LOGÍSTICA REVERSA
Vantagem Competitiva e Econômica
Benedito Inácio De OLIVEIRA1 - RGM 072928
Kelly Cristina PUJOL1 - RGM 051865
Maria José Da SILVA1- RGM 037410
Pamela Thais Mendes De MORAES1 - RGM 073094
Tarciso Guilherme GUILGE1 - RGM 072829
Renato Francisco Saldanha SILVA2
Elcio Aloísio FRAGOSO3
Resumo
A Logística Reversa surgiu como um conceito de remanejamento de materiais e resíduos, cujo
um dos principais objetivos é o recolhimento e a recolocação dos mesmos nos canais de
distribuição, podendo assim promover ganhos econômicos consideráveis, menos desgastes
ambientais e agregar maior valor ao produto. A eficiência em relação ao combate á
desperdícios que esse conceito pode trazer eleva significativamente a lucratividade para as
empresas que desejam longevidade. A escolha do tema foi motivada pela necessidade em
explanar a logística reversa como o oxigênio para as empresas de todos os portes e como ela
ofertará campo de grande atuação profissional aos que dominarem esse assunto.
Palavras-chave: logística reversa. Eficiência. Competitividade. Lucratividade. Longevidade.
Introdução
A crescente demanda, especialmente por bens de consumo, passou a ser responsável
pelo lançamento anual de milhares de toneladas de resíduos no meio ambiente, que vão de
embalagens plásticas de produtos de uso doméstico à fuselagens sucateadas de antigos aviões
de passageiros. Mas que fazer com esse material após o seu descarte? A logística reversa
(conhecida também como reversível ou inversa) tem como objetivo a recuperação ou
deposição em local seguro de produtos, embalagens, materiais, entre outros, desde o ponto de
consumo até o local de origem. Essa nuance da logística abrange fatores econômicos, uma vez
que os serviços de devolução ou reparo passam a ser um fator competitivo em termos de
qualidade, eficiência e baixo custo nos serviços de pós-venda e, especialmente, a
responsabilidade ambiental e questões de sustentabilidade, em detrimento a utilização
desenfreada de recursos naturais e a falta de um cuidado especial com resíduos que
atualmente são políticas tão importantes para a sociedade e interessantes para os objetivos de
marketing da empresa.
1
Formandos do curso de Administração do CEUNSP (ano de conclusão 2012).
2
Professor do CEUNSP; Especialista em Administração.
3Professor do CEUNSP; Especialista em Administração
2
Embora por muito tempo não fosse tratada ou denominada como tal, já existiam
processos de logística reversa, como por exemplo, o retorno de garrafas (vasilhame). No final
dos anos 80, o inicio de estudos mais aprofundados tornou possível a sistematização dos
processos inerentes à logística reversa, tal como ela é nos dias atuais.
“Já no ano de 2003, mais de 80% dos operadores logísticos atuantes no Brasil
ofereciam o serviço de logística reversa, revelando crescimento acentuado de
interesse, diferente entre setores em razão dos diversos níveis de impacto causados
pelo retorno de produtos e materiais ao ciclo de negocio e produtivo” (Leite, 2009,
p.16).
Nos países mais desenvolvidos e com maior qualidade de vida existe o maior numero de
pessoas e organizações conscientes ante as questões ambientais, colaborando na separação e
recolha de diferentes tipos de resíduos domésticos e industriais, que em grande parte podem
ser reciclados ou reaproveitados, ou a sua matéria prima reutilizada em novos produtos e
retornar a cadeia de distribuição. Nos EUA, a logística reversa já representa 0,5% do produto
interno bruto.
Em Portugal, existem cada vez mais empresas especializadas em gestão de resíduos,
realizando a recolha, transporte, separação e deposição no local próprio, e algumas delas,
executando a reciclagem do próprio material. Isso se deve à conscientização dos empresários
em tornar a empresa ambientalmente adequada e denota uma visão de longo prazo por parte
deles, que ao observarem tendências sociais de consumo, leva-os a criar processos que traga
bons resultados financeiros, pois o consumidor geralmente busca por marcas ambientalmente
corretas.
No entanto, essa característica ainda é um privilégio da minoria entre o empresariado
brasileiro, pois além de não haver uma legislação federal que obrigue os fabricantes a
receberem seus produtos de volta ao final de suas vidas úteis, esse tipo de atividade, em sua
implantação, costuma ser cara e nem mesmo as próprias empresas costumam mapear o custo.
Embora o cenário nacional ofereça frequentemente a alternativa de cooperativas, que
tanto podem comprar os resíduos dessas empresas como recolher os materiais que já
chegaram ao fim de sua vida útil, essa ainda depende da boa vontade do consumidor em fazer
a devida separação, o que reforça a tese de que, a oportunidade de recuperação está também
diante de quem produz, e não apenas de quem consome.
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Conceito de logística reversa
Antes de entrarmos nesse assunto, precisamos entender que, nas últimas décadas,
houve um enorme crescimento de modelos diferentes, em uma única categoria de produtos,
nos mais diversos seguimentos de mercado. Esse crescimento atendeu as diversas
expectativas do mercado mundial por produtos cada vez mais diversificados, especialmente os
que atendessem às particularidades de cada organização. Produtos e modelos que atendessem
os mais diferentes seguimentos de clientes, em uma variedade de aspectos: cores, tamanhos,
capacidades e propriedades específicas, tecnologia agregada, além de aspectos ainda mais
íntimos como sexo, idade, etnia, tamanho e tipo de embalagens, etc.
