REVISTA DA
Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região
Nº 78 | JUL • AGO • SET / 2008
PJ, Autônomo ou CLT: o que é melhor para você?
E ditorial
A
matéria de capa deste número da Revista da Fonoaudiologia traz o relato do percurso profissional de dez fonoaudiólogos atuantes no mercado de trabalho. Estes relatos apresentam
algumas trajetórias que demonstram a relevância de se estabelecer com clareza projetos de
vida e de carreira profissional.
Uma vez formado, todo profissional deve se perguntar quais as expectativas que tem em relação à
carreira e em que setor pretende atuar.
Fica clara a necessidade do aperfeiçoamento profissional, por meio de cursos de especialização,
mestrados, doutorados, MBA, cursos de gestão em negócios, entre tantos outros, que podem ser o
diferencial para a inserção no mercado de trabalho. Foi-se o tempo em que o profissional construía sua
carreira a partir das possibilidades que apareciam ao acaso. As oportunidades profissionais nos dias
de hoje são conseqüências de planejamento de carreira e os fonoaudiólogos, tanto quanto formados em
outras áreas, são responsáveis pelo delineamento de suas trajetórias na profissão.
E mais: chegamos em um momento no qual os fonoaudiólogos devem ter clara a necessidade de
aproximação com seus pares, não somente para troca de experiências
clínicas, técnicas, mas para apurar os objetivos políticos da classe profissional. Sempre foi dito que viver é um ato político.
Complemento dizendo que o trabalho também é um ato político, um
ato social. Sem essa clareza, podemos ficar dando voltas sem dar o
passo necessário para o futuro.
A atuação profissional na modernidade exige competência técnica,
postura ética e desenvolvimento de habilidades e novos conhecimentos
em outras áreas do saber, que não se encerram no conhecimento da
Fonoaudiologia.
Nas três últimas edições da Revista da Fonoaudiologia, pretendemos
dar subsídios e instrumentos de debates para o jovem fonoaudiólogo,
e até mesmo aos que há tempos estão na profissão, como substrato de
reflexões a respeito da carreira profissional.
Esperamos, desta forma, ter contribuído com a classe fonoaudiológica em um dos propósitos do
Conselho: orientação, esclarecimentos e auxílio no que tange à atuação profissional.
Boa leitura a todos!
Paulo Eduardo Damasceno Melo
Presidente do 8º Colegiado do CRFa. 2ª Região/SP
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
E m D ia
Í ndice
6
VICE-PRESIDENTE
Isabel Gonçalves
DIRETOR-SECRETÁRIO
Rodrigo Chinelato Frederice
CONSELHEIROS
Alexsandra Aparecida Moreira • Andrea Soares da Silva • Andrea
Wander Bonamigo • Camila Carvalho Fussi • Carolina Fanaro da
Costa Damato • Claudia Silva Pagotto Cassavia • Cristina Lemos
Barbosa Furia • Daniela Soares de Queiroz • Gisele Gotardi de
Oliveira • Isabel Gonçalves • Lica Arakawa Sugueno • Lilian
Cristina Cotrim • Maria Cristina Pedro Biz • Monica Bevilacqua •
Nadia Vilela • Paulo Eduardo Damasceno Melo • Renata Cristina
Dias da Silva • Renata Strobilius • Rodrigo Chinelato Frederice •
Yalís Maria Folmer-Johnson Pontes
DELEGACIA DE MARÍLIA
Rua Paes Leme, 47 – 5º andar – sala 51 – Centro
CEP 17500-150 – Marília/SP
Fone/Fax: (14) 3413-6417
[email protected]
5
11
DELEGACIA DE RIBEIRÃO PRETO
Rua Bernardino de Campos, 1001 – 13º andar – cj. 1303
CEP 14015-130 – Ribeirão Preto/SP
Fone: (16) 3632-2555 – Fax: (16) 3941-4220
[email protected]
DEPARTAMENTOS
[email protected]
CONTABILIDADE
DIVULGAÇÃO
[email protected]
DEPTO. PESSOAL
[email protected]
JURÍDICO
[email protected]
ORIENTAÇÃO E FISC.
[email protected]
RECEPÇÃO
[email protected]
REGISTROS/TESOURARIA
[email protected]
SECRETARIA
[email protected]
SUPERVISÃO
[email protected]
16
Estado celebra
o Dia da Voz
Entidades e universidades
de várias localidades
paulistas promoveram
atividades alusivas
à data
JORNALISTA RESPONSÁVEL
Sérgio de Castro Rodrigues (MTb 23.903)
18
Mundo Acadêmico
REDAÇÃO
Conexão Nacional
(11) 3151-5516 e 3151-5752
wwww.conexaonacional.com.br
[email protected]
Reportagem e edição:
Luísa de Oliveira e Maria Lígia Pagenotto
20
O que fazemos por você
Acompanhe o trabalho das Comissões do Conselho
IMPRESSÃO
Prol Editora Gráfica
21
Eventos
(exceto capa)
Fred Barbour – Célula1 Comunicação
Conselho Regional de Fonoaudiologia 2ª Região/SP
Rua Dona Germaine Burchard, 331 – Água Branca
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Envio de artigos, sugestões ou reclamações:
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uso editorial, desde que claramente identificada a
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somente podem ser reproduzidos com autorização por
escrito, de seus autores.
D
PJ, Autônomo ou CLT?
Saiba quais são as vantagens e desvantagens de cada um dos tipos
de contratação de serviços
A inserção dos deficientes intelectuais
O resgate dos direitos humanos e a valorização da diferença
são formas de desconstruir a desigualdade
COMISSÃO DE DIVULGAÇÃO
Carolina Fanaro da Costa Damato – Presidente
Andrea Soares da Silva
Lilian Cristina Cotrim
Nadia Vilela
a obrigatoriedade do atendimento fonoaudiológico
Planos de Saúde: o que fazer?
CRFa. responde dúvidas sobre a Resolução da ANS que inclui
a obrigatoriedade do atendimento fonoaudiológico
14
COMISSÕES
Audiologia • Divulgação • Educação • Ética •
Legislação e Normas • Licitação • Orientação e
Fiscalização • Saúde • Tomada de Contas
PRODUÇÃO EDITORIAL E GRÁFICA
CRFa. responde dúvidas sobre a Resolução da ANS que prevê
Conheça a história de
fonoaudiólogos que
enveredaram por
diversos campos
de atividade
DIRETORA-TESOUREIRA
Cristina Lemos Barbosa Furia
DELEGACIA DA BAIXADA SANTISTA
Rua Joaquim Távora, 93 – cj. 15 – Vila Matias
CEP 11075-300 – Santos/SP
Fone: (13) 3221-4647 – Fax: (13) 3224-4908
[email protected]
Planos de saúde: o que fazer?
Profissionais bem
sucedidos contam
como traçaram
seus caminhos
PRESIDENTE
Paulo Eduardo Damasceno Melo
24
Notas
27
Cartas
Divulgação
Conselho Regional
de Fonoaudiologia
2ª Região
8º Colegiado
esde que a Agência Nacional de
Saúde Suplementar (ANS) divulgou a Resolução Normativa – RN
Nº 167, que trata do novo rol de procedimentos e eventos em Saúde, os fonoaudiólogos brasileiros tiveram o mercado ampliado. Afinal, agora também podem prestar serviços às operadoras. Junto com as novas opções de trabalho, uma
série de dúvidas se apresentou aos profissionais do setor.
Como faço para me credenciar? São
apenas seis sessões por ano? Estas foram algumas das questões levantadas
pelos fonoaudiólogos. Muitos, recorreram ao CRFa. 2ª Região/SP. “Tivemos um
boom muito grande de perguntas”, comenta a conselheira Daniela Queiroz, da
Comissão de Saúde. “De duas, três questões por semana, passamos a receber cinco ou mais”, calcula.
Como a maior parte das perguntas
trata dos mesmos assuntos, os integrantes da Comissão de Saúde decidiram elaborar uma consulta a ser lida por todos
os profissionais. “As dúvidas eram muito
parecidas. Dessa forma, acho que podemos ajudar a todos”, continua Daniela.
O texto foi elaborado pelos integrantes da Comissão e recebeu o aval da Plenária realizada em março. Abaixo, leia a
íntegra da Consulta.
Consulta Nº 01/08
Assunto: Obrigatoriedade de Cobertura do Tratamento Fonoaudiológico
frente à Resolução Normativa – RN Nº
167, de 09 de Janeiro de 2008, que atualiza o “Rol de Procedimentos e Eventos em
Saúde”, publicada pela Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS).
Após a publicação da referida Resolução Normativa, os fonoaudiólogos têm
questionado o CRFa. 2ª Região/SP sobre
diversos aspectos relacionados ao assun-
to. Feita a análise da Resolução ora mencionada, a Comissão de Saúde deste Conselho Regional esclarece o que segue:
1. Houve alteração na lei que regulamenta os planos de saúde?
Não. A Lei Nº 9.656/98, que “Dispõe
sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde” continua em vigor. O
que foi atualizado, através da Resolução
Normativa Nº 167/08, foi o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que constitui a referência básica para a cobertura mínima obrigatória da atenção à saúde nos planos privados de assistência à
saúde, contratados a partir de 01/01/99
e naqueles adaptados conforme a Lei Nº
9.656/98.
2. Qual o número de sessões que o
convênio deverá oferecer cobertura
para o tratamento fonoaudiológico?
O Anexo I da Resolução Normativa
estabelece que as operadoras de planos
privados de assistência à saúde devem
ofertar, no mínimo, 6 (seis) sessões/ano.
3. Aqueles convênios que reembolsam
o tratamento fonoaudiológico deverão
continuar a fazê-lo?
De acordo com o artigo 5º da Resolução Normativa devem ser “...respeitados
os critérios de credenciamento, referenciamento, reeembolso ou qualquer outro
tipo de contratualização estabelecido
pelas operadoras de planos de saúde”.
5. De acordo com a publicação da ANS,
os convênios são obrigados a credenciar fonoaudiólogos para atender os
segurados?
A Resolução Normativa determina a
obrigatoriedade da cobertura do tratamento fonoaudiológico, cabendo às operadoras providenciarem meios para atender este dispositivo legal (exemplo: reembolso, credenciamento de Pessoa Física e/ou Jurídica, entre outros).
6. Como devo proceder para efetuar o
credenciamento junto aos convênios?
Cada operadora de saúde possui procedimentos próprios para efetivar o credenciamento dos profissionais e hospitais que atenderão seus beneficiários.
Caso o fonoaudiólogo tenha interesse em
ter seu nome/clínica credenciado em um
plano de saúde, deverá obter as informações no respectivo convênio.
