Ano I - Número 16
17 a 30 de outubro /2005
Dom Bruno surpreende e
antecipa nomeação de reitor
Vice-reitor, padre Wilson Denadai, estará à frente da Universidade a partir de 1º de
fevereiro de 2006 até 2010; comunidade entrevistada aprova a escolha do grão-chanceler
Fotos: Ricardo Lima
SUCESSÃO - Dom Bruno Gamberini (à dir.) anunciou o nome do padre Wilson (ao centro) para ocupar o lugar do reitor, padre David
Você já decidiu?
Prevenção - Cerca de 500
alunos, professores e funcionários
dos cursos do Centro de Ciências da
Vida (CCV) e da Faculdade de
Educação Física da PUC-Campinas
transformaram o Largo do Rosário
num enorme consultório de saúde. A
7ª edição do programa Saúde na
Praça atendeu cerca de 5 mil pessoas
durante os dias 4 e 5 de outubro,
entre elas a garota Laura (foto), com
2,5 anos, levada pela mãe, Renata
Mian. Mas não é só a população que
ganha com o programa, os
universitários aproveitam a
oportunidade para praticar a teoria e,
acima de tudo, a cidadania.De acordo
com o diretor do CCV, Luiz Maria
Pinto, 1,5 mil crianças de 32 escolas
públicas de Campinas foram
beneficiadas com o trabalho de
prevenção, que garante o sucesso
do Saúde na Praça.
N
Ã
O
S
I
M
No dia 23 de outubro, o eleitor brasileiro irá às urnas para decidir o futuro do comércio de munição e armas de fogo no País. Uma questão que
pauta os debates nos vários segmentos da sociedade. Muitos números
e informações desencontrados marcam a reta final da campanha. Para
especialistas da área jurídica, a proibição da venda de armas é inócua. Já
os psicólogos alertam que os testes que habilitam o porte de arma não
garantem o equilíbrio emocional do seu proprietário. A PUC-Campinas,
o Comitê Campinas SIM ao Desarmamento e a União Nacional do
Estudantes (UNE) intensificam as ações pelo SIM.
Página 06
O arcebispo metropolitano de
Campinas e grão-chanceler da
PUC-Campinas, Dom Bruno
Gamberini, antecipou a nomeação
do próximo reitor e surpreendeu a
comunidade universitária no dia 6
de outubro, quando anunciou o
nome do padre Wilson Denadai para
comandar a Universidade a partir
de 1º de fevereiro de 2006. Geralmente a sucessão à Reitoria é divulgada em janeiro. A antecipação foi
um pedido do reitor, padre José
Benedito de Almeida David, para
garantir uma transição tranqüila.
Padre Wilson define nas próximas
semanas os nomes que integrarão
sua equipe. Em entrevista ao Jornal
da PUC-Campinas, ele adiantou os critérios que nortearão sua
escolha.
Páginas 04 e 05
Opinião
Os estudantes das Faculdades de Direito
e Jornalismo, Fernando Furlanetto
Galuppo e Isaias Silva Pinto,
respectivamente, participam do espaço
Opinião com artigos sobre o referendo
que decidirá o comércio de munição e
armas de fogo no Brasil. O espaço é
aberto à participação de membros da
comunidade interna e de convidados
representativos da sociedade.
Página 03
MURAL
O grupo Velha Arte do Samba
mantém a tradição das rodas desse
gênero musical, cada vez mais raras
na cidade. Quem gosta de som de
qualidade precisa conhecer um pouco
do grupo, que toca em vários locais e
tem entre seus colaboradores mais
novatos Guilherme Fidélis
(2º à dir.), de 13 anos.
Página 07
02
17 a 30 de outubro /2005
Jornal da PUC-Campinas
Editorial
Voto pela vida...
N
o dia 23 de outubro estarei entre os eleitores que irão às
urnas para votar no referendo sobre o desarmamento. À
pergunta: O comércio de armas de fogo e munição deve
ser proibido no Brasil? Minha resposta é SIM. Sou pelo SIM porque estou entre os milhões de brasileiros que se sentem ameaçados
pela violência. Sou pelo SIM para me contrapor ao tráfico ilegal de
armas, sustentado pelo crime organizado, que vem alcançando níveis
alarmantes. Sou pelo SIM porque as armas fomentam o medo, a
instabilidade, os conflitos e a desordem social. Segundo dados da
Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 200 mil mortes são provocadas anualmente por armas de fogo indevidamente
utilizadas por civis em todo o mundo. Infelizmente, o Brasil está
entre os países que figuram como os de maiores índices de criminalidade. Em relação à população, o País ocupa o 4º lugar no ranking
mundial de mortalidade por projéteis dessas armas. O risco de morrer por armas de fogo em território nacional é 2,6 vezes mais alto do
que no restante do mundo. A resposta, certamente, não é aumentar
gastos com serviços formais e informais de segurança privada, nem
possuir armas próprias, para supostamente se defender. É especialmente preocupante o grande número de jovens e adolescentes que
carrega armas para praticar crimes ou promover demonstrações equivocadas de força e auto-afirmação. A Organização das Nações
Unidas (ONU) adverte sobre a impossibilidade de os países com
altos índices de violência relacionada às armas de fogo conseguirem
atingir as Metas do Milênio estabelecidas para 2015. Portanto, votar
pelo SIM, a meu ver, é votar pelo objetivo da paz, é votar pela vida.
