Relatório – Projeto Piloto – CIAPES
Coordenadora: Profª. Drª. Adriana Rocha Bruno
Gerência: Profª. Drª. Léa S. S. Pinto
Introdução
O ensino é uma profissão tão paradoxal que quem a exerce deveria possuir,
ao mesmo tempo, as qualidades de estrategista e de tático de um general do
exército; as qualidades de planejador e de líder de um dirigente de
empresa; a habilidade e a delicadeza de um artesão; a destreza e a
imaginação de um artista; a astúcia de um político; o profissionalismo de
um clínico-geral; a imparcialidade de um juiz; a engenhosidade de um
publicitário; os talentos, a ousadia e os artifícios de um ator; o senso de
observação de um etnólogo; a erudição de um hermeneuta; o charme de um
sedutor; a destreza de um mágico e muitas outras qualidades cuja lista
seria praticamente ilimitada. (Barlow, 1999, p. 145).
A epígrafe escolhida para este texto, ainda que possa indicar ousadia no tocante a
docência, sinaliza as múltiplas visões, desafios e possibilidades que os profissionais da
Educação assumem e enfrentam, cotidianamente.
A educação superior tem se deparado com um grande desafio: a formação didática de
docentes. Este segmento tem recebido professores formados para atuação em pesquisa, visto
que os modelos alemão e norte americano em que se alicerçam os cursos de pós-graduação
stricto sensu brasileiros pautam-se em processos investigativos: “separa-se aí a pesquisa do
ensino, deixando à graduação a responsabilidade de formação dos quadros profissionais (...) e
destinando à pós-graduação a responsabilidade da pesquisa” (PIMENTA, ANASTASIOU,
2002, p. 152).
É sabido que os professores da educação superior são formados para o
desenvolvimento de pesquisas e, não necessariamente, para o ensino. No entanto, são os
cursos de pós-graduação os verdadeiros ‘certificadores’ da docência universitária,
considerando que os programas de mestrado e doutorado em áreas diversas
se voltam para a formação de pesquisadores em seus campos específicos, e
não à formação de professores, permanecem estes sem condições
institucionais de se formar na docência (ibid., p. 154)
Tal demanda desdobrou-se em um processo de carência na formação didática. Nessa
direção, a formação para a docência universitária tem se configurado em um cenário um tanto
frágil, que gesta profissionais com lacunas na ação de ensinar. A seu turno, as instituições de
1
ensino superior têm assumido com maior intensidade tais problemas, especialmente a partir da
expansão de vagas docentes nas instituições públicas, com o Programa de Apoio a Planos de
Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) – instituído pelo Decreto nº
6.096 (BRASIL, 2007), uma das ações do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDE).
Se, por um lado, a educação básica tem sido alvo de investimento público na formação
de docentes ao longo das últimas décadas, a educação superior tem sofrido de uma carência
significativa na formação para a docência dos que integram os quadros de professores
universitários.
Diante de tal cenário restam às instituições de ensino buscar alternativas para a
formação docente neste campo e tal desdobramento encontra nas experiências desenvolvidas
na e para a Educação Básica seus exemplos (ou contra exemplos). Especificamente a UFJF,
identificando tal situação, tem buscado algumas alternativas para superar este desafio e, por
meio da Coordenação de Inovação Acadêmica e Pedagógica do Ensino Superior – CIAPES,
da PROGRAD-UFJF, desenvolve ações formativas para a docência na educação superior,
destinadas aos professores da instituição.
Tais ações formativas estão alicerçadas na compreensão e em propostas que implicam
nos múltiplos letramentos necessários para a docência nos tempos atuais. Nesta direção,
pesquisa e ensino se integram e não devem se cindir como vem ocorrendo em muitos
contextos.
Um dos caminhos para estas ações formativas, considerando as relações
espaçotemporais dos docentes da educação superior, pauta-se em atividades constituídas no
que temos denominado de Educação Híbrida (BRUNO, 2012), com ações fundamentadas na
Educação Aberta1, que integram encontros e atividades presenciais e online ou mediadas pelas
Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). Este formato tem se ajustado às
demandas apresentadas pelos docentes, pois atende às subjetividades e especificidades do
contexto dos professores da Universidade.
