Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 MEDALHA DA FEBRE AMARELA Lisboa Agradecida à Devoção Humanitária Paulo Jorge Estrela Instituto Geográfico Português Lusíada. História, n.º 3/2006 125 Paulo Jorge Estrela 126 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 Resumo Artigo de Falerística sobre a Medalha da Febre Amarela. Condecoração criada pelo Município de Lisboa, para agraciar todos aqueles que se haviam distinguido no combate ao flagelo que assolou Lisboa em 1857, e que, rapidamente, foi elevada à condição de condecoração nacional, sob o alto patrocínio do rei D. Pedro V. Enquadramento histórico, criação, desenvolvimento de todo o processo de concessão e distribuição da medalha. Apresentam-se ainda imagens da medalha (anverso e reverso), diplomas de concessão, Planta temática da cidade de Lisboa e um retrato fotográfico CDV, além de um anexo com a lista completa de todos os agraciados. Palavras-chave Lisboa / Febre Amarela / Cholera morbus / Condecoração / Medalha / Ordem Honorífica Abstract Phaleristic article about Portuguese Yellow fever Medal. Created by Lisbon Municipality and awarded to all who distinguished themselves in Lisbon during those 1857 tragic days, soon become an official national decoration under the high patronage of King Pedro V. Historical enlighten, medal creation and concession process development and award. All illustrated with a medal (obverse and reverse), two concession diplomas, and a thematic Lisbon city Plan, a CDV photographic portrait and an annexed complete medal roll. Key-words Lisbon / Yellow fever / Cholera morbus / Decoration / Medal / Honorific Order Lusíada. História, n.º 3/2006 127 Paulo Jorge Estrela 128 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 Numa época em que tanto se fala de vírus gripais, em que termos como “epidemia” e “pandemia” se tornaram comuns no nosso dia-a-dia, pareceu-nos pertinente relembrar a situação epidémica ocorrida há cerca de 150 anos, em Lisboa, e que originou a criação da Medalha da Febre Amarela. Embora este trabalho pretenda ser um artigo de Falerística, isto é, o estudo de Condecorações (para os menos familiarizados com este vocábulo), é imprescindível fazer o enquadramento histórico desta época infeliz da cidade de Lisboa, e que decorreu entre os anos de 1856 e 1857. Já no ano de 1855, a capital portuguesa tinha sido assolada por um flagelo viral de enorme mortalidade, a chamada Cholera morbus, a que não foi alheia à sua rápida propagação, a fatal inexistência de cuidados médicos mínimos, aliada a uma completa falta de condições higieno-sanitárias das populações. Refira-se no entanto, que a mesma doença atacou outros pontos do país mas, por ser menor a densidade demográfica, os efeitos da mesma não foram tão nefastos. Em 1856 e durante dois anos, um outro flagelo, e de maiores e mais terríveis proporções assolou a cidade das sete colinas, vitimando mortalmente milhares de habitantes. Não era a primeira vez que a cidade de Lisboa sofria gravemente com este mesmo vírus. A primeira epidemia de Febre Amarela que grassou em Lisboa, ocorreu na década de 20 do século XVIII, após ter sido trazida da América Central. Em cerca de 3 meses causou perto de 6.000 vítimas mortais, em especial entre os moradores dos bairros mais pobres (nomeadamente no lumpemproletariado) onde eram inexistentes quaisquer condições de higiene e salubridade pública. De 1856 a Dezembro de 1857, decorreram quase dois anos de triste memória para a capital. Mais de 10% da sua população foi contagiada por esta febre (entre 16 e 18.000 pessoas), sendo as vítimas mortais em número próximo das 5.000. Evidentemente que os principais lesados com esta epidemia continuaram a ser os habitantes dos bairros mais populares e antigos, como Alfama e Bairro Alto, onde as condições de higiene não haviam praticamente mudado desde da última epidemia de Febre Amarela, 130 anos antes ! É difícil entender a dimensão da tragédia e como toda a vida da cidade foi alterada por uma sensação de terror generalizado. O Governo tomou algumas resoluções por forma a minimizar o impacto negativo de tal catástrofe, como sejam: a proibição dos jornais darem longas notícias sobre os óbitos, assim como de revelarem o número e nome das vítimas - inicialmente chegaram a ser publicadas Lusíada. História, n.º 3/2006 129 Paulo Jorge Estrela longas listas de vítimas nos jornais o que causava uma angústia e apreensão geral; os enterros passaram a ser efectuados à noite e sem qualquer pompa ou circunstância: somente uma carroça, um padre e evidentemente, o defunto; as casas de espectáculos, em especial os teatros e casinos, encerraram temporariamente, assim como foram criados Hospitais provisórios (em vários pontos da cidade) por os ditos oficiais serem em número manifestamente baixo para internarem o enorme, e sempre crescente, número de vítimas. “Plano de Lisboa com o diagramma da epidemia da Febre amarela que esta cidade soffreo no anno de 1857, na escala 1:10000” - Anexo ao “Relatório da epidemia de febre amarella em Lisboa no anno de 1857...” Gabinete de Estudos Olisiponenses - Cota: P/CT 129-G. A consternação era geral e relatos da época fazem-nos visualizar uma cidade sombria em completo pânico e muito, muito triste. Quase todos os estabelecimentos comerciais encontravam-se encerrados, não só por falecimento de proprietários e empregados, como por muitos habitantes ainda sãos terem abandonado a cidade. A população, católica na sua quase totalidade, refugiava-se nas igrejas na tentativa de conforto espiritual e diariamente numerosas procissões de penitência e fé percorriam as ruas (que de resto se encontravam quase sempre desertas...) e mandavam-se rezar missas em todas as igrejas da cidade. Também altos funcionários, empregados públicos, eclesiásticos (incluindo o próprio Cardeal Patriarca), comerciantes e a população em geral, foram