SOCIOLOGIA E MEIO AMBIENTE RURAL: A BUSCA POR UMA AGRICULTURA
SUSTENTÁVEL 1
CEMBRANEL, Priscila1; FABRICIO, Ana Maria2 ; FABRICIO, Adriane3 ; SANTOR,
Cilione4 ; LOPES, Luis Felipe Dias5 SMANEOTO, Cecilia6
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Trabalho de Pesquisa _UFSM.
Mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa
Maria, RS, Brasil.
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Mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa
Maria, RS, Brasil.
4
Mestrado em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa
Maria, RS, Brasil.
5
Doutor em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria,
RS, Brasil.
6
Mestre em Desenvolvimento Regional pela UNIJUI, Professora e Consultora, Três de Maio, RS,
Brasil.
E-mail: [email protected]; [email protected];
[email protected]; [email protected]; [email protected];
[email protected].
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RESUMO
A preocupação com as ameaças ao meio ambiente não surgiu agora. Desde os anos setenta a
necessidade de um mundo “mais verde” é uma preocupação de biólogos e sociólogos. O presente
trabalho foi desenvolvido através de uma abordagem qualitativa e método de procedimento
bibliográfico possibilitando-se uma pesquisa básica exploratória através da revisão da literatura
acerca dos conceitos de agricultura sustentável e meio ambiente com o objetivo de diferenciar as
práticas agrícolas atuais consideradas modernas das tradicionais orientando para uma discussão
relativa as questões ambientais e tecnológicas impactadas pelo cultivo agrícola. Através do estudo
pode-se observar que a agricultura caminha para um processo de industrialização ou de um ramo de
atividade industrial onde a questão ambiental é relacionada ao meio rural reorganizado de forma
“agroecológica” através da reconstrução dos sistemas tecnológicos e sociais de maneira ética.
Palavras-chave: Sustentabilidade; Responsabilidade; Conscientização.
1. INTRODUÇÃO
Os humanos dominam a terra há milhares de anos. Verdadeiramente não se sabe
quando esse domínio começou, sabe-se somente como ele pode terminar se o homem não
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parar de destruir o ambiente onde vive. Para Massuqueti (2010) no mundo inteiro, a
modernização agrícola tornou tênue os contornos do chamado “mundo rural” onde ética,
tempo, tradições e procedimentos são transformados e causam outras tantas mudanças que
se reatroalimentam.
A agricultura é uma das práticas mais antigas presentes na sociedade. Porém, a
preocupação das pessoas com a destruição do meio ambiente e a busca pela qualidade de
vida torna importante as práticas de conscientização na realização de uma prática agrícola
responsável. Alternativas existem muitas, mas a maioria das vezes o que não existe é a
capacidade de produzir com qualidade, sem destruir o meio ambiente e de forma
economicamente satisfatória. Para Mazzoleni e Oliveira (2010, p. 568), “os estudos sobre
inovação normalmente abordam a evolução tecnológica dos setores industriais” e as
mudanças que ocorrem nas fronteiras tecnológicas envolvendo os ramos industriais
esquecendo-se da importância do processo de conscientização dos indivíduos diretamente
envolvidos nos processos de produção.
2. MEIO AMBIENTE E AGRICULTURA
O ser humano desenvolveu-se durante toda sua história acreditando ser o dono da
natureza e do planeta. Esse processo está sendo revertido pela sociologia do meio
ambiente através do pressuposto que defende o estudo do processo social no contexto
mundial. Para Jacobi (2006) trata-se “de um tema muito complexo, pois as possibilidades de
fixar limites são politicamente problemáticas, em qualquer parte do planeta”.Pode-se
observar que, os seres humanos agem de forma irresponsável sobre os recursos naturais,
que além de serem finitos sofrem degradação devido à ação do homem (seja para o
desenvolvimento econômico ou o próprio bem estar deste). Para Martins (2005), a
sociologia e a economia rural traz a necessidade de arranjos institucionais para a gestão
ambiental e social sustentável dos territórios rurais. Percebe-se também que existe a
possibilidade de implementar estratégias de desenvolvimento que aproximem a sociedade e
a economia para que um acordo em prol da proteção ambiental seja possível.
