Onde encontrar o Min istério da Agricultura
T
Agricultur
AgriculturA:
A pAixão pelA terrA
odos os dias, desde o amanhecer, milhões
de brasileiros cultivam uma de suas grandes
paixões: a produção agrícola. Eles planejam,
plantam, criam, cuidam e colhem seus produtos,
buscando sempre eficiência no trabalho e harmonia com o
meio ambiente. Esta riqueza de nossa terra vem do trabalho
do campo. Está ali o grande celeiro nacional que abastece as
cidades. Este ciclo produtivo virtuoso vai além da vocação de
um povo. É um compromisso de Estado. O governo brasileiro
adota políticas agrícolas que estimulam o crescimento com
responsabilidades social e ambiental.
Nas últimas décadas, a pesquisa e a tecnologia desenvolvidas
no País permitiu o melhor aproveitamento do solo e a adaptação
de culturas ao clima tropical, gerando significativos ganhos
em produtividade. O trinômio saúde animal, sanidade vegetal
e segurança alimentar ganham destaques nos fóruns de
negociações nos mercados interno e externo. Desta maneira,
esta Nação zela pela qualidade do alimento que vai à mesa dos
brasileiros e os demais consumidores espalhados pelo mundo.
Nesta edição, a Terra Brasil mostra como dezenas de
trabalhadores frequentam diariamente um espaço no alto da
Serra da Mantiqueira para cultivar rosas. Em outra matéria
é revelada a energia que vem da pimenta-do-reino, um dos
temperos mais usados na culinária internacional. Ganha
evidência ainda, neste número, o bem-estar animal apresentado
como uma exigência para alcançar mercados qualificados e
a importância da fiscalização na alimentação animal, para
garantir condições adequadas para a segurança dos alimentos
consumidos pelo homem.
A agricultura do futuro também está nesta quinta edição
da revista, com indicadores que evidenciam tendências e
projetam as perspectivas deste valioso setor para os próximos
dez anos. Este panorama, com análise de dezenas de produtos,
é um caminho para entender a dinâmica das relações entre
produção, consumo e exportação e a trajetória do Brasil a curto,
médio e longo prazos, bem como estruturar visões de futuro
da agricultura e pecuária brasileiras no contexto mundial,
buscando crescimento e conquista de novos mercados.
Expediente
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Wilma Annete Cesar Gonçalves,
Neuza Arantes Silva, Tony Geraldo Carneiro,
Jorge Caetano Junior, Helinton José Rocha,
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Catalogação na Fonte
Biblioteca Nacional de Agricultura – BINAGRI
Terra Brasil. Ano 1, n.1 (dez. 2008)- .– Brasília : Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento
v. ; 27 cm.
Quadrimestral
ISSN 1984-204X
1. Agricultura. I. Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Assessoria de Comunicação Social. II. Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
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Palmas-TO
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SUMÁRIO
04
12
20
26
34
ESPECIAL
POLÍTICA AGRÍCOLA
Produção Encantada
Tecnologia e pesquisa favorecem
floricultura brasileira, mercado que
movimenta mais de R$ 2,5 bilhões ao ano.
Projeções do Agronegócio
Para o início da próxima década,
a expectativa é de crescimento da
produção de grãos e carnes em 37%.
COMÉRCIO E MERCADOS
Patrimônio dos Reis
Principal item de exportação agrícola
do Pará, a pimenta-do-reino tem
forte presença na culinária.
DEFESA SANITÁRIA
Bem-estar Animal
Passaporte para a carne de qualidade,
com boas práticas de criação e manejo.
Pragas na Agricultura
Sob alerta, produtores e fiscalização
unidos para o controle e o combate.
PESQUISA E
TECNOLOGIA
40
46
Frutos do Cerrado
O Cerrado, segunda formação
vegetal no Brasil, tem grande
variedade de cores, formas e sabores.
PRODUÇÃO
E CONSUMO
54
Ceagesp
Maior entreposto da América Latina,
abastece o Brasil e mais 18 países.
Qualidade do Leite
Das fazendas aos supermercados, o leite no Brasil passa
por diversos processos.
SERVIÇO
Indicação Geográfica
60
68
Alimentação Animal
Qualidade da alimentação animal
garante a segurança do consumo.
Produtos Veterinários
69
3
Terra Brasil
Março/2010
Produção Encantada
“Queixo-me às rosas
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai”.
(Trecho da música “As rosas não falam”, de Cartola.)
No
alto da Serra da Mantiqueira,
município
de Andradas-MG, dezenas de
funcionários ocupam os postos
de trabalho no Sítio Dallas. A
cada hectare, 12 funcionários são
responsáveis pelo espaço, desde o
plantio das mudas até a colheita,
acompanhamento que leva em
torno de seis meses. A rotina é
semelhante a qualquer propriedade rural. Quando chega a hora
de voltar para casa, no vai-e-vem,
homens e mulheres têm rostos
cansados, mas sorridentes. Ao
apresentar as estufas da propriedade, exibindo rosas com diferentes cores e tamanhos, o agrônomo
Gustavo Vieira deixa escapar.
“Aqui plantamos o alimento da
alma”, diz. Lá no alto da serra,
contrariando a música de Cartola,
as rosas falam.
Cultivar flores requer mais do que
paixão. A Serra da Mantiqueira,
entre os estados de São Paulo e
Minas Gerais, foi “escolhida” a
dedo. Com clima ensolarado de
dia, chegando a 28ºC, e o friozinho da noite, lá pelos 14ºC, na altitude de mais de 1,3 mil metros,
o lugar é ideal para o desenvolvimento e a colheita das melhores
rosas que o Brasil produz.
A cada passo percorrido nas estufas
do Sítio Dallas, encontramos rosas
vermelhas, amarelas, brancas,
lilases e bicolores. E elas têm
nome. Às vezes, sobrenome. Para
os leigos, são rosas vermelhas. No
agronegócio da floricultura, elas
ganham nomes delicados, como
Amada, Carola ou Lovely Red.
Em qualidade, ainda não competem com as rosas produzidas
na Colômbia, Equador e alguns
países da África, que ganham em
altitude, resultando em botões
maiores que os daqui. “As condições climáticas não são tão favoráveis, mas em contrapartida
temos temperaturas mais altas
e ciclo de produção mais curto”,
defende o presidente do Instituto
Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), Kees Schoenmaker.
Nas últimas décadas, a floricultura brasileira vem ampliando o
espaço de maneira significativa.
Hoje, 3,5 mil variedades estão
disponíveis em 18 mil pontosde-venda e o cultivo passou a ser
feito em ambientes protegidos,
com apoio tecnológico. Sistemas
de aquecimento, refrigeração e
irrigação permitem o controle
da temperatura, garantindo produção de qualidade o ano todo.
O setor movimenta 25 polos de
produção, alcança R$ 2,5 bilhões
ao ano e gera 200 mil empregos
diretos.
Tecnologia e pesquisa
favorecem a floricultura
brasileira. O mercado
movimenta mais de
R$ 2,5 bilhões ao ano
e gera 200 mil
empregos diretos.
4
Terra Brasil
Março/2010
Para o agrônomo Gustavo Vieira,
ali se planta o “alimento da alma”.
5 5
Terra
Terra
Brasil
Brasil
Março/2010
Março/2010
A produção concentra-se principalmente em São Paulo, responsável por 70% do volume
brasileiro. Quanto ao consumo,
85% da demanda está no Sudeste
e 50% em São Paulo. Segundo o
presidente da Câmara Setorial
da Cadeia Produtiva de Flores e
Plantas Ornamentais, Renato
Opitz, Holambra, a 150 km da
capital paulista, concentra o polo
de produção e comercialização
do País. Com isso, o escoamento acaba sendo mais fácil para
a região Sudeste. “As flores são
produtos perecíveis e exigem
logística bem articulada. Se o
produtor não estiver nos principais centros, a distribuição fica
complicada”, alerta.
No Ceará, a logística é o principal gargalo para um dos nichos
de produção de flores que mais
crescem. Em dez anos, o cultivo
de rosas no estado saltou de 19
para 300 hectares. As exportações passaram de US$ 400
mil para US$ 6 milhões,
em apenas seis anos.
Flores para quem...
Mesmo com entraves, o setor
ganhou fôlego nos últimos anos.
De acordo com dados do Ibraflor,
enquanto o Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro cresce em média 4%
a 5% ao ano, o PIB do setor florista
dobra. Um exemplo de impulso
do setor foi a opção de compra de
flores e plantas ornamentais pelos
supermercados e a criação dos
garden centers (supermercados de
flores), iniciativas que mudaram a
rota comercial e instigaram a criatividade dos floricultores.
O consumo brasileiro é tímido,
cerca de US$ 8 a US$ 9 por pessoa,
comparado a países como a Argentina, que chega a US$ 25, Holanda,
com US$ 120 ou Bélgica, saindo na
frente, com US$ 130.
Na opinião de Renato Opitz, as
ações localizadas incentivam o
consumo, mas o resultado será
colhido apenas daqui a alguns anos.
“O principal reflexo no aumento do
consumo vem do crescimento do
poder aquisitivo dos brasileiros,
embora apenas um terço da população tenha condições de gastar
com flores”, argumenta.
Para a presidente
da Associação
Brasileira de Proteção de Cultivares
de Flores e Plantas Ornamentais
(ABPCFlor), Silvia van Rooijen, o
consumo de flores no País é mais
significativo nas datas comemorativas, mas ela acredita que as
iniciativas de melhoramento genético podem aquecer o mercado. “O
Brasil tem expressivo número de
pesquisadores com conhecimento
técnico para desenvolver esses programas”, complementa.
Flores melhoradas
Ganhar mercado, preferência do
consumidor e competitividade
requerem do produtor, primeiramente, aquisição de sementes,
mudas ou bulbos com melhoramento reconhecido. Grande parte
importa esse material, principalmente da Holanda. Cada remessa
é avaliada por técnicos brasileiros
que, durante dois anos, realizam
testes para a adaptação ao clima
tropical.
O agricultor compra o material do
obtentor ou melhorista da tecnologia, profissional especializado
em desenvolver novas plantas,
com características superiores a
partir das existentes. As tecnologias são obtidas por meio de
engenharia genética, métodos
tradicionais ou biotecnologia.
No Sítio Kolibri, em Holambra-SP,
são cultivados antúrios e orquídeas em 20 mil metros quadrados de
estufa. O proprietário, Theo Breg,
foi buscar em dois laboratórios
holandeses mudas dos melhores
exemplares para produção. “O
resultado são plantas com hastes
maiores, mais flores e durabilidade”,
reforça Breg, ao mostrar as estufas.
Assim como Breg, outros produtores compram mudas, sementes ou
bulbos melhorados, respeitando a
Lei de Proteção à Propriedade Intelectual nº 9.456/1997 e o Decreto
nº 2.366/2007.
Os melhoristas estrangeiros fazem
os pedidos de proteção intelectual
sobre novas variedades de plantas,
concedidos pelo Serviço Nacional
de Proteção de Cultivares (SNPC)
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O certificado de proteção de cultivares assegura o livre exercício do
direito dos melhoristas e defende
o interesse nacional na proteção de
novas espécies vegetais.
Proteção de flores
Nas espécies vegetais, a proteção
assegura o direito dos pesquisadores especializados em obter
plantas com características superiores. De acordo com a coordenadora do SNPC, Daniela de
Moraes Aviani, a medida fomenta
parcerias entre os setores público
e privado, instituições de pesquisa e produtores de sementes. “Na
medida em que foram melhoradas, obtivemos plantas adaptadas
às diferentes regiões e climas do
Brasil”, ressalta.
Cabe ao Ministério da Agricultura guardar as informações genéticas das cultivares protegidas por
meio de sementes, mudas e em
bancos de DNA, ou seja, o código
genético da planta. “É uma forma
de combater, com mais eficiência,
a pirataria de sementes e mudas”,
afirma a coordenadora.
A importância da proteção de
cultivares e a defesa dos interesses dos obtentores e produtores
de ornamentais no Brasil estão
entre os principais trabalhos da
ABPCFlor. A presidente da entidade explica que se trata de ferramenta econômica, uma vez que
a expectativa do comércio para o
produto é o primeiro ponto avaliado pelo setor.
Silvia van Rooijen cita o trabalho da União Internacional para
Proteção de Novas Variedades
de Pl antas sobre o impacto
da proteção de cultivares em
alguns países. Argentina, China,
Quênia, Polônia e República da
Coreia foram os países escolhidos para a análise. Os resultados
mostraram aumento da quantidade de sementes certificadas,
maior investimento da iniciativa
privada em melhoramento genético e crescimento significativo
de variedades disponíveis, com
reflexo positivo da demanda de
produtos. “O estudo comprova
que um sistema adequado e eficaz
de proteção de cultivares atrai
investimento e fortalece a cadeia
produtiva”, argumenta.
As orquídeas de Theo Breg
chegam em mudas da Holanda.
Ao comprar material protegido,
o consumidor paga, embutido no
preço, um valor que varia entre 0,5
a 3%, revertido à instituição que
registrou a variedade da planta.
Esse royalty permite à empresa obtentora recuperar os investimentos
e prosseguir em novas pesquisas.
6
6
Terra Brasil
Terra
Brasil
Março/2010
Março/2010
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Terra Brasil
Março/2010
Flores para
o mundo
Kees Schoenmaker conduz
um negócio de família que
produz bulbos, mudas, flores
e plantas ornamentais.
Passarela
Florida
Como no mundo da moda, divulgar novidades e variedades de flores
e plantas requer um desfile para as criações. No Brasil, a principal
oportunidade para essa promoção é a Expoflora, realizada entre agosto e
setembro, em Holambra-SP. Nas últimas edições, o evento atraiu mais de
300 mil pessoas. Segundo Renato Opitz, a feira indica as possibilidades
de uso de flores e plantas ornamentais para incentivar o consumo no
Brasil. As variedades de flores e plantas ornamentais são testadas
com o público. Na próxima edição da Explofora, será apresentada uma
novidade da empresa Van Noije Plantas Ornamentais que, durante
seis anos, investiu em pesquisa para desenvolver uma variedade
de cróton com folhas verdes e amarelas. “Apresentaremos o
novo produto, com as cores do Brasil, e lançaremos opção
para decorar eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas.
Mostraremos ao mundo a variedade só encontrada aqui”,
explica Tommy van Noije.
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Terra Brasil
Março/2010
As exportações de flores ainda são
pequenas. Em 2009, o setor movimentou US$ 31,5 milhões para 42
países. Entre os principais destinos estão a Holanda, que comprou
US$ 18,6 milhões, seguida pelos
EUA, com US$ 5,9 milhões, Itália,
com US$ 2,7 milhões e Bélgica,
com US$ 720 mil.
Para Kees Schoenmaker, do Ibraflor, o comércio interno está em
crescimento e oferece ainda mais
oportunidades que o internacional. Ele compartilha com Silvia
van Rooijen a ideia de que o
mercado brasileiro é promissor. “Temos um país
populoso e com renda
per capita em crescimento“, aponta.
Schoenmaker
acredita que a
prosperidade
na produção
de flores no Brasil é resultado de
dedicação do setor. Afinal, foi em
Holambra que os imigrantes holandeses se estabeleceram e implantaram as primeiras sementes
de flores para o cultivo em larga
escala. Chegaram ao Brasil pelas
mãos do pai, Klaas Schoenmaker,
em 1959, que escolheu o País tropical para viver com a esposa e 11
filhos e investir na experiência
em produzir bulbos de flores, vislumbrando um futuro promissor
com a família.
Kees relata também as primeiras
tentativas, na produção de palmas,
em um pequeno sítio na região de
Campinas-SP. A comercialização,
inicialmente local, foi ampliada
para a capital. Hoje, a empresa
da família pesquisa, desenvolve
e produz bulbos, mudas, flores e
plantas ornamentais. Os negócios
expandiram para produção de
frutas, cereais, batatas, tomates e
hortifrútis, em mais de 12 mil hectares, em São Paulo, Minas Gerais,
Ceará, Holanda e Paraguai.