Breve Histórico de ações da CIAPES: pesquisa e ensino para múltilos letramentos
1
A Educação Aberta é um movimento que ganhou força a partir da década de 1970, baseado nos pensamentos de
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), na França, de Liev Tolstói (1828-1910), na Rússia, e no pensamento
progressista americano das décadas de 1920-30. Atravessou décadas e tem sido significativamente explorada,
especialmente a partir dos estudos sobre Recursos Educacionais Abertos (REA) e Massive Open Online Courses
(MOOC). Para aprofundar esta temática recomendamos Peters (2003) e Santos (2012).
2
A CIAPES foi criada em 2011 e tem buscado ações formativas para auxiliar a docência
no Ensino Superior da UFJF. Em 2011 e início de 2012 esta coordenação promoveu uma
pesquisa, por meio de questionários destinados a professores e alunos da UFJF. Ela buscava
mapear a relação didático-pedagógica que aqueles sujeitos estabeleciam com os processos de
ensino e de aprendizagem. As questões versavam sobre estratégias e recursos didáticos mais
utilizados. Tivemos mais de 512 docentes e 8398 estudantes (presenciais) respondentes ao
questionário, número significativo, que representa mais de 50% do total de docentes e
discentes da UFJF. Com estes dados – que sinalizaram o predomínio de aulas expositivas
dialogadas e uso de PowerPoint –, somados a uma pesquisa desenvolvida pela CIAPES, em
que se buscou conhecer ações formativas para docentes do ensino superior desenvolvidas em
outras instituições federais, aliadas à experiência pedagógica da equipe de coordenação,
desenvolveu-se um Projeto Piloto denominado “Ações Formativas para a Docência no Ensino
Superior”. O projeto contou com a parceria dos professores da UFJF. Ocorrido no período de
maio de 2012 a março de 2013, contou com a participação e colaboração de docentes da UFJF
(Farmácia, Enfermagem, Engenharias, Institutos de: Artes e Design, Biológicas, Exatas e
Humanas, Letras, Educação, Economia, Odontologia, Medicina, Direito, Serviço Social). Tal
fato foi fundamental para o planejamento de um programa de ações formativas que atendesse
às demandas dos professores da UFJF. Optou-se por trabalhar junto a professores ingressantes
em 2011, por compreendermos que haveria convergência com a atuação destes, como
parceiros do Projeto Piloto, a saber: 1) possuírem mais tempo disponível para dedicação às
ações propostas, pois, por terem ingressado recentemente, ainda não estariam totalmente
consumidos pelas demandas da universidade e da vida acadêmica; 2) apresentarem um olhar
exotópico, no sentido bakhtiniano, e ideias potencializadoras e oxigenadas por quem está
iniciando um trabalho em uma nova instituição. O convite foi endereçado a 94 docentes.
Foram desenvolvidos dois módulos de formação, sob responsabilidade da
CIAPES/PROGRAD: o primeiro ocorreu durante os meses de maio e junho de 2012 e o
segundo, semipresencial, iniciou-se no final de outubro de 2012 e foi finalizado em 19 de
março de 2013. As ações formativas destes módulos foram divididas em dois momentos: um
de fundamentação teórica, com palestras ministradas por pesquisadores de outras instituições
de ensino superior, referências nas temáticas escolhidas para o Projeto Piloto: a) Docência no
Ensino Superior (Profª. Drª. Cristina D’Ávila - UFBA/UEBA); b) Tecnologias da Informação
e Comunicação no Ensino Superior (Prof. Dr. José Armando Valente (UNICAMP/PUCSP);
outro momento, semipresencial e teórico-prático, que utilizou um AVA e contou com dois
encontros presenciais, no início e no final do processo. Por meio deste módulo foram
3
oferecidas unidades de fundamentação teórica, com múltiplos materiais disponibilizados
digitalmente (vídeos e áudios, webconferências, artigos, e-books, apresentações em slides,
fóruns de discussão e de dúvidas etc.) e foi proposta a realização de uma única atividade – A
Criação de um Projeto de Ensino Inovador – desmembrada em três partes e acompanhada por
docentes da UFJF e por professores tutores.
