REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA TÉCNICA
DSD- DIGITAL SMILE DESIGN –DESCRIPTION OF A NEW TECHNIQUE
Débora Cristina S. PINTO1
Mayara MACHADO1
*Andrea Malluf Dabul de MELLO2
Fabiano Augusto Sfier de MELLO3
_________________________________________________________________________________________________________________
RESUMO
O programa DSD (Digital Smile Design) é a mais nova técnica de inovação e modernidade na área
odontológica, se trata de um software aonde são trabalhadas imagens fotográficas do paciente para a
elaboração de um tratamento estético, onde o paciente poderá acompanhar qual será o resultado final
do seu tratamento e assim podendo expressar suas opiniões de mudança e expor suas expectativas.
Anteriormente o tratamento estético era um jogo de erros e acertos hoje se torna um tratamento mais
efetivo e satisfatório com essa nova técnica de auxilio ao Cirurgião Dentista. O procedimento foi
criado pelo dentista brasileiro Christian Coachman e está se tornando referência no tratamento estético
nos dias atuais, este presente trabalho vai apresentar essa nova técnica, como pode ser utilizada e qual
a sua efetividade no tratamento estético direcionado à dentística restauradora. Conclusão: O DSD veio
para revolucionar o que existe de mais complexo em estética do sorriso dentro da odontologia, para
assim auxiliar o cirurgião dentista a oferecer o melhor planejamento estético ao seu paciente.
PALAVRAS-CHAVE: Odontologia Estética, DSD, Dentística
ABSTRACT
The DSD (Digital Smile Design) program is the latest technical innovation and modernity in the dental
field, this software worked where they are images of the patient for the preparation of a cosmetic
treatment, where the patient can follow what the final result its treatment and thus can express their
opinions and expose their changing expectations. Previously aesthetic treatment was a game of
mistakes and successes today becomes a more effective and satisfactory treatment with this new
technique to aid Dentist. The procedure was created by the Brazilian dentist Christian Coachman and
is becoming a reference in the aesthetic treatment today, this present study will present this new
technique, as it can be used and how effective the treatment given to the aesthetic restorative dentistry.
Conclusion: The DSD came to revolutionize what is most complex in smile aesthetics in dentistry,
thus assisting the dentist to provide the best design aesthetic surgeon to his patient.
KEYWORDS: Esthetic Dentistry, DSD, Dentistry
1
Acadêmicas do Curso de Odontologia da Faculdade HERRERO.
MSc PhD, Professor Fac. HERRERO, Mestre, Doutor. * Email para correspondência: [email protected]
3
MSc PhD, Professor Fac. HERRERO, Mestre, Doutor.
2
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
2 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
1. INTRODUÇÃO
Os conceitos atuais de estética estão voltados para o equilíbrio entre a beleza e a
harmonia e se referem à restauração da forma e da função dos dentes, tendo capacidade de
criar um novo sorriso que se adapte ao estilo de vida do paciente, ao seu trabalho e à sua
posição social (GOMES, 1996).
Observamos que com a demanda crescente por tratamentos altamente
personalizados na Odontologia Estética contemporânea, torna-se fundamental incorporar
ferramentas que possam ampliar nossa visão diagnóstica, melhorar a comunicação entre
os membros da equipe e criar sistemas previsíveis durante o processo de desenho do
sorriso e tratamento (DAWSON, 2007).
Para obter resultados mais consistentes, o planejamento dos procedimentos deve
ser definido assim que coletados todos os dados de diagnóstico para a realização da
reabilitação. Quando utilizada essa ferramenta devemos levar em conta que na
Odontologia todas as necessidades, expectativas, e questões funcionais e biológicas dos
pacientes devem ser cientificamente incorporadas no desenho estético do tratamento, que
deve servir como referência para todo o resto do procedimento (RUFENACHT, 1990).
O DSD envolve eticamente os pacientes no processo de aprimoramento
restaurador do sorriso, tornando-se o coautor do seu tratamento, compartilhando objetivos,
responsabilidades e expectativas com a equipe de reabilitação. Os resultados são
significativamente melhores na união de requisitos técnicos reabilitadores com as
necessidades emocionais, previsivelmente delineando o caminho para estabelecer um
sorriso natural, confiante e bonito (COACHMAN et al., 2011).
