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Revista Saber Acadêmico 12: junho/2011
Mora-Filho, P. S. et al., 2011
Artigo original
“ENSINO SUPERIOR E SOCIEDADE: REFLEXÕES ACERCA DA FORMAÇÃO
DO BACHAREL EM TURISMO E SUA ATUAÇÃO NA SOCIEDADE”
MORA-FILHO, Pedro Sérgio, PEREIRA, Daniel Albuquerque e DA ROCHA, Marcelo Mariano 1
1
Núcleo de Gestão Ambiental e Pesquisa em Turismo. FAPEPE – Faculdade de Presidente Prudente. UNIESP –
União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo
Pedro Sérgio Mora-Filho
Daniel Albuquerque Pereira
Marcelo Mariano da Rocha
Artigo submetido em 11/04/2011
Aceito em 25/06/2011.
e-mail: [email protected]
Resumo: Este artigo pretende apresentar algumas discussões e
paradoxos que envolvem o desenvolvimento do Turismo após a
formatura do acadêmico até a inserção destes profissionais no
mercado de trabalho e sua atuação na sociedade. Pretende ainda
debater sobre as características dos atores envolvidos nesse processo. A reflexão tem por objetivo trazer à luz um estudo ontológico do ensino superior em Turismo no Brasil para elucidar as
principais características atuais da atividade, buscando centrar-se
em questões-chaves que refletem o fenômeno e seus impactos na
sociedade.
Palavras chave: Turismo; Ensino Superior; Sociedade; Mercado
de trabalho.
Abstract: The present work shows the arguments and paradoxes involved in tourism development from an
academic carrier to inclusion of professionals in the market and the role played by them in the society discussing
a wide range of characteristics inherent in this process. The discussion aims to bring at light an ontological study
of action by the higher education in Tourism in Brazil to elucidate the main features of the current activity, under an incisive reflection about key issues that reflect the phenomenon and its impacts on society.
Keywords: Tourism; University Education; Society; The job market.
INTRODUÇÃO
Na ceara das discussões sobre o desenvolvimento
socioeconômico do Brasil, as atividades inerentes ao fenômeno do Turismo se apresentam como alternativa sustentável de desenvolvimento e, na visão de muitos autores, o
país tem um grande potencial para empreendimentos turísticos. Devido ao seu vasto território, diversidade ecossistêmica, social e cultural este cenário consolida-se ano após
ano. Com efeito, esta realidade é construída através de um
processo que envolve fatores geográficos, antropológicos e
históricos que delegaram à população brasileira sua reconhecida receptividade e hospitalidade para com os visitan-
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tes. Não obstante, para compreender o turismo faz-se necessário uma análise reflexiva aprofundada e adaptada às
realidades locais.
nível de vida dos países do norte em detrimento ao seu, que
se via inferior quando do nível de desenvolvimento social e
econômico.
[...] o turismo é um fenômeno extremamente complexo, mutável, que opera de múltiplas formas e nas mais diversas circunstâncias,
sendo difícil apreendê-lo, em sua totalidade, por
meio de uma única perspectiva teórica ou mesmo de uma única ciência (BANDUCCI JR.;
BARRETO, 2001, p.23).
Dentro deste complexo cenário, entre 1968 e 1972,
o Brasil viveu sua época mais intensa no processo de industrialização, onde a implantação de infraestrutura para prover a crescente demanda proporcionou ao campo econômico um rápido avanço no desenvolvimento dos três setores da economia.
Ao analisar o turismo, o mesmo deve ser feito em
sua totalidade e também como parte de um fenômeno social mais abrangente, pois assume em seus estudos o caráter
interdisciplinar. Tal pluralidade contribui para o turismo se
tornar umas das principais atividades socioeconômicas da
atualidade, tomando lugar de destaque na política nacional
de diversos países. De acordo com Moesch (2002, p.9) essa
ressalta que o turismo explodiu como fenômeno econômico envolvendo milhões de pessoas e garantiu seu lugar no
mundo financeiro internacional.
