6 18 Maio de 2010 Editorial Museus e Harmonia Social foi o tema proposto pelo ICOM para reflexão, neste ano, no Dia Internacional dos Museus, temática que será igualmente objecto de discussão mais alargada na 22ª Assembleia Geral deste Organismo que ocorre em Novembro, na cidade de Xangai. Como é que os Museus podem contribuir para a Harmonia Social ? Os museus não são espaços imaginários, isolados, imunes aos conflitos e às contradições próprias de uma sociedade em mudança, dinâmica e contraditória. Eles são também reflexos desse constante movimento e de alteração de paradigmas. Os museus são, naturalmente, instituições com relevantes funções sociais que possuem os instrumentos e mecanismos que lhes permitem participar na formação e educação das pessoas, pugnando por uma maior consciência cultural e cívica das comunidades. Talvez uma resposta possível à pergunta atrás referida possa estar na vontade de querermos um museu mais comprometido com o desenvolvimento, com a cidadania e com a inclusão cultural. É esta a nossa perspectiva de futuro que apela a uma participação e envolvimento efectivo de todos, não só daqueles que trabalham nas instituições, dos nossos públicos e utilizadores habituais, mas sobretudo de alguns sectores da população ainda esquecidos e negligenciados, ou de pessoas diferenciadas, portadoras de deficiência, normalmente, afastadas dos equipamentos culturais, por inúmeras barreiras, quer sejam de natureza física, mental ou cultural. Neste sentido, podemos afirmar que os museus, nomeadamente, os museus públicos, porque detentores de uma herança patrimonial que é de todos, podem e devem contribuir para uma maior integração social e valorização individual, baseada no diálogo intercultural, na tolerância, na descoberta de novas realidades e na sua própria criatividade. Há ainda um longo caminho a percorrer! Contribuir para um serviço público de qualidade é por isso um objectivo legítimo e natural. Foi esse o caminho que definimos como estratatégico para o Museu Quinta das Cruzes, onde as recentes obras de benficiação que abrangeram todos os espaços edificados da Quinta, a conservação e valorização das suas colecções e a renovação da exposição permanente, conferem uma imagem mais apelativa desta Instituição. Neste âmbito, quero referir a enorme satisfação e a importância de vermos concretizado a criação de acessos adequadas aos grupos portadores de deficiência motora ou com mobilidade reduzida, possibilitando-lhes a visita integral dos jardins e à quase totalidade da exposição permanente. Chegar a estes e a outros públicos locais, marcados pela diferença e pela necessidade de um atendimento de maior proximidade, é, talvez, uma forma de contribuir para uma maior harmonização social. Teresa Pais Directora do Museu Índice Editorial 1 Obras de Beneficiação do Museu 2 A Exposição Renovada 4 Peça em destaque 6 Biblioteca 7 Serviço Educativo 8 Boletim Infantil 9 Património Local Wilhelm G. Ritter 10 “Obras de Referência dos Museus da Madeira 11 A Noite dos Museus 12 Pontos de interesse especiais: • Obras de Beneficiação • A Exposição Renovada • Peça em destaque Obras de Beneficiação do Museu guardando todos os aspectos técnicos e procedimentos relativos à conservação e segurança das colecções. A intervenção, que teve início a 10 de Julho, abrangeu trabalhos de manutenção, de restauro e de requalificação de toda a área ajardinada e edificada da Quinta, incluindo o edifício principal do Museu, a Capela, a portaria / loja, anexos e serviços técnico – administrativos. Intervenção na fachada do edifício principal A edificação da Quinta das Cruzes remonta aos primeiros capitães donatários do Funchal, João Gonçalves Zarco e seu filho João Gonçalves da Câmara, nos finais do século XV, inícios do século XVI. Este espaço foi durante o século XVII sofrendo alterações e transformou-se, ao longo dos séculos XVIII e XIX, numa Quinta Madeirense, constituída por Casa de Moradia, Capela, “Casinhas de Prazer” e Parque Ajardinado. A Quinta foi adquirida pelo Estado em 1946 e foi classificada como Imóvel de Interesse Público, em 1947. O Museu abriu as suas portas oficialmente a 28 de Maio de 1953. A importância patrimonial e museológica do Museu Quinta das Cruzes reside essencialmente na ideia de Quinta, enquanto conjunto