Cabe destacar que compreendemos por inovação qualquer ação docente que seja
desafiadora para o professor e que ele nunca tenha desenvolvido. Não se trata de algo inédito,
mas de “innovare” – do latim renovar ou “in-novare”, tornar novo para aquele docente, de
modo a se constituir em uma prática transformadora de sua ação pedagógica. O projeto foi
realizado colaborativamente e com a opção de que os professores pudessem desenvolvê-lo
também em parceria, o que eventualmente ocorreu, integrando áreas, olhares, práticas e
conhecimentos. Neste cenário, a compreensão do significado de letramento(s) é importante,
pois este conceito tem permeado os objetivos das ações desta coordenação.
Para Bruno (2007), “o letramento está totalmente associado ao desenvolvimento da
cidadania e da criticidade” (p.134), pois implica em ações de intervenção social, cultural dos
sujeitos por meio das linguagens e, portanto, falamos de letramentos.
Foi este o sentido de letramento auferido às ações formativas desenvolvidas. Não se
trata de desenvolvermos somente o que chamamos de alfabetização digital, ou seja, a
instrumentalização, a aquisição de informações e habilidades para utilização e manuseio de
determinados artefatos (digitais ou não), mas compreendemos a formação docente como algo
amplo, complexo, daí o sentido dos letramentos.
Nos dois módulos tivemos a participação voluntária de 74 professores, em um total de
94. No módulo semipresencial, o mais longo, computamos mais de 61% de acessos ao AVA
Moodle. Neste módulo, os professores participaram mais intensamente do desenvolvimento
dos projetos propostos, interagindo e ajudando a repensar as propostas. Esse envolvimento
potencializou o resultado, culminando em um encontro presencial final muito rico, com
apresentações de projetos, propostas, comentários e sugestões.
O diálogo crítico com os professores da UFJF que aceitaram o desafio de debater os
múltiplos aspectos afeitos à docência nos tempos atuais foi a tônica do Projeto. Isso fomentou
uma avaliação muito positiva, por parte dos participantes, com intensos elogios à proposta,
aos materiais produzidos e socializados, aos palestrantes, às dinâmicas realizadas e,
especialmente, aos debates e trocas ocorridas entre os docentes.
Analisando o Curso Piloto
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Partindo de uma análise mais profunda das ações realizadas pela CIAPES no Projeto Piloto,
apresentamos a seguir dados que nos auxiliarão neste processo de avaliação continuada das ações
propostas.
Foram matriculados 94 professores em estágio probatório que ingressaram no ano de 2011.
Uma professora solicitou a exclusão do seu nome do curso e foi atendida, computando, desse modo,
93 professores. Os professores foram distribuídos em 5 turmas para o desenvolvimento do curso
Ações Formativas no Ensino Superior, na plataforma Moodle, com a orientação de 5 tutores e a
supervisão da coordenação Ciapes.
A síntese das ações desenvolvidas se apresenta por meio do quadro a seguir:
Turma
A
18
02
Turma
B
19
05
Turma
C
19
06
Professores cursistas matriculados.
Postaram e apresentaram o projeto
final de ensino.
Acessaram os recursos
11
12
11
disponibilizados na plataforma moodle:
Textos de apoio, Exemplos de
projetos / planos de ensino, Links
audiovisuais (webconferências), Ebook, Tutoriais, Boletins Informativos
e Fóruns de dúvidas e de socialização
dos projetos.
Não acessaram os recursos
07
07
08
disponibilizados na plataforma moodle.
Compareceram ao Plantão Presencial com a equipe Ciapes.
Participaram da Oficina Presencial sobre a plataforma moodle.
Turma
D
19
03
Turma
E
18
03
Total
11
13
58
07
05
34
93
19
06
Ver na
lista de
presença
Comentários:
Turma A:
! Houve acesso maior aos fóruns de dúvidas e de socialização de ideias e projetos, boletins informativos e cronogramas do que propriamente aos materiais de estudo ou webconferências gravadas que continham assuntos relacionados à temática do curso – docência no ensino superior e docência mediada pelas tecnologias de informação e comunicação no ensino superior. ! Possíveis reflexões sobre as ausências dos professores no curso: -dificuldades técnicas de acesso ou falta de conhecimento sobre como lidar com a Plataforma
Moodle;
-constrangimento em expor ideias ou receio de registrar opiniões e expor suas dúvidas.
