UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI
RICARDO BARBOSA DOS SANTOS
PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
PARA ABASTECIMENTO PÚBLICO
SÃO PAULO
2008
2
RICARDO BARBOSA DOS SANTOS
.
PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
PARA ABASTECIMENTO PÚBLICO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi
Orientador: Professora Gisela Coelho
SÃO PAULO
2008
3
RICARDO BARBOSA DOS SANTOS
PERDAS DE ÁGUA NO SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO
PARA ABASTECIMENTO PÚBLICO
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi
Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2008.
Professora Gisela Coelho
Nome do Orientador(a)
______________________________________________
Nome do professor(a) da banca
Comentários:___________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________
4
Dedico este trabalho primeiramente a Deus,
à minha família, em especial,
à minha mãe Celina Aguilera dos Santos
5
Agradecimentos
Ao Corpo Administrativo da Universidade Anhembi Morumbi, em especial a
Coordenadora do Curso de Engenharia Civil Profª. Gisleine Coelho de Campos
sempre atenciosa e preocupada com a qualidade do ensino e funcionamento do
curso.
A minha orientadora, acreditando no meu trabalho, dividindo comigo as expectativas,
conduziu-me a maiores reflexões e desta forma enriqueceu-o no momento oportuno.
A todos os professores que participaram desta jornada, sempre solícitos.
Aos colegas pelo apoio nos momentos difíceis.
6
RESUMO
Os índices de perdas de água em sistemas de abastecimento de água potável
representam grandes perdas para as companhias de saneamento, tanto do ponto de vista
sócio-ambiental quanto econômico-financeiro, fundamentado pela indisponibilidade cada
vez maior de recursos hídricos de qualidade, a necessidade de criar ações que permitam
o gerenciamento dos sistemas de abastecimento se torna uma prioridade. Daí a
necessidade da implantação de métodos que propiciem adequadamente essas condições
de gerenciamento. O propósito deste trabalho é demonstrar os fundamentos do método
de redução de perdas de água com a implantação de DMC – Distritos de Medição e
Controle obtidos pelo fechamento permanente ou temporário de válvulas limítrofes, na
qual a quantidade de água que entra ou sai é medida, possibilitando assim o controle de
perda, juntamente com a divisão do setor de abastecimento em áreas menores (distritos),
a serem fechadas, para permitir a execução de manutenções nas tubulações diminuindo o
desconforto aos consumidores. Não existem sistemas de distribuição de água totalmente
estanques, nem sistemas de medição de caudais 100% exatos, porque a ocorrência de
perdas de água é inevitável, o objetivo é mantê-las em níveis aceitáveis e alcançando o
equilíbrio que torna viável a operação dos mesmos. Realizaram-se projetos simultâneos
de redução de perdas reais (controle e gerenciamento de pressão, controle de
vazamentos, melhoria da infra-estrutura) e de perdas aparentes (troca de hidrômetros,
combate a fraudes e ligações irregulares e acerto cadastral), desta forma foi possível
Realizar o balanço hídrico para discretização das perdas aplicando metodologia de
reconhecimento internacional – IWA – Lambert &Hirner (2000).
Palavras-Chave: Perdas de Água; Balanço Hídrico; Indicadores de Desempenho; Volume
distribuído e Volume Utilizado
:
7
ABSTRACT
The indices of losses in water supplies of drinking water are major losses for companies of
sanitation, both in terms of socio-economic and environmental as financial, reasons for the
increasing unavailability of water quality, the need for action allowing the management of
water supplies becomes a priority. Hence the need for the deployment of methods to
provide adequate management of these conditions. The purpose of this study is to
demonstrate the fundamentals of the method of reducing leakage of water with the
deployment of DMC - District of Measurement and Control obtained by permanent or
temporary closure of neighboring valves, in which the amount of water entering and
leaving is measured, thus enabling the loss of control, along with the sector's supply
division in smaller areas (districts), to be closed, to enable the implementation of
maintenance in pipelines reducing the discomfort to consumers. There are no systems of
distribution of water completely watertight, nor systems for measuring flow 100% accurate,
because the occurrence of loss of water is inevitable, the goal is to keep them at
acceptable levels and achieving the balance that makes feasible the operation of the
same. There were simultaneous projects for the reduction of real losses (control and
management of pressure, control of leaks, improvement of infrastructure) and apparent
losses (exchange of meters, combating fraud and illegal connections and hit land) so that
was Realizing the possible water balance for discretization of losses applying methodology
of international recognition - IWA - Lambert & Hirner (2000).
Key words: Loss of Water, water balance; Performance Indicators; Turnover distributed
and Used
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 5. 1 – Avaliação das Perdas (TSUTIYA, 2004)
22 Figura 5. 2 – Matriz do Balanço Hídrico (TSUTIYA, 2004)
23 Figura 5. 3 – Hidrograma de consumo (PNCDA, 2007)
29 Figura 5. 4 – Medição da vazão noturna em Distrito Pitométrico.
30 Figura 5. 5 – Variação dos vazamentos com a pressão media ( SABESP, 2007)
33 Figura 5. 6 – Haste de escuta mecânica (SABESP, 2007)
37 Figura 5. 7 – Geofone mecânico (SABESP, 2007)
37 Figura 5. 8 – Hidrômetro tipo Woltmann (SABESP, 2007)
38 Figura 5. 9 – Princípio de Faraday (SABESP, 2007)
39 Figura 5. 10 – Medidor eletromagnético (SABESP, 2007)
39 Figura 5. 11 – Esquemático - Calibração em Bancada (SABESP, 2007)
40 Figura 5. 12 – Medido Venturi típico (SABESP, 2007)
40 Figura 5. 13 – Tubo de Pitot (SABESP, 2007)
41 Figura 5. 14 – Medidor Venturi típico
41 Figura 6. 1 – Sistema Produtor ABV – Tramos Setor Interlagos
48 Figura 6. 2 – Instalação de válvula de bloqueio entre os grupos 3 e 4 da EEA Socorro
49
Figura 6. 3 – Interligação do barrilhete da EEA Socorro com a nova adutora 1200mm
49
Figura 6. 4 – Instalação da válvula telecomandada
49
Figura 6. 5 – Interligação da nova chegada de água ao reservatório
49
Figura 6. 6 – limites setores para controle de perdas
51
Figura 6. 7 – DMC Instalação de medidor de vazão data logger
52
Figura 6. 8 – Vazão mínima noturna
56
Figura 6. 9 – Mapeamento dos vazamentos
64
Figura 6. 10 – Redução do volume distribuido
64
9
LISTA DE TABELAS
Tabela 5.1 – Mapa Esquemático para discretização das componentes de perdas...........21
Tabela 5.2 – Tipos de pesquisa de vazamentos não visíveis.............................................24
Tabela 5.3 – Periodicidade de manutenção preventiva – hidrometros...............................42
Tabela 6.1 – Diâmetro, material e extensão das redes Primarias......................................53
Tabela 6.2 – Diâmetro, material e extensão das redes Secundarias................................53
Tabela 6.3 – Quantidade de economias por tipo de consumo...........................................58
Tabela 6.4 – Balanço Hidrico DMC Leonardo de Fássio...................................................59
Tabela 6.5 – Indicadores de Performance.........................................................................60
Tabela 6.6 – Descrição dos serviços executados dentro DMC..........................................63
Tabela 6.7 – Projeção de economia...................................................................................65
10
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
Abcon
Associação Brasileira de Concessionárias de Serviços Públicos de Água e
Esgoto
AESBE
Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais
ANA
Agencia Nacional de Águas
ANVISA
Agencia Nacional de Vigilância Sanitária
Assemai
Associação de Serviços Municipais de Saneamento
BID
Banco Interamericano de Desenvolvimento
BIRD
Banco Mundial
BNDES
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
CCO
Centro de Controle da Operação
Cesb
Companhias Estaduais de Saneamento
EEB
Estação Elevatória de Água Bruta
ETA
Estação de Tratamento de Água
GIS
Geographic Information System (Sistema de Informação geográfica).
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IWA
International Water Association
International Organization for Standardization (Organização Internacional
ISO
de Padronização)
MP
Ministério Público
ONU
Organização Mundial da Saúde
PEAD
Polipropileno de Alta Densidade
PNCDA
Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água
PMSS
Programa de Modernização do Setor Saneamento
Supervisory Control and Data Acquisition (Supervisão Controle e Aquisição
SCADA
USP
Dados)
Universidade de São Paulo
11
LISTA DE SÍMBOLOS
V
Velocidade média na direção do escoamento (m/s)
ω
Parâmetro de regulação da velocidade.
A
Área (m2).
C
Coeficiente de Hazen-Willians
d
Diâmetro interno do tubo(m).
DN
Diâmetro nominal (m)
D
Diâmetro externo do tubo
f
Fator de resistência (Fator de Darcy-Weisbach).
g
Aceleração da gravidade.
h
Perda de carga total.
H; J; Jw
Altura; profundidade; perda de carga total da tubulação.
K
Coeficiente de carga singular ou localizada.
Kf
Coeficiente de transferência de carga.
L
Comprimento da tubulação.
M
Massa (Kg)
n
Coeficiente de rugosidade de Manning.
PN
Pressão nominal (Kgf/cm2)
Q
Vazão (m3/s)
Re
Número de Reynolds.
t
Tempo.
V
Volume (m3).
α; β; ϕ Ângulo (rad; º)
γ
Mca
υ
Massa específica (densidade absoluta)
mh2o
Viscosidade cinemática
12
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 14
2.
OBJETIVOS ................................................................................................................... 16
2.1
Objetivo Geral ........................................................................................................................ 16
2.2
Objetivo Específico .............................................................................................................. 16
3.
MÉTODO DE TRABALHO ............................................................................................. 17
4.
JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 18
5.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 19
5.1
Perdas de Água em Sistemas de Abastecimento de Água ....................................... 19
5.1.1 Discretização de perdas.................................................................................. 20
5.2
Balanço Hídrico ..................................................................................................................... 22
5.2.1 O entendimento de consumos autorizados.................................................. 23
5.3
Técnicas de Operação de Sistemas de Abastecimento de Água ............................ 23
5.3.1 Uso do índice de perdas................................................................................. 25
5.3.2 Uso do indicador de vazamentos da Infra-estrutura (IVIN).......................... 27
5.3.3 Procedimento para utilização da vazão mínima noturna............................. 27
5.3.4 Uso do fator de pesquisa................................................................................ 28
5.4
Importância da Setorização de Redes na Operação ................................................... 29
5.5
Relação entre Pressão e Vazamento ............................................................................... 31
5.6
Setorização de Redes e Adequação de Pressões Através de VRP......................... 33
5.7
Principio de Funcionamento VRP..................................................................................... 34
13
5.8
Técnicas para Realização de Pesquisa de Vazamentos ............................................ 35
5.9
Medição.................................................................................................................................... 38
5.9.1 Imprecisão da medição................................................................................... 42
6.
ESTUDO DE CASO ....................................................................................................... 45
6.1
Ações de readequação do setor Interlagos ................................................................... 48
6.2
Implantação do DMC Leonardo de Fássio ..................................................................... 50
6.2.1 Infra-estrutura........................................................................................................53
6.2.2 Macromedição.........................................................................................................56
6.2.3 Caracterização do consumo..................................................................................58
6.2.4 Balanço hídrico.......................................................................................................59
7.
ANÁLISE DOS RESULTADOS ..................................................................................... 62
8.
CONCLUSÕES .............................................................................................................. 65
9.
RECOMENDAÇÕES ...................................................................................................... 66
10. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 67
14
1. INTRODUÇÃO
O indicador perdas de água é um dos principais indicadores de desempenho operacional
das empresas de saneamento em todo mundo. O entendimento básico do conceito
considera perdas no sistema de abastecimento como “a diferença entre o volume de água
tratada colocado à disposição da distribuição e o volume medido nos hidrômetros dos
consumidores finais, em um determinado período de tempo”. As perdas nos sistemas de
abastecimento de água exigem ações constantes e sistemáticas, a maior parte delas
ligadas ao cotidiano da operação e manutenção da companhia de saneamento. Redução
e Controle de Perdas, eficiência e Qualidade da Operação são vertentes incontestáveis.
Para o efetivo gerenciamento das perdas no sistema de distribuição é de suma
importância a utilização de sistemas de medição confiáveis e que se inserem em
contextos bem definidos e controlados.
Quanto às suas aplicações os sistemas de
medição constituem-se em ferramental para o aumento da eficiência da operação de
sistemas de abastecimento, permitindo conhecer o funcionamento do sistema e
subsidiando o controle de parâmetros, tais como: vazão, pressão, volume, etc. De forma
genérica os sistemas de medição englobam os sistemas de macromedição e de
micromedição.
Entende-se por micromedição a medição do consumo realizada no ponto de
abastecimento de um determinado usuário, independente de sua categoria ou faixa de
consumo. Macromedição é o conjunto de medições realizadas no sistema público de
abastecimento de água, tais como medições de água bruta captada ou medições na
entrada de setores de distribuição, ou ainda medições de água tratada entregue por
atacado a outros sistemas públicos. Cabe destacar que o foco básico não é o
instrumento, mas sim o sistema de medição, como se verá no decorrer do texto. Em
programas de conservação de água a abordagem integral do sistema de abastecimento,
incluindo macro e micromedição, é indispensável para a confecção do Balanço Hídrico
dos usos e perdas do volume total de água segundo a International Water Association
(IWA). Como exemplo básico, tem-se que as perdas no sistema público de abastecimento
são calculadas pela diferença dos volumes disponibilizados (medidos pelos sistemas de
15
macromedição) menos a soma dos volumes consumidos (medidos através dos
micromedidores).
16
2. OBJETIVOS
O presente estudo visa mostrar as principais causas dos elevados índices de perdas nos
sistemas de distribuição de água para abastecimento, que na atual conjuntura, defrontase, com o desafio e a prioridade governamental de atingir a universalização na prestação
dos serviços de saneamento básico à população.
2.1 Objetivo Geral
É objetivo geral deste trabalho o controle efetivo das perdas e do comportamento do
sistema sob as mais diversas condições operacionais, não só do ponto de vista financeiro,
no que diz respeito ao desperdício da água tratada, mas principalmente da preservação
deste recurso natural.
2.2 Objetivo Específico
Fundamentar o sistema de distribuição por Distritos de Medição e Controle (DMC), com
vistas à redução de perdas, a controlar com precisão a vazão a ser distribuída, às
pressões de cada ponto da rede, à garantia da continuidade do abastecimento e Melhoria
da confiabilidade do sistema de abastecimento, em termos de redução do número de
acidentes e manutenções corretivas.
17
3. MÉTODO DE TRABALHO
Através de Pesquisa bibliográfica fazer uma síntese da situação operacional dos sistemas
de distribuição de água para abastecimento público no que se refere ao controle de
perdas e os métodos utilizados nos processos. Através de consulta interna na Companhia
de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp - Unidade de Negócio Sul,
analisar os principais processos e técnicas aplicados na gestão e operação do sistema de
distribuição para redução das perdas, em especial participar da concepção da
implementação dos Distritos de Medição e Controle (DMC), sistema este que contribui,
principalmente, para o desenvolvimento de pesquisa de vazamentos, renovação de redes
e ramais e diagnóstico para priorização das renovações das áreas que apresentam um
maior índice de perdas. Para o estudo de caso realizou-se; a concepção de uma área
(DMC) com a implantação através da instalação de registros de redes, instalação de
medidor de vazão, gerenciamento das pressões, volumes e vazão mínima noturna da
área em estudo, apresentação dos resultados obtidos no índice de redução de perdas.
Para o desenvolvimento dos trabalhos utilizou-se a metodologia apresentada por
GOMES, A.S. (2007).
18
4. JUSTIFICATIVA
O grande déficit de eficiência operacional dos sistemas de distribuição de água, para fazer
frente aos investimentos requeridos com vistas à universalização dos serviços requerem
um melhor gerenciamento e controle de perdas. Um controle eficiente melhora o
desempenho econômico das empresas, otimizando os investimentos e preservando os
recursos hídricos. Em essência este trabalho se constitui na transferência de
conhecimentos e tecnologia através da disseminação dos métodos praticados. O
planejamento do plano de redução de perdas deve estar associado a outros programas
que levem ás mudanças estruturais e comportamentais necessárias, como programas de
qualidade, planejamento estratégico ou outros planos de modernização. Desta forma deve
envolver todos os funcionários da empresa, incluindo fornecedores de equipamentos
tecnológicos, adquirindo caráter permanente e sustentável. Para isso, a mobilização e a
comunicação social, tanto ao prestador de serviço, como externas, junto à sociedade, são
ferramentas estratégicas. Fator motivador para a realização deste trabalho se constituiu
pela intensificação dos trabalhos realizados pela Unidade de Negócio Sul da Sabesp com
intuito de redução de Perdas de água no sistema de distribuição vistas a universalização
do saneamento.
19
5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A proposição de medidas visando à redução e ao controle das perdas enseja o
conhecimento de parâmetros (tais como volumes, pressões, níveis, etc.) que permitem
qualificar a situação em que se encontra determinado sistema público de abastecimento.
Neste contexto, torna-se fundamental o estabelecimento da “cultura” da medição,
garantindo-se a apropriação continua de parâmetros hidráulicos e elétricos e a
possibilidade de elaboração do balanço hídrico, do completo diagnostico de sistema de
abastecimento e da sua modelagem hidráulica, com base no real funcionamento do
sistema. A redução de perdas diminui os custos de produção, pois propicia um menor
consumo de energia, de produtos químicos e de outros insumos, utilizando as instalações
existentes para ampliação da oferta, sem expansão do sistema produtor.
5.1 Perdas de Água em Sistemas de Abastecimento de Água
Nos sistemas de abastecimento sempre haverá perda de parte da água que foi produzida,
não chegando ao consumidor final, no entanto essa perda não é apenas física, um
volume de água perdido em um vazamento, por exemplo. Efetivamente tem-se aqui um
caso concreto de um produto industrializado que se perde no transporte até o consumidor.
Sob a perspectiva empresarial, se um produto for entregue, e por alguma ineficiência, não
for faturado, tem-se um volume de produto onde foram incorporados todos os custos
intrínsecos de produção industrial e transporte, mas que não esta sendo contabilizado
como receita da companhia, ou seja, é prejuízo, é perda também, só que de conotação
diferente em relação ao caso anterior, sendo mais ligada ao aspecto comercial do serviço
prestado. Desta forma, em uma companhia de saneamento, podem ser discretizados dois
tipos de perdas; reais e aparentes.
20
5.1.1 Discretização de perdas
Perdas Reais: são perdas físicas de água devido à ocorrência de vazamentos nas
adutoras, rede de distribuição e reservatórios, bem como extravasamentos em
reservatórios setoriais.
Perdas Aparentes: são perdas não físicas, corresponde ao volume de água consumido,
mas não contabilizado pela companhia de saneamento, decorrentes de erros de medição
nos hidrômetros, fraudes, ligações clandestinas e falhas no cadastro comercial.
Em relação às perdas reais, dois pontos de extrema importância devem ser considerados:
a)
Um relacionado à conservação de recursos naturais, pois quanto menos volume se
perde no sistema, menor é a necessidade de explorar ou ampliar as captações de água,
acarretando menor impacto ambiental.
b)
Outro diz respeito à saúde pública, em decorrência da existência de vazamentos na
rede de distribuição, onde qualquer despressurização do sistema (manutenção ou
intermitência no abastecimento, por exemplo) pode levar à contaminação da água pela
entrada de agentes nocivos na tubulação.
