PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
ASSESSORIA DE PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA
Pesquisa Qualitativa – Desigualdade
(10/2013)
RELATÓRIO FINAL
EMPRESA RESPONSÁVEL:
BRASILIA – DF
08/01/2014
Sumário
1
Apresentação ........................................................................................................................ 3
2
Escopo da Pesquisa ................................................................................................................ 5
3
Métodos e Técnicas de Pesquisa .......................................................................................... 11
4
Detalhamento do Roteiro de Pesquisa ................................................................................. 13
5
Detalhamento do Plano de Recrutamento ........................................................................... 14
6
Detalhamento dos Procedimentos Adotados nos Trabalhos de Campo ................................ 15
7
Análise dos Resultados da Pesquisa ..................................................................................... 16
8
Conclusões / Considerações Finais ....................................................................................... 32
9
Recomendações .................................................................................................................. 34
Anexo I – Roteiro ......................................................................................................................... 35
Anexo II – Cronograma e Perfil – DG’s e EP´s ............................................................................... 38
2
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
Apresentação
1
1.1 Base Legal
De acordo com a legislação brasileira em vigor (Lei nº 10.683/2003, art. 2ºB, III), a
Secretaria de Comunicação Social (SECOM) tem entre suas missões institucionais a
atribuição de organizar e desenvolver um sistema de informação e pesquisa de opinião
pública, cujos principais objetivos devem ser monitorar as demandas da sociedade por
políticas e serviços públicos bem como a avaliação que a sociedade faz dessa oferta de
políticas e serviços públicos.
Nesse sentido, o Decreto nº 6.555/2008 sugere alguns objetivos para esse sistema de
informação e pesquisa de opinião pública. Com base nos incisos I, II e IV do artigo 1º e nos
incisos VIII e XI do artigo 2º do referido decreto, podem ser indicados como objetivos do
sistema de informação e pesquisa de opinião pública a realização de atividades
destinadas a:
I.
Avaliar o conhecimento da sociedade sobre políticas e programas federais;
II.
Avaliar o conhecimento do cidadão sobre direitos e serviços colocados à sua
disposição;
III.
Identificar assuntos de interesse público que orientem o conteúdo das
informações a serem disseminadas;
IV.
Avaliar a adequação de mensagens, linguagens e canais aos diferentes segmentos
de público;
V.
Avaliar a eficiência e racionalidade na aplicação dos recursos públicos.
No campo da avaliação de programas e ações governamentais, a pesquisa de opinião
pública é uma forma amplamente aceita de conhecer como os cidadãos percebem os
efeitos das políticas públicas em suas vidas. Além disso, oferece aos tomadores de
decisão subsídios importantes para sua atuação e permite fazer com que as ações
governamentais sejam responsivas às prioridades e expectativas da população.
Por isso, a SECOM realiza uma série de levantamentos e análises que objetivam
compreender a percepção da população sobre as ações governamentais e, por
conseguinte, contribuir para a tomada de decisão no âmbito do Governo Federal e,
principalmente, para o planejamento das ações de formulação e articulação das
iniciativas de comunicação do Poder Executivo Federal.
Essas pesquisas constituem importante instrumento de gestão e maximização de
recursos, pois, ao aplicarem métodos e técnicas cientificamente válidas, permitem a
construção de parâmetros para campanhas de comunicação institucional e de utilidade
pública com foco e meios mais precisos, proporcionando assim a realização de resultados
mais tangíveis e maior efetividade em relação aos objetivos propostos na política pública
de comunicação.
3
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
Além disso, as pesquisas realizadas pela SECOM oferecem um canal adicional de
manifestação cidadã, pois oferecem à população a oportunidade de se expressar sobre o
desempenho do Poder Executivo e sobre suas demandas mais prementes, o que confere
uma aplicação vertical da noção de prestação de contas política (accountability), essencial
ao funcionamento da democracia.
A Legislação pertinente e informações adicionais podem ser consultadas na página da
SECOM na Internet: www.secom.gov.br .
1.2 Contrato da Pesquisa
Contrato nº 001/2013.
1.3 Ordem de Serviço da Pesquisa
Ordem de serviço 012/2013.
4
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
2
Escopo da Pesquisa
2.1 Contexto
2.1.1
Bloco I – Desigualdade
A pobreza e a desigualdade são problemas sociais persistentes no Brasil. Um breve olhar
sobre os indicadores relativos a esses problemas revela que, ao longo do século XX, esses
problemas sempre mostraram forte resistência a mudanças ocorridas nos cenários
políticos e econômicos. Ou seja, a proporção de pessoas abaixo da(s) linha(s) de pobreza
e os níveis de concentração de renda mantiveram-se elevados tanto em períodos
democráticos quanto durante a ditadura1, tanto em momentos de expansão econômica
quanto em tempos de recessão.
No entanto, essa realidade passou por mudanças importantes a partir de meados dos
anos 1990, quando a desigualdade e a incidência da pobreza começaram a cair. Esse
movimento ganhou velocidade nos últimos anos. Fazendo com que os indicadores de
desigualdade e pobreza atingissem o piso de suas séries históricas.
Corrobora essa análise o posicionamento do presidente do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada, Marcelo Neri, segundo o qual “ao estender as séries usando as
variações compatibilizadas pela PME, a desigualdade continua em queda. Em 2010, cruza
o piso de 1960 e entra no 12º ano de queda consecutiva. Em janeiro de 2012, o Gini
atinge 0,519, caindo no ano passado [2011] a uma taxa quase duas vezes mais acelerada
que dos primeiros anos da década passada.”2De acordo com a PNAD 2012, o índice de
Gini atingiu o patamar de 0,507.
Processo similar ocorre com os dados que descrevem a pobreza no Brasil. Porém, nesse
caso, é possível registrar três fases bastante distintas: a primeira, anterior à década de
1990, quando a taxa de pobreza3 girava em torno 30%. A segunda fase é iniciada com a
estabilização monetária de meados da década de 1990, nesse momento, as taxas de
pobreza caíram para perto de 25%, permanecendo estáveis até 2003, quando se inicia a
terceira fase, marcada por forte queda da taxa de pobreza, os quais atingem seu patamar
mais baixo na série história, próximo a 8,5%.
Logo, percebe-se que, nos últimos anos, o Brasil assistiu a evolução muito positiva nos
indicadores de desigualdade e pobreza, o que reflete em significativa melhoria nas
condições de vida população. Esse processo está ligado a um cenário macroeconômico
1
É válido apontar que, na década de 1970, durante a fase usualmente descrita como “milagre econômico”,
a concentração de renda aumentou. O índice de Gini, até então em torno de 0,535, atingiu 0,59. O pior
patamar da série histórica, contudo, é verificado no final da década de 1980, quando um contexto de
estagflação, contribuiu para o indicador chegar a 0,607 (Fonte: IPEA/PNAD/IBGE).
2
Marcelo Côrtes Neri. “Brasil é o espelho do mundo”, Valor Econômico - 28.02.2012.
3
Percentual de pessoas na população total com renda domiciliar per capita inferior à linha de pobreza,
conforme padrão utilizado pelo Programa Brasil Sem Miséria. O Governo Federal optou pela linha que já era
objeto de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
propostos pela ONU (US$ 1,25 por dia), que no momento do compromisso, em 2010, representavam em
torno de R$ 70 por mês.
5
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
mais positivo, resultante das políticas de estabilização da década de 1990 e do
crescimento econômico mais robusto na primeira década deste século. A velocidade das
transformações verificada nos anos mais recentes guarda também relação com as
políticas públicas de inclusão e proteção social, entre as quais se destacam a valorização
do salário mínimo e a institucionalização de programas como o Bolsa Família e o Benefício
de Prestação Continuada (BPC).
De acordo com dados da PNAD, analisados pelo Ipea, os principais responsáveis pela
queda no índice de Gini são, em ordem decrescente: trabalho (aumento do nível de
emprego), aportes dos Programa Bolsa Família e pagamento de benefícios previdenciários
(acima do piso, seguido dos benefícios cujo valor é igual ao salário mínimo)
Tabela 1. Fontes de renda que explicam a queda da desigualdade: 2002-2012
Fontes de renda
Queda do Gini
(benefício social)
54,9
12,2
Trabalho/Emprego
Bolsa Família
Contribuição relativa%
Aumento da média de renda
(custo fiscal)
76,41
2,35
Previdência (acima do piso)
11,4
8,53
Previdência (= salário mínimo)
Outras rendas
BPC
9,4
6,5
5,4
10,88
-0,1
2
Total
100
100
Fonte: Ipea com microdados da PNAD
Considerando o peso que tais políticas têm na geração de renda, é possível afirmar que
guardam efeitos similares sobre as taxas de pobreza. A título de exemplo, pode-se tomar
a transferência governamental com maior incidência sobre o índice de Gini, o Bolsa
Família. De acordo com análise do IPEA, o programa é responsável por 28% da queda da
extrema pobreza entre 2011 e 2012.
Isso ocorre porque as transferências governamentais têm amplos efeitos sobre a renda
das pessoas. Como demonstra o gráfico abaixo:
Efeito multiplicador das transferências sociais sobre a renda
disponível bruta das famílias
PBF
1,64
BPC
1,35
Seguro Desemprego
1,27
Abono
1,27
RPPS
RGPS
FGTS
0,76
0,65
0,53
6
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
Fonte: Ipea com microdados da PNAD
2.1.2
Bloco II – Conjuntura
Considerando que, as políticas públicas devem ter como objetivo fundamental incidir
positivamente nas condições de vida da população, torna-se oportuno colher, também, a
percepção da sociedade brasileira sobre a realidade experimentada pelos participantes e
relação dessas experiências com ações do setor público.
Nesse sentido, essa pesquisa deverá também dedicar atenção para discutir como os
cidadãos percebem a realidade brasileira atual e, a partir desse diagnóstico, tecer
considerações sobre a responsabilidade do governo para este estado de coisas.
Essas avaliações devem ser feitas tendo como referência questões sociais e econômicas,
construindo leituras retrospectivas e prospectivas sobre as condições de vida do
brasileiro.
Além de contribuir para construir um importante diagnóstico sobre como o cidadão
enxerga sua realidade e a realidade de seus semelhantes, esse trabalho deve ser capaz de
identificar com os tipos de expectativas a população tem quanto ao papel do governo em
suas vidas.
2.2 Indicador de referência
Além dos indicadores apresentados na seção acima, para a execução deste projeto,
devem ser considerados indicadores sobre igualdade e evolução da pobreza, tais como:
Evolução recente da desigualdade
(Coeficiente de Gini a partir do rendimento de todas as fontes)
0,6
0,584
0,56
0,52
0,508
0,507
0,48
0,44
1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011 2012
7
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População extremamente pobre, critério BSM
(renda domiciliar per capita entre R$ 0,00 e R$ 70,00) (%)
8,9
8,8
10
8
6
4
3,5
2
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009 2010* 2011
2012
*estimado pela média
2.3 Objetivo Geral
2.3.1
Bloco I –Desigualdade
Avaliar a percepção e as expectativas da população em relação às políticas públicas de
inclusão social e combate à pobreza, em especial o Programa Bolsa Família (PBF),
identificando a relação dessas políticas com aspectos relativos à construção de
solidariedade cívica e coesão social.
2.3.2
Bloco II – Conjuntura
Aferir as impressões e expectativas da população brasileira a respeito da atual conjuntura social e
econômica e sua relação com as políticas públicas implementadas pelo Estado.
2.4 Objetivos Específicos
2.4.1
Objeto I – Desigualdade
 Identificar a avaliação dos participantes quanto à evolução da pobreza e da
desigualdade no Brasil;
 Verificar a percepção da população quanto aos programas de inclusão social e
combate à pobreza implementados pelo Governo Federal;
 Verificar quais são, na opinião dos participantes, os pontos fortes e fracos da
política social do Governo Federal e, em especial, do Programa bolsa família;
 Levantar apontamentos que, na visão do participante, poderiam contribuir para o
aperfeiçoamento das políticas federais na área social;
 Identificar os discursos predominantes em relação às políticas sociais e ao PBF, em
particular;
 Identificar qual deve ser, na opinião dos participantes, o papel do governo na
melhoria das condições de vida população;
8
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
 Verificar a reação da população quando exposta a mensagens institucionais
relativas ao PBF isoladamente e a contraste desse programa com outras políticas
sociais.
2.4.2
Objeto II – Conjuntura
 Identificar como os participantes avaliam a conjuntura social e econômica
brasileira, fazendo avaliação em relação às alterações recentes (retrospectiva) e
identificando as perspectivas quanto ao futuro no curto e médio prazo
(prospectiva);
 Verificar qual seria, na percepção dos participantes, o nível de responsabilidade do
Governo Federal para o estado de coisas no País e quais medidas deveriam ser
adotadas para aprimorar a intervenção do Governo Federal na realidade;
 Verificar a avaliação do Governo Federal e as razões apontadas para as posições
verificadas entre os participantes4;
 Elaborar subsídios para a comunicação de utilidade pública do Governo Federal no
intuito de aumentar o conhecimento da população sobre seus direitos e, por
conseguinte, facilitar o acesso a serviços de qualidade.
2.5 Público Alvo
 Pessoas com mais de 18 anos;
 Ambos os sexos;
 Classes econômicas (ABCDE);
 Localidades:

Grupos de discussão (ABCD) distribuídos em igual número entre a região
Sudeste e Nordeste.

Entrevistas em profundidade (classe DE) em 6 cidades:
-
2 capitais (uma na região Nordeste e outra na região Sudestes).
-
2 cidades do interior (não pertencentes a Regiões Metropolitanas e
sendo uma na região Sudeste e uma na região Nordeste);
-
2 cidades da Região Metropolitana ( uma na região Sudeste e uma na
região Nordeste);
-
4
observação: em atendimento ao princípio da impessoalidade, o foco da discussão e entrevista deverá ser
estritamente a avaliação institucional e não de desempenho pessoal.
9
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
2.6 Principais hipóteses
Programas sociais e PBF:
 Participantes que têm contato com pessoas beneficiadas pelo PBF e outros
programas sociais do Governo Federal tem maior conhecimento sobre os
programas e tem a percepção de que essas políticas afetam positivamente o nível
de solidariedade cívica e a coesão social no país;
 Mulheres, com frequência, têm mais contato com as necessidades mais
prementes do lar/família, por isso, em comparação com homens, tendem a
mostrar atitudes mais solidárias e apresentarem maior compreensão dos objetivos
e alcances dos programas sociais;
 As visões predominantes sobre os programas sociais dos governos brasileiros
podem ser, grosso modo, situadas em três grupos de discursos:
I. Os programas sociais são vistos como elementos promotores de solidariedade
cívica e coesão social;
II. Os programas sociais são vistos como necessários, mas devem ser restringidos
ao mínimo possível.
III. Os programas sociais são tipos equivocados de políticas, o governo deveria
concentrar sua atenção e esforços no tratamento de outras questões.
10
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
3
Métodos e Técnicas de Pesquisa
3.1 Técnicas de Pesquisa
Grupos de discussão e entrevistas em profundidade.
Os grupos focais, mediados por um especialista, buscam estimular a livre manifestação
associativa e a troca de opiniões de indivíduos que apresentam características
relativamente homogêneas. O objetivo central do grupo focal é identificar percepções,
sentimentos, atitudes e ideias dos participantes a respeito de um determinado assunto.
As entrevistas em profundidade têm como objetivo desenvolver de forma ampla e
profunda o tópico de interesse. Esta é uma ferramenta que permite explorar motivações,
comportamentos, desejos e necessidades não atendidas. A técnica das entrevistas
individuais não proporciona o debate existente nos grupos, mas permite, em
contrapartida, maior aprofundamento dos assuntos escolhidos. A seleção dos
entrevistados é feita de forma intencional, de acordo com os perfis típicos desejados.
Após a realização dos grupos e entrevistas, profissionais seniores do Instituto Análise com
experiência e formação adequada analisam o que foi dito e feito nas reuniões,
transformando seu conteúdo em conclusões estratégicas.
3.1. Tipo de Pesquisa
3.2. Tipo de Coleta
3.3. Período de Execução
3.4. Processo de recrutamento
Qualitativa de discussão em grupo e entrevista em
profundidade
Sala de espelho com gravação de imagem e áudio
25 de novembro a 06 de dezembro de 2013
Lista telefônica e ponto de fluxo
3.2 Plano Amostral
O desenho metodológico da pesquisa foi o seguinte:
A amostra qualitativa contemplou o Sudeste e o Nordeste, a fim de representar regiões
com realidades socioeconômicas distintas no cenário brasileiro.
Foram realizados 08 grupos focais distribuídos em São Paulo e Recife.
A escolha de São Paulo se justifica por ser uma cidade referência em desenvolvimento
econômico; e do Recife por ser uma cidade representativa do Nordeste, além de se
localizar no centro da região, sendo uma praça que representa bem a realidade
socioeconômica local.
O perfil dos grupos focais (ou DGs, ou discussões em grupo) justifica-se pelo objetivo de
garantir que a variável dependente, nos forneça a visão que as pessoas têm dos objetos
estudados.
11
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A composição dos grupos considerou as variáveis: classificação socioeconômica, faixa
etária e avaliação do programa Bolsa Família assegurando assim uma homogeneidade e
permitindo que a dinâmica fluísse da melhor maneira possível.
Perfil dos grupos focais
NE
SE
Classe
Idade
Avaliação do PBF
Nº grupos
B
25 a 50
Ótimo/bom
1
B
25 a 50
Ruim/péssimo
1
CD
25 a 50
Ótimo/bom
1
CD
25 a 50
Ruim/péssimo
1
B
25 a 50
Ótimo/bom
1
B
25 a 50
Ruim/péssimo
1
CD
25 a 50
Ótimo/bom
1
CD
25 a 50
Ruim/péssimo
1
Recife
São Paulo
Além das discussões em grupo, foram realizadas 12 entrevistas em profundidade com o
objetivo de entender a realidade do extrato social mais pobre. A técnica permite que
possamos compreender suas opiniões e sua realidade sem as barreiras que esse extrato
encontra ao se expressar em grupo.
Para as entrevistas em profundidade, além das capitais supracitadas, foram escolhidas
outras quatro cidades. Diadema e Ribeirão Preto representando o sudeste do Brasil, e
Camaragibe e Custódia representando o nordeste.
A seleção de Diadema e Camaragibe justifica-se por estarem na região metropolitana de
São Paulo e Recife, respectivamente. Nas regiões metropolitanas, há grande
concentração de pobreza e poucas oportunidades de melhoria.
Para completar a amostra de entrevistas em profundidade foram escolhidas cidades
localizadas no interior dos estados de São Paulo e Pernambuco (Ribeirão Preto e
Custódia) a fim de retratar uma realidade diferente do público pesquisado.
Perfil das Entrevistas
em Profundidade
Recife
NE
Custódia
Camaragibe
São Paulo
SE
Ribeirão
Preto
Diadema
Classe
Idade
Gênero
BeneficiáriosPBF
Nº EP’s
D
D
D
D
D
D
D
D
D
D
D
D
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
25 a 50
Homem
Mulher
Homem
Mulher
Homem
Mulher
Homem
Mulher
Homem
Mulher
Homem
Mulher
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
Não
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
12
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4
Detalhamento do Roteiro de Pesquisa
O roteiro de pesquisa foi elaborado pela equipe técnica do Instituto Análise em diálogo
com os representantes da SECOM para troca de conhecimento e experiências. Buscou-se
desenvolver um roteiro que pudesse responder às questões levantadas durante a
descrição do problema.
O roteiro foi preparado a partir de uma lista de questões a serem respondidas, as quais
foram organizadas em grupos de tópicos e ordenadas em uma sequencia lógica,
conforme apresentado a seguir:
 Introdução: apresentação do (a) moderador (a) e dos participantes e explicação da
dinâmica;
 Percepção da desigualdade: opinião sobre a pobreza e sua evolução;
 Os Programas Sciais: familiaridade com os programas de inclusão social e seus
benefícios.
 Bolsa Família: percepção sobre o programa; pontos positivos e negativos e
consequências do benefício.
 Conjuntura: opinião dos participantes sobre aconjuntura social e econômica
brasileira.
As primeiras versões do roteiro foram apresentadas pela equipe da SECOM, depois de
discutidas internamente com os analistas envolvidos no projeto. O teste para a aprovação
do roteiro se deu no primeiro grupo de discussão e esse teste avaliou:
 Compreensão técnica;
 Tempo necessário para aplicação;
 Adequação das perguntas/ provocações.
O roteiro mostrou-se adequado aos objetivos pretendidos pela pesquisa.
13
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5
Detalhamento do Plano de Recrutamento
O recrutamento dos grupos de discussão e das entrevistas em profundidade foi realizado
mediante aplicação de um questionário estruturado contendo os filtros da pesquisa. Não
foram recrutadas pessoas que participaram de pesquisa qualitativa no último ano, assim
como pessoas que trabalhavam em atividades relacionadas com pesquisa e dinâmicas de
grupo, tais como: marketing, sociologia, psicologia, trabalho em agências de publicidade e
propaganda, área de comunicação e consideradas formadores de opinião, dentre outras.
Além disso, por se tratar de uma pesquisa para o Governo Federal, também não foram
recrutados funcionários/servidores públicos ocupantes de cargos administrativos e/ou de
confiança de nenhuma esfera de governo.
Foram utilizadas duas técnicas no recrutamento: 1) Telefônica utilizando lista da região e
2) Pessoal em pontos de fluxo das cidades de São Paulo, Diadema, Ribeirão Preto, Recife,
Camaragibe e Custódia com equipes de profissionais experientes e qualificados.
Foram recrutados 12 participantes em cada grupo a fim de garantir a presença de no
mínimo 8 pesquisados por discussão.
Em alguns casos, para balancear o perfil dos grupos, dispensas foram realizadas.
5.1 Definição dos Participantes da Pesquisa
O universo de estudo e composição dos grupos de discussão e entrevistas em
profundidade foram descritos no Briefing e confirmados no projeto de pesquisa
apresentado à SECOM que requeria um mínimo de 8 grupos de discussão e 12 entrevistas
em profundidade.
Tabela 1 – Distribuição do total de grupos por região e classificação socioeconômica
Região
Grupos
Classe B
Classe CD
Sudeste
4
2
2
Nordeste
4
8
2
4
2
4
Brasil
Perfil
Grupos mistos de 25 a 50 anos
Tabela 2 – Distribuição do total de entrevistas por regiãoe classificação socioeconômica
Região
Sudeste
Nordeste
Brasil
Entrevistas em
Profundidade
Classe D
6
6
6
6
12
12
Perfil
Homens e mulheres de 25 a 50 anos
14
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6
Detalhamento dos Procedimentos Adotados nos Trabalhos de Campo
Os trabalhos de campo deram início após a aprovação do roteiro e perfil dos
entrevistados.
6.1 Estrutura de Campo e Equipe Técnica
Profissional
Recrutador
Função
Recrutar os participantes.
Coordenador Realizar treinamento e
de campo
supervisionar todo o
trabalho de campo.
Verificador
Avaliar meta de produção e
checagem do perfil dos