[...] o país cresceu em ritmo impressionante, crescimento deu-se por uma série de
fatores, uma delas foram os altos investimentos
estrangeiros, muitas empresas viram o país como potência em relação à diversidade de matéria-prima em nosso país (FAUSTO, 2003, p.
482).
O curso superior de bacharelado em turismo surge
dentro deste cenário como uma grande oportunidade e
uma nova área de atuação, esse fortalecimento deu-se na
década de 1970, quando da criação dos primeiros cursos
superiores no Brasil. Em relação à crescente demanda pela
atividade turística foi necessário que houvesse uma capacitação de mão-de-obra para suprir as necessidades do mercado que gradativamente ficava mais exigente, contudo, em
meio à euforia ao seu desenvolvimento surgiram além dos
cursos superiores, cursos técnicos profissionalizantes com
vistas a inserir mais rapidamente atores no mercado.
O turismólogo, designação dada ao profissional
formado em turismo, dentro da sua aquisição de conhecimentos entende que a atividade consome espaços, produz
realidades causando impactos marcantes na sociedade e
diante desta panorâmica fica evidente a importância do
papel do profissional para o desenvolvimento do país enquanto agente socioambiental atuante. Um dos objetivos
deste artigo é aprofundar-se em uma reflexão sobre a relação do desenvolvimento do ensino superior em turismo e
inserção dos futuros bacharéis na sua área de atuação, destacando os processos que contribuem para a sua formação.
TURISMO: CIÊNCIA E ATIVIDADE ECONÔMICA
Após a II Guerra Mundial sociedades de diversos
países na Europa e na Ásia experimentaram um grande
salto quando do desenvolvimento econômico e social impulsionado pelos inúmeros financiamentos oferecidos pelos
Estados Unidos da América para fomentar e fortalecer seu
mercado interno e externo. Somando a isso os avanços
tecnológicos ocorridos nos meios de transportes ajudaram
a elevar o número de deslocamentos de pessoas aos países
subdesenvolvidos. Todo este intercâmbio fez as sociedades
desses países acreditarem que poderiam dispor do mesmo
Não isolada a isso, a atividade turística nesse período se destaca, onde surgiu como alternativa ao tempo ocioso das pessoas e, com isso, ouve a necessidade da criação
de infraestrutura básica a fim de suprir o crescimento da
economia. Segundo Moesch (2002, p.9) o turismo nasceu
com o capitalismo e avança com ele. Essa realidade favoreceu ao emergente mercado do turismo que aproveitou a
estruturação do país para se consolidar, como o uso novas
estradas e aeroportos com maior capacidade em atendimento que originou o crescimento da superestrutura como
redes hoteleiras de elevado padrão de serviço.
Esses fatores contribuíram para o turismo tornarse uma atividade dinâmica e de relações interpessoais demandando a busca através de investigações de como desenvolver-se em sua melhor essência estudando-o como
uma ciência a fim de analisar seus aspectos ontológicos,
impactos e desenvolvimento dentro da sociedade. Através
disso houve a necessidade de possuir capital humano capacitado para atender à essa exigência de um aprofundamento
teórico.
A investigação compreenderá movimentos reflexivos, sistemáticos e críticos, objetivando estudar aspectos da realidade como fonte
de conhecimento, numa atitude de busca de
constante superação, incluindo a ressemantização das categorias, utilizadas como: tempo, espaço e economia (volume) e a construção de
novas categorias como: tecnologia, comunicação, ideologia, diversão, sujeito, pósmodernidade e imaginário [...] (MOESCH, 2002,
p.61).
