Organização Marilene de Sá Cadei Ana Maria de Almeida Santiago Formando elos de cidadania Livro do Estudante 2ª edição GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Governador Sérgio Cabral Vice-governador Luiz Fernando de Souza Pezão Secretária de Estado do Ambiente Marilene Ramos Superintendente de Educação Básica Maria Lúcia Castello Branco Vice-presidente Administrativo Elder Lugon Subsecretária de Política e Planejamento Ambiental Elizabeth Cristina da Rocha Lima Diretora Geral de Programas e Projetos Magda Elaine Sayão Capute Diretora de Desenvolvimento Educacional Leila Gelelete Bandeira Antunes Coordenadora Estadual de Educação Ambiental Deise Keller Cavalcante Coordenador do Programa Márcia Cristina Pinheiro Farenazo Superintendente de Educação Ambiental Lara Moutinho da Costa Coordenação de Educação Ambiental no Ensino Formal Andréa Bello Supervisão Maria Inês Pinto de Souza Secretário de Ciência e Tecnologia Alexandre Aguiar Cardoso Secretária de Estado da Educação Tereza Porto Subsecretária de Gestão da Rede e de Ensino Teresa Cozetti Pontual Subsecretários Luiz Edmundo Horta Barbosa Costa Leite Julio Oscar Lagum Filho UERJ – Reitor Ricardo Vieiralves de Castro Sub-reitoria de Graduação Lená Medeiros de Menezes Sub-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa Monica da Costa Pereira Lavalle Heibron Presidente da Faetec Celso Pansera Vice-presidente Educacional Maria Cristina Lacerda Silva Sub-reitoria de Extensão e Cultura Regina Lúcia Monteiro Henriques FUNDAÇÃO Ç CECIERJ Presidente MATERIAL DIDÁTICO Masako Oya Masuda Coordenação de Desenvolvimento Instrucional Vice-presidente de Educação Superior a Distância Cristiane Brasileiro Coordenação de Produção Tereza Queiroz Copidesque Tereza Queiroz / Patrícia Paula Mirian Araujo Carlos Crapez Projeto Gráfico e Capa Katy Araujo Desenvolvimento Instrucional Vice-presidente de Divulgação Científica Mônica Dahmouche Aline Ferrari Gustavo Tarcsay Romulo Siqueira-Batista Diagramação Patricia Seabra / Katy Araujo Ilustração André Dahmer Revisão Anna Maria Osborne Paulo Cesar Alves FINANCIAMENTO Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM) E24e Educação ambiental e Agenda 21 escolar: formando elos de cidadania: livro do estudante. / Marilene de Sá Cadei (Org.). – 2.ed. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 118p.; 19 x 26,5 cm. ISBN: 978-85-7648-665-7 1. Meio ambiente. 2. Agenda 21. 3. Educação ambiental. 4. Ecossistemas. I. I. Cadei, Marilene de Sá. II. Título. CDD: 333.7 Sumário Aula 1 – Que curso é esse? ..................................................................................................... 9 Marilene de Sá Cadei Aula 2 – Juventude e participação ......................................................................................19 Alex Barroso Bernal / Marilene de Sá Cadei Aula 3 – Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso?.....................................29 Ana Maria de Almeida Santiago / Gilcélia Cristina de Magalhães Bastos Aula 4 – Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! .....45 Márcia Rolemberg / Néri Olabarriaga Aula 5 – Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise ........................................55 Ronaldo Pimenta de Carvalho Junior Aula 6 – Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano ............................73 Leonor Ribas / Carla Conde / Marcelo Neto Galvão / Marilene de Sá Cadei Aula 7 – A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade..............................87 Ana Maria de Almeida Santiago Aula 8 – Em busca da sustentabilidade: os marcos legais.................................................99 Jacqueline Bento Marques Pereira / Ana Maria de Almeida Santiago Aula 9 – Ainda com a mão na massa: construindo projetos de intervenção................. 111 Ana Maria de Almeida Santiago / Gilcélia Cristina de Magalhães Bastos Caros educadores e educandos, B em-vindos ao Curso de Form-Ação em Educação Ambiental e Agenda 21 na Escola: Formando elos de cidadania, a distância, financiado com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental – Fecam. Este curso chega para vocês, professores, alunos, diretores, coordenadores acadêmicos, animadores culturais, entre outros agentes educadores públicos, dentro de um contexto de descentralização da gestão ambiental do Estado do Rio de Janeiro e visa atender a duas demandas importantes: 1) desenvolvimento de uma política de formação continuada do professor, que é a segunda demanda nacional da categoria. 2) qualificação das comunidades locais para a participação na gestão ambiental e para o exercício do controle social, de modo a atender o disposto no Art 225 da Constituição Federal, nas Leis Federal nº 9.795/99 e Estadual nº 3.225/99, que estabelecem respectivamente as Políticas federal e estadual de educação ambiental. Tais demandas se materializaram no Programa Agenda 21 na Escola: Formando Elos de Cidadania, lançado em abril de 2007, e desenvolvido em parceria entre as Secretarias de Estado do Ambiente, Educação e de Ciência e Tecnologia, sendo na Fase I executado pela UERJ e o Coletivo Jovem do Rio de Janeiro, e agora na Fase II pela UERJ e pelo CEDERJ. O Programa Formando Elos de Cidadania tem como objetivos: 1. levar a temática ambiental e de desenvolvimento para dentro da escola, em sua relação com a comunidade, contextualizando histórica e localmente os temas abordados; 2. qualificar professores e alunos (com reflexo na comunidade escolar) para a participação na vida pública e para o exercício do controle social; 3. mobilizar a comunidade escolar para a formação de parcerias com a comunidade do entorno da escola, a vizinhança, para a construção coletiva de projetos e ações de intervenção local, de modo a apoiar a gestão ambiental, o desenvolvimento local, a conservação do ambiente e a promoção de sociedades participativas, justas e sustentáveis; 4. formar os ELOS-21 nas escolas: Espaços Livres de Organização de Ações Socioambientais, espécie de centros/núcleos/locais de aglutinação e irradiação de iniciativas, projetos e pessoas. O programa segue a linha metodológica “Educação no Processo de Gestão Ambiental”1 e utiliza o espaço da gestão ambiental como espaço pedagógico de aprendizagem e a Agenda 21 na escola como instrumento de educação ambiental e prática de cidadania, promovendo, no processo, a análise crítica (historicizada e politizada) da realidade. Tem como premissas básicas que: • o acesso e uso dos recursos ambientais na sociedade é conflituoso (cheio de disputas, tensões e problemas); • a Gestão Ambiental é um processo de mediação de interesses e conflitos, uma vez que a distribuição dos custos e benefícios dos usos dos recursos naturais na sociedade é feita de maneira desigual, assimétrica, não sendo isso evidente; • a noção de sustentabilidade está na base da gestão ambiental, porém o que é sustentável para um grupo social pode não ser para outro; • as soluções para os problemas/tensões e conflitos encontrados muitas vezes não são técnicas e individuais, mas políticas e coletivas; • a participação e o controle social na gestão ambiental dependem da superação de assimetrias. Assim, o programa visa criar as condições para a participação social de forma permanente, responsável e politizada nos processos decisórios, sobre o acesso e uso dos recursos ambientais, realizando processos educativos com grupos sociais diretamente afetados pelas atividades de gestão ambiental – no caso a comunidade escolar em associação com sua vizinhança – para que possam desenvolver os talentos e as habilidades necessárias para o exercício do controle social, expressos através do monitoramento da qualidade do ambiente no qual estão inseridos, acompanhamento e controle dos recursos públicos e investimentos feitos, geração e execução de políticas públicas, entre outros. Buscamos com isso desenvolver um ambiente de exercício da criatividade voltada para a conservação do ambiente, desenvolvimento social, prática cidadã, justiça social e participação jovem. 1 Desenvolvida pela CGEAM/IBAMA. O que se produz é uma Agenda de compromissos e prioridades, transformadas em ações e projetos com objetivos, metas e resultados alcançáveis a curto, médio e longo prazos. Estamos felizes que vocês tenham aceitado este convite! Sabemos que se trata de um desafio para a escola como instituição, mas principalmente para cada ator envolvido no processo de ensino-aprendizagem, pois o curso fará com que repensemos o tempo todo nossas práticas pedagógicas cotidianas, as relações e os espaços existentes ou não dentro dela. E mais, nos impulsionará para a ação aprofundando em cada um o desejo de participar da construção do hoje e do amanhã da história da nossa comunidade, da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país. E mãos à obra! Lara Moutinho da Costa Superintendente de Educação Ambiental Secretaria de Estado do Ambiente Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Que curso é esse? Marilene de Sá Cadei 1 10 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Apresentar aos cursistas o Curso de Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: Formando elos de cidadania a distância. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de identificar 1. as metas e os objetivos gerais do curso; 2. a metodologia adotada; 3. os diferentes componentes da equipe pedagógicaadministrativa e suas funções; 4. as principais ações e os compromissos a serem assumidos pelas unidades escolares participantes e pelos cursistas. PRÉ-REQUISITOS Muita vontade de estudar e de desenvolver, de forma coletiva, ações socioambientais locais. Aula 1 Que curso é esse? Introdução E sta é a primeira aula do Curso de Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: Formando elos de cidadania, a distância, para os estudantes. O curso que você está iniciando tem como meta qualificar mil professores e profissionais da Educação Básica e mil estudantes da rede pública para o planejamento e o desenvolvimento da Agenda 21 Escolar e de projetos de intervenção em Educação Ambiental. Para trabalhar com esse público, o curso foi dividido em duas modalidades: uma voltada para a formação de estudantes e outra para a formação de professores e profissionais da Educação. Você imagina por que decidimos organizar um curso envolvendo professores, profissionais da educação e estudantes? A resposta é simples: a construção de uma Agenda 21 Escolar e de projetos de intervenção exige que todos os envolvidos tenham uma formação capaz de possibilitar o desenvolvimento dessas atividades de forma coletiva, crítica e participativa. A ideia é que, a partir deste curso, seja possível incentivar, em cada uma das quinhentas escolas participantes, a formação de um grupo de professores, profissionais da educação e estudantes elaboração e de desenvolvimento de uma AGENDA 21 Escolar de acordo com o contexto (histórico, social, ambiental etc.) do local. Para que isso ocorra, deverá ser criado, em cada unidade escolar, um Espaço Livre de Organização de Ações Socioambientais (ELO-21), que visa garantir ao grupo responsável pela Agenda 21 Escolar um espaço físico, ou mesmo “virtual”, que facilite a elaboração e a implementação das suas propostas. AGENDA 21 Documento oriundo da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio-92) que apresenta os compromissos assumidos por membros da comunidade internacional para a mudança do padrão de desenvolvimento no século XXI. É importante você saber que o ELO-21 não necessita de um espaço fixo para funcionar. Ele é muito mais o grupo que o compõe do que o local em que o grupo se reúne. Por isso, ele sempre estará onde o grupo estiver reunido, trabalhando: na sala de professores, no refeitório, na sombra da árvore do pátio da escola, no salão da igreja, na varanda da casa de um funcionário ou aluno etc. At ção Atenção comprometidos em iniciar um movimento coletivo e participativo de 11 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania O curso também pretende auxiliar na elaboração e no desenvolvimento de Agendas 21 Escolares e de projetos de intervenção (planos de ação) que considerem as características e as necessidades do entorno da unidade escolar e da bacia hidrográfica em que cada um dessas unidades está inserida. Veja as bacias hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro consultando a página da Rede LabGeo.RJ: http://200.156.34.70/website/mapas/estadual/ viewer.htm M tim ia Multimídia 12 Para que você possa aproveitar ao máximo esse curso, iremos, ao longo das diferentes aulas: • apresentar e discutir diferentes legislações e temas (conteúdos); • debater e vivenciar diferentes técnicas e metodologias; • observar, descrever e analisar situações reais do cotidiano e os ambientes em que se localizam; • propor ações coletivas de intervenção local. Como você já deve estar percebendo, o curso exigirá de você muita leitura e atenção, mas, principalmente, ação. Por isso, contamos que a vontade de estudar, pesquisar, observar, ver, olhar, sentir, escutar, emocionar-se, questionar, querer, sonhar, mudar e viver se instale em cada um nós e contagie a todos e todas que de nós se aproximem. E então, vamos começar? Como tudo começou? Era uma vez... Era uma vez um grupo de profissionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) que, convidados pela Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), se reuniu para pensar uma forma de organizar um curso de formação em Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar para professores, profissionais da educação e estudantes da rede pública de ensino. Aula 1 Que curso é esse? O grupo, juntamente com a SEA, escolheu inicialmente as unidades de ensino médio e de jovens e adultos para desenvolver o curso. Você pode imaginar o motivo pelo qual a participação de pessoas como você foi privilegiada? Isso aconteceu por duas boas razões: • por considerar que a faixa etária em que se encontram os estudantes seria a mais adequada para o incentivo ao JUVENIL PROTAGONISMO e o desenvolvimento de um curso nos moldes propostos; • por se constatar que vários cursos e programas estaduais e federais têm sido direcionados mais especificamente aos estudantes do Ensino Fundamental, o que tem deixado uma lacuna a ser preenchida em relação aos professores, profissionais da educação e estudantes do Ensino Médio e de Jovens e Adultos. Atualmente, o curso foi ampliado e também está atendendo a estudantes do ensino fundamental. A esta altura, você deve estar se perguntando: “Mas por que um curso a distância?” A escolha da EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) para o desenvolvimento desse curso baseou-se no fato da possibilidade de professores, profissionais da educação e estudantes poderem participar do curso sem terem de se deslocar de suas localidades. Agora que você já começou a entender mais sobre a ideia do curso, PROTAGONISMO JUVENIL De acordo com a Secretaria da Educação e Cultura do Estado do Tocantins, essa expressão “significa, tecnicamente, o jovem participar como ator principal em ações que não dizem respeito apenas à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem-comum na escola, na comunidade ou na sociedade”. Fonte: http://www. seduc.to.gov.br/index. php?option=com_ content&task= view&id=714 deve estar com um monte de perguntas na cabeça, certo? Então, leia atentamente as respostas adiante e verifique se ainda restou alguma dúvida. Quem montou esse curso? Para este curso se tornar realidade foi preciso contar com o trabalho de muitas pessoas, instituições e secretarias. Pelos nomes, você já pode ter uma ideia da competência do trabalho: Secretaria de Estado do Ambiente (Superintendência de Educação Ambiental); Secretaria EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) Processo de ensinoaprendizagem em que, devido à separação espacial e temporal existentes entre os professores e os alunos, necessita especialmente da mediação de materiais, como livros, roteiros, programas de rádio etc., e/ ou de novas tecnologias, como a “internet”. de Estado de Educação (Coordenação de Educação Ambiental); Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia; Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e Fundação Centro de Ciências em Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (CECIERJ/Consórcio CEDERJ), Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM) e Coletivo Jovem do Meio Ambiente (CJ-RJ). 13 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Para escrever as aulas do curso, foram convidados especialistas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e de outras universidades, instituições e órgãos parceiros. Na verdade, muitos profissionais trabalharam e ainda vão continuar trabalhando para que você possa realizar o curso: técnicos de informática, diagramadores, revisores e avaliadores de textos, ilustradores, tutores, contadores, auxiliares administrativos etc. Para que essas pessoas e entidades pudessem trabalhar, recursos financeiros e muitos equipamentos também estão sendo utilizados para dar a você e aos outros cursistas as melhores condições possíveis de estudo. Como você pode perceber, um grande investimento está sendo feito apostando na qualidade deste curso; portanto, aproveite a oportunidade e estude muito. Então, estude e participe pra valer! Quem são os outros cursistas? O curso está atendendo a profissionais da educação, a professores de diferentes áreas de ensino e a estudantes de unidades escolares da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro e da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec). São unidades escolares de todas as regiões do Estado do Rio de Janeiro, reunidas em polos distribuídos pelas diferentes regiões. De cada unidade escolar inscrita no curso participam dois estudantes e dois professores e/ou profissionais da educação. Como será a estrutura do curso? O curso será estruturado por um modelo semi-presencial, isto é, terá encontros presenciais em polos que serão divulgados posteriormente e aulas e atividades a distância. Você poderá ver os polos do curso e os municípios que integram cada polo no sitee da Secretaria de Estado do Ambiente (http://www.semadur. rj.gov.br), no site do Centro de Produção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (http://www.cepuerj.uerj.br/) e na página do curso (http:// plat-srv6.cederj.edu.br/sisinsc). M ti dia Multimídia 14 Programe-se! Seu curso terá um total de 60 horas de aulas: sendo 35 horas a distância e Atenção te ão Aula 1 Que curso é esse? 25 horas presenciais. Os conteúdos desenvolvidos a distância estarão disponíveis sob a forma de aulas na Plataforma do CEDERJ e em materiais instrucionais impressos, como este que você está lendo agora. Três oficinas e diferentes atividades práticas compõem a parte presencial do curso. Elas destinam-se a propiciar aos cursistas subsídios teóricos e práticos voltados para • o uso da plataforma do CEDERJ e de equipamentos de informática; • o diagnóstico da realidade local; • a elaboração da Agenda 21 Escolar; • a criação de um Espaço Livre de Organização de Ações Socioambientais Locais (ELO-21); • o desenvolvimento coletivo de um projeto de intervenção em Educação Ambiental. Todos os cursistas serão acompanhados a distância pelos coordenadores do curso, pelos professores (conteudistas) responsáveis pela produção das aulas e por uma equipe de tutoria. Cada polo ficará sob a responsabilidade de um tutor. Este profissional, além de orientar e tirar dúvidas sobre os conteúdos e as atividades desenvolvidas, terá a função de estabelecer um elo entre todos os cursistas e a equipe de coordenação do curso. Além dos tutores dos polos, os estudantes serão acompanhados a distância por dois tutores jovens, integrantes de um grupo denominado Coletivo Jovem de Meio Ambiente, ou o “CJ”, como é mais conhecido. Nas próximas aulas, você saberá mais sobre esse grupo e também sobre como poderá integrá-lo. Os encontros presenciais serão marcados no calendário entregue pela coordenação do curso e realizados no polo do curso a que a sua unidade escolar estiver ligada. Nesses encontros, os estudantes serão orientados por docentes integrantes do CJ. Para não se perder no meio de tantas informações, você deverá seguir um guia de estudos, que será fornecido pelos tutores. Seguindo-o, você organizará o seu tempo para estudar as aulas e desenvolver as atividades propostas dentro dos prazos estipulados. 15 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania No guia de estudos, você também encontrará as orientações sobre como desenvolver as ativ-Ações. Não sabe o que é isso? Achou que a palavra foi digitada de forma errada? Calma, já iremos explicar! O nome “ativ-Ação” significa “atividade de observ-Ação e particip-Ação local”. A palavra “Ação” aparece em destaque para ressaltar que nesse tipo de atividade você deverá colocar em prática (em ação) os conteúdos apresentados nas aulas. E a avaliação? Bem, todos os cursistas serão avaliados por meio de atividades a distância e de atividades presenciais. a. Atividades de avaliação a distância – relatórios das ativ-Ações Em períodos predeterminados, uma atividade prático-teórica denominada ativ-Ação deverá ser realizada coletivamente (professores, profissionais da educação e estudantes). A ativAção deverá ser postada ou enviada pela plataforma ou por e-maill (a combinar) dentro do prazo previsto pela coordenação do curso. As ativ-Ações serão avaliadas pelos docentes responsáveis pelas aulas, pelos tutores e/ou pela coordenação. b. Atividades de avaliação presencial Englobam participação nas atividades propostas nos encontros (oficinas) presenciais e posterior relatório das atividades. c. Projeto de Intervenção em Educação Ambiental que contemple uma das questões destacadas na Agenda 21 Escolar. Os cursistas não serão os únicos avaliados. A avaliação abrangerá os materiais didáticos, a plataforma, a metodologia utilizada, as atividades propostas, os tutores, os conteudistas, os coordenadores etc. Todos serão avaliados e também terão a oportunidade de avaliar. At çã Atenção 16 Aula 1 Que curso é esse? Mas o que embasa toda essa proposta? Você já deve ter percebido que a proposta de curso que estamos apresentando se diferencia de muitos outros cursos existentes. Nós estamos investindo num curso que adota uma teoria e uma prática voltadas para dar poder e autonomia à comunidade escolar, no sentido de transformar a escola num espaço politizado – nunca neutro, pois acreditamos que essa dita “neutralidade” não existe. Nesse espaço escolar, esperamos que as pessoas sejam capazes de produzir e irradiar informações e ações voltadas para a busca por soluções coletivas para os problemas socioambientais existentes. Para que isso possa se transformar em realidade, estamos defendendo a necessidade da construção coletiva de uma Agenda 21 Escolar e do desenvolvimento de projetos de intervenção em Educação Vale ressaltar, contudo, que não estamos falando de qualquer tipo ou categoria de Educação Ambiental, mas de uma Educação Ambiental que seja comprometida com a transformação da realidade visando à At çã Atenção Ambiental que contemplem as questões mais relevantes da Agenda. sustentabilidade socioambiental. Adotamos uma Educação Ambiental que, apoiada numa vertente crítica, busca a transformação da realidade socioambiental por intermédio de observação, questionamento, análise e avaliação da realidade, participação crítica e ativa na busca por soluções socialmente justas e ambientalmente sustentáveis, ações coletivas que abarquem todos os indivíduos e grupos envolvidos e a construção de novos modos de ser, de ter, de utilizar e de se relacionar consigo mesmo, com o outro e com o ambiente. Depois disso, será que ainda falta explicar mais alguma coisa? Com certeza ainda tem muito a ser dito... No entanto, que tal terminarmos este papo inicial e começarmos logo o curso? Durante as aulas, você ainda terá muitas formas de tirar as dúvidas e não faltarão pessoas para ajudá-lo, pois o que mais desejamos é vê-lo estudando tranquilo e realizando todas as atividades propostas. Bom curso! 