Universidade Federal da Bahia Instituto de Fı́sica Departamento de Fı́sica Geral FIS122 - Fı́sica Geral e Experimental II-E / Laboratório Turma: T04/P08 Data: 21/11/2011 Professor: Yuri Hamayano Alunos: Ana Tereza Andrade Borba Franklin Lima Santos Relatório Experimental no . 09 - Equivalente do Calor e da Energia 1.1 Introdução Este relatório apresentará de forma clara e objetiva a relação de equivalência entre calor e energia através de um experimento, em que é utilizado o princı́pio de Conservação da Energia, de forma a obter assim valores que relacionem Joule e calorias e de forma a obter o valor de calor especı́fico para o material utilizado. Ressaltando, porém, a existência de fatores que ocasionam erros e geram resultados em alguns pontos imprecisos. 1.1.1 Material utilizado Quantidade 1 1 1 1 1 1 Descrição Aquecedor elétrico Termômetro Calorı́metro1 Relógio Béquer Balança Tabela 1: Material utilizado 1.2 Objetivos Os principais objetivos deste experimento envolvem: • Determinar a relação de equivalência entre as unidades de energia (J) e calor (cal); • Determinar o calor especı́fico do alumı́nio; • Corrigir os erros sistemáticos associados a trocas de calor entre parte do ambiente; • Utilizar a teoria dos Sistemas Termodinâmicos para justificar, com auxı́lio da Teoria dos Erros, possı́veis discrepâncias entre os valores obtidos e esperados. 1.3 Parte I – Determinação da Relação entre Energia e Calor e o Calor Especı́fico do Alumı́nio 1.3.1 Procedimento Experimental: Obtenção dos Dados Como parte inicial do experimento, realizou-se as seguintes medidas com auxı́lio de uma balança. A potência do aquecedor elétrico foi lida no corpo do aparelho. Também foram medidas i a temperatura inicial da água dentro do calorı́metro e da barra de alumı́nio (Tagua = 25 ◦ C e i = 25 ◦ C, respectivamente). TAl mcaixa = 553 ± 1 g magua = 4002 ± 1 g mbarra = 1935 ± 1 g P otencia = 628 W Tabela 2: Medidas experimentais Aqueceu-se a água dentro do calorı́metro medindo-se em intervalos de 1 minuto a sua temperatura até que está atingisse o valor de 80 ◦ C, o que corresponde a um tempo de 1585 segundos ou aproximadamente 26,4 minutos. Em seguida, inseriu-se a barra de alumı́nio dentro do calorı́metro e realizou-se, novamente, a medida da temperatura em intervalos de 1 minuto até que o equilı́brio térmico2 fosse alcançado, o que ocorreu numa temperatura de 71 ◦ C. As Tabelas 3 e 4 mostram os dados obtidos no experimento. t(s) 0 60 120 180 240 300 360 420 480 540 600 660 720 780 T (◦ C) 25 28 31 34 37 39 42 44 47 49 51 53 56 58 t(s) 1320 1380 1440 1500 1560 1585 1590 1650 1710 1770 1830 1890 1900 1960 T (◦ C) 72 74 75 77 79 80 – 80 80 79 79 78 73 72 Tabela 3: Medidas experimentais (cont.) 2 Devido a perdas de calor para o ambiente, o equilı́brio térmico foi definido como sendo a temperatura em que houve estabilidade desta grandeza por cerca de 3 minutos. 