Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva PARECER TÉCNICO Nº 2722 /2010 Processo nº: 01200.005038/2009-21 Requerente: Syngenta Seeds Ltda. CNPJ: 49.156.326/0001-00 Endereço: Av. Das Nações Unidas – 18001 – 4º Andar – São Paulo/SP Extrato Prévio: 2182/2010 Reunião: 138ª Reunião ordinária, ocorrida em 18/11/2010 Decisão: Deferido A CTNBio, após apreciação do pedido de parecer para liberação comercial de milho resistente a insetos e tolerante a herbicidas, concluiu pelo DEFERIMENTO, nos termos deste parecer técnico. A Syngenta Seeds Ltda, detentora do Certificado de Qualidade em Biossegurança – CQB 01/96, solicitou a CTNBio parecer sobre a biossegurança do milho Bt11xMIR162XGA21, resultante do cruzamento, através do melhoramento genético clássico, dos parentais de milho geneticamente modificados, para efeito de sua liberação no meio ambiente, comercialização, consumo e quaisquer outras atividades relacionadas a essa milho e progênies dele derivadas. Cada evento isolado, já obteve parecer favorável para comercialização no Brasil. O evento Bt11 possui o gene cry1Ab de Bacillus thuringiensis, que confere resistência a certos insetos lepidópteros, e o gene pat, derivado do microorganismo do solo Streptomyces viridochromogenes, utilizado como marcador de seleção durante o processo de transformação. A proteína Cry1Ab é clivada proteoliticamente no intestino alcalino dos insetos lepidópteros resultando numa forma inseticida ativa. O milho MIR162 foi obtido a partir da inserção do gene vip3Aa19, que confere resistência a insetos lepidópteros, e do gene manA que codifica a enzima Fosfomanose Isomerase (PMI), utilizado como marcador de seleção. Uma modificação ocasionada pelo processo de transformação resultou em uma diferença em dois códons do gene vip3Aa19 inserido, sendo então denominado vip3Aa20 no milho MIR162. Essa diferença resultou na modificação de um aminoácido apenas, localizado além do sítio de clivagem proteolítico da proteína então denominada Vip3Aa20, expressa no milho MIR162, mantendo assim sua propriedade inseticida contra vários lepidópteros-praga da cultura do 1 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva milho. O gene manA foi obtido a partir de Escherichia coli cepa K-12 e a expressão da proteína PMI foi utilizada como marcador de seleção ao longo do processo de transformação do milho MIR162. O Evento GA21 contém o gene mepsps que expressa a enzima Sintase 5Enolpiruvil chiquimato-3-Fosfato (mEPSPS). A EPSPS é uma enzima chave no processo do ácido chiquímico, envolvido na biossíntese dos aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano), encontrada naturalmente em plantas, fungos e bactérias, e ausente nos animais. A EPSPS é altamente sensível a produtos herbicidas contendo glifosato. As plantas de milho transformadas com o gene mutante epsps (mepsps), tais como as derivadas do evento GA21, sintetizam a proteína mEPSPS que confere tolerância aos produtos herbicidas contendo glifosato. As análises moleculares comparativas confirmaram a integridade genética dos insertos Bt11, MIR162 e GA21 ao longo do processo de melhoramento genético clássico para obter o milho Bt11xMIR162xGA21. Os fragmentos hibridizados apresentaram tamanho esperado e demonstraram a integridade dos insertos. Além disso, foi conduzida uma análise de segregação genética. Os resultados de segregação fenotípica obtidos por ELISA e de segregação genotípica obtidos por qPCR foram submetidos ao teste de aderência e indicaram que os loci dos eventos individuais e da combinação segregaram de forma estável e independende. As avaliações agronômicas e de eficácia indicaram que não há expressão diferenciada de nenhuma outra característica além daquelas esperadas , ou seja, resistência a insetos e tolerância a herbicidas. Foi realizado um estudo comparativo da concentração das proteínas Cry1Ab, VIP3Aa20 e mEPSPS e em híbrido de milho Bt11xMIR162xGA21e os eventos separados. As proteínas de tecidos das plantas foram quantificadas por meio de ensaios imunoenzimáticos ELISA em diferentes estádios de desenvolvimento. Para a maioria dos tecidos analisados nas diferentes fases de desenvolvimento, não ouve diferença estatisticamente signficativa entre a expressão de cada uma das proteínas expressas no milho Bt11xMIR162xGA21 e no milho contendo os eventos isoladamente. Ainda que diferenças signficativas tenham sido identificadas na expressão de Vip3Aa20 em raiz e pólen, na fase de antese, não há evidência nos resultados obtidos que indique uma tendência a mudança nos níveis de expressão das proteínas