7. Haverá fiscalização para verificar
se os convênios estão cumprindo a
Resolução Normativa?
De acordo com o Decreto Nº
3.327/2000, artigo 3º, inciso XXVII,
compete à ANS “fiscalizar as atividades das operadoras de planos privados
de assistência à saúde e zelar pelo cumprimento das normas atinentes ao seu
funcionamento”.
Este é o nosso parecer, salvo melhor juízo.•
Comissão de Saúde do CRFa. 2ª Região/SP.
4. Como vou concluir o tratamento
fonoaudiológico em apenas 6 sessões?
O que devo fazer?
O artigo 12 da Resolução Normativa determina que as operadoras poderão oferecer, por sua iniciativa, cobertura maior do que a mínima obrigatória prevista no Rol de Procedimentos.
Para saber mais
O texto da Resolução Normativa – RN Nº 167
e todos seus anexos estão à disposição para
consulta no site da ANS. É só acessar www.
ans.gov.br/portalv4/site/noticias/noticia_25163.
asp?secao=Home. Mais informações e orientações também podem ser encontradas no site
do CRFa.: www.fonosp.org.br.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
de
C apa
Beatriz Pessoa é uma profissional que agrega vários conhecimentos. Formou-se em Fonoaudiologia em 2000,
pela PUC-SP, com a intenção de trabalhar com aparelhos
auditivos. Hoje é responsável pelo marketing de um grande fabricante desses equipamentos Recentemente, cursou fotografia também. Para assumir o cargo que tem, leu
muito sobre a área e fez um MBA em marketing. “Não foi
fácil. Eu não entendia nada do assunto, mas precisava ter
uma noção global do negócio.” A empresa em que trabalha emprega fonoaudiólogos para treinar equipes de vendas, atuar na central de relacionamento com o cliente e fazer a intermediação com o SUS, para aquisição dos produtos. Mas a menina dos olhos de Bia é o projeto social Passe Adiante, da área de responsabilidade social da empresa, que ela coordena também. “A proposta é que fonoaudiólogos levem informações sobre saúde vocal e auditi-
Profissionais bem-sucedidos
contam como traçaram seus
caminhos
Conheça a história de fonoaudiólogos que trilharam
campos diversos de atividade
S
ão fonoaudiólogas, com cursos
de especialização, muitas com
mestrado e doutorado. Atuam
em empresas, escolas, ONGs e
em consultórios. Com seus trabalhos,
elas mostram que há muitos campos
de atividade para o fonoaudiólogo hoje
no Brasil. E que é possível trilhá-los
com sucesso.
Qualquer que seja o caminho, há necessidade de dedicação, criatividade,
formação constante e o hábito de olhar
para o futuro e de não esperar resultados imediatos. O profissional deve
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 75 • jan/fev/mar • 2008
ter claro em que área quer atuar, qual
o emprego que almeja. E se preparar
para isso. Em suma, não é o emprego
que deve vir primeiro, e sim a opção de
cada um por seu caminho.
Também deve investir em diferenciais: dominar outros idiomas, fazer
cursos de marketing e administração se
a área pede, estabelecer parcerias com
outros profissionais e entender a cultura das empresas, entre outros. Hoje, dizem as fonoaudiólogas entrevistadas, é
cada vez mais importante que profissionais de diferentes segmentos traba-
lhem integrados e com conhecimentos
de outras áreas do saber, o que pressupõe complementar a formação adquirida na graduação.
O investimento, garantem, compensa. Por isso mesmo elas aceitaram contar aqui suas trajetórias, para que outros profissionais também se sintam
estimulados a buscar espaço para exercer a Fonoaudiologia em situações que
extrapolam os serviços prestados tradicionalmente.
Leiam, a seguir, as experiências profissionais dessas entrevistadas.
Ana Elisa M. Ferreira está à frente da própria empresa de consultoria e marketing da comunicação há dez
anos. Ela conta que investiu muito no planejamento da
sua carreira para chegar a esse estágio. “Como queria
trabalhar com empresas, fui aprender a linguagem dessas instituições.” Fez cursos de marketing e consumo,
negócios e gerenciamento estratégico de carreiras, voltado para a área empresarial. Formada pela PUC-SP em
1997, trabalhou primeiro em clínicas. “Para isso, me especializei em motricidade no Cefac e em voz no CEV”.
Ela ainda atuou com formação de locutores e ministrou
aulas de orientação para palestrantes. Para se aproximar das empresas, buscou cursos no Sebrae de marketing pessoal, expressividade vocal e comunicabilidade.
Investiu ainda em cursos na área de recursos humanos,
dinâmicas de grupo e capacitação de adultos. “Precisei diversificar meu conhecimento”, atesta. Atualmente, Ana Elisa, que também é mestre em Fonoaudiologia, presta consultoria em empresas para implantar programas que as levem a aperfeiçoar sua competência comunicativa, num ramo denominado
Fonoaudiologia Organizacional. Na
sua empresa, ela atua na prevenção
da saúde vocal e auditiva e oferece
ferramentas para o desenvolvimento do marketing da comunicação
verbal e profissional nas instituições. Ana Elisa acredita que muito do seu desempenho está relacionado à auto-análise que faz de suas
competências. “A Fonoaudiologia tem áreas inesgotáveis de atuação. É preciso descobri-las e investir no que se acredita”. E lembra: “Muito importante é
não querer resultados imediatos. O trajeto exige preparo, tempo, experiência.”
va para escolas, com ações lúdicas que previnam problemas e desmistifiquem os já existentes”, explica. O Passe
Adiante tem alcance nacional e Bia afirma que tem intensificado seu campo de ação.
Seu conhecimento sobre a
Fonoaudiologia faz toda a diferença no dia-a-dia. “Levo
novas idéias para congressos, eventos, e sinto que minha formação tem um peso
enorme nas decisões”, conta. “Sem falar nas intervenções do Passe Adiante e do meu contato com profissionais que estão ligados a mim, quase todos fonoaudiólogos. O fato de falarmos a mesma linguagem facilita muito o trabalho.”
Fotos arquivos pessoais
R eportagem
Viviann Baya Pinfari responde pela área
de saúde ocupacional
da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Dela fazem parte a medicina
do trabalho, a psicologia ocupacional, o serviço social e a qualidade de vida. Assim que se formou pela PUC-Campinas, em 1980, Viviann já sentiu que enveredaria pelo
caminho das empresas. “Fiquei 10 anos numa indústria têxtil, trabalhando com audiologia, saúde e segurança”. Para dominar os processos, fez cursos de
extensão e de especialização na promoção da saúde e em administração em recursos humanos. “Trabalhei como consultora em audiologia, até que montei minha empresa de prestação de serviço na área”.
Em 1997, foi para a CPTM organizar um sistema de
auto-gestão para credenciamento de clínicas, onde
está até hoje. “Acho que fui uma das primeiras fonoaudiólogas a trabalhar em empresas”, afirma. No início, lembra, sofreu muito preconceito e dificuldade.
“Imagina, uma mulher, fonoaudióloga, chefiando médicos do trabalho concursados, coordenando toda a
área ocupacional da empresa. Foi um desafio e tanto.” Mas, com sua competência, conquistou respeito. “Tive de trabalhar muito para entender os processos da empresa, fiz vários cursos internos e externos.
Com isso, ganhei mais credibilidade”. Hoje, Viviann
diz que está plenamente adaptada ao serviço. “Gosto
muito e me identifico totalmente com o que faço.”
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R eportagem
de
C apa
Renata Silveira Martinez Dias enveredou pelo caminho da educação. É
fonoaudióloga formada pela PUC-SP em 1998 e trabalha em consultório
desde quando saiu da faculdade. Atualmente, está fazendo um curso
sobre gagueira no Cefac, seu foco como pesquisadora e sua área mais
específica de interesse. Renata conta que sempre teve as escolas como
objetivo para um trabalho mais aprofundado de prevenção, orientação e
encaminhamento. Hoje exerce a função de fonoaudióloga em duas instituições de ensino. Gosta tanto deste campo que estendeu sua atuação
também para uma ONG, o Centro Educacional Sal da Terra, de Taboão
da Serra-SP, onde está há oito anos. O local presta atendimento educacional a crianças, adolescentes e adultos. “Faço a triagem dos alunos e
esbarro num problema quando quero encaminhá-los para tratamento: o
que mais falta na região da ONG são fonoaudiólogos dispostos a fazer
uma parceria”, afirma, entre surpresa e frustrada. A conquista do espaço fonoaudiológico na creche foi construída aos poucos. “Com o meu trabalho, fui ampliando, abrindo portas”, explica. Acha gratificante, porque
sente que quando faz a intervenção no início evita que o problema do paciente se amplifique. Mas Renata
quer mais: pensa em fazer um mestrado direcionado para a gagueira, um tema cercado de preconceitos ainda.
“Falta informação, orientação a respeito e mais divulgação do assunto”, acredita.
Claudia Cotes sempre focou em comunicação. Cursou Magistério e depois faculdade de Letras. Mal
acabou uma graduação, fez outra: Fonoaudiologia. “Na faculdade, percebi que gostava das áreas
de voz, gagueira e neurologia, então fui buscar especialização”. Antes mesmo de acabar a graduação,
Cláudia fez cursos de extensão e estágios com a fonoaudióloga Beatriz Padovan. Mais tarde, buscou o
Cefac e o CEV para mais cursos. “Nunca paro de estudar”, diz. Cláudia, que se formou em Fonoaudiologia pela PUC-Campinas em 1992, é mestre na área
pela PUC-SP e doutora em lingüística pela mesma universidade. Foi estagiária do Instituto Penido Buernier, um hospital de Campinas, na área de laringologia e voz. “Trabalhava com médicos e isso me proporcionou um outro tipo de aprendizado”, conta. Com esses profissionais, realizou pesquisas e escreveu artigos científicos, que lhe abriram novas portas. Aos poucos conseguiu se tornar responsável por montar um
serviço de voz no hospital. “Nada veio fácil e rápido”, lembra. Para se sustentar, dava aulas de Português e
também mantinha consultório. Até que um dia apareceu uma repórter de uma TV de Campinas com problemas de voz. “Investi no tratamento clínico, com muitos exercícios, e ela se curou.” Isso foi a gota d’água
para Claudia ser convidada a atuar com jornalistas na televisão. O trabalho, no entanto, foi além. “Sentia
que precisava investir também numa consultoria em expressão para esses profissionais. Fui fazer mestrado
na PUC-SP nessa área e o meu trabalho ganhou ainda mais fôlego.” Recentemente, Cláudia finalizou seu
doutorado, pesquisando a narração no jornalismo televisivo. Foi tanto seu envolvimento com o assunto,
aliás, que ela fundou a ONG Vez da Voz, que trabalha a inclusão da pessoa com deficiência dando palestras em universidades, empresas, shoppings, além de outras ações. “Direcionei minha carreira para fora do
consultório. Mas ainda mantenho esse espaço, investindo em treinamento para empresários e media training.” E, como nunca abandonou as Letras, é também escritora de livros infantis que tratam de temas relacionados à voz e à inclusão.