21
Tabela 5 – Mapa Esquemático para discretização das componentes de perdas:
Características Principais
ITEM
Perdas Reais
Perdas Aparentes
Tipo de ocorrências mais comum Vazamento
Erro de Medição
Custos associados ao volume
de água perdido
Valor Cobrado no Varejo
ao Consumidor
Custo de produção da água tratada
Desperdício de recursos naturais
Maiores impactos ambientais devido à
Efeito no meio ambiente
necessidade de ampliação da exploração
Não é relevante
dos mananciais
Efeito na saúde pública
Riscos de contaminação
Não é relevante
Ponte de vista empresarial
Perda de produto "industrializado"
Perda elevada de receita
Ponte de vista do consumidor
Imagem negativa da empresa associada
ao desperdício e ineficiência
Não é uma preocupação
imediata
Repasse de custos à tarifa
Repasse de custos à tarifa
Desincentivo ao uso racional da água
Incentiva ao roubo e
fraudes
Efeitos Finais no consumidor
(Fonte: TSUTIYA, 2004)
As perdas ocorrem em todas as fases de um sistema de abastecimento de água, tais
como na captação e adução de água bruta, no tratamento, na adução e reservação de
água tratada e na distribuição (redes e ramais). Em cada fase há condições especificas
que fazem preponderar um ou outro tipo de perda, que ditarão as ações mais adequadas
à prevenção e correção dos fatores que ocasionam o surgimento das perdas. Por
exemplo, em uma adutora de aço é muito provável que as perdas reais sejam
significantes em comparação às perdas aparentes, decorrente basicamente de erros nos
medidores de vazão. Por sua vez, nas redes de distribuição de água encontram-se todos
os elementos que permitem a ocorrência tanto de perdas reais quanto de aparentes, em
diversas magnitudes, dependendo das características de cada área em análise.
As perdas podem ser avaliadas, em geral, medindo-se a vazão (ou volume) no ponto
inicial de uma fase e medindo-se novamente a vazão no ponto final dessa fase: a
diferença constitui, portanto, a perda. Nos sistemas de abastecimento de água, o caso
22
mais emblemático e mais comum è a determinação das perdas a partir das estações de
tratamento de água – ETA, incorporando as eventuais perdas na adução, reservação e
distribuição. Nesse caso, mede-se o volume que sai da ETA em um determinado período
de tempo (mês, ano, etc) e compara-se com a soma de todos os volumes legítimos
medidos (ou estimados) na rede de distribuição de água, no período considerado. Em
outros termos, a diferença entre a macromedição (saída da ETA) e a micromedição
(pontos de entrega ao consumidor final, medidos ou estimados) constitui a perda total no
sistema em consideração, não se distinguindo aqui as parcelas que cabem às perdas
reais e às perdas aparentes. O esquema mostrado na figura 5.1 ilustra, de forma
simplificada, o conceito de avaliação das perdas em um sistema de abastecimento de
água tratada, a partir de volumes produzidos na ETA.
Perda = volume produzido – volume faturado do consumidor final – Usos
operacionais/emergenciais/sociais
(V)
Perda = V – m – u
(m)
Rede
(u)
Estação de Tratamento
de Àgua
→
→
(m)
(u)
Figura 5. 1 – Avaliação das Perdas (TSUTIYA, 2004)
5.2 Balanço Hídrico
Para a confecção do balanço hídrico dos usos e perdas do volume total de água, foi
utilizada a abordagem proposta pela Força-Tarefa para Redução de Perdas, da IWA,
conhecida por “top-down”, na qual são atribuídos volumes para todos os usos conhecidos
(medidos e estimados), sendo feitas estimativas para os componentes de perdas
aparentes, resultando, da diferença entre o volume entregue e os volumes dos usos
23
conhecidos e das perdas aparentes (com base nas hipóteses assumidas), o volume de
perdas reais”. Conforme Figura 5. 2 – Matriz do Balanço Hídrico.
Figura 5. 2 – Matriz do Balanço Hídrico (TSUTIYA, 2004)
5.2.1
O entendimento de consumos autorizados
Consumo autorizado faturado: o volume de água medido e/ou estimado que é faturado
pela empresa (ligações normais, grandes consumidores etc).
Consumos não autorizados: consistem nos consumos existentes em furtos ou fraudes
através de ligações clandestinas “by pass”, hidrantes, hidrômetros em outros
componentes dos sistemas de abastecimento de água, sem a devida autorização das
companhias de saneamento.
5.3 Técnicas de Operação de Sistemas de Abastecimento de Água
Pesquisa e combate a vazamentos não visíveis – Critérios para a pesquisa de
vazamentos não visíveis. Para a realização da pesquisa de vazamentos não visíveis, a
24
depender das características e condições dos sistemas de distribuição de água, têm se as
metodologias para seleção e escolha de setores das redes de distribuição comumente
adotadas no Brasil, conforme descrito a seguir.
TIPO
Varredura
da rede
Pesquisa
não
baseada
em
medições
Tabela 5.2 – Tipos de pesquisa de vazamentos não visíveis (TSUTIYA, 2004)
APLICAÇÃO
CARACTERISTICAS
Sistemas de cidades de
A pesquisa não é precedida de qualquer tipo de análise das
pequeno porte, que não
condições da rede e simplesmente é realizado uma pesquisa acústica
dispõem de informações
em todo o sistema. Não é uma metodologia eficiente, uma vez que
mais específicas nem de
desperdiçaria tempo e recursos com pesquisas em trechos de redes
sistema de medição e
que estão em bom estado.
adequado.
Realização de levantamentos e mapeamento dos setores da rede de
distribuição levando em conta os seguintes fatores:
- Setor com grande incidência de vazamento de ordens de serviços
relativas a reparo de vazamentos
- Pressões altas (mapear rede por faixa de pressão: até 30 mca; até
50 mca e acima de 50 mca)
Operadoras
que
não - Redes antigas (mapear rede pela idade, nas faixas: 10 anos, 11 a
possuem micro-medidores 20; 21 a 30 e acima de 30 anos
(hidrômetros), setorização e
tampouco macromedidores
- Setor com ramais prediais em ferro galvanizado ou de PVC com
com a finalidade de definir
mais de 10 anos
áreas
críticas
para
a
- Adutoras: subadutoras; redes ou ramais assentados sobre berços
pesquisa e localização das
inadequados; Materiais de qualidade duvidosa;
perdas por vazamentos não
visíveis nas redes de - Solos de má qualidade provocando recalque devido à forca externa;
- Quantidade de vazamentos visíveis ou não visíveis no ramal predial
distribuição.
que foram separados em um ano;
- Quantidade de vazamentos visíveis ou não visíveis no ramal predial
que foram separados em um ano;
- Mapeando-se os setores contendo essas informações, podem-se
ordenar as áreas prioritárias para os trabalhos de escuta ou
geofonamento.
Operadora
que
possui
setorização
macro
e
micromedição,
podendo
Pesquisa
compatibilizar o volume de
baseada
água que está entrando no
em
sistema de setor, bem como o que está
consumido,
medições sendo
conhecendo as perdas nos
setores,
otimizando
o
controle de perdas.
Possibilita a pesquisa em setores identificando com grandes perdas
no sistema, visto que o tempo e recurso não são desperdiçados em
pesquisas com trechos de redes em boas condições
Esta metodologia não anula as técnicas não baseadas em medição,
pelo contrário, devem ser feitas em conjunto, agregando mais fatores
de decisão e análise da área para os trabalhos de pesquisa de
vazamento.
A qualidade da avaliação das perdas em um determinado sistema irá variar conforme a
política de macromedição e pitometria da operadora e, conseqüentemente, da
disponibilidade de equipamentos de medição e controle. Destacamos alguns indicadores
e métodos disponíveis para a quantificação e comparação de perdas entre sistemas e/ou
setores.
25
5.3.1 Uso do índice de perdas
O primeiro passo para se ter um conhecimento sobre o nível de perdas em um sistema de
abastecimento é saber o volume disponibilizado e o volume utilizado. A relação entre o
volume disponibilizado e o utilizado resulta no Índice de perdas na distribuição. É
importante ressaltar que, visando uma melhor contabilização do volume utilizado,
recomenda-se que todas as ligações de água possuam hidrômetros.
Para fazer coincidir o período da contabilização do volume disponibilizado (normalmente,
de um mês) com o período da leitura dos hidrômetros, lidos diariamente ao longo do mês,
de forma a permitir que se façam comparações coerentes, pode-se utilizar um algoritmo
que calcule os volumes medidos médios diários de cada hidrômetro domiciliar e, a seguir,
multiplicar esta media pelo número de dias em que está contabilizado o volume
disponibilizado. O somatório fornece o volume utilizado na mesma base temporal do
volume disponibilizado. Usos autorizados de água que não são faturados, como, por
exemplo, água de descargas de rede, combate a incêndios, etc. (no Balanço hídrico do
modelo IWA chamados de consumo autorizado não faturado), devem ser estimados ou
medidos ao volume utilizado. (Gomes, A.S, 2007).
Para associar os setores comerciais com o setor de abastecimento é preciso incluir na
ficha cadastral durante o cadastro dos consumidores um campo que identifica o setor de
abastecimento a que cada ligação pertence. Os relatórios de volume utilizado devem ser
emitidos por setor de abastecimento. Caso a área comercial da empresa ou autarquia se
recuse a criar o algoritmo para calcular o volume utilizado por setor de abastecimento (o
que não é incomum acontecer, enquanto a diretoria não determinar que tal procedimento
seja feito), isto pode ser feito externamente numa planilha eletrônica, desde que a área
comercial disponibilize os dados básicos das leituras e suas respectivas datas.
