UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO “DESENVOLVIMENTO PESSOAL E SOCIAL DA CRIANÇA: A ANIMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DINÂMICA” DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM: EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR MARIA JÚLIA BORGES PINTO MARANTES VILAV VILA REAL, 2010 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO “DESENVOLVIMENTO PESSOAL E SOCIAL DA CRIANÇA: A ANIMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DINÂMICA” MARIA JÚLIA BORGES PINTO MARANTES Trabalho realizado sob orientação da Professora Doutora Maria José dos Santos Cunha Relatório Final, correspondente ao Estágio de natureza profissional/Prática de Ensino supervisionada, elaborado para a obtenção do grau de Mestre em Educação Pré-Escolar de acordo com os Decretos-Lei Nº 74/2006 de 24 de Março e Nº 43/2007 de 22 de Fevereiro. VILA REAL, 2010 Á minha Família, motivo de toda a minha felicidade Agradecimentos Desde o início do desenvolvimento de todo o processo de Estágio, contei com a colaboração de diversas pessoas às quais faço os meus sinceros agradecimentos. Em primeiro lugar quero agradecer à Professora Doutora Maria José dos Santos Cunha, que desde o início se disponibilizou para me orientar e dedicou muito do seu tempo a ajudar-me na elaboração deste relatório de estágio. O meu agradecimento também à Educadora Cooperante Margarida Teixeira pela disponibilidade e ajuda no decurso do estágio e pelo muito que contribuiu para a minha formação como futura Educadora de Infância. Como é óbvio, agradeço profundamente aos meus pais e irmãs que sempre me apoiaram em tudo na minha vida e que sempre me ouviram quando precisei. Um agradecimento especial às minhas princesas, Leonor e Salomé que apesar de ainda não terem consciência do meu trabalho sempre foram uma grande ajuda, pela paz que me transmitem. Ao meu namorado, Sérgio, que sempre se manteve a meu lado neste processo da minha vida académica e pessoal. Agradeço igualmente a todos os docentes que, de certa forma, estiveram envolvidos na elaboração deste relatório. Por fim, e não menos importante, agradeço aos meus amigos e colegas de trabalho pelo tempo e sorrisos que me dedicaram. De certa forma agradeço a todas as pessoas que estiveram e estão envolvidas na minha vida e, estão sempre do meu lado para tudo. O meu muito obrigado por sempre me estimularem intelectual e emocionalmente. III Resumo O presente relatório é o resultado do estágio I e II realizados no âmbito da disciplina Seminário Interdisciplinar, do Mestrado em Educação Pré – Escolar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A área de intervenção do Estágio abrangeu um grupo vinte e cinco crianças com idades compreendidas entre os três e os cinco anos do Jardim-de-infância de Parada de Cunhos, situado na freguesia com o mesmo nome, pertencente à rede pública e ao agrupamento vertical Diogo Cão. Fundamentado no trabalho desenvolvido, o trabalho que agora apresentamos abrange um conjunto de actividades que visaram essencialmente satisfazer as necessidades do público-alvo, as crianças, e que em simultâneo tiveram por objectivo motivá-las para a aprendizagem, desenvolverem os seus estímulos cognitivos, a socialização e a autonomia pessoal. Denominado “Desenvolvimento pessoal e social da criança: a animação como estratégia dinâmica”, o trabalho com o qual procurávamos respostas para a questão “O que faz da animação uma estratégia dinâmica de desenvolvimento pessoal e social das crianças?”, está dividido em cinco capítulos. Nestes capítulos procuramos dar conta do que foi esta nossa intervenção ao nível do estágio. No primeiro tratamos da fundamentação contextual. No segundo tratamos do enquadramento teórico da problemática do estágio. No terceiro abordamos a fundamentação metodológica. No quarto tratamos da organização das actividades educativas. E por fim, no quinto capítulo analisamos o processo avaliativo, seguindo-se a este último capítulo a conclusão/balanço final do estágio. IV Abstract This report is the result of stage I and II conducted within the discipline Interdisciplinary Seminar, Master of Education Pre - School, University of Trás-osMontes e Alto Douro. The project area covered a group of Stage twenty-five children aged between three and five years of the kindergarten of Parada de Cunhos, situated in the parish of the same name, belonging to the public and the vertical grouping Diogo Cão. Based on the work, the work we are presenting a range of activities covers essentially aimed at satisfying the needs of the target audience, children, and that simultaneously aimed to motivate them to learn, develop their cognitive stimuli, the socialization and personal autonomy. Called "Personal and social development of children with the excitement and dynamic strategy, the work with which we sought answers to the question" What makes animation a dynamic strategy of personal and social development of children? ", Is divided into five chapters. In these chapters seek to realize what this was our intervention at the stage. In the first deal of contextual reasoning. In the second deal of the theoretical framework of the problematic stage. In the third approach the methodological foundation. In the fourth dealt with the organization of educational activities. Finally, the fifth chapter we analyzed the evaluative process, following this last chapter the conclusion / final assessment stage V Índice geral Agradecimentos………………………………………………………………………III Resumo………………………………………………………………………………IV Abstract………………………………………………………………………...…….V Índice Geral………………………………………………………………………….VI Índice de figuras e gráficos………………………………………………………….IX Introdução……………………………………………………………………………1 Capitulo I - Fundamentação contextual 1. A integração no contexto de Estágio: A problemática da intervenção/investigação…5 2. Meio envolvente……..………………………………………………………………6 2.1. História de Vila Real……………………………………………………………….7 2.2. Enquadramento sócio – económico e cultural da população vila – realense..…..…8 2.3. Parada de Cunhos como uma freguesia do concelho de Vila Real……………….11 2.3.1. Como surgiu a localidade de Parada de Cunhos………………………….….…13 3. O jardim-de-infância de Parada de Cunhos: Localização, tipo de instituição e sua organização interna……………………………………………………………….…….17 4. Caracterização do grupo de crianças………………………………………….……..22 5. Espaços e materiais…………………………………………………………….…….28 Capitulo II - Enquadramento teórico da problemática do estágio 1.O desenvolvimento pessoal e social da criança: A animação como estratégia dinâmica desse desenvolvimento…………………………………………………………………40 2. A importância da relação instituição/família para a formação da criança………..…42 3. O papel do Educador/Professor………………………………………………..……44 VI Capitulo III – Fundamentação metodológica 1. Metodologia adoptada……………………………………………………….………48 2. Questão inicial……………………………………………………………….………54 3. Hipótese………………………………………………………………………...……55 4. Os objectivos de intervenção…………………………………………………..…….56 5. Os recursos mobilizados …………………………………………………….………57 6. As limitações do processo……………………………………………………...……58 Capitulo IV - Organização das actividades educativas 1. Áreas de conteúdo privilegiadas, fundamentação e finalidades …..……..…….60 2. Organização e gestão do tempo e actividades………………………….………63 3. Actividade educativa…………………………………………………...………68 3.1. Período de observação………………………………………………….………68 3.2. Período de responsabilização…………………………………………….…….68 3.2.1. As planificações: Estratégias e objectivos……………………………..….……71 3.3. Projecto curricular de grupo……………………………………………………72 3.3.1. O Projecto curricular de grupo 2008/2009 por nós elaborado…….………..…73 3.3.2. Justificação da planificação das novas actividades………………………...……74 3.3.3. Objectivos gerais das actividades planificadas……………………………….…77 3.4. Actividades desenvolvidas…………………………………………………..…78 Capitulo V - O processo avaliativo 1. Conceito de avaliação……………………………………………….………………82 2. Formas e estratégias de avaliação…………………………………...………………84 VII 3.Avaliação/reflexão das actividades desenvolvidas no jardim-deinfância……………………………………………………………..…………………87 4. Apreciação da evolução do grupo…………………………………….……………90 Conclusão/Balanço final de estágio …………………………………...……………93 Referências bibliográficas ……………………………………………….…………94 Apêndices…………………………………………………………………….………97 VIII Índice de figuras e gráficos Figura nº1 - Brasão da cidade de Vila Real…………………………………………… 6 Figura nº 2 - Brasão da freguesia de Parada de Cunhos.................................................13. Figura nº 3 – Mapa da cidade de Vila Real…………………………………..………..15 Gráfico nº 1 – Distribuição das crianças por sexo..........................................................22 Gráfico nº 2 – Distribuição das crianças por idades………………………..…………..22 Gráfico nº 3 – Constituição do agregado familiar…………………………..………….23 Gráfico nº 4 – Idade dos pais…………………………………………….……..………24 Gráfico nº 5 – Idade das mães………………………………………………………….24 Gráfico nº 6 – Profissão dos pais………………………………………………...……..25 Gráfico nº 7 – Profissão das mães…………………………………………….………..25 IX Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica INTRODUÇÃO O presente relatório é o resultado do estágio I e II realizados no âmbito da disciplina Seminário Interdisciplinar, do Mestrado em Educação Pré – Escolar da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e que teve a duração de 120 horas no 1º semestre e de 150 horas no 2º. A área de intervenção do Estágio abrangeu um grupo vinte e cinco crianças com idades compreendidas entre os três e os cinco anos do Jardim-de-infância de Parada de Cunhos, situado na freguesia com o mesmo nome, pertencente à rede pública e ao agrupamento vertical Diogo Cão, contexto onde desenvolvemos o nosso trabalho de pesquisa. Fundamentado no trabalho desenvolvido, o trabalho que agora apresentamos abrange um conjunto de actividades que visaram essencialmente satisfazer as necessidades do público-alvo, as crianças, e que em simultâneo tiveram por objectivo motivá-las para a aprendizagem, desenvolverem os seus estímulos cognitivos, a socialização e a autonomia pessoal. O estágio dá-nos a possibilidade de conhecer a realidade que é o jardim-deinfância, podermos contactar com as crianças e de alguma forma contribuir para a sua formação. Assim preocupava-nos a realidade com que iríamos deparar e com o nosso desempenho, pois estávamos desejosas de pôr à prova o que tínhamos aprendido na teoria. O diagnóstico de necessidades que no início do estágio levámos a cabo possibilitou detectarmos as necessidades das crianças ao nível do seu desenvolvimento pessoal e social e a leitura de algumas obras deu-nos a conhecer a animação educativa. 1 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Este conhecimento, levou-nos a questionar sobre “O que faz da animação uma estratégia dinâmica de desenvolvimento pessoal e social das crianças?” Foi portanto com base nesta questão inicial que levámos por diante este projecto de investigação que denominámos de “Desenvolvimento pessoal e social da criança: a animação como estratégia dinâmica” e com o qual era nossa pretensão conseguir respostas para a questão que inicialmente se nos colocou. O trabalho está dividido em cinco capítulos, e neles procuramos dar conta do que foi esta nossa intervenção ao nível do estágio. No primeiro tratamos da fundamentação contextual, e nele incluímos temas como a integração no contexto do estágio: a problemática da investigação/intervenção; meio envolvente; história de vila real; enquadramento socioeconómico e cultural da população vila-realense; Parada de Cunhos uma freguesia do concelho de Vila Real; como surgiu a localidade de Parada de Cunhos; o jardim-de-infância de Parada de Cunhos: localização, tipo de instituição e sua organização interna; caracterização do grupo de crianças e espaços e materiais. No segundo tratamos do enquadramento teórico da problemática do estágio, inclui temas como; a animação como estratégia dinâmica de desenvolvimento pessoal e social; a importância da relação instituição/família para a formação da criança e o papel da educadora. No terceiro da fundamentação metodológica, os temas abordados são; a metodologia adoptada; questão inicial; hipóteses; objectivos de intervenção; os recursos mobilizados e as limitações do processo. No quarto tratamos da organização das actividades educativas, as áreas de conteúdo privilegiadas; organização e gestão do tempo e actividades; actividade educativa que inclui o período de observação e a responsabilização e o projecto curricular de grupo. E por fim, no quinto capítulo analisamos o processo avaliativo, onde está exposto o conceito de avaliação; formas e estratégias de avaliação; avaliação/ reflexo 2 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica das actividades desenvolvidas no Jardim-de-infância e por fim a apreciação da evolução global do grupo. Seguindo-se a este último capítulo a conclusão/balanço final do estágio. 3 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Capitulo I Fundamentação contextual 4 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1. A INTEGRAÇÃO NO CONTEXTO DO ESTÁGIO: A PROBLEMÁTICA DA INVESTIGAÇÃO/INTERVENÇÃO Pensámos no estágio como o culminar de um processo de aprendizagem que nos dá a conhecer a validade da nossa preparação anterior. Não são pois de admirar os receios que inicialmente sentimos, mas que com o decurso do mesmo, com perseverança, trabalho e organização se foram dissipando. A nossa integração no contexto do estágio foi de curiosidade e questionamento constante. A primeira fase dessa integração, exigiu conhecermos as instalações do Jardim-de-Infância, fazermos a recolha de documentação sobre a sua dinâmica e funcionamento, contactarmos com os diferentes elementos, observação, pesquisa bibliográfica e leituras diversas. Procedemos de seguida ao diagnóstico de necessidades das crianças do grupo com que trabalhámos. Para o efeito recorremos à observação directa não participante, a conversas informais com a educadora cooperante, com as próprias crianças e com os pais. Pudemos assim aperceber-nos da necessidade que as crianças do pré-escolar têm de ser motivadas para a aprendizagem e o papel que estratégias diversificadas de animação podem ter na sua formação e aprendizagem na medida em que as motivam para se implicar activamente nas actividades que o educador com elas desenvolve. A implementação das actividades seleccionadas em função do diagnóstico das necessidades das crianças, foi a fase que se seguiu. No final e através da observação directa participante, de conversas informais, registos das actividades, registos fotovideográficos, fichas de avaliação formativa, portefólios, reuniões com a educadora e reuniões semanais com as crianças pudemos proceder à avaliação dos conhecimentos adquiridos. 5 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2. MEIO ENVOLVENTE Para o Ministério da Educação: “localidade ou localidades de onde provêm as crianças que frequentam um determinado estabelecimento de educação pré-escolar, a própria inserção geográfica deste estabelecimento – têm também influência, embora indirecta, na educação das crianças” (1997:33) Vila Real é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Vila Real, na Região Norte e sub-região do Douro, com cerca de 25 000 habitantes e sede de um município com 378,8 km de área e 50 131 habitantes (2008), subdividido em 30 freguesias. O concelho de Vila Real é limitado a norte pelos municípios de Ribeira de Pena e de Vila Pouca de Aguiar, a leste por Sabrosa, a sul por Peso da Régua, a sudoeste por Santa Marta de Penaguião, a oeste por Amarante e a noroeste por Mondim de Basto. Crescida num planalto situado na confluência dois rios Corgo e Cabril, a cidade está enquadrada num bela paisagem natural, pois tem como fundo as serras do Alvão e, um pouco mais remota, a serra do Marão. Figura nº 1- Brasão da cidade de Vila Real 6 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2.1. HISTÓRIA DE VILA REAL A região de Vila Real desfruta de vestígios deixados do tempo do paleolítico, e possui igualmente vestígio do povo romano, como é o caso do Santuário Rupestre de Panóias. No Final do século XI, em 1096, o conde D. Henrique atribuiu foral a Constantim de Panoias, como forma de promover o povoamento da região. Em 1289, por foral do rei D.Dinis, é fundada efectivamente Vila Real de Panoias, que se viria a tornar na cidade actual. Com o aumento da população, Vila Real adquire, no século XIX, o estatuto de capital de distrito e já no século XX, o de capital de província. Em 1922 foi criada a diocese de Vila Real, territorialmente coincidente com o respectivo distrito, por desanexação das de Braga, Lamego e Bragança - Miranda, e em 1925 a localidade foi elevada a cidade. Vila Real conheceu um grande desenvolvimento com a criação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 1986, que contribuiu em muito para o aumento demográfico e revitalização da população. Nestes últimos anos, foram desenvolvidos na cidade vários equipamentos culturais com o Teatro de Vila Real e o conservatório de música; a transferência e remodelação da biblioteca municipal e outros, que lhe trouxeram á cidade um novo dinamismo. 7 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2.2. ENQUADRAMENTO SÓCIO – ECONÓMICO E CULTURAL DA POPULAÇÃO VILAREALENSE A população de Vila Real é constituída por 31% de indivíduos com idades inferiores a 24 anos, 53% com idades compreendidas entre os 24 e os 65 anos e 16% com idades superiores a 65 anos. Em Vila Real predomina o sector terciário, correspondendo a cerca de 80% e dois terços do volume de negócios criados pelas sociedades com sede no concelho (INE, 2008/09). Os grandes empregadores, deste sector terciário, não são o comércio e o turismo, mas sim os serviços e a actividade administrativa (49,6% da população empregada), os quais são os grandes impulsionadores da economia da cidade. Na estrutura das classes sociais, só nos é possível identificar grupos sócioprofissionais. Assim, salienta-se o facto de as maiores diferenças registadas entre o concelho e a média nacional estarem relacionadas, por um lado, com a percentagem relativamente elevada de especialistas das profissões intelectuais e científicas e pessoal dos serviços e vendedores (ambos 15%), o que poderá ser justificado, em parte, pela existência da Universidade e, por outro, com a baixa percentagem das classes de operadores de instalações e máquinas e trabalhadores de montagem, o que se pode atribuir à menor importância do sector industrial. Sendo Vila Real capital de distrito, podemos considerar bons, os serviços e comércio que fornece à população residente assim como à população do distrito. 