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Katya Guglielmi Freire escolheu a Audiologia como foco principal ao formar-se na PUC-Campinas, em 1990. Começou a carreira fazendo estágios em uma empresa de aparelhos auditivos. Ficou por um ano, até ser convidada a
representar a empresa no interior de São Paulo. Katya aceitou o desafio. A primeira medida: para comercializar os
produtos não colocou vendedores profissionais, mas sim fonoaudiólogos. “Foi o diferencial. O negócio cresceu e,
paralelamente, eu prestava também serviços de audiometria ocupacional”. Para tanto, ela equipou um furgão e saía
rodando pela região de Sorocaba oferecendo exames preventivos nas indústrias. Quatro anos depois, Katya veio fazer mestrado na PUC-SP, com uma pesquisa voltada ao idoso. No meio do caminho, achou que era o momento de
vender a empresa do interior, trancar o mestrado e ir para os Estados Unidos se aperfeiçoar e estudar inglês. Com
uma carta de recomendação de sua orientadora, partiu para San Diego, onde ficou por um ano. Lá, além de estagiar
em duas importantes instituições, entrou em contato com uma empresa de acessórios audiológicos para deficientes
e para músicos. “Fiquei fascinada. Pensei em representar a empresa aqui, mas não foi neste
primeiro contato que consegui.” Resolveu voltar, terminar o mestrado e montar sua própria
empresa em São Paulo, que oferece um serviço diferenciado ao deficiente auditivo. “Presto uma consultoria – o paciente fica com o aparelho por um mês, em teste. Se der certo,
ele adquire o produto.” Mas Katya não desistiu do contato feito nos Estados Unidos. Quatro anos depois, ela conseguiu trazer a representação para o Brasil. Hoje oferece um programa personalizado de conservação auditiva para músicos, com clientes como Ivete Sangalo e
Toni Garrido. Estendeu o atendimento à Bahia, onde tem uma sócia fonoaudióloga. Em São
Paulo, Katya coordena ainda o setor de Fonoaudiologia de um centro de convivência para
idosos. “Faço um trabalho de reabilitação auditiva que utiliza música”, explica. Este é, aliás, o tema da tese de doutorado que desenvolve na Unifesp. “Atuo em todas as áreas pelas
quais sou apaixonada”, revela. Empreendedora, fez cursos de negócios, marketing e administração. “É muito importante o fonoaudiólogo estar na área que gosta e que domina. Mas
tem de estudar sempre, se atualizar, estar atento às oportunidades e ousar.”
Luciene Carvalho Mendes Giusti é fonoaudióloga formada pela Unifesp em 1991
e também pós-graduada em Administração Geral. Sem este curso, segundo conta, dificilmente estaria habilitada a ocupar o cargo que tem hoje, de avaliadora
de acreditação, com o aval da Organização Nacional de Acreditação (ONA). Seu
trabalho consiste em primar pelos padrões de qualidade nas instituições de saúde. Luciene tem uma empresa especialista no setor e presta serviço para a empresa acreditadora. “Faço avaliações em hospitais, ambulatórios, serviços de diálise,
bancos de sangue, entre outros”, diz. Avalio processos de atendimento ao cliente e outros de apoio, como segurança, prontuários, gestão de equipamentos, higiene, resíduos etc. Também avalio o corpo técnico profissional dessas instituições, no qual se incluem os serviços de psicologia, terapia ocupacional, serviço social, fonoaudiologia, fisioterapia. Buscamos sempre a conformidade com o Manual Brasileiro de Acreditação. “Avaliamos modelos de gestão, o modo como o gestor gerencia seu setor, e não habilidades técnicas”, afirma Luciene, que já atuou em outros campos. Nos 10 anos seguintes à sua formatura, fez dois cursos de aperfeiçoamento em Fonoaudiologia. Também estudou no CEV, especializando-se em voz. “Trabalhei em consultório – que ainda mantenho –, depois em hospitais, laboratórios, UBSs e
em escolas.” Luciene revela que tinha o desejo de atuar numa atividade gerencial. “Queria expandir a qualidade
da assistência para um nível maior, promovendo a melhoria das condições de saúde”. Acha que sua opção é fruto de suas experiências anteriores. “Amadureci, hoje tenho uma visão mais ampla da promoção da saúde”, explica. Confessa que sua carreira foi construída na base de muitos desafios. “Sofro resistência de médicos, enfermeiros, administradores. Este caminho é árduo e para trilhá-lo tem de ter muito interesse na área.”. O conhecimento necessário, diz, teve de buscar por conta própria. “Acho que a graduação em Fonoaudiologia devia focar
mais o conteúdo de áreas como marketing e gestão administrativa”, queixa-se. Luciene acha que o profissional,
cada vez mais, tem de saber trabalhar no campo corporativo. “Quem quer ir para este setor sai em desvantagem
da universidade, pois nos falta objetividade e foco em negócios, lucro, competitividade.”
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de
C apa
T rabalho
Osmar Bustos
R eportagem
Sandra Regina Gomes atua na área de Fonoaudiologia Social, um caminho traçado em conjunto com o acaso e muita determinação. “Meu primeiro paciente, assim que me formei, foi numa
casa de repouso”, diz essa profissional, formada em 1987 pela PUC-SP e mestranda em Gerontologia pela mesma instituição. Hoje Sandra exerce um cargo de confiança na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Município de São Paulo. Foi para lá em 2003, a convite da
então secretária, Adaílza Sposati, e já passou por três gestões. Trabalha em projetos de capacitação de técnicos que atuam com idosos em situação de rua, em albergues e abrigos. “Meu desafio é mudar o olhar do técnico em relação ao idoso. Tenho de pegar minha bagagem e, como fonoaudióloga, contribuir para a assistência social, não pela ótica da tutela, mas do direito”, explica. Na prefeitura, ela enfoca a função social da linguagem para dar corpo aos projetos que coordena. “O idoso que atendo tem problemas de memória, demência, envelhecimento precoce e
muitos ainda, aos 60 anos, não têm identidade”, explica. Para esta pessoa, nada mais digno do
que trabalhar a questão da voz e a clareza de pensamento, segundo Sandra. “A Fonoaudiologia trabalha com esses aspectos, quer
dar voz de direito a estes idosos, recuperar sua dignidade e auto-estima.” Para atender bem este público, Sandra, que sempre se interessou pela área do envelhecimento, fez diversos cursos de especialização – no Hospital do Servidor Público e na Unifesp, entre
outros – e atua também como professora em cursos da terceira idade. “Aprendi muito na prática também. Não adianta ficar só no
consultório.” À frente do cargo, estabeleceu parcerias com diversas instituições e supervisiona oficinas sobre temas variados para
este público. A parte clínica ela desenvolve fazendo atendimento fonoaudiológico domiciliar para idosos.
10
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 75
78 • jan/fev/mar
jul/ago/set ••2008
2008
Saiba quais são as vantagens e as desvantagens
de cada um dos tipos de contratação de serviços
Divulgação
Irene Marchesan é conhecida nacional e internacionalmente por seu trabalho. Formada pela PUC-SP em 1977, ela
criou o primeiro curso de especialização em motricidade
orofacial, o Cefac. Fez ainda mestrado na PUC-SP e doutorado na Unicamp. Sobre
a construção de sua carreira, Irene é clara: nunca parou de estudar. E,
para ela, a necessidade
de sempre se manter com
seu trabalho a fez se movimentar muito. “Trabalho para me manter desde o cursinho. É uma característica minha, sou
batalhadora, pró-ativa.” Quando saiu da PUC, foi montar uma clínica com uma colega. Se faltava paciente, saiam
em busca deles. “Íamos em escolas, hospitais, não ficávamos esperando cair gente do céu”, brinca. Além do Cefac,
ela já ministrou aulas na PUC e USP. E diz que se considera uma ótima clínica. “Tem de fazer atendimento clínico, só
a teoria não leva a gente a lugar nenhum”, ensina. Com sua
atuação, afirma que conseguiu, no início de sua trajetória,
abrir vagas para fonoaudiólogos no Estado e na Prefeitura. “Não tenho segredo, amo o que faço, invisto muito no
meu trabalho”, explica. Além da carreira acadêmica, Irene
conta que não fez nenhum curso específico, nem para administrar o Cefac. “Minha família é toda de vendedores.
Aprendi a vender muito bem o meu negócio, mas sem fazer
nenhum curso formal para isso”, diz. Hoje, as atividades
do Cefac se expandiram. “Trabalhamos com educação também”, ressalta Irene, que difundiu a Fonoaudiologia brasileira na América Latina, EUA e Europa. “Nós temos muito
do que nos orgulhar”, finaliza.
PJ, Autônomo ou CLT?
Daniela D’Elboux Misrahi é fonoaudióloga desde
1995, pela PUC-SP. Professora universitária em Itu-SP,
atende em consultório e dá assistência em uma escola de educação infantil. “Gosto de ir além do trabalho clínico, atuando como professora e em áreas
preventivas”, explica. Ela é também mestre em Fonoaudiologia e, nos tempos da graduação, foi estagiária em audiologia educacional na Derdic. Daniela conta que gosta muito de dar aula porque acredita que desta forma investe na Fonoaudiologia preventiva, incentivando seus alunos a atuar em campanhas de amamentação, prevenção das patologias da
voz e audição, por exemplo. “A população em geral
e o universo acadêmico precisam investir em ações e
conhecimentos que levem à promoção da saúde, atuando em postos de saúde, hospitais, creches e escolas.” Ela acha que ainda falta informação de qualidade sobre a Fonoaudiologia e o profissional deve estar atento a esta lacuna. Outra observação: a prevenção é ainda um campo pouco explorado e o trabalho exige jogo de cintura, porque o fonoaudiólogo
tem contato com outros profissionais. “Em hospitais,
por exemplo, ele tem de lidar com médicos e dentistas. Tive dificuldade no começo para vencer algumas
barreiras”, afirma Daniela, que também pesquisa a
Fonoaudiologia estética. Sobre seu ofício como professora, ela vê muitos pontos positivos: “Tenho de estar sempre estudando e me atualizando, não só
sobre Fonoaudiologia, mas sobre
outras áreas também, porque o
campo de atuação do profissional
hoje é muito amplo”.
