número 13 setembro 2002
número 13 set/nov 2002
Sistema de
Incentivos Fiscais
um prémio à I&D Empresarial
revista de inovação tecnológica
INESC Porto:
Quando a Universidade
coopera com a Industria
EUREKA [ao encontro da] ÁSIA:
uma ponte para o Oriente
n.º 13 • ano I • setembro/novembro 2002
trimestral • € 2,5
INOVAÇÃO em Construção:
– Novos Materiais
recuperam construções antigas
– Construir em Rede
i9 setembro 2002
6 notícias breves
Notícias de aplicações no mercado de resultados de
projectos da I&D e de novas iniciativas para a dinamização
de novos projectos em cooperação internacional.
9 projectos inovadores
Resultados de investimentos em I&D nos sectores
da construção e dos seus materiais.
5 Editorial
6 BREVES
PROJECTOS
9 AMMNET
13 CARBOPONTE
17 COMREHAB
21 OLDRENDERS
37 destaque
Incentivos fiscais à I&D empresarial
Como tem sido usado este recente instrumento de apoio
à I&D empresarial, que terá uma importância crescente
no futuro. Simoldes, CPCIS, Oliveira & Irmão e Vulcano são
alguns casos de sucesso.
48 Instituição de I&D
INESC PORTO: um bom exemplo de cooperação da
Universidade com a Indústria.
54 Internacional
EUREKA [ao encontro da] ÁSIA:
Uma porta aberta, em Macau, para a cooperação com o
Oriente.
25 LPLTPM
29 PARIS
33 ENFITERE
DESTAQUE
40 SIMOLDES
42 CPCIS
44 OLIVEIRA & IRMÃO
46 VULCANO
ENTREVISTA
58 GAPI
INTERNACIONAL
63 BENTEX
65 Legislação
59 apoio à Inovação
Propriedade Industrial,um suporte à inovação.
Entrevista com o Presidente do INPI, Prof. Jaime Andrez.
66 N@ Net
67 OFERTA DE TECNOLOGIA
69 PROCURA DE TECNOLOGIA
setembro 2002 i9 3
editorial
LINO FERNANDES PRESIDENTE CONSELHO ADMINISTRAÇÃO ADI
É objectivo central da Revista I9 divulgar resultados de projectos de Investigação
em Consórcio entre empresas e instituições de I&D, que a AdI tem vindo a dinamizar desde meados da década de 90. Neste número da I9 damos particular destaque a aplicações no sector da construção e seus materiais, enfatizando mais uma vez
o papel que as novas tecnologias e a inovação tecnológica pode ter na modernização
dos sectores tradicionais.
Divulgamos igualmente casos de empresas, que num leque variado de sectores, têm
vindo a tirar partido dos Incentivos Fiscais à I&D Empresarial. Chame-se a atenção para a relevância da revisão deste sistema de incentivos (aplicada pela 1ª vez este
ano) que terá uma importância crescente no futuro das políticas de incentivo à
Inovação Empresarial. O reforço significativo dos incentivos fiscais é complementar
das alterações dos incentivos financeiros, compensando a diminuição das taxas de
apoio no novo Programa de apoio à investigação em consórcio do QCA III e criando
condições favoráveis para a introdução dos incentivos financeiros reembolsáveis
que visam criar condições de sustentabilidade a médio/longo prazo ao apoio à investigação em consórcio, que se tem vindo a revelar um meio eficaz de dinamizar a I&D
Empresarial, incentivando a cooperação com as instituições do sistema científico.
O aumento do número de candidaturas, entretanto já avaliadas, e o alargamento do
número de empresas concorrentes é disso um indicador claro, contribuindo para uma
aceleração ainda maior do crescimento do investimento das empresas na I&D, que se
tem vindo a verificar nos últimos anos, e que tem condições para ser sustentável como
podemos inferir do reforço da contratação de Recursos Humanos de elevada formação registado nas empresas que têm utilizado o sistema de incentivos fiscais à I&D
Empresarial.
setembro 2002 i9 5
BREVES
Casa do Futuro Interactiva
De forma a comemorar o Dia Mundial das Telecomunicações a 17 de
Maio, a Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC) e a TV Cabo interactiva inauguraram a exposição Casa do Futuro na sede da FPC .
A exposição conta já com o apoio de algumas empresas que manifestaram o seu interesse em integrar este projecto inovador, tendo por patrocinadores oficiais a Ericsson, a HP, a Microsoft, a OctalTV/Novabase, a
Siemens, a Sony e a TMN: por parceiros oficiais, a Lexmark, a Netcabo
e a Sony-Ericsson.
A Casa do Futuro interactiva pretende recriar aquela que se imagina ser
a casa de todos nós num futuro muito próximo. Um espaço que reúne,
num só ambiente, grande parte das novas tecnologias de ponta e que
pretende ser um verdadeiro espaço multimedia e de home entertainment.
A Agência de Inovação apoiou desde o início esta iniciativa, tendo sido
assinado um protocolo que tem por
objectivo incentivar avanços tecnológicos nesta área, com a atribuição
de um prémio a projectos inovadores de Investigação & Desenvolvimento
Uma montra que estará patente por
tempo indeterminado e que não se
vai cingir ao espaço fechado de uma
casa. O projecto visa desenvolver sinergias com o mundo fora da casa,
através das soluções de comunicação e multimédia apresentadas pelas diversas empresas parceiras.
Critical Software - da NASA à ESA
A Critical Software é um spin-off da Universidade de Coimbra, criada em Julho
de 1998 por três jovens engenheiros empreendedores - João Carreira, Diamantino Costa e Gonçalo Quadros.
Encontra-se organizada em três unidades de negócio: Telecom & Networking; Enterprise Solutions; e Aerospace & Defense; que têm por base, e em comum, um comprovado know-how em confiabilidade dos sistemas de informação.
O desenvolvimento da ferramenta Xception - o primeiro grande projecto deste spin-off, financiado pela Agência de Inovação, que avalia a robustez e confiabilidade de sistemas de informação críticos (business and mission critical) através
da injecção de falhas por software - e a sua adopção pela NASA, permitiu à Critical consolidar a sua imagem a nível internacional.
Presentemente, a Critical colabora em diversos projectos europeus, tendo assumido a liderança de alguns, nomeadamente no âmbito da European Space Agency (ESA). Os contactos com esta instituição foram promovidos pela Agência de Inovação que, na sua missão de dinamização da Inovação, facilitou também ligações ao CERN e ESO.
A excelência desta PME é sustentada por uma equipa altamente qualificada, alguns dos quais Doutorados e Mestres
contratados no âmbito da medida de apoio à Inserção de Doutorados e Mestres nas Empresas gerida pela ADI, que tem
evidenciado franco crescimento.
6 i9 setembro 2002
Novo Serviço
de Informação da Lusa
A Agência Lusa, a
Novabase e o Instituto Superior Técnico constituíram um
consórcio para desenvolver um sistema de informação
totalmente inovador
no âmbito das agências noticiosas. Com
um forte impacto esperado - quer na
própria empresa e
no seu "modus operandi", quer nos mercados emergentes
da informação "on-line" - o Lusa S21, foi recentemente
apresentado ao público.
Não se conhecem até a data exemplos de agências noticiosas europeias que tenham desenvolvido produtos similares. O projecto Lusa S2I, sob liderança tecnológica da
Novabase, concebeu um sistema, em torno dos seguintes
módulos base:
> Comércio Electrónico: solução que permite a requisição
e acesso, por parte de qualquer empresa ou instituição
através do site www.lusa.pt de elementos informativos
presentes no repositório informativo da solução LUSA
através da Internet;
> Motor de busca: agente de pesquisa inteligente responsável pela localização no repositório informativo dos elementos solicitados por um utilizador.
> Arquivo: repositório informativo de base de toda a solução
- Gestão Documental: solução de utilização interna da LUSA destinada à alimentação e manutenção do arquivo.
O projecto Lusa Arquivo apresenta características inéditas
em Portugal e foi esta parte do projecto que contou com o
apoio da Agência de Inovação. O Lusa Arquivo é um serviço de pesquisa personalizada e de comercialização de
documentos em arquivo que a Lusa irá prestar a empresas
e a particulares, aproveitando o vasto espólio noticioso de
texto e fotografias que detém. Este projecto permitirá à Lusa potenciar a comercialização de informação noticiosa
através deste canal, ao mesmo tempo que preserva uma
imensa quantidade de documentos históricos de grande
valor. A Lusa decidiu, dado o âmbito do projecto, alargar o
Lusa Arquivo a parceiros, o que significa que o sistema irá
permitir que a pesquisa seja efectuada, não só no arquivo
da Lusa, como também nos dos seus parceiros.
Biotecnol alia-se
à ASB Farmacêutica
A Biotecnol SA e a ASB Farmacêutica formalizaram uma parceria estratégica para produção, ensaios clínicos e consequente comercialização de vários biofármacos de alto valor
acrescentado. No âmbito deste acordo a ASB Farmacêutica
adquiriu uma participação no capital da Biotecnol. Além disso, esta parceria passa igualmente pela criação de uma nova
joint-venture, a ASBiotech SA. A joint-venture utilizará a plataforma tecnológica patenteada da Biotecnol, denominada
Pretty Good Expression®, para a produção industrial de princípios activos, sempre de acordo com as normas de qualidade impostas pela agência Europeia do Medicamento (EMEA).
É a primeira vez em Portugal que, no sector da Biotecnologia,
uma parceria deste tipo é estabelecida, tendo em vista a colocação dos produtos de biotecnologia no mercado mundial.
A ASB Farmacêutica terá um papel central na realização de
ensaios clínicos, assim como no desenvolvimento e execução
da estratégia de comercialização dos produtos da ASBiotech
SA. Por outro lado, à Biotecnol caberá a produção industrial
e a implementação da tecnologia, de modo a fornecer matéria-prima para a formulação e estudos clínicos, assim como a
sua comercialização. Os esforços encetados pela Biotecnol
na procura de parceiros estratégicos deram os primeiros frutos com a entrada da Taguspark, SA e culminaram na constituição da joint-venture ASBiotech SA. Estas parcerias permitem à Biotecnol adquirir o desejado capital de expansão no
campo da produção de proteínas humanas recombinadas,
para além de mais valias na comercialização das mesmas.
Instalada no Taguspark, em Oeiras, a Biotecnol opera na área
de biofarmacêutica desde 1997. O Projecto Protexpress,
apoiado pela Agência de Inovação através do programa Praxis XXI, foi a rampa de lançamento da Biotecnol SA. Actualmente, a empresa é maioritariamente detida por Pedro de Noronha Pissarra. O restante capital está distribuído por administradores, colaboradores da empresa, pelo Tagusparque, a
Adamastor Capital e agora também pela ASB.
setembro 2002 i9 7
Indústria dos Moldes em destaque
© Telmo Miller
De 7 a 11 de Outubro de 2002 Portugal será a capital europeia da indústria dos moldes e plástico. A 3º edição do Brokerage Event Moulds and Die 2002 que decorre na Marinha Grande,
desta vez, sob o tema "Sistemas sustentáveis para a produtividade", incluirá seminários, conferências e workshops, em que profissionais e investigadores, nacionais e internacionais, ligados ao sector participam com o objectivo de trocar informações, compartilhar ideias e discutir
propostas para um desenvolvimento sustentável da indústria internacional dos moldes. O evento pretende ser, uma vez mais, um espaço privilegiado para a discussão das principais tendências tecnológicas e resultados de projectos de Investigação & Desenvolvimento. No fim dos
trabalhos, terão lugar, como nas edições anteriores, reuniões bilaterais. Os participantes poderão apresentar o seu projecto, ideia ou proposta, assim como o perfil da sua empresa/organização através dos posters, que serão indicados durante todo o evento.
Uma centena de Doutores e Mestres reforçam
capacidade tecnológica das empresas
Durante a primeira metade do ano foram aprovados mais três dezenas de candidaturas para apoio à contratação de Mestres e Doutores pelas empresas. Uma centena de Doutores e Mestres foram colocados em 56 empresas, com o objectivo
de reforçar a sua capacidade tecnológica. Entretanto, quase metade destas empresas já apresentaram com sucesso, projectos de investigação em consórcio com instituições de I&D.
3º Fórum IBEROEKA
O 3º Fórum IBEROEKA irá decorrer no Uruguai, cidade de
Montevideu, de 13 a 15 de Outubro de 2002. Sob o tema
central "Tecnologias dos Materiais", esta Bolsa de Contactos indui sessões temáticas abordando as seguintes áreas: Materiais de Construção, Cerâmica e Vidro; Reciclagem
de Materiais; Couro e Têxtil; Polímeros e Materiais Compostos; Madeira; Biomaterais. O Secretariado CYTED e a
Agência de Inovação apoiarão a participação portuguesa, estando já confirmadas as participações do CITEVE e do
CTCV.
Mais informações e inscrições: ADI - Jorge Pegado Liz/Isabel Caetano ou www.cyted.org
The "Wine Cluster"
Business and Technology Transfer Forum
A Agência de Inovação, no âmbito das actividades na Rede de Centros Innovation, promoveu recentemente o encontro internacional "The Wine Cluster - Business and Technology Transfer Forum for the Wine Sector" que reuniu profissionais ligados ao sector vitivinícola. O evento teve lugar na Feira Internacional de Exposições - EXPONOR, em paralelo às feiras internacionais de vinhos EXPOVINIS 2002 e TECNOVINIS 2002.
O objectivo deste fórum foi promover a transferência de tecnologia internacional, através da realização de encontros bilaterais entre empresas e instituições de I&D. O certame contou ainda com uma sessão específica de divulgação do
Programa CYTED/IBEROEKA, como instrumento de cooperação tecnológica e empresarial com a América Latina, potenciando o surgimento de projectos conjuntos entre este Continente e a Europa.
8 i9 setembro 2002
PROJECTO
AMMNET
Inovação no sector da construção
COM BASE NAS NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO, O PROJECTO AMMNET DESENVOLVEU COM
SUCESSO, NUMA PME DO SECTOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL, SERVIÇOS E APLICAÇÕES DE SUPORTE AOS
PROCESSOS TRADICIONAIS DA SUA ACTIVIDADE. MELHORAR A EFICÁCIA E RENTABILIDADE DO DESEMPENHO DA EMPRESA, ATRAVÉS DA AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS INTRA E INTER-EMPRESA É O
PRINCIPAL OBJECTIVO DO PROJECTO.
No sector da construção civil e obras públicas, a introdução de novas tecnologias e as capacidades de inovação
daí resultantes, estiveram durante muito tempo dependentes da dimensão das empresas. Actualmente, graças
à democratização do acesso às novas tecnologias de
informação, é possível às empresas de menor dimensão
usufruir de potencialidades que de outra forma lhes estariam vedadas.
A AMM - Alberto Martins Mesquita & Filhos, S.A (A.M.
Mesquita) é a entidade promotora do AMMnet, projecto
co-financiado pela Agência de Inovação, através da Iniciativa Comunitária para as Pequenas Empresas (ICPME), e
cujo objectivo consistiu no desenvolvimento de um sistema de apoio às actividades de produção, comércio e gestão, através da implementação de infra-estruturas de
comunicação associadas à Internet e aos seus serviços.
Para concretizar os objectivos propostos, a A.M.Mesquita
contou com a parceria do INEGI - Instituto de Engenharia
Mecânica e Gestão Industrial e da Universidade da
Madeira.
setembro 2002 i9 09
INOVAÇÃO E NOVOS POSICIONAMENTOS
O cenário actual do sector da construção civil nacional é
caracterizado por uma forte competição das empresas da
União Europeia, em particular da Espanha, que operam
no mercado com níveis de produtividade e qualidade muitas vezes superiores. Uma parte das empresas nacionais
do sector reconhece que o momento actual de grande
actividade, em particular devido ao Euro 2004, limitou os
impactos negativos da falta de competitividade portuguesa. "Para que as empresas sobrevivam e possam sustentar ou fortalecer as suas posições no mercado, estes
diferenciais de produtividade e qualidade têm de ser anulados rapidamente", defende Ana Paula Mesquita,
Administradora da AMM - Alberto Martins Mesquita &
Filhos, S.A.
Também os níveis de exigência crescentes dos clientes,
compradores finais ou intermediários relativamente aos
produtos da construção civil, obrigam a uma inovação na
oferta e no posicionamento das PME's portuguesas",
sustenta Ana Paula Mesquita.
É para fazer face a este cenário que surge o projecto
AMMnet, que consiste numa reengenharia de processos
da indústria da construção civil orientada para uma sociedade onde a gestão da informação e do conhecimento
têm um papel fundamental na manutenção da competitividade das empresas.
No âmbito do AMMnet, foram desenvolvidas e implementadas várias funcionalidades ao nível da infra-estrutura de
comunicação entre a sede, os diversos pólos de actividade da empresa e o exterior, que contribuíram para uma
maior simplicidade e economia no intercâmbio de informação. "As empresas precisam de saber gerir eficazmente os recursos disponíveis pelas várias obras em que estão
envolvidas, processo para o qual é essencial uma efectiva
utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC)", explica Ana Paula Mesquita.
A necessidade de simultaneamente articular uma gestão
centralizada de todas as actividades da empresa com uma
gestão descentralizada por estaleiros é uma das características próprias do sector da Construção Civil. As actividades em consórcio envolvem uma constante adaptação
dos projectos de arquitectura e engenharia, processo
efectuado de forma cooperativa e que implica inúmeras
reuniões e deslocações envolvendo recursos de elevado
custo e escassez.
O problema agrava-se com a actual procura pelas PME
portuguesas de mercados alternativos ao nacional, em
particular em África e no Leste Europeu. "Esta necessidade torna este sector um candidato ideal para provar a
eficácia da utilização das novas tecnologias baseadas na
Internet, reinventando um novo modelo de negócio",
defende a Administradora A.M. Mesquita .
a implementação de uma Intranet resultou numa maior
aproximação de todos os colaboradores da empresa,
incluindo os presentes nos estaleiros, permitindo difundir informação relevante para a empresa.
10 i9 setembro 2002
FASES DE DESENVOLVIMENTO
A metodologia seguida no AMMnet apoia-se em três vertentes de actuação, que consistiram na transferência
de tecnologia e competências tecnológicas, acompanhamento a nível internacional de soluções e tecnologias inovadoras adequadas a PME´s de construção civil e, por último, o envolvimento no projecto de um grupo de peritos e
observadores intimamente relacionados com o sector da
construção civil (e.g. projectistas, fornecedores, clientes,
associações sectoriais, etc.). O AMMnet envolveu ainda três
fases evolutivas, correspondentes a três projectos estruturantes: Intranet, Sítio/Homepage Internet e Extranet.
No caso específico da A.M.Mesquita, também a dispersão das três delegações da empresa - situadas no Porto,
em Lisboa e na Madeira - exigia uma ferramenta que permitisse agilizar e tornar a comunicação mais eficiente. O
SLIGO (Sistema Local de Informação e Gestão de Obra)
foi adaptado e integrado nos estaleiros com o sistema de
informação central na sede da A.M.Mesquita.
Também foi implementado um sistema de execução e
acompanhamento de quaisquer procedimentos da
empresa, permitindo melhorar a sua execução e controlo.
O projecto procurou desenvolver uma Infra-estrutura de
Comunicações de voz, fax e dados, que permitisse simular um único local de trabalho para todas as actividades da
empresa apesar da multiplicidade de estaleiros e delegações. "Este sistema deverá, por exemplo, permitir a reali-
zação de chamadas telefónicas através de extensões
internas para qualquer local de actividade da empresa, a
ligação entre o SLIGO estaleiro sede e a futura realização
de serviços de videoconferência", revela Ana Paula
Mesquita. Ainda de acordo com esta responsável, tal permitiu à empresa obter ganhos económicos significativos
graças à melhoria do nível de fiabilidade, rapidez e segurança na troca de informação.
A implementação de uma Intranet teve por objectivo
melhorar a qualidade de comunicação interna da A.M.
Mesquita e resultou numa maior aproximação de todos os
colaboradores da empresa, incluindo os presentes nos
estaleiros, permitindo difundir informação relevante para a
empresa.
A Extranet é, no entender da A.M.Mesquita, uma das
soluções que mais vantagens pode trazer às empresas do
sector. A sua implementação na empresa foi constituída
por duas componentes: Gestão e trabalho cooperativo
sobre qualquer tipo de documentos em particular desenhos. "Neste último caso, o sistema permite que um utilizador em obra possa estar a trabalhar em tempo real
sobre desenhos, conjuntamente com o projectista presente no seu gabinete, efectuando as alterações necessárias e assegurando aos utilizadores toda a gestão e controlo sobre as versões", assegura Ana Paula Mesquita.
A ferramenta desenvolvida permite ainda lançar consultas,
direccionadas ou abertas, a fornecedores e/ou subempreiteiros, acompanhando todo o processo negocial de
setembro 2002 i9 11
só uma visão global do problema de implementação de
um projecto de tecnologias ligadas à internet nas suas
várias vertentes - estratégica, organizacional e operacional - pode levar uma empresa a beneficiar integralmente dos resultados
uma forma eficiente, reduzindo o tempo médio de negociação e assegurando uma melhor gestão das compras.
UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO
Embora, no entender de Ana Paula Mesquita, ainda seja
cedo para retirar conclusões definitivas, dado o carácter
evolutivo deste projecto, esta responsável ressalta a importância e a necessidade do envolvimento dos quadros da
empresa para o sucesso da iniciativa .
Com efeito, um dos erros frequentes que se pode incorrer num projecto deste tipo é pensar que são projectos de
cariz técnico, a serem implementados pelo Departamento
de Sistemas de Informação para um número restrito de
utilizadores. "Só uma visão global do problema de implementação de um projecto de tecnologias ligadas à internet nas suas várias vertentes - estratégica, organizacional
e operacional - pode levar uma empresa a beneficiar integralmente dos resultados obtidos, alterando profundamente o seu modelo de negócio", garante Ana Paula
Mesquita.
O projecto completou as fases de concepção e desenvolvimento, encontrando-se actualmente em fase de testes
e implementação dos produtos desenvolvidos. Dado a
representatividade da A.M.Mesquita no sector, espera-se
que aplicação do AMMnet em outras empresas seja um
sucesso. "Neste momento, a A.M.Mesquita está a traçar
uma estratégia comercial de consultoria e comercialização
das várias soluções desenvolvidas no âmbito do AMMnet",
revela Ana Paula Mesquita. O projecto AMMNET deu origem à criação de uma empresa, em parceria com o
INEGI, a NetEdificar, Sistemas de Informação S.A..
Em Novembro de 2001, o projecto foi apresentado numa
conferência internacional que teve como objectivo principal disseminar os resultados de casos de sucesso na
implementação das tecnologias da Internet em empresas
do sector da construção. Esta vertente de demonstração
envolve igualmente o estudo, adaptação e inovação dos
sistemas, recorrendo ao apoio da Technology Broker, da
rede SCENIC - ESPIRIT, da ICS - Imperial College, da
Andersen Consulting, do CET/Portugal Telecom e da
Esotérica
12 i9 setembro 2002
A.M. MESQUITA: UM NOME
NAS GRANDES OBRAS
No mercado há mais de 40 anos, a Alberto Martins
Mesquita & Filhos, S.A. nasce da capacidade empreendedora de Alberto Martins de Mesquita. Desde então, a
empresa não parou de crescer, encontrando-se, hoje,
presente em diversos segmentos do sector da construção. "Encontramo-nos também no mercado construção
industrializada em madeira, onde somos líderes, e na carpintaria para a construção civil", revela Ana Paula
Mesquita. Este negócio é gerido pela empresa associada
Mesquita Madeiras, S.A. Outra empresa participada pela
Alberto Martins Mesquita & Filhos, S.A. é a Mesquita
Imobiliária, Lda., a operar no segmento da construção e
promoção de imóveis para habitação.
As instalações industriais e técnicas da empresa estão
situadas na Maia, no entanto a Empresa está implantada
na Região Autónoma da Madeira há cerca de 20 anos,
tendo-se verificado, em 1998, a abertura de uma
Delegação em Lisboa.
A construção de troços de Estradas e Auto-estradas é
um sector que tem merecido especial atenção por parte
da empresa, que mantém actualmente participações
nos grupos AENOR e COSTA DE PRATA. Estes grupos
são constituídos por capitais privados, visando a concepção, construção, manutenção e exploração de
vários troços de Auto-estradas no Norte e Centro de
Portugal por períodos de 30 anos. A A.M.Mesquita participou igualmente na construção do Pavilhão Atlântico
e do novo Edifício Administrativo da FIL, assim como do
Centro de Congressos e Auditório do EUROPARQUE,
estando actualmente a construir a Casa da Música, um
dos edifícios emblemáticos da Porto 2001.
No sentido de acompanhar a crescente evolução do
sector ambiental, encontra-se actualmente em curso na
A.M. Mesquita um projecto de parceria com uma das
mais conceituadas empresas europeias de recolha e
transformação de resíduos sólidos urbanos. Esta aproximação, irá permitir à empresa obter um importante
posicionamento no mercado nacional.
PROJECTO
CARBOPONTE
Revolução na reparação
e recuperação de pontes
COM TECNOLOGIAS NORMALMENTE UTILIZADAS NA AERONÁUTICA E NO FABRICO DE COMPONENTES
© Telmo Miller
ESPECÍFICOS DE ELEVADAS CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS, INVESTIGADORES PORTUGUESES DESENVOLVERAM UM PROJECTO INOVADOR NO ÂMBITO DO REFORÇO E REABILITAÇÃO DE ESTRUTURAS DE
BETÃO. TRATA-SE DO CARBOPONTE, CO-FINANCIADO NO ÂMBITO DO PROGRAMA PRAXIS XXI (I&D EM
CONSÓRCIO).
A deterioração de edifícios, pontes e viadutos resultante
do envelhecimento da construção, da falta de manutenção e de causas acidentais (fogos, sismos) tem levado a
uma degradação crescente destas estruturas. A necessidade de reparação é frequentemente combinada com a
necessidade de reforço das estruturas para que possam
desempenhar com segurança novas funções, designadamente utilização diferente em edifícios, maiores volu-
mes de tráfego e modificação do sistema estrutural. A
reparação de uma ponte ou estrada pela adição de uma
camada de betão projectado, armado ou reforçado com
fibras é uma técnica, embora eficiente, muito trabalhosa
e que condiciona a sua utilização durante as operações
de reparações.
