UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO
JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES
PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE
PROFISSIONAL: A VISÃO DE ALUNOS DO CURSO DE
ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
São Paulo
2013
1
UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO
MESTRADO EM EDUCAÇÃO
JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES
PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE
PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de
Administração de Empresas
Dissertação apresentada como exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre em
Educação junto à Universidade Cidade de São
Paulo – UNICID sob orientação da Profª. Drª.
Ecleide Cunico Furlanetto.
São Paulo
2013
2
JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES
PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE
PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de
Administração de Empresas
Dissertação apresentada como exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre em
Educação junto à Universidade Cidade de São
Paulo – UNICID sob orientação da Profª. Drª.
Ecleide Cunico Furlanetto.
Área de concentração: Sujeitos, Formação e Aprendizagem.
Data da Defesa: ____/____/2013
Resultado: ________________________________
____________________________________________________
Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto (orientadora)
Universidade Cidade de São Paulo – UNICID
____________________________________________________
Profª. Drª. Ângela Maria Martins
Universidade Cidade de São Paulo – UNICID
____________________________________________________
Profª. Drª. Magali Aparecida Silvestre
Universidade Federal do Estado de São Paulo – UNIFESP
3
AGRADECIMENTOS
A Deus, por me permitir chegar até aqui, iluminando meus passos, pensamentos e
decisões.
À Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto, pela orientação desta pesquisa, abrindo-me
possibilidades de leituras, análises e reflexões. Com você aprendi muito além da
teoria, aprendi a cultivar a humildade e a generosidade. Muito obrigado!
Às professoras Doutoras Ângela Maria Martins e Magali Aparecida Silvestre, que
compuseram as bancas de qualificação e defesa, pelas valiosas observações que
permitiram estabelecer melhor os caminhos do trabalho.
A todos os professores do programa de Mestrado em Educação da UNICID.
Às funcionárias da secretaria do programa de Mestrado em Educação da UNICID,
em especial a Sheila Simone Alves e Claudia Nice Pereira pela atenção e presteza.
Aos meus pais, João André Fernandes Pinto e Wilma Tavares Fernandes e aos
meus irmãos, Gustavo Tavares Fernandes e Mateus Tavares Fernandes, que me
ensinaram a perseguir meu ideal com dedicação e coragem. Minha eterna gratidão.
Ao amigo Cláudio José Stefanini, por me apresentar esta profissão tão digna,
respeitada, que é ser professor.
Ao amigo Diogo Almeida Junior, pelas palavras de incentivo e pelo apoio constante
em momentos difíceis.
Às amigas Ana Flávia Parenti e Graziela C. Vital, amigas de todas as horas. A vocês
minha real manifestação de admiração, respeito e carinho.
Ao Profº. Marco Antonio Sampaio de Jesus, por permitir a pesquisa e pelas trocas
de experiências.
Aos colegas de classe, em especial a turma 15.
Um agradecimento especial aos alunos que participaram da pesquisa.
4
“Renda-se como eu me rendi. Mergulhe
no que você não conhece como eu
mergulhei. Pergunte, sem querer, a
resposta, como estou perguntando.
Não se preocupe em ‘entender’. Viver
ultrapassa todo o entendimento”.
CLARICE LISPECTOR
5
“A
identidade
pessoal
não
pode
reduzir-se à reflexividade, pois o sujeito
que aprende toda vida se tornou uma
história”.
CLAUDE DUBAR
6
RESUMO
FERNANDES, João André Tavares. PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE
IDENTIDADE PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de Administração de
Empresas. São Paulo, 2013. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade
Cidade de São Paulo - UNICID.
A pesquisa teve como objetivo principal investigar a percepção sobre os processos
de construção de identidade profissional de alunos que frequentam o curso de
administração de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo.
Optou-se pela abordagem qualitativa de pesquisa. Foram estabelecidos diálogos
teóricos com autores como Dubar; Machado; Chiavenato; Hall; Lacombe; Veloso e
França, dentre outros, que possibilitaram ampliar os conhecimentos acerca dos
processos de construção identitária profissional dos alunos do curso de
Administração de Empresas. Os sujeitos da pesquisa foram vinte (20) alunos
ingressantes (1º. semestre) e vinte (20) alunos concluintes (8º. semestre) do Curso
de Administração de Empresas. A coleta de dados baseou-se em um questionário
estruturado composto de questões abertas. A análise de dados pautou-se na análise
dos conteúdos. Ficou evidente que a busca pelo curso de Administração de
Empresas está relacionada ao amplo campo de atuação profissional e a
possibilidade de crescimento profissional. Os entrevistados consideram que durante
o curso puderam se inteirar a respeito das responsabilidades e habilidades que
competem ao administrador, mas consideram que esse processo não está
terminado; reconhecem que precisam continuar pesquisando e aprendendo sobre o
que é ser um administrador. Os dados de pesquisa permitiram compreender que a
construção identitária do aluno ocorre por meio da articulação entre a experiência
anterior do aluno, adquirida nos grupos de pertencimento dos quais fez parte, a
experiência acadêmica (projeto pedagógico, disciplinas, estágios, projetos
desenvolvidos no decorrer do curso) e os sentidos que esse aluno constrói para
suas experiências.
Palavras-chave: Administração de empresas; Alunos; Formação; Construção
identitária.
7
ABSTRACT
FERNANDES, João André Tavares. PROCEDURES FOR CONSTRUCTION OF
PROFESSIONAL IDENTITY: the vision of students of Business Administration. São
Paulo, 2013. Dissertation (Master of Education). City University of São Paulo UNICID.
The research had as main objective to investigate the perception about the
professional identity building processes of students who attend the course of
administration of a private University located in the East zone of São Paulo. We
opted for a qualitative research approach. Theoretical dialogues have been
established with authors like Dubar; Machado; Chiavenato; Hall; Lacombe; Veloso
and França, among others, that made it possible to enlarge the knowledge of
professional identity construction processes of students on the course of business
administration. The research subjects were twenty (20) students entering (1st.
semester) and twenty (20) students graduating (8. semester) of the Business
Administration course. Data collection was based on a structured questionnaire
composed of open questions. The data analysis was on the analysis of the contents.
It was evident that the search for the Business Administration course is related to the
wide field of professional performance and the possibility of professional growth.
Respondents believe that during the course were able to learn about the
responsibilities and skills that compete to the administrator, but consider that this
process is not finished; recognize that need to continue researching and learning
about what it is like to be an administrator. The survey data made it possible to
understand that the identity of the student building occurs through links between the
student's previous experience, gained in groups belonging which was part academic
experience (educational project, courses, internships, projects developed during the
course) and the directions that this student constructs to their experiences.
Keywords: Business Administration; Students; Training; Identity construction.
8
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
SI – Sujeito Ingressante
SC – Sujeito Concluinte
9
SUMÁRIO
Resumo
Abstract
Lista de Abreviaturas e Siglas
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11
2 CAPÍTULO 1 - RESGATE HISTÓRICO SOBRE ADMINISTRAÇÃO .................... 16
2.1 A Institucionalização da Administração no Brasil......................................... 21
2.2 O significado do trabalho e a construção identitária da profissão de
Administrador .......................................................................................................... 24
3 CAPÍTULO 2 - A ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL DO TRABALHO: uma
reflexão sobre as formas identitárias e a construção da identidade dos
indivíduos nas organizações ................................................................................. 30
3.1 Identidade pessoal ........................................................................................... 32
3.2 Identidade social .............................................................................................. 33
3.3 Identidade organizacional ............................................................................... 34
3.4 Identidade no trabalho ..................................................................................... 36
3.5 Identidades profissionais: interface com o mercado de trabalho e a
formação profissional ............................................................................................. 37
4 CAPÍTULO 3 - PROCEDIMENTO METODOLÓGICO .......................................... 42
4.1 Contexto da pesquisa ...................................................................................... 42
4.2 Sujeitos da pesquisa ........................................................................................ 44
4.3 Procedimentos de coleta de dados ................................................................ 45
5 CAPÍTULO 4 - O QUE DIZEM OS ALUNOS DO CURSO DE
ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................... 47
5.1 Ingressantes do 1º semestre ............................................................................ 47
5.1.1 Escolha do curso ....................................................................................... 47
5.1.2 Experiência anterior na área administrativa .............................................. 49
10
5.1.3 Participação de pessoas do círculo social na escolha profissional .......... 49
5.1.4 Expectativas em relação ao Curso de Administração de Empresas ......... 50
5.1.5 Papel do administrador.............................................................................. 52
5.1.6 Principais habilidades de um administrador de empresas......................... 53
5.1.7 Expectativas do mercado ........................................................................... 54
5.1.8 Futuro ......................................................................................................... 55
5.2 Concluintes do 8º semestre ............................................................................. 56
5.2.1 Expectativas iniciais versus expectativas finais .......................................... 57
5.2.2 Projeto pedagógico..................................................................................... 58
5.2.3 Competências aprendidas no Curso de Administração .............................. 59
5.2.4 O que o mercado espera do administrador ................................................ 61
5.2.5 Mudança profissional.................................................................................. 61
5.2.6 Segurança para atuar no mercado de trabalho .......................................... 62
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 64
7 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 67
APÊNDICE A - Questionário de entrevista com os alunos ingressantes do 1º
Semestre do Curso de Administração .................................................................. 70
APÊNDICE B - Questionário de entrevista com os alunos concluintes do 8º
Semestre do Curso de Administração .................................................................. 71
ANEXO A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................................. 72
11
1 INTRODUÇÃO
Trabalhei por mais de 15 anos em empresas de pequeno e médio porte nos
mais diversos seguimentos e desenvolvi várias atividades como: assistente
administrativo, auxiliar de escritório, coordenador de contas a pagar e receber,
coordenador administrativo e gerente administrativo.
Nesse período, concluí minha graduação em Administração de Empresas em
São José do Rio Preto, no interior de São Paulo (2000), e após quatro anos iniciei
meu primeiro Curso de Especialização Lato Sensu (2004), em Gestão Estratégia de
Negócios, concluído em (2006). Durante o período em que estava cursando a Pósgraduação fui convidado por uma pequena instituição privada, na cidade de São
José do Rio Preto/SP, para ministrar aulas em alguns cursos técnicos. Assumir
essas aulas despertou-me o interesse pela docência, na ocasião ainda uma
segunda opção.
A empresa que gerenciava não oferecia possibilidade de crescimento
profissional e eu me sentia estagnado há mais de 2 anos o que me motivou em 2007
a vir para São Paulo. Ao chegar à nova cidade fiz contatos com empresas, participei
de vários processos seletivos, mas tive uma grande dificuldade em me recolocar no
mercado de trabalho, pois não tinha nenhuma experiência comprovada em São
Paulo. Como tinha experiência com docência decidi enviar meu currículo para
algumas instituições de Ensino Superior.
No segundo semestre de 2008 surgiu a oportunidade de lecionar na
Faculdade das Américas (FAM). No curso de Administração de Empresas ministrei
as disciplinas de Teoria Geral da Administração e Empreendedorismo. No mesmo
semestre participei de um processo seletivo na Universidade Cidade de São Paulo
para docente no curso de Administração de Empresas, no qual fui aprovado e passei
a lecionar as disciplinas de Princípios de Gestão, Teoria Geral da Administração e
Gestão de Pessoas.
Durante o ano de 2008, com uma carga horária intensa em sala de aula e já
coordenando alguns projetos na universidade, não me interessei mais em buscar
12
emprego como gestor, mesmo porque, eu estava realizado profissionalmente em
sala de aula e envolvido com o mundo acadêmico.
Logo em seguida, no ano de 2009, iniciei duas Pós-graduações Lato Sensu:
Docência no Ensino Superior e Docência no Cenário do Ensino para Compreensão,
oferecidas pela Universidade Cidade de São Paulo a seus professores como
capacitação e formação profissional.
Atualmente, leciono no 1º semestre e no 8º semestre do curso de
Administração de Empresas. Tenho observado que a maioria dos alunos
ingressantes não tem conhecimento sobre o curso que estão fazendo, enquanto
alguns concluintes não se sentem seguros a respeito da formação que tiveram e
afirmam não estar preparados para o mercado de trabalho.
É possível perceber que muitos alunos, apesar de obter um diploma, não se
sentem administradores de empresas.
Não se sentem capazes de exercer a
profissão por acreditarem que não desenvolveram as principais habilidades de um
administrador de empresas. Robert L. Katz (1974, apud, LACOMBE, 2009), em
artigo publicado na Harvard Business Review, pressupõe que o administrador seja
alguém que dirige as atividades de outras pessoas e assume a responsabilidade de
atingir determinados objetivos por meio da soma de esforços.
Lacombe (2009 p. 04) salienta que, “o administrador, dentro de seu âmbito,
estabelece objetivos e rumos e dirige as pessoas que executam o trabalho”. Na
definição de Lacombe (2009, p. 03) “administrar é obter resultados por meio de
pessoas, ou seja, é o ato de trabalhar com pessoas para realizar os objetivos da
organização e de seus membros”. Para o autor, o administrador, trabalhe ou não em
empresa, deve agir como empresário, transformando recursos em produtos, isto é,
em bens e serviços desejados pelas pessoas. O autor conclui dizendo que o
administrador é aquele que conduz um grupo de pessoas para os resultados
desejados. Para isso, algumas habilidades são necessárias, entre elas destacam-se:
capacidade de comunicação e expressão; raciocínio lógico, crítico e analítico; visão
sistêmica e estratégica; criatividade; iniciativa; capacidade de negociação e de
tomada de decisão; liderança e capacidade de trabalhar em equipe.
13
Nessa perspectiva, algumas questões merecem ser discutidas: Como se dá o
processo de construção identitária profissional dos alunos que buscam o curso de
Administração? Como eles desenvolvem as habilidades consideradas necessárias
para o exercício da profissão?
Referindo-se ao processo de construção identitária dos adultos nas
sociedades contemporâneas Boutinet (1989) nos alerta que ser adulto significa viver
na instabilidade e na mudança.
[...] A identidade adulta é sempre frágil neste ponto de encontro entre a
estabilidade de certos parâmetros percebidos e a mudança na elaboração
da percepção de si próprio. É este ponto de encontro, ou melhor, este jogo
dialético entre estabilidade e mudança que constitui o processo de
identidade, de uma identidade para si; a estabilidade está integrada na
memória de um modo estrutural, e a mudança é produzida pela idade e pela
experiência; é sem dúvida aí que reside um dos paradoxos existências
criadores da vida adulta, o de um contínuo frente a frente entre estrutura e
experiência. (p. 169)
Dentro deste contexto, Hall (2006, p. 21) enfatiza que, “a identidade muda de
acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação
não é automática, mas pode ser ganha ou perdida”. Para o autor a identidade
tornou-se politizada, concluindo que esse processo é, às vezes, descrito como
constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe) para uma
política de diferenças.