O objetivo do presente trabalho é aprofundar o conhecimento de uma nova
ferramenta para o uso da Odontologia, que torna tratamentos estéticos com resultados
mais precisos, e satisfação do paciente.
2. MÉTODO
O presente estudo foi realizado por meio de revisão de literatura, utilizado buscas
eletrônicas na base de dados do Scielo, e Google Acadêmico. Foi utilizado site do DSD.
Utilizando como critério: Artigos atualizados, com os seguintes descritores: Odontologia
Estética, DSD, Dentística.
3. REVISÃO DE LITERATURA
Considerações específicas devem ser destacadas ao tratar um paciente que se
apresenta com necessidades e características particulares e esses fatores observados
devem ser relacionados com o dente restaurado, os dentes vizinhos e também com fatores
genéricos, como forma e espessura do lábio, linha de sorriso e relação de linha média da
face e dos lábios (BARATIERI, 1995).
O conceito de estética é subjetivo e varia de acordo com a cultura da população.
Assim, o que é considerado bonito para determinada população pode não ser para outra.
Em nossa sociedade, dentes brancos, bem contornados e bem alinhados estabelecem o
padrão estético (MONDELLI, 2006).
Atualmente, com a crescente informação e conscientização, os pacientes passaram
a exigir soluções estéticas para reaver a naturalidade de uma condição inicial perdida ou
corrigir alterações de cor, textura, forma, tamanho e posição, obtendo um resultado final
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
3 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
natural e harmônico (BARATIERI,1995).
Alguns pacientes, apesar de se encontrarem saudáveis, do ponto de vista biológico,
podem apresentar comprometimento da aparência do sorriso, o que, muitas vezes, acarreta
variações em seu comportamento psicológico, desde uma leve timidez até a introversão
total. Portanto, qualquer fator estético que interfira em suas relações pessoais ou sociais
deve, sempre que possível, ser corrigido (PLAZA, 1998).
Para um sorriso ser considerado harmônico e estético, há necessidade de dentes
com proporção estética (relação altura/largura da coroa), simetria, proporção áurea, bordas
incisais dos dentes ântero-superiores seguindo a curvatura do lábio inferior, presença de
corredor bucal. A aparência estética é governada pela simetria, proporcionalidade e
localização da linha média, que pode ser calculada e medida em relação à largura da boca
(MONDELLI, 2006).
A composição dental é determinada pela inter-relação da semelhança (dentes
homólogos) e contraste (posição, alinhamento, abertura das ameias), que podem ser
afetados por muitos fatores, como relação altura/ largura, rotação, diastemas,
superposição, posiciona- mentos dentários irregulares. Os fatores etiológicos associados
com os diastemas patológicos incluem: agenesia e/ou microdontia de incisivo lateral
superior; presença de mesiodens; ausência de dentes devido à perda por processo carioso
ou periodontal; lesão dos tecidos moles medianos ou lesão intraóssea; retenção prolongada
de dentes decíduos; fatores genéticos; há- bitos de sucção de dedos; macroglossia; postura
anor- mal da língua; discrepância entre as bases ósseas e o tamanho dos dentes;
discrepância de Bolton; fusão imperfeita na linha mediana. Esses dois últimos são os mais
comuns (KREIA, 2002).
Os incisivos conoides acometem cerca de 1,03% da população e incidem
indistintamente em ambos os lados da arcada dentária. Normalmente, são unilaterais e são
mais comuns no sexo feminino (SIQUEIRA, 1993).
Quando há a necessidade de remodelar o todo segmento anterior, deve-se
considerar, além do tamanho, a proporção áurea, forma e curvatura do arco, largura da
boca, para, assim, conseguir um sorriso natural, levando em consideração a idade do
paciente, presença de oclusão funcional, desgaste precoce, pois a ausência dessa
proporção prejudica o ritmo e o contraste e provoca sorrisos desequilibrados e não
estéticos. A proporção dentária é a relação quantitativa do tamanho ou dimensão entre
dois elementos de mesma natureza (MONDELLI, 2006).