expressas em função da combinação dos eventos. Foi realizado um estudo da influência do milho Bt11xMIR162xGA21 sobre a comunidade de insetos para verificar a possibilidade de interferências do milho sobre as pragas primárias de solo e da parte aérea e sobre pragas secundárias. Os resultados indicaram que o milho combinado não apresentou efeito adverso sobre a comunidade de insetos ou sobre o predador 2 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva Doru luteipes, quando comparado ao seu híbrido isogênico não modificado. Além disso, a CTNBio consultou literatura científica independente para avaliar a ocorrência de algum efeito inesperado oriundo do cruzamento entre esses eventos. PARECER TÉCNICO I. Identificação do OGM Designação do OGM: milho Requerente: Syngenta Seeds Ltda. Espécie: Zea mays Característica Inserida: resistência a insetos e tolerância a herbicidas Método de introdução da característica: O milho Bt11 x MIR162 x GA21, classificado como Classe de Risco I, foi desenvolvido através de melhoramento genético clássico, por cruzamento sexual entre linhagens geneticamente modificadas contendo os eventos Bt11, MIR162 e o evento GA21. Uso proposto: Livre registro, uso, ensaios, testes, semeadura, transporte, armazenamento, comercialização, consumo, liberação e descarte e quaisquer outras atividades relacionadas a este OGM. II. Informações Gerais O milho Zea mays L. é uma espécie da família Gramineae, tribo Maydae, subfamília Panicoidae que está separada dentro do sub-gênero Zea e apresenta número cromossômico 2n = 20,21,22,24 (FAO/WHO 2000). A espécie silvestre mais próxima do milho é o teosinte o qual é encontrado no México e em algumas regiões da América Central, onde pode cruzar com o milho cultivado em campo de produção. O milho Bt11xMIR162xGA21 é um produto geneticamente modificado que apresenta resistência a vários lepidópteros considerados pragas e tolerância ao herbicida glifosato, desenvolvido através de melhoramento genético clássico por cruzamento sexual entre linhagens de milho contendo o evento Bt11, o evento MIR162 e o evento GA21. Este milho não contém nenhum outro evento de transformação genética, além dos eventos Bt11, MIR162 e GA21. O milho Bt11, milho MIR162 e milho GA21 foram aprovados para liberação comercial pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), com base nos 3 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva Processos 01200.002109/2000-04, 01200.007493/2007-08 e 01200.000062/2006-21, conforme Pareceres Técnicos 1255/2008, 2042/2009 e 1597/2008, respectivamente. Os produtos “combinados” ou “piramidados”, como no caso do milho Bt11xMIR162xGA21, representam uma tendência futura no cultivo de plantas geneticamente modificadas para atender a demanda dos produtores, ao combinar diferentes características de importância agronômica em um mesmo híbrido, possibilitando um melhor manejo de pragas (Aragão e Andrade, 2010). Além da tolerância ao herbicida glifosato por meio da expressão do evento GA21, a combinação dos modos distintos de ação das proteínas Cry1Ab e VIP3A provenientes dos eventos Bt11 e MIR162 permitirá a preservação da tecnologia de resistência a insetos por mais longo prazo, garantindo assim seu emprego no manejo integrado de pragas da cultura do milho no Brasil. Híbridos de milho contendo os eventos Bt11, MIR162 e GA21 isoladamente e/ou combinados por melhoramento genético clássico estão aprovados em vários países e em análise em diversos outros (CERA, 2010). O milho Bt11 está aprovado para cultivo na Argentina, Brasil, Colômbia, Canadá, Japão, Filipinas, África do Sul, Estados Unidos e Uruguai; e aprovado para consumo animal e/ou humano na Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Colômbia, União Européia, Japão, Coréia, México, Filipinas, Rússia, África do Sul, Suíça, Taiwan, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai. O milho GA21 está aprovado para cultivo nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Argentina e Brasil; e aprovado para consumo animal e/ou humano na Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, União Européia, Japão, Coréia, México, Filipinas, Rússia, Taiwan, África do Sul e Estados Unidos. O milho MIR162 está aprovado para cultivo no Brasil e para consumo animal e/ou humano no Brasil, Austrália, Estados Unidos e Taiwan, estando ainda em avaliação em diversos outros países, como Indonésia, Japão, Coréia, Filipinas, Rússia, Argentina, Colômbia, Canadá, México e Estados Unidos (para cultivo). O milho Bt11xGA21, obtido por melhoramento genético clássico a partir do cruzamento sexual de linhagens contendo estes eventos separadamente, está aprovado para cultivo no Brasil, Estados Unidos, Canadá e Japão; e aprovado para consumo animal e/ou humano no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Japão, México, Coréia e Filipinas. O milho Bt11xMIR162xGA21 está em fase de avaliação no Japão, Taiwan, Europa, África do Sul, Suíça, Argentina, Colômbia e Uruguai. 