arquitectónico e na articulação natural dos seus espaços verdes e edificados como unidade de referência, no contexto da cidade do Funchal e da sua história. A extensão da Quinta, a sua antiguidade, a localização numa parte histórica da cidade, envolvida por um Parque ajardinado, a sua frequência por um número significativo de visitantes, exigem cuidados especiais de preservação e requerem, por um lado, acções de manutenção e conservação regulares e, por outro, intervenções mais profundas e complexas, tendo em conta o desgaste das estruturas bem como dos materiais aplicados ao longo dos tempos. Foi neste contexto que se inseriram as recentes Obras de Beneficiação do Museu, viabilizadas com o apoio financeiro de fundos comunitários, cofinanciados no âmbito do POPRAM III/FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. A promoção da obra foi da responsabilidade da Secretaria Regional de Educação e Cultura/Direcção Regional dos Assuntos Culturais, e a fiscalização ficou a cargo da Direcção de Serviços do Património Cultural (DRAC). O Museu encerrou as suas portas ao público a 30 de Junho de 2008, dando início aos trabalhos de desmontagem de todas as salas de exposição permanente e de reservas, bem como ao acondicionamento e isolamento de todo o espólio museológico, salvaPágina 2 Intervenção no interior do edifício principal No âmbito da obra foram realizados diversos trabalhos de manutenção das estruturas edificadas, que abrangeram a desinfestação de todos os espaços; a revisão e consolidação de todas as coberturas; o reforço estrutural dos pavimentos em madeira do 1.º piso; a pintura e caiação geral dos espaços edificados; a remodelação e ampliação das instalações sanitárias; etc. Também a recepção aos visitantes foi melhorada com a renovação da Portaria/Loja do Museu. De entre as diversas intervenções, assumem particular destaque a criação de acessos a pessoas com mobilidade reduzida e deficientes motores aos dois pisos visitáveis do edifício principal, e a toda a área ajardinada, e também a remodelação da iluminação das salas do andar nobre do Museu. Rampa de acesso ao andar nobre do Museu Museu Quinta das Cruzes A Noite dos M useus (17.05.2 008) Obras de Beneficiação do Museu Recuperação dos fontenários No exterior, as obras incidiram sobre a recuperação dos rebocos, muros e calçadas, a introdução de sistemas de rega automática na área ajardinada, e a recuperação de todos os fontanários, com a introdução de bombas de recuperação de águas, o que permitiu que todos os fontenários estejam a funcionar, trazendo de volta à Quinta uma das suas mais interessantes particularidades há muito perdida. Complementarmente, procedeu-se à iluminação integral dos jardins, com destaque para o Parque Arqueológico e para as principais espécies naturais, nomeadamente, árvores de grande porte o que em muito veio valorizar o Património Natural da Quinta. Pormenor dos trabalhos de reforço estrutural dos pavimentos do 1.º piso Após a conclusão dos trabalhos, procedeu-se à remodelação, montagem e apresentação da exposição permanente, com um novo discurso expositivo e museográfico, apoiado por uma nova sinalética e a introdução de novas peças. Entrada do Museu (Sala 1) O Museu Quinta das Cruzes reabriu as suas portas ao público no dia 14 de Julho de 2009 e apresenta-se agora com uma imagem renovada e mais qualificada, permitindo uma fruição mais adequada e abrangente deste espaço. Iluminação exterior da fachada principal O programa de Beneficiação incluiu dois projectos de especialidade, da autoria dos engenheiros Vitor Vajão, respeitante à iluminação no interior das salas de exposição permanente do 1º piso e iluminação exterior do edifício principal e dos jardins, e João Appleton, no que concerne ao reforço estrutural dos pavimentos de madeira. Museu Quinta das Cruzes Página 3 A Exposição Renovada Após este período de encerramento, o Museu Quinta das Cruzes abriu pronto a ser redescoberto pelos visitantes, que podem agora encontrar uma exposição permanente, com novos núcleos e novas peças. No actual percurso expositivo, começamos por destacar, na sala 2, a Exposição temporária de desenhos e aguarelas da Madeira, do século XIX, pertencentes ao Álbum “Sketches by Emily Geneviève Smith”. A autora destes desenhos, a britânica