P
essoa Jurídica, Lucro Presumido,
Lucro Real, CLT, encargos... Por
mais árido e complicado que pareça, conhecer esses termos pode
significar mais ou menos dinheiro no
bolso, ou até mesmo maior ou menor
flexibilidade para tocar todos os outros
aspectos da vida.
Profissão devidamente regulamentada, a Fonoaudiologia permite três tipos
de atuação, como Pessoa Jurídica, como
profissional autônomo ou como empregado registrado pela CLT. Nem sempre é
possível escolher, pois, dependendo da
forma de atuação – como o atendimento em consultório – ou das exigências do
mercado – as empresas registram cada
vez menos para ficarem livres dos encargos – há a necessidade de adaptar-se.
Mas, e quando for possível escolher?
O que é melhor? “A decisão depende
de muitos fatores”, alerta Cibele Costa
Amorim, conselheira do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo. “O
registro dá mais segurança, mas não permite a flexibilidade das outras opções”,
exemplifica. Cibele preparou simulações
de encargos tributários para a Revista da
Fonoaudiologia (leia nas próximas pági-
nas), com comentários sobre vantagens
e desvantagens em cada caso.
Justamente por ser regulamentada, a
Fonoaudiologia não pode ser enquadrada no regime de empresas Simples Nacional, o preferido de todo empresário.
“Ele seria mais benéfico, tanto pela unificação dos encargos, quanto pela alíquota reduzida”, explica Cibele.
Tributação
Cabe, portanto, ao fonoaudiólogo que
opta pela Pessoa Jurídica escolher entre
os sistemas de apuração de impostos Lucro Presumido ou Lucro Real. “Como o
nome já diz, o sistema Lucro Presumido
leva em conta uma presunção de lucro
pelo faturamento da empresa”, lembra a
contadora. Já no sistema Lucro Real, as
despesas da empresa irão influenciar nas
alíquotas dos encargos federais. “Em linhas gerais, se a empresa tem bastante
despesa, compensa o Lucro Real”, ensina ela.
A escolha do tipo de tributação é feita
no fechamento do primeiro mês de atividade. Para saber qual será o melhor,
é aconselhável fazer a apuração pelos
dois sistemas e optar pelo mais benéfico.
Cibele Costa Amorim, do Conselho Regional
de Contabilidade de São Paulo
“Após o primeiro fechamento, a empresa
só poderá mudar de regime no ano-calendário seguinte”, alerta Cibele.
Mas a empresa não deve, na opinião
da conselheira do CRC-SP, ser a primeira
opção. Ela acredita que o fonoaudiólogo
que não quer – ou não pode – ser contratado com registro, deve testar o sistema
de profissional autônomo antes de tornar-se empresário. “É menos burocrático e mais barato”, explica. “Depois que
ele assegurar sua situação com contratos e clientes, aí pode abrir uma empresa”, continua.•
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
11
T rabalho
O
Fonoaudiólogo Autônomo
que escolher
Cada sistema de atuação tem suas singularidades. A conselheira do Conselho Regional de Contabilidade
de São Paulo, Cibele Costa Amorim, montou três tabelas com simulações referentes a cada um dos tipos.
Ela também nos contou sobre as vantagens e desvantagens de cada um. Cabe ao profissional analisar qual
deles se encaixa melhor a seu tipo de atividade e ao momento que vivencia na carreira.
Empresa Prestadora
de
Serviços
em
Vantagens
1 Rapidez na abertura e encerramento das atividades.
2 Possibilidade de trabalhar para diversos contratantes.
3 Flexibilidade de horários.
4 O custo com assessoria contábil é menor do que o custo para a pessoa jurídica.
Fonoaudiologia (Pessoa Jurídica)
Vantagens
1 Apesar de parecer que o custo como pessoa jurídica e como autônomo são quase os mesmos, é necessário observar que
o valor de retenção de INSS é preponderante para a definição. Se realmente a empresa não tiver pretensão de contratar
funcionários, a opção pessoa jurídica é melhor que autônomo.
Desvantagens
1 Muitas empresas têm receio de contratar autônomo, em virtude de, às vezes, ser facilmente caracterizado o
vínculo empregatício na Justiça.
2 Instabilidade do mercado.
2 O profissional não fica exclusivo de uma empresa. Poderá ampliar o leque de atuação no mercado e criar independência.
Exemplo com faturamento de R$ 5.000,00
Desvantagens
1 A burocracia de abrir ou encerrar uma pessoa jurídica é muito grande (demora cerca de 50 dias para abrir e pelo menos
Imposto
Alíquota
Valor (em R$)
12 meses para encerrar). O custo também é maior, pois a sociedade deverá ser registrada no Cartório de Pessoa Jurídica,
Receita Federal, Prefeitura, Sindicato Patronal e Órgão de Classe. O autônomo faz somente a inscrição na Prefeitura (o
que em São Paulo sai no mesmo dia, tanto para abrir quanto para fechar).
ISS – São Paulo
“mensal” estimado
19,60
INSS retenção
20%
607,79
IRPF
27,5% – 548,82 **
826,18*
2 Computar no custo da pessoa jurídica a contratação de um contador ou um escritório de contabilidade para assessoria
TOTAL
Em torno de 29,07%
1.453,57
*Este valor poderá ser restituído quando
da entrega da DIRPF no mês de abril
do ano seguinte.
** Faturamento até R$ 1.372,81 é isento;
entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25, a alíquota é de 15%.
tributária, fiscal e contábil.
3 Instabilidade do mercado.
Fonoaudiólogo
Exemplo com faturamento de R$ 5.000,00
12
Valor (em R$)
registrado pelo regime
CLT
Vantagens
1 A remuneração geralmente é inferior quando comparada à da pessoa jurídica ou do autônomo (normalmente,
a metade). Mas o empregado registrado tem direitos trabalhistas que os outros não têm – férias, 13º salário,
FGTS e indenização de 40% sobre o total depositado na conta vinculada do FGTS em caso de dispensa sem
justa causa.
Imposto
Alíquota
ISS – São Paulo
2%
100,00*
INSS s/ Pró-labore
20% s/ retirada 2 sócios – 830,00
166,00
2 Segurança de receber o salário no final do mês, independente das condições do mercado.
INSS empresário
11% sal. Contribuição 2 sócios – 830,00
91,30
INSS retenção
11%
Desvantagens
1 Dependência econômica e profissional da empresa contratante.
IRPJ
32% x 15%
240,00
CSSL
32% x 9%
144,00
PIS
0,65%
32,50
COFINS
3%
150,00
TOTAL
Em torno de 29,47%
550,00**
1.473,80
2 Falta de autonomia na direção dos trabalhos.
3 Obediência a horários rígidos de trabalho
Exemplo com salário de R$ 2.500,00
Imposto
Alíquota
*Se for caracterizada sociedade de profissionais o ISS é reduzido para R$ 117,60 (por trimestre, por 2 profissionais)
INSS
11%
275,00
** Este valor só será devido se o serviço for prestado por não-sócio.
IRPF
15% – 205,92
169,08*
O valor de INSS s/ pró-labore e INSS empresário poderão ser abatidos com o valor do INSS retenção. No exemplo acima, a empresa ainda terá direito
a uma restituição de R$ 292,70.
TOTAL
Em torno de 17,76%
444,08
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
Valor (em R$)
* Este valor poderá ser restituído quando
da entrega da DIRPF no mês de abril
do ano seguinte.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
13
A inserção dos
deficientes intelectuais
O resgate dos direitos humanos e a valorização da diferença
são formas de desconstruir a desigualdade
M
uito se tem falado sobre inclusão de pessoas com alguma deficiência, seja nas escolas, seja
no trabalho. Para a fonoaudióloga Ana Elisa Fachini Gonçalves o foco
de atuação são os deficientes intelectuais e sua preparação para a inclusão no
ensino regular. Ela observa que, apesar dos resultados desse esforço serem
positivos, a atenção da sociedade está
mais voltada a pessoas com deficiências físicas, auditivas e visuais. “É importante informar que na inclusão do
deficiente intelectual todo um trabalho
é realizado, para que não haja insatisfação das partes envolvidas. Devemos
pensar, também, que são indivíduos e,
mesmo com algumas limitações, têm a
capacidade de desenvolver um trabalho adequado ou de serem alunos com
evoluções”.
Dentro da instituição de atendimento a deficientes intelectuais em que Ana
Elisa atua há uma escola de educação especial. O trabalho dela com sua equipe é
observar entre os alunos aqueles que estão aptos a freqüentar a rede regular de
ensino, capacitá-los para isto e fazer um
acompanhamento sistemático. “Quando a criança atinge certo nível pedagógico, encaminhamos para a rede regular e
nos tornamos responsáveis por ela. Va14
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
mos bimestralmente fazer uma orientação com o professor e com o coordenador dessa escola, para conversarmos especificamente sobre esta criança e trocarmos conhecimentos. Não tentamos
impor as informações que adquirimos
com nosso trabalho, porque quem está
com a criança todo dia é o professor.
Temos que respeitar o papel dele, que
é fundamental para o bom desenvolvimento do seu aluno. O que fazemos é
uma troca de informações”.
A fonoaudióloga Ana Elisa integra equipe
multidisciplinar de trabalho
Com seus pacientes, Ana Elisa desenvolve um trabalho terapêutico cujo enfoque principal é o desenvolvimento da
linguagem escrita. “Trabalho questões
relacionadas à leitura e escrita, e, em alguns casos, também é necessário enfocar a linguagem oral. É um trabalho pa-
ralelo ao da escola. A escola tem a função de alfabetizar e nós damos o suporte terapêutico para auxiliar no processo
de alfabetização”.
Participação familiar
A fonoaudióloga faz parte de uma
equipe multidisciplinar composta por
terapeuta ocupacional, pedagoga, psicóloga e assistente social. “Antes de a
criança ser inclusa, cada setor realiza
uma breve avaliação. Após isto, é realizada uma discussão do caso, quando
se definem os atendimentos que o aluno receberá conforme a sua necessidade. É a partir dessa avaliação que cada
um dos profissionais planeja seu atendimento e cria os grupos,” explica Ana
Elisa. São grupos de, no máximo, três
crianças, definidos pela faixa etária e
pelo nível pedagógico em que cada um
se encontra. “O processo de formação
dos grupos é muito criterioso, daí a necessidade da avaliação inicial para não
haver discrepância entre os alunos”.
O resultado tem se mostrado muito positivo, avalia a fonoaudióloga. “Os
órgãos parceiros deste trabalho oferecem bastante respaldo e muita liberdade para nossa atuação. É claro que algumas crianças não alcançam o resultado esperado, mas com a maioria de-
Fotos arquivos pessoais
I nclusão
A psicóloga e pedagoga Marina
trabalha pelas políticas inclusivas
las o sucesso está sendo grande.” A inclusão é um processo realizado desde
o ensino regular até o supletivo, conforme a idade de cada aluno”.
