UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA JULIANA VERDIANI ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM PACIENTES COM DESORDENS VESTIBULARES PERIFÉRICAS TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Cascavel - PR 2004 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA JULIANA VERDIANI ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM PACIENTES COM DESORDENS VESTIBULARES PERIFÉRICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná Campus Cascavel como requisito parcial para obtenção do título de Graduação em Fisioterapia. Orientador: Prof. Eduardo Alexandre Loth Cascavel - PR 2004 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 TERMO DE APROVAÇÃO JULIANA VERDIANI ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM PACIENTES COM DESORDENS VESTIBULARES PERIFÉRICAS Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de Graduado em Fisioterapia, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Prof ª . Josiane Rodrigues da Silva Coordenadora do Curso BANCA EXAMINADORA ........................................................................................ Orientador: Prof. Eduardo Alexandre Loth Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE .......................................................................................... Prof. Carlos Eduardo de Albuquerque Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE .......................................................................................... Prof ª . Cristina Diamante Colegiado de Fisioterapia - UNIOESTE Cascavel, 12 novembro de 2004. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 Dedico este trabalho a Deus por seu infinito amor e fidelidade, aos meus pais que confiaram a mim um futuro e permitiram a realização desse sonho e à tia Maria que sempre deu força para que eu pudesse ir atrás dessa vitória. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus que com sabedoria sempre guiou os meus passos. Aos meus pais Edgard e Neuza pelos conceitos transmitidos sobre a vida, por permitirem a realização de todos os meus sonhos e por consolidarem esta linda família. Sem vocês nada seria possível. Aos meus irmãos Alessandro e Bernardo que mesmo de longe sempre se fizeram presentes em minha vida, mostrando que a família possui um valor incalculável. Um dia, daqui a alguns anos, poderemos nos reunir e dizer: “Hoje somos todos vitoriosos”. A minha tia Maria Rosa pela confiança, ajuda e incentivo dados durante todos esses anos. Sem você, certamente, essa vitória não seria tão preciosa. Ao meu namorado Vinícius que durante todo esse tempo foi quem mais esteve presente ao meu lado. Minha vida, obrigada por todo amor, alegria, carinho, ajuda, paciência e tempo oferecidos a mim. Ao meu orientador Alexandre que mesmo sem me conhecer acreditou em mim e aceitou me ajudar, me mostrou o caminho a seguir, me dedicou seu tempo e mesmo diante de todas as dificuldades enfrentadas nunca me permitiu desanimar. A Carol que nessa cidade distante se tornou minha amiga, sempre estando ao meu lado nos momentos difíceis e nunca permitindo que eu chorasse sozinha – “e olha, não foram poucas às vezes”. Aos pais da Carol, Aliete e Edson, que me “adotaram” e cuidaram de mim enquanto meus pais estavam longe. Ao Prof. Carlos que também posso chamar de amigo, pelo abraço oferecido todas as vezes em que eu estive triste e pelas boas risadas que demos juntos. A Prof ª . Cristina por me mostrar que as coisas podem ser simples e que não há motivo para desespero diante de situações novas. De uma forma ou de outra simplesmente amo todos vocês. Obrigada. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 É uma longa estrada da qual não há volta. Enquanto estamos no caminho até lá, porque não compartilhar? E a carga não me sobrecarrega nada. Ele não é pesado. Ele é meu irmão (Neil Diamond). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 RESUMO Uma das tarefas mais importantes do sistema do controle postural humano, é a do equilíbrio do corpo sob a pequena base de apoio fornecida pelos pés. Como um sensor de gravidade, o sistema vestibular é uma das ferramentas mais importantes do sistema nervoso no controle da postura. Quando há um desequilíbrio neste sistema o indivíduo passa a apresentar um conjunto de sintomas no qual a vertigem geralmente é preponderante. O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos dos exercícios terapêuticos da reabilitação vestibular aplicados em pacientes com vestibulopatias periféricas. Para a realização do estudo foram convidados 8 voluntários que através de sorteio foram divididos em dois grupos: experimental e controle. O primeiro grupo foi avaliado, submetido a um protocolo de reabilitação vestibular durante 5 semanas e reavaliado no final do estudo, enquanto o segundo, apenas passou pelas avaliações, sem receber nenhum tipo de tratamento. Os resultados obtidos revelaram que o grupo tratado mostrou melhora importante em relação à diminuição da freqüência das crises, melhora no equilíbrio estático e dinâmico, bem como na qualidade de vida. A partir dos resultados encontrados neste estudo pode-se concluir que a intervenção fisioterapêutica em pacientes com desordens vestibulares periféricas através da aplicação de um protocolo de reabilitação vestibular mostrou-se bastante eficaz. Palavras-chave: Sistema Vestibular, Vertigem e Reabilitação Vestibular. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 ABSTRACT One of the tasks most important of the system of the human postural control, is of the balance of the body under the small base of support supplied for the feet. As a gravity sensor, the system initial is one of the tools most important of the nervous system in the control of the position. When the individual has a disequilibrium in this system starts to present a set of symptoms in which the vertigo generally is preponderant. The present study it had as objective to analyze theeffect of applied the therapeutical exercises of the rehabilitation vestibular in patients with peripheral vestibulopatias. For the accomplishment of the study 8 volunteers had been invited who through drawing had been divided in two groups: experimental and he has controlled. The first group was evaluated, submitted to an initial protocol of whitewashing during 5 weeks and reevaluated in the end of the study, while as, it only passed for the evaluations, without receiving no type of treatment. The gotten results had disclosed that the treat group showed important improvement in relation to the reduction of the frequency of the crises, improve in the static balance and dynamic, as well as in the quality of life. From the results found in this study it can be concluded that the fisioterapica intervention in patients with peripheral initial clutters through the application of an initial protocol of whitewashing revealed sufficiently efficient. Key Words: Vestibuar System, Vertigo and Vestibular Rehabilitation. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS .............................................................................................................11 LISTA DE TABELAS ............................................................................................................12 LISTA DE GRÁFICOS ..........................................................................................................13 1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................14 1.2 Justificativa .......................................................................................................................17 1.3 Objetivos ............................................................................................................................18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA......................................................................................19 2.1 Anatomia do Sistema Vestibular Periférico ...................................................................19 2.1.1 Labirinto Ósseo................................................................................................................20 2.1.2 Labirinto Membranoso ....................................................................................................22 2.1.3 Células Ciliadas ...............................................................................................................25 2.1.4 Suprimento Vascular .......................................................................................................26 2.1.5 Inervação..........................................................................................................................28 2.2 Fisiologia do Sistema Vestibular .....................................................................................29 2.2.1 Transdução Vestibular .....................................................................................................29 2.3 Reflexos Vestibulares........................................................................................................33 2.4 Causas Comuns da Vertigem...........................................................................................34 2.4.1 Vertigem Posicional Paroxística Benigna .......................................................................35 2.4.2 Neurite Vestibular............................................................................................................37 2.4.3 Doença de Ménière ..........................................................................................................37 2.4.4 Labirintite ........................................................................................................................38 2.4.5 Fístula Perilinfática ..........................................................................................................39 2.4.6 Neuroma do Acústico ......................................................................................................39 2.4.7 Insuficiência Vascular .....................................................................................................40 2.4.8 Vertigem Pós-traumática .................................................................................................40 2.4.9 Otoesclerose.....................................................................................................................41 2.4.10 Ototoxicidade.................................................................................................................41 2.4.11 Vertigem Cervicogênica ................................................................................................42 2.4.12 Vertigem por Degeneração do Órgão Terminal ............................................................42 2.4.13 Paroxismo Vestibular.....................................................................................................43 2.4.14 Vertigem Fisiológica .....................................................................................................43 2.5 Formas de Tratamento .....................................................................................................44 2.5.1 Medicamentoso ................................................................................................................44 2.5.2 Cirúrgico ..........................................................................................................................45 2.5.3 Reabilitação Vestibular....................................................................................................46 3 METODOLOGIA ................................................................................................................58 4 RESULTADOS ....................................................................................................................62 4.1 Resultados do Grupo I......................................................................................................62 4.2 Resultados do Grupo II ....................................................................................................66 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 10 5 DISCUSSÃO ........................................................................................................................71 6 CONCLUSÃO......................................................................................................................77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................78 ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO..................84 ANEXO B – DIZZINESS HANDCAP INVENTORY........................................................86 ANEXO C – APROVAÇAO DE PROPOSTA DE PROJETO DE PESQUISA...............88 APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO.......................................................90 APÊNDICE B – ESCALA VISUAL ANALÓGICA DE VERTIGEM (EVAV)...............92 APÊNDICE C – PROTOCOLO DE TRATAMENTO .......................................................94 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Labirinto Ósseo e Membranoso .................................................................................... 19 Figura 02: Estrutura das Células Ciliadas........................................................................................ 25 Figura 03: Suprimento Arterial do Labirinto ................................................................................... 26 Figura 04: Inervação do Aparelho Vestibular................................................................................. 28 Figura 05: Manobra de Brandt e Daroff......................................................................................... 54 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Representação dos Resultados dos Sintomas e Testes Encontrados na Avaliação Inicial e Final................................................................................................................ 63 Tabela 2: Representação dos Resultados dos Sintomas e Testes Encontrados na Avaliação Inicial e Final................................................................................................................ 67 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01: Resultados da Aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV).................. 61 Gráfico 02: Representação Gráfica das Médias dos Resultados da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV) ...................................................................................................... 62 Gráfico 03: Representação Gráfica dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI)............ 