Emily Smith registou em apontamentos a sua vida durante o período de permanência na Ilha, entre 1841 e 1843: a casa onde a família residiu no Funchal (Quinta da Nora), os acontecimentos vividos (Naufrágio do brigue Dart, 1842), as expedições realizadas na Ilha (passeios a Santana, S. Jorge). Desenhadora e aguarelista dotada, Emily capta nos seus desenhos a Madeira vista através de um olhar estrangeiro, profundamente influenciado pela época vitoriana, com dramáticas ravinas e habitantes pitorescos, que ilustram o sentimento romântico que percorreu a Europa de Oitocentos. Exposição temporária de desenhos e aguarelas da Madeira do século XIX (Sala 2) Ao entrar na sala seguinte (Sala 3), o visitante pode observar a última aquisição do Museu, a pintura a óleo The Honourable East India Company’s ship Dunira passing Funchal Bay on the Island of Madeira, da autoria do pintor inglês Thomas Buttersworth, datado de 1830. Esta peça foi adquirida ainda no final de 2008, no Leilão da CHRISTIE’S, e os custos de aquisição foram assumidos pela Secretaria Regional do Plano e Finanças / Direcção Regional do Património. O autor, Thomas Buttersworth, nasceu na Ilha de Wight em 1768, e destacou-se como pintor na representação de temas marítimos, sobretudo no desenho habilidoso e exímio de navios, outras embarcações e batalhas navais, justificado em parte pela sua experiência e carreira naval desenvolvida entre 1795 e 1800, junto da Costa Atlântica. A pintura representa uma visão fantasista e romântica da Baía do Funchal e da Costa Sul da Ilha da Madeira (perspectiva desde o Cabo Página 4 The Honourable East India Company’s ship Dunira passing Funchal Bay on the Island of Madeira Thomas Buttersworth, 1830 (Sala 3) (perspectiva desde o Cabo Girão até a Ponta do Garajau), tendo em primeiro plano o navio Dunira, pertencente à Companhia Inglesa das Índias Orientais. Esta representação assume um carácter de destaque no estudo da iconografia da cidade do Funchal, ao ressaltar a importância que a Madeira teve nas rotas marítimas, comerciais e de navegação do império colonial inglês ao longo de todo o século XIX. Igualmente no 1.º piso, expõe-se pela 1.ª vez ao público o núcleo de Glíptica do Museu Quinta das Cruzes. A palavra Glíptica deriva do verbo grego gliptw, que significava a arte de gravar pedras duras por incisão (entalhes) e que, mais tarde, designaria também o trabalho de desbaste em camadas, de modo a fazer sobressair as figuras talhadas em relevo (camafeus). A colecção, agora reunida, foi doada por César Filipe Gomes, em 1962 e foi alvo de estudo e classificação pela Professora Doutora Raquel Casal Garcia (Catedrática da Universidade de Santiago de Compostela), em colaboração com a investigadora Dr.ª Graça Cravinho. Colecção de Glíptica (Sala 7) Museu Quinta das Cruzes Exposição Renovada Este núcleo, raro no contexto português pela sua natureza, engloba 112 peças, das quais estão expostas 64, entre entalhes e camafeus, com exemplares romanos que vão desde o século III a.C. ao século IV d.C., bem como ainda peças modernas do século XVI ao XIX, agrupadas em dois grandes grupos, ordenados cronologicamente: um primeiro grupo, as antigas, composto por 42 peças, entre as quais há apenas um camafeu em pasta vítrea e 41 entalhes, em pedras semi-preciosas (destacando-se os de cornalina) e em pasta vítrea; um segundo grupo, as modernas, onde se inverte esta proporção já que 43 são camafeus, 25 são entalhes e 9 são peças singulares. Também em exposição pela primeira vez, na Sala 16 dedicada aos Meios de Transportes, destaca-se uma cadeirinha de fabrico francês, datada da 2.ª metade do século XVIII, revestida a veludo. Esta peça foi doada ao Museu, em 2001, pelo Dr. Martim Diniz e sua Mulher, Senhora D.