Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
MEDALHA DA FEBRE AMARELA
Lisboa Agradecida à Devoção Humanitária
Paulo Jorge Estrela
Instituto Geográfico Português
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Resumo
Artigo de Falerística sobre a Medalha da Febre Amarela. Condecoração criada
pelo Município de Lisboa, para agraciar todos aqueles que se haviam distinguido
no combate ao flagelo que assolou Lisboa em 1857, e que, rapidamente, foi elevada
à condição de condecoração nacional, sob o alto patrocínio do rei D. Pedro V.
Enquadramento histórico, criação, desenvolvimento de todo o processo de
concessão e distribuição da medalha.
Apresentam-se ainda imagens da medalha (anverso e reverso), diplomas de
concessão, Planta temática da cidade de Lisboa e um retrato fotográfico CDV, além
de um anexo com a lista completa de todos os agraciados.
Palavras-chave
Lisboa / Febre Amarela / Cholera morbus / Condecoração / Medalha / Ordem
Honorífica
Abstract
Phaleristic article about Portuguese Yellow fever Medal. Created by Lisbon
Municipality and awarded to all who distinguished themselves in Lisbon during
those 1857 tragic days, soon become an official national decoration under the high
patronage of King Pedro V.
Historical enlighten, medal creation and concession process development
and award.
All illustrated with a medal (obverse and reverse), two concession diplomas,
and a thematic Lisbon city Plan, a CDV photographic portrait and an annexed
complete medal roll.
Key-words
Lisbon / Yellow fever / Cholera morbus / Decoration / Medal / Honorific
Order
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Numa época em que tanto se fala de vírus gripais, em que termos como
“epidemia” e “pandemia” se tornaram comuns no nosso dia-a-dia, pareceu-nos
pertinente relembrar a situação epidémica ocorrida há cerca de 150 anos, em Lisboa, e que originou a criação da Medalha da Febre Amarela.
Embora este trabalho pretenda ser um artigo de Falerística, isto é, o estudo de
Condecorações (para os menos familiarizados com este vocábulo), é imprescindível
fazer o enquadramento histórico desta época infeliz da cidade de Lisboa, e que
decorreu entre os anos de 1856 e 1857.
Já no ano de 1855, a capital portuguesa tinha sido assolada por um flagelo
viral de enorme mortalidade, a chamada Cholera morbus, a que não foi alheia à sua
rápida propagação, a fatal inexistência de cuidados médicos mínimos, aliada a
uma completa falta de condições higieno-sanitárias das populações. Refira-se no
entanto, que a mesma doença atacou outros pontos do país mas, por ser menor a
densidade demográfica, os efeitos da mesma não foram tão nefastos.
Em 1856 e durante dois anos, um outro flagelo, e de maiores e mais terríveis
proporções assolou a cidade das sete colinas, vitimando mortalmente milhares
de habitantes.
Não era a primeira vez que a cidade de Lisboa sofria gravemente com este
mesmo vírus. A primeira epidemia de Febre Amarela que grassou em Lisboa,
ocorreu na década de 20 do século XVIII, após ter sido trazida da América Central.
Em cerca de 3 meses causou perto de 6.000 vítimas mortais, em especial entre os
moradores dos bairros mais pobres (nomeadamente no lumpemproletariado) onde
eram inexistentes quaisquer condições de higiene e salubridade pública.
De 1856 a Dezembro de 1857, decorreram quase dois anos de triste memória
para a capital. Mais de 10% da sua população foi contagiada por esta febre (entre
16 e 18.000 pessoas), sendo as vítimas mortais em número próximo das 5.000.
Evidentemente que os principais lesados com esta epidemia continuaram a
ser os habitantes dos bairros mais populares e antigos, como Alfama e Bairro Alto,
onde as condições de higiene não haviam praticamente mudado desde da última
epidemia de Febre Amarela, 130 anos antes !
É difícil entender a dimensão da tragédia e como toda a vida da cidade foi
alterada por uma sensação de terror generalizado. O Governo tomou algumas
resoluções por forma a minimizar o impacto negativo de tal catástrofe, como sejam: a proibição dos jornais darem longas notícias sobre os óbitos, assim como de
revelarem o número e nome das vítimas - inicialmente chegaram a ser publicadas
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longas listas de vítimas nos jornais o que causava uma angústia e apreensão geral;
os enterros passaram a ser efectuados à noite e sem qualquer pompa ou circunstância: somente uma carroça, um padre e evidentemente, o defunto; as casas de
espectáculos, em especial os teatros e casinos, encerraram temporariamente, assim
como foram criados Hospitais provisórios (em vários pontos da cidade) por os
ditos oficiais serem em número manifestamente baixo para internarem o enorme,
e sempre crescente, número de vítimas.
“Plano de Lisboa com o diagramma da epidemia da Febre amarela que esta cidade soffreo no anno
de 1857, na escala 1:10000” - Anexo ao “Relatório da epidemia de febre amarella em Lisboa no anno
de 1857...” Gabinete de Estudos Olisiponenses - Cota: P/CT 129-G.
A consternação era geral e relatos da época fazem-nos visualizar uma cidade
sombria em completo pânico e muito, muito triste. Quase todos os estabelecimentos
comerciais encontravam-se encerrados, não só por falecimento de proprietários e
empregados, como por muitos habitantes ainda sãos terem abandonado a cidade.
A população, católica na sua quase totalidade, refugiava-se nas igrejas na tentativa de conforto espiritual e diariamente numerosas procissões de penitência e fé
percorriam as ruas (que de resto se encontravam quase sempre desertas...) e mandavam-se rezar missas em todas as igrejas da cidade. Também altos funcionários,
empregados públicos, eclesiásticos (incluindo o próprio Cardeal Patriarca), comerciantes e a população em geral, foram viver para localidades nos arredores de
Lisboa ou mesmo em locais mais remotos da província. Ficaram somente na cidade
os cidadãos mais carenciados e sem possiblidades de fugir, assim como uma série
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de pessoas abnegadas que procuravam ajudar os mais necessitados, sendo de destacar a figura do jovem rei D. Pedro V, que apesar da sua tenra idade (20 anos),
cedo alcançou o respeito e admiração de todos os súbditos e estrangeiros por não
abandonar a cidade e, pelo contrário, andar junto dos enfermos a dar conforto e
esperança. Mas voltaremos, mais à frente, a realçar o papel deste monarca nesta
crise social e a forma como o Município de Lisboa, de uma maneira inovadora,
reconheceu publicamente o seu altruísmo, assim como de alguns outros dos seus
cidadãos.