participantes. Fazer o CRQ –
Controle de Qualidade no
Recrutamento junto a ABEP.
Perfil
Profissionais com
conhecimento,
experiência, sensibilidade
e critério.
Quantidade
8
2
2
6.2 Conclusões dos Trabalhos de Campo
A logística do projeto levou em consideração equipes de recrutadores e supervisores
locais acompanhados por um supervisor do Instituto Análise para garantir que a
metodologia da pesquisa fosse aplicada uniformemente em todas as cidades.
O processo de recrutamento e seleção dos entrevistados foi um processo cuidadoso e
rigoroso.
Para garantir a qualidade do recrutamento, antes da realização dos grupos e entrevistas
em profundidade, foram adotados os seguintes procedimentos:
 Consulta do participante no CRQ – Controle de Qualidade no Recrutamento;
 Conferência do documento de identidade original com foto (RG, Carteira Nacional
de Habilitação) do participante;
 Logo após a realização dos grupos e entrevistas em profundidade, as informações
do CRQ foram completadas, assim como o status de participação do candidato.
No dia da realização dos grupos e entrevistas em profundidade, os participantes
passaram por uma nova checagem dos filtros para confirmação do perfil.
O processo de recrutamento transcorreu sem prejuízo ao objetivo final da pesquisa.
15
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7
Análise dos Resultados da Pesquisa
7.1 Percepção da Pobreza e da Desigualdade
A percepção de que houve avanços e melhorias em diversos aspectos relacionados à
diminuição da pobreza e da desigualdade no país foi constatada nas pesquisas realizadas
em São Paulo e no Recife.
Dentre as razões para a melhoria, foram indicados o aumento do emprego, o acesso à
educação técnica e superior e os Programas Sociais (como o Bolsa Família), vistos como
elementos que ajudam na mitigação da desigualdade social.
No entanto, críticas e questionamentos quanto à real eficácia de tais medidas são
apresentados pelos entrevistados – de modo mais intenso em São Paulo.
Os questionamentos mais agudos sobre a real diminuição da pobreza no Brasil se dão
entre aqueles que avaliam negativamente o governo federal.
Avaliação do Governo
+
−
“Eu acho que tem diminuído. Até estava falando com meu esposo
quando vi menos mendigos no meio da rua lá em Boa Vista. Chega final
de ano é muita gente. Tenho um trabalho voluntário numa igreja e a
gente arrecadava roupa e saía e via por ali.” (Recife – Ótimo/Bom)
“Eu acho que o desemprego tem diminuído. Trabalho num comércio e
vejo que todo mundo está indo para SP, Rio, Bahia. É mais chance de
emprego. Quanto mais emprego melhor.”(Recife– Ótimo/Bom)
“Na verdade, a pobreza é o que é o Brasil. Porque morei dezessete anos
no Pará e meu pai é baiano, conheço muito o Nordeste e Norte, se o que
vocês veem aqui acham que é pobreza, lá é muito pior” (São Paulo –
Ruim/Péssimo)
7.1.1 Pobreza no Brasil: a visão dos estratos sociais mais pobres (Entrevistas em
profundidade)
Comparando-se a avaliação dos estratos sociais mais pobres pesquisados nas regiões
Sudeste e Nordeste, identifica-se uma pequena diferença.
No Sudeste, apesar dos avanços no poder de compra ocorrido nos últimos anos, a
percepção da maioria dos entrevistados é de que atualmente a pobreza tem aumentado
nas regiões onde moram.
A percepção de aumento do custo de vida é tida como a razão principal para o
sentimento de piora da qualidade de vida. No entanto, aspectos sociais e não
diretamente econômicos são citados traços identificadores de pobreza, como o aumento
da violência e do uso de drogas.
“No meu ponto de vista, eu acho que aumentou mais. (...) Você vê muito
em televisão, muitas gerações, vai gerando, gerando, sem condições, (...)
16
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
filhos daqui e dali, então quer dizer, é aonde vai gerando a pobreza
porque a pessoa não tem condições.” (Ribeirão Preto).
“Na minha opinião ela tem aumentado. (...) Porque a gente ganha muito
pouco. É conta de água, de luz, no meu caso que tenho 3 filhos é muito
mais difícil. Quero dar as coisas para os três, mas a mais velha necessita
mais porque tem que trabalhar. Precisa de uma roupinha melhor e um
sapato melhor. E o menor também quer. Aí ele quer um tênis de 200
reais e ganho 800 e não posso pagar.” (São Paulo).
“A pobreza no Brasil continua do mesmo jeito, só que é muito escondida.
A mídia não mostra mais. As pessoas também tentam fazer de tudo para
sair daquela situação. Procuram outros meios de sobrevivência. É difícil.
É uma coisa muito triste. Se você procurar, onde eu morava no sítio
Joaninha, tem muita gente que está numa situação triste e é perto de
um lixão desativado.” (Diadema).
Já no Nordeste, apenas parte dos entrevistados entende que a pobreza aumentou,
enquanto outros entrevistados enxergam a questão de modo mais positivo.
Os nordestinos que percebem o aumento da pobreza apresentam os problemas de saúde
pública, violência e aumento da natalidade na baixa renda, como as principais razões.
Os que avaliam positivamente a questão citam o consumo (acesso ao crédito) e a
segurança alimentar proporcionada pelos Programas Sociais, como aspectos relacionados
à melhoria da pobreza.
“Tem melhorado bastante. Uma que a gente não tinha... eu conheço
muita gente antes do Bolsa Família que não tinha o que comer. Hoje
meus filhos vão para a escola arrumadinhos, tem o que comer. Melhorou
bastante, graças a Deus.” (Custódia).
“Piorou, porque é assim... depois que o governo botou que quem tem a
partir de cinco meninos ganha 70 reais por cada menino aí a população
começa a fazer filho. Eu penso assim, que vai evoluindo mais a pobreza.”
(Camaragibe)
“Piorou lá no ‘Maconhão’. Às vezes a menina chega aqui e pede arroz e
até a gente doa. É pior que aqui. Mas tem pai que usa o Bolsa Escola
para comprar cachaça e droga. Isso aumentou muito também.”
(Camaragibe).
7.1.2. Questões para reflexão sobre a percepção da pobreza e desigualdade
Os resultados da pesquisa mostram que a percepção de pobreza está muito atrelada à
(in)segurança alimentar(inflação/poder de compra). Poder alimentar-se com o mínimo de
qualidade é entendido como diminuição da pobreza.
Porém, outros elementos se envolvem com o tema estudado e compõem a percepção
sobre pobreza e desigualdade, notadamente acesso ao consumo, educação, trabalho,
saúde (acesso ao sistema suplementar vs. acesso ao SUS), transporte e segurança pública.
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Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
Os temas acima são sensíveis à população pesquisada, pois representam qualidade de
vida (acesso a consumo e serviços públicos de qualidade).
7.2. Programas Sociais
De modo geral, há um razoável “recall” dos nomes dos diversos programas de combate à
pobreza, tanto no Recife quanto em São Paulo (citações espontâneas):
 Bolsa Família;
 Bolsa Escola;
 Leve Leite ou Viva Leite;
 Bolsa Faculdade/ProUni/FIES;
 Renda Cidadã;
 Auxílio Gás;
 Desconto na conta de luz;
 Bolsa Crack/ajuda dependente químico;
 Farmácia Popular;
 Bolsa Presidiário;
 Pronatec;
 Projovem;
 Bolsa Rural;
 Auxílio Moradia;
 Auxílio Aluguel;
 Minha Casa Minha Vida;
 Bolsa Maternidade;
 Mais Médicos.
Se, por um lado, há um alto padrão de lembrança dos diversos nomes de diferentes
Programas Sociais, parece haver também sobreposição de nomes para o mesmo
programa, bem como baixo padrão de conhecimento dos seus funcionamentos e regras.
De forma sucinta, pode-se dizer que predomina um conhecimento de superfície, havendo
muito “ruído” que se manifesta em percepções negativas baseadas em boatos e “disseme-disse”.
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Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
A sobreposição de nomes, bem como o desconhecimento mais profundo do
funcionamento dos diversos programas, favorece o florescimento de um sentimento de
que há ajuda do governo para tudo. Sendo assim: duas formas de discurso tendem a
surgir: (i) o primeiro reforça a ideia de que o desenvolvimento pessoal depende
essencialmente do indivíduo, que, por sua conta, pode buscar ajuda do governo sempre
que precisar; (ii) o segundo possui um viés mais conservador é entende que os programas
sociais tendem a gerar comodismo: o melhor seria investir em processos educativos
(“ensinam a pescar”).
7.2.1. Programas Sociais: identificação de benefícios e avaliações críticas
Os participantes do estudo identificam claramente quais são os principais benefícios
produzidos pelos Programas Sociais, bem como as questões críticas a serem melhoradas,
especialmente no que se refere à transferência de renda.
No grupo de famílias que precisam, sobressai a percepção de que os programas dão
certo.
 Programas Sociais realmente fazem efeito e carregam consigo outros benefícios
que melhoram a vida.
Entre as famílias que não precisam, percebem-se mais resistências e avaliações negativas.
 Programas Sociais não surtem efeito algum, contribuem para aumento da
sensação de corrupção e uso político
É importante destacar que, mesmo entre as famílias que precisam, os casos de sucesso
parecem ter pouca repercussão – o que aponta a necessidade de aprimoramento da
comunicação. Além disso, há outra fonte de críticas. Para muitos entrevistados, as
famílias que necessitam do auxílio acabam se acomodando devido à suposta falta de
exigências e de controles mais rígidos.
As cobranças por maior controle são direcionadas principalmente ao Governo Federal,
apesar de – na visão de alguns entrevistados – não ser o único a implementar políticas
sociais.
7.2.2. Pontos fortes dos Programas Sociais
O Bolsa Família é o programa que mais gera referências entre a população pesquisada. Os
pontos fortes podem ser sintetizados em dois aspectos:
 Segurança alimentar, que é uma referência unânime;
 Educação, especialmente o compromisso dos filhos irem à escola.