Vale ressaltar que na década de 1970 o turismo no
Brasil era uma atividade que começou a tomar corpo e a
qualificação no setor encontrava-se em não-conformidade
com a demanda, uma vez que a formação básica era importante para dar todo um suporte à atividade que havia surgido. Era de conhecimento que essa atividade necessitava de
capacitação e qualificação, pois o mercado possuía um
déficit de profissionais especializados para o desenvolvimento de uma demanda crescente e cada vez mais exigente.
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Essa conjuntura proporcionou, no Brasil, uma nova fase na
qualificação profissional para o Turismo.
A formação profissional em turismo
no Brasil não é tão recente (os primeiros cursos
datam de 1971), mas ainda encontra-se em plena
fase de desenvolvimento. A partir de meados da
década de 90, a área passou por uma fase de acelerada expansão e entrou no século XXI com
características bastante reconhecidas (ANSARAH, 2002, p. 11).
Tido como grande fonte de objetos de estudo pelas
ciências sociais aplicadas e como atividade de extrema importância para a economia, ter profissionais capacitados
para lidar com a complexidade e as dialéticas do fenômeno
e seus atores seria um passo importante para a consolidação
do Turismo enquanto ciência e atividade econômica. Essas
necessidades favoreceram, em 1971, a criação do primeiro
curso superior em Turismo, oferecido pela Faculdade Morumbi, atual Universidade Anhembi Morumbi, onde a partir da exigência de mercado iniciaram a formação de Bacharéis em Turismo no Brasil, objetivando planejar a atividade,
já que haveria profissionais capazes de analisar esse crescimento e consolidá-la como uma ciência com um corpo
teórico capaz de explicar seu próprio surgimento, funcionamento e desenvolvimento quando das relações sociais
oriundas dos deslocamentos, visto que é impossível submeter e universalizar todos os discursos elaborados pelo mercado e conforme Moesch (2002, p. 132) o Turismo mostra
a sociedade e devolve para si a sua própria imagem.
ENSINO SUPERIOR EM TURISMO
O curso superior de turismo surgiu com o objetivo
de alavancar a qualidade no atendimento e no planejamento
em turismo e, também trazendo com ele uma responsabilidade em gestar um setor que alcançou uma posição estratégica no que tange o desenvolvimento socioeconômico e
cultural na sociedade. Em uma década, ou seja, de 1970 a
1980, foram abertos diversos cursos de Bacharelado em
Turismo no Brasil, surgiram nesse período 19 cursos, qualificando milhares de pessoas enviando parte deste universo
ao mercado de trabalho.
A partir da instalação do primeiro
curso superior de turismo no Brasil, a fase da
improvisação adaptada e repentinamente começa a ser seriamente ameaçada. O turismo improvidente, desgovernado começa a ser seriamente
analisado. São muitos os que hoje se preocupam
com sua problemática mantendo-se em permanente atividade de reflexão e vigília [...] O turismo no Brasil deixou de ter somente posição, política administrativa empresarial e passou a constituir-se também, agora em assunto de ordem
técnica e cientifica, e como tal deve ser encarado
(BENI apud MATIAS, 2002, p. 4).
Importante salientar que após o surgimento dos
primeiros cursos de turismo no Brasil notou-se um consenso otimista entre os envolvidos da área de que havia surgido uma nova era e, com certeza esses profissionais que
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estavam se formando e chegando ao mercado iriam de
certa forma levar a atividade à formalidade e a um nível de
excelência.
A implantação do curso superior de
Turismo no país iniciou-se na década de 1970,
em pleno “Milagre Brasileiro”. Isto é, em meio à
euforia de modernização, os cursos de turismo
surgem como mais uma opção de elevação econômica e social para uma classe média disposta
a se especializar em setores da economia caracterizado pelo dinamismo e pela “modernidade”
(MATIAS, 2002, p.5).
Tal discurso deixa claro que o profissional do Turismo seria importantíssimo para o avanço do setor, aonde
a sua responsabilidade vai além do que possa parecer, sua
presença nos empreendimentos turísticos, nas discussões
técnicas e científicas acerca do fenômeno e nos órgãos
públicos ligados a atividade seria essencial para um bom
andamento do trade.
