UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM A IMPORTÂNCIA DA ENERGIA RENOVÁVEL PARA O MEIO AMBIENTE Por: LICIA FERNANDA DA ROCHA LOPES Orientador Prof. FRANCISCO CARRERA Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” FACULDADE INTEGRADA AVM A IMPORTÂNCIA DA ENERGIA RENOVÁVEL PARA O MEIO AMBIENTE Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Ambiental Por: LICIA FERNANDA DA ROCHA LOPES 3 AGRADECIMENTOS ...a DEUS, meus pais (falecidos), Marido, Filhos, Neto e amigos pelo incentivo momentos. e apoio em todos os 4 DEDICATÓRIA ...dedico aos meus pais, marido Laercio, filhos Igor e Juliana e neto Cauã. 5 RESUMO O desenvolvimento econômico e social tende sempre a criar demanda por mais energia. A aspiração ao desenvolvimento da maior parte da população mundial só poderá ser realizado se houver um aumento notável na criação de novas fontes de energia que sejam sustentáveis. Este trabalho tem por objetivo discutir a contribuição da energia renovável para satisfação das necessidades energéticas da humanidade. Focando na importância do incentivo a novas tecnologias e as dificuldades encontradas principalmente nas áreas econômicas e políticas 6 METODOLOGIA A metodologia proposta neste trabalho constará de uma pesquisa qualitativa e quantitativa, através de consultas bibliográficas existentes em livros, artigos e relatórios científicos e reportagens, voltados aos assuntos concernentes à energia renovável e sua implicação com o meio ambiente, tendo em vista as necessidades prementes do desenvolvimento energético mundial e a preservação do meio ambiente. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Fontes de energia 10 CAPÍTULO II - Energia renovável no mundo 14 CAPÍTULO III – O Brasil no contexto mundial. 21 CONCLUSÃO 55 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 58 ANEXOS 60 ÍNDICE 63 FOLHA DE AVALIAÇÃO 65 8 INTRODUÇÃO A prosperidade humana sempre esteve intimamente ligada à nossa capacidade de capturar, coletar e aproveitar energia. O controle do fogo e a domesticação de plantas e animais foram dois dos fatores essenciais que permitiram que nossos ancestrais fizessem a transição de uma existência rude e nômade para sociedades estáveis e com raízes que pudessem gerar a riqueza coletiva necessária para formar civilizações. Durante milênios, a energia em forma de biomassa e biomassa fossilizada foi utilizada para cozinhar e aquecer, além da criação de materiais que iam do tijolo ao bronze. Apesar desses desenvolvimentos, na verdade a riqueza relativa em todas as civilizações foi fundamentalmente definida pelo acesso e controle da energia, conforme medido pelo número de animais e humanos que serviam às ordens de um indivíduo específico. A Revolução Industrial e tudo o que se seguiu lançaram uma parcela cada vez maior da humanidade para uma era dramaticamente diferente e mágica. Vamos ao mercado local puxados por centenas de cavalos e podemos voar ao redor do mundo com a força de centenas de milhares de cavalos. Nossas casas são aquecidas no inverno, frescas no verão e iluminadas à noite. O uso amplamente disseminado de energia é a razão fundamental para centenas de milhares de humanos gozarem um alto padrão de vida. O que tornou isso possível foi nossa habilidade de usar a energia com cada vez mais destreza. A ciência e a tecnologia (C&T) nos forneceram os meios para obter e explorar fontes de energia, principalmente combustíveis fósseis, para que o consumo de energia do mundo atual seja equivalente a cerca de mais de dezessete bilhões de cavalos trabalhando para o mundo 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Porém, o caminho que o mundo está tomando atualmente não é sustentável, há custos associados ao uso intensivo de energia. O uso atual e a grande dependência de combustíveis fósseis estão 9 levando à degradação dos meios ambientes locais, regionais e globais. Assegurar o acesso a recursos vitais de energia, principalmente de petróleo e gás natural, tornou-se um fator definitivo nos alinhamentos políticos e estratégias. Como se tornou bem conhecido em nossos dias, a produção de energia, através dos combustíveis fósseis tende, na maior parte dos casos, a criar emissão de gás carbônico e a contribuir para o efeito estufa que altera o clima global. O desenvolvimento econômico e social tende sempre a criar demanda por mais energia, por exemplo, enquanto em países desenvolvidos o consumo de eletricidade chega a 10 mil kWh por pessoa, nos países em desenvolvimento, nos quais está à maior parte da população mundial, esse consumo é menor do que dois mil kWh por pessoa. A aspiração ao desenvolvimento da maior parte da população mundial só poderá ser realizada se houver um aumento notável na eficiência do uso de energia e na criação de novas fontes de energia que sejam sustentáveis. Devem aumentar os esforços conjuntos para melhorar a eficiência energética e reduzir a intensidade de carbono da economia mundial, incluindo a introdução mundial de sinalização de preços para emissões de carbono, considerando os diferentes sistemas econômicos e energéticos em países diferentes. Tecnologias devem ser desenvolvidas e implantadas para capturar e sequestrar carbono de combustíveis fósseis, especialmente do carvão. Mas, principalmente, o desenvolvimento e o investimento nas tecnologias de energias renováveis devem ser acelerados de forma ambientalmente responsável. O potencial inexplorado de energia renovável da Terra é enorme e amplamente distribuído, tanto em países industrializados como nos países em desenvolvimento. Em muitas situações, a exploração desse potencial oferece oportunidades únicas para promover objetivos de desenvolvimento ambiental e 10 econômico, quedas dramáticas de custos, o forte crescimento em muitas indústrias de energia renovável, geração de emprego, entre outros. No entanto, consideráveis barreiras tecnológicas e de mercado ainda persistem e devem ser superadas, para que as fontes renováveis de energia possam desempenhar um papel significativamente maior no mix de energia do mundo. CAPÍTULO I FONTES DE ENERGIA Podemos classificar as fontes de energia em três categorias distintas, como: -Fontes de energia arcaicas, onde se encontram a força humana, dos animais e o fogo; - Fontes de energias modernas não renováveis, onde teremos o carvão mineral, gás, petróleo e a energia nuclear; e -Fontes de energias modernas renováveis, como a eólica, solar, hidrelétrica, geotérmica e biomassa, entre outras 1.1- PRINCIPAIS TIPOS DE ENERGIAS RENOVÁVEIS SOLAR 11 A energia luminosa do sol é transformada em eletricidade por um dispositivo eletrônico, a célula fotovoltaica. Já as placas solares usam o calor do sol para aquecer água. EÓLICA O vento gira as pás de um gigantesco cata vento, que aciona um gerador, produzindo corrente elétrica. BIOMASSA • Biogás Transformação de excrementos animais e lixo orgânico, como restos de alimentos, em uma mistura gasosa, que substitui o gás de cozinha, derivado do petróleo. A matéria-prima é fermentada por bactérias num biodigestor, liberando gás e adubo. •Biocombustíveis Geração de etanol e biodiesel para veículos automotores a partir de produtos agrícolas como: cana-de-açúcar, milho e beterraba, que sofrem processos físico-químicos. HIDRELÉTRICA É a energia que vem do movimento das águas, usando o potencial hidráulico de um rio e os diversos desníveis naturais ou artificiais. GEOTÉRMICA É a energia gerada através do calor proveniente do interior da terra, esse potencial é usado para produção de energia elétrica, como fonte de aquecimento, entre outras 12 . 1.2- BENEFÍCIOS DOS RECURSOS RENOVÁVEIS As fontes renováveis de energia – biomassa, eólica, solar, hidrelétrica e geotérmica – contribuíram para satisfazer as necessidades energéticas da humanidade por milhares de anos. Uma maior contribuição das modernas tecnologias de energia renovável pode ajudar a promover o avanço de importantes metas de sustentabilidade; também é considerada desejável por várias razões: • Benefícios ambientais e de saúde pública. Na maioria dos casos, as modernas tecnologias de energia renovável geram emissões muito mais baixas (ou quase nulas) de gases de efeito estufa e de poluentes atmosféricos convencionais, em comparação com as alternativas de combustível fóssil; outros benefícios podem envolver necessidades menores no uso de água e tratamento de resíduos, bem como impactos evitados de mineração e prospecção. • Benefícios de segurança energética. Recursos renováveis reduzem a exposição à escassez de oferta e à volatilidade dos preços nos mercados de combustíveis convencionais; também oferecem um meio para muitos países diversificarem os seus suprimentos de combustível e para reduzir a dependência das fontes estrangeiras de energia, incluindo a dependência do petróleo importado. • Desenvolvimento e benefícios econômicos. O fato de muitas tecnologias renováveis poderem ser implantadas gradativamente, em aplicações isoladas de pequena escala, faz com que sejam adequadas para os contextos dos países em desenvolvimento, em que existe uma necessidade urgente de estender o acesso aos serviços de energia nas zonas rurais; além disso, uma 13 maior dependência dos recursos renováveis nacionais pode reduzir a transferência de pagamentos por energia importada e estimular a criação de empregos. As vantagens da energia renovável foram bem definidas pelo Brasil em proposta apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ocorrida em Johanesburgo (África do Sul), em agosto de 2002. No documento, foi explicado que as novas fontes renováveis de energia - como biomassa, pequenas hidroelétricas, eólica e energia solar, incluindo a fotovoltaica - oferecem inúmeros benefícios: • Aumentam a diversidade e a complementaridade da oferta de energia; • Reduzem as emissões atmosféricas de poluentes; • Asseguram a sustentabilidade da geração de energia em longo prazo; • Criam novas oportunidades de empregos nas regiões rurais e urbanas, oferecendo oportunidades para fabricação local de tecnologia de energia; • Fortalecem a garantia e segurança de fornecimento porque não requerem importação, diferentemente do setor dependente de combustíveis fósseis Além de solucionar grandes problemas ambientais, como o efeito estufa, as fontes renováveis ajudam a combater a pobreza. Como a própria delegação brasileira em Johanesburgo afirmou, que as fontes renováveis de energia: • Podem aumentar o acesso à água potável proveniente de poços. Água limpa e alimentação cozida reduzem a fome (95% dos alimentos precisam ser cozidos antes de serem ingeridos) e evitam doenças; • Reduzem o tempo que mulheres e crianças gastam nas atividades básicas de sobrevivência (buscar lenha, coletar água, cozinhar). Energia em casa