Trabalhar com este tema, “identidade profissional”, remete-nos a explorar um
universo global, ou seja, quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado
global de estilos, lugares e imagens, mais as identidades se tornam desvinculadas
de tempos, lugares, histórias e tradições específicas.
Com base nos estudos de autores como, Motta (2003), Machado (2003),
Dubar (2005; 2009), Hall (2006), Fernandes e Zanelli (2006), Lacombe (2009), Dias
(2010), entre outros, podemos afirmar que a identidade profissional é um processo
inacabado e contínuo, compreendida como uma construção social marcada por
multiplos fatores que interagem entre si.
Nessa pesrpectiva, a pesquisa assume como objetivo principal:
14

Investigar a percepção dos alunos que frequentam o Curso de Administração
de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo, sobre os
processos de construção da identidade profissional.
É importante conhecer quem é este profissional que, apesar da formação
acadêmica exigida para exercer sua profissão, nem sempre está qualificado para
desenvolver seu trabalho. Considerando o que foi explicitado, o trabalho está
estruturado em quatro capítulos, além da Introdução e Considerações Finais.
O primeiro capítulo, intitulado “Resgate histórico sobre administração”,
aborda, de forma objetiva, o surgimento da administração como forma de gestão,
suscitando com as contribuições de Taylor e Fayol entre outros pesquisadores e
pensadores que, de uma forma significativa contribuiram para o surgimento da
administração no Brasil e no Mundo. Em seguida, apresenta a institucionalização da
administração no Brasil, explicando de forma clara e objetiva a regulamentação do
exercício da profissão de Administrador no Brasil.
Disserta, ainda, sobre o
significado do trabalho e a construção identitária da profissão de Administrador,
destacando algumas características, responsabilidades e habilidades que o
Administrador de Empresas deve ter.
O segundo capítulo, “A organização profissional do trabalho: uma
reflexão sobre as formas identitárias e a construção da identidade dos
indivíduos nas organizações”, realiza um breve resgate histórico sobre a
organização do trabalho e a passagem dos modelos de produção agrícola para a
indústria. A relação entre os grupos de interesses e como se constituem as formas
identitárias construídas no âmbito pessoal, social, organizacional e no trabalho. Em
seguida, discuto as interfaces entre identidade profissional, mercado de trabalho e a
formação profissional, salientando que entre as múltiplas identidades dos indivíduos,
a dimensão profissional adquiriu uma importância particular no trabalho e que essa
transformação obriga o sujeito a ter uma formação.
O terceiro capítulo indica o “Procedimento Metodológico”, que apresenta
os critérios e seleção dos participantes da pesquisa, além da coleta de dados com
os alunos, na Universidade em que a pesquisa foi realizada.
15
O quarto capítulo apresenta os Resultados, ou seja, a “O que dizem os
alunos sobre o Curso de Administração”, realizado com os 20 alunos
ingressantes e 20 alunos concluintes do curso de Administração de Empresas, em
uma Universidade privada situada na Zona Leste da cidade de São Paulo.
Finalizando, tecemos as Considerações Finais do trabalho.
16
2 CAPÍTULO 1 - RESGATE HISTÓRICO SOBRE A ADMINISTRAÇÃO
Para que se possa fazer um estudo a respeito do processo identitário do
aluno que cursa Administração, faz-se necessário resgatar aspectos históricos da
Administração no Curso de Graduação no Brasil.
De acordo com Chiavenato (2006, p. 13) “a Administração constitui a maior
invenção do século XX. Ela tornou possível a transformação de outras invenções
pelas várias ciências em produtos e serviços oferecidos pelas organizações”. O
autor contribui dizendo que ela tornou possível o progresso da humanidade, pois
permite transformar conhecimento de outras ciências em resultado concreto.
A partir de uma análise mais concreta pode-se definir que, desde que o
mundo é mundo sempre houve alguma forma, ainda que rudimentar, de
administração. Certos indícios testemunham a existência, em remotas épocas, de
dirigentes capazes de planejar e guiar os esforços de pessoas em monumentais
obras que perduram até os nossos dias.
Motta (1986), por sua vez, inicia um diálogo afirmando que foi a Revolução
Industrial da segunda metade do século XIX que propiciou a criação de grandes
empresas particulares, como as estradas de ferro nos Estados Unidos, as
tecelagens na Inglaterra, os bancos e as siderúrgicas no resto da Europa. Começou,
assim, o chamado “modo de produção capitalista”, quando empreendedores, alguns
poucos escrupulosos, iniciaram grandes negócios e, com isso, acumularam capitais.
A Revolução Industrial deu o pontapé inicial à Era Industrial ao provocar o
aparecimento e a expansão das fábricas e indústrias. A Era Industrial começou a
ganhar forma com a gradativa transformação de pequenas oficinas de artesanato
em pequenas fábricas. O autor reconhece que essas últimas passaram a utilizar
equipamentos dotados da tecnologia que se desenvolvia naquela época. Todas
essas mudanças, consequências da Revolução Industrial, tornaram possível
substituir as antigas oficinas por fábricas. Com a Revolução Industrial surge uma
nova concepção de trabalho que mudou a estrutura social e comercial da época.
17
Dias (2010) acrescenta que, com a Revolução Industrial houve um enorme
crescimento da economia inglesa, o que provocou um aumento da necessidade de
matérias primas para as indústrias.
Diante de tamanha mudança, a Revolução Industrial viria a afetar não só o
valor e as formas de trabalho, mas também, sua organização e até o aparecimento
de políticas sociais, anteriormente inexpressivas. Com base nesse contexto, surge a
necessidade de organizar o trabalho, e com isso emerge o conceito de emprego.
Com o desenvolvimento da industrialização as preocupações em relação a
métodos e controle de trabalho começaram a surgir. O empresário passou a se
interessar pela adoção de formas de gestão mais eficientes como forma de garantir
seu lucro. A Administração começou a emergir como objeto de estudo. Motta (2003,
p. 05-07) define que, “no início do século XX surgiram os pioneiros da teoria da
administração. Como suas idéias se aproximavam, ficaram conhecidos como os
fundadores da Escola Clássica”.
O crescimento das empresas industriais exigiu métodos totalmente novos de
administração. Essa evolução teve a participação de muitos estudiosos, sendo que
um dos mais importantes foi Frederick Winslow Taylor. De acordo com Maximiano
(2007, p. 38) “Frederick Winslow Taylor foi o criador e participante mais destacado
do movimento da administração científica”. Taylor nasceu em 1856, na Pensilvânia,
e foi o primeiro teórico da administração. De uma forma ou de outra, toda a teoria
das organizações fundamenta-se em seu trabalho ou dialoga com suas ideias. Entre
1874 e 1878 ele trabalhou para um fabricante de bombas hidráulicas, onde
aprendeu o ofício de torneiro. Em 1878, ingressou na Midvale Steel, uma usina
siderúrgica, na qual passou 12 anos, começando como trabalhador e terminando
como engenheiro chefe.
Motta (2003, p. 06) afirma que, “Taylor preocupou-se muito mais com a
racionalização dos métodos e sistemas de trabalho do que com a racionalização da
organização do trabalho”. De acordo com o autor, em toda sua obra percebe-se uma
noção de natureza humana: a ideia do ser eminente racional que, ao tomar uma
decisão, conhece todos os cursos de ação disponíveis e as consequências da opção
por qualquer um deles.
18
O autor conclui dizendo que, pensando dessa forma o homem é encarado
como um agente capaz de maximizar suas decisões, ou seja, como seus valores
são tidos previamente como econômicos, entende-se que o fará em termos de
maiores ganhos pecuniários. O homem ainda é visto como um ser que procura um
máximo de ganhos com um mínimo de esforços. Diante desse dado, cabe ao
administrador garantir que o trabalhador dispense o esforço de que é capaz. Para
Taylor isso é possível porque existe uma única maneira de se realizar um trabalho.
Uma vez descoberta, ela maximizará a eficiência.
Taylor (1976, p. 29) começa seu livro “Princípios de Administração Científica”
definindo o que considerava como o objetivo da Administração:
[...] O principal objetivo da administração deve ser assegurar o máximo de
prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao
empregado. A expressão, ‘máximo de prosperidade’, é usada, em sentido
amplo, compreendendo não só grandes dividendos para a companhia ou
empregador, como também, desenvolvimento, no mais alto grau, de todos
os ramos de negócio, a fim de que a prosperidade seja permanente.
Igualmente, máxima prosperidade para o empregado significa, além de
salários mais altos do que os recebidos habitualmente pelos obreiros da sua
classe, também o aproveitamento das pessoas de modo mais eficiente,
habilitando-as a desempenhar os tipos de trabalho mais elevados para os
quais tenham aptidões naturais e atribuindo-lhes, sempre que possível,
esses gêneros de trabalho.
Importante salientar que a “Administração Científica” funcionou como uma
revolução mental, uma revolução na maneira de encarar o trabalho e as
responsabilidades em relação à empresa e aos colegas, sendo que uma das ideias
centrais da “Administração Científica” é a de que a produtividade resulta da
eficiência do trabalho e não da maximização do esforço.
Ainda de acordo com Motta (2003), outro personagem importante que
sistematizou e divulgou as ideias de Taylor foi Henry Fayol, nascido em 1841, um
dos integrantes da “Escola Clássica da Administração”. Em 1860, Fayol foi
contratado para trabalhar na corporação mineradora e metalúrgica francesa
Comambault. Passou toda a sua vida nessa empresa, aposentando-se como diretor
geral.
As contribuições de Fayol (1975, apud LACOMBE; HEILBORN, 2003, p. 46)
foram enriquecedoras para os processos da administração. O trabalho de Fayol
19
define, pela primeira vez, as funções exercidas em uma empresa e aquilo que cabe
aos administradores. Fayol agrupou-as em quatro grandes categorias, que ele
denominou funções: produção, comercialização, finanças e administração.
Uma vez organizada uma empresa, seus colaboradores necessitam de
ordens para saber o que fazer, e suas ações precisam de coordenação, bem como
suas tarefas precisam de controle gerencial.
Segundo Lacombe e Heilborn (2003) em relação à identificação do que cabe
ao administrador, Fayol enunciou, pela primeira vez, as chamadas atividades
gerenciais:
[...] Planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Pelas
funções que lhe cabe, poderíamos imaginar que o administrador as
exerce de forma ordenada, refletindo com calma sobre o trabalho, com
poucas dispersões e interrupções. (p. 51)
Bernardes e Marcondes (2003) contribuem dizendo que os administradores
sempre existiram, porém com características diferentes ao longo da história,
mudando à proporção que as organizações se alteravam até chegar ao profissional
nos dias atuais.
A partir dos trabalhos de Fayol ficou claro que as funções do
gerente, ou administrador, são: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar,
ou seja, essas funções têm um significado específico, um conceito próprio que as
torna independentes umas das outras.
Na atualidade, a Administração pode ser compreendida de forma moderna, ou
seja, a Administração é fundamental na condução da sociedade moderna. Ela não é
um fim em si mesmo, porém, o meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da
melhor forma, com menor custo e com maior eficiência e eficácia necessita de
conhecimentos administrativos para alcançar os objetivos esperados.
Chiavenato (2006) reconhece que a Administração é fundamental em
qualquer tipo ou escala de utilização de recursos, tecnologias e competências
devidamente integrados e alinhados para alcançar objetivos definidos. Tanto no
plano individual como nos planos familiar, grupal ou organizacional, a Administração
se torna fundamental. Para o autor:
20
[...] A tarefa da Administração passou a ser a de interpretar os objetivos da
organização e transformá-los em ação organizacional por meio do
planejamento, organização, direção e controle dos esforços realizados em
todas as áreas, a fim de alcançar tais objetivos e garantir a competitividade
em um mundo de negócios altamente complexo e competitivo. A
Administração deixou de ser um simples processo de planejar, organizar,
dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos
organizacionais. Hoje, ela significa a melhor maneira de agregar valor e
criar riqueza dentro da sociedade. (CHIAVENATO, 2006, p. 02)
Nessa perspectiva, a Administração se torna uma atividade essencial a todo
esforço humano coletivo, em qualquer tipo de organização. A Administração é uma
ciência social para lidar com pessoas que precisam cooperar com outras pessoas,
para poderem, juntas e de maneira organizada, atingir seus objetivos da melhor
maneira possível.
Clegg, Kornberger e Pitsis (2011, p. 72) explicam que, “a Administração
raramente corresponderá, se é que um dia virá a corresponder, àquela
Administração pressuposta em planos e princípios racionais”. A Administração
consiste em uma série de instrumentos e recursos que viabilizam a racionalização,
enquanto se administra. Os gestores procuram ser racionais, mas não conseguem
ter garantias de que o serão. Em termos amplos, a Administração tem a ver com
administrar pessoas de uma forma coordenada, a fim de garantir que os resultados
organizacionais sejam alcançados, assegurando ao mesmo tempo os valores
próprios e os dos outros.
Nesse sentido, é importante entender que para os gestores os valores são
atributos fundamentais da administração de hoje. Além disso, deve-se também
entender e apreciar como nossos valores filtram as informações e criam
conhecimento, contribuindo com o mundo que se vive.
Para Peter Drucker (1981) o “objeto” da Administração é bem explícito: as
organizações. Porém, sua finalidade última não é o conhecimento pelo
conhecimento nem explicações de fenômenos, e sim, as realizações concretas que
busquem satisfazer necessidades sociais, tanto de clientes quanto de participantes.
Administrar nessa perspectiva é compreender como sendo uma forma que
assume toda associação humana para atingir um objetivo comum. Fica claro,
portanto, que a Administração, da mesma forma que quase todas as áreas do
21
conhecimento humano, requer permanente aprendizado. O campo é muito vasto,
requer conhecimentos diversificados, o ambiente muda, a ciência e a tecnologia
evoluem os processos produtivos se alteram e tudo isso requer permanente
atualização dos conhecimentos.
2.1 A Institucionalização da Administração no Brasil
A importância da atualização do sistema educacional emerge face às
exigências de competitividade, produtividade e inovação do sistema produtivo. A
sociedade humana é feita de organizações que fornecem os meios para
atendimento de necessidades das pessoas como: serviços de saúde, água e
energia, segurança pública, alimentação, diversão, educação, entre outros. Dentro
deste contexto, podemos afirmar que é a Administração que faz as organizações
serem capazes de utilizar corretamente seus recursos e atingir seus objetivos.
De acordo com o Conselho Regional de Administração de São Paulo CRA/SP1, a Legislação Federal, a partir da Lei nº. 4.769 de 09 de setembro de 1965
dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de Administrador e a
Constituição do Conselho Federal de Administração. A mesma Lei criou uma
organização para fiscalizar o exercício da ocupação do administrador, ou seja, o
Conselho Federal de Administração – CFA, na forma de autarquia subordinada ao
Ministério do Trabalho, coordenando cada Conselho Regional de Administração nos
Estados da Federação – CRA.
