Gullane Filmes, Caos Produções, Miravista, Globo Filmes e Petrobras
apresentam
Um filme de Cao Hamburger
Com
Germano Haiut
Simone Spoladore
Caio Blat
Eduardo Moreira
Liliana Castro
Rodrigo dos Santos
Participação especial: Paulo Autran
Apresentando: Michel Joelsas e Daniela Piepszyk
Produção
Gullane Filmes, Caos Produções e Miravista
Co-Produção
Globo Filmes, Lereby, Teleimage e Locall
Distribuição
Buena Vista International
www.oano.com.br
Assessoria de Imprensa
F&M ProCultura (Flávia Miranda, Régis Ávila e Margarida Oliveira)
[email protected] ; [email protected] e [email protected]
Telefone: (11) 3263-0197
Belém Com (Cláudia Belém e Luana Paternoster)
[email protected] e [email protected]
Telefone: (21) 3826-2490
Disney (Renata Galeano e Camila Di Mônaco)
[email protected] e [email protected]
Telefone: (11) 5504-9452 ou 5504-9455
Índice
Apresentação_________________________________________________________________4
Sinopse Curta_________________________________________________________________5
Sinopse Longa________________________________________________________________6
Contexto Histórico_____________________________________________________________7
Cao Hamburger (Roteiro e direção)________________________________________________9
Roteiro (Cláudio Galperin, Bráulio Mantovani, Anna Muylaert e Cao Hamburger)____________13
Fotografia (Adriano Goldman)___________________________________________________ 15
Montagem (Daniel Rezende)____________________________________________________16
Direção de Arte (Cássio Amarante)_______________________________________________16
Figurino (Cristina Camargo)_____________________________________________________17
Trilha Sonora (Beto Villares)_____________________________________________________18
Produção de Elenco (Patrícia Faria)_______________________________________________19
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Preparação de Elenco (Laís Correa)______________________________________________20
Produtores
Gullane Filmes_______________________________________________________________21
Notas da Produção____________________________________________________________22
Caos Produções______________________________________________________________23
Co-Produção e Distribuição
Miravista____________________________________________________________________23
Globo Filmes________________________________________________________________ 23
Daniel Filho _________________________________________________________________ 24
Fernando Meirelles ___________________________________________________________ 24
Buena Vista International_______________________________________________________ 25
Elenco
Mauro (Michel Joelsas)_________________________________________________________25
Shlomo (Germano Haiut)_______________________________________________________ 27
Hanna (Daniela Piepszyk)______________________________________________________ 28
Ítalo (Caio Blat)_______________________________________________________________29
Mótel (Paulo Autran)___________________________________________________________30
Bia (Simone Spoladore)________________________________________________________ 30
Daniel (Eduardo Moreira)_______________________________________________________31
Irene (Liliana Castro)__________________________________________________________32
Ficha técnica________________________________________________________________33
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APRESENTAÇÃO
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias conta a história de Mauro (Michel Joelsas), um
garoto mineiro de classe média, apaixonado por futebol e por jogo de botão, filho de pai judeu e
mãe católica que de um dia para o outro vê seu mundo abrir sob seus pés. Seus pais saem de
férias sem explicação aparente e sem levá-lo consigo. Em vez disso, são obrigados a deixá-lo
com o avô paterno, que mora no bairro do Bom Retiro em São Paulo. Mas por uma dessas
coincidências do acaso, Mauro acaba se vendo sozinho em um lugar que não conhece.
Para o diretor, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias trata de uma nova realidade
enfrentada por um menino pré-adolescente, que é obrigado a encontrar seus próprios recursos
para enfrentar os obstáculos que a vida lhe apresenta e principalmente para acostumar-se a
viver em uma comunidade judaica, em um cenário como o Brasil, em que o futebol é forte
componente cultural. "É um filme sobre o exílio. Sobre as diversas formas de exílio, sobre como
Mauro aprende que a vida é transitória e sobre como ele aprende a conviver e a sobreviver neste
mundo", analisa o diretor, que teve a idéia inicial há anos, quando morava em Londres e
trabalhava com a produtora de programas infantis Ragdoll, a mesma que produziu os
Teletubbies.
“Além disso, apesar de não ser um filme sobre futebol, em que o esporte é pano de fundo, queria
falar do mito que é a seleção de 70. Para se ter uma idéia, todo motorista de táxi inglês com
mais de 50 anos lembra a escalação brasileira daquela Copa. Eu também queria ajudar a
dissolver alguns preconceitos. Um exemplo é que, em geral, os ingleses têm a falsa idéia de que
no Brasil só tem índio, favela e floresta. Tudo isso foi me inspirando a tentar contar uma história
em que eu pudesse abordar estes temas", explica o diretor, que tem grande experiência de
trabalho com atores mirins e vem realizando trabalhos de grande repercussão, tanto pela
qualidade técnica e artística, como pelo conteúdo.
Assim, o projeto nasceu do desejo de Cao Hamburger de tratar desses temas de uma forma
sensível e positiva, muito diferente da maneira estereotipada e negativa com que o olhar
estrangeiro vê muitas vezes o Brasil.
Apos vários tratamentos, o roteiro saiu do papel no final de 2005, quando Hamburger e equipe
passaram oito semanas filmando o primeiro 'filme adulto' do diretor que teve seu trabalho
nacional e internacionalmente reconhecido por projetos como Castelo Rá-Tim-Bum, na TV
Cultura e no cinema, e a série Filhos do Carnaval, produção da HBO que dirigiu para a TV.
Para o diretor, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é um filme de geração e de equipe.
"Este longa conta muito da época em que eu, o Cláudio (Galperin, roteirista), o Bráulio
(Mantovani, roteirista), a Anna (Muylaert, roteirista), o Cássio (Amarante, diretor de arte), o
Adriano Goldman (fotografia) e vários outros vivemos quando crianças. Assim como o Mauro,
nós também tivemos uma visão fragmentada da realidade. Este filme conta nossa história de
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certa forma. E sem minha equipe, que foi tão primorosa, nada disso teria sido possível, tanto
pela qualidade técnica e artística, como pelo conteúdo tão bem retratado como foi”, conta
Hamburger que, assim como o garoto que narra sua história, também viu os pais serem presos
durante a Ditadura Militar, é filho de pai judeu e mãe católica e foi goleiro por vários anos na
infância.
Com produção da Gullane Filmes, Caos Produções Cinematográficas, Miravista e co-produção
da Globo Filmes, o longa-metragem tem orçamento total de R$ 3 milhões e distribuição nacional
da Buena Vista International.
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias foi selecionado para o Laboratório de Roteiro do
Sundance Institute, em 2002. “É um filme brasileiro que também encontra referência no cinema
mundial”, define Cao Hamburger, um diretor sempre aberto a influências de diferentes estilos,
como o cinema de mestres como Federico Fellini, Steven Spielberg, Sergio Leone, Charlie
Chaplin e Stanley Kubrick, passando pelo novíssimo cinema argentino.
Isso para contar não um grande fato histórico, nem figurar como um tratado cinematográfico
definitivo sobre os Anos de Chumbo ou a Copa de 70, mas ser uma crônica saborosa, bemhumorada e, ao mesmo tempo triste, delicada e perspicaz de uma época e de como um garoto
amadurece em um momento tão especial da história do Brasil.
O filme é, ao mesmo tempo, emocional e engraçado, ao tratar de uma história contundente e
dramática.
SINOPSE CURTA
Em 1970, o Brasil e o mundo parecem estar de cabeça para baixo, mas a maior preocupação na
vida de Mauro, um garoto de 12 anos, tem pouco a ver com a ditadura militar que impera no
País, seu maior sonho é ver o Brasil tricampeão mundial de futebol. De repente, ele é separado
dos pais e obrigado a se adaptar a uma “estranha” e divertida comunidade - o Bom Retiro, bairro
de São Paulo, que abriga judeus, italianos, entre outras culturas. Uma história emocionante de
superação e solidariedade.
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SINOPSE LONGA
Em 1970 o Brasil e o mundo pareciam virar de cabeça para baixo, mas a maior preocupação na
vida de Mauro, 12 anos de idade, tinha pouco ou nada a ver com a proliferação das ditaduras
militares na América do Sul ou com a Guerra do Vietnã. Seu maior sonho era ver o Brasil tricampeão do mundo.
Mauro se encontra naquele momento de transição da infância para a adolescência. É nesse
ponto de virada que ele se vê obrigado a viver longe dos pais quando, por serem de esquerda,
são forçados a viver na clandestinidade e deixá-lo com o avô. Mas algo inesperado sucede com
seu avô. E o garoto fica sozinho sem poder avisar os pais. Quem acaba tomando conta de
Mauro é Shlomo, o vizinho do avô, um velho judeu solitário, funcionário da Sinagoga. Essa
convivência inesperada resulta, para ambos, num mergulho em mundos desconhecidos do qual
emergem, cada um à sua maneira, bastante amadurecidos.
Enquanto espera um telefonema dos pais, Mauro aprende a encarar uma realidade muitas vezes
difícil e dolorosa, mas que tem seus momentos de alegria e descoberta. Ele se vê sozinho e
repete assim, de certo modo, a saga de seus avós - imigrantes judeus - sobrevivendo num
mundo novo. A partir daí, entram na vida de Mauro, além de Shlomo, o zelador da sinagoga com
quem é obrigado a morar; a irreverente Hanna, pouco mais velha do que Mauro, com seu
enorme talento para apostas e novos negócios; a jovem Irene, que incendeia a imaginação de
todos os garotos do bairro; o Rabino, um fanático torcedor do Corinthians; Ítalo, filho de italiano
envolvido em movimentos estudantis, Edgar, goleiro mulato do time do bairro, entre outros. Com
seus novos amigos, Mauro divide, entre muitas outras coisas, sua paixão pelo futebol, as
primeiras descobertas da sexualidade e seu desejo de recuperar a felicidade sufocada pela
ditadura.
De maneira delicada, e muitas vezes divertida, as aventuras de Mauro se fundem à saga de
seus antepassados, criando um espelho poético que reflete situações de perseguição, exílio e
adaptação. Ao retratar a trajetória de Mauro e as histórias de sua família -- de seus pais e de seu
avô --, o roteiro mistura com originalidade temas diversos que compõem o pano de fundo do
filme. Neste contexto, de um lado, há a grande presença de imigrantes estrangeiros em São
Paulo, que determina sua variedade étnica e cultural, que é representada por um retrato rico e
nostálgico do bairro do Bom Retiro no ano de 1970, onde conviviam imigrantes de muitas etnias,
religiões e convicções políticas, como italianos, gregos, negros e principalmente judeus. Do
outro, há o resgate das melhores cenas das grandes jogadas da Copa de 70, com toda a
emoção que a melhor seleção de todos os tempos trouxe para os brasileiros ao conquistar o
tricampeonato mundial. E, completando este complexo cenário, há ainda a opressão e violência
do momento mais intenso do regime militar.
Emoção, humor e sensibilidade na trajetória de um garoto que vive seu rito de passagem
cercado pela magia do futebol, descobrindo o valor da amizade, da solidariedade, o sexo e a
maior das lições: Não se pode controlar cada lance da vida como em uma solitária partida de
futebol de botão.