A conf iança na produção de
flores no Brasil veio junto com
as famílias holandesas, que encontraram no clima ensolarado
as condições ideais para o sonho
acontecer. Schoenmaker afirma
que falta ao brasileiro o hábito
de consumir f lores. “Quando
acostumado a ter flores e plantas
em casa, não poderá mais viver
sem elas”, assegura.
De olho no mercado, Silvia van
Rooijen, da ABCFlor, ressalta que
os programas de melhoramento
de ornamentais no Brasil ainda
são incipientes. “O caminho para a
valorização do produto e conquista
de mercado é espinhoso, mas a tecnologia e o melhoramento genético
trazem resultados coloridos e perfumados”, vislumbra.
9
Terra Brasil
Março/2010
A rota de comercialização das flores e plantas ornamentais segue rumos diferentes comparados aos de outros produtos agropecuários.
De forma peculiar, mais da metade do comércio é por meio de leilão eletrônico. Em Holambra, todas as quartas-feiras, bem cedo, os
principais compradores entram na corrida pelo melhor preço na Veiling (comercialização realizada em barcos comuns holandeses). Os
produtos são negociados em pregão, a oferta e a procura permitem a formação de preços, que são referência para o mercado.
Cada lote entra no leilão e as informações são apresentadas em mostradores eletrônicos. O processo valida um pregão diário,
com preços decrescentes e a cada 1,5 segundo um lote é negociado. Em dois relógios (Klok), as regras são definidas para a saída
de veículos carregados com as melhores flores e plantas.
A Veiling Holambra classifica os produtos em A1, A2 e B. “O grupo A1, das flores mais valorizadas, representa 89% do total. É o
sistema mais moderno de comercialização de flores e de plantas, uma referência mundial”, explica Theo Breg.
Aproximadamente 44% das flores e plantas ornamentais não são comercializadas por meio do “relógio”. A intermediação permite
entregas programadas e, assim, fornecedores e clientes fecham contratos com preços e prazos de pagamento pré-estabelecidos.
Para os leigos, a comercialização na Veiling tem perfil de bolsa de valores. Para os experientes, as regras definidas facilitam a
compra pelo melhor preço e qualidade, sanidade vegetal, uniformidade de folhas e flores, tamanho e espessura de hastes.
Já o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio de Flores e Plantas (Abafep), Paulo Loli, lembra que os produtos são
perecíveis e a cooperativa Veiling controla a qualidade das remessas para vários locais do Brasil. “Após o pregão, boletos de
pagamento são colocados nas flores e plantas, que seguem para os caminhões no estacionamento”, afirma.
A Veiling Holambra ocupa uma área de 800 mil metros quadrados, sendo 105 mil metros quadrados cobertos. Concentra a
produção de 313 fornecedores, sendo 222 sócios da cooperativa, 55% do município e 45% de outras localidades. São mais de
520 clientes e mais da metade das vendas destinam-se ao estado de São Paulo. A outra parte segue, principalmente, para Minas
Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A rota das flores, após a compra na Veiling Holambra, tem destino certo, segundo
o atacadista Rogério Martins. Com experiência e atento ao leilão, ele sabe que tudo
começa na compra de melhores produtos. “No pregão, procuro atender aos pedidos
dos clientes em relação às novidades e exclusividades”, explica.
Após o leilão, Martins comercializa os produtos na Ceasa/Campinas, maior mercado
permanente de flores e plantas da América Latina, onde quatro mil toneladas de
produtos são negociadas todo mês. A agente de departamento de flores da Ceasa/
Campinas, Ana Rita Pires Stenico, explica que a central reúne mais de 500 pontosde-venda e 375 atacadistas, em 68 cidades. “Os principais fornecedores ficam em
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas em Atibaia-SP encontram-se 70% dos
fornecedores”, afirma.
A 100 quilômetros de Campinas, a Central de Entrepostos e Armazéns Gerais de
São Paulo (Ceagesp) mantém, na capital paulista, a Feira de Flores, com produtos
principalmente de Holambra, Mogi das Cruzes, Cotia e Bragança Paulista. Às terças
e sextas-feiras, das 5 às 10 horas, atacadistas e varejistas movimentam 4,5 mil
toneladas/mês em vendas de flores de corte e de vaso. A média de comercialização
ultrapassa R$ 200 milhões ao ano.
O comércio das rosas, relativamente baixo
na Veiling Holambra, é feito principalmente
pela internet. Os produtores se uniram para
a negociação de flores de corte. Há dez anos,
criaram a Cooperativa dos Floricultores
(Cooperflora), que reúne mais de 50 floricultores
e 300 compradores exclusivos, pela internet.
10
Terra Brasil
Março/2010
Segundo o presidente da Cooperflora, André
Boersen, a ideia da cooperativa foi dos próprios
floricultores, especialmente de rosas. A iniciativa
marcou um novo modelo de comercialização. “O
produtor está em contato direto com os clientes
e suas exigências”, afirma. Os associados são
de Holambra, sul de Minas Gerais, Campos
de Holambra (antiga Holambra II), região de
Atibaia, Arujá e, um pouco mais distante, na
Serra de Ibiapaba, no Ceará. Em 2009, foram
comercializados 90 milhões de hastes de rosas,
com faturamento de R$ 50 milhões.
11
Terra Brasil
Março/2010
Patrimônio dos Reis
Nos
séculos XV
e XVI, uma
trepadeira
com frutos
verdes, em forma de espiga,
tinha tanto valor comercial
quanto as jóias e sedas. Era
época das Grandes Navegações e
as especiarias, como a pimentado-reino, considerada patrimônio
dos reis europeus que investiram
em rotas mais curtas para a Índia
e China, países onde esse produto
era cultivado. Hoje, o condimento
não é mais vendido a peso de ouro,
mas representa a principal fonte de
renda para cerca de 20 mil famílias
no Pará, estado que concentra 90%
da produção nacional da especiaria.
No período da colheita, de julho a
novembro, garante emprego a 60
mil famílias. “A pimenta-do-reino
foi introduzida no Brasil em 1933
por imigrantes japoneses que
se instalaram em Tomé-Açu, no
sudoeste paraense. Na década de
1980, o País chegou a ser o primeiro
no ranking mundial de produção”,
Principal item de exportação agrícola do Pará, que concentra 90% da
produção nacional, a pimenta-do-reino tem presença marcante na
culinária dos pratos clássicos aos mais exóticos
12
Terra Brasil
Março/2010
conta a técnica do Departamento
de Inspeção de Produtos de Origem
Vegetal, do Ministério da Agricultura, Emídia Coelho Pereira, que trabalha com a especiaria no governo.
Atualmente, o Brasil é o terceiro
maior produtor da pimenta-doreino que representa o principal
item de exportação agrícola do
Pará, tendo gerado, em 2009, mais
de US$ 91 milhões em divisas. Bem
adaptada ao clima do Norte brasileiro, quente e úmido, a também
conhecida como pimenta-da-Índia,
tem importância econômica preponderante para a região. “A especiaria tem característica diferenciada de outras culturas agrícolas, pois
o produtor vende tudo que colhe.
Mesmo com a oscilação no preço, a
pimenta-do-reino não deixa de ser
comercializada”, explica o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Oriel Lemos, que desenvolve
estudos, há 15 anos, para reforçar a
eficiência e qualidade da cultura.
Usada como
moeda na época
das Grandes
Navegações, a
pimenta-do-reino
era um dos produtos
mais disputados
pelos monarcas
europeus.
13
Terra Brasil
Março/2010
O chef Francisco Ansileiro não
abre mão da pimenta-do-reino.
louro, cravo e pimenta preta.
O chef também usa a especiaria em quantidades mais generosas para suavizar pratos
gordurosos, como o terrine
de foie gras (fígado de ganso).
Ao contrário de Francisco
Ansileiro, Simon Lao prefere
aplicar os tipos de pimentado-reino separadamente.
“Uso a branca em molhos
claros, como o bechamel, e a
preta, mais perfumada, em
carnes”, exemplifica.
Do clássico
ao exótico
Além do sustento para milhares de
famílias no Pará, Espírito Santo e
Bahia, a pimenta-do-reino figura
entre os temperos mais usados
na culinária internacional. Na
época das conquistas marítimas,
o condimento funcionava como
conservante para carnes e outros
alimentos estocados nos navios por
longos períodos. Com o tempo, chefs
de cozinha e indústria alimentícia
encontraram melhores formas de
aproveitar o sabor encorpado e peculiar da especiaria. “Uso o triplo
pepper em todos os pratos do cardápio (mix das pimentas: preta, branca
e rosa ou vermelha)”, revela o chef
Francisco Ansileiro, proprietário do
restaurante Dom Francisco, instalado há 22 em Brasília-DF.
Ansileiro não abre mão do tempero
clássico da culinária mediterrânea
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Terra Brasil
Março/2010
que leva sal, azeite e pimenta-doreino e diz que a função do condimento é suavizar o odor da carne,
sem comprometer a percepção do
sabor da comida, em função da ardência da especiaria. O chef também
dá uma dica: o ideal é comprar a
pimenta na forma de grão, em pequenas quantidades, e moê-la na
hora de preparar o prato. “Assim a
pimenta se mantém sempre fresca,
conservando seu aroma, sabor e ardência”, completa.
Pratos mais exóticos, que combinam características da culinária
francesa com produtos tipicamente
brasileiros, são a marca do chef dinamarquês Simon Lao, há 14 anos
na capital federal, onde comanda,
desde 2005, o restaurante Aquavit.
Lao, um apreciador da pimentado-reino, diz que apesar de ser
tempero secundário, o condimento
realça o sabor da comida e “dá personalidade ao prato”. Ele aposta em
misturas exóticas. Por exemplo,
morango marinado com mel, limão
e pimenta verde e um torresmo com
A presença do condimento
na mesa também traz benefícios à saúde. O principal componente ativo da pimenta-do-reino, a
piperina (que dá a ardência ao grão)
tem ação antioxidante e anti-inflamatória, ensina a nutricionista do
Hospital Universitário de Brasília,
Juliana Rolim. A substância ainda
tem a propriedade de liberar a endorfina. “Ao contato com a mucosa
oral, a piperina ativa receptores
sensoriais na língua, que se comunicam diretamente com o cérebro,
liberando a endorfina e causando a
sensação de bem-estar”, revela a nutricionista. A sensação, conforme
Juliana Rolim, é significativa para
aliviar enxaqueca e dores de cabeça
crônicas. A pimenta também é rica
em vitaminas A, E e C; zinco e potássio; e contém outras substâncias
que neutralizam os radicais livres.
Tecnologia - A partir de 1995,
a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) desenvolveu sete novas cultivares da pimenta-do-reino de alta produtividade,
algumas resistentes à murcha
amarela, uma das principais pragas
que atingem a especiaria. As pesquisas ajudaram o produtor de mudas
de pimenta-do-reino, Fernando Albuquerque, a se manter na atividade
por 25 anos. O engenheiro agrônomo que trabalha numa propriedade
de Castanhal (65 km de Belém-PA)
é a segunda geração da família envolvida no cultivo do condimento.
“Dois fatores são fundamentais
para a produção de mudas: a pimenteira precisa crescer vigorosa
e isenta de doenças. E o componente mais importante no plantio
é a muda”, relata Albuquerque que
conta com o apoio da Embrapa para
análises laboratoriais, que garantem a oferta de mudas sadias. Por
ano, são 150 mil mudas de pimenteiras que, em média, ficam prontas
para o cultivo em nove meses. Cada
uma, que custa R$ 2, é vendida aos
produtores da região, na maioria,
pequenos proprietários com menos
de meio hectare e cerca de 500 pés
de pimenta, informa o pesquisador
da Embrapa.
Uma área de 30 mil hectares, abrangendo, principalmente, os municípios de Tomé-Açu, Baião e Castanhal, é ocupada com o plantio da
pimenta-do-reino. No ano passado,
foram produzidas 35 mil toneladas
da especiaria, 90% exportada para
os Estados Unidos, a União Europeia e Argentina, entre outros mercados. No topo do ranking dos produtores mundiais estão: Vietnã (82
mil toneladas) e Indonésia (62 mil
toneladas), além do Brasil, Índia,
Malásia e Sri Lanka. Esses países
são integrantes da Comunidade
Internacional da Pimenta (CIP), organismo multilateral com sede em
Jacarta (Indonésia), que promove
a troca de informações sobre políticas públicas para o cultivo da
pimenteira, intensifica as pesquisas sobre novos usos da especiaria
e define padrões de qualidade. O
Brasil é membro da CIP desde 1981.
No último encontro da Comunidade, entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro de 2009, em
Belém-PA, o Ministério da Agricultura mostrou seu Programa
Nacional de Controle de Resíduos
e Contaminantes (PNCR) que
incluiu a pimenta-do-reino entre
as 15 novas culturas que serão
analisadas em laboratórios oficiais, na safra 2009/2010. O resultado da análise das 30 primeiras
amostras referentes à detecção
de salmonela deve ser divulgado
ainda neste semestre.
O consumo crescente do condimento, em média 3% ao ano (conforme a CIP), vai demandar
maior eficiência dos países
produtores. “Além disso,
o estoque global de 30 mil a
35 mil toneladas, aproximadamente, indica queda na oferta
da pimenta este ano”, informa
o pesquisador Oriel Lemos. Ele
diz que o maior desafio para o
Brasil é diminuir os custos de
produção do cultivo da pimenteira. Para isso, a Embrapa está
incentivando o uso de “tutores
vivos” (plantados para apoiar
a pimenteira, que crescem
junto com a pimenta) para o
desenvolvimento da planta,
como a gliricídia em vez do
“tutor morto” (toco ou estaca
de madeira). “ Também
estamos investindo em variedades resistentes à fusariose, praga
causada por um fungo que mata
a pimenteira. Temos um projeto
de melhoramento genético com
uma linha de pesquisa utilizando
ferramentas de biotecnologia e clonagem de plantas, para conseguirmos atingir esse objetivo”, relata
Lemos. O pesquisador reforça que
o uso das tecnologias já existentes é primordial para o produtor
alcançar a eficiência desejada com
manejo correto, adubação orgânica
e uso de mudas certificadas.
A inclusão da pimenta-do-reino nos
estudos de Zoneamento Agrícola de
Risco Climático também foi uma
conquista importante. O zoneamento garante um direcionamento
para o plantio, indicando a melhor
época e regiões adequadas para o
cultivo. A expectativa do Ministério
da Agricultura é publicar o primeiro
estudo ainda este ano.
O chef Simon Lao é um
apreciador da especiaria.
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Terra Brasil
Março/2010
Acarajé com espumante?
Nome científico: Piper nigrum L.
Tipo: trepadeira de porte médio. Pode chegar a três
metros de altura e precisa de um “tutor de madeira”
ou troncos de árvores para se desenvolver.
Clima: o mais adequado é o quente e úmido, com
volume de chuvas entre 1,5 mil milímetros e 2,5
mil milímetros, bem distribuídas ao longo do ano.
Solo: os mais favoráveis são os profundos, bem
drenados, porosos, permeáveis, arenosos ou
levemente argilosos.
Topografia: o terreno deve ser, preferencialmente, plano ou suavemente ondulado, com declives inferiores a 8%.
Produtividade: a colheita de três quilos de pimenta por pé é considerada
boa. Mas, com bom manejo e irrigação, pode atingir de seis a oito quilos por pé.
Classes:
Preta – resulta de frutos colhidos completamente desenvolvidos, de
coloração verde-clara ou amarelada e secadas ao sol ou em secador
artificial.
Branca – os frutos são colhidos quando ainda na cor amarelada ou
vermelha e macerados para retirada da película. É a que tem maior valor
comercial.
Vermelha – os frutos são colhidos com coloração vermelha e conservados
em salmoura.
Verde – as espigas são colhidas quando os frutos atingem 2/3 do
desenvolvimento e são preparadas em salmoura.
Fonte: Produção e Processamento de Pimenta-do-reino.