Aproximadamente um ano após as feridas causadas por esta calamidade
pública começarem a sarar, um Vereador da Câmara Municipal de Lisboa tem a
original iniciativa de propor ao Município a criação de uma medalha para distinguir o mérito de todos aqueles que se haviam distinguido excepcionalmente no
combate àquele flagelo: a Medalha da Febre Amarela.
Medalha da Febre Amarela.
Colecção particular
É sobre esta condecoração portuguesa que iremos tratar, tendo a mesma
nascido de iniciativa municipal mas que, rapidamente, foi elevada à condição de
condecoração nacional, sob o alto patrocínio de Sua Majestade o rei D. Pedro V.
Como já vimos, este monarca teve um papel de relevo neste árduo combate,
não abandonando a linha da frente e elevando o moral de todos. Assim, e para
distinguir este comportamento exemplar, a Câmara Municipal de Lisboa decide
que também o jovem monarca deverá ser condecorado, sendo concedido a D.
Pedro V a Medalha da Febre Amarela, grau ouro, que será única, sendo todas as
outras concedidas no grau prata.
Não sendo muito habitual, iremos apresentar o “histórico” desta medalha
num modelo do tipo Fita do Tempo. Graças aos chamados Annaes do Municipio
de Lisboa nos annos de 1856-1859, e ao Gabinete de Estudos Olisiponenses,
no belo Palácio Beau Séjour, onde existe um exemplar desta publicação (cota
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AL 192) podemos ter uma clara ideia de todas as Sessões da Câmara de Lisboa
coevas da época. Podemos então, “reconstruir” passo-a-passo, com resumos da
nossa responsabilidade, todo o processo de concepção, criação e distribuição
desta condecoração, o que raramente acontece. Assim, e sempre referenciando os
respectivos Annaes do Municipio de Lisboa com a sigla AML e os Diários de Governo
com a sigla DG, iremos dar a conhecer este curioso processo. No fim, tentaremos
esclarecer algumas questões levantadas mas, também partilharemos algumas
outras dúvidas e incertezas.
AML 11 / 1858 - Sessão de 14 Junho 1858:
Proposta do sr. Vereador, Dr. Levy Maria Jordão, para a concessão de uma
medalha para reconhecimento aos indivíduos de todas as classes que prestaram,
na ocasião de flagelo, relevantes serviços. A proposta resumia-se a dois pontos:
- Que se mandasse cunhar uma medalha da prata com a seguinte configuração:
Anverso: as armas da cidade de Lisboa, e a data “1857”;
Reverso: a legenda “À caridade na occasião da febre amarella, a Cidade de
Lisboa”;
- Que essa medalha fosse oferecida aos referidos indivíduos pela Câmara
Municipal.
AML 12 / 1858 - Sessão de 17 de Junho de 1858:
Foi aprovada a proposta apresentada a 14, tendo sido incumbido o Presidente
da Câmara de apresentar, para aprovação, o modelo final.
AML 16 / 1858 - Sessão de 23 de Agosto de 1858:
Aprovou-se o modelo da medalha, apresentado pelo Sr. Presidente da Câmara. Medalha circular, com 32mm de diâmetro, da autoria do artista Francisco
de Borja Freire e que apresentava algumas alterações ao modelo inicialmente
proposto. Anverso: Figura alegórica representando a cidade de Lisboa, coroada
de castelos e derramando coroas de louro com a mão direita, e com a esquerda
encostada no escudo das armas de Lisboa, com a legenda “Lisboa agradecida”
e no exergo “1858”, havendo ainda, em letras mais pequenas, o nome do artista:
“Freire F.”; Reverso: legenda com “À devoção humanitária” circundada por uma
coroa de louro. Foi igualmente comunicado que o custo do cunho seria de 72$000
réis, tendo sido tudo aprovado.
AML 22 / 1858 - Sessão de 27 de Novembro de 1858:
Foi apresentada uma medalha já cunhada, que mereceu a aprovação de todos
os presentes, e foi resolvido cunhar 200 em prata com o peso unitário de cinco
e meias oitavas e mais uma em ouro com o peso de seis oitavas, destinada a ser
oferecida a D. Pedro V.
Proposta de 2 de Dezembro, para aprovação pelo Conselho do Distrito de
Lisboa da despesa de 360$000 réis em que ficou orçamentada a cunhagem das
ditas medalhas.
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AML 23 / 1858
É referido que tendo sido presente o modelo da medalha que se mandou
fazer por deliberação de 23 de Agosto, fixou-se o número delas (sessão de 27 de
Novembro) e oficiou-se ao Director da Casa da Moeda, pedindo-lhe para as mandar
cunhar. Resolveu-se que a distribuição destas medalhas seria feita por classes: 1
em ouro e 200 em prata.
AML 29 / 1859 - Sessão de 14 de Março de 1859:
Incumbiu-se o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de apresentar a
alocução que a Câmara teria de dirigir a Sua Majestade D. Pedro V, por ocasião da
oferta da Medalha de ouro comemorativa da devoção humanitária na epidemia
de 1857.
Deliberou-se ainda, que a fita, em que se devia trazer pendente esta medalha,
seria de cor amarela.
AML 31 / 1859 - Sessão de 28 de Março de 1859:
Foi comunicado pelo sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa que a
deputação encarregada de apresentar a SM a dita medalha em ouro, cumprira a
sua missão no dia 16 de Março de 1859, tendo sido recebida pelo rei com a “costumada benevolência régia”.
É agora apresentada a alocução referente a esse acto solene e a resposta de D.
Pedro V, ambas publicadas no Diário de Governo nº 73, de 28 de Março de 1859.
Data da cerimónia: 16 de Março de 1859.
Presidente da Câmara: Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (futuro Visconde
de Villa Maior).
“Senhor ! – Se os Monarchas tem a gloria e indisputavel prerogativa de conferir ao
merito o premio que lhe é devido, não se pode tambem negar ao povo o direito de significar
a sua gratidão para com aquelles que, nos momentos calamitosos em que a humanidade
afflicta brada pelo auxilio das virtudes mais generosas, dedicam a sua intelligencia, visa, e
fortuna, para lhe alliviar os soffrimentos, e combater o mal que o opprime.
Por mais altos que se achem collocados na escala social esses heroes da humanidade,
não lhes é por certo indifferente a gratidão do povo, nem os signaes por que este a expressa,
por mais modestos que elles sejam.
A Camara Municipal de Lisboa que reconhece quanto deve o povo da capital aos
homens que, durante o flagello da ultima epidemia, o não abandonaram no meio das suas
tormentosas angustias, resolveu commemorar a dedicação exemplar de tão benemeritos
cidadãos, mandando cunhar uma medalha, para ser distribuida pelos que mais se distinguiram nessa longa e arriscada lucta.