Consumos não medidos podem ser estimados multiplicando-os por um fator que pode
chegar até a três vezes a média medida daquele tipo de ligação. Por exemplo: se a média
das economias residenciais em bairros de baixo padrão é de 15m³/mês, então uma
ligação não medida naquele tipo de bairro pode ser estimada em até 45 m³/mês. Este tipo
26
de estudo foi feito em diversas cidades brasileiras, chegando sempre a valores próximos
a esse. (GOMES, A. S, 2007).
De posse desses dois volumes pode-se obter o índice de perdas de água na distribuição
ou água não contabilizada. Normalmente esse índice tem sido representado pela equação
1:
(Volume Disponibilizado – Volume Utilizado) Eq. (1)
IPD =
Volume disponibilizado Pela facilidade de cálculo, este índice de perdas, é amplamente adotado no Brasil, porém,
não utilizado isoladamente para medir desempenho, entretanto, a título de análise
superficial, pode se considerar que;
•
IPD > 40 %.........................Sistema com mau gerenciamento
•
40% > IPD<25%..................Sistema com gerenciamento de nível intermediário
•
IPD <25% ...........................Sistema com bom gerenciamento
Na falta de outros indicadores de perdas, os valores de IPD apresentados acima servem
como uma primeira avaliação. Deve-se lembrar que o IPD leva em consideração todas as
perdas de água no sistema, não expressando se há predominância de perdas reais ou
aparentes, o que impede o indicativo das condições da infra-estrutura do sistema.
Recomenda-se para avaliação do sistema de abastecimento de água outros índices,
como:
•
Índice de perdas de água por ligação (m³/lig/dia);
•
Índice de perdas de água por extensão de rede (m³/km de rede/dia);
•
Índice de vazamentos da infra-estrutura;
•
Índice de extravasamentos.
27
5.3.2 Uso do indicador de vazamentos da Infra-estrutura (IVIN)
Conforme descrito anteriormente, è recomendável o uso de indicadores de perdas reais
que possibilitem a analise de desempenho e, principalmente, a comparação com outros
sistemas de forma mais consistente de que com o uso apenas do índice de perdas. Tal
instrumento é muito importante para a definição da pesquisa de vazamentos.
Lambert A.(1994, 2000 e 2002) propõe o uso da comparação das perdas reais correntes
com as perdas ideais em termos de gerenciamento no Brasil. Porém, é cada vez mais
latente a necessidade do uso de indicadores mais confiáveis que o índice de perdas de
água.
O indicador de vazamento na infra estrutura é calculado pela relação entre as perdas
reais que ocorrem no sistema e as perdas mínimas inevitáveis que deveriam ocorrer
nesse sistema. Ou seja, expressa o quanto um determinado sistema esta próximo ou
distante de uma possível condição ideal da sua infra-estrutura.
5.3.3 Procedimento para utilização da vazão mínima noturna
A vazão mínima noturna é o indicador do nível de perdas reais que está ocorrendo em um
sistema. Normalmente, o consumo noturno é reduzido, principalmente em áreas
residenciais. Qualquer alteração na vazão mínima de uma unidade de abastecimento
pode significar ocorrências de vazamentos. Em locais onde o abastecimento é irregular
e/ou há demanda reprimida, o método da vazão mínima noturna não fornece dados
confiáveis sobre as perdas reais.
28
Figura 5.3 - Medição da vazão noturna em Distrito Pitométrico.
(Fonte: GONÇALVES, 1998)
5.3.4 Uso do fator de pesquisa
De forma similar ao IVIN, tem-se o conceito do fator de pesquisa. FRAGA E SILVA (1995)
utilizaram esse parâmetro que é determinado a partir da relação entre vazão mínima
noturna e vazão média diária. O comportamento desses parâmetros indica possíveis
problemas operacionais no abastecimento de água.
FP = Q mínima noturna / Q média diária
Quanto mais ele tende para 1, maior a possibilidade de estarem ocorrendo vazamentos.
Isto significa também um grande potencial de retorno no trabalho de pesquisa acústica.
Segundo FÁVERO E DIB (1981), em geral, se o fator de pesquisa for maior que 0,30, o
setor em estudo contém vazamentos economicamente detectáveis.
Tal como no caso do IVIN, o uso desse parâmetro deve ser evitado para setores com
intermitência de abastecimento. A distorção que ocorre é que, devido à falta de água
durante o dia (demanda reprimida), há um consumo elevado durante a noite, o que pode
dar a falsa impressão de problemas de vazamentos quando se calcula o FP.
29
Figura 5. 3 – Hidrograma de consumo (PNCDA, 2007)
Dados:
Qmínima noturna = 135 l/s; Qmáx = 624 l/s; Qmédia = 467 l/s
FP = 135/467 = 0,29
5.4 Importância da Setorização de Redes na Operação
A grande extensão das redes de distribuição de água com suas numerosas derivações e
conexões necessita de uma setorização, ou seja, a sua divisão em setores e subsetores
com a finalidade de se ter um melhor gerenciamento do sistema. A setorização possibilita
também identificar com maior eficiência os pontos da rede sujeitos a maior incidência de
vazamentos (Dantas, M. P. 1999).
30
Figura 5. 4 – Medição da vazão noturna em Distrito Pitométrico.
(Fonte: GONÇALVES, 1998)
Os dois setores devem ter macromedidores na entrada assim como hidrômetro para os
consumidores finais, viabilizando assim a compatibilização entre a macromedição e a
micromedição e, por conseqüência, índices de perdas confiáveis e o próprio
gerenciamento mais eficiente. No interior de cada setor de abastecimento a operação é
feita em um ou mais subsetores denominados:
•
Zona de pressão – área de abrangência por uma subdivisão da rede, na qual as
pressões estática e dinâmica obedecem a limites prefixados;
•
Setor de macromedicao – parte da rede de distribuição delimitada e isolável com a
finalidade de acompanhar a evolução do consumo, e avaliar as perdas de água na rede,
cuja vazão é medida continuamente através de macromedidor instalado na(s) linha(s) de
alimentação e de saída, quando houver transferência para outro setor;
•
Distrito de medição temporária – parte da rede de distribuição delimitada e isolável
com a finalidade de acompanhar, temporariamente, a evolução do consumo e avaliar as
perdas de água na rede, cuja vazão é medida através de equipamentos portáteis ou de
instalação provisória;
•
Setor de manobra – menor subdivisão da rede de distribuição, cujo abastecimento
pode ser isolado sem afetar o abastecimento do restante da rede.
31
É recomendável que setores de abastecimento, zonas de pressão, distritos, setores de
macromedição e de manobra sejam indicados e mantidos atualizados em mapas
temáticos do Cadastro Técnico de Redes, e sua correspondência com o cadastro
comercial seja estabelecida, ainda que seja externamente ao processamento de dados da
área comercial, mesmo não sendo isto o ideal a fazer. O ideal é que a base de dados seja
única e disponível para os diversos setores da empresa segundo suas necessidades
específicas. No Brasil, de modo geral, os sistemas comerciais das empresas e autarquias
evoluí desconsiderando completamente as necessidades da operação e da engenharia –
situação esta que precisa ser revertida.
Normalmente, uma expansão urbana não prevista no projeto original pode alterar o limite
do sistema distribuidor de uma determinada localidade. É recomendável, até mesmo
imprescindível, analisar se o impacto desta expansão através de modelagem hidráulica do
sistema (usando-se os softwares Epanet, da EPA – Environmental Protection Agency,
Watercad ou outro Software de modelagem).
Recomenda-se também minimizar a utilização de registros como delimitador de setor ou
zona, uma vez que no futuro a estanqueidade ou fechamento adequado dos registros
será quase sempre colocada em dúvida. O excesso de pontas de rede também deve ser
evitado, já que isto não é bom para a equalização das pressões na rede e podem
concentrar resíduos e turbidez quando há deficiência nos filtros das estações de
tratamento e na operação das redes. Pontos de descarga da rede e ventosas devem ser
vistoriados com freqüência e analisados quanto á sua efetiva utilização e funcionamento
adequado.
5.5
Relação entre Pressão e Vazamento
O controle de pressão, através de Válvulas Redutoras de Pressão (VRP), apresenta-se
como uma das ferramentas mais importantes no controle e redução de perdas, sendo
recomendado o seu uso nos sistemas de abastecimento de água, na medida do
necessário. Este controle deve assegurar as pressões mínimas e máximas permitidas
para os consumidores finais, isto é, as pressões estática e dinâmica, que obedecem a
32
limites prefixados, segundo a Norma Técnica NBR 12218/1994, da ABNT – Associação
Brasileira de Normas Técnicas, a pressão estática máxima nas tubulações distribuidoras
deve ser de 500 kPa (50 mca), e a pressão dinâmica mínima, de 100 kPa (10 mca).
Valores fora desta faixa podem ser aceitos desde que justificados técnica e
economicamente.
Sabe-se que, em um sistema de água com alta pressão, ocorre com mais freqüência uma
grande quantidade de vazamentos. Caso uma análise de custo-benefício aponte ser
viável economicamente um controle ativo dos vazamentos, recomenda-se reduzir a
pressão no sistema, com VRP ou com utilização de reservatórios, objetivando a redução
de ocorrências de vazamentos e, por conseqüência, a redução de pressão. Pesquisas
admitem que exista uma estreita relação entre a pressão média na rede e a vazão do
vazamento. Relação expressa pela eq. (2):
Q1/Q2 = (p1/p2)^n1
Eq. (2)
Q1 = Volume do vazamento final – (m³/dia)
Q2 = Volume do vazamento inicial – (m³/dia)
P1 = Pressão Final – (mca)
P0 = Pressão Final – (mca)
N1= Coeficiente da relação pressão x vazamento – Os valores usuais são:
0,5 – seção do tubo que não se altera com o vazamento (exemplos: tubos de ferro fundido
e aço).
1 – Para uma avaliação simplificada, pode-se dizer que na redução de 1% no valor da
pressão de um sistema haverá a redução de 1% no vazamento.