Centro de Produções Técnicas, da Universidade de Viçosa • www.cpt.com.br
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Terra Brasil
Março/2010
O ardido da pimenta-do-reino, que existe por causa de um
composto químico chamado piperina, pode trazer dificuldades
na hora de combinar o prato com um bom vinho. Mas, de acordo
com o professor de enogastronomia e somelier, Antônio Duarte,
há soluções, até surpreendentes, para harmonização da bebida
com pratos picantes. “Acarajé com espumante rosè é uma delícia.
Harmoniza o gosto e o aroma da pimenta. Também recomendo
vinhos brancos das uvas: Cabernet sauvignon, Shirraz e Tempranillo
para degustar com pratos da culinária baiana”, explica.
Para o cardápio com o tempero clássico que leva sal, azeite
e pimenta-do-reino, mais utilizado nas carnes, a dica do
especialista é seguir as regras básicas da harmonização. “Um
bife de panela cai muito bem com um vinho Merlot da Serra
Gaúcha. Já uma carne mais pesada combina com um Tanat.
Os peixes, normalmente, devem ser acompanhados de vinho
branco, porém os mais gordurosos, como: salmão
e atum harmonizam com um tinto da uva Pinot
Noir, por exemplo”, completa. Duarte garante que
há bons vinhos a preços acessíveis encontrados
em supermercados. Espumantes
e v i n ho s rosè s ão o s
nacionais de melhor
qualidade, segundo
o especialista.
Embrapa Amazônia Oriental • www.embrapacpatu.br
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Terra Brasil
Março/2010
Ministério
da Educação
Agora, está na Constituição: o ensino
2009, o ano das grandes conquistas da educação brasileira
Este ano o Brasil teve uma conquista inédita: a educação pública dos quatro
anos de idade até os 17 está garantida na Constituição, a partir de 2016. Mas
desde já é vista de maneira integrada, da creche à pós-graduação.
Em 2009, o avanço não parou por aí. O Brasil fez mudanças estruturais e criou as
condições básicas para todos os programas funcionarem com o mesmo princípio,
o compromisso
com a qualidade do ensino público. Tudo regido pelo Plano de
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Terra Brasil da Educação (PDE).
Desenvolvimento
Março/2010
Educação de qualidade, só com professor valorizado
Piso Nacional do Magistério – A remuneração básica do professor foi fixada
para 2010 em R$1.024,67 para profissionais de formação média com carga de
40 horas semanais, beneficiando uma significativa parcela de trabalhadores.
Além disso, os professores têm o seu direito à formação permanente garantido
no Plano Nacional de Formação.
Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior
(Fies) – Com a mudança das regras do Fies, os recém-formados em medicina
público dos quatro aos 17 anos é obrigatório.
e licenciaturas abatem o financiamento estudantil apenas com o trabalho nas
redes públicas de saúde e educação.
O Brasil que todo mundo quer tem educação pública de qualidade
Resgatar a qualidade do ensino público é um desafio que só pode ser vencido
com a força dos governos federal, estadual e municipal. Esta colaboração tem um
nome, Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), e beneficia 60 milhões de
crianças e jovens no Brasil. Com o fim da Desvinculação das Receitas da União
(DRU), o PDE receberá mais R$11 bilhões nos próximos dois anos.
Acesse www.mec.gov.br e conheça os programas que estão
transformando a educação do nosso país.
O BRASIL ESTÁ CADA VEZ MAIS FORTE.
E A EDUCAÇÃO PÚBLICA TAMBÉM.
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Terra Brasil
Março/2010
Bem-estar Animal,
passaporte para a
carne de qualidade
Murilo Quintiliano, diretor-executivo da
Food Animal Iniciative (FAI) do Brasil.
A adesão às boas práticas é voluntária, mas torna-se
praticamente obrigatória para produtores que buscam mercados
cada vez mais exigentes como a União Europeia
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Terra Brasil
Março/2010
E
studos evidenciam vantagem
econômica do
manejo racional, bons-tratos e bemestar dos animais que resultam na maior produção
de leite, melhor qualidade
da carne e em subprodutos,
como o couro e vísceras. Além
de ser uma tendência mundial,
consumidores e criadores movimentam-se para que países produtores de carne bovina, suína e de
aves cumpram padrões mínimos
de bem-estar animal.
Além de melhorar os atributos,
esses procedimentos dão lucro para
o pecuarista. “Ao adotar os princípios das boas práticas no trato com
animais, o produtor alcança maior
eficiência econômica, seja na facilidade do manejo na propriedade, seja
em maior rendimento de carcaça
ou na qualidade diferenciada da
carne”, assegura a coordenadora da
Comissão Técnica Permanente de
Bem-estar Animal, do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Andrea Parrilla.
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Terra Brasil
Março/2010
Brasil - Não existem leis que obri-
guem o cumprimento de regras
de bem-estar animal no sistema
produtivo brasileiro. Mas o Ministério da Agricultura publicou a
Instrução Normativa nº 56/2008
com recomendações de manejo
cuidadoso, alimentação saudável,
instalações seguras que não ofereçam riscos aos animais. A adesão à
norma é voluntária, mas torna-se
praticamente obrigatória para criadores que querem conquistar um
mercado cada vez mais exigente,
como a União Europeia (UE).
Governo e setor produtivo trabalham em adequações de procedimentos para garantir produtos
seguros aos mercados mais exigentes. Técnicos do Ministério da
Agricultura acreditam que, com
pequenas adaptações nas estruturas físicas e no transporte, o
País estará plenamente ajustado
às regras internacionais estabelecidas para o bem-estar animal. A
adesão voluntária dos produtores
rurais aos preceitos de bem-estar
animal será mais uma vitória do
Brasil, que se coloca cada vez mais
Cleverson Bornatte, funcionário da fazenda Santa
Terezinha, acompanha o embarque dos animais.
forte como o maior produtor de
alimentos do mundo.
As condições brasileiras favoráveis,
como: clima, espaço, alimentação
farta e adequada propiciam naturalmente o bem-estar animal. O
clima é estável e com pouca variação de temperatura durante o ano
todo. Os animais são criados em
grandes áreas abertas com água e
pastagens em abundância. Quando
confinados ou em granjas, alimentam- se somente de rações nobres à
base de milho, soja e outros cereais.
Para o diretor-executivo da Food
Animal Iniciative (FAI) do Brasil, consultor do Grupo Etco e zootecnista,
Murilo Quintiliano, o Brasil tem
condições de realizar um excelente
trabalho. “Basta disseminar o que
já existe e trabalhar na solução das
deficiências de manejo, desde o nascimento até o abate dos animais em
frigoríficos”, defende. As mudanças
ainda são pontuais. A mentalidade
está mudando gradativamente.
Ele explica que as estratégias de
ensino das boas práticas de manejo
são transmitidas em linguagem
acessível aos vaqueiros, com uso
de manuais ilustrados e vídeos. “A
técnica é assimilada muito rapidamente. A mudança de atitude é a
chave dos bons resultados”, diz.
Além das fazendas paulistas, as
técnicas já foram disseminadas aos
criadores, técnicos, tratadores de
gado e estudantes de ciências agrárias no Rio Grande do Sul, Bahia,
Rondônia, Distrito Federal, Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Pará e estabelecimentos rurais no
Paraguai e Colômbia.
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Terra Brasil
Março/2010
Facilitando o manejo Animais calmos em função das
boas práticas e de construções
rurais que atendem os princípios
de bem-estar facilitam o manejo e
evitam acidentes com o rebanho e
com os tratadores, que estão aprendendo novas técnicas de lidar com
o gado e ganhando mais segurança.
“Antigamente, o pessoal achava que
com grito e com pancadas resolvia
as coisas”, disse o gaúcho Cleverson
Bornatte, funcionário da fazenda
Santa Terezinha, que acompanha
as atividades sobre o comportamento de animais do Grupo Etco,
desde 2006.
“A diferença é muito grande. Você
trata o animal como gostaria de
ser tratado. O último lote de 40
animais para a venda, eu conduzi
sozinho em dois caminhões e
não gastei mais que dez minutos.
Depois de subir a rampa, o gado
segue por um corredor e não precisa
pular para entrar no caminhão.
Assim, não se machuca. De outra
forma, seria preciso mais quatro
funcionários, fora a gritaria e o
uso de ferrão para tocar os animais
agitados”, explica. Mal dá para o
tratador, que toca o rebanho na
maior tranquilidade. O comando
de voz é feito em tom grave com as
palavras para conduzir os animais:
“vai, vai” e “vem, vem”. Eles sabem
que a bandeira é um auxílio no
serviço de tocar a boiada. “Se eu trabalhar sempre da mesma maneira
os animais vão aprender os sinais
que eu estou mandando”, disse Cle-
verson. Nos piquetes, os vaqueiros
são orientados para que o espaço
não fique muito cheio, como antigamente. Com menos animais, o
trabalho fica mais fácil.
Seguindo a filosofia da especialista
norte-americana Temple Grandin,
que captou o comportamento dos
animais e projetou modelos de
curral antiestresse. Os currais são
sempre arredondados para dar
conforto aos animais. As paredes
laterais são revestidas de madeira
encaixada, sem pregos, e o piso
cimentado e antiderrapante. “Eu
acredito que o custo em um curral
como este seja o mesmo ou menor
que um curral convencional. Na
verdade, o que importa mesmo é o
conceito”, explica Quintiliano.
Alteração de pH, coloração e textura da carne modificada, além de cortes nobres mal-aproveitados e tempo de
prateleira diminuído são algumas das consequências do tratamento inadequado aos animais de corte. Trabalhos
do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (Etco), da Universidade Estadual Paulista (Unesp),
em Jaboticabal-SP, comprovam que 50% das carcaças analisadas em frigoríficos, cerca de 400 gramas são
eliminadas por animal. A perda pode ser de três a cinco quilos por carcaça provenientes de contusões e maus-tratos.
“Cerca de 73% das contusões e hematomas encontram-se no traseiro causadas por
pancadas de porteiras ou batidas na anca”, relata o diretor-executivo da Food Animal
Iniciative (FAI) do Brasil, consultor do Grupo Etco e zootecnista, Murilo Quintiliano.
O impacto é percebido também na qualidade da carne. “É comprovado que o estresse
altera as características organolépticas (textura, cor, sabor) do produto final”, enfatiza.
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Terra Brasil
Março/2010
Os europeus querem que as medidas
de bem-estar façam parte das
regras do comércio internacional e
devem adotar, a partir de 2012, nova
legislação para a avicultura de postura
que prevê abolir o uso de gaiolas
convencionais e, em 2013, eliminar as
gaiolas de gestação na suinocultura.
Transporte - Os manejos de
embarque e de transporte sem
emprego de bastões elétricos, ou
ferrões, evitam contusões e estresse
desnecessários, influenciam diretamente na qualidade da carne. No
transporte do gado até o frigorífico,
a velocidade é controlada e, a cada
100 quilômetros, o caminhão-boiadeiro faz uma parada para ver como
estão os animais.
As condições precárias dos caminhões de transporte de animais
para o abate preocupam a organização não-governamental Sociedade Mundial de Proteção Animal
(WSPA). “Não faz sentido tratar
mal os animais. Afinal, o produtor
cria um boi durante dois anos. Na
hora que ele está pronto para ser
abatido é transportado de forma
errada. O boi chega ao frigorífico
cheio de lesões, hematomas e com
sinais muito claros desse tipo de
estrago na carcaça. Isso tudo é
perda. O bem-estar tem que estar
presente também no transporte”,
diz Antônio Augusto Silva, diretor
da WSPA Brasil.
Pecuária leiteira - Na fazenda
Germânia, em Taiaçu, interior de
São Paulo, o proprietário Maurício
Vital mostra como o manejo racional e os bons-tratos podem ser vantajosos na pecuária leiteira. Com a
ajuda de pesquisadores do Grupo
Etco da Unesp, eles conseguiram
reduzir a mortalidade dos bezerros
e diminuir os custos de produção.
O foco do trabalho foram os
animais de até três meses, que
antes ficavam presos nos abrigos
individuais e, agora, são criados
juntos, soltos no pasto. À noite, eles
vão para o galpão. A consultora do
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Terra Brasil
Março/2010
As camas dos bezerros,
antes serragem, são
agora de capim seco.
Grupo Etco, Lívia Carolina Magalhães Silva conta que a cama em que
os bezerros dormiam era feita com
serragem. Agora, é forrada com
capim seco, tem espessura maior, de
dez centímetros, para proporcionar
conforto e diminuir as partículas de
poeira em suspensão. “A vantagem
de não ter poeira é que diminui a
incidência de problemas respiratórios, muito comuns nos bezerros”,
explica. As tigelinhas, onde os bezerros bebiam e, às vezes, inalavam
o leite acidentalmente, foram substituídas. No lugar delas, entraram
os baldes com bico, que ajudam a
satisfazer a necessidade de sucção
dos bezerros. A intenção é tornar
o processo o mais próximo possível da mamada natural. Os baldes
ficam a 40 centímetros do chão, na
mesma altura da teta da vaca. As
funcionárias responsáveis pelos
bezerros, Cleidiane e Eliane Mascarenhas, acreditam que o contato
permanente não só engorda,
mas também previnem doenças,
melhora a defesa imunológica e facilita o manejo dos bezerros.
Um levantamento feito pela equipe
mostrou que a mortalidade caiu de
20 para dois bezerros por ano. Os
casos de diarreia e pneumonia diminuíram 50% e os gastos com an-
tibióticos caíram. Para a zootecnista do Grupo Etco, Carla Ferrarini,
bezerros felizes e livres de estresse
tendem a ser mais saudáveis e, portanto, mais lucrativos.
As granjas de aves e suínos
- O bem-estar em sistemas produ-
tivos de aves e suínos, de maneira
geral, já conta com instalações e
manejo adequados. A Embrapa
Aves Suínos, em Concórdia-SC, vem
desenvolvendo pesquisas sobre
boas práticas no trato com animais.
Também investigam as estruturas
dos caminhões que transportam
animais. No entanto, a maior
dificuldade dos pesquisadores é
oferecer uma alternativa economicamente viável aos criadores para
o uso de gaiolas em aves poedeiras e
porcas em gestação.
Iniciativas em propriedades com
produção diferenciada buscam
alternativas aos sistemas convencionais. Quem visita a granja
produtora de ovos localizada em
Ipeúna, região central do estado de
São Paulo, pode verificar que as aves
são criadas soltas no galpão, com
poleiros e ninhos para botar os ovos.
Tudo é feito para que os animais
sintam como se estivessem soltos na
natureza.
O gerente industrial da
granja, Luis Carlos Demattê,
explica que as aves recebem,
na ração, produtos naturais, como extratos e óleos
essenciais, além de um
produto com cheiro de
erva-doce, para simular algo
que a ave encontraria na natureza.
“Essas substâncias contribuem para
melhor funcionamento digestivo
dos animais, favorecendo o equilíbrio entre o meio interno da ave com
o seu ambiente externo, ou seja, a
própria granja. Entendemos que isso
é um aspecto fundamental, quando
abordamos a questão do bem-estar
do animal”, diz Luis Carlos.
Frango orgânico - Tratamen-
to parecido recebe a criação de
frango orgânico para engorda. As
aves, desde o seu primeiro dia, são
criadas com manejo diferenciado
e, a partir do 25º dia, ganham liberdade nos piquetes. É uma espécie
de semiconfinamento para produzir carne em conformidade com
as normas de produção orgânica
nacionais e internacionais. “É fundamental que os animais estejam
bem, sem estresse constante. O
estresse crônico debilita o sistema
de defesa dos animais, tornando-
os mais vulneráveis a doenças”,
explica Luis Carlos.
Fiscais agropecuários do Serviço
de Inspeção Federal do Ministério
da Agricultura, por meio de cooperação com a WSPA, estão sendo
capacitados para atender às normas
do Mapa de abate humanitário de
bovinos, suínos e aves. No programa do treinamento, os profissionais
também aprendem com conceitos
internacionais da Organização
Mundial de Saúde Animal (OIE) e
da União Europeia na aplicação de
boas práticas de manejo pré-abate
e de abate. No Brasil, a questão de
maus-tratos animais, regulamentada em 1934, estabeleceu medidas
de proteção dos animais. Normas
do Ministério da Agricultura
abordam o tema especificamente
para animais criados para obtenção
de carne, leite, ovos, lã, pele, couro e
mel. Hoje, o Brasil é considerado o
País da América do Sul melhor organizado nessa questão.