viver para localidades nos arredores de Lisboa ou mesmo em locais mais remotos da província. Ficaram somente na cidade os cidadãos mais carenciados e sem possiblidades de fugir, assim como uma série 130 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 de pessoas abnegadas que procuravam ajudar os mais necessitados, sendo de destacar a figura do jovem rei D. Pedro V, que apesar da sua tenra idade (20 anos), cedo alcançou o respeito e admiração de todos os súbditos e estrangeiros por não abandonar a cidade e, pelo contrário, andar junto dos enfermos a dar conforto e esperança. Mas voltaremos, mais à frente, a realçar o papel deste monarca nesta crise social e a forma como o Município de Lisboa, de uma maneira inovadora, reconheceu publicamente o seu altruísmo, assim como de alguns outros dos seus cidadãos. Aproximadamente um ano após as feridas causadas por esta calamidade pública começarem a sarar, um Vereador da Câmara Municipal de Lisboa tem a original iniciativa de propor ao Município a criação de uma medalha para distinguir o mérito de todos aqueles que se haviam distinguido excepcionalmente no combate àquele flagelo: a Medalha da Febre Amarela. Medalha da Febre Amarela. Colecção particular É sobre esta condecoração portuguesa que iremos tratar, tendo a mesma nascido de iniciativa municipal mas que, rapidamente, foi elevada à condição de condecoração nacional, sob o alto patrocínio de Sua Majestade o rei D. Pedro V. Como já vimos, este monarca teve um papel de relevo neste árduo combate, não abandonando a linha da frente e elevando o moral de todos. Assim, e para distinguir este comportamento exemplar, a Câmara Municipal de Lisboa decide que também o jovem monarca deverá ser condecorado, sendo concedido a D. Pedro V a Medalha da Febre Amarela, grau ouro, que será única, sendo todas as outras concedidas no grau prata. Não sendo muito habitual, iremos apresentar o “histórico” desta medalha num modelo do tipo Fita do Tempo. Graças aos chamados Annaes do Municipio de Lisboa nos annos de 1856-1859, e ao Gabinete de Estudos Olisiponenses, no belo Palácio Beau Séjour, onde existe um exemplar desta publicação (cota Lusíada. História, n.º 3/2006 131 Paulo Jorge Estrela AL 192) podemos ter uma clara ideia de todas as Sessões da Câmara de Lisboa coevas da época. Podemos então, “reconstruir” passo-a-passo, com resumos da nossa responsabilidade, todo o processo de concepção, criação e distribuição desta condecoração, o que raramente acontece. Assim, e sempre referenciando os respectivos Annaes do Municipio de Lisboa com a sigla AML e os Diários de Governo com a sigla DG, iremos dar a conhecer este curioso processo. No fim, tentaremos esclarecer algumas questões levantadas mas, também partilharemos algumas outras dúvidas e incertezas. AML 11 / 1858 - Sessão de 14 Junho 1858: Proposta do sr. Vereador, Dr. Levy Maria Jordão, para a concessão de uma medalha para reconhecimento aos indivíduos de todas as classes que prestaram, na ocasião de flagelo, relevantes serviços. A proposta resumia-se a dois pontos: - Que se mandasse cunhar uma medalha da prata com a seguinte configuração: Anverso: as armas da cidade de Lisboa, e a data “1857”; Reverso: a legenda “À caridade na occasião da febre amarella, a Cidade de Lisboa”; - Que essa medalha fosse oferecida aos referidos indivíduos pela Câmara Municipal. AML 12 / 1858 - Sessão de 17 de Junho de 1858: Foi aprovada a proposta apresentada a 14, tendo sido incumbido o Presidente da Câmara de apresentar, para aprovação, o modelo final. AML 16 / 1858 - Sessão de 23 de Agosto de 1858: Aprovou-se o modelo da medalha, apresentado pelo Sr. Presidente da Câmara. Medalha circular, com 32mm de diâmetro, da autoria do artista Francisco de Borja Freire e que apresentava algumas alterações ao modelo inicialmente proposto. Anverso: Figura alegórica representando a cidade de Lisboa, coroada de castelos e derramando coroas de louro com a mão direita, e com a esquerda encostada no escudo das armas de Lisboa, com a legenda “Lisboa agradecida” e no exergo “1858”, havendo ainda, em letras mais pequenas, o nome do artista: “Freire F.”; Reverso: legenda com “À devoção humanitária” circundada por uma coroa de louro. Foi igualmente comunicado que o custo do cunho seria de 72$000 réis, tendo sido tudo aprovado. AML 22 / 1858 - Sessão de 27 de Novembro de 1858: Foi apresentada uma medalha já cunhada, que mereceu a aprovação de todos os presentes, e foi resolvido cunhar 200 em prata com o peso unitário de cinco e meias oitavas e mais uma em ouro com o peso de seis oitavas, destinada a ser oferecida a D. Pedro V. Proposta de 2 de Dezembro, para aprovação pelo Conselho do Distrito de Lisboa da despesa de 360$000 réis em que ficou orçamentada a cunhagem das ditas medalhas. 132 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 AML 23 / 1858 É referido que tendo sido presente o modelo da medalha que se mandou fazer por deliberação de 23 de Agosto, fixou-se o número delas (sessão de 27 de Novembro) e oficiou-se ao Director da Casa da Moeda, pedindo-lhe para as mandar cunhar. Resolveu-se que a distribuição destas medalhas seria feita por classes: 1 em ouro e 200 em prata. AML 29 / 1859 - Sessão de 14 de Março de 1859: Incumbiu-se o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de apresentar a alocução que a Câmara teria de dirigir a Sua Majestade D. Pedro V, por ocasião da oferta da Medalha de ouro comemorativa da devoção humanitária na epidemia de 1857. Deliberou-se ainda, que a fita, em que se devia trazer pendente esta medalha, seria de cor amarela. AML 31 / 1859 - Sessão de 28 de Março de 1859: Foi comunicado pelo sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa que a deputação encarregada de apresentar a SM a dita medalha em ouro, cumprira a sua missão no dia 16 de Março de 1859, tendo sido recebida pelo rei com a “costumada benevolência