1,15 – Para as condições gerais da rede distribuição de água de um setor, onde se
misturam os materiais, trechos com ferro fundido, PVC, aço, PEAD ou outro tipo de
material.
1,5 – Seção do tubo que altera com o vazamento (exemplos: tubos de PVC e PEAD).
33
De modo geral, quanto mais rígido o material dos tubos, menor a dependência entre
vazamentos e pressão, o que pode ser visto observando os valores de N1, como expoente
da relação (p1/p2).
160
90
Pressão Média
80
Vazão Distribuída Total
120
60
100
50
80
40
60
30
Vazão Consumida
40
20
10
Vazão dos Vazamentos
20
0
0
00 a 01 a 02 a 03 a 04 05 a 06 a 07 a 08 a 09 a 10 a 11 a 12 a 13 a 14 a 15 a 16 a 17 a 18 a 19 a 20 a 21 a 22 a 23 a
01
02
03
04 a 05 06
07
08 09
10
11
12
13
14 15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
Horário
Figura 5. 5 – Variação dos vazamentos com a pressão media ( SABESP, 2007)
5.6 Setorização de Redes e Adequação de Pressões Através de VRP
Uma das características mais marcantes da tecnologia que utiliza Válvulas Redutoras de
Pressão (VRP) é que sua implantação requer, obrigatoriamente, uma área de atuação
bem definida na rede de distribuição de água, isolada por registros limítrofes,
configurando um subsetor (zona de pressão) ou um Distrito Pitométrico (DP). Esse
subsetor de atuação será a área de controle de pressão e, por conseguinte, a base da
gestão operacional e redução de perdas reais. A instalação típica de VRP permite que se
tenha um grande conhecimento das vazões nas tubulações a jusante (medições
contínuas ou intermitentes), além do gerenciamento de alguns pontos de controle na rede.
Quaisquer alterações que venham a ocorrer na rede de distribuição, seja pela introdução
Vazão (m³/h)
Pressão Média no Setor (mca)
70
140
34
de um grande consumidor no sistema, ou pelo incremento do número ou magnitude dos
vazamentos, podem ser rapidamente registradas e equacionadas através de medidas
corretivas (consertos de vazamentos, por exemplo) ou ajustes operacionais da VRP como
a sua recalibração ou novo ajuste, ou nova calibragem. Portanto, para que essa
capacidade de controle e gestão seja possível, é imprescindível que o subsetor definido
pela VRP esteja fechado, garantindo assim os meios de comparação das situações
operacionais a serem avaliadas. A primeira recomendação para que se faça uma boa
instalação de VRP é que não se utilize somente uma VRP, quando há necessidade de
reduzir a pressão de jusante para um valor que seja igual ou menor do que a metade do
valor da pressão de montante.
5.7 Principio de Funcionamento VRP
Existem basicamente dois tipos de válvulas de controle, ou famílias de válvulas:
1. De deslocamento rotativo: válvulas borboleta, válvulas de esfera e registros macho
2. De deslocamento linear: válvula globo e válvula agulha
As Válvulas Redutoras de Pressão (VRPs) empregadas usualmente são do tipo globo,
com um piloto configurado para reduzir a pressão a jusante, inserindo uma perda de
carga singular ao sistema de abastecimento, delimitando um Distrito Pitométrico. VRP é
uma válvula operada hidraulicamente pelo próprio fluido da rede distribuidora de água.
Sua auto-operação é obtida através de um atuador, com câmaras separadas por um
diafragma, que aciona um obturador. O conjunto atuador/obturador é montado sobre um
corpo fundido, introduzindo uma perda de carga que exerce o controle da operação da
rede de distribuição.
Uma instalação típica de VRP reduz a pressão da rede a jusante para uma pressão
constante ou variável, em função de uma programação preestabelecida, independente de
oscilações de pressão e vazão a montante da instalação. Na válvula de saída fixa , a
regulagem é feita através do piloto agregado à válvula; Nas VRPs com saída variável, o
35
controle de pressão a jusante da VRP é feito através de controladores eletrônicos
acoplados. Neste caso a redução de pressão é modulada e varia de acordo com o tempo
ou vazão de demanda, sendo aplicável com maior eficiência onde a perda de carga, no
trecho protegido, é considerável.
O monitoramento, em função do tempo, da pressão a jusante da VRP é uma versão
simplificada da modulação por demanda, e não exige a instalação de hidrômetro. A
programação por tempo visa abaixar a carga da rede distribuidora onde existe maior
tendência de atuação da pressão estática, ou seja, quando o consumo for pequeno,
normalmente no período noturno e final de semana. O controle de pressão a jusante da
VRP, através da atuação na vazão da demanda, constitui-se na melhor automação,
atualmente disponível, em redes distribuidoras de água.
O
CLP
(Controlador
Lógico
Programável),
ou
controlador
eletrônico,
é
um
microprocessador que modula a diminuição ou aumento da pressão de jusante, em
função do horário do dia, compensando a variação de vazão durante o dia e a perda de
carga entre a VRP e os pontos com pressões mínimas (pontos críticos). Conectado a um
medidor de vazão que fornece pulsos de consumo (hidrômetro pulsado), o
microprocessador atua na variação de abertura/fechamento do obturador, conforme a
curva de demanda da área de abrangência (Distrito Pitométrico). O hidrômetro pulsado
fornece dados sistemáticos dos volumes consumidos pela área “protegida”, os quais
servem como parâmetros de decisão para ações corretivas ou preventivas nas redes e
válvulas redutoras de pressão, bem como para as ações de controle de perdas reais.
5.8 Técnicas para Realização de Pesquisa de Vazamentos
Um programa de detecção de vazamentos tem com objetivo:
•
Reduzir as perdas de água no sistema;
•
Aumentar a receita;
•
Adiar a necessidade de investimentos na produção de água potável.
36
Para atingir os objetivos deve-se estruturar a operadora com o número necessário de
equipes para atender à demanda de serviço relacionada às perdas. O programa de
certificação de profissionais e empresas prestadoras de serviços de detecção acústica de
vazamentos não visíveis em redes de distribuição de água realizado pela (ABENDE –
Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos). A certificação dos profissionais se dá
em três níveis:
•
Nível 1 – operador
•
Nível 2 – inspetor
•
Nível 3 – supervisor
No programa, a Abende é responsável pela certificação, o CETRE – Centro de
Treinamento, vinculado à Abende, ministra os treinamentos e a aplicação dos exames
(nível 1 e nível 2). O Profissional Nível 3 necessita fazer os exames (dois teóricos e um
estudo de caso) na Abende.
Recomenda-se a implantação de um sistema de certificação das empresas prestadoras
de serviços, ou seja, a empresa empregadora passará através do Sistema de
Gerenciamento da Qualidade do Fornecedor, avaliar as seguintes comprovações:
•
Posse de equipamentos principais (haste de escuta, geofone e correlacionador de
ruído) e auxiliares (manômetro roda de medição, locador de tubulações metálicas e não
metálicas);
•
Equipes certificadas (N1, N2 E N3) e em quantidade suficiente;
•
Experiência comprovada
•
Estrutura de trabalho organizada com programa de gestão da qualidade.
Recomenda-se que durante o processo de licitação em seus editais de contratação de
serviços de detecção de vazamentos não visíveis a existência de profissionais certificados
nos quadros das empresas licitantes.
37
O envolvimento das empresas de saneamento é fundamental para a continuidade e
melhoria dos serviços relativos à detecção acústica de vazamentos não visíveis em redes
de distribuição de água.
Escolha e uso de equipamentos para pesquisa de vazamentos não visíveis é de extrema
importância para o desenvolvimento dos trabalhos, os equipamentos básicos são:
a)
Haste de escuta mecânica – É uma haste de metal com comprimento de 1,0 e 1,5
m. Essa haste de escuta de ruído é também conhecida como “stick”. É menos sensível
que o geofone eletrônico. A sua faixa de operação situa-se entre 200 a 1500 Hertz.
Detecta ruído de vazamento com mais facilidade na faixa de 600 a 800 Hz.
Figura 5. 6 – Haste de escuta mecânica (SABESP, 2007)
b)
Geofone mecânico – Utiliza o principio do estetoscópio na detecção de
vazamentos. É menos sensível que o geofone eletrônico.
Figura 5. 7 – Geofone mecânico (SABESP, 2007)
38
5.9 Medição
Conjunto de Operações que tem por finalidade determinar o valor de uma grandeza, nos
sistemas de distribuição temos as seguintes variáveis:
•
Macromedição: Volumes Produzidos e/ou disponibilizados a distribuição.
•
Micromedição: Volumes medidos através de Hidrômetros instalados junto aos
clientes.
Volumes estimados: Volumes não medido, avaliados através de parâmetros médios,
estabelecidos por ensaios ou de forma empírica, em geral são volumes utilizados em
manutenções e/ou ações operacionais. Destacamos alguns equipamentos:
Figura 5. 8 – Hidrômetro tipo Woltmann (SABESP, 2007)
39
Figura 5. 9 – Princípio de Faraday (SABESP, 2007)
Elemento secundário
Elemento primário
Figura 5. 10 – Medidor eletromagnético (SABESP, 2007)
40
Figura 5. 11 – Esquemático - Calibração em Bancada (SABESP, 2007)
Figura 5. 12 – Medidor Venturi típico (SABESP, 2007)
41
Figura 5. 13 – Tubo de Pitot (SABESP, 2007)
Figura 5. 14 – Medidor Venturi típico
42
Tabela 5.3 – Periodicidade de manutenção preventiva - hidrômetros
5.9.1 Imprecisão da medição
Representa um componente importante das perdas aparentes de água causadas pela
imprecisão dos equipamentos de medição de vazão dos sistemas de micro e
macromedição. Caracterizam, portanto, a quantidade de água e não com perda de água
propriamente dita.