Os quase US$ 900 bilhões investidos anualmente em armamentos prejudicam os recursos disponíveis para o desenvolvimento e
ameaçam inclusive o meio ambiente, porque também estão relacionados ao extermínio da fauna silvestre. O aumento dos gastos militares desvia importantes recursos financeiros, materiais e humanos
para setores não-produtivos. É preciso acabar com a corrida armamentista não só no Brasil, mas em todo o mundo. A presença constante de armas no mundo mudou a natureza da violência. Tensões
antigas entre os povos transformaram-se em guerras. Conflitos banais
do cotidiano culminam em tragédias. Sociedades que há alguns anos
eram tranqüilas vivem hoje sob estado de latente ameaça. A PUCCampinas, como instituição católica e comunitária, segue a posição
consensual da Igreja Católica pelo SIM. Mas, como universidade,
também preza pelo livre direito de expressão e, por conseqüência, está
aberta a todos aqueles que queiram expor suas posições, como ocorrerá no evento marcado para o dia 19, no Campus Central. Outro
espaço para debates é este jornal, por meio do qual diferentes posições sobre a questão puderam e podem ser manifestadas
Reitor da PUC-Campinas
Padre José Benedito de Almeida David
Sobrevôo avalia fluxo de carros no Campus I
Ricardo Lima
Ações da Emdec para solucionar
os problemas do trânsito
ainda não se refletiram
no dia-a-dia dos motoristas
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas
(Emdec) ainda não fixou um prazo para colocar em prática
o plano emergencial para melhorar o fluxo do trânsito no
entorno do Campus I da PUC-Campinas, anunciado no
mês de setembro. A assessoria de imprensa da Emdec informou que os agentes ainda realizam a contagem dos veículos que passam pelas imediações, no intuito de verificar o
impacto das ações planejadas, mesmo que paliativas. Dentre
as propostas, está a intensificação da fiscalização sobre os veículos de transporte e sobre os estacionamentos irregulares,
além da melhoria da sinalização do acesso alternativo pela
Rua José Christóforo.
No dia 29 de setembro foi realizado um vôo panorâmico com o objetivo de avaliar o fluxo de veículos no acesso
principal ao campus e verificar o traçado do novo acesso
entre a PUC-Campinas e a Rodovia Campinas-Mogi Mirim
e suas implicações na travessia para o Bairro Parque Rural
Fazenda Santa Cândida. O projeto, já apresentado à Prefeitura
Municipal de Campinas pela Universidade no mês de setembro, prevê a abertura de um acesso com duas vias, uma de
entrada e outra de saída, passando pelo bairro e chegando até
o campus, próximo à Faculdade de Educação Física (Faefi).
Participaram do vôo o gerente de Operações da PUCCampinas, Aristides Vieira Júnior, o diretor de Operações
da Emdec, Atílio André Pereira, e o administrador da Regional
I (AR-I), Ricardo Ferrari. As negociações entre a Universidade
e a Prefeitura continuam nos próximos meses.
O tráfego nas ruas de acesso à Universidade ainda continua lento e exigindo paciência da comunidade
Agenda
20/10
Encontro Anual de Extensão, das 8h às 18h, no Auditório
Dom Gilberto, Campus I. Informações: (19) 3756-7042
25/10
Data limite para inscrição no concurso de placas de sinalização
de lixeiras de coleta seletiva. Informações: (19) 3756- 7216
26/10 a 28/10
6º Encontro de Pesquisa na Área de Serviço Social da
PUC-Campinas e da Unicamp, no Auditório 5 da
Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
Informações: (19) 3756-7019
27/10
Palestra sobre o tema Autogestão nos Empreendimentos
Solidários, como parte do Ciclo de Debates do Programa
PUC-Campinas Solidária, às 19h, na Sala 900, Campus I.
Informações: (19) 3756-7217.
31/10
Prazo para inscrições para o Coral Universitário da
PUC-Campinas. Informações : (19) 3756-7282
Prazo para inscrições para os cursos de doutorado em
Psicologia e de mestrado em Psicologia, Ciência da
Informação, Educação e Urbanismo. Informações:
(19) 3756-7037 e www.puc-campinas.edu.br
Expediente
Reitor- Padre José Benedito de Almeida David; Vice-rreitor - Padre Wilson Denadai; Conselho Editorial - Ciça Toledo, Wagner José de Mello e Domenico Feliciello; Coordenador
de Departamento de Comunicação - Wagner José de Mello; Coordenador do Setor de Jornalismo - Aderval Borges; Editora - Eunice Gomes (MTB 21.390); Redatores Aderval Borges, Adriana Furtado, Du Paulino, Eunice Gomes e Rita Hennies; Revisão - Luiz Antonio Razera; Fotografia - Ricardo Lima; Tratamento de Fotos - Marcelo
Adorno; Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica - Neo Arte Gráfica Digital; Impressão - Grafcorp; Redação - Campus I da PUC-Campinas, Rodovia D. Pedro I, km 136,
mail: [email protected]
Parque das Universidades. Telefones: (19) 3756-7147 e 3756-7674. E-m
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Jornal da PUC-Campinas
17 a 30 de outubro /2005
Opinião
O COMÉRCIO DE ARMAS DE FOGO E MUNIÇÃO DEVE SER PROIBIDO NO BRASIL?
Desarmar.....quem?
Vote SIM e promova a paz
Isaias Silva Pinto
N
o próximo dia 23 de outubro
seremos convidados a, mais
uma vez, mostrar nosso papel
de cidadãos perante a sociedade injusta e desigual em que vivemos hoje. Tratase do referendo que será promovido em
todo o território nacional. Mais de 121
milhões de eleitores, dispersos pelos
5.564 municípios do País, irão às urnas
para decidir pelo SIM ou pelo NÃO à
proibição da comercialização de armas
de fogo e munição no País.
Pela primeira vez o Brasil se utilizará de um referendo para questionar a
população se é conveniente ou não
comercializar armas de fogo e munições. Os referendos são uma forma
democrática de consulta que precede
uma decisão a ser tomada pelos governantes. Caso mais da metade da população decida pelo SIM , estará vetada
a comercialização de munições e armas
de fogo no Brasil, o que seria um grande passo rumo ao combate à violência
e às mortes por essas armas.
Para se ter uma idéia, países como
o Japão já implantaram essa medida de
proibir o comércio de armas de fogo,
obtendo resultados satisfatórios. O voto
a favor da proibição pode ser um grande passo rumo à construção de um País
mais seguro para se viver.
Muitas pessoas - a maior parte delas
ligada à fabricação e comercialização
de armas e munições - afirmam que, se
o referendo indicar a proibição, não irá
diminuir a violência nem aumentar a
qualidade de vida e de segurança no
País. Essas pessoas acreditam e defendem a idéia de que tal referendo é uma
perda de tempo. Quem pensa dessa forma, no entanto, tem pouca sensibilidade para com a coletividade, limitandose apenas a defender seus interesses
particulares.
