Processes matters: the case of the Piracicaba Technological Park, SP, Brazil. Weber Antônio Neves do Amaral* Flavio Castelar** Abstract This paper describes the multitude of processes associated with the creation of the Piracicaba Technological Park, in the State of Sao Paulo, Brazil. The processes started in 2006 with the first consultation Workshop for lauching a regional ethanol business cluster, named as APLA (Ethanol Business Cluster of Piracicaba region). Its mains objectives were bringing together the different players of chain, adding value to its products and services, while promoting technological innovations and competitiveness for its stakeholders. In 2008, APLA led a new consultation process started in Piracicaba region for the creation of a Technological Park, as part of the State of Sao Paulo policies for supporting the creation of Technological Parks. The consultation process raised awareness, contributed for the engagement and commitment of additional stakeholders, particularly from Universities and Research Organizations, policy makers and government officials from the city of Piracicaba. The definition of key strategic areas for a new Technological Park was made, based on priorities defined by private sector, academia and public sector stakeholders and a governance structure was discussed. The definition of priority areas was based on the offer and demand of technological services, existing capacities of these players, future trends and knowledge gaps. The areas of bioenergy, biofuels and bioproducts, the three bio-pillars of the Park, were chosen as priorities and therefore the main axes for attraction of companies and for the development of a new habitat for innovation. In 2011, a new city law from Piracicaba defined APLA as the Park private manager. In 2012, the Government of Sao Paulo officially recognized the Piracicaba Technological Park as part of its network of Technological Parks. By the beginning of 2013, the Park has already attracted more than 20 companies and became an important vector of the city development and soft lending environment for spin-offs and other start-ups associated with the 3 Bio-pillars. Key words: biofuels, bioenergy, bioproducts, consultation process, business cluster *Professor, ESALQ, USP, Piracicaba, SP, Brazil, phone: 55-19-21058652, Email: [email protected]; **Diretor Executivo, Parque Tecnologico de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brazil, phone: 55-193423-9500, Email: [email protected] Processos são importantes: o caso do Parque Tecnológico de Piracicaba, SP, Brasil Weber Antônio Neves do Amaral* Flavio Castelar** Resumo Este artigo descreve os múltiplos processos envolvidos para a criação do Parque Tecnológico de Piracicaba, no Estado de São Paulo, Brasil. A primeira etapa teve inicio com uma oficina de consulta para a criação de um agrupamento de empresas associadas a cadeia sucro energética. Este arranjo produtivo recebeu o nome de APLA – Arranjo Produtivo Local do Álcool da região de Piracicaba. Os principais objetivos deste APL eram de atrair os diversos atores da cadeia, ao mesmo tempo que promovesse inovações tecnológicas e aumento da competitividade de seus associados. Em 2008, o APLA liderou um novo processo consultivo para a criação de um Parque Tecnológico para a região de Piracicaba, como parte de uma política estadual de incentivo a criação de Parques Tecnológicos em São Paulo. Este processo procurou despertar o interesse dos diversos atores envolvido, atrair novos interessados, tais como Universidades e formuladores de políticas públicas municipais. A definição de áreas prioritárias foi realizada, baseando-se na oferta e demanda de serviços tecnológicos, nas capacidades existentes dos participantes, a partir das prioridades estabelecidas pelos três grupos de atores principais: iniciativa privada, academia e setor publico. As áreas prioritárias, da bioenergia, biocombustíveis e bioprodutos, se tornaram os eixos de atuação do Parque, com estrutura de governança definida e investimentos necessários. Em 2011, uma legislação municipal específica atribuiu ao APLA o papel de gestor privado do Parque. Em 2012, o Estado de São Paulo reconheceu oficialmente o Parque