Desde então, a formação acadêmica em cursos superiores em turismo proliferou-se em todo país, propiciando uma gama considerável de profissionais que eram inseridos no mercado de trabalho sem o mínimo de conhecimento necessário para suprir as exigências do setor, isso
porque os grandes capitalistas da área educacional enxergaram um nicho de mercado e observaram a crescente demanda por procura desses cursos e, a partir de disto iniciou-se um processo de mercantilização por parte de algumas Instituições de Ensino Superior quanto ao oferecimento do curso de bacharelado em turismo, hotelaria ou similares.
Historicamente o ensino superior em turismo passou por três fases que se caracterizam pela grande demanda
no seu início, a uma sensível queda devido a um panorama
nacional não favorável e pela retomada na, década de 1990,
dos investimentos no ensino em turismo no Brasil.
Nos primeiros anos de funcionamento do curso superior de Turismo, houve uma
demanda muito grande pelo mesmo, especialmente em São Paulo, o que despertou o interesse de empresários da educação a investirem na
abertura de outros cursos [...] Mas, a partir de
1976, ocorre uma queda sensível no número de
ingressantes devido a uma série de fatores sócioeconômicos. A conjuntura nacional produzia
mais uma de suas séries cíclicas [...] Após 1992,
com a retomada do crescimento da atividade turística e da sua importância econômico-social
como geradora de renda, as instituições de ensino superior voltaram a se interessar pela implantação do curso superior em Turismo, visando
atender as necessidades do setor (MATIAS,
2002, p. 5-7).
As instituições de ensino superior têm um papel
chave no processo de formação do futuro turismólogo,
pois além de contar com um corpo docente qualificado no
que tange questões de titulação acadêmica, também deve
dispor de profissionais com experiência mercadológica para
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que sejam transmitidos aos discentes seus conhecimentos
para estes atender todas as necessidades do mercado de
trabalho fazendo com que o desenvolvimento da atividade
se dê forma consistente e sustentada.
Atualmente, a diminuição das distâncias ocorrida
pelo advento do sistema técnico-científico-informacional
trouxe à luz um dinamismo que requer não somente conhecimento teórico, mas também exige conhecimento abrangente adquirido através das práxis desenvolvidas pelos
esforços das Instituições de Ensino, professores e alunos.
As ações em favor do conhecimento técnico e científico
sofre um processo dialético em relação da atuação dos
atores envolvidos, pois ao iniciarem-se atividades que contemplem esses dois elementos ficam questões de onde devem partir os investimentos.
Conclui-se que este ensino não deve
ficar limitado à simples aplicação de técnicas de
pesquisa de campo; deve também incutir nos estudantes determinados conceitos que lhes permitam compreender adequadamente a importância dessa atividade. A fim de se evitar que o
planejamento seja visto como uma pancéia para
todos os males do Turismo ou como algo impraticável, restrito à prática didática, sem qualquer possibilidade de aplicação real (ALMEIDA, 2006, p. 85).
Os atores envolvidos neste processo devem saber
qual o seu papel dentro deste cenário. No entanto, fica
claro que as iniciativas mais importantes devem partir das
Instituições de Ensino cabendo-lhes o papel de oferecer
toda a infraestrutura e condições para que o corpo docente
se aperfeiçoe e se atualize regularmente. No entanto, os
professores ficam com a missão de orientar os discentes
sobre as realidades do mercado, do papel que o futuro
profissional desempenhará na sociedade bem como os seus
impactos causados resultantes de suas ações, porém o docente deve estar preparado para orientar ao aluno respeitando o seu perfil oferecendo-lhe cabedal teórico e prático
para que este atue de maneira satisfatória.
