CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO M5 D2 – HIGIENE DO TRABALHO IV GUIA DE ESTUDO PARTE IV – AULA 59 CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS SOBRE RUÍDO PROFESSOR AUTOR: Engº Josevan Ursine Fudoli PROFESSOR TELEPRESENCIAL: Engº Josevan Ursine Fudoli COORDENADOR DE CONTEÚDO: Engº Josevan Ursine Fudoli DIRETORA PEDAGÓGICA: Profa. Maria Umbelina Caiafa Salgado 16 de outubro de 2012 0 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA: HIGIENE DO TRABALHO IV O desenvolvimento desta disciplina está organizado em cinco partes, nas quais serão tratados os seguintes conteúdos: Parte I: INCÊNDIOS FLORESTAIS E EM SÍTIOS HISTÓRICOS. Introdução. Incêndio florestal. Componentes do incêndio florestal. Tipos de incêndios florestais. Principais causas de incêndios florestais. Impactos dos incêndios florestais. Medidas preventivas. Dinâmica da combustão. Planejando o combate a incêndio. Executando o combate a incêndio. Referências bibliográficas. Parte II: PROGRAMA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA – PPR, Administração do PPR. Procedimentos Operacionais. Seleção, Limitações e Respiradores. Treinamento. Ensaios de Vedação. Manutenção, Inspeção e Guarda. Máscaras autônomas e respiradores de linha de ar. Tipos de Equipamentos de Proteção Respiratória. Conceitos Básicos. Fatores de Proteção. Referências bibliográficas. Parte III: NR 29 e NR 30 – Introdução. O problema. Estatísticas. Escopo da NR 29. A NR 29 e seus vínculos com outras NR´s. O Sesmt da NR 4 e o Sesstp da NR 29. A Cipa da NR 4 e o CPATP da NR 29. Programas de Segurança, higiene do trabalho e saúde no trabalho portuário. Medidas de segurança específicas para acesso às embarcações. Medidas de segurança específicas para convés. . Segurança e saúde no trabalho marítimo. Legislação. Estatísticas de acidentes. Causas de acidentes. EPI. EPC. Segurança e Saúde no trabalho aquaviário (NR 30). CIPA. GSSTB. Anexo I e II da NR 30. SESMT da NR 30. Referências bibliográficas. Parte IV: Considerações técnicas sobre Ruído. O Ruído segundo a ótica da NR 15. O Nível Equivalente de ruído. Dose de exposição ao ruído. Nível de exposição normalizado (NEN). Adição de níveis de ruído. Subtração de níveis de ruído. Medidas de Controle de ruído. Nível de Ação para Ruído. Referências bibliográficas. Parte V: Ventilação Industrial 1 O Calendário atualizado da Disciplina encontra-se no quadro a seguir. 2012 Guia de No Lista Textos Complementares de Leitura Obrigatória aulas Estudo Exercícios Análise de risco de incêndio em edificações em sítios históricos. Rildo Marcelo Alves e Antônio 25 set Parte I Maria Claret de Gouvêia. Acessar: 56 http://www.propec.ufop.br/index/tese.php?idtese= 63 Instrução Normativa 01 SSST/MTB Nº 1, DE 11 DE ABRIL DE 1994. Acessar: 02 out Parte II http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C816A 57 2E7311D1012EBAE9534169D8/in_199404 11_01.pdf Acessar NR 29 pelo portal abaixo: http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D 311909DC013147E76FC20A2A/nr_29.pdf 09 out Parte III Acessar NR 30 pelo portal abaixo: 58 http://portal.mte.gov.br/data/files/FF808081 2BE914E6012BF2F329E13246/nr_30a.pdf Avaliação de ruído em Escolas. Ramon Fernando Hans. 2001. Acessar o portar abaixo: 16 out Parte IV http://www.liberato.com.br/upload/arquivos/0131 010715441616.pdf 59 23 out Parte V 60 Objetivos da aprendizagem Conceituar a relação entre a Dose e o Nível Equivalente de Ruído. Conhecer as medidas de controle de ruído. Descrever o Nível de Exposição Normalizado (NEN). Comparar as vantagens de uso de protetores auriculares. Descrever a função de adição e subtração de ruído. 2 CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS SOBRE RUÍDO ÍNDICE 1.00 – O RUÍDO SEGUNDO A ÓTICA DA NR 1 .......................................... 04 2.00 – NÍVEL EQUIVALENTE DE RUÍDO...................................................... 