ª Ana Maria Abreu Diniz. Entre os anos de 2005-2007, a cadeirinha sofreu um complexo e moroso tratamento de restauro, no então designado Instituto Português de Conservação e Restauro (em Lisboa), que envolveu os departamentos de Têxteis, Mobiliário e Metais. A cadeirinha, na Europa, surge em França, tendo passado a Itália e pouco depois a Inglaterra, cerca de 1630. O seu uso generalizou-se nas capitais europeias a partir do século XVII, mais disseminadas ao longo do século XVIII, e juntamente com os coches, os carrinhos de passeio, as seges e ainda as carroças de transporte de mercadorias, invadiram as ruas e praças das principais cidades. A deslocação, sobretudo de personagens ilustres, assumiu ao longo dos séculos um carácter de relevância social, através do estatuto conferido pelo meio de transporte utilizado. Relógio de bolso Fab. Breguet, França Início do século XX Ouro cravejado de diamantes Ao nível das incorporações, o espólio do Museu foi também enriquecido por doações. Na Sala das Jóias (Sala 11) encontra-se em exposição um relógio de bolso, em ouro cravejado de diamantes, pertença do Imperador Carlos D’Áustria (1887-1922). O relógio, que apresenta monograma coroado, foi executado numa das mais famosas casas relojoeiras da Europa, a casa Breguet, fundada em Paris, em 1775 por Abraham-Louis Breguet (1747 –1823). Esta firma teve, ao longo dos séculos, destacados clientes como Maria Antonieta e o seu marido Luís XVI, Napoleão Bonaparte, o Czar Alexandre I da Rússia, Jorge III de Inglaterra, a rainha Vitória, George Washington, entre muitos outros. Esta singular peça de Joalharia, datada do início do século XX, foi oferecida pela família imperial ao Dr. Nuno Alberto Queriol de Vasconcellos Porto, um dos médicos assistentes de Carlos D’Áustria, em reconhecimento pelos serviços clínicos prestados. Herdado pela sua filha primogénita, Maria de Lourdes Machado Lemos de Vasconcellos Porto, foi após a sua morte, doado à Região Autónoma da Madeira a 6 de Março de 2009, pelo seu marido Dr. Diogo Castelbranco de Paiva Brandão e família, acto formalizado na cerimónia de reabertura do Museu. Museu Quinta das Cruzes Cadeirinha França, 2.ª metade do século XVIII Madeira revestida a veludo com aplicações de pregaria Nas restantes áreas expositivas do Museu, houve também alterações, com a reformulação de alguns núcleos, como o núcleo Oriental, o núcleo de Pintura Europeia e o de Retratos do século XIX. Um novo discurso museográfico, apoiado por uma nova sinalética permitem ao visitante percorrer as 17 salas de exposição organizadas num percurso que ilustra aspectos da história da Ilha da Madeira e das Artes Decorativas ao longo de cinco séculos. Página 5 Peça em destaque Virgem com o Menino e São José Autor desconhecido, d’après Rafael Itália, século XVII (?) Óleo sobre tela colada sobre madeira Doação César Gomes, 1962 MQC 1384 “Esta ‘Virgem com o Menino e São José’ vem a ser um dos muitos exemplares pintados ‘d’après’ Rafael, da conhecida Madonna del Loreto, também designada por ‘Madonna del Velo’, em virtude do véu que a Senhora está a segurar. (…) Aquando da inauguração das novas salas do Museu Quinta das Cruzes, em 1976, foram muito divulgadas pela imprensa local as hipóteses de este exemplar pertencente ao Museu Quinta das Cruzes ser não só original de Rafael, mas também ser proveniente da capela do Loreto, no Arco da Calheta, onde teria integrado o primitivo retábulo. A primeira suposição, como adiante veremos, não é defensável; a segunda suposição não obteve, até hoje, apoio documental e pode ter sido originada apenas pela coincidência de nome. Dada a existência de numerosas cópias antigas de boa qualidade desta composição, houve realmente dificuldade em apurar qual dos exemplares seria autógrafo de Rafael. Actualmente é considerado original o exemplar que está em França, no Musée Condé do Castelo de Chantilly, na sequência da descoberta de provas documentais e de elaboração de exames periciais que culminaram com o restauro, terminado em 1979, e que mostraram, inclusivamente, ‘pentimenti’ na posição do pé direito do Menino e o acrescento da figura de São José. O quadro original, assim como o retrato de Júlio II, também deste pintor (hoje na National Gallery), pertenceu à colecção Borghese, particularmente rica em obras de Rafael. O próprio Giorgio Vasari elogia estas duas peças Página 6 e afirma que estavam na Igreja de Santa Maria del Popolo e eram mostradas em dias de festas solenes. Com as vicissitudes da chegada do exército napoleónico à Itália, que ocasionou vendas precipitadas, deu-se a dispersão desta e de muitas outras colecções. O original data provavelmente de 1510-12, no início do período romano de Rafael, e enquadra-se na produção de pinturas devocionais de pequeno formato que ele vai pintando em paralelo com os grandes frescos da ‘Stanza della Segnatura’, encomenda do Papa Júlio II. O Museu Conde possui também um desenho preparatório deste quadro, representando o Menino, feito a ponta metálica sobre papel preparado rosa. No mesmo material existe ainda, no Musée des Beaux-Arts de Lille, um estudo da Virgem e o Menino. (…) O quadro do Museu Quinta das Cruzes tinha o fundo bastante obscurecido, mas um restauro recente [Atelier Isopo] causou surpresa ao revelar a presença de um anjo lançando flores sobre o Menino. Esta figura segue de perto um dos anjos de outro quadro de Rafael e seus colaboradoers, ‘Sagrada Família com Santa Isabel, São João e dois anjos’, pertencente à colecção de Francisco I. Existe ainda no Louvre um desenho de Bouchardon, ‘Sagrada Família e anjos’, feito a partir de um quadro de Avanzino Nucci, da igreja de Santo Agostinho, Roma, que apresenta idêntica fusão entre dois quadros de Rafael, ainda que tenha muito mais espaço em volta das figuras. Nele os dois anjos lançam flores e há ainda a presença de querubins.” (CLARA, Isabel Santa “Virgem com o Menino e São José”. In Obras de Referência dos Museus da Madeira. 500 Anos de História de um Arquipélago. [cat. de exposição] Lisboa: IMC/ DRAC. 2009. p. 130-133). Museu Quinta das Cruzes Biblioteca No ano de 2009, a Biblioteca/Centro de Documentação do Museu Quinta das Cruzes recebeu a doação de 53 espécies bibliográficas gentilmente oferecidas pelo Exmo. Senhor Dr. Henrique Pontes Leça. Estas publicações, que incluem livros e revistas, obras de referência, edições raras e esgotadas no mercado, vieram contribuir significativamente para a valorização do acervo existente, nas áreas de História de Arte e Artes Decorativas. Da referida doação destaca-se a colecção completa da revista Oceanos, editada pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, entre os anos de 1989 e 2002; o Archivo de Marinha e Ultramar: Inventário Madeira e Porto Santo 1613-1819, contendo as sínteses dos documentos existentes no referido arquivo; e dois livros relativos ao pintor George Chinnery, do qual o Museu possui uma pintura, entre outros. Complementam o lote de incorporações bibliográficas no ano de 2009 outros títulos que deram entrada por intercâmbio, oferta e por via de permutas. A Biblioteca/Centro de Documentação do Museu Quinta das Cruzes disponibiliza os seus recursos de informação especializados nas áreas de Artes Decorativas, História de Arte e História a diversos utilizadores, com acesso à consulta local dos documentos e reprodução dos mesmos. Horário de funcionamento: Segunda a Sexta das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. ALMEIDA, Eduardo de Castro. Bibliotheca Nacional de Lisboa: Archivo de Marinha e Ultramar: Inventário Madeira e Porto Santo 1613-1819. Coimbra: Imprensa da Universidade. 1907. TAKATOSHI, Misugi. Chinese Porcelain Collections in the Near East. 3 vol. Hong Kong: Hong Kong University Press. 1981. George Chinnery: 1774-1852: Macau uma viagem sentimental. Org. Fundação das Descobertas/Centro Cultural de Belém/Fundação Oriente. Lisboa. F.D./C.C.B. 1995. NUNES, Pedro. Tratado da Sphera com a Theorica do Sol e da Lua e ho Primeiro Livro da Geographia de Cláudio Ptolomeo. Münich: J. B. Obernetter. 1915. Museu Quinta das Cruzes Página 7 Serviço Educativo A relação das escolas com os museus é determinante na abertura dos horizontes culturais dos alunos e dos seus utilizadores. Os museus são espaços públicos de lazer e entretenimento, que comunicam com os visitantes através de propostas pedagógicas que resultam na transmissão de conhecimentos, possibilitando ao público escolar e à comunidade educativa uma maior compreensão da História local e do Património Cultural, com base em três grandes eixos: As Artes Decorativas, As Colecções e os Coleccionadores; A História da Quinta e das famílias que nela viveram; e o Ambiente, património natural do parque ajardinado É neste âmbito que o Serviço Educativo do Museu Quinta das Cruzes tenta contribuir de forma positiva para a Educação e para o processo de ensino/ aprendizagem, quer dos visitantes mais novos, quer dos mais velhos, criando motivação para o enriquecimento do cidadão, sobretudo na área da Educação Patrimonial. Foi adoptando estas directrizes, que se realizaram diversas acções que contaram com a participação