Sabe-se que três elementos de composição são requeridos simultaneamente para se
obter a estética ideal em um sorriso: simetria de linha média (correspondência de forma,
cor, textura e posicionamento entre os elementos dentários dos hemiarcos superiores),
dominância anterior (incisivos centrais superiores em virtude de sua posição no arco
devem aparecer 100% como os mais largos e brancos e os mais vistos no aspecto frontal)
e progressão regressiva (diminuição gradativa de 62% e na mesma proporção em direção
aos posteriores), criada pela curvatura dentoalveolar do arco dentário (MONDELLI,
2006).
As definições das leis da beleza e harmonia foram uma constante preocupação dos
filósofos e matemáticos gregos, os quais acreditavam que a conexão da beleza com
valores numéricos é exata. A proporção áurea é definida como a correspondência
harmônica entre duas partes desiguais numa vista frontal, na qual a relação entre a parte
menor e a maior é igual à relação entre a parte maior e o total da soma das duas partes. Se
a mesma proporção de aparecimento entre a largura do incisivo central e lateral é repetida
entre a lateral e a quantidade de canino mostrada e entre canino e pré-molar, a largura e o
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
4 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
tamanho dos dentes serão diferentes, mas estarão relacionados pela proporção
(MONDELLI, 2006).
A proporção áurea nem sempre é encontrada na composição dentária da
população, por isso não deve ser empregada sistematicamente em todos os casos e, sim,
serve como guia de diagnóstico e deve ser adaptada para cada caso em particular. O uso
dessa grade ajuda a detectar o que está “errado” na relação proporcional do segmento
anterior e serve para auxiliar durante as fases do planejamento (MONDELLI, 2006).
As soluções para as alterações estéticas podem ser por meio de clareamento,
microabrasão, procedimentos adesivos, tratamento ortodôntico, tratamento perio- dontal,
remodelação cosmética. Na busca pela boa impressão todos os recursos são válidos. No
entanto, a opinião e a vontade do paciente têm que ser consideradas (MONDELLI, 2006).
A remodelação cosmética consiste em desgastar ou nivelar (na face oclusal ou
incisal) os dentes. Materiais restauradores podem ser acrescentados ou os dentes
desgastados, conforme for necessário. Para isso, é preciso conhecimento de anatomia
dental, proporção áurea, harmonia dental e dentofacial e bom senso (MONDELLI, 2006).
O desenvolvimento de novas técnicas e materiais restauradores para atender à
exigência estética tem ampliado as opções de tratamento para reanatomização ou
recontorno da aparência natural dos dentes, com alterações de tamanho, posição e cor,
com o uso de sistemas restauradores adesivos diretos, como a resina composta
fotopolimerizável em substituição à confecção de reabilitações mais invasivas, como coroas totais, tornando os procedimentos cada vez mais simples e conservadores (PEDRINI,
2000).
Dentre as vantagens dessa técnica, estão: resultado praticamente imediato que
necessita de poucas sessões clínicas; preservação da estrutura dentária remanescente;
recontorno anatômico, estética e resistência, reparo restaurador fácil, baixo custo, se
comparada com procedimentos indiretos. Além disso, restaurações adesivas diretas
permitem a conservação do tecido dental e são consideradas procedimentos reversíveis,
possibilitando, se necessário, optar por outros mais invasivos. No entanto, cabe ao
profissional fazer a indicação precisa de cada caso. O conhecimento científico adequado
aliado a uma boa noção de harmonia estética confere ao profissional grandes
possibilidades de devolver ao dente seu contorno, sua cor e sua textura (PEDRINI, 2000).
Na análise e no planejamento do tratamento estético, segundo as necessidades e os
anseios individuais, é importante haver uma boa comunicação entre o cirurgião-dentista e
o paciente. É graças a ela que o profissional perceberá as expectativas do paciente quanto
aos resultados estéticos do tratamento e poderá esclarecê-lo, inclusive, sobre as limitações
da intervenção. Os efeitos psicológicos positivos da melhora da aparência frequentemente
contribuem para aguçar a autoestima do paciente, fazendo com que os procedimentos
estéticos conservadores sejam particularmente recompensadores (PEDRINI, 2000).