Bernardes e Marcondes (2003) contribuem dizendo que, depois de
regulamentar a profissão era preciso legislar sobre os cursos do bacharelado
correspondente. Foi o que fez, em 1966, o Ministério da Educação, para anos depois
incluir os que conduzem ao Mestrado e ao Doutorado, conhecido por cursos de Pósgraduação Sctricto Sensu. Posteriormente, o mesmo Ministério instituiu os cursos
denominados Lato Sensu, destinados ao ensino de Administração para graduados
em outras profissões, mas que, na verdade, formam administradores, contemplando
seus bacharelados anteriores.
1
Disponível em: www.crasp.gov.br.
22
Os autores explicam que as Escolas de Administração no Brasil iniciaram na
década de 50 quando empresas multinacionais passaram a construir fábricas no
país e o Governo investiu maciçamente na fundação de empresas estatais dentro do
“modo de produção capitalista do Estado”, momento esse em que surgiu a
necessidade do administrador profissional.
A saturação do mercado de administradores causada pelo aumento
desmedido do número desses profissionais e pela recessão econômica iniciada na
década de 80 fez com que o número de escolas estabilizasse. É importante salientar
o fato de escolas mais conhecidas terem incluído no currículo disciplinas destinadas
a formar administradores capazes de gerir seus próprios negócios como
empreendedores2 ou empresários, e não mais como simples empregados.
Araújo (2011) contribui dizendo que, no Brasil, as mudanças no sistema
educacional ocorrerem a partir de 1995, quando da publicação da Lei nº. 9.131 de
24 de novembro de 1995. A nova legislação traz o projeto de Diretrizes Curriculares
Nacionais para orientar os Cursos de Graduação do país. O cerne da Lei é
flexibilizar o currículo. Esse modelo pretende possibilitar às escolas desenvolverem
seus projetos pedagógicos em compasso com os avanços científicos e tecnológicos,
buscando adequação com as demandas sociais e locais.
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, o perfil desejado do
formando do Curso de Graduação em Administração é expresso da seguinte forma:
[...] o Curso de Administração deve ensejar condições para que o bacharel
em Administração esteja capacitado a compreender as questões
científicas, técnicas, sociais e econômicas da produção e de seu
gerenciamento no seu conjunto, observados os níveis graduais do
processo de tomada de decisão, bem como, a desenvolver o alto
gerenciamento e a assimilação de novas informações, apresentando
flexibilidade intelectual e adaptabilidade contextualizada no trato de
situações diversas presentes ou emergentes, nos vários segmentos do
campo de atuação do administrador. (BRASIL, 2002, p. 13)
2
É toda pessoa que identifica necessidade de clientes potenciais e, como oportunidade de negócio
para satisfazê-las, cria uma empresa ou modifica a já existente.
23
Bernardes e Marcondes (2003, p. 24) alertam que, “com isso, as escolas se
multiplicaram para fornecer mão de obra para os cargos gerenciais médios, com
possibilidade de ascensão na carreira, especialmente nas grandes empresas”.
Em
entrevista
cedida
à
Revista
Administrador
Profissional/CRA-SP
(Agosto/11, ano 34, n. 302, p. 06) Sebastião Luiz de Melo – Presidente do CFA
avalia a qualidade de ensino de Administração no País. Segundo Sebastião L. de
Melo (2011) de acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2009,
divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), a Administração é o curso mais
procurado no Ensino Superior.
De acordo com dados do Censo de Educação
Superior 2009, (MEC) o Brasil possuía mais de 1.800 Instituições de Ensino (IES)
que ofereciam o curso. São mais de 780 mil alunos matriculados, cerca de 120 mil
formandos por ano, mais de 2.500 cursos de Administração e acima de 680 mil
vagas. Os dados reúnem informações de cursos à distância e presencial.
No ano de 2010, o Censo da Educação Superior (MEC) revelou que existiam
846.493 matriculados no Curso de Graduação em Administração. A Administração
lidera a lista dos dez cursos mais procurados pelos candidatos ao ensino superior no
País (INEP/MEC, 2010).
De acordo com o último Censo apresentado acima, a formação generalista e
abrangente e a existência de amplo mercado de trabalho foram as opções mais
assinaladas como justificativas para a escolha do curso de Administração.
Pensando na qualidade desses cursos, inclusive os ministrados à distância,
de acordo com Melo (2011), o CFA constituiu uma comissão para discutir essa
modalidade de ensino em Administração no País. A comissão acompanha os
projetos de lei que oportunizam mais espaços para os administradores e, também,
os projetos que possam vir a prejudicar a categoria. Melo acrescenta que, o CFA
renovará o convênio com o MEC par avaliar os cursos de Administração abertos.
Melo afirma, também, que o termo de colaboração foi firmado em 2009 e constitui
seu objeto a colaboração técnica do CFA junto à SESu/MEC em caráter
experimental, contribuindo com subsídios para ações de regulação da Educação
Superior, definidos no Decreto n. 5.773/06, especificamente na área da
Administração.
24
Finalizando, é importante citar que as Diretrizes Curriculares trazem, ainda,
uma “orientação básica” para a construção do conteúdo curricular a ser
desenvolvido pela instituição de ensino, de acordo com a percepção dos formadores
para com o ambiente profissional dos administradores. Essa flexibilidade visa
direcionar o caminho para que a organização curricular forneça as habilidades
exigidas a estes profissionais na atual realidade de fluidez e constantes
transformações no mercado de trabalho. (BRASIL, 2002, p. 14)
2.2 O significado do trabalho e a construção identitária da profissão de
Administrador
O trabalho é o principal fator de produção de riqueza. O próprio capital
resulta, em última instância, de uma remuneração de fatores de produção que foi
reinventada para aumentar a eficiência ou o volume da produção. Dias (2010)
reconhece que o trabalho é uma realidade para todo ser humano capaz de exercêlo. O autor explica que em condições de normalidade, os indivíduos trabalham a
maior parte de sua vida.
Desde o nascimento iniciamos a preparação para exercer o trabalho, pois é
necessário adquirir conhecimento e desenvolver habilidades para podermos
trabalhar. Nas sociedades humanas, existem leis, decretos e regulamentos que
estabelecem regras para o trabalho. A divisão social do trabalho que ocorre nas
sociedades humanas confere diferentes papéis ocupacionais e profissionais aos
indivíduos. Esses, quando o desempenham de forma adequada, promovem o
funcionamento da sociedade em sua totalidade. Nesta concepção Dias (2010) divide
em dois tipos, ou seja, condições objetivas e condições subjetivas do trabalho,
citando que:
[...] fazem parte das ‘condições objetivas’ que caracterizam o trabalho: o
modo como ele se organiza e como está dividida sua realização, qual é a
complexidade, como é supervisionado, como sua rotina se apresenta, às
quais pressões ele está submetido, e quais são suas recompensas e
castigos. Como parte das ‘condições subjetivas’ do trabalho estão:
satisfação pessoal em sua realização, se o efetuarmos prazerosamente ou
não, e o compromisso que temos com sua realização. (DIAS, 2010, p. 303)
25
No início da organização industrial, os camponeses, os pequenos produtores,
os fazendeiros e os artesões perderam gradualmente o acesso à propriedade
produtiva. Sem os meios de subsistência eles foram forçados e se submeter a um
mercado de trabalho, vendendo, assim, sua força de trabalho mediante o
recebimento de um salário.
Para Ribeiro (2010, p.27) “os trabalhadores que executavam suas tarefas sem
desperdício de tempo eram considerados por Taylor como ‘homens de primeira
classe’, uma vez que não causavam prejuízos à empresa”. Nessa perspectiva, o
trabalhador que obtivesse a máxima eficiência de produção deveria ser
recompensado, recebendo em troca um salário superior àquele pago aos demais
trabalhadores de sua categoria. A opinião de Taylor sobre os trabalhadores era
prática e objetiva: a empresa deveria dar oportunidade e condições para que eles
obtivessem o máximo possível de ganho.
Drucker (1981) salienta que, a maioria dos proprietários com base ou não
nesses princípios tentaram dirigir suas empresas até o ponto em que o gigantismo
delas, a saturação dos mercados e a sofisticação tecnológica exigiu maiores
conhecimentos do que aqueles por eles possuídos. Por isso, passaram a empregar
indivíduos hábeis, destinados a suprir suas deficiências no planejamento, operações
e controle da produção. Surgiu, assim, um novo especialista, o administrador
profissional, caracterizado por ser um técnico capaz de administrar o capital e não
ser, necessariamente, proprietário do capital.
Do ponto de vista sistêmico, podemos reconhecer que o fato que mais
contribuiu para ascendência do administrador foi o já citado crescimento das
organizações. Chiavenato (2006) destaca que, se espera que o administrador seja
capaz de efetuar o diagnóstico de situações, definir estratégias, dimensionar
recursos, planejar sua aplicação, utilizar tecnologias, aplicar competências, resolver
problemas, gerar inovação e competitividade.
No entanto, o autor alerta que o administrador não é julgado apenas pelo que
sabe a respeito das funções que exerce em sua especialidade, mas, principalmente,
pela maneira como realiza seu trabalho e pelos resultados que obtém dos recursos e
competências disponíveis, ou seja, não existe uma maneira certa de um
26
administrador agir ou de conduzir, pelo contrário, existem várias maneiras de levar a
cabo as atividades das organizações em geral e das empresas em particular.
Em função deste posicionamento, Robert L. Katz (1995, apud, LACOMBE,
2009), sintetizou em três tipos as habilidades necessárias ao administrador:
[...] habilidade técnica (implica a compreensão e o domínio de determinado
tipo de atividade. Envolve conhecimento especializado, habilidade analítica
dentro da especialidade e facilidade no uso de técnicas e do instrumental da
disciplina específica); [...] habilidade humana (inclui a capacidade de se
colocar no ponto de vista do outro, a fim de compreendê-lo na sua
plenitude. Alguns autores chamam essa habilidade de habilidade gerencial);
[...] habilidade conceitual (implica a capacidade de se posicionar no ponto
de vista da organização, perceber como as várias funções são
interdependentes e como uma alteração em uma delas afeta todas as
demais. (p. 08-10)
Cabe, portanto, ao administrador identificar ou estabelecer os objetivos da
sua organização ou da unidade organizacional pela qual é responsável. Chiavenato
(2006) descreve que, para o administrador ser bem sucedido é preciso desenvolver,
além de suas habilidades, quatro competências duráveis:
[...] conhecimento (é o acervo de informações, conceitos, ideias,
experiências e aprendizagem do administrador); habilidade (é a capacidade
de colocar o conhecimento em ação, transformar a teoria (abstrata) em
prática (concreta), aplicando o conhecimento na análise das situações, na
solução dos problemas, na inovação e na condução do negócio);
julgamento (é a capacidade de atribuir valores e prioridades); atitude
(significa o comportamento pessoal do administrador diante das situações
com que se defronta no cotidiano. (p. 05)
Para finalizar, o autor conclui dizendo que o administrador assume vários e
diferentes
papéis
em
suas
atividades.
Papéis
interpessoais
–
são
os
relacionamentos com as pessoas; papéis informacionais – são as atividades para
manter e desenvolver a rede de informações e papéis decisórios – envolve eventos
e situações em que o administrador deve fazer escolhas ou opções usando
habilidades humanas e conceituais.
Em outras palavras, administrar é mais do que supervisionar pessoas, cuidar
de recursos ou atividades. O papel do administrador em época de mudanças e
instabilidade se centra mais nas competências daqueles que exercem as funções
administrativas.
Lacombe e Heilborn (2003, p. 04) reconhecem que, “o
27
administrador, dentro do seu âmbito, estabelece objetivos e rumos e dirige as
pessoas que executam o trabalho. A administração, portanto, requer prática e bom
senso”.
Clegg, Kornberger e Pitsis (2011) alertam que,
[...] Uma condição essencial da teoria é a existência de um quadro3
referencial por meio do qual compreendemos as coisas. O referido quadro
conceitual estabelece diferença entre a administração como prática, como
algo que fazemos, e as organizações, como uma coletividade orientada
para metas, sendo que nossa vida é organizada pelas organizações.
Começamos com organizações e depois assumimos a tarefa de administrálas. Observando que ambos mudam radicalmente. Descrevemos os
elementos formais da administração como: planos, projetos e outros
procedimentos para que indivíduos e grupos nas organizações
possam compreendê-los. (p. 41)
Para Zabala (1998) um dos objetivos de qualquer bom profissional consiste
em ser cada vez mais competentes em seu ofício. Dentro desta perspectiva o autor
contempla dizendo que, geralmente se consegue esta melhora profissional mediante
o conhecimento e a experiência: o conhecimento das variáveis que intervêm na
prática e a experiência para dominá-las. O autor salienta que, provavelmente, a
melhoria da atividade profissional passa pela análise do que se faz, em contraste
com outras práticas.
Neste contexto, torna-se importante afirmar que, as constantes mudanças
pelas quais passa a sociedade em função dos avanços tecnológicos tornam o
mundo do trabalho cada vez mais exigente. Isso acaba determinando que as
organizações adotem o princípio do aprender a aprender, buscando a melhoria
constante de seus processos.
Nessa perspectiva, a identidade do trabalhador administrador teve sua
estrutura, relacionada ao seu perfil, completamente modificada em relação ao perfil
exigido no período industrial. Agora, o profissional deve ser flexível, adaptável,
crítico, criativo, bem informado, com o domínio da informática e das tecnologias de
informação, além de ter uma visão multidisciplinar ou uma visão de todo o sistema.
3
Quadro (frame) é um termo originário do cinema: o diretor enquadra uma cena, incluindo ou
omitindo certos detalhes. A estrutura determina o que é relevante.
28
O conhecimento passa a ser a matéria prima fundamental, e não mais a habilidade
técnica.
Duarte (2011, p. 19) reconhece que, “ser administrador sempre foi uma
função de grande responsabilidade. E não poderia ser diferente, já que sua missão
tem sido a de conduzir os destinos das áreas e das próprias organizações”. Para o
autor, em que pese tal característica ser inerente a esse profissional, o desempenho
de seu papel é norteado por legislações que, se em um primeiro momento não
visam apenas à ampliação da ética e da competência, impõem, por meio de vários
artigos, uma obrigação maior à prática de seus atos.
Exemplos dessa realidade passaram a ser reforçados a partir de 2012 com a
promulgação do novo Código Civil (Lei 10.406), que estabelece diversos dispositivos
com a finalidade de ampliar a responsabilidade do administrador.