de diversos agentes, e foram muitas as escolas que usufruíram dos espaços renovados para fazerem actividades de fim de ano escolar. De entre as acções desenvolvidas destacamos a Gincana Cultural, que decorreu sob o lema “Museus e Turismo”, reflexão proposta pelo ICOM para o Dia Internacional dos Museus de 2009. A actividade dirigida aos alunos do 1º ciclo, desenvolveu-se sobre a temática dos países e profissões relacionadas com o Turismo. Externato Princesa D. Amélia Campos de férias—APEL Gincana Cultural Foram também organizadas outras “Actividades de Verão na Quinta das Cruzes”, com a organização de diversos jogos, e onde a interacção e o trabalho em equipa, bem como a aquisição de conhecimentos relacionados com a história local, foram o principal objectivo e que permitiu, simultaneamente, aos grupos contactarem com os testemunhos e as memórias que fazem parte do espólio deste Museu. Página 8 Externato Júlio Dinis Museu Quinta das Cruzes Serviço Educativo A criação de acessos a pessoas com mobilidade reduzida e deficientes motores, inserida no plano de Obras de Beneficiação do Museu, veio permitir a mobilização a este espaço de novos públicos, até agora impossibilitados de nos visitar, o que veio enriquecer o leque de actividades propostas pelo Museu. Centro de Actividades Ocupacionais, Quinta do Leme (DREER) Utentes do Hospital João de Almada Para além das actividades realizadas, o Serviço Educativo oferece outras possibilidades, adaptadas aos diversos públicos, desde Ateliers/Oficinas que visam a experimentação nas áreas das expressões plástica, musical e motora; mas também actividades vocacionadas para públicos específicos. Estas acções desenvolvem-se ao longo do ano, em diversas vindas ao Museu, e a sua planificação depende das tarefas a realizar, do objectivo pretendido e do nível etário dos participantes. O Serviço Educativo do Museu Quinta das Cruzes encontra-se disponível para continuar a desenvolver actividades em parceria com outras entidades, cujas potencialidades constituem um valioso instrumento de abertura ao Meio e à Comunidade. Boletim Infantil N.º 3 No novo Boletim Infantil do Museu Quinta das Cruzes abordamos a temática da história do Museu e das suas colecções. Neste Boletim pretende-se que a criança aprenda a importância do património existente nos diversos espaços da Quinta das Cruzes, não só através da leitura dos textos, mas também pela realização de diversos jogos lúdico/educativos que a levarão numa viagem através das salas e das histórias dos objectos expostos. Com o lançamento do Boletim n.º 3, centramo-nos na tomada de consciência, por parte das gerações mais novas, da importância do Património como complemento fundamental na sua Educação. A abertura para o conhecimento da história das peças, das personagens associadas aos mesmos, da sua utilidade e do seu funcionamento, é um fundamento basilar para a preservação futura do nosso Património. Museu Quinta das Cruzes Página 9 Património Local - Wilhelm Georg Ritter (1850-1926) Baía do Funchal vista de Leste W. Ritter, século XIX Pintura a óleo sobre tela MQC 1498 O paisagista romântico e litógrafo Wilhelm Georg Ritter (nascido em Marburg an der Lahn a 18 de Fevereiro de 1850 e falecido em Dresden-Johannstadt [Cert. óbito W. G. Ritter] a 16 de Junho de 1926) viveu na Madeira, de 23 de Outubro de 1878 a cerca de 2 de Julho de 1880 (A. R. M.), por razões de saúde (Hardenberg 1905-1906), pretendendo originalmente até emigrar. Seguiu provavelmente o conselho do seu amigo, conterrâneo e também pintor Fritz Klingelhöfer (Marburg an der Lahn, 4-5-1832 – Marburg, 9-111903) (Bantzer 1939) que tinha passado pela ilha, em 1877, proveniente de África. Wilhelm Ritter chegou ao Funchal a bordo do vapor português «Luso», proveniente de Lisboa, e instalou-se no Hotel Reid, à Rua do Carmo, na freguesia da Sé. Conforme algumas biografias, esteve na Ilha já em 1877-1878 e, segundo outras, só em 1880-1882. O Museu da Quinta das Cruzes possui um quadro seu que mostra a baía do Funchal vista de leste e traz a assinatura de «W. Ritter». Foi pintado a óleo, mede 46,5 x 35 cm, incluindo uma moldura dourada com vidro (e 37 x 25,5 cm sem ela). Adquirido pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, em 1964, encontra-se em bom estado de conservação. Em 1999 ou 2000, o Arquivo Regional da Madeira adquiriu a um antiquário uma grande folha com sete gravuras, colorida à mão e emoldurada, com vistas do Funchal conforme esboços de W. Ritter. Tratava-se da página 624 do caderno n.