O jornal dos colaboradores,
clientes e amigos do Grupo GMH
2/2014
Edição em Português
Entrando em um novo
segmento de produtos
Harz Guss Zorge · Início da produção em série com Lost-Foam:
tecnologia com graus de liberdade nunca vistos
J
á em 2011, a Harz Guss Zorge
havia decidido investir em um
equipamento de molde e tornar-se
uma das empresas pioneiras na Europa nesta tecnologia de produção
na fundição de ferro. É claro que
antes foram realizadas diversas
análises sobre o potencial de mercado desta tecnologia e, inclusive,
verificada a reação dos clientes na
feira GIFA 2011: análises que se
mostraram como muito promissoras. Uma coisa ficou clara: é o fim
da produção manual de protótipos!
Agora, a prioridade passou a ser
a instalação de um equipamento
completo para produção mecânica
em série.
No início de 2012, encontramos, na cidade de Biberach an der
Riß, na usina de fundição de alumínio Albert Handtmann Metallgusswerk, um objeto apropriado:
estava à venda um equipamento
de molde desativado, mas em boas
condições. Este equipamento, que
tem 25 recipientes de fundição e
que, no caso de qualquer eventualidade, pode até ser ampliado modularmente, foi comprado em 2012
e remontado na cidade de Zorge.
Os investimentos financeiros
foram elevados, principalmente
porque foram necessárias novas
estruturas de sustentação, um novo
gerenciamento da areia e uma nova
tecnologia de monitoramento.
Também foi enorme o emprego de
força humana, pois foi necessário
muito tempo para concluir estes
trabalhos.
No entanto, logo que os trabalhos estiverem concluídos, a Harz
Guss Zorge vai poder ingressar na
produção em série com este equipamento.
Já foram encaminhados diversos
pedidos de produção em série. Desta forma, os especialistas em fundição já concluíram rotores com um
peso de 7 a 115 kg para um cliente
da engenharia de máquinas. E não
vão parar por aí. Já se pode ver a
aquisição de outros contratos pela
frente.
Em que se apoia a estimativa
positiva do potencial de mercado?
Por um lado, na posição exclusiva
que a Harz Guss Zorge pode ocupar na Alemanha, por outro, nas
vantagens impressionantes da tecnologia Lost-Foam. Este processo
de modelagem, com suas possibilidades de modelação construtiva,
oferecem de fato graus de liberdade
inimagináveis.
De olho firme na forma: os dois encarregados do
projeto Lost-Foam Alexander Hofmann (à esquerda), e Andreas Glässer (no meio, à direita).
Desta maneira, geometrias
complicadas com cortes traseiros
podem se processar por meio da
divisão em diversos segmentos de
molde. Perfurações e cavidades
pré-fundidas economizam custosos trabalhos de acabamento e
elaboração. Outras vantagens são
as tolerâncias mínimas de medição
e períodos longos de duração das
ferramentas. As possibilidades de
aplicação também são visivelmente
maiores do que na modelagem
mecânica tradicional.
Uma outra vantagem é a eficiência no uso da
energia ligada
ao processo, o
que, em tempos de elevação
de seus custos,
faz uma diferença significativa.
A Harz Guss
Zorge tem outro forte
argumento em campo: com seus
modelos fresados em poliestireno,
em poucos dias a fundição pode
entregar a seus clientes protótipos
com geometria complexa.
Em suma, uma boa condição
para estabelecer o processo no
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................... 5
Fotos: mk, Montagem: elemente
mercado - um processo com o qual
a HGZ deu um passo importante
rumo à diversificação e diferenciação no segmento premium.
mh Caixa de bombas de injeção com
canais fundidos em filigrana.
Foto: mh
editorial Novas estruturas –
moldando o futuro
“Devemos responder a questões desconfortáveis se quisermos ter sucesso.”
O
ano-calendário de 2013 vai ficar em nossa memória com os assuntos “Inundação do Século”, “Caos no Sistema de Sinalização Ferroviário”
em Mainz, primeira renúncia de um papa, alívio na
crise europeia, construção de aeroporto em Berlim
e uma participação popular de apenas 71 por cento nas eleições parlamentares. Edward Snowden
traz à tona os escândalos da NSA e Roland Pofalla
imediatamente os declara mais uma vez terminados. A chanceler da Alemanha pronuncia-se a respeito do tema dizendo que “a internet representa
um campo novo para todos nós”. Nos cinemas, o
filme “Django Livre” é o grande sucesso de bilheteria e Thomas Schaaf anuncia sua saída do time
Werder Bremen depois de 14 anos.
O ano fiscal de 2013 representou um grande desafio para o Grupo GMH e foi, em grande
parte, marcado por incertezas. Principalmente
quando se tinha o olhar voltado para a expansão
de seus mercados. Embora tenha havido, por parte do mercado, uma leve recuperação em alguns
setores comerciais, os volumes e receitas, no total,
ainda encontram-se sob forte pressão.
Deve-se constatar, em geral, que grande parte
das sociedades do Grupo GMH está se confrontando com um corte de receitas e gastos. Além
disso, ainda vivemos uma situação desfavorável
em nossas atividades offshore. O ano de 2013
apresentou perdas consideráveis também neste
segmento. A expansão deste setor comercial ainda é incerta. E só em dezembro foram entregues
as primeiras estruturas de base.
Diante deste quadro, eram e continuam sendo
necessárias outras medidas e esforços para consolidação dos nossos rendimentos. O programa
de redução de custos, que foi iniciado neste contexto, foi bem aceito pelos funcionários e teve
um resultado que, claramente, superou os efeitos
econômicos que haviam sido calculados.
No ano fiscal de 2013, a partir das medidas
tomadas pelas filiais dentro do programa de redução de custos, foram levantados, na forma de efeitos desta economia, cerca de 80 milhões de euros
(meta: 70 milhões de euros = 2,5 % dos custos totais). Em cada sociedade, foram levantados e postos na prática potenciais individuais de economia.
Para tanto, houve um plano de ação em grupo
com mais de 500 medidas distintas, desenvolvidas
pelos funcionários. Elas superaram as economias
orçadas para o ano de 2013.
Queremos agradecer de todo o coração por isso. Estamos conscientes de que, com esta medida,
chegamos ao “limite”, e que a concretização de
muitas ideias nos causaram, na prática, grandes
problemas. Infelizmente, uma grande parte dos
sucessos das equipes foi consumida pelos resultados negativos do mercado. Apesar disso, sem
este programa, os resultados do ano teriam sido
consideravelmente piores diante das condições
2,69 bilhões de euros). O resultado operacional
(EBITDA ) pôde ser aumentado em 37 milhões
de euros, em relação ao ano anterior. Ele está na
casa dos 148 milhões de euros (111 milhões no
ano anterior). A margem EBITDA está em 5,6 por
cento (4,0 por cento no ano anterior). Devido a
amortizações especiais na casa dos 41 milhões
de euros, atingiu-se um prejuízo no ano de 19
milhões de euros (88 milhões de euros no ano
anterior). Sem os débitos da WeserWind GmbH, a
margem EBITDA estaria acima dos 7 por cento.
A ação corretiva por meio do programa de redução de custos aliviou os efeitos negativos, mas
não foram compensados integralmente. O resultado total e insatisfatório do ano fiscal de 2013
exige que o programa de economia continue,
e que se tomem decisões detalhadas quanto às
medidas a serem tomadas em relação ao pessoal e
aos investimentos. Apesar das condições básicas,
no ano passado, foram feitos investimentos no
valor de aproximadamente 83 milhões de euros.
O ativo em caixa na data do encerramento do
balanço estava em cerca de 200 milhões de euros.
O Grupo GMH empregou no total 10.786 funcionários e funcionárias.
Perspectivas para o ano fiscal em curso
O mercado no primeiro trimestre desenvolveu-se
positivamente. Em quase todos os setores comerciais, pode-se verificar uma reanimação das atividades de demanda nos mercados consumidores
relevantes para estes setores. Isto foi confirmado
por meio do desenvolvimento de pedidos e carteiFoto da fábrica
ras de pedidos. E isto tem efeitos, correspondentemente, positivos nos empregos e taxas de ocupacircunstanciais. Junto ao programa de redução de
ção de cada sociedade. Os resultados, no primeiro
custos, em dezembro de 2013, despachamos e
trimestre, ficaram todos acima das expectativas
implementamos uma nova estrutura de liderança, projetadas.
assim como empreendemos mudanças na legislaMesmo assim, devemos registrar que as entração societária. Uma revisão de nossas estratégias
das de pedidos, na soma, já apresentam de novo
societárias encontra-se em curso.
uma tendência decrescente e, dependendo do
A Georgsmarienhütte Holding GmbH movisetor dos compradores, pioram a cada mês. Espementou, no ano fiscal de 2013, um montante
ramos não ter que enfrentar a mesma situação de
consolidado de 2,71 bilhões de euros (2012:
2012. Mas, se for o caso, vamos reagir de maneira
consequente e rápida nas próximas semanas. Cada empresa
Números do Grupo GMH
2013
2012
deve ter na famosa “gaveta” um
planejamento com etapas de
Faturamento do grupo (consoem milhões de €
2.709,3
2.685,7
lidado)
ação concretas para este cenário.
Para o ano, podemos afirmar,
Amortização*
em milhões de €
138,1
96,9
com base na situação atual, que
EBITDA
em milhões de €
148,2
111,2
o Grupo GMH não só alcançaInvestimentos
em milhões de €
68,6
129,6
rá como também, levemente,
(em ativos materiais)**
ultrapassará as expectativas do
Capital de giro
em milhões de €
283,8
310,6
orçamento, tanto em volume
de vendas como também na
Mão de obra com trainees
em 31/12.
10.766
11.158
folha de resultados. Contudo, só
* inclusive amortizações não planejadas na casa de 41,4 milhões de euros
estamos contando com uma me** inclusive mudanças no círculo de consolidações
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française............................ 6
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................... 6
Faturamento
consolidado em
milhões de €
desenvolvimento do grupo entre 1993 – 2013
Número de
funcionários
3.500
12.000
3.000
10.000
2.500
8.000
2.000
6.000
1.500
4.000
1.000
2.000
500
0
0
lhora significativa das expectativas de resultados
em casos excepcionais. Ainda existem grandes
incertezas quanto ao crescimento na segunda metade do ano. Os mercados continuam marcados
pelo excesso de capacidade no mundo inteiro.
Além disso, problemas complexos de rendimento e quantitativos dificultam um prognóstico na
indústria do aço, tanto na Alemanha quanto no
mundo inteiro. A alta volatilidade dos materiais
utilizados (ligas, sucata, matéria bruta) também
tem uma perceptível influência sobre o desenvolvimento dos preços e, consequentemente, dos
rendimentos.
