Universidade do Vale do Paraíba Faculdade de Educação e Artes CLEIDE OLIVEIRA DOS SANTOS O uso de plantas medicinais pela população de São José dos Campos: espécies cultivadas para o consumo x espécies adquiridas em casas de produtos naturais. São José dos Campos, SP 2013 Cleide Oliveira dos Santos O USO DE PLANTAS MEDICINAIS PELA POPULAÇÃO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: ESPÉCIES CULTIVADAS PARA O CONSUMO X ESPÉCIES ADQUIRIDAS EM CASAS DE PRODUTOS NATURAIS. Relatório Final apresentado como parte das exigências da disciplina Trabalho de Graduação à Banca Avaliadora do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Educação e Artes da Universidade do Vale do Paraíba. Orientador (a): Prof.ª Me. Elisa Celeste Dreux. São José dos Campos, SP 2013 CLEIDE OLIVEIRA DOS SANTOS O USO DE PLANTAS MEDICINAIS PELA POPULAÇÃO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS: ESPÉCIES CULTIVADAS PARA O CONSUMO X ESPÉCIES ADQUIRIDAS EM CASAS DE PRODUTOS NATURAIS. Relatório final apresentado como parte das exigências da disciplina Trabalho de Graduação à Banca Avaliadora do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Educação e Artes da Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, SP, pela seguinte banca examinadora: Orientador: Profª. Me. Elisa Celeste Dreux (Univap)_________________________________ Membros: Prof. Me. Antonio Carlos Guimarães Prianti Junior(Univap)___________________________ Profª. Drª. Desire Spada dos Santos Frangioni (Univap)______________________________ Profª. Me. Karla Andressa Ruiz Lopes (Univap)____________________________________ Profª. Me. Elisa Celeste Dreux São José dos Campos, 02 de dezembro de 2013. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a memória do meu pai que nos deixou tão repentinamente e não pode viver esse momento especial em minha vida. Foi um grande exemplo de homem, pai, tio e amigo. Te amo Pai! AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, que me deu forças e saúde para completar essa etapa da minha vida, iluminou meu caminho e me deu sabedoria para chegar até aqui. A minha mãe Maria Aparecida que é a pessoa mais dedicada e exemplar que conheço. Que me deu coragem e me apoiou nos momentos difíceis. Agradeço também minha irmã que é parte de mim e me ajudou nas horas que eu mais necessitei. Ao meu querido pai Valdomiro (in memoriam) que de onde estiver está olhando e intercedendo por mim sempre. A minha orientadora que me atendeu e entendeu em todas as horas que solicitei sua ajuda, me indicando o melhor caminho a seguir. Aos professores da graduação que me ajudaram a crescer não somente como aluna, mas como pessoa também, sou grata a todos vocês que proporcionaram essa grande conquista sem vocês nada disso seria possível. RESUMO Etnobotânica por definição consiste no estudo das inter-relações diretas entre pessoas de culturas viventes e plantas e seu meio; associada a fatores culturais e ambientais e as concepções desenvolvidas por essas culturas sobre plantas e aproveitamento que se faz dela (ALBUQUERQUE, 2005). O objetivo desse trabalho foi analisar a comercialização de produtos naturais no comercio central da cidade de São José dos Campos – SP. Nas casas de produtos naturais foram levantados dados através de observações e consulta aos funcionários com questionamentos semi – estruturados. A análise realizada revelou que a população da região utiliza – se de plantas medicinais adquiridas em casas de produtos naturais para o tratamento de diversas enfermidades, onde as plantas mais citadas foram: alecrim (Rosmarinus officinalis L.) (5%), chá verde (Camellia sinensis) (20%), chia(Salvia hispânica) (10%), erva baleeira (Varronia verbenaceae) (5%), ginkgo(Ginkgo biloba) (10%), guaco (Mikania globerata) (15%), linhaça (Linum usitatissimum) (15%), melissa (Melissa officinalis L.) (15%), passiflora(Passiflora incarnata) (15%) e quinoa (Chenopodium quinoa) (15%). Nos trabalhos científicos analisados, as plantas mais citadas foram: erva doce (Foeniculum vulgare) (15%), erva cidreira (Hyptis suaveolens) (15%), camomila (Chamomilla recutita) (14%), hortelã (Menta x piperita Var.citrata) (14%), melissa (Melissa officinalis L.) (11%), boldo (Vernonia condensata) (11%), guaco (Mikania globerata) (10%), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) (7%) e romã (Punica granatum) (3%). (PASCHOAL. L; JOAQUIM, 2005). Entre os aspectos observados nas casas de produtos naturais verificou – se que para a aquisição dos produtos são levados em conta pelo cliente: o valor do produto, a influência da mídia (falada e escrita) e hábitos familiares. Baseando – se nos resultados obtidos no comércio local, pode – se afirmar que as plantas medicinais são utilizadas pela população de São José dos Campos – SP. Palavras chaves: etnobotânica, plantas medicinais, produtos naturais, antropologia, aspectos culturais. ABSTRACT Ethnobotany by definition is the study of the direct inter - relationships between people and cultures of living plants and their environment; linked to cultural and environmental factors and concepts developed by these cultures on plants and use made of it ( ALBUQUERQUE , 2005) . The aim of this study was to analyze the marketing of natural products trade in the central city of São José dos Campos - SP . In the houses of some natural products data were collected through observation and consultation to officials with questions semi - structured . The analysis revealed that the region's population uses - medicinal plants is acquired in homes of natural products for the treatment of various diseases , where the plants most cited were : Rosemary (Rosmarinus officinalis L.) (5%), green tea (Camellia sinensis ) (20%), chia (Salvia hispanica) (10%), whaling herb (Verbenaceae Varronia) (5%), ginkgo (Ginkgo biloba) (10%) , guaco (Mikania globerata) (10%), linseed (Linum usitatissimum) (10%) , melissa (Melissa officinalis L.) (10%), passionflower (Passiflora incarnata ) (10%) and quinoa (Chenopodium quinoa) (10%). The literature studied the most cited plants were : Fennel ( Foeniculum vulgare) (15%) , lemongrass (Hyptis suaveolens ) (15%) , chamomile ( Chamomilla recutita ) (14%) , mint (Menta x piperita Var.citrata) (14%), lemon balm (Melissa officinalis L.) (11%), boldo (Vernonia condensata) (11%), guaco (Mikania globerata) (10%), rosemary (Rosmarinus officinalis L.) (7%) and pomegranate (Punica