Tecnológico de Piracicaba. No inicio de 2013, o Parque já havia atraído mais de 20 empresas, e se tornou um importante vetor para o desenvolvimento da cidade de Piracicaba e um importante habitat para atração de empresas associados aos seus três eixos prioritários. Palavras-chave: biocombustíveis, bioenergia, bioprodutos, processos de consulta, arranjo produtivo *PhD, Professor, ESALQ, USP, Piracicaba, SP, Brazil, telefone: 55-19-21058652, Email: [email protected]; **Diretor Executivo, Parque Tecnológico de Piracicaba, Piracicaba, SP, Brasil, telefone: 55-19-3423-9500, Email: [email protected] 1. Introdução Parques Tecnológicos são empreendimentos voltados para atração e concentração de empresas para o desenvolvimento de produtos e serviços de base tecnológica e inovação, envolvendo diversos atores privados e públicos, empreendedores e financiadores de projetos, institutos de ciência e tecnologia e formuladores de políticas públicas voltados para inovação (Zouain & Plonski, 2006), criando ecossistemas complexos de interações e conexões entre estes diversos elementos (Figura 1.). Figura1: Ecossistemas de Parques Tecnológicos Parque Tecnológico • Políticas de apoio • Incentivos fiscais Governo • Impostos • Contribuições • Necessidades • Demandas Sociedade Empresa de desenvolvimento imobiliário do Parque Entidade Gestora do Parque • Universidades • Centros de Pesquisa • Laboratórios Serviços técnicos • Empresas de base tecnológica • PME Incubadora de empresas de base tecnológica Empresas de serviços técnicos especializados Profissionais Sistema Financeiro Investimentos • Capital Semente • Capital de Risco Retorno • Financiamento • Unidades de MNC spin-offs Laboratórios compartilhados • Produtos Inovadores • Geração de Empregos Infra-estrutura do parque Hotel, Centros de Compras, Centros de Lazer e Esportes, Condomínios Industriais, Escritórios, infra-estrutura TIC, infra-estrutura básica (vias de acesso, eletricidade, saneamento). Em 2007, uma equipe de profissionais (Amaral et al. 2007) elaborou o primeiro Projeto de Ciência, Tecnologia e Inovação (C&T&I), visando a criação do Parque Tecnológico Piracicaba (PTP). Abaixo são apresentados, os principais desenvolvimentos dentro do histórico do PTP. Principais fases de desenvolvimento do PTP: 2007: A FAPESP financia um projeto para o desenvolvimento o primeiro estudo técnico sobre a viabilidade de implantação do Parque Tecnológico Piracicaba (PTP); 2008: PTP foi reconhecido pelo Governo do ESP e pré-credenciado junto ao Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). Piracicaba cria a Lei Complementar 223 – Programa PTP; 2009: Lei Municipal 10.175 – criando incentivos ao Parque Tecnológico, FATEC se transfere para o Parque em agosto; 2010: Inauguração do IFSP (Inst. Fed. de Educação e Tec. de SP), início das obras do Núcleo do Parque, nomeação do Comitê Gestor do Parque e elaboração do projeto do PTP para a Secretaria de Desenvolvimento de SP, visando o credenciamento do PTP dentro do Sistema Paulista de Parques Tecnológicos. 2011: Inauguração do núcleo e pedido de registro definitivo do Parque junto ao Governo de São Paulo 2012: Credenciamento definitivo do PTP pelo Governo de São Paulo 2013: Consolidação do Parque, atração de empresas e projeto de expansão. Este artigo descreve os processos envolvidos com: i) as diversas etapas para a criação do Parque Tecnológico de Piracicaba, Estado de São Paulo, ii) a escolha dos eixos fundamentais do mesmo, iii) o modelo de governança e iv) a definição da entidade gestora do Parque, refletindo a importância destes processos para o pleno êxito e para a consolidação deste Parque, que se encontra estabelecido e em pleno funcionamento desde janeiro de 2012. 