Mas também não devemos fechar os olhos para o fato de que ainda há, no mínimo, dez empresas que atingirão resultados negativos. A execução
das medidas aprovadas para atingir as metas orçamentárias são indispensáveis e estão sendo acompanhadas com a máxima precisão possível. No
futuro, não haverá uma subvenção permanente
por parte da GMH Holding. O desenvolvimento
econômico de cada uma das empresas tem que
ser financiado com seus próprios recursos.
Por esta razão, ainda não pudemos suspender
as medidas especiais que estão valendo desde
2012. Para isto, ainda é necessário um desenvolvimento econômico consistente do grupo de
empresas. Ao longo do ano, será feito um novo
levantamento dos projetos de investimento.
As liberações para os investimentos necessários
e de urgência, e que possam melhorar os rendimentos, só se processarão, no ano fiscal de 2014,
atrelados ao desenvolvimento dos resultados. O
que se pretende é: somente com uma melhora
duradoura nestes resultados e um cálculo de caráter econômico no âmbito de uma avaliação por
muitos anos, é que se iniciarão novos projetos de
investimentos. Uma concentração dos recursos
disponíveis em projetos selecionados é indispensável.
Estamos debatendo com todos os gerentes
gerais a disponibilidade estratégica de suas empresas. A questão da filosofia de um grupo que
tem empresas ou setores com responsabilidades
próprias tem que ser constantemente verificada
e respondida. O que vale atualmente é encontrar
respostas para as questões de como encontrar
melhorias duradouras.
Será que temos uma ótima posição diante
da concorrência? Estamos encontrando juntos
ideias e medidas que levam a uma melhoria das
estruturas de custos? Os custos com pessoal
estão se desenvolvendo analogamente com as
mudanças do rendimento bruto? Estão surgindo
possibilidades de reduzir nossas estruturas organizacionais? Nossos processos administrativos são
do mais alto nível?
Somente a resposta para esta e outras questões, assim como as soluções que delas possam
surgir, vão contribuir para que o Grupo GMH
continue crescendo e se mostrando apto para
o futuro. Mas isto também significa: nós temos
que encarar questões desagradáveis se quisermos
construir um futuro de sucesso. É por isso que
continuaremos até mesmo onde isso possa nos
doer.
Mas, no final, todos tiraremos proveito disto ou, tomando como exemplo um velho ditado de
sala de espera: “É tão bom quando para de doer”.
Thomas Löhr
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française............................ 7
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................... 7
palavra do acionista A transição energética
na linha de impedimento
Caros funcionários do Grupo GMH, caros leitores,
às vezes, tenho a sensação de que a transição
energética na Alemanha foi uma tentativa de
introdução de uma espécie na natureza que não
deu certo, onde foram soltos não somente patos e
lobos, mas cangurus também.
Hoje, 25 anos depois, todos sabem que a ideia
dos cangurus não foi nada boa, entretanto alguns
não querem admitir que erraram, outros acham
que os cangurus são maravilhosos, e a grande
maioria acostumou-se à ideia.
O que hoje chamamos de transição energética
começou exatamente da mesma forma: uma experiência para o apoio a novas tecnologias que, se
observadas mais a fundo, constata-se que todas
elas não se mostraram ser tão novas assim. Até
nossos antepassados já sabiam que o vento pode
movimentar um moinho.
A Lei das Energias Renováveis da Alemanha
(EEG , na sigla em alemão) foi elaborada para dar
às energias renováveis a chance de saírem dos
laboratórios e dos centros de pesquisas de campo
isolados para uma produção em série. Mas esta
meta já ultrapassamos há muito tempo.
Retomando meu exemplo:
Os cangurus, graças à alimentação farta e à
proibição de sua caça, reproduziram-se perfeitamente e constituem agora uma verdadeira praga
no campo. No caso da lei EEG , diversos governos
e ministros do meio ambiente perderam a oportunidade de estabelecer uma nova meta, ou seja,
a integração do mercado. No momento, pode-se
muito bem especular quais foram os motivos para
isso, mas é fato que fica cada vez mais difícil mudar esta situação quanto mais tempo esperamos.
Até mesmo a grande coalizão atual não é capaz de dar sozinha os passos necessários.
Há tempos que muitos grupos se mostraram
interessados pelos incentivos que o atual ministro
da Economia e Energia que, figurativamente falando, não pode nem dar uma virada no corpo sem
pisar no pé de alguém.
Enquanto na Alemanha as palavras integração
de mercado, se pronunciarem neste contexto,
sempre haverá pelo menos um político presente
afirmando que - com base na participação das
energias renováveis dentro da produção total de
energia elétrica na Alemanha - a lei EEG é um
sucesso total que não pode ser prejudicada de
jeito nenhum, ainda mais porque as metas de expansão são bem ambiciosas: a participação atual
de 24 por cento deve chegar até 2020 a 35 e, até
2050, a 80 por cento.
Deixe-me explicar qual é o núcleo do problema: a lei EEG , desde o início, não deu abertura à
tecnologia. Na verdade, o objetivo foi dar incentivo a três tipos de tecnologia: a eólica, a fotovoltaica e a de biomassa. Além destas, a energia geotérmica e a hidroenergia, que têm uma importância
subordinada. No entanto, entre os três tipos de
energia citados em primeiro lugar, somente a de
biomassa tem a capacidade de alcançar o tempo
de funcionamento de uma hidrelétrica convencional. Das 8.760 horas que tem um ano, para meros
Foto: Paul Ripke
cálculos, as plantas eólicas em terra chegam a
1.800 horas de produção total, enquanto no mar
a 4.300 horas. Quanto à energia fotovoltaica, na
Alemanha, que tem uma radiação solar comparável à do Alasca, chega-se a apenas 950 horas!
O segundo problema básico é o tipo de incentivo. Para proteger a plantinha da energia renovável dentro da floresta de uma produção convencional, o legislador obrigou as operadoras de
transmissão a preferirem a transmissão da energia
produzida a partir do vento e do sol.
Esta é a tal prioridade de fornecimento. Além
disso, para quem ousou construir uma planta ou
mesmo instalar placas solares em seu telhado,
foi garantida uma bonificação para os primeiros
20 (por extenso, vinte!) anos de funcionamento.
Mesmo se suspendêssemos hoje completamente
os incentivos, ainda teríamos obrigações por mais
duas décadas com as plantas que foram postas
ontem em funcionamento.
O fato de muitas das taxas de incentivo para as
energias renováveis terem sido reduzidas também
não muda nada. Para o ano corrente, estimam-se em média tarifas de incentivo de cerca de 92
euros por megawatt-hora para energia eólica em
terra, 180 euros por megawatt-hora em mar, de
163 a 206 euros por megawatt-hora de biomassa,
e de 200 a 330 euros por megawatt-hora de energia fotovoltaica.
A título de comparação: o preço na bolsa de
energia EEX , dependendo da hora do dia, oscila
entre 34 e 44 euros por megawatt-hora.
A diferença proveniente das tarifas de investimento e do produto das vendas na bolsa é
transferida aos consumidores alemães de energia
elétrica. O rateio das despesas no ano de 2014
está em 62,40 euros por megawatt-hora. Ou seja,
estamos pagando quase o dobro a mais do preço
da bolsa para o incentivo das energias renováveis.
Não só amamos nossos cangurus, eles também
estão terrivelmente caros.
As consequências de nossa praga de cangurus
são abrangentes. E elas não atingem apenas os
clientes residenciais e industriais da Alemanha,
mas a esta altura, até nossos vizinhos na Europa.
Pois os cangurus, assim como a energia elétrica,
não estão nem aí para as fronteiras nacionais.
Observando os aspectos técnicos: em primeiro
lugar vem a estrutura das redes de transmissão
de energia elétrica. Como todos vocês sabem,
no futuro, a maior parte da energia renovável
produzida deverá provir das usinas eólicas que
estão em terra ou em mar, ou seja, visto do ponto
geográfico, do norte da Alemanha. A quantidade
de energia produzida deverá ser capaz de cobrir
a quantidade que faltará com o desligamento das
usinas nucleares no sul. Ou seja, a energia elétrica
vai ter que ser transportada de norte a sul.
Para o transporte de tamanha quantidade de
energia, a Alemanha vai precisar da expansão
de suas redes de transmissão. Pelo menos se não
quisermos, com o tempo, passar esta tarefa para
as nossas vizinhas Polônia e República Tcheca. No
entanto, nem são os custos com a infraestrutura o que nos preocupa. A cada novo mastro de
transmissão, forma-se pelo menos uma iniciativa
popular que é contra sua instalação. Um exemplo
só para implicar com os cangurus de novo: quando eles começam a comer as flores de seu jardim,
param logo de ser tão legais.
As operadoras de rede elétrica ainda têm um
segundo problema grave. A lei EEG determina
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française............................ 8
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................... 8
que a energia produzida pelos ventos e pelo sol deve ser preferencialmente absorvida pelas redes, independente do fato de ser utilizada ou
não. Numa participação porcentual
em níveis de um único dígito, tecnicamente isto não representa nenhum desafio. Mas passa a ser quando chega a quase 24 por cento da
produção total na Alemanha (2013).
Se, hoje em dia, nos períodos
de menos uso de energia (ou seja,
à noite e nos fins de semana), for
produzida a partir de energias renováveis mais energia elétrica do que
for necessário, pode contar que os
engenheiros das estações de controle vão ficar de cabelo em pé. Nem
preciso dizer aos responsáveis pelos
processos de produção o que significa não conseguir manter o controle
sobre a rede. Os lucros perdidos com
a queda de produção seriam o menor dos problemas. No entanto, numa visão mediana, teríamos a mais o
problema de produzir muito pouca
energia eólica e fotovoltaica, pelo
menos quando as usinas nucleares
convencionais se desligarem da rede.
O abandono do uso da energia
nuclear na Alemanha, ligada também à transição energética, exerce
uma grande influência sobre isso. No
longo prazo, só poderemos sobreviver sem a capacidade energética
convencional quando formos capaz
de conciliar uma semana de inverno
inteira sem ventos com uma energia
previamente armazenada.
Isto significa para a Alemanha:
4,5 terawatt-hora para uma produção de 25.000 megawatt-hora.
Se quiséssemos produzir esta
quantidade de energia por meio de
usinas hidrelétricas reversíveis, teríamos que construir 110 novas usinas
do tamanho das atuais por 580 bilhões de euros.