Recomendações do Mapa
de boas práticas para os
animais envolvendo os
sistemas produtivos e
transporte (IN nº 56/2008):
1. Proceder ao manejo cuidadoso e
responsável desde o nascimento, a
criação e o transporte.
2. Possuir conhecimento básico de
comportamento animal a fim de
proceder ao adequado manejo.
3. Proporcionar dieta satisfatória,
apropriada e segura adequada às
várias fases da vida do animal.
4. Assegurar que as instalações sejam
projetadas apropriadamente aos
sistemas de produção de diferentes
espécies de forma a garantir a
proteção, o descanso e o bem-estar.
5. Manejar e transportar os animais
de forma adequada para reduzir
o estresse e evitar contusões e o
sofrimento desnecessário.
6. Manter o ambiente de criação em
condições higiênicas.
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Terra Brasil
Março/2010
Verdadeiras forças-tarefa de fiscalização nas fronteiras contribuem
para a prevenção e o controle do ingresso de pragas no País
Controle de pragas vegetais
protege a economia brasileira
De
Rio Jari, que separa Monte Dourado
de Laranjal do Jari, regiões que estão
livres da mosca da carambola.
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Terra Brasil
Março/2010
um braço do
rio, os amapaenses do
município
de Laranjal do Jari podem
avistar facilmente os paraenses de Monte Dourado e
essa proximidade faz com
que as duas áreas sejam
consideradas uma só, já
que a travessia de barco
não chega a durar cinco
minutos. Juntamente
com a cidade de Vitória do
Jari-AP, a região está livre
da mosca da carambola,
praga que torna as frutas
hospedeiras impróprias
para consumo e ainda pode
prejudicar as exportações,
causando danos à economia
brasileira. Há dois anos,
porém, a situação era diferente na área conhecida
como Vale do Jari.
Em 1996, a mosca entrou
no Brasil, pelo município
de Oiapoque-AP, vinda da
Guiana Francesa, e, apesar
do nome, não ataca apenas
a fruta agridoce, que é
a principal hospedeira.
Manga, goiaba, acerola e
caju também são alvos da
Bactrocera carambolae
(nome científico), além de
outras bastante conhecidas no Norte do País, como
jambo, taperebá e abiu.
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Terra Brasil
Março/2010
A gravidade da possível dispersão
da praga pelo território nacional
fez com que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa) criasse o Programa Nacional de Erradicação da Mosca da Carambola (PNEMC) há 13 anos. O
Vale do Jari tornou- se o foco principal de atenção, pois a ameaça de
ingresso da praga no Pará poderia
seguir em duas direções principais:
o Nordeste, devastando os pomares
do Vale do São Francisco e o Sul,
pela Rodovia Belém/Brasília.
Em termos gerais, praga é qualquer
agente patogênico, ou micro-organismo, que causa danos a vegetais
ou seus produtos, como frutos,
sementes e folhas. Segundo a coordenadora do programa, Maria Julia
Godoy, a maior barreira fitossanitária da fruticultura nacional é, hoje, a
mosca da carambola. “Os países importadores, que não têm a praga, não
28
Terra Brasil
Março/2010
aceitam comprar de quem as tem.
Cláusulas como essa são comuns
nas negociações para exportação de
produtos agrícolas. Se hoje o Pará
tivesse incidência da mosca, teríamos a obrigação de avisar ao Japão,
por exemplo”, explica.
Em 2008, a área foi oficialmente
declarada livre da mosca, mas as
equipes combatentes não descansam nos dois estados. Desde então,
três frentes atuam no controle póserradicação na região do Jari, na
tentativa de extermínio da mosca
da carambola em cinco municípios
do Amapá, incluindo a capital,
Macapá, e na contenção da praga no
Oiapoque, fronteira com a Guiana
Francesa.
Trabalho de convencimento
Ao ver de perto o trabalho da Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Amapá (SFA-AP),
a impressão é de que a mosca da
carambola tornou-se parte da vida
das equipes. Para realizar teatro
de fantoches e explicar o perigo
da mosca da carambola, Jacirene
Maia, do Núcleo de Educação Sanitária do programa, literalmente
veste a camisa e vai, de casa em casa,
em uma comunidade do Braço,
em Monte Dourado, chamando as
crianças para a apresentação.
Minutos depois, 40 meninos e
meninas chegam à igreja local para
ver a peça. As crianças assistem
atentas à história de Dona Virtuosa,
que fez o curso de multiplicadores
de informações e tornou-se agente
do PNEMC, transmitindo à família
e aos amigos os conhecimentos
adquiridos, como a proibição de
levar frutas para outros estados ou
comprá-las de áreas contaminadas,
como Macapá. Por trás da boneca,
que se empenha em ajudar o País a
conter a praga, Jacirene trabalha
também levando esse conceito a
lugares de grande circulação, como
portos, terminais rodoviários e
feiras livres.
seriam entre 65 a 88 dólares. “Isso
reforça o conceito de que a melhor
e mais econômica forma de controle é a prevenção”, diz Maria Julia
Godoy.
Acompanhada de agentes multiplicadores, ela distribui panfletos
educativos e conversa com a população: “Boa tarde, a senhora já
ouviu falar da mosca da carambola?”. Assim ela inicia a abordagem
breve e amistosa, para passar a
mensagem de que a praga estraga
a produção de diversas frutas e
pode causar graves prejuízos à
economia do Brasil.
Erradicação e controle
Não há estimativas sobre o impacto
financeiro que as perdas de frutas
causariam ao País, caso a praga se
espalhasse. No entanto, estudo do
Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) aponta
que, para cada dólar investido na
erradicação da praga, os benefícios
Pulverização e armadilha,
armas contra a expansão
da mosca da carambola.
Jackson e Mc Phail são as armadilhas que, até hoje, ajudam a manter
a erradicação da mosca na região
do Jari. A primeira atrai e captura
moscas machos, por meio do feromônio e a segunda, principalmente, as fêmeas, pelo odor que remete
à fruta. A cada 15 dias, técnicos
percorrem propriedades para monitorar a presença da mosca. Em
Macapá, a ação é mais agressiva.
Para exterminar a mosca, são realizadas pulverizações por baixo
das folhas e lançados, nas árvores,
blocos de aniquilamento que
matam a mosca. A coleta de frutos
também é parte da ação.
Equipe do Núcleo de
Educação Sanitária (SFA-AP)
orienta a população.
29
Terra Brasil
Março/2010
Outras pragas
Portas de entrada
e barreiras
As pragas põem em risco lavouras de extrema importância na O Brasil faz fronteira com dez países
agricultura. É o caso da ferrugem e praticamente todos os 16,8 mil
asiática da soja (Phakopsora pachyrhi- quilômetros dessa extensão podem
zi), que apareceu no País na safra apresentar perigo para a produção
2001/2002 e está instalada em agrícola. Por conta dessa proximidaestados com considerável produção, de e do trânsito fácil entre brasileicomo Mato Grosso, Mato Grosso do ros e estrangeiros, é fundamental a
Sul e Paraná. O principal problema contínua estruturação de barreiras
é a desfolha precoce, que impede fitossanitárias para produtos vegea completa formação de grãos e tais em portos e aeroportos. Essa
prejudica a produtividade. As altas é a forma de prevenir o ingresso
temperaturas e o excesso de chuva dessas pragas quarentenárias pela
favorecem o deconcentração
senvolvimento
na entrada de
Praga:
qualquer
espécie,
da praga, caumercadorias e
sando perdas de
passageiros que
estirpe ou biótipo de planta,
até 80%.
podem oferecer
animal ou agente patogênico
maior risco de
Uma das formas
que cause injúrias em plantas
material hospede manejo da
deiro por pragas.
ou produtos de plantas.
ferrugem asiática é o chamado
“Se permitísseFonte: Convenção Internacional para
vazio sanitário,
mos a entrada
a Proteção dos Vegetais (CIPV).
que proí be o
de determinaplantio da soja
dos materiais
na entressafra. O objetivo é reduzir sem nenhum requisito fitossanitáa quantidade de esporos do fungo no rio, poderíamos estar ‘carimbanambiente e inibir o ataque precoce à do o passaporte’ dessas pragas”,
soja durante a safra.
explica a doutora em Ciências e
Detectado em 2004, o greening é consultora em Defesa Agropecuária
uma praga que prejudica a citricul- e Análise de Risco de Pragas, Regina
tura nacional. Ele requer atenção Sugayama.
pelo alto poder destrutivo em frutas
cítricas (laranja, limão, tangerina)
e atinge os estados de São Paulo,
Paraná e Minas Gerais. Com mais
de um milhão de hectares plantados
com frutas cítricas, o País é grande
exportador de suco de laranja. Em
2009, os embarques do produto
somaram US$ 1,6 bilhão. As ações
de defesa para impedir a propagação
da praga são importantes para preservar esse segmento.
30
Terra Brasil
Março/2010
O documento de Certificação Fitossanitária de Origem (CFO) é emitido
para evitar que pragas existentes
no Brasil sejam transportadas para
regiões livres e também para auxiliar o processo de exportação. Ele
permite a rastreabilidade e atesta
a condição fitossanitária dos lotes,
partes de plantas ou de produtos
vegetais, na origem, de acordo com
as normas internacionais de defesa
sanitária vegetal.
No ano passado, a praga Raoiella
indica Hist se instalou na área
urbana de Boa Vista-RR, vinda, possivelmente, da Venezuela, Trinidad
e Tobago ou do Caribe. Popularmente conhecida como “ácaro vermelho”, ataca coqueiros, palmeiras
nativas, bananeiras e espécies ornamentais. Em medida emergencial, o
Mapa suspendeu temporariamente
o trânsito desses hospedeiros de
Roraima para qualquer local do
Brasil, o que afetou o comércio de
bananas do estado.
cetíveis”, completou. Nas áreas de
ocorrência, três variedades já se
mostraram suscetíveis à praga.
Manter longe do País a monília
do cacau (Moniliophthora roreri)
também é uma ação que requer forte
vigilância fitossanitária nas fronteiras com Peru, Colômbia e Venezuela.
A monília é endêmica do noroeste da
América Latina e de alguns países
da América Central. Pode ser introduzida no Brasil pelos estados
da Amazônia Ocidental e se espalhar por outras regiões produtoras
por meios naturais, como ventos,
insetos e animais silvestres.
Como medida emergencial, o
Ministério da Agricultura deve
aprovar o primeiro fungicida para
combate à ferrugem alaranjada.
Ferrugem
alaranjada:
a ameaça aos
canaviais
Com mais de oito milhões de
hectares cultivados no Brasil, a
cana-de-açúcar sempre teve grande
importância na produção agrícola
e está arraigada na cultura nacional, desde os tempos coloniais. Do
açúcar, com estimativa de 34,5
milhões de toneladas para a safra
2009/2010, ao etanol, com 29,5
bilhões de litros no mesmo período,
a cana é a terceira maior cultura do
País, em termos de área plantada.
Ainda em Piracicaba, o Centro de
Tecnologia Canavieira (CTC) investiga variedades mais resistentes
à ferrugem alaranjada. Entre os
estudos feitos para o melhoramento
genético das plantas está a avaliação
do comportamento diante de pragas
e doenças, medida fundamental
para o melhoramento genético,
segundo o coordenador de Pesquisa
Tecnológica, Enrico Arrigoni.
São Paulo, o maior produtor nacional, sofreu com a entrada de uma
das maiores ameaças aos canaviais
nos últimos anos. A ferrugem alaranjada (Puccinia kuehnii) é causada
por um fungo que, como o próprio
nome diz, deixa nas folhas a cor
laranja, reduz a fotossíntese da
planta e prejudica a produção de
sacarose. A praga é perigosa, pois
sua disseminação é feita pelo vento
em curtas, médias ou longas distâncias. Estudo australiano aponta
que a ferrugem atinge cerca de
600 quilômetros por semana para
dispersão. Além disso, os esporos
podem ser levados pelo homem nas
roupas, calçados ou transporte de
material vegetal.
No Brasil, a praga já está presente
em canaviais paulistas e paranaen-
ses. Em Piracicaba, a 180 quilômetros de São Paulo, o administrador
da fazenda Capuava, José Carlos Rodrigues, conta que, dos 1,5 mil hectares plantados, 25% estão infectados com a ferrugem. “Em dezembro,
quando soube da entrada da praga
em São Paulo, fui imediatamente
identificar a parte da lavoura com
a variedade suscetível. Estava toda
contaminada.”, lamentou.
Segundo André Peralta, diretor
de sanidade vegetal do Mapa, pesquisadores acreditam que 70% das
variedades plantadas de cana-deaçúcar são resistentes à ferrugem
alaranjada. O melhor método de
controle é plantar essas variedades.
“As áreas onde a doença já chegou
devem ser priorizadas quando da
substituição das variedades sus31
Terra Brasil
Março/2010
Ácaro vermelho (Raioella indica Hist)
O que é: praga que atinge as palmeiras, bananeiras e
plantas ornamentais tropicais. Na plantação atingida, as
folhas da bananeira ficam amarelas e os cachos pequenos e
malformados. A praga raspa a superfície da folha e suga a
seiva, enfraquecendo a planta.
Onde está: no Brasil, restringe-se à região urbana de Boa
Vista-RR. Pode ser encontrado na Venezuela, Trinidad e
Tobago e países do Caribe.
Greening ou Huanglongbing (HBL)
O que é: bactéria (Candidatus Liberibacter) que afeta
os citros (laranja, limão e tangerina), deixando suas
folhas amareladas e mosqueadas e os frutos imprestáveis à comercialização.
Onde está: em São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
É endêmica nos Estados Unidos, África e Ásia.
Ataca: citros (laranja, limão, tangerina).
Ataca: coqueiros, palmeiras nativas e ornamentais, bananeiras, helicônias (flor de Narciso) e outras espécies ornamentais.
-
Foto: Josiane Takassaki Ferrari
Monília do cacau ((Moniliophthora roreri)
Ferrugem Alaranjada (Puccinia kuehnii)
O que é: fungo que afeta folhas da cana-de-açúcar, redu zindo sua capacidade de fotossíntese e, em consequência,
a produção de sacarose. Sua disseminação é feita pelo vento
em curtas, médias ou longas distâncias. O ser humano
também pode transportar os esporos.
Onde está: nos Estados Unidos, Guatemala e países
vizinhos, além da Austrália. A praga foi identificada pela
primeira vez no Brasil no fim de 2009 e atinge os estados de
São Paulo e do Paraná.
Ataca: cana-de-açúcar.
Ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi)
O que é: fungo que ataca as folhas da soja, diminui a
quantidade de vagens e o peso dos grãos. A praga é favorecida por altas temperaturas e excesso de chuva e as perdas
causadas podem chegar a 80%.
Onde está: a ferrugem asiática no Brasil ocorreu, pela
primeira vez, na safra 2001/2002 e pode ser detectada em
qualquer plantação de soja no Brasil.
Ataca: soja.
32
Terra Brasil
Março/2010
O que é: fungo Moniliophthora roreri, que produz 10
tipos de sintomas nos frutos. Destacam-se manchas
verdes ou amarelas, inchaço e/ou depressão nos pontos
da infecção, deformações, protuberâncias e rachaduras.
Onde está: no noroeste da América Latina e também de
alguns países da América Central. Foi registrada pela
primeira vez no Equador, em 1917, de onde se disseminou para a Colômbia ,Venezuela, Panamá, Costa Rica,
Nicarágua, Peru, Honduras e Belize. A doença não existe
no Brasil.
Ataca: cacau.
Mosca da carambola ((Bactrocera carambolae)
O que é: inseto que ataca frutos, deixando-os impróprios
para consumo. É mais perigosa que outras porque a
fêmea se reproduz muito rápido e os ovos são chamados
bichos da fruta.