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CONTEXTO HISTÓRICO
Anos de Chumbo
1970, ano em que o Brasil se tornou tri-campeão mundial. Enquanto o brasileiro se reunia para
assistir à conquista definitiva da taça Jules Rimet pela televisão, a ditadura corria solta nas ruas
do País. Nos chamados Anos de Chumbo, o Brasil vivia uma das épocas de maior
recrudescimento dos direitos de livre-expressão. A ditadura militar, que teve início com o golpe
de março de 1964, tomou o brasileiro de assalto e se estendeu até 1985. Para assegurar a
ordem estabelecida, combater o que chamava de corrupção e subversão e minar movimentos de
oposição que surgiam em várias regiões do País, o governo militar lançou mão da repressão.
Nos chamados 'porões da ditadura', a resistência era contida às custas de prisões, torturas,
assassinatos e exílios.
Durante a Copa do Mundo de 1970, estava em vigência o Ato Institucional 7 (o AI-7), que, entre
outras medidas, suspendia todas a eleições até novembro daquele ano. Os tais Atos
Institucionais foram decretos emitidos durante os anos após o Golpe e serviram como
mecanismos de legitimação e legalização das ações políticas dos oficiais militares,
estabelecendo para eles próprios diversos poderes extraconstitucionais.
Acompanhando esta legislação autoritária e a supressão dos direitos civis, a máquina estatal era
usada em favor da propaganda institucional e política, da manipulação da opinião pública por
meio da propaganda governamental, da censura, das já citadas torturas, assassinatos de líderes
opositores e revogação da Constituição.
Durante a ditadura militar, o Brasil foi governado por dois marechais e três generais. O primeiro
governo foi do marechal Humberto de Alencar Castello (1964-1967). O segundo foi do marechal
Arthur da Costa e Silva (1967-1969). O terceiro governo foi o do general Emílio Garrastazu
Médici (1969 -1974). O general Ernesto Geisel foi o quarto a governar o País, de 1974-1979. Por
fim, o general João Figueiredo esteve à frente da nação de 1979-1985. A oposição não se calou
e promoveu ações terroristas, seqüestros, assaltos violentos, guerrilha (urbana e nos sertões),
patrulhamento ideológico, torturas e inclusive ações justiceiras como linchamentos.
Enquanto isso, o mundo passava pela Guerra Fria e se dividia entre os blocos dos comunistas e
dos capitalistas.
A COPA DE 70
Nos campos, o Brasil vivia momento de glória. Durante a Copa do Mundo de 1970, a
inesquecível seleção canarinho, de Pelé, Carlos Alberto, Tostão, Gérson, Rivelino e tantos
outros craques não deu chance aos adversários e conquistou seis vitórias em seis partidas. Na
estréia o Brasil bateu a Tchecoslováquia por 4 x 1, com gols de Rivelino, Pelé e Jair (2).
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Em seguida fez o grande jogo da Copa. Os campeões de 1958 e 1962 venceram a Inglaterra,
campeã de 1966, por 1 x 0, gol de Jair. O goleiro inglês Gordon Banks defendeu uma cabeçada
de Pelé, num lance considerado antológico e se tornou o destaque da partida que é considerada
uma das mais emocionantes de todas as Copas.
Logo depois, foram 3 x 2 em cima da Romênia (gols de Pelé, 2, e Jair), assegurando o 1º lugar
na chave. Nas quartas-de-final, o Brasil ganhou do Peru, treinado por Didi, por 4 x 2. Tostão foi o
craque do jogo, marcando dois gols; Jair e Rivelino completaram o placar.
Nas semifinais, duas batalhas campais: Itália 4 x 3 Alemanha Ocidental, decidida só na
prorrogação. E Brasil 3 x 1 Uruguai. Foi um jogo violento, em que o Uruguai, com marcação
cerrada, além de atrapalhar o ataque do Brasil, ainda inaugurou o placar. Graças a uma
mudança tática, que colocou o volante Clodoaldo em posição avançada, o empate foi alcançado.
No segundo tempo, Jair e Rivelino mandaram pra casa os campeões de 1950.
No último jogo, Brasil e Itália decidiriam quem ficaria definitivamente com a Taça Jules Rimet. Os
brasileiros venceram a Azzura por 4 a 1 e o estádio Azteca foi invadido pela torcida. Pelé chegou
a ganhar uma placa no estádio, que dizia que o jogador é "um exemplo para a juventude do
mundo". O dreamteam brazuca passou para a história como a melhor seleção de todos os
tempos. Zagallo, o treinador, consagrou-se como o primeiro campeão mundial como jogador (58,
62) e como técnico (70). Eram titulares da seleção canarinho: Carlos Alberto Torres (Santos),
Brito (Botafogo), Piazza (Cruzeiro) e Everaldo (Grêmio); Félix (Fluminense), Gérson (São Paulo)
e Clodoaldo (Santos); Pelé (Santos), Rivelino (Corinthians), Tostão (Cruzeiro) e Jairzinho
(Botafogo). Pelé conquistou sua terceira Copa como jogador, um recorde. Marcaram na final:
Pelé, Jair, Gérson e Carlos Alberto.
A alegria contagiou todo território nacional e o TRI virou instrumento de propaganda política nas
mãos do governo militar. Ironicamente, anos depois, a Jules Rimet foi roubada da sede da CBF,
no Rio de Janeiro. Reza a lenda que foi derretida tempo depois em São Paulo.
Essa seleção é considerada até hoje mundialmente e oficialmente pela FIFA como a melhor
seleção, do mundo e de todos os tempos.
O BOM RETIRO
Nos anos 70, o Bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, era um verdadeiro
caldeirão étnico e cultural. Retrato fiel da miscigenação característica da capital paulista, no
simpático bairro, além da imensa comunidade judaica, conviviam pacificamente em suas ruas
imigrantes italianos, gregos, árabes e até mesmo brasileiros. Hoje, o Bom Retiro perdeu grande
parte de seus antigos moradores, que deram lugar aos comerciantes coreanos e, inclusive, aos
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imigrantes bolivianos, mas mantém seu caráter comercial e é um dos grandes centros de venda
e compra do setor de vestuário do País, recebendo compradores de todo o Brasil.
CAO HAMBURGER (DIREÇÃO E ROTEIRO)
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é a segunda experiência de Cao Hamburger na
direção de longas-metragens. Seu primeiro filme foi Castelo Rá-Tim-Bum, O Filme (1999), que
ganhou críticas calorosas e grande aprovação do público, tanto infantil quanto adulto. Na TV, o
diretor foi responsável por sucessos como a premiadíssima série infantil Castelo Rá-Tim-Bum
(1995), para a TV Cultura, que recebeu prêmios em todo o mundo e pela direção de um
episódios na elogiada série Cidade dos Homens (2004), para a TV Globo.
Mais recentemente foi responsável pela criação e direção geral da série Filhos do Carnaval
(2006), com produção da O2 Filmes e da HBO. Esta série de seis episódios conta a história de
Anésio Gebara (Jece Valadão), dono de uma Escola de Samba e banqueiro do “Jogo do Bicho”,
e de seus quatro filhos. Filhos do Carnaval conta o caminho dos filhos, até que cada um
encontre seu lugar no mundo. Saga que só termina nos últimos segundos do Desfile de Carnaval
do Rio de Janeiro. Considerado pela crítica especializada como o melhor trabalho de televisão
do ano, a série é fruto de um impecável trabalho de Cao Hamburger e equipe, com produção
caprichada, e orçamento geral de R$ 6,5 milhões.
Antes dos longas, Hamburger dirigiu os curtas O Menino, a favela e as tampas de panela (1995),
o documentário Tietê (1993), as animações Caçada no Pantanal (1990), A garota das telas
(1989) e Frankstein Punk (co-direção Eliana Fonseca, de 1989) com os quais ganhou prêmios no
Brasil e no exterior.
Apesar de não ser uma história autobiográfica, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias
contém muitos elementos de sua infância, suas memórias, não?
Com certeza. Não é um filme autobiográfico, mas o roteiro do filme tem um pouco da minha
infância, da infância do Cláudio (Galperin, com quem o diretor divide a assinatura do argumento
do longa e o desenvolvimento dos primeiros tratamentos do roteiro) e de outras pessoas da
equipe da nossa idade. Pedaços das nossas memórias estão lá.
Você concorda que este é um filme que não se encaixa facilmente em definições de
gênero e estilo?
Sim. Por isso mesmo que foi difícil definir o próprio nome do filme. Não é um filme difícil, é
envolvente, mas é de certa forma etéreo. Acho um ponto interessante dele. Se eu fosse definir,
diria que é um filme sobre a ausência, sobre a solidão e sobre como tirar proveito disso. Um
filme sobre superação.
De certa forma, é também um filme sobre o exílio, sobre o desamparo?
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Sem explicar muito. É um filme sobre um menino exilado em seu próprio País. Um menino que,
quando aprende a conviver no novo ambiente, é exilado novamente. Esta faceta do filme tem um
pouco a ver com os ciclos da vida, com a maneira que ele aprende que a vida vai ser sempre
feita de ciclos, que nada é perene. Mauro diz a si mesmo: Vim aqui sozinho e consegui
sobreviver. É um rito de passagem, um aprendizado. A vida muitas vezes é involuntária.
E a escolha da comunidade judaica para ser pano de fundo do drama de Mauro?
Para mim, o fato do filme se passar no Bom Retiro é um ponto positivo, que retrata a
possibilidade das diferenças conviverem. Isso está bem exemplificado na cena do jogo de futebol
entre italianos, judeus, negros. Não é o principal elemento do filme, mas é um dos pontos fortes.
Como também é forte o fato do Mauro ser recebido em uma comunidade judaica por pessoas
religiosas e não ser doutrinado, não ser obrigado a 'virar judeu'. A relação do Mauro com as
coisas, a casa de seu avô é outro ponto interessante. Assim como as histórias dos nossos
antepassados fazem parte da nossa história, a casa do avô, a cultura passa a ser dele, a fazer
parte da vida de Mauro.
Por que a escolha da figura do goleiro?
Este não é um filme sobre futebol, mas a analogia com a figura solitária do goleiro é bacana. Eu
fui goleiro e senti isso na pele. O goleiro é o cara diferente no time, o único que pega a bola com
a mão, o que não ataca, não faz gol, defende, que vira heróis às vezes, mas que não pode
falhar, se não, vira vilão também. Não é fácil ser goleiro. Tem aquela dito popular que diz: O
goleiro é tão azarado que o lugar que ele fica, nem a grama cresce.
Você tem experiência em dirigir crianças. Como foi dirigir Michel Joelsas (Mauro) e
Daniela Piepszyk (Hanna)?
Michel e Daniela são incríveis. A Patrícia Faria, nossa produtora de elenco, voltou chocada da
primeira visita que fez às escolas dos dois. Ela não acreditava no quanto eles eram crianças
inteligentes, educadas, interessadas.
Michel tem um tempo de cinema incrível. Ele trabalha em uma freqüência que o ajudou a
agüentar o filme inteiro. Ele está em 99% das cenas, mas não cansa o olhar do espectador
porque está sempre numa freqüência muito cool, tranqüila, cinematográfica e com a emoção nos
olhos. A Daniela tem muito carisma e muito talento. Os dois são atores natos.
Como foi a escolha de Michel para viver Mauro?