Vossa Magestade, permanecendo inabalavel no meio do perigo, animando com Sua
Augusta Presença, com os seus cuidados e desvelos, os que trabalhavam e os que soffriam,
conquistou o indisputavel direito de ser considerado o primeiro entre todos os que se arriscaram neste perigoso combate, como na peleja é sempre um valente General o primeiro
entre os soldados.
Assim a Camara Municipal, em nome da Cidade, vem hoje collocar nas Mãos de
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Vossa Magestade este modesto signal da sua incommensuravel gratidão, e espera que
Vossa Magestade lhe não recusará a graça de o receber, pelo muito que elle significa, com
a Benevolencia innata de Seu Regio Coração.”
Resposta de Sua Majestade el-Rei D. Pedro V:
“Aceito com vivo reconhecimento a offerta, que a Camara Municipal de Lisboa acaba
de depositar nas Minhas Mãos.
Aprecio-a dobradamente pelo que ella significa, e pela fórma. Tudo quanto fosse mais
que aquillo que a Camara Municipal fez, não satisfaria a minha ambição, se ambição eu
tivesse do que não ha direito a esperar, e menos a exigir; e sendo sacrificio para quem o
oferecesse, ficaria sendo remorso para quem não poderia recusal-o.
Pareceu-Me sempre que a mais invejavel das recompensas, ás quaes o sentimento
de honra liga um valor, que a philosophia se esforça em vão por desmerecer, é aquella que
os companheiros de trabalho, e de perigos, nos votam sobre o chão mesmo da peleja. É a
condecoração modesta do soldado, que o favor não tem direito, nem se lembra jámais de
conferir.
Esta que Me coube vale infinito para Mim, vale mais que tudo, tendo deixado passar
perto de dois annos sobre um facto, que pedia o esquecimento de apreciações mais ou menos
suspeitas, para ser olhado na sua verdadeira luz.
Ha momentos, na vida do homem, em que é igualmente condemnavel contar de mais
ou de menos comnosco. Não sômos juizes exclusivos nem da nossa necessidade, nem dos
nossos merecimentos.
A essa lei, que é para todos, não póde esquivar-Se o Soberano. Tem de responder por
Si, e pela instituição que representa; deve-se áquelles que o precederam, como aos que hão de
seguir-se-lhe. Tem de velar pelo bem dos seus povos, e de nobilitar o seu officio, incompleto
no conceito dos adoradores obstinados do passado, inutil ao ver d’aquelles, que o creem
conservado apenas para embargar ambições extremas.
Se calculei, como agora, o que fazia, não sei. Sei que, do favor popular que acaso
podesse colher, Ia disposto a conservar apenas a gratidão. Esse proposito compri-o.”
AML 34 / 1859 - Sessão de 25 de Abril de 1859:
Nomeou-se uma Comissão composta por 4 vereadores, para proceder ao
apuramento dos indivíduos que mais se distinguiram, e que iriam receber as
medalhas que a Câmara mandou cunhar, sendo eles:
Gonçalves Corrêa, Rodrigues da Câmara, Fernandes Chaves e o Vereador
fiscal, Alves Chaves
AML 35 / 1859 - Sessão de 3 de Maio de 1859:
Foi recebido um ofício (com data de 27 de Abril) do Enfermeiro-Mor do
Hospital de S. José, remetendo uma relação dos indivíduos que mais se haviam
distinguido, e que foi reenviada para a Comissão de apreciação.
AML 36 / 1859 - Sessão de 16 de Maio de 1859:
Foi aprovada a pertinente proposta apresentada pelo Vereador Dr. Ricardo
Teixeira Duarte:
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“Pelo artº 75 §11 da Carta Constitucional pertence ao rei conceder títulos, honras,
ordens militares e distinções em recompensa de serviços feitos ao Estado
Segue-se que ninguém pode usar de medalha oferecida por esta Câmara de cidadãos,
que prestaram serviços distintos por ocasião da epidemia de febre amarela, sem que por
S.M. seja autorizado o uso desta distinção; por isso proponho que a Câmara represente e
peça graça da dita autorização não se entregando os diplomas sem que esta autorização
seja concedida.”
AML 39 / 1859 - Sessão de 1 de Junho de 1859:
O Engenheiro Pezerat apresentou um ofício solicitando que a Câmara contemplasse com a referida medalha o Geómetra Francisco de Almeida e Silva e o
Mestre das Obras, António dos Santos.
AML 42 / 1859 - Sessão de 20 de Junho de 1859:
Foi apresentada, e lançada em acta, a relação dos cidadãos a quem a Câmara
conferiu a medalha.
AML 42 / 1859 - Sessão de 27 de Junho de 1859:
O Enfermeiro-Mor do Hospital de S. José, fez chegar à Câmara um novo ofício
solicitando que a medalha fosse igualmente concedida ao Facultativo Manuel Carlos Teixeira e ao Secretário do Conselho de Saúde, José Pedro António Nogueira.
Excepcionalmente, e porque já estavam distribuídas as 220 (???) medalhas mandadas cunhar, foi resolvido conceder-lhes somente o Diploma.
AML 42 / 1859
Anexo com a referida Relação – pag. 348.
AML 43 / 1859 - Sessão de 4 de Julho de 1859:
Os senhores Vereadores Alves Chaves e Matos Pinto, propuseram que se
concedessem mais medalhas a diversos indivíduos, o que não foi aprovado.
O Conde de Paraty devolveu o diploma de concessão, e a respectiva medalha,
alegando que os renunciava por motivos que foram considerados atendíveis.
AML 43 / 1859 - Sessão de 7 de Julho de 1859:
O Vereador Fiscal apresentou uma proposta para que se mandasse cunhar e
se concedessem mais 60 medalhas por serviços prestados, o que foi aprovado.
O Sr. Esteves de Carvalho, propôs, e foi aprovado, que não se fizesse a distribuição das medalhas adicionais senão no final de Julho, por forma a permitir à
respectiva Comissão a apreciação de todas as propostas.
AML 44 / 1859 - Sessão de 14 de Julho de 1859:
Foi comunicado que o cidadão Luiz Dally se dirigiu aos Paços dos Concelho
para agradecer a medalha assim como, foram chegando, vários ofícios de agradecimento pela concessão.
Na mesma sessão foi enviado à Comissão de apreciação um ofício do Prior
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da Freguesia das Mercês, solicitando uma medalha !
AML 45 / 1859 - Sessão de 28 de Julho de 1859:
Foi comunicado o Acordão do Conselho do Distrito de Lisboa, de 12 desse
mês, aprovando a deliberação de dia 7, para que se concedessem e mandassem
cunhar mais 60 medalhas (por cerca de 100$000), além das 200 já anteriormente
autorizadas (Acórdão do Conselho do Distrito de Lisboa, de 21 de Dezembro de
1859).