De acordo com leite (2009), com a constante oferta de novos produtos e a respectiva
necessidade de aquisição por parte do mercado, houve uma nítida redução no tempo de vida
mercadológico e útil dos produtos anteriormente produzidos. Essa substituição vem em
consequência de projetos mais sofisticados, concepção de único uso, pelo uso de materiais de
pouca durabilidade, inviabilidade técnica e econômica de conserto, etc.
Como reflexo dessa expansão e substituição contínua, há quantidades maiores de
produtos retornando ao ciclo de negócio na busca pela recuperação de valor, esses ainda
novos, com pouco uso, já consumidos, com defeitos ou dentro da garantia, obsoletos ou com
validade vencida. Produtos no fim de sua vida útil, em condições de reutilização ou
aproveitamento de sua matéria prima e resíduos industriais, que não mais despertando
interesse ao primeiro proprietário, retornam ao ciclo de negócio ou produtivo com objetivos
idênticos, porém por caminhos diferentes.
Com o advento da globalização e da alta competitividade, as organizações
reconheceram a necessidade em atender a uma variedade de interesses sociais, ambientais e
governamentais, e garantir seus negócios e sua lucratividade ao longo do tempo. Contudo,
satisfazer acionistas, clientes, fornecedores, funcionários, comunidade local, governo, enfim,
seus stakeholders, que avaliam a empresa sob diferentes perspectivas, seria praticamente
impossível ignorando os reflexos negativos que o retorno de crescentes quantidades de
produtos de pós-venda e de pós-consumo poderiam causar nas operações empresariais (e
consequentemente na rentabilidade), e a saturação dos sistemas tradicionais de disposição
final (aterros sanitários, ferro-velho, etc.), o que pode provocar poluição por contaminação ou
por excesso.
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Prosseguindo com os estudos de leite, legislações ambientais passaram a
responsabilizar cada vez mais as empresas pelo correto equacionamento dos fluxos reversos
de seus produtos de pós-consumo. Para muitas, isso representa apenas maiores níveis de
custo. Para outras, apesar dos custos inerentes, uma excelente oportunidade para o marketing
da organização, pois essas ações valorizam a imagem da empresa como cidadã e consciente
da responsabilidade socioambiental diante da comunidade.
Os primeiros estudos sobre logística reversa se encontram nas décadas de 1970 e 1980,
(embora muitas práticas empresariais que podem ser entendidas como logística reversa já
existissem a muito tempo, inclusive no brasil, como o retorno de garrafas de cerveja). Na
época, o foco principal era relacionado ao retorno de bens a serem processados em reciclagem
de materiais, denominados como canais de distribuição reversos.
O tema ganhou uma melhor distinção no cenário empresarial a partir da década de
1990. Como consequência do crescimento de volumes que passaram a integrar o mercado,
pelos motivos já citados, houve uma maior difusão das principais ideias e um estudo mais
aprofundado por parte dos agentes das cadeias de suprimentos sobre as possibilidades
estratégicas e oportunidades empresariais através da aplicação da logística reversa, o que
possibilitou importantes avanços nessa área e fez com que ela ganhasse um maior espaço nos
hábitos empresariais brasileiros.
Mas afinal, qual o conceito geral de logística reversa?
Levando em consideração o parecer de alguns autores como a council
of logistics management (1993, p.323), stock, rogers (1998, p.20) e tibben-lembke (1999,
p.2), e sintetizando os principais tópicos que ajudam a definir melhor as características
principais dessa variante da logística, podemos dizer que:
A logística reversa é um amplo termo que relaciona entre si as atividades contidas nos
processos de planejamento, implementação, direcionamento e controle da eficiência e do
custo efetivo do fluxo inverso de matérias primas, estoques em processo, produtos acabados,
produtos em fim de sua vida mercadológica e útil, sucatas, embalagens e resíduos. O tema
engloba também o gerenciamento de produtos retornados para reforma ou reparação (pósvendas), devolução, substituição de materiais, remanufatura, reciclagem, reuso de materiais,
movimentação e disposição e informações correspondentes do ponto de consumo ao ponto de
origem.
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O objetivo dessas atividades é a recaptura de valores ainda agregados a esses itens,
efetivo atendimento do pós-vendas, redução de consumo e a destinação final adequada dos
itens “pós-consumo”.
Logística reversa é um processo de planejamento, implementação e controle,
eficiente e á um custo eficaz, do fluxo de matérias primas, estoques em
processamento e produtos acabados, assim como do fluxo de informação,
desde o ponto de consumo até ao ponto de origem, com o objetivo de
recuperar valor ou realizar um descarte final adequado (barbieri; dias, 2002
p.32).
Objetivos da logística reversa
Segundo Leite, a logística reversa tem por objetivo todas as operações relacionadas
com a reutilização de produtos e materiais, incorporados em todas as atividades logísticas
como coletar, desmontar e processar produtos ou materiais e peças usadas a fim de assegurar
uma recuperação sustentável. Foi historicamente associada com as atividades de reciclagem
de produtos e aspectos ambientais, passando a ter importância nas empresas devido á pressão
exercida pelos Stakeholders relacionadas às questões ambientais na cadeia de suprimentos.