Fizemos uma pesquisa com mais de 1000 crianças para acharmos os quatro personagens préadolescentes. Foi um processo de alguns meses. Testando e selecionando. Varias “peneiras”
depois chegamos a conclusão que o Michel era nosso Mauro. Nessa hora foi muito tranqüilo
decidir. E ele não faltou em nenhum ensaio, se dedicou muito. Isso é muito importante na hora
de definir por uma criança. Tanto quanto o talento e o carisma é preciso saber se ela vai
agüentar o ritmo. Ele trabalhou muito, mas não teve problema nenhum. E Michel se enturmou de
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tal forma na equipe que, quando as filmagens acabaram, falei: "você é um dos nossos". Ele sabe
tudo de cinema. Observa as câmeras, os refletores. No final, ele tinha um kit completo de
fotografia.
E a escolha de Daniela para viver a Hanna?
Também foi ótima. Daniela tem um carisma incrível. Ela tem a esperteza e a inteligência da
Hanna. Na verdade eu tive que adaptar o roteiro tanto para o Mauro quanto para a Hanna. No
roteiro escrevemos que o Mauro seria um tipo frágil, franzino, e a Hanna seria mais velha, mais
alta e jogaria muito bem futebol. Mas quando eu vi a Dani e o Michel abri mão do que estava
escrito com muito prazer. A Dani só teve que ter umas aulas de futebol na escolinha do Rivellino
e pronto. Quer dizer, pronto para começar a se preparar para ser a Hanna. O sucesso nessa
busca aos atores juvenis do filme está diretamente ligado ao extremo cuidado e a perspicácia da
Patrícia Farias e sua equipe.
Em que referências cinematográficas você buscou inspiração para filmar O Ano em que
Meus Pais Saíram de Férias?
Minhas influências cinematográficas são muito amplas. Eu gosto e me alimento de muitos, talvez
todos, os bons estilos e referências. Acho que é uma característica da minha geração. Sou fã de
Kubrick, Sergio Leone, Fellini, Spielberg, Chaplin, Kusturica, cinema japonês, argentino atual,
Fernando Meirelles... Sou meio esponja. Assisti a muita TV, sou da geração da televisão. Sintome uma geléia geral audiovisual. Mas com tanta referência, procuro encontrar um estilo próprio,
decantando e pesquisando o que é mais pessoal no estilo e na narrativa.
Nesse filme, procurei uma freqüência mais intimista em tudo. Trabalhei para que a orquestra
tocasse pianíssimo. Em todos os seguimentos do filme. Na interpretação, na direção de arte, na
própria linguagem de câmera, na montagem etc. Procuramos o tempo todo ficar numa
freqüência da história que estávamos contando, na cadência das emoções que os personagens
estavam vivendo. Nada no filme deveria saltar, se destacar do resto, se destacar da história.
Acho que toda a equipe entendeu e mergulhou nesse universo que estávamos criando.
A escolha do elenco foi muito importante para atingir esse tom. Trabalhamos com um elenco
bastante heterogêneo. Atores de primeira viagem, como as crianças e os senhores e senhoras
da comunidade judaica; atores não profissionais, como o Germano, que não atuava já há alguns
anos; atores de teatro como a Lili Castro e Eduardo Moreira, misturados com atores experientes
e conhecidos como o Paulo Autran, Simone Spoladore e Caio Blat. E a química foi incrível.
Parece que todos se alimentaram uns dos outros e chegamos a um denominador comum muito
interessante.
A escolha da posição da câmera contribuiu para este clima de 'fantasia'?
Sim. Isto está na câmera, que não é fria, passa calor para o espectador. Tem uma subjetividade
que dá um tom de testemunho, não é uma câmera chapada. Isso começou com Filhos do
Carnaval, em que também trabalhei com o Adriano Goldman (diretor de fotografia). Antes, o
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Castelo Rá-Tim-Bum tinha mais referências do Spielberg, e menos da Argentina. Mas neste filme
procurei um estilo mais documental, mais simples.
E como se deu a escolha da equipe de O Ano...?
Bem, dizem que 50% do trabalho do diretor é escolher bem a equipe e o elenco. Eu concordo.
Escolhi a equipe a dedo. Com a maioria já havia trabalhado anteriormente, e os que se juntaram
a nós se entrosaram rapidamente. Cinema é um trabalho em equipe, e eu gosto muito desse
processo. E a equipe tem que estar tão envolvida com o projeto quanto eu, pois é junto com ela
que descubro como é o filme que vamos fazer. O Ano... mostra um pouco da melhor seleção de
futebol de todos os tempos, a do Brasil em 1970. Comparando, ao contrário da seleção, nosso
time não é o melhor do mundo, é claro, mas é um excelente time. E jogou por música,
afinadíssimo.
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O ROTEIRO
O roteiro de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é resultado do trabalho que consumiu
quatro anos (com algumas interrupções) e contou com o talento de quatro profissionais em
várias etapas de elaboração. Do primeiro tratamento de Cao Hamburger e Cláudio Galperin até a
ultima versão que foi levada às telas, muitas modificações foram necessárias. Para isso,
Hamburger contou com Bráulio Mantovani e Anna Muylaert. "Muito da história do filme é parte de
minhas memórias e das do Cláudio. Não é um filme autobiográfico, mas contamos muito de
nossa própria infância nele. Já Anna e Bráulio me ajudaram muito na estruturação do roteiro.
Nós tínhamos uma história que eu gosto muito e muitas cenas boas. Mas não tínhamos uma
estrutura de roteiro propriamente dito. Eles foram os responsáveis por dar a cara de filme à
história. E não só um caldeirão de boas histórias", comenta Hamburger.
OS ROTEIRISTAS
Cláudio Galperin
Cláudio Galperin é medico de formação, mas dedica-se ao ofício da escrita há anos. Agora, um
de seus primeiros trabalhos como roteirista finalmente ganha as telas: a parceria com Cao
Hamburger no roteiro de O Ano em Que meus Pais Saíram de Férias. Enquanto o projeto não se
tornava realidade, Cláudio trabalhou em outros projetos como os roteiros da série televisiva
Cidade dos Homens (2005), dos longas-metragens Acquaria (2003), Os Xeretas (2001) e o ainda
inédito Antônia, de Tata Amaral, longa que deu origem à série de TV Brasilândia, da TV Globo.
"O Ano em que meus Pais Saíram de Férias nasceu de um argumento meu e do Cao. Tudo
começou do nosso interesse em tratar da intersecção do período da ditadura militar com o nosso
apreço pelo futebol, principalmente na década de 70, e contar uma história com o olhar que eu e
Cao tínhamos nesta época. Assim como Mauro, nós éramos crianças durante a Copa de 70 e
tínhamos uma visão fragmentada da realidade, do que era a ditadura. Eu cresci no Bom Retiro e
muito das situações do filme são lembranças da minha infância", conta Galperin. "Ao mesmo
tempo, queríamos mostrar a vida dos imigrantes, como os judeus e tantos outros que vieram do
Leste Europeu e foram acolhidos por São Paulo. Assim como Mauro, que teve de aprender a
conviver em um mundo estranho, os imigrantes tiveram de aprender a dialogar com um novo
lugar, uma nova pátria”.
Bráulio Mantovani
Bráulio Mantovani morou na Espanha de 1991 a 1993, onde cursou mestrado em roteiros para
longa-metragem. Mas se tornou um roteirista internacionalmente reconhecido quando sua
adaptação para as telas do romance de Paulo Lins, Cidade de Deus, dirigido por Fernando
Meirelles, foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, em 2004. Desde então, ele, que
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começou escrevendo roteiros para documentários como Infinita Tropicália (1983), de Adilson
Ruiz, não parou mais de receber convites. Um deles inclui até uma elaboração de roteiro sob
encomenda para o astro Brad Pitt. Mantovani também foi colaborador de Meirelles no roteiro de
O Jardineiro Fiel, que também foi indicado ao Oscar nesta categoria. No Brasil, participou da
elaboração de roteiros de episódios da série Cidade dos Homens, da TV Globo, e do curtametragem Palace II, também de Fernando Meirelles e Kátia Lund. A parceria com Meirelles,
aliás, começou há tempos, no programa Telecurso 2000. Mais recentemente trabalhou na
adaptação para a ficção do drama de Sandro do Nascimento, ex-menino de rua carioca que
seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro em 2000. O caso dramático ganhou as telas com o
documentário Ônibus 174, de José Padilha, e vai ser tornar um longa-metragem de ficção
dirigido por Bruno Barreto. É com Padilha que Bráulio também trabalhou no roteiro de Tropa de
Elite, filme inspirado no livro Elite da Tropa, escrito por André Batista, Luiz Eduardo Simões e
Rodrigo Pimentel.
Anna Muylaert
Anna Muylaert é parceira de longa data de Cao Hamburger. Com o diretor, ela, que é diretora do
premiado Durval Discos (2002), colaborou nos projetos das séries para a TV Castelo Rá-TimBum (1995) e Filhos do Carnaval (2006). Mesmo que por acaso, Anna acabou se tornando uma
especialista quando o assunto são roteiros que envolvem o universo infantil. Anna também é
responsável pelos roteiros da série Mundo da Lua (1991), de Roberto Vignati, e dos longasmetragens Desmundo (2002), de Alain Fresnot, e Castelo Rá-Tim-Bum, O Filme (1999), de Cao
Hamburger. Seu primeiro trabalho como diretora foi o curta-metragem A Origem dos Bebês
Segundo Kiki Cavalcanti (1995), que ela também roteirizou. Seu mais recente trabalho para a
televisão é o roteiro da série O Menino Maluquinho, para a TVE. Anna conta que entrou pra o
projeto de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias aos 45 minutos do segundo tempo. "O
Cao me chamou depois da história ter passado pela mão dele, do Galperin e do Bráulio. Ajudei a
criar mais ritmo, dar mais relevo à história. Praticamente traçamos tudo novamente, desde o
começo. Insisti para que as cenas da Copa do Mundo entrassem como elemento narrativo e não
só como um clipe dentro do filme. E vejo que deu certo. Fizemos tudo isso em apenas um mês.
Começamos o trabalho 45 dias antes do início das filmagens", conta Anna. "Cao não queria que
fosse um filme sobre futebol. Por isso, introduzi mais cenas de convívio do Mauro com os pais e
detalhes típicos da vida das crianças da idade dele, como não gostar de tomar banho", completa
a diretora e roteirista, que tem dois filhos, Joaquim e José, de 6 e 11 anos. Anna já trabalha em
dois novos projetos de longa-metragem. "Um será o Procura-se um Vira-latas, para crianças. O
outro é adulto e deve se chamar É Proibido Fumar".
Cao Hamburger (Vide perfil e entrevista na página 9)
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FOTOGRAFIA (Adriano Goldman)
“Não é comum comparar um trabalho com outro para explicar uma opção de padrão fotográfico
em um filme, mas no caso de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, o exemplo é perfeito.
Eu já tinha trabalhado com o Cao (Hamburger) em Filhos do Carnaval (2006), parceria que tinha
dado muito certo. Para o novo projeto, chegamos à conclusão de que tudo seria diferente do
trabalho anterior. Foi boa esta experiência prévia para que pudéssemos encontrar a identidade
visual do longa-metragem”, conta Adriano Goldman, diretor de fotografia de O Ano em que Meus
Pais Saíram de Férias e da série Filhos do Carnaval, que Cao Hamburger dirigiu para a televisão
e foi exibido na HBO.
