UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO MESTRADO EM EDUCAÇÃO JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: A VISÃO DE ALUNOS DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS São Paulo 2013 1 UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO MESTRADO EM EDUCAÇÃO JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de Administração de Empresas Dissertação apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação junto à Universidade Cidade de São Paulo – UNICID sob orientação da Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto. São Paulo 2013 2 JOÃO ANDRÉ TAVARES FERNANDES PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de Administração de Empresas Dissertação apresentada como exigência parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação junto à Universidade Cidade de São Paulo – UNICID sob orientação da Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto. Área de concentração: Sujeitos, Formação e Aprendizagem. Data da Defesa: ____/____/2013 Resultado: ________________________________ ____________________________________________________ Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto (orientadora) Universidade Cidade de São Paulo – UNICID ____________________________________________________ Profª. Drª. Ângela Maria Martins Universidade Cidade de São Paulo – UNICID ____________________________________________________ Profª. Drª. Magali Aparecida Silvestre Universidade Federal do Estado de São Paulo – UNIFESP 3 AGRADECIMENTOS A Deus, por me permitir chegar até aqui, iluminando meus passos, pensamentos e decisões. À Profª. Drª. Ecleide Cunico Furlanetto, pela orientação desta pesquisa, abrindo-me possibilidades de leituras, análises e reflexões. Com você aprendi muito além da teoria, aprendi a cultivar a humildade e a generosidade. Muito obrigado! Às professoras Doutoras Ângela Maria Martins e Magali Aparecida Silvestre, que compuseram as bancas de qualificação e defesa, pelas valiosas observações que permitiram estabelecer melhor os caminhos do trabalho. A todos os professores do programa de Mestrado em Educação da UNICID. Às funcionárias da secretaria do programa de Mestrado em Educação da UNICID, em especial a Sheila Simone Alves e Claudia Nice Pereira pela atenção e presteza. Aos meus pais, João André Fernandes Pinto e Wilma Tavares Fernandes e aos meus irmãos, Gustavo Tavares Fernandes e Mateus Tavares Fernandes, que me ensinaram a perseguir meu ideal com dedicação e coragem. Minha eterna gratidão. Ao amigo Cláudio José Stefanini, por me apresentar esta profissão tão digna, respeitada, que é ser professor. Ao amigo Diogo Almeida Junior, pelas palavras de incentivo e pelo apoio constante em momentos difíceis. Às amigas Ana Flávia Parenti e Graziela C. Vital, amigas de todas as horas. A vocês minha real manifestação de admiração, respeito e carinho. Ao Profº. Marco Antonio Sampaio de Jesus, por permitir a pesquisa e pelas trocas de experiências. Aos colegas de classe, em especial a turma 15. Um agradecimento especial aos alunos que participaram da pesquisa. 4 “Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Pergunte, sem querer, a resposta, como estou perguntando. Não se preocupe em ‘entender’. Viver ultrapassa todo o entendimento”. CLARICE LISPECTOR 5 “A identidade pessoal não pode reduzir-se à reflexividade, pois o sujeito que aprende toda vida se tornou uma história”. CLAUDE DUBAR 6 RESUMO FERNANDES, João André Tavares. PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: a visão de alunos do curso de Administração de Empresas. São Paulo, 2013. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Cidade de São Paulo - UNICID. A pesquisa teve como objetivo principal investigar a percepção sobre os processos de construção de identidade profissional de alunos que frequentam o curso de administração de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo. Optou-se pela abordagem qualitativa de pesquisa. Foram estabelecidos diálogos teóricos com autores como Dubar; Machado; Chiavenato; Hall; Lacombe; Veloso e França, dentre outros, que possibilitaram ampliar os conhecimentos acerca dos processos de construção identitária profissional dos alunos do curso de Administração de Empresas. Os sujeitos da pesquisa foram vinte (20) alunos ingressantes (1º. semestre) e vinte (20) alunos concluintes (8º. semestre) do Curso de Administração de Empresas. A coleta de dados baseou-se em um questionário estruturado composto de questões abertas. A análise de dados pautou-se na análise dos conteúdos. Ficou evidente que a busca pelo curso de Administração de Empresas está relacionada ao amplo campo de atuação profissional e a possibilidade de crescimento profissional. Os entrevistados consideram que durante o curso puderam se inteirar a respeito das responsabilidades e habilidades que competem ao administrador, mas consideram que esse processo não está terminado; reconhecem que precisam continuar pesquisando e aprendendo sobre o que é ser um administrador. Os dados de pesquisa permitiram compreender que a construção identitária do aluno ocorre por meio da articulação entre a experiência anterior do aluno, adquirida nos grupos de pertencimento dos quais fez parte, a experiência acadêmica (projeto pedagógico, disciplinas, estágios, projetos desenvolvidos no decorrer do curso) e os sentidos que esse aluno constrói para suas experiências. Palavras-chave: Administração de empresas; Alunos; Formação; Construção identitária. 7 ABSTRACT FERNANDES, João André Tavares. PROCEDURES FOR CONSTRUCTION OF PROFESSIONAL IDENTITY: the vision of students of Business Administration. São Paulo, 2013. Dissertation (Master of Education). City University of São Paulo UNICID. The research had as main objective to investigate the perception about the professional identity building processes of students who attend the course of administration of a private University located in the East zone of São Paulo. We opted for a qualitative research approach. Theoretical dialogues have been established with authors like Dubar; Machado; Chiavenato; Hall; Lacombe; Veloso and França, among others, that made it possible to enlarge the knowledge of professional identity construction processes of students on the course of business administration. The research subjects were twenty (20) students entering (1st. semester) and twenty (20) students graduating (8. semester) of the Business Administration course. Data collection was based on a structured questionnaire composed of open questions. The data analysis was on the analysis of the contents. It was evident that the search for the Business Administration course is related to the wide field of professional performance and the possibility of professional growth. Respondents believe that during the course were able to learn about the responsibilities and skills that compete to the administrator, but consider that this process is not finished; recognize that need to continue researching and learning about what it is like to be an administrator. The survey data made it possible to understand that the identity of the student building occurs through links between the student's previous experience, gained in groups belonging which was part academic experience (educational project, courses, internships, projects developed during the course) and the directions that this student constructs to their experiences. Keywords: Business Administration; Students; Training; Identity construction. 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS SI – Sujeito Ingressante SC – Sujeito Concluinte 9 SUMÁRIO Resumo Abstract Lista de Abreviaturas e Siglas 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 2 CAPÍTULO 1 - RESGATE HISTÓRICO SOBRE ADMINISTRAÇÃO .................... 16 2.1 A Institucionalização da Administração no Brasil......................................... 21 2.2 O significado do trabalho e a construção identitária da profissão de Administrador .......................................................................................................... 24 3 CAPÍTULO 2 - A ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL DO TRABALHO: uma reflexão sobre as formas identitárias e a construção da identidade dos indivíduos nas organizações ................................................................................. 30 3.1 Identidade pessoal ........................................................................................... 32 3.2 Identidade social .............................................................................................. 33 3.3 Identidade organizacional ............................................................................... 34 3.4 Identidade no trabalho ..................................................................................... 36 3.5 Identidades profissionais: interface com o mercado de trabalho e a formação profissional ............................................................................................. 37 4 CAPÍTULO 3 - PROCEDIMENTO METODOLÓGICO .......................................... 42 4.1 Contexto da pesquisa ...................................................................................... 42 4.2 Sujeitos da pesquisa ........................................................................................ 44 4.3 Procedimentos de coleta de dados ................................................................ 45 5 CAPÍTULO 4 - O QUE DIZEM OS ALUNOS DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO .................................................................................................... 47 5.1 Ingressantes do 1º semestre ............................................................................ 47 5.1.1 Escolha do curso ....................................................................................... 47 5.1.2 Experiência anterior na área administrativa .............................................. 49 10 5.1.3 Participação de pessoas do círculo social na escolha profissional .......... 49 5.1.4 Expectativas em relação ao Curso de Administração de Empresas ......... 50 5.1.5 Papel do administrador.............................................................................. 52 5.1.6 Principais habilidades de um administrador de empresas......................... 53 5.1.7 Expectativas do mercado ........................................................................... 54 5.1.8 Futuro ......................................................................................................... 55 5.2 Concluintes do 8º semestre ............................................................................. 56 5.2.1 Expectativas iniciais versus expectativas finais .......................................... 57 5.2.2 Projeto pedagógico..................................................................................... 58 5.2.3 Competências aprendidas no Curso de Administração .............................. 59 5.2.4 O que o mercado espera do administrador ................................................ 61 5.2.5 Mudança profissional.................................................................................. 61 5.2.6 Segurança para atuar no mercado de trabalho .......................................... 62 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 64 7 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 67 APÊNDICE A - Questionário de entrevista com os alunos ingressantes do 1º Semestre do Curso de Administração .................................................................. 70 APÊNDICE B - Questionário de entrevista com os alunos concluintes do 8º Semestre do Curso de Administração .................................................................. 71 ANEXO A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .................................. 72 11 1 INTRODUÇÃO Trabalhei por mais de 15 anos em empresas de pequeno e médio porte nos mais diversos seguimentos e desenvolvi várias atividades como: assistente administrativo, auxiliar de escritório, coordenador de contas a pagar e receber, coordenador administrativo e gerente administrativo. Nesse período, concluí minha graduação em Administração de Empresas em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo (2000), e após quatro anos iniciei meu primeiro Curso de Especialização Lato Sensu (2004), em Gestão Estratégia de Negócios, concluído em (2006). Durante o período em que estava cursando a Pósgraduação fui convidado por uma pequena instituição privada, na cidade de São José do Rio Preto/SP, para ministrar aulas em alguns cursos técnicos. Assumir essas aulas despertou-me o interesse pela docência, na ocasião ainda uma segunda opção. A empresa que gerenciava não oferecia possibilidade de crescimento profissional e eu me sentia estagnado há mais de 2 anos o que me motivou em 2007 a vir para São Paulo. Ao chegar à nova cidade fiz contatos com empresas, participei de vários processos seletivos, mas tive uma grande dificuldade em me recolocar no mercado de trabalho, pois não tinha nenhuma experiência comprovada em São Paulo. Como tinha experiência com docência decidi enviar meu currículo para algumas instituições de Ensino Superior. No segundo semestre de 2008 surgiu a oportunidade de lecionar na Faculdade das Américas (FAM). No curso de Administração de Empresas ministrei as disciplinas de Teoria Geral da Administração e Empreendedorismo. No mesmo semestre participei de um processo seletivo na Universidade Cidade de São Paulo para docente no curso de Administração de Empresas, no qual fui aprovado e passei a lecionar as disciplinas de Princípios de Gestão, Teoria Geral da Administração e Gestão de Pessoas. Durante o ano de 2008, com uma carga horária intensa em sala de aula e já coordenando alguns projetos na universidade, não me interessei mais em buscar 12 emprego como gestor, mesmo porque, eu estava realizado profissionalmente em sala de aula e envolvido com o mundo acadêmico. Logo em seguida, no ano de 2009, iniciei duas Pós-graduações Lato Sensu: Docência no Ensino Superior e Docência no Cenário do Ensino para Compreensão, oferecidas pela Universidade Cidade de São Paulo a seus professores como capacitação e formação profissional. Atualmente, leciono no 1º semestre e no 8º semestre do curso de Administração de Empresas. Tenho observado que a maioria dos alunos ingressantes não tem conhecimento sobre o curso que estão fazendo, enquanto alguns concluintes não se sentem seguros a respeito da formação que tiveram e afirmam não estar preparados para o mercado de trabalho. É possível perceber que muitos alunos, apesar de obter um diploma, não se sentem administradores de empresas. Não se sentem capazes de exercer a profissão por acreditarem que não desenvolveram as principais habilidades de um administrador de empresas. Robert L. Katz (1974, apud, LACOMBE, 2009), em artigo publicado na Harvard Business Review, pressupõe que o administrador seja alguém que dirige as atividades de outras pessoas e assume a responsabilidade de atingir determinados objetivos por meio da soma de esforços. Lacombe (2009 p. 04) salienta que, “o administrador, dentro de seu âmbito, estabelece objetivos e rumos e dirige as pessoas que executam o trabalho”. Na definição de Lacombe (2009, p. 03) “administrar é obter resultados por meio de pessoas, ou seja, é o ato de trabalhar com pessoas para realizar os objetivos da organização e de seus membros”. Para o autor, o administrador, trabalhe ou não em empresa, deve agir como empresário, transformando recursos em produtos, isto é, em bens e serviços desejados pelas pessoas. O autor conclui dizendo que o administrador é aquele que conduz um grupo de pessoas para os resultados desejados. Para isso, algumas habilidades são necessárias, entre elas destacam-se: capacidade de comunicação e expressão; raciocínio lógico, crítico e analítico; visão sistêmica e estratégica; criatividade; iniciativa; capacidade de negociação e de tomada de decisão; liderança e capacidade de trabalhar em equipe. 13 Nessa perspectiva, algumas questões merecem ser discutidas: Como se dá o processo de construção identitária profissional dos alunos que buscam o curso de Administração? Como eles desenvolvem as habilidades consideradas necessárias para o exercício da profissão? Referindo-se ao processo de construção identitária dos adultos nas sociedades contemporâneas Boutinet (1989) nos alerta que ser adulto significa viver na instabilidade e na mudança. [...] A identidade adulta é sempre frágil neste ponto de encontro entre a estabilidade de certos parâmetros percebidos e a mudança na elaboração da percepção de si próprio. É este ponto de encontro, ou melhor, este jogo dialético entre estabilidade e mudança que constitui o processo de identidade, de uma identidade para si; a estabilidade está integrada na memória de um modo estrutural, e a mudança é produzida pela idade e pela experiência; é sem dúvida aí que reside um dos paradoxos existências criadores da vida adulta, o de um contínuo frente a frente entre estrutura e experiência. (p. 169) Dentro deste contexto, Hall (2006, p. 21) enfatiza que, “a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganha ou perdida”. Para o autor a identidade tornou-se politizada, concluindo que esse processo é, às vezes, descrito como constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe) para uma política de diferenças. Trabalhar com este tema, “identidade profissional”, remete-nos a explorar um universo global, ou seja, quanto mais a vida social se torna mediada pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, mais as identidades se tornam desvinculadas de tempos, lugares, histórias e tradições específicas. Com base nos estudos de autores como, Motta (2003), Machado (2003), Dubar (2005; 2009), Hall (2006), Fernandes e Zanelli (2006), Lacombe (2009), Dias (2010), entre outros, podemos afirmar que a identidade profissional é um processo inacabado e contínuo, compreendida como uma construção social marcada por multiplos fatores que interagem entre si. Nessa pesrpectiva, a pesquisa assume como objetivo principal: 14 Investigar a percepção dos alunos que frequentam o Curso de Administração de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo, sobre os processos de construção da identidade profissional. É importante conhecer quem é este profissional que, apesar da formação acadêmica exigida para exercer sua profissão, nem sempre está qualificado para desenvolver seu trabalho. Considerando o que foi explicitado, o trabalho está estruturado em quatro capítulos, além da Introdução e Considerações Finais. O primeiro capítulo, intitulado “Resgate histórico sobre administração”, aborda, de forma objetiva, o surgimento da administração como forma de gestão, suscitando com as contribuições de Taylor e Fayol entre outros pesquisadores e pensadores que, de uma forma significativa contribuiram para o surgimento da administração no Brasil e no Mundo. Em seguida, apresenta a institucionalização da administração no Brasil, explicando de forma clara e objetiva a regulamentação do exercício da profissão de Administrador no Brasil. Disserta, ainda, sobre o significado do trabalho e a construção identitária da profissão de Administrador, destacando algumas características, responsabilidades e habilidades que o Administrador de Empresas deve ter. O segundo capítulo, “A organização profissional do trabalho: uma reflexão sobre as formas identitárias e a construção da identidade dos indivíduos nas organizações”, realiza um breve resgate histórico sobre a organização do trabalho e a passagem dos modelos de produção agrícola para a indústria. A relação entre os grupos de interesses e como se constituem as formas identitárias construídas no âmbito pessoal, social, organizacional e no trabalho. Em seguida, discuto as interfaces entre identidade profissional, mercado de trabalho e a formação profissional, salientando que entre as múltiplas identidades dos indivíduos, a dimensão profissional adquiriu uma importância particular no trabalho e que essa transformação obriga o sujeito a ter uma formação. O terceiro capítulo indica o “Procedimento Metodológico”, que apresenta os critérios e seleção dos participantes da pesquisa, além da coleta de dados com os alunos, na Universidade em que a pesquisa foi realizada. 15 O quarto capítulo apresenta os Resultados, ou seja, a “O que dizem os alunos sobre o Curso de Administração”, realizado com os 20 alunos ingressantes e 20 alunos concluintes do curso de Administração de Empresas, em uma Universidade privada situada na Zona Leste da cidade de São Paulo. Finalizando, tecemos as Considerações Finais do trabalho. 16 2 CAPÍTULO 1 - RESGATE HISTÓRICO SOBRE A ADMINISTRAÇÃO Para que se possa fazer um estudo a respeito do processo identitário do aluno que cursa Administração, faz-se necessário resgatar aspectos históricos da Administração no Curso de Graduação no Brasil. De acordo com Chiavenato (2006, p. 13) “a Administração constitui a maior invenção do século XX. Ela tornou possível a transformação de outras invenções pelas várias ciências em produtos e serviços oferecidos pelas organizações”. O autor contribui dizendo que ela tornou possível o progresso da humanidade, pois permite transformar conhecimento de outras ciências em resultado concreto. A partir de uma análise mais concreta pode-se definir que, desde que o mundo é mundo sempre houve alguma forma, ainda que rudimentar, de administração. Certos indícios testemunham a existência, em remotas épocas, de dirigentes capazes de planejar e guiar os esforços de pessoas em monumentais obras que perduram até os nossos dias. Motta (1986), por sua vez, inicia um diálogo afirmando que foi a Revolução Industrial da segunda metade do século XIX que propiciou a criação de grandes empresas particulares, como as estradas de ferro nos Estados Unidos, as tecelagens na Inglaterra, os bancos e as siderúrgicas no resto da Europa. Começou, assim, o chamado “modo de produção capitalista”, quando empreendedores, alguns poucos escrupulosos, iniciaram grandes negócios e, com isso, acumularam capitais. A Revolução Industrial deu o pontapé inicial à Era Industrial ao provocar o aparecimento e a expansão das fábricas e indústrias. A Era Industrial começou a ganhar forma com a gradativa transformação de pequenas oficinas de artesanato em pequenas fábricas. O autor reconhece que essas últimas passaram a utilizar equipamentos dotados da tecnologia que se desenvolvia naquela época. Todas essas mudanças, consequências da Revolução Industrial, tornaram possível substituir as antigas oficinas por fábricas. Com a Revolução Industrial surge uma nova concepção de trabalho que mudou a estrutura social e comercial da época. 17 Dias (2010) acrescenta que, com a Revolução Industrial houve um enorme crescimento da economia inglesa, o que provocou um aumento da necessidade de matérias primas para as indústrias. Diante de tamanha mudança, a Revolução Industrial viria a afetar não só o valor e as formas de trabalho, mas também, sua organização e até o aparecimento de políticas sociais, anteriormente inexpressivas. Com base nesse contexto, surge a necessidade de organizar o trabalho, e com isso emerge o conceito de emprego. Com o desenvolvimento da industrialização as preocupações em relação a métodos e controle de trabalho começaram a surgir. O empresário passou a se interessar pela adoção de formas de gestão mais eficientes como forma de garantir seu lucro. A Administração começou a emergir como objeto de estudo. Motta (2003, p. 05-07) define que, “no início do século XX surgiram os pioneiros da teoria da administração. Como suas idéias se aproximavam, ficaram conhecidos como os fundadores da Escola Clássica”. O crescimento das empresas industriais exigiu métodos totalmente novos de administração. Essa evolução teve a participação de muitos estudiosos, sendo que um dos mais importantes foi Frederick Winslow Taylor. De acordo com Maximiano (2007, p. 38) “Frederick Winslow Taylor foi o criador e participante mais destacado do movimento da administração científica”. Taylor nasceu em 1856, na Pensilvânia, e foi o primeiro teórico da administração. De uma forma ou de outra, toda a teoria das organizações fundamenta-se em seu trabalho ou dialoga com suas ideias. Entre 1874 e 1878 ele trabalhou para um fabricante de bombas hidráulicas, onde aprendeu o ofício de torneiro. Em 1878, ingressou na Midvale Steel, uma usina siderúrgica, na qual passou 12 anos, começando como trabalhador e terminando como engenheiro chefe. Motta (2003, p. 06) afirma que, “Taylor preocupou-se muito mais com a racionalização dos métodos e sistemas de trabalho do que com a racionalização da organização do trabalho”. De acordo com o autor, em toda sua obra percebe-se uma noção de natureza humana: a ideia do ser eminente racional que, ao tomar uma decisão, conhece todos os cursos de ação disponíveis e as consequências da opção por qualquer um deles. 18 O autor conclui dizendo que, pensando dessa forma o homem é encarado como um agente capaz de maximizar suas decisões, ou seja, como seus valores são tidos previamente como econômicos, entende-se que o fará em termos de maiores ganhos pecuniários. O homem ainda é visto como um ser que procura um máximo de ganhos com um mínimo de esforços. Diante desse dado, cabe ao administrador garantir que o trabalhador dispense o esforço de que é capaz. Para Taylor isso é possível porque existe uma única maneira de se realizar um trabalho. Uma vez descoberta, ela maximizará a eficiência. Taylor (1976, p. 29) começa seu livro “Princípios de Administração Científica” definindo o que considerava como o objetivo da Administração: [...] O principal objetivo da administração deve ser assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado. A expressão, ‘máximo de prosperidade’, é usada, em sentido amplo, compreendendo não só grandes dividendos para a companhia ou empregador, como também, desenvolvimento, no mais alto grau, de todos os ramos de negócio, a fim de que a prosperidade seja permanente. Igualmente, máxima prosperidade para o empregado significa, além de salários mais altos do que os recebidos habitualmente pelos obreiros da sua classe, também o aproveitamento das pessoas de modo mais eficiente, habilitando-as a desempenhar os tipos de trabalho mais elevados para os quais tenham aptidões naturais e atribuindo-lhes, sempre que possível, esses gêneros de trabalho. Importante salientar que a “Administração Científica” funcionou como uma revolução mental, uma revolução na maneira de encarar o trabalho e as responsabilidades em relação à empresa e aos colegas, sendo que uma das ideias centrais da “Administração Científica” é a de que a produtividade resulta da eficiência do trabalho e não da maximização do esforço. Ainda de acordo com Motta (2003), outro personagem importante que sistematizou e divulgou as ideias de Taylor foi Henry Fayol, nascido em 1841, um dos integrantes da “Escola Clássica da Administração”. Em 1860, Fayol foi contratado para trabalhar na corporação mineradora e metalúrgica francesa Comambault. Passou toda a sua vida nessa empresa, aposentando-se como diretor geral. As contribuições de Fayol (1975, apud LACOMBE; HEILBORN, 2003, p. 46) foram enriquecedoras para os processos da administração. O trabalho de Fayol 19 define, pela primeira vez, as funções exercidas em uma empresa e aquilo que cabe aos administradores. Fayol agrupou-as em quatro grandes categorias, que ele denominou funções: produção, comercialização, finanças e administração. Uma vez organizada uma empresa, seus colaboradores necessitam de ordens para saber o que fazer, e suas ações precisam de coordenação, bem como suas tarefas precisam de controle gerencial. Segundo Lacombe e Heilborn (2003) em relação à identificação do que cabe ao administrador, Fayol enunciou, pela primeira vez, as chamadas atividades gerenciais: [...] Planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Pelas funções que lhe cabe, poderíamos imaginar que o administrador as exerce de forma ordenada, refletindo com calma sobre o trabalho, com poucas dispersões e interrupções. (p. 51) Bernardes e Marcondes (2003) contribuem dizendo que os administradores sempre existiram, porém com características diferentes ao longo da história, mudando à proporção que as organizações se alteravam até chegar ao profissional nos dias atuais. A partir dos trabalhos de Fayol ficou claro que as funções do gerente, ou administrador, são: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar, ou seja, essas funções têm um significado específico, um conceito próprio que as torna independentes umas das outras. Na atualidade, a Administração pode ser compreendida de forma moderna, ou seja, a Administração é fundamental na condução da sociedade moderna. Ela não é um fim em si mesmo, porém, o meio de fazer com que as coisas sejam realizadas da melhor forma, com menor custo e com maior eficiência e eficácia necessita de conhecimentos administrativos para alcançar os objetivos esperados. Chiavenato (2006) reconhece que a Administração é fundamental em qualquer tipo ou escala de utilização de recursos, tecnologias e competências devidamente integrados e alinhados para alcançar objetivos definidos. Tanto no plano individual como nos planos familiar, grupal ou organizacional, a Administração se torna fundamental. Para o autor: 20 [...] A tarefa da Administração passou a ser a de interpretar os objetivos da organização e transformá-los em ação organizacional por meio do planejamento, organização, direção e controle dos esforços realizados em todas as áreas, a fim de alcançar tais objetivos e garantir a competitividade em um mundo de negócios altamente complexo e competitivo. A Administração deixou de ser um simples processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos organizacionais. Hoje, ela significa a melhor maneira de agregar valor e criar riqueza dentro da sociedade. (CHIAVENATO, 2006, p. 02) Nessa perspectiva, a Administração se torna uma atividade essencial a todo esforço humano coletivo, em qualquer tipo de organização. A Administração é uma ciência social para lidar com pessoas que precisam cooperar com outras pessoas, para poderem, juntas e de maneira organizada, atingir seus objetivos da melhor maneira possível. Clegg, Kornberger e Pitsis (2011, p. 72) explicam que, “a Administração raramente corresponderá, se é que um dia virá a corresponder, àquela Administração pressuposta em planos e princípios racionais”. A Administração consiste em uma série de instrumentos e recursos que viabilizam a racionalização, enquanto se administra. Os gestores procuram ser racionais, mas não conseguem ter garantias de que o serão. Em termos amplos, a Administração tem a ver com administrar pessoas de uma forma coordenada, a fim de garantir que os resultados organizacionais sejam alcançados, assegurando ao mesmo tempo os valores próprios e os dos outros. Nesse sentido, é importante entender que para os gestores os valores são atributos fundamentais da administração de hoje. Além disso, deve-se também entender e apreciar como nossos valores filtram as informações e criam conhecimento, contribuindo com o mundo que se vive. Para Peter Drucker (1981) o “objeto” da Administração é bem explícito: as organizações. Porém, sua finalidade última não é o conhecimento pelo conhecimento nem explicações de fenômenos, e sim, as realizações concretas que busquem satisfazer necessidades sociais, tanto de clientes quanto de participantes. Administrar nessa perspectiva é compreender como sendo uma forma que assume toda associação humana para atingir um objetivo comum. Fica claro, portanto, que a Administração, da mesma forma que quase todas as áreas do 21 conhecimento humano, requer permanente aprendizado. O campo é muito vasto, requer conhecimentos diversificados, o ambiente muda, a ciência e a tecnologia evoluem os processos produtivos se alteram e tudo isso requer permanente atualização dos conhecimentos. 2.1 A Institucionalização da Administração no Brasil A importância da atualização do sistema educacional emerge face às exigências de competitividade, produtividade e inovação do sistema produtivo. A sociedade humana é feita de organizações que fornecem os meios para atendimento de necessidades das pessoas como: serviços de saúde, água e energia, segurança pública, alimentação, diversão, educação, entre outros. Dentro deste contexto, podemos afirmar que é a Administração que faz as organizações serem capazes de utilizar corretamente seus recursos e atingir seus objetivos. De acordo com o Conselho Regional de Administração de São Paulo CRA/SP1, a Legislação Federal, a partir da Lei nº. 4.769 de 09 de setembro de 1965 dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de Administrador e a Constituição do Conselho Federal de Administração. A mesma Lei criou uma organização para fiscalizar o exercício da ocupação do administrador, ou seja, o Conselho Federal de Administração – CFA, na forma de autarquia subordinada ao Ministério do Trabalho, coordenando cada Conselho Regional de Administração nos Estados da Federação – CRA. Bernardes e Marcondes (2003) contribuem dizendo que, depois de regulamentar a profissão era preciso legislar sobre os cursos do bacharelado correspondente. Foi o que fez, em 1966, o Ministério da Educação, para anos depois incluir os que conduzem ao Mestrado e ao Doutorado, conhecido por cursos de Pósgraduação Sctricto Sensu. Posteriormente, o mesmo Ministério instituiu os cursos denominados Lato Sensu, destinados ao ensino de Administração para graduados em outras profissões, mas que, na verdade, formam administradores, contemplando seus bacharelados anteriores. 1 Disponível em: www.crasp.gov.br. 22 Os autores explicam que as Escolas de Administração no Brasil iniciaram na década de 50 quando empresas multinacionais passaram a construir fábricas no país e o Governo investiu maciçamente na fundação de empresas estatais dentro do “modo de produção capitalista do Estado”, momento esse em que surgiu a necessidade do administrador profissional. A saturação do mercado de administradores causada pelo aumento desmedido do número desses profissionais e pela recessão econômica iniciada na década de 80 fez com que o número de escolas estabilizasse. É importante salientar o fato de escolas mais conhecidas terem incluído no currículo disciplinas destinadas a formar administradores capazes de gerir seus próprios negócios como empreendedores2 ou empresários, e não mais como simples empregados. Araújo (2011) contribui dizendo que, no Brasil, as mudanças no sistema educacional ocorrerem a partir de 1995, quando da publicação da Lei nº. 9.131 de 24 de novembro de 1995. A nova legislação traz o projeto de Diretrizes Curriculares Nacionais para orientar os Cursos de Graduação do país. O cerne da Lei é flexibilizar o currículo. Esse modelo pretende possibilitar às escolas desenvolverem seus projetos pedagógicos em compasso com os avanços científicos e tecnológicos, buscando adequação com as demandas sociais e locais. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, o perfil desejado do formando do Curso de Graduação em Administração é expresso da seguinte forma: [...] o Curso de Administração deve ensejar condições para que o bacharel em Administração esteja capacitado a compreender as questões científicas, técnicas, sociais e econômicas da produção e de seu gerenciamento no seu conjunto, observados os níveis graduais do processo de tomada de decisão, bem como, a desenvolver o alto gerenciamento e a assimilação de novas informações, apresentando flexibilidade intelectual e adaptabilidade contextualizada no trato de situações diversas presentes ou emergentes, nos vários segmentos do campo de atuação do administrador. (BRASIL, 2002, p. 13) 2 É toda pessoa que identifica necessidade de clientes potenciais e, como oportunidade de negócio para satisfazê-las, cria uma empresa ou modifica a já existente. 23 Bernardes e Marcondes (2003, p. 24) alertam que, “com isso, as escolas se multiplicaram para fornecer mão de obra para os cargos gerenciais médios, com possibilidade de ascensão na carreira, especialmente nas grandes empresas”. Em entrevista cedida à Revista Administrador Profissional/CRA-SP (Agosto/11, ano 34, n. 302, p. 06) Sebastião Luiz de Melo – Presidente do CFA avalia a qualidade de ensino de Administração no País. Segundo Sebastião L. de Melo (2011) de acordo com os dados do Censo da Educação Superior de 2009, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), a Administração é o curso mais procurado no Ensino Superior. De acordo com dados do Censo de Educação Superior 2009, (MEC) o Brasil possuía mais de 1.800 Instituições de Ensino (IES) que ofereciam o curso. São mais de 780 mil alunos matriculados, cerca de 120 mil formandos por ano, mais de 2.500 cursos de Administração e acima de 680 mil vagas. Os dados reúnem informações de cursos à distância e presencial. No ano de 2010, o Censo da Educação Superior (MEC) revelou que existiam 846.493 matriculados no Curso de Graduação em Administração. A Administração lidera a lista dos dez cursos mais procurados pelos candidatos ao ensino superior no País (INEP/MEC, 2010). De acordo com o último Censo apresentado acima, a formação generalista e abrangente e a existência de amplo mercado de trabalho foram as opções mais assinaladas como justificativas para a escolha do curso de Administração. Pensando na qualidade desses cursos, inclusive os ministrados à distância, de acordo com Melo (2011), o CFA constituiu uma comissão para discutir essa modalidade de ensino em Administração no País. A comissão acompanha os projetos de lei que oportunizam mais espaços para os administradores e, também, os projetos que possam vir a prejudicar a categoria. Melo acrescenta que, o CFA renovará o convênio com o MEC par avaliar os cursos de Administração abertos. Melo afirma, também, que o termo de colaboração foi firmado em 2009 e constitui seu objeto a colaboração técnica do CFA junto à SESu/MEC em caráter experimental, contribuindo com subsídios para ações de regulação da Educação Superior, definidos no Decreto n. 5.773/06, especificamente na área da Administração. 24 Finalizando, é importante citar que as Diretrizes Curriculares trazem, ainda, uma “orientação básica” para a construção do conteúdo curricular a ser desenvolvido pela instituição de ensino, de acordo com a percepção dos formadores para com o ambiente profissional dos administradores. Essa flexibilidade visa direcionar o caminho para que a organização curricular forneça as habilidades exigidas a estes profissionais na atual realidade de fluidez e constantes transformações no mercado de trabalho. (BRASIL, 2002, p. 14) 2.2 O significado do trabalho e a construção identitária da profissão de Administrador O trabalho é o principal fator de produção de riqueza. O próprio capital resulta, em última instância, de uma remuneração de fatores de produção que foi reinventada para aumentar a eficiência ou o volume da produção. Dias (2010) reconhece que o trabalho é uma realidade para todo ser humano capaz de exercêlo. O autor explica que em condições de normalidade, os indivíduos trabalham a maior parte de sua vida. Desde o nascimento iniciamos a preparação para exercer o trabalho, pois é necessário adquirir conhecimento e desenvolver habilidades para podermos trabalhar. Nas sociedades humanas, existem leis, decretos e regulamentos que estabelecem regras para o trabalho. A divisão social do trabalho que ocorre nas sociedades humanas confere diferentes papéis ocupacionais e profissionais aos indivíduos. Esses, quando o desempenham de forma adequada, promovem o funcionamento da sociedade em sua totalidade. Nesta concepção Dias (2010) divide em dois tipos, ou seja, condições objetivas e condições subjetivas do trabalho, citando que: [...] fazem parte das ‘condições objetivas’ que caracterizam o trabalho: o modo como ele se organiza e como está dividida sua realização, qual é a complexidade, como é supervisionado, como sua rotina se apresenta, às quais pressões ele está submetido, e quais são suas recompensas e castigos. Como parte das ‘condições subjetivas’ do trabalho estão: satisfação pessoal em sua realização, se o efetuarmos prazerosamente ou não, e o compromisso que temos com sua realização. (DIAS, 2010, p. 303) 25 No início da organização industrial, os camponeses, os pequenos produtores, os fazendeiros e os artesões perderam gradualmente o acesso à propriedade produtiva. Sem os meios de subsistência eles foram forçados e se submeter a um mercado de trabalho, vendendo, assim, sua força de trabalho mediante o recebimento de um salário. Para Ribeiro (2010, p.27) “os trabalhadores que executavam suas tarefas sem desperdício de tempo eram considerados por Taylor como ‘homens de primeira classe’, uma vez que não causavam prejuízos à empresa”. Nessa perspectiva, o trabalhador que obtivesse a máxima eficiência de produção deveria ser recompensado, recebendo em troca um salário superior àquele pago aos demais trabalhadores de sua categoria. A opinião de Taylor sobre os trabalhadores era prática e objetiva: a empresa deveria dar oportunidade e condições para que eles obtivessem o máximo possível de ganho. Drucker (1981) salienta que, a maioria dos proprietários com base ou não nesses princípios tentaram dirigir suas empresas até o ponto em que o gigantismo delas, a saturação dos mercados e a sofisticação tecnológica exigiu maiores conhecimentos do que aqueles por eles possuídos. Por isso, passaram a empregar indivíduos hábeis, destinados a suprir suas deficiências no planejamento, operações e controle da produção. Surgiu, assim, um novo especialista, o administrador profissional, caracterizado por ser um técnico capaz de administrar o capital e não ser, necessariamente, proprietário do capital. Do ponto de vista sistêmico, podemos reconhecer que o fato que mais contribuiu para ascendência do administrador foi o já citado crescimento das organizações. Chiavenato (2006) destaca que, se espera que o administrador seja capaz de efetuar o diagnóstico de situações, definir estratégias, dimensionar recursos, planejar sua aplicação, utilizar tecnologias, aplicar competências, resolver problemas, gerar inovação e competitividade. No entanto, o autor alerta que o administrador não é julgado apenas pelo que sabe a respeito das funções que exerce em sua especialidade, mas, principalmente, pela maneira como realiza seu trabalho e pelos resultados que obtém dos recursos e competências disponíveis, ou seja, não existe uma maneira certa de um 26 administrador agir ou de conduzir, pelo contrário, existem várias maneiras de levar a cabo as atividades das organizações em geral e das empresas em particular. Em função deste posicionamento, Robert L. Katz (1995, apud, LACOMBE, 2009), sintetizou em três tipos as habilidades necessárias ao administrador: [...] habilidade técnica (implica a compreensão e o domínio de determinado tipo de atividade. Envolve conhecimento especializado, habilidade analítica dentro da especialidade e facilidade no uso de técnicas e do instrumental da disciplina específica); [...] habilidade humana (inclui a capacidade de se colocar no ponto de vista do outro, a fim de compreendê-lo na sua plenitude. Alguns autores chamam essa habilidade de habilidade gerencial); [...] habilidade conceitual (implica a capacidade de se posicionar no ponto de vista da organização, perceber como as várias funções são interdependentes e como uma alteração em uma delas afeta todas as demais. (p. 08-10) Cabe, portanto, ao administrador identificar ou estabelecer os objetivos da sua organização ou da unidade organizacional pela qual é responsável. Chiavenato (2006) descreve que, para o administrador ser bem sucedido é preciso desenvolver, além de suas habilidades, quatro competências duráveis: [...] conhecimento (é o acervo de informações, conceitos, ideias, experiências e aprendizagem do administrador); habilidade (é a capacidade de colocar o conhecimento em ação, transformar a teoria (abstrata) em prática (concreta), aplicando o conhecimento na análise das situações, na solução dos problemas, na inovação e na condução do negócio); julgamento (é a capacidade de atribuir valores e prioridades); atitude (significa o comportamento pessoal do administrador diante das situações com que se defronta no cotidiano. (p. 05) Para finalizar, o autor conclui dizendo que o administrador assume vários e diferentes papéis em suas atividades. Papéis interpessoais – são os relacionamentos com as pessoas; papéis informacionais – são as atividades para manter e desenvolver a rede de informações e papéis decisórios – envolve eventos e situações em que o administrador deve fazer escolhas ou opções usando habilidades humanas e conceituais. Em outras palavras, administrar é mais do que supervisionar pessoas, cuidar de recursos ou atividades. O papel do administrador em época de mudanças e instabilidade se centra mais nas competências daqueles que exercem as funções administrativas. Lacombe e Heilborn (2003, p. 04) reconhecem que, “o 27 administrador, dentro do seu âmbito, estabelece objetivos e rumos e dirige as pessoas que executam o trabalho. A administração, portanto, requer prática e bom senso”. Clegg, Kornberger e Pitsis (2011) alertam que, [...] Uma condição essencial da teoria é a existência de um quadro3 referencial por meio do qual compreendemos as coisas. O referido quadro conceitual estabelece diferença entre a administração como prática, como algo que fazemos, e as organizações, como uma coletividade orientada para metas, sendo que nossa vida é organizada pelas organizações. Começamos com organizações e depois assumimos a tarefa de administrálas. Observando que ambos mudam radicalmente. Descrevemos os elementos formais da administração como: planos, projetos e outros procedimentos para que indivíduos e grupos nas organizações possam compreendê-los. (p. 41) Para Zabala (1998) um dos objetivos de qualquer bom profissional consiste em ser cada vez mais competentes em seu ofício. Dentro desta perspectiva o autor contempla dizendo que, geralmente se consegue esta melhora profissional mediante o conhecimento e a experiência: o conhecimento das variáveis que intervêm na prática e a experiência para dominá-las. O autor salienta que, provavelmente, a melhoria da atividade profissional passa pela análise do que se faz, em contraste com outras práticas. Neste contexto, torna-se importante afirmar que, as constantes mudanças pelas quais passa a sociedade em função dos avanços tecnológicos tornam o mundo do trabalho cada vez mais exigente. Isso acaba determinando que as organizações adotem o princípio do aprender a aprender, buscando a melhoria constante de seus processos. Nessa perspectiva, a identidade do trabalhador administrador teve sua estrutura, relacionada ao seu perfil, completamente modificada em relação ao perfil exigido no período industrial. Agora, o profissional deve ser flexível, adaptável, crítico, criativo, bem informado, com o domínio da informática e das tecnologias de informação, além de ter uma visão multidisciplinar ou uma visão de todo o sistema. 3 Quadro (frame) é um termo originário do cinema: o diretor enquadra uma cena, incluindo ou omitindo certos detalhes. A estrutura determina o que é relevante. 28 O conhecimento passa a ser a matéria prima fundamental, e não mais a habilidade técnica. Duarte (2011, p. 19) reconhece que, “ser administrador sempre foi uma função de grande responsabilidade. E não poderia ser diferente, já que sua missão tem sido a de conduzir os destinos das áreas e das próprias organizações”. Para o autor, em que pese tal característica ser inerente a esse profissional, o desempenho de seu papel é norteado por legislações que, se em um primeiro momento não visam apenas à ampliação da ética e da competência, impõem, por meio de vários artigos, uma obrigação maior à prática de seus atos. Exemplos dessa realidade passaram a ser reforçados a partir de 2012 com a promulgação do novo Código Civil (Lei 10.406), que estabelece diversos dispositivos com a finalidade de ampliar a responsabilidade do administrador. Tornar-se um profissional cada vez mais responsável não é tarefa fácil. Essa também é uma das preocupações do Conselho Federal de Administração (CFA) que, por meio do “Manual de Responsabilidade Técnica do Administrador”, estabelece regras a serem seguidas na condução da profissão. Diz o documento4: [...] É preciso que o administrador tenha plena consciência das mudanças ocorridas e exigência do mercado para desempenhar um papel com objetividade, competência, ética, probidade, confiabilidade, profissionalismo, diligência, conhecimento do cliente e do mercado, eficiências, conhecimento técnico, zelo, honestidade, transparência, respeito às leis e às normas do Sistema CFA/CRAs e à sociedade. Duarte (2011) explica que, um dos méritos da Administração foi o de acompanhar as mudanças impostas à sociedade e, consequentemente, às empresas, nas últimas décadas. Para Sennet (2004), as transformações que o trabalho tem sofrido são provenientes da mudança na lógica de como as organizações têm se redefinido diante do contexto de competitividade atual. Ou seja, elementos contextuais têm impulsionado frequentes mudanças nas organizações que geram alterações na estrutura interna e, consequentemente, na forma como o trabalho é executado. 4 Revista Administrador Profissional, ano 34, n. 299, maio de 2011, p. 19. 29 Segundo este autor, a extrema valorização da mudança e da flexibilidade, como os valores organizacionais para a competitividade, serve de norte para a relação do indivíduo com o trabalho e, por isso, gera uma destruição de elementos referenciais para os indivíduos. Esses referenciais serviam, na visão de Sennet, como norteadores para a construção de um caráter, o que afeta a sustentabilidade da Identidade. A atuação do administrador, em todas as áreas das organizações e em todos os setores da economia, repercute de forma decisiva e contribui para a consolidação de sua imagem. 30 3 CAPÍTULO 2 - A ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL DO TRABALHO: uma reflexão sobre as formas identitárias e a construção da identidade dos indivíduos nas organizações Tanto na Europa como na América do Norte o nascimento e a expansão das manufaturas foram precedidos e acompanhados por um sistema de trabalho domiciliar, característico do capitalismo mercantil. Ou seja, nesse sistema, os mercadores enviavam materiais e dinheiro aos artesãos com ateliê doméstico, que trabalhavam em casa, em geral com ajudantes, membros de sua própria família. Durante todo o século XIX e começo do século XX os capitalistas mercantis procuraram aumentar seu controle, transferindo o local de produção da casa para a fábrica, pois acreditavam ter mais controle sobre a produção e aumentar o poder de supervisão direta dos capitalistas. A maioria das indústrias, e durante longos períodos os proprietários das manufaturas, como os mercadores antes deles, permaneceram dependentes dos trabalhadores por ofício, devido ao conhecimento destes sobre os modelos de fabricação dos produtos. Para Dubar (2005), os trabalhadores em cada um desses ofícios possuíam um saber diferente que lhes fora transmitido confidencialmente. De acordo com o autor, os operários por ofício exploraram individualmente e coletivamente essa situação para manter, com seus novos empregadores, acordos característicos da “organização profissional do trabalho”. Nesse sentido Dubar (2005) refere que, muitos outros exemplos de organização profissional do trabalho são analisados na literatura histórica e sociológica. Para o autor além das grandes variações nacionais e dos tempos de duração muito diversos, esses exemplos mostram a força histórica de um modelo de organização em três grupos estratificados que repousam em uma dupla fonte de poder e de legitimidade: Os dirigentes empresariais obtêm seu poder de sua relação com o capital (econômico e financeiro), e sua legitimidade de seu êxito econômico no mercado de bens e serviços; Os profissionais por ofício obtêm seu poder de sua ralação como o saber (técnico e especializado), e sua legitimidade de sua posição individual e coletiva na organização e no mercado de trabalho; 31 Os assalariados não profissionais (ou não qualificados) são duplamente excluídos da esfera do capital e da área legítima da competência. (DUBAR, 2005, p.199-200) (grifos do autor) Cada um dos grupos acima tem interesses próprios, ou seja, o interesse dos dirigentes empresariais é, na verdade, reduzir a autonomia e o poder dos profissionais por ofício, assegurando para si, por vias diversas, o controle direto da organização do trabalho. O interesse dos profissionais é se organizar para defender sua posição para que não sejam substituídos em função de sua competência, ou seja, o sindicato de ofício e o controle das formações têm, em parte, esses objetivos. Quanto aos não qualificados seu interesse é poder ter acesso às formações e às carreiras que lhes permitam conquistar os saberes profissionais legítimos. Fernandes e Zanelli (2006, p. 57) acrescentam que, “ao ingressar em uma organização, indivíduos com características diversas se unem para atuar dentro de um mesmo sistema sociocultural na busca de objetivos determinados”. Para os autores essa união provoca um compartilhamento de crenças, valores, hábitos, entre outros, que irão orientar suas ações dentro de um contexto preexistente, definindo, assim, as suas identidades. Em outras palavras, os autores definem que essa realidade é constituída por uma série de objetivos que foram designados como objetivos próprios e coletivos. O indivíduo percebe, assim, que existe correspondência entre os significados por ele atribuídos ao objetivo e os significados atribuídos pelos outros, isto é, existe o compartilhar de um senso comum sobre a realidade. É por meio de esse compartilhar da realidade que as identidades dos indivíduos nas organizações são construídas, ao se comunicar aos membros, de forma tangível, um conjunto de normas, valores e concepções que são tidas como certas no contexto organizacional. Dentro desta perspectiva devemos entender a importância dos tipos de identidade relacionados ao pessoal, social, organizacional e no trabalho. 32 3.1 Identidade pessoal Para Dubar (2005) a identidade de uma pessoa é o que ela tem de mais valioso: a perda de identidade é sinônimo de alienação, sofrimento, angústia e morte. Ora, a identidade humana não é dada, de uma vez por todas, no nascimento, ela é constituída na infância e, a partir de então, deve ser reconstruída no decorrer da vida. Para o autor, o indivíduo jamais a constrói sozinha, ele aprende tanto dos juízos dos outros quanto de suas próprias orientações e autodefinições. Dubar (2005) conclui dizendo que a identidade é produto das sucessivas socializações. Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o indivíduo é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganha ou perdida. Esse processo é, às vezes, descrito como constituindo uma mudança de uma política de identidade (de classe) para uma política de diferença. De acordo com Dubar (2009, p. 19), “a identidade, com efeito, não é apenas social, ela é também pessoal. Acontece que o ‘indivíduo’ não se torna facilmente um objeto sociológico”. O autor contribui dizendo que: [...] Por essa razão, na esteira de Durkheim, ‘o ser social’ dos indivíduos (sua identidade social sinônimo de pertencimento a uma categoria socialmente pertinente) é considerado como o que eles herdam sem desejálo e o que modela suas condutas sem que tenham consciência disso. Por esse motivo, a noção de ‘identidade para si’ não pertence ao vocabulário da ‘sociologia clássica’ e a identidade social se torna sinônimo de ‘identidade para outrem’. (DUBAR, 2009, p.19) Nesse sentido, Dubar (2009) afirma que contar sua vida é encontrar uma intriga que articula esses dois níveis: “identidade para si” e não mais “identidades para outrem” e que permite “dar um sentido” à sua vida, ao mesmo tempo uma direção e uma significação compreensíveis por outrem. Para Fernandes e Zanelli (2006, p. 58): [...] Um aspecto importante para a sobrevivência de um indivíduo é a necessidade de construção de uma identidade, uma noção de totalidade que o leve a fazer convergir em uma imagem de si mesmo as muitas facetas do seu modo de ser, os muitos papéis que ele representa em diferentes momentos de sua experiência social. 33 Entendendo melhor a dinâmica da identidade, pode-se dizer que a identidade pessoal é alimentada pela busca constante de unidade subjetiva por parte dos indivíduos, pois eles adotam frequentemente padrões comportamentais direcionados para preencher as expectativas do outro sobre sua própria conduta, contrariando muitas vezes sua autodeterminação. Machado (2003, p. 54) reconhece que, “a memória exerce papel importante na construção da identidade, porque a representação de si é inseparável do sentimento de continuidade temporal”. Dentro deste contexto a autora explica que o passado, o presente e o futuro são importantes para prover continuidade ou consistência subjetiva. A partir dos múltiplos mundos classificados, ordenados e nomeados na memória, segundo a lógica do indivíduo e de sua categorização social, que consiste em reunir o que se parece e separar o que difere, o indivíduo vai constituir sua própria identidade. 3.2 Identidade social Dubar (2009, p. 18) refere que, “para muitos pesquisadores em Sociologia, hoje como ontem, na França, a identidade social é, antes de tudo, sinônimo de categoria de pertencimento”. Nesta perspectiva o autor contribui dizendo que, para outros pesquisadores a identidade social é uma noção mais ambígua, na medida em que os pertencimentos são múltiplos e nenhum deles pode impor-se, a priori, “objetivamente”, como principal. Por exemplo, o sexo, ou melhor, o gênero, já não pode atualmente ser negligenciado pelas análises sociológicas. O autor explica que uma operária não é um operário, um quadro feminino de uma empresa não é o mesmo que um quadro masculino. A socialização é, enfim, um processo de identificação, de construção de identidade, ou seja, de pertencimento e de relação. Socializar-se é assumir seu pertencimento a grupos, assumir pessoalmente suas atitudes, a ponto de elas guiarem amplamente sua conduta sem que a própria pessoa se dê conta disso. Para Hall (2006, p. 07) “a questão da identidade está sendo extensamente discutida na teoria social”. Em essência, o argumento é o seguinte: as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, 34 fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito unificado. Dessa forma, a identidade social é constituída não somente pela representação que o indivíduo faz dele mesmo, referindo-se a diferentes grupos aos quais ele pertence, mas também aos grupos de oposição, aos quais ele não pertence, pois essa identidade é guiada pela necessidade do indivíduo ser no mundo, assim como pela sua necessidade de pertencer a grupos sociais. Machado (2003) define que a identidade social é, portanto: [...] um processo de justaposição na consciência individual, uma totalidade dinâmica, em que os diferentes elementos interagem na complementaridade ou no conflito, pois o indivíduo tende a defender sua existência e sua visibilidade social, sua integração à comunidade, ao mesmo tempo em que ele se valoriza e busca sua própria coerência. (p. 56) A identidade social ganha uma dimensão importante porque esta atividade constitui, para alguns autores, um dos principais elementos que norteiam a vida social do indivíduo. Nessa perspectiva, o próprio trabalho se modifica tecnológica, gerencial e socialmente ao longo do tempo e a identidade social também se transforma e, por isso, precisa ser mais bem compreendida em novos ambientes. Resumindo, a identidade social se funda sob determinadas categorias, como por exemplo, a etnia, a identidade sexual, a classe social, os portadores de deficiências, a idade, entre outras. Unidos sob o mesmo fundamento, os indivíduos procuram sua contextualização no tempo e no espaço, buscando fortalecer suas identidades. Por essa razão é que as manifestações ligadas a nacionalismos e a movimentos sociais se processam num dado contexto de construção social das identidades, que a todo o momento são construídas e desconstruídas. 3.3 Identidade organizacional Para Asforth e Mael (1996, apud, Machado, 2005, p. 02-03), “a identidade organizacional é um julgamento dos indivíduos sobre os aspectos distintos, centrais e duradouros da organização”. Os aspectos centrais, segundo os autores, estão ligados ao sistema de crenças, valores e normas da empresa; os aspectos distintos 35 estão relacionados à exclusividade da organização, referência para garantir a identificação organizacional e definir a fronteira da organização. A identidade de uma organização é a imagem cognitiva assimilada pelos seus integrantes, prevalecendo um consenso coletivo em torno dessa imagem. Ela deriva da resposta que os integrantes dão à questão: “quem somos nós como organização?”, mesclando-se, muitas vezes, as abordagens da identidade e da identificação organizacional. Sendo assim, a resposta à questão mencionada é resultante das identificações das pessoas com a organização, porque não existe identidade sem identificação, pois a identidade é relacional, ou seja, ela se constrói em relação ao outro, com o qual o sujeito se identifica ou se desidentifica. (MACHADO, 2005) A partir de uma análise mais concreta a identificação organizacional envolve cognição e afeto e, ocorre sempre que os indivíduos estão experimentando fortes necessidades, tais como a de estar seguro, de pertencer, de sentir-se melhor. Portanto, a identidade, enquanto imagem cognitiva assimilada pelos seus integrantes se estrutura por meio dos processos de identificação do indivíduo com a organização. Machado (2003) enfatiza que: [...] A identidade organizacional, tal como as outras modalidades da identidade, remete ao vivido e à subjetividade. Ela orienta a ação dos indivíduos e é dinamicamente construída por meio de interações sociais, identificação e afiliações. Portanto, o contexto identitátio no âmbito organizacional é constituído pelo indivíduo, pelo grupo e pela organização. (p. 63) Para Veloso (2010), no contexto das organizações e dos estudos de administração, compreender a “identidade” no contexto organizacional significa entender parte das relações que acontecem no trabalho, ou seja, a relação do indivíduo com suas atividades e o comportamento do indivíduo dentro da organização, entendido de forma ampla. Isso permite inferir que a “identidade” é, em essência, um constructo que auxilia na compreensão de outras variáveis organizacionais. 36 3.4 Identidade no trabalho Entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos, a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Por ter se tornado um bem raro, o emprego condiciona a construção das identidades sociais. Por passar por mudanças impressionantes, o trabalho obriga a transformações identitárias delicadas, ou seja, por acompanhar cada vez mais todas as modificações do trabalho e do emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do período escolar. O trabalho é talvez a transformação mais significativa, pois se refere ao próprio sentido. Ademais, ela se aplica potencialmente a todo mundo: assalariados do setor privado e das funções públicas, da grande empresa e das PMEs (Pequenas e Médias Empresas). Acompanha ao mesmo tempo as evoluções do trabalho industrial, agrícola, artesanal e o movimento da terceirização das atividades. Machado (2003) acredita que, a socialização dos indivíduos no mundo do trabalho é fruto da experiência das relações de poder, vivenciadas no universo produtivo, as quais geram normas coletivas de comportamento e fornecem a possibilidade de construir uma identidade no trabalho, entendida como a maneira de elaborar um sentido para si na multiplicidade de papéis sociais, e de fazê-la ser reconhecida por seus companheiros de trabalho. A identidade no trabalho também processa no plano afetivo e cognitivo. O fato de viver sob uma estrutura institui uma espécie de mentalidade coletiva, com a qual o indivíduo se conforma, assimilando suas regras e normas de comportamento e estabelecendo vínculos afetivos com as pessoas com as quais convive nesse ambiente. Nesta perspectiva o processo de construção das identidades dos indivíduos nas organizações acontece geralmente de maneira natural, iniciando-se no momento de inserção na empresa. Machado (2003) alerta, ainda, que ao analisar a identidade no trabalho, especialmente em modelos organizacionais com predomínio de modernas relações de trabalho, esses pressupõem certa autonomia dos indivíduos. Nesse sentido, constatou que há pluralidade de modelos identitários no universo do trabalho, que se 37 distinguem, principalmente, pelos tipos de socialização compartilhada entre os indivíduos e por seus modos de integração na empresa. Machado (2003, p. 60) acrescenta que: [...] A construção das identidades no trabalho não está desvinculada dos interesses pessoais e coletivos, que estão sendo constantemente articulados nas organizações. A identidade no trabalho constitui, dessa forma, componente importante no processo motivacional, que concorre também para a construção de uma auto-estima positiva. Consequentemente, não só a realização do trabalho, mas também, a esfera social organizacional é positivamente afetada, podendo resultar em formas de trabalho mais criativas, que contribuem para integrar a subjetividade, a socialização e o trabalho. Os níveis de identidade considerados até o momento estão ligados à formação do autoconhecimento por parte dos indivíduos e resultam em influências na esfera pessoal, social, assim como no âmbito organizacional. 3.5 Identidades profissionais: interface com o mercado de trabalho e a formação profissional Segundo Hall (2006), diferentemente da noção de identidade assumida pelos gregos no período helênico5, considerada uma essência imutável, estabilizada e fixa, hoje se sabe que o sujeito não possui uma só identidade, mas múltiplas identidades, até mesmo contraditórias, que buscam se unificar em torno de um “eu” coerente. No que diz respeito ao trabalho, no período helênico, apesar dos gregos não a verem dessa forma, a identidade estava também vinculada à sua ocupação social, na medida em que os escravos é que deveriam trabalhar para que seus senhores, cidadãos helênicos, tivessem a condição de serem livres. Dubar (2005, p. XXIV) afirma que: [...] A identidade de uma pessoa é o que ela tem de mais valioso: a perda de identidade é sinônimo de alienação, sofrimento, angústia e morte. Ora, a identidade humana não é dada, de uma vez por todas, no nascimento: ela é constituída na infância e, a partir de então, deve ser reconstituída no decorrer da vida. O indivíduo jamais a constrói sozinho: ele depende tanto 5 É caracterizada principalmente por uma ascensão da ciência e do conhecimento. 38 dos juízos dos outros quanto de suas próprias orientações e autodefinições. A identidade é produto das sucessivas socializações. Nos processos de construção identitária, a profissionalização configura-se como uma das principais referências do indivíduo nas suas relações sociais e para se posicionar diante da sociedade e de suas transformações, uma vez que a identidade profissional reflete como os sujeitos se percebem em relação aos outros e à sociedade como um todo. Outro aspecto importante da formação da identidade, a partir do trabalho, é a constituição de profissões específicas, que, na visão de Gaulejac (2002, apud, VELOSO, 2010), também são formas de pertencimento a um coletivo. De acordo com Gaulejac (2002, apud, VELOSO, 2010), as identidades profissionais produzem sentimentos de pertencimento a coletivos que reúnem todas as pessoas que se graduaram nos mesmos cursos, que têm diplomas equilaventes, que exercem ofícios similares, ou que ocupam as mesmas funções. Uma pessoa pode se definir como operário, agricultor, executivo, padeiro, médico, técnico, jurista, professor, ou seja, definições de si mesmo que servem de embasamento para o reconhecimento social. Esse espaço de mobilidade em que a progressão e a vaporização profissional se constroem baseadas no diploma e na maneira como a experiência profissional é adquirida define-se, pois, com base no modelo profissional burocrático, no qual o diploma serve para distinguir os assalariados internos dos externos e no qual a carreira serve para assegurar a integração aos objetivos da organização. (DUBAR, 2005) Essa consideração de Dubar (2005) é importante para entender que as conotações valorativas do trabalho se alteraram a partir da consolidação do capitalismo. Dessa forma, o trabalho passa a ser elemento fundamental e constituidor da personalidade dos operários, formando uma consciência profissional. É importante ressaltar que a noção de trabalhador começa a se configurar a partir de uma série de definições econômicas, políticas e sociais provenientes de sua atividade. 39 Nessa perspectiva, o emprego é cada vez mais fundamental para os processos identitários, a formação está ligada a ele de maneira cada vez mais estreita, ou seja, essa confrontação depende das modalidades de construção de uma identidade profissional básica que constitua não somente uma identidade no trabalho, mas também, e, sobretudo, uma projeção de si no futuro, a antecipação de uma trajetória de emprego e a elaboração de uma lógica de aprendizagem, ou melhor, de formação. Para Pereira (1995) a formação é um processo tanto pessoal quanto coletivo, impossível de se planejar totalmente de antemão. Ela se dá com base na articulação de oportunidades favoráveis e obstáculos, possibilitando o movimento entre elementos heterogêneos, singulares, transbordando a causalidade presente em processos de aprendizagem profissional, e ultrapassando a noção de aquisição. A formação não se recebe, a formação se faz em um processo ativo que requer a aproximação, envolvimento e mediação de outros. Por formação, então, entendemos um processo de transformação no qual as relações estabelecidas pelos sujeitos com o mundo, com os outros e consigo mesmo são afetadas de modo proposital, ou seja, de maneira que o sujeito em formação não apenas se dá conta de que está em formação, mas, também, interfere, ele mesmo, nessa afecção e nessa reflexão. Dentre as múltiplas identidades dos indivíduos, a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Por ter se tornado um bem raro, o emprego condiciona a construção das identidades sociais; por passar por mudanças impressionantes o trabalho obriga a transformações identitárias delicadas, por acompanhar, cada vez mais, todas as modificações do trabalho e do emprego. Os modos de construção das categorias sociais a partir dos campos, escolar e profissional adquiriram tal legitimidade porque as esferas do trabalho e do emprego e também da formação constituem áreas pertinentes das identificações sociais dos próprios indivíduos. Dubar (2005) enfatiza que, historicamente, nem sempre foi assim e, sem dúvida, foi a partir da crise iniciada no fim dos anos 1960 que esses vínculos “emprego-formação” se reforçaram no cerne dos processos identitários, para os indivíduos da geração em questão. 40 A renovação da “sociologia das profissões” se acelerou com a crise dos anos 1960 (Estados Unidos) e 1970 (Europa ocidental). O aumento de um desemprego estrutural atingindo, principalmente, parcelas inteiras da juventude colocou novamente, no primeiro plano das análises, o problema do emprego. Dubar (2005) faz uma consideração importante, ou seja, a questão principal não é saber quais atividades constituem profissões ou quais indivíduos se tornam profissionais, mas compreender as transformações do acesso ao emprego, como as reestruturações do plano de carreira implicam exclusões duradouras da esfera das atividades reconhecidas. Para Bendassolli (2009, p. 389): [...] Do ponto de vista social, as profissões representam formas históricas de divisão e organização do trabalho. Como fenômeno individual, são formas de realização de si e de construção do indivíduo em sua experiência com o trabalho. Por fim, como fenômenos institucionais representam processos pelos quais os atores sociais defendem seus interesses na medida em que forçam o Estado a reconhecê-los como detentores de um conhecimento exclusivo e, portanto, autorizados a exercer sua profissão. Neste contexto, a identidade profissional para si, mesmo reconhecida por um empregador, tem cada vez mais chances de não ser definitiva. É regularmente confrontada com as transformações tecnológicas, organizacionais, de gestão de emprego das empresas e da administração pública. Ciampa (1996, p. 240) contribui salientando quais as mudanças pelas quais os trabalhadores precisam passar para se inserir no mercado de trabalho atual: [...] Estudar a identidade talvez seja parte dessa tarefa. Tarefa que nos é proposta pela espécie humana, cujo interesse é sua autoconservação. Tarefa que nos é proposta pelo capital, que está virando barbárie, por não saber mais gerir o sistema que criou. Tarefa que nos é proposta pelo trabalho, que precisa metamorfosear o trabalhador no seu contrário, de dirigido a dirigente, para realizar a pilotagem, a vigilância, a integração, etc. Tarefa que nos é proposta pela razão teórica, que quer clarificar a situação em que as patologias se encarnam nos indivíduos e nas instituições. Tarefa que nos é proposta pela razão prática, que quer transformar nossas condições conforme o que for interpretado merecedor de ser vivido. (grifos do autor) O processo de formação inicial e contínua se dá por meio das diversas fontes como: saberes de formalização, habilidades e experiências. Dubar (2005) reconhece 41 que entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos, a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Nesse contexto, o autor considera que por ter se tornado um bem raro, o emprego condiciona a construção das identidades sociais. O trabalho obriga às transformações identitárias e, por acompanhar todas as modificações do trabalho e do emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do período escolar. 42 4 CAPÍTULO 3 – PROCEDIMENTO METODOLÓGICO O objetivo deste capítulo é proporcionar ao leitor o entendimento do caminho metodológico pelo qual o trabalho de pesquisa foi realizado, desde a definição do objeto de estudo até a construção dos pressupostos metodológicos que orientaram a pesquisa. A pesquisa pautou-se na abordagem qualitativa. Ludke (1986) afirma que a pesquisa qualitativa se desenvolve em um ambiente natural, que se constitui a fonte direta de dados e tem no pesquisador seu principal instrumento de coleta de dados. Esta abordagem de pesquisa possibilita um contato direto do pesquisador com a situação e o ambiente que está sendo investigado. 4.1 Contexto da pesquisa A pesquisa ocorreu em uma Universidade particular situada na Zona Leste da cidade de São Paulo. O nascimento da Instituição se deu em 1971, precisamente em 7 de janeiro, mas foi no ano de 1972 que iniciou suas atividades, no princípio como faculdade. Em 1992, adquiriu sua autonomia transformando-se em Universidade. Hoje, com 40 anos, tem como um dos seus objetivos formar profissionais e especialistas, em nível superior, considerando as exigências do mercado de trabalho, com vistas ao desenvolvimento sócio-econômico e cultural do País. Há nessa Universidade em torno de 13.000 alunos matriculados e alocados em diferentes cursos. A Universidade, hoje, oferece mais de 60 cursos de Graduação e Graduação Tecnológica, cursos de Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu, presenciais, nas Áreas de Saúde, Negócios, Comunicação, Ciências Jurídicas, Exatas e Turismo, entre outras, além de diversos cursos de Extensão e Programas de Parcerias no Brasil e no exterior. O curso de Administração conta com 1.262 alunos matriculados, distribuídos em 25 turmas, sendo 08 no período da manhã e 17 no período da noite. O curso de Administração conta com um diretor, uma tutora e 39 professores que se dividem em dois períodos, manhã e noite. 43 O curso de Administração tem como objetivo acompanhar os alunos em seus percursos de formação e promover sua participação em diferentes atividades curriculares. O projeto pedagógico do curso de Administração estava estruturado, por ocasião da pesquisa, da seguinte forma: Unidades Curriculares = 2.133 horas; Carga horária de Core Curriculum = 150 horas; Projetos integrados = 250 horas; Estágio supervisionado = 300 horas; Trabalho de conclusão = 80 horas e Atividades complementares (AACC) = 100 horas. Unidades Curriculares - O projeto pedagógico de ensino de graduação da Universidade tinha como princípio norteador a concepção de currículos integrados, voltados para a formação humanística e profissional dos alunos, assumindo o EpC – Ensino para a compreensão – como marco teórico de sua proposta pedagógica. O Core Curriculum - Era o eixo de formação geral dos cursos de graduação da Universidade. Representava o núcleo comum de conhecimentos relacionados à cultura geral e humanística, promovendo a ampliação do repertório analítico e cultural do aluno. O objetivo do core era oferecer múltiplas abordagens de conhecimentos, instrumentos de estudos e de análise, raciocínios e pesquisas próprias das grandes áreas de conhecimento, contribuindo para enfoques mais globalizados, pensamentos complexos e capacidade de síntese Projetos Integrados - Eram planejados a partir das necessidades e especificidades dos cursos e das áreas. Objetivavam propiciar ao aluno vivências e experiências em diversos cenários de prática profissional. A realização dessas atividades se dava por meio de visitas técnicas, simpósios, elaboração de projetos e relatórios, palestras, mini-cursos, congressos, consultorias, atuação em empresas e organizações que permitam ao aluno a mobilização de conhecimentos, atitudes e aplicação de habilidades para lidar com situações concretas da vida profissional. Estágio supervisionado - Era obrigatório, contando a partir do quarto semestre. O aluno podia optar em realizar o estágio em uma empresa, a partir de contrato de estágio firmado entre as partes, ou se já desenvolvia atividades administrativas poderia comprovar suas atividades por meio de relatório que relacionasse suas atividades profissionais com o conhecimento adquirido no curso. 44 AACC - Atividades Acadêmicas, Científicas e Culturais - Eram planejadas a partir das necessidades e especificidades dos cursos e das áreas, favorecendo o desenvolvimento de competências gerais e específicas à formação do aluno, contribuindo para ampliar as reflexões desenvolvidas em sala de aula, complementar conteúdo de ensino e atualizar temáticas do currículo. Oferecidas semestralmente pela Universidade, o aluno podia conhecer o menu de oferta e inscrever-se nas atividades, acessando o link “Aluno” no site da Universidade. 4.2 Sujeitos da pesquisa Foram sujeitos da pesquisa 40 alunos do Curso de Administração de Empresas, 20 deles ingressantes e 20 concluintes. Os critérios de seleção dos sujeitos foram os seguintes: 1. Estar matriculado e cursando o primeiro semestre do Curso de Administração de Empresas; 2. Estar matriculado e cursando o oitavo semestre do Curso de Administração de Empresas; 3. Ter disponibilidade para participar da pesquisa; 4. Concordar em assinar os termos de livre consentimento e participação na pesquisa. Como muitos alunos demonstraram interesse por participar da pesquisa, foi necessário efetuar um sorteio para selecionar os sujeitos. Foi fornecida aos participantes uma carta explicando os objetivos estritamente acadêmicos do estudo e a solicitação de sua participação no mesmo, através do preenchimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O TCLE trará todas as informações acerca da ausência de riscos para a integridade física, emocional, social e financeira dos sujeitos, assegurando-lhes total sigilo às respostas. Adicionalmente, o TCLE esclarecerá que a ausência de riscos possibilita ao pesquisador estimar que nenhum ressarcimento seja previsto para os sujeitos. A aplicação dos questionários ocorreu durante o período de aula e durou em média duas horas. 45 4.3 Procedimentos de coleta de dados Para Moroz e Gianfaldoni (2006, p. 83) a coleta de dados: [...] é o momento em que se obtêm as informações necessárias e que serão alvo de análise, posteriormente. Deve-se lembrar que os dados coletados têm uma direção – aquela dada pela questão que, enquanto pesquisador, pretende-se responder pelo objetivo que se pretende atingir; mesmo os dados imprevistos só se sabem que são, porque não ocorrem conforme se previa que ocorressem. Como já foi dito anteriormente, o procedimento de coleta de dados foi o questionário que, de acordo com Severino (2007), é formado por um conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos membros sobre os assuntos em estudo. O autor contribui dizendo que as questões devem ser pertinentes ao objeto e claramente formuladas, de modo a serem bem compreendidas pelos sujeitos. Moroz e Gianfaldoni (2006) acrescentam que, o questionário deve ser cuidadosamente planejado e que, este tem a vantagem de poder ser utilizado em um grande número de pessoas ao mesmo tempo. O questionário dos ingressantes contou com 09 questões, sendo que dentre elas 03 destinavam-se a definir o perfil dos alunos, 03 destinavam-se a delinear as expectativas e sobre a atuação do administrador e as demais eram relacionadas ao futuro e mercado de trabalho. Para os alunos concluintes foram aplicadas 06 questões, sendo que dentre elas 02 destinavam-se a formação e contribuição do projeto pedagógico, 02 destinavam-se as competências adquiridas e em relação ao mercado e as demais relacionadas às mudanças pessoais e profissionais que o curso pode contribuir para sua formação e em relação à segurança para atuar no mercado de trabalho. O questionário foi elaborado com questões abertas, às quais o sujeito respondia com suas próprias palavras e opiniões. As respostas dadas foram lidas e agrupadas em eixos temáticos, que representavam o tema central abordado nas respostas. 46 A análise dos dados se deu com base na Análise de Conteúdo. Segundo Franco (2005, p. 54): [...] a análise de conteúdo assenta-se nos pressupostos de uma concepção crítica e dinâmica da linguagem. Linguagem aqui que, em diferentes momentos históricos, elabora e desenvolve representações sociais no dinamismo interacional que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação. Com base nas repostas obtidas foi possível elencar alguns eixos temáticos que deram suporte à análise dos dados. 47 5 CAPÍTULO 4 – O QUE DIZEM OS ALUNOS DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO Neste capítulo são analisadas as respostas dos alunos ingressantes e concluintes do Curso de Administração de Empresas, registradas nos questionários. 5.1 Ingressantes do 1º Semestre A análise dos questionários permitiu observar que os alunos que buscam o curso de Administração pertencem a ambos os sexos. Do total de 20 alunos, 11 são do sexo masculino e 09 do sexo feminino, variando a idade, na faixa entre os 18 a 30 anos de idade. Quanto à formação, observou-se que os alunos que procuram o Curso de Administração não cursaram anteriormente outros cursos de graduação. Em relação à atuação profissional, pode-se constatar que o maior número atua como auxiliar e assistente administrativo (07), seguido por operador de call center (03), recepcionista (03), vendas no comércio varejista (02), almoxarife (02), segurança (01), suporte técnico (01) e analista de processos (01). O tempo médio que os alunos entrevistados atuam no mercado varia de 1 a 3 anos. 5.1.1 Escolha do curso Observou-se que, 18 dos sujeitos entrevistados já atuam em empresas e pensam em adquirir novos conhecimentos administrativos. Isso evidencia que o processo de construção da identidade profissional desses alunos já teve início antes deles buscarem o curso, na medida em que atuavam em empresas nas quais entraram em contato com funções administrativas e ficou evidente na fala dos sujeitos, que a busca pelo curso de Administração está relacionada à possibilidade de crescimento profissional e ao amplo campo de atuação profissional. Tem-se a seguir as respostas de sujeitos participantes da pesquisa: 48 SI 1 – Amplo campo de atuação profissional. SI 2 – Atuo na área de atendimento ao público, gostaria de compreender a área administrativa melhor e crescer profissionalmente. SI 3 – Crescimento profissional. SI 5 – Pessoas que eu conheço fizeram administração e hoje estão empregadas. Quero crescer profissionalmente e esse curso vai abrir novas oportunidades. SI 6 – Escolhi o curso para me especializar na área, pois pretendo continuar na empresa que trabalho e sei que para alcançar sucesso temos que procurar um bom curso. SI 9 – Amplo mercado de trabalho, bons salários, possibilidade de atuar em diversas áreas. SI 13 – Por abrir diversas oportunidades em qualquer empresa. SI 16 – Pelo ‘leque’ de oportunidades que o curso proporciona. Um dado importante a ser destacado é que, apenas 02 sujeitos pensam em empreender seu próprio negócio, ou seja, a maioria pretende atuar em empresas já constituídas. Eis as respostas: SI 10 – Futuramente pretendo abrir meu próprio negócio. SI 15 – Meus pais sempre tiveram o próprio negócio e não possuem formação. Penso em abrir meu próprio negócio e gostaria de fazer uma gestão mais profissional. É importante salientar, no entanto, que segundo pesquisa de 2009, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM)6 sobre empreendedorismo no Brasil, o número de negócios com até três meses de funcionamento cresceu 97% em relação a 2008. Os jovens de 18 a 34 anos concentram a maior parte desses empreendimentos: 52,5%. Em relação aos sujeitos pesquisados não se observou esse movimento, pois um número significativo de alunos já atua na área e esses alunos pensam em adquirir maiores conhecimentos administrativos para se manter e progredir no mercado de trabalho. Em contrapartida, dados divulgados pela Agência SEBRAE de Notícias, em abril de 2011, (apud, CABRAL, 2011) sobre a pequena e micro empresa, mostram 6 Revista Administrador Profissional. ano 34, n. 299, p. 12, Maio 2011. 49 que o número de falências requeridas vem aumentando mês a mês neste ano. Segundo a autora, o motivo pode ser falha na gestão ou de conhecimento. 5.1.2 Experiência anterior na área administrativa Como foi salientado anteriormente, 10 dos sujeitos disseram ter experiência na área administrativa antes de iniciar o curso e afirmaram que essa experiência contribuiu para a escolha do curso. Seguem algumas respostas: SI 3 – Sim, na empresa que trabalho como encarregado administrativo. SI 6 – Sim, trabalho na empresa há seis anos e já passei por vários setores até chegar à área administrativa na qual me identifiquei e quero crescer. SI 10 – Sim, estou trabalhando como auxiliar administrativo, e isso me fez refletir positivamente sobre a escolha do curso. SI 12 – Sim, como recepcionista fui responsável pelos pagamentos, arquivos e outros. SI 16 – Sim, como operadora de câmbio. SI 18 – Sim, trabalho como auxiliar administrativa em uma empresa de consultoria. Os demais sujeitos disseram não ter experiência anterior, sem justificar. É importante destacar que o Curso de Administração é um curso procurado por alunos sem experiência profissional, bem como, por alunos que já têm alguma experiência profissional na área, o que contribuiu para a escolha. 5.1.3 Participação de pessoas do círculo social na escolha profissional Lacombe (2009) salienta que podemos enriquecer enormemente nossa experiência de vida e profissional com a experiência dos outros, não limitando nosso crescimento às nossas vivências pessoais. Nessa perspectiva Dubar (2005) contribui dizendo que a socialização se torna um processo de construção, desconstrução e reconstrução de identidades ligadas às diversas esferas de pertencimento, possuindo certa definição da situação em que está inserido. Essa definição inclui uma maneira de se identificar a si próprio e de definir os outros. 50 Dos 20 sujeitos investigados, 09 disseram que houve influência de familiares como, pais, irmãos, esposa (o), também amigos e namorados, em suas escolhas profissionais. Fica claro na pesquisa que os grupos de pertencimento, apesar de não ser o único fator de influência, participam na escolha dos sujeitos. Seguem algumas respostas: SI 1 – Meu irmão me influenciou muito, já cursou Administração e tem boas referências do curso. SI 2 – A pessoa que mais me incentivou na escolha foi meu namorado, ele me convenceu ser uma área que proporciona diversas oportunidades. SI 3 – Amigos e familiares me incentivaram a fazer esse curso, pois iria abrir novas oportunidades de trabalho. SI 4 – Um amigo que está cursando e comentou comigo. SI 11 – Meu irmão fez Administração e acabou me influenciando. SI 18 – Minha irmã que já está no quarto semestre de administração e meu marido que é formado em ciências contábeis. Sendo que 08 sujeitos disseram que não houve influência, que optaram pelo curso pensando na própria realização pessoal e profissional. E 03 dos sujeitos explicaram que houve influência de um superior, como chefes e gerentes. Algumas respostas dos participantes: SI 5 – Nenhuma influência. Tomei a decisão pelo curso por realização pessoal e profissional. SI 6 – Nenhuma influência. Optei pelo curso por gostar e sei que contribuirá com meu futuro profissional. SI 7 – Atualmente recebi uma proposta para trabalhar junto a uma instituição financeira de grande porte, recebi orientação do gerente que me motivou na escolha do curso. SI 16 – Me espelho muito no meu chefe. Soube lidar com os desafios e hoje é proprietário de uma das maiores corretoras do Brasil. SI 20 – Gerente. 5.1.4 Expectativas em relação ao Curso de Administração de Empresas Dos 20 respondentes, a grande maioria, 18 sujeitos esperam que o curso os torne mais competentes e que essa competência possibilite crescimento profissional. 51 Há expectativas por parte dos sujeitos para que o curso contribua com o processo de construção identitária profissional, que se ancora no conjunto de competências aprendidas e desenvolvidas pelos sujeitos ao longo do curso. Ao analisarmos algumas respostas essa afirmação se torna evidente. Abaixo a resposta de vários participantes: SI 1 – Tenho muitas expectativas em adquirir novos conhecimentos, elevar meu grau de intelectualidade e me tornar um profissional cada vez mais competente. SI 3 – As melhores possíveis, hoje posso dizer que estou satisfeita pela escolha do curso. SI 4 – Quero crescer profissionalmente na empresa onde trabalho. SI 5 – Crescer profissionalmente. SI 8 – Espero aprender e desenvolver as funções e qualificações de um administrador. SI 13 – Aprimorar meu conhecimento. SI 14 – Aprimorar meus conhecimentos e conceitos da administração e aplicá-los no meu dia-a-dia. SI 17 – Obter a graduação para crescer profissionalmente e alcançar satisfação pessoal e poder atuar no mercado de trabalho em grandes e renomadas organizações. A minoria dos sujeitos entrevistados (02) estão focados em aprimorar seus conhecimentos e competências a fim de gerenciar sua própria empresa. SI 9 – Me tornar um empreendedor de sucesso. SI 10 – Espero adquirir conhecimento suficiente para administrar meu próprio negócio. Neste contexto, todos os sujeitos mostram-se interessados em adquirir novas competências humanas. Para Thomaz Durand (2006, apud, Pearson Education do Brasil, 2010), por exemplo, a competência humana concentra-se na competência individual e afirma que ela envolve três dimensões: conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser) já citados e explicados no capítulo 1 deste estudo. 52 5.1.5 Papel do administrador De acordo com Chiavenato (2006) o administrador assume vários e diferentes papéis em suas atividades. O autor identifica dez papéis e os divide em três categorias: interpessoal, informacional e decisória. Nesse contexto, podemos definir que os papéis interpessoais estão relacionados com as pessoas; os papéis informacionais estão relacionados com as atividades para manter e desenvolver a rede de informações e os papéis decisórios envolvem eventos e situações em que o administrador deve fazer escolhas ou opções, usando habilidades humanas e conceituais. Nota-se que 10 dos 20 sujeitos entrevistados já pesquisaram e conhecem o papel do administrador. Por outro lado, 10 dos sujeitos entrevistados não têm clareza a respeito do papel do administrador. Observa-se que esta questão teve o mesmo percentual de respostas que a questão 02, que focaliza a experiência anterior, ou seja, pode haver alguma ligação entre a “experiência e o conhecimento”, pois, por meio da experiência se aprimora e se adquire novos conhecimentos que, de certa forma, pode ter favorecido o aprendizado sobre o papel do administrador por parte dos sujeitos entrevistados. SI 4 – Sim, pesquisei e perguntei para meus superiores algumas vezes sobre as minhas tarefas de administrador, dentro da empresa. SI 6 – Sim, estudei recentemente em sala de aula e antes de iniciar o curso eu já havia pesquisado sobre o papel do administrador de empresas. SI 7 – Sim, vagamente. SI 9 – Sim, por meio de revistas, internet, amigos da área e observação dos profissionais. SI 10 – Sim, já havia pesquisado, porém, como atuo na área aprendo muito por meio das minhas experiências. SI 12 – Sim, por meio do site “guia de estudante”, internet e com amigos da área. SI 16 – Sim. SI 17 – Ainda possuo pouco conhecimento sobre o papel do administrador, mas sei que existem inúmeras possibilidades na área. 53 Para alguns sujeitos simplesmente não houve interesse em conhecer o papel do administrador. Pensando nesses sujeitos fica evidente que a falta de experiência na área administrativa fez com que os mesmos não tivessem o interesse despertado para pesquisar as funções e tarefas do administrador, como se pode perceber nas respostas abaixo: SI 5 – Não, pois o curso irá me apresentar. SI 11 – Sinceramente, não. SI 18 – Ainda não, é algo que necessito fazer com urgência. SI 20 – Não. 5.1.6 Principais habilidades de um administrador de empresas A maioria dos sujeitos entrevistados (18) demonstra conhecer algumas habilidades e atitudes que o administrador deve ter. Como refere Lacombe (2009) não existe uma única maneira certa de um administrador agir ou de conduzir. O administrador precisa reunir algumas habilidades e algumas podem ser válidas em quase todos os casos, porém, é sabido que, conforme a posição do administrador, as habilidades requeridas variam. Algumas habilidades necessárias segundo Lacombe (2009) são: comunicação e expressão, raciocínio lógico, crítico e analítico, visão sistêmica e estratégica, criatividade e iniciativa, negociação, tomada de decisão, liderança e trabalho em equipe e algumas dessas habilidades são consideradas importantes também para os estudantes de Administração. Eis algumas respostas: SI 1 – Organizar, planejar, tomada de decisão e trabalho em equipe. SI 3 – Respeito, ética, organização, compromisso e responsabilidade. SI 4 – Saber ser líder, conhecimento da área, responsabilidade, e saber viver em sociedade. SI 6 – O administrador deve saber liderar, delegar, organizar em busca de resultados e crescimento organizacional. SI 7 – Empatia, espírito de equipe, liderança, confiança. 54 Apenas 02 sujeitos não souberam responder esta questão. Percebe-se, entretanto, um dado positivo em relação à construção identitária do “ser administrador de empresas”, pois os entrevistados mostram-se em busca dessas habilidades. Ou seja, a minoria encontra-se em busca dessa informação para atribuir ao seu papel de formação. SI 15 – Não. SI 18 – Não. Tenho ciência que essas habilidades são imprescindíveis para eu me tornar uma administradora de sucesso, vou pesquisar em breve. 5.1.7 Expectativas do mercado Em relação a essas expectativas, Chiavenato (2006) acredita que em um mundo de negócios altamente competitivo e carregado de mudanças e incertezas, a Administração tornou-se o centro de toda atividade humana. O avanço tecnológico e o conhecimento humano, por si, não produzem efeitos se a qualidade da administração não permitir a utilização eficaz dos recursos envolvidos. Nesse contexto, as expectativas de mercado são positivas para 15 dos sujeitos entrevistados, ou seja, vários fatores como, o crescimento da organização, aumento dos mercados e negócios, sofisticação da tecnologia, visibilidade maior das organizações, a crescente globalização da economia e a internacionalização dos negócios tendem a contribuir com essas expectativas futuras, conforme relatos: SI 3 - Sim, por exercer a função de encarregado administrativo tenho observado que o mercado necessita de qualificação especializada. SI 4 - Sim, um mercado amplo com um crescimento promissor. SI 5 - Sim, pesquisei sobre o “leque” amplo de atuação na área. SI 6 - Sim, o mercado necessita de bons administradores, pessoas comprometidas e que “vistam a camisa da empresa”. SI 7 - Sim, vejo que a maioria das empresas estão selecionando externamente, pois falta qualificação para a área administrativa, tenho como base a empresa que trabalho. SI 9 - Sim, há uma grande procura das empresas neste setor, pois não existem administradores qualificados para as vagas. E com a globalização precisamos nos qualificar cada dia mais. 55 SI 10 - Sim, acompanho por meio de notícias (jornais, programas de TV e internet). SI 12- Sim, foi uma base que busquei como objetivo da minha profissão; senti-me mais segura na escolha do curso. Para os 05 sujeitos restantes, simplesmente não pesquisaram ou leram nada a respeito. SI 2 – Não. SI 8 – Não, mas a minha expectativa em relação ao mercado é ser um profissional capaz de exercer uma boa liderança, ser um gestor proativo e criativo e atento às novas tecnologias. SI 11 – Não, trabalhei em outra área e na administração é tudo muito novo para mim. SI 13 – Não tenho fontes certas para responder. SI 14 – Não. 5.1.8 Futuro Dos 20 sujeitos entrevistados, 17 apontam para o reconhecimento e crescimento profissional pensando na carreira como fator chave e fundamental para um futuro próximo. Eles apresentam o sonho de atuar em uma grande empresa, de adquirir estabilidade financeira, colocar os conhecimentos adquiridos no curso em prática, ter reconhecimento salarial, alcançar cargo de liderança, entre outros. Seguem os relatos dos entrevistados: SI 2 – Adquirir uma estabilidade financeira e ter uma carreira brilhante como administrativa de uma grande empresa. SI 3 – Espero colocar em prática os meus conhecimentos, não apenas para cumprir uma tarefa, mas a fim de ter um bom salário e ser reconhecida profissionalmente. SI 5 – Espero já atuar na área da administração, ter estabilidade financeira, melhor qualidade de vida e ter uma carreira profissional de sucesso. SI 6 – Espero alcançar um cargo de liderança na empresa. SI 8 – Espero administrar uma empresa de grande porte e ter uma carreira de sucesso. SI 9 – Estou otimista com meu futuro, minhas perspectivas é que eu ao terminar o curso esteja estagiando em uma grande empresa. 56 SI 11 – Além de me formar, tenho desejo de trabalhar em uma grande empresa, onde posso crescer profissionalmente. SI 14 – Espero estar atuando em uma grande empresa. SI 17 – Atuar em uma grande empresa, onde possa ter plano de carreira. SI 19 – Coisas gratificantes. Espero estar trabalhando em uma multinacional, ser uma pessoa bem sucedida. Eles pretendem desenvolver uma carreira, como dizem alguns, “de sucesso”. Para França (2011) carreira é um termo bastante utilizado, ao qual se agregam vários significados. Carreira é de difícil definição. De acordo com a autora pode-se utilizar “carreira” para referir-se à mobilidade ocupacional (o caminho a ser trilhado) ou à estabilidade ocupacional (uma profissão), como a carreira militar. Em ambos os casos, carreira passa a ideia de um caminho estruturado e organizado no tempo e no espaço que pode ser seguido por alguém. Dois dos entrevistados destacam o sonho de abrir o próprio negócio, e apenas 01 dos sujeitos pretende seguir com Pós-graduação Lato Sensu. SI 9 – Empreender meu próprio negócio. SI 10 – Pretendo abrir meu próprio negócio e administrar minha própria empresa. SI 20 – Terminar o curso e fazer uma Especialização. 5.2 Concluintes do 8º Semestre A análise dos questionários permitiu observar que os alunos concluintes do curso de Administração são de ambos os sexos. É importante destacar que o número de mulheres que está finalizando o curso é maior que o dos homens. Do total de 20 alunos, 05 são do sexo masculino e 15 do sexo feminino. As idades variam entre 21 e 30 anos de idade. Quanto à formação, observou-se que apenas um dos sujeitos fez outra graduação (Design Gráfico), quanto aos demais, não possuem outra formação. 57 No que diz respeito à atuação profissional destes alunos pode-se constatar que, em relação ao ingresso no curso não houve mudança significativa, o maior número deixou de ser auxiliar e assistente administrativo e passou para analista, ou seja, atua como analista administrativo (10), auxiliar de vendas (02), assistente de RH (01), assistente de crédito imobiliário (01), bancário (01), autônomo (01), supervisora (01), estagiário (01), auxiliar de logística (01), não identificado (01). O tempo médio que os alunos entrevistados atuam no mercado varia de 3 a 5 anos. 5.2.1 Expectativas iniciais versus expectativas finais Observa-se que, dos 20 sujeitos entrevistados 14 acreditam que o curso contribuiu para o processo de construção identitária profissional. Afirmam ter tido suas expectativas atingidas em relação ao curso e sua formação. Os outros 05 dizem estar satisfeitos, mas acreditam ser necessário fazer um Curso de Especialização como complemento para sua formação. SC 1 – Acredito que 50% das expectativas foram atingidas, o cenário que encontramos depois de formados, hoje, é extremamente agressivo e cada vez mais globalizado. É obvio que o curso me propiciou bons e inovadores recursos para a minha formação, mas não foi e não é o suficiente para que eu sair formada e 100% segura de ser um profissional administrativo. Necessito de uma Pós- graduação (Lato Sensu). SC 4 – Minhas expectativas foram atendidas, mas creio que, após escolher uma área de atuação e concluir uma Pós-graduação (Lato Sensu) minhas expectativas serão plenamente atendidas. SC 5 – Partes das minhas expectativas foram atendidas, ainda faltam outras conquistas. Mas com o conhecimento que tenho agora devido a minha graduação, com certeza será um diferencial para atingir meus objetivos e expectativas. SC 8 – Sim, hoje as pessoas de um modo geral (família, amigos e colegas de trabalho) me veem como uma pessoa determinada, forte e dedicada. Principalmente, devido a permanecer no curso diante das dificuldades que enfrentamos, como: cansaço físico e psicológico, falta de dinheiro, falta de tempo, conflitos pessoais e profissionais. Sinto-me mais valorizada. SC 15 – Minhas expectativas foram atendidas, pois com o curso pude ter muitas oportunidades profissionais e uma visão mais ampla que se refere à administração. SC 18 – Sim, no ato do ingresso no curso superior possuía apenas uma experiência na área de call center. Após estar cursando eu pude participar de diversas entrevistas e processos seletivos que possibilitaram meu aprendizado. Hoje, fruto desses processos seletivos, atuo em uma empresa, expectativa que era ingressar em uma empresa de grande porte. 58 SC 19 – Quando iniciei minha graduação tinha várias expectativas, tanto com o curso e também com o mercado de trabalho. Hoje posso dizer que boa parte das minhas expectativas foram alcançadas, principalmente em relação ao conteúdo do curso. Percebe-se no relato acima que houve uma evolução em relação ao crescimento profissional e aos novos conhecimentos adquiridos na área. Mesmo aqueles que não se sentem seguros e certos das suas expectativas em relação à sua formação têm como objetivo crescer profissionalmente dando continuidade com a Pós-graduação. Chama a atenção que apenas 01 sujeito diz não ter suas expectativas em relação ao curso e sua formação atendidas. Pode-se entender que, com base no seu relato (SC 20), o mesmo acreditou que apenas a formação fosse garantia de emprego e se decepcionou com a atual realidade do mercado. SC 20 – Iniciei no ano de 2008, tinha sim muitas expectativas em relação ao curso e referente à área profissional. Hoje quase formado minhas expectativas não foram atendidas. Achava que seria mais fácil arrumar um emprego, mas não é. 5.2.2 Projeto pedagógico Com base nos dados apresentados observa-se que, para 19 sujeitos entrevistados o projeto pedagógico foi importante para o processo de construção identitária profissional. Além de melhorar sua competitividade no mercado de trabalho, desenvolve competências empreendedoras como se pode observar em alguns relatos: SC 3 – Contribui, pois a partir destes cursos aprendemos novos conceitos e adquirimos novos conhecimentos de mercado. SC 4 – Sem dúvida, me tornei mais pró-ativo, adquiri espírito de liderança e reforçou minha expectativa de melhorar continuamente. SC 8 – Sim, o projeto pedagógico contribui muito, pois tive uma visão mais ampla de outros assuntos que não tinha sequer percepção do quão importante são. Cursei espanhol instrumental, artes, inglês. SC 9 – Sim, muito. Embora pareça desnecessária cada atividade complementar, todas contribuirão de certa forma me auxiliando pessoalmente e profissionalmente. 59 SC 11 – Contribui parcial. O único curso que me ajudou foi a AACC de análise social, pois cursei junto com o semestre que tive a base de fundamentos socioculturais, onde eu pude entender melhor a narrativa. SC 13 – Contribuíram muito. O que tenho mais a elogiar foram os projetos integrados, ou seja, tenho a oportunidade de vivenciar a teoria na prática. SC 16 – Sim, são momentos que saímos das bases focadas na graduação e passamos e mergulhar em outro universo como artes, história, a vivência prática dos projetos, etc. Apenas 01 sujeito considera que não foi importante, não justificando sua resposta. SC 17 – Não. No decorrer do curso, o sujeito participa de atividades citadas acima que lhe dão a oportunidade de aplicar seus conhecimentos em situações práticas do ambiente empresarial. 5.2.3 Competências aprendidas no Curso de Administração O processo de construção identitária do administrador de empresas inclui o desenvolvimento de algumas competências, segundo autores como Chiavenato (2006) que discutem o perfil profissional do administrador Para Fleury, MTL e Fleury, A (2001, p. 184) “competência é uma palavra do senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa”. Nesta perspectiva, o conceito de competência é pensado como conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de capacidades humanas) que justificam um alto desempenho, acreditando-se que os melhores desempenhos estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas. Em outras palavras, a competência é percebida como estoque de recursos, que o indivíduo detém. Para ser bem sucedido o administrador (CHIAVENATO, 2006) desenvolver três competêcias duráveis: conhecimento, habilidade e atitude. precisa 60 1. Conhecimento = Saber. O conhecer não definitivo, ou seja, é uma busca constante em aprender, reaprender e sempre buscar aumentar o conhecimento. 2. Habilidade = Saber fazer, está ligada as tecnologias e as técnicas. Usar o conhecimento para resolver problemas e ter criatividade para resolver não só problemas, mas para criar novas idéias. 3. Atitude = Saber ser, está relacionada com as vontades e identidade. É obter bons ou excelentes resultados do que foi feito com conhecimento e habilidade, ou seja, saber aonde se quer chegar para colocar os saberes em prática. De acordo com Chiavenato (2006) a competência mais importante para o administrador é a atitude, ou seja, está ligado ao comportamento pessoal que o administrador tem diante das situações com que se defronta no cotidiano. Para o autor o administrador precisa ser um agente de mudanças nas organizações onde seus principais produtos são a liderança e a inovação. Vejamos alguns resultados apresentados abaixo: SC 1 – Dinamismo e comunicação. SC 3 – Conhecimento e liderança. SC 4 – Me tornei mais pro ativo, adquiri espírito de liderança e reforçou minha vontade de melhorar continuamente. SC 5 – Visão de mercado, conhecimento, habilidades conceituais. SC 7 – Análise sistêmica, planejamento estratégico e negociações. SC 8 – Capacidade de ouvir e trabalho em equipe. SC 10 – Ouvir e saber analisar, ser crítico. SC 13 – Trabalho em equipe e pro atividade. SC 16 – Trabalhar em equipe pensando na solução de problemas. SC 18 – Amplo conhecimento acadêmico da área administrativa ligada à prática dos projetos e do dia a dia. 5.2.4 O que o mercado espera do Administrador 61 As respostas estão relacionadas às expectativas do cenário empresarial atual. Dos 20 sujeitos entrevistados, 19 afirmam: SC 3 – O mercado espera do administrador mais conhecimento, liderança, sabedoria e uma visão globalizada. SC 4 – Liderança, espírito de equipe, visão macro dos processos tecnológicos. SC 5 – Visão de mercado, conhecimentos, habilidades, ter a sabedoria de administrar conflitos. SC 8 – Atualmente, o administrador tem que ser flexível, inovador e muito realista em suas decisões. Na minha concepção o mercado espera por profissionais que se comprometam com o meio ambiente e com a sociedade. SC 12 – Flexibilidade, polivalente e ético. Os profissionais em administração se utilizam de diferentes tecnologias, conhecimentos e artefatos para auxiliá-los a planejar. Para o mercado, não basta ter pessoas na empresa. É preciso contar com talentos humanos. Ter pessoas nem sempre significa ter talentos. Talento é uma pessoa muito especial, uma pessoa dotada de competências. Apenas 01 sujeito não apresentou sua resposta. 5.2.5 Mudança profissional Na questão cinco observa-se que os sujeitos entrevistados atribuem as mudanças em sua vida profissional fazendo um paralelo com o surgimento de novas oportunidades e crescimento na carreira. Nota-se pelas respostas dos sujeitos: SC 1 – O leque de novidades e ferramentas que posso e devo utilizar para progredir, me torna um profissional completo. A formação me fez projetar objetivos mais audaciosos, porém, são objetivos possíveis e que só a formação não será suficiente, o meu empenho fará a grande diferença. SC 4 – Me tornei um profissional mais competente e a vida acadêmica me ensinou a correr atrás dos meus objetivos e metas. SC 5 – Profissional, posso dizer que foram as oportunidades de emprego e crescimento no mercado de trabalho, nesse período tive três promoções. 62 SC 9 – Minha vida profissional mudou completamente, desde que ingressei no curso de Administração. Antes trabalhava em um call center e hoje tenho a oportunidade de estagiar em uma grande empresa ganhando três vezes mais. SC 11 – Na minha vida profissional não tive grandes mudanças, observei que mudei o senso de organização e de decisão na empresa. SC 13 – Neste período de aproximadamente 4 anos obtive uma alavancagem, pois iniciei como aprendiz e com as promoções alcancei o cargo de analista. Podendo investir em cursos voltados para o trabalho e línguas. SC 15 – Uma das mudanças foi o convite para trabalhar em uma empresa de grande porte. Na função que me foi atribuído consegui utilizar no trabalho ferramentas que aprendi no decorrer do curso. SC 16 – Posso dizer que meu conhecimento ampliou. SC 18 – Conquista de um emprego em uma empresa de grande porte. Nota-se que a maioria dos sujeitos relaciona as mudanças profissionais com a satisfação por ter conseguido mudar de emprego, por ter sido promovido, por adquirir conhecimentos específicos na área e por se tornar pessoa mais competente, entre outras mudanças. 5.2.6 Segurança para atuar no mercado de trabalho Dos 20 sujeitos entrevistados, 18 consideram-se preparados e contribuem dizendo que o curso trouxe resultados positivos para sua formação do ponto de vista teórico e prático. Alguns afirmam que a Graduação é apenas um começo e atende à necessidade de dar continuidade com uma Especialização ou curso de línguas. SC 1 – Sim, mas por conta do meu esforço de ir à busca não só do conhecimento, mas também em adquirir novas habilidades. Acredito que estou me preparando bem para garantir o meu espaço no mercado. SC 2 – Sim, tenho força de vontade e sei que posso ir mais longe e não basta apenas o estudo e, sim que o conhecimento seja aplicado trazendo o retorno. SC 7 – Sim, mas preciso ter maior conhecimento na área de investimentos, pretendo investir em uma Pós-graduação. SC 8 – Sim, a universidade é um ambiente de profundo e contínuo aprendizado. Convivemos com mestres, doutores e professores que têm o “dom” de ensinar. Quanto mais aprendo sinto-me segura para argumentar, não tenho medo de expressar meus pontos conclusivos sobre determinados assuntos e, com isso, tenho destaque nos processos seletivos que participei. 63 SC 11 – Sim. Aprendi muitas coisas e tenho grandes chances de colocar em prática. Mas, não estou preparada ainda, me falta estudar mais. Não tenho nenhum curso de língua estrangeira e o mercado exige. SC 13 – Me considero preparada, pois consegui aprender o essencial para colocar em prática aquilo que o mercado pede como requisito básico e sempre que possível me atualizo com assuntos paralelos a universidade. SC 19 – A graduação é apenas o primeiro passo para me sentir preparada será necessário me especializar. Apenas 02 disseram que não se sentem seguros para atuar no mercado de trabalho sem justificar suas respostas. SC 17 – Não. SC 20 – Não. Pode-se constatar que, os sujeitos entrevistados (ingressantes e concluintes) apresentam um referencial positivo em relação à construção identitária de “ser um Administrador de Empresas”. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 64 Este estudo teve como objetivo principal investigar a percepção sobre os processos de construção de identidade profissional de alunos que frequentam o Curso de Administração de Empresas de uma Universidade privada, situada na zona Leste de São Paulo. A partir da análise dos dados coletados por meio de questionário aplicado aos alunos ingressantes (1º semestre) e concluintes (8º semestre) do Curso de Administração de Empresas podemos destacar que há um grande interesse, por parte dos sujeitos, em adquirir novos conhecimentos, novas habilidades e competências, a fim de dar continuidade ao processo de construção de identidade profissional. Observamos nas respostas dos sujeitos que participaram da pesquisa que a maioria já tem certo conhecimento a alguma prática do que é “ser um Administrador de Empresas”. Embora alguns não demonstrem conhecimento sobre os princípios e valores do administrador (papéis, habilidades, competências, etc.), mesmo assim, em algum momento da pesquisa demonstraram interesse em aprender e pesquisar. Fica evidente que a busca pelo Curso de Administração está relacionada ao amplo campo de atuação profissional e à possibilidade de crescimento profissional. Outro dado interessante é que 50% dos sujeitos questionados já possuem uma experiência na área administrativa, contribuindo e fortalecendo a sua escolha pelo curso e pela sua construção identitária em se tornar um Administrador de Empresas. Os demais sujeitos, mesmo não apresentando uma experiência formal na área administrativa, em algum momento do curso pesquisaram sobre as responsabilidades e habilidades que competem ao administrador. Dubar (2005 reconhece que, entre as múltiplas dimensões da identidade dos indivíduos a dimensão profissional adquiriu uma importância particular. Nesse contexto o autor considera que, por ter se tornado um bem raro o emprego condiciona a construção das identidades sociais. O trabalho obriga as transformações identitárias e, por acompanhar as modificações do trabalho e do emprego, a formação intervém nas dinâmicas identitárias por muito tempo além do período escolar. 65 A grande maioria dos sujeitos ingressantes e concluintes espera que o curso os torne mais competentes e que essa competência possibilite crescimento profissional. Desta forma, a satisfação pessoal e profissional reflete no conjunto de competências aprendidas e desenvolvidas pelos sujeitos ao longo do curso, favorecendo a construção da sua identidade profissional. Quanto às expectativas futuras com relação ao mercado de trabalho, pode-se observar que segundo os resultados da pesquisa, apontam para o reconhecimento e crescimento profissional pensando na carreira como fator chave e fundamental para um futuro próximo. A partir de uma análise mais concreta em relação às mudanças profissionais e segurança para atuar no mercado de trabalho, os sujeitos concluintes entrevistados atribuem essas mudanças em sua vida profissional fazendo um paralelo com o surgimento de novas oportunidades e crescimento na carreira buscando atingir o reconhecimento social. Torna-se importante voltar a Dubar (2005), quando o autor destaca que a transição objetiva como resultado de compromisso pode levar a um reconhecimento social. Neste caso, há uma instituição que legitima a identidade visada pelo indivíduo, seja a empresa, a organização profissional ou a instituição educacional que dão sustentação a um modelo identitário. De acordo com o relato da maioria, os mesmos dizem ter atingido plenamente suas expectativas em relação ao curso e que suas experiências contribuíram para o reconhecimento profissional, havendo, por consequência, uma evolução em relação aos novos conhecimentos adquiridos na área. Neste sentido, faz-se necessário compreender que a construção identitária do aluno administrador se dá por meio da vivência acadêmica (projeto pedagógico, estágios, projetos desenvolvidos no decorrer do curso, etc.) somada às suas próprias experiências profissionais. Dubar (2005) classifica esse modelo de construção identitária como “identidades construídas nos moldes da continuidade” que implicam em um sistema de emprego no qual os indivíduos mobilizam trajetórias contínuas. Observamos que todos os sujeitos estão preocupados com a construção identitária do “ser administrador”. Em termos gerais, todos demonstram interesses 66 comuns que são: aprimorar e adquirir novos conhecimentos teóricos relacionados à prática, aliando às suas perspectivas de sucesso e às expectativas de um futuro profissional. Finalizando, percebemos que os sujeitos ingressantes e concluintes demonstram objetivos muito parecidos em relação à sua formação, porém em estágios diferentes, ou seja, quando iniciam o curso e quando estão próximos de sua conclusão. As construções identitárias profissionais desses Administradores de Empresas assumem modelos aqui contextualizados que permitem compreender as necessidades e a busca pelo crescimento e pelo desenvolvimento no âmbito social, pessoal e profissional. 7 REFERÊNCIAS ARAUJO, F.F. Expectativas para o desenvolvimento e a formação do administrador no mercado globalizado: um estudo de caso em uma universidade brasileira. Facef Pesquisa. Franca (SP), v. 14, n. 2, mai/jun/jul/ago. 2011, p. 207-224 67 BENDASSOLLI, P. Recomposição da relação sujeito-trabalho nos modelos emergentes de carreira. RAE, v. 49, n. 4, out/dez. 2009, p. 387-400 BERNARDES, C; MARCONDES, R.C. Teoria geral da administração: gerenciando organizações. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Saraiva, 2003. BOUTINET, J. P. A Imaturidade da Vida Adulta. Tradução de Dina Osman. RésEditora. Porto (Portugal),1989. BRASIL, Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Parecer CES/CNE 0146/2002. Disponível em: http://www.mec.gov.br/sesu/ftp/pareceres/14602DCEACTHSEMDTD.doc. Acesso em: 16 out. 2012. CABRAL, D. Uma saída para a qualificação. Revista Administrador Profissional, ano 34, n. 299, maio, 2011, p. 10-13. CHIAVENATO, I. Princípios de administração: o essencial em teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. CIAMPA, A. C. A estória do Severino e a história da Severina: um ensaio de psicologia social. 5. Reimpressão. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1996. CLEGG, S; KORNBERGER, M; PITSIS, T. 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Atuação profissional atual: Tempo de atuação: Não( ) 1. Quais os principais motivos que fizeram você escolher o curso de Administração? 2. Você já tinha experiência na área administrativa antes de iniciar o curso? Qual? 3. Caso a resposta anterior seja positiva, sua experiência contribuiu para sua escolha? 4. Qual a participação das pessoas de teu circulo social na sua escolha? 5. Que expectativas você têm do Curso de Administração de Empresas? 6. Você já pesquisou sobre o papel do “administrador”? 7. Saberia responder quais as principais habilidades que um administrador? 8. Você já pesquisou sobre as expectativas do mercado a respeito da atuação do Administrador nas empresas? 9. O que espera para um futuro próximo daqui a quatro anos quando finalizar sua Graduação? Comete sua resposta. De acordo com o Decreto nº 93.933 de 14/01/87; resolução CNS nº 196/96, os dados dos participantes e das Instituições citadas estarão em absoluto sigilo. Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de eventuais publicações. APÊNCIDE B Questionário de entrevista com os alunos concluintes do 8º Semestre do Curso de Administração. 71 Dados Pessoais: Nome: Idade: Sexo: Feminino ( ) Masculino ( ) Já possui outra formação/graduação? Sim ( ) Qual? Atuação profissional atual: Tempo de atuação: Não( ) 1. Quando você iniciou a sua graduação, naturalmente você possuía algumas expectativas com relação ao curso e a sua formação. Hoje, próximo da sua formação, você diria que estas expectativas foram atendidas? Explique. 2. O Projeto Pedagógico do Curso de Administração (currículo, core curriculum, aacc, projetos integrados, estágio, etc), contribuiu para a sua formação? De que forma? 3. Cite algumas competências que foram aprendidas ou aprimoradas no curso de Administração de Empresas? 4. O que o mercado espera que o Administrador tenha ou desenvolva? 5. Fazendo um balanço da sua vida acadêmica, quais as principais mudanças na sua vida pessoal/profissional que você vivenciou e atribuí a sua formação? 6. Você se sente seguro e preparado para atuar no mercado de trabalho? Por quê? De acordo com o Decreto nº 93.933 de 14/01/87; resolução CNS nº 196/96, os dados dos participantes e das Instituições citadas estarão em absoluto sigilo. Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de eventuais publicações. ANEXO A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Decreto n. 93.933 de 14/01/87; resolução CNS n. 196/96) 72 O Sr. João André Tavares Fernandes, RG no 24.504.185-0, nascido em Mendonça, Masculino, residente à Rua General Jardim, 76, na cidade de São Paulo, está sendo convidado a participar do estudo: PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: Alunos Ingressantes e Concluintes do Curso de Administração de Empresas em uma Instituição de Ensino Superior Particular na cidade de São Paulo. A pesquisa tem como objetivo principal investigar os processos de construção de identidade profissional de alunos do curso de administração de uma Universidade privada situada na Zona Leste de São Paulo. O nome dos participantes e da Instituição estará em absoluto sigilo. Todas as informações obtidas na pesquisa serão utilizadas apenas para a análise científica dos dados e em caso algum, os nomes dos participantes constarão de eventuais publicações. Qualquer dúvida ou esclarecimento poderá ser dado pelo pesquisador responsável, Profª Drª Ecleide Cunico Furlanetto, que pode ser encontrada na Rua Cesário Galeno, 445.478, São Paulo / SP – Fone: (11) 2178-1212. O Senhor (a) tem garantia de sigilo de todas as informações coletadas e pode retirar seu consentimento a qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de benefício. Declaro ter sido informado e estar devidamente esclarecido sobre os objetivos deste estudo, sobre as técnicas e procedimentos a que estarei sendo submetido e sobre os riscos e desconfortos que poderão ocorrer. Recebi garantias de total de sigilo e de obter novos esclarecimentos sempre que desejar. Assim, concordo em participar voluntariamente deste estudo e sei que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de qualquer beneficio (caso o sujeito de pesquisa esteja matriculado na Instituição onde a pesquisa está sendo realizada). Data: _____________________________________________ Assinatura do sujeito da pesquisa ou representante legal _______________________________________________________ Pesquisador responsável / orientador 73 Eu, Ecleide Cunico Furlanetto, Responsável pela pesquisa PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE PROFISSIONAL: ALUNOS INGRESSANTES E CONCLUINTES DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR PARTICULAR NA CIDADE DE SÃO PAULO declaro que obtive, espontaneamente, o consentimento deste sujeito de pesquisa (ou de seu representante legal) para realizar este estudo. Data: __________________________________________ Assinatura do Pesquisador Responsável