É neste contexto que, em 1997, nasce o projecto
CARBOPONTE, cujo desenvolvimento envolveu empre-
setembro 2002 i9 13
© Telmo Miller
sas, organismos públicos, institutos de investigação e
universidades. O consórcio reuniu a STAP S.A. (empresa promotora), o LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil, a Junta Autónoma das Estradas, o INEGI Instituto Nacional de Engenharia Industrial e a Faculdade
de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Com
um co-fianciamento de 13 mil contos, o projecto teve a
duração de cerca de 24 meses.
Trata-se de uma investigação pioneira a nível nacional de
tecnologia de ponta no reforço e reabilitação de estruturas
de Engenharia Civil. Com grande experiência em trabalhos
de colagem estrutural, uma técnica que permite o reforço
de elementos estruturais de betão armado (vigas, lajes,
pilares, etc.), através da fixação de chapas metálicas, "a
S.T.A.P. não tinha capacidades internas para, sozinha,
desenvolver esta investigação", refere Manuel Brazão
Farinha, sócio-gerente da TecnoCrete, empresa fundada
em Janeiro de 2000 no seio do grupo GESTIP, ao qual
também pertence a S.T.A.P. O objectivo do consórcio era
desenvolver know-how que permitisse a aplicação desta
tecnologia em Portugal.
DO AR PARA A TERRA
O propósito inicial do CARBOPONTE consistia em acompanhar os desenvolvimentos obtidos em outros países no
âmbito da aplicação de materiais compósitos. "O projecto
procurou desenvolver, aplicar e ensaiar técnicas de aumento de rigidez e/ou reforço de pontes usando placas de
materiais compósitos avançados, nomeadamente resinas
de epóxido reforçadas com fibras de carbono", explica
14 i9 setembro 2002
António Torres Marques, coordenador do projecto.
Os materiais constituintes de um sistema compósito
incluem as resinas e as fibras. Existem ainda disponíveis
um conjunto alargado de resinas que tem sido formuladas para melhor se adequar às aplicações estruturais em
vista e às condições ambientais da sua cura.
Os objectivos tecnológicos do CARBOPONTE centraramse na possibilidade de definir um processo de fabrico e aplicação de mantas e laminados em materiais compósitos
para reforço de pontes. Foram também desenvolvidos procedimentos de controlo de qualidade para uma aplicação
sustentada da nova técnica. De salientar que a metodologia da colagem de perfis curados estava a ser utilizada em
outros países. Como refere António Torres Marques, "neste
projecto, pretendemos adquirir know-how de fabrico, de
caracterização do material (saber o que se estava a aplicar
e porquê) e preparação de perfis".
Mas os investigadores foram mais longe. De acordo com
António Torres Marques, que desenvolve a sua actividade
de investigação no INEGI e na FEUP, como professor associado, "para além do fabrico de laminados e a sua posterior
colagem na ponte usando adesivos estruturais, foram
ensaiadas soluções de aplicação directa de pré-impregnados "in situ" e "cura" no local". Esta experiência utilizou técnicas semelhantes às aplicadas na reparação de estruturas
de avião fabricadas em materiais compósitos. Por outro
lado serão desenvolvidas técnicas não-destrutivas de avaliação da integridade estrutural das pontes "reforçadas".
"Estas são técnicas que se podem aplicar sem causar dano
ou causando um dano mínimo ao objecto da avaliação",
explica Manuel Brazão Farinha.
Ultrapassados os primeiros ensaios em laboratório, partiuse em busca de uma estrutura que precisasse ser reparada. Foi então efectuada uma experiência piloto com vista à
aplicação destes sistemas no reforço da laje superior do
tabuleiro da ponte Nossa Senhora da Guia em Ponte de
Lima. Trata-se de uma ponte de betão armado pré-esforçado, cujo tabuleiro tem cerca de 12 metros de largura e
é constituído por um caixão bicelular de altura variável. A
ponte, construída há 20 anos, apresentava no seu interior
uma extensa fendilhação longitudinal localizada na face
inferior da laje do tabuleiro.
O projecto contemplou ainda a realização de testes em
modelos laboratoriais que comprovaram a eficiência da
técnica por colagem externa de compósitos à base de
polímeros reforçados com fibras (CFRP), bem como o
dimensionamento e aplicação de um reforço numa zona
localizada da ponte. Produziram-se vigas em escala reduzida e aplicaram-se os materiais para testar o aumento de
carga verificado. O material foi testado até ao limite e, em
alguns pontos, a estrutura suportava o dobro da carga
com "próteses" de carbono.
Era preciso, entre outros aspectos, duplicar a capacidade
resistente da laje à flexão. Foram então efectuados
ensaios sobre o tabuleiro para indagar sobre a classe do
betão, a armadura colocada em obra, a profundidade e
abertura das fendas, assim como sobre a resistência à
tracção superficial do betão. Também foram realizados
testes de carga com o objectivo de avaliar, entre outros
aspectos, o acréscimo na abertura das fendas.
Alcançados os objectivos, foi então executado o reforço
de um troço experimental sobre a laje superior da Ponte
Nossa Senhora da Guia. O trabalho foi efectuado em
troços relativamente curtos e em pouco tempo.
COMPÓSITOS NA CONSTRUÇÃO
A inovação inerente a este projecto, reside, a nível nacional
no domínio de uma tecnologia de ponta e sua aplicação em
estruturas de engenharia civil. A nível internacional situar-seá na aplicação directa de pré-impregnados "in-situ" e a
metodologia de avaliação não-destrutiva de integridade
estrutural. Segundo António Torres Marques, "a técnica
permite, com vantagens económicas, a utilização de um
© Telmo Miller
A EXPERIÊNCIA-PILOTO
material mais maleável, que melhor se adpata a estrutura,
mantendo a resistência do material curado".
As razões pelas quais os compósitos são crescentemente usados como materiais de reforço de estruturas de
betão estão ligadas às propriedades mecânicas das
fibras (elevada resistência e rigidez se comparada ao seu
peso), às propriedades sinergéticas e resistência à corrosão das resinas, facilidade de aplicação e à praticamente ilimitada diversidade de sistemas FRP (polímeros reforçados com fibras).
Em países como os Estados Unidos a tecnologia está não
só a ser aplicada no reforço de estruturas, como já há referências de construções de pontes utlizando de raiz materiais compósitos. Na Europa, as primeiras experiências surgiram na Suíça. No Japão, a tecnologia é utilizada em
reparações de danos na estrutura causados pelos sismos.
Com efeito, os materiais compósitos apresentam potencialidades para competir com os métodos tradicionais na
engenharia civil. No que se refere ao CARBOPONTE, a
tecnologia utilizada permite evitar o recurso a chapas de
aço que são fixadas na estrutura e que acarretam problemas de corrosão do material, bem como de demora
da obra de reparação. A intervenção através da extensão
de mais uma malha de armadura e mais uma camada de
betão é igualmente demorada. "Em relação a uma reabilitação tradicional, o trabalho é igualmente eficaz, mas
muito mais rápido. Em alguns pontos apresenta mais
vantagens, nomeadamente na "cintagem" de pilares,
a tecnologia utilizada permite evitar o recurso a chapas
de aço que são fixadas na estrutura e que acarretam
problemas de corrosão do material, bem como de
demora da obra de reparação
setembro 2002 i9 15
© Telmo Miller
funcionando como uma ligadura e aumentando a resistência", defende Manuel Brazão Farinha.
No que toca aos custos, embora as fibras e as resinas usadas nos sistemas compósitos sejam relativamente mais
caras, quando comparadas com os materiais de reforço tradicional, os custos de mão-de-obra e o equipamento utilizados na instalação de sistemas FRP são sempre mais baixos.
Além disso, estes sistemas podem ser instalados em locais
de acesso limitado (como é o caso do tabuleiro da Ponte
Nossa Senhora da Guia) e requerem um tempo para aplicação inferior aos das técnicas tradicionais. Outra vantagem
reside no facto desta tecnologia não alterar a forma geométrica dos elementos estruturais, o que traz vantagens estéticas, e uma vez que não estão sujeitos a corrosão, têm custos de manutenção menores.
PROJECTOS EM CURSO
A troca de conhecimento que se processa neste tipo de
parcerias é para a STAP uma mais-valia inquestionável. De
acordo com Manuel Brazão Farinha, o projecto permitiu
criar condições para uma aplicação sustentada desta nova
técnica de reforço no nosso país. "A STAP é uma empresa apostada na qualidade e depois deste projecto ficámos
com um melhor conhecimento da aplicação deste material.
Por outro lado, a participação neste projecto do actual
Instituto das Estradas de Portugal é também uma vantagem para nós, pois é um importante cliente em potencial
que passa a conhecer e a confiar nesta tecnologia", afirma
Manuel Brazão Farinha.
16 i9 setembro 2002
Com este projecto, a empresa promotora pretende alargar
o seu campo de actuação e ao utilizar esta tecnologia poderá contribuir para a dinamização do sector em que está
envolvida.
Contudo, António Torres Marques salienta que as vantagens oferecidas pelos FRP devem ser avaliadas em relação às potenciais desvantagens e a decisão sobre a sua
utilização deve ter em conta vários factores, incluindo não
apenas o desempenho mecânico, como também a facilidade de construção e a durabilidade. "Trata-se de uma tecnologia nova, com um grande potencial, mas cujo sucesso
depende dos cuidados postos na aplicação. Daí a importância da qualificação da mão de obra", afirma o coordenador do CARBOPONTE.
Para as empresas interessadas em aplicar esta tecnologia, António Torres Marques afirma que "A FEUP adquiriu, durante os últimos anos, um conjunto de conhecimentos neste campo, o que lhe permite transmitir algum
know-how às empresas e dar todo o apoio necessário,
auxiliando na definição de requisitos, especificações e
condições de aplicação". Aqui não há "possibilidade" de
pular fases.
Face aos resultados do CARBOPONTE, está em curso,
um projecto de cooperação entre o IEP/ICERR e a FEUP
com o objectivo de avaliar a eficiência e durabilidade dos
sistemas de reforço aplicados na Ponte Nossa Senhora da
Guia. Será então elaborado um projecto de reforço desta
estrutura com recurso a esta técnica pioneira. Será ainda
estabelecido um plano de controlo de qualidade durante a
aplicação do reforço e na fase de exploração.
PROJECTO
COMREHAB
Prevenção anti-sísmica
para os edifícios antigos
O ano de 1755 ficou marcado na história portuguesa
como sendo o ano do grande sismo. De facto, Portugal foi
atingido nesse ano "negro" por um dos maiores tremores
de terra de que há notícia e que destruiu Lisboa e grande
parte do sul do país. Mas ainda que este tenha sido considerado o mais desastroso, não foi o único. Outros sismos,
de maiores ou menores proporções, têm afectado o nosso
país, com efeitos destruidores e nada nos garante que não
possam voltar a ocorrer.
Aliás, é provável que novos sismos venham a acontecer no
futuro. Esta é pelo menos, a assustadora certeza dos
especialistas que garantem que um dia, só não sabem
quando, toda a zona de Lisboa e também o sul do país, vão
voltar a ser sacudidos por um forte sismo.
E quando a terra voltar a tremer? Será que estamos preparados?
Com cerca de 40% dos edifícios erguidos antes de 1958
(data em que foi publicada a primeira legislação quanto a
disposições anti-sísmicas nas construções), o panorama
não parece ser famoso. Isto para já não falar dos edifícios
monumentais que são a herança na nossa história e, por
isso mesmo, constituem um património cultural de valor
incalculável.
Foi a consciência desta realidade que levou Vítor Cóias e
Silva, presidente da Stap, uma empresa fundada em 1980
para exercer actividade no âmbito da reabilitação, consolidação e modificação de edificações e estruturas, a apostar no desenvolvimento do projecto COMREHAB, integrado no programa EUREKA.
De acordo com Vítor Cóias e Silva, "este projecto não foi
iniciativa minha, surgiu no âmbito do Eureka há alguns
anos. Na ocasião o Dr. Delgado Rodrigues do LNEC,
Fotos: STAP
CO-FINANCIADO PELA AGÊNCIA DE INOVAÇÃO, O PROJECTO COMREHAB, PERMITIU DESENVOLVER UM
SISTEMA DESTINADO A DOTAR OS EDIFÍCIOS ANTIGOS DE MAIOR RESISTÊNCIA AOS SISMOS.
PROMOVIDO PELA EMPRESA PORTUGUESA STAP NO ÂMBITO DO PROGRAMA EUREKA-EUROCARE, ESTE
PROJECTO COLOCA PORTUGAL NOS PRIMEIROS LUGARES DO QUE DE MAIS INOVADOR SE FAZ NO
MUNDO NESTA MATÉRIA.
então representante de Portugal no "Guarda-Chuva"
EUREKA EUROCARE, enviou-me algumas ideias sobre
projectos Eureka, e eu peguei num desses projectos, o
projecto COMREHAB".
Este projecto está relacionado com a utilização dos materiais compósitos de tecnologia avançada na reabilitação
de edifícios e estruturas. Daí o nome, COMREHAB, que
junta as duas palavras: compósitos e reabilitação.
setembro 2002 i9 17
Fotos: STAP
é urgente por isso reabilitar os edifícios em relação à resistência sísmica e quando isso for feito este sistema,
saído do COMREHAB, poderá ser utilizado
O interesse no projecto estava demonstrado e a Stap elaborou uma candidatura ao abrigo do ICPME - Iniciativa
Comunitária para Pequenas e Médias Empresas, que foi
aprovada pela Agência de Inovação.
O COMREHAB implicou um investimento de 90 mil contos, do qual 60% foi financiado.
Convém referir que este projecto, concluído no início deste
ano, é considerado como o mais importante projecto português ao nível da engenharia sísmica promovido por uma
empresa privada.
Mas afinal o que é o COMREHAB?
UMA EXPERIÊNCIA DE SUCESSO
De acordo com Vítor Cóias e Silva, a vontade de avançar
com este projecto justifica-se com a "grande quantidade
de edifícios que não têm resistência aos sismos. É urgente por isso reabilitar esses edifícios em relação à resistência sísmica e quando isso for feito este sistema, saído do
COMREHAB, poderá ser utilizado".
Para que percebamos melhor a importância deste projecto convém não esquecer que "as construções antigas
representam uma parte apreciável do edificado do país.
Segundo as estatísticas, perto de um milhão de imóveis
existentes em Portugal são anteriores a 1945 (o ano que
se tem convencionado estabelecer o limite entre os edifí-
18 i9 setembro 2002
cios antigos e os recentes). E muitos destes edifícios carecem de intervenções de natureza estrutural, o que acontece, em particular, em zonas sísmicas, como é o caso de
Lisboa", esclarece Vítor Cóias e Silva.
O projecto COMREHAB, que mobilizou vários parceiros
europeus, visou desenvolver técnicas pouco intrusivas de
aplicação de compósitos em reabilitação estrutural. Os
desenvolvimentos relacionados com estruturas antigas
ficaram a cargo da Stap, ficando as restantes questões
relacionadas com o reforço em estruturas de betão a
cargo de outros parceiros.
Com o projecto COMREHAB os participantes portugueses pretenderam aproveitar as características e a facilidade de aplicação dos materiais compósitos para desenvolver um sistema de reforço de paredes de alvenaria que
seja eficaz e, ao mesmo tempo, fácil de aplicar.
A ideia base é aumentar a resistência dos nembos a forças laterais, quer no seu plano quer fora do plano, aumentando, ao mesmo tempo, a ductilidade da alvenaria, isto é,
a sua capacidade de dissipar a energia sísmica recebida
sem se desmoronar.
Vítor Cóias e Silva simplifica explicando que "a tecnologia
utilizada consiste em tentar aumentar a resistência das
paredes de alvenaria de pedra à tracção (já que este
material apenas resiste razoavelmente à compressão).
Para tal procede-se à instalação nos elementos resisten-
Fotos: STAP
tes - os nembos - de armaduras, normalmente inexistentes nas paredes de alvenaria. Tais armaduras são instaladas recorrendo à tecnologia desenvolvida pelo projecto
COMREHAB, isto é, utilizando materiais compósitos
baseados em fibras de alta resistência".
Assim o projecto pode ser descrito como tratando-se de
um sistema muito leve e de fácil aplicação, baseado em
materiais compósitos, como fibras de carbono e resinas
que, aplicados nas paredes dos edifícios, podem aumentar a sua resistência em cerca de 100%.
O sistema consiste na aplicação de um conjunto de faixas
de materiais compostos em ambas as faces das paredes
de um edifício. Em cada face é formada uma rede que é
fixa à parede através de um sistema de conectores. Todo
o conjunto vai formar um sistema de confinamento dos
nembos de alvenaria, tornando-os capazes de suportar as
oscilações em caso de sismo. Este sistema é montado de
forma que, mesmo no caso de haver colapso da estrutura de alvenaria, se evitem derrocadas descontroladas, procurando, assim, minimizar os riscos para pessoas e bens.
"Este é o sistema ideal para utilizar, por exemplo, nos edifícios da Baixa Pombalina".
As principais vantagens em relação às soluções baseadas
no betão armado são: menor perturbação quer dos utentes, quer da estrutura propriamente dita durante os trabalhos e menor peso, com a consequente redução da acção
sísmica, dispensando o eventual reforço de fundações.
Dada a sua reduzida intrusividade e elevada reversibilidade, este tipo de reforço pode ter particular interesse no
domínio dos edifícios históricos e monumentos. O sistema
contém algumas disposições inovadoras, que originaram
o registo de duas patentes.
COMREHAB:
UMA INOVAÇÃO URGENTE
No âmbito do projecto COMREHAB, foram estudadas soluções de reforço de paredes de alvenaria
de pedra utilizando materiais compósitos baseados
em fibras de alta resistência.
O projecto considerou a aplicabilidade dos materiais e tecnologias de baixa energia de cura (sistema ITM-Low Temperature Moulding).
A técnica de reforço nas construções em alvenaria,
engloba a aplicação de camadas finas de fibras de
alta resistência impregnadas de modo a aumentar
a resistência das paredes em zonas críticas.
Estes materiais são constituídos por uma matriz de
resina de epóxido e fibras sintéticas com resistências superiores às do aço. Este tipo de solução permite a execução de intervenções de reforço estrutural "secas", pouco invasivas e reversíveis.
As vantagens em relação às soluções baseadas no
betão armado são inúmeras: menor perturbação, quer
dos utentes, quer da estrutura propriamente dita; menor peso, com a consequente redução da acção sísmica e dispensando o eventual reforço de fundações.
ASPECTOS INOVADORES DO COMREHAB
Como já referimos um dos aspectos inovadores deste projecto é a sua reduzida intrusividade. De acordo com Vítor
setembro 2002 i9 19
Cóias e Silva "ao contrário da utilização do betão armado
estes materiais permitem aplicações pouco intrusivas, o que
se percebe facilmente se comparada com uma cirurgia nos
seres humanos. Isto é, quando uma operação tem um nível
elevado de intrusividade, o pós operatório é mais perigoso,
pois o paciente corre maior risco. Nos edifícios pode acontecer mais ou menos a mesma coisa, uma vez que as intervenções podem ser mais ou menos intrusivas".
Se a intervenção for muito intrusiva, não só há maior perturbação para utentes do edifício, como há até algum risco
para a integridade deste. "É evidente que se eu quisesse
reforçar um edifício com betão armado, fazia nele uma
revolução: partia as paredes, furava as lajes para as armaduras passarem para o piso de baixo, tinha de utilizar betoneiras, etc. E, para executar esses trabalhos, era fundamental que o edifício fosse evacuado. Quando se fala de
uma menor intrusividade, fala-se no fundo da realização
de intervenções sem perturbação para os utentes e com
menores riscos", continua o responsável pela Stap.
Em resumo, a utilização dos compósitos permite realizar
intervenções reduzidamente intrusivas. "Com este sistema
conseguimos que as armaduras sejam colocadas idealmente apenas do lado de fora e sem ser preciso trazer
muitos materiais".
Ainda de acordo com Vítor Cóias e Silva, "as armaduras à
base de material compósito podem ser fixadas à alvenaria e
podem ser utilizadas em conjugação com os elementos que
atravessam a alvenaria fazendo uma espécie de costura da
alvenaria, ou seja, vão "coser" a alvenaria e conferir-lhe
assim, uma maior resistência à flexão".
FASES DO PROJECTO
O projecto COMREHAB foi dividido em duas fases distintas: Numa primeira fase, levou-se a cabo um programa
experimental que incluiu a realização de um total de 24
ensaios de flexão no plano e flexão fora do plano, em instalações do LNEC e IST- Instituto Superior Técnico. Para
construir os provetes utilizou-se um material que reproduz
as características da alvenaria. Os reforços são feitos com
tiras de materiais compósitos (fibra de elevada resistência
e polímeros) e conectores de confinamento.
No relatório de síntese de avaliação da primeira fase do
projecto, pode ler-se, assim como no site da empresa,
disponível em www.stap.pt, que "o trabalho efectuado
confirmou o interesse do sistema proposto e a sua eficácia. Este sistema de reforço sísmico de construções
de alvenaria apresenta uma menor intrusividade e mais
fácil reversibilidade quando comparado com sistemas
convencionais de encamisamento e cintagem de paredes com rebocos armados".
A apreciação global do trabalho realizado foi bastante
20 i9 setembro 2002
positiva como refere o relatório: "Foi realizado um trabalho experimental significativo e de modo rigoroso,
actividade fundamental num projecto de investigação
aplicada que tem como objectivo o desenvolvimento de
novas tecnologias para ao reforço sísmico de construções de alvenaria. O trabalho realizado constitui um
desenvolvimento relevante num contexto mais geral
que poderá vir a conduzir à aplicação futura do sistema
em construções existentes".
Numa segunda fase, o projecto prosseguiu sobre modelos representando um edifício completo, à escala 1:3.
Nesta série de ensaios o método de reforço proposto foi
comparado com os métodos tradicionais, como a execução de uma estrutura interior de betão armado, o betão
projectado e os rebocos armados, entre outros.
O projecto COMREHAB começou a ser desenvolvido em
1998 e chegou à sua conclusão no final de 2001.
A Stap elaborou, a propósito deste projecto, um conjunto de recomendações resultantes dos estudos efectuados para o sistema. Isto porque com a experiência
acumulada durante os quatro anos do projecto, a
empresa portuguesa acaba de ganhar um capital de
conhecimento que pode ser muito útil a todas as
empresas que se dedicam à recuperação de edifícios.
PROJECTO
OLDRENDERS
Restaurar com conhecimento
As construções antigas representam uma parte muito
considerável do edificado português. Tratam-se de edifícios que necessitam, ao longo da sua existência, de
obras importantes de conservação e restauro. Mas
proceder a uma intervenção num edifício antigo não é
mesmo que intervir num imóvel recente, principalmente quando se trata de um edifício com valor histórico,
que constitua Património Arquitectónico.
Nestes casos é fundamental conhecer o edifício em
pormenor, e não falamos apenas do ponto de vista histórico. É imperativo deter um conhecimento aprofundado dos materiais existentes para que a intervenção
atinja os objectivos propostos sem se perder a autenticidade do edifício.
Uma realidade para a qual a Stap, uma empresa que
exerce actividade no sector da construção e obras
públicas, circunscrita ao âmbito da reabilitação, consolidação e modificação de edificações e estruturas, tem
vindo a alertar, desde a sua fundação em 1980.
É esta preocupação com o edificado português, que
levou a empresa a lançar juntamente com o LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil do projecto
OLDRENDERS, no âmbito do programa EurekaEurocare. O consórcio apresentou uma candidatura ao
abrigo do ICPME - Iniciativa Comunitária para Pequenas e Médias Empresas, que foi aprovado e co-financiado em 60% através da Agência de Inovação.
O projecto OLDRENDERS tem em comum com o projecto COMREHAB o facto de ambos se centrarem nos
edifícios antigos. No entanto, enquanto o projecto COMREHAB tem um âmbito sobretudo estrutural, ao nível do
© Telmo Miller
O OLDRENDERS DEFINIU UM CONJUNTO DE
METODOLOGIAS PARA A CARACTERIZAÇÃO E
CONSERVAÇÃO DE ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO DE EDIFÍCIOS ANTIGOS. COM ESTE
PROJECTO, A STAP DÁ MAIS UM PASSO NA
EXCELÊNCIA PARA OBRAS DE CONSERVAÇÃO
E RESTAURO.
comportamento estrutural do edifício, o projecto OLDRENDERS centra a sua investigação nas argamassas
que se utilizam nos revestimentos dos edifícios, nos rebocos e, acessoriamente, no refechamento das juntas, uma
operação corrente de conservação de edifícios antigos.
De facto, o projecto OLDRENDERS teve como objectivo a definição de metodologias para a caracterização,
reparação e manutenção de rebocos de edifícios antigos.
Vítor Cóias e Silva, presidente da Stap, a empresa promotora do projecto OLDRENDERS, justifica a importância deste projecto referindo que "no assentamento de
alvenarias, refechamento de juntas e rebocos, em construções que tenham valor histórico, devem ser utilizadas
argamassas constituídas por materiais compatíveis com
os antigos. O uso do cimento portland é, normalmente,
setembro 2002 i9 21
© Telmo Miller
de excluir. No âmbito do projecto OLDRENDERS, pretendeu-se desenvolver uma metodologia e linhas de
orientação com vista à formulação de materiais para
aquele fim, baseados em ligantes tradicionais".
Assim o projecto OLDRENDERS, (sendo que renders
quer dizer revestimento de reboco), visou desenvolver e
aperfeiçoar não só as composições de materiais face às
matérias primas que existem em diferentes regiões de
Portugal, mas sobretudo um método de trabalho, que
desse garantias dessa tal compatibilidade. "Nós desenvolvemos essa metodologia e portanto há um conjunto de
procedimentos que passam pela caracterização de um
determinado edifício, pelos ensaios que se podem fazer
"in situ" ou em laboratório, sobre amostras que se recolhem nos rebocos em presença nos edifícios. Partindo do
conhecimento de quais as características que são relevantes nos materiais que estão no local, determinamos,
primeiro, os valores dessas características. Depois procuramos ajustar a composição das argamassas de reparação ou substituição face às características medidas
localmente, para que as argamassas de reboco e de
revestimento de juntas que vierem a ser utilizadas em
cada aplicação respeitem o princípio da compatibilidade
com os materiais locais. Fundamental é dar garantias
das intervenções de manutenção não atentarem contra a
autenticidade dos edifícios e terem um comportamento
durável", explica Vítor Cóias e Silva.
