9 IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA ESCOLAS E COMUNIDADE DO ENTORNO DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO URBANA PARQUE MUNICIPAL GENTIL DINIZ – CONTAGEM/ MG Cristiane Trindade Teixeira1; Deborah Pires Duque Rodrigues1; Rachel Viana Ferreira1; Raquel Michelle Batista1; Samuel Aparecido Estevão1; Miguel Ângelo de Andrade2 1 Acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 2 Professor/Orientador da Disciplina Estágio de Bacharelado I do Curso de Ciências Biológicas RESUMO As unidades de conservação, sobretudo as urbanas, são territórios abertos para o desenvolvimento de ações educativas de toda ordem. São espaços, por excelência, que funcionam como laboratórios para o desenvolvimento de iniciativas socioambientais que favorecem, inclusive, práticas educativas. Os conceitos que este projeto analisa e propõe servem para a conservação do Parque Municipal Gentil Diniz, localizado no município de Contagem, no Estado de Minas Gerais. Como base para o desenvolvimento da educação ambiental foram utilizadas as metodologias do DIPUC (IEF/IBAMA, 2002), da Mobilização Social (TORO; WERNECK, 1996), da Trilha Interpretativa (IEF/IBAMA, 2002) e Percepção Ambiental (IEF, 2002). Os resultados a partir das atividades, conforme preconizadas nas metodologias, foram satisfatórias e de amplo alcance para o ensino formal em espaços públicos. O projeto contou com o público de 74 alunos de 13 a 15 anos. Dados da pesquisa mostraram que a maioria dos alunos aprovou as dinâmicas propostas. Ao final do projeto, sugere-se a reaplicação das metodologias em unidades de conservação urbanas, ressaltando a adaptabilidade das mesmas às diferentes realidades. Palavras-chave: Educação Ambiental; ecossistema urbano; comunidades; Unidade de Conservação. INTRODUÇÃO A interação homem x natureza, cada vez mais frágil, levou ao surgimento de conceitos de Educação Ambiental, como o de Loureiro apud Arruda (2002) que trata a Educação Ambiental como “uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 10 realidade de vida e a atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente”. Soluções rápidas e de âmbito global são utópicas, já que a mudança de atitude deve começar a partir de pequenas regiões, pequenos grupos, até se concretizar em atitudes abrangentes que possam totalizar e dispor de um novo modo de enfrentar as questões ambientais com mais vigor e seriedade. A Educação Ambiental não deve ser entendida como um tipo especial de educação. Trata-se de um processo longo e contínuo de aprendizagem de uma filosofia de trabalho participativo em que todos: família, escola e comunidade devem estar envolvidos. O processo de aprendizagem de que trata a Educação Ambiental não pode ficar restrito exclusivamente à transmissão de conhecimentos, à herança cultural do povo, às gerações mais novas ou a simples preocupação com a formulação integral do educando inserido em seu contexto social. Deve ser um processo de aprendizagem gradativo, contínuo e respeitador da cultura e da comunidade. Deve ser um processo crítico, criativo e político, com preocupação de transmitir conhecimentos a partir da discussão e avaliação crítica dos problemas comunitários e também de avaliação da realidade individual e social, nas comunidades em que se vive (GONÇALVES apud QUEIROZ, 2006). A Lei Federal n°. 9.985, de 18 de julho de 2000, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, estabelecendo critérios e normas para a criação, implantação e gestão das Unidades de Conservação. Essa legislação define Unidade de Conservação sendo ...espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção. As unidades de conservação são porções delimitadas do território nacional especialmente protegidas por lei, pois contém elementos naturais de importância ecológica ou ambiental. Também no Brasil, os parques nacionais e categorias similares são dotados de atributos naturais excepcionais, devendo possuir atração significativa para o público, oferecendo oportunidades de recreação e Educação Ambiental (DIEGUES, 2001, p.111-123). Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 11 Nesse sentido o projeto foi realizado no Parque Municipal Gentil Diniz, situado à Rua Maria do Carmo Diniz, n° 141, bairro Nossa Senhora do Carmo, no município de Contagem – Minas Gerais, Brasil (Figura 1). Em 20 de setembro de 1989, a área foi declarada de utilidade pública para fins de desapropriação e destinada ao uso coletivo da população, com a função de parque botânico, lazer e cultura. Em 5 de junho de 1991, o parque foi inaugurado e aberto à visitação pública. O Parque Municipal Gentil Diniz é uma área com extensão aproximada de 24.000m² e situada em setor central de Contagem. Constitui-se num plano inclinado, que oscila entre 15% a 20%, ressalvadas as encostas mais íngremes. A cobertura vegetal do parque é expressiva com arborização de porte em 80% do seu território, destacando-se jabuticabeiras, mangueiras centenárias, cagaiteiras, jambeiros, goiabeiras, vegetação nativa do Cerrado e algumas espécies em extinção, como o cedro, e espécies isoladas da Mata Atlântica. No centro do terreno salientamos a existência de uma edificação residencial, unifamiliar, provavelmente dos meados do século XIX, construção em pau-a-pique, estrutura autônoma de madeira. A cobertura em telhas recebe caimento em três águas, construção típica do período colonial. Após o processo de desapropriação, foi construído no parque um teatro de arena, instalação de brinquedos infantis e banheiros (SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE DE CONTAGEM, 1997). Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 12 Figura 1: Mapa do Parque Municipal Gentil Diniz Fonte: Elaborado por Wellison Brito – Laboratório de Documentação e Gestão Ambiental PUC Betim (15/09/2010) Hoje o parque encontra-se sem infra-estrutura adequada, necessitando de intervenção do governo municipal para as reformas dos banheiros, no Centro de Educação Ambiental e no Casarão do Século XIX. O alambrado que circunda o mesmo precisa ser restaurado. Também precisa de funcionários e vigias. Não existem programas de educação ambiental e percebemos uma debilidade e lentidão política para a solução de problemas. A implementação da Educação Ambiental no Parque Municipal Gentil Diniz – Contagem/MG para escolas e comunidade do entorno vem como uma iniciativa de promovê-la tendo a colaboração dos funcionários e de eventuais moradores do entorno. De acordo com a Lei n°. 9.795/99 (BRASIL,1999): Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 13 Art. 1° Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Art. 2° A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Art. 3° Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental. Art. 13° Entendem-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente. A necessidade de melhoria no planejamento, manejo e na geração de políticas capazes de tornar as cidades menos impactantes e mais agradáveis de se viver, conciliado ao desenvolvimento da conservação, com a decisiva participação das populações locais no processo de gestão é o que se propõe para o parque. METODOLOGIAS A Educação Ambiental através de um processo pedagógico participativo contínuo, procura despertar, no educando, uma consciência crítica sobre a problemática ambiental, compreendendo-se como crítica à capacidade de captar a gênese de problemas ambientais. Buscando uma melhor organização, estruturou-se o projeto em 4 fases: • Fase 1: DIPUC (Diagnóstico Participativo de Unidades de Conservação – IEF/IBAMA, 2002): é um método fundamentado no enfoque participativo, para analisar a realidade de Unidades de Conservação, por meio de um processo de aprendizagem Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 14 compartilhada, utilizando-se de instrumentos de comunicação e visualização, que facilitam a participação de funcionários e das populações de seu entorno, independente de sua formação escolar. Para tal, foram desenvolvidas as atividades: - “Teia da Vida”: através desta dinâmica foi trabalhado o entrosamento entre os funcionários , utilizando-se de um rolo de barbante que a medida em que ia passando de uma pessoa para outra, era feito um relato sobre um tema proposto; - Mapa da Unidade de Conservação: técnica que serve de base para outras etapas, usada como trabalho inicial porque é abrangente e exploratório. Foram utilizados materiais diversos para a representação da Unidade; - Diagrama de Relações: serve para identificar os diversos atores envolvidos com a Unidade de Conservação, analisando o grau de envolvimento de cada um. Trata-se de uma representação em círculos de papel de tamanhos diferentes. O grau de envolvimento é demonstrado pela distância entre os círculos. Subsidia estratégias de planejamento e gestão da Unidade de Conservação. - Diagrama de Fluxo: demonstra a percepção das pessoas sobre os processos que acontecem nas Unidades de Conservação, melhorando o entendimento sobre eles. Representar a Unidade de Conservação no centro do diagrama e pedir ao grupo que identifique, por meio de símbolos, a entrada e saída de informações, materiais, produtos, pessoas, etc. - Linha histórica: usada para resgatar a memória de fatos históricos importantes. Consiste em uma linha de barbante com folhas de papel coladas no barbante espaçadamente. Em cada folha registrou-se os fatos e acontecimentos relacionados ao parque em ordem cronológica. Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 15 • Fase 2: Mobilização Social (TORO; WERNECK, 1996): a mobilização surge como uma maneira de chamar as pessoas para, em coletividade, discutir, refletir, pensar, participar de ações que se voltem às definições ou mudanças dos aspectos coletivos. O autor define como estratégia de mobilização social a identificação e valorização dos atores deste processo. Os atores são, fundamentalmente: produtor social (responsável por viabilizar o movimento, por conduzir as negociações que vão lhe dar legitimidade política e social); reeditor (pessoa que tem público próprio, que é reconhecido socialmente, que tem a capacidade de negar, transformar, introduzir e criar sentidos frente a seu público, contribuindo para modificar suas formas de pensar, sentir e atuar) e editor (edita a mensagem e converte ao campo de atuação do reeditor para que ele possa usá-los segundo sua própria percepção). Assim, em visita a Paróquia de São Gonçalo, realizada no dia 23/04/2009, localizada na Praça Silviano Brandão, nº40, centro de Contagem-MG, identificamos como reeditor social o Pe. Paulo, que divulgou o parque em suas celebrações e no jornal da paróquia. Realizamos também a Blitz Ecológica no dia 25/04/2009, nas imediações da Paróquia de São Gonçalo. Abordamos 100 pessoas de forma aleatória, convidando-as a conhecer o parque. Cada pessoa recebeu envelope contendo sementes de girassol como forma de agradecimento pela atenção. • Fase 3: Trilha interpretativa (IEF/IBAMA, 2002): as trilhas oferecem aos visitantes a oportunidade de desfrutar de uma área de maneira tranqüila e alcançar maior familiaridade com o meio natural. Trilhas de curta distância apresentam caráter recreativo e educativo, com programação desenvolvida para interpretação do ambiente natural. A Trilha desenvolvida no parque teve por objetivo a sensibilização a respeito da conservação do Meio Ambiente, utilizando as espécies de animais e plantas existentes no parque. Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 16 A trilha teve início no teatro de arena com uma breve introdução sobre Educação Ambiental e preservação de Unidade de Conservação pelos estagiários e o biólogo do parque. Os 74 alunos procedentes da Escola Municipal Jésus Milton, da região metropolitana de Belo Horizonte, foram divididos em quatro turmas por cores. Duas turmas seguiram para a trilha acompanhadas por dois estagiários e o biólogo, enquanto as demais foram para outras atividades de percepção ambiental, fazendo assim um rodízio para que pudessem participar de todas as dinâmicas. • Fase 4: Percepção ambiental (IEF, 2002): constitui-se numa ótima oportunidade para que se iniciem ações efetivas de Educação Ambiental, ou seja, atitudes que possibilitem que a comunidade possa construir valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências para conservação de seus recursos naturais, de seus espaços construídos para melhoria de sua qualidade de vida. As dinâmicas empregadas foram: - Apreensão dos sons da natureza: consiste no silêncio do visitante para perceber os sons e na anotação de como estes foram apreendidos; - “Que bicho sou?”: atividade realizada em grupo, em que cada participante tem uma folha de papel pregada nas costas contendo o nome de um animal. A brincadeira está em tentar adivinhar, através de características ditas por outros, qual animal você é; - “Girando no cotidiano”: consiste em uma atividade trabalhada em grupo, em que todos se posicionam em círculo e, com a ajuda de um orientador e munidos de um bastão de madeira, tentam acompanhar os comandos recebidos; vence quem conseguir prestar atenção pelo maior tempo aos comandos; - “O palito e o balão”: trabalhada em grupo, consiste em ter um balão amarrado ao tornozelo e ao final da brincadeira vence quem conseguir permanecer com o balão cheio. Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 17 Ao final das atividades de percepção e trilha interpretativa os alunos receberam um questionário para a avaliação das atividades e satisfação com as mesmas. O referido constava de cinco perguntas sendo quatro abertas e uma de múltipla escolha. RESULTADOS E DISCUSSÃO Fase 1 - Diagrama de Relações (figura 2): Foram identificadas as principais parcerias que em conjunto com o parque possibilitaram a realização de diversas atividades como visitação pública, palestras, cursos, entre outros. Dentre elas podemos citar associações de bairro, escolas, comunidade do entorno, comércio e Centro de Zoonoses. Atualmente essas atividades estão paralisadas devido a suspensão das parcerias. As entidades que exercem influência direta e permanente são: ConParq (Fundação de Parques e Áreas Verdes de Contagem) e Secretaria de Meio Ambiente de Contagem. - Mapa da Unidade de Conservação : Com esta atividade identificamos os principais pontos citados pelos funcionários, que conhecem o espaço físico do parque (nascentes e principais pontos da trilha), bem como sua fauna (micos, esquilos, pica-pau, aranha etc.) e flora (jabuticabeiras, mangueiras, cedro etc.). - Diagrama de Fluxo: Com esta prática percebemos os principais agravantes com relação ao parque: lixo, vandalismo, rotatividade e falta de funcionários. Por outro lado há um notório fluxo de aspectos positivos, como: presença de autoridades, estudantes, pesquisadores e fotógrafos, que contribuem para a melhoria e divulgação do parque. Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 18 - Linha histórica: Com base nessa técnica foi possível conhecer toda a história do parque, desde o século XIX, quando o local era uma fazenda pertencente ao Sr. Gentil Diniz, até os dias atuais. - Teia da Vida (figura 3): Proporcionou maior interação e conhecimento entre funcionários e estagiários. Os funcionários gostaram de participar da atividade, pois para a maioria foi uma novidade prazerosa. Percebemos tratar-se de pessoas humildes, com histórias de vida em comum, que gostam de trabalhar no local. Foi um momento de grande importância no desenvolvimento do DIPUC, ao reconhecermos que o conhecimento científico não pode estar segregado do conhecimento não-científico. Figura 2: Diagrama de Relações Fonte: Raquel Michelle Figura 3: Teia da vida Fonte : Cristiane Teixeira Fase 2 O objetivo da Mobilização Social (figura 4) não foi alcançado satisfatoriamente devido as condições em que se encontra o parque. A Unidade de Conservação necessita de seguranças, mais funcionários e reforma para as instalações existentes como banheiros, Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 19 Centro de Educação Ambiental, Casarão do Século XIX e alambrado que circunda o parque. Esses fatores fazem com que o público alvo fique receoso de visitar a Unidade de Conservação, pois já têm em mente um local com aspectos de abandono público. Figura 4: Mobilização Social Fonte : Cristiane Teixeira Fase 3 O comportamento dos estudantes em ambientes naturais refletiu-se em grande dispersão, talvez devido à falta de orientação dos professores para a saída de campo; pela falta de interesse pelos assuntos abordados ou pela grande preocupação em registrar os momentos da visita ao parque com fotografias a todo tempo e ainda pela falta de experiência dos estagiários em desenvolver trabalhos com jovens. Destacamos também o curto tempo demandado para o percurso da trilha e o número de estudantes, em torno de 35 por percurso, resultando em dispersão de muitos. Em contrapartida ocorreram aspectos positivos como o interesse por parte de alguns alunos no conhecimento de espécies da fauna e da flora. Outros demonstraram preocupação com a presença de esgoto que desemboca no Córrego das Acácias que passa dentro do parque e a boa vontade de alguns grupos em participar da trilha. O gráfico 1 mostra a avaliação dos alunos a respeito da Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 20 trilha, constatando que 44 alunos consideraram a trilha excelente, 12 muito boa, 13 boa, 1 regular e 2 pessoas consideraram a trilha ruim. m To ta l Ru i Bo a Re gu la r 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Ex ce le nt e M ui to bo a Nº de alunos O que você achou da Trilha ? Gráfico 1: Avaliação da trilha ecológica Fonte: Dados da pesquisa Fase 4 Com a aplicação da metodologia de Percepção Ambiental constatou-se que a atividade “Que bicho sou?” (figura 5) foi a que menos agradou aos estudantes devido ao não entendimento ou falta de atenção durante a atividade (Gráfico 2). Os estudantes se mostraram apáticos como se tivessem ido ao parque por obrigação. Como a atividade abordava alguns animais da fauna da Mata Atlântica foram feitas perguntas sobre a existência desses animais no parque, o que demonstrou interesse por parte de poucos estudantes para com a atividade. N º d e alu n o s Qual atividade mais lhe agradou? 