º 26 de um ano não apurado da revista alemã Das Buch für Alle. Em tradução portuguesa, os desenhos têm os títulos O Funchal, visto do lado oriental; O Funchal, visto desde o mar; Forte de São João; Habitantes do Funchal; Recifes na costa Norte; Casebre de habitantes mais pobres da ilha e Transporte de pessoas na rede. Há ou havia, no entanto, outras telas pintadas por este artista provavelmente com motivos madeirenses. Página 10 Ele próprio encarregou um inglês residente no Funchal a vender uma dúzia dos seus quadros e, já de volta à sua terra natal, executava, às vezes, pequenas aguarelas da Ilha (Ritter 1881). Wilhelm Ritter era o mais novo dos quatro filhos do professor e vice-reitor do liceu de Marburg, Dr. phil. Friedrich Karl Reinhard Ritter (26-10-1807 – 304-1882), e de Marie Amalie Susette Christiane Friderike Ritter nascida Hille (20-10-1812 – 5-5-1871) (Stahr 1960). Em 1866, após a frequência do liceu de Marburg, entrou, como aprendiz de livreiro, na firma de Noa Gottfried Elwert, estabelecida igualmente na sua terra natal, correspondendo dessa maneira ao desejo dos pais que queriam que o filho se dedicasse ao comércio de livros (Bantzer 1939). Nos tempos livres, enfronhou-se, porém, nas obras do pintor, desenhador e ilustrador alemão Adrian Ludwig Richter (Dresden, 28-9-1803 – Dresden, 19-61884) que retratava paisagens alemãs e italianas num estilo romântico. Outro pintor e desenhador germânico romântico, que o influenciava profundamente, como escreveu à firma, era Moritz Ludwig de Schwind (Viena, 21-11804 – Munique, 8-2-1871), ilustrador de contos de fadas e autor dos frescos do castelo «Wartburg», localizado perto de Eisenach, na Alemanha. Entre a Primavera de 1868 e 1873, cursou, então, Pintura na Real Academia das Belas-Artes de Munique. Em 1870, deixou-a temporariamente para trabalhar, em parte sob a orientação do paisagista Gustav Horst. Na altura, empreendeu também viagens de estudos à Alta-Baviera e à Suíça francesa. A partir de 1872, foi aluno de estúdio do pintor de história e género, litógrafo e desenhador barão Arthur Georg de Ramberg (Viena, 4-9-1819 – Munique, 5-2-1875), professor da Academia de Munique, desde 1866. Desde 1874, estudou e trabalhou em Berlim. Em 1880-1882 ou 1883-1884, viveu em Veimar e, a partir de 1883 ou 1884, em Dresden, onde, neste ano, se casou com a pintora de porcelana Anna Schilling enviuvada von Reineck e provavelmente nascida Piltz (18-3-1838 – 18-3-1920 [Drefke 2001]), com quem não tinha filhos. Durante muitos anos, o casal manteve uma escola de pintura. A partir de 1892, Wilhelm Ritter era membro da colónia de pintores de Willingshausen (em Hessen), a associação de artistas mais antiga da Europa (desde 1824), desenhando sobretudo trajes tradicionais e paisagens da região Schwalm e pintando, em 1910, na aldeia Wiera (na Schwalm). Posteriormente, pertencia à colónia de artistas de Goppeln, situada perto de Dresden. Desde 1910, habitou em Moritzburg. O rei Friedrich August III da Saxónia (Dresden, 25-5-1865 – Sibyllenort, 18-21932) agraciou-o, em Dresden, com o título de professor. Museu Quinta das Cruzes Património Local - Wilhelm Georg Ritter (1850-1926) Os trabalhos de Wilhelm Ritter distinguem-se por uma representação tecnicamente sobremaneira cuidadosa, conscienciosa e realista e as suas composições – na maior parte das vezes casas antigas românticas com a vida provinciana, assim como paisagens - são muito harmoniosas e equilibradas. Eberhard Axel Wilhelm Bibliografia: A.R.M. = Arquivo Regional da Madeira: Passaportes: caixa n.º 29, processo n.º 94, ano de 1880, passaporte n.º 276, destino: Europa (Ritter). Bantzer, Carl (1939): «Wilhelm Georg Ritter», in: Schnack, Ingeborg (ed.): Lebensbilder aus Kurhessen und Waldeck 1830-1930, Marburg a. L.: N. G. Elwert, G. Braun, 1.