granatum) (3%). (Paschoal. L et . Al 2001) . Among the features observed in the homes of natural products found - that the acquisition of the products are taken into account by the client : the value of the product , the influence of media ( spoken and written ) and family habits . Basing - the results obtained in the local market, may - be said that medicinal plants are used by the population of São José dos Campos - SP. Key words : ethnobotany , medicinal plants , natural products , anthropology, cultural aspects . SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...........................................................................................................9 1.1. Levantamentos etnobotânicos ..............................................................................9 1.2. A utilização de produtos naturais ......................................................................11 1.3. Urbanização e utilização de produtos naturais.................................................12 1.4. Produtos naturais: definição de escopo para fins do estudo...........................13 1.5. Contextualização do mercado.............................................................................13 2. OBJETIVO GERAL .................................................................................................15 3. MATERIAL E MÉTODO.........................................................................................16 4. RESULTADOS ..........................................................................................................17 5. DISCUSSÃO ..............................................................................................................22 6. CONCLUSÃO............................................................................................................24 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................25 APÊNDICE I ..................................................................................................................34 9 1 INTRODUÇÃO 1.1. Levantamentos etnobotânicos O termo “Etnobotânica” apareceu pela primeira vez no meio acadêmico no final do século XIX (SCHULTES; REIS, 1995; CLEMENT, 1998). Por definição consiste no estudo das inter-relações direta entre pessoas de culturas viventes e plantas do seu meio. Aliam-se fatores culturais e ambientais, bem como as concepções desenvolvidas por essas culturas sobre plantas e aproveitamento que se faz delas. (ALBUQUERQUE, 2005). O conhecimento tradicional sobre o uso de plantas é vasto e é, em muitos casos, um recurso fácil e disponível que a população de diversas regiões ou idade tem a seu alcance. As plantas usadas como remédio quase sempre tem posição predominante e significativa nos resultados das investigações etnobotânicas de uma região ou grupo étnico (PHILLIPS; GENTRY, 1993). Os estudos etnobotânicos vão além do que pode pretender a investigação botânica, uma vez que suas metas se concentram em torno de um ponto fundamental que é a significação ou o valor cultural das plantas em determinada comunidade humana (BARRERA, 1979). O interesse acadêmico a respeito do conhecimento que estas populações detêm sobre plantas e seus usos têm crescido, após a constatação de que a base empírica desenvolvida por clãs ao longo de séculos pode, em muitos casos, ter uma comprovação científica, que habilitaria a extensão destes usos à sociedade industrializada. A etnobotânica aplicada ao estudo das plantas medicinais, como vem sendo praticada modernamente, trabalha em estreita cumplicidade com outras disciplinas correlatas, como, por exemplo, a etnofarmacologia. Também a antropologia médica, à medida que contextualiza o uso das plantas dentro de um “sistema” médico, se é que pode chamar assim um corpo do conhecimento que muitas vezes se dilui com o conhecimento próprio a outras instancias da vida peculiar de um determinado grupo humano, traz sua contribuição ao entendimento da utilização de plantas para fins curativos (DI STASI, 1996). A abordagem etnobotânica é uma analise interativa entre o simbólico, o natural (botânico) e o cultural. O conhecimento botânico desenvolvido por qualquer sociedade alia mitos, divindades, espíritos, cantos, danças, tiros, no qual verificamos uma perfeita relação dos três elementos mencionados anteriormente, onde o natural e o sobrenatural fazem parte de uma única realidade (ALBUQUERQUE, 2005). Em etnobotânica, o pesquisador necessita estar despojado das categorias culturais que traz impregnado para melhor compreender a cultura que se observa de modo à facilmente 10 identificar as categorias emicas da sociedade que investiga. O emico e seu oposto (ético) são conceitos derivados da antropologia. Uma categoria emica é interna, produzida e contemplada dentro da própria cultura. O ético é externo, o ponto de vista do cientista (ALBUQUERQUE, 2005). A pesquisa etnobotânica cresceu visivelmente na última década em muitas partes do mundo, em especial na América Latina, e particularmente, em países como México, Colômbia e Brasil (HAMILTON et al., 2003). O papel que os povos tradicionais desempenham na exploração dos ambientes naturais, é visível fornecendo informações sobre diferentes formas de manejo executadas no seu cotidiano e usufruindo da exploração enquanto forma de sustentação desses povos. Assim, diante da marcha da urbanização e das possíveis influencias da aculturação, é preciso resgatar o conhecimento que a população detém sobre o uso de recursos naturais (PHILIPPS; GENTRY, 1993). O emprego de plantas medicinais na recuperação da saúde tem evoluído ao longo dos tempos desde as formas mais simples de tratamento local, provavelmente utilizada pelo homem das cavernas, até as formas tecnologicamente sofisticadas da fabricação industrial utilizada pelo homem moderno. Mas, apesar das enormes diferenças entre as duas maneiras de uso, há um fato comum entre elas: em ambos os casos o homem percebeu, de alguma forma, a presença nas plantas da existência de algo que, administrado só a forma de mistura complexa como chá, garrafadas, tinturas, pós etc., num caso, ou como substancia pura isolada, noutro caso e transformado em comprimidos, gotas, pomadas ou capsulas, tem a propriedade de provocar reações benéficas no organismo, capazes de resultar na recuperação de doenças. (LORENZI, 2008). O homem sempre utilizou o reino vegetal como fonte de medicamentos. Entretanto, à medida que os princípios ativos, ou seja, as substancias responsáveis pela atividade das plantas, foram sendo identificadas e com o progresso das pesquisas no campo da Química, substancias químicas sintéticas passaram a ser base dos medicamentos. O número de plantas utilizadas popularmente é grande, mas o de trabalhos científicos que confirmam seus efeitos é relativamente pequeno. No Brasil atualmente vários grupos de pesquisadores procuram fazer levantamentos das informações ainda existentes para que um estudo aprofundado possa ser realizado (LADEIRA, 2002). A própria história da botânica se confunde, em sua aurora, com a busca de plantas com interesse medicinal. Ao longo dos anos, a busca por novas plantas medicinais acabou levando a descobertas botânicas (LORENZI, 2008). 