régia”. É agora apresentada a alocução referente a esse acto solene e a resposta de D. Pedro V, ambas publicadas no Diário de Governo nº 73, de 28 de Março de 1859. Data da cerimónia: 16 de Março de 1859. Presidente da Câmara: Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (futuro Visconde de Villa Maior). “Senhor ! – Se os Monarchas tem a gloria e indisputavel prerogativa de conferir ao merito o premio que lhe é devido, não se pode tambem negar ao povo o direito de significar a sua gratidão para com aquelles que, nos momentos calamitosos em que a humanidade afflicta brada pelo auxilio das virtudes mais generosas, dedicam a sua intelligencia, visa, e fortuna, para lhe alliviar os soffrimentos, e combater o mal que o opprime. Por mais altos que se achem collocados na escala social esses heroes da humanidade, não lhes é por certo indifferente a gratidão do povo, nem os signaes por que este a expressa, por mais modestos que elles sejam. A Camara Municipal de Lisboa que reconhece quanto deve o povo da capital aos homens que, durante o flagello da ultima epidemia, o não abandonaram no meio das suas tormentosas angustias, resolveu commemorar a dedicação exemplar de tão benemeritos cidadãos, mandando cunhar uma medalha, para ser distribuida pelos que mais se distinguiram nessa longa e arriscada lucta. Vossa Magestade, permanecendo inabalavel no meio do perigo, animando com Sua Augusta Presença, com os seus cuidados e desvelos, os que trabalhavam e os que soffriam, conquistou o indisputavel direito de ser considerado o primeiro entre todos os que se arriscaram neste perigoso combate, como na peleja é sempre um valente General o primeiro entre os soldados. Assim a Camara Municipal, em nome da Cidade, vem hoje collocar nas Mãos de Lusíada. História, n.º 3/2006 133 Paulo Jorge Estrela Vossa Magestade este modesto signal da sua incommensuravel gratidão, e espera que Vossa Magestade lhe não recusará a graça de o receber, pelo muito que elle significa, com a Benevolencia innata de Seu Regio Coração.” Resposta de Sua Majestade el-Rei D. Pedro V: “Aceito com vivo reconhecimento a offerta, que a Camara Municipal de Lisboa acaba de depositar nas Minhas Mãos. Aprecio-a dobradamente pelo que ella significa, e pela fórma. Tudo quanto fosse mais que aquillo que a Camara Municipal fez, não satisfaria a minha ambição, se ambição eu tivesse do que não ha direito a esperar, e menos a exigir; e sendo sacrificio para quem o oferecesse, ficaria sendo remorso para quem não poderia recusal-o. Pareceu-Me sempre que a mais invejavel das recompensas, ás quaes o sentimento de honra liga um valor, que a philosophia se esforça em vão por desmerecer, é aquella que os companheiros de trabalho, e de perigos, nos votam sobre o chão mesmo da peleja. É a condecoração modesta do soldado, que o favor não tem direito, nem se lembra jámais de conferir. Esta que Me coube vale infinito para Mim, vale mais que tudo, tendo deixado passar perto de dois annos sobre um facto, que pedia o esquecimento de apreciações mais ou menos suspeitas, para ser olhado na sua verdadeira luz. Ha momentos, na vida do homem, em que é igualmente condemnavel contar de mais ou de menos comnosco. Não sômos juizes exclusivos nem da nossa necessidade, nem dos nossos merecimentos. A essa lei, que é para todos, não póde esquivar-Se o Soberano. Tem de responder por Si, e pela instituição que representa; deve-se áquelles que o precederam, como aos que hão de seguir-se-lhe. Tem de velar pelo bem dos seus povos, e de nobilitar o seu officio, incompleto no conceito dos adoradores obstinados do passado, inutil ao ver d’aquelles, que o creem conservado apenas para embargar ambições extremas. Se calculei, como agora, o que fazia, não sei. Sei que, do favor popular que acaso podesse colher, Ia disposto a conservar apenas a gratidão. Esse proposito compri-o.” AML 34 / 1859 - Sessão de 25 de Abril de 1859: Nomeou-se uma Comissão composta por 4 vereadores, para proceder ao apuramento dos indivíduos que mais se distinguiram, e que iriam receber as medalhas que a Câmara mandou cunhar, sendo eles: Gonçalves Corrêa, Rodrigues da Câmara, Fernandes Chaves e o Vereador fiscal, Alves Chaves AML 35 / 1859 - Sessão de 3 de Maio de 1859: Foi recebido um ofício (com data de 27 de Abril) do Enfermeiro-Mor do Hospital de S. José, remetendo uma relação dos indivíduos que mais se haviam distinguido, e que foi reenviada para a Comissão de apreciação. AML 36 / 1859 - Sessão de 16 de Maio de 1859: Foi aprovada a pertinente proposta apresentada pelo Vereador Dr. Ricardo Teixeira Duarte: 134 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 “Pelo artº 75 §11 da Carta Constitucional pertence ao rei conceder títulos, honras, ordens militares e distinções em recompensa de serviços feitos ao Estado Segue-se que ninguém pode usar de medalha oferecida por esta Câmara de cidadãos, que prestaram serviços distintos por ocasião da epidemia de febre amarela, sem que por S.M. seja autorizado o uso desta distinção; por isso proponho que a Câmara represente e peça graça da dita autorização não se entregando os diplomas sem que esta autorização seja concedida.” AML 39 / 1859 - Sessão de 1 de Junho de 1859: O Engenheiro Pezerat apresentou um ofício solicitando que a Câmara contemplasse com a referida medalha o Geómetra Francisco de Almeida e Silva e o Mestre das Obras, António dos Santos. AML 42 / 1859 - Sessão de 20 de Junho de 1859: Foi apresentada, e lançada em acta, a relação dos cidadãos a quem a Câmara conferiu a medalha. AML 42 / 1859 - Sessão de 27 de Junho de 1859: O Enfermeiro-Mor do Hospital de S. José, fez chegar à Câmara um novo ofício solicitando que a medalha fosse igualmente concedida ao Facultativo Manuel Carlos Teixeira e ao Secretário do Conselho de Saúde, José Pedro António Nogueira. Excepcionalmente, e porque já estavam distribuídas as 220 (???) medalhas