60 40 20 0 Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 Girando no Apreensão Que bicho Trilha O Palito e o Cotidiano dos sons sou? Balão 21 Figura 5: “Que bicho sou?” Fonte : Raquel Michelle Gráfico 2: Atividades de Percepção Ambiental Fonte : Dados da pesquisa Uma das atividades com grande aceitação pelos alunos foi “O Palito e o Balão” (gráfico 2 e figura 6). Este modelo de dinâmica visa analisar a interação do grupo, os aspectos de união e competição, além do estudo e percepção de lideranças. Algumas dessas ações foram observadas, mas, nem todas ao mesmo tempo. Ao final dessa atividade vários adolescentes queriam repeti-la ao perceberem o real motivo da dinâmica, que era o crescimento de todos sem prejuízo ao próximo. Algumas demonstrações de satisfação foram observadas e outras de desapontamento. Figura 6: “O Palito e o Balão” Fonte : Raquel Michelle Figura 7: “Girando no cotidiano” Fonte : Raquel Michelle Outra atividade que refletiu bons resultados foi “Girando no Cotidiano” (figura 7 e gráfico 2). Esta abordou o trabalho em grupo aliado a preservação da natureza. A maioria dos adolescentes aproveitou bem a dinâmica, pois todos participaram, refletiram e Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 22 entenderam o objetivo da mesma. Constatamos com o questionário que esta foi uma das atividades preferidas. A dinâmica “Apreensão dos sons” (figura 8), demonstrou a falta de percepção por parte dos alunos, pois a maioria não compreendeu o objetivo da dinâmica. Ficou evidenciado que os estudantes, em sua maior parte, não sabem diferenciar o apelo auditivo do visual. Não respeitavam o silêncio do outro que estava tentando desenvolver a atividade. Algo interessante que deve ser registrado foi a iniciativa de trabalhar em grupos adotadas por eles. Muitos conseguiram conceber a relação da presença de um parque em um ambiente urbano. A aceitação de todas as atividades de Percepção Ambiental foi satisfatória alcançando os objetivos propostos. Aproximadamente 47 alunos consideraram as atividades excelentes, 16 muito boas e 8 alunos consideraram boas, 1 regular, 1 ruim e 1 aluno sem resposta. Figura 8: “Apreensão dos sons” Fonte : Raquel Michelle CONSIDERAÇÕES FINAIS Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 23 Como o enfoque maior do trabalho foi qualitativo, é importante ressaltar o nível de comprometimento dos autores com as metodologias utilizadas, por serem, as mesmas cabíveis de resultados subjetivos. Esta questão deve ser levada em conta pois, para a reaplicação em diferentes realidades, os proponentes/executores devem estar afinados para não incorrerem em erros de avaliação do processo educativo, conforme se coloca neste projeto. A realização do DIPUC foi obtida com sucesso, havendo a participação de todos os funcionários e levando-os a conhecer melhor o parque e possibilitando maior aproximação entre eles. A Mobilização Social não gerou os resultados esperados para o período de realização do estágio, devendo ser encontrados outros meios de mobilização, como abertura do parque aos finais de semana, e, principalmente, segurança para concretizá-la. Considerando que a mobilização não foi satisfatória, sugere-se que para as premissas de Toro e Werneck (1996), o processo seja mais intenso e contínuo. A realização das dinâmicas foi satisfatória, de acordo com os resultados obtidos através da aplicação dos questionários aos alunos, após a realização das mesmas. Fazendo a análise desses questionários observou-se que a maior parte dos alunos demonstrou satisfação com as atividades “O palito e o balão” e “Girando no cotidiano”. Contudo, é um projeto plenamente reaplicável a parques urbanos, tomando maior cuidado em relação a adaptabilidade das atividades. Sugere-se, para ampliar a eficiência no processo das interpretações ambientais, momentos preparatórios, sobretudo para o público escolar. Por fim, o que pode ser ajustado é a questão de aumentar o tempo de todas as atividades em especial a trilha e melhorar ou substituir as dinâmicas com pouca aceitação. Revista Sinapse Ambiental V7 N2 –Dezembro de 2010 24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARRUDA, Ricardo S.V. “Populações tradicionais” e a proteção dos recursos naturais em unidades de conservação. In: DIEGUES, Antônio Carlos (Org.) Etnoconservação: novos rumos para a proteção da natureza nos trópicos. 2.ed. São Paulo: Hucitec, 2002. Cap.14, p.273-290. BRASIL. Lei 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a Educação Ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 28 de abr. 1999. BRASIL. Lei 9.985, de 18 de julho de 2000. Estabelece o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC. Diário Oficial da União, Brasília, 19 de jul. 2000. CONTAGEM. Secretaria de Meio Ambiente. Divisão de Educação Ambiental. 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