Também esconde-se completamente o problema de onde elas
poderiam ser construídas. A bem
discutida tecnologia do power-to-gas custaria, para apenas produzir a
quantidade suficiente de gás a ser armazenado nos sistemas de depósito
e transmissão, entre 16 e 21 bilhões
de euros. E mais uma vez entre 10 e
25 bilhões de euros seriam necessários para a construção de usinas GuD
(usinas de turbinas de gás e vapor)
para a geração de eletricidade.
Acho que a ração para cangurus é
mais barata.
Passemos, agora, aos aspectos da
economia popular e industrial. O já
mencionado privilégio de fornecimento tem ainda um segundo efeito
que podemos ler no preço fixado
pela bolsa de valores:
As energias renováveis altamente
subvencionadas estão sufocando as
energias convencionais. Permanecendo no meu exemplo simbólico: a
carne de canguru é grátis. Os preços
da carne bovina caem. Na condição
de consumidores industriais, isto vai
contra nossos interesses. Uma vez
que o valor da energia elétrica na
bolsa de valores alemã constitui no
momento referência de valor na Europa, os clientes nos países vizinhos
também acabam tirando proveito
disso.
Mas a redução dos preços para a
commodity de energia elétrica não
ajuda as empresas industriais alemãs
em nada quando em concorrência
com nossos parceiros europeus.
Juntando todos os custos, incluindo
rateios, taxas públicas e impostos
(com exceção do imposto sobre o
valor de mercadorias), num total de
28, ocupamos a 26ª posição dentro
da União Europeia!
A queda de preço já descrita está
levando os proprietários de usinas
GuD ultramodernas e mais eficientes
a desligá-las e retirá-las das redes. É
exatamente destas usinas que, mais
cedo ou mais tarde, precisaremos
para equilibrar de novo o fornecimento flutuante das energias renováveis.
Retomando meu exemplo do fornecimento de energia numa semana
de inverno:
se a capacidade das usinas convencionais continuar estável e disponível para este período, vai gerar um
custo de 800 milhões de euros por
ano. Já se discute como transferir estes custos para os consumidores de
energia elétrica.
A palavra do dia é mercado de
reservas. Segundo estimativas da
Associação Federal Alemã da Indústria Hídrica e de Energia, os clientes
que quiserem um fornecimento de
energia sem interrupções, vão ter
que pagar no futuro certificados
de capacidade, ou seja, um prêmio
de seguro. Pelo menos estes custos
serão cedo ou tarde repassados
aos clientes, além dos cerca de 24
bilhões de euros que os consumidores alemães terão que pagar este
ano como rateio para o incentivo às
energias renováveis.
As usinas do Grupo GMH já pagaram um pouco mais de 10 milhões
de euros de rateios da lei EEG . Se
considerarmos a economia popular
de todo o país, a Alemanha perde
muito mais: a energia elétrica proveniente de energias renováveis é
claramente mais cara que a energia
proveniente da produção convencional, que está sendo descartada: as
empresas de fornecimento de energia (EVU , na sigla em alemão) estão
desligando plantas que acabaram de
ser postas em funcionamento, porque elas estão perdendo valor, para
deduzir os milhões em custos de
construção. Mais cedo ou mais tarde, teremos que gastar mais bilhões
com tecnologias de armazenamento
das energias que ainda se encontram
tecnicamente em desenvolvimento,
ou pagar às EVUs prêmios de produção pelas usinas convencionais, que
só funcionam poucas horas durante
o ano.
Há outro aspecto. Este é o contexto entre o incentivo às energias
renováveis e o comércio de emissões. Na verdade, a lei EEG contraria
o comércio de emissões como elemento estruturado para a economia
de mercado na redução de gases
com efeito estufa. Uma vez que a
Alemanha, por meio da EEG , incentiva tecnologias cujos custos de redução de emissões de CO2 estão muito
acima dos preços dos certificados
de emissão, acabam sendo cada vez
menos procuradas e, com isso, cada
vez mais desvalorizadas. A realidade
é que por meio de células solares ou
turbinas eólicas nenhum grama de
CO2 acaba sendo evitado, pois, na
União Europeia, o que se aplica é um
montante máximo de CO2 que se
permite emitir no ar.
Se, no momento, produzirmos
na Alemanha um megawatt-hora de
energia elétrica sem o uso de carvão
ou gás, a mesma quantidade não
produzida de CO2 pode ser emitida
na atmosfera por uma usina de carvão na Polônia.
O retrocesso dos preços dos certificados dos gases com efeito estufa
associado a isso aumenta o perigo de
uma intervenção da política europeia
no comércio de emissões, exatamente como já aconteceu com o tema
back-loading.
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française............................ 9
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................... 9
Conclusão: a transição energética
prejudica o mercado, acumula altos
custos consequentes e prejudica o
desenvolvimento do comércio de
emissões. Como devemos, então,
acabar com a praga dos cangurus?
Do ponto de vista dos clientes industriais, é incondicionalmente necessário integrar as energias renováveis
no mercado, mas de forma verdadeiramente eficiente. A reforma legislativa, atualmente tão discutida na
Alemanha, está indo no rumo certo,
mas de forma demasiada lenta.
No curto prazo, os incentivos deveriam ser formulados de uma forma
que os produtores de energia eólica,
solar e de biomassa sentissem os
sinais dos preços e, com isso, se motivassem a organizar sua produção
de acordo com seu uso.
Isto significa que, em vez de chegarmos a uma taxa fixa, devemos
chegar a um prêmio de mercado.
A comercialização direta de hoje é
só uma tarifação fixa com outros
meios. Além disso, devemos parar de
nos agarrar a algumas tecnologias.
Temos que dar aos engenheiros a
chance de desenvolver novas tecnologias que tenham um bom preço
no mercado e que sejam condizentes
com nossa geografia e nossas condições climáticas.
Isto também vale para a questão
da tecnologia de armazenamento.
Os custos vindos da aparente manutenção de reservas de capacidade
para equilibrar a oscilação condicionada às condições climáticas na
produção de energia elétrica por
meio de fontes renováveis, não deve,
a nosso ver, simplesmente serem jogados para os clientes.
O cliente, seja residencial ou
industrial, tem o direito de poder
confiar que seu fornecedor está disponibilizando uma energia elétrica
confiável.
Num mercado onde todas as formas de produção concorrem entre
si, os produtores de energia eólica
e solar, com a presença das usinas
convencionais, vão querer evitar o
fracasso de suas próprias usinas.
Glück auf!
Tema central: Erro
Um “poquinho”
de Boris
O reconhecimento de que os erros pertencem
à natureza humana é indiscutível. E ele também
colabora para aumentar o ponto cego atrás do qual
se esconde uma de várias falhas humanas: a atitude
pessoal errada.
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Foto: © plainpicture / Kniel Synnatzschke
Tema central: Erro G
ünter Bosch está sentado e suando na estreita cabine de comentaristas do canal ZDF . O
alemão de origem romena é obrigado a assistir,
sem nada poder fazer, como seu protegido Boris
Becker vai sofrendo cada vez mais sob a pressão
do jogo. Cada vez mais o tenista de Leimen
dá vantagem ao seu adversário com suas bolas
muito curtas. Sem pena, Ivan Lendl aproveita-se
da ocasião e, sem deixar de honrar seu nome,
“Ivan, o Terrível”, arrasa com Becker.
O técnico Bosch se desespera ao ver que Boris
não tem condições de jogar bolas mais longas.
Há tempos que ele vinha explicando as causas
desta falha aos telespectadores. Agora, com a
duração da partida se estendendo, ele se torna
monossilábico, de vez em quando fala pelo
nariz, revelando no microfone da ZDF , e com
um forte sotaque romeno, a quintessência do
desastre de Becker: “Borriss tá sempre fazendo a
mesma erro!”
No final prevaleceram o jogo, o set e a vitória
de Ivan Ledl.
É uma sorte que nós não somos constantemente observados, como Boris Becker. Ou vocês
teriam vontade de participar de um Big Brother
no trabalho? Você é uma estrela, mas ninguém
o tira da casa? Gostariam de trabalhar sob o
controle das pessoas com línguas afiadas, que
brutalmente expõem os erros e os censuram
cheias de prazer?
No final, somos todos um pouco como Boris, cometemos (quase sempre) o mesmo erro,
fraquejamos por não estarmos concentrados
(“Como não vi isso?”), ou partimos de suposições erradas (“Como, ele não sabe nadar?”),
nos desentendemos (“A gente marcou de se ver
à noite?”), ficamos bobões (“Pensei que desse
pra fazer sem isso.”), ignoramos avisos (“O sinal
estava vermelho?”), estamos cheios de tarefas,
sobrecarregados, esgotados, entre outras coisas.
É óbvio que todo ser humano alguma vez comete erros. Cometer erros, sem dúvida, faz parte
da natureza humana. Seja porque os erros façam
sentido na evolução biológica, ou porque sejam
um defeito de nosso cérebro: o ser humano erra
quando empreende esforços. Nobody é realmente perfect.
Além de tudo, pode-se aprender com os erros, o tema central que pode ser lido nesta edição. Não, não é nenhuma historinha, mas sim
certamente uma realidade vivida com eficiência
e lucros, pelo menos em algumas empresas.
Mesmo assim, a verdade na maioria dos casos
é: um erro é um erro. E ponto final. Tanto faz se
no esporte, no amor, no local de trabalho ou no
trânsito: quem comete um grande erro nestas si-
tuações, vai perder o campeonato, o namorado
ou a namorada, seu emprego e até a sua própria
vida.
Para não despertar nenhuma falsa impressão: não estamos entregues ao erro, desprovidos de qualquer poder. Mesmo quando disposições psíquicas estão em jogo, pode-se dizer que
muitos erros são tão desnecessários quanto “ter
um papo abaixo do queixo”. E como é possível
localizar suas causas claramente?
O ponto crucial, quando se trata de erros
desnecessários, é a sua atitude interior, e nisto
concordam psicólogos, incentivadores, especialistas em PNL e outros. De uma maneira bem
simples: aqueles que vão para o trabalho desinteressados, que não desenvolveram nenhuma
ambição, que se acham livres de erros, que
apagam os erros de sua própria imagem, ou que
se entregaram interiormente (tudo isso porque
nasceram com esta visão de mundo, ou porque
suas “condições na vida profissional” contribuíram para isso), estes correm, também, o risco
de cometer mais erros.
Aqueles que sentem prazer pelo que fazem,
que gostam de entregar um bom trabalho, que
querem se aperfeiçoar, que veem erros como
uma marca pessoal, que se interessam pelo bem
da empresa (tudo isso porque nasceram com
esta visão de mundo, ou porque suas “condições na vida profissional” contribuíram para
isso), esses podem ter certeza que vão cometer
menos erros.