4 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva III. Proteínas Expressas O milho Bt11xMIR162xGA21 foi desenvolvido através de melhoramento genético clássico por meio de cruzamento sexual de linhagens contendo, individualmente, os eventos BT11, MIR162 e GA21. O evento Bt11 inclui o gene cry1Ab de Bacillus thuringiensis, que confere resistência a certos insetos lepidópteros, e o gene pat, derivado do microorganismo do solo Streptomyces viridochromogenes, utilizado como marcador de seleção durante o processo de transformação. A proteína Cry1Ab é clivada proteoliticamente no intestino alcalino dos insetos lepidópteros resultando numa forma inseticida ativa, que, interagindo com uma molécula receptora presente somente nas células do epitélio do intestino médio dos insetos suscetíveis, gera poros nas membranas das células, levando a sua lise. Vários sítios de acoplagem específicos e com alta afinidade para várias proteínas Bt foram identificados no epitélio do intestino médio de insetos suscetíveis, demonstrando que a proteína inseticida do gene cry1Ab é altamente específica para alguns insetos lepidópteros (Hofte e Whiteley, 1989; Melin e Cozzi, 1990). A descrição molecular do evento Bt11 e as informações para avaliação do risco do milho foram apresentadas anteriormente no processo 01200.002109/2000-04, de liberação comercial do milho Bt11. O milho MIR162 foi obtido a partir da inserção do gene vip3Aa19, que confere resistência a insetos lepidópteros, e do gene manA que codifica a enzima Fosfomanose Isomerase (PMI), utilizado como marcador de seleção. Uma modificação ocasionada pelo processo de transformação resultou em uma diferença em dois códons do gene vip3Aa19 inserido, sendo então denominado vip3Aa20 no milho MIR162 (Entrez Accession number DQ539888; NCBI 2006). Essa diferença resultou na modificação de um aminoácido apenas, localizado além do sítio de clivagem proteolítico da proteína então denominada Vip3Aa20, expressa no milho MIR162, mantendo assim sua propriedade inseticida contra vários lepidópteros-praga da cultura do milho. O gene manA foi obtido a partir de Escherichia coli cepa K-12 e a expressão da proteína PMI foi utilizada como marcador de seleção ao longo do processo de transformação do milho MIR162. A descrição molecular do evento MIR162 e as informações para avaliação do risco do milho MIR162 foram apresentadas anteriormente no processo 01200.007493/2007-08, de liberação comercial do milho MIR162. O evento GA21 contém o gene mepsps que expressa a enzima Sintase 5- Enolpiruvil chiquimato-3-Fosfato (mEPSPS). A EPSPS é uma enzima chave no processo do ácido 5 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva chiquímico, envolvido na biossíntese dos aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano), encontrada naturalmente em plantas, fungos e bactérias, e ausente nos animais. A EPSPS é altamente sensível a produtos herbicidas contendo glifosato. As plantas de milho transformadas com o gene mutante epsps (mepsps), tais como as derivadas do evento GA21, sintetizam a proteína mEPSPS que confere tolerância aos produtos herbicidas contendo glifosato. A descrição molecular do evento GA21 e as informações para avaliação do risco do milho GA21 foram apresentadas anteriormente no processo 01200.002293/2004-16, de liberação comercial do milho GA21. Uma análise molecular comparativa foi realizada com a finalidade de confirmar a integridade genética dos insertos Bt11, MIR162 e GA21 e ao longo do processo de melhoramento genético clássico utilizado para obter, por meio de cruzamento sexual entre linhagens contendo estes eventos, o milho Bt11xMIR162xGA21. Os fragmentos hibridizados a partir do milho Bt11xMIR162xGA21 apresentaram o tamanho esperado para os eventos Bt11, MIR162 e GA21, demonstrando que a integridade dos insertos foi mantida durante o processo de melhoramento genético clássico com finalidade de combinação destes eventos. Tais conclusões são resultados das análises de Southern blot para todos os eventos, apresentados pela requerente. Procedeu-se a uma análise comparativa entre os eventos. Foi utilizado o DNA genômico isolado de tecido foliar de plantas de cada