“[...] eu acho que quanto mais o governo investir acho que a gente vai
ter retorno em outras áreas. Na medida em que investe nos homens,
investe também em Programas Sociais. Tem pessoas que são bem
conscientes. Investem na família e compram alimentos mas infelizmente
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Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
tem muitos drogados. Mas ainda acredito que a maioria é em
alimentação.” (Recife).
“Uma criança sem estar alimentada não vai produzir nada na escola.
Estimula ele a passar de ano e a querer ir na escola.” (Recife).
Todos os entrevistados são firmes ao associarem o sucesso de qualquer Programa Social à
necessidade de se incentivar o estudo e a capacitação dos beneficiados.
“As poucas famílias que eu conheci, [impactou] positivamente. Inclusive
ficaram mais conscientes nessa questão da educação. Eu acho que
trouxe até uma esperança a mais para essas pessoas.” (São Paulo).
Programas de apoio à educação universitária, como o ProUni e o FIES, e ao ensino técnico
e profissionalizante, como os cursos do Senai e o Pronatec, são tidos como os que trazem
mais benefícios à sociedade:
 Capacitação gera acesso a empregos mais qualificados;
 Programas
(ou bolsas em instituições como Senai) relacionados a
estudos/capacitação passam a sensação de serem menos vulneráveis aos desvios
de recursos.
“Por que só o filho tem que estudar? Só a criança tem responsabilidade?
Tem que ligar o Bolsa Família a curso de capacitação. Tem emprego
sobrando por falta de gente capacitada. Coloca o pai para estudar e não
ficar tomando cerveja com o dinheiro do BF.”( Recife).
“Na realidade tenho um filho de 18 anos que está fazendo um curso de
Química Industrial pelo SENAI. O curso é gratuito e ainda dá uma ajuda
de custo com transporte e alimentação. Ele está terminando o terceiro
ano e está se qualificando para fazer um curso de Engenharia Química.
Vai poder trabalhar e está pegando um curso técnico. Então, tem
facilidade para conseguir emprego. Mas não adianta eles colocarem
5000 vagas se só tem 2000 pessoas com qualificação para
trabalhar.”(Recife).
7.2.3. Pontos fracos e ruídos dos Programas Sociais
Os pontos fracos mencionados na pesquisa confundem-se com ruídos na compreensão,
por parte da população, sobre a natureza e os processos dos Programas Sociais. Em linhas
gerais, foram identificados os seguintes problemas:
 Acreditam que há pouco controle (apenas frequência escolar dos filhos), o que
favoreceria o comodismo de parcela dos beneficiados;
 Muitos entrevistados em ambas as praças estudadas afirmam conhecer pessoas
com poder aquisitivo suficiente para não receber auxílios sociais (seriam seus
vizinhos ou conhecidos);
20
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 Obrigações apenas para os filhos – muitos defendem que os pais deveriam ter que
fazer cursos de capacitação (para não “ficar soltando pipa na laje”);
 Falta clareza nas regras (quem pode receber, quanto pode receber, etc.), o que
gera o sentimento de injustiça (“por que ela recebe e eu não?” ou “por que fulano
recebe mais que sicrano?”).
“Lá no bairro antigamente não tinha tantos moradores de rua como tem
hoje. Muitos amigos meus que tinham casa, hoje moram na rua. Muitos
deles recebem Bolsa Família e tudo, mas a vida deles não anda.” (São
Paulo)
“Claro. Se a pessoa tem um casão. Recebe Bolsa Família e tem uma casa
dessas! Sendo que tenho amigas que necessitam, tem um monte de
filhos, precisam. Às vezes, a gente que é da igreja ajuda, porque a gente
tem o mutirão para ajudar. E eles não conseguem Bolsa Família. E tem
pessoas que tem muito, recebem e ainda dão risada: ‘Vou pegar o
dinheiro, vou ao shopping comprar uma bolsa’.” (São Paulo).
“Passa direto na TV.(...) Parentes de políticos (do prefeito) estavam
envolvidos e recebendo a bolsa. E tinha lá um carro de luxo. Disseram
que estava lá o nome dele e ele disse que não recebia. Deve ter sido
algum erro” (Recife).
“Vocês viram no jornal que uma milionária no Rio de Janeiro estava
recebendo Bolsa Família? E ela ia se investigada. Mas quantos anos que
ela recebeu?” (São Paulo)
“Por isso que sou de acordo de entrar na casa para ver se a pessoa
necessita. Eles escondem. Eles vão na porta e não entram. Aqui não vai
entrar. Inventam qualquer história, porque sabem que se entrar lá
dentro vão ver a casa arrumada. E tem pessoas que realmente precisam
desse dinheiro.” (São Paulo)
Alguns programas sociais, em particular, geraram sentimentos de injustiça e
manifestações de revolta, tanto em São Paulo quanto no Recife. As principais referências
negativas dizem respeito aos programas de auxílio ao tratamento de dependentes
químicos e Auxílio Reclusão da Previdência Social. . Há muita incompreensão quanto à
natureza de ambas as iniciativas.
Novamente, a falta de conhecimento sobre as regras dos benefícios e sobre quem teria
ou não direito a recebê-los parece estar disseminando ruídos e reações fortemente
negativas aos programas e ao Governo Federal. Propaga-se a ideia de que há interesses
políticos, pois nada – na percepção dos entrevistados – parece justificar determinados
auxílios.
“Um detento hoje ganha novecentos reais e um assalariado aqui fora
ganha seiscentos e vinte. O cara lá só tá comendo e dormindo e ainda
tem mulher.” (Recife).
21
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“A pobreza está aumentando através disso aí. O cara tá lá dentro, tá
guardado ganhando novecentos e pouco e o trabalhador ganhando
seiscentos e vinte. Vai passar fome, meu amigo.”(Recife).
No conjunto de pessoas pesquisadas, também há expressões de autocrítica:
“Pagamos muitos impostos, então acredito que do mesmo jeito que
somos obrigados a pagar impostos, teríamos que ser obrigados a
estudar, aprender crescer. Eu ganho cem, vinte, pelo menos, tem que ser
guardado para pensar no amanhã e não ir bater na porta do vizinho. O
brasileiro é acomodado.” (São Paulo).
7.2.4. Programas Sociais: conhecimento e comunicação
Cabe estabelecer os seguintes pontos de reflexão sobre os Programas Sociais:
1. São reconhecidos como de alta relevância.
2. Porém, predomina o baixo padrão de conhecimento e há muitos ruídos no
entendimento e na forma de como funcionam esses programas.
3. Logo, essas políticas demandam ações pedagógicas de comunicação.
7.2.5. Programas Sociais: visão dos estratos mais pobres (Entrevistas em Profundidade)
Os segmentos participantes dessa etapa da pesquisa mostraram maior dificuldade para
identificar muitos programas sociais. O Bolsa Família foi o único Programa Social
conhecido por todos os participantes das entrevistas em profundidade.
“A tia do meu esposo recebe o Viva Leite. A minha cunhada, que tem 3
filhos, recebe o Bolsa Família e tem a sobrinha do meu esposo também
recebe o Bolsa Família. Ajuda bastante. A mãe não trabalha, fica em
casa com os filhos e o pai é a única renda da casa, ajuda sim.”
(Diadema).
“Só (tenho) o Bolsa Família. Eu já tive o Renda Cidadã também. Aí depois
cortaram. Foi assim: eu recebi acho que 2 anos, aí chamaram para a
gente fazer um curso, aqui na Betânia mesmo, aí tive mais um ano e
depois cortou.” (Ribeirão Preto).
“Dizem que tem auxílio gás, Bolsa Família, esqueci o resto. Se é que tem,
ajuda. Renda Mínima que não sei de quem é. Acho que é só esses 3 que
tenho ouvido falar.” (São Paulo).
A percepção de que ajuda os mais carentes – de que é um auxílio – foi o aspecto positivo
que sobressaiu na pesquisa.
“Aqui em Diadema tem o uniforme que eles dão, o material também.
Demora um pouquinho, mas eles dão. Tem lugares que eles dão no meio
do ano, mas eles dão o uniforme, material escolar e o Bolsa Família é
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bom para essas pessoas porque às vezes falta comida. Um gás que está
40 reais é difícil.” (Diadema).
“Só de ter arroz e feijão na mesa para dar para o seu filho melhora. É
uma benção você poder pagar sua conta de luz e de água. É para os seus
filhos também porque é dentro de casa.” (São Paulo).
Porque todo mês tem aquela quantia que ajuda numa feira, numa roupa,
numa sandália. Ajuda bastante.”(Custódia).
A percepção que ocorrem algumas injustiças é o aspecto negativo mais ressaltado. Os
entrevistados acham que a distribuição não é igual para todos e que nem todos que
necessitam conseguem. E, assim como os participantes dos Grupos de Discussão, também
sentem que algumas pessoas ficam acomodadas e não procuram mais emprego para
melhorar de vida. Alguns entrevistados – por desconhecimento - têm a crença de que o
benefício é maior do que realmente é.
“Ela (cunhada) pega 130 reais para o menino dela, e eu pego 32.
Imagina. Eu não entendo isso aí. Uns pegam 70, outros pegam 80, outros
200 e pouco. Ela falou que tinha o auxílio gás, com um monte de
benefício: o auxílio gás, não sei o que mais, mas saiu tudo isso, ficou só o
Bolsa Família. Aí, eu falei para ela que o certo era todo mundo receber o
mesmo tanto.” (Diadema).
“A pessoa só quer receber, às vezes não quer nem ir lá fazer o curso que
eles dão. Eles acham assim: eu vou atrás, porque quanto mais eu
receber, melhor. Às vezes mente a situação, tem gente que recebe 200,
mas não precisa, então já pega o dinheiro e vai gastar à toa.” (Ribeirão
Preto).
“O negativo é isso, de pessoas que precisam não conseguirem.”(São
Paulo).
7.2.6. Programas Sociais: identificação através de frases
Foram apresentadas, aos participantes da pesquisa, três frases relacionadas a Programas
Sociais para que escolhessem uma com que mais se identificassem.
1. Os Programas Sociais são elementos promotores de solidariedade e integração.
2. Os Programas Sociais são necessários, mas devem ser restringidos ao mínimo
possível.
3. Os Programas Sociais são tipos errados de políticas públicas, o governo deveria
concentrar sua atenção e esforços no tratamento de outras questões.