facilita o acesso à educação, aumenta a segurança e permite o 14 uso de mídia e comunicação na escola; e • Diminuem o desmatamento. CAPÍTULO-II ENERGIA RENOVÁVEL NO MUNDO 2.1- FORNECIMENTOS DA ENERGIA MUNDIAL O misto de oferta de energia mundial atualmente é dominado pelos combustíveis fósseis. Atualmente, carvão, petróleo e gás natural fornecem cerca de 80% da demanda de energia primária. A biomassa tradicional e a energia hidrelétrica de larga escala respondem por grande parte do restante. As modernas formas de energia renovável têm um papel relativamente pequeno hoje (da ordem de uma pequena porcentagem do conjunto atual de oferta). As preocupações com a segurança energética – particularmente relacionadas à disponibilidade de suprimentos convencionais de petróleo relativamente baratos e, em menor grau, de gás natural – continuam a ser importantes determinadores de políticas nacionais de energia em muitos países e uma fonte potente de tensões geopolíticas correntes e de vulnerabilidade econômica. No entanto, os limites ambientais, mais do que restrições de oferta, podem surgir como um desafio mais fundamental associado à dependência continuada de combustíveis fósseis. As reservas mundiais de carvão mineral sozinhas estão aptas a fornecer vários séculos de consumo continuado nos níveis atuais e podem fornecer uma fonte alternativa ao petróleo no futuro. Sem alguns meios para abordar as emissões de carbono, entretanto, a dependência continuada do carvão para uma grande porção do futuro mix mundial de energia apresentaria riscos inaceitáveis de mudanças climáticas. Atingir objetivos de sustentabilidade exigirá mudanças significativas no 15 fornecimento do mix de recursos atuais visando a um papel bem maior para tecnologias de baixo teor de carbono e fontes de energia renovável incluindo biocombustíveis de ponta. O potencial de energia renovável inexplorada do planeta, particularmente, é enorme e está amplamente distribuído em países desenvolvidos e em desenvolvimento da mesma forma. Em muitos cenários, explorar esse potencial oferece oportunidades únicas para apresentar objetivos ambientais e de desenvolvimento econômico. Recentes desenvolvimentos, incluindo substanciais comprometimentos com políticas, considerável redução de custos e forte crescimento em muitas indústrias de energia renovável são promissores, mas consideráveis dificuldades tecnológicas e mercadológicas ainda existem e têm de ser superadas para significativamente que a maior energia no mix renovável mundial de desempenhe energia. um Avanços papel em armazenagem de energia e tecnologias de conversão e na melhoria da capacidade de transmissão de eletricidade de longa distância poderia fazer muito para expandir a base de recursos e reduzir os custos associados ao desenvolvimento de energia renovável. Enquanto isso é importante notar que o recente crescimento substancial da capacidade instalada de energia renovável no mundo foi grandemente impulsionado pela introdução de políticas agressivas e incentivos em uma porção de países. A expansão de compromissos semelhantes a outros países aceleraria ainda mais os índices atuais de implantação e fomentaria investimento adicional em avanços continuados em tecnologia. Além dos meios renováveis para a produção de eletricidade, como eólica, solar e hidrelétrica, os combustíveis à base de biomassa representam uma área importante de oportunidade para substituir os combustíveis convencionais para transporte à base de petróleo. O etanol de cana-de-açúcar já é uma opção atraente, desde que se apliquem salvaguardas ambientais razoáveis. Para aumentar ainda mais o potencial de biocombustíveis no mundo, são necessários esforços intensivos de pesquisa e desenvolvimento para oferecer uma nova geração de combustíveis com base na conversão eficiente de material lignocelulósico. Ao mesmo tempo, avanços na biologia 16 molecular e de sistemas apresentam a grande promessa para a geração de matéria-prima avançada de biomassa e métodos muito menos energointensivos de converter material vegetal em combustível líquido como pela produção microbial direta de combustíveis como o butanol. No futuro, biorrefinarias integradas podem permitir a co-produção eficiente de energia elétrica, combustíveis líquidos e outros co-produtos valiosos a partir de recursos de biomassa sustentavelmente gerenciados. Uma dependência bastante expandida de biocombustíveis exigirá mais reduções nos custos de produção; minimização do uso de terra, água e fertilizantes; e tratar dos impactos potenciais sobre a biodiversidade. As opções de biocombustíveis com base na conversão de lignocelulose em vez de amidos parecem mais promissoras em termos de minimizar a competição entre o cultivo de alimentos e a produção de energia e em termos de maximizar os benefícios ambientais associados a combustíveis de transporte à base de biomassa. 2.2- QUESTÕES E OBSTÁCULOS PARA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS Várias questões e obstáculos de mercado se aplicam a cada uma das principais opções “novas” de energia renovável: eólica, fotovoltaica solar (FV), térmica solar, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e geotérmica. Para cada opção energética, os elaboradores de políticas enfrentam uma série de questões semelhantes: • A tecnologia disponível é adequada – na teoria e na prática – para atender à 17 demanda crescente? • Existem aspectos da fonte – tais como a natureza intermitente do vento e da luz solar – que atualmente limitem o seu papel no mercado? • A tecnologia poderá competir economicamente com outras opções em um mundo de emissões limitadas (levando-se em conta os atuais subsídios para fontes convencionais e não convencionais, bem como custos e benefícios que atualmente não estão internalizados nos preços de mercado)? • Como superar outras barreiras, incluindo questões de localização, barreiras de mercado ou regulatórias, limitações de infra-estruturar e outros obstáculos? Embora os pontos específicos destas questões variem para as diferentes tecnologias e recursos, diversos aspectos genéricos devem ser observados nas diferentes opções. A adequação dos recursos geralmente não é problema, embora algumas partes do mundo sejam mais promissoras para certas tecnologias renováveis do que outras. A taxa de absorção de luz solar pela Terra é aproximadamente 10 000 vezes maior do que a taxa de utilização de todos os tipos de energia comercial por todos os seres humanos. Mesmo quando limitações práticas são incluídas na conta, a base restante de recursos renováveis continua enorme. Um estudo recente sugere que se forem considerado apenas as áreas em terra que já são economicamente viáveis para turbinas eólicas comercialmente disponíveis (ou seja, áreas com ventos Classe cinco ou melhores) e se for aplicado um fator de exclusão de 90% (isto é, presume-se que apenas 10% dessas áreas estarão disponíveis, devido à concorrência para uso do solo ou por outros motivos), o potencial energético eólico ainda é teoricamente suficiente para abastecer 100% do consumo global atual de eletricidade e até 60% do consumo mundial projetado para 2025 (Greenblatt, 2005). Os desafios para as tecnologias de energia renovável, portanto, são essencialmente tecnológicos e econômicos: como capturar a energia de fontes dispersas que normalmente têm baixa densidade de potência em comparação com combustíveis fósseis ou nucleares e levar essa energia aonde e quando 18 ela for necessária a um custo razoável. Reduções significativas de custos foram obtidas para as tecnologias solar e eólica na década passada, mas como meio de geração de energia elétrica essas opções geralmente continuam sendo mais caras por quilowatts-hora produzidos do que seus concorrentes convencionais. Outros obstáculos à implantação decorrem da natureza da fonte em si. A energia eólica e solar, por serem intermitentes e não estarem disponíveis sob demanda apresentam desafios em termos da integração em redes de distribuição de energia elétrica, que precisam responder de imediato a cargas mutáveis. A intermitência impõe custos aos sistemas de energia elétrica – custos que podem ser substanciais em níveis previsíveis de implantação de energia eólica e solar. Para enfrentar esse problema, aperfeiçoamentos em larga escala em infra-estrutura de transmissão, acréscimo de geração convencional de resposta mais rápida e, possivelmente, tecnologias de armazenamento talvez possam permitir que a energia eólica abasteça mais de 30% da geração de eletricidade, mantendo os custos da intermitência abaixo de alguns centavos por quilowatt-hora (DeCarolis e Keith, 2005; 2006). O desenvolvimento de opções de armazenamento custo-efetivo deve ser uma prioridade para futuras pesquisas e desenvolvimento, já que o êxito nesta área poderá afetar significativamente o custo de recursos renováveis intermitentes e a dimensão de sua contribuição para o fornecimento de energia no longo prazo. Opções potenciais de armazenamento incluem capacidade térmica aumentada, armazenamento de energia de água bombeada ou ar comprimido e, por fim, hidrogênio. A energia das grandes hidrelétricas tem a vantagem de não ser intermitente e já é bastante competitiva em termos de custos, mas o potencial para novas instalações em muitas áreas pode ser limitado por causa das preocupações com os impactos adversos sobre os habitats naturais e assentamentos humanos. O potencial inexplorado de energia renovável da Terra é enorme e amplamente distribuído, tanto em países industrializados como nos países em desenvolvimento. Em muitas situações, a exploração desse potencial oferece oportunidades únicas para promover objetivos de desenvolvimento ambiental e econômico. Quedas dramáticas de custos, o forte 19 crescimento em muitas indústrias de energia renovável e novos compromissos programáticos são promissores. No entanto, consideráveis barreiras tecnológicas e de mercado ainda persistem e devem ser superadas, para que as fontes renováveis de energia possam desempenhar um papel significativamente maior no mix de energia do mundo. 