A excelência em odontologia estética nunca será alcançada por acaso, mas de
forma consistente a partir de uma abordagem sistemática para o diagnóstico,
comunicação, planejamento do tratamento, execução e manutenção de caso. Design
Sorriso Digital (DSD) é um protocolo conceitual multiuso que oferece vantagens
significativas: ela fortalece a capacidade de diagnóstico através de uma estética oral e
avaliação estrutural, melhora a comunicação entre os membros da equipe, e aumenta a
percepção visual do paciente, e sua motivação, aumentando a eficácia do caso
(DAWSON, 2007).
Atualmente, ter uma boca livre de problemas biológicos e funcionais não é
suficiente para pacientes exigentes. Eles desejam possuir naturalmente belos sorrisos que
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
5 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
são integrados com suas características físicas e o mais importante em harmonia com as
suas expectativas emocionais. O dentista moderno deve compreender todos os fatores que
fazem os pacientes satisfeitos além das fronteiras da odontologia tradicional e desenvolver
uma visão artística e um conjunto de habilidades necessárias para se tornar Sorriso
Designer. O projeto personalizado do paciente pode ser claramente visualizado e
melhorado com as fotos do caso. Assim, o conceito DSD ajuda dentistas a implantar esses
benefícios para os pacientes, criando um sorriso que reflete sua própria personalidade e
aumentando muito a experiência e os resultados para todos (COACHMAN et al., 2009).
O diferencial deste protocolo é que ele não requer nenhum equipamento especial,
software ou grande investimento financeiro. Um notebook simples, iPad ou computador
desktop, com o software de apresentação simples como a Apple Keynote ou Powerpoint
MS presente em um consultório odontológico moderno pode ser utilizado no processo de
Design Digital do Sorriso. Os benefícios de se comunicar e integrar especialidades como
periodontia, ortodontia, cirurgia ortognática proporcionará benefícios notáveis para a
equipe e os pacientes.
O conceito baseia-se na análise dos pacientes proporções faciais e dentárias,
utilizando uma série pré-determinada de fotografias digitais de alta qualidade e vídeos
para adquirir o conhecimento da relação dos dentes, gengivas, lábios, sorrir com as
características faciais em movimento e com emoção. Desenhos digitais são facilmente
feitos sobre as imagens, seguindo uma sequência didática e uma régua digital é fornecida
para comunicar precisamente com o técnico em prótese dentária e equipe na concepção do
sorriso. Isso resulta em uma apresentação clara, atraente e compreensível para os
pacientes. O resultado estético e os resultados funcionais também dependem criticamente
do trabalho em equipe. Todos os dados de comunicação podem ser armazenados no
programa para facilitar o acesso de qualquer membro da equipe de acrescentar
observações clínicas importantes.
Christian Coachman, um dentista brasileiro talentoso e um Técnico Dental
começaram a desenvolver o conceito DSD depois de perceber que alguns problemas
durante o planejamento de diagnóstico, comunicação e tratamento interferiu
negativamente nos resultados do tratamento, mesmo em equipes altamente qualificadas
em todo o mundo. Sua ideia inicial consistentemente evoluiu para um protocolo
abrangente que está ajudando milhares de dentistas para alcançar resultados
previsivelmente superiores. Atualmente, Dr. Coachman está lançando mundialmente ao
público um novo rosto da odontologia, mais humano, emocional e artística, aumentando
ainda mais esta nobre profissão na sociedade, com o objetivo de proporcionar sorrisos
saudáveis e naturalmente belos, que afeta muito a qualidade de vida e autoestima do
paciente (COACHMAN et al., 2012).
3.1 DESENHO DIGITAL DO SORRISO-ELABORAÇÃO DA SEQUENCIA
A técnica proposta é realizada pelos autores usando o programa Keynote (Apple),
mas outros programas similares como o MicroSoft PowerPoint podem ser usados com
pequenos ajustes na técnica a ser descrita. O Keynote permite a manipulação simples das
imagens digitais e a adição de desenhos, linhas, formas e medidas sobre imagens clínicas
ou laboratoriais (COACHMAN et al., 2012).