Tornar-se um profissional cada vez mais responsável não é tarefa fácil. Essa
também é uma das preocupações do Conselho Federal de Administração (CFA)
que, por meio do “Manual de Responsabilidade Técnica do Administrador”,
estabelece regras a serem seguidas na condução da profissão. Diz o documento4:
[...] É preciso que o administrador tenha plena consciência das mudanças
ocorridas e exigência do mercado para desempenhar um papel com
objetividade, competência, ética, probidade, confiabilidade, profissionalismo,
diligência, conhecimento do cliente e do mercado, eficiências, conhecimento
técnico, zelo, honestidade, transparência, respeito às leis e às normas do
Sistema CFA/CRAs e à sociedade.
Duarte (2011) explica que, um dos méritos da Administração foi o de
acompanhar as mudanças impostas à sociedade e, consequentemente, às
empresas, nas últimas décadas.
Para Sennet (2004), as transformações que o trabalho tem sofrido são
provenientes da mudança na lógica de como as organizações têm se redefinido
diante do contexto de competitividade atual. Ou seja, elementos contextuais têm
impulsionado frequentes mudanças nas organizações que geram alterações na
estrutura interna e, consequentemente, na forma como o trabalho é executado.
4
Revista Administrador Profissional, ano 34, n. 299, maio de 2011, p. 19.
29
Segundo este autor, a extrema valorização da mudança e da flexibilidade,
como os valores organizacionais para a competitividade, serve de norte para a
relação do indivíduo com o trabalho e, por isso, gera uma destruição de elementos
referenciais para os indivíduos. Esses referenciais serviam, na visão de Sennet,
como norteadores para a construção de um caráter, o que afeta a sustentabilidade
da Identidade.
A atuação do administrador, em todas as áreas das organizações e em todos
os setores da economia, repercute de forma decisiva e contribui para a consolidação
de sua imagem.
30
3 CAPÍTULO 2 - A ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL DO TRABALHO:
uma reflexão sobre as formas identitárias e a construção da
identidade dos indivíduos nas organizações
Tanto na Europa como na América do Norte o nascimento e a expansão das
manufaturas foram precedidos e acompanhados por um sistema de trabalho
domiciliar, característico do capitalismo mercantil. Ou seja, nesse sistema, os
mercadores enviavam materiais e dinheiro aos artesãos com ateliê doméstico, que
trabalhavam em casa, em geral com ajudantes, membros de sua própria família.
Durante todo o século XIX e começo do século XX os capitalistas mercantis
procuraram aumentar seu controle, transferindo o local de produção da casa para a
fábrica, pois acreditavam ter mais controle sobre a produção e aumentar o poder de
supervisão direta dos capitalistas. A maioria das indústrias, e durante longos
períodos os proprietários das manufaturas, como os mercadores antes deles,
permaneceram dependentes dos trabalhadores por ofício, devido ao conhecimento
destes sobre os modelos de fabricação dos produtos.
Para Dubar (2005), os trabalhadores em cada um desses ofícios possuíam
um saber diferente que lhes fora transmitido confidencialmente. De acordo com o
autor, os operários por ofício exploraram individualmente e coletivamente essa
situação para manter, com seus novos empregadores, acordos característicos da
“organização profissional do trabalho”.
Nesse sentido Dubar (2005) refere que, muitos outros exemplos de
organização profissional do trabalho são analisados na literatura histórica e
sociológica. Para o autor além das grandes variações nacionais e dos tempos de
duração muito diversos, esses exemplos mostram a força histórica de um modelo de
organização em três grupos estratificados que repousam em uma dupla fonte de
poder e de legitimidade:

Os dirigentes empresariais obtêm seu poder de sua relação com o
capital (econômico e financeiro), e sua legitimidade de seu êxito
econômico no mercado de bens e serviços;

Os profissionais por ofício obtêm seu poder de sua ralação como o
saber (técnico e especializado), e sua legitimidade de sua posição
individual e coletiva na organização e no mercado de trabalho;
31

Os assalariados não profissionais (ou não qualificados) são
duplamente excluídos da esfera do capital e da área legítima da
competência. (DUBAR, 2005, p.199-200) (grifos do autor)
Cada um dos grupos acima tem interesses próprios, ou seja, o interesse dos
dirigentes empresariais é, na verdade, reduzir a autonomia e o poder dos
profissionais por ofício, assegurando para si, por vias diversas, o controle direto da
organização do trabalho. O interesse dos profissionais é se organizar para defender
sua posição para que não sejam substituídos em função de sua competência, ou
seja, o sindicato de ofício e o controle das formações têm, em parte, esses objetivos.
Quanto aos não qualificados seu interesse é poder ter acesso às formações e às
carreiras que lhes permitam conquistar os saberes profissionais legítimos.
Fernandes e Zanelli (2006, p. 57) acrescentam que, “ao ingressar em uma
organização, indivíduos com características diversas se unem para atuar dentro de
um mesmo sistema sociocultural na busca de objetivos determinados”. Para os
autores essa união provoca um compartilhamento de crenças, valores, hábitos, entre
outros, que irão orientar suas ações dentro de um contexto preexistente, definindo,
assim, as suas identidades.
Em outras palavras, os autores definem que essa realidade é constituída por
uma série de objetivos que foram designados como objetivos próprios e coletivos. O
indivíduo percebe, assim, que existe correspondência entre os significados por ele
atribuídos ao objetivo e os significados atribuídos pelos outros, isto é, existe o
compartilhar de um senso comum sobre a realidade.
É por meio de esse compartilhar da realidade que as identidades dos
indivíduos nas organizações são construídas, ao se comunicar aos membros, de
forma tangível, um conjunto de normas, valores e concepções que são tidas como
certas no contexto organizacional. Dentro desta perspectiva devemos entender a
importância dos tipos de identidade relacionados ao pessoal, social, organizacional e
no trabalho.
32
3.1 Identidade pessoal
Para Dubar (2005) a identidade de uma pessoa é o que ela tem de mais
valioso: a perda de identidade é sinônimo de alienação, sofrimento, angústia e
morte. Ora, a identidade humana não é dada, de uma vez por todas, no nascimento,
ela é constituída na infância e, a partir de então, deve ser reconstruída no decorrer
da vida. Para o autor, o indivíduo jamais a constrói sozinha, ele aprende tanto dos
juízos dos outros quanto de suas próprias orientações e autodefinições.
Dubar
(2005) conclui dizendo que a identidade é produto das sucessivas socializações.
Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o indivíduo é
interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganha
ou perdida. Esse processo é, às vezes, descrito como constituindo uma mudança de
uma política de identidade (de classe) para uma política de diferença.
De acordo com Dubar (2009, p. 19), “a identidade, com efeito, não é apenas
social, ela é também pessoal. Acontece que o ‘indivíduo’ não se torna facilmente um
objeto sociológico”. O autor contribui dizendo que:
[...] Por essa razão, na esteira de Durkheim, ‘o ser social’ dos indivíduos
(sua identidade social sinônimo de pertencimento a uma categoria
socialmente pertinente) é considerado como o que eles herdam sem desejálo e o que modela suas condutas sem que tenham consciência disso. Por
esse motivo, a noção de ‘identidade para si’ não pertence ao vocabulário da
‘sociologia clássica’ e a identidade social se torna sinônimo de ‘identidade
para outrem’. (DUBAR, 2009, p.19)
Nesse sentido, Dubar (2009) afirma que contar sua vida é encontrar uma
intriga que articula esses dois níveis: “identidade para si” e não mais “identidades
para outrem” e que permite “dar um sentido” à sua vida, ao mesmo tempo uma
direção e uma significação compreensíveis por outrem.
Para Fernandes e Zanelli (2006, p. 58):
[...] Um aspecto importante para a sobrevivência de um indivíduo é a
necessidade de construção de uma identidade, uma noção de totalidade
que o leve a fazer convergir em uma imagem de si mesmo as muitas
facetas do seu modo de ser, os muitos papéis que ele representa em
diferentes momentos de sua experiência social.
33
Entendendo melhor a dinâmica da identidade, pode-se dizer que a identidade
pessoal é alimentada pela busca constante de unidade subjetiva por parte dos
indivíduos, pois eles adotam frequentemente padrões comportamentais direcionados
para preencher as expectativas do outro sobre sua própria conduta, contrariando
muitas vezes sua autodeterminação.
Machado (2003, p. 54) reconhece que, “a memória exerce papel importante
na construção da identidade, porque a representação de si é inseparável do
sentimento de continuidade temporal”. Dentro deste contexto a autora explica que o
passado, o presente e o futuro são importantes para prover continuidade ou
consistência subjetiva. A partir dos múltiplos mundos classificados, ordenados e
nomeados na memória, segundo a lógica do indivíduo e de sua categorização social,
que consiste em reunir o que se parece e separar o que difere, o indivíduo vai
constituir sua própria identidade.
3.2 Identidade social
Dubar (2009, p. 18) refere que, “para muitos pesquisadores em Sociologia,
hoje como ontem, na França, a identidade social é, antes de tudo, sinônimo de
categoria de pertencimento”. Nesta perspectiva o autor contribui dizendo que, para
outros pesquisadores a identidade social é uma noção mais ambígua, na medida em
que os pertencimentos são múltiplos e nenhum deles pode impor-se, a priori,
“objetivamente”, como principal. Por exemplo, o sexo, ou melhor, o gênero, já não
pode atualmente ser negligenciado pelas análises sociológicas. O autor explica que
uma operária não é um operário, um quadro feminino de uma empresa não é o
mesmo que um quadro masculino.
A socialização é, enfim, um processo de identificação, de construção de
identidade, ou seja, de pertencimento e de relação. Socializar-se é assumir seu
pertencimento a grupos, assumir pessoalmente suas atitudes, a ponto de elas
guiarem amplamente sua conduta sem que a própria pessoa se dê conta disso.
Para Hall (2006, p. 07) “a questão da identidade está sendo extensamente
discutida na teoria social”. Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas
identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio,
34
fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto
como um sujeito unificado.
Dessa forma, a identidade social é constituída não somente pela
representação que o indivíduo faz dele mesmo, referindo-se a diferentes grupos aos
quais ele pertence, mas também aos grupos de oposição, aos quais ele não
pertence, pois essa identidade é guiada pela necessidade do indivíduo ser no
mundo, assim como pela sua necessidade de pertencer a grupos sociais.
Machado (2003) define que a identidade social é, portanto:
[...] um processo de justaposição na consciência individual, uma totalidade
dinâmica, em que os diferentes elementos interagem na complementaridade
ou no conflito, pois o indivíduo tende a defender sua existência e sua
visibilidade social, sua integração à comunidade, ao mesmo tempo em que
ele se valoriza e busca sua própria coerência. (p. 56)
A identidade social ganha uma dimensão importante porque esta atividade
constitui, para alguns autores, um dos principais elementos que norteiam a vida
social do indivíduo. Nessa perspectiva, o próprio trabalho se modifica tecnológica,
gerencial e socialmente ao longo do tempo e a identidade social também se
transforma e, por isso, precisa ser mais bem compreendida em novos ambientes.
Resumindo, a identidade social se funda sob determinadas categorias, como
por exemplo, a etnia, a identidade sexual, a classe social, os portadores de
deficiências, a idade, entre outras. Unidos sob o mesmo fundamento, os indivíduos
procuram sua contextualização no tempo e no espaço, buscando fortalecer suas
identidades. Por essa razão é que as manifestações ligadas a nacionalismos e a
movimentos sociais se processam num dado contexto de construção social das
identidades, que a todo o momento são construídas e desconstruídas.
3.3 Identidade organizacional
Para Asforth e Mael (1996, apud, Machado, 2005, p. 02-03), “a identidade
organizacional é um julgamento dos indivíduos sobre os aspectos distintos, centrais
e duradouros da organização”. Os aspectos centrais, segundo os autores, estão
ligados ao sistema de crenças, valores e normas da empresa; os aspectos distintos
35
estão relacionados à exclusividade da organização, referência para garantir a
identificação organizacional e definir a fronteira da organização.
A identidade de uma organização é a imagem cognitiva assimilada pelos seus
integrantes, prevalecendo um consenso coletivo em torno dessa imagem. Ela deriva
da resposta que os integrantes dão à questão: “quem somos nós como
organização?”, mesclando-se, muitas vezes, as abordagens da identidade e da
identificação organizacional. Sendo assim, a resposta à questão mencionada é
resultante das identificações das pessoas com a organização, porque não existe
identidade sem identificação, pois a identidade é relacional, ou seja, ela se constrói
em relação ao outro, com o qual o sujeito se identifica ou se desidentifica.
(MACHADO, 2005)
A partir de uma análise mais concreta a identificação organizacional envolve
cognição e afeto e, ocorre sempre que os indivíduos estão experimentando fortes
necessidades, tais como a de estar seguro, de pertencer, de sentir-se melhor.
Portanto, a identidade, enquanto imagem cognitiva assimilada pelos seus
integrantes se estrutura por meio dos processos de identificação do indivíduo com a
organização. Machado (2003) enfatiza que:
[...] A identidade organizacional, tal como as outras modalidades da
identidade, remete ao vivido e à subjetividade. Ela orienta a ação dos
indivíduos e é dinamicamente construída por meio de interações sociais,
identificação e afiliações. Portanto, o contexto identitátio no âmbito
organizacional é constituído pelo indivíduo, pelo grupo e pela organização.
(p. 63)
Para Veloso (2010), no contexto das organizações e dos estudos de
administração, compreender a “identidade” no contexto organizacional significa
entender parte das relações que acontecem no trabalho, ou seja, a relação do
indivíduo com suas atividades e o comportamento do indivíduo dentro da
organização, entendido de forma ampla. Isso permite inferir que a “identidade” é, em
essência, um constructo que auxilia na compreensão de outras variáveis
organizacionais.
36
3.4 Identidade no trabalho
Entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos, a dimensão
profissional adquiriu uma importância particular. Por ter se tornado um bem raro, o
emprego condiciona a construção das identidades sociais. Por passar por mudanças
impressionantes, o trabalho obriga a transformações identitárias delicadas, ou seja,
por acompanhar cada vez mais todas as modificações do trabalho e do emprego, a
formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do período
escolar.
O trabalho é talvez a transformação mais significativa, pois se refere ao
próprio sentido. Ademais, ela se aplica potencialmente a todo mundo: assalariados
do setor privado e das funções públicas, da grande empresa e das PMEs (Pequenas
e Médias Empresas). Acompanha ao mesmo tempo as evoluções do trabalho
industrial, agrícola, artesanal e o movimento da terceirização das atividades.
Machado (2003) acredita que, a socialização dos indivíduos no mundo do
trabalho é fruto da experiência das relações de poder, vivenciadas no universo
produtivo, as quais geram normas coletivas de comportamento e fornecem a
possibilidade de construir uma identidade no trabalho, entendida como a maneira de
elaborar um sentido para si na multiplicidade de papéis sociais, e de fazê-la ser
reconhecida por seus companheiros de trabalho.
A identidade no trabalho também processa no plano afetivo e cognitivo. O fato
de viver sob uma estrutura institui uma espécie de mentalidade coletiva, com a qual
o indivíduo se conforma, assimilando suas regras e normas de comportamento e
estabelecendo vínculos afetivos com as pessoas com as quais convive nesse
ambiente. Nesta perspectiva o processo de construção das identidades dos
indivíduos nas organizações acontece geralmente de maneira natural, iniciando-se
no momento de inserção na empresa.
Machado (2003) alerta, ainda, que ao analisar a identidade no trabalho,
especialmente em modelos organizacionais com predomínio de modernas relações
de trabalho, esses pressupõem certa autonomia dos indivíduos. Nesse sentido,
constatou que há pluralidade de modelos identitários no universo do trabalho, que se
37
distinguem, principalmente, pelos tipos de socialização compartilhada entre os
indivíduos e por seus modos de integração na empresa.
Machado (2003, p. 60) acrescenta que:
[...] A construção das identidades no trabalho não está desvinculada dos
interesses pessoais e coletivos, que estão sendo constantemente
articulados nas organizações. A identidade no trabalho constitui, dessa
forma, componente importante no processo motivacional, que concorre
também
para
a
construção
de
uma
auto-estima
positiva.
Consequentemente, não só a realização do trabalho, mas também, a esfera
social organizacional é positivamente afetada, podendo resultar em formas
de trabalho mais criativas, que contribuem para integrar a subjetividade, a
socialização e o trabalho.
Os níveis de identidade considerados até o momento estão ligados à
formação do autoconhecimento por parte dos indivíduos e resultam em influências
na esfera pessoal, social, assim como no âmbito organizacional.
3.5 Identidades profissionais: interface com o mercado de trabalho e a
formação profissional
Segundo Hall (2006), diferentemente da noção de identidade assumida pelos
gregos no período helênico5, considerada uma essência imutável, estabilizada e fixa,
hoje se sabe que o sujeito não possui uma só identidade, mas múltiplas identidades,
até mesmo contraditórias, que buscam se unificar em torno de um “eu” coerente.
No que diz respeito ao trabalho, no período helênico, apesar dos gregos não
a verem dessa forma, a identidade estava também vinculada à sua ocupação social,
na medida em que os escravos é que deveriam trabalhar para que seus senhores,
cidadãos helênicos, tivessem a condição de serem livres.
Dubar (2005, p. XXIV) afirma que:
[...] A identidade de uma pessoa é o que ela tem de mais valioso: a perda
de identidade é sinônimo de alienação, sofrimento, angústia e morte. Ora, a
identidade humana não é dada, de uma vez por todas, no nascimento: ela é
constituída na infância e, a partir de então, deve ser reconstituída no
decorrer da vida. O indivíduo jamais a constrói sozinho: ele depende tanto
5
É caracterizada principalmente por uma ascensão da ciência e do conhecimento.
38
dos juízos dos outros quanto de suas próprias orientações e autodefinições.
A identidade é produto das sucessivas socializações.
Nos processos de construção identitária, a profissionalização configura-se
como uma das principais referências do indivíduo nas suas relações sociais e para
se posicionar diante da sociedade e de suas transformações, uma vez que a
identidade profissional reflete como os sujeitos se percebem em relação aos outros
e à sociedade como um todo.
Outro aspecto importante da formação da identidade, a partir do trabalho, é a
constituição de profissões específicas, que, na visão de Gaulejac (2002, apud,
VELOSO, 2010), também são formas de pertencimento a um coletivo.
De acordo com Gaulejac (2002, apud, VELOSO, 2010), as identidades
profissionais produzem sentimentos de pertencimento a coletivos que reúnem todas
as pessoas que se graduaram nos mesmos cursos, que têm diplomas equilaventes,
que exercem ofícios similares, ou que ocupam as mesmas funções. Uma pessoa
pode se definir como operário, agricultor, executivo, padeiro, médico, técnico, jurista,
professor, ou seja, definições de si mesmo que servem de embasamento para o
reconhecimento social.
Esse espaço de mobilidade em que a progressão e a vaporização profissional
se constroem baseadas no diploma e na maneira como a experiência profissional é
adquirida define-se, pois, com base no modelo profissional burocrático, no qual o
diploma serve para distinguir os assalariados internos dos externos e no qual a
carreira serve para assegurar a integração aos objetivos da organização. (DUBAR,
2005)
Essa consideração de Dubar (2005) é importante para entender que as
conotações valorativas do trabalho se alteraram a partir da consolidação do
capitalismo. Dessa forma, o trabalho passa a ser elemento fundamental e
constituidor da personalidade dos operários, formando uma consciência profissional.
É importante ressaltar que a noção de trabalhador começa a se configurar a partir de
uma série de definições econômicas, políticas e sociais provenientes de sua
atividade.
39
Nessa perspectiva, o emprego é cada vez mais fundamental para os
processos identitários, a formação está ligada a ele de maneira cada vez mais
estreita, ou seja, essa confrontação depende das modalidades de construção de
uma identidade profissional básica que constitua não somente uma identidade no
trabalho, mas também, e, sobretudo, uma projeção de si no futuro, a antecipação de
uma trajetória de emprego e a elaboração de uma lógica de aprendizagem, ou
melhor, de formação.
Para Pereira (1995) a formação é um processo tanto pessoal quanto coletivo,
impossível de se planejar totalmente de antemão. Ela se dá com base na articulação
de oportunidades favoráveis e obstáculos, possibilitando o movimento entre
elementos heterogêneos, singulares, transbordando a causalidade presente em
processos de aprendizagem profissional, e ultrapassando a noção de aquisição. A
formação não se recebe, a formação se faz em um processo ativo que requer a
aproximação, envolvimento e mediação de outros.
Por formação, então, entendemos um processo de transformação no qual as
relações estabelecidas pelos sujeitos com o mundo, com os outros e consigo
mesmo são afetadas de modo proposital, ou seja, de maneira que o sujeito em
formação não apenas se dá conta de que está em formação, mas, também,
interfere, ele mesmo, nessa afecção e nessa reflexão.
Dentre as múltiplas identidades dos indivíduos, a dimensão profissional
adquiriu uma importância particular. Por ter se tornado um bem raro, o emprego
condiciona a construção das identidades sociais; por passar por mudanças
impressionantes o trabalho obriga a transformações identitárias delicadas, por
acompanhar, cada vez mais, todas as modificações do trabalho e do emprego.
Os modos de construção das categorias sociais a partir dos campos, escolar
e profissional adquiriram tal legitimidade porque as esferas do trabalho e do
emprego e também da formação constituem áreas pertinentes das identificações
sociais dos próprios indivíduos. Dubar (2005) enfatiza que, historicamente, nem
sempre foi assim e, sem dúvida, foi a partir da crise iniciada no fim dos anos 1960
que esses vínculos “emprego-formação” se reforçaram no cerne dos processos
identitários, para os indivíduos da geração em questão.
40
A renovação da “sociologia das profissões” se acelerou com a crise dos anos
1960 (Estados Unidos) e 1970 (Europa ocidental). O aumento de um desemprego
estrutural atingindo, principalmente, parcelas inteiras da juventude colocou
novamente, no primeiro plano das análises, o problema do emprego. Dubar (2005)
faz uma consideração importante, ou seja, a questão principal não é saber quais
atividades constituem profissões ou quais indivíduos se tornam profissionais, mas
compreender as transformações do acesso ao emprego, como as reestruturações
do plano de carreira implicam exclusões duradouras da esfera das atividades
reconhecidas.
Para Bendassolli (2009, p. 389):
[...] Do ponto de vista social, as profissões representam formas históricas de
divisão e organização do trabalho. Como fenômeno individual, são formas
de realização de si e de construção do indivíduo em sua experiência com o
trabalho. Por fim, como fenômenos institucionais representam processos
pelos quais os atores sociais defendem seus interesses na medida em que
forçam o Estado a reconhecê-los como detentores de um conhecimento
exclusivo e, portanto, autorizados a exercer sua profissão.
Neste contexto, a identidade profissional para si, mesmo reconhecida por um
empregador, tem cada vez mais chances de não ser definitiva. É regularmente
confrontada com as transformações tecnológicas, organizacionais, de gestão de
emprego das empresas e da administração pública.
Ciampa (1996, p. 240) contribui salientando quais as mudanças pelas quais
os trabalhadores precisam passar para se inserir no mercado de trabalho atual:
[...] Estudar a identidade talvez seja parte dessa tarefa. Tarefa que nos é
proposta pela espécie humana, cujo interesse é sua autoconservação.
Tarefa que nos é proposta pelo capital, que está virando barbárie, por não
saber mais gerir o sistema que criou. Tarefa que nos é proposta pelo
trabalho, que precisa metamorfosear o trabalhador no seu contrário, de
dirigido a dirigente, para realizar a pilotagem, a vigilância, a integração, etc.
Tarefa que nos é proposta pela razão teórica, que quer clarificar a situação
em que as patologias se encarnam nos indivíduos e nas instituições. Tarefa
que nos é proposta pela razão prática, que quer transformar nossas
condições conforme o que for interpretado merecedor de ser vivido. (grifos
do autor)
O processo de formação inicial e contínua se dá por meio das diversas fontes
como: saberes de formalização, habilidades e experiências. Dubar (2005) reconhece
41
que entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos, a dimensão
profissional adquiriu uma importância particular.
Nesse contexto, o autor considera que por ter se tornado um bem raro, o
emprego condiciona a construção das identidades sociais. O trabalho obriga às
transformações identitárias e, por acompanhar todas as modificações do trabalho e
do emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além
do período escolar.
42
4 CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
O objetivo deste capítulo é proporcionar ao leitor o entendimento do caminho
metodológico pelo qual o trabalho de pesquisa foi realizado, desde a definição do
objeto de estudo até a construção dos pressupostos metodológicos que orientaram a
pesquisa.
A pesquisa pautou-se na abordagem qualitativa. Ludke (1986) afirma que a
pesquisa qualitativa se desenvolve em um ambiente natural, que se constitui a fonte
direta de dados e tem no pesquisador seu principal instrumento de coleta de dados.
Esta abordagem de pesquisa possibilita um contato direto do pesquisador com a
situação e o ambiente que está sendo investigado.
4.1 Contexto da pesquisa
A pesquisa ocorreu em uma Universidade particular situada na Zona Leste da
cidade de São Paulo. O nascimento da Instituição se deu em 1971, precisamente
em 7 de janeiro, mas foi no ano de 1972 que iniciou suas atividades, no princípio
como faculdade. Em 1992, adquiriu sua autonomia transformando-se em
Universidade. Hoje, com 40 anos, tem como um dos seus objetivos formar
profissionais e especialistas, em nível superior, considerando as exigências do
mercado de trabalho, com vistas ao desenvolvimento sócio-econômico e cultural do
País.
Há nessa Universidade em torno de 13.000 alunos matriculados e alocados
em diferentes cursos. A Universidade, hoje, oferece mais de 60 cursos de
Graduação e Graduação Tecnológica, cursos de Pós-Graduação Lato Sensu e
Stricto Sensu, presenciais, nas Áreas de Saúde, Negócios, Comunicação, Ciências
Jurídicas, Exatas e Turismo, entre outras, além de diversos cursos de Extensão e
Programas de Parcerias no Brasil e no exterior.
O curso de Administração conta com 1.262 alunos matriculados, distribuídos
em 25 turmas, sendo 08 no período da manhã e 17 no período da noite. O curso de
Administração conta com um diretor, uma tutora e 39 professores que se dividem em
dois períodos, manhã e noite.
43
O curso de Administração tem como objetivo acompanhar os alunos em seus
percursos de formação e promover sua participação em diferentes atividades
curriculares. O projeto pedagógico do curso de Administração estava estruturado,
por ocasião da pesquisa, da seguinte forma: Unidades Curriculares = 2.133 horas;
Carga horária de Core Curriculum = 150 horas; Projetos integrados = 250 horas;
Estágio supervisionado = 300 horas; Trabalho de conclusão = 80 horas e Atividades
complementares (AACC) = 100 horas.
Unidades Curriculares - O projeto pedagógico de ensino de graduação da
Universidade tinha como princípio norteador a concepção de currículos integrados,
voltados para a formação humanística e profissional dos alunos, assumindo o EpC –
Ensino para a compreensão – como marco teórico de sua proposta pedagógica.
O Core Curriculum - Era o eixo de formação geral dos cursos de graduação
da Universidade. Representava o núcleo comum de conhecimentos relacionados à
cultura geral e humanística, promovendo a ampliação do repertório analítico e
cultural do aluno. O objetivo do core era oferecer múltiplas abordagens de
conhecimentos, instrumentos de estudos e de análise, raciocínios e pesquisas
próprias das grandes áreas de conhecimento, contribuindo para enfoques mais
globalizados, pensamentos complexos e capacidade de síntese
Projetos Integrados - Eram planejados a partir das necessidades e
especificidades dos cursos e das áreas. Objetivavam propiciar ao aluno vivências e
experiências em diversos cenários de prática profissional. A realização dessas
atividades se dava por meio de visitas técnicas, simpósios, elaboração de projetos e
relatórios, palestras, mini-cursos, congressos, consultorias, atuação em empresas e
organizações que permitam ao aluno a mobilização de conhecimentos, atitudes e
aplicação de habilidades para lidar com situações concretas da vida profissional.
Estágio supervisionado - Era obrigatório, contando a partir do quarto
semestre. O aluno podia optar em realizar o estágio em uma empresa, a partir de
contrato de estágio firmado entre as partes, ou se já desenvolvia atividades
administrativas poderia comprovar suas atividades por meio de relatório que
relacionasse suas atividades profissionais com o conhecimento adquirido no curso.
44
AACC - Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais - Eram planejadas a
partir das necessidades e especificidades dos cursos e das áreas, favorecendo o
desenvolvimento de competências gerais e específicas à formação do aluno,
contribuindo
para
ampliar
as
reflexões
desenvolvidas
em
sala
de
aula,
complementar conteúdo de ensino e atualizar temáticas do currículo. Oferecidas
semestralmente pela Universidade, o aluno podia conhecer o menu de oferta e
inscrever-se nas atividades, acessando o link “Aluno” no site da Universidade.
4.2 Sujeitos da pesquisa
Foram sujeitos da pesquisa 40 alunos do Curso de Administração de
Empresas, 20 deles ingressantes e 20 concluintes. Os critérios de seleção dos
sujeitos foram os seguintes:
1. Estar matriculado e cursando o primeiro semestre do Curso de Administração
de Empresas;
2. Estar matriculado e cursando o oitavo semestre do Curso de Administração de
Empresas;
3. Ter disponibilidade para participar da pesquisa;
4. Concordar em assinar os termos de livre consentimento e participação na
pesquisa.
Como muitos alunos demonstraram interesse por participar da pesquisa, foi
necessário efetuar um sorteio para selecionar os sujeitos.
Foi fornecida aos participantes uma carta explicando os objetivos estritamente
acadêmicos do estudo e a solicitação de sua participação no mesmo, através do
preenchimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
O TCLE trará todas as informações acerca da ausência de riscos para a integridade
física, emocional, social e financeira dos sujeitos, assegurando-lhes total sigilo às
respostas. Adicionalmente, o TCLE esclarecerá que a ausência de riscos possibilita
ao pesquisador estimar que nenhum ressarcimento seja previsto para os sujeitos.
A aplicação dos questionários ocorreu durante o período de aula e durou em
média duas horas.
45
4.3 Procedimentos de coleta de dados
Para Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 83) a coleta de dados:
[...] é o momento em que se obtêm as informações necessárias e que serão
alvo de análise, posteriormente. Deve-se lembrar que os dados coletados
têm uma direção – aquela dada pela questão que, enquanto pesquisador,
pretende-se responder pelo objetivo que se pretende atingir; mesmo os
dados imprevistos só se sabem que são, porque não ocorrem conforme se
previa que ocorressem.
Como já foi dito anteriormente, o procedimento de coleta de dados foi o
questionário que, de acordo com Severino (2007), é formado por um conjunto de
questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações por
parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos membros sobre
os assuntos em estudo.
O autor contribui dizendo que as questões devem ser pertinentes ao objeto e
claramente formuladas, de modo a serem bem compreendidas pelos sujeitos. Moroz
e Gianfaldoni (2006) acrescentam que, o questionário deve ser cuidadosamente
planejado e que, este tem a vantagem de poder ser utilizado em um grande número
de pessoas ao mesmo tempo.
O questionário dos ingressantes contou com 09 questões, sendo que dentre
elas 03 destinavam-se a definir o perfil dos alunos, 03 destinavam-se a delinear as
expectativas e sobre a atuação do administrador e as demais eram relacionadas ao
futuro e mercado de trabalho.
Para os alunos concluintes foram aplicadas 06 questões, sendo que dentre
elas 02 destinavam-se a formação e contribuição do projeto pedagógico, 02
destinavam-se as competências adquiridas e em relação ao mercado e as demais
relacionadas às mudanças pessoais e profissionais que o curso pode contribuir para
sua formação e em relação à segurança para atuar no mercado de trabalho.
O questionário foi elaborado com questões abertas, às quais o sujeito
respondia com suas próprias palavras e opiniões. As respostas dadas foram lidas e
agrupadas em eixos temáticos, que representavam o tema central abordado nas
respostas.
46
A análise dos dados se deu com base na Análise de Conteúdo. Segundo
Franco (2005, p. 54):
[...] a análise de conteúdo assenta-se nos pressupostos de uma
concepção crítica e dinâmica da linguagem. Linguagem aqui que, em
diferentes momentos históricos, elabora e desenvolve representações
sociais no dinamismo interacional que se estabelece entre linguagem,
pensamento e ação.
Com base nas repostas obtidas foi possível elencar alguns eixos temáticos
que deram suporte à análise dos dados.
47
5 CAPÍTULO 4 – O QUE DIZEM OS ALUNOS DO CURSO DE
ADMINISTRAÇÃO
Neste capítulo são analisadas as respostas dos alunos ingressantes e
concluintes do Curso de Administração de Empresas, registradas nos questionários.
5.1 Ingressantes do 1º Semestre
A análise dos questionários permitiu observar que os alunos que buscam o
curso de Administração pertencem a ambos os sexos. Do total de 20 alunos, 11 são
do sexo masculino e 09 do sexo feminino, variando a idade, na faixa entre os 18 a
30 anos de idade.
Quanto à formação, observou-se que os alunos que procuram o Curso de
Administração não cursaram anteriormente outros cursos de graduação.
Em relação à atuação profissional, pode-se constatar que o maior número
atua como auxiliar e assistente administrativo (07), seguido por operador de call
center (03), recepcionista (03), vendas no comércio varejista (02), almoxarife (02),
segurança (01), suporte técnico (01) e analista de processos (01). O tempo médio
que os alunos entrevistados atuam no mercado varia de 1 a 3 anos.
5.1.1 Escolha do curso
Observou-se que, 18 dos sujeitos entrevistados já atuam em empresas e
pensam em adquirir novos conhecimentos administrativos. Isso evidencia que o
processo de construção da identidade profissional desses alunos já teve início antes
deles buscarem o curso, na medida em que atuavam em empresas nas quais
entraram em contato com funções administrativas e ficou evidente na fala dos
sujeitos, que a busca pelo curso de Administração está relacionada à possibilidade
de crescimento profissional e ao amplo campo de atuação profissional.
Tem-se a seguir as respostas de sujeitos participantes da pesquisa:
48
SI 1 – Amplo campo de atuação profissional.
SI 2 – Atuo na área de atendimento ao público, gostaria de compreender a
área administrativa melhor e crescer profissionalmente.
SI 3 – Crescimento profissional.
SI 5 – Pessoas que eu conheço fizeram administração e hoje estão
empregadas. Quero crescer profissionalmente e esse curso vai abrir novas
oportunidades.
SI 6 – Escolhi o curso para me especializar na área, pois pretendo continuar
na empresa que trabalho e sei que para alcançar sucesso temos que
procurar um bom curso.
SI 9 – Amplo mercado de trabalho, bons salários, possibilidade de atuar em
diversas áreas.
SI 13 – Por abrir diversas oportunidades em qualquer empresa.
SI 16 – Pelo ‘leque’ de oportunidades que o curso proporciona.
Um dado importante a ser destacado é que, apenas 02 sujeitos pensam em
empreender seu próprio negócio, ou seja, a maioria pretende atuar em empresas já
constituídas. Eis as respostas:
SI 10 – Futuramente pretendo abrir meu próprio negócio.
SI 15 – Meus pais sempre tiveram o próprio negócio e não possuem
formação. Penso em abrir meu próprio negócio e gostaria de fazer uma
gestão mais profissional.
É importante salientar, no entanto, que segundo pesquisa de 2009, do Global
Entrepreneurship Monitor (GEM)6 sobre empreendedorismo no Brasil, o número de
negócios com até três meses de funcionamento cresceu 97% em relação a 2008. Os
jovens de 18 a 34 anos concentram a maior parte desses empreendimentos: 52,5%.
Em relação aos sujeitos pesquisados não se observou esse movimento, pois
um número significativo de alunos já atua na área e esses alunos pensam em
adquirir maiores conhecimentos administrativos para se manter e progredir no
mercado de trabalho.
Em contrapartida, dados divulgados pela Agência SEBRAE de Notícias, em
abril de 2011, (apud, CABRAL, 2011) sobre a pequena e micro empresa, mostram
6
Revista Administrador Profissional. ano 34, n. 299, p. 12, Maio 2011.
49
que o número de falências requeridas vem aumentando mês a mês neste ano.
Segundo a autora, o motivo pode ser falha na gestão ou de conhecimento.
5.1.2 Experiência anterior na área administrativa
Como foi salientado anteriormente, 10 dos sujeitos disseram ter experiência
na área administrativa antes de iniciar o curso e afirmaram que essa experiência
contribuiu para a escolha do curso. Seguem algumas respostas:
SI 3 – Sim, na empresa que trabalho como encarregado administrativo.
SI 6 – Sim, trabalho na empresa há seis anos e já passei por vários setores
até chegar à área administrativa na qual me identifiquei e quero crescer.
SI 10 – Sim, estou trabalhando como auxiliar administrativo, e isso me fez
refletir positivamente sobre a escolha do curso.
SI 12 – Sim, como recepcionista fui responsável pelos pagamentos,
arquivos e outros.
SI 16 – Sim, como operadora de câmbio.
SI 18 – Sim, trabalho como auxiliar administrativa em uma empresa de
consultoria.
Os demais sujeitos disseram não ter experiência anterior, sem justificar. É
importante destacar que o Curso de Administração é um curso procurado por alunos
sem experiência profissional, bem como, por alunos que já têm alguma experiência
profissional na área, o que contribuiu para a escolha.
5.1.3 Participação de pessoas do círculo social na escolha profissional
Lacombe (2009) salienta que podemos enriquecer enormemente nossa
experiência de vida e profissional com a experiência dos outros, não limitando nosso
crescimento às nossas vivências pessoais.
Nessa perspectiva Dubar (2005) contribui dizendo que a socialização se torna
um processo de construção, desconstrução e reconstrução de identidades ligadas
às diversas esferas de pertencimento, possuindo certa definição da situação em que
está inserido. Essa definição inclui uma maneira de se identificar a si próprio e de
definir os outros.
50
Dos 20 sujeitos investigados, 09 disseram que houve influência de familiares
como, pais, irmãos, esposa (o), também amigos e namorados, em suas escolhas
profissionais. Fica claro na pesquisa que os grupos de pertencimento, apesar de não
ser o único fator de influência, participam na escolha dos sujeitos. Seguem algumas
respostas:
SI 1 – Meu irmão me influenciou muito, já cursou Administração e tem
boas referências do curso.
SI 2 – A pessoa que mais me incentivou na escolha foi meu namorado, ele
me convenceu ser uma área que proporciona diversas oportunidades.
SI 3 – Amigos e familiares me incentivaram a fazer esse curso, pois iria abrir
novas oportunidades de trabalho.
SI 4 – Um amigo que está cursando e comentou comigo.
SI 11 – Meu irmão fez Administração e acabou me influenciando.
SI 18 – Minha irmã que já está no quarto semestre de administração e meu
marido que é formado em ciências contábeis.
Sendo que 08 sujeitos disseram que não houve influência, que optaram pelo
curso pensando na própria realização pessoal e profissional. E 03 dos sujeitos
explicaram que houve influência de um superior, como chefes e gerentes. Algumas
respostas dos participantes:
SI 5 – Nenhuma influência. Tomei a decisão pelo curso por realização
pessoal e profissional.
SI 6 – Nenhuma influência. Optei pelo curso por gostar e sei que contribuirá
com meu futuro profissional.
SI 7 – Atualmente recebi uma proposta para trabalhar junto a uma
instituição financeira de grande porte, recebi orientação do gerente que me
motivou na escolha do curso.
SI 16 – Me espelho muito no meu chefe. Soube lidar com os desafios e hoje
é proprietário de uma das maiores corretoras do Brasil.
SI 20 – Gerente.
5.1.4 Expectativas em relação ao Curso de Administração de Empresas
Dos 20 respondentes, a grande maioria, 18 sujeitos esperam que o curso os
torne mais competentes e que essa competência possibilite crescimento profissional.
51
Há expectativas por parte dos sujeitos para que o curso contribua com o
processo de construção identitária profissional, que se ancora no conjunto de
competências aprendidas e desenvolvidas pelos sujeitos ao longo do curso. Ao
analisarmos algumas respostas essa afirmação se torna evidente. Abaixo a resposta
de vários participantes:
SI 1 – Tenho muitas expectativas em adquirir novos conhecimentos, elevar
meu grau de intelectualidade e me tornar um profissional cada vez mais
competente.
SI 3 – As melhores possíveis, hoje posso dizer que estou satisfeita pela
escolha do curso.
SI 4 – Quero crescer profissionalmente na empresa onde trabalho.
SI 5 – Crescer profissionalmente.
SI 8 – Espero aprender e desenvolver as funções e qualificações de um
administrador.
SI 13 – Aprimorar meu conhecimento.
SI 14 – Aprimorar meus conhecimentos e conceitos da administração e
aplicá-los no meu dia-a-dia.
SI 17 – Obter a graduação para crescer profissionalmente e alcançar
satisfação pessoal e poder atuar no mercado de trabalho em grandes e
renomadas organizações.
A minoria dos sujeitos entrevistados (02) estão focados em aprimorar seus
conhecimentos e competências a fim de gerenciar sua própria empresa.
SI 9 – Me tornar um empreendedor de sucesso.
SI 10 – Espero adquirir conhecimento suficiente para administrar meu
próprio negócio.
Neste contexto, todos os sujeitos mostram-se interessados em adquirir novas
competências humanas. Para Thomaz Durand (2006, apud, Pearson Education do
Brasil, 2010), por exemplo, a competência humana concentra-se na competência
individual e afirma que ela envolve três dimensões: conhecimentos (saber),
habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser) já citados e explicados no capítulo 1
deste estudo.
52
5.1.5 Papel do administrador
De acordo com Chiavenato (2006) o administrador assume vários e diferentes
papéis em suas atividades. O autor identifica dez papéis e os divide em três
categorias: interpessoal, informacional e decisória. Nesse contexto, podemos definir
que os papéis interpessoais estão relacionados com as pessoas; os papéis
informacionais estão relacionados com as atividades para manter e desenvolver a
rede de informações e os papéis decisórios envolvem eventos e situações em que o
administrador deve fazer escolhas ou opções, usando habilidades humanas e
conceituais.
Nota-se que 10 dos 20 sujeitos entrevistados já pesquisaram e conhecem o
papel do administrador. Por outro lado, 10 dos sujeitos entrevistados não têm
clareza a respeito do papel do administrador. Observa-se que esta questão teve o
mesmo percentual de respostas que a questão 02, que focaliza a experiência
anterior, ou seja, pode haver alguma ligação entre a “experiência e o conhecimento”,
pois, por meio da experiência se aprimora e se adquire novos conhecimentos que,
de certa forma, pode ter favorecido o aprendizado sobre o papel do administrador
por parte dos sujeitos entrevistados.
SI 4 – Sim, pesquisei e perguntei para meus superiores algumas vezes
sobre as minhas tarefas de administrador, dentro da empresa.
SI 6 – Sim, estudei recentemente em sala de aula e antes de iniciar o curso
eu já havia pesquisado sobre o papel do administrador de empresas.
SI 7 – Sim, vagamente.
SI 9 – Sim, por meio de revistas, internet, amigos da área e observação dos
profissionais.
SI 10 – Sim, já havia pesquisado, porém, como atuo na área aprendo muito
por meio das minhas experiências.
SI 12 – Sim, por meio do site “guia de estudante”, internet e com amigos da
área.
SI 16 – Sim.
SI 17 – Ainda possuo pouco conhecimento sobre o papel do administrador,
mas sei que existem inúmeras possibilidades na área.
53
Para alguns sujeitos simplesmente não houve interesse em conhecer o papel
do administrador. Pensando nesses sujeitos fica evidente que a falta de experiência
na área administrativa fez com que os mesmos não tivessem o interesse despertado
para pesquisar as funções e tarefas do administrador, como se pode perceber nas
respostas abaixo:
SI 5 – Não, pois o curso irá me apresentar.
SI 11 – Sinceramente, não.
SI 18 – Ainda não, é algo que necessito fazer com urgência.
SI 20 – Não.
5.1.6 Principais habilidades de um administrador de empresas
A maioria dos sujeitos entrevistados (18) demonstra conhecer algumas
habilidades e atitudes que o administrador deve ter. Como refere Lacombe (2009)
não existe uma única maneira certa de um administrador agir ou de conduzir. O
administrador precisa reunir algumas habilidades e algumas podem ser válidas em
quase todos os casos, porém, é sabido que, conforme a posição do administrador,
as habilidades requeridas variam.
Algumas
habilidades
necessárias
segundo
Lacombe
(2009)
são:
comunicação e expressão, raciocínio lógico, crítico e analítico, visão sistêmica e
estratégica, criatividade e iniciativa, negociação, tomada de decisão, liderança e
trabalho em equipe e algumas dessas habilidades são consideradas importantes
também para os estudantes de Administração. Eis algumas respostas:
SI 1 – Organizar, planejar, tomada de decisão e trabalho em equipe.
SI 3 – Respeito, ética, organização, compromisso e responsabilidade.
SI 4 – Saber ser líder, conhecimento da área, responsabilidade, e saber
viver em sociedade.
SI 6 – O administrador deve saber liderar, delegar, organizar em busca de
resultados e crescimento organizacional.
SI 7 – Empatia, espírito de equipe, liderança, confiança.
54
Apenas 02 sujeitos não souberam responder esta questão. Percebe-se,
entretanto, um dado positivo em relação à construção identitária do “ser
administrador de empresas”, pois os entrevistados mostram-se em busca dessas
habilidades. Ou seja, a minoria encontra-se em busca dessa informação para atribuir
ao seu papel de formação.
SI 15 – Não.
SI 18 – Não. Tenho ciência que essas habilidades são imprescindíveis para
eu me tornar uma administradora de sucesso, vou pesquisar em breve.
5.1.7 Expectativas do mercado
Em relação a essas expectativas, Chiavenato (2006) acredita que em um
mundo de negócios altamente competitivo e carregado de mudanças e incertezas, a
Administração tornou-se o centro de toda atividade humana. O avanço tecnológico e
o conhecimento humano, por si, não produzem efeitos se a qualidade da
administração não permitir a utilização eficaz dos recursos envolvidos.
Nesse contexto, as expectativas de mercado são positivas para 15 dos
sujeitos entrevistados, ou seja, vários fatores como, o crescimento da organização,
aumento dos mercados e negócios, sofisticação da tecnologia, visibilidade maior das
organizações, a crescente globalização da economia e a internacionalização dos
negócios tendem a contribuir com essas expectativas futuras, conforme relatos:
SI 3 - Sim, por exercer a função de encarregado administrativo tenho
observado que o mercado necessita de qualificação especializada.
SI 4 - Sim, um mercado amplo com um crescimento promissor.
SI 5 - Sim, pesquisei sobre o “leque” amplo de atuação na área.
SI 6 - Sim, o mercado necessita de bons administradores, pessoas
comprometidas e que “vistam a camisa da empresa”.
SI 7 - Sim, vejo que a maioria das empresas estão selecionando
externamente, pois falta qualificação para a área administrativa, tenho como
base a empresa que trabalho.
SI 9 - Sim, há uma grande procura das empresas neste setor, pois não
existem administradores qualificados para as vagas. E com a globalização
precisamos nos qualificar cada dia mais.
55
SI 10 - Sim, acompanho por meio de notícias (jornais, programas de TV e
internet).
SI 12- Sim, foi uma base que busquei como objetivo da minha profissão;
senti-me mais segura na escolha do curso.
Para os 05 sujeitos restantes, simplesmente não pesquisaram ou leram nada
a respeito.
SI 2 – Não.
SI 8 – Não, mas a minha expectativa em relação ao mercado é ser um
profissional capaz de exercer uma boa liderança, ser um gestor proativo
e criativo e atento às novas tecnologias.
SI 11 – Não, trabalhei em outra área e na administração é tudo muito novo
para mim.
SI 13 – Não tenho fontes certas para responder.
SI 14 – Não.
5.1.8 Futuro
Dos 20 sujeitos entrevistados, 17 apontam para o reconhecimento e
crescimento profissional pensando na carreira como fator chave e fundamental para
um futuro próximo. Eles apresentam o sonho de atuar em uma grande empresa, de
adquirir estabilidade financeira, colocar os conhecimentos adquiridos no curso em
prática, ter reconhecimento salarial, alcançar cargo de liderança, entre outros.
Seguem os relatos dos entrevistados:
SI 2 – Adquirir uma estabilidade financeira e ter uma carreira brilhante como
administrativa de uma grande empresa.
SI 3 – Espero colocar em prática os meus conhecimentos, não apenas para
cumprir uma tarefa, mas a fim de ter um bom salário e ser reconhecida
profissionalmente.
SI 5 – Espero já atuar na área da administração, ter estabilidade financeira,
melhor qualidade de vida e ter uma carreira profissional de sucesso.
SI 6 – Espero alcançar um cargo de liderança na empresa.
SI 8 – Espero administrar uma empresa de grande porte e ter uma carreira
de sucesso.
SI 9 – Estou otimista com meu futuro, minhas perspectivas é que eu ao
terminar o curso esteja estagiando em uma grande empresa.
56
SI 11 – Além de me formar, tenho desejo de trabalhar em uma grande
empresa, onde posso crescer profissionalmente.
SI 14 – Espero estar atuando em uma grande empresa.
SI 17 – Atuar em uma grande empresa, onde possa ter plano de carreira.
SI 19 – Coisas gratificantes. Espero estar trabalhando em uma
multinacional, ser uma pessoa bem sucedida.
Eles pretendem desenvolver uma carreira, como dizem alguns, “de sucesso”.
Para França (2011) carreira é um termo bastante utilizado, ao qual se
agregam vários significados. Carreira é de difícil definição. De acordo com a autora
pode-se utilizar “carreira” para referir-se à mobilidade ocupacional (o caminho a ser
trilhado) ou à estabilidade ocupacional (uma profissão), como a carreira militar. Em
ambos os casos, carreira passa a ideia de um caminho estruturado e organizado no
tempo e no espaço que pode ser seguido por alguém.
Dois dos entrevistados destacam o sonho de abrir o próprio negócio, e
apenas 01 dos sujeitos pretende seguir com Pós-graduação Lato Sensu.
SI 9 – Empreender meu próprio negócio.
SI 10 – Pretendo abrir meu próprio negócio e administrar minha própria
empresa.
SI 20 – Terminar o curso e fazer uma Especialização.
5.2 Concluintes do 8º Semestre
A análise dos questionários permitiu observar que os alunos concluintes do
curso de Administração são de ambos os sexos. É importante destacar que o
número de mulheres que está finalizando o curso é maior que o dos homens. Do
total de 20 alunos, 05 são do sexo masculino e 15 do sexo feminino. As idades
variam entre 21 e 30 anos de idade.
Quanto à formação, observou-se que apenas um dos sujeitos fez outra
graduação (Design Gráfico), quanto aos demais, não possuem outra formação.
57
No que diz respeito à atuação profissional destes alunos pode-se constatar
que, em relação ao ingresso no curso não houve mudança significativa, o maior
número deixou de ser auxiliar e assistente administrativo e passou para analista, ou
seja, atua como analista administrativo (10), auxiliar de vendas (02), assistente de
RH (01), assistente de crédito imobiliário (01), bancário (01), autônomo (01),
supervisora (01), estagiário (01), auxiliar de logística (01), não identificado (01). O
tempo médio que os alunos entrevistados atuam no mercado varia de 3 a 5 anos.
5.2.1 Expectativas iniciais versus expectativas finais
Observa-se que, dos 20 sujeitos entrevistados 14 acreditam que o curso
contribuiu para o processo de construção identitária profissional. Afirmam ter tido
suas expectativas atingidas em relação ao curso e sua formação. Os outros 05
dizem estar satisfeitos, mas acreditam ser necessário fazer um Curso de
Especialização como complemento para sua formação.
SC 1 – Acredito que 50% das expectativas foram atingidas, o cenário que
encontramos depois de formados, hoje, é extremamente agressivo e cada
vez mais globalizado. É obvio que o curso me propiciou bons e inovadores
recursos para a minha formação, mas não foi e não é o suficiente para que
eu sair formada e 100% segura de ser um profissional administrativo.
Necessito de uma Pós- graduação (Lato Sensu).
SC 4 – Minhas expectativas foram atendidas, mas creio que, após escolher
uma área de atuação e concluir uma Pós-graduação (Lato Sensu) minhas
expectativas serão plenamente atendidas.
SC 5 – Partes das minhas expectativas foram atendidas, ainda faltam outras
conquistas. Mas com o conhecimento que tenho agora devido a minha
graduação, com certeza será um diferencial para atingir meus objetivos e
expectativas.
SC 8 – Sim, hoje as pessoas de um modo geral (família, amigos e colegas
de trabalho) me veem como uma pessoa determinada, forte e dedicada.
Principalmente, devido a permanecer no curso diante das dificuldades que
enfrentamos, como: cansaço físico e psicológico, falta de dinheiro, falta de
tempo, conflitos pessoais e profissionais. Sinto-me mais valorizada.
SC 15 – Minhas expectativas foram atendidas, pois com o curso pude ter
muitas oportunidades profissionais e uma visão mais ampla que se refere à
administração.
SC 18 – Sim, no ato do ingresso no curso superior possuía apenas uma
experiência na área de call center. Após estar cursando eu pude participar
de diversas entrevistas e processos seletivos que possibilitaram meu
aprendizado. Hoje, fruto desses processos seletivos, atuo em uma empresa,
expectativa que era ingressar em uma empresa de grande porte.
58
SC 19 – Quando iniciei minha graduação tinha várias expectativas, tanto
com o curso e também com o mercado de trabalho. Hoje posso dizer que
boa parte das minhas expectativas foram alcançadas, principalmente em
relação ao conteúdo do curso.
Percebe-se no relato acima que houve uma evolução em relação ao
crescimento profissional e aos novos conhecimentos adquiridos na área. Mesmo
aqueles que não se sentem seguros e certos das suas expectativas em relação à
sua formação têm como objetivo crescer profissionalmente dando continuidade com
a Pós-graduação.
Chama a atenção que apenas 01 sujeito diz não ter suas expectativas em
relação ao curso e sua formação atendidas. Pode-se entender que, com base no
seu relato (SC 20), o mesmo acreditou que apenas a formação fosse garantia de
emprego e se decepcionou com a atual realidade do mercado.
SC 20 – Iniciei no ano de 2008, tinha sim muitas expectativas em relação ao
curso e referente à área profissional. Hoje quase formado minhas
expectativas não foram atendidas. Achava que seria mais fácil arrumar um
emprego, mas não é.
5.2.2 Projeto pedagógico
Com base nos dados apresentados observa-se que, para 19 sujeitos
entrevistados o projeto pedagógico foi importante para o processo de construção
identitária profissional. Além de melhorar sua competitividade no mercado de
trabalho, desenvolve competências empreendedoras como se pode observar em
alguns relatos:
SC 3 – Contribui, pois a partir destes cursos aprendemos novos conceitos e
adquirimos novos conhecimentos de mercado.
SC 4 – Sem dúvida, me tornei mais pró-ativo, adquiri espírito de liderança e
reforçou minha expectativa de melhorar continuamente.
SC 8 – Sim, o projeto pedagógico contribui muito, pois tive uma visão mais
ampla de outros assuntos que não tinha sequer percepção do quão
importante são. Cursei espanhol instrumental, artes, inglês.
SC 9 – Sim, muito. Embora pareça desnecessária cada atividade
complementar, todas contribuirão de certa forma me auxiliando
pessoalmente e profissionalmente.
59
SC 11 – Contribui parcial. O único curso que me ajudou foi a AACC de
análise social, pois cursei junto com o semestre que tive a base de
fundamentos socioculturais, onde eu pude entender melhor a narrativa.
SC 13 – Contribuíram muito. O que tenho mais a elogiar foram os projetos
integrados, ou seja, tenho a oportunidade de vivenciar a teoria na prática.
SC 16 – Sim, são momentos que saímos das bases focadas na graduação
e passamos e mergulhar em outro universo como artes, história, a vivência
prática dos projetos, etc.
Apenas 01 sujeito considera que não foi importante, não justificando sua
resposta.
SC 17 – Não.
No decorrer do curso, o sujeito participa de atividades citadas acima que lhe
dão a oportunidade de aplicar seus conhecimentos em situações práticas do
ambiente empresarial.
5.2.3 Competências aprendidas no Curso de Administração
O processo de construção identitária do administrador de empresas inclui o
desenvolvimento de algumas competências, segundo autores como Chiavenato
(2006) que discutem o perfil profissional do administrador
Para Fleury, MTL e Fleury, A (2001, p. 184) “competência é uma palavra do
senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma
coisa”.
Nesta perspectiva, o conceito de competência é pensado como conjunto de
conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de capacidades humanas)
que justificam um alto desempenho, acreditando-se que os melhores desempenhos
estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas. Em outras
palavras, a competência é percebida como estoque de recursos, que o indivíduo
detém.
Para ser bem sucedido o administrador (CHIAVENATO, 2006)
desenvolver três competêcias duráveis: conhecimento, habilidade e atitude.
precisa
60
1. Conhecimento = Saber. O conhecer não definitivo, ou seja, é uma busca
constante
em
aprender,
reaprender
e
sempre
buscar
aumentar
o
conhecimento.
2. Habilidade = Saber fazer, está ligada as tecnologias e as técnicas. Usar o
conhecimento para resolver problemas e ter criatividade para resolver não só
problemas, mas para criar novas idéias.
3. Atitude = Saber ser, está relacionada com as vontades e identidade. É
obter bons ou excelentes resultados do que foi feito com conhecimento e
habilidade, ou seja, saber aonde se quer chegar para colocar os saberes em
prática.
De acordo com Chiavenato (2006) a competência mais importante para o
administrador é a atitude, ou seja, está ligado ao comportamento pessoal que o
administrador tem diante das situações com que se defronta no cotidiano. Para o
autor o administrador precisa ser um agente de mudanças nas organizações onde
seus principais produtos são a liderança e a inovação.
Vejamos alguns resultados apresentados abaixo:
SC 1 – Dinamismo e comunicação.
SC 3 – Conhecimento e liderança.
SC 4 – Me tornei mais pro ativo, adquiri espírito de liderança e reforçou
minha vontade de melhorar continuamente.
SC 5 – Visão de mercado, conhecimento, habilidades conceituais.
SC 7 – Análise sistêmica, planejamento estratégico e negociações.
SC 8 – Capacidade de ouvir e trabalho em equipe.
SC 10 – Ouvir e saber analisar, ser crítico.
SC 13 – Trabalho em equipe e pro atividade.
SC 16 – Trabalhar em equipe pensando na solução de problemas.
SC 18 – Amplo conhecimento acadêmico da área administrativa ligada à
prática dos projetos e do dia a dia.
5.2.4 O que o mercado espera do Administrador
61
As respostas estão relacionadas às expectativas do cenário empresarial atual.
Dos 20 sujeitos entrevistados, 19 afirmam:
SC 3 – O mercado espera do administrador mais conhecimento, liderança,
sabedoria e uma visão globalizada.
SC 4 – Liderança, espírito de equipe, visão macro dos processos
tecnológicos.
SC 5 – Visão de mercado, conhecimentos, habilidades, ter a sabedoria de
administrar conflitos.
SC 8 – Atualmente, o administrador tem que ser flexível, inovador e muito
realista em suas decisões. Na minha concepção o mercado espera por
profissionais que se comprometam com o meio ambiente e com a
sociedade.
SC 12 – Flexibilidade, polivalente e ético.
Os profissionais em administração se utilizam de diferentes tecnologias,
conhecimentos e artefatos para auxiliá-los a planejar.
Para o mercado, não basta ter pessoas na empresa. É preciso contar com
talentos humanos. Ter pessoas nem sempre significa ter talentos. Talento é uma
pessoa muito especial, uma pessoa dotada de competências. Apenas 01 sujeito não
apresentou sua resposta.
5.2.5 Mudança profissional
Na questão cinco observa-se que os sujeitos entrevistados atribuem as
mudanças em sua vida profissional fazendo um paralelo com o surgimento de novas
oportunidades e crescimento na carreira. Nota-se pelas respostas dos sujeitos:
SC 1 – O leque de novidades e ferramentas que posso e devo utilizar para
progredir, me torna um profissional completo. A formação me fez projetar
objetivos mais audaciosos, porém, são objetivos possíveis e que só a
formação não será suficiente, o meu empenho fará a grande diferença.
SC 4 – Me tornei um profissional mais competente e a vida acadêmica me
ensinou a correr atrás dos meus objetivos e metas.
SC 5 – Profissional, posso dizer que foram as oportunidades de emprego e
crescimento no mercado de trabalho, nesse período tive três promoções.
62
SC 9 – Minha vida profissional mudou completamente, desde que ingressei
no curso de Administração. Antes trabalhava em um call center e hoje tenho
a oportunidade de estagiar em uma grande empresa ganhando três vezes
mais.
SC 11 – Na minha vida profissional não tive grandes mudanças, observei
que mudei o senso de organização e de decisão na empresa.
SC 13 – Neste período de aproximadamente 4 anos obtive uma
alavancagem, pois iniciei como aprendiz e com as promoções alcancei o
cargo de analista. Podendo investir em cursos voltados para o trabalho e
línguas.
SC 15 – Uma das mudanças foi o convite para trabalhar em uma empresa
de grande porte. Na função que me foi atribuído consegui utilizar no
trabalho ferramentas que aprendi no decorrer do curso.
SC 16 – Posso dizer que meu conhecimento ampliou.
SC 18 – Conquista de um emprego em uma empresa de grande porte.
Nota-se que a maioria dos sujeitos relaciona as mudanças profissionais com a
satisfação por ter conseguido mudar de emprego, por ter sido promovido, por
adquirir conhecimentos específicos na área e por se tornar pessoa mais competente,
entre outras mudanças.
5.2.6 Segurança para atuar no mercado de trabalho
Dos 20 sujeitos entrevistados, 18 consideram-se preparados e contribuem
dizendo que o curso trouxe resultados positivos para sua formação do ponto de vista
teórico e prático. Alguns afirmam que a Graduação é apenas um começo e atende à
necessidade de dar continuidade com uma Especialização ou curso de línguas.
SC 1 – Sim, mas por conta do meu esforço de ir à busca não só do
conhecimento, mas também em adquirir novas habilidades. Acredito que
estou me preparando bem para garantir o meu espaço no mercado.
SC 2 – Sim, tenho força de vontade e sei que posso ir mais longe e não
basta apenas o estudo e, sim que o conhecimento seja aplicado trazendo o
retorno.
SC 7 – Sim, mas preciso ter maior conhecimento na área de investimentos,
pretendo investir em uma Pós-graduação.
SC 8 – Sim, a universidade é um ambiente de profundo e contínuo
aprendizado. Convivemos com mestres, doutores e professores que têm o
“dom” de ensinar. Quanto mais aprendo sinto-me segura para argumentar,
não tenho medo de expressar meus pontos conclusivos sobre determinados
assuntos e, com isso, tenho destaque nos processos seletivos que
participei.
63
SC 11 – Sim. Aprendi muitas coisas e tenho grandes chances de colocar
em prática. Mas, não estou preparada ainda, me falta estudar mais. Não
tenho nenhum curso de língua estrangeira e o mercado exige.
SC 13 – Me considero preparada, pois consegui aprender o essencial para
colocar em prática aquilo que o mercado pede como requisito básico e
sempre que possível me atualizo com assuntos paralelos a universidade.
SC 19 – A graduação é apenas o primeiro passo para me sentir preparada
será necessário me especializar.
Apenas 02 disseram que não se sentem seguros para atuar no mercado de
trabalho sem justificar suas respostas.
SC 17 – Não.
SC 20 – Não.
Pode-se constatar que, os sujeitos entrevistados (ingressantes e concluintes)
apresentam um referencial positivo em relação à construção identitária de “ser um
Administrador de Empresas”.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
64
Este estudo teve como objetivo principal investigar a percepção sobre os
processos de construção de identidade profissional de alunos que frequentam o
Curso de Administração de Empresas de uma Universidade privada, situada na zona
Leste de São Paulo.
A partir da análise dos dados coletados por meio de questionário aplicado aos
alunos ingressantes (1º semestre) e concluintes (8º semestre) do Curso de
Administração de Empresas podemos destacar que há um grande interesse, por
parte dos sujeitos, em adquirir novos conhecimentos, novas habilidades e
competências, a fim de dar continuidade ao processo de construção de identidade
profissional.
Observamos nas respostas dos sujeitos que participaram da pesquisa que a
maioria já tem certo conhecimento a alguma prática do que é “ser um Administrador
de Empresas”. Embora alguns não demonstrem conhecimento sobre os princípios e
valores do administrador (papéis, habilidades, competências, etc.), mesmo assim,
em algum momento da pesquisa demonstraram interesse em aprender e pesquisar.
Fica evidente que a busca pelo Curso de Administração está relacionada ao
amplo campo de atuação profissional e à possibilidade de crescimento profissional.
Outro dado interessante é que 50% dos sujeitos questionados já possuem uma
experiência na área administrativa, contribuindo e fortalecendo a sua escolha pelo
curso e pela sua construção identitária em se tornar um Administrador de Empresas.
Os demais sujeitos, mesmo não apresentando uma experiência formal na área
administrativa,
em
algum
momento
do
curso
pesquisaram
sobre
as
responsabilidades e habilidades que competem ao administrador.
Dubar (2005 reconhece que, entre as múltiplas dimensões da identidade dos
indivíduos a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Nesse
contexto o autor considera que, por ter se tornado um bem raro o emprego
condiciona
a
construção
das
identidades
sociais.
O
trabalho
obriga
as
transformações identitárias e, por acompanhar as modificações do trabalho e do
emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do
período escolar.
65
A grande maioria dos sujeitos ingressantes e concluintes espera que o curso
os torne mais competentes e que essa competência possibilite crescimento
profissional. Desta forma, a satisfação pessoal e profissional reflete no conjunto de
competências aprendidas e desenvolvidas pelos sujeitos ao longo do curso,
favorecendo a construção da sua identidade profissional.
Quanto às expectativas futuras com relação ao mercado de trabalho, pode-se
observar que segundo os resultados da pesquisa, apontam para o reconhecimento e
crescimento profissional pensando na carreira como fator chave e fundamental para
um futuro próximo. A partir de uma análise mais concreta em relação às mudanças
profissionais e segurança para atuar no mercado de trabalho, os sujeitos concluintes
entrevistados atribuem essas mudanças em sua vida profissional fazendo um
paralelo com o surgimento de novas oportunidades e crescimento na carreira
buscando atingir o reconhecimento social.
Torna-se importante voltar a Dubar (2005), quando o autor destaca que a
transição objetiva como resultado de compromisso pode levar a um reconhecimento
social. Neste caso, há uma instituição que legitima a identidade visada pelo
indivíduo, seja a empresa, a organização profissional ou a instituição educacional
que dão sustentação a um modelo identitário.
De acordo com o relato da maioria, os mesmos dizem ter atingido plenamente
suas expectativas em relação ao curso e que suas experiências contribuíram para o
reconhecimento profissional, havendo, por consequência, uma evolução em relação
aos novos conhecimentos adquiridos na área.
Neste sentido, faz-se necessário compreender que a construção identitária do
aluno administrador se dá por meio da vivência acadêmica (projeto pedagógico,
estágios, projetos desenvolvidos no decorrer do curso, etc.) somada às suas
próprias experiências profissionais. Dubar (2005) classifica esse modelo de
construção identitária como “identidades construídas nos moldes da continuidade”
que implicam em um sistema de emprego no qual os indivíduos mobilizam trajetórias
contínuas.
Observamos que todos os sujeitos estão preocupados com a construção
identitária do “ser administrador”. Em termos gerais, todos demonstram interesses
66
comuns que são: aprimorar e adquirir novos conhecimentos teóricos relacionados à
prática, aliando às suas perspectivas de sucesso e às expectativas de um futuro
profissional.
Finalizando, percebemos que os sujeitos ingressantes e concluintes
demonstram objetivos muito parecidos em relação à sua formação, porém em
estágios diferentes, ou seja, quando iniciam o curso e quando estão próximos de
sua conclusão. As construções identitárias profissionais desses Administradores de
Empresas assumem modelos aqui contextualizados que permitem compreender as
necessidades e a busca pelo crescimento e pelo desenvolvimento no âmbito social,
pessoal e profissional.
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ZABALA, A. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre (RS): Artmed, 1998.
APÊNDICE A
Questionário de entrevista com os alunos ingressantes do 1º Semestre
do Curso de Administração.
70
Dados Pessoais:
Nome:
Idade:
Sexo: Feminino ( )
Masculino ( )
Já possui outra formação/graduação? Sim ( )
Qual?
Atuação profissional atual:
Tempo de atuação:
Não(
)
1. Quais os principais motivos que fizeram você escolher o curso de Administração?
2. Você já tinha experiência na área administrativa antes de iniciar o curso? Qual?
3. Caso a resposta anterior seja positiva, sua experiência contribuiu para sua
escolha?
4. Qual a participação das pessoas de teu circulo social na sua escolha?
5. Que expectativas você têm do Curso de Administração de Empresas?
6. Você já pesquisou sobre o papel do “administrador”?
7. Saberia responder quais as principais habilidades que um administrador?
8. Você já pesquisou sobre as expectativas do mercado a respeito da atuação do
Administrador nas empresas?
9. O que espera para um futuro próximo daqui a quatro anos quando finalizar sua
Graduação? Comete sua resposta.
De acordo com o Decreto nº 93.933 de 14/01/87; resolução CNS nº 196/96,
os dados dos participantes e das Instituições citadas estarão em absoluto sigilo.
Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise
científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de
eventuais publicações.
APÊNCIDE B
Questionário de entrevista com os alunos concluintes do 8º Semestre do
Curso de Administração.
71
Dados Pessoais:
Nome:
Idade:
Sexo: Feminino ( )
Masculino ( )
Já possui outra formação/graduação? Sim ( )
Qual?
Atuação profissional atual:
Tempo de atuação:
Não(
)
1. Quando você iniciou a sua graduação, naturalmente você possuía algumas
expectativas com relação ao curso e a sua formação. Hoje, próximo da sua
formação, você diria que estas expectativas foram atendidas? Explique.
2. O Projeto Pedagógico do Curso de Administração (currículo, core curriculum,
aacc, projetos integrados, estágio, etc), contribuiu para a sua formação? De que
forma?
3. Cite algumas competências que foram aprendidas ou aprimoradas no curso de
Administração de Empresas?
4. O que o mercado espera que o Administrador tenha ou desenvolva?
5. Fazendo um balanço da sua vida acadêmica, quais as principais mudanças na
sua vida pessoal/profissional que você vivenciou e atribuí a sua formação?
6. Você se sente seguro e preparado para atuar no mercado de trabalho? Por quê?
De acordo com o Decreto nº 93.933 de 14/01/87; resolução CNS nº 196/96,
os dados dos participantes e das Instituições citadas estarão em absoluto sigilo.
Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise
científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de
eventuais publicações.
ANEXO A
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(Decreto n. 93.933 de 14/01/87; resolução CNS n. 196/96)
72
O Sr. João André Tavares Fernandes, RG no 24.504.185-0, nascido em
Mendonça, Masculino, residente à Rua General Jardim, 76, na cidade de São Paulo,
está sendo convidado a participar do estudo: PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE
IDENTIDADE PROFISSIONAL: Alunos Ingressantes e Concluintes do Curso de
Administração de Empresas em uma Instituição de Ensino Superior Particular na
cidade de São Paulo. A pesquisa tem como objetivo principal investigar os
processos de construção de identidade profissional de alunos do curso de
administração de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo.
O nome dos participantes e da Instituição estará em absoluto sigilo.
Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise
científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de
eventuais publicações.
Qualquer dúvida ou esclarecimento poderá ser dado pelo pesquisador
responsável, Profª Drª Ecleide Cunico Furlanetto, que pode ser encontrada na Rua
Cesário Galeno, 445.478, São Paulo / SP – Fone: (11) 2178-1212.
O Senhor (a) tem garantia de sigilo de todas as informações coletadas e pode
retirar seu consentimento a qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de
benefício.
Declaro ter sido informado e estar devidamente esclarecido sobre os objetivos
deste estudo, sobre as técnicas e procedimentos a que estarei sendo submetido e
sobre os riscos e desconfortos que poderão ocorrer. Recebi garantias de total de
sigilo e de obter novos esclarecimentos sempre que desejar. Assim, concordo em
participar voluntariamente deste estudo e sei que posso retirar meu consentimento a
qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de qualquer beneficio (caso o
sujeito de pesquisa esteja matriculado na Instituição onde a pesquisa está sendo
realizada).
Data:
_____________________________________________
Assinatura do sujeito da pesquisa ou representante legal
_______________________________________________________
Pesquisador responsável / orientador
73
Eu, Ecleide Cunico Furlanetto, Responsável pela pesquisa PROCESSOS DE
CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: ALUNOS INGRESSANTES E
CONCLUINTES DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS EM UMA
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR PARTICULAR NA CIDADE DE SÃO PAULO
declaro que obtive, espontaneamente, o consentimento deste sujeito de pesquisa
(ou de seu representante legal) para realizar este estudo.
Data:
__________________________________________
Assinatura do Pesquisador Responsável
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a visão de alunos do curso de administração de empresas