Ana Elisa faz questão de frisar que o
processo de inclusão não depende somente da instituição ou da escola, mas
também da família. “É ela que irá estimular a criança, auxiliá-la nas atividades e ampará-la quando necessário. Se
não houver esta participação, o sucesso da criança pode não ser o esperado.
Por isso, realizamos também um trabalho sistemático com as famílias, a fim de
ajudá-las nessa nova situação”.
Na escola regular
Mas, afinal, como se define deficiência intelectual? “É um termo que se usa
quando uma pessoa apresenta certas limitações no seu funcionamento mental
e no desempenho de tarefas, como as
de comunicação, cuidado pessoal e de
relacionamento social. Estas limitações
provocam mais lentidão na aprendizagem e no desenvolvimento dessas pessoas. As crianças com atraso cognitivo podem precisar de mais tempo para
aprender a falar, a caminhar e a adquirir
as competências necessárias para cuidar de si, tal como vestir-se ou comer
com autonomia,” explica a psicóloga e
pedagoga Marina S. Rodrigues Almeida, do Instituto Inclusão Brasil.
E como seria seu desempenho no ensino regular? “É natural que enfrentem dificuldades na escola. No entanto, aprenderão, embora necessitem de
mais tempo.” Ela avalia que crianças
com deficiência intelectual podem obter
resultados escolares muito interessantes. “Aprender é uma ação humana criativa, individual, heterogênea e regulada
pelo sujeito da aprendizagem, independentemente da sua condição intelectual ser mais ou ser menos privilegiada.
São as diferentes idéias, opiniões e níveis de compreensão que enriquecem o
processo escolar e clarificam a postura
dos alunos e dos professores face a um
certo conteúdo. Esta diversidade resulta das formas singulares de nos adaptarmos cognitivamente a um dado conteúdo e da possibilidade de nos exprimirmos abertamente sobre ele”.
O mercado de trabalho
Marina S. Rodrigues Almeida, que
também é Consultora em Educação Inclusiva, lamenta ainda haver muitas barreiras para se conseguir que a pessoa
com deficiência intelectual possa realizar-se “com dignidade e inteireza em
sua identidade como pessoa trabalhadora.” Ela observa que muitos empresários alegam vários motivos para manter sua resistência à abertura de vagas
para pessoas com deficiência intelectual (como, por exemplo, síndrome de
Down), optando por preencherem as cotas com aquelas portadoras de outros
tipos de deficiência. “Verificamos sérios mitos e estereótipos neste impedimento da contratação. Coisas como
‘não é bom para a imagem da empresa’; ‘pessoas com deficiência intelectual não se relacionam bem’; ‘cometem
erros em demasia’; ‘não interagem com
as equipes de empregados’; ‘apresentam dificuldades de arrumar postos de
trabalho/vagas onde possam atuar com
sucesso’; ‘não são competitivas’; ‘atrapalham a produção dos resultados da
empresa’, etc.”
Marina nota que esses mitos e preconceitos indicam uma visão simplista, reduzindo os deficientes intelectuais a pessoas desprovidas de maturidade, autonomia e independência. A psicóloga vem desenvolvendo um trabalho para que esse processo de exclusão,
historicamente imposto às pessoas com
deficiência, seja superado por meio da
implementação de políticas inclusivas,
ações afirmativas e pela conscientização da sociedade acerca das potencialidades dessas pessoas. Para fins da inserção no mercado de trabalho de deficientes intelectuais, ela defende os princípios do Emprego com Apoio. “O deficiente intelectual deverá ter as mesmas
oportunidades para obter seu emprego,
porém dentro de sua singularidade; deverá ser respeitado em suas necessidades por meio dos níveis de apoio para
sua efetiva inserção no mercado de trabalho e redes de apoio necessárias para
promover sua autonomia”.•
Para saber mais
Os artigos de Marina, que já publicou diversos
livros sobre o tema, podem ser lidos no site
http://inclusaobrasil.blogspot.com/
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
15
F ique por D entro
Fotos Divulgação
Estado celebra o Dia da Voz
Entidades e universidades de várias localidades paulistas
promoveram atividades alusivas à data
S
ão Paulo celebrou o Dia Mundial
da Voz, em 16 de abril, com diversos eventos. Distribuição de maçãs e folders, contato com a imprensa, oficinas, triagem e orientações
a profissionais e à população foram algumas das atividades propostas pelas
Delegacias Regionais do CRFa. 2ª Região/SP e faculdades de Fonoaudiologia do Estado.
Na Faculdade de Ciências Médicas da
Santa Casa de São Paulo, a semana entre 14 e 17 recebeu a Campanha do Dia
Mundial da Voz. No Hospital Central,
foram distribuídos folhetos informativos sobre cuidados com a voz,1100 maçãs e 500 squeezes para alunos e funcionários. Com a participação do Curso
de Fonoaudiologia da FCMSCSP, foram
realizadas duas oficinas sobre o tema,
uma para a comunidade interna e outra
para o público em geral. A campanha
também contou com a participação do
16
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
Departamento de Otorrinolaringologia
da Faculdade.
Na PUC, a campanha “Voz e Qualidade de Vida: Promoção e Prevenção” também promoveu a distribuição de maçãs
e copos de água durante todo o dia 16.
A campanha promovida pelo curso de
Fonoaudiologia da instituição teve uma
mesa redonda, que contou com a presença de profissionais da voz como o
ator Dan Stulbach e o jornalista César
Tralli. Na seqüência, a regente do Coral
da USP Sandra Espiresz promoveu uma
oficina para os presentes.
Encaminhamento
Em Santos, a Delegacia do CRFa., em
parceria com a Faculdade de Fonoaudiologia Unilus, realizou a campanha “Seja
Amigo da sua Voz”. No dia, alunos e
professores estiveram no Shopping Parque Balneário, onde orientaram a população quanto à prevenção de distúrbios
vocais. Em um estande montado no local, foi feita uma triagem vocal com encaminhamento. Mais de 40 pessoas foram atendidas e várias delas encaminhadas para consultas específicas na clínica da faculdade.
O Curso de Fonoaudiologia do Centro
Universitário de Araraquara (Uniara) realizou, entre os dias 12 e 18, a campanha “Voz para a Comunidade”. Com o
objetivo de estender o conceito da importância dos cuidados com a voz para
além da Universidade, a iniciativa promoveu uma intensa atuação junto aos
meios de comunicação da região. Chamadas sobre o assunto na página principal do site da universidade também fizeram parte do trabalho.
Na Fundação Educacional de Fernandópolis, alunos e professores participaram da Semana da Voz. Nesse período,
foram realizadas oficinas de triagem no
campus, na sede da OAB e no Fórum lo-
cal. Os profissionais concederam entrevistas às rádios da cidade e realizaram
palestras sobre saúde vocal para outros
docentes da FEF.
Entre 12 e 18 de abril, a Delegacia Regional do CRFa. em Ribeirão Preto juntou-se à Faculdade de Medicina da USP
e à Prefeitura da cidade para promover a Campanha da Voz, com o objetivo de conscientizar a população sobre
a importância da saúde vocal. Atividades educativas, assistenciais e culturais
permearam o período. Oficinas, panfletagem, orientações, encaminhamento e concertos de corais fizeram parte da ação intensa promovida pelas entidades.
Já a Universidade de Ribeirão Preto
(Unaerp) aproveitou uma parceria com
o Shopping Santa Úrsula, localizado no
município, para marcar a data. A campanha “Bem estar no Shopping” levou representantes da faculdade ao estabelecimento comercial no dia 10 de abril. Eles
realizaram palestra para os funcionários
e distribuíram folders à população.
Folhetos e entrevistas
Em Cerquilho, as fonoaudiólogas da
Prefeitura Municipal realizaram diversas atividades entre os dias 14 e 16. Além
da publicação de um artigo no jornal local e de uma entrevista numa rádio da cidade, foram distribuídos folhetos informativos e marcadores de páginas para
a população. As profissionais ficaram
à disposição para esclarecer a população sobre a importância da voz e os cuidados necessários para mantê-la saudável. Também foi iniciado um trabalho
com os professores da rede municipal
de ensino.
Na Fatea – Faculdades Integradas Teresa D´Avilla, em Lorena, a comemoração foi realizada com divulgações na mídia. Foram duas entrevistas na TV Aparecida e seis na rádio da Faculdade, conveniada com a Band. Também foram promovidas palestras sobre cuidados com
a voz a professores e alunos de diferentes faixas etárias.
Na Universidade Metodista, de São
Bernardo do Campo, uma série de atividades paralisou as aulas em três campi no dia 16. Também foram realizadas
atividades no Clube Aramaçan, de Santo André, com supervisão dos professores do Curso de Fonoaudiologia. Cerca
de duas mil pessoas, entre alunos, professores, funcionários e moradores da
região, receberam folders e orientações
sobre cuidados com a voz.
Na Universidade de Guarulhos, a campanha coordenada pelo curso de Fonoaudiologia – realizada entre os dias 16
e 20 de abril – alcançou mais de 6 mil
pessoas. Houve a participação de professores e alunos e parcerias com secretarias municipais e empresas da região.
Atividades da semana (de cima para baixo):
triagem em Ribeirão, equipe de Fernandópolis
e fonoaudiólogas de Santos; na página
ao lado, as profissionais visitam escola
de Marília
Entre as atividades, realização de minicurso sobre voz do professor e de palestras gerais sobre saúde vocal, fornecimento de mudas de árvores para plantio,
ações junto ao Conservatório Municipal,
promoção de oficinas de voz, apresentações de música e mutirão para triagem
vocal. A campanha também teve distribuição de maçãs e copos d’água.
A Delegacia do CRFa. em Marília firmou uma parceria com a Unesp local
e as prefeituras da cidade e das vizinhas Garça, Oriente e Oscar Bressane.
Em Marília, a Secretaria de Educação enviou folders para os professores da rede
de ensino, enquanto estagiários do curso da Unesp realizaram atividades lúdicas com as crianças. Profissionais da
rede municipal de saúde orientaram a
população. Em Garça, as fonoaudiólogas da Secretaria de Saúde realizaram
palestras informativas, com foco principal nos Agentes Comunitários. Já no município de Oscar Bressane, a ações voltaram-se às escolas e creches da cidade.