Aqueles que quiserem trabalhar para consertar seus erros têm que dar uma olhada no que
acontece nos bastidores dos erros: sua atitude
pessoal. (E as “condições na vida profissional”,
por exemplo, superiores ou colegas, também
podem parar para pensar se estão fazendo tudo
para que seus funcionários e colegas realizem
seu trabalho com prazer).
Um bom exemplo de que os erros podem
ser minimizados pode ser encontrado entre os
músicos, que não podem fingir que não os ouvem. Eles conhecem bem a forma de combatê-los: praticando, praticando, praticando. O
que é sensacional: pode ser divertido trabalhar
nisso e reduzir sua quota pessoal de erros. Aliás, Boris Becker também sabia disso. Afinal de
contas, sendo um tenista de renome mundial,
ele sabia como aprender: No jogo seguinte, ele
foi pela terceira vez o vencedor do torneio de
Wimbledon, quando derrotou “Ivan, o Terrível”, ensinando-lhe a ter medo.
pkm
GLOSSÁRIO
Está tudo
errado mesmo?
T
oda teoria, afirmação, ideologia, etc. tem sua
própria terminologia como arma de ataque termos com os quais classificam as aparências da
realidade com suas próprias marcas linguísticas,
ou seja, com os quais pretendem combater a
posição de qualquer oponente. Isto também vale
para o termo recentemente propagado “nova
cultura do erro”. Seus protagonistas gostam de
generalizar como “erros” todas as tentativas de
resolver problemas que não foram bem-sucedidas. Mas será mesmo que tudo pode estar errado? De maneira nenhuma! Supostas vias erradas,
por exemplo, muitas vezes revelam-se atalhos
indispensáveis. Podem até fazer parte de uma
estratégia de solução consciente. O filósofo e matemático francês René Descartes já recomendava
escolher o caminho de solução que mais presumivelmente levasse ao objetivo, mesmo que (ainda)
não se soubesse qual seria o certo. Na ciência, a
hipótese é um tipo de “afirmação com reserva”,
onde se sabe que ela (provavelmente) não se
sustenta, mas com a qual se pode trabalhar produtivamente. Segue o mesmo princípio um Try &
Error conduzido sistematicamente. Mesmo onde
os infortúnios brincam com o destino, é errado
falar em “erros”. Por exemplo, quando uma mistura de borracha e enxofre cai por descuido na
boca de um fogão e descobre-se, desta forma, a
vulcanização. Para estes acontecimentos, já existe
até uma explicação que se basta: o acaso (ao qual
devemos agradecer por tantas descobertas). Não
classificar todos estes fenômenos como um “erro”
seria apropriado, mas não só semanticamente.
Os funcionários e funcionárias que desenvolvem
novas ideias, que podem resolver problemas,
também têm que ser valorizados. Etiquetar como
“erros” ou “erradas” suas tentativas, individuais
ou em equipe, de solucionar problemas que não
obtiveram resultados, na verdade, não é algo estimulante. Contudo, reconhecer que se encontram
em desvios necessários, mas, na caminho certo,
serve-lhes como motivação.
pkm
Espinafre
Google
Até hoje se ouve este boato: muitas
pessoas acreditam que Albert Einstein
tinha sido um fracasso na escola. Mas
ele, na verdade, levantava altos voos.
O que aconteceu é que um biógrafo
interpretou errado seu boletim de
escola da Suíça que
estava cheio de notas
5. A verdade é que a
nota 5, na Suiça, é a
nota mais alta.
Devido à suposta alta concentração de 35 mg de
ferro por 100 g em sua composição, o espinafre era
considerado como muito saudável. Infelizmente, o
químico alemão Erich von Wolf tinha, na verdade,
colocado a vírgula no lugar errado. O espinafre
contém apenas 3,5 mg de ferro por 100 g. Embora
já se conheça este erro desde os anos 20, ainda
se acredita neste boato. Continuamos comendo
espinafre direitinho. O que também não prejudica
em nada.
A palavra “Google” já se encontra até no dicionário alemão Duden. Na verdade, era para a empresa
de Larry Page e Sergey Brin ter um outro nome:
“googolplex” – o número descritível mais alto.
Mas quando um colega de faculdade quis inserir
este nome no browser, para ver se ele ainda estava
disponível, acabou digitando errado “Google”. Page gostou do nome e tratou logo de registrá-lo.
Foto: © panthermedia.net /Olga Nikitina
Einstein
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 11
Tema central: Erro A cultura global do “errro”
Diferenças culturais: como as pessoas na Ásia, Europa e nos EUA
lidam com os erros
E
m qualquer lugar onde as pessoas se encontram e trabalham
juntas com alguma coisa, acontecem erros. Diz um velho provérbio:
“Onde se trabalha aplainando,
voam farpas”. Mas a maneira como
observamos, classificamos e lidamos com os erros, às vezes, difere
muito no mundo inteiro. Foi neste
contexto que se desenvolveu o
conceito de “Cultura do Erro”. Para
todos os pesquisadores, os erros
constituem um tema que deve ser
sempre tratado construtivamente.
O espectro global vai desde a
prevenção até a amabilidade perante os erros:
Ásia: minimizar os danos em
vez de procurar os culpados
A maneira produtiva de lidar com
os erros sempre constituiu um fator
de sucesso na Ásia. Foi por isso que
no Ocidente, nos anos 90, todos
se espantaram com o sucesso da
economia do Japão. O segredo deste
rápido crescimento também estava
na cultura do erro dos japoneses.
Diz-se que os japoneses buscam
as soluções, em vez de culpados. Em
qualquer crise aguda, o prejuízo que
acabou de acontecer não representa
o ponto central (não há como mudar este fato), mas sim, a pergunta
de como se pode manter as consequências deste erro as menores
possíveis.
A maneira construtiva de lidar
com os erros nos grupos de trabalho
permitiu aos funcionários japoneses
dos anos 90 melhorarem imensamente a qualidade de trabalho e a
produtividade de suas empresas.
Estar de uma forma ou de outra
aberto a erros, imediatamente tira
um peso das costas dos funcionários: muitos ficam com menos
medo de errar, já que podem
confiar que os erros serão tratados
profissionalmente. Além disso,
aprendem um com o outro quando
trabalham para reparar os erros,
elevando suas capacidades e adquirindo segurança e rotina.
É por isso que em muitas culturas asiáticas tem-se como ponto
central a correção de erros voltada
para uma busca orientada de soluções. O olhar para frente proporciona oportunidades (“como podemos
fazer melhor?”). Mesmo que a busca
pelo “culpado” seja uma característica bastante humana, ela apenas
nos desvia do caminho correto, e é
completamente improdutiva porque toda a atenção se volta para um
passado que, de qualquer forma,
não poderá mais ser modificado.
Uma comparação entre a cultura
do erro vivida na Ásia e as estratégias de erro praticadas nas empresas
ocidentais, revela diferenças: no
Ocidente, desde o início da industrialização, o foco está, sobretudo,
na prevenção dos erros. Não faz
muito tempo que conceitos como
abertura, tolerância e amabilidade
diante dos erros ganharam alguma
importância.
Europa: admitir em vez
de esconder os erros
Dizer que se deve aprender com os
erros é, do ponto de vista pedagógico, uma verdade universal. Mas
ela nunca foi levada tão a sério por
muitos sistemas educacionais na
Europa. O princípio está certo, mas
não poderia funcionar na prática
atualmente. De fato, existem notas
para os erros, ou seja, um certo tipo
de punição.
O medo de cometer erros, frequentemente, leva ao exagero de
querer pensar só no que for seguro
e à perda de oportunidades. Diversos estudos comprovam que
o medo de errar paralisa a criatividade e inibe as inovações. Pois,
qualquer inovação representa um
risco, afinal, ela significa mudança, e, no curto prazo, esse risco é,
naturalmente, mais perigoso que o
status quo das coisas. Mas aqueles
que fogem dos erros e tentam se
proteger de qualquer passo em falso
correm o risco de ficar estagnados e
de serem excluídos.
O que vale na profissão é:
“Quanto mais cheio de responsabilidades for o cargo, mais importante fica levar em conta os riscos
visíveis”. E, na pior das hipóteses,
concentrar-se no controle dos
prejuízos. Pois uma regra básica
de uma forte cultura do erro diz:
“Quanto mais tarde se reparar um
erro, maior será o prejuízo.”
Aquele que tenta ignorar ou
esconder um erro, provoca com
isso, geralmente, uma verdadeira e
imensa catástrofe. Em muitos setores isto ainda é considerado como
uma força, manter-se firme e perseverante no seu caminho, mesmo se
houver dificuldades ou obstáculos.
Mas, corrigir decisões e admitir erros, frequentemente, ainda é apontado como fraqueza.
No entanto, só existe uma solução razoável: viver com o fato de
que os erros acontecem, e que as
decisões tomadas podem dar errado. Neste caso, só resta seguir em
frente. Um reconhecimento sincero
dos erros num ambiente de trabalho pode ter um efeito imediato e
‘desarmador’. Quando os erros são
reconhecidos e admitidos a tempo,
o prejuízo pode ser controlado.
Justamente na cultura de liderança alemã, a sinceridade e a maneira direta de lidar com seus próprios erros são muito valorizadas.
Um erro representa uma chance de
aprender - mas esta chance também tem que ser aproveitada.
Um funcionário reúne diariamente suas próprias experiências
(de erros). Na medida do possível,
ele só deve cometer o mesmo erro
uma ou duas, mas jamais três ve-
Maldição ou bênção?
Onde estamos nos dias de hoje? Ainda insistimos no princípio do “zero defeitos”, fechando assim para nós a chance de aprendermos com os erros?
Serão todos os erros prejuízos com pesadas consequências para nossa empresa, ou eles tornarão possível o trabalho conjunto em busca de soluções
e melhorias? Será que admitir um erro (por exemplo, um recall de peças)
é apenas a indicação de que falhamos ou a indicação de que podemos
aprender com os erros? Será que estamos tirando proveito de uma visão
globalizada e aprendendo alguma coisa com a cultura do erro de outros
países? Certamente que não. Continuamos trabalhando com as estratégias
do six-sigma, e insistindo que a exigência de documentação das peças do
nosso carro garanta nossa segurança. Ou que, em uma usina nuclear, deve
prevalecer a estratégia do “zero defeitos”. Mas não devemos nos esquecer
de que podemos aprender com os erros. E que um erro também sempre
representará uma chance de desenvolvimento e de um novo início - no
mundo todo.
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 12
zes. Os que, por incompetência ou
falta de senso crítico, não forem
capazes de modificar seu comportamento nocivo, não serão aproveitados por muito tempo.