(Kopicki; Berg; Legg,1993; Kroon, Vrijens 1995; Stock, 1992; Hu; Sheu; Haung, 2002).
Segundo Christopher (1999), a decisão pelo gerenciamento de fluxos reversos amplia ainda
mais as oportunidades de acréscimo de valor de diferentes naturezas que a atividade logística
pode agregar ao bem.
A logística reversa apresenta diversas definições, que ao longo dos tempos foram
evoluindo e se encaixando nas organizações. Seu principal objetivo é o de atender os
princípios de sustentabilidade ambiental, a partir da conscientização das empresas, no
momento da compra da matéria prima, durante o processo produtivo, até a distribuição final
da mercadoria. Também tem o objetivo de reduzir a poluição e insumos que degradem o
meio ambiente, adotando produtos e procedimentos que auxiliem esse processo.
“Logística reversa é um amplo termo relacionado ás habilidades e atividades
envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e disposição de
resíduo de produtos, embalagens e prestação de serviços” (CLM, 1993: 323,
Apud: Leite, 2003).
As empresas, de alguma forma, estão se adequando a estes procedimentos e se
adequando involuntariamente aos 3R´s (Redução, Reutilização e Reciclagem), com a
finalidade de maximizar o aproveitamento do material utilizado como um todo, tanto na
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utilização das sobras quanto nos produtos refugados, reaproveitando-os e evitando os
desperdícios e danos ao meio ambiente, abrindo assim subsídios para o atendimento do
mercado com menores custos. Hoje os produtos estão sendo diferenciados pela qualidade,
benefícios e satisfação nos produtos ecológicos.
Planejamento, implementação e controle.
Partindo sempre do pressuposto de que a Logística Reversa deve ser introduzida em
um meio para trazer benefícios à organização e a sociedade, sem desprezar os objetivos
econômicos, as empresas devem estabelecer clareza em suas implantações e ao que almejam
nas mudanças em médio prazo.
Normalmente é o profissional do gerenciamento da cadeia de suprimentos - Supply
Chain Management (SCM) - quem cria as estratégias, devendo contar sempre com o
comprometimento e apoio da alta direção e com a participação direta de colaboradores de
áreas chaves como financeira, comercial e estoque, pois todas as ações deverão ser planejadas
e executadas entre as áreas que farão parte de uma estrutura sistêmica e integrada relacionadas
á logística direta e reversa.
PRM – Administração da Recuperação de Produtos
De acordo com Sergio Lopes de Souza Junior, especialista em projetos EPC e
automação de projetos de engenharia em 16/10/2009, no portaldomarketing.com.br, a
Administração da Recuperação de Produtos - Product Recovery Management (PRM) - é o
gerenciamento das operações que compõem o fluxo reverso. Seu objetivo é a recuperação,
tanto quanto possível, de valor econômico e ecológico dos produtos, componentes e materiais,
sendo algumas de suas atividades parcialmente similares às que ocorrem no processo de
devoluções internas de itens defeituosos, devido a processos de produção não confiáveis. O
sistema de logística reversa deverá ser desenhado de acordo com as opções de PRM escolhida
por cada empresa.
“O gerenciamento de todos os produtos, componentes e materiais usados e
descartados pelos quais uma empresa fabricante é responsável legalmente,
contratualmente ou por qualquer outra maneira” (Thierry et al, APUD
Krikke: 1998, p.9).
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A PRM lida com uma série de problemas administrativos, entre os quais se encontra a
logística reversa. As seis áreas principais do PRM são: (Thierry et al., APUD Krikke: 1998,
pp. 11-20).
Tecnologia: nesta área estão incluídos desenho do produto, tecnologia de recuperação
e adaptação de processos primários.
Marketing: diz respeito à criação de boas condições de mercado para quem está
descartando o produto e para os mercados secundários.
Informação: Diz respeito à previsão de oferta e demanda, assim como à adaptação dos
sistemas de informação nas empresas.
Organização: distribui as tarefas operacionais aos vários membros de acordo com sua
posição na cadeia de suprimentos e estratégias de negócios.
Finanças: Inclui o financiamento das atividades da cadeia e a avaliação dos fluxos de
retorno.
Logística Reversa e Administração de Operações: este é o foco do trabalho e será
aprofundado no decorrer do desenvolvimento.
Segundo Krikke (1998, pp. 33-35) os produtos retornados podem ser recuperados em
quatro níveis: nível de produto, módulo, partes e material, se tratando o último da reciclagem
propriamente dita.
Por fim, um estudo aprofundado de todo o contexto econômico inerente ao tipo de
indústria e ramo de negócios se faz necessário para a elaboração de uma projeção de cenários
possíveis, essencial para o planejamento estratégico de médio e longo prazo, além do impacto
econômico esperado e seus resultados.
Avaliar o aspecto econômico de uma cadeia reversa torna-se às vezes um
processo difícil. Isso irá depender das quantidades retornadas ao ciclo
produtivo através da cadeia reversa e das quantidades que são produzidas na
cadeia produtiva direta (LEITE, 2003, p. 108).
Implementação
Primeiramente, buscar as parcerias necessárias, como operadores logísticos
especializados, empresas de correios, fornecedores e clientes, através de contratos escritos ou
mesmo verbalmente, dependendo da complexidade das negociações, sem descartar a
necessidade de se utilizar os serviços de um consultor em logística ou mesmo do apoio do
Conselho de Logística Reversa do Brasil (CLRB).