17 18 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Informação sobre a próxima aula Na próxima aula, você saberá mais sobre a participação da juventude nas questões socioambientais. Até lá! Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Juventude e participação Alex Barroso Bernal Marilene de Sá Cadei 2 20 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Ressaltar a importância da participação ativa e crítica dos jovens na resolução das questões socioambientais, por meio das entidades de representação estudantil, dentro e fora dos muros escolares. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. identificar a origem, o funcionamento e os objetivos do Coletivo Jovem de Meio Ambiente; 2. identificar a importância e o papel das entidades representativas estudantis; 3. reconhecer a importância e participar da criação ou da melhoria de grêmios escolares. Aula 2 Juventude e participação Introdução V ocê já deve ter reparado que vivemos muitas situações difíceis e degradantes: crescimento da violência urbana e no campo, desemprego, poluição atmosférica, contaminação das águas, aumento da população que vive nas ruas etc. As cidades estão cada vez mais sujas e com maior índice de poluição e desmatamento. Também é possível perceber que não só a Natureza vem sendo degradada, mas o próprio ser humano vem sendo alvo de exploração e descaso. Os jovens precisam, então, se unir e lutar contra todas essas injustiças. Por isso, você está sendo convidado a participar dessa luta, que já vem sendo travada por muitos adultos e jovens em todo o país. E os Coletivos Jovens de Meio Ambiente são alguns dos grupos que vêm atuando nesse sentido. Ao longo desta aula, você vai saber mais sobre esses grupos. Vamos lá? Coletivo Jovem de Meio Ambiente Como já foi dito na aula anterior, diferentes instituições, órgãos e profissionais se reuniram para colocar este curso em funcionamento. Entre eles, o Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Bem, como o nome sugere, esse é um grupo formado por jovens que buscam envolver-se com a questão ambiental e desenvolver atividades relacionadas à melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida em nossa região. Para isso, contamos com uma forte aliada: a Educação Ambiental! Existem Coletivos Jovens de Meio Ambiente como este, chamados de CJs, em todos os Estados do país. Como somos o Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, somos também Fale com a gente! Se você quiser entrar em contato diretamente conosco, acesse o endereço [email protected]. Acesse também nossos endereços de BLOG e NING: http://coletivojovemdemeioambienterj.blogspot.com/ e http:// cjriodejaneiro.ning.com/ M tim ia Multimídia conhecidos como CJ-RJ. 21 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A origem do CJ O CJ-RJ, assim como a maioria do demais CJs existentes no país, surgiu como uma forma de integrar a juventude no processo de construção da I Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente – I CNIJMA, que ocorreu em 2003. Complicou demais? Calma, vamos esclarecer. Em 2003, por meio de um Programa chamado Vamos Cuidar do Brasill com as Escolas, realizou-se a I CNIJMA, com o objetivo de mostrar o que alunos da rede pública e privada pensavam e queriam para o Brasil. Nesse processo, as escolas de todo o país foram incentivadas a realizar conferências de meio ambiente para discutir questões socioambientais. O objetivo era que alunos e familiares, professores e funcionários pudessem contribuir para solucionar problemas locais, além de apontar propostas e demandas em nível nacional. Foram eleitos, então, alunos de diversas escolas para representarem, na qualidade de delegados e delegadas, seus Estados no encontro nacional. Para que os jovens pudessem participar mais ativamente da organização da Conferência foram formados os Conselhos Jovens de Meio Ambiente, que posteriormente passaram a se chamar Coletivos Jovens de Meio Ambiente. Assim, como fechamento desse processo, crianças e jovens de todo o Brasil estiveram reunidos em Brasília no ano de 2003. O mesmo processo renovou-se em 2005 e 2009. Desde então, os diversos CJs vêm desenvolvendo uma série de trabalhos e parcerias para atuar em questões socioambientais locais, regionais e nacionais. Esses coletivos atuam como redes locais para articular pessoas e organizações e fazer circular informações de forma ágil. Buscam, sobretudo, pensar criticamente o mundo em que vivemos, planejando e desenvolvendo ações e projetos e produzindo e disseminando propostas que apontem para sociedades mais justas. Você já parou para pensar no poder que têm os jovens? Na época da ditadura militar (décadas de 1960, 1970 e 1980), quando os militares impuseram um regime autoritário no Brasil, foram os jovens que protestaram com mais força contra esse regime, tendo sido decisivos para a volta da democracia. Já na década de 1990, quando se comprovou que o então presidente da República vinha cometendo uma série de atos de corrupção, novamente os jovens foram à rua, pintaram suas caras, protestaram e contribuíram para mudar a situação vigente. C iosida Curiosidade 22 Aula 2 Juventude e participação Os princípios do CJ A publicação Juventude, Cidadania e Meio Ambiente: subsídios para a elaboração de políticas públicass (MEC e MMA, 2006) descreve três princípios que devem orientar as ações dos CJs. Fique ligado nesses princípios, pois eles podem ser estendidos a qualquer tipo de organização de juventude. São eles: • Jovem educa jovem • Jovem escolhe jovem Para saber mais sobre esses princípios, acesse o sitee portal.mec.gov.br/ secad/arquivos/pdf/educacaoambiental/jcambiente.pdf. Nesse endereço, você poderá baixar a publicação que foi citada anteriormente! M tim ia Multimídia • Uma geração aprende com a outra Cabe, ainda, salientar que esses princípios não pressupõem o isolamento dos jovens no seu “próprio mundo”, mas ressaltam a relevância do diálogo e da parceria entre pessoas de todas as faixas etárias, até porque não se pretende que os jovens se afastem de organizações sociais do chamado “mundo adulto”, mas sim que sejam fortalecidas as interações e as parcerias entre as pessoas e as instituições. Os CJs e o funcionamento em rede É essencial dizer que os CJs têm uma forma de atuação e organização que difere da maioria das outras instituições e grupos. É que atuamos em rede e nos organizamos sem hierarquia! O que isso quer dizer? Significa que os CJs de todo o Brasil vêm construindo uma forma de se articular que rompe com modelos tradicionais marcados por forte hierarquia e centralização de poder e informação. Os CJs do país se relacionam em rede, buscando apoiar-se mutuamente, desenvolvendo parcerias e ações. 23 Que tal acessar a REJUMA? Os CJs configuram uma rede nacional que é conhecida como Rede da Juventude pelo Meio Ambiente (REJUMA). O endereço eletrônico da REJUMA é www.rejuma.org.br. M timídia Multimídia Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Portanto, o CJ do Rio de Janeiro se comunica constantemente com o CJ do Acre, que se comunica com o CJ do Rio Grande do Sul e assim por diante, estabelecendo uma rede de cooperação no nível nacional. Motivos pelos quais o CJ se organiza assim: • organizar-se em rede significa democratizar o acesso à informação, dando o mesmo poder a todos os indivíduos; • os diversos elementos estabelecem conexões diretas, aumentando a capacidade de comunicação e atuação; • as redes são abertas, ou seja, permitem que indivíduos entrem e saiam espontaneamente. • esse tipo de estrutura é uma forma por meio da qual todos os indivíduos podem contribuir e construir coletivamente. Assim são os CJs! Qualquer pessoa pode entrar e sair na hora que quiser. No entanto, na medida em que a pessoa entra para um CJ, ela tem acesso a todos os seus conteúdos e projetos, sendo igualmente mais um membro do CJ, com os mesmos deveres e direitos que os membros mais antigos. Alex Bernal 24 Figura 2.1: Organização em rede. Aula 2 Juventude e participação É fácil notar que uma organização em rede permite mais conexões, certo? É por isso que os jovens vêm buscando se unir dessa forma. Assim, somos mais solidários, dando as mãos para nos fortalecer. Juventude e movimento estudantil A primeira coisa que você poderia pensar ao ler esse título é: “O que é o movimento estudantil?” De acordo com a Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social, o movimento estudantil é um movimento social que atua na educação, no qual os sujeitos são os próprios estudantes. Ele se caracteriza por ser um movimento de diferentes classes sociais e constantemente renovado – pelo fato de os estudantes passarem poucos anos na instituição de ensino. Se você conversar com seus professores, principalmente os de História e de Sociologia, ou se consultar alguns livros dessas áreas, verificará que os jovens sempre lutaram por espaço e A história do movimento estudantil brasileiro Para ler mais sobre o assunto, entre na internet e visite a página Memória do Movimento Estudantil e da União Nacional dos Estudantes nos seguintes endereços eletrônicos: http://www.mme.org.br/main. asp?ViewID={017C677B-B51B-4952-8C5E-89EC5C37A9D0} e M im a Multimídia mudanças dentro e fora da escola. http:// www.une.org.br No entanto, para que haja mobilização, é necessário que os estudantes se organizem e formem um coletivo capaz de reivindicar mudanças, denunciar abusos e omissões, empreender ações etc. Você, então, poderia perguntar: como é que os estudantes vêm se organizando para isso? Ah! Boa pergunta! Vamos entender um pouco mais sobre as organizações estudantis... Existem várias organizações e grupos que se propõem a agrupar os estudantes, defender seus interesses e dirigir as lutas estudantis. São importantes entidades representativas dos estudantes: • União Nacional dos Estudantes (UNE) – Existe há cerca de 70 anos e representa todos os cursos e faculdades em âmbito nacional. Não existe filiação à UNE, e todos os estudantes são considerados membros dela. 25 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania • União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) – É uma entidade representativa dos alunos dos ensinos fundamental e médio, cursos técnicos e profissionalizantes e de pré-vestibular. Reúne os grêmios das escolas públicas e privadas e entidades estaduais e municipais secundaristas. • Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Nas universidades, é o órgão máximo de representação estudantil. De acordo com a Enciclopédia livre Wikipedia, “Suas áreas de atuação mais comuns dizem respeito aos interesses dos estudantes perante à administração da instituição superior, às questões de política educacional e de política nacional. Estima-se que o primeiro DCE no Brasil tenha sido criado na década de 1930, o DCE da Universidade de São Paulo”. Procure pelas organizações estudantis na internet: • Para conhecer mais sobre a UNE, você pode entrar no seguinte página da internet: http://www.une.org.br/ • Para saber mais sobre a UBES, acesse http://pt.wikipedia.org/wiki/ M imíd Multimídia d ia 26 Uni%C3%A3o_Brasileira_dos_Estudantes_Secundaristas • Para saber sobre o DCE, você encontrará muitas informações em http://pt.wikipedia.org/wiki/Diret%C3%B3rio_Central_dos_Estudantes Como você pode ver, existem vários tipos de organizações estudantis. Uma vez que estamos falando sobre isso, vale perguntar: na sua escola existe grêmio? Se a resposta foi positiva, isso é muito bom! Se foi negativa, é lamentável; e se você nem ao menos sabe o que é um grêmio, é bastante preocupante. Mas, calma, pois já vamos tentar melhorar a situação. Esse é nosso próximo assunto. O grêmio estudantil O grêmio estudantil ou escolar é uma importante organização que representa, discute e defende os interesses dos estudantes na escola. É um espaço de exercício e consolidação da democracia, uma vez que se configura como um local de aprendizagem, de convivência e de participação cidadã. A publicação O mundo jovem, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), apresenta em um de seus números um belíssimo trabalho sobre os grêmios estudantis. Saiba mais sobre esse tema acessando os textos que estão disponíveis no endereço http://www.mundojovem.com.br/subsidios- Mu m Multimídia Aula 2 Juventude e participação Leis que fortalecem o movimento estudantil: • Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 – o Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo 53º, inciso IV, garante o direito dos estudantes de se organizarem e participarem de entidades estudantis. Cur io sid d aad e gremio_estudantil.php • Lei nº 7.844, de 13 de maio de 1992 – essa é a lei que regulamenta o direito à meia entrada para estudantes em eventos de ordem cultural. • Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Garante a criação do Grêmio Estudantil, cabendo à Direção da Escola criar condições para que os alunos se organizem no Grêmio Estudantil. A lei determina, ainda, a participação de alunos no Conselho de Classe e Série. • Lei n° 7.398, de 4 de novembro de 1985 – conhecida como Lei do Grêmio Livre, dispõe sobre a organização de entidades representativas dos estudantes de 1° e 2° graus. Para não perdermos o hábito de perguntar, vai aí mais uma indagação: você já participou ou participa de algum grêmio? • Se você já participa, só temos a dizer que siga em frente e traga cada vez mais amigos para fazerem parte desse movimento. • Se já participou e não participa mais, queremos saber: por que parou? parou por quê? Seja qual for o motivo, repense e volte a fazer parte. Você, seus colegas e toda a comunidade escolar, certamente, sairiam ganhando com isso, pois é muito importante a participação de cada um e de todos nesse processo. • Se a sua escola ainda não tem grêmio, não desanime. Pelo contrário, reúna alguns amigos e vejam como será possível organizar um grêmio em sua escola. 27 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Para todos os casos, volte a consultar esta aula sempre que precisar, visite os sitess recomendados e estude as leis mencionadas! Lembre-se de que fundar, manter em funcionamento e participar ativamente dos grêmios escolares, além de ser um direito garantido por lei, é um exercício de cidadania importante e inesquecível. Isso não impede ou atrapalha a participação em outros coletivos, como os CJs, os grupos de organização de Agendas Escolares, os comitês de bacias hidrográficas, os conselhos gestores de unidades de conservação, as associações de pais, estudantes e professores, as associações de moradores, os partidos políticos ou os sindicados de classe. Acostume-se, então, a participar, pois esse é seu direito e também seu dever! Bem, agora que você já está bem informado, que tal fazer a seguinte atividade? Atividade 28 Procure seus amigos para iniciar um movimento para a criação de um grêmio em sua escola ou para melhorar o funcionamento do que já existe. Lembre-se também de registrar com fotos e por escrito todas as ações desenvolvidas, pois ao longo do curso você deverá apresentar este material. Aguarde orientações! Para ajudar, acesse um sitee muito interessante: http://www.soudapaz.org/Portals/0/ Downloads/cartilha_gr%C3%AAmio_04_2008.pdf Neste endereço, você terá um passo a passo completo! Boa sorte! Informação sobre a próxima aula Na próxima aula, você saberá mais sobre Agenda 21, Agendas Ambientais e Planejamento Participativo para a construção da Agenda 21 Escolar. Fique ligado! Referência bibliográfica Brasil. Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Juventude, cidadania e meio ambiente: subsídios para a elaboração de políticas públicas. Brasília: Unesco, 2006. Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? Ana Maria de Almeida Santiago Gilcélia Cristina de Magalhães Bastos 3 30 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Navegar é preciso./ Viver não é preciso – Fernando Pessoa META DA AULA Desenvolver os conceitos de Agenda 21 e de Agendas Ambientais e demonstrar as etapas do Planejamento Participativo, visando à construção da Agenda 21 Escolar. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. conceituar Agenda 21 e Agendas Ambientais; 2. contextualizar historicamente a produção dessas Agendas; 3. avaliar a importância do Planejamento Participativo na implementação da Agendas; 4. identificar as etapas do Planejamento Participativo; 5. aplicar técnicas e métodos de Diagnóstico Participativo da realidade socioambiental na construção da Agenda 21 Escolar; 6. avaliar a importância dos projetos como mecanismos de efetivação da Agenda 21 Escolar. Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? Introdução Você deve ser a mudança que quer ver no mundo. Gandhi C omo informa o próprio título, esta aula pretende abordar o significado da Agenda 21 e o seu desdobramento em agendas específicas. Depois, vamos tratar da Agenda 21 Escolar propriamente dita. Além disso, veremos por que o planejamento participativo é o melhor método para elaborar a agenda escolhida. Veremos, também, como implementar a Agenda 21 Escolar através de projetos de intervenção específicos. Boa aula! Agendas 21 e agendas ambientais O que é a Agenda 21? No Dicionário Aurélio, temos a seguinte definição para “agenda”: “caderneta ou registro de compromissos, encontros etc.” Trata-se, portanto, de um instrumento para planejar tarefas ou ações futuras. Assim, mesmo as pessoas que nunca ouviram falar de Agenda 21 podem intuir que “não se trata de uma determinação, imposição ou regra legal, mas de uma carta de princípios e compromissos – uma agenda de intenções – que toda a sociedade assume” (CADEI e SANTIAGO, 2007). Mas como se chegou à elaboração desse documento? Em 1992, realizou-se a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou Rio-92. Nesse encontro, líderes de mais de 170 países reuniram-se para estabelecer metas quanto ao desenvolvimento sustentável do planeta no século XXI. O principal resultado foi o documento intitulado “Agenda 21”. 31 Atenção enç Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A denominação oficial da chamada Rio-92 é Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Deve-se evitar o uso da expressão Eco-92, pois, tradicionalmente, as conferências da ONU utilizam o nome da cidade-sede e o ano de realização do encontro como um codinome. Qual é a preocupação principal desse documento? Essa é a questão que será abordada na próxima seção desta aula. Atende ao Objetivo 1 1 Leia o trecho inicial do Capítulo I da Agenda 21 Global. Atividade 32 A humanidade se encontra em um momento de definição histórica. Defrontamo-nos com a perpetuação das disparidades existentes entre as nações e no interior delas, o agravamento da pobreza, da fome, das doenças e do analfabetismo, e com a deterioração contínua dos ecossistemas de que depende nosso bem-estar. Não obstante, caso se integrem as preocupações relativas a meio ambiente e desenvolvimento e a elas se dedique mais atenção, será possível satisfazer às necessidades básicas, elevar o nível da vida de todos, obter ecossistemas melhor protegidos e construir um futuro mais próspero e seguro. São metas que nação alguma pode atingir sozinha; juntos, porém, podemos – em uma associação mundial em prol do desenvolvimento sustentável (ONU, 1992). Qual é, então, a preocupação principal da Agenda 21 Global? Esse documento se limita às questões puramente relacionadas aos danos à natureza? RESPOSTA COMENTADA Como você pôde perceber pelo texto lido, essas ações não focam apenas questões puramente relacionadas aos danos à natureza, mas tudo o que diz respeito ao contexto que envolve a relação do homem com a natureza. Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? Logo, o problema ambiental compreende a questão da miséria, do desemprego, do desenvolvimento sustentável etc. Solucionar, dessa forma, a questão ambiental significa melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, mediante o respeito ao ambiente. O documento, no entanto, estabelece também metas de alcance nacional e local. Seu slogan, inclusive, é pense globalmente, aja localmente. A Agenda 21 Brasileira O Brasil foi um dos países a assinar os acordos firmados na Rio-92. Apesar disso, em 1997 ainda não havia colocado em prática esses acordos. Somente em 2002, após um longo processo de O conhecimento do histórico de construção da Agenda 21 Brasileira pode ser aprofundado na página do MMA (www.mma.gov.br). r Veja também: www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=/gestao/index. html&conteudo=/gestao/agenda.html. M ti dia Multimídia construção, foi elaborada a Agenda 21 Brasileira. A Agenda 21 do Estado do Rio de Janeiro A Agenda 21 do Estado do Rio do Janeiro encontra-se em elaboração. A Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro criou, em 2007, a Superintendência da Agenda 21 Estadual, para tentar efetivar ações de seu programa de Agenda 21. Para tanto, fixou 21 metas, a serem O histórico da elaboração da Agenda 21 do Estado do Rio de Janeiro está disponível em www.semadur.rj.gov.br. r Multimídia M ti dia desenvolvidas em seis momentos. 