Goldman explica que, ao contrário de Filhos do Carnaval, em que a fotografia era calcada na
‘sujeira visual’, em grãos saturados, tons pesados, o verde predominando na tela. “Já para O
Ano..., a realidade era completamente oposta. O Filhos tinha o calor, o clima pulsante do verão
carioca. O Ano... é um filme que se passa numa São Paulo em pleno inverno. Durante a Copa,
uma época em que o marrom e o amarelo eram os tons predominantes. A luz é suave, nós
respeitamos a pele branca das crianças. Eram opções que casavam muito bem com nossa
procura por uma idéia visual nova”, explica Goldman, que destaca a parceria com o diretor de
arte Cássio Amarante crucial para seu trabalho. “Eu vivo da parceria com os diretores de arte e o
diretor. Desta vez, deu muito certo. Tudo no filme é suave, as cores, a iluminação, até a atitude
da câmera, que é ‘na mão’, mas tem um distanciamento e respeita a intimidade dos
personagens, a melancolia do garoto. Para que eu pudesse filmar este universo, a atmosfera
criada pelo Cássio foi crucial. Assim, nós conseguimos o que o Cao queria, que era contar a
história, uma história triste, mas singela e suave”, continua o diretor de fotografia, que acaba de
finalizar Cidade dos Homens, longa baseado na série homônima produzida pela O2 Filmes e
dirigido por Paulo Morelli.
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é o terceiro trabalho de Goldman em ficção para o
cinema. Sua estréia na telona foi em Casseta e Planeta – A Taça do Mundo É Nossa (2003), de
Lula Buarque De Holanda. Em seguida, vieram O Casamento de Romeu e Julieta (2005), de
Bruno Barreto. Anteriormente, trabalhou nos documentários Gilberto Gil - Kaya N'Gandaya
(2002), de Lula Buarque De Holanda; e Surf Adventures - O Filme (2002), de Arthur Fontes.
Antes de se dedicar ao cinema, Goldman fotografou dezenas de comerciais para produtoras
como a O2 e a Conspiração, além de dirigir vários videoclipes e especiais para DVDs de artistas
como Marisa Monte, Zélia Duncan e Djavan.
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MONTAGEM (Daniel Rezende)
Após anos editando comerciais e videoclipes, Daniel Rezende ganhou projeção internacional
quando seu trabalho de estréia em longas-metragens, Cidade de Deus, de Fernando Meirelles,
foi indicado para o Oscar de Melhor Montagem 2004. A partir de então, Rezende, que é formado
em publicidade pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, tem participado cada vez mais
de projetos elogiados por público e crítica. Em seguida a Cidade de Deus, Rezende montou
Narradores de Javé (2003), de Eliane Caffé, Diários de Motocicleta (2004) e Água Negra (2005),
de Walter Salles. Para Rezende, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias possui um tempo
único, que exigiu atenção especial. "Este não é um filme super cortado, picotado, frenético.
Mesmo assim, é um filme dinâmico, que tem um tempo interessante, que permite bastante
cortes. Mas o corte dele é o que eu chamo de 'corte invisível'. Na verdade, para mim, esta é a
função do corte. É que o espectador não veja que ele está ali", explica Rezende, que já havia
trabalhado com Hamburger na montagem de Filhos do Carnaval (2006). O processo de trabalho
com o diretor Cao Hamburger permitiu a Rezende liberdade para a escolha das melhores cenas.
"Cao é um diretor que decupa muito bem os seus filmes, filma de vários ângulos, deixa as cenas
muito bem cobertas para o montador. Eu assistia sozinho ao material filmado, sem influência
externa, e escolhia minhas preferidas. Em seguida, me reunia com Cao e discutíamos quais ele
havia escolhido durante as filmagens como 'takes bons'. E decidíamos se uma cena precisava
ser montada utilizando apenas um plano filmado ou vários. E assim percorremos o caminho",
conta o montador, para quem a essência de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias está na
história e nos atores. "Estes são os dois elementos de maior força. Todo o resto, fotografia,
direção de arte, trilha sonora, montagem, foi se adequando à sinfonia que Cao estava
preparando. E ele conseguiu fazer com que todos seguissem a mesma melodia", explica
Rezende, que já trabalha na montagem do longa-metragem Cidade dos Homens, de Paulo
Morelli.
DIREÇÃO DE ARTE (Cássio Amarante)
Fotografias, jornais, cinejornais, revistas, filmes em película e videotapes. Tudo isso serviu de
material de pesquisa para Cássio Amarante compor a identidade visual de O Ano em que Meus
Pais Saíram de Férias. O diretor de arte é responsável por projetos como O Casamento de
Romeu e Julieta (2005), de Bruno Barreto, Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles, Onde a
Terra Acaba (2001), de Sérgio Machado, e Bossa Nova (2000), de Bruno Barreto. Para
Amarante, ser fiel ao espírito das ruas de São Paulo nos anos 70 era um desafio à parte. "Há
muitas cenas externas e isto exigiu atenção redobrada a cada detalhe. São Paulo, assim como
outras grandes cidades da América, sofreu muitas transformações nas últimas décadas. Não é
como as cidades européias, que já tinham uma identidade definida há tempos. Por isso, qualquer
fio, qualquer detalhe nas fachadas, nos carros, poderia ser fatal", explica ele, que contou com a
ajuda do fotógrafo Bob Wolfenson para a pesquisa fotográfica. "A avó do Bob morava no Bom
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Retiro nos anos 70 e nesta época ele ainda criança já tirava fotos. São imagens que contam
muito dos costumes, da decoração, do clima da época", conta Amarante, que também contou
com a colaboração dos moradores do bairro. "Muita gente emprestou fotos e objetos de seus
arquivos pessoais. Foram contribuições valiosas", conta o diretor de arte, que também é
arquiteto e urbanista.
Para Amarante, este é um filme especial. "Acho que não só para mim, mas para muita gente da
equipe. É uma história que conta muito do que vivemos. Este é um filme de geração, que foi
testemunha deste tempo retratado. Isso foi fundamental para o trabalho porque nos envolvemos
todos de uma maneira muito própria para fazer um filme que diz muito de nossa cidade. Como
urbanista este trabalho teve uma dimensão especial."
As Locações
O cenário do Bom Retiro de 1970 exigiu pesquisa detalhada e sorte da equipe de Amarante.
"Estávamos à procura de um lugar que não tinha sofrido tantas transformações como São Paulo
sofreu nestas décadas. E encontramos uma vila perfeita em Campinas, no centro da cidade. Um
lugar em que o casario antigo casava perfeitamente com o prédio baixo e vazio da mesma rua.
Foi lá que funcionou o prédio do avô do Mauro. Lá, montamos dois apartamentos completos (do
Schlomo e de Mótel) e vários outros ambientes", conta Amarante. "Foi uma felicidade encontrar
aquela vila. Pintamos as fachadas, retiramos elementos contemporâneos, incluímos outros. E foi
ideal porque, ao contrário de São Paulo, Campinas ainda não tem tráfego de helicópteros, nem
tanto trânsito e barulho. O local combinou perfeitamente os ambientes interiores e exteriores
necessários para o filme", comenta Amarante. "Como havia muitos não-atores no elenco
principal e de apoio, filmar as cenas de Campinas (ou Bom Retiro) na ordem mais cronológica
possível era importante para a construção do filme, para que a câmera e a ação pudessem
acompanhar o ator, que saía do apartamento, andava pelos corredores do prédio, pela calçada.
Dramaticamente, este ambiente era fundamental", explica o diretor de arte.
FIGURINO (Cristina Camargo)
Cris Camargo tem experiência de sobra no cinema. A figurinista já cuidou do guarda-roupa de
produções que são exemplo de excelência. Seu primeiro trabalho para a telona foi com Terra
Estrangeira (1996), de Walter Salles. Em seguida, vieram Central do Brasil (1998), de Walter
Salles, O Primeiro Dia (1998), de Walter Salles e DanielaThomas; Narradores de Javé (2003), de
Eliane Caffé, Carandiru (2003), de Hector Babenco, e Cidade Baixa (2005), de Sérgio Machado.
A carreira de Cris entre os figurinos começou muito antes, quando ela fazia produção de moda
para a revista Elle. A figurinista também foi uma das primeiras profissionais a montar o guardaroupa dos DJs da recém-inaugurada MTV. "Meu trabalho com vídeo começou com a emissora.
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Eu praticamente ajudei a fundar a MTV", brinca Cris, que atualmente mora em Portugal e acaba
de realizar seu primeiro trabalho naquele País, o longa Dot.com, de Luís Galvão Teles.
Para compor o figurino de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Cris contou com a ajuda
da equipe, do elenco do filme e da comunidade do Bom Retiro. "Por ser um filme de época,
ainda que historicamente recente, o figurino teria de ser minuciosamente estudado. Fomos atrás
de fotografias, assistimos a vídeos feitos na época e pesquisamos muito em brechós e com os
próprios moradores do bairro", conta Cris. "Como o Bom Retiro é um bairro com tradição
histórica em moda e lojas do ramo, muitas ainda tinham em seus estoques mais antigos roupas
da década de 70. E muitos lojistas nos venderam ou emprestaram o figurino", explica ela, que
teve atenção redobrada com as peças usadas pelo elenco infantil. "É mais fácil encontrar roupas
de adultos em brechós e acervos. Roupas infantis não costumam durar tanto, pois as crianças
usam as peças até que estejam quase puídas, pois brincam muito, arrastam-se, literalmente as
gastam. E com as usadas pelo Michel e pela Dani, tivemos de ficar de olho o tempo todo. Havia
roupas que as crianças passavam o filme todo usando. Não podíamos correr o risco da roupa se
rasgar numa brincadeira deles durante um intervalo das filmagens", diz Cris, que teve de
costurar às pressas uma calça usada por Michel. "Ele usou uma calça de veludo em várias
cenas. Pouco antes de terminar a seqüência, rasgou a calça brincando. E não podia ser outra
para não perder a continuidade. Não deu outra: linha e agulha", lembra a figurinista, que
aprendeu com a comunidade do Bom Retiro a finalidade de várias peças do vestuário judeu. "Eu
não sou judia e ninguém da minha equipe era. Então, como o filme praticamente se mudou para
o bairro e nós passamos a conviver com a comunidade, fui aprendendo para que serviam peças
como o Talit, o xale de reza, entre tantos outros objetos. Foi um filme especial, em que aprendi
muito não só profissionalmente".