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Como esse projeto implica em muitas iniciativas e mudanças organizacionais
essenciais para a implementação e efetividade do processo de logística reversa na companhia,
o gestor poderá se deparar com algumas barreiras e resistências, sejam econômicas, culturais,
operacionais, etc. Nessa fase, será necessário muito incentivo e integração, e uma especial
atenção á criticas e sugestões de todos, o que poderá torna-los fortes aliados.
Segundo (Chouinard et al., 2004, p. 107), para adequar e integrar as atividades de
logística reversa com as atividades primárias, as organizações precisam se estruturar e
organizar-se, passando pelas seguintes etapas.
Análise de possibilidades de mercado para recuperação de produtos:
a) Políticas de retorno para controlar os fluxos reversos de material;
b) Fechar ou abrir o canal reverso;
c) Processos alternativos de recuperação de paletes;
Examinar a necessidade de uma rede de logística reversa:
d) Definir um critério de desempenho da rede;
Determinar o grau de integração da logística reversa com a cadeia de suprimentos
regular:
e) Rede de logística reversa dedicada ou integrada;
f) Rede centralizada ou descentralizada;
g) Número de níveis das redes;
h) Recursos dedicados ou recursos comuns à cadeia de suprimentos regular;
i) Definir processos operacionais;
j) Definir necessidade de informação;
k) Estabelecer um desenvolvimento contínuo do canal de logística reversa.
De
acordo
com
o
artigo
publicado
no
site
http://pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/ebook/2008/CONGRESSOS/Nacionais/2008%20%20enegep/8.pdf, os clientes de atacado e varejo são o elo final da cadeia reversa, e passam a
ser estratégicos no sentido de promover a eficiência da cadeia reversa de retorno de itens pósconsumo, o que traz a necessidade de se envolver no projeto o departamento comercial, para
que esse mostre aos parceiros a necessidade e a importância dessa operação, considerando
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ainda estabelecer através de contrato, a recaptura de valor desses ativos acarretando maior
flexibilidade e ganhos nessa cadeia, tanto para o fornecedor que obtêm redução de seus custos
na recuperação desses ativos e para o cliente que terá frequentemente disponibilidade de área
em suas lojas.
O mesmo artigo acima demonstra que a gestão eficiente do fluxo somente é possível
em função de outros fatores importantes:
a) Estruturar um centro consolidador de retorno: A criação dessa estrutura acarreta
inúmeras vantagens operacionais, com o objetivo de concentrar todo o gerenciamento de
movimentação, triagem, conserto, seleção e distribuição. Para (Arima et. al, 2003, p. 6)
estabelecer um centro consolidador de retorno traz inúmeras vantagens operacionais, como a
concentração dos seus recursos operacionais e técnicos, que irão separar e identificar os
materiais com melhor qualidade, destinando aos locais, tornando o processo visível e
gerencial.
b) Mapear e padronizar os processos: Atividade mandatória relacionada ao desenho de
todos os fluxos, definindo itens de controle, ciclos e tempos de execução e treinamento de
todos os envolvidos.
c) Planejar a malha logística de transporte: Estudo, mapeamento e padronização de
toda a malha logística, para atender o fluxo de retorno de itens pós-consumo ao centro
consolidador de retorno. A vantagem principal são os ganhos com consolidação de fretes e
maior aproveitamento de veículos da frota de transportadores.
d) Sistemas de Informação: Nem todos os que fazem parte da cadeia de logística
reversa tem acesso ao sistema de gestão da companhia. Os sistemas integrados de gestão
acabam não sendo customizados para atendimento do fluxo de logística reversa, mas o
princípio de um sistema de informação para (Arima et al, 2003, p. 6) é ser flexível e absorver
de forma lógica as exceções do processo, fazendo a interface com vários participantes,
enviando e recebendo informações fundamentais. De acordo com (Richey et al, 2005, p.831)
para obter uma logística reversa otimizada, eficiente e efetiva, com sistemas de informações e
gerenciamento dos dados têm que ser redesenhados ou expandidos para compreender os
retornos.
Controle
Assim como em qualquer área, os trabalhos devem ter acompanhamento em seu
desenvolvimento. Especialmente no começo, os processos de logística reversa representarão
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um destino de investimentos sem retornos garantidos, onde o objetivo de redução de custos
será ainda mais alcançado dentro de alguns meses ou anos, por isso, o monitoramento dos
recursos investidos e de todas as etapas operacionais se faz tão importante como provedor de
um futuro de êxito no projeto. Sondar fatores externos como índices inflacionários, cotação de
preços de materiais, tendências, legislação ambiental, novos fornecedores e clientes, enfim,
todos os ofensores e catalisadores do mercado são de suma importância para reduzir riscos e
cada vez mais encontrar oportunidades de melhorias dentro dos canais reversos para a
empresa.
Do ponto de vista operacional, Resende (2006) afirma que uma boa gestão dos
processos requer a mensuração dos processos inerentes à prestação de serviços, para que seja
possível identificar os desvios e as melhorias necessárias. Taylor (2005) propõe o uso de um
conjunto de medidas de monitoramento do desempenho como estratégia de otimização das
operações. Ballou (1995) defende a ideia das atividades logísticas como sendo um processo
contínuo do colaborador como monitor e provedor das informações sobre o desempenho das
atividades logísticas.