Identificação com a frase 1: “Os Programas Sociais são elementos promotores de
solidariedade e integração”
23
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SP
Rec
Identificação com a frase
−
+
Os entrevistados do Recife identificam-se positivamente, enquanto em São Paulo a
tendência é negativa.
“Porque como falei antes, qualquer ajuda que vier do governo, eu
acredito que é válida, principalmente para a população carente.
Programa social sempre é bem vindo.”(Recife).
“Elas têm que se sentir incluídas e tem que ter ferramentas para se
qualificar. O pobre tem que ser qualificado para que futuramente ele
possa até produzir e gerar empregos.” (São Paulo).

Identificação com a frase 2: “Os Programas Sociais são necessários, mas devem ser
restringidos ao mínimo possível”
−
SP
+
No Recife, adota-se uma postura neutra, mas os entrevistados de São Paulo identificamse positivamente com a afirmação.
“É, porque tem que ter um limite, né . Porque, como que as coisas são
hoje, já virou uma bagunça. Tem aquele que não precisa, mas tem
aquelas que são realmente necessitadas. Então tem que servir aos que
realmente precisam, né ?”(Recife).
“ Esse é o começo para a pessoa ter um foco futuramente bem melhor
que isso”(São Paulo).

Identificação com a frase 3: “Os Programas Sociais são tipos errados de políticas
públicas, o governo deveria concentrar sua atenção e esforços no tratamento de
outras questões”
−
-
Rec
SP com a frase
Rec
Identificação
+
+
Em São Paulo, há um viés de neutro para ligeiramente positivo perante a frase, já no
Recife a tendência é mais negativa.
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“Porque ajuda a família de uma pessoa humilde. Tem gente que não
quer nada com a vida, mas tem gente que precisa e procura correr atrás
para um dia conseguir seus objetivos.” (Recife)
“Vamos pegar o exemplo do Bolsa Família, que já está há dez anos pelo
menos (...) e a situação daquela pessoa não mudou nada, ao contrário,
ela continua sendo Bolsa Família eternamente. Estamos criando um tipo
de gente que vive de Bolsa Família ou coisas do gênero.” (São Paulo).
Selecionando-se apenas o estrato mais pobre (entrevistas em profundidade), constata-se
que a maioria dos entrevistados optou pela terceira frase, principalmente pela confusão
gerada com relação às regras dos programas: a quem se destinam, por quanto tempo,
quanto cada beneficiário ganha...
“Fico com a terceira. Porque é tudo bagunçado e você não sabe nada.
Você me perguntou de um programa que eu não sei o que é (Minha Casa
Melhor). Esse Bolsa Família também não sei explicar qual o benefício.”
(São Paulo)
7.3. Programa Bolsa Família
O Bolsa Família é sentido como o carro-chefe dos Programas Sociais, despertando
fortemente tanto reações positivas quanto negativas. Sendo o mais conhecido dos
Programas, não escapa dos ruídos de comunicação (boataria, “ouvi dizer”, etc.), inclusive
no que se refere à atribuição do epíteto de “bolsa” a iniciativas inexistentes, mal
compreendidas ou sem fundamento (“Bolsa Maconha”, “Bolsa Presidiário”).
7.3.1. Pontos fortes do Bolsa Família
Como já referido, os pontos fortes do Bolsa Família são a segurança alimentar que
proporciona às famílias, e o incentivo à educação das crianças, dada a obrigação de se
manter os filhos na escola. As pessoas pesquisadas conseguem ver claramente seus
benefícios para a parcela mais carente da população.
“Tem aquele que não precisa, mas tem aquelas que são realmente
necessitadas. Então tem que servir aos que realmente precisam né.”
(Recife)
Outro aspecto positivo, é que a diminuição da pobreza permite às famílias se fixarem nas
suas regiões de origem, porque abre perspectivas de melhorias.
“Em ações sociais como o Bolsa Família que eu acho importantíssimo
para diminuir um pouquinho a pobreza, e manter o morador da região
norte lá na terra dele.” (São Paulo).
“De saber que pode vir a melhorar. Porque mora em um lugar
totalmente precário, e com isso não só vai tirar o dinheiro do pouco
salário que tem para pagar alimentação, para conseguir fazer outras
coisas.” (São Paulo).
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Também houve quem percebesse o fortalecimento da posição feminina no ambiente
familiar, por conta do Bolsa Família.
“Ela não tinha renda nenhuma, dependia da renda do parceiro dela. São
pessoas humildes e com esse dinheiro que ela ganha, ela compra as
coisas pra dentro de casa. Pelo que eu vi ela compra, já comprou comida,
roupinha pra criança.” (Recife).
“O salário do chefe da casa era o mínimo, não era suficiente e ela faria
uma faxina. O Bolsa Família já ajudou. A situação está um pouco
melhor.” (Recife).
7.3.2. Pontos fracos e ruídos do Bolsa Família
Embora seja a “marca” mais forte dentre os Programas Sociais do governo, há muita
incompreensão e ruídos envolvendo o Bolsa Família, e isso se transforma em críticas e
percepções negativas.
Excetuando a obrigatoriedade de manter os filhos na escola, predomina, entre os
pesquisados, a falta de conhecimento detalhado das regras, dos valores e do
funcionamento do programa, o que dá margem a “achismos” dos mais variados sobre
valores e perfis elegíveis.
Ainda que percebido como programa de auxílio à população mais pobre, muitos dos
pesquisados – seja nas discussões em grupo, seja nas entrevistas em profundidade –
entendem que os valores despendidos são insuficientes (baixos) para cobrir as
necessidades alimentares, de vestuário, etc. Entendem também que a linha de renda é
que define o patamar de elegibilidade é muito mais elevada que a oficial, ou seja,
contradizendo a maioria dos relatos críticos aos programas, prevalece, na visão dos
participantes, uma noção cuja conseqüência lógica seria a ampliação do benefício para
milhões de brasileiros que hoje não são elegíveis.
Há também muita confusão entre os entrevistados beneficiários e os não beneficiários do
programa sobre como são calculados os valores dos benefícios. Essa confusão, muito
perceptível nas entrevistas em profundidade, gera uma sensação de que os responsáveis
pelo programa comentem injustiças, pois parece que não há critérios objetivos para
realizar esse cálculo.
“Porque acho injusto ter mais para um e menos para outro. Não existe
isso. Tem que ser igual para todo mundo, porque é todo mundo pobre.”
(São Paulo)
“Não pode trabalhar de carteira assinada, o filho tem que estar na
escola...” (Recife)
“Pode trabalhar, mas tem um valor de salário que depois disso não pode
receber, eu acho.” (Recife)
Entretanto, considerando-se o grupo das entrevistadas em profundidade, que
representam um perfil mais pobre da população, identifica-se um grau um pouco maior
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de compreensão das contrapartidas e exigências que são feitas para recebimento dos
benefícios.
Dentre os pontos fracos indicados, estão: a possibilidade de acomodação se houver
pouco controle; aplicação indevida de recursos, favorecendo pessoas cujo poder
