1 ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA DA UNESP ANA PAULA SANTULO CUSTÓDIO DE MEDEIROS UNESP - Instituto de Biociências Av. 24-A, 1515 – Bela Vista 13506-900 - Rio Claro – SP / Brasil [email protected] www.rc.unesp.br LEANDRO INNOCENTINI LOPES DE FARIA UFSCar – Universidade Federal de São Carlos Rodovia Washington Luís (SP-310), km 235 13565-905 – São Carlos – SP / Brasil [email protected] www.ufscar.br Eixo temático: As Bibliotecas Universitárias e a Produção do Conhecimento Sub-tema: As redes e virtualidades da pesquisa acadêmica Resumo A Bibliometria tem a finalidade de medir por análises estatísticas a produção de pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações, citações, patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar atividades de pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países, etc., auxiliando assim, nas tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa. A Bibliometria está sendo aplicada cada vez mais em análises de produção científica, e portanto, foi utilizada para analisar a Unesp, no período de 2000 a 2004, pois esta Universidade possui campus em diversas cidades, abrangendo todo o Estado de São Paulo, além de apresentar o maior crescimento em publicação científica entre as universidades estaduais paulistas no período de 1998 a 2002. A principal fonte de informações para a realização da pesquisa foi a base do Institute for Scientific Information (ISI), a Web of Science. Por esta pesquisa, foi possível realizar análises bibliométricas dos indicadores de publicação, tais como: a evolução e o crescimento da produção científica nos últimos cinco anos, os periódicos mais utilizados, as áreas do conhecimento em que mais se publicam e análises dos indicadores de colaboração entre as cidades e os países. Palavras-chave: Bibliometria; Produção Científica; Pesquisa Científica; Métodos Estatísticos; Análises Estatísticas. 2 INTRODUÇÃO A Bibliometria está sendo aplicada cada vez mais em análises de produção científica. No Brasil, foram realizados alguns estudos recentes sobre a produção científica nacional (LETA; CRUZ, 2003; MENEGHINI, 2005; GREGOLIN, 2005), os quais mostraram que não há uma homogeneidade entre as regiões, pois a produção científica se concentra principalmente na região sudeste, no Estado de São Paulo. Assim sendo, as universidades que mais se destacam são a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). No entanto, há poucos estudos específicos detalhados sobre a produção científica dessas universidades. Dessa forma, realizou-se uma pesquisa com a Unesp, pois se destaca por seus campi localizados nas mais diferentes cidades paulistas, abrangendo todo o estado de São Paulo, e ainda, conforme Gregolin (2005), a que possui maior crescimento em publicação científica das universidades estaduais paulistas no período de 1998 a 2002. A principal fonte de informações para a realização da pesquisa foi a base do Institute for Scientific Information (ISI), a Web of Science, que abrange três bancos de dados: o Science Citation Index (SCI), o Social Science Citation Index (SSCI), e o Arts and Humanities Citation Index (AHCI). Essa base foi escolhida por ser a mais abrangente em termos de áreas do conhecimento, número de periódicos e possuir informações sobre os endereços dos autores, possibilitando identificar as co-autorias das publicações. Os dados foram quantificados pelo software VantagePoint, que transformou as informações textuais em dados numéricos para a realização das análises estatísticas, gerando listas, tabelas e matrizes. Os resultados foram importados para o Excel possibilitando melhor análise e representação gráfica das informações adquiridas. 3 A pesquisa foi quantitativa, pois analisou o número de artigos publicados pela universidade e que constam da base da Web of Science no período de 2000 a 2004. O trabalho dividiu-se em três atividades principais: • Revisão bibliográfica; • Caracterização da Unesp; e • Análise bibliométrica. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A revisão bibliográfica foi realizada, principalmente, para melhor conhecer a produção e o uso de indicadores de produção científica a partir de bases de dados bibliográficas e da bibliometria. A Bibliometria tem a finalidade de medir por análises estatísticas a produção de pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações, citações, patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar atividades de pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países, etc., auxiliando assim, nas tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa (OKUBO, 1997). Conforme, Okubo (1997), as técnicas de bibliometria estão evoluindo, originando diversos tipos de indicadores, tais como: Indicadores de publicação; Indicadores de citações; Indicadores de co-publicações; Indicadores de cocitaçõe; Indicadores de patente; Indicadores de citações de patentes. Os dados para as análises bibliométricas são extraídos de bancos de dados com informações sobre a literatura, que na maioria das vezes, estão disponíveis on-line ou em CD-ROM. 4 As análises bibliométricas utilizam apenas as comunicações formais entre os cientistas: artigos, livros, patentes, documentos. Todas as comunicações informais (literatura cinzenta): oral, relatórios, conferências, comunicação eletrônica, não são analisadas (OKUBO, 1997). As diversas áreas do conhecimento diferem no tipo de publicação, na quantidade de publicações de artigos, no número de periódicos e no tipo de periódico: nacional ou internacional. Conseqüentemente, não se devem realizar análises comparativas entre áreas diferentes do conhecimento. Portanto, é necessária muita prudência na realização de análises bibliométricas, pois cada indicador possui vantagens e limitações. No entanto, “apesar de suas limitações, a bibliometria proporciona uma medida quantitativa essencialmente objetiva da produção científica”. (OKUBO, 1997, p.23, tradução nossa). Além disso, ela auxilia as agências de fomento na tomada de decisão, principalmente em distribuição de recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento. De acordo com Okubo (1997, p.6, tradução nossa), “onde a ciência está envolvida, os indicadores bibliométricos são indispensáveis”. A bibliometria pode ser aplicada na avaliação da produção científica, pois os cientistas utilizam a publicação para divulgarem seus trabalhos e mostrarem seus resultados. De acordo com Okubo (1997), a publicação tem três objetivos: difundir as descobertas científicas, proteger a propriedade intelectual e a fama. As pesquisas desenvolvidas por Leta e Cruz (2003); Meneghini (2005) e Targino e Garcia (2000) sobre a produção científica brasileira, revelaram grande desigualdade entre as regiões: o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste são os territórios com menor quantidade de publicações, enquanto o Sudeste e o Sul apresentam o maior número de pesquisadores e de cursos de pós-graduação, evidenciando o maior número de produção de artigos nessas regiões. Seguindo a mesma tendência, a distribuição por estado se concentra principalmente em São Paulo, seguido do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nas cidades, a maior produção 5 está em São Paulo, principalmente pela atuação da Universidade de São Paulo (USP) que possui as melhores médias de avaliação da Capes e abriga quase a metade dos cursos de doutorado de nível internacional. Dentre as instituições, se destacam a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outro resultado das pesquisas foi sobre as publicações em co-autorias, o que revelou maior parceria com os Estados Unidos, a França, a Inglaterra e a Alemanha. Em relação aos países com produtividade menor, se destaca a parceria com a Argentina e o Chile. Em todas as pesquisas observou-se um crescimento da produção científica brasileira, demonstrando, além de uma maior quantidade de artigos nas bases de dados, uma maior representação da ciência nacional na produção científica mundial. Para a realização das análises bibliométricas, geralmente são utilizadas as bases de dados nacionais ou internacionais como fontes de coleta dos dados. Porém, os bancos de dados são diferentes no próprio conteúdo e critérios de entrada, na quantidade de artigos que traz de cada assunto, tornando-se indispensável a escolha do banco de dados que melhor se adapte na análise bibliométrica que será realizada (OKUBO, 1997). O Institute for Scientific Information (ISI), localizado na Philadelphia, Estados Unidos da América do Norte (EUA), é uma companhia publicadora de bases de dados que possui uma cobertura abrangente da mais importante e influente pesquisa realizada em todo o mundo. Sua base de dados bibliográfica é multidisciplinar e compreende: títulos de revistas, livros e anais de congressos internacionais, nas áreas de ciências puras, ciências sociais, artes e humanidades. O ISI foi criado em 1958 por Eugene Garfield, com o objetivo de prover informações atualizadas e de qualidade aos pesquisadores de maneira 6 rápida e eficiente. No entanto, ele resolveu avaliar as referências através da análise de citação, criando assim, o banco de dados SCI (TARGINO; GARCIA, 2000; TESTA, 