mandadas cunhar, foi resolvido conceder-lhes somente o Diploma. AML 42 / 1859 Anexo com a referida Relação – pag. 348. AML 43 / 1859 - Sessão de 4 de Julho de 1859: Os senhores Vereadores Alves Chaves e Matos Pinto, propuseram que se concedessem mais medalhas a diversos indivíduos, o que não foi aprovado. O Conde de Paraty devolveu o diploma de concessão, e a respectiva medalha, alegando que os renunciava por motivos que foram considerados atendíveis. AML 43 / 1859 - Sessão de 7 de Julho de 1859: O Vereador Fiscal apresentou uma proposta para que se mandasse cunhar e se concedessem mais 60 medalhas por serviços prestados, o que foi aprovado. O Sr. Esteves de Carvalho, propôs, e foi aprovado, que não se fizesse a distribuição das medalhas adicionais senão no final de Julho, por forma a permitir à respectiva Comissão a apreciação de todas as propostas. AML 44 / 1859 - Sessão de 14 de Julho de 1859: Foi comunicado que o cidadão Luiz Dally se dirigiu aos Paços dos Concelho para agradecer a medalha assim como, foram chegando, vários ofícios de agradecimento pela concessão. Na mesma sessão foi enviado à Comissão de apreciação um ofício do Prior Lusíada. História, n.º 3/2006 135 Paulo Jorge Estrela da Freguesia das Mercês, solicitando uma medalha ! AML 45 / 1859 - Sessão de 28 de Julho de 1859: Foi comunicado o Acordão do Conselho do Distrito de Lisboa, de 12 desse mês, aprovando a deliberação de dia 7, para que se concedessem e mandassem cunhar mais 60 medalhas (por cerca de 100$000), além das 200 já anteriormente autorizadas (Acórdão do Conselho do Distrito de Lisboa, de 21 de Dezembro de 1859). Esta medalha municipal passa a ser considerada uma condecoração oficial nacional por deliberação régia. Decreto de 25 de Agosto de 1859 (Diário de Lisboa nº 206, 2 de Setembro de 1859) “Attendendo ao que Me representou a Câmara municipal de Lisboa, Hei por bem Auctorisar a instituição de Medalha de prata, que ella fizera cunhar em commemoração dos distinctos serviços humanitarios, prestados durante a calamitosa epidemia da febre amarella na capital; e Permittir que as pessoas contempladas pela mesma Camara na distribuição da referida Medalha por tão assignalados actos de dedicação, possam usar deste distinctivo pendente de fita de côr amarella. O Ministro e Secretario de Estado dos Negocios do Reino assim o tenha entendido e faça executar. Paço de Mafra, em 25 de Agosto de 1859 = REI = Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello.” Decreto de 25 de Agosto de 1859 (Diário de Governo nº 206/1859). Biblioteca do Instituto Geográfico Português. Diário do Governo nº 206, de 2 de Setembro de 1859. Biblioteca do Instituto Geográfico Português. AML 50 / 1859 - Sessão 1 de Setembro de 1859: Mandou-se pagar a Francisco de Borja Freire a quantia de 56$600 réis, pelo cunho de mais quarenta medalhas (???), que se mandaram cunhar para comemorar os serviços prestados por ocasião da febre amarela. 136 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 AML 50 / 1859 Recepção do Decreto (cópia autenticada) de 25 de Agosto, cujo ofício, em anexo, informa que têm que ser enviados ao Ministério e Secretaria de Estado do Reino 2 exemplares do desenho da medalha, para que um deles seja autenticado e reenviado à Câmara Municipal de Lisboa para ficar junto a este decreto. AML 50 / 1859 Recepção da Portaria de 8 de Setembro de 1859, que devolve um dos desenhos da medalha, já devidamente autenticado com a rubrica do Ministro e Secretário de Estado do Reino. AML 51 / 1859 - Sessão de 5 de Setembro de 1859: A Câmara Municipal de Lisboa deliberou oferecer uma das medalhas à Real Academia de Ciências de Lisboa, para a sua importante colecção de Numismática, e uma outra à Repartição-Geral do Correio, sendo para esse fim remetida ao Subinspector-Geral desta Repartição. AML 51 / 1859 - Sessão de 8 de Setembro de 1859: Aprovada a relação adicional dos agraciados com a medalha. AML 52 / 1859 - Sessão de 12 de Setembro 1859: Concedeu-se uma medalha ao cidadão António Carlos Esteves de Carvalho, membro da Comissão de Socorros na Freguesia da Santa Engrácia. Note-se que esta medalha deverá ser a mesma que foi devolvida pelo Conde de Paraty. AML 53 / 1859 - Sessão de 29 de Setembro de 1859: Recepção do ofício do Subinspector-Geral dos Correios e Postas do Reino, agradecendo em nome dos seus empregados a medalha concedida àquela Repartição. Resolveu-se inutilizar o cunho da Medalha da Febre Amarela, e que fosse assim depositado no Arquivo. Foi esta a última referência a esta medalha encontrada nos referidos Annaes do Municipio de Lisboa, pelo que é de supôr que com a inutilização do cunho acabou o processo de concessão da Medalha da Febre Amarela. .......................................................................................................................................... Entre outros aspectos pertinentes que podem decorrer da leitura de todas as situações descritas pelos Annaes do Munícipio de Lisboa, salienta-se o facto de terem sido concedidas 260 medalhas e não 220, tal como referido pelo Contra-Almirante Alfredo Motta, na sua obra em referência bibliográfica, e que de alguma forma, é comummente repetido. Perdoem-nos os mais susceptíveis à crítica sobre a maneira de ser portuguesa Lusíada. História, n.