um dos milhos. O DNA foi digerido com enzimas de reestrição específicas para cassetes, conforme detalhamento a seguir: sonda específica para cry1Ab, de 1848 pb. O DNA genômico do milho foi digerido com as enzimas de restrição NdeI, SphI e BglII+EcoRI e após eletroforese e transferência de membrana, hibridizado com uma sonda específica para cry1Ab (1848 bp). com a sonda específica para vip3Aa19, de 2370 pb. O DNA genômico do milho foi digerido com as enzimas de restrição KpnI, EcoRV e NcoI e após eletroforese e transferência de membrana, hibridizado com uma sonda específica para vip3Aa19 (2370 bp). sonda específica para mepsps, de 1338 pb. O DNA genômico do milho foi digerido com as enzimas de restrição HindIII, SacI e SphI e após eletroforese e transferência de membrana, hibridizado com uma sonda específica para mepsps (1338 bp). 6 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva A sonda específica para cry1Ab resultou em bandas de hibridação idênticas para o milho Bt11 e Bt11xMIR162xGA21, demonstrando que o evento Bt11 foi herdado de forma estável no milho combinado. A sonda para vip3Aa20, cujo gene possui uma única modificação em um aminoácido, hibridizou de forma completa e resultou em padrões de bandas idênticas para o milho MIR162 e Bt11xMIR162xGA21. Desta forma, verificou-se que o gene foi herdado de forma estável. A sonda para mepsps resultou em bandas de hibridização específicas para o gene, idênticas para o milho GA21 e milho Bt11xMIR162xGA21, revelanto a forma estável de herança. Conforme demonstrado, todos os eventos hibridizaram de forma esperada. Procedeu-se a uma análise de segregação através de ensaios evento específicos em plantas de milho geneticamente modificada em processo de conversão para os eventos isolados e em combinação. Os resultados de segregação obtido por ELISA (fenotípica) e por qPCR (genotípica) foram submetidos ao teste de aderência (X2). Os dados indicam que o loci dos eventos isolados, bem como do milho combinado, segregaram independentemente, com proporções tipicamente mendelianas. IV. Aspectos relacionados à Saúde Humana e dos Animais A segurança para a alimentação animal/humana das proteínas Cry foi confirmada por diversos autores, inclusive por Xu et al. (2009). Foi observado que a proteína Cry1Ab/Ac foi rapidamente degradada pelos fluídos gástricos e intestinais, e não apresentou efeitos adversos em camundongos submetidos a uma dose aguda de 5 g (proteína Cry1Ab/Ac)/kg de peso corporal. Novamente foi observado que esta proteína não tem homologia de sequência com alergenos ou toxinas conhecidas, nem sítios de N-glicosilação, confirmando que nenhum dano resultará da inclusão da proteína Cry1Ab/Ac no alimento humano ou na ração animal. Outro estudo de 28 dias em ratos, realizado por Onose et al. (2008) mostrou que nenhum efeito adverso pode ser atribuído à alimentação contendo Cry1Ab, visto que a administração de dieta contendo proteína Cry1Ab não teve nenhum efeito significativo sobre qualquer parâmetro fisiológico ou bioquímico, exceto uma concentração mais baixa da aspartato amino 7 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva transferase - AST no soro de animais que receberam tal milho, quando comparado com o controle. Entretanto, nenhuma alteração no peso ou histopatológicas foi observada nos órgãos como coração, fígado e rins. Além disso, geralmente é observado que os níveis séricos de AST se elevam com injúria ao tecido, mas a interpretação de alterações relativamente pequenas nos níveis de AST em estudos toxicológicos deve ser feitas com parcimônia, uma vez que a amplitude de variação desse parâmetro pode ser ampla em animais saudáveis. A redução da AST neste experimento, portanto, não é considerada como sendo toxicologicamente significativa. Adicionalmente, Paul et al. (2009) estudaram a degradação da proteína Cry1Ab em milho geneticamente modificado em relação ao total das proteínas na digestão de vacas leiteiras. Os resultados indicaram que a proteína Cry1Ab é crescentemente degradada durante a digestão nesses animais em pequenos fragmentos de 42 kDa, 34 kDa e 17 kDa. Quanto à proteína EPSPS, similar àquela expressa pelo milho GA21, novos estudos sobre a biossegurança da proteína EPSPS foram divulgados nos últimos anos. Lundry et al. (2009) investigaram as diferenças nos níveis dos nutrientes e antinutrientes entre a soja expressando a proteína EPSPS e a soja convencional, com perfis genéticos similares. Os resultados das comparações indicaram que a soja GM é equivalente em composição e nutricionalmente equivalente à soja