8 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Características culturais Sendo a cidade de Vila Real uma cidade tão antiga, não admira que seja possuidora ainda de variadas tradições e de entre elas as várias lendas que caracterizam as povoações do interior, entre elas a Lenda do Santo Soldado e a Lenda do Aleu. Outra das características de Vila Real é o fabrico artesanal, nomeadamente a louça; o linho, etc. Os jogos populares também ocupam um lugar de destaque e entre os vários jogos, podemos destacar o jogo da bola, o jogo da Choca e o jogo do Malhão, muito embora já não sejam praticados com muita frequência. Também as festividades que a cidade comemora, merecem elevada relevância. Delas se destacam a procissão “Corpus Christi”, tradição que remonta à idade média, com o seu protocolo rigoroso; as festas da cidade, em honra de S. António (13 a 21 de Junho), e a tão conhecida feira de S. Pedro, também conhecida como feira dos Pucarinhos (28 a 29 de Junho). Gastronomia Além dos pratos típicos de Trás-os-Montes como a bola de carne, tripas aos molhos, entre outros, temos ainda a pastelaria que não fica atrás a nível de qualidade. Entre um vasto repertório estão os pastéis de Santa Clara, as Cristas de Galo e os pitos que são tradicionais de Vila Real. 9 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Infra Estruturas Rede rodoviária Transportes públicos Abastecimento de águas Drenagem de esgotos Recolha de lixo Telecomunicações Património Cultural Palácio de Mateus Igreja de S. Domingos Capela Nova ou Igreja de S. Paulo Fragas de Panóias Torre de Quintela Igreja d Sr. De Guadalupe Recinto de Vila Velha Casa Diogo Cão Casa de Arcos ou Marqueses de vila Real 10 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2.3. PARADA DE CUNHOS UMA FREGUESIA DO CONCELHO DE VILA REAL De perfil semi-urbano, Parada de Cunhos com 7,03 km² de área e 1 789 habitantes (2001), situa-se na margem direita do Rio Corgo, afluente do rio Douro. Das 30 freguesias do concelho, é a 19.ª em área, a 10.ª em população residente e a 7.ª em densidade populacional (254,5 hab/km²). Inclui no seu território os seguintes lugares: Cabril, Fraga, Gaias, Granja, Parada de Cunhos (sede), Relvas, Ribeira, Silvela e Telheira. É uma das freguesias periurbanas de Vila Real (confronta com a freguesia urbana de São Dinis). Parada de Cunhos é uma freguesia muito antiga. Tinha, nos primeiros tempos da nacionalidade Portuguesa, uma determinada importância, o que justifica que tenha sido nomeada na carta de fundação de Vila Real, dada por D.Dinis. No que diz respeito à economia desta freguesia, a natureza do terreno é bastante variada e muito fértil. A actividade predominante é a agricultura. A freguesia produz castanha, cereais, azeite e vinho. Em relação ao comércio, encontramos em toda a freguesia minimercados, pastelarias e padarias, peixarias, cafés e restaurantes. Existem também oficinas de reparação de automóveis; estabelecimentos de materiais de construção; stand de bicicletas; florista, etc. Quanto ao ensino, existe a escola do 1ºciclo do Ensino Básico de Parada de Cunhos, que se situa no cimo do Povo. É um edifício bem conservado, recentemente remodelado. Tem duas salas de aula, um logradouro vedado, com o chão em gravilha e passagens em paralelo, com quatro baloiços e dois escorregas. 11 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Possui ainda dois átrios de entrada, uma cozinha, três casas de banhos e quatro halls. Uma das salas de aula serve de Jardim-de-infância. Meios de transporte Os meios de transporte que dão acesso a esta freguesia são o autocarro, o táxi e as viaturas particulares. No que diz respeito aos autocarros, estes são diminutos face às necessidades da população, no que se refere a faltam de uma rede rodoviária que ligue o centro aos arredores de Vila Real. Os táxis, como em qualquer lado, estão sempre a disposição da população, mas, são um meio muito dispendioso. As vias de acesso a esta freguesia encontram-se em bom estado são bastante acessíveis. Habitantes A maior parte dos habitantes desta freguesia são possuidores de uma certa educação e cultura devido, não só a proximidade de Vila Real, mas também, porque muitos deles se dedicam ao cultivo das letras, os restantes dedicam-se ao amanho das terras, as quais são dotadas de qualidade produtivas. Devido à sua localização geográfica possui um clima muito quente e, por isso, os seus terrenos são muito produtivos, proporcionando aos seus habitantes bons lucros, pois são eles os primeiros a apresentarem-se em Vila Real, com as novidades hortícolas. Situado entre montes, Parada de Cunhos possui belos panoramas, como o Monte da Forca, de onde se avista grande parte da cidade. 12 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2.3.1. COMO SURGIU A LOCALIDADE DE PARADA DE CUNHOS O topónimo Parada, etimologicamente, significa um lugar de paragem com certa importância, num grande caminho antigo, onde os viandantes podiam encontrar repouso e comida. Era ali que se faziam as mudas de cavalos. Parece que Parada e Estalagem são termos sinónimos, porque tinham idêntica finalidade. Figura nº 2 – Brasão da freguesia de Parada de Cunhos Situavam-se junto das grandes vias, próximo de cruzamentos importantes ou de pontes, distanciando-se sempre umas das outras entre cinco e dez quilómetros. Parada de Cunhos, como paragem da grande via romano-medieval que unia Lameco a Aquae Flaviae, situava-se entre a Estalagem da Cumieira e Parada de Aguiar; ligava-se à Estalagem da Campeã, na igualmente grande via que unia Portucale a Brigantia, através das duas Estalagens de Mondrões; às regiões de Sabrosa e Alijó, através da Ponte Pedrinha e da Estalagem de São Cibrão; e à região do Douro, através da Estalagem de Abaças. 13 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Parada de Cunhos existe por ser o lugar mais próximo da antiga ponte de Parada, sobre a qual se construíram as duas actuais, e da ponte medieval da Ribeira, ambas situadas no termos da aldeia. Cunho é um grande penedo solitário. Haveria no local, vários destes penedos, que justificam o topónimo Parada de Cunhos. De facto a aldeia foi construída sobre grandes lages de granito e a natureza cavou o impressionante fenómeno geológico das escarpas graníticas do rio Corgo. O foral de Codessais, local também situado nas margens do mesmo rio, na freguesia de Vilarinho da Samardã, dado por D. Afonso III, em Setembro de 1257, chama às margens do Corgo “Corgo horrível”; e o romancista Camilo Castelo Branco referiu-se às margens do Corgo, vizinhas de Parada de Cunhos, como “o belo horrível”. Embora nada se conheça dos tempos pré-históricos e proto-históricos, na freguesia de Parada de Cunhos, a sua situação geográfica no cruzamento de caminhos sem alternativa, e na margem de um lago que existiu a montante da garganta formada pelo Monte da Forca e a Vila Velha, que nesses tempos obstruía a corrente do rio Cabril, fez do local passagem obrigatória e, por isso, disputada pelos homens de todos os tempos. Ao lado de Parada de Cunhos, há ruínas do castro mineiro da Feiteira, na margem oposta do rio Corgo, no termo do lugar e freguesia de Folhadela, e o castro que existiu na Vila Velha ficava-lhe também em frente, no esporão formado pela confluência do rio Cabril com o rio Corgo. Da Romanização, foi achado um tesouro de denários da República Romana, no Penedo Redondo, por ocasião do rompimento da estrada nacional n.º 15, e aparece abundante tegula na aldeia da Granja. 14 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Figura nº 3 – Mapa das freguesias de Vila Real Tendo como limites as Freguesias de Vila Marim, Mondrões e Torgueda e os rios Cabril, Corgo e Sordo, encontra-se a Freguesia de Parada de Cunhos, que integra as povoações de Relvas, Granja, Silvela e o lugar das Gaias. Situada a um escasso quilómetro da zona urbanística D. Dinis de Vila Real, esta Freguesia vive paredes-meias com a cidade. No entanto, esta é uma Freguesia essencialmente rural, conhecida pelas suas antigas minas e pelo barro para fazer telha. A antiguidade de Parada de Cunhos remonta a Fevereiro de 1202, data em que D. Sancho I lhe concedeu foral. De facto, para atestar a sua importância no passado, vêem-se ainda algumas casas brasonadas. Por outro lado, esta é também uma Freguesia muito devota e religiosa, podendo encontrar-se uma igreja e três capelas: a igreja de São Cristóvão e as capelas de São João, Nossa Senhora da Ajuda e a de Nossa Senhora da Luz. 15 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica No atinente a actividades recreativas existentes, destacam-se as actividades dos Grupos Desportivos e Recreativos de Parada de Cunhos e da Granja, bem como todas as festividades do Calendário Litúrgico. Constituindo outrora a entrada e a saída de Vila Real para a Régua e para o Porto, esta Freguesia mostrava então um intenso tráfego, entretanto atenuado pela construção do IP4. Por isso mesmo, tornou-se um lugar apetecível para a procura e construção habitacional, vindo, deste modo, a aumentar o seu número populacional que, actualmente, ronda os três mil habitantes. 16 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1. O JARDIM DE INFÂNCIA DE PARADA DE CUNHOS: Localização, tipo de instituição e a sua organização O edifício onde se situa o Jardim-de-Infância de Parada de Cunhos, local onde realizámos o estágio, tem duas valências, o Pré-escolar e o 1ºciclo. É frequentado por crianças geralmente provenientes da freguesia de Parada de Cunhos, cujos pais trabalham na cidade de Vila Real. O edifício é constituído por vários espaços diferentes, sendo a parte exterior, de certa forma, dividida para as crianças do jardim-de-infância e para as crianças do 1ºciclo. A porção referente ao jardim-de-infância, tem uma parte exterior bastante diversificada, com um pavimento em gravilha, dois baloiços; uma horta; jardim e foi recentemente construída uma casinha para as crianças usufruírem nas suas brincadeiras. No que diz respeito ao interior o edifício é relativamente grande e bem dividido, compreendendo: Um hall, onde são recebidas as crianças e os pais. É neste espaço que se encontram os cabides onde cada criança pousa as suas pertences. Cada cabide está identificado pelo nome da criança. Este espaço desfruta de alguns painéis, onde se encontram algumas informações a transmitir aos pais, o mapa de presenças, o mapa dos aniversários e outros; Um gabinete, onde a educadora cooperante tem todos os documentos referentes ao jardim-de-infância e às crianças, é aqui também que se realizam as nossas reuniões semanais; Uma cozinha, que desfruta de vários utensílios de cozinha, para que as crianças possam realizar as actividades de culinária e onde também se podem preparar pequenas refeições, lanches de aniversário e outras. 17 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Uma casa de banho somente para as crianças, que aliás está muito bem equipada, tem duas sanitas e dois lavatórios, um deles está equipado com um degrau para as crianças mais pequenas Uma casa de banho para os adultos; Uma arrecadação, onde são guardados todos os materiais de grande dimensão, como brinquedos; jogos, etc A sala de actividades onde existem vários espaços. Este espaço está equipado com três conjuntos de mesas; varias cadeiras; dois computadores; bastantes painéis, etc. É neste espaço que se realizam as actividades de matemática; da ciência; de pintura e outras. A sala polivalente, compartimento composto por um grande tapete onde as crianças realizam as reuniões e as conversas do dia. Também aqui existe um grande painel, onde estão expostos vários documentos, como os projectos de grupo; as planificações do dia e da semana; os trabalhos que estão a ser tratados. É também neste espaço que as crianças assistem aos filmes, pois nele existe uma televisão e um DVD. Este espaço inclui também o cantinho da biblioteca; o cantinho das bonecas; o cantinho do faz-de-conta; o cantinho da garagem e o cantinho dos jogos lúdicos. Como já referimos no mesmo edifício estão instalados o jardim-de-infância e a escola do 1ºciclo de Parada de Cunhos. Estes dois ambientes educativos, partilham do edifício onde se realiza o prolongamento e onde se encontra a cantina, onde apenas algumas crianças desfrutam das refeições diárias. 18 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica O Jardim-de-Infância de Parada de Cunhos pertence á rede pública do Ministério da Educação e foi criado em 1988/1989 com os seguintes objectivos: Estimular as capacidades de cada criança de modo a favorecer a sua formação Contribuir para a estabilidade e segurança afectiva da criança Favorecer a observação e compreensão do meio natural e humano Desenvolver a formação moral da criança e o sentido de responsabilidade Recursos humanos Educadora Auxiliar de acção educativa E estagiárias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro O calendário escolar: Abertura do ano lectivo, 15 de Setembro; Primeira interrupção, de 26 de Dezembro a 2 de Janeiro; Inicio do segundo período dia 5 de Janeiro; Segunda interrupção ocorrerá entre os dias 23 e 25 de Fevereiro; Terceira interrupção de 6 de Abril 13 de Abril; O encerramento do presente ano lectivo será no dia 10 de Julho; Horário praticado: Manhã, das 9h às12 horas; Tarde, das 14h às 16 horas; O almoço decorre entre as 12h e as 14horas; O prolongamento do horário das 16 às 18 horas. 19 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Horário dos educadores: Manhã, das 9h às12 horas; Tarde, das 14h às 16 horas; Horário das auxiliares: Manhã, das 8h45 às 12h30 Tarde, das 14 às 17h30 Horário da componente á família: Almoço das 12h às 14horas; Tarde das 16h às 18horas; O período de férias: O período de férias tem lugar de Julho a Setembro. O atendimento aos pais Este atendimento efectua-se de manhã das 12h às 14horas e de tarde das 16h às 18horas. O jardim-de-infância de Parada de Cunhos pertence ao Agrupamento Vertical de Escolas Diogo Cão. Um Agrupamento Vertical de Escolas é composto por: Conselho geral 20 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica “O conselho geral é o órgão de direcção estratégica responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola, assegurando a participação e representação da comunidade educativa” (Diário da Republica, nº79, 1ª série, pág. 2345) O Conselho geral é composto por um número ímpar de elementos, não superior a 21, sendo estabelecido por cada agrupamento de escolas. Na composição deste deve estar salvaguardada a participação de representantes do pessoal docente e não docente, dos pais e encarregados de educação, dos alunos, do município e da comunidade local (instituições, organizações e actividades de carácter económico, social, cultural e científico). Compete a este órgão, eleger o presidente; o director; aprovar, acompanhar e avaliar o projecto educativo; aprovar o regulamento interno do agrupamento de escolas; aprovar o plano anual de actividades; apreciar e aprovar o relatório final de execução do plano anual de actividades; aprovar o relatório de contas; apreciar os resultados do processo de auto-avaliação; promover o relacionamento com a comunidade educativa; definir os critérios para a participação da escola em actividades pedagógicas, científicas, culturais e desportivas; entre outros. 21 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2. CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO DE CRIANÇAS Os dados recolhidos através das fichas de cada criança, fornecido pela Educadora, permitiram-nos os seguintes elementos relativamente às crianças que frequentam o jardim de infância de Parada de Cunhos: Distribuição das crianças por idade 3 4 5 Gráfico nº 1 O grupo é constituído por 25 crianças, sendo 18 do sexo masculino e 7 do sexo feminino. Distribuição das crianças por sexo masculino feminino Gráfico nº 2 22 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica No que concerne à idade do grupo de crianças, esta distribui-se pela faixa etária dos 3,4 e 5 anos, verificando-se que sete crianças têm três anos, oito crianças têm quatro anos e 10 têm cinco anos. Das onze crianças que têm cinco anos, nove pertencem ao sexo masculino e duas ao sexo feminino. Das que têm quatro anos, quatro pertencem ao sexo masculino e quatro pertencem ao sexo feminino. Das que têm três anos, cinco pertencem o sexo masculino e um sexo feminino. Relativamente ao agregado familiar, verifica-se que mais de metade das crianças tem um agregado familiar constituído pelos próprios e pelos pais. O agregado familiar de catorze crianças é constituído pelas mesmas, pelos pais e mais irmãos. Das duas crianças que faltam uma vive apenas com a mãe e a outra vive com o pai e com os avós. constituiçao do agregado familiar Pais e aluno Pais+ alunos+irmãos Mãe+ aluno+ IRMAO Pai e avós Gráfico nº 3 23 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Estudando o agregado familiar das crianças, e reportando-nos a um elemento de cada vez, verifica-se, em relação ao pai, que a faixa etária se situa entre os 24 e os 50 anos de idade. Idade dos pais 40 44 49 35 36 41 29 24 32 30 34 50 Gráfico nº 4 As mães têm idades compreendidas entre os 23 e os 44 anos de idade. Idades das mães 37 32 44 41 40 28 35 33 38 27 34 23 36 Gráfico nº 5 24 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Profissão do pai Emp.const civil CTT Professor Motorista Comerciante Advogado Empresário Bancário Manobrador de maquinas Oficial de carnes Militar contratado Angariador imobiliário Aux. De acçao médica Operador de supermecado Empregado de mesa Lavador de automóveis Vendedor Gráfico nº 6 No que diz respeito a profissão dos pais, verifica-se uma grande diversidade. Assim temos três que são professores, quatro empregados de construção civil, e os restantes têm cada um, uma profissão distinta. Gráfico nº 7 25 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Muitos professores tratam todas as crianças da mesma forma, porém no dizer de Spodek e Saracho “este tratamento é inapropriado para a maioria delas, pois, embora todas sejam parecidas sob certos aspectos, cada uma delas é única” (1998:104). O grupo que Cunha entende não ser “apenas uma soma de indivíduos. (…) Como realidade social, o grupo