Turma B:
! O acesso aos textos foi significativo: Textos de apoio (11 acessos), Exemplos de projetos / planos de ensino (16 acessos) e Links audiovisuais (18 acessos), E-­‐book sugerido pela professora Dra. Lucila Pesce (nove acessos), Textos de apoio (sete acessos) e Tutoriais (seis acessos). Destaque para o Boletim Informativo – nº 02 e para o Fórum: socialização do pré-­‐projeto, no qual, além da socialização de ideias, houve discussão das mesmas, tendo cada participante a oportunidade de conhecer e dialogar com o 5
trabalho do outro. Foi uma etapa muito ativa no curso, concluída no encontro presencial de 19 de março de 2013. Turma C:
! Dois fatores possivelmente consolidaram os resultados obtidos no curso: o acúmulo de tarefas profissionais a que estavam submetidos os professores cursistas e a pouca experiência na plataforma moodle. ! Uma possível inibição do tutor frente à titulação dos professores também pode ter contribuído para o baixo índice de participação no curso. Turma D:
! Houve troca significativa entre 2 professoras do curso de Medicina integrando as disciplinas de Fisiologia Médica I e Citologia em um só projeto final de ensino. ! Os professores cursistas, talvez pelo pouco conhecimento da plataforma moodle, não utilizaram os fóruns como ferramentas de interação entre eles, salvo 2 professores dos cursos de Direito e de Ciências da Religião. ! Utilizaram os recursos de mensagens privadas e encontros presenciais para se comunicarem com os tutores e com a coordenação do curso. Turma E:
! Os professores cursistas não esclareciam suas dúvidas nos fóruns abertos. Utilizavam-­‐se de mensagens privadas enviadas diretamente ao tutor para isso e também para fazer comentários acerca do curso. ! A dinâmica de ler os pré-­‐projetos dos companheiros de curso ficou prejudicada devido a pouca interação no fórum de socialização dos projetos. O Módulo 3 foi o mais longo do Projeto Piloto e os dados revelam um aproveitamento
significativo por partes dos participantes, especialmente por considerarmos que o Projeto
Piloto foi oferecido aos professores que aceitaram, voluntariamente, participar do curso.
Numa análise mais próxima do que foi desenvolvido ao longo de praticamente quatro
meses, temos os dados a seguir, divididos por turma.
Turma A
Total: 18 professores
-11 professores acessaram o espaço da plataforma moodle. Destes:
•
02 professores participaram das ações do curso até a postagem do projeto final de
ensino (última ação do referido módulo
•
05 professores realizaram uma visualização geral do espaço, sem nenhuma entrada
nos materiais disponibilizados, (salvo alguns professores que justificaram sua
ausência no curso a partir de mensagens privadas enviadas pela equipe).
•
04 professores acessaram materiais de estudo e fóruns, mas não participaram se
apresentando nos espaços de interação (salvo alguns professores que justificaram sua
ausência no curso a partir de mensagens privadas enviadas pela equipe).
•
Participação na Oficina Presencial sobre Plataforma moodle: nenhuma participação.
6
•
Participação no plantão presencial com a equipe Ciapes: 02 professores
Observações
- acesso maior aos fóruns de dúvidas e de socialização de ideias e projetos, boletins
informativos e cronogramas do que propriamente aos materiais de estudo ou webconferências
gravadas contendo assuntos relacionados à temática do curso – docência no ensino superior e
docência mediada pelas tecnologias de informação e comunicação no ensino superior.
Possíveis reflexões sobre a ausência dos professores no curso:
•
dificuldades técnicas de acesso ou falta de conhecimento sobre como lidar com a
Plataforma Moodle;
•
constrangimento em expor suas ideias ou receio de registrar opiniões e expor suas
dúvidas.
Turma B
Total: 19 professores
- 12 acessaram a plataforma
- 07 abandonaram as atividades no módulo 1.
-05 professores participaram das ações do curso até a postagem do projeto final de ensino.