33 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania As agendas ambientais Baseadas naquelas mesmas diretrizes traçadas pela Agenda 21 Global foram instituídas, também, as agendas ambientais, com o objetivo de focalizar, mais de perto, aspectos socioambientais específicos. As agendas ambientais de que estamos falando receberam nomes, relacionando suas temáticas com cores: a Agenda Marrom, a Agenda Verde e a Agenda Azul. Tendo como base sua percepção das cores e do meio ambiente, a que temática você relacionaria a Agenda Marrom, a Agenda Verde e a Agenda Azul? Moleza, não?! A Agenda Marrom está relacionada à ecologia urbana; a Verde, à preservação das florestas; e a Azul, à preservação dos oceanos, mares, rios e zonas costeiras. Todas as agendas até aqui mencionadas se pautam nas diretrizes estabelecidas pela Agenda 21 Global, guardando-se as características Atenção te ão 34 próprias de cada um dos espaços e focos temáticos a que se aplicam. A essa altura, você pode se perguntar: como construir e implementar essa Agenda 21? A resposta está no próprio documento, que indica como forma de ação o planejamento participativo. Isto é, as “metas, recursos e responsabilidades para orientar o caminho em direção à sustentabilidade” devem ser elaboradas e implementadas “por meio do planejamento participativo” (CADEI e SANTIAGO, 2007). Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? Agenda 21 e planejamento: a opção pelo enfoque participativo Você já percebeu que “agendar é preciso”. Mas para agendar, é preciso planejar! O planejamento é “uma ferramenta de trabalho utilizada para tomar decisões e organizar as ações de forma lógica e racional” (BUARQUE, 1999). É pre-condição dessa ferramenta, quando vinculada ao enfoque participativo, o exercício coletivo do poder de decisão, isto é, as decisões e a organização das ações são resultado de escolhas do grupo, de seu consenso. Logo, existe uma forte afinidade entre planejamento e PARTICIPAÇÃO! PARTICIPAÇÃO “É o processo pelo qual grupos de interesse influenciam e partilham controle sobre o estabelecimento de prioridades, políticas, alocação de recursos e/ou implementação de programas” (TIKARE et al., 1995 Apud CASTRO, LIMA e BORGESANDRADE, 2005). O planejamento participativo O planejamento participativo, então, é o processo de organização coletiva do trabalho de planejar, Quer saber mais? Consulte o artigo de Pedro Ganzeli, O processo de planejamento participativo da unidade escolar, r disponível em http://www.fclar.unesp.br/ publicacoes/revista/gestao.html Veja, também, o artigo de Hilda Fadiga de Andrade, Planejamento Participativo: por quê e para quê, disponível em http://www.novasociedade. com.br/conjuntura/artigos/hilda1.htm M timídia Multimídia acompanhar, avaliar e, se for necessário, planejar novas ações com objetivos definidos. 35 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Falar é fácil... Difícil é fazer! Por isso mesmo, mesmo apresentamos, apresentamos a seguir, seguir alguns instrumentos que podem facilitar a integração das pessoas em um processo participativo de planejamento. Mas lembre: não existem “receitas de bolo”. Então, use e abuse de sua imaginação, de sua criatividade! Entre os diferentes instrumentos, merecem destaque: • a OFICINA (workshop) – trata-se de uma metodologia de trabalho, organizada a partir de atividades práticas previamente planejadas; Veja a cartilha de HONSBERGER e GEORGE, Facilitando oficinas: da teoria à prática, ensina a construir oficinas, disponível em http://www. portaldovoluntario.org.br/site/pagina.php?idmenu=5&bibliotecaPage=9. M ti dia Multimídia 36 • o TRABALHO EM GRUPO – permite uma comunicação mais próxima e favorece a criação, cujos resultados são o ponto de partida para a discussão em plenária; • a SESSÃO PLENÁRIA – é o espaço no qual todos podem ser ouvidos de forma organizada e as ideias (propostas) podem ser negociadas e sistematizadas. Em Cordiolli (2005), encontra-se a descrição detalhada de diversos instrumentos de articulação de grupos. Disponível em www.preac.unicamp.br/ arquivo/materiais/txt_apoio_sergio_cordiolli.pdf. f M ti dia Multimídia Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? Os processos participativos contribuem, portanto, para a mudança de comportamentos, para a aprendizagem coletiva, para o fortalecimento da cidadania. Etapas do planejamento participativo Agora vamos detalhar as etapas de um planejamento participativo! Você poderá utilizar esse passo a passo para construir a Agenda 21 Escolar. A preparação do processo Em primeiro lugar, existe uma fase preparatória, na qual é preciso montar uma equipe técnica ou de trabalho. No caso da Agenda 21 Escolar, essa equipe será composta, obviamente, de indivíduos atuantes na escola. Os cursistas serão o núcleo que irá mobilizar outras pessoas para a equipe. Essa é uma equipe de gerenciamento do trabalho. Não cabe a ela fazer a Agenda 21 Escolar, mas organizar os encontros coletivos a partir dos quais essa Agenda será construída sob o enfoque do planejamento participativo. O grupo precisa definir os dias, a pauta e as estratégias de cada encontro, de acordo com os objetivos pensados para cada evento. Lembre-se de que esse é apenas um planejamento inicial. Pode haver necessidade de ele ser alterado ao longo do processo, dependendo dos interesses e das demandas do coletivo. A última atividade da fase preparatória é o trabalho de identificar, motivar, mobilizar e sensibilizar atores sociais. Nesse momento, a equipe estará reconhecendo que grupos sociais (atores sociais) têm ligação com o espaço escolar – alunos, responsáveis, funcionários, comerciantes do entorno etc. É nesse momento que estaremos criando o Espaço Livre de Organização de Ações Socioambientais – ELO-21. 37 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Essa identificação de atores sociais é preliminar! Ao longo do caminho, novos parceiros devem e podem ser integrados ao grupo. Fique tranquilo! Atenção te ão 38 Essas inclusões são naturais. O conhecimento da realidade socioambiental A segunda etapa do planejamento participativo corresponde ao conhecimento da realidade. São três momentos: • análise dos envolvidos • diagnóstico • prognóstico A seguir, vamos ver cada um deles detalhadamente. Análise dos envolvidos: a identificação de parcerias Como vimos, a identificação dos parceiros foi feita, preliminarmente, pela equipe técnica. Nesse início de processo de planejamento, é importante reservar uma margem de tempo para a identificação de outros atores. Análise dos problemas e das potencialidades: o diagnóstico da realidade socioambiental • O que é um diagnóstico? A palavra diagnóstico, tanto no grego como no latim, vem a ser “o conhecimento sobre algo”. Entretanto, cotidianamente, associamos essa palavra à prática médica, o que a envolveu em uma conotação negativa. No entanto, o sentido com o qual trabalharemos aqui refere-se ao modo de conhecer a realidade. Sendo assim, você agora entenderá por que falamos em diagnóstico da realidade socioambiental, envolvendo tanto problemas quanto potencialidades. • Qual a importância do diagnóstico? Conhecer a realidade socioambiental na qual estamos inseridos é fundamental para se refletir sobre o futuro (prognóstico) e planejar ações efetivas que encaminhem o grupo para a realização de metas. É impensável construir uma Agenda 21 Escolar sem partir da realidade na qual se pretende intervir! Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? • Como fazer um diagnóstico da realidade socioambiental? Sinteticamente, trata-se de listar os principais problemas e as potencialidades locais, identificando inter-relações, causas e conseqüências. Não se trata de identificar todos os problemas ou potencialidades, mas de apontar os centrais. A partir desses, reconhecemos outros problemas e potencialidades correlatos, estabelecendo relações de causa e de efeito. Existem várias metodologias de diagnósticos participativos da realidade. Dentre elas, pode-se destacar o Diagnóstico Rápido Participativo – DRP. O DRP utiliza, normalmente, as oficinas de trabalho como estratégias estimuladoras da participação. Veja algumas técnicas que podem ser usadas no DRP: História, retratos, citaçõess – levantamento de informações realizado a partir do registro das histórias locais, oralmente transmitidas. Pesquisa de dados secundários em registros oficiaiss – são chamados “secundários” os dados que não são obtidos diretamente junto à fonte. Neste caso, significa o levantamento de informações sobre a comunidade, realizado em órgãos públicos. à Entrevistass – técnica de coleta de dados na qual o pesquisador tem contato direto com um indivíduo que fornece informações por meio da resposta a questões previamente elaboradas ou por meio de narrativas. à Questionárioss – técnica de coleta de dados na qual o pesquisador pode atingir um grande número de pessoas que respondem a questões padronizadas, sem necessariamente se identificar. à Mapass – os dados relevantes são registrados pelo grupo por meio de legenda, comentários, ilustrações e outros mecanismos, em um mapa da área trabalhada. à Caminhada fotográfica – reconhecimento do local por meio de registro fotográfico, que possibilita a identificação dos principais problemas e das potencialidades do local por meio de imagens. à Confecção de maquetee – a realidade local e a do entorno podem ser retratadas por meio da confecção de maquete, utilizando-se material reaproveitado. Análise dos objetivos: o prognóstico Depois da análise dos envolvidos e da realidade socioambiental, é possível pensar melhor no futuro. No prognóstico, constroem-se cenários, isto é, identificam-se caminhos possíveis para o futuro que permitam a solução ou o abrandamento dos problemas, assim como o fortalecimento das potencialidades. 39 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Agora, iremos para a última etapa! Ufa!!! É hora de tomar decisões e planejar ações para realizar coletivamente o futuro desejado! A análise das alternativas ou tomada de decisões: a elaboração de projetos Nesta etapa, vamos escolher entre diferentes opções para resolver problemas identificados ou fortalecer potencialidades. Quais serão as ações prioritárias e as mais indicadas? Essa escolha deve estar de acordo com alguns critérios, tais como: • o tempo de realização dos projetos, • os recursos disponíveis, • a abrangência das ações e • os objetivos estabelecidos. As estratégias de ação escolhidas devem estar de acordo com as efetivas possibilidades de realização do grupo. A partir do conhecimento da realidade e das expectativas de futuro é possível construir projetos que organizem as ações a serem implementadas coletivamente para atingir os objetivos previstos. Nesse momento, o grupo estará em condições de redigir sua Agenda 21 Escolar, uma carta de intenções que a comunidade assume como compromisso para o futuro. Todas as fases do planejamento aqui trabalhadas fazem parte desse documento, que, como vimos, registrará: • os principais atores e suas inserções na comunidade escolar; • o diagnóstico da realidade socioambiental; e • as metas (prognóstico) de curto, médio e longo prazos que a comunidade quer alcançar. Neste momento, a Agenda 21 Escolar ainda está no papel, enquanto uma carta de intenções, mas esse documento geral não se realiza sem ações efetivas. Serão os projetos realizados na escola que transformarão as ideias em práticas, concretizando as metas. Mas como construir o projeto? Aguarde! Esse é o tema de outra aula. Observe que os projetos não precisam dar conta, ao mesmo tempo, de todos os objetivos e de todas as metas traçadas na Agenda 21 Escolar. Cada projeto irá priorizar um ou alguns desses objetivos. De fato, a realização da Agenda 21 Escolar será o fruto de todos esses projetos ao longo do tempo. Atenção te ão 40 No sitee da III Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, você pode baixar, entre outros materiais didáticos, a cartilha de formação da Com-Vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida), que é uma outra proposta para elaboração da Agenda 21 Escolar. Entre em Multimídia ultimídia Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? http://portal.mec.gov.br/secad/CNIJMA/educacao.html e depois vá para o link Com-Vida. Boa pesquisa! É urgente fazer algo para contribuir com a solução dos problemas socioambientais. A Agenda 21 é uma saída estratégica para isso, já que sua proposta integra todas as esferas: mundial, nacional, estadual e local. Para realizar a Agenda 21, é preciso agir. Para agir, é preciso planejar, e não é possível planejar sem conhecer a realidade. Também é impossível, no âmbito das questões socioambientais, discutir, solitariamente, o presente e o futuro. Isso porque essas questões não são somente minhas ou suas, mas de todos os seres humanos que habitam o planeta. Por isso, a agenda construída deverá registrar os parceiros, diagnosticar a realidade socioambiental da comunidade escolar e apontar o prognóstico. Serão, entretanto, os projetos realizados na escola que transformarão os sonhos (metas) em realidade e a Agenda, enquanto compromisso com o futuro da coletividade, em ações e realizações. Não podemos “ficar de fora”! Se cada escola conseguir implementar a sua Agenda 21, envolvendo a comunidade interna e a externa, as coisas vão começar a mudar. É verdade que “uma Atividade Final andorinha só não faz verão”, mas várias andorinhas, sim! Suponha que sua equipe de trabalho já esteja formada e que o primeiro encontro com a comunidade esteja agendado. Escolha um instrumento ou uma técnica, dentre os sugeridos nesta aula, e apresente uma atividade inicial que poderia ser feita no primeiro encontro. 41 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania RESPOSTA COMENTADA A resposta a essa proposta de atividade é pessoal, já que depende dos objetivos propostos e da preferência por um ou outro instrumento/estratégia. Para efeito de exemplificação, suponhamos que o objetivo inicial da equipe de trabalho, no primeiro encontro com a comunidade, seja o de sensibilizá-la a respeito dos problemas socioambientais. Uma proposta, então, seria a de conjugar a técnica da plenária. Assim, poderia ser solicitado, inicialmente, que as pessoas identificassem o que consideram como “problemas socioambientais” da comunidade. À medida que fossem apresentados, alguém os anotaria, em papéis coloridos (tarjetas) e, a seguir, os colaria em algum lugar visível. Por último, a partir dos problemas apresentados, seria proposta uma discussão, na qual os problemas poderiam ser associados, categorizados e organizados por relação de causa e efeito. Nesta aula, você estudou o que é a Agenda 21, onde e como ela se originou, assim como sua relação com as agendas ambientais. Verificou, também, que a forma de Resumo e o 42 se construir essa Agenda é sempre por meio do planejamento participativo. Isso quer dizer que, isoladamente, nada vamos conseguir. Além disso, foram apresentadas as ações da Agenda 21, já efetivadas, em nível nacional e estadual, assim como as que estão planejadas para ainda serem implementadas. Você também pôde conhecer o processo de construção da Agenda 21 Escolar: uma carta de intenções em que a comunidade escolar assume um compromisso para o futuro. Referências bibliográficas BUARQUE, Sérgio C. Metodologia de planejamento do desenvolvimento local e municipal sustentável. Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal. Projeto de Cooperação Técnica INCRA/IICA. Brasília: MEPF/ INCRA/IICA, 1999. Disponível em http://www.iica.org.br/Docs/Publicacoes/PublicacoesIICA/ SergioBuarque.pdf, consultado em 1/7/2008. Aula 3 Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso? CADEI, Marilene e SANTIAGO, Ana Maria de A. Tudo agendado. In: Onda Jovem. São Paulo, 7, mar 2007. Disponível em http://ondajovem.terra.com.br/materiadet.asp?idtexto=147, consultado em 30/6/2008. CASTRO, Antônio Maria Gomes de, LIMA, Suzana Maria Valle e BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo. Metodologia de planejamento estratégico das unidades do Ministério da Ciência e Tecnologia. Brasília: MCT, 2005. Disponível em http://planejamento.sir.inpe.br/documentos/arquivos/ referencias/Metodologia_PE_MCT_2005.pdf, consultado em 7/10/2007. ONU. Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento: Agenda 21 Global. Rio de Janeiro, 1992. Disponível em http://www.mma.gov.br/index.php?ido=conteudo.mo nta&idEstrutura=18&idConteudo=575, consultado em 30/6/2008. 43 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! Márcia Rolemberg Néri Olabarriaga 4 46 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Apresentar a Educomunicação Socioambiental e maneiras de praticá-la nos espaços educativos. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. identificar a importância da Educomunicação como instrumento pedagógico mobilizador, participativo e democrático e ainda saber aplicá-la junto à comunidade escolar em prol da Agenda 21 Escolar; 2. divulgar os conteúdos recebidos no curso Agenda 21 Escolar: Formando Elos de Cidadania a distância; 3. utilizar as tecnologias da informação/comunicação no contexto ensino/aprendizagem; 4. colher entrevistas, imagens, textos e outros materiais que possam representar a comunidade de sua escola, bem como a de seu entorno; 5. utilizar peças e materiais de comunicação produzidas, coletivamente, de acordo com contexto e realidade locais. Aula 4 Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! Introdução Q ueridas alunas e queridos alunos, o módulo de Educomunicação Socioambiental está organizado para que, juntos, possamos fortalecer a comunicação educativa da Agenda 21 a partir de sua escola. Com isso, pretendemos formar elos com as propostas de Agenda 21 de outras 500 escolas do Estado do Rio de Janeiro envolvidas neste programa, para a formação da Rede ELO-21. Para tanto, nossa tarefa principal será a montagem de um Jornal Mural na sua escola para a inserção do mesmo na Rede ELO-21. Desejo a todos um bom trabalho e que excelentes materiais de Educomunicação Socioambiental possam ser produzidos comunitariamente! Mãos à obra! Vamos juntos! Educomunicação Socioambiental Educomunicação o é um campo de saberes e práticas relacionadas ao uso pedagógico da comunicação e à comunicação social educativa. Educomunicação ambiental, ou socioambiental, é um conceito político-pedagógico que assimila a experiência da Educomunicação em ações de intervenção e educação ambiental. (Fonte: http://educom-socioambiental.blogspot.com/ Consultado em 4/12/2008) Para conhecer a da Educomunicação, que tal partir de algumas de suas principais características? • Promove o desenvolvimento da cidadania. • Fundamenta sua política de comunicação educativa em princípios da democratização, promoção, autonomia e emancipação. • Estimula a participação na criação e na gestão dos meios de comunicação, fortalecendo o protagonismo dos indivíduos que (se) educam para a construção de sociedades sustentáveis. • Promove inclusão ampla no direito à comunicação. • Envolve a relação entre comunicação, educação e sustentabilidade. 47 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Há muitas fontes interessantes de pesquisas na internet que se relacionam ao tema da sustentabilidade. Aí vão algumas dicas: Educom verde: seducomverde.blogspot.com Cala-boca já morreu: www.cala-bocajamorreu.org Mult Multimídia a 48 Rede Viva Rio de Radiodifusão Comunitária: www.redevivafavela.com.br Teatro do oprimido: www.ctorio.org.br Secretaria de Estado do Ambiente: www.ambiente.rj.gov.br Secretaria de Estado de Educação: www.educacao.rj.gov.br Ministério do Meio Ambiente: www.mma.gov.br Fabrício Carpinejar. Texto Ecologia Poética: www.carpinejar.blogger.com.br Blog sobre Educomunicação: http://educom-socioambiental.blogspot.com IV Simpósio Brasileiro de Educomunicação: 28, 29 e 30 de outubro de 2008: http://simposioeducom.blogspot.com Agora, atenção! Comunicação não é o mesmo que informação! Procure, no dicionário, a diferença entre essas duas palavras e registre. A comunicação de que falamos compreende a arte de dialogar, de conversar, de maneira crítica, de forma a distinguir o verdadeiro do falso. As tecnologias de informação/comunicação são alguns dos meios pelos quais podemos nos comunicar. A finalidade, porém, na prática Educomunicativa, é que esses meios sejam portadores COMUNIDADE, segundo o Dicionário Michaelis: 1. Qualidade do que é comum, comunhão. 2. Participação em comum. 3. Sócio/ agremiação que vivem em comum ou têm os mesmos interesses e ideais políticos, religiosos etc. 4. Lugar onde residem esses indivíduos. 5. Comuna. 