convencional atualmente comercializada. Estudos recentes realizados em ratos e bovinos apresentaram resultados coerentes com a avaliação de risco realizada para a proteína EPSPS. Healy et al. (2008) apresentaram os resultados de um estudo de treze semanas de alimentação de ratos com grãos de milho GM que expressam cryBb1 e CP4 EPSPS. As respostas dos ratos alimentados com dietas contendo essa variedade de milho foram comparáveis àquelas dos ratos alimentados com uma dieta contendo grãos de sua variedade quase isogênica controle, confirmando que este milho GM é tão seguro e nutritivo quanto os grãos dos híbridos de milho comerciais existentes. Quanto à proteína EPSPS, similar àquela expressa pelo milho GA21, novos estudos sobre a biossegurança da proteína EPSPS foram divulgados nos últimos anos. Lundry et al. (2009) investigaram as diferenças nos níveis de nutrientes e anti-nutrientes entre a soja expressando a proteína EPSPS e a soja convencional, com perfis genéticos similares. Os resultados das comparações indicaram que a soja GM é equivalente em composição e nutricionalmente equivalente à soja convencional atualmente comercializada. Estudos recentes realizados em ratos e bovinos apresentaram resultados coerentes com a avaliação de risco realizada para a proteína EPSPS. 8 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva Os efeitos da proteína Vip3Aa20 em 10 espécies de organismos não-alvo foram avaliados empregando-se partes de plantas de milho que acumulavam a proteína Vip3Aa20 ou a Vip3Aa19. Essas proteínas diferem em um único aminoácido localizado na posição 129. No entanto essa diferença não altera a ação da proteína na sua forma final: esta posição está fora do sítio tríptico e da região do peptídeo final que tem ação citotóxica (a clivagem do peptídeo inicial é realizada na posição 199). Em todos os casos, as amostras de milho foram testadas contra uma espécie de inseto sabidamente sensível para se ter certeza da presença de níveis tóxicos das proteínas VIP. Os ensaios com pulgas d’água, joaninhas, crisopas (larvas e adultos), minhocas, bagres, abelhas e besouros não revelaram diferenças significativas entre os grupos controle e os tratados com plantas contendo Vip3Aa20 ou Vip3Aa19 (Chen et al 2008). V. Aspectos Ambientais O milho Bt11xMIR162xGA21 é um produto geneticamente modificado que apresenta resistência a vários lepidópteros pragas e tolerância ao herbicida glifosato, desenvolvido através do melhoramento clássico por cruzamento sexual entre linhagens de milho contendo o evento Bt11, o evento MIR162 e o evento GA21. Desta forma, este produto não contém nenhum outro evento de transformação genética, além dos eventos citados. O milho Bt11, milho MIR162 e milho GA21 já foram aprovados para liberação comercial pela CTNBio. Todas as questões individuais de biossegurança de cada um destes eventos já foram devidamente tratadas pela CTNBio, na ocasião da avaliação dos eventos individuais. Quanto ao processo de cruzamento sexual desses eventos, há alguns aspectos importantes que devem ser evidenciados. A análise molecular comparativa do milho Bt11xMIR162xGA21 evidenciou que a integridade dos insertos foi mantida durante o processo de melhoramento genético clássico, com a finalidade de combinação dos eventos. A análise de segregação genética do milho Bt11xMIR162xGA21 demonstrou que os genes dos eventos Bt11, MIR162 e GA21 são independentes. As avaliações agronômicas e de eficácia do milho Bt11xMIR162xGA21 indicaram que a combinação destes eventos por métodos de melhoramento clássico não levou a expressão de qualquer outra característica que não aquelas esperadas, ou seja, resistência a certos insetos e tolerância ao herbicida glifosato. A expressão das proteínas Cry1Ab, VIP3Aa20 e mEPSPS observadas no milho Bt11xMIR162xGA21 não 9 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva evidenciaram uma tendência a mudanças nos níveis de expressão em função da combinação destes eventos por melhoramento genético clássico. Nos ensaios, o milho Bt11xMIR162xGA21 não apresentou efeito adverso sobre a comunidade de insetos não alvo. Resultados mostraram a eficácia no controle de ataque do milho Bt11xMIR162xGA21 por Spodoptera frugiperda, Agrotis ipsilon, Elasmopalpus lignosellus e Diatraea saccharalis, quando comparado com o respectivo híbrido isogênico não GM. Foram avaliados parâmetros agronômicos como florescimento feminino e masculino, doenças foliares, altura de planta e altura de inserção das espigas. Os dados apresentados pela requerente indicaram que não houve expressão