A elaboração deste processo segue uma sequência lógica, da região externa para a
região interna da análise no paciente: facial, dentofacial, dentogengival e dentária (intra e
interdentária). A sequência a seguir é um passo a passo completo que pode ser
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
6 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
modificado, diminuído ou adaptado para diversas situações, dependendo das necessidades
individuais. Deve-se abrir o programa keynote num formato de slide 3 para 1 e começar a
inserir as imagens. As primeiras imagens serão de face, sendo da esquerda para a direita:
face com boca fechada (análise do formato do rosto), boca em repouso (análise dos terços
faciais e exposição dental em repouso), sorriso leve (relação entre plano incisal e borda
superior do lábio inferior) e sorriso largo com a boca aberta (para mostrar o contraste das
bordas incisais com o fundo negro da boca). No segundo slide deve-se selecionar a
imagem facial com sorriso largo e boca aberta. Nessa imagem é delineada linha média
facial, linha horizontal de referência (geralmente linha interpupilar), duplicando-se essa
linha e trazendo para a região oral. No terceiro slide, deve-se sobrepor uma imagem
intraoral maxilar com fundo negro sobre a facial; deve-se ajustar o tamanho da imagem
intraoral até se adaptar precisamente sobre a facial. O quarto slide deve mostrar a imagem
intraoral com as linhas de referência faciais e começar a confeccionar traços para
diagnosticar deficiências estéticas. Primeiro avalia-se a relação entre linhas média facial e
dental. Em seguida a relação entre o plano incisal com o plano horizontal facial de
referência. A seguir desenha-se o contorno dos dentes superiores onde se avalia a forma
dental original e assimetrias de forma entre os lados direito e esquerdo. Então se traça o
longo eixo de cada elemento, o que permite visualizar como as variadas posições coronais
podem ser a causa de insatisfação por parte do paciente. O próximo passo é desenhar as
linhas complementares como linha dos zênites gengivais, linha de união das ameias
gengivais e incisais. Por último devem-se traçar linhas interproximais verticais para
analisar a proporção “md” entre os diversos elementos superiores. Nesse momento o
profissional terá uma ampla visão diagnóstica, em que todos os principais elementos
visuais constituintes da estrutura do sorriso podem ser analisados e começar a visualizar
possibilidades reabilitadoras para o caso (COACHMAN C. 2013). A Sequência do DSD é
dividida em 10 etapas que serão descritas a seguir:
1) A primeira etapa é abrir um slide e inserir duas linhas no centro do slide formando
uma cruz (COACHMAN et al., 2012).
2) A segunda etapa é a formação do arco facial digital, onde a foto da face com o sorriso
amplo e dentes entreabertos é movimentada atrás das linhas até que uma posição
esteticamente harmônica seja atingida (COACHMAN et al., 2012).
3) A terceira etapa é a análise do sorriso onde a cruz facial é transferida para a região do
sorriso, permitindo uma análise comparativa entre dentes e face (COACHMAN et al.,
2012).
4) A quarta etapa é a simulação dental onde simulações podem ser feitas para melhorar o
entendimento da posição/proporção ideal dos incisivos (COACHMAN et al., 2012).
5) A quinta etapa é a transferência da cruz facial para a imagem intraoral, onde 3 linhas
são utilizadas para transferir as linhas faciais para a foto intraoral e calibrá-la. Isto
permitirá uma análise dentogengival efetiva em relação à face (COACHMAN et al.,
2012).
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
7 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
6) A sexta etapa é descobrir a proporção dental onde irá ser medida a proporção largura x
altura dental no slide, permitindo uma análise da proporção atual e uma comparação
com a proporção ideal (COACHMAN et al., 2012).
7) A sétima etapa é a definição do desenho dental, onde o contorno dental pode ser
inserido, podendo ser copiado de uma biblioteca de formas dentais para agilizar o
processo (COACHMAN et al., 2012).
8) A oitava etapa é a avaliação estética dentogengival, onde com a cruz facial, os
desenhos sobrepostos e a foto intraoral a visualização de problemas estéticos fica
simplificada (COACHMAN et al., 2012).