07 3.00 – DOSE DE EXPOSIÇÃO AO RUÍDO ............................................. 10 4.00 – NÍVEL DE EXPOSIÇÃO NORMALIZADO – NEN .........................13 5.00 – O RUÍDO NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA .........................15 6.00 MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO ...........................................17 7.00 - ADIÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO ....................................................19 8. 00 - SUBTRAÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO .........................................20 9.00 – NÍVEL DE AÇÃO PARA RUÍDO .................................................. .20 10.00 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................ 21 AULA 59 – CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS SOBRE RUÍDO 3 1.0 – O RUÍDO SEGUNDO A ÓTICA DCA NR 15 A avaliação da exposição ocupacional ao ruído encontra-se regulamentada no Brasil pela NR 15, Anexos 1 e 2 da Portaria 3.214/78, que define também os limites de tolerância, para as variados níveis de ruído a que estão expostos os trabalhadores, sem o uso de EPIs. De acordo com a ACGIH (American Conference Governmental Industrial Hygienists), os limites de tolerância estabelecidos para o ruído não protegem todos os trabalhadores dos efeitos adversos à exposição, devido às susceptibilidades individuais. Os limites de tolerância visam à proteção da maioria da população, sendo uma diretriz para a prevenção e não um divisor fixo. Desta forma, a ACGIH acredita que os limites de tolerância representam as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores expostos repetidamente não sofrerá efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e de entender uma conversação normal. Vejam a seguir a tabela da NR 15, Anexo 1, com os limites de tolerância estabelecidos. NIVEIS DE RUÍDO (dBA) 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 98 100 102 104 105 110 115 LIMITE DE TOLERÂNCIA 8 horas 7 horas 6 horas 5 horas 4 h 30 min 4h 3 h 30 min 3h 2 h 40 min 2 h 15 min 2h 1 h 40 min 1 h 15 min 1h 45 min 35 min 30 min 15 min 7 min O processo de formação da tabela supracitada tomou como base a legislação da ACGIH de 1978, ajustada para um nível de ruído de 85 dB(A), jornada de 8 h, dose de 100% e duplicação de dose (q) igual a 5. Analisando os valores da tabela, podemos notar que à medida que os níveis de ruído aumentam os limites de tolerância diminuem. É importante registrar que o incremento de 5 dB determina a redução à metade da máxima exposição diária permissível, processo este conhecido como dose dobradora ou duplicação de dose. 4 Segue abaixo a fórmula aplicada para a criação da tabela da NR 15, Anexo 1: Fórmula 1 Ajustando a fórmula 1 acima, que admite um incremento de dose (q) variável, para os parâmetros da legislação brasileira e especialmente para um incremento de dose de q = 5, teremos abaixo a fórmula simplificada: Fórmula 2 Os exemplos abaixo ajudam a compreender a tabela da NR 15, Anexo 1. O exemplo 1 (acima) de T = 8 h e D =100% corresponde ao limite de tolerância de 85 dB(A). 5 O exemplo 2 (acima) de T = 4 h e D =100% corresponde ao limite de tolerância de 90 dB(A). O exemplo 3 (acima) de T = 1 h e D =100% corresponde ao limite de tolerância de 100 dB(A) O exemplo 4 retrata a situação mais crítica da exposição de ruído, que é de 7 min, para D = 100%, em que o TWA assume o valor de 115 dB(A), acima do qual a exposição é classificada como “risco grave e iminente”, não podendo o trabalhador fica exposto a nível de ruído acima de 115 dB(A). 