é um conjunto de pessoas que participam da mesma estrutura vivencial colectiva, que comunicam entre si e tem uma finalidade comum” (2008:27). No nosso caso, as crianças com quem íamos estagiar pode dizer-se que constituíam um grupo unido, que trabalhava em conjunto na perfeição, apesar de algumas desavenças que é comum surgirem entre crianças. O facto de as crianças serem muito comunicativas e sociáveis ajudou bastante na forma como nos acolheram. Também nós sentimos grande afinidade com elas e com os seus pais/encarregados de educação, o que nos fez sentir ainda mais à vontade no desenvolvimento do nosso trabalho. Num primeiro momento da observação, há sempre por parte do estagiário a tendência para observar mais atentamente a acção da educadora cooperante, dado o interesse em perceber a forma como ela agia para manter organizado e disciplinado um grupo tão grande. Interesse que se impõe antes mesmo de começarmos a conhecer o grupo de crianças tão habituado a ela e à sua forma de agir que por certo estranharia se fossemos demasiado diferentes. Isto porque “seja de pé na frente da classe, comandando a atenção de todas as crianças, ou sentada silenciosamente num canto, trabalhando com um pequeno grupo, os professores são o centro de toda a actividade da sala de aula” (Spodek & Saracho, 1998:22). A ela compete: Organizar o espaço e os materiais, de modo a proporcionar às crianças experiências educativas integradas; Disponibilizar e utilizar materiais estimulantes e diversificados; 26 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Proceder a uma organização do tempo; Gerir os recursos educativos, principalmente, os de tecnologias da informação e da comunicação; Criar condições de segurança; Observar cada criança; Planificar; Avaliar, numa perspectiva formativa, a sua intervenção, o ambiente, os processos educativos, o desenvolvimento e as aprendizagens de cada criança; Relacionar-se com as crianças, de forma a promover a sua autonomia; Incentivar a criança a actividades e projectos, com ou sem iniciativa desta; Ajudar na cooperação das crianças, para que estas se sintam valorizadas e integradas no grupo. O grupo era um grupo bastante activo, com uma necessidade extrema de ocupação para não entrarem em conflito uns com os outros. Eram crianças bastante participativas e empenhadas que facilitaram bastante a nossa integração. Apesar de, por vezes, existirem problemas comportamentais havia uma boa relação entre os elementos do grupo. É relevante neste aspecto referir que estas crianças partilham o mesmo espaço, material e brinquedos, o que por vezes pode gerar conflitos, pela razão de todos quererem o mesmo brinquedo. Assim, é mais difícil para as crianças com estas idades, perceberem o conceito de partilha, e perceberem que aquele espaço tem que ser dividida 27 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica com mais 24 crianças. Os mais pequenos, porque estão há pouco tempo juntos formam pequenos grupos, onde não há ainda grandes laços afectivos. Nas restantes crianças é notório, um sentimento de amizade, companheirismo, partilha e solidariedade. A relação ente as crianças e a educadora e a grande cumplicidade entre elas era visível. A educadora tinha uma preocupação constante em manter as crianças sempre informadas relativamente às actividades da escola e das notícias do mundo, o que fazia com que as crianças se sentissem importantes dentro da sala de aula. Apesar da independência e liberdade de escolha que era cedida às crianças, a educadora preocupava-se em orientá-las no sentido de lhes estabelecer regras que tinham de ser respeitadas. Tratava-as de forma semelhante, sem nunca discriminar nenhuma. Apesar desta cumplicidade notava-se um grande respeito das crianças para com a educadora. Igual respeito e amizade é demonstrado em relação à auxiliar de acção educativa, elemento indispensável no jardim-de-infância. 3. ESPAÇOS E MATERIAIS Para Spodek e Saracho, “existem algumas evidências de que a falta de espaço interfere nas interacções sociais das crianças. O espaço interno deve ser bem iluminado, bem ventilado e bem aquecido quando necessário” (1998:126). Os espaços da educação pré-escolar podem ser diversos, mas o tipo de equipamento, os materiais existentes e a forma como estão dispostos, condicionam, em grande medida, o que as crianças podem fazer e aprender. 28 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Para o Ministério da Educação, “A organização e a utilização do espaço são expressão das intenções educativas e da dinâmica de grupo, sendo indispensável que o educador se interrogue sobre a função e finalidades educativas dos materiais de modo a planear e fundamentar as razões dessa organização” (1997:37). Sendo assim, todo o educador deve adequar esta funcionalidade dos materiais ao grupo, ou seja, às crianças existentes em determinado grupo. Pois cada grupo, ou melhor, cada criança tem a s suas capacidades e tem igualmente necessidades evolutivas distintas. É assim responsabilidade do educador, fazer com que o espaço e a funcionalidade dos materiais vá ao encontro das necessidades das crianças. O Despacho – Conjunto nº258/97, de 21 de Agosto, fornece orientações quanto ao equipamento mínimo de qualquer estabelecimento de educação pré-escolar e os requisitos de qualidade dos mesmos, os quais se prendem com a qualidade estética, a adequação ao nível etário, resistência adequada, respeito por normas de segurança, multiplicidade de utilizações, valorização de materiais sintéticos e utilização de materiais de desperdício. Assim refere que “o material deve ser rico e variado, polivalente, resistente, estimulante e agradável à vista e ao tacto (…) deve favorecer a fantasia e o jogo simbólico, a criatividade, estimular o exercício físico e o desenvolvimento cognitivo e social”. Faz parte do processo de aprendizagem da criança, compreender a organização do espaço e como este pode ser utilizado. Este conhecimento faz com que cada criança adquira autonomia perante o espaço e os materiais e com isso ganhe a liberdade de fazer as suas escolhas relativamente aos materiais. O espaço exterior do estabelecimento é igualmente um espaço educativo, uma vez que pode proporcionar momentos educativos intencionais, planeados pelo educador 29 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica e pelas crianças. É um local que merece a mesma atenção do educador, já que com a sua dupla funcionalidade, permite que nele o educador possa interagir com as crianças ou manter-se como observador. Na perspectiva do Ministério da Educação (1997:41); Cada modalidade de educação pré-escolar tem características organizacionais próprias e uma especificidade que decorre da sua dimensão e dos recursos materiais e humanos que dispõe. As diferentes modalidades de educação pré-escolar podem agrupar-se entre si ou integrar-se em estabelecimentos próximos de outros níveis de ensino. Esta inserção num estabelecimento ou num território educativo constitui uma modalidade organizacional que permite tirar proveito de recursos humanos e materiais, facilitando ainda a continuidade educativa. Na instituição onde fizemos o estágio funcionam duas valências, a do 1ºciclo e a da educação pré-escolar. Delas, apenas abordaremos o Jardim-de-Infância dado que foi o contexto onde efectuamos o estágio. O espaço interno do Jardim de Infância de Parada de Cunhos é constituído por um hall; a sala polivalente que contém: o cantinho das reuniões, da biblioteca, da garagem, dos jogos lúdicos; das bonecas e do faz de conta; a sala de actividades que integra o espaço da colagem e do recorte, o da modelagem; do desenho, da leitura, da escrita e matemática; da pintura, das ciências e do computador; duas casas de banho; o escritório da Educadora; a cozinha e a arrecadação. 30 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Hall: Segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, “o vestiário das crianças deve ser, sempre que possível, autónomo da (s) sala (s) de actividade (s), é um espaço destinado ao arrumo de vestuário e objectos pessoais das crianças”. É neste espaço que é feita a recepção às crianças, é aqui também que guardam os seus pertences num cabide identificado com o nome de cada criança. O espaço está decorado com vários enfeites e nele se encontram o quadro de aniversários; o quadro de presenças; uma tabela de alturas e de pesos e um placar onde estão expostas as informações aos pais. É neste hall que as crianças lancham, havendo um lugar para cada uma se sentar e uma mesa para colocarem o lanche e no final do mesmo fazerem a separação do lixo. Sala polivalente Segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, “a sala polivalente deve permitir fixação de expositores; sempre que possível próxima da sala de actividades e proporcionar acesso fácil ao exterior”. O cantinho das reuniões é composto por uma carpete onde as crianças se sentem em círculo para conversarem com a Educadora e entre si. Este espaço contém um painel onde estão expostos os projectos das crianças, os que já realizaram e o que estão a realizar. Assim como o diário de grupo e as planificações do dia e da semana. Abrange também a televisão e o DVD, pois é neste espaço que as crianças visualizam os filmes, que são tomadas 31 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica todas as decisões com as crianças, que recebemos as visitas, que elaboram as actividades de grupo, etc. Em síntese, este é o espaço mais frequentado pelas crianças. Cantinho da biblioteca que está equipado por almofadas no chão; um banco; diversos livros e um placar onde são expostos os trabalhos relativos à leitura. Contém todo o tipo de livros, livros de pesquisa como enciclopédias, livros de histórias, contos, lendas, livros sobre animais, plantas, corpo humano, profissões. Cantinhos da garagem, aqui existem vários jogos para as crianças, como legos; uma pista de carros e vários tipos de blocos; Cantinhos dos jogos de mesa; aqui existem variadíssimos jogos lúdicos. Este é um espaço extremamente bem organizado, pois cada prateleira está decorada com uma figura geométrica e os jogos que pertencem a essa prateleira tem a figura geométrica correspondente, tem também uma mesa e quatro cadeiras. O cantinho da casinha, aqui existe vários materiais para brincar. Tem uma cozinha, uma sala e um quarto. Prateleiras recheadas com vários materiais artificiais que as crianças trazem de casa. O cantinho do faz de conta, este espaço é extremamente solicitado pelas crianças, pois é um espaço que está equipado com um armário onde tem vários tipos de roupa de adulto e acessórios. Este espaço só é aberto a partir do carnaval, para dar mais ênfase a esta época festiva. 32 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Sala de actividades: Segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, “a sala de actividades deve ser concebida de forma a: permitir o contacto visual com o exterior através de janelas ou portas; permitir a fixação de parâmetros verticais de expositores de quadros.” No presente caso este espaço está bastante bem organizado. Trata-se de uma sala grande que está dividida por mesas e cadeiras formando os vários cantos, cada um com o material próprio para a respectiva actividade. Assim temos: Canto do recorte e colagem: Este espaço contém um armário com os matérias de recorte e colagem (revistas e tesouras, cola e vários matérias recicláveis), uma mesa, cadeiras e um placar. Neste cantinho as crianças fazem recortes e colagens, de seguida a educadora coloca no placar (não é colocado pelos meninos porque se encontra muito alto, não lhes permitindo o acesso). Neste espaço as crianças realizam actividades de rotina e orientadas Canto de escrita, leitura e matemática: Este espaço é muito importante, porque é aqui que as crianças resolvem os problemas que surgem relacionados com a matemática. Assim, como desenvolvem o interesse pela leitura e pela escrita. É composto por uma mesa com quatro cadeiras. Na parede encontra-se o placar onde expõe os seus trabalhos, relacionados com a leitura, escrita e a matemática. É neste espaço que as crianças também fazem o registo das actividades. Cantinho da modelagem: Este espaço é constituído por uma mesa, duas cadeiras e uma estante onde se encontra os materiais da modelagem (plasticina). 33 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Cantinho do desenho: É composto por uma mesa, cadeiras, uma estantes com os lápis de cores e marcadores e um placar. Aqui as crianças fazem desenhos livres ou orientados. No placar colocam esses desenhos que são renovados todas as semanas. Espaço das ciências: Neste espaço encontra-se todos os materiais relacionados com a ciência (pesos e medidas, lupas, entre outros). Encontra-se um placar para expor os registos das actividades relacionadas com as ciências. Espaço do computador: Este espaço contém dois computadores, dois scanners e duas impressoras. Aqui as crianças com cinco anos de idade fazem as suas pesquisas, e as digitalizações de alguns dos seus desenhos e desenham no Paint. Casa de banho: Segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, a “casa de banho para as crianças deve possuir pelo menos uma sanita por cada criança; um lavatório/ dez crianças e, colocados à altura das crianças; pelo menos uma sanita deverá ter “apoios” para crianças com dificuldade de locomoção” A casa de banho para as crianças só pode ser utilizada pelas mesmas. Esta casa de banho contém duas sanitas e dois lavatórios. Ambos estão compostos por degraus adaptáveis ao tamanho das crianças. Faz parte da casa de banho uma espécie de dispensa onde são guardados os utensílios de limpeza. O espaço está decorado pelas crianças e tem também um ecoponto, pois é neste espaço que as crianças fazem a separação do lixo. 34 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica A casa de banho para adultos tem uma sanita, um lavatório e uma farmácia onde estão arrumados os materiais de primeiros socorros. É uma casa de banho muito bem organizada e dentro de todos os parâmetros, a única privação é a falta de material para crianças com deficiências motoras. Gabinete: Este espaço situa-se entre o hall de entrada e a sala polivalente, está extremamente bem posicionado para que a Educadora possa sempre controlar o grupo. É aqui que a educadora cooperante trata de todos os assuntos relacionados com as crianças e com a instituição, é aqui que se encontra todo o material relacionado com estes. É também neste espaço que a educadora faz o atendimento aos pais e as pessoas da comunidade, e também aqui que se realizaram as nossas reuniões semanais. Este compartimento que segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, “o gabinete é um espaço destinado ao trabalho individual ou em grupo onde se desenvolvem entre outras, as seguintes actividades; reuniões de pais; reuniões entre educadores; atendimento às pessoas da comunidade.” Deve permitir a arrumação de material didáctico, é composto por uma secretária, duas cadeiras e um computador fixo, está também repleto de estantes com material didáctico, desde Cd´s a livros. 35 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Cozinha: É neste espaço que se realizam todas as actividades relacionadas com culinárias. É também aqui que se preparam os pequenos lanches para saídas e aniversários, etc. No espaço podemos encontrar alguns armários; um fogão, uma banca; um pequeno frigorífico; uma mesa e algumas cadeiras. A mesa e as cadeiras são baixas para que possam ser as próprias crianças a preparar os lanches e para poderem realizar as actividades de culinária devidamente. Arrecadação: É aqui que são guardados os materiais de grande porte que pertencem ao jardimde-infância. É uma sala relativamente grande que está rodeada de estantes onde são colocados esses materiais. A área externa: Segundo o Despacho conjunto nº268/97 de 25 de Agosto, “o espaço exterior deve ser organizado de forma a fornecer ambientes diversificados que permitam a realização de actividades lúdicas e educativas. (…) Deve, quando possível, incluir uma área coberta (…) a sua localização dever ser junto ou em volta ao edifício. Tem como condições de segurança, o espaço deverá ser delimitado de forma não agressiva, mas que garanta condições de segurança (por ex. com vedação) ” 36 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Este espaço é composto por dois baloiços; um parque de areia; uma casinha para brincar; uma pequena horta, um pequeno jardim e dois compostores. Todos estes espaços são diariamente utilizados pelas crianças; está protegido por uma vedação a toda a volta. O que o desfavorece é o facto de não ter um espaço coberto, que possa abrigar as crianças quando as condições físicas não são as melhores. Tirante isso, é um espaço extremamente apropriado para todo o tipo de actividades realizáveis ao ar livre, pois é um espaço grande onde as crianças circulam livremente. É também aqui que um pequeno grupo de crianças (sorteado), semanalmente, trata da horta e do jardim. São as crianças que regam, que cultivam (coes fidicas.com a ajuda de um adulto); que tratam da compostagem, etc. Concluindo, este espaço é bastante requisitado, quer pelas crianças como pelos adultos, pois é um espaço acessível e em boas condições. Para Spodek e Saracho, (1998:132), A área ao ar livre onde as crianças brincam precisa ser tão, cuidadosamente, planejada quanto a área interna, já que apresenta alguns problemas especiais. As actividades são influenciadas pelo clima e pelo tempo, e também ocorrem problemas de manutenção. As áreas externas tendem em estimular as actividades motoras amplas, o que pode trazer desafios para crianças com deficiências físicas. 