EUA: uma cultura aberta
aos erros em vez de “Do
it right the first time!”
A maioria dos trabalhadores americanos não precisa se preocupar
muito com os erros em seu trabalho. Todo mundo os comete. E,
simplesmente, é assim. Ao contrário da Alemanha - onde logo se
aponta o culpado com o dedo - nos
Estados Unidos desenvolveu-se
uma cultura do erro com aspecto
positivo. Os americanos têm maior
facilidade em reconhecer seus erros
perante seus chefes. E uma empresa só pode aprender com os erros
quando eles são reconhecidos.
E, tudo isso, mesmo depois do
americano Crosby ter propagado
o princípio do “zero defeitos”. Ele
pregava que se deixasse de aceitar
as cotas de erros e, com auxílio da
precaução e do bom planejamento,
se chegasse ao “defeito zero”: “Do
it right the first time!”
Seu ponto de partida são os quatro princípios básicos da qualidade:
1) Qualidade significa conformidade com as exigências do cliente. 2)
O sistema de segurança da qualidade é encarregado de proteger e assegurar a produção. 3) A qualidade
é medida pelo custo da não conformidade. 4) O desempenho padrão
é o “zero defeitos”.
Atualmente, o modo de lidar
com os erros no âmbito da economia adquiriu um significado
mais abrangente. O aprendizado
modifica-se cada vez mais, indo do
ajuste adaptativo até o combate de
novos desafios complexos. Ocupar-se com este aprendizado inovador
está se tornando cada vez mais o
tema central de uma gestão.
A função de exemplo das forças
de liderança representa um papel
cada vez mais central. Uma cultura
do erro construtiva, na verdade,
não pode ser implantada só com
argumentos ou ordens de trabalho,
mas somente ao se lidar de maneira aberta com seus próprios erros
e de maneira generosa com o erro
dos outros.
Um dos gestores mais famosos
dos Estados Unidos, o antigo chefe
da Chrysler Lee Iacocca (*1924),
pode nos dar uma orientação.
Ele formulou a oração da cultura
construtiva da seguinte forma: “Os
erros são partes constituintes da
vida; não se pode evitá-los. Só se
pode esperar que não saiam muito
caros para alguém, e que eles não
se repitam duas vezes.”
os Tema central: Erro Não é ipormtante?
RRD
Prazer ou peso nas costas?
Corrigindo os erros dos outros.
D
Afundamento de navio.
Foto: Gustav Schreiber
Na filial da RRD em
Gelsenkirchen, no porto de Grimberg, o navio MS Nautica foi
carregado com carepa de laminação, destinada para o equipamento de sinterização da Mannesmann Krupp Hüttenwerke
HKM. Depois de receber cerca de 400 toneladas de carga, o
navio partiu-se e afundou no leito das docas. A causa pode ter
sido instruções erradas do capitão, que, contra as preocupações dos funcionários do setor de carga e descarga, ordenou
que se continuasse a carregar a escotilha central. Três pessoas
que se encontravam a bordo no momento do acidente puderam se salvar a tempo. A carga pôde ser descarregada mais
tarde com poucos danos e sem complicações. Mas a recuperação deste cargueiro holandês de 85 m de comprimento e 9
de largura não foi tão fácil. Houve derramamento de líquidos,
como combustíveis, lubrificantes e agentes de refrigeração,
que tiveram que primeiro ser controlados por meio de uma
barreira de contenção e, depois, aspirados da água. A equipe de uma empresa de resgate holandesa teve que usar um
“arreio de ferro” para poder erguer o navio do fundo do leito
das docas. Mais fotos do desastre em: http://www.derwesten.
de/staedte/gelsenkirchen/frachter-sinkt-im-hafen-id8800537.
html
Gustav Schreiber e vez em quando me perguntam:
“É legal ter que corrigir os erros dos
outros?” A minha resposta é clara: não.
Eu não me tornei revisora porque sinto
prazer em ficar procurando e corrigindo
os erros dos outros. Até mesmo quando
estou trabalhando, prefiro ler os textos
corretos e não aqueles que estão cheios
de erros. Eu fico feliz quando leio textos
que são bem escritos, criativos com a
língua e não se prendem muito às regras
da gramática. Quanto a isto, eu concordo
com Mark Twain, que parece ter dito:
“Eu tenho pena de todas as pessoas que
não têm a fantasia de escrever uma palavra uma vez assim, outra vez de outra
forma”.
No meu trabalho, isto é (naturalmente?) um pouco diferente. Meus clientes
esperam de mim textos sem erros: nenhum erro ortográfico ou gramatical, todas as vírgulas colocadas corretamente e,
na maneira do possível, nenhuma divergência de conteúdo. E é principalmente
neste último caso que nem sempre posso
garantir a perfeição (impossível saber
tudo), mas ao longo dos anos reuni experiência e, quando fico em dúvida, sei que
devo pesquisar ou perguntar a alguém.
Uma língua tem, em geral, a função
da comunicação humana. É mais fácil
cometermos erros quando estamos conversando porque sabemos que o ouvinte
pode fazer perguntas quando não entende ou entende mal alguma coisa. Nos
textos escritos isso não funciona: eles
têm que ser entendidos claramente. Mas
será que por causa disso tudo tem mesmo
que ser “livre de erros”? Afinal, existem
Penicilina
América
O biólogo escocês Alexander Fleming, antes de sair
de férias, se esquece de colocar uma placa de Petri
com bactérias na geladeira. Ao voltar das férias,
constata que um fungo tinha se desenvolvido ali
e matado as bactérias à sua volta. Já se sabia que
fungos ajudavam a combater infecções, mas foi
por causa deste “acidente” que se iniciou a pesquisa orientada para a busca deste agente.
Na verdade, Cristóvão
Colombo queria encontrar um caminho
marítimo direto para
as Índias. Ele não tinha “(pre)visto” que
chegaria a um novo
continente.
estudos que comprovam que a ordem das
letras dentro de uma palavra influencia a
leitura apenas parcialmente. Tente você
mesmo:
Sgeduno um eusdto de uma uinvreisddae não é ipmoratnte a odrem das lartes
nmua paalrva. A úcnica cisoa ipmoratnte
é que a pirmiera e a útlima lreta etsjeam
na pisoãço ctrea.
A razão pela qual conseguimos ler a
frase relativamente sem problemas é o
fato de que não lemos as letras separadamente, mas sim as palavras como um
todo, completando as frases dentro do
cérebro. Mas estas capacidades também
têm seus limites: na palavra “icnotsnitouicanmlnete”, por exemplo, à primeira
vista a maioria vai ter dificuldade em
decifrar como “inconstitucionalmente”.
(Vale ressaltar que os estudos sobre este
tema foram desenvolvidos, na maior parte, em países de língua inglesa, idioma
que tem, em geral, palavras mais curtas.)
Mas o cérebro também trabalha de outra forma: erros em títulos em maiúsculas
geralmente são menos vistos porque não
se espera que eles ocorram ali. Afinal
não podem deixar de ser vistos, já que
estão escritos em letras tão grandes! Para
este caso, eu gosto de contar a história
de uma amiga que teve seu nome escrito
errado na capa do seu livro...
Na revista glückauf também encontramos de vez em quando erros que eu
não vi (não é uma desculpa barata!). Será
que você encontrou algum na edição
passada?
Dorothea Raspe
Revisora da glückauf
Elas correspondem às suas
experiências com o computador?
40+14+27133
Na sua opinião, quais são as causas mais
frequentes de perda de dados?
12,8 %
40 %
Erros humanos
Vírus de computador
Problemas de hardware
Problemas de software
27,2 %
© iStockphoto LP
Catástrofes naturais
13,6 %
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 13
Outros
Fonte: Kroll Ontrack;
Studie zum atenverlust 2010
Tema central: Erro Os erros são “nesseçários”
Não precisa ter medo de tocá-los:
os erros podem nos levar a resultados inesperados
X
iiii…, fiz besteira. “Isso não
podia ter acontecido”... assim
aprendemos a lidar com os erros.
Claro: os erros podem ser fatais.
Um passe errado no campo de defesa e a seleção alemã vai continuar
na Copa só como espectadora. Não
vou nem falar das consequências
que o uso de material errado numa
roda de bicicleta pode ocasionar
quando ela está em alta velocidade.
Mas já aconteceu de você cometer um erro e dele surgir alguma
coisa maravilhosa e nova? Por
exemplo, colocar canela em vez
de curry no arroz, ou na pintura a
guache, adicionar água demais na
mistura e a tinta escorrer um pouco para os lados? A pergunta decisiva é, como você vai lidar com estes
erros? Você vai tentar consertá-los,
salvar o que pode ser salvo? Ou
você vê os erros como uma chance
de criar algo novo? Talvez a tinta
que escorreu venha dar aquele toque final no seu quadro! Ou talvez
você, no futuro, tente reconstruir
este “erro” conscientemente para
chegar a um resultado parecido.
Em uma empresa também funciona assim. Parece que o fundador
da IBM , Thomas Watson, disse
uma vez: “Se você quiser ter sucesso, então duplique sua margem de
erros.” É claro que em muitos setores de uma empresa os erros devem
ser evitados de qualquer jeito, principalmente quando é importante
alcançar os objetivos de forma
mais eficiente. Pois todo erro piora
a relação custo/benefício.
Mas, quando se trata de criatividade e inovações, aí os erros são
inevitáveis - e até desejáveis. Existem muitas inovações que tiveram
sua origem nos erros, por exemplo,
das foram distraídas pelos atores,
os lembretes post-it da 3M, a peque, intencionalmente, faziam
nicilina e o teflon (leia à parte).
associações com outras cores, suas
Muitas invenções da humanidade
associações tornaram-se mais criasurgiram com a ajuda do princípio
do “Trial and Error”. Foi assim com tivas. Nemeth pôde comprovar
este comportamento em diferentes
a lâmpada elétrica. Thomas Ediambientes e situações, como em
son revelou a respeito do processo
julgamentos simulados, diretorias
de criação: “I never failed, it just
didn’t work 10.000 times” (eu nun- e em cursos universitários. As boas
ideias nascem mais em ambientes
ca errei, só não funcionou umas
10.000 vezes!).
As pessoas que se
declaram criativas
A ocasião favorece aqueles que fazem muitas
sabem lidar melhor
tentativas e ficam atentos quando algo inesperado
com os erros. Elas saacontece.
bem que fracassar faz
parte do processo e
T om E D avid K elle y
não se deixam abater
tão rapidamente. Elas
aprendem com seus erros e tentam onde existe uma certa parcela de
de novo. Foi assim que muitas star- interferência e erro.