1998). Os dados da Web of Science têm sido muito utilizados para análises bibliométricas em todo o mundo, trazendo informações sobre a literatura mundial publicada desde 1945 (LETA; CRUZ, 2003; MENEGHINI, 2005). Ela é constituída pelas três principais bases de dados do ISI: Science Citation Index – SCI; Social Science Citation Index – SSCI e Arts & Humanities Citation Index – AHCI. A Web of Science contém um grande volume de periódicos mundiais, aproximadamente 8500 títulos. De acordo com Leta e Cruz (2003), os indicadores mais usados da base do ISI em estudos bibliométricos são: • número de publicações: para análises da produção científica; • número de citações: para análises de impacto da atividade científica; • número de co-autorias: para análises de colaboração científica. Segundo Leta e Cruz (2003) e Targino e Garcia (2000), a Web of Science é uma ferramenta importante para o diagnóstico da produção científica, pois é a mais abrangente base de dados de informações científicas do mundo. Dessa forma, ela é a base mais utilizada atualmente por especialistas e pesquisadores em estudos bibliométricos por sua maior abrangência de áreas, pelo grande volume de periódicos e, principalmente, por compilar as citações que os artigos da base recebem anualmente. CARACTERIZAÇÃO DA UNESP1 A caracterização da Unesp foi realizada, por ser a entidade que teve sua produção científica analisada. Primeiramente, fez-se um levantamento das informações sobre essa universidade, com seu histórico, sua infra-estrutura, e em seguida identificou-se a localização de seus 23 campi no estado de São Paulo, as 7 unidades que abrangem e os cursos de graduação e pós-graduação que oferecem. A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP foi fundada em 1976 e é mantida pelo governo do Estado de São Paulo, assim como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A UNESP é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras, com destacada atuação no ensino, na pesquisa e na extensão. Ela possui uma diferenciação entre as outras universidades paulistas por estar presente em praticamente todo o território do estado de São Paulo. Ela oferece cursos de graduação (bacharelado e licenciatura) e cursos de pós-graduação stricto-sensu (Mestrado e Doutorado) e pós-graduação lato-Sensu (Especialização e Aperfeiçoamento Profissional), nas três grandes áreas do conhecimento: Humanidades, Biológicas e Exatas. Para tanto, possui uma infra-estrutura de 60 milhões de m2, sendo aproximadamente 562 mil m2 de área construída, incluindo museus, hortos, biotérios, jardins botânicos, fazendas, 1900 laboratórios e 30 bibliotecas com aproximadamente 700 mil livros e 2,3 milhões de consultas/empréstimos anuais, para atender seus quase 35 mil alunos. A universidade conta com um importante Hospital de Clínicas, com 450 leitos e administra o Hospital Estadual de Bauru, com outros 380 leitos, e além disso, possui também hospitais veterinários e clínicas de odontologia, psicologia, fonoaudiologia e fisioterapia. A UNESP se destaca nas pesquisas científicas e tecnológicas que desenvolve, e conta com recursos das principais agências de fomento à pesquisa do país: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES) e Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). 1 Dados retirados do site: <http://www.unesp.br/perfil> 8 ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA Os dados, para a realização da análise bibliométrica, foram coletados nas três principais bases de dados da Web of Science: Science Citation Index (SCI), Social Science Citation Index (SSCI) e Arts & Humanities Citation Index (AHCI), abrangendo o período de 2000 a 2004. No levantamento da Web of Science, realizou-se inicialmente uma tentativa de busca por cidade, pois a base não traz os nomes das instituições de forma padronizada, podendo encontrar o nome da Unesp de diversas maneiras. Porém, verificou-se que esse método era inviável, já que, em algumas cidades existem outras entidades de pesquisas que são recuperadas por essa expressão de busca, dificultando a organização e análises dos dados. Portanto, resolveu-se buscar por Unesp e todos os outros nomes possíveis dessa universidade. Para isso, elaborou-se primeiramente uma pesquisa no campo de endereço da Web of Science, utilizando quatro maneiras diferentes de escrever o nome dessa universidade. Em seguida, realizou-se uma pesquisa por três cidades em que a Unesp é a mais representativa pesquisadora, e excluiu-se o resultado da busca anterior, recuperando assim, os artigos com outros nomes possíveis da Unesp. Após a verificação de alguns artigos, encontrou-se 13 nomes diferentes para essa universidade que foram utilizados na expressão de busca para a recuperação dos dados. Dessa forma, realizou-se a coletas dos dados, conforme mostra a Tabela 1. Por esse levantamento, verificou-se que existe um crescimento anual na quantidade de artigos recuperados da Web of Science, exceto no ano de 2001. 