840 900 960 1020 1080 1140 1200 1260 60 62 64 65 65 67 68 70 2020 2080 2140 2200 2260 – – – 72 71 71 71 70 – – – Tabela 4: Medidas experimentais A partir dos dados coletados na tabela acima, é possı́vel também preencher a tabela abaixo, com dados que serão utilizados nas próximas Seções. f Tagua = 80 ± 1 ◦ C i Tagua = 25 ± 1 ◦ C i = 25 ± 1 ◦ C TAl f TAl+agua = 71 ± 1 ◦ C Tabela 5: Medidas experimentais O gráfico da Figura 1, gerado com auxı́lio do software Matlab, mostra os eventos ocorridos no experimento, bem como a sua possı́vel interpretação fı́sica. Dados experimentais Curva ajustada com MMQ 100 Inserção da Barra 90 Temperatura (°C) 80 Região Linear 70 Eq. Tér. 80°C 60 Novo Eq. Tér. 71°C 50 40 30 0 500 1000 Tempo (s) 1500 2000 Figura 1: Gráfico da Temperatura (◦ C) versus Tempo (s) 1.3.2 Procedimento Experimental: Tratamento dos Dados Determinação do A3 Para determinar A, suporemos que a potência fornecida pelo aquecedor será igual a potência absorvida pela água, desprezando as perdas com trocas de calor entre os outros materiais. 3 A corresponde a constante de proporcionalidade que relaciona das grandezas de energia e calor, Joule e Caloria, respectivamente. Temos que a potência fornecida, Wf ornecida , é dada por: Wf ornecida = P · t (1.1) Wf ornecida = 628 W · 1585 s = 995380 J = 995 · 103 J (1.2) E a potência absorvida, Wabsorvida , dada por: Wabsorvida f i − Tagua Wabsorvida = m · cagua · ∆T ; ∆T = Tagua cal = 4002 g · 1 ◦ · 55 ◦ C = 220110 cal = 22 · 104 cal g C (1.3) (1.4) Fazendo a aproximação |Wf ornecida | ≈ |Wabsorvida |, então: |Wf ornecida | [J] ≈ A · |Wabsorvido | [cal] (1.5) 995 · 103 J = A · 22 · 104 cal cal J J A = 4, 522727273 = 4, 5 ou A−1 = 0, 222̄ cal cal J (1.6) (1.7) Ou seja, 1 cal ≈ 4, 5 J ou 1 J ≈ 0, 22 cal Calculando a discrepância entre o valor de A obtido e o valor mais provável tabelado, temos: 4, 5 − 4, 19 · 100 = 7, 4% (1.8) ∆= 4, 19 Determinação do calor especı́fico do alumı́nio, cAl Para determinar o calor especı́fico do alumı́nio, suporemos que o calor cedido ou perdido pela água seja igual em módulo ao calor recebido ou absorvido pela barra de alumı́nio, desconsiderando inicialmente as trocas de calor entre a água o meio externo e a água e a cuba de alumı́nio. O calor absorvido pela barra de alumı́nio, Qabsorvido , é dado por: f i Qabsorvido = mAl · cAl · (Tagua+Al − TAl ) (1.9) Qabsorvido = 1935 g · cAl · 46 ◦ C (1.10) Qabsorvido = 89010 cAl g ◦ C (1.11) O calor perdido pela água, Qperdido , é dado por: f f Qperdido = magua · cagua · (Tagua+Al − Tagua ) (1.12) cal · (−9) ◦ C g◦C (1.13) Qperdido = 4002 g · 1 Qperdido = −36018 cal (1.14) Fazendo a aproximação |Qabsorvido | ≈ |Qperdido |, então: |Qabsorvido | [cal] ≈ |Qperdido | [cal] (1.15) 89010 g ◦ C · cAl = 36018 cal cal cAl = 0, 40 ◦ g C (1.16) (1.17) Calculando a discrepância entre o valor de cAl obtido e o valor mais provável tabelado, temos: 0, 40 − 0, 22 · 100 = 81, 8% ∆= 0, 22 (1.18) Uma discrepância significante, o que sugere que houve trocas de calor com o meio externo ou entre outros materiais. É possı́vel também que a barra não seja alumı́nio puro e ainda que, tal metal quando em contato com o oxigênio atmosférico forme uma camada de Óxido de Alumı́nio (Al2 O3 ), um ótimo isolante térmico. 