Recorrendo às estatísticas, concluise que as armas de fogo são um mal
presente na sociedade moderna. A cada
quatro pessoas vítimas dessas armas,
particularmente as atingidas por balas
perdidas, três delas morrem ou têm sua
saúde seriamente comprometida para o
resto da vida. Votar SIM no próximo dia
23 de outubro é contribuir para a queda desses números estatísticos.
No Brasil, as armas de fogo matam
mais do que o trânsito. Ao votarmos SIM,
estaremos contribuindo para a consolidação da paz em nosso País. Portanto,
no próximo dia 23 de outubro, ao desafio proposto pela urna eletrônica, o caminho da cidadania é votar SIM!
Galeria
Ricardo Lima
Isaias Silva Pinto, estudante do 2º ano
Faculdade de Jornalismo
Fernando Furlanetto Galuppo
A
princípio, todos somos favoráveis ao
desarmamento. E favoráveis na
medida em que não deveriam existir, não só armas, mas os motivos para as
mesmas. Assim, favorável ao desarmamento também seria Tolstoi, em seu Guerra e
Paz; Dostoievski, com Raskolnikov; e mesmo todos os defensores do direito de se
defender.
Entretanto, Adolf Hitler era, também, a
favor do desarmamento (o que, inevitavelmente, nos leva a uma intrigante e paradoxal reflexão). Ora, em 1938 a Alemanha
desarmou sua população (quando, de 1939
a 1945, 13 milhões de não-arianos, impossibilitados em sua autodefesa, foram sumariamente exterminados). De igual modo, a
URSS, em 1929, também se desarmou.
Bem como a Turquia (em 1911), a China
(em 1935), a Guatemala (em 1964) e a
Uganda (em 1970). Coincidentemente,
todos sempre sucedidos de período em que
a segurança pública degradou-se ainda mais.
Conflitos além-mar à parte, cumpre,
agora, adentrarmos a realidade brasileira.
Segundo os números apresentados pelas
mais diversas fontes (anti ou pró-armas),
estima-se que, no País, hoje, a proporção
de armas ilegais para as armas legalmente registradas, seja - quando muito - a de
dez para uma. O curioso é que esta pequena décima parcela de obedientes à lei é
que será, de per si, justamente o alvo da
proibição do nosso tão esperado referendo.
Pergunta-se: por que os cidadãos que
até hoje têm sido explicitamente desobe-
dientes à lei (90%) haveriam de corrigirse após o referendo popular?
São reflexões, essas, da mais cara relevância na formação cívica pela consciência de voto que o brasileiro deverá ter no
dia em que for chamado às urnas. Lembrese: mobilização eleitoral da ordem de R$
600 milhões. O que se deve indagar é, tão
só, se será válido entregar a segurança
pública integralmente às mãos de um
Estado ausente, em troca de mais uma lei
inócua como tantas outras da história jurídica nacional.
Enquanto vivermos numa sociedade de
fome, de tráfico, de desemprego, de devastadoras desigualdades sociais e com tudo
isso, ainda investe R$ 600 milhões numa
consulta eleitoral ineficaz, em tempos nos
quais a educação de base fica às minguas
da sujeição ao ensino particular, haverá
sempre o motivo e a razão de delinqüir. E
quando houver tal motivo, não será instrumento diverso que evitará o delito.
Proibir-se-ão, então, as facas? As canetas-tinteiro? Proibir-se-ão as pedras nas ruas?
Se tivéssemos um Estado presente, nosso
voto seria certo e em prol do desarmamento! Mas pergunto: quem nos garante?
Fernando Furlanetto Galuppo,
estudante do 4º ano da Faculdade de Direito
VOCÊ ACREDITA QUE A PROIBIÇÃO DO COMÉRCIO DE ARMAS DE FOGO E
MUNIÇÃO NO BRASIL É SUFICIENTE PARA REDUZIR A VIOLÊNCIA?
Fotos: Ricardo Lima
"É uma forma de diminuir o tráfico, mas acho que os
bandidos vão continuar armados. Acredito que apenas
desarmar não é a solução, outras coisas precisam ser feitas".
Alexandre Luis Bianqui, funcionário do Centro de
Ciências Sociais Aplicadas (CCSA)
"Quando se trata de produção de armas, deve-se ter
um controle fortíssimo. É absurdo que vivamos em
um mundo em que se fabriquem armas. Instrumentos
que agridem a vida humana devem ser banidos. Mas
não sei se apenas essa medida resolverá o problema".
Adoniran Possan, professor da
Faculdade de Teologia.
Ricardo Lima
"O desarmamento é preciso porque vai evitar que as
armas cheguem em mãos erradas para usos ilícitos.
Grande parte das armas de criminosos hoje é roubada de
pessoas de bem".
Ana Carolina Maluf, estudante da
Faculdade de Direito.
"O
REFERENDO é
o momento
Imagens
EM que
o POVO
exercerá seu
FESTANÇAS - O projeto Momento Cultural, que acontece sempre no vão do Prédio Administrativo do Campus II às quartas-feiras, comemorou
dois anos de edição com a apresentação do grupo de dança Meninos de Barão sob a coordenação de Beto Regina. Durante as festividades, o Banco
Real, patrocinador do espaço, sorteou um tênis Nike Shox para os participantes de uma campanha do banco. A estudante da Faculdade de
Fisioterapia Tatiane Ponzio Luarinto foi a vencedora. Já a festa da turma do Centro Interdisciplinar de Atenção ao Deficiente (Ciad) aconteceu no
6º Quartel Aberto na Base Aérea da Polícia Militar de Campinas (à dir.), no dia 7 de outubro, quando comemorou o Dia das Crianças.
PODER".
Armando Pinheiro Lago,
desembargador e vice-presidente
do Tribunal Regional Eleitoral (TRE)
de Minas Gerais
04
17 a 30 de outubro /2005
Jornal da PUC-C
Entrevista
E
Estar alinhado à comunhão e à identidade de uma Pontifícia Universidade Católica e estar comprometido com o Plano
Estratégico da Universidade (PEs). São
esses os critérios adotados pelo vice-reitor da PUC-Campinas, padre Wilson
Denadai, para escolher os nomes que integrarão sua equipe para comandar a
Universidade a partir de fevereiro de 2006.