TRILHA SONORA (Beto Villares)
Assim como o cenário do Bom Retiro dos anos 70, a trilha sonora de O Ano em que Meus Pais
Saíram de Férias é resultado de um caldeirão de culturas e tendências. Um dos destaques é Pra
Frente Brasil, de Miguel Gustavo, o clássico que embalou os brasileiros no Mundial de 1970 e Eu
Sou Terrível, de Roberto Carlos. A trilha também conta com canções tradicionais judaicas, como
a deliciosa Chiribim-Chiribom . "Há as canções que já haviam sido pensadas para o filme, como
as tradicionais judaicas, Roberto Carlos e as músicas de futebol, que contam perfeitamente o
clima da época. E há as músicas especialmente criadas para o filme", explica o músico Beto
Villares. "O processo de criação foi longo. Mantive as músicas históricas e criei todas as
instrumentais. Esta é uma trilha leve, mas muito brasileira de uma forma interessante, moderna e
adulta. Ao mesmo tempo em que a música tem de dar o tom do filme, da época, ela não pode se
sobressair muito, não pode narrar mais que a própria história", explica Villares, que fez questão
de não criar uma trilha tradicionalmente de época para o filme. "Não havia como calcar a trilha
na música que tocava no rádio na época. Isso deixaria o filme muito datado. Não há loopings,
samplers, nem samba-rock e funk. Esta é uma trilha emotiva, mas contida, que também não
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poderia ser modernosa, correndo o risco de se tornar cafona também. O equilíbrio realmente foi
difícil de ser alcançado, pois o filme é uma salada cultural", comenta.
Mas quando o assunto é mistura de tendências, Villares sabe do que está falando. Ele foi diretor
musical do projeto Música do Brasil, de Hermano Vianna, que percorreu todo o território
brasileiro entre 1998 e 1999, e resultou em um livro com três CDs. Villares também é produtor
musical responsável por projetos de destaque na renovação da música popular brasileira como
Terceiro Samba, trabalho mais recente da banda pernambucana Mestre Ambrósio. Outro
exemplo é Fuloresta do Samba, disco-solo do compositor e rabequeiro Siba, gravado em
Pernambuco, além dos CDs Sortimento, de Zélia Duncan, e Pato Fu ao Vivo. Villares também
cuidou da produção do CD de estréia da cantora Céu e remixou sons brasileiros para a trilha de
Abril Despedaçado, (2001), de Walter Salles, composta por Antonio Pinto.
No cinema, Villares também é responsável pela trilha sonora de filmes como Menino Maluquinho
2: A Aventura (1998), de Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto, Abril Despedaçado, Cidade Baixa
(2005). Na TV, compôs as trilhas das séries Cidade dos Homens (2003), e Filhos do Carnaval
(2006).
Há pouco tempo, Villares também lançou seu próprio CD, Excelentes Lugares Bonitos, em que
também canta e que marcou a criação de sua gravadora, a Ambulante, em parceria com Antonio
Pinto e Patricia Portaro. Atualmente, ele trabalha na produção do segundo disco de Céu.
PRODUÇÃO DE ELENCO (Patrícia Faria)
A atriz Patrícia Faria tem formação pelo conceituado CPT (Centro de Pesquisa Teatral), de
Antunes Filho, e pela CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), mas é como produtora de elenco que
seu trabalho ganhou mais notoriedade nos últimos anos. "Eu não decidi que seria produtora de
casting, mas fui emendando um trabalho em outro. Costumo dizer que os diretores escolheram
por mim", conta Patrícia, que tem no currículo longas-metragens como Nina (2004), de Heitor
Dhalia, em que trabalhou ao lado de Chico Accioly; Quanto Vale ou É por Quilo (2005), de Sérgio
Bianchi e o inédito Os Desafinados, de Walter Lima Jr.
Para Patrícia, cuidar da escalação do elenco de um filme é "como fazer uma tese de doutorado".
"Para descobrir como deveriam ser os personagens, fui conhecer os moradores do Bom Retiro,
descobrir como eram as pessoas reais da época. E encontrar o Michel foi fruto de muita
pesquisa e trabalho. Desde sempre acreditei que faria toda diferença para o personagem se o
ator também fosse de origem judaica. Por isso, além de escolas comuns e agências de atores,
passei a visitar escolas e clubes da comunidade judaica. Hoje vejo que foi a escolha certa",
conta ela, que testou mais de mil crianças de maio a junho de 2005. "Passada a fase de seleção,
precisávamos preparar as crianças que ficaram para a fase final, pois ninguém é ator aos 10, 12
anos de idade. O Michel desde sempre se revelou um Mauro ideal. Ele é generoso e atencioso.
Apesar de não ter formação de ator, entendia perfeitamente o que era viver um personagem.
Michel adora usar boné e pulseira, mas o Mauro não. E ele começou a respeitar esta outra
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pessoa, a tirar os acessórios para dar espaço ao personagem", relembra Patrícia. "Os
personagens nunca estão prontos no papel. Depois de encontrar, vimos que Michel deu
profundidade ao Mauro", conclui ela, cujo mais recente trabalho no cinema foi a produção de
elenco do inédito Antônia, de Tata Amaral, com quem também trabalha atualmente no casting da
série Brasilândia, da TV Globo.
PREPARAÇÃO DE ELENCO (Laís Correa)
A atriz, bailarina, diretora e preparadora de atores Laís Correa tem no currículo uma lista extensa
de trabalhos para teatro, TV e cinema. No teatro, foi assistente de José Possi Neto por dez anos
e integrou as equipes de montagens como Salomé, Paixão de Cristo e O Bailado do Deus Morto.
Sua primeira experiência no cinema foi ao lado de Fátima Toledo na preparação dos atores de
Eu, Tu, Eles (1999), de Andrucha Waddington. Com Andrucha, trabalhou também em Casa de
Areia (2005). Em seguida, esteve envolvida com a preparação de atores de Olga (2004), de
Jayme Monjardim, O Caminho das Nuvens (2001), de Vicente Amorim, 2 Filhos de Francisco
(2005), de Breno Silveira. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é seu primeiro trabalho
com Cao Hamburger. Laís também foi responsável pela preparação dos atores do novo filme de
Cacá Diegues, O Maior Amor do Mundo (2005). Para Laís, o trabalho de preparação do elenco
de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias exigiu atenção redobrada. "Foi um trabalho
extenuante, mas ótimo. Era um elenco grande com muitos não-atores. Isso demandou muita
atenção, não só com a preparação das crianças, mas também dos mais velhos. E muitos eram
judeus e tinham de parar o trabalho por conta dos feriados religiosos e compromissos. O
trabalho exigiu um tempo especial de toda a equipe", conta Laís, que levou dois meses no
trabalho de formação de todo o elenco e que atualmente atua na montagem Viúvas de Maridos
Vivos.
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OS PRODUTORES
GULLANE FILMES
Criada em 1996, pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane, a Gullane Filmes é atualmente uma das
mais ativas empresas do audiovisual brasileiro. Nos últimos anos foi responsável por produções
de grande sucesso em crítica e público no Brasil e no exterior. Entre os filmes produzidos ou coproduzidos pelos irmãos Gullane estão Bicho de sete Cabeças, Carandiru, Nina, Benjamim,
Narradores de Javé, entre outros. Desde o ano 2000, com a entrada da nova sócia Débora
Ivanov, a produtora também está empenhada em intensificar sua atuação internacional,
ampliando a visibilidade de seus filmes, conquistando novos públicos e gerando novas
possibilidades de negócios para o cinema.
Com projetos diferenciados para cinema e televisão, que variam de acordo com o porte, a mídia
e o público alvo, a Gullane Filmes tem como principal desafio agregar às suas produções a
máxima qualidade artística e técnica, para garantir o sucesso comercial e o retorno para
parceiros e investidores.
Para o ano de 2006 estão previstos os lançamentos de três filmes: Querô, uma ficção de Carlos
Cortez que fala sobre o abandono pelo qual passam muitos adolescentes de nosso país e cuja
distribuição será feita pela Downtown Filmes; O ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de
Cao Hamburguer, que retrata o Brasil dos anos 70 sob os olhos de um garoto de 13 anos distribuição Buena Vista - e o documentário O Mundo em Duas Voltas, sobre a viagem da
Família Schürmann pela rota do navegador Fernão de Magalhães, que será distribuído pela
Europa Filmes.
Atualmente em fase de filmagem, O Magnata, em co-produção com a Miravista com o apoio da
MTV Brasil, cuja idéia original é de Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr. é outro projeto de
grande repercussão da Gullane. Protagonizado por Paulo Vilhena, com participação de grandes
nomes da música brasileira, e distribuído pela Buena Vista, seu lançamento está previsto para o
início de 2007. Neste mesmo ano também será lançado Chega de Saudade, segundo filme de
Laís Bodanzky, a premiada diretora de Bicho de Sete Cabeças.
Recentemente, a Gullane Filmes assinou uma parceria com a Olhos de Cão para produzir o
novo filme de José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, e com a Warner Bross,
que distribuirá o longa-metragem Mano, inspirado na coleção de livros infanto-juvenis de Gilberto
Dimenstein. Além disso, levará às telas de cinema, com a direção de Walter Carvalho, a
fascinante história de Tonheta, o caixeiro viajante que consagrou Antônio Nóbrega nos palcos de
teatro.
No entanto, a produtora não se restringe a projetos para o cinema, e desenvolve atualmente uma
série de ficção para a HBO e um telefilme para o canal SONY. Engaja-se ainda no
desenvolvimento social por meio das Oficinas Querô, um projeto apoiado pelo Unicef e
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Fundação Abrinq que promove a inclusão social de adolescentes através de cursos de cinema
na Baixada Santista.
É por meio de seu conceito de produção, aliado às estratégias inovadoras de lançamento e
grandes campanhas de divulgação planejadas em conjunto com as mais conceituadas
distribuidoras do mercado que a Gullane Filmes tem conquistado reconhecimento e destaque no
setor audiovisual.
NOTA DOS PRODUTORES
Desde Castelo Rá-Tim-Bum – O Filme, tínhamos vontade de voltar a trabalhar com o Cao
Hamburger. Mas queríamos fazer um filme de uma forma criativa, fazer as escolhas certas. E
quando chegamos à conclusão de que o filme seria O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias,
sentimos que esta era a escolha. O valor deste filme está em sua equipe, seu elenco, sua forma
natural de ser realizado e, principalmente, no talento e capacidade audiovisual do Cao. É um
projeto que testa nossa vivência, leva-nos ao limite do nosso processo de produção. É um
desafio, um projeto que cuidamos desde o início, desde os primeiros tratamentos do roteiro.
Além da carreira no Brasil, tem todo potencial para ter uma boa carreira no exterior. É por isso
que estamos cuidando de cada detalhe do lançamento.
Neste filme, Cao Hamburger faz um tipo de cinema que não é muito comum no Brasil. Tem um
ponto de vista muito original, coloca a criança em primeiro plano. É uma história que também fala
da família, da desestruturação desta família, como de tantas outras que sofreram durante a
ditadura.
A produção de locação é um capítulo à parte no projeto. O diretor de arte Cássio Amarante
realizou um trabalho maravilhoso. A locação em Campinas foi um achado. Depois de insistirmos
muito para encontrar um lugar ideal em São Paulo para ser cenário da vila no Bom Retiro onde
se passa a ação, nossa produção encontrou este lugar em Campinas, onde, ao contrário do que
costuma acontecer com a capital, os prédios e construções antigas ainda conservam suas
fachadas históricas. O resultado é extremamente natural.
Assim também é a direção de fotografia de Adriano Goldman. A luz e a câmera resultam em um
visual maravilhoso. O mesmo pode ser dito do trabalho de Daniel Rezende na montagem.