11 O emprego correto de plantas para fins terapêuticos pela população em geral requer o uso de plantas medicinais selecionadas por sua eficácia e segurança terapêuticas, baseadas na tradição popular ou cientificamente validadas como medicinais. Um dos aspectos mais delicados na fitoterapia concerne à identidade das plantas. Por ser fortemente baseada em nomes vernaculares, a verdadeira identidade de uma planta recomendada pode variar enormemente de região para região (LORENZI, 2008). O uso de recursos naturais por populações urbanas de origem rural é orientado por um conjunto de conhecimentos resultantes da relação com o ambiente natural da qual estavam inseridas bem como pelas relações sociais em que estão imersas no meio urbano (CASTELLUCI et al., 2000) As plantas medicinais e seus usos terapêuticos são alvos de pesquisas etnobotânicas, que mostram também as circunstâncias sócio-culturais da população e preocupam se em resgatar e valorizar o conhecimento tradicional e a diversidade cultural dessas sociedades estudando a relação entre as plantas e as pessoas de uma maneira multidisciplinar (BENZ et al., 2000; HEINRICH, 2000; LADIO; LOZADA, 2004). Compreender, dessa forma, como as pessoas relaciona – se com as plantas e quais os relacionamentos produzidos nos diversos sistemas culturais é algo que as investigações etnobotânicas podem indicar, e melhor responder a algumas questões: o que as plantas podem dizer sobre a sociedade que produziu esse conhecimento? Como as diferentes culturas pensam o seu mundo biológico, em especial o vegetal? E o que este representa? Mais do que isso, numa perspectiva histórica e fitogeográfica, torna – se possível reconhecer a distribuição, origem e diversidade de plantas cultivadas por força do seu cultivo no tempo e no espaço. (ALBUQUERQUE, 2005). 1.2. A utilização de produtos naturais. A utilização de plantas medicinais no tratamento de doenças é uma prática antiga da humanidade. Nos últimos anos tem ocorrido crescente interesse pelo conhecimento, utilização e comercialização de plantas medicinais e produtos fitoterápicos no Brasil e em todo o mundo, o que tem proporcionado uma grande expansão desse mercado. Diferentes fatores têm contribuído para o aumento deste interesse, tais como o alto custo e efeitos indesejáveis de medicamentos alopáticos, a eficácia e verificação do respaldo científico dos fitoterápicos, o difícil acesso da maioria da população mundial a assistência médica e farmacêutica, a carência de recursos dos órgãos públicos de saúde, a tendência dos consumidores em utilizar 12 preferencialmente produtos de origem natural, ou simplesmente o modismo (PARENTE; ROSA, 2001; FUZER; SOUZA, 2003; BESERRA et al., 2007; AGRA; DANTAS, 2007). As plantas e produtos medicinais representam uma alternativa aos medicamentos alopáticos, sendo seus usos impulsionados pela diversidade biológica e aspectos socioeconômicos e culturais (ALVES et al., 2008). O uso de plantas medicinais ao longo do tempo proporcionou ao homem tanto a cura de doenças como o acúmulo de conhecimento. Esse conhecimento empírico vem sendo transmitido desde as antigas civilizações até os dias atuais, tornando a utilização de plantas medicinais uma prática generalizada na medicina popular (MELO et al., 2007). Os mercados tradicionais são importantes por reunir, concentrar, manter e difundir o saber empírico sobre a diversidade de recursos tanto da fauna como da flora, sendo fontes imprescindíveis para a resiliência e manutenção do conhecimento acerca das espécies medicinais (MONTEIRO et al., 2010). Os raizeiros, também conhecidos como herbolarios, herbários, curandeiros (FRANÇA et al., 2008), ervateiros (MIURA et al., 2007) ou erveiros (ALVES et al., 2008), são pessoas consagradas pela cultura popular no que diz respeito ao conhecimento sobre preparo, indicação e comercialização de plantas medicinais e que possuem espaço garantido em ruas, feiras livres e mercados (TRESVENZOL et al., 2006). Em estudos etnobotânicos, os raizeiros representam uma importante fonte de informação sobre plantas medicinais por ser um elo entre a produção e o consumo destes produtos (MIURA et al., 2007). 1.3. Urbanização e utilização de produtos naturais. Significativa parcela das populações residentes nas periferias das grandes cidades brasileiras é oriunda dos intensivos processos de migração campo-cidade ocorrida nos últimos 40 anos. (MENDONÇA; MONTEIRO, 2003). Ao se estabelecerem no meio urbano, as famílias foram obrigadas a desenvolverem modos de vida muito diferentes daqueles regulados pelos ciclos da natureza a que estavam habituados. Desta forma muitas famílias, repetem práticas provenientes de suas origens rurais, como a criação de quintais de terra, com o cultivo de plantas medicinais e alimentos. No entanto, muitas famílias recorrem ao comércio para aquisição de produtos naturais, buscando alternativas adaptáveis ao ambiente urbano. 