62 Gráfico 04: Representação Gráfica das Médias dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI).......................................................................................................... 63 Gráfico 05: Resultados da Aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV).................. 65 Gráfico 06: Representação Gráfica das Médias dos Resultados da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV) ...................................................................................................... 65 Gráfico 07: Representação Gráfica dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI)............ 66 Gráfico 08: Representação Gráfica das Médias dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI).......................................................................................................... 66 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 1 INTRODUÇÃO O sistema vestibular, órgão localizado no ouvido interno e responsável pela manutenção do equilíbrio geral, é dividido em sistema vestibular periférico, que compreende o labirinto, e sistema vestibular central, que compreende os núcleos vestibulares e vias vestibulares do tronco cerebral (GANANÇA; CAOVILLA, 1998). A porção periférica é constituída por um sistema de câmaras e tubos ósseos, localizados na parte petrosa do osso temporal denominado labirinto ósseo. No interior do labirinto ósseo há um sistema de câmaras e tubos membranosos denominado labirinto membranoso. O labirinto membranoso é a parte funcional do aparelho vestibular (GUYTON; HALL, 2002). O labirinto ósseo é formado por três canais semicirculares, pela cóclea e por uma câmara central, chamada vestíbulo. Esta estrutura é preenchida por um fluido perilinfático, cuja composição química é similar a do líquor (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). O labirinto membranoso, geralmente, acompanha a forma do labirinto ósseo, porém é muito menor e contém um líquido aquoso denominado endolinfa, cuja composição do eletrólito assemelha-se ao fluido intracelular. Composto por três partes principais, o labirinto membranoso possui dois pequenos sacos comunicantes, o utrículo e o sáculo no vestíbulo; três ductos semicirculares nos canais semicirculares; e o ducto coclear na cóclea. Sob circunstâncias normais, não existe nenhuma comunicação direta entre os compartimentos da endolinfa e da perilinfa (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002; MOORE, 1994). A função do sistema vestibular é a de sentir as forças de aceleração lineares e rotacionais, sendo a mais importante dessas forças, a força linear da gravidade. Como o sistema vestibular faz parte do ouvido interno e, portanto, localiza-se no interior do crânio, é a Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 15 aceleração da cabeça que é sentida (BERNE; LEVY, 2000). O utrículo e o sáculo são responsáveis por detectar a orientação da cabeça em relação à gravidade e pela orientação dos deslocamentos no plano linear. Os ductos semicirculares são sensíveis às acelerações angulares e informam ao sistema nervoso central movimentos rotacionais da cabeça em cada um dos três planos do espaço (GUYTON; HALL, 2002). Uma das tarefas mais importantes do sistema do controle postural humano, é a do equilíbrio do corpo sob a pequena base de apoio fornecida pelos pés. Como um sensor de gravidade, o sistema vestibular é uma das ferramentas mais importantes do sistema nervoso no controle da postura (HORAK; SHUPERT, 2002). Além do sistema vestibular, os impulsos captados no órgão da visão e nos receptores proprioceptivos, juntamente com uma resposta muscular reflexa, também são responsáveis pela manutenção do equilíbrio e do controle postural (DANGELO; FATTINI, 1997). Quando há o desequilíbrio em um ou mais desses sistemas o indivíduo passa a apresentar um conjunto de sintomas no qual a tontura geralmente é preponderante, caracterizando-se pela sensação de perturbação do equilíbrio corporal, podendo ser do tipo rotatória (vertigem) ou não rotatória (instabilidade, flutuação) (HORAK; SHUPERT, 2002; FREITAS; WECKX, 1998). De acordo com Kauffman (2001), a vertigem é definida como uma ilusão de movimento que, em geral, apresenta um componente rotatório. Os indivíduos que apresentam vertigem podem queixar-se de vários sintomas associados, como sensação de tontura, oscilação, sensação de estarem embriagados, nistagmo, sensação de flutuação na cabeça, desequilíbrio, borramento visual, zumbido no ouvido, ansiedade, palidez, sudorese fria e quedas. Segundo Ganança e Caovilla (1998), a vertigem é o tipo mais comum de tontura, sendo quase sempre de origem vestibular. Um episódio de vertigem pode ser proveniente do Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 16 aparelho vestibular periférico ou central, e em linhas gerais, a vertigem periférica é mais acentuada, podendo vir associada à perda auditiva, zumbido e, mais raramente, náuseas e vômito (GOLDMAN; BENNETT, 2001). A vertigem é o sintoma mais comum no mundo sendo a terceira queixa mais freqüente. Acomete mais de 33% das pessoas em alguma época de suas vidas; representa a sétima queixa mais encontrada entre as mulheres, afligindo 61% delas com mais de 70 anos. A vertigem está presente em 50 a 60% dos idosos que vivem em suas casas e 81 a 91% dos idosos atendidos em ambulatórios geriátricos (SILVA; SILVA; PEREIRA, 2002). A vertigem pode ser causada por várias patologias, sendo importante diferenciar as afecções centrais das periféricas. Vertigem Postural Paroxística Benigna, Neurite Vestibular, Doença de Ménière, Fístula Perilinfática, Labirintite, Insuficiência Vascular e Paroxismo Vestibular, são algumas das doenças causadas pela disfunção do sistema vestibular periférico e responsáveis por causar vertigem (ALBERNAZ et al, 1997). Segundo Herdman e Whitney (2002), os pacientes com disfunção vestibular apresentam um comprometimento mensurável no comportamento motor controlado pelo sistema vestibular (controle postural, oculomotor e orientação espacial) e por ilusões perceptivas, como a vertigem. O desconforto, a capacidade motora reduzida e o sofrimento psicológico associado levam a limitações funcionais nas tarefas de cuidados pessoais e atividades de vida diária instrumentais (atividades mais complexas e menos pessoais), especialmente durante a execução das tarefas que exigem equilíbrio, rotações cefálica rápidas e boa acuidade visual dinâmica. Estes problemas são incapacitantes e afetam o convívio social do portador desta disfunção. Existem inúmeras formas de tratamento para a vertigem e entre elas encontra-se a reabilitação vestibular, que começou com Cawthorne e Cooksey, na década de 40, e que Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 17 atualmente tem sido considerada um dos mais efetivos métodos para o tratamento da vertigem e outros tipos de tontura (ZUCCO; LEITE; PRZYSIEZNY, 2003). A reabilitação vestibular procura restabelecer o equilíbrio por meio de estimulação e aceleração dos mecanismos naturais de compensação, induzindo o paciente a realizar o mais perfeitamente possível os movimentos que estava acostumado a fazer antes de surgir a tontura (GANANÇA, 1999 ). Este termo significa um trabalho não apenas com o sistema vestibular, mas com inúmeras estruturas que fazem parte do nosso sistema de equilíbrio. É uma opção de tratamento para pacientes portadores de distúrbios vestibulares que envolve estimulações visuais, proprioceptivas e vestibulares (BENTO; MINITI; MARONE, 1998). Kauffman (2001) afirma que no programa de exercícios para um paciente com disfunção vestibular, deve-se pedir ao mesmo que realize os movimentos que agravam os sintomas, com o objetivo de acelerar os mecanismos de compensação central dos transtornos de equilíbrio, fazendo com que o mesmo sinta tontura em um lugar adequado. O treinamento funcional destes pacientes inclui exercícios simples dos olhos, do pescoço, da cabeça, em várias direções, que podem estar associados à marcha. A reabilitação vestibular é considerada uma opção segura, econômica e extremamente eficiente que visa diminuir a intensidade, duração e o número de crises vertiginosas, restabelecendo o equilíbrio físico e psíquico do paciente, oferecendo-lhe conseqüentemente uma melhor qualidade de vida (ZUCCO; LEITE; PRZYSIEZNY, 2003). 1.2 Justificativa Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 18 A presente pesquisa justifica-se pela carência de literatura sobre a intervenção fisioterapêutica na reabilitação vestibular em pacientes acometidos por vestibulopatias periféricas. Justifica-se ainda pela necessidade de ampliar os conhecimentos acerca dos efeitos da reabilitação vestibular nestes pacientes, uma vez que se trata de um recurso que vem sendo cada vez mais utilizado na clínica diária de fisioterapia. 1.3 Objetivos O presente trabalho teve como objetivo geral confirmar a eficácia dos efeitos dos exercícios terapêuticos da reabilitação vestibular, através do protocolo proposto, aplicados em pacientes com vertigem de origem periférica. Ainda, esperava-se diminuir a sintomatologia relatada pelos pacientes, ampliar a estabilidade postural estática e dinâmica verificadas através dos testes de Romberg, Romberg Sensibilizado e Manobra dos Passos de Fukuda, bem como melhorar a qualidade de vida dos mesmos observada através dos resultados do Dizzinnes Handcap Inventory. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Anatomia do Sistema Vestibular Periférico A porção periférica do sistema vestibular, relacionada à percepção do som e à manutenção do equilíbrio postural, apresenta um formato bastante complicado e, por esta razão, é denominada labirinto (DANGELO; FATTINI, 2001). O sistema vestibular periférico inclui os labirintos ósseo e membranoso, conforme mostra a Figura 1, e sensores que detectam movimentos, as células ciliadas. O labirinto localiza-se na orelha interna, a qual é margeada lateralmente pela orelha média (preenchida por ar) e medialmente pela porção petrosa do osso temporal (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 20 Figura 1: Labirinto Ósseo e Membranoso Fonte: HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002. 2.1.1 Labirinto Ósseo O labirinto ósseo apresenta-se como um conjunto de cavidades localizadas na porção petrosa do osso temporal, o qual abriga estruturas auditivas e vestibulares (AIRES, 1999). Esta estrutura é formada por uma camada de osso denso denominada cápsula ótica e um espaço perilinfático circundado por este osso. O termo labirinto ósseo, todavia, é utilizado por alguns autores, exclusivamente para o espaço perilinfático, sendo que outros autores, utilizam este termo para nomear somente o osso que o circunda. Este espaço compreende em uma série de cavidades contínuas: a cóclea, o vestíbulo e os canais semicirculares; é revestido por endósteo, cruzado em muitos locais por trabéculas delicadas e contém perilinfa (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1988). De acordo com Hain, Ramaswamy e Hillman (2002), o fluido perilinfático apresenta composição química semelhante à do líquor (proporção superior de Na:K), porém, com alto teor de proteínas. Este líquido, através do aqueduto coclear, comunica-se com o líquor no espaço subaracnóideo. • Cóclea Gardner, Gray e Rahilly (1988) afirmam que a cóclea, assim denominada pela semelhança que apresenta com uma casca de caracol, é um tubo helicóide de aproximadamente 2,5 giros, que apesar de fazer parte do sistema vestibular periférico, é um órgão relacionado apenas com a audição. A base deste órgão repousa sobre a extremidade lateral do meato acústico interno, o giro basal forma o promontório da orelha média e seu ápice está dirigido ântero-lateralmente. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 21 Na cóclea existe um tubo oco, no qual as paredes são constituídas por osso. O pilar central é formado por uma estrutura óssea cônica chamada de modíolo que dá passagem ao nervo coclear e contém o gânglio espiral. Em dimensões reais o tubo oco da cóclea tem aproximadamente 32 mm de comprimento e 2 mm de diâmetro. A cóclea humana enrolada é mais ou menos do tamanho de uma ervilha. Em sua base existem dois orifícios recobertos por uma membrana: a janela oval e a janela redonda (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). As células do gânglio espiral, por sua vez, enviam seus processos periféricos para o órgão espiral ou órgão de Corti, que se relaciona à percepção auditiva (MOORE, 1994). Segundo Guyton e Hall (2002), se a cóclea estiver representada em um corte transversal, pode-se ver que o tubo apresenta-se dividido por membranas em três câmaras preenchidas por fluido que são a rampa ou escala vestibular, a rampa timpânica e a rampa média. As três rampas enrolam-se ao redor da porção interna da cóclea como uma escada em espiral. • Vestíbulo O vestíbulo apresenta-se como a parte média do labirinto ósseo, possui cerca de 5 mm de comprimento e localiza-se imediatamente medial à cavidade timpânica. Ele aloja o utrículo e o sáculo do labirinto membranoso, os quais estão contidos nos recessos elíptico e esférico, respectivamente. A janela do vestíbulo, situada lateralmente, está fechada pela base do estribo. Fissuras irregulares, as fissulas ante fenestram, estendem-se lateralmente do vestíbulo em direção à cavidade timpânica (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1988). De acordo com Moore (1994), o vestíbulo é contínuo na frente com a cóclea óssea, atrás com os canais semicirculares, e com a fossa posterior do crânio pelo aqueduto do vestíbulo. Este canal estende-se até a face posterior da porção petrosa do osso temporal, onde se abre posterolateralmente ao meato auditivo interno. • Canais Semicirculares Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 22 Para Dougas (2000), os canais semicirculares apresentam-se como três estruturas ou canículos ósseos que envolvem os ductos semicirculares do labirinto membranoso. Eles estão dispostos de uma maneira muito peculiar, de modo a captar todos os deslocamentos angulares da cabeça. Ganong (1998) complementa ao afirmar que estando dispostos bilateralmente na cabeça, os canais semicirculares possuem ângulos de 90º entre si e desta forma estão orientados nos três planos do espaço. O canal semicircular posterior dispõe-se seguindo o plano frontal, o canal semicircular anterior segue o plano sagital, e o terceiro canal, denominado canal lateral, está disposto no plano frontal (DOUGAS, 2000). Cada canal semicircular forma aproximadamente dois terços de um círculo e possui cerca de 1,5 mm de diâmetro, exceto numa extremidade onde há um alargamento denominado ampola. Eles comunicam-se com o vestíbulo através de cinco aberturas, sendo que os canais anterior e posterior partilham uma haste comum (MOORE, 1994). 