach e Jackson, 1986). Foram investigados os fatores demográficos, laborais e de condições de saúde e lazer, cujos dados foram analisados no software StatisticalPackage for the Social Sciences® (SPSS), versão 18.0. As análises estatísticas foram de natureza descritiva e multivariada (análise de regressão múltipla, pelo método stepwise). RESULTADOS E DISCUSSÃO Na população estudada, a média de idade foi de 47 anos e predominou o sexo feminino e a presença de companheiro/a. A média de filhos foi de um filho. A maioria da classe econômica B+C, com formação em doutorado e pós-doutorado. Em relação às condições de saúde e lazer, os docentes relataram ter poucas horas de sono e muito cansaço, disponibilizando pouco tempo para o lazer. Nas variáveis laborais, os entrevistados informaram que sua atuação como docente variou entre 0 a 48 anos e o tempo de trabalho na instituição entre 0 a 44 anos, a maioria não possui função de coordenação ou outra função remunerada. O estudo demonstrou ainda, bom relacionamento com colegas e alunos. Quando questionados sobre a compatibilidade do salário com as atividades exercidas, a maioria informou que não estava compatível. Mas, apesar disso, responderam que não 132 mudariam de profissão, nem de instituição, nem tampouco de serviço ou função na instituição. Neste estudo, encontraram-se professores do sexo feminino apresentando mais exaustão emocional (EE), o que na concepção de Carlotto (2010) pode ser interpretado como questão de emocionalidade vinculada ao papel feminino e às demandas das tarefas desenvolvidas. No tocante à idade dos docentes, encontrou-se maior pontuação de EE entre os mais jovens. Professores com menos de 40 anos apresentam maior risco de Burnout por conta das expectativas irrealistas em relação à profissão (Carlotto, 2002b). Em relação às variáveis laborais, os docentes que exerciam função de coordenação apresentaram índices mais baixos de Despersonalização (DE). Entende-se que quanto maior for o envolvimento e a autonomia do indivíduo com o trabalho, menor serão os índices de DE e maior a possibilidade de realização profissional (Correia, 2010). Segundo Carloto (2010) a sobrecarga de trabalho tem sido uma das variáveis mais predisponentes da SB, pois quando a quantidade e a qualidade dos trabalhos ultrapassam a capacidade das pessoas, elas tendem ao adoecimento. O professor que tem uma boa relação com a chefia imediata, geralmente, desenvolve uma percepção de liberdade profissional, apresenta motivação em suas atividades laborais, entusiasmo, se sente respeitado e manifesta sentimentos de carisma e apoio, reduzindo os possíveis níveis de EE e DE. No decorrer da pesquisa, encontrou-se muitos docentes que optaram por não participar, o que pode ser um indicativo de alto índice de Burnout, já que o docente se encontra em estado de desgaste tão elevado que acaba considerando a pesquisa mais uma tarefa a cumprir. Sugere-se, com isso, a realização de novos estudos, com uma maior participação dos docentes, incluindo novas variáveis que possam ampliar o poder explicativo deste fenômeno psicossocial. REFERÊNCIAS BRASIL, MS. Doenças relacionadas ao trabalho. Manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília: MS, 2001. BARRÍA, JM. Síndrome de Burnout em assistentes socialesdelservicio Nacional de Menores de La Región Metropolitana de Chile, v.6, n.4, 2002. Disponível em http: www.psiquiatria.com/ artículos/estrés/11867. Acesso em 14 de mar 2013. CANO-GARCÍA, FJ et al. Personality and contextual variables in teacher burnout. Personalityand individual diferences, v.38, n. 4, 2005. P.929-940. 133 CARLOTTO, MS. Síndrome de burnout: o estresse ocupacional do professor. Canoas: ed. ULBRA, 2010. _ _________________. A Síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia em Estudo, v.7, n. 1, 2002b. P.21-29. CORREIA, T et al. Stress ocupacional em professores do ensino básico: um estudo sobre as diferenças pessoais e profissionais. In: Actas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia. Associação Portuguesa de Psicologia, Lisboa, Portugal, 2010. P.1477-1493. GRAU, A et al. Desgaste professional enelpersonal sanitário y surelación com losfactorespersonales y ambientales. Gacetasanitária, v.19, n. 6, 2005. P. 463-470. KELCHTERMANS, G. Teaching career: Between burnout and fading away? Reflections from a narrative and biographical perspective. In: VANDERBERGUE, R. HUBERMAN, MA. (eds.). Understanding and preventing teacher burnout: A source book of international practice and research. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. P.176191. MASLACH, C. JACKSON, SE. Patterns of burnout among a national sample of public contact workers. Journal of Health Resources Administration; n.7, 1984a. P. 189-212. ________________________. MBI: Maslach Burnout Inventory, Manual Research Edition. Pato Alto, CA: Univesity of California, Consulting Psychologists Press, 1986. MASLACH, C et al. Job burnout.Annual Review Psychology, n. 52, 2001.P.397-422. VASCONCELOS, CS. Construção do conhecimento em sala de aula. São Paulo: Libertad, 1997. 134 135 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS. Bruna Maria Ribeiro Braga1 Valéria da Silva Araújo2 Manuel Elbio Aquino Sequeira33 RESUMO: Este presente artigo tem como objetivo mostrar a importância da educação física para o desenvolvimento motor infantil das crianças de 4 a 6 anos. O mesmo foi estruturado e desenvolvido por meio de uma pesquisa bibliográfica e experiências obtidas pelas aulas aplicadas nas turmas do Pré I e Pré II da Escola Municipal de ensino fundamental João batista Mileo, localizada no bairro do Urumari no município de Santarém – PA. Este trabalho é resultado de experiências feitas a partir de observações e intervenções, através do projeto da equipe PIBID na escola. A partir das observações foi detectando a carência e a necessidade de se ter atividades para essa faixa etária, para que no futuro possa se visualizar mudanças, promovendo um desenvolvimento integral de maneira organizada com quantidade e qualidade; estimulando assim a habilidade perceptiva para a melhoria do controle motor. PALAVRAS- CHAVE: educação física, desenvolvimento motor, crianças. INTRODUÇÃO A educação física na educação infantil une a educação ao cuidado, pois é a primeira etapa da educação, onde deve se encontrar presente o desenvolvimento através do brincar em diversas maneiras, sendo esse um método de desenvolvimento e não apenas um preparo para seres do ensino fundamental. Segundo a Constituição, é obrigação do estado oferecer uma educação na fase da infância. Conforme as Leis de Diretrizes e Bases (1998) artigo 29, a educação infantil que tem como objetivo principal o desenvolvimento integral das crianças até os seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e até sociais completando ação da família e da comunidade. Na educação infantil o professor não pode se prender apenas a trabalhar a alfabetização, mas proporcionar as crianças por meio de estímulos diferentes atividades com manifestações expressivas dando importância ao movimento, as brincadeiras, gestos, desenhos, danças incentivar sempre a imaginação delas, devendo primeiro conhecer melhor a criança e sua história de vida para assim entender seu comportamento e saber atuar, pois é nessa etapa de desenvolvimento em que tudo ao seu redor serve de brinquedo e toda atividade é uma experiência nova, começando a expressar suas vontades, seus interesses, permitindo assim, que seu querer seja único e particular 1 Acadêmica do 6º semestre de Educação Física do CEULS/ULBRA. Bolsista do PIBID na escola João Batista Mileo 2 Acadêmica do 5º semestre de educação física do CEULS/ULBRA. Bolsista do PIBID na escola João Batista Mileo. 3 Mestre em Educação Física Coordenador PIBID Subprojeto Educação Física CEULS/ULBRA. 136 As brincadeiras nessa etapa contribuem no aprimoramento de exercícios naturais como: saltar, correr, pular, arremessar, subir, excitando a imaginação, aprendendo a respeitar as regras, porém deve-se sempre levar em consideração a individualidade de cada um, pois toda criança é diferente da outra. Dentre os grandes desafios enfrentados nas escolas públicas destaca-se a falta de políticas públicas na região que levam a falta de investimento na educação, vista que muitas escolas recebem o mínimo de recurso financeiros. Nas aulas de educação física o espaço físico é uma grande dificuldade a ser enfrentada tanto pela escola, quanto alunos e professores, pois não existe estrutura adequada, para as aulas, ficando muitos alunos a mercê somente da sala de aula para executar tais atividades e ficando o professor a exercer sua criatividade. A precariedade da educação não é uma realidade só das escolas municipais de Santarém, mas também pode ser vista na região do Pará. Segundo o Instituto nacional de Estudos e pesquisas educacional Anísio Teixeira (INEP) realizado no ano entre 2009 a 2014, que avalia as escolas tanto das redes de ensino quanto estaduais e municipais, em uma escala de 0 a 10 mostrou que o Pará ficou com 3,5, sendo o último lugar no ranking. MÉTODO Esta pesquisa foi realizada com crianças de 4 a 6 anos da escola municipal e fundamental João Batista Mileo, localizada no bairro do Urumari no município de Santarém – PA. buscou-se conhecer e informar quanto a importância da educação física nas series iniciais do Pré I e Pré II, compreendendo 20 alunos do Pré I e 22 do Pré II dessa escola. Foram implantadas oficinas com período já de 5 meses, de junho a outubro, tendo continuidade até o mês de dezembro de 2015, sendo realizadas nos dias de terça e sexta-feira das semanas, com duração de 45 minutos cada aula. Tendo como ponto de partida o projeto da equipe PIBID, tal trabalho foi realizado inicialmente por meio do método de observação sistemática verificando o dia a dia das crianças na escola, no qual percebemos que as mesmas não tinham nenhum tipo de atividade que envolvesse a ludicidade e coordenação motora delas, passando depois a intervir por meio de oficinas recreativas. 137 RESULTADOS E DISCUSSÕES Antes do PIBID entrar na escola, as crianças do Pré I e Pré II, não tinha nenhum tipo de atividades como brincadeiras tanto em sala de aula, quanto extra classe. Todas as aulas eram voltadas para a alfabetização. No início das oficinas percebemos o receio das crianças pelas brincadeiras, sendo relatado por muitas o desconhecimento e o medo de realizar tal atividade. O contato físico entre eles foi um outro ponto a ser tratado, visto que antes em sala de aula não tinham atividades que levassem a socialização das crianças. A partir desse ponto, percebemos a necessidade de realizar atividades que permitissem a elas movimentos e expressões corporais por meio de brincadeiras que envolvessem a coordenação motora delas, tanto a coordenação motora fina e global, percepção espacial e orientação. Nas aulas foram e continuam sendo aplicadas oficinas, tais como: brincadeiras livres, jogos, dança, cantigas de roda, cinema, teatro com fantoches, etc. com isso buscamos desenvolver as habilidades básicas das crianças como: correr, pular, saltar, rolar, etc. 138 CONCLUSÃO Deste modo, torna-se indispensável as aulas de Educação Física na Educação Infantil, visto que são durante as brincadeiras e jogos que as crianças podem criar, inventar, explorar, experimentar, descobrir os seus limites e conhecer o outro e a si mesmo, aprimorando assim as suas capacidades físicas básicas. Por isso, a importância de dar prosseguimento no processo educacional de Educação Física nas séries iniciais, para que no futuro possa se visualizar mudanças, promovendo um desenvolvimento integral de maneira organizada com quantidade e qualidade; estimulando assim a habilidade perceptiva para a melhoria do controle motor, permitindo a liberdade de ações, desde que estas tragam conhecimentos, respeitando as diferenças cronológicas de interesses e competências que cada criança possa apresentar. Contudo podemos afirmar que a educação física não educa somente para o âmbito escolar, mais também para sociedade podendo se utilizar de temas transversais através de lutas, jogos danças entre outros elementos da cultura corporal de movimento, ensinando na diversidade a serem iguais, respeitando os limites não somente do corpo, mas envolve todo ambiente onde convive e aprende de maneira criativa, exercendo autonomia do certo e do errado. REFERÊNCIAS CUNHA, N. H. S. Brinquedo, desafio e descoberta para utilização e confecção de brinquedos. Rio de Janeiro: Fae, 1988. FAVERO, Andrea. A importância do lúdico para o desenvolvimento da criança. São Paulo: abril, 2008. FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e pratica da educação física. São Paulo: Scipione,2009. FERREIRA, C. P. L; FREITAS, R. A. M. M. O lugar da Educação Física na Educação Infantil. IV EDIPE – Encontro Estadual de Didática e Pratica de Ensino. 2011. 18 p. LDB. Lei de. Diretrizes e Bases n 9.394, 20 de dezembro de 1996. LIMA, J. S.A importância do brincar e do brinquedo para as crianças de três a quatro anos na Educação Infantil. Rio de Janeiro: 2006. 23 p. PICCOLO, V. N; MOREIRA, W. W. Corpo em movimento na Educação Infantil. São Paulo: Cortez, 2012. 192 p. www.10emtudo.com.br/artigo/os-desafios-da-educação-no-Brasil/. 17:00. 18 de outubro de 2015. ROLIM, l. R. Professor de Educação Física na Educação Infantil: uma revisão bibliográfica. UNINOVE. 13 p. 139 A PESQUISA E O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO DOS ALUNOS DE GRADUAÇÃO Maria Viviani Escher Antero1 RESUMO: Este trabalho tem como ponto de partida pesquisas feito anteriormente pela a autora sobre a prática da pesquisa no ensino superior em que consistiu na busca de conceitos e métodos da pesquisa cientifica com foco no ensino superior. Teve como objetivo verificar conceitos e ferramentas para o desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso.O presente artigo faz uma abordagem sucinta a respeito da pesquisa a partir das leituras bibliográficas de metodologia científica, bem como da prática docente em que se pode desenvolver um pequeno roteiro de proposições a respeito da estruturação de um relatório de pesquisa na graduação. PALAVRAS – CHAVE: Pesquisa. Trabalho de Conclusão de Curso INTRODUÇÃO É na universidade que se cumpre o papel da pesquisa, pois não deve – se pensar nela como instituição formadora de profissionais apenas pelo ensino, ou seja, sala de aula. De acordo co Nascimento (2012, p. 14) ―A universidade tem que estar inserida na prática da pesquisa o tempo todo. Produzir conhecimento é o fruto da pesquisa que representa a vida acadêmica e que se insere profundamente no comportamento do aluno e do professor‖. Assim entende – se pesquisa que ‖embora possa haver concepções diferentes, entendemos a pesquisa como atividade racional e sistemática que visa dar respostas a denominados problemas próprios de qualquer área do conhecimento‖. (2012, p. 41). Por este olhar percebe – se que uma série de elementos que devem ser considerados na construção do trabalho científico, uma vez que a busca pelo estudo no ensino superior necessariamente leva o individuo a ter contato com o ensino sistematizado que perpassa pela pesquisa significando melhor compreensão dos fenômenos sociais, culturais, econômicos assegurados a uma profissionalização. A legislação do ensino Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN (n. 9.394 de 20/12/96) quando apregoa que as instituições de ensino superior no Brasil devem estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação. 1 Professora e coordenadora do projeto de pesquisa O POTENCIAL DA PESQUISA NO ENSINO SUPERIOR 2015 do CEULS/ULBRA 140 A exemplo desta questão as instituições de ensino superior organizam a obrigatoriedade da elaboração, quase sempre no último semestre do curso a elaboração do TCC e este permite o envolvimento do acadêmico no campo da pesquisa científica, bem como a exigência de defesa pública para alguns deles. Podemos conceituar a monografia como um texto não obrigatoriamente original, resultante na maioria das vezes, de uma pesquisa bibliográfica e, frequentemente, apresentado como uma exigência para obtenção do titulo de licenciado, bacharel ou especialista em nível de pós-graduação. (LUDWIG, 2012 p. 81) Vale lembrar que um trabalho científico é aquele que é resultado de uma pesquisa conduzida com critério, método e referencial teórico, e que requer aprofundamento na bibliografia, tempo para o desenvolvimento da pesquisa e a redação de um texto final. Ao longo da vida acadêmica, o estudante precisa desenvolver diversas atividades de pesquisa, redação, estudos dirigidos e revisões bibliográficas. Nesta linha de pensamento insere - se a monografia como uma ferramenta obrigatória para conclusão do ensino superior caracteriza - se por um trabalho desenvolvido pelo aluno com orientação de um professor preferencialmente escolhido pelo aluno de acordo com a coordenação do curso, sendo este estudo o relatório de pesquisa. Alguns livros de metodologia da pesquisa apontam sobre o trabalho de conclusão de curso da graduação deve ser investigado a partir de uma revisão bibliográfica, como afirma Nascimento (2012, p. 12) para pesquisa de graduação ―os relatórios apresentam um único assunto e, dos alunos, não se exige originalidade, já que são trabalhos cuja finalidade é revisar, recapitular e resumir sinteticamente outros já realizados‖. MATERIAL E METODO Para o desenvolvimento do estudo partiu – se de uma pesquisa exploratória que segundo Gil este tipo de pesquisa ―têm como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias‖ (2014, p. 27 ). Como delineamento do estudo utilizou – se a pesquisa bibliográfica que o mesmo autor define como aquela que é ―desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos‖. (p. 50) 141 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se dizer que as ferramentas para a realização de uma pesquisa científica se constrói no decorrer da graduação e ao final dela quase todos os cursos firmam no seu projeto pedagógico a obrigatoriedade do aluno em desenvolver uma pesquisa com apresentação dos resultados perante uma banca de professores. Nesta perspectiva propõe - se alguns elementos necessários na elaboração do relatório da pesquisa do TCC tendo como ponto de partida experiência em ministrar aulas sobre o assunto em a orientação de trabalhos, bem como em livros de Metodologia Científica. Assim cabe ao professor em conjunto com o aluno observar a viabilidade do projeto de pesquisa, orientar que a partir das perguntas define - se os objetivos e para melhor compreensão daquilo que se pretende alcançar, lembrando que todo objetivo deve iniciar com verbo indefinido para o objetivo geral indica –se apenas um (Conhecer, desenvolver, analisar, pesquisar, descobrir, estudar....). Propõe – se três objetivos específicos (no máximo cinco) (Identificar, verificar, detectar, (apresentar caso tenha um produto final), perceber.......). Quanto ao tipo de estudo, se a pesquisa for só bibliográfica, ou seja, revisão de literatura organiza-se em três no máximo quatro capítulos. Se a pesquisa for de campo organiza - se dois capítulos para base teórica, um capítulo para metodologia, um capitulo para resultados e discussão, totalizando quatro capítulos. Recomenda – se inserir nos elementos pré – textuais a lista de gráfico, imagem, siglas e outras quando for acima de dez mencionadas no trabalho. Entende – se que o trabalho de conclusão deve ser em forma de pesquisa, isto é, descobrir algo ( não de ação) Podemos transformar a ação em uma curiosidade. REFERÊNCIAS BARBOSA, Alyne Patrícia da Silva...[et al.]. Normas técnicas para trabalhos acadêmicos. Canoas: Ed. ULBRA, 2012 ESCHER ANTERO, Maria Viviani. Percepção dos Alunos de Graduação sobre o Trabalho de Conclusão de Curso. IN CONGRESSO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA AMAZÔNIA 8. : 2013: Santarém, PA). Caderno de resumos do Salão de Pesquisa e Iniciação Científica do CEULS ULBRA Santarém: Pesquisa, educação e inovação. (n. 13, 2013) Anais Eletrônicos... CEULS/ULBRA, 2013. Disponível em: http://www.ulbra.br/santarem/pesquisa/congresso-de-ciencia-e-tecnologia-da-amazonia-esalao-de-iniciacao-cientifica. Acesso em: 14 out. 2015. GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6, ed. – 6 reimpressa. São Paulo: Atlas, 2014. 142 _________________. Metodologia do Ensino Superior. 4 ed. - 3 reimpr. São Paulo: Atlas, 2007. LUDWIG, Antonio Carlos Will. Fundamentos e Prática da Metodologia Científica. 2 Ed. Petrópolis, RJ:Vozes, 2012. NASCIMENTO, Luiz Paulo do. Elaboração de Projetos de Pesquisa: Monografia, Dissertação, Tese e Estudo de Caso, com base em Metodologia Científica. São Paulo: Cengage Learning, 2012 SALÃO DE PESQUISA E INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CEULS/ULBRA, Caderno de resumos do XIV Salão de Iniciação Científica do CEULS/ULBRA, I Seminário Institucional de Iniciação à Docência PIBID/CEULS, Santarém/PA, 06 a 07 de novembro de 2014 / organização Coordenação de Pós-Graduação Pesquisa e Extensão do CEULS/ULBRA. Anais Eletrônicos... Santarém: CEULS/ULBRA. Disponível em: http://www.ulbra.br/santarem/pesquisa/congresso-de-ciencia-e-tecnologia-da-amazonia-esalao-de-iniciacao-cientifica. Acesso em: 14 out. 2015. 143 GESTÃO DEMOCRÁTICA E ELEIÇAO DE GESTORES ESCOLARES: UMA NECESSIDADE DE ACOMPANHAMENTO DO CME DO MUNICIPIO DE SANTARÉM. Maria Irene Escher Boger1 Naide Pedroso De Sousa2 Paulo Sérgio Marinho De Souza3 RESUMO: Compreender de que forma o Conselho Municipal de Educação pode acompanhar o processo de eleição e a gestão após a conclusão do processo dos eleitos gestores da rede municipal de ensino, é o objetivo principal do projeto. Conhecer as influências sócio-histórica que interferem no desempenho dos gestores escolares e analisar aspectos relevantes quanto a sua formação que possam contribuir para a transformação das escolas municipais Sant arenas, são os objetivos do estudo. Além disso, é necessário verificar o papel da Gestão Democrática, que teve inicio na década de 90, quando da implantação dos conselhos e colegiados escolares. PALAVRAS-CHAVE: Gestão Democrática, Conselho Municipal de Educação, Eleição de gestores. INTRODUÇÃO A gestão do processo educacional no âmbito municipal aponta o grande desafio para além de pontuar aspectos significativos que favorecem o clima institucional, alicerçados pela LDB lei nº 9394/96, que estabelece como principio de gestão escolar na forma da lei e legislação do sistema da Educação básica. Esta perspectiva de gestão está amplamente amparada pela legislação brasileira. A Constituição Federal de 1988 aponta a gestão democrática como um dos princípios para a educação brasileira e ela é regulamentada por leis complementares como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional da Educação, em seu artigo 22. As questões fundamentais que proporcionam uma investigação e intervenção sobre o tema: Como ocorre a gestão democrática no processo de eleição dos gestores das escolas da rede pública municipal de Santarém? De que forma o Conselho Municipal de Educação do Município de Santarém pode ter uma sistemática de acompanhamento dos gestores eleitos? Quais as deficiências na formação de gestores que implicam no desenvolvimento de uma gestão democrática eficaz nas escolas da Rede Municipal de ensino? Como Objetivos principais do estudo, elencamos: Acompanhar a gestão democrática na eleição de gestores escolares da rede pública municipal, através do monitoramento do Conselho Municipal de Educação. Avaliar a gestão democrática no processo de eleição de gestores da rede publica Municipal de ensino do município de Santarém. Verificar durante a gestão do gestor eleito o cumprimento dos princípios de gestão democrática nas instituições educacionais estabelecidos pelo Sistema Municipal de Ensino em consonância com o 1 Pedagoga. Doutora em Psicologia. Pedagoga. Especialista em Psicopedagogia, Gestão Escolar. Conselheira no CME de Santarém 3 Pedagogo. Doutor em Ciências da Educação. Mestre em Ciência da Educação. Professor da rede municipal de ensino. 2 144 Conselho Municipal de educação de Santarém. Criar mecanismos de acompanhamento pelo Conselho Municipal de Educação para avaliação de desempenho dos Gestores eleitos na Rede Municipal de Ensino. A relevância desta temática reside em refletir quais os direcionamentos que a sociedade Santarena, através do Conselho Municipal de Educação realmente deseja, ou seja, uma escola boa de qualidade, com ações democráticas, onde afetividade e eficiência sejam critérios de desempenho mensurados pela capacidade de encontrar soluções desejadas de atendimento a comunidade escolar e local. MÉTODO Procedimentos do delineamento bibliográfico e documental. Para embasamentos teóricos forma utilizados procedimentos do delineamento bibliográfico. Para avaliação dos procedimentos de escolha dos gestores foram realizados técnicas de avaliação e análise da pesquisa documental, com uso de documentos de primeira mão (editais de eleição, composição de chapas, propostas de ação das chapas concorrentes). RESULTADOS E DISCUSSÕES A universalização e democratização da educação passam pela seleção e formação dos gestores através da eleição, pois são os primeiros responsáveis pela absorção e retenção da comunidade escolar quando bem formados e qualificados, que através de suas lideranças, permitem que o sistema não perca seu ponto de equilíbrio. Em Santarém este processo é contínuo, os gestores são eleitos em pleitos que envolvem comunidade escolar e sociedade em geral. Tanto o processo de escolha de gestores como o as ações das gestões tem diretrizes democráticas e são acompanhadas pelo Conselho Municipal de Educação. A equipe de gestores é constituída de indivíduos representantes do corpo técnico administrativo, da comunidade em que a escola esta inserida, dos docentes e dos discentes além de representante dos pais de alunos. O CME, os representares da gestão municipal e sociedade civil elaboraram o Plano Municipal de Educação que é o documento orientador das ações dos gestores escolares. Até o momento, os resultados do estudo apontam que a gestão municipal em conjunto com o CME planejam e dialogam para a melhoria dos processo e dos resultados da educação no município. Neste contexto, percebem-se ainda algumas distorções administrativas e pedagógicas ocorridas no interior das unidades públicas municipais em relação à formação e atuação de 145 gestores, e por fazer parte de uma instituição colegiada, como é o caso do Conselho Municipal de Educação, tem-se a preocupação balizada para acompanhamento e assessoramento desta temática complexa. CONCLUSÃO Escolas e educação de qualidades serão possíveis quando o gerenciamento for realizado por um gestor com competência técnica, administrativa e interpessoal. E, como apontam diversos estudiosos sobre o assunto, educação constitui-se num fazer coletivo permanentemente em processo. Apesar de observarem-se algumas distorções administrativas e pedagógicas ocorridas no interior das unidades públicas municipais em relação à formação e atuação de gestores, e por fazer parte de uma instituição colegiada, como é o caso do Conselho Municipal de Educação, tem-se a preocupação balizada para acompanhamento e assessoramento desta temática complexa. Algumas situações são constatadas foram: os gestores das escolas as rede municipal de ensino de Santarém são eleitos em processos democráticos e envolvem tanto a comunidade escolar como e sociedade em geral. A escolha de gestores eas ações das gestões tem diretrizes democráticas e são acompanhadas pelo Conselho Municipal de Educação. O processo é continuo e a mudança que está baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade do conhecimento, os quais, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade na educação e definem, também, a finalidade da escola. REFERÊNCIAS BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In: FERREIRA, N. S. C.; AGUIAR, M. A. da S. Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2004, p.147. BORDENAVE, J. D. O que é participação. 7. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1992. SAVIANI, D. Escola e democracia: Teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. São Paulo, Cortez Autores Associados, 1983. VIEIRA, Sofia Lerche. Educação e gestão: extraindo significados da base legal. In. CEARÁ. SEDUC. Novos Paradigmas de gestão escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005, p. 7 – 20. 146 OBESIDADE INFANTIL NO MEIO EDUCACIONAL Daniela Marques e Silva1 Jamile Fonseca da Silva¹ Alesandra Cabreira Dias2 Gilmar Lopes Dias3 RESUMO: O Presente artigo teve como objetivo proporcionar conhecimento acerca da obesidade infantil, visando um estilo de vida saudável no âmbito educacional, aos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Rosineide Fonseca situada na cidade de Santarém/Pa. Os dados foram obtidos a partir de questionário aplicados a quarenta e oito alunos da escola mencionada. Nossa investigação, predominantemente de cunho qualitativo, consistiu-se numa pesquisa de campo com aplicação de um questionário com 13 perguntas direcionadas a levantar dados da realidade dos hábitos alimentares dos alunos pertencentes a escola como parte de uma avaliação de contexto, a partir da qual poderá se refletir e compreender o ambiente educacional da escola, do ponto de vista das necessidades de adquirir uma alimentação saudável evitando, assim a obesidade infantil. PALAVRAS CHAVES: Obesidade Infantil, Alimentação, Ambiente Educacional INTRODUÇÃO O presente artigo sobre Obesidade Infantil, enfoca um problema hereditário ou uma compulsão alimentar. Na atual conjuntura que vivemos dados apontam que a obesidade vem aumentando a cada dia, e uma das principais causas a ingestão de energia demasiada, que pode acontecer em fases cruciais da vida, levando ao acúmulo de gordura. A escola é um local privilegiado de intervenção, onde pequenas mudanças, ao nível da alimentação e atividade física, podem contribuir para travar a escalada da obesidade e conduzir a estilos de vida mais saudáveis: ―… é preciso regulamentar e implementar legislação sobre o funcionamento das cantinas escolares. Algumas já começam a adoptar práticas mais saudáveis de fornecimento alimentar aos alunos‖ (Martins, s/p 2005). A escola deve proporcionar a prática da atividade física apostando na formação dos seus alunos, induzindo estilos de vida saudável, os quais devem fazer parte do currículo, numa perspectiva transversal. ―Paralelamente, a aprendizagem da alimentação saudável também deve ser visível no currículo escolar, através dos projetos desenvolvidos pela comunidade educativa‖ (idem, 2005). Conforme a citação colocada anteriormente um dos principais fatores que levam à obesidade é o sedentarismo: a inatividade aumenta e a possibilidade de as crianças virem a ganhar peso também, a maioria das atividades de lazer das crianças não envolve exercício físico, pois passam muito pelo computador, a televisão e os jogos de consolas. 