37 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica No geral pode dizer-se que a Instituição satisfaz as necessidades das crianças que podem desenvolver actividades orientadas, de rotina e livres. A forma como se encontra o edifício e a sua organização, foi trabalho da Educadora Cooperante, pois é fácil de encontrar em todos os cantinhos materiais que acartam já alguns anos. Notamos apreço em tudo o que a educadora faz e traz para a sala de aula, tem conseguido modificar todos os espaços físicos em que as crianças trabalham ou brincam, o que é muito importante, já que na óptica de Lobo, (1998:19), (…) o espaço é fundamental para a aprendizagem activa. A criança precisa de espaço para se movimentar, construir, criar, experimentar, expressar-se, brincar, jogar e levar a cabo os seus empreendimentos. (…) O Educador deve proporcionar às crianças espaços variados, sugestivos, e aliciantes e na sua organização deverá existir harmonia e lógica de modo a possibilitar as trocas e os contactos entre elas. 38 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Capitulo II Enquadramento teórico da problemática do estágio 39 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1. O DESENVOLVIMENTO PESSOAL E SOCIAL DA CRIANÇA: A ANIMAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DINÂMICA DESSE DESENVOLVIMENTO A valorização e formação pessoal e social das crianças foram preocupações que acompanharam a educação ao longo da sua história. De acordo com Spodek e Sarancho (1998), “as crianças são socializadas inicialmente na família, onde desenvolvem relações com os seus pais e irmãos que lhes ensinam o seu papel e como devem funcionar enquanto membro daquele grupo social. Mais tarde essa incumbência compete também à escola”. Porém, levar por diante a missão de educar, sobretudo nos tempos que correm, exige da parte da escola na opinião de Praia, (1991:15) (…) acercar o aluno do mundo em que tem de viver e das suas complexas interrelações, e pressupõe abandonar as tradicionais metodologias memorístico-repetitivas. O que nos conduzirá ao objectivo primordial – estimular valores, desenvolver atitudes. O recurso a estratégias motivadoras capazes de desenvolver educação, é por conseguinte, imprescindível. A animação educativa, uma das vertentes da animação sociocultural pode a nosso ver ser uma dessas estratégias, já que nela estão ligados dois aspectos da educação, um que diz respeito à formação profissional e outro dirigido à formação geral do indivíduo. Assim sendo, e porque a animação educativa se centra no indivíduo, no que ele quer, no que ele é e no que quer ser, força que lhe advém do facto de “encontra em si mesma a sua própria motivação” (Ventosa, 1995: 25), pode muito bem contribuir para a formação de uma auto-estima forte. 40 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica E como refere Martínez, (2001:95) (…) quanto mais positiva é a nossa auto-estima mais preparados estamos para enfrentar as adversidades e resistir às frustrações, mais possibilidades temos de ser criativos no nosso trabalho e de encontrar mais oportunidades de estabelecer relações enriquecedoras, mais dispostos nos sentimentos para tratar os outros com respeito e mais satisfação encontramos pelo simples facto de vivermos. Esta possibilidade aliada ao facto da animação educativa poder ser uma estratégia adequada a uma transformação de atitudes, nomeadamente ao nível do desenvolvimento crítico, responsabilidade, consciencialização, sensibilização, motivação e estimulação leva a que “se entenda como uma estratégia de intervenção para desenvolver educação (Cunha, 2008a: 98), conduzindo a uma educação global, que visa essencialmente os aspectos de personalidade humana, na escola ou fora dela. São estas possibilidades da animação educativa que podem ajudar a que as crianças individualmente ou em grupo, mudem as suas atitudes e mentalidades. Desperta nelas a criatividade, privilegiar a sua aproximação dos outros, a sua ligação à escola e à comunidade em que estão inseridas. O facto de o educador optar por esta estratégia dinâmica, tem como objectivo principal, levar a que o educando manifeste todas as suas capacidades criativas, mas sempre de acordo com as suas próprias motivações, ou seja que vá ao encontro dos seus desejos, capacidades e habilidades. Utilizando a animação educativa como estratégia de educação, o educador deixa de ser encarado como aquele que apenas transmite conhecimento e passa a ser visto como aquele que ajuda o educando a formar-se como pessoa e como individuo possibilitando dessa forma que se desenhe “um novo rosto do profissional de educação” (Cunha, 2008a: 100) e o 41 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica educando se implique de livre vontade na participação e com isso vá adoptando atitudes e valores próprias de um bom cidadão. A animação educativa é motivadora e útil. Motivadora porque dá um imenso prazer a quem a faz por vontade própria, e útil porque desenvolve a educação em cada indivíduo que a efectua. Assim sendo, através de um processo que articule teoria e prática, podem pensar-se outros caminhos e novas soluções para a educação das crianças, futuros cidadãos. 2. A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO INSTITUIÇÃO/FAMÍLIA PARA A FORMAÇÃO DA CRIANÇA Aos pais compete a responsabilidade da educação das crianças, contudo na sociedade contemporânea esse papel da família tem vindo a degradar-se, o que aliás já começou a verificar-se no final do século passado e tem levado a mudanças profundas das estruturas e dinâmicas de funcionamento, quer da escola, quer das relações entre educadores/professores e educandos, quer mesmo dos educadores/professores com a comunidade educativa e com os próprios pais dos educandos. Compete à escola actual, de certa forma, o preenchimento do vazio deixado pela família. Segundo Cunha (2008a:58), (…) esta demissão da transmissão de saberes, que são referencia e valores a seguir, não é devida unicamente à falta de tempo ou à rápida mudança da posição social da mulher – que passou, tal como o homem, a trabalhar fora de casa – a essas, outras razoes se juntam, como a falta de vontade, o bem-estar e o conforto . 42 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Contudo, o discurso entre escola e família têm-se vindo a abrir aos poucos. A relação entre instituição e família implica levar os pais/encarregados de educação a terem uma participação activa nas decisões da instituição de ensino; a participarem e terem conhecimento das actividades a levar a cabo. Este ambiente positivo depende das duas partes. Os pais/encarregados tem direito de conhecer, escolher e contribuir para a resposta educativa que desejam para os seus filhos, porém têm que mostrar interesse em participar na vida da instituição e, a instituição, por sua vez, tem que mostrar interesse por essa participação dos pais/encarregados, uma presença muito enriquecedora quando se lida com crianças pequenas. Sendo assim, na opinião de Cunha, (2008a:60) (…) torna-se, por conseguinte, necessário, que a escola privilegie a colaboração entre pais e educadores/professores para que, tanto nela, como em casa, o educando faça a aprendizagem da sua socialização, a descoberta dos valores humanos e os pais possam partilhar na e com a escola os seus saberes. Esta articulação entre estes dois sistemas, a família e a escola será um progresso seguro na educação da criança, já que ajuda os educadores a compreenderem cada criança de uma forma adequada, uma vez que lhes permite recolherem um conhecimento sobre o seu ambiente familiar, daí que seja muito importante haver esta relação entre estes dois co-educadores da mesma criança, para que dessa troca resultem informações relativamente a cada criança, sobre o seu progresso e trabalhos que realiza. Assim “escola e família, parceiros na educação das crianças, devem dar as mãos” (Cunha, 2008a:61) pois é óbvia a importância que decorre da relação que os pais/encarregados de educação possam estabelecer com a instituição e com os professores/educadores, o que de certa forma acaba por ter influência na forma como as crianças vêem a escola. 43 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica A inclusão dos pais na vida da escola traz vários benefícios, quer para estes quer para a própria instituição. Um dos grandes benefícios para os pais/encarregados de educação é o facto de ficarem a conhecer mais profundamente os seus próprios filhos, tomando conhecimento dos seus gostos, dos seus saberes e igualmente das suas limitações. O grande benefício para a instituição é que os educadores/professores ao conhecerem o ambiente familiar de cada criança irá ser muito mais específico nas actividades de cada criança. Os pais têm o direito de colaborar com a escola no processo de ensino/aprendizagem dos seus educandos. Os educadores/professores têm o dever de cativar os pais para a escola, e alertá-los para a importância da sua colaboração na escola para o desenvolvimento da criança. Para a escola, a participação dos pais na discussão e análise dos problemas das crianças e na busca das suas soluções é extremamente importante para a realização de uma educação serena e completa. Cabelhe portanto motivar os pais para ela, uma vez que a eles compete dirigir a educação dos filhos, acompanhar a sua vida escolar e cooperar com os educadores/professores no desempenho da sua missão pedagógica. 3. O PAPEL DO EDUCADOR/ PROFESSOR Tendo em vista o desenvolvimento da criança a vários níveis, à escola, nomeadamente ao educador/professor, compete criar um ambiente de bem-estar para todos, pois só dessa forma pode transformar-se num lugar onde são transmitidos valores positivos como a generosidade, a solidariedade, o respeito e outros. 44 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Um lugar onde no dizer de Cunha (2008a:65), (…) se possa escutar, dialogar, ter confiança em nós e nos outros, no qual todos tenham lugar como pessoas iguais e diferentes, e onde os profissionais de educação, em vez de se preocuparem unicamente em cumprir os programas, concedam a todos os educandos a oportunidade de viverem experiencias educativas que lhes proporcionem aprendizagens educativas. Relativamente ao papel que ao educador/professor compete, Soares afirma que “não é só o de transmissão de conhecimentos – é também e sobretudo o de despertar a criatividade, a capacidade críticas, o de ser o intermediário entre o aluno-pessoa,, indivíduo – e a realidade que o cerca global e colectivamente”. Ter em consideração os conteúdos afectivos, tal como têm os cognitivos, devem ser os objectivos do educador/professor e como diz Agústi (1993: 85) “tarefa de todos os agentes educativos, ou pelo menos de todos aqueles que verdadeiramente interessados em educar para formar pessoas mais capazes, mais autónomas e mais felizes”, dado que é neste intercâmbio de saberes e afectos que o processo de formação se desenvolve e consolida. Facilmente se compreende portanto, o esforço dos educadores/professores na promoção dos mais diversos meios para criar ambientes e situações favorecedoras da aprendizagem, da inter-relação, da autonomia e que em simultâneo, possibilitem a curiosidade e o interesse dos alunos. É que ensinar não é fácil e o educador/professor no entender de Cabral (2001: 243), (…) tem de ser um bom animador, motivando os seus alunos para conteúdos e actividades que os interessam, a fim de neles se empenharem. Aquilo que de alguma forma nos interessa pode transformar-se em fonte de prazer e a aprendizagem lúdica aparece naturalmente. 45 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Educar no contexto actual, é assim uma tarefa exigente e de enorme responsabilidade que requer no dizer de Cunha (2008b) equilíbrio e coerência entre orientação formativa, procedimentos pedagógicos adoptados e expectativas dos implicados no processo. Na óptica de Benavente (1993: 13), (…) mudar as práticas, para além de simples recomposições superficiais, supõe a transformação dos quadros de referência que as fundamentam e lhe dão sentido. Daí ser esta uma realidade muito difícil de mudar, de planificar e de programar do exterior, sem envolvimento dos protagonistas, sem a sua vontade de mudar. É para além de tudo o que foi dito, uma prática que tem por finalidade o crescimento e o desenvolvimento tem de ser uma prática que integra todas as esferas do ser. 46 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica CAPÍTULO III Fundamentação Metodológica 47 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1. METODOLOGIA ADOPTADA É através da especificação dos caminhos a serem adoptados que se torna possível delimitar a criatividade e definir o “como”, “onde” “com quem”, “quando” e “de que modo” se pretende captar a realidade e os seus fenómenos. A metodologia é assim um instrumento do pesquisador. No caso presente o tipo de pesquisa, seleccionado, foi de âmbito quantitativo, dado termos recorrido à investigação acção do educador, já que a análise das acções humanas e das situações sociais vividas pelos educadores, são características deste modelo de investigação, que lhe possibilita descrevê-las e explicá-las numa linguagem com sentido idêntico ao que é usado para explicar as acções humanas e sociais na vida do dia-a-dia, ou seja, numa linguagem idêntica à que os participantes utilizam, facto que se deve segundo Cunha (2009: 83) “à existência do diálogo livre entre investigador e participantes, que este modelo de investigação inclui”. A realidade foi captada através do recurso a instrumentos de recolha de dados como a observação directa, a observação participante, diversas conversas com educadora, com a auxiliar, com as crianças e com os pais e ainda a análise de diversos documentos. O modelo pedagógico de trabalho seguido foi o Movimento da Escola Moderna, aliás já adoptado pela educadora cooperante. Para um melhor entendimento deste modelo pedagógico é importante procedermos à definição da palavra currículo, que na óptica de Ribeiro significa “um modo de identificar os elementos curriculares básicos e de estabelecer as relações que entre eles se afirmam, indicando os princípios e formas que estruturam tais elementos num todo curricular e postulando condições de realização prática” (1990:79). E para Zabalza é “um conjunto de supostos de partida, das metas globais que se deseja alcançar e dos passos possíveis para os alcançar (…) e as razões ou considerações que 48 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica justifiquem as opções assumidas” (2004:35). Porém, falar de currículo na educação de infância implica centrarmos a nossa atenção na criança e tomarmos como objectivo, não apenas a sua educação mas também a sua autonomia pessoal. Com esta finalidade, a de melhorar a experiência educativa das crianças, vários programas para a Educação PréEscolar têm surgido nas últimas décadas, vontade de mudança que se reflecte na criação de currículos adequados às necessidades das crianças, que as conduzam a um maior sucesso a nível da escolaridade formal. Podemos então, afirmar que o modelo curricular é uma proposta articulada de objectivos e conteúdos, de estratégias de ensino e de avaliação, que tem em conta as concepções de cultura, de educação e de pessoa. A qualidade é um importante factor na adopção do modelo pedagógico, daí que o Educador deva escolher um modelo capaz de funcionar como instrumento de trabalho que tem em conta a teoria e a prática. O Movimento da Escola Moderna (MEM) é um modelo pedagógico que estabelece uma prática pedagógica que visa a democracia da gestão das actividades, dos materiais, do tempo e do espaço e pretende, através da acção dos educadores que dele fazem parte, proporcionar uma vivência democrática e um desenvolvimento pessoal e social das crianças, garantindo a sua participação na gestão da vida da sala e da escola. Esta gestão é apoiada por instrumentos de pilotagem, registo e avaliação, tais como: mapa de presenças, mapa de actividades, mapa de tarefas, comunicações, plano semanal, lista de projectos e o jornal de parede. No jornal de parede escrevem-se as ocorrências negativas e positivas do grupo e as noticias que cada um tem para contar. No final da semana o jornal é lido, conversado e reflectido em grupo e a partir daqui constroem-se, por exemplo, as regras de convivência. No dia-a-dia da sala, há momentos de reunião de adultos e crianças à volta 49 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica da mesa, local onde se planeia o trabalho a ser realizado, se partilham saberes, se avaliam trabalhos, tarefas e atitudes e se comunicam descobertas e aprendizagens. O espaço é organizado por áreas de trabalho de modo a permitir que as crianças realizem actividades previamente escolhidas e por uma área polivalente para trabalho colectivo. A escolha e realização das actividades pressupõem um compromisso e uma responsabilização por parte delas. Os materiais são colocados estrategicamente para que as crianças tenham fácil acesso e para que possam trabalhar sozinhas, sem a ajuda de um adulto, criando assim a sua própria autonomia e independência. Todo o espaço da sala é enriquecedor com as produções das crianças que retratam e dão sentido à vida do grupo, apoiam as aprendizagens, sugerem e provocam projectos. Um dos pontos importantes deste modelo pedagógico é que é uma aprendizagem curricular feita essencialmente através de Projectos. Estes projectos podem ser de produção: “queremos fazer”, de pesquisa: “queremos saber” ou de intervenção:”queremos mudar”. O ponto de partida de um projecto deverá ser os interesses das crianças e as interrogações por elas levantadas. Deste modo pretende-se que as aprendizagens conseguidas sejam significativas e pertinentes. Estas aprendizagens realizam-se duas a duas ou em pequenos grupos. Assim, as crianças adquirem hábitos de questionamento e intervenção de uma forma activa, problematizando a realidade: “porque não podemos gastar muita electricidade?”, “como é que a luz chega às nossas casas?”Durante o desenvolvimento de todo um projecto, são feitas pesquisas, como, consulta de livros, execução das actividades, conversa e reflexão entre os membros do grupo de trabalho. A família tem também um papel muito importante na recolha de informação para estes projectos, para além de a ajudar a tornar-se parte integrante da vida escolar das crianças. 