Observações:
- o acesso aos textos foi significativo: Textos de apoio (11 acessos), Exemplos de projetos /
planos de ensino (16 acessos) e Links audiovisuais (18 acessos), E-book sugerido por Lucila
Pesce (nove acessos), Textos de apoio (sete acessos) e Tutoriais (seis acessos). Destaque para
o Boletim Informativo – nº 02 e para o Fórum: socialização do pré-projeto, no qual, além da
socialização de ideias, houve discussão das mesmas, tendo cada participante a oportunidade
de conhecer e dialogar com o trabalho do outro. Foi uma etapa muito ativa no curso,
concluída no encontro presencial de 19 de março de 2013.
Turma C
19 professores
-6 apresentaram projetos inovadores
-2 apresentaram um pré-projeto mas não compareceram até o final do curso.
-8 nunca acessaram
-3 acessaram em momentos pontuais (nas primeiras semanas do curso)
7
-fóruns:
! fóruns das ações 1,2 e 3= 1 participação
! fórum da ação 4= nenhuma participação
! fórum da ação 5= 6 participações com 22 mensagens
- outros canais de comunicação= mensagens pessoais diretas (11 mensagens enviadas ao
tutor) e e-mails (4 mensagens enviadas enviados ao tutor) que somaram 15 mensagens
enviadas pelos cursistas.
- textos, links, vídeos, e-books= foram acessados pelos 6 professores que apresentaram seus
projetos inovadores.
Observações: Enquanto tutor da turma pude perceber dois fatores que, no meu modo de
entender, consolidaram os resultados obtidos no curso: por um lado, o excesso de tarefas
profissionais dos cursistas e a pouca experiência na plataforma moodle impediram que os
cursistas se abrissem à uma relação de interação mais dinâmica no curso o que, em minha
opinião, poderia resultar em um melhor resultado final das propostas dos cursistas; é possível
que o fato de uma possível inibição do tutor frente a titulação dos professores possa ter gerado
problemas de interconexão e dialogicidade, ocasionando o baixo índice de interação no curso.
Turma D
19 professores
- 3 professores apresentaram projetos inovadores. 2 deles elaboraram um projeto em conjunto
integrando as disciplinas de Fisiologia Médica I e Citologia do curso de Medicina.
- 8 acessaram a plataforma moodle em momentos pontuais, co 1 ou 2 acessos.
- 7 nunca acessaram a plataforma.
-fóruns! 2 professores acessaram na ação 1
! 2 professores interagiram no fórum de socialização dos projetos ( Cursos de Direito e
Ciências da Religião).
- outros canais de comunicação - mensagens privadas diretas ao tutor e em encontros
presenciais com a equipe Ciapes.
- textos, links, vídeos, e-books- poucos acessos.
Observações:
8
-Os professores cursistas, talvez pelo pouco conhecimento o moodle, não utilizaram os fóruns
como ferramenta de interação entre eles. Utilizaram recursos privados como mensagens e
encontros presenciais.
Turma E
18 cursistas
- 3 apresentaram seus projetos inovadores.
-1 apresentou apenas um pré-projeto.
- 9 professores acessaram a plataforma em momentos pontuais (pouca participação).
- 5 professores nunca acessaram a plataforma.
- fóruns
! Não foram acessados os fóruns de dúvidas disponibilizados nas ações 1, 2, 3 e 4
- outros canais de comunicação - mensagens privadas diretas ao tutor
- textos, links, vídeos, e-books disponibilizados foram acessados em vários momentos do
curso em especial pelos professores cursistas que apresentaram os projetos ao final do curso.
Observações:
Enquanto tutor da turma pude perceber que os cursistas não se sentiam à vontade para tirar as
dúvidas nos fóruns abertos, sanar as dúvidas e fazer comentários acerca do curso através de
mensagens privadas diretamente ao tutor. Percebi, também, que a dinâmica de ler os préprojetos dos companheiros de curso ficou prejudicada devido a pouca interação no fórum, por
mais que os tutores tentassem motivá-los chamando-os à participação.