A tese para isso diz: toda forma
tups adotaram o lema “fail faster”
de análise de um problema começa
- leia em Design Thinking: “Falhe
com uma interferência. De fato,
muitas vezes e cedo”.
enquanto nossos sentidos entregaCharlan Nemeth, professora
rem ao cérebro o modelo esperado
de psicologia da Universidade de
de fatos racionais e emocionais,
Berkeley, pesquisou a influência
não há mais a necessidade de criar
dos fatores perturbadores e das
uma questão. Mas quando há incontradições na criatividade de
terferência neste modelo, ou seja,
grupos. Ela dividiu atores em grupos que deveriam fazer associações onde uma percepção não se encaicom cores. Enquanto o grupo fazia, xa na situação - seja uma observação, seja uma manifestação (como
por exemplo, associações com a
a do ator acima) - o cérebro tem
cor “azul”, um ator escolhia a cor
que entrar em ação.
verde. Em regra, 80 por cento das
Ele decide se este novo fato é
associações com cores são previsignificativo ou não. O famoso
síveis (por exemplo, o azul com a
água, o céu, a quietude). Mas o ator choque que precede um processo
criativo pode ser definido, portanna hora acaba dizendo “planta”,
to, como consequência de uma
o que não é uma associação que
interferência.
o resto do grupo esperava. No enA natureza também aposta na
tanto, nosso cérebro dá um jeito e
força criativa dos erros. A evolução
continua a associar, e associa, por
depende da mutação, dos erros na
exemplo, com uma hortênsia azul.
reduplicação dos genes. Esta quota
Resultado do estudo: quando as
de erros é na reprodução sexuada
pessoas que estavam sendo testa-
“
“
Post-it
Teflon
Spencer Silver da 3M tinha a missão de criar uma
supercola. O resultado foi uma massa pegajosa
que se colava em qualquer superfície, mas, da
mesma forma, soltava-se facilmente. Anos depois,
o pesquisador da 3M Art Fry (que tinha o hobby
de cantar em coros), molhava seus bilhetes de
leitura na cola para colá-los nas suas folhas de
anotações. Quando um de seus chefes começou a usar estes marcadores como bilhetes de
anotação, nasceu a ideia de um produto que hoje
é um dos mais bem-sucedidos no mundo.
Ainda insistem no boato de que o
teflon foi desenvolvido como um
produto secundário da tecnologia
espacial. Mas isto não é verdade. O
desenvolvimento do teflon remonta
aos experimentos de Roy Plunkett
que, em 1938, investigava o comportamento de agentes refrigeradores em um cilindro fechado. Após
abrir um recipiente, que havia sido
resfriado por descuido, descobriu-se
que o gás havia desaparecido e se
polimerizado. O conhecido politetra- © panthermedia.net / Ed Phillips
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 14
das plantas muito mais alto do que
na assexuada. Se você parar para
pensar no esforço empreendido
pelas espécies, e os perigos pelos
quais aceitam passar para encontrar um parceiro sexual (os veados
expõem chifres que se quebram,
o pavão abre mão da camuflagem
e se expõe aos predadores quando
exibe suas penas), isso só pode ser
explicado pela grande importância
da reprodução.
Bastante interessante, neste
caso, são as espécies que desfrutam
de ambos os tipos de reprodução,
por exemplo, a pulga aquática
dáfnia. Ela se reproduz, quando as
condições ambientais são favoráveis, assexuadamente, com uma
população composta exclusivamente por fêmeas. No entanto,
quando as condições passam a ser
desfavoráveis, de repente começam
a nascer machos também, e a reprodução passa a ser sexuada.
Este fenômeno não está limitado às espécies mais inferiores. Por
exemplo: alguns insetos, raças de
perus, e até algumas espécies de
tubarões e cobras, registram casos
de autofecundação. Ela é essencialmente mais econômica, mas quando a situação torna-se crítica, a
natureza procura se processar com
uma quota de erros maiores.
As empresas podem aprender
alguma coisa com isso? Sim, mas
a pergunta é se as empresas e seus
funcionários estão em condições
de simplesmente apertar um botão
e criar mais erros. Quem está habituado a pensar baseado em processos como o KVP , o six sigma ou o
TQM , não vai conseguir ser mais
criativo. Admitir erros é algo a ser
aprendido e tem que pertencer à
cultura inovadora de uma empresa.
Sendo assim, parece haver sentido
em admitir os erros permanentemente, pelo menos no processo
criativo.
Ah, se tivéssemos sabido disso
quando frequentávamos a escola!
Thomas Hesselmann-Höfling fluoretileno (PTFE ) era extremamente liso e resistente, mas caro para a
produção. Somente após 50 anos,
e sob a definição de “teflon”, que
entrou em uso. Primeiro, nos setores
elétrico, químico e automobilístico,
em seguida, como antiaderente de
equipamentos de cozinha.
© panthermedia.net /dipressionist
Tema central: Erro Vai “dá” tudo certo
Mas como lidar com aqueles trabalhadores que cometem erros?
Bulthaup: Para isso existe um
exemplo simples: os colegas de um
setor acham que seria melhor para
a firma se seu fulano de tal saísse
da equipe porque ele cometeu um
erro. Mas o correto é exatamente
o contrário. Pois os superiores e
colegas de fulano de
tal teriam a tarefa
de reintegrá-lo na
equipe. Pois todo ser
humano tem seus
pontos fortes e fracos.
E todo mundo comete
erros em algum momento. E todos podem ajudar nesta hora
- veja só, voltamos
para nossa palavra
“ajudante” (sorri) - a
alcançar um objetivo
comum quando lhes é
confiada a tarefa certa. Quando se chega
a isso, o seu fulano
de tal, com certeza, se
sente melhor e, com
certeza, vai cometer
menos ou talvez nenhum erro mais! O
Será que - embora a gente cometa erros - tudo acaba bem ou será que fica bem justamente por
causa deles? Matthias Krych e Wilhelm Bulthaup durante a entrevista para a glückauf.
caso ideal seria se o
seu fulano de tal um
Foto: Felix Treppschuh
dia se ausentasse e
alguém dissesse: “Seu fulano de tal
Eu queria voltar mais uma vez para
cias nos anos seguintes, a família,
faz falta pra gente!”
as palavras ERRO – AJUDANTE .
o ambiente da vida privada e do
Bulthaup: Sim, com todo prazer. Os mundo profissional, tudo isso
No nosso grupo empresarial trabaerros, com certeza, também podem influencia nossa forma de pensar
lham mais de 10.000 funcionários e
e agir. Como reagiam os pais, os
ajudar em muitas situações. Por
funcionárias. Uma grande parte deles
professores, os superiores aos erros
exemplo, a ir mais longe, a alcanna produção, outra menor, no setor
que se cometia? Antigamente não
çar algo novo, diferente do que se
pretendia. O produto farmacêutico era incomum pais e professores ba- administrativo. Existem diferenças
“Viagra” era para ser, de início, um terem nas crianças para castigá-las. entre estes dois setores, no que se refere à forma de lidar com os erros?
remédio para o coração. Mas a ação Quem sofreu estes castigos pode se
Bulthaup: A princípio, não. Mesmo
lembrar destas situações de forma
que se queria ter acabou indo para
sabendo que os erros na produção
latente e cheias de medo quando
a direção errada.
têm consequências diferentes dacometem algum erro. Isto pode
queles na administração.
desencadear um sentimento de inPara o saco, digamos assim.
segurança e uma autoestima muito
Bulthaup (rindo): Exatamente. Ou,
O senhor teria uma última dica para
baixa para o resto da vida. Regras
tomando o exemplo dos músicos,
nos dar de como lidar com os erros?
muito estritas, na maior parte das
artistas e escritores famosos. De
muitos, você ouve dizer que os pais vezes, também não ajudam a evitar Bulthaup: Sim, com prazer: “O
poder da atração.” Para isso tem
os erros, pelo contrário.
reconheceram seus talentos desde
um exemplo impressionante do
quando eram pequenos. E davamPais, professores e superiores exercem, mundo do motociclismo. Nos
-lhes conselhos: “Não perca seu
treinos, você tem que passar entre
então, uma influência em nossa vida
tempo com essa arte que não vai
cones sem derrubá-los. Quando os
que não devemos subestimar.
dar em nada. Aprenda alguma coimotociclistas olham para os cones
sa de valor...” Eles eram da opinião Bulthaup: Sim, não devemos
enquanto dirigem, é quase certo
mesmo subestimar. Neste ponto,
que seus filhos estavam se ocuque eles vão encostar a moto nos
gostaria de repetir: agir de mapando com as coisas erradas. Mas,
cones. Mas se olham para onde reneira correta em relação aos erros
no futuro, este “comportamento
almente querem ir, ou seja, para a
é extremamente importante. Os
errado” acabou trazendo o sucesso
linha de chegada, isso não aconteerros sempre nos dão a chance de
para as crianças.
ce. Este fenômeno pode ser relacioevoluir.
nado a qualquer tipo de situação
Na sua página da internet, pode-se
“Pode-se aprender com os erros”, diz a problemática. Se eu olho só para o
ler a seguinte frase de Paulo Freire:
problema, acabo errando e ficando
frase. Em uma empresa também?
“Carregamos conosco a memória de
Bulthaup: Antes de tudo: já foi pro- inseguro. Mas se olho para o objemuitas tramas, um self impregnado
tivo, eu o alcançarei quase sempre
vado que os trabalhadores que se
em nossa história e cultura”. O que
sem erros.
esta frase pode significar se relaciona- sentem bem e se identificam com
suas empresas cometem menos erda aos “erros”?
Sr. Bulthaup, muito obrigado por esta
Bulthaup: O que vivemos enquanto ros e se esforçam mais.
entrevista bastante informativa. crianças, as influências e experiên-
Como as pessoas lidam com os erros? Matthias Krych (RRO) entrevista o
terapeuta Wilhelm Bulthaup (Instituto Bulthaup, em Hiddenhausen).
E N T R E V I S TA
glückauf: Sr. Bulthaup, vejo que o
senhor está com uma folha de papel
na sua frente onde se encontra escrito
apenas a palavra FEHLER (erro). É
um lembrete para a gente não se esquecer de falar sobre esse tema?
Wilhelm Bulthaup (rindo): Não,
não. Olhe bem para esta palavra.
Dentro dela existe uma outra.
…? … HELFER (ajudante)!
Bulthaup: Na maioria das vezes, a
palavra ERRO provoca uma reação
negativa nas pessoas. Mas os erros
também podem gerar muitas coisas
positivas. Sim, eles também podem
ser AJUDANTES . Infelizmente, o
ser humano tem a tendência de
olhar mais para o negativo do que
para o positivo. Acontece até mesmo com uma criança na escola.