Esta medalha municipal passa a ser considerada uma condecoração oficial
nacional por deliberação régia.
Decreto de 25 de Agosto de 1859 (Diário de Lisboa nº 206, 2 de Setembro de
1859)
“Attendendo ao que Me representou a Câmara municipal de Lisboa, Hei por bem
Auctorisar a instituição de Medalha de prata, que ella fizera cunhar em commemoração dos
distinctos serviços humanitarios, prestados durante a calamitosa epidemia da febre amarella
na capital; e Permittir que as pessoas contempladas pela mesma Camara na distribuição
da referida Medalha por tão assignalados actos de dedicação, possam usar deste distinctivo
pendente de fita de côr amarella. O Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Reino
assim o tenha entendido e faça executar. Paço de Mafra, em 25 de Agosto de 1859 = REI
= Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello.”
Decreto de 25 de Agosto de 1859
(Diário de Governo nº 206/1859).
Biblioteca do Instituto Geográfico
Português.
Diário do Governo nº 206, de 2 de Setembro de 1859.
Biblioteca do Instituto Geográfico Português.
AML 50 / 1859 - Sessão 1 de Setembro de 1859:
Mandou-se pagar a Francisco de Borja Freire a quantia de 56$600 réis, pelo
cunho de mais quarenta medalhas (???), que se mandaram cunhar para comemorar
os serviços prestados por ocasião da febre amarela.
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AML 50 / 1859
Recepção do Decreto (cópia autenticada) de 25 de Agosto, cujo ofício, em
anexo, informa que têm que ser enviados ao Ministério e Secretaria de Estado do
Reino 2 exemplares do desenho da medalha, para que um deles seja autenticado
e reenviado à Câmara Municipal de Lisboa para ficar junto a este decreto.
AML 50 / 1859
Recepção da Portaria de 8 de Setembro de 1859, que devolve um dos desenhos
da medalha, já devidamente autenticado com a rubrica do Ministro e Secretário
de Estado do Reino.
AML 51 / 1859 - Sessão de 5 de Setembro de 1859:
A Câmara Municipal de Lisboa deliberou oferecer uma das medalhas à Real
Academia de Ciências de Lisboa, para a sua importante colecção de Numismática,
e uma outra à Repartição-Geral do Correio, sendo para esse fim remetida ao Subinspector-Geral desta Repartição.
AML 51 / 1859 - Sessão de 8 de Setembro de 1859:
Aprovada a relação adicional dos agraciados com a medalha.
AML 52 / 1859 - Sessão de 12 de Setembro 1859:
Concedeu-se uma medalha ao cidadão António Carlos Esteves de Carvalho,
membro da Comissão de Socorros na Freguesia da Santa Engrácia.
Note-se que esta medalha deverá ser a mesma que foi devolvida pelo Conde
de Paraty.
AML 53 / 1859 - Sessão de 29 de Setembro de 1859:
Recepção do ofício do Subinspector-Geral dos Correios e Postas do Reino,
agradecendo em nome dos seus empregados a medalha concedida àquela Repartição.
Resolveu-se inutilizar o cunho da Medalha da Febre Amarela, e que fosse
assim depositado no Arquivo.
Foi esta a última referência a esta medalha encontrada nos referidos Annaes
do Municipio de Lisboa, pelo que é de supôr que com a inutilização do cunho acabou
o processo de concessão da Medalha da Febre Amarela.
..........................................................................................................................................
Entre outros aspectos pertinentes que podem decorrer da leitura de todas as
situações descritas pelos Annaes do Munícipio de Lisboa, salienta-se o facto de terem
sido concedidas 260 medalhas e não 220, tal como referido pelo Contra-Almirante
Alfredo Motta, na sua obra em referência bibliográfica, e que de alguma forma, é
comummente repetido.
Perdoem-nos os mais susceptíveis à crítica sobre a maneira de ser portuguesa
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mas parece-nos ser tipicamente português, a forma como há toda uma discrepância entre os vários exemplares autorizados e orçamentados, os encomendados e
os efectivamente cunhados e entregues e por fim, liquidados. Houve sempre que
fazer “acertos administrativos” para que, no termo do processo, a CML tivesse
como pagar as 260 medalhas...
Para o caso de futura conferência das duas relações anexas, não deverá ser
estranho o facto de nelas constarem 261 nomes e não os referidos 260. Recorda-se
que o Conde de Paraty devolveu a sua medalha “por motivos atendíveis” o que
fez ser possível agraciar um outro cidadão
Sabe-se da existência de exemplares idênticos mas do tipo miniatura com
cerca de 15mm de diâmetro, mas desconhece-se o seu gravador ou em que contexto foram cunhados. No entanto, acreditamos ser uma mera produção comercial,
idêntica a situações semelhantes ocorridas com outras medalhas.
De salientar termos encontrado na Lista de Antiguidades de Oficiais da Armada
de 1872, referência a alguns nomes que não constam nas relações oficiais, mas que
de alguma forma foi-lhes averbada a dita medalha. Desconhecemos, por agora, se
a Câmara Municipal de Lisboa mandou passar Diplomas a novos “agraciados” (a
exemplo de um precedente aberto - AML 42 / 1859 - mas que na altura ficou sem
efeito por terem aumentado o número de medalhas a conceder) ou se, se trata do
averbamento de uma qualquer Ordem militar concedida em virtude de serviços
prestados durante essa epidemia e que foi mal averbada, ou ainda, se terá existido
uma outra explicação que agora nos escapa...
Pensamos ser mais plausível a primeira hipótese até pelo conhecimento que
temos de que, numa colecção particular existirá um ofício da CML, datado de 10
de Agosto de 1869, a comunicar a concessão da Medalha da Febre Amarela, a um
cidadão de nome António Avelino Azimont. No entanto, nada podemos adiantar
sobre se houve mais medalhas realmente cunhadas e concedidas...
Não obstante os respectivos processos individuais existentes no Arquivo
Central de Marinha pouco ajudarem a esclarecer esta situação, aqui ficam os nomes
desses Oficiais da Armada, para memória futura:
Capitão-Tenente, José Francisco Schultz;
Capitão-Tenente, Luiz Caetano de Novaes;
2º Subinspector de Saúde Naval, Francisco José dos Santos Chaves.
Apesar de não se tratar directamente da Medalha da Febre Amarela, parecenos ser muito oportuno referir um facto ocorrido 5 anos após as últimas concessões
e claro, respeitante ao mesmo surto epidémico e à temática da falerística.