Mesmo sem estar presente no set de filmagem, ele entendeu que filme era este. Rezende
expressa os sentimentos do Cao Hamburger de uma forma perfeita. Por fim, a trilha sonora de
Beto Villares dispensa grandes comentários. É um trabalho também impecável, que dá elegância
e, ao mesmo tempo, brasilidade ao filme.
Fazer cinema dá muito trabalho. Fazer bem-feito exige um cuidado extra. Filmar uma história de
época exige um trabalho maior ainda. Este é um filme que não se espera ver no cinema
brasileiro. É um filme com cara do cinema europeu, de filme argentino, mas também muito
brasileiro. Apostamos neste caminho e acreditamos que seja um caminho original. Precisamos
fazer com que o mundo entenda que no Brasil não produzimos somente filmes sobre miséria ou
sobre o sertão.
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CAOS PRODUÇÕES
A Caos Produções Cinematográficas foi criada há sete anos com um propósito: administrar os
projetos de seu fundador, Cao Hamburger, e colocá-los em prática. Com alguns curta-metragens
e um longa-metragem lançados, a produtora está agora completando seu segundo longa O Ano
em que Meus Pais Saíram de Férias.
MIRAVISTA
A Miravista é o selo cinematográfico da Buena Vista International para as co-produções na
América Latina. O primeiro longa produzido pela Miravista, Ladies' Night, estreou no México em
2003. No Brasil, a empresa já levou aos cinemas O Caminho das Nuvens, de Vicente Amorim,
Viva Voz, de Paulo Morelli, A Dona da História, de Daniel Filho, O Casamento de Romeu &
Julieta, de Bruno Barreto, Jogo Subterrâneo, de Roberto Gervitz, Didi - O Caçador de Tesouros,
de Marcus Figueiredo e A Máquina, de João Falcão. Além de 1972, estão no seu calendário de
estréias para 2006 e 2007 os seguintes títulos: Fica Comigo Esta Noite', de João Falcão, O Ano
em que Meus Pais Saíram de Férias', de Cao Hamburguer; Muito Gelo e Dois Dedos de Água',
de Daniel Filho e Polaróides Urbanas, de Miguel Falabella.
GLOBO FILMES
A Globo Filmes foi criada em 1998, como braço cinematográfico da TV Globo, com o objetivo de
produzir obras de qualidade e valor artístico, valorizar a cultura nacional, fortalecer a indústria
audiovisual brasileira, atrair novos talentos e aumentar a sinergia entre o cinema e a televisão.
Desde a retomada do cinema brasileiro, nove entre os dez maiores sucessos nacionais de
bilheteria são co-produções da Globo Filmes, como 2 Filhos de Francisco, com mais de cinco
milhões de espectadores, Carandiru, Cidade de Deus - que recebeu quatro indicações ao Oscar
em 2004 -, Se Eu Fosse Você, Lisbela e o Prisioneiro, Cazuza - O Tempo Não Pára e Olga.
Todos eles superaram os três milhões de espectadores, um marco de público para o cinema
nacional.
Preocupada em desenvolver projetos que aproximem cada vez mais o público brasileiro do
cinema nacional, a Globo Filmes já produziu um leque diversificado de gêneros
cinematográficos: obras infantis, como as de Xuxa e Renato Aragão; adultos de várias espécies,
como Os Normais - O Filme, Sexo, Amor e Traição, Deus é Brasileiro e A Partilha; e os voltados
para toda a família, como O Auto da Compadecida e Caramuru. O critério de seleção de projetos
é guiado pela busca de obras com conteúdo nacional de qualidade e com potencial popular.
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Daniel Filho
Daniel Filho é diretor, ator e produtor de cinema e televisão. Entre seus principais trabalhos
como diretor no cinema estão Pobre Príncipe Encantado (1968); O Impossível acontece (1969),
A Cama ao alcance de todos (1969); O Casal (1975); O Cangaceiro Trapalhão (1983). Daniel
Filho vem conquistando o público e seus filmes têm figurado na lista dos campeões de bilheteria
do atual cinema nacional. Entre eles, estão A Partilha (2001 direção e produção); A Dona da
História (2004, direção e produção) que ganhou o Prêmio Best Movie Public Prize no 9th Film
Festival of Miami 2005; o sucesso Se Eu Fosse Você, que fez mais de três milhões de
espectadores. Atualmente, trabalha na finalização e lançamento de e Muito Gelo e Dois Dedos
D’ Água.
Daniel também atua como produtor e está à frente da Lereby Produções. A empresa participou
como co-produtora & supervisora artística nos longas metragens: Orfeu; Simão, o Fantasma
Trapalhão; Zoando na TV; O Trapalhão e A Luz Azul; O Auto da Compadecida; Caramuru, a
Invenção do Brasil; Redentor ; Caminho das Nuvens; Sexo, Amor & Traição; Filho Predileto;
Cidade de Deus; Carandiru; Tainá II; Cazuza, O Tempo Não Pára; Casa de Areia; 2 Filhos de
Francisco; Jk – Bela Noite para Voar; O Mistério de Irma Vap; Porralokinha; O Maior Amor do
Mundo.
Fernando Meirelles
Fernando Meirelles é um arquiteto que passou a dirigir programas independentes para TV nos
anos 1980, comerciais nos anos 1990 e, finalmente, longas-metragens no século 21. Seus
longas-metragens são: O Menino Maluquinho 2 - A Aventura(1998), Domésticas(2000), Cidade
de Deus(2002), nomeado para quatro Oscar, incluindo o de melhor diretor, e O Jardineiro Fiel
(2004), nomeado para quatro Oscar também. Fernando Meirelles nasceu e mora em São Paulo,
Brasil.
“Depois do sucesso de Castelo Rá-Tim-Bum feito para a TV Cultura, e da qualidade da série
Filhos do Carnaval dirigida para a HBO , eu já não tinha dúvidas de que o Cao Hamburguer é um
dos grandes talentos do nosso cinema. Mesmo assim, seu último filme me surpreendeu. O Ano
em que Meus Pais Sairam de Férias é de uma delicadeza rara no cinema brasileiro. Sem querer
provocar, tem aquela qualidade humana que nos encanta no cinema Argentino e, ainda por
cima, mostra um lado de São Paulo totalmente surpreendente e novo para mim: a vida na
comunidade judaica. Não tem como não se entregar ao filme.”
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DISTRIBUIÇÃO
BUENA VISTA INTERNATIONAL
A Buena Vista International faz parte do braço de distribuição internacional do Grupo Disney.
Além de atuar como distribuidora, a empresa também está presente na América Latina
produzindo conteúdos locais por meio de seus dois selos, a Patagonik Film Group, da Argentina,
e a Miravista, para o restante do continente, principalmente Brasil e México.
“O que temos de forte neste filme é sua qualidade. É a história. É a direção, a fotografia, o
desempenho dos atores. Este é um filme que tem suas características muito próprias e vai
buscar seu caminho”, aposta o distribuidor Rodrigo Saturnino Braga, diretor geral da Columbia
Tristar Buena Vista Filmes do Brasil.
“Eu gosto de todos os filmes com os quais trabalhamos, mas este é um caso especial.
Acompanhei desde o começo, desde quando era só uma idéia, em 2003. Não havia nem sinopse
ainda. E acompanhamos desde o primeiro tratamento do roteiro. É um filme fantástico, uma
história centrada no Mauro, em um menino”, acrescenta o produtor. “Mas, mais que um filme
para a família, é um filme urbano, que fala de personagens de diferentes origens. Era um desejo
nosso, desde o início. Era fazer um filme sobre o povo de São Paulo, uma cidade basicamente
construída por imigrantes. Este é um tema universal. Como costumamos dizer, este é um tema
que viaja. O filme tem qualidades cinematográficas para viajar. E não há segredo para um bom
filme. A não ser que tenha qualidade”, comenta Saturnino, que, para avaliar um bom filme, ainda
tem como lema a arte de contar bem uma história. “Meu enfoque de todos os filmes ainda é o
velho bordão: ‘Trata-se de contar bem uma história.’ Se a história é sedutora, se nos pega’. E eu
acho esta história muito boa. Principalmente por se tratar de uma história muito paulistana.
Espero que o Brasil goste, que o mundo goste, mas que o filme não perca esta origem das
pessoas que nasceram, viveram e foram recebidas em São Paulo, vindas de outros países. Eu
sou carioca, mas é assim que vejo o filme. Fui conhecer o Bom Retiro na época das filmagens.
Para mim sempre foi um bairro de passagem. E fico feliz com esta nova experiência.”
ELENCO
MICHEL JOELSAS (Mauro)
Michel Joelsas tem 12 anos e nasceu em São Paulo, onde estuda em uma escola da
comunidade judaica. Até entrar para o elenco de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, o
garoto nunca tinha pensado em ser ator. E, para surpresa da equipe do filme, continua não
pensando. Depois de longo período de preparação e imersão no set de filmagem, Michel
descobriu que queria ser diretor de fotografia. "Eu adorei ficar mexendo nas coisas do Adriano
(Goldman, diretor de fotografia), ganhei vários presentes, como lentes e até uma câmera. Eu
quero fazer isso quando crescer", conta Michel, que, assim como seu personagem, é filho de
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mãe não judia (católica convertida) e pai judeu. "Meu pai é ortodoxo. Eu, ao contrário do Mauro,
estudo numa escola judaica e conheço as tradições. Isso me ajudou na hora de entender o que
ele passava", conta Michel.
Como foi para você o primeiro contato com a equipe do filme?
Eu estava na minha escola e minha professora comentou que o pessoal de um filme estava
procurando crianças para participar de um trabalho. Eu não dei muita atenção porque nunca
pensei em ser ator. Mas acabei indo fazer o teste e fui ficando, ficando. Até que terminei como o
Mauro. Foi muito legal.
Você é um fã de cinema? Assiste a filmes brasileiros?
Eu adoro cinema. Sempre gosto de ver filmes de aventura, ação, suspense. Mas eu vejo poucos
filmes brasileiros. É mais difícil ter filmes para minha idade que são feitos no Brasil. Aliás, antes
de participar deste filme, eu nem imaginava como era um set de filmagem. Quando conheci,
comecei a conviver, vi que no Brasil também tem cinema sendo feito, tem gente profissional. Foi
muito bacana. Depois que fiz O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, passei a ver os filmes
de outro jeito. Agora eu assisto e fico pensando como tal cena foi feita, onde a câmera colocou a
câmera, onde estava o diretor. É engraçado isso.
E você pensa em continuar atuando?
Sim e não. Eu nunca tinha pensado em atuar antes. Nem diria que eu tinha talento para isso.
Mas gostei da idéia e resolvi arriscar.
Eu atuo mais se aparecer alguma coisa legal. Mas o que quero mesmo é ser diretor de
fotografia. Eu adorei o pessoal do filme, o Cao, toda a equipe. Foi muito divertido. Acho que é um
filme que meus amigos e minha família vão gostar. É isto que importa.
Ser ator é legal, mas foi difícil filmar. Não pelo trabalho ou pela equipe, que eu adorava, mas
pelo cansaço. Teve uma época em que eu ainda estava em aula e tinha de estudar. Eu passava
o dia todo filmando e, quando chegava o fim do dia, em vez de brincar, eu tinha de estudar. No
fim-de-semana, nos dias de folga, em vez de passear, eu ficava em casa estudando. Não é
brincadeira não.