diferenciada de nenhuma outra característica. A requerente afirma que não houve efeitos diferentes daqueles esperados. A requerente considerou os dados conjuntos de três locais de avaliação e as médias dos tratamentos foram compradas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância. Foi realizado um estudo para avaliar a influência do milho Bt11xMIR162xGA21 sobre a comunidade de insetos em ambientes de cultivo no Brasil na safra de 2008/2009. Foram utilizadas armadilhas para insetos, com amostragens quinzenais. Foi analisada a abundância e diversidade. Os dados indicaram que o milho Bt11xMIR162xGA21 não apresentou efeito adverso sobre a comunidade de insetos ou sobre o predador Doru luteipes, quando comparado ao seu híbrido isogênico, não OGM. VI. Restrições ao uso do OGM e seus derivados Conforme estabelecido no art. 1º da Lei 11.460, de 21 de março de 2007, “ficam vedados a pesquisa e o cultivo de organismos geneticamente modificados nas terras indígenas e áreas de unidades de conservação”. O relatório apresentado pela requerente demonstrou que não houve efeito sinergístico entre os eventos, resultantes do cruzamento convencional no que tange as características agronômicas, modo de reprodução, disseminação ou capacidade de sobrevivência. Assim, o cultivo e o consumo do milho Bt11xMIR162xGA21 não são potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente ou de riscos à saúde humana e animal. Por essas razões, não há restrições ao uso desse milho ou seus derivados, exceto nos locais contemplados pela Lei 11.460, de 21 de março de 2007. 10 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva É necessário enfatizar que a falta de efeitos negativos resultantes do cultivo de plantas transgênicas de milho não quer dizer que eles não possam vir a acontecer. Risco zero e segurança absoluta não existem no mundo biológico, muito embora já exista um acúmulo de informações científicas confiáveis e um histórico seguro de uso de variedades transgênicas na agricultura. Assim, a requerente deverá conduzir monitoramento pós-liberação comercial nos termos da Resolução Normativa nº 5 da CTNBio e em conformidade com este parecer. VII. Considerações sobre particularidades das diferentes regiões do País (subsídios aos órgãos de fiscalização) Conforme estabelecido no art. 1º da Lei 11.460, de 21 de março de 2007, “ficam vedados a pesquisa e o cultivo de organismos geneticamente modificados nas terras indígenas e áreas de unidades de conservação”. VIII. Conclusão Com base nas evidências da literatura científica atual disponível para as proteínas Cry1Ab, VIP3Aa20 e mEPSPS e das evidências apresentadas sobre a ausência de interação entre os genes expressos para resistência a insetos no milho Bt11xMIR162xGA21, a CTNBio considerou que o mesmo é tão seguro quanto seus equivalentes convencionais em relação a sua segurança alimentar e ambiental. Avaliações agronômicas e de eficácia realizadas no milho Bt11xMIR162xGA21, não indicaram nenhum padrão consistente que sugerisse mudanças biologicamente significativas, decorrente da combinação destes eventos, diferentes daquelas esperadas, ou seja, resistência a insetos e tolerância a herbicida combinadas. O conjunto de evidências obtidas nos resultados da análise molecular comparativa, da análise do padrão de herança genética e da análise comparativa de níveis de expressão das proteínas Cry1Ab, Vip3Aa20 e mEPSPS no milho Bt11xMIR162xGA2, indicam que os níveis de exposição para organismos não-alvo e na alimentação humana e animal a estas proteínas serão os mesmos que para o milho Bt11, milho MIR162 ou milho GA21, isoladamente. Além disso, os resultados da avaliação da influência do milho Bt11xMIR162xGA21 sobre a comunidade de insetos não indicaram a existência de efeitos adversos nestes organismos não-alvo. 11 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva A piramidação em questão é fruto do cruzamento convencional de três eventos já liberados para plantio e consumo pela CTNBio. Todas as questões individuais de biossegurança já foram devidamente tratadas pela comissão. Há quatro aspectos que devem ser avaliados no caso de piramidação, indicados por agências reguladoras no mundo: a estabilidade das construções no cruzamento, a interação entre vias metabólicas nas quais participam os produtos dos genes inseridos, a alteração da capacidade de invasão da planta (weediness) pelo acúmulo de fenótipos gerados pelos genes piramidados e a identificação dos eventos na piramidação, via PCR com primers anelando nas regiões flanqueadoras. No primeiro caso, os dados