Nesse sentido, o meio ambiente surge como problema na agricultura após a
“revolução verde” nos anos setenta. Para Feix, Miranda e Barros (2010) a partir da década
de 1970, a formulação de um modelo de desenvolvimento converge os interesses entre
comércio internacional, sustentabilidade ambiental e justiça social perpassando as
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preocupações acadêmicas. Sabe-se, no entanto, que somente depois da modernização da
agricultura que tal preocupação torna-se iminente e passa a ser uma preocupação também
do estado.
As manifestações da população em relação à exclusão social passaram a
preocuparem-se com a preservação ambiental apenas após um determinado momento
histórico quando a modernização começou a ameaçar as terras e os meios de produção (a
criação das barragens, as disputas de terras com os indígenas e as atividades de extração
de recursos naturais). Neste sentido, sabe-se que historicamente, a Primeira Revolução
Agrícola trouxe inovação em relação à utilização do conhecimento para o ganho do capital
(a exemplo das rotações de culturas e dos fertilizantes agrícolas). Evolutivamente, logo
surgiu a Segunda Revolução Agrícola iniciada pelas inovações dos fertilizantes químicos.
(VEIGA, 1991).
Quando as preocupações focaram-se na utilização de agrotóxicos e a sua forma de
fabricação na busca das melhorias para a qualidade da agricultura diante dos demais
setores, as técnicas usadas para essa fabricação ou suas possíveis conseqüências no
futuro passaram a não importar. Este fato gerou a necessidade da revisão por parte,
inclusive, do governo de suas políticas de modernização criando movimentos para a
possibilitação de uma agricultura alternativa, ou seja, a volta dos métodos tradicionais como:
a matéria orgânica, o controle biológico, a consorciação de culturas. Para Mazzoleni e
Oliveira (2010, p. 572), “a produção orgânica é uma oportunidade tecnológica de
desenvolvimento de inovações”. Para Bezzera e Viega (2000 in Mazzoleni e Oliveira, 2010)
a revolução verde, os métodos tradicionais de agricultura se predispôs a dominar a
natureza, baseado-se na indústria química de adubos sintéticos e de agroquímicos, bem
como no uso intensivo de energia, pesquisa genética, máquinas e equipamentos.
Nos anos noventa, a questão ambiental na agricultura recebe uma nova designação
o “ecodesenvolvimento” que fundamenta novas premissas para as políticas públicas.
Assiste-se então, um avanço nas propostas ambientalistas para nortear os vários
segmentos da sociedade significando que estado, mercado e sociedade passam a agir de
forma ambientalmente correta. Nesse momento, segundo Naisbitt (1980, p. 285): “A biologia
acabará possibilitando a identificação e manipulação de características herdadas. E essa
parte é assustadora”.
As políticas ambientais praticadas agora pelo governo irão privilegiar a ação
protecionista, preservadora e reguladora da questão ambiental onde o mercado deverá
aderir a uma produção que não polua o meio ambiente.
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A agricultura industrial e os organismos geneticamente modificados (OGMs) não são
a solução para combater a fome no mundo, a pobreza e as mudanças climáticas, e os
governos devem incentivar práticas agrícolas mais sustentáveis, como a agro-ecologia. É
preciso trabalhar com a natureza para produzir mais e melhores alimentos (GREENPEACE,
2008).
Apesar do avanço que representa para a questão ambiental, a noção de
sustentabilidade parece, contudo excessivamente abrangente para definir os vários
movimentos ambientalistas, que no início do novo milênio, faz crescer o número de
“agricultores ecológicos”, pois houve uma demanda significativa por alimentos isentos de
agrotóxicos (NAISBITT, 1980).
3. TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO
No momento que o ambiente natural surge a questão da sociologia ambiental ocupase. Conforme Naisbitt (1980, p. 289) “com a velocidade dos avanços científicos e a
capacidade de assimilação das pessoas. Os avanços são cruciais e evoluem rapidamente”.
Não há dúvidas de que máquinas e implementos agrícolas contribuem para a
aceleração da erosão no solo e o desequilíbrio dos ecossistemas agrários. Para Kautsky
(1998), o alargamento do capitalismo no campo em relação a modernização da produção
agrícola, provocou mudanças irreversíveis na organização da agricultura gera novas formas
de dos espaços agrários, gerando formas diferenciadas de demonstração da agricultura.
Neste sentido, existem inúmeros conflitos advindos da valorização dos produtos naturais e a
formulação de uma política ambiental. Infelizmente diante do contexto, pode-se salientar a
dificuldade encontrada pelos agricultores entre a preservação dos recursos naturais e a
necessidade de sobrevivência. Para Spers (2000), os riscos de uma agricultura dependente
de agroquímicos provoca uma reação crítica da sociedade. Existem então, um novo
conceito sobre a segurança de alimentos que defende a aquisição de produtos que não
venham causar riscos a saúde, produtos mais naturais.
O desenvolvimento rural sustentável é analisado com criticidade, pois envolve muitos
fatores: a energia utilizada, o trabalho, a tecnologia, o desenvolvimento regional, as
pesquisas, as extensões rurais, os assentamentos, a segurança alimentar, entre muitos
outros fatores (NAISBITT, 1980).
Como mostram diversos exemplos ao redor do mundo, a agricultura
sustentável é possível. Seria um erro grave permitir que nossa rica
biodiversidade fosse destruída em nome da produção de commodities para
exportação e de um sistema em que as plantas são modificadas
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geneticamente para resistir à aplicação de doses cada vez mais pesadas de
agrotóxicos (GREENPEACE, 2006, p. 7).
Um agricultura reorganizada assume uma perspectiva de produção completamente
distinta da convencional, fato que interpõe-se quando o assunto afeta os ganhos da
produtividade. Visto que, não seria progressivo se as técnicas até hoje conquistadas fossem
desconsideradas sem a geração de tecnologias melhores e ainda mais eficientes.
(CHALITA, 2004).
Analisando a perspectiva de agricultura sustentável no viés da sociologia seria
correto afirmar a necessidade de uma agricultura com menos insumos, ou seja, alternativa,
regenerativa, biológica, orgânica e ecológica. Tantas premissas exigiriam um padrão não
convencional de produção na agricultura. Segundo Naisbitt (1980, p. 294), “o que levou
décadas para agrônomos e agricultores fazerem, usando técnicas convencionais de
cruzamento de plantas, agora pode ser conseguido em meses ou anos, usando técnicas de
engenharia genética”.
Para Jan Maarten Dros (2004), o cultivo tradicional (geneticamente modificado ou
não) utilizando técnicas agrícolas requer investimentos em maquinário. Porém, o cultivo
tradicional representa desvantagens como o alto nível de erosão e a redução de matéria
orgânica do solo. Já o cultivo convencional, sem a utilização de técnicas de cultivo preserva
melhor a estrutura natural do solo, em comparação à agricultura que utiliza técnicas de
cultivo. No entanto, sua eficácia diante das variações climáticas pode ser questionável
devido a geração de possível prejuízo econômico. A vantagem econômica encontrar-se-ia
nos transgênicos, que conforme Jan Maarten Dros em seus relatório para a WWF (2004, p.
12) considera:
Produção de soja geneticamente modificada, sem utilização de técnicas de
cultivo (...) é mais freqüente (...). Em 2001, a redução de custos com
maquinário, e um melhor controle de ervas daninhas, proporcionaram uma
economia que superou os baixos preços de mercado para a soja
geneticamente modificada. O controle de ervas daninhas é mais fácil neste
sistema de produção, porém, a aplicação indiscriminada de Glifosato, em
combinação com variedades de OGMs, resulta em graves impactos
ambientais e para a saúde. (WWF, 2004, p. 12).