O lema “Seja Amigo da sua Voz” também inspirou os alunos do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Metodista de Piracicaba-UNIMEP. Supervisionados por professores, eles orientaram
a população na galeria do Campus Taquaral da UNIMEP e na praça central da
cidade. “Você sabia que hoje é dia mundial da voz? E que o lema da campanha
da voz deste ano é “seja amigo da sua
voz?”, perguntavam às pessoas para, em
seguida, apresentar folders, faixas, maquetes de laringe e programas computadorizados de avaliação acústica da voz/
GRAM. Depois, os interessados respondiam ao Protocolo QVV – Qualidade de
Vida em Voz. Os protocolos foram preenchidos por 121 pessoas (69 homens e
52 mulheres).•
Para saber mais
Para ler mais sobre as campanhas do Dia
Mundial da Voz no estado e ver fotos, acesse
http://www.fonosp.org.br/publicar/conteudo.
php?ID=818
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
17
M undo A cadêmico
L ivros
Investigação do limiar
de resolução temporal auditiva
em idosos ouvintes
de Mestre em
Fonoaudiologia pela
Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo
Daniela Soares de Queiroz
A
habilidade auditiva de resolução
temporal é responsável pela identificação de intervalos de silêncio em
função do tempo, possibilitando a
percepção da ocorrência de um ou dois estímulos sonoros. Transtornos desta habilidade auditiva estão freqüentemente relacionados a dificuldades de processamento fonológico e discriminação auditiva de pistas temporais da fala. Pesquisas relatam que o sujeito idoso necessita
de intervalo maior para identificar a presença de dois tons e isso explicaria algumas das queixas de compreensão de fala
dessa população. Nesta esteira, o objetivo desta pesquisa foi medir o limiar de
resolução temporal em idosos através do
Teste de Detecção de Intervalo Aleatório
– Expandido (RGDT-E), desenvolvido por
Keith (2002) e verificar a correlação entre os resultados do RGDT para as variáveis gênero, idade, limiar audiométrico e
pontuação no questionário de auto-avaliação da comunicação (SAC). Foram avaliados 63 indivíduos de ambos os gêneros
com audição periférica normal ou perda
do tipo neurossensorial, simétrica de até
18
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
Sonhos Possíveis
no livro
Minha Casa Verde
O texto de Dudu emociona pelo que traz de realidade e sonho. E tem ainda o mérito de fazer com que o leitor compreenda o trabalho desenvolvido pela Cruz Verde que, como muitas
instituições beneficentes, precisa de apoio e contribuição de todos os setores da sociedade.
Para mais informações, basta ligar para (11) 5579-7335 ou acessar o site www.cruzverde.org.br.
Minha Casa Verde
de Carlos Eduardo dos Anjos Souza
Manual
Fonoaudióloga Daniela S. de Queiroz
ção à idade e à configuração audiométrica não foram observadas diferenças estatisticamente significativas tanto para as
variáveis do RGDT quanto para o SAC. A
partir desses dados, foi possível concluir
que, quando comparamos os resultados
do RGDT com os valores de referência
para a população jovem, a idade mostrouse fator de piora dos limiares de resolução
temporal, principalmente para o gênero
feminino. Entretanto, mesmo com limiares aumentados, essa população não refere dificuldades de comunicação.•
Daniela Soares de Queiroz é graduada
pela Uniban (2000), especialista em
Audiologia Clínica pelo IEAA (2002) e
supervisora de estágio na disciplina de
Avaliação do Processamento Auditivo no
IEAA. Dissertação apresentada à Banca
Examinadora em fevereiro de 2008.
Orientadora
Profa. Dra. Teresa Maria Momensohn
dos Santos
prático de comunicação
O título desta obra já sugere do que ela trata – “Muito além do Ninho de Mafagafos” traz exercícios que
trabalham a dicção e a articulação de palavras. As autoras se valem de um conhecido trava-língua para dar
título ao livro. Dentro dele, uma série de exercícios, técnicas de relaxamento, aquecimento e desaquecimento
vocal, além de mais de 100 trava-línguas. Todo este conteúdo serve a quem tem problemas na fala e também
é útil, com certeza, a quem utiliza a comunicação como ferramenta de trabalho, como atores, apresentadores, professores, profissionais liberais, chefes, gerentes, políticos, jornalistas, radialistas, universitários e
palestrantes.
Traz ainda dicas de como cuidar da voz, como utilizar a seu favor o estresse de falar em público e como neutralizar sotaques. A obra foi organizada pela fonoaudióloga Diana Faria, com o auxílio de Maria Abadia Guimarães. A
fonoaudióloga Maria Tereza Camisa colabora com 36 textos com sons específicos elaborados por ela.
Interessante ressaltar que Tereza, paciente de Diana Faria, apresentava
dificuldades na fala em decorrência de um problema de saúde. “Fiquei empolgada com
a facilidade com que ela buscou e escreveu os textos. Comecei, então, a aplicá-los em outros
pacientes e durante os cursos de Oratória. Os resultados positivos culminaram na publicação do
livro”, conta Diana.
Já Maria Abadia trouxe para o livro sua experiência com os cursos sobre Técnicas Vocais e Arte de
Falar em Público. O trabalho conjunto resultou num guia prático para quem busca o aprimoramento
de sua comunicação. “O livro pode ser utilizado por pessoas de todas as profissões, porque é
de fácil compreensão. Além disso, hoje quase todos os profissionais são chamados a apresentar trabalhos e projetos para clientes ou chefias, o que faz deste livro um manual prático da boa
comunicação”, resume Diana.
Muito além do Ninho de Mafagafos – Um guia de exercícios
de Diana Melissa Faria, Maria Tereza Camisa e Maria Abadia Guimarães
Divulgação
para obtenção do título
grau leve. Observou-se melhor desempenho, em milissegundos (ms), do grupo do
gênero masculino em todas as freqüências avaliadas, sendo a média dos resultados do RGDT entre as freqüências de
500 e 4000 Hz, para o gênero feminino de
104,81 ms (DP ± 48,8 ms), e para o gênero
masculino de 22,08 ms (DP ± 20,15). Com
relação aos resultados do SAC, a maior
parte da população avaliada (62:63) não
apresentou queixas significativas de dificuldade de comunicação (SAC de grau
1 ou 2), sendo que, no grupo do gênero
masculino, nenhum sujeito (0:10) apresentou queixas significativas de dificuldade de comunicação e, no grupo do gênero feminino, apenas 1:53 apresentou
queixa (SAC de grau 3). Os resultados para
o SAC em porcentagem também foram semelhantes em ambos os grupos, com média de 9,95% (DP ± 12,28%) para o grupo
de mulheres e de 7,78% (DP ± 7,12%) para
o grupo de homens. Quando comparados
os resultados do questionário SAC com o
RGDT, observou-se que dentre os sujeitos
do gênero masculino, apenas um sujeito
dos 10 avaliados, apresentou limiar de resolução temporal maior do que 20 ms e,
mesmo assim, apresentava SAC de Grau
1. Em contrapartida, no grupo do gênero
feminino, 50 mulheres, entre as 53 avaliadas, apresentaram resultados médios
para o RDGT maiores do que 20 ms; entretanto, apenas uma apresentou queixa
significativa de dificuldade de comunicação (SAC de Grau 3). Na análise estatística da variável gênero sobre as variáveis RGDT e SAC, observou-se que ambos
os gêneros são estatisticamente diferentes apenas para os resultados do RGDT.
Em contrapartida, não foram observadas
diferenças estatisticamente significativas
entre os gêneros para o SAC. Com rela-
e
Chama atenção nesta obra – Minha Casa Verde – o fato de seu criador, Carlos Eduardo
dos Anjos Souza, ou apenas Dudu, ter paralisia cerebral. O livro traz fatos de sua vida
desde o nascimento até o “atual e feliz presente” na Cruz Verde, entidade filantrópica
que presta assistência a portadores de paralisia cerebral grave. Foi com o estímulo de
sua fonoaudióloga, Carla Patrícia Frigério Flório, que Dudu tocou em frente seu projeto.
Ele a convidou para participar da obra e, como é um paciente que apresenta fala inarticulada, foram necessárias diversas sessões semanais contínuas, num trabalho de muitos
anos, para finalizar este livro que vale a pena ser conferido.
Arquivo pessoal
Tese apresentada
Realidade
As autoras Diana Faria
e Maria Abadia com a
delegada Cristina Jabbur
práticos para aprimorar a comunicação
(Editora J&H)
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
19
A ções
E ventos
Acessibilidade e inclusão
são temas da VII Reatech
O que fazemos por você
Acompanhe o trabalho das Comissões do Conselho
Feira reuniu fabricantes e promoveu debates
1 Coordenação dos trabalhos de pauta, redação, edição
e publicação da Revista da Fonoaudiologia, edições 77
e 78;
2 Análise do material publicado para atualizações no site
do CRFa. 2ª Região;
3 Participação nos processos de licitação para contratação
da empresa para reformulação do site www.fonosp.org.br;
4 Coordenação do trabalho de assessoria de imprensa:
acompanhamento de pautas e dos textos divulgados aos
jornalistas sobre os temas Dislexia, Saúde Vocal, Dia Mundial da Voz e Fonoaudiologia e Planos de Saúde;
5 Realização de Happy Hours na Casa do Fonoaudiólogo;
6 Participação e/ou apoio aos seguintes eventos: REATECH
– VII Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, In-
clusão e Acessibilidade; I Seminário Popular, Social e Comunitário de Saúde de Vila Ema, Vila Heloísa, Parque São Lucas
e região_(em defesa do SUS); Simpósio de Fonoaudiologia
e Educação; Fórum Nacional de Educação nas Profissões
da Área da Saúde (Fnepas) e 7a Conferência Municipal de
Produção Mais Limpa;
7 Participação junto aos outros Conselhos Regionais e o
Conselho Federal de Fonoaudiologia do Encontro Internacional de Audiologia, realizado em Itajaí – março 2008;
8 Entrevistas em rádio, TV e imprensa escrita sobre os
releases divulgados à imprensa durante o período;
9 Início dos trabalhos de captação de patrocínio, planejamento e organização das comemorações do Dia do Fonoaudiólogo 2008.
Comissão de Educação | Abril de 2008
Participação da presidente da Comissão de Educação, conselheira Maria Cristina Pedro Biz, na Reunião interconselhos
realizada nos dias 25 e 26 de abril. As Reuniões Interconselhos
são realizadas com a participação de representantes de todos
os Regionais em conjunto com o Conselho Federal e o objetivo
é discutir ações a serem realizadas pelos Conselhos, segundo
temas pautados de acordo com a área de abrangência.
Na reunião de abril, os temas discutidos envolveram questões ligadas à educação. Foram pauta de discussão: a carga
horária dos cursos de Fonoaudiologia; Teleaudiologia; Campanhas de Divulgação sobre a Atuação do Fonoaudiólogo na
Escola e Dislexia.