2.1.2 Labirinto Membranoso O labirinto membranoso, considerado a parte funcional do aparelho vestibular, está suspenso dentro do labirinto ósseo por fluido e pelo tecido conectivo de suporte (GUYTON; HALL, 2002). Segundo Hain, Ramaswamy e Hillman (2002), o labirinto membranoso é preenchido por fluido endolinfático, que ao contrário da perilinfa, apresenta composição do eletrólito semelhante ao fluido intracelular (proporção superior de K:Na). Sob circunstâncias normais, não existe nenhuma comunicação direta entre os compartimentos da endolinfa e da perilinfa. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 23 As porções do labirinto membranoso estão suspensas no vestíbulo do labirinto ósseo por trabéculas de tecido conjuntivo. Um espessamento espiral do revestimento periosteal do canal coclear, conhecido como ligamento espiral, fixa o ducto coclear ao canal coclear. Exceto nas ampolas, os ductos semicirculares são muito menores que os canais semicirculares (MOORE, 1994). As várias partes do labirinto membranoso formam um sistema fechado de sacos e ductos, os quais se comunicam de forma contínua: o ducto coclear na cóclea, o sáculo e o utrículo no vestíbulo, e os ductos semicirculares nos canais semicirculares (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1988; MOORE, 1994). • Ducto Coclear A porção membranosa da cóclea está representada por duas membranas que a dividem em três câmaras: a membrana basilar e a de Reissner. A membrana de Reissner separa a escala vestibular da escala média e a membrana basilar separa a escala timpânica da escala média. Repousando sobre a membrana basilar está o órgão de Corti, que contém os neurônios receptores auditivos. No ápice da cóclea, a escala média encontra-se fechada e a escala timpânica torna-se contínua com a escala vestibular através de um orifício chamado helicotrema. Em sua base, a escala vestibular encontra-se com a janela oval e a escala timpânica com a janela redonda. O ducto coclear, representado pela rampa média, passa do sáculo ao ápice da cóclea, onde termina em um fundo cego. Sua parede posterior é formada pela membrana basilar e a parede anterior, pela fina membrana vestibular (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002; GANONG, 1998). A escala vestibular e a escala timpânica são preenchidas por líquido perilinfático, enquanto que a escala média é preenchida por endolinfa (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). • Sáculo e Utrículo Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 24 O sáculo e o utrículo, também denominados órgãos otolíticos, estão contidos no interior do vestíbulo. Cada órgão otolítico apresenta um epitélio sensorial chamado de mácula, que está orientada verticalmente dentro do sáculo e horizontalmente dentro do utrículo. As máculas contêm células de sustentação e células ciliadas que são cobertas por uma membrana otolítica, onde estão embutidos cristais de carbonato de cálcio, que recebem o nome de otolitos ou otocônias, com 1 a 5 µm de diâmetro. Incrustados sobre o capuz gelatinoso da mácula, próximos às extremidades dos feixes ciliados, os otolitos possuem densidade superior à da endolinfa que os circunda e são os elementos-chave da sensibilidade da mácula (GANONG, 1998). As células ciliadas presentes nas máculas são inervadas por fibras da divisão vestibular do nervo vestibulococlear, cujos neurônios sensitivos primários encontram-se no gânglio vestibular, o qual está localizado no meato auditivo interno. O ducto endolinfático emerge através do osso da fossa posterior do crânio e expande-se em uma bolsa fechada, o saco endolinfático, que se localiza sob o revestimento da dura-máter na face posterior da parte petrosa do osso temporal. O saco endolinfático é um reservatório para armazenar o excesso de endolinfa produzido pelos copilares sanguíneos dentro do labirinto membranoso (MOORE, 1994). • Ductos Semicirculares Os ductos semicirculares, contidos no interior dos canais semicirculares, apresentam disposição e denominação similares às dos canais (GARDNER; GRAY; RAHILLY, 1988). De acordo com Dougas (2000), a extremidade de cada ducto dilata-se para formar uma região chamada ampola. Cada ampola possui uma região específica conhecida como crista ampular, que representa a área sensitiva, composta por células neuroepiteliais ciliares cobertas por uma capa gelatinosa (cúpula da crista). Os cílios das células ampulares orientamMonografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 25 se de maneira paralela, formando uma estrutura disposta em paliçada, que contém dois tipos distintos de cílios: o quinocílio e o estereocílio. As cristas são sensores de movimento que registram os fluxos de endolinfa na ampola resultantes da rotação da cabeça no plano do ducto. As células ciliadas das cristas, como as das máculas, são supridas por neurônios sensitivos primários, cujos corpos celulares estão no gânglio vestibular, no meato auditivo interno (MOORE, 1994). 2.1.3 Células Ciliadas As células ciliadas especializadas, presentes em cada ampola e nos órgãos otolíticos, são consideradas sensores biológicos que convertem o deslocamento provocado pelo movimento cefálico em uma descarga neural (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). No ouvido interno, as células ciliadas têm uma estrutura comum, conforme mostra a Figura 2. Figura 2: Estrutura das Células Ciliadas Fonte: GANONG, 1998. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 26 Cada uma está incrustada num epitélio composto por células de suporte ou sustentação e a superfície basal encontra-se em estreito contato com neurônios aferentes. Projetando-se da extremidade apical encontram-se de 30-150 prolongamentos em forma de bastonete, os cílios. Exceto na cóclea, um destes, o quinocílio, é um cílio verdadeiro, mas sem motilidade, com nove pares de microtúbulos ao redor de sua circunferência e um par de microtúbulos centrais. Este é um dos maiores prolongamentos e termina em forma de clava. Entretanto, os outros prolongamentos, denominados estereocílios, estão presentes em todas as células ciliadas. Eles possuem porções centrais compostas por filamentos paralelos de actina, sendo que no interior do conjunto de cada célula, há uma estrutura organizada. Ao longo de um eixo transversal, em direção ao quinocílio, os estereocílios aumentam progressivamente de altura e ao longo de um eixo perpendicular, todos os estereocílios possuem a mesma altura (GANONG, 1998). 2.1.4 Suprimento Vascular Hain, Ramaswamy e Hillman (2002) afirmam que a artéria labiríntica é responsável por irrigar o sistema vestibular periférico, como mostra a Figura 3. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 27 Figura 3: Suprimento Arterial do Labirinto Fonte: HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002. Com origens variáveis, a artéria labiríntica pode surgir tanto de uma ramificação da artéria cerebelar ântero-inferior, quanto de uma ramificação direta da artéria basilar e, ao penetrar na orelha interna, ela divide-se em artéria vestibular anterior e artéria coclear comum. A primeira alimenta o nervo vestibular, a maior parte do utrículo e as ampolas dos canais semicirculares lateral e anterior. A segunda, por sua vez, divide-se em uma ramificação principal, a artéria coclear principal, e na artéria vestibulococlear. A artéria coclear principal irriga a cóclea, enquanto que a artéria vestibulococlear fornece suprimento sangüíneo para parte da cóclea, ampola do canal semicircular posterior e parte inferior do sáculo (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). Estes autores relatam ainda que o labirinto não possui uma rede anastomótica colateral e é altamente suscetível à isquemia. Apenas quinze segundos de uma interrupção seletiva do fluxo sanguíneo são necessários para eliminar a excitabilidade do nervo vestibulococlear. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 28 2.1.5 Inervação A inervação do aparelho vestibular é feita pelo oitavo par dos nervos craniano, o nervo vestibulococlear, cujos corpos celulares das fibras aferentes primárias localizam-se no gânglio de Scarpa. O gânglio de Scarpa que possui neurônios bipolares, com corpos celulares e axônios mielinizados, emite ramos distintos para cada epitélio sensorial, como mostra a Figura 4 (BERNE; LEVY, 2000). Figura 4: Inervação do Aparelho Vestibular Fonte: BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002. Gardner, Gray e Rahilly (1988) relatam que o nervo vestibulococlear emerge entre a ponte e a medula oblonga no ângulo cerebelopontino e atrás do nervo facial. A seguir, passa lateralmente através do meato acústico interno onde recebe uma comunicação do nervo facial. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 29 Eles descrevem ainda que este nervo é composto por dois grupos de fibras. Uma parte delas inerva a área vestibular, relacionada com o equilíbrio, distribuindo fibras para a mácula do utrículo e do sáculo e para as cristas ampulares dos ductos semicirculares. O outro grupo de fibras distribui-se para as células ciliares do órgão espiral da cóclea e está relacionado com a audição. 2.2 Fisiologia do Sistema Vestibular O sistema vestibular utiliza as células ciliadas para transduzir os movimentos. As células ciliadas dos canais semicirculares e dos órgãos otolíticos transformam a energia mecânica, produzida pelo movimento cefálico, em descargas neurais que são levadas por neurônios aferentes até áreas especificas do tronco encefálico e do cerebelo. Em virtude de sua orientação, os órgãos otolíticos e os canais são capazes de detectar e responder seletivamente a movimentação cefálica, em direções particulares. Em virtude das diferenças na mecânica, os canais podem reagir à velocidade e os órgãos otolíticos à aceleração (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). 2.2.1 Transdução Vestibular Existem dois tipos de células ciliadas (tipo I e tipo II) que são responsáveis pelo processo de transdução sensorial na periferia vestibular. Tais células assemelham-se, no Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 30 entanto, em relação à organização morfológica dos cílios e ao seu papel funcional. Toda célula ciliada vestibular possui o quinocílio que é único, e uma fileira de estereocílios. Em geral, os cílios estão imersos em algum tipo de substrato, fornecendo este, um meio cuja inércia favorece a sua deflexão (movimentação dos cílios), que é o inicio do processo de transdução. As células tipo I e II são diferentes em relação à sua morfologia, localização preferencial nos epitélios sensoriais e, também, quanto ao padrão de sua inervação (AIRES, 1999). De acordo com a mesma autora, as células tipo I são exclusivas de aves e mamíferos, sendo mais sensíveis ao estímulo sensorial que as do tipo II. O tipo I é inervado por fibras que apresentam um padrão de descarga mais irregular, apresentando adaptação mais rápida a estímulos contínuos e, por isso, mais adequadas à percepção de velocidades e taxas de variação. As células do tipo II, presentes em outras classes de vertebrados além de aves e mamíferos, são inervadas por fibras que exibem um padrão mais regular de descarga, respondendo preferencialmente a estímulos tônicos. Berne e Levy (2000) afirmam que as células ciliadas vestibulares são funcionalmente polarizadas. Quando os estereocílios são dobrados na direção do cílio mais longo, o quinocílio, aumenta a condutância na membrana apical para os cátions, e a célula vestibular ciliada se despolariza. De modo contrário, quando os cílios são dobrados para longe do quinocílio, a célula ciliada fica hiperpolarizada. Esta célula libera tonicamente um neurotransmissor excitatório, que pode ser glutamato ou aspartato, de tal forma que a fibra aferente com a qual faz sinapse, apresenta atividade em repouso. Quando a célula ciliada fica despolarizada, é liberado mais neurotransmissor, o que aumenta a descarga da fibra aferente. Ao contrário, quando fica hiperpolarizada, libera-se menos neurotransmissor e a freqüência dos disparos da fibra aferente fica mais lenta ou cessa. • Canais Semicirculares Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 31 Como foi descrito anteriormente, os canais semicirculares são responsáveis por detectar os movimentos rotacionais da cabeça, tais como sacudí-la de um lado para outro, ou acenar inclinando com a mesma. Neste caso a aceleração sentida é a aceleração angular, a qual é gerada por movimentos rotacionais repentinos e constitui-se no estímulo primário para os canais (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). Ganong (1998) complementa tal informação ao afirmar que a aceleração rotacional no plano de um dado canal semicircular estimula sua crista. Devido à inércia, a endolinfa é deslocada na direção oposta à da rotação. O líquido empurra a cúpula e a deforma, provocando o encurvamento dos processos das células ciliadas. Goldman e Bennett (2001) comentam ainda que conforme a direção dos movimentos endolinfáticos, a deflagração de estímulos do nervo vestibular (aferente) pode ser estimulada ou inibida. Se a rotação da cabeça for mantida em velocidade constante, a fricção da endolinfa com as paredes do canal fará com que, ao final, os dois se movam juntos, o que reduz, até eliminar, o encurvamento da cúpula após 15 a 30 segundos. Quando a rotação da cabeça e de seus canais finalmente cessa, a inércia da endolinfa provoca a inclinação da cúpula na outra direção, gerando uma resposta oposta das células ciliadas e uma sensação temporária de rotação no sentido contrário (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). Aires (1999) expõe que o fato de haver três canais semicirculares, localizados em planos aproximadamente ortogonais entre si, garante que qualquer rotação da cabeça, em torno de qualquer eixo possível, seja detectada por uma combinação adequada de ativação dos canais. Além disso, as atividades dos dois conjuntos de canais estão vinculadas entre si, pois o canal anterior de um lado está localizado em um plano aproximadamente paralelo ao canal posterior contralateral, formando o que se denomina um par sinérgico de canais; localizam-se também em um mesmo plano, os canais horizontais de ambos os lados. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 32 Goldman e Bennett (2001) concluem afirmando que, sendo os dois grupos de canais semicirculares aproximadamente imagens espelho um do outro, o movimento rotacional da cabeça que excita um canal inibe o canal análogo do lado oposto. • Utrículo e Sáculo Os órgãos otolíticos são os responsáveis por registrar as forças associadas à aceleração linear, reagindo ao movimento cefálico linear e à inclinação estática, em relação ao eixo gravitacional (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). As forças decorrentes da aceleração linear são as do tipo que são encontradas quando se sobe ou desce de elevador, ou em um carro quando este arranca ou pára (BEAR et al., 2002). De acordo com Berne e Levy (2000), as células ciliadas no utrículo e no sáculo, de forma diferente que nas cristas ampulares, não estão todas orientadas na mesma direção. Ao invés disso, elas estão orientadas em relação a uma crista, chamada de estríola, ao longo do órgão otolítico. No utrículo, as células ciliadas de cada lado da estríola estão polarizadas em direção à mesma, enquanto no sáculo as células ciliadas estão polarizadas para longe dela. Como já foi abordado anteriormente, a característica especial dos órgãos otolíticos é a presença de pequenos cristais de carbonato de cálcio, os otolitos, os quais são os elementoschave para a compreensão da sensibilidade da mácula (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2002). Segundo estes autores, como os otolitos possuem uma densidade superior à da endolinfa que os circunda, quando o ângulo da cabeça muda, ou quando esta é acelerada, uma força é exercida sobre os otolitos e atua, também, sobre o capuz gelatinoso, movendo-o lentamente e, assim, curvando os cílios das células ciliadas. Aires (1999) complementa afirmando que a deflexão do conjunto de cílios em direção ao quinocílio causa hipopolarização da célula ciliada, enquanto essa célula é hiperpolarizada por deflexões no sentido contrário. A hipopolarizaçao das células ciliadas Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 33 leva á liberação de um neurotransmissor excitatório, que age sobre a fibra nervosa aferente causando um aumento de sua freqüência de descarga. Esta autora comenta ainda que conforme a disposição dos epitélios sensoriais no sáculo e utrículo, o primeiro torna-se sensível a movimentos com componentes no plano sagital, enquanto o segundo detecta movimentos no plano horizontal. Assim, qualquer movimento linear complexo poderá ser descrito por meio de suas componentes vetoriais, detectadas separadamente pelos órgãos otolíticos. 2.3 Reflexos Vestibulares Robergs e Roberts (2002) descrevem que o aparelho vestibular periférico consiste num conjunto de sensores do movimento, os quais enviam informações ao sistema nervoso central, especificamente ao complexo núcleo-vestibular e ao cerebelo sobre a velocidade angular da cabeça, a aceleração linear e a orientação cefálica em relação ao eixo gravitacional. O sistema nervoso central processa esses sinais e os combina com outras informações sensoriais, para estimar a orientação cefálica. Uma resposta do sistema vestibular central é transmitida aos músculos extra-oculares e à medula espinhal para preparar dois importantes reflexos, o reflexo vestíbulo-ocular e o reflexo vestíbulo-espinhal. O reflexo vestíbulo-ocular gera os movimentos oculares, os quais permitem uma visão nítida enquanto a cabeça está em movimento, ou seja, o movimento conjugado dos olhos no mesmo plano que o movimento cefálico. Já o reflexo vestíbulo-espinhal cumpre uma função muito mais difícil que a do reflexo vestíbulo-ocular, pois gera um movimento corpóreo de compensação com o objetivo de manter a estabilidade cefálica e postural e, dessa Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 34 forma, evitar quedas. Em outras palavras, ajusta adequadamente o movimento dos membros, de acordo com a posição da cabeça em relação à do corpo (HAIN; RAMASWAMY; HILLMAN, 2002). Estes autores elucidam ainda, que do ponto de vista da reabilitação, é de suma importância perceber que existem múltiplos mecanismos automáticos e seguros de compensação, intimamente integrados nesses reflexos. A capacidade dos mecanismos centrais de utilizar a visão, a propriocepção, o estímulo auditivo, o estimulo tátil ou o conhecimento cognitivo sobre o movimento iminente permite que as respostas vestibulares se baseiem num conjunto sensorial multimodal e altamente estruturado. 2.4 Causas Comuns da Vertigem De acordo com Miniti, Bento e Butugan (1993), a tontura é definida como a sensação de perturbação do equilíbrio corporal, podendo ser do tipo rotatória (vertigem) ou não rotatória (instabilidade ou flutuação). Para Kauffman (2001), a vertigem é definida como uma ilusão de movimento que, em geral, apresenta um componente rotatório. A vertigem é o sintoma mais comum no mundo sendo a terceira queixa mais freqüente. Acomete mais de 33% das pessoas em alguma época de suas vidas; representa a sétima queixa mais encontrada entre as mulheres, afligindo 61% delas com mais de 70 anos. A vertigem está presente em 50 a 60% dos idosos que vivem em suas casas e 81 a 91% dos idosos atendidos em ambulatórios geriátricos (SILVA; SILVA; PEREIRA, 2002). Para Bear, Connors e Paradiso (2002), quando o sistema vestibular opera normalmente, geralmente os indivíduos estão desatentos em relação ao seu funcionamento. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 35 Quando, entretanto, sua função é interrompida, resultam sensações desagradáveis, as quais geralmente são associadas com a chamada doença do movimento ou cinesia. A vertigem pode ser causada por várias patologias, sendo importante diferenciar as afecções centrais das periféricas. Apesar de a sintomatologia de algumas dessas disfunções poder ser um tanto específica, a causa pode ser bem diferente, variando desde a infecção até a isquemia e as lesões traumáticas (ALBERNAZ et al., 1997). A disfunção vestibular periférica, que envolve os órgãos terminais vestibulares e/ou o nervo vestibular, pode produzir uma variedade de sinais e sintomas (FETTER, 2002). As alterações do equilíbrio, habitualmente são identificadas através dos sintomas de tontura, sensação na qual o paciente refere à impressão de que irá cair, ou que o mundo está girando ao seu redor ou vice-versa, ou muitas vezes experimenta a sensação de distensão desproporcional da cabeça. A vertigem ou manifestações similares geralmente aparece acompanhada de cefaléia, nistagmo, falta de coordenação na posição ortostática, desequilíbrio durante a marcha, zumbidos no ouvido e, ainda, transtornos neurovegetativos como náusea, vômito ou sudorese fria, ligados a situações de resposta simpática preponderante (DOUGAS, 2000). A seguir será feita uma breve descrição das causas mais comuns da vertigem de origem periférica. 2.4.1 Vertigem Posicional Paroxística Benigna Segundo Goldman e Bennett (2001), a vertigem posicional paroxística benigna é, sem dúvida, a causa mais comum de vertigem. Os pacientes com essa condição desenvolvem Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 36 episódios breves de vertigem, menores que um minuto, causados pela mudança de posição, geralmente específicas, tipicamente quando se viram na cama ou ao sair da mesma, inclinando-se para frente e ficando em pé, ou ao fazer a extensão do pescoço para olhar para cima. Os indivíduos geralmente conseguem identificar a posição cefálica ofensiva, a qual na maioria das vezes está associada à extensão rápida do pescoço e costumam evitá-la constantemente. Pode estar associada a nistagmo rotatório com abalos em direção ao solo se o paciente estiver deitado com a cabeça voltada para o lado do ouvido afetado (ROWLAND, 2002). A perda auditiva, as sensações de entupimento do ouvido e zumbido não são observados nesta condição, que ocorre normalmente de uma maneira mais expressiva na população idosa e no sexo feminino, porém, pode ser observada em qualquer faixa etária (FETTER, 2002). De acordo com Rowland (2002), as causas conhecidas da síndrome incluem traumatismo cranioencefálico, labirintite e idade avançada. A história natural da vertigem posicional paroxística benigna é sua resolução espontânea, sendo que a maioria dos pacientes fica livre dos sintomas em algumas semanas ou meses. Schuknecht propôs a teoria da cupulolitíase na qual pesadas partículas ficariam aderidas à cúpula do canal semicircular, que deixaria de funcionar como transdutor de aceleração angular para funcionar como transdutor de aceleração linear. Atualmente, no entanto, admite-se a teoria da canalolitíase na qual as partículas flutuam livremente pela endolinfa do canal semicircular. A canalolitíase explica as características clínicas do ataque de vertigem (latência de 1 a 5 segundos, curta duração, fatigabilidade e mudança na direção), e a boa resposta ao tratamento com as manobras de liberação (PEREIRA; SCAFF, 2001). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 37 2.4.2 Neurite Vestibular A vestibulopatia lateral aguda, também conhecida como neurite vestibular, é a segunda causa mais comum da vertigem. Na maioria dos casos a etiologia é indefinida, porém, as evidências apontam para uma causa viral. O início geralmente é precedido pela presença de uma infecção viral do trato respiratório superior ou do gastrintestinal. A infecção viral associada pode ocorrer juntamente com a patologia ou pode tê-la precedido em até duas semanas (FETTER, 2002). Neste distúrbio, a vertigem ocorre de forma súbita e intensa, com vômitos e nistagmo, podendo durar vários dias, contudo, não são observados sintomas cocleares. Os pacientes acometidos por esta patologia podem sentir desequilíbrio até algumas semanas após a crise, mas ataques recorrentes, em geral, parecem menos intensos que a primeira crise e podem continuar por alguns meses (ROWLAND, 2002). 2.4.3 Doença de Ménière Para Dougas (2000), a doença de Ménière caracteriza-se basicamente por um aumento do volume da endolinfa, denominada hidropisia endolinfática, resultante da má absorção no ducto e no saco endolinfático o qual determina uma maior pressão no sistema vestibular e coclear, resultando em sobre-excitação dos receptores otolíticos e não-otolíticos, Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 38 bem como do órgão de Corti. Nesta patologia são característicos os transtornos do equilíbrio e zumbidos de ouvido, além de progressiva hipoacusia. Um episódio típico é experimentado como uma sensação inicial de plenitude da orelha, redução na audição e zumbido, seguidos por vertigem rotacional, desequilíbrio postural, nistagmo, náusea e vômitos depois de alguns minutos. A instabilidade, geralmente severa, freqüentemente persiste por um período que pode variar entre trinta minutos e vinte e quatro horas. Gradualmente, os sintomas severos são eliminados e os pacientes geralmente conseguem andar dentro de setenta e duas horas, porém apresentando ainda, certa instabilidade postural (FETTER, 2002). De acordo com o mesmo autor, a doença é distribuída igualmente entre ambos os sexos e geralmente inicia-se entre a quarta e a sexta década de vida. Aproximadamente 15% dos indivíduos acometidos têm parentes sangüíneos com a mesma doença, o que sugere fatores genéticos e o envolvimento bilateral pode ser observado, com incidência que varia de 33 a 50%. 2.4.4 Labirintite Segundo Campos (1998), é uma inflamação do labirinto subseqüente a uma otite média e a existência de um processo infeccioso na caixa timpânica é imprescindível para estabelecer este diagnóstico. Na fase aguda, principalmente quando ela é unilateral, o paciente queixa-se de vertigem intensa, manifestações neurovegetativas e perda auditiva do lado comprometido. Caso o processo infeccioso tenha provocado destruição da estrutura labiríntica, ocorrerá formação de fibrose e, conseqüentemente, a perda auditiva será irreversível e poderá ocorrer seqüela parcial do equilíbrio. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 39 2.4.5 Fístula Perilinfática A fistula perilinfática, encontrada com grande freqüência nas janelas redonda e oval da orelha média, pode levar a vertigem episódica e perda auditiva sensorioneural em razão da elasticidade patológica do labirinto ósseo. Os pacientes acometidos por esta patologia, geralmente relatam um estalido na orelha que precede o primeiro evento, no qual pode ser observada vertigem de início repentino, perda auditiva e zumbido alto. Posteriormente, estes pacientes podem se queixar de desequilíbrio, vertigem posicional e nistagmo, assim como perda auditiva (FETTER, 2002). 2.4.6 Neuroma do Acústico O tumor mais comum do ângulo pontocerebelar é o neuroma do acústico, no qual os sintomas iniciais relatados pelos pacientes são zumbido, surdez e tonteira. Nesse momento poderá ser observada também a perda do reflexo corneano, sinais cerebelares, nistagmo e paresia facial podem significar um tumor grande (ROWLAND, 2002). Goldman e Bennett (2001) complementam ao afirmar que a maioria dos tumores nesta região tem crescimento lento, permitindo a acomodação do sistema vestibular, de modo que provocam uma vaga sensação de desequilíbrio em vez de vertigem aguda. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 40 2.4.7 Insuficiência Vascular A insuficiência vertebrobasilar é causa comum de vertigem nos idosos, sendo causada, em geral, por aterosclerose das artérias subclávia, vertebral e basilar. Caracteriza-se por crise vertiginosa de início abrupto, com duração de vários minutos e, com freqüência, está associada a náuseas e vômito. Os sinais e sintomas associados, resultantes da isquemia no território remanescente suprido pela circulação posterior consistem em ilusões visuais e alucinações, ataques de queda, fraqueza, sensações viscerais, defeitos no campo visual, diplopia e cefaléia que podem ocorrer em episódios combinados ou não com vertigem (GOLDMAN; BENNETT, 2001). 2.4.8 Vertigem Pós-traumática Vertigem, perda auditiva e zumbido ocorrem, com freqüência, após um golpe na cabeça que não resulta em fratura do osso temporal, o que se denomina concussão labiríntica, pois embora sejam protegidas por uma cápsula óssea, as delicadas membranas labirínticas são suscetíveis à concussão (GOLDMAN; BENNETT, 2001). Para Rowland (2002), a perda auditiva pode ser devida à fratura nos ossículos dos ouvido médio ou na cóclea. A vertigem pode ser devida à concussão ou hemorragia no labirinto ou a uma fistula perilinfática. A vertigem postural pode ser uma reação inespecífica à concussão e parte da síndrome pós-concussional, ou pode ser secundária a cupulolitíase e vertigem posicional paroxística benigna pós-traumática. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 41 2.4.9 Otoesclerose O processo de degeneração óssea no labirinto pode afetar também o labirinto membranoso e produzir surdez de percepção e transtornos do tipo vestibular. Neste caso, a vertigem apresenta-se em forma de crise, muitas vezes relacionadas as mudanças posturais. Outra forma de vertigem ligada a otoesclerose é a de origem iatrogênica, a qual sobrevém de uma intervenção cirúrgica mal resolvida (ESPANÃ; ESCOLÁ, 1996). 