º 3/2006 137 Paulo Jorge Estrela mas parece-nos ser tipicamente português, a forma como há toda uma discrepância entre os vários exemplares autorizados e orçamentados, os encomendados e os efectivamente cunhados e entregues e por fim, liquidados. Houve sempre que fazer “acertos administrativos” para que, no termo do processo, a CML tivesse como pagar as 260 medalhas... Para o caso de futura conferência das duas relações anexas, não deverá ser estranho o facto de nelas constarem 261 nomes e não os referidos 260. Recorda-se que o Conde de Paraty devolveu a sua medalha “por motivos atendíveis” o que fez ser possível agraciar um outro cidadão Sabe-se da existência de exemplares idênticos mas do tipo miniatura com cerca de 15mm de diâmetro, mas desconhece-se o seu gravador ou em que contexto foram cunhados. No entanto, acreditamos ser uma mera produção comercial, idêntica a situações semelhantes ocorridas com outras medalhas. De salientar termos encontrado na Lista de Antiguidades de Oficiais da Armada de 1872, referência a alguns nomes que não constam nas relações oficiais, mas que de alguma forma foi-lhes averbada a dita medalha. Desconhecemos, por agora, se a Câmara Municipal de Lisboa mandou passar Diplomas a novos “agraciados” (a exemplo de um precedente aberto - AML 42 / 1859 - mas que na altura ficou sem efeito por terem aumentado o número de medalhas a conceder) ou se, se trata do averbamento de uma qualquer Ordem militar concedida em virtude de serviços prestados durante essa epidemia e que foi mal averbada, ou ainda, se terá existido uma outra explicação que agora nos escapa... Pensamos ser mais plausível a primeira hipótese até pelo conhecimento que temos de que, numa colecção particular existirá um ofício da CML, datado de 10 de Agosto de 1869, a comunicar a concessão da Medalha da Febre Amarela, a um cidadão de nome António Avelino Azimont. No entanto, nada podemos adiantar sobre se houve mais medalhas realmente cunhadas e concedidas... Não obstante os respectivos processos individuais existentes no Arquivo Central de Marinha pouco ajudarem a esclarecer esta situação, aqui ficam os nomes desses Oficiais da Armada, para memória futura: Capitão-Tenente, José Francisco Schultz; Capitão-Tenente, Luiz Caetano de Novaes; 2º Subinspector de Saúde Naval, Francisco José dos Santos Chaves. Apesar de não se tratar directamente da Medalha da Febre Amarela, parecenos ser muito oportuno referir um facto ocorrido 5 anos após as últimas concessões e claro, respeitante ao mesmo surto epidémico e à temática da falerística. D Luiz I, por alturas festivas do seu matrimónio com D. Maria Pia, e como forma de recordar o seu falecido irmão, D. Pedro V, e ainda para reconhecer publicamente todos aqueles que haviam servido exemplarmente, quando do surto de febre amarela em Lisboa, vai conceder a a 221 súbditos a mais alta Ordem honorífica portuguesa - a Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade e mérito (Decretos de 1 e 14 de Agosto de 1862, publicados no Diário de Governo nº 194, de 29 de Agosto de 1862). Tal número surpreende de imediato qualquer leitor, mesmo aqueles mais ha138 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 bituados a “exageros” ocorridos com a concessão desta Ordem quando da Guerra Civil de 1826-1834 ou da Guerra da Patuleia, a título de exemplo. O acto em si de agraciar com tal Ordem (actualmente mais ligada a grandes feitos militares) “combatentes” de uma guerra menos convencional contra os flagelos e doenças que assolavam Portugal e as suas colónias, era algo que no século XIX acontecia com alguma normalidade. No entanto, mais curioso é o facto de somente 96 destes serem indivíduos que não haviam sido já condecorados com a Medalha da Febre Amarela. Assim, destes 221 nomes (4 grau de Oficial e 216 grau de Cavaleiro), 125 de grau Cavaleiro e 3 elevados ao grau de Oficial, haviam já sido condecorados ccom a Medalha de Febre Amarela, o que na prática, trata-se de uma dupla recompensa pelo mesmo acto, o que vai contra os princípios éticos (mas à data não regulamentados) subjacentes à concessão de condecorações... Graças ao imenso e valioso acervo patrimonial do Gabinete de Estudos Olisiponenses, é-nos possível apresentar (pela primeira vez, cremos) um raro Diploma de concessão da Medalha da Febre Amarela. Ao mesmo tempo é apresentado um Diploma de concessão da Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade e mérito, grau de Cavaleiro, atribuido ao mesmo médico - Francisco Alberto de Oliveira - e que se encontra numa colecção particular. Quis o destino que estes dois documentos (um em mãos públicas e o outro em particulares), importantes testemunhos de um momento histórico e de uma acção pessoal digna de realce, Diploma de Concessão da Medalha da Febre amarela ao Cirurgião Francisco Alberto de Oliveira (Lisboa, 20 de Junho de 1859). Gabinete de Estudos Olisiponenses - Cota: MS–Mç 267. Lusíada. História, n.º 3/2006 Diploma de Concessão da Ordem Militar da Torre e Espada – grau de Cavaleiro, ao Cirurgião Francisco Alberto de Oliveira. (Lisboa, 15 de Outubro de 1859 – assinatura do rei D. Luiz I). Colecção particular. 139 Paulo Jorge Estrela voltassem a encontrar-se, enobrecendo uma vez mais, o referido munícipe de Lisboa, tantos anos depois do triste episódio... Cruz da Cholera Morbus À imagem do realizado pelo Município de Lisboa, também a Câmara Municipal dos Olivais (à época uma circunscrição administrativa nos arredores de Lisboa) deliberou a criação de uma condecoração para premiar aqueles que mais abnegadamente se haviam distinguido no combate à Cholera Morbus, naquele Concelho, durante o ano de 1856. Em Sessão de 28 de Julho de 1859, é proposto (e aprovado) pelo Presidente da Câmara Municipal dos Olivais, José Maria da Costa Bueno Cevallos de Villas Boas, a criação desta nova insígnia de Mérito. Esta terrível cólera, que tanto vitimou os habitantes dos concelhos dos Olivais, Belém e de Lisboa durante os anos de 1855 e 1856, foi combatida diariamente por alguns dos seus cidadãos mais altruístas. Em Sessão camarária de 25 de Agosto do mesmo ano, é declarado que esta insígnia deveria ser concedida somente a 20 munícipes do concelho dos Olivais, o que faz com que esta seja uma das mais raras condecorações portuguesas do século XIX. Esta declaração é aprovada em 6 de Setembro, por Acordão do Conselho do Distrito de Lisboa, ficando no entanto, dependente da respectiva autorização régia (tal como havia acontecido com a Medalha da Febre Amarela, da Câmara Municipal de Lisboa) para os agraciados poderem usar as mesmas no lado esquerdo do peito, o que desconhecemos se chegou a haver essa autorização. De igual forma, não conhecemos o respectivo Diploma de concessão nem tão pouco a curta lista de condecorados A par destas incertezas, sabe-se que as mesmas foram cunhadas de acordo Cruz da Cholera morbus (C. M. dos Olivais). Desenho in obra de Lopes Fernandes em referência bibliográfica. Colecção particular. 