experimentais da proponente indicam que as três marcas genéticas são estáveis e herdadas mendelianamente, como esperado. No segundo caso, as três vias são completamente distintas: duas delas envolvem apenas a síntese de produtos que não serão empregados pela planta e sim ingerido pelo inseto alvo, sendo duas toxinas com mecanismos de ação muito distintos. A terceira via envolve a resistência ao glifosato, como pode ser vista no artigo de revisão de Tan e cols. (2006). Não há nenhuma razão teórica para se esperar qualquer interação e os resultados agronômicos do híbrido tampouco sugerem isso. No terceiro caso, a resistência ao glifosato não aumenta a competitividade do híbrido em ambientes não agrícolas e a resistência a insetos, per se, já foi discutida neste contexto quando da liberação comercial dos eventos Bt11 e MIR162. No quarto caso, há descrições de primers que identificam inequivocamente os três eventos piramidados. Recentemente, Xu e colaboradores (2009) descreveram um aprimoramento do PCR em tempo real, denominado UP-M-PCR, e demonstraram sua aplicabilidade neste evento em pauta. O processo pode, em princípio, ser aplicado a qualquer outro evento piramidado. Considerando que a construção deste genótipo ocorreu através de melhoramento genético clássico, e que resultou na herança de uma cópia estável e funcional dos genes cry1Ab, vip3Aa20 e mepsps, os quais proporcionaram resistência a insetos e tolerância ao herbicida glifosato; 12 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva Considerando que dados de composição centesimal não apontaram diferenças significativas entre as variedades geneticamente modificadas e as convencionais, sugerindo a equivalência nutricional entre elas; Considerando que a CTNBio avaliou os eventos isoladamente e emitiu parecer favorável à sua liberação comercial; Considerando ainda que: 1. Os eventos Bt11, MIR162, GA21 foram caracterizados na ocasião da aprovação individual, tendo sido atestada a manutenção da integridade das construções gênicas herdadas dos respectivos parentais durante o processo de melhoramento genético clássico; 2. Não há indícios de interação entre as vias metabólicas em que atuam as proteínas Cry1Ab, Vip3A e mEPSPS 3. Não foram relatados pleiotropia ou epistasia nos eventos parentais e em conjunto; 4. A expressão das proteínas no milho piramidado não é significativamente diferente da expressão observada nos eventos parentais separadamente; 5. Não foram encontradas evidências de que as proteínas expressas causem alergia ou efeito tóxico em humanos e animais; 6. As avaliações agronômicas e de eficácia do milho indicaram que a combinação dos eventos por cruzamento sexual não levou à expressão de qualquer outra características que não aquela esperada, ou seja, a resistência a certos insetos e tolerância a herbicida glifosato; 7. Não foram evidenciadas alterações botânicas no milho Bt11xMIR162xGA21 que possam conferir vantagens adaptativas; 8. Os critérios internacionalmente aceitos no processo de análise de risco de matérias-primas geneticamente modificadas no que tange a eventos piramidados; É possível concluir que o milho Bt11xMIR162xGA21 é tão seguro quanto seu equivalente convencional. A CTNBio considera que essa atividade não é potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente ou de agravos à saúde humana e animal. As restrições ao uso do OGM em análise e seus derivados estão condicionadas ao disposto na Lei 11.460, de 21 de março de 2007. Com relação ao plano de monitoramento pós-liberação comercial a CTNBio determina que sejam seguidas as instruções e executadas as ações técnicas de monitoramento abaixo relacionadas: I) – Instruções: a) O monitoramento deve ser realizado em lavouras comerciais e não em experimentais. As áreas escolhidas para serem monitoradas não devem ser isoladas das demais, possuir bordaduras ou qualquer situação que seja fora do padrão comercial. 