2.3- O PAPEL DOS GOVERNOS E A CONTRIBUIÇÃO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA PARA A ENERGIA RENOVÁVEL Uma vez que os mercados não irão produzir os resultados desejados a menos que os incentivos certos e sinalizações de preços estejam presentes, os governos têm um papel vital a desempenhar na criação das condições necessárias para promover resultados ótimos e no apoio a investimentos de longo prazo em nova infra-estrutura energética, pesquisa e desenvolvimento em energia e tecnologias de alto risco/alto retorno. Onde existe vontade política para criar as condições para a transição para energias sustentáveis, existe uma grande variedade de instrumentos de políticas, desde incentivos de mercado, tais como preço ou limite máximo de emissões de carbono (que podem ser especialmente efetivos para influenciar decisões de investimento de capital de longo prazo), até padrões de eficiência e normas para construções, que podem ser mais eficientes do que uma sinalização de preços para efetuar a mudança pelo lado do uso final da equação. Oportunidades para importantes políticas de longo prazo também existem no nível da cidade e do planejamento do uso do solo, incluindo sistemas de ponta de fornecimento de energia, água e outros serviços, bem como avançados sistemas de mobilidade. A ciência e a tecnologia (C&T) claramente têm um papel fundamental a 20 desempenhar para maximizar o potencial e reduzir o custo das opções de energia existentes, ao mesmo tempo em que desenvolvem novas tecnologias que irão expandir a lista de opções futuras. Para fazer valer esta promessa, a comunidade de C&T deve ter acesso aos recursos necessários para levar adiante áreas já promissoras e explorar possibilidades mais distantes. O investimento atual em pesquisa e desenvolvimento em energia no mundo é amplamente considerado inadequado para os desafios diante de nós. Da mesma forma, é necessário um aumento substancial – da ordem de pelo menos o dobro das verbas atuais – em recursos públicos e privados destinados a enfrentar as prioridades críticas da tecnologia de energia. Cortar subsídios das indústrias de energia estabelecidas poderia fornecer parte dos recursos necessários, e ao mesmo tempo reduzir incentivos para consumo excessivo e outras distorções que permanecem nos mercados comuns de energia em muitas partes do mundo. Também é necessário assegurar que os gastos públicos no futuro sejam direcionados e aplicados mais eficientemente, tanto para abordar prioridades e metas bem definidas para pesquisa e desenvolvimento em tecnologias fundamentais de energia e para buscar os avanços necessários nas ciências básicas. Ao mesmo tempo, será importante ampliar a colaboração, a cooperação e a coordenação entre instituições e limites nacionais no esforço para implantar novas tecnologias. CAPÍTULO-III O BRASIL NO CONTEXTO MUNDIAL 3.1- ENERGIA RENOVÁVEL, MEIO AMBIENTE E ECONOMIA O panorama mundial está mudando rapidamente, por motivos ligados 21 a três das grandes preocupações da humanidade nesse início de século: meio ambiente energia e economia global. Embora à primeira vista possam parecer distintas, estas três áreas estão, na realidade, completamente interligadas. As duas primeiras estão já há mais tempo na percepção do cidadão comum, devido ao efeito estufa e ao aquecimento global associado ao uso de combustíveis fósseis. Quanto à economia, só o tempo dirá quais os efeitos permanentes que a crise no sistema financeiro internacional terá sobre o setor energético e, mais difícil de prever, sobre o meio ambiente. A única coisa certeza é de que os três setores serão permanentemente afetados. O sistema financeiro não pode ser ignorado. Para se ter uma idéia, o presidente George Bush anunciou em 2006, com grande pompa, um aporte de um bilhão de dólares para pesquisas em fontes alternativas de energia, com ênfase no hidrogênio. Estima-se que a crise do sistema financeiro vá consumir algo em torno de três trilhões de dólares. A guerra no Iraque já custou aos cofres estadunidenses um valor superior a 500 bilhões de dólares. Não importa qual a saída adotada, ela necessariamente terá que passar por uma mudança radical na matriz energética mundial, com forte aumento da participação das fontes renováveis. Neste contexto, o Brasil se destaca dos demais países por um motivo bem simples: a matriz brasileira já é aproximadamente 46% renovável, comparada à média mundial de 12%. O Brasil tem, portanto, uma oportunidade ímpar de se firmar como um dos líderes mundiais no setor de energia. Impulsionado por seu gigantesco potencial hídrico e contando com um forte programa de combustíveis alternativos capitaneado pelo etanol, o país sai na frente dos demais. Por outro lado, não podemos desprezar as novas reservas de petróleo recentemente descobertas no litoral brasileiro. Mas, para se manter na frente, serão necessários recursos, muitos recursos: manutenção dos sistemas atuais, modernização dos sistemas e, principalmente, pesquisa e desenvolvimento são algumas das prioridades. 22 É difícil que o setor público consiga arcar sozinho com estas despesas e uma interação com o setor privado se torna cada vez mais necessária e fundamental. Até a crise no sistema financeiro, o setor energético contava com forte capacidade de investimento em pesquisa e desenvolvimento, e o setor acadêmico, com boa parte dos cérebros. O casamento não só seria natural, como desejável. Esta contribuição pretende, de forma sucinta, resumir o panorama mundial, contextualizar o Brasil neste panorama e avaliar quais seriam as alternativas mais adequadas a este contexto. Quanto às fontes renováveis de energia, dedicaremos nossa atenção às alternativas já implantadas em maior escala: energia hidráulica, biomassa, energias solar e eólica. As fontes alternativas que ainda se encontram em fase de desenvolvimento, ou que ainda têm aplicação em escala menor (hidrogênio e células a combustível, por exemplo), não serão abordadas aqui. Algumas questões serão levantadas: como está o setor energético no Brasil? Quais são as fontes renováveis propostas? Quais os efeitos da crise do sistema financeiro sobre o setor energético? Não iremos detalhar os processos de obtenção de energia, mas sim dar uma idéia, principalmente, dos desafios que esperam aqueles que decidirem se aventurar nesta área extremamente complexa e igualmente fascinante. 3.2- MATRIZES ENERGÉTICAS A matriz energética consiste, numa definição simplificada, de uma descrição de toda a produção e consumo de energia de um país, discriminada por fonte de produção e setores de consumo. A matriz pode ser tão detalhada quanto se deseje. No Brasil, a descrição disponível mais detalhada que se tem é o Balanço Energético Nacional (BEN), que é elaborado anualmente pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), sendo publicado pelo Ministério da 23 Minas e Energia (MME). É um documento bastante completo, publicado regularmente desde 1970, sendo amplamente utilizado tanto pelo governo quanto pelo setor privado para suas atividades de planejamento e investimento. 3.3- A MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA Para se ter uma idéia da complexidade que a matriz energética pode atingir, basta que se observe que a matriz energética brasileira de 2007 pode ser resumida em uma planilha de 57 colunas e 185 linhas! Define-se a matriz energética como sendo a oferta interna de energia (OIE) discriminada quanto às fontes e setores de consumo. A OIE é, às vezes, chamada de demanda total de energia (DTE). As unidades mais usadas são caloria, joule e btu para o poder calorífico e kWh (quilowatt-hora) para eletricidade. Também é comum encontrarmos a tonelada equivalente de petróleo (tep), que nos dá a energia consumida em termos de uma massa equivalente de petróleo. Considera-se que 1 kg de petróleo equivale a 10.000 kcal, ou seja, aproximadamente 42.000 kJ. Quanto à eletricidade, é útil ter em mente que 1mil Wh é a energia necessária para manter acesas 10 lâmpadas de 100 W durante 1 h o que, em termos de energia, equivale a 3,6 kJ. A Figura 1 mostra a oferta interna de energia no Brasil em 2007. O valor total foi de 238,8 milhões de tep, o que representa um aumento de 5,5% em relação a 2006, e que equivale a 2% de toda a energia produzida no mundo. Um dado interessante é a OIE per capita, que no Brasil foi de 1,29 tep/habitante. Este valor fica abaixo da média mundial (1,8 tep) e é aproximadamente 3,6 vezes menor que a média dos países da OECD (Organisation for Economic Cooperation and Development – Organização Para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), constituída majoritariamente por países ricos. Devemos ressaltar que um fator que contribui significativamente 24 para este baixo consumo per capita no Brasil e a inexistência de sistemas de calefação na quase totalidade das residências no país. Entretanto, esta tendência vem sendo compensada de forma crescente pela instalação cada vez mais comum de sistemas de refrigeração em residências e no setor comercial. Com relação ao crescimento da economia, que foi de 5,4% em 2007, pode-se considerar que não houve expansão significativa da oferta de energia. O forte crescimento da economia (e, portanto, da demanda de energia) em 2007 foi puxado por setores exportadores, especialmente aqueles que consomem mais energia como, por exemplo, os de metalurgia, papel e celulose e sucroalcooleiro. Soma-se a isto um forte crescimento do setor interno de bens e serviços. Uma boa notícia é que o aumento da demanda se deu, principalmente, com um maior crescimento do uso de fontes renováveis (+ 7,6%) em relação às fontes não renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e urânio, crescimento de 3,7%). Assim, a energia renovável atingiu 45,9% da matriz brasileira em 2007, colocando o país numa 25 posição invejável e única entre os países de maior consumo no mundo. Na matriz de 2007, destaca-se o etanol, cuja produção teve um crescimento de 27% em relação a 2006, atingindo um total de 389 mil barris/dia. O consumo também teve expressivo crescimento (29%). De fato, em 2007 os derivados de cana ultrapassaram pela primeira vez na história a energia hidráulica e a eletricidade na oferta interna de energia no país. Outro dado interessante foi a participação do bagaço de cana, que é utilizado como fonte térmica principalmente nos setores energético (nas próprias destilarias) e na indústria de alimentos. O crescimento do consumo de bagaço foi de 11% em 2007. Dois fatores principais são apontados pelos especialistas para explicar o forte crescimento dos derivados de cana na OIE: a entrada em operação de unidades industriais mais modernas e eficientes e o aprimoramento das variedades de cana, com maior teor de açúcar. 3.4- COMPARAÇÕES ENTRE A ENERGIA NO BRASIL E NO MUNDO A Figura 2 mostra a oferta de energia no mundo, discriminada por setores. Na Tabela 1 temos uma comparação entre o Brasil, os países da OECD e o resto do planeta. Nota-se um grande contraste entre as participações da biomassa e da energia hidráulica entre o Brasil e os demais países. Enquanto o Brasil tem 31,1% de participação da biomassa e 14,9% de participação da energia hidráulica, no mundo estes valores caem para 10,5 e 2,2%, respectivamente. 26 Estes dados mostram a posição única que o Brasil ocupa no mundo. O país está, para as fontes renováveis, como a Arábia Saudita, por exemplo, está para o petróleo. 