Revisão Mensal de Commodities
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Forte oferta agrícola reduz projeção de preços
• Revisamos para baixo as projeções de commodities agrícolas, dado o conjunto de surpresas na perspectiva de oferta.
• Preços de metais sobem em junho, com a melhora do sentimento em relação à China. Projetamos que os preços subirão
um pouco mais até o fim do ano.
• Conflitos no Iraque impactaram os preços de petróleo. Projetamos queda do risco geopolítico e dos preços à frente.
O Índice de Commodities Itaú (ICI) recuou 1,6%
desde o fim de maio. Altas nos metais e em
commodities relacionadas ao petróleo não foram
suficientes para compensar a forte queda nas
agrícolas causada pela perspectiva de oferta maior em
soja, milho, algodão e café.
Altas em energia e metais, queda nas agrícolas
120
ICI Agrícola
ICI Energia
ICI Metais
Revisão para baixo na projeção de preços
agrícolas. As mudanças na perspectiva de oferta
mencionadas cima vão levar a balanços de oferta e
demanda mais folgados no ano safra 2014-15 em
milho, soja, algodão e café. Assim, estamos revisando
nossas projeções de preços para estes produtos. Os
preços de trigo também vão ser revisados devido à
correlação com o milho. A combinação de ajustes leva
nossa projeção do ICI-agrícola no fim do ano a um
nível 8,4% do cenário anterior, e 2,3% acima dos
preços atuais.
Com a revisão nos preços de agrícolas, nossas
projeções de fim de ano para o ICI foram revisadas
para baixo e agora apontam para queda de 4% na
comparação anual em 2014 (cenário anterior: -1,4%) e
alta de 2,4% em 2015 (anterior: 1,6%). Esta projeção
considera que o ICI vai recuar 1,0% em relação aos
níveis atuais.
110
100
Revisão para baixo nos preços de agrícolas
90
Índice de Commodities Itaú * (2010=100)
125
80
jan-14
fev-14 mar-14
abr-14 mai-14
jun-14
jul-14
120
Fonte: Itaú.
O ICI-agrícola caiu 9,4% desde o fim de maio,
influenciado pela rolagem dos contratos futuros e
por uma perspectiva de oferta mais forte. Com
exceção do açúcar, todas as commodities que
acompanhamos registraram quedas no período. Os
EUA foram a principal fonte de surpresas. Condições
climáticas favoráveis reforçam as expectativas de
elevada produtividade na safra 2014-15. O último
relatório do USDA trouxe estoques de milho e área
plantada de soja bem acima das expectativas. No
resto do mundo, há sinais de que o fenômeno El Niño
não levará a quebras das safras de grãos na Ásia. Por
fim, o mercado está revisando para cima as
expectativas para a produção cafeeira do Brasil.
115
110
Anterior
105
Atual
dez-11
dez-12
dez-13
dez-14
100
dez-15
Fonte: Itaú.
Alta nas commodities energéticas devido ao
conflito no Iraque. O ICI-Energia chegou a subir
4,3% entre 30 de maio e 23 junho, conforme rebeldes
A última página deste relatório contém informações importantes sobre o seu conteúdo. Os investidores não
devem considerar este relatório como fator único ao tomarem suas decisões de investimento.
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conquistavam cidades e marchavam em direção a
Bagdá, capital do Iraque. Desde então, o índice
recuou 3,1%, conforme o governo iraquiano recebeu
apoio de Rússia, Irã e dos Estados Unidos e foi capaz
de interromper o avanço. Apesar da queda em relação
às máximas recentes, consideramos que os preços
atuais do petróleo ainda embutem risco geopolítico
acima da média. Com o apoio externo, acreditamos
que o governo do Iraque vai ser capaz de defender a
infra estrutura ligada à produção de petróleo e que tal
risco geopolítico vai diminuir. Mantemos nossas
projeções de preços para o fim de ano, que considera
uma queda de 3,7% do ICI-Energia em relação aos
níveis atuais.
Os metais subiram desde o fim de maio (4,2% de
acordo com o ICI-metais), conforme minério de
ferro e os metais básicos se recuperaram das
mínimas recentes. Esta recuperação parcial pode ser
explicada pela melhora da percepção dos investidores
em relação à China. Também acreditamos que os
preços de minério de ferro não são sustentáveis em
US$ 90 por tonelada na conjuntura atual. Nossas
projeções para o fim do ano permanecem as mesmas
e consideram uma alta adicional de 0,7% do ICImetais, influenciada por preços mais altos de minério
de ferro (projetamos US$ por tonelada no fim do ano,
4,5% acima dos preços observados no começo de
julho).
Grãos/soja: revisão para baixo nos preços
Com diversas surpresas que melhoram a
perspectiva para o próximo ano safra, as
commodities agrícolas registraram novas quedas
em junho. A exceção foi o açúcar.
Os EUA foram a principal fonte de surpresas na
oferta. Condições climáticas favoráveis reforçam as
expectativas de elevada produtividade na safra 201415 de milho, soja e algodão. As avaliações semanais
do USDA mostram que a qualidade das safras destas
commodities está acima do padrão histórico, o que é
consistente com produtividade elevada. Além disso, o
relatório do USDA de área plantada e estoques trouxe
estoques de milho e área plantada de soja bem acima
das expectativas, reforçando o cenário de superávits
nos balanços entre oferta e demanda.