13 1.4. Produtos naturais: definição de escopo para fins do estudo Existe uma enorme dificuldade em se chegar à definição do que seja produto natural, pois há diferentes conceitos de acordo com o público que trata o tema. Assim há a conceituação de produto natural para os estudiosos, cientistas e pesquisadores, como químicos, biólogos e médicos, por exemplo; e para os vegetarianistas ou para os ambientalistas. Para o mercado consumidor, tampouco há uma definição clara e objetiva. O que há é uma “noção” originada da difusão de conceitos sobre temas afins, tais como produtos orgânicos, alimentação natural, vagetarianismo, plantas medicinais, ecologia, preservação ambiental, etc. • Produto natural: produzido pela “natureza” ou conforme as “leis da natureza”, com a menor interferência humana possível, ou advinda de substâncias vegetais. Normalmente associa-se à produção artesanal ou não industrial. • Produto orgânico: cultivado sem adubos químicos, agrotóxicos, pesticidas, sementes geneticamente modificadas ou fertilizantes sintéticos; o sistema de cultivo observa que as “leis da natureza” e todo o manejo agrícola estão baseados no respeito ao meio ambiente e na preservação dos recursos naturais. De modo geral, pode-se dizer que, dentro de uma conceituação atual e mais abrangente, no mercado de produtos naturais e orgânicos incluem-se produtos frescos, processados ou industrializados, como os artigos de beleza e cuidados pessoais, mas que sejam produzidos com matérias-primas obtidas sob o modo de produção agro ecológico e orgânico com práticas de agricultura sustentáveis (GOMES, 2009). 1.5. Contextualização do mercado A importância do setor de produtos naturais como mercado consumidor tem raízes no movimento mundial da sociedade contemporânea de busca e aspiração por maior e melhor qualidade de vida, o que está relacionado basicamente a dois grandes temas: saúde e meio ambiente. Segundo KARAN (2003), a década de 1970 representou um marco nesse contexto, pois a partir daí são cada vez mais frequentes e visíveis às consequências danosas do atual modelo alimentar e de seu processo de produção para a vida humana e do ambiente, o que alavancou a busca por um tipo de alimentação saudável, produzida sem insumos químicos danosos. Nesse cenário é que se insere a busca por alimentos naturais e orgânicos, considerados “limpos e saudáveis”. Essa tendência do consumo de produtos naturais e 14 saudáveis criou inicialmente nichos de mercado, instalando-se principalmente nos centros urbanos, em lojas especializadas. Agora ganha uma nova dimensão, tem seu lugar nas grandes cadeias de supermercado, lojas de departamento ou pontos de venda do grande mercado consumidor, passando a ser visto como mais um segmento importante do varejo. No Brasil, o mercado varejista de produtos naturais não tem números exatos sobre sua dimensão, até por se considerar muito novo como setor varejista. Porém, o número de lojas e a expansão de redes que comercializam esses produtos, assim como os investimentos feitos por fabricantes de matérias-primas, podem ser observados facilmente, dando ideia da prosperidade desse segmento. A rede de lojas de produtos naturais Mundo Verde, por exemplo, começou com uma pequena loja de bairro em Petrópolis-RJ, em 1987, e hoje é a maior rede de lojas franqueadas de produtos naturais da América Latina, com mais de 140 lojas no Brasil e com metas de abrir dez novas lojas a cada ano. O fato é que o mercado já é visível a olhos nus, e deixa cada vez mais de ser nicho para se tornar um importante segmento do varejo no Brasil (GOMES, 2009). 15 2. OBJETIVO GERAL Analisar os fatores que influenciam na aquisição de plantas medicinais no comércio de São José dos Campos – SP. 2.1 Objetivos Específicos * Comparar dados do comércio com dados de pesquisas etnobotânicas realizadas em São José dos Campos na Universidade do Vale do Paraíba. * Verificar se a influência do valor do produto, propaganda, idade dos consumidores e hábitos familiares estão ligados a aquisição do produto. 16 3. MATERIAL E MÉTODO A área de estudo localiza – se na região da cidade de São José dos Campos, no Estado de São Paulo, Médio Vale do Paraíba do Sul, Planalto Atlântico, com 1.118km² de área total, temperaturas que variam de máximas 29,6º C no verão e 12º C no inverno. A cidade esta entre os principais centros econômicos do País. A pesquisa foi realizada nos meses de setembro e outubro de 2013, no comércio central local do município de São José dos Campos. Inicialmente foi realizado um levantamento da distribuição dos pontos de venda de plantas medicinais no centro da cidade e bairros periféricos. Para a coleta de dados realizou-se a visita em alguns estabelecimentos comerciais e raizeiros no mercado municipal da cidade, tomando o cuidado de não interferir na atividade cotidiana dos comerciantes, respeitando sempre o momento de abordagem do profissional pelos consumidores. Foram feitas observações e consultas semi-estruturadas com funcionários dos estabelecimentos, sobre a comercialização dos produtos naturais: plantas medicinais, alimentos, e outros produtos considerados produtos naturais. A identificação botânica e a determinação da origem das plantas mais vendidas no comércio foram obtidas por consulta bibliográfica especializada (LORENZI, 2008). No presente trabalho procurou-se verificar quais plantas são mais comercializadas e partes utilizadas, características gerais dos clientes, formas de utilização dos produtos vendidos, procura de acordo com a enfermidade e espécies mais comercializadas como alimento alternativo. Além disso, considerou-se a influência do valor do produto, propaganda, idade dos clientes e hábitos alimentares influenciam na aquisição do produto. A análise dos resultados foi elaborada a partir de um banco de dados das informações obtidas nas consultas realizadas nos pontos de comércio de produtos naturais na região central da cidade de São José dos Campos/SP (Apêndice -1). 17 4. RESULTADOS O comércio de produtos naturais no município de São José dos Campos esta distribuído na região central (onde ocorre grande fluxo de pessoas) e bairros periféricos da cidade. Foram consultados dez estabelecimentos comercias da região central da cidade; entre esses dez estabelecimentos, cinco pontos comerciais fixos de venda de ervas, localizavam – se no Mercado Municipal. Através de observação livre e consultas aos funcionários do comércio, as plantas mais citadas foram as seguintes: (Rosmarinus officinalis L.) (5%), chá verde (Camellia sinensis) (20%), chia(Salvia hispânica) (10%), erva baleeira (Varronia verbenaceae) (5%), ginkgo(Ginkgo biloba) (10%), guaco (Mikania globerata) (15%), linhaça (Linum usitatissimum) (15%), melissa (Melissa officinalis L.) (15%), passiflora(Passiflora incarnata) (15%) e quinoa (Chenopodium quinoa) (15%) (tabela – 1). 