Índice de Macromedição – IM
O Índice de Macromedição – IM, é similar ao IMD – Índice de Macromedição de
Distribuição, apresentado no DTA A2 que indica a Confiabilidade do Volume
Disponibilizado, expresso pela eq. (3):
Eq. (3)
VPM = Volume Produzido (na área em análise) Macromedido;
VImM = Volume (tratado)Importado Macromedido;
43
VExM = Volumes Exportados (para outra área) Macromedidos;
VP = Volume Produzido;
Vim = Volume Importado;
VEx = Volume Exportado.
O Índice de Macromedição – IM também indica o percentual do volume efetivamente
medido sobre o volume total, conforme eq. (4):
(VTE ‐ VEs) %
IM =
Eq. (4)
VT Onde,
VEs = Volume Estimado, refere-se ao volume de água entregue em um determinado
ponto de entrega, por falta de medidor ou por defeito;
VTE = Volume Total Envolvido, refere-se à soma de todos os volumes que entram e saem
de uma unidade do sistema adutor, sendo assim o volume total envolvido no cálculo do
volume entregue;
O Índice de Adequação da Macromedição – IAM, foi criado a partir da necessidade
apontada por Lambert, citado no Documento Técnico de Apoio A2 do PNCDA (Plano
Nacional de Combate ao Disperdicio de Água), a respeito da verificação da confiabilidade
da informação fornecida pela Macromedição, visto que não é importante somente medir,
mas obter medições através de medidores adequados. Através dele, verificamos o
volume medido através de medidores adequados em relação ao volume medido total,
conforme a eq. (5):
Σ volume medido por medidores adequados X 100
IAM =
Σ volume medido Onde,
% Eq. (5)
44
Somatória dos volumes efetivamente medidos por medidores adequados, é a soma dos
volumes realmente medidos (com expurgo dos estimados).
Somatória dos volumes medidos, é a soma dos volumes que foram medidos, expurgandose os volumes estimados.
Índice de Eficiência de Produção de Água Tratada – IRPAT
O índice de eficiência utilizado na Companhia para analisar o desempenho de cada
Estação de Tratamento é o IRPAT – Índice de Rendimento de Produção de Água Tratada,
calculado através da seguinte eq. (6):
%
Eq. (6)
Onde,
Vol. Água Bruta Aduzido - Compreende a quantidade total de água bruta aduzida para a
ETA , num determinado intervalo de tempo;
Vol. Água Produzido - Compreende a quantidade total de água tratada quantificada após
a saída da ETA, num determinado intervalo de tempo.
O Índice IRPAT é complementar ao Índice de Perda Física na Produção (PFP), definido
no DTA A2 como mostrado na eq. (7): :
% Eq. (7)
Onde,
VC = Volume captado de água bruta que aduzido à ETA ( m³);
VP = Volume efluente, é o volume produzido, medido na saída da ETA;
45
6. ESTUDO DE CASO
O conceito de DMC - não é novo, sendo que já em 1880 foram feitas as primeiras
medições de vazão mínima noturna nos Estados Unidos, na cidade de Boston – WRC
(Water Research Commission); Deacon Meter Waste Metering (medição da mínima
vazão noturna com hidrômetro Deacon); Foi introduzido no Japão a partir de 1950 e na
Grã-bretanha em meados de 1980 (Leakage Control Policy and Practice - Relatório 26
- Redução de perdas físicas (WRC - Water Research Commission). São conceitos
fundamentados na mentalidade de trabalho preventivo, contrariamente a mentalidade
que existe em vários países, que possuem apenas a visão corretiva dos problemas.
Garantir a continuidade do abastecimento e melhoria da confiabilidade do sistema de
abastecimento, em termos de redução do número de acidentes e manutenções
corretivas, esta diretamente relacionado com o controle das pressões e vazões do
sistema, este estudo apresenta as técnicas de implantação e monitoramento do
Distritos de Medição e Controle - Leonardo de Fássio, técnica essas utilizadas com
sucesso em vários centros urbanos do mundo.
Os principais conceitos e normas utilizados no estudo referem-se a Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, de acordo com a norma brasileira NBR
12.218- ABNT - Projeto de Rede de Distribuição de Água para Abastecimento Público
são apresentadas as seguintes definições e parâmetros sobre DMC:
− Item 3.3 Setor de medição: Parte da rede de distribuição perfeitamente delimitada e
isolável, com a finalidade de acompanhar a evolução do consumo e avaliar as perdas
de água na rede.
− Item 5.8 - Setor de manobra
Subitem 5.8.1: A operação do setor de manobra deve garantir o abastecimento do
restante da rede com as vazões previstas e dentro dos limites de pressão
especificados – Pressão estática máxima deve ser de 500 kpa e pressão dinâmica
mínima, 100 kpa.
46
Subitem 5.8.2: O setor de manobra deve abranger uma área que apresente uma ou
mais das seguintes características:
• Extensão de rede (m)...........7.000 a 35.000;
• Número de economias..........600 a 3.000;
• Área (m²)...........................40.000 a 200.000
Item 5.9 - Setor de medição
• Subitem 5.9.1: O setor de medição deve, preferencialmente, abranger consumidores
da mesma categoria residencial, comercial ou industrial.
• Subitem 5.9.2: Não deve ser necessário fechar mais de 20 válvulas para isolar um
setor de medição;
• Subitem 5.9.3: A extensão máxima de rede abrangida pelo setor de medição é de 25
km;
• Subitem 5.9.4: A alimentação do setor de medição deve ser feita pelo menor número
viável de pontos;
• Subitem 5.9.5: Os medidores de vazão na entrada dos setores de medição e os
medidores de pressão, nos pontos de controle de rede, podem ter previsão de
instalação permanente para sua inserção, quando da realização dos ensaios. Não há
especificação normalizada pela ABNT sobre DM(Distrito de Microzona), pressupondose, daí, que se deva buscar operar um número mínimo de válvulas para isolar um
trecho de rede.
Neste parágrafo descreve-se algumas Normas e Conceitos Internacionais. Um Time
de Especialistas da IWA redigiu a “District Metered Areas – Guidance Notes”, visando
criar um material orientativo sobre DMCs, onde os vários tópicos que abrangem esse
assunto são tratados de modo direto e prático, reforçando a importância de sua
implantação na gestão dos sistemas de distribuição. Na Austrália foram criados
manuais denominados Managing and Reducing Losses from Water Distribution
Systems (Gerenciamento e Redução das Perdas em Redes nos Sistemas de
Distribuição de Água), que discorrem sobre os vários tópicos ligados ao assunto, de
modo muito prático, visando sua utilização por todo o pessoal técnico que está direta
ou indiretamente ligado ao processo de distribuição de água. A vantagem desse
47
material é sua apresentação clara, sendo que o Manual 4 trata diretamente sobre o
assunto deste trabalho. O título do manual 4 é: Establishing Pressure Management
Zones
and
District
Metered
Areas:
The
Toolkit,
ou
numa
tradução
livre,
“Gerenciamento de Pressões e Áreas de Distritos de Medição” Os parâmetros para
DMC sugeridos pela tanto pela IWA quanto pelo MANUAL AUSTRALIANO podem ser
resumidos da seguinte forma:
• O tamanho ideal para um DMC depende do tipo de uso encontrado na área em
estudo, podendo variar entre 500 e 2500 ramais.
• Levar em consideração a existência de indústrias, hospitais e outros consumidores
especiais na área.
• Se possível, agrupar em um único DMC as áreas semelhantes, como por exemplo,
residenciais, comerciais ou industriais.
• Deve se levar em conta a topografia, número de conexões, posição das válvulas
limítrofes, integridade da área, etc.
Em Portugal o IRAR, Instituto Regulador de Águas e Resíduos, criou uma série de
Guias Técnicos que versam sobre saneamento, sendo que o Guia Técnico 3 trata
especificamente sobre controle de perdas, onde a gestão de perdas é colocada com
parte integrante da gestão dos sistemas. Baseados nos conceitos preconizados pela
IWA e levando em conta as experiências portuguesas e européias, O Guia Técnico
abrange de modo minucioso a importância da metodologia das “ZMC”(Zona de
Medição e Controle), denominação estabelecida em Portugal para os DMC.
Para o efetivo sucesso da implantação dos Distritos de Medição e Controle para
diminuição do índice de perdas é fundamental o envolvimento de todas as áreas
envolvidas; comercial, operacional e engenharia.
48
6.1 Ações de readequação do setor Interlagos
Para a implantação do DMC Leonardo de Fássio uma análise mais criteriosa das
condições atuais e futuras do setor de abastecimento Interlagos, foi realizada. Através
de modelagem hidráulica pelo programa Watercad, verificaram-se em conjunto com a
MAGG (Unidade de Produção de água), os tramos ABV / Interlagos / São Luiz, onde
foi identificado a necessidade de readequação do setor conforme mostrado na figura
6.1.
Figura 6. 1 – Sistema Produtor ABV – Tramos Setor Interlagos
49
Figura 6. 2 – Instalação de válvula de bloqueio
entre os grupos 3 e 4 da EEA Socorro
Figura 6. 4 – Instalação da válvula
telecomandada
Figura 6. 3 – Interligação do barrilhete da EEA
Socorro com a nova adutora 1200mm
Figura 6. 5 – Interligação da nova chegada de água ao reservatório
50
6.2 Implantação do DMC Leonardo de Fássio
Ações executadas para a implantação do DMC – Leonardo de Fássio
9 Estudo para implantação dos Distritos de Medição e Controle
9 Verificação das válvulas limítrofes para criação do setor da VRP e dos DMC’s
9 Teste de estanqueidade dos DMC’s
9 Verificação das condições operacionais da VRP
9 Instalação de controlador – Ecowatt e otimização da VRP
9 Instalação de três válvulas gaveta DN 75 mm
9 Substituição de 13 válvulas gaveta DN 75 mm
9 Descobrimento de 25 válvulas gaveta
9 Interligação de rede 75 x 75 mm na Rua Tchecoslováquia para ajuste da
setorização
9 Indicação dos pontos de medição
51
Figura 6. 6 – limites setores para controle de perdas
(Fonte: área de manobra, divisão de controle de perdas e SIGNOS, SABESP 2008)
52
Figura 6. 7 – DMC Instalação de medidor de vazão data logger
53
6.2.1 Infra-estrutura
Um dos principais fatores para o controle de perdas através da implantação do DMC e
conhecer efetivamente as condições da infra estrutura da área de estudo, como já
mencionado anteriormente o indicador de vazamento na infra estrutura é calculado pela
relação entre as perdas reais que ocorrem no sistema e as perdas mínimas inevitáveis
que deveriam ocorrer nesse sistema. Ou seja, expressa o quanto um determinado
sistema esta próximo ou distante de uma possível condição ideal da sua infra-estrutura.