ABORDAGEM INOVADORA
O aspecto de facto inovador saído do projecto OLDRENDERS, é a abordagem. Quer isto dizer que neste projec-
Fotos: STAP
METODOLOGIAS ÚTEIS
O projecto OLDRENDERS teve como objectivo
desenvolver uma metodologia global e sistemática para guiar intervenções de conservação em
edifícios antigos, no que diz respeito às argamassas de reboco e de refechamento de juntas.
Ao longo deste projecto foram definidos critérios
de decisão sobre a substituição das argamassas
existentes ou a sua manutenção com operações
de conservação. Foram também estabelecidas
exigências específicas dos rebocos e dos refechamentos de juntas para edifícios antigos, tanto quanto possível de forma quantificada e procurou-se desenvolver ou adaptar técnicas experimentais adequadas à verificação dessas exigências. Foram testadas algumas composições simples para verificar as exigências correspondentes a determinadas condições específicas, nomeadamente climáticas e de tipo de suporte.
Finalmente, através da introdução de correcções às composições preparadas, procurou-se formular argamassas pré-doseadas com base em cal para rebocos e refechamento de juntas.
A prossecução dos objectivos referidos implicou trabalho de investigação e uma larga campanha experimental em laboratório, mas fundamentou-se sempre, também, em trabalho de campo e no estudo de casos concretos.
Esta abordagem, necessariamente multidisciplinar, permitiu reunir a informação necessária às intervenções
de conservação e reparação de rebocos e de juntas de refechamento com argamassa e pô-la à disposição
do meio técnico, assim permitindo poupar os meios humanos e financeiros em actividades de investigação e
experimentação isoladas e consequentemente com pouca capacidade para fazer avançar os conhecimentos.
22 i9 setembro 2002
© Telmo Miller
te. Isto permite reduzir o número de operações feitas em
estaleiro, conduzindo, desta forma, a uma maior qualidade do trabalho executado".
Ainda de acordo com Vítor Cóias e Silva, "o essencial
deste projecto é sobretudo a metodologia que pode ser
aplicada nos mais variados casos. Passa pela realização
de ensaios para caracterização de determinadas propriedades consideradas relevantes para as argamassas existentes no local da obra; procura-se, em seguida, formular ou acertar uma argamassa de substituição, tendo em
conta os inertes, os agregados, as areias e a cal que se
encontram naquele local e, também, as condições de
aplicação. Para os casos de reabilitação correntes, o projecto permite desenvolver várias argamassas que podem
ser pré-doseadas e fornecidas à obra já standarizadas.
Neste caso há ainda a considerar uma melhor relação
qualidade/preço".
ANÁLISE INDIVIDUAL
to, para além de se fazer a análise "in situ" ou em laboratório, também se conseguiu apurar um conjunto de
indicações para formulações de argamassas específicas.
Vítor Cóias e Silva, responsável pelo OLDRENDERS,
explica, referindo que uma das operações que se procurou apurar ao longo do projecto "foi desenvolver um conjunto de fórmulas de argamassa que fossem mais ou
menos standartizadas e pudessem ser produzidas em
série e posteriormente fornecidas à obra, totalmente concluídas. A vantagem deste tipo de argamassas é que
basta juntar água e utilizar em vez de se estar na obra a
aprovisionar materiais e a fazer essas misturas localmen-
Foram identificadas várias metodologias a seguir no projecto OLDRENDERS, mas convém não esquecer que,
em edifícios com valor enquanto património arquitectónico, cada caso é um caso. Para Vítor Cóias e Silva "é fundamental proceder, em qualquer das situações, a uma
análise preliminar, identificar as zonas homogéneas e os
pontos mais representativos".
O mesmo responsável deu alguns exemplos que permitem compreender melhor a génese das metodologias
definidas:
Em primeiro lugar é necessário identificar zonas homogéneas, se existem rebocos com a mesma idade ou feitos com os mesmos materiais; em seguida procede-se a
ensaios “in situ” ou então realiza-se a recolha de amostras para análise laboratorial e/ou procede-se à análise
estratisgráfica, ou seja, verifica-se as diferentes camadas
de reboco. Para o responsável pelo OLDRENDERS é
quase como realizar "uma cirurgia à epiderme do edifício".
A operação seguinte passa pelo levantamento e caracterização das argamassas pré-existentes.
Segundo Vítor Cóias e Silva, "depois de se ter delimitado
as diferentes zonas do edifício, é necessário fazer o
levantamento e caracterização das argamassas dessas
zonas. Nesta altura dispõe-se de elementos para fazer
uma espécie de um anteprojecto de apresentação, ou
seja, como se quer que o edifício apareça, visualmente.
Nesta altura surgem três hipótese: quais as zonas a
consolidar; definir as soluções de pintura e definir as
zonas a substituir. É nesta fase que vão ser necessárias
as argamassas. Então surge a especificação das argamassas de substituição. Aqui definem-se os requisitos de
desempenho ou performance e de compatibilidade com
os materiais que já lá estão".
Mas o trabalho não termina aqui, como explica Vítor
Cóias e Silva. "Após as tarefas iniciais é necessário fazer
setembro 2002 i9 23
a elaboração das formulações da argamassa, seguidas
de ensaios laboratoriais e de aplicação em obra para avaliar se a formulação já feita satisfaz ou não. Se não satisfaz é necessário fazer nova formulação, se sim passo à
frente e posso fazer um projecto. Neste projecto pode
ser necessário confirmação das zonas a consolidar e
especificação dos consolidantes assim como o projecto
de reintegração cromática, informações que vão completar o projecto final".
Este tipo de trabalho pressupõe uma filosofia e métodos
próprios de intervenção logo à partida. "Defendemos uma
filosofia de contenção, ou seja, procuramos fazer o
menos possível para não danificar a obra".
Intervir numa obra de conservação e restauro de patrimóno arquitectónico pressupõe igualmente um conhecimento aprofundado dos materiais e tecnologias de construção recentes e antigas. Daí que as equipas de trabalho sejam sempre multidisciplinares, compostas por cientistas, arqueólogos, historiadores de arte, arquitectos,
geólogos, entre outros.
Mas a explicação deste responsável diz respeito apenas
a uma das metodologias definidas no projecto
OLDRENDERS.
Em obras de reabilitação mais comuns pode seguir-se
também uma metodologia simplificada, desta feita com
constituintes standarizados, "onde escolho uma argamassa parecida com o que já lá está. Não sendo necessário procurar ou fazer grandes ensaios".
O projecto OLDRENDERS, concluído em 2001, teve a
participação de várias entidades, como sejam o LNEC,
a Monumenta, a Oz, a Universidade de Ljubljana e o
Instituto da Engenharia Civil ZRMK da Eslovénia, assim
como o Laboratório Central de Estructuras y Materiales,
CEDEX de Madrid e o BRE no Reino Unido.
A participação da Stap prendeu-se com o desenvolvimento e produção de rebocos experimentais, contribuindo para a investigação, com base na experiência da
firma em materiais de reparação. A Stap foi coadjuvada
por duas empresas do mesmo grupo, a Oz, que se dedica à área do diagnóstico e controlo de qualidade através
de ensaios não destrutivos, e a Monumenta, a empresa
do grupo exclusivamente vocacionada para as construções antigas.
A Oz participou nos ensaios de campo, interessando-lhe
familiarizar-se e eventualmente, participar no desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas para a caracterização das propriedades dos rebocos antigos e o controlo
de qualidade da produção e aplicação de rebocos de
substituição.
Finalmente, o contributo da Monumenta está relacionado
com o trabalho de manutenção, reparação e reabilitação
em edifícios antigos, contribuindo para pesquisa, através
da aplicação em obra, das metodologias desenvolvidas
pelo LNEC e dos materiais desenvolvidos pela Stap.
24 i9 setembro 2002
STAP: 22 ANOS DE EXPERIÊNCIA
A Stap foi fundada em 1980 para exercer actividade no
sector da construção e obras públicas. A vocação da
empresa foi, à partida, assumidamente circunscrita ao
âmbito da reabilitação, consolidação e modificação de
edificações e estruturas, envolvendo um elevado grau de
especialização e recurso a tecnologias avançadas.
Tendo em vista a prestação de serviços nesta área, a
Stap tem vindo a adquirir saber-fazer e equipamento, e
a constituir um núcleo de pessoal especializado, capaz
de aplicar em obra diversas técnicas de reparação, reforço, consolidação, protecção, e modificação de estruturas e fundações. A experiência acumulada ao longo de
22 anos de actividade, os meios humanos e materiais
reunidos e o conhecimento do mercado, permitiram à
Stap consolidar a sua posição como prestadora de serviços de elevada tecnicidade na área da reabilitação das
construções e estruturas. O ano de 1996 foi caracterizado pelo início do estabelecimento do Sistema de
Garantia de Qualidade, com vista à certificação da
empresa nos moldes das normas ISO 9002.
Tal esforço, que absorveu meios humanos e financeiros
significativos, é considerado pelo conselho de administração de importância estratégica para a empresa, dada
a elevada especialização e conteúdo tecnológico dos
serviços oferecidos. Os seus efeitos têm-se vindo a sentir, permitindo o reforço da posição da empresa no segmento de mercado em que actua.
A Stap entende ser sua missão contribuir para o progresso da sociedade e do país, entendido como a
melhoria da qualidade de vida das pessoas, acompanhada duma melhor salvaguarda do património cultural e
natural comum.
Essa contribuição é dada das seguintes formas:
1. Prestação de um serviço de qualidade, que permita
ou ajude a resolver as questões que se colocam na
esfera de conhecimentos especializados da empresa,
servindo o melhor possível os interesses dos seus
Clientes.
2. Ampliação do potencial de intervenção da empresa,
através da aquisição de mais conhecimentos, criação,
apropriação e desenvolvimento de novas técnicas e
materiais, melhoria dos meios humanos e de equipamento disponíveis.
3. Criação e distribuição de riqueza e bem-estar, através
da libertação de rendimentos, através da criação e
manutenção de postos de trabalho e através do apoio às
instituições de solidariedade.
4. Criação de oportunidades de realização pessoal e profissional dos seus colaboradores, proporcionando-lhes estabilidade de emprego e um bom ambiente de trabalho.
PROJECTO
LPLTPM
Inovar para criar marcas próprias
Com capital 100% português, a F. Lima S.A. opera no
mercado nacional tendo como principal objectivo o marketing e distribuição de produtos de grande consumo. A
empresa comercializa um leque diversificado de produtos,
sendo a Novycera uma das suas principais marcas.
Novycera é a primeira marca de cera para pavimentos no
mercado português e a segunda marca no segmento de
produtos para móveis. Os seus grandes concorrentes
encontram-se entre as marcas multinacionais presentes
em Portugal.
Apesar desta forte posição no mercado, a análise da envolvente estratégica da marca denotava fortes problemas na
manutenção de sua posição. Dessa análise ressaltava que
o grande ponto fraco da marca era o de gerar novos produtos que permitissem acompanhar as novas necessidades dos consumidores e as novas tendências do mercado.
Com efeito, a F. Lima não lançava um novo produto no
mercado há mais de três anos. "O problema estava localizado não na nossa capacidade de descobrir e antecipar as
necessidades do consumidor e ter ideias sobre novos produtos a desenvolver, mas sim no know-how científico e
tecnológico que nos permitisse passar das ideias aos produtos", afirma o director de marketing da F. Lima, João
Pilão. Num mercado de grande consumo, extremamente
dinâmico, este problema acabaria por afectar a médioprazo a posição da marca.
É neste contexto que surge o projecto LPLTPM (Linha de
Produtos para Limpeza e Tratamento de Pavimentos de
© Telmo Miller
DESENVOLVIDO PELA F. LIMA EM PARCERIA COM
O ICTPOL, O PROJECTO LPLTPM TEVE COMO
BASE O DESENVOLVIMENTO DE UMA LINHA DE
PRODUTOS PARA LIMPEZA E TRATAMENTO DE
PAVIMENTOS DE MADEIRA. COM ESTE PROJECTO, FOI POSSÍVEL À EMPRESA ADQUIRIR COMPETÊNCIAS INTERNAS PARA VENCER A CONCORRÊNCIA NO DISPUTADO MERCADO DE
GRANDE CONSUMO.
Madeira), co-financiado pela Agência de Inovação através
do programa ICPME. O projecto tinha à partida dois grandes objectivos. O primeiro era desenvolver produtos que
permitissem, à marca Novycera, o reforço da sua posição
no mercado. "Por outro lado, pretendíamos adquirir o
know-how necessário que permitisse ao nosso departamento de Investigação & Desenvolvimento continuar a
desenvolver novos produtos e acompanhar a evolução das
exigências dos consumidores", revela João Pilão. Para
além do know-how na vertente tecnológica, era também
crucial para a F. Lima obter conhecimentos intrínsecos ao
processo e à metodologia de desenvolvimento de um produto. A parceria com o ICTPOL - Instituto de Ciência e
Tecnologia de Polímeros surge assim de "forma natural".
setembro 2002 i9 25
© Telmo Miller
INOVAÇÃO NO MERCADO
A partir da sistematização das necessidades identificadas
junto dos consumidores e da definição dos objectivos a
atingir, em termos de propriedades e características pretendidas, procedeu-se à especificação básica de cada
um dos produtos, nomeadamente ao nível dos principais
componentes. "O ICTPOL ficou responsável por parte do
estudo das formulações. Com equipamento científico
adequado, estudamos correlações entre a composição e
a performance dos produtos formulados", revela João
Bordado, professor associado do Instituto Superior
Técnico e investigador do ICTPOL.
No âmbito do LPLTPM foram desenvolvidos três novos
produtos para limpeza e tratamento de pavimentos de
madeira. Esses produtos são: Restaurador de soalho
envernizado; Limpador de Pavimentos de Madeira e Cera
Acrílica de Alta Resistência.
Em termos de inovação de produto, pode-se apontar a
inexistência de um restaurador para pavimentos de
madeira (apenas existe um restaurador para móveis de
madeira). "A ausência de uma produção nacional, no
âmbito dos produtos para limpeza de pavimentos de
madeira”, é outro factor de diferenciação apontado pelo
director de marketing da F. Lima, "uma vez que aqueles
que existem no mercado são produzidos por multinacionais". Saliente-se ainda a inexistência no mercado de
ceras acrílicas com as características de alta resistência
pretendidas. "Este último aspecto é de extrema importância, uma vez que quanto mais resistente for o produto à passagem sem ocasionar riscos, menos aplicações são necessárias para corrigir o problema e mais
fácil se torna a remoção das camadas quando necessário, acabando por retardar este processo", refere
ainda João Pilão.
O restaurador de soalho destina-se a pavimentos envernizados que se apresentam riscados e com falta de brilho, tendo por objectivo a restituição do seu aspecto original. Atendendo às várias cores existentes em chãos de
madeira, foram desenvolvidas as seguintes tonalidades:
Claro/Médio e Médio/Escuro.
Aqui partiu-se do pressuposto de que o produto a desenvolver teria características semelhantes a um elemento já
existente na gama da F. Lima e que complementasse o
conjunto de produtos destinados ao tratamento de chãos
em madeira. "Procuramos desenvolver um produto que
permita disfarçar os riscos e recuperar o brilho dos pavimentos envernizados, uma vez que estes adquirem um
aspecto baço e riscado ao longo do tempo", explica o
director de marketing da F. Lima. A composição básica
do mesmo conta com óleos e parafínicos em cerca de
70% do seu volume, aos quais foram adicionadas outras
substâncias, como o silicone, com o propósito de tornar
os riscos do pavimentos menos notórios.
No processo de desenvolvimento do limpador de chão
"havia que assegurar quais as características fundamentais o produto necessitaria ter, de forma 'levar' o consumidor, possivelmente com hábitos de utilização de outro
produto concorrente, a comprá-lo", salienta João Pilão.
Tendo em consideração este factor, as características
deste produto prendem-se com a capacidade de limpeza, assim como com a restituição do brilho natural da
madeira e facilidade de utilização.
Direccionado para a limpeza de pavimentos de madeira
encerados ou envernizados, procurando remover a sujidade e as manchas acumuladas sem atacar o tratamento pré-existente e danificar a madeira, a composição básica deste limpador é uma mistura de tensioactivos e
emulsões de silicone. "Ao contrário dos actualmente
existentes no mercado, este produto não contém sabão,
em virtude deste último causar, com a continuidade das
em termos de inovação de produto, pode-se apontar a
inexistência de um restaurador para pavimentos de madeira (apenas existe um restaurador para móveis de
madeira nacional)
26 i9 setembro 2002
utilizações, atenuações do brilho", revela João Pilão. É de
referir que este produto é o único que ainda não foi introduzido, o seu lançamento está para breve.
Por fim, a cera acrílica está vocacionada ao acabamento
superficial de pavimentos de madeira, ao mesmo tempo
que protege e restitui o brilho do pavimento. No desenvolvimento desta cera, obteve-se com sucesso uma elevada capacidade de resistência à passagem sem ocasionar riscos e perda de brilho, evitando, desta forma, as
sucessivas aplicações. Este produto tem por base uma
emulsão acrílica adicionada de agentes modificadores do
brilho e agentes plastificantes para uma maior resistência
ao risco e para a fácil obtenção de um brilho duradouro.
É de referir que a cera acrílica está direccionada para a
área industrial.
O projecto adoptou uma metodologia de "Benchmarketing" tendo-se definido uma série de passos intermédios correspondentes a optimizações parciais dos diferentes aspectos da performance. "Foi, é claro, necessário
definir uma série de etapas e também objectivos quantificados quanto ao comportamento dos produtos na aplicação", refere João Bordado.
O passo seguinte foi a identificação e aquisição das
matérias-primas, consumíveis e equipamentos necessários à preparação das amostras e respectivos ensaios. "A
metodologia de desenvolvimento das formulações
baseou-se, numa primeira fase, na pré-afinação destas
relativamente aos componentes principais e respectivos
ensaios de aplicação e performance em substratos adequados", revela o responsável do ICTPOL. A esta fase
seguiu-se a afinação das formulações quanto aos componentes secundários. De acordo com João Bordado, "o
processo de desenvolvimento foi iterativo com progressiva afinação de cada uma das características pretendidas.
Foram estudados com cuidado os aspectos ligados à
reologia, à tensão superficial dos componentes, tendo-se
sempre o cuidado de utilizar compostos químicos sem riscos para os futuros utilizadores".
Todo o trabalho foi orientado através da realização de
ensaios comparativos, entre o produto que antes existia, a
principal ou principais marcas concorrentes no mercado e
a nova fórmula. "Efectuamos ensaios físico-químicos para
conhecer as características dos produtos, em teor de sólidos, pH, viscosidade, densidade, cor, odor e aspecto. A
partir dos resultados obtidos, seleccionamos o tipo de
matéria-prima a utilizar, para a elaboração das fórmulas",
revela João Bordado do ICTPOL. Através destes testes
procurou-se igualmente caracterizar a "performance" de
cada um dos produtos concorrentes identificados.
Uma vez seleccionadas as melhores amostras referentes a
© Telmo Miller
METODOLOGIAS DE ENSAIO
cada uma das formulações, procedeu-se à respectiva
aplicação numa panóplia de substractos, por forma a
avaliar-se o desempenho das amostras em substractos
com vários tipos de acabamento (ceras, vernizes acrílicos
ou poliuretano). Por fim, seleccionou-se a amostra que
mais se aproximava dos requisitos pré-definidos.
Finalmente, prepararam-se amostras industriais para
ensaios com os produtos em condições reais, e respectivos ensaios de capacidade, por forma a detectar possíveis alterações e poder-se proceder à respectiva correcção atempadamente.
No que se refere à cera acrílica, os resultados obtidos
revelaram propriedades anti-deslizantes, para além de uma
elevada resistência à utilização de água e detergentes,
assim como às pisadas, sujidade e aos riscos produzidos
pelos sapatos.
No desenvolvimento do limpador de chão foi preciso adquirir um equipamento destinado especificamente para os
ensaios das formulações deste produto, embora o mesmo
tenha sido igualmente utilizado no desenvolvimento dos
restantes produtos. "A necessidade deste aparelho prendeu-se, numa primeira fase, com a necessidade de averiguação da natureza dos tensioactivos presentes em cada
uma das marcas pré-seleccionadas da concorrência", afirma João Bordado.
setembro 2002 i9 27
Neste projecto, para além da aquisição de alguns equipamentos, a F. Lima procedeu à contratação de profissionais
qualificados para o seu Departamento de I&D. Estes acabaram por ser integrados nos quadros da empresa.
"Hoje, o nosso Departamento de I&D detém competências quer permitirão encarar o futuro da marca com
outras perspectivas e continuar a dotar a marca de capacidade concorrencial", revela João Pilão. Em consequência existem já uma série de outros projectos e novas
necessidades que foram detectadas nos estudos de
mercado e que já estão a ser desenvolvidos pelo departamento de I&D da F. Lima.
© Telmo Miller
F. LIMA: INOVAR É VENCER
De referir ainda que o equilíbrio de funções do limpador de
chão - limpar sem agredir a madeira - impôs restrições
quanto ao tipo de matéria-prima a inserir no produto. Desta
forma, toda a formulação foi concebida para que a eliminação de manchas difíceis fosse atingida com a aplicação do
produto na forma concentrada. Para as funções mais rotineiras, como a restituição do brilho/eliminação do pó ou
cotão, a aplicação mais correcta deste limpador é na forma
diluída.
IMPACTO NA EMPRESA
De acordo com João Pilão, “os três produtos, já desenvolvidos com sucesso, vão proporcionar à marca uma capacidade de se defrontar no mercado que não possuía até
então". Dois destes produtos já foram introduzidos no mercado com êxito, o que obriga a empresa a contínuos reforços de produção. "A adesão do consumidor a estes novos
produtos veio confirmar quer a janela de oportunidade
detectada, quer o sucesso das fórmulas encontradas", afirma o director de marketing da F. Lima.
A parceria com o ICTPOL permitiu ainda uma transferência de tecnologia e aquisição de know-how que não existia antes na empresa. "O projecto pode ser considerado
um bom exemplo de cooperação entre uma unidade industrial e um organismo de investigação, em que a complementaridade de experiência e uma muito boa cooperação
cientifica e tecnológica permitiram atingir resultados muito
positivos", assegura João Bordado.
28 i9 setembro 2002
Em 1916 surgia, no Porto, a sociedade comercial F.
Lima & Companhia. Das mãos de Filinto Augusto Lima
e Carlos Terroso nascia uma empresa “para exploração
do comércio de comissões e consignações sem conta
própria.” Com a saída do sócio Carlos Terroso, em
1925, cria-se a F. Lima & Ca. Sucr.
Ao Longo destes 86 anos grandes multinacionais
introduziram suas marcas no mercado português através da F. Lima. Entre estas destaca-se a Gillette, primeiro sucesso de vendas da empresa, da Wander
(Ovomaltine e pasta dentífrica Mexll), Heinz, Opilca,
produtos de higiene para bebés Johnson & Johnson,
Super Cola 3 e WC Pato, entre muitas outras.
Produtos que acabaram, através da actuação da F.
Lima, por tornar num êxito de marketing e vendas.
Também para F.Lima a relação com essas multinacionais foi uma fabulosa via de adquirir todo o Know How
que a empresa hoje detêm.
Em permanente evolução, a actividade da F. Lima tem
sido marcada pela diversificação de áreas de negócio e
pela aquisição de outras marcas. "A nossa missão é
construir marcas, todos os produtos são copiáveis, as
marcas não o são", afirma o director de marketing da F.
Lima, João Pilão.
Desde 1990, que a estratégia da F. Lima passa pela
aquisição de produtos de marca própria. As representações representam hoje apenas 15% do volume de
negócios da empresa. "Qualquer novo produto fabricado ou distribuído pela F. Lima, entra no mercado com a
chancela da experiência e know-how que a empresa
oferece", garante João Pilão.
Hoje, em praticamente todos os mercados onde a F.
Lima opera e detém posições cimeiras, os seus concorrentes directos são marcas e empresas multinacionais. Em 2001 a empresa atingiu um volume de facturação que ronda os 40 milhões de euros tendo planos de crescimento para os próximos anos acima dos
20% ao ano.
PROJECTO
PARIS
PARIS, a aposta
na Qualidade
O INSTITUTO PEDRO NUNES E A POCERAM JUNTARAM-SE EM CONSÓRCIO PARA DESENVOLVER
O PROJECTO PARIS, QUE RESULTOU NUM SISTEMA DE INSPECÇÃO AUTOMÁTICA QUE AVALIA
A QUALIDADE DE PAVIMENTOS E REVESTIMENTOS.
Seja qual for a actividade desenvolvida, a qualidade dos
produtos ou serviços prestados é essencial à sustentabilidade e crescimento de uma empresa. Por qualidade
entende-se não só a excelência de um produto, mas
também se esse produto atinge os níveis de exigência à
primeira. Isto é, um dos medidores de qualidade passa
pelo factor erro e pelo tempo necessário para atingir essa
"perfeição".
Imaginemos uma empresa que produz e comercializa um
determinado produto. Se esse produto apresentar erros
de fabrico, é fundamental que seja repetido até cumprir
os objectivos a que se propõe, sob pena de se perder o
cliente. Essa repetição implica mais horas de trabalho
para o mesmo produto e também maior gasto de material, além de transmitir uma imagem menos "boa" da
empresa que o fornece. Estes factores têm, obviamente,
implicações na facturação.
A consciência desta realidade levou ao desenvolvimento
do projecto PARIS - Sistema de Inspecção por
Ressonância Acústica para Controlo de Qualidade de
Pavimentos e Revestimentos.
Como o próprio nome indica, este projecto tem como
objectivo primordial o controlo da qualidade dos produtos
cerâmicos, nomeadamente pavimentos e revestimentos.