6 Em resumo, utilizamos a fórmula 2, para construir a tabela 1 da NR 15 ou para calcular quaisquer limites de tolerância, em função de uma determinado nível de pressão sonora (NPS) 2.0 – NÍVEL EQUIVALENTE DE RUÍDO O nível equivalente de ruído é também conhecido como Leq (Equivalent Sound Level), sendo utilizado para calcular a média de ruído (em decibéis) a que ficam expostos os trabalhadores, nas mais variadas exposições. Esse nível equivalente deverá representar a média de todas as exposições ocorridas no espaço de tempo de medição, conforme mostra a figura 1 a seguir. Figura 1 O cálculo do nível equivalente de ruído pode ser com a medição direta em instrumentos de medição de ruído, principalmente os audiodosímetros, e também por fórmulas matemáticas, como mostraremos a seguir. Fórmula 3 Os exemplos abaixo ajudam a compreender a questão da dose. Comentário: a dose de 200%, em 8 horas, equivale ao Leq de 90 dB(A) A outra fórmula de cálculo do LEQ é apresentada a seguir. 7 Fórmula 4 O exemplo a seguir mostra o cálculo do Leq pela fórmula acima. Podemos também calcular o Leq para q = 3. Veja a fórmula 5 e o exemplo a seguir. É oportuno observar que a tabela da NR 15, Anexo 1, foi criada com base em 40 h semanais (base na ACGIH – 1978), quando praticamos 44 a 48 horas semanais. Qual seria, então, o limite de tolerância para jornadas de trabalho que ultrapassem as 8 horas diárias ? 8 Fórmula 6 Os exemplos a seguir mostram a aplicação da fórmula 6: Comentário: o limite de tolerância para 83 dB(A) é de 10 h, enquanto o LT para 80 dB(A) é de 16 h, valores derivados da fórmula 6, complementado o Anexo 1 da NR 15. Agora, vamos calcular o contrário, ou seja, qual o nível máximo de ruído permitido para uma jornada diária acima de 8 horas, com a aplicação da fórmula 7 a seguir. 9 Fórmula 7 Os exemplos a seguir mostram a aplicação da fórmula 7. 3.0 – DOSE DE EXPOSIÇÃO AO RUÍDO O trabalhador pode ficar exposto a níveis e períodos diferentes de ruído, em sua jornada de trabalho, sendo necessário calcular o Leq (como já vimos nos exemplos) ou a dose de ruído (como veremos a seguir). Essa metodologia de cálculo, que leva em conta os efeitos combinados das exposições, chama-se dosimetria de ruído, sendo que a dose de ruído é calculada pela fórmula a seguir, constante no Anexo 1 da NR-15: D = dose de ruído Cn = tempo total diário em que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído específico. Tn = máxima exposição diária permissível ao nível de ruído específico, de acordo com os limites de segurança do Quadro 1 do Anexo 1 da NR-15. De acordo com a expressão acima, se o valor da dose (D) for igual ou menor que 1,0 (um), a exposição ao ruído estará dentro do limite de tolerância. Caso contrário, a exposição ao ruído estará acima do limite de tolerância. 10 A dose de ruído pode ser também obtida pela medição direta em instrumentos eletrônicos, conhecidos como audiodosímetros. Os exemplos a seguir ajudam a entender a questão. A dose de ruído pode ser também calculada pela fórmula 8, a seguir apresentada: Fórmula 8 Exemplificando: Também podemos calcular a dose por meio da fórmula 9. 11 Fórmula 9 Exemplos de aplicação da fórmula 9. Conclusão importante: a tabela abaixo mostra que a dose duplica a cada incremento de 5 dB(A). NPS - dB(A) 85 90 95 100 105 110 115 Exposição Dose 8h 100% 4h 200% 2h 400% 1h 800% 1/2 h 1.600% 15 min 3.200% 7 min 6.400% Os valores expressos em dose podem ser transformados em Leq, mediante a seguinte fórmula 2, abaixo transcrita: 12 Exemplo: transformar a dose (D) de 125%, de uma medição na jornada de 8 h, em Leq (dBA). Aplicando a fórmula 2 acima, teremos: Leq (TWA) = 80 + 16,61 x log [(9,6 x 125)/480] Leq (TWA) = 80 + 16,61 x log 2,5 = 80 + 6,6 = 86,6 dB(A), c.q.d. Pode-se também calcular a “dose projetada” para a jornada de trabalho. O cálculo da dose projetada ocorre quando não há tempo para realizar a medição de ruído durante toda a jornada. Neste caso, faz-se a medição de ruído de um tempo “t” e projeta essa medição para toda a jornada. A mesma fórmula 2 supracitada aplica-se no cálculo da dose projetada. Vejam exemplo a seguir: um profissional realiza uma amostragem