2. Metodologia Foram realizadas diversas Oficinas de consulta e iteração em meados de 2010 com o objetivo de facilitar a troca de informações, promover o engajamento dos diversos atores da região de Piracicaba (Figura 2.) para o desenvolvimento do projeto do Parque Tecnológico de Piracicaba, e desta forma contribuindo para que todos os atores pudessem estar envolvidos com o projeto, contribuindo para transparência e participação. Figura.2: Etapas do Projeto Oficinas de Planejamento Revisão do Projeto do Parque 1ª.Oficina de Governança Estudo de Viabilidade 2ª. Oficina de resultados da Revisão do Projeto 3ª. Oficina Estudo de Viabilidade Principais resultados Plano de Negócios e de Road Show Dentro da metodologia proposta para condução dos trabalhos, foram mapeados os principais sistemas ou elementos-chaves que deveriam ser envolvidos e seus papéis devidamente entendidos, e suas interações identificadas (Figura 3.) Figura 3. Parque Tecnológico Piracicaba e suas múltiplas interações Demanda Condições de Estrutura Consumidores (demanda final) Ambiente financeiro; taxações e incentivos; propensão ao incentivo e empreendedorismo; mobilidade Produtores (demanda intermediária) Sistema Industrial Educação e Pesquisa Grandes companhias: Treinamento e Educação Profissional: Senais, Etecs, Fatec. Braskem, Cosan, Dedini, Klabin, Petrobras, Siemens, Votorantim, outras. Intermediários – Institutos de Pesquisa e Brokers Centro de Tecnologia Canavieira – CTC Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – IPEF Canagro José Coral + PMEs maduras: Marchiori; Motocana; Turbimaq; outras. + Novas empresas tecnológicas Bioagri, Canaviallis, Fermentec, EsalqTec (incubadora), outras. Sistema Político Governo: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC + Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Piracicaba SEMDEC Pesquisa e Educação Superior: ESALQ/USP, CENA/USP, EEP, Faculdade Anhanguera de Piracicaba, FATEP, FSDB, FIMI, UNIMEP Prefeitura Municipal de Piracicaba Secretaria Municipal de Trabalho e Renda - SEMTRE + + Setor Público de Pesquisa Estrutura de Governança + IAC, IPT Políticas de P&D Estrutura de Fomento e Suporte Bancos, Capital de Risco: BNDES, FINEP, Banco do Brasil + Direito Intelectual de Propriedade e Informação: Unidade de Negócios + Suporte à negócios: SEBRAE + Normas e padrões: INMETRO + Suporte à Pesquisa e Inovação Tecnológica FAPESP, CNPq Considerando-se os estudos de benchmark e melhores práticas de experiências nacionais e internacionais realizados, o projeto do Parque Tecnológico Piracicaba foi estruturado com a visão de ocupação gradual de áreas caracterizada pelo multifuncionalidade típica de parques tecnológicos de terceira geração, em torno de uma área localizada ao longo da Rodovia SP147 e do Rio Piracicaba (com área de aproximadamente 200 mil metros quadrados), compreendendo três glebas, de propriedade da Prefeitura Municipal de Piracicaba, da ESALQ - Universidade de São Paulo e de uma entidade privada, caracterizando a articulação dos atores locais em torno do projeto – sistema local de inovação. Dentro deste contexto da multifuncionalidade do Parque, foram identificados espaços para planejamento de três elementos básicos: uma área industrial, uma área institucional (educação técnica, laboratórios e apoios) e uma área de desenvolvimento habitacional de média, alta e baixa densidade, os quais se articulam entre si a partir das múltiplas instituições e empresas envolvidas com o Parque. 3. Resultados e discussão 3.1. Visão, missão e eixos estratégicos Uma discussão fundamental para a definição da estratégia do PTP foi sobre a necessidade de definição da Visão e Missão do Parque (Figura 4), que foi preparada a partir das contribuições dos participantes da 1ª Oficina de Governança. Figura 4. Visão e Missão do PTP Visão 2050 Ser liderança mundial em inovação tecnológica sustentável na área de bioenergia e bioprodutos. Missão Criar ambiente empreendedor e prover infra-estrutura para o desenvolvimento de parcerias e negócios sustentáveis de base tecnológica, voltados para as cadeias de bioenergia e bioprodutos, de maneira a contribuir para melhoria da qualidade de vida e de renda. Nas figuras abaixo, são apresentadas as principais conclusões sobre os principais pilares do Parque (Figura 5.) e as oportunidades para desenvolvimento de projetos estratégicos dentro do PMP pelas empresas e instituições participantes (Figura 6.). Figura 5. Os três Bio Pilares do Parque Bioenergia Fontes de biomassa para múltiplos usos, co-geracao, combustível, etc Biocombustíveis Uso destas fontes como combustíveis para mobilidade sustentável e baixa pegada de carbono Bioprodutos Novos produtos desenvolvidos a partir de conceitos de plantas industriais chamadas