Riscos menores nas safras de milho e trigo no
resto do mundo. A evolução recente das condições
no Oceano Pacífico sugere que o El Niño não será
intenso o suficiente para levar a quebras nas safras de
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grãos da Ásia (China e Índia em particular). As
condições climáticas estão favoráveis na Europa.
Revisão para baixo nas projeções de milho, soja e
trigo. As mudanças na perspectiva de oferta
mencionadas cima vão levar a balanços de oferta e
demanda mais folgados no ano safra 2014-15.
Portanto, revisamos para baixo as projeções de
preços internacionais (por bushel) de milho (de US$
5,00 para US$ 4,50), soja (de US$ 12,2 para US$
11,5) e trigo (de US$ 6,8 para US$ 6,0).
Grãos e soja seguem em queda
Preços correspondem ao primeiro futuro do CBOT
800
1650
700
1500
600
1350
500
Milho
Trigo
Soja (direita)
400
jan-13 abr-13 jul-13
1200
out-13 jan-14 abr-14 jul-14
Fonte: Itaú
Café: equilíbrio em preços mais baixos
As condições da safra brasileira de café vêm sendo
reavaliadas. O consenso continua sendo de quebra na
safra 2014-15, mas o receio de um choque duradouro
na produtividade diminuiu. Com isso, estamos
revisando para baixo as projeções de preços de café
para o fim do ano, de US$ 2,20 para US$ 1,80 por
libra-peso. Este número ainda inclui uma forte alta em
relação aos preços do fim de 2013, mas considera que
o mercado atinge o equilíbrio em um nível de preços
mais baixo.
Açúcar: projetamos alta dos preços
Preços de açúcar sem tendência definida, com
perspectiva de oferta menor compensada por
demanda fraca. Os preços de açúcar (contrato com
vencimento em outubro de 2014) seguem oscilando
entre US$ 0,175 e US$ 0,185 por libra peso, sem
tendência definida. No lado dos fundamentos, a
perspectiva de oferta não evolui da mesma forma que
as demais agrícolas e segue sendo revisada para
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Monções abaixo do padrão histórico sugerem
produtividade menor na índia e na Tailândia. As
monções estão com precipitação abaixo do padrão
sazonal. O El Niño sugere que este cenário deve
continuar nos próximos meses, o que deve reduzir a
produtividade das safras da Índia e da Tailândia.
baixo. Apesar disso, a fraqueza da demanda impediu
uma alta dos preços.
Perspectiva pior de potencial de produção
açucareira no Brasil. O tempo seco no sudeste está
fazendo com que as projeções de safra de cana-deaçúcar no Brasil continuem sendo revisadas para
baixo. Com chuvas abaixo da média nas principais
regiões produtoras, a cana-de-açúcar não está
conseguindo se recuperar da forte estiagem do verão.
Incorporando a evolução recente, estamos revisando
nossa projeção para a safra de cana-de-açúcar no
Centro-sul de 570 para 560 milhões de toneladas, e
mantendo o ATR 132 kg por tonelada de cana.
Considerando que 44,5% da colheita seja usada para
açúcar (ante 45,4% no ano safra 2013/14), a produção
do Centro-Sul fica em 31,3 milhões de toneladas de
açúcar, 3,0 milhões abaixo da safra passada.
Mantemos a projeção de alta nos preços. A
perspectiva de produtividade menor nos três países
reforça o cenário de transição de superávit para déficit
no balanço global entre oferta e demanda em 2014.
Com isso, seguimos projetando alta dos preços
internacionais de açúcar no ano, para US$ 0,195 no
contrato com vencimento em março de 2015.
Artur Manoel Passos
Projeções:
Índice de Commodities Itaú (ICI) *- por grupo
Agrícola
Metais
Energia
150
130
110
90
dez-10
dez-11
dez-12
dez-13
dez-14
70
dez-15
Fonte: Itaú
Commodities
Índice CRB
Índice de Commodities Itaú (ICI)*
Agrícolas
Energia
Metais
ICI - Inflação **
a/a - %
var. média anual - %
a/a - %
var. média anual - %
a/a - %
var. média anual - %
a/a - %
var. média anual - %
a/a - %
var. média anual - %
Atual
4,5
3,0
-4,0
-4,3
0,2
-8,6
-2,3
2,7
-11,8
-11,6
a/a - %
var. média anual - %
0,7
-3,1
2014P
Anterior
4,5
2,8
-1,4
-3,3
9,5
-4,2
-2,3
2,1
-11,8
-11,8
3,6
-1,9
Atual
4,0
0,9
2,4
-0,6
6,6
0,8
-0,4
-2,2
3,0
1,1
3,9
1,5
2015P
Anterior
2,5
0,2
1,6
0,5
3,5
3,3
-0,4
-1,6
3,0
1,3
2,6
2,4
* O Índice de Commodities Itaú é um índice proprietário composto pelos preços das commodities, medidas em dólares e transacionadas nas bolsas internacionais que
são relevantes para a produção global. O índice é formado pelos sub-índices de Metais, Energia e Agrícolas.
**O ICI-Inflação é um índice proprietário composto pelos preços das commodities, medidas em dólares e que são relevantes para a inflação no Brasil (IPCA). O índice é
formado pelos sub-índices de Alimentação, Industrial e Energia.
Pesquisa macroeconômica no Itaú
Ilan Goldfajn – Economista-Chefe
Página 3
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1.
* Custo de uma Chamada Local
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