D Luiz I, por alturas festivas do seu matrimónio com D. Maria Pia, e como
forma de recordar o seu falecido irmão, D. Pedro V, e ainda para reconhecer publicamente todos aqueles que haviam servido exemplarmente, quando do surto
de febre amarela em Lisboa, vai conceder a a 221 súbditos a mais alta Ordem
honorífica portuguesa - a Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade e
mérito (Decretos de 1 e 14 de Agosto de 1862, publicados no Diário de Governo nº
194, de 29 de Agosto de 1862).
Tal número surpreende de imediato qualquer leitor, mesmo aqueles mais ha138
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bituados a “exageros” ocorridos com a concessão desta Ordem quando da Guerra
Civil de 1826-1834 ou da Guerra da Patuleia, a título de exemplo. O acto em si
de agraciar com tal Ordem (actualmente mais ligada a grandes feitos militares)
“combatentes” de uma guerra menos convencional contra os flagelos e doenças
que assolavam Portugal e as suas colónias, era algo que no século XIX acontecia
com alguma normalidade.
No entanto, mais curioso é o facto de somente 96 destes serem indivíduos que
não haviam sido já condecorados com a Medalha da Febre Amarela. Assim, destes
221 nomes (4 grau de Oficial e 216 grau de Cavaleiro), 125 de grau Cavaleiro e 3
elevados ao grau de Oficial, haviam já sido condecorados ccom a Medalha de Febre
Amarela, o que na prática, trata-se de uma dupla recompensa pelo mesmo acto, o
que vai contra os princípios éticos (mas à data não regulamentados) subjacentes
à concessão de condecorações...
Graças ao imenso e valioso acervo patrimonial do Gabinete de Estudos Olisiponenses, é-nos possível apresentar (pela primeira vez, cremos) um raro Diploma
de concessão da Medalha da Febre Amarela. Ao mesmo tempo é apresentado um
Diploma de concessão da Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade
e mérito, grau de Cavaleiro, atribuido ao mesmo médico - Francisco Alberto de
Oliveira - e que se encontra numa colecção particular. Quis o destino que estes
dois documentos (um em mãos públicas e o outro em particulares), importantes
testemunhos de um momento histórico e de uma acção pessoal digna de realce,
Diploma de Concessão da Medalha
da Febre amarela ao Cirurgião
Francisco Alberto de Oliveira (Lisboa,
20 de Junho de 1859). Gabinete
de Estudos Olisiponenses - Cota:
MS–Mç 267.
Lusíada. História, n.º 3/2006
Diploma de Concessão da Ordem
Militar da Torre e Espada – grau de
Cavaleiro, ao Cirurgião Francisco
Alberto de Oliveira. (Lisboa, 15 de
Outubro de 1859 – assinatura do rei D.
Luiz I). Colecção particular.
139
Paulo Jorge Estrela
voltassem a encontrar-se, enobrecendo uma vez mais, o referido munícipe de
Lisboa, tantos anos depois do triste episódio...
Cruz da Cholera Morbus
À imagem do realizado pelo Município de Lisboa, também a Câmara Municipal dos Olivais (à época uma circunscrição administrativa nos arredores de
Lisboa) deliberou a criação de uma condecoração para premiar aqueles que mais
abnegadamente se haviam distinguido no combate à Cholera Morbus, naquele
Concelho, durante o ano de 1856.
Em Sessão de 28 de Julho de 1859, é proposto (e aprovado) pelo Presidente
da Câmara Municipal dos Olivais, José Maria da Costa Bueno Cevallos de Villas
Boas, a criação desta nova insígnia de Mérito.
Esta terrível cólera, que tanto vitimou os habitantes dos concelhos dos Olivais,
Belém e de Lisboa durante os anos de 1855 e 1856, foi combatida diariamente por
alguns dos seus cidadãos mais altruístas. Em Sessão camarária de 25 de Agosto
do mesmo ano, é declarado que esta insígnia deveria ser concedida somente a 20
munícipes do concelho dos Olivais, o que faz com que esta seja uma das mais raras
condecorações portuguesas do século XIX.
Esta declaração é aprovada em 6 de Setembro, por Acordão do Conselho do
Distrito de Lisboa, ficando no entanto, dependente da respectiva autorização régia
(tal como havia acontecido com a Medalha da Febre Amarela, da Câmara Municipal de Lisboa) para os agraciados poderem usar as mesmas no lado esquerdo do
peito, o que desconhecemos se chegou a haver essa autorização. De igual forma,
não conhecemos o respectivo Diploma de concessão nem tão pouco a curta lista
de condecorados
A par destas incertezas, sabe-se que as mesmas foram cunhadas de acordo
Cruz da Cholera morbus (C. M. dos Olivais). Desenho in obra de Lopes Fernandes em referência
bibliográfica. Colecção particular.
140
Lusíada. História, n.º 3/2006
Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
com o desenho proposto pela Câmara, tendo um espécime sido oferecido à Academia Real de Ciências de Lisboa, de acordo com Lopes Fernandes, na sua obra
em referência bibliográfica.
Como se percebe ainda existem algumas dúvidas sobre todo este processo
pelo que acreditamos, em breve, obter mais resultados sobre a investigação em
curso para assim, poderemos publicar a sua “conclusão”, fechando este capítulo
da Falerística, que é a Medalha da Febre Amarela e a Cruz da Cholera morbus...
Esperando que nunca mais a capital seja testemunha de tal calamidade
pública, resta-nos agora apreciar o gesto de reconhecimento público que a edilidade lisboeta protagonizou. Foi uma deliberação importante para a história da
falerística nacional, apesar de não ter havido continuidade. Situações semelhantes
vindouras, como a ocorrida com a gripe pneumónica, em 1918, tiveram reconhecimento público com a concessão da Medalha de Serviços Distintos da Cruz
Vermelha Portuguesa1.
Referência ainda para o facto de uns anos mais tarde, em 1894, o Reino
Unido ter criado, também, uma condecoração para agraciar todos aqueles que
se distinguiram no combate contra a mortífera peste bubónica na sua colónia de
Hong Kong, que grassou no território entre Maio e Setembro desse mesmo ano:
a Hong Kong Plague Medal.
Uma palavra final de agradecimento aos colaboradores do Gabinete de Estudos Olisiponenses (CML), sempre profissionais, simpáticos e colaborantes, assim
como aos meus colegas do Centro para a Documentação e Informação do Instituto
Geográfico Português. Um sentido obrigado aos meus amigos e coleccionadores de
militaria, em especial ao Doutor Humberto Nuno de Oliveira, a Dom Vasco Telles
da Gama e a Leonildo Ponçe de Almeida, e claro, à minha “revisora de textos” e
querida companheira, Teresa.
Bem hajam!