Onde está: originária da Malásia e Indonésia, a praga
foi encontrada no Suriname, em 1985. Em 1989, chegou
à Guiana Francesa e em 1996 foi detectada no município
de Oiapoque-AP. A praga está erradicada em municípios
do Pará e Amapá, mas encontra-se no norte amapaense
e na capital, Macapá.
Ataca: carambola, goiaba, manga, caju, jaca, laranja,
pitanga, jambo vermelho e taperebá, entre outras.
33
Terra Brasil
Março/2010
Alimentação Animal
P
a ra ga ra n t i r
a li me nto s d e
origem animal
d e q u a l id a d e
aos consumidores, é importante observar
as rações animais no seu
processo de fabricação.
final e garantir a segurança dos
alimentos à população”, enfatiza
Perrone.
Score de Cocho - Na fazenda
Monte Alegre, os funcionários
verificam se a quantidade de ração
servida aos animais está adequa-
da, por meio do Sistema Score de
Cocho. “Todos os dias, às 6 horas
da manhã, analisamos as sobras do
dia anterior e avaliamos a necessidade de modificar ou não o alimento, para manter o bom desempenho
do animal”, informa.
No município de Barretos, em São
Paulo, o proprietário da fazenda
Monte Alegre, André Luiz Perrone
dos Reis, fornece rações quatro
vezes por dia aos 1,2 mil bois, sendo
duas vezes na parte da manhã e
duas à tarde. “A dieta é composta por
32% de polpa cítrica, 25% de germe
de milho, 22% de farelo de algodão,
17% de bagaço de cana, 3,5% de
núcleo e 0,5% de ureia”, explica.
Qualidade da alimentação animal
garante a segurança do consumo
34
Terra Brasil
Março/2010
Esses ingredientes passam pelo
misturador, o que confere homogeneidade ao alimento. Cada batida
leva cerca de seis minutos e produz
5,8 mil quilos. Em seguida, a ração é
distribuída aos animais. “O manejo
alimentar adequado é indispensável para diminuir a incidência
de distúrbios metabólicos nos
animais, minimizar a presença residual de medicamentos no produto
35
Terra Brasil
Março/2010
foram abatidos 18,5 mil animais
da Fazenda Monte Alegre e, em
2010, a expectativa é chegar a
24 mil. “Compramos animais
de Minas Gerais, Goiás, Mato
Grosso do Sul e São Paulo, na
faixa de 18 a 30 meses, que são
engordados em confinamento e a
carne é enviada para mais de 80
países”, afirma.
Na fazenda Monte Alegre, a aspersão de água é feita duas vezes
por dia (de manhã e à tarde)
para diminuir a poeira do local,
proporcionar maior conforto
térmico, melhorar a eficiência alimentar e o bem-estar do animal.
Medicamentos - Para que
as empresas fabriquem alimentação anima l com adição de
medicamentos aprovados pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa),
é necessária habilitação prévia.
Além disso, é preciso respeitar as
regras da Instrução Normativa
De acordo com Perrone, quando
os funcionários encontram, por
três dias consecutivos, o Score
de Cocho zero, a quantidade de
alimento fornecida aos animais é
aumentada em 5%.
Rastreabilidade - Os bois
permanecem de 95 a 98 dias confinados na fazenda Monte Alegre
e, nesse período, estão prontos
para o abate. “Assim, respeitamos
os requisitos da União Europeia,
de permanência mínima de 90
dias na propriedade, já que exportamos para aquele mercado.
Em nosso sistema, existe ganho
diário de 1,5 quilo por animal”,
destaca o proprietário.
Segundo o diretor de Suprimentos de Frigorífico em Barretos,
Wagner José Augusto, em 2009,
36
Terra Brasil
Março/2010
Wagner J. Augusto e André
Luiz P. dos Reis, parceiros
quando se trata de qualidade
da alimentação animal.
Fiscalização
O registro de ingredientes,
rações, suplementos,
concentrados e alimentos
coadjuvantes para cães e
gatos deve atender ao
Decreto nº 6.296/2007 e às
Instruções Normativas nº
15/2009 e nº 22/2009. Cabe
aos fiscais federais agroagropecuários do Ministério da
Agricultura a conferência
dos estabelecimentos que
fabricam, importam,
fracionam e comerciam
produtos destinados à
alimentação animal.
Para isso, as empresas
precisam ter registro no
Ministério da Agricultura e
aplicar as Boas Práticas de
Fabricação (BPFs). Assim, os
produtos destinados à
alimentação animal serão
produzidos de forma segura
e livre de resíduos de
medicamentos, contamicontaminantes inorgânicos ou
drogas que tenham reflexos
na saúde humana.
n° 65, de 2006, da Secretaria de
Defesa Agropecuária. “Os estabelecimentos registrados devem solicitar auditoria ao Ministério da
Agricultura, que avaliará as boas
práticas de fabricação, instalações, equipamentos, utensílios
e procedimentos operacionais,
bem como a validação do processo de limpeza dos equipamentos”,
enfatiza a responsável técnica
da área de Alimentação Animal
da Superintendência Federal de
Agricultura em São Paulo, Renata
Anaruma.
Nos casos em que são detectadas irregularidades, a empresa é
autuada e pode receber sanções,
que vão desde advertência à cassação de registro.
Análises - O Ministério da
Agricultura dispõe de uma rede
específica para análises e diagnósticos laborator iais. Uma
das unidades oficiais é o Laboratório Nacional Agropecuário
(Lanagro), em Campinas-SP, que
recebe para análises amostras
dos alimentos animais enviados pelos serviços de fiscalização agropecuária. “O primeiro
passo é registrar a entrada da
amostra, identificá-la, analisar
a documentação e as condições
de armazenamento do produto.
Depois, verificamos o código do
estabelecimento onde foi coletado e encaminhamos para uma
das unidades de exames”, explica
a responsável substituta pela
Unidade de Recepção de Amostras, Ester Garcia Rossi.
O Lanagro, em Campinas, é especializado em análises de alimentos para animais em unidades de
microbiologia, físico-química e
de microscopia. Entre os testes
realizados na área de microbiologia, encontra-se a detecção de
salmonella em rações, um dos
principais patógenos que prejudicam o desempenho do animal. “A
bactéria pode causar problemas
gastrointestinais, como vômito
e diarreia, nos seres humanos”,
ressalta Anaruma.
Na unidade de Microscopia, é
pesquisada a presença de subprodutos de origem animal não
permitidos em rações para ruminantes (bovinos, caprinos e
ovinos), como farinhas de carne e
ossos, vísceras e sangue. Esse programa de controle tem o objetivo
de diminuir o risco de incidência
da Encefalopatia Espongiforme
Bovina (EEB), a “doença da vaca
louca”, nunca registrada no Brasil,
que causa danos ao sistema
nervoso dos animais. A análise
físico-química verifica a conformidade das rações e das matériasprimas com a descrição no rótulo.
Em 2009, a rede de laboratórios
do Mapa analisou 1.250 amostras para verificar a conformidade dos produtos destinados à
alimentação animal em relação
aos aspectos bromatológicos, 255
amostras para identificar a presença de salmonella e 857 para
detectar ingredientes de origem
animal em alimentos de ruminantes.
37
Terra Brasil
Março/2010
Mercado - O Brasil é o terceiro
maior produtor de alimentos para
animais, atrás dos Estados Unidos
e China. Dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) apontam
que a produção brasileira de ração
animal, em 2009, foi de 58,4
milhões de toneladas. A maior
demanda foi para o segmento de
avicultura (32,64 milhões de toneladas), seguido pelo de suínos
(15,33 milhões de toneladas).
“A expectativa, para 2010, é de
crescimento de 5% na produção
de rações”, ressaltou o vice-presidente executivo do Sindirações,
Ariovaldo Zanni.
Fábrica de alimentação animal.
38
Terra Brasil
Março/2010
39
Terra Brasil
Março/2010
Cenários futuros:
Ministério da Agricultura
estuda comportamento
de 23 produtos até 2020
E
studo realizado
pelo Ministério
da Agricultura aponta que
a produção de
grãos - soja, milho, trigo,
arroz e feijão - deverá
crescer 36,7%, de 129,8
milhões de toneladas
em 2008/09 para 177,5
milhões em 2019/2020. As
carnes bovina, suína e de aves
deverão seguir percentual parecido, com aumento de produção
estimado em 37,8%. O incremento deve ser de 8,4 milhões de
toneladas. Três outros produtos
com elevado crescimento previsto
são: açúcar (mais 15,2 milhões de
toneladas), etanol (35,2 bilhões de
litros) e leite (7,4 bilhões de litros).
Projeções do Agronegócio
apontam crescimento da
produção de grãos em 37%.
40
Terra Brasil
Março/2010
O óleo de soja e a celulose merecem
atenção, na opinião de Gasques.
“O óleo de soja segue tendência
mundial, pois a demanda tem
crescido nos mercados interno e
externo, inclusive para a utilização
do produto como biocombustível.
No caso da celulose, o crescimento
será expressivo, por conta da substituição de florestas nativas por
plantadas”, afirma.
“O Brasil vai apresentar, nos próximos anos, aumento das exportações
e o mercado interno será um fator
expressivo de crescimento”, destaca
Gasques. Do aumento previsto nos
próximos anos na produção de soja e
milho, 52% e 80%, respectivamente
serão dirigidos ao mercado interno.
Produção versus área
De acordo com a pesquisa, o avanço
da produção agrícola no Brasil deve
ocorrer com base na produtividade. Os resultados revelam maior
aumento na agropecuária do que
na área plantada. As projeções
indicam que, de 2010 a 2020, a
taxa anual média de crescimento
das lavouras deve ser de 2,67%, enquanto a área deverá se expandir
anualmente em 0,45%.
O coordenador da pesquisa realizada pela Assessoria de Gestão
Estratégica (AGE), José Gasques,
explica que os produtos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro
deverão ser: soja, carne de frango,
açúcar, etanol, algodão, óleo de soja
e celulose. Esses produtos indicam
maior potencial de crescimento da
produção e das exportações para os
próximos anos. A pesquisa mostra
cenários de produção, participação
no mercado mundial, exportação e
consumo de 23 produtos da pauta
agropecuária do País.
41
Terra Brasil
Março/2010
As estimativas realizadas até
2019/2020 indicam que o total da
área plantada deve passar de 60
milhões de hectares em 2010 para
69,7 milhões em 2020, com incremento de 9,6 milhões de hectares.
Essa expansão de área está concentrada na soja (mais 4,7 milhões de
hectares) e na cana-de-açúcar (mais
4,3 milhões). A área do milho deve
crescer por volta de um milhão de
hectares e as demais lavouras analisadas se mantêm praticamente sem
alteração ou perdem área, como o
café, arroz e laranja.
Projeções regionais
Soja - A produção mato-grossense
de milho e soja deverá aumentar,
até 2020, 94,3% e 55,6%, respectivamente. Do mesmo modo, a área
de soja em Mato Grosso deverá ser
acrescida de 2,46 milhões de hectares. Esse número representa quase
metade da expansão da plantação
da commodity no Brasil, estimada
em cinco milhões de hectares em
10 anos. Novas áreas e a introdução
da soja em superfícies de pastagens
degradadas serão responsáveis por
esse desenvolvimento no estado.
No Paraná, a soja ganha aproximadamente um milhão de hectares até
o final das projeções e o Rio Grande
do Sul mantém a área quase inalterada nos próximos anos.
Milho - No Paraná, a produção de
milho indica possível incremento
de 50,2%. Em 2008/2009, o resultado foi de 11,1 milhões de toneladas
e as projeções indicam que, na safra
2019/2020, o número passará a
16,6 milhões. De acordo com as estimativas, o crescimento da área no
42
Terra Brasil
Março/2010
estado sulista será de 17%, saindo
de 2,78 milhões de hectares para
3,25 milhões. Minas Gerais deve
registrar aumento de 32,9% na
quantidade produzida, passando
de 6,45 milhões de toneladas para
8,57 milhões. A produção mineira,
no entanto, terá a área reduzida
em 7%, caindo de 1,28 milhão para
1,18 milhão de hectares.
Cana-de-açúcar - As projeções
mostram que o estado de São Paulo
deverá aumentar a produção de
cana-de-açúcar em 50,3% nos
próximos anos, passando de 400,5
milhões de toneladas em 2008/09
para 602 milhões em 2019/2020.
Por sua vez, a área canavieira nesse
estado deve expandir em 46%, 4,7
milhões de hectares em 2008/09
para 6,8 milhões em 2019/2020.
Destaque para a cana-de-açúcar,
que vem crescendo em estados
sem tradição na atividade, como:
Paraná, Mato Grosso e Minas
Gerais. Esse último, deve incrementar 75% na cultura, passando de 56 milhões de toneladas,
na safra 2008/2009, para 98,15
milhões, em 2019/2020.
Carnes brasileiras
despontarão no
mercado externo
A produção nacional de carnes
deverá suprir, até 2020, 44,5% do
mercado mundial. Em 2010, a participação do Brasil nas exportações
mundiais de carnes bovina, suína e
de frango devem ficar em 37,4 %.
222,9%, passando de 4,6 bilhões
de litros, na safra 2008/2009,
para 15,1 bilhões de litros, no
período 2019/2020. Também
devem apresentar expressivo
incremento as exportações de
algodão (91,6%), leite (84,3%),
carne bovina (82,8%), milho
(80,3%), carne de frango (71,5%)
e óleo de soja (52,8 %).
Haverá expressiva mudança de
posição do Brasil no mercado
mund ia l. A relação entre as
exportações brasileiras e o comércio mundial mostra que, em
2019/2020, a carne bovina representará 30,3% das negociações internacionais do produto. A carne
suína ocupará 14,2% e a de frango,
48,1% do comércio. Os resultados
indicam que o Brasil continuará
a manter sua posição de primeiro
exportador mundial de carnes
bovina e de frango.
Um dos principais itens na pauta
comercial do Brasil, a car ne
bovina, ficou em patamar inferior em comparação com estudos
anteriores. Gasques explica que a
crise financeira internacional, em
setembro 2008, impactou as exportações, refletindo na dinâmica
do produto.
De acordo com o coordenador,
nos próximos anos, o agronegócio
brasileiro sofrerá dupla pressão.
“Haverá aumento do consumo
interno, por conta do crescimento
da renda, e grande demanda do
mercado mundial.”.
Os embarques de etanol têm
estimativa de crescimento de
43
Terra Brasil
Março/2010
44
Terra Brasil
Março/2010
45
Terra Brasil
Março/2010
O Cerrado é a segunda formação vegetal predominante no Brasil e ocupa
mais de 24% do território, com grande variedade de cores, formas e sabores
As
formas intrigantes da vegetação do bioma
Cerrado, que se
caracteriza por pequenos
arbustos e árvores baixas
e retorcidas, abrigam uma
diversidade de espécies que
começou a ser explorada nos
últimos 50 anos. Com o desen-
volvimento da área, rapidamente a
região foi inserida no contexto da
produção de alimentos e, hoje, mais
de 25% da colheita nacional de
grãos é proveniente desse bioma.
Localizado, principalmente, no Planalto Central do Brasil, o Cerrado
ocupa 24% do território nacional,
pouco mais de dois milhões de quilômetros quadrados. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE),
61,2% ainda são preservados, com
a maioria da área distribuída nos
estados de Minas Gerais, Goiás, do
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Tocantins, da Bahia, do Piauí, Maranhão e Distrito Federal. Depois
do bioma amazônico, o Cerrado é
a segunda maior formação vegetal
brasileira e a savana tropical mais
rica em biodiversidade no mundo.
O processo de desenvolvimento
agrícola do Cerrado preocupa
agrônomos e ambienta listas
quanto à sustentabilidade do
ecossistema. A ação direta e
constante das queimadas e do
desmatamento vem contribuindo
de forma significativa para a ex-
46
Terra Brasil
Março/2010
tinção de muitas espécies animais
e vegetais, incluindo as fruteiras
nativas, base de sustentação da
vida silvestre e alimento de fundamental importância na dieta
alimentar de algumas comunidades indígenas e rurais.
Segundo estudos e levantamentos
realizados por técnicos da unidade
de Cerrados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), várias frutas nativas
têm consumo consagrado e significativa importância cultural nas
regiões do Cerrado. Muitas são
altamente nutritivas, pois, além do
valor energético, são também ricas
em vitaminas, sais minerais e propriedades medicinais.
A diversidade é enorme. Segundo
a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Ana Maria Costa, são aproximadamente 60 mil espécies de
fauna e flora, sendo mais de dez
mil tipos de plantas e seis mil variedades de frutas, a maior parte
com potencial para a alimentação humana. “Dentro da mesma
espécie, temos frutas com diferentes qualidades nutricionais, condições de adaptabilidade e produtividade”, explica.
Bioma Cerrado
Fonte: Embrapa.
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U s o d i ve r s i f i c a d o - A
Amora-Preta
Ananás
Araçá
Araticum
Araticum-- ddee - Casca-Lisa
Araticum
Araticum-RRRasteiro
Araticumasteiro
Babaçu
Bacupari
Banha-- ddee - Galinha
Banha
Baru
Buriti
Cagaita
Cajazinhoo - ddoCajazinh
o- Cerrado
Caju-- ddee -ÁrvoreCaju
-Árvore- ddoo - Cerrado
Caju-RRRasteiro
Cajuasteiro
Cajuzinhoo - ddoCajuzinh
o- Cerrado
Chichá
Coquinhoo - ddoCoquinh
o- Cerrado
Croadinha
Curriola
FFrut
ruto - ddee -TTatu
ruto
atu
Gabiroba
Gravatá
Guapeva
Guariroba
Ingá-- ddoIngá
o- Cerrado
Jaracatiá
Jatobá-- ddoJatobá
o- Cerrado
Jatobá-- da-Mata
Jatobá
48
Terra Brasil
Março/2010
Jenipapo
Jerivá
Lobeira
Macaúba
Mama-- Cadela
Mama
Mangaba
Maracujá-- ddeMaracujá
e- Cobra
Maracujá-- ddoMaracujá
o- Cerrado
Maracujá-Doce
Maracujá-Nativo
Maracujá-RRRoxo
Maracujáoxo
Marmelada-- ddee -Bezerro
Marmelada
Marmelada-- ddeMarmelada
e- Cachorro
Marmelada-- ddee -PPinto
Marmelada
into
Melancia-- ddoMelancia
o- Cerrado
Murici
PPalmit
almito- da-Mata
almitoPPequi
equi
PPequi-Anão
equi-Anão
PPera
era- ddoo- Cerrado
PPerinha
erinha
PPimenta
imenta- ddee -Macaco
PPitanga
itanga-VVermelha
ermelha
PPitomba
itomba- ddoo- Cerrado
PPuçá
uçá
Saputá
TTucum
ucum- ddoo - Cerrado
Uva-- ddoUva
o- Cerrado
mangaba é bastante apreciada
por moradores de Goiás e Minas
Gerais. Tem sabor característico
e não chega na gôndola do supermercado porque se estraga
rapidamente. Porém, segundo a
pesquisadora, poucos sabem que
o látex da fruta tem potencial
para produção de borracha, já que
é mais fino e delicado que o da
seringueira. “Esse é um exemplo
de uso diversificado das frutas do
Cerrado, ainda pouco conhecido.
Além de ser um ingrediente delicioso para suco, contém fibras e
antioxidantes”, informa.
Algumas espécies de maracujá
podem ser utilizadas como vermífugos, a partir de sementes
torradas. De outras variedades da
fruta é possível utilizar as folhas,
até para fazer emplastro (medicação caseira colocada sobre a pele)
para picada de cobra. Além das
espécies em estudo para auxiliar
no controle de doenças como o
câncer. Contudo, a pesquisadora
recomenda o uso de medicamentos caseiros somente com
acompanhamento de profissional
especializado, para evitar efeitos
por mau uso dessas plantas.
O emprego mais comum para as
frutas do Cerrado é a fabricação
de sucos, geleias, doces, licores,
paçocas, barras de cereal, amêndoas, xaropes, farinhas, cosméticos, cremes emolientes e aromatizantes de ambiente.
Na indústria de sucos, sorvetes
e geleias, a demanda do mercado
interno por novos sabores é cres-
Cem gramas de semente de baru (típica
fruta do Cerrado) fornecem cerca de 600
calorias e 26% de proteína. Em 100g da
polpa de pequi, encontram-se 20 mil
microgramas de vitamina A e em 100g da
polpa de buriti contém 158mg de cálcio.
cente. R ita
de Medeiros,
produtora de
uma fábrica
especializada em sorvetes e picolés de frutas
do bioma, conta como nasceu a
ideia de montar o negócio. “Pensamos em usar o sabor inigualável
do Cerrado em forma de sorvete,
assim, muitas dessas frutas, ainda
pouco conhecidas, foram ganhando espaço na gastronomia brasileira”, explica.
Das frutas utilizadas na fábrica,
17 variedades são colhidas e processadas na Cooperativa de Catadores de Frutas Nativas, em Goiás.
“Colocamos em prática a utilização responsável dos recursos
que a natureza oferece”, pontua a
empresária.
El a cont a
que as frutas
são beneficiadas,
enviadas para a fábrica e transformadas em calda pura, que
receberá os ingredientes básicos
para a preparação do sorvete. Rita
de Medeiros ressalta que, além da
geração de emprego e renda na
região, essa atividade ajuda a preservar um dos mais importantes
patrimônios do planeta. Esses
frutos possuem elevado valor nutricional, com atrativos sensoriais
como: cor, sabor e aroma peculiares e intensos. “Alguns, como
o araticum, o buriti, a cagaita e o
pequi apresentam teores de vitaminas do complexo B equivalentes
ou superiores aos encontrados no
abacate, na banana e goiaba. Os
frutos de palmeiras, como o buriti
e a macaúba, são fontes de carotenóides pró-vitamina A”, ressalta.
Hoje, a falta de técnicas para extrativismo sustentável limita o
uso das frutas e do Cerrado de
modo geral. “É necessário um trabalho coordenado e um sistema
de cultivo que atenda às necessidades comerciais. Enquanto isso,
temos que conscientizar o produtor para não tirar tudo da terra,
deixar uma reserva do fruto para
preservar a natureza”, ressalta a
pesquisadora Ana Maria Costa.
Com o objetivo de orientar esses
produtores, a Embrapa Cerrados
implantou unidades de observação em algumas propriedades de
voluntários da região de Brasília
e Entorno. Em frações das terras
cedidas, são semeadas espécies
para observação do crescimento
da variedade, estudo e comparação do desenvolvimento da
planta. “A partir daí, será criado
um banco de dados de espécie que
se adaptam melhor a uma determinada área”, enfatiza Ana Maria.
A lg umas aná lises prév ias já
apontam que o plantio de fruteiras pode auxiliar muito no enriquecimento da flora do Cerrado,
fortalecer a área do ponto de vista
ambiental, proteger nascentes e
auxilia na recuperação de áreas
degradadas. Muitas espécies são
integralmente aproveitadas. O
baru, por exemplo, produz a castanha consumida pelo homem e,
como forrageira, protege o pasto e
alimenta o gado.
49
Terra Brasil
Março/2010
Extrativismo sustentável
Recuperação - A principal
vantagem ambiental das frutas
do Cerrado é a utilização na recuperação de áreas degradadas por
desmatamento. “Cada ambiente e
paisagem do bioma tem uma estratégia de recuperação. A Embrapa
Cerrados executa um trabalho
de regeneração de ambientes
de savana e utiliza 19 espécies
nativas, como o pequi, baru, ingá,
jenipapo e a mangaba”, explica
a pesquisadora da Embrapa,
Fabiana Aquino. Um experimento
de recuperação leva anos para se
consolidar em uma área degradada. Por isso é necessário fazer análises de solo, para identificar as espécies mais adequadas para cada
área. A pesquisadora recomenda
a diversidade biológica, evitando
o plantio de uma única espécie.
“Quanto mais variedades, melhor.
A diversidade atrai mais dispersores que catalisam o processo de
recuperação”, afirma.
Os produtores devem consultar
técnicos especializados para conhecer a região, verificar o grau
de degradação, identificar o tipo
de formação vegetal pertinente
e se esse solo ainda tem banco de
sementes. “A partir desses dados,
será possível traçar uma proposta”, explica Fabiana Aquino.
Os ganhos da recuperação a
partir de fruteiras são grandes. “A
atração dos animais silvestres é
muito positiva, já que ao consumir
as frutas e sementes essas serão
dispersadas por meio dos dejetos,
replantando a área. Com isso,
acelera o processo de recuperação”,
observa .
50
Terra Brasil
Março/2010
Ingá.
Baru.
A Embrapa Cerrados vem orientando produtores das comunidades tradicionais Água Boa 2
e Vereda Funda, em Rio Pardo de Minas-MG, há mais de 100 anos, quanto ao planejamento
do uso das áreas e recuperação ambiental com o cultivo de frutas do Cerrado.
Segundo o agrônomo da Embrapa Cerrados e coordenador do projeto, a comunidade Água
Boa 2 já possui uma unidade de produção de frutos e busca recursos para transformá-la
em agroindústria. O processo de capacitação e da pesquisa é participativo, a comunidade
decide o desenvolvimento e a utilização das técnicas.
Basicamente, trabalham com a polpa do pequi para produção de óleo comestível.
Atualmente, vêm aprimorando técnicas a partir da amêndoa do pequi, de alto valor
agregado. “Dialogamos com a comunidade sobre o aproveitamento total da fruta: produção
de farinha, pasta, polpa congelada, lascas em conserva e amêndoas. Tudo isso ali, no
quintal de suas casas”, explica.
Já a comunidade Vereda Funda possui uma cooperativa de produção e uma agroindústria
implantada com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, Sindicato dos Trabalhadores
Rurais e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, organização nãogovernamental (ONG) que atua com agricultores familiares na região. As atividades estão
centradas na produção de frutas desidratadas e doces.
“Os moradores conseguiram gerar renda a partir da comercialização de um recurso que
usavam artesanalmente, em casa, o óleo de pequi”, ressalta. Ele informa ainda que os
agricultores produzem, mas não sabem como vender.
Todo o trabalho é feito de uma forma que não degrada o meio ambiente, com orientações
a partir da coleta dos frutos. No caso da mangaba, o processo é especial, com limitação do
número de frutos que devem ser colhidos sem comprometer o ecossistema.
Seu Antônio e Dona Lúcia, moradores da comunidade Água Boa 2, afirmam que essas
práticas servem para conscientizar os agricultores quanto à preservação ambiental. “Não
podemos só tirar da planta, é necessário cuidar para que aqueles frutos nunca cheguem
ao fim”, explica Seu Antônio. Já Dona Lúcia aponta que a autoestima das pessoas está
crescendo. Todos se sentem úteis.
Pequi.
Mangaba.
51
Terra Brasil
Março/2010
Dê alimentos orgânicos
para seus filhos.
Seus netos agradecem.
Para manter o corpo em equilíbrio
e a saúde em dia é fundamental
uma alimentação saudável. Por isso,
você precisa conhecer melhor os alimentos
orgânicos. São frutas, hortaliças, grãos, laticínios e
carnes produzidos com respeito ao meio ambiente e sem utilizar
substâncias que possam colocar em risco a saúde dos produtores e
consumidores. O resultado são produtos de melhor qualidade, mais nutritivos,
52
que
certamente trarão mais saúde para a sua família e para todo o planeta.
Terra Brasil
Março/2010
53
Terra Brasil
Março/2010
O mundo
está aqui
O
dia começa quando
ainda é noite no
maior entreposto
da América Latina, a Companhia de Entrepostos e
Armazéns Gerais de São
Paulo (Ceagesp). No escuro,
Maior entreposto da América Latina,
a Ceagesp abastece o Brasil e mais 18
países, movimentando 10 mil toneladas
de alimentos frescos por dia
54
Terra Brasil
Março/2010
carregadores circulam em ritmo
acelerado pelas 44 ruas, com a produção de frutas, verduras, legumes
e pescados de 1,5 mil municípios
de todos os estados brasileiros e
mais 18 países.
As frutas representam mais da
metade dos produtos comercializados nos entrepostos da Ceagesp,
empresa vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), movimentando
quase dois milhões de toneladas
por ano. Para chegar até lá, o
caminho dos alimentos é longo.
Pode começar em Beberibe, interior
do Ceará, com o melão da Fazenda
Itaueira. A fruta viaja mais de três
mil quilômetros, em caminhão
refrigerado, até a venda no atacado
pela famíliaBenassi, na Ceagesp.
Conhecida no entreposto pela comercialização de frutas, a família
trabalha com 200 variedades de
diversas regiões e mais 15 países.
Diariamente, 10 carretas saem do
box da Ceagesp com alimentos para
São Paulo e outros estados. “Meu
pai começou aqui, há 40 anos, e
oferecemos as melhores frutas do
mercado”, conta Eduardo Benassi.
A tarefa de levar frutas e verduras
a lugares distantes no Brasil foi
escolhida também pelo empresário Marcelo Ferraz. Dentro da
Ceagesp, ele compra de diferentes fornecedores com a missão
de vender alimentos frescos nos
municípios com pouca variedade
de hortifrútis. Para ser cliente na
empresa de Ferraz, a distância
mínima exigida é 1,5 mil quilômetros. “Tenho compradores a quatro
mil quilômetros de São Paulo”,
diz, orgulhoso. Hoje, Ferraz
atende mercados do Amazonas,
Acre, Rondônia, Pará e Goiás. Por
semana, 25 carretas transportam
500 mil toneladas de alimentos.
55
Terra Brasil
Março/2010
Os números da Ceagesp
é o quarto legume mais consumido
em São Paulo. Então, oferecemos
produto de qualidade para a dona de
casa”, ressalta Oswaldo.
Aos 74 anos, dona Alice, mãe de
Oswaldo, é a entusiasta das cenouras. Sempre com uma receita na
ponta da língua, ela sabe que produzir e vender requer experiência.
“A cenoura e o alho, com um pouquinho de água, curam qualquer
resfriado”, aconselha. Além de receitas, ensina regras para continuar
no mercado. “A cenoura precisa de
refrigeração, senão adquire aspecto
viscoso e estraga”, conta, ao mostrar
o estoque climatizado da empresa.
- 700 mil metros quadrados no
entreposto de São Paulo.
- 13 entrepostos atacadistas no
interior do estado.
- 1.500 municípios e 18 países
fornecem alimentos frescos.
- Os pescados vêm de São Paulo,
Santa Catarina e Rio Grande do
Sul.
- Diariamente, 50 mil pessoas
circulam no entreposto de São
Paulo, além de 10 mil veículos, e
10 mil toneladas de alimentos
são comercializadas.
Dona Alice: entusiasta das cenouras.
Frutas exóticas - O diferencial
Caqui: de São Paulo direto a Marabá.
Para chegar em condições de
consumo, as frutas viajam ainda
verdes. Ele mostra caixas de caqui,
cuidadosamente acomodadas no
caminhão refrigerado, com a coloração esverdeada e que nem de
longe parecem saborosos. “Quando
chegarem em Marabá, no Pará,
estarão alaranjados e ideais para o
consumo. Afinal, a viagem dura até
quatro dias”, explica.
Se a viagem, para o caqui, é delicada, para o tomate mais ainda. Com
equipe treinada em transporte e logística, José Luiz Bastista dá a dica.
Conhecido na Ceagesp como “Rei
do Tomate”, explica que a entrega
deve ser no menor tempo possível,
mantendo sempre o frescor e a
qualidade. Além da venda, Batista
produz 40 mil toneladas de tomate
em sítios espalhados pelas regiões
56
Terra Brasil
Março/2010
Sul e Sudeste. “O desafio é oferecer
produto bom o ano todo. Para cultivar tomate, a temperatura ideal é
entre 20ºC e 30ºC, por isso plantamos em várias regiões”, esclarece.
Plantar e comercializar faz parte do
negócio da família Koga. Antes da
inauguração da Ceagesp, há quatro
décadas, ainda no mercado da Cantareira, os Koga escoavam a produção naquele entreposto. Oswaldo, o
filho mais velho, conta, orgulhoso,
como a família ficou conhecida pelo
cultivo e venda de cenouras. “Há 25
anos, resolvemos investir no cultivo
do legume. Hoje, em Santa JulianaMG, plantamos 500 hectares e
colhemos 50 toneladas por ano”,
comenta.
A variedade escolhida, híbrida
Juliana, promete maciez, sabor e
pigmentação alaranjada. “A cenoura
faz parte dos negócios da Ceagesp.
Mais alguns minutos de caminhada
pelo entreposto e outro permissionário mostra uma nova receita de
saúde. “Esse aqui é o noni e trata
febre e reumatismo. Há quem acredite que também alivia o estresse”,
conta Nakoto Aoki, comerciante
especializado em frutas exóticas. O
noni é uma fruta verde, originária
da Ásia, com cheiro desagradável,
mas que, transformado em suco,
promete “quase” milagres.
“Escolhi vender frutas exóticas
porque não tinha muito espaço
para estoque”. No pequeno box de
Seu Aoki, é preciso legenda para
decifrar as frutas expostas na prateleira. “A amarelinha é seriguela.
Aquela, parecida com a lichia, é
rambutã. A rosa, igual a uma flor, é
a pitaia”, mostra. Ao todo, são mais
de 50 itens pesquisados em várias
regiões e países. O transporte é
quase sempre aéreo, o que encarece
o produto. Em Belém do Pará, está
a pequena produção brasileira de
noni e, quando chega em São Paulo,
é vendido a R$ 20 o quilo.
Ceagesp - O entreposto mostra-
se pequeno diante da movimentação diária de alimentos frescos.
Todos os dias, 10 mil toneladas
de produtos são comercializadas
em 700 mil metros quadrados.
Em média, 50 mil pessoas, 10 mil
caminhões e três mil carregadores
contribuem para gerar negócios em
torno de R$ 50 milhões por dia.
milhões de toneladas de frutas,
verduras, legumes, pescados e
flores, recorde dos últimos 21 anos.
O volume financeiro movimentado alcançou R$ 4,35 bilhões, 12%
superior ao ano anterior. O setor
de frutas liderou na quantidade
comercializada, com 1,67 milhão
de toneladas, seguido por legumes,
com 807,2 mil toneladas.
No total, a rede de 13 entrepostos
da companhia comercializou 3,9
milhões de toneladas de produtos,
resultado 2,42% maior que 2008.
- 3 mil carregadores trabalham
em 44 ruas.
- 3,9 milhões de toneladas
fora m negoc i ados em
2009.
- 89% dos alimentos
são produ zidos no
Brasi l, seg uido de
Argentina, Chile e
China.
- São Pau lo é o
maior fornecedor,
seguido de Minas
Gerais, Bahia e
Santa Catarina.
“ Todas as regiões brasileiras
recebem alimentos da Ceagesp. Há
10 anos, era improvável”, ressalta o
comerciante Marcelo Ferraz. “Daqui
a alguns anos, a empresa não vai
comportar o volume de negócios que
cresce vertiginosamente”, afirma.
Em 2009, o entreposto de São Paulo
da Ceagesp comercializou 3,15
57
Terra Brasil
Março/2010
ORIGEM DOS ALIMENTOS
PAÍSES
“A Ceagesp é líder nacional na estocagem de açúcar, embora sempre esteja associada
ao entreposto”, lembra Alexandre Campos, chefe operacional de armazéns. A rede de
armazéns e silos trabalha com capacidade estática superior a um milhão de toneladas.
O chefe operacional explica que a companhia atende um terço dos municípios agrícolas
do estado de São Paulo. “As unidades de armazenagem estão próximas aos polos de
produção e consumo, interligadas por transporte ferroviário”, complementa.
Resultado da fusão entre a Central de Abastecimento (Ceasa) e da Cagesp - antiga
empresa de armazenamento fundada em 1930 -, a Ceagesp “herdou” armazéns e silos.
As 34 unidades ativas, locadas ou cedidas, foram construídas e adquiridas próximas à
malha ferroviária do estado de São Paulo e abrigavam pequenos estoques reguladores
do Governo Federal. Em 1970, foram construídos os primeiros armazéns horizontais do
Brasil e silos de grande capacidade, acoplados a graneleiros.
Os armazéns foram adaptados para estocagem de açúcar a granel e hoje 50% da
produção do estado de São Paulo encontra-se em unidades da companhia. “Somos
a opção para pequenos e médios produtores, que não possuem armazéns na
propriedade”, explica Alexandre Campos.
A estrutura tem capacidade para estocar grãos, sementes, farelos, produtos prensados
de soja e trigo, açúcar a granel e produtos embalados, agrícolas ou industrializados. Os
armazéns prestam serviços de expurgo, secagem e limpeza para reduzir perdas e elevar
as condições de comercialização.
Para financiamento dos estoques depositados, a Ceagesp emite títulos de crédito
especiais e é credenciada pela Bolsa de Mercadorias e Futuros, para a guarda de
mercadorias. Os principais clientes são produtores rurais, órgãos do governo,
exportadores e importadores, cooperativas e usinas.
58
58
Terra
Terra Brasil
Brasil
Março/2010
Março/2010
Feira, flores
e peixes
Além da comercialização atacadista, a
Ceagesp promove venda no varejo de
hortifrútis e outros produtos por meio
dos varejões. Semelhantes às feiras livres,
funcionam aos sábados, domingos e
quartas-feiras. Por semana, 250 toneladas
de alimentos frescos são vendidas direto ao
consumidor. Além de São Paulo, o varejão é
realizado em Sorocaba, interior do estado.
Na capital, nas terças e sextas-feiras, a Ceagesp
promove a Feira de Flores. A comercialização
em semivarejo reúne mais de mil produtores
de flores, plantas ornamentais, grama e
mudas. O maior movimento acontece na
comemoração do Dia das Mães, com 25 mil
visitantes, gerando R$ 20 milhões.
Durante a madrugada, de terça a sábado, o
entreposto da capital reúne os principais
atacadistas de pescados. Mais de 60
empresas comercializam produtos vindos
de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul. Em 2009, na semana que antecede
a Páscoa, os comerciantes venderam mais
de 60 toneladas de pescados, incluindo os
produtos frescos e bacalhau.
Origem
Produtos
pera, maçã,
Argentina
ameixa, cebola,
alho e calamar
maçã, uva,
Chile
ameixa, cebola,
alho e salmão
China
alho
ameixa, cebola
Espanha
e bacalhau
pera, maçã
Estados Unidos
e cebola
Holanda
cebola
Portugal
pera e ameixa
Uruguai
kiwi, pera e alho
Itália
kiwi
Noruega
bacalhau
França
maçã
Turquia
figo e damasco
Nova Zelândia
kiwi
Origem
São Paulo
Minas Gerais
Bahia
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
Paraná
Espírito Santo
Rio de Janeiro
Goiás
Pernambuco
Rio Grande do Norte
Ceará
Tocantins
Pará
Paraíba
Sergipe
Alagoas
Maranhão
Piauí
Mato Grosso do Sul
Mato Grosso
Amapá
Produtos
laranja, tangerina, tomate, chuchu,
milho, repolho, alface, batata, cebola,
grama, crisântemo, tilápia e pescada
banana, abacaxi, tangerina, cenoura,
tomate, brócolis, repolho, batata e cebola
mamão, manga e coco seco
maçã, maracujá, abóbora, tomate,
batata, cebola, corvina e pescada
maçã, pêssego, batata, cebola e pescada
uva, ameixa, abóbora, mandioquinha,
repolho, batata e cebola
coco verde, mamão, chuchu, tomate e atum
abacaxi, tomate, pepino, atum e sardinha
melancia, tomate, cebola e batata
melão, manga e cebola
melão e camarão
melão e coco seco
abacaxi, melancia e tomate
abacaxi e pescada
abacaxi, coco verde e coco seco
manga e coco seco
coco seco
abacaxi e robalo
caju
melancia, kani e kama
manga
polpa de frutas
O Brasil está aqui
59
Terra Brasil
Março/2010
Caminhos do Leite
O
leite é o alimento
sempre presente
na mesa do brasileiro e de quase
todos os povos.
Afinal, o ser humano é um mamífero que necessita dos principais
componentes desse líquido, como:
lipídios, proteínas, carboidrato,
cálcio e água.
O que nem todos sabem é como
os fabricantes trabalham para
garantir esse alimento saboroso,
com qualidade e durabilidade. “Os
cuidados com a matéria-prima são
a base do processo de produção”,
observa o técnico em captação de
leite de uma das maiores indústrias brasileiras, Alexandre Hense
Condé. A fábrica de laticínios fica
em Pará de Minas, a 90 quilômetros de Belo Horizonte, uma das
Integral, desnatado, com vitaminas,
em forma de queijo, requeijão ou iogurte
60
Terra Brasil
Março/2010
cinco unidades que a rede mantém
em Minas Gerais e Goiás.
A linha de produção em Pará
de Minas é de iogurtes, bebidas
lácteas, requeijões, leites longa vida,
queijinho doce tipo suíço (petit
suisse), achocolatados e leite fermentado. Só essa unidade, coloca
no mercado mais de 100 tipos de
derivados do leite, comercializados
em supermercados de todo o País e
até nos Estados Unidos.
A captação diária na unidade é de
210 mil litros, fornecidos por 370
propriedades rurais do estado. Essa
matéria-prima se transforma em
16 mil toneladas de mercadorias
finais por mês. “Nas outras quatro
unidades da empresa, são fabricados manteigas, creme de leite, leite
em pó e condensado, requeijões e
doces. No total, são 3,5 milhões de
litros de leite fornecidos por mais
de 7.500 produtores”, calcula o
técnico em captação da empresa.
Dos arredores da cidade, vem a maior
parte do leite processado na fábrica,
onde trabalham Condé Pereira e
outros 700 funcionários. A menos
de 25 quilômetros de Pará de Minas,
Geraldo Moreira Melo é criador de
320 vacas mestiças (mistura do gado
de raça holandesa com o zebu), que
produzem, em média, 4,7 mil litros
de leite por dia (10 litros por cabeça).
Ele demonstra orgulho de integrar
uma cadeia que está crescendo e se
aperfeiçoando. “Há 23 anos, estou no
ramo, é muito bom ver um produto
no supermercado feito com leite fornecido por nós. Investimos muito de
uns anos para cá, inclusive passamos
a produzir a ração dos animais aqui
mesmo na fazenda”, afirma.
Geraldo Melo, produtor de leite,
orgulhoso do seu rebanho.
61
Terra Brasil
Março/2010
As vacas são alimentadas com
silagem de milho, polpa cítrica,
caroço de algodão e farelo.
O cardápio é elaborado para
aumentar a produção e suprir
as necessidades diárias de
minerais e vitaminas para que o
leite tenha padrão adequado.
Além disso,
o produtor
lembra que
é preciso
administrar
muito bem o
negócio para
fornecer leite fresquinho e puro à
fábrica. Ele explica que o primeiro
passo da ordenha é higienizar as
tetas dos animais com iodo para
eliminar bactérias. Na ordenha
mecânica, são usados sugadores automáticos acoplados às mangueiras,
que conduzem o leite direto para
o resfriamento, no “tanque de expansão”, que mantém o produto em
temperatura inferior a 5ºC.
Para finalizar o trabalho, os cinco
funcionários da propriedade
refazem a aplicação de iodo nas
vacas e lavam os tubos de alumínio
que transportam o leite até o tanque
de resfriamento. “É água quente,
detergente especial, caminhão
próprio para transportar o leite na
temperatura correta. Tudo isso faz
parte do nosso trabalho diário e que
termina com a venda do leite para
uma grande beneficiadora”, explica
Geraldo Melo. O fazendeiro demonstra paixão pelo que faz quando
chama o leite, carinhosamente, de
mercadoria abençoada.
No processo de conservação do leite,
o papel dos motoristas também é
importante. Ao carregarem o caminhão isotérmico com o produto,
devem recolher uma amostra para
ser entregue na indústria juntamente com a carga. “Se as análises
derem algum resultado fora do
padrão, como a quantidade de água,
por exemplo, recorremos a essa con62
Terra Brasil
Março/2010
traprova”, destaca
o coordenador de
qualidade e meio ambiente da empresa,
Alessandro Junqueira Pereira.
Programas especiais de informática determinam
a dosagem dos ingredientes que
compõem as fórmulas dos lácteos.
Isso mesmo. A maioria dos produtos
de grandes empresas já não passam
por processos manuais. O leite recebido vai direto para tanques resfriadores e recebem a adição de frutas,
açúcares e outros compostos, automaticamente, até serem envasados
e lacrados.
A produção fica em torno de cinco a
seis toneladas, informa o gerente da
fábrica, Janilson Fernandes Gonçalves.
Por volta das 16 horas, o funcionário troca o uniforme branco da
linha de produção e vai até o curral
da Fazenda Palmeiras, nos fundos
da queijaria, para acompanhar a
segunda ordenha diária. As vacas
desse rebanho são holandesas
puras e produzem quase 23 litros
por cabeça. Na propriedade, os 46
animais rendem 800 litros de leite
por dia, destinados à produção de
queijos.
A ordenha também é mecânica.
Outra semelhança entre as fazendas
Em outro estabelecimento, também é a preocupação com a qualidade do
em Minas Gerais, a produção de leite ainda na fonte, como a higiene
queijos é prioridade. Entre as varie- dos equipamentos e o cuidado com
dades estão os frescais, a mussarela, o tanque térmico para mantê-lo
o prato, o cheddar,
f resco. “O
a ricota, os repré-requisiqueijões de corte,
to para um
Uma bezerra saudável pode se
os cremosos e de
produto de
tornar uma vaca leiteira, a partir
uso culinário. Os
qua lidade
dos dois anos e meio de idade. Na
produtos abasteé o manejo
maioria das fazendas produtivas,
cem lanchonetes
inicial.
a ordenha é feita duas vezes por
do estado e coQ u a ndo o
dia,
pela
manhã
e
à
tarde.
mércio em todo o
leite é bemBrasil e também
conservado,
são exportados.
desde a
“Por dia, recebemos 55 mil litros de origem, é muito difícil acontecer imleite. Cada 10 mil litros são trans- previstos depois da preparação dos
formados em mil quilos de queijo. queijos”, esclarece Gonçalves.
Serviço de Inspeção
Federal (SIF)
Os Serviços de Inspeção de Produtos Agropecuários (SIPAGs), do Ministério
da Agricultura, fiscalizam a documentação e as instalações das empresas de
laticínios e autorizam o uso do selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) apenas nos
produtos que estão de acordo com a legislação. Atualmente, são 1.534 indústrias
de laticínios (esse total engloba todas as categorias, sendo que as fábricas são
794 e as usinas de beneficiamento são 384) que estão registradas no Mapa e
seguem as normas do SIF para a fabricação de produtos de origem animal.
Para aderir ao SIF, a empresa deve solicitar à Superintendência Federal de Agricultura
(SFA) no estado a aprovação do terreno. Depois de inspecionada e aprovada a área,
apresenta um projeto detalhado, compatível com a atividade que pretende desenvolver.
São avaliadas questões como: facilidade para obtenção da matéria-prima, distância de
fontes poluidoras, acesso, disponibilidade de energia elétrica e meios de comunicação,
abastecimento de água potável, escoamento de águas residuais, entre outras.
63
Terra Brasil
Março/2010
Laboratórios de análises do leite - Para ampliar a
inspeção de produtos derivados de
leite, além de manter a Rede Oficial
de Laboratórios Agropecuários
(Lanagros), composta por seis unidades distribuídas no Rio Grande
do Sul, em São Paulo, Minas Gerais,
Goiás, no Pará e em Pernambuco, o
Ministério da Agricultura criou a
Rede Brasileira de Laboratórios da
Qualidade do Leite (RBQL). São oito
laboratórios credenciados e um de
referência, mantido pelo Lanagro/
MG, em Pedro Leopoldo. Outras
unidades da RBQL funcionam no
Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo,
Minas Gerais, Pernambuco e Goiás.