Quando ela escreve seu primeiro
ditado, a primeira coisa que a mãe
pergunta é: “Então, quantos erros
você cometeu no ditado?” Certamente seria muito melhor perguntar: “Quantas palavras certas você
escreveu?”
Na sua opinião, como deveríamos,
então, lidar com os erros?
Bulthaup: Em primeiro lugar deveríamos nos fazer a pergunta: “O
que realmente é um erro? É muito
importante observar tais erros
sempre dentro do contexto. Na linguagem descuidada: “É inaceitável
chamar alguém de “babaca”. Mas
este comportamento só deveria ser
considerado como parcialmente
incorreto. Nós sabemos que esta
palavra pode expressar até um
certo tipo de estima pela pessoa.
Portanto, não se deve esquecer o
contexto.
Então, deveríamos sempre pensar nos
efeitos que um erro pode ter?
Bulthaup: Você agora se referiu a
um aspecto de igual importância.
Eu trouxe uma segunda folha onde
está escrito: “Vai dá tudo certo.” É
uma frase que fala sobre algo positivo. Mas com certeza não são positivas as consequências para quem
escreveu “dá” com acento e sem
o “r”. Os professores classificam
a palavra como errada, os leitores
pensam: “Será que ele não sabe escrever?” etc. A mensagem positiva
é jogada para o segundo plano.
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 15
Tema central: Erro Que „asar“ – a garantia
acabou de expirar!
Será que a indústria realmente cria defeitos nos aparelhos para
que eles estraguem mais rápido?
E
“Murks? Nein Danke!” (Algo
ra um encontro num quarto
como: “Com defeito? Não,
de fundos em Genebra,
obrigado!”) é um dos críticos
com senhores importantes
mais ágeis do fenômeno de
de colarinho branco, no
provocar uma reposição
Natal de 1924, e era uma
de produto por causa de
conspiração. À mesa, estaum desgaste precoce, o
vam sentados os maiores
que gera um alto uso de
fabricantes de lâmpadas
energia e recursos natuelétricas do mundo. Eles
rais. Em sua página na
tinham um problema: a
internet, ele apela para que
lâmpada elétrica. Elas duraas pessoas denunciem estes
vam muito tempo, cheganprodutos para aumentar a
do a até 2.500 horas. E isto
pressão sobre a indústria.
não era bom para os negócios.
Mas os industriais, naturalmenEles, então, decidiram encurtar
te, veem a coisa de outra maneira:
a vida das lâmpadas: elas não
Logotipo do blog
de fato, segundo dados da indúsdeveriam durar por mais de
Fonte: Murks? Nein Danke!
tria, a duração média do uso dos
1000 horas. Para isso formaram
aparelhos caiu (nos últimos dez anos em um
o “Cartel Phoebus”. Em 1942, foi tudo por
ano). Mas a razão para o fato não seria a reduágua abaixo. Um tribunal proibiu a redução da
ção do tempo de vida dos aparelhos antigos,
duração das lâmpadas. Mas as lâmpadas pouco
mas sim a atração pelas novas ofertas. Aparenmudaram, assim como a prática de muitas emtemente, existem hoje mais consumidores que
presas em reduzir intencionalmente o tempo
trocam um aparelho precocemente antes de ele
de duração de seus produtos.
atingir o fim técnico de sua vida. Fatores como
Os especialistas chamam de “obsolescência
economia de energia, conforto no manuseio e
programada” quando as empresas instalam
design seriam, por exemplo, cada vez mais depontos fracos artificiais em seus produtos. E
cisivos na hora da compra. Além disso, a curta
este tipo de coisa não acontece só com as lâmpadas. As reclamações são maiores: os fabrican- duração de vida dos produtos já seria uma ideia
fixa na cabeça de muitas pessoas. Um celular,
tes, provavelmente, estão forçando o tempo
por exemplo, dura em média somente dois
de vida dos produtos para que eles, principalanos. O consumidor nem se sente abalado, na
mente, depois de findo o prazo da garantia,
verdade, fica até feliz em adquirir um novo
apresentarem um defeito e não tenham mais
conserto. E se os custos com peças de reposição aparelho.
A verdade provavelmente se encontra, como
e assistência técnica superarem o preço de um
sempre, em algum ponto entre uma coisa e
aparelho novo, os consumidores se veem obrioutra.
gados a fazer uma nova aquisição.
Os consumidores liberam, então, sua revolmw
ta na internet por meio de blogs, fóruns ou
vídeos. E existe um blogueiro que apoia tudo
isso. Ele pretende até abrir um museu para
este tema: Stefan Schridde. O criador do blog
Sobre o erro
As citações governam o mundo das mídias. Algumas citações foram lançadas conscientemente, mas outras foram criadas por coincidência.
Existem algumas coisas que devemos conhecer,
e outras que podemos esquecer sem culpa. Leia,
agora, algumas frases a respeito do nosso tema
central “erros” que podem nos fazer pensar:
“O homem tem de se esforçar e,
ao fazê-lo, tem de errar.”
Johann Wolfgang von Goethe
“Uma pessoa que nunca cometeu
um erro, nunca tentou algo novo.”
Albert Einstein
“Sempre que cometo erros, aprendo
alguma coisa.”
Thomas Bubendorfer
Alpinista extremo
“Os gênios não cometem erros. Os seus
erros são sempre voluntários e dão
origem a alguma descoberta.”
James Joyce
Numa terra com a cultura do zero
defeito, admitir incorreções e falhas
com certeza vale como um erro.”
Manfred Osten
retirado de: “A arte de cometer erros”
Tema principal 3/2014:
Foto: © panthermedia.
net / rangizzz
redes
Queda do muro
A mãe de todos os
erros dos árbitros
de futebol
Na noite de 9 de novembro de 1989, um tal de Günter Schabowski lia, um
pouco irritado, um pedaço de papel para uma conferência de imprensa uma
nova e generosa lei de regulamentação de viagens ao Ocidente para os cidadãos da Alemanha Oriental. Ao responder à pergunta de um jornalista espantado, declarou que, segundo lhe constava, esta lei entrava imediatamente em
vigor. Esta declaração transmitida pelos meios de comunicação desencadeou
na mesma noite uma concentração enorme de alemães orientais em direção
à fronteira com Berlim Ocidental, o que em poucas horas depois, e devido ao
esgotamento da polícia da Alemanha Oriental, ocasionou a histórica e não
planejada abertura das fronteiras.
panthermedia.net / benis arapovic
© · glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 16
Na final da copa de 1966, o bandeirinha soviético confirmou o 3 a
2 da Inglaterra sobre a Alemanha,
embora ele não tivesse visto se a
bola de Geoff Hurst realmente tinha atravessado a linha do gol. Para ele, o que foi mais decisivo foi a
reação dos torcedores e jogadores.
No final, a Inglaterra foi campeã do
mundo por 4 a 2.
Colunista convidado: Robert Harting
“Sou viciado em erros e feedback”
Ou: como as informações podem ajudá-lo a se tornar ainda melhor
E
m que os computadores saem na
frente de nós humanos? Exatamente nisso: quando estão programados corretamente, eles simplificam certos processos de trabalho,
sem ter o fator “erro humano”! Esta
capacidade eles têm que agradecer as muitas informações que eles
processam.
As informações também me ajudam a desenvolver minhas habilidades e me tornar melhor, mais eficiente, mais útil e mais valoroso.
A fonte de informações mais importante está lá - os erros. E não me
refiro aos erros por causa do relaxamento ou da preguiça. Quero dizer
os erros que acontecem apesar de
uma ótima preparação, porque,
como se diz, o diabo mora nos
detalhes. E porque muito o
que parece evidente na teoria, não funciona de modo
tão simples assim na prática. E porque muitos erros
se “infiltram” sem que a
gente os perceba.
Eu admito: muitas
vezes é desagradável
e até causa vergonha
quando um erro desses
acontece com a gente. Mas
a vantagem do próximo teste, da
próxima tentativa, da próxima execução é imensa quando se aprende
com o erro. Aí sim eles foram bons e
necessários.
Mas, meu querido irmão sempre
tenta fugir desses erros, simplesmente imitando tudo o que eu faço
(bem, ele sempre pode contar comigo). Ele acha mais eficiente poupar-se destas experiências.
Eu, ao contrário, sempre aprimorei minhas técnicas de arremesso por
mim mesmo, e em todas as fases. Os
erros que cometi durante os treinos,
senti na própria carne. Sofri com
isto, foi como morrer um
pouquinho, às vezes,
saí de mim, podem
acreditar nisso.
Mas estou convencido: quando
você mesmo comete
estes erros, você
acaba tirando grande
proveito disto. Pois aí a
gente sabe exatamente qual técnica
funciona
ou não em algum lugar,
além disso, por que razão
algo dá certo ou talvez
não. Isso tudo se chama
know-how.
Está claro: minhas
experiências dão a meu
irmão vantagem sobre
seus adversários. Mas vai
chegar a hora que ele vai
aprender que “copiar” não
é a mesma coisa que
“aprender por
conta própria”.
Uma outra fonte valiosa de informações parecida com os erros
é o feedback. Por quê? Porque aí
alguém coloca um espelho na nossa
frente. Este espelho me mostra, na
maior parte das vezes, as informações que eu já conheço ou suspeito
existir. Mas uma vez que elas vêm de
fora, têm para mim um peso maior,
aumentando então o efeito da
aprendizagem.
Existem vários tipos de “espelhos”: vídeos da minha técnica de
arremesso, análises do treinador,
e até as reações na faculdade com
respeito as minhas capacidades intelectuais. Outros estudantes ficam
abalados quando recebem um feedback crítico. Na maior parte das vezes, começam a dar desculpas para
o seu comportamento e o seu jeito
de agir. Mas não é por aí.
Eu não tenho motivos para
me justificar perante meu
treinador quando ele me
passa um feedback. Eu sei
que ele não tem a intenção de me rebaixar ou
ofender. Nós planejamos
e escrevemos o plano
de treinamento juntos. O
que ele me mostra cria um
conteúdo enorme de informações
e a oportunidade de escrever uma
programação melhor.
Sejam erros ou feedback: Realmente sou viciado nos dois. Pois
eu sou (e vocês sabem muito bem
onde quero chegar) viciado em informações - porque quero me tornar
melhor, e melhor ainda do que o
melhor.