1
ESTRELA, Paulo, Medalha da CVP – prémio por serviços distintos na guerra e na paz. Lusíada. História
2, pp. 159-182
Lusíada. História, n.º 3/2006
141
Paulo Jorge Estrela
BIBLIOGRAFIA
Estrela, Paulo Jorge (2005) – Medalha da CVP – prémio por serviços distintos na
guerra e na paz. Lusíada. História. 2. pp. 159-182.
Fernandes, Manuel Bernardo Lopes (1861) – Memória das Medalhas e Condecorações
Portuguezas e das Estrangeiras com relação a Portugal. Lisboa. Academia Real das
Sciências de Lisboa
Lamas, Arthur (1916) – Medalhas Portuguesas e estrangeiras referentes a Portugal,
Volume I, Parte I: Medalhas Comemorativas. Lisboa. Tipografia de Adolpho de
Mendonça
Leitão, Alexandre José dos Santos (1897) – Colecção Numismática. Porto. Typographia Central
Motta, Contra-Almirante Alfredo (1981) – A Medalha da Febre Amarela. Moeda – Revista Portuguesa de Numismática, Vol. VI – nº 3 (Maio/Junho 1981). Lisboa
Pereira, Manoel Joaquim (1898) – Medalhas e Condecorações Portuguezas e algumas
estrangeiras referentes a Portugal que possue o Museu Municipal do Porto. Porto.
Imprensa Civilisação
Reis, Pedro Batalha (1959) – Guia da mais notável colecção de medalhas portuguesas
reunida em Portugal. Lisboa. Oficina Gráfica
Serrano, Maria Alice Pereira de Lima (1966) – A Ordem Militar Portuguesa da Torre
e Espada – subsídios para a sua história. Lisboa. Papelaria Fernandes
AAVV (1859) – Relatório da epidemia de febre amarella em Lisboa no anno de 1857, feito
pelo Conselho Extraordinario de Saúde Pública do Reino creado por Decreto de 29 de
Setembro de 1857. Lisboa. Imprensa Nacional
AAVV (1873) – Lista da Armada referida a 31 de Dezembro de 1872 coordenada na Direcção Geral de Marinha. Lisboa. Imprensa Nacional
AAVV (1860) – Annaes do Municipio de Lisboa nos annos de 1856-1859. Lisboa. Imprensa Nacional
Diários de Lisboa e de Governo
Ordens de Exército
Ordens à Armada
142
Lusíada. História, n.º 3/2006
Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
ANEXO:
Lista nominal dos condecorados com a Medalha da Febre Amarela e com indicação
das funções desempenhadas durante a epidemia ou a freguesia de actuação, sempre
que conhecidas.
A. Dobigne
Alexandre Joaquim de Sequeira Lopes
Comissão de Socorros
C
Alexandre José da Silva Campos
Cirurgião
C
Álvaro Augusto Saraiva do Valle Abrantes
Cirurgião
C
André Avellino Barradas
Cirurgião
André Joaquim Monteiro
Regedor da Freguesia de Santo Estevão
Angelo de Souza Prado
Cirurgião
António Alfredo da Silva
Freguesia da Madalena
António Carlos Esteves de Carvalho
C
António Correia Belém
Cirurgião
C
António da Silva Tulio
Freguesia de Santa Justa
António de S. Francisco de Assis
Eclesiástico
António de Sequeira Nazareth
Cirurgião
António dos Santos
Mestre Geral das Obras da C.M. Lisboa
António dos Santos Monteiro
Director da Alfândega
António Emidio Duarte Pinheiro
Regedor da Freguesia da Madalena
C
António Fernandes
Comissão de Socorros (Santa Catarina)
C
António Ferreira
Regedor da Freguesia da Pena
C
António Francisco Franco
Prior da Freguesia da Pena
C
António Germano de Carvalho Ferreira
Associação Comercial
António Joaquim Baptista
Freguesia da Madalena
António Joaquim Pereira
Cabo, Alfama
António Joaquim Pinto
Regedor, Alfama
António José Affonso
Prior da Freguesia da Encarnação
António José Bastos
Escrivão da Freguesia dos Martires
António José da Rosa Torres
Eclesiástico, Freguesia do Sacramento
C
António José Gonçalves Basto
Regedor da Freguesia de S. Nicolau
C
António José Soares
Freguesia da Encarnação
António Luiz Maria
Comissão da Freguesia das Mercês
António Luiz Zamith
Sociedade Zamith
António Manuel de Santa Anna
Enfermeiro
C
António Maria Barbosa
Cirurgião
C
António Maria da Luz Rego
Cirurgião
C
António Maria de Oliveira Soares
Cirurgião
António Maria dos Santos Brilhante
Cirurgião
C
António Maria Vellez
Comissão Freguesia de S. Nicolau
C
António Martins
Eclesiástico
C
António Martins Pereira
Médico
C
António Máximo Verol
Freguesia da Conceição
António Nunes
Regedor da Freguesia das Mercês
Lusíada. História, n.º 3/2006
143
Paulo Jorge Estrela
António Pimenta
Regedor da Freguesia do Sacramento
C
António Pinto Roquette
Interno do Hospital
C
António Rodrigues Sampaio
António Rogério Gromicho Couceiro
Ministro do Estado
C
António Thomaz Pacheco
Associação Comercial
C
Archibald Turner
Augusto Frederico Ferreira
Associação Comercial
Augusto João de Mesquita
Cirurgião
Augusto José Gonçalves Lima (Dr.)
Administrador do Bairro do Rossio
Augusto Maria Quintella Emauz
Advogado
Bartholomeu José de Carvalho
Freguesia das Mercês
C
Bernardino António Gomes
Médico
C
Bernardino Augusto da Silva Heitor
Cirurgião
Bernardo José Soares
Freguesia de S. Julião
Caetano Maria da Silva Beirão
Médico
Camillo José de Gouvêa
Juíz
C
Carlos de Carvalho Osório
Coadjuctor da Freguesia de S. Paulo
C
Carlos Esteves de Carvalho
Comissão de Socorros na Freguesia de Santa Engrácia
C
Carlos Miguel Augusto May Figueira
Médico
C
Casimiro de Sousa
Freguesia de S. Paulo
C
Casimiro Ignácio Pereira
Freguesia de Santa Catarina
C
Casimiro Simão da Cunha
Médico
Christovão José Franco Bravo
Comandante da Guarda Municipal de Lisboa
Claudino Martins
Eclesiástico
C
Cláudio Francisco Nunes
Cabo da Freguesia de Santa Justa
C
Conde de Sobral
Governador Civil
Diocleciano António Pedro Freire
Chefe da 1ª Rep. da Secretaria-Geral da C.M. Lisboa
Diogo António Correia de Sequeira Pinto
Conselho de Saúde
C
Diogo Baptista dos Santos Cadet
Cirurgião
C
Domingos da Silva
Eclesiástico
C
Domingos Félix Branco
Freguesia de S. José
Domingos Francisco Lopes
Regedor da Freguesia dos Mártires
Domingos Lopes da Silva
Eclesiástico
Domingos Ricardo Ramalho
Freguesia de S. José
Duarte Cairus
Associação Comercial
Duarte Ferreira Severino
Cirurgião
Eleuterio Sabino da Silva
Elias dos Santos Miranda
Cirurgião
Emigdio José de Oliveira
Cabo do Bairro de Alcântara
Ernesto Augusto Gomes
Cirurgião
Fernando Leite de Sousa Pereira de Foios
Freguesia de Santa Cruz do Castelo
C
Filippe Augusto Barbosa
Cirurgião
C
Fortunato Chamiço Jr.