Abaixo apresenta-se os dados de redes (extensão, material, diâmetro, idade - redes
primárias e secundárias).
Tabela 6.1 - Diâmetro, material e extensão das redes Primárias
Tubulação de Adução
DMC
Leonardo de Fássio
Material
FOFO
Total
Ø mm
AÇO
(FERRO FUNDIDO
Total (m)
200
4
0
4
300
78
19
97
350
37
0
37
450
0
117
117
1000
415
8162
8577
1200
4718
0
4718
1450
113
0
112
1500
512
0
512
2500
1632
0
1632
7509
8298
15807
(Fonte: setor de cadastro sul, MSED-1 SABESP)
54
Tabela 1- Diâmetro, material e extensão das redes secundárias
Tubulação de Distribuição
DMC
Leonardo de Fássio
Material
FOFO
Ø mm
Não Definido
(FERRO FUNDIDO)
PEAD
PVC
Total (m)
Não Definido
1542
0
0
0
1542
32
0
0
1376
0
1376
75
616
85559
0
23840
110015
100
0
5031
0
0
5031
150
0
7740
0
0
7740
200
0
10104
0
0
10104
250
0
2946
0
0
2946
300
0
3812
0
0
3812
350
0
2264
0
0
2264
400
0
4282
0
0
4281
450
0
10
0
0
10
500
0
1141
0
0
1141
600
0
1367
0
0
1367
700
0
601
0
0
601
1500
0
48
0
0
48
Total
2158
124901
1376
23840
152275
(Fonte: setor de cadastro sul, MSED-1 SABESP)
55
Tubulação - Diâmetro (mm) - Comprimento (m)
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
0,00%
não definido
representação
32 a 200mm
250 a 300mm 350 a 400mm 450 a 600mm 650 a 1500mm
1542
134266
6758
6545
2517
648
1,01%
88,17%
4,44%
4,30%
1,65%
0,43%
Gráfico 6.1 – Infra-estrutura extensão de rede por Diâmetro
(Fonte: setor de cadastro sul, MSED-1 SABESP)
Tubulação - Idade das redes (anos) - Comprimento(m)
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
20,00%
0,00%
Representação
0 A 5 anos 05 A 10 anos10 A 15 anos15 A 20 anos20 A 25 anos25 A 30 anos > 30 anos
2714
3141
566
254
433
3674
123577
2,02%
2,34%
0,42%
0,19%
0,32%
2,73%
91,97%
Gráfico 6.2 – Infra-estrutura extensão de rede por ano de assentamento
(Fonte: setor de cadastro sul, MSED-1 SABESP)
56
6.2.2 Macromedição
O Método utilizado para o Controle da vazão foi através da Instalação de controlador –
Ecowatt onde foi possível obter a curva característica da vazão do setor (DMC) e obter
resultados mais significativos com a otimização da VRP, conforme representado pela
figura 6.8.
Figura 6.8 – Vazão mínima noturna
26/03/08 a
31/03/08
16/05/08 a
20/05/08
11/06/08 a 15/06/08
(Fonte: Divisão de Distribuição da Operação Sul, SABESP)
27/06/08 a
30/06/08
01:45:00
13:15:00
00:45:00
12:15:00
23:45:00
11:15:00
22:45:00
10:15:00
21:45:00
09:15:00
20:45:00
08:15:00
19:45:00
07:15:00
18:45:00
06:15:00
17:45:00
05:15:00
16:45:00
04:15:00
15:45:00
03:15:00
14:45:00
02:15:00
13:45:00
01:15:00
12:45:00
00:15:00
11:45:00
23:15:00
290
280
270
260
250
240
230
220
210
200
190
180
170
160
150
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
10:45:00
l/s
DMC Leonardo de Fássio Vazão
57
Vrp Leonardo de Fassio Pressão
Pressão Jusante
Pressão Montante
Água passando pela VRP
2º Regulagem
00:00 às 06:00 30mca
06:00 às 00:00 10mca
3º Regulagem
00:00 às 06:00 28mca
06:00 às 00:00 07mca
10:45:00
1º Regulagem
00:00 às 04:00 32mca
04:00 às 00:00 15mca
45
22:45:00
50
40
35
25
20
15
10
5
(Fonte: Divisão de Distribuição da Operação Sul, SABESP)
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
10:45:00
22:45:00
0
10:45:00
mca
30
58
6.2.3 Caracterização do consumo
O controle dos consumos na área do DMC Leonardo de Fássio é feito pelo Departamento
Comercial Sul – Escritório Regional Capela do Socorro onde através de leitura mensal
dos hidrômetros, instalados conforme a categoria de uso e consumo, apurado o consumo
mensal através do sistema CSI (Sistema Comercial de Informações). Com características
comerciais
descritas
anteriormente
o
faturamento
alcançado
do
setor
é
de
aproximadamente R$ 1 747 000,00 / mês, com volume macromedido de 358 400m³ / mês
e volume micromedido – 255 536m³ / mês.
Tabela 6.3 - Quantidade de economias, por tipo de consumo
ESCRITÓRIO REGIONAL CAPELA DO SOCORRO
Total Ligações
Ligações TL 0
Ligações TL 1
Ligações TL 2
Ligações Cortadas
Ligações Excluídas
Ligações Suprimidas c/ Retirada Hidro
Ligações Suprimidas s/ Retirada Hidro
Ligações Potenciais
Ligações Normais
13.682
922
12.710
50
9
326
169
604
0
12.574
Classificação por Economias
Residenciais
Comerciais
Industriais
Públicas
13.621
2.264
615
33
Consumo m3/mês
Consumo Medido
422.500
(Fonte: Departamento Comercial Sul - CSI, 2008)
Para o incremento de faturamento e recuperação de receita realizaram-se ações
relacionadas à redução de perdas aparentes executadas pela área comercial, dentre elas
podemos destacar:
ƒ
Reativação de 151 ligações inativas;
ƒ
Troca de 1734 hidrômetros;
ƒ
Leitura diária da VRP.
59
6.2.4 Balanço hídrico
Para discretização das perdas dentro do setor DMC Leonardo de Fássio foi utilizou-se o
programa WB – EasyCalc alimentado com as informações fornecidas do banco de dados
do Sistema Comercial Informações e cadastro técnico da Unidade de Negócio Sul SABESP. Sendo o produto em causa a água, que é necessário captar, tratar e transportar
até aos locais de consumo, torna-se evidente e necessário um sistema eficiente e eficaz.
O objetivo de qualquer entidade gestora de sistemas de abastecimento de água é pôr à
disposição do maior número possível de cidadãos da sua área de jurisdição, a água de
que eles necessitam:
A quantidade de água perdida é um indicador importante da eficiência de uma entidade
gestora, tanto em termos absolutos num dado momento, como em termos de tendência
ao longo dos anos. Volumes anuais altos e com tendência para aumentar são um
indicador de ineficácia no planejamento e construção, bem como de deficiente
manutenção e operação do sistema (Hirner W., et al, 1995).
Tabela 6.4 - Balanço Hídrico DMC Leonardo de Fássio
60
Tabela 6.5 – Indicadores de Performance
Nível de serviço
Melhor
estimativa
Margem
de erro
[+/- %]
Limite
inferior
Limite
superior
24,0
0%
24,0
24,0
30,0
2%
Volume de perdas reais
29,4
30,6
Tempo de abastecimento médio
[h/dia]
Pressão média [m]
AAPF - Volume Anual Atual de
Perdas Reais (m3/ano)
1.227.630
8%
1.126.226
1.329.034
MAPF - Volume Mínimo Atingível de
Perdas Reais (m3/ano)
146.375
2%
143.868
148.882
Indicadores de Performance de perdas reais
Índice Infra-estrutural de Perdas (IIE)
8,4
8%
8
9
265
8%
243
287
Litros por ligação por dia por metro
de pressão (q.s.p.)