50 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Um dos princípios estratégicos da intervenção educativa do MEM é a partilha de saberes e de produções culturais das crianças através de “Comunicações” como uma validação social do trabalho de produção e de aprendizagem. Isto quer dizer que sempre que um projecto termina existe um momento de comunicação ao grande grupo, e de seguida, um momento de reflexão de grande grupo sobre “o que é que nós aprendemos com este projecto?”As comunicações permitem que a criança organize mentalmente as suas aprendizagens, de forma a preparar o seu discurso oral para comunicar. Freinet foi o impulsionador deste movimento cuja vontade era “desenvolver uma escola popular e centrada na criança”. Segundo Niza os princípios deste modelo pedagógico são os seguintes: Os meios pedagógicos veiculam, em si, os fins democráticos da educação, na medida em que, a Educadora permitia a escolha dos materiais, dos processos e das formas de organização, que melhor se adequava às crianças; A actividade escolar, enquanto contrato social e educativo; A prática democrática da organização partilhada por todos, em consequência da cooperação; Os processos de trabalho escolar reproduzem os processos sociais autênticos da construção da cultura nas ciências, nas artes e no quotidiano; A informação partilha-se através de circuitos sistemáticos de comunicação dos saberes e das produções culturais dos alunos; As práticas escolares darão sentido social imediato às aprendizagens dos alunos, através da partilha dos saberes e das formas de interacção com a comunidade; Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula “actores” comunitários como fonte de conhecimento nos seus projectos (1996:143-144) 51 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Relativamente aos espaços educativos o Movimento da Escola Moderna promove os seguintes: Um espaço para a biblioteca e documentação Uma oficina de escrita e reprodução Um espaço de laboratório de ciências e Um espaço de carpintaria e construções Um outro espaço para artes plásticas Um canto dos brinquedo onde incluí actividades faz-deconta e jogos tradicionais de sala Uma área polivalente Este modelo defende também que as paredes da sala de aula devem servir como expositores para as produções das crianças, o que de certa forma vai ao encontro da opinião de Niza quando afirma que “o ambiente geral da sala deve resultar agradável e altamente estimulante” (1996: 148). Também os mapas de registo, que ajudam na planificação, gestão e avaliação da actividade educativa devem ser afixados, para além do plano de actividades, da lista semanal da sala, do mapa de presenças e do diário de grupo a que se dava o nome de jornal de grupo. Outros instrumentos deste modelo pedagógico são os projectos que segundo Niza, se caracterizam “por uma cadeia de actividades que se têm de “desempenhar” mentalmente. Trata-se de uma acção planeada mentalmente para responder a uma pergunta que fizemos” (1996:148). A educadora cooperante utiliza muito o trabalho de projecto, por ser um instrumento completo, na medida em que, aborda as três áreas de conteúdo: a de formação pessoal e social, a de conhecimento do mundo e a de expressão 52 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica e comunicação e o que faz com que trabalhar com as crianças trabalho de projecto, as ajuda a desenvolver todos os níveis de aprendizagem. O trabalho de projecto deve passar segundo Niza, pelo seguinte processo: Identificação de um problema ou aspiração: Formulação de projectos; Levantamento do que temos e sabemos sobre o tema e do que queremos saber; Quem faz o quê, quando, como e onde; Desenvolvimento de estudo, pesquisa ou resolução de problemas (em grupos, pares ou individualmente); Partilha com toda a turma o trabalho realizado; Perguntas e opiniões da turma (1996:149). Em suma, o trabalho de projecto é uma estratégia que implica um método de acção participado, solidário e tem objectivos realizáveis e estabelecidos de comum acordo. É através do trabalho de projecto que se procura encontrar respostas para determinadas questões ou dúvidas de vária ordem, cognitivos, sociais, efectivos, institucionais, que possam surgir. No jardim-de-infância, o trabalho de projecto caracteriza-se por ser um trabalho feito em conjunto para despertar principalmente o interesse das crianças e as ajuda a perceber que não são todas iguais e que todas têm diferentes ritmos de aprendizagem. Ajuda a que aprendam a respeitar os outros, a estruturarem-se mentalmente e a agirem de forma a demonstrarem as suas capacidades e a terem um papel activo na aprendizagem. Assim são elas, as crianças que na maior parte das vezes sugerem um projecto, ou porque têm dúvidas sobre algo, ou curiosidade e a partir daí, surge o 53 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica trabalho de campo, a que se seguem actividades que tenham a ver com o tema e que muitas das vezes são também sugeridas pelas próprias crianças. A actividade de projecto pode durar semanas ou até mesmo meses, dependendo não só da idade das crianças como também do tema em si e do desenvolvimento que este tem. Nela o papel do educador é bastante importante, na medida em que lhe compete auxiliar e ajudar as crianças na orientação do trabalho, na ajuda da pesquisa e no seu desenvolvimento e por inerência no desenvolvimento do trabalho, na sua divulgação e no incentivo ao espírito de equipa, um dos aspectos não menos importantes, uma vez que as crianças trabalham em grupo com uma finalidade comum. 2. QUESTÃO INICIAL Segundo Cunha, “a definição do problema constitui a primeira fase na elaboração de um projecto ou concretização de uma investigação” (2009:43). Assim, a melhor forma de se começar um projecto, para podermos construir uma estrutura organizada é formular uma questão inicial ou questão problema, para que todo o desenvolvimento do projecto circule em torno dessa questão. Serve esta questão inicial de fio condutor, para que o investigador não se perca com determinados caminhos que só servirão para confundir o desenvolvimento da investigação. A questão deve ser objectiva, clara e verdadeira, isto é, “deve deixar transparecer que o problema que traduz é um problema significativo” (Cunha, 2009: 44). Assim a questão que se nos colocou inicialmente e para a qual procurámos respostas através da realização deste trabalho foi a seguinte: “na sala de aula a animação auxilia o Educador a trabalhar o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças?”. . 54 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 3. HIPÓTESE Segundo Cunha, “é a partir do problema que se estabelecem as hipóteses, respostas possíveis e provisórias a um problema” (2009: 47). A hipótese é o primeiro ponto de chegada de um percurso de pesquisa e é, igualmente a solução mais plausível de um problema. As hipóteses são as respostas mais prováveis para a questão de partida, é também um teste que pode vir a ser a solução do problema e o ponto de partida do segundo movimento da investigação, pois indica ao investigador o caminho a tomar para encontrar a resolução do problema. As hipóteses funcionam como palpites que o investigador possui sobre a questão inicial e uma hipótese bem definida ajuda a encontrar as respostas que se procuram. Após ter inventariado o problema e descrito os seus contornos é necessário que o investigador defina as hipóteses, respostas possíveis e prováveis, embora provisórias ao problema que motivou a investigação. Para Cunha (2009: 47), A hipótese é o ponto de chegada do primeiro movimento de um percurso de pesquisa e é a explicação ou solução mais plausível de um problema. As hipóteses são as respostas prováveis à pergunta de partida de qualquer investigação, na medida em que indica a direcção a seguir para se conseguir, orientar objectivamente a investigação através de formulações provisórias e, mais tarde, sujeitas a processos de confirmação ou infirmação, numa vertente representacional de manipulação da realidade. 55 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Como resposta provável à questão que inicialmente se nos colocou formulámos a seguinte hipótese: Hipótese “A Animação é uma estratégia dinâmica que ajuda o educador a levar por diante a missão de educar”. As hipóteses são básicas e na óptica de Cunha estabelecem “a ponte entre a teoria e a observação/realidade, orientando toda a investigação subsequente.” (2009:49). Já Quivy e Campenhoudt são de opinião que “um trabalho não pode ser considerado uma verdadeira investigação, se não se estruturar em torno de uma ou várias hipóteses” (1998: 119). Uma hipótese bem definida ajuda a encontrar as respostas que se procuram para o problema. 4. OS OBJECTIVOS DE INTERVENÇÃO Definido o problema, é importante definir os objectivos para que se possa responder ao que se pretende saber sobre o tema escolhido. É nestes objectivos que se esclarece o que se pretende saber, o porquê do desenvolvimento da pesquisa e mesmo os resultados que se procuram atingir. A natureza dos objectivos, para Cunha, “varia em função da natureza da pesquisa e a sua função é orientar a selecção e organização dos procedimentos (…)” (2009: 44). Como os projectos curriculares de turma, por nós desenvolvidos durante Estagio I e II tinham a ver com a higiene oral e os animais, eram nossos objectivos: 56 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Objectivos gerais: • Sensibilizar as crianças para a protecção do mundo social e físico. • Enraizar nas rotinas diárias das crianças a higiene pessoal quer na escola quer em casa. Objectivos específicos: • Permitir às crianças explorarem as possibilidades e limitações do seu corpo. • Incutir nas crianças determinadas regras • Levar as crianças a alcançarem maior independência e responsabilidade • Possibilitar a interiorização de valores morais e cívicos • Desenvolver a expressão e a comunicação • Desenvolver a curiosidade pelo mundo que rodeia a criança • Sensibilizar a criança para a compreensão do mundo • Desenvolver na criança o gosto e o respeito pela natureza e pelos animais • Desenvolver na criança a capacidade de observação e o desejo de experimentar • Desenvolver a sua capacidade de memorização 5. OS RECURSOS MOBILIZADOS Os recursos mobilizados ou utilizados não forma muitos. As actividades foram todas elaboradas com material acertado entre as estagiárias e a educadora. No decurso do projecto “Higiene oral” algum do material utilizado nas actividades foi cedido pelo CREA, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A maior parte do material 57 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica como placards; livros de consulta e outros, foi desenvolvido por nós ou cedido pela educadora. Algum material foi adquirido. 6. AS LIMITAÇÕES DO PROCESSO A maior dificuldade com que nos deparámos foi sem dúvida o pouco tempo para desenvolvermos os dois projectos. Como é do conhecimento público durante um semestre, existe uma série de datas importantes, como o Natal; o Carnaval; o Dia da Mãe, para serem trabalhadas com as crianças e isso absorveu várias horas de trabalho no nosso projecto. Assim, tínhamos de contactar directamente com as duas realidades, o que dificultou algumas actividades que por vezes tiveram de ficar por realizar. Mas com perseverança e boa vontade conseguimos levar a tarefa a bom porto. . 58 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica CAPÍTULO IV A organização das Actividades Educativas 59 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1. ÁREAS DE CONTEÚDO PRIVILEGIADAS, FUNDAMENTAÇÃO E FINALIDADES Segundo o Ministério da Educação “área é um termo habitual na educação préescolar para designar formas de pensar e organizar a intervenção do educador e as experiencias proporcionadas às crianças” (1997: 47). De alguma forma, todas as áreas de conteúdo estão directa ou indirectamente ligadas às actividades elaboradas num jardim-de-infância. As áreas de conteúdo têm como referencia as áreas de desenvolvimento da psicologia: sócio - afectiva, motora, cognitiva. Estas áreas contribuem para o desenvolvimento global da criança., devendo por isso ser consideradas como referências a ter em conta no planeamento e avaliação de experiências e possibilidades educativas e não como compartimentos a serem abordados isoladamente. Existem três áreas de conteúdo: Área de Formação Pessoal e Social; Área de Expressão e Comunicação; Área do conhecimento do mundo. A área de Formação Pessoal e Social deve ir ao encontro da aquisição de um espírito crítico e da interiorização de valores espirituais, estéticos, morais e cívicos. Permite à criança a tomada de consciência para os problemas da vida e do modo como devem ser resolvidos, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como um ser autónomo e solidário. Os valores são desenvolvidos na convivência conjunta com o outro e é nesta interacção com os outros que cada criança aprende a atribuir valor a comportamentos e atitudes suas e dos outros. Nesta área de conteúdo as crianças são 60 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica motivadas para assumirem determinadas atitudes e tomarem consciência de determinadas situações importantes no seu futuro como cidadãos. Assim procura-se que interiorizem através das actividades que desenvolvem, determinados valores democráticos: como a justiça; a responsabilização; a cooperação, o próprio desenvolvimento da identidade pelo reconhecimento das características individuais e pela compreensão das capacidades e limitações próprias de cada um; a educação multicultural; a educação estética e a educação para a cidadania A área de Expressão e Comunicação engloba as aprendizagens relacionadas com o desenvolvimento psicomotor e simbólico. Nesta área são distinguidos vários domínios: o domínio da expressão motora, dramática, plástica e musical; o domínio da linguagem oral e abordagem à escrita e o domínio da matemática. Nesta idade as crianças ainda não conseguem separar o mundo imaginário do mundo real, razão porque na educação pré-escolar se lhes proporcionam situações que as forçam a distinguir estes dois mundos. Esta área é vista como uma área elementar, pois incide sobre aspectos essenciais do desenvolvimento e da aprendizagem e engloba instrumentos fundamentais para a criança continuar a aprender ao longo da vida. Por último, a área de Conhecimento do Mundo já que é típico das crianças que frequentam o pré-escolar, terem uma grande curiosidade natural e o desejo de aprenderem e conhecerem.. A área do conhecimento do mundo, para ME, “enraíza-se na curiosidade natural da criança e no seu desejo de saber e compreender porquê” (1997: 77). Esta área acaba por ser como que uma sensibilização às ciências e pode estar mais ou menos relacionada com o meio envolvente de cada criança. Nela são abordados assuntos relacionados com a história; a sociologia; a geografia; a física; a biologia, etc. O conhecimento do mundo serve para enriquecer os vários domínios da expressão e comunicação, tais como a plástica, a linguagem e a matemática. Esta área permite ainda 61 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica um profundo desenvolvimento da relação da criança com os outros, dos cuidados consigo própria; de respeito e sensibilização para com o ambiente e a cultura. Nesta área são também muito importantes “os aspectos que se relacionam com os processos de aprender: a capacidade de observar, o desejo de experimentar, a curiosidade de saber, a atitude crítica” (Ministério da Educação, 1997: 85). Durante o tempo em que estagiámos no Jardim-de-infância de Parada de Cunhos, a Educadora cooperante, tentou de alguma forma abordar sempre todas as áreas de conteúdo e os seus domínios, quer para o bem das crianças, mas também para nos preparar, de certa forma, para a nossa futura vida profissional. Visto a instituição fazer parte do projecto Eco escola, a área de conteúdo mais tocada foi a área do Conhecimento do Mundo. Todas as actividades estavam, de certa forma, ligadas directamente com o objectivo principal desse mesmo projecto, “Preservação do ambiente”, sendo assim, as várias actividades tentavam, constantemente, integrar este idealismo de cuidar do nosso planeta. O trabalho que desenvolvemos com as crianças, não permitia as respostas directas às questões que nos eram colocadas, mas chegarem a elas através da pesquisa de todos, numa partilha de saberes e onde se envolviam as famílias e todas as áreas de conteúdo, já que o trabalho de projecto implica definir o problema ou objecto de estudo, inventariar os préconceitos das crianças sobre o assunto, escolher as fontes onde investigar, pedir a colaboração das famílias, definir tarefas de pesquisa, de registo através de variadas formas, aprofundar a informação, dialogar em pequeno grupo e em grande grupo e no final a avaliação e a comunicação de todo o processo, como forma de reconhecimento do que foi apreendido pelo grupo. 62 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2.ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO TEMPO DAS ACTIVIDADES Actividades de Rotina As actividades de rotina são aquelas que são realizadas todos os dias e se praticam mais ou menos às mesmas horas para assim, ajudar as crianças a criarem referências temporais e autonomia (uma vez que podem controlar o seu tempo sozinhas). Segundo Spodek e Saracho, “uma rotina diária determina horários para as actividades de cada dia. As crianças aprendem a antecipar eventos futuros através da regularidade das ocorrências diárias” (1998:136). Sendo assim, as crianças entendem como se desenrola o dia-a-dia de forma a compreenderem o tempo como algo que é importante gerir. Assim, o funcionamento de cada dia tem um determinado ritmo gerido e planeado pela Educadora, daí a importância de uma rotina educativa. Esta rotina vai ser consequentemente conhecida pelas crianças que vão saber o que fazer em cada momento. Apesar de ser algo planeado a Educadora as crianças têm a liberdade de a poder modificar segundo os seus interesses próprios. Deste modo, os dias tornam-se diferentes e o quotidiano pode alterar-se mas sempre com um determinado ritmo e tempo de trabalho. As rotinas actuam como as estruturas organizadoras das experiências quotidianas reduzindo assim a incerteza do futuro. Apesar de muitas vezes poder ser mudado pelas próprias crianças o quotidiano é algo previsível tendo importantes efeitos na criança, na sua autonomia e segurança. Apesar de servirem como um apoio aos acontecimentos do dia-a-dia as actividades de rotina não devem ser por outro lado, uma obrigatoriedade maçadora, ou seja, tudo isto não deve ser sinónimo de rigidez. Tendo como ponto de partida a rotina, as crianças podem realizar muitas e variadas experiências com maior segurança e menos ansiedade, pois, o fluir das tarefas faz com que se sintam mais seguras e menos 63 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica dependentes do adulto. A rotina dá então oportunidade às crianças de melhor se orientarem e se desprenderem do adulto ganhando desta forma autonomia e seguranças, como referido anteriormente. Para que a criança interiorize a rotina é necessário que o Educador mantenha sempre a mesma sequência de tempos e se refira a eles antes de serem introduzidos. Por outro lado, sempre que, por algum motivo, haja alterações da rotina o Educador deve ter o cuidado de explicar o porquê disso ter acontecido. O Modelo Curricular do Movimento da Escola Moderna (MEM) é o utilizado pela Educadora Cooperante com as adaptações ao seu grupo e forma de estar na profissão. No MEM, a organização do dia passa por vários momentos distintos que são segundo Sérgio Niza (1996:151). 