6. Totalidade dos cidadãos de um país, o Estado. de conteúdos para a educação para o ambiente e sejam os membros da COMUNIDADE os produtores e comunicadores desses conteúdos. Você percebe como estamos, todos, indivíduos, comunidades e natureza, entrelaçados e interligados?! A participação da comunidade, na prática educomunicativa, traz para o grupo uma comunicação para todas e todos, mais participativa e democrática – em comunhão. Essa prática pode evitar ruídos e sérios conflitos em comunidades. Portanto, é de extrema importância para o sucesso da implantação da Agenda 21 Escolar a partir de sua escola e nas demais escolas do Estado do Rio de Janeiro. Aula 4 Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! Como praticar a Educomunicação Socioambiental da Agenda 21 da sua escola e adjacências As possibilidades de materiais de Educomunicação que veremos agora poderão ser desenvolvidas em paralelo ao nosso Jornal Mural. a. Cartaz: É considerado, na propaganda, um veículo de apoio. O que quer dizer isso?! Ele ajuda a mensagem a ser fixada, mas não se destina a comunicar detalhes sobre a mensagem, certo? Mas o cartaz pode direcionar o público a obter maiores informações, através do veículo principal. A escrita, no cartaz, deve levar a mensagem resumida, com informação precisa e em poucas palavras. Quanto menos texto, maior a possibilidade de os “passantes” lerem toda a mensagem. O nome e a marca devem estar, sempre, em todos os materiais impressos. É importante que a comunidade do entorno saiba que na sua escola está sendo implantada a Agenda 21 Escolar. Todos precisam estar mobilizados, inclusive a comunidade adjacente à escola. Assim, teremos maiores chances de sucesso na implantação da Agenda 21 Escolar a partir de sua escola. Portanto, afixe um cartaz em lugar onde as pessoas que passam pela escola possam ler a mensagem, já com o nome e a arte do jornal que foram escolhidos, participativamente, pela comunidade escolar. Claro que você pode usar o cartaz em outros espaços e circunstâncias! b. Teatro: É um excelente recurso para envolver sua comunidade e mobilizá-la a participar do processo de implantação da Agenda 21 Escolar! O ELO-21 pode montar uma peça de teatro sobre o tema Agenda 21 Escolar, ou outro que seja acordado como tema primordial para a implantação da Agenda 21 a partir de sua escola, e convidar a comunidade para assisti-la! Essa peça também pode ser apresentada em outros lugares da comunidade, como igrejas, praças públicas etc. c. Fanzine: O fanzine tem estilo e diagramação próprios. É elaborado para representar a cultura alternativa, não divulgada pela grande imprensa. Portanto, é um excelente veículo de comunicação para a prática educomunicativa da Agenda 21 Escolar. Com esse meio de comunicação, você pode colher dados informativos sobre sua comunidade e fazer um registro de imagens que a represente, textos, culinária típica da região, grupos culturais que existem na comunidade escolar e na do seu entorno. A linguagem utilizada no fanzine é a mais próxima da comunidade que está representando. O formato do fanzine pode ser qualquer 49 50 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania um: tabloide, revista etc. Entretanto, vamos dar uma sugestão... Os conteúdos temáticos do Jornal Mural podem ser colocados em um fanzine com o seguinte formato: folha de papel A4, dobrada ao meio, formando um livretinho de 4 páginas. Este é um bom formato se o ELO-21 decidir construir um fanzine, que pode seguir o tema central do Jornal Mural da Agenda 21 Escolar. Se o ELO-21 optar por fazer um fanzine que represente todos os temas dos jornais murais expostos ao longo do curso o seu fanzine terá de ser maior. Se você precisar de mais espaço para colocar as mensagens, fotos, pesquisas etc., dobre mais uma folha de A4. Assim, seu fanzine pode ser do tamanho de sua necessidade, ok? A primeira página de um fanzine é a capa. Não se esqueça de colocar nela o logotipo (nome do jornal) e a logomarca (imagem que representa o nome). É bom sempre apresentar a mesma marca para que ela seja fixada por todos os leitores. Na contracapa, sugiro que você coloque os créditos (nomes e funções do grupo, na montagem do fanzine) e o nome da Unidade Escolar. Assim, em qualquer lugar por onde seu fanzine estiver circulando, todos saberão quem o confeccionou. Você pode recortar várias letras e figuras de outros jornais e revistas e utilizá-las para fazer uma colagem em seu fanzine. Pode também recortar histórias em quadrinhos, fotografias e outras imagens que achar pertinentes ao tema abordado. Use sua criatividade! Quanto mais colorido, alegre e dinâmico for o seu jornal, maior chance de êxito em sua comunicação. Você já entendeu o que é e como se faz um fanzine, então? Ótimo, pois mais adiante você poderá usar esse recurso como um desdobramento de divulgação do Jornal Mural. E agora, lembre-se: RECICLATO Você deve estar achando que escrevi errado a palavra “reciclato”, mas não escrevi, não! As características do papel reciclato, para você entender, são: papel offsett 100% reciclado, constituído por 75% de aparas pré-consumo e 25% de aparas pósconsumo, retiradas diretamente dos resíduos acumulados nas grandes cidades. Com sua qualidade superior, é o papel ideal para diferenciar seus trabalhos, por possuir textura única e ser totalmente reciclado. desenhar também é um recurso visual muito bom e criativo! E se você optar por produzir outro tipo de material educomunicativo escrito, além do jornal mural e do fanzine, o papel utilizado para sua reprodução deverá ser o RECICLATO. d. Radiojornalismo: A comunicação que se estabelece pela linguagem escrita é bem diferente da que se estabelece pela linguagem falada. No rádio, os ouvintes não param o que estão fazendo para ouvir a notícia. Portanto, é preciso repetir a mesma mensagem ao longo da programação, pelo menos três vezes, para que o ouvinte possa registrá-la. A linguagem do rádio deve combinar a fala precisa, clara e direta, com a sonoplastia e a voz cativante do locutor. A locução tem papel fundamental no rádio. É através da voz do locutor que a mensagem ganha força e transforma-se em imagens para o ouvinte; portanto, o locutor é também um ator. Através de sua fala, imprime o ritmo, a clareza, a emoção, a importância da mensagem. Aula 4 Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! O rádio é, também, um veículo caloroso, participativo, envolvente, de respostas imediatas, que arrasta o ouvinte pelo sugestionamento. Trata do dia a dia das pessoas e, por isso, o planejador de radiojornalismo deve conhecer os seus ouvintes e ouvir todos os representantes da comunidade: moradores do bairro, donas de casa, autoridades, trabalhadores, associação Sua escola possui rádio? Se possui, utilize-o como instrumento mobilizador para a implantação da Agenda 21 Escolar. Você pode gravar as entrevistas em MP3 e depois reproduzi-las na rádio de sua escola. Pode At ção Atenção de moradores e quem mais for representativo para a matéria. aproveitar a rádio de sua escola para colocar músicas com letras e temas ambientais para reforçar sua mensagem! Você já reparou como existem O Programa Nas Ondas do Ambiente: Rá[email protected], desenvolvido pela Secretaria de Estado do Ambiente em parceria com a de Educação e a Ong Viva Rio, promove encontros sobre temas ambientais e técnicas radiofônicas. O programa tem como objetivo promover a Educomunicação Curiosidade uriosid e músicas que podem ser aproveitadas para este fim?! Socioambiental nas escolas do Estado do Rio de Janeiro, utilizando as rádios escolares e incentivando o intercâmbio entre comunidade escolar e do seu entorno. Para obter maiores informações, acesse a página da Superintendência de Educação Ambiental: www.ambiente.rj.gov.br. e. Jornal Mural de Educomunicação da Agenda 21: Sua escola já criou o Espaço Livre de Organização de Ações Socioambientais – ELO-21, certo? Então, este grupo deverá se encontrar para montar o Jornal Mural de Educomunicação da Agenda 21 na sua escola. Para isso, será necessário: • Eleger o coordenador do Jornal Mural de Educomunicação da sua escola. Esse coordenador terá a tarefa de dar direção pedagógica aos conteúdos ambientais relacionados à Agenda 21 Escolar a partir de sua escola, além de aglutinar todo o material que for produzido pelo ELO-21. 51 52 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania • Escolher o nome do jornal da Agenda 21 de sua escola: quanto mais participativa for a escolha desse nome, melhor! Uma boa forma de se fazer isso é: a. Pedir que cada turma da sua escola proponha um nome para o jornal. O nome do jornal vai precisar de uma arte ou composição visual para que seja a sua marca. É recomendável que a comunidade escolar crie esta arte, da mesma forma participativa como foi a escolha do nome. b. Organizar uma votação final com a participação de todos os alunos. c. Registrar todo o material que for produzido pelo ELO-21. Posteriormente, esse material será colocado na plataforma do CECIERJ. A escolha do espaço onde vai ser afixado o Jornal Mural também é de extrema importância. Dê preferência aos lugares onde a comunidade escolar se reúna e permaneça algum tempo. Assim, todos poderão ter mais tempo para ler as notícias afixadas no Jornal Mural. Depois de escolhido o local adequado para afixar o Jornal Mural, vamos pensar em seu conteúdo e em como este será arrumado no espaço do jornal. Uma sugestão para harmonizar o espaço do Jornal Mural: divida o espaço em três partes. As partes não precisam ser separadas por linhas. Esse jornal deve ser bem colorido. Sugiro o uso de tarjetas de cartolina coloridas. Mas o mais importante é que toda a comunidade participe da produção do Jornal Mural! Agora, como preencher esse Jornal com conteúdos? Veja o passo a passo! Usaremos a aula “Agendar é preciso... E pôr em prática... Não é preciso?” ? como exemplo. Passo 1: De acordo com o conteúdo desta aula, escolha o tema e o objetivo que serão comunicados no Jornal Mural. Destaque, por exemplo, o principal problema ou situação positiva que sua escola e/ou a comunidade possui e que merece destaque para a Agenda 21 Escolar. Este será o temaobjetivo de Educomunicação Socioambiental do Jornal Mural. Passo 2: Escolhido o tema, é hora de pensar no recheio! O recheio do jornal poderá ser construído de diversas formas: • Entrevistas: Alunos, professores, diretores, funcionários da escola, representantes da associação de moradores de seu bairro, radialistas comunitários, representantes de instituições religiosas, lideranças políticas, gestores e funcionários de Unidades de Conservação da Natureza são exemplos de pessoas que podem ser entrevistadas. Entreviste pessoas da comunidade que conheçam a história do local. Pergunte a elas: Como era a região, no passado? Você sabe o que é Agenda 21 Escolar? Sabe que nossa escola está implantando a Agenda 21 Escolar? Aula 4 Educomunicação Socioambiental na Agenda 21 Escolar: Vamos praticar! Na sua opinião, qual o maior problema de nosso bairro? Você sabe o que é uma Unidade de Conservação? Qual é a mais próxima da nossa comunidade? Não se esqueça de levar um Estas entrevistas podem alimentar o Jornal Mural e o Fanzine. No caso do Fanzine, este pode ser reproduzido e distribuído para toda a comunidade! Uma vez produzido, esse material deve ser fotografado, Atenção en o bloquinho para anotar as respostas, ou o seu gravador MP3, ok? página por página, para ser colocado no futuro ambiente virtual da REDE do ELO-21, que se formará. • Gravação de áudio: Se alguém possuir um gravador de MP3 ou similar, poderá gravar a entrevista. • Fotografias: A foto é a imagem dos conteúdos na mensagem; portanto, ela ilustra nossa entrevista. Tire fotos dos entrevistados, do lugar que é o destaque de sua matéria, das autoridades envolvidas e de tudo o que o grupo considerar mais importante para ilustrar o conteúdo da matéria. Seja criativo! Qualquer outra forma que você considere produtiva para enriquecer o jornal de conteúdos pode e deve ser usada! Enfim, chegamos ao final de nossa aula de Educomunicação Socioambiental. Espero que, depois de todas as dicas e possibilidades que foram oferecidas para o ELO-21 praticar a Educomunicação Socioambiental, os materiais produzidos sejam supercriativos, construídos participativamente com sua comunidade e com a finalidade de atendê-la! Afinal, implantar a Agenda 21 a partir de sua escola requer a participação e a reunião de todos! E mais! Através da REDE ELO-21, sua comunidade conhecerá as outras comunidades envolvidas a partir das 500 escolas que participam do Programa Agenda 21 Escolar: Formando elos de cidadania a distância, no Estado do Rio de Janeiro. Assim, de mãos dadas, vamos formar a Rede ELO-21 e contribuir para uma melhor qualidade de vida de nossas comunidades! 53 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Atividade 54 Agora, depois das dicas que demos, reúna-se com o ELO-21 e desenvolva frases para serem colocadas no cartaz que tem o objetivo de informar à comunidade do entorno que sua escola está implantando a Agenda 21 Escolar. RESPOSTA COMENTADA Sugestões de frases: Agenda 21 Escolar: elos de cidadania. Nossa Escola tem! Participe! Maiores informações no Jornal Mural da escola: (nome e arte do jornal). Referências bibliográficas Documentos Técnicos Programa de Educomunicação Socioambientall - Série Documentos Ténicos – 2 - Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental. Brasília, 2005. http: //www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/dt_02.pdf ALBUQUERQUE, Carlos. LEÃO, Tom: Rio Fanzine: 18 Anos de Cultura Alternativa. Rio de Janeiro:Record, 2004. Projeto Papo Cabeça/Ponto de Cultura: Viva Rio e Ministério da Educação: curso de Capacitação em Radiojornalismo para Comunicadores de Rádios Comunitárias: Rio de Janeiro, 2005. Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Ronaldo Pimenta de Carvalho Junior 5 56 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania METAS DA AULA Apresentar a bacia hidrográfica como unidade espacial de análise ambiental e associar os vetores de degradação ambiental ao uso e à ocupação do território. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. reconhecer o significado de bacia hidrográfica no contexto da ciência geográfica; 2. identificar os limites de uma bacia hidrográfica e seus problemas e impactos ambientais; 3. reconhecer a dinâmica de uma bacia para elaborar diagnóstico ambiental, traçar diretrizes básicas de desenvolvimento e subsidiar o planejamento e a gestão ambiental; 4. buscar iniciativas que visem a soluções para problemas ambientais nas diferentes escalas, tendo a bacia hidrográfica como unidade espacial de análise. PRÉ-REQUISITOS Para melhor compreensão desta aula é importante que você tenha noções de Geomorfologia, como definição de bacia hidrográfica e sistema e noções de planejamento ambiental, como a definição dos problemas e/ou impactos ambientais. Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Introdução A bacia hidrográfica tem uma significativa importância no contexto deste curso, que trata da Educação Ambiental no Estado do Rio de Janeiro. Neste caso, o Estado é o recorte espacial com o qual estamos trabalhando, que também apresenta uma conotação territorial, política, social e ambiental. O termo bacia hidrográfica nos faz lembrar água, que por sua vez nos faz lembrar chuva, rios, nascente, foz, cachoeira, floresta, mangue..., dentre outros. Regiões õ de G Governo Divisão Político-Administrativa 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Baía da Ilha Grande Médio Paraíba Centro Sul Fluminense Metropolitana Serrana Baixada Litorânea Norte Fluminense Noroeste Fluminense 8 7 5 2 3 6 4 1 Fonte: onte: www www.cide.rj.gov.br cide rj gov br Figura 5.1: Mapa político do Estado do Rio de Janeiro. É essa água ou esse conjunto de águas de uma bacia que pode apresentar significados diferentes no espaço geográfico, de acordo com os moradores ou as populações locais. Desse modo, a bacia hidrográfica é uma das referências espaciais mais consideradas nos estudos do meio físico e, recentemente, dos meios socioeconômico e ambiental. Atualmente, fornece subsídios legais ao planejamento territorial e ambiental do Brasil, a exemplo de outros países. Esses parâmetros legais são bastante avançados, e a ideia de bacia hidrográfica como unidade de análise espacial também está bastante divulgada, principalmente quando se trata de planejamento e gestão públicos. 57 58 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Considerar os diferentes usos e a ocupação nas bacias torna-se fundamental, pois permitirá uma visão conjunta do comportamento das condições naturais e das atividades humanas nelas desenvolvidas. Mas como será que isso ocorre no Brasil? E no Estado do Rio de Janeiro? Quais são as lacunas na esfera da gestão e quais são os desafios a serem vencidos? Será que é simples ou tão fácil partir da concepção de bacia hidrográfica como subsídio ao planejamento? Em que momento ocorre a participação da comunidade e qual é o papel da Educação Ambiental? Numa tentativa de trabalhar esses conceitos, normas, práticas é que elaboramos um roteiro que norteará a nossa discussão. Esta aula oferece uma síntese sobre bacia hidrográfica na concepção geográfica e, de modo algum, pretende esgotar o tema. Os autores aqui lembrados estão referenciados ao final da aula, onde você poderá buscar mais detalhes e se aprofundar neste estudo, que implica conhecimentos sobre Hidrologia e Geomorfologia, subáreas da ciência geográfica. Conceito geográfico Conceituar bacia hidrográfica implica a definição dos limites espaciais internos e externos onde operam os diversos e interligados processos desse sistema. Essa não é uma tarefa fácil, pois a literatura ainda aponta certos equívocos, como o uso frequente de bacia de drenagem que se sobrepõe ao termo bacia hidrográficaa e, por vezes, se mistura com a ideia de rede de drenagem, além da ideia de área (por sua explicação mais simples, área drenada por uma rede de cursos fluviais interligados), s proporcionando uma visão bidimensional e distorcida da realidade. Bacia hidrográfica deve passar a ideia de dinamismo, movimento, energia, entrada, saída, conjunto, de todo, o que nos leva a associá-la com a ideia sistêmica, processual e de continuidade. Pode ser definida como um sistema que compreende um volume de materiais (sólidos e líquidos) próximo à superfície terrestre. Desse modo, a ideia de sistema transcende a ideia de área, que faz referência à bacia hidrográfica como área total (medida em km²) de captação natural da água de chuva e do escoamento superficial. A ideia de volume e de sistema contida nessa definição nos leva a entender que existe um conjunto de terras que direcionam a água das chuvas (precipitações) para um curso d’água (canal principal), que por sua vez alimenta outros cursos d’água (tributários). Para identificar a bacia é preciso conhecer seus limites espaciais, que são o limite superiorr (divisor de águas) ou limite topográfico e o limite inferiorr (saída das águas) ou limite da confluência. Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Figura 5.2: Delimitação de bacia hidrográfica. É fácil delimitar uma bacia hidrográfica, bastando observar, nas CARTAS CARTAS TOPOGRÁFICAS, TOPOGRÁFICAS os divisores de águas que as separam de outras bacias adjacentes. Esse sistema é, portanto, delimitado interna e externamente por todos os processos que interferem no fluxo de matéria e de energia de um rio ou de uma rede de canais fluviais, sempre a partir do fornecimento de água pela atmosfera (água da chuva). Inclui todos os espaços de circulação, armazenamento e saídas da água e do material por ela Cartas ou mapas, representações ou desenhos da terra, mantendo uma proporção com a realidade. São mapas que representam a superfície terrestre em dimensões reduzidas. transportado, que mantêm relações com esses canais. Desse modo, os processos de circulação de matéria e energia que operam em bacias hidrográficas envolvem os canais fluviais, as planícies de inundação e as vertentes (encostas), onde os processos internos são importantes. A formação da bacia hidrográfica se dá através dos desníveis dos terrenos que direcionam sempre os cursos da água das áreas mais altas (divisor, nascente) para as mais baixas (confluência, foz). As águas superficiais, originárias de qualquer ponto da área delimitada pelo divisor, saem da bacia passando pela seção definida (canal), e a água que precipita fora da área da bacia não contribui para o escoamento na seção considerada. Assim, o conceito de bacia hidrográfica pode ser entendido por meio dos aspectos de rede (hidrográfica) e de relevo. 59 60 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania De acordo com o escoamento superficial, podem-se classificar as bacias em quatro tipos: 1. quando o escoamento das águas se dá de modo contínuo, ou seja, quando as águas são drenadas diretamente para o mar; RELEVO CÁRSTICO Relevo do Carste, originalmente do Karst. t O mesmo que relevo calcário. É o conjunto de feições de relevo formadas por rochas calcárias, que se desenvolvem pela ação das águas subterrâneas (lençol freático), das águas pluviais e das águas fluviais. 2. quando as águas não possuem escoamento até o mar, ou seja, desembocam em lagos ou simplesmente se perdem nas baixadas ou depressões (como é o caso nas areias do deserto ou nas depressões do RELEVO CÁRSTICO); 3. quando as águas acham-se privadas do escoamento superficial, ou seja, não existe estruturação em bacias (também muito comum de acontecer nas areias de desertos); e 4. quando as bacias são subterrâneas, onde o rio se infiltra no solo e desaparece (como é o caso das regiões cársticas). Do mesmo modo que as bacias, os cursos d’água podem ser classificados de acordo com o período de tempo durante o qual o fluxo ocorre, destacando-se três tipos: • os perenes, que mantêm o fluxo o ano inteiro; • os intermitentes, que mantêm fluxo na estação chuvosa; • os efêmeros, que apresentam fluxo somente nas chuvas e não têm canal bem definido. O funcionamento da bacia hidrográfica pode ser compreendido a partir de determinados parâmetros, que podem ser classificados em físicos, geológicos e de vegetação, e suas interrelações, como a razão de bifurcação dos canais, a relação do comprimento médio de canais e ordem e a relação entre área e ordem. Para tal, a bacia hidrográfica deve então ser considerada como um ecossistema, aqui denominado de geossistema ou sistema geomorfológico. Lembrando que o sistema é definido como um conjunto de elementos, seus atributos e as relações entre si, todo sistema é um organismo autônomo, mas ao mesmo tempo componente de um sistema maior (bacia unitária, microbacia, macrobacia). De acordo com a funcionalidade, pode ser dividido em sistema aberto (quando requer suprimento contínuo de energia) e sistema fechado (quando apresenta limites bem definidos e desenvolve-se a partir de um fornecimento inicial de energia). A bacia hidrográfica como sistema aberto requer uma análise de conjunto. As variáveis são interdependentes e oscilam ao longo de um padrão ou de uma média. Mesmo quando não perturbada, encontra-se em contínua flutuação, num estado de equilíbrio transacional ou dinâmico (a adição ou perda de energia implica delicado balanço). Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Essa ideia de bacia hidrográfica é importante para o entendimento das questões sobre recursos hídricos tratadas no âmbito da legislação e das políticas públicas. Na próxima aula, veremos um pouco do contexto da criação da legislação e da normatização sobre os recursos hídricos no Brasil. Atende ao Objetivo 2 1 Atividade a. Com base no mapa de regiões hidrográficas do Rio de Janeiro, identifique a região hidrográfica de onde você mora. b. Com base no mesmo mapa, identifique o rio de sua cidade. Se, em virtude da escala do mapa, o rio de sua cidade não constar no mapa, indique o rio mais próximo dela que consta no mapa. c. De acordo com o mapa do Estado do Rio de Janeiro, identifique a Região de Governo onde está localizada a sua cidade. d. Compare o mapa de regiões hidrográficas com o mapa de Regiões de Governo e indique uma diferença existente entre as duas formas de divisão regional. RESPOSTA COMENTADA Você pode obter diferentes respostas para os itens a, b e c em função da região onde mora. O essencial é se familiarizar com o estudo do mapa da região hidrográfica de sua região. Considerando que eu moro no município de Nova Friburgo, posso afirmar, de acordo com o mapa de regiões hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro (http://www. serla.rj.gov.br/recursos/arquivos/RegioesHidrograficas.pdf), elaborado pela SERLA, que a minha cidade está localizada na Região Hidrográfica VII (RH VII), DOIS RIOS. O rio que corta a minha cidade é o rio Caledônia, afluente do rio Grande, que, ao encontrar o rio Negro, forma o rio Dois Rios, Bacia da Margem Direita do Médio Inferior do Paraíba do Sul. A minha cidade, de acordo com o mapa das Regiões de Governo, da Fundação CIDE, está localizada na Região Serrana. Noto que a regionalização das bacias hidrográficas difere da regionalização das Regiões de Governo, pois a primeira privilegia a dinâmica hídrica, representada pelos cursos d’água, e sua área de abrangência como o elemento construtor da identidade, enquanto a segunda segue os limites municipais e os critérios socioeconômicos e naturais na estruturação da identidade. 61 62 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A base legal dos recursos hídricos no Brasil Na Nova Constituição de 1988, o Decreto nº 24.643, de 1934 (primeiro Código de Águas do País), teve seu texto modificado quando foi extinto o domínio privado das águas. Nesse sentido, foram estabelecidos vários princípios básicos sobre as águas, entre os quais estão a definição dos bens de domínio da União e Estados e as competências privativas da União, competências comuns e concorrentes da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, e diversas atribuições ao poder público destinadas a garantir um meio ambiente sadio e equilibrado a toda a população. Vale destacar que os lagos, os rios e qualquer outro curso d’água em terras brasileiras ou que passam por mais de um estado servindo de fronteira com outros países, além das áreas marginais e praias, passaram a ser de domínio público. Outras mudanças ocorreram na década seguinte. Em 1995, o então Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal passou a denominar-se Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal e criou a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos. Essa secretaria tinha como atribuição principal gerenciar os recursos hídricos e coordenar o Plano Nacional de Recursos Hídricos. Em 1997, ocorreram modificações institucionais e legais mais relevantes em decorrência da Lei nº 9.433, de 1997. Portanto, a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos foram instituídos pela Lei Federal nº 9.433, de 8/1/1997, regulamentando o inciso XIX do artigo 21 da Constituição Federal, que previa a obrigatoriedade da União em instituir o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos e definir critérios de outorga de direito de seu uso. A aprovação da Lei no. 9.433/97 veio culminar o intenso processo de debates e articulações, envolvendo os poderes executivo, legislativo e setores da sociedade civil organizada, que se desenvolveu ao longo de seis anos, iniciado em 1991, quando o poder executivo enviou para o Congresso Nacional o Projeto de Lei no. 2.249/91. A necessidade e a importância dessa lei para o Brasil estão na capacidade de reordenamento pela gestão dos recursos hídricos considerando suas dimensões territoriais, a situação de degradação ambiental das águas em diversos pontos do país e, principalmente, a desigual distribuição das águas entre as bacias hidrográficas, visto que a organização político-administrativa não corresponde aos limites das bacias hidrográficas. Trata-se de uma lei de organização administrativa para o setor de recursos hídricos, envolvendo o planejamento e a gestão em nível nacional, considerada como novo modelo para gerenciamento de recursos hídricos (Quadro 5.1). Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Quadro 5.1: Princípios da Lei Federal no. 9.433 de 1997: Gerenciamento de Recursos Hídricos Princípios A água é bem de domínio público A água é recurso natural limitado, dotado de valor econômico Em caso de escassez, o uso prioritário da água é para consumo humano e dessedentação de animais A gestão deve propiciar o uso múltiplo das águas A bacia hidrográfica é eleita como unidade de planejamento A gestão deve ser descentralizada e participativa A lei a estabeleceu como instrumento básico de gestão Os planos de recursos hídricos (por bacia hidrográfica, Estado, País) O enquadramento dos Corpos de Água em Classe de Uso A Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos A Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos Fonte: SRH (1997). Essa lei é, portanto, atual, avançada e importante para o ordenamento territorial, em seu sentido mais amplo, caracterizada por uma descentralização de ações, contra uma concentração de poder. Instituiu um novo quadro denominado Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SNGRH), composto por Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional de Recursos Hídricos, Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, Comitês de Bacias Hidrográficas, Agências de Água e Órgãos públicos federais, estaduais e municipais relacionados a recursos hídricos, e definiu os instrumentos econômicos, rompendo com a tradicional abordagem baseada nos instrumentos de comando e de controle. A lei define, então, os seguintes instrumentos, que passam a operar de modo integrado com aqueles já presentes na 63 64 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania legislação (Quadro 5.2). Quadro 5.2: Instrumentos e Novos Organismos definidos pela Lei Federal no. 9.433, de 1997: Gerenciamento de Recursos Hídricos Instrumentos/Novos Organismos Definição Plano de Recursos Hídricos Planos diretores que visam fundamentar e orientar a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e o gerenciamento dos recursos hídricos; Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos Instrumento através do qual o usuário assegura, por prazo determinado, o seu direito ao uso da água; Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos Instrumento capaz de promover as condições de equilíbrio entre forças de oferta e de demanda, visando à promoção da racionalização da água; Enquadramento dos Corpos de Água em Classe de Uso Classificação que relaciona os padrões de qualidade dos corpos hídricos aos respectivos usos compatíveis com esses padrões; Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos Sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações que irá auxiliar o gerenciamento dos recursos hídricos; Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) Órgão mais elevado do sistema, decide sobre as questões do setor – promover a integração do planejamento de recursos hídricos, arbitrar em conflitos entre usuários, revisar projetos, estabelecer princípios, aprovar propostas, dentre outros; Secretaria Nacional de Recursos Hídricos Executiva; coordenar a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos, o Sistema de Informações e instituir expedientes; Comitês de Bacias Hidrográficas Formados por usuários, prefeituras e sociedade civil organizada, constituindo-se no fórum de decisões no âmbito de cada bacia; Agências de Água Gestão dos recursos oriundos da cobrança pelo uso da água e secretariado executivo dos Comitês; ANA (Agência Nacional da Água) Lei 9.984/00; Organizações Civis de Recursos Hídricos Entidades que atuam no setor de planejamento e gestão de recursos hídricos. Fonte: SRH (1997). Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Esses instrumentos contribuem para a efetivação da gestão integral da bacia hidrográfica, pois estão direcionados a disciplinar o uso dos recursos naturais, incluindo as águas. São balizados pelos instrumentos de gestão ambiental da Política Nacional de Meio Ambiente – Lei no. 6.938, de 1981. Essa lei sofreu algumas modificações na Constituição Federal de 1988, onde as atuações foram repartidas entre as esferas federal (responsável pelo planejamento, pela coordenação e pela execução da política nacional e pelo estabelecimento de critérios, diretrizes e normas relativas a essa política), estadual (execução de programas e projetos e fiscalização) e municipal (mantém competências restritas às atividades de fiscalização para atividades locais e uso do solo). Os instrumentos de intervenção ambiental são utilizados diretamente na gestão das águas, como nos casos • do estabelecimento de padrões de qualidade ambiental com seu correspondente enquadramento dos cursos d’água em classes de uso; • do zoneamento ambiental, que pode constituir um dos resultados dos planos de recursos hídricos e planos de bacias hidrográficas; • da avaliação de impacto ambiental, que, conforme estabelecido na Resolução Conama 001/ 86, deve considerar a bacia hidrográfica como área de influência dos empreendimentos efetiva ou potencialmente poluidores. Os instrumentos de controle ambiental tornam-se instrumentos da gestão dos recursos hídricos ao induzirem o cumprimento de planos e normas que estejam voltados a garantir a qualidade e a disponibilidade das águas como um dos recursos ambientais. Deste modo, podem ser previstos e estabelecidos durante a elaboração dos planos de recursos hídricos, por exemplo, ou no zoneamento ambiental e no zoneamento ecológico-econômico. É a partir dessas leis que os Estados brasileiros implementaram ou estão em processo de implementação de leis ou projetos de leis relativos às políticas e aos sistemas de gerenciamento Para conhecer as leis que regulamentam as políticas ambientais no âmbito federal, você pode acessar o site do Ministério do Meio Ambiente (www. mma.gov.br). Multimídia dos recursos hídricos estaduais. 65 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Para o Estado do Rio de Janeiro, destacam-se as Legislações Estaduais e as Resoluções do Conselho Nacional dos Recursos Hídricos (CNRH). Vamos avançar para a compreensão da utilização da bacia hidrográfica como unidade de análise. No Estado do Rio de Janeiro, o órgão responsável pela gestão dos recursos hídricos é a Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (SERLA). A Política Nacional de Recursos Hídricos foi criada pela Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Contudo, a legislação sobre bacia hidrográfica, como unidade de planejamento, antecede à legislação brasileira e pode ser encontrada em vários países do mundo. Como exemplo, podemos assinalar que há uma recomendação da FAO (Food and Agriculture Organization – órgão da ONU) desde a década de 1970 de que o planejamento adequado de bacias hidrográficas é fundamental para a conservação de regiões tropicais. A unidade de planejamento do Sistema de Recursos Hídricos é a bacia hidrográfica e está fundamentada no princípio da democracia participativa e na descentralização das decisões. Atende ao Objetivo 3 2 a. Apresente a principal modificação introduzida na gestão dos recursos hídricos Atividade 66 pela Constituição de 1988. b. Comente os seguintes princípios estabelecidos pela Lei Federal nº 9.433, de 1997, de Gerenciamento de Recursos Hídricos: “A BACIA HIDROGRÁFICA É ELEITA COMO UNIDADE DE PLANEJAMENTO.” “A GESTÃO DEVE SER DESCENTRALIZADA E PARTICIPATIVA.” RESPOSTA COMENTADA a. É na Constituição de 1988 que as águas passam a ser de domínio público. Foi instituído o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, com a definição de critérios de outorga de direito de seu uso. b. A Lei Federal no. 9.433, de 1997 (Gerenciamento de Recursos Hídricos), provoca mudanças e ajuda a organizar o território a partir da administração por setor de recursos hídricos, ou seja, limites das bacias hidrográficas. Com isso, descentraliza o poder federal e dá mais autonomia para o estado e para o município. Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Segundo a literatura consultada, a bacia hidrográfica é ESPAÇO conhecida como unidade de planejamento e é de aceitação Resultado da ação humana no espaço herdado, através do trabalho (relação natureza/ sociedade/trabalho), mas não basta entendê-lo sob determinado modo de produção dentro de um contexto histórico definido porque ele é formado por um conjunto de objetos (materialidade) e um conjunto de relações que envolvem tanto a dimensão econômica quanto as dimensões do cultural, do político e do ideológico. universal. Esse critério é usado porque constitui um sistema natural bem delimitado no espaço. E, por falar em espaço, é sobre o ESPAÇO que a ciência geográfica atua. Por isso, trata-se da bacia hidrográfica como unidade espacial de análise, e é esse espaço que pode ser utilizado para subsidiar o planejamento e a gestão pública. Por outro lado, em planejamento ambiental costuma-se interpretar um conjunto de informações regionais referenciadas no espaço e apreendidas de modo integrado como modo holístico. Esse planejamento exige, contudo, GEOGRÁFICO metodologias fundamentadas em uma unidade espacial de trabalho que contenha as interações e as pressões sobre os sistemas naturais ou criados pelo homem a partir da compreensão da área em estudo. Santos (2004) assinala que esse espaço ocupado pela bacia hidrográfica é composto por um conjunto de terras topograficamente drenadas por um curso d’água e seus afluentes, onde ocorrem interações dos meios físicos e socioeconômico que, quando interpretadas, servem ao planejamento ambiental. São, portanto, “unidades geográficas onde recursos naturais se integram e constituem-se em unidade espacial de fácil reconhecimento e caracterização”. ” Fica fácil para a ordenação territorial quando reconhecemos os limites de uma bacia, lembrando que não há qualquer área de terra, por menor que seja, que não se integre a uma bacia hidrográfica. A bacia hidrográfica é ainda considerada uma unidade integradora entre os impactos causados ao meio físico e à apropriação social do espaço. Lima (2005, p. 9) apresenta a caracterização da bacia hidrográfica como um meio para a determinação de controle e estabelecimento do território. A bacia hidrográfica tem assumido nova dimensão, uma vez que as práticas sociais tendem a se modificar e a se refletir sobre um espaço bem delimitado. Essas práticas sociais envolvem o equilíbrio de poder no âmbito do sistema gestor. A bacia caracteriza-se, então, como um espaço onde a delimitação física antepõe-se à delimitação política, sendo esta, porém, a que define esse espaço socialmente, dando-lhe a conotação mais apropriada de um território. 67 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Portanto, o Sistema de Recursos Hídricos é uma especialização do Sistema de Meio Ambiente, sendo formado por bacias hidrográficas de rios de domínio da União e de bacias hidrográficas de rios de domínio dos Estados. Atividade Final 68 Atende ao Objetivo 4 a. Faça um rápido levantamento de campo e identifique três problemas ambientais que afetam a bacia hidrográfica da cidade/região onde você mora. b. Considerando a bacia hidrográfica como uma unidade espacial de análise que subsidia o planejamento e a gestão ambiental, apresente as principais medidas que você considera que deveriam ser implantadas para conter a degradação ambiental de sua cidade/região. c. Com base na unidade espacial de análise da questão anterior, apresente, com justificativas, as instâncias políticas que deveriam ser acionadas para a eficácia de sua proposta. RESPOSTA COMENTADA Existem diferentes possibilidades de respostas para os itens a, b e c em função da cidade/ região onde você mora. A bacia hidrográfica da Baía da Guanabara está situada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e, por isso, apresenta problemas ambientais diversos. Densamente ocupada, tem sua vegetação original cada vez mais devastada. Associada à retirada da vegetação, o sistema de esgotamento sanitário não comporta e não atende a toda a população. Ademais, os complexos industriais aí instalados colaboram com a poluição do corpo d’água. Associando essas características, podemos afirmar que o desmatamento, o crescimento urbano-industrial e a falta de infraestrutura sanitária são responsáveis pela poluição das águas, pela contaminação dos peixes e pelo despejo de lixo na Baía da Guanabara. A partir da divisão por bacias (sub-bacias de um sistema maior que o da Bacia da Guanabara) deve-se realizar um levantamento das características físicas e socioeconômicas, compreender o tipo de pressão que a área sofre, bem como o nível de degradação, e propor alternativas, por meio de proposta de zoneamento ambiental para cada sub-bacia ou setor. No caso da Baía de Guanabara, o estudo deverá ser realizado em conjunto com os municípios lindeiros (que fazem limite com o espelho-d’água da baía) e com os outros municípios onde estão localizadas as nascentes de todos os rios que convergem para a baía. A gestão deverá ser compartilhada com os governos federal, estadual e municipal, integrando outros setores da sociedade, como os representantes das indústrias, empresas, serviços etc. O entendimento do significado de bacias hidrográficas, bem como de sua delimitação, é instrumento fundamental na elaboração de políticas públicas que subsidiam o planejamento, o ordenamento e a gestão territorial. Resumo e o Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Referências bibliográficas HIRATA, R. Recursos Hídricos. In: Decifrando a Terra. T, W. et al. Organizadores. São Paulo, Oficina de Textos, 2001, pp421-444. LANNA, A. E. L. Gerenciamento de bacia hidrográfica: aspectos conceituais e metodológicos. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. Brasília, (coleção meio ambiente), 1995, 171p . MOURA, V. P. Desafios à Gestão Territorial e de Recursos Hídricos no Brasil: o Exemplo da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (SP/RJ/MG). 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Endereços da legislação CONSTITUIÇÃO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm DECRETO nº. 24.643 de 1934 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D24643.htm LEI nº. 9433 de 1997 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/l9433.htm RESOLUÇÃO CONAMA 001/86 http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res86/res0186.html Lei Federal nº. 10.881/04 http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/AgenciasAgua/docs/lein10881-04.pdf Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005 http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/AgenciasAgua/docs/LEGISLACAO/Federal/Lei%20 Cons%C3%B3rcios_Federal.pdf Decreto nº 3.692 de 19 de dezembro de 2000 http://www.ceivap.org.br/downloads/Decreto%203692%20-%2019Dez00%20-%20 Instalacao%20ANA.pdf Decreto nº 6.017, de 17 de janeiro de 2007 http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/AgenciasAgua/docs/LEGISLACAO/Federal/ Regulamenta%20Lei%20Cons%C3%B3rcios_Federal.pdf Lei Estadual nº. 3.239/99 http://www.ceivap.org.br/downloads/leirjn3239-99.pdf Lei Estadual nº. 4.247/03 http://www.ceivap.org.br/downloads/Lei4247.pdf Aula 5 Bacia hidrográfica como unidade espacial de análise Resolução nº 38, de 26 de março de 2004 http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/AgenciasAgua/docs/LEGISLACAO/resolucoesCNRH/ res_cnrh_38-04.pdf Resolução nº 59, de 28 de novembro de 2005 http://www.ana.gov.br/GestaoRecHidricos/AgenciasAgua/docs/LEGISLACAO/resolucoesCNRH/ Res_CNRH_59-06.pdf Linkss institucionais 1. Secretaria Nacional de Recursos Hídricos http://www.mma.gov.br/ 2. Agência Nacional de Águas (ANA) http://www.ana.gov.br/ 3. Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas – SERLA http://www.serla.rj.gov.br/index/index.asp 71 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano Leonor Ribas Carla Conde Marcelo Neto Galvão Marilene de Sá Cadei 6 74 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania METAS DA AULA Apresentar conceitos básicos de Ecologia relacionados à conservação da natureza e à importância das Unidades de Conservação. Descrever a dinâmica de relações entre elementos naturais e antrópicos inseridos no cenário do ambiente natural e urbano. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. relacionar as atividades antrópicas e os problemas ambientais; 2. reconhecer diferentes conceitos ligados a ecossistemas e Unidades de Conservação; 3. explicar a importância das Unidades de Conservação, da Floresta Atlântica e da gestão ambiental participativa; 4. identificar como os poluentes geram impacto sobre os elementos naturais dentro do ambiente urbano; 5. refletir sobre as iniciativas que visem a soluções locais para problemas socioambientais. Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano Introdução A partir desta aula, você terá a oportunidade de relacionar as discussões sociais, introduzidas nas aulas anteriores, a conceitos mais diretamente ligados à conservação da Natureza. Para isso, precisaremos explorar tanto os conteúdos que você já estudou na escola quanto os assuntos que você talvez ainda não domine. Então, aí vai um aviso importante: para aproveitar bem esta aula, você deverá se render à curiosidade, pesquisar, relembrar e aprender coisas novas. Para começar a aula, vamos tratar de um tema muito interessante. Você já deve ter ouvido falar em ecossistema, nas aulas de Biologia, ou mesmo nos meios de comunicação, certo? Vamos relembrar esse tema? Afinal, o que é um ecossistema? O termo Ecossistema é usado para expressar a COMUNIDADE BIOLÓGICA junto com o AMBIENTE ABIÓTICO em que ela está inserida. Os ecos-sistemas normalmente incluem na sua comunidade biológica produtores primários (vegetais clorofilados), decompositores (fungos, bactérias etc.), DETRITÍVOROS (moscas, besouros, alguns tipos de peixes etc.), matéria orgânica morta, herbívoros, carnívoros, parasitas etc. O ambiente abiótico (físico-químico) é o meio que proporciona as condições para a vida e atua como fonte e drenagem da energia e matéria. Os organismos e os fatores físicos de um ecossistema estão conectados por uma constante troca de energia e matéria, que tem como origem a energia que vem do Sol. Todos os ecossistemas naturais – florestas, desertos, manguezais, oceanos e rios – são variações desse princípio básico, embora sua estrutura e detalhes de funcionamento sejam diferentes. COMUNIDADE BIOLÓGICA Engloba todos os seres vivos que ocorrem em uma dada área. AMBIENTE ABIÓTICO Engloba os fatores físicos e químicos, ou seja, não-biológicos. Exs.: ar, água, calor etc. DETRITÍVOROS Seres vivos que se alimentam de vegetais e animais mortos, decompondo-os e retornando-os à cadeia alimentar para serem utilizados por outros organismos vivos. Podemos dividir os ecossistemas em duas categorias: os naturais (ou seja, aqueles que não foram criados pelo homem, como uma floresta), e os artificiais (aqueles criados pelo homem, como cidades e fazendas). 75 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania SISTEMA Conjunto de elementos ou organismos, que forma um todo organizado. “Embora possamos discernir partes individuais em qualquer sistema, essas partes não são isoladas, e a natureza do todo é sempre diferente da mera soma de suas partes” (CAPRA, 1996, p. 40-41). Outra maneira de categorizar os ecossistemas é a partir de suas proporções. Ecossistemas relativamente confinados são denominados microcosmos, porque representam miniaturas de SISTEMAS, nos quais a maioria dos processos ecológicos característicos dos grandes ecossistemas opera em escala reduzida. Um jardim é um exemplo de um microcosmo artificial, e uma pequena lagoa ou o tanque de água formado pelas folhas de uma bromélia, de um microcosmo natural. Falando em microcosmo natural... aí vai uma dica: procure assistir ao documentário Microcosmos – fantástica aventura da Natureza, que captura imagens centenas ou milhares de vezes ampliadas para trazer ao conhecimento do público as belezas da vida em uma pequena área natural. Cu os de Curiosidade 76 Agora que você já leu bastante sobre ecossistemas, pense por um instante e responda, mentalmente: qual é o maior ecossistema conhecido? O maior e único ecossistema completo é o planeta Terra. A inter-relação de todos os ecossistemas é demonstrada pelas repercussões das atividades humanas. Um exemplo disso é a chuva ácida que muitas vezes é levada para longe das fontes poluidoras e acaba caindo sobre as florestas. O desmatamento, as queimadas e a queima de combustíveis fósseis também estão influindo no clima global. A exploração dos sistemas naturais A despeito de toda a tecnologia desenvolvida nos últimos séculos, o homem, de um ponto de vista estritamente biológico, constitui-se em um ser natural. Como tal, está inserido na cadeia alimentar e nos ecossistemas, como qualquer outro ser vivo, dependendo, portanto, da natureza – tal qual seus antepassados. Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano A utilização dos recursos naturais, porém, tem se aprimorado com o desenvolvimento tecnológico de tal forma que, algumas vezes, esses recursos têm sido levados ao colapso, através da sua superexploração. As indústrias pesqueira, madeireira e mineral geralmente são exemplos de promotores de superexploração em diversas regiões do mundo. O investimento em pesquisa tecnológica deveria se voltar para o estabelecimento de alternativas à exploração de determinados recursos. Entretanto, por razões políticas e interesses econômicos, os esforços se concentram em aumentar ainda mais a exploração dos recursos quando esses começam a diminuir sua quantidade. Com isso, mais depredações são geradas e, em consequência, os ecossistemas naturais têm sua capacidade de restabelecimento de suas condições naturais cada vez mais prejudicada. A perda da biodiversidade Biodiversidade é um conceito que se refere à variedade de formas de vida, encontradas em determinado HABITAT. Diferentes formas de vida são, na verdade, diferentes espécies. Os diferentes BIOMAS do Brasil e do mundo encerram uma grande variedade de formas de vida, e essa alta biodiversidade tem sido apontada como um grande patrimônio a ser preservado, por diversas razões: econômicas, biológicas, culturais, religiosas etc. Dentre os biomas mais ameaçados e com maior biodiversidade do mundo está a Mata Atlântica. Além da alta biodiversidade, esse HABITAT Um local ou região específica onde se desenvolvem ou vivem seres vivos de forma organizada. BIOMA Um agrupamento de ecossistemas similares em estrutura da vegetação ou fisionomia e também em algumas características das suas comunidades animais. bioma possui um alto grau de endemismo, ou seja, há muitas espécies que só existem ali. Esses dois fatores ajudam a dimensionar a preciosidade desse bioma. Preservar a biodiversidade, portanto, significa garantir a manutenção das populações das espécies, conservando a integridade do funcionamento dos sistemas naturais. Quando uma espécie desaparece, uma perda irremediável se impõe, pois se perde um patrimônio genético único, o que tem implicações éticas e econômicas, além das ecológicas. O desaparecimento de uma espécie é considerado uma extinção. Acredita-se que ao menos 30 milhões de espécies ainda sejam desconhecidas para a ciência; e que dessas, cerca de 30 mil estão desaparecendo a cada ano, sem jamais terem sido conhecidas pelo homem. Logo, a gravidade dessas perdas é inestimável. 77 78 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Mas, qual seria a principal causa da alta taxa de perda de biodiversidade? Pense por um instante nos nossos modelos de ocupação urbana, extração mineral, agricultura e outros e tente responder. Se você deduziu que a principal causa é a destruição dos habitats naturais, você acertou. A Floresta Atlântica, por exemplo, devido ao seu desmatamento, encontra-se altamente fragmentada. Essa situação de confinamento em pequenos fragmentos florestais pode, a médio prazo, inviabilizar a manutenção de populações de muitas espécies, que por isso são consideradas ameaçadas. As Unidades de Conservação da Natureza Devido ao alto grau de pressão por causa das atividades humanas às quais estão submetidos, os ecossistemas naturais precisam ser protegidos. A mais importante estratégia de proteção e conservação das áreas remanescentes é protegê-las legalmente, por meio da instituição das chamadas Unidades de Conservação da Natureza ou, de maneira abreviada, UCs. A criação e manutenção dessas unidades é um processo que envolve CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente. órgãos como o CONAMA, o ICMBIO e diversos outros órgãos federais estaduais e municipais. ICMBIO O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. foi instituído pela Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Essa lei estabe- MMA território brasileiro. É uma lei muito importante, pois é a primeira que Ministério do Meio Ambiente. visa à aplicação efetiva dos conceitos de desenvolvimento sustentável lece normas e critérios para a criação, implantação e gestão das UCs do e conservação biológica. Conforme sua legislação, as Unidades de Conservação da Natureza são definidas como espaços territoriais e seus recursos ambientais e são legalmente instituídas pelo poder público com o objetivo de conservar a biodiversidade e a integridade do funcionamento dos sistemas naturais. Para tanto, nas UCs vigoram regimes especiais de administração, com legislação específica para as diferentes categorias existentes. As UCs dividem-se em duas categorias principais: • Unidades de Conservação de Proteção Integrall – Nestas UCs são admitidas atividades de uso indireto, como pesquisa científica, e, em alguns casos, visitação turística, atividades religiosas e de educação ambiental. É vedado qualquer uso direto dos recursos naturais, como o extrativismo. São elas: Estações Ecológicas, Parques Nacionais, Reservas Biológicas, Monumento Natural e Refúgio da Vida Silvestre. Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano • Unidade de Conservação de Uso Sustentadoo – Nessa categoria objetiva-se compatibilizar o uso direto e a sustentabilidade dos recursos parcialmente explorados. As Unidades de Conservação são as seguintes: Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Para saber mais sobre cada um desses tipos de UCs, visite a página do ICMBio: www.icmbio.gov.br. M tim ia Multimídia Reserva Particular de Patrimônio Natural. Instrumentos de gestão territorial e de áreas protegidas É muito importante diagnosticar os padrões de uso do solo a fim de se programar uma melhor distribuição das atividades produtivas e de proteção ambiental. Para isso, o zoneamento ecológico-econômico é um instrumento eficaz de ordenação do território. Para ser realizado, são consideradas as questões ambientais, econômicas, culturais e sociais relacionadas a uma determinada área. Com isso, são identificadas as áreas passíveis de se tornarem protegidas por lei e transformadas em Unidade de Conservação. Uma vez estabelecidas, as Unidades de Conservação devem cumprir funções ecológicas, científicas, econômicas, sociais e políticas. A gestão de áreas protegidas deve considerar o conhecimento da área em questão e do seu entorno, suas particularidades ecológicas, econômicas, culturais e sociais. Essas informações devem subsidiar a elaboração de planos de manejo, que são instrumentos de gestão administrativa e devem conter as atividades e ações necessárias para se alcançarem os objetivos das unidades de conservação. Contudo, como na criação e gestão de uma UC nem sempre os interesses das comunidades que estão dentro ou no entorno delas são levados em consideração, isso acaba gerando muitos problemas e a UC pode acabar transformando-se num ponto de conflito. As UCs devem possuir um conselho gestor. A legislação incentiva a participação da sociedade na preservação e na gestão de áreas protegidas, através da Gestão Participativa. O conselho é formado por representantes de órgãos públicos e da Sociedade civil, tais como associações de moradores das áreas próximas, entidades ligadas ao turismo, Universidades e Escolas. Constituise numa importante instância de geração e implantação de políticas e de administração de conflitos de interesses envolvendo o uso do espaço físico. 79 Se a sua escola fica em uma área de entorno de uma Unidade de Conservação, verifique a existência do Conselho e participe. Seja, ou ajude a Atenção te ão Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania eleger, um de representante da sua escola!!! As Unidades de Conservação da Mata Atlântica A Floresta Tropical Atlântica é um dos mais ameaçados biomas do planeta. Devido ao seu alto grau de endemismo e biodiversidade, ela é considerada uma das áreas prioritárias para conservação. Nesse contexto, as Unidades de Conservação constituem a mais importante estratégia para conservação desse bioma. No Rio de Janeiro, a maioria das Unidades de Conservação está localizada nos grandes blocos remanescentes de florestas do Estado do Rio de Janeiro. Os remanescentes de restingas e manguezais sofrem grande pressão antrópica, ou seja, ocasionada pelo homem, devido à ocupação do litoral pela especulação imobiliária. Reduzir estas pressões é um grande desafio para a conservação da biodiversidade e a consequente manutenção da integridade do funcionamento dos seus ecossistemas. Por essa razão, as Unidades de Conservação que protegem esses No Norte e Noroeste fluminenses existe um menor número de Unidades de Conservação, e o padrão de uso de solo dessas áreas, baseado na monocultura, levou a uma paisagem atual altamente devastada, com Atenção te ão ecossistemas litorâneos são de suma importância. raros e pequenos remanescentes de áreas naturais. Para saber mais sobre as UCs, corredores ecológicos e outros assuntos relacionados ao tema da aula, consulte as seguintes páginas: www. apremavi.org.br; www.corredores.org.br; www.inea.rj.gov.br; www. ibama.gov.br/rj; www.ibge.gov.br; www.icmbio.gov.br; www.mma. gov.br; www.wwf.org.br. Multimídia u míd 80 Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano O meio ambiente urbano Tendo em vista tudo o que você já estudou até agora, pense sobre esta pergunta: a cidade é um ecossistema? O maior exemplo da capacidade de adaptação humana a diferentes meios é a construção de cidades. Esses espaços são ambientes construídos a fim de fornecer todas as condições necessárias para que o ser humano tenha abrigo e alimento e possa se reproduzir. Entretanto, a cidade não é um ecossistema verdadeiro. Os ecossistemas verdadeiros caracterizamse por serem ambientes naturais autossuficientes formados espontaneamente por processos que levaram milhões de anos. Os seres vivos, que os habitam, estão adaptados às características locais, tais como o clima e a disponibilidade de alimentos, raramente podendo sobreviver num ambiente diferente do seu próprio. Nas cidades, no entanto, não há um equilíbrio natural como nos ecossistemas naturais. Assim são gerados subprodutos que devem ser eliminados; caso contrário, ocorre a poluição desse sistema. Um dos maiores problemas atuais é que a quantidade e a velocidade de geração desses subprodutos estão sendo maiores do que a geração de tecnologia para diminuí-los ou até mesmo processá-los. Quanto a isso, podemos citar exemplos como chipss de telefones celulares e hard diskss de computadores – toda uma gama de lixo tecnológico que não é reaproveitada e que em muitos casos não pode ser reciclada porque ainda não existe tecnologia disponível para isso. É preciso, de qualquer maneira, buscar um equilíbrio ideal para que o homem possa manter o seu bem-estar e sua saúde sem causar desequilíbrio aos ambientes naturais. Todavia, a real possibilidade de atingir esse equilíbrio por meio de um desenvolvimento sustentável é, ainda, muito discutida. Impactos gerados pela poluição A poluição é gerada pela produção excessiva de diversos tipos de subprodutos, recicláveis ou não, originados pelo conjunto de atividades que sustentam as cidades. Sendo assim, pode afetar qualquer fator ambiental, como o ar, a água ou o solo, influenciando, dessa forma, direta ou indiretamente, a saúde do ser humano e a sobrevivência dos seres vivos nos ambientes naturais. Veja como esses impactos atuam sobre diversos aspectos do meio ambiente. 81 82 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Ar, água e solo Muitos problemas são causados por falta de planejamento. A diminuição de áreas verdes na cidade reduz a permeabilidade do solo, fazendo com que as chuvas saturem os rios, que assim transbordam e causam enchentes. O problema é que os rios têm sido usados para escoar o esgoto, o lixo e os resíduos industriais, contribuindo, dessa maneira, para a transmissão de doenças quando transbordam, ou até mesmo por facilitarem a propagação de pragas urbanas, como ratos. O ar é outro alvo crítico de poluição. As indústrias emitem matérias gasosas (como o gás carbônico e os gases de nitrogênio) ou corpúsculos sólidos (como a fuligem). Uma das conseqüências disso é a irritação das vias respiratórias. Esses agentes poluidores podem ser extremamente tóxicos – o monóxido de carbono, por exemplo, liga-se à hemoglobina do sangue, impedindo o transporte de oxigênio pela mesma, fazendo com que um indivíduo possa correr risco de vida quando fica exposto a esse gás por muito tempo. O solo também é poluído pelos resíduos sólidos vindos das casas e das fábricas (o chamado “lixo”). Uma cidade de um milhão de habitantes, por exemplo, produz cerca de mil toneladas de lixo por dia, o que constitui sério problema de transporte e alocação destes resíduos. Geralmente, o lixo é enterrado em aterros sanitários ou incinerado para produzir adubo. No entanto, em certas cidades, é apenas jogado nos chamados “lixões”, onde serve de ambiente para a proliferação de animais que podem ser transmissores de enfermidades. Além disso, ao se decompor, o lixo produz um líquido, conhecido como “chorume”, que se infiltra no solo e pode torná-lo estéril ou contaminar os lençóis freáticos e poços. Clima e vegetação O clima de uma cidade é alterado desde o momento em que ela se constitui. Nas últimas décadas, o clima das cidades vem mudando de forma acelerada devido ao crescente desmatamento, ao aumento do acúmulo de gás carbônico na atmosfera e à produção excessiva de calor como subproduto do uso de energia. Por vários fatores, a vegetação é essencial para manter o clima: retira água do solo por meio da evapotranspiração, devolvendo-a ao ar; consome calor e mantém a umidade atmosférica; altera o regime dos ventos, tornando-os mais brandos; aumenta a permeabilidade do solo, prevenindo enxurradas; e retira gás carbônico da atmosfera, através da fotossíntese. Outros grandes modificadores do clima são o efeito estufa e a liberação de calor oriunda do consumo de energia, pois ambos contribuem para o aumento das temperaturas no planeta. Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano As cidades são verdadeiras “ilhas de calor”, por se apresentarem como grandes centros consumidores de energia. Todo processo que usa energia (como o motor de um automóvel, os eletrodomésticos e as indústrias) gera calor como subproduto, que se dissipa no meio e não pode ser reciclado. Todos esses fatores contribuem de forma contundente para o aumento do O “efeito estufa” é o vilão? O efeito estufa é resultado do acúmulo de gás carbônico, gerado por processos naturais, na atmosfera. Esta camada de gás deixa passar as radiações solares para o meio e não permite que o calor produzido por essas Cu sidade Curiosidade aquecimento global. radiações retorne à atmosfera. No entanto, o aumento da emissão desse gás pelas indústrias e pelos automóveis, juntamente com o desmatamento, provoca um desequilíbrio do efeito estufa, tornando-o nocivo. A responsabilidade é de todos Algumas iniciativas que podem ser tomadas para combater os problemas de infraestrutura nas cidades devem ser postas em vigor pelos governantes e pela sociedade civil organizada, levando em consideração tanto a opinião de especialistas quanto as necessidades da população. Como você sabe e possivelmente já pratica, muitas dessas iniciativas são bastante acessíveis e começam por ações individuais – como a manutenção de jardins e gramados, a redução de gastos com energia elétrica, a reciclagem ou o reaproveitamento resíduos etc. Mas, como é sempre legal O Greenpeace tem, no seu site, muitas dicas de como melhorar a qualidade de vida nas cidades, por meio da redução dos efeitos do aquecimento global. Algumas delas você encontra acessando: http://www.greenpeace.org/brasil/greenpeace-brasil-clima/mude-oclima/na-sua-casa Não deixe de pesquisar também outras fontes e, principalmente, de colocar em prática o que aprender! Mu mídii a Multimídia aprender e divulgar essas informações, dê uma olhada na sugestão do boxe multimídia a seguir. 83 Reciclagem ou reaproveitamento? Reciclagem é o processo através do qual um produto é processado para retornar ao ciclo de produção, transformando-se, novamente, no mesmo produto inicial, que pode ou não ser usado para o mesmo fim. Cu ur io sid ad e Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Por exemplo, latas de alumínio, quando recicladas, ajudam a economizar parte do alumínio usado para fabricar novas latas, cadeiras de praia etc. Reaproveitamento é o processo segundo o qual um material é apenas usado novamente para o mesmo ou diferente fim. Por exemplo, garrafas PET de refrigerante formando uma cadeira, ou mesmo sendo usadas para guardar água na geladeira foram reaproveitadas, mas não recicladas. Outras iniciativas que podem e devem ser cobradas dos governantes e que propiciam uma melhor qualidade de vida nas cidades são: • implantação de parques e jardins, e ainda a manutenção dos mesmos. • desenvolvimento de um sistema eficiente de transporte coletivo para diminuir a quantidade de carros particulares. • construção de edifícios que aproveitem melhor a luz e a ventilação do ambiente. • garantia de sistemas adequados de saneamento, coleta e reciclagem de lixo. O conjunto das práticas individuais e coletivas citadas, dentre muitas outras que buscam soluções socioambientais para os problemas da cidade, pode ser um caminho que nos aproxime de parâmetros de sustentabilidade no ambiente urbano. Algumas ONGs trabalham desde a reciclagem até a recuperação de áreas degradadas. Conheça esses trabalhos acessando: http://www.reciclaveis.com. br/ongs/ongs&entidades.htm, onde você pode encontrar uma lista de ONGs, a descrição de seus trabalhos e seus contatos. M ti dia Multimídia 84 Atividade Aula 6 Ecossistemas, Unidades de Conservação e ambiente urbano A Cidade A cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe, e o de baixo desce... ... No meio da esperteza internacional a cidade até que não está tão mal E a situação sempre mais ou menos Sempre uns com mais e outros com menos. (Chico Science e Nação Zumbi) A letra da música A Cidade mostra, de forma contundente, um dos problemas sociais presentes nas cidades: a desigualdade social. Mas tente responder: qual é a relação entre esse fator social e os problemas ambientais presentes no ambiente urbano? Para realizar essa atividade, você precisará seguir estes passos: • monte um questionário que contenha perguntas sobre quais são os problemas ambientais enfrentados na região onde a pessoa a ser entrevistada mora; • procure saber quem o entrevistado responsabiliza por esses problemas e quais soluções ele poderia propor para que fossem resolvidos; • entreviste, utilizando seu questionário, moradores de um bairro considerado de baixa renda e outros de um bairro considerado de classe média ou classe média alta; • compare os resultados e responda à pergunta inicial. RESPOSTA COMENTADA A atividade proposta não possui uma única resposta, porque o objetivo aqui presente é fazer com que você reconheça que os fatores sociais representados pelas diferentes formas de distribuição de renda, cultura, escolaridade e outros influenciam o modo como o homem interage com o ambiente em que vive. Assim, você poderá entender que qualquer iniciativa que busque solucionar problemas ambientais deve partir de um processo de sensibilização individual que culmine numa ação coletiva. 