de biorefinarias: gás de síntese, novas moléculas químicas, polímeros verdes, química fina, etc Figura 6. Mapeamento das principais linhas para desenvolvimento de projetos estratégicos – eixos estratégicos Biomassa CANA-DE-AÇÚCAR, SOJA, GIRASSOL, PALMA, ALGAS, JATROPHA e MANDIOCA • Técnicas para mapeamento de solos agrícolas • Desenvolvimento de novos sistemas de plantio • Desenvolvimento de sistemas de colheita e processamento • Melhoramento genético • Técnicas para manejo de pragas e nematóides • Otimização de recursos hídricos acumulados no solo • Pesquisa sobre a utilização de adubos modernos • Pesquisa na interação entre genótipo e ambiente Conversão Industrial ETANOL • Desenvolvimento de novos sistemas e tecnologias (hidrólise) • Desenvolvimento de técnicas de gaseif icação • Substituição de insumos químicos derivados do petróleo por derivados da cana • Redução da produção de vinhaça BIODIESEL • Desenvolvimento de rotas de transesterif icação sem glicerina • Aproveitamento dos subprodutos • Melhoria de processos de extração de óleo • Desenvolvimento de novos produtos Co-geração • Utilização de insumos como bagaço, palha, pontas, f olhas, co-produtos e vinhaça • Produção de biogás a partir da vinhaça • Desenvolvimento de novos processos • Integração do excedente de bioeletricidade produzida pelas usinas com o sistema hidroelétrico de potência existente no país • Desenvolvimento de novas centrais elétricas • Otimização energética das usinas e destilarias • Caldeiras de alta temperatura Serviços • Inf ra-estrutura de transporte, armazenagem e exportação • Desenvolvimento de novas técnicas (irrigação e f ertiirrigação) • Desenvolvimento de projetos (crédito de carbono) • Desenvolvimento de novos produtos • Utilização de biodigestores • Pesquisas voltadas a práticas sustentáveis • Tecnologia computacional • Captura de gás em aterro sanitário • Otimização do uso do álcool combustível Dentro destes eixos estratégicos, definiu-se que o Parque Tecnológico Piracicaba deveria ter as seguintes características (Figura 7.), que o diferenciaria das outras iniciativas em andamento no país, as quais potencializariam os impactos deste empreendimento de base tecnológica. Figura 7. Características fundamentais para competitividade do PTP • Ser uma iniciativa de caráter estruturante • Estar aberto a fazer parcerias com empresas e instituições, nacionais e internacionais, para acesso e desenvolvimento tecnológico • Ter amplitude e varredura ampla no tocante a alternativas tecnológicas, isto é, deve fomentar o desenvolvimento de múltiplas rotas tecnológicas, mesmo aquelas que representem conceitos contraditórios entre si • Ser ágil na contratação de recursos, avaliação de projetos e busca de competências • Garantir a formação de massa crítica no tocante a competências-chave para o desenvolvimento do setor de bioenergia e biocombustíveis nacional Entende-se que a adequada oferta de serviços dentro do PTP poderia contribuir para o sucesso do Parque. Dentro dos serviços de laboratórios a serem ofertados, podemos destacar quatro possibilidades principais, as quais deveriam ter modelos de gestão independentes e preferencialmente estruturados pelos participantes do PTP (Figura 8.). Figura 8. Exemplos dos principais serviços de laboratórios a serem ofertados Plantas Piloto Lab. de Inovação O Parque poderá ofertar o uso de instalações para experimentos Instalações e equipamentos públicos a serem locados para organizações • Gaseif icador • Outras possíveis plantas ou laboratórios: processos industriais em usinas; pesquisas com vinhaça; uso da água • Laboratório de Biotecnologia • Laboratório de Fermentação • Laboratório para padronização e metrologia de biocombustíveis • Laboratório para teste de motores • Laboratório de biocombustíveis • Laboratório de co-produtos • Laboratório de Sustentabilidade • Laboratório de Novos Produtos • Equipamentos f ocados em P&D&I • Análises sobre GEEs (Gases do Ef eito Estuf a) • Sequenciamento de DNA Certificação / padronização Parceiros terceirizados ofertarão serviços mais sofisticados • Emissão de laudos • Certif icações • Padronização Laboratórios que poderiam ser operados pelo Parque ou por terceiros Outros Serviços Parceiros terceirizados