O foco destas ações formativas foi trabalhar com a docência no ensino superior e não
especificamente com as TDIC. Ou seja, compreende-se docência como uma dinâmica
múltipla, ampla e potente; portanto, o foco não está nas tecnologias. Porém, vivemos imersos
na cultura digital; assim, as TDIC vêm ao encontro das necessidades dos professores e dos
estudantes. Nesse sentido, as mídias e as tecnologias são parte de tais ações, precisam ser
problematizadas e estão incorporadas a qualquer ação profissional. A docência não se reduz
ao uso de tecnologias ou a estratégias didáticas, contudo, hoje não se pode debater docência
apartada das TDIC.
Neste momento abre-se mais um desafio, pois a partir da Lei 12772/12 torna-se
obrigatória a realização de programas formativos para recebimento dos docentes que
ingressam nas IFEs. Tal demanda se apresenta por meio da necessidade de oferecer ações
9
formativas para um número muito relevante de docentes que ingressaram na UFJF desde 2010
e que estão, portanto, em período probatório. Tal cenário implica na necessidade de
redimensionar as propostas da Ciapes para atender esta demanda específica, sem deixar de
atender também aos demais docentes da universidade, incluindo o Campi de Governador
Valadares. Um novo desenho se faz necessário neste momento e, com isso, a premência de
buscar, junto a outras instituições e educadores, novas experiências se faz urgente.
Dos desdobramentos e desafios para a CIAPES
As mudanças estão em nossa sociedade. As relações entre pessoas e também com o
conhecimento foram potencializadas e ampliadas com a cultura digital, a Internet, as redes
sociais e os ambientes virtuais de aprendizagem. As transformações já estão nas salas de aula
e o perfil dos docentes e dos estudantes também é outro. Falamos de educação híbrida, em
que os espaços presenciais e online se integram. Tanto a sala de aula presencial é habitada por
notebooks, tablets, Iphone, enfim, dispositivos móveis conectados à Internet, quanto os
espaços online são cada vez mais impregnados de elementos da presencialidade.
É fundamental falar da docência no ensino superior, na atualidade, de forma crítica e
propositiva. Vivemos em um mundo mediado pela cultura digital, com demandas de ensino e
de aprendizagem que implicam múltiplas possibilidades de docência. Portanto, promover
ações formativas por meio do diálogo e da parceria com os docentes não apenas ratifica a
preocupação e o compromisso das instituições e dos educadores-pesquisadores nesse
processo, mas também insere a todos como corresponsáveis por criar campos operacionais
que atendam às necessidades de formação docente específicas, de forma crítica.
A interseção pesquisa e ensino, aqui ilustrada pelos dados embrionários das Ações
formativas da Ciapes, até o momento desenvolvidos e computados em sua relação com o
sentido de letramentos, foram e são alimentados pelas experiências desenvolvidas junto à
Prograd por meio da Coordenação de articulação acadêmica e pedagógica no nsino Superior
(Ciapes), e de sua equipe, com os processos formativos, que compreendem a Educação atual
como um movimento híbrido, plástico, que integra-articula a docência em seus espaçostempos
múltiplos.
Considerando a realidade dos professores que atuam em diversos espaços acadêmicos e
científicos, em um contexto produtivista, em que precisam driblar o tempo, diante dos
inúmeros compromissos e produções, é oportuno o desenvolvimento de ações formativas em
formato híbrido, que incorporem o debate e fomentem ações críticas frente aos
10
desdobramentos que as políticas produtivistas massificadoras impõem aos docentes. Nessa
direção, as ações formativas da Ciapes não podem se reduzir a práticas fechadas, mas criar
ambiências para que os docentes criem e recriem suas ideias e suas práticas pedagógicas. Há
que se oportunizar espaços de oxigenação para que a equipe da Ciapes possa encontrar
campos férteis de outras e novas possibilidades para uma docência híbrida e um processo
recorrente e e contínuo de avaliação e redimensionamento das ações para atendimento às
demandas emergentes é o que se propõe na CIAPES.
Referências
BARLOW, M. Le métier d’enseigner: essai de définition. Paris: Anthropos, 1999.
BRUNO, Adriana Rocha. A aprendizagem do educador: estratégias para a construção de uma
didática online. Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo. Doutorado. PUCSP,
2007.
PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Lea das Graças Camargos. Docência no ensino
superior. São Paulo: Cortez, 2002.
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1 Introdução A epígrafe escolhida para este texto, ainda que