27 Reservas e recursos Passamos a seguir a descrever resumidamente a situação das principais fontes de “ENERGIA RENOVÁVEL”. 3.4.1- RECURSOS RENOVÁVEIS 3.4.1.1- ENERGIA GEOTÉRMICA A energia geotérmica situada abaixo da superfície da terra tem sido explorada, há muito tempo, como fonte de calor direto e, no último século, para gerar eletricidade. A produção geotérmica de eletricidade só é prática, geralmente, quando existe vapor ou água subterrânea a temperaturas superiores a 100°C; em temperaturas mais baixas (50 a100°C) a energia geotérmica pode ser utilizada em aplicações diretas de calor (exemplo, aquecimento de estufas de plantas e ambientes, fornecimento de água quente, 28 resfriamento por absorção). Um tipo diferente de aplicação envolve bombas de calor que efetivamente utilizam a terra como meio de armazenamento. Bombas de calor de fontes no solo aproveitam as temperaturas relativamente estáveis que existem abaixo do solo como fonte de calor no inverno e para absorver calor no verão, pois podem fornecer aquecimento e refrigeração de forma mais eficiente do que as tecnologias convencionais de ar condicionado ou bombas de calor de fontes do ar, em várias partes do mundo. A capacidade global de geração de energia elétrica geotérmica é de cerca de nove milhões watts, a maior parte concentrada na Itália, Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos. O potencial para um maior desenvolvimento da energia geotérmica usando a tecnologia atual é limitado pelos locais disponíveis, mas a base de recursos disponíveis poderia ser significativamente afetada por tecnologias avançadas. Os campos hidrotérmicos mais quentes são encontrados na orla do oceano Pacífico, em algumas regiões do Mediterrâneo e na bacia do oceano Índico. No mundo todo, imagina-se que existam mais de 100 campos hidrotérmicos a profundidades bastante rasas, de 1 a 2 quilômetros, com temperaturas fluidas altas o suficiente para produzir energia. De acordo com o caso de referência da IEA (2006), World Energy Outlook, espera-se que a capacidade e a produção energética geotérmicas atinjam 25 bilhões de watts e 174 trilhões de watts hora, respectivamente, até 2030, respondendo por cerca de 9% da contribuição total de novas fontes renováveis. Aperfeiçoamentos tecnológicos que reduzissem custos de perfuração e permitissem o acesso a recursos geotérmicos em maior profundidade poderiam expandir substancialmente a base de recursos. Além disso, as tecnologias que poderiam extrair calor de rochas secas, em vez de depender de água quente ou vapor, podem aumentar significativamente o potencial geotérmico. Essas tecnologias ainda não estão desenvolvidas, mas estão sendo exploradas na Europa. Um programa de pesquisa já existente da UE, por exemplo, está buscando a utilização da energia geotérmica de rochas secas quentes para a produção de energia elétrica (EEIG, 2007). 29 A base potencial de recursos para a utilização de energia geotérmica de calor direto é muito maior. Na verdade, a utilização direta de calor quase dobrou entre 2000 e 2005, com 13 bilhões de watts térmicos acrescentados durante esse período e com pelo menos 13 países usando o calor geotérmico pela primeira vez. A Islândia lidera no mundo, em termos de capacidade existente de calor direto, suprindo aproximadamente 85% de suas necessidades totais de aquecimento de ambientes usando a energia geotérmica, mas outros países – notadamente a Turquia – expandiram substancialmente o uso desse recurso nos últimos anos. Cerca de metade da capacidade global atual está em forma de energia geotérmica ou bombas de calor de fontes no solo, com cerca de dois milhões de unidades instaladas em mais de 30 países do mundo todo (principalmente na Europa e nos Estados Unidos). No Brasil, a energia geotérmica é usada quase que exclusivamente para fins de recreação, em parques de fontes termais, como Caldas Novas (GO), Piratuba (SC), Araxá (MG), Olímpia, Águas de Lindóia e Águas de São Pedro (SP). 3.4.1.2- ENERGIA HIDRELÉTRICA A energia hidráulica, ou hidrelétrica, é uma das maiores das fontes perpétuas ou renováveis de energia, correspondendo, em 2006, a 17% de todas as fontes renováveis de energia no mundo. A energia hidráulica é explorada em mais de 160 países, mas somente cinco (Brasil, Canadá, China, Rússia e Estados Unidos) são responsáveis por mais da metade da produção mundial. A geração atingiu 3,1 bilhões de Watts em 2006, correspondendo a aproximadamente 20% do potencial economicamente explorável. Atualmente, a capacidade instalada é de 882 bilhões de Watts, com um potencial estimado em 15.900 bilhões de Watts 30 Tal como acontece com outras fontes renováveis, o potencial teórico da energia hidrelétrica é enorme. Levando-se em consideração critérios econômicos e de engenharia, o potencial técnico estimado é menor, mas ainda é substancial – cerca de mais de quatro vezes os níveis atuais de produção. O potencial econômico, que leva em consideração limitações sociais e ambientais, é o mais difícil de estimar, uma vez que pode ser seriamente afetado por preferências da sociedade, que são inerentemente incertas e difíceis de prever. Na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, aproximadamente 65% e 76%, respectivamente, do potencial técnico hidrelétrico tem sido aproveitado, um total que reflete restrições sociais e ambientais. Para muitos países em desenvolvimento, o potencial técnico total, com base em engenharia simplificada e critérios econômicos com poucas considerações ambientais, não foi plenamente medido, e o potencial econômico permanece ainda mais incerto. Prevê-se, atualmente, um crescimento contínuo da produção hidrelétrica, especialmente no mundo em desenvolvimento, onde um grande aumento da capacidade já está planejado, principalmente em países asiáticos não OCDE. Em outros lugares, preocupações com a aceitação pública (incluindo as preocupações com o risco de rompimento de barragem); impactos ambientais (incluindo perda de habitat, bem como o potencial para emissões de dióxido de carbono e metano provenientes de grandes barragens, especialmente em ambientes tropicais); suscetibilidade à seca; impactos de realocação de populações; e disponibilidades de locais estão atraindo mais atenção para pequenas centrais hidrelétricas. Em 2000, um relatório publicado pela Comissão Mundial de Barragens identificou questões relativas à futura construção de barragens (tanto para gerar energia como para irrigação) e enfatizou a necessidade de uma abordagem mais participativa nas futuras decisões sobre gestão de recursos (WDC, 2000). Hoje, no mundo inteiro, a capacidade instalada das pequenas centrais hidrelétricas é superior a 60 bilhões de Watts, com a maior parte dessa capacidade 31 (mais de 13 bilhões de Watts) na China. Outros países que trabalham ativamente para desenvolver pequenas centrais hidrelétricas incluem a Austrália, o Canadá, a Índia, o Nepal e a Nova Zelândia. As pequenas centrais hidrelétricas são, geralmente, utilizadas de forma autônoma (não conectadas à rede) para fornecer energia em nível de aldeias, no lugar de geradores a diesel ou outras centrais de pequena escala. Isso as torna adequadas para as populações rurais, especialmente em países em desenvolvimento. No mundo todo, a base de recursos das pequenas centrais hidrelétricas é bastante grande, uma vez que a tecnologia pode ser aplicada em uma ampla gama de pequenos rios. Além disso, o investimento do capital necessário é geralmente viável, o ciclo de construção é curto e centrais modernas são altamente automatizadas e não necessitam de pessoal operacional permanente. Os principais obstáculos são, portanto, sociais e econômicos e não técnicos. Os esforços recentes em (Pesquisa e Desenvolvimento) têm se centrado na incorporação de novas tecnologias e métodos operacionais e em minimizar ainda mais os impactos sobre as populações de peixes e outros usos da água. Dados sobre o potencial de geração de energia hidráulica, a capacidade instalada e a geração efetiva são apresentados na Tabela 6. Notase um grande contraste entre o Oriente Médio e a África em relação às demais regiões. No primeiro caso, devido à abundância de combustíveis fósseis e limitação dos recursos hídricos e, no caso africano, devido a uma combinação infeliz de abundância de combustíveis fósseis em algumas regiões, limitação dos recursos hídricos em algumas regiões, e, o que é mais grave, uma falta generalizada de recursos para investimento na construção de usinas hidrelétricas de médio e grande porte. 32 Um dado interessante quando se fala em expansão das fontes renováveis de energia no mundo é a enorme capacidade de ampliação do parque hidrelétrico, que pode ser feita de duas maneiras: a primeira é a modernização e expansão das usinas existentes. Até 2030, a grande maioria das usinas hidrelétricas do mundo deverá passar por processos de modernização e ampliação, onde for possível. A segunda maneira de ampliar a geração de energia hidráulica é a instalação de geradores em represas onde não há geração de energia. Existem no mundo cerca de 45.000 represas de grande porte e, a maioria delas, não conta com geradores de eletricidade. Em termos econômicos, a energia hidráulica apresenta vantagens importantes: os custos operacionais são baixíssimos em comparação com o investimento inicial. Além disso, a independência em relação aos combustíveis fósseis torna esta fonte praticamente insensível às flutuações do preço do petróleo. O mesmo não pode ser dito, por exemplo, do etanol, que depende de insumos (fertilizantes, transporte etc.) influenciados pelo preço das commodities. Como desvantagens, pode-se citar o custo elevado de implantação das 33 usinas, se comparado a outras fontes, o tempo relativamente longo entre a concessão e a entrada em operação e a dependência de um regime regular de chuvas, além do forte impacto socioambiental causado pela inundação de grandes áreas, com o consequente deslocamento de comunidades inteiras e a destruição do habitat natural de espécies nativas e endêmicas. Os maiores desafios no setor hidráulico são a modernização das instalações existentes e, principalmente, o desenvolvimento de um modelo de financiamento para o setor. No Brasil, a participação da energia hidráulica chega a 14,9% da matriz energética total, e corresponde a 85% da eletricidade gerada. A Tabela 7 mostra a evolução da participação desta fonte na oferta de energia elétrica em três momentos: 1970 1994 e 2007. A redução entre 1994 e 2007 deve-se principalmente ao aumento da participação dos autoprodutores independentes, que vêm utilizando a biomassa, principalmente o bagaço de cana, na geração de eletricidade, além da entrada em operação de usinas