e o próprio Parque ofertarão serviços de apoio às organizações • Consultoria em Sustentabilidade • Avaliações para Créditos de Carbono • Elaboração de projetos para captação de recursos junto à Entidades • Propriedade Intelectual • Gestão de Projetos • Captação de Recursos • Desenvolvimento de mercado • Promoção de negócios • Comunicação e marketing • Apoio em licenciamento ambiental • Serviço jurídico para contratos de P&D e patenteamento 3.2. Governança e gestão Definiu-se que a estrutura de governança do Parque Tecnológico Piracicaba demandaria competências técnicas específicas e extensa experiência das entidades co-gestoras que têm interesse em projetos de diferentes complexidades, expertise e valor em regime de cooperação e parcerias. Assim, a governança do Parque deveria ser participativa, e envolvendo diversos agentes da sociedade no processo decisório para articulação de mecanismos de interesse em benefício da sustentabilidade local e regional. Após a revisão e debate de conceitos e modelos recomendáveis de gestão e boa governança do Parque Tecnológico, foram avaliadas as diversas interações e articulações necessárias entre as instituições de ensino e pesquisa, poder público e iniciativa privada para a formação de um modelo a ser adotado em Piracicaba que possa privilegiar o relacionamento saudável entre seus atores e que persiga o propósito de gerar oportunidades em diversas áreas de pesquisa, desenvolvimento de produtos, negócios e serviços, inclusive os de consultoria e imobiliários. Os cenários para o pleno funcionamento do Parque Tecnológico deverão passar por três ciclos fundamentais: Implantação, Consolidação e Expansão, sendo que estes ciclos deverão ter uma duração aproximada de cinco anos. Foram discutidos as diferentes opções sobre a estrutura da Entidade Gestora para o Parque Tecnológico Piracicaba e os modelos de gestão de outros parques tecnológicos no Brasil (Figura 9.). Figura 9. Exemplos de modelos adotados pelos Parques Tecnológicos Parques São José dos Campos CPQD - Campinas São Carlos Sapiens Parque Tecnopuc Gestoras Associação Parque Tecnológico SJC Fundação Parque de Alta Tecnologia São Carlos Sapiens Parque S.A. Agência de Gestão Tecnológica (AGT) Modelo adotado Organização Social Fundação de Direito Privado Organização Social Sociedade de Propósito Específico Entidade privada sem fins lucrativos ligado à PUC-RS Os resultados das dinâmicas realizadas, apontaram que um modelo de gestão deveria ter as seguintes características: • Gestão profissional e dedicada: operacional; • Gestão público-privada que potencialize os benefícios para o desenvolvimento regional; • Infraestrutura com modelo condominial; • Entidade privada sem fins lucrativos pela facilidade em conseguir verbas, rapidez e flexibilidade; • Assembléia/conselho/diretoria; • Gestão de uma presidência por um período por 5 anos; • Gestão Participativa: formada por Conselho e Diretoria Executiva; • Comitê: técnico científico Usando-se as premissas acimas como norteadoras nos processos de consulta aos atores, o APLA (Arranjo Produtivo Local do Álcool) foi escolhido a Entidade Gestora do Parque, durante o ciclo de implantação do mesmo, exigindo porém uma alteração em seu estatuto social, visando conferir a necessária autonomia e independência do Parque dentro da organizacional já estabelecida deste Arranjo Produtivo (Figura 10.), e dentro de um modelo de governança participativo (Figura 11.). Figura.10: Estrutura do APLA e do Parque Tecnológico Cons. Superior • MDIC • Secretaria Estadual de Desenvolvimento • Prefeitura • ORPLANA • ÚNICA • ADERP CDP Cons. Delib. do Parque CONES Cons. Estratégico COT Cons. Técnico Conselho Executivo Diretoria Executiva Gestor Comitê de Governança & Gestão Comitê de Tecnologia & Inovação Diretor Executivo Grupo Agrícola Grupo Indústria Grupo Logística/Com. Figura 11. Modelo de Governança do Parque Tecnológico, definindo a formação e as responsabilidades das principais entidades Formação Reuniões anuais Reuniões mensais Reuniões semanais Conselho Deliberativo do Parque • APLA, ACIPI, SIMESPI, COPLACANA, CIESP, • CTC, ESALQ, FUMEP, UNIMEP, FATEC, IFSP, FATEP • SDE-SP, SDE-PMP, SEMTRE-PMP, SMG-PMP • 5 empresas indicadas pelo CDP e 1 