18 Tabela 1. Relação de espécies de plantas medicinais mais comercializadas em casas de produtos naturais na região de São José dos Campos. ________________________________________________________________________________________________________________________ Nome Popular Alecrim Chá Verde Nome Científico Características Uso Rosmarinus officinalis Porte subarbustivo Empregada na forma de chá tipo Lamiaceae lenhoso,ereto,pouco ramificada, abafado (infusão) em casos de folhas lineares, coriáceas e muito má digestão, gases, dor de aromáticas. Nativa da região cabeça, fraqueza e memória Mediterrânea. fraca. Camellia sinensis Arbusto ou arvoreta, folhas simples, Empregada na forma de chá, Theaceae elípticas, coriáceas. para emagrecimento. Comercializadas como chá verde. Chia Erva Baleeira Salvia hispanica Origem no sul do México, altos Usada de várias formas como: teores de ômega 3, cálcio, magnésio semente, cápsula e shake e potássio e proteínas. desentoxicante. Verronia verbenaceae Arbusto ereto, muito ramificado, Usada na forma de chá como Boraginaceae nativo em quase todo Brasil. anti-inflamatório, analgésica e Ginkgo biloba Árvore primitiva decídua, folhas Empregada na medicina Ginkgoaceae semelhantes as da avenca coriácea. tradicional da China, como tônica. Ginkgo controle de respostas alérgicas, memória, estímulo da circulação, antifúngica e antibacteriana. Guaco Mikani glomerata Trepadeira sublenhosa, grande Empregada na forma de porte, perene, com folhas xarope, como tônico, obtusas na base. depurativo, febrífugo e peitoral estimulante de apetite e antigripal. Linhaça Melissa Passiflora Linum usitatissimum L Talos eretos e uma haste Empregada na forma de Linaceae relativamente larga. Planta sementes moídas, usada como original da Ásia. ótima fonte de fibras. Melissa officinalis L Herbácea perene, aromática Empregadas na forma de chá Lamiaceae ramificada. Nativa da Europa e como calmante, ansiedade e Ásia insônia. Passiflora incarnata L Herbácea trepadeira, com Empregada na forma de chá Passifloraceae flores perfumadas de cor sedativa, calmante. branca. Quinoa Chenopodium quinoa América do Sul FONTE: Adaptado do Livro Plantas Medicinais no Brasil, LORENZI, 2008. Cicatrizante. 19 As plantas mais citadas em trabalhos analisados foram: erva doce (Foeniculum vulgare) (15%), erva cidreira (Hyptis suaveolens) (15%), camomila (Chamomilla recutita) (14%), hortelã (Menta x piperita Var.citrata) (14%), melissa (Melissa officinalis L.) (11%), boldo (Vernonia condensata) (11%), guaco (Mikania globerata) (10%), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) (7%) e romã (Punica granatum) (3%). (PASCHOAL; JOAQUIM 2001) (Figura 1). Figura 1. Plantas medicinais mais citadas em trabalhos analisados Fonte: região central de São José dos Campos A predominância das folhas como parte mais utilizada, também foi utilizada na aquisição do produto, pois observando as literaturas que discorrem sobre as formas de utilização destas plantas e o conhecimento popular sobre o manuseio das mesmas, infere-se que o consumo na forma de infusão (chá) seja forma mais conhecida. 20 Observou – se na maioria dos estabelecimentos que o valor do produto influencia na aquisição e também as informações e indicações de plantas para suas doenças (Figura 2). Figura 2. Influência do valor na aquisição do produto. Fonte: região central de São José dos Campos No entanto a comercialização de plantas e produtos naturais tem tido influência da mídia (falada e escrita) movidos basicamente a dois grandes temas: saúde e meio ambiente e aspiração por mais e melhor qualidade de vida (Figura 3). Figura 3. Influência da propaganda na aquisição do produto. Fonte: região central de São José dos Campos 21 Percebeu – se através dos resultados a importância da família na transmissão de conhecimentos e cultura através das gerações, sugerindo que uma relação afetiva facilita essa troca de saberes (Figura 4). Figura 4. Influência dos hábitos familiares na aquisição do produto. Fonte: região central de São José dos Campos 22 5. DISCUSSÃO Como esse tipo de comércio localiza – se na região central e periférica da cidade, este fato evidencia que o uso tradicional da biodiversidade para fins terapêuticos tem sido incorporado pelas comunidades urbanas. (ALVES; ROSA, 2007). As pessoas mais velhas tendem a concentrar o maior conhecimento acerca das propriedades terapêuticas de produtos naturais. (ALVES et al., 2008) O desinteresse das gerações mais novas poderá representar um serio risco de perdas de informações valiosas no tocante aos recursos vegetais – medicinais da flora brasileira. A comercialização de produtos naturais vem acompanhada do comércio de condimentos e frutas, hortaliças, produtos farmacêuticos, estéticos e que sugerem que os comércios dos produtos naturais não são a principal renda do comerciante. Em relação a procedência das plantas e produtos naturais comercializados em São José dos Campos, verifica – se que a maioria provém de diferentes origens: compra de pequenos produtores e de empresas de São Paulo. No entanto, no Rio de Janeiro existe um relativo equilíbrio entre extrativismo (40,4%) e cultivo (52,8%) para as plantas medicinais (AZEVEDO; SILVA, 2006). Em área metropolitana das regiões Norte e Nordeste a maioria dos recursos medicinais é fornecida por atravessadores responsáveis pelo abastecimento de feiras livres e mercados (ALVES et al., 2008). A utilização dos produtos no tratamento das diversas enfermidades difere dos resultados comercializados em outras regiões do Brasil como exemplo em Campina Grande - PB) e Recife (PE), obtiveram maior número reportados a espécies utilizadas em problemas respiratórios, seguidos por transtornos do sistema circulatório e sistema nervoso (ALMEIDA; ALBUQUERQUE, 2002) e os dados obtidos nesta pesquisa revelou o interesse pela procura de espécies medicinais relacionadas ao tratamento do sistema digestório. Comparando as plantas medicinais mais comercializadas em casa de produtos naturais na região de São José dos Campos e as plantas medicinais mais citadas em trabalhos analisados na Universidade do Vale do Paraíba, podemos perceber uma procura acentuada do guaco, melissa, alecrim. Esses diferentes resultados podem estar relacionados a regionalidade das doenças, ou seja, as doenças como espécies, variam de região para região afetando e caracterizando o comércio local de plantas medicinais (MAIOLI – AZEVEDO; FONSECA – KRUEL, 2007). O valor do produto tem uma influência na sua aquisição, no entanto constatou – se que os clientes são sugestionados pela indicação dos funcionários, que fornecem dados adicionais 23 sobre o produto