2.4.10 Ototoxicidade Várias drogas como salicilatos, antibióticos, anticonvulsivantes, aminoglicosídeos, furosemida e álcool, são capazes de causar ototoxicidade, que pode resultar em tonteira na forma de vertigem, desequilíbrio, atordoamento, zumbido e perda auditiva. Estes sintomas são bilaterais e freqüentemente vêm associados de marcha atáxica, por afetarem de forma variável os aparelhos vestibular e coclear. Por sua vez, os sedativos, anti-histamínicos, estimulantes do humor e antidepressivos também são responsáveis por sintomas como atordoamento e desequilíbrio (ROWLAND, 2002). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 42 2.4.11 Vertigem Cervicogênica Atualmente, apesar de haver várias controvérsias a respeito desta patologia, existem três situações que podem ser consideradas como causadoras de vertigem cervicogênica. A insuficiência vertebrobasilar que ocorre por compressão das artérias vertebrais, devido aos osteófitos osteoartríticos ou por instabilidade atlantoocciptal, se encontra como uma das três possíveis causas de vertigem cervicogênica (GANANÇA, 1998). A síndrome simpática cervical posterior, de acordo com Gurfinkel et al. (1974) (apud SILVA; SILVA; PEREIRA, 2002), que seria causada por uma irritação do plexo vertebral simpático, o qual provocaria uma constrição da artéria labiríntica e, conseqüentemente, hipoperfusão do aparelho vestibular periférico levando à vertigem, refere-se a outra hipótese. Como terceira causa da vertigem de origem cervicogênica, encontram-se os sinais proprioceptivos alterados, que ainda de acordo com Gurfinkel et al. (1974), sugerem que a região cervical superior tem sido indicada como uma fonte de proprioceptores. 2.4.12 Vertigem por Degeneração do Órgão Terminal Rowland (2002) afirma que com o aumento da expectativa de vida, muitos pacientes atingem uma idade em que as perdas degenerativas causam perturbações vestibulares. Após uma determinada idade, que é diferente para cada paciente, há uma diminuição quase linear do número de células ciliadas na cóclea e de fibras nervosas no nervo vestibular. Ocorre deterioração de outros sistemas sensoriais como visual, proprioceptivo, exteroceptivo, Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 43 auditivo e da capacidade de integrar as informações destes sistemas sensoriais, o que resulta em desequilíbrio nos pacientes com idade avançada. 2.4.13 Paroxismo Vestibular O paroxismo vestibular, também conhecido como vertigem postural incapacitante, surge da compressão neurovascular cruzada na zona de origem da entrada do nervo vestibular. Este termo, na verdade, descreve uma coleção heterogênea de sinais e sintomas, e não uma entidade patogênica com diagnóstico confiável. São observados episódios curtos e freqüentes de vertigem rotatória, que duram entre segundos e minutos e que são dependentes de posições cefálicas particulares, hipoacusia e/ou zumbido permanentes ou durante o episódio e déficit auditivo e vestibular (FETTER, 2002). 2.4.14 Vertigem Fisiológica Para Goldman e Bennett (2001), a vertigem fisiológica consiste em distúrbios comuns, como doença do movimento, mal do espaço e vertigem das alturas. Nessas condições, de etiologia desconhecida, a vertigem é mínima ou ausente, enquanto predominam sintomas autônomos. Na vertigem das alturas, os pacientes apresentam ansiedade aguda e reação de pânico. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 44 Para complementar, estes autores citam ainda, que os indivíduos portadores da doença do movimento e do mal do espaço desenvolvem tipicamente respiração, náusea, vômitos, salivação aumentadas, bocejos e mal-estar generalizado. A motilidade gástrica fica reduzida e a digestão comprometida. A hiperventilação é um sinal comum e a hipocapnia resultante provoca alterações no volume sangüíneo podendo levar à hipotensão postural e síncope. 2.5 Formas de Tratamento Várias são as formas de tratamento para as causas, sinais e sintomas dos distúrbios do equilíbrio e dentre os mais conhecidos destacam-se os medicamentosos e os cirúrgicos. Atualmente, a reabilitação vestibular também tem sido utilizada com freqüência na terapêutica de vestibulopatias (BERGAMO et al, 1999). 2.5.1 Medicamentoso De acordo com Ramos e Ramos (1998), a vertigem é um sintoma e não uma doença. No tratamento do paciente vertiginoso o combate dos sintomas é o objetivo final, mas não se pode esquecer que a necessidade principal é o tratamento da causa quando diagnosticada. No tratamento da vertigem não há uma droga específica. Não é possível saber qual é o melhor remédio para cada doente. A escolha em cada caso depende da experiência clínica e Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 45 da intuição do médico. Não se deve ignorar a utilidade da medicação antivertiginosa no contexto da múltipla abordagem terapêutica. Não usá-los pode ser um erro tão grave quanto priorizá-los como único recurso (GANANÇA, 1998). Para Caovilla (1999), a automedicação deve ser sempre condenada, pois pode ser totalmente contraproducente, além de potencialmente perigosa. O que é bom para um paciente pode não ser bom para o outro e pode haver razões de ordem clínica que contra-indiquem o uso de determinado remédio no seu caso. Ainda de acordo com este autor, as doses iniciais dos principais medicamentos antivertiginosos devem ser reduzidas gradativamente, assim que houver melhora dos sintomas, para não perturbar os mecanismos da compensação vestibular. Posologias elevadas e terapias medicamentosas a longo prazo podem impedir a adequada compensação vestibular. Casos especiais, no entanto, podem necessitar de medicação prolongada ou permanente. Ramos e Ramos (1998) salientam que o médico otorrinolaringologista necessita cada vez mais aplicar seus conhecimentos clínicos, para detectar as doenças sistêmicas que estão associadas as vestibulopatias. Para isso, os autores recomendam o controle da insulina, da hipertensão arterial, do fumo, dieta nutricional e exercícios para saúde geral. 2.5.2 Cirúrgico Segundo Lavinski e Lavinski (1998), a cirurgia torna-se necessária quando a gênese do processo é persistente. Nesses casos, o ouvido deve ser corrigido ou abolido. É importante notar que o resultado da cirurgia otológica depende mais do diagnóstico do que da técnica Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 46 empregada; como em poucas áreas da otorrinolaringologia, é essencial que o cirurgião exerça plena atividade clínicocirurgica. É elevado o número de técnicas disponíveis. Para Ganança (2000), os recursos terapêuticos fundamentais são os exercícios de reabilitação vestibular e os medicamentos antivertiginosos. A otoneurocirurgia deve ser reservada a situações especiais, como a extinção de tumores do meato acústico interno e região do ângulo pontocerebelar, ou para tentar atenuar ou eliminar a vertigem em casos incapacitados ou rebeldes a outros tipos de tratamento, como pode ocorrer, por exemplo, na Doença de Ménière. Ele complementa ao dizer que é preciso ter muita cautela na indicação cirúrgica, pois os medicamentos disponíveis, com freqüência, permitem abolir os sintomas e esperar que haja compensação espontânea, ou acelerá-la com exercícios de compensação vestibular. 2.5.3 Reabilitação Vestibular O uso de exercícios para o tratamento de indivíduos com doenças vestibulares começou na década de 40. Nessa época, Dr. Cawthorne, um otorrinolaringologista, estava tratando de pacientes com déficits vestibulares unilaterais e disfunções pós-concussionais. Junto com o Dr. Cooksey, um fisioterapeuta, ele desenvolveu uma série de exercícios que envolviam as queixas do paciente sobre a vertigem e o comprometimento do equilíbrio (HERDMAN; WHITNEY, 2002). Essas autoras também afirmam que a reabilitação vestibular é hoje aceita como uma abordagem de tratamento apropriada e valiosa para os pacientes com disfunção vestibular. O Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 47 uso da cinesioterapia para tratar os pacientes com alterações do sistema vestibular não é novo, mas estudos recentes documentaram a sua eficácia. Este termo significa um trabalho não apenas com o sistema vestibular, mas com inúmeras estruturas que fazem parte do nosso sistema de equilíbrio. É uma opção de tratamento para pacientes portadores de distúrbios vestibulares que envolve estimulações visuais, proprioceptivas e vestibulares (BENTO; MINITI; MARONE, 1998). A reabilitação vestibular procura restabelecer o equilíbrio por meio de estimulação e aceleração dos mecanismos naturais de compensação, induzindo o paciente a realizar o mais perfeitamente possível os movimentos que estava acostumado a fazer antes de surgir a tontura (GANANÇA, 1999). Ribeiro, Testa e Weckx (2001) afirmam que os objetivos da reabilitação são promover a estabilização visual durante os movimentos de cabeça, melhorar a interação vestíbulo-visual durante a movimentação da cefálica, ampliar a estabilidade postural estática e dinâmica e diminuir a sensibilidade individual a essa movimentação. Os exercícios com os olhos, cabeça e corpo, suscitam o conflito sensorial que acelera a compensação e recalibração do sistema vestibular. Para se ativar esse processo, é necessário que o paciente use os seus reflexos vestibulares, provocando conflitos sensoriais tanto nos órgãos do ouvido interno, da visão e propriocepção. Infelizmente esses conflitos provocam distúrbios neurovegetativos tão intensos que tornam os pacientes incapazes. Paradoxalmente deve-se encorajar o paciente a se sentir ainda pior para que possa melhorar (BENTO; MINITI; MARONE, 1998). Assim, de acordo com Herdman (1997) o clichê “o que lhe deixa tonto é bom pra você”, é usado como um critério para os exercícios de reabilitação vestibular, mas isto não está totalmente correto. Movimentos repetitivos da cabeça certamente deixam pessoas sem distúrbios vestibulares tontos também. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 48 Muitos pacientes com tontura, deliberadamente restringem as atividades físicas, viagens e reuniões sociais, com o intuito de reduzir o risco de aparecimento destes sintomas desagradáveis e assustadores, e para evitar o embaraço social e o estigma que eles podem causar (GANANÇA et al., 2004). Estes autores elucidam ainda que as conseqüências somato-psíquicas da vertigem recorrente, causada por desordens vestibulares, podem incluir ansiedade e ataques de pânico, medo de sair sozinho, interferência nas atividades diárias, sentimentos de estar fora da realidade e despersonalização. Os aspectos negativos descritos pelo paciente com tontura, associados à limitação e ao desconforto, causam conflito e embaraço social e também medo da incapacidade física ou de uma doença séria. Segundo Ganança (1999), os pacientes vertiginosos diante de situações como desequilíbrio, insegurança física e psíquica, provocadas pela tontura, adquirem a postura de não se mover, não sair da cama, não abrir os olhos, achando que com esta atitude os sintomas cessarão. Porém, estes autores explicam que as bases fisiopatológicas da reabilitação vestibular visam o oposto, ou seja, através de exercícios físicos específicos, provocar fenômenos fisiológicos que consigam recuperar a orientação espacial e o equilíbrio estático e dinâmico. Esses fenômenos fisiológicos são chamados de adaptação e envolvem a habituação e a compensação. • Mecanismos de Recuperação Segundo Pedaline e Bittar (1999), a habituação é a redução de respostas sensoriais, baseada na repetição de estímulos sensoriais. É um fenômeno obtido por execução de movimentos repetitivos, que diminuem a resposta vestibular e a amplitude do nistagmo. A repetição além de promover a adaptação ao movimento, estimula o órgão sensorial, criando Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 49 novos automatismos. O aspecto mais importante no processo de habituação vestibular é a integração entre as aferências visuais e vestibulares, além da fixação ocular. Barbosa e Ganança (1994) descrevem a habituação como um processo de estimulação repetida, ocorrendo um “reparo”, onde o sistema danificado retorna ao seu estado prévio e funciona normalmente. Já o processo de compensação vestibular, a mesma autora descreve como sendo contínuo e dinâmico, onde o Sistema Nervoso Central deve criar uma “imitação” do labirinto normal. A compensação vestibular é o que vem a acontecer quando há uma alteração ou lesão no sistema vestibular. Com a perda do funcionamento de um labirinto, começam a ocorrer os sintomas como náuseas, vertigem e desequilíbrio. Se não houver a regeneração do órgão periférico, o Sistema Nervoso Central é que realiza a compensação (PEDALINI; BITTAR, 1999). De acordo com Herdman e Whitney (2000), na primeira fase o cérebro inibe a atividade do núcleo vestibular contralateral à lesão, diminuindo a hiperatividade causada pela falta do outro órgão. Em seguida, devido à multiplicidade sensorial do sistema vestibular, é criada uma nova atividade intrínseca no núcleo vestibular ipsilateral à lesão, suprindo a perda do órgão periférico homolateral. É então efetivada a compensação vestibular, onde os sintomas devem desaparecer. Para Caovilla e Ganança (1998), compensação é o mecanismo de recuperação funcional do desequilíbrio corporal causado pela lesão vestibular. A compensação ocorre nos núcleos vestibulares do tronco encefálico, onde se processa a integração da informação sensorial visual, proprioceptiva e vestibular. A adaptação vestibular refere-se às mudanças a longo prazo que ocorrem na resposta do sistema vestibular a uma informação. A adaptação é importante durante o desenvolvimento Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 50 e o amadurecimento, e na resposta a uma doença ou lesão. Os exercícios que a facilitam podem ser usados pelos pacientes com disfunção vestibular, como um mecanismo de indução da recuperação (HERDMAN; WHITNEY, 2002). Para Bento, Miniti e Marone (1998), os exercícios devem ser introduzidos lentamente, para que o paciente possa se sentir menos ansioso e mais flexível quanto à introdução de novos exercícios. À medida que os sintomas diminuem, atividades mais difíceis vão sendo introduzidas. Um paciente que apresente condição física precária pode limitar o tratamento baseado em exercícios. Fatores psicológicos podem influenciar no bom andamento do trabalho, e o fisioterapeuta pode indicar um acompanhamento psicológico para que o paciente complete com sucesso o