incubada Responsabilidades principais • Aprovar orçamento anual • Nomear conselheiros Conselho Executivo • 1-5 representantes de entidades empresariais, empresas e governo • 1-5 representantes de universidades e centros de pesquisa • • • • Comitê Tecn. & Inovação • Representantes dos Parceiros tecnológicos • Membros independentes/especialistas • Programas e linhas de pesquisa • Integração de programas Comitê Gover. & Gestão • Representantes do Governo, parceiros e clientes • Fiscalizar resultados e níveis de risco • Liderar contratação de auditores • Contratação e remuneração de executivos Diretor Executivo • Profissional de mercado, gestor de entidade associativa, experiência com responsabilidade por resultados econômicos • • • • Diretores de área • Profissionais de mercado especializados nas áreas (p.ex.eventos, admin/fin, laboratórios) • Resultados da área Decisão por maioria Definir diretrizes de pesquisa Aprovar projetos e alocação de orçamento Nomear Comitês e Diretor Executivo Propor estratégia e orçamento Gestão geral do Parque Recomendar projetos Resultado do Parque 3.3. Estrutura organizacional Foi proposta uma estrutura organizacional que se iniciaria com 17 membros e poderia evoluir junto com o desenvolvimento das atividades do PTP. Esta estrutura completa (Figura 12.) contaria ainda com gerentes para 6 atividades principais: laboratórios, administração & finanças, negócios, imobiliário, eventos e tecnologia & inovação. Figura 12. Estrutura Organizacional do Parque Tecnológico Piracicaba – fase de Consolidação Estrutura Organizacional Conselho Deliberativo Conselho Executivo • Comitê de Tecnologia e Inovação • Comitê de Governança e Gestão Diretor Executivo • Ass.Comunic & RH Laboratórios • • • • • • Bioreator E2G Biotecnologia Fermentação Co-produtos Biodiesel Padronização e metrologia • Motores Admin e Finanças • Admin geral • Contabilidade e finanças • Manutenção • Serviços gerais • Captação de recursos • TI Negócios • Planejamento estratégico • Comercial • Marketing • Consultoria • Gestão da Incubadora • Assessoria Juridica Imobiliário • Novas incorporaçõees • Aluguéis • Concessões Eventos • Organização • Comercial Tecnologia e Inovação • Plano tecnológico • Estudos avançados • Redes temáticas A equipe inicial poderá contar com 3 conselheiros, 1 diretor, 3 gerentes e 10 analistas ou 22 auxiliares. 3.4. Modelo organizacional dos Laboratórios Na fase de implantação do Parque, a estrutura organizacional dos laboratórios deveria se baseada na atração de empresas que forneçam estes serviços especializados para as empresas instaladas no Parque ou mesmo para a instalação de empresas que irão prestar estes serviços, visando evitar a competição com a infra-estrutura já instalada na região, nas Universidades, Centros de Pesquisa e empresas. Progressivamente, deveram ser instalados laboratórios para prestação de serviços para todos os membros do Parque, com aquisição de equipamentos e infraestrutura de uso comum, após levantamento das demandas futuras das empresas instaladas no Parque. 3.5. Modelo econômico Quanto à operação e consolidação, seguida de expansão do Parque Tecnológico Piracicaba, identificou-se que o Parque deveria buscar a auto-sustentabilidade econômica. Foi proposto um modelo formado por uma Entidade Gestora, caracterizada como empresa privada sem fins lucrativos, responsável pela gestão de Ciência e Tecnologia e pela administração do Parque, e por uma Empresa de Desenvolvimento Imobiliário, caracterizada como empresa privada, responsável pelo desenvolvimento e comercialização dos espaços e áreas do Parque (Figura 13). Figura 13. Proposta de Modelo de Gestão Entidade Gestora Gestão de C&T&I • Taxa de atratividade - % dos recursos obtidos com compra e locação Empresa de Desenvolvimento Imobiliário Gestão Administrativa • Taxa de uso das instalações e aparelhos do Parque • Taxa de administração – valor mensal referente a prestação de serviços de administração do Parque • Recursos para compra de espaços e imóveis • Recursos para locação de espaços e imóveis Condôminos Usuários 12 Conforme as análises efetuadas durante as oficinas e posteriormente, as principais fontes de receita do parque deveriam envolver: • Serviços Administrativos: taxa de condomínio/administração, aluguel • Serviços de Gestão Estratégica: estruturação de projetos e pesquisa integrados • Serviços de Consultoria: assessoria de marketing, comunicação, projetos de incubadoras • Organização de Eventos: venda de espaços, divulgação, treinamentos, palestras e simpósios • Captação de Recursos: via fontes de fomento públicas e privadas • Recebimento de royalties • Doações (endowments). As linhas gerais do modelo econômico sugeridas para o Parque Tecnológico Piracicaba (PTP) deveriam contemplar: O pagamento pelos condôminos, investidores ou usuários do Parque, da compra ou locação de espaços e imóveis comercializados pela Empresa de Desenvolvimento Imobiliário; O pagamento pelos condôminos de uma taxa mensal, referente à prestação de serviços de administração do Parque, para a Entidade Gestora; O pagamento pelos condôminos e usuários de uma taxa de uso das instalações e equipamentos comuns de propriedade do Parque, na medida da efetiva utilização dos mesmos. Recomenda-se a definição de valores diferenciados para empresas que estejam instaladas no Parque, que deverão ter condições mais vantajosas que as cobradas de usuários não presentes no Parque; O pagamento pela Empresa de Desenvolvimento Imobiliário de uma taxa de atratividade para a Empresa Gestora. Uma vez que a Entidade Gestora é uma das principais responsáveis por gerar, manter e renovar interesse das empresas de base tecnológica em se instalarem e usarem o Parque como plataforma de desenvolvimento tecnológico, essa taxa tem por objetivo alinhar, em parte, os interesses da Entidade Gestora com o sucesso imobiliário do empreendimento. A taxa de atratividade deve representar um percentual da receita obtida pela Empresa de Desenvolvimento Imobiliário com a venda e locação de espaços do Parque. Por fim, as modalidades principais de uso do Parque Tecnológico Piracicaba estão ilustradas na Figura 14., a seguir: Figura 14. Modalidades de uso do Parque Tecnológico Piracicaba Modalidades de uso do Parque Tecnológico de Piracicaba 1 2 Contratação de serviços específicos através do Parque sob demanda Uso de instalações comuns e aparelhos técnicos do Parque sob demanda •Empresas instaladas no Parque têm condições especiais de contratação •Empresas instaladas no Parque têm condições especiais de contratação 3 Locação de instalações / escritórios no Parque 4 Compra de instalações / escritórios oferecidos pelo Parque 5 Construção de instalações próprias com compra de terrenos no Parque 13 4. Conclusões O Parque Tecnológico Piracicaba se constitui atualmente, após mais de 5 anos de processos de consultas e iterações entre os principais grupos de interesse, um importante vetor para o desenvolvimento regional, e contribui significativamente para o desenvolvimento de novos produtos e serviços de base tecnológica nas áreas de bioenergia (incluindo biocombustíveis) e bioprodutos, áreas de atuação definidas em processos de consulta, a partir da aptidão regional e refletidas na visão e missão do Parque. Os cenários para o pleno funcionamento do Parque Tecnológico incluem a atual fase de Implantação (2012-2014), que teve início a partir das consultas realizadas em 2010 e descritas neste artigo, o qual procurou evidenciar a importância de processos de consultas e discussões com os atores chaves dentro da cadeia sucro energética. Como resultado destes processos, foi recomendado como entidade gestora do Parque, o Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA), que já possuía em seu estatuto social as atribuições para gestão deste tipo de empreendimento de base tecnológica. No inicio de 2013, o Parque já havia atraído mais de 20 empresas, e se tornou um importante vetor para o desenvolvimento da cidade de Piracicaba e um importante habitat para atração de empresas associados aos seus três eixos prioritários, biocombustíveis, bioenergia e bioprodutos. 5. Referência bibliográficas Amaral, W. A. N. et. al. Projeto de C&T&I do Parque Tecnológico de Piracicaba. Relatório Final FAPESP, São Paulo. 2007. Zouain, Desirée Moraes; Plonski, Guilherme Ary. Parques Tecnológicos: Planejamento e Gestão. Associação Nacional das Entidades Promotoras de Empreedimentos de Tecnologias Avançadas. 2006.