Em um elo não menos importante nesta cadeia se
encontra o aluno, que deve possuir uma visão mais abrangente e estar preparado para assimilar as inovações do mercado e da sociedade. Este deve, ao ingressar ao ensino superior, adotar uma postura condizente com sua realidade de
universitário, pois se tornará um formador de opinião. Deve estar aberto às oportunidades, possuir hábitos de estudos e participar de projetos que incentivem práticas de
ensino, pesquisa e extensão visando adequar-se aos constantes câmbios sociais.
Os investimentos em parcerias com empresas do
segmentado trade turístico, por meio de estágios são de
extrema importância na formação do futuro turismólogo,
tendo em vista que essas ações vão beneficiar o aluno a
partir do momento em que o mesmo iniciar as práxis ainda
no curso, pois este estudará melhor porque estará mais
próximo à realidade e ao concluir seus estudos universitá-
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rios já se formará com experiência estando apto a desempenhar seu papel oferecendo seus conhecimentos teórico,
prático e metodológico proporcionando aos envolvidos
mais confiança e satisfação. Um importante fator que envolve a formação acadêmica em Turismo são os baixos
salários oferecidos pelo mercado, aumentando a problemática em relação à diminuição da procura pela profissão no
Brasil.
O setor turístico mundial deve ser entendido como expansão justamente pelo fato de
se pautar pela extração de mais valia absoluta e
pela superexploração da força de trabalho já que
remunerações miseráveis, isto é, abaixo do necessário para a reprodução da força de trabalho
(OURIQUES, 2003 p. 96).
Parte do Turismo se desenvolve sobre uma classe
de trabalhadora que é não é devidamente valorizada possuindo baixa remuneração e condições precárias de trabalho,
contribuindo negativamente na capacitação e qualificação
profissional. Ouriques (2003, p. 94) vai além à questão
salarial, quando afirma que com exceção da ocupação de
gerência de hotéis e restaurantes, todas as outras ocupações
ligadas ao turismo pagam salários inferiores à média da
economia nacional. Esse índice é percebido também pela
mão-de-obra que ocupa as maiorias das vagas, sendo baixa
escolaridade, de pessoas que migram dos outros setores da
economia ou por falta de oportunidades.
Outra questão sempre presente dentro da academia
é a regulamentação da profissão, o mercado turístico possui
em todo seu portfólio uma única profissão regulamentada
que é a de Guia de Turismo, este em sua formação de caráter tecnicista está apto somente a atuar em órgãos públicos,
despachos de documentos, acompanhamento de pessoas
ou grupos em excursões. Apesar de seu importante papel,
cabe ao bacharel em turismo atuar no planejamento correto
e na gestão sistemática da atividade turística articulando
todos os segmentos da atividade em seus espaços de consumo visando um único objetivo que é o de desenvolver o
fenômeno em consonância com o meio social, meio biológico e o meio físico tornando-o não somente uma fonte de
estudos e divisas, mas parte de uma totalidade com características benéficas à sociedade.
A não regulamentação da profissão de bacharel em
turismo desencadeia problemáticas que envolvem a formação acadêmica, este fator gera pouca evidencia deste segmento nas redes sociais e implica em uma drástica queda na
procura pela formação superior. Sem a profissão regulamentada o bacharel fica sem o conhecido benefício da
reserva de mercado onde qualquer pessoa com qualquer
formação ou conhecimento empírico pode atuar por menores salários concorrendo de forma desigual com o profissional capacitado para atuar de forma a contribuir substancialmente para o desenvolvimento e organização de políticas públicas, políticas sociais e de mercado.
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Entretanto este cenário provoca uma realidade que
deve ser analisada de maneira epistemológica, pois como
um sistema de retroalimentação positiva gera uma insatisfação do profissional graduado que dá origem ao déficit qualitativo no mercado que por fim contribui para uma crescente desorganização e informalidade dos setores privados
e falta de planos unificados de Turismo por parte do poder
público.