termelétricas movidas a gás natural e nucleares. O Brasil ocupa uma posição única no mundo, contrastando fortemente com a predominância da energia elétrica oriunda da queima de combustíveis fósseis no resto do planeta. Este contraste é mostrado na Figura 5. Em termos 34 de geração de eletricidade, a participação das fontes renováveis atinge 90% no Brasil, contra 16% dos países da OECD e 18% no mundo. A geração de eletricidade chegou a 445 trilhões de Watts hora em 2007, um aumento de 6% em relação a 2006. A participação da energia hidráulica cresceu 7% e a geração a partir de combustíveis não renováveis caiu 9% em 2007 (−12,3% na energia nuclear e −18,6% na energia gerada a partir do gás natural). O resultado foi um ligeiro aumento na participação das fontes renováveis no setor elétrico. O país importou pouco mais de 41 trilhões de Watts hora de eletricidade da Argentina e do Paraguai, de modo que a oferta total chegou a 486 trilhões de Watts hora. O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor de energia hidráulica 35 do mundo, ficando atrás apenas da China e do Canadá. Em termos de capacidade teórica, o potencial passa de 3000 trilhões de Watts hora/ano, dos quais 800 trilhões de Watts hora são atualmente economicamente viáveis. A energia hidráulica não é, entretanto, livre de riscos. Temos ainda na memória o racionamento de eletricidade decretado em junho de 2001, causado pela quantidade de chuvas muito abaixo do normal no biênio 2000-2001. Os motivos que levaram ao racionamento, além da falta de chuvas, são complexos e fogem ao escopo desta contribuição, mas dão uma medida dos riscos associados a uma matriz energética com grande predominância de uma única fonte, ainda que renovável e ambientalmente correta. A Tabela 8 mostra o nível dos principais dos reservatórios do país nas duas primeiras semanas de janeiro de 2009. Para efeito de comparação, listamos também os valores em janeiro de 2008 e em junho de 2001, no início do racionamento. Percebe-se que a situação atual é bem menos crítica que no início do racionamento, principalmente nas regiões sudeste e nordeste, as mais afetadas em 2001, devido aos índices pluviométricos do verão 2008/2009, que se encontram bastante acima da média histórica. Ainda assim, diversos especialistas afirmam que o país não está livre do risco de um novo racionamento, já que, mesmo com os reservatórios em 36 nível elevado, o crescimento econômico do país tem levado a um forte aumento da demanda. Há, no momento, 13 usinas de médio e grande porte licitadas que estão em construção há mais de cinco anos, e o histórico de atrasos nos cronogramas não garante o abastecimento após 2010. Para entrar em operação, uma usina hidrelétrica precisa obter as licenças prévia, de instalação e de operação, concedidas pelo Ministério do Meio Ambiente. Observa-se uma falta de coordenação entre as áreas do governo no setor energético, o que pode demandar um período de tempo variável, que nem sempre está de acordo com as previsões do Ministério do Planejamento, por exemplo. O resultado é que a capacidade real instalada não corresponde necessariamente à prevista. Este descompasso poderia ser abrandado se o governo realizasse avaliações ambientais estratégicas (AAE) – estudo do impacto ambiental de políticas, planos e programas – do setor energético. Com a demora na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas, o governo estuda colocar em funcionamento usinas termelétricas a gás e óleo combustível com capacidade somada de 20.800 milhões de Watts até 2017, o que pode resultar em um aumento de até cinco vezes na emissão de CO2 pelo país. 3.4.1.3- BIOMASSA As projeções para o futuro indicam que a importância da biomassa aumentará muito, chegando a representar no fim do século 21 de 10 a 20% de toda a energia usada pela humanidade. Existe um grande número de tecnologias de conversão energética da biomassa, adequadas para aplicações em pequenas e grandes escalas. Elas incluem gaseificação, métodos de produção de calor e eletricidade (cogeração), recuperação de energia de resíduos sólidos urbanos e gás de 37 aterros sanitários além dos biocombustíveis para o setor de transportes (etanol e biodiesel). O recente interesse na energia da biomassa tem dado ênfase em aplicações que produzem combustíveis líquidos para o setor de transportes. (biocombustíveis). Os biocombustíveis são combustíveis renováveis derivados de matériaprima biológica e inclui o bioetanol, ou simplesmente etanol, o biodiesel, o biogás (metano). Destes, o etanol é o biocombustível mais utilizado e cuja produção mais cresce no mundo, com um aumento de 4,4 bilhões de barris em 1980 para 46,2 bilhões de barris em 2005. Os maiores produtores mundiais de etanol são Estados Unidos (16,1 bilhões de barris), Brasil (16 bilhões de barris) e China (3,8 bilhões de barris). O etanol é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar (Brasil) e milho (EUA), embora possam ser usados outros insumos, incluindo gramíneas, resíduos da agricultura e resíduos municipais. Entretanto, apenas a produção a partir da cana-de-açúcar e do milho são economicamente viáveis atualmente, com grande vantagem para o processo a partir da cana, onde a etapa de conversão do amido em açúcares não é necessária. Assim, o etanol brasileiro tem custo de produção menor, com potencial para redução de custos, à medida que as técnicas de produção são aprimoradas e que novas variedades de cana, mais ricas em açúcar, são introduzidas. Devemos destacar, entretanto, que a produção de etanol a partir do milho é fortemente subsidiada nos Estados Unidos, o que evidencia ainda mais a competitividade do etanol brasileiro. O balanço energético para a produção de etanol a partir de vários produtos agrícolas é dado na Figura 6 38 A produção mundial de biodiesel também teve forte crescimento entre 1991 (71 mil barris) e 2005 (3,9 bbl). Os maiores produtores mundiais são Alemanha, França, Estados Unidos e Itália. A produção brasileira em 2007 foi de 2,3 milhões de barris. O biodiesel pode ser produzido a partir de diferentes óleos vegetais (por exemplo, palma, girassol, algodão, soja e amendoim, entre outros). Uma curiosidade é que Rudolf Diesel chegou a usar óleo de amendoim em motores diesel em 1900, tendo afirmado em 1911 que "O motor diesel pode ser alimentado com óleos vegetais e ajudaria consideravelmente no desenvolvimento da agricultura dos países que o utilizarem". Pode-se também produzir biodiesel a partir de gordura animal e pelo reuso de óleo (proveniente de fritura); além disso, estudos recentes mostram que o biodiesel obtido a partir do óleo produzido por microalgas tem potencial para superar as demais matérias-primas, devido a seu alto rendimento. No Brasil, usa-se predominantemente o óleo de soja na produção de biodiesel, e a Lei Federal 11.097, de 2005, determina que se atinja um percentual de 5% de biodiesel no óleo diesel de petróleo até 2013. A Tabela 9 mostra a produção de etanol e biodiesel no Brasil em 2005.8 Nota-se a grande parcela de produção de etanol na região sudeste (70%), principalmente no Estado de São Paulo, que concentra 133 das 300 39 usinas do Brasil. O uso dos biocombustíveis pode levar a uma redução significativa nas emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), conforme se pode ver na Figura 6 A energia do biogás da degradação anaeróbica em aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto, e terrenos de tratamento de estrume é 40 considerada uma opção de baixo custo, uma vez que pode se beneficiar de créditos de carbono disponíveis através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Essa forma de energia de biomassa não só substitui a combustão de combustíveis fósseis, como também reduz as emissões de metano, um gás de efeito-estufa mais potente do que o dióxido de carbono. Assim como outras opções de energia renovável, o potencial teórico para a energia da biomassa é enorme. Dos aproximadamente 100.000 trilhões de Watts de fluxo de energia solar que atingem a superfície da Terra, cerca de 4.000 trilhões de Watts atingem os 1,5 bilhões de hectares de plantações existentes no mundo. Admitindo que as tecnologias de biomassa moderna possam atingir uma eficiência da conversão energética de 1%, essas plantações poderiam, em teoria, produzir mais de três vezes o atual fluxo de abastecimento global de energia primária. Essa comparação não tem a intenção de sugerir que todas as terras cultiváveis deveriam ser usadas para a produção de energia, mas somente para ilustrar que há espaço para uma expansão significativa da contribuição energética da biomassa moderna. Há numerosas áreas em países em desenvolvimento onde o uso de matéria-prima de biocombustíveis melhorados, pode ser substituído pela atual utilização de plantas nativas. O uso eficaz dessas novas matérias-primas de biomassa para a co-produção local de aquecimento, eletricidade e combustível de transporte também teria um impacto profundo na capacidade das populações rurais de acessar formas de energia modernas e mais limpas. Soluções energéticas que podem ser desenvolvidas com investimento modesto de capital serão um elemento crucial de uma efetiva estratégia energética. Também será crucial – como parte de qualquer expansão em larga-escala da produção da energia de biomassa – gerenciar as demandas competitivas de produção de alimentos e preservação ambiental. Nas áreas onde a base dos recursos for suficiente para sustentar ambos, alimentos e produção de energia, ou em casos onde é possível fazer uso complementar das mesmas matériasprimas (ex., usando resíduos de produção de alimentos para produção de energia), as restrições ao uso de terra podem não ser um problema grave. 