O fato de você pertencer à comunidade judaica ajudou a interpretar o Mauro?
Com certeza. Eu já sei das tradições. Não sou o mais dedicado, mas freqüento a Hebraica, vou à
sinagoga. Sei que não se brinca com um Talit (xale de reza). O Mauro não sabia nada disso. Eu
ficava com dó dele às vezes. Mas fui bom eu saber de tudo isso porque pude entender o peso
que o fato dele não conhecer nada daquele mundo tinha para ele.
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GERMANO HAIUT (Shlomo)
O pernambucano Germano Haiut confessa que teve dificuldade para compor o personagem de
Schlomo, o sisudo, porém bondoso, zelador da sinagoga do bairro do Bom Retiro e vizinho do
avô de Mauro. "Eu sou muito tranqüilo, muito brincalhão. Houve uma cena em que eu tinha de
brigar, ter ódio do Mauro, mas eu não conseguia olhar para aquele menino lindo, de olhos azuis,
tão inteligente, e sentir algo tão ruim. Foi preciso um exercício comigo mesmo muito forte e muita
paciência do Cao para que eu conseguisse fazer a cena. E acho que consegui", conta o ator de
68 anos, que faz questão de esclarecer que não tem formação profissional. "Eu lojista. Trabalho
com franquia de lojas de roupas no Recife. Eu não atuava há anos", conta ele, que é filho de
imigrantes judeus da Bessarábia (atual Moldávia).
Apesar de não viver exclusivamente da arte, Germano sempre foi ator amador e esteve ligado
aos principais movimentos teatrais que tomaram Recife nas últimas décadas. Nos anos 60,
integrou o Teatro da Comunidade Judaica do Recife e o lendário Teatro do Estudante de
Pernambuco (TEP). Consciente, Germano participou ativamente de projetos culturais como o de
restauração e tombamento da Sinagoga Tzur Israel (Rochedo de Israel), a primeira das
Américas, construída em 1636, durante a ocupação holandesa da cidade, onde hoje está
localizado o bairro do Recife Antigo. Antes de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, sua
última participação no cinema havia sido como o comerciante Ademar Albuquerque de Baile
Perfumado (1997), de Lírio Ferreira.
Qual a sua formação teatral? Você participou de movimentos no Recife?
Eu nunca fui profissional, mas participei de montagens memoráveis no Recife. Éramos
pretensiosos. Queríamos consertar o mundo e montar Sartre, Brecht. Nós, que fazíamos parte
do Teatro do Estudante de Pernambuco (fundado por Hermilo Borba Filho em 1945), também
montávamos os textos de nossos autores, como o próprio Hermilo, Ariano Suassuna e até
Francisco Brennand. Este foi um movimento teatral que, se tivesse ocorrido em uma cidade
como São Paulo, teria tido a repercussão merecida.
Como você tomou o primeiro contato com o Ano em que Meus Pais Saíram de Férias?
Fazia anos que não trabalhava como ator quando recebi um telefonema de que a produção do
filme queria fazer um teste comigo. Eu relutei, mas fui. Recebi um texto que eu não tinha idéia
como começava nem como acabava. E me pediram para improvisar e falar do problema da
violência no Recife. Só que eu teria de falar em iídiche (idioma da família indo-européia, do
subgrupo germânico, falada por judeus, particularmente na Europa Central e na Europa
Oriental). Mas o iídiche que eu aprendi é o de casa, sem formação culta. Eu disse isso à
produção. Mas mesmo assim arrisquei. Perdi meu pai e minha mãe há muitos anos. Não falava
iídiche há tempos. Mas tomei fôlego e fui falando. Tudo que eu havia esquecido há anos, que
estava guardado na memória, começou a fluir. Foi incrível.
E como é sua relação com o cinema?
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Antes de Baile Perfumado, fiz algumas participações no cinema, como em A Batalha do
Guararapes (1978), do Paulo Thiago; e fiz uma ponta em Parahyba Mulher Macho (1983), de
Tizuka Yamasaki. Também trabalhei com Marcelo Gomes (diretor de Cinema, Aspirinas e
Urubus) e Beto Normal no curta Clandestina Felicidade (1999). Admiro muito os jovens cineastas
pernambucanos, como o próprio Marcelo e Lírio. Esta é uma geração muito consciente, que está
fazendo um belo trabalho. Sempre brinco com minha mulher que O Ano em que Meus Pais
Saíram de Férias é meu penúltimo filme. Estou ansioso para saber qual será o último.
Daniela Piepszyk (Hanna)
Daniela Piepszyk tem onze anos e nunca havia pensado em ser atriz quando ouviu falar de O
Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. "Eu estava na minha escola quando minha professora
comentou dos testes. Eu nem achei que ia ser a escolhida, mas resolvi tentar”, relembra a
garotinha, que vê semelhanças, mas ressalta as diferenças entre ela e sua personagem. “A
Hanna é muito esperta. Eu acho que sou inteligente, mas não sou tão esperta assim. Sou mais
boazinha. Ela às vezes era até maldosa com os meninos, mas no fundo gostava deles", brinca
Daniela, que pertence a uma família judia paulistana. “Isso me ajudou muito porque eu já
conhecia as tradições que o filme mostra, as festas, as reuniões”, conta a menina de olhos azuis
e olhar vivaz.
Daniela não tinha as características físicas do personagem que estava escrito no roteiro, mas
acabou sendo a escolha mais acertada para viver Hanna. “A personagem da Hanna estava
escrita para ser mais velha e mais alta que o Mauro. Eu tinha pensado em uma menina
completamente diferente. Mas quando conheci a Daniela, tive que “adaptar” o personagem, ou a
imagem do personagem na minha cabeça. E não foi nada difícil. E a química dela com o Michel
também foi incrível. Eles formaram uma dupla imbatível. Foi uma escolha muito acertada. Na
verdade, quase não foi uma escolha. A Daniela e o Michel se impuseram como Hanna e Mauro.
Testamos mais de 1000 crianças em São Paulo, Rio e Belo Horizonte e não ficou nenhuma
dúvida na escolha”, relembra o diretor, que fez questão de buscar crianças da comunidade
judaica para os papéis.
Experiente ou não, o que importa é que Daniela roubou a cena e se apaixonou pela brincadeira.
“Eu não tinha idéia de como era fazer um filme. Eu gosto de cinema. Sempre vejo muitos filmes,
mas hoje quando assisto a um, fico pensando em como fizeram uma tal cena, onde a câmera
estava. Mudou meu jeito de ver tudo”, comenta ela, que já fez uma bela descoberta após viver a
espevitada Hanna: “Eu quero ser atriz. Não sei se vai dar muito certo para sempre, mas vou
estudar para ser.”
Daniela ganhou um amigo durante as filmagens. “Eu não conhecia o Michel. Ele estuda em outra
escola. Mas a gente sempre brincava durante o filme. Eu adorei trabalhar com ele. Tenho
saudade do set. Aliás, adorei filmar com o Cao (Hamburger) também. Ele é muito legal, tem
muita paciência com a gente. As preparadoras do elenco também. A Laís (Corrêa) e a Patrícia
(Faria) ensinaram tanta coisa”, conta a garota, para quem a parte mais difícil de ‘aprender a
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atuar’ foi a fase de preparação. “Como eu nunca tinha feito nada parecido, era complicado. A
gente tinha de fazer exercícios de concentração, com bolinhas que a Laís jogava de um lado
para outro, e a gente tinha de focar em uma só. Era divertido, mas difícil. Mas valeu muito a
pena”, conta ela que, ao contrário da sua personagem, não é das mais fanáticas por futebol. “A
Hanna, além de espertinha e saber até ganhar dinheiro dos meninos, sabe jogar bola bem. Eu
até gosto. Mas prefiro o videogame.”
Caio Blat (Ítalo)
"Ele é um cara idealista. Ele quer entrar para o movimento, mas é um cara de família, é da
comunidade do bairro, ele tem medo também", assim o ator Caio Blat define seu personagem,
Ítalo, um jovem descendente de italianos, militante de esquerda, que se torna um dos amigos e
protetores de Mauro no bairro do Bom Retiro. "O Ítalo se aproxima de Mauro muito movido pela
admiração que ele próprio tem pelo pai do garoto, um militante que ele conhece. Mas, no fim,
quem acaba ajudando o Ítalo é o próprio Mauro", comenta Blat, para quem Ítalo é um
personagem especial. "Trabalhar com Cao foi especificamente maravilhoso. Seus filmes são
geniais porque são filmes subjetivos ao mesmo tempo em que falam de temas gerais, como a
ditadura, em questão em O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", comenta o ator. "Cao
filma um momento muito conturbado da história brasileira. Mas faz isso do ponto de vista de uma
criança. Há um clima de terror no ar, mas este terror é psicológico. Não há cenas gratuitas de
violência", continua o ator, que em 2005 mergulhou neste período histórico. "Quando comecei o
trabalho com o Cao, tinha acabado de filmar Batismo de Sangue, do Helvécio Ratton, em que
vivo o Frei Tito. E naquele filme, meu personagem também era militante de esquerda. Eu estava
mergulhado no clima de Centro Acadêmico, Reunião de Diretório, mas o clima era
completamente diferente. Batismo tem um clima muito mais tenso", conta Blat, que também atua
no novo filme do pernambucano Cláudio Assis, Baixio das Bestas.
Caio Blat não estudou teatro formalmente, mas participou de inúmeras montagens no teatro
amador e profissional. Atualmente integra a montagem Mordendo os Lábios, de Hamilton Vaz
Pereira. No cinema, sua estréia se deu em Caminho dos Sonhos (1998), de Lucas Amberg. Além
de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias e Batismo de Sangue, o ator paulista também
protagoniza o inédito É Proibido Proibir, de Jorge Durán. No cinema, ele viveu o detento
Deusdete de Carandiru (2003), interpretou o polêmico Christiano no controverso longa Cama de
Gato (2002), de Alexandre Stockler e o Lula de Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando
Carvalho. Na TV, sua estréia ocorreu em Éramos Seis, do SBT. Em seguida, na TV Globo,
protagonizou Andando nas Nuvens e Um Anjo Caiu do Céu. Atualmente, o ator vive o Mario da
novela Sinhá Moça.
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Paulo Autran (Motel)
Em O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Paulo Autran é Mótel, avô de Mauro, pai de
Daniel. Mótel é um barbeiro judeu do tradicional bairro do Bom Retiro. Formado em direito pela
Universidade de São Paulo, Autran estreou profissionalmente no teatro em Um Deus Dormiu lá
em Casa, em 1949. Considerado um dos maiores atores em atividade do Brasil, Autran fez sua
carreira no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde trabalhou com mestres como Zibgniew
Ziembinski e Adolfo Celi. E foi com Celi e com Tônia Carrero que o ator formou, em meados dos
anos 50, a sua própria companhia. A estréia foi no Teatro Dulcina, com Otelo, de Shakespeare.
Em 1957, pela primeira vez no Brasil, um elenco inteiro viajou por todo o País com uma peça.