Padre Wilson conversou com a equipe do
Jornal da PUC-Campinas no dia 6 de outubro, depois de ser nomeado reitor em sessão extraordinária do Conselho Universitário (Consun), no Campus I.
Fotos: Ricardo Lima
Padre Wilson
Denadai fez
graduação e
pós-graduação
na Universidade
e integra o
corpo docente
desde 1986
Eunice Gomes
[email protected]
Jornal da PUC-Campinas - O senhor esperava a indicação do Dom Bruno? Como recebeu a notícia?
Padre Wilson Denadai - Não esperava remotamente. Há alguns dias recebi a notícia pelo bispo, mas
não havia uma expectativa. Recebi a notícia com o
senso de alguém que está a serviço de uma Igreja,
na qual está a PUC-Campinas, e com o espírito de
serviço e de colaboração.
JP - Como o senhor avalia a experiência como vicereitor?
Padre Wilson - Foi uma experiência riquíssima sobretudo pelo perfil do reitor, que é um homem que
deseja que o projeto da Instituição se desenvolva,
portanto dando amplo campo de trabalho. Eu diria
que, nesse sentido, fomos e estamos sendo muito
felizes.
JP - Como serão os próximos meses de transição? Quem
comporá a equipe da Reitoria?
Padre Wilson - Inicialmente vou desenhar a equipe
que estará trabalhando na próxima gestão. Em seguida, à medida que os novos indicados forem anunciados para as diferentes funções, esses estarão conversando com os atuais para a passagem devida.
JP - Qual será o perfil dos profissionais que poderão
compor a Reitoria?
Padre Wilson - Os dois critérios estão contidos na
Dois critérios norteiam
escolha da nova equipe
Padre Wilson afirma que o alinhamento à missão
e o comprometimento com o plano da Universidade
serão decisivos na nomeação de novos dirigentes
fala que fiz ao Conselho Universitário (Consun),
quando meu nome foi anunciado pelo bispo.
Primeiro a comunhão, ou seja, a sintonia de corpo, de alma, de mente e de coração com o caminho da Universidade e com a sua identidade de
Pontifícia Universidade Católica. Em segundo, de
comprometimento com o plano que a Instituição
já tem e está em andamento. Esses serão os meus
dois grandes critérios. Evidentemente que qualquer escolha passa por consultas, passa por ouvir
pessoas e grupos.
JP - Qual será o desafio na administração da PUCCampinas?
Padre Wilson - O desafio é ser competente como Universidade. Constituir uma equipe que seja uma equipe de fato, que a gestão se caracterize como uma gestão ágil, participativa e eficiente.
JP - O que o senhor tem a dizer à comunidade?
Padre Wilson - Estaremos juntos. Quem faz a
Universidade é toda a comunidade, em seus três segmentos: alunos, professores e funcionários.
Reitor agradece a comunidade
O
O reitor da PUC-Campinas, padre
José Benedito Almeida David, não
escondia a felicidade provocada pela
nomeação de seu sucessor. Há quase
nove anos no comando de uma das
maiores universidades do Estado de
São Paulo, padre David, com sua
modéstia característica, afirma que
recebeu mais do que pode dar à
Universidade e lamenta não ter
implementado alguns projetos, entre
eles o da carreira docente.
JP - Quando terminar seu mandato, o senhor
terá dirigido uma das maiores universidades do
Estado de São Paulo por nove anos. Como o
senhor avalia esta experiência?
Padre David - Um aprendizado. Nós estamos
sempre aprendendo. Acredito que eu recebi mais
do que pude dar para a Universidade. Aprendi
muito, conheci muito e isso se expressa naquilo
que a gente pode construir junto com toda a
Universidade.
JP - Como o senhor avalia a nomeação do padre
Wilson para reitor?
Padre David - Estou muito feliz com essa nomeação. No dia 26 de dezembro de 2001 fui até o
padre Wilson, logo depois do Natal, pedir que ele
viesse ser meu companheiro na gestão de 2002.
O trabalho do padre Wilson nesse período indica uma gestão futura absolutamente promissora para a Universidade. Se a PUC-Campinas
pode ganhar com isto, fico muito feliz.
JP - O que o senhor gostaria de ter realizado
durante sua gestão e não conseguiu?
Padre David - Olha, tanta coisa...Mas eu diria que
gostaria de ter implantado a carreira docente, o quadro de cargos e funções e de ter estado mais presente na vida da Universidade, o que o padre
Benedetti chama de o ‘espírito de pátio’, mas eu
espero que um dia ele seja reconquistado.
JP - O que o senhor pretende fazer a partir de
fevereiro de 2006? Voltar à sala de aula?
Padre David - Eu gosto muito da sala de aula,
sou apaixonado por ela. Lá, de repente, é meu
lugar. Estou à disposição da Universidade, inclusive para dar as minhas aulas com muita alegria.
JP - Qual é o grande desafio do próximo reitor?
Padre David - Estamos vivendo no Brasil um
momento de possível Reforma Universitária e
com isto desafios a cada dia estão se colocando.
Acredito que avançar mais ainda na qualidade de
nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão
continua sendo o grande desafio e a razão de ser
Padre David está à frente da Universidade há quase nove anos
da nossa Universidade. Acredito também que
um aperfeiçoamento maior do corpo docente,
do corpo funcional e da pós-graduação são questões fundamentais para o próximo reitor.
JP - O que o senhor tem a dizer à comunidade
universitária?
Padre David - Primeiro quero agradecer à
Universidade. Sinto-me muito feliz pelo acolhimento, atenção, respeito e colaboração de tantas
e tantas pessoas da comunidade, sejam professores, alunos, funcionários e gestores. Sinto-me
muito feliz por cumprir esse tempo no acolhimento e no respeito da comunidade. Espero essa mesma atitude para com o próximo reitor .