aquisitivo deveria tê-las excluído do Programa; ênfase apenas para os filhos, quando
muitos pais deveriam passar por cursos capacitações; falta de clareza das regras sobre
quem deve ser beneficiário, e a que valor tem direito.
“As pessoas se acomodam. (...) Conheço pessoas que tem 6 filhos. E eles
pedem nas ruas, ficam aqui na feira de domingo. O filho dela de 9 anos
já está no crack. Ela está com o Bolsa Família e não é operada, então a
possibilidade (em ter mais filhos) é maior.” (Diadema).
“Você tem uma carteira de trabalho, vão ter que pegar os dados da
gente e puxar e ver quem merece (o PBF). Eu tenho minha esposa... se a
gente tem uma carteira assinada, a gente não merece isso daí
não.”(Recife – Entrevista em profundidade).
“Os critérios, porque acontece que as pessoas que são carentes são
reprovadas via documentação, não sei por quê. E outras pessoas que não
precisam, onde trabalha a família toda, são aprovadas” (Recife)”
Um dos ruídos mais marcantes é o fato de os entrevistados não compreenderem os
critérios para o cálculo do valor dos benefícios, acabando por acreditar que há injustiças
no programa.
“Pelo que ouço falar delas, é muito relativo porque, por exemplo, uma
pega 50, outra pega 100, outra 120. Achava que era pela quantidade de
filhos, mas não é. Porque tenho uma amiga que tem um filho só e pega
100 reais. Já tem outra que tem 3 filhos e pega 80. Não sei como é isso.”
(São Paulo).
“Eu estava recebendo 230 e tem 3 meses que abaixou para 160. (...) Vou
amanhã para ver se tem algum motivo, porque as crianças estão na
escola, está tudo direitinho.” (São Paulo).
“A mulher tem 3 meninos, pega 50 reais, a outra tem só 1, pega 130, eu
falei: eu pego 32 no meu. Uma confusão que o guarda falou: o que é isso
aí? Que confusão é essa nessa fila? Porque ninguém entende o Bolsa
Família. Eu mesma não entendo.” (Diadema).
É unânime entre os entrevistados – EP`s e DG`s – o desconhecimento dos processos de
fiscalização por parte do Governo Federal. Comunicar melhor os mecanismos de controle
é uma necessidade e uma oportunidade para diminuir ruídos.
“Eu ia falar que essa Bolsa Família está tão sem controle, que muitas
pessoas trabalham e tem o Bolsa Família, a intenção seria ajudar um
publico C e D.” (Recife).
27
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“Eu conheci uma pessoa que vende roupas de marca super caras e que,
se brincar, muita gente chique não usa. Ela disse que a maioria dos
fregueses dela são pessoas de Bolsa Família.” (Recife).
“Eu conheço pessoas que tem casa, carro e recebem o Bolsa Família sim,
e isso é errado.” (São Paulo)
7.3.3. Uma visão do Brasil sem o Bolsa Família
No geral, os entrevistados entendem que as pessoas que realmente precisam ser
beneficiadas seriam muito prejudicadas caso o Bolsa Família acabasse. Seriam
especialmente afetadas no tocante à segurança alimentar e à própria dignidade, o que as
colocaria novamente em condição de miséria.
“Ia aumentar muito a pobreza.” (Recife).
“Tem que acabar [apenas] para quem não merece.” (Recife).
“Ia ter um monte de agência quebrada. Uma revolução.” (São Paulo).
Para uma parcela minoritária dos pesquisados, o fim do Bolsa Família traria o benefício de
fazer com que as pessoas deixem de ser acomodadas.
“Correriam atrás, eu acho. Acho que na mão é mais cômodo. A partir do
momento que é tirado, vão se mover e procurar emprego. Hoje em dia é
difícil você ver as pessoas catando papelão nas ruas porque tem um
benefício por fora.” (Diadema).
7.3.4. O Brasil com mais Bolsa Família
Quando questionados sobre como seria o país com mais Bolsa Família, os que se opõem
ao Programa manifestam-se com mais intensidade. Para esse grupo, haveria o aumento
de pessoas acomodadas vivendo às custas do governo, e isso só serviria para fins
eleitorais; o que sugere que muitos deles acreditam que os Programas Sociais tenham
propósitos imediatistas (políticas de governo) e não objetivos de longo prazo (políticas de
Estado) com o compromisso de eliminar a miséria no país.
“Não acho que o Bolsa Família era necessário. Necessário, para mim, é
estudo e saúde. Não adianta você chegar no posto e não ter o remédio
para você tomar e ninguém para te atender. Você está com a boca
cariada e fica com ela inchada 1 mês porque não tem um dentista para
olhar sua boca. ” (São Paulo – Entrevista em profundidade).
“Se aumentar o Bolsa Família eu também quero!”(Recife).
7.3.5. Bolsa Família: identificação através de frases
Os participantes da pesquisa foram instados a se posicionar sobre duas frases
contrapostas relacionadas ao Programa Bolsa Família, como forma de avaliar os
diferentes posicionamentos:
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Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
1. As pessoas precisam de ajuda do governo para melhorar de vida.
2. As pessoas são capazes de melhorar por si próprias, e a ajuda do governo acaba as
deixando acomodadas.
Os resultados mostram haver uma divergência regional.
Nas entrevistas em profundidade feitas no Sudeste, a maioria dos pesquisados escolheu a
frase que atribui ao Programa Bolsa Família o papel de induzir as famílias beneficiadas à
acomodação. Há um forte sentimento de que algumas pessoas “abusam” do benefício do
governo.
Já nas entrevistas em profundidade feitas no Nordeste, predomina a identificação com a
frase que indica a necessidade de ajuda do governo para a melhoria de vida das famílias
atendidas. Ainda que apontem para situações em que há abuso do benefício, os
nordestinos entendem que os necessitados não devem ser prejudicados pelos que
“recebem sem merecer”, ou mesmo por eventuais falhas na distribuição dos recursos.
Nos grupos de discussão, ambas as frases surgem com padrão significativo de
identificação, havendo entrevistados a favor e contra o Programa. De maneira geral,
constata-se o predomínio da frase que indica a necessidade de ajuda do governo, com a
ressalva de que tal auxílio seja controlado, limitado e respeitado.
“A segunda, muita gente se acomoda. É que nem eu falo: vai procurar
emprego. Tudo o governo dá. Tem mulher que fala que não vai procurar
emprego, eu tenho Bolsa Família, Renda Mínima, recebo pensão. E não
pensa no futuro e no exemplo que vai dar para os filhos. Se eu falar para
minha filha que não vou trabalhar, ela vai falar: por que eu preciso? ”
(São Paulo – entrevista em profundidade).
“Concordo com a dois, porque é o que todo mundo está falando, é mais
que verdade. Tem muita gente capacitada e não corre atrás. Acaba se
acomodando com a ajuda.” (São Paulo).
“Acho que as pessoas precisam de ajuda do governo sim. Mas não em
dinheiro...” (Recife).
7.3.6. Personificação do Bolsa Família: como os beneficiários são percebidos
Os participantes da pesquisa foram questionados para que manifestassem a visão
(imagem) que têm das pessoas que se beneficiam do Programa Bolsa Família. Para a
maioria dos entrevistados, o perfil do beneficiário do Bolsa Família é o seguinte:

Gênero – Mulher.

Idade – Adulta (variada, sem uma faixa etária específica).

Filhos – mais de 2.
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Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
Dois perfis contrapostos de mulheres sobressaíram, as “acomodadas” e as
“batalhadoras”.
Características das mulheres acomodadas:

Não trabalham porque não querem.

Não estão procurando emprego.

A maioria tem condições de trabalhar.

Abusa das transferências governamentais.
Características das mulheres batalhadoras:

Fazem bicos.

Buscam se qualificar, cursos e oportunidades.

Têm filhos ou parentes com deficiências.

Dificuldades para deixar filhos ou parentes para poderem trabalhar (faltam
creches, por exemplo).
“São pessoas fortes, com disposição para sentar no portão da vizinha e
fazer fofoca, quando tem uma festa está dentro, mas quando fala de
emprego, não tem dinheiro de condução. São animadas quando é para
receber benefício. Quando fala para ir ali ver uma placa (de emprego)
arruma um monte de desculpa para não ir.” (São Paulo).
“Acomodada, que fica jogando vídeo game, esperando o dia 20 chegar
para poder receber” (Recife).
“A mulher que merece mesmo é batalhadora, não fica sem fazer nada,
sempre corre atrás. É o caso da mulher que trabalha lá em casa. Não
pode ver alguma coisa que já sai arrumando. Você vê que tem
motivação. Aí precisa de ajuda.” (Recife).
7.4. Conjuntura
Um dos tópicos abordados na pesquisa buscou avaliar como as pessoas veem a
conjuntura do país, a vida do brasileiro e os principais problemas que afligem a
população.
A segurança pública – violência, criminalidade e drogas – foi referida pelos entrevistados
como altamente problemática e em processo de deterioração (“piores a cada dia”).
A insatisfação com a segurança pública contribui para diminuir os benefícios da forte
percepção de que as condições de vida do brasileiro melhoraram nos últimos anos. Foram
30
Obs.: as opiniões e julgamentos expressos neste documento são de exclusiva responsabilidade do Instituto de Pesquisa
citados como exemplos concretos dessa melhoria a oferta de emprego, o acesso ao
crédito, o ingresso no ensino superior (ProUni/ FIES).
Alguns dos entrevistados manifestaram preocupação com a inflação e o aumento do
custo de vida, o que para eles estaria gerando piora na qualidade de vida e aumento da
pobreza.
Constata-se a falta de um ponto de vista consensual quanto à atuação do governo em
termos sociais. Alguns consideram que a atuação governamental foi eficiente em
promover melhorias; parte dos entrevistados avalia como pouco eficaz, e outros acham
que tudo continuou na mesma.
Exemplo dessas visões contraditórias são avaliações dos padrões de consumo e custo de
vida. Parte dos entrevistados identifica crescimento do consumo e do padrão de vida,
associando à melhoria do crédito; enquanto parte preocupa-se com o aumento do custo
de vida e a volta da inflação.
“Hoje em dia a classe C está viajando mais e gastando mais do que a
classe A e B. Quer dizer que as pessoas hoje em dia estão com mais
recursos. Estão comprando lá fora. É porque o crédito está maior. Você
anda ali e oferecem crédito. Todo mundo pode abrir. A carteira do pobre
tem 3 Visas/ Mastercard.” (Recife).
“Inflação. A comida está cara. A vida está cara.” (São Paulo).
“Eu acho que não vai melhorar tanto no futuro. Porque aumenta o
salário um pouquinho e aumenta as mercadorias bem mais.” (Recife)
31
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8
Conclusões / Considerações Finais

Os Programas Sociais são vistos como políticas importantes, pois são uma forma
do governo ajudar as famílias mais pobres. O Bolsa Família é a iniciativa
governamental com maior grau de lembrança e conhecimento por parte dos
entrevistados.

A parcela dos pesquisados que se expressa contra os Programas Sociais acredita
que a pura e simples transferência de renda transforma os cidadãos em pessoas
acomodadas. Mesmo entre os beneficiários dos Programas, essa crítica está
presente. Identifica-se uma pequena diferença de avaliação entre as regiões
Nordeste e Sudeste. Os entrevistados desta última são mais críticos do que os
primeiros.

É predominante o entendimento de que pessoas muito pobres devem mesmo ser
auxiliadas e que Programas Sociais como o Bolsa Família realmente conferem
segurança alimentar (principal benefício) e garantem que as crianças frequentem
a escola.

Dois aspectos são recorrentes nos discursos dos entrevistados:
-
A forma mais efetiva de superar a pobreza é a educação profissional e a
inserção no mercado de trabalho e que os Programas Sociais deveriam
preocupar-se com isso. Programas relacionados à capacitação/educação como
ProUni, FIES, Pronatec, etc., são consensualmente vistos como o modo correto
de auxiliar as pessoas a superarem a pobreza.
-
Os Programas Sociais devem ser aprimorados, no sentido de melhorar o
processo de seleção dos beneficiários (eventualmente com recadastramento),
incorporar maiores exigências para adultos / pais (capacitação) e aumentar a
fiscalização para evitar desvios (principalmente a contemplação de pessoas
não elegíveis).

Constata-se que os entrevistados não têm conhecimento claro das regras dos
Programas, sobretudo dos valores que cabem aos beneficiários, o que indica haver
um problema de comunicação.

A persistência de críticas aos Programas, com base na suposta indução à
acomodação dos beneficiados, indica que parte considerável dos entrevistados
não compreende a articulação das iniciativas, como se estivessem reduzidas a
propósitos assistencialistas ou a mera distribuição de dinheiro. Também aponta
para o fato de que os casos das pessoas que saem voluntariamente do programa
são desconhecidos.

Da mesma forma, as críticas sobre a suposta falta de controle, ou a acusação de
uso eleitoral dos programas sociais, sugerem que muitos acreditam que essas
políticas tenham propósitos imediatistas (políticas de governo) e não objetivos de
longo prazo (políticas de Estado).
32
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
Há muitos ruídos em relação ao Bolsa Família, eles são divulgados com muita
capilaridade (“disse-me-disse”), do tipo: eu conheço alguém (parente, vizinho ou
colega de trabalho, conhecido na manicure, etc.) que tem bolsa família e não
merece.