1. Acolhimento 2. Planificação em conselho 3. Actividades e projectos 4. Pausa 5. Comunicações (de aprendizagens feitas) 6. Almoço 7. Actividades de recreio (...) 8. Actividade cultural colectiva 9. Balanço e conselho 64 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica No Jardim-de-infância onde estagiámos existiam algumas actividades de rotina que ajudavam a fazer uma melhor organização do dia. Essas actividades eram: O preenchimento do quadro de presenças; No inicio da semana (segunda-feira) o preenchimento do quadro de tarefas; A planificação semanal e diária com o grupo de crianças; A comunicação, individual, ao grupo dos trabalhos desenvolvidos; O preenchimento do diário de grupo; Avaliação do dia No final da semana (sexta-feira), procedia-se com o grupo de crianças, à avaliação das tarefas desenvolvidas por cada uma delas durante a semana, era uma autoavaliação e hetero-avaliação. Durante esta reunião também se fazia um plano relativo ao que se iria desenvolver na semana seguinte, o que significa que nenhuma actividade é desenvolvida sem o conhecimento e opinião do grupo de crianças. 65 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Actividades Orientadas As actividades orientadas são propostas pela Educadora e planeadas antecipadamente. Podem ser planificadas em grande grupo ou em pequeno grupo conforme as necessidades do grupo em si. Se as crianças necessitarem de bastante acompanhamento, estas actividades devem ser feitas em pequenos grupos Segundo Barbosa as actividades orientadas são em geral (2001:69), (…) organizadas pelo adulto e propostas para todo o grupo. Estas ocasiões são importantes para se trabalhar a atenção, a concentração e a capacidade das crianças de atenderem propostas feitas colectivamente. Estas actividades podem se realizar tanto nos espaços internos como externos das escolas. As actividades orientadas tanto podem ser breves, algumas horas, como terem uma longa duração ao ponto de serem iniciadas de manhã e terminarem somente à tarde ou podendo prolongar-se pelos dias seguintes. Sempre que possível estas actividades deverão estar relacionadas com os projectos que estejam a ser desenvolvidos no Jardim. O tempo das actividades orientadas deve ser partilhado com bastante proximidade de modo a possibilitar o diálogo e a interacção de ambas as partes de modo a partilharem experiências agradáveis que resultem em desenvolvimento. Enquanto Estagiária todos os dias/semanas propúnhamos às crianças actividades diferentes e era a partir destas actividades que as crianças davam ideias para outras. Todo o tipo de actividades foram realizadas ao longo do ano com este grupo, desde as 66 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica canções, jogos, actividades de plástica, matemática, linguagem oral e abordagem à escrita, entre outras que contribuíram para um desenvolvimento global das crianças nos vários domínios. As actividades desenvolvidas, na sua maioria, iam ao encontro dos projectos que desenvolvemos em cada semestre. No 1ºsemestre desenvolvemos o projecto da” Higiene Oral” e no 2º semestre “Os animais”. Actividades Livres Estas são no geral as actividades realizadas em cada cantinho. Aqui as crianças podem escolher livremente aquilo que querem fazer. Podem assim libertar a sua criatividade e originalidade ao inventarem jogos ou desenvolver a sua capacidade de iniciativa, quando escolhem a actividade e materiais que vão utilizar. Este tipo de actividades permite, segundo Barbosa, “que as crianças escolham o que desejam fazer, desde que o ambiente em termos de materiais e espaços o permita” (2001:68) É através das actividades livres que as crianças experimentam, criam e produzem com toda a sua liberdade de imaginação, muito embora devem ser sempre apoiadas pelo Educador de maneira discreta para que não seja interrompida a sua espontaneidade. Cada local (cantinho) em que se realizam estas actividades, deve estar devidamente organizado tanto no que respeita ao espaço como aos materiais que dele fazem parte. A diversidade destes é importante para que consequentemente seja proporcionado também uma diversidade de actividades. O que se torna realmente necessário é que a criança nas actividades livres brinque, se socialize respeitando as regras da sala e os outros e termine as actividades que começa. Deste modo, a criança tem tempo para crescer e ganhar maturidade. 67 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 3. ACTIVIDADE EDUCATIVA Antes de iniciarmos o estágio e até mesmo a observação, a educadora cooperante fez uma reunião connosco para podermos perceber o funcionamento do jardim-deinfância e de toda a instituição. 3.1. PERÍODO DE OBSERVAÇÃO Com a finalidade de nos integrarmos o mais rapidamente possível no grupo de crianças e perceber o seu funcionamento começámos por participar das actividades de rotina como, ajudar as crianças no período do lanche, nas idas à casa de banho, a vestirem-se e a marcarem as presenças, para além de outras. Eram pequenas tarefas que fizeram com as crianças se fossem apercebendo na nossa presença entre elas e assim se fossem ambientando. Foi-nos proposto pela educadora incidir especialmente na área de conteúdo do Conhecimento do Mundo, visto que o jardim-de-infância fazia parte do projecto EcoEscolas, mas posteriormente propôs-nos que trabalhássemos um pouco de tudo, com especial atenção para algumas áreas e não esquecendo também todas a datas importantes pelas quais iríamos passar, “Natal”; “Dia de Reis”; “Carnaval”; “Início da Primavera”; “Dia do Pai”; “Páscoa”; “Dia da Mãe”; “Dia Mundial da Criança”. 3.2. PERÍODO DE RESPONSABILIZAÇÃO Após algum tempo de observação, começámos com a responsabilização, isto é o grupo ficava inteiramente à minha responsabilidade. As semanas eram alternadas visto sermos duas estagiárias e para essa semana procedíamos à respectiva planificação, 68 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica previsões diárias e avaliações das planificações. O projecto que desenvolvemos durante o 1º semestre surgiu a partir de uma questão de uma criança relacionada com a alimentação e com a higiene oral, visto que estavam a trabalhar na alimentação, decidimos dar início ao projecto “A higiene oral”. Assim, os dias começavam por uma reunião de grande grupo, onde as crianças contavam as suas notícias, fazia-se a planificação do dia e decidíamos o que se ia fazer em seguida. Aqui era trabalhada a área de formação pessoal e social e a de conhecimento do mundo, surgiam muitas conversas e por isso podiam ensinar-se e darse a conhecer muitas coisas que nos rodeiam. De seguida as crianças iam “trabalhar/brincar as várias áreas”, aqui eram acabados trabalhos, eram cumpridas tarefas e, conforme acabavam as suas actividades iam brincar um pouco para os vários cantinhos. Antes de irem lanchar, cinco crianças (eleitas na reunião da manhã) faziam a comunicação dos trabalhos ao resto do grupo, depois iam lanchar, seguindo-se o período do recreio. A seguir, tinha lugar a actividade orientada, ou seja, uma actividade planificada por nós, estas actividades eram, geralmente, realizadas em pequeno grupo. Após o desenvolvimento da actividade, reuníamos para cantar/ouvir canções enquanto esperávamos a hora para almoçar. No período da tarde, os primeiros vinte minutos eram passados na visualização de um filme, sempre à escolha das crianças. Voltavam então para as várias áreas, para poderem acabar trabalhos iniciados de manhã e mesmo brincar um pouco. Cerca das 15h30 os responsáveis começavam a distribuir o leite e entretanto chegava a hora da saída. Estas rotinas só eram alteradas quando existiam saídas, visitas ou algum tipo de acontecimento dentro do jardim-de-infância. Caso contrário, tínhamos que seguir à risca todos estes passos durante o dia. 69 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Tentámos durante o período em que decorreu o estágio atingir o máximo de objectivos de todas as áreas de conteúdo, assim, o domínio da expressão plástica esteve também sempre muito presente, uma vez que nos projectos “A higiene oral ” e “Os animais” , trabalhamos muito a pintura e o desenho. O domínio da expressão musical foi também um domínio que todos os dias foi trabalhado, pois todos os dias cantávamos canções antes da hora do almoço. Esteve também muito presente em ambos os projectos e nas datas importantes como o “Dia da Mãe” e o “Dia do Pai”, onde as crianças aprenderam músicas feitas por nós, estagiárias, para cantar ao Pai e à Mãe. O domínio da expressão motora não foi tão trabalhado, pois as condições não eram as melhores e a escola não tinha um ginásio. No entanto não foi esquecida e sempre que o tempo o permitia íamos para o recreio onde fazíamos alguns jogos relacionados com a expressão motora. O domínio da expressão dramática também não foi um domínio muito trabalhado por nós, se calhar por não se ter proporcionado, ou até por falta de criatividade da nossa parte. O domínio da expressão oral e abordagem a escrita, foi particularmente trabalhado, pois acompanhou-nos quase em todas as actividades. Quer nas histórias que contávamos, das quais as crianças faziam os registos, escrevendo o nome da história, ora nos projectos, ora quando se trabalhava o Jornal de Grupo, etc. Este domínio era trabalhado individualmente ou em grupo. 70 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 3.2.1. AS PLANIFICAÇÕES: ESTRATÉGIAS E OBJECTIVOS A planificação é um ponto de partida para bem estruturar as actividades a desenvolver, para construir as estratégias adequadas para assim se atingirem os objectivos eleitos. Todas as planificações (em apêndice nº1) tinham a seguinte estrutura: Áreas de conteúdo; objectivos gerais; objectivos específicos; actividade; estratégias e recursos humanos e materiais. Pode dizer-se, que não existe um modelo exacto para planificar, cada Educador tem o seu estilo próprio, pois o que é importante planificar para um Educador pode não ser para outro. Aliás e como também não existem grupos iguais, os interesses e necessidades de uns pode não ser os interesses e necessidades de outros. Os objectivos foram divididos em objectivos gerais e específicos, os objectivos gerais são todas as componentes que podemos atingir na criança ao realizar determinada actividade, por exemplo, quando ensinávamos uma canção nova, o objectivo geral era fazer com que a criança ganhasse gosto pela música e que desenvolvesse a sua atenção auditiva, isto são exemplos de objectivos gerais a atingir ao ensinar uma musica a um grupo de crianças, no que diz respeito aos objectivos específicos, são aqueles que a criança atinge mais facilmente, por exemplo aprender a canção nova, conseguir cantá-la em grupo e para o grupo. As estratégias eram pensadas para que todo o desenvolvimento da actividade não sofresse erros, para que as crianças sentissem segurança no processo da actividade e para ajudar o educador a seguir todos os passos correctamente. Cada planificação de uma actividade continha um conjunto de passos respeitantes ao decurso da mesma. Ou seja, descrevíamos pormenorizadamente a actividade, como iria estar organizado o espaço e o grupo de crianças. 71 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 3.3. PROJECTO CURRICULAR DE GRUPO O Projecto Curricular de grupo é uma forma particularizada de pôr um grupo de crianças a funcionar e é também um instrumento para os Educadores definirem objectivos a atingir. Como tal, é necessário conhecer o grupo para ir ao encontro das capacidades e necessidades das crianças. No dizer do (Ministério da Educação, 1998: 100) Cada criança, como sujeito do processo educativo, vai implicitamente desenvolvendo um projecto que tem como referência o seu desejo de crescer e aprender (…). Cada Educador por sua vez tem um projecto profissional próprio que se baseia nos seus valores e concepções educativas e se traduz nas estratégias e práticas que utiliza. Este projecto vai evoluindo com a experiência adquirida ao longo do percurso profissional do educador e concretiza-se, em cada ano, no plano de acção que se propõe desenvolver com um determinado grupo de crianças. Da concretização desse plano faz parte uma determinada forma de organizar o espaço e materiais da sala, de distribuir o tempo ao longo do dia e da semana, de prever oportunidades de experiências educativas para as crianças que, a partir dos materiais disponíveis, poderão realizar diversas actividades que se tornam educativas, quando são realizadas com um sentido. Sendo o currículo um processo formativo contínuo e regulador, a eficácia desse processo decorre da articulação do Projecto educativo, do Projecto Curricular de escola e do Projecto Curricular de Grupo. A importância da realização do Projecto Curricular de Grupo advém não apenas porque permite definir os objectivos de cada educador, mas também conhecer melhor o grupo com que se trabalha, bem como as suas necessidade e capacidades. Possibilita ainda a realização deste projecto que se faça uma avaliação no final do ano lectivo dos 72 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica obstáculos que se encontraram e das metas que se conseguiram ou não atingir com as crianças ou mesmo com cada uma delas. 3.3.1. O PROJECTO CURRICULAR DE TURMA DO ANO LECTIVO 2008/2009 POR NÓS ELABORADO No que diz respeito ao projecto curricular de grupo do ano lectivo 2008/2009, não foi realizado por nós, estagiárias, devido a uma decisão tomada pelos Orientadores de Estágio. Sendo assim, a educadora cooperante permitiu-nos ver e analisar o projecto curricular de grupo por ela elaborado, para que tivéssemos conhecimento de todos os planos que tinha para o grupo. Apesar disso foi-nos possível elaborar dois pequenos projectos curriculares de turma, um em cada semestre, ou seja, um desenvolvido durante o Estagio I e o outro durante o Estágio II. O primeiro projecto, denominado “a higiene oral”, foi desenvolvido no âmbito da unidade curricular de Didáctica do Estudo do Meio, em que tínhamos que elaborar um percurso de pesquisa durante o estágio. O projecto desenvolvido durante o Estágio II, denominado “os animais”, surgiu com uma questão colocada por uma das crianças. O tema foi sugerido à educadora e às crianças e, foi aceite. Foram estes os dois projectos curriculares de turma por nós desenvolvidos. Como é óbvio, tiveram algumas limitações e, como já referimos anteriormente, a falta de tempo foi uma delas. Tentámos por isso que as restantes actividades desenvolvidas fossem ao encontro destes dois projectos. Por exemplo, durante a primavera, insistimos mais energicamente sobre os animais. Assim em todas as actividades relacionadas com a primavera, tentávamos de alguma forma inserir os animais dessa época, e assim sucessivamente. 73 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 3.3.2 JUSTIFICAÇÃO DA PLANIFICAÇÃO DAS NOVAS ACTIVIDADES Planificar sob a forma de actividades é mais estimulante para a criança, uma vez que lhe permite o contacto directo com diferentes situações e ela pode beneficiar da vivência de várias experiências que contribuem para o seu desenvolvimento físico e cognitivo. Isto porque, na óptica de Nicolau (2000: 150), “a actividade possibilita que a criança seja estimulada globalmente, além de permitir que sejam considerados os interesses infantis gerais e específicos. Por isso mesmo, planejar por actividades pressupõe flexibilidade e abertura para atender aos interesses das crianças”. Antes de justificarmos a escolha das actividades orientadas para as semanas de estágio, pretendemos referir que essa escolha teve em consideração as conversas e sugestões da Educadora Cooperante, dado que ela é sem dúvida, quem melhor conhece este grupo de crianças, os seus interesses e necessidades. Para além disso, tivemos em conta o Projecto Curricular de Grupo, elaborado segundo o Projecto Curricular de Estabelecimento, as reuniões de avaliação semanais e de planeamento da semana seguinte com as crianças, uma vez que os seus interesses e necessidades eram o mais importante para o bom desenvolvimento das mesmas (Apresentamos no Apêndice nº1 – exemplo de uma planificação semanal das actividades orientadas). O facto de se elaborar a planificação das actividades, não significa que elas sejam totalmente realizadas, ou não possam ser alteradas caso surja algum motivo que implique fazê-lo. Por isso e como afirma Nicolau (2000: 150) “é necessário que o educador pré-escolar planeje o seu trabalho, mas, ainda mais importante, é que ele deixe “espaços livres” na sua própria mente para modificar a sua proposta de trabalho sempre que isso se fizer necessário”. 