1 Graduandas do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil Doutoranda em Ciências da Reabilitação – UNINOVE/ UEPA; Docente do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil 3 Mestre em Desenvolvimento Humano- UNITAU – Universidade de Taubaté 2 147 A prática de atividade física é fundamental para crescimento e a saúde da criança, tendo em vista que uma criança obesa, com frequência, tornar-se-á um adulto obeso. Para que uma criança seja considerada obesa ela necessita ter ultrapassado 15% do peso médio da sua idade, este excesso de peso deve corresponder a acúmulo de lipídios no seu organismo. Filhos de pais obesos tendem a também serem obesos. A obesidade pode ter aspectos familiares, pois além do aspecto genético, a família repassa também as crianças o estilo de vida. Fatores genéticos estão associados a fatores ambientais, entre eles estão o sedentarismo e maus hábitos alimentares, associados a fatores ambientais, entre eles estão o sedentarismo e maus hábitos alimentares. O excesso de peso pode levar a diversas consequências como problemas cardíacos e alterações do sistema digestório. A obesidade infantil pode ter uma influência materna durante a gestação e a vida pós-natal, o que envolve alimentação em excesso, desnutrição e a amamentação. A criança vem consumindo cada dia mais os alimentos chamados Junk Food, que são alimentos com baixo valor nutricional, nutricionistas apontam que um dos motivos para o aumento do consumo diário está na praticidade que esses alimentos proporcionam no seu preparo, e também porque eles são alimentos coloridos e com um sabor agradável. Uma alimentação saudável junto com a prática periódica de exercícios ajuda as crianças a gastar as calorias sobressalentes, fazendo assim com que haja a diminuição do peso corporal. Uma alimentação saudável é aquela que os alimentos consumidos apresentam nutrientes, proteínas, carboidratos e lipídeos, as dietas alimentares geralmente são baseadas pala pirâmide alimentar, que mostra as porções recomendadas para o consumo diário de proteínas, carboidratos, lipídeos, nutrientes e vitaminas. Além de favorecer os aparecimentos de doenças como diabetes e cardiovasculares, a criança pode ter muitas consequências psicossociais. Crianças e adolescentes obesos são alvo de preconceito e discriminação que se iniciam na infância. Dados do IBGE afirmam que cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros possui sobrepeso e 7,3% sofre de obesidade. Ao analisar o aumento na prevalência da obesidade nas últimas décadas, nota-se que um grande número de casos passa a ser um grave problema de saúde pública, sobrecarregando o sistema de saúde em função do maior atendimento às doenças crônicas decorrentes da obesidade (FERREIRA et al., 2006). A grande preocupação é o impacto econômico global, que esses futuros adultos obesos poderão causar (SILVA et al., 2007). O resultado do número de crianças obesas é diretamente proporcional aos alarmantes gastos públicos, sendo estes diretamente, relacionados com os cuidados de saúde, como os 148 custos indiretos, referentes à perda de produtividade (baixas médicas, pensões antecipadas por incapacidade ou invalidez) (SILVA et al., 2007, p. 42). Tais resultados estão ligados, em sua grande maioria, ao fenômeno do mundo globalizado, o qual ocasionou transformações socioeconômicas nos costumes do homem, implicando na diminuição de atividade física e uma alimentação inadequada e com o avanço tecnológico de aparelhos modernos e práticos tais como: celulares, computadores, automóveis, entre outros; o qual contribuiu para o sedentarismo acarretando riscos à saúde e principalmente a obesidade (UEHARA e MARIOSA, 2005). METODOLOGIA A pesquisa ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Rosineide Fonseca situada no bairro Diamantino s/n, Município de Santarém, Estado do Pará. O questionário contou com 13 questões, das quais 4 tinham um caráter aberto e dissertativo, e 9 eram fechadas. Após aplicação do questionário, os dados obtidos foram analisados por meio de uma planilha, o mesmo foi aplicado individualmente a cada aluno, sendo acompanhado por dois (2) acadêmicos, no dia 05/05/15 as 8h 30min até as 11h. Nas primeiras perguntas denominadas de identificação, foram organizadas as questões relativas ao gênero. Na questão social, foram agrupadas as questões de interação entre os alunos da escola, locomoção para escola, e o histórico familiar. O conjunto de questões que relacionam com a obesidade infantil foi apresentado perguntas que envolvem a alimentação escolar, familiar e o que eles costumam comer. Nas questões que abordam a condição de tempo livre, buscou-se verificar a quantidade de horas semanais que os alunos fazem educação física, se praticam atividade física no seu tempo de lazer. Levantamos também o perfil cultural e as atividades praticadas em família. A análise das respostas procura delinear o retrato dos alunos em sua alimentação, desde a escola e durante seu tempo em casa, situando-o em seu contexto da realidade de vida dos alunos. Para atingir este objetivo os alunos foram questionados sobre seus hábitos de alimentação. Para um melhor aproveitamento dos dados obtidos, os resultados aqui apresentados pautam-se em três momentos distintos: primeiramente formulamos os questionários, no qual se procedeu a tabulação das respostas obtidas nos questionários e a partir dos gráficos gerados para cada questão, os resultados foram analisados separadamente. 149 Consideramos, nesta pesquisa, a população acessível de alunos que lecionam na rede municipal de ensino da escola Rosineide Fonseca que se dispuseram a responder o questionário. ANÁLISE DOS RESULTADOS Fonte: autores Ao analisar as características dos alunos que responderam ao questionário, os dados foram obtidos a partir das respostas de quarenta e oito, observa-se que dos quarenta e oito (48) alunos, dezoito (18), o que equivale a trinta e sete por cento (37%), são do sexo feminino, e consequentemente, sessenta e três por cento (63%), são do sexo masculino. Fonte: autores 150 Na questão sobre o lanche que dos alunos questionados, vinte e oito por cento (28%), traz seu próprio lanche de casa, setenta e dois por cento (72%), dos alunos merenda do lanche da escola. Fonte: autores Em relação a questão sobre o que eles costumam comer setenta e oito por cento (78%), responderam que costumam comer frutas e verduras, vinte e dois por cento (22%), responderam que costumam comer bolo, bolacha, biscoito e sanduiche. Fonte: autores Em relação a questão sobre o que eles costumam fazer no seu tempo livre dos 48 alunos questionados, oitenta e seis por cento (86%), costumam assistir TV, oito por cento (8%), ficam no computador/internet durante seu tempo livre, seis por cento (6%), costumam jogar vídeo game. 151 Fonte: autores Na questão você se considera acima do Peso, dos 48 alunos questionados, noventa e dois por cento (92%), não se considera acima do peso, oito por cento (8%), dos alunos responderam que sim. Fonte: autores Na questão você considera sua família acima do Peso, dos 48 alunos questionados, oitenta e oito por cento (88%), responderam que não considera acima do peso, doze por cento (12%), dos alunos responderam que sim. 152 Fonte: autores Em relação a questão se eles fazem alguma Atividade Física fora da aula de Ed.Física, dos 48 alunos questionados, cinquenta e seis por cento (56%), jogam bola, trinta e nove por cento (39%), brincam na rua, cinco por cento (5%), fazem outros. CONCLUSÃO Concluímos que não é a obesidade a causa dos óbitos, mas sim as suas consequências. A obesidade é uma resposta à má alimentação e a fatores genéticos, que devem estar associados a fatores ambientais, além da ingestão elevada de alimentos ricos em gorduras e carboidratos, entretanto pobre em proteínas e vitaminas, a falta da prática de exercícios físicos e o uso excessivo da televisão e vídeo games, proporcionando sedentarismo e inatividade física. "A escola é a porta de entrada para encorajar o aumento da atividade física na vida diária e estimular o exercício físico regular na vida de uma criança e, por isso, o professor de educação física tem a responsabilidade de além de apresentar os fundamentos esportivos a uma criança ou adolescente, mostrar a importância do exercício físico em sua vida como uma forma de prevenção da obesidade e outras doenças (HALLAL, 2010)". É importante a implantação de programas educacionais nas escolas e nas famílias, a obesidade é um problema social e a prevenção é o melhor caminho, pois o tratamento da obesidade deve incluir alterações gerais na postura familiar e da criança, em relação a hábitos alimentares, tipo de vida, atividade física e correção alimentar. 153 REFERÊNCIAS Bouchard C. Atividade Física e Obesidade. São Paulo: Manole; 2003. BORGES-SILVA, Cristina das N. Sobrepeso e obesidade infantil: implicações de um programa de lazer físico-esportivo. São Paulo: Instituição Educacional São Miguel Paulista, 2011. FLIER, Jeffrey S.; FLIER, Eleftheria Maratos. O que provoca a obesidade. Scientific American Brasil, v.6, n.65, p.46-55, Outubro, 2007. MARTINS, G. IBGE divulga dados sobre obesidade infantil. Disponívelem:<http://www.itu.com.br/conteudo/detalhe.asp?cod_conteudo=16496>. MELO, V; SERRA, P; CUNHA, C (2010). Obesidade infantil – impactos psicossociais. Minas gerais. Disponível http://www.medicina.ufmg.br/rmmg/index.php/rmmg/article/viewFile/277/261. em: SILVA, António José et. al. Obesidade Infantil. Montes Claros: CGB Artes Gráficas, 2007. http://www.efdeportes.com/efd157/a-obesidade-infantil-na-escola.htm/ acessado dia 22 maio de 2015. 154 TABAGISMO NA ESCOLA E ATIVIDADE FÍSICA Nara Conceição Silva de Sousa1 Patrícia Alves da Rocha¹ Alessandra Cabreira Dias2 Gilmar Lopes Dias3 RESUMO: O presente trabalho buscou sensibilizar os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Barão do Tapajós da cidade de Santarém/ PA, aos riscos do tabaco e os benefícios da atividade física. Os dados foram obtidos a partir das respostas de 38 alunos da turma de oitavo ano da escola mencionada. Nossa investigação, predominantemente de cunho qualitativo, consistiu-se numa pesquisa de campo com aplicação de um questionário com 10 perguntas direcionadas a levantar dados diretamente ligados ao tabagismo como uma forma de prevenção dos adolescentes da escola, e como a atividade física traz benefícios para a saúde, está e uma avaliação de contexto, a partir da qual poderá se refletir e entender os riscos que o uso do tabaco pode causar em um jovem. PALAVRAS-CHAVE: Tabagismo, Atividade física e Adolescência INTRODUÇÃO O presente trabalho teve como proposta orientar os alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental Barão do Tapajós do município de Santarém/Pa no ano de dois mil e quinze (2015). Para tanto foi aplicado um questionário junto com os alunos da oitava serie da manha idade de 14 a 18 anos. Nessa análise, serão discutidos os riscos do tabagismo, nos permitindo a reflexão por meio das diferentes experiências, assim como a atividade física pode ajudar o adolescente à para de fumar. Sabe-se que este assunto é de senso comum, e que não é possível fechar as portas para esse tema, que tem alto potencial de causar doenças e incapacitações precocemente. Logo a escola precisa desenvolver quatro níveis principais de intervenção com os alunos como: individual, escolar, familiar e comunidade. A principal finalidade da intervenção no nível escolar é promover, através de uma política pedagógica, um projeto de uma escola sem tabaco, e conseguir levar essa proposta adiante para que se estenda em todo convívio do aluno. A escola deve motivar a criança e adolescentes a torná-lo capaz de tomar suas próprias decisões, tendo o conhecimento cientifico agregado ao cotidiano, dessa forma seu comportamento tende a ser mais criterioso. 1 Graduandas do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil Doutoranda em Ciências da Reabilitação – UNINOVE/ UEPA; Docente do Curso de Educação Física – ULBRA – Universidade Luterana do Brasil 3 Mestre em Desenvolvimento Humano- UNITAU – Universidade de Taubaté 2 155 REFERENCIAL TEÓRICO Há um tempo, o cigarro era objeto de desejo, glamorizado no cinema, nas propagandas, símbolo de independência e sedução, um estímulo e tanto para os jovens. O curioso é que atrás da atitude de autoafirmação e aparente liberdade de escolha estava um minucioso jogo de manipulação, onde o objetivo era justamente ampliar o mercado de venda de cigarros através da conquista dos jovens, usuários fiéis e em longo prazo, de um produto que vicia e na verdade nada tem de glamoroso. O tabagismo é, hoje, uma das principais causas de enfermidades que são evitáveis e prematuras que chegará a ser a primeira causa de morte evitável neste século. ―A cada ano morrem cerca de três milhões de pessoas em todo o mundo devido ao tabaco‖ (BRASIL, 2004). O estímulo à realização de pesquisas que enfoquem esta área temática a prevenção da iniciação ao consumo de drogas — é fundamental para a adoção de políticas públicas que promovam ações inclusivas, educativas e de orientação preventiva quanto aos comportamentos de risco, aos quais são suscetíveis os adolescentes, especialmente aqueles no segmento de baixa renda. Atualmente há mais de um bilhão de tabagistas no mundo, dos quais 90% começaram a fumar ainda na adolescência. Para Crus 2006, ―tabagismo é uma toxicomania caracterizada pela dependência física e psicológica do consumo de nicotina, substancia presente no tabaco‖. Devido a isso o câncer de pulmão continua a ser o tipo de câncer que mais mata homens no Brasil, e a segunda causa de morte de câncer entre as mulheres. As taxas de mortalidade por câncer de pulmão vêm crescendo entre as mulheres. O tabagismo na adolescência pode ser compreendido se considerarmos o espírito de experimentação do novo e de contestação, a identificação com seu grupo, o fácil acesso à droga e o estabelecimento da dependência à nicotina num curto espaço de tempo. Observamos que o risco do adolescente tornar-se fumante é crescente com a idade, e as pesquisas apontam para a igualdade desse vício em ambos os sexos. Fato importante apontado pela literatura é o maior risco para um adolescente tornar-se fumante tendo irmãos mais velhos fumantes. O mesmo acontece em relação ao grupo a que o adolescente pertence, ou seja, ter amigos fumantes favorece o tabagismo. O mesmo é considerado um problema de saúde pública globalizada, a disseminação do fumo entre jovens a cada dia só aumenta. A idade de iniciação está cada vez mais precoce. Os adolescentes fumantes possuem alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes, 156 aumentando assim o risco de morbidade e mortalidade por doenças crônicas e de causas evitáveis da população. Alguns estudos no mundo e no Brasil mostram que a faixa etária é cada vez mais precoce o início do vício de fumar e o aumento da prevalência de tabagismo em adolescentes. Estima-se que essa tendência resultará em 250 milhões de mortes em anos futuros. A adição à nicotina ocorre com o uso regular de tabaco e adolescentes fumantes têm alta probabilidade de tornarem-se adultos fumantes Sabe-se que o tabagismo está relacionado a, no mínimo, 30% de todas as mortes por câncer. É fator de risco para o aparecimento dos carcinomas de pulmão, boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, cérvix uterina, rim e bexiga. Também a morbidade por doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença péptica e outras afecções é mais elevada entre os tabagistas. Alguns distúrbios estão posteriores relacionados a tabagismo, entre eles a depressão, distúrbio do sono, irritabilidade/ agitação/impaciência, prisão de ventre, sudorese, tontura, dor de cabeça, dificuldade de concentração, ansiedade, aumento do apetite e ganho de peso, fissura pelo tabaco. Os fatores de risco para tabagismo na adolescência citados na literatura são: sexo e idade, nível socioeconômico, fumo dos pais ou irmãos e dos amigos, rendimento escolar, trabalho remunerado e separação dos pais. Tudo são fatores que podem levar ao uso do cigarro. Para quem deseja evitar o risco de querer ou sentir vontade de fumar: Ficar sem cigarro, beber muita água ou suco, fazer atividades físicas, respirar profundamente, Escovar os dentes imediatamente após as refeições, recusar cigarros ofertados por amigos, renovar seus propósitos em não fumar, evitar tomar café, vontade de fumar não dura mais que 5 minutos, Ficar longe da presença da droga, evitar lugares e pessoas que fumam. E como a atividade física pode melhorar o organismo. Sabe-se que a prática regular de atividade física, é uma grande auxiliar na manutenção e recuperação da saúde, porém se associada ao consumo frequente de cigarro e similares pode trazer riscos à saúde. Antes ou depois das práticas esportivas, o fumo traz prejuízos, especialmente à capacidade de aproveitamento da respiração, condição que é necessária para um bom rendimento esportivo. O indivíduo terá uma respiração mais difícil por causa da irritação dos brônquios, ocasionada pelo cigarro, e isso provoca um maior trabalho das vias aéreas e dos músculos respiratórios durante o exercício. Como uma das consequências do tabagismo é a produção de monóxido de carbono, a quantidade de oxigênio carregado pela hemoglobina irá diminuir. 157 Para a prática de atividade física trazer benefícios significativos à saúde é necessário que ela não esteja associada ao hábito de fumar. O ideal é praticar exercícios pelo menos durante 30 minutos, todos os dias, ou 1 hora e meia, três vezes por semana. Não se pode esquecer que, além das conseqüências já citadas, o cigarro pode favorecer o aparecimento de várias outras doenças, como o câncer, doenças cardíacas e respiratórias. Nos últimos anos, as pesquisas médicas demonstram que boa parte da falta de saúde é causada pela falta de atividade física. Através da consciência e de mais informações à respeito de cuidados para com a saúde que inclui maior movimentação corporal, as pessoas estão mudando seus hábitos de vida. Sabemos que o único meio de prevenir os males da inatividade é ter algum grau de atividade física e mental, não durante um mês, mas durante toda a vida. Descobrimos que a saúde é, na maioria das vezes, um fator que podemos controlar e que podemos prevenir o surgimento de algumas doenças. Quando nascemos recebemos um corpo saudável e temos o dever de cuidar e zelar por este que é nosso abrigo. Algumas vantagens que a atividade física proporciona: As pessoas ativas têm vida mais intensa, apresentam mais vigor, resistem mais as doenças e permanecem em forma. São mais autoconfiantes, menos deprimidas e estressadas. Uma pessoa ativa tem tendência a ter o seu peso dentro da faixa normal e mantê-lo com mais facilidade e por mais tempo do que a sedentária. O ativo apresenta pressão arterial e freqüência cardíaca mais baixa do que o sedentário tanto em repouso quanto em atividade, desta forma, o ativo suporta por mais tempo o exercício enquanto o sedentário tem certas limitações cardiovasculares. A pessoa ativa tem maior VO2 (volume de oxigênio pulmonar) e suporta atividades de longa duração com mais facilidade. A atividade física melhora a postura e ajuda a combater maus hábitos como o fumo entre outros. Na ausência de exercícios físicos diários, nossos corpos tornam-se depósitos de tensões acumuladas e, sem canais naturais de saída para essas tensões, nossos músculos tornam-se fracos e tensos. O ideal é praticar atividade física durante toda vida mas, independentemente disto, podemos recuperar uma existência mais saudável e gratificante em qualquer idade. Para quem deseja começar a se movimentar, é de primordial importância que façam antes um "check-up" das condições cardíacas entre outros testes que comprovarão o seu nível de condicionamento físico disponíveis nas boas academias. A partir daí, procure orientação médica juntamente com um profissional da área de Educação Física para assim, iniciar as atividades. 158 Antes de ser um fumante, o individuo beneficia-se e muito com a pratica esportiva. Após a pratica de exercícios ocorre a liberação das endorfinas, hormônios analgésicos que representam papel significativo entre tônus vital e a depressão. Além de aliviarem a dor, elas colocam o organismo inteiro em um estado de relaxamento no qual a energia pode atuar livremente e inclusive curar doenças. Sendo um fumante, a combinação de cigarro com atividade física expõe o individuo a sérios riscos. O cigarro tira as energias. Portanto é opinião extremamente enganosa pensar que o fumante reduz os malefícios causados pelo cigarro se pratica exercícios Antes ou depois das praticas esportivas, o fumo traz prejuízos, especialmente a capacidade de aproveitamento da respiração, condição necessária para o bom rendimento das atividades. Quando você fuma e logo em seguida faz exercício físico, isso e desastroso, pois a sua pressão arterial aumenta. Para quem tem problema de hipertensão pode levar a complicações. O cigarro é também um fator de riscos para doenças coronarianas. Por isto, quem fuma há anos e resolve praticar atividades físicas está exposto ao risco de infarto. Antes de começar a fazer atividade física, (o fumante) precisa fazer um check-up cardiovascular e pulmonar completo. Ao parar de fumar é necessário mudar o comportamento, os hábitos e, muitas vezes, no início, até as companhias. Deixar o cigarro é tarefa dura, que exige concentração, determinação, Ao fumante são liberados os neurotransmissores da serotonina, que causam a sensação de bem estar. Mas é apenas a sensação, pois fisicamente perdemos, a cada tragada, a capacidade pulmonar, a elasticidade da pele, os brilhos dos olhos, o clareamento dos dentes, a originalidade do paladar e do olfato, muitas das vezes privamo-nos de companhias e momentos agradáveis quando nos ausentamos numa roda de amigos, para fumar em outro ambiente. Ao nos exercitarmos são liberados os neurotransmissores da endorfina, que causam a sensação de bem estar. E não e apenas a sensação, pois fisicamente ganhamos, a cada dia, maior capacidade respiratória, menois risco de doenças, fortalecimento ósseo e muscular, melhora da saúde mental e do humor, firmeza da pele, apetite equilibrado, sono tranquilo, maior disposição, prazer de viver. Sem contar que a vontade de fumar diminui consideravelmente ao abortarmos aos exercícios como parte do nosso dia a dia. Uma sábia decisão e trocar a serotonina liberada pelo habito de fumar pela endorfina liberada pelo abito de se exercitar. Façam isto e ficarão surpresos com os benefícios dessa troca. 159 METODOLOGIA A pesquisa ocorreu na Escola Estadual de Ensino Fundamental Barão do Tapajós s/n, localizado entre Avenida Rui Barbosa com dois de junho Município de Santarém, Estado do Pará. Foi aplicado um questionário composto por 10 questões, das quais três (3) tinham um caráter aberto e dissertativo, e sete (7) de caráter fechado. Após aplicação do questionário, os dados obtidos foram analisados por meio de uma planilha, o mesmo foi aplicado individualmente a cada aluno, sendo supervisionado por acadêmicos. Nas primeiras perguntas denominadas as identificações foram organizada as questões relativas, sexo e estado civil. Nas questões seguintes relacionada a pratica do fumo, indução ao fumo, familiares fumantes, pratica de atividade física. Nas questões buscou-se verificar a pratica do fumo nas escolas. Se há algum incentivo, se conhecem as conseqüências dessa droga licita. Questionamos também se o fumante pratica alguma atividade física. A análise das respostas procura delinear o retrato dos alunos desde o início dessa prática ate onde ocasiona doenças pra o fumante. Para um melhor aproveitamento dos dados obtidos, os resultados aqui apresentados pautam-se em três momentos distintos: primeiramente formulamos os questionários, no qual procedeu a tabulação das respostas obtidas nos questionários e a partir dos gráficos gerado para cada questão, no programa Excel, os resultados foram analisados separadamente. Posteriormente a intervenção feita na escola, como forma de sensibilizar os educandos a não fazerem uso do fumo, e terceiro exposição dos resultados e da intervenção na sala de aula diante dos acadêmicos da disciplina Atividade física e saúde. Consideramos, nesta pesquisa, a população acessível de alunos que estudam na rede estadual de ensino de ensino fundamental Barão do Tapajós da oitava série que se dispusera a responder o questionário. ANALISE DOS RESULTADOS Ao analisar as características dos alunos que responderam ao questionário, os dados foram obtidos a partir das respostas de trinta e oito (38) alunos. Conforme o gráfico a abaixo: 160 Fontes: Autores Questão referente ao gênero cerca de trinta e nove por cento (39%), são do sexo feminino, e conseqüentemente, sessenta e um por cento (61%), são do sexo masculino. Fontes: Autores Na questão sobre o estado civil dos alunos questionados, oitenta e quatro por cento (84%), são solteiros, casados (0%), divorciado (0%), em união estável dezesseis por cento (16%). 161 Fontes: Autores Em relação a questão sobre fumo dos 38 alunos, responderam que quarenta e quatro por cento (44%), não fumam, e cinqüenta e seis por cento (56%), responderam que fumam sim. Fontes: Autores Na questão dos adolescentes terem sido em algum momento induzidos a pratica do fumo, cerca de vinte e oito por cento (28%) responderam que não, e setenta e dois por cento (72%) responderam que sim. 162 Fontes: Autores Nesta questão está direcionada sem os adolescentes que tem familiares fumantes, cerca de quarenta e cinco por cento (45%) responderam que não, e cinqüenta e cinco por cento (55%) responderam que sim. Fontes: Autores Está questão e direcionada aos ricos que o tabagismo pode provocar em adolescentes fumantes, cerca e dois por cento (2%) responderam que não, e noventa e oito por cento (92%) responderam que sim. 163 Fontes: Autores Está questão e direcionada a pratica de atividade física de que forma ela pode ajudar o fumante, e zero por cento (0%) responderam que não, e cem por cento (100%) responderam que sim. CONCLUSÃO Com base na pesquisa realizada com os alunos da escola, constatou que os adolescentes entrevistados em alguns momentos são incentivados a fumar, um pouco pelos amigos ou por presenciar a pratica em sua casa. Onde muitos não são orientados aos riscos que pode ocasionar com o decorrer do tempo. O estudo realizado sobre tabagismo na adolescência tende a sensibilizar os jovens e não fazerem uso do cigarro. Evidenciando os riscos como câncer de boca, pulmão e demais órgãos do corpo. Assim como os riscos que o fumante passivo sofre ao inalar a fumaça do cigarro, relacionado a pratica de atividade física, responderam que acham importante porem não sabem ao certo os benefícios que ela possui, e que atividades podem fazer para um melhor bem estar. De este modo o trabalho mostrou os ricos que o cigarro causa, onde não se pode ver nenhum beneficio para o corpo, como não se pode deixar sem influenciado por modismo. Alertar os benefícios da atividade física para o fumante e pesquisa comprova o quanto os jovens precisam ser orientados para não fazerem uso do tabaco. 164 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Allsen, P. E.; Harrison, J. M. e Vance, B. (2001). Exercício e Qualidade de Vida. São Paulo: Manole. Bordin, S. L., Figlie, N. B. & Laranjeira, R. (2004) Aconselhamento em dependência química. São Paulo: Editora Rocca. J Bras Pneumol. 2010;36(6):671-673: Tabagismo na adolescência: Por que os jovens ainda fumam? Lemos,T. e Gigliotti A de P. : Tabagismo e comorbidades psiquiátricas. ABP saúde . Malcon M, Menezes AMB. Tabagismo na adolescência e Pediatria (São Paulo) 2002;24(3/4):81-2 Ministério Da Saúde. (2003) Estimativas da incidência e mortalidade por câncer. Rio de Janeiro: INCA – Instituto Nacional contra o Câncer. O TABAGISMO COMO TEMA TRANSVERSAL DENTRO DA ESPECIFICIDADE DA EDUCAÇÃO FÍSICA :Coleção Pesquisa em Educação Física - Vol. 13, n. 1, 2014 ISSN: 1981-4313. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2000, 1 (1), 45-51: a prevenção do tabagismo nas escolas. Prevalência e fatores de risco para tabagismo em adolescentes: Rev Saúde Pública 2003;37(1):1-7 1 www.fsp.usp.br/rsp 165 A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DA CRIANÇA Ivonete Ferreira Rebelo1 Francisca CB dos Santos2 [email protected] RESUMO: A identidade não é somente o RG. Ela vai sendo construída no cotidiano. Assim, a criança começa se conhecer no mundo que a rodeia. Os objetivos foi analisar interpretar, observar o inicio da construção da identidade da criança em sala de aula, a partir da ação metodológica do professor (a), ao inserir no trabalho educativo conhecimentos que permitam ao aluno ir se conhecendo, se identificando na realidade em que vive. Neste aspecto foi necessário leitura de textos, interpretação e analise observação direta em sala de aula. As discussões dos resultados demonstraram que as crianças são sujeitos ativos no processo de construção da identidade. A liberdade de expressão das crianças teve como consequência a construção da autonomia de pensamento, ocupação de papéis diferenciados no dia a dia da sala de aula, na família e na metodologia do professor dentre outras aquisições. O que se observa é o papel fundamental da família nesta construção. A escola contribui, dando condições ao pequeno discente de ir construindo sua identidade como pessoa, estudante e pertencente a um determinado grupo social (a família, escola, igreja, etc.). Todo esse processo vai se confirmando com o desenvolvimento cognitivo e físico da criança de acordo com a faixa etária. PALAVRAS CHAVE: Identidade, Criança, Sala de Aula. INTRODUÇÃO É inegável que os seres humanos são desde o nascimento, condicionados e influenciados por modelos e exemplos de outros seres humanos que os rodeiam. Também é indiscutível que a formação do adulto íntegro, decente e humano nasce juntamente com o feto no ventre da mãe. Saber identificar suas preferências, reconhecer seus limites, conhecer-se, são ações que se iniciam desde quando se nasce são influenciados pela sociedade do qual se participa. A escola tem um papel de fundamental importância, na construção da identidade autônoma de cada criança, que passa pelos bancos escolares, principalmente na creche, onde temos crianças com a faixa etária de até 3 anos de idade, onde os indivíduos estão mais disponíveis à aprendizagem, ao se identificar com o modelo de ser humano que lhe é apresentado. A formação inicial, no atual contexto, é indispensável para a prática pedagógica em todas as áreas educacionais e não poderia ser diferente para o professor da Educação Infantil, visto que o mesmo deve estar preparado para as mais diversas situações que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Se tratando da problematização, a identidade é um processo que o ser humano constrói em sua vida. Quais as construções da família e da escola neste processo? O projeto 1 2 Acadêmica do VII Semestre do Curso de Licenciatura Plena de Pedagogia Profª. Dra. em Psicologia e Orientadora do Projeto 166 ―A construção da Identidade da criança‖ tem o objetivo de ampliar o conhecimento da criança a respeito de si mesma e dos outros, visando responder as seguintes problematização: Qual importância do seu nome?; Quem faz parte da sua família?; Quais são as pessoas que convivem com você na escola?; Qual a metodologia do professor condizente a formação da identidade dos alunos? e A criança se aceita como menino ou menina? Analisar o inicio da construção da identidade da criança na família e em sala de aula e a metodologia do professor tendo em vista sua contribuição para formação da identificação que vai além do RG. A escola é o meio social diferente da família, assim ampliando seus conhecimentos a respeito de si e dos outros. Dessa forma, elaborou-se o projeto com a justificativa de observar através das atividades que possibilitem aos alunos o conhecimento de si mesmo, levando a se descobrir, e perceber que possuem um nome, uma identidade e que faz parte de um conjunto de pessoas em casa, na escola e na comunidade. MÉTODOS A Unidade Municipal de Educação Infantil esta situada na Rua Olavo Bilac, bairro São Cristóvão na grande área do Santarenzinho. A pesquisa foi realizada na sala do pré-I ―A‖, matutino, com a realização de atividades com o nome, autorretrato, desenhos e colagem. Além de outras, observação direta em sala de aula no que envolve e a metodologia do professor. Esta pesquisa se caracterizou por estudo de campo, a pesquisa será de cunho qualitativo e quantitativo para as analises dos resultados dos dados. O estudo foi realizado na escola urbana do município de Santarém, sendo o publico alvo dessa pesquisa 20 alunos. RESULTADOS E DISCUSSÃO O resultado da pesquisa satisfez os objetivos propostos de acordo com as entrevistas com as crianças. Esses resultados foram relevantes e significativos decorrentes do que se pensava saber a acerca da formação da identidade das crianças através de suas faixas etárias. 1- Em relação ao nome da criança 95% dessas crianças gostam do seu nome. Isto justifica a identidade da criança com o nome que a família deu pra elas. Apenas 5% não gostam do seu nome, por algum motivo não identificado pela pesquisa. 95% reconhece seu nome no Diário de classe, por aceitar o seu nome como fundamental para si e para seus pais. 5% das crianças não reconhecem o seu nome na lista de frequência, possivelmente por gostar do apelido que muitas vezes vem de casa. Os apelidos na escola representam 25% de uma parcela entre 10 a 167 5 crianças. Há possibilidade de uma pequena identidade da criança pelo apelido que ela gosta e não pelo nome que não gosta. Gostam do seu nome % Nome na chamada diário % Sim 95% Sim 95% Não 5% Não 5% Talvez __ Talvez __ Quase todos gostam do seu nome, 5% não reconhecem o seu nome na chamada no diário pelo fato de serem chamadas por apelidos, algumas gostam de ser chamadas por apelidos e se comunicam pelo mesmo na sala de aula, no entanto a construção da identidade se dá por meio da interação da criança com o meio social. A escola é o meio social diferente da família, assim ampliando seus conhecimentos a respeito de si e dos outros. 