De acordo com Jaime Santos responsável pelo projecto
PARIS, "verifica-se com alguma frequência reclamações
por partes dos clientes bem como devoluções das encomendas por se verificarem defeitos estruturais que não
são detectados pelos operadores de escolha dos produtos. Naturalmente, isto tem um grande impacto ao nível
da imagem da empresa com os consequentes prejuízos
que daí advém".
Mas como surge este projecto? O PARIS nasce a partir
de um projecto desenvolvido no Instituto Pedro Nunes,
submetido à FCT, sendo depois transferido por esta instituição para a Agência de Inovação por se tratar essencialmente de um projecto de desenvolvimento tecnológico.
A Agência de Inovação procedeu, por sua vez, a alguns
contactos com o objectivo de identificar potenciais
setembro 2002 i9 29
Fotos: Instituto Pedro Nunes
o projecto consiste no desenvolvimento de um sistema
de inspecção automática e em tempo real, recorrendo à
técnica de ressonância acústica, com vista à caracterização de pavimentos e revestimentos
empresas interessadas em formar com o Instituto Pedro
Nunes um consórcio para o desenvolvimento deste projecto. Foi assim que surgiu a POCERAM, uma empresa
de produção de revestimentos e pavimentos cerâmicos,
claramente interessada em melhorar o seu processo de
produção.
A designação PARIS provém do título do projecto:
"Sistema de Inspecção por Ressonância Acústica para
Controlo de Qualidade de Pavimentos e Revestimentos".
"Este título poderia ser mais curto sem que o sentido seja
alterado. Assim se se escrever: "Sistema de Inspecção
por Ressonância Acústica para Pavimentos" e considerar
apenas as letras maiúsculas lidas da direita para a
esquerda surge o termo PARIS", explica Jaime Santos do
Instituto Pedro Nunes em Coimbra.
O projecto PARIS teve início em Fevereiro de 2000 e foi
concluído, com sucesso, em Setembro de 2001
AS VANTAGENS DO PARIS
O projecto consiste no desenvolvimento de um sistema
de inspecção automática e em tempo real, recorrendo à
30 i9 setembro 2002
técnica de ressonância acústica, com vista à caracterização de pavimentos e revestimentos. Concretamente,
pretende-se com o PARIS, avaliar a qualidade final dos
referidos produtos, nomeadamente se estes apresentam
ou não fissuras internas.
De acordo com Jaime Santos, "as grandes potencialidades do equipamento desenvolvido, residem na sua capacidade em detectar defeitos sub-superficiais (para além
dos verificados à superfície), tais como: fissuras, porosidade elevada, inclusões, entre outras. Como é sabido, a
escolha dos produtos com defeitos estruturais é feita por
operadores humanos. Estes operadores conseguem
detectar fissuras superficiais caso estas não apresentem
dimensões muito reduzidas, no entanto, danos de reduzidas dimensões não são em geral observados e claro
que o operador não possui qualquer meio para testar a
integridade do produto a nível interno. O cansaço e a rotina dos operadores de escolha são factores determinantes para as frequentes falhas verificadas".
Ainda de acordo com o mesmo responsável, "o equipamento desenvolvido, para além das aplicações e vantagens mencionadas, permite uma permanente repetibili-
Fotos: Instituto Pedro Nunes
INOVAÇÃO PARA A QUALIDADE
O projecto PARIS consiste no desenvolvimento de um sistema de inspecção automática e em tempo real, recorrendo à técnica de ressonância acústica, com vista à caracterização de pavimentos e revestimentos. Mais concretamente, pretende-se com este projecto, avaliar a qualidade final dos referidos produtos, nomeadamente, se estes apresentam ou não fissuras internas. A detenção destas deficiências ditará a rejeição imediata do produto, com os naturais benefícios para a empresa tanto do ponto de vista económico como de imagem perante os clientes.
O sistema requer o desenvolvimento dos seguintes módulos: Caracterização e aquisição de transdutores ultrassonoros para a geração e recepção de ondas acústicas; Gerador de sinal, que tem por objectivo a excitação do tradutor
emissor. Este deve permitir a selecção da amplitude do sinal e da gama de frequências a enviar ao transdutor emissor, Placa de aquisição de sinais. Tem por objectivo proporcionar uma inspecção em tempo real. Para o efeito deve
possuir uma elevada taxa de amostragem; Algoritmos, que são necessários para tomadas de decisão do tipo aceitarejeita e montagem e teste de um protótipo na cadeia de produção.
dade do processo de controlo, contribuindo para aumentar a qualidade dos produtos à saída das empresas bem
como a imagem das mesmas. Naturalmente, os benefícios são elevados nestas circunstâncias".
FASES DISTINTAS DE INVESTIGAÇÃO
Ainda que pareça lógico e fácil de concretizar, o projecto PARIS implicou um elevado desenvolvimento tecnológico e uma equipa permanente a trabalhar até se
chegar a um protótipo que cumprisse os objectivos
propostos.
Jaime Santos, explicou à I9 que o projecto PARIS passou por quatro fases distintas e importantes, necessárias
para se alcançar o tal protótipo funcional. "A fase que
considero como a mais importante foi dedicada à pesquisa da metodologia mais conveniente para o objectivo em
causa; a escolha dos transdutores a usar; o projecto e
desenvolvimento dos sensores. O projecto e desenvolvimento dos sensores constituiu a acção mais demorada e
trabalhosa desta primeira fase”, revela Jaime Santos.
A segunda fase envolveu o projecto e desenvolvimento
de equipamento de geração e detecção de sinais ultrasónicos. Havia necessidade em gerar sinais com uma
gama de frequências que se adequasse à banda de resposta dos sensores produzidos. Foi necessário, também,
desenvolver amplificadores que proporcionassem sinais
com níveis detectáveis. Esta necessidade advém das
múltiplas reflexões verificadas no sensor o que leva a
grandes perdas de sinal em termos de amplitude, conduzindo a uma transmissão para o meio a inspeccionar que
é uma fracção muito reduzida da amplitude do sinal produzido.
O posicionamento dos sensores sobre os pavimentos e
revestimentos foi, também, alvo de estudo, projecto e
desenvolvimento. Para tal foram usados motores de
passo a passo que permitem um posicionamento rigoroso e são fáceis de controlar. Outros sensores fazem parte
integrante do equipamento e tem por objectivo controlar
todo o processo de inspecção e detecção de anomalias.
A terceira fase envolveu o desenvolvimento de software,
com a implementação de algoritmos de controlo dos sistemas, aquisição de informação proporcionada pelos
sensores e tomada de decisão quanto ao estado dos pro-
setembro 2002 i9 31
Fotos: Instituto Pedro Nunes
dutos inspeccionados (decisão do tipo aceita-rejeita).
A quarta e última fase, envolveu essencialmente a construção de um protótipo com a montagem dos diferentes
módulos desenvolvidos bem como toda a estrutura
mecânica de suporte.
O equipamento saído do Projecto PARIS é bastante
complexo, sendo composto na sua essência por quatro
subsistemas: dois com funções de controlo e que são
semelhantes, um cujo objectivo é proporcionar uma rotação de 90º aos produtos a inspeccionar e, um outro com
a finalidade de identificar os produtos em mau estado. Os
dois subsistemas gémeos mencionados (um a montante
e outro a jusante da linha de transporte) englobam um
par de sensores cada.
Quando o pavimento passa sob o primeiro par de sensores é feita uma primeira avaliação do estado do produto. Esta avaliação é realizada segundo uma única
direcção que é transversal à direcção do movimento dos
pavimentos. Caso exista algum dano este é imediatamente assinalado no monitor do computador. É importante realçar que apenas fissuras que não apresentem
um andamento paralelo à direcção de propagação dos
sinais serão detectadas nesta fase.
Posteriormente, os pavimentos são objecto de rotação
para se poder avaliar completamente os referidos produtos. Entram no segundo subsistema gémeo e são, uma
vez mais, inspeccionados. “Caso em qualquer dos subsistemas gémeos tenha sido detectado um defeito, o
computador produz uma ordem imediata de rejeição do
produto. Nestas circunstâncias entra em acção o quarto
subsistema, constituído por um cilindro pneumático, que
produz uma marca sobre o pavimento para mais tarde ser
retirado da linha", explica Jaime Santos.
FUTURO OBRIGA À TRANSFERÊNCIA
DE TECNOLOGIA
O projecto PARIS foi concluído com sucesso. Agora é
fundamental que o projecto não fique na gaveta nem circunscrito à empresa de produção de revestimentos e
pavimentos cerâmicos, POCERAM.
Para o pai deste projecto, o futuro do PARIS é risonho
"se as empresas do sector e não só se empenhem em
produzir com qualidade. Se tal se verificar terão necessidade de usar um equipamento deste género".
Jaime Santos alerta ainda para o facto de que este equipamento tem implicações em outros materiais, metálicos
e não metálicos, podendo por isso ser utilizado em diversos outros produtos.
No entanto refere, "a minha experiência diz-me que não
é fácil convencer as empresas a investir em tecnologia
para melhor os índices de qualidade, muito menos em
tecnologia nacional, preferindo muitas vezes comprar no
exterior produtos mais caros de igual ou inferior qualidade".
O projecto PARIS, co-financiado pela Agência de
Inovação, implicou um investimento total da ordem dos
18 mil contos (perto de 90 mil euros).
QUASE TRÊS DÉCADAS DE EXPERIÊNCIA
A Poceram - Produtos Cerâmicos S.A., é uma empresa portuguesa de capitais privados que fabrica produtos cerâmicos
de pavimento e revestimento em pasta branca desde 1973. A Poceram situa-se em Cernache no concelho de Coimbra.
A actividade da empresa baseia-se na política da qualidade implementada que visa articular e integrar os instrumentos de
gestão com a inovação tecnológica, bem como assegurar o envolvimento e a motivações de todos os colaboradores na
melhoria do seu desempenho para melhor responder às necessidades dos seus clientes.
32 i9 setembro 2002
PROJECTO
ENFITERE
Enfitere traz novas aplicações
para os Materiais Compósitos
© Telmo Miller
CO-FINANCIADO NO ÂMBITO DO PROGRAMA ICPME, O PROJECTO ENFITERE TEVE COMO UMA DAS
IDEIAS BASE O ALARGAMENTO DO MERCADO DE ESTRUTURAS PRODUZIDAS POR ENROLAMENTO FILAMENTAR. LIDERADO PELA VIDROPOL E DESENVOLVIDO EM PARCERIA COM O DEPARTAMENTO DE
ENGENHARIA DE POLÍMEROS DA UNIVERSIDADE DO MINHO E O INEGI - INSTITUTO DE ENGENHARIA
MECÂNICA E GESTÃO INDUSTRIAL, ESTE PROJECTO TEVE A DURAÇÃO DE ANO E MEIO, COM INÍCIO EM
JANEIRO DE 2000.
Os materiais compósitos de matriz termoplástica reforçada com fibras têm sido utilizados com grande sucesso nos últimos anos, especialmente nas indústrias
aeronáutica e aeroespacial. Para além do seu processamento não envolver reacções químicas, as principais
vantagens destes materiais incluem a sua excelente
tenacidade e durabilidade, sendo ainda de fácil armazenagem, reparação e reciclagem.
Este novo sistema, embora apresente vantagens evidentes, é muito recente a nível mundial e inexistente
no nosso país. O elevado custo associado à fusão do
polímero ou ao uso de solventes para a impregnação
de fibras contínuas com matrizes termoplásticas tem
impedido o alargamento da aplicação destes materiais
a mercados de grande difusão. Nos últimos anos,
novos esforços têm sido desenvolvidos neste campo.
setembro 2002 i9 33
© Telmo Miller
OS TOWPREGS
Recentemente, um projecto desenvolvido em Portugal, no
âmbito do programa PRAXIS XXI, permitiu criar um equipamento para a produção em contínuo e a baixo custo, de
"towpregs", mechas de fibras pré-impregnadas com termoplástico em pó. É na sequência deste projecto que
surge o ENFITERE, cujo objectivo é permitir a aplicação
industrial do "towpreg" de matriz termoplástica, na produção de tubos por enrolamento filamentar.
Com a duração de ano e meio, o projecto, liderado pela
Vidropol, foi desenvolvido em parceria com o Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade
do Minho e o CEMACOM, unidade de materiais compósitos do INEGI - Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão
Industrial e foi co-financiado em 55 531 contos (277 655
euros), cobrindo quase 70% dos custos.
34 i9 setembro 2002
A máquina desenvolvida para fabrico de "towpregs" (ver
fig.1) é constituída por cinco partes: armazenamento de
mechas de fibras ("Rovings"); espalhamento de fibras, alimentação e deposição do polímero, aquecimento e enrolamento final. As bobinas de mechas de fibras, colocadas
na estante de armazenamento, são desenroladas, sendo
as fibras separadas em filamentos na unidade de espalhamento por meio de ar comprimido. Os filamentos são
depois conduzidos para uma câmara de deposição onde o
pó termoplástico é, então, depositado de ambos os lados
da mecha de fibra e o excedente "recirculado". Finalmente,
após a passagem da mecha com o termoplástico depositado (pré-impregnado) por um forno, cujo objectivo é
garantir a necessária adesão do polímero, o material acabado é arrefecido ao ar e enrolado na bobina final. António
Torres Marques, professor associado da Faculdade de
Engenharia do Porto e investigador do INEGI, salienta que
"neste processo, a deposição é feita sem recurso a sistemas de condução eléctrica, o que permite uma boa adesão do pó termoplástico sobre uma grande variedade de
tipos de fibras de reforço".
Relativamente ao equipamento tradicional, a máquina
desenvolvida apresenta ainda um novo sistema de armazenamento de fibras que permite a utilização de bobinas
de uso corrente, mais baratas. "Outra alteração importante", refere António Torres Marques, "foi a eliminação
do sistema de tensionamento de fibras, o que permitiu
reduzir o número de motores eléctricos e eliminar os respectivos sistemas de controlo". Este processo de obten-
Fig.1 - Esquema da máquina para fabrico de "towpregs".
Fig. 2 Esquema do novo sistema de enrolamento filamentar usado.
ção dos "towpregs" foi já registado como patente nacional, encontrando-se ainda a decorrer o processo para o
patentear internacionalmente.
O novo sistema, montado numa máquina convencional de
enrolamento filamentar com 6 eixos de controlo numérico
(CNC), pode ver-se esquematicamente na Fig.2. O sistema é composto por forno tubular de pré-aquecimento,
aquecedor de ar quente e rolo de consolidação de 30 mm
de diâmetro com controlo pneumático de pressão.
Desenvolvido e testado o equipamento protótipo, passouse à fase de implementação da tecnologia em ambiente
fabril: Foram produzidos tubos, de 80 mm2, em polipropileno reforçado com fibras de vidro. Com esta tecnologia, "a
cadência de produção de tubos pode ainda ser aumentada em cerca de seis vezes", revela João Pedro Nunes,
director do Departamento de engenharia da Vidropol.
Tal evolução chamou a atenção dos responsáveis da
Vidropol. Surge então a parceria entre o INEGI, a
Universidade do Minho e a empresa, tendo início o ENFITERE e a preparação para o fabrico por enrolamento filamentar de produtos industriais com base nos "towpregs".
A técnica de enrolamento filamentar permite criar estruturas compósitas de fibras longas e orientadas com grande
resistência mecânica, rigidez e leveza. No processo tradicional a utilização de matrizes termoendurecíveis em aplicações como tubagens estruturais e reservatórios de pressão é bem conhecida. Através de sistemas de tensão e
guia, as fibras são enroladas num mandril sob condições
controladas. Sistemas de "imersão completa" ou "cilindro
de transferência" impregnam e controlam a quantidade de
resina nos filamentos. Os filamentos impregnados são
então enrolados em várias camadas no mandril rotativo
com auxílio da máquina automatizada de enrolamento filamentar.
No projecto ENFITERE, após a caracterização e selecção
da matéria-prima a ser utilizada - tarefa que coube ao Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade
do Minho - por forma a optimizar as condições de produção de pré-impregnados de matriz termoplástica, foram
introduzidas algumas modificações no equipamento anteriormente desenvolvido. "Para aumentar a cadência de
produção dos tubos introduziu-se na linha de fabrico de
'towpregs' uma fieira que permitiu obter fitas pré-consolidadas (PCT) de polipropileno reforçado com fibras de vidro
(GF/PP)", explica António Torres Marques.
De acordo com este responsável, "os principais componentes introduzidos foram um sistema de aquecimento de
ar da câmara de deposição com controlo de temperatura,
assim como três novos rolos na câmara de deposição, por
forma a permitir aumentar a taxa de deposição de polímero, e uma nova fieira aquecida para a produção de PCTs".
FACTOR INOVAÇÃO
A inovação neste projecto não está apenas no novo equipamento criado. "A aplicação desse material pré-impregnado ("towpregs") à tecnologia de enrolamento filamentar é um salto significativo. Este trabalho está na base de
uma tese de doutoramento em fase de conclusão, sete
© Telmo Miller
MUDANÇAS NA LINHA DE PRODUÇÃO
setembro 2002 i9 35
artigos em congressos internacionais, quatro artigos para
revistas científicas internacionais sendo que dois deles
estão, ainda, em preparação", revela António Torres
Marques. O ENFIETRE contou ainda com a participação
de um jovem engenheiro recém-licenciado.
Entre as vantagens mais importantes reveladas neste
projecto, João Pedro Nunes refere "a redução dos tempos de fabrico, já que não é necessário nenhuma cura
da matriz e a resistência química elevada do produto
final, mesmo em ambientes de extrema agressividade,
permitindo a sua utilização directa em aplicações da
indústria química". Por outro lado, acrescenta João
Pedro Nunes, "trata-se de um processo limpo, não
sendo necessário trabalhar com resinas líquidas, a matriz
pode ser reciclada (reutilizada) e o produto final apresenta menor fragilidade".
Esta tecnologia traz igualmente novas aplicações para a
engenharia civil, indústria aeroespacial, assim como de
automóveis e transportes. O director do Departamento
de Engenharia da Vidropol está convicto de que "os
tubos em termoplástico reforçado com fibras contínuas
produzidos por esta nova tecnologia, posicionam-se
como fortes concorrentes aos tubos tradicionais".
Relativamente aos tubos metálicos e de betão, os tubos
em termoplásticos apresentam como vantagens o seu
menor peso, insensibilidade à corrosão electroquímica,
imunidade a ataques bacteriológicos e boas propriedades de isolamento.
Para melhor potenciar os resultados deste projecto, a
Vidropol mandou efectuar um estudo de mercado. O
estudo demonstra que estes novos produtos têm grandes hipóteses de mercado, quer a nível nacional, quer a
nível europeu. Com este projecto, torna-se possível utilizar matrizes termoplásticas a preços competitivos e
com vantagens ambientais óbvias, estando já em curso
o registo de uma patente internacional.
A Vidropol está a apostar em novos desenvolvimentos
para estes projecto. "O mercado procura soluções integradas. É necessário fabricar acessórios como curvas,
uniões de ligação entre tubos, enfim, um conjunto de
complementos para viabilizar a tecnologia no mercado",
afirma João Pedro Nunes. Actualmente, a empresa está
a preparar-se para se candidatar a novos programas de
apoio e tentar passar a esta nova fase. Vamos continuar
a apostar neste projecto, por esses ou outros meios.
Para já não estão a pensar em parcerias internacionais.
VIDROPOL: TRADIÇÃO DE MODERNIDADE
Fundada em 1973 pelo seu actual administrador, Joaquim Domingues Coelho, a Vidropol está orientada por uma política de risco controlado, apresentando um crescimento anual médio de 15% ao ano e detém uma quota de cerca de
40% do mercado nacional dos plásticos reforçados com fibras de vidro (PRFVs).
Com sede no distrito do Porto, localidade de Castelo da Maia, a Vidropol, conta actualmente com um equipa de 130
colaboradores num complexo industrial com uma área de 39 mil m2, dos quais 1,2 mil m2 correspondem a área
coberta. As capacidades de fabrico da empresa vão desde a moldagem por contacto à compressão a quente de SMC
(sheet molding compound), passando pelo enrolamento filamentar, compressão a frio, laminagem em contínuo e injecção de resina (RTM).
Nos últimos anos, outras empresas foram integradas à Vidropol, ligadas aos mais diversos sectores da indústria do
plástico, tais como o de transformação de poliuretanos e termoformação de chapas de acrílico e policarbonato. A produção de tubos para aplicações industriais e de condutas para água por enrolamento filamentar e moldação por contacto representam uma importante fatia do volume de negócios da empresa, tendo a Vidropol já instalado mais de
500 km de tubos e condutas em PRFV.
No que respeita à gama de produtos fabricados por enrolamento filamentar, os tanques, as chaminés, estações de
tratamento de esgotos e reactores industriais são em grande parte responsáveis pelo sucesso da empresa no mercado. Por outro lado, também a produção de armários eléctricos em SMC tem vindo a revelar um rápido crescimento nos últimos anos.
Actualmente a empresa tem vindo a incrementar a sua capacidade de produção e elevar ainda mais a qualidade dos
produtos. No sentido de se actualizar, modernizar e desenvolver, a Vidropol tem vindo a investir fortemente em I&D,
considerando que se tornar indispensável incorporar os últimos avanços tecnológicos na sua linha de produção, a
empresa tem vindo a participar em diferentes projectos de âmbito nacional e internacional de que são exemplos projectos europeus "Buried GRP Pipes" (estudo do comportamento de tubos de fibra de vidro enterrados), "FBRINS"
(desenvolvimento de novos sistemas de detecção de defeitos em compósitos) e "GRP Design & Tests" (normalização
internacional dos tubos em PRFV), estando este último ainda a decorrer.
36 i9 setembro 2002
DESTAQUE
Incentivos Fiscais
Um prémio às Empresas
que investem em I&D
ATÉ 1997, PORTUGAL ERA DOS POUCOS PAÍSES
DA OCDE QUE NÃO DISPUNHA DE UM SISTEMA DE
INCENTIVOS FISCAIS AO FOMENTO DA I&D
EMPRESARIAL.
A disponibilidade de meios acrescidos, com os
Fundos Estruturais, para o apoio financeiro à I&D
Empresarial explicará em parte esta situação, que
urgia no entanto colmatar. Com o alargamento do
número de empresas com actividades de I&D, conseguido nos últimos anos1, importava criar um mecanismo mais expedito do que os processos sempre
morosos e de resultados incertos, que decorrem da
avaliação “à priori” dos projectos concorrentes aos
sistemas de incentivos financeiros. Para as empresas
que já têm actividades de I&D (e declarem lucros) o
incentivo fiscal é um mecanismo de apoio mais expedito, funcionando como um prémio à posteriori ao
investimento na investigação e desenvolvimento. Por
outro lado no horizonte da previsível diminuição dos
apoios estruturais (num contexto em que se espera
que as despesas em I&D sejam muito superiores às
do passado) importava desde já habituar as empresas
a este novo sistema de incentivos.
O Decreto-Lei nº 292/97 de 22 de Outubro vem
alterar esta situação, com a introdução de um crédito fiscal para investimento empresarial em I&D, do
qual podem beneficiar todos os sujeitos passivos de
IRC que exerçam a título principal uma actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola, residentes
em território português ou não residentes mas com
estabelecimento estável.
Este crédito fiscal é constituído com base na dedução
à colecta do IRC, de um valor correspondente às despesas com I&D na parte que não tenha sido objecto
de comparticipação financeira do Estado a fundo perdido e numa dupla percentagem: de 8% (taxa base)
e de 30% (taxa incremental) do acréscimo das despesas realizadas no período de tributação em causa,
em relação à média aritmética simples dos dois exercícios anteriores, até ao limite de 50.000 contos.
Da definição das despesas em I&D dedutíveis ressaltam as seguintes orientações de política científica e
tecnológica que lhes estão implícitas:
• O papel determinante dos Recursos Humanos na
criação da capacidade de I&D empresarial, ao fazer
depender das despesas com pessoal o máximo das
despesas de funcionamento dedútiveis (55%);
1 Ver I9, nº 11, pág. 36, “I&D Empresarial – Confirmam-se sinais de dinamismo”
setembro 2002 i9 37
• O incentivo à cooperação com entidades do sistema de C&T. Além das despesas com actividades de
I&D realiza das dentro da própria empresa são
dedútiveis também despesas com aquisição de serviços de I&D a instituições de investigação. O que
se justifica no caso português dada a pequena
dimensão das nossas empresas e o facto de serem
muito poucas as empresas que têm actividades de
I&D internas organizadas e consolidadas. O recurso a entidades externas com capacidade C&T temse revelado, no âmbito dos programas de apoio à
investigação em consórcio2, lançados através dos
Programas PRAXIS e ICPME, um “degrau” importante para iniciar e fortalecer actividades de I&D
internas às empresas. Com o mesmo objectivo de
criar laços de cooperação entre empresas e as instituições de investigação são ainda dedutíveis as participações das empresas no capital de Instituições de
I&D e as despesas com a participação de dirigentes
e quadros empresariais na gestão de instituições de
investigação e desenvolvimento.
• Apoio às despesas com a aquisição de patentes,
além obviamente, das despesas com o registo e
manutenção de patentes. Poderá parecer estranho e
contraditório, um instrumento de dinamização da
investigação nacional apoiar despesas com aquisição
de tecnologia. A contradição é no entanto só aparente, se considerarmos que o processo de desenvolvimento C&T é um processo cada vez mais realizado à escala global devendo o desenvolvimento tecnológico nacional ser encarado nesta perspectiva:
não como um processo de substituição de importações, mas como um processo de valorização das
capacidades nacionais, combinando com parcelas de
Know-how e de conhecimentos especializados
adquiridos no exterior. É nesse sentido que são
dedutíveis à colecta as “despesas com aquisições de
patentes” desde que “predominantemente destinadas à realização de actividades de I&D”.
• Prioridade ao crescimento do número de empresas
com actividades de I&D: - traduzida por uma taxa de
dedução incremental (30%) bastante superior à taxa
de base (8%). O que era também uma forma de
acautelar as receitas fiscais, juntamente com a introdução de um plafond máximo quantitativo da dedução ao IRC na componente incremental (fixado na
altura em 50.000 contos/ano). Ao contrário do que
2 “Investigação em Consórcio – um primeiro balanço”. I9, número 12, pág. 66.