Ponto de vista econômico
De acordo com os estudos de LEITE (2009), no âmbito das operações industriais, a
logística reversa de pós-consumo tem o papel fundamental de reintegrar ao ciclo produtivo
matérias primas e componentes secundários provenientes dos canais reversos de
remanufatura, reciclagem ou de revalorizações mercadológicas. Devido aos seus preços muito
menores em relação aos de primeira linha ou novos, esses materiais oferecem oportunidades
de reduções nos custos, consumo de insumos energéticos e nos investimentos necessários às
operações que envolvem materiais secundários. Se empregado com o devido planejamento, o
investimento consequentemente trará a rentabilidade satisfatória pode ser conferida aos
agentes comerciais e industriais em todas as etapas dos canais reversos.
Podemos, assim, entender que o objetivo econômico da logística reversa é a
comercialização de um produto usado, em suas plenas condições de utilização pelo futuro
comprador, e a revalorização do produto ou componente que ofereça condições tecnológicas
de remanufatura.
O objetivo estratégico econômico da implementação da logística reversa está na
economia observada entre o valor produzido com matérias primas primárias e secundárias, e
valor do produto de pós-consumo.
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O interesse econômico e o equilíbrio entre as partes
Segundo LEITE (2009, p. 103), a cadeia logística de suprimentos, tanto direta quanto
reversa, é constituída por elos, ou seja, fornecedores, produtores, cooperativas, distribuidores,
operadores logísticos, consumidores, etc. Esses, como já vimos, buscam (e precisam) obter
uma rentabilidade satisfatória em retorno à sua respectiva função dentro da cadeia de
suprimentos, sendo no caso dos agentes da cadeia inversa, constituída pela coleta de pósconsumo, processamentos diversos de agrupamento e separação, reciclagem ou remanufatura
industrial e reintegração ao ciclo produtivo ou de negócios por meio de um produto aceito
pelo mercado.
Porém, os objetivos econômicos devem ser sempre alcançados por todos os agentes da
cadeia reversa para que exista, além da motivação e interesse por estes em se manter no
negócio, o fluxo financeiro correspondente aos esforços e custos inerentes ao processo e aos
valores agregados aos produtos a serem reaproveitados, para que esses possam manter a
continuidade de suas funções.
Resumindo a colocação de LEITE (2009 p.103), a falta da rentabilidade esperada
geralmente resulta em uma característica estrutural negativa para o mercado de produtos de
pós-consumo. Quando um desses elos se vê obrigado a tomar a decisão de interromper ou
abandonar suas atividades por falta de recursos financeiros, a dinâmica da cadeia é quebrada,
ou seja, o fluxo inverso até então existente fica prejudicado, desfalcado pela ausência desse
agente. O resultado é o desequilíbrio entre os fluxos diretos e reversos na oferta e demanda
dos produtos de pós-consumo, prejudicando assim todos os outros agentes da cadeia.
CLM (1993) afirma que, devido á própria natureza do mercado, muitos canais reversos
se desenvolveram sem mesmo a necessidade de uma legislação ou fatores ecológicos e sociais
que o motivassem a tal processo. A consolidação desses mercados de fluxo reverso, já
existentes há muito tempo em muitos países, se deu às condições essenciais para a consecução
e o desenvolvimento, e os efetivos ganhos proporcionais aos agentes envolvidos. São os
casos, por exemplo, dos metais ferrosos e não ferrosos, papeis, lubrificantes automotivos,
entre outros.
Em contrapartida, é fácil perceber a existência de uma concorrência entre melhores
produtos de pós-consumo, centros de interesse e estruturação da cadeia reversa de seu setor e
provedores dos melhores resultados financeiros pela quantidade disponível, custo do processo
de reaproveitamento, ou pelo seu valor comercial praticado.
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A história e as pesquisas em diversos países demonstram que os canais de
distribuição reversos se organizam e se estruturam, apresentando relação
eficiente e equilibrada entre o fluxo reverso de materiais e produtos e a
disponibilidade de bens de pós-consumo correspondentes, pelo fato de seus
agentes da cadeia reversa encontrarem, nas diversas etapas, resultados
financeiros compatíveis com suas necessidades, empresas ou trabalhadores
isolados. (Penman e Stock, 1995).
LEITE (2009) também aponta as características conjunturais de mercado como sendo
responsáveis pela interrupção ou modificação do fluxo reverso dos materiais reciclados ou
produtos a serem reaproveitados. Os fatores que provocam essas alterações geralmente são a
escassez temporária de resíduos industriais ou de produtos a serem reaproveitados, mercados
concorrenciais, redução de demanda, entre outros, referentes ao mercado em questão.
Neste trecho, com base nos estudos de LEITE (2009, p.104, 105 e 107), veremos os
papeis fundamentais das cadeias reversas de remanufatura, reciclagem e reuso (tópicos 2.4.2,
2.4.3 e 2.4.4), e suas respectivas funções como um agente de reaproveitamento de materiais
de pós-consumo.