de 2 h e encontra uma dose de 30%, sendo que a jornada de trabalho é de 8 horas. Projetam-se, então, as outras 6 horas restantes da seguinte forma: 2h 30% 8h x x = (8 x 30) 2 = 120 % Aplicando a fórmula 2, teremos: Leq = 80 + 16,61 x log [(9,6 x D)/T] Leq = 80 + 16,61 x log [(9,6 x 120)/480] Leq = 80 + 6,3= 86,3 dB(A) Observação importantíssima: a projeção de dose só vale se os níveis de ruído das outras horas projetadas forem iguais ou semelhantes ao tempo de ruído medido. Veja outro exemplo que esclarece a questão. Um profissional realiza uma amostragem de 2 h e encontra uma dose de 30%, sendo que a jornada de trabalho é de 8 horas. A exposição ao ruído das 6 horas restantes não são iguais à exposição das 2 horas. A título de exemplo, a dose nas 6 h foi de 60%. Neste caso, qual o Leq da jornada? Solução: TWA = 80 + 16,61 x log [(9,6 x 90)/480] TWA = 80 + 4,24 = 84,24 dB(A) 13 Comentário: na dose de 30% em 2 horas, projetada para 8 h, o Leq superou o LT. Na dose de 30% para 2 h e 60% para 6 horas, o Leq ficou abaixo do LT, ou seja, dependendo da estratégia de projeção dos valores, os resultados finais serão diferentes. 4.0 – NÍVEL DE EXPOSIÇÃO NORMALIZADO – NEN Segundo a NHO – 01 da Fundacentro, o NEN é o nível de exposição convertido para uma jornada padrão de 8 horas diárias, para fins de comparação com o limite de exposição. A NHO 01 define que o NEN é calculado a partir da equação abaixo (para o fator de duplicação de dose q = 3): NEN = NE + 10 log (TE/480) (dB) Sendo: NE = nível médio de exposição ocupacional diária TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho. Exemplo: Exemplo: um trabalhador fica exposto a um nível médio representativo de exposição diária de ruído de 88 dB(A), durante 6 horas. Utilizando o critério de NEN (Nivel de Exposição Normalizado), verificar se houve exposição acima do limite de tolerância, para a jornada de 8 h. Solução: Dados : NE = 88 dB(A) TE = 6 horas q=3 NEN = NE + 10 log (TE/480) (dB) NEN = 88 + 10 log (6 x 60)/480 = 88 – 1,25 NEN = 86,75 dB(A) Para o fator de duplicação q = 5, a equação do cálculo do NEN é a seguinte: NEN = NE + 16,61 log (TE/480) (dB) Exemplo: qual é o valor do NEN para nível médio de exposição ocupacional diária (NE), medido em 6 horas? Dados : NE = 88 dB(A) TE = 6 horas 14 q=5 NEN = NE + 16,61 log (TE/480) NEN = 88 + 16,61 log (6 x 60)/480 = 88 – 2,0 NEN = 86,0 dB(A) NEN = 90 + 16,61 log (6 x 60/480) = 87,92 dB(A) Conclusão: neste caso, tanto com q = 3 ou q = 5, a exposição superou o LT de 85 dB(A). 5. 00 – O RUÍDO NA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA A avaliação da exposição de ruído, para fins previdenciários e/ou de instrução de processo de aposentadoria especial, deve-se seguir a legislação do Ministério da Previdência Social. A avaliação de ruído, para fins de aposentadoria especial, deve ser realizada com cautela, devido às frequentes mudanças das normas previdenciárias, fazendo o enquadramento de acordo com o dispositivo previdenciário vigente à época, conforme nos mostra o quadro abaixo transcrito, do Anexo XXVII da Instrução Normativa nº 45 INSS/PRES, de 06 de agosto de 2010, em vigor: ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE ESPECIAL 15 16 Vale observar que a legislação da Previdência Social sempre exigiu, obrigatoriamente, laudo técnico de ruído, desde a criação da lei que dispõe sobre aposentadoria especial, ou seja, desde o Decreto nº 53.831, de 1964 até a Instrução Normativa INSS 45/2010, atualmente vigente. De acordo com o Artigo 239 da IN 45/2010, o enquadramento do ruído, para fins previdenciários, deve ser feito da seguinte forma: ● Até 05 de março de 1997 – exposição superior a 80 dB(A) ● ● De 06 de março de 1997 até 18 de novembro de 2003 – ruído superior a 90 dB(A) A partir de 19 de novembro de 2003 – NEN superior a 85 dB(A) ou dose > 100%, aplicando : a) os limites de tolerância