Associação Comercial
C
Fortunato José Moniz Wanzeller
C
Francisco Alberto de Oliveira
Cirurgião
C
Francisco António Alves de Azevedo
Farmacêutico
C
C
C
C
144
Lusíada. História, n.º 3/2006
Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
Francisco António Barral
Médico
C
Francisco António Brandão
Cirurgião
C
Francisco António Namorado
Cirurgião
C
Francisco de Almeida Brandão e Sousa
Alfândega Grande
Francisco de Assis e Almeida
Freguesias de Santa Justa e S. Nicolau
Francisco de Assis Gomes
Cirurgião
Francisco José da Costa Lobo
Francisco José dos Santos Chaves Jr.
Aluno da Escola Médica
Francisco José Salustiano de Mesquita
Cirurgião
C
Francisco Lourenço dos Santos
Prior da Freguesia de Santa Catarina
C
Francisco Lourenço Hypólito Garcez
Escrivão da Freguesia de Santa Justa
Francisco Maria de Méra
Cirurgião
Francisco Marques Pereira
Prior da Freguesia da Conceição
Francisco Pereira de Figueiredo
Interno do Hospital
Francisco Teixeira da Cunha
Francisco Xavier de Seixas Lemos Lacerda Castello
Branco
Francisco Xavier Monteiro
Freguesia de S. Julião
Frederico Biester Jr.
Freguesia do Sacramento
Frederico Zacharias de Oliveira e Sousa
Cirurgião
Gregório José Ribeiro de Freitas
Administrador substituto do Bairro Alto
C
Gregório Vaz Rans de Campos Barreto Fróes
Freguesia de Santa Justa
C
Guilherme Cândido Borges de Sousa
Freguesia dos Mártires
Guilherme Centazzi
Cirurgião
Guilherme Joaquim da Silva Abranches
Conselho de Saúde
C
Herculano Teixeira da Cunha
Freguesia de S. Julião
C
Ignácio José dos Santos
Coadjuctor da Freguesia de S. Nicolau
Ignácio Quintino de Avellar
Cirurgião
C
Ignácio Rodrigues dos Santos
Freguesia de Santa Catarina
C
Isac Amsalak
Jacques François Barbier
Médico
Jerónimo José de Carvalho
Freguesia de S. Nicolau
C
João António de Azevedo Coutinho
Comissão, Freguesia de Santo Estevão
C
João Baptista de Seixas
Administrador do Bairro de Alfama
João Cândido Ribeiro de Moraes
Cirurgião
C
João Cardoso Ferraz de Miranda
Administrador substituto do Rossio
C
João Clemente Mendes
Médico
João Cypriano Ferreira
Cirurgião
C
João de Mattos Pinto
Vereador
C
João Gomes Roldão
Associação Comercial
C
João Gregório Gonçalves Correia
Cirurgião
C
João Guilherme Leitão de Magalhães
Capelão da Sé
João Joaquim Henriques de Abreu
Eclesiástico
João José de Sousa e Silva
Cirurgião
João Lino
Empregado na Câmara Municipal
João Luiz de Carvalho
Cirurgião
João Luiz Pereira
Escrivão do Regedor do Sacramento
C
OF
C
C
C
Lusíada. História, n.º 3/2006
Freguesia dos Anjos
Cabo do Bairro de Alcântara
145
Paulo Jorge Estrela
João Maximiano Gonçalves Correia
Cirurgião
C
João Miguel Alves
Cirurgião
C
João Pereira
Médico
C
João Rodrigues Cardoso
Sociedade Zamith
João Venancio Pinto
Freguesia de S. José
Joaquim António de Aguiar
Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Joaquim António Saraiva do Valle Abrantes
Cirurgião
Joaquim Eleutherio Gaspar Gomes
Médico
Joaquim Emigdio
Cabo da Freguesia de S. José
Joaquim Fernandes Esteves Rosa
Cirurgião
C
Joaquim Ferreira de Barros
Freguesia de S. Miguel
C
Joaquim Henrique Fradesso da Silveira
Joaquim Isidoro de Passos
Freguesia de Alcântara
Joaquim Jorge Passano
Regedor da Freguesia dos Anjos
Joaquim José Rodrigues da Câmara
Cirurgião
Joaquim Manuel dos Santos
Aluno da Escola Médica
Joaquim Pedro Abranches Bizarro
Médico
Joaquim Pedro Lourenço Venade
Major da 5ª Companhia da Guarda Municipal de Lisboa
Joaquim Theotonio da Cunha
Freguesia da Sé
C
Joaquim Theotonio da Silva
Cirurgião
C
Jorge Henrique Brandt
Médico
C
José Baptista Mancio
Regedor da Freguesia da Encarnação
José Amaro da Costa
Escriturário do Hospital
José António Mendes
Regedor, Alfama
José António Pereira Serzedello
José António Rodrigues
Membro da Comissão de Santa Catarina
C
José Baptista Cardoso Klerk
Cirurgião
C
José Caldeira Pinto de Albuquerque
Juiz
José Cândido Loureiro
Médico
C
José Carlos Nunes
Regedor substituto da Freguesia de S. Paulo
C
José da Rocha Martins Furtado
Prior da Freguesia de Santa Justa
José de Almeida Ramalho
Porteiro do Cemitério do Alto de S. João
José de Oliveira Mattos
Capelão do Hospital
José de Sande Magalhães Mexia Salema
Juíz de Direito
José Dionísio Correia
Administrador da Botica do Hospital
C
José do Nascimento Gonçalves Correia
Cirurgião
C
José Eduardo de Magalhães Coutinho
Cirurgião
C
José Emilio da Silva Barros
Eclesiástico
José Fernandes de Macedo
Administrador do Cemitério do Alto de S. João
José Firmo Ferreira dos Santos
Cirurgião
C
José Gregório da Silva
Acharnador da Freguesia do Sacramento
C
José Gualdino de Carvalho e Silva
Cirurgião
José Ignácio Rodrigues Barreto
Ajudante do Escrivão de Assentos
José Isidoro Jorge
Cirurgião
C
José Isidoro Vianna
Cirurgião
C
José Joaquim Alves Chaves
C
C
C
C
146
Lusíada. História, n.º 3/2006
Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
C
José Lino Alves Chaves
Regedor da Freguesia de S. Mamede
C
José Luiz do Nascimento
Regedor da Freguesia de S. Miguel de Alfama
José Luiz Teixeira Mendes
Sociedade Zamith
José Manuel de Santa Anna da Cunha Castello Branco
Regedor da Freguesia de Santos
C
José Maria Alves Branco Jr.