Os canais reversos de remanufatura
As cadeias reversas de remanufatura de pós-consumo já existem há muito tempo e tem
hoje um papel fundamental, visto pela grande maioria das empresas como uma oportunidade
de grande economia e rentabilidade no processo produtivo e na montagem ou fabricação do
produto final. Seu objetivo no canal reverso é reintroduzir parte de um produto - denominado
de “core” ou “carcaça”, como motores elétricos em geral, e cartuchos de impressoras - na
linha produtiva industrial, em substituição a componentes novos, mantendo as mesmas
características físicas, tecnológicas, qualitativas e funcionais de um produto inteiramente
novo. Mesmo as partes que não são inteiramente aproveitadas podem ser recicladas e, muitas
vezes, se tornam elementos acrescidos ao mesmo produto remanufaturado, reduzindo lhe
ainda mais o custo e tornando seu preço mais competitivo, o que explica os altos retornos
financeiros e a grande quantidade de produtos e componentes em transação.
Os canais reversos de reciclagem
O objetivo dos canais reversos de reciclagem é reintegrar os materiais constituintes de
produtos de pós-consumo, como sucata de ferro e plásticos, como substitutos de matérias
primas primárias na fabricação de outras matérias primas, ou na fabricação de outros
produtos, como plástico na indústria de plásticos. Porém, como já citamos, para que esses
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canais possam existir, se desenvolver e trabalhar na melhor sincronia possível, é necessária a
viabilidade econômica e o interesse comercial em sua utilização por todos os membros da
cadeia.
Para atender á esse requisito, exceto em condições extraordinárias de mercado, o preço
do material reciclado deve ser sempre menor em relação ao da matéria-prima que substitui.
Paralelamente, o material de pós-consumo tem seu preço regulado pelo próprio mercado, de
acordo com as variações de preço da matéria-prima primária.
Uma das principais questões é a da reciclagem dos resíduos sólidos. O
mundo possui sofisticados canais para matérias primas e produtos acabados,
porém deu-se pouca atenção para a reutilização destes materiais de
produção. É geralmente mais barato usar matérias primas virgens do que
material reciclado, em parte pelo pouco desenvolvimento dos canais de
retorno, que ainda são menos eficientes do que os canais de distribuição de
produtos. (BALLOU, 1993. P.348).
O mecanismo econômico do mercado na formação de preços
O preço do material reciclado – considerando as variações e particularidades de cada
canal de distribuição reverso - é formado pela soma dos custos (incluindo eventuais subsídios
ou tributos), e dos lucros respectivos dos agentes em cada etapa do canal reverso. Essa soma
começa desde a aquisição do produto ou componente de pós-consumo pelo primeiro
proprietário e segue até a sua reintegração ao ciclo produtivo, conforme a demonstração
básica do esquema abaixo que exemplifica funcionamento das transações entre comprador e
vendedor e os respectivos diferenciais de custos e lucros.
Etapa de coleta
Custo de coleta (Cc) = Custo de posse (Cp) + custo de beneficiamento inicial (Cb)
Preço de venda ao sucateiro = Cc + lucro do coletor (Lc)
Etapa do sucateiro
Custo para o sucateiro = Cc +LC + custo p róprio (Cs)
Preço de venda do sucateiro = Cc + Lc + Cs + Lucro do sucateiro (Ls)
Etapa de reciclagem
Custo do reciclador = Cc + Lc+ Cs+Ls+custo próprio (Cr)
Preço de venda do reciclador = Cc+LC+Cs+Ls+Cr+lucro do reciclador (Lr)
FONTE: Adaptado do livro “Logística Reversa” – 2º Edição, Paulo Roberto Leite,
2009, p. 104.
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Os canais reversos de reuso
A implementação da logística reversa, nesse contexto, surge a partir da percepção da
viabilidade econômica e o diferencial de preços obtidos no mercado secundário,
considerando, em cada caso, a existência de outros fatores importantes e suas variações aos
efetivos resultados econômicos.
Podemos exemplificar o comércio de itens de segunda mão como sendo o de veículos,
máquinas, ferramentas industriais, componentes eletrônicos de diversos tipos, entre outros,
bem como a reutilização (ou o retorno ao centro produtivo) de embalagens e vasilhames.
Assim, com essas três explanações resumidas a partir da obra de LEITE (2009), é
possível entender que o crescimento, organização e estruturação dos canais de distribuição
reversos de pós-consumo surgem a partir da procura e pelo interesse comercial dos agentes da
cadeia reversa por esses itens.
Logística Reversa e suas vantagens
Devido ao dinamismo do cenário global, manter a competitividade está cada vez mais
complicado. É preciso encontrar os diferenciais para manter a liderança do mercado ou
permanecer entre os primeiros, seja qual for a necessidade. Trata-se de uma tarefa cada vez
mais difícil, e neste contexto a logística reversa vem agregando vantagens para as
organizações, pois não basta encontrar vantagens competitivas, é preciso sustentar as
vantagens encontradas. A cadeia reversa é uma tendência inevitável, cabe a cada um difundir
essa cultura a favor dos beneficio estratégicos e econômicos.
Segundo LEITE (2009, p.21), atualmente as preocupações relativas ao tree bottom line
(figura abaixo) tem mudado suas realidades no sentindo de que as preocupações relativas à
responsabilidade empresarial e ética ambiental e social sejam o alicerce necessário para a
garantia da sustentabilidade econômica.
O processo de planejamento e implementação deve ser bem entendido, pois o seu fluxo
é inverso ao da logística direta. Trata-se do reaproveitamento de matéria prima na cadeia de
produção, como descarte dentro da empresa, reaproveitando as rebarbas para produzir outros
itens, retornos de produtos de pós-consumo permitindo realocação, reciclagem, reuso e
desmanche, diminuindo consideravelmente a agressão ao meio ambiente (conforme
informação da associação brasileira de logística), além dos citados acima, há outros motivos
que tornam a logística reversa competitiva para o mercado.