programa de reabilitação vestibular e volte a uma vida produtiva e ativa. A melhora do quadro clínico é determinada por adaptações neurais, substituições sensoriais, recuperação funcional dos reflexos vestibulocular e vestibuloespinhal, condicionamento global, alteração do estilo de vida e pelo efeito psicológico positivo que a fisioterapia exerce no paciente (GANANÇA; CAOVILLA, 1998). Estes autores descrevem ainda que é possível obter cura completa em 30% dos casos ou diferentes graus de melhora em 80% dos pacientes vertiginosos tratados exclusivamente por meio de exercícios de reabilitação. Porém, é comum uma múltipla abordagem terapêutica personalizada consistindo em um grupo de medidas concomitantes, como o tratamento etiológico, medicação, reabilitação auditiva e/ou vestibular, correção de erros alimentares e orientações de mudanças de hábitos, eventual aconselhamento psicológico, otoneurocirurgia para tentar aliviar ou erradicar os sintomas e sinais da doença em cada caso. • Avaliação De acordo com Goldman e Bennett (2001), para avaliar os pacientes portadores de disfunção vestibular a anamnese é fundamental, pois determina o tipo de tonteira (vertigem, Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 51 tontura, sensação de dissociação ou desequilíbrio), os sinais que podem estar associados (neurológicos, audiológicos, cardíacos, psíquicos), os fatores precipitantes (mudança de posição, traumatismo, estresse, consumo de fármacos/drogas) e doenças predisponentes (infecção viral sistêmica, doença vascular cerebral, cardiopatia). Também, deve fazer parte da avaliação do paciente portador de distúrbios vestibulares, um exame funcional, avaliação do grau de independência na marcha, força muscular, mobilidade, avaliação postural, exame do equilíbrio, propriocepção, coordenação, avaliação de problemas auditivos e oculares, testes para verificar a presença ou não de nistagmo e uma avaliação da qualidade de vida do paciente (ZUCCO, 2003). Ganança et al. (2004) afirmam que, atualmente, a preocupação com o impacto que a doença ou a intervenção do profissional da saúde causa na qualidade de vida do indivíduo é muito grande. Além disso, avaliar a qualidade de vida do paciente com a sua rotina alterada, devido à presença de sintomas vestibulares pode contribuir para estabelecer o tratamento mais adequado. Em 1990, Jacobson e Newman elaboraram e validaram um questionário específico para tontura, o Dizziness Handicap Inventory (DHI), com o objetivo de avaliar a autopercepção dos efeitos incapacitantes impostos pela tontura. O DHI é o único questionário traduzido para a aplicação na população brasileira, até a presente data. Para tradução foi realizada adaptação cultural do questionário que constou de tradução do idioma inglês para o português e adaptação lingüística, revisão da equivalência gramatical e idiomática, adaptação cultural e reprodutibilidade intra e inter pesquisadores (GANANÇA et al., 2004). • Protocolos Segundo Pedalini e Bittar (1999), dentre os vários protocolos existentes, a metodologia mais utilizada é a desenvolvida por Cawthorne em 1944, por aplicar exercícios “fáceis” de serem realizados. Silva e Moreira (2000) complementam ao afirmar que os Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 52 exercícios de Cawthorne-Cooksey são exercícios posturais com movimentos de cabeça, pescoço, olhos, que podem ser associados à marcha. Barbosa e Ganança (1995) concordam com a utilização dos exercícios adotados por Cawthorne, mas sugere outros exercícios e técnicas desenvolvidas, optando por uma escolha individual de treinamento, seguindo as necessidades de cada caso. DeLisa e Gans (2002) sugerem que a abordagem mais eficaz para a reabilitação de pacientes com problemas vestibulares é elaborar um programa individualizado. Esse programa deve abordar déficits em: a) estabilidade do olhar e controle ocular; b) adaptação e habituação aos sintomas provocados pelo movimento; c) estabilidade postural por meio da substituição com modalidades sensoriais não afetadas; d) estratégias de respostas posturais; e) atenção, concentração e ajuste psicológico; f) educação do paciente e da família; g) condicionamento e flexibilidade geral que contribuam para a disfunção do equilíbrio. A primeira etapa do tratamento consta de informar ao paciente e familiares quanto à anatomia, fisiologia do sistema vestibular e suas alterações, explicação sobre o efeito que eles provocam, assim como aconselhamento para mudanças de maus hábitos posturais. A orientação precoce quanto ao prejuízo se adotar estratégias que evitem os sintomas é fundamental para que não se tornem crônica (PEDALINE; BITTAR, 1999). A seguir, serão descritos os protocolos de tratamento mais conhecidos, segundo Ganança e Caovilla (1998). Protocolo de Cawthorne-Cookesey (1944) De acordo com este protocolo, os movimentos dos olhos e da cabeça devem ser realizados primeiramente devagar e depois rapidamente, sendo que primeiro com os olhos abertos e depois com os olhos fechados (GRIEVE, 1994). Podem ser realizados na clínica, individualmente ou em grupo, e em casa, durante quinze minutos duas vezes ao dia, aumentando gradativamente a sua freqüência e a sua Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 53 duração, até trinta minutos por sessão. Cada exercício terá 20 repetições, obedecendo a seguinte seqüência: 1) Paciente deitado, movimentar os olhos: para cima e para baixo; para direita e para esquerda; esticar um dos braços, focalizar e acompanhar o movimento da ponta de um dedo que se afasta e se aproxima da face. 2) Paciente deitado, movimentar a cabeça: para frente e para trás; girar para a direita e para esquerda. 3) Paciente sentado: girar o tronco para direita e para esquerda; curvar-se para frente apanhar um objeto no solo e voltar à posição inicial; 4) Paciente em pé: a partir da posição sentada, levantar e voltar a posição original; passar uma pequena bola de borracha de uma mão para outra, acompanhando-a com os olhos; passar a bola de uma mão para outra, por baixo dos joelhos; 5) Paciente em pé, movimentando-se: caminhar em terreno plano; subir e descer uma rampa; subir e descer uma escada. Protocolo de Norré (1988) O protocolo de Norré é realizado rapidamente com duração de 10 segundos em cada posição. As posições que produzem sintomas são as que devem ser repetidas 5 vezes em casa, 2 ou 3 vezes ao dia, até o desaparecimento dos sintomas. 1) Sentado, deitar; 2) Na posição supina, girar o corpo para direita; 3) Na posição supina, girar o corpo para esquerda; 4) Passar da posição supina para sentada; 5) De pé, girar para direita; 6) De pé, girar para esquerda; 7) Sentado, apoiar o nariz no joelho esquerdo; Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 54 8) Sentado, apoiar o nariz no joelho direito; 9) Sentado, girar a cabeça em sentido anti-horário; 10) Sentado, girar a cabeça no sentido horário; 11) Inclinar o tronco para frente; 12) Sentado, ficar em pé; 13) Sentado, mover a cabeça para frente e para trás; 14) Sentado, passar para posição supina e, com a cabeça pendente, girar para a esquerda; 15) Sentar; 16) Repetir o passo 14 e girar para direita; 17) Sentar; 18) Sentado, passar para posição supina, com a cabeça pendente; 19) Sentar. Protocolo de Bolonha (1993) Este protocolo deve ser realizado duas vezes ao dia, em casa, com visitas semanais à clínica, por dois ou três meses. O paciente deverá ter um diário para anotar a evolução dos sintomas diariamente. Consta dos seguintes exercícios: 1) Paciente deitado: passar rapidamente de sentado para decúbito dorsal e voltar a posição inicial; em decúbito dorsal, passar para o decúbito lateral direito e depois para esquerdo; 2) Paciente sentado: girar a cabeça para direita e para esquerda; flexionar e estender a cabeça; passar para decúbito dorsal, girar a cabeça para direita e para esquerda; olhar para trás e para a direita; olhar para a direita e para baixo. 3) Sentado, numa cadeira giratória: dar duas voltas em sentido horário e depois no sentido anti-horário; repetir a manobra anterior, fixando um ponto durante a rotação. 4) Paciente em pé: erguer os braços acima da cabeça, olhando para as mãos; flexionar o tronco e a cabeça para diante e voltar para posição ereta. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 55 5) Paciente em pé, com os olhos fechados: colocar um pé adiante do outro; inclinar a cabeça para direita, esquerda, frente e atrás; oscilar para frente e para trás com os joelhos rígidos; Idem ao anterior na ponta dos pés, sobre o calcanhar, o pé esquerdo, o pé direito; 6) Paciente em pé, com os olhos abertos: oscilar para frente e para trás, fixando o olhar numa linha vertical, progredir o exercício para unipodal e após sobre uma plataforma oscilante; caminhar primeiramente com os olhos abertos, depois fechados, na ponta dos pés, sobre os calcanhares, sobre um colchonete, em círculo e em oito; com os olhos abertos, levantar-se da cadeira, sentar-se, jogar bola e acompanhar os saltos da bola. Manobra de Brandt e Daroff (1980) Nesta manobra, o paciente muda rapidamente da posição sentada para decúbito lateral que provoca a vertigem, apoiando a região occipital no plano horizontal, para a estimulação dos canais semicirculares posteriores, alvo da reabilitação. Após cessar a vertigem, permanecer 30 segundos nessa posição. Depois, voltar a posição sentada por 30 segundos. Repetir a manobra para o outro lado. Esta manobra deve ser repetida de cinco a dez vezes consecutivas com o paciente parando na posição sentada e em seguida repetir de cinco a dez vezes, indo diretamente de um lado para outro sem parar na posição sentada. O paciente deve ser ensinado e praticará os exercícios na clínica, depois segue as instruções para serem efetuados em casa, de três em três horas nos primeiros dias e duas vezes ao dia nos próximos 30 a 60 dias. A figura 5 mostra a realização da manobra. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 56 Figura 8: Manobra De Brandt Daroff Fonte: GANANÇA, 2000. • Indicações e Contra-indicações A reabilitação vestibular é uma abordagem ainda nova no tratamento das vestibulopatias, e é por isso que há discussão sobre em quais casos aplicá-la. Nem todos os pacientes com tonturas são candidatos a este tipo de tratamento, portanto não deve ser usado indiscriminadamente para qualquer paciente (HAMID, 1997). Para Pedalini e Bittar (1999), os exercícios de reabilitação vestibular são indicados para pacientes que apresentam vertigem crônica e lesão aguda não compensada. Embora Hamid (1997) descreva contra-indicações na fase aguda, a eventos vestibulares, nos sintomas flutuantes, na lesão central e na lesão cerebelar, as autoras não concordam com essa postura. Essas contra-indicações são relativas, pois na prática tem mostrado benefícios para pacientes atendidos após um evento agudo, como no caso de labirintectomizados, além de serem úteis na adaptação de pacientes portadores de Síndrome de Ménière. É também inegável a melhora dos sintomas residuais de pós-coma, cirurgias neurológicas e sofrimento cerebral por insuficiência vascular. Ganança (2000) afirma que os exercícios de reabilitação vestibular, além de fisiológicos e altamente eficazes são inócuos e sem efeitos colaterais. O prognóstico para esses pacientes costuma ser excelente e os resultados são gratificantes, na maioria dos casos. Para cada autor há um parecer, portanto só a experiência em novos casos e a prática clínica irá nos mostrar qual abordagem utilizar. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 57 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 3 METODOLOGIA Neste capítulo serão apresentadas as descrições da população dos indivíduos avaliados e tratados neste estudo, bem como os critérios utilizados para a seleção da amostra, os procedimentos realizados, os recursos materiais empregados e o método estatístico aplicado. Para a realização deste estudo, preocupou-se em obter aprovação prévia do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, a fim de respeitar os preceitos da ética em pesquisa envolvendo seres humanos. Em seguida foram recrutados 8 voluntários com média de idade de 49,5 ± 9,08 anos, com variação entre 40 e 59 anos. Estes voluntários foram encaminhados por médicos do Centro Regional de Especialidades (CRE) presente na rua D. Pedro II, número 1661, na cidade de Cascavel (PR), à Clínica de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), onde se realizou todas as etapas do estudo. Os sujeitos foram selecionados aleatoriamente, o que caracterizou este estudo como um ensaio clínico aleatório com característica transversal, que respeitou os critérios de inclusão e exclusão, que serão descritos a seguir. Critérios de inclusão: - pessoas de ambos os sexos; - indivíduos portadores de disfunção vestibular periférica; - idade igual ou superior a 40 anos. Critérios de exclusão: - indivíduos portadores de vestibulopatias centrais ou infecciosas; Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 59 - alterações musculoesqueléticas que impossibilitassem a realização dos exercícios; - distúrbio visual grave; - paciente em crise aguda de labirintite; - paciente que estivesse usando medicação psicotrópica. Após terem se enquadrado nos critérios de inclusão e assinado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO A), os voluntários deram entrada no estudo, caracterizando uma amostra aleatória probabilística estratificada. Inicialmente, todos os participantes foram submetidos a uma avaliação, denominada avaliação inicial, a qual era composta por anamnese, testes específicos e um questionário que avaliou a influência da vertigem na qualidade de vida destes voluntários. Esta avaliação foi realizada por um examinador cego ao estudo, que coletou todas as informações necessárias para a pesquisa. A anamnese presente na avaliação inicial buscava conhecer o perfil dos pacientes e por essa razão era composta pelos dados pessoais dos participantes, diagnóstico clínico (fornecido pelo médico), sintomas apresentados, medicação utilizada, freqüência das crises, tempo de vertigem, execução de atividades da vida diária e quedas (APÊNDICE A). A avaliação visou também quantificar a vertigem através da utilização de uma Escala Visual Analógica de Vertigem com graduação de 0 a 10 pontos (APÊNDICE B). O exame do equilíbrio estático dos voluntários foi realizado através de dois testes muito difundidos para ponderar o equilíbrio em portadores de distúrbios vestibulares, denominados de Teste de Romberg e Teste de Romberg-Barré ou Romberg Sensibilizado. No primeiro, o paciente é instruído a permanecer na posição ortostática, com os pés unidos e os braços ao longo do corpo, inicialmente com os olhos abertos e posteriormente com os olhos fechados, durante um minuto. A perda do equilíbrio caracteriza o teste Romberg positivo. O Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 60 teste de Romberg-Barré é realizado de forma semelhante ao primeiro teste, porém, com um pé à frente do outro em linha reta. (CIPRIANO, 1999). Posteriormente, os participantes foram submetidos à Manobra dos Passos de Fukuda, na qual o paciente é solicitado a executar, com os olhos fechados e braços estendidos a 90º, cinqüenta passos sem se deslocar, sobre um escala, desenhada no chão, formada por três círculos concêntricos, cujos raios têm 0,5m entre si. Indivíduos normais deslocam-se não mais que 0,5m para frente e 30º lateralmente. Caso o deslocamento seja maior que 0,5m e/ou houver desvio lateral do corpo acima de 30º, o teste é considerado positivo (HERDMAN, 2002). Para avaliar a interferência da vertigem na qualidade de vida dos participantes, foi utilizado o “Dizziness Handicap Inventory” (ANEXO B). Trata-se de um inventário composto por 25 perguntas a respeito da saúde física, emocional e da capacidade funcional do indivíduo. Para cada resposta “sim” atribui-se quatro pontos, cada resposta “às vezes” vale dois pontos e para a resposta “não” atribui-se valor zero. Caso o indivíduo responda todas as perguntas “sim”, a somatória será igual a 100, o que caracteriza o pior escore, sendo que zero o melhor possível (ZUCO; LEITE e PRZYSIEZNY, 2003). Ao fim da avaliação inicial os sujeitos foram divididos aleatoriamente em dois grupos (I e II) compostos por quatro pessoas, através de sorteio. O grupo I (grupo experimental), composto por 4 sujeitos, foi submetido à 3 sessões semanais de reabilitação vestibular em grupo, durante 5 semanas, com duração de 50 minutos cada, perfazendo um total de 15 sessões. O protocolo aplicado após a avaliação inicial, foi adaptado do protocolo de Cawthorne e Cooksey (GANANÇA; COVILLA, 1998). Este continha exercícios de movimentos lentos da cabeça, pescoço, e olhos que foram associados com a marcha (APÊNDICE C). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 61 O grupo II (grupo controle) formado também por 4 sujeitos, não foi submetido a qualquer forma de tratamento durante as 5 semanas que durou o experimento. Após a 15ª sessão de reabilitação vestibular, todos os participantes de ambos os grupos I e II, foram submetidos à outra avaliação, denominada avaliação final, idêntica à avaliação inicial. Os dados obtidos através das avaliações, inicial e final, que representaram o principal material que alimentou esta pesquisa, foram analisados através de estatística descritiva e analítica e utilizou-se o teste T de Student (pareado), sendo considerado como nível de significância o valor de 0,05 ou 5%, para comparação entre os grupos. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 4 RESULTADOS Nesse capítulo serão apresentados os resultados obtidos em ambos os grupos. Optouse por apresentar os resultados comparando os dados da avaliação inicial e avaliação final de cada grupo separadamente, para facilitar a compreensão destas informações. 4.1 Resultados do Grupo I Após a análise dos dados, foi possível observar que no grupo I, inicialmente, quando questionado sobre a freqüência dos episódios de vertigem, 3 indivíduos (75%) relatavam crises diárias e 1 pessoa (25%) relatava crises semanais. Os dados apontam que após a reabilitação vestibular, a freqüência dos episódios de vertigem relatados na avaliação inicial, estiveram ausentes em 2 casos (50%) e os 2 voluntários (50%) cujas crises de vertigem permaneceram, relataram diminuição na freqüência das mesmas, de diária para semanal e de semanal para mensal. Quanto aos sintomas associados à vertigem, que amiúde, são observados em pessoas com distúrbios vestibulares, durante a avaliação inicial, 3 pessoas (75%) responderam que sentiam sensação de flutuação e somente 1 sujeito (25%) não relatou este sintoma, 3 pessoas (75%) relataram zumbido no ouvido, 3 (75%) relataram tontura giratória, 3 (75%) relataram náuseas e apenas 1 pessoa relatou quedas durante a crise vertiginosa. Quando comparados com os resultados obtidos na avaliação final, foi possível observar que a queixa de audição constante ou zumbido no ouvido se restringiu a 1 sujeito Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 63 (25%), enquanto que os sintomas como sensação de flutuação, tontura giratória, quedas e náuseas foram extintos ( Tabela 1). Cinqüenta por cento dos sujeitos do grupo I, quando questionados sobre suas atividades, responderam que deixavam de executar alguma atividade devido à vertigem na avaliação inicial, porém, esta queixa não foi relatada por nenhum paciente durante a avaliação final. A aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem revelou a média de 7,25 ± 1,7 pontos, com valores máximo e mínimo de 9 e 7 pontos respectivamente na primeira avaliação, contra média de 2,37 ± 1,7 e valores máximo e mínimo de 3 e 0 pontos na avaliação final (Gráfico 1). Gráfico 1: Resultados da Aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV). avaliação inicial avaliação final Pontos 9 6 3 0 1 2 3 4 Pacientes Fonte: a autora No Gráfico 2 é possível visualizar a representação das médias encontradas para a Escala Visual Analógica de Vertigem durante as avaliações inicial e final, bem como a diferença estatisticamente significante encontrada (* p<0,05, teste T de Student). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 64 Gráfico 2: Representação Gráfica das Médias dos Resultados da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV). * Média Atingida 9 6 3 0 EVAV Inicial EVAV Final Fonte: a autora * p<0,05 O Dizziness Handicap Inventory, inicialmente, teve a média de 49 ± 28,02 pontos, com amplitude variando entre 8 a 68 pontos; na reavaliação esta média de pontos alterou-se para 9,5 ± 5,06 pontos e as notas variaram entre 2 e 11 pontos (Gráfico 3). Gráfico 3: Representação Gráfica dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI). avaliação inicial avaliação final 80 Pontos 60 40 20 0 1 2 3 4 Pacientes Fonte: a autora Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 65 O Gráfico 4 apresenta as médias e desvios padrão encontrados para o Dizziness Handicap Inventory durante as avaliações inicial e final, bem como a diferença estatisticamente significante encontrada (* p<0,05, teste T de Student). Gráfico 4 – Representação Gráfica das Médias dos Resultados do Dizziness Handcap Inventory (DHI). * Pontos Obtidos 60 40 20 0 DHI Inicial DHI Final Fonte: a autora * p<0,05 Na avaliação inicial, o teste de Romberg desempenhado pelos voluntários do grupo I, foi negativo em 3 deles (75%) e positivo em apenas 1 voluntário (25%), por outro lado, o teste de Romberg Sensibilizado e o teste de Fukuda foram positivos em todos os voluntário. Após a avaliação final, os resultados apontam que os testes de Romberg e o teste de Fukuda foram negativos em todos os pacientes (Tabela 1). Tabela 1: Representação dos Resultados dos Sintomas e Testes Encontrados na Avaliação Inicial e Final Avaliação Inicial Pacientes Sinais Sensação de Flutuação Zumbido Tontura Giratória Náuseas Avaliação Final Pacientes 1 2 3 4 1 2 3 4 sim sim sim não Sim Sim não sim não sim não não não não não não sim não não não Não Sim não não não não não não não não não não Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 66 Restrição de Atividade Romberg Romberg Sensibilizado Fukuda Fonte: a autora sim sim Não não não não não não - - + - - - - - + + + + + + + + - - - - 4.2 Resultados do Grupo II Os dados obtidos através das avaliações inicial e final, apontam que 100% do grupo controle relatavam crises de vertigem freqüentes, sendo que 3 indivíduos (75%) relatavam crises diárias e 1 pessoa (25%) relatava crises semanais. Após a avaliação final, as crises de vertigem continuaram sendo uma queixa unânime deste grupo, 3 sujeitos (75%) apresentaram crises com freqüência diária e 1 sujeito (25%) relatou crises semanais. Quanto aos sintomas associados à vertigem durante a avaliação inicial, 3 pessoas (75%) responderam que sentiam sensação de flutuação e somente um sujeito (25%) não relatou este sintoma no grupo controle, 2 pessoas (50%) relatavam zumbido no ouvido, 4 (100%) relatavam tontura giratória, 4 (100%) relatavam náuseas e apenas 1 pessoa (25%) deste grupo relatou quedas causada por crise vertiginosa. Estes dados comparados com os resultados obtidos na avaliação final evidenciam que a queixa de sensação de flutuação foi relatada novamente pelas mesmas 3 pessoas (75%), audição constante ou zumbido no ouvido continuou sendo queixa de 2 (50%) sujeitos; todos os sujeitos (100%) continuaram a se queixar de tontura giratória, porém, náusea não foi mais relatada e quedas por causa de vertigem foi citado por apenas 1 paciente (Tabela 2). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 67 No grupo controle, quando questionado sobre suas atividades, 2 voluntários (50%) responderam que evitavam executar alguma atividade devido à vertigem e, após a avaliação final, este percentual se manteve. A aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem neste grupo revelou a média de 6,5 ± 0,57 pontos, com valores máximo e mínimo de 7 e 6 pontos respectivamente na primeira avaliação, contra média de 6 ± 0 pontos na avaliação final (Gráfico 5). Gráfico 5: Resultados da Aplicação da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV). EVAV inicial EVAV final Pontos 7,2 4,2 1,2 1 2 3 4 -1,8 Pacientes Fonte: a autora No Gráfico 6, é possível visualizar a representação das médias encontradas para a Escala Visual Analógica de Vertigem durante as avaliações inicial e final do grupo controle, cujos resultados apontam que não houve diferença estatisticamente significante encontrada (p>0,05, teste T de Student). Gráfico 6 – Representação Gráfica das Médias dos Resultados da Escala Visual Analógica de Vertigem (EVAV). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 68 Médias Atingidas 8 6 4 EVAV Inicial EVAV Final Fonte: a autora O Dizziness Handicap Inventory aplicado no grupo controle, inicialmente teve a média de 53,5 ± 12,26 pontos, variando entre 30 a 60 pontos; na reavaliação, a média obtida foi a mesma da avaliação inicial (Gráfico 7). O Gráfico 8 apresenta as médias encontradas para o Dizziness Handicap Inventory durante as avaliações inicial e final. Os resultados apontam que não houve diferença estatisticamente significante entre as avaliações (p>0,05, teste T de Student). Gráfico 7: Representação Gráfica dos Resultados do Dizziness Handicap Inventory (DHI). Pontos DHI inicial DHI final 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 Pacientes Fonte: a autora Gráfico 8 – Representação Gráfica das Médias dos Resultados do Dizziness Handcap Invetary (DHI). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 69 Pontos Obtidos 60 30 0 DHI Inicial DHI Final Fonte: a autora Inicialmente, no teste de Romberg, 4 voluntários (100%) do grupo controle apresentaram resultado negativo, porém, o teste de Romberg Sensibilizado e o teste de Fukuda, foram negativos somente para 1 voluntário (25%). Na reavaliação, os resultados apontaram que o teste de Romberg continuava negativo em todos os participantes, o teste de Fukuda foi positivo para 4 participantes (100%) e o teste de Romberg Sensibilizado apresentou resultado negativo para 1 voluntário (Tabela 2). Tabela 2: Representação dos Resultados dos Sintomas e Testes Encontrados na Avaliação Inicial e Final Avaliação Inicial Pacientes Sinais Sensação de flutuação Avaliação Final Pacientes 1 2 3 4 1 2 3 sim sim Não sim sim sim não 4 zumbido Tontura giratória sim sim não sim Sim Sim não sim sim sim não sim não sim sim sim náuseas Restrição de atividade Romberg Romberg sensibilizado não sim não sim Sim Não não não não sim não sim não não não não + + + - + + + - + Fukuda Fonte: a autora + + - + + + + + sim Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 70 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 5 DISCUSSÃO Neste capítulo serão apresentados as interpretações e os comentários dos resultados desta pesquisa. Os achados serão analisados e comparados, quando possível, aos de outros autores consultados na literatura pesquisada. Por meio dos resultados apresentados na Tabela 1, pode-se verificar que houve melhora importante apresentada pelos pacientes do grupo I ao final do período de tratamento nos sintomas de tontura e sensação de flutuação (instabilidade ao andar). É importante ressaltar que, inicialmente, 3 pacientes (75%) se queixavam de sensação de flutuação e 1 paciente (25%) revelava sentir tontura giratória, contudo, após o período terapêutico, estes sintomas foram extintos em todos eles, o que pode indicar que a reabilitação vestibular produziu efeitos benéficos sobre tais sintomas nesses pacientes. Esta hipótese pode ser confirmada, quando estes resultados são comparados aos do grupo controle, onde os sintomas de sensação de flutuação e tontura giratória, relatados por 3 voluntários (75%) na avaliação inicial, persistiram na mesma proporção na avaliação final. Os dados encontrados no grupo I, que recebeu tratamento, são semelhantes aos dados encontrados por Bittar et al. (2000), que mencionam em seu trabalho de reabilitação vestibular em vestibulopatas, melhora de 71,4% nos sintomas de instabilidade ao andar e desequilíbrio e por Pedalini et al. (1999) que encontraram melhora de 75% em 116 casos com estes sintomas. Para Whitney e Rossi (2000), desequilíbrio e tonturas podem indicar comprometimento vestibular e podem ser modificados por meio da reabilitação vestibular. Ganança (2000) menciona que este tipo de tratamento é um método extremamente adequado para fornecer compensação vestibular em casos agudos ou crônicos. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 72 Os resultados deste estudo apontam que o zumbido esteve presente em 3 sujeitos (75%) do grupo I e em 2 sujeitos (50%) do grupo II, com incidência geral de 62,5% da amostra total na primeira avaliação. Estes dados mostram incidência menor de zumbido quando comparados com os dados de Gushikem, Caovilla e Ganança (2001), que em seu estudo com 34 idosos, encontraram uma prevalência de queixa de zumbido na ordem de 79,4%. Ganança e Caovilla (1998) comentam que o zumbido é relatado por 17% da população e sua incidência aumenta com a idade. A explicação da autora desta pesquisa para a diferença encontrada entre a incidência de zumbido da amostra em relação à da literatura compulsada está no fato que todos os sujeitos que participaram deste estudo eram portadores de distúrbios vestibulares. Fetter (2002) cita o zumbido como parte dos sintomas presentes em um problema vestibular. Após o período de tratamento, nos pacientes do grupo I, a queixa de zumbido desapareceu em 3 pacientes (75%) que relataram este problema. Keila et al. (2003), em seu estudo com 12 sujeitos que apresentavam zumbido e queixa auditiva, relataram melhora em 58% dos sujeitos após a reabilitação vestibular. Para a autora desta pesquisa, a diferença dos resultados obtidos no estudo dos autores citados anteriormente reside no fato que a amostra desses pesquisadores possuía algum grau de perda auditiva. Náuseas e restrição de alguma atividade devido à vertigem foram igualmente relatado por 2 pacientes (50%) do grupo I antes do início do tratamento. Portanto, após o protocolo aplicado, estes pacientes não mais apresentavam estas queixa. No grupo controle, apenas 1 voluntário (25%) relatou náuseas e 2 voluntários (50%) relataram deixar de executar alguma atividade devido à vertigem. Após a avaliação final, náuseas não foi mais relatada por nenhum paciente, enquanto que restrição nas atividades continuou a ser relatada por 2 voluntários (50%). Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 73 Estes resultados sugerem que a reabilitação vestibular produziu efeitos benéficos nos pacientes do grupo I. Entretanto, o sujeito do grupo controle que ao final do experimento não mais apresentou náuseas pode ter seu caso explicado devido ao pequeno número de sujeitos que compuseram a amostra e por serem os distúrbios vestibulares, na maioria dos casos, autolimitados. Sabe-se que geralmente não se obtém a cura completa de maneira espontânea. Da mesma forma que neste estudo, Lobo (2002) relata que através de exercícios de reabilitação vestibular, conseguiu eliminar a queixa de náuseas de seu grupo de estudo composto 28 participantes. Na teste de Romberg apenas 1 sujeito (25%) do grupo I e 1 sujeito (25%) do grupo controle apresentaram resultados alterados dessa prova na avaliação inicial. Na avaliação final os resultados da mesma prova foram normais para todos os indivíduos de ambos os grupos. No teste de Romberg Sensibilizado e na Manobra dos Passos de Fukuda, no grupo I, foi possível observar que 4 pacientes (100%) apresentavam resultados positivos antes do início do tratamento. Após a avaliação final os resultados do grupo I apontaram que 100% da amostra apresentou resultados normais (negativos) nestes testes. Estes resultados comparados com o grupo controle confirmam que a reabilitação vestibular contribuiu para melhora destes pacientes. Três dos sujeitos (75%) do grupo controle apresentaram resultados alterados na prova de Rombreg-Barré (Sensibilizado), na avaliação inicial, e mantiveram a média na avaliação final. Na prova de Fukuda o desempenho do grupo controle piorou, pois o número de sujeitos que apresentaram resultados alterados durante a avaliação inicial, passou de 3 (75%) para 4 (100%) na avaliação final. Observa-se que o número de indivíduos sem alteração no teste de Romberg foi bem maior do que o número de indivíduos com alteração. Ao analisar indivíduos na prova de Romberg-Barré (Sensibilizado), pode-se verificar que houve um aumento significante de Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 74 resultados alterados nesta prova em relação à prova de Romberg. Estes resultados podem ser explicados pelo fato da prova de Romberg-Barré ser uma prova sensibilizada da prova de Romberg, exigindo assim, maior equilíbrio corporal. Os resultados da prova de Fukuda obtida pelo grupo I são semelhantes aos de Lobo (2002), que encontrou diferença estatisticamente significante neste teste em sua amostra de idosos submetida a um protocolo de reabilitação vestibular. Em relação à freqüência dos episódios de vertigem, no grupo I, inicialmente, 75% dos pacientes relatavam crises diárias e 25% relatavam crises semanais. Após a aplicação do protocolo, a freqüência dos episódios de vertigem esteve ausente em 50% dos pacientes, e em 50% cujas crises de vertigem permaneceram, houve diminuição na freqüência das mesmas, de diária para semanal e de semanal para mensal. Já no grupo controle, ao final do estudo, as crises de vertigem continuaram sendo uma queixa unânime deste grupo, sendo que 75% dos voluntários apresentavam crises com freqüência diária e 25% relatavam crises semanais. Este fato indica que em nosso grupo experimental obtivemos uma melhora considerável, apontando para o benefício dos exercícios propostos. A reabilitação vestibular promoveu, portanto, melhora significativa nos pacientes o que também foi apontado por Barbosa, Ganança e Caovilla (1995), Herdman (1997) e Silveira, Taguchi e Ganança (2002). O Dizziness Handcap Inventory (DHI) do grupo I, inicialmente, apresentou média de 49 ± 28,02 pontos, com amplitude variando entre 8 e 68 pontos; na reavaliação esta média de pontos diminuiu para 9,5 ± 5,06 pontos e as notas variaram entre 2 e 11 pontos. Se comparados à média do grupo II, que inicialmente apresentou um valor de 53,5 ± 12,26 pontos, variando entre 30 e 60 pontos e na reavaliação não houve alteração desse valor, podese observar diferença estatisticamente significante obtida através do teste T de Student, com nível de significância de 5%. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 75 Constata-se, portanto, que o grupo que realizou a reabilitação vestibular apresentou uma melhora significante na qualidade de vida, em relação ao grupo controle, o que corrobora com Ganança (1999) e Pedalini e Bittar (1999), que ressaltaram que a reabilitação vestibular é o melhor tratamento terapêutico para pacientes acometidos por disfunção vestibular e que pode ser usado unicamente ou em associação a outros tipos de tratamento. Em relação à Escala Visual Analógica de Vertigem não foi encontrado relato algum na literatura, porém, a diferença na média de 7,25 ± 1,7 pontos na primeira avaliação, contra média de 2,37 ± 1,7 avaliação final do grupo I, se comparadas às médias do grupo II que foram de 6,5 ± 0,57 pontos inicialmente e 6 ± 0 pontos no final, sugerem novamente a eficácia terapêutica desse método e a importância da aplicação de um protocolo de reabilitação vestibular em pacientes portadores de vestibulopatias. A concepção utilizada neste trabalho, com ênfase no atendimento em grupo e não de forma individual, proporcionou situações em que os pacientes participavam ativamente dos exercícios, melhorando a relação social entre eles, funcionando como estímulo para encontros sociais, aumentando a auto-estima, e fazendo-os perceber que os distúrbios de equilíbrio são comuns a várias pessoas, e que podem deixar de ser incapacitantes. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 76 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 6 CONCLUSÃO A partir dos resultados encontrados no presente estudo pôde-se confirmar a eficácia da intervenção fisioterapêutica em pacientes com desordens vestibulares periféricas através da aplicação do protocolo proposto de reabilitação vestibular. Conclui-se, portanto, que a reabilitação vestibular mostrou-se válida no tratamento dos pacientes com disfunções vestibulares periféricas, diminuindo a intensidade, freqüência e duração das crises, promovendo melhora do equilíbrio estático e dinâmico e também a melhora da qualidade de vida. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AIRES, M. M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. ALBERNAZ, P. L. M; GANANÇA, M. M; FUKUDA, Y; MUNHOZ, M. S. L. Otorrinolaringologia para o Clínico Geral. 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Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 83 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 85 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Nome da pesquisa: Atuação fisioterapêutica em pacientes com desordens vestibulares periféricas Pesquisador responsável: Eduardo Alexandre Loth Este trabalho estudará a interferência de um protocolo de tratamento fisioterapêutico em pacientes com desordens vestibulares periféricas. Os voluntários selecionados para este estudo serão aleatoriamente divididos em dois grupos. Um deles será submetido ao protocolo de reabilitação vestibular, composto por exercícios posturais, com movimentos lentos da cabeça, pescoço e olhos que serão associados à marcha. Este grupo será atendido três vezes por semana, durante cinco semanas, com um total de quinze sessões. O outro grupo, no mesmo período não realizará atividades, apenas receberá palestras semanais explicativas à respeito de sua patologia, os fatores desencadeantes dos sintomas e como prevenir as crises agudas, com duração de uma hora, somando um total de cinco horas. Todos os voluntários serão submetidos à avaliação no início e no final do estudo para verificar a evolução da recuperação do sistema vestibular. Ao término do trabalho os voluntários serão informados dos resultados por ele obtido. Sua participação será muito importante para o sucesso desta pesquisa. Assinatura do pesquisador: ___________________________________________________ Tendo recebido as informações anteriores e, esclarecido dos meus direitos relacionados a seguir, declaro estar ciente do exposto e desejar participar da pesquisa. A garantia de receber a resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento a dúvidas sobre os procedimentos, riscos, benefícios e outros relacionados com a pesquisa. A liberdade de retirar meu consentimento a qualquer momento e deixar de participar do estudo. A segurança de que não serei identificado e que será mantido o caráter confidencial das informações relacionadas com a minha privacidade. Compromisso de me proporcionar informação atualizada durante o estudo, ainda que possa afetar minha vontade de continuar participando. Em seguida, assino meu consentimento. Cascavel, ____de _____________de 2004. Nome: ___________________________________________ RG: ____________________ Assinatura: _______________________________________ Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO B – DIZZINESS HANDCAP INVENTORY Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 87 Dizziness Handicap Inventory Perguntas SIM ÀS NÃO VEZES 1 Olhar para cima agrava o seu problema? 2 O seu problema faz com que você se sinta frustrado? 3 Você já deixou de viajar a trabalho ou a passeio devido ao seu problema? 4 Caminhar pelos corredores de um supermercado agrava o seu problema? 5 Você sente dificuldade para se deitar ou levantar da cama devido ao seu problema? 6 O seu problema limita significativamente sua participação em atividades sociais, tais como sair para jantar fora, ir ao cinema ou ir a festas? 7 Você sente dificuldade para ler? 8 A realização de atividades como praticar esportes, dançar ou fazer as atividades domésticas como limpar ou tirar os pratos da mesa agrava o seu problema? 9 Você tem medo de sair de casa sozinho por causa do seu problema? 10 Você se sente embaraçado na frente de outras pessoas devido à vertigem? 11 Movimentos rápidos da cabeça agravam a sua vertigem? 12 Você evita lugares altos devido ao seu problema? 13 O seu problema é agravado quando você se vira na cama? 14 Devido à vertigem, você sente dificuldade em realizar as tarefas de casa ou de jardinagem? 15 Você tem receio, devido ao seu problema, de que as pessoas pensem que você está drogado? 16 Você acha difícil sair para dar uma caminhada sozinho devido à vertigem? 17 Caminhar pela calçada agrava o seu problema? 18 Você tem dificuldade para se concentrar? 19 Você sente dificuldade de andar na sua casa às escuras devido à vertigem? 20 Você tem medo de ficar em casa sozinho devido à vertigem? 21 Você se sente prejudicado (incapacitado) devido ao seu problema? 22 A sua condição prejudicou sua relação com seus familiares ou com seus amigos? 23 Você se sente deprimido devido à vertigem? 24 O seu problema interfere com seu trabalho ou com seus afazeres domésticos? 25 Quando você se inclina para frente, a vertigem piora? Fonte: KAUFFMAN, 2001. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO C – APROVAÇAO DE PROPOSTA DE PROJETO DE PESQUISA Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 89 Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 90 APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 91 Instrumento de Avaliação Dados Pessoais Nome: Grupo: 1( Sexo: masculino ( ) feminino ( ) 2( ) ) Idade: Data de nascimento: ____/____/_______ Endereço: Telefone: Profissão: Data da Avaliação: ____/____/_______ Diagnóstico Clínico: Há quanto tempo apresenta o problema? Freqüência das crises: Data da última crise: Tipos de Sintomas Sensação de flutuação ( Tontura giratória ( Zumbido no ouvido ( Náusea ( ) Quedas ( ) ) ) ) Dificuldade de olhar para objetos em movimento ( ) Outros:__________________________________________________________________ Posição na qual os sintomas são exacerbados ________________________________________________________________________ Deixa de realizar alguma tarefa devido ao seu problema ________________________________________________________________________ Desvia para um dos lados enquanto está caminhando? Em caso positivo, qual é este lado? ________________________________________________________________________ Qual tipo de medicamento você faz uso? ________________________________________________________________________ OBS: Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 APÊNDICE B – ESCALA VISUAL ANALÓGICA DE VERTIGEM (EVAV) Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 93 Escala Visual Analógica de Vertigem |_______________________________________________| 0 10 Sem Vertigem Maior Vertigem Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 APÊNDICE C – PROTOCOLO DE TRATAMENTO Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265 95 Protocolo de Tratamento - Sentado, mover os olhos para cima e para baixo; - Sentado, mover os olhos para direita e para esquerda; - Sentado, mover a cabeça para cima e para baixo; - Sentado, girar a cabeça para direita para esquerda; - Sentado, inclinar a cabeça para direita para esquerda; - Sentar e ficar em pé com os olhos fechados; - Em pé, com os olhos abertos, realizar rotações de 90º em torno do próprio eixo; - Deambular, movendo os olhos para cima e para baixo; - Deambular, movendo os olhos para direita e para esquerda; - Deambular, movendo a cabeça para cima e para baixo; - Deambular, movendo a cabeça para direita e para esquerda. OBS: Todos os exercícios foram realizados em três séries de dez repetições lentas, com intervalos de quinze segundos entre cada série e intervalos de um minuto entre cada exercício. Monografias do Curso de Fisitoerapia da Unioeste n. 02-2004 ISSN 1678-8265