85 86 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Referência bibliográfica CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo. Cultrix, 1996. Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade Ana Maria de Almeida Santiago 7 88 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Relacionar as práticas educativas escolares usuais e o surgimento da Educação Ambiental como tema transversal do currículo escolar no contexto do processo histórico recente. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. caracterizar o paradigma moderno e o pós-moderno; 2. relacionar a emergência de um novo paradigma às propostas de mudanças na escola e de transversalidade no currículo escolar; 3. identificar o papel da Educação Ambiental em um processo educativo voltado para a elaboração de uma cidadania planetária. Aula 7 A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade Introdução N ão é mais possível pensar o mundo de forma simplista, homogênea e constante. A consciência das múltiplas facetas da constituição da realidade e da sua dimensão sócio- histórica trouxe à tona a discussão sobre a complexidade, a heterogeneidade e a mutabilidade, como princípios inerentes a tudo o que nos cerca. Estamos mudando de paradigma! Essa nova percepção interferiu fortemente no conceito de conhecimento e seus métodos de produção. Do mesmo modo, trouxe à tona novos campos de estudo e novas perspectivas pedagógicas. O surgimento da Educação Ambiental (EA) e o reconhecimento do Meio Ambiente como tema transversal dos currículos são exemplos concretos desse processo. Mas como e por que essa transição está se processando? O que é esse tal de paradigma? O que é ser moderno? E pós-moderno? O que a EA tem a ver com isso? Essas são algumas perguntas às quais esta aula pretende responder. Boa aula! O paradigma moderno Você já percebeu que, usualmente, só consideramos uma infor- PARADIGMA mação confiável se ela é originada por pesquisas científicas? Em grego, esta palavra significa “modelo”. Segundo o historiador Thomas Kuhn, paradigma “é uma constelação de crenças, valores e técnicas partilhadas pelos membros de uma comunidade determinada. É a grande referência dentro da qual se movem as teorias, as técnicas, conceitos etc”. Disponível em www.feb.unesp.br/ posgrad_prod2/ metodologiacientifica/ Aula_1_-_Popper_e_ Kuhn.ppt. Consultado em 11/02/2010. Você já percebeu que quando queremos fortalecer nosso discurso procuramos citar nomes de estudiosos conhecidos? Você já percebeu que muitas vezes as informações, para serem validadas, recebem tratamento matemático, ou seja, são transformadas em estatísticas? Você deve ter notado, também, a presença de especialistas em muitas profissões atuais... Hoje, por exemplo, não temos um médico, mas um clínico geral, um cardiologista, um ortopedista, um otorrino etc. O que sustenta essa “lógica” orientada pela razão, pelo conhecimento científico e pela especialização é uma visão de mundo predominante nas sociedades ocidentais: o chamado “PARADIGMA moderno”! Mas de onde veio isso? 89 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A origem desse paradigma remonta a dois marcos históricos: • O Humanismoo do Renascimento, que se refere à tendência cultural que se disseminou entre pensadores europeus dos séculos XV e XVI. Esse movimento ressaltava a capacidade criadora do homem, em contraste com a visão medieval da subordinação ao poder divino. Em consequência, valorizou a racionalidade, que surgiu como o instrumento ideal para a produção de conhecimento. • A Revolução Científicaa (século XVII) – processo histórico (europeu) que estabeleceu os fundamentos conceituais, metodológicos e institucionais da ciência moderna, a partir das ideias de vários pensadores racionalistas. Mas foi a partir do século XVIII, com a industrialização, Para maiores informações, consulte o texto de Maicol Martins de López Coelho, “Revolução Científica: o palco e os atores”, disponível em http://www.arscientia.com.br/materia/ver_materia.php?id_materia=238. Consultado em 27/10/2008. M ti dia Multimídia que essa nova percepção se afirmaria, consolidando-se no século XIX. Como podemos caracterizar o paradigma moderno, a modernidade? Os valores modernos se basearam essencialmente na crença inquestionável do poder criador/ transformador da espécie humana sobre a natureza, por meio da produção de conhecimento racional-científico. Graças a essa visão, o Homo sapiens, a partir de então, passou a se ver apartado da natureza, que se tornou um instrumento para a satisfação de suas necessidades por meio da utilização dos recursos naturais. “Dominar a natureza” passou a constituir uma obsessão, que traduziu-se em uma visão de progresso infinito como modelo para a civilização ocidental e de inesgotabilidade da própria natureza. Francis Bacon, que representa bem o espírito da modernidade, dizia que devemos “subjugar a natureza, pressioná-la para entregar seus segredos, amarrá-la a nosso sérvio e fazê-la nossa escrava” (BOFF, 2004, p. 23). Cu os de Curiosidade 90 Aula 7 A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade Nesse processo, o conhecimento científico – caracterizado pela quan- MITO tificação (matematização), pela fragmentação do objeto (especialização), “Narrativa de significação simbólica, transmitida de geração em geração e considerada verdadeira ou autêntica dentro de um grupo, (...) pela qual se formula uma explicação da ordem natural e social e de aspectos da condição humana”. pelo distanciamento do sujeito (objetividade), pelo pragmatismo (experimentação) e pelo reducionismo (construção de teorias e leis) – passou a ser entendido como o único saber verdadeiro. Outros saberes, como o MÍTICO e o SENSO COMUM, perderam sua legitimidade. Mas se esses valores, esse paradigma, eram tão importantes na cultura ocidental moderna, por que falamos em crise e mudança? O paradigma moderno... Envelhece! No século XX, a modernidade deu mostra de sua fragilidade e incoerência. Vários fatores colaboraram para essa crise. CARTESIANO Em primeiro lugar, diversas descobertas Essa palavra vem do nome do filósofo, físico e matemático francês René Descartes (1596-1650). Suas ideias são diretamente relacionadas à formação do paradigma moderno, ao assinalar a possibilidade de se conhecer e manipular as leis naturais através do uso sistemático da razão, guiada por um método específico: o método cartesiano. . científicas abalaram a percepção CARTESIANA HEGEMÔNICO Refere-se àquilo que é superior, que tem soberania. HEGEMÔNICA. Podemos destacar, entre estas, a Teoria Quântica, a Teoria da Relatividade e a Teoria da Complexidade. O resultado dessas inovações foi abalar, no âmbito da própria ciência, seus pressupostos, tornando-se propulsoras da instalação de um novo paradigma. Fonte: Dicionário Aurélio digital. SENSO COMUM Aquilo que as pessoas “acham”, sem nenhum respaldo científico. É “um tipo de conhecimento resultante da utilização espontânea da razão, provinda, também, dos nossos hábitos, sentidos, memória, imaginário, emoções, crenças e cultura” (STENGER, 1990; SANTOS, 2006). Fonte: Eveline Pasqualin Souza, O senso comum e a construção da política pública educacional disponível em http:// www.espacoacademico. com.br/082/82souza.htm. Consultado em 12/2/2010. 91 Que tal assistir a filmes e acessar sitess para aprofundar informações sobre a Teoria Quântica, a Teoria da Relatividade e a Teoria da Complexidade? Então, aí vão as dicas de filmes: • What the bleep do we know, que ganhou a tradução no Brasil de Quem M ultimíd ia Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania somos nóss – um filme recente (de 2004) que traz ao acesso do público, por meio de linguagem simples e animações, pesquisas de cientistas renomados. • Outro, menos atual, mas ainda assim bem didático, é o clássico O ponto de mutação, baseado na obra do famoso físico Fritjof Capra, que ajudou a popularizar esses assuntos no mundo inteiro. Ambos podem ser facilmente encontrados em locadoras de vídeo ou assistidos em sitess como o www.youtube.com. Falando em sites, não deixe de ver também: http://www.comciencia.br/reportagens/fisica/fisica07.htm http://paginas. terra.com.br/educacao/labertolo/RELATIVIDADE.htm http://www.infoescola.com/fisica/quantica/ http://www.unificado.com.br/calendario/09/relatividade.htm http://www.facape.br/ruth/adm-filosofia/Texto_5_-_Teoria_da_ Complexidade_e_Estrat.pdf. Todos foram consultados em 29 de outubro de 2008. Essas concepções foram tão avassaladoras que não ficaram restritas às teorias científicas, ganharam também repercussão social. Na década de 1960, inúmeros movimentos sociais, engajados com as questões menosprezadas pela cultura dominante, deram visibilidade às identidades negligenciadas pela “normalidade” e pela universalização tipicamente modernas. As sociedades foram forçadas a encarar o diverso, o múltiplo e o diferente! Quando nos referimos aos movimentos dos anos 1960, nos referimos, mais especificamente, aos seguintes: pacifista, ambientalista, feminista, gay, negro e de minorias étnicas. E ic vo Explicativo 92 O conjunto de pressupostos desses movimentos de contestação a partir dos anos 1960 tornou-se conhecido como Contracultura, muito relacionado ao movimento hippie. Aprofunde seus conhecimentos sobre o assunto em http://pt.wikipedia.org/wiki/Contracultura, consultado em 9/11/2008. Cu s de Curiosidade Aula 7 A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade Não podemos esquecer, por fim, que o esgotamento do modelo moderno está intimamente ligado à crise do próprio sistema capitalista. O desenvolvimento proposto pela sociedade industrial globalizada propicia uma visão obscura de futuro, na qual a desigualdade se aprofunda, a qualidade de vida se degrada e a perpetuação da espécie humana é colocada em xeque. A questão socioambiental é a evidência desse esgotamento! As perspectivas de progresso prometidas não se realizaram para todos. Milhões de seres humanos morrem de fome e vivem abaixo da linha da miséria! A especialização, assim, tornou-se tão profunda que perdemos a dimensão do todo. Imagine aquele médico que só pensa no rim do seu paciente, esquecendo-se de que esse órgão pertence a um organismo onde tudo é inter-relacionado! A própria objetividade, por sua vez, tornou-se algo idealizado e mesmo inatingível, quando se assumiu que o conhecimento é expressão do sujeito que o produz. Todo conhecimento é social; logo, ninguém é neutro quando reflete sobre a realidade! Nesse sentido, nenhum conhecimento é totalmente objetivo. Paralelamente, a crescente percepção de que há sempre o imponderável, o improvável na realidade da vida enfraqueceu o culto PÓS-MODERNO ao experimentalismo, assim como a crença de que podemos Esse é um termo relativamente recente, e seu significado ainda não é um consenso entre os pensadores contemporâneos. Em linhas gerais, indica o contexto cultural atual, marcado por grande relativismo, questionamento do paradigma científico tradicional e fragilização geral das teorias constituídas para a compreensão e a atuação sobre a realidade. compreender a realidade por meio de regras fixas e universais diluiuse, com a percepção da diversidade inerente à essência da vida. Os valores modernos envelheceram, pois não respondiam às angústias das sociedades contemporâneas. Por isso, o confronto entre o moderno e PÓS-MODERNO é, sem dúvida, o embate do século XXI. 93 94 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania O que a escola tem a ver com isso? Tudo! Em primeiro lugar, a escola, como instituição social, é uma criação histórica, que surge exatamente no auge da crença no paradigma moderno. É por isso que: • ao longo dos anos, os saberes ligados às chamadas ciências humanas foram perdendo espaço para os das ciências exatas e biológicas; • a escola tem muitas disciplinas; • as disciplinas e professores não dialogam uns com os outros; • certas disciplinas têm mais carga horária do que outras; • a avaliação é feita com notas; • e pior: os conteúdos específicos integram os currículos, embora não percebamos sua aplicação. A escola é, portanto, em muitos sentidos, exemplo vivo dessa valorização do saber científico em detrimento dos outros saberes socialmente adquiridos. É como se a experiência, a tradição e a vivência não “ensinassem”. A “verdade”, nessa perspectiva, precisaria ser “aprendida” e só poderia ser “ensinada” nas instituições que legitimam e reproduzem o saber científico. O fracasso escolar, aliás, está intimamente relacionado a essa dissociação dos diferentes saberes para a maioria da população, sabidamente despossuída desses conhecimentos socialmente reconhecidos. Por outro lado, uma perspectiva claramente nova – exemplo do rompimento de paradigma que se está discutindo – é apresentada por uma nova pedagogia que defende a revisão dos currículos, a avaliação processual e por conceito, o ensino em espaços não-formais e a perspectiva inter, trans e multidisciplinar. E a Educação Ambiental nesse contexto? O termo Educação Ambiental (EA) foi usado pela primeira vez em março de 1965, na Conferência de Educação realizada na Universidade de Keele, na Inglaterra. Como você pode imaginar, pela época em que foi originada, a EA está intimamente ligada às transformações e às incertezas de que tratamos anteriormente. Aula 7 A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade No Brasil, a Lei nº 9.795, de abril de 1999, define a educação ambiental como (...) os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Nessa perspectiva, a EA considera o meio ambiente em sua totalidade, destacando a complexidade das questões socioambientais. É um processo contínuo e permanente, pois exige reflexão constante da realidade em diferentes níveis (local, regional e mundial) e redefine valores. Pela complexidade da temática que aborda, exige o enfoque interdisciplinar, assim como está aberta para os diferentes espaços educativos e para diversos métodos de atuação. Segundo Effting (2007), (...) [com] os conteúdos ambientais permeando todas as disciplinas do currículo e contextualizados com a realidade da comunidade, a escola ajudará o aluno a perceber a correlação dos fatos e a ter uma visão integral do mundo em que vive. Para isso a Educação Ambiental deve ser abordada de forma sistemática e transversal, em todos os níveis de ensino, assegurando a presença da dimensão ambiental de forma interdisciplinar nos currículos das diversas disciplinas e das atividades escolares. A EA, portanto, conforme afirma Ramón Folch, educador espanhol, “se tornou algo eficazmente subversivo”, pois impulsiona a constituição de valores promotores da sustentabilidade e da cidadania para além do conhecimento em perspectiva complexa que promove. Desta maneira, pode-se concluir que o surgimento da EA e do Meio Ambiente como eixo transversal dos currículos está associado ao próprio processo de revisão da nossa percepção de conhecimento, da crise do modelo civilizatório e da redefinição da relação homem-natureza que estão em curso, constituindo-se como um eixo pedagógico importante de educação preocupada com valores voltados para a constituição de uma cidadania planetária. 95 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Atividade 96 Leia com atenção o texto que se segue: O Projeto de Lei nº 3.025/08, do deputado Humberto Souto (PPS-MG), inclui a disciplina de Educação Ambiental nos currículos dos ensinos fundamental e médio, conforme as diretrizes da Lei nº 9.795/99, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental. Inserir uma disciplina sobre educação ambiental no currículo da educação básica é fundamental para despertar, desde a infância, a consciência sobre a preservação e o respeito ao meio ambiente”, afirma o parlamentar, argumentando que os investimentos em educação ambiental são mais eficientes e permitem retornos maiores. Disponível em http://www.direito2.com.br/acam/2008/jun/27/projeto-inclui-educacao-ambiental-no-curriculo-basico Considere, agora, a seguinte afirmação: A criação de uma disciplina de Educação Ambiental nos currículos dos Ensinos Fundamental e Médio é uma proposta incoerente com a própria essência e o surgimento desse campo de conhecimento. Apresente, por fim, um argumento que justifique a afirmativa que acabamos de apresentar. RESPOSTA COMENTADA Considerando o caráter intrinsecamente interdisciplinar e, em função dessa premissa, a perspectiva de transversalidade do processo educativo que tem como foco as questões socioambientais, é inimaginável a existência de uma “disciplina” isolada de Educação Ambiental. A partir do reconhecimento e do confronto entre os paradigmas moderno e pósmoderno, esta aula propiciou a compreensão histórica do surgimento da EA, identificando-a como um campo de conhecimento interdisciplinar cuja prática na Resumo e o Aula 7 A escola e a Educação Ambiental na crise da modernidade escola, por isso mesmo, deve ser transversal. Referências bibliográficas BOFF, Leonardo. Ecologia: grito da terra, grito dos pobres. Rio de Janeiro: Sextante, 2004. EFFTING, Tânia Regina. Educação Ambiental nas Escolas Públicas: Realidade e Desafios. Monografia apresentada na Pós-Graduação em “Latu Sensu” de Planejamento Para o Desenvolvimento Sustentável do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Marechal Cândido Rondon, 2007. VEIGA-NETO, Alfredo. Espaços que produzem. Porto Alegre: UFRGS/PPGEdu, 1999 (mimeo). 97 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Em busca da sustentabilidade: os marcos legais Jacqueline Bento Marques Pereira Ana Maria de Almeida Santiago 8 100 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Relacionar os debates sobre a sustentabilidade, gerados pela crise socioambiental, com os marcos legais mundiais e nacionais. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. reconhecer os marcos legais internacionais e nacionais que envolvem a problemática socioambiental e a Educação Ambiental; 2. conceituar sustentabilidade e Educação Ambiental. Aula 8 Em busca da sustentabilidade: os marcos legais Introdução Das eras Das mais antigas eras No mundo surgiu a criatura Diversa, diferente de outras feras Pensante Sem duvidar do futuro adiante Criador e Criatura (Sá/Rodrix/Guarabyra) Q uando delineamos uma linha temporal sobre a história do Homo sapiens sapienss no planeta Terra e comparamos o tempo de existência de ambos, vemos que a nossa espécie é extremamente recente neste planeta. Estamos aqui há aproximadamente 10 mil anos e a Terra tem uma idade estimada de 4,5 bilhões de anos. Apesar de sermos, nesse sentido, uma espécie jovem, alcançamos alto grau de interferência no ambiente graças à capacidade de sermos, como nos fala a música, pensantes e, consequentemente, produzirmos cultura. A partir da Revolução Industrial (século XVIII), houve uma superexploração dos recursos naturais e a geração de um grande passivo ambiental, ou seja, danos acumulados sobre o meio ambiente resultantes da atividade humana. Esses passivos, produzidos em alta velocidade, passaram dos limites de impactos aceitáveis e absorvíveis pelo ambiente. Essa relação homem e natureza trouxe não apenas problemas de ordem ambiental, mas também social. A certeza no futuro, de que a música nos fala, entrou em crise! Constituiu-se um paradoxo: os próprios seres humanos, que, ao longo do processo evolutivo de sua espécie, conquistaram e mantiveram o domínio e “controle” do planeta, precisam agora sair em sua defesa. Mas, defender-se de quem? Do próprio homem! 101 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A questão socioambiental no cenário mundial e nacional No cenário mundial, a luta em torno das questões ambientais foi marcada pela organização da comunidade científica, aliada a ambientalistas e aos organismos de cooperação internacional, especialmente a partir da década de 1970. Acompanhe, agora, o histórico da questão socioambiental a partir desta década no Brasil e no mundo, de acordo com a pesquisa de autores importantes nessa área, como Dias (2003), Díaz (2002) e Pereira (2008). Em 1972, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, constituiu o primeiro pronunciamento solene sobre as questões ambientais. Nessa Conferência, A Declaração de Estocolmo pode ser acessada em http://www.vitaecivilis. org.br/anexos/Declaracao_Estocolmo_1972.pdf, consultado em 17/11/2008. M ti dia Multimídia pela primeira vez, identificou-se a grande importância estratégica da Educação Ambiental (EA). Seguindo recomendação da Conferência de Estocolmo, realizou-se, em 1975, o Encontro de Belgrado. Nesse evento, promovido pela Unesco/PNUMA, foram formulados os princípios e as orientações para o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). A grande contribuição do Encontro foi a Carta de Belgrado, um dos documentos mais esclarecedores sobre a questão ambiental da época. A Carta de Belgrado encontra-se disponível em http://openlink.br.inter.net/ jctyll/1903.htm, consultado em 17/11/2008. M ti dia Multimídia 102 Aula 8 Em busca da sustentabilidade: os marcos legais Dois anos depois (1977), ocorreu a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em Tbilisi, capital da Geórgia, CEI (ex-URSS) organizada pela Unesco, em cooperação com o PNUMA. Assim como Estocolmo foi um marco histórico para as questões ambientais globais, Tbilisi foi para a Educação Ambiental. A Declaração de Tbilisi conformou certos parâmetros da EA, que até hoje são seguidos. A Declaração de Tbilisi encontra-se disponível em http://openlink.br.inter. net/ jctyll/1905.htm, consultado em 17/11/2008. M ti dia Multimídia A Educação Ambiental deve atingir pessoas de todas as idades, todos os níveis e âmbitos, tanto da educação formal, quanto da não-formal. (...) A Educação Ambiental, bem compreendida, deverá constituir uma educação geral permanente que reaja às mudanças produzidas num mundo em rápida evolução. (...) Ao adotar o enfoque global enraizado numa ampla base interdisciplinar, a Educação Ambiental cria mais uma vez uma perspectiva geral, dentro da qual se reconhece a existência de uma profunda interdependência entre o ambiente natural e o ambiente construído. Na década de 1980 foram realizados eventos de menor magnitude, porém significativos para a construção do diálogo social. Um exemplo desse amadurecimento é a presença, na Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, do Capítulo VI – Do Meio Ambiente, que identifica o meio ambiente ecologicamente equilibrado como um direito de cidadania e incumbe o Poder Público de promover a EA (Artigo 225). Cabe ressaltar que, em 1987, foi publicado o relatório da Comissão Mundial de Meio Ambiente d e Desenvolvimento (CMMAD), conhecido como Nosso futuro comum ou Relatório Brundtland, documento de imensa repercussão que foi base para os debates na década seguinte. Foi na década de 1990, entretanto, que o processo se acelerou, com três grandes conferências: a Conferência sobre Educação para Todos (Jomtien, Tailândia, 1990); a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida por Rio-92, (Rio de Janeiro, Brasil, 1992) e a Conferência Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade (Tessalônica, Grécia, 1998). 