Há duas formas de realizar uma análise do contexto ambiental para o meio rural:
uma é a reorganização desse ambiente diante da globalização social e outra seria o
desaparecimento da produção rural dando lugar às formas diferenciadas de produção
agrícola como a hidroponia, as estufas, entre outros. (GONÇALVES, 2007).
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A agricultura caminha para um processo de industrialização ou de um ramo de
atividade industrial e por esse motivo a terra acaba perdendo sua importância diante da
possibilidade de produção em ambientes construídos e com mais possibilidades técnicas. A
informática e a engenharia genética estariam na pauta desse processo de transformação.
Nesse contexto, o ambiente rural seria transformado em uma sociedade consideravelmente
industrial uma vez que a lógica das técnicas e instrumentos seria responsável pelo
processo. (LEAL, FARIAS e ARAUJO, 2008).
No caso de uma “extinção” do meio rural as possibilidades mostram-se, através da
industrialização, na criação de sociedades e cooperativas. Grupos de agricultura familiar
poderiam criar espécies de “sociedades” onde haveria a construção da infra-estrutura de
lazer, energia, saneamento e serviços com características dos centros urbanos. E evoluindo
ainda pode haver a criação de serviços de turismo, agroindústria, entre outros, que não
extinguiriam o vinculo com a agricultura propriamente dita. (NAISBITT, 1980).
Nas duas formas de organização da agricultura pode-se observar a necessidade de
modernização tecnológica de forma reflexiva e responsável que utilizaria recursos naturais e
os reporia ao meio ambiente em vez da utilização de químicos industrializados nas
produções. (SILVA, 2007).
Para Naisbitt (1980), no Brasil a necessidade não é somente de organizar e criar
novas técnicas produtivas. A utilização de processos que destroem o meio ambiente em
nome da economia faz com que as pessoas assumam posições nevrálgicas dos
ecossistemas aos contínuos processos de exclusão social, perda de identidade e
massificação cultural.
De um ponto de vista de negócios, é possível comparar a biotecnologia a carros e
computadores. Mas a comparação corre o risco de deixar de lado as enormes implicações
éticas de vida e de morte, próprias da biotecnologia (NAISBITT, 1980, p.306).
Com esse problema, a sociedade passa a refletir sobre como essas tecnologias
afetam a saúde do ser humano gerando o mercado consumidor de produtos naturais e
orgânicos.
4. CONCLUSÃO
Portanto, a questão ambiental relacionada ao meio rural reorganizado de forma
“agroecológica” mostra-se uma alternativa para os agricultores da sociedade atual. Pois, se
o consumo de produtos naturais representa a preservação da saúde e o crescimento da
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consciência ambiental é prudente que este meio atualize-se antes que haja a necessidade
de reconstrução dos sistemas ecológicos e sociais de maneira ética. Conforme Naisbitt
(1980, p. 312): “Uma solução possível é reinventar a primeira fase da era da biologia, de
forma que haja maior concentração em aprender como a natureza funciona do que em
como manipulá-la”.
E se existe preocupação em melhorar processos produtivos que administrem
recursos naturais é lógico que para a reorganização da agricultura sejam considerados
outros aspectos ambientais no espaço rural (desde solo, água, biodiversidade, atmosfera,
paisagem, entre muitos outros).
As análises de todo esse contexto não se resume em ciência social ou natural, pois
cada área seria responsável pelos aspectos que lhe coubesse. A ciência social encarregarse-ia com a conscientização humana e a natural tentaria reverter os prejuízos e ensinar as
técnicas corretas aos cidadãos conscientes.
A sociologia ambiental do ambiente rural é relacionada com a abordagem dos
diversos problemas e temas agrários e existem ainda muitos problemas a serem resolvidos,
bem como aqueles que ainda nem foram criados pela falta de implementação dos projetos
para respectivas melhoras nessa área de estudo.
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