Eles analisam amostras de leite das
principais bacias leiteiras do País,
monitorando os requisitos mínimos
de qualidade do leite cru, previstos na Instrução Normativa nº 51
(gordura, proteína, lactose, sólidos
totais, contagem de células somáticas e contagem total de bactérias).
Dados de produção nacional - Nos últimos 20 anos,
a produção brasileira de leite vem
crescendo contínua e significativa-
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Terra Brasil
Março/2010
mente. De 1989 a 2009, passou de
14 bilhões para 30 bilhões de litros.
De 2004 para 2008, o crescimento
da produção foi de quatro bilhões
de litros, ou seja, 40% do percentual produtivo da Argentina em
2008. No entanto, a produtividade
do leite no Brasil, em média, ainda
necessita de incremento. Os índices
apresentados, de modo geral,
são extremamente baixos e com
marcantes diferenças regionais.
Enquanto algumas bacias leiteiras
especializadas, caso da região de
Campos Gerais-PR, destacam-se
com produtividade de 7.900 quilos
vaca/ano, índices semelhantes aos
da América do Norte e Europa,
outras regiões do País alcançam
média de 500 quilos vaca/ano.
Mercado externo -
A
balança comercial brasileira de leite
e derivados inverteu-se em 2004,
quando o Brasil passou de importador a exportador de laticínios.
Assim, a perspectiva de exportação
de derivados de leite e até de leite
fluido tem grande potencial e é discutida constantemente pelo setor.
O Brasil exporta leite, mas ainda
em valores não tão significativos,
se comparados a outras cadeias
do agronegócio. No entanto, as
perspectivas de exportação são
promissoras, com a produção de
derivados de maior valor agregado.
Já na participação do comércio internacional, os maiores exportadores oferecem 30 bilhões de litros ao
mercado externo, como: a Nova Zelândia, com 34%; a União Europeia,
com 31%; e a Austrália, com 15%,
de acordo com dados divulgados
pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE).
Rebanho - São 21,6 milhões de
vacas ordenhadas no Brasil. Só em
Minas Gerais, estado com maior
produção de leite, 5,15 milhões de
cabeças garantem sua liderança
nacional, superando 7,7 milhões
de litros. As raças leiteiras de maior
produtividade são de origem europeia, selecionadas e adaptadas em
ambientes distintos na maior parte
do Brasil. As questões relativas ao
estresse, em especial calórico, são
pontos críticos para os rebanhos
leiteiros. Nesse sentido, a adoção
de boas práticas que minimizem
o estresse é primordial, tanto
no aspecto de bem-estar animal
quanto no de produtividade.
Consumidor, saiba o que
está comprando
UHT ou UAT - A sigla vem do inglês (Ultra Hight Temperature) e informa que o
leite foi submetido a Ultra Alta Temperatura (UAT). Esses produtos têm a gordura
uniformemente distribuída, sem formação da nata (processo de homogeneização)
e são submetidos, durante dois a quatro segundos, à temperatura de 130ºC
e imediatamente resfriados à 32ºC. Sem contato manual, são envasados em
embalagens estéreis e hermeticamente fechadas. A medida permite ao fabricante
chamar o produto de longa vida, pois a mudança brusca de temperaturas elimina
possíveis contaminantes orgânicos, que afetam a sua durabilidade.
Pasteurizado - É o leite fluido elaborado a partir do leite cru refrigerado na
propriedade rural, que apresenta especificações de produção, coleta e qualidade da
matéria-prima definidos em legislação específica. No processo de pasteurização, o
leite é submetido ao calor de 72ºC a 75ºC, por 15 a 20 segundos, para a eliminação
de micro-organismos nocivos à saúde humana.
Tipos A e B - As diferenças entre o leite tipo A e B estão nos
critérios de higiene e contagem microbiana em cada um, antes
e depois do processamento, além de diferenças na fabricação
do produto. O leite tipo A tem produção expressamente
mecanizada, processada na granja leiteira, em circuito
fechado e sua matéria-prima deve ser de altíssima qualidade
higiênica. O leite tipo B pode ser processado dentro da usina
de beneficiamento, assim como o leite pasteurizado, porém
contém critérios mais rigorosos na seleção de matéria-prima
que o leite pasteurizado. Mas todos os tipos de leite devem
estar isentos de germes que prejudicam a saúde humana.
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Terra Brasil
Março/2010
Estamos vivendo
um novo Brasil.
Feito por você.
Respeitado pelo mundo.
Nós brasileiros conquistamos um país cada vez melhor para todos.
Estamos juntos, seguindo em frente. E é possível avançar ainda mais.
27,5 milhões de pessoas ascenderam à classe C
e 6,5 milhões às classes A e B, de 2003 a 2009.
US$ 241 bilhões em reservas internacionais.
Fonte: Centro de Políticas Sociais - FGV.
11,9 milhões de empregos formais gerados nos
14 novas universidades federais e 124 campi.
111 novas escolas técnicas.
(posição de 25 de fevereiro de 2010).
últimos 8 anos. Segundo dados da RAIS (2003-2008) e do Caged
(2009-2010, até janeiro).
Início da exploração de petróleo na camada
do Pré-Sal.
As exportações brasileiras mais que dobraram
Redução de 75% no desmatamento
Aumento de 5,9% nas vendas do comércio
da Amazônia nos últimos 5 anos. O menor nível
em 21 anos. Fonte INPE.
varejista em 2009.
A bolsa brasileira obteve a maior valorização do
mundo nos últimos 12 meses: 66,4% .
(encerrados em janeiro de 2010).
(+109%) entre 2003 e 2009.
Crescimento de 18,9% da indústria em
dezembro de 2009, em comparação com o mesmo
mês em 2008.
3,01 milhões de veículos vendidos em 2009,
um novo recorde histórico. Crescimento de 12,7%
frente a 2008.
www.confiancanobrasil.gov.br
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Terra Brasil
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Terra Brasil
Março/2010
Indicação Geográfica
O
Instituto Nacional da Propriedade Industrial
(INPI), órgão do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, é o responsável
pelos registros das Indicações Geográficas no
Brasil (IGs). Esta competência foi atribuída pela
Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279, de 1996). Hoje,
o INPI não apenas efetua o registro como também fornece
assistência e orientações diretamente aos produtores e
prestadores de serviço interessados.
A Indicação Geográfica é um mecanismo de propriedade
intelectual reconhecido em nível internacional, assim como
marca ou patente. A IG tem natureza declaratória. Não se
cria uma IG, apenas se reconhece e o documento segue para
avaliação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Atualmente, existem seis Indicações Geográficas nacionais
registradas no INPI: o Vale dos Vinhedos (RS), para vinhos
tintos, brancos e espumantes; Pampa Gaúcho, para Campanha
Meridional (RS), para carnes; Região do Cerrado Mineiro
(MG), para café; Paraty, para aguardente de cana-de-açúcar;
Vale do Submédio São Francisco, para uvas de mesa e manga; e
Vale dos Sinos (RS), para couro acabado.
As indicações estrangeiras registradas no Brasil são: Região
dos Vinhos Verdes (Portugal), para vinhos; Cognac (França),
para destilado de vinho; San Daniele (Itália), para coxas de
suínos e presunto defumado cru; e Franciacorta (Itália), para
vinhos espumantes e bebidas alcoólicas. O INPI, no momento,
analisa 11 pedidos de IG, sendo sete nacionais e quatro
estrangeiras.
Produtos Veterinários
Para incentivar o uso correto e
consciente dos produtos, o Ministério da Agricultura fiscaliza
a fabricação, manipulação, importação, exportação, comércio e
controle de qualidade. Hoje, são
7,9 mil produtos licenciados pelo
Ministério para utilização em
animais como bovinos, suínos,
aves, equinos, pássaros, cães e
gatos. Entre os tipos comercializados estão antibióticos, antiparasitários (para controle de carrapatos e verminoses), vacinas,
xampus, sabonetes e produtos
para o diagnóstico de doenças.
Importação - O Mapa fis-
caliza produtos de fabricação
naciona l e importados. Para
obter licenciamento, as empresas interessadas em adquirir
matérias-primas ou artigos para
comercialização devem solicitar
autorização prévia ao Ministério
e apresentar estudos que comprovem a eficácia, segurança e
estabilidade desses produtos. No
caso de materiais destinados aos
animais de produção, deve ser
comprovado o período de retirada (carência).
As pessoas físicas que necessitam importar produtos veter iná r ios não dest inados à
comercialização devem também
pedir autorização prévia de importação ao Ministério da Agricultura. Junto com a solicitação,
é preciso encaminhar receita
do médico veterinário e informações como nome do produto,
fórmula completa ou composição, além de características
físicas e químicas, indicações de
uso, espécies animais a que se
destinam, origem, procedência,
quantidade a ser importada,
data e local provável de chegada
ao País.
Para os produtos destinados, exclusivamente, à entidade oficial
ou particular, para fins de pesquisas, experimentações científicas ou programas sanitários
oficiais, o pedido deve ser encaminhado ao Mapa, previamente,
ao embarque do produto.
Denúncias podem ser
enviadas para:
produtosveterinarios@
agricultura.gov.br
Para mais informações,
acesse o endereço eletrônico:
www.agricultura.gov.br - link
serviços/produtosveterinarios
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Março/2010
Onde encontrar o Min
Acre
Rodovia AC-40, 793.
CEP 69901-180
Rio Branco-AC
Telefone: (68) 3212-1301
[email protected]
Ceará
Av. dos Expedicionários, 3.442,
Benfica. CEP 60410-410
Fortaleza- CE
Telefones: (85) 3455-9202 / 9201
[email protected]
Maranhão
Praça da República, 147,
Diamante. CEP 65020-500
São Luís-MA
Telefones: (98) 2106-1962 / 1961
[email protected]
Alagoas
Av. Fernandes Lima, 72, Farol.
CEP 57050-900
Maceió-AL
Telefones: (82) 3315-7000 / 7001
[email protected]
Distrito Federal
SBN – Ed. Palácio do
Desenvolvimento,
Qd. 01, Bl. D, 5º andar.
CEP 70057-900
Brasília-DF
Telefone: (61) 3329-7100
[email protected]
Mato Grosso
Alameda Dr. Aníbal Molina, s/n,
Bairro Porto. CEP 78115-000
Várzea Grande-MT
Telefones: (65) 3685-5678 / 5481
[email protected]
Amapá
Rua Tiradentes, 469, Centro.
CEP 68906-380
Macapá-AP
Telefone: (96) 3223-3075
[email protected]
Amazonas
Rua Maceió, 460, Adrianópolis.
CEP 69057-010
Manaus-AM
Telefone: (92) 4009-3801
[email protected]
Bahia
Largo dos Aflitos, s/n, Ed.Ceres,
Centro. CEP 40060-030
Salvador-BA
Telefones: (71) 3444-7436 / 7434
[email protected]
Espírito Santo
Av. Nossa Senhora dos
Navegantes, 485, Centro
Empresarial Enseada do Suá,
sala 804. CEP 29050-420
Vitória-ES
Telefone: (27) 3137-2754
[email protected]
Goiás
Praça Cívica, 100, Centro.
CEP 74003-010
Goiânia-GO
Telefones: (62) 3221-7204 / 7205
[email protected]
Mato Grosso do Sul
Rua Dom Aquino, 2.696, Centro.
CEP 79002-182
Campo Grande-MS
Telefones: (67) 3316-7120 /
7100 / 7119
[email protected]
Minas Gerais
Av. Raja Gabaglia, 245, Cidade
Jardim. CEP 30380-090
Belo Horizonte-MG
Telefone: (31) 3250-0300
[email protected]
Central de Atendimento do Mapa - 0800
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Março/2010
Onde encontrar o Min istério da Agricultura
T
AgriculturA:
A pAixão pelA terrA
odos os dias, desde o amanhecer, milhões
de brasileiros cultivam uma de suas grandes
paixões: a produção agrícola. Eles planejam,
plantam, criam, cuidam e colhem seus produtos,
buscando sempre eficiência no trabalho e harmonia com o
meio ambiente. Esta riqueza de nossa terra vem do trabalho
do campo. Está ali o grande celeiro nacional que abastece as
cidades. Este ciclo produtivo virtuoso vai além da vocação de
um povo. É um compromisso de Estado. O governo brasileiro
adota políticas agrícolas que estimulam o crescimento com
responsabilidades social e ambiental.
Nas últimas décadas, a pesquisa e a tecnologia desenvolvidas
no País permitiu o melhor aproveitamento do solo e a adaptação
de culturas ao clima tropical, gerando significativos ganhos
em produtividade. O trinômio saúde animal, sanidade vegetal
e segurança alimentar ganham destaques nos fóruns de
negociações nos mercados interno e externo. Desta maneira,
esta Nação zela pela qualidade do alimento que vai à mesa dos
brasileiros e os demais consumidores espalhados pelo mundo.
Nesta edição, a Terra Brasil mostra como dezenas de
trabalhadores frequentam diariamente um espaço no alto da
Serra da Mantiqueira para cultivar rosas. Em outra matéria
é revelada a energia que vem da pimenta-do-reino, um dos
temperos mais usados na culinária internacional. Ganha
evidência ainda, neste número, o bem-estar animal apresentado
como uma exigência para alcançar mercados qualificados e
a importância da fiscalização na alimentação animal, para
garantir condições adequadas para a segurança dos alimentos
consumidos pelo homem.
A agricultura do futuro também está nesta quinta edição
da revista, com indicadores que evidenciam tendências e
projetam as perspectivas deste valioso setor para os próximos
dez anos. Este panorama, com análise de dezenas de produtos,
é um caminho para entender a dinâmica das relações entre
produção, consumo e exportação e a trajetória do Brasil a curto,
médio e longo prazos, bem como estruturar visões de futuro
da agricultura e pecuária brasileiras no contexto mundial,
buscando crescimento e conquista de novos mercados.
Expediente
Conselho Editorial
Wilma Annete Cesar Gonçalves,
Neuza Arantes Silva, Tony Geraldo Carneiro,
Jorge Caetano Junior, Helinton José Rocha,
Débora de Freitas Oliveira Pinheiro, Leda
Laboissière e Eliana Maria Martins Ferreira
Redação
Editora-Executiva
Adélia Azeredo
Pará
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Castanheira. CEP 66645-250
Belém-PA
Telefone: (91) 3214-6422
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Paraíba
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Editora
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Projeto Gráfico
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Paraná
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CEP 82820-000
Curitiba-PR
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Fotografia
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Matos da Silva e Saulo Cruz
Impressão
Gráfica Brasil
Colaboradores
Eline Santos, Hilda Guimarães, Inez De
Podestà, Kelly Beltrão, Laila Muniz, Leilane
Alves, Lis Weingartner, Regina Rabelo,
Sophia Gebrim e Thiago Ferreira
Circulação Nacional
Tiragem: 40 mil exemplares
Distribuição
Assessoria de Comunicação Social
[email protected]
Central de Relacionamento:
0800 704 1995
Pernambuco
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Bongi. CEP 50630-060
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Piauí
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a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos
e imagens desta obra é do autor.
Catalogação na Fonte
Biblioteca Nacional de Agricultura – BINAGRI
Terra Brasil. Ano 1, n.1 (dez. 2008)- .– Brasília : Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento
v. ; 27 cm.
Quadrimestral
ISSN 1984-204X
1. Agricultura. I. Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Assessoria de Comunicação Social. II. Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
Central de Atendimento do Mapa - 0800 704 1995
AGRIS A01
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Santa Catarina
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Rio Grande do Sul
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CP 35. CEP 78900-970
Porto Velho-RO
Telefones: (69) 3901-5600 /
3901-5603
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Roraima
Av. Santos Dumont, 1.470,
Aparecida. CEP 69306-165
Boa Vista-RR
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