Cirurgião
C
José Maria Barbosa
Freguesia da Pena
José Maria Frazão
Cirurgião
José Maria Lino Teixeira
Escrivão da Freguesia de Santa Catarina
José Mendes de Assumpção
José Mesquita da Roza
Freguesia da Conceição
José Miguel Marques Rego
Freguesia do Socorro
C
José Pedro António Nogueira
Secretário do Conselho de Saúde
C
José Ribeiro
Major da 2ª Companhia da Guarda Municipal de Lisboa
José Rodrigues
Cabo do Bairro de Alcântara
José Rodrigues Correia
Regedor da Freguesia de Alcântara
C
José Thiago Fontana
Eclesiástico
C
José Vicente de Oliveira
Freguesia de S. José
C
José Xavier de Mello
Freguesia de S. Tiago
C
Júlio Caldas Aulete
Freguesia do Sacramento
C
Júlio Máximo de Oliveira Pimentel
OF
Leopoldo Saraiva da Silva Cardeira
Cirurgião
Levy Maria Jordão (Dr.)
Vereador da Câmara Municipal
Luiz António de Oliveira Machado
Negociante
Luiz António Soares
Freguesia de S. Julião
C
Luiz Brignoli Jr.
Médico
C
Luiz Caetano da Guerra Santos
Cirurgião
C
Luiz César Bourquin
C
C
C
Luiz Dally
Cirurgião
Major da 1ª Companhia da Guarda Municipal de
Lisboa
Conselho de Saúde
C
Luiz de Almeida Albuquerque
Secretário do Governo Civil
C
Luiz José da Costa
Eclesiástico
Luiz José dos Reis
Enfermeiro Fiscal
Luiz Telles de Mello
Freguesia da Pena
Manuel António Alves
Eclesiástico
Manuel Carlos Teixeira
Cirurgião
Manuel Cezário de Araújo e Silva
Oficial Maior do Hospital de S. José
Manuel de Jesus Coelho
Manuel de Moura Coutinho
Cabo da Freguesia de S. Nicolau
Manuel de Santa Anna Noronha
Eclesiástico
Manuel Gil
Cirurgião
C
Manuel José Mendes
Freguesia da Lapa
C
Manuel José Ribeiro da Costa
Freguesia de S. Paulo
Manuel Lourenço de Carvalho
Freguesia da Lapa
Manuel Maria Rodrigues de Bastos
Médico
C
Manuel Moniz Vieira
Cirurgião
C
Manuel Nicolau de Bettencourt Pitta
Médico
OF
C
Luiz da Câmara
Lusíada. História, n.º 3/2006
147
Paulo Jorge Estrela
C
Manuel Rodrigues Perdigão
Eclesiástico
Manuel Salustiano Damasceno Monteiro
Presidente da Câmara Municipal
C
Manuel Thomaz Lisboa
Médico
C
Maria José Liberato Pereira (D.)
Freguesia de Santa Catarina
Marquez de Ficalho
Marquez de Loulé
C
Martinho Alvéolos Durão
Farmacêutico
C
Matheus Cezário Rodrigues Moacho
Médico, Conselho de Saúde
C
Matheus dos Santos Oliveira
Regedor, Alfama
C
Matheus José Baptista
Cirurgião
Miguel dos Santos
Enfermeiro
Miguel Januário Fernandes Branco
Cirurgião
Narciso Zeferino Lopes
Cabo da Freguesia dos Mártires
Nicolau Marques Coelho
Cabo, Alfama
Nuno de Sá Pamplona
C
Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho
Cirurgião
C
Pedro Francisco da Costa Alvarenga
Médico
Pedro José da Silva Leitão Jr.
Administrador do Bairro de Alcântara
C
Porfirio do Amaral Rego
Cirurgião
C
Rodrigo Botelho da Fonseca Paganino Jr.
Cirurgião
Rodrigo Vasconcellos Pereira de Mello (D.)
Prior da Freguesia do Socorro
Sabino José de Sousa
Freguesia dos Anjos
Sebastião José de Abreu
Associação Comercial
Sebastião Maria de Assis e Brito
Cirurgião
Silvério Antão Barata Salgueiro
Prior da Freguesia de S. Nicolau
C
Thomaz António Carneiro
Freguesia de S. Nicolau
C
Thomaz Antunes de Mendonça
Freguesia de Santa Catarina
C
Thomaz de Aquino Alves
Regedor da Freguesia da Lapa
Thomaz Germano Farinha
Thomaz José Rodrigues
Freguesia da Madalena
Thomaz Oom
Director da Alfândega Municipal
C
C
Visconde de Santa Isabel, Júlio Augusto Ferreira
Associação Comercial
Visconde Thamberg
Zeferino Pedroso Gomes da Silva
Cirurgião
Correio Geral
Academia Real das Sciências de Lisboa
X
Conde de Paraty
Freguesia de Santa Isabel
Nota: O C e OF na primeira coluna indica que o mesmo cidadão foi igualmente
agraciado, por D. Luiz I, com a Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade
e mérito (Diário de Lisboa nº 194, de 29 de Agosto de 1862), no grau de Cavaleiro
ou de Oficial, respectivamente.
Na última linha, o X indica uma concessão renunciada e devolvida.
148
Lusíada. História, n.º 3/2006
Medalha da Febre Amarela, p. 125-149
CDV – Carte de Visite, do fotógrafo de Lisboa,
Alfred Fillon. Eclesiástico de identidade
desconhecida. Além do colar da Ordem da
Torre e Espada ostenta as miniaturas da mesma
Ordem, da Ordem Militar de Cristo e da Medalha
da Febre Amarela. Colecção particular.
Lusíada. História, n.º 3/2006
149
Humberto Nuno de Oliveira e Paulo Jorge Estrela
250
Lusíada. História, n.º 3/2006
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Untitled - Academia Falerística de Portugal