Nos anos 60, Paulo Autran e a companhia viajaram pela América Latina, Estados Unidos e
Europa. Neste mesmo ano, na Argentina, ele ganhou o prêmio de melhor ator estrangeiro de
teatro. Na volta, o grupo decidiu que era a hora de encerrar a companhia. Entre os grandes
nomes com quem já dividiu o palco, estão Bibi Ferreira, Flávio Rangel, Karin Rodrigues. Em
1964 e 1965, em plena ditadura, o ator participou da montagem de Liberdade, Liberdade. Em
1998, foi homenageado com o quarto Prêmio Sharp de Teatro. Participou do filme O Enfermeiro,
baseado no conto de Machado de Assis, com direção de Mauro Faria; filmou Oriundi, com
Antony Quinn, dirigido por Ricardo Bravo, e iniciou as filmagens de Memórias Póstumas de Brás
Cubas com direção de André Klotzel. Em 2000, estreou a peça Visitando o Sr. Green, de Jef
Baron, um grande sucesso. Sua mais recente participação no teatro foi na montagem de
Adivinhe quem vem para Rezar?, peca de estréia de Dib Carneiro Neto. De volta ao cinema,
além de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Paulo Autran participou dos recentes A
Máquina (2005), de João Falcão, O Poeta de Sete Faces (2002), de Fernando De Barros; e
Artifícios (2001), de Rafael Primo e Flavia Rea. O longa-metragem O País dos Tenentes, (1987),
de João Batista de Andrade, rendeu ao ator o prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília.
Durante o auge do Cinema Novo, Paulo Autran viveu o marcante Porfirio Diaz no clássico Terra
em Transe (1967), de Glauber Rocha. Seus primeiros trabalhos no cinema foram Apassionata
(1952), de Fernando De Barros, e Veneno (1952), de Gianni Pons.
Simone Spoladore (Bia)
"O que mais me impressionava, o maior drama da Bia era o fato dela ter de se dividir entre o
amor que tinha pela política e o amor que tinha pela família, pelo filho. Por amor ao País, ela tem
de deixar o filho por um período. É uma contradição", comenta Simone Spoladore sobre sua
personagem. Mãe do garoto Mauro e mulher do militante Daniel, Bia 'tira férias' com o marido e
desaparece da vida do filho sem deixar pistas. "Ela é obrigada a fazer isso. Mas em um
determinado momento, precisa optar. Ela acaba se sacrificando pelas pessoas amadas",
pondera Simone, que, para viver Bia, deixou-se guiar pelo ritmo da atuação de Michel Joelsas.
"Como o Michel não é ator e, por isso, não tem vícios de interpretação, deixei-me conduzir pelo
ritmo dele, que era muito natural. Era muito 'ele' em cena. Cao (Hamburger) é um diretor que
marca muito bem as cenas, que pede 'mais' ou 'menos' quando é necessário. Tudo em O Ano
em que Meus Pais Saíram de Férias é bem marcado. As cenas de Mauro com os pais são
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marcadas muito pelo silêncio. Somente o essencial está empregado. Nada sobra", comenta a
atriz, que recentemente viveu Heloísa na novela América (2005), de Glória Peres; e a marcante
Maria Monforte da série Os Maias (2001), com direção de Luiz Fernando Carvalho. Entre as
participações recentes no cinema, Simone viveu a Alaíde de Vestido de Noiva (2004), de Jofre
Soares, a jovem órfã Oribela de Desmundo (2002), de Alain Fresnot; e a Ana de Lavoura
Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho.
Eduardo Moreira (Daniel)
“Eu também era uma criança durante a Copa de 70. Tinha só nove anos. Talvez por isso tive
uma empatia muito grande pelo roteiro de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. Fiquei
apaixonado pela história do Mauro. Eu me lembro de ter uma noção muito vaga do que era a
Ditadura. Eu morava no Rio e vi os padres do meu colégio, o St. Inácio, sendo presos. Ficamos
sem aula por um mês”, conta o ator Eduardo Moreira, que nasceu no Rio de Janeiro, mas mora
há 30 anos em Belo Horizonte, onde integra o Grupo Galpão de Teatro. “Esta época, apesar de
eu não ter a noção exata durante a infância, foi muito marcante. Eu brincava de fazer passeatas.
Lembro que meus pais não embarcaram na barca furada da guerrilha contra o governo militar,
mas eles tinham uma visão de esquerda. Na década de 70, vi meu irmão ser preso várias vezes,
pois ele pertencia ao movimento estudantil. Tudo isso me ajudou a ter muito carinho pela história
que o filme conta, a entender o que era aquele momento histórico”, completa Moreira que, no
cinema, já participou de Outras Histórias, de Pedro Bial; Rua da Amargura, de Rafael Conde; e
Balé da Utopia, de Marcelo Santiago. Para Moreira, um dos pontos fortes do filme é o equilíbrio.
“Nada é muito dramático, apesar dele tratar de temas fortíssimos como a Ditadura, a ausência
dos pais, a solidão de um garoto. Adorei trabalhar com o Cao (Hamburger). Apesar de ser uma
participação pequena, a figura do pai é muito forte e permeia todo o filme. O Daniel foi meu
primeiro papel de destaque no cinema”, conta o ator que recentemente também filmou Batismo
de Sangue, de Helvécio Ratton; e integra a equipe de Mutum, de Sandra Kogut.
Moreira começou sua carreira no teatro universitário na montagem de Murro em Ponta de Faca
(1979), no Teatro da UFMG. Mas foi como integrante do Grupo Galpão que realizou seus
trabalhos mais marcantes. Entre as montagens mais recentes que integrou, estão Romeu e
Julieta, dirigido por Gabriel Villela; A Rua da Amargura (14 passos lacrimosos sobre a vida de
Jesus), também com direção de Villela e peça pela qual foi indicado para Melhor Ator nos
prêmios Mambembe e Molière, em 1994. Em seguida, participou de Partido, de Cacá de
Carvalho; Um Trem Chamado Desejo, de Chico Pelúcio e O Inspetor Geral, dirigido por Paulo
José.
Na direção, os trabalhos mais recentes de Moreira são Primeira Comunhão (2004), de Fernando
Arrabal, Pic-nic no Front (2004), também de Fernando Arrabal, e O Casamento do Pequeno
Burguês (2006), de Bertolt Brecht. Atualmente, como ator, está em cartaz com Um Homem é um
homem, com direção de Paulo José.
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Liliana Castro (Irene)
“A Irene é um ícone para os meninos. Eles a adoram, babam por ela. Mas é tudo muito natural.
Ela não é o estereótipo da mulher fatal, nem fica fazendo tipo. Ela é uma mulher bonita, como
tantas outras, que as crianças costumam idealizar”, comenta a atriz Liliana Castro sobre sua
personagem em O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. “Irene é uma garota ousada para
sua época, mas não é o protótipo da garota rebelde. Ela trabalha no bar, namora o Edgard, que
é negro, ela adora viver, tem brilho. E tem doçura também. Acho que foi isso que me encantou
tanto na personagem”, completa a atriz de 27 anos que mora atualmente no Rio, nasceu no
Equador, viveu em vários países na infância, como Itália, Venezuela e Paraguai, mas se
considera mineira. “Por conta da profissão do meu pai, que é diplomata, sempre viajamos muito,
mas eu nunca perdi minha referência brasileira. E hoje fico feliz de poder atuar no meu País”,
conta ela, que começou a estudar teatro e dança ainda aos cinco anos de idade e atualmente
integra a Companhia Armazém de Teatro.
Quando fixou residência no Brasil, Liliana estreou no teatro profissional em As Fúrias, montagem
em que trabalhou com Antonio Abujamra, na década de 90. Em O Ano em que Meus Pais
Saíram de Férias, a atriz teve seu primeiro papel de destaque no cinema. “Fiquei muito feliz de
ter sido lembrada pelo Cao (Hamburger) durante os testes para o papel. E as filmagens foram
maravilhosas. Trabalhar neste filme me fez descobrir o que realmente gosto de fazer. Atuar ao
lado das crianças foi especial. Chorei quando acabou”, relembra ela, que atualmente cursa a
faculdade de cinema na PUC-Rio. “Meu objetivo é dirigir documentários. Filmar com a equipe do
Cao foi especialmente importante para mim, que aprendi muito tanto como atriz quanto como
profissional de cinema”. Neste ano, Liliana deve filmar Pode Crer, de Arthur Fontes.
Na TV, sua estréia foi em Ilha Rá-Tim-Bum (2002), no papel da libélula Polca. Liliana fez sua
estréia em novelas em Sabor da Paixão (2002). Em seguida, integrou o elenco de Da Cor do
Pecado (2004) e Alma Gêmea (2205). Atualmente, pode ser vista em Páginas da Vida, de
Manoel Carlos, e na peça Tudo é Permitido, montagem do Grupo Armazém.
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FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO - Cao Hamburger
PRODUÇÃO - Caio Gullane, Cao Hamburger e Fabiano Gullane
CO-PRODUÇÃO – Daniel Filho e Fernando Meirelles
HISTÓRIA ORIGINAL - Cao Hamburger e Cláudio Galperin
ROTEIRO - Cláudio Galperin, Bráulio Mantovani, Anna Muylaert e Cao Hamburger
FOTOGRAFIA - Adriano Goldman
DIREÇÃO DE ARTE - Cássio Amarante
MONTAGEM - Daniel Rezende
TRILHA SONORA - Beto Villares
COLABORAÇÃO NO ROTEIRO - Adriana Falcão
DRAMATURGIA – Chris Riera
FIGURINO – Cristina Camargo
MAQUIAGEM - Anna Van Steen
CENOGRAFIA – Fábio Goldfarb
SOM DIRETO – Romeu Quinto
DESENHO DE SOM – Alessandro Laroca
MIXAGEM – Armando Torres Jr.
PRODUÇÃO DE ELENCO - Patrícia Faria
PREPARACAO DE ELENCO - Laís Correa
COORDENAÇÃO DE PÓS PRODUÇÃO – Alessandra Casolari
COORDENAÇÃO DE LANÇAMENTO – Manuela Mandler
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO – André Montenegro
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PRODUÇÃO EXECUTIVA - Caio Gullane, Fabiano Gullane, Sônia Hamburger
PRODUTORES ASSOCIADOS – Débora Ivanov, Paulo Ribeiro e Patrick Siaretta
CO-PRODUÇÃO - Globo Filmes, Lereby, Teleimage e Locall
UMA PRODUÇÃO - Gullane Filmes, Caos Produções e Miravista
DISTRIBUIÇÃO: Buena Vista International
ELENCO
SHOLOMO - Germano Haiut
BIA - Simone Spoladore
ÍTALO - Caio Blat
DANIEL - Eduardo Moreira
IRENE - Liliana Castro
EDGAR – Rodrigo dos Santos
Participação especial - Paulo Autran como MÓTEL
Apresentando: Michel Joelsas como MAURO e Daniela Piepszyk como HANNA
PATROCÍNIO
Petrobras - “Este filme foi selecionado pelo Programa Petrobras Cultural”
MRS
BNDES
Programa de Fomento ao Cinema Paulista / Santander Banespa
RB1 Cinema / Funcine – BNDES, Rio Bravo e Aracruz
Credicard
Cinemark
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APOIO CULTURAL
Varig
3M
APOIO INSTITUCIONAL
Ministério da Cultura
Ancine
Lei do Audiovisual
Lei de Incentivo a Cultura
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Download

Gullane Filmes e Caos Produes apresentam