procurado, reforçando o valor terapêutico e incentivando o consumo. É comum pontos comerciais de produtos naturais fornecerem folders, folhetos, revistas e livros de autores relacionados ao assunto. Os temas atuais saúde e melhor qualidade de vida, impostos pela mídia (falada e escrita), influencia na aquisição do produto como também, a relação afetiva, hábitos familiares e culturais reforçam a utilização e aquisição de produtos naturais. Em trabalhos analisados, constatou – se que o cliente “consome”, em primeiro lugar, um estilo de vida, e não produtos; consome mais símbolos do que substâncias, pois essa nova tendência de consumo está permeada por conceitos diversos que vão muito além da simples alimentação saudável e nutritiva; há um novo consumidor que consome estes produtos como forma de participação de um mundo carregado de simbologia de modernidade e atualidade (GOMES, 2009). Sobre o perfil dos clientes, analisados, 58% das pessoas idosas, 42% adultos e 78% do sexo feminino. Os dados são semelhantes a alguns autores que tem se dedicado ao estudo e comercialização em plantas e feira e/ou mercados do Brasil (AZEVEDO;SILVA, 2006). Existe o conceito errôneo de que as plantas são remédios naturais e, portanto, livre de riscos e efeitos colaterais e (LORENZI; MATOS, 2008). De acordo com MATOS (1989), dentre os principais riscos no uso de plantas medicinais, estão o uso descuidado de plantas tóxicas, a utilização de plantas que contenham substâncias tóxicas, o uso de plantas mofadas e o uso de plantas indicadas ou adquiridas erradamente. A ingestão, mesmo na forma de chás, desses produtos contaminados com micotoxinas pode ocasionar intoxicações agudas ou crônicas, pois esses microrganismos são termoestáveis (ARAUJO; OHARA, 2000). 24 6. CONCLUSÃO As plantas e produtos naturais são procurados no comércio de São José dos Campos para vários tipos de doenças onde as principais formas de comercialização são plantas secas ou produtos beneficiados. As plantas mais comercializadas nas casas de produtos naturais foram: Rosmarinus officinalis L.) (5%), chá verde (Camellia sinensis) (20%), chia(Salvia hispânica) (10%), erva baleeira (Varronia verbenaceae) (5%), ginkgo(Ginkgo biloba) (10%), guaco (Mikania globerata) (15%), linhaça (Linum usitatissimum) (15%), melissa (Melissa officinalis L.) (15%), passiflora(Passiflora incarnata) (15%) e quinoa (Chenopodium quinoa) (15%) (Tabela 1). E as espécies mais citadas nos trabalhos científicos foram: erva doce (Foeniculum vulgare) (15%), erva cidreira (Hyptis suaveolens) (15%), camomila (Chamomilla recutita) (14%), hortelã (Menta x piperita Var.citrata) (14%), melissa (Melissa officinalis L.) (11%), boldo (Vernonia condensata) (11%), guaco (Mikania globerata) (10%), alecrim (Rosmarinus officinalis L.) (7%) e romã (Punica granatum) (3%). (PASCHOAL; JOAQUIM 2001). No comércio deve ser levado em conta para a venda dos produtos o valor agregado, indicação de fornecedor a influência da mídia (falada e escrita) e influência da família. Com o processo de urbanização, tecnologia e inclusão digital a tradição que a população adquiriu com as gerações passadas (pais e avós) de cultivarem em suas casas e utilizarem plantas medicinais para o tratamento de diversas doenças ainda tem uma raiz cultural muito forte. Os hábitos familiares influenciam na aquisição dos produtos, evidenciando a transmissão dos saberes através do inconsciente coletivo e cultural da população. 25 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANGRA, C. A.; DANTAS, I. C. Identificação das plantas medicinais indicadas pelos raizeiros e utilizadas pelas mulheres no combate a enfermidades do aparelho geniturinário na cidade de Campina Grande, PB. Revista de Biologia e Farmácia, v. 1: 2007. 1-13 p. ALBUQUERQUE, U. P. Introdução a Etnobotânica. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2005. 80 p. ALBUQUERQUE, U. P.; LUCENA, R. F. Métodos e técnicas na pesquisa etnobotânica. Recife: Livro ápido/NUPEEA. 2004. 189 p. ALEXIADES, M.N. Collecting ethnobotanical data: an introduction to basic concepts and techniques. In: ALEXIADES, M.N. (Ed.) Guidelines for ethnobotanical field collectors. New York: The New York Botanical Garden. 1996. 53-94 p. ALMEIDA, C. F. C. B.; ALBUQUERQUE, U. P. Uso e conservação de plantas e animais medicinais no estado de Pernambuco (Nordeste do Brasil): um estudo de caso. Inter ciência, v. 26(6): 2002. 276-285 p. ALMEIDA, M. Z. Plantas medicinais. 2 ed. Salvador: EDUFBA 2003. ALVES, R. R. N. ; ROSA, I. M. L. Biodiversity, traditional medicine and public health: where do they meet? Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine, 3(14): 2007. 1-9 p. ALVES, R. R. N.; SILVA, A. A. G.; SOUTO, W. M. S. ;BARBOZA, R. R. D. Utilização e comercio de plantas medicinais em Campina Grande, PB, Brasil. Revista Eletrônica de Farmácia, 4(2): 2007. 175-198 p. 26 ALVES, R. R. N.; SILVA, C. C.; ALVES, H. N. Aspectos socioeconômicos do comercio de plantas e animais medicinais em áreas metropolitanas do Norte e Nordeste do Brasil. Revista de Biologia e Ciências da Terra, 8: 2008. 181-189 p. AMARAL, F. M. M.; COUTINHO, D. F.; RIBEIRO, M. N. S.; OLIVEIRA, M. A. Avaliação da qualidade de drogas vegetais comercializadas em São Luís, Maranhão. Revista Brasileira de Farmacognosia, 13(1): 2003. 27-30 p. ARAUJO, A. C., SILVA, J. P., CUNHA, J. L. X. L.; ARAUJO, J. L. O. Caracterização sócio-econômico-cultural de raizeiros e procedimentos pós-colheita de plantas medicinais comercializadas em Maceió, AL. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 11(1): 2009. 81-91 p. ARAUJO, A. L. A. ; OHARA, M. T. Qualidade microbiológica de drogas vegetais comercializadas em feiras de São Paulo e de infusos derivados. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, 36(1): 2000. 129-137 p. ARAUJO, T. M.; BRITO C. R.; AGUIAR. M.C.R.D. ; CARVALHO, M. C. R. Dom Perfil socioeconômico dos raizeiros que atuam na cidade de Natal (RN). Informa, 15(1): 2003. 77-79 p. ARJONA, F. B. S., MONTEZUMA, R. C. M. ; SILVA, I. M. Aspectos etnobotânicos e biogeografia de espécies medicinais e/ou rituais comercializadas no mercado de Madureira, RJ. Caminhos da Geografia, v. oito: 2007. 41-50 p. AZEVEDO, R. A. B. ;COELHO, M. F. B. Métodos de investigação do conhecimento popular sobre plantas medicinais. In: RODRIGUES, A. G., ANDRADE, F. M. C., COELHO, F. M. G., COELHO 2002. M. F. B., AZEVEDO, R. A. B. ; CASALI, V. W. D. Plantas medicinais e aromáticas: Etna ecologia e etnofarmacologia. Viçosa: UFV/ Departamento de Fitotecnia. p. 273-320. 