2- Reconhecimento do nome pelos materiais didáticos, 100% desses atores sociais reconhecem seus matérias didáticos pela cor e pelas gravuras. A identidade do ser humano se define com o desenvolvimento cognitivo, físico e etário. Descobre que em vários momentos da vida vai ocupando várias identidades de acordo com suas escolhas. Matérias didáticos % Sim 100% Não __ Algumas vezes __ As crianças reconhecem os seus materiais didáticos exemplos: cadernos, mochilas etc, através da cor e da gravura. A identidade do ser humano se define com o desenvolvimento cognitivo, físico e etário das pessoas. 3- Em relação a gênero. Apenas 25% das crianças sabem identifica-las através dos brinquedos, meninos brincam de bola, carros e meninas de bonecas, casa etc. Através do corte e recorte de gravuras, sim ele identifica-se com o seu sexo. Nesta etapa da vida, os pequenos estão descobrindo o mundo e fazendo algumas escolhas relacionadas ao jeito de ser e estar com o outro. 4- Questões sobre autorretrato. 168 Apenas 25% das crianças conseguem desenhar seu próprio rosto, pois para (SANTIN 1994, p. 30), ―são ações vividas e sentidas, não definíveis por palavras, compreendidas pela fruição, povoadas pela fantasia, pela imaginação e pelos sonhos que se articulam como teias urdidas com materiais simbólicos‖. 75% não conseguem pelo exposto acima (SANTIN) desenhar o seu próprio rosto. 5- Nas questões desenho. A criança identifica o colega através de sua característica que lhe chama atenção. E se tratando da família desenha dentro de suas limitações. Destaca-se a ludicidade não se restringindo apenas a brincadeiras e jogos, mais incluem atividades que possibilitam momentos de prazer, entrega e interação dos envolvidos. Segundo LUKESI (2000, p. 57) ―é aquelas que propiciam uma experiência de plenitude, em que nos envolvemos por inteiro, estando flexíveis e saudáveis‖. Demostrando o que a criança gosta de fazer e que lhe dá prazer e que pode seguir para o futuro da vida. 6- Nas questões de colagem. Fazer colagem % Identifica como % Menino 50% Menino 50% Menina 50% Menina 50% Homem __ Homem __ Mulher __ Mulher __ 50% fazem colagem de meninos e 50% faz de meninas, nas medidas que estão se definindo como masculino e feminino, numa consciência voltada para o imediatismo. Ela gosta de fazer a colagem, não de homem ou mulher. Ela vai se identificar, no caso se ela for menina ou menina, mesmo se sua opção seja homem e mulher. A construção da identidade da criança se da partir três a cinco anos é permeado por muitos desafios e conquistas que fazem parte do processo do desenvolvimento e constituição desses sujeitos CONCLUSÃO A partir do estudo ―A construção da identidade da criança‖, foi interpretado alisado demonstrando que as crianças são sujeitos ativos no processo de construção do conhecimento, a liberdade de expressão das crianças teve como consequência a construção da autonomia de pensamento, ocupação de papéis diferenciados no dia a dia, da sala de aula, na família e dentre outras aquisições, que permitiram concluir que identidade se constrói pela faixa etária 169 da vida. Podemos afirmar que o papel do professor na construção da identidade da criança é fundamental, pois ele tem em mãos elementos do universo infantil, capaz de trazer à tona certas vivências que contribuirão para a formação do sujeito de forma prazerosa e divertida, como ser humano que preserve: os princípios éticos, morais e viva a cidadania. Enfim, destacamos, ainda, que o profissional atento pode promover intervenções valiosas no cotidiano da sala de aula, contribuindo, assim, para o desenvolvimento integral das crianças. É de responsabilidade, como profissionais da educação infantil, refletir sobre nossa prática, observar atentamente as crianças e discutir as atividades desenvolvidas com elas, pois acredita-se que só através desse exercício diário na escola é que poderemos contribuir para um crescimento saudável e pleno de nossos alunos. Ao mesmo tempo pode se abrir perspectivas para a construção da identidade da criança, do futuro adolescente para chegar à idade adulta. REFERENCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros nacionais de qualidade para a educação infantil/Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica – Brasília. DF, 2006. LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação ludicidade e prevenção das neuroses futuras: uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI, Cipriano Carlos (org) Ludopedagogia - Ensaios 1: Educação e Ludicidade. Salvador: Gepel, 2000. SANTIN, Silvino. Educação física: da opressão do rendimento à alegria do lúdico. Porto Alegre: Edições EST/ESEF – UFRGS, 1994. MOLL, Luis C. Vygostky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sóciohistorica/ Luis C. Moll; trad. Fani A. Telleser. – Porto Alegre, Artes Medicas, 1996. LIMA, Lauro de Oliveira, Piaget: sugestões aos educadores/ Lauro de Oliveira Lima; apresentação de Barbar Freitag. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. 170 A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E O LETRAMENTO Ediana Neres Ferreira1 Fabrycia Shayla Silva de Oliveira2 Nayara Lima Costa3 Isabel Evangelista4 [email protected] [email protected] [email protected] RESUMO - O presente trabalho bibliográfico é parte do relatório do Estágio Supervisionado de formação dos Professores e Educação Profissional do Curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA visando delinear a influencia do tema Letramento na formação do professor. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. É de extrema importância para o professor (a) domine o conceito de Letramento, resignificando sua aprendizagem promovendo maior desempenho e qualidade em sua prática de formador. Dando condições ao sujeito de ser capaz de ler, (decodificar) e escrever (codificar) além de fazer uso adequado da língua escrita, significa orientar a criança para o domínio da tecnologia da escrita no exercício das praticas sociais de leitura e de escrita, proporcionando possibilidades avançadas de educação. Durante trajetória universitária somos expostos a várias metodologias que objetivam uma melhor qualificação ao profissional formado. O objetivo central do presente artigo é refletir sobre o Letramento, seu conceito e especificidade na formação do professor, analisando-o qualitativa na relação teórica e prática. Tomando por base Garcia (1999), Nóvoa (1997), Freire (1998), Magda Soares (1998-2004) e Angela Kleiman, (1995). PALAVRAS-CHAVE: Formação de Professores, Letramento e Alfabetização. INTRODUÇÃO O professor analisa sua trajetória profissional seus valores e crenças e sua metodologia pedagógica para poder ensinar os alunos e podendo reduzir este ato a uma perspectiva de descontextualização. A aprendizagem individual inicia na leitura e escrita tentando evitar os eventuais fracassos nos métodos de aprendizagem, trazendo um conjunto de pré-requisitos para alfabetização, está vinculada a um conhecimento alfabetizado segundo a aprendizagem inicial da leitura, da escrita e da fala oral. Podendo trabalhar o processo do conhecimento relativo a linguagem escrita em uma sociedade letrada, tanto do uso da fala e da capacidade de compreender o que se ouve, procurando demonstrar a complexidade do processo de alfabetização podendo abordar os diferentes aspectos no processo de alfabetização e letramento. O papel do professor é de mediado cultural tramitando informações de aprendizagem na necessidade de conhecer do sujeito quanto o objeto de sua ação. Os professores formam leitores e produtores de texto, podendo no decorrer de sua vida realizá-la 1 Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS. Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS 3 Acadêmica do 6º semestre do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS 4 Profª nos Cursos de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS. 2 171 com prazer, dando condições ao professor demonstrar o desempenho do uso desses conhecimentos na interação do mundo e da sociedade em que vive. Neste contexto educacional alfabetizador, o presente artigo propõe uma reflexão sobre a compreensão de Letramento, seu conceito e especificidade na formação do professor, analisando-o qualitativa na relação teórica e prática. Para isso iniciaremos procurando discutir o conceito de formação no campo educacional, tomando por base Garcia (1999), Nóvoa (1997) e Freire (1998). Em seguida aborda-se um panorama a respeito do Letramento tomando por base Magda Soares (1998-2004) e Angela Kleiman, (1995). Por fim tece-se uma articulação entre os dois temas numa perspectiva reflexiva. DESENVOLVIMENTO Muito se tem discutido a respeito da formação de professores, isto pode pressupor caminhar em duas direções diferenciadas e complementares, os processos formativos iniciais ou os da formação continuada. Entende-se que a formação inicial é o primeiro momento da formação continuada e que esta, portanto, não é apenas uma etapa de atualização daquela; ou seja, todos nós temos um percurso de formação profissional que começa na formação inicial e se prolonga por toda a vida. Consoante a isto, a experiência como aluno, não apenas nos cursos de formação de professores, mas ao longo de toda a sua trajetória escolar, é constitutiva da identidade profissional do professor. Esta é um dos campos do conhecimento educacional mais discutido em congressos e nas práticas institucionais pelo Brasil, demonstrando a relevância que essa questão tomou nos últimos anos assumindo um papel que transcende o ensino que pretende apenas uma atualização científica, pedagógica e didática e se transforma na possibilidade de criar espaços de participação, reflexão e formação para que as pessoas aprendam e se adaptem para poder conviver com a mudança e a incerteza. Enfatiza-se mais a aprendizagem das pessoas e a forma de torná-la possível do que o ensino e o fato de alguém esclarecer e servir de formador. Mas o que entendemos por formação? De acordo com o dicionário Aurélio Eletrônico século XXI o vocábulo ―formação‖ deriva do latim formatione e tem o ato, efeito ou modo num sentido de constituição, caráter, maneira por que se constituiu uma mentalidade, um caráter, ou um conhecimento profissional. O educador Freire (1998) já se referiu à formação como um fazer permanente que se refaz constantemente na ação. Com certeza a formação não se dá por mera acumulação de 172 conhecimentos, mas numa conquista tecida com muitas ajudas: dos livros, mestres, das aulas, das conversas entre professores, da internet, dentre outros. Dependendo sempre de um trabalho de teor pessoal. Parodiando Freire, ninguém forma ninguém, cada um forma-se a si mesmo. Garcia (1999) contribui para essa reflexão ao enfocar que a formação pode adotar diferentes aspectos, de acordo com o sentido que se atribui ao objeto da formação, ou a concepção que se tem do sujeito. Para esse autor a formação pode ser compreendida a partir de três aspectos: como função social de transmissão de saberes, de saber-fazer ou de saberser, que se referem, respectivamente, aos conceitos, aos procedimentos e às atitudes. Ao passo que a formação como processo de desenvolvimento e de estruturação da pessoa se realiza em decorrência de um processo de maturação interna e das possíveis experiências dos sujeitos. Por último, a formação como instituição, quando nos referimos à organização da entidade que planeja e desenvolve as atividades de formação. Assim, Garcia afirma: A formação apresenta-se nos como um fenômeno complexo e diverso sobre o qual existem apenas escassas conceptualizações e ainda menos acordo em relação às dimensões e teorias mais relevantes para a sua análise. [...] Em primeiro lugar a formação como realidade conceptual, não se identifica nem se dilui dentro de outros conceitos que também se usam, tais como educação, ensino treino, etc. Em segundo lugar, o conceito formação inclui uma dimensão pessoal de desenvolvimento humano global que é preciso ter em conta face a outras concepções eminentemente técnicas. Em terceiro lugar, o conceito formação tem a ver com a capacidade de formação, assim como com a vontade de formação (GARCIA, 1999, p. 21-22). O português Nóvoa (1997) aponta novas abordagens a respeito da formação de professores, saindo de uma perspectiva centrada na dimensão acadêmica para uma perspectiva no terreno profissional, pessoal e de organização, a partir do contexto escolar. Ele alerta, inclusive, que a formação de professores tem ignorado o desenvolvimento pessoal, confundindo ―formar e formar-se‖. A LDB 9.394/96, ao introduzir novos indicadores para a formação de profissionais para a Educação Básica, Especificamente no capítulo 6 – Dos profissionais da Educação – os artigos 61 a 65 vão explicitar como se dará a formação continuada dos profissionais da educação, a saber: Artigo 61. A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos: I – a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; II – aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades. 173 Artigo 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-seà em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Artigo 63. Os Institutos Superiores de Educação manterão: I – cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II – programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; III – programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Artigo 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em nível de pósgraduação, a critério da instituição de ensino, garantida nesta formação a base comum nacional. Artigo 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas. Ressalte-se que as proposições estabelecidas pela LDB, para a formação de profissionais da educação, implicaram uma série de regulamentações que se seguiram, a saber: - a Resolução CP/CNE nº 1/99, que dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação; - o Decreto nº 3.276/99, que orienta sobre a formação de professores em nível superior para atuar na Educação Básica, alterado pelo Decreto nº 3.554/2000; - o Parecer CES nº 970/99, que trata da formação de professores nos Cursos Normais Superiores; - o Parecer CNE/CP nº 9/01, que aborda as Diretrizes Curriculares para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, dentre outras. Estas regulamentações definiram novas concepções, organização e estruturação dos cursos de formação de professores, tendo exigido reformulações significativas nos projetos pedagógicos dos cursos, em especial, nas licenciaturas, mas os resultados desse processo ainda merecem aprofundamento e uma maior reflexão para que se possam fazer ajustes visando a uma melhora nesse aspecto. Ao olharmos historicamente para as últimas décadas, poderemos observar que o termo alfabetização, sempre entendido de uma forma restrita como aprendizagem do sistema da escrita, foi ampliado. Já não basta aprender a ler e escrever, é necessário mais que isso para ir além da alfabetização funcional (denominação dada às pessoas que foram alfabetizadas, mas não sabem fazer uso da leitura e da escrita). Assim o termo ―letramento‖ surgiu, ampliando o sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização (Soares, 2003). Segundo a autora (1998), o termo letramento é a versão para o Português da palavra de língua inglesa literacy, que significa o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever. 174 Esse mesmo termo é definido no Dicionário Houaiss (2001) ―como um conjunto de práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito‖. O termo ―letramento‖ foi usado pela 1ª vez no Brasil por Mary Kato, em 1986, na obra ―No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística‖ (São Paulo, Ática). Dois anos depois, passa a representar um referencial no discurso da educação, ao ser definido por Tfouni em ―Adultos não alfabetizados: o avesso do avesso‖ (São Paulo, Pontes). Enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de uma sociedade (Tfouni, 1995, p. 20). Num sentido ampliado da alfabetização, o letramento, de acordo com Magda, designa práticas de leitura e escrita. Para a adaptação adequada ao ato de ler e escrever, ―é preciso compreender, inserir-se, avaliar, apreciar a escrita e a leitura‖. O letramento compreende tanto a apropriação das técnicas para a alfabetização quanto esse aspecto de convívio e hábito de utilização da leitura e da escrita. Assim, letramento pode ser ―entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais: distinguem-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses diferentes objetos‖. (Soares, 2004). Kleiman conceitua letramento como: ... um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos. As práticas específicas da escola, que forneciam o parâmetro de prática social segundo a qual o letramento era definido, e segundo a qual os sujeitos eram classificados ao longo da dicotomia alfabetizado ou não-alfabetizado, passam a ser, em função dessa definição, apenas um tipo de prática – de fato, dominante – que desenvolve alguns tipos de habilidades mas não outros, e que determina uma forma de utilizar o conhecimento sobre a escrita. (Kleiman, 1995, p. 19) Porém é preciso, atentar para o fato de que o conceito de letramento, como prática social de uso da escrita, não é algo criado pelos meios científicos sem relação com o mundo que nos rodeia. Menos ainda se trata de um método de alfabetização, como equivocadamente alguns professores passaram a compreendê-lo. As práticas de letramento são um fenômeno sempre existente nas sociedades letradas, que passou a ser estudado recentemente, sendo nomeado e definido. Sem a pretensão de esgotar o tema, a breve explanação da concepção e estudos sobre letramento contribuiu para redimensionar a compreensão que hoje temos sobre o desafio de ensinar a ler e a escrever e o significado do aprender a ler e a escrever, apontando para a necessidade de aproximar, no campo da educação, a teoria e a prática do Letramento nos 175 espaços de formação de professores para a compreensão dos processos de ensinoaprendizagem e intervenção dos professores em sala de aula. Em uma sociedade como a nossa, o mais comum é que a alfabetização seja desencadeada por práticas de letramento, tais como ouvir histórias, observar cartazes, conviver com práticas de troca de correspondência, etc. No entanto, é possível que indivíduos com baixo nível de letramento (não raro membros de comunidades analfabetas ou provenientes de meios com reduzidas práticas de leitura e escrita) só tenham a oportunidade de vivenciar tais eventos na ocasião de ingresso na escola, com o início do processo formal de alfabetização. CONCLUSÃO A relevância do papel do professor na pesquisa, situando-o como sujeito-real, concreto de um fazer docente, no que este guarda de complexidade, importância social e especificidade, inclui dar-lhe a voz que precisa ter na produção de conhecimento sobre sua prática. Amplia-se, nessa perspectiva, das possibilidades de rompimento do tradicional modelo dos cursos de formação de professores rumo a inserção na realidade escolar. A influência da formação inicial pretende-se assumir relevante papel nos contextos e práticas culturalmente definidas e defendidas, as vezes sob a aparência libertadora e democratizante, por discursos supostamente renovadores, que se esquecem dos principais protagonistas das mudanças, os professores, e sobre tudo, de sua imprescindível autonomia (Guache, 2001). Conforme destacado por Paiva (2003), a questão da formação para o exercício de uma prática docente reflexiva torna-se um tema recorrente nas duas ultimas décadas, quando das discussões sobre formação de professores. A compreensão que hoje temos do fenômeno do letramento presta-se tanto para banir definitivamente as práticas mecânicas de ensino instrumental, como para se repensar na especificidade da alfabetização encontrando-se o desafio dos educadores em face do ensino da língua escrita: o alfabetizar letrando. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: 1996. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 9. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1998. 176 GARCIA, C. M. Formação de professores: para uma mudança educativa. Trad. Isabel Narciso. Porto: Editora. 1999. GAUCHE, R. Contribuição para uma análise psicológica do processo de constituição da autonomia do professor. Tese (Doutorado em Pedagogia) Instituto de Psicologia, UNB. Brasília, 2001. HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo:Objetiva, 2001. KLEIMAN, A. B. (org.) Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, Mercado das Letras, 1995. NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. 3. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1997. p. 9-33. PAIVA, E.V.A. A formação do professor crítico-reflexivo. Pesquisando a formação de professores. Rio de Janeiro. DP&A, 2003. SANTOS, C. F. Alfabetização e letramento: conceitos e relações / organizado por Carmi Ferraz Santos e Márcia Mendonça. 1ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998. __________. O que é letramento. Diário na Escola Santo André. Diário do Grande ABC. São Paulo: 2003. __________. Alfabetização e letramento: caminhos e descaminhos. Revista Pátio, n. 29, fevereiro de 2004. TFOUNI, L.V. Letramento e alfabetização. São Paulo, Cortez,1995. 177 AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE BELTERRA/PA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA POLITICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL. Edivânia Maria Sousa1 Anselmo Alencar Colares² [email protected] RESUMO: O presente trabalho teve por objetivo verificar ações relacionadas à politica de educação integral desenvolvida pela Secretaria Municipal de Educação de Belterra/PA. Pesquisa vinculada ao PIBIC/FAPESPA/UFOPA. Teve como aporte teórico Saviani (1998; 2000); Arroyo (1988); Paro (1998); Coelho (2004; 2009; 2014), dentre outros e as legislações vigentes sobre o referido tema. Trata-se de uma pesquisa de campo, de cunho qualitativo, período de realização da pesquisa 2014 e 2015, tendo como lócus a Secretaria de Educação do Município de Belterra/PA. Desenvolvida em três etapas: com visitas à secretaria de educação – SEMED com a finalidade de coletar dados e reunir documentos pertinentes aos objetivos de nossa pesquisa; levantamento, seleção e digitalização de informações (fontes documentais e outras) que permitiram construir o histórico da política de educação integral ao longo do período que foi delimitado para o estudo; análise das informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração de relatórios. Concluiu-se que há ausência de atos normativos sobre a educação integral para a Rede Municipal de Ensino. Existência de adesão ao Programa Mais Educação (PME) por parte da SEMED às escolas da sua rede, permitindo identificar a ação governamental (Governo Federal/MEC) em promover experiências voltadas para a Educação Integral em âmbito municipal. PALAVRAS-CHAVE: Educação. Politicas Educacionais. Educação Integral. 1. INTRODUÇÃO As políticas públicas para a Educação Integral começam a ter consistência nos dispositivos legais que regem a educação brasileira, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, corroborada com as metas de ampliação progressiva do tempo escolar no Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2011. O Plano aprovado em maio de 2014, no Congresso Nacional, através do Projeto Lei nº 103/2012, no qual propõe que 50% das instituições públicas de Educação Básica amplie sua jornada até 2020. O presente trabalho teve como objetivo registrar e analisar as ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educação de Belterra/PA, voltadas para a implementação da educação integral no município e com isso foi possível construir series estatísticas concernentes aos programas e projetos relacionados à politica de educação integral. 2. MÉTODO O estudo foi desenvolvido a partir da abordagem qualitativa na qual se utilizou como recurso metodológico a pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas e aplicação de 1 Graduanda do Curso em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR. Bolsista PIBIC/FAPESPA. Projeto de origem: Politicas de Educação Integral nos Municípios de Santarém e Belterra/PA. ² Doutor e Pós-Doutor em Educação Pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice-reitor da UFOPA. Líder do grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil- HISTEDBR-UFOPA. 178 questionários. Pesquisa de campo tendo como lócus a Secretaria Municipal de Educação do Município de Belterra, desenvolvida em três etapas: visitas a Secretaria Municipal de Educação – SEMED com a finalidade de coletar dados e reunir documentos necessários para a consecução dos objetivos propostos na pesquisa; levantamento, seleção e digitalização de informações (fontes documentais e outras) que permitiram reconstruir o histórico da politica de educação integral ao longo do período delimitado para o estudo; analise das informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração do relatório. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Há iniciativas de se instituir educação integral no Brasil desde a primeira metade do século vinte, com os ―Manisfestos dos Pioneiros da Educação‖, onde foi discutida a reconstrução educacional. ‖Mais especificamente, o movimento integralista defendia a Educação Integral, tanto a partir dos escritos de Plinio salgado, seu chefe nacional como naqueles elaborados por militantes representativos do integralismo‖. (COELHO, 2009, pág. 88). Nos anos de 1950, Anísio Teixeira, implanta em Salvador/BA, o Centro Educacional Carneiro Ribeiro. Trinta anos depois, em 1980, Darcy Ribeiro, cria os Centros Integrados de Educação Popular – CIEPs (COELHO, 2004), no Rio de Janeiro. Anisio Teixeira destaca a Preocupação e importância do aluno permanecer maior tempo em sala de aula, pois, entende que provavelmente absorverá um maior quantitativo de informações relevantes para sua formação social e escolar. Desse modo, constatamos que o ensino contexto da educação pública brasileira passou por alterações significativas ao longo de nossa história, em especial após aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996). Segundo os documentos oficiais do MEC (2009), a educação integral constitui [...] ação estratégica para garantir proteção e desenvolvimento integral às crianças e aos adolescentes que vivem na contemporaneidade marcada por intensas transformações: no acesso e na produção de conhecimentos, nas relações sociais entre diferentes gerações e culturas, nas formas de comunicação, na maior exposição aos efeitos das mudanças em nível local, regional e internacional. (BRASIL, 2009, p.18). A educação integral prevê práticas não dicotomizadas que reconhecem a importância dos saberes formais e não formais, a construção de relações democráticas entre pessoas e grupos, imprescindíveis à formação humana e que valorizem os saberes prévios. De acordo com Miguel Arroyo (1988), a educação integral por si só não acontece, tem que haver uma 179 interligação entre família, escola e comunidade com o intuito de se formar um cidadão preparado tanto para a vida acadêmica como para a vida social, em uma perspectiva de que o aluno tenha um bom desempenho em suas atividades coletivas. A consolidação da educação integral enquanto política pública apresenta-se como tendência confirmada pelas iniciativas presentes em todas as esferas governamentais – municipal estadual e federal, nas diferentes regiões do país. 3.1 Contexto Educacional No Campo da Pesquisa De acordo com a tabela 01, o Município apresenta os seguintes dados relacionados ao quantitativo de nível de ensino, número de docente e discente: Tabela 01: Dados do Censo Escolar do Município de 2013 a 2015 Níveis de Ensino Número de Escolas Número de Matriculas Número de Docentes Ensino Infantil 23 escolas 567 alunos matriculados 28 docentes Ensino Fundamental 59 escolas 3.898 alunos matriculados 200 docentes Ensino Médio 2 escolas 883 alunos matriculados 27 docentes Fonte: Censo Escolar/INEP/IBGE (2013/2015) A SEMED conta dentre outros setores em seu organograma de uma Diretoria de Ensino, com equipe de coordenação pedagógica para acompanhamento educacional às escolas da rede e aos programas implementados pela Secretaria, em suma maioria advindos de convênios/adesões com o Governo Federal. Em relação aos dados da rede pública de ensino municipal, conforme dados do Relatório da SEMED/Belterra (2014), conta em sua organização administrativa da rede de ensino com 62 dependências escolares, sendo 09 escolas na área urbana, 34 escolas na área rural localizadas na Região do Planalto BR-163 (Rodovia Santarém-Cuiabá) e 19 escolas na área rural localizadas na Região do Tapajós. a) Implementação de Politica de Educação Integral em Belterra: Destaca-se inicialmente, que se observou através de relatórios da SEMED que não consta registro de legislação ou atos normativos que especifiquem uma política de educação integral, porém identificou-se que a SEMED, em 2012, aderiu ao Programa Mais Educação do Ministério da Educação (MEC), criado desde 2008, para a implementação nas escolas 180 municipais, como proposta de desenvolver ações e experiências educacionais com princípios da educação e tempo integral. Com isso, a experiência de Educação Integral no Município de Belterra esta sendo corroborada por meio do PME. O documento identificado durante a pesquisa foi o Relatório de Atividades do Programa Mais Educação, ano de 2013, desenvolvimento pela Coordenação Pedagógica da Diretoria de Ensino da SEMED, sob a responsabilidade de duas servidoras da equipe técnica, no intuito de acompanhar e assessorar as atividades do programa junto às escolas e monitores. b) O Programa Mais Educação no Municipio Em relação às escolas: De acordo com Relatório da SEMED/Belterra (2013) ao final do ano de 2012 ocorreu a adesão das escolas ao PME. Em relação, às escolas participantes do ano de 2013 observa-se, um total de 15 escolas, sendo o maior número de escolas pertencentes à área rural do Município, total de 10 escolas e 40 monitores. Registra-se que maior quantidade de escolas concentra-se na área rural de Belterra. No ano de 2013, percebe-se que se registra adesão de 18 escolas, porém apenas 15 estiveram aptas a desenvolver e receber recursos quanto à realização das atividades do PME. Foram restritas 3 escolas, por situações de pendências na prestação de contas do Conselho Escolar, requisito exigido pelo MEC. (RELATÓRIO SEMED, 2013). Em 2014, houve a participação de 19 escolas, sendo apenas 01 escola impossibilitada de participação no programa. c) Em relação ao espaço e atividades desenvolvidas pelas escolas Foi aplicado um questionário semiestruturado, objetivando coletar dados sobre as escolas atendidas pelo Programa Mais Educação, respondido por 8 (oito) coordenadores do PME, das 15 escolas que são atendidas pelo Programa, o qual foi aplicado em durante uma das atividades da Secretaria de Educação do Município, período de dezembro de 2014. Observou-se que as atividades do programa nas escolas são desenvolvidas de acordo com a realidade em que as mesmas estão inseridas, pois, em algumas escolas os espaços disponíveis são adaptados. Registra-se que algumas dependências escolares na área rural (Região BR-163- Planalto e Região Tapajós) contam com espaços adaptados para oferta de educação aos alunos, como sede de Associações Comunitárias (barracões de madeira), igrejas 181 ou espaços alugados. Podemos observar também que há uma atenção em relação ao acompanhamento pedagógico e a prática de esporte. Os dados coletados do Relatório da SEMED, permitem inferir a necessidade de uma organização pedagógica do Programa, considerando as particularidades das escolas. Registra-se que as escolas a serem inseridas neste Programa, conforme normativas do MEC devem possuir uma clientela pertencente às camadas populares, expostas a situações de vulnerabilidade e risco social. Para que haja a realização das atividades a SEMED disponibiliza estratégias de acordo com a necessidade de cada escola-polo. Elas são planejadas pela coordenação pedagógica da SEMED junto aos coordenadores do PME, como reuniões pedagógicas, visitas de assessoramento pedagógico, de periodização mensal. São planejadas também, capacitação e orientações pedagógicas ofertadas pela SEMED para os monitores do PME das escolas. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se a partir dos resultados da pesquisa, ausência de atos normativos sobre a educação integral para a Rede Municipal de Ensino. Existência de adesão ao Programa Mais Educação (PME) por parte da SEMED às escolas da sua rede, permitindo identificar a ação governamental (Governo Federal/MEC) em promover experiências voltadas para a Educação Integral em âmbito municipal. Quanto ao desenvolvimento das atividades do Programa Mais Educação do Governo Federal, infere-se dizer que os projetos e planos de ação concebidos pelas escolas se fundamentam em propostas de ampliação dos espaços educacionais utilizados, na expansão da coletividade e parceria entre escola, pais e a comunidade, nas atividades educativas que ampliam as áreas de conhecimento previstas na LDB (1996), porém ainda não podemos correlacionar o PME com a melhoria do ensino e educação escolar, numa concepção consistente de educação integral. 5. REFERÊNCIAS AROYO, M. G. O direito ao tempo de escola. Cadernos de Pesquisa, s.l., n. 65, p. 3-10, 1988. BRASIL, MEC. Programa Mais Educação: gestão Inter setorial no território – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2009. BRASIL, MEC. Lei nº 9.394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: < htpp://portal. mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. >>>>. Acesso em 11/09/14. 182 BELTERRA, SEMED. Relatório Anual 2013. Coordenação Pedagógica do Programa Mais Educação da Diretoria de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto. Belterra, 2013. BELTERRA, SEMED. Relatório Anual 2014. Coordenação Pedagógica do Programa Mais Educação da Diretoria de Ensino da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto. Belterra, 2014. COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. Em Aberto. Brasília, v. 22, n. 80, p. 83-96, abr. 2009. COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. 27ª. Reunião Anual da ANPEd (Caxambu, Minas Gerais, 2004). Disponível em:< http://emaberto. Inep. gov.br/index. php/emaberto/article/view/1472/1221.> Acessado em 03/05/2014. IBGE. Instituto de geografia e Estatística. Censo escolar. Fonte Censo Escolar/INEP 2013. Disponível em:<http://www.qedu.org.br/ajuda/artigo/356152.> Acesso em: 19/092014. PARO, V. H.; FERRETTI, C. J.; VIANNA, C. P.; SOUZA, D. T.R. de. Escola de Associados, 1988. 183 AÇÕES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SANTARÉM/PA PARA A IMPLENTAÇÃO DA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL Wanessa Santiago Pontes1 Anselmo Alencar Colares2 [email protected] [email protected] RESUMO: A pesquisa teve como objetivo verificar como são implantadasas ações relacionadas à politica nacional de educação integral no município de Santarém/ PA através da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). Trata-se de uma pesquisa de campo, que teve como locus A Secretaria Municipal de Educação e as escolas da rede publica municipal que trabalham com educação integral para o levantamento de dados a fim de reconstituiro histórico da política de educação integral no município. No decorrer da pesquisa, verificou-se que o órgão público responsável pela a educação em Santarém possui 409 unidades escolares e atende 59.954 alunosdistribuídos dentro da zona urbana e nas regiões de Rios e Planalto e realiza cinco ações relacionadas à educação integral, que são: Escola da Floresta (2008), Programa Federal Mais Educação (2009), Escola do Parque (2010), Escola Municipal de Ensino Fundamental localizada na zona urbana (2011) e a Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral do Campo (2012). Percebemos que na última década, houve uma preocupação maior por parte da secretaria de educação em desenvolver ações em prol da educação integral da criança. PALAVRAS-CHAVE: políticas educacionais. educação integral. ensino. INTRODUÇÃO As primeiras iniciativas para se estabelecer a educação integral no Brasil, deram-se através de Anísio Teixeira, com o Centro Educacional Carneiro Ribeiro instituído na Bahia em 1953, e anos mais tarde, no Rio de Janeiro, foi a vez de Darcy Ribeiro com os Centros Integrados de Educação Pública na década de 1980. Com isso, apenas em 1996 as politicas públicas de educação integral passaram a ter consistência através dos dispositivos legais como, por exemplo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), na qual propõe que seja ― progressivamente o período da permanência na escola‖ (LEI N. 9.394, ART. 34). Em 2001, é instituído o Plano Nacional de Educação (PNE), onde apresenta a educação integral como objetivo. Desta forma, dentro do PNE são criadas metas e umas delas visaà ampliação da jornada escolar, para um período, de pelo menos, 7 horas diárias. No ano de 2007, foi criado o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), com o propósito de unir os meios constitucionais com o PNE. Dentre as ações elaboradas pelo PDE, destacam-se duas, as quais fazem referencia a educação integral, que são o FUNDEB, este auxilia no crescimento e desenvolvimento de estratégias para educação integral, proporcionando o financiamento da educação básica, na qual prevê um percentual maior 1 Graduanda do Curso de Letras/Inglês. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR/UFOPA. Bolsista do Programa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq. 2 Pós Doutor em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice Reitor da UFOPA. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR/UFOPA. 184 baseado na educação integral. A outra ação do PDE é o Programa Mais Educação, o programa tem por objetivo estimular a educação integral através de atividades socioeducativas no contra turno escolar, desse modo, possibilitando formação integral ao individuo. Em 25 de junho de 2014, foi aprovado um novo PNE, com vigência de 10 anos, com outras providencias e mais metas para serem efetuadas ao longo desses anos. Entre essas metas propostas pelo PNE, existe uma, na qual, fala especificamente sobre educação integral, no caso, a meta 6. Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação básica. (PNE lei nº 13.005; 2014-2024 p. 11). Embora o governo tenha avançado no sentido de legislações que abordam o tema tempo integral escolar, ainda não se tornam suficiente comparado a perda que o ensino publico sofreu durante o tempo que o governo ficou parado (MAURÍCIO, 2009). Nesse cenário, a formulação de uma proposta de ampliação da jornada escolar associada à perspectiva de educação integral, ganha forças, sob o pressuposto da criação, ampliação e efetivação de direitos sociais, com consequência para a administração pública, em vista da correção de iniquidades sociais históricas. (LECLERC; MOLL; 2009 p.26). Desse modo, através desta pesquisa procuramos compreender e expor as politicas públicas de ampliação da jornada escolar na perspectiva da educação integral através das ações realizadas pela SEMED de Santarém. É uma pesquisa vinculadaao Plano de Bolsa de Iniciação Cientifica (PIBIC) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), acoplada aoGrupo de pesquisa e História Sociedade e Educação no Brasil (HISTEDBR) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). METODOLOGIA O estudo foi desenvolvido a partir de uma abordagem qualitativa na qual se utilizou como recurso metodológico a pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas. Tratou-se de uma pesquisa de campo, tendo como locus primeiramente a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e as escolas da rede publica municipal. Seguimos as seguintes etapas: Visitas à SEMED e nas escolas da rede municipal de educação para o levantamento de dados, seleção e digitalização de informações (fontes documentais e outras) para a construção do histórico da política de educação integral no município e por fim, a produção de banco de dados e elaboração do relatório.Para um subsidio teórico, foi utilizado como referencial os autores Ana Maria Monteiro (2009), Jaqueline Moll (2012), Isa Maria F.R 185 Guará (2009), Lígia Martha Coimbra da Costa Coelho (2009), Gesuína de Fátima Elias Leclerc (2012)e legislações que abordam o tema trabalhado. RESULTADO E DISCUSSÃO: 1. Educação Integral em Santarém As primeiras iniciativas de ampliação do tempo escolar instituídas pela SEMED foram a partir de 2008.Focalizaremos agora, nestas ações desenvolvidas pela SEMED de Santarém que estão relacionadas à politica de educação integral: 2.Escola da Floresta (2008) A escola é uma iniciativa pioneira da Prefeitura de Santarém através da SEMED, com o objetivo de realizar e compartilhar experiências e atividades junto à comunidade escolar municipal e sociedade civil organizada orientando as mudanças de comportamentos e valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente, através de um espaço de compartilhamento de experiências e ações em educação ambiental. A escola funciona entre as 8h até às 12h. 2.2. Programa Mais Educação (PME) (2009) O Programa Mais Educação foi instituído pela portaria interministerial n°17/2007 e pelo Decreto n°7.083, de 27 de janeiro de 2010, onde integra as ações do Plano de Desenvolvimentoda Educação (PDE). Implantado em Santarém no ano de 2009. Dados do PME em Santarém mostram que inicialmente, o programa apenas atendia as escolas da zona urbana, mas no decorrer dos anos o PME foi crescendo dentro do município e em 2012 ele foi implantado nas escolas do campo (Região de Rios e Planalto). Desta forma, o programa em 2014, contou com 731 turmas atendidas e 19.596 alunos, em que o horário do funcionamento do programa era no contra turno ou no intermediário (das 11h às 14h). 2.3. Escola do Parque (2010) Criada em 2010, a instituição atende os alunos da rede municipal e a sociedade civil organizada. E uma escola que trabalha com o intuito de promover a educação ambiental, focando no desenvolvimento sustentável, na importância de preservar e conservar o meio 186 ambiente, para usufruir de uma boa qualidade de vida. As atividades propostas pela Escola do Parque começam a ser desenvolvidas as 07:30 até as 16:00. 2.4. Escola Municipal de Ensino Fundamental localizada na zona urbana. (2011) Fundada em 04 de fevereiro de 2011, as atividades na escola começam a funcionar a partir das 07h30min às 16h30min, atendem alunos do 1°ano ao 5°ano do ensino fundamental. Dentre os objetivos da escola, um deles é desenvolver a prática pedagógica de forma contextualizada, buscando o desenvolvimento integral de eu educando, enquanto sujeito do processo ensino aprendizagem, visando formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade. A escola definiu seu currículo em dois: o currículo pleno: formado pelas disciplinas e seus programas estabelecidos pelo MEC, e o currículo eletivo que é caracterizado por todas as atividades extraclasses e em horário complementar ao de participação ao currículo pleno. Além de trabalharem com as atividades extras curriculares a instituição no final de 2013 foi contemplada com o Programa Mais Educação. 2.5. Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral do Campo (2012). A escola foi criada através do decreto n° 046/2012 – SEMAD de 19 de março de 2012, com isto, a escola foi autorizada a funcionar na formação de alunos do 6° ano ao 9°ano do ensino fundamental. Tendo em vista ser referencia em educação de campo no Município de Santarém, a escola faz com que o aluno obtenha um avanço no universo do conhecimento, apostando na cultura com uma educação diferenciada. A escola prioriza o desenvolvimento integral tendo como linha de educação o aspecto sócio ambiental e cultural, proporcionando um aperfeiçoamento profissional na área ambiental. A escola também trabalha com dois currículos: o pleno e eletivo. Segundo Nogueira (2004), citado por Cavaliere (2009, p.57) ―A cultura da escola de longa duração está em processo de construção na sociedadebrasileira e é ainda pequeno o acúmulo de experiências das sucessivas gerações. Por isso, uma parcela muito grande das famílias não possui os saberes que permitembem conduzir a trajetória escolar de seus filhos‖. Deste modo, passamos a atender o porquê das iniciativas do governo municipal serem recentes, a falta de conhecimento e cobrança de seus direitos por parte da sociedade afeta aqueles que ainda estão pequenos e aos que estão por vim. Por outro lado, nesta última década, o município tem vivenciado experiências metodológicas e estratégias para ampliação da educação integral no sentido de abrir caminhos para a inclusão social como desenvolvimento humano, obtendo-se através de atividades da vida cotidiana, onde a escola 187 tem a possibilidade de trabalhar em espaços formais e não-formais de educação, tornando-se assim, uma forma eficaz de efetivar a educação integral. ―Além disso, a educação integral deve basear-se nas vivências e nas experiências cotidiana‖ (TAVARES, 2009, p.142). Em Santarém, podemos notar essa aproximação da escola com a comunidade, a troca de saberes, a cultura local muito presente nas escolas que trabalham com a formação integral da criança. São escolas com o intuito de formar cidadãos para a vida, profissional, intelectual, social, escolas que abordam a geografia local, o meio ambiente, exploram bastante este tema que está ligado diretamente ao meio em vivemos, já que fazemos parte desta bela região amazônica. CONCLUSÃO A pesquisa identificou cinco ações desenvolvidas pela SEMED em prol da Educação Integral. Uma delas é o PME, onde a Secretaria de Educação do município aderiu em 2009 e já atende mais de 50% das escolas de Santarém, tanto escolas da zona urbana quanto da região de campo. Outra ação proposta pela prefeitura foi a criação da Escola do campo, cujos alunos são filhos de comunitários agricultores da região, a escola proporciona aulas diversificadas, visando a construção de vida e cidadania por meio do fortalecimento da agricultura familiar aliado ao aspecto social e ambiental. Existe também a única escola de tempo integral funcionando na zona urbana de Santarém, onde esta também possui o PME na sua grade curricular, visando formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade. Pertence ainda ao município, duas Escolas que trabalham em parceria com escolas de tempo regular, que são: Escola da Floresta e a Escola do Parque, estas não trabalham com alunos fixos, mas fornecem aulas interativas voltadas para o meio ambiente. São atendidos alunos da rede municipal de ensino e sociedade civil organizada. Elas têm por objetivo estimular e proporcionar mudanças de práticas e valores quanto à preservação e conservação do meio ambiente. Notamos com a pesquisa que a SEMED vem trabalhando para ampliar progressivamente o tempo escolar por meio de dispositivos legais, Fazendo com que jovens, crianças possam passar mais tempo na escola, e também favorecendo acolhimento para crianças com vulnerabilidade social. 188 REFERÊNCIAS: BRASIL, Ministério da Educação. Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acesso em 09/03/2014. CAVALIERE, A.M. Escolas de tempo integral versus alunos de tempo integral. Em aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 51-64, abr. 2009. GUARÁ,I.M.F.R. Educação e desenvolvimento integral: articulando saberes na escola e além da escola. Em aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 65-81, abr. 2009. IBGE. Instituto de Geografia e Estatística. Censo Populacional 2012. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/população.>. Acesso em: 11/09/2014 IBGE. Instituto de Geografia e Estatísticas. http://cod.ibge.gov.br/BIF.>Acesso em 11/09/2014. Cidades. Disponível em: LECLERC, G.F.E.; MOLL, J. Educação integral em jornada diária ampliada: universalidade ou obrigatoriedade?Em aberto Brasília, v. 25, n. 88, p. 17-49, jul./dez. 2012. Leinº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acesso em 03-10-2014 MAURICIO, L.V. Escritos, representações e pressupostos da escola pública de horário integral. Em aberto, Brasília: v. 22, n. 80, p. 15-34, abr. 2009. SANTARÉM. Secretaria Municipal de Educação. Relatório Estatística Ano 2014 TAVARES, C. Educação Integral, educação contextualizada e educação em direitos humanos: reflexões sobre seu pontos de intersecção e seus desafios. Maringá: v. 31, n.2, p.141-150. 189 AS PRÁTICAS LÚDICO-PEDAGÓGICAS COMO INSTRUMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA PREVENÇÃO DO PERIGO AVIÁRIO Nayara Stefani Soares Rodrigues1 Allef Jordy Garcia Rodrigues2 Izabel Alcina Soares Evangelista3 [email protected] RESUMO: O presente trabalho é a exposição da experiência de estágio não obrigatório realizado na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém – SEMMA, cujo objetivo foi à promoção da Educação ambiental, com uso de práticas lúdico-pedagógicas, com o fito de combater o perigo aviário. A relevância deste estudo revela-se pela existência da constância de problemáticas ambientais e pelo fato de que Administração pública tem o dever de garantir o equilíbrio socioambiental. A metodologia é baseada em pesquisa bibliográfica, com observação assistemática e abordagem dialética, possibilitou o desenvolvimento de um plano de ação voltado a solucionar problemáticas ambientais tangentes ao perigo aviário, com a utilização de meios adequados para tanto, dentre os quais se destacou as práticas lúdico-pedagógicas voltadas à educação ambiental, como a utilização de brinquedotecas, atividades socioambientais, palestras, execução de atividades ambientais em ações sociais. Conclui-se que o combate efetivo ao Perigo aviário, pode ser alcançado, desde as práticas realizadas sejam compatíveis à problemática imposta, além da necessidade de que sejam realizadas de forma contínua, uma vez que a educação ambiental trata-se de um processo. Palavras-chave: perigo aviário. educação ambiental. práticas lúdico-pedagógicas INTRODUÇÃO Atualmente, diversos problemas ambientais como poluições atmosféricas, contaminação hídrica, mudanças climáticas, e diversos outros, são motivos de constante preocupação social, e do Poder Público, que por meio de profissionais competentes como engenheiros das mais variadas graduações, analistas ambientais, jurisconsultos, entre outros com a finalidade de lavrar soluções adequadas a estas problemáticas, sendo nesta discussão as de cunho ambiental. A priori, a competência do pedagogo pode ser questionada para esta seara. Todavia, a formação do pedagogo alcança a Educação Ambiental, conforme Resolução CNE/CP 1/06, que no art. 2, §2, inc. II, estabelece que o curso de Pedagogia, por meio de estudos teóricopráticos, investigação e reflexão crítica, propicia a aplicação ao campo da educação, de contribuições, entre outras, de conhecimentos como o ambiental-ecológico. Pois bem, no que se refere à Educação ambiental, Dias (2004, p. 100), a define como ―um processo por meio do qual as pessoas aprendem como funciona o ambiente (meio 1 Acadêmica do curso de Licenciatura em Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA 2 Acadêmico do curso de Bacharelado em Direito do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA 3 Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Professora do Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS/ULBRA 190 ambiente), como dependemos dele, como o afetamos e como promovemos a sua sustentabilidade‖. Quanto ao Risco Aviário, a Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC (2011, p. 2), expõe que o ―perigo aviário é o risco potencial de colisão com ave ou bando de aves, no solo ou no espaço aéreo‖, sendo que o grande número de aves, principalmente urubus na capital paraense, é reflexo de crescimento desordenado, que implica em saneamento básico precário e políticas ambientais fragilizadas. A ANAC ainda expõe que As administrações aeroportuárias e as Prefeituras devem promover um trabalho de educação ambiental junto às comunidades próximas a aeroportos, esclarecendo sobre os perigos advindos da incorreta armazenagem ou destino do lixo gerado. (2011, p. 4). Nesta via, a EA em face do perigo aviário pode fazer usos de diversas práticas, dentre as quais podem ser utilizadas as práticas lúdico-pedagógicas. Nesta linha, Morais e Sato identificam que: A arte-educação e a educação ambiental por serem muito semelhantes trabalham juntas na transformação do homem, por isso, estão sempre ligadas numa estreita relação, sendo a linguagem artística natural ao desenvolvimento do ser humano. (2008, p. 2050) Diante destas breves considerações, acredita-se que o presente trabalho, contem fonte prática plausível para proporcionar reflexões aos gestores públicos no que tange as práticas lúdico-pedagógicas de educação ambiental, pois serão apontadas propostas de ações educacionais de baixo custo, mas que impulsionam a sociedade a desenvolver visão crítica razoável com vistas a conscientização ambiental. MÉTODO O estudo partiu da pesquisa bibliográfica, que serviu de elemento norteador para a execução de ações práticas. A observação foi assistemática e desenvolvida por uma abordagem dialética com o fito de compreender a realidade observada e desenvolver soluções adequadas. Este estudo, portanto, realizado no primeiro semestre de 2015 em estágio não obrigatório, o qual teve a finalidade de colaborar, do ponto de vista pedagógico, no desenvolvimento de atividades lúdico-pedagógico cujo conteúdo axiológico alcance a Educação ambiental, como instrumento de combate ao perigo aviário. 191 Inicialmente, deve-se destacar que a solução a problemática em tela precisa de diversos instrumentos, dentre os quais foi apontado judicialmente em dezembro de 2014, a necessidade de promoção da educação ambiental como ferramenta de prevenção ao perigo aviário. Diante disto, no mês de janeiro/2015, a Coordenação de Educação Ambiental e Desenvolvimento Comunitário (CEADC) da SEMMA elaborou plano de ação que contemplasse o combate da problemática em questão. Assim, foi realizado estudo bibliográfico de ferramentas de educação ambiental, na qual se identificou que a prática lúdico-pedagógica seria o instrumento a ser utilizado no plano de ação. O desenvolvimento de práticas lúdico-pedagógicas voltadas a educação ambiental, identificadas foram: brinquedotecas; palestras em escolas, igrejas, centros comunitários; atividades ecológicas, como plantio de mudas e trilhas ecológicas; e ações sociais. Verificou-se, por exemplo, que a brinquedoteca, como lembra Cunha (1992, p.38) ―é um esforço de salvaguarda a infância, nutrindo-a com elementos indispensáveis ao crescimento saudável da alma e da inteligência da criança‖. Para tanto, foi necessário adquirir brinquedos, jogos e outros recursos voltados a educação ambiental, para adequar as duas brinquedotecas que a SEMMA já possuía. Quanto às palestras, por seu turno, no mês citado, foi necessário a elaboração de apresentações relacionadas a Reciclagem, Água, Fauna e Flora, uma vez que são temáticas transversais à questão aviária. Os recursos utilizados foram imagens e vídeos sobre os temas propostos. Para as atividades socioambientais, foram consultados profissionais do Bosque Municipal Rodrigues Alves, que colaboraram na identificação de locais adequados para o plantio de mudas na cidade e ainda para elaboração de uma trilha ecológica que guardasse relação com o perigo aviário. Superada a identificação e aquisição dos recursos necessários as práticas lúdicopedagógicas foi traçado um cronograma entre os meses de fevereiro e maio de 2015 para aplicação do plano de ação, com base no plano anual de ações da SEMMA e da Prefeitura Municipal de Belém (PMB), na seguinte forma: As brinquedotecas deveriam estar funcionando diariamente; As palestras e atividades socioambientais ocorreriam de acordo com o plano da SEMMA; nas ações sociais da PMB seriam deslocados parte dos equipamentos da Brinquedoteca. 192 Por fim, no mês de junho de 2015, a avaliação das atividades de educação ambiental foi realizada de forma conjunta aos demais meios utilizados pela SEMMA em face da complexidade do problema do risco aviário. RESULTADOS E DISCUSSÃO Das atividades desenvolvidas pela SEMMA, para solução da problemática em analise, deve-se relembrar que não se resumiram a educação ambiental, uma vez que foram desenvolvidas atividades de fiscalização de empresas potencialmente poluidoras, monitoramento de áreas degradadas e/ou revitalizadas, estudos técnicos, criação de aterros sanitários. Portanto, diante do cumprimento do que foi proposto nas diversas áreas de atuação da SEMMA, pode-se constatar a problemática foi disseminada na cidade, considerando todos os bairros da capital paraense foram atingidos pelas ações da Secretaria. Especificamente quanto a Educação ambiental, as Brinquedotecas entre os meses de fevereiro e maio, houve um aumento significativo de usuários (25% em relação ao mesmo período do ano anterior); As palestras e atividades socioambientais foram realizadas nas datas planejadas e com o público máximo, dotado diversos questionamentos acerca da temática; em todas as Ações da PMB foram disponibilizados equipamentos da brinquedoteca e de outros órgãos municipais que possibilitaram a disseminação espacial das propostas de educação ambiental. No entanto, deve-se lembrar de que para solução da problemática do risco aviário é necessário que a Gestão municipal planeje novas ações nesta via, uma vez que a educação ambiental trata-se de um processo, o qual, conforme indica Fiorillo (2013, p. 73), visa-se ―reduzir os custos ambientais, à medida que a população atuará como guardiã do meio ambiente‖. CONCLUSÃO Não se deve olvidar de que as ações realizadas pela SEMMA no primeiro semestre de 2015 foi resultado de obrigação judicialmente imposta, que objetivou o combate o risco aviário, e dentre os itens foi apontada a necessidade de ser proporcionada a educação ambiental da população da capital paraense, considerando que os debates sobre o tema ocorriam desde 2008, sem a devida preocupação municipal. 193 Não obstante esse fato, a experiência obtida neste estágio, que teve como finalidade a colaboração pedagógica em ações voltadas a educação ambiental com uso de práticas lúdicopedagógicas, como um dos instrumentos da SEMMA no combate ao perigo aviário, foi de fato essencial na aprendizagem prática da pedagogia em ambiente não-escolar. Ressalta-se que se tornou nítido que profissionais da pedagogia são essenciais para o planejamento de ações de educação ambiental, dada à formação profissional voltada a este fim. Logo, a ludicidade e a pedagogia aliadas à educação ambiental, podem ser instrumentos efetivos para um desenvolvimento sustentável, baseado na conscientização ambiental da população. Deve-se ratificar acerca da necessidade da continuidade destas ações, considerando que além da questão judicial que envolve a temática, é necessário ter ciência de que condições sanitárias e ambientais incipientes podem ocasionar graves acidentes aéreos, que terão reflexos em toda sociedade. REFERÊNCIAS ANAC. Org. Senra Hilton Notini. Carta de Segurança Operacional. 3. Edição, Disponível em http://www2.anac.gov.br/arquivos/carta/carta_seguranca_3_edicao_ok.pdf. Acesso em: 17/02/2015. DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. 9. ed. São Paulo: Gaia, 2004. CUNHA, N. H. S. Brinquedoteca: espaço criado para atender necessidades lúdicas e afetivas. Revista do Professor. Porto Alegre, RS. V.11, nº 44, p. 3- 50, outubro/dezembro, 1995 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Saraiva, 2013 MAKARENKO, Anton. Poema Pedagógico. Lisboa: Livros Horizonte, 1989. MORAIS, Luciano Ferreira de Morais; SATO, Michèle. O Teatro do Oprimido e da Crueldade como Expressões de Criação Sociopoética e da Educação Ambiental. João Pessoa: Conferência da Terra, 2008. 194 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA: NÍVEL DE APRENDIZAGEM DO 5º ANO DE UMA ESCOLA MUNICIPAL Nayara Lima Costa1 Aline Magalhães1 Ana Marília Gonçalves Santos¹ Clara Aline Maciel da Silva¹ Érica Mylenna Nogueira Lima¹ Nayane Xavier da Silva¹ Maria do Perpetuo Socorro2 Paula Cristina Galdino Oliveira3 [email protected] RESUMO - O presente trabalho é um relato de experiência dos bolsistas do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID no Centro Universitário Luterano de Santarém – CEULS/ULBRA. No inicio deste ano 2015, obteve-se a oportunidade de contribuir com a comunidade escolar na condição de fazer avaliação diagnóstica, analisando em que medida os alunos do 5º ano, de uma escola municipal de Santarém, estão alcançando seus objetivos, tomando por base os Direitos de Aprendizagem no ciclo de alfabetização - língua Portuguesa, que priorizam o ensino da leitura e escrita. Objetivou-se verificar com quais conhecimentos, habilidades e competências relativos à língua portuguesa os alunos demonstravam no início do ano letivo; e apontar os conhecimentos, habilidades e competências a serem revisados e aprofundados no início do ano letivo com os alunos do 5º ano, bem como possíveis estratégias metodológicas. Os resultados obtidos estão organizados contando com os dados tabulados da Avaliação Diagnóstica, dispostos em suas respectivas fases: I. Pesquisa Bibliográfica para elaboração de atividade e questionário avaliativo; II. Aplicação da atividade na turma e entrevista com professora; e III. Análise e Interpretação de dados. A pesquisa apresentou resultado positivo no eixo da Leitura (60%), porém resultados negativos nos eixos da Produção de texto escrito (75%) e Analise Linguística (47%). PALAVRAS-CHAVE: avaliação diagnóstica, direitos de aprendizagem, Pibid/Ceuls-Ulbra. INTRODUÇÃO A avaliação é uma importante aliada na formação do processo ensino-aprendizagem como uma verificação dos níveis de desenvolvimento da aprendizagem, presente nos múltiplos âmbitos da educação, apresentando as funções de diagnóstico, controle e classificação. Dependendo da concepção pedagógica e postura filosófica adotada, esta pode não se restringir a medir ou quantificar informações, atribuir notas e menos ainda assumir um caráter seletivo e competitivo, mas servir como um verificador da medida do alcance dos objetivos propostos no processo ensino-aprendizagem, assumindo um caráter orientador e cooperativo. De acordo com Melchior (2001), ―Avaliar é verificar como o aprendiz está se movimentando frente às novas aprendizagens, o que já é de seu domínio, os objetivos que ele ainda não alcançou e quais são as suas dificuldades.‖ O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, sob a coordenação do CEULS ULBRA, visa fomentar a carreira docente, através da inserção de acadêmicos na 1 Acadêmicas do Curso de Pedagogia e Bolsistas de Iniciação à Docência no Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 2 Profª Bolsista Supervisora do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 3 Profª no Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém - CEULS e Bolsista Coord. de Área do Subprojeto de Pedagogia do PIBID/CEULS. 