38 i9 setembro 2002
é prática corrente noutros países em que os limites
da dedução são em geral fixados através de uma
percentagem máxima dedútivel do imposto a pagar,
o que no quadro da prática tributável corrente das
empresas portuguesas acarretaria limitações óbvias.
• Despesas com auditorias à I&D, criando desde logo
condições para um sistema de verificação e certificação deste tipo de despesas de forma pouco
burocrática, numa fase em que o numero de
empresas que recorra ao sistema atinja um volume
que torne o controle centralizado pouco eficaz.
RESULTADOS FAVORÁVEIS
A resposta favorável que o Sistema de Incentivos
Fiscais à I&D Empresarial encontrou junto das
empresas foi a razão de base não só para o seu prolongamento temporal, como também para um ajustamento do sistema, por forma a dotá-lo de maior competitividade em relação a sistemas similares, nomeadamente em relação a Espanha que reviu recentemente o seu sistema de incentivos fiscais.
O mecanismo instituído tem contribuído para um
incremento efectivo da actividade de I&D por parte
das empresas portuguesas. Em primeiro lugar, temse assistido ao longo dos anos de vigência do diploma a uma crescente declaração de despesa realizada
em actividades de I&D. Por outro lado, verifica-se
que 25% das empresas que têm beneficiado do disposto no diploma não tinham, antes da sua entrada
em vigor, qualquer despesa com I&D. Verifica-se,
ainda, que 60% dessas empresas não apresentavam
nos anos em que se candidataram apoios financeiros
do Estado a actividades de I&D, o que revelava uma
forte complementaridade do sistema de incentivos
fiscais em relação aos sistemas de ajudas financeiras. Interessante é também o facto de 65% das
empresas que recorreram ao mecanismo de crédito
fiscal às actividades de I&D serem PME.
Mais importante é saber se os resultados são sustentáveis no futuro. A análise da evolução dos recursos
humanos qualificados, que são a base do investimento na I&D, pode perspectivar essa evolução. Para o
conjunto das empresas que se candidataram em
1998 e em 2000 verificamos um crescimento muito
significativo de recursos humanos qualificados em
particular de Doutores e Mestres (56 % em dois anos).
Este crescimento dos recursos humanos com elevado nível de formação conjugada com a diminuição do
número total de trabalhadores deste conjunto de
empresas, leva a uma melhoria ainda mais significativa dos indicadores de intensidade de utilização dos
Recursos Humanos com os níveis de formação mais
elevados: a percentagem de licenciados no total dos
trabalhadores cresce 27% e a dos Trabalhadores
com Mestrado ou Doutoramento 63%. Constatamos
ainda que as empresas novas no sistema (que não se
tinham candidatado em 1998) apresentam índices de
formação superior ainda mais elevados, com 20% de
trabalhadores com licenciatura e 1,4% com o grau de
Empresas que concorreram ao SIFIDE
Recursos Humanos - Evolução 1998/2000
Níveis de Formação dos RH
Taxa de Crescimento (%)
Nº Trabalhadores Total
Licenciados
Mestres e Doutores
-6,65%
17,31%
56,86%
doutoramento ou de mestrado.
Esta percentagem mais elevada do pessoal com elevada formação Superior deve-se no essencial a uma
nova geração de empresas de criação muito recente,
tipicamente “spin-off” do sistema de investigação.
REVISÃO DA LEGISLAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS
À I&D EMPRESARIAL
Esta evolução favorável justificava só por si uma política fiscal mais ambiciosa. Acresce que a introdução
no sistema de incentivos financeiros do programa de
apoio à investigação em consórcio3, financiado pelos
Programas POCTI e POSI, de modalidades de apoio
reembolsáveis aconselhava o reforço das taxas de
dedução fiscais. A revisão dos sistema veio a ser
materializada no Decreto-Lei nº 195/2001 de 29 de
Junho, que introduziu algumas melhorias significativas, de que se destaca:
• O aumento para 20% (na taxa de base) e de 30 %
para 50 % (da taxa incremental) com aumento para
o dobro (100.000 contos) do plafond máximo de
dedução da taxa incremental, limite que é passível
de revisão anualmente por simples portaria dos
Ministros das Finanças e da Ciência.
• O aumento do período de dedução das despesas,
que por insuficiência da colecta não possam ter
sido deduzidas no ano em que foram realizadas,
que passa a poder ser efectuado até ao 6º exercício imediato.
O impacto destas alterações parece estar a ser bastante positivo, a avaliar pelas candidaturas tratadas
até à data, com a passagem da taxa média de incidência do Crédito Fiscal dos 14-15% dos anos anteriores, para 32% em 2001, primeiro ano de aplicação
da nova legislação.
Empresas que concorreram ao SIFIDE
Intensidade da Formação dos RH - Evolução
Indicadores
1998
2000
% Crescimento
Total das Empresas
Nº de licenciados/Total dos trabalhadores
Nº de Mestres e Doutorados/Total de trabalhadores
15,44%
0,32%
19,68%
0,52%
27,42%
63,21%
Empresas que concorreram
em 1998 e 2000
Nº de licenciados/Total dos trabalhadores
Nº de Mestres e Doutorados/Total de trabalhadores
15,59%
0,27%
19,59%
0,46%
25,67%
68,04%
Empresas “Novas”
Nº de licenciados/Total dos trabalhadores
Nº de Mestres e Doutorados/Total de trabalhadores
-----
20.48%
1.09%
-----
3 Ver “O que é a Investigação em consórcio ? ”, em I9, nº 11, pág. 42.
setembro 2002 i9 39
SIFIDE - ALGUNS CASOS DE SUCESSO
Simoldes Plásticos:
I&D é factor de liderança
Embora o início do grupo remonte a 1959 com a criação da Simoldes Aço, a Simoldes Plásticos só nasceu no início da década de 80.
No segmento dos plásticos injectados, a Simoldes
Plásticos é líder à escala nacional e com notória projecção internacional. Actualmente, a empresa é fornecedora directa de algumas das maiores marcas
mundiais, como a VW, GM, PSA (Peugeot/Citroën),
Renault, Audi, Mitsubishi,ou Daimler-Chrysler. Para
além da AutoEuropa (a maior cliente nacional), a
Simoldes fornece ainda algumas das maiores empresas instaladas no nosso país, como a Faurecia, a
Vampro, a Lear e outras. À custa disso, está a ser
fabricada a versão actual do Clio, da Reanult, onde
foi introduzido um conceito novo de injecção de plástico sob os tecidos que foi o resultado de um projecto de I&D. "Actualmente, somos a única empresa no
mundo a desenvolver tal tecnologia".
PARA ESTAR ENTRE OS MAIORES
Fundamental para o sucesso da Simoldes tem sido o
desenvolvimento de novas tecnologias no sentido de
acompanhar a evolução do sector automóvel. Com
uma equipa superior a 100 engenheiros num total de
2500 trabalhadores, a I&D é uma actividade levada
muito a sério pela Simoldes. A empresa está dotada
da tecnologia e flexibilidade necessárias e concilia
todo o seu know-how nos moldes com a produção e
desenvolvimento de peças plásticas injectadas. Com
40 i9 setembro 2002
© Telmo Miller
DAR RESPOSTA ÀS EXIGÊNCIAS ACTUAIS LIGADAS
AO DESENVOLVIMENTO E EXECUÇÃO DE PROJECTOS, ASSIM COMO A REDUÇÃO DO TEMPO DE
COLOCAÇÃO DO PRODUTO NO MERCADO É O
CONSTANTE DESAFIO DO SECTOR DOS MOLDES.
É NESTE CONTEXTO QUE SE DESENVOLVE A ACTIVIDADE DO GRUPO SIMOLDES, UM DOS MAIORES
PRODUTORES MUNDIAIS DE MOLDES PARA A
INDÚSTRIA AUTOMÓVEL.
cerca de 95 por cento da sua facturação dependente do sector automóvel, a Simoldes Plásticos terá
atingido no ano passado 1 milhão de contos de
lucros, antes de impostos.
Capacidade de I&D e engenharia de produto, logística numa óptica de just- in-time e recursos humanos
com formação avançada são alguns factores críticos
de sucesso na indústria de componentes automóvel.
Maiores exigências ao nível da qualidade, tempo de
entrega e redução de custos, obrigam a um processo de produção contínuo e um forte investimento em
Investigação & Desenvolvimento (I&D). No actual
cenário económico, para sobreviver e manter uma
tendência de crescimento, a indústria dos moldes e
plásticos injectados precisa ser criativa e inovadora,
recorrendo a tecnologias cada vez mais avançadas
para criar produtos diferenciados (e originais).
so a este incentivo ainda mais atraente, reflectindose numa maior capacidade de re-investimento", refere ainda o responsável da Simoldes. No entanto,
Jorge Alegria ressalta que a legislação está fundamentalmente orientada para departamentos estanques, afectos quase exclusivamente à actividade de
I&D. "Há que criar uma abertura e expansão e associar a Investigação & Desenvolvimento à Produção,
uma vez que, na actual forte evolução tecnológica
industrial, a inovação ocorre muitas das vezes, integrada e ao longo do processo produtivo", defende o
director financeiro da Simoldes.
O Departamento de I&D da Simoldes Plásticos
desenvolve, sobretudo, actividades de validação da
execução técnica dos projectos; técnicas a aplicar no
processo de concepção, novos materiais e processos; acompanhamento técnico da realização de moldes e modelos protótipos; gestão de modificações de
produtos e acompanhamento técnico junto de clientes. Actualmente, a empresa possui 5 novos projectos de I&D que são apresentados, mundialmente,
como 1ª criação e que garantem à Simoldes Plásticos
o lugar de destaque na indústria de injecção plástica.
© Telmo Miller
Estes são elementos que não faltam à Simoldes, mas
manter-se entre os principais players do mercado
internacional tem custos elevados. De acordo com
Jorge Alegria, director financeiro da Simoldes
Plásticos, "O recurso ao Sistema de Incentivos
Fiscais à I&D é um contributo importante para viabilizar e optimizar todo este investimento em tecnologia".
Entre as vantagens deste sistema de incentivos, o
director financeiro da Simoldes afirma que é um
exemplo de processo simples e pouco burocrático.
Além disso, Jorge Alegria afirma que "em Portugal,
as instituições científicas e universidades não têm a
infra-estrutura e meios suficientemente necessários
para dar todo o apoio possível às empresas no que se
refere ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias e, consequentemente, as entidades empresariais são obrigadas a criar e desenvolver capacidades internas, próprias, de I&D". Logo, as vantagens
do Sistema de Incentivos Fiscais a I&D Empresarial
tornam-se óbvias, uma vez que permitem aos investidores abater nos impostos uma parte reduzida mas
considerável destas despesas. "E são de louvar as
recentes alterações à legislação que tornam o recur-
setembro 2002 i9 41
CPCIS, Inovação
como factor
de crescimento
© Telmo Miller
CRIADA EM 1981, A CPCIS - COMPANHIA PORTUGUESA DE COMPUTADORES INFORMÁTICA E SISTEMAS,
S.A. TEM MANTIDO UM CRESCIMENTO CADA VEZ MAIS ACENTUADO, QUER NO QUE SE REFERE AO CAPITAL SOCIAL, QUER AINDA NA SUA EXPANSÃO NO MERCADO NACIONAL E RESPECTIVO CRESCIMENTO DOS
SEUS QUADROS. EM 2001 A EMPRESA ATINGIU UM VOLUME DE NEGÓCIOS CONSOLIDADO DE
65.000.000€, DOS QUAIS 740.000 € CORRESPONDEM AO VOLUME DE EXPORTAÇÃO. ESTE VALOR REVELA UM CRESCIMENTO DE 30% FACE AO EXERCÍCIO ANTERIOR.
Dentro da sua vasta oferta de soluções de Software
aplicacional, a CPCIS tem disponível um Sistema
Integrado de Informação, constituído por subsistemas
modulares desde a Contabilidade Geral, Orçamental
e Analítica, Gestão Comercial, Recursos Humanos,
Imobilizado, Produção, etc., com diversas instalações
em empresas de média e grande dimensão.
42 i9 setembro 2002
Na componente de Software à medida os clientes
obtém soluções adaptadas às suas necessidades e
às características das suas empresas. É importante
realçar dentro do leque de soluções da CPCIS entre
outros, os Subsistemas Aplicacionais para: Sociedades de Corretagem, Sociedades de Gestão de
Fundos, Educação - Gestão de Alunos, Saúde - Ges-
tão Hospitalar, Empresas de Telecomunicações, Instituições Bancárias, como soluções de HomeBanking,
Internet, etc.
O ano de 2001 foi um ano de transição, marcado
pela implementação de uma nova estrutura organizativa. De acordo com Artur Queiroz Machado,
Presidente do Conselho de Administração da CPCIS,
"o processo de reestruturação passou por autonomizar algumas áreas de negócio da empresa, que apresentam, desta forma, um potencial de crescimento
superior e enquadra-se na opção estratégica tomada
no sentido de dotar o Grupo de uma nova estrutura
que lhe permita enfrentar eventuais e desejáveis futuros crescimentos". Assim sendo, a CPCIS, SGPS,
S.A. detém a 100% as seguintes sociedades:
a) CPCIS - Companhia Portuguesa de Computadores Informática e Sistemas, S.A. que continua a ser responsável pela importação, comercialização e assistência técnica de equipamentos e produtos de informática, telecomunicações e escritórios na área de informática e
organização, tanto no país como no estrangeiro, assim como formação e assistência na
mesma área e o desenvolvimento e comercialização de software.
b) CPCTA - Companhia Portuguesa de Computadores e Tecnologias Avançadas, S.A., que está
dedicada à comercialização, instalação e manutenção de packages, desenvolvimento de software, quer para evolução de packages, quer à
medida para sistemas de informação específicos, à consultoria e gestão de projectos e à
venda de equipamentos informáticos e afins.
c) IMOCPCIS - Empreendimentos Imobiliários,
S.A., cujo objectivo é a realização de investimentos no sector imobiliário, nomeadamente,
pela compra de imóveis para revenda, urbanização, arrendamento, administração de imóveis
próprios ou alheios.
d) CPCCG - Companhia Portuguesa de Computadores - Consultoria de Gestão, S.A., que
está responsável pela prestação de serviços na
área dos sistemas de informação e desenvolvimento, manutenção e suporte de aplicações
informáticas com especial ênfase na Área de
soluções de gestão empresarial.
e) CPC HS - Companhia Portuguesa de Computadores - Healthcare Solutions, S.A., respon-
sável pela prestação de serviços na área dos
Sistemas de Informação, desenvolvimento,
manutenção e suporte de aplicações informáticas, com especial ênfase no domínio das
Tecnologias da Saúde e Gestão Hospitalar.
PREMIAR À POSTERIORI
A CPCIS teve conhecimento do Sistema de Incentivos
Fiscais a I&D Empresarial através da empresa que lhe
presta serviços de consultoria na área da gestão. Artur
Queiroz Machado considera os incentivos fiscais motivadores, "sendo um reconhecimento e uma recompensa pelo trabalho já desenvolvido pelas empresas e não
pelo que ainda vão fazer". Este responsável faz, no
entanto, uma ressalva: "é importante para a nossa
empresa participar no SIFIDE, mas não é determinante pois se quisermos nos manter competitivos, o
investimento em I&D deve ser uma constante".
Contando, no momento, com cerca de 620 colaboradores, dos quais 496 são Licenciados e 2 Mestres, a
empresa há muito que está equipada com
Departamentos de I&D (Investigação & Desenvolvimento) e um Laboratório próprio na CPCTA,
CPCCG e CPCHS. Em 2001, mais de 110 colaboradores estavam dedicados a actividades de investigação
permanentes, dos quais a maior parte a tempo integral.
De acordo com Artur Queiroz Machado, a CPCIS não
encontrou quaisquer dificuldades no acesso ao SIFIDE, que apresenta a vantagem em relação a outros
sistemas de incentivo de ser um "processo célere e
rápido". "No Programa Operacional de Economia
(POE), estamos à espera de aprovação há de cerca
de um ano e meio, enquanto no SIFIDE a nossa candidatura foi aprovada em, no máximo, três meses",
afirma o Presidente do Conselho de Administração.
As recentes alterações são também vistas pela
CPCIS de uma forma muito positiva pois, de acordo
com Artur Queiroz Machado, "ao aumentar as participações, permitem à empresa disponibilizar mais
investimentos para a área da investigação, uma vez
que a comparticipação é maior". O Presidente do
Conselho de Administração da CPCIS reforça, no
entanto, que "este sistema é encarado pela empresa
como um incentivo para seguir em frente, sobretudo
como um prémio de boa prestação". Também na
CPCIS a maior parte do reembolso reverte para a
actividade de I&D.
Entre 1997 e 2001, a evolução das despesas em
I&D apuradas na empresa ascenderam aos 370%,
enquanto o montante do crédito fiscal solicitado
sofreu um aumento que rondou os 340%.
setembro 2002 i9 43
Oliveira e Irmão, SA,
tradição de inovação
e qualidade
No sentido de dar resposta às crescentes solicitações do mercado, num quadro de diversidade de
produtos e de elevados padrões de qualidade, a
empresa criou a sua primeira unidade industrial em
1981, acedendo a tecnologias que rapidamente lhe
conferiram destaque no mercado nacional.
Em 1987 Oliveira & Irmão passa a sociedade anónima. A empresa enceta, então, um processo de fusão
das suas unidades comercial e industrial e, em termos industriais, especializa-se no fabrico de componentes de autoclismos, tornando-se numa unidade
de referência mesmo além fronteiras. Hoje, mobiliário de WC, equipamentos e acessórios para o sector
agrícola, aquecimento, lava-louças, torneiras e componentes para a indústria cerâmica são as principais
linhas de produtos comercializados pela Oliveira &
Irmão.
De acordo com Luís Martins, director financeiro da
empresa, hoje a Oliveira & Irmão move-se num quadro de ligações internacionais, quer em termos da
sua estrutura accionista, quer em termos de protocolo de cooperação técnica e comercial que estabeleceu.
Actualmente, a Oliveira & Irmão SA é uma empresa
de dimensão europeia, colocando-se entre as maiores do sector em que opera, ocupando uma posição
de elevado destaque no mercado europeu. "A qualidade resulta de um contínuo esforço de melhoria, de
um permanente processo de investigação e desenvolvimento, dos processos de certificação e homolo-
44 i9 setembro 2002
© Telmo Miller
A OLIVEIRA & IRMÃO FOI FUNDADA EM 1954 COMO EMPRESA DE COMERCIALIZAÇÃO DE ARTIGOS DE FUNDIÇÃO E DE EQUIPAMENTOS PARA O SECTOR AGRÍCOLA, NOMEADAMENTE ARTIGOS DE REGA.
APOSTANDO DESDE O INÍCIO NUMA IMPLANTAÇÃO QUE GARANTISSE A COBERTURA DO MERCADO
NACIONAL, A EMPRESA ALICERÇOU O SEU CRESCIMENTO NO ALARGAMENTO DA GAMA DE PRODUTOS
COMERCIALIZADOS, GANHANDO PARTICULAR DESTAQUE A OFERTA DE ARTIGOS SANITÁRIOS PARA O
SECTOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL.
gação de tecnologias e procedimentos e do reconhecimento nacional e internacional da empresa e
dos seus produtos", garante Luís Martins.
A Oliveira & Irmão lidera tecnologicamente o sector
em Portugal. O crescimento da sua presença nos
mercados externos constitui a afirmação clara da
estratégia: ser uma unidade internacional reconhecida pela sua dinâmica e qualidade dos produtos e
serviços.
A fórmula do sucesso da Oliveira & Irmão, é segundo Luís Martins, uma estratégia de "inovação aplicada à satisfação do cliente, assim como à melhoria
constante dos processos de fabrico, aumentando a
eficiência produtiva e a qualidade de produtos e serviços". A empresa procura ainda não se restringir a
uma linha tradicional de produtos, procurando contactar outras realidades e conhecer as necessidades
de outros mercados.
Com cerca de 330 colaboradores, entre os quais 29
Licenciados e um mestre, a empresa atingiu, em
2000, um volume de correspondente a quase 27.5
milhões Euros, sendo que cerca de 16 milhões Euros
corresponderam ao volume de exportado.
A actividade de I&D (Investigação & Desenvolvimento) tem sido uma aposta "enquanto instrumento de defesa e de qualificação para enfrentar a
competitividade de outras empresas no mercado global". Nesse sentido, a Oliveira & Irmão tem efectuado investimentos em meios informáticos e humanos,
estabelecimento de cooperação com Universidades
para apoio em termos de capacidade científica.
A empresa teve conhecimento do sistema de incentivos Fiscais à I&D Empresarial através do seu consultor fiscal. Para Luís Martins "tais benefícios fiscais
oferecem às empresas a possibilidade de reinvestir
em actividades de I&D". Embora dê um pouco mais
de trabalho administrativo, Luís Martins considera
© Telmo Miller
INOVAR PARA LIDERAR
que vale a pena apostar aderindo a este sistema.
De referir que a Oliveira & Irmão está equipada com
um Departamento de I&D e um Laboratório próprios, com cerca de 11 pessoas dedicadas à actividade de investigação.
As despesas de I&D têm crescido de forma muito
significativa (desde de 1998 a 2000), o I&D apurado (em Euros) sofreu um acréscimo próximo dos
111%. O crédito fiscal calculado revelou uma evolução de cerca de 60%.
Desde 1998 até ao ano 2000, a Oliveira & Irmão já
registou 8 patentes.
setembro 2002 i9 45
Vulcano, inovação
como factor de liderança
EM 25 ANOS DE HISTÓRIA, A VULCANO PASSOU DE UMA SIMPLES LICENCIADA PARA PRODUÇÃO NO MERCADO NACIONAL A MAIOR FABRICANTE EUROPEU DE ESQUENTADORES, COM PRODUTOS VENDIDOS EM
55 PAÍSES. HOJE A EMPRESA, QUE INTEGRA O GRUPO BOSCH, É UMA REFERÊNCIA EM INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NO SEGMENTO ONDE OPERA, LICENCIANDO TECNOLOGIA A TERCEIROS.
das que rondou os 170 milhões euros, dos quais
cerca de 128 milhões correspondem ao volume
exportado.
Apesar da liderança ainda confortável, a Vulcano não
adormece à sombra do sucesso. A Vulcano dispõe de
um departamento de I&D, com laboratório próprio,
que integra 21 colaboradores, que é o principal responsável por um "pacote" de inovações, que permite à
empresa estar dois passos à frente do mercado.
© Telmo Miller
De acordo com Alexandre Silva, director-técnico da
Vulcano "tal evolução só foi possível devido à estratégia de inovação intrínseca ao desenvolvimento da
gama de produtos da Vulcano que dispõem de funcionalidades e características exclusivas, diferenciando-se claramente da concorrência".
Com um grupo de 1083 colaboradores - dos quais
93 são Licenciados, 3 são Mestres e um é doutorado - em 2001, a empresa atingiu um volume de ven-
46 i9 setembro 2002
SIFIDE, MAIS UM INSTRUMENTO
O recurso ao Sistema de Incentivos Fiscais a I&D
Empresarial surge como complemento desta estratégia. Na opinião de Alexandre Silva, "a grande diferença entre o SIFIDE e outros sistemas de incentivo
a I&D empresarial, reside no o facto deste não atomizar as actividades de I&D das empresas, mas
antes analisá-las no seu conjunto e integradas na
estratégia de desenvolvimento da empresa".
As alterações introduzidas com o Dec./Lei
197/2001, permitindo, nomeadamente, aumentar a base da taxa de comparticipações de 8
© Telmo Miller
A concepção e o desenvolvimento de novos produtos
têm igualmente como parceiros um conjunto de institutos de investigação e de
infraestruturas tecnológicas, predominantemente
nacionais, a quem a Vulcano, de um modo continuado contrata actividades
de I&D, com calendários e
objectivos tecnológicos, e
custos bem definidos.
Esta estratégia passa também "por ter na direcção de
topo da empresa, quadros que conhecem o enquadramento das actividades de I&D em Portugal, e as suas
idiossincrasias, as instituições protagonistas, as tecnologias de referência e, necessariamente, os recursos
humanos, o Know – How e os mecanismos de incentivos nas actividades I&D industrialmente orientadas",
revela o director-técnico da Vulcano.
para 20%, foram vistas com muito agrado pela
Vulcano, que se encontra entre os maiores contribuintes fiscais no âmbito das empresas industriais. "O aumento da taxa incremental de 30%
para 50% do acréscimo de despesas é conceptualmente um princípio incentivador da realização de actividades de I&D, particularmente no
caso das empresas que estabelecem uma estratégia e fazem o ramp-up destas actividades",
considera Alexandre Silva. Este responsável
salienta, no entanto, que "não é este o caso da
Vulcano, cujos custos de actividades de desenvolvimento nos últimos anos têm rondado entre
2.2 e 3.0% do volume de vendas, num mercado
com volume estacionário".
A Vulcano utiliza a totalidade dos créditos fiscais
associados ao SIFIDE para financiar parcialmente as suas actividades de I&D, sendo os restantes custos financiados pelas margens geradas
pelos novos produtos. Entre 1998 e 2000 a
empresa solicitou o registo de 3 patentes.
setembro 2002 i9 47
ENTREVISTA
INESC - PORTO
INESC Porto: Na vanguarda da Inovação
O INESC PORTO É UM BOM EXEMPLO DE COMO A UNIVERSIDADE PODE COOPERAR COM A INDUSTRIA.
EM ENTREVISTA Á I9 PEDRO GUEDES DE OLIVEIRA, PRESIDENTE DESTA INSTUTUIÇÂO, EXPLICA-NOS
COMO FUNCIONA ESTA COOPERAÇÂO, CHAMA A ATENÇÃO PARA ALGUNAS DIFICULDADES E DÁ-NOS
EXEMPLOS DE ALGUNS PROJECTOS INOVADORES BEM SUCEDIDOS.
I9 – Como define a actividade do INESC Porto?