1.4 Parte II – Correções na determinação do A e do calor especı́fico do alumı́nio, cAl Os cálculos acima desenvolvidos partiram do pressuposto de que o calorı́metro era completamente ideal, ou seja, não havia trocas com o meio externo e ainda que não houve troca de calor entre a água e a cuba de alumı́nio. Nesta Seção, tentaremos reduzir o erro associado aos calculos supracitados inserindo, desta vez, a cuba de alumı́nio como um corpo que troca calor com a água, diminuindo, significativamente as discrepâncias. Re-Determinação do A Temos que a potência fornecida, Wf ornecida , é dada por: Wf ornecida = P · t (1.19) Wf ornecida = 628 W · 1585 s = 995380 J = 995 · 103 J (1.20) ′ , dada por: E a potência absorvida, Wabsorvida ′ f i Wabsorvida = m · cagua · ∆T + mcaixa · cAl · ∆T ; ∆T = Tagua − Tagua cal ′ Wabsorvida = 4002 g · 1 ◦ · 55 ◦ C + 553 g · cAl · 55 ◦ C g C (1.21) (1.22) ′ Wabsorvida = 220110 + 30415 cAl cal (1.23) ′ Fazendo a aproximação |Wf ornecida | ≈ |Wabsorvida |, então: ′ [cal] |Wf ornecida | [J] = A · Wabsorvida (1.24) 995 · 103 J = A · (220110 + 30415 cAl ) cal (1.25) Temos, agora, uma equação com duas incógnitas. Re-Determinação do calor especı́fico do alumı́nio, cAl O calor absorvido pela barra de alumı́nio, Qabsorvido , é dado por: f i − TAl ) Qabsorvido = mAl · cAl · (Tagua+Al (1.26) Qabsorvido = 1935 g · cAl · 46 ◦ C (1.27) Qabsorvido = 89010 cAl g ◦ C (1.28) O calor perdido pela água, Qperdido , é dado por: f f i i − Tagua ) + mcaixa · cAl · (Tagua+Al − Tagua ) Qperdido = magua · cagua · (Tagua+Al Qperdido = 4002 g · 1 cal · (−9) ◦ C + 553 g · cAl · (−9) ◦ C g◦C Qperdido = −36018 − 4977 · cAl cal (1.29) (1.30) (1.31) Fazendo a aproximação |Qabsorvido | ≈ |Qperdido |, temos: 89010 cAl = 36018 + 4977 · cAl (1.32) 36018 = 84033 · cAl cal = 0, 428617328 = 0, 4286 ◦ g C (1.33) cAl (1.34) Substituindo o novo valor de cAl encontrado na equação (1.25), encontramos o novo valor de A: 995 · 103 J = A · (220110 + 30415 cAl ) cal (1.35) 995 · 103 J = A · (220110 + 30415 · 0, 43) cal cal J A = 4, 27 ou A−1 = 0, 23 cal J (1.36) Ou seja, 1 cal ≈ 4, 27 J ou 1 J ≈ 0, 23 cal (1.37) Calculando a discrepância entre o valor de A obtido e o valor mais provável tabelado, temos: 4, 27 − 4, 19 · 100 = 1, 9% ∆ = (1.38) 4, 19 1.5 Conclusão O resultado obtido para o equivalente entre calor e energia, valor de A, apresentou uma discrepância de 7,4% sem a correção dos erros sistemáticos e 1,9% com a correção destes, o que é um valor aceitável. Já os valores obtidos para o calor especı́fico do alumı́nio, tanto na parte 1, quanto na parte 2, apresentaram uma discrepância muito alta, em torno de 80%. Tal discrepância pode ser justificada por diversos fatores, que envolvem a troca de calor com o meio externo e outros materiais, bem como a possibilidade de a barra de alumı́nio não ser pura ou estar coberta por uma camada de óxido de alumı́nio. Outros fatores são citados como resposta da questão 3 do questionário em anexo. APÊNDICE A -- Questionário Questão 1. Qual a diferença entre capacidade calorı́fica e calor especı́fico? Explique exemplificando com os materiais e/ou substâncias utilizadas no experimento. Resolução: Calor Especı́fico (c) é definido como a quantidade de calor necessária para elevar em 1 o C, 1 g da substância. Tomando como exemplo uma substância utilizada no experimento, sabemos que calor especı́fico da água é igual a 1,0 cal/g o C, o que significa que é necessário fornecer