CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA, ABASTECIMENTO E DESENVOLVIMENTO RURAL EVENTO: Audiência Pública N°: 0764/05 DATA: 7/6/2005 INÍCIO: 14h27min TÉRMINO: 20h27min DURAÇÃO: 06h00min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 5h59min PÁGINAS: 112 QUARTOS: 72 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. IVAN BAPTISTON - Coordenador-Geral de Unidade de Conservação do Instituto Brasileiro de Recursos Renováveis e Meio Ambiente — IBAMA. ROBERTO GAVA - Presidente da Associação Paranaense de Base Florestal. ELORY BARBIERE - Vice-Presidente da Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina. LUIZ ANSELMO MERLIN TOURINHO - Assessor Técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná. CARLOS KURTZ - Chefe da Assessoria Jurídica da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. ÁLVARO LUÍS SCHAEFFER - Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná. VALDIR COLATTO - Secretário-Executivo de Articulação Nacional do Estado de Santa Catarina. ULISSES ROGÉRIO DE ARRUDA - Diretor da Associação Catarinense das Empresas Florestais. LUCIANO PIZZATO - Empresário madeireiro. SANDRO LUIZ FAVERO - Prefeito de Ponte Serrada, Santa Catarina. ANTÔNIO AURÉLIO SALGADO - Representante da Associação dos Municípios dos Campos Gerais. ANTENOR RIBEIRO BONFIM - Representante de proprietários que comporão a Reserva Ecológica de Mata Preta, Estado de Santa Catarina. FLÁVIO MARTINS - Presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose e Papel do Estado de Santa Catarina. DEMERVAL SILVESTRE - que representa a Associação dos Produtores de Perobal, Estado do Paraná. LORIBEL - Produtora na divisa dos Estados de Santa Catarina e Paraná. OSMAR TOZZO - Prefeito do Município de Passos Maia, Santa Catarina. DOUGLAS FONSECA - Produtor de Ponta Grossa, Paraná. RENO CARAMORI - Deputado Estadual de Santa Catarina. DANUNCIO BITTENCOURT - Prefeito de São Domingos, Santa Catarina. SUMÁRIO: Avaliação das Portarias nºs 507 e 508, de 2002, do Ministério do Meio Ambiente, que tratam da proteção da Mata Atlântica. OBSERVAÇÕES 2 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ COM REDAÇÃO FINAL Nome: Comissão de Agricultura, Pecuária, Abast. e Desenvolvimento Rural Número: 0764/05 Houve exibição de imagens. Há oradores não identificados. Houve exibição de video. Há intervenções inaudíveis. Há termo ininteligível. Data: 7/6/2005 O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Declaro aberta a reunião de audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados convocada para avaliação das Portarias nºs 507 e 508/2002, do Ministério do Meio Ambiente, que tratam da proteção da Mata Atlântica. Foram convidados para participar desta reunião os Srs. João Paulo Ribeiro Capobianco, Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente; Ivan Baptiston, Coordenador-Geral de Unidade de Conservação do IBAMA; Neivor Canton, Presidente da Organização das Cooperativas de Santa Catarina; João Paulo Koslowzky, Presidente da Organização das Cooperativas do Paraná, Elory Barbiere, Vice-Presidente da Federação da Agricultura de Santa Catarina; Luís Anselmo Tourinho, Assessor Técnico da Federação da Agricultura do Paraná; Carlos Kurtz, Chefe da Assessoria Jurídica da Federação das Indústrias de Santa Catarina; Álvaro Luís Schaeffer, Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Paraná; Ulisses Rogério de Arruda, Diretor da Associação Catarinense das Empresas Florestais; Roberto Gava, Presidente da Associação Paranaense de Base Florestal; e Prefeitos dos Estados de Santa Catarina e do Paraná. Informo aos Parlamentares que o tempo destinado aos convidados será administrado de forma a atender ao grande número de convidados. Os Deputados inscritos para interpelar os expositores poderão fazê-lo estritamente sobre o assunto da exposição, pelo prazo de 3 minutos, tendo o interpelado igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica, pelo mesmo prazo, vedado ao orador interpelar qualquer dos presentes. Convido para tomar assento à Mesa os Deputados Odacir Zonta e Abelardo Lupion, autores do requerimento na Comissão de Agricultura, e o Deputado Gervásio Silva, autor do requerimento de realização desta audiência na Comissão de Meio Ambiente, representante do Presidente daquele órgão técnico. Convido também para tomar assento à Mesa os Srs. João Paulo Ribeiro Capobianco e Ivan Baptiston. Para tomar assento à primeira bancada, convido os Srs. Neivor Canton, João Paulo Koslowzky, Elory Barbiere, Luís Anselmo Tourinho, Carlos Kurtz, Álvaro Luís Scheffer, Ulisses Rogério de Arruda e Roberto Gava. Passo a palavra ao primeiro orador, Dr. João Paulo Ribeiro Capobianco, pelo prazo de 15 minutos. Serei um pouco rígido no tempo, para dar não só eficiência à reunião como também ouvir todos os expositores. Às 14h32min iniciamos a primeira exposição. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Exmo. Sr. Deputado Ronaldo Caiado, Deputado Zonta, Deputado Abelardo Lupion, companheiro de Ministério Ivan Baptiston, demais Deputados presentes, amigos de muito tempo, senhoras e senhores, tenho uma apresentação a fazer. Consulto V.Exa., Deputado Ronaldo Caiado, sobre o melhor encaminhamento. Na realidade, preparamos uma apresentação detalhada das propostas, mas temo que 15 minutos não sejam suficientes. A idéia seria apresentar todas as propostas, qual a área, o que está envolvido, quais os levantamentos realizados. Não sei se seria de interesse da Comissão, mas isso seria impossível em 15 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Mesmo com o poder de síntese de V.Sa., se os 15 minutos não forem suficientes, acredito que seremos condescendentes, já que recebo a informação do nobre Parlamentar, Deputado Abelardo Lupion, da importância da sua exposição. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Obrigado. Sr. Presidente, o objetivo é fazer uma apresentação o mais rápido possível, porém com o maior número de detalhes para que possamos avançar no debate. (Segue-se exibição de imagens.) Essa é uma área original. Cobertura vegetal original do Paraná, mostrando a ocorrência da floresta ombrófila mista ou floresta com araucária, conforme costumamos tratar. Aqui não está Santa Catarina. Na realidade, tínhamos extensas áreas, tanto em Santa Catarina como no Paraná, da fitofisionomia florestal que compõe o bioma da Mata Atlântica. Essa é a situação atual. Há ainda, no Paraná, uma grande concentração de áreas protegidas na floresta ombrófila densa, floresta litorânea e algumas formações importantes. Aqui é o Parque Nacional do Iguaçu, a floresta estacional semidecidual. A área da floresta estacional decidual é muito fragmentada. Na área de ocorrência original da floresta ombrófila mista, há uma área bastante reduzida. O mesmo em Santa Catarina. A grande concentração da cobertura florestal remanescente no Estado está na floresta ombrófila densa e mais uma vez se repete uma fragmentação bastante importante da floresta ombrófila mista. Esse é um dos trabalhos importantes que guiou a atividade do grupo. O Decreto nº 5.092, de 2004, do Presidente da República, oficializou as áreas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade em território nacional, envolvendo desde Guarapuava até Palmas, já na divisa com o Estado de Santa Catarina. No caso de Santa Catarina, a região de Ponte Serrada e Abelardo Luz faz divisa justamente com aquela área no Paraná que tem continuidade. Então, houve concentração de esforços nessa área, em termos de araucária, considerada prioritária para biodiversidade. Essas são as portarias. Muitos que estão aqui procuraram a Ministra Marina Silva, logo no início do Governo. Foi o primeiro grande debate que houve no início do Governo, em 2003, em razão das Portarias nºs 507 e 508. Essas portarias haviam sido editadas pelo então Ministro José Carlos Carvalho, em dezembro de 2002, e estabeleceram que essas áreas delimitadas no Paraná e em Santa Catarina estavam sob proteção para estudos de criação de unidades de conservação. Essas portarias geraram um debate muito intenso. Por um problema de redação, ficou proibida qualquer atividade, qualquer plantio de espécies não nativas, espécies exóticas. Interpretou-se que isso atingiria a agricultura, a atividade agropecuária em geral, e se estabeleceu também o limite de 10 quilômetros como influência direta das portarias. Na realidade, embora as portarias tratassem de áreas específicas, onde havia identificação de remanescentes florestais, a área de entorno atingiram vastas áreas de agricultura, inclusive áreas urbanas. Em virtude disso, recebemos vários delegações de Prefeitos, Deputados e produtores, que solicitaram modificação na portaria. A reivindicação inicial era a revogação das portarias. No entanto, a Ministra Marina Silva entendeu que era importante manter um esforço de proteção das araucárias. Em acordo com os participantes, criou-se o GT Araucária Sul, composto por um conjunto expressivo de participantes do Governo Federal, dos Governos Estaduais e Municipais, universidades da região, organizações não-governamentais e setor produtivo. Tenho a relação dos membros do GT Araucária Sul, que passarei ao Presidente da Comissão, Deputado Ronaldo Caiado. Nas reuniões, estiveram presentes 200 participantes representantes de 102 instituições. Passo a lista às mãos do Sr. Deputado, para que faça parte da documentação. Criado o GT, na primeira reunião, houve um acordo entre os participantes no sentido de que a Ministra editasse as Portarias nºs 176 e 178, modificando as portarias anteriores, retirando a área do entorno e deixando claro que nenhuma atividade produtiva que estivesse sendo executada sofreria qualquer tipo de impedimento. A portaria se referia, exclusivamente, à proibição de corte e desmatamento nas áreas-núcleo em estudo para a criação de unidade de conservação. A partir desse entendimento e da portaria editada, iniciou-se o trabalho. Alguns fatos fundamentais. Com relação à floresta com araucárias, temos uma área total remanescente hoje em torno de 3%, incluindo os Estados de Santa Catarina e do Paraná. Somente 0,36% está sob proteção legal, em reservas federais, estaduais, municipais ou privadas. Uma área muito pequena protege o pouco que resta dessa formação florestal. O GT Araucária Sul, como eu já disse, foi criado em março de 2003 e passou a coordenar os trabalhos, para que se identificasse o que deveria ser feito nas áreas assinaladas, com a missão de propor ações de proteção, conservação e recuperação da floresta com araucárias. O GT tem a participação de mais de 30 instituições do Governo em seus 3 níveis: universidades, ONGs e organizações do setor agrícola e industrial. Foram realizadas 4 reuniões: uma em Brasília, na seqüência em Curitiba, outra em Florianópolis e a última em Brasília, quando foram apresentados os resultados. Em todo o processo, os Governos de Santa Catarina e o do Paraná participaram ativa e diretamente, inclusive pelos titulares máximos da área. O Secretário de Meio Ambiente de Santa Catarina, Dr. Bráulio Barbosa, e o Secretário Luiz Eduardo Cheida, do Paraná, acompanharam e participaram de todo o processo. Por determinação do GT, foi criada uma força-tarefa de técnicos, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e IBAMA, reunindo 16 instituições, nos 3 níveis de Governo, universidades e organizações da sociedade civil, com o objetivo de fazer o estudo para propor uma destinação para as áreas que constavam da portaria. Essa força-tarefa envolveu 40 técnicos e percorreu mais de 41 mil quilômetros nos Estados do Paraná e de Santa Catarina. A partir daí, elaborou-se o projeto que apresentarei agora. Quais eram as diretrizes desse GT? Primeiro, incluir o máximo de áreas com cobertura vegetal original. Além disso, manter a integridade dos fragmentos de campos e florestas; evitar a inclusão de edificações e atividades primárias em produção; e incluir nascentes e mananciais. Quais foram os materiais utilizados? Pela primeira vez, o setor público utilizou imagens de satélite de alta resolução — o satélite Iconos —, o que representou uma inovação introduzida nesse trabalho, com softwares e programas de última geração — todo o material em base de dados já está referenciado —, com o envolvimento de doutores e especialistas de relevância nacional e internacional e com a utilização de marcadores moleculares. Também, pela primeira vez na história da criação de unidades de conservação no Brasil, foram utilizados microssatélites e marcadores moleculares para identificar a variabilidade genética das espécies nas áreas de interesse de criação das unidades conservação. Foram realizados estudos, análise biológica, fauna e flora, ecologia da paisagem, biologia da conservação, variabilidade genética araucárias por sistemas de microssatélites, geomorfologia, hidrografia, socioeconomia, perfil fundiário. Em termos de estudo socioeconômicos: graus de urbanização dos Municípios, população ocupada por setor econômico, emprego formal por setor econômico, produção agropecuária, valor da produção agrícola, principais produtos da pauta agrícola de cada Município, estrutura fundiária, uso da terra, participação no valor adicionado fiscal do Estado e índice de desenvolvimento humano municipal. Foi feito um perfil fundiário: identificação em campo de propriedades e proprietários, pesquisa cartorial de matrículas, transcrições e mapas, levantamento do valor comercial da terra por meio do Banco do Brasil, cartórios, imobiliárias e corretoras. Esse é um exemplo de um área, no Paraná, na cidade de Ponta Grossa. Cada ponto assinalado, georreferenciado, significa visita de campo realizada pela equipe nessa área de campos gerais. Detalharei isso mais para frente. O que resultou desse trabalho? Ao final e ao cabo, foi proposta a criação de 7 unidades de conservação de proteção integral, além de uma unidade de conservação de uso sustentável, a APA, que, por um acordo já realizado com Prefeitos, lideranças e o Governo do Estado de Santa Catarina, será discutida no futuro. Não estamos prosseguindo na discussão da APA, que gerou muita incerteza na região. Estamos trabalhando apenas nas unidades de conservação de proteção integral. Temos, no Paraná, 5 unidades, sendo 3 unidades de conservação que exigirão a transferência da titularidade para o Poder Público, ou seja, são unidades de conservação que o Poder Público terá de desapropriar. Quais são elas? O Parque Nacional de Campos Gerais, em Ponta Grossa, Castro e Carambeí; a Reserva Biológica das Araucárias, nos Municípios aqui citados; e a Reserva Biológica da Perobas, em Tuneiras do Oeste. Essas 3 unidades terão de ser desapropriadas. Já essas duas unidades, também no Paraná, são 2 refúgios de vida silvestre: Refúgio de Vida Silvestre do Tibagi e o Refúgio dos Campos de Palmas. Eles permanecerão como propriedade privada. Não haverá desapropriação nesse caso. Em Santa Catarina, duas unidades de conservação: a Estação Ecológica da Mata Preta, em Abelardo Luz, e o Parque Nacional das Araucárias, em Ponte Serrada e Passos Maia. Esse é o conjunto de unidades de conservação que o grupo chegou a propor ao final dos trabalhos. Esse é o Parque Nacional dos Campos Gerais, que já citei, com uma área de 23. 092 hectares, nos Municípios de Ponta Grossa, Carambeí e Castro. Não quero detalhar essa parte por causa do tempo, mas, nos relatórios, há justificativa para cada unidade. O Dr. Pizzatto, ex-Presidente do IBDF, sabe que são elementos essenciais para isso. Não citarei todos. Aqui apresento a caracterização dessa área. Aqui a situação dela. Sete por cento do Município de Ponta Grossa estariam incluídos nessa unidade; 2,6% em Castro; e 2,8% de Carambeí. A maior parte da unidade de conservação — 63% — estaria em Ponta Grossa, 29% em Castro e 8% em Carambeí. Esse é o mapa de uso de solo atual dessa área, com campos naturais e florestas e água correspondendo a 82% da área total. Temos uma área para outros usos, áreas desmatadas, e algumas em uso, como é o caso da plantação de pinus. Esse aqui é o levantamento fundiário das propriedades parcial ou integralmente inseridas nas unidades de conservação. Se somássemos todas as áreas nessa coluna, seria maior do que unidades de conservação. Por quê? Porque o levantamento cartorial e a identificação da propriedade permitem identificar que, naquela área de ocorrência da unidade de conservação, essas propriedades estão inseridas, mas não é possível, em face da não-existência ainda do georeferenciamento da base fundiária, saber quanto por cento da propriedade está na unidade de conservação. No caso dessa unidade de conservação, há 33 propriedades que estão parcial ou integralmente abrangidas pela unidade de conservação, e que, portanto, são propriedades que terão de passar por um processo de desapropriação. Queria chamar atenção que temos propriedades de diferentes tamanhos, mas há um conjunto importante de propriedades de grandes dimensões para a região. A região é de propriedade média e pequena. No caso da Reserva Biológica das Araucárias, a área é de 16.573 hectares. Aqui temos as justificativas. Também não vou me deter no assunto agora. Aqui é a ocorrência dessa unidade de conservação nos Municípios de Imbituva, Teixeira Soares e Ipiranga, nessas proporções. Em relação à unidade, a maior parte dela, 56%, está no Município de Teixeira Soares. Aqui é a atual distribuição da ocupação dela: 81,3% é de vegetação nativa em boa condição. Aqui estão as 17 propriedade envolvidas nessa unidade conservação. Repito: muitas propriedades estão parcialmente dentro e outras propriedades quase integralmente dentro. Posteriormente, será feito um levantamento. Esse é o Refúgio de Vida Silvestre do Tibagi, com 31.483 hectares. Como já disse, é uma área que não será desapropriada. Aqui estão as justificativas para isso. Aqui a distribuição nos Municípios. Nessa unidade, são 5 Municípios com essa distribuição, conforme assinalado, sendo que a maior parte se encontra em Ponta Grossa e em Teixeira Soares. Essa é a distribuição dos usos e da área de proteção dessa unidade. Hoje, há 23% de outros usos em produção que não serão afetados pelas unidades de conservação, porque não haverá desapropriação. Essa é uma imagem importante, que mostra a conexão entre as unidades propostas para serem criadas e as existentes. Propomos o Parque Nacional dos Campos Gerais, a Reserva Biológica das Araucárias e o Refúgio de Vida Silvestre. Observe que essa situação conectará a APA da (ininteligível) com o Parque Estadual de Vila Velha, com duas RPPNs estaduais, que serão conectadas com a Reserva Biológica das Araucárias, a Floresta Nacional de Irati e ainda a Estação Ecológica de Pinheiro. Esse mosaico trará, no ponto de vista nas análises dos especialistas do Ministério do Meio Ambiente, uma situação muito interessante de consolidação de um corredor nessa região extremamente importante, de alta produção agrícola e pecuária. Essa é a Reserva Biológica das Perobas, com 10.800 hectares. Aqui registramos as justificativas. Aqui mais justificativas. Aqui a situação delas. Ela está em dois Municípios: Tuneiras do Oeste e Cianorte. A maior parte dela em Tuneiras do Oeste, sendo que o Município teria 11,8% dentro dessa unidade de conservação. Essa é a distribuição da área. São 83,2% de cobertura florestal em altíssimo grau de conservação. É uma área muito bonita, expressiva, com 16,9% de agricultura e pastagem que estariam dentro da unidade de conservação. Aqui estão as 4 propriedades envolvidas nessa unidade. A grande propriedade é a Fazenda Rio dos Índios, da Companhia Melhoramentosno norte do Paraná. Na seqüência outras propriedades menores. Esse é o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas, a última unidade no Paraná, com 16.272 hectares, que abrange, como se pode ver, uma zona de campos extremamente importante na transição com a floresta. Aqui estão as justificativas. Noventa por cento da área está no Município de Palmas, que teria, dentro da unidade, 9,4%. O restante em General Carneiro. Este é o Parque Nacional das Araucárias, já no Estado de Santa Catarina, com 16.035 hectares. Aqui estão as justificativas. Aqui está a distribuição. Ele se encontra em Ponte Serrada, com 54%, e em Passos Maia, com 45%, ambos Municípios do Estado de Santa Catarina. Esta é a situação atual. Temos a vegetação discriminada com os levantamentos realizados. As propriedades envolvidas. A principal propriedade é da Agroflorestal Tozzo, com 5 mil hectares. Na seqüência, mais 4 outras unidades de conservação. Todas são propriedades de grandes dimensões. Aqui a Estação Ecológica da Mata Preta, também em Santa Catarina. Aqui as justificativas. Aqui está a localização: ela está 100% no Município de Abelardo Luz, que teria 8% do Município dentro da unidade de conservação. Aqui a situação da distribuição da ocupação atual. Aqui as propriedades, que teriam de ser trabalhadas no sentido de verificação de desapropriação ou de ajustes. São 5 propriedades envolvidas nesta unidade de conservação: uma de 4.400 hectares, outra de 1.828 hectares e outra de 3.592. São grandes propriedades, assim como também essa propriedade, de 3.622 hectares. Esse é um quadro final. Estou correndo muito. Peço desculpas, mas estou à disposição para detalhar todos os dados. Quis dar um panorama geral, o objetivo inicial do debate. Esse é o resultado. Nesta coluna, temos as dimensões das unidades de conservação, antes da consulta pública e antes de vários debates realizados. Isso está publicado no material distribuído pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo IBAMA nas consultas. Observem que tínhamos proposto, no caso do Paraná, uma área de 96.970 hectares sob proteção, sendo que 48.287 seriam de unidades de conservação que exigem desapropriação pela sua categoria e 48 mil seriam unidades que permaneceriam na titularidade dos proprietários — metade, aproximadamente. No caso de Santa Catarina, duas unidades, somando 25.830, sendo que essas duas exigem a desapropriação devido às características da sua categoria, somando 122.800 hectares nos dois Estados. Lembro que estamos tratando de uma região de continuidade entre Paraná e Santa Catarina. Esse é o resultado após as consultas públicas. Tivemos ajustes, propostas de aumento, inclusive das unidades, que foram redesenhadas. É importante atentar para isso. Foram feitos vários ajustes nas unidades, ora excluindo, ora incluindo áreas, no debate que se realizou na consulta e após as consultas. Repito, para deixar bem claro, que todos esses debates estão em aberto ainda. Estamos nesta Comissão, inclusive, debatendo isso e abertos a novas sugestões de aprimoramento. O resultado final é que ocorreu o seguinte: uma unidade diminuiu de tamanho, a Reserva Biológica das Perobas, de 11 mil diminuiu para 10.832 hectares, e as duas outras aumentaram de tamanho num processo pós-consulta, sendo que uma delas teve um aumento maior, o Parque Nacional Campos Gerais. As unidades de Refúgio de Vida Silvestre tiveram uma diminuição em virtude dos ajustes realizados em consulta, inclusive com proprietários, e acertos no limite. No total, no Estado do Paraná, originalmente, tínhamos 96.970 propostos e hoje estamos com 98.252 hectares. Em Santa Catarina, as consultas não ocorreram. Estivemos lá, oferecemos todas as condições, mas houve uma dificuldade, agora superada graças à boa vontade dos Prefeitos e do Governo do Estado. Estaremos realizando, na semana do dia 21, novas consultas, agora, sim, com toda a calma e a tranqüilidade necessárias. Nos ajustes técnicos, tivemos uma modificação importante na Estação Ecológica da Mata Preta e também no Parque Nacional das Araucárias. Somando a área total nos 2 Estados — originalmente, tínhamos 122.800 hectares —, temos 122.255 hectares propostos para a criação de unidades de conservação. Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, agradeço a todos a paciência que tiveram ao me permitirem falar um pouco mais, e queria finalizar dizendo que temos a convicção de que essas áreas são de enorme relevância para a conservação ambiental. Temos consciência de que se trata de um processo conflituoso. Entendemos perfeitamente que é direito e cabe a todo interessado participar ativamente e debater. Esse processo tem sido bastante participativo. Parabéns, Srs. Deputados que propuseram esta audiência. Temos de debater exaustivamente esse assunto para fazer o melhor possível, associando os interesses da proteção ambiental, que são urgentes e necessários, com os interesses daqueles que serão impactados direta ou indiretamente pela unidade de conservação. Muito obrigado pela oportunidade. Estou à disposição de V.Exas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao segundo orador, Dr. Ivan Baptiston, pelo prazo de 10 minutos. O SR. IVAN BAPTISTON - Sr. Presidente, Srs. Deputados, boa-tarde. Gostaria de reforçar as palavras do Sr. Secretário sobre a importância de se proteger e ampliar nossas áreas de unidades de conservação. Hoje, dispomos de um conjunto de 258 unidades distribuídas ao longo do País. O bioma da Floresta Ombrófila Mista é um os mais ameaçados ou quase desapareceu; resta menos de 1% da Floresta de Araucária. Depois de longo estudo técnico, detalhado, chegou-se a essas propostas. Entre as várias áreas analisadas, essas são as mais importantes em termos de representatividade para proteger os últimos remanescentes da Floresta de Araucária. Fui criado em Chapecó, Santa Catarina. Ao longo de minha vida, vi paulatinamente a Floresta de Araucária ser reduzida, diminuída. Hoje, resta-nos menos daquilo que precisaríamos para garantir que essa floresta, ao longo da sua existência, sobreviva e se sustente. Fala-se muito em sustentabilidade. Todos nós, do Poder Executivo, e V.Exas., do Poder Legislativo, ousamos discutir o desenvolvimento sustentável, que engloba fundamentalmente a conservação da biodiversidade. Necessário se faz criar unidades de conservação para proteger algumas áreas, o que é polêmico e merece uma profunda discussão. Volto a dizer: após longo estudo técnico e especializado, foram identificados não só esses pequenos fragmentos, demonstrados pelo Sr. Secretário nesta Comissão, como categorias de manejo definidas: 2 parques nacionais, com potencialidades; duas reservas biológicas; 2 refúgios de vida silvestres, que não envolvem desapropriação de terra; e uma proposta de APA, que, conforme o Sr. Secretário falou, é palco de uma discussão sobre bacias hidrográficas. Nos refúgios de vidas silvestres, no de Campos de Palmas, a proposta é que se trabalhe com a atividade da pecuária extensiva. O Parque dos Campos Gerais, na região do Tibagi, basicamente, está em áreas de preservação permanente. Finalizando, viemos aqui debater, ouvir e conduzir propostas para a salvaguarda dos remanescentes de Florestas de Araucária. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Agradecemos ao Dr. Ivan Baptiston o poder de síntese. Concedo a palavra ao terceiro orador, Dr. Roberto Gava, pelo prazo de 10 minutos. O SR. ROBERTO GAVA - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sou do Paraná e represento, neste momento, a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal e, por decorrência, o Conselho Temático de Base Florestal da Federação das Indústrias do Estado do Paraná — FIEP. Todos somos a favor da araucária. Não tenho encontrado ninguém contrário a essa idéia, por mais que procure. Assim como a FIEP procurou os 10 proprietários das maiores áreas com araucária no Paraná, e encontrou, dos quais 9 são madeireiros, foi procurar também a araucária mais grossa do Paraná e a localizou numa fazenda em General Carneiro, de propriedade do ex-Deputado Luciano Pizzatto, que se encontra nesta Comissão. Parabéns por conservá-la. Não quero assustá-los: outros candidatos estão aparecendo, felizmente. Eu já tinha dado essa notícia ao Sr. Secretário João Paulo Ribeiro Capobianco, em reunião do GT Araucária. Fizemos essa campanha para dar mais substância e personalidade, valorizando os proprietários que preservaram a araucária. A criação da unidade de conservação deve ser apoiada por todos, porém com um processo pró-ativo, de forma a acontecer o ganha-ganha, numa pirâmide cujos pontos de apoio são o meio ambiente, a sociedade, o proprietário e a motivação à preservação. O que quer dizer isso? Um ingrediente novo. A continuar o processo como está, levaremos à sociedade o seguinte recado: continuem exterminando; para que sua propriedade conservada com amor até hoje, não siga o caminho do Parque de São Joaquim, do Parque Nacional de Ilha Grande e de outros mais. Em Ilha Grande, por exemplo, no Paraná, 1.200 pessoas foram alijadas das suas terras, e até hoje algumas delas estão mendigando nas grandes cidades. Os proprietários estão apavorados diante da perspectiva de ver seus imóveis, conservados com amor até aqui, desapropriados com base em avaliação costumeira, que sufoca a terra e nunca a raridade existente nessa terra. Essa raridade é maior agora, após a escolha feita pelo Ministério do Meio Ambiente. Essa raridade é a biodiversidade, preservada ou conservada pelos heróis proprietários, aos quais temos de render nosso reconhecimento e homenagem e nunca levá-los às UTIs cardíacas, como está ocorrendo atualmente na região de Ponta Grossa. Na reunião do GT Araucária Sul, de que faço parte, representando a FIEP, ocorrida no dia 15, véspera, portanto, da primeira audiência, deixamos claro que a FIEP tinha a seguinte posição: os responsáveis pela condução do processo na prática, lá na frente, no encontro com o proprietário, tinham que — as palavras foram estas, estão gravadas, à disposição de todos — ir com carro-forte cheio de dinheiro para não levar pedradas e mordidas de cães. Os proprietários precisam ser ouvidos e participar desse processo. Eles não podem estar acuados, como estão hoje. Estamos desrespeitando a propriedade privada. Os empreendimentos produtivos existentes precisam ser preservados. É necessário registrar ainda que a silvicultura com pinus foi mencionada nesses levantamentos. No Paraná, pelo menos, o pinus ocupa 2,8% do Estado apenas e hoje está no segundo lugar na pauta de exportações do agronegócio paranaense, perdendo apenas para a soja. Se tivermos condições de expansão, a soja que se cuide. O pinus, segundo o Ministério do Meio Ambiente, é uma espécie exótica invasora. Estamos montando forças-tarefas para ir aos proprietários invadidos, terrivelmente invadidos, e pedir-lhes que nos deixem entrar e sacar os pinus invasores. Ninguém nos deixa tirar pinus. Trata-se de uma árvore extremamente valorizada, é produtiva e responsável pelo papel que os senhores e eu utilizamos para escrever. Finalizo dizendo que a Agenda 21, com a qual o Brasil está comprometido, junto com 179 países, pede a sustentabilidade. Portanto, todos juntos, temos de encontrar uma forma de compor essa equação do ganha-ganha. Assim, teremos aqueles pilares da pirâmide atendidos: o meio ambiente, a sociedade, o proprietário e a motivação da preservação, exemplo que devemos deixar para os outros heróis preservadores que, até então, não foram objeto da atenção do Ministério do Meio Ambiente. Encerro minhas ponderações e fico à disposição, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Ronaldo Caiado) - Antes de passar a palavra ao próximo expositor, quero cumprimentar o nobre Deputado Estadual Reno Caramori, Presidente da Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Passo a palavra ao quarto orador, Dr. Neivor Canton, pelo prazo de cinco minutos. (Pausa.) Ausente. Passo a palavra ao quinto orador, Dr. João Paulo Koslowzky, pelo prazo de cinco minutos. (Pausa.) Ausente. Passo a palavra ao sexto orador, Dr. Elory Barbiere, pelo prazo de cinco minutos. Peço a S.Sa. tome assento à Mesa. O SR. ELORY BARBIERE - Sr. Presidente, Deputado Ronaldo Caiado, ilustres requerentes desta audiência pública, Deputados Zonta e Abelardo Lupion, da Comissão de Agricultura, e Deputado Gervásio Silva, da Comissão de Meio Ambiente, saudações. Quero saudar também os Srs. João Paulo Capobianco e Ivan Baptiston, os Srs. Parlamentares, o Deputado Estadual Reno Caramori, os Srs. Prefeitos e as demais autoridades presentes. Serei bem pontual na minha fala. Santa Catarina foi pega de surpresa quando do anúncio da criação dessas áreas de conservação, da APA, principalmente, e dos parques nacionais. Infelizmente, a Federação da Agricultura de Santa Catarina não foi convidada a participar do GT, apesar de o Dr. João Paulo ter anunciado que mais de 30 entidades dele participaram. Principalmente a Federação da Agricultura, representante dos produtores rurais, foi pega de surpresa no anúncio das consultas públicas. Criou-se na região um clima de terror, porque não sabíamos o que estava acontecendo. Conhecíamos o processo desde a lei geral e do Decreto nº 2.002, de 2000. A partir daí, infelizmente, fomos pegos de surpresa. Para ser pontual, gostaria de dizer que reconhecemos o esforço da Ministra Marina Silva em preservar as florestas nacionais, mas repudiamos a forma como se está agindo. Somos pessoas produtivas, de bem, e queremos o diálogo. Portanto, queremos hoje fazer um apelo, já que ofício do Governo do Estado de Santa Catarina, datado de 11 de maio, endereçado ao Presidente da República, ao VicePresidente e à Ministra ainda não obteve resposta. O próprio Dr. João Paulo anunciou a suspensão temporária da APA, e os proprietários responsáveis pelas duas áreas pretendidas da criação do parque em Santa Catarina solicitaram a intermediação desta Comissão de Agricultura para que fossem suspensas as audiências convocadas para Santa Catarina — consultas públicas no dia 21 no Município de Passos Maia, no dia 22 no Município de Ponte Serrada, e no dia 24 no Município de Abelardo Luz. Por que isso? Porque é muito mais prático sentar com poucos proprietários dessas áreas do que mobilizar uma região inteira, cujo clima está difícil. Inclusive, os Prefeitos, por pressão, tiveram de convocar ou solicitar nova audiência, como a do próprio João Paulo, que lhes dava prazo de 6 dias para que assim o fizesse. Eles não tiveram outra opção senão solicitar nova audiência, no temor de receber um decreto de cima para baixo, em última hora, e todo mundo ser pego de surpresa. A nova solicitação foi feita pela necessidade de não serem pegos de surpresa e para ganharem prazo, motivo pelo qual estamos aqui hoje recorrendo à intervenção dos Srs. Deputados. Apelamos mais uma vez para a Ministra do Meio Ambiente no sentido de dar conta do ofício encaminhado pelo Governador do Estado Santa Catarina, respeitando o pacto federativo, já que o próprio Estado declara, no documento, que está fazendo, em parceria com o Governo Federal, levantamento florístico- florestal, que deve terminar no prazo de 1 ano. Além do mais, estamos aguardando a votação nesta Casa do novo Código Florestal brasileiro. Faço um apelo, em nome dos produtores catarinenses, no sentido de que seja ouvido o Governo do Estado e suspensas as consultas públicas. É muito mais prático chamar os proprietários. No Paraná, muitos não tiveram o direito de se manifestar. Que sejam chamados esses poucos proprietários a Brasília. Todos eles estão disponíveis para conversar. Apesar de suspensa a APA, não sabemos qual é a intenção do Ministério quanto ao entorno. Todos os senhores são testemunhas de que parques tipo lingüiça, com mais 10 quilômetros de comprimento, praticamente inviabilizam a economia dos agricultores. Era esse meu apelo. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao sétimo orador inscrito, o Dr. Luiz Anselmo Tourinho, pelo prazo de 5 minutos. O SR. LUIZ ANSELMO MERLIN TOURINHO - Deputado, tenho uma apresentação a fazer, mas os 5 minutos de que disponho não são suficientes. Gostaria que V.Exa. me desse pelo menos 10 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Como fizemos uma concessão ao primeiro expositor, V.Sa. tem o prazo solicitado, mesmo porque 2 expositores não compareceram a esta reunião. Por tudo isso, tem V.Sa. o prazo de 10 minutos. O SR. LUIZ ANSELMO MERLIN TOURINHO - Primeiramente, agradeço à Comissão a oportunidade de esclarecer alguns pontos que ainda estão um tanto quanto obscuros na proposta de criação dessas unidades de conservação. Vou falar principalmente do Paraná, porque represento a Federação da Agricultura daquele Estado. Fizemos um ofício à Ministra Marina Silva, antes da formação do GT Araucária, pedindo que a CNA fizesse parte daquele grupo. Recebemos a resposta de que poderíamos ser apenas observadores, porque o grupo de trabalho já estava formado e não caberia mais a inclusão de novos membros. Vou fazer um pequeno histórico do que tem acontecido. (Segue-se exibição de imagens.) Em dezembro de 2002, o Ministério do Meio Ambiente editou as Portarias nºs 507 e 508. Graças à pressão do setor produtivo, conseguimos que as duas portarias fossem revogadas. Havia equívoco em um dos seus artigos a respeito de espécies exóticas no entorno. Conseguimos fazer um movimento de pressão e elas foram revogadas, sendo editadas as Portarias de nºs 176 e 178. Em março de 2003, criou-se o Grupo de Trabalho Araucária Sul sem a participação do setor produtivo e apenas com a Federação das Indústrias e uma federação de trabalhadores do Sul do País, que naquela época não estava legalmente formalizada. Hoje, já está. O destaque da necessidade de formação dessas novas unidades de conservação é a garantia da manutenção do fluxo gênico e da biodiversidade da região. O Ministério publicou uma proposta de criação de novas unidades de conservação nos Estados do Paraná e de Santa Catarina. Fizemos um trabalho mais detalhado e vamos apresentar aos senhores. No folder que o Ministério do Meio Ambiente nos entregou não conseguimos enxergar o quanto de área produtiva está dentro das unidades de conservação. Em nenhum momento nos disseram o tamanho das áreas de conservação do entorno. No Estado do Paraná, chegaram a dizer que serão apenas 500 metros. Quero ver isso por escrito. Onde está o decreto que diz que serão 500 metros? A lei diz que pode chegar a até 10 quilômetros. Por isso, fizemos o trabalho baseado nesses 10 quilômetros. Os senhores vêem neste slide as áreas que serão criadas no Estado do Paraná — e já com seu entorno. As áreas nos Campos Gerais estão aqui dentro. Aqui está a Reserva Biológica das Perobas. Aqui, o Refúgio de Vida Silvestre de Palmas. Isso é ilustrativo para os senhores verem. Aqui estão as unidades de conservação nos Campos Gerais. Isso na cor cinza seria a área do entorno de 10 quilômetros que ocorreria nessas unidades de conservação. Aqui é o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas. Vejam que o entorno chega a pegar o Município de Água Doce. Vejam aqui Cianorte, Tuneiras do Oeste e a Reserva Biológica das Perobas. Esse é um mapa um pouco detalhado. Em vermelho são as unidades de conservação. O mais colorido é o entorno que se formaria nessas unidades de conservação. Nessa imagem de satélite, dá para se ver que dentro das unidades de conservação há muito mais propriedades do que o Ministério diz. Não são apenas 39 as propriedades que estão dentro das unidades de conservação. E aqui quero abrir outro parêntese. Dizem que as propriedades que estão dentro dos refúgios de vida silvestre não precisam ser desapropriadas, porém sofrerão restrições de uso. O proprietário que tem um cultivo de soja lá dentro não vai mais poder usar agroquímico. E aí? Isso é ou não uma desapropriação indireta? Vejam o que há nas unidades de conservação. Apenas de agropecuária dentro da Unidade 1, que é o Parque Nacional dos Campos Gerais, existem 10.183 hectares apenas de uso com pecuária; na Unidade 2 existem 9.442 hectares apenas de uso com agropecuária; na Unidade 3, que é o Refúgio de Vida Silvestre, há 24.411 hectares apenas com uso em agropecuária. Se pegarmos o entorno, veremos que é mais absurdo. No entorno, há 229 mil hectares em uso com agropecuária. . Aqui é o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas. Vejam: aqui é a unidade de conservação. Isto aqui é o entorno, que pega até o Município de Água Doce, em Santa Catarina. Essa é a imagem de satélite. Por que não foram pegas essas áreas de florestas e deixadas essas aqui, que têm agropecuária? Nessa região, a unidade de conservação pega 13.250 hectares apenas de agropecuária. O entorno pegaria 57.118 hectares com agropecuária. O Ministério do Meio Ambiente diz que não precisa ser desapropriado, mas insisto sobre a restrição de uso. Quem tem lavoura aqui dentro e utiliza agroquímico vai sofrer desapropriação indireta. Não tenham dúvida disso. Nesse slide está a Reserva Biológica das Perobas. Aqui vai haver desapropriação. Mas, vejam: o entorno pega boa parte do Município de Cianorte e praticamente todo o Município de Tuneiras do Oeste. Se o entorno for realmente de 10 quilômetros, vejam a área de utilização agrícola que não é pega aqui. Há pouco, o Dr. João Paulo Capobianco informou que a fazenda da Companhia Melhoramentos era de 40 mil hectares. Não são 40 mil hectares, mas apenas 16 mil hectares. E não são 4 propriedades, mas 28. É por essas informações que temos de nos sentar para ver realmente o que está acontecendo aí dentro. Há informações muito contraditórias. É isso que criou animosidade com relação à formação dessas unidades de conservação. Não somos contra a formação dos parques. Apenas queremos mais clareza. Principalmente para os proprietários que serão alijados das suas atividades queremos tratamento digno, porque eles preservaram essas áreas e têm o direito de saber como vão ser desapropriados, quando vão ter de sair de lá. Volto a dizer, como o meu colega Roberto Gava: se for para fazer esses parques e largarem nossos proprietários rurais lá que nem em Ilha Grande, onde os proprietários estão há 14 anos esperando indenização, nós, da Federação da Agricultura, não vamos deixar que isso aconteça no Paraná. Era o que tinha a dizer. Muito obrigado pela oportunidade. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao oitavo orador inscrito, Dr. Carlos Kurtz, pelo prazo de 5 minutos. O SR. CARLOS KURTZ - Sr. Presidente, Deputado Ronaldo Caiado; Srs. Deputados autores do requerimento; senhoras e senhores, inicialmente, a Federação das Indústrias de Santa Catarina, que represento nesta reunião, presidida pelo empresário José Fernando Xavier Faraco, congratula-se com a Câmara dos Deputados pela iniciativa de debater tão importante assunto, que tem gerado muita polêmica no Estado. A indústria florestal em Santa Catarina, como é de conhecimento de todos, é responsável por mais de 84 mil empregos, tendo também sido responsável por 19% dos postos de trabalho criados no ano passado e por 24% da exportação do Estado. Hoje, como disseram os expositores que me antecederam, a preocupação com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável é não apenas da Federação, mas de toda a sociedade brasileira. Porém, a criação de unidades de conservação traz conseqüências econômicas e sociais, e não apenas do ponto de vista ambiental. E estamos verificando em Santa Catarina que há necessidade de aprofundamento da discussão com o setor empresarial. A Federação das Indústrias tem posição muito clara no sentido de que há espaço junto aos empresários, pelo menos nas movimentações que temos feito e nas conversas com empresários catarinenses afetados por essas áreas de conservação, especialmente pelas unidades integrais, no caso os parques, para a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Nacional — RPPNs. Se houver possibilidade de o Ministério aprofundar a discussão, certamente a União — sem despender praticamente recurso nenhum e, mais do que isso, com a concordância dos empresários, com o interesse de preservar, com a dedicação em preservação — vai ter resultado muito mais positivo do que com a criação de unidades de conservação da forma como está sendo feito. Portanto, a Federação das Indústrias não é contra a preservação ou até mesmo a criação de parques. A verdade é que há espaço para aprofundarmos a discussão, especialmente no que diz respeito às reservas particulares de patrimônio natural. Os empresários têm interesse de fazer isso, mas o prazo é curto. É preciso elastecê-lo para que a discussão seja aprofundada. A região de Passos Maia — conforme já constatado — é uma das que possuem mais baixo IDH em Santa Catarina. Lá existe praticamente um deserto elétrico. A eletricidade rural é mínima. Nessas áreas, inclusive nas unidades de conservação das araucárias, há previsão de uma pequena central hidrelétrica que tem de ser contabilizada nesse processo. Se não for contabilizada, vai agravar-se o problema de eletricidade e mais ainda o da pobreza. A proposta da Federação das Indústrias de Santa Catarina é aprofundar a discussão, especialmente na questão das RPPNs, alternativa voluntária de preservação, que não traz problemas de desapropriação e de recursos que têm de ser investidos pela União. A quantidade de criação de parques em Santa Catarina é lastimável. Os exemplos já foram citados aqui, e deles não podemos esquecer. Sr. Presidente, agradeço a V.Exa. a boa vontade. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao nono orador, Dr. Álvaro Luís Schaeffer, Vice-Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, pelo prazo de 5 minutos. O SR. ÁLVARO LUÍS SCHAEFFER - Sr. Presidente, Deputado Ronaldo Caiado, nobres Deputados, serei rápido para aproveitar os 5 minutos de que disponho. Eu, Vice-Presidente da Federação das Indústrias, produtor florestal e participante de uma das unidades de conservação, e todas as pessoas que estão nesse entorno somos favoráveis à criação de unidades de conservação e estamos trabalhando com responsabilidade ambiental há muitos anos. Na região de Ponta Grossa, há 11 anos, foi criado o Conselho de Turismo — CONTUR, do qual fui o segundo Presidente. Ele tinha como foco principal a conscientização dos proprietários rurais no sentido de melhorar a condição ambiental das respectivas propriedades, visando a um futuro aproveitamento com o ecoturismo. Foi uma batalha bastante grande, mas conseguimos tanto êxito que hoje na região dos campos gerais, a de Ponta Grossa, há uma série de propriedades que chamam a atenção do Ministério do Meio Ambiente, que quer convertê-las em parques nacionais. Eu pegarei um ponto de partida para contextualizat onde estamos. Tomei a liberdade de trazer a evolução demográfica do Paraná. Em 1872, o Estado tinha 126 mil habitantes; hoje, 10 milhões e 260 habitantes. Aproveitamos um encarte, por intermédio do qual foi feito uma campanha maciça a favor dos parques, para fazer esse trabalho. Em 1500 não existia o Paraná. Em 1930, o Paraná estava com aproximadamente 800 mil habitantes e tinha essa cobertura vegetal. No mapa apresentado pelo Dr. Capobianco, o Paraná cresceu em população, em economia, passou a ser um celeiro brasileiro e a ter importância na base de produtos florestais muito grande. Agora, sua indústria madeireira, a indústria papeleira, importante na pauta de exportação e na geração de empregos para o Brasil, não usa floresta nativa, apenas a plantada. A agricultura paranaense cresceu e ocupou esses espaços, porque durante muitos anos houve incentivos para que as áreas fossem tornadas produtivas; existia linha de financiamento para destoca; para correção de solo; e até um programa chamado PROVÁRZEAS, para drenagem das várzeas e aproveitamento do solo para agricultura. Cada época tinha sua realidade, sua verdade. O que sobra para nós agora no Paraná? Realmente, uma série de pequenos pontos de preservação. Sobram 10 milhões e 261 mil pessoas com consciência. Essas áreas estão preservadas graças exatamente a essas pessoas que tiveram consciência conservacionista. Há aproximadamente dois anos, eu era Secretário de Meio Ambiente de Ponta Grossa e fiz uma visita ao Dr. Capobianco para relatar problema bastante grande que vínhamos tentando resolver: a poluição dos fundos de vale em área urbana. A região dos campos gerais é repleta de rios e pequenos arroios característicos do planalto. Consideramos que seria extremamente importante recuperar essas matas ciliares. Para isso, contamos exatamente com 10 milhões e 261 mil pessoas. E é exatamente nessas pessoas que temos de desenvolver uma visão ambiental. Como estamos fazendo isso? Durante bom tempo trabalhamos para ensiná-las que é muito importante e viável a preservação ambiental. De repente nos enfiaram goela abaixo — numa audiência pública cuja realização ficamos sabendo naquele mesmo dia — a criação de um parque nacional. Por conta disso, aquelas pessoas que preservaram suas áreas, ali traçaram seu futuro, desenvolveram um sonho e lá trabalharam por tanto tempo passaram a correr o risco de serem desapropriadas. Apesar do risco que correm, acreditamos que elas não serão desapropriadas. Não vai ser uma audiência pública que vai resolver a questão, como já disseram outros oradores. O que queremos que aconteça? Queremos que essas pessoas sejam valorizadas e que possamos contar com a sua capacidade para induzir outras a entenderem que é bom e importante preservar a área ambiental. Só assim conseguiremos trabalhar esses pequenos pontos para um dia ligá-los a áreas de preservação permanente recuperadas, que precisam ser recuperadas e áreas de reserva legal recuperadas e averbadas. Apenas assim mudaremos esse contexto. Só poderemos fazer isso se as pessoas acreditarem que preservar é bom e não tiverem medo de perder tudo aquilo que preservaram. Hoje, a Floresta de Araucária corre risco. Não aquela floresta visível, grossa, que está protegida por lei, mas as árvores de 3, 4 ou 5 anos, que, por nossa culpa, os proprietários acham que constituem um perigo para seu futuro. Com o nosso afogadilho em preservar determinadas áreas, condenamos a preservação de outra floresta, porque as pessoas são responsáveis e querem deixar para seus filhos e netos uma propriedade. O que temos de fazer? Passar a esse potencial um conceito de preservação. Aqui estão as unidades de conservação. Esta é a unidade do Parque Nacional dos Campos Gerais. É incrível que durante aproximadamente 40 dias uma força-tarefa tenha achado lá 32 propriedades. O Dr. Capobianco informou 33. Georreferenciando até agora apenas 75% da área que conseguirmos cobrir, passamos a 106 propriedades. Existem propriedades velhas, com matrículas antigas e que já têm inventário, que não foram feitas, mas são famílias que moram ali. A região de Itaiacoca há alguns anos era a área mais pobre do Município de Ponta Grossa. Hoje é totalmente integrada, com pleno emprego, mesmo mantendo sua condição de preservação. Se a retirarmos daqui, estaremos retirando — isso por enquanto — as 106 famílias que trabalham na área ou no seu entorno. A desapropriação dessas áreas é realmente barata. Com o dinheiro que receberão, pelo valor do mercado, não conseguirão comprar uma área em outro lugar ou, pelo menos, em área perto de onde estão trabalhando. Gera-se, assim, um problema social. E um trabalho feito ali no sentido de se criar uma visão ambiental — e garanto aos senhores que isso está sendo feito — será jogado fora. E vamos jogar fora essas pessoas. Estas são as outras unidades. A parte rosa é a área agrícola; a verde mais clara é a agricultura em outro estágio. Há muita floresta de pinus aqui. No levantamento feito até agora, na declaração de produção dos proprietários, há hoje em torno de 6,99 mil hectares de agricultura nessa área; 1.277 de pecuária; 505 mil de reflorestamento — com o SISLEG, portanto, é área real — e 265 de mineração. A mineração não está em operação, mas é uma área de direito de lavra. Quer dizer, 46,5% dessa área era produtiva, mas, além disso, pessoas moram ali dentro. É um número muito maior do que essa força-tarefa conseguiu diagnosticar. Não é obrigação nossa levantar isso, mas já conseguimos levantar mais de 106 famílias ali. Assusta-nos essa maneira de tentar criar uma unidade de conservação de afogadilho. Somos a favor de unidades de conservação, mas existem outros modelos. Podemos criar RPPNs. A maioria dos proprietários dessa área aceita criar RPPN em praticamente todas as propriedades. Podemos trabalhar a mata ciliar, a reserva legal, criar corredores de preservação, mas, primeiro, temos de trabalhar com as pessoas. Elas são tão importantes quanto a natureza, porque fazem parte do nosso ecossistema. Tivemos aqui um problema legal. A região de Ponta Grossa é formada por campos. A Lei da Reforma Agrária, que agora não é de minha alçada, a Lei nº 4.504, de 3o de novembro de 1964, considera campo nativo área improdutiva. O que houve com esses campos nativos depois de maio de 2003? Deixaram de ser campos nativos, hoje são áreas de agricultura, porque passaram a ficar passíveis de desapropriação. Se queremos criar uma nova consciência ambiental no País, ela tem de ser planejada, identificada. E a Casa para se fazer isso é esta. Agora não é com o Ministério do Meio Ambiente indo de afogadilho, querendo desapropriar uma área que as pessoas vieram preservando até então. Se queremos preservar, temos de plantar as espécies nativas. Para isso, precisamos usar a experiência das pessoas que estão ali, porque podemos fazer um discurso ambiental aqui e passá-lo às pessoas que moram em Brasília, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba, mas quem vai trabalhar em área ambiental, mora lá no interior, está na beira do rio, está trabalhando com suinocultura, avicultura, agricultura e floresta. Se não criarmos uma linguagem em que ele acredite, não vamos ter êxito em política ambiental. Estas são produções de mudas. Se não as desenvolvermos, não recuperaremos as áreas. Agradeço à Comissão a oportunidade. Peço desculpas se me estendi, mas tinha de transmitir nossa visão aos senhores. A responsabilidade ambiental é de todos nós. Não nos furtamos dela em nenhum momento. A Federação das Indústrias se colocou de maneira pró-ativa no sentido não apenas da manutenção da área ambiental, mas da recuperação daquilo que destruímos. E não podemos dizer que o fizemos por má intenção, pode ter sido até por falta de tecnologia, porque não era disponível na nossa época, mas não por má-fé. Muitos de nós cometemos o pecado original, a maioria aqui estudou em caderno, livro e lápis feito com araucária. Graças a Deus, os nossos filhos hoje estudam em caderno, livro e lápis feitos de pinus e de eucalipto. A população brasileira cresceu nesse período, portanto aumentou a necessidade de uso de recurso natural. Temos de trabalhar com bastante afinco para conseguir aumentar a produção das florestas plantadas. Assim, podemos proteger nossa Floresta Amazônica, que está sendo devastada. Esta é apenas uma ilustração. Ela foi apresentada numa campanha como área de araucária do Paraná. Lamentavelmente, porém, ela é do Rio Grande do Sul. Gostaríamos que ela estivesse no Paraná. Há, contudo, no nosso Estado áreas tão bonitas ou mais do que esta. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Obrigado. Passo a palavra ao ex-Deputado Valdir Colatto, Secretário-Executivo de Articulação Nacional do Estado de Santa Catarina, representando o Governador do Estado, pelo prazo de 10 minutos. O SR. VALDIR COLATTO - Cumprimento o Sr. Presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, Deputado Ronaldo Caiado; os Deputados Abelardo Lupion, Gervásio Silva; Zonta e Moacir Micheletto, do Paraná, mas que nasceu em Santa Catarina. Cumprimento também os Prefeitos: Sandro Luiz Fávero, de Ponte Serrada; Osmar Tozzo, de Passos Maia; Nerci Santin, de Abelardo Luz; Danuncio Adriano Bittencourt e Silva, de São Domingos; Avelino Menegolla, de Xanxerê; Waldemar Lorenzetti, de Vargeão, acompanhado de José Ângelo Paglia, Vice-Prefeito de Vargeão; Zeli de Oliveira da Luz, de Ouro Verde, e outros companheiros de Santa Catarina; empresários e pessoal da FIESC; bem como nosso amigo Antenor Ribeiro Bomfim. Sr. Presidente, agradeço à Comissão, em nome do Governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira, a oportunidade de participar dos seus trabalhos Na verdade, nosso Governador está em audiência, não pôde estar aqui, mas deixou um abraço a todos. Agradeço à Comissão a oportunidade de trazer aqui a palavra do Estado. Os Governos de Santa Catarina e do Paraná, quando tiveram a surpresa da criação desses parques, dessas unidades de conservação — APAs realizaram audiências públicas para discutir o assunto. Na audiência de Santa Catarina contamos com a participação do Secretário de Biodiversidade e Florestas do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. Houve grande reação por parte da população, embora o Ministério do Meio Ambiente afirmasse que essa foi apenas dos políticos. Mas não foi dos políticos, na verdade, foi dos proprietários. Estão aqui o Sr Ulisses Rogério de Arruda, os nossos companheiros representando o SESC e também o Sr. Elory Barbiere falando claramente a posição do Governo do Estado de Santa Catarina. O Governo do Estado, tão logo tomou conhecimento do que o Ministério do Meio Ambiente estava decidindo, trabalhou para que se esclarecessem melhor os assuntos. Em virtude disso, houve uma reunião com o Governador Luiz Henrique, no Centro Administrativo de Florianópolis, para esclarecer melhor. Os fatos, contudo, continuaram não sendo esclarecidos. Por isso, o Governo do Estado tomou posição oficial junto ao Governo Federal, enviando carta ao Presidente Lula em que solicitou audiência com a presença do Vice-Presidente, José de Alencar; do Ministro Interino do Meio Ambiente, Claudio Langone, e também do Ministro José Dirceu. O Governo do Estado estava fazendo um levantamento florestal, como foi dito aqui, e precisava de um prazo no mínimo de um ano para concluí-lo. Aliás, nesse levantamento do Governo do Estado, que está sendo feito inclusive em parceria com o Governo Federal, já se constatou, Deputado Moacir Micheletto, que 37% do território de Santa Catarina tem cobertura vegetal nativa, com exceção da área reflorestada. Esse é um dado concreto, embora contestado pelo Ministério do Meio Ambiente. Temos levantamento das 170 mil propriedades de Santa Catarina. E este é um dado concreto que encontramos: 37% das florestas nativas estão no Estado de Santa Catarina. Na verdade, Santa Catarina está fazendo sua parte. Há várias ações que o Estado vem realizando para preservar o meio ambiente. Há o Inventário Florístico-Florestal, do qual falei antes, que faz levantamento de qualidade para preservar o meio ambiente e promover melhoramento genético da araucária, inclusive com estudo científico a respeito. Há também o Programa de Recuperação Ambiental e o de Apoio ao Pequeno Produtor Rural — PRAPEM/Microbacias 2 —, que realmente vêm sendo implementados. Nessa área há 68 microbacias; uma APA de 409 mil hectares; 2 parques que estão sendo pleiteados — o da Mata Preta e o de Abelardo Luz, de 9.006 hectares —, e os de Ponte Serrada e de Passos Maia, com 16.800 hectares, perfazendo 25 mil hectares Srs. Deputados, em todo esse processo constatamos que no Brasil se criou a prática de fazer políticas públicas com o dinheiro ou com o patrimônio dos proprietários. Fazem desapropriações para a reforma agrária, criam reservas indígenas e parques, mas não há dinheiro para indenizar os proprietários. Então, na verdade, o direito à propriedade está em discussão neste País. Ou se respeita o direito à propriedade, ou daqui a pouco este será um País de ninguém. Para se ter uma idéia, apenas para a criação do parque em Abelardo Luz, de cerca de 25.800 hectares, seria preciso para a indenização a preço de hoje 258 milhões de reais. O Ministério do Meio Ambiente, porém, tem apenas cerca de 40 milhões, oriundos de compensação de usinas de Lajes, no planalto de Santa Catarina, para fazer essas indenizações. Este é o dinheiro que tem o Ministério: 40 milhões. Isso sem levar em conta as benfeitorias e a maior floresta de araucárias do País, que está dentro dessa área e que pertence ao Sr. Alcides, com 150 mil pinheiros nativos, 1 milhão e 100 mil pinheiros plantados há 40 anos, e mais 11 milhões de pinus. Esse patrimônio está dentro do parque de Passos Maia e Ponte Serrada. Diz o Sr. Alcides que ninguém o consultou. Simplesmente disseram: “Olha, vamos tomar as suas terras”. Srs. Deputados, a Lei nº 9.985, feita no Governo anterior, diz que espécies consideradas em extinção não são passíveis de indenização. Ou seja, esse patrimônio plantado há 60 anos, que está dentro desse parque, vai ser desapropriado, e os donos não terão direito à indenização. Então, precisamos fazer alguma coisa para que isso não aconteça nessas áreas de APA e dos parques. No roteiro básico que temos para a criação das unidades de conservação, recebemos na verdade um relatório ambiental. Ninguém sabe os números socioeconômicos dessas áreas, nem dos parques, nem das APAs. Questionamos o Dr. Capobianco. Disse ele que o processo era muito volumoso e não poderia mostrá-lo. Engraçado! Como, então, a questão ambiental apareceu publicamente, na versão do Ministério do Meio Ambiente? Todo o mundo sabe, todos conhecem, foi fartamente distribuído aos Estados de Santa Catarina e Paraná o processo que se refere aos recursos, mas nada foi dito a respeito da economia e de como será o deslocamento dos agricultores. Na área da APA há 3.940 famílias; nos parques, cerca de 38 famílias, sem contar as várias propriedades de cada uma. Esse processo precisa ser mais claro. E o Governo do Estado tem uma posição a respeito. O Governador nos solicitou que apresentássemos sua posição aqui: não aceita a forma como foi conduzido o processo; tem preocupações com o meio ambiente de Santa Catarina e pede o apoio desta Casa para que ela não deixe esse processo prosseguir da forma como está sendo encaminhado. Na verdade, dizem que o Estado foi ouvido, mas, como já se disse, a FAESC, algumas Secretarias e os Prefeitos que aqui estão não foram ouvidos. É preciso haver mais transparência. Temos de tornar claro esse processo, discuti-lo com os Municípios, com o Estado e com a sociedade, e apenas depois tomarmos uma decisão. Sr. Presidente, deixo aqui este dossiê, que, além de documentos, contém as cartas que o Governador enviou ao Presidente da República e aos Ministros, para que fique registrado nos Anais desta Casa. Com o apoio da Comissão da Agricultura, que se faz presente em todas as questões nacionais que tratam da terra, poderemos trabalhar nesse processo com mais tranqüilidade e fazer com que todos dele participem. Dessa forma poderemos chegar a um acordo. Decisões não podem ser tomadas de forma unilateral, como vem fazendo o Ministério do Meio Ambiente. Muito obrigado. (Palmas) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao décimo orador, Dr. Ulisses Rogério de Arruda, que disporá de 5 minutos. Antes, porém, transfiro a presidência da reunião ao Deputado Abelardo Lupion. O SR. ULISSES ROGÉRIO DE ARRUDA - Sr. Presidente; Srs. Deputados proponentes do requerimento que possibilitou esta audiência pública; Sr. Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; Sras. e Srs. Deputados; Srs. Prefeitos; senhores técnicos; senhoras e senhores, minhas palavras serão poucas. Tenho mais de 30 anos de labuta profissional na área florestal, com grande enfoque no meio ambiente. Exerci funções importantes em Santa Catarina junto aos órgãos do meio ambiente e tenho com grande envolvimento com a questão florestal. Fico pesaroso neste momento ao verificar que um desejo, uma expectativa da sociedade dos Estados do Paraná e Santa Catarina, enfim, de todos nós, a conservação dos recursos florestais, não chega a bom termo. Fico pesaroso ao verificar a impossibilidade de ajustarmos as expectativas do Executivo, do Legislativo, de órgãos do meio ambiente e da sociedade de forma geral, no sentido de que pudéssemos concluir a criação dessas unidades de conservação dentro de princípios que norteassem os interesses de todos os envolvidos. Como aqui já foi citado, temos em Santa Catarina alguns precedentes importantes, nos quais devemos nos espelhar, relacionados à criação de unidades de conservação. Refiro-me ao Parque Nacional de São Joaquim, criado em 1961, com 53 mil hectares, e ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, que ocupa cerca de 1% do território catarinense. Em nenhuma dessas unidades de conservação os legítimos proprietários foram devidamente indenizados após a desapropriação das áreas. Parece-me que o grande equívoco que estamos cometendo está na criação das unidades de conservação. Deveríamos chegar a um consenso — Legislativo Federal e Estadual, Executivo do Paraná e de Santa Catarina, Municípios e população envolvida nessa questão. Poderíamos nos reunir nas regiões de origem do problema e aprofundar as discussões. Cara a cara, debateríamos e definiríamos o que é uma unidade de conservação, um parque nacional, uma APA, para que a sociedade e os homens públicos soubessem as implicações. Dessa forma, com certeza, chegaríamos a consenso. Mas, do jeito que está sendo feito — tenho conhecimento da carta encaminhada pelo Governador de Santa Catarina ao Presidente da República e ao Ministério do Meio Ambiente —, estamos criando unidades de conservação, instrumentos importantes que funcionarão em benefício das sociedades do Paraná e de Santa Catarina, sem envolvermos aqueles que têm interesse direto da questão. Imagino que se criarmos uma entidade supra a partir do Legislativo Federal, irmos aos Governos dos Estados de Santa Catarina e do Paraná, envolvermos os Legislativos, os Municípios e as comunidades desses Estados, chegaremos a bom termo. Era o que tinha a transmitir a V.Exas. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Muito Obrigado, Dr. Ulisses. Passo a palavra, pelo prazo de 10 minutos, ao ex-Deputado Luciano Pizzato. O SR. LUCIANO PIZZATO - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, senhoras e senhores, não sabia que ia falar, mas agradeço a todos a gentileza. Posso apenas fazer o testemunho de quem teve a chance na vida de participar de todos os segmentos envolvidos nessa discussão. Sou empresário do setor madeireiro, derrubo árvores, corto araucária. Sou a quarta geração fazendo isso na mesma propriedade há 87 anos. Por essa atividade, ganhei do Governo, do Conselho Nacional de Pesquisas, o Prêmio Nacional de Ecologia. Com essa experiência hoje, não sei se o Governo devia tomar esse prêmio de mim, porque se o Ministério do Meio Ambiente acha que manejo para rendimento sustentado não existe em floresta de araucária e não deve mais ser feito, seria obrigatória uma ação junto ao Conselho Nacional de Pesquisas para tomarem esse título que me foi concedido. (Palmas.) Também tive a chance e a oportunidade de ser diretor de parques nacionais no Brasil; criei 5 parques nacionais — aliás, eu não, a Administração Pública — e 5 estações ecológicas, num momento em que era muito fácil do que esse do que o Dr. Capobianco está passando, porque os decretos eram feitos por nós e, sem audiência pública, eram publicados. O último que criei foi o de Superagüi, que, por problemas políticos e pressão extremamente grande de interesses sobre a área, não pôde incluir a Praia Deserta e a porção norte daquela ilha. A manchete do dia seguinte do Jornal Folha de S.Paulo foi: “Parque Nacional destrói Mata Atlântica”. Lembra, Dr. Capobianco? Também tive a experiência de ser Deputado e de ter sido o único até hoje a ter aprovado um projeto de lei que criou um parque nacional: o Parque Nacional Saint-Hilaire/Lange, no Estado do Paraná. Também sou o único Deputado Federal que fez um projeto de lei que ampliou os limites de um parque nacional, o Parque Nacional de Superagüi, conseguindo por lei e debate público incluir os limites da praia, da porção norte e, depois, numa emenda no Senado, também parte da área costeira. Por sinal, fiquei maravilhado e muito satisfeito em ver a homenagem feita na semana passada, em Curitiba, a um Governador, por ser o autor do projeto de lei. Fico feliz em que S.Exa. seja considerado o autor, apenas gostaria que respeitassem pelo menos minha assinatura como autor do projeto de lei. Também penso que esta Casa, da mesma forma que o Conselho Nacional de Pesquisas, deveria tomar-me a autoria do projeto de lei, uma vez que alguns movimentos não levam em consideração essa proposta. Aonde quero chegar com isso? A um desabafo pessoal? Não, quero apenas mostrar o quanto está sendo difícil implementar lei deste Congresso, que apenas conseguiu ser aprovada porque teve como Relator um humanista chamado Fernando Gabeira — refiro-me ao SNUC —, que conseguiu transformar o conceito das unidades de conservação de ilhas isoladas no mundo em algo absolutamente integrado com a sociedade. Ao aprovarmos essa lei, inserimos processos democráticos que demoraram muitos anos para serem implementados, entre eles, a consulta pública, a comunicação à sociedade numa linguagem que o povo possa entender. Sou engenheiro florestal, especialista em Direito Socioambiental, com mestrado em Gerenciamento Florestal e posso entender a terminologia técnica, mas o povo, a quem devemos prestar contas, não a entende. Por isso, a lei feita pelo nosso colega Gabeira diz: “em linguagem que a população possa entender”. Sr. Presidente, se a linguagem tem de ser de maneira que a população possa entender, sua convocação tem de ser feita da mesma maneira, não como foi dito em Diário Oficial; tem de ser um processo participativo, um processo em que efetivamente possamos fazer com que as pessoas sejam nossas aliadas. Nesse testemunho, o que estou encontrando? Grande vontade dos segmentos envolvidos de conservar a araucária; e hoje, talvez em função da crise criada nesse debate, vários outros segmentos estão se aliando — o confronto sempre traz algo de bom —, mas infelizmente os instrumentos estão equivocados. A Resolução CONAMA que suspendeu o corte de espécies em risco de extinção, como a araucária no Sul do Brasil, está decretando sua extinção no meio rural. Comuniquei isso por escrito ao Ministério do Meio Ambiente. Disse que, se não for tomada uma medida, isso é prevaricação. Por que isso está acontecendo? Porque o produtor rural entende que, se deixar germinar uma árvore, a partir daquele momento, deixará de ter o direito de uso daquela propriedade. E, o que é pior: isso não está escrito na lei. A medida provisória em vigor no momento, porque não foi aprovada ainda, do Código Florestal Brasileiro, alterou seu art. 14 e inseriu o art. 37-A, §4º, que resgatou a gravidade desse tipo de problema, dizendo que onde existem espécies em extinção o uso é permitido, e apenas se aplica o art. 14 caso seja constatado que não há como compatibilizar a atividade. Ou seja, o legislador, o Congresso Nacional viu o conflito, e não apenas no Paraná e em Santa Catarina. O mesmo ocorre com o mogno, com as seringueiras, com as castanheiras, enfim, há um monte de conflitos no Brasil — e mudaram a lei. Isso simplesmente não é observado pelo Ministério do Meio Ambiente nem pelas Secretarias de Meio Ambiente. Isso é conflito. Isso é impossibilidade de continuarmos a fazer um processo de conscientização. Vi uma foto do Dr. Álvaro com milhares de araucárias. Temos uma campanha na Região Sul — norte de Santa Catarina e sul do Paraná, naquela manchinha verde — para proteger a madeira. Há 100 anos a indústria madeireira derruba madeira, e lá ainda existe muita madeira. É lógico: é onde eles ganham dinheiro. Ou os senhores acham que quem ganha dinheiro mata sua matriz, o porquinho ou a galinha. Apenas um ingênuo pode acreditar nisso. Agora, o nômade, o espoliador, aquele que apenas quer ganhar e ir para a frente, esse talvez faça isso. Mas ali, aquele verdinho é o pólo madeireiro. Então, lá, todos os anos, fazemos um programa de fomento, garantindo o plantio de umas 200 mil araucárias, que é um número ridículo. Duzentas mil araucárias é ridículo, não sei nem quanto se produz, 60 mil araucárias. Desde a resolução do CONAMA, os proprietários rurais não aceitam mais essas mudas. Na campanha de dois anos atrás, tivemos de buscar as mudas de volta, porque eles não as querem. Portanto, falta credibilidade, este é o problema que vivemos: credibilidade. Conheço o Dr. Capobianco há 18 anos. Sei a data exata, porque lhe enviei naquele época uma carta e ele me respondeu em nome da Fundação SOS Mata Atlântica. Da mesma forma que o nobre Dr. Capobianco, convidei todos os membros das ONGs que compõem esse GT das Araucárias a visitarem a nossa área florestal, que tem manejo, tem a única RPPN da região sul do Paraná, federal, e nunca foram. A nossa empresa é proprietária do Parque Estadual das Araucárias, em extinção, porque está sendo devolvido pelo Governo, onde tem, com a propriedade vizinha, um pouquinho menos que 50 mil araucárias de 300 anos, objeto de 7 teses de mestrados, é considerado um cluster específico, porque apenas tem araucária, não tem mata de folhosas no sub-bosque. Creio que Vereador que está ali, engenheiro florestal, já visitou a área. Como posso depor aqui e dizer que foram feitos estudos, se na nossa área só é possível chegar via nosso escritório, porque é o único acesso à estrada? Ninguém do IBAMA e desse GT foi lá fiscalizar a área. Talvez possam ter ido na área vizinha. Mesmo assim, esse parque está sendo extinto por desinteresse público. E a 20 quilômetros estão criando uma outra área de campos com justificativa de proteger o papagaio Amazona vinácea. Segundo estudo patrocinado pela FAO, nessa nossa área de manejo, dentro da nossa propriedade, há 700 papagaios Amazona vinácea, porque eles vivem junto com a floresta, não no campo. Mas vamos supor que no campo eles vivam no campo. Os proprietários foram visitados, foram vistoriados. Sr. Presidente, na condição de testemunha, creio que os parques, as estações ecológicas, as APAs precisam ser criados. Não creio, com a experiência de técnico que tenho, que os limites apresentados aqui sejam os ideais. Talvez precisem ser reduzidos ou ampliados. Isso é facilmente negociado com a comunidade. Acredito que não é necessário gastar tanto dinheiro público com as desapropriações, porque pode ser que agora não paguem, mas a decisão do Supremo já é clara no caso da Giacomet-Marodin: ato administrativo não esvazia economicamente a propriedade. Mandou pagar as áreas de preservação permanente das áreas desapropriadas pelo INCRA na Giacomet-Marodin há dois anos. Portanto, terá que ser pago em algum momento. Para economizar isso, um mosaico de unidades de conservação, defendido no decreto do SNUC, política do Ministério do Meio Ambiente, poderia contemplar unidades que seriam privadas, mas de preservação quase integral, as RPPs, negociadas onde efetivamente houver campo nativo e floresta nativa. Esse mosaico poderia ser complementado talvez com parques, estações etc. No entanto, é preciso que haja um compromisso sério. Onde for efetivamente agricultura, onde for área antropizada com reflorestamento de pinus, onde for uma área em processo de mineração ativo, essa não deve entrar, a não ser que seja absolutamente necessária para ser abandonada, reformada e criar um processo de integração. Por último, creio que ainda temos de esclarecer duas questões fundamentais que poderão comprometer o futuro da araucária. Primeiro, qual é a diversidade biológica da espécie. Eu defendi, durante meus 30 anos de profissão, que as araucárias, pelo menos nas áreas que manejei, não deveriam ser contaminadas com espécies vindas de outras regiões, porque ali eu devo ter alguma variabilidade específica. Para quem gosta de pecuária, é como ter as matrizes originais e, depois, com os cruzamentos, fazer o melhoramento. Agora, o Ministério do Meio Ambiente insiste que temos de interagir. Estamos tendo homozigose intensiva e, para poder resolver o problema da homozigose intensiva, temos de ter corredores de biodiversidade e precisamos interagir essas áreas. Eu não sei o que é mais importante: heterozigose ou homozigose. Eu não sei. Mas, depois de fazermos a mistura do material genético... O que para nós é fácil; basta telefonar para um companheiro do Rio Grande do Sul, que ele nos manda 10 toneladas de semente de araucária. No outro dia, eu planto 1 milhão de araucárias e, daqui a 14 anos, segundo o professor Zanetti, do Universidade Federal do Paraná, elas darão sementes, e o processo está miscigenado. No entanto, depois de feito isso, não dá mais para acertar. É quase — por favor não riam — como se pegássemos um grupo de uma comunidade indígena xavante e cruzasse com uma comunidade indígena yanomami para manter a inter-relação de raças. (Risos.) Desculpem, não riam! Eu exagerei um pouquinho, mas é para mostrar que queremos conservar sobre a unidade genética pura do processo. Isso tem que ser respondido pelo Ministério do Meio Ambiente, mas não baseado em estudos “a”, “b” e “c”. Tem que haver política pública e estudo sério, porque, depois de isso feito, não dá mais para ir lá cortar a árvore “a”, “b” e “z”. Por último, o segundo aspecto. Se a lei fosse cumprida, por que estaríamos aqui discutindo? Cerca de 20% de reserva legal que pode ser manejada é reserva de recurso, o que representa, só no Estado do Paraná, 4 milhões de hectares. Por que tanto esforço para tentar gastar dinheiro público nesse tipo de processo, se, com menos dinheiro, poderíamos, em 5, 6, 7, 8, 9 anos, recuperar, talvez — não os 20%, porque há muito conflito —, mas pelo menos 10% de reserva legal que a lei determina? E, tenho certeza, o Ministério Público nos ajudaria nisso. Muito obrigado, Sr. Presidente. Foi um prazer! (Palmas.) Lamento não ter podido avalizar o processo, porque estou absolutamente frustrado com a política ambiental. Inclusive, quanto à Lei de Mata Atlântica, da qual fui Relator na Comissão de Meio Ambiente desta Casa, hoje está sendo feito tudo ao contrário do que aprovamos e do que escrevi lá e negociei com as ONGs. Então, eu não posso mais avalizar o processo. Mas tenho absoluta certeza de que os 2 lados estão com boas intenções. Vamos conversar, tentar encontrar uma alternativa e entender que a integração é absolutamente necessária e que a coexistência é a realidade. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Muito obrigado, Deputado Luciano Pizzatto. Concedo a palavra ao Prefeito Sandro Luiz Favero, que falará em nome do Município de Ponte Serrada, Santa Catarina. S.Exa. dispõe de 5 minutos. O SR. SANDRO LUIZ FAVERO - O Prefeito de Passos Maia dispensou a palavra. Portanto, vou falar por 10 minutos. Sr. Presidente, cumprimento e parabenizo V.Exa. e os Deputados catarinenses Gervásio Silva e Zonta, por esta oportunidade de eu poder falar nesta Comissão. Cumprimento os demais Deputados presentes e agradeço aos Prefeitos de 12 Municípios, aqui presentes, que me incumbiram de representá-los. Cumprimento o Secretário da Biodiversidade e do Meio Ambiente e as autoridades do IBAMA. Muito aqui já foi falado. Acredito que todas as manifestações devem estar sendo ouvidas, principalmente sugestões, para que possamos dar o melhor encaminhamento possível. A sociedade, antes de qualquer decisão e até para se posicionar, deve ter adequada informação. Nós, Municípios envolvidos, não participamos dos grupos de trabalho, então, não podemos opinar. As nossas dúvidas advêm de onde se basearam todos esse estudos: somente em imagens de satélites, sem vistorias, sem visitas às áreas e às famílias atingidas. Passos Maia, por exemplo, tem um número maior de famílias no primeiro estudo. Chegamos aqui e já sabemos que há um novo estudo. Ora, então, às vezes, não vejo necessidade de continuar dialogando, porque sabemos que já está ocorrendo um novo estudo e que nós, novamente, não participamos dele. O Poder Público Municipal e os proprietários não participaram desses grupos de trabalho e não puderam opinar. E, devido a isso, a preocupação dos Municípios é extrema. Todo mundo está em pânico porque não sabemos o que poderá acontecer posteriormente. O Secretário de Biodiversidade, João Paulo Capobianco, nos atendeu prontamente em Florianópolis, em audiência pública, e ficou de nos encaminhar relatórios dos 3 Municípios — Abelardo Luz, Passos Maia e Ponte Serrada — sobre impacto social e econômico. Até o momento, nada recebemos. Protocolamos um ofício no Ministério do Meio Ambiente, solicitando esses documentos, para que não se fique somente na palavra novamente. E usamos também o telefone, quando consultamos o Maurício Mercadante. Se a palavra foi empenhada, espero que ele me entregue o relatório hoje aqui na saída. Nos Municípios de Ponte Serrada e Passos Maia, onde existe o parque, a preocupação é imensa quanto às dimensões, porque elas atingem áreas produtivas, agrícolas e de reflorestamento dos nossos Municípios. No Município de Abelardo Luz, na Mata Preta, já há interesse dos proprietários na questão das RPPNs, processo inclusive já protocolado no IBAMA. Então, identifica-se uma vontade, por parte do Poder Público, dos proprietários e famílias, de que o Ministério torne a discutir essa questão. E os Municípios da APA? Nunca se falou tanto em APA como nos últimos 60 dias. São 420 mil hectares envolvidos na APA, um entorno de 10 quilômetros. Os agricultores já não sabem mais o que pode acontecer posteriormente à sua criação. Então, precisamos reunir todo mundo novamente, para nova discussão com vistas a encontrar alternativas. Os 12 Municípios não sabem o que pode acontecer com a arrecadação após a criação dessa APA. Os proprietários, então, não sabem se vão ser desapropriados; mas quanto a indenizações já se sabe que não existem. Enfim, onde está o direito de propriedade? Os Municípios são favoráveis, sim, às unidades de conservação, mas desde que elas sejam novamente discutidas com os proprietários; que sejam participativas. É no sentido de que possamos ouvir aqueles que têm interesse em fazer as RPPNs. Queremos que as unidades sejam criadas, que a discussão da APA aconteça; ou seja, que pensem em APAs Municipais submetidas às atuais leis ambientais, já citadas aqui pelo orador anterior, a quem parabenizo por sua intervenção. Ora, por que não criar APAs Municipais, a fim de que os Municípios, por intermédio de seus Conselhos do Meio Ambiente, tomem o controle da situação? E que sejam, sim, por que não, fiscalizados pelo Ministério do Meio Ambiente, pelo IBAMA. Nos últimos dias um helicóptero do Ministério do Meio Ambiente está percorrendo os Municípios e tirando fotos. Não sei para que tanta foto e tanta publicidade em jornal. Vamos discutir aqui o assunto abertamente. Queremos preservar, estamos nos preocupando com preservação ambiental, mas a preservação tem que ser aliada ao desenvolvimento social e econômico dos Municípios, de forma sustentável. Os Municípios não podem pagar o preço pela diminuição de arrecadação. Hoje já temos misérias demais para administrar, porque os repasses financeiros são escassos para os Municípios; há diminuição dos investimentos para ampliação e novas instalações de empresas que podem não querer se instalar nessa área de 420 mil hectares, preferindo procurar outros Municípios onde a regularização da APA não seja tão rígida. Quanto à questão do aumento do desemprego, dos problemas sociais e do êxodo rural — que vai acontecer — essas são defesas dos Municípios. Nosso posicionamento não vem de encontro ao posicionamento do Governo do Estado. Já está havendo, por parte do Governo Estadual, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente, uma parceria até financeira, e o estudo já está sendo realizado. Tivemos oportunidade, na sexta-feira, de presenciar, em Abelardo Luz, juntamente com o Prefeito Nerci Santin e o Secretário de Articulação Nacional, Valdir Colatto — numa explanação da IPAG —, um estudo fantástico que está sendo elaborado em Santa Catarina, que é o Inventário Florístico Florestal. Posteriormente, vamos avaliar esse estudo, que tem 1 ano para ser concluído, e vamos nos reunir novamente com autoridades federais e estaduais e com a representatividade local, porque nenhum Prefeito das áreas atingidas até agora participou desse grupo de trabalho. Eu mesmo não sei qual foi o Prefeito que participou da CGT — da nossa região, não foi. Devemos unir os segmentos sociais, o empresariado, a indústria e o comércio para termos a possibilidade de criar novas unidades de conservação. Depois, voltaremos a discutir a questão. Portanto, não há motivo para a realização de consultas públicas agora. Vamos aguardar a finalização do Inventário Florístico Florestal, a votação do Código Florestal, como já foi frisado, para depois realizarmos consultas públicas e, juntos, lutarmos pela preservação, mas sem que a população sofra prejuízos sociais e econômicos. Os Municípios hoje defendem o interesse público. Essa é a nossa defesa. Muito obrigado pela oportunidade. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Obrigado, Prefeito. Com a palavra, para falar em nome dos Prefeitos do Paraná, o Prefeito de Palmeira, Altamir Sanson. O SR. ALTAMIR SANSON - Caro Presidente Abelardo Lupion; Srs. Deputados; demais companheiros da Mesa; em especial, nossos amigos da bancada do Paraná, estamos orgulhosos de ter grandes representantes nesta Casa e que defendem muito bem nosso Estado. Caros companheiros que compõem esta excepcional reunião, quero dizer que estamos satisfeitos por esta oportunidade. Vou abordar 2 assuntos. A preocupação é a mesma. Ouvimos o Prefeito, os Parlamentares e o Deputado Luciano Pizzatto. A preocupação é imensa. Nossos agricultores estão desesperados em todos os Municípios. Estou do lado do Gilson, representante do nosso movimento, que está assustado. Sabemos que a intenção talvez não seja, por nenhum lado, negativa, que seja até a de ajudar os Municípios e a preservação, mas queremos ser ouvidos. Não ouvi a exposição do Sr. João Paulo Ribeiro Capobianco, mas não estou aqui para ser mal-educado e deselegante. Sou Prefeito desde janeiro. Nossos moradores não receberam visita de ninguém. Fizemos um movimento na nossa comunidade, no último final de semana, no qual estiveram reunidas inúmeras pessoas: autoridades e pessoas envolvidas no projeto. Estou falando em nome de um Município de 40 mil habitantes, onde tive a aprovação de mais de 50% da população. Mas estamos preocupados. Não é preciso salientar os temas, mas queremos deixar bem claro que a nossa preocupação não é diferente. De forma muito especial, agradeço aos representantes de nossa bancada, da qual nos orgulhamos muito. Sabemos que V.Exas. estão do nosso lado. O povo está preocupado. Temos condições de ajudar o Governo, Deputado Abelardo Lupion, de oferecer um projeto de preservação sem custo para o Governo Federal e que venha a solucionar o problema. Mas repito: queremos ser ouvidos. O Município de Palmeira é igual aos Municípios de Santa Catarina e do nosso Estado, principalmente os da região dos Campos Gerais. Queremos a oportunidade de ter vez e voz. Sr. Presidente, agradeço a V.Exa. a oportunidade de participar desta reunião. Que Deus abençoe a bancada do Paraná, que tem ajudado de forma muito especial o Município de Palmeira! Era o que tinha a dizer. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Obrigado, Prefeito Altamir. Concedo a palavra, em nome da Comissão do Meio Ambiente, ao Deputado Gervásio Silva, um dos autores do requerimento. S.Exa. disporá de 5 minutos. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Sr. Presidente, Deputado Abelardo Lupion, colegas Parlamentares, representantes das diversas entidades do setor produtivo, representante da Federação das Indústrias de Santa Catarina, senhoras e senhores, produtores rurais. Inicialmente, quero relatar aos colegas Parlamentares, aos catarinenses, ao Deputado Estadual Reno Caramori e aos Prefeitos dos Municípios de Santa Catarina o seguinte. Em determinada ocasião — eu ainda não era Deputado, mas Prefeito —, o saudoso Anselmo Hess, ex-Presidente da Fundação do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina, numa reunião onde se discutia a questão da Mata Atlântica, disse o seguinte: “Reclamem com os seus Deputados, com os seus Parlamentares, porque foram eles que votaram. Nós estamos cumprindo aquilo que foi aprovado pelos seus representantes”. Por isso, temos de estar conscientes da nossa responsabilidade. E certamente não vou ouvir isso amanhã em função da minha omissão. Por isso, cumprimento o Dr. João Paulo Capobianco. Quero dizer a S.Sa. que as informações obtidas naquelas audiências públicas de Ponte Serrada e Abelardo Luz não traduziram a verdade, como já disse em outras ocasiões. Primeiramente, os Parlamentares Federais e Estaduais e os Prefeitos que lá estavam — por exemplo, o Deputado Zonta — foram tratados com indiferença pelos representantes do Meio Ambiente. Não foi nosso desejo o envolvimento da classe política nessa questão. Seria muito mais cômodo para nós, Parlamentares, tratarmos de outras atividades e outros interesses do que estarmos nessa dividida. Mas estamos aqui cumprindo nosso compromisso de representar o povo e atender aos seus reclamos, desde os do pequeno agricultor aos do empresário da área florestal. Essa é a nossa obrigação na qualidade de Parlamentares. É oportuno destacar que fiquei muito triste, Dr. Capobianco, semana passada, quando encerramos a votação do Projeto de Lei nº 4.776 na Comissão Especial, porque considerei tremenda irresponsabilidade ouvir de uma Parlamentar — e foi motivo de comemoração para o Brasil — o seguinte, ao final da votação, quando encerramos a reunião: “Vamos amazonizar o Brasil!” Ora, primeiro, entendo que devemos legislar neste País levando em consideração as diferenças regionais. Claro que a concessão de florestas públicas é um grande projeto e precisa ser aprovado. Houve o debate. Mas temos de ter um pouquinho de responsabilidade com o ser humano. Apresentei o requerimento à Comissão do Meio Ambiente, juntamente com o Deputado Zonta, para trazermos esse debate para o foro legítimo, que é a Câmara dos Deputados. Aliás, as Portarias nºs 507 e 508 foram feitas de forma covarde — não neste Governo, mas no governo passado —, na calada da noite. É com esse tipo de ação que os agricultores estão realmente preocupados. A questão que envolve unidades de conservação mobiliza todo mundo. Tecnicamente, não sou a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto; estou aqui como Parlamentar. Mas entendo que agora o debate está se dando no foro apropriado, que é a Câmara dos Deputados. Há portaria, decreto e resolução que representam invasão de competência do CONAMA ao legislar sobre temas que deveriam ser legislados pelo Parlamento. Essa é a grande verdade. Não alongarei mais o tema, porque depois de tudo que foi dito eu seria repetitivo. Peço ao Presidente da Comissão que acolha a sugestão do Barbieri, Vice-Presidente da Federação de Agricultura de Santa Catarina, para que sejam suspensas essas audiência públicas, já que estamos no caminho do diálogo. Os números apresentados pelo Dr. Capobianco são divergentes dos apresentados pela Federação da Agricultura do Paraná. São muito diferentes. Quais são os números corretos? O debate precisa continuar. Como foi dito aqui, no afogadilho não vai dar certo. Não houve agitadores em Ponte Serrada — eu estava presente na audiência — nem em Abelardo Luz. Havia mais de 2 mil agricultores preocupados com a sobrevivência na pequena propriedade. Eles vão, sim, como muita razão e com o nosso apoio, defender seus interesses e procurar saber o que acontecerá, porque, até o momento, os fatos estão muito obscuros. Presidente Lupion, apelo para que a Comissão de Agricultura, juntamente com a Comissão de Meio Ambiente, que represento nesta audiência pública, envie ofício à Ministra do Meio Ambiente, a fim de que essas audiências públicas sejam suspensas. Não tenho dificuldade nenhuma quanto a isso. Se os representantes dos produtores rurais, da agricultura familiar, do setor florestal, se os vários segmentos da atividade econômica de Santa Catarina disserem que o projeto está correto, que a forma está correta, defenderemos. Não somos contrários à preservação. Nos últimos tempos, não existe qualquer brasileiro contrário à tese de preservação do meio ambiente. Mas não podemos concordar com o que está acontecendo em Santa Catarina, onde já há ONG de fundo de quintal se habilitando para administrar um parque. Está aqui no jornal: “Parque Nacional de São Joaquim sem data para sair do papel”. E ainda dizem, Srs. Parlamentares: “Depende da vontade política dos Deputados”. Vejam a responsabilidade que estão nos dando! Esse parque foi criado em 1961, há 44 anos. Ninguém foi desapropriado até o momento. É claro que não somos contra. Também não podemos ser contra o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Afinal de contas, lá estão os mananciais de água que abastecem a Grande Florianópolis. Ele foi criado em 1975 pelo Governo Estadual. Nem satisfação aos proprietários foi dada. Ainda se localiza na Serra do Tabuleiro a área balneária da Praia do Sonho e da Praia da Pinheira. Mais de 15 mil moradores estão tendo problemas diariamente com o Prefeito do Município de Palhoça, com o Ministério Público, com a polícia ambiental e outros órgãos ambientais. É essa a nossa apreensão, Dr. Capobianco. Estive no Município de Urubici, recentemente, Deputado Pizzatto, na área do Parque Nacional de São Joaquim. Lá havia um produtor de trutas que teve de sair da área do parque porque não permitiram que sua propriedade tivesse acesso à rede de energia elétrica. Ele teve que desistir de produzir trutas dentro do Parque Nacional de São Joaquim. Esse produtor de truta chama-se Hélio; é um biólogo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele havia me pedido para participar das discussões nesta audiência pública na condição de biólogo, mas me esqueci de convidá-lo. Se os Prefeitos estão presentes e os representantes das diversas entidades entendem que o diálogo é possível, apelo para que se faça o diálogo e se evitem essas audiências públicas, no momento. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Convido o companheiro e querido amigo Reno Caramori para que nos faça companhia à Mesa e nos brinde com seu posicionamento. O SR. RENO CARAMORI - Quero primeiramente cumprimentar o grande Deputado Abelardo Lupion, que preside esta audiência pública, bem como os demais Parlamentares Federais, empresários e representantes de entidades, especialmente os de Santa Catarina, os quais tenho a obrigação de nominar pela preocupação que estão tendo com os paranaenses e os gaúchos, relativamente à preservação da nossa araucária. Eles dão condição para que nossas propriedades sejam produtivas. Portanto, cumprimento o Presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose, nosso amigo Dr. Flávio Martins, pessoa que gostaria que se tornasse mais conhecida de todos pela luta em prol da economia de Santa Catarina e pela defesa da preservação da natureza, assim como seus conselhos àqueles que procuram utilizar a terra condignamente, produzindo essências exóticas (Palmas). Cumprimento também o Caron, que tem lutado tanto e também é nosso conhecido; o Deputado catarinenses Enori Barbieri, da Federação de Agricultura do Estado de Santa Catarina. E cumprimento os Prefeitos e Vereadores de Santa Catarina. Não estou falando na condição de representante dos 40 Deputados por Santa Catarina, porque alguns me pediram que não os representasse por não concordarem com a moção que encaminhamos ao grande amigo Dr. Capobianco, a quem cumprimento, com todo respeito, pelo empenho. As leis existem, e o Dr. Capobianco, Secretário de Biodiversidade e Florestas, do Ministério do Meio Ambiente, está procurando fazer com que sejam cumpridas. Queremos a flexibilização da lei, a mudança nos projetos de lei ao tempo em que estão tramitando no Congresso Nacional, para que sejam revistos pelos Parlamentares, a fim de que, assim, Rogério, possamos fazer aquilo que você prega há 40 anos: viver em harmonia com a natureza. A moção que encaminhamos ao Sr. Presidente da República, ao Ministro da Casa Civil, à Sra. Ministra do Meio Ambiente e ao Sr. Presidente do IBAMA alicerçou também a correspondência ao nosso Governador no sentido de postergarmos as decisões e audiências públicas até que o nosso inventário florestal seja concluído. Lamentavelmente, perdemos uma grande companheira que estava atuando na área como gerente, a Maria Elisa, que morreu em um acidente. Esteve conosco, Dr. Capobianco, em todas as reuniões do GT Araucária, mas a equipe permanece trabalhando. Assisti com muita atenção a todos os que nos antecederam. Nós, catarinenses, temos uma preocupação. Certa ocasião, eu disse à Ministra Marina Silva: “Eu não tenho serraria, eu não tenho terra, eu não tenho reflorestamento, eu não tenho fábrica de papel, eu não tenho nada, mas eu tenho a grande responsabilidade de defender os direitos da nossa gente e da nossa região”. Também já disse que o Parque de São Joaquim está destruído, e alguém aqui fez a mesma afirmação. Secretário Capobianco, V.Sa. não teve a oportunidade de conhecer aquele parque como nós o conhecemos. Eu o conheci em 1965, andei muito por aquela floresta. Hoje, Deputado Gervásio Silva, causa-nos pena andar por aquela floresta. Foi muito grande o desleixo do Poder Público, que, além de não indenizar os proprietários, não se preocupou em cuidar daquele patrimônio, e hoje resta muito pouco. Preocupa-nos muito, Srs. Parlamentares, o risco de incorrermos, mais uma vez, nesse tipo de destruição. Não gosto do termo “conservação”, ao qual alio a expressão “perpetuação da espécie”. Conservar é fácil; é só pegar um vidro com pepino, acrescentar vinagre, sal e pimenta e colocá-lo na prateleira. Nessas condições, por quanto tempo o pepino se conserva? Por quanto tempo vamos comer pepino se não renovarmos essa conserva? Portanto, queremos o manejo sustentável e condições para fazer com que essa floresta não entre em decadência em 100, 200, 300 anos. “Ah! mas o pinheiro vive 700 anos”. Entretanto deve haver pinheiros com 699 anos. Esse pinheiro vai secar. Quem conhece a floresta, quem conhece a atividade madeireira sabe que, ao secar o pinheiro dentro dessa floresta, outro não nascerá se não abrirmos uma clareira, pois a bracatinga, a taquara e outras espécies nativas tomarão conta. Entretanto, às margens dessa floresta vai nascer pinheiro. Temos uma foto que mostra campos com árvores adultas, talvez centenárias, sem um único pinheiro ao redor. É uma pena que eu tenha esquecido de trazer fotos de outras áreas como essa, em que não houve o que foi dito hoje pelo exDeputado Pizzatto, com palavras muito profissionais, com muita ênfase e propriedade de conhecimento, em relação à questão de pinheiros antigos e campo. Por que será que temos outros campos com pinheiros de 1, 2, 3, 4, 5 anos, e nesse campo não há nada? É muito fácil entender, e o madeireiro e o pequeno agricultor sabem o porquê. É porque alguém cortou o pinheiro, e esse alguém sabe que um dia será prejudicado por essa ave porque ele tem pouca área. E a gralha veio, escondeu o pinheiro e ele nasceu; aqui não nasceu porque alguém tirou. Essa é a grande prova. Queremos realmente plantar. Vamos preservar, vamos fazer com que a natureza permita que a gralha esconda o seu pinheiro, e assim nasça um pinheiro. Vamos fazer com que o nosso pequeno agricultor ou pecuarista não corte esse pinheiro. Dessa forma, vamos perpetuar a espécie. Do contrário, só vamos conservar, e a conserva tem certa durabilidade. Devemos perpetuar a espécie em um manejo sustentável, por meio do qual possamos retirar as árvores que estão em decadência, com fiscalização do IBAMA e da FATMA. Conforme falou o Prefeito, vamos passar a fiscalização para o Município. Conhecemos nossos Prefeitos, nossos Vereadores, a gente da nossa terra. Trago somente este depoimento. Faço parte do GT Araucária. O Secretário Capobianco é prova de que em todas as reuniões fui combativo. Fui até agredido certa vez quando fiz essa afirmativa. Mas essa é a grande realidade. Se assim não procedermos, acabaremos com a araucária por conta da lei. Com relação a essas áreas que já foram demarcadas, Secretário Capobianco, fico satisfeito em saber que a primeira área, que era de 16.824 hectares, já passou para 16.035 hectares. Já houve algumas correções nesse mapeamento. Acredito que sim. O que queremos é preservar as áreas agricultáveis, as áreas produtivas. Queremos conservar os pinheiros, as araucárias. Queremos perpetuar a espécie. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Anuncio a presença do Prefeito Celso, de Imbituva, e do Vereador Gilberto, do mesmo Município. Passo a palavra ao Sr. Antônio Aurélio Salgado, representante da Associação dos Municípios dos Campos Gerais. Depois o Deputado Zonta fará uma apresentação. Em seguida, ouviremos os Deputados inscritos. O SR. ANTÔNIO AURÉLIO SALGADO - Boa-tarde, Sr. Presidente, Prefeitos e Vereadores, companheiros do Paraná. Represento o Diretor Executivo da Associação, que tem sede em Ponta Grossa e engloba 19 Municípios, 7 dos quais são englobados pela área. Há consenso entre todos os Prefeitos no sentido de que se deve fazer a preservação. Mas trago o depoimento de alguns produtores que nos procuraram. Antigamente, na propriedade deles, a praga chamava-se nabo, essas porcarias que nascem no meio do campo. Hoje, para eles, a praga chama-se araucária. Se nasce uma árvore, no outro dia eles a cortam. Esse foi o tiro que vocês deram e saiu pela culatra, porque vocês estão simplesmente dizimando a araucária. A associação se propõe, em cada um desses Municípios que estão sendo atingidos, a arcar com os custos de uma consulta aos proprietários. Se o Governo não tem dinheiro ou alega qualquer outra coisa, as Prefeituras arcam com esse prejuízo. A Associação dos Municípios dos Campos Gerais arcará com esse custo. Aliás, se for o caso, vocês podem sair de Brasília e ir até lá. Não sei por que o Governo tem tanta pressa. Eles fazem isso no local há 50 anos. Então, por que fazer isso tão rapidamente? Que interesse obscuro está por trás disso? É isso que todo mundo quer saber. Trouxe essa mensagem de todos os Prefeitos e espero que saia esse debate, porque ninguém sabe o que vai acontecer no campo. Vocês serão responsáveis por aquilo que vier a acontecer daqui para frente. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Passo a palavra ao Deputado Zonta, autor do requerimento que solicitou a realização desta audiência, pelo prazo de 5 minutos. O SR. DEPUTADO ZONTA - Caro colega e Presidente, Deputado Abelardo Lupion; Deputado Gervásio Silva, que representa aqui a Comissão de Meio Ambiente; demais colegas Parlamentares; Srs. Prefeitos e Vice-Prefeitos; representantes das entidades constituídas em cada Estado, desde as federações das indústrias, da agricultura e do cooperativismo; Sr. Capobianco, que representa o Ministério do Meio Ambiente; senhor representante do IBAMA; senhores representantes da imprensa, representantes de entidades, produtores e proprietários de terra. Agradeço a oportunidade da realização desta audiência pública, a presença das senhoras e dos senhores que fazem acontecer a audiência. A iniciativa tomada juntamente com os Deputados Abelardo Lupion e Gervásio Silva teve o intuito de trazer a debate tema tão importante no Congresso Nacional, especificamente na Câmara dos Deputados. Por isso, a presença de todos representa a consumação do objetivo de realizar esta audiência pública. Cumprimento também o Deputado Estadual Reno Caramori, que representa a Assembléia Legislativa de Santa Catarina, e o ex-Deputado Colatto, que representa o Governo do Estado de Santa Catarina. Ao agradecer a presença ao Sr. Capobianco, em nosso depoimento desejamos produzir alguns questionamentos, que fazem parte da preocupação já exposta. O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Deputado Zonta, gostaria de pedir ao Sr. Capobianco que se dirija à Mesa, porque V.Exa. vai ser a pessoa que mais ele vai gostar de ouvir a partir de agora. É importante a sua presença à Mesa para facilitar as respostas. O SR. DEPUTADO ZONTA - Obrigado, Sr. Presidente. Naturalmente, o Sr. Capobianco vai ouvir meus questionamentos. Na tentativa de fazer as audiências públicas em Santa Catarina, o que não foi possível, ordeiramente os produtores e Prefeito e as lideranças se apresentaram para tentar diminuir a ansiedade, o impacto das notícias ocorridas. Somos amplamente favoráveis à preservação ambiental, aos parques florestais. Mas vamos ser claros: está faltando comunicação e respeito para discutir com os proprietários, os Prefeitos e as entidades representativas a implantação de uma reserva. Tanto está faltando essa comunicação que a primeira pergunta que lhe faço é a seguinte: baseadas em que orçamento, constante do Ministério do Meio Ambiente ou de outro Ministério, as áreas de preservação pretendem ser instaladas? Quanto existe de orçamento para começar? Ao baixar um decreto, se assim ocorrer, será necessária reserva orçamentária para indicar a indenização. Encaminhamos pedido de informação ao Ministério do Planejamento. Lógico que não venceu o prazo para a resposta. Existe orçamento? Quanto existe de orçamento? Segundo ponto. Foi feito levantamento socioeconômico? Vou fazer todas as perguntas para depois ouvir as respostas. Quem foi ouvido? Quantas famílias foram levantadas em cada Município nas áreas de preservação permanente? Não estou falando nas unidades de proteção ambiental, mas nas áreas de preservação permanente. Levando em consideração que falta esse levantamento socioeconômico, quando se coloca um proprietário no Município de Ponte Serrada, quantas pessoas vivem sobre essa área? Está atingida pela unidade de preservação permanente. Celulose Irany, quantas famílias estão lá? Ao todo, quantas famílias existem trabalhando sobre essa área e que dependem dessa área para a sua manutenção? Quando vai ser feito o levantamento socioeconômico? Na realidade, ouvindo os Prefeitos e as famílias atingidas, não há, pelo que sentimos, o levantamento socioeconômico. Outra questão: no caso de Santa Catarina, está prevista uma APA. Não ouvimos o senhor falar dela. Isso está fora de cogitação ou está temporariamente suspenso, para daqui a pouco, como de surpresa, voltar? Essa é a grande dúvida. São 420 mil hectares. A maioria dos Prefeitos estão aqui. No caso de Santa Catarina, está incluído nas APAs todo o seu território. Isso está retirado ou vai voltar daqui a pouco, de surpresa? E como fica a situação dessas famílias e desses Municípios? Estão fora ou não da questão das APAs. O Ministério do Meio Ambiente conhece o levantamento florestal realizado em Santa Catarina. Por exemplo, já foi dito aqui pelo Secretário Colatto que subimos de 17% para 37% a preservação das espécies nativas. É o segundo Estado do Brasil já em preservação. E, ainda como dúvida e endossando todos os questionamentos: por que não sustar as audiências públicas previstas e aguardar o levantamento florestal catarinense — no Paraná, não é diferente —, para recomeçar dentro de um rito normal, preenchendo todos os requisitos? Depois seriam fixadas, se for o caso, as unidades, inclusive dando-se oportunidade para as RPPNs. Quem sabe, esse seja um dos grandes caminhos. Esses questionamentos fazem parte das preocupações manifestadas aqui, e nós, da Comissão de Agricultura e da Comissão de Meio Ambiente, como já foi dito pelo Deputado Gervásio, bem como por outros Parlamentares. Queremos colocar à disposição esse trabalho de proteção ambiental, de colaboração para a preservação ambiental, mas também de preservação da espécie humana, trabalhando-se e produzindo-se também nessas áreas. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Na condição de autor do requerimento também, faço meus questionamentos, para que possamos, depois, em bloco, dar oportunidade a todos os Deputados de se manifestarem. Na lista, há os convidados vindos dos Municípios, os Deputados que fizeram a proposição, que já estão falando, os demais Deputados que desejam apresentar questionamento. Vamos dar a palavra a todos aqueles que quiserem se pronunciar. Antes de mais nada, é obvio que todos nós estamos extremamente preocupados com essa situação que estão vivendo as nossas regiões. E o que mais me preocupa, Dr. Capobianco, é a fragilidade das informações que nos foram dadas. Quando o senhor falou nos números no Parque Nacional dos Campos Gerais, citou 33 propriedades. Um levantamento parcial, em que se apresentaram 75% das propriedades, aponta para a existência de 108 propriedades. Hoje, nessas áreas, fizeram também um levantamento da situação em Ponta Grossa, área de reserva legal, preservação permanente e área de mata nativa. Representa 33% da área, ou seja, 5 mil e 750 hectares; área de campo nativo, 3 mil e 616 hectares, ou seja, 20%; e a área da agricultura, pastagem e reflorestamento, 7 mil e 881 hectares, ou seja, 45%. Vou lhe passar esse estudo, que perfaz um total de 2 mil e 757 pessoas vivendo em cima dessa área. O meu segundo questionamento é com relação àquilo que o Deputado Zonta já abordou. Nós sabemos que há 60 milhões - uma hora são 40 milhões, outra hora são 90 milhões — de reais disponíveis no orçamento para fazer essa desapropriação. Pelos nossos cálculos, são 74 mil e 657 hectares a serem desapropriados. No Paraná e em Santa Catarina não se encontra um palmo de área a menos de 4 mil reais o hectare. Se fizermos uma média de 7 mil reais o hectare, o que está dentro dos padrões da região — há áreas que estão sendo desapropriadas a mais de 14 mil reais o hectare, ou seja, mil sacas de soja -, nós precisaríamos de 525 milhões de reais para fazer essa desapropriação. Isso é extremamente preocupante. Qualquer liminar vai derrubar todo tipo de desapropriação, porque se não há dinheiro, como vão desapropriar? Todos nós, Deputados do Paraná e de Santa Catarina, estamos muito preocupados com essas questões básicas. É importante também o senhor nos explicar quantos metros será o entorno em cada uma dessas áreas. Quais são as restrições de uso das áreas do entorno? Quem autoriza esse uso? Qual o procedimento do proprietário rural que está dentro da área do entorno para usar essa área? Passo à Secretaria desta Comissão o pedido — estou dando entrada neste momento — para a criação de uma comissão de fiscalização e controle da Comissão de Agricultura, nos seguintes termos: “Com fundamento no art. 100, § 1º, combinado com o art. 60,iInciso II, e 61 do Regimento Interno, proponho a V.Exa. que, ouvido o Plenário desta Comissão, sejam adotadas as providências necessárias para realizar ato de fiscalização e controle dos procedimentos e das ações do Ministério do Meio Ambiente implementados para a criação dos Parques Nacionais nos Estados do Paraná e de Santa Catarina.” (Palmas.) Peço ao Deputado Ronaldo Caiado que indique o Deputado Zonta como Relator dessa Comissão. Dr. Capobianco, as perguntas são essas e gostaríamos que o senhor nos respondesse. O SR. DEPUTADO ZONTA - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO ZONTA - Não seria oportuno que cada Deputado se manifestasse e só depois o Dr. Capobianco respondesse às perguntas? O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - A minha proposição é no sentido de fazermos em 2 blocos. Como eu, o Deputado Gervásio e o Deputado Zonta já fizemos os questionamentos, este seria o primeiro bloco de 3. Poderíamos fazer bloco de 3 ou bloco de 5, para que todos possam se manifestar. Agora, se o Plenário decidir diferente, posso dar a palavra a todos os Deputados. O SR. DEPUTADO ZONTA - Acho que seria didático que fizéssemos todas as perguntas. O Dr. Capobianco teria uns 20 minutos para fazer a exposição, a fim de isso não virar um pingue-pongue. O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Tudo bem, se o Plenário assim concordar. O SR. DEPUTADO ZONTA - Nós faríamos as perguntas rapidamente para não virar um pingue-pongue. Ele teria uns 15 a 20 minutos, o tempo necessário, para discorrer sobre todos os assuntos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Abelardo Lupion) - Se o Plenário assim desejar, será dessa maneira. Passo a palavra ao Deputado Moacir Micheletto. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sr. Secretário, lideranças presentes, aproveito este momento somente para mais uma reflexão acerca do que ouvimos aqui. Eu tenho várias perguntas. Aliás, para mim seria até um tanto constrangedor pedir isso ao Sr. Secretário, pelo que vimos aqui, Quem está com a verdade? É o Ministério do Meio Ambiente, que propôs tudo isso e criou esse desequilíbrio, ou é a sociedade, que aqui vem e contesta o que está sendo proposto? Sr. Secretário, não vou entrar no mérito — tenho várias perguntas e acho que outros Deputados também as têm —, mas quero aproveitar este momento para fazer uma reflexão. Estou no meu quarto mandato. Nunca vi em uma audiência pública as pessoas, as lideranças, a sociedade contrariarem por unanimidade um ato de Governo. Digo isso até com muito humildade. Nunca a máquina vai substituir o homem — foi o que acabei de ver aqui. Fiquei deslumbrado com todo o arsenal apresentado por V.Sa., de satélite que fiscaliza, que fotografa etc. Mas o satélite não fotografou e não sinalizou o sentimento e a dignidade daqueles que moram em suas propriedades! (Palmas.) Secretário, aqui está a indignação. Esta é a Casa do contraditório. Nós, representantes do povo, apresentamos pela palavra as soluções. Tenho de dizer isso, porque recebi o voto de quase 100 mil pessoas. É nesta Casa que queremos sensibilizá-lo. Queremos que a Ministra do Meio Ambiente reflita sobre esse ato. O Município onde moro é a minha pátria, a minha casa. Os Srs. Prefeitos e as lideranças de entidades estaduais e federais disseram que não foram ouvidos. A minha pergunta, para não me alongar, é esta: quem fala a verdade neste momento? Para criarmos parques florestais ou modernizarmos aquilo que queremos, 4 vertentes deveriam ser vistas e colocadas, inclusive pelo Ministério do Meio Ambiente. Por exemplo, que impacto agrícola causaria uma ação de governo para criação de parques nesses Estados? Queremos emprego! Estamos angustiados! Sr. Secretário, há 14 anos desapropriaram 563 produtores rurais do Parque Nacional de Ilha Grande e até agora eles não receberam 1 centavo de indenização! E estou sentido porque não consegui trazer a fotografia desses agricultores que lá moravam, mas que foram expulsos, e agora moram em favelas, no noroeste do Estado: Icaraíma, Ibiporã... Onde está o dinheiro para pagar essa gente? O Ministério do Meio Ambiente tinha de ver isso. O Parque de São Joaquim encontra-se na mesma situação há 43 anos. Sr. Secretário, estou tentando sensibilizar a Sra. Ministra. Para fazermos uma atuação dessa natureza, há 4 vertentes importantes: a agrícola, a econômica, a social e a ambiental. A visão de V.Sa. é eminentemente ambiental. Na realidade, não somos contra a criação de parques florestais, mas contra a forma como isso está sendo feito. Abordarei apenas 2 propostas, a fim de fazer uma reavaliação desse impacto, dessa indignação da sociedade brasileira, do meu Estado, o Paraná, e de Santa Catarina, que aqui veio contestar aquilo que os senhores fizeram. Porque aqui é o lugar do contraditório. É aqui que tentamos encontrar uma solução por meio do diálogo. Todos aqui querem o diálogo, Secretário! Ninguém quer adotar uma ação fascista, nazista; ninguém quer ser empurrado goela abaixo numa situação que mexe com o sentimento. Há muitas pessoas que moram nessas propriedades há 50, 60, 70 anos. Não é justo que, de repente, tenham suas terras seqüestradas simplesmente por meio de um decreto. Tenho certeza de que o Presidente da República e a Ministra Marina se sensibilizarão com o caso. Proponho sairmos daqui com uma solução. Peço-lhe que interceda junto à Ministra no sentido de que S.Exa. receba essas pessoas que querem uma solução para esse impasse. E que o Presidente da República não assine esses decretos até que a sociedade organizada pelo sentimento de brasileiro de quem lá mora ache uma solução. V.Sa. é uma pessoa inteligente; pelo que ouviu aqui, tenho certeza absoluta de que vai analisar o assunto, para saber quem está com a razão: se o Ministério do Meio Ambiente ou as pessoas que aqui vieram trazer suas angústias. Este é o apelo que faço em nome do Parlamento brasileiro. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Muito bem, Deputado. Vou transmitir a Presidência ao Deputado Zonta, mas, antes, gostaria de comunicar à platéia que nós, na Comissão de Agricultura, apresentamos semana passada um projeto de decreto legislativo, com o apoio do Presidente da Casa, Deputado Severino Cavalcanti e de todos os membros desta Comissão. O projeto é de minha autoria e já está pronto; apenas ainda não dei entrada. Pretendo entregá-lo amanhã ao Deputado Ronaldo Caiado, às 10 horas, para que S.Exa. o coloque em votação. O objetivo do projeto é derrubar as portarias. Passo a Presidência ao Deputado Zonta, que deverá logicamente seguir a ordem de inscrições. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado pela transferência do compromisso. Com a palavra o Deputado Airton Roveda. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Sr. Presidente, queria pedir um favor: há um filminho de 4 minutos que eles querem passar. Depois eu faria 2 perguntas. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Filme de quantos minutos? O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - De 4 minutos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Se for de 4 minutos dá tempo. (Exibição de vídeo.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Retorno a palavra ao Deputado Airton Roveda. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Faço uma pergunta ao Sr. Capobianco: se houver parques no entorno, na área de refúgio, quem receberá o crédito de carbono? O proprietário? Essa é uma pergunta que me foi feita. Uns dizem que o refúgio tem 500 metros, outros dizem que tem 10 quilômetros. É necessária uma delimitação oficial do entorno. A nossa região possui muitas matas. No sul do Paraná, da mesma forma, a mata está aumentando. Estão plantando pinus, que dará de comer ao cidadão. O mesmo acontece no Canadá. O que cresce em 80 anos lá, cresce em 20 anos no sul do Paraná e em Santa Catarina. Em áreas de Santa Catarina aradas com boi hoje em dia há pinus. Cuida-se mais do solo do que quando havia o arado. Passei por lá: a região tornou-se pólo moveleiro. Como não foi feita aquela audiência na região de Palmas, solicito seu adiamento e a criação de grupos multidisciplinares, com a participação do IBAMA, do pessoal do meio ambiente, a fim de que encontrem condições para a preservação da região, de uma maneira melhor e mais ampla e com o povo a favor. Assim, todas as pessoas que conservarem serão premiadas. Vimos o homem daquele primeiro vídeo, com aquela muda na mão, que agora está com o coração na mão. Muitos que estão fazendo parques não sabem que aquilo é muda de pinheiro, de araucária nova. Não podemos deixar as pessoas com o coração na mão, sem poderem dizer o que está na garganta! O meu pedido é este: vamos investir na riqueza ímpar da região; que olhemos o verde da maneira que deve ser olhado, premiando aquelas áreas. Está lá o Município de Bituruna, que hoje em dia está mais verde do que nunca. Onde faziam roça de toco, hoje plantam pinus. Plantam-se tantos mil pés de pinus, plantam-se tantos mil pés de araucária. O próprio Município pode apoiar quem quiser plantar. O Município quer gerar riqueza. Apenas com riqueza podemos gerar parques. Sem riqueza, não adianta criar parques. Temos de ver o lado social e econômico disso tudo. Se o lado econômico não existir, nada existe. Poderíamos pensar de maneira correta. O Sr. Capobianco é uma pessoa que tem muito conhecimento de causa e pode auxiliar para que todos os Municípios participem da discussão. Todos querem criar parques, ajudar e dar uma parte de si. Já temos 20% de reserva legal, além das matas ciliares. Para retirar qualquer escritura na minha região é preciso comprovar que existem os 20% de reserva legal e as matas ciliares. Se todo mundo preservasse 35% ou até 50% em áreas de muito declive, seria o ideal, o paraíso. E isso já está acontecendo na minha região. Vamos estudar, com carinho e amor, as regiões de Palmas, dos Campos Gerais e de Santa Catarina. É o Brasil. Como já disse, é necessário criar riquezas. Temos pinus e erva-mate. Em Imbituva, a riqueza é erva-mate embaixo do pinheiral. Podemos chegar a um denominador, com as águas preservadas e com educação. Se cada Município fizesse a sua parte, com o apoio do IBAMA e dos Prefeitos, com certeza todos os proprietários chorariam de alegria. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao Deputado Pedro Chaves. (Pausa.) Ausente. Passo a palavra ao Deputado Eduardo Sciarra. O SR. DEPUTADO EDUARDO SCIARRA - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Dr. João Paulo Capobianco, lideranças presentes, Prefeitos, Deputados Estaduais, Vereadores, produtores, temos convicção de que, para que possamos avançar, com a consciência da preservação, temos de proceder a essa discussão de forma transparente, sem atropelos. O momento que vivemos nos permite fazer a discussão dessa forma. As comunidades aqui representadas pelos Prefeitos, produtores e Deputados querem avaliar melhor os impactos sociais e econômicos da criação dessas reservas, dessas unidades de conservação; querem discutir os aspectos de perdas tecnológicas que poderão advir dessa criação; os aspectos de perda de renda dos produtores; a questão dos empregos e, evidentemente, também as questões relativas à indenização, ao entorno — uma grande preocupação dos produtores. Ouvimos a manifestação de produtores da região dos Municípios de Tuneiras do Oeste e Cianorte, onde há a Reserva Biológica das Perobas. O Presidente Ronaldo Caiado não estava presente, e o Presidente em exercício disse que a manifestação dos produtores poderia ser feita ao final. Eu sei da preocupação desse produtores com a área de preservação, principalmente a área da Companhia melhoramentos, no norte do Paraná, no entorno da Reserva Biológica das Perobas. Há toda uma região de produção que preocupa neste momento, com a continuidade da atividade produtiva. A maior unidade de conservação que temos no Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu, tem, em seu entorno, toda uma exploração adequada. Não há maiores preocupações com a preservação. Preocupa-nos também o destino de várias unidades de conservação. No Estado do Paraná, há a Reserva de Saint-Hilaire. Quando a fiscalização daquela unidade passou para o Ministério do Meio Ambiente e para o IBAMA, começou a haver roubo de palmito, até por dificuldade de administrar do Poder Público. No Paraná, na Floresta Nacional de Irati, na FLONA de Irati, existe a necessidade de se fazer um manejo do pinus ali plantado. Ainda não foi constituído o conselho consultivo do parque, e o IBAMA preside o conselho. Há mais de 1 ano é protelada a publicação do regimento interno. Ainda não foi definido o conselho consultivo e não se faz manejo. Sabemos que a administração pública tem essas dificuldades, e nos preocupa sobremaneira o problema. Na consulta pública, foi informado o valor de 61 milhões de reais para a desapropriação das áreas atingidas pelas unidades de conservação. Com toda a certeza, o valor não será suficiente para indenizar os proprietários, e essa é uma grande preocupação. Muitas perguntas serão repetidas. Gostaria de fazer essas observações dentro do contexto do que estamos discutindo. Antes de encerrar, reforço a solicitação de sermos recebidos pela Ministra Marina Silva. Temos de tratar de importante assunto para o Paraná e Santa Catarina. Autoridades estão envolvidas no processo. Pedimos seu apoio para que possamos conversar com a Ministra Marina Silva, entre hoje e amanhã, quando possível, com a presença de tantas pessoas que conhecem o assunto, a fim de expormos a questão. As perguntas estão dentro do contexto exposto anteriormente. Sentimos grande preocupação com relação à área do entorno. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Passo a palavra ao Deputado Carlos Melles. (Pausa.) Ausente. Passo a palavra ao Deputado Ivan Ranzolin. O SR. DEPUTADO IVAN RANZOLIN - Obrigado, Sr. Presidente. O que está sendo dito é uma unanimidade. O papel do Dr. Capobianco aqui é, como ele disse, ficar na defensiva e fazer as observações que têm de ser feitas. Aqui existe a parceria, queremos buscar o entendimento. Quando ocorre o contrário, as pessoas sofrem violência contra sua propriedade, contra seu direito adquirido. Então, temos de nos colocar do lado do produtor que está no interior. Não é possível que as pessoas não tenham se sensibilizado com aquele filme exibido. Existem hoje 2 pesos e 2 medidas no Governo para as iniciativas do meio ambiente. Existe uma queda de braço entre o Ministério da Agricultura e o Ministério da Reforma Agrária: um defende o agronegócio, a produção; o outro, as invasões de terra ou a reforma agrária, mas não em qualquer meio. Estivemos há poucos dias com o Ministro Antonio Palocci. O Ministério da Agricultura cortou verbas para a defesa animal, e o Ministério da Reforma Agrária foi beneficiado com 450 milhões de reais. Foi destinado dinheiro para o MST e outras coisas. Tudo tem de ter equilíbrio. Quando não há equilíbrio na reforma agrária ou no agronegócio, alguém perde. No que se refere ao meio ambiente, o mesmo acontece. Defende-se com intransigência o meio ambiente, e o Ministério de Minas e Energia defende com intransigência a produção de energia, que é necessária, do contrário, haverá apagão. Não há equilíbrio. O Ministério do Planejamento tem de participar para fazer o equilíbrio. A questão tratada hoje não é diferente. Considero o Dr. Capobianco um homem competente. O Ministério faz um bom trabalho, sem dúvida alguma. Na verdade, se no próprio Governo falta sintonia, como estão as pessoas no interior? Foi citado o Parque de São Joaquim, da minha região. Fora do Parque de São Joaquim, as florestas são mais bem cuidadas. Dentro do parque, ninguém mais cuida da vegetação. Houve uma ampliação, uma mudança, uma verdadeira tragédia. Passaram por cima até de casas, e os agricultores ficaram desesperados. Quem é que não se sensibiliza ao ouvir uma mãe dizer para o filho que não preserve mais, porque os que preservaram estão apanhando. Dr. Capobianco, não temos uma posição contrária ao que defende o Governo. Tenho visto pela televisão os seus argumentos. Nós só queremos buscar o equilíbrio. A verdade é que tenho uma posição muito clara: sou cem por cento contra essa forma de criar parques para proteger a natureza. Existem outras formas. Os Deputados estão dizendo que plantaremos araucária juntamente com pinus e estabeleceremos uma nova legislação. Na Câmara dos Deputados, todos estão disponíveis. A Comissão de Agricultura é uma das mais fortes e tem ajudado o Governo. No entanto, acho que o Governo não está respeitando o direito adquirido e o direito à propriedade. Daqui a alguns dias, não haverá o direito à vida. Não é uma crítica ou um desabafo. Temos de defender, no interior, as pessoas que estão produzindo. Deixo minha manifestação no sentido de que façamos urgentemente uma reunião com a Ministra para apresentar o problema de maneira natural e simples. Juntamente com o Dr. Capobianco e os técnicos do Ministério, todos competentes, encontraremos um caminho possível, sem violência, sem audiências públicas fantasiosas. Não há audiência pública, e dizem que houve agressão, o que não é verdade. Dr. Capobianco, o senhor tem aqui possíveis parceiros. No entanto, são se pode salvar uma árvore e matar uma família. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Ronaldo Caiado) - Com a palavra o Deputado Cezar Silvestri. O SR. DEPUTADO CEZAR SILVESTRI - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, saúdo o Sr. João Paulo Capobianco, que representa a Ministra Marina Silva. Ficou muito clara a existência de duas unanimidades. A primeira é que os Parlamentares, os Prefeitos, as entidades que se pronunciaram, todos, sem exceção, são favoráveis à criação das unidades de conservação. Hoje existe uma conscientização por parte da sociedade brasileira e internacional sobre a necessidade de se preservar o que resta do meio ambiente. O questionamento é exatamente no sentido de que se possa achar uma solução, por meio do diálogo, e, seguindo a linha de raciocínio do Deputado Ivan Ranzolin, chegar a um equilíbrio, como ocorreu em outros casos. O Deputado Zonta é testemunha disso, porque fez parte, juntamente comigo, da equipe de trabalho da Comissão Especial criada para analisar o projeto de lei da Mata Atlântica, há 12 anos nesta Casa e sem uma solução. Por meio do diálogo, se não conseguimos a melhor lei, conseguimos uma lei que atendeu, de certa forma, aos interesses do Ministério do Meio Ambiente e de todas as entidades que aqui estiveram e participaram da discussão durante todos esses dias. Da mesma forma, com um amplo debate, conseguimos chegar, por unanimidade, à aprovação da lei que trata das florestas públicas, que também contempla os interesses do Ministério do Meio Ambiente e de todos os setores envolvidos. A nossa preocupação é no sentido de que quem preservou não seja punido. Tenho essa preocupação, em função dos números que estão sendo apresentados. Foi dito que há no Orçamento 60 milhões de reais para indenizar as propriedades atingidas por essas 3 unidades de conservação somente no Paraná. Há também áreas em Santa Catarina. Se somarmos o total das áreas atingidas, veremos que são mais de 540 mil hectares. Discute-se o que será desapropriado e indenizado. Uns dizem que serão necessários 70 mil reais, outros dizem que o valor é muito menor, porque as áreas que já são de matas não precisam ser indenizadas. Não podemos concordar com isso. Quem preservou deve ser premiado, como ocorre nos países do Primeiro Mundo, e não penalizado. Fui Relator do projeto que definiu o perímetro do Parque São Joaquim, em Santa Catarina, criado, como disse o Deputado Zonta, há 40 anos. Chegamos, por meio do diálogo, a um consenso. Um dos Prefeitos da comunidade aceitou a decisão, até porque as pessoas querem ser indenizadas. No meu entender, e até a lei estabelecerá isso, os proprietários do Parque de São Joaquim teriam prioridade no recebimento das indenizações, mais do que os proprietários que estão sendo agora desapropriados na criação dessas unidades. Somente para desapropriar e pagar aos proprietários do Parque de São Joaquim, com certeza, as indenizações passarão dos 60 milhões de reais. Não há recursos suficientes para pagar e dar tranqüilidade a quem, de uma forma ou de outra, terá a atividade econômica impedida nas propriedades. É importante lembrar que quando votamos a lei que trata da Mata Atlântica foi incluído o art. 46, que estabelece a prévia indenização para toda propriedade que tenha sua potencialidade econômica atingida. Conversei com o Relator do projeto no Senado, Senador César Borges, que me disse que até agora o projeto de lei que trata da Mata Atlântica não foi votado no Senado porque o Ministério do Meio Ambiente não concorda com o art. 46, que dá garantia de indenização aos proprietários caso tenham a potencialidade econômica das suas propriedades atingida por força de lei. Se o próprio Ministério do Meio Ambiente não quer dar garantia a um artigo pelo qual lutamos muito, eu, por força da representação que tenho no Estado do Paraná — apesar de não ser um Deputado que atue na região dos Campos Gerais, não tenho uma atuação muito forte naquela região, mas logicamente defendo os interesses da população do Paraná —, tenho a obrigação de alertar as entidades, os Prefeitos, os proprietários e os Parlamentares. Na minha avaliação, haverá novamente a criação de parques e daqui a 20 ou 30 anos os proprietários estarão lamentando que não receberam indenização. Isso não pode ocorrer. Acredito que essa é a luta de todos os que estão aqui. Ninguém é contra a preservação, mas queremos a garantia de que as pessoas atingidas por força dessa portaria do Ministério do Meio Ambiente sejam indenizadas pelo valor de mercado, ou seja, recebam justa indenização. É por isso que todos nós estamos lutando. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado, Deputado Cezar Silvestri. Concedo a palavra ao Presidente desta Comissão, Deputado Ronaldo Caiado. O SR. DEPUTADO RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, Dr. João Paulo Capobianco, que representa a Sra. Ministra, Prefeitos e Vereadores, entidades de classe, infelizmente tive de me ausentar por alguns minutos, em decorrência de compromissos assumidos anteriormente. Este é um tema que nos tem preocupado enormemente. Primeiro, todos se posicionaram a favor da preservação, da manutenção, ou até da criação de unidades ambientais. Todavia, preocupa-nos a maneira de o Governo agir, de o CONAMA deliberar e de o Ministério do Meio Ambiente decidir. Há uma truculência, uma violência, uma prepotência sobre o Legislativo. Às vezes, os Parlamentares acham que quem decide é o Ministério do Meio Ambiente, o CONAMA, e não o Congresso Nacional. São impressionantes as resoluções baixadas. Simplesmente somos avisados de tudo aquilo que está sendo criado, encampado. Preocupa-me a visão de quem apenas olha no mapa, sem ter contato com o cidadão, sem ver a realidade. Alguns simplesmente querem dar satisfação a algumas ONGs, ou a alguns ecologistas de grandes cidades. O depoimento que ouvimos não foi de pessoas pescadas ou pinçadas; ficou claro o perfil do homem do campo, do homem honesto. Imaginem bem um pai de família vendo o Governo se envolver em tanta corrupção, tanto dinheiro público, tantos “Waldomiros”, vampiros e escândalos. De repente, uma senhora idosa daquelas vê que não será recompensada, mas punida e expropriada; que terá de deixar o que construiu durante toda a vida; que terá de formar seu filho operador de campanha ou um cidadão para ir a Brasília encontrar outro meio de ganhar a vida. Que mal um cidadão daqueles prestou ao País? No Centro-Oeste, aprendemos a fazer agricultura com os homens do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, que nos ensinaram a transformar com respeito. Existem os abusos, e temos de coibi-los, mas precisamos proteger aqueles que sem dúvida alguma preservaram o meio ambiente. As autoridades do Governo enchem a boca para dizer que, graças à agricultura e à pecuária, somos superavitários na balança comercial. Em contrapartida, a que estamos assistindo? Em uma cidade próxima a Goiânia, Campestre, a 30 quilômetros da Capital, 4 mil hectares foram transformados em área de preservação ambiental. A propriedade foi transformada em assentamento, e não se encontra no local uma árvore. E a área era de preservação ambiental registrada no IBAMA. O que estamos vendo são exatamente excessos, o que nos preocupa. Se temos de preservar ou recuperar áreas, por que a necessidade de expulsar o cidadão? Por que não podemos conciliar e achar uma forma inteligente, buscando a EMBRAPA, os órgãos de pesquisa e aquilo que, como bem disse o Deputado Cezar Silvestri, pode integrar a convivência do cidadão com a propriedade? Qual a dificuldade de buscarmos isso? Por que adotar a posição de que o satélite definiu e por isso a área será transformada em unidade de preservação? Sartre disse algo inteligente: “O inferno é o outro”. O cidadão só vive o inferno quando está na pele daquele pobre coitado ou daqueles miseráveis que acreditaram na preservação, em construção, na transformação do Paraná e de Santa Catarina nos Estados mais produtivos do País. Em resposta, eles estão recebendo exatamente o quê? E ainda têm de pedir uma cesta básica ou um cartão família para o Governo! De repente, vemos áreas de preservação, ao lado da Capital do meu Estado, em Goiânia, que foram destruídas. Vemos também assentamentos onde não há inclinação da terra, mata ciliar, reserva obrigatória, não há nada, ou seja, áreas em processo devastador. A pergunta que fica é: como alguém, de maneira responsável — a não ser que haja uma força estranha e externa, que não saibamos de onde vem —, é capaz de dizer que o Governo não tem orçamento, mas tem que desapropriar? “Não posso comprar o carro, mas vou tomar o carro do senhor. Não tenho dinheiro para comprar um avião, mas vou lhe tomar o avião. Não tenho condições de ter o apartamento, mas vou lhe tomar o apartamento”. É esse o exemplo que estamos dando no Brasil!? São 60 milhões de reais para indenizar aquelas terras? Num cálculo rápido, o Deputado Abelardo Lupion chegou a patamares em torno de 700 milhões de reais só em algumas áreas do Paraná. A nossa preocupação é saber o que leva uma autoridade a dizer isso. Modéstia à parte, podemos ter posições divergentes, mas todos reconhecem o preparo e a consistência de conteúdo de V.Sa. para o debate da matéria. Não existe esse ponto de divergência. Raciocino como é fácil baixarmos um decreto sem conviver com o dia-a-dia do cidadão e causar mal a milhares de pessoas. Então, Dr. Capobianco, a Comissão de Agricultura e a bancada ruralista têm como objetivo, e essa iniciativa partiu dos Deputados Abelardo Lupion, Zonta e Gervásio Silva, buscar alternativas, sem esperteza, sem faca nas costas, sem utilizar decretos como o que já está sendo assinado e que leva o Governador, numa correria só, a ligar para o Presidente, enfim, sem esses atropelos. Não se trata apenas de uma assinatura numa folha de papel. Milhares de pessoas foram prejudicadas. Não saberia responder as perguntas que me passaram, por isso pergunto, primeiro, qual o número de propriedades identificadas pelo IBAMA e pelo IAP que fazem parte das unidades de conservação a serem criadas? Segundo: existe uma avaliação do impacto econômico e social sobre a região onde se implantarão as unidades de conservação? Terceiro: qual a área explorada com atividades econômicas abrangidas pela proposta, como agricultura, pecuária, reflorestamento e mineração? Devo informar que não convivo com essa situação no meu Estado, Goiás. Não quer dizer também que estejamos imunes a tudo isso, porque o Deputado Cezar Silvestri me chamou a atenção para o projeto da Mata Atlântica que ocupa 2 milhões de hectares no sul de Goiás, cuja parte mais próxima do litoral está a 1.200 quilômetros. Não sabia que o meu Estado fazia parte do projeto da Mata Atlântica. Descobri exatamente quando me foi apresentado esse projeto. Para concluir, Dr. Capobianco, o que vejo é a necessidade de elaborarmos — sei que é interesse de V.Sa. — um projeto sério, que venha mostrar o Brasil com o perfil de quem sabe realmente respeitar o meio ambiente. Ao mesmo tempo, não podemos penalizar pessoas inocentes. Vou apresentar um dado: o Brasil paga hoje de juros, por dia, 296 milhões de reais e fez investimentos, em 5 meses, de 272 milhões de reais. Essas situações nos levam a acreditar que, com o preparo de V.Sa., é necessário promover um grande debate para dizer a esses países ditos desenvolvidos, que cobram essa exorbitância de juros, que nos submetem a essa extorsão, de que maneira seremos recompensados. Não é nossa essa tese, mas de um colega paraense de V.Sa. — fugiu-me o nome dele agora —, que trata do crédito a que o Brasil teria direito com as reservas existentes em termos de mata. Essas discussões poderiam ser feitas. Poderia V.Sa., sem dúvida nenhuma, promover um grande debate em âmbito internacional, mudando o foco da discussão, apontando o que tem sido feito em termos de meio ambiente e mostrando que o maior inimigo do meio ambiente é a pobreza e a miséria. Esses, sim, são os maiores inimigos do meio ambiente. Poderíamos mostrar a esses mesmos países como nos prestar auxílio depois de terem destruído 100% de suas reservas e mananciais. Na verdade, eles não são bons conselheiros. Poderíamos dar aula a eles. Temos competência, credibilidade e moral para dizer como preserva os nossos índios e florestas. Não precisamos tomar aula de ninguém. Não precisamos ficar subordinados nem ajoelhados a ONG alguma. Essa é a grande verdade. Temos de ter coragem e aprender a reagir à campanha que vem sendo feita. Pergunto aos senhores presentes aqui: qual é a campanha institucional existente hoje em Londres e em toda a Inglaterra? Preserve a Amazônia. Mate um brasileiro por dia. Sim, isso está sendo anunciado na Europa. Vejam a que ponto chegamos! Portanto, o Ministério da Agricultura, as Comissões de Agricultura e de Meio Ambiente deveriam desafiar esses países. Todos poderiam participar de um grande fórum aqui em Brasília ou onde V.Sa. desejar. Possui V.Sa. dados sobre outros países e sobre a nossa potencialidade; sabe V.Sa. o que temos recuperado, as dificuldades que temos enfrentado, sem dinheiro para investir, pagando os juros da nossa dívida. Enfim, com toda essa situação, não é possível, de um lado, falar de reforma agrária e, de outro, ver um filme como esse a que estamos assistindo. Isso é de uma incoerência completa. (Palmas.) Para não me alongar mais, quero dizer que a intenção da Comissão de Agricultura é realizar um trabalho conjunto, não de queda-de-braço, mas de muita preocupação com as resoluções tomadas pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo CONAMA. Era o que tinha a dizer. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado, Deputado Ronaldo Caiado. Esse foi o depoimento da Comissão de Agricultura, na palavra do seu Presidente. Com a permissão do Presidente titular, vamos oferecer a palavra a 2 inscritos, dado que a audiência pública é democrática. Depois ouviremos as explicações do Secretário Capobianco. Concedo a palavra, por 3 minutos, ao Dr. Antenor Ribeiro Bonfim, que representa aqui boa parte dos proprietários que irão compor a Estação Ecológica Mata Preta, em Abelardo Luz. O SR. ANTENOR RIBEIRO BONFIM - Agradeço esta oportunidade, Sr. Presidente. Na verdade, Dr. Capobianco, ao todo são 9 proprietários — represento 6 deles —, da família Martins, que detêm 60% da área da Mata Preta. Os Martins estão na região há 120 anos. Dois Municípios de Santa Catarina foram edificados sobre a área dessa família, composta de agropecuaristas que hoje produzem grande quantidade de soja e milho, milhares de sacas de grãos por ano; mantêm hoje em torno de 6 mil cabeças de gado charolês tipo exportação. Como disse, é uma família tradicional na região e mantém aquela mata íntegra por apreço à natureza — dessa mata é que descem os córregos e rios para suas propriedades. Portanto, eles, mais do que o Governo Federal, têm interesse em manter íntegra a mata, como já mantiveram durante esses 100 anos. Sr. Presidente, ao agradecer a V.Exa., aos Deputados presentes e ao Dr. Capobianco, quero dizer que não podemos — e falamos em nome de Santa Catarina, tendo em vista os acontecimentos que vivenciamos no mês passado — perder de vista que temos estado com uma espada sobre nossas cabeças, hoje confirmada aqui pelo Dr. Capobianco. Digo isso no bom sentido, porque tenho o maior respeito pelo Dr. Capobianco e, baseado nas poucas vezes que o ouvi falar, quero enaltecer o seu idealismo e o seu conhecimento sobre a matéria. Temos 3 audiências marcadas, nos dias 21, 22 e 24, em Ponte Serrada, Passos Maia e Abelardo Luz. É uma proposta extremamente importante e oportuna da Comissão, subscrita pelos Deputados Zonta, Ronaldo Caiado, Gervásio Silva e Abelardo Lupion. Espero que as Comissões de Agricultura e de Meio Ambiente subscrevam um ofício à Ministra solicitando a suspensão dessas audiências. Tenho preocupação com o aspecto prático, Deputado. Parece que há unanimidade aqui sobre a impossibilidade de, neste momento, o Paraná e Santa Catarina implantarem essas unidades. Especificamente no caso de Santa Catarina, devemos ter em mente que essas audiências públicas não devem ocorrer, na minha opinião, para o bem do Governo Federal. E digo o porquê, Deputado. Essas audiências podem ser suspensas de duas maneiras, pelo diálogo político, como temos feito, ou pela via judicial. Estive na sexta-feira na região de Abelardo Luz. Se voltarmos a realizar essas audiências — e aqui me dirijo ao Dr. Capobianco e aos representantes do Ministério do Meio Ambiente —, se elas forem repetidas agora no mês de junho, iremos vivenciar todos os problemas já discutidos nas reuniões anteriores. O clima é tenso. A Polícia Federal já esteve lá e armada com metralhadoras. As últimas audiências foram canceladas por intervenção do Ministério Público, do Juiz de Direito, porque não havia ambiente para sua realização. Isso vai se repetir, Dr. Capobianco. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Isso é uma ameaça? O SR. ANTENOR RIBEIRO BONFIM - Absolutamente, não. Pelo contrário, nenhuma ameaça. Concluo, Dr. Capobianco, para dizer que não houve nenhuma ameaça. Já conversamos com V.Sa. e propomos a criação de uma reserva particular do patrimônio natural. Não somos apenas favoráveis à unidade de conservação, mas propomos também a criação de uma reserva particular sobre essa área. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - (Intervenção inaudível.) O SR. ANTENOR RIBEIRO BONFIM - Não, absolutamente, não há ameaça alguma. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - (Intervenção inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Peço ao Dr. Capobianco que ouça. Está havendo respeito e não há nenhuma ameaça. (Não identificado) - Ameaça foi a presença da Polícia Federal naquela audiência. Isso foi ameaça. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Vamos concluir. Não houve ameaça aqui e muito menos lá nas audiências públicas. Estive lá pessoalmente. Ninguém ameaçou ninguém. O SR. ANTENOR RIBEIRO BONFIM - Sr. Presidente, quero reiterar que não há nenhum interesse em que essas audiências não se realizem, embora o clima seja tenso. No caso de Abelardo Luz, Sr. Presidente, penso que é absolutamente desnecessária a audiência, porque os proprietários da Mata Preta, todos os 9 proprietários, protocolaram, no dia 6 de maio, um documento com a intenção de criar uma reserva particular do patrimônio natural naquele local, no mesmo dia de uma audiência pública com o Governador, em Florianópolis — acho que V.Exa. estava presente —, que contou com a presença do Dr. Capobianco. O Governador se pronunciou a respeito e naquele mesmo dia protocolamos no IBAMA nossa intenção de criar sobre toda Mata Preta uma reserva particular do patrimônio natural, perpetuando a situação atual. Isso foi no dia 6 de maio, e para provar trouxe o recibo desse protocolo do IBAMA. A meu ver, Sr. Presidente, é melhor agir pela via política negociada, buscando o entendimento, embora tenhamos elementos para suspender essa audiência pela via judicial — temos muitos elementos mas não cabe aqui discuti-los. Como disse o Deputado Ivan Ranzolin, é o nosso objetivo. Temos agido com bom senso, Dr. Capobianco. Basta ler os 2 últimos parágrafos do que foi pedido ao Governador de Santa Catarina. S.Exa. sempre foi um aliado do Presidente Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno da eleição passada, e deve merecer respeito de todos nós. Já conquistou o respeito da população de Santa Catarina. Vale lembrar que S.Exa. já foi Ministro de Estado neste País. O Governador Luiz Henrique, em ofício datado de 11 de maio, depois da reunião de 6 de maio em Florianópolis, diz o seguinte ao Presidente da Republica: “Propomos a V.Exa. a adoção de algumas medidas no socioeconômicos intuito de incontáveis evitarmos para a prejuízos população envolvida... Vou ler o Item 2 para não cansar os senhores: “... aguardar a finalização do inventário florísticoflorestal de Santa Catarina, que está previsto para ser concluído em aproximadamente um ano. E após a conclusão do inventário, sugerirmos que seja constituído um grupo de trabalho, envolvendo a Secretaria de Estado da Agricultura, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e o Ministério do Meio Ambiente, Prefeituras, entidades e proprietários visando uma avaliação mais abrangente no tocante à definição de áreas para unidades de conservação.” E conclui o Governador Luiz Henrique: “Em respeito ao pacto federativo e no que concerne à questão ambiental, não seja emitido nenhum ato do Governo Federal sem uma discussão profunda e de conhecimento do Governo do Estado de Santa Catarina, pois concordamos plenamente que o meio ambiente deve ser preservado, porém não podemos ignorar a realidade socioeconômica existente no território catarinense. Com base nesse ofício do Governador e em uma moção de quase todos os Deputados da Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa de Santa Catarina, em que contamos com a presença dos Prefeitos da região, que oficiaram um pedido de adiamento, é que peço a V.Exa. o encaminhamento conjunto desses ofícios às duas Comissões, reiterando esse apelo ao Dr. Capobianco e à Ministra Marina Silva, em respeito ao Governo de Santa Catarina, ou seja, a suspensão das audiências até que se encontre uma forma mais adequada para encaminhar esse assunto de interesse não só do Governo Federal, mas de todos os Deputados presentes, dos Prefeitos, do Governador de Santa Catarina e dos proprietários daquela área. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado. Com a palavra o último inscrito, Sr. Demerval Silvestre, que representa a Associação dos Produtores de Perobal. O SR. DEMERVAL SILVESTRE - Primeiramente, quero agradecer ao Deputado Ronaldo Caiado a oportunidade, cumprimentar a Mesa, os Deputados presentes e o Dr. Capobianco — tive a oportunidade de conhecê-lo neste momento. Quero dizer, Dr. Capobianco, que a minha manifestação não tem como objetivo ameaçá-lo. O objetivo desta reunião é a busca do consenso visando uma solução viável para o Estado, para a Nação e principalmente para o produtor brasileiro. Hoje o produtor rural é um funcionário público da Nação com deveres e obrigações determinadas pela legislação ambiental, tributária e trabalhista e sem direito à remuneração. Fomos transformados na mula da política agrícola do Governo Federal. Hoje, nós trabalhamos, damos lucro para o Governo, com a arrecadação de impostos e contribuições, além de pagarmos juros para os bancos. E, para nós, só sobram chibatadas, o capim, a água e o sal. Esse é o sentimento do produtor brasileiro. Neste momento, Dr. João Paulo Capobianco, sinto-me como um judeu diante da política alemã de 1945, sem o poder de se defender, a não ser de escolher a forma de morrer, seja na câmara de gás, seja no crematório. O produtor brasileiro merece respeito, porque produz o alimento, combustível do ser humano. Por isso, quero pedir à Câmara dos Deputados e ao Ministério do Meio Ambiente que, quando forem fazer esse tipo de ação com os produtores brasileiros, raciocinem com lógica e sensibilidade. Queremos trabalhar com dignidade. Queremos transformar o Brasil na maior potência na produção de grãos. Não podemos cometer o crime de condenar aqueles que desbravaram este País e conseguiram fazer com que ele se tornasse um grande produtor mundial. Às vezes fico preocupado com a política aplicada pela legislação ambiental. Quero até sugerir que ela seja municipalizada, para que possamos resolver o problema ambiental lá no Município, e não tenhamos de vir até aqui, a 1.200 quilômetros de distância, perder dias de serviço, para discutir o problema. Eu, produtor rural, não possuo 2 mil hectares de terra, apenas 72 hectares. São 30 alqueires, dos quais 24% são destinados à agricultura e 20% à reserva. Talvez por esse motivo eu seja penalizado. Espero que V.Exa. se sensibilize não só com o meu pronunciamento, mas com o daqueles produtores brasileiros que se expressaram por intermédio do vídeo. Agradeço à Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados por nos dar a oportunidade de expressar o sentimento do produtor rural ao vivo e em cores. Queremos ser tratados com dignidade e respeito, porque é assim que devem ser tratados aqueles que produzem no campo. Não estamos atrapalhando ninguém. Somos parceiros também na questão ambiental. Não queremos agredir o meio ambiente de forma alguma. Quero apenas demonstrar a forma como estamos vendo essa política do Ministério hoje aplicada ao agricultor brasileiro. Talvez estejam usando o verde como andaime para construir o socialismo vermelho. E isso nós não aceitamos. Nós, produtores rurais, não desistimos nunca. Dentro do possível, vamos ajudar o Governo brasileiro a resolver os problemas ambientais, a fim de preservar a nossa dignidade. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado pela participação. Concedo a palavra ao Dr. Flávio Martins, Presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose e Papel do Estado de Santa Catarina. O SR. FLÁVIO MARTINS - Sr. Presidente, na qualidade de Presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose e Papel do Estado de Santa Catarina, quero fazer apenas duas observações. Primeiro, quero dizer que sinto muito orgulho de estar neste momento na Casa do povo. Tenho certeza de que as empresas que represento também sentemse orgulhosas por vê-los promover discussão de tema tão relevante para o povo. Particularmente quero atestar aos presentes minha crença nos Srs. Deputados, homens sérios que são. As pessoas que se manifestaram são a expressão daquilo que vemos diuturnamente. Moro no interior de Santa Catarina. Trabalho e convivo com esse povo. E, se eles assim falaram, é porque essa é a expressão dos seus sentimentos. Muito obrigado, Srs. Deputados. Muito obrigado, Sr. Reno Caramori. Sei que o senhor é um batalhador, assim como os Deputados da Assembléia de Santa Catarina. Sinto-me um pouco triste hoje. Vim a Brasília e não reservei hotel, porque vim com o coração partido e queria voltar hoje mesmo. Só não voltei porque perdi o vôo. Não me sinto muito bem aqui. Desculpem-me. Não gostei do que vi hoje em Brasília, e não gosto do que vejo fora daqui. Percebi o sentimento daqueles que se manifestaram. Sei que haveremos de chegar a bom termo, porque o Dr. João Paulo Capobianco é um homem sério, que trabalha com gente séria, em que pese não termos nos encontrado e não termos tido maior afinidade. Também ouvi a palavra da Ministra, e sei que S.Exa. é uma pessoa séria. Quero lhe dizer com muito orgulho que represento uma entidade composta por empresários absolutamente sérios. Falo de empresários que estão sendo atingidos. E sabe V.Exa. que 50% daquela área é absolutamente preservada. Alguns empresários choraram porque querem dar continuidade à preservação de uma área, a qual querem dar o nome de seu avô. Eles querem ter o direito de ver aquela área considerada Reserva Privada de Patrimônio Natural — RPPN. Significa preservação sem tirar um tostão do Governo. Se for para sair dinheiro do Governo, Sr. Secretário — e devo dizer que respeito muito V.Exa., a sua equipe e a Sra. Ministra —, vamos utilizá-lo para instalar fiscalização nas áreas, para que seja cumprida a lei. Vamos utilizar 10% daquilo que se propõe gastar nessa fiscalização. Esse é o pedido que faço, na condição de representante desses sérios empresários. Em relação àqueles empresários que denigrem o setor, como apareceu nos jornais — e tenho dúvida de que as fotos sejam atuais —, vamos expô-los à opinião pública. Não vamos fazer com que os sérios paguem por aqueles que não honram e não conservam a natureza. Esse o pedido que faço, em nome dos empresários do setor do papel de Santa Catarina. Quero cumprimentar novamente os políticos. Os senhores estão de parabéns. A imprensa precisa saber o que está acontecendo hoje, com esse trabalho que V.Exas. estão fazendo. Sinto um grande orgulho pelo trabalho de V.Exas.. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Obrigado, Dr. Flávio Martins, pelas referências. Isso nos entusiasma e estimula a continuar cumprindo o nosso dever e o nosso compromisso de representar condignamente todos os Municípios e regiões neste Parlamento. Depois de ter ouvido com paciência as intervenções, concedo a palavra ao Dr. Capobianco para as respostas, que esperamos sejam boas para todos. Ficam facultadas a réplica e a tréplica. S.Sa. dispõe do tempo que achar necessário para oferecer as respostas. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Inicialmente, Deputado Zonta, gostaria de dizer que tenho obrigação de, na qualidade de servidor público temporariamente no Governo, ouvir com atenção. O empresário Flávio Martins fechou com chave de ouro os depoimentos. Ele soube manifestar o meu sentimento. De fato, não é agradável para ninguém levar bordoadas, embora algumas justas, em relação a esse processo. Mas democracia é isto: discutir, debater, trocar idéias, respeitando os limites dos Poderes constituídos, que receberam desta Casa, por lei, poder e obrigação de fazer. Os senhores que aqui estão tornaram obrigação constitucional do Poder Executivo, Poder Público constituído, fazer a proteção de todos os espaços e todos os ecossistemas do território nacional. Portanto, é um prazer estar aqui debatendo isso. Repito o que disse o empresário Flávio Martins: temos que separar os bons dos maus. E o temos por quê? Acabo de receber um último relatório, por telefone — vou encaminhá-lo formalmente aos Srs. Deputados —, sobre a vistoria que acaba de realizar o IBAMA nas áreas que pretendemos proteger. Sessenta hectares foram desmatados na estação ecológica Mata Preta, na semana passada; 16 hectares desmatados no Parque Nacional das Araucárias e 100 hectares desmatados no refúgio silvestre de Palmas! Estamos todos do mesmo lado. Mas de que lado? Estamos do lado da verdade, e eu aqui estou para prestar todos os esclarecimentos necessários. Não coloquemos todos num mesmo saco. Nem tudo é farinha do mesmo saco. Mas é verdade: tem farinha suja aqui. Enquanto a Ministra Marina Silva defendia que não fossem criadas mais unidades de conservação no Paraná, o processo já estava concluído. Que ditadura é essa, conforme alguém aqui disse? Qual é a ditadura? O Presidente da República concluir o processo mas não criar essas unidades, a pedido de lideranças locais, é ditadura? Não estamos discutindo decreto baixado, estamos discutindo decreto a ser editado. Estive em Santa Catarina. Procurei o Governador e vários dos que estão aqui. Esse senhor que me ameaçou disse, naquela audiência, que tinha interesse em criar reserva particular do patrimônio natural. Na hora, respondi a ele que iríamos respeitar isso; que, se ele apresentasse proposta, nós a iríamos considerar e excluir da área do parque. Disse ou não disse? O senhor responda! O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Gostaria que V.Sa. mantivesse a serenidade. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Desculpe. Sinto muito. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Secretário, todos nós aqui fomos... O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - O senhor disse que foi ditadura! Que ditadura? O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Espera lá, ninguém gritou com o senhor. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - O senhor disse que foi ditadura! O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Eu gostaria que o senhor me ouvisse! O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Dr. Capobianco, o senhor está numa Casa que precisa e merece respeito. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Sr. Presidente, ninguém agrediu, ninguém alterou a voz, ninguém gritou. Aqui é o Parlamento. Se S.Sa. não tem o exercício do Parlamento, lamento por isso. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Um dia eu aprendo. (Palmas.) O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Gostaria que o senhor enfrentasse as urnas, mas gostaria também que o senhor baixasse a voz. Fomos educados com o senhor, não nos alteramos. Todos que falaram deram seu depoimento, ninguém agrediu ninguém. Que o senhor responda com calma, sem ficar nervoso. Nós não queremos esse clima. Estamos há 4 horas em audiência e o senhor está procurando tumultuar. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Peço desculpas, Deputado. É que me causa uma certa indignação. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Sr. Presidente, ouvi a afirmação daquele representante e em nenhum momento senti que ele ameaçou S.Sa.. (Não identificado) - Jamais. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Vamos adiante. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - O que ele falou é a realidade. Numa audiência pública lá, o senhor pode ter certeza de que vão comparecer de novo com 2 mil pessoas. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Ótimo, isso é bom. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Mas ele não o ameaçou. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Vamos superar este momento. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Vamos fazer com Prefeitos. Quanto mais, melhor. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Eu participei, com V.Sa., de muitos debates sobre a questão da Mata Atlântica. Nunca foi preciso chegar a esse nível. Então, vamos manter a calma. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Feito o apelo, vamos restabelecer... O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Já pedi desculpas, agora peço vênia ao Sr. Deputado que preside a sessão, inclusive porque nós, juntos, temos debatido à exaustão esses casos e não houve nenhum decreto. É muito duro para um funcionário que está operando isso ouvir dizer que é ditadura, que não se ouve ninguém, que é autoritarismo. Ora, nenhum decreto foi assinado, e o senhor sabe muito bem que podíamos tê-lo assinado. Mas vamos lá. O caso São Joaquim é um exemplo que sempre volta. São Joaquim foi criado há 44 anos, antes da nova Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação — SNUC aprovada nesta Casa. Essa lei condiciona o processo de criação de unidade de conservação a alguns limitadores. Antes, parques nacionais eram criados sem nenhum debate, sem que fosse obrigatória a previsão de recurso em orçamento algum. Simplesmente se criava. Esse parque foi criado há 44 anos. E, para agravar a situação, quando foi criado, não havia a determinação de que fosse indicada rubrica orçamentária, porque obrigação não existia. Esse parque está em litígio, em função dessas elites — não sei quem disse que foi agora aprovado no Senado. (Intervenção inaudível.) O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Mas falta o plenário da Câmara. Já existem recursos alocados para esse parque, para se iniciar o processo de desapropriação. O processo de desapropriação inicia-se com um valor. Os senhores sabem que todo processo de desapropriação pode ser amigável, quando as partes se entendem, ou litigioso. A maioria dos casos resolvem-se em litígio. E por quê? Porque o processo de desapropriação tem fundamento legal aprovado por esta Casa. Quem normatiza, quem diz como é feita a desapropriação é esta Casa. Ela é que define os parâmetros que o funcionário público tem de seguir. Se não o fizer, ele é processado. O que diz esse processo? Diz que ele tem de excluir as áreas de proteção permanente, tem de excluir as áreas com espécies ameaçadas. Isso é o que diz a lei. Se está certo ou errado não está em debate. É o que diz a lei: ele deve desapropriar pelos valores publicados dos indicadores públicos definidos. E um dos indicadores utilizados para valorização da terra e crédito agrícola é o do Banco do Brasil. Via de regra, o proprietário não concorda, porque foram excluídas áreas que ele acha que têm de ser incluídas ou porque o valor definido é baixo. Ocorre então uma demanda judicial. Esse processo pode se estender por anos, décadas às vezes, de acordo com a disputa. Mas o fato é que, quando se cria uma unidade de conservação, necessário é informar — exigência do Palácio, conforme informamos — de onde virá o recurso para iniciar o processo, e não o valor para desapropriação total das áreas: custas, levantamentos a serem feitos e toda uma negociação com proprietários para iniciar o processo. Isso é o que está previsto. No caso do Parque de São Joaquim, já existem 21 milhões de reais disponíveis para iniciar o processo, o que ocorrerá assim que a Câmara dos Deputados resolver essa pendência relativa aos limites, porque hoje não se pode desapropriar ali. Se os 21 milhões de reais serão suficientes eu não sei. Provavelmente não. Mas trata-se do início de um processo que poderá beneficiar pequenas propriedades. Em processo de desapropriação o acordo é fundamental. Portanto, não se pode interpretar o valor alocado para esses parques como sendo o valor total, porque, para iniciar o processo, necessário é abrir uma rubrica orçamentária para depois acrescentar recurso — quem já trabalhou no Poder Público sabe disso e eu aprendi trabalhando no Governo. Não pode haver Orçamento da União para essas unidades porque elas ainda não foram criadas, elas não existem. Por isso, o dinheiro da compensação é importante. Ele é alocado, fica reservado em nome dessas unidades, para que se possa iniciar o processo de desapropriação, que deverá ser longo. Em muitos casos, a desapropriação é indireta, e o Poder Público é obrigado pagar indenização. O que ocorre também — e gostaria que os senhores atentassem para isso — é que muitas vezes há litígio quanto à origem do título da propriedade, ou seja, há que se provar a titularidade. Isso acontece muitas vezes e também atrasa processos. Infelizmente, no Brasil, como sabemos, a malha fundiária é confusa. Há um esforço para corrigir isso, mas consegui-lo ainda demandará tempo. Em Santa Catarina e no Paraná esse problema é muito menor, mas no Amazonas é muito maior, porque a titulação, a legalidade dos títulos e a base fundiária são muito mais precárias que nos Estados do Sul. Sou de São Paulo — do Sudeste, portanto — e sei que temos vantagem em relação a isso. Portanto, o orçamento destina-se a iniciar o processo. Essas unidades de conservação já nascem com recursos de rubricas orçamentárias necessárias para iniciar o processo. Elas não ficarão abandonadas, como aconteceu com unidades que foram criadas sem nenhum tipo de dotação orçamentária inicial. Com relação ao levantamento socioeconômico — estou respondendo às perguntas do Deputado Zonta inicialmente —, ele foi realizado. Apresentei-o sumariamente. Temos esses dados. Ele foi, portanto, realizado. Se há divergências, se há opiniões contrárias quanto a valores e dados, isso temos de debater, mas o levantamento foi realizado. Perguntou-me o Deputado se a APA está fora de cogitação ou se ela virá de surpresa, em algum momento. No acordo feito em Santa Catarina, após a aprovação da Ministra, conforme anunciei a todos os presentes naquela reunião — infelizmente, naquele momento, o Governador já não estava mais conosco; a reunião foi presidida pelo secretário Bráulio —, a APA ficaria adiada. Faríamos a discussão posteriormente, desde o início. Ou seja, reiniciaríamos, mais à frente, a discussão sobre APA, para que não houvesse nenhuma surpresa, não aparecesse nenhum decreto, nenhuma consulta pública extemporânea. É o que vamos fazer mais à frente, porque de fato ela criou mais confusão do que ajudou. Com relação a saber se o Ministério do Meio Ambiente tem conhecimento do inventário florestal, ele não só tem como está pagando parte significativa do inventário. Aliás, este que vos fala é o conveniante que transferiu recurso para o Estado. Isso não tem nada a ver, Deputado. Sei porque todo o processo do inventário foi feito em acordo conosco. Tivemos o (ininteligível) inicial, havia problemas, foram feitos pareceres nossos — a equipe da Fátima esteve conosco —, discutimos, ajustamos. Ficou um bom projeto. Aliás, o Estado de Santa Catarina vai ter em breve um dos melhores inventários florestais do Brasil. Mas ele não tem nada a ver com a criação de unidade de conservação, porque a definição de áreas prioritárias para a criação de unidades de conservação foi definida por decreto presidencial, no ano passado, a partir das áreas prioritárias para a biodiversidade, conforme mostrei na minha apresentação — posso repeti-la posteriormente. O Deputado Abelardo Lupion falou sobre a fragilidade das informações, ou seja, que o Ministério apresenta dados com “x” propriedades, com “x” informações e vêm dados de outros com “y” informações. Devemos responder pelas informações que temos. É nossa responsabilidade institucional responder por essas informações. Por isso, é extremamente salutar e bem-vinda a proposta de criação de uma comissão de fiscalização e controle dos procedimentos para aquelas unidades de conservações. Acho isso excelente. De fato, temos que provar, mostrar. Não basta ser correto, ser honesto, tem que parecer. Então, vamos mostrar claramente que o processo de criação dessas unidades de conservação é o mais discutido, embora não seja o suficiente — de antemão, peço desculpas e garanto que vamos poder discutir mais. Até o momento desta audiência pública, esse é o processo mais discutido no Brasil. Posso garantir que são as unidades de conservação mais discutidas já criadas pelo Presidente da República e administradas pelo IBAMA. É o caso mais discutido, impressionante. Mas isso é positivo. É difícil para o Poder Público operar, mas há duas vantagens fundamentais: primeiro, cometemos menos erros. Erro sempre vamos cometer, porém menos. Por exemplo, no tocante àquele depoimento sobre a área de erva-mate foi feita nova vistoria na área e constatou-se que o proprietário que havia procurado o Ministério tinha razão, e a área dele foi excluída. A área passou despercebida. Na primeira viagem de campo não se teve acesso àquela área. O proprietário reclamou, disse estar produzindo erva-mate, foi feita uma vistoria de campo e constatou-se que ele tinha razão. A área foi excluída. Precisamos fazer mais isso, precisamos corrigir mais. Não pode haver erro, porque o objetivo das unidades de conservação é proteger a formação florestal e de campos nativos. Esse é o objetivo da proposta. Portanto, acho excelente este acompanhamento por parte da Câmara dos Deputados. Quero ter o prazer de aqui voltar várias vezes para dar esclarecimentos a esta Casa e ser chamado à atenção toda vez que estiver cometendo equívocos. Mas quero também que os Deputados reconheçam que houve algum avanço, senão fica difícil. Em alguma coisa nós acertamos. Senão fica difícil. Apenas erros? Caramba! A limitação do entorno é outra pergunta do Deputado Lupion. O que acontece? A legislação federal define de fato até 10 quilômetros. O que acontecia? Antes da nova lei, criava-se a unidade de conservação e depois se discutia o entorno. Hoje, ao criar a unidade de conservação, o Poder Público poderá definir a área de entorno. Em regiões muito ocupadas, com alta atividade econômica, como é o caso de todas essas áreas — e não estamos falando da Amazônia, do Juruá, mas daquela que está no centro e tem alta produção agropecuária — um entorno de 10 quilômetros seria ridículo, um absurdo. Estive em uma reunião em Santa Catarina para tratar do assunto. Concedi uma dezena de entrevistas a rádios da região e em todas disse que iríamos adotar o critério do Parque Nacional da Serra do Itajaí, ou seja, no máximo 500 metros. O que significa isso? Podemos até permitir menos metros, nunca mais de 500. No entorno, mesmo nessa faixa estreita que vamos definir, não há proibição de nenhuma atividade realizada dentro da lei. Atividade ilegal não poderá haver. Qualquer uma que estiver ilegal continuará sendo executada. O que não pode ocorrer? A instalação de indústria poluidora, que vai contaminar todo o parque; desmatamento e destruição da bacia hidrográfica que o alimenta. Não interessa a ninguém fazer isso. Declaro nesta Casa, já que tudo o que falei não adiantou, que não será superior a 500 metros. Estou querendo dizer com isso que poderá ser inferior, mas nunca superior a 500 metros. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Está devidamente gravado. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Deputado Micheletto, nunca presenciei numa audiência tanta unanimidade contra o Governo — e já estive em várias. Já vi um monte, Deputado. Já participei de diversas. Não é questão de ser unanimidade contra o Governo, mas de saber como estamos caminhando e como poderemos tirar desta audiência, que foi excepcional, apesar de alguns momentos extremamente injustos, um saldo excelente e positivo, um aprendizado para melhorar, já que todos, sem exceção, inclusive o Presidente da Comissão, disseram ser a favor da criação das unidades de conservação. Se concordamos com a criação de unidades de conservação, inclusive considerando as hipóteses das reservas privadas, é óbvio que interessa ao Governo. O Governo, porém, não pode impor isso. Pelo amor de Deus! Isso tem de ficar claro. O Governo não pode chegar a um proprietário e dizer: “Ou você cria uma RPPN ou desaproprio sua área”. Isso é uma chantagem inaceitável. O que o Governo fez? Identificou, com base em estudos técnicos, científicos, com as informações disponíveis e dados coletados as áreas que terão de ser protegidas. O Governo está fazendo sua parte. Está dizendo ao proprietário: “Não vou impor a você a proteção disso. Vou desapropriar”. Muito bem. O proprietário, nesse momento, se vira e fala: “Não, eu quero preservar. Eu não quero ser desapropriado, mas quero preservar”. Nós apenas podemos abraçar, elogiar, estimular e apoiar essa iniciativa. Agora, o proprietário tem de dizer o que quer. Aliás, mais do que dizer, tem de demonstrar; e mais do que demonstrar tem de provar sem medida protelatória, que não é o caso, porque eles já depositaram no IBAMA sua comprovada intenção. Temos bons exemplos em que o Poder Público foi lá e ouviu os proprietários. Não assinou nenhum decreto. Foi lá, conversou com eles e continua discutindo o assunto. Diz a eles: “Tudo bem. O senhor quer preservar? Não queremos lhe impor nada. Não é imposição. Se o senhor quer participar desse processo, desse esforço e quer que parte desse parque seja uma RPPN, poderá até dar a ele o nome do seu avô”. Aliás, deveríamos dar ao parque o nome do avô do Dr. Martins, ou sei lá de quem, para o parque inteiro. Esse gesto tem de ser valorizado. Isso, sim, tem de ser valorizado, desde que seja para valer. E tenho certeza de que é para valer. O Deputado Airton Roveda perguntou se o problema da erva-mate já foi resolvido. Já, sim, Deputado. Disse há pouco que o Deputado Micheletto falou em ditadura. Peço-lhe desculpas. Não foi S.Exa. que falou em ditadura. Desculpe-me. Sinceramente, desculpe-me. Foi uma injustiça. Quem disse isso foi o Deputado Roveda. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Não, eu não. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Disse que somos ditadores. Está aqui, anotei. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Não. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Anotei entre aspas. Foi o senhor que disse que nós somos ditadores. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - O senhor disse que o Presidente Lula é um ditador. Veja bem, Deputado. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - O que é isso! O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Deputado, ponha a mão na consciência. Pela nossa amizade. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - É pela nossa amizade. Está gravado, e não fui eu. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Tudo bem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - É melhor não entrar por esse campo. Vamos adiante. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Estou fora dessa. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Tudo bem. Vamos relembrar a história. O Ministério do Meio Ambiente está 100% correto? Não. Não está. O Ministério do Meio Ambiente fez sempre tudo certo? Não. Não fez. O Ministério do Meio Ambiente é Deus, é maravilhoso e tal? Não. Cometemos erros. Apenas quero dizer uma coisa: quem assinou a portaria, de cima para baixo, congelando a área toda em 10 quilômetros de entorno não foi o nosso Governo. Foi o Governo de quem mesmo? O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Do Fernando Henrique Cardoso. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Foi o Governo anterior que assinou. O que o nosso Governo fez foi criar o GT Araucárias Sul. Foi revogar e reescrever as portarias, a pedido dos senhores, de muitos que estão aqui, e conduzir o processo. Perfeito? Não. Se fosse perfeito, talvez esta audiência fosse uma comemoração. Não foi perfeito. Está na cara que não foi perfeito, mas o processo teve o mérito de colocar esta quantidade de inteligências a serviço das araucárias. Hoje, podemos dizer que há centenas de pessoas das mais diferentes origens, das mais diversas funções, do Legislativo Federal ao Estadual, discutindo o que fazer para proteger o que resta das araucárias. Tudo bem, acho que é correto. A solução para a conservação de produtos não é tão simples. Não basta, por exemplo, colocar o pepino no frasco e acrescentar vinagre. Isso seria o fim de um negócio. Temos de proteger — não é o caso da área do Pizzatto que está plantada e na qual trabalha há muito tempo — as áreas onde sobram as últimas amostras da variabilidade genética do pinheiro-dobrasil ou do pinheiro-do-paraná ou da nossa araucária. Mesmo que seja para fornecer sementes com alta variabilidade genética, com o objetivo de termos sempre a semente para plantar. Na verdade, não temos mais, infelizmente. E não por culpa do atual Governo, e não por culpa de quem está aqui. É um processo histórico. Não tínhamos, há 10 anos, a consciência que temos hoje. Essa é a verdade. O Deputado Caiado disse que os países que desmataram quase toda sua área natural não têm autoridade para se imporem sobre nós. É verdade. Contudo, temos a obrigação de aprender com os erros dos outros. Eles erraram. Não vamos errar. Não vamos argüir que temos o direito de errar, e, assim, vamos errar. Não. Vamos aprender com o erro. Concordo plenamente. Não vamos sentar no banco dos réus, pôr o Brasil no banco dos réus. É ridículo. Não, o País está fazendo muito com parcos recursos, com enormes dificuldades, com uma dívida que o arrebenta e com juros monumentais. Está fazendo muito mais do que talvez eles fariam na nossa situação. Qual é nosso grande desafio? proteger essas áreas. Como? Da melhor forma. Qual é a melhor forma? Excluindo toda a possibilidade de conflito. É correto. Nas áreas de refúgio de vida silvestre, de entorno e nas RPPNs as pessoas são suas proprietárias. Está certo? Claro. Elas apenas serão do Poder Público, se este se habilitar, ou seja, se forem áreas sob sua dominialidade. Os créditos de carbono beneficiarão esses proprietários de forma diferenciada. O fato de ser reserva, um refúgio de vida silvestre, ou de ser uma RPPN pontua positivamente para eles acessarem o crédito em relação a outras áreas. Já falei a respeito da zona de entorno. O Deputado deu-me um argumento sobre o qual devo refletir. Disse — e muito bem: “Apenas com os 20% da reserva legal mais as APPS teríamos, por baixo, 30% a 35% preservado”. Não é isso? E se for para a região mais declivosa, soma 50%. Então, é a nossa tese. Todos nós dizemos isso. Se nós, brasileiros — também sou produtor rural —, respeitássemos o meio ambiente seria o ideal. Podemos fazer uma comissão de investigação. A minha família — posso garantir — cumpre direito sua obrigação de preservação. Se todos assim agissem, não precisaríamos de nenhuma unidade de conservação. Se todos os rios estivessem com a mata ciliar preservada, se todos os topos de morro estivessem preservados não seria necessária comissão de investigação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Secretário Capobianco, apenas para uma comunicação aos Srs. Parlamentares. O processo de votação nominal já se iniciou no plenário. Assim, votam os que podem agora fazê-lo e retornam para cá, para que nós não tenhamos de interromper a reunião. Os Deputados votam e retornam para cá. É essa a orientação. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - O fato, Deputado, é que nem todos cumprem seu papel na preservação. No caso das araucárias, temos no Paraná 0,8%. Não temos nem 10%, nem 15%, ou 20%. Temos 0,8%, infelizmente. E desses 0,8%, que não é nada, apenas 0,3% está sob proteção legal. Portanto, o que estamos fazendo é muito pouco, infelizmente. Estamos fazendo um enorme movimento, com o sacrifício de todo o mundo. Isso, contudo, é muito pouco, lamentavelmente, porque nós não cumprimos a legislação. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Pela ordem, Sr. Capobianco. Na região sul do Paraná, todos que vão fazer os documentos têm de ter os 20% de reserva. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não está no mapa, não existe. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Na minha região, em União da Vitória, está sobrando. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Está mesmo. Quanto à pergunta do Deputado Eduardo Seabra sobre o entorno, creio que já a respondi. O entorno no limite de 500 metros. Com relação ao apoio que devo dar aos Parlamentares junto à Ministra Marina Silva, devo dizer o seguinte: quem sou eu? Evidentemente a Ministra vai receber os Parlamentares que a procurarem. Não há a menor dúvida. Não preciso pedir à Ministra nada disso. Se eu fizer isso, certamente, vou levar uma bronca da Ministra. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Com certeza. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - A Ministra certamente vai me dizer: “Que história é essa de você me pedir? Isso aí é uma questão de ver com a agenda”. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Secretário, só para aproveitar o ensejo. Dado que a Ministra ainda está internada no Hospital Sarah, se recuperando, se pudermos ter essa resposta entre hoje e amanhã, certamente, teríamos em seguida a audiência que está para ser marcada tão logo S.Exa. retorne do Hospital Sarah. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Já foi pedido para a assessoria dela diretamente? O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Já foi pedido. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Está certo. O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Sr. Presidente, amanhã haverá uma audiência quase semelhante a esta no Senado, às 10h, talvez os Senadores também gostariam de aproveitar... O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Isso nós vamos combinar. Deputado, Ivan Ranzolin. (Pausa.) O SR. DEPUTADO GERVÁSIO SILVA - Foi votar. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Bom, o filme sensibilizou evidentemente todos nós. Tanto que fiquei até feliz porque o problema de um deles já está resolvido. Agora poderíamos colocar outros depoimentos nesse vídeo. Todos sabem disso, certo? Poderemos apresentar outros depoimentos. Há outros depoimentos sobre a situação dramática das araucárias, sobre a extinção da espécie. Penso que isso que está colocado é fundamental. Em nome daquelas pessoas que estão ali, temos de ter um processo sério para chegar a uma solução correta. Então, evidentemente, o vídeo sensibilizou e é importante. Portanto, temos de defender as pessoas que estão produzindo. O Deputado Cezar Silvestri disse que ouviu duas unanimidades: todos são a favor de se criar uma associação e querem discutir mais. Essas são as unanimidades. Então, quanto a isso, não há dúvida. Finalmente, o Deputado Ronaldo Caiado perguntou sobre o número de propriedades identificadas. Já apresentei os números oficialmente. Vamos checar divergência, caso a caso. Estão dizendo que em uma área tem mais do que foi identificado. Vamos verificar o que ocorreu. Se houver erro, vamos corrigir. Quanto às áreas de exploração econômica, quero fazer um esclarecimento importante. A orientação do Ministério, do IBAMA , é de excluir qualquer área em atividade de produção econômica. Ocorre que nem sempre isso é possível. Em que casos isso não é possível? Por exemplo, nos casos em que se tem uma grande massa de floresta e no meio dela existe uma atividade, por exemplo, de plantio de pinus. Então, estamos incluindo. Ou quando temos uma área contínua e uma área de pastagem. No caso, será uma área de recuperação para manter a continuidade. O objetivo é retirar o máximo, mas ainda permanecem algumas áreas, infelizmente, em função da localização dessas áreas no maciço florestal. É importante que se diga, no caso do Parque Nacional da Serra do Itajaí, que tínhamos inclusive condições de fato, tínhamos no meio do parque uma área de plantio de eucalipto. Não me lembro nem qual era a empresa. Havia o plantio de uns 200 hectares de eucalipto. No decreto em negociação com esse proprietário ficou acertado que o proprietário poderá explorar aquela área, dando corte no momento apropriado para poder aproveitar o investimento feito. É claro que não vai poder continuar o plantio para novos cortes, mas foi dado a ele o direito e a garantia de aproveitamento daquele plantio, o que certamente terá de ser repetido, caso alguma área permaneça dentro. Estamos trabalhando para retirar tudo. Já diminuiu a área inclusive, e vamos trabalhar mais para retirar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Zonta) - Dr. João Paulo Ribeiro Capobianco, já que o senhor está falando nas áreas com intenso uso, gostaria que nos falasse sobre essas áreas que estão incluídas e que têm grande importância. Há uma grande quantidade com atividades de agricultura, de pecuária e de reflorestamento abrangida na proposta. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Vou repetir o que já disse. Se a área estiver no entorno, no limite, vai ser retirada. Se alguma área no limite estiver incluída, deve ser retirada. Se a área estiver no coração da unidade, no meio, aí ela não pode ser retirada, terá de ser desapropriada, garantindo, no caso, por exemplo, de plantio de pinus o direito de o produtor de retirar o produto e poder dele usufruir pelo menos parcialmente. É claro que o investimento é de longo prazo, mas pelo menos para se beneficiar parcialmente daquele investimento realizado naquela área. Como podemos avançar agora objetivamente, Deputado? Todos aqui querem um avanço. Disse aqui a um dos proprietários que juntos iríamos criar a RPPN. Desculpem-me por me exaltar, mas de fato fiquei um pouco incomodado porque fizemos um acordo. A Ministra não tem bigode, mas tanto a palavra de S.Exa. quanto à minha valem o mesmo peso. Fomos a Santa Catarina. Naquela ocasião, todos foram unânimes em dizer que a consulta pública — não é audiência, que é algo bem diferente — não havia sido realizada, portanto, não poderíamos criar as unidades de conservação. Faço um esclarecimento. Isso está superado, mas é bom esclarecer, sob o ponto de vista de entendimento. A lei nos obriga, em data marcada, em local público de fácil acesso, a oferecer a todos os interessados informações acerca do processo. Isso é consulta pública. Se a consulta pública não ocorre, porque dela ninguém participa por desinteresse, temos que prosseguir no processo. O exemplo disso mais famoso foi o caso do projeto da interligação das bacias do São Francisco. Lá era audiência pública, mais importante do ponto de vista legal do que consulta pública. E o que aconteceu? Em algumas localidades as pessoas se organizaram para impedir a realização da audiência. Na hora marcada estava lá toda a equipe do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Integração Nacional, da ANA, de vários órgãos e não houve audiência porque as pessoas ficaram do lado de fora e impediram a entrada. Houve uma pressão tal, mas, legalmente, a audiência foi considerada realizada. Para esse caso não interessa, pois não é a solução que queremos. Do ponto de vista legal, a obra foi licenciada. Os senhores sabem disso. Foi emitida a licença. E é decisão judicial. A obrigação do Poder Público é estar disponível, estar com as informações disponíveis na hora marcada. Nesse caso, nós já superamos. Por quê? Porque estive em Santa Catarina por designação da Ministra, em presença do Governador do Estado e de centenas de pessoas. À ocasião nos disseram que queriam consulta pública. Muito bem. Vamos fazer a consulta pública e, mais do que isso, marcamos a consulta pública com muito mais antecedência do que todas as outras já feitas na história de criação de unidades de conservação. Marcamos as consultas públicas, em entendimentos com as Prefeituras, para os dias 21, 22 , 23 e 24. Já está publicado, mas, como foi dito aqui, a publicação no Diário Oficial é uma questão meramente formal, porque a população não o lê. No entanto, publicamos no Diário Catarinense, no A Notícia, A Gazeta e A Tribuna os convites. Estão publicados em jornais de grande circulação. A Secretaria de Comunicação do Governo Federal — SECOM, por nossa recomendação, preparou o spot para rádio, que será distribuído em todos Municípios para que haja amplo esclarecimento a respeito da consulta. Se tivermos 2 mil pessoas, ótimo. Vamos fazer, como já fizemos em outras ocasiões, em mais de um turno. Se no auditório couber 400, faremos com esse número. Realizamos a consulta, remarcamos para mais 400, faremos a inscrição, até que todos sejam esclarecidos. Mais do que isso — e quero chamar a atenção para o seguinte fato: realizamos no Paraná, excluindo Palmas, onde houve problema, consultas públicas completamente legais. Se estivéssemos preocupados exclusivamente com a formalidade, se fosse nosso objetivo ser rolo compressor ou baixar decreto, sendo ditadores, estaríamos com o projeto completo. Por que o Presidente da República não criou, se as consultas foram realizadas no Paraná nos dias 18, 19 e 20 de abril? Já passaram abril e maio e já estamos em junho. Por que não criamos? Porque entendemos que há de fato possibilidade de aprimoramento. E vamos aprimorá-lo. Sr. Deputado, tive de sair rapidamente naquele momento porque a Ministra me telefonou para saber qual o teor da nossa conversa e como estavam os encaminhamentos nesta audiência. Expus a S.Exa. 2 questões, sendo uma delas o pedido de adiamento da consulta pública. A Ministra não concordou. No entanto, propôs que discutíssemos a possibilidade da criação de uma comissão para cada Município. Poderíamos discutir a composição da comissão, se formada por um Parlamentar estadual, um Parlamentar federal, Prefeitura, proprietários, produtores. Então que fosse feita uma Comissão para analisar o caso. Por exemplo, no caso do Parque Nacional, todos os que têm informações sobre ele deveriam se sentar e analisá-lo. Se há divergência, vamos verificar, checar o que está acontecendo. Se houver sugestão de que tal área pode ser excluída, porque está no limite do parque, vamos excluir. Se há sugestão de que tal área pode ser uma RPPN, vamos procurar o proprietário, saber se pode mesmo. Perguntar-lhe se quer fazer RPPN. Vamos fazer um processo no sentido de chegar a esse entendimento. Se de fato, tudo aqui nos une e tudo aqui é unanimidade, todos querem criar e todos querem que seja criado de forma correta, vamos fazer. No caso da consulta, não vamos desmarcar, no entanto, fica aqui assegurado que não vamos tratar a consulta como formalidade. Vamos discutir e, na seqüência da consulta, faremos o mesmo para Santa Catarina. Criaremos grupos por Município, sentaremos e discutiremos caso a caso, resolvendo todos os conflitos para que possamos chegar ao melhor desenho para a região e para o Brasil e para as araucárias. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Dr. João Paulo, antes de passar a palavra aos que pediram, esclareço que, no caso de Santa Catarina, o que se propôs, em função de ser um número pequeno de proprietários, na questão da áreas de unidade de conservação e dos que pretendem RPPN, é que a audiência seja adiada para antes ocorrer um entendimento entre Prefeito e proprietários, porque daqui a pouco se chega a uma consulta pública com um entendimento feito. Era essa a intenção. (Palmas.) O Paraná também propõe. Não haveria debate, não havia conflito. Quando se fala em conflito, fala-se em debate acirrado. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não haverá conflito. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Pelo que entendemos aqui hoje, todos os proprietários estão dispostos a dialogar. O SR. ELORY BARBIERI - Deputado Gervásio Silva, sou Presidente do Sindicato Rural de Bela Laguna e quero colaborar com V.Exa. O próprio Dr. Capobianco disse que a audiência não terá requisito formal. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não, não, não. Não será tratada como mera formalidade. A audiência será feita de forma adequada, com todos discutindo e ouvindo, com informação ampla para toda a sociedade, com tranqüilidade. O que eu quis dizer com isso é que no dia seguinte não vamos baixar o decreto. Significa que podemos, na seqüência da audiência, montar um grupo de trabalho por Município para tratar conjunta e democraticamente de todas as recomendações para se chegar a um ponto comum, Elory. Quis dizer que não vamos, como foi feito no passado, fazer a audiência e assinar decreto, só para fazer audiência. Não é isso. É para debater mesmo. O SR. ELORY BARBIERI - Por que, doutor, não se invertem esses fatores e faz, primeiro, o entendimento que o Deputado está sugerindo, que acho ótimo, e depois se leve ao conhecimento público o que foi decidido? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Infelizmente, se essa consulta tivesse ocorrido na semana passada, seria viável, mas já publicamos a convocação. Não tenho autorização para fazer isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Mas é um apelo que a Comissão faz formalmente à Sra. Ministra. Antes que o Dr. João Paulo tome a decisão, queria ouvir os inscritos a respeito do assunto. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Já há decisão da Ministra, esse é o problema. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Pois é. Aí, quando se fala que é de forma arbitrária, o senhor não quer concordar. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - É consulta, não é criação. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Estamos pedindo para adiar. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Os senhores não querem debater. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Eu, estando na Presidência dos trabalhos, não posso entrar nesse debate, por isso vou passá-la para o Deputado Zonta. O Dr. Elory tem agora a palavra. Depois, o Dr. Gilberto, os Deputados Max Rosenmann e Ivan Ranzolin. Com a palavra o Dr. Elory. O SR. ELORY BARBIERE - Minha proposta é a mesma que a Presidência encaminhou. Só isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Sr. Gilberto. O SR. GILBERTO - Dr. João Paulo Capobianco, o problema é o seguinte: no Município de Imbituva foi demarcada determinada área, que agora aumentou. Nessa área há um proprietário que tem 110 alqueires — 30 alqueires trabalhados com lavoura e 80 alqueires com erva sombreada —, que ficaram totalmente dentro do parque. Como vamos fazer agora com essas famílias? Porque são 16 herdeiros. Aonde vamos acomodar essas pessoas, que estão perdidas? Sabe o que elas falaram para mim? Que vai faltar árvore para eles se enforcarem, pois estão tomando o que é deles. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Mas não há decreto, a unidade não foi criada. O SR. GILBERTO - Tudo bem. Só estou citando os méritos. Quando aumentou, essa área foi tomada. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Mas, veja bem, como vamos resolver isso? O SR. GILBERTO - Vai ter de ir a Imbituva para resolver. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Imbituva é um Município abrangido por uma das unidades. O SR. GILBERTO - Não só uma, mas duas. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Está certo. Vamos constituir uma comissão no seu Município, a fim de que essa questão seja debatida com nossos técnicos, e vamos tentar chegar a um acordo. Se chegarmos a um entendimento, resolveu-se o problema. Se não, vamos ter de debater. Os senhores vão usar os canais de que dispõem, legitimamente. Nossa proposta é no sentido de que se chegue a um entendimento, objetivamente. Não gostaria de sair desta audiência extremamente positiva com coisas genéricas, tal como dizer que vou levar a questão para a Ministra. Eu poderia dizer que vou consultar a Ministra. Não, eu já consultei a Ministra. Trabalhamos assim, com transparência. Eu já a consultei. S.Exa. me autorizou a criar uma comissão em cada Município com pessoas que de fato estão envolvidas no processo, com os Prefeitos e representantes do Poder Legislativo Estadual e Federal, para tentar encontrar uma solução. Faremos tudo o que for possível para solucionar os problemas; vamos confrontar os dados. Vamos dizer que são tantas famílias. Portanto, vamos trabalhar assim para resolver os casos, vamos discutir. Não criamos o parque ainda, o decreto não foi assinado. Vamos seguir este processo: a comissão vai checar a informação e iremos corrigir o que estiver errado. (Não identificado) - Não seria prudente haver primeiro o entendimento entre essa comissão antes de se realizar a consulta pública? Esse entendimento deveria ocorrer antes da consulta pública, repito. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Deputado, na semana que vem poderemos fazer isso, quando nossa equipe estará disponível. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Deputado Max Rosenmann. O SR. DEPUTADO MAX ROSENMANN - Em Brasília, nossa vida parlamentar, às vezes, não permite que façamos exatamente o que desejamos. Eu tinha me programado para estar aqui presente o tempo todo, mas, infelizmente, outros assuntos também importantes me levaram a outros lugares. Cheguei há poucos minutos e tive uma sensação muito positiva. Ouvi o Capobianco e alguns Parlamentares. Achei satisfatório e me agradou, porque a pior coisa que existe no País é o hábito de discutir sem antes tomar conhecimento dos assuntos. Temos o hábito de votar sem conhecer integralmente o teor da matéria. Por exemplo, na votação da reforma tributária, 50 Deputados conheciam o texto e 450 votaram de acordo com a indicação da Liderança, sem tomar conhecimento do que está acontecendo. No caso em questão, já tive grandes conflitos e confrontos com o Capobianco, principalmente no que se refere à questão das florestas plantadas em parques. Mas estou começando a entender um pouco mais essa questão e a forma como S.Sa. conduz as coisas. É muito difícil discutir com quem não conhece o problema. Há pessoas que não leram o texto e que entram nervosas, querendo dar sua opinião. Há pessoas que não fazem nem um exercício mental para tentar solucionar a questão, mas jogam o problema em cima da mesa como se o mundo fosse acabar. Isso aconteceu com uma pessoa muito respeitável de Ponta Grossa, que chorava o problema da casa de sua família, de 150 anos, que estaria dentro da área do parque. Sou solidário com quem tem esse tipo de problema, não fico satisfeito ao saber que uma pessoa vai perder a casa da família. Mas quero que sejamos pragmáticos, estudiosos e trabalhadores, e paremos de conversar apenas. Nesta semana recebi uma proposta do Frank Dijkstra, Presidente da Batavo, que tive a oportunidade de apresentar ao Governador. Tive também a oportunidade de levar o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Palmas para trocar idéias a respeito do assunto com o Governador. O Frank Dijkstra pegou o projeto, as propostas e apresentou idéias, por escrito, para as modificações que ele sugere serem necessárias. Encaminhei isso aos senhores na semana passada. Enviei isso também para todos os Secretários, Prefeitos, Presidentes de Câmaras, associações comerciais e para todo mundo que poderia ter participado dessa discussão até agora. Por quê? Para ver se o pessoal aprende a discutir esse tipo de matéria. Está ali nosso colega Vereador, pessoa respeitável de Imbituva, que expõe seu problema e pede solução de forma dramática. Assim não dá para conversar. Ele poderia ter dito: “Há uma família que tem 16 herdeiros, que vai ter uma erva-mate sombreada. O senhor acha que é possível fazer uma RPPN nessa propriedade?” Isso poderia ser até uma pergunta. Agora, fazendo drama, não é possível conversar. Está na hora de todas as cidades discutirem o assunto. Até agora muito pouco se tem feito no papel pragmaticamente, e pouca gente lê o que está sendo discutido. Muita gente aqui está discutindo, mas ainda não leu, não conhece o assunto e quer dar palpite. E se sente, às vezes, até agredida. Não vim aqui para defender o Governo, porque não me considero parte dele, mas acho que os senhores estão sendo tolerantes e compreensivos, no sentido de tentar solucionar os problemas. Aquela senhora que foi conversar com os senhores pediu que a casa da mãe dela fosse retirada da área do parque. Ela já foi atendida ou, pretensamente, será prevista uma solução. Isso porque a casa ficava tão próxima da divisa que não doeu no Ministério tirar o pedacinho da propriedade, que era uma coisa importante. O que não pode acontecer é ela dizer que veio aqui, deu uma porrada em vocês, e que vocês cederam para ela bancar o macho. Não é por aí. Está na hora de os grupos trabalharem de fato, de as Prefeituras saberem o que querem, e de os proprietários, se não souberem ler, mandarem alguém ler por eles e os ajudarem a pensar. Disse há pouco para meu amigo, o Secretário de Meio Ambiente de Palmas, que foi para o aeroporto, porque temos uma reunião lá no dia 23: “Pelo amor de Deus, até mandei a proposta do Frank Dijkstra para você ver como as pessoas apresentam as propostas, em cima de que fatos vamos discutir, e não em cima de lamúrias.” Então, até dia 23, vamos ter o que entregar para eles, vamos ver o que nos atinge em Palmas, onde dói, e quais são as soluções que podemos apresentar para que a conversa não seja neurótica. Temos de melhorar a qualidade do relacionamento, porque, se pensarmos que estamos enrolando, daqui a pouco vamos receber uma portaria e não vamos ter chance. Estou querendo alertar, a bem da verdade. Sou favorável aos proprietários, mas isso aqui não é uma guerra da UDR contra o meio ambiente, não é uma guerra da propriedade contra o Estado. É uma questão ambiental. Pelo menos, ouvi o Sr. Capobianco dizer há pouco que parece que todos compreenderam a importância de preservar os pinheiros. Agora, como vai ser, quem vai receber o dinheiro, quem vai pagar, quanto custa, em que prazo, isso tudo pode ser discutido. Há previsão orçamentária, há orientação no sentido de que a gerência do Banco do Brasil irá determinar os avaliadores, há uma série de situações concretas. Mas a pessoa não pode dizer que não acredita em nada, que acha que vão enganar, que não é bem assim e tal. Aí, realmente, não dá para chegar a lugar nenhum. Estou expondo minha opinião com coragem, mas podia ficar quieto. Acho que está na hora de as propostas serem apresentadas, de pararmos de discutir casos individuais e de analisarmos o todo, com tecnicidade. Até disse ao rapaz de Palmas para recorrer à Universidade. Se há dificuldade para entender o assunto, o centro universitário pode ajudar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Conclua, Deputado. O SR. DEPUTADO MAX ROSENMANN - Se V.Exa. quiser cortar a palavra, pode cortar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Estou pedindo a V.Exa. que conclua. O SR. DEPUTADO MAX ROSENMANN - Estou concluindo o que considero importante. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Acho que V.Exa. está indo a detalhe que não interessa a esta audiência, isso é para a frente. O SR. DEPUTADO MAX ROSENMANN - Muito obrigado. O que interessa é o que você pensa. Vai com calma. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Não é isso. Estamos há 5 horas reunidos. Há mais 6 inscritos para falar. É uma questão de respeito a quem está inscrito. Se cada um falar meia hora, vamos ficar aqui até meia noite. (Palmas.) Vou citar a ordem de inscrição: Deputado Micheletto, Sra. Loribel, Deputado Ivan Ranzolin, Deputado Cezar Silvestri, o Prefeito de Passos Maia, o Sr. Antenor e o Sr. Douglas. Se alguém mais quiser se inscrever, poderá fazê-lo junto à Secretaria. (Pausa.) O Dr. Capobianco está me avisando que terá reunião às 8h com a Ministra. Então, vamos pedir a todos que sejam breves, para que possamos liberá-lo às 7h55min. Com a palavra o Deputado Moacir Micheletto. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - O Secretário fez uma proposta, que acredito seja viável. Temos de tentar agora algo concreto, ou seja, após essas 5 horas de discussão, a que conclusão vamos chegar. A Sra. Ministra disse que não quer suspender as audiências públicas. Discuti com nosso pessoal e decidimos que cada Município vai criar uma comissão antes da audiência pública, levantando toda a problemática daquele Município e a situação hoje existente. Depois desse levantamento, participaríamos das audiências públicas, que não sei se vão ser feitas em cada Município ou regionalmente. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Em cada Município. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Então, penso que se pode dar um tempo para esse grupo ser criado, que é quem vai participar, quem vai discutir — acho que estão neste cenário os personagens —, levanta-se a problemática de cada Município. Depois disso é que vamos marcar audiências públicas, uma vez que essa comissão já levantou a problemática e vai discuti-la na audiência pública. Parece-me que é uma questão apenas de tempo. Com isso, acho que o objetivo foi conquistado aqui, com a benevolência do Ministério, que viu que há necessidade de rediscutir. Cria-se a comissão no Município. Pode ser criada agora, e acho que já temos bastantes dados em cima dessa realidade. Depois que o documento da realidade de cada Município estiver feito, discute-se em audiência pública, com a presença do Ministério do Meio Ambiente. Não sei se era isso. Se alguém achar que não seria essa a forma, que conteste. Seria criada comissão em cada Município. Antes da realização de audiência pública, faz-se o levantamento, o diagnóstico. Assim, poderíamos estabelecer o que concordamos e o que propomos. E o Ministério poderia participar, sem problema algum. Estou tentando explicar que, na audiência pública, o Ministério está participando, mas... (Intervenção inaudível.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - O Dr. João Paulo Ribeiro Capobianco propôs a participação do Ministério nessas comissões regionais, o que é importante. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Está certo. Está resumido o problema. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra a Sra. Loribel. A SRA. LORIBEL - Boa-noite a todos. Sou uma produtora da divisa do Paraná e Santa Catarina. Convivo com a problemática dos 2 Estados. Serei muito rápida e franca. Não tratarei das audiências públicas e de como será resolvido o problema, porque acredito que os nobres Deputados, Senadores, o Dr. João Paulo Ribeiro Capobianco e os representantes do Ministério têm condições de chegar a uma solução a contento. Faço apenas um comentário e um pedido aos nossos Deputados, às pessoas que fazem as leis deste País. Aproveitando o que o Deputado Max Rosenmann abordou, acredito que está havendo certa desatenção na criação e elaboração das leis deste País. Nós, que estamos na ponta, sentimos as contradições impostas e temos de conviver com elas. Vivemos numa área de campo, onde precisamos de um alqueire e meio para uma cabeça de gado. Com isso, a alíquota daquele local, apesar de pedirmos com insistência, é 7 cabeças por alqueire de gado. Diante disso, somos tachados de improdutivos. Não queríamos abrir o campo, pois queremos preservá-lo. O campo é milenar, nativo e tem toda uma história genética do meio ambiente. No entanto, nos obrigamos a abrir lavoura no campo porque, do contrário, somos considerados improdutivos. Abrimos a lavoura e estamos depredando o campo. Preservamos a mata, temos uma grande reserva legal. Há muitos anos temos preservado. Alguns pinheiros precisam de 6 pessoas para abraçá-lo. Volta e meia temos de montar um acampamento na entrada da fazenda — meu marido, meu filho e toda a família — por causa de ameaça de invasão dos sem-terra. E eles invadem e cortam a madeira. Vivemos num toma-lá-dá-cá, num puxa e repuxa de leis, com pessoas fazendo leis, projetos e defesas de meio ambiente. E, lá na ponta, quem sabe das coisas somos nós. Tudo isso deveria ser considerado. Peço atenção aos nobres Deputados, a todos os políticos presentes, a fim de que procurem averiguar as leis feitas neste País e tirar suas contradições, para que nós, lá na ponta, possamos saber como agir. Todos nós temos interesse de agir da maneira mais correta possível. Ninguém quer depredar ou acabar com o meio ambiente. Queremos preservá-lo para os nossos filhos. Queremos leis coerentes e retas que possam ser entendidas e não sejam contraditórias. Muito obrigada. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Muito obrigado. Com a palavra o Deputado Ivan Ranzolin. O SR. DEPUTADO IVAN RANZOLIN - Sr. Presidente, observei atentamente a exposição do Dr. João Paulo Ribeiro Capobianco. Depois que baixou a voz, ele abordou com muito conhecimento o assunto que estamos tratando. Hoje eu tinha uma série de compromissos. Como fui defenestrado da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, sobrou-me mais tempo. Quem quer esclarecer os fatos apontados de corrupção é punido. Acabei ganhando, porque aprendi muito. Fiquei lendo a legislação — porque eu não estava aqui quando ela foi votada. Estou vendo que nós, muitas vezes, legislamos sem corresponder à manifesta vontade da comunidade. A senhora que se pronunciou há pouco falou a realidade. No entanto, a lei citada não obriga a fazer o que está sendo feito. Concordo com quase tudo o que foi dito, mas os Deputados não são culpados. Na realidade, quando se vai agir em cima de determinado lugar para estabelecer uma reserva, é preciso considerar o custo/benefício. Se não fizermos essa avaliação com bom senso e serenidade, prejudicaremos uma comunidade inteira para preservar algo que não será ocupado daqui há 100 anos. Juntos encontraremos o caminho. Se o Dr. Capobianco e os técnicos que conhecem tudo do Ministério não se aliarem a quem conhece tudo do povo, praticaremos injustiças. A lei estabelece uma regra, mas esta poderá ser alterada se a considerarmos injusta. Queremos preservar a comunidade. Proponho sermos solidários e parceiros. Quando os senhores precisam de uma lei, recorrem a esta Casa. Quando precisamos da execução da lei, recorremos ao Ministério. Por isso defendi a realização de um debate na Comissão com a Ministra e a suspensão das audiências marcadas, para não gerarmos um tumulto. É preciso haver determinação. Nós, os Prefeitos e o Ministério devemos dizer o que queremos. Em Abelardo Luz, por exemplo, não há a necessidade de fazermos uma audiência porque os 9 proprietários aceitam a regra do Governo. Talvez seja possível resolver a questão. Se formos para lá, juntamente com o Deputado Zonta, que é da região, faremos algo e seremos aplaudidos. A comunidade pensa que iremos retirar algo. Os 500 metros mencionados representam um grande avanço. Faço um apelo. Vamos conversar, chegar à comunidade com uma voz uníssona e com a lei. Poderemos ferir alguém, mas não vamos deixar a comunidade perplexa e com medo do Governo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Deputado Cezar Silvestri. O SR. DEPUTADO CEZAR SILVESTRI - A idéia de formarmos uma comissão foi proposta pelo próprio Capobianco. Também é consenso a necessidade de adiar as audiências públicas para que esta Comissão possa realmente trabalhar e discutir com o Ministério as alterações que podem ser feitas no decreto. Acredito que muitas alterações serão consensuais. O Dr. Capobianco disse claramente que a intenção do Ministério, ao criar as unidades de conservação, é preservar as matas nativas e os campos nativos. Não é intenção do Ministério do Meio Ambiente incluir área agricultável. Verificamos na determinação do perímetro, realizada pelo Ministério, que muitas áreas produtivas foram incorporadas. No caso de Ponta Grossa, depois da audiência pública, por meio de proposta de um professor da Universidade de Ponta Grossa, o Parque dos Campos Gerais foi ampliado em 800 hectares, sendo que mais de 500 hectares são de área de agricultura. Isso não era intenção do Ministério. Já conversei com o Dr. Maurício Mercadante sobre o assunto. Acredito ser possível reverter a situação, mas é necessário prorrogar as audiências públicas para que possamos chegar a um entendimento, como ocorreu no caso da Mata Atlântica e do projeto de florestas públicas. Seria ótimo se conseguíssemos chegar a um entendimento com a comunidade, com os proprietários, Prefeitos e Deputados que representam as regiões. Essa é a intenção de todos. Tenho certeza absoluta de que também do Ministério do Meio Ambiente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Prefeito de Passos Maia, Santa Catarina. O SR. OSMAR TOZZO - Sr. Presidente, Sr. Secretário Capobianco, também comungamos da mesma idéia e já a expressamos por intermédio do Prefeito de Ponte Serrada. Somos representantes legais dos Municípios onde serão criadas as áreas de proteção ambiental e não temos informações para passar ao nosso povo. Não sei quantos proprietários do meu Município serão realmente atingidos. Foi dito que serão 5, mas uma comunidade inteira mora lá. São mais de 100 famílias. Segundo relatório do INCRA, 41 famílias foram assentadas dentro do parque pelo programa de reforma agrária. Não há um estudo socioeconômico apontado pelo Ministério; temos algo que a Prefeitura levantou por meio da EPAGRI. E nos falta esse subsídio. Como realizaremos a consulta se não informamos a população pelos veículos de comunicação? Teria de haver a discussão, o prolongamento dessas audiências e a consulta, com sintonia entre os Governos Federal, Estadual e Municipais. Não fomos ouvidos nem sabemos as informações corretas para passá-las à população. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Tem V.Exa. a palavra. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - Sr. Presidente, creio já termos consenso a respeito das comissões nos Municípios. O consenso é no sentido do adiamento de não sei quantos dias para realização dessas audiências públicas e que as mesmas não aconteçam nos dias 18 e 21, pois o Prefeito deseja conhecer os dados. Penso que valerá o bom senso. Gostaria também que pudéssemos interpelar a Sra. Ministra. Se está marcado para a semana do dia 21, que tenhamos mais tempo para podermos levantar essa problemática. Conforme disse o Prefeito, talvez mais 30 dias. Creio que, com isso, culminaremos com sucesso essa audiência pública. Pelo menos, estou pensando assim e estou trazendo o pensamento unânime do pessoal, concordando com a proposta do Ministério, mas, acima de tudo, tentando adiar por mais 30 dias a audiência pública, não a consulta pública, com presença, inclusive, do Ministério do Meio Ambiente. O SR. DOUGLAS FONSECA - Não entendi: é consenso ou pedido de adiamento? O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Ele distinguiu audiência de consulta. O SR. DEPUTADO MOACIR MICHELETTO - É o adiamento da consulta. Consulta ou audiência pública. Alguém fala em consulta e pensa que consulta é diferente de audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Vamos esclarecer. Vamos esquecer o termo audiência pública; é consulta pública. Os Prefeitos que tiverem documento para entregar ao Ministério que o façam, porque, daqui a pouco, teremos de liberar o Secretário Capobianco. Começamos às 14h esta reunião. Com a palavra o Secretário Valdir Collato. O SR. VALDIR COLLATO - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, acabei tendo de atender ao Governador e não consegui ficar todo o tempo na reunião. Havia uma pergunta sobre os recursos. Não sei se foi explicado, mas foi dito que os recursos, depois de criados os parques, surgiriam de algum modo no orçamento futuro. Passaram-me essa informação. Passei 8 anos nesta Casa e não tenho conhecimento de nenhum orçamento em que tenha sido destinado dinheiro para indenização de parques nacionais. Se houver agora, foi inovação do Governo Lula, pois não há este ano e não haverá ano que vem. Essa conversa de que vão arrumar dinheiro depois para indenizar não existe. Gostaria de dizer que só para os parques de Abelardo Luz são 258 milhões. Vejam o montante. A Lei nº 9.985, de 2000, exclui das indenizações as espécies arbóreas declaradas imunes de cortes pelo Poder Público, expectativas de ganhos de lucro cessante, o resultado de cálculo efetuado mediante a operação de juros compostos, as áreas que não tenham prova de domínio inequívoco e anterior à criação da unidade. Logo, já se encarregaram de criar uma lei estabelecendo que não serão indenizadas as matas. Está aqui a Lei nº 9.985 para quem quiser conferir. O Governador Luiz Henrique encaminhou, no dia 11 de maio, ao Presidente da República, ao Vice-Presidente, ao Ministro José Dirceu e à Ministra Marina Silva carta pedindo que se mantivesse o prazo de um ano para que o Governo do Estado pudesse fazer os estudos de levantamento florestal. Não recebemos resposta. Ouvi, outro dia, o Governador dizer ao Ministro Antonio Palocci que não conhecia a assinatura do Ministro e não conhece também a assinatura deste Governo, porque é uma prática não responder. Queremos resposta. O Governo de Santa Catarina continua pedindo um ano de prazo, não quer essa audiência pública agora porque está realizando um trabalho ambiental e deseja, no mínimo, uma resposta do Governo Federal. O Governo do Estado não aceita essa posição de audiência pública. Essa é a determinação do Governador e gostaria de apresentá-la nesta audiência para não haver registro atravessado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Solicito paciência ao Secretário Capobianco para ouvir os Deputados Airton Roveda e Zonta. Entendo que V.Sa. se encontra na reunião desde as 14h. Tenho disponibilidade para ficar até a meia-noite, se for preciso. Peço aos Deputados que sejam muito rápidos para podermos liberar o Secretário; é uma questão de respeito ao compromisso de S.Sa. Não podemos dizer que S.Sa. não nos deu atenção, pois passou conosco praticamente 6 horas. Depois, podemos continuar o debate. Fica claro que a discussão não está encerrada. Se continuássemos a discussão, iríamos muito longe. Há algo que sempre reconheci: nos últimos tempos, temos tido condições de debater com as autoridades ambientais. Por isso, este debate precisa continuar. Deputado Max Rosenmann, pode deixar que conduzo a Presidência enquanto estiver nesta cadeira, sem sua interferência. Não lhe devo satisfações. V.Exa. está acostumado a tumultuar as reuniões, mas, comigo, não irá fazê-lo. Com a palavra o Deputado Airton Roveda. O SR. DEPUTADO AIRTON ROVEDA - Faço um pedido especial ao Capobianco no sentido de que a consulta seja realizada em cada Município, que cada um cessasse as discussões e levasse algo que o povo aceitasse. Os Municípios afetados são pequenos, e a sociedade vai em cima do Prefeito, o que é bastante difícil. Assim sendo, essas consultas deveriam partir dos Municípios, claro que com a presença do pessoal do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Deputado Zonta. O SR. ANTENOR RIBEIRO BOMFIM - Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem. Desculpe-me, trata-se apenas da questão que o Secretário Capobianco levantou referente ao desmatamento, notícia que soube hoje. Informo à Comissão de Agricultura e Meio Ambiente que a notícia do desmatamento já circulou no Diário Catarinense do dia 3 de junho. O assessor do Deputado concedeu a entrevista. Tentei rebater, mas o jornal não me deu direito ao contraditório. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Por favor, Sr. Antenor, vamos ouvir o Deputado Zonta, pois precisamos liberar o Secretário. O SR. DEPUTADO ZONTA - São apenas 3 questões muito claras. Primeiro, temos um requerimento, um pedido de informação sobre orçamento, que é fundamental. Deveremos recebê-lo do Ministério do Planejamento. Esse será um dos indicadores para que tomemos posição quanto aos encaminhamentos. Nos próximos dias, deve chegar o pedido de informação. Segundo, fica pendente a questão do adiamento ou não. Terceiro, a consulta pública, Sr. Capobianco, será feita apenas para parques de preservação permanente, não se tratará de APA. É isso? O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Unidade de Conservação. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - A APA está postergada. Neste momento, vamos encerrar... O SR. DEPUTADO ZONTA - Não será discutido nessa consulta? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Sr. Deputado, já disse a V.Exa. e repito, para que fique claro: voltaremos a discutir a Área de Proteção Ambiental mais à frente, depois que conseguirmos chegar ao entendimento sobre o caso de Santa Catarina, que são as duas unidades de preservação e de proteção integral. Não serão discutidas nesta audiência pública. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Por favor, não vamos tumultuar a reunião. Com a palavra o Deputado Ronaldo Caiado. O SR. DEPUTADO RONALDO CAIADO - Sr. Presidente, solicito a V.Exa. que conceda pelo menos 30 segundos ao Dr. Douglas, que veio do Paraná. V.Exa. poderia fazer essa concessão? Muito obrigado, Sr. Presidente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Deputado Ronaldo Caiado, tenho uma lista de inscritos que inclui o Dr. Douglas, que poderia pronunciar-se. Todavia, o Secretário Capobianco está pedindo, há algum tempo, para se retirar. Por mim, não há problema. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Peço desculpas. Na verdade, não sabia que a reunião se estenderia até a noite e já tinha um compromisso com a Ministra. Qual o prazo? Quanto tempo o senhor acha que ainda vai demorar a reunião? Posso pedir mais um pouco de tempo. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Vamos pedir meia hora. Vamos seguir a ordem dos inscritos. Com a palavra o Dr. Antenor Ribeiro Bonfim. O SR. ANTENOR RIBEIRO BOMFIM - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em primeiro lugar, quero dizer ao Secretário Capobianco que, invocando o testemunho de alguns Deputados, Deputado Cezar Silvestri e Deputado Max Rosenmann, tenho um passado democrático. Jamais pensei, em nenhum momento, em fazer ameaça ao Secretário, por quem tenho o maior respeito. Percebo seu alto espírito democrático. A denúncia de desmatamento foi veiculada já no Diário Catarinense da semana passada. Causou-me surpresa a entrevista do assessor do Secretário, em Campos do Jordão. Disse o assessor que naquela região de Santa Catarina os proprietários são senhores feudais que decidem quem vive e quem morre. Estou dizendo isso porque, conhecendo o espírito democrático do Dr. Capobianco, a questão ambiental não é ideológica. Temos de tirar a ideologia dessa questão e fazer, como disse o Deputado Ivan Ranzolin, parceria. A proposta de entendimento prévio, antes dessas audiências públicas, é a saída para que superemos todos esses problemas. Tenho certeza de que o que pretende o Dr. Capobianco, pelo menos em relação à Mata Preta, é o mesmo que pretendemos. Quero prestar esse esclarecimento. Não houve desmatamento. Quem desmatou uma área muito grande naquela região nos últimos tempos foram os assentados pelo INCRA. Eles ocuparam uma área em torno de 12 mil hectares, um dos maiores assentamentos de Santa Catarina, e puseram abaixo exuberante floresta de araucária. É provável até, eles são lindeiros, que tenha havido outro desmatamento, mas não de parte dos proprietários da Mata Preta. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Obrigado. Com a palavra o Dr. Douglas Fonseca. O SR. DOUGLAS FONSECA - Represento o pessoal envolvido no parque dos Campos Gerais, no refúgio do Rio Tibagi e na reserva biológica. O Dr. Capobianco disse que ficou muito triste com o desmatamento. A mesma tristeza sentimos quando vimos nos jornais, na semana passada, toda essa corrupção do IBAMA. Isso não faz com que todo o IBAMA perca a credibilidade. Há pessoas honestas e sérias também no IBAMA. Alguns madeireiros irresponsáveis terem feito desmatamento onde não deviam não significa que todos os produtores e madeireiros são irresponsáveis. Sabemos que onde está o homem existe o erro. Já tivemos exemplos de Presidentes, Deputados e juízes corruptos. Não vamos generalizar. Não se deve denegrir uma classe por causa da imagem negativa de uma pessoa. Foi publicado em jornal em Ponta Grossa que o IBAMA processará alguns grandes produtores rurais porque estão incitando os pequenos produtores a vender suas áreas. Estão mentindo para que os pequenos produtores vendam as áreas. Dei a resposta para a Gazeta do Povo e outros jornais do Paraná. Se o IBAMA detectou o problema, tem obrigação de denunciar os produtores rurais. E os produtores rurais que estão mentindo para os pequenos produtores devem ser responsabilizados, julgados e punidos exemplarmente, para que outros não façam o mesmo. Participei de reunião com o Governador Robertode Requião e seus Secretários. Apresentei um posicionamento algumas vezes discordante do IBAMA. O vídeo apresentado é de nossa responsabilidade. Fui o coordenador de sua confecção. As imagens mostram algumas pessoas, e eu poderia trazer 100 imagens iguais, o que não é o caso. Poderia também trazer 100 imagens de pessoas que não respeitaram o meio ambiente e que praticaram barbaridades. O senhor está correto em relação a isso. Saio daqui satisfeito porque a proposta que estudamos ontem é mais ou menos a que o senhor propôs. Estou representando mais de 200 pessoas e há 14 pessoas representando a região de Ponta Grossa. Estamos todos juntos. Essa proposta que o senhor apresentou é exatamente a que traríamos. Queremos nos reunir com a Comissão, com o Ministério do Meio Ambiente, com o IBAMA, com o IAP. Queremos fazer uma reserva ecológica no Paraná que sirva de modelo para o resto do Brasil, com a participação da comunidade. Para que o senhor tenha uma idéia, em área que seja 50% de mata e 50% de agricultura, os produtores concordam em fazer RPPN nos 50% de mata, desde que se liberem as áreas agrícolas. Ainda teremos de avançar para que haja uma solução muito boa. Fica a seguinte pergunta: como ficam aqueles Municípios em que houve audiência pública sem boa divulgação, visto que poucas pessoas apareceram? Haverá outras audiências públicas? Esta é a nossa grande preocupação. Para a audiência pública em Teixeira Soares, o convite partiu de Brasília no mesmo dia em que foi realizada a audiência pública. Temos o carimbo dos Correios de Brasília, com a mesma data da audiência. Queremos participar, dialogar, queremos paz, pois isso é importante. Mas como ficam as audiências que no nosso entender foram malfeitas? O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Dr. Álvaro Luiz Scheffer. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - Dr. Capobianco, aproveito a oportunidade para fazer duas perguntas técnicas. O senhor se referiu à questão das Reservas Particulares do Patrimônio Natural — RPPNs. Uma área que tenha RPPN estaria atendendo aos anseios do Ministério do Meio Ambiente. Minha pergunta é clara: se nessa propriedade, que tem 30%, 40% de área produtiva, eu transformar a parte restante em RPPN, a parte produtiva estaria liberada? Tive a oportunidade de discutir em Curitiba os erros de interpretação da imagem de satélites. Áreas consideradas campos são áreas de pinus, dentro das quais passa a haver uma área de floresta. Se parte dessas áreas for transformada em floresta nativa, em RPPN, a área produtiva também será liberada? Faço a pergunta pelo seguinte: trata-se de áreas de 3, 4 anos. Para que sejam liberadas para corte final, será preciso manter as estradas. Uma das sugestões é a criação de RPPNs das áreas nativas, desde que outra coisa seja liberada. Esta sugestão vai ao encontro do que o Douglas comentou. Nossa idéia era promover, junto com RPPNs, um bom trabalho de recuperação da mata ciliar. Dessa forma se garantiria um corredor de biodiversidade entre essas RPPNs. No refúgio da vida silvestre, temos muitas áreas agrícolas que não têm uma explicação lógica para estarem ocupando a área, a não ser o fato de fazer uma ligação com o Parque de Vila Velha. Essa ligação, via área agrícola, não tem lógica. Se mantivéssemos as matas ciliares bem protegidas, esse refúgio de vida silvestre poderia ser concentrado dentro da APP. O principal objetivo, se queremos uma área de proteção ambiental, é saber quem irá protegê-la. Lá já se encontra o proprietário que poderá protegê-la. Esta é a nossa proposta. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Deputado Estadual Reno Caramori. O SR. RENO CARAMORI - Há uma dúvida pairando no ar. Para a reunião em cada Município, precisamos de um relatório e de um técnico do Ministério do Meio Ambiente para acompanhar a discussão. O nosso pessoal não conhece tecnicamente o mapeamento, quem está dentro ou fora. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Sr. João Paulo Ribeiro Capobianco. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Deputado Gervásio Silva, peço desculpas. As audiências de que tenho participado costumam ir até às 19h; na verdade, até o início da Ordem do Dia; normalmente as reuniões terminam às 16h, 16h30, e todos saem correndo. Esta de fato se alongou, por isso houve um pequeno imprevisto, mas acertei minha agenda. Pergunto à proprietária que fez uso da palavra se a sua propriedade está na área da reserva de vida silvestre, no refúgio. A SRA. LORIBEL - Dentro da APA. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - O que esclareci desde o início é que a APA não está mais em discussão. A SRA. LORIBEL - Mas não estou brigando pela minha propriedade. Não quero que me entenda dessa forma. Estou representando 150 proprietários. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Mas a APA não está... A SRA. LORIBEL - Não estou falando a respeito disso exatamente. Estou falando do contexto atual. Na região de Água Doce existem 150 proprietários, e algumas propriedades estão dentro da APA. Pedi aos Deputados que tratassem não apenas dessa situação. Estamos sofrendo com essa discrepância das leis, algo absurdo, porque não há coerência. Isso que quero que as pessoas entendam. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Isso já foi superado parcialmente. Na parte de floresta, já foi superado. De fato havia uma legislação que impulsionava o desmatamento para mostrar produtividade. Mas há que se fazer ajuste, a senhora tem razão. A SRA. LORIBEL - Sim, há que se fazer grandes ajustes. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Mas se fosse uma APA ou um refúgio, não haveria a menor chance de esse tipo de problema ocorrer. A senhora, seu marido e seu filho não enfrentariam aquela lamentável situação. O Poder Público estaria obrigado a defender sua área se fosse um refúgio de vida silvestre. A SRA. LORIBEL - Pelo entendimento que tenho, para que haja o retorno do carbono, as matas têm de ser refeitas. Então, por que esse dinheiro que as ONGs estão dispondo para que se criem parques... O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não são as ONGs, mas o Poder Executivo, no caso. A SRA. LORIBEL - Está sendo disponibilizada a desapropriação das áreas. Por que o dinheiro não é utilizado nas áreas que estão depredadas? Que possam esses proprietários entrar e... O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Lançamos ontem um edital de 20 milhões de reais do Fundo Nacional do Meio Ambiente exatamente para proprietários de áreas alteradas que queiram buscar recursos e recuperar áreas degradadas. Um primeiro passo foi dado ontem. A SRA. LORIBEL - Eu acho ótimo. Acredito que todo proprietário que não for pressionado economicamente para desmatar ou agredir o meio ambiente e que seja incentivado a preservar, com toda certeza, preservará. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Com certeza, concordo plenamente. A SRA. LORIBEL - Pode estar dentro desse projeto uma maneira de incentivar o produtor, o pecuarista e o produtor a preservarem o que já têm. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Está certo. Com relação à pergunta, peço atenção a todos. É importante ficar bem claro que a área a ser criada constitui um maciço, uma área contígua. Os ajustes que entendemos necessários estão nos limites da unidade. Então, é preciso retirar a área produtiva que foi incluída e está no limite da unidade. No caso de uma obra de infra-estrutura, casa de fazenda, paiol ou silo, que esteja próxima à divisa, ela tem de ser retirada. Quero que fique bem claro que não estamos acenando com uma possibilidade inexistente. O proprietário tem uma área no conjunto do maciço, existe uma área de floresta e uma área de produção no meio do maciço florestal conjunto. Essa área não poderá ser excluída. Estamos discutindo com o proprietário que tem áreas no limite. Na verdade, está sendo proposto que grande parte da unidade seja transformada em RPPN. Não há nenhum problema. No entanto, se houver uma área de produção no meio do maciço de floresta, ela não será excluída e terá de ser mantida na unidade de conservação para conservar o conjunto da área. São áreas muito pequenas, 9 mil hectares, mas é o que resta. O maciço contínuo tem de ser mantido, não pode ser transformado num queijo suíço, na expressão vulgarmente utilizada. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - Só uma pergunta. Se as RPPNs de várias propriedades compusessem um mosaico contínuo, isso poderia ter sido feito? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Se for no desenho previsto originalmente, sim. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - Mesmo unindo as RPPNs, se as áreas se mantivessem contíguas, as áreas produtivas ficariam de lado? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Depende da situação. O desenho foi considerado adequado para a unidade x, Mata Preta. Foram consideradas a qualidade da área de floresta e a diversidade genética. Aquilo que está ali pode ser RPPN e pode ser parque. Se for tudo RPPN, vamos ajoelhar, parabenizar e pedir a todos que corram ao fundo. Vamos ajudar a preservar, a fiscalizar. Se uma parte é propriedade ou um conjunto de propriedade e pode ser tudo uma RPPN, maravilha, o resto transformaremos em unidade contígua. O que não pode acontecer é modificar o desenho da unidade para ajustar a exposição de área produtiva, a não ser que seja no limite. É necessário estudar, analisar com cuidado a situação. Façam a proposta, e nós a analisaremos. O importante é que haja uma proposta o mais consensual possível. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - Para quem e quando fazer essa proposta? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Quero esclarecer outra questão. Quanto à pergunta do Deputado Reno Caramori, queremos que seja oficializada rapidamente a informação, sem nenhuma burocracia, por fax, e-mail ou telefone. É preciso informar quem no Município é o líder, o cabeça de chave. Enviaremos a essa pessoa mapas em tamanho A-0, detalhados, com toda informação, para que as pessoas possam trabalhar. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - A informação é para quem, no Ministério, para o senhor? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Para a Secretaria de Biodiversidade e Florestas. O ideal seria mandar direto para o Maurício Mercadante, que é o diretor e está operando diretamente. Eu estou com uma agenda meio maluca. O Maurício Mercadante está no Ministério e pode receber isso. Encaminharemos o material detalhado, com os mapas em formato grande do desenho tal como ele está, com as imagens em satélite para que possa ser analisado. O ideal seria mandar o material, fazer uma primeira análise para então marcarmos uma reunião. Foi solicitada agora para uma parte que faltava. Devemos ter quase tudo. No entanto, há uma limitação na passagem do satélite. Com relação às consultas públicas, não existe nenhuma determinação da Ministra de repetir consulta pública nos Municípios do Paraná, fora Palmas. Independentemente disso, as consultas públicas que estamos autorizados a fazer e já convocamos acontecerão em Ponte Serrada, Abelardo Luz, Palmas e Passos Maia. Com relação ao Paraná, da mesma forma, a proposta é criar a comissão, mandar o material, discutir, avaliar o problema, o que pode ser acertado, como envolver as RPPNs, como ajustar. Se houver uma proposta, nós a avaliaremos. O Presidente da República não criou nenhuma unidade de conservação. Todas elas estão à disposição para serem aprimoradas, já que todos concordamos que vamos criá-las em parceria. Com relação ao adiamento, quero ser bem transparente, porque temos de ter transparência entre nós. Confiança se faz com transparência, mesmo quando aquilo que o outro diz não é o que gostaríamos. Não tenho autorização para informar que haverá adiamento. Ao contrário, já consultei a Ministra, que não o autoriza. Ela diz que faremos a consulta. Se necessário, faremos outra, quantas forem necessárias. Está marcada a consulta, publicada no Diário Oficial. Recebemos o pedido dos Prefeitos. Foi feito entendimento com o Prefeitos. Demos a nossa palavra de que haveria um longo prazo. Se for necessário, faremos outro. Não há problema nenhum. Mas essa consulta não será adiada. O Deputado diz que irá conversar com a Ministra e pedir adiamento. Prefiro sair daqui com os pontos organizados. Estamos todos aqui. Vamos trabalhar a comissão no Município. A consulta pública não é feita para o proprietário, mas para todos os interessados, inclusive os proprietários. Na consulta, poderão surgir informações que a própria comissão desconhece. Ouviremos as pessoas de forma ordeira, integrada com a Prefeitura. Peço aos Deputados que tenham disponibilidade que participem. Repito as palavras da Ministra: se necessário, após 15 dias, fazer outra consulta, faremos outra, não há problema. Chegaremos ao acordo, mas não cancelaremos algo que já marcamos e acertamos. O SR. DEPUTADO ZONTA - O pedido de audiência com a Ministra já foi solicitado. Não queremos desmerecer seu trabalho, mas continuaremos insistindo no adiamento das audiências. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Deputado, se os senhores conseguirem o adiamento, tudo bem. Quem toma a decisão é a Ministra. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Só que eu não quero sair daqui sem um encaminhamento. Se não forem adiadas as audiências, vamos trabalhar na comissão. Depois da consulta, haverá uma reunião da comissão. Vamos trabalhar tecnicamente a proposta, sem atropelo. Se necessário, a Ministra já disse que faremos outra consulta. Se houver adiamento, tudo bem, mas não vamos sair daqui sem a proposta de trabalhar rapidamente. O SR. ÁLVARO LUIZ SCHEFFER - Podemos levar esse material amanhã? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Vamos trabalhar para isso. Vamos pedir ao laboratório que imprima esse material. Aproveito para pedir aos Prefeitos que levem a cópia completa do processo. Já produzimos a cópia e vamos mandá-la por SEDEX. Faremos um protocolo, e eles levarão o processo completo, com os mapas em tamanho grande. O SR. DANUNCIO BITTENCOURT - Sr. Presidente, só uma pergunta ao Secretário. Sou Prefeito de São Domingos e estou preocupado. Está sendo encaminhada a questão dos parques. Na região, a maior área atingida será a APA, que será discutida num segundo momento. Quero insistir na questão da APA e perguntar, mesmo pelo meu desconhecimento, o que ela influenciará na preservação das matas que já são transformadas em parque. Não quero deixar para uma segunda etapa, justamente porque a área é a maior atingida no Estado e corresponde a 13% da produção agropecuária do Estado de Santa Catarina. Não podemos deixar isso para depois. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Prefeito, veja bem, a intenção não é deixar para depois, a fim de que venha um decreto surpresa. Não é isso que está sendo dito. Vou repetir: as APAs não serão objeto das consultas públicas que ocorrerão agora. Não vamos discutir APA. Se o senhor achar uma boa idéia, posso fazer um compromisso. Nfazer ufa. N. o momento em que formos discutir APA, chamaremos todos os Prefeitos de todos os Municípios atingidos para uma reunião. Pode ser lá ou aqui. Convidaremos a bancada, os Parlamentares e faremos uma discussão inicial. Não haverá atropelo ou surpresa. Não convocaremos nenhuma consulta pública de repente, daqui a 3 meses, para discutir a APA. O SR. DANUNCIO BITTENCOURT - Só mais uma pergunta, Secretário: pelo meu desconhecimento, a consulta pública terá poder deliberativo? Ela é só pro rata? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não. A consulta pública tem o objetivo de recolher observações, contribuições e sugestões, e todas serão obrigatoriamente transcritas em ata. Isso acompanha o processo. Caso, numa consulta pública, uma informação de alta relevância tenha sido proferida e o Poder Público não tenha observado aquela informação, pode-se, na Justiça, descredenciar a unidade. Mas a consulta não é deliberativa. O SR. DANUNCIO BITTENCOURT - Ela não delibera nada. Simplesmente é pro forma? O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Não é pro forma. Existe uma diferença. Aqui se delibera? O SR. DANUNCIO BITTENCOURT - Não. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - É pro forma? O senhor achou que foi pro forma? O SR. DANUNCIO BITTENCOURT - Não, de maneira nenhuma. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Exatamente como esta audiência não foi pro forma, graças à participação de pessoas a exemplo do senhor que vieram discutir, as consultas públicas não serão pro forma. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Com a palavra o Secretário Valdir Collato. O SR. VALDIR COLLATO - Sr. Presidente, disse que o Governo de Santa Catarina não recebe resposta por escrito. Peço ao Secretário Capobianco que nos diga se levará em conta o ofício do Governador que pediu para manter esse processo por, no mínimo, um ano, até que fizéssemos levantamentos florestais em Santa Catarina. Não sei se é uma prática não responder as perguntas. Não acho que seja algo pessoal. O senhor representava o WWF e eu era Deputado. O Governador de Santa Catarina precisa saber. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - E o senhor, que empresa assumidamente representava? O SR. VALDIR COLLATO - Eu representava o povo de Santa Catarina, a produção que estão acabando. Estão engessando o processo. Essa é a realidade. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Qual empresa o senhor representava? Precisamos saber. O SR. VALDIR COLLATO - Nenhuma. Você tem de dizer de quem recebe seu salário. O SR. JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO - Do Ministério do Meio Ambiente. O SR. PRESIDENTE (Deputado Gervásio Silva) - Peço calma ao Secretário Valdir Collato. Peço desculpas ao Deputado Max Rosenmann, grande Parlamentar, pela discussão acirrada. Continuamos a nossa luta. O nosso amigo Moisés, que secretariou a reunião, faz aniversário hoje. (Palmas.) Obrigado a todos pela participação. Está encerrada a reunião.