PGO – É usual dizer-se que este tipo de instituição se
coloca na interface entre o sistema universitário e o tecido económico. Se quiser, este tipo de definição servenos, mas convém explicitar que entendemos por isso que
as nossas actividades devem visar linhas de desenvolvimento coerente, susceptíveis de aplicação e tradução em
actividade económica, pela promoção da inovação e
aumento da competitividade. Dentro dessas linhas admitimos ir desde uma investigação mais a montante, menos
aplicada, do tipo da que se espera encontrar em ambientes académicos, até actividades de desenvolvimento já
muito próximas da actividade empresarial, como o desenvolvimento de produtos.
48 i9 setembro 2002
© Anabela Trindade
I9 – Qual considera ser o papel do INESC Porto
na história da Ciência e Tecnologia em Portugal?
Pedro Guedes de Oliveira – O INESC Porto não pode
ter em si mesmo um grande papel histórico, já que, formalmente, só iniciou a sua actividade de forma independente no início de 1999. Contudo, como um dos legítimos
herdeiros do INESC, é possível falar de um passado em
que fomos percursores de um modo de estar diferente na
relação da universidade com o meio exterior, na afectação
de verbas a I&D, no modo como as empresas olham e se
relacionam como os grupos de origem universitária. Muita
coisa teria mudado, inevitavelmente, independentemente
da nossa acção: aderimos à CE, a nossa ciência internacionalizou-se e o número de elementos activos multiplicouse por um factor elevado. Entretanto, a tecnologia dos
computadores e das comunicações, aquela em cujo âmbito nos movimentamos, sofreu uma aceleração inacreditável e ajudou a mudar o mundo. Contudo, sem nos queremos arrogar um papel determinante na enorme mudança
que, nos últimos anos, se verificou, pelo menos tivemos a
habilidade de cavalgar e aproveitar bem essa onda.
I9 – Qual o balanço que faz de quase três anos
de existência enquanto pólo autónomo?
PGO – Muito positivo. A criação do INESC Porto não foi
um acto precipitado por quaisquer eventos externos; foi
antes o culminar de um processo de afirmação de autonomia táctica e estratégica que se vinha já a verificar desde
há vários anos. Assim, a criação do instituto com estatuto
e órgãos próprios e com um relacionamento institucional
novo (note-se que é detida em quase 2/3 pela
Universidade do Porto e pela FEUP, pertencendo o restante terço ao INESC), só veio ajudar a uma mais clara
definição de missão, de metas e objectivos e a uma mais
forte mobilização interna.
I9 – Esta instituição é reconhecida, aliás como já
referiu, como sendo a ponte entre o mundo das
empresas e o mundo académico, considerada a
chave de sucesso para o desenvolvimento de
I&D em Portugal. De que forma o INESC Porto
promove esta interligação?
PGO – Quando diz "a chave de sucesso para o desenvolvimento de I&D em Portugal" parece querer dizer que
é a única via, o que não é verdade. Pode, em muitas
áreas, fazer-se investigação de ponta, em Portugal, de
natureza académica, sem ligação a empresas e com
muito boa qualidade, como em qualquer outra parte do
mundo. O que eu penso é que, em particular em I&D de
base tecnológica, nas áreas da engenharia e ainda mais
especialmente nas usualmente chamadas TIT&E
(Tecnologias da Informação, Telecomunicações e
Electrónica) ou simplesmente TIC's (Tecnologias da
Informação e Comunicações) se se quer uma actividade
sustentada, reprodutível, capaz de envolver um crescente número de jovens e não muito dependente da qualidade individual deste ou daquele investigador, então essa
actividade tem de ter um suporte material que se radique
na actividade económica, tem de se justificar e tornar
necessária porque aumenta a competitividade das
empresas com que se relaciona, ajudando a estimular a
consciência de que o desenvolvimento e inovação são,
hoje mais do que nunca, elementos chave de sucesso.
Ora, o investimento privado em I&D é ainda extremamente baixo em Portugal. Comparado com os países
mais desenvolvidos, esta é a parcela do dinheiro total que
mais desfavoravelmente se compara com o que se faz
nesses países. Assim, uma instituição como o INESC
Porto acaba por suprir parte do I&D que poderia ser feito
pelas próprias empresas. Se quiser, é como se essas
empresas fizessem algum outsourcing de I&D connosco.
I9 – Até que ponto os empresários nacionais
começam a ficar sensíveis à necessidade de
investir em I&D?
PGO – Há algumas mudanças positivas, mas claramente insuficientes. Há também regressões, em particular
em algumas das empresas de grandes dimensões em
que poderíamos esperar que fosse o contrário. Ora, a
competitividade como ela é por vezes entendida (nem
sempre bem, a meu ver) leva a que se prefira comprar
feito em vez de desenvolver, quer porque é mais rápido
quer porque envolve menos riscos. Em larga medida, o
que me parece ser um mal nacional é andarmos quase
sempre a imitar o que já vimos feito: "se foi um sucesso
para os outros também há-de ser para nós". Ora, como
entre o momento em que algo vem a público e aquele
em que se começou a desenvolver, leva por vezes anos,
quando começamos a fazer igual ao que vemos, significa que levamos esses mesmos anos de atraso.
I9 – A actividade do INESC Porto está orientada
para a prestação de serviços no campo da inovação tecnológica: que serviços pode o INESC
Porto prestar às empresas? Que tecnologias
podem colocar ao serviço das empresas?
PGO – Eu já referi acima que, de certo modo, há da parte
de algumas empresas uma espécie de outsourcing da sua
actividade de desenvolvimento tecnológico (mais do que
propriamente investigação) ao INESC Porto. Mais do que
nos colocarmos na posição de dominarmos uma ou outra
tecnologia que depois disponibilizamos para as empresas,
o que tentamos é, com elas, identificar os seus problemas
ou os novos produtos a que se podem abalançar, para os
quais o nosso know how pode ser um elemento de valorização. É por isso que normalmente não fornecemos soluções para os utilizadores finais - onde nos poderíamos
encontrar a competir com outras empresas - antes nos
colocamos como parceiros das empresas que, essas sim,
desenvolvem as soluções. Perante os utilizadores finais
posicionamo-nos mais como agentes de sensibilização, de
identificação de problemas e de formação.
I9 – Como podem auxiliar as PME's e aumentar a
sua capacidade de inovar?
PGO – Inovar é, antes do mais, procurar soluções novas e
mais eficazes para problemas que podem não ser novos.
A identificação dos problemas e do mercado dos produtos
cabe, normalmente, às empresas. A nós compete-nos
identificar, adaptar, desenvolver ou simplesmente endogeneizar as tecnologias adequadas à sua solução. Devo dizer
que às vezes temos um papel na própria identificação dos
problemas, não tanto quanto à sua natureza, mas quanto
à compreensão da adequação de soluções tecnológicas à
sua resolução.
I9 – A formação é outro papel relevante do INESC
Porto. De que forma contribui o INESC Porto para
a formação de quadros e agentes de inovação?
PGO – Há 3 tipos de acção no âmbito da formação:
> a formação específica necessária para uma boa
capacidade de utilização por parte dos trabalhadores
das empresas, de uma nova tecnologia ou um novo
produto - isto é algo quase sempre, em dose maior
ou menor, associado ao desenvolvimento de um
dado projecto;
> a formação, também específica para as necessidades de uma empresa ou de um sector mas, em
geral, menos focalizada, que desenvolvemos sob
contrato: temos feito isto com bastante sucesso em
áreas avançadas, aproveitando a capacidade interna
para desenhar os cursos e assegurar parte do seu
ensino, e a vasta rede de ligações nacionais e internacionais para procurar monitores da maior competência que possam complementar a formação em
setembro 2002 i9 49
UMA HISTÓRIA DE SUCESSO
O INESC - Instituto de Engenharia de Sistemas e
Computadores- é uma associação privada sem fins lucrativos, orientada para a investigação científica, o desenvolvimento tecnológico e a formação avançada no domínio das
tecnologias de informação e telecomunicações. Criado em
4 de Agosto de 1980 na sequência de um despacho conjunto do Ministério dos Transportes e Comunicações e do
Ministério da Educação, logo se instituiu como um modelo
na forma de relação Universidade - Industria.
O INESC está orientado para a prestação de serviços no
campo da inovação tecnológica através de uma cultura
organizacional que aposta numa estratégia integrada de
produção de ciência, tecnologia e recursos humanos qualificados. No seu historial conta-se a criação de mais de 80
empresas através da AITEC considerando a transferência
tecnológica como uma das chaves de actuação e a sua
importância para a criação de PME's portuguesas, com as
quais se têm mantido ligações estreitas mediante contractos e protocolos diversos de assistência, investigação e formação especializada. Hoje, esta instituição atravessa uma
fase de reorganização e remodelação da sua estrutura.
Fundado pelo INESC e pela Universidade do Porto, tendo
origem no pólo do Porto do INESC, cuja criação ocorreu
em Maio de 1985, o INESC Porto surge como o corolário
deste processo de reestruturação do INESC, que começou
pela progressiva especialização local dos vários pólos e
pela sua autonomização e que tem vindo a conduzir à constituição de um conjunto de novas instituições, ligadas centralmente ao INESC, o qual assumirá um papel de um centro de orientação estratégica e consolidação nacional.
O INESC Porto é uma instituição criada para constituir uma
interface entre o mundo académico e o mundo empresarial da indústria e dos serviços, bem como a administração
pública, no âmbito das Tecnologias de Informação,
Telecomunicações e Electrónica, dedicando-se, nestas
áreas, a actividades de investigação científica e desenvolvimento tecnológico, transferência de tecnologia, consultoria e formação avançada.
áreas que não nos sejam tão familiares;
> finalmente, a formação que fazemos a dezenas de
jovens, todos os anos, que mesmo que não incluídos
em formação pós-graduada, formal, são inseridos
em projectos avançados (no âmbito do que se designa habitualmente por iniciação à investigação) e ao
fim de, tipicamente, dois anos, são lançados no mercado de emprego, não poucas vezes em empresas
para ou com as quais os projectos foram desenvolvidos. Esta é uma actividade de formação escondida,
não remunerada (note-se que a alta rotatividade de
quadros jovens que implica, tem custos enormes)
50 i9 setembro 2002
mas, em nossa opinião, indiscutivelmente um dos
maiores contributos que, ao longo dos anos, temos
vindo a dar ao País.
I9 – Quais as áreas de intervenção do INESC Porto?
PGO – De um modo geral, dividimos as nossas actividades por cinco unidades produtivas cujos nomes são razoavelmente indicativos das grandes áreas de intervenção a
que nos dedicamos: Telecomunicações e Multimédia, Sistemas de Energia, Engenharia de Sistemas de Produção,
Sistemas de Informação e Comunicações e Optoelectrónica e Sistemas Electrónicos.
I9 – Quais os projectos saídos da sua área de
intervenção que lhe suscitam um carinho
especial e porquê?
PGO – O meu maior entusiasmo não vai em geral,
para um ou outro projecto, segundo a sua natureza
técnica; sou mais sensível ao modo como ajudam a
consolidar a filosofia de intervenção do INESC Porto,
ou seja, como se integram nas linhas de acção definidas nos nossos planos de médio e longo prazo, se
radicam ou promovem investigação aplicada e/ou
desenvolvimento, têm aplicação e consequências
sobre a actividade económica, são reprodutivos, geram
conhecimento novo e promovem a formação de recursos humanos e, "last but not the least", se equilibram
do ponto de vista dos custos e das receitas que geram.
Com isto, qualquer que seja a área de intervenção, o
projecto contribui para o desenvolvimento e sustentabilidade do INESC Porto numa linha coerente com a
nossa missão e objectivos. Exemplos? Encontra-os um
pouco por todas as áreas. Sem querer ser exaustivo,
eu falar-lhe-ia do projecto do transportador automático
que desenvolvemos com a LIREL e que já foi utilizado
noutras empresas, promovendo mesmo uma interessante experiência trans-sectorial, ou o SIMAT, projecto
que agregou empresas diversas, com vista a fornecer
serviços e sistemas de informação geo-referenciados
para as autarquias, ou o projecto desenvolvido com a
CABELTE para a monitorização de diversos parâmetros em cabos eléctricos, baseada em tecnologias
avançadas de optoelectrónica, ou o sistema desenvolvido em parceria com a EFACEC para gestão de redes
eléctricas, sistema já colocado no mercado internacional, ou os projectos na área do áudio digital com a
empresa ACÚSTICA ou ainda os projectos VIDION e
ORBIT, na área da TV digital, desenvolvidos respectivamente com a RTP e a BBC. Mas a lista poderia facilmente duplicar ou triplicar, tendo eu sempre alguma
sensação de injustiça para muitos dos nossos colaboradores sempre que deixo de fora tantas intervenções
empenhadas e valiosas que resultaram em produtos,
processos ou serviços que desenvolvemos.
© Anabela Trindade
ÁREAS DE ACTUAÇÃO
I9 – O que é e quais os objectivos deste projecto
com a empresa ACÚSTICA?
PGO – A Acústica é uma empresa situada nos arredores do Porto que desenvolve sistemas profissionais de
áudio, desde colunas a amplificadores. Temos tido
alguns projectos com eles, um dos quais resultou num
sistema comercial e que consistiu num equalizador
digital, baseado em tecnologia proprietária nossa, e no
trabalho do grupo que designamos, com algum humor,
como Gáudio. Depois tem havido várias ideias e alternativas que temos vindo a explorar em conjunto, mas
que se encontram numa fase ainda preliminar e sobre
as quais não gostaria de avançar muito, para já. Assim,
de facto o equalizador digital é que foi o projecto principal e pensamos que é interessante e valioso termos
podido colaborar com os nossos conhecimentos oriundos da investigação, levando a empresa a dar os primeiros passos na rota do áudio digital.
I9 – O que representa o ORBIT?
PGO – O ORBIT é, de facto, um bom exemplo do que
acabei de dizer: uma estratégia consistente e persistentemente prosseguida na área da TV digital levou a
que nos tivéssemos posicionado como um parceiro
sólido em termos internacionais. Para tal mantemos, a
montante, actividade em áreas com conteúdo forte de
investigação como codificação, análise e síntese de
imagem, processamento de sinal com aplicações em
áudio e fala, etc.; fazemos interactuar gente com este
tipo de conhecimentos com outros que dominam a tecnologia de redes de banda larga; temos uma equipa
profissional de grande qualidade que garante uma resposta qualitativa e quantitativa essencial ao cumprimento de objectivos e prazos; temos um parceiro que
é um dos actores de maior prestígio mundial neste
domínio, a BBC; e, finalmente, estamos a procurar
montar uma iniciativa empresarial em termos interna-
O INESC Porto divide-se em cinco unidades:
> Unidade de Telecomunicações e Multimedia concentra
todo o trabalho ligado a redes e serviços de comunicação,
em especial Processamento de Sinal e Imagem,
Arquitecturas de Redes, Serviços de Telecomunicações e
Microelectrónica. Os principais temas de investigação
actualmente cobertos pela Unidade são: arquitecturas e
protocolos de redes de banda larga, serviços de telecomunicações e aplicações multimédia distribuídas, processamento de áudio digital, análise e síntese de vídeo e imagem, sistemas integrados de televisão digital, teste e validação de sistemas de comunicação, teste e projecto de
testabilidade de circuitos electrónicos, arquitecturas reconfiguráveis para processamento dedicado.
> Unidade de Sistemas de Informação e Comunicação
estuda, desenvolve e promove soluções integradas no
campo dos sistemas de informação e comunicação.
Estas actividades decorrem em vários sectores,
salientando-se as Telecomunicações, Autarquias,
Indústria, Comércio, Saúde e Administração Central e
Regional. Em termos de competências chave, a
Unidade cobre de uma forma geral os campos das
telecomunicações e sistemas de informação, suportada por uma equipa heterogénea, com formação em
áreas diversificadas.
> A Unidade de Energia exerce a sua actividade em áreas
como regulação e mercados de electricidade, integração
de produtores independentes dispersos (nomeadamente
energia eólica e outras renováveis), gestão técnica e económica de sistemas de distribuição, uso de SIG e outras
TI no planeamento energético regional, tratamento da
incerteza e risco. A unidade possui know-how em técnicas e metodologias como Redes Neuronais, Fuzzy Sets,
Computação Evolucionária, Aprendizagem Automática,
Meta-Heurísticas e Ajuda à Decisão.
> A acitividade da Unidade de Engenharia de Sistemas de
Produção inclui aspectos ligados aos sistemas de informação de apoio à gestão industrial, bem como aspectos
relacionados com a organização das empresas. Racionalização e optimização dos processos produtivos; Automação; Sistemas de apoio à decisão são temas também
explorados.
> A Unidade de Optoelectrónica e Sistemas Electrónicos desenvolve a sua actividade na área da Optoelectrónica, principalmente no campo da tecnologia das fibras ópticas.
cionais, através da qual nos posicionaremos no mercado valorizando os resultados da nossa propriedade
intelectual. Se correr bem até ao fim, é o exemplo que
nós gostaríamos de ver muitas vezes reproduzido.
Ainda há riscos, neste caminho? Claro que há!
setembro 2002 i9 51
© Anabela Trindade
tentes, tendo alguma arrogância de afirmarmos as
nossas convicções, mesmo num plano internacional e
correndo riscos.
Sabemos que ganharemos umas apostas e outras não,
mas não acredito que, para alcançar algumas vitórias,
não tenhamos de passar pelos mesmos passos que
aqui calcorreámos, fazendo apostas firmes e persis-
I9 – Ainda quanto ao ORBIT: já está concluído?
Que investimentos representa? Em que fase
estão os projectos para constituir uma empresa
com a BBC?
PGO – O ORBIT, em si, está essencialmente concluído
e tem passado (com distinção, perdoe-se-me a prosápia) os testes de campo. O investimento total é difícil de
estimar, até porque nós próprios investimos, já que trabalhámos com preços reduzidos por forma a capitalizar
na detenção de 50% dos direitos de tudo o que, no
âmbito do projecto, foi desenvolvido; o que podemos
dizer é que nestes dois anos e meio o nosso contrato
com a BBC orçou em 1.5 Milhões de euros. Contudo,
quer antes do ORBIT quer durante a sua vigência,
outros projectos têm vindo a ser desenvolvidos com a
BBC, permitindo constituir um capital de conhecimentos que esperamos, continue a frutificar. Infelizmente o
processo de criação de uma empresa conjunta com a
BBC, há muito equacionado, tem sido lento, com avanços e recuos. As dificuldades decisórias em instituições
de grande dimensão (como é obviamente o caso da
BBC), sobretudo quando dizem respeito a assuntos que
não são exactamente o seu "core business", não são
somente uma prerrogativa nacional...
ALGUNS PROJECTOS DE SUCESSO
DMS – Aplicações avançadas para Distribution
Management Systems
Desenvolvido em parceria com a EFACEC, o sistema já está
em exploração industrial.
Foram desenvolvidos um conjunto de módulos de cálculo
científico para integração com um sistema de supervisão e
controlo (SCADA) num DMS. Estes módulos incluem aplicações tradicionais no domínio da análise de redes eléctricas e
aplicações inovadoras que permitem optimizar a exploração e
gestão das redes de distribuição modernas, minimizando perdas e tempos de reposição de serviço e permitindo a simulação das condições de operação para avaliar a viabilidade da
situação de exploração.
SIMAT – Sistemas de Informação Municipais
O SIMAT é um projecto de âmbito regional que visa estabelecer uma plataforma de aplicações SIG (Sistema de Informação
Geográfica) comuns a vários municípios. O projecto SIMAT vem
consolidar o Projecto de Informatização Municipal da Região do
Norte, procurando também promover uma oferta empresarial
consistente nesta área e dinamizar a constituição de bases de
52 i9 setembro 2002
dados regionais. Os seus objectivos são a concepção, o
desenvolvimento e teste de um conjunto de aplicações em tecnologia SIG para áreas relevantes da administração municipal e
regional, e também a disseminação dos resultados por
Autarquias e Empresas, divulgação pública via INTERNET,
nomeadamente via SIADE (Sistema de Informação de Apoio ao
Desenvolvimento), e formação de recursos humanos.
BRAGG
O Projecto BRAGG teve como objectivo principal o desenvolvimento de cablagens avançadas para aplicação em sensores e em compensação de dispersão. Neste trabalho pretendeu-se desenvolver cablagens avançadas com microestruturas de BRAGG, através do estudo do comportamento
destas redes em fibras ópticas incluídas em cabos. O trabalho industrial e o desenvolvimento no terreno tem sido da
responsabilidade da Cabelte, uma empresa nacional de
sucesso vocacionada para a indústria de cabos de energia
e de telecomunicações.
I9 – Como vê a recente reestruturação do
INESC? Quais são para si as mais valias desta
mudança organizacional?
PGO – Depois do muito que fizemos em conjunto,
aquilo que nos foi diferenciando foi requerendo uma
autonomia em que se pudesse exprimir. Foi isso que
aconteceu, favoreceu-se a diversificação e isso, por si
só, acho que representa enriquecimento. Agora há que
provar que os caminhos escolhidos são viáveis, aprender com as dificuldades (novas) que vão surgindo e tirar
as ilações. Mas penso que a opinião de quase toda a
gente, em todos os INESC's, será de que lucrámos.
I9 – Sendo o INESC Porto uma instituição sem fins
lucrativos como financiam a vossa actividade?
PGO – Uma parte dos nossos proveitos vem do acesso a projectos financiados, numa base competitiva, por
concurso. Não considero isto um subsídio estatal ou
comunitário até porque as empresas também têm condições de concorrer a muitos deles, em condições
semelhantes às nossas: o Estado Português ou a
Comunidade Europeia financiam este tipo de actividades porque são vitais para a sua valorização económica
e social. O modo de financiamento destes projectos é o
pagamento dos custos marginais (não cobre a componente salarial dos investigadores da instituição) mais um
overhead de 20% que, contudo, não chega para cobrir
as nossas despesas gerais. Nos projectos comunitários
LOGICSTORE
Projecto de desenvolvimento de sistemas de gestão para
armazenamento e/ou distribuição automática para linhas de
costura. Deste projecto, desenvolvido em parceria com a
empresa LIREL (fabricante nacional de máquinas para a
indústria de calçado), resultaram dois sistemas, um para
linhas alimentadas manualmente e outro para linhas automáticas, equipado com armazenagem dinâmica. Embora
especialmente vocacionados para o sector do calçado,
estes sistemas poderão ser utilizados por outras empresas
que tenham linhas ou células de produção, como por exemplo as de vestuário. O número de instalações dos dois tipos
de sistemas ultrapassa já as quatro dezenas.
ORBIT
Numa operação de cerca de 300 mil contos, o INESC
Porto e a BBC desenvolveram um sistema tecnológico de
suporte à TV Digital, intitulado de ORBIT (Object
Reconfigurable Broacast Infrastructure Trial). O sistema
destina-se a funções de arquivo, pesquisa e edição de imagem digital e tem como principal vantagem a utilização de
uma tecnologia genérica de base. Por outras palavras, o
a modalidade que escolhemos é diferente, sendo apenas financiados a 50% do valor dos custos com um
overhead maior e incluindo a componente salarial.
De qualquer modo, é fácil de ver que não seria possível, com este tipo de financiamento, assegurarmos o
equilíbrio das nossas contas. Para isso é necessário
procurar a valorização dos resultados de I&D em contratos de desenvolvimento e consultoria, contratos
esses com custos reais e totais mais uma margem que
cubra as actividades intrinsecamente deficitárias. Hoje
em dia este tipo de actividade contratual corresponde
a cerca de 40% da nossa facturação.
Finalmente, devo ainda referir duas coisas: em primeiro
lugar, que há uma parcela que recebemos do MCT no
âmbito do programa de financiamento plurianual, essa
sim, claramente um subsídio que, embora bastante
pequeno, é importante para que tenhamos vindo a conseguir fechar as nossas contas de modo equilibrado; em
segundo lugar, que assinámos recentemente com a FCT
um contrato como Laboratório Associado que, entre
outras coisas, financiará a contratação de pessoal altamente qualificado. Estamos convictos de que terá um
grande impacto - quer por aquilo que nos proporcionará, quer pelas responsabilidades novas que nos vai criar
- e é para nós um motivo forte de apreciação da acção
do MCT e também de indisfarçável orgulho. Mas ainda
é cedo para avaliar as suas consequências.
operador não é obrigado a utilizar equipamentos e sistemas
operativos de uma única marca.
Baseada em sistemas abertos e de baixo custo, este sistema permite a integração em rede de todas as actividades de
uma cadeia de distribuição de televisão digital. .Esta arquitectura inovadora explora tecnologias de redes de banda
larga (ATM), sistemas distribuídos (CORBA) e processamento digital de informação audio-visual em formato comprimido (MPEG).
A disponibilização de um sinal de vídeo em formato digital,
acessível a computadores pessoais de baixo custo, facilitará a tarefa de jornalistas e editores de imagem, que poderão passar a trabalhar sem o recurso a inúmeras cassestes
e cópias, sujeitas a degradação e consequente perdade
qualidade das imagens.
Para comercializar este novo sistema, o INESC Porto e a
BBC deverão constituir uma empresa. O modelo jurídico ou a
localização da sede social da empresa são aspectos que
ainda não estão definidos. O certo é que caberá ao instituto
português 50% dos direitos ao nível da comercialização mundial do produto. Também o núcleo de desenvolvimento tecnológico da empresa permanecerá no Porto.
setembro 2002 i9 53
EUREKA [ao encontro da] ASIA
Porta aberta para o oriente
A INICIATIVA EUREKA [AO ENCONTRO DA] ÁSIA
(EUREKA [MEETS] ÁSIA) FOI IDEALIZADA COMO UM
PROJECTO ESTRATÉGICO PARA O FOMENTO DE
ACTIVIDADES DE COOPERAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA ENTRE PAÍSES EUROPEUS E ASIÁTICOS
Enquanto objectivo estratégico, os seus resultados têm
de ser perspectivados num horizonte de longo prazo. O
fortalecimento da cooperação científica e tecnológica
pode constituir uma plataforma importante para a intensificação das relações comerciais com a região mais
dinâmica da economia global. A relação histórica de
Portugal com a China através de Macau, constitui um
património comum único para ultrapassar barreiras culturais que dificultam o seu relacionamento económico
mais intenso.