9) A nona etapa é a utilização da régua digital que pode ser calibrada sobre a foto, de
forma a permitir a medição das relações importantes evidenciadas pelos desenhos
(COACHMAN et al., 2012).
10) A décima etapa é a transferência da cruz facial para o modelo onde utilizando-se a
régua digital e um paquímetro, podemos guiar o enceramento diagnóstico de forma a
evitar problemas de desvio da linha média e inclinação do plano oclusal
(COACHMAN et al., 2012).
A finalização do caso ocorre com a confecção do mock-up ,utilizando como guia o
enceramento diagnóstico previamente esculpido e realizando preparos minimamente
invasivos. Com a aprovação do mock-up, são confeccionadas as restaurações cerâmicas
no laboratório, para que depois as mesmas sejam cimentadas definitivamente
(COACHMAN et al., 2012).
Com a grande demanda de tratamentos estéticos, busca- se um método mais
efetivo para desenvolver diagnósticos e tratamentos de pacientes, que procuram sua
reabilitação estética e sua aceitação no meio da comunicação, onde muitas das vezes estes
mesmos pacientes já estão afastados do meio social, suas funções dentárias e expressões
faciais, já estão afetadas por conta do constrangimento causado por estas intercorrências.
O desenho digital do sorriso, é uma nova representação bi ou tridimensional de uma futura
expectativa para estes pacientes desmotivados, onde muitas vezes profissionais
desorientados , causam falsas expectativas em seus pacientes, que procuram resultados
com excelência e não são supridos (COACHMAN et al., 2012).
O DSD é baseado no uso de ferramentas digitais de alta qualidade, com uma
possível prática estática e dinâmica, promovendo um plano de tratamento mais efetivo,
informando parâmetros para um enceramento prévio para conduzir o tratamento, de uma
forma simples até a mais complexa. Mantém-se limitações para casos onde não se verá
grandes contentamentos, o DSD permite um novo replanejamento, pois fatores de riscos
como desarmonias, assimetrias e violações dos princípios estéticos, podem comprometer
uma boa análise. Identificado o problema, conclui-se uma solução, e uma seleção da
técnica apropriada a ser utilizada (COACHMAN et al., 2012).
Há uma grande inter-relação entre paciente, profissional (cirurgião-dentista) e
profissional (técnico do laboratório), os membros deste ciclo, devem ter acesso a cada
passo a ser realizado, discutindo entre si técnicas, mudanças e avanços, para melhores
planejamentos durante todas as fases de diagnóstico e tratamento, poupando tempo,
material e reduzindo o custo do tratamento. O DSD, tradicionalmente é materializado pelo
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
8 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
técnico do laboratório, que confecciona um enceramento tridimensional, mais eficaz com
características anatômicas dentro dos parâmetros fornecidos com o plano de referência,
linhas média facial e dentária, posição da borda incisal dinâmica labial, arranjo dentário
básico e plano incisal (COACHMAN et al., 2011).
Estas informações contidas no enceramento, passadas para a fase de prova é um
(test-drive), feita através de um (mock-up) ou uma restauração provisória. O desenho da
estética definitiva deve ser testado e aprovado, estas restaurações, tão logo possível,
guiando toda a sequência, para um resultado estético pré-determinado (COACHMAN et
al., 2012).
Muitas vezes, o paciente é condicionado à apenas, resolver seu problema estético
com técnicas restauradoras, e não conhece a severidade de seu caso e suas limitações, esta
conduta expõe ao paciente uma credibilidade ao profissional e uma grande expectativa de
um tratamento satisfatório (COACHMAN et al., 2012).
O Digital Smile Design (DSD), criado pelo doutor Christian Coachman, surgiu
para suprir a demanda altamente crescente por tratamentos mais personalizados na
odontologia estética e também pela necessidade de ampliar a visão diagnóstica, melhorar a
comunicação entre as diferentes especialidades odontológicas e criar sistemas previsíveis
durante o tratamento odontológico (SILVA, 2013).