140 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 com o desenho proposto pela Câmara, tendo um espécime sido oferecido à Academia Real de Ciências de Lisboa, de acordo com Lopes Fernandes, na sua obra em referência bibliográfica. Como se percebe ainda existem algumas dúvidas sobre todo este processo pelo que acreditamos, em breve, obter mais resultados sobre a investigação em curso para assim, poderemos publicar a sua “conclusão”, fechando este capítulo da Falerística, que é a Medalha da Febre Amarela e a Cruz da Cholera morbus... Esperando que nunca mais a capital seja testemunha de tal calamidade pública, resta-nos agora apreciar o gesto de reconhecimento público que a edilidade lisboeta protagonizou. Foi uma deliberação importante para a história da falerística nacional, apesar de não ter havido continuidade. Situações semelhantes vindouras, como a ocorrida com a gripe pneumónica, em 1918, tiveram reconhecimento público com a concessão da Medalha de Serviços Distintos da Cruz Vermelha Portuguesa1. Referência ainda para o facto de uns anos mais tarde, em 1894, o Reino Unido ter criado, também, uma condecoração para agraciar todos aqueles que se distinguiram no combate contra a mortífera peste bubónica na sua colónia de Hong Kong, que grassou no território entre Maio e Setembro desse mesmo ano: a Hong Kong Plague Medal. Uma palavra final de agradecimento aos colaboradores do Gabinete de Estudos Olisiponenses (CML), sempre profissionais, simpáticos e colaborantes, assim como aos meus colegas do Centro para a Documentação e Informação do Instituto Geográfico Português. Um sentido obrigado aos meus amigos e coleccionadores de militaria, em especial ao Doutor Humberto Nuno de Oliveira, a Dom Vasco Telles da Gama e a Leonildo Ponçe de Almeida, e claro, à minha “revisora de textos” e querida companheira, Teresa. Bem hajam! 1 ESTRELA, Paulo, Medalha da CVP – prémio por serviços distintos na guerra e na paz. Lusíada. História 2, pp. 159-182 Lusíada. História, n.º 3/2006 141 Paulo Jorge Estrela BIBLIOGRAFIA Estrela, Paulo Jorge (2005) – Medalha da CVP – prémio por serviços distintos na guerra e na paz. Lusíada. História. 2. pp. 159-182. Fernandes, Manuel Bernardo Lopes (1861) – Memória das Medalhas e Condecorações Portuguezas e das Estrangeiras com relação a Portugal. Lisboa. Academia Real das Sciências de Lisboa Lamas, Arthur (1916) – Medalhas Portuguesas e estrangeiras referentes a Portugal, Volume I, Parte I: Medalhas Comemorativas. Lisboa. Tipografia de Adolpho de Mendonça Leitão, Alexandre José dos Santos (1897) – Colecção Numismática. Porto. Typographia Central Motta, Contra-Almirante Alfredo (1981) – A Medalha da Febre Amarela. Moeda – Revista Portuguesa de Numismática, Vol. VI – nº 3 (Maio/Junho 1981). Lisboa Pereira, Manoel Joaquim (1898) – Medalhas e Condecorações Portuguezas e algumas estrangeiras referentes a Portugal que possue o Museu Municipal do Porto. Porto. Imprensa Civilisação Reis, Pedro Batalha (1959) – Guia da mais notável colecção de medalhas portuguesas reunida em Portugal. Lisboa. Oficina Gráfica Serrano, Maria Alice Pereira de Lima (1966) – A Ordem Militar Portuguesa da Torre e Espada – subsídios para a sua história. Lisboa. Papelaria Fernandes AAVV (1859) – Relatório da epidemia de febre amarella em Lisboa no anno de 1857, feito pelo Conselho Extraordinario de Saúde Pública do Reino creado por Decreto de 29 de Setembro de 1857. Lisboa. Imprensa Nacional AAVV (1873) – Lista da Armada referida a 31 de Dezembro de 1872 coordenada na Direcção Geral de Marinha. Lisboa. Imprensa Nacional AAVV (1860) – Annaes do Municipio de Lisboa nos annos de 1856-1859. Lisboa. Imprensa Nacional Diários de Lisboa e de Governo Ordens de Exército Ordens à Armada 142 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 ANEXO: Lista nominal dos condecorados com a Medalha da Febre Amarela e com indicação das funções desempenhadas durante a epidemia ou a freguesia de actuação, sempre que conhecidas. A. Dobigne Alexandre Joaquim de Sequeira Lopes Comissão de Socorros C Alexandre José da Silva Campos Cirurgião C Álvaro Augusto Saraiva do Valle Abrantes Cirurgião C André Avellino Barradas Cirurgião André Joaquim Monteiro Regedor da Freguesia de Santo Estevão Angelo de Souza Prado Cirurgião António Alfredo da Silva Freguesia da Madalena António Carlos Esteves de Carvalho C António Correia Belém Cirurgião C António da Silva Tulio Freguesia de Santa Justa António de S. Francisco de Assis Eclesiástico António de Sequeira Nazareth Cirurgião António dos Santos Mestre Geral das Obras da C.M. Lisboa António dos Santos Monteiro Director da Alfândega António Emidio Duarte Pinheiro Regedor da Freguesia da Madalena C António Fernandes Comissão de Socorros (Santa Catarina) C António Ferreira Regedor da Freguesia da Pena C António Francisco Franco Prior da Freguesia da Pena C António Germano de Carvalho Ferreira Associação Comercial António Joaquim Baptista Freguesia da Madalena António Joaquim Pereira Cabo, Alfama António Joaquim Pinto Regedor, Alfama António José Affonso Prior da Freguesia da Encarnação António José Bastos Escrivão da Freguesia dos Martires António José da Rosa Torres Eclesiástico, Freguesia do Sacramento C António José Gonçalves Basto Regedor da Freguesia de S. Nicolau C António José Soares Freguesia da Encarnação António Luiz Maria Comissão da Freguesia das Mercês António Luiz Zamith Sociedade Zamith António Manuel de Santa Anna Enfermeiro C António Maria Barbosa Cirurgião C António Maria da Luz Rego Cirurgião C António Maria de Oliveira Soares Cirurgião António Maria dos Santos Brilhante Cirurgião C António Maria Vellez Comissão Freguesia de S. Nicolau C António Martins Eclesiástico C António Martins Pereira Médico C António Máximo Verol Freguesia da Conceição António Nunes Regedor da Freguesia das Mercês Lusíada. História, n.