T
erceira maior feira do mundo voltada às necessidades dos deficientes
físicos, mentais, visuais e auditivos,
a VII Reatech – Feira Internacional
de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, reuniu mais de 30
mil pessoas no Centro de Exposições
Imigrantes, na capital paulista, entre os
dias 24 e 27 de abril. Novas tecnologias,
lançamentos de produtos, equipamentos
e serviços foram destaques do evento.
Estima-se que 24 milhões de brasileiros –
15% da população – possuam algum tipo
de deficiência. O setor movimenta cerca
de 1 bilhão de reais por ano no Brasil.
A Reatech também cedeu espaço para
a discussão de várias questões vivenciadas pelos deficientes. Diversos simpósios e seminários foram realizados.
Entre eles, o encontro de “Mobilização Social pelo Trabalho Decente para
a Pessoa com Deficiência”, promovido
pelo Espaço Cidadania, braço social do
Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco
voltado à questão da inclusão. O evento,
apoiado pelo CRFa. 2ª Região/SP, contou com a presença de representantes de
entidades ligadas à inclusão profissional
e empresas que empregam deficientes.
Eles contaram suas experiências.
Mas o ponto alto da tarde foi o encontro da Secretária dos Direitos da
Pessoa com Deficiência do Estado de
São Paulo, Linamara Rizzo Battistela, e
a Superintendente Regional do Trabalho
e Emprego, em São Paulo, Lucíola Rodrigues Jaime. As duas se comprometeram
a atuar em conjunto em prol da inclusão
profissional.
Surdo.org
Além de reunir fabricantes de produtos voltados aos portadores de deficiência e promover espaço para diversos debates, a feira também abriu espaço para
a participação de diversas ONGs, como
o organizador do site www.surdo.org.br,
Jonas Pacheco. Funcionário do Banco do
Brasil há duas décadas, levou a questão
da deficiência auditiva ao Comitê Verbo
Divino, remanescente dos comitês de ci-
dadania criados em todas as agências do
banco há cerca de 20 anos, na época do
atuante Herbert de Souza, o Betinho.
O site foi idealizado com o objetivo de
informar pais e amigos de surdos e também transmitir informações para profissionais que atendem essa população.
Por isso mesmo, tem uma área dedicada
à publicação de trabalhos escritos por
esses profissionais. “Quanto mais trabalhos sobre surdez, sobre o surdo e
sobre a LIBRAS nós pudermos oferecer
e divulgar, mais rico fica o site, e mais
conteúdo seus visitantes encontrarão
ali”, explica Pacheco, que está aberto a
receber contribuição dos fonoaudiólogos paulistas.•
Divulgação
Comissão de Divulgação | Janeiro a Maio de 2008
Evento durou quatro dias e recebeu mais de 30 mil pessoas
Entidade lança livro sobre inclusão no trabalho
O tema abordado no encontro promovido pelo Espaço da Cidadania durante a Reatech também ganhou um livro. “Trabalho Decente para a
Pessoa com Deficiência – Leis, mitos e práticas de inclusão” é o nome da publicação coordenada por Carlos Aparício Clemente, dirigente do
Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. O livro resume a legislação nacional e internacional que trata da contratação de pessoas com deficiência
e reúne uma base de dados sobre o cumprimento, da Lei de Cotas brasileira. Segundo o levantamento, apenas 13,3% das vagas determinadas
a portadores de deficiência estão ocupadas no País. No estado de São Paulo, a taxa cresce para 37,3% de cumprimento da Lei.
Para a aquisição do livro e mais informações contate [email protected] ou acesse www.ecidadania.org.br.
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Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
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E ventos
Simpósio traz a experiência
fonoaudiológica na Educação
Campos
16º Congresso Brasileiro
História e Filosofia da Educação e mestre em Distúrbios da Comunicação pela
PUC/SP, além de professora nesta instituição, abordou aspectos relacionados ao
fracasso escolar. “A inclusão não é uma
ação, uma técnica ou projeto na escola,
mas sim um dispositivo para a promoção
da ‘educação para todos’ e respeito às diferenças”, afirmou Cecília.
A última mesa, “Disciplinaridade”,
trouxe o trabalho desenvolvido pelas
fonoaudiólogas Mariângela Lopes Bitar,
mestre em Lingüística Aplicada pela PUC/
SP e doutora em Lingüística pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP, e Nastienka Ojevan Presto,
fonoaudióloga e psicopedagoga da Secretaria de Educação do Município de Osasco (SP). Também participou a psicóloga
Flávia Ranoya Seixas Lins, psicanalista e
mestranda em Psicologia e Educação na
USP. Elas falaram sobre suas experiências
e desafios à frente da equipe interdisciplinar do Setor de Assistência Escolar e
Intervenção do Município de Osasco.•
Happy Hour
de
Fonoaudiologia
– Audição e Equilíbrio, Linguagem, Motricidade
Orofacial, Voz e Saúde Coletiva. Como em todas as
edições, também serão apresentados trabalhos de
fonoaudiólogos e estudantes, que concorrerão ao
Prêmio Excelência em Fonoaudiologia 2008. Para
mais informações e inscrições, acesse www.sbfa.
org.br/fono2008/Inscricoes_Ficha.php.
aborda temas ligados à profissão
A Casa do Fonoaudiólogo tem sido palco de importantes discussões relativas à Fonoaudiologia. “Aspectos
Éticos da Triagem Auditiva Neonatal” e “Gerenciamento
Pessoal e Atendimento ao Cliente” são apenas alguns dos
temas abordados por profissionais renomados durante a
Happy Hour, série de encontros promovidos pelo CRFa.
2ª Região toda última sexta-feira do mês. Consultora e
assessora de profissionais e clínicas de saúde, Débora
Ferrarini abordou, no encontro de abril, as singularidades
do atendimento na área. Em maio, a fonoaudióloga e doutora Maria Angelina Martinez tratou das questões éticas
envolvidas nos exames neonatais. Para saber mais sobre
o evento e conhecer a agenda dos próximos encontros,
acesse o site do Conselho: www.fonosp.org.br.
Neuza Nakahara
Respeito à diferença
Silvana Drago veio em seguida, com o
tema: “Atuação fonoaudiológica: ensino
regular, inclusão e fracasso escolar”. Pedagoga e professora de deficientes auditivos da Rede Municipal de Ensino, abordou a formação docente e falou sobre o
trabalho em sala de aula. A fonoaudióloga Maria Cecília Bonini, doutora em
recebe
Fotos Divulgação
A
educação permanente nas instituições
de ensino superior. “O discente não pode
ser passivo e o docente tem de ser um
facilitador e um orientador deste processo”, afirmou Luciana.
Em seguida, foi a vez do pedagogo
Oséias Fernandes Martins, também teólogo e professor. Assessor Institucional
Sócio-Educacional da Secretaria Municipal de Educação do Município de Jandira, ele ressaltou que muitas vezes a fala
técnica do fonoaudiólogo se choca com a
do professor. “Muitos profissionais vêem
problemas que, na visão do pedagogo,
não existem”, observou.
Jordão
Entre 24 e 27 de setembro, os fonoaudiólogos
do Brasil se encontrão em Campos do Jordão, interior paulista, no 16º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia, promovido pela Sociedade Brasileira.
“Fonoaudiologia e Cidadania” é o tema do evento,
o principal da área no País. O Congresso discutirá
assuntos relativos às diversas áreas da profissão
Profissionais debateram diversos temas relativos à área
manhã do dia 29 de março foi a
escolhida pela Comissão de Educação do CRFa. 2ª Região/SP para
reunir um seleto grupo de pessoas
interessadas em ouvir experiências sobre
o trabalho dos fonoaudiólogos em educação. O Simpósio “Atuação Fonoaudiológica em Instituições Educacionais” foi
realizado no CEV e contou com três mesas e sete palestrantes, que discorreram
sobre temas variados. O público acompanhou atento e debateu com os presentes.
A fonoadudióloga Luciana Tavares Sebastião, mestre e doutora em Educação
pela UNESP, especialista em Saúde Coletiva pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e membro do Comitê de Gestão
do Departamento de Saúde Coletiva da
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, além de professora da universidade,
apresentou o tema “O processo de formação do fonoaudiólogo para atuar na
Educação”. Ela enfocou os aspectos da
formação generalista, crítica e reflexiva,
enfatizando a necessidade de ações de
do
Maria Angelina (esq.) e Débora (dir.) estiveram na programação de Happy Hour do CRFa.
Atendimento Domiciliar
Os palestrantes que participaram do evento no CEV
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Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
O Conselho Regional de Fonoaudiologia – 2ª Região promoverá, no
dia 2 de agosto, o Fórum “Atendimento Fonoaudiológico Domiciliar”.
Primeiro do gênero promovido pela
instituição, será realizado das 8 às
12 horas, na Casa do Fonoaudiólogo. “Orientação ao cuidador e crité-
será tema de
rios para delegar tarefas”, “Prontuário” e “Biossegurança” serão alguns
dos temas discutidos. Os temas
serão abordados a partir da prática
e, por isso, o evento é voltado aos
profissionais com experiência nesse
tipo de atendimento. Após o fórum,
o CRFa. vai elaborar um documento
Fórum
de orientação com relação ao atendimento domiciliar e irá apresentar
sugestões ao Conselho Federal para
possível republicação da Resolução
Nº 337/06, que trata do assunto.
Para mais informações sobre inscrições, documentos e legislação,
acesse www.fonosp.org.br.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
23
N otas
Jair Pires
CRFa. e Coral Fonovoice participam de evento
da CPTM
O Conselho Regional de Fonoaudiologia – 2ª Região, representado pela
conselheira Cláudia Cassavia, e o Coral Fonovoice participaram da IV Semana de Saúde da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. O
evento, que tem como principal objetivo sensibilizar funcionários e usuários
sobre a importância da prevenção e cuidados com a saúde, abriu espaço
para orientação à população que circulou pela Estação Brás na manhã de
11 de abril. Alterações da comunicação e na fala foram os temas da maior
parte das dúvidas respondidas pela fonoaudióloga Michelli Lourenço Rubinick, voluntária no evento. Ao meio-dia, uma apresentação do Fonovoice
emocionou o público presente.