27 AZEVEDO, S. K. S. ; SILVA, I. M. Plantas medicinais e de uso religioso comercializadas em mercados e feiras livres no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Acta botanica brasilica, 20(1): 2006. 185-19 p. BALDAUF, Cristina; HANAZAKI, Natalia; REIS, Mauricio Sedrez Dos. Caracterização etnobôtanica dos sistemas de maneo de samambaia - preta (Rumohra adiantiformis (GForts) Ching - Dryopteridaceae) utlizadas no sul do Brasil. Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 21, n. 4, p.823-834, 28 fev. 2007. Quadrimestral. BARBOSA J.A. Guia Prático de Plantas Medicinais. São Paulo: Universo Dos Livros, 2005. 126 p. BARRERA, A. La Etnobotânica: três puntos de vista e uma perspectiva. Xalapa, México: Instituto de Investigacion sobre Recursos Bióticos, 1979. p. 19-25. BESERRA, N. M.; CARREIRA, C. F. S.; DINIZ, M. F. F. M. ; BATISTA, L. M. Plantas medicinais comercializadas pelos raizeiros de feiras livres em Juazeiro do Norte - CE para o tratamento das afecções respiratórias. In: ENCONTRO DE EXTENSÃO E ENCONTRO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA, João Pessoa, PB. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Recursos Hídricos. 2007. Atlas das áreas suscetíveis à desertificação do Brasil. Brasília: MMA. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/estruturas/sedr_desertif/_arquivos/129_08122008042625.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2013. BENZ, B.F.; CEVALLOS, J.; SANTANA, F.; ROSALES, J. ; Graf, S.M. Losing knowledge about plant use in the Sierra de Manantlan biosphere reserve. Mexico Economic Botany 54: 2000. 183-191 p. CARVALHO, A. R. Popular use, chemical composition and trade of Cerrado’s medicinal plants (Goias, Brazil). Environment, Development and Sustainability, 153(6): 2004. 307-316 p. CASTELLUCI, S.; LIMA, M.I.S.; NORDI, N. ; Marques, J.G.W. Plantas medicinais relatadas pela comunidade residente na estação ecológica de Jataí, município de Luis 28 Antônio/SP: uma abordagem etnobotânica. Revista Brasileira de Plantas Medicinais 3: 2000. 51-60 p. DANTAS, I. C.; GUIMARAES, F. R. Perfil dos raizeiros que comercializam plantas medicinais no município de Campina Grande, PB. Revista de Biologia e Ciências da Terra, 6(1): 39-44. 156 Freitas et al.R. bras. Bioci., Porto Alegre, v. 10, n. 2, 2005. 147-156p, abr./jun. 2012 DOURADO, E. R.; DOCA, K. N. P. & ARAUJO, T. C. C. Comercialização de plantas medicinais por “raizeiros” na cidade de Anápolis - GO. Revista Eletrônica de Farmácia, 2(2): 2005. 67-69 p. FRANÇA, I. S. X.; SOUZA, J. A.; BAPTISTA, R. S.; BRITTO, V. R. S. Medicina popular: benefícios e malefícios das plantas medicinais. Revista Brasileira Enfermagem. 61(2): 2008. 201-208 p. FUZER, L.; SOUZA, I. IBAMA dá inicio a núcleo de plantas medicinais. Bionotícias, 57: 2003. 6-7 p. GOMES, A. N. 2009. Consumindo conceitos muito mais do que produtos. ESPM. HAMILTON, A.C.; SHENGJI, P.; KESSY, J.; KHAN, A.A.; LAGOS-WITTE, S. ;SHINWARI , Z.K. The purposes and teaching of Applied Ethnobotany. Godalming, People and Plants workingpape r. 11. 2003. WWF. HEIDEN, G.; IGANCI, J. R. V.; MACIAS, L.; BOBROWSKI, V. L. Comercialização de carqueja por ervateiros da Zona Central de Pelotas, Rio Grande o Sul. Revista de Biologia e Ciências da Terra, 6(1): 2006. 50-57 p. HEINRICH, M. Ethnobotany and its role in drug development. Phytotherapy Research 14: 2000. 479-488 p. JOAQUIM, W. M.; PASIN, L. P.; DREUX, E. C. Levantamento Etnobotânico de Plantas Medicinais no Bairro dos Pinheiros, São José dos Campos, SP. In: JORNADA 29 FARMACEUTICA, 44, Araraquara (SP), 1997; SIMPÓSIO BRASILEIRO DE FARMACOGNOSIA, 1, Araraquara (SP), 1997, Anais... Araraquara (SP); Unesp, 1997. 179p. KARAN, K. F. O consumo de alimentos saudáveis: a experiência da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná – ACOPA. Disponível em http://www.planetaorganico.com.br/TrabKaren2.htm>. Acesso em novembro de 2013. LADEIRA, Ângela Maria. Plantas Medicinais com óleos essenciais. São Paulo: Instituto de Botânica, 2002. 40p. LADIO, A.H. ; LOZADA, M. Patterns of use and knowledge of wild edible plants in distinct ecological environments: a case study of a Mapuche community from Nothwestern Patagonia. Biodiversity and Conservation 13: 2004. 1153-1173 p. LAÏS, Erika. L'ABCdaire de Plantes aromatiques et médicinales. Paris: Flammarion, 2001. 120 p. LORENZI, Harri; MATOS, F.j. Abreu. Plantas Medicinais no Brasil: Nativa e Exóticas. 3. ed. Nova Odessa: Insituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, 2008. 544 p. LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa: Instituto Plantarum. 2002. 368 p. LORENZI, H.; SOUZA, H. M. Plantas Ornamentais do Brasil: arbustivas, herbáceas e trepadeiras. São Paulo: Ed. Plantarum. 2006. 1099 p. MAIOLI-AZEVEDO, V. ;FONSECA-KRUEL, V. S. Plantas medicinais e ritualísticas vendidas em feiras livres no Município do Rio de Janeiro, RJ, Brasil: estudo de caso nas zonas Norte e Sul. Acta Botanica Brasilica, 21(2): 2007. 263-275 p. 30 MATOS, F. J. A. Plantas medicinais: guia de seleção e emprego de plantas usadas em fitoterapia no Nordeste do Brasil. Fortaleza: IOCI. 1989. 164 p. MELO, J. G., MARTINS, J. D. G. R., AMORIM, E. L. C. ; ALBUQUERQUE, U. P. Qualidade de produtos a base de plantas medicinais comercializados no Brasil: castanha-da-india (Aesculus hippocastanumL.), capim-limão (Cymbopogon citratus (DC.) Stapf) e centelha (Centella asiática (L.) Urban). Acta Botanica Brasilica, 21(1): . 2007. 2736 p. MELO, C. S.; SANTOS, R. S.; JOAQUIM, W. M. Levantamento Etnobotânico em três vilas do bairro Putim, São José dos Campos, SP. Rev. Univap, v.7, n.11, 2000. 91-98 p. MENDES, M. Erveiros dos nossos mercados: uma mostra. Comissão Maranhense de Folclore. São Luís: Editora Boletim. 1997. 5-6 p. MIURA, A. K., LOWE, T. R. ;SCHINESTSCK, C. F. Comércio de plantas medicinais, condimentares e aromáticas por ervateiros da área central de Pelotas - RS: estudo etnobotânico preliminar. Revista Brasileira de Agroecologia, 2(1): 2007. 1025-1028 p. MONTEIRO, J. M., ARAUJO, E. L., AMORIM, E. L. C. ; ALBQUERQUE, U. P. Local Markets and Medicinal Plant Commerce: A Review with Emphasis on Brazil. Economic Botany, 64(4): 2010. 352-356 p. MOSCA,V. P. ; LOIOLA, M. I. B. Uso popular de plantas medicinais no Rio Grande do Norte, nordeste do Brasil. Revista Caatinga, 22(4): 2009. 