05
Campinas
17 a 30 de outubro /2005
Sucessão
Padre Wilson assume
Universidade até 2010
Grão-chanceler, Dom Bruno Gamberini, convoca sessão extraordinária do Conselho
Universitário e surpreende a comunidade com o anúncio antecipado do nome do próximo reitor
Fotos: Ricardo Lima
Imagem que entra para a história documental da Instituição registra a reunião do Consun no dia 6 de outubro no Campus I, quando Dom Bruno (ao centro) comunicou sua escolha à comunidade
O
Adriana Furtado
[email protected]
O arcebispo metropolitano de Campinas e grão-chanceler da PUCCampinas, Dom Bruno Gamberini, anunciou no dia 6 de outubro, durante reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consun), o nome
do reitor que comandará a Universidade nos próximos quatro anos, substituindo o atual reitor, padre José Benedito de Almeida David. Atuando
como vice-reitor da Universidade desde 2002, o padre Wilson Denadai
foi nomeado o novo reitor da PUC-Campinas para a gestão que se inicia
em 2006. Sua experiência na Reitoria e à frente da coordenação do Plano
Estratégico (PEs) foram alguns dos fatores determinantes para a nomeação. Conheça um pouco mais do próximo reitor na página 04 e no Espaço
Multimídia do Portal PUC-Campinas (www.puc-campinas.edu.br)
De acordo com Dom Bruno, mesmo o Estatuto da Pontifícia
Universidade Católica de Campinas não prevendo eleições para a escolha do novo reitor, uma representativa parte da comunidade docente e
discente foi consultada. "Pude ouvir grande parte de professores e alunos
e dentre os sugeridos sempre estava o nome do padre Wilson", salientou
o arcebispo. Com o nihil obstat (nada impede) da Santa Sé, governo do
Vaticano, foi confirmada a nomeação do nome do novo reitor. Como uma
universidade católica e pontifícia, essa aprovação é sempre feita pela Santa
Sé, por meio da Congregação para a Educação Católica.
Há nove anos à frente da Reitoria, o padre José Benedito de Almeida
David foi um dos grandes responsáveis pela antecipação da nomeação do
futuro reitor, a qual normalmente ocorre no mês de janeiro. "Queremos
que a transição seja feita com tranqüilidade e organização", enfatizou Dom
Bruno. "Vamos ter alguns meses pela frente para a formação da nova equipe que comporá a Reitoria da PUC-Campinas", completou o arcebispo.
A reunião extraordinária do Consun contou com as presenças de 40
integrantes da comunidade acadêmica. Na avaliação do diretor da Faculdade
de Administração, Paulo Antonio Zuccolotto, a nomeação do padre Wilson
era o caminho mais natural. "A Universidade tem um plano para seu
desenvolvimento até 2010, nada melhor do que o coordenador desse plano para assumir as funções da Reitoria ", afirmou Zuccolotto.
Após o anúncio, Dom Bruno e os padres David e Wilson percorreram
o Campus I para uma sessão de fotos, quando receberam alguns cumprimentos da comunidade. No período da tarde, o reitor e o vice-reitor receberam a imprensa local para entrevistas e fotos. Eles não escondiam a felicidade e a disposição para o trabalho intenso previsto para os próximos
meses, quando se dará o período de transição.
CONHEÇA A OPINIÃO DE PARTE DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA SOBRE A NOMEAÇÃO
DO PADRE WILSON DENADAI PARA O CARGO DE REITOR A PARTIR DE FEVEREIRO DE 2006
Ivete Roldão, professora da
Faculdade de Jornalismo
Maria Cristina Zullo, funcionária
da Praça da Alimentação
"Fiquei muito feliz! Acho que a
PUC-Campinas só tem a ganhar
com ele, pois ele tem uma visão
administrativa e acadêmica muito
boa e voltada para a melhoria da
Instituição".
Oscar Fontanini de Carvalho,
coordenador do Ensino a Distância
"É uma surpresa muito positiva. A
comunidade estava querendo isso.
O Padre Wilson já vinha atuando
juntamente com o padre David, o
que vai ser bom para a Universidade
porque não vai ter ruptura de
gestão. A Universidade tem
acertado no que ela tem feito, então
fico feliz com essa possibilidade de
continuarmos acertando".
Padre Paulo Crozera, professor da
Faculdade de Teologia e Ciências
Religiosas
"O padre Wilson tem uma grande
experiência nas áreas da
administração e da educação,
além de ele ser uma pessoa
extremamente humana. Creio que
ele trará uma grande contribuição
para a Universidade, cuja vocação
são as questões da pessoa
humana".
Anderson Araújo, aluno da Faculdade
de Teologia e Ciências Religiosas
"Acredito que essa nomeação seja
fruto do trabalho e da competência
desenvolvidos durante esse tempo
como vice-reitor. Ele tem feito um
bom trabalho na Universidade e
merece essa recompensa".
"Era um nome que a comunidade
acadêmica estava esperando em
função do trabalho dele e acho que
é um nome que tem tudo para
contribuir para o avanço da
PUC-Campinas. O que achei
interessante foi a nomeação ter
sido feita em outubro. Essa atitude
demonstrou respeito. Desse modo
a Universidade tem tempo para um
planejamento e transição".
O que prevê o Estatuto da PUC-Campinas?
Lucas Moreira, aluno da Faculdade
de Engenharia Ambiental
"Olha, não conheço o padre
Wilson, mas, sabendo que foi
uma nomeação do Dom Bruno, já
fico mais tranqüilo porque esse
cara tem umas idéias legais, ele é
bem para cima".
Luciana Pupo, aluna da Faculdade de
Publicidade e Propaganda
"Espero que ele melhore a
comunicação com os alunos,
porque nós sentimos falta de um
canal de comunicação com a
Reitoria. Espero que ele faça um
bom trabalho nesse sentido".
O Estatuto da PUC-Campinas estabelece, no parágrafo 2º do artigo 9º, que
compete ao grão-chanceler escolher e nomear o reitor. De acordo com o artigo
12 desse documento, o reitor tem mandato de quatro anos e apenas uma
recondução sucessiva é permitida, também pelo grão-chanceler. Para ser reitor, o
escolhido tem de integrar o corpo docente há pelo menos três anos. Também é
atribuição da Grã-Chancelaria apresentar à Santa Sé a indicação do reitor para
obtenção do nihil obstat (nada impede). Cabem ao reitor, segundo o artigo 11 do
estatuto, as indicações, para nomeação e exoneração, do vice-reitor, dos próreitores, dos diretores dos centros e das faculdades, após aprovação da
presidência da Sociedade Campineira de Educação e Instrução (SCEI). Conheça o
estatuto: www.puc-campinas.edu.br/institucional/doc/2004_06_29_estatuto.pdf
Douglas Clauber Santon, funcionário
do Departamento de Serviços Gerais
"Como funcionário acho que vai
ser muito bom, pois ele vai dar
continuidade ao trabalho que já
vinha sendo feito, o qual aprovo.