Organizado pela primeira vez em 1998, no quadro da
Presidência Portuguesa da Iniciativa EUREKA, o EUREKA [ao encontro da] ÁSIA resultou na maior Bolsa de
Contactos realizada no âmbito daquela iniciativa, reunindo
mais de 1000 participantes da Europa e da Ásia, possibilitando a realização de cerca de 500 reuniões bilaterais.
Este fórum, organizado pela Agência de Inovação S.A.
(AdI) em colaboração com os membros da Iniciativa
EUREKA e as autoridades da China e de Macau, incluiu
como iniciativas paralelas à Bolsa de Contactos uma
Exposição de Tecnologia Europeia e uma Conferência
Internacional. O seu principal objectivo foi dar a conhecer alguns desenvolvimentos tecnológicos europeus nos
vários sectores da economia bem como promover a participação conjunta de empresas e institutos asiáticos e
europeus em projectos de I&D no âmbito do EUREKA.
A iniciativa revelou-se um mecanismo privilegiado de
apoio à internacionalização da investigação tecnológica,
conferindo um importante impulso na abertura de activi-
54 i9 setembro 2002
dades de cooperação entre empresas e instituições de
I&D dos dois continentes.
Os vários projectos de I&D desenvolvidos em cooperação com a China - marcando a sua estreia na participação na Iniciativa EUREKA - incluem também a participação de Portugal e centraram-se nos domínios do
ambiente, biotecnologia, tecnologias de informação e
telecomunicações e da automação, revelando o empenho da China no incremento da cooperação C&T com a
Europa e, em particular, o interesse demonstrado da
parte de entidades nacionais em aprofundarem a colaboração com Macau e a China.
Os resultados alcançados com esta primeira edição conduziram à necessidade do reforço de laços institucionais
com entidades congéneres da região por forma a efectuar um acompanhamento das actividades de cooperação iniciadas de forma permanente e assente numa
estrutura mais articulada e sustentada. Desta forma, foi
assinado um Protocolo de Colaboração entre a Agência
de Inovação e o CPTTM - Centro de Produtividade e
Transferência de Tecnologia de Macau, formalizando a
colocação de um “focal point” da AdI em Macau com o
objectivo principal de acompanhar a implementação dos
projectos em curso e de detectar novas oportunidades de
colaboração. A realização de um Fórum Internacional
EUREKA-ÁSIA sobre
Ciência e Tecnologia
de dois em dois anos
em Macau foi acordada através da Declaração Conjunta assinada em 1998 por
ocasião do EUREKA
[ao encontro da] ÁSIA
entre os Ministros da
C&T de Portugal e da
China.
INTERNACIONAL
MAIS DE UMA CENTENA
DE INTENÇÕES DE COOPERAÇÃO
A organização do EUREKA [ao encontro da] ÁSIA
em 1998 foi o motor para que uma série de novas
actividades de colaboração com a China tivesse lugar,
das quais destacamos a organização de visitas de
duas Delegações de representantes de instituições
regionais de ciência e tecnologia da Província de
Guangdong (Sul da China) a institutos de I&D e a
empresas portuguesas com actividades de investigação, bem como a organização de uma Exposição de
Brinquedos Científicos e Software Educativo em
Macau, em Junho de 1999.
Dentre os cerca de 800 participantes, estiveram presentes 107 portugueses oriundos de 34 empresas e 38 instituições de I&D e organismos públicos, com actividades
nas áreas de Tecnologias de Informação, Produção,
Materiais, Oceanos, Energia e Ambiente.
Para além da presença de vários países membros da UE
(como a Alemanha, Holanda, Finlândia, França) e da própria Comissão Europeia, este evento conseguiu atrair
representantes de vários estados asiáticos como Singapura, Índia, Malásia, pertencendo a representação maioritária, naturalmente, à R.P. China. Também a Europa de
Leste esteve de novo representada por entidades da
Polónia, Eslovénia e Roménia, facto revelador do interesse dos PECO no mercado chinês.
Além de numerosos encontros bilaterais realizados no
espaço da Exposição, este ano com centena e meia de
stands, foram solicitados à organização mais de trezentos encontros bilaterais. Como resultado destas centenas
de encontros foram identificadas cerca de 120 ideias de
cooperação, tendo ainda sido assinadas durante o evento cerca de 30 cartas de intenção de cooperação.
A maioria das ideias de cooperação situam-se na área
ambiental (em temas desde a reciclagem de efluentes
industriais e domésticos aos bio-pesticidas até ao desenvolvimento de novos bio-pesticidas); mas também são
numerosas as oportunidades de cooperação na área das
tecnologias de informação (desde o comércio electrónico
à automação industrial passando pelo multimédia aplicado ao ensino e à telemedicina); na área dos novos materiais (ex.: novos tipos de sensores, revestimento de materiais com películas cerâmicas); e das tecnologias oceânicas (robótica submarina, monitorização da costa).
EUREKA [AO ENCONTRO DA] ÁSIA 2000
A CONSOLIDAÇÃO DE UM PROJECTO
Cumprindo com o estabelecido, a AdI, o CPTTM e o
Science and Technology Exchange Center da R.P.China
(CSTEC), organizaram conjuntamente o EUREKA [ao
encontro da] ÁSIA 2000 - Tecnologias para o Desenvolvimento Sustentável, estruturado de forma semelhante ao primeiro evento (com uma Bolsa de Contactos e
uma Exposição Internacional de Tecnologia, desta feita
com ampla participação de instituições asiáticas), constituindo o primeiro grande evento internacional realizado no
território de Macau, depois da transferência de soberania
a 19 de Dezembro de 1999.
setembro 2002 i9 55
INOVAÇÃO - VEÍCULO
DE INTERNACIONALIZAÇÃO
Embora estas Bolsas de Contacto tenham por objectivo central a dinamização da cooperação tecnológica
(suscitar projectos conjuntos de I&D e facilitar a
transferência de tecnologia), têm-se revelado também um instrumento propiciador de oportunidades
comerciais. O contexto tecnológico e o facto de
decorrerem no âmbito multilateral , contribui para
reforçar a imagem das empresas portuguesas. O
ICEP tem apoiado a participação das empresas portuguesas nestes eventos.
COMISSÃO EUROPEIA DIVULGA
5º PROGRAMA QUADRO DE IDT EM MACAU
Aproveitando as sinergias criadas com a presença de
empresários e investigadores da Europa e da Ásia em
Macau, a Comissão Europeia, em colaboração com a
Agência de Inovação, promoveu um seminário de divulgação do 5º Programa Quadro de IDT e das oportunidades de cooperação científica e tecnológica entre a China
e a União Europeia oferecidas no seu âmbito.
No seguimento de uma Sessão Plenária com a presença de funcionários de alto nível da UE e da China, decorreram três workshops temáticos sobre a Sociedade de
Informação, Materiais, Ambiente e Oceanos e
Renovação Urbana.
CICLO DE SEMINÁRIOS SOBRE
A COOPERAÇÃO EUROPA-ÁSIA
A Agência de Inovação organizou em colaboração com
a Câmara de Comércio e Indústria Luso – Chinesa e o
ICEP Portugal, um primeiro ciclo de seminários em
2000 intitulado "Perspectivas de Cooperação
Económica e Tecnológica com a China", com o principal objectivo de sensibilizar as empresas portuguesas
para as potencialidades oferecidas pelo mercado asiático e para outras hipóteses de colaboração com paí-
ses pertencentes a esta região do globo.
Foram organizadas cinco sessões subordinadas a
temas específicos que englobaram a adesão da China
à OMC, a análise dos mecanismos nacionais e comunitários de apoio à cooperação com a China, e o regime de direitos de propriedade intelectual em vigor na
China e em Macau.
Num inquérito efectuado às instituições presentes foi
possível registar um número substancial de entidades
que pretendem iniciar actividades de cooperação com
a China cujas preocupações se fazem sentir, sobretudo, na área de gestão do processo de negócio com
parceiros chineses bem como relativamente à falta de
informação referente aos mecanismos de financiamento e de apoio à cooperação.
A Agência de Inovação está a organizar um segundo
ciclo de seminários sobre a cooperação Europa – Ásia.
O primeiro seminário, organizado em colaboração com
o INDEG/ISCTE, ocorreu em Maio passado, focando
as principais áreas para investimento na China e na
RAE Macau.
A segunda sessão teve lugar em Setembro na
Delegação Económica e Comercial de Macau, abordando a Medicina Natural como um dos sectores de grande potencial de expansão na cooperação com a China.
QUADRO DE APOIO A PROJECTOS DE COOPERAÇÃO COM A CHINA
A assinatura do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica entre a UE e a China, abriu a possibilidade de a China
participar em projectos no âmbito do 5º PQ, embora numa base de autofinanciamento, não podendo beneficiar de
apoios comunitários. Já a participação de países membros da UE nos projectos apresentados aos Programas Quadro
de Ciência e Tecnologia, poderá ser financiada pela Comissão Europeia quer através dos programas temáticos quer
ainda no âmbito de programas horizontais, como o INCO-DEV.
Os projectos aprovados no âmbito do EUREKA poderão ter apoio público pelos programas de financiamento dos países de cada parceiro. No caso de Portugal, os projectos candidatos à medida de apoio à investigação em consórcio
do POCTI e POSI, poderão beneficiar de uma majoração decorrente da prioridade que é dada à internacionalização
das actividades de investigação e desenvolvimento tecnológico.
56 i9 setembro 2002
Estão convidadas a participar empresas e instituições de
I&D portuguesas cujas actividades se enquadrem nas
seguintes áreas tecnológicas:
O Ambiente – eco-design, tratamento de resíduos sólidos e líquidos industriais e urbanos, prevenção da poluição atmosférica e costeira, multi-aplicações de desperdícios sólidos e testes ambientais.
As Ciências da Vida – incluindo produtos e tecnologias
farmacêuticas, medicina natural, selecção de princípios
activos, padrões de qualidade e controlo de qualidade
dos produtos de medicina natural.
As Tecnologias de Informação – software aplicados à
gestão de zonas urbanas, às tecnologias de medicina e à
indústria do turismo.
A iniciativa mais recente teve lugar no Porto, tendo sido
analizadas algumas áreas tecnológicas privilegiadas de
cooperação com a China.
COOPERAÇÃO EUROPA-ÁSIA EM TECNOLOGIAS AMBIENTAIS
A realização do EUREKA [ao encontro da] ÁSIA 2000 e
os contactos então efectuados entre a Agência de
Inovação e os responsáveis pelo programa europeu ASIA
ECOBEST – programa vocacionado para o apoio à transferência de tecnologias ambientais entre Europa e a Ásia
– motivaram a organização de uma Mesa Redonda intitulada "Asian Environmental Needs, European Advanced
Solutions – bridging the Gap through R&D Solutions",
projecto desenvolvido sob coordenação da AdI em colaboração com o CDTI – Centro para el Desarrollo
Tecnologico Industrial de Espanha e o Centro de
Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau.
Esta Conferência teve lugar em Lisboa, em Março de
2001, e foi participada por prestigiadas instituições de
vários países da Europa (como a Alemanha, França,
Dinamarca e Finlândia) e da Ásia (a China, Tailândia,
Singapura e Índia), reunindo um total de 70 participantes.
3ª EDIÇÃO DO EUREKA [AO ENCONTRO DA] ÁSIA - GREEN
ENTERPRISES FOR SUSTAINABLE DEVELOPMENT
A terceira Edição do EUREKA [ao encontro da] ÁSIA será
uma vez mais organizado pela Agência de Inovação, pelo
Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de
Macau e o pelo "China Science and Technology Exchange
Centre" , com o apoio das autoridades da R.A.E, de
Macau e dos governos português e chinês e decorrerá de
26 a 30 de Maio de 2003, em Macau sob a temática
"Green Enterprises for Sustainable Development".
Motivados pela adesão da China à Organização Mundial
do Comércio, este é o momento em que o mundo
empresarial e a comunidades científicas competem para
se posicionarem de forma vantajosa no sentido de acederem às vastas oportunidades que o mercado chinês
oferece, agora de forma ainda mais visível.
Programa e ficha de inscrição em www.eureka-asia.org.mo
COOPERAÇÃO COM A CHINA
EXEMPLOS DE COLABORAÇÃO BEM SUCEDIDA
A China inaugurou a sua participação na Iniciativa EUREKA em 1998, ano em que Portugal detinha a Presidência Portuguesa desta rede. A maioria dos projectos
então aprovados foram concluídos com boas perspectivas de aplicação industrial. O nosso destaque vai para:
E! 1920 - INTELAIR
Objectivo: Monitorização e gestão da qualidade do ar.
Parceiros: Portugal, China, Reino Unido
Resultados: Sistema aplicado pelo Gabinete de
Protecção Ambiental de Shenyiang, China e pelo
Instituto de Meteorologia de Macau.
E! 1746 - METHOD
Objectivo: Desenvolvimento de uma metodologia para
análise de falhas resultantes de fenómenos de corrosão fissurante em unidades industriais.
Parceiros: Portugal, Macau, China Holanda, Brasil
Resultados: Comercialização do software nos mercados de empresas químicas, petroquímicas, produtoras
de energia e pasta de papel.
E! 1977 - ROUND THE CLOCK
(www.round-clock.com )
Objecivo: Desenvolvimento de metodologias inovadoras de trabalho em equipa à distância, suportadas por
uma plataforma informática comum.
Parceiros: Portugal, China, Alemanha, México.
Resultados: Desenvolvimento do produto "Global Cowork Platform" e criação de uma empresa para a sua
comercialização.
setembro 2002 i9 57
ENTREVISTA
GAPI
Propriedade industrial,
um suporte à inovação
I9 – Em que consistem os Gabinetes de Apoio à
Promoção da Propriedade Industrial (GAPI) e com
que objectivos foram criados?
Jaime Andrez – Entre os países desenvolvidos, incluindo
os nossos parceiros da União Europeia, Portugal é daqueles que menos utiliza a propriedade industrial. Numa altura
em que a globalização dita uma competição assente na
diferenciação de produtos, que por sua vez depende da
inovação, só os direitos de propriedade industrial podem
proteger os resultados destes investimentos. Inovação,
neste contexto, significa produzir, assimilar, explorar a novidade. Propriedade industrial e Inovação são conceitos
indissociáveis, pois não faz sentido inovar se não se valorizar essa inovação, o que na maioria dos casos só é possível protegendo os respectivos direitos da propriedade
industrial. Esse mesmo direito encontra-se, portanto, no
cerne da questão relativa à inovação. Em Portugal, embora escassos, os últimos anos têm revelado alguns progressos neste sentido, embora ainda muito longe do desejável.
O INPI não poderia estar impassível a esta realidade e
assume a co-responsabilidade pelo desconhecimento
generalizado da importância estratégica da propriedade
industrial no nosso país. Por isso defendemos também
uma partilha da tarefa de sensibilização para o uso da propriedade industrial. Assim, o INPI procurou parceiros - quer
na área do sistema científico-tecnológico, quer no universo das associações empresariais – que pudessem estar
disponíveis para, em colaboração connosco, procederem à
divulgação da propriedade industrial. Foi neste contexto
que nasceram os Gabinetes de Apoio à Promoção da
Propriedade Industrial (GAPI). A criação desta rede insere-
© Telmo Miller
PROMOVER A PROPRIEDADE INDUSTRIAL JUNTO DAS EMPRESAS PORTUGUESAS, VISANDO O REFORÇO
DA COMPETITIVIDADE NACIONAL ATRAVÉS DO ESTÍMULO E PROTECÇÃO DA DIFERENÇA, SÃO OS OBJECTIVOS DOS GABINETES DE APOIO À PROMOÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (GAPI). EM ENTREVISTA À
I9, JAIME ANDREZ, PRESIDENTE DO INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) FALA-NOS
DESTE PROJECTO E DA ESTRATÉGIA SEGUIDA: PARTILHAR PARA ALCANÇAR O SUCESSO.
se num projecto mais amplo de Valorização e Promoção do
Sistema da Propriedade Industrial, desenvolvido pelo
Instituto Nacional da Propriedade Industrial, no âmbito das
iniciativas públicas do POE – Programa Operacional da
Economia. Estas unidades são pequenas estruturas vocacionadas para a prestação de informações e dinamização
de acções promocionais ao nível da propriedade industrial.
Até ao momento foram constituídos 15 Gabinetes, 12 no
ano passado e mais três em 2002.
setembro 2002 i9 59
I9 – Os GAPI consistem, assim, numa tentativa real
de aproximação às empresas?
Jaime Andrez – Sim. É uma forma de aproximação mais
rápida e uma forma de divulgação mais apropriada, isto é,
feita pelas instituições que dialogam directamente com as
empresas nos mais diversos sectores. O assumir de uma
certa responsabilidade por parte do INPI, sobre a divulgação da propriedade industrial, não significa que este se
deva substituir a outras instituições que estejam em melhores condições para o fazer porque estão mais próximas das
empresas e até mesmo das instituições do sistema científico e tecnológico. Estamos convictos de que todas estas
instituições têm um importante papel na divulgação e promoção da propriedade industrial. Com a instalação destes
GAPI nas estruturas dos parceiros envolvidos neste projecto, pretende-se que estas instituições interiorizem competências, por forma a que as empresas e outras entidades possam beneficiar de apoio de forma profissional e
descentralizada sobre esta matéria. Cabe ao INPI oferecer as melhores condições para que desempenhem esse
papel eficazmente, com todo o apoio necessário, desde o
fornecimento de informação ao apoio técnico. Repare, que
o próprio projecto dos GAPI prevê e está a executar a formação dos especialistas que lá trabalham. Assumimos e
garantimos a manutenção destas competências nos GAPI.
E o programa prevê inclusive a comparticipação do salário
destes especialistas durante um determinado período temporal. O nosso apoio é máximo, não só financiamos o
custo de manutenção desses especialistas, como financiamos a formação dos mesmos, o que é suportado internamente pelo INPI.
© Telmo Miller
I9 – Que tipo de serviços os GAPI oferecem às
empresas?
Jaime Andrez – Todo o tipo de serviços que sirvam para
orientar as empresas sobre a estratégia a tomar na utiliza-
ção da propriedade industrial. Os GAPI podem aconselhar
relativamente às modalidade de propriedade industrial,
informar sobre o tipo de procedimentos, a quem se dirigir
e em que condições podem fazê-lo. No fundo, trata-se de
um trabalho de orientação. Os Gabinetes têm um determinado mandato de divulgação e a eles cabe definir os seus
próprios planos de actividade. O GAPI disponibiliza às
empresas todo o apoio sobre a utilização da Propriedade
Industrial (PI), nomeadamente: Apoio Técnico sobre os
diversos instrumentos de Propriedade Industrial disponíveis
e os direitos que estes conferem; Legislação nacional e
internacional; Acesso e consulta do Boletim de
Propriedade Industrial, publicação mensal da responsabilidade do INPI com todos os pedidos nacionais, concessões
e recusas nesta matéria. Adicionalmente, estes gabinetes
poderão promover durante o ano diversas iniciativas como:
Seminários e Conferências subordinados a temas relevantes no âmbito da Propriedade Industrial, com interesse particular para o exercício da actividade empresarial, assim
como Workshops, com a organização e realização de sessões práticas, associando a apresentação de novas tecnologias à informação sobre o modo como o sistema da
Propriedade Industrial deve ser utiliza da para protecção e
rentabilização dessa tecnologia. Os GAPI poderão igualmente oferecer Serviços de Vigilância Tecnológica.
Também se encontra disponível um sistema de informação
que possibilita às empresas um melhor conhecimento das
últimas tecnologias existentes na sua área de actividade,
utilizadas por empresas concorrentes.
E o INPI está preparado para oferecer todos os instrumentos de apoio a estas actividades, inclusivamente partilhar a execução das mesmas actividades. Os GAPI podem
e devem fazer muito mais do que está previsto e fundamentar e conceber estratégias de intervenção mais
amplas, mais ricas e, consequentemente, mais satisfatórias para os próprios interessados. Ao definirmos parceiros
não interferimos na estratégia dos mesmos, inclusive os
recursos são da responsabilidade dos parceiros.
Não podemos confundir aqui, e é muito importante dizê-lo,
o papel dos GAPI com o de Agente Oficial de Propriedade
Industrial. Este é um consultor especializado em propriedade industrial, que funciona num contexto complexo de
ordem jurídica e que deve ser utilizado em determinadas
circunstâncias, na promoção de determinados actos. Aliás
é nosso conselho, e sei que assim está a ser feito, que os
GAPI estabeleçam acordos com determinados escritórios
de agentes oficiais para complementar a sua capacidade
de orientação. Ou seja, quando passar de uma mera informação estratégica para um aconselhamento jurídico a
intervenção do agente oficial de propriedade industrial é
aconselhável. Trata-se de uma estratégia concertada entre
vários parceiros.
I9 – Qual é a sensibilidade e o conhecimento que as
empresas nacionais têm dos instrumentos e ferra-
60 i9 setembro 2002
I9 – Quanto ao sector tecnológico, também aqui se
verifica a mesma falta de informação e conhecimento dos outros sectores da economia?
Jaime Andrez – Se é verdade que foi feito um esforço
nos últimos anos para a promoção do desenvolvimento
tecnológico, se é verdade que os resultados desses esforços estão a aparecer e, Portugal apresenta-se num contexto internacional com trabalhos de qualidade e de forte
prestígio, também é verdade que existe uma desproporção
entre esta actividade e o reflexo da mesma que é a sua
protecção. A maior parte dos resultados da capacidade
inventiva não estão protegidos. São várias as razões e uma
delas é a falta de sensibilidade para a importância estratégica da utilização da protecção via propriedade industrial.
Por outro lado, a ausência de uma capacidade de marketing tecnológico, implicando que a propriedade industrial
acabe por significar, para muitas instituições, um custo elevado sem qualquer proveito. Essencialmente a incapacidade de comercialização de portfolios de patentes resulta de
uma falta de competências para tal. A falta de avaliação
económica da tecnologia desenvolvida é, por exemplo,
uma delas. E há quase uma quase total ausência de competências a esse nível em Portugal. Essa é uma das com-
© Telmo Miller
mentas colocados à sua disposição pelo direito da
propriedade industrial?
Jaime Andrez: Este conhecimento está muito aquém do
desejado. O que as empresas comercializam são direitos
de propriedade. Alguns deles direitos de propriedade
industrial. O que as pessoas comercializam quando vendem empresas não são os seus edifícios ou as suas
máquinas, mas o seu negócio bem sucedido e com ele
marcas, patentes, desenhos ou modelos, tudo aquilo que
a empresa detém para fundamentar a sua estratégia no
mercado. Se as empresas não tiverem convertido todos
esses factores de competitividade em direitos de propriedade industrial, que são títulos de propriedade negociáveis,
não podem negociar com ninguém. Se não tiver uma
marca registada não vai oferecer essa marca a outra
empresa, esta limitar-se-á a copiá-la. Principalmente as
pequenas e médias empresas não estão preparadas e
desconhecem a importância da propriedade industrial. A
empresa que intervém no mercado deve tentar, senão
anular, controlar os riscos. Um dos riscos é a possibilidade
de outros partilharem das suas fórmulas de sucesso.
Protegê-las, não deixar que outros as utilizem é condição
fundamental para qualquer estratégia empresarial de risco.
Apesar de se registar uma evolução positiva, embora esta
se concentre mais na área dos sinais distintivos do comércio, essa evolução é desproporcional à actividade real das
empresas. Se observarmos o número de produtos lançados por ano e compararmos com as marcas que são registadas ou as patentes que são concedidas, verificamos a
disparidade das duas realidades. Esse é o desequilíbrio
para o qual chamo a atenção e que devemos anular.
petências que deve ser interiorizada pelas instituições que
promovem a comercialização de direitos de propriedade
industrial. Outra competência é o próprio marketing tecnológico e que está relacionado com o conhecimento do circuito exacto onde se comercializam as inovações tecnológicas, das entidades ou instituições interessadas nestas
inovações… Estas duas competências juntas darão uma
capacidade de comercialização de direitos de propriedade
industrial. Não se vende uma invenção mas os direitos
sobre esta invenção.
Alguma dificuldade de penetração do mercado poderá
ainda advir do facto de alguma actividade de Investigação
& Desenvolvimento (I&D) não estar orientada para as
empresas. Ou seja, não estar a resolver problemas ou
necessidades concretas das empresas, colocados por elas
ou induzidos pelas entidades de investigação pela compreensão do sector que pretende satisfazer e depois quando tem determinados tipos de invenções não encontra
mercado para as mesmas. Mas creio que este quadro tem
vindo a inverter-se.
I9 – De que forma os GAPI podem ajudar instituições de I&D e empresas a potenciar os resultados
em I&D?
Jaime Andrez – Se os GAPI tiverem condições e dinâmica
suficientes para desenvolverem competências nesse campo
e posteriormente apoiarem empresas e instituições de
investigação, daremos todo o apoio necessário. Numa primeira fase não é prioridade para nós. Essa é uma questão
que só a evolução dos próprios Gabinetes poderá definir.
No entanto, no âmbito deste mesmo programa de valorização (Iniciativa Pública de Valorização da Propriedade
Industrial), onde se inscrevem os GAPI, temos um projecto-piloto cujo objectivo é trabalhar com uma Universidade
e um Centro Tecnológico para, nos dois ambientes, científico e tecnológico, estudarmos formas de internacionalização via benchmarking. Ou seja, o nosso objectivo é "internalizar" competências no que se refere ao conhecimento
dos circuitos onde são comercializadas essas inovações.
setembro 2002 i9 61
As entidades pioneiras são a Universidade de Aveiro e o
Centro Tecnológico do Calçado.
Destaco que estas competências não são apenas técnicocientíficas mas também institucionais. A partir dessa endogenização de competências passaremos a uma segunda
fase que é a sua disseminação por outros centros tecnológicos e universitários.
Eu diria que o principal problema do nosso sistema de inovação é a fraquíssima cultura de propriedade industrial.
Este é o elo fraco. Não dominam a cultura da propriedade
industrial, não conhecem a sua importância e muitas vezes,
quando conhecem não dominam a melhor forma de a utilizar. Não foi realizado, de forma séria e efectiva em
Portugal, qualquer tipo de esforço de disseminação da propriedade industrial no sistema empresarial e no sistema
científico-tecnológico. Diria mesmo que até há muito
pouco tempo, as políticas económicas não lhe conferiram
qualquer relevância. Era um sistema administrativo, algo
demasiado complexo e portanto o conhecimento e disseminação foi sempre insuficiente. É uma realidade.
cessos criativos e de investigação que não foram registados ou protegidos. O desenvolvimento tecnológico e a
consequente criação de novos produtos e processos
envolve largas somas e recursos. Ora, este esforço de
investimento só é rentável e recuperável, através de uma
estratégia bem definida quanto à sua expansão e aplicação. Portanto, temos de convencer empresários e investigadores de que vale a pena proteger, com isso ganharão
direitos com os quais poderão rentabilizar os seus investimentos. A única incógnita é a variável tempo. Esperamos
que os resultados surjam em breve, o mais rapidamente
possível, favorecendo entidades envolvidas e sectores que
representam e consequentemente a favor do nosso país.
I9 – Está convicto de que com a criação dos GAPI,
de alguma forma poderemos mudar esse quadro e
incrementar a transferência de tecnologia?
Jaime Andrez – Sim. Conheço pessoalmente cada uma
dessas instituições e o resultado do seu trabalho, assim
como o domínio dos sectores de actividade onde intervêm.
Tenho a certeza de que se não forem estas entidades a
conseguir inverter esta situação, ninguém mais o conseguirá em Portugal.
O ano de 2001 foi o ano de lançamento. Mas tudo nos
leva a crer que é uma aposta para ganhar. Embora só
tivessem sido criados há muito pouco tempo, o fluxo de
contacto entre os Gabinetes e o INPI é de tal ordem que
me fazem induzir qual é o fluxo de contactos entre as
empresas e os próprios Gabinetes. Estou convicto de que
a criação destes Gabinetes gerará uma maior informação
sobre a propriedade industrial e com ela uma melhor utilização da mesma.
As empresas não sobrevivem no mercado se não se diferenciarem. Para que as empresas se diferenciem no mercado têm de investir em inovação e se não quiserem desperdiçar os resultados dos seus investimentos, têm de os
proteger. Esta mensagem é tão lógica e simples, mas não
me parece estar muito difundida, pois se estivesse as pessoas recorreriam à propriedade industrial. Admito também
que a actividade de investigação e desenvolvimento não
seja tão intensa como a verificada em outros países e que
não seja suficiente para gerar a utilização da propriedade
industrial num ritmo superior àquele que gostaríamos.
Contudo, não é de todo verdade, que a actividade nacional
em I&D seja proporcional a utilização da propriedade industrial em Portugal. Quer nesta minha actividade, quer noutras funções que assumi, em organizações públicas e privadas, conheço inúmeras situações de resultados de pro-
Os Gabinetes de Apoio à Promoção da Propriedade
Industrial (GAPI) foram criados no âmbito da Iniciativa
Pública do INPI – Instituto Nacional da Propriedade
Industrial "Valorização do Sistema da Propriedade
Industrial". Os primeiros 12 Gabinetes de Apoio à
Promoção da Propriedade Industrial (GAPI) foram criados
em Dezembro de 2001. Os 15 actuais Gabinetes estão
constituídos nas seguintes instituições:
62 i9 setembro 2002
GABINETES DE APOIO
À PROMOÇÃO DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (GAPI)
AEP – Associação Empresarial de Portugal
AIP – Associação Industrial Portuguesa
CATIM – Centro de Apoio Tecnológico à Indústria
Metalomecânica
AIMMAP – Associação dos Industriais Metalúrgicos,
Metalomecânicos e Afins de Portugal
CENTIMFE – Centro Tecnológico das Indústrias de Moldes
e Ferramentas Especiais
CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxteis e do
Vestuário de Portugal
CPD – Centro Português de Design
CTC – Centro Tecnológico do Calçado / APPICAPS Associação Portuguesa da Indústria de Calçado, de
Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos
CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro
CTCOR – Centro Tecnológico da Cortiça
GrupUNAVE / Universidade de Aveiro
IPN – Instituto Pedro Nunes – Universidade de Coimbra
Instituto Superior Técnico/GALTEC – Gabinete de Apoio
ao Licenciamento de Tecnologia
Universidade do Porto – FGT – Fundação Gomes Teixeira
Taguspark – Parque de Ciência e Tecnologia
Tecminho – Associação Universidade Empresa para o
Desenvolvimento – Univ. do Minho
INTERNACIONAL
BENTEX
Benchmarking de Gestão da Tecnologia
na Indústria Têxtil na Europa
A AGÊNCIA DE INOVAÇÃO, COM O APOIO DO IAPMEI E OS CENTROS TECNOLÓGICOS, PROMOVEU A UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE BENCHMARKING COMO INSTRUMENTO DE INCENTIVO À INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NAS EMPRESAS. ATÉ HÁ BEM POUCO DESCONHECIDO DA MAIORIA DAS PESSOAS, O
BENCHMARKING É HOJE EM DIA UM TERMO QUE COMEÇA A APARECER COM MAIS FREQUÊNCIA ENTRE
NÓS.
Podemos definir Benchmarking como um processo de
medição contínua e de comparação dos processos de
negócios com processos comparáveis em empresas líderes, de forma a obter informação que ajude a organização
a identificar e implementar melhorias. O Benchmarking das
melhores práticas evita-nos reinventar o que os outros
aprenderam a fazer melhor, não no intuito de apenas copiar
mas de imitar criativamente e adaptar, constituindo assim
um importante instrumento de inovação.
As primeiras acções de benchmarking coordenadas pela
Agência de Inovação (ver artigo sobre Benchmarking no
número 11 da Revista I9), desenvolvidas em diversos sectores, incluindo o têxtil e vestuário, envolveram apenas
empresas portuguesas, que se compararam com os seus
concorrentes directos no mesmo subsector de actividade.
A experiência mostra que todas as empresas, incluindo
mesmo as empresas líderes, poderão tirar algum proveito
deste exercício de benchmarking, mas as potencialidades
serão maiores caso a comparação seja feita a nível internacional.
É precisamente neste contexto que surge o projecto BENTEX - acção de benchmarking, competitivo internacional
no sector têxtil, que inclui o desenvolvimento e promoção
duma ferramenta de benchmarking sectorial que permita
às empresas identificar os seus pontes fracos em relação
aos seus concorrentes europeus. Para tal, foi constituído
um consórcio europeu com 16 parceiros, incluindo:
> Oito Centros Tecnológicos Têxteis Europeus: CLOTEFI
Arquimedes disse: Dêem-me uma alavanca suficientemente comprida e
eu serei capaz de mover o mundo
Subsectores da cadeia têstil e vestuário analisados - elos finais
setembro 2002 i9 63
Ligações com a rede de IRCs
(Grécia), que é o coordenador do projecto, CITEVE
(Portugal), AITEX (Espanha), TECNOTESSILE e CITER
(Itália), ITV Denkendorf (Alemanha), INOTEX (República
Checa), CERTEX (Roménia), com vasta experiência no
sector têxtil e conhecedores dos seus problemas.
> Seis Centros de Promoção da Inovação (IRC), que
incluem a Agência de Inovação (Portugal), CENEMES
(Espanha), Firenze Tecnologia (Itália). LIC (Lituânia),
SEZ (Alemanha) e CADEL (Roménia), que dão apoio ao
desenvolvimento do projecto e promovem a sua disseminação nos respectivos países.
> A Associação Europeia de Têxteis e Vestuário (EURATEX), responsável pela disseminação global dos resultados a nível europeu.
> A empresa de consultadoria grega BPM (GR), com técnicos especializados no benchmarking, responsável pela
ferramenta de apoio ao projecto.
Como resultado da análise aprofundada dos dados de
benchmarking, feita através duma base de dados especialmente concebida, espera-se identificar as áreas de
constrangimento em termos de gestão da tecnologia,
dando indicações a cada empresa sobre o seu posicionamento em relação aos seus concorrentes europeus e
apontando formas de melhorar a performance. A correlação das necessidades tecnológicas com os tópicos de I&D
prioritários a nível europeu vai também permitir estabelecer
consórcios com vista à apresentação de projectos para
possível financiamento com o apoio dos programas europeus, sobretudo aqueles que estão especialmente vocacionados para as PMEs. É neste sentido que o projecto
BENTEX é apoiado pela Comissão Europeia, ao abrigo do
5º Programa Quadro e que a rede de IRC (Centros de
Inovação) terá um papel activo na promoção do projecto a
empresas não directamente participantes e aos fornecedores de tenologia.
Dada a diversidade do sector, optou-se por concentrar em
dois subsectores específicos da cadeia têxtil e vestuário
mais críticos, quer em termos de valor acrescentado quer
de criação de emprego:
64 i9 setembro 2002
> o subsector de tinturaria e acabamentos
> o subsector da confecção, incidindo sobretudo em
empresas que trabalham a feitio.
O projecto, com a duração de dois anos, iniciou-se em
2001 e engloba cinco fases distintas:
> na primeira fase foram desenvolvidas as ferramentas de
suporte para todo o processo de benchmarking, nomeadamente os indicadores chave de desempenho que
constituirão a base de dados;
> na segunda fase, em curso, envolve o levantamento de
dados num universo de perto de 400 empresas europeias, 60 das quais portuguesas;
> na terceira fase, também em curso, inclui o desenvolvimento da base de dados de benchmarking e análise dos
resultados;
> na quarta fase serão elaboradas recomendações para
cada empresa, com o objectivo de aproximar o seu
desempenho em relação às melhores práticas identificadas;
> na quinta fase serão disseminados os resultados, com o
apoio da EURATEX e da rede de Centros de Inovação
nos quais se inclui a Agência de Inovação.
Ligações com a rede de IRCs
legislação
FONTE: www.mct.pt/novo/legislacao/acl.htm
SÍTIO NA INTERNET
PARA PUBLICITAÇÃO
DE EMPREGO
NA ÁREA CIENTÍFICA
E TECNOLÓGICA
Decreto - Lei nº 67/2002, DR Nº 67,
Serie I-A, de 20/03/2002
> Atribui competências à FCT para a constituição de
um sítio na Internet de publicitação de oferta de
emprego na área científica e tecnológica, determinando o tipo de informação que nele deve constar.
> A Resolução do Conselho de Ministros nº 24/2001
de 1 de Março mandatou o Ministro da Ciência e da
Tecnologia para promover a criação de um sítio específico na Internet destinado à promoção do emprego
científico e tecnológico.
> Justifica-se a constituição de um sítio na Internet
com este objecto específico pelo carácter particular
do emprego científico e tecnológico e a necessidade
de promover a atracção e fixação em Portugal de
recursos qualificados na área.
> Importa, pois, adoptar um conjunto de regras que
permita a entrada em funcionamento do sítio referido,
atribuindo competências para a sua criação e gestão,
regulando o tipo de informação que nele deverá estar
presente e as obrigações de comunicação de informação por parte dos serviços e organismos que promovem a oferta de emprego científico.
ELENCA
OS LABORATÓRIOS
DE ESTADO
Resolução de Conselho de Ministros
Nº 36/2002, DR Nº 44, Serie I-B,
de 21/02/2002
Decreto -Lei que elenca as instituições que respondem ao conceito de Laboratórios de Estado:
a) A Direcção-Geral de Protecção das Culturas
(DGPC);
b) O Instituto Nacional de Investigação Agrária (INIA);
c) O Instituto de Investigação das Pescas e do Mar
(IPIMAR);
d) O Laboratório Nacional de Investigação Veterinária
(LNIV);
e) O Instituto Hidrográfico (IH);
f) O Instituto Geológico e Mineiro (IGM);
g) O Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia
Industrial (INETI);
h) O Instituto de Genética Médica Dr. Jacinto
Magalhães (IGM/JM);
i) O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
(INSA);
j) Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC);
k) O Instituto de Investigação Científica Tropical
(IICT);
l) O Instituto de Meteorologia (IM);
m) O Instituto Tecnológico e Nuclear (ITN);
setembro 2002 i9 65
ORGANISMOS DE I&D INTERNACIONAIS
Para cumprir a sua missão de promoção da inovação e modernização tecnológica do tecido empresarial nacional, a AdI não tem descurado o facto das actividades de C&T se realizarem, cada vez mais, num cenário
global onde as empresas nacionais têm de concorrer. Tirando partido da forte internacionalização do sistema
científico português, uma das principais preocupações da AdI tem- se centrado no construir pontes com o exterior, através, por exemplo, da cooperação com grandes organizações científicas internacionais.
Para os mais interessados, esta edição da I9 dedica a rubrica n@net a 3 das organizações com quem a AdI
mantém um cooperação mais próxima…
ESA - European Space Agency
http://www.esa.int
A ESA - European Space Agency - é uma Organização Inter-Governamental Europeia cuja missão é desenvolver a cooperação entre os seus Estados-Membros, no domínio da Ciência e Tecnologia Espacial e suas aplicações, no sentido de consolidar a estratégia de colocação da "Europa no
espaço"… Actualmente com 15 Estados-Membros: Aústria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega,
Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido e o Canadá com um estatuto de Estado Associado, a Organização tem sede em Paris (França).
CERN - Laboratório Europeu de Física de Partículas
http://www.cern.ch
Fundado em 1954, o CERN - Laboratório Europeu de Física de Partículas,
financiado por 20 Estados Membros, é o maior centro mundial de investigação do seu tipo, um exemplo bem sucedido de colaboração internacional,
juntando cerca de 6500 cientistas, de mais de 80 nacionalidades. O objectivo do CERN é a investigação científica pura, sem objectivos militares de
que é constituído o nosso Universo, de onde vem a matéria, como é que as
partículas elementares interagem? O laboratório utiliza, e simultaneamente,
desempenha, um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologia de
ponta, com vista a futuras aplicações: A física das partículas requer a melhor performance em todos os campos, e exige uma superação permanente da barreira do que é possível fazer em termos tecnológicos.
ESO - European Southern Observatory
http://www.eso.org
Criado em 1962, o ESO - European Southern Observatory - é uma Organização Inter-Governamental Europeia que se dedica à investigação astronómica. Financiado por nove Estados Membros - Alemanha, Bélgica,
Dinamarca, França, Holanda, Itália, Portugal, Suécia e Suiça -, o ESO deverá ainda passar a integrar o Reino Unido durante este ano.
Com sede em Garching, perto de Munique (Alemanha), o ESO possui
dois observatórios no deserto de Atacama (Chile), onde estão situados
os telescópios ópticos a partir dos quais a Organização conduz a sua investigação.
66 i9 setembro 2002
oferta de tecnologia
TÍTULO
AISOF
DESCRIÇÃO
Transferência de tecnologia. Software "OKTONWORKS"
ASP integrador de Soluções para a Gestão e Controlo Empresarial através da Internet.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Aliança tecnológica para integração e desenvolvimento de
novas ferramentas a integrar no sistema. Parceiro comercial com amplo conhecimento do mercado local.
PERFIL DO PROMOTOR
PME Colombiana
REFERÊNCIA
IP 089-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
AVANTIA
DESCRIÇÃO
A AVANTIA Business Technology pretende instalar o
primeiro centro de m-Business orientado a empresas
tipo PME.
O objectivo é criar um espaço inteligente de mobile solutions para todas as empresas que não querem ou não
podem dispor da infraestrutura necessária para acolher
soluções móveis para a sua empresa. Assim pretendese que o centro disponha de uma solução ERP com
clara vocação para o comércio electrónico.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Uma empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas,
programas informáticos e serviços de consultoria com alto nível tecnológico; e com boa experiência no desenvolvimento de soluções tecnológicas.O parceiro realizaria a
implementação tecnológica e a exploração do sistema no
seu país.
PERFIL DO PROMOTOR
PME Espanhola.
REFERÊNCIA
IP 094-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
TECNOLOGIA ECOLÓGICA DE PINTURA E ACABAMENTO SUPERFICIAL PARA TINTAS DE BASE
AQUOSA
DESCRIÇÃO
Esta tecnologia contempla a reciclagem e re-utilização in situ de tintas de base aquosa durante o processo de pintura
e acabamento superficial.O dispositivo é constituído por
uma unidade de separação por ultrafiltação que permite a
separação eficaz dos resíduos da tinta da sua fase aquosa.
A composição da tinta e respectivas propriedades físicas
não são alteradas durante o processo, podendo deste modo ser re-utilizada.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Parceiro industrial na área de produção de ferramentas industriais com vista a acordo comercial com assistência técnica.
PERFIL DO PROMOTOR
PME belga
REFERÊNCIA
GIE/JC/170702
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
TÍTULO
PROCESSO PARA A CONVERSÃO TOTAL DE RESÍDUOS ORGÂNICOS EM FERTILIZANTE ORGÂNICO
DESCRIÇÃO
A empresa desenvolveu um processo para a conversão total de resíduos orgânicos, lamas biológicas e resíduos sólidos municipais, em fertilizante orgânico sem a libertação
de gases ou outros compostos nocivos.
O fertilizante está livre de contaminações biológicas e
apresenta um elevado grau de estabilidade e uma libertação controlada de compostos azotados.
O sistema apresenta as seguintes vantagens:
> Ausência de emissões gasosas ou efluentes líquidos;
> Processamento sem aquecimento;
> Ausência de odores;
> Sem resíduos.
COLABORAÇÃO PROCURADA
A empresas está à procura de parceiros que já operem na
área da recolha e gestão de resíduos orgânicos, tendo
acesso à matéria prima necessária.
PERFIL DO PROMOTOR
PME inglesa
REFERÊNCIA
SWE/MA/250702
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
setembro 2002 i9 67
TÍTULO
RICA - SOFTWARE DE COMPRESSÃO REVERSÍVEL DE IMAGENS DIGITAIS SEM PERDA DE QUALIDADE E/OU DADOS
DESCRIÇÃO
RICA (Reversible Image Compression Algorithm) é um
sistema proprietário que permite comprimir imagens digitais sem perda da qualidade original. Já foram desenvolvidos vários produtos (software) que integram esta tecnologia com sucesso.
Vantagens:
> Comparativamente ao sistema JPEG 2000 o RICA
comprime 10% mais e a compressão é 4x e a descompressão 16x mais rápida;
> Permite comprimir a imagem incluindo dados associados sem alteração da formatação original;
> O sistema pode ser integrado em outras aplicações
usando um kit de desenvolvimento de software também desenvolvido pela empresa.
COLABORAÇÃO PROCURADA
A empresa procura parceiros que façam desenvolvimento de aplicações (software ou hardware) para: imagiologia médica, fotografia digital, microscopia, museus/arte, editoras, GIS, astronomia, controlo de qualidade,
inspecção com câmaras, segurança, trabalho remoto,
etc.
PERFIL DO PROMOTOR
PME irlandesa
REFERÊNCIA
SRN/BD/072002
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
procura de tecnologia
TÍTULO
CORASFALTOS
DESCRIÇÃO
Desenvolvimento de Pinturas Asfálticas, de alta qualidade, que actuam como pinturas anticorrosivas.
Baixar custos de protecção de superfícies metálicas enterradas o sujeitas a ambientes agressivos.
Melhorar a protecção das superfícies metálicas, utilizando uma pintura anticorrosiva.
68 i9 setembro 2002
Melhorar a vida útil das pinturas, utilizando antioxidantes
do asfalto.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Investidores que:
> Pretendam investir numa empresa de base tecno
lógica;
> Compitam através de produtos de alto valor acrescentado;
> Apoiem o melhoramento de produtos através da I&D;
> Desejem expandir e comercializar produtos a nível
mundial.
PERFIL DO PROMOTOR
PME Colombiana
REFERÊNCIA
IP 090-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
INVITRO
DESCRIÇÃO
Parceria com centros de Pesquisas e ou empresas, detentoras de variedades de morangueiro, que estejam interessados em testar e comercializar suas mudas aqui
no Brasil.
A IN VITRO se encarregaria de fazer a multiplicação in
vitro dos materiais e distribuí-los em todas as regiões
produtoras de morangos do Brasil.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Empresa especializada no desenvolvimento de cultivares
de morangueiro, interessada em buscar parceiro no Brasil para ser multiplicador dos meristemas em laboratório
e distribuir as mudas matrizes no Brasil, mediante o pagamento de "royalts".
PERFIL DO PROMOTOR
PME Brasileira.
REFERÊNCIA
IP 092-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
UFSM
DESCRIÇÃO
Desenvolvimento de diversas aplicações de processamen-
to de imagens onde a segmentação de objectos é uma das
operações fundamentais nas manipulações de imagens e
de vídeos digitais.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Procura-se parceiros tanto no sector académico quanto no
industrial. Entretanto, é importante que o parceiro procure:
Oportunizar o desenvolvimento das actividades de pesquisa
no Estado do Rio Grande do Sul -Brasil na área de processamento e análise de imagens.
Incentivar o desenvolvimento de actividades de pesquisa inovadoras e que busquem soluções para problemas do Estado
e incentivar o desenvolvimento de pesquisas básicas
PERFIL DO PROMOTOR
Universidade Brasileira
REFERÊNCIA
IP 093-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
NUEVOS MEDIOS
DESCRIÇÃO
O objectivo chave deste projecto é criar, mediante a implementação da tecnologia necessária, uma rede de comércio electrónico e distribuição para o sector Turístico,
que permitirá:
> Aproveitar melhor os recursos individuais e de grupo do sector, de forma a aumentar a quota de mercado e conseguinte volume de vendas, e se reduza de forma muito significativa os custos de distribuição.
> As funcionalidades planeadas respondem aos interesses que pode ter cada público objectivo na sua
utilização, de forma a que cada entidade encontre
na ampliação da Plataforma Web Turística, na sua
fase II, aquilo que necessita.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Uma empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas, programas informáticos e serviços de consultoria
com alto nível tecnológico; e com boa experiência no desenvolvimento de soluções tecnológicas.O parceiro realizaria a implementação tecnológica e a exploração do
sistema no seu país.
PERFIL DO PROMOTOR
PME Espanhola
REFERÊNCIA
IP 099-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
TÍTULO
TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DE PERÓXIDO
DE METILETILCETONA
DESCRIÇÃO
A tecnologia de produção de peróxido de metiletilcetona
deverá contemplar as seguintes especificações:utilizar
peróxido de hidrogénio a 50%, sem risco de explosões,
e sem produção de resíduos.
O processo de produção deste químico deverá ser autónomo, de baixa tonelagem (180t/ano) e com baixo custo de produção.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Cooperação Técnica;
Joint-venture;
Licenciamento da tecnologia
PERFIL DO PROMOTOR
Empresa polaca
REFERÊNCIA
EPol/JC/110702
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
TÍTULO
TECNOLOGIAS AVANÇADAS PARA REUTILIZAÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL, EFLUENTES, RESÍDUOS
SÓLIDOS
DESCRIÇÃO
Uma empresa especializada em produção-tratamento-reutilização de água e tecnologias "off-gas", procura novas
tecnologias para tratamento de águas municipais e industriais, águas residuais, VOC's, lamas e odores.
COLABORAÇÃO PROCURADA
A empresa está à procura de processos demonstrados de
aplicação destas tecnologias.
PERFIL DO PROMOTOR
PME belga
REFERÊNCIA
IFEST/BD/TR-80
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
setembro 2002 i9 69
TÍTULO
TECNOLOGIA E "KNOW-HOW" PARA A PRODUÇÃO DE ETANOL A PARTIR DE RESÍDUOS CELULÓSICOS.
DESCRIÇÃO
Uma empresa que faz armazenamento e processamento
de cereais está à procura de tecnologia e "know-how" em
processos de produção de bioetanol a partir de materiais
celulósicos. A empresa está também interessada no
aproveitamento de subprodutos do processo de biotransformação.
COLABORAÇÃO PROCURADA
A empresa está à procura de processos demonstrados
de aplicação destas tecnologias.
A empresa tem a intenção de iniciar uma unidade de
transformação em 2005.
PERFIL DO PROMOTOR
PME inglesa
REFERÊNCIA
SWE/MA/260702
CONTACTO
[email protected]
Tel.: 22 619 7234
Fax: 22 610 3361
TÍTULO
PINTURAS INDUSTRIALES
DESCRIÇÃO
A empresa SMC S.A. dedica-se à fabricação de préimpregnado de resina poliéster com reforço de fibra de
vidro.
Estamos interessados em incorporar tecnologia e desenvolvimentos no campo de SMC, que permita optimizar e reduzir tanto a temperatura como a pressão
em moldes de peças, aplicáveis aos sectores da automação, eléctrico e indústria da construção, o que
tende a reduzir a pressão de trabalho e o custo dos
moldes.
COLABORAÇÃO PROCURADA
Empresa fabricante de SMC e/ou moldes de SMC
para os sectores da construção, automóvel e eléctrico.
PERFIL DO PROMOTOR
PME
REFERÊNCIA
IP 105-02
CONTACTO
Jorge Liz - [email protected]
Tel.: 217210910
Fax: 217220541
FICHA TÉCNICA
DIRECTOR Lino Fernandes
PROJECTO GRÁFICO Inês Nogueira (AdI)
REDACÇÃO, EDIÇÃO E PAGINAÇÃO
Loja da Imagem
Marketing, Comunicação e Gestão, Lda.
Rua Poeta Bocage, n.º 13-B
1600-581 LISBOA
Tel.: 210 109 100 – Fax: 210 109 199
Impressão: MLD
Tel.: 219 488 153
Distribuição: Vasp
Registo provisório no I.C.S. n.º 123888 – N.º Depósito Legal: 169395/01
ISSN: 1645-2372 – Tiragem: 3000 exemplares
INTERDITA A REPRODUÇÃO DE TEXTOS E IMAGENS POR QUAISQUER MEIOS
70 i9 setembro 2002
PROPRIEDADE
Agência de Inovação, S.A. NPC 503 024 260 – Capital Social: 700 000 000$00
CRC Lisboa n.º 3994 – Edifício Green Park, Av. Dos Combatentes, 43A - 10.º C/D
1600-042 LISBOA – Tel.: 217 210 910 – Fax: 217 271 733 – www.adi.pt
DELEGAÇÃO PORTO
Rua de Sagres, 11, 4150-649 PORTO – Tel.: 226 197 230 – Fax: 226 103 361
Download

Setembro / Novembro de 2002