74 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica A nossa intenção era trabalhar todas as áreas de conteúdo com as crianças e por isso mesmo se realizaram diversas actividades orientadas, tentando abordar todas as áreas de conteúdo durante a semana, mas, e como já referimos, procurámos trabalhar mais a área de formação pessoal e social, mesmo quando foram realizadas actividades referentes a outras áreas. Trabalhámos sempre com grandes e pequenos grupos, assim como individualmente pois pensamos que estas divisões são importantes para as crianças aprenderem a estar; a trabalhar com poucos ou muitos colegas; aprenderem a dividir tarefas e material e também a trabalhar sozinhas, o que as torna cada vez mais autónomas. No respeitante aos materiais e recursos de ensino utilizados, procurámos diversificar sempre que possível, utilizando os mais variados instrumentos, dependendo do tema a abordar, de forma a motivar as crianças para a aprendizagem. Relativamente às actividades livres e que são segundo Lurçat (in Cardona, 1992), “as que se realizam informalmente partindo da organização do espaço e materiais e que não são directamente conduzidas pelo educador, mas podem ser da escolha da criança”, foi por nós realizada uma planificação onde explicámos as actividades a levar a cabo bem como o que pretendíamos que as crianças desenvolvessem através delas (Apresentamos no Apêndice nº3 – planificação actividades livres). Devido ao seu potencial educativo, estas actividades seriam desenvolvidas diariamente, já que podiam dotar-se de um poder fundamental na estimulação das crianças, para nelas participarem, já que são actividades que no dizer de (Cardona, 1992), permitem que se faça pouco a pouco a integração das crianças no trabalho da sala; o conhecerem-se e trocarem opiniões com os colegas; elaborarem 75 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica pequenos projectos em grupos pequenos; vão tendo um papel de mediadores e comecem a organização cooperativa do grupo. Segundo Folque (1989: 17) “o dia de uma criança no Jardim-de-Infância desenrola-se através de uma sequência de situações que se intercalam e que são, ora as actividades pedagógicas do educador com o seu grupo, ora as situações a que na gíria chamamos «rotinas»”. Para nós, as rotinas são, e devem ser sempre, momentos de contínua aprendizagem tal qual as actividades orientadas e actividades livres. Por esta razão também elas foram planificadas e determinados os objectivos que com elas queríamos que as crianças atingissem (Apresentamos no Apêndice nº2 – planificação actividades de rotina). O dia no jardim-de-infância é rico em momentos educativos dado que, (…) a sucessão de cada dia ou sessão tem um determinado ritmo existindo, deste modo, uma rotina que é educativa porque é intencionalmente planeada pelo educador e porque é conhecida pelas crianças que sabem o que podem fazer nos vários momentos e prever a sua sucessão, tendo a liberdade de propor modificações ( Ministério da Educação, 1997a: 40). Com as actividades de rotina pretendemos isso mesmo, que as crianças criassem uma rotina que lhes permitisse perceber o que vão fazer durante o dia, uma vez que “as crianças aprendem a antecipar eventos futuros através da regularidade das ocorrências diárias” (Spodek & Saracho, 1998: 136), o que lhes permite sentirem-se seguras. As actividades de rotina para este grupo de crianças são, o acolhimento, a marcação das presenças, a marcação do tempo, a reunião de grande grupo, o lanche, a higiene pessoal (todas diárias), a planificação/ avaliação da semana (semanal), a avaliação das produções e a avaliação do tempo (mensal). 76 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica (…) são, como os capítulos, o guião da vida diária de uma turma que, dia após dia, se vai nutrindo de conteúdos e acções. As crianças sabem o nome de cada fase, sabem o que virá depois, sabem qual é o procedimento para realizar determinadas actividades, etc., e, pouco a pouco, vão-se assenhoreando da sua vida escolar, vão-se sentindo competentes e, ao mesmo tempo, vão comprovando vivencialmente como cada vez lhe saem melhor as coisas e sabem melhor o que há para fazer e de que forma resultam, e são divertidas, as tarefas (Zabalza, 1992: 174). Esperava-mos com estas alterações conseguir atingir os objectivos que nos propúnhamos. 3.3.3. OBJECTIVOS GERAIS DAS ACTIVIDADES PLANIFICADAS Os objectivos gerais das actividades planificadas para estes dois projectos já foram, de certa forma, referidos anteriormente. O nosso principal objectivo foi fazer com que a escolaridade pré-escolar não se centrasse unicamente na preparação para o 1º ciclo do ensino básico, mas que garantisse também um contacto com instrumentos que irão ser úteis às crianças pela vida fora. Pretendíamos, igualmente, criar um ambiente que lhes despertasse desejo e interesse em aprender. Ambos os projectos por nós desenvolvidos foram reflexo de uma grande articulação de áreas de conteúdo, já que o pré-escolar é uma educação globalizante, na medida em que pretende atingir outros níveis de ensino através de importância dada a conteúdo transversais. 77 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica As actividades desenvolvidas no projecto da “higiene oral” tiveram como objectivos a interiorização de valores estéticos, morais e cívicos; a toma de consciência de si mesmo e do próximo; valorizar, respeitar, estimular e ate mesmo encorajar o progresso de cada um, para assim contribuir para a valorização da sua auto-estima. Como já referi, estes objectivos da área de conteúdo de formação pessoal e social foram, articulados com as outras áreas de conteúdo, todos os seus domínios e objectivos. 3.3.4 Actividades desenvolvidas No decurso de ambos os projectos desenvolvemos várias actividades Para que as crianças se sentissem mais motivadas e compreendessem melhor os temas tratados, procuramos apresentá-los através do recurso a materiais e actividades, onde a criança pudesse participar activamente e experimentar, tornando assim as actividades favorecedoras de aprendizagem . O projecto “higiene oral”, que decorreu durante o primeiro semestre teve um pouco menos tempo de duração. Mesmo assim, tentamos esclarecer todas as dúvidas e satisfazer os desejos de aprender das crianças. Iniciámos o tema com um conjunto de actividades orientadas, bastante elucidativas e que implicaram a construção de um pequeno consultório de dentista, onde cada criança poderia encarnar a personagem de médico dentista ou de utente; a construção de puzzles gigantes com imagens animadas de dentes; um jogo onde existia um dente gigante construído em esponja e no qual cada criança tinha de pescar, com uma escova de dentes, os alimentos que faziam mal aos dentes. 78 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Esta actividade foi bastante divertida e impulsionadora do desenvolver do projecto. Como já referimos, a falta de tempo foi o maior obstáculo com que nos deparámos. Sendo assim, tentámos sempre incluir dentro das actividades de rotina, o tema do projecto, como nas actividades de matemática; de escrita; de recorte e colagem, etc. Abordámos dentro do projecto os alimentos que fazem mal aos dentes; os cuidados de higiene diários a ter com os dentes; a constituição da boca e o nome de todos os dentes. De uma forma um pouco vasta, abordámos todos os temas relacionados com a higiene oral da boca. Somos de opinião que apesar dos percalços existentes, os objectivos que nos moviam foram atingidos, mas temos também noção que se este projecto fosse trabalhado mais profundamente, estes e outros objectivos seriam atingidos com mais sucesso. No que diz respeito ao projecto “animais”, tivemos mais tempo e mais disponibilidade para desenvolvermos as actividades planificadas e com isso atingirmos de forma mais plena os objectivos que nos moviam. O objectivo principal era conhecer os grupos em que as várias espécies de animais estavam divididas; quais os animais que faziam parte de cada grupo e quais as suas características principais. Começamos então por dividir o grupo de crianças em pequenos grupos, em que cada grupo teria de fazer uma pesquisa alargada sobre o conjunto de animais que seria da sua responsabilidade. Todas as actividades foram desenvolvidas em torno deste objectivo, conhecer os animais; o seu conjunto e quais as suas características. Sendo assim, com os vários grupos de crianças fizemos pesquisas em livro; na internet e em informações trazidas de casa. 79 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica A finalidade era cada grupo de crianças apresentar para as outras crianças o que tinha aprendido e, no fim, construir um placar com os vários conjuntos de animais e as suas principais características. Durante todo este processo, eram desenvolvidas actividades relacionadas com os animais. 80 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica CAPÍTULO V Processo Avaliativo 81 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 1.CONCEITO DE AVALIAÇÃO É imprescindível que os educadores/professores tomem as decisões adequadas na selecção dos seus programas, elementos e materiais que têm de ter em conta a capacidade de cada criança. Cada decisão requer da parte do professor um processo de avaliação que pode ser feita individualmente ou em grupo. A avaliação individual ajuda o professor a perceber em função do seu progresso individual, se a criança está a apreender as informações que lhe transmite, enquanto que a avaliação em grupo lhe permite tomar conhecimento relativamente se a técnica implementada está a ser bem sucedida ou não. Na avaliação individual o educador/professor rege-se pelas capacidades de cada aluno, pelos seus interesses; necessidades, expectativas iniciais; o seu ritmo de trabalho e o seu percurso de aprendizagem, são estes parâmetros o objecto de avaliação e são igualmente estes os resultados dessa mesma avaliação. A avaliação pode ser baseada na observação das crianças, na análise das produções ou em alguma forma de testagem, já que é difícil fazer uma observação directa de todos os alunos, sendo por isso necessário encontrar outras formas de avaliar os trabalhos das crianças. Segundo Ferreira, “a avaliação das aprendizagens sempre constituiu uma das principais funções exigidas pela sociedade à escola” (2007:12). A avaliação faz parte da escola de tal forma que se encontra em determinados documentos oficiais, nomeadamente nos normativos da avaliação, nos conteúdos programáticos, nos objectivos de ano e nas competências de nível de ensino. 82 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Para Ferreira a avaliação (…) enquanto prática especifica da instituição escolar, (…) passa a constituir uma das varias componentes curriculares do processo de ensino aprendizagem, que, pela sua complexidade e especificidade, leva a que esteja nele integrado, mas assumindo características e funções diferentes das outras componentes (2007:14). No que concerne à educação pré-escolar a Lei-Quadro (Lei n.º 5/97) esta enuncia o princípio geral e os objectivos gerais pedagógicos. O princípio geral estabelece que: “a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida (...) favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança” (Ministério da Educação, 1997:15). Quanto aos objectivos, esses constituem, as aspirações que a sociedade deseja ver satisfeitas neste nível educativo o que faz com que os profissionais deste nível de ensino tenham uma grande autonomia e poder de decisão curricular, quer na sua construção, quer na sua implementação. 83 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 2. FORMAS E ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO Existem diversas formas de avaliação, cada uma com um objectivo distinto. De facto todos nós conhecemos algumas delas e que sã: a avaliação diagnóstica; a avaliação formativa e a avaliação sumativa. A avaliação inicial ou diagnóstica tem como objectivo uma tomada de conhecimento por parte do educador/professor do estado em que se encontra o aluno, para que possa encontrar o ponto de partida do início de uma aprendizagem. As suas capacidades em relação aos novos conteúdos de aprendizagem, são utilizadas para ajustar ou até mesmo modificar as actividades em função das capacidades e dificuldades detectadas nas crianças. As estratégias usadas nesta avaliação são a planificação de acordo com o conteúdo observado e em face disso, perguntando, propondo, deixando falar, vai detectando as competências e dificuldades das crianças. A avaliação formativa tem uma finalidade pedagógica e tem como característica principal a de estar integrada no processo de ensino – aprendizagem, é através deste tipo de avaliação que se pode em função da informação que se vai tendo no decurso da actividade, modificar a estratégia. O objectivo principal deste tipo de avaliação é o de melhorar algo como, o processo de aprendizagem dos alunos; uma estratégia de ensino ou um projecto educativo. A avaliação sumativa é uma avaliação que tem lugar no final do processo de ensino – aprendizagem, normalmente através de testes ou exames. Este é o único ponto 84 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica da avaliação que geralmente, é implementado a partir do 1º ciclo do Ensino Básico, e não adequada ao ensino pré-escolar. Na educação pré-escolar, em que os educadores pretendem alcançar determinados objectivos, é então, necessário observar e verificar se as crianças atingiram esses objectivos com determinadas actividades sugeridas pelo educador. A avaliação deve então servir para se intervir, modificar e melhorar a prática em função da evolução dos alunos, pois, é através dela que se dispõe de informação para as tomadas de decisão relativas às crianças. A avaliação visa assim: • Apoiar o processo educativo, permitindo ajustar metodologias e recursos, de acordo com as necessidades e os interesses de cada criança e as características do grupo, de forma a melhorar as estratégias de ensino/aprendizagem; • Reflectir sobre os efeitos da acção educativa, a partir da observação de cada criança e do grupo, reconhecendo a pertinência e sentido das oportunidades educativas proporcionadas e o modo como contribuíram para o desenvolvimento de todas e de cada uma, de modo a estabelecer a progressão das aprendizagens; • Envolver a criança num processo de análise e de construção conjunta, inerente ao desenvolvimento da actividade educativa, que lhe permita, enquanto protagonista da sua própria aprendizagem, tomar consciência dos progressos e das dificuldades que vai tendo e como as vai ultrapassando; • Contribuir para a adequação das práticas, tendo por base uma recolha sistemática de informação que permita ao educador regular a actividade educativa, tomar decisões e planear a acção; 85 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica • Conhecer a criança e o seu contexto, numa perspectiva holística, o que implica desenvolver processos de reflexão, partilha de informação e aferição entre os vários intervenientes – pais, equipa e outros profissionais – tendo em vista a adequação do processo educativo. No decurso do estágio foram implementadas diversas formas/técnicas de avaliação. Faziam-se vários registos contínuos de observação directa ou indirecta de verificação de atitudes; capacidades e conhecimentos que cada criança poderia possuir. Por vezes até o simples facto de se observar com um pouco mais de atenção determinada criança nas suas actividades diárias, levava a que se recolhessem informações a respeito do seu progresso individual. Após as actividades eram feitos registos, individualmente ou até mesmo em grupo . Estes registos funcionavam como que uma avaliação e podiam atingir domínios como os da área de formação pessoal e social, a matemática; a plástica; a leitura e a escrita, etc. Sendo assim, acabam por ser uma forma de quem avalia se aperceber de algumas competências de cada criança. A elaboração de portefólios individuais era uma das técnicas utilizadas, pois eram recolhidos e organizados por datas todos os trabalhos de cada criança. Como estes estavam organizados por datas (do mais antigo para o mais recente) era mais fácil para a educadora e para todos os agentes de educação aperceberem-se da evolução de cada criança. O modelo curricular do Movimento da Escola Moderna considera o sistema de avaliação e planificações integradas no próprio processo de desenvolvimento da educação. Destacam-se habitualmente como estratégias, além da observação espontânea, os registos colectivos e individuais de produção; as várias comunicações 86 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica das crianças ao grupo; o acompanhamento dos processos de produção; as ocorrências significativas registadas no Diário do grupo e o debate e a reflexão em Conselho. Todas as formas de avaliação implementadas pela educadora cooperante iam, fielmente, ao encontro das técnicas do MEM. Assim cada criança era avaliada pelo que se viu, pelo que se conseguiu ver e perceber, de forma subtil sem que a criança se apercebesse de que estava a ser avaliada. 3. AVALIAÇÃO/REFLEXÃO DAS ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS NO JARDIM-DE-INFÂNCIA No decurso do estágio tentámos sempre de alguma forma envolver todas as áreas de conteúdo e responder sempre às questões levantadas pelas crianças. No primeiro semestre o projecto principal foi a higiene oral, este tema foi ao encontro de uma das questões levantada pelas crianças e estava de certa forma relacionada com um trabalho que estas já estavam a desenvolver – a alimentação. Ao longo do ano lectivo, todas as semanas era discutida com a educadora cooperante a melhor forma de planear, tendo em conta os interesses e necessidades que as crianças iam manifestando e de forma a ir ao encontro do Projecto Curricular de Grupo e do Plano Anual de Actividades. Esta planificação semanal foi acordada com a educadora uma vez que achamos que era mais fácil para nós gerir e prever as actividades a serem desenvolvidas. Planificámos portanto semanalmente, (ver no anexo – planificação), todas as actividades a desenvolver, de forma a melhor podermos orientar as actividades em si, o material usado e até mesmo as crianças. 87 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Toda a planificação é importante na medida em que proporciona à criança o desenvolvimento da sua autonomia. Para Spodek e Saracho (1998:122), No início da vida, a autonomia das crianças é uma meta, mais do que um fato estabelecido. Queremos que elas se tornem independentes, sabendo muito bem que continuarão a depender dos adultos até bem depois de alcançarem as series primárias. O desenvolvimento da autonomia é estimulado ao ensinarmos as crianças a assumirem responsabilidades, ao mesmo tempo em que lhes proporcionamos a segurança e a orientação de um adulto instruído. Planificar é muito importante, se assim não fosse os professores não se debruçariam sobre esta tarefa há vários anos. É de facto essencial que o professor tenha um fio condutor das suas aulas para chegar ao que pretende. Assim, a planificação não deve ser rígida, pelo contrário deve ser uma previsão do que se pretende fazer, tendo em conta as actividades, material de apoio e essencialmente o contributo dos alunos. Deve privilegiar as relações pessoais entre todos os membros do grupo e fazer com que os alunos se sintam como uma peça fundamental. Assim como as planificações semanais, também eram elaboradas previsões diárias, ou seja, um pequeno plano diário onde estava explícito todos os passos a dar com as crianças durante o dia. (Apêndice 5- exemplo de uma previsão diária). A selecção das actividades foi, principalmente, de encontro com o momento vivido no Jardim (natal, carnaval, primavera, etc.). Nestas alturas, todas as actividades eram alusivas ao tema, para que as crianças tomem consciência das épocas do ano. Tentávamos então adaptar todas as actividades de projecto com os temas desenvolvidos em cada momento do ano. 88 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica Durante o início da nossa prática pedagógica sentimo-nos um pouco apreensivos, com medo de falhar, pois tivemos alguma falta de prática no decorrer do curso. Mas com o tempo, com a ajuda da educadora cooperante e até mesmo do grupo de crianças, o medo foi-se dissipando e começámos a entrar no ritmo da educadora, do grupo de crianças e a conhecer o nosso próprio ritmo. O facto do grupo de crianças ser fácil, ou seja, ser um grupo bem comportado e bastante sedento de aprender, ajudou-nos imenso em ganhar segurança no desenvolvimento de todas as nossas actividades. Pensamos ter aproveitado todas as áreas da sala e todos os jogos lúdicos, mas confessamos que poderíamos ter sido um pouco mais criativas. Contudo, de certa forma conseguimos todos os nossos objectivos, quer no tocante às planificações, quer pessoais. 