41 Em outras áreas, entretanto, o potencial para produção de energia para deslocar a produção de alimentos pode gerar preocupações – especialmente se a produção de alimentos serve a população local, enquanto a produção de energia é prioritariamente para exportação. Este pode ser o caso em vários países em desenvolvimento, em particular no estado de São Paulo, onde a expansão das plantações de cana-de-açúcar para produção de etanol poderia reduzir a produção de alimentos. Na prática isto não ocorre porque a expansão no estado tem ocorrido em pastagens degradadas. Exemplo desta situação ocorreu quando um forte aumento nos preços de milho devido, em parte, à expansão rápida de demanda por etanol de milho nos Estados Unidos, provocou protestos e distúrbios no México, no início de 2007. Algumas das mais promissoras oportunidades para solucionar estes conflitos e expandir a contribuição energética da biomassa moderna envolvem avanços de vanguarda nas ciências biológicas e químicas, inclusive o desenvolvimento de plantios designados para produção de energia e a simulação artificial de processos biológicos naturais, tais como a fotossíntese. Descobertas nas novas fronteiras da pesquisa de energia da biomassa poderiam ter profundas implicações para o futuro do uso da energia de biomassa. Significativos avanços têm sido alcançados mundialmente com relação à produtividade agrícola. Entre 1950 e 1999, as áreas usadas para plantio de cereal aumentaram 17%. Durante esse tempo, a produtividade da safra de cereais subiu 183%. A introdução de novas variedades de espécies diversificou as culturas de plantio, permitindo uma colheita eficaz em diferentes tipos de solos, climas e condições de água e também melhores safras. Para dar um exemplo, a União Européia e os Estados Unidos estão realizando grandes esforços em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para melhorar a competitividade dos custos da produção comercial do etanol. Com o crescente aumento dos preços de óleo e gás natural, e com os 42 novos incentivos gerados pela emergência do mercado de carbono, o gás de aterros sanitários, bagaço da cana-de-açúcar, biodiesel, madeira de reflorestamento, e esquemas resíduo-energia estão também se tornando opções atrativas. Baseado nas atuais tendências no desenvolvimento tecnológico espera-se que, os custos de recuperação da energia de biomassa se reduzam em até dois terços em 20 anos. O progresso no desenvolvimento de alternativas para a energia de biomassa, além de aliviar a pressão em recursos finitos de combustíveis fósseis, pode reduzir os custos de mitigação de emissões de carbono. O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, tem um balanço energético positivo de oito para um, e um custo aproximadamente nulo de mitigação de carbono. Como uma tecnologia que evita emissões de gases de efeito-estufa, o bioetanol poderia, em breve, alcançar custos negativos conforme se torna mais barato do que a gasolina – mesmo sem subsídios governamentais – em alguns mercados. 3.4.1.4- ENERGIA SOLAR O Sol é a fonte de energia primária mais abundante para nosso planeta. Num sentido bastante amplo, pode-se dizer que, com exceção da energia nuclear, todas as outras fontes, renováveis ou não, são apenas diferentes formas de energia solar. A quantidade de radiação solar que atinge o planeta anualmente equivale a 7.500 vezes o consumo de energia primária de sua população. A incidência de radiação varia conforme a posição geográfica, podendo atingir até 170 W/m2. A Figura 7 mostra um mapa mundial da energia solar média incidente ao nível do solo. Na Tabela 10mostramos uma comparação entre a quantidade de energia solar incidente e outras fontes de energia. 43 Se apenas 0,1% da energia solar pudesse ser convertida com uma eficiência de 10%, ainda assim a energia gerada seria quatro vezes maior que a capacidade mundial total de geração de energia, que é de 3000 bilhões de Watts. A radiação solar que atinge anualmente a superfície da Terra, 3,4×106 EJ é uma ordem de grandeza maior que a soma de todas as fontes não renováveis (provadas e estimadas), incluindo os combustíveis fósseis e nucleares. 44 • ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA Tecnologias solares fotovoltaicas FV usam semicondutores para converter fótons de luz diretamente em eletricidade. Como ocorreu com a eólica, a capacidade instalada aumentou rapidamente ao longo da última década; a capacidade solar FV conectada à rede cresceu, em média, mais de 60% por ano de 2000 a 2004. Esse crescimento, no entanto, começou com uma base pequena. A capacidade total instalada era de apenas 2 bilhões de watts, no mundo todo, até o final de 2004; aumentou para 3,1 milhões de watts até ao final de 2005 (REN21, 2006). A energia solar FV, porém, há muito ocupava um importante nicho, em aplicações fora da rede, fornecendo energia em áreas sem acesso à rede elétrica. Até recentemente, a energia solar FV estava concentrada no Japão, Alemanha e Estados Unidos, onde é apoiada por vários incentivos e políticas. Juntos, estes países respondem por mais de 85% da capacidade fotovoltaica solar instalada nos países da OCDE (BP, 2005). Também se espera que a energia solar FV se expanda rapidamente na China, onde a capacidade instalada – atualmente, de cerca de 100 milhões de watts aumentará para 300 milhões de watts em 2010 (NDRC, 2006). Cada vez mais, a energia solar FV está sendo utilizada em aplicações integradas, onde módulos FVs são incorporados a telhados e fachadas de edifícios e conectados à rede, para que se possa dirigir o fluxo de energia em excesso de volta para o sistema. Estimativas sobre a contribuição futura da energia solar variam amplamente e, como todas as projeções ou previsões, dependem muito dos pressupostos de políticas e de custos. Tal como acontece com a energia eólica, a base de recursos potenciais é grande e amplamente distribuída em todo o mundo, embora, obviamente, as perspectivas sejam melhores em alguns países do que em outros. Na medida em que os módulos FVs possam ser integrados ao ambiente construído, alguns dos desafios de localização que se aplicam a outras tecnologias de geração são evitados. O principal obstáculo às aplicações dessa tecnologia em conexões com a rede é o custo elevado. Os custos da energia solar FV variam de acordo com a qualidade do recurso e 45 do módulo solar utilizado, mas são normalmente mais altos do que o custo da geração de energia convencional e substancialmente mais elevados do que os custos atuais de geração de energia eólica. Outra questão importante, tal como acontece com outras opções renováveis, como a energia eólica, é a intermitência. Diferentes parâmetros econômicos e de confiabilidade se aplicam a utilizações fora da rede, onde a energia solar fotovoltaica costuma ser menos onerosa do que as alternativas, especialmente quando as alternativas exigem investimentos substanciais na rede. Conseguir novas reduções no custo da energia solar provavelmente irá exigir aperfeiçoamentos tecnológicos adicionais e pode eventualmente envolver novas tecnologias inovadoras (tais como células solares sensibilizadas por corante). Oportunidades para reduções de custo no curto prazo incluem o aperfeiçoamento da tecnologia da produção de células, o desenvolvimento de tecnologias de filmes finos que reduzam a quantidade de material semicondutor necessário, a concepção de sistemas que usem luz solar concentrada e a substituição do silício por semicondutores mais eficientes. No médio e no longo prazo, propostas ambiciosas foram apresentadas para se construírem usinas de energia solar FV em escalas de milhões de watts em áreas desérticas e transmitir a energia por linhas de transmissão de alta tensão ou por dutos de hidrogênio. Conceitos ainda mais futurísticos têm sido sugeridos. Nesse meio tempo, é provável que a energia solar fotovoltaica continue a ter um importante potencial, no curto prazo, em aplicações dispersas, de “geração distribuída”, como parte integrante de projetos de envelopagem de edifícios e como alternativa a outras opções não conectadas à rede (como os geradores a diesel) em áreas rurais. No Brasil, a capacidade instalada é estimada entre 12 e 15 MW, igualmente divididos entre sistemas de telecomunicações e sistemas rurais remotos. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é responsável pela medição do potencial de insolação em suas 187 estações de monitoramento. Seus dados permitem concluir que a região nordeste tem o maior potencial, com valores médios de 206 W/m2. De modo geral, o Brasil é 46 um bom candidato à implantação de painéis fotovoltaicos, pois os valores 2 2 anuais de insolação, entre 1800 kWh/m /ano e 1950 kWh/m /ano são inferiores somente aos encontrados nas regiões desérticas das Américas do Norte e do Sul, norte da África, Oriente Médio, China e Austrália. Há atualmente vários centros dedicados ao desenvolvimento e aplicação da energia solar no Brasil, entre os quais destacamos o Centro de Referência em Energia Solar e Eólica Sergio Salvador de Brito (CRESESB), ligado ao Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (CEPEL) e o Centro Brasileiro Para o Desenvolvimento da Energia Solar Fotovoltaica (CB-Solar). • ENERGIA SOLAR TÉRMICA Tecnologias de energia solar térmica podem ser utilizadas para condicionamento de ar (tanto quente como frio) em edifícios, para aquecer água ou para produzir eletricidade e combustíveis. As oportunidades mais promissoras, no momento, são para aplicações dispersas, de pequena escala, normalmente para fornecer água quente e aquecimento de ambientes diretamente a residências e empresas. A energia solar térmica pode ser efetivamente captada usando características arquitetônicas “passivas”, como vidros voltados para o sol (sunfacing glazing), coletores solares montados em paredes ou no telhado, paredes externas duplas, janelas para ventilação cruzada, paredes termicamente maciças por trás de vidros, ou préaquecimento do ar através de tubos embutidos. Também pode ser usada como uma fonte direta de luz e ventilação pela simples implantação de dispositivos que possam concentrar e dirigir a luz solar, mesmo no interior de um edifício, e aproveitando as diferenças de pressão que são criadas entre as diferentes partes de um edifício quando faz sol. Em combinação com sistemas de energia altamente eficientes, de 50% a 75% do total das necessidades energéticas dos edifícios construídos da forma usual podem, normalmente, ser eliminados ou satisfeitos utilizando energia solar por meios passivos. Sistemas ativos de energia térmica solar podem fornecer água quente 47 em edifícios residenciais e comerciais, bem como para a secagem de colheitas, processos industriais e dessalinização. As principais tecnologias de coletores – em geral consideradas maduras, mas que continuam a avançar – incluem painéis planos e tubos evacuados. Hoje, a tecnologia da energia solar térmica ativa é utilizada, principalmente, para aquecimento da água: no mundo todo, um número estimado de 40 milhões de residências (aproximadamente 2,5% do total de domicílios) usam sistemas solares de água quente. Os principais mercados para esta tecnologia estão na China, Europa, Israel, Turquia e Japão, com a China, por si só, respondendo por 60% da capacidade mundial instalada. Sistemas ativos para proporcionar o aquecimento de ambientes estão se tornando mais comuns em alguns países, especialmente na Europa. Os custos da água quente aquecida por energia solar térmica, aquecimento de ambientes e sistemas combinados variam de acordo com a configuração do sistema e a localização. Dependendo do tamanho dos painéis e tanques de armazenagem, e da envelopagem do edifício, calcula-se que de 10% a 60% das necessidades de água quente e