195 vida escolar, de forma contínua e devidamente supervisionada por agentes universitários e da escola pública da cidade de Santarém-PA. O Subprojeto do Curso de Pedagogia tem como foco o letramento em língua portuguesa e em matemática, isto é, proporcionar o uso social desses saberes. No início deste ano, tivemos a oportunidade de contribuir com a comunidade escolar na condição de diagnosticar em que medida os alunos do 5º ano de uma Escola Municipal de Santarém estão alcançando os objetivos propostos nos PCNs-Língua Portuguesa, 1º e 2º ciclos (1997), bem como os Direitos de Aprendizagem no Ciclo de Alfabetização - Língua Portuguesa, descritos na Lei 9.394, artigo 32, que priorizam o ensino da leitura e escrita. Para isto, realizamos uma avaliação diagnóstica, que sempre se dá no inicio, seja de um período letivo como de um conteúdo de ensino, na qual o educador busca constatar os conhecimentos e habilidades prévias do educando, reconhecendo seu domínio ou não dos prérequisitos necessários para a aprendizagem de novos conhecimentos, identificando suas dificuldades de aprendizagem com suas possíveis causas. Assim, objetivou-se verificar com quais conhecimentos, habilidades e competências, relativos à língua portuguesa, os alunos do 4º ano ingressam no 5º ano de uma escola pública, e identificar os conhecimentos, habilidades e competências a serem revisados e aprofundados no início do ano letivo com esses alunos, bem como possíveis estratégias metodológicas. MÉTODOLOGIA CIENTÍFICA Realizou-se pesquisa de campo, com observação dos sujeitos e registro em diário de campo, seguida de elaboração de atividades diagnósticas - desenvolvidas nos encontros semanais do Subprojeto de Pedagogia PIBID/CEULS, num grupo de seis acadêmicas juntamente com a professora da respectiva turma - finalizando na análise e interpretação de dados. A ação ficou distribuída em quatro etapas: I – pesquisa bibliográfica sobre os direitos de aprendizagem em língua portuguesa nos anos iniciais do ensino fundamental, realizada no CEULS/ULBRA, para elaboração de atividade e questionário avaliativo; II – observação dos sujeitos e acompanhamento das primeiras atividades realizadas pela professora; III - aplicação da atividade na turma e entrevista com professora; e IV – análise e interpretação de dados. Neste período, também foram realizadas palestras formativas voltadas ao conceito de avaliação diagnóstica; quais as contribuições dessa avaliação para o processo de ensinoaprendizagem (PCNs- Língua Portuguesa, 2002; PNAIC - Currículo na alfabetização, 2012); quais conhecimentos, habilidades e competências voltadas à língua portuguesa os alunos de 5º ano já devem ter adquirido (Estrutura Curricular Semed - Santarém-Pa, 2015; PCNs- Língua 196 Portuguesa, 2002; PNAIC - Currículo na alfabetização, 2012). Finalizamos esta fase construindo atividade e questionário avaliativo. A aplicação da atividade ocorreu no início do período letivo, numa turma de doze alunos. E por fim, a análise dos questionários e tabulação dos dados. A atividade continha quatro questões que possibilitaram a análise de três eixos do ensino de Língua Portuguesa – Leitura, Produção de Textos Escritos e Análise Linguística. Estes eixos formaram a base do questionário avaliativo, organizado da seguinte maneira: Leitura - nove questões específicas; Produção de Textos Escritos - quatro questões; e Análise Linguística - onze questões; formando um total de 24 questões específicas. As respostas foram divididas em três: Sim, Não e Parcial com observação. RESULTADOS E DISCUSSÃO A atividade de avaliação diagnóstica dividida em eixos baseados nos ―Direitos de Aprendizagem no Ciclo de Alfabetização - Língua Portuguesa‖, descritos na Lei 9.394, artigo 32. Descobriu-se que 60% dominam a Leitura, 75% tem grande dificuldade na Produção de Textos Escritos e 47% tem dificuldade na Analise Linguística. Figura 01 – Dados percentuais sobre leitura, produção textual e análise linguística. Fonte: Microsoft, 2015 Os resultados obtidos demonstraram que o eixo da Leitura, em relação aos outros eixos, foi o mais positivo, revelando que a maioria dos alunos apreende assuntos/temas tratados em textos, como, poemas, canções, tirinhas, textos de tradição oral, dentro outros. Já a interpretação de frases e expressões em textos de diferentes gêneros e temáticas e o reconhecer a finalidade de textos revelaram necessidade de melhora. Isso aponta necessidade de chamar atenção para, além dos aspectos linguísticos, o contexto que envolve o texto (autor, espaço de produção e circulação, destinário...). O eixo da Produção de Texto Escrito, em relação aos outros eixos, foi o mais negativo. Todas as questões analisadas demonstraram dificuldades. Revelando que somente dois alunos 197 conseguiram planejar a escrita de textos considerando o contexto de produção, e utilizaram vocabulário diversificado e adequado ao gênero e as finalidades propostas. Figura 02 – Eixo Produção de texto escrito Fonte: Microsoft, 2015 Por fim, o eixo da Análise Linguística, em relação aos outros eixos foi o que mais se apresentou preocupante, revelando que: todos escrevem o próprio nome, porém onze não pontua adequadamente o texto; dez não conhece e usa palavras ou expressões que estabelecem a coesão: progressão de tempo, marcação do espaço e relações de causalidade; nove não conhece e usa palavras ou expressões que retomam coesivamente ao que já foi escrito (pronomes pessoais, sinônimos e equivalentes; e sete não conhece e faz uso das grafias de palavras com correspondências regulares contextuais entre letras ou grupo de letras e seu valor sonoro. CONCLUSÃO Os resultados obtidos revelaram que muitos dos direitos de aprendizagem proclamados no ciclo de alfabetização não haviam sido alcançados, como, perceber a finalidade do texto, a importância das palavras nele empregadas, da estrutura, entre outros aspectos. A identificação dessas lacunas aponta a necessidade de trabalhar diversos gêneros textuais tanto literários quanto do cotidiano, vivenciando e explorando as características linguísticas, textuais e interacionais. Além disso, a leitura deve se realizar tendo em vista as mais variadas finalidades com que se busca determinado texto, as quais nortearão tanto a didática quanto o modo com que se lerá o texto, ativando estratégias de leitura específicas, consoante às motivações. Aliás, as finalidades de leitura devem ultrapassar as de ler para aprender a ler ou ler para compreender, devendo contemplar os objetivos com que procuramos um texto no dia a dia, informar-se, entreter-se, refletir... O mesmo vale para o 198 eixo da produção textual, o objetivo não deve ser apenas para aprender a escrever, mas para interagir através da escrita em diversos contextos sociais. E o eixo da análise linguística deve ser explorado nessas situações de leitura e produção textual, proporcionando as crianças refletirem sobre o efeito de determinadas palavras, de sinais de pontuação, da estrutura do texto no alcance dos objetivos sociais estabelecidos. Em suma, os resultados apontam para uma abordagem de diversos gêneros de textos e em todos os seus aspectos. REFERÊNCIAS WEISZ, Telma. Avaliação diagnóstica. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/producao-de-texto/telma-weisz-avaliacao.shtml. Acesso em 05.02.2015. BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa : currículo na alfabetização : concepções e princípios : ano 1 : unidade 1. -- Brasília : MEC, SEB, 2012. _______ Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília, 1997.144p. DEMO, Pedro. A educação do futuro e o futuro da educação. Autores Associados: São Paulo, 2005. SILVA, L. H.; AZEVEDO, C. J. Paixão de aprender 2. Clice Capelossi Haddad. Vozes: Petrópolis, 1995. 199 CURTINDO A VIDA COM A TERCEIRA IDADE Adria Jércy Lameira1 Adriano Sousa1 [email protected] Auristéfane Malta Matos1 [email protected] Elbe Keila Cunha de Oliveira1 [email protected] Ekton Lucas de Sena Cardoso1 Fabiana Vasconcelos Silva1 [email protected] Fernanda Guimarães Araújo1 [email protected] Rony Rego Martins1 [email protected] Saturnino Eduardo Peixoto1 [email protected] Weliton Ferreira de Carvalho1 Loreni Bruch Dutra2 RESUMO: O presente estudo é resultado do Trabalho Interdisciplinar, que tem como tema ―Orgulho de ser Cidadão brasileiro‖, desenvolvido semestralmente pelo Centro Universitário Luterano de Santarém. O projeto foi realizado no dia 14 de outubro de 2015, na Unidade de Saúde Nova Republica no município de Santarém-PA. Tendo como objetivo promover um momento de bem-estar, e interação lúdica aos idosos da Estratégia Saúde da Família I, propiciando-os compartilhar de seus saberes, e demonstrando-lhes sua importância na sociedade em que vivem, através de uma manhã alegre constituída de palestra, dinâmicas, café da manhã e muita diversão. A metodologia consiste em uma pesquisa-ação cuja característica é conhecer a realidade do ambiente pesquisado e intervir significativamente por meio de ação social. Através do projeto foi possível contribuir com a instituição em diversos aspectos educativos e sociais, além de extrair dos idosos lições de vida, alegria e muita satisfação. Conclui-se que através da ação os idosos e a administração da Unidade de Saúde sentiram-se motivados a programar mais momentos como este, entendendo que a partir do convívio social e da interação é possível despertar no idoso o amor pela vida que muita vezes se perde nos problemas cotidianos, e precisa ser resgatado a cada dia. PALAVRAS-CHAVE: Saúde, Interação, Vida. INTRODUÇÃO A vida é constituída de fases, onde a cada etapa novos desafios precisam ser superados. Na velhice não é diferente, apesar de toda experiência de vida ainda há muito que se aprender nessa fase. A terceira idade, conhecida como fase das complicações é a mais temida de todas, pois nela a maioria dos idosos não consegue continuar desempenhando uma vida ativa, mesmo estando com uma saúde considerada boa. Sendo pouco valorizados pela sociedade, muitas vezes alguns idosos não usufruem de uma qualidade de vida adequada, o que acarreta sérios problemas em sua saúde, tais como: Hipertensão, Diabetes, Depressão e entre outros. Diante disto e com base no tema ―Orgulho de ser Cidadão Brasileiro‖, optou-se por desenvolver um projeto capaz de demonstrar o quanto essa geração é importante, quantos conhecimentos podem ser compartilhados através de uma simples conversa ou brincadeira, no intuito 1 2 Acadêmicos do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA. Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA. 200 de despertar neles o desejo pela vida, e fomentar na futura geração a ideia de que o idoso precisa ser reconhecido, precisa de atenção, de carinho, de amor e certamente gozará de uma vida mais saudável, e terá sempre boas histórias para compartilhar com os mais novos. Neste sentido o projeto aplicou-se como forma de despertar nos idosos a autoestima e o desejo de obter uma vida saudável mediante a prática de exercícios, boa alimentação associados ao desejo constante de viver e ser feliz cada dia mais. O projeto se concretizou no dia 14 de outubro de 2015 na Unidade de Saúde da Nova República onde foram atendidos 29 integrantes do grupo de HIPERDIA da Estratégia de Saúde I do bairro, além destes participaram também enfermeiros, e agentes de saúde da Unidade que contribuíram com seu trabalho e total desempenho na realização do projeto. MÉTODO Para execução do projeto desenvolveu-se uma pesquisa, que possibilitou o diagnóstico inicial, através da coleta de dados, e de observação no local, detectando a necessidade de uma intervenção. Neste sentido o procedimento metodológico utilizado para a pesquisa do Trabalho Interdisciplinar realizada durante o semestre 2/2015 foi a pesquisa ação. Tendo como objetivo promover um momento de bem-estar, e interação lúdica aos idosos da Estratégia Saúde da Família I, optou-se por uma manhã de atividades atrativas e envolventes no intuito de cativar o publico, e assim proporcioná-los alegria, sensação de liberdade e bem-estar, ferramentas primordiais na busca por uma vida saudável. Desta forma o evento iniciou com a acolhida do publico com a dinâmica ―O garotinho chamado amor‖, como forma demostrar o quanto é importante amar a vida, o outro e enfim ser feliz. Os idosos foram privilegiados ainda com a ilustre presença da professora Coordenadora deste projeto Loreni Bruch, que dedicou a eles palavras de carinho e motivação. Por fim se divertiram com muitas brincadeiras, dinâmicas de grupo e sorteio de brindes. RESULTADOS E DISCUSSÃO O Projeto ―Curtindo a vida com a terceira idade‖ reside em duas áreas especificas, sendo elas Educação e Saúde, especificamente saúde do idoso, pois visou estimular o prazer pela vida diante das dificuldades que se encontram. E neste sentido proporcionou aos Idosos da Estratégia de Saúde da Família do Bairro Nova Republica um momento de interação entre jovens e idosos, que pode gerar novos aprendizados. Branden (2011) afirma que, ―o quanto nos amamos, nos valorizamos, nos aceitamos com nossas limitações, erros e acertos, qualidades e defeitos...‖ logo entende-se que auto estima é o sentimento de amor-próprio, de se importar consigo mesmo mais do que com o que os outros pensam. 201 E esse momento foi realmente vivido pelos idosos, que se alegraram e compartilharam de algo único e especial feito para eles como reconhecimento as suas ações ao longo de sua vida incentivando a seguir sempre em frente. Observa-se que ―o envelhecimento saudável consiste na busca pela qualidade de vida por meio de uma dieta adequada, pratica de exercícios físicos, e convivência social estimulante.‖ (www.einstein.br; 06 de fevereiro de 2012), sendo a convivência o principal de todos. Os resultados obtidos demostraram ser satisfatórios uma vez que os integrantes participaram das dinâmicas de grupo, tendo tocado emocionalmente alguns, a ponto de ser visível a emoção destes. Deste modo a pesquisa-ação realizada obteve resultados importantes para a prática pedagógica dos acadêmicos envolvidos, pois foi uma oportunidade inovadora que resultou em experiência como a organização de todo o evento, e a forma de atendimento prestado nesse ambiente, todos esses novos conhecimentos foram enriquecedores e uteis para a formação acadêmica. CONCLUSÕES As conclusões obtidas com a ação demonstram que não importa o ambiente que você esteja, ou o que você faça, sempre haverá algo em que possa contribuir para que o mundo seja melhor, e para que todos sejam mais felizes. O Trabalho interdisciplinar é importante projeto, pois permite ao acadêmico uma intervenção significativa no meio onde vive, ações desse tipo são importantes serem realizadas, visto que através delas se desenvolve habilidades, conhecimentos e são despertadas novas culturas. Conclui-se então que o projeto como um todo foi muito enriquecedor para a formação acadêmica dos alunos devido à nova experiência vivida e as lições de vida extraídas através da ação, que também contribuiu de forma significante na vida dos idosos atendidos que tiveram oportunidade de se conhecer melhor, interagir com o outro, esquecer dos problemas, e ainda compartilhar de um momento novo, que lhes mostrou o quanto são importantes na construção deste mundo, tendo orgulho de ser a pessoa que é, tendo orgulho de ser ―Cidadão Brasileiro‖. REFERÊNCIAS: BRANDEN, N. Autoestima, como aprender a gostar de si mesmo. 39ed. São Paulo: Saraiva 2001. LORDA, C.R; SANCHEZ, C.D. Recreação na 3ª idade. 3ed. Rio de janeiro: Sprint, 2001. Vida saudável na terceira idade e o aumento da expectativa de vida. Disponível em: www.einstein.br, acesso em 08 de setembro de 2015 às 21h e 32min. 202 EDUCAÇÃO INTEGRAL COMO EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS EM ESCOLAS MUNICIPAIS DE SANTARÉM/PA Taiana Pereira de Aquino HISTEDBR-UFOPA1 Maria Lilia Imbiriba Sousa Colares HISTEDBR-UFOPA2 [email protected] [email protected] RESUMO: A presente pesquisa objetivou identificar como a politica de educação integral esta sendo inserida por meio das experiências pedagógicas em escolas públicas municipais da cidade de Santarém/PA. A pesquisa se desenvolveu mediante visitas de campo na Secretaria Municipal de Educação - SEMED e em escolas que desenvolveram ações voltadas para a implementação de politica de educação de tempo integral. Identificamos no decorrer do trabalho que a politica de educação integral, na rede municipal de ensino, se deu por meio da implementação de programas federais como, por exemplo, o Mais Educação com ampliação do tempo escolar. PALAVRAS-CHAVE: Politicas Educacionais; Educação Integral; Escola de tempo Integral. INTRODUÇÃO As origens históricas vinculadas à educação integral no Brasil iniciaram-se por volta do século XX, o educador Anísio Teixeira foi um dos pioneiros na proposta de educação de tempo integral, ampliando a ideia e propondo uma articulação da escola com outros setores da sociedade. O projeto de Anísio Teixeira foi inaugurado em 1950, e ficou conhecido como Escola Parque da Bahia. Nos anos de 1980 Darcy Ribeiro criou os Centros Integrados de Educação Pública- CIEPS, com o objetivo de aumentar a jornada escolar e oferecer atividades relacionadas a lazer, a promoção da saúde e da cultura para toda a comunidade. As ideias de ampliação do tempo escolar eram relacionadas com atividades educativas diversificadas, a principio a ideia era tirar as crianças e adolescentes em situação de risco das ruas. (COELHO, 2004). As ideias de ampliação escolar relacionadas com atividades educativas diversificadas ganharam força legal em 1990 com a implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LEI Nº 9.394/96). O Plano Nacional de Educação (PNE) com vigência de 2014 a 2024 propõe que 50% das instituições públicas de educação Básica ampliem a jornada de tempo integral até 2024. O Fundeb - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação foi criado pela Ementa Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, que trouxe para os estados e municípios a obrigatoriedade de implementação da política de tempo integral em suas instituições de ensino. Nesse sentido, a pesquisa objetivou mapear as experiências pedagógicas voltadas para implantação da política de educação integral em Santarém/PA. 1 Graduanda do Curso de Pedagogia 2011. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisas HISTEDBR/UFOPA. Bolsista do Programa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq. 2 Pós-doutora em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE da Universidade Federal do Oeste do Pará. Líder adjunta do Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA. Orientadora da pesquisa. 203 MÉTODO Trata-se de uma pesquisa de campo, de cunho qualitativo. As literaturas utilizadas que subsidiaram a pesquisa foram as consideradas mais representativas sobre a educação integral, e permitiram fazer análise concernente as experiências pedagógicas desenvolvidas nas escolas, como Anísio Teixeira (1928; 1958); Lígia Martha Coelho (2009); Jaqueline Moll (2002); Ana Maria Villela Cavaliere (2002); Darcy Ribeiro (1995); Paro (1988) e as legislações vigentes referentes ao tema. O trabalho foi desenvolvido com visitas a SEMED para fazer o mapeamento das escolas que desenvolveram ações voltadas para a área da política de educação integral em Santarém, pesquisas realizadas in loco em escolas que realizaram ações voltadas para o desenvolvimento da política de educação em tempo integral na rede municipal, são 214 escolas atendidas pelo PME/Programa Mais Educação, no entanto 4 foram eleitas por se destacarem e terem seu foco na perspectiva de proteção ambiental, consistiu no levantamento, seleção e digitalização de informações que permitiram reconstituir o histórico da política de educação integral, quanto a essa etapa buscamos fazer esse registro por meio do Projeto Politico Pedagógico das escolas contempladas pelo PME- que dá suporte a implementação da politica indutora da educação em tempo integral. E, por último a análise das informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração do relatório. RESULTADOS E DISCUSSÃO Por meio dos dados analisados identificamos que não há um único conceito que defina a educação integral, no entanto podemos pensar na perspectiva de uma educação que protege e educa como compromisso de todos, no entanto somente será exercida na sua completude em conjunto com a sociedade. Os mecanismos legais para implementação da Educação Integral começaram a ter uniformidade mediante os dispositivos que deram suporte a educação brasileira, apartir da LDB, nº 9.394/96, art.34, determina que seja progressivamente ampliado o período de permanência da criança na escola. Em Santarém a experiência de educação Integral está sendo fortalecida por meio do Programa Mais /PME, instituído pela portaria interministerial nº 17/2007 e pelo Decreto nº 7.083, de 27 de Janeiro de 2010, integra as ações de Plano de desenvolvimento da Educação (PDE). O objetivo do PME tem sido promover a formação integral de crianças e adolescentes com atividades voltadas para a aquisição de valores éticos, morais e sociais, proporcionando o exercício pleno da cidadania por meio das oficinas ofertadas. Suas propostas de atividades ofertadas pelo PME no Município de Santarém são: Cultura e artes, Campo do conhecimento e orientação de estudos, educomunicação, inclusão digital, historias das comunidades tradicionais, direitos humanos e cidadania, agroecologia, esporte e lazer. (SANTARÉM, 2014). 204 Na área Urbana o número de escolas atendidas pelo PME corresponde a 58, na Região de Rios esse número equivale a 111 escolas e na Região de Planalto temos 45 escolas sendo atendidas totalizando 214 escolas, 731 turmas e 19.596 alunos. Sendo que as atividades á serem aplicadas são escolhidas em conjunto com a equipe gestora, conselho escolar e representantes da comunidade. As escolas da área urbana podem optar dos sete macrocampos, três e entre estes optar por quatro ou cinco atividades sendo a quinta de Esporte na Escola. As escolas do Campo (Rios e Planalto)1 podem escolher quatro macrocampos e quatro atividades, no entanto o macrocampo ―Acompanhamento Pedagógico‖ é obrigatório para todas as escolas devendo haver ao menos uma atividade deste macrocampo (Orientação de estudos/ Campos do conhecimento). (SANTARÉM, 2014). As experiências pedagógicas mais requisitadas pela comunidade escolar para serem aplicadas pelo programa são: teatro, xadrez, ciclismo, canto coral, arte circense, jornal escolar, Karatê, capoeira, Banda Fanfarra, percussão, dança arte corporal e som, brinquedoteca, recreação e jogos, horta escolar canteiro sustentável, música instrumento e corda flauta doce, orientação de estudos e campo do conhecimento. (SANTARÉM, 2014). Em 2009 foram 18 escolas atendidas, possibilitando aprendizado a 2.412 alunos da rede pública municipal. Em 2010/2011 mais 17 escolas foram contempladas com o programa mais educação, totalizando 35 escolas, atendendo a 5.760 alunos. Em 2012 foram implantado mais 09 escolas na cidade, iniciando as atividades no mesmo ano. Ainda em 2012, o PME foi implantado em 120 escolas do Campo (Região de Rios e Planalto), porém as atividades foram iniciadas em algumas escolas no mês de março, em outras no mês de agosto de 2013, devido a questões relacionadas ao calendário escolar especifico de cada região e outras em novembro devido à liberação dos recursos. Totalizando um número de 164 escolas contempladas pelo programa, atendendo 16.783 alunos. As distribuições das escolas no Município de Santarém ficaram da seguinte forma na Região de Rios 78 escolas, sendo 24 do Lago Grande, 17 do Arapiuns, 14 do Tapajós, 18 da Várzea e 05 do Arapixuna. Na Região de Planalto 42, sendo 26 de Santarém e 16 de Mojuí dos Campos, que ainda está sob a coordenação do Município de Santarém. Em setembro de 2013 mais 50 Escolas foram contempladas, com o programa sendo: 04 escolas da cidade, 28 de Rios, 19 do Planalto, aumentando o total para 215 escolas. Por esta razão passamos a ter 48 escolas na área urbana, 106 na região de Rios, 41 na região de Planalto e 20 em Mojuí dos campos, desmembradas da coordenação do município de Santarém, ficando na responsabilidade da equipe do referido Município, recebendo o apoio da coordenação de Santarém. (SANTARÉM, 2014). 1 A secretaria municipal de educação-Semed instituiu um organograma divididos em departamentos e assessórias divididos por regionais. Assim para prestar, assistência administrativa e pedagógica dos espaços escolares de sua rede a secretária possui a assessoria de Rios, que realiza o atendimento das unidades escolares localizadas nas comunidades ribeirinhas; a Assessoria de Planalto responsável, responsável por administrar as unidades escolares das comunidades de terra firme, e Divisão de Ensino que atende as escolas localizadas na área urbana (VIDAL; COLARES 2014). 205 Em 2014 também foram implantadas no município mais 23 escolas, assim distribuídas, 10 na área urbana, 05 na região de rios, e 08 na região de planalto, porém, se fez necessário que fosse realizado o diagnostico de cada escola no PDDE INTERATIVO para posteriormente ser feita a adesão do PME pela gestão da Escola em consonância com o Conselho Escolar e Comunidade. Desta forma, em 2015, a SEMED conta com o total de 58 escolas na cidade e 156 no campo, fazendo um total de 214 escolas, 731 turmas, atendendo 19.596 alunos. (SANTARÉM, 2014) CONCLUSÃO Diante do estudo realizado referente às experiências pedagógicas identificamos que 214 escolas foram contempladas pelas iniciativas da implementação da educação em tempo integral na rede municipal de Santarém. A LDB, Nº 9394/96 deu ênfase para o aumento progressivo da jornada escolar nas escolas municipais dando legalidade a educação integral. O PME foi uma das iniciativas para se programar ações de Educação Integral, desenvolvidas pelo Governo Federal junto SEMED. No entanto, não podemos associar a implementação do PME com a melhoria no ensino e educação escolar das escolas participantes do programa, pois entendemos que fazer com que o turno integral seja de fato integrado as disciplinas de currículo formal não é tarefa fácil, no entanto podemos ressaltar que a contribuição que a educação integral pode trazer para o processo de ensino aprendizagem é de extrema importância levando em consideração os arranjos educativos de cada localidade ou região de maneira que o processo de ensino aprendizagem se torne pleno. REFERÊNCIAS ARROYO, M. O direito a tempos-espaços de um justo e digno viver. In.: MOLL, Jackeline (org.). Caminhos da educação integral no Brasil: direito a outros tempos e espaços educativos. Porto Alegre: Penso, 2012. p. 33-45. Disponível em: <http://books.google.com. Acesso em: 23 out. 2014. __________. O direito ao tempo de escola. Cadernos de Pesquisa, s.l., n. 65, p. 3-10, 1988. AZEVEDO, Janete M. Lins de. A educação como política pública. Campinas, SP: Autores Associados, 1997. BLASIS; et all. Tendências para a educação integral. FUNDAÇÃO ITAÚ – CENPEC. São Paulo: 2011. Disponível em http://ww2.itau.com.br/itausocial2/pdf/ed_integral.pdf. Acessado em 06 mai. 2014. BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Educação: gestão Intersetorial no território – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2009. ________. Ministério da Educação. Lei nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf. Acesso em 09/03/2014. CAVALIERE, Ana Maria. Anísio Teixeira e a educação integral. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Vol. 20, No. 46, 249-259. Rio de Janeiro-RJ, Brasil 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/paideia/v20n46/11.pdf>. Acessado em: 12 fev. 2015. 206 COELHO, Lígia Martha Coimbra da Costa. História(s) da educação integral. In: Em Aberto, Brasília, v. 22, n. 80, p. 83-96, abr. 2009. Disponível em: <http://emaberto.inep. gov.br/index.php/emaberto/ article/view/1472/1221>. Acessado em: 03 mai. 2014. TEIXEIRA, Anísio. Centro Educacional Carneiro Ribeiro. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Rio de Janeiro, v. 31, n. 73, p. 78-84, jan./mar. 1959. Disponível em: <http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/artigos/cecr.htm>. Acessado em: 22 fev. 2015. VIDAL, Ferreira Gerusa; COLARES, Maria Lília Imbiriba Sousa. Políticas de Formação de Professor no Âmbito da Educação em Tempo Integral em Santarém. Buenos Aires, Argentina p. 3-10, 1988. DOCUMENTOS SANTARÉM. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação. ___________. Censo escolar 2013. Santarém, Pará, 2015. ___________. Relatório Consolidado 2005-2012. Santarém, Pará, 2012a. ___________. Relatório Consolidado 2013. Santarém, Pará, 2014a. ___________. Relatório Consolidado 2014. Santarém, Pará, 2014b. ___________. Programa Mais Educação. Santarém, 2009. 207 EXPERIÊNCIAS PEDAGÓGICAS COMO POLITICA INDUTORA DA EDUCAÇÃO INTEGRAL EM ESCOLAS ESTADUAIS DA CIDADE DE SANTARÉM/PA Heloíza Mônica de Almeida Pimentel1 Anselmo Alencar Colares2 [email protected] [email protected] RESUMO: A pesquisa teve como objetivo verificar as experiências pedagógicas de educação integral nas escolas da rede estadual de Santarém/PA. O aporte teórico foi embasado em: Saviani (1998; 2000); Arroyo (1988); Paro; Ferretti; Vianna; Souza (1998); Coelho (2004; 2009; 2014) e as legislações vigentes sobre o tema. Estudo de abordagem qualitativa. Os resultados demonstram que a educação integral reconhece oportunidades educativas que perpassam conteúdo do currículo tradicional. Compreendemos que é necessário formar um cidadão completo, não sendo de forma fragmentada. Detectamos ainda que na rede estadual de Santarém, as políticas de educação integral estão sendo implementadas por meio dos programas Mais Educação e ProEMI, contudo, são muitos os desafios a serem vencidos. PALAVRAS-CHAVE: educação integral; experiências pedagógicas, ensino. INTRODUÇÃO O presente trabalho aborda resultados do trabalho de pesquisa intitulado ―Experiências pedagógicas como política indutora da Educação Integral em escolas estaduais da cidade de Santarém/PA‖. Este estudo está em sintonia ao projeto maior intitulado ―Políticas de Educação Integral nos municípios de Santarém e Belterra/PA‖. Desenvolvido no âmbito do Programa de Educação. PIBIC/CNP na Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA. A pesquisa possui como campo de investigação as escolas da rede pública estadual da cidade de Santarém, estado do Pará, com o objetivo de registrar e analisar como a política nacional de educação integral vem sendo implementada na referida cidade no sentido de verificar as experiências pedagógicas de educação integral em escolas públicas estaduais. Adotamos a pesquisa de campo de caráter qualitativo. Na primeira metade do século vinte (1920) iniciaram as tentativas de implantação da educação integral no Brasil. Em 1950 Anísio Teixeira inaugura em Salvador na Bahia o Centro Educacional Carneiro Ribeiro e, trinta anos depois (1980 e 1990), Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, cria os Centros Integrados de Educação Popular/Cieps. (COELHO, 2004). Contudo, apenas recentemente as políticas públicas para educação integral começam ter consistência, estando previstas nos dispositivos legais que regem a educação Brasileira, como a partir de 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no art. 34, a qual se determina 1 Graduanda em Licenciatura Plena em letras pela Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR. Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-PIBIC. Projeto de origem: Experiências pedagógicas como politica indutora da Educação integral nos municípios de Santarém e Belterra. Financiamento: CNPq. 2 Pós Doutor em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE/UFOPA. Vice Reitor da UFOPA. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Sociedade e Educação do Brasil-HISTEDBR/UFOPA. Orientador da pesquisa. 208 que seja "progressivamente ampliado o período de permanência na escola". (BRASIL, 1996). Desta forma, sendo corroborada com metas de ampliação progressiva do tempo escolar no Plano Nacional de Educação, lei nº 13.005/14, Plano aprovado em 25 de junho de 2014 propõe que 50% das instituições públicas de Educação Básica ampliem sua jornada até 2024. Essas iniciativas de ampliação da jornada escolar dos governos federais surgem como possibilidade ampliação das possibilidades de aprendizado, mas, também de proteção social de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidades sociais, garantindo a assistência e o desenvolvimento intelectual e físico desse público (COELHO, 2004). Neste sentido, o desafio da educação integral exige compromissos, como formulação de projetos pedagógicos, capacitação de seus agentes, participação da comunidade que, contribuem para uma perspectiva de ampliação de processos de permanência e aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens no âmbito da educação pública. METÓDO A pesquisa de campo teve como locus as escolas estaduais do município de Santarém. Foi dividida nas seguintes etapas: Visitas a 5ª Unidade Regional de Ensino (U.R.E.) da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) para fazer o mapeamento das escolas que desenvolvem ações voltadas para da política de educação integral em Santarém; Visitas às escolas que realizaram e/ou realizam ações voltadas para o desenvolvimento da política de educação integral em Santarém; Levantamento, seleção e digitalização de informações (fonte documentais e outras) que permitam reconstitui o histórico da política de educação integral ao longo do período delimitado para estudo; Análise das informações obtidas, produção de banco de dados e elaboração do relatório. Para que entendêssemos o termo educação integral e sua trajetória histórica foi necessário um aprofundamento teórico, desta forma utilizou-se como referencial os autores Paro (1988a; 1988b; 1988c), Coelho (2009), Saviani (1998; 2000) dentre outros, que descrevem em suas obras as concepções de educação integral no contexto brasileiro bem como o desafio que é essa concepção e prática de educação. RESULTADO E DISCUSSÃO O município de Santarém encontra-se na mesorregião do Baixo Amazonas-Pará. A administração da educação pública estadual, de responsabilidade da 5ª Unidade Regional da Secretaria Estadual de Educação –SEDUC, atende 28.345 alunos em seus diferentes níveis e modalidades, distribuídos em 35 unidades escolares, das quais 26 aderiram ao Programa Mais Educação do Governo Federal, (SEDUC/PA; 2013). 