225-234 p. OLIVEIRA, Flávia Camargo de et al. Avanços nas pesquisas etnobotânicas no Brasil. Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 2, n. 23, p.590-605, 12 mar. 2009. Quadrimestral. OLIVEIRA, G. L. de; OLIVEIRA, A. F. M. de; 1, e ANDRADE, L. H. C. Plantas medicinais utilizadas na comunidade urbana de Muribeca, Nordeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 2, n. 24, p.571-577, 07 abr. 2010. Quadrimestral. 31 OLIVEIRA, I. G., CARTAXO, S. L. ; SILVA, M. A. P. Plantas medicinais utilizadas na farmacopéia popular em Crato, Juazeiro e Barbalha (Ceará, Brasil). Revista Brasileira de Biociências, 5(S1): 2007 189-191 p. PANIZZA, S. Ensinando a cuidar da saúde com as plantas medicinais: guia prático de remédios simples da natureza. São Paulo: Prestigio. 2005. 158 p. PASA, M. C.; SOARES, J. J; GUARIM NETO, G. Estudo etnobotânico na comunidade de Conceição - Açu (Alto da bacia do Rio Aricá Açu, MT, Brasil). Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 19, n. 2, p.195-207, 19 ago. 2004. Quadrimestral. PASCHOAL, L.; JOAQUIM, M. Levantamento Etnobotânico no Bairro da Vila Industrial em São José dos Campos, São Paulo. INIC, São José dos Campos, 2001. PARENTE, C. E. T.;; ROSA, M. M. T. Plantas comercializadas como medicinais no Município de Barra do Pirai, RJ. Rodriguésia, 52(80): 2001 47-59 p. PHILLIPS O; GENTRY AH. The useful plants of Tambopata, Peru. I. Statistical hypotheses tests with a new quantitative technique. Economic Botany 47: 1993. 15-32 p. PINTO, A. A. C.; MADURO, C. B. Produtos e subprodutos da medicina popular comercializados na cidade de Boa Vista, Roraima. Acta Amazônica, 33(2): 2003. 281-290 p. PINTO, E. P. P.; AMOROZO, M. C. M.; FURLAN, A. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em comunidades rurais de mata atlântica – Itacaré, BA, Brasil1. Acta Botânica, S'ao Paulo, n. , 17 abr. 2006. 751-762 p. RIBEIRO, S. S., BUITRÓN, X., HELENA, L. O. ; VINÍCIUS, M. M. 2001. Plantas medicinais do Brasil: aspectos gerais sobre legislação e comércio. Disponível em: <www.traffic.org>. Acesso em: 15 nov. 2013. SCHULTES R.E; REIS, S.V.(eds.). Ethnobotny: evolution of a discipline. Cambridge, Timber Press. 1995. 32 SILVEIRA, F. ; JORDAO, L. Das raízes à resistência, repensando a medicina popular. Campina Grande: UEPB/CENTRAC. 1992. 35-42 p. SIMÕES, C. M. O. Plantas da medicina popular do Rio Grande do Sul. 5 ed. Porto Alegre: Editora da Universidade/ UFRGS. 1998. 173 p. SILVA, A. J. R. ; CAVALCANTI, L. H. Etnobotânica nordestina: estudo comparativo da relação entre comunidades e vegetação na Zona do Litoral - Mata do Estado de Pernambuco, Brasil. Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 18, n. 4, 01 out. 2004. 45-60 p. Quadrimestral. SILVA, M. A. B. da et al. Levantamento etnobotânico de plantas utilizadas como antihiperlipidêmicas e anorexígenas pela população de Nova Xavantina-MT, Brasil. Revista Brasileira de Farmacognosia, São Paulo, v. 4, n. 20, 09 abr. 2010. 549-562 p. SOUZA, C. D. ; FELFILI, J. M. Uso de plantas medicinais na região de Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil. Acta Botanica Brasilica, São Paulo, v. 20, n. 1, 22 jul. 2005. 135-142 p. Quadrimestral. SOUZA, V. C.; LORENZI, H. Chave de Identificação: Para as principais familias de Angiospermas nativas e cultivadas do Brasil. 2. ed. São Paulo: Insituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, 2010. 31 p. SOUZA, T. P., LIONZO, M. I. Z. ; PETROVICK, P. R. Avaliação da redução da carga microbiana de droga vegetal através do processamento tecnológico: decocção e secagem por aspersão. Revista Brasileira de Farmacognosia, 16(1): 2006. 94-98 p. STASI, L. C. Di. Plantas Medicinais: arte e ciência: Um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo: Fundação Editora Unesp, 1996. 230 p. 33 TRESVENZOL, L. M., PAULA, J. R., RICARDO, A. F., FERREIRA, H. D. & ATTA, D. T. Estudo sobre o comércio informal de plantas medicinais em Goiânia e cidades vizinhas. Revista Eletrônica de Farmácia, 3(1): 2006. 23-28 p. 34 APÊNDICE I ESTABELCIMENTOS COMERCIAIS (LOJAS DE PRODUTOS NATURAIS). Estabelecimento:_________________________________________________________ Tempo estabelecimento: (__) Menos de 1 ano (__)Entre 5 a 10 anos (__)Entre 15 a 20 anos (__) Desde que nasceu (__)Entre 1 a 5 anos (__)Entre 10 a 15 anos (__) Mais de 20 anos PESQUISA / ASPECTO ETNOBOTÂNICO Quais plantas são mais comercializadas? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ Qual a parte do vegetal é utilizada para os remédios: (__)Folhas (__) Planta inteira (__)Folha, ramos e brotos (__) Semente (__)Fruto (__) Sumo Como faz a manipulação das plantas: USO EXTERNO (MAIS COMERCIALIZADOS) (__) Banho (__) Cataplasma (__) Tintura (__) Compressa (__) Óleo (__) Travesseiro (__)Outras:____________________________________________________________ USO INTERNO (MAIS COMERCIALIZADOS) (__) Chá (__)Decocção/Cozimento (__) Gargarejo/Bochecho (__)Inalação (__)Infusão (__) Pó (__) Salada (__) Sumo (__) Outras:_________________________________ (__)Maceração (__) Suco As plantas são indicadas para quais afecções: (__) Causas externas, lesões e envenenamentos (__) Doenças culturais (__) Doenças/sintomas relacionados ao aparelho circulatório (__) Doenças/sintomas relacionados ao aparelho digestivo (__) Doenças/sintomas relacionados ao aparelho genito-urinário (__) Doenças/sintomas relacionados ao aparelho respiratório (__) Doenças/sintomas relacionados a pele e tecido sub-cutâneo 35 (__) Doenças/sintomas endócrinas, nutricionais e metabólicas (__) Doenças/sintomas infecciosas intestinais, hepatite e helmintíase (__) Doenças do sangue e órgãos hematopoéticos (__) Doenças do sistema ósteo-muscular e tecido conjuntivo (__)Gravidez, parto e puerpério (__) Sintomas e sinais gerais Espécies Vegetais mais comercializadas como alimento alternativo (__) Chia (__) Quinoa (__) Macadâmia (__) Aveia (__) Linhaça (__) Castanha do Pará (__) Castanha de Caju (__) Damasco (__) Uva Passas (__) Outras:____________________________________________________________ O valor influencia na aquisição do produto? (__) Sim (__) Não A propaganda influencia na aquisição do produto? (__) Sim (__) Não A idade dos clientes influencia na aquisição do produto? (__) Sim (__) Não Hábitos familiares influenciam na aquisição e consumo de plantas medicinais? (__) Sim (__) Não