aquecimento de domicílios possam ser satisfeitas com energia solar térmica, mesmo na Europa Central e no norte da Europa. Atualmente, a energia solar térmica é utilizada principalmente para aquecimento de água. No entanto, também existem tecnologias para a utilização direta de energia solar térmica para resfriamento e desumidificação. O custo continua a ser um obstáculo significativo, embora o desempenho, em matéria de custo, possa, às vezes, ser melhorado através de sistemas combinados que proporcionem tanto refrigeração no verão quanto aquecimento no inverno. Simulações com um protótipo para refrigeração evaporativa direto-indireta na Califórnia indicam uma economia anual de energia para refrigeração de mais de 90%. Essa economia seria menor em um clima mais úmido, embora isso possa ser melhorado com o uso de dessecantes líquidos regenerados a energia solar. Por fim, sistemas que ativamente coletem e armazenem a energia solar térmica podem ser projetados para proporcionar aquecimento e 48 refrigeração a vários edifícios de uma só vez; esses sistemas já estão em demonstração na Europa – o maior deles, na Dinamarca, envolve 1 300 casas. Há também uma série de tecnologias para concentrar a energia solar térmica para gerar calor para processos industriais e produzir eletricidade. Normalmente, calhas, torres e antenas parabólicas que seguem o sol são utilizadas para concentrar a luz solar a uma alta densidade energética; a energia térmica concentrada é então absorvida por alguma superfície material e usada para operar um ciclo de energia convencional (como um motor Rankin ou uma turbina a vapor de baixa temperatura). Tecnologias de concentração de eletricidade solar térmica funcionam melhor em áreas de alta incidência de radiação solar direta e oferecem vantagens, em termos de capacidade embutida de armazenamento de energia térmica. Até recentemente, o mercado para essas tecnologias estava estagnado, com poucos avanços desde o início dos anos 1990, quando uma planta de 350 milhões de Watts foi construída na Califórnia, usando créditos fiscais. Contudo, os últimos anos têm testemunhado um ressurgimento do interesse na geração de eletricidade a energia solar térmica, com projetos de demonstração em curso ou propostos em Israel, na Espanha e nos Estados Unidos e em alguns países em desenvolvimento. A tecnologia também está atraindo novos investimentos significativos de capital de risco. No longo prazo, existe o potencial para aperfeiçoar ainda mais os métodos existentes para concentrar a energia térmica solar, particularmente em relação às tecnologias de rastreamento menos desenvolvidas de antenas parabólicas e espelho/torre. No Brasil, não há no momento planos oficiais de instalação de usinas térmicas solares, embora esta seja, em nossa opinião, uma alternativa extremamente interessante para diversificar a matriz renovável brasileira. Porém, os custos de implantação destas usinas ainda são elevados, fazendo com que o preço final da energia fique bastante acima, por exemplo, da energia hidráulica. 49 3.4.1.5- ENERGIA EÓLICA O potencial eólico do planeta é enorme. Segundo estimativas do Conselho Mundial de Energia, se 1% da área terrestre fosse utilizada na geração de energia eólica, a capacidade mundial de geração seria equivalente ao total gerado através de todas as outras fontes. A capacidade ao largo da costa é ainda maior, sendo que no caso da Europa, o potencial até 30 km da costa é suficiente para atender às necessidades energéticas atuais da União Européia. Com a capacidade instalada aumentando a uma média de 30% ao ano desde 1992, a energia eólica está entre as tecnologias de energia renovável de mais rápido crescimento e responde pela maior parcela da geração de eletricidade de fontes renováveis adicionada nos últimos anos. Esse progresso impressionante é devido, em grande parte, à contínua redução dos custos (os custos de capital para a energia eólica diminuíram mais de 50% entre 1992 e 2001) e a grandes incentivos governamentais em alguns países Ao longo do tempo, turbinas eólicas tornaram-se maiores e mais altas a capacidade média de cada uma das turbinas instaladas em 2004 era de 1,25 milhões de Watts, o dobro do tamanho médio da base de capacidade existente (BP, 2005). Uma simples extrapolação das tendências atuais – ou seja, sem levar em conta as intervenções das novas políticas – sugere que a capacidade eólica vai continuar a crescer fortemente. Em geral, os recursos eólicos potenciais são imensos, mas não estão uniformemente distribuídos ao redor do globo. Com base nos levantamentos disponíveis, a América do Norte e uma grande parte do litoral da Europa Ocidental têm os recursos mais abundantes, enquanto a base de recursos da Ásia é consideravelmente menor, com a possível exceção de algumas áreas, como a Mongólia Interior, onde o potencial eólico pode ser de 200 bilhões de watts. A intermitência é uma questão importante para a energia eólica: as velocidades do vento são altamente variáveis, e a produção de energia cai 50 rapidamente à medida que diminui a velocidade do vento, em consequência, as turbinas produzem, em média, muito menos eletricidade do que sua capacidade nominal máxima. Fatores típicos de capacidade (a proporção entre produção real e capacidade nominal) variam de 25% em terra até 40% em altomar, dependendo tanto das características da turbina como do vento. Nos níveis atuais de penetração, a intermitência da energia eólica é, em geral, facilmente administrável: operadores da rede podem ajustar a produção de outros geradores para compensar, quando necessário. Num prazo mais longo, à medida que a penetração da energia eólica se expande para níveis significativamente mais elevados (exemplo, acima 20% da capacidade total da rede), a questão da intermitência pode se tornar mais significativa e exigir uma combinação de técnicas inovadoras de gestão da rede, integração avançada da rede, recursos de reserva acionados sob demanda e tecnologias de armazenamento de energia. Obviamente, algumas dessas opções – tais como capacidade de reserva e armazenamento de energia – aumentariam o custo marginal da energia eólica. Além disso, novos investimentos na capacidade de transmissão e o aperfeiçoamento da tecnologia de transmissão, que permitiriam um transporte mais econômico por longas distâncias, usando, por exemplo, linhas de alta voltagem de corrente direta, permitiriam a integração da rede para cobrir áreas geográficas muito maiores e poderiam desempenhar um papel crucial para superar preocupações com a intermitência, ao mesmo tempo em que se expandiria o acesso a áreas remotas, mas promissoras, em termos desse recurso. 51 No Brasil, o potencial eólico é de 143 bilhões de Watts, dos quais 30 bilhões de Watts poderiam ser efetivamente transformados em projetos em médio prazo. A capacidade instalada atualmente é de 22 milhões de Watts MW, gerando aproximadamente 54 bilhões de Watts/ano, e as áreas mais adequadas à geração de energia eólica encontram-se no litoral do nordeste e norte, do Rio Grande do Norte até o Amapá, em áreas do interior da Bahia e de Minas Gerais, e no litoral do Rio Grande do Sul. 3.5- A CRISE ECONÔMICA E O SETOR ENERGÉTICO A crise do sistema financeiro que atravessamos tem tido forte influência sobre quase todos os setores da sociedade e suas consequências, em longo prazo, ainda são de difícil previsão. Porém, o que temos visto num primeiro momento é preocupante: com a queda nos preços do petróleo as grandes companhias de petróleo têm deixado de investir em novas tecnologias. 52 Durante o Fórum Mundial de Energia do Futuro, em Abu Dhabi, de 19 a 21/01/09, o assunto foi debatido em diversas esferas. Vivienne Cox, diretora da Divisão de Energias Alternativas da British Petroleum afirmou que "Não há como negar que está cada vez mais difícil conseguir financiamentos para os projetos de energia verde". Segundo a empresa britânica de consultoria New Energy Finance, o valor das ações de companhias ligadas à energia verde, que vinha crescendo 50% ao ano nos últimos três anos, teve uma queda acentuada no segundo semestre de 2008. O governo russo precisou recentemente socorrer quatro grandes empresas do setor energético, com um pacote de US$ 9 bilhões, para que pudessem arcar com sua dívida externa. Estas empresas respondem juntas, por 70% do petróleo e 90% do gás natural extraídos naquele país. No Brasil, a empresa vencedora de recente leilão para a construção de seis usinas hidrelétricas, com capacidade total de 611 MW precisou desistir da empreitada por não conseguir crédito para depositar junto ao governo o montante necessário como garantia de construção das usinas. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo Balanço Energético Nacional (BEN), anunciou recentemente que houve uma queda de 1,8% no consumo de energia elétrica no país em 2008, puxada pelo setor industrial. Uma queda desta magnitude não era observada desde o racionamento de 2001. Um resultado disto é que o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) anunciou em 09/01/2009 que todas as usinas termelétricas do país serão desligadas, à exceção de Angra I e II. Ainda assim, a Petrobras anunciou a manutenção de investimentos de US$ 174,4 bilhões até 2013, sendo US$ 92 bilhões na área de exploração e produção. Por outro lado, mesmo com o caos financeiro dos últimos meses de 2008, há, tanto na comunidade acadêmica quanto no meio empresarial, uma sensação de que chegou a hora das fontes renováveis, principalmente com as 53 mudanças esperadas nos Estados Unidos, sob o governo de Barack Obama, iniciado em janeiro de 2009. A impressão geral é que é tempo de mudanças: mudança de um sistema financeiro internacional totalmente desregulamentado que, deixado por si só, levou à comprovação da máxima que, no sistema capitalista, os lucros são de poucos e os prejuízos são divididos por todos, e mudança de uma matriz energética predominantemente poluente, insustentável a médio e longo prazo, que compromete o meio ambiente não apenas para as gerações futuras, mas também as atuais, para uma matriz mais renovável, limpa e sustentável. Neste panorama mundial em mutação, o Brasil larga em vantagem por ter grande parte de sua matriz energética baseada em fontes renováveis. Porém, exige-se uma diversificação cada vez maior da matriz energética, de modo a minimizar as chances de um novo racionamento de energia no país. O crescimento econômico recente e a descoberta de grandes reservas de petróleo e gás natural têm levado a um aumento da participação das fontes não renováveis na matriz energética do Brasil. Os impactos deste aumento deverão ser compensados pelo incremento no uso de fontes renováveis: biocombustíveis, pequenas centrais hidrelétricas (PCH) e energias solar e eólica, além do investimento em pesquisa e desenvolvimento de fontes renováveis ainda não consolidadas, como hidrogênio (células a combustível), biocombustíveis derivados de outras fontes, como algas, por exemplo, e energia solar fotovoltaica baseada em semicondutores diferentes do silício (TiO2, ZnO e SnO2, entre outros). Os efeitos da crise do sistema financeiro mundial ainda são difíceis de prever, já que a estrutura do sistema passará necessariamente por um rearranjo profundo nos próximos anos. Embora o efeito inicial sobre as fontes renováveis seja negativo, com a suspensão e cortes de investimentos no setor, a expectativa é de que nos próximos anos a situação seja revertida, com forte crescimento de investimentos em fontes renováveis, especialmente biomassa e energias solar e eólica. 