uma quantidade de calor de 1,0 cal para aquecer 1,0 g de água de 1 o C. Já Capacidade Térmica ou Capacidade Calorı́fica (C) é a quantidade de calor necessária para variar a temperatura de uma certa quantidade de substância, ou seja, de uma certa massa da substância. A capacidade térmica de um corpo é proporcional à massa e ao calor especı́fico da substância que compõem o corpo, o que pode ser resumido pela equação C = mc. Como no experimento foram utilizados 4 kg de água, então se conclui que a capacidade térmica da água é: C = 1, 0 · 4.000 = 4.000 cal Questão 2. Para a realização desse experimento, você utilizou um importante princı́pio presente em todas as áreas da Fı́sica. No caso em questão esse princı́pio permitiu correlacionar um processo térmico com um fenômeno elétrico. Enuncie esse princı́pio e explique sua utilização nesse experimento. Resolução: O princı́pio utilizado no experimento é o correspondente à Conservação da Energia, estabelecendo que a quantidade total de energia em um sistema isolado permanece constante. Aplicandoa ao experimento realizado e sabendo-se que o isopor atua como um sistema isolante, não permitindo trocas de calor com o meio ambiente, concluı́mos que a quantidade de calor liberada pela água ao aquecer é toda absorvida pela barra de alumı́nio. Questão 3. Que problemas poderiam ter causado a obtenção do valor de A acima do valor correto? E se o valor encontrado for o oposto, isto é, abaixo do valor correto? Resolução: Os fatores que interferem no cálculo do valor de A são os seguintes: • Imprecisão dos aparelhos de medição, como o termômetro e a balança; • Imprecisão no manuseio dos instrumentos, como o cronômetro; • Possı́veis impurezas ou não homogeneidade e uniformidade dos materiais, como a barra de alumı́nio; • Isolante térmico (no caso, o isopor) não ser ideal, permitindo possı́veis trocas de calor com o ambiente; • O gradiente de temperatura ser não nulo, ou seja, o ponto de aquecimento fixo. Como A equivale à razão entre a potência fornecida e a potência absorvida, então para os fatores decorridos acima, que influenciem no cálculo de ambas as potências, de modo a aumentá-las ou diminuı́-las, irão, consequentemente, afetar também o valor de A, seja para mais ou para menos. Questão 4. Por que é importante esperar cerca de 3 minutos após o desligamento do aquecedor para se tomar a medida da temperatura final da água? Resolução: Aguardando de 3 a 5 minutos, este último tempo, aplicado ao caso do experimento realizado, podemos ter uma medida mais coerente da temperatura da água, pois, dessa forma, ela poderá atingir o equilı́brio térmico. Questão 5. Por que este intervalo não pode se estender por muito tempo, por exemplo 10 ou 15 minutos? Resolução: Em casos de tempo muito longos, como 10 a 15 minutos, a água acaba perdendo calor para o meio, devido ao isolante térmico não ser ideal. APÊNDICE B -- Folha de dados Neste anexo é possı́vel encontrar a folha de dados preenchida e o gráfico do experimento. Referências [1] Andrade, R. F. S., Guia de Laboratório – Fı́sica Geral e Experimental II. Universidade Federal da Bahia. Salvador - BA/Brasil, 2005. [2] Nussenzveig, M., Curso de Fı́sica Básica. Volume 2.