103 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania A Declaração Mundial sobre Educação para Todos, elaborada em Jomtien, encontra-se disponível em http://nsae.acaoeducativa.org.br/portal/images/ stories/declmundialeducparatodosjomtien.pdf, consultado em 17/11/2008. Multimídia 104 A declaração de Thessaloniki está disponível em http://www.aipa.org.br/ ea-trat6-ea-carta-thessaloniki-1997.htm, consultado em 17/11/2008. Merecem destaque, entretanto, a Rio-92 e os seus desdobramentos para a questão socioambiental. A Agenda 21, principal documento elaborado na Conferência, é um plano de ação global, assinado por 170 países, que definiu compromissos para construir um novo modelo de desenvolvimento, que resulte em melhor qualidade de vida para a humanidade e que seja econômica, social e ambientalmente sustentável para o século XXI. Organizada em quatro seções, a Agenda 21 possui quarenta capítulos e 585 páginas. Nas seções são abordadas temáticas diversas, como: dimensões sociais e econômicas, conservação e gerenciamento dos recursos para desenvolvimento, fortalecimento do papel dos grupos sociais e meio de implementação. O Capítulo 36 destina um espaço para a promoção do ensino, da conscientização e do treinamento. Veja só o que ele diz: O ensino tem fundamental importância na promoção do desenvolvimento sustentável e para aumentar a capacidade do povo para abordar questões de meio ambiente e desenvolvimento. (...) deve abordar a dinâmica do desenvolvimento do meio físico/biológico e do socioeconômico e do desenvolvimento humano (que pode incluir o espiritual), deve integrar-se em todas as disciplinas e empregar métodos formais e informais e meios efetivos de comunicação. Percebeu como este trecho da Agenda 21 tem tudo a ver com a proposta deste curso que você está realizando? Além da Agenda 21, diversos documentos, de extrema importância, foram elaborados a partir dessa Conferência. Destacam-se, entre esses: • a Carta da Terraa – Na Rio-92, a proposta de redação desse documento não concretizou-se. Coube, portanto, a organizações da sociedade civil internacional construí-lo. Assim, em 1997, criou-se a Comissão da Carta da Terra, composta por 23 personalidades representativas de todos os continentes para realizar uma consulta mundial e redigir o documento. Aula 8 Em busca da sustentabilidade: os marcos legais O Brasil foi representado pelo teólogo Leonardo Boff. A consulta envolveu 46 países e mais de 100 mil pessoas. Em 2000, Carta da Terra teve sua redação final aprovada (http: //cartadaterrabrasil.org/); • a Convenção sobre Mudanças Climáticass – Propõe a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, procurando impedir que a interferência humana tornese perigosa ao sistema climático (http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4069.html); • a Convenção sobre Diversidade Biológicaa – Trata da conservação da biodiversidade e o seu uso sustentável, considerando uma repartição justa e equitativa dos benefícios resultantes do acesso aos recursos genéticos (http://www.vitaecivilis.org.br/anexos/cdbport.pdf); • a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificaçãoo – Promove o combate à desertificação e a mitigação dos efeitos da seca grave e/ou desertificação (http:// desertificacao.cnrh-srh.gov.br/arquivos/Ccd.doc). No início do século XXI, em 2002, aconteceu a Rio+10, Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo (África do Sul), com a presença de 191 países. Diferente da Rio92, porém, a expectativa gerada para esse evento foi marcada pelo ceticismo e pela falta de credibilidade, pois, passados dez anos da Rio-92, o cenário mundial pouco havia sido alterado para as questões ambientais. Como resultado, a Rio+10 produziu dois documentos oficiais: a Declaração Política de Joanesburgo e Relatório Desafios Globais, Oportunidades Globais. Tendências do Desenvolvimento Maiores informações sobre a Rio+10 estão disponíveis em http://www. ana.gov.br/AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/Riomaisdez/ index.html. A Declaração de Joanesburgo pode ser encontrada em http:// www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/RelatorioGestao/Rio10/Riomaisdez/ documentos/680-DeclaracaoPoliticaJoanesburgo.doc.149.wiz, assim como o Relatório está disponível no endereço http://www.ana.gov.br/Acoes Administrativas/RelatorioGestao/Rio10/Riomaisdez/documentos/1747Desafios%20Globais,%20Oportunidades%20Globais.doc.150.wiz. Consultado em 17/11/2007. Multimídi Multimídia Sustentável. O conteúdo desses documentos reflete as limitações do processo decisório vigente. 105 106 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania O governo do Brasil, como participante desses encontros internacionais e signatário de diversos compromissos, produziu, em diversos âmbitos, uma série de documentos e leis. Entre os documentos mais importantes está a Agenda 21 Brasileira, que, apesar do atraso, foi aprovada em 2002, às vésperas da Rio+10. Merece destaque, também, a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. O Brasil é o único país da América Latina que tem uma política nacional específica para a Educação Ambiental. Essa lei definiu: Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente e sua sustentabilidade. No Estado do Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1999, foi criada a Lei n° 3.325, que dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Estadual de Educação Ambiental, cria o Programa Estadual de Educação Ambiental e completa a Lei Federal n° 9.795/99 no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. Como você observou, todos os marcos legais têm como base conceitual a sustentabilidade. Mas o que quer dizer isso? Entender essa questão é nosso próximo desafio nesta aula! Sustentabilidade: um conceito em construção Desenvolvimento sustentável significa usarmos nossa ilimitada capacidade de pensar em vez de nossos limitados recursos naturais. Juha Sipilä (ex-diretor do Conselho Metropolitano de Helsinque) A discussão sobre o conceito de sustentabilidade teve origem na década de 1970, quando se discutiu sobre a necessidade do homem considerar como componente das estratégias de desenvolvimento o “aproveitamento racional e ecologicamente sustentável da natureza” e a “preocupação com a conservação da biodiversidade” (SACHS, 2002, p. 53). Segundo Silva (2006), o tema do desenvolvimento era então abordado considerando-se apenas suas dimensões econômicas, social e ambiental, até que, em 1986, Ignacy Sachs incorporou ao debate a dimensão espacial e cultural, com o conceito de Ecodesenvolvimento. Aula 8 Em busca da sustentabilidade: os marcos legais O termo “desenvolvimento sustentável”, entretanto, só foi proposto e se generalizou a partir do relatório da Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), conhecido como Nosso futuro comum, de 1987. Silva entende desenvolvimento sustentável como um processo de transformação que ocorre de forma harmoniosa nas dimensões espacial, social, ambiental, cultural e econômica a partir do local para o global (2006: 18). A Comissão Brundtland, responsável pela redação do relatório, apropriou-se, portanto, parcialmente das ideias propostas por Sachs. O conceito de desenvolvimento sustentável não trouxe em r existente no conceito de Ecodesenvolvimento, privilegiando a face si o “conteúdo emancipador” econômica e tecnológica em detrimento da política. Rapidamente se percebeu a armadilha que o conceito de desenvolvimento sustentável construía ao compatibilizar crescimento econômico e proteção ambiental no âmbito do sistema capitalista. Essa percepção contribui para a crítica do termo e sua progressiva substituição por O teólogo Leonardo Boff tem muito a dizer sobre essa tal sustentabilidade. Vale a pena ler, no sitee http://altermundo.org/portal/content/view/1052/430/, seu artigo chamado A história da sustentabilidade. Multimídia sustentabilidade. A concepção atual de sustentabilidade é fruto, portanto, do debate crítico que se seguiu à divulgação da ideia de desenvolvimento sustentável. A origem do termo está relacionada à obra de Lester Brown, Building a Sustainable Societyy (1981), e pode ser entendida como a “propriedade de um processo”. A sustentabilidade pode ser entendida como a maneira de se pensar e de agir no mundo por meio de práticas pessoais e sociais comprometidas com os seguintes princípios: a formação de indivíduos éticos, autônomos e realizados; a constituição de comunidades envolvidas com compromissos coletivos, tolerância e igualdade; a elaboração de sistemas socioinstitucionais participativos, transparentes e justos; a implementação de práticas ambientais que valorizem e garantam a biodiversidade e os processos ecológicos. 107 M ti dia Multimídia Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Sobre sustentabilidade, consulte o endereço eletrônico http://www. sustentabilidade.org.br/doku.php?id=portug:redesustent:conceitos:concei tos#sustentabilidade, consultado em 19/8/2007. Nesse processo, a EA surgiu como um instrumento poderoso de transformação humana para a sustentabilidade, principalmente por seu caráter interdisciplinar e por sua perspectiva política de produção de conhecimento, na qual o saber se dá através da ação socialmente engajada. Esperamos que, ao final desta aula, você possa ter compreendido um pouco mais a dimensão do nosso desafio. Mas não desanime, junte-se aos movimentos de transformação da realidade. Comece elaborando coletivamente um bom projeto de Agenda 21 na sua escola! Atividade 108 Nesta aula, entre outros conceitos, foi explicado o significado de sustentabilidade e educação ambiental. Mas será que as pessoas que convivem ao seu redor sabem o que essas palavras significam? Realize uma pesquisa com cinco pessoas do seu bairro e da sua escola, perguntando como elas definiriam os conceitos em questão. Depois disso, analise como cada um desses termos é percebido pelas pessoas. RESPOSTA COMENTADA Compare as respostas obtidas nas entrevistas com as definições existentes nas aulas. Você certamente encontrará respostas bastante variadas. Se após a entrevista você resolver falar com os entrevistados sobre os conceitos apresentados na aula, faça-o de modo respeitoso. Lembre-se de que nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de estudar sobre estes temas. Aula 8 Em busca da sustentabilidade: os marcos legais Referências bibliográficas BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.l 1988. Disponível em http://legis.senado.gov.br/con1988/CON1988_05.10.1988/index.htm. Acesso em: 17 nov. 2008 BRASIL. Lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em http://www.lei.adv.br/ 9795-99.htm. Acesso em: 17 nov. 2008 COMISSÃO MUNDIAL DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: FGV, 1998. DIAS, G.F. Educação Ambiental: princípios e práticas. 8 ed. São Paulo: Gaia, 2003. DÍAZ, A. P. Educação Ambiental como projeto. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. ONU. COMITÊ INTERGOVERNAMENTAL DE NEGOCIAÇÃO PARA A CONVENÇÃO-QUADRO SOBRE MUDANÇA DO CLIMA. Convenção sobre Mudanças Climáticas. 1992. Disponível em http:// www.mct.gov.br/upd_blob/0005/5390.pdf. Acesso em: 17 nov. 2008. ONU. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Agenda 21. 1992. Disponível em http://www.apasc.org.br/ag21/Default.htm. Acesso em: 17 nov. 2008. ONU. CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Declaração do Rio de Janeiro). 1992. Disponível em http://www.interlegis.gov.br/processo_legislativo/copy_of_20020319150524/2003 0625102846/20030625104533/. Acesso em: 17 nov. 2008. ONU. Convenção Internacional de Combate à Desertificação nos Países Afetados por Seca Grave e/ou Desertificação, particularmente na África. 1994. Disponível em http://desertificacao.cnrhsrh.gov.br/arquivos/Ccd.doc. Acesso em: 17 nov. 2008. PEREIRA, J. B. M. Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar: da form-ação à avali-ação. 2008. 102 f. Monografia (Especialização no Ensino de Ciências) -Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. RIO DE JANEIRO. Lei nº 3.325, de 17 de dezembro de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Estadual de Educação Ambiental, cria o Programa Estadual de Educação Ambiental e complementa a Lei federal nº 9.795/99 no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em http://www.planejamento.rj.gov.br/OrcamentoRJ/atos_legais_execucao/Lei_3.325_ 17_12_1999.pdf. Acesso em: 17 nov. 2008. 109 110 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania SACHS, Ignacy. Caminhos para o desenvolvimento sustentável. 2 ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2002. SCOTTO, Gabriela, CARVALHO, Isabel Cristina de Moura e GUIMARÃES, Leandro Belinaso. Desenvolvimento sustentável. Petrópolis: Vozes, 2007 (Col. Conceitos fundamentais). SILVA, Christian Luiz da (org.). Desenvolvimento sustentável: um modelo analítico integrado e adaptativo. Petrópolis: Vozes, 2006. Educação Ambiental e Agenda 21 Escolaar Formando elos de cidadania Ainda com a mão na massa: construindo projetos de intervenção Ana Maria de Almeida Santiago Gilcélia Cristina de Magalhães Bastos 9 112 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania META DA AULA Divulgar, por meio da pedagogia de projetos, uma metodologia de implementação das ações previstas pela Agenda 21 Escolar. OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de 1. avaliar a importância dos projetos como mecanismo de efetivação da Agenda 21 Escolar; 2. elaborar projetos socioambientais, pautados na Agenda 21 Escolar, construída por meio do enfoque participativo. Aula 9 Ainda com a mão na massa: construindo projetos de intervenção Introdução C omecemos com uma indagação. Por que trabalhar com a pedagogia de projetos? Um PROJETO socioambiental é, essencialmente, interdisciplinar. Por isso não pode ser pensado por uma única pessoa, como o diretor ou o coordenador, por exemplo. Como alguém, solitariamente, pode traçar um plano para outras pessoas? Fazer um projeto implica A palavra PROJETO vem do latim projectu: lançado para fora. Indica um “esboço ou risco de obra a se realizar; plano”. Fonte: Dicionário Aurélio. parceria. Ele é uma realização coletiva. No caso da Agenda 21 Escolar, em que todo o planejamento tem enfoque participativo, as ações devem ser planejadas da mesma forma, buscando o envolvimento do coletivo escolar e dos diferentes componentes curriculares. Um projeto temático, desse modo, pode ser um instrumento eficaz e prazeroso para alcançar os objetivos traçados pela comunidade na Agenda 21 Escolar. Ele é interessante justamente porque “poderá unir, ligar, inter-relacionar, integrar, propiciar ações coletivas e cooperativas, que envolvam toda a comunidade, os diferentes saberes e conhecimentos” (NOGUEIRA, 2005). O projeto funciona como uma bússola, orientando as ações da coletividade para atingir seus objetivos. Entendeu por que a pedagogia de projetos é uma boa alternativa para se desenvolver as ações que se desdobram a partir da construção da Agenda 21 Escolar? A seguir, você encontrará um esboço de como elaborar um projeto. O modelo apresentado segue as normas de um projeto acadêmico-científico, que pode ser modificado para atender a outros contextos de elaboração. 113 114 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Como elaborar um projeto? Contextualizando a realidade Contextualizar significa abordar o tema de forma a identificar a situação ou o contexto no qual o problema, ou a potencialidade, a ser trabalhado se insere. A base do seu texto de contextualização está no diagnóstico elaborado para a produção da Agenda 21 Escolar. Ninguém vai inventar, novamente, a roda, ok? Identificando o(s) problema(s) abordado(s) Concentre-se somente no seu problema (ou potencialidade). Identifique claramente o que vai ser trabalhado. Delimite que aspectos ou elementos do problema (ou potencialidade) você irá tratar. Apresentando seus objetivos Aqui você indica, clara e exatamente, o que quer fazer, que metas quer alcançar com o projeto, desdobrando-o em objetivo geral e objetivos específicos. Não tente abraçar o mundo com as pernas! Tenha os pés no chão! Só identifique objetivos realizáveis! Justificando a importância/relevância da proposta de trabalho Nesta etapa, o grupo apresentará a importância, a relevância de sua proposta para o contexto da comunidade escolar, tendo em vista a Agenda 21 Escolar elaborada. Arrole e explicite argumentos que indiquem que a proposta de trabalho é significativa, importante, relevante. Descrevendo as ações a serem implementadas: a metodologia de trabalho É a descrição do “como fazer” do projeto, conforme sequência dos subitens a seguir. A metodologia e as etapas do trabalho devem estar vinculadas aos objetivos esperados e evidenciar como serão desenvolvidas as atividades. Aula 9 Ainda com a mão na massa: construindo projetos de intervenção • Descreva as etapas do trabalho com as atividades que serão desenvolvidas e a forma pela qual o projeto atingirá seus objetivos, identificando o objeto de estudo ou o público-alvo. • Evidencie os benefícios de cada atividade esperados para o objeto de estudo ou o público-alvo. • Justifique a necessidade da aquisição de material permanente ou de consumo, elaborando, em seguida, um orçamento básico. Exemplo: Item (rubrica) Material de consumo Serviços de terceiros – pessoa física Serviços de terceiros – pessoa jurídica Material permanente e equipamentos Valor total do projeto Total em R$ $ $ $ $ $ • Identifique cada etapa e atividade, relacionando-as com o tempo necessário para executá-las, isto é, construa um cronograma. Exemplo: Atividades A 1 x B C 2 x x 3 x x 4 5 x Meses 6 7 x 8 9 x 10 11 12 x É importante que todas as etapas mencionadas sejam acompanhadas por processos contínuos de avaliação, isto é, que sejam validadas pelo coletivo. Isso permitirá o ajuste das análises e propostas, caso seja necessário. Nesse sentido, podem-se identificar indicadores específicos para o acompanhamento do projeto. Esses indicadores seriam um termômetro do andamento do processo, permitindo a reelaboração quando necessário. 115 Educação Ambiental e Agenda 21 Escolar Formando elos de cidadania Conclusão Uma Agenda 21 Escolar pronta não significa que o trabalho terminou. Pelo contrário, apenas começou. É preciso pôr em prática o que ficou acordado na Agenda. Como?! Por meio de um ou mais projetos desenvolvidos pela comunidade escolar. Por exemplo: suponha que a Agenda indique como problema 1 a ser enfrentado a questão do lixo na escola e no entorno. Nesse caso, seria escrito um projeto com o objetivo de resolver ou amenizar esse problema. Ao longo de sua implementação, em um prazo estipulado pelo grupo no próprio projeto (cronograma), tal prazo deve ser avaliado. Outros projetos, no decorrer deste, ou em prazo definido pelo grupo, devem ser implementados para que os demais objetivos traçados na Agenda 21 de sua escola sejam também contemplados. Dessa forma, a Agenda 21 Escolar vai saindo do papel e se tornando real. Você estudou uma forma de viabilizar a Agenda 21 Escolar: os projetos. Na verdade, sem projetos esse documento será sempre uma “carta de intenções”. Não sairá do papel! Justamente pela importância dos projetos, trabalhamos também um modelo, Resumo e o 116 a partir do qual você poderá implementar o(s) projeto(s) escolhido(s) pela sua comunidade para pôr em prática a Agenda 21 Escolar. Referências bibliográficas BUARQUE, Sérgio C. Metodologia de planejamento do desenvolvimento local e municipal sustentável. Material para orientação técnica e treinamento de multiplicadores e técnicos em planejamento local e municipal. Projeto de Cooperação Técnica INCRA/IICA. Brasília: MEPF/ INCRA/IICA, 1999. Disponível em http://www.iica.org.br/Docs/Publicacoes/PublicacoesIICA/ SergioBuarque.pf, consultado em 1/7/2008. CASTRO, Antônio Maria Gomes de, LIMA, Suzana Maria Valle e BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo. Metodologia de planejamento estratégico das unidades do Ministério da Ciência e Tecnologia. Brasília: MCT, 2005. Disponível em http://planejamento.sir.inpe.br/documentos/arquivos/referencias/ Metodologia_PE_MCT_2005.pdf, consultado em 7/10/2007. CORDIOLLI, Sergio. Enfoque participativo no trabalho com grupos. Apostila Curso Gestão Estratégica Pública. Campinas, 2005. Disponível em http://www.campinas.sp.gov.br/rh/uploads/egds_material/ txt_apoio_sergio_cordiolli.pdf, consultado em 30/6/2008. Aula 9 Ainda com a mão na massa: construindo projetos de intervenção CUNHA, Antônio Geral da. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2. ed. 14ª impr. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social.l 5 ed. 7 reimpressão. São Paulo: Atlas, 2006. MINGUILLO, Miguel. Método ZOPP:: planejamento de projeto orientado por objetivos. Santa Catarina: Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, s/d. Disponível em http://www.rcee.org.br/ downloads/Apostila%20FMSS%20MÉTODO%20ZOPP.dog, consultado em 1/7/2008. MOURA, Maria Lucia Seidl de e FERREIRA, Maria Cristina. Projeto de Pesquisa:: elaboração, redação e apresentação. Rio de Janeiro: Eduerj, 2005. NOGUEIRA, Nilbo Ribeiro. Pedagogia dos projetos. 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