Seu
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française.......................... 17
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 17
Um sonho realizado
A rota de Lemosho: num dos caminhos mais lindos do Kilimanjaro
Antes de subir e com o Kilimanjaro no fundo: Herbert Maschkötter (na frente, à direita) com o guia Jamaica (na frente, no meio) e seus
“colegas alpinistas” antes do desafio
Quando Herbert Maschkötter
(da GSG Georgsmarienhütte
Service) ficou sabendo da escalada do monte Kilimanjaro, veio
logo o pensamento: “Também
quero escalar”. Quanto mais
ouvia, via e lia sobre isso, maior
ficava a sua vontade. Foi só a
Federação Alemã de Alpinismo
anunciar no final de 2012 uma
expedição ao Kilimanjaro em
2014 para ele ficar certo de uma
coisa: “Também vou!” Segue seu
relato sobre a expedição:
Estou aproveitando o tempo livre
para os preparativos como exame
médico, vacinas, preparação do
condicionamento físico, além
de procurar por equipamentos e
roupas especiais. Afinal de contas,
no caminho até o pico a gente
passa por 25 zonas climáticas, com
temperaturas que vão de 25 graus
positivos a às vezes até 15 graus
negativos.
No dia 28 de fevereiro, comecei
a viagem com meus amigos alpi-
nistas (um total de 8 homens e três
mulheres) saindo do aeroporto de
Düsseldorf via Amsterdã em direção ao aeroporto internacional de
Kilimanjaro. Depois de doze horas
de voo, fomos recepcionados pelo
operador local e o guia Jamaica
amigavelmente no idioma suaíli:
ali ficou claro para nós que estávamos chegando a outro mundo.
Viajando num micro-ônibus
que, para nossos padrões estava
mais do que sobrecarregado, chegamos em Moshi, onde passamos
dois dias para fazer aclimatação.
Aproveitamos para dar um passeio
pela cidade e participar de um safári no Parque Nacional de Arusha.
Pudemos ver de perto animais exóticos como búfalos de água, zebras,
javalis, girafas e macacos colobus.
Finalmente partimos na segunda-feira, dia 3 de março. De novo,
num ônibus sobrecarregadíssimo,
seguimos até Londorossi-Gate, a
2.250 m de altitude e onde fica
o posto onde nos registramos.
Lá, encontramos nossos acom-
panhantes, cerca de 36 pessoas,
incluindo o guia, os guias auxiliares, o cozinheiro, um garçom e 26
carregadores encarregados de levar
a bagagem, os equipamentos e as
provisões.
Em seguida, prosseguimos mais
uma vez de ônibus até a rota de Lemosho. A partir dali, já começamos
a caminhada pela floresta tropical,
com o monte Kilimanjaro sempre
aparecendo de vez em quando
diante dos nossos olhos. Constantemente, Jamaica advertia: “Pole,
pole!” (Devagar, devagar!), pois só
se chega ao pico com passos lentos.
Apesar de uma forte chuva tropical, chegamos seguros em nosso
primeiro acampamento a 2.790 m:
Big Tree. Lá, foram montadas as
barracas, onde um jantar delicioso
nos esperava.
Na manhã seguinte, nos carregamos de energia com um café da
manhã reforçado com panquecas,
ovos mexidos e sopa. Depois, caminhamos através de uma paisagem
alagada em direção ao acampa-
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française.......................... 18
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 18
Foto: privado
mento Shira Camp 1, a 3.305 m de
altitude. Como sempre, os carregadores que ficam para trás desmontam as barracas, nos ultrapassam
e montam tudo de novo antes de
chegarmos ao objetivo.
Com o sol brilhando - interrompido por chuva, neve e granizo - fomos atravessando um
pântano até o acampamento Shira
2, a 3.850 m de altitude. Nosso
cozinheiro sempre nos surpreendia
com suas refeições abundantes
como sopas de banana, batatas,
frangos, macarrão e outras coisas.
A higiene diária se limitava ao mais
necessário. Uma pequena tigela
com água quente tinha que dar
para tudo.
A subida vai consumindo cada
vez mais suas forças. E as dores de
cabeça aumentam. Caminhávamos
em meio a um nevoeiro denso e
intenso, atravessando a Lava Tower
(4.600 m), descendo um deserto
rochoso até o acampamento Barranco Camp (3.965 m). Neste dia,
começaram a aparecer sinais do
mal de altitude em algumas pessoas. Começamos a duvidar se alcançaríamos o topo. O caminho ainda
era longo. E era importante beber
pelo menos três litros de água por
dia para combater o mal de altitude. As dores de cabeça foram diminuindo, mas o caminho ficava
cada vez mais difícil. Chegando no
Great Barranco Wall, tivemos que
caminhar por rochedos e ribanceiras. Neste ponto, os carregadores
realmente se mostraram verdadeiros heróis. Subindo trilhas mais
altas chegamos ao acampamento
Karanga Camp (4.023 m).
Antes do dia de chegar ao topo,
acampamos no acampamento Barafu Camp (4.641 m). O topo que
parecia estar bem perto ainda estava muito longe. Antes de dormir
tivemos que arrumar nossas coisas:
barras de cereais, bebidas, capas de
chuva, etc. Todo mundo verificou,
mais uma vez, se estava com sua
lanterna de cabeça e seu equipamento de fotografia.
É 9 de março, às duas da manhã. Partimos. Os carregadores
ficam para trás com um integrante
do nosso grupo (que estava sofrendo com o mal de altitude). Jamaica
e seis guias auxiliares nos acompa-
nham. Começa uma caminhada
dura em plena escuridão. Vamos
percorrendo o caminho com
nossas lâmpadas de cabeça, com
passos pesados, seguindo Jamaica. Durante horas, continuamos
subindo, até ficarmos bem silenciosos. Os passos vão diminuindo
ao mínimo. Pole, pole, quase não
dá para ir mais devagar. Algumas
mochilas são passadas para nossos guias. As dores de cabeça vão
ficando cada vez mais insuportáveis, mas um lindo nascer do sol
nos dá mais forças.
Finalmente: conseguimos! Esgotados, mas felizes, caímos sobre o
chão do acampamento Stella Point
(5.739 m). A partir deste ponto, já
se considera o Kilimanjaro como
escalado.
Por causa do mal de altitude,
uma colega e eu decidimos descer com dois guias, enquanto os
outros decidiram continuar subindo até o pico Uhuru (5.895 m).
Passamos nossa última noite
acampados no acampamento High
Camp (3.832 m). Todos sentindo
saudades de uma boa cama e um
chuveiro.
Depois de oito dias na montanha, chega ao fim nossa aventura. BVV-Ilsenburg
Encontro de especialistas.
Foto: AWV
A usina Ilsenburg da Bochumer Verein pôde apresentar no início de abril “Tecnologia ao Vivo”, um
seminário de dois dias sobre o tema “rodeiros”, a convite do Aus- und
Weiterbildungszentrum Verkehrsgewerbe Leipzig GmbH (Centro de Ensino
e Formação do Setor de Transportes de Leipzig Ltda.) (órgão de inspeção
oficial do Estado Livre da Saxônia). Os participantes eram de diversos setores da indústria, de empresas de transporte e do mundo científico. Para as
empresas do setor ferroviário do Grupo GMH, foi uma ótima oportunidade
de mostrar suas competências: Matthias Schwartze explicou na teoria (mas
também de forma bem maleável) a elaboração mecânica das rodas e eixos,
assim como também a produção de diversos rodeiros na usina de Ilsenburg.
Günter Köhler falou sobre a produção de matérias de base na Bahntechnik Brand-Erbisdorf. Outras palestras técnicas falaram sobre unidades de
sistema, falhas e ensaios não destrutivos. O ponto alto do evento foi um
tour guiado de grande abrangência pela produção e pelo setor de testes
da usina de Ilsenburg, que foi acompanhado por diversas perguntas e um
intercâmbio de experiências proativo. A foto mostra Günter Köhler durante
sua palestra.
em InnoTrans
No pico: Herbert Maschkötter (esquerda) e “os amigos alpinistas”.
Foto: privado
O Grupo GMH estará, mais uma vez, representado por suas empresas da
indústria de veículos sobre trilhos na feira InnoTrans em Berlim, onde
de 23 a 26 de setembro a Bochumer Verein Verkehrstechnik, a MWL
Brasil, a Bahntechnik Brand-Erbisdorf, a Schmiedag, a Wildauer Schmiedewerke e a Schmiedewerke Gröditz se apresentarão no pavilhão
23 de 225 m² a um público internacional especializado. As empresas do
Grupo GMH estão sempre reafirmando seu papel de liderança perante o
mercado mundial por meio de suas inovações, sendo, deste modo, recomendáveis na construção de uma rede transeuropeia de transportes que
a Comissão Europeia quer implantar.
em glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française.......................... 19
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 19
glück auf em viagem
Adivinhe!
Onde foi que este leitor da
glückauf tirou essa foto? Os
dois heróis do classicismo
alemão, mundialmente
famosos, parecem estar
“subindo no telhado” atrás
dele. Estamos procurando a cidade onde fica
este monumento. Então, já tem alguma ideia?
Ou ainda não tá dando para
adivinhar? Envie sua resposta para m.krych@rro-gmbh.
de, ou (num cartão postal)
para Matthias Krych, RRO
GmbH, Rheinstraße 90,
49090 Osnabrück. O prazo
final é 5 de agosto de
2014. No caso de várias
respostas corretas, haverá sorteio. O vencedor
ganhará um vale-presente
para gastar na loja de fãs do
Grupo GMH .
E cadê sua foto? Você também quer enviar uma foto para o jogo de adivinhação? Tire uma foto segurando a glückauf. O fundo da foto deve conter
um número de detalhes característicos que levem as pessoas a adivinhar
onde, ou melhor, em que cidade a foto foi tirada. Mande sua foto para o
e-mail: [email protected]
Você sabia?
Em nosso último jogo de adivinhação, Dorothea Raspe, revisora da
glückauf, estava na frente do Templo de Angkor Wat, no Camboja. Entre as
respostas enviadas (obrigado por participar), a vencedora sorteada foi Heike
Vogt-Schaar (da GMHütte). (Decisão final sem direito a recurso judicial).
Parabéns!
Foto: privado
Foto: privado
Expediente
editor:
Ge­orgs­ma­ri­en­hüt­te Hol­ding GmbH
Neue Hüt­ten­stra­ße 1
49124 Ge­orgs­ma­ri­en­hüt­te
www.gmh-hol­ding.de
Responsável de acordo
com a Lei de Imprensa:
Iris-Kath­rin Wil­ckens
Tradução:
D-LANG SOLUÇÕES LINGUÍSTICAS
Jaú-SP-Brasil
Projeto Gráfico:
elemente designagentur, Münster
glück auf · 1/2011 · Extraits en langue française.......................... 20
· glück auf · 2/2014 (Edição em português)................. 20
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