O DSD é uma combinação de fotos, vídeos e ferramentas digitais, que vão auxiliar
o dentista na análise estética, na documentação e na comunicação com o paciente, com o
técnico bem como com outras disciplinas envolvidas no planejamento, proporcionando a
elaboração de um plano de tratamento que contemple um sorriso que preencha as
necessidades funcionais, biológicas e emocionais do paciente (SILVA, 2013).
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Desenho Digital do Sorriso é uma técnica por meio de uma consultoria, que tem
a finalidade de oferecer ao profissional uma melhor compreensão do paciente, com suas
particularidades, desejos e necessidades pessoais, para então obter um diagnóstico amplo,
podendo propor uma solução corretiva respeitando os limites do paciente e do profissional
quanto à intervenção. Garantindo assim uma máxima proporção do sorriso em relação à
face, obtendo um bom resultado e satisfação do paciente. Buscando assim, a mais
naturalidade possível deste sorriso, reabilitando função e estética com a reintegração deste
paciente ao meio social e elevação de sua autoestima, onde muitos dos pacientes
reabilitados já não possuem mais sua autoconfiança e expectativas. O DSD veio para
revolucionar o que existe de mais complexo em estética do sorriso dentro da odontologia.
5. REFERÊNCIAS
BARATIERI, L. N. et al. Estética: restaurações adesivas diretas em dentes anteriores
fraturados. São Paulo: Editora Santos; 1995.
BASTOS, J. R. M. et al. Uso de selantes em programas odontológicos públicos e
privados. Revista Gaúcha de Odontologia. Porto Alegre, v. 51, n. 2, p. 83-86, 2003.
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
9 REVISTA GESTÃO & SAÚDE (ISSN 1984 - 8153)
COACHMAN, C. et al. Prosthetic gingival reconstruction in the fixed partial restoration.
Part 2: Diagnosis and treatment planning. Int J Periodontics Restorative Dent, v, 29, p.
573–581, 2009.
COACHMANN, C. et al. Desenho digital do sorriso: do plano de tratamento à
realidade clínica. In: PAOLUCCI, Braulio et al. Visagismo: a arte de personalizar o
desenho do sorriso. São Paulo: Vm Cultural, 2011. Cap. 7, p. 1-18. (1).
COACHMANN, Chistian; CALAMITA, Marcelo; SCHYDER, Adriano. Digital smile
design: uma ferramenta para planejamento e comunicação em odontologia estética. v.1,
n.2. ed. Ponto, 2012.
DAWSON, P. E. Functional occlusion: From TMJ to smile design. St Louis: Mosby;
2007.
GOMES, J. C. Odontologia Estética: restaurações adesivas indiretas. São Paulo: Artes
Médicas; 1996.
KREIA, T. B.; GUARIZA FILHO, O.; TANAKA, O. Nova visão em ortodontia e
ortopedia funcional dos maxilares: o dilema dos diastemas inter-incisivos superiores
em ortodontia. São Paulo: Ed. Santos, 2002.
MONDELLI, J. et al. Estética e cosmética em dentística restauradora: atualização na
clínica odontológica: a prática na clínica geral. São Paulo: Artes Médicas; 2006.
PEDRINI, D.; JARDIM, O. S.; POI, W. R. Transformação de dente conoide e fechamento
de diastema em clínica geral. Rev. FOL, 2000.
PLAZA, C. A. S. et al. Transformação de dente comprometido esteticamente conoide
utizando resina composta. RBO, 1998.
RUFENACHT, C. R. Fundamentals of esthetics. Carol Stream: Quintessence; 1990.
SILVA, I. Os desafios da odontologia estética: dsd - como projetar o sorriso ideal,
UFSC, 2013. Disponível em <https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/114743 >
Acesso 27/09/2014.
SIQUEIRA, E. L.; SILVA, Y. T. C.; LEITE, A. M. P. Incidência de incisivos laterais
coniformes. Odonto 13 (Caderno Documento), 1993; 2(7):416-8.
PINTO, D. C. S. et al. DESENHO DIGITAL DO SORRISO – DESCRIÇÃO DE UMA NOVA
TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v. 11, p. 01-09, 2014.
Download

DESCRIÇÃO DE UMA NOVA TÉCNICA. Revista Gestão & Saúde, v