º 3/2006 143 Paulo Jorge Estrela António Pimenta Regedor da Freguesia do Sacramento C António Pinto Roquette Interno do Hospital C António Rodrigues Sampaio António Rogério Gromicho Couceiro Ministro do Estado C António Thomaz Pacheco Associação Comercial C Archibald Turner Augusto Frederico Ferreira Associação Comercial Augusto João de Mesquita Cirurgião Augusto José Gonçalves Lima (Dr.) Administrador do Bairro do Rossio Augusto Maria Quintella Emauz Advogado Bartholomeu José de Carvalho Freguesia das Mercês C Bernardino António Gomes Médico C Bernardino Augusto da Silva Heitor Cirurgião Bernardo José Soares Freguesia de S. Julião Caetano Maria da Silva Beirão Médico Camillo José de Gouvêa Juíz C Carlos de Carvalho Osório Coadjuctor da Freguesia de S. Paulo C Carlos Esteves de Carvalho Comissão de Socorros na Freguesia de Santa Engrácia C Carlos Miguel Augusto May Figueira Médico C Casimiro de Sousa Freguesia de S. Paulo C Casimiro Ignácio Pereira Freguesia de Santa Catarina C Casimiro Simão da Cunha Médico Christovão José Franco Bravo Comandante da Guarda Municipal de Lisboa Claudino Martins Eclesiástico C Cláudio Francisco Nunes Cabo da Freguesia de Santa Justa C Conde de Sobral Governador Civil Diocleciano António Pedro Freire Chefe da 1ª Rep. da Secretaria-Geral da C.M. Lisboa Diogo António Correia de Sequeira Pinto Conselho de Saúde C Diogo Baptista dos Santos Cadet Cirurgião C Domingos da Silva Eclesiástico C Domingos Félix Branco Freguesia de S. José Domingos Francisco Lopes Regedor da Freguesia dos Mártires Domingos Lopes da Silva Eclesiástico Domingos Ricardo Ramalho Freguesia de S. José Duarte Cairus Associação Comercial Duarte Ferreira Severino Cirurgião Eleuterio Sabino da Silva Elias dos Santos Miranda Cirurgião Emigdio José de Oliveira Cabo do Bairro de Alcântara Ernesto Augusto Gomes Cirurgião Fernando Leite de Sousa Pereira de Foios Freguesia de Santa Cruz do Castelo C Filippe Augusto Barbosa Cirurgião C Fortunato Chamiço Jr. Associação Comercial C Fortunato José Moniz Wanzeller C Francisco Alberto de Oliveira Cirurgião C Francisco António Alves de Azevedo Farmacêutico C C C C 144 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 Francisco António Barral Médico C Francisco António Brandão Cirurgião C Francisco António Namorado Cirurgião C Francisco de Almeida Brandão e Sousa Alfândega Grande Francisco de Assis e Almeida Freguesias de Santa Justa e S. Nicolau Francisco de Assis Gomes Cirurgião Francisco José da Costa Lobo Francisco José dos Santos Chaves Jr. Aluno da Escola Médica Francisco José Salustiano de Mesquita Cirurgião C Francisco Lourenço dos Santos Prior da Freguesia de Santa Catarina C Francisco Lourenço Hypólito Garcez Escrivão da Freguesia de Santa Justa Francisco Maria de Méra Cirurgião Francisco Marques Pereira Prior da Freguesia da Conceição Francisco Pereira de Figueiredo Interno do Hospital Francisco Teixeira da Cunha Francisco Xavier de Seixas Lemos Lacerda Castello Branco Francisco Xavier Monteiro Freguesia de S. Julião Frederico Biester Jr. Freguesia do Sacramento Frederico Zacharias de Oliveira e Sousa Cirurgião Gregório José Ribeiro de Freitas Administrador substituto do Bairro Alto C Gregório Vaz Rans de Campos Barreto Fróes Freguesia de Santa Justa C Guilherme Cândido Borges de Sousa Freguesia dos Mártires Guilherme Centazzi Cirurgião Guilherme Joaquim da Silva Abranches Conselho de Saúde C Herculano Teixeira da Cunha Freguesia de S. Julião C Ignácio José dos Santos Coadjuctor da Freguesia de S. Nicolau Ignácio Quintino de Avellar Cirurgião C Ignácio Rodrigues dos Santos Freguesia de Santa Catarina C Isac Amsalak Jacques François Barbier Médico Jerónimo José de Carvalho Freguesia de S. Nicolau C João António de Azevedo Coutinho Comissão, Freguesia de Santo Estevão C João Baptista de Seixas Administrador do Bairro de Alfama João Cândido Ribeiro de Moraes Cirurgião C João Cardoso Ferraz de Miranda Administrador substituto do Rossio C João Clemente Mendes Médico João Cypriano Ferreira Cirurgião C João de Mattos Pinto Vereador C João Gomes Roldão Associação Comercial C João Gregório Gonçalves Correia Cirurgião C João Guilherme Leitão de Magalhães Capelão da Sé João Joaquim Henriques de Abreu Eclesiástico João José de Sousa e Silva Cirurgião João Lino Empregado na Câmara Municipal João Luiz de Carvalho Cirurgião João Luiz Pereira Escrivão do Regedor do Sacramento C OF C C C Lusíada. História, n.º 3/2006 Freguesia dos Anjos Cabo do Bairro de Alcântara 145 Paulo Jorge Estrela João Maximiano Gonçalves Correia Cirurgião C João Miguel Alves Cirurgião C João Pereira Médico C João Rodrigues Cardoso Sociedade Zamith João Venancio Pinto Freguesia de S. José Joaquim António de Aguiar Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Joaquim António Saraiva do Valle Abrantes Cirurgião Joaquim Eleutherio Gaspar Gomes Médico Joaquim Emigdio Cabo da Freguesia de S. José Joaquim Fernandes Esteves Rosa Cirurgião C Joaquim Ferreira de Barros Freguesia de S. Miguel C Joaquim Henrique Fradesso da Silveira Joaquim Isidoro de Passos Freguesia de Alcântara Joaquim Jorge Passano Regedor da Freguesia dos Anjos Joaquim José Rodrigues da Câmara Cirurgião Joaquim Manuel dos Santos Aluno da Escola Médica Joaquim Pedro Abranches Bizarro Médico Joaquim Pedro Lourenço Venade Major da 5ª Companhia da Guarda Municipal de Lisboa Joaquim Theotonio da Cunha Freguesia da Sé C Joaquim Theotonio