13 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva b) O monitoramento deve ser realizado em modelo comparativo entre o sistema convencional de cultivo e o sistema de cultivo do OGM, sendo a coleta de dados realizada por amostragem. c) O monitoramento deverá ser conduzido em biomas representativos das principais áreas de cultura do OGM e, sempre que possível, contemplar os diferentes tipos de produtores. d) O monitoramento deve ser realizado pelo período mínimo de 5 anos. e) Para todos os monitoramentos, a proponente deve detalhar as informações sobre todas as atividades realizadas no pré-plantio e plantio, sobre sua execução, com relato das atividades conduzidas nas áreas de monitoramento durante o ciclo da cultura, sobre as atividades de colheita e das condições climáticas. f) Deverá haver também acompanhamento de eventuais agravos à saúde humana e animal por meio dos sistemas oficiais de notificação de efeitos adversos, como por exemplo, o SINEPS (Sistema de Notificação de Eventos Adversos relacionados a Produtos de Saúde) regulamentado pela ANVISA. g) Os métodos analíticos, resultados obtidos e suas interpretações devem ser desenvolvidos em conformidade com princípios de independência e transparência, ressalvados aspectos de sigilo comercial previamente justificados e definidos como tal. h) Com base em justificativas técnicas e científicas a CTNBio reserva-se o direito de rever este Parecer a qualquer momento. II) – Ações técnicas de monitoramento a serem executadas: 1 – Com relação ao gene cp4 epsps, que confere resistência ao herbicida devem ser monitorados: a) Estado nutricional e sanidade das plantas OGM. b) Atributos químicos e físicos do solo relacionados à fertilidade e outras características pedológicas básicas. c) Diversidade microbiana do solo. d) Banco de diásporos do solo. e) Comunidade de plantas invasoras. f) Desenvolvimento de resistência ao herbicida em plantas invasoras. g) Resíduos do herbicida no solo, nos grãos e na parte aérea. 14 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva h) Fluxo Gênico. 2 - Com relação aos genes cry1Ab e Vip3A, que conferem resistência aos insetos devem ser monitorados: a) Impacto sobre insetos alvo e sobre insetos não-alvos. b) Impacto sobre invertebrados de solo indicadores, não pertencentes à Classe Insecta. c) Resíduos das proteínas inseticidas na matéria orgânica em decomposição, no solo e em cursos de água próximos a área de monitoramento. d) Desenvolvimento de resistência entre os insetos alvo. e) Fluxo Gênico dos dois genes inseridos. A análise da CTNBio considerou os pareceres emitidos pelos membros da Comissão; por consultores ad hoc; documentos aportados na Secretaria Executiva da CTNBio pela requerente; resultados de liberações planejadas no meio ambiente; palestras, textos etc. Foram também considerados e consultados estudos e publicações científicas independentes da requerente e realizados por terceiros. IX. Bibliografia consultada ALVAREZ-ALFAGEME F.; FERRY, N.; CASTAÑERA, P.; ORTEGO, F.; GATEHOUSE, A.M. Prey mediated effects of Bt maize on fitness and digestive physiology of the red spider mite predator Stethorus punctillum Weise (Coleoptera: Coccinellidae). Transgenic Research, 17,943-954, 2008. ARAGÃO, F.J.L., ANDRADE, P.P. 2010. Variedades com Eventos Piramidados. In: Borém, A. (Ed.). Plantas geneticamente modificadas nos trópicos: desafios e oportunidades. Editora Suprema. 532p ARONSON, A.I., SHAI, Y. 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Um dos relatores do processo, Paulo Kageyama, emitiu parecer contrário, sob as seguintes alegações, transcritas abaixo: “O Processo está muito mal instruído, com muitas falhas grosseiras em termos experimentais, que vieram desde os processos de liberação planejada e comercial dos eventos independentes, assim como dúvidas científicas que foram também 20 Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio Secretaria Executiva questionadas nos processos anteriores e neste presente, e que não foram consideradas e respondidas”. “Dessa forma, como conclusões, até que estudos mais acurados sejam efetuados, sugerimos que uma avaliação de risco completa, tanto para a saúde humana e animal, assim como para o ambiente, sejam feitas rigorosa e urgentemente, até porque com os eventos comerciais sendo aprovados em quantidade os riscos aumentam com relação aos piramidados”. “Assim, considerando que não existem estudos ou pesquisas comprovando um risco igual ou diferente entre as PGM stacked events e as PGM portadoras de transgenes especificos inseridos por transgenese, e em coerência com o princípio da precaução que estimula a pesquisa cientifica no domínio da avaliação de risco e da biossegurança, nos posicionamos firmemente a favor de uma avaliação de risco das PGMs stacked events, conforme explicitada na Resolução Normativa No 5 estabelecida pela CTNBio, bem como em diretrizes complementares, abaixo explicitadas”. “Por fim, em função de que as discussões sobre os eventos piramidados ainda não foram levadas adequadamente e nem profundamente, com todas as dúvidas apontadas e não respondidas, somos contrários à aprovação desse processo, propondo que a empresa considere todos os pontos levantados no parecer”. 21