º vol., p. 221-227. Drefke (funcionário/a da administração do cemitério luterano de Dresden-Leubnitz-Neuostra) (2001): Informações sobre Wilhelm Georg Ritter e a família em carta de Dresden de 17 de Julho de 2001. Cert. óbito W. G. Ritter = Certidão de óbito de Wilhelm Georg Ritter, passada pela Conservatória do Registo Civil de Dresden a 24 de Dezembro de 1926. Hardenberg 1905-1906 = Hardenberg, Kuno: «Wilhelm Georg Ritter», in: Koch, Alexander (ed.): Deutsche Kunst und Dekoration: Illustrierte Monats-Hefte für moderne Malerei, Plastik, Architektur, Wohnungs-Kunst u. Künstler, Frauen-Arbeiten, 17.º vol., Darmstadt: Alexander Koch, 1905-1906 (Outubro de 1905 a Março de 1906), p. 313-316. Ritter, Wilhelm Georg (1881): Carta ao pintor e amigo Carl Bantzer redigida em Marburg a 21 de Fevereiro de 1881. Stahr, Kurt (1960): «Marburger Obras de Referência dos Museus da Madeira Terminou no início de Abril a exposição “Obras de Referência dos Museus da Madeira. 500 Anos de História de Um Arquipélago”, que esteve patente na Galeria de Pintura de D. Luís I, Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. Esta mostra, que resultou da parceria entre a Secretaria Regional de Educação e Cultura/Direcção de Serviços de Museus da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e o Instituto Português de Museus/ Ministério da Cultura, agrupou cerca de 300 peças provenientes de diversos museus da Madeira, entre os quais o Museu Quinta das Cruzes que esteve representado com cerca de 60 peças. mobiliário, cerâmica, fotografia, entre outras, exemplificando os contactos com alguns dos mais importantes centros artísticos europeus, reflectindo a importância estratégica do arquipélago no contexto da expansão portuguesa, e depois europeia, ligada aos seus ciclos do Açúcar, Vinho e Turismo, como elementos fundadores do seu desenvolvimento. No Arquipélago da Madeira experimentou-se pela primeira vez Portugal no Atlântico...” (Press release da Exposição) “De 21 de Novembro de 2009 a 06 de Abril de 2010, Lisboa recebe na Galeria de Pintura do Rei D. Luís I, no Palácio Nacional da Ajuda, uma exposição de obras de arte de referência dos Museus da Madeira, como reflexos dos principais ciclos da sua história, entre o século XV e os inícios do século XX. A exposição reúne um conjunto de peças sintomáticas das colecções de escultura, pintura, ourivesaria, Vista da exposição Museu Quinta das Cruzes Página 11 Museu Quinta das Cruzes Agenda 15.05.2010 A Noite dos Museus: Boletim anual - Nº 6 - 19h00/24h00. Abertura do Museu ao público com entradas gratuitas e visitas guiadas às colecções às 19h00, 20h00 e 22h30. Projecto e coordenação: Ana Kol Rodrigues e Teresa Pais. - 21h30/22h30. Realização de concerto pelo grupo musical “Dolcemente” do Gabinete Coordenador de Educação Artística - GCEA. - Os jardins serão animados com a abertura da Cafetaria / Restaurante do Museu Quinta das Cruzes e breves momentos musicais com o Orquestrofone. Textos: Ana Kol Rodrigues e Teresa Pais. Colaboração (textos): Eberhard Axel Wilhelm. Fotografias: © Museu Quinta das Cruzes; © Pedro Clode Edição: Museu Quinta das Cruzes, Funchal. 2010 - A partir das 20h00, e ao longo da noite, irão ser sorteados de hora a hora, diversos prémios pelos visitantes. 18.05.2010 Dia Internacional dos Museus: - 10h00/17h30. Abertura do Museu ao publico com entradas gratuitas e visitas guiadas às Colecções às 11h00 e 16h00. - 10h30. Lançamento do Boletim do Museu Quinta das Cruzes, n.º 6 e do Boletim Infantil, n.º 3. Museu Quinta das Cruzes Calçada do Pico, Nº 1 9000-206 FUNCHAL Telefone: 291 740 670 Fax: 291 741 384 www.museuquintadascruzes.com e-mail: [email protected] Horário de funcionamento: 3ª a Domingo- 10h/12.30 14h/17.30h 2ª e feriados - encerrado ao público A Noite dos Museus O Museu Quinta das Cruzes comemora no dia 15 de Maio [Sábado], a Noite dos Museus. Como complemento ao Dia Internacional dos Museus (celebrado a 18 de Maio), a Noite pretende criar um incentivo através de actividades extraordinárias, centradas na abertura nocturna dos Museus. Deste modo, pretendese incentivar a visita aos espaços museológicos, e encorajar novos visitantes, especialmente os mais novos, a entrar nos Museus, participando assim na construção de uma consciência cultural europeia. A Noite dos Museus é um projecto de âmbito europeu que decorre sob o patrocínio do Conselho da Europa, coordenado pelos Museus de França/Ministério da Cultura e da Comunicação de França. P a r a ma i s i n f or ma ç õ e s c o n s u l t a r www.nuitdesmusees.culture.fr.