da Silva Cirurgião C Jorge Henrique Brandt Médico C José Baptista Mancio Regedor da Freguesia da Encarnação José Amaro da Costa Escriturário do Hospital José António Mendes Regedor, Alfama José António Pereira Serzedello José António Rodrigues Membro da Comissão de Santa Catarina C José Baptista Cardoso Klerk Cirurgião C José Caldeira Pinto de Albuquerque Juiz José Cândido Loureiro Médico C José Carlos Nunes Regedor substituto da Freguesia de S. Paulo C José da Rocha Martins Furtado Prior da Freguesia de Santa Justa José de Almeida Ramalho Porteiro do Cemitério do Alto de S. João José de Oliveira Mattos Capelão do Hospital José de Sande Magalhães Mexia Salema Juíz de Direito José Dionísio Correia Administrador da Botica do Hospital C José do Nascimento Gonçalves Correia Cirurgião C José Eduardo de Magalhães Coutinho Cirurgião C José Emilio da Silva Barros Eclesiástico José Fernandes de Macedo Administrador do Cemitério do Alto de S. João José Firmo Ferreira dos Santos Cirurgião C José Gregório da Silva Acharnador da Freguesia do Sacramento C José Gualdino de Carvalho e Silva Cirurgião José Ignácio Rodrigues Barreto Ajudante do Escrivão de Assentos José Isidoro Jorge Cirurgião C José Isidoro Vianna Cirurgião C José Joaquim Alves Chaves C C C C 146 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 C José Lino Alves Chaves Regedor da Freguesia de S. Mamede C José Luiz do Nascimento Regedor da Freguesia de S. Miguel de Alfama José Luiz Teixeira Mendes Sociedade Zamith José Manuel de Santa Anna da Cunha Castello Branco Regedor da Freguesia de Santos C José Maria Alves Branco Jr. Cirurgião C José Maria Barbosa Freguesia da Pena José Maria Frazão Cirurgião José Maria Lino Teixeira Escrivão da Freguesia de Santa Catarina José Mendes de Assumpção José Mesquita da Roza Freguesia da Conceição José Miguel Marques Rego Freguesia do Socorro C José Pedro António Nogueira Secretário do Conselho de Saúde C José Ribeiro Major da 2ª Companhia da Guarda Municipal de Lisboa José Rodrigues Cabo do Bairro de Alcântara José Rodrigues Correia Regedor da Freguesia de Alcântara C José Thiago Fontana Eclesiástico C José Vicente de Oliveira Freguesia de S. José C José Xavier de Mello Freguesia de S. Tiago C Júlio Caldas Aulete Freguesia do Sacramento C Júlio Máximo de Oliveira Pimentel OF Leopoldo Saraiva da Silva Cardeira Cirurgião Levy Maria Jordão (Dr.) Vereador da Câmara Municipal Luiz António de Oliveira Machado Negociante Luiz António Soares Freguesia de S. Julião C Luiz Brignoli Jr. Médico C Luiz Caetano da Guerra Santos Cirurgião C Luiz César Bourquin C C C Luiz Dally Cirurgião Major da 1ª Companhia da Guarda Municipal de Lisboa Conselho de Saúde C Luiz de Almeida Albuquerque Secretário do Governo Civil C Luiz José da Costa Eclesiástico Luiz José dos Reis Enfermeiro Fiscal Luiz Telles de Mello Freguesia da Pena Manuel António Alves Eclesiástico Manuel Carlos Teixeira Cirurgião Manuel Cezário de Araújo e Silva Oficial Maior do Hospital de S. José Manuel de Jesus Coelho Manuel de Moura Coutinho Cabo da Freguesia de S. Nicolau Manuel de Santa Anna Noronha Eclesiástico Manuel Gil Cirurgião C Manuel José Mendes Freguesia da Lapa C Manuel José Ribeiro da Costa Freguesia de S. Paulo Manuel Lourenço de Carvalho Freguesia da Lapa Manuel Maria Rodrigues de Bastos Médico C Manuel Moniz Vieira Cirurgião C Manuel Nicolau de Bettencourt Pitta Médico OF C Luiz da Câmara Lusíada. História, n.º 3/2006 147 Paulo Jorge Estrela C Manuel Rodrigues Perdigão Eclesiástico Manuel Salustiano Damasceno Monteiro Presidente da Câmara Municipal C Manuel Thomaz Lisboa Médico C Maria José Liberato Pereira (D.) Freguesia de Santa Catarina Marquez de Ficalho Marquez de Loulé C Martinho Alvéolos Durão Farmacêutico C Matheus Cezário Rodrigues Moacho Médico, Conselho de Saúde C Matheus dos Santos Oliveira Regedor, Alfama C Matheus José Baptista Cirurgião Miguel dos Santos Enfermeiro Miguel Januário Fernandes Branco Cirurgião Narciso Zeferino Lopes Cabo da Freguesia dos Mártires Nicolau Marques Coelho Cabo, Alfama Nuno de Sá Pamplona C Nuno José Severo Ribeiro de Carvalho Cirurgião C Pedro Francisco da Costa Alvarenga Médico Pedro José da Silva Leitão Jr. Administrador do Bairro de Alcântara C Porfirio do Amaral Rego Cirurgião C Rodrigo Botelho da Fonseca Paganino Jr. Cirurgião Rodrigo Vasconcellos Pereira de Mello (D.) Prior da Freguesia do Socorro Sabino José de Sousa Freguesia dos Anjos Sebastião José de Abreu Associação Comercial Sebastião Maria de Assis e Brito Cirurgião Silvério Antão Barata Salgueiro Prior da Freguesia de S. Nicolau C Thomaz António Carneiro Freguesia de S. Nicolau C Thomaz Antunes de Mendonça Freguesia de Santa Catarina C Thomaz de Aquino Alves Regedor da Freguesia da Lapa Thomaz Germano Farinha Thomaz José Rodrigues Freguesia da Madalena Thomaz Oom Director da Alfândega Municipal C C Visconde de Santa Isabel, Júlio Augusto Ferreira Associação Comercial Visconde Thamberg Zeferino Pedroso Gomes da Silva Cirurgião Correio Geral Academia Real das Sciências de Lisboa X Conde de Paraty Freguesia de Santa Isabel Nota: O C e OF na primeira coluna indica que o mesmo cidadão foi igualmente agraciado, por D. Luiz I, com a Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, lealdade e mérito (Diário de Lisboa nº 194, de 29 de Agosto de 1862), no grau de Cavaleiro ou de Oficial, respectivamente. Na última linha, o X indica uma concessão renunciada e devolvida. 148 Lusíada. História, n.º 3/2006 Medalha da Febre Amarela, p. 125-149 CDV – Carte de Visite, do fotógrafo de Lisboa, Alfred Fillon. Eclesiástico de identidade desconhecida. Além do colar da Ordem da Torre e Espada ostenta as miniaturas da mesma Ordem, da Ordem Militar de Cristo e da Medalha da Febre Amarela. Colecção particular. Lusíada. História, n.º 3/2006 149 Humberto Nuno de Oliveira e Paulo Jorge Estrela 250 Lusíada. História, n.º 3/2006