54 CONCLUSÃO A humanidade tem enfrentado problemas assustadores em todas as épocas, mas as gerações atuais enfrentam um conjunto de desafios que é único. Os sistemas ambientais dos quais depende a vida estão sendo ameaçados no plano local, regional e planetário pelas ações humanas. E, embora um grande número de pessoas esteja desfrutando de níveis nunca antes vistos de prosperidade material, um número ainda maior permanece atolado na pobreza crônica, sem acesso aos mais básicos serviços e confortos modernos, e com oportunidades mínimas para avanço social (educação, por exemplo) e econômico. Ao mesmo tempo, a instabilidade e conflitos em muitas partes do mundo criaram novos e profundos riscos à segurança. A energia é fundamental para o desenvolvimento humano e está conectada de muitas formas a todos esses desafios. Em consequência, a transição para recursos e sistemas sustentáveis de energia cria a oportunidade de abordar múltiplas necessidades ambientais, econômicas e de desenvolvimento. Do ponto de vista ambiental, está cada vez mais claro que os atuais hábitos da humanidade em relação à energia devem mudar para reduzir riscos significativos de saúde pública, evitar pressões insuportáveis sobre sistemas naturais fundamentais e, em especial, gerenciar os riscos substanciais causados pelas mudanças climáticas globais. Ao estimular o desenvolvimento de alternativas aos combustíveis convencionais de hoje, uma transição para 55 energia renovável poderia também ajudar a enfrentar as preocupações com a segurança energética, que estão novamente no topo da agenda de políticas nacionais e internacionais de muitas nações, reduzindo, dessa forma, a probabilidade de que a disputa por reservas de gás e petróleo, finitas e distribuídas de forma desigual, alimente tensões geopolíticas crescentes nas próximas décadas. Por último, o amplo acesso à eletricidade e a combustíveis limpos, de alta qualidade e preços acessíveis, poderia gerar muitos benefícios para as populações pobres do mundo, amenizando a luta diária para garantir os meios básicos de sobrevivência, aprimorando as oportunidades educacionais, diminuindo riscos substanciais à saúde relacionados com a poluição; liberando escassos recursos humanos e de capital; facilitando a provisão de serviços essenciais, inclusive assistência médica básica; e mitigando a degradação ambiental localizada. Em suma, a energia está no centro do desafio da sustentabilidade em todas as suas dimensões: social, econômica e ambiental. Cabe a esta geração a tarefa de mapear um novo caminho. Agora, e nas décadas à frente, nenhum objetivo político é mais urgente do que encontrar meios, para produzir e usar, energia que limite a degradação ambiental, preserve a integridade dos sistemas naturais subjacentes e apóie, em vez de desestabilizar, o progresso em direção a um mundo mais estável, pacífico, justo e humano. Em grande parte, já existem as ferramentas, as idéias e o conhecimento necessários para completar esta transição, mas muito mais será necessário. A questão decisiva é: Será que nós, os seres humanos, somos capazes de, coletivamente, perceber a magnitude do problema e conclamar a liderança, a resistência e a vontade para fazer o que deve ser feito? 56 57 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA REVISTAS QUÍMICA NOVA VOLUME 32, Nº3 DE 2009, PG 757 A 767 E 582 A 587 INFORME CRESESB Nº13 DE 2008, PG 6 A 7 REVISTA NATIONAL GEOGRAFIC EDIÇÃO-129 DE 2010 RELATÓRIO UM FUTURO COM ENERGIA SUSTENTÁVEL: ILUMINANDO O CAMINHO INTERACADEMY CONCIL, 2007, PG 185 A 222 LIVROS MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA: DA CRISE À GRANDE ESPERANÇA, JOÃO ALVES FILHO, PG 141 A 150 POLÍTICA PÚBLICA PARA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E ENERGIA RENOVÁVEL, GILBERTO DE MARTINE JANNUZZI, PG 45 A 57 ENERGIA SOLAR UTILIZAÇÃO E EMPREGOS PRÁTICOS, AUTOR EMÍLIO COMETTA, PG 21 A 32 ENERGIA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, AUTOR JOSÉ GOLDEMBERG E LUZ DONDERO VILLANUEVA – 1998, PG 2 A 32 MEIO AMBIENTE CONSERVAÇÃO DE ENERGIA E FONTES RENOVÁVEIS, AUTOR GILBERTO DE MARTINO JANNUZZI E JOEL N. P. SWISHER, PG 108 A 110 WEBGRAFIA FUNCIONAMENTO DAS ENERGIAS ALTERNATIVAS http://ambiente.hsw.uol.com.br/carvao-limpo2.htm (ACESSO 22/08/10) 58 EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA EPE http://www.epe.gov.br/Estudos/Documents/Estudos_13/20090415_1.pdf (ACESSO 10/10/10) CENTRO DE REFERÊNCIA PARA ENERGIA SOLAR E EÓLICA SÉRGIO DE SALVO BRITO http://www.cresesb.cepel.br (ACESSO 17/10/10) FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA ELÉTRICA http://www.mme.gov.br/programas/proinfa (ACESSO EM 26/02/11) BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL https://ben.epe.gov.br/downloads/Resultados_Pre_BEN_2009.pdf (ACESSO) 27/02/11 59 ANEXOS INFORME CRESESB Nº13, DEZEMBRO DE 2008 Sistema fotovoltaico fornece energia à nova Estação Científica da Marinha Arquipélago de São Pedro e São Paulo – ASPSP, situado a 0º55.00’N e 29º20.76"W, a uma distância de cerca de 550 milhas náuticas a Nordeste da cidade de Natal, RN, é constituído por um conjunto de ilhotas e rochedos de origem plutônica. A Comissão Interministerial para os Recursos do Mar – CIRM, coordenada pela Marinha do Brasil, e da qual participa o Ministério de Minas e Energia – MME, instituiu, em junho de 1996, o Programa Arquipélago (PROARQUIPÉLAGO) com o objetivo de ocupação permanente do Arquipélago de São Pedro e São Paulo e de efetuar pesquisas científicas no local. Para isso, foi construída em junho de 1998 a primeira Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo – ECASPSP. As instalações da ECASPSP foram projetadas e construídas pelo Laboratório de Planejamento e Projetos da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES (Vitória, ES) em cooperação com o Laboratório para Produtos Florestais do IBAMA (Brasília, DF). O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica – CEPEL foi indicado pelo MME como responsável pelo suprimento de energia elétrica à Estação Científica, tendo projetado e instalado o sistema fotovoltaico. Coube também ao CEPEL realizar a adaptação e a instalação do dessalinizador de água do mar por osmose reversa. 60 REVISTA NATIONAL GEOGRAFIC EDIÇÃO-129, DEZEMBRO 2010 CÓDIGO: POSTAL OSÓRIO Uma rodovia que liga Porto Alegre ao litoral corta ao meio o parque eólico. A iluminação dos aerogeradores, que têm altura de mais de 130 metros, propicia um raro espetáculo aos viajantes. Um ditado popular no Brasil aponta "lá onde o vento faz a curva", em referência a um lugar que é muito, muito distante. Soa pejorativo na maior parte dos usos, mas, para os moradores de Osório, no Rio Grande do Sul, esse lugar é a casa deles - e com orgulho. Localizada no pé da serra Geral, em uma vasta planície repleta de rios e 23 lagoas, a cidade é um corredor natural para a passagem do vento e a criação de correntes ascendentes. É na região do morro da Borússia, por exemplo, que o sopro austral conhecido como minuano - nome de uma tribo indígena extinta - surge de sua jornada desde o interior gaúcho em direção ao oceano Atlântico. O seco e gélido minuano, que ultrapassa com facilidade os 30 quilômetros por hora, não é o único nem o mais temido vento que costuma fazer a curva em Osório. O nordeste, ou "nordestão", como é chamado pelos moradores, pode atingir 100 quilômetros por hora. Comum no verão, dura três dias, mas acaba com a paciência dos osorienses em bem menos tempo. Em Osório, o vento é mais que apenas uma força invisível - é protagonista do cotidiano e da economia local. Emancipado desde 1857, o município sempre subsistiu sem maiores ambições com base nas atividades agrícola e comercial. Moradores antigos costumavam dizer que ele só conseguiria se desenvolver de verdade quando conseguisse "engarrafar o vento". O futuro chegou em abril de 2006. No dia em que o próprio presidente 61 da República acionou o primeiro aerogerador dos Parque Eólico de Osório (são três parques, Sangradouro, Osório e dos Índios, conectados a uma única subestação), o maior complexo gerador de energia do vento da América Latina, inaugurou-se uma fase não apenas para a cidade, mas para todo o país. Hoje são 75 aerogeradores em funcionamento. Cata-ventos gigantes, as torres de concreto têm 98 metros de altura e cada uma das três pás que compõem o rotor pesa mais de cinco toneladas em seus 35 metros de comprimento. Com potencial de 150 megawatts/hora, o sistema gera aproximadamente 425 gigawatts anuais de energia, suficientes para abastecer o consumo doméstico de 650 mil pessoas - mais de 15 vezes a população de Osório - e evitar a emissão de 148 mil toneladas de CO2 na atmosfera pelo sistema elétrico brasileiro, economizando 36,5 mil toneladas de petróleo e 41 milhões de metros cúbicos de gás natural. Segundo dados de 2010 da Associação Brasileira de Energia Eólica, Osório produz20% dessa energia no país. 62 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I Fontes de Energia 10 1.1- Principais Tipos de Energias Renováveis 11 1.2- Benefícios dos Recursos Renováveis 12 CAPÍTULO II Energia Renovável no Mundo 14 2.1- Fornecimentos da Energia no Mundo 14 2.2- Questões e Obstáculos para as Energias Renováveis. 17 2.3- O papel dos Governos e a contribuição da Ciência e da Tecnologia para a Energia Renovável 19 CAPÍTULO III O Brasil no Contexto Mundial 21 3.1- Energia Renovável, Meio Ambiente e Economia 21 3.2- Matrizes Energéticas 23 3.3- A Matriz Energética Brasileira 23 3.4- Comparações entre a Energia no Brasil e no Mundo 26 3.4.1- Recursos Renováveis 28 3.4.1.1- Energia Geotérmica 28 63 3.4.1.2- Energia Hidroelétrica 30 3.4.1.3- Biomassa 37 3.4.1.4- Energia Solar 43 3.4.1.5- Energia Eólica 50 3.5- A Crise Econômica e o Setor Energético 53 CONCLUSÃO 55 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 58 ANEXOS 60 ÍNDICE 63 64 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: