Creche e Terminação
Parâmetros produtivos em
suínos em crescimento
Introdução
Sistemas de produção
Todos estão cientes da evolução
genética de nossos suínos nas últimas
décadas, a qual vem repercutindo positivamente nos índices de produção. Na
Europa, essas melhorias se reßetem, principalmente, no ganho de peso médio diário e no índice de conversão alimentar. No
entanto, estamos conscientes de que esses
parâmetros sofrem uma ampla inßuência
de muitos outros fatores. Por exemplo
o fato desses parâmetros nunca serem
iguais, mesmo no caso de suínos nascidos
na mesma granja e que recebem o mesmo
tipo de alimentação — uma vez que os
efeitos das instalações e da época do ano
são suÞcientes, por si só, para provocar
variações consideráveis.
Primeiramente, gostaria de fazer
referência aos três tipos de suínos que
produzimos na Espanha, que são classiÞcados como:
Por isso devemos interpretar esse
artigo como se fosse uma aproximação
às médias de produção que temos atualmente na Europa, mais concretamente na
Espanha.
b) Suínos gordos: sacriÞcados entre 110 e 125 kg de peso vivo, destinados
ao consumo de produtos curados (presunto, salsicha, lingüiça) e priorizando a boa
qualidade de carne. Há, inclusive, deno-
a) Suínos “verdes” ou magros: sacriÞcados entre 90 e 95 kg de peso vivo,
destinados ao consumo de carne in natura e primando pelo bom rendimento de
carcaça. Tanto machos como fêmeas são
entregues inteiros (não castrados) no abatedouro. São fruto do cruzamento entre
uma linha fêmea Landrace x Large White,
em seus diferentes nomes comerciais, tendo como Þnalizadores os cachaços de alta
conformação (Pietrain – Landrace, Large
White conformado);
Dr. Antonio Palomo Yagüe
Setna Nutricion – Inzo
Diretor da Divisão Suína
[email protected]
minações de origem (produtos rotulados
– Presunto de Teruel). Nesse caso, os machos são castrados e as fêmeas não. Esse
tipo de suíno origina-se do cruzamento de
fêmeas Landrace x Large White standard,
com cachaços sintéticos industriais ou
Duroc;
c) Suínos Ibéricos ou de “Pata Negra“: supostamente uns 10% da produção
suína da Espanha, com a particularidade
de serem uma raça autóctone de capa negra, exclusiva da Espanha e de Portugal,
sendo considerados um produto diferenciado. Dentro dessa categoria há várias
linhas genéticas, como o Ibérico Retinto,
o Lampiño, o Torbical e o Entrepelado.
Com relação a essa categoria de animais,
há uma norma de qualidade na qual se deÞne que a fêmea tem de ser Ibérica pura
e que o macho pode ser Ibérico, Duroc
ou qualquer dos cruzamentos entre esses
dois. Há dois tipos básicos de produção: a
extensiva e a intensiva. Na primeira, onde
os animais são conhecidos como Suíno
Ibérico de Bellota ou Montanera, os suínos são alimentados soltos, no campo de
bellotas (fruto de alguns tipos de árvores,
conhecidas como encinas e alcornoques)
e na pastagem, entre novembro e fevereiro, inclusive. Na produção intensiva desses suínos, conhecida como “recebo”, os
animais são alimentados com ração, em
estrutura similar a do suíno branco. Esses
suínos são sacriÞcados entre 145 e 165 kg
de peso vivo, os machos sempre castrados
e, ocasionalmente, também as fêmeas. São
suínos com alto percentual de gordura e
com excepcional qualidade de carne, consumidos tanto in natura como, sobretudo,
na forma de curados (presuntos, copas e
lombos). Seu valor de mercado é muito
superior ao dos dois primeiros grupos.
Fatores de inßuência
Na Espanha são produzidos três tipos de suínos: suínos “verdes” ou magros para consumo in natura,
suínos gordos e ibéricos ou “pata negra” destinados à produtos curados.
Ano VI - nº 25/2008
A capacidade de consumo voluntário de ração, que é deÞnida pelo sistema
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nor nas provas realizadas a campo, quando comparada a ensaios experimentais.
Energia
Nos leitões há uma relação linear
entre a ingestão de energia e o ganho de
peso médio diário. Devemos considerar a
diferença entre incrementar a densidade
energética da ração e o aumento do consumo energético diário. Assim, em fases
avançadas de engorda e segundo os fatores anteriormente mencionados, o incremento da densidade energética dará lugar
a um decréscimo no consumo de ração, o
que nem sempre é igual a uma maior ingestão energética, com maior crescimento
diário.
Aminoácidos
O uso de antibióticos como promotor de crescimento tem demonstrado uma melhoria no ganho
médio de peso diário e no índice de conversão alimentar na ordem de 3-5%.
nervoso central e o comportamento das
diferentes linhas genéticas, são os responsáveis pelas consideráveis variações na
base dos parâmetros produtivos e por isso
quero tomá-los como ponto de partida.
Desde o dia 1° de janeiro de 2006
foi suprimido o uso de todos os antibióticos promotores de crescimento (carbadox,
tilosina, salinomicina, ßavofosfolipol, bacitracina de zinco) na Europa e isso deve
ser levado em conta se quisermos comparar seus parâmetros produtivos com países
onde esses fármacos ainda são permitidos,
considerando que estudos realizados determinam melhorias no ganho médio de
peso diário e no índice de conversão alimentar da ordem de 3 a 5% .
Todavia, não é menos correto
aÞrmar que, nos últimos anos, os programas nutricionais para suínos de engorda
melhoraram claramente, estendendo essa
melhoria aos parâmetros produtivos. As
medidas habituais voltadas à nutrição,
postas em prática dentro de nossas granjas
têm sido as seguintes:
1 - ClassiÞcação da capacidade de
consumo e crescimento dos suínos (deposição de tecido magro);
2 - Balanço de dietas com base na
proteína ideal (aminoácidos digestíveis);
3 - Formulação com base na energia
líquida do suíno;
4 - Otimização da relação cálcio/fós-
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foro digestível, utilizando Þtases
(enzimas);
5 - Emprego de complexos enzimáticos (xylanase, betaglucanase,
amilase, peptidase);
6 - Incorporação de outros aditivos:
probióticos, prebióticos, ácidos
orgânicos, óleos essenciais;
7 - Melhorias nos processos de controle de qualidade das matérias
primas;
8 - Avanços na tecnologia de fabricação;
9 - Incorporação de sistemas de alimentação líquida (na Europa,
mais de 65% dos suínos de engorda);
10 - Melhoria dos sistemas de manejo
de programas de alimentação.
O primeiro fator nutricional com
grande inßuência no ganho de peso médio
diário (GMD) é o consumo energético. Os
aminoácidos são o segundo fator, sem nos
esquecermos dos níveis de fósforo, vitaminas e outros micronutrientes.
Os fatores genéticos, sanitários e
ambientais intervêm no consumo de alimento, o que determina entre 65 e 80% da
variabilidade individual no crescimento
diário.
O consumo de ração, nas mesmas
linhas genéticas, chega a ser até 30% me-
Os níveis de aminoácidos – tomando-se como referência a lisina – essenciais para a deposição de tecido magro,
dentro dos ganhos de conjunto diários dos
tecidos, devem ter uma correta relação
com o nível energético das dietas. Assim,
a relação adequada lisina/calorias deve
ser tomada como parâmetro de referência.
É assim que deve ser, já que ao variarmos
a concentração energética, o consumo de
alimento muda e, portanto, o ganho médio
de peso diário também. Desse modo, uma
maior concentração energética implica
numa maior concentração de aminoácidos na dieta. Essa observação deve ser
mais comum em genéticas magras e em
condições climáticas adversas. Também
deve ser diferente a relação entre machos,
fêmeas e animais castrados, em função de
sua capacidade distinta de consumo voluntário e de suas necessidades individuais. Um caso a parte merece ser levado em
conta, quanto à relação energia/aminoácidos, que são os programas de alimentação
para suínos Ibéricos, em função de suas
necessidades protéicas serem muito inferiores. Da mesma forma, devemos considerar a referida relação, caso as dietas
sejam fornecidas ad-libitum, racionadas,
secas ou alimentação líquida.
Em síntese, quando se reduz o
consumo diário de alimento em dietas
concentradas em energia, deve-se incrementar o percentual de lisina para manter
o consumo de gramas de lisina por dia,
com base no objetivo de ganho de peso
médio diário. Se, quando subimos a energia da ração temos uma resposta positiva
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no ganho média diário, ainda que se mantenha o consumo médio diário, necessitamos subir os níveis de lisina para continuar aumentando o referido GMD.
Para otimizar a relação energia/lisina dispomos de quatro métodos básicos,
bem conhecidos, que são:
a) Realizar provas de nutrição
com diferentes concentrações na dieta,
avaliando a resposta dos suínos (considerar genéticas distintas e variáveis produtivas);
b) ClassiÞcação dos suínos, estabelecendo a capacidade de deposição
de tecido magro e o consumo de alimento. Realiza-se através da medição, com um
ecógrafo, da gordura e da musculatura a
intervalos regulares, inter-relacionando as
mesmas com as curvas de crescimento diário
e pesos intermediários. As curvas de consumo devem ser estabelecidas, direta ou
indiretamente, com base na estimativa dos
requerimentos de energia das dietas para
o crescimento do tecido magro, tecido
gorduroso e requerimentos de energia de
manutenção;
c) Embasado na padronização dos
sistemas de classiÞcação, utilizam-se curvas-padrão de crescimento de tecido magro, derivadas das categorias de médias
de ganho de musculatura sobre os períodos completos das fases de crescimento e
terminação. Considera-se o consumo derivado da melhor relação energia/lisina;
d) Desenvolvimento de equações
de regressão, que predizem a relação lisina/energia baseada no peso vivo. Essa
relação está muito condicionada ao potencial genético dos suínos.
Sistema imunológico
A resposta do sistema imunológico frente aos diferentes patógenos atua
sobre as células musculares por diferentes
vias, causando uma redução na deposição
de tecido magro e provocando um impacto negativo no crescimento do suíno.
A resposta antigênica é maior, nos
suínos com elevada deposição de tecido
magro, comparativamente aos mais gordos. O estado sanitário de nossas granjas
de suínos afeta mais o crescimento magro
que o gordo. Pode-se dizer então que, nos
suínos mais sadios é possível concentrar
mais as dietas, tanto em termos de energia como de aminoácidos, havendo uma
melhor correlação com o ganho de peso
médio diário.
Os fatores de estresse, tanto sociais (mistura de animais, tamanho do
grupo, densidade) como ambientais, reduzem a eÞcácia do sistema imunológico do
suíno e a deposição de tecido magro mais
a de gordura, dando lugar a uma redução
do ganho de peso médio diário. Aqui é
importante considerar também como a seleção genética visando uma maior deposição de tecido magro mudou a Þsiologia do
crescimento nos suínos, além das respostas aos diferentes estímulos ambientais e
sanitários.
Água
Gostaria de fazer menção a outro
nutriente essencial na determinação de
um ganho de peso médio diário adequado
para os suínos, que é a água. Os suínos
obtêm a água por três vias bem diferenciadas, nas seguintes porcentagens:
a) Água de bebida - 83%
b) Água metabólica - 14%
c) Água da ração - 3%
A água é a chave para o consumo
de ração por atuar em muitas reações químicas, regular a temperatura interna, servir como meio de transporte de hormônios, mensageiros, enzimas e nutrientes.
Durante o período de engorda o
consumo de água aumenta proporcionalmente ao consumo de ração e ao peso
vivo, estimando-se uma relação de 2,5 a
3,5 litros de água por quilo de ração, segundo um conjunto de variáveis.
Como todos sabemos, a qualidade
da água de bebida é essencial para manter um consumo adequado em cada fase
e não inßuir negativamente no ganho de
peso médio diário.
Também devemos levar em consideração a inßuência da dieta sobre o
consumo voluntário de água. Assim, por
exemplo, os níveis elevados de proteína
bruta dão lugar a um maior consumo de
água (entre 10 e 20 % a mais, segundo os
níveis). Em suínos de engorda, uma redução dos níveis de proteína bruta, com
um incremento dos níveis de aminoácidos
sintéticos, não determina mudanças no
consumo de água.
Minerais
Os níveis de fósforo são importantes para o desenvolvimento ósteo-esquelético, inßuenciando a mineralização
óssea (aproximadamente 80% do fósforo orgânico está nos ossos). Também é
essencial o seu papel no crescimento do
tecido magro, por intervir na utilização da
energia do ATP e na manutenção do equilíbrio eletrolítico. Sabemos que uma relação cálcio/fósforo elevada reduz o consumo voluntário de alimento e, portanto, do
ganho médio de peso diário. Atualmente o
uso de Þtases nas rações permite que ajustemos melhor esta relação em cada fase
produtiva, possibilitando que cheguemos
mais próximos do melhor índice de ganho
de peso diário.
Suínos & Cia
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A utilização de Þtase nas rações permite ajustar melhor a relação produtiva de casa fase,
possibilitando o melhor indice de ganho de peso diário.
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Além disso, gostaria de apontar
outra série de fatores que têm inßuenciado nos parâmetros produtivos de engorda
para chegar ao ponto em que estamos
hoje:
a) Dietas mais digestíveis para os
leitões, após o desmame, além de instalações e condições ambientais melhoradas,
o que resulta em animais mais pesados às
8 e 10 semanas de vida, momento em que
são transferidos ao setor de engorda, reduzindo assim os dias de permanência no
mesmo;
b) Manejo: a mão de obra das
granjas está cada dia mais proÞssional, o
que sem dúvida favorece a obtenção de
melhores índices;
c) Sanidade: na Europa, desde
1991, sofremos um agravamento dos
problemas respiratórios nos suínos de
engorda pela presença do vírus da Síndrome Respiratória e Reprodutiva Suína
(SRRP na Europa ou PRRS na América)
e do Circovírus Suíno do tipo 2 (PRCAD
ou PMWS), além de um incremento nas
patologias digestivas, como conseqüência
da supressão dos antibióticos promotores
de crescimento (APC ou GPA), que não
têm feito outra coisa senão penalizar, por
esta via, os índices zootécnicos, fazendonos perder, em muitos casos, todas as melhorias derivadas do restante dos fatores
de inßuência.
A resposta do sistema imunológico frente aos patógenos também causa redução na deposição de
tecido magro, provocando retardo no crescimento do suíno.
Parâmetros produtivos
• Índice de conversão alimentar
• Consumo de ração médio diário
Dentro dos índices zootécnicos
nos suínos de engorda, gostaria de estabelecer dois grandes grupos, tanto em nível
acadêmico, como do ponto de vista econômico. Assim, vejamos:
Grupo II:
Grupo I:
• Ganho de peso médio diário
Alternância entre local e ano, ou
quilos produzidos por local de engorda e
ano.
DADOS PRODUTIVOS
SUÍNOS
“VERDES”
SUÍNOS
GORDOS
SUÍNOS
IBÉRICOS
Fase de produção
Peso Þnal (kg)
Abate 90
a 95
Abate 115 a
120
Abate 150 a
160
Quilos recuperados
70 a 75
95 a 100
130 a 140
Ganho de peso médio diário (g)
725
740
680
Consumo médio diário (g)
1,800
2,150
2,33 a 3,11
Dias alojados
100
130
225
Índice de C.A.
2,6 a 2,8
2,7 a 3,0
4,0 a 5,5
Consumo total de
ração/suíno (kg)
200
270
525 a 700
Custo total de alimentação
(€/suíno engorda)
48
60
120 a 145
Custo por kg de carne
(€/kg)
0,65
0,62
0,90 a 1,00
Mortalidade ( % )
4a6
4a6
3a5
Custo terapêutico
médio/suíno ( % )
3a5
3a5
3a4
Custo total de produção (€/kg)
1,00 a 1,10
1,00 a 1,12
1,10 a 1,30
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• Mortalidade
• Suínos atrasados – caudas
• Custo terapêutico
• Dias de permanência no setor de engorda.
Do ponto de vista Þnanceiro, a
fase de engorda contempla de 50 a 60 %
do custo Þnal de produção e corresponde
a 65 - 75 % do gasto com alimentação,
em uma granja de ciclo completo. Desde
meados de 2007 e até março de 2008, o
custo de alimentação tem sido incrementado consideravelmente, já que passamos
de um custo médio de ração de engorda,
de 190 a 240 €/Tonelada (1 € = 1,48 dólares americanos).
Do mesmo modo, nosso custo
médio por quilo produzido passou de 0,90
-1,00 € a 1,05 -1,20 €/kg de peso vivo.
Os dados médios de produção
que coloco a seguir estão baseados em
um peso inicial da sua entrada no setor de
engorda, estabelecido como sendo de 20
quilos de peso vivo.
Para colocar esses dados à disposição de uma forma clara e precisa permitam-me organizá-los em uma tabela para
que Þque mais fácil seu entendimento e
sua interpretação, conforme pode ser visualizada na tabela acima.
Suínos & Cia
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