89 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 4. APRECIAÇÃO DA EVOLUÇÂO DO GRUPO Através das formas de avaliação utilizadas pudemos verificar uma certa evolução das crianças em certas competências. Assim no que respeita à área de Formação Pessoal e Social, verificou-se que o grupo desenvolveu capacidades neste campo e foi visível o facto de algumas crianças terem comportamentos diferenciados em diversas situações. Em relação ao conhecimento do mundo, que foi a área de conteúdo em que mais insistimos, o melhoramento de diversas atitudes foi bastante evidente. Nomeadamente a criação de hábitos como a reciclagem, a compostagem e outros, foram de tal forma enraizados nas rotinas diárias da escola, que ao meio do ano já não era preciso sugerir às crianças esses comportamentos, porque elas os adoptavam por si próprias. No respeitante a outros conhecimentos somos de opinião que conseguimos também atingir os nossos objectivos através dos projectos “higiene oral” e “animais”. No que diz respeito à área de expressão e comunicação, notamos evolução principalmente no grupo de crianças de 5 anos, pois insistimos mais neste grupo, por dele fazerem parte as crianças que iriam frequentar o 1º ano do 1ºciclo do Ensino Básico, muito embora as actividades fossem desenvolvidas por todas as crianças de todos os grupos etário, embora com um nível de exigência inferior. Nesta área, tentámos abordar todos os domínios. No domínio da linguagem oral e abordagem à escrita fizemos bastantes actividades. Algumas das actividades de rotina, tais como registo das actividades; leitura e escrita do jornal de parede, etc, atingiram também este domínio. Porém eram as crianças de cinco anos que faziam os registos escritos, copiando pequenas frases. O domínio da matemática também foi bastante abordado. As crianças 90 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica de cinco anos faziam diversas actividades nesta área, e notamos grande progresso. No geral, todas sabiam os números mas nem todas conseguiam identificá-los, principalmente as mais novas. As crianças mais velhas quase todas sabiam contar até vinte e algumas até mais. Também estas, conseguiam chegar rapidamente à resolução de um problema fácil e para além de saberem reconhecer e identificar as figuras geométricas básicas (triângulo, rectângulo, quadrado e círculo), todas sabiam distinguir o “grande” do “pequeno”, pois tinham já a noção de espaço: dentro/fora, longe/perto. No domínio das expressões, nomeadamente da expressão plástica; da expressão dramática; da expressão motora e a musical, as crianças foram bastante estimuladas através de inúmeras actividades de animação que muito as motivaram. No geral, as crianças ficaram com a motricidade fina bem desenvolvida, mesmo aquelas que inicialmente tinham alguma dificuldade em pegar na tesoura e recortar, mais propriamente, as crianças do grupo dos médios e dos pequenos, mas que com a ajuda dos colegas mais velhos e da educadora, foram progredindo. Quanto à representação da figura humana, notava-se que algumas das crianças ainda não o faziam correctamente, sobretudo as mais novas. Quanto à representação do rosto, no geral, todas elas o faziam correctamente e com os devidos órgãos. Quanto ao resto do corpo, só as crianças mais velhas o faziam correctamente. Para além da figura humana, muitas das crianças já conseguiam desenhar outras coisas reconhecíveis. Eram as crianças mais velhas que também se preocupavam com a beleza e estética do trabalho, pois as mais novas ainda não se preocupavam com esse pormenor, no entanto, em todas as crianças foi incutido que é necessário acabar um trabalho para começar outro, o que cumpriam à risca, pois todas sabiam desde que houvesse um trabalho na gaveta para acabar, não podiam começar outro. 91 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica No geral, o grupo encontrava-se bem desenvolvido a nível da motricidade global, mas principalmente as mais velhas, controlando bem a posição e o equilíbrio. Os meninos do grupo dos médios e dos pequenos tinham ainda alguma dificuldade, o que era normal, no entanto, todas elas tinham a lateralidade bem definida. Quanto as actividades motoras, todas elas apontavam ter boa memória motora, pois quando se lhes explicava um jogo estas realizavam-no espontaneamente. As crianças não apresentavam qualquer dificuldade em correr ou saltar, no entanto, algumas mostravam dificuldade em “saltar ao pé-coxinho”, principalmente as mais novas. Todas as crianças possuíam imaginação para criar as suas próprias brincadeiras, reproduzindo situações que muitas vezes foram vividas por elas próprias. Quanto à expressão corporal, no geral, todas as crianças o conseguiam fazer, principalmente quando acompanhada com uma música com gestos. Quanto à expressão musical, as crianças mostravam ter sentido rítmico, bem como o gosto em cantar e ouvir música. Todas mostravam facilidade em cantar e decorar a letra das músicas, no entanto, este tipo de actividades era mais difícil para as crianças mais pequenas. Todas as áreas e respectivos domínios foram estimulados nas crianças e sempre tentámos adaptá-las aos diferentes grupos etários e até a cada criança, razão porque não nos admiram os resultados obtidos. O grupo ajudou-nos imenso na elaboração das actividades e sempre se mostrou interessado e entusiasmado em todas elas. Integrou-nos na perfeição dentro do grupo e até na comunidade educativa. 92 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica CONCLUSÃO/ BALANÇO FINAL DO ESTÁGIO Durante o desenrolar desta investigação/intervenção, que foi o estágio fomos revendo toda a nossa prática, o que nos possibilitou adoptar novas estratégias no sentido de melhor satisfazermos as necessidades do público-alvo, as crianças, de as motivarmos para a aprendizagem e com isso alcançarmos os objectivos que nos propúnhamos e que iam no sentido de desenvolver nas crianças os seus estímulos cognitivos, a socialização e a autonomia pessoal, sensibilizá-las para a protecção do mundo social e físico e enraizar nas suas rotinas diárias a higiene pessoal. Alguma insegurança inicial da nossa parte foi-se dissipando e com questionamento, pesquisa, método e a ajuda da educadora cooperante e das próprias crianças, fomos obtendo conhecimento, alcançando os objectivos que nos propúnhamos e respostas para a nossa questão inicial. Pudemos verificar no decurso do processo que nem sempre é possível fazer-se tudo o que se pensou e planeou face aos imprevistos que surgem e que nem tudo acontece como o planeado, daí que umas actividades sejam mais bem sucedidas do que outras. No geral, porém, as crianças tiveram nas actividades que desenvolveram grandes momentos de divertimento, de relação, de animação e aprendizagem. Com essas actividades, que a animação, uma estratégia dinâmica possibilita, conseguimos captar a atenção das crianças, levá-las a participar activamente, mas também a facilitar as finalidades que tínhamos em mente e que tinham a ver com o seu desenvolvimento pessoal e social de forma a sensibilizá-las para a protecção do mundo social e físico e para incluírem nas rotinas diárias a higiene pessoal. Assim aprenderem os conteúdos, atingirem os objectivos e desenvolverem as competências, porque motivadas. 93 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica BIBLIOGRAFIA AGÚSTI, Xavier B. (1993). Reflexividad y autorregulación: sus aplications en contextos educativos. In Revista Educação, 1, 85-102. BARBOSA, Maria Carmen Silveira & HORN, Maria da Graça Souza (2001). Organização do Espaço e do Tempo na Escola Infantil. In Carmem Maria Craidy & Gladis E. Kaercher, Educação Infantil para que te quero? Porto Alegre: Editora Artmed. BENAVENTE, A. (coord.). (1993). Mudar a escola, mudar as práticas. Um estudo de caso em educação ambiental. Lisboa: Editora Escolar. BOLÍVAR, António (2000). A educação em valores. O que aprendemos com o esboço e o seu desenvolvimento curricular em Espanha? In Jaume Trilla (coord.), Atitudes e valores no ensino, pag.123-170. Lisboa: Instituto Piaget. CABRAL, António (2001). O jogo no ensino: Lisboa: Notícias. CARDONA, M. J. (1992). A organização do espaço e do tempo na sala de jardimde-infância. In Cadernos de Educação de Infância, 24. Lisboa: Edição APEI. CUNHA, Maria José Santos (2008a). Animação. Desenvolvimento pessoal e social, formação e práticas teatrais. Chaves: Ousadias. CUNHA, Maria José Santos (2008b). Os saberes dos professores e a sua relação com os saberes que ensinam. In Revista investigar em educação, 6. CUNHA, Maria José Santos (2009). Investigação científica. Os passos da pesquisa científica no âmbito das ciências sociais e humanas. Chaves: Ousadias. 94 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica FERREIRA, Carlos Alberto (2007). A avaliação no quotidiano da sala de aula. Porto: Porto Editora. LOBO, Miquelina Saraiva, (1998). Uma concepção de espaço no Jardim de Infância. In Cadernos de Educação de Infância, 5. Lisboa: Edição APEI, pag.19 LURÇAT, L. (1995). Tempos cativos: as crianças TV. Lisboa: Edições 70. MARTÍNEZ, Roca G. (2001). Valores humanos y desarrolo personal. Barcelona: CISSPRAXIS. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1997). Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar, Departamento de Educação Básica, Núcleo de Educação Pré-Escolar, Lisboa: Ed. do Ministério da Educação. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1997). Legislação, Departamento da Educação Básica, Núcleo de Educação Pré-Escolar, Lisboa: Ed. Do Ministério da Educação. NICOLAU, M. L. M. (2000). Planejamento de Actividades Educativas na PréEscola. In M. L. M Nicolau. 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Ensinando Crianças dos Três aos Oito Anos: O Currículo da Primeira Infância. Porto Alegre: Editora Artes Médicas. VENTOSA, Victor J. (1995). Guía de recursos para la animación. Madrid: CCS. ZABALZA, Miguel A. (1992). Didáctica da Educação Infantil. Porto: Edições Asa. 96 Desenvolvimento pessoal e social da criança: A Animação como estratégia dinâmica 97 APÊNDICES 97 APÊNDICE I Planificação semanal (Semana de 9, 10 e 11 de Março de 2009) Áreas de Objectivos Objectivos conteúdo gerais específicos Actividades Estratégias Recursos (Humanos e materiais) Expressão e Desenvolver o Relembrar Comunicação gosto pela canções; música; -Domínio da Expressão Musical Desenvolver a atenção auditiva. Audição de um Após o recreio, Músicas; CD com diversas as crianças Leitor músicas infantis serão sentadas CD´s no local de reunião e, a Estagiária irá colocar na aparelhagem um CD que contém várias músicas infantis conhecidas. Será pedido as crianças para cantarem as músicas que souberem. Esta actividade Construção de um será Conhecer os Móbil Conheciment dos desenvolvida vários tipos o do Mundo Tomar Transportes durante a hora de transporte. conhecimento das actividades Expressão e de alguns tipos livres, ou seja, Comunicação de Moldes dos transportes; cola 98 -domínio da de transportes Expressão terrestres. Plástica Desenvolver o raciocínio . Expressão e Desenvolver Comunicação motricidade global; -Domínio da Expressão Motora Desenvolver psicomotricidade a Ser capaz de Sessão imitar, de movimento memorizar movimentos. a enquanto as crianças acabam os trabalhos em atraso e outras brincam, a estagiárias irá pedir a um pequeno grupo de +/- cinco crianças para a ajudarem a construir um elemento do móbil. As crianças terão de colar as janelas, as rodas no local certo. As estagiárias irão alternar os grupos para que todas as crianças participem na construção do móbil. de Ainda dentro do recreio, as crianças serão colocadas em círculo, onde lhes será ensinado alguns Jogos de Movimento. 99 Conheciment o do mundo Conheciment o do Mundo Formação Pessoal Social e Desenvolver raciocínio apelar memória o Conhecer Jogos sobre os e todos os tipos transportes á de transportes Promover Contactar com convívio o mundo que as rodeia; o Espectáculo de marionetas “João Pé de feijão” Após o recreio será explicado às crianças o fundamento dos jogos. O grande grupo será dividido em três pequenos grupos, será distribuído um jogo por cada grupo. a estagiária estará sempre atenta a qualquer dúvida das crianças. Puzzle Dominó dos transportes Jogo de correspondên cia Autocarro Logo após o fornecido acolhimento da pela Câmara manhã as Municipal crianças irão ser transportadas pelo autocarro fornecido pela Câmara Municipal de Vila Real até ao espectáculo. 100 Expressão e Desenvolver a Participar em História – “O No período da História Comunicação capacidade de diálogos e pequeno carro tarde e, após o Educadoras compreensão; conversas de vermelho” registo da saída, Crianças grupo; as crianças Estagiárias Desenvolver a sentadas em Domínio da capacidade de Saber círculo no local Auxiliar da Linguagem recontar uma acção Oral e memorização do acolhimento, história. educativa abordagem à ser-lhes-á Escrita contada uma pequena história: “O Pequeno Carro Vermelho” 101 APÊNDICE 2 Planificação das actividades de rotina Áreas de Objectivos gerais conteúdo Formação Pessoal Social Formação Pessoal Social Objectivos Actividades/Estratégias Recursos específicos Desenvolver e autonomia; e Desenvolver autonomia; a Despir o casaco - As crianças irão despir o e coloca-lo no casaco e colocá-lo no seu seu cabide; lugar e em seguida vestir a bata assim que entrarem no Jardim-de-infância. Antes Vestir e despir a das saídas as crianças esperam que a auxiliar da bata. acção educativa chame pelo seu nome, é então que despem as batam e voltam a colocá-las no respectivo lugar. Marcar a a presença sozinho ou com a ajuda de um adulto quando chega ao Jardim; - Logo que entrem no Mapa das Jardim-de-infância presenças. marcarão a presença (os que não conseguem ainda marcar sozinhos, terão a ajuda do colega responsável por essa tarefa) e sentar-se-ão no local de acolhimento, um tapete onde todos têm um lugar certo. 102 Formação Pessoal Social Expressão Comunicação Desenvolver e socialização; Desenvolver e linguagem; - Domínio da Linguagem oral Formação Pessoal Social a Ser capaz de relatar pequenos acontecimentos do dia-a-dia; -Em grande grupo no local -Quadro de da reunião, cantarão a tarefas; canção dos bons dias, contarão as novidades e farão a planificação do dia. a Aprender a Na reunião que se realiza estar em grupo; todas as segundas feiras de Comunicar com manhã, farão a planificação o grupo através do dia, modificarão o quadro das tarefas. Será do diálogo; também relembrada a planificação da semana, elaborada na reunião de sexta-feira a tarde. Lavar as mãos -As crianças podem ir à Criar hábitos de antes de lanchar casa de banho á hora que e higiene; e depois de ir à for necessária, desde que casa de banho; só vão no máximo dois de Ir à casa de cada vez. banho sozinho; Desenvolver autonomia; Lanchar a precisar ajuda colocar palhinha leite ou iogurte; -Na hora do lanche, a ida sem para lavar as mãos é de dividida por idades. para Também neste momento a do lanche existe uma tarefa no dada a um pequeno grupo dar o de crianças, onde este ajudam a auxiliar da acção educativa a distribuir o leite e a separar os lixos. 103 Área as actividades de Após orientadas/livres, são capacidade de expor ao grande escolhidas cinco crianças espírito de grupo grupo todas as para apresentarem ao grande grupo todas as actividades actividades que desenvolvida desenvolveram durante individualmente esse tempo. de Desenvolver formação pessoal e social a Ser capaz Estimular a auto-confiança Após cada actividade, o Área formação pessoal social de Desenvolver sentido o Aprender de deixar a e responsabilidade limpa. a sala grupo de crianças responsável por tal tarefa, tem de arrumar os cantinhos e todos os materiais arrumados 104 APÊNDICE 3 Planificação das actividades livres Áreas de Objectivos gerais conteúdo Formação Pessoal Social Formação Pessoal Social Objectivos Actividades/Estratégias específicos Desenvolver a -Respeitar as As crianças poderão e responsabilizaçã regras dentro da escolher o cantinho onde o sala; querem brincar, no entanto só podem estar um determinado número de -Aprender a crianças em cada cantinho. e conviver e a Números estes que já cada partilhar com os criança tem noção. colegas; Formação Pessoal Social Recursos Desenvolver a -Utilizar -Quando o tempo o responsabilizaçã cuidadosamente e o todo o material permitir, as crianças poderão brincar livremente da sala. Promover convívio. o -Aprender a no recreio exterior arrumar este cantinho; -Respeitar regras cantinho. as do Biblioteca; -Cantinho da Leitura e Escrita; -Cantinho da Pintura; Jogos lúdicos -Cantinho do faz de conta. -Área da biblioteca Espaço exterior Garagem; -Cantinho do Computador -Brincar livremente usufruindo espaço do e materiais. 105 APÊNDICE 4 Previsão Diária (9 de Março de 2009) Manhã: +/- 9.00 – Acolhimento (Actividade de rotina) Canção dos “bons dias” Planificação do dia Mudança do quadro de tarefas Diálogo sobre os meios de transporte terrestres Conversa sobre o fim-de-semana +/- 9.45 – Trabalhar/brincar nas várias áreas (Actividade de rotina/orientada/livre) Acabar trabalhos +/-10.30 – Comunicação de trabalhos (Actividade de rotina) +/- 10.45 – Lavar as mãos/ lanchar/ recreio (Actividade de rotina) +/- 11.20 –Audição de um Cd de Várias músicas infantis (Actividade orientada) +/- 11.45 – Preparar para sair +/- 12.00 – Saída Tarde: +/- 14.00 – Visualização de um filme (Actividade de rotina) +/- 14.20 – Trabalhar/brincar nas várias áreas (Actividade de rotina/orientada/livre) Construção de um Móbil dos Transportes Rodoviários +/- 15.30 – Beber o leite (Actividade de rotina) +/- 15.45 – Preparar para sair +/- 16.00 – Sair 106