209 Foram matriculados no ano de 2014 na rede estadual de ensino 636 estudantes nos anos iniciais, e 6.959 no anos finais, 17.967 estudantes matriculados no ensino médio no total de 33 escolas com Ideb de 4,9. A partir da pesquisa de campo, iniciada com visitas à 5ª URE, no período de agosto de 2014 à julho de 2015 buscou-se identificar as experiências pedagógicas como politica indutora de educação integral, e foi possível o levantamento de dados de fontes documentais sobre ações desenvolvidas pelas escolas estaduais do Município de Santarém, como o Programa Mais Educação (PME) e o Programa Ensino Médio Inovador (ProEmi). -Programa Mais Educação Do número total de escolas da rede estadual de ensino, 26 aderiram ao Programa Mais Educação do Governo Federal (SEDUC/PA, 2013). Esses números mostram que 74% das escolas estaduais aderiram ao programa federal de ampliação da jornada escolar. Adesões significativas que podem indicar um interesse pelo programa, por parte do poder público e das próprias unidades escolar. Adesões significativas que podem indicar um interesse pelo programa, por parte do poder público e das próprias unidades escolar. Os resultados mostram a ampliação do tempo escolar com a implantação de Programas Federais, como por exemplo, o Programa Mais Educação, que tem como função impulsionar a educação integral partindo de atividades socioeducativas no período oposto ao turno escolar do aluno. Desde sua implantação este programa vem se expandindo em Santarém. Observamos que 26 escolas participantes do PME, 07 escolas atendem somente o ensino fundamental, as demais (19) atendem o ensino médio e fundamental. De acordo com o Relatório (2014-2015), identificou-se que no ano de 2014 foi desativada uma Escola Estadual por ter uma estrutura precária, o prédio não apresentava segurança em sua estrutura, e por conta disso, boa parte dos alunos tiveram de procurar outra escola, o que resultou no fechamento da escola por falta de alunos. Deste modo, as ações do PME no ano de 2014 foram desenvolvidas em 25 escolas com oficinas que englobam os macrocampos do PME, assim denominados e organizados pelo Ministério da Educação (MEC). A grande maioria das escolas encara o programa Mais Educação de forma positiva. De acordo com as respostas dos questionários, o principal entrave do desenvolvimento das atividades nas escolas é a falta de espaço e estrutura o que gera desconforto para os alunos, pois é inviável continuar no período oposto se não há refeitório, banheiros. As atividades do PME trouxeram bons frutos para a educação, pois, despertaram nos alunos mais interesses pelas matérias o que refletiu em um melhor desempenho. 210 -Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI) Outro dado observado, durante a pesquisa realizada na 5ª URE, foi à participação das escolas no Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI). O Programa Ensino Médio Inovador (PROEMI) foi instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, integra as ações do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, como estratégia do Governo Federal para induzir a reestruturação dos currículos do Ensino Médio. No Estado do Pará, a SEDUC, em parceira com o Ministério da Educação e Instituto Unibanco, implementou a partir de 2011, com ações integradas com o Jovem de Futuro (ProEMI-JF). Destaca-se que a participação do Estado do Pará, dentre os outros Estados, tem como público-alvo todas as escolas da rede pública. Tem como meta para elevação da educação do Pará em 30% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). No ano de 2014, a rede pública estadual do Município de Santarém teve matrícula de 18.196 alunos de ensino médio (INEP, 2014). A 5ª Unidade Regional de Ensino dispõe de equipe técnica para o acompanhamento das atividade do ProEMI, junto à rede de ensino estadual. No caso do município de Santarém, todas as escolas estaduais que atendem ao ensino médio são participantes, e para fins de pesquisa foram investigadas 30%, destas. CONCLUSÃO Na cidade de Santarém as políticas de educação integral estão sendo implementados através dos programas Mais Educação e proEMI. Contudo, são muitos os desafios a serem vencidos. Os entraves dos programas que tem como objetivo induzir à políticas de educação integral nas escolas do munícipio de Santarém encontram-se em vários motivos. Observamos, no decorrer da pesquisa, que a falta de espaço nas escolas causa grande desconforto para os alunos que participam das atividades dos programas, pois é difícil continuar no contra turno sem se alimentar. A maioria das escolas não tem o espaço do refeitório. As escolas pesquisadas não possuem banheiros adequados para que o aluno tome banho para continuar nas atividades do contra turno. Tais problemas levam a não participação do aluno, pois o mesmo, na maioria das vezes, não tem condições financeiras para voltar para a escola no horário que são realizadas as atividades. No ano de 2015 nenhuma escola realizou as atividades dos programas pois não houve o repasse de verbas para a realização das atividades. A greve que ocorreu na rede estadual também foi um dos motivos para a paralisação das atividades. Observou-se que é necessário que a implantação dos programas seja estudada de forma minuciosa para que atenda as necessidade e realidade das escolas. 211 REFERÊNCIAS: BRASIL.MEC. Programa Mais Educação: gestão intersetorial no território – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2009. BRASIL,MEC. Disponivel em: http://portal.mec.gov.br/index.php?catid=195:seb-educacaobasica&id=13439:ensino-medio-inovador&option=com_content&view=article Acessado em 03/08/2015 COELHO, L. M. C. da C. História(s) da educação integral. 27ª. Reunião Anual da ANPEd (Caxambu, Minas Gerais, 2004). Disponível em:< http://emaberto. Inep. gov.br/index. php/emaberto/article/view/1472/1221.> Acessado em 03/05/2014. IBGE. Instituto de Geografia e Estatística. Censo Populacional 2012. Disponível em:< http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/população.>. Acesso em: 11/09/2014 IBGE. Instituto de Geografia e Estatísticas. http://cod.ibge.gov.br/BIF.>Acesso em 11/09/2014. Cidades. Disponível em: < PARÁ, SEDUC. Relatório de Matrícula. Disponível em http://www.seduc.pa.gov.br/portal/ escola/onsulta_matricula/RelatorioMatriculas.php?codigo_ure=5&codigo_municipio=44997. Acessado em 22/09/2014. PARO, V. Escola de tempo integral: desafio para o ensino público. São Paulo:1988,Cortez. QEDU. Disponível em http://www.qedu.org.br/cidade/3406-santarem/ideb acessado em 14/08/2015. 212 FORMAÇÃO CONTINUADA DE COORDENADORES PEDAGÓGICOS: ESTUDO COM EGRESSOS DA UFOPA Anniê da Silva Farias 1 Maria Lília Imbiriba Sousa Colares2 [email protected] [email protected] RESUMO: O texto aborda o curso de especialização em coordenação pedagógica/UFOPA, como política pública de formação continuada. Objetivamos: Identificar os propósitos do curso; Realizar um perfil dos cursistas; Conhecer as concepções de coordenação pedagógica dos egressos. A pesquisa se desenvolveu com coordenadores egressos da turma 2012, utilizando os seguintes instrumentos: pesquisa bibliográfica, análise documental e entrevistas. O curso ocorreu de abril de 2012 a abril de 2013 com carga horária de 405h na modalidade EAD. Identificamos que 93% dos coordenadores egressos possuem graduação em Pedagogia; 92% vinculam-se a rede municipal de ensino; 82% são do sexo feminino; 47% estão na faixa etária de 31 e 40 anos. Constatou-se na pesquisa que o egresso tem uma concepção formada acerca do seu trabalho. Considerando-se um articulador, um mediador entre todos os atores da comunidade escolar. Para tanto, se identificou que a ideia de coordenação pedagógica assimilada pelos egressos é uma gestão participativa, na qual o coordenador pedagógico deve ser o fio condutor dos processos didáticos-pedagógicos na comunidade escolar. PALAVRAS-CHAVE: Gestão escolar. Formação continuada. Coordenação pedagógica. INTRODUÇÃO A coordenação pedagógica é parte integrante da escola e deve atuar em conjunto com a direção e demais integrantes a fim de promover uma educação com qualidade. O diretor escolar não tem como gerir todo o processo ensino-aprendizagem sozinho, portanto, o coordenador pedagógico vem com a perspectiva de organizar o trabalho pedagógico da escola (SOARES, 2012, p. 57). Assim, a direção escolar e a coordenação pedagógica devem atuar em conjunto para o bom andamento do processo educativo. Atualmente, o perfil do coordenador para atuar nas instituições escolares tem sido cada vez mais exigente, tendo em vista as cobranças que se têm recebido da sociedade globalizada. A gestão é tida como um dos mecanismos de alcance da aprendizagem e deve estar ―atenta aos processos educacionais de maneira a oferecer meios que viabilizem a concretização das expectativas da sociedade e, particularmente dos sujeitos envolvidos no ato de ensinar e aprender‖ (COLARES, 2012. p.53). Perante esta realidade são implantadas medidas que visam qualificar os profissionais que compõe a gestão das escolas. Exemplo disso é o Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública, vinculado à Secretaria de Educação Básica, do Ministério da Educação (SEB/MEC) e teve seu marco inicial no Brasil em 2005. Por meio do Curso de Pósgraduação Lato Sensu em Coordenação Pedagógica, objetiva promover a formação continuada de profissionais que atuam em equipes de gestão pedagógica em escolas públicas 1 2 Acadêmica do curso de Licenciatura em Pedagogia, Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA. Professora Doutora do PPGE, Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA. 213 de educação básica. Essa formação acontece por meio de parcerias com instituições de ensino superior e do ensino a distância. (BRASIL, 2007). Conhecer as concepções e práticas dos que atuam na gestão das escolas é relevante para se compreender como essa relação se efetiva na realidade escolar, quais são as contradições e semelhanças e como isso se materializa no cotidiano da escola. Por isso, esta pesquisa teve como objetivo conhecer as concepções de coordenação pedagógica dos coordenadores pedagógicos; traçar o perfil dos cursistas; e como o curso se efetivou. MÉTODO Para a coleta de dados, utilizamos a análise documental e o grupo focal, tendo como sujeitos os coordenadores pedagógicos egressos do Curso de Especialização em Coordenação Pedagógica, oferecido no período de 2012 a 2013 pela Universidade Federal do Oeste do Pará– UFOPA. A pesquisa desenvolveu-se de acordo com as seguintes fases: Estudo teórico a respeito da temática a ser investigada; Elaboração do banco de informações onde analisamos 468 formulários de matrículas; Análise documental (Projeto Pedagógico e o Relatório Final do curso). Grupo focal, na qual selecionamos a turma polo Santarém. Tivemos como critério para o grupo focal os egressos que atuavam na coordenação pedagógica, dentre estes 10 estavam atuando como coordenadores na rede pública municipal de Santarém. A entrevista foi realizada com quatro egressos na qual nomeamos como E1, E2, E3 e E4, para manter sigilo da identidade dos mesmos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Curso de Especialização Lato Sensu Coordenação pedagógica 1. Caracterização do curso: A realização do curso ocorreu de abril de 2012 a abril de 2013 com uma carga horária de 405h. Foram ofertadas dez turmas distribuídas em 10 polos, na qual integraram os seguintes municípios: Santarém, com duas turmas e, Belterra, Óbidos, Alenquer, Juruti, Oriximiná, Rurópolis, Novo Progresso e Itaituba, com uma turma cada. O curso foi desenvolvido na modalidade EAD, com encontros presenciais. Teve como clientela os coordenadores pedagógicos (supervisores e orientadores) que integram a equipe gestora da escola da Educação Básica do Oeste do Pará. O projeto foi vinculado ao grupo de Estudos e 214 Pesquisas História Sociedade e Educação no Brasil-HISTEDBR/UFOPA e Instituto de Ciências de educação/ICED UFOPA. 2. Objetivos do Curso Formar, em nível de pós-graduação lato sensu, coordenadores pedagógicos que atuam em instituições públicas de educação básica, visando à ampliação de suas capacidades de analises e resolução de problemas, elaboração e desenvolvimento de projetos e atividades no âmbito da organização do trabalho pedagógico no processo de ensino-aprendizagem. 3. Estrutura e funcionamento do curso Para o processo seletivo, foi requerido ficha de inscrição, cópia do diploma de graduação, comprovante que atua como coordenador pedagógico em efetivo exercício de escola pública municipal ou estadual e currículo documentado. A seleção se deu através da análise do currículo. Perfil dos cursistas Dos participantes do curso de especialização em coordenação pedagógica, 82% são do sexo feminino e 8% do sexo masculino. Quanto a idade, foi identificado que 47% estão na faixa etária de 31 e 40 anos, 31% na faixa de 41 a 50 anos, 8% de 20 a 30 anos, 6% de 51 a 60 anos, 1% acima de anos e ainda 7% não forneceram a informação. Referente a formação dos coordenadores cursistas, foi verificado no Relatório Final do Curso, que 93% possuem Licenciatura em Pedagogia e que há a presença de cursistas com formação em outras licenciaturas como Letras, Matemática, História, Geografia, Ciências, Ciências Biológicas, Filosofia, Educação Física e o Curso Normal Superior, todos esses com percentuais iguais ou menores que 1% do universo. Quanto a rede de ensino a qual participam os coordenadores pedagógicos, foi visto que 92% estão vinculados a rede municipal de ensino e apenas 8% a rede estadual. Este dado aparece por termos apenas uma Unidade Regional de Educação em Santarém. A taxa de conclusão/aprovação do curso foi 70%. Problemas de acesso a plataforma do curso devido à baixa qualidade da rede internet ofertada na região foi apontada como um forte fator que prejudicou o desempenho dos alunos, dificultando a interação necessária com a plataforma virtual na qual eram depositados todos os trabalhos. Concepções de coordenação pedagógica Para Libâneo (2004), as atribuições do coordenador pedagógico são de: responder por todas as atividades pedagógico-didáticas e curriculares da escola; pôr em discussão aos docentes, técnicos e comunidade o projeto pedagógico; coordenar reuniões; elaborar e gerir de diagnósticos; acompanhar processo de avaliação da aprendizagem e mais uma série de 215 atividades voltadas para o processo pedagógico que envolve o ambiente escolar. Esse papel do coordenador pedagógico como o articulador, facilitador, integrador do processo educativo é visto nas falas da E2 e E3: (...) bem lá nos primórdios o pedagogo em si ele tinha, ainda tem mas assim é com menas evidencia, ele era visto como o fiscal, dedo duro, a gente não era quisto. Mas hoje essa função ta realmente ali parceiro, de fazer a evolução gradativamente aonde eu tenho amor pelo meu ofício, aonde eu possa contribuir, somar, né (...) (E2) Eu lembro as antigas supervisoras, ainda tem gente que confunde, né, eu acho que, bom pelo menos a gente procura trabalhar muito nessa questão da evolução do processo ensino-aprendizagem (E3) A identidade assumida pela E2 e E3 como coordenador(a) pedagógico(a) é a de mediador, integrador do processo ensino-aprendizagem. É a de realizar o trabalho em conjunto com o professor na sala de aula para que o processo educativo se torne dinâmico e significativo tanto para o professor quanto para o aluno. Assim, O coordenador pode ser um dos agentes de mudança das práticas dos professores mediante as articulações que realiza entre estes, num movimento de interações permeadas por valores, convicções, atitudes; e por meio de suas articulações. O coordenador pedagógico e sua identidade profissional internas, que sua ação desencadeia nos professores, ao mobilizar suas dimensões políticas, humano interacionais e técnicas, reveladas em sua prática. (ORSOLON, 2006, p. 20). Mesmo compreendendo seu papel, como integrante da equipe gestora e também um articulador nas questões pedagógicas da escola, cotidianamente esse profissional encontra uma gama de dificuldades em sua função, como identificamos nas falas de E4: As vezes a gente é muito atarefado, [...] os alunos, os pais pensam que a gente é a diretora [..], porque a gente tem muita coisa pra resolver, as vezes deixa porque é o psicólogo, é a polícia, é mediadeiro de confusões, é aquele que vai ouvir os pais, os alunos, a gente acaba [com] [...] a parte pedagógica [prejudicada], a gente fica muito axecerbado com as funções (E4) A tarefa de mediar relações, pelo que entendemos nas falas de E4, é a que mais requer esforço por parte desse profissional. Convencer os pais de que eles têm um papel fundamental no processo educacional dos filhos também implica na ação de coordenador pedagógico. As questões burocráticas da gestão também são pontos elencados, como diz a E1: As vezes, por exemplo, ‘ah, a servente falou tal coisa, [ ]’ e a diretora ‘Odília, vamo lá que a servente tá reclamando disso [ ], falaram isso [ ], vamo lá’. Aí eu comecei a dizer ‘mas isso não é pedagógico, isso é administrativo’ (E1) 216 Questões como estas relatadas pela E1 são situações que acabam desvirtuando o coordenador da sua real função deixando, muitas vezes, de realizar atividades fundamentais que são suas atribuições. CONCLUSÃO O objetivo principal proposto foi conhecer as concepções de coordenação pedagógica dos egressos do curso de especialização. Sabemos que o termo concepção também pode ser entendido como ideia, noção, compreensão de algo. Constatou-se na pesquisa que o público entrevistado tem uma concepção formada acerca do seu trabalho. Considerando-se um articulador, um mediador entre todos os atores da comunidade escolar e um parceiro do trabalho do professor. Para tanto, se identificou que a ideia de coordenação pedagógica assimilada pelos egressos é a concepção que Saviani (2005), Libâneo (2001), Pinto (2011), dentre outros defendem, uma gestão participativa, ativa e acessível, na qual o coordenador pedagógico, antes de tudo, deve ser o fio condutor dos processos pedagógicos e didáticos na comunidade escolar. REFERÊNCIAS COLARES, Anselmo Alencar. Educação na Amazônia: o papel do gestor na melhoria dos processos educacionais. In: SOUSA COLARES, Maria Lília Imbiriba; XIMENES-ROCHA, Solange Helena, COLARES, Anselmo Alencar (Orgs). Gestão democrática: A escola pública e a formação continuada como objeto de análise. Belém: GTR, 2012. LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. Ed Goiânia: Alternativa, 2004. LIBANEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, Para Quê? 4. ed. São Paulo: Cortez, 2001. ORSOLON, Luzia A. M. O coordenador/ formador como um dos agentes de transformação da/na escola. In: ALMEIDA, Laurinda Ramalho de; PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza (Org.). O Coordenador Pedagógico e o espaço de mudança. 5. ed. São Paulo: Loyola, 2006. PINTO, Umberto de Andrade. Pedagogia escolar: coordenação pedagógica e gestão educacional. São Paulo: Cortez, 2011. Resolução CES/CNE n.º 1, de 8 de junho de 2007, estabelece normas para o funcionamento de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização. SAVIANI, Dermeval, Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações, 9ª ed. revista e ampliada. Campinas, Autores Associados, 2005. SOARES, Andrey Felipe Cé Soares. Coordenação Pedagógica: Ações, Legislação, gestão e a necessidade de uma educação estética. Curitiba: CRV, 2012. 217 FORMAÇÃO CONTINUADA DE GESTORES ESCOLARES Diana Albuquerque dos Santos1 [email protected] Maria Lília Imbiriba Sousa Colares2 [email protected] RESUMO: A presente pesquisa aborda a política pública de formação continuada tendo como recorte o curso de especialização em gestão escolar da Universidade Federal do Oeste do Pará, tendo como objetivos: verificar o perfil dos egressos; identificar os propósitos do curso e como efetivou-se; e conhecer as concepções dos gestores. Com uma abordagem qualitativa, a pesquisa desenvolveu-se com os egressos da turma do ano de 2013. Os instrumentos utilizados para a obtenção de resultados foram: pesquisa bibliográfica, análise documental e aplicação de questionário. De acordo com os dados obtidos, verificou-se que 62,3% dos cursistas graduaram-se em Pedagogia, 78% eram vinculados a rede municipal, 60% estavam na faixa etária no intervalo de 20 a 40 anos e 74% do sexo feminino. Depreende-se por meio dos dados analisados que os sujeitos da pesquisa compreendem a importância do curso de formação continuada para o desenvolvimento do seu trabalho na perspectiva da gestão democrática, uma vez que, constataram que os conhecimentos que foram adquiridos no curso proporcionaram melhorias em seu trabalho escolar. Destacando a importância da participação da comunidade no âmbito escolar para que a gestão democrática aconteça. PALAVRAS-CHAVE: gestão escolar. concepções. formação continuada. INTRODUÇÃO Com o advento da globalização a qualificação em vários setores, sobretudo na área da educação, tem sido cada vez mais exigida, em especial para aqueles que exercem a atividade administrativa. Pois, de acordo com Paro (2012, p. 25) ―[...] A atividade administrativa é, então, não apenas exclusiva, mas também necessária à vida do homem [...]‖. Perante esta realidade são implantadas medidas que visam qualificar os profissionais que estão: à frente da gestão da escola. Tem-se como exemplo o Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública, vinculado à Secretaria de Educação Básica, do Ministério da Educação (SEB/MEC). O programa por meio do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Escolar forma em nível de especialização gestores das escolas públicas da Educação básica. Sabe-se que a formação continuada é um dos princípios da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei Nº 9.394/1996, segundo seu artigo 80 o ―poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino [...]‖. Tal prerrogativa mostra como a formação continuada é, também, discutida na LBD, tornando-se base fundamental para as reformas políticas do país desde a década de 1980. 1 Estudante de graduação da Universidade Federal do Oeste do Pará. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA. Bolsista PIBIC/CNPq. 2 Pós-doutora em Educação pela UNICAMP. Docente do PPGE da Universidade Federal do Oeste do Pará. Líder adjunta do Grupo de Estudos e Pesquisas História, Sociedade e Educação no Brasil/HISTEDBR-UFOPA. Orientadora da pesquisa. 218 Esta pesquisa teve como objetivo conhecer as concepções de gestão dos egressos, identificar o perfil dos cursistas e como efetivou-se o curso de especialização turma de 2013, pois, entendemos que conhecer as concepções e práticas dos que atuam na gestão das escolas é relevante para se compreender as relações que se efetivam na realidade escolar, e quais suas contradições e semelhanças. O trabalho foi desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica e análise de dados, pautada na averiguação dos documentos do curso de especialização em gestão escolar oferecido pela Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA, e aplicação de questionários, aos cursistas concluintes que compareceram ao encerramento do curso, dos quais retirou-se uma amostra de 47 cursistas dos seguintes polos: Santarém SEMED, Juruti, Monte Alegre, Belterra, Alenquer, Santarém SEDUC, Itaituba e Oriximiná. Os sujeitos da pesquisa foram denominados de CURSISTA 1, CURSISTA 2, assim sucessivamente. MÉTODO Esta investigação firma-se em pressupostos teóricos metodológicos da pesquisa qualitativa tendo em vista que nessa abordagem ―a preocupação com o processo é muito maior do que o produto‖ (BOGDAN; BIKLEN, 1994 apud CAMPOS, 2004, p.3). Desta forma, com uma abordagem qualitativa, a pesquisa foi desenvolvida com os gestores matriculados, em outubro de 2013, no curso de especialização em gestão escolar da Universidade Federal do Oeste do Pará. Para o desenvolvimento da pesquisa, fizemos uso de um conjunto de instrumentos e procedimentos pertinentes a esta pesquisa, a saber: análise documental, onde foram objetos de análise Legislação e projetos que normatizaram o curso de especialização em gestão escolar; questionário, instrumento importante, para identificar as concepções dos egressos; estudo bibliográfico, onde utilizados autores pertinentes ao tema, formação continuada, gestão escolar e gestão democrática. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao analisar as diretrizes do Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica Pública, elaborado pelo MEC, verificou-se que no Brasil, do total de dirigentes escolares, 29,42% possui apenas formação em nível médio, sobretudo nos estados das regiões norte, nordeste e centro-oeste; 69,79% têm formação em nível superior e apenas 22, 96% possuem curso de pós-graduação lato sensu. (BRASIL, 2009, p.6). Esses dados demonstram a necessidade de medidas que visem à formação continuada dos gestores buscando contribuir para a elevação da qualidade do ensino ofertado na educação básica. Assim, ―o Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica objetiva a institucionalização de uma 219 política de formação nacional de gestores escolares, baseada nos princípios da gestão democrática [...]‖ (BRASIL, 2009, p.8). Na Universidade Federal do Oeste do Pará a implementação do programa foi em 2010, com a assinatura do termo de adesão com o MEC e posteriormente com as parcerias entre: secretaria de educação no município de Santarém e Belterra e secretaria estadual de educação, SEDUC, por intermédio da 5ª Unidade Regional de Ensino, tendo seu primeiro curso iniciado em 2011. O curso oferecido pela segunda vez pela Universidade Federal do Oeste do Pará, iniciou em outubro de 2013 e teve seu encerramento em maio de 2015. Neste foram matriculados 408 cursistas, destes 260 concluíram o curso. Os polos que integraram o curso foram: Santarém com 2 duas turmas, Belterra, Alenquer, Juruti, Oriximiná, Novo Progresso e Itaituba, com 1 uma turma cada. O curso teve uma carga horária de 400h, distribuídas da seguinte forma: Introdução ao ambiente Moodle 40h; Fundamentos do Direito à Educação 60h; Políticas e Gestão na Educação 60h; Planejamento e Práticas da Gestão Escolar 60h; Tópicos Especiais: Conselhos escolares e gestão democrática-TECE 30h; Oficinas Tecnológicas 30h; Projeto Vivencial 80h e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 40h. O trabalho de conclusão do curso foi realizado através de um projeto de intervenção e seus resultados estruturados em formato de artigo. Ao analisar o perfil dos cursistas verificamos que dos egressos participantes do curso 74% são do sexo feminino e 26% são do sexo masculino. Quanto à idade foi identificado nos dados que dos sujeitos 15% estão na faixa etária de 20 a 30 anos, 45% na faixa de 31 a 40 anos, 28% na faixa de 41 a 50 anos, 8% na faixa de 51 a 60 anos, 1% acima de 60 anos e 7% sem informações. Verifica-se que a maioria dos cursistas possui uma faixa etária no intervalo de 20 a 40 anos. Esses dados revelam que cada vez mais jovens estão em busca de uma formação continuada. Pois, sabe-se que ―a formação continuada vem sendo absorvida como uma necessidade nos diversos setores da sociedade, como forma de atender as mudanças constantes que a dinamicidade que o mundo apresenta e nos impõe [...]‖ (COLARES; BRYAN, 2014, p.178). Quanto à vinculação institucional, 78% estão na rede municipal de ensino, 12% na rede estadual, 6% corresponde à demanda social e 4% não têm informações. Percebe-se nesses dados a maior participação da rede municipal, questiona-se a pequena presença da rede estadual. Quanto à formação verificou-se que 62,3% possuem o curso de Pedagogia, 10,8% o curso de Letras, 4,4% o curso de Licenciatura em anos iniciais do ensino fundamental, 4,2% em História e 2,7% em Matemática, 3,2% sem informações e com 12,4% outros cursos que aparecem no levantamento da formação dos gestores. Percebe-se que o 220 curso de Pedagogia é a formação majoritária dos cursistas e isso se aproxima do que preconiza a legislação. Chama-nos atenção apesar de em número reduzido, a presença de áreas que não são licenciaturas. Esse fato pode ser explicado pelas seguintes possibilidades: os bacharelados presentes compõem o grupo de cursistas oriundos da demanda social ou, o curso apesar de ser oferecido para gestores escolares, também atendem outros profissionais que compõem a equipe gestora, mas não necessariamente os dirigentes. Por meio da aplicação de questionários foi possível identificar que o curso subsidiou os cursistas sobre conceitos relacionado a gestão democrática, conselhos escolares e a respeito de Projeto Político. Sendo essencial para o aprimoramento pessoal do cursista quanto para o desenvolvimento das suas atividades no âmbito escolar pautadas na perspectiva da gestão democrática. Como podemos observar nas transcrições abaixo: CURSISTA 5: Um respaldo melhor para falar de gestão o que ela proporciona pois os textos que esta universidade nos colocou nos conduziu para que expusemos melhor o que de fato é um PPP e como fazê-lo. CURSISTA 31: [...] à participação democrática da gestão educacional, quando esta possibilita na administração escolar, não só a participação do gestor em si, mas com representantes de todos os setores que compõem a comunidade escolar, dentro de uma perspectiva sócio democrática. CURSISTA 45: Gestão democrática, participativa e compartilhada; escola autônoma; qualidade da educação (efetivamente) e Legislação com base legal e comprometida com a escolar. Quando perguntado aos cursistas a respeito de quais conhecimentos foram adquiridos no curso sobre a temática de gestão, levando em consideração os conhecimentos do curso de graduação, tivemos respostas variadas, a saber: conhecimento nas áreas de educação, sobre conselho escolar, construção de projetos pedagógicos, como aplicar a gestão democrática e participativa na realidade escolar e aprimoramento das práticas metodológicas, como podemos verificar abaixo: CURSISTA 31: [...] à participação democrática da gestão educacional, quando esta possibilita na administração escolar, não só a participação do gestor em si, mas com representantes de todos os setores que compõem a comunidade escolar, dentro de uma perspectiva sócio democrática. CURSISTA 45: Gestão democrática, participativa e compartilhada; escola autônoma; qualidade da educação (efetivamente) e Legislação com base legal e comprometida com a escolar. Por meio das falas identificadas, nesta pesquisa, verificamos que o curso proporcionou suporte teórico no desenvolvimento do trabalho dos profissionais, particularmente aqueles que já atuam na área de gestão. Visto também, que o curso respaldou, em particular, a gestão democrática, sendo este um tema bastante indagado atualmente por 221 vários autores, da área da educação, como: COLARES (2012); PARO (2012) e CASTRO (2012). CONCLUSÃO A pesquisa proporcionou reflexões sobre a gestão escolar pautada na democracia, visando a garantia da participação da comunidade, resultando, assim, em melhoria na qualidade do trabalho dos cursistas gestores. Por meio do questionário aplicado percebemos que os egressos reconheceram a importância do curso de formação continuada. Verificamos, também, que os conhecimentos adquiridos foram essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem dos cursistas que atuam como gestores. Ademais, entende-se que conhecer os panoramas do curso, o perfil dos alunos e as concepções e práticas por eles apontadas contribuirão para a identificação e análise das mudanças que estão sendo processadas pelos que ingressaram no referido curso, apontando aspectos que podem servir futuramente como subsídios de avaliação e de implantação deste programa como política de formação. REFERÊNCIAS BRASIL. LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. BRASIL. MEC. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Diretrizes Nacionais do Programa Escola de Gestores da Educação Básica Pública. Programa Nacional de Escola de Gestores da Educação Básica, Brasília, 2009. CASTRO, A. M. D. A. Programa Nacional de Gestores da Educação Básica e a Política de formação de Gestores Escolares. GT01. Política e Gestão da Educação e Sistema Nacional de Educação. [s.i.], 2012. Disponível em: <www.anpae.org.br/seminario/ANPAE2012/1comunicacao/Eixo01_19/Alda%20Maria%20D uarte%20Araujo%20Castro_int_GT1.pdf>. Acesso em: 03 de jan. 2015. CAMPOS, C. J. G. Metodologia qualitativa e método clínico qualitativo: um panorama geral de seus conceitos fundamentais. A pesquisa qualitativa em debate...Anais/ II Seminário Internacional de Pesquisa e Estudos Qualitativos. São Paulo: Sociedade de Estudos e Pesquisa Qualitativa; Bauru: Universidade do Sagrado Coração, 2004. COLARES, M. L. I. S.; BRYAN, N. A. P. Formação continuada e gestão democrática: desafios para gestores no interior da Amazônia. ETD-Educ. temát. Digit, Campinas, SP, v. 16, n. 1, p. 174-, Jan. /abr. 2014. ISSN 1676-2592. Disponível em: <http: www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/article/view/5550>. Acesso em: 10 de Janeiro de 2015. PARO H. V. Administração Escolar: introdução a crítica. 1. Ed. rev.e ampl. - São Paulo: Cortez, 2012. 222 FORMAÇÃO FAMILIAR. PROFISSIONAL: O INCENTIVO AO VINCULO Fabiana Vasconcelos Silva1 [email protected] Jessica Maria Silva Miranda¹ [email protected] Weliton Ferreira de Carvalho¹ [email protected] Izabel Alcina Soares Evangelista.2 [email protected] RESUMO: O presente trabalho resultou de um projeto de pesquisa-ação realizado durante o período de estágio em formação de professores e educação profissional do curso de pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA, o qual teve como objetivo contribuir na ampliação do universo informacional e cultural das crianças e dos adolescentes, estimulando-os para o desenvolvimento de potencialidades e habilidades, no intuito de propiciar sua formação cidadã. Para a realização deste fez-se primeiramente a observação das crianças e adolescentes atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) no Centro de Referência e Assistência Social do bairro Nova Republica (CRAS) e depois organizou-se e realizou-se uma palestra no auditório do CRAS. Neste sentido, o procedimento metodológico valeu-se da pesquisa-ação sendo que primeiro identificou-se o problema encontrado no campo de estágio e depois realizouse uma ação de intervenção. Os resultados obtidos demonstraram serem satisfatórios uma vez que o público alvo participou de forma atenciosa, e interativa durante a ação demostrando grande interesse pelo assunto e satisfação pela oportunidade de participar da ação, conclui-se que ação foi de bom proveito tanto para a formação dos jovens atendidos como também para a dos acadêmicos que a realizaram. PALAVRAS-CHAVE: Educação Profissional, Formação e Intervenção. INTRODUÇÃO A necessidade de incentivar os estudos mostrando as possibilidades de formação profissional que os indivíduos têm através deles e o incentivo ao vinculo familiar, foi o que motivou a realização da ação desenvolvida no Centro de Referência a Assistência Social – CRAS da Nova Republica. Neste sentido foi realizada uma pesquisa no CRAS onde foi possível observa e conversar com as crianças e adolescentes que são atendidos naquele local, onde durante a observação notou-se a necessidade de incentivar a o interesse deles pela escola uma vez que a pedagoga da instituição informou que eles estavam desinteressados pelos estudos, visto que ela é responsável pelo acompanhamento do desempenho escolar de todos os jovens atendidos na instituição. Desta forma através da pesquisa detectou-se como problema o desinteresse escolar, para o qual teve como estratégia de combate a apresentação das possibilidades profissionais que os estudos abrem para aqueles que o procuram e da importância da família nesse processo de busca pelo conhecimento e formação profissional. Sendo assim planejou-se como ação uma palestra, com apresentação de vídeos e dinâmicas na qual participariam não só os jovens atendidos, mas também seus familiares (pai ou mãe) e nesta seria apresentadas as possibilidades de formação profissional que esses jovens têm no município de Santarém e como o estudo e a família é importante para alcança-las. 1 2 Acadêmicos do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA. Docente do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA. 223 No dia 27 de maio de 2015 ocorreu no auditório do CRAS Nova República nos turnos matutino e vespertino palestras para as crianças e adolescentes atendidos no centro na qual participaram também alguns responsáveis desses jovens, os orientadores sociais e a pedagoga da instituição, a ação começou com um vídeo e uma dinâmica que antecederam a palestra iniciada em tom de conversa com os jovens e tratou da importância de frequentar a escola e estudar, falou-se sobre a importância de valorizar a família e de como essa é fundamental para ajudar na escolha e formação profissional, os responsáveis presentes na palestra foram orientados a incentivarem, investirem e direcionarem os seus filhos nos estudos e na busca pela formação profissional. A atividade foi realizada estrategicamente nos dois turnos de atendimento dos jovens que são atendidos três dias na semana, sendo uma turma de crianças 07 a 12 anos e outra de adolescentes de 13 a 17 anos em cada turno apresentou-se com conteúdo variado, chamando a atenção do público presente e trazendo informações importantes sobre os cursos profissionalizantes, modo de ingresso, oportunidades que os cursos abrem no mercado de trabalho e os cursos oferecidos no município. No momento da ação foi possível nota que tanto as crianças quanto os adolescentes prestaram atenção na palestra e até interagiram com os palestrantes no momento em que foram questionados, os pais também se mostraram interessados nas informações que foram prestadas, mostrando assim que os objetivos propostos para a atividade foram alcançados. MÉTODO Para execução do projeto-intervenção desenvolveu-se uma pesquisa ação no CRAS, que possibilitou o diagnóstico inicial, através da coleta de dados, pesquisa documental e da observação participante. Neste sentido o procedimento metodológico utilizado para a pesquisa do Trabalho Interdisciplinar de Iniciação Científica realizada durante o Estágio em Formação de Professores e Educação Profissional foi à pesquisa ação, sobre a qual Knechtel comenta: Essa pesquisa acontece quando os procedimentos investigativos são desenvolvidos envolvendo a participação e a ação de pesquisadores e participantes, tendo em vista um problema coletivo para o qual se buscam soluções. (Knechtel 2014, p. 150) Deste modo em primeiro momento procurou-se saber qual é o papel da pedagoga dentro da instituição, quais serviços à instituição oferece, e como se poderia intervir de forma positiva naquele meio, sendo assim realizada a observação e participação nas atividades dos jovens atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos na instituição. Identificou-se assim uma problemática sobre qual foi realizada uma ação de intervenção, que teve como foco os desafios enfrentados por esse publico, e a importância da família nas decisões e escolhas do jovem e da criança. 224 RESULTADOS E DISCUSSÃO As crianças e jovens hoje enfrentam as crescentes crises sociais do país, onde se predomina a desigualdade social, e mesmo diante desse momento, vivem suas diversidades de estilos e identidades, o que para uns parece algo negativo, para outros uma forma de mudar o mundo. Pois na passagem da adolescência para a vida adulta observa-se também a mudança da condição de dependência para a de autonomia em relação à família, a própria subsistência, alcance de objetivos e metas, porém o que muitos desses jovens não encontram é apoio e incentivo para realizar seus sonhos. Sobre isso Rubens Alves diz que ―os educadores antes de serem especialistas no saber, deveriam ser especialistas no amor: interpretes de sonhos.‖ Pois não basta apenas ensinar o caminho a ser seguido pelo aluno, mas deve-se incentiva-lo na busca por seus objetivos, fazendo-o acreditar em si mesmo, na sua capacidade de ir além. A terapeuta Suely Lima em seu artigo ―Pais e Filhos adolescentes‖ diz que ― a fase da adolescência é muito importante na vida do indivíduo... É a fase que o ser humano quer vivenciar o novo.‖ O jovem acredita que pode se tornar um grande líder, uma pessoa de sucesso, e nem mesmo diante das desigualdades sociais deixa de sonhar com um mundo melhor para si e para sua família. É a partir desta analise que se propôs trabalhar o tema formação profissional e incentivo ao vinculo familiar, pois se observou a necessidade que os jovens e adolescentes atendidos pelo CRAS tem de informações que possam lhes auxiliar na sua formação, como também o apoio diante dos desafios que lhe são propostos e a importância da família e dos vínculos escolares na busca de sua identidade cidadã. Lima discorre sobre as atitudes dos pais que em alguns casos, exigem dos filhos mais do este pode lhe oferecer no momento, sendo inflexíveis e autoritários. Enquanto outros buscam melhores resultados, sendo pais mediadores e sempre dispostos a encarar junto qualquer desafio. ―Pais atuantes, criativos, bem humorados, líderes em sua família, acertam mais, pois tendem a parar para refletir sobre suas próprias atitudes. Eles procuram mudar quando se deparam com suas falhas e passam a sentir seus filhos como seres humanos que tem identidade própria. Educar para eles é uma atitude de vida.‖ (Suely Sousa Lima, O Jovem diante de seus desafios). Neste sentido buscou-se contribuir na relação pais-filhos, professor-aluno, desenvolvendo conceitos sobre a importância deste vinculo, e despertando nos jovens desejos por novos 225 conhecimentos, por capacitações, cursos profissionalizantes no intuito não só de lhe demonstrar as oportunidades, mas também de lhes mostrar o quanto são capazes de sonhar e realizar seus sonhos. Os resultados obtidos demostraram ser satisfatórios uma vez que os jovens participaram das atividades e mostraram-se interessados em saber como os cursos da educação profissional são ofertados no município e também a importância do vinculo familiar que foi apresentado de forma a valorizar a família e tendo tocado emocionalmente alguns adolescentes a ponto de ser visível a emoção destes que demostraram interesse pelo tema, observando com atenção a informações apresentadas. Deste modo a pesquisa-ação realizada no CRAS obteve resultados importantes para a prática pedagógica dos acadêmicos envolvidos no estágio, foi uma oportunidade inovadora que utilizou como metodologia a pesquisa-ação e resultou em experiência como a organização de palestra, a observação do trabalho do pedagogo na área da assistência social, o conhecimento das atividades realizadas no CRAS, o público atendido e a forma de atendimento prestado nesse ambiente, todos esses novos conhecimentos foram enriquecedores e uteis para a formação acadêmica dos estagiários envolvidos. CONCLUSÕES As conclusões obtidas com a ação dão conta que o trabalho do pedagogo em conduzir o mais jovem ao conhecimento não é realizado apenas nos ambientes escolar mais também em outros ambientes como no CRAS e que ações desse tipo são importantes serem realizadas nessas instituições, visto que nestas são atendidos jovens carentes e que muitas vezes desconhecem as oportunidades que lhe são ofertadas no município o que acaba sendo uma forma de exclusão pela falta de informação ou até mesmo de incentivo a buscar esse conhecimento. Além da informação como forma de inclusão, um ponto fundamental desenvolvido na ação foi à importância de valorizar o vinculo familiar que é à base de formação social de um individuo e que nos dias atuais se encontra desvalorizada devido a diversos fatores os quais provocam os principais problemas vistos na sociedade atual. Desta forma a mensagem transmitida sobre valorizar a família e consequentemente os estudos na palestra foi muito importante para a formação das crianças e adolescentes atendidos no CRAS Nova República que tiveram um momento de reflexão acerca de valorizarem as suas famílias. Conclui-se então que a ação como um todo foi muito enriquecedora para a formação acadêmica dos estagiários devido à nova experiência vivida a qual também contribuiu de forma construtiva para a formação social dos jovens atendidos no centro que tiveram diversas oportunidades de formação profissional apresentadas para eles tomarem conhecimento do que eles podem ser através da busca pelo conhecimento. 226 REFERÊNCIAS Knechtel, Maria do Rosário. Metodologia da pesquisa em educação: uma abordagem teóricoprática dialogada. Curitiba: Inter Saberes; 2014. 192 p. Internet Pagina: ALVES, Rubens. Disponível em http//: www.projetospedagogicosdinamicos.com acesso em: 24 de maio de 2015 LIMA, Suely Souza. Disponível em http//: www.athusassessoria.com acesso em 15 de maio de 2015. 227 IDENTIDADE: A FACE DAS VIVÊNCIAS PROFISSIONAIS DOS PROFESSORES EM SOCIEDADE Profa. Dra. Francisca Canindé Bezerra dos Santos 1 [email protected] ² RESUMO: Os humanos são seres carentes, necessitam dos demais para sobreviver e construir sua identidade. Nessa construção passam por vários momentos na história da sua existência no mundo. Os objetivos que permeiam este trabalho, interpretam, analisam os marcos de injustiça que implicam na formação de identidade coletiva fortalecendo a luta das pessoas pelos seus direitos e da própria natureza. A metodologia se concentra nas análises de textos de vários autores que tratam da temática. As técnicas multivariantes foram significativas possibilitando as análises de regressão e determinantes que explicam os comportamentos relacionados ao sofrimento dos atores sociais em estudo. Os resultados foram satisfatórios demonstrando nas análises que o ser humano constrói várias identidades, dentre elas, a coletiva que reúne as pessoas diante das angústias, que mexem com seu emocional e partem em defesa dos seus direitos e dos alunos. A identidade é a face que marca o homem como homem e a sua liberdade de viver outras identidades. PALAVRAS-CHAVE: Homem, Identidade Coletiva, Injustiça. INTRODUÇÃO O ser humano constrói a sua identidade de homem e se torna humanizado na sociedade tribal. Na temporalidade da sua existência, novas necessidades emergem deixando mais complexa as relações com a natureza e com os elementos da comunidade, que atingiram outro modo de vida em sociedade urbana. O avanço socioeconômico e cultural exige a formação de outras identidades, permitindo a sobrevivência mais estruturada diante de um mundo mais complexo e exigente. As relações sociais assumem maior complexidade, estimulando o ser humano formar um coletivo mais denso e forte para se autodefender, exigindo e cobrando seus direitos diante das lideranças do grupo e do Estado. Esses novos comportamentos ocorreram em virtude dos homens tomarem consciência da opressão e subordinação em que estavam vivendo, daí a construção da identidade coletiva e da descoberta dos canais possíveis para trilhar dias melhores na caminhada na sociedade de consumo e tecnológica. Os objetivos que pautaram esta investigação se inseriram em: a) Interpretar as estratégias das injustiças e suas consequências na sociedade, principalmente as minorias, que sofrem com os salários inferiores para manterem suas famílias. b) Analisar o comportamento dos professores diante da política salarial do governo. c) Discutir a formação da identidade coletiva diante das angústias e descontentamentos com os problemas que atingem os profissionais da rede estadual. 1 Professora Dra., pesquisadora, ministra aulas nos Cursos de Pedagogia e Serviço Social do Centro Universitário Luterano de Santarém. Historiadora, geógrafa e doutorada em Psicologia Social pela Universidade de Santiago de Compostela – Espanha. 228 MÉTODO Trata-se de uma pesquisa exploratória por envolver ―levantamento bibliográfico, fazer entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem compreensão‖ (GONÇALVES, 2006; p.98). Para melhor explicar o comportamento de formação de identidade coletiva, utilizou-se as análises de regressão e determinantes, que fazem parte das técnicas multivariantes. RESULTADOS E DISCUSSÕES Desde a formação dos professores(as) que eles devem ter se angustiados, por não receberem uma educação adequada para ministrar aulas aos seus futuros alunos. Como afirmou Werebe (1997, p.30): A criação do ensino normal não modificou muito a qualificação dos professores primários. É verdade que as vicissitudes por que passaram as escolas normais mostram bem o desinteresse das autoridades pela formação desses professores e consequentemente, pelo próprio ensino elementar. Neste contexto, os professores não tinham culpa de terem recebido uma formação medíocre, sem a presença das disciplinas pedagógicas para lhes fornecerem conhecimentos adequados para ministrarem ensinamentos que pudessem garantir uma aprendizagem digna para a criança e o adolescente, como se reporta Aranha (2012, p. 227): ―O descaso pelo preparo do mestre fazia sentido em uma sociedade não comprometida em priorizar a educação elementar no século XIX‖. Diante de uma situação caótica, o Brasil Imperial, transmitiu os resquícios de uma educação que não permitia reflexão crítica diante da realidade, a fim de tomar consciência e priorizar formações educacionais que pudessem e possam atualmente não só rever o passado, mas formar identidades coletivas contundentes, que sejam capazes de reverter à situação da educação escolar no Brasil, afirma Gohn (1922, p. 16): ―O cidadão coletivo reivindica baseado nos interesses da coletividade de diversas naturezas, anima e entusiasma os demais componentes a participar com crença de alcançar os objetivos...‖. Os resultados demonstraram que a maioria dos profissionais entrevistados considera a situação deles e das escolas bastante negativa, tanto na dimensão econômica, na satisfação com o salário e nas verbas nos investimentos para melhoria das escolas, por isso 92% dos atores apresentaram descontentamento com a política educacional Federal e Estadual. A função descriminante é significante e os coeficientes das variáveis diferentes mostram um cenário de ligeira diferença e bastante semelhante na análise de regressão. Novamente a relevância das dimensões econômicas reforça o descontentamento com o salário e a situação de descaso com o ambiente escolar de seus discentes. Neste caso, 95% dos mestres formaram identidade coletiva diante da situação em que estavam vivendo. Desse modo, numa reunião geral, 90% dos agentes sociais implicados decidiram por uma greve, exigindo melhorias das escolas, para melhor atender os alunos, pagamento do que o 229 governo está devendo. Sendo assim, discussões em reuniões, protestos por este Brasil afora e em Santarém, paradas, concentrações na tentativa de chamar atenção do governo central e estadual, a fim de tomarem medidas sérias e atender os professores. 65% desses professores estão incluídos no Ensino Fundamental e 35% no Ensino Médio e Ensino Superior. CONCLUSÃO O amadurecimento pessoal e profissional dos professores está permitindo uma visão crítica da realidade em que vivem, e de comprometimento mais responsável com sua formação, a fim de se comprometerem com mais eficácia na formação educativa dos seus alunos. Sendo assim, a variável identidade apresentou resultados satisfatórios com o comportamento dos profissionais da educação, o que possibilitou descobrir e comprovar a satisfação dos mestres em lutar pelos seus direitos e de seus alunos, para terem ambientes mais agradáveis e capazes de aprenderem a ser cidadãos conscientes e criativos. A participação é relevante na tomada de decisões na coletividade. Por essa razão, foram relevantes e úteis os resultados obtidos, a fim de se conhecer o comportamento dos professores implicados nos diferentes marcos de ação política e coletiva, permitindo mudanças na forma de pensar e agir tanto das autoridades como dos próprios docentes em relação aos seus direitos e de seus alunos, acreditando que a formação da identidade coletiva e uma ação qualitativa e educada que pode transformar a sociedade com educação dos componentes sociopolíticos e culturais, como verdadeiros cidadãos. REFERÊNCIAS ARANHA, Mª Lúcia de Arruda. História da Educação e da Pedagogia Geral e do Brasil, 3 ed., São Paulo: Moderna, 2012. GONÇALVES, Hortência de Abreu. Manual de Metodologia da Pesquisa Científica, São Paulo: Avercamp, 2005. GOHN, M. G. Movimentos Sociais e Educação, São Paulo: Cortez, 1992. KLANDERMAS, B.; WERED M. Psicologia de Protesto. Departamento de Psicologia Social, Holanda, Amsterdã: Free Universidade, 1997. MIRANDA. C. L. S. Identidade: Síntese das múltiplas identificações, Cabral Editora Universitária, Taubaté: 1998. SABUCEDO, J. M.; SEONE, G. et al. Lá acción política en el contexto supranacional y los marcos de acción colectiva, Santiago de Compostela: Universidade, 2003. WEREBE. Mª José Garcia. 30 Anos Depois Grandezas e Misérias do Ensino no Brasil, 2 ed., São Paulo: Editora Ática, 1997. 230 MOTIVAÇÃO DO DOCENTE NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM Conceição Maria de Sousa Canté1 [email protected] Elbe Keila Cunha de Oliveira1 [email protected] Maria Sueli Costa Figueira¹ [email protected] Izabel Alcina Soares Evangelista2 [email protected] RESUMO: O presente projeto de pesquisa tem como tema a motivação do docente no processo de ensino e aprendizagem, onde será abordada a relevância da motivação para a aprendizagem do Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Santarém CEULS/ULBRA. Ao interessar-se pelo problema identificado, optou-se pela pesquisa-ação que tem como objetivo desenvolver atividades motivacionais como condição facilitadora do processo de ensino aprendizagem. O procedimento metodológico foi realizado através de palestra e diálogo com os professores da Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI). O resultado da ação desenvolvida foi analisado após a aplicação do mesma. PALAVRAS- CHAVE: motivação, professores, ensino aprendizagem. INTRODUÇÃO Atualmente, e um dos problemas mais debatido e porque não dizeres questionáveis presentes na maioria dos encontros entre professores são a falta de interesse ou de motivação do educador em ensinar. Então o que fazer para resolver sua situação em que se busca resgata a motivação para aprendizagem. Nesse sentido desenvolveu-se uma palestra sobre motivação para o público docente. É necessária que se tenha clareza, que a motivação não ocorre sozinha ela necessita de elementos internos e externos, ou seja, de todo o segmento da comunidade escolar, e o objetivo geral desse projeto foi apresentar a importância da motivação como condição facilitadora do processo de ensino aprendizagem, como específico: analisar o papel da motivação no processo de ensino aprendizagem; Compreender as relações professor/ aluno, no ambiente escolar; demonstrar a importância da motivação através de palestra. MÉTODO Este estudo foi desenvolvido valorizando a pesquisa-ação, por meio de palestra e vídeos que o educando reconheça a necessidade de motivação e se alto avaliando perguntando para si mesmo onde posso melhorar e em que sou melhor e para que deva melhorar? 1 Acadêmicas do VIII semestre do curso de Pedagogia do CEULS/ULBRA. 2 Orientadora: Profa. Curso de pedagogia CEULS/ULBRA 231 Segundo Antunes (2012) o ser humano é muitas vezes um ser individualista, competitivo, mas é preciso aprender a viver junto, respeitar, ajudar e compreender o próximo. As oficinas pedagógicas servem para a formação continuada do educador, para sua motivação intrínseca e o crescimento na relação com o outro, como também promover nos professores o autoconhecimento por meio das reflexões, pensar com o outro. Uma aprendizagem em grupo partilhando vivências e trocando experiências. O desenvolvimento humano e a construção do conhecimento através do método de oficinas representam possibilidade de desenvolvimento, de amadurecimento com os outros seres humanos. Ao propor vivências em grupo, a partir das realidades, intencionalidades e motivações intrínsecas, o ambiente das oficinas revela desejos de mudanças no ambiente escolar. Sempre no sentido de que o espaço educativo promova a Educação integral, evidencie os motivos extrínsecos da Educação como um todo, mas revele os desejos intrínsecos de aprender, e por que não dizer, aprender ao longo da vida (ANTUNES, 2012, p. 36). O tema motivação ligado à aprendizagem está sempre em evidência nos ambientes escolares, impedindo professores de executar suas tarefas em sala de aula ou fazendo-os recuar, chegando à desistência nos casos mais complexos. RESULTADOS ESPERADOS Com a aplicação deste projeto de ação espera-se: Professores motivados para atuarem em sala de aula no processo de ensino e aprendizado. A motivação é, então, aquilo que é susceptível, move o individuo, de leva-lo a agir para atingir algo e de lhe produzir um comportamento orientado, sendo assim, motivação é o impulso que leva a algo. O conceito de motivação encontra-se associado à vontade e ao interesse de fazer um esforço e alcançar os objetivos esperados. A motivação têm buscado elucidar o comportamento do indivíduo no trabalho de forma que o conceito de motivação já era tratado na filosofia grega. No início do século XX a temática principal da teoria da motivação passou de uma abordagem filosófica para uma abordagem psicológica-gerencial. Desde então as teorias têm tentado explicar o comportamento das pessoas através do estudo de variáveis que focalizam não só o indivíduo, mas também a situação contingencial com a qual ele interage (Szilagyi & Wallace, 1990). Por outro lado, as teorias centradas no processo tratam não apenas do estímulo, mas dos fatores que dão direção para o comportamento motivado, ou seja, elaboram os construtos do processo que possibilita direcionar e manter de uma conduta ou padrão de comportamento. 232 Por exemplo, a motivação devido à percepção do indivíduo quanto ao esforço que deve ser empregado no trabalho, quanto aos requisitos de desempenho e quanto às recompensas possíveis de serem obtidas (Szilagyi & Wallace, 1990). A teoria das necessidades no modelo de Maslow tem recebido muitas críticas. Dentre elas cabe assinalar as críticas que enfatizam que os modelos das necessidades têm que ser complementados com outras explicações teóricas e as críticas que afirmam que as necessidades informam somente qual aspecto devem ser atendidos, contudo, não explicam como se produz a motivação. Assim, as necessidades por si só são insuficientes para explicar as ações humanas. Informam-nos sobre o porquê uma pessoa realiza uma ação, mas nada dizem sobre a ação particularmente escolhida. As teorias do processo motivacional surgem precisamente como resposta a esta problemática (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). Quantas vezes o professor prepara uma atividade que ele achou que prenderia a atenção de seus alunos, que os levaria adiante, que os faria buscarem as informações que eram necessárias, porém, ao executá-la, não conseguiu êxito. A abordagem cognitiva das teorias da motivação sugere que indivíduos que acreditam na obtenção de recompensas como consequência do engajamento no programa da qualidade tenham maior interesse em fazê-lo que quaisquer outros (Kanfer, 1990). A motivação é algo essencial na vida do ser humano, um sentimento, ou se tem ou não se tem. Isso não quer dizer que não se possa fazer nada para que as pessoas consigam vivenciá-la. Neste aspecto, as recompensas intrínsecas têm um papel fundamental para a motivação das pessoas, e de forma especial para os trabalhadores de empresas públicas. Estas, além possuírem diferenças quanto à missão, são diferentes também quanto aos mecanismos de controle orçamentário para fins de recompensas extrínsecas para seus funcionários (Crewson, 1997). CONCLUSÃO A falta de motivação dos profissionais de educação é m assunto que vem ganhando grande ênfase nas discussões entre pedagogos. Foi com base nesse foco que desenvolvemos o projeto motivação tema central dessa pesquisa-ação que foi muito proveitosa, pois fez os professores refletirem como estão atuando e sala de aula e também serviu como processo de 233 incentivo que se destinou a oferecer estímulos e meios apropriados para tornar a aprendizagem mais eficaz. Assim como sua relação com o processo de aprendizagem talvez se possa imaginar que a motivação tem seu sentido limitado a expressão geralmente utilizada para fazer referência a vontade que se tem para realizar algo. De fato, é possível partir desse ponto para defini-la, mas vários elementos a constituem, por isso, o estudo estendeu-se para o processo motivacional. Através de leituras e relações estabelecidas entre estas e a prática pedagógica até então presenciada, percebe-se que um trabalho que considere o saber como um todo que se edifica através das relações sociais, deve priorizar, antes de tudo, a efetiva compreensão e significação do conhecimento pelo professor. REFERÊNCIAS ANTUNES, D. D. Oficinas pedagógicas de trabalho cooperativo: uma proposta de motivação docente. 2012. 168 f. Tese (Doutorado em Educação) Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <http://www.bdtd.ibict.br/>. Acesso em: 17 mai. 2015. CREWSON, Philip E. ―Public-service motivation: building empirical evidence of incidence and effect.‖ Journal of Public Administration Research and Theory. Lawrence, Oct., 1997, V. 7, 499-518. KANFER, Ruth. Motivation theory and. Industrial/organizational psycholgy. In: MARVIN D. Dunnette & LEAETTA M. Hough. Handbook of industrial and organization psychology. Consulting Psychologists Press, Inc., Palo Alto, CA, 2nd ed., 1990, vol. 1. SALANOVA, Marisa; HONTANGAS, Pedro M. e PEIRÓ, José Mª. ―Motivación Laboral‖. In PEIRÓ, José Maria e PRIETO, Fernando. Tratado de Psicología del Trabajo. Vol. I: La actividad laboral en su contexto. Editorial Síntesis, Madrid, 1996. SZILAGYI Jr., Andrew & WALLACE Jr., Marc. Organizational Behavior and Performance.Harper Collins Publishers, USA. 5 Th Ed,1990. 234 O ENSINO DA DISCIPLINA ESTUDOS AMAZÔNICOS NAS ESCOLAS DE SANTARÉM-PARÁ: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A TEMÁTICA DA GUERRA DA CABANAGEM Wilverson Rodrigo Silva de Melo1 [email protected] RESUMO – Este presente trabalho tem como objetivos analisar no contexto do ensino de História e de Estudos Amazônicos, como é abordado o tema da Guerra da Cabanagem nas salas de aula das Escolas Básica de Santarém, bem como as dificuldades docentes em ministrar com clareza e domínio de conteúdo um tema de principal relevância na formação da sociedade amazônida moderna e na construção da identidade do Nortista, em especial do paraense e amazonense. Apesar de sua significância histórica e cultural, notou-se quão diminuído e lacônico é o tema da Guerra da Cabanagem no ensino de História e de Estudos Amazônicos em Santarém seja devido a ignorância dos professores por não terem domínio de conteúdo e não conseguirem relacionar com a formação sócia histórica do amazônida; seja pela falta de clareza das ideias dos professores ao não se fazer serem compreendidos pelos alunos; bem como a forma simplória e resumida em que está presente nos livros didáticos. PALAVRAS-CHAVE: cabanagem, estudos amazônicos, escolas de santarém. INTRODUÇÃO A Guerra da Cabanagem foi o maior movimento de revolta popular na Amazônia brasileira – quiçá do Brasil como afirma Caio Prado Jr (1933). Devido sua cristalização popular, dimensão territorial pela qual se expandiu nas Províncias do Grão-Pará e Rio Negro e seu teor armamentista, a guerra da cabanagem ainda se faz presente nas memórias e correlatos dos amazônidas. É neste ínterim, que a discussão do ensino desta temática nas aulas de História e Estudos Amazônicos em Santarém ganha legitimidade, por assim entender que o ensino deste tema está voltado especificamente para a formação da sociedade amazônica bem como a identidade do nortista, em especial o paraense e amazonense. Tal ponto é fulcral para a concepção de memória e história, onde um povo que não tem memória e a não conserva acaba ficando sem sua própria história ou pelo menos alimentando uma prolixidade em relação a sua etnogênese. Dito isto, convém entendermos que ―o fazer história e o ensinar história‖ não são campos distintos do saber histórico, ambos encontram-se imbricados e não devem se dissociar, antes devem ser semelhantes ―a historiadores e poetas que têm como ofício alguma 1 Prof.º Mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Especialista em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Pós-Graduando em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes (UCAM); Pós-Graduando em Planejamento, Implementação e Gestão da Ead pela Universidade Federal Fluminense (UFF); Graduado em História pelo Centro Universitário Luterano de Santarém (CEULS/ULBRA). Professor-Tutor do Curso de História da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) em Santarém. 235 coisa que é parte da vida de todos: destrinchar o entrelaçamento de verdadeiro, falso e fictício que é a trama do nosso estar no mundo‖ (GINZBURG, 2007, p.14), e por se tratar de ―res gesta‖ presentes nas ―Historie‖ 1 (fatos presentes nas narrativas de acontecimentos) apresentam sentidos históricos ligados a uma construção de identidade que outrora fora alimentada pelas memórias e apropriações sócio-políticas de memórias. MÉTODOS O Trato metodológico empregado no trabalho foi: a) a pesquisa de campo (onde se definiu um universo de quatro escolas da rede privada, pública municipal, pública estadual e pública conveniada); a pesquisa bibliográfica (que procurou observar e interpretar a abordagem histórica sobre o tema em algumas coleções de livros didáticos e apostilas utilizadas pelos professores) e História oral (relatos de alunos e de professores). Posteriormente a esta reunião de informações, ocorreu à análise e sistematização dos dados tendo como suporte o método histórico e como embasamento teórico a ―história do tempo presente‖ - para as discussões de relacionar as lutas cabanas do século XIX com as lutas atuais no amazônida - de Koselleck (2006). RESULTADOS E DISCUSSÃO Nos quatro tipos de escolas de regimes diferenciados foi observada uma relação de equivalência quanto aos métodos e aportes teóricos utilizados pelos professores de História e Estudos Amazônicos. No que tange a temática da Guerra da Cabanagem no decorrer de todo seu processo revolucionário, na maioria dos casos, os professores se furtam de explanar o processo da cabanagem na perspectiva de uma evolução revolucionária. Quando iniciam o tema da cabanagem o fazem relacionando ao processo de Adesão do Pará a Independência em 1823. De igual modo, posterior a isso, alguns professores trabalham a eclosão do movimento armado nas ruas de Belém no ano de 1835, sua repressão por Soares D‘Andréa e a formação do corpo de trabalhadores no Pós-Cabanagem (para evitar a ociosidade e um novo levante insurreto). Acabam deixando de lado assim, as discussões ímpares sobre os bastidores da revolução como a revolta de Cametá em 1824; o racha político entre Bernardo Lobo de Sousa e Batista Campos a partir de 1831 (e que consequências isto irá gerar no Baixo Amazonas 1 Discussão de termos históricos que explicam formas de ―História‖, a Geschichte na um für sich [a História em si e para si]. In: KOSELLECK, Reinhart [et al.]. O Conceito de História. Tradução René E. Gertz. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013, 228 p. (Coleção História e Historiografia, 10). 236 com as viagens políticas de Batista Campos) e o deslocamento das tropas cabanas da capital para o Baixo Amazonas a partir de 1836 até sua derrocada em 1840 já em Maués. Mas a que se deve essa abstenção em trabalhar um movimento social da Amazônia nas cidades amazônicas na contemporaneidade? Por se tratar de uma parte da História Regional do Brasil, não deveria ser trabalhado com maior ênfase nas cidades que compõe a região protagonista? Se na própria região onde eclodiu a cabanagem o déficit e o laconismo é perceptível, o que dirá do ensino desta revolta/revolução nas demais regiões do Brasil? Quanto a essas inquietações, devemos refletir e depurar a priori sobre a formação dos professores. É cada vez mais cedo que jovens tem adentrando as universidades e, na maioria dos casos ainda estão num processo de maturação sobre sua escolha profissional e, quando decidem por uma determinada área do conhecimento acabam iniciando sua trilha de formação profissional muito aquém do esperado pelo nível educacional superior. Este processo de maturação do pensamento profissional na mentalidade deste recente calouro acaba por contribuir para um déficit na primeira parte de sua formação profissional – claro que neste universo estudantil como em qualquer situação, existem algumas exceções. Não obstante, ao sair das universidades, engana-se o jovem formado ao pensar que saiu pronto e acabado da academia, sendo ―detentor de todo conhecimento‖ possível para exercer sua prática docente. De igual modo não devemos alimentar o discurso de que as universidades têm preparado mal os profissionais que atuarão na prática docente, em especial aqui os licenciados em História, pois não é função da universidade reunir todo o conteúdo de história e impregnar na mente dos acadêmicos, isto além de ser impossível seria algo arbitrário e desumano por não levar em conta a construção do conhecimento entre alunos e professores. É papel sim das universidades, ensinar os jovens alunos-professores a aprenderem como apreender o conhecimento histórico, respeitando suas teorias e metodologias inerentes à prática docente, no processo de historiografar os fatos vindouros da História do Tempo Presente. Mediante isto, ao se depararem com situações contingenciais em seu cotidiano escolar, os novos professores saberão como operar mecanismos analíticos e epistêmicos para a produção de saberes historiográfico e a construção constante de sua formação intelectual. Tardif, Lessard e Lahaye (1991, p. 227) afirmam que ―para os professores, os saberes adquiridos através da experiência profissional constituem os fundamentos de sua competência, (pois) é através deles que os professores julgam sua formação anterior ou sua formação ao longo da carreira‖, ou seja, estes profissionais construirão seus aportes teóricos 237 através da sua prática docente, pois é no cotidiano que eles darão conta das temáticas educacionais que lhe são cobradas. Entretanto existe uma lacuna entre o querer e o fazer história, entre adentrar os meandros dos temas amazônicos - em especial a Cabanagem - e encontrar subsídios didáticos para tal feito. Infelizmente os livros didáticos que são utilizados em sala de aula, em sua maioria são provenientes de autores e escritores de regiões alheias a região Norte. Desse modo acabam por contemplar uma ―História Geral do Brasil‖, pois ainda que os livros sejam temáticos e divididos por séries, acabam por generalizar e arregimentar um discurso lacônico sobre os principais temas de história regionais. O caso da Amazônia enquanto História Regional não foge a regra, pois em geral o máximo que se encontra sobre a cabanagem nos livros didáticos de Santarém são duas laudas – com exceção de alguns professores que no invólucro desta carência bibliográfica produzem materiais didáticos que contemplam uma discussão substancial dos temas históricos amazônicos. CONCLUSÃO As dificuldades em se trabalhar os temas de História da Amazônia nas escolas básicas de Santarém advém muito da questão dos livros didáticos que ainda hoje são elaborados de uma forma generalizada para o país, não levando em consideração as especificidades e/ou regionalismos. Sobretudo, marginalizam alguns temas em detrimento de outros, devido seu caráter popular-revolucionário, estabelecendo uma discussão generosa para alguns temas e preconizando o laconismo literário sobre outros - neste caso em especial destacamos a Guerra da Cabanagem o maior movimento popular revolucionário do Brasil. De igual modo é alarmante a ignorância de profissionais da educação em não discutir de forma minuciosa o tema da Cabanagem, que foi um dos grandes responsáveis pelo alvorecer da História Moderna Amazônica e, contribuiu na formação da dinâmica sociocultural da região no processo de construção de identidade do amazônida. O professor não deve ser dependente do livro didático, sua formação acadêmica lhe preparou para todas as inconstâncias que iriam surgir em sua prática docente, na medida em que ele foi formado para ―aprender a apreender‖ sobre os arcabouços presentes no processo histórico e historiográfico. Assim o professor pode passar a ser um construtor de conhecimento e produtor de seu material didático referente aquilo que os livros didáticos produzidos generalizados no Brasil demonstram seu caráter lacônico e simpliciter. 238 Partindo de tais pressupostos, importa saber que os saberes necessários ao ensino são reelaborados e construídos pelos professores ―em confronto com suas experiências práticas, cotidianamente vivenciadas nos contextos escolares‖ (PIMENTA, 1999, p. 29). E nesse confronto, há um processo coletivo de troca de experiências entre seus pares, o que permite que os professores a partir de uma reflexão na prática e sobre a prática, possam constituir seus saberes necessários ao ensino, ou seja, ninguém nasce professor ou sai da universidade professor – é no cotidiano escolar, na prática docente, que nos fazemos professor e assim mediante nossa autonomia, conseguimos produzir materiais didáticos que facilitem o ensino de temas de Estudos Amazônicos (tal como a Cabanagem) em sala de aula. REFERÊNCIAS BARBOSA, Aline Patrícia da Silva. et. al. Manual para normalização de trabalhos acadêmicos. Canoas: Ulbra, 2006. 98 p. GINZBURG, Carlo. O fio e os rastros: verdadeiro, falso, fictício. [tradução de Rosa Freire d‘Aguiar e Eduardo Brandão]. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, 454 p. KOSELLECK, Reinhart [et al.]. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Tradução Wilma Patrícia Maas, Carlos Almeida Pereira; revisão da tradução Cesar Benjamin. Rio de Janeiro: Contraponto; Ed. PUC-Rio, 2006, 368 p. KOSELLECK, Reinhart [et al.]. O Conceito de História. Tradução René E. Gertz; revisão da tradução Sérgio da Mata. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013, 228 p. (Coleção História e Historiografia, 10). PIMENTA, Selma Garrido. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: _____ . (Org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez, 1999. PRADO JR., Caio. Evolução Política do Brasil: Ensaio de Interpretação Materialista da História Brasileira. São Paulo: Empresa Gráfica ‗Revista dos Tribunais‘, 1933. TARDIF, Maurice; LESSARD, Claude; LAHAYE, Louise. Os professores face ao saber – esboço de uma problemática do saber docente. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 4, 1991. 239 O PERFIL DO PROFESSOR DOS ANOS INICIAIS E EJA Delma dos Anjos Oliveira¹ [email protected] Jaqueline da Silva Alves¹ [email protected] Naide Pedroso de Sousa² [email protected] RESUMO: A escola deve promover uma educação voltada ao desenvolvimento da criança, do jovem e adulto, já que esta é um direito concedido pela Legislação considerando a estrutura física, a metodologia utilizada em sala de aula pelos docentes, para facilitar a aprendizagem do alunado. Segundo (Freire, 2011) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Deste modo faz-se necessário conhecer as metodologias adotadas pelos professores em sala de aula. Onde o perfil do professor dos anos iniciais tem que estar voltado para formação básica do cidadão, desenvolvendo a escrita, a leitura e o cálculo, promovendo também o desenvolvimento de aprendizagens, valores morais e éticos. Diferentemente na Educação de jovens e adultos deve-se levar em conta também, a sua realidade promovendo o ensino de acordo com suas necessidades, e contextos sociais visando o aperfeiçoamento na aprendizagem. A metodologia que o professor utiliza para apresentar seus conteúdos deve basear-se no cotidiano dos alunos da EJA fazendo-se uma ligação entre a teoria e o meio social em que estão inseridos. Tendo por objetivo observar o cotidiano docente nos anos iniciais e EJA. Os procedimentos metodológicos esta sendo pautado por meio do estudo bibliográfico, aliado à pesquisa de campo. Os resultados e conclusão serão expostos no segundo semestre, 2015/2, através de artigos e questionários fechados. PALAVRAS-CHAVE: Anos Iniciais, EJA, Perfil do professor. INTRODUÇÃO Nos Anos Iniciais e EJA a importância de metodologias diversificadas é importante, pois chamar a atenção do aluno é o primeiro passo para fazer com que ele se apaixone pelo que faz ou pelo quer realizar. Mostrar a importância da leitura na sala de aula torna-se um desafio grande ao educador porque muitos alunos não possuem essa pratica em casa, no caso da EJA muitos não tem tempo para ler. E a leitura traz uma abrangência de conhecimentos imensurável, possibilitando aos educando uma visão critica de mundo, uma abertura de mente aos temas apresentados na sociedade, uma relação melhor com o outro, pois a leitura desperta a sensibilidade de se por no lugar do outros. Trazer temas voltados para a realidade deles, inserir conteúdos de matemática, Português e outras disciplinas mediante as experiências de vida que eles possuem desenvolve melhor essa Educação que muitas vezes é desvalorizada por muitos. Portanto moldar crianças, jovens e adultos é um desafio muito grande onde o professor participa em grande escala. O exercício da docência proporciona essa experiência, pois a Educação é promovida em conjunto com a família, comunidade e escola, sendo a escola o reflexo da educação repassada pela família e pela comunidade. Assim se a família não esta preocupada em educar, a criança estará com uma quebra na corrente da Educação, e se a comunidade for violenta? A criança desenvolverá atitudes violenta, de desrespeito com os 240 demais e isso refletirá na escola, na presença do professor, estando este muitas vezes sozinho tentando influenciar o aluno às práticas de um bom comportamento. E essa visão é promovida através do Estágio Supervisionado. O objetivo geral deste projeto é oportunizar aos estagiários do curso de pedagogia a vivência da docência e práticas pedagógicas diversificadas nos Anos iniciais e EJA do Ensino Fundamental para construção do referencial teórico. Tendo como referencial o art.32 e o art.37 da Lei de Diretrizes e Base Nacional de 20 de Dezembro de 1996, nº 9394/96. Para alcançar o objetivo geral foram pautados os seguintes objetivos específicos: a) Observar o cotidiano docente nos anos iniciais e EJA; b) Discutir o referencial teórico desse nível e modalidade de ensino; c) Praticar a docência nos anos iniciais e EJA; d) Organizar Práticas Pedagógicas, em relatório de estágio. METODOLOGIA A metodologia da pesquisa consistiu na atuação do acadêmico na unidade educacional de ensino promovendo o conhecimento especifico sobre a prática docente. Com a atuação na unidade de ensino em forma de diagnose, para assim avaliar o espaço físico, as questões pedagógicas e, sobretudo, inserir-se no nível de Anos Iniciais e EJA, com compromisso e maturidade. O Estágio Supervisionado nos Anos Iniciais e EJA são de suma importância, pois oportunizará ao acadêmico a vivência da docência e as Práticas Pedagógicas diversificadas nos Anos iniciais e EJA do Ensino Fundamental para construção do referencial teórico. Inicialmente com a elaboração do projeto, organização e atuação na unidade educacional em forma de diagnose, observando o espaço físico, as questões pedagógicas e, sobretudo, entender sobre as diversas questões que permeiam a educação de jovens e adultos, compreendendo o seu contexto na sociedade e entender sua historicidade. O projeto de Estagio também estará inserido ao trabalho Interdisciplinar de Iniciação Cientifica (TIIC), tendo este varias etapas: orientações em sala de aula, planejamentos e palestras, elaboração do projeto de estágio, Encontro de Pedagogos e Congresso. O estágio de campo será desenvolvido em três etapas: observação da escola nos anos iniciais, participação e regência. O Estágio consta 119 horas de carga horária, sendo distribuída 47h/a de orientação e planejamento para as atividades práticas do Estágio e de campo para a docência. 48h/a para séries iniciais do 1º ao 5º ano sendo assim dividida, 20h para observação, 20h para regência e 08h para planejamento. 24h/a para 1ª e 2ª etapa da EJA – intervenção pedagógica, distribuídas assim 10h para observação/participação e 14h para intervenção. É um grande desafio ao 241 acadêmico enfrentar a realidade tendo que uni-la a teoria, uma vez que ambas devem estar interligada para que haja completa inserção de ensino-aprendizagem. RESULTADOS E DISCURSÃO A escola desenvolve uma concepção pedagógica de ser um referencial de boa qualidade e excelência na formação humana. Onde possam envolver os pais, professores, educando e a comunidade no desenvolvimento educacional, moral e ético dos educando. A fim de promover uma visão de mundo, consciência crítica no alunado e interação com a comunidade. Segundo Cury 2007: Os professores (incluindo os pedagogos e os psicólogos da educação) são sacerdotes da inteligência e, portanto, os profissionais mais importantes da sociedade, e a escola é o seu lugar mais sagrado. (CURY, 2007, p.14). A escola é o palco onde esses profissionais fazem o espetáculo, cultivando bons modos, ensinando e educando crianças e jovens todos os dias para agirem de modo ético e moral na sociedade em que estão inseridos. No Estágio Supervisionado tem-se a oportunidade de definir o perfil do profissional que se deseja ser. Pondo em pratica as teorias aprendidas em sala de aula. A EJA para muitos Jovens e Adultos é a realização de um sonho que não puderam concluir na idade certa, pois as condições de vida impuseram o trabalho para manterem-se vivos, e muitos deles tiveram que optar por abandonar os estudos. Porem pela necessidade de informação, e as exigências do mundo do trabalho, juntamente com o avanço da tecnologia, esses jovens e adultos se viram no dever de retornarem as salas de aulas para buscar mais conhecimentos, e eles já voltam com experiências que obtiveram na vida. Dessa forma os professores trabalham mediante a realidade dos educando buscando apresentar conteúdos de modo a chamar atenção dos alunos da EJA garantindo a permanência dos mesmos na instituição. A Educação para Jovens e Adultos deve estar voltada ao interesse da realidade deles, buscando inserir problemas que são vivenciados por eles no dia-dia. Para que as aulas não sejam monótonas e considerada desinteressante faz-se necessário o professor da EJA conhecer a vivencia dos seus educando trazendo diferentes contextos sociais dos quais em algum momento esses alunos já vivenciaram para que se tenha uma interação entre os estudantes e o docente. CONCLUSÃO Conclui-se que o estágio é um ótimo caminho para o acadêmico se descobrir-se como profissional da educação. Sugere-se que o tempo ou as atividades planejadas estejam de acordo para que não sobrecarregue o acadêmico na hora de escrevê-las. A experiência adquirida durante esse período é indescritível ajuda a descobrir capacidades adormecidas, 242 prepara para as futuras atuações em escolas quando se obtiver a formação. A interação promovida entre os professores da Escola e o estagiário ajuda para que o desempenho desse acadêmico seja bem visível. Acredita-se que a aprendizagem não se fecha aqui, para cada etapa a um novo conhecimento a ser adquirido, então que todos busquem sempre apropriar-se do conhecimento que é a arma que muda o mundo. REFERENCIAS: CURY, Augusto. Filhos brilhantes, alunos fascinantes/Augusto Cury. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007. www.portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf 243 TECNOLOGIAS EDUCATIVAS NO ENSINO FUNDAMENTAL: ANÁLISE DA FORMAÇÃO INICIAL/CONTINUADA E PRÁTICAS DOCENTES Luiz Carlos Rabelo Vieira1 Doriedson Alves de Almeida2 [email protected] RESUMO: As tecnologias educativas nos espaços educacionais são consideradas recursos de importância indiscutível, embora na prática sejam subutilizadas. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar o contexto das tecnologias educativas na formação inicial/continuada e nas práticas docentes de professores que atuam no ensino fundamental. Na pesquisa de campo os dados foram coletados em uma escola da rede pública municipal da zona urbana de Santarém-Pa. Participaram 10 professores de diferentes disciplinas, entre 29 e 46 anos de idade, de ambos os sexos. Foi utilizado um questionário composto por questões fechadas com respostas na escala tipo Likert, cujas opções de resposta eram: discordo totalmente, discordo parcialmente, não concordo nem discordo, concordo parcialmente e concordo totalmente. Dentre os resultados, percebeu-se que a formação inicial dos professores foi deficitária quanto às vivências sobre tecnologias educativas, possibilitada com maior ênfase na formação continuada. A maioria dos docentes considerou como importante/necessário e faz o uso desses recursos nos processos de ensino e aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: formação, docência no ensino básico, tecnologia educacional. INTRODUÇÃO Nos ambientes educacionais, as tecnologias educativas são consideradas recursos de importância indiscutível, embora na prática sejam subutilizadas (VIEIRA, 2011). Elas devem ser compreendidas enquanto elementos estruturantes de processos educacionais (PRETTO, 1996) e podem ser: computador, DVD, slides, CD player, TV educativa, TV comercial e internet (TEZANI, 2011). O uso dessas tecnologias na escola, por meio das práticas educativas dos docentes, tem importância relevante frente ao atual contexto social, pois o processo de aprendizado possibilitado por estes elementos torna-se significativo e consoante com a realidade do educando (AZEVEDO et al., 2014). Logo, o uso desses recursos no processo de ensino e aprendizagem é algo complexo e necessita que o docente apresente uma série de habilidades técnico-pedagógicas (ALMEIDA, 2010; BARROS, 2009). A compreensão desse fenômeno é importante em vista de que a educação no Brasil vem sofrendo forte influência pedagógica baseada na utilização das tecnologias educativas (ALMEIDA, 2010), pois evidências comprovam que contribuem no alcance do potencial individual do educando (NASCIMENTO; TROMPIERI FILHO, 2002) e possibilitam a participação ativa desse sujeito no mundo da cultura por meio da produção audiovisual (SILVA, 2008). Em especial, o computador vem sendo apontado como importante recurso. Investigações apontam que seu uso requer adequações ergonômicas e ambientes confortáveis, 1 Mestrando em Educação, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA. 2 Doutorado em Educação, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Universidade Federal da Bahia-UFBA. Centro de Formação Interdisciplinar-UFOPA. 244 situações as quais, em vários casos, não são garantidas em instituições de ensino básico (ROCHA; CASAROTTO; SZNELWAR, 2003). Diante deste contexto, a relevância desta pesquisa se apoia no fato de ser necessária a promoção de estudos que apontem os desafios, as possibilidades e as repercussões educacionais de práticas docentes inovadoras e eficazes. Conforme o exposto, o objetivo desta pesquisa foi analisar o contexto das tecnologias educativas na formação inicial/continuada e nas práticas docentes de professores que atuam no ensino fundamental. MÉTODO Trata-se de um estudo de campo, quantitativo, transversal e descritivo, cujos dados foram coletados, em setembro de 2015, em uma escola da rede pública municipal da zona urbana de Santarém-Pa, sob o consentimento da gestão escolar. Participaram da pesquisa 10 professores de diferentes disciplinas, entre 29 e 46 anos de idade. Todos assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos (RESOLUÇÃO CNS nº 466/2012). A técnica utiliza para a coleta de dados foi um questionário baseado no estudo de Vieira et al. (2015), composto por questões fechadas com respostas na escala tipo Likert, cujas opções de resposta eram: discordo totalmente, discordo parcialmente, não concordo nem discordo, concordo parcialmente e concordo totalmente. Além disso, foram obtidas informações de caracterização dos participantes. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva, com a determinação da frequência absoluta. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto à caracterização dos participantes da pesquisa, observou-se a predominância mulheres (70%). Todos com pós-graduação lato sensu e média de nove anos de tempo de atuação docente no ensino básico. Em se tratando do desfecho de interesse do estudo, os resultados são apresentados na tabela abaixo sobre o nível de concordância sobre os itens relacionados ao contexto das tecnologias educativas na amostra pesquisada. Assim, verificouse como prevalente a discordância quanto ao uso das tecnologias educativas por docentes na formação inicial da amostra pesquisada. Para a maioria, existiam tecnologias como recursos pedagógicos e ambientes na IES onde fez a formação inicial, apesar desses elementos, também para a maioria, não terem sido abordadas enquanto conteúdo da grade curricular. Por outro lado, em se tratando da formação continuada, observou-se que houve maior número de concordância na amostra quanto ao uso por docentes, existência de ambientes na IES e 245 abordagem das tecnologias. Sobre a importância e necessidade do uso das tecnologias educativas no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos da disciplina, a maioria dos professores apresentaram concordância. Este resultado também foi encontrado sobre o uso, por eles, desses recursos no processo de ensino e aprendizagem, apesar de três docentes terem discordado totalmente sobre essa situação. Por fim, percebeu-se que, na visão da amostra, a escola onde é docente possui tecnologias educativas e ambientes para seu uso. Tabela. Nível de concordância na amostra de professores (N=10) sobre os desfechos relacionados às tecnologias educativas. Santarém-Pa, 2015. Nível de concordância n Itens de investigação DT DP NCD CP CT Houve o uso das tecnologias educativas por 6 1 0 2 1 docentes na formação inicial Existiam tecnologias educativas como recursos pedagógicos e ambientes na IES onde 0 3 0 4 3 fez a formação inicial Foram abordadas as tecnologias educativas na formação inicial enquanto conteúdo da grade 8 0 0 1 1 curricular Houve o uso das tecnologias educativas por 0 1 0 6 3 docentes na formação continuada Existiam tecnologias educativas como recursos pedagógicos e ambientes na IES onde 0 0 0 1 9 fez a formação continuada Foram abordadas as tecnologias educativas na formação continuada enquanto conteúdo da 0 2 0 2 6 grade curricular É importante e necessário o uso das tecnologias educativas no processo de ensino e 0 0 2 2 6 aprendizagem dos conteúdos da disciplina Faz o uso das tecnologias educativas no processo de ensino e aprendizagem dos 3 0 1 4 2 conteúdos da disciplina A escola onde é docente possui tecnologias 0 0 0 0 10 educativas e ambientes para seu uso DT = discordo totalmente; DP = discordo parcialmente; NCD = não concordo nem discordo; CP = concordo parcialmente; CT = concordo totalmente; IES = Instituição de Ensino Superior. Os resultados encontrados na presente pesquisa mostram que na formação inicial, para a maioria dos professores investigados, notoriamente houve poucas vivências quanto às tecnologias educativas, diferentemente da continuada, reforçando, assim, a importância desta no tocante para a atuação docente. Além disso, a maioria considerou como importante/necessário e faz o uso desses recursos na educação. Mediante esses achados, acredita-se que é importante a sistematização de reflexões sobre o uso de tecnologias educativas na formação inicial de professores, bem como sua utilização no ensino básico em 246 todos os componentes curriculares. Esse contexto de discussão é premente, visto que o novo paradigma representa grandes implicações na vida moderna, no trabalho, no lazer e, consequentemente, na educação (MARTINS, 2011). Quanto à educação, cultura e mídia no cenário do ensino público no Brasil, Souza, Costa e Fiscarelli (2012) citam que as tecnologias vêm galgando um espaço relevante, pois representam interesses dos alunos. Acredita-se que o uso de tecnologias educativas nos processos educativos pelos professores relacionasse com as experiências nessa temática na formação inicial/continuada. Santos (2008) cita que os educadores não vivenciam o potencial das tecnologias na formação, o que dificulta a transposição deste conhecimento para as situações reais de ensino e aprendizagem. Apesar da importância de se fomentar a discussão sobre o tema investigado, acredita-se, assim reportam Moran, Masetto e Behrens (2006), que as tecnologias não podem ser consideradas como a solução dos dilemas da educação, uma vez que são vários os fatores relacionados a uma educação de qualidade, que precisa avançar. CONCLUSÃO Para a maioria dos professores investigados a formação inicial foi deficitária no que tange às vivências quanto às tecnologias educativas, vindo a ser possibilitada com maior ênfase na continuada, por meio de cursos de especialização. Isto reforça a importância desta no tocante para a atuação docente. Dado o valor a essa situação, a maioria considerou como importante/necessário, assim como faz o uso desses recursos nos processos de ensino e aprendizagem nas disciplinas sob suas responsabilidades. Sugere-se a realização de mais estudos sobre esse objeto de estudo de modo a contribuir ao corpus teórico sobre o tema. REFERÊNCIAS ALMEIDA, D. A. TIC e educação no Brasil: breve histórico e possibilidades atuais de apropriação. Pró-Discente (UFES), v. 15, p. 08-16, 2010. AZEVEDO, A.; BAFFA, A. M.; RAMOS, A. C. P.; PINHEIRO, A. L.; et al. TICs na Educação: multivisões e reflexões coletivas. Educação & Linguagem, v. 17, n. 1, p. 219240, 2014. BARROS, D. M. V. Guia didático sobre as tecnologias da comunicação e informação: material para o trabalho educativo na formação docente. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2009. BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Acesso em: 05/06/2015. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf. MARTINS, N. S. Inclusão digital: desafios e reflexões teóricas na formação de professores no mundo contemporâneo. Revista Ibero-americana de Estudos em Educação, v. 6, n. 2, p. 118, 2011. 247 MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 12. ed. Campinas: Papirus, p. 133-173, 2006. NASCIMENTO, R. B.; TROMPIERI FILHO, N. Correio eletrônico como recurso didático no ensino superior: o caso da Universidade Federal do Ceará. Ciência da Informação, v. 31, n. 2, p. 86-97, 2002. PRETTO, N. L. Escola sem/com futuro. Campinas: Papirus, 1996. ROCHA, L. E.; CASAROTTO, R. A.; SZNELWAR, L. Uso de computador e ergonomia: um estudo sobre as escolas de ensino fundamental e médio de São Paulo Universidade de São Paulo. Educação e Pesquisa, v. 29, n. 1, p. 79-87, 2003. SANTOS, E. A. A metodologia da webquest interativa na educação online. In: FREIRE, W. (Org.). Tecnologia e educação: as mídias na prática docente. Rio de Janeiro: Wak, p. 107128, 2008. SILVA, R. M. L. Tecnologia e desafios da educação brasileira contemporânea. Trabalho, Educação e Saúde, v. 6, n. 1, p. 29-50, 2008. SOUZA, C. B. G.; COSTA, D. I. P.; FISCARELLI, C. H. Cenário e perspectivas para a melhoria do ensino público no Brasil: mídia, cultura e educação. Revista Ibero-americana de estudos em Educação, v. 7, n. 2, p. 1-18, 2012. TEZANI, T. C. R. A educação escolar no contexto das tecnologias da informação e da comunicação: desafios e possibilidades para a prática pedagógica curricular. Revistafaac, v. 1, n. 1, p. 35-45, 2011. VIEIRA, L. C. R.; SILVA, T. A. da; COSTA, A. da M.; SANTOS, A. L. dos. Tecnologias de informação e comunicação na educação física escolar. Coleção Pesquisa em Educação Física, v. 14, n. 2, p. 133-140, 2015. VIEIRA, R. S. O papel das tecnologias da informação e comunicação na educação a distância: um estudo sobre a percepção do professor/tutor. Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância, v. 10, p. 63-70, 2011.