A resistência ao Bolsa Família tem a ver com esses ruídos que tem uma enorme
capilaridade, além de reverberarem e aumentarem os noticiários (TV, rádio e
jornal) mais críticos (casos suspeitos, desvios constatados, tudo acaba visto como
padrão dominante e não como exceção).
33
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9
Recomendações

É muito importante considerar o desenvolvimento de campanhas explicativas e
pedagógicas que comuniquem à sociedade o papel dos Programas Sociais, como
eles efetivamente funcionam, quem é a população beneficiada, quais as medidas
existentes para fiscalização, controle e coibição de eventuais abusos.

Esclarecer à sociedade como os Programas Sociais atuam na diminuição da miséria
no país parece-nos um ponto central da política de comunicação que busque a
redução ou eliminação dos ruídos junto à sociedade quanto aos programas de
combate à pobreza: mostrar casos de sucesso pode ser um bom caminho para
estabelecer uma comunicação didática sobre o assunto; fornecer informações
claras para o real entendimento das regras, contrapartidas e perfis elegíveis
parece ser essencial para reduzir ruídos sobre os programas e consolidar adesão
social (no sentido de concordância e de valorização) da população. Isso contribui
para consolidar tais iniciativas como políticas de Estado e não de governo,
combatendo preconceitos regionais e sociais, que se expressam na disseminação
de boatos (programa vai acabar), denúncias muitas vezes fantasiosas
(beneficiados que não merecem) e associações sem fundamento (“bolsa
maconha”, “bolsa presidiário”, etc.).

Há a necessidade de se ter atenção a clivagens regionais e sociais para estabelecer
uma estratégia de comunicação que contorne incompreensões quanto aos
Programas Sociais. As pessoas pesquisadas da região Sudeste são mais críticas do
que as do Nordeste, e tendem a desconfiar dos propósitos do governo. Aqueles
que não precisam dos Programas são mais reativos do que os beneficiados,
tendem a identificar estes como pessoas potencialmente acomodadas
(diferenciando-as dos “batalhadores”) e a defender outras prioridades para
políticas públicas (saúde, educação, capacitação para o mercado de trabalho,
segurança pública, combate à inflação).

Vale considerar que as ações de comunicação devem ser constantes, didáticas e
diversificadas em forma e conteúdo para atingir os diversos públicos que têm
entendimento diferente acerca dos Programas Sociais.

É importante mostrar a sociedade como aliada no processo de melhoria dos
Programas Sociais – enfatizando a participação e o controle social associados às
estruturas de governança dessas políticas, bem como as ações voluntárias ligadas
à solidariedade e consciência cívica. Mostrar também que o governo está atento a
seus reclames, e atuando para corrigir os desvios que forem constatados.
34
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Anexo I – Roteiro
Roteiro – Projeto Desigualdade
1 . I N T R O D U Ç Ã O – 1 0 m i n u to s
 Apresentação moderadora X participantes: explicação da dinâmica
 Breve apresentação dos participantes.
2. PERCEPÇÃO D A D ESI GU A LD AD E – 15 mi nutos
 Como veem a pobreza no Brasil? Ela tem aumentado ou diminuído?
 Que diferenças têm percebido em relação à pobreza?
 Percebem uma evolução? Em que? Há mais pobres ou menos pobres? As pessoas estão
mais pobres ou menos pobres? A que se deve essa mudança? Quais os indicadores dessa
mudança? (Explorar)
 Tem alguma região do Brasil que a pobreza diminuiu mais ou menos? Quais? (Explorar)
 Qual o papel do governo nessa questão?
3 . O S P R O G R AM A S S O C I A I S – 2 0 m i n u t o s
 Quando eu digo “programas de inclusão social e combate à pobreza”, o que vem à cabeça
de vocês? Quais palavras? E sentimentos?
 Vocês conhecem os programas do governo de inclusão social? Sabem me dizer quais são?
 Vocês ou algum conhecido são beneficiados diretamente por algum desses programas?
Conte um pouco a experiência.
 Qual o benefício à população? E quais os pontos fracos desses programas?
 O que vocês percebem de bom desses programas na vida da população mais carente? E
de negativo?
 O que falta nesses programas?
 Caso não apareça espontaneamente, estimular:

Bolsa Família

Minha Casa Minha Vida
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
ProUni

Minha Casa Melhor
 Se fôssemos convocados pelo governo para melhorar esses programas de inclusão social
e combate à pobreza, o que iríamos sugerir? Que melhorias podem ser adotadas? Como
imaginam que esses programas possam evoluir daqui pra frente?
 Quem esses programas atingem?
 Quem são os principais beneficiados dos programas sociais?
 Vou ler três frases e gostaria de saber com qual delas vocês mais se identificam:

Os programas sociais são elementos promotores de solidariedade e
integração;

Os programas sociais são necessários, mas devem ser o mínimo possível.

Os programas sociais são tipos errados de políticas, o governo deveria
concentrar sua atenção e esforços no tratamento de outras questões.
4 . BO L S A F A M Í L I A – 2 0 m i n u to s
 O que sabem do Bolsa Família?
 Alguém daqui é beneficiado ou conhece alguém beneficiado?
 Quais os pontos positivos? E negativos?
 Quais as consequências desse benefício? O que muda na vida de quem é beneficiado
PBF?
 Vocês consideram que o brasileiro é contra ou a favor do Bolsa Família?
 Como seria o Brasil sem o Bolsa Família? Como as pessoas se comportariam?
 E como seria o Brasil com Mais Bolsa Família?
 Qual visão mais traduz o que vocês pensam?
1. As pessoas precisam de ajuda do governo para melhorar de vida;
2. As pessoas são capazes de melhorar por si próprias, e a ajuda do governo acaba as
deixando acomodadas;
36
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 Vamos imaginar que uma pessoa que recebe o Bolsa Família chegasse aqui na sala agora
para conversar com a gente. Como essa pessoa é? Como é fisicamente? Quais as
características pessoais (animada, triste...)? Ela trabalha? Está procurando emprego?
Quais são as principais atividades dela?
5 . CONJU NTU R A – 2 0 MI NU TOS
 Se vocês tivessem um amigo que acabou de voltar para o Brasil depois de passar muitos
anos fora, o que diria sobre como está viver no Brasil? Como está o brasileiro? E como
está a sua vida: melhorou piorou? Por quê?
 Pensando nos dias de hoje, o que aconteceu de diferente em termos sociais?
 O que foi feito antes (governo anterior) e o que está sendo feito agora (governo atual)?
 O que vocês imaginam que vai acontecer daqui para frente? A tendência é melhorar,
piorar ou ficar como está? Por quê?
 Economicamente acham que o Brasil está bem? Melhorou? Piorou? Por quê?
 Que ações podem ser adotadas pelo Governo Federal nesse sentido?
 Vou dizer alguns itens e gostaria que vocês me dissessem o que é de pobre, o que é de
classe média e o que é de rico:

Celular;

Carro;

Viajar de avião;

Casa;

Transporte público;

Saúde pública.
 Para finalizar, pensando em uma família com 4 integrantes - pai, mãe e 2 filhos – com
renda mensal de R$ 560,00 por mês. Vocês acham que essa família deveria receber o
Bolsa Família?
Comentários finais – sugestões.
37
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Anexo II – Cronograma e Perfil – DG’s e EP´s
Tabela 1. Perfil dos grupos de discussão
SE
NE
São
Paulo
Recife
Classe
Idade
Avaliação do programa
Bolsa Família
B
25 a 50
Ótimo/bom
B
CD
25 a 50
25 a 50
Ruim/péssimo
Ótimo/bom
CD
25 a 50
Ruim/péssimo
B
25 a 50
Ótimo/bom
B
25 a 50
Ruim/péssimo
CD
25 a 50
CD
25 a 50
Data
Hora
28/nov 18:30
29/nov 20:30
29/nov 18:30
28/nov 20:30
04/dez 18:30
20:30
Ótimo/bom
04/dez
05/dez
Ruim/péssimo
05/dez
20:30
18:30
Local
Av. Brigadeiro Faria
Lima, 2355,
cj 1901/1907
Jardim Paulistano
Rua Bulhões
Marques, nº 19 –
sala 404
Boa Vista
Tabela 2. Perfil das entrevistas em profundidade
São Paulo
SE
Ribeirão Preto
Diadema
Recife
NE
Custódia
Camaragibe
Classe
Idade
Gênero
Beneficiados pelo
Bolsa Família
Data
Hora
D
25 a 50
Homem
Sim
25/nov
10:00
D
25 a 50
Mulher
Não
25/nov
14:00
D
25 a 50
Homem
Não
29/nov
10:00
D
25 a 50
Mulher
Sim
29/nov
13:00
D
25 a 50
Homem
Sim
27/nov
10:00
D
D
25 a 50
25 a 50
Mulher
Homem
Não
Não
27/nov
02/dez
13:00
16:00
D
25 a 50
Mulher
Sim
04/dez
10:00
D
25 a 50
Homem
Sim
06/dez
13:00
D
25 a 50
Mulher
Não
06/dez
16:00
D
D
25 a 50
25 a 50
Homem
Mulher
Não
Sim
03/dez
03/dez
10:00
13:00
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Relatório Final Pesquisa Qualitativa Desigualdade