As expectativas são muito boas".
Colaboraram Rita Hennies
e Maísa Urbano
17 a 30 de outubro /2005
06
Jornal da PUC-Campinas
Polêmica
Mais duas questões sobre o referendo
Fotos: Ricardo Lima
Especialistas
afirmam que a
proibição de venda
de armas é inócua
e que os testes
psicológicos para
o porte de arma
não convalidam
o equilíbrio
do atirador
Paulo e professor da Faculdade de
Direito da PUC-Campinas, Sílvio
Artur Dias da Silva, a população vem
se desarmando desde 1997, com os
obstáculos impostos pelas leis que culminaram com a aprovação do Estatuto
do Desarmamento, em 2004.
"Deveríamos ter uma segurança pública mais eficaz. A família, a escola, a distribuição de renda, tudo isso vai diminuir o índice de criminalidade e não
precisaremos de uma medida extrema
como a proibição", argumentou o procurador. Silva citou como exemplo a
facilidade com que adquiriu uma arma,
Rita Hennies
aos 21 anos. "Era simples, comprá[email protected]
mos e daí três dias a arma estava conosco", pontuou.
a reta final para a realiMas quem está preparado psicolozação do referendo, Dos 362 homicídios registrados em 2004 na cidade, quase 77% foram causados por ferimentos à bala
gicamente para usar uma arma? A
quando os brasileiros
professora da Faculdade de
decidirão a proibição ou não do
Psicologia Maria de Fátima Franco
comércio de armas de fogo e munidos Santos, especialista em
ção no País, no dia 23 de outubro,
Psicologia Forense, admitiu a limia polêmica dá o tom do debate acatação dos testes que estabelecem
lorado na sociedade. Alguns repreo grau de controle de impulsos dos
sentantes da área jurídica vêem
indivíduos. "Qualquer instrumencom reservas a realização da conto que se use para fazer avaliação
sulta popular e afirmam que a proié limitado, por isso não há certebição é inócua, enquanto outros
za sobre o fato de o cidadão estar
especialistas admitem que os tesa salvo ou não", revelou a psicólotes psicológicos não garantem o
ga. A prova dessa limitação, segunequilíbrio emocional adequado aos Maria de Fátima dos Santos: vota SIM
Sílvio Artur Dias da Silva ainda não decidiu seu voto
do ela, está nas ruas, onde é
portadores de arma de fogo. Mais
comum assistirmos às cenas de agresdois pontos a serem considerados pelos
expressam o tamanho da insegurança
homicídios dolosos (intencionais)
sividade e descontrole pelos motorisleitores nesta complexa questão. Entre
da população do País, o segundo em
registrados em 2004 pelo Comando de
tas. Para a psicóloga, os testes psicotéco SIM e o NÃO, o consenso é que a
mortes por armas de fogo no ranking
Policiamento do Interior-2, da Polícia
nicos obrigatórios, que viabilizam a
sociedade brasileira não suporta mais
da Organização das Nações Unidas
Militar, 76,41% ocorreram por feriemissão do porte legal de arma, não
tanta insegurança.
para Educação, Ciência e Cultura
mentos à bala.
garantem o controle adequado.
Os números relativos à violência
(Unesco). Em Campinas, dos 362
Para o procurador do Estado de São
N
Universidade lança
campanha pelo SIM
A PUC-Campinas, a Pastoral Universitária (PU)
e a União Nacional dos Estudantes (UNE) intensificam as ações de conscientização da população. No
dia 19 de outubro, a partir das 19h30, no Auditório
Nobrão, Campus Central, a Universidade e o Comitê
Campinas SIM ao Desarmamento, coordenado pela
PU e integrado por representantes da sociedade civil,
promoverão um ato simbólico de Adesão pela Paz,
que marca o lançamento oficial da campanha a favor
do desarmamento na Universidade.
Um grupo de estudantes da Faculdade de Direito
está realizando palestras sobre o referendo em igrejas e escolas desde o mês de agosto. Um dos integrantes, Rodrigo Fornaziero Lorente, informou que
o grupo investirá no corpo-a-corpo a favor da proibição nos shoppings, nos parques, nas igrejas e na
região central da cidade até o dia 22 de outubro. A
UNE reforçará a campanha pelo SIM nas universidades, conforme informou o diretor de cultura da
entidade, Tiago Alves Ferreira. Uma parceria entre a
UNE, o Trama Universitário e as organizações nãogovernamentais (ONGs) Viva Rio e Instituto Sou
da Paz viabilizou uma Caravana pelo SIM que está
percorrendo as universidades das regiões Sul e Sudeste,
até o dia 19 de outubro, com uma intensa programação de shows e debates.
>> Serviços
Comitê SIM ao Desarmamento: [email protected]
Frente Parlamentar Brasil sem Armas: www.referendosim.com.br
Frente Parlamentar pelo Direito da Legítima Defesa:
www.pelalegitimadefesa.org.br
União Nacional dos Estudantes: www.une.org.br
Dom Bruno defende a paz
O grão-chanceler da PUC-Campinas e
arcebispo metropolitano de Campinas, Dom
Bruno Gamberini, defende o SIM no referendo
que decidirá o comércio de munição de armas
de fogo no País. Dom Bruno já ficou na mira de
uma arma durante um assalto. Ele concedeu
uma entrevista em 29 de setembro à equipe de
jornalistas do Departamento de Comunicação
(Dcom) da Universidade, quando defendeu a
paz sob qualquer ponto de vista. Conheça
abaixo trechos da entrevista que está
disponibilizada no Portal PUC-Campinas
(www.puc-campinas.edu.br).
JP - O comércio de armas de fogo e munição deve
ser proibido no Brasil? Por quê?