Entende-se que o caminho para o
amadurecimento criterioso do curso dependerá
do grau de intervenção na realidade circundante,
por meio da extensão [...] na forma de projetos
de ação social comunitária que apontem a solução de problemas detectados, mas sem cair no
assistencialismo [...] Nesse contexto, entendemos que a pesquisa contínua e a relação com a
comunidade são as formas de intervenção que o
ensino superior em turismo pode ter para superar a banalização sofrida por esse setor ao logo
dos anos, no Brasil (BARRETO; TAMANINI;
SILVA, 2004, p. 83-84).
Para Moesch (2002, p.135): “A dialética turística
propõe uma contradição transformadora, dinâmica, histórica, subjetiva que possibilita novas formas de investigação
das suas experiências cotidianas”. Muitos são os fatores que
envolvem a complexa relação entre ensino superior em
turismo e acesso ao mercado de trabalho. Diante desta
complexa e paradoxal realidade, vale ressaltar que o seu
desenvolvimento envolve interesses ideológicos, financeiros e políticos e, dentro de um cenário contraditório o funcionalismo e fenomenologia se apresentam insuficientes
para tratar o turismo como um único objeto sendo necessário quebrar barreiras e aprofundar-se em análises determinantes e qualitativas contribuindo para o seu desenvolvimento interdisciplinar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A sociedade após a revolução industrial passou por
mudanças significativas e rápidas em detrimento aos séculos anteriores, seu desenvolvimento provocou câmbios nos
parâmetros de comportamento e estrutura social. As transformações ocorrem quando os modos de produção, relações de poder e divisão do trabalho adquirem novas formas
de desenvolvimento. O turismo como um fenômeno social
que é caracterizado pelo deslocamento e permanência de
pessoas a outros lugares não ficou alheio a tudo isso, se
fortaleceu e se consolidou com o advento tecnológico e
assumiu um importante papel dentro da sociedade, servindo de válvula de escape para o agitamento e nervosismo do
cotidiano e de fuga da frieza das relações humanas.
Dentro deste contexto, onde a busca por segurança
física e mental dos visitantes e de garantias sociais pelas
comunidades receptoras encontra-se o cerne do desenvolvimento da atividade turística. Com efeito, fica evidente a
importância da atividade dentro da sociedade e suas relações interpessoais e institucionais. Diante disto, a figura do
profissional qualificado e dotado de consciência social,
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conhecimentos científicos e práticos com valores éticos e
morais se mostra sumariamente importante para os avanços
do Turismo e todos seus desdobramentos na sociedade
pós-moderna que é caracterizada pela falta de criatividade
humana e individualismo que causam graves conflitos sociais.
Vale ressaltar o papel das instituições de ensino superior, do professor e do estudante universitário dentro do
processo que busca a organização e formalização da atividade. Nesta instância deve-se deixar claro o papel e os deveres de cada um desses atores como agentes produtores e
transformadores da realidade.
Outro ponto importante está nas políticas públicas
e planos unificados para o turismo que devem partir do
princípio de como um fenômeno social que provoca mudanças significativas no ambiente, a atividade turística deve
possuir diretrizes que a norteiem para um grau de desenvolvimento que envolva equidade socioeconômica e que se
adeque aos desafios contemporâneos como a preservação
do meio ambiente e a promoção da cultural. Ao passo que
o mercado de trabalho, conforme discutido, somente estará
preparado a absorver com qualidade seus futuros profissionais a partir de sua organização e hierarquização dos postos
de trabalho, começando pela importantíssima regulamentação da profissão de turismólogo.
Todavia, as discussões acerca do turismo e seu desenvolvimento apontam sempre para o caminho de estudálo enquanto ciência e profissionalizá-lo como segmento do
mercado de trabalho garantindo a eficiência das aplicações
teórico-metodológicas para o aprimoramento dos estudos e
acesso de qualidade aos seus produtos e serviços através do
planejamento e da gestão responsável.
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