definidos no Quadro Anexo I da NR-15 do MTE; e b) as metodologias e os procedimentos definidos na NHO-01 da FUNDACENTRO. O enquadramento do período a partir de 19 de novembro de 2003 gera polêmica, no tocante à utilização do incremento da taxa de dose (q = 3 ou q = 5), em virtude do disposto nas letras “a” e “b”. Se a opção for seguir os limites de tolerância do Quadro I da NR 15 do MTE, o incremento da taxa de dose deverá ser q = 5. Se for seguir a metodologia definida na NHO-01 da Fundacentro, o q deverá ser igual a 3. Em nossa interpretação, a IN 45/2010 estabelece o uso da metodologia da Fundacentro, porém os limites de tolerância são os da NR 15, Anexo 1, com q = 5. 6. MEDIDAS DE CONTROLE DO RUÍDO As medidas de controle do ruído podem ser aplicadas de três formas: redução do ruído na fonte, na trajetória e no homem. O controle de ruído na fonte é o método mais recomendado e deve começar no projeto e planejamento, por ocasião da aquisição das máquinas e equipamentos. Se não for inviável tecnicamente especificar máquinas com níveis de ruído, nos limites normativos, deve-se buscar uma solução de engenharia, tais como: enclausuramento da máquina, instalação de silencioso na descarga, redução de vibrações, manutenção periódica, redução do ruído aerodinâmico, entre outras soluções. 17 Não sendo possível o controle de ruído na fonte, o próximo passo é o estudo das medidas de controle na trajetória, com a aplicação de técnicas de engenharia, baseadas na absorção e/ou isolamento do som. A finalidade da absorção é evitar a reflexão e reverberação do som, o que se faz com revestimento de paredes com materiais porosos e fibrosos, tais como: lã de vidro e cortiça, considerados os melhores absorventes. O isolamento acústico consiste em reduzir ou evitar a transmissão do som de um ambiente para outro, utilizando materiais isolantes de som, com baixos coeficientes de transmissão (quanto menor o coeficiente de transmissão, mais isolante será a parede). Um material bom isolante de som deve ser rígido, compacto e pesado, tais como: concreto, alvenaria e vidro. O isolamento torna-se mais eficiente quando se utilizam paredes isolantes (material denso e compacto), revestidas internamente com material absorvente (cortiça, lã de vidro etc.). Quando não for possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, devem ser adotadas medidas de controle administrativas, de forma a proteger os trabalhadores da agressividade do ruído. As principais medidas no ser humano são: limitação do tempo de exposição ao ruído elevado, utilização de EPIs, exames médicos periódicos, rodízio nos postos de trabalho, mudança de postos de trabalho, sinalização das áreas de ruído, etc, ressaltando-se que o uso de EPI´s deve ser a última ação a ser implementada em um programa de prevenção contra ruído. Com relação aos EPIs, são utilizados os protetores auriculares tipo concha, os protetores de inserção ou plug e os protetores descartáveis, sendo recomendado critérios para sua utilização. Segue abaixo um quadro mostrando as vantagens e desvantagens dos protetores, tipo concha e inserção, segundo a Associação Americana de Higienistas Industriais (apud SALIBA, 2011): INSERÇÃO CONCHA VANTAGENS São pequenos e fáceis de carregar. Atenuam Atenuam melhor nas baixas frequências. melhor nas altas frequências. Desvio padrão menor do que os tipo inserção. Podem ser usados confortavelmente e sem Podem ser usados por pessoas de biótipos restrição técnica com outros EPIs (Ex:óculos) São relativamente confortáveis variados. para Podem ser identificados à distância e 18 ambientes quentes. facilmente monitorado. Mais convenientes em locais e atividades com São geralmente mais aceitos por baixos movimentos de cabeça trabalhadores que não têm hábito de uso. Baixo custo em relação aos de concha. Podem ser usados mesmo por pessoas com eventuais problemas no ouvido e duram mais. INSERÇÃO CONCHA VANTAGENS E DESVANTAGENS Devem ser adequados aos diâmetros do Eliminam ajustes complexos de colocação. canal auditivo. São fáceis de carregar, mas também são São grandes e difíceis de levar nos bolsos. fáceis de serem esquecidos ou perdidos. Devem ser guardados em locais apropriados. O custo inicial é baixo, mas sua vida útil é O custo inicial é alto, mas sua vida útil é curta. longa. Devem ser inseridos em ouvidos sãos. Podem ser usados em qualquer ouvido. Não são afetados pela temperatura do Confortáveis ambiente. desagradáveis em ambientes quentes. Podem infectar ou lesar ouvidos sãos. Podem causar contágio se usados de forma em ambientes frios e coletiva. Não são vistos ou notados facilmente Podem ser observados a grande distância. Não dificultam o uso de outros EPis Interferem no uso de outros EPIs. 7. ADIÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO Pode ocorrer a necessidade de se medir o ruído em um ponto (P), conhecendose os valores dos níveis de ruído de mais de uma fonte de ruído, isoladamente. Como as operações com decibéis não são lineares, ou seja, a soma de 100 dB + 90 dB não é igual a 190,0 dB, pois a escala do nível de pressão sonora é logarítmica, temos que realizar os cálculos por meio de outra forma. Método Gráfico Diferença dos NPS das fontes. Correção no gráfico. Somar ao maior NPS. Exemplo Duas fontes produzem isoladamente 100 dB e 90 dB, medido no ponto P. Qual será o NPS, no mesmo ponto P, quando as duas fontes funcionam simultaneamente ? 19 Solução gráfica 1. Diferença: 100 – 90 = 10 dB 2. Correção no gráfico: 0,4 dB 3. Acrescentar a diferença ao maior NPS NPS no ponto P = 100 + 0,4 = 100,4 dB Resposta: quando as duas fontes funcionam simultaneamente o ruído será de 100,4 dB, medido no ponto P. 8. SUBTRAÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO O artifício de subtração de ruído é muito utilizado na determinação do ruído de fundo. Da mesma forma que a soma, a subtração também não é linear, pois a escala é logarítmica. O roteiro para a subtração de NPS é o seguinte: Método gráfico - Subtrair o NPS total do NPS da fonte; - Com o valor obtido entrar no gráfico e obter correção; - Subtrair a correção do NPS total Exemplo: uma lixadeira e motores estão funcionando juntos. No ponto P, o NPS é de 100 dB. Desligando-se somente a lixadeira, o NPS reduz para 95 dB. Qual o valor de ruído da lixadeira ? 20 Solução gráfica: 1. Obter a diferença entre os NPS: 100 – 95 = 5 dB 2. Entrar no ábaco com 5: obtendo 1,5 dB 3. Subtrair a diferença do maior valor: 100 – 1,5 – 98,5 dB Resposta: o ruído da lixadeira é de 98,5 dB 9 – NÍVEL DE AÇÃO PARA RUÍDO De acordo com a NR 9 que regulamenta o PPRA, o Nível de Ação é definido como: “o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas ... para evitar que os valores ultrapassem os limites de exposição”. Ainda segundo a NR 9, “para o ruído, o Nível de Ação é a dose de 0,5 (dose superior a 50%), conforme NR 15, Anexo 1”. Afinal, qual é o valor (em dBA) do Nível de Ação para o ruído ? Já vimos que, para 8 horas e q = 5, a dose de 100% equivale a 85 dB(A). Logo, a dose de 50% equivale a 80 dB(A). Ou seja, o Nível de Ação do ruído é de 80 dB(A), para q = 5. Qual seria o valor do Nível de Ação para o ruído, de acordo com a Norma NHO-01 da Fundacentro, em que o q = 3? Já vimos que para 8 horas e q = 3, a dose de 100% é equivalente também a 85 dB(A) Logo, a dose de 50% equivalerá a 82 dB(A). Ou seja, o Nível de Ação do ruído é de 82 dB(A), para q =3. 21 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, Geovanni Moraes. Perícias e Avaliação de Ruído e Calor. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. GVC. .2002. GERGES, Samir N. Y. Ruído – Fundamentos e Controle. Florianópolis: NR Ed., 2000. SALIBA, Tuffi Messias. Manual Prático de Avaliação e Controle do Ruído. 6ªed. Brasil. São Paulo: Ed. LTR. 2011. 22