Dom Bruno Gamberini - Você gostaria de levar
um tiro de um ladrão na sua frente? Então se o
comércio está proibido há a diminuição dos
acidentes e dos assaltos que acontecem. No Japão,
a proibição de armas reduziu em 800 vezes o
número de assassinatos por armas de fogo. No
Brasil, a cada dez minutos morre uma pessoa por
arma de fogo. Dez minutos! São seis pessoas em
uma hora, em dez horas, 60, em 20, 120, ou seja,
140 pessoas por dia no Brasil são assassinadas por
arma de fogo. Se você acha que isso é bom, vote
no NÃO.
JP - O senhor acha que só a proibição seja
suficiente para reduzir a violência?
Arcebispo já ficou na mira de uma arma de fogo
Dom Bruno - Não é suficiente, mas é uma das
coisas, é um dos fatores. E se nós conseguirmos
isso, eu acredito que entraremos num dos fatores
essenciais para diminuir a violência no Brasil.
Agora, o que falta no Brasil é emprego, trabalho e
educação, não é? Então é necessária uma
transformação no Brasil, mas tem de começar por
algum lugar.
JP - Como foi a experiência do senhor com arma
de fogo?
Dom Bruno - Fomos roubados dentro de casa.
Entraram lá os ladrões, queriam dinheiro,
queriam armas e nós não tínhamos. Eles ficaram
mexendo na casa até levar tudo aquilo que
podiam. Graças a Deus não fizeram violência
contra ninguém. Mas foi uma experiência voraz.
07
Jornal da PUC-Campinas
17 a 30 de outubro /2005
Vai para o buraco? Em meados
Velho samba revela novos bambas
da década de 70, consolidada a separação
dos Beatles, cada um seguia carreira-solo.
John Lennon vivia sua fase mais engajada e
menos criativa, quando gravou com Yoko Ono Live
in NewYork City, que, entre outras pérolas, traz uma
canção de apoio aos Black Panthers. Na mesma época,
Paul McCartney lançou Silly Love Songs e foi severamente
criticado por não ter afinação política com o momento. No
entanto o disco era bom. As canções eram de qualidade e o
grupo que o acompanhava estava com sua melhor formação.
McCartney acaba de lançar Chaos and Creation in the Backyard.
Algumas das canções têm pretensões engajadas. Lennon, quando estava nessa, foi para o buraco. Em show recente, McCartney já andou caindo em um. Será a sina dos ex-Beatles quando se metem com política?
MU
RA
L
Aderval Borges
[email protected]
Os seis integrantes do grupo Velha Arte do Samba gostam desse gênero, porém autêntico e de qualidade. Todos aprenderam a tocar nas
tradicionais rodas de samba, cada vez mais raras na cidade.
Conforme reza a tradição, procuram passar o que aprenderam para as novas gerações. Guilherme, filho do cantor do
grupo, Nelson Fidélis, tem apenas 13 anos e de vez em
quando já dá as caras nos ensaios. E não é só para
assistir. O menino é bamba em vários instrumentos. Cada um deles tem seu ofício, por isso as
apresentações ocorrem mais nos finais de
semana. Fidélis é serralheiro. O funcionário público Amaury Oliveira, o Tio
Béba, canta e toca surdo, juntamente com o metalúrgico Gilson. O
pandeiro fica por conta de
Marcelo Prata, que trabalha
com seguros. Iris Baiacam, o
'cobra' no cavaquinho, é ambulante. Rildo Carvalho, contabilista, toca
violão de sete cordas. O eletricista Sérgio
Moraes, meio-campista da heróica equipe
que levou a Ponte Preta à primeira divisão, em
1969, toca violão de seis cordas.
Quando o Velha Arte surgiu, em 2001, cada um deles
já tinha tocado em outros grupos. A coisa engrenou
e, de lá para cá, tem sido difícil dar conta da agenda
de shows. Na entrevista abaixo, Tio Béba, que cuida da produção, fala dos sambas antigos e do atuais
e aproveita para reclamar do excesso de trabalho. A
tradicional feijoada, que costuma promover para reunir os sambistas amigos, vem sendo protelada e já
está receoso de virar 2005 sem conseguir realizá-la. Grupo Velha Arte do Samba mantém a tradição de passar as primeiras 'levadas' para a moçada
Campinas: capital do samba no interior Não
tem essa de que o samba é carioca, baiano ou paulista. Existem sambistas bons em todo
o País e Campinas é, de longa data, a principal referência de samba de qualidade no
interior. Um dos aspectos ruins para o samba campineiro foi a decadência dos blocos
e das escolas de samba locais, por falta de incentivo. Com isso, os sambistas foram se
afastando das agremiações.
Rodas de samba
Aprendemos nas várias rodas de samba que existiam pela cidade.
A emergência do pagode fez com que o samba se profissionalizasse. Por um lado foi
bom, porque não falta trabalho. Mas o samba espontâneo, aquele feito por amor à arte,
está ficando de lado.
Origem do apelido Tio Béba Ah, foi obra de alunos da PUC-Campinas. Uma vez
fizemos uma roda de samba num centro acadêmico no Campus Central. Quando houve o intervalo, os alunos me flagraram tomando jurubeba num bar próximo e ficaram
me chamando de Tio Béba. A partir daí o apelido pegou.
Samba se renovando Não somos um grupo fechado. Gostamos de convidar outros sam-
bistas, principalmente os mais jovens, que querem aprender. O Guilherme Fidélis, por exemplo, já se defende bem e está a caminho de formar seu próprio grupo.
>> Serviços
Informações: (19) 3294-5220 e [email protected]
O rei da canção napolitana O cancioneiro napolitano não se limita às
classificados
populares tarantelas. Existem vários outros gêneros. As letras são ricas e bemhumoradas, no tom debochado próprio do seu povo. O cantor e violonista Roberto
Murolo (1912-2003) é considerado o rei da canção napolitana. Filho do famoso
compositor Ernesto Murolo, Roberto começou a cantar ainda muito jovem. Na década
de 30 já saía em turnês pela Europa com o quarteto Mida. Após a 2ª Guerra Mundial,
começou a investir na carreira-solo, cantando em todo o mundo e gravando uma série
de discos, acompanhando-se ao violão. Seu último disco, Ottantavoglia di Cantare, foi
lançado em 1992, quando ele completou 80 anos.