9 Tabela 1 - Quantidade de artigos recuperados da Web of Science ANOS QUANTIDADE DE ARTIGOS 2000 2001 2002 2003 860 808 1228 1307 2004 1349 TOTAL 5552 Na análise bibliométrica da Unesp, foram englobados os resultados de todos os seus institutos e analisados a soma de todos os seus artigos publicados nas revistas que são indexadas pela Web of Science. Através dos resultados, pode-se verificar que a Unesp obteve um aumento de publicações científicas nas revistas indexadas pelo ISI entre os anos de 2000 a 2003, representando um crescimento de 41,33% de sua produção. Em 2000, foram contabilizados 929 registros, e em 2003, 1313 (vide gráfico 1). No entanto, em 2004, apesar de ter entrado na base 1349 artigos, apenas 976 foram 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 30 20 10 0 -10 -20 -30 2000 2001 Total publicações 2002 2003 Taxa de crescimeto (%) Nº de publicações publicados neste ano, ocasionando uma queda de 25,67% em relação a 2003. 2004 Taxa de crescimento (acumulado) Gráfico 1 - Evolução e taxa de crescimento anual do número de publicações da UNESP A base de dados do ISI classifica as áreas do conhecimento em 22 classes. Assim sendo, pode-se verificar que as publicações da Unesp se 10 concentram principalmente nas áreas de Medicina2 (23%), Botânica e Zoologia (18%), Física (16%), Química (9%) e Biologia e Bioquímica (6%), conforme mostra o gráfico 2. Além disso, ressalta-se o crescimento do número de publicações nas áreas de Geociências (129%), Biologia e Bioquímica (119%), Engenharia (104%) e Ciências Agrárias (83%) e um decréscimo nas áreas de Medicina (-49%), Matemática (-42%), Ecologia (-22%), Biologia 150 25 125 20 100 15 75 10 50 5 25 0 0 % publicações Outras Geociências Matemática Ecologia Neurociências/Comport. Microbiologia Farmacologia/Toxicol. Biol.Molecular/Genética Ciências Agrárias Engenharia Ciência Materiais Biologia/Bioquímica -50 Química -10 Física -25 Botânica/Zoologia -5 Taxa de crescimento (%) 30 Medicina Publicações (%) Molecular/Genética e Física, ambas com –20%. Taxa de crescimento (acumulado) Gráfico 2 - Distribuição porcentual do número de publicações da Unesp e taxa de crescimento, por áreas do conhecimento - 2000-2004 (acumulado). 2 A Medicina, termo utilizado por Gregolin (2005), engloba outras áreas da Ciência Médica, tais como, a Odontologia. 11 Muitos artigos são publicados em conjunto, ou seja, a Unesp publica com outros institutos, com outras universidades, com outras entidades, com outras cidades e com outros países. Como a base de dados do ISI é americana e o maior número de artigos pertencem aos Estados Unidos, ele aparece como o maior colaborador internacional da Unesp, em torno de 25,53% de toda a contribuição internacional (vide gráfico 3). Mas também, pode-se destacar a colaboração com a França (7,85%), Inglaterra (6,22%), Canadá (5,94%) e Espanha (5,87%), que juntos somam 25,88%, ultrapassando o percentual dos Estados Unidos. Estados Unidos 361 111 França Inglaterra 88 Canadá 84 Espanha 83 Alemanha 71 Italia 70 Portugal 48 Russia 48 40 Japão 0 50 100 150 200 250 300 350 400 Gráfico 3 - Número de publicações dos 10 principais países que colaboram com a Unesp Através do próximo gráfico (4), que mostra as 10 cidades que mais possuem artigos da Unesp, pode-se observar que São Paulo aparece com o maior número de registros. Em seguida, destacam-se as cidades de Araraquara e Botucatu, cada uma contendo quatro institutos da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Além delas, há mais quatro cidades que possuem campus da Unesp: Jaboticabal, Rio Claro, São José do Rio Preto e São José dos Campos. As cidades de São Carlos, Campinas e Ribeirão Preto, possuem grande colaboração com a universidade pesquisada. 