9
9%
8
10
0
1,12
9%
1,02
1,22
Litros por ligação por dia (q.s.p.)
q.s.p.: quando o sistema está
pressurizado - isto significa que o
valor já está corrigido no caso de
intermitência no abastecimento
Indicadores de Performance de perdas aparentes
Perdas Aparentes expressa em % do
volume de entrada no sistema
17%
0%
16%
17%
Indicadores de Performance financeira
Volume de água não faturada
expressa em % do volume de
entrada no sistema
Valor da água não faturada expressa
em % do custo operacional anual
37%
8%
34%
40%
0%
8%
0%
0%
Matriz de Avaliação de Perdas Reais
61
País em
País
Desenvolvimento Desenvolvido
Categoria de
performance
técnica
litros/ligação/dia
ILI
(quando o sistema está pressurizado) numa
pressão média de:
10 m
20 m
30 m
40 m
50 m
A
1–2
< 50
< 75
< 100
< 125
B
2–4
50-100
75-150
100-200
125-250
C
4–8
100-200
150-300
200-400
250-500
D
>8
> 200
> 300
> 400
> 500
A
1–4
< 50
< 100
< 150
< 200
< 250
B
4–8
50-100
100-200
150-300
200-400
250-500
C
8 – 16
100-200
200-400
300-600
400-800
500-1000
D
> 16
> 200
> 400
> 600
> 800
> 1000
A
Redução adicional de perda pode não ser econômica, ao menos que haja
insuficiência de abastecimento; são necessárias análises mais criteriosas para
identificar o custo de melhoria efetiva
B
Potencial para melhorias significativas; considerar o gerenciamento de pressão;
práticas melhores de controle ativo de vazamentos, e uma melhor manutenção
da rede
C
Registro deficiente de vazamentos; tolerável somente se a água é abundante e
barata; mesmo assim, analise o nível e a natureza dos vazamentos e intensifique
os esforços para redução de vazamentos
D
Uso muito ineficiente dos recursos; programa de redução de vazamentos é
imperativo e altamente prioritário
62
7. ANÁLISE DOS RESULTADOS
O envolvimento de todos os departamentos no desenvolvimento dos estudos, execução e
calibração dos dados foi de extrema relevância para o desenvolvimento dos trabalhos,
assim pode-se observar conforme a tabela abaixo o volume recuperado e a ser
recuperado com as praticas descritas neste trabalho. A metodologia adotada, é a descrita
nos manuais intitulados como “Indicadores de Desempenho para Serviços de
Abastecimento de Água”, edição de 2004, sendo uma adaptação para português da
publicação “Performance Indicators for Water Supply Services” – Manual of Best Pratice,
bem como mais recentemente, na publicação “Controlo de Perdas de Água em Sistemas
Públicos de Adução e Distribuição”, sendo ambas publicações editadas conjuntamente
pelo IRAR e LNEC.
Tabela 6.6 – Descrição dos Serviços executados dentro do DMC
63
Figura 6.9 – Mapeamento dos vazamentos
Figura 6.10 – Redução do VD
m³(milhares)
4000
3500
3000
3 206,39
3 276,71
3 250,84
3 172,80
3 115,30
3 061,58
2 882,80
2500
2 874,48
2 757,27
2000
out/07
nov/07
dez/07
jan/08
fev
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
(Fonte: Divisão de Distribuição da Operação Sul, SABESP)
Verificou que em 105 dias de operação houve uma economia de 450 000m³ ou 128 000
m³/mês (redução de 9%), com a redução da pressão média: de 60 mH2o p/ 40 mH2o
(diurna); e de 60 mH2o p/ 22 mH2o (noturna). A Redução do IPDT (litros / ligação x dia) de
64
452 l/ligxdia p/ 392 l/ligxdia, e obteve-se a redução da idade média dos hidrômetros de 5,2
para 4 anos; com a análise financeira considerando a redução de perdas e a diminuição
com gastos de manutenções obteve uma economia de R$330.350,00.
Tabela 6.7 – Projeção de economia
Cabe destacar neste momento que os trabalhos hora apresentados representam
apenas ações da primeira etapa, para as próximas etapas se prevê a atuação em
cada DMC conforme ilustrado na figura 6.7, com previsões de obter ganhos ainda
mais significativos
Ciclos de ações a serem executadas em cada uma das áreas (DMC);
9 Medição de vazão mínima noturna;
9 3 Ciclos de pesquisas de vazamento;
9 Trocas de ramais preventivas e corretivas;
9 Combate as inativas.
9 Piloto de detecção de vazamento com a utilização de Permalogger (sensores de
ruídos dataloggers) no DMC;
65
8. CONCLUSÕES
Os resultados obtidos na aplicação do método utilizado na área do DMC – Leonardo de
Fássio reduziu o indicador IPDT de 452 l/ligxdia para 392 l/ligxdia, traduzem o grau de
comprometimento da diretoria e dos funcionários nos processos, também a conservação
da infra-estrutura; e, avanços tecnológicos, culminando na saúde da empresa. A melhoria
constante destes índices é exigida na outorga de retirada de água bruta e na aquisição de
financiamentos. Manter a redução constante do índice depende da continuidade do
acompanhamento e controle do DMC, na medida do possível, este trabalho buscou
identificar, alguns benefícios diretos da adoção do método, à medida que as ações de
compatibilização do volume de água que esta entrando no setor, bem como o que esta
sendo consumido, conhecendo as perdas, otimizando o controle, agregando mais fatores
de decisão e análise para os trabalhos de pesquisa de vazamento, controle e
gerenciamento de pressão, melhoria da infra-estrutura, troca de hidrômetros, combate a
fraudes e ligações irregulares e acerto cadastral. A Redução de Perdas deve ser uma
preocupação constante das Companhias de saneamento em todos os continentes,
através de convênios de cooperação com foco na transferência de conhecimento e
tecnologia. Promover e implantar projetos visando resultados de curto, médio e longo
prazo exige a participação e colaboração de todas as áreas, principalmente da
manutenção e operação, fator fundamental na redução de perdas.
66
9. RECOMENDAÇÕES
No setor do saneamento básico faz-se necessário a criação de projetos de cooperação
técnica com vistas à transferência de conhecimentos e tecnologia de modo a reduzir e
combater o desperdício de água, com o objetivo de coletar informações relacionadas ao
saneamento e coordenar projetos de pesquisas em grande escala, com a participação de
indústrias, universidades e empresas do setor. Priorizando, inicialmente ações corretivas
com pesquisa de vazamento e reparo de vazamento e num segundo momento, ações
preventivas com renovação da infra-estrutura, aplicando novas tecnologias através de
parcerias com fabricantes de produtos do setor. A melhoria dos resultados através da
diminuição ou eliminação das perdas deve ser encarada como uma batalha constante, as
companhias devem implantar controles que permitam identificar as perdas e as causas
principais tais como: equipamento ou ferramenta inadequada, operador mal treinado,
produtos sem qualidade ou inadequado, falta de instruções precisas de padrões de
trabalho, controles de pressões e vazões no setor. É importante também, que a empresa
conheça algumas ferramentas gerenciais muito utilizadas para a diminuição de perdas
tais como o "CEP" - Controle Estatístico de Processo. O CEP permite identificar as perdas
no momento em que começam a aparecer, permitindo a sua correção imediata. Outras
ferramentas gerenciais tais como as Normas ISO, trazem como resultado melhoria nos
processos, diminuindo sensivelmente as perdas. É importante concluir que o esforço para
diminuição das perdas não deve ser encarado como uma ação imediatista (apenas para
corrigir o que hoje foi feito errado), mas como um programa permanente.
67
10. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, curso de redução de
vazamentos. ABES, 2001.
AESB e ASSEMAE. Reunião de perdas físicas/faturamento. Associação das Empresas de
Saneamento Básico Estaduais – AESBE, e Associação Nacional dos Serviços Municipais
de Saneamento – ASSEMAE, 1998. Comunicação oral. Brasilia, DF, 1997.
Alves, W.C., Niida, O.I., Gonçalves, E., Sanchez, J.G. Macromedição – DTA D2 –
Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água - PNCDA. Brasília, 2004.
BESSEY, S.G.; LAMBERT, A. Managing Leakage – REPORT B – Report comparative
Leakage performance. Water Research Centre / Water Services Association / Water
Companies Association. Association, 1994.
COELHO, Adalberto Cavalcanti. Medição de Água, Política e Prática. Recife: Editora
Comunicarte, 1996.
CONAUT. Medidores Magnéticos de Vazão. São Paulo, mai/2002.
DANTAS, M. P.; GONÇALVES, E,; MACHADO, M. R. Setorização de redes de
distribuição de água e controle de pressão voltados para o controle de perdas. 20º
Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, 1999.
DTA A1. Apresentação do programa – Programa Nacional de Combate ao Desperdício de
Água. Ministério do Planejamento e Orçamento – Secretaria de Política Urbana, 1998.
DTA A2. Indicadores de perdas nos sistemas de abastecimento de água - Programa
Nacional de Combate ao Desperdício de Água. Ministério das Cidades, 2004
DTA D1. Controle de pressão na rede – Programa Nacional de Combate ao Desperdício
de Água. Ministério do Planejamento e Orçamento – Secretaria de Política Urbana, 1998.
68
GOMES, A.S – organização – Séries de Guias Práticos – Técnicas de operação em
Sistemas de Abastecimento de Água – Brasília Ministério das Cidades, SNSA, 2007.
IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Calibração em
Campo e Avaliação de Erros de Estações de Macromedição de Água com
Medidores de Vazão por Diferencial de Pressão (Deprimogêneos) - Metodologia, São
Paulo, mai/2001.
LNEC, ISA (2001): Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água, Lisboa, Ministério
do Ambiente e do Ordenamento do Território e Instituto da Água.
SABESP,
Estudo
prospectivo
e
da
tecnologia
de
saneamento
da
SABESP.
Superintendência de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico. Diretoria Técnica e Meio
Ambiente da Sabesp. São Paulo, Dezembro de 1997.
SABESP, Divisão de Desenvolvimento do Sistema de Abastecimento de Água Sul –
Sabesp, Artigo Controle e Redução de Perdas – Estudo de Caso Setor Santo Amaro –
R.M.S.P. – SABESP, Maria Aparecida Conceição Kelm e Osvaldo Ioshio Nilda.
SABESP – Assessoria para Desenvolvimento Tecnológico – TVV. Norma Técnica
SABESP NTS 066 – Medidor de vazão Eletromagnético para uso em água – Rev. 01,
São Paulo, ago/2001.
SABESP – Assessoria para Desenvolvimento Tecnológico – TVV. Norma Técnica
SABESP NTS 181 – Dimensionamento de ramal predial de água e do hidrômetro,
São Paulo, dez/2004.
Termos técnicos e conceitos fundamentais extraídos da bibliografia Tsutiya, Milton
Tomoyuki – Abastecimento de água / 1ª edição – São Paulo – Departamento de
Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
2004. XIII – 643 p.
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perdas de água no sistema de distribuição para abastecimento