Fotos: Ricardo Lima
O 'reacionário'
Nelson Rodrigues (1912-1980) é,
de longe, o mais importante
dramaturgo brasileiro de todos
os tempos. Suas 17 peças foram
básicas para o novo teatro
moderno e inspiraram três
telenovelas e 21 filmes. Em vida,
publicou cinco livros de contos e
12 de crônicas. Após sua morte,
sua editora revelou ao público
que Suzana Flag, autora de 11
romances populares vendidos em
bancas de revistas, era
pseudônimo do autor. Estudantes
de esquerda, cujas passeatas
eram ironizadas em suas crônicas
nos anos 60, o odiavam. Ainda
que sob o estigma de
reacionário, ajudou a tirar do País
muitos intelectuais de esquerda,
na pior fase do regime militar, em
1969. Ainda assim, não conseguiu
evitar que o próprio filho fosse
preso e torturado.
Sociedade
alternativa O Bar
Sociedade Alternativa, do ceramista
Daniel Soares (ao lado), no Cambuí, se propõe
ser um novo espaço para quem quer mostrar talento. Músicos novos podem se apresentar por lá às
sextas e sábados, a partir das 19h. O bar também
organiza exposições de fotografias, pinturas e
gravuras. E tem também um feirão para os amantes de
long-plays. Ocorre todas as quintas-feiras à noite, com
vendas e trocas. Os agendamentos para shows e
exposições são feitos pelo telefone (19) 3251-1501
ou [email protected]. Para
trocar bolachões ou conhecer o ambiente, é
só aparecer por lá. Fica na Rua Dr.
Sampaio Ferraz, 447,
Cambuí.
MORADIA
Vagas em República Mista
Próximo ao Campus I
(19) 9178-0701
SERVIÇOS
Dissertações, Teses, Tradução: Inglês
[email protected]
(19) 3276-1613
TRANSPORTE
J.C. Transportes
Indaiatuba - Campus I (Diurno e Noturno)
(19) 3875-4592 e 9778-9368
MORADIA PARA ESTUDANTES
Próximo ao Campus I.
[email protected]
(19)3256-2615 e 9797-0653
AULAS PARTICULARES / CURSOS
Aulas Particulares de Diversas Disciplinas
[email protected]
(19) 3228-6053 e 9178-3289
TRANSPORTE
T.P.Z. Transportes
Cosmópolis - Campus I (Diurno e Noturno)
(19) 3872-2539
As ofertas acima são de responsabilidade dos anunciantes
Agradecemos a todos que participaram de nossas promoções. Aguardem
novos sorteios nas próximas edições.
Os ganhadores devem retirar os cupons
dos respectivos prêmios até o dia 25 de outubro de 2005 no Departamento de Comunicação
da PUC-Campinas, que funciona no Prédio da
Pastoral I , Campus I, das 8h às 17h. Confira os
vencedores!
Kit do Banco Real - Priscila Lahoz
(Aluna da Faculdade de Letras)
Luva de Golfe da Golf Range - Carla A. Ruffo
Rosa (Funcionária do Ceatec)
Lanches da Companhia do Trigo - Liége Honda
(Aluna da Faculdade de Psicologia)
08
17 a 30 de outubro /2005
Jornal da PUC-Campinas
Aniversário
Medicina cria associação de ex-alunos
Ricardo Lima
Faculdade completa 30 anos
com motivos de sobra para
festejar: lidera o ranking das
melhores do País, chega à
marca de 3 mil médicos,
lança livro e promove a
interface entre a academia
e os profissionais da área
A
Diretor da
Faculdade de
Medicina, Francisco
Kerr Saraiva
(à dir.), diretor
do CCV, Luiz
Maria Pinto (ao
microfone),
reitor, padre José
Benedito de Almeida
David (ao centro),
e autoridades
durante a abertura
das festividades
Rita Hennies
[email protected]
A criação da Associação de Ex-alunos de Medicina
e o lançamento do livro Faculdade de Medicina -30 Anos
marcaram as comemorações de aniversário da
Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, que ocorreram nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no
Auditório Monsenhor Salim, do Campus II. Uma
história de sucesso que pode ser mensurada pelo número de médicos formados pela Instituição: cerca de 3 mil,
entre eles, o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira
Santos, e o presidente da Câmara Municipal de
Campinas, Dário Saadi, que participaram das festividades. A Faculdade de Medicina da PUC-Campinas
é considerada uma das melhores do País com conceito máximo (5), segundo apontou este ano o resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes
(Enade), do Ministério da Educação (MEC).
A Associação de Ex-alunos de Medicina pretende congregar as várias gerações de alunos, professo-
res e funcionários que já passaram pelo curso desde
a sua fundação. Parte dessa trajetória esta documentada no livro comemorativo, que publica depoimentos de ex-diretores do curso e do Hospital e
Maternidade Celso Pierro (HMCP) e de ex-alunos.
Na avaliação do diretor da Faculdade de Medicina,
Francisco Kerr Saraiva, o curso é um centro de excelência, formador de profissionais responsáveis pela
difusão da medicina humanizada, uma das características do trabalho médico na Universidade. "A
Associação de Ex-alunos nos fortalecerá e vai nos aprimorar ainda mais, promovendo a interface entre exalunos e a faculdade", ressaltou o diretor. O presidente da Câmara Municipal de Campinas, Dário Saadi,
destacou a faculdade e o HMCP como "parceiros
importantíssimos" do município e do Sistema Único de Saúde (SUS).
As histórias da Universidade e da vida da ex-aluna da 2ª turma de Medicina, formada em 1982, e
docente desde 1983, Maria Aparecida Barone Teixeira
se misturam . "Isso aqui é a minha vida. Pretendo ficar
por muito tempo ainda", resumiu. E a dedicação à
carreira docente também está nos planos da estudante do 6º ano Karina Bonfiglioli. "O aspecto mais forte da faculdade é a habilidade prática com que o aluno se forma", argumentou.
>> Serviços
Livro: Faculdade de Medicina - 30 Anos
Organização: Maria Aparecida Barone Teixeira, Francisco Kerr
Saraiva e Valter Pazinato
Informações: (19) 3729-8393
Download

Você já decidiu? S I M N Ã O - PUC