MAM, atenção ao Meio Ambiente
Desde abril, o CRFa. 2ª Região/SP conta
com o trabalho do MAM – Meio Ambiente
Cibele Siqueira, Renata Megale, Roberta
Hormain e Valéria Nascimento, o grupo
Melhor, grupo criado para promover a
vem implantando medidas que visam
conscientização de funcionários e de
reduzir o uso de água, de energia e
conselheiros quanto ao uso racional
de papel. Acreditamos que, com a
de recursos naturais, como água e
criação do MAM, o Conselho cum-
energia elétrica, além de incentivar
pre mais uma ação de responsabi-
a reciclagem de materiais. Formado
lidade social e de preservação do
pelos funcionários Celso Santos,
meio ambiente.
apóia
Seminário Popular
O CRFa. 2ª Região/SP apoiou o I Seminário Popular, Social e Comunitário de
Saúde – Vila Ema, Vila Heloisa, Parque São Lucas e região, na capital Paulista.
Organizado por integrantes do Conselho Municipal de Saúde, o encontro marcou a necessidade da melhoria da oferta de atendimento na área. “Precisamos
de mais UBS na região”, reivindicou José da Guia Pereira, organizador do seminário e presidente da ONG Espaço Mamberti de Cultura.
Fonoaudiólogos discutem Saúde
Vocal do Trabalhador
Estratégias a serem adotadas pelo CRFa. 2ª Região/SP para contribuir com a regulamentação e implementação da Lei Estadual No
10.893/01 que “Cria o Programa Estadual de Saúde Vocal do Profes-
sor da Rede Estadual de Ensino” foram abordadas durante encontro
realizado no dia 16 de maio. A reunião teve a presença das fonoaudiólogas Cláudia Taccolini Manzoni, Fabiana C. Zambon, Léslie
Piccolotto Ferreira, Márcia Tiveron de Souza, Susana P. P. Giannini e
Thelma M. Thomé de Souza; das conselheiras Cláudia S. P. Cassavia
e Maria Cristina Biz e da assessora Cibele Siqueira. O grupo elencou
vários aspectos relacionados ao tema e também julgou importante
ampliar o enfoque da questão, ao considerar a atuação fonoaudiológica sob a perspectiva da Política Nacional de Saúde do Trabalhador
e não ligada apenas à saúde vocal do professor. Outro aspecto deliberado foi a necessidade do CRFa. buscar parceiros para atuar na
questão, dentre eles Sindicatos dos Professores, APEOESP, Coordenadores da Rede Nacional de Saúde do Trabalhador (Renast) e fonoaudiólogos inseridos na rede estadual de Saúde do Trabalhador.
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Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
Fnepas
discute
integralidade na
atenção à saúde
A Faculdade Santa Marcelina, na
capital paulista, foi palco da Oficina
Regional da Grande São Paulo do Fnepas (Fórum Nacional de Educação das
Profissões da Área da Saúde), no dia
26 de abril. “Integralidade na formação
e nas práticas em Saúde: estratégias
para integrar ensino, gestão, serviços
e usuários na Grande São Paulo”, foi
o principal tema do encontro. A oficina teve duas mesas redondas, que
abordaram “Integração ensino-serviço
nas redes municipais de saúde” e “A
formação para o trabalho em equipe”.
O Fnepas foi criado em 2004 com o
objetivo de contribuir para o processo de mudança da graduação a partir
de uma concepção de integralidade
na atenção e na formação em saúde.
Reúne representantes das instituições
de ensino das 14 profissões da área,
além de representantes do controle
social. O encontro reuniu 238 participantes. Entre eles, estavam os fonoaudiólogos Andrea Bonamigo, representando a instituição de ensino onde
atua, e Paulo Melo e Cláudia Cassavia,
em nome do CRFa. 2ª Região/SP. Para
mais informações sobre o Fórum e
sobre os resultados da oficina, acesse
www.fnepas.org.br.
A Delegacia Regional de Marília
inaugurou no dia 8 de maio seu
novo espaço de eventos com a
realização da palestra “Gagueira
infantil”, ministrada pela fonoaudióloga Cristiane Moço Canhetti, docente da Faculdade de Fonoaudiologia da UNESP. O evento fez parte
da programação do Happy Hour
cultural e contou com a presença
de profissionais da cidade e de
municípios vizinhos, como Quatá,
Paraguaçu Paulista, Bauru, Pompéia, Lutécia, Vera Cruz, Garça e
Álvaro de Carvalho.
Brasileira é presidente da ISA
A fonoaudióloga Iêda Chaves Pacheco Russo, professora titular da PUC-SP e adjunto da
Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e vicepresidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, assumiu a presidência da International Society of Audiology (ISA) durante o XXIX
Congresso Internacional de Audiologia, realizado entre 8 e 12 de junho em Hong Kong.
Ela é a primeira brasileira a presidir a entidade, criada há 50 anos com o objetivo de
facilitar o conhecimento, a proteção e a reabilitação da audição. Iêda era vice-presidente da
entidade desde 2006 e há dez anos integrava
o comitê executivo.
Elisiario Couto/Insert
Conselho
Divulgação
Marília inaugura espaço de eventos
Seminário aborda
atendimento de
deficientes auditivos
“Indicadores de qualidade nos
serviços de saúde auditiva do
SUS” foi o tema do II Seminário
Científico Políticas Públicas em
Saúde Auditiva promovido pelo
Centro de Pesquisas Audiológicas do Hospital de Reabilitação das Anomalias Craniofaciais
(CPA-HRAC) e pelo Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru-USP.
O encontro foi realizado na cidade paulista entre 8 e 9 de maio.
O presidente do CRFa. 2ª Região,
Paulo Eduardo Damasceno Melo,
e a conselheira Maria Cristina Pedro Biz, presidente da Comissão
de Legislação e Normas, representaram a entidade no evento
que discutiu ações que possam
contribuir para o aprimoramento
do atendimento aos deficientes
auditivos. Um dos focos de discussão foi a identificação dos
fatores que contribuem para um
atendimento de qualidade, com
o objetivo de nortear a definição
de metas do serviço, contribuindo
para o desenvolvimento e a organização de programas de diagnóstico e intervenção.
Revista da FONOAUDIOLOGIA • 2ª Região • nº 78 • jul/ago/set • 2008
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N otas
C artas
Divulgação
Governo cria Secretaria Estadual de Direitos
da Pessoa com Deficiência
Sob o comando da fisiatra Linamara Rizzo Battistella, Diretora
Executiva da Divisão de Medicina
de Reabilitação do Hospital das
Clínicas e professora da Faculdade de Medicina da USP, foi criada,
em março, a Secretaria Estadual de
Direitos da Pessoa com Deficiência
do Estado de São Paulo. A médica
anunciou que pretende contar com
ampla participação das pessoas
com deficiência por meio do Con-
selho Estadual para Assuntos das
Pessoas Portadoras de Deficiência
(CEAPPD), que ajudou a fundar e
com o qual pretende implementar
e sedimentar ações que visem assegurar a cidadania e a inclusão
das pessoas com deficiência. Várias ações já estão em andamento,
como a qualificação profissional de
médicos e profissionais de educação para atendimento desta população específica.
Sobrapar reúne especialistas
em Fissura Lábio Palatina
O VII Simpósio Sul-americano Smile Train sobre Fissuras Lábio Palatinas reuniu, nos dias 25 e 26 de abril,
em Campinas, grandes cirurgiões da
especialidade. Entre eles, a indiana
Jyotsna Murthy, considerada a maior
autoridade em fissura lábio palatina do
Oriente; o sul-africano Anil Madaree,
referência em casos de pacientes com
grande deformidade facial, e o sueco
Jan Lilja, presidente da Associação
Sueca de Cirurgia Plástica e dirigente
de um dos principais jornais europeus
científicos da área.
O cirurgião plástico norte-americano
Eduardo D. Rodriguez, um dos principais especialistas em reconstrução de
face, abordou suas pesquisas pioneiras
de transplante de face em macacos. O
evento, promovido pela Sociedade Bra-
sileira de Pesquisa e Assistência para
Reabilitação Craniofacial (Sobrapar),
também contou com a presença de
médicos brasileiros com experiência
de tratamento e de pesquisadores com
células-tronco. Durante o simpósio, foi
realizado o IV Workshop dos Serviços
de Fissuras Lábio Palatinas, que contou com representantes de 23 centros
de referência em tratamento do Brasil.
O uso do etanol, combustível biodegradável, mais limpo e, portanto,
mais saudável, foi o principal tema discutido durante a 7ª Conferência
Municipal de Produção Mais Limpa, realizada em 21 de maio, no Anhembi, em São Paulo. No encontro, que reuniu representantes dos diversos
setores da sociedade, discutiu-se, entre outras questões, o fato de o
uso do etanol como combustível reduzir em 90% a presença de material particulado no ar, não conter enxofre, responsável pela chuva ácida,
e diminuir em mais de 80% as emissões dos gases responsáveis pelo
aquecimento global.
Os participantes do evento – iniciativa do médico e vereador Gilberto Natalini, à esquerda na foto com os convidados da mesa – também
comentaram a importância da produção do combustível para as áreas
social e econômica. O CRFa. 2ª Região/SP foi representado pelas conselheiras Carolina Fanaro da Costa Damato e Andréa Soares Silva.
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Divulgação
Etanol é destaque da Produção Mais Limpa
Educação
O simpósio promovido pelo conselho no
dia 29 de março foi muito importante. Foram levantados diversos questionamentos
sobre a Fonoaudiologia na educação, que
esclareceram minhas dúvidas.
Agradeço ao conselho por este evento.
Daiane Schultz
Planos de Saúde
Prezados Colegas do CRFa.,
Andei lendo à respeito dos planos de
saúde, andei refletindo sobre as questões
apontadas pelo CRFa. da 6° Região, e venho mostrar meu apoio aos colegas e concordar com os pontos em pauta!
Acredito que as lutas que meus colegas
travaram no passado não devem ser esquecidas. Como os heróis que sofreram na ditadura pelo direito das eleições diretas, não
podemos nos esquecer das lutas pela autonomia profissional do Fonoaudiólogo. Todos sabemos que não há como reduzir números de sessões fonoaudiológicas.
Imagine um paciente de linguagem, que
necessita de um acompanhamento maior
para um trabalho mais bem sucedido... Se
estas sessões forem reduzidas e o fonoaudiólogo não conseguir que a família seja
excelente colaboradora, o desempenho do
Fonoaudiólogo ficará ameaçado, e quem
sofrerá as conseqüências é o paciente!
Priscila Haydée de Souza
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Veja a lista de fonoaudiólogos que perderam
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Carimbo Luely Costa Canton Maciel
Renata Abrão
CARIMBO E CÉDULA
Alessandra Sampaio Ferreira
Marcelle Fernanda C. Antunes
Michele Fernanda C. Antunes
CÉDULA
Andréia Zeppelin
Lilian Cristina Corrêa
Ligia Reis Bolognato Ribeiro
Maria de Fátima N. Mirassol
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