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Segundo LACERDA (in CEL 2000), os processos de logística reversa têm oferecido
consideráveis retornos para as empresas. O reaproveitamento de materiais e a economia com
embalagens retornáveis têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas e
esforços em desenvolvimento e melhoria nos processos reversos.
Os consumidores também estão preocupados com a questão ambiental, e essa
sensibilidade ecológica faz com que procurem por empresas com a certificação ISO 14000, e
por ser politicamente correta, sua imagem de boa reputação deixa sua marca muito mais
confiável, ganhando espaço no mercado e conquistando seu público alvo.
Com relação à concorrência, LACERDA (in CEL 2000) defende que os clientes
valorizam empresas que possuem políticas de retorno de produtos, pois isso garante á eles o
direito de devolução ou troca de produtos. Este processo envolve uma estrutura para
recebimento, classificação e expedição de produtos. Desta forma, empresas que possuem um
processo de logística reversa bem gerido tendem a se sobressair no mercado, uma vez que
estas podem atender seus clientes de forma melhor e diferenciadas de seus concorrentes.
A questão econômica é vista mais fortemente na lucratividade e rentabilidade, pois a
redução de custo inicialmente é muito baixa. A logística reversa precisa de investimentos e
seu retorno geralmente é de médio á longo prazo, dependendo do seguimento, mas o custo é
rapidamente revertido em benefícios, como por exemplo, aumento de sua carteira de clientes,
nas vendas, na família de produtos e da longevidade, pois a empresa que se preocupa com os
recursos naturais certamente preservará tal recurso, e através de avançadas tecnologias e
inovações inteligentes terá outras opções como outros tipos de matéria prima e outras fontes
de produção.
A logística reversa é atual e viável, não faltarão estímulos para sua adesão. Não
podemos esquecer que a maior vantagem é do planeta, onde todos são beneficiados, pois a
aplicação da logística nos canais reversos implica em proteção do planeta terra.
“Sustentabilidade, o mercado exige, e o planeta agradece.” (Revista LogWeb Ed,133
Jul 2011).
Pensando nisto, não podemos deixar de comentar sobre a logística verde, que recicla
os materiais descartáveis, transformando-os em matéria prima e permitindo a criação de
centros produtivos, gerando empregos formais e informais que colaboram com uma pequena
parcela na economia do país. O Brasil movimentou R$ 850 milhões (Reciclagem, 2003).
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A logística reversa, de maneira discreta, enfatiza a necessidade de melhorar a relação
entre indústria e varejo, seja para corrigir um problema ou para que negociações liberais
sejam tratadas de maneira clara e com menos custo possível.
“Não há nada mais difícil de controlar, mais perigoso de conduzir, ou mais incerto no
seu sucesso, do que liderar a introdução de uma nova ordem.” (Maquiavelli N;1469).
Essa frase expressa bem o nosso interesse em desenvolver o trabalho sobre logística
reversa, muitas organizações já a praticam, mas sem dar a devida atenção ao processo, sem
foco, sem controle nos custos, com isso não conseguem absorver as vantagens que ela tem a
oferecer.
Muitas empresas oferecem o serviço de logística reversa, uma delas são os correios,
que agregou aos seus serviços uma oportunidade de parceria com as empresas no que diz
respeito a retorno ou envio de materiais. Esse serviço facilita as negociações através de
contratos, com descontos progressivos, rapidez na entrega, pagamento mensal e sem
burocracias. (Maria Cláudia - correios Vl Martins-Itu).
Projeção da logística reversa no Brasil
A logística reversa é o principal instrumento para o cumprimento da política nacional
de resíduos sólidos, metais, agrotóxicos, radiações e outros mais. Porém, muitas empresas
brasileiras continuam concentrando seus esforços somente na logística tradicional, que
abrange apenas o fluxo direto entre o fornecedor, passando pela fábrica até o cliente final, ou
seja, estão seguindo apenas o simples conceito de produção e venda, o que explica certo
atraso no desenvolvimento da logística reversa em nosso país.
O crescimento da logística reversa no Brasil se dará com as simplificações de seus
processos. Suas transações através de meios eletrônicos fiscais tendem a ser menos
burocráticas, aumentando as compras e, proporcionalmente, as devoluções de produtos
quando necessário.
Segundo
as
informações
do
site
Negócios
em
Transportes
(http://www.negociosemtransporte.com.br/logistica/noticias/terceirizacao_de_servicos_impul
siona_setor_de_logistica.html), publicadas em 19/03/2012, a expectativa de faturamento para
a logística no Brasil em 2012 será próximo R$ 450 bilhões, valor acima da media de R$ 400
bilhões anuais. Com essa projeção, é esperado o aumento de terceirizações dos serviços
logísticos, entre eles, os de logística reversa de pós-consumo.
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O diretor-executivo da Associação Brasileira de Logística (ABRALOG), Adalberto
Panzan, projeta um avanço de 20% em 2012 para os setores de logística reversa, somente com
os negócios do setor de resíduos eletrônicos, atribuindo esse crescimento justamente pela
simplificação e redução da burocracia.
As empresas estão se concentrando mais em seus produtos, e passaram a terceirizar
serviços como armazenagens, estoques, planejamento de demandas e processamento de seus
pedidos.
O segmento deverá abrir varias oportunidades para os próximos anos. Um exemplo
disso é o comércio eletrônico (E-Commerce) que, segundo a publicação do portal R7
(http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/comercio-eletronico-deve-crescer-25-em2012-para-r-23-4-bi-20120314.html) de 14/03/2012, deverá crescer 25% em 2012.
Com a projeção para a logística reversa, todos os municípios deverão estar se
preparando para não descartar resíduos sólidos em aterros, ter suas responsabilidades
compartilhadas com os fabricantes, consumidor e com o governo. Todos os cidadãos devem
ter comprometimentos em descartar corretamente os resíduos sólidos.
No sistema de logística reversa voltado aos metais, seu investimento inicial que está
previsto para junho de 2012 é de dois milhões de reais.
A reciclagem de metais vai ser
monitorada por um sistema próprio da logística reversa.
Segundo
a
postagem
site
Guia
da
Embalagem
(http://www.guiadaembalagem.com.br/noticias_action.php?id=3706O) do dia 21/03/2011, o
Sindicato Nacional Da Indústria Da Estampa De Metais – SINIEM - em parceria com a
Associação Brasileira da Embalagem de Aço – ABEAÇO - informaram a construção de um
centro-modelo com aproximadamente 10.000 m2, onde vão ser recicladas todas as embalagens
de aço de pós-consumo, para preservar o meio ambiente e a economia nacional. O novo
sistema, específico para metais, contará com investimento inicial de dois milhões de reais e
funcionará a partir de junho de 2012. No site, o presidente do SINIEM, Antonio Carlos
Teixeira
Álvares
afirma
que
a embalagem metálica geram insumos, pois o aço ou alumínio são 100% recicláveis e
retornam à condição de matéria-prima com alto valor comercial. O setor de metal já possui
no Brasil a experiência bem-sucedida de coleta: as latas de alumínio registram 98% de
reciclagem, e as latas de aço obtiveram um índice de 82%, ambas registrando recorde
mundial. Com o novo sistema, haverá aumento na reciclagem das demais latas de aço
utilizadas para produtos alimentícios, tintas e produtos químicos.
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Segundo Thais Fagury, gerente-executiva da ABEAÇO, entidade que coordenará o
novo centro, o início do projeto ocorrerá na periferia da Grande São Paulo, por concentrar o
maior mercado consumidor do Brasil, onde também está situado o maior número de
cooperativas de reciclagem e de catadores. A executiva afirma que o projeto representa uma
maneira de formalizar e incentivar a reciclagem dos metais, além de educar e conscientizar a
sociedade em relação à coleta espontânea. “Hoje, são reciclados no Brasil aproximadamente
47% das embalagens de aço. A projeção é aumentar esse percentual para 70% dentro de cinco
anos, com a construção de novos centros” complementa.
O custo do investimento será dividido entre fabricantes de embalagens de aço,
siderúrgicas e envasadores interessados em participar da iniciativa.
Esse centro receberá latas e tampas de aço das indústrias, do varejo, de cooperativas,
de catadores, dos consumidores finais, entre outros, isso facilitará o descarte correto. Os
metais que são 100% recuperados terão sua matéria prima encaminhada para as indústrias
siderúrgicas, onde serão reutilizadas para outros fins.
Com esse projeto, a ABEAÇO formalizará e incentivará a reciclagem dos metais,
educando e conscientizando a sociedade em relação coleta espontânea, pois além de ser um
facilitador, o novo centro de logística reversa deverá estimular o mercado siderúrgico com o
reaproveitamento do aço, que é importante para a redução de custos. O projeto permitirá o
registro de dados reais e auditados da reciclagem das latas de aço e as cooperativas
interessadas em participar receberão o selo do projeto por realizarem a coleta das latas de aço.
Considerações Finais
Este trabalho tem o intuito de fornecer ao leitor conhecimento e consciência sobre a
importância do desenvolvimento da logística reversa no Brasil visto que a logística reversa é
uma obrigatoriedade para atender a legislação ambiental, especialmente a Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS).
A falta de conhecimento e aplicação deste processo pelas empresas as faz com que
percam oportunidades competitivas e econômicas.
Considerando a projeção dos especialistas nos próximos anos, observado a
necessidade e demanda do mercado, pela diversificação de produtos e pela exigência
governamental, a logística reversa será muito mais praticada, fazendo-se assim necessário seu
crescimento e maturação dentro do contexto empresarial.
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Referências Bibliográficas
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CARVALHO, José Crespo de; DIAS, Eurico Brilhante – Estratégias Logísticas: Como
servir o cliente a baixo custo. Lisboa. Edições Sílabo. 2004. ISBN 978-972-618-332-7
LEITE, Paulo Roberto. Logística Reversa: Meio Ambiente e Competitividade. São Paulo:
Pearson Prentice Hall, 2009. ISBN 978-85-7605-365-1
NOVAS, Antonio Galvão N. ALVARENGA, Antonio Carlos. Logistica Aplicada:
Suprimento e Distribuição Física. São Paulo: Pioneira, 1994.
RODRIGUES, G.; PIZZOLATO, N. A Logística Reversa Nos Centros De Distribuição de
Lojas de Departamento. Anais do XXIII ENEGEP, Ouro Preto, 2003.
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24. LOGÍSTICA REVERSA: Vantagem Competitiva e Econômica