12 São Paulo 2222 Araraquara 1097 Botucatu 900 Jaboticabal 497 Rio Claro 481 São Carlos 452 Campinas 327 São José do Rio Preto 294 São José dos Campos 215 Ribeirão Preto 205 0 500 1000 1500 2000 2500 Gráfico 4 - Número de publicações das 20 principais cidades que publicam e colaboram com a Unesp O Instituto de Física Teórica de São Paulo foi o que obteve a maior quantidade de artigos (vide gráfico 5), porém, houve um decréscimo de 20% em suas publicações entre 2000 e 2004. Em seguida, tem-se o Instituto de Química de Araraquara, a Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias de Jaboticabal, os Institutos de Biociências de Rio Claro e Botucatu, e somente em sexto lugar aparece a Faculdade de Medicina de Botucatu, sendo que todos apresentaram crescimento no número de publicações durante o período analisado, destacando o Instituto de Biociências de Rio Claro com 70%. A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação de Bauru e o Instituto de Artes de São Paulo não publicaram nenhum artigo na Web of Science no período analisado. Além desses, a Faculdade de História, Direito e Serviço Social de Franca, a Faculdade de Filosofia e Ciências de Marília e as Faculdades de Ciências e Letras de Assis e Araraquara, todas da área de Humanas, aparecem 13 nas últimas posições, confirmando que a publicação de artigos da Unesp em periódicos indexados na base de dados do ISI nesta área é menor. 834 São Paulo-IFT 809 Araraquara-IQ 541 Jaboticabal-FCAV 392 Rio Claro-IB Botucatu-IBB 376 Botucatu-FM 364 OUTROS 358 Araraquara-FOAR 310 São José do Rio Preto-IBLCE 309 239 Botucatu-FMVZ 210 São José dos Campos-FOSJC 173 Araçatuba-FOA Botucatu-FCA 140 Araraquara-FCFAR 138 Guaratinguetá-FEG 136 Rio Claro-IGCE 129 Bauru-FC 119 98 Ilha Solteira-FEIS 63 Presidente Prudente-FCT Araraquara-FCLAR 21 Assis-FCL 20 Bauru-FEB 11 Marília-FFC 6 Sorocaba/Registro-UD 6 São Vicente 4 Franca-FHDSS 1 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 Gráfico 5 - Número de publicações dos institutos da Unesp 14 CONCLUSÃO A análise bibliométrica da produção científica da Unesp no período de 2000 a 2004 possibilitou identificar a sua evolução e seu crescimento anual, as áreas em que mais se publicam, as cidades e os países que mais colaboram, além de uma análise de seus institutos. Dessa forma, comparando-se o número de artigos de 2000 a 2003 foi possível verificar um aumento a cada ano, representando um crescimento de 41,33% neste período. No entanto, em 2004 a quantidade de publicações caiu 25,67% em relação a 2003. No que se refere às áreas do conhecimento, as publicações da Unesp se concentram principalmente em Medicina, Botânica e Zoologia, Física, Química e Biologia/Bioquímica. Desta forma, verificou-se que a área de Ciências Biológicas é a que possui maior número de artigos da Unesp indexados na Web of Science. Analisando os países, os Estados Unidos aparece como o maior colaborador da Unesp. Isso pode ser explicado por ele ser o país que possui o maior número de registros indexados na Web of Science. Além dele, destacam-se também a França, a Inglaterra, o Canadá e a Espanha. Na análise das cidades, São Paulo aparece como principal publicadora, seguida de Araraquara, Botucatu, Jaboticabal e Rio Claro. Nestas cidades estão os institutos que mais publicam artigos pela Unesp: o Instituto de Física Teórica de São Paulo, o Instituto de Química de Araraquara, a Faculdade de Ciências Agrárias de Jaboticabal, o Instituto de Biociências de Rio Claro e Botucatu e a Faculdade de Medicina de Botucatu. Também destacam-se as cidades de São Carlos, Campinas e Ribeirão Preto, que possuem grande colaboração com as publicações da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho. 15 REFERÊNCIAS GREGOLIN, J. A. R. (Coord.). Análise da produção científica a partir de Indicadores Bibliométricos. In: FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – FAPESP. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo – 2004. São Paulo: FAPESP, 2005. cap. 5, p.5-1 – 5-44. LETA, J.; CRUZ, C. H. B. A produção científica brasileira. In: VIOTTI, E. B.; MACEDO, M.M. (Org.). Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. cap. 3, p. 125-168. MENEGHINI, R. (Coord.). Produção Científica. In: FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – FAPESP. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação em São Paulo – 2001. cap. 6, p.6.1-6.22. Disponível em: <http://www.fapesp.br/indct/cap06/cap06.htm>. Acesso em: 25 mar. 2005. OKUBO, Y. Bibliometric indicators and analysis of research systems: methods and examples. Paris: OECD, 1997. 69 p. (STI Working Papers, 1997/1). TARGINO, M. G.; GARCIA, J. C. R. Ciência brasileira na base de dados do Institute for Scientific Information (ISI). Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p. 1-20, jan./abr. 